CHUVA DE SEMENTES NA RPPN FAZENDA SANTA MARIA, PR
Maria Angélica Gonçalves Toscan1; Lívia Godinho Temponi2; Rosimeri de Oliveira Fragoso3
Resumo
A RPPN Fazenda Santa Maria, com 242 ha de área, é um remanescente de Floresta Estacional Semidecidual. O
objetivo deste trabalho foi analisar sua chuva de sementes, quanto à diversidade, categoria sucessional, síndrome
de dispersão e forma de vida, verificando a manutenção das espécies na mesma. Para isso, foram amostradas
nove parcelas de 20 x 20 m, onde o material foi coletado de junho/2011 a maio/2012, utilizando quatro coletores
de 0,5 x 0,5 m, distribuídos em cada parcela. Foram registradas 17.717 sementes, distribuídas em 80
morfoespécies, onde 52 foram identificadas ao nível de espécie, nove ao nível de gênero e seis ao nível de
família. Baccharis sp., Cecropia pachystachya, Pisonia aculeata, Gouania ulmifolia e Dendropanax cuneatus,
apresentaram maiores densidades. Os meses com maiores abundancias foram novembro, setembro, março e
dezembro. Para a forma de vida, registrou-se 77% de espécies arbóreas, 20% de lianas e 3% de herbáceas. A
síndrome de dispersão prevalente foi zoocórica (54%), seguida da anemocórica (38%) e autocórica (8%). Os
indivíduos arbóreos foram classificados nas categorias sucessionais, com predominância de pioneiras (39%),
seguido de secundárias iniciais (19%), secundárias tardias (19%) e climácicas (15%). Os resultados foram
semelhantes aos encontrados em outros trabalhos na formação Floresta Estacional Semidecídua.
Palavras-chave: dispersão de sementes; Floresta Estacional Semidecidual.
SEED RAIN IN RPPN FAZENDA SANTA MARIA, PR
Abstract
The RPPN Fazenda Santa Maria, with 242 ha of area, is a remnant of Tropical Semideciduous Forest. The
objective of this study was analyze their seed rain, as the diversity, successional category, dispersion syndrome
and life form, checking the maintenance of the species. For this, were sampled nine plots of 20 x 20 m, where the
material was collected from June/2011 to maio/2012 using four traps of 0,5 x 0,5 m, distributed in each plot.
17.717 seeds were recorded, distributed in 80 morphospecies, where 52 were identified to species level, nine at
the genus level and six at the family level. Baccharis sp., Cecropia pachystachya, Pisonia aculeata, Gouania
ulmifolia and Dendropanax cuneatus, had higher densities. The months with higher abundances were November,
September, December and March. For the life form, there was 77% of tree species, 20% of liana and 3% of
herbaceous. The dispersion syndrome prevalent was zoochory (54%), followed by anemocory (38%) and
autochory (8%). Trees were classified in successional categories, with a predominance of pioneer species (39%),
followed by early secondary (19%), late secondary (19%) and climax (15%). The results were similar to those
found in other works in Tropical Semideciduous Forest.
Keywords: seed dispersal; Tropical Semideciduous Forest.
INTRODUÇÃO
Devido à intensa atividade antrópica, as florestas encontram-se atualmente reduzidas a pequenos
fragmentos. Isso impõe uma série de efeitos deletérios às populações da fauna e flora, como isolamento de
populações, aumento da taxa de endogamia, menor resistência a distúrbios e risco de extinção local (NOSS,
1987; SIMBERLOFF; COX, 1987).
Porém, a conectividade e a organização espacial das manchas determinam importantes propriedades da
paisagem e a viabilidade desses fragmentos (GUREVITCH et al., 2009).
