BHD36 . BOLETIM DE HISTÓRIA DEMOGRÁFICA Ano XII, no. 36, abril de 2005 SUMÁRIO Apresentação Artigos Resenha Resumos Notícia Bibliográfica Publicações Recebidas Notícias e Informes ROL - Relação de Trabalhos Publicados file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (1 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 Apresentação Além do farto material informativo estampado neste número de nosso BHD, estão a distingui-lo o texto assinado por Maria Luiza Marcílio, nome consagrado de nossa demografia histórica, os estimulantes artigos sobre nomes e sobrenomes devidos a Sérgio Luiz Ferreira e o valioso e desafiador índice proposto por Richard Graham, o qual se define como autor de obras clássicas sobre a história da escravidão nas Américas. Artigos RICHARD GRAHAM. Purchasing power: a tentative approach and an appeal. RESUMO. Depois de evidenciar as limitações representadas pelo uso das conversões cambiais como forma de atualizar, para efeito do estabelecimento de confrontos, valores colhidos nos inventários post-mortem concernentes a distintos momentos do tempo, o autor propõe um sucedâneo a tal prática construindo um índice calcado nos preços de alimentos e de cativos. (a) Para ler a versão integral do artigo e ter acesso aos preços levantados pelo autor e ao índice proposto, em formato Adobe (.pdf): . (b) Para ter acesso apenas à versão do texto do artigo, em formato Word (.rtf): . (c) Para ter acesso apenas aos preços e ao índice, em formado Excel (.xls) file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (2 of 18) [28/02/2005 19:36:37] . BHD36 MARIA LUIZA MARCÍLIO. Os registros paroquiais e a historia do Brasil. (publicado originalmente na revista Varia Historia, 31, jan. 2004:13-20). RESUMO. Neste artigo, a autora recupera a história dos assentos paroquiais de batismos, casamentos e óbitos concernentes à Igreja Católica. Evidencia, ademais, além das enormes potencialidades informativas de tais fontes documentais, o papel crucial que desempenharam no estabelecimento da moderna história demográfica. Para ler a versão integral do artigo . SÉRGIO LUIZ FERREIRA. Transmissão de sobrenomes entre luso-brasileiros: uma questão de classe. RESUMO. Este artigo procura discutir de forma genealógica, na acepção de Michel Foucault, a forma de transmissão de sobrenomes numa freguesia de colonização açoriana da Ilha de Santa Catarina. O principal objetivo é demonstrar que a transmissão de sobrenome não é uma questão de gênero, como muitos pensam, mas uma questão de classe social. Para ler a versão integral do artigo . SÉRGIO LUIZ FERREIRA. A utilização de prenomes: uma comparação entre uma freguesia do Sul do Brasil e uma freguesia açoriana. RESUMO. A pesquisa encontra-se embasada nos registros civis e religiosos da freguesia de Nossa Senhora das Necessidades da Praia Comprida, atual distrito de Santo Antônio de Lisboa, município de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Dessa forma, todos os dados referidos neste trabalho foram coletados nessa paróquia. No artigo comparam-se os prenomes adotados nessa freguesia com os escolhidos em uma freguesia do arquipélago dos Açores, de onde veio a maioria absoluta dos povoadores iniciais do atual distrito de Santo Antônio (cerca de 75%). A conclusão é que ao longo do século XIX deu-se o "abrasileiramento" dos prenomes utilizados. De uns poucos nomes portugueses passou-se a diversos nomes de muitas origens. Para ler a versão integral do artigo . Resenha file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (3 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 Os refugiados da seca Maria Lucília Viveiros Araújo NOZOE, Nelson; BASSANEZI, Maria Silvia C. Beozzo; SAMARA, Eni de Mesquita (org.). Os refugiados da seca: emigrantes cearenses, 1888-1889. São Paulo; Campinas: NEHD, NEPO, CEDHAL, 2003. 44 p. e CD-ROM. O trabalho reuniu professores de diferentes instituições - Nelson H. Nozoe é professor da FEA-USP, Eni de Mesquita Samara da FFLCH-USP e Maria Silvia C. Beozzo Bassanezi é pesquisadora do NEPO-UNICAMP - tendo por interesse comum a demografia histórica. O livro tem o objetivo de sistematizar os dados e divulgar a documentação da Companhia de Vapores dos anos 1888-1889, época da presidência de Antônio Caio da Silva Prado, do acervo do Arquivo Público Estadual do Ceará. Os dados foram extraídos de um conjunto de 24 livros do referido arquivo, e transcritos para o CD Rom que acompanha a publicação. Os anexos ou CD Rom contêm a listagem dos 31.820 indivíduos ou famílias que abandonavam a região da seca rumando para diferentes regiões. Essas listas discriminam o nome, a idade, o sexo, o estado conjugal, o grau de parentesco com o chefe, a naturalidade, a procedência, o destino e a companhia transportadora. O tratamento das fontes consta da segunda parte do texto "Companhia de vapores, notas sobre a transcrição dos dados". A primeira parte da publicação contextualiza o fenômeno. As secas periódicas do Nordeste provocaram grandes deslocamentos populacionais, principalmente após a segunda metade do século XIX. Sendo que, nos anos 1888/89, o presidente do Ceará resolveu optar pela subvenção do transporte para minorar o risco de vida dos atingidos e preservar as cidades do litoral dos excessos populacionais. Essa iniciativa redundou na produção dos documentos em questão, que individualizou apenas uma parte dos 300.000 cearenses prejudicados pela seca. Ela nos informa sobre as regiões envolvidas, sobre a origem e a circulação do camponês do Ceará, e, também, sobre o padrão de família e o destino preferencial do retirante da época. Há dois mapas e oito tabelas apresentando didaticamente essa população. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (4 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 Enfim, a publicação levanta várias questões a serem enfrentadas por futuros trabalhos sobre o tema. Por exemplo, que atraiu 63,9% dos migrantes para as províncias do Norte? Por que não se aproveitou o fenômeno para povoar as terras do Sul? Quais as providências tomadas nas províncias vizinhas? Isto é, ela se propõe subsidiar o incipiente estudo historiográfico das migrações internas, o fenômeno das secas do Nordeste, além de fornecer dados preciosos para as pesquisas genealógicas do brasileiro. Resumos ALMEIDA, Ana Maria Leal. Da casa e da roça: a mulher escrava em Vassouras no século XIX. Universidade Severino Sombra, Dissertação de mestrado, 2001. RESUMO. Esta dissertação apresenta pontos fundamentais para o estudo da mulher escrava em Vassouras no período 1850-1888; são consideradas fontes documentais coevas, a literatura de época e a bibliografia hodierna. Destaca-se, em especial, a presença da mulher escrava em inúmeras ocupações, tanto no interior dos casarões urbanos ou campestres, como no meio rural, nos mais diversos trabalhos de roça. ABSTRACT. This work introduces fundamental aspects for the study of the slave woman in Vassouras during the period from 1850 to 1888, according to documental sources, literature of that time and modern bibliographical reference. It emphasizes the presence of the slave woman in countless occupations, either inside the urban or country houses, or in the rural environment, in the most varied agricultural activities. ASSIS, Marcelo Ferreira de. Tráfico atlântico, impacto microbiano e mortalidade escrava, Rio de Janeiro c. 1790-c. 1830. (mestrado, IFCS da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2002), 146 p., mimeografado. RESUMO. Este estudo observa a dinâmica da mortalidade escrava em áreas urbanas e rurais da província do Rio de Janeiro, de 1790 a 1830, tendo como pressuposto que o tráfico atlântico influenciava de forma intensa tal dinâmica. As migrações africanas forçadas constituíram um elemento de propagação de doenças. Propagação esta que atingia tanto os próprios africanos como os crioulos, também vitimados pelas doenças trazidas pelos navios negreiros. BORTOLLI, Cristiane de Quadros de. Vestígios do passado: a escravidão no Planalto Médio Gaúcho (1850-1888). Passo Fundo, Universidade Federal de Passo Fundo, Dissertação de mestrado, 2003. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (5 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 RESUMO. Neste estudo, de caráter histórico-regional, a autora analisa a escravidão no Planalto Médio gaúcho no período 1850-1888. Busca elucidar os fatos referentes aos escravos dessa região, considerando a forte presença de cativos e seu valor econômico no contexto sociopolítico e na formação dos municípios de Cruz Alta e Palmeira das Missões; demonstrando que os escravos não estiveram presentes somente na região charqueadora e em Porto Alegre, como até o momento foi apresentado pela historiografia. Também analisa a produção historiográfica identificando como essa apresenta e trata o escravo no Brasil e no Rio Grande do Sul. Através de pesquisa empírica, revela a existência de movimentos abolicionistas nessa região, comparando-os com os de outras, as leis elaboradas nesse período, as quais permitiram o encaminhamento de ações de liberdade que culminaram na abolição. Através da análise de processos de inventários e testamentos, identifica e demonstra como essa ações transcorreram e permitiram a concessão de liberdade aos cativos. A pesquisa em livros de registros de batismos e óbito pertencentes à Igreja Matriz de Cruz Alta permitiu revelar a existência de batismo, compadrio e apadrinhamento de escravos, bem como os óbitos ocorridos nessa cidade e em Palmeira das Missões na segunda metade do século XIX. Através desses documentos o estudo descreve como se realizavam os atos sacramentais, quantifica o número de batismos e identifica quem eram os cativos, seus donos, seus padrinhos e onde esses atos ocorriam. CAMPOS, Adalgisa Arantes. Locais de sepultamentos e escatologia através de registros de óbitos da época barroca: a freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 159-183. RESUMO. A autora considera os sepultamentos feitos nas covas situadas na nave, na capela-mor e no adro, isto é, no espaço sagrado entre 1712, dada da instituição da Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, e 1733, ano da transladação do Triunfo Eucarístico que indica certa consolidação da sociedade. O estudo apresenta aspectos qualitativos e quantitativos, revelando a documentação das irmandades leigas, doutrinária, a legislação diocesana e, sobretudo, 158 assentos de óbitos daquela paróquia ouropretana. São levantadas questões pertinentes ao ordenamento social e simbólico dos mortos e de que forma a visão hierárquica vigente foi pouco flexibilizada nesse primeiro terço do povoamento das Gerais. A documentação mostra que boa parte dos escravos não foi enterrada em solo sagrado. Só na década seguinte, a partir da diversificação da sociedade e de recursos próprios, os escravos teriam acesso