O principal meio de regeneração das espécies tropicais se dá através da chuva de sementes, do banco de
sementes do solo, do banco de plântulas e da formação de bosque (GARWOOD, 1989). A chuva de sementes de
florestas em bom estado de regeneração é geralmente abundante e rica em espécies pertencentes a todas as
categorias sucessionas (MARTINS, 2007). O estudo da chuva de sementes, nesse sentido, pode fornecer
informações importantes sobre a abundância, distribuição espacial e riqueza de espécies (GROMBONEGUARATINI; RODRIGUES, 2002).
As Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) tratam-se de propriedades que dependem da
manifestação do proprietário para se tornarem Unidades de Conservação. Apesar da pequena extensão, essas
reservas estão entre as Unidades de Conservação mais numerosas do país e podem ser utilizadas para uma série
de atividades, científicas, culturais, educacionais e recreativas (FICAGNA, 2009). As RPPNs surgem na função
de proteger importantes manchas de floresta que são muito pequenas para categorias federais ou estaduais,
passando a ser habitats chave para numerosas espécies ameaçadas (RYLANDS; BRANDON, 2005).
Esse trabalho, portanto, teve como objetivo analisar a chuva de sementes da RPPN Fazenda Santa
Maria, PR, quanto à diversidade, categoria sucessional, síndrome de dispersão e forma de vida, a fim de verificar
a manutenção das espécies dessa área.
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização da área
A RPPN Fazenda Santa Maria está localizada nas coordenadas 25°29’19’’ S e 54°21’17’’ O, no
município de Santa Terezinha de Itaipu, Paraná (Fig. 1). Foi estabelecida no ano de 1997 e possui 242 ha de área
(IAP, 2010).
O clima é Subtropical Úmido Mesotérmico, Cfa na classificação de Köppen, com temperatura média
anual de 21º C. Os verões costumam ser quentes, com média superior a 22º C e os invernos com média inferior a
18º C. As chuvas costumam ser bem distribuídas no ano, com uma pequena redução no inverno e a precipitação
anual em torno dos 1.800 mm (IAPAR, 2011).
A composição da flora regional é de Mata Atlântica de Interior, representada por Floresta Estacional
Semidecídual (IBGE, 1992), sendo a RPPN Fazenda Santa Maria um dos remanescentes florestais mais
significativos da região, seguido do Parque Nacional do Iguaçu.
Esta RPPN faz parte do Corredor de Biodiversidade Santa Maria, que tem por objetivo estabelecer a
conectividade entre o Parque Nacional do Iguaçu e a Faixa de Proteção do Reservatório de Itaipu.
Figura 1. Localização da RPPN Fazenda Santa Maria no Corredor de Biodiversidade Santa Maria, PR. Fonte:
Kosmo 2.0.1.(2011).
Figure 1. Location of RPPN Fazenda Santa Maria in Santa Maria Biodiversity Corridor. Font: Kosmo
2.0.1.(2011).
Monitoramento da chuva de sementes
A análise da chuva de sementes foi realizada na RPPN Fazenda Santa Maria. Para isso foram utilizadas
nove parcelas permanentes de 20 x 20 m, delimitadas entre 2010 e 2011, durante um projeto anterior sobre a
riqueza da vegetação arbórea do Corredor Ecológico de Santa Maria – PR.
Em cada uma das parcelas foram distribuídos de forma aleatória quatro coletores de sementes de 0,5 x
0,5 m (0,25 m²) confeccionados com madeira e tela de náilon com malha de 1mm2, totalizando uma área
amostral de 1m2 em cada parcela.
Os coletores foram instalados em maio de 2011 e o material depositado nos coletores foi recolhido
mensalmente durante um ano (junho 2011 – maio 2012) e levado para o herbário da Universidade Estadual do
Oeste do Paraná (UNOP), onde foi seco em estufa durante 48 horas a 70º C. Posteriormente, foram triadas,
separando-se os frutos e as sementes encontrados.
A identificação das amostras ocorreu com o auxílio de livros, manuais de identificação, chaves
taxonômicas, além de exsicatas e coleções de sementes do herbário da Universidade Estadual do Oeste do Paraná
(UNOP) e do Museu Botânico Municipal de Curitiba (MBM).
As sementes encontradas foram contadas e no caso dos frutos encontrados, utilizou-se o número médio
de sementes por fruto que cada espécie possui, para estimar a quantidade de sementes dos mesmos. Para isso,
foram realizadas consultas à bibliografia especializada e abertura dos frutos para a contagem das sementes.
Os parâmetros fitossociológicos analisados foram: densidade absoluta (DA), densidade relativa (DR),
frequência absoluta (FA) e frequência relativa (FR), utilizando suas fórmulas matemáticas (ODUM; BARRET,
2008). Também foi calculado o índice de diversidade de Shannon (H’) e equitabilidade (J’), através do programa
Past 2.12 (HAMMER et al., 2001).
As sementes foram também classificadas de acordo com a categoria sucessional de Budowski (1965),
como pioneiras, secundárias iniciais, secundárias tardias e climácicas. Foram também classificadas de acordo
com a síndrome de dispersão de Van Der Pijl (1982), na qual os diásporos podem ser classificados em
anemocórica, autocórica ou zoocórica. Além disso, foram avaliadas de acordo com as formas de vida: arbórea
(incluindo as arbustivas), herbácea e liana.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante um ano de coleta da chuva de sementes registrou-se 17.717 sementes, distribuídas em 80
morfoespécies, onde 52 foram identificadas a nível de espécie, nove a nível de gênero e seis a nível de família
(Tab. 1).
O índice de diversidade de Shannon (H’) foi de 2,20 e o de equitabilidade J’ de 0,50, estes valores
foram considerados próximos a outros trabalhos de chuva de sementes em áreas florestais, que tiveram valores
de 0,96 à 2,16 para H’ e de 0,39 a 0,58 para J’(GONDIM, 2005; ROTHER et al., 2009).
Tabela 1. Lista de espécies encontradas na chuva de sementes da RPPN Fazenda Santa Maria. (CS) categoria
sucessional, (P) pioneira, (Si) secundária inicial, (St) secundária tardia, (C) climácica, (SD) síndrome de
dispersão, (Ane) anemocórica, (Aut) autocórica, (Zoo) zoocórica, (FV) forma de vida, (A) arbórea, (L) liana, (H)
herbácea e (SC) sem classificação. (NI) Número de indivíduos, (DA) densidade absoluta de propágulos/m2, (DR)
densidade relativa, (FA) frequência absoluta e (FR) frequência relativa.
Table 1. List of species found in the seed rain of RPPN Fazenda Santa Maria. (CS) successional category, (P)
pioneer, (Si) early secondary, (St) late secondary, (C) climax, (SD) dispersion syndrome, (Ane) anemochory,
(Aut) autochory, (Zoo) zoochory, (FV) life form, (A) tree, (L) liana, (H) herbaceous and (SC) unrated. (NI)
Number of individuals (DA) absolute density of seed/m2 (DR) relative density (FA) absolute frequency and (FR)
relative frequency.
Família
Asteraceae
Urticaceae
Nyctaginaceae
Rhamnaceae
Araliaceae
Sapindaceae
Arecaceae
Boranginaceae
Euphorbiaceae
Lauraceae
Sapindaceae
Moraceae
Polygoniaceae
Solanaceae
Apocynaceae
Fabaceae
Arecaceae
Lauraceae
Rutaceae
Fabaceae
Meliaceae
Moraceae
Solanaceae
Bignoniaceae
Celastraceae
Malvaceae
Apocynaceae
Lauraceae
Rosaceae
Malpighiaceae
Espécie
Baccharis sp.
Cecropia pachystachya Trécul
Pisonia aculeata L.
Gouania ulmifolia Hook. & Arn.
Dendropanax cuneatus (DC.) Decne. & Planch.
Matayba elaeagnoides Radlk.
Euterpe edulis Mart.
Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud.
Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll.Arg.
Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez
Serjania sp.
Maclura tinctoria (L.) D.Don ex Steud.
Ruprechtia laxiflora Meisn.
Solanum granulosoleprosum Dunal
Condylocarpon isthmicum (Vell.) A.DC.
Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman
Lauraceae sp. 1
Balfourodendron riedelianum (Engl.) Engl.
Dalbergia frutescens (Vell.) Britton
Cedrela fissilis Vell.
Sorocea bonplandii (Baill.) W.C.Burger et al.
Cestrum bracteatum Link & Otto
Fridericia sp.
Hippocratea volubilis L.
Heliocarpus popayanensis Kunth
Forsteronia sp.
Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez
Prunus myrtifolia (L.) Urb.
Mascagnia divaricata (Kunth) Nied.
CS
P
P
SC
SC
Si
P
C
St
St
P
SC
Si
St
P
SC
P
C
SC
St
SC
St
St
P
SC
SC
P
SC
C
Si
SC
SD
Ane
Zoo
Zoo
Zoo
Zoo
Zoo
Zoo
Ane
Zoo
Zoo
Ane
Zoo
Ane
Zoo
Ane
Aut
Zoo
SC
Ane
Ane
Ane
Zoo
Zoo
Ane
Ane
Ane
Ane
Zoo
Zoo
Ane
FV
H
A
L
L
A
A
A
A
A
A
L
A
A
A
L
A
A
SC
A
L
A
A
A
L
L
A
L
A
A
L
NI
6340
2720
2272
2092
1210
375
370
302
231
230
190
141
105
100
80
78
69
69
65
63
63
53
51
47
44
40
30
26
22
22
DA
704,44
302,22
252,44
232,44
134,44
41,67
41,11
33,56
25,67
25,56
21,11
15,67
11,67
11,11
8,89
8,67
7,67
7,67
7,22
7,00
7,00
5,89
5,67
5,22
4,89
4,44
3,33
2,89
2,44
2,44
DR
35,78
15,35
12,82
11,81
6,83
2,12
2,09
1,70
1,30
1,30
1,07
0,80
0,59
0,56
0,45
0,44
0,39
0,39
0,37
0,36
0,36
0,30
0,29
0,27
0,25
0,23
0,17
0,15
0,12
0,12
FA
75
8,33
100
75
66,67
83,33
75
83,33
58,33
33,33
75
50
66,67
16,67
100
58,33
75
41,67
66,67
83,33
50
33,33
33,33
41,67
41,67
50
50
58,33
58,33
33,33
FR
3,15
0,35
4,20
3,15
2,80
3,50
3,15
3,50
2,45
1,40
3,15
2,10
2,80
0,70
4,20
2,45
3,15
1,75
2,80
3,50
2,10
1,40
1,40
1,75
1,75
2,10
2,10
2,45
2,45
1,40
Meliaceae
Fabaceae
Lamiaceae
Bignoniaceae
Salicaceae
Euphorbiaceae
Poaceae
Malvaceae
Bignoniaceae
Poaceae
Malvaceae
Euphorbiaceae
Rubiaceae
Picramiaceae
Apocynaceae
Solanaceae
Fabaceae
Fabaceae
Boranginaceae
Aquifoliaceae
Myrsinaceae
Lauraceae
Lauraceae
Fabaceae
Araliaceae
Malvaceae
Solanaceae
Sapotaceae
Guarea kunthiana A.Juss.
Inga marginata willd.
Aegiphila integrifolia (Jacq.) Moldenke
Handroanthus ochraceus (Cham.) Mattos
Casearia sylvestris Sw
Dalechampia stipulacea Müll.Arg.
Poaceae sp. 1
Luehea divaricata Mart. & Zucc.
Jacaranda micrantha Cham.
Poaceae sp. 2
Byttneria catalpifolia Jacq.
Euphorbiaceae sp.1
Psychotria carthagenensis Jacq
Picramnia sp.