às covas da fábrica paga, situadas no interior do templo. Só bem mais tarde o templo do Rosário dos Pretos, próximo à matriz, destacar-se-ia como importante necrópole. CARBONARI, Maria Rosa. População, fronteira e família: a região de Río Cuarto no período colonial tardio. Niterói, Universidade Federal Fluminense, Tese de doutorado, 2001. RESUMO. Esta pesquisa é uma contribuição à Historia Hispano-americana do período colonial tardio, nela estuda-se, de fins do século XVIII ao início do século XIX, uma região rural e fronteiriça. Soma-se, assim, aos debates historiográficos que procuram conhecer e discutir as relações específicas do mundo colonial, neste caso população, povoamento e família em espaços não estudados anteriormente. Assim, considera-se a região de Río Cuarto, um dos espaços mais austrais da Governação do Tucumán, e, portanto, do Império colonial na América. Mostra-se como tal espaço se originou de uma Merced abarcando dois ambientes geomorfológicos diferenciados: a serra e a planície. Embora até o século XVIII a serra estivesse mais integrada ao espaço econômico colonial (fornecimento ao centro mineiro), file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (6 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 com as Reformas Bourbônicas a planície passou a ter importância específica por ser via de comunicação entre Buenos Aires e o Chile. Iniciava-se, neste espaço, um plano estratégico de povoamento (fundação de vilas) e proteção (construção de baluartes defensivos) que levaria a região a passar de espaço marginal a um espaço de fronteira. O período abordado estende-se de 1778 a 1813, marcos dados por dois recenseamentos que permitem identificar a população que habitava a região e suas principais características demográficas e, com auxílio de outras fontes, reconhecer a radiografia de uma sociedade rural e fronteiriça, analisar as famílias que a habitavam e os outros grupos sociais. CARVALHO, Rosane Aparecida Bartholazzi de. Imigrantes italianos em uma nova fronteira: Noroeste Fluminense (1896-1930). Universidade Severino Sombra, Dissertação de mestrado, 2001. RESUMO. No panorama dos estudos sobre imigrantes italianos no Brasil percebemos a necessidade de produzir novos conhecimentos aprofundando em questões pouco exploradas no âmbito da História Regional. Nesse sentido, o presente estudo é dedicado a uma colônia de italianos que se estabeleceu em Varre-Sai, no município de Itaperuna, Noroeste Fluminense, no final do século XIX. A chegada do imigrante se faz num período de expansão da cafeicultura na região. Procuramos analisar a dinâmica do processo de aquisição de terras por parte destes, que de colonos e parceiros transformaram-se em proprietários rurais. As diversas fontes de renda ligadas à lavoura cafeeira e os pecúlios existentes no país de origem permitiram aos italianos uma ascensão econômico-social. Procuramos ainda explicar de que maneira os imigrantes italianos atuaram no sentido de construir seu próprio espaço na região de Varre-Sai. Trabalhamos, entre vários outros, com extensas fontes demográficas, judiciárias e privadas. DOMINGUES, Petrônio. Uma História Não Contada - negro, racismo e branqueamento em São Paulo no pós-abolição. São Paulo, Editora Senac São Paulo, 2004, 400 p. RESUMO. O autor aborda a transição do trabalho escravo para o trabalho livre em São Paulo e defende a tese de que a vinda dos imigrantes para a cidade, no período pós-escravidão, foi uma política governamental paulista construída com apoio da elite, interessada em excluir os negros livres da sociedade. Depois de abolida a escravidão, a mão-de-obra se tornou escassa e os fazendeiros viram nos estrangeiros uma fonte alternativa, fator que favoreceu a entrada de imigrantes no Brasil; essa é uma idéia esposada por muitos estudiosos e contra a qual se coloca o autor da dissertação de mestrado em foco, a qual foi apresentada na USP; nela se mostra que, pelo menos em São Paulo, destino de muitos imigrantes, não havia falta de mão-de-obra, mas uma concreta intenção da elite, do governo e dos intelectuais paulistas em "branquear" a cidade. "Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o racismo em São Paulo não era velado, mas apoiado por um grande número de pessoas que acreditava na inferioridade do negro", afirma o autor. "Logo após o fim da escravidão sobrava mão-de-obra negra na cidade, contudo eles eram impedidos de atuar no mercado formal e na indústria que começava a florescer, partindo então para trabalhos marginais. Os imigrantes, por outro lado, receberam vários incentivos para vir para o Brasil e para São Paulo, ainda que as condições de trabalho muitas vezes fossem vis". São evidenciadas, também, as dificuldades que os negros enfrentavam depois de livres e a discriminação que também sofriam por parte dos imigrantes. Para elaborar sua dissertação o autor reuniu variada gama de fontes documentais em arquivos da prefeitura de São Paulo, de museus da file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (7 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 saúde pública, do tribunal judiciário de São Paulo, da Universidade de São Paulo, além de percorrer jornais e atas da comunidade negra, jornais da grande imprensa, relatórios de polícia e a legislação da cidade. FRAGA, Ana Maria Almeida. Cativeiro barroco: a escravidão urbana em Minas Gerais - Mariana e Ouro preto na primeira metade do século