Rauvolfia sellowii Müll.Arg.
Solanum sp.
Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Record
Fabaceae sp.1
Cordia americana (L.) Gottschling & J.S.Mill.
Ilex paraguariensis A.St.-Hil.
Myrsine umbellata Mart.
Ocotea sp.
Lauraceae sp. 2
Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan
Schefflera calva (Cham.) Frodin & Fiaschi
Ceiba speciosa (A. St.-Hil.) Ravena
Cestrum bracteatum Link & Otto
Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler ex
Miq.) Engl.
Sapotaceae
Chrysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk.
Boranginaceae Cordia ecalyculata Vell.
Sapindaceae
Diatenopteryx sorbifolia Radlk.
Bignoniaceae Handroanthus impetiginosus Mattos
Sapindaceae
Koelreuteria paniculata L.
Poaceae
Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase
Bignoniaceae Pirostegia sp.
Solanaceae
Solanum sp.
Styracaceae
Styrax leprosus Hook. & Arn.
St
Si
P
C
P
SC
SC
Si
P
SC
SC
SC
St
SC
P
SC
P
SC
P
C
Si
SC
SC
Si
C
Si
P
St
Zoo
Zoo
Zoo
Ane
Zoo
Aut
SC
Ane
Ane
SC
Aut
SC
Zoo
Zoo
Zoo
Zoo
Aut
SC
Ane
Zoo
Zoo
Zoo
SC
Aut
Zoo
Ane
Zoo
Zoo
A
A
A
A
A
L
SC
A
A
SC
L
SC
A
A
A
A
A
SC
A
A
A
A
SC
A
A
A
A
A
19
16
16
15
12
12
12
10
9
9
5
5
5
4
4
4
3
3
2
2
2
2
2
2
2
1
1
1
2,11
1,78
1,78
1,67
1,33
1,33
1,33
1,11
1,00
1,00
0,56
0,56
0,56
0,44
0,44
0,44
0,33
0,33
0,22
0,22
0,22
0,22
0,22
0,22
0,22
0,11
0,11
0,11
0,11
0,09
0,09
0,08
0,07
0,07
0,07
0,06
0,05
0,05
0,03
0,03
0,03
0,02
0,02
0,02
0,02
0,02
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
25
25
33,33
25
8,33
8,33
33,33
8,33
8,33
25
16,67
33,33
8,33
25
25
8,33
16,67
16,67
16,67
16,67
8,33
16,67
8,33
8,33
8,33
8,33
8,33
8,33
1,05
1,05
1,40
1,05
1,35
0,35
1,40
0,35
0,35
1,05
0,70
1,40
0,35
1,05
1,05
0,35
0,70
0,70
0,70
0,70
0,35
0,70
0,35
0,35
0,35
0,35
0,35
0,35
P
P
Si
C
SC
P
SC
SC
P
Zoo
Zoo
Ane
Ane
Ane
Ane
Ane
Zoo
Zoo
A
A
A
A
A
H
L
A
A
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0,11
0,11
0,11
0,11
0,11
0,11
0,11
0,11
0,11
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
0,01
8,33
8,33
8,33
8,33
8,33
8,33
8,33
8,33
8,33
0,35
0,35
0,35
0,35
0,35
0,35
0,35
0,35
0,35
As espécies com maiores densidades foram Baccharis sp., Cecropia pachystachya, Pisonia aculeata,
Gouania ulmifolia e Dendropanax cuneatus, com valores de 704,44, 302,22, 252,44, 232,44, 134,44
respectivamente.
A morfoespécie Baccharis sp., da família Asteraceae foi identificada apenas no nível de gênero. Pois
esta família pertence a segunda maior família de angiospermas no Brasil, com cerca de 2.000 espécies
(GIULIETTI et al., 2009) e o fruto não é um caráter diagnóstico para reconhecer suas espécies, por isso não foi
possível sua identificação a nível de espécie.
Cecropia pachystachya, a embaúba, é uma espécie pioneira muito utilizada como alimento para
morcegos, macacos e muitas espécies de pássaros, além disso, produz milhares de sementes por fruto que são
capazes de se depositar no banco de sementes do solo por um longo período de tempo e é importante na
colonização de clareiras, auxiliando na manutenção de florestas secundárias (CARVALHO, 2006).
Pisonia aculeata e Gouania ulmifolia, são lianas que estão também entre as espécies mais frequentes da
chuva de sementes. Por ocorrem em maior abundância nessa formação florestal, acabam sendo uma fonte de
recursos para a fauna nos meses de baixa oferta de frutos pelos arbustos e liana (MORELLATO; LEITÃOFILHO, 1996).
O Dendropanax cuneatus, maria-mole, é uma espécie característica de floresta semidecídua, que prefere
formações secundárias e mais abertas, costuma apresentar ampla dispersão e produz elevado número de
sementes anualmente (LORENZI, 2002). O que explica o elevado número de sementes coletadas e sua ampla
dispersão ao longo do ano amostral.
As espécies com maiores frequências absolutas foram: Pisonia aculeata e Condylocarpon isthmicum
com 100%, ou seja, foram observadas em todos os meses de coleta e em grande maioria das as parcelas,
Matayba elaeagnoides, Cordia trichotoma e a Dalbergia frutescens apresentaram frequência de 83,33%,
Baccharis sp., Gouania ulmifolia, Euterpe edulis, Serjania sp. e Syagrus romanzoffiana com frequência de 75%
(Tab.1). Algumas destas espécies, comoMatayba elaeagnoides, Euterpe edulis e Syagrus romanzoffiana, que
apresentaram frequências absolutas elevadas, são zoocóricas e são importantes fontes alimentares para a fauna
durante todo o ano.
Ao longo de um ano de coleta, os meses que apresentaram números de sementes mais elevados foram
respectivamente, novembro, setembro, março e outubro (Fig. 2A). Já o número de espécies coletadas ao longo do
ano, pouco se alterou entre os meses, com valores que variaram de 16 a 31 espécies, onde os meses com maior
número de espécies foram setembro, outubro e novembro (Fig. 2B).
Florestas Estacionais Semidecíduas, como é o caso da área estudada, costumam apresentar picos de
frutificações entre os meses de setembro e novembro (MORELLATO, 1991), que são os meses de maiores
atividades tanto reprodutivas, quanto vegetativas de espécies de floresta semidecidual. Tais eventos não estariam
relacionados apenas com o fim da estação seca, mais também pela elevada disponibilidade de nutrientes no solo
causado pela deposição da serrapilheira nos meses mais secos do ano.
O mês com maior número de sementes encontradas na amostragem foi novembro (Fig. 2A), isso se deu
pela elevada abundância da Baccharis sp., que sozinha apresentou 4.101 sementes apenas neste mês. Outra
espécie que causou a ocorrência de um pico no número de sementes foi a Cecropia pachystachya, que apenas no
mês de março apresentou abundância de 2.720 sementes causada pela queda de um fruto inteiro no coletor, uma
vez que os frutos desta espécie amadurecem de março a abril (CARVALHO, 2006). Com exceção desses valores
muito elevados, os meses de maior deposição foram setembro, outubro e novembro (Fig. 2A), corroborando os
resultados de Morellato (1991).
Figura 2. A) Número de sementes coletadas ao longo de um ano de coleta. B) Número de espécies coletadas ao
longo de um ano de coleta.
Figure 2. A) Number of seeds collected over a year of collection. B) Number of species collected over a year of
collection.
Analisando a forma de vida das espécies encontradas, houve o predomínio de espécies arbóreas com
77%, 20% de lianas e 3% de herbáceas. A quantidade considerável de lianas também se dá por ser uma área
aberta e com grande entrada de luz, característica de Florestas Estacionais Semideciduais, o que favorece a
ocorrência dessa forma de vida (CARMO; MORELLATO, 2009). Entre junho a agosto, que são os meses de
menores temperaturas e baixas precipitações na região, foi possível observar um maior número de sementes de
lianas coletadas na área, sugerindo que esta forma de vida pode ser responsável pela produção recursos para a
fauna nesse período, uma vez que as sementes arbóreas foram pouco representativas nesse período (Fig. 3).
Figura 3. A) Forma de vida das espécies encontradas na chuva de sementes da RPPN Fazenda Santa Maria; B)
Forma de vida do número de sementes da chuva de sementes ao longo dos meses. (sc) sem classificação.
Figure 3. A) Life form of species found in the seed rain of RPPN Fazenda Santa Maria. B) Life form of the seed
number in the seed rain over the months. (sc) unrated.
A síndrome de dispersão zoocórica prevaleceu entre as espécies encontradas, correspondendo a 54% do
total, enquanto que a síndrome anemocórica ocorreu em 38% das espécies encontradas e a autocórica em 8%. De
acordo com Carmo e Morellato (2009), Florestas Estacionais Semidecíduas, como é o caso da vegetação da
região, apresentam cerca de 57% de espécies zoocóricas e cerca de 30% anemocóricas, por serem florestas mais
abertas que as florestas tropicais e com uma pequena estação seca, que favorece essa síndrome de dispersão.
Além disso, pode-se observar que a síndrome zoocórica esteve presente em todos os meses do ano amostrado
(Fig. 4), Martins (2009) salienta que a disponibilidade de sementes durante o ano surge como uma estratégia de
extrema importância para a permanência de animais dispersores na área, visto que, esse tipo de dispersão além
de garantir a disseminação dessas espécies, a presença da fauna na área contribui adicionando várias outras
espécies à mesma (SILVA, 2008).
Figura 4. Síndrome de dispersão do número de sementes da chuva de sementes ao longo dos meses. (Ane)
anemochory (Aut) autochory (Zoo) zoochory, (sc) sem classificação.
Figure 4. Dispersion syndrome of the seed number in the seed rain over the months. (Ane) anemochory, (Aut)
autochory, (Zoo) zoochory, (sc) unrated.
A categoria sucessional mais frequente entre as espécies árbóreas foi de pioneira com 36%, seguida das
secundárias iniciais e secundárias tardias ambas com 19% e climácicas com 15% (Fig. 5). Apesar de a área ser
considerada uma floresta em estádio secundário a clímax no estudo de sua fitossociologia (GRIS, 2011), o
elevado número de espécies pioneiras encontradas na chuva de sementes, pode ser explicado por essa categoria
sucessional apresentar uma intensa produção de frutos e sementes, aumentando as chances de ser detectada na
chuva de sementes (MARTINS, 2007). Além disso, elevada quantidade de espécies das categorias sucessionais
iniciais na chuva de sementes, sugerem que estas espécies poderão estar se depositando no banco de sementes, e
que frente a um distúrbio ou degradação, a área pode apresenta um elevado potencial de regeneração
(MARTINS, 2009).
Figura 5. Categorias sucessionais das espécies encontradas na chuva de sementes da RPPN Fazenda Santa Maria.
(sc) sem classificação.
Figure 5. Successional category of species found in the seed rain of RPPN Fazenda Santa Maria. (sc) unrated.
CONCLUSÃO
O grande número de espécies encontradas na chuva de sementes, sugere que a manutenção das espécies
da flora da RPPN Fazenda Santa Maria vem ocorrendo e que existe a disponibilidade de frutos para a fauna
durante todo o ano.
Além disso, os valores encontrados para a forma de vida e a síndrome de dispersão foram semelhante a
outros trabalhos em Florestas Estacionais Semidecíduas.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos à administração da Fazenda Santa Maria por permitir a realização da pesquisa na área e à
fundação PTI C&T pela bolsa de mestrado concedida.
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