XVIII. Universidade Severino Sombra, Dissertação de mestrado, 2000. RESUMO. Esta dissertação tem como tema o estudo da vida dos escravos "ao ganho", na sociedade da área mineradora de Minas Gerais no século XVIII. O estudo da documentação sobre a repressão e normatização das ações dos escravos no espaço urbano serviu para que pudéssemos apreender os aspectos cotidianos da vida dos escravos urbanos como: origem, trabalho, sobrevivência, lazer e as estratégias para alcançar a alforria. No correr do trabalho evidenciamos a especificidade do espaço urbano em Mariana e Vila Rica as quais anteciparam as formações urbanas do século XIX e a consolidação das características da escravidão urbana, assim como as várias estratégias desenvolvidas pelos escravos para organizar a sua vida, cultura e possibilidades de manumissão. FRANCO, Renato & CAMPOS, Adalgisa Arantes. Notas sobre os significados religiosos do Batismo. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 21-40. RESUMO. Os autores analisam o ritual do batismo e os significados que a cerimônia tinha para o homem religioso da época barroca. Nesse sentido, procuraram traçar uma via que privilegiasse o imaginário, os aspectos formais da solenidade e os sentidos teológicos que permeiam o rito, na tentativa de elucidar algumas repercussões que a vida religiosa tem sobre o cotidiano dos fiéis. Analisaram, também, alguns aspectos da dinâmica religiosa de Vila Rica em seus primórdios: de 1712, ano da instituição da Freguesia de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, até o fim de 1719, período esse que permite observar algumas especificidades daquela sociedade nascente. LIBBY, Douglas Cole & BOTELHO, Tarcísio R. Filhos de Deus: batismos de crianças legítimas e naturais na Paróquia de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, 1712-1810. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 69-96. RESUMO. Os autores analisam as características dos registros de batismos de crianças da paróquia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto (MG) ao longo do século XVIII. Inicialmente, acompanham a evolução dos batismos segundo a condição social da mãe (livre, forra ou escrava), mostrando o predomínio de cativas ao longo da primeira metade do século. A legitimidade segundo a condição da mães mostra que os filhos de mulheres livres eram predominantemente legítimos, enquanto o inverso ocorria com as escravas, apesar do aumento da taxa de legitimidade dessas últimas nas décadas finais do período observado. A partir do cruzamento das informações do nome das mães, conjugado com o nome do senhor para o caso das escravas, é possível observar o número médio de filhos por mulher segundo seu estado conjugal e sua condição social. Com os dados daquelas mães com mais de um filho, estabeleceu-se o intervalo médio entre os batismos. Finalmente, foi efetuado o cruzamento dos registros de filhos de escravas das últimas décadas com o recenseamento de Ouro Preto de 1804. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (8 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 MARCÍLIO, Maria Luiza. Os registros paroquiais e a História do Brasil. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 13-20. RESUMO. O estudo considera as informações existentes na documentação de alçada paroquial, isto é, os assentos de batismo, casamento e óbito, demonstrando a importância desse acervo para a investigação das populações pretéritas. MORTARI, Cláudia. Os Homens Pretos do Desterro. Um estudo sobre a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário (1841-1860). Porto Alegre, PUCRS, Dissertação de Mestrado, 2000. RESUMO. A autora toma como objeto de estudo a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e seus Irmãos africanos e afrodescendentes na cidade de Nossa Senhora do Desterro entre 1841 e 1860. A Irmandade constituía um lugar próprio, com base no qual os Irmãos buscavam, mediante costume instituído nas relações sociais, estabelecer e legitimar estratégias de solidariedade e assistência entre eles, objetivando dentre outras metas, educar as crianças, alforriar escravos e enterrar e sufragar a alma dos Irmãos falecidos. Enquanto um lugar composto por indivíduos de diferentes origens e condições sociais, a Irmandade não estava isenta de conflitos e embates. É o que indica o conflito entre pretos e pardos da Irmandade a partir de janeiro de 1841. Este conflito no interior da Irmandade do Rosário deu visibilidade às diferentes experiências das populações africanas e afrodescendentes em Desterro, tirando-as do silenciamento imposto pela historiografia catarinense. PINHEIRO, Luciana de Araujo. A civilização do Brasil através da infância: propostas e ações voltadas à criança pobre nos anos finais do Império (1879-1889). Niterói, Universidade Federal Fluminense, Departamento de História, Dissertação de mestrado, 2003, 144 p. RESUMO. Num contexto marcado pela crise do escravismo e por tentativas de se formar um mercado de trabalho, a questão da infância pobre emergia como fator de grande preocupação das autoridades brasileiras. O principal objetivo desta dissertação é estudar a problemática dessa infância a partir da atuação de Chefes de Polícia da Corte, Ministros da Justiça, Presidentes da província do Rio de Janeiro e Juizes de Órfãos da capital imperial, entre 1879 e 1889, frente ao problema dos menores ditos "abandonados" nas ruas da cidade. ABSTRACT. In a context of slavery decline and foundation of a working market, the issue of poverty and childhood emerged as an element of constant worry to the Brazilian authorities. Thus, the main goal of this dissertation is to study this problematic issue from the point of view of the action toward the abandoned children taken by the Court's Chief of Police, the Ministry of Justice, the President of the province of Rio de Janeiro and the Orphans` Judges from the imperial capital between 1879 and 1889. RAMOS, Donald. Teias sagradas e profanas: o lugar do batismo e compadrio na sociedade de Vila Rica durante o século do ouro. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 41-68. RESUMO. O ensaio contém considerações acerca de duas investigações independentes. A primeira diz respeito ao uso do banco de dados de registros de batismos de Ouro Preto como uma ferramenta para o file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (9 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 estudo da demografia de Vila Rica durante o século XVIII. O que parece mais notável neste exame geral é o fato de que a maioria das crianças nascidas livres era legítima e que, ao contrário, do esperado, houve um declínio na proporção de crianças legítimas ao longo do século. A análise demográfica mais ampla serve como pano de fundo para um estudo detalhado do sistema de compadrio que privilegia tanto seu papel espiritual quanto sua função social. A natureza e o funcionamento do compadrio são investigados para as comunidades livre e escrava. É interessante observar o uso do compadrio para estabelecer estruturas hierárquicas dentro da comunidade escrava, apesar dos esforços por parte dos oficiais coloniais no sentido de obstruir o desenvolvimento deste sistema de autoridade rival. Ao trazer o sagrado para o interior da família a escolha da Virgem Maria e de outras santas católicas como madrinhas é vista como uma ponte entre os mundos espiritual e profano. SILVA, Cristiane dos Santos. Irmãos de fé, Irmãos no poder: a irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos na Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (1751-1819). Universidade Federal de Mato Grosso, Dissertação de mestrado, 2001. RESUMO. Esta é uma investigação sobre escravidão e as ações e as relações dos irmãos do Rosário (marrom e negro) com o sagrado, contemplando o tema da devoção e escravidão, peculiar na constituição de famílias negras que, ricas ou modestas participaram da construção da Vila de Cuiabá e da organização da aludida irmandade. As famílias negras estabeleceram um sistema de solidariedade; as mulheres tiveram um papel predominante na preservação, perpetuação das crenças e transformação dos aspectos culturais que uniram igreja e sociedade da Vila de Cuiabá. No universo religioso o papel desempenhado por uma mulher escrava aumentava quando pertencia a uma irmandade, pois quando adquiriam a liberdade normalmente estendiam este benefício para suas crianças. Sob certos aspectos, de acordo com o olhar do poder instituído, as mulheres poderiam ser "perigosas", pois possuíam uma mobilidade maior no ambiente urbano, por serem líderes em potencial da religiosidade; necessárias nas procissões, festas e missas. A Vila de Cuiabá também foi edificada em decorrência de relações de solidariedade de africanos, inclusive os do Rosário. SILVA, Vera Alice Cardoso. Aspectos da função política das elites na sociedade colonial brasileira: o 'parentesco espiritual' como elemento de coesão social. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 97-119. RESUMO. O ensaio aborda a escolha de padrinhos para o batismo religioso de crianças na sociedade colonial brasileira considerando-a como expressão de duas dimensões relevantes na constituição da ordem social tradicional, a saber, a solidariedade grupal fundada em valores comunitários e o plano do cálculo referido ao ganho social para o indivíduo e sua família decorrente do status social do padrinho escolhido. Ressalta-se a preeminência das conexões pessoais entre indivíduos de diferentes estratos econômicos e de prestígio social na produção da coesão social num tipo de sociedade em que a esfera da política não está ainda constituída como espaço público de confrontações e de afirmação de direitos de indivíduos, grupos e classes sociais. Notícia Bibliográfica file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (10 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 Trabalhos publicados por Maria Cristina Cortez Wissenbach nas áreas da história demográfica, econômica e social. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. A mercantilização da magia na urbanização de São Paulo. Revista de História, USP, São Paulo, n. 150, 2004. RESUMO. Artigo, originário de minhas pesquisas para a tese de doutorado, sobre as religiões populares na cidade de São Paulo entre finais do século XIX e primeiras décadas do XX, incluindo é claro as religiões afro-brasileiras, macumba, umbanda ao lado das práticas de feitiçaria e de curandeirismo provenientes dos grupos de afrodescendentes. A base documental é constituída de processos criminais. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Cartas, procurações, escapulários e patuás: os múltiplos significados da escrita entre escravos e forros na sociedade oitocentista brasileira. Revista Brasileira de História da Educação, Campinas, v. 4, p. 103-122, 2002. RESUMO. Artigo no qual contemplo o uso e as práticas de escrita e leitura entre escravos e forros, discutindo a questão em geral e analisando documentos (cartas de escravos) localizados entre processos criminais do século XIX, de São Paulo. São as cartas de Theodora e Claro, sobretudo, das quais gosto muito. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Desbravamento e catequese na constituição da nacionalidade brasileira: as expedições do barão de Antonina no Brasil Meridional. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 15, n. 30, p. 137-155, 1995. RESUMO. O tema do artigo são as viagens empreendidas pelo Barão Antonina (figura de projeção na sociedade paulista do século XIX) e a discussão sobre apropriação/legitimação, por meio desses relatos de viagem de suas enormes propriedades de terras na região do Mato Grosso do Sul. Este artigo que não trata da temática da escravidão. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Arranjos da sobrevivência escrava na cidade de São Paulo no século XIX. Revista de História, USP, São Paulo, v. 119, p. 101-113, 1988. RESUMO. A origem do artigo foi uma apresentação feita ao Congresso Internacional do Centenário da Abolição; uma primeira abordagem do material de minha dissertação de mestrado. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (11 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 WISSENBACH, Maria Cristina Cortez; LOTITO, Márcia Padilha; OLIVEIRA, Maria Luisa de; MARINS, Paulo César Garcez; PUNTONI, Pedro Luís; LINS, Silvia Queiroz Ferreira Barreto; FERNANDES, Paula Porta Santos (coord.). Guia dos documentos históricos na cidade de São Paulo (1554-1954). São Paulo, Hucitec/Neps, 1998, v. 1. RESUMO. Espécie de catálogo ou inventário dos arquivos e da documentação existente na cidade de São Paulo. Com descrição dos fundos e referências dos "acervos". WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Sonhos africanos, vivências ladinas. Escravos e forros em São Paulo. São Paulo, Editora Hucitec/História Social, USP, 1998. RESUMO. Dissertação de mestrado que analisa e interpreta a vida social dos escravos e forros em São Paulo, na segunda metade do século XIX. A base é a documentação judiciária/criminal. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Gomes Ferreira e os símplices da terra: experiências sociais dos cirurgiões no Brasil colonial. In: FURTADO, Júnia Ferreira (org.). Erário Mineral. Luís Gomes Ferreira. Belo Horizonte/ Rio de Janeiro, FioCruz/Fundação João Pinheiro, 2002, v. 1, p. 107-149 (Coleção Mineriana). RESUMO. Gomes Ferreira foi um cirurgião português que atendeu a população dos arraiais mineiros nos primórdios da sociedade oitocentista. É um manual de medicina prática organizado por tipos de doenças e descrição de casos. Mas é também um contundente relato da vida nos primeiros tempos do ouro. Entre seus pacientes preferenciais estão, logicamente, os escravos africanos e crioulos que trabalham nesta região. O texto que escrevi é de fato um dos artigos/prefácios da obra reeditada pela Fundação João Pinheiro. Procuro percebê-lo como uma figura histórica e analiso algumas das características da medicina que pratica, principalmente o encontro de diferentes tradições de cura e de percepção da doença, marca de uma sociedade multiétnica. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Da escravidão à liberdade: dimensões de uma privacidade possível. In: SEVCENKO, Nicolau; NOVAIS, Fernando A. (Org.). História da vida privada no Brasil. República: da Belle Époque à Era do Radio. São Paulo, 1998, v. 3, p. 49-130. RESUMO. É meu artigo na coleção que abre o volume 3 dirigido por Nicolau Sevcenko; trata das populações de afrodescendentes no final da escravidão e na sua inserção à sociedade pós-abolição; discuto, como sempre, a idéia da exclusão, da marginalidade etc., tentando mostrar como tais setores se organizam (nas dimensões de sua sobrevivência, na vida cultural e religiosa...) e se integram no mundo rural e no mundo urbano desta época. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. A circulação redefine a colônia. In: MENDES JR., Antonio; RONCARI, Luiz; MARANHÃO, Ricardo. (Org.). Brasil História: texto e consulta. Colônia. 6a.. ed. São Paulo, 1991, v. 1, p. 245-251. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. A Confederação do Equador. In: MENDES JR., Antonio; file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (12 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 RONCARI, Luiz; MARANHÃO, Ricardo. (Org.). Brasil História: texto e consulta. Império. 6a.. ed. São Paulo, 1991, v. 2, p. 183-190. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Regras e práticas da extração mineral. In: MENDES JR, Antonio; RONCARI, Luis; MARANHÃO, Ricardo. (Org.). Brasil História: texto e consulta. Colônia. 6a.. ed. São Paulo, 1991, v. 1, p. 236-243. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Cirurgiões do Atlântico Sul: saber médico e terapêuticas nos circuitos do tráfico e da escravidão (séculos XVII - XIX). In: XVII ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA, 2004, Campinas. Anais do XVII Encontro Regional de História - O lugar da História, 2004, p. 01-10 (em CD-ROM). RESUMO. É a continuação da pesquisa sobre a história da medicina e que me levou ao estudo das relações entre medicina e escravidão; tráfico e doenças; mundo atlântico e as trocas culturais de terapêuticas e doenças. É uma pesquisa que ainda desenvolvo. WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Cultura escrita e escravidão: reflexões em torno das práticas e usos da escrita entre escravos no Brasil. In: 25ª REUNIÃO ANUAL DA ANPED. Educação: Manifestos, Lutas e Utopias, 2002, Caxambu (MG), 2002. RESUMO. Comunicação que resultou no artigo já citado acima sobre usos e práticas de escrita entre escravos. Publicações Recebidas VENÂNCIO, Renato Pinto & RAMOS, Jânia Martins (orgs.). Edição, Apresentação e Notas a: GUSMÃO, Alexandre de. Arte de criar bem os filhos na idade da puerícia. São Paulo, Martins Fontes, 2004, XXXII + 305 p. (Coleção Clássicos Martins Fontes). RESUMO. Além das Notas os dois organizadores e editores efetuam, na Apresentação, a análise e qualificação desta muito bem cuidada edição da obra do jesuíta Alexandre de Gusmão (o diplomata seu homônimo foi seu sobrinho e afilhado, sendo ainda irmão de Bartolomeu Lourenço de Gusmão). VENÂNCIO, Renato Pinto. Adoção antes de 1916. In: LEITE, Eduardo de Oliveira. Grandes Temas da Atualidade. Adoção - aspectos jurídicos e metajurídicos. Rio de Janeiro, Editora Forense, 2005, p. 271-282. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (13 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 RESUMO. A legislação específica, relativa à adoção, é um fenômeno relativamente recente. No Brasil, as determinações do Código Civil de 1916, complementadas pelas alterações implementadas em 1957, lançaram as modernas bases da regulamentação da adoção de crianças. No artigo em pauta o autor apresenta, de maneira sucinta, a evolução dos dispositivos legais sobre a adoção que vigoraram no período que se estende do século XVI ao XIX. BRUNO, José Eduardo de Oliveira. Vargem Grande e o café Bourbon. Informativo do IEV. Lorena, Instituto de Estudos Valeparaibanos, n. 158, nov./dez. de 2004, p. 4-6. RESUMO. O autor historia as atividades do médico fluminense Luiz Pereira Barreto concernentes às experiências que levaram à geração do café "Bourbon", o qual foi difundido no Estado de São Paulo, sob sua liderança, por numeroso grupo de seus familiares que o acompanharam, em 1876, na chamada "Caravana Pereira Barreto". BRUNO, José Eduardo de Oliveira. Caravana Pereira Barreto. Notícia bibliográfica e histórica. Campinas, PUC de Campinas, ano XXXV, n. 190, jul./set. de 2003, p. 311-324. RESUMO. O artigo vota-se à ação do médico de Resende (RJ), Luiz Pereira Barreto, que não só liderou a chamada "Caravana Pereira Barreto" - a qual introduziu o café "Bourbon" no Oeste Paulista -, mas, também dedicou-se ao plantio da uva em território do Estado de São Paulo, promoveu a fabricação de cerveja no Brasil, assim como o aproveitamento do xarope do guaraná para o preparo de um refrigerante. Notícias e Informes I Seminário de História Econômica e Social da Zona da Mata mineira Centro de Ensino Superior, Juiz de Fora, MG 27 a 29 de Maio de 2005 Trata-se de seminário acadêmico que congrega historiadores, economistas, cientistas sociais e demais pesquisadores que têm a Zona da Mata mineira como objeto de reflexão. Os temas serão abordados em palestras e mesas-redondas compostas por pessoas convidadas, assim como por Grupos de Discussão organizados com base em trabalhos selecionados. O Evento concentra-se em discutir a produção acadêmica referente à Zona da Mata mineira, entretanto também serão bem-vindos trabalhos que file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (14 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 abordem, de forma comparativa, estudos regionais correlatos. Endereço para contato: Luiz Fernando Saraiva I Seminário de História Econômica e Social da Zona da Mata mineira Rua Cândido Tostes, 210 ap. 402 São Mateus 3016-030 Juiz de Fora MG e-mail: [email protected] DOCUMENTAÇÃO PAULISTA A Divisão do Acervo Histórico da Assembléia Legislativa de São Paulo, dirigida por nosso colega Dainis Karepovs, digitalizou documentos que remontam a 1835. Basicamente, são prestações de contas das Câmaras Municipais, posturas municipais e ofícios diversos tratando de pedidos de verbas, obras públicas etc. Até o momento, a reprodução de tais documentos é oferecida graciosamente mediante ofício de solicitação e CDs para gravação. A Divisão do Acervo Histórico localiza-se no Palácio 9 de Julho Av. Pedro Álvares Cabral 201, em São Paulo (SP); o número telefônico para contato é (11) 3886-6308 e o horário de atendimento estende-se das 9 às 19 horas, de segunda a sexta-feira. Llamado para colaboraciones - Chamada de artigos Población & Sociedad revista regional de estudios sociales Fundación Yocavil Población & Sociedad es una publicación asociada a los siguientes organismos universitarios del Noroeste argentino: Instituto de Estudios Geográficos (FFyL, UNT); Instituto de Estudios Socioeconómicos (FCE, UNT); Instituto de Historia de la Arquitectura (FAU, UNT); Centro de Estudios Indígenas y Coloniales (FH, UNJu); Unidad de Investigación en Historia Regional (UNJu); Centro de Investigaciones Históricas del NOA (FH, UNCa); Grupo de Estudios Sociológicos (FH, UNSE). file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (15 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 Para mais informações sobre este número especial, dedicado à pobreza na Argentina e na América Latina, ROL - Relação de Trabalhos Publicados OUTROS TRABALHOS INCORPORADOS AO ROL DURHAM, Eunice Ribeiro. Estudo sobre as famílias imigrantes da região de Descalvado (São Paulo). Revista do Museu Paulista, Nova Série, vol. 14, 1963, p. 299-310. RESUMO. Estudo sobre as famílias imigrantes da região de Descalvado em período de grande produção cafeeira, 1880 a 1920. Utilizou dados populacionais e principalmente o levantamento de José Francisco de Camargo. Na primeira parte, apresenta as linhas gerais do desenvolvimento econômico-social e da ascensão social do imigrante italiano na zona rural. Na segunda parte, analisa os fatores explicativos dessa ascensão, baseando-se no material coletado em entrevistas. Publicações de FE IGLESIAS GARCÍA na área da história demo-econômica IGLESIAS GARCÍA, Fe. Algunas características de los españoles llegados a Cuba entre 1882 y 1900. Revista Rábida, n. 21, Huelva, España, 2002, p. 75-85. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Cuba, la abolición de la esclavitud el "canal de la inmigración jornalera". En: PIQUERAS, José Antonio (comp.). Azúcar y esclavitud en el final del trabajo forzado: homenaje a M. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (16 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 Moreno Fraginals. México, Fondo de Cultura Económica, 2002, p. 93-115. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Del ingenio al central. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 1999. (Premio Nacional de la Academia de Ciencias de Cuba, 1999; Premio de Crítica 2000). IGLESIAS GARCÍA, Fe. Del ingenio al central. Río Piedras, Editorial de la Universidad de Puerto Rico, 1998. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Historiography of Cuba. En: HIGMAN, Barry (editor). General History of the Caribbean, vol. VI. UNESCO Publishing, 1999. IGLESIAS GARCÍA, Fe. El costo demográfico de la Guerra de Independencia. Debates Americanos, n. 4, julio-diciembre, 1997. IGLESIAS GARCÍA, Fe & BERGAD Laird W. & BARCIA, María del Carmen. The Cuban Slave Market 1790-1880. Cambridge University Press, 1995. (Cambridge Latin American Studies). IGLESIAS GARCÍA, Fe. Fuentes cuantitativas para la historia económica y social de Cuba. En: Nuestra Común historia. Cultura y sociedad. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 1995. IGLESIAS GARCÍA, Fe. La población de Puerto Rico y Cuba en 1899. Investigación para el Desarrollo. Revista de la Universidad Autónoma de Santo Domingo, año 1, n. 1, octubre 1994. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Contratados peninsulares para Cuba. Anuario de Estudios Americanos, XL, Sevilla, 1994. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Características de la inmigración española en Cuba. En: SÁNCHEZ-ALBORNOZ, Nicolás (compilador). Españoles hacia América. La emigración en masa, 1880-1930. Alianza Editorial, 1993. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Marx, Engels y la esclavitud moderna. Santiago, n. 75, 1993. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (17 of 18) [28/02/2005 19:36:37] BHD36 IGLESIAS GARCÍA, Fe. Características de la inmigración española en Cuba. Economía y Desarrollo. La Habana, n. 2, 1988. IGLESIAS GARCÍA, Fe. La periodización de la historia de Cuba. Un estudio historiográfico. Santiago, n. 69. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Algunas consideraciones en torno a la abolición de la esclavitud. En: Colectivo de autores. La esclavitud en Cuba. La Habana, Editorial Academia, 1986. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Población y clases sociales en la segunda mitad del siglo XIX. Revista de la Biblioteca Nacional José Martí, n. 3, 1982. IGLESIAS GARCÍA, Fe. Características de la población cubana en 1862. Revista de la Biblioteca Nacional José Martí, n. 3, 1980. IGLESIAS GARCÍA, Fe. El censo cubano de 1877 y sus diferentes versiones. Santiago, n. 34, 1979. GUTERRES, Letícia Batistella. Para além das fontes: im/possibilidades de laços familiares entre livres, libertos e escravos: (Santa Maria: 1844-1882)". Porto Alegre, PUCRS, Dissertação de Mestrado, 2005. file:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/TRIPOD/BRNUEDE-Historia_Demografica/bhds/bhd36/bhd36.htm (18 of 18) [28/02/2005 19:36:37] PURCHASING POWER: A TENTATIVE APPROACH AND AN APPEAL © Richard Graham University of Texas at Austin Social historians often find post-mortem estate inventories to be an invaluable source. They tell us a great deal about familial relationships, material culture, inheritance practices, business patterns, and the shared understandings of religion, death, or proper behavior. But to place these inventories in perspective one must know the relative wealth of the estate being inventoried. Although all inventories have the drawback of only referring to those with some property, many of them deal with very modest estates, while others refer to the extremely wealthy. So before drawing conclusions about some of the information an inventory reveals, it is important to take into account the total value of the estate . When the purchasing power of a currency varies significantly over time, however, an estate of several contos may be a sign of extraordinary wealth at one time and be relatively common among persons of a middling sort several decades later. How should we establish the value of the currency? This note traces some of my tentative steps in that direction and asks readers to comment on them and suggest alternative approaches. One common technique is simply to convert the currency at any one time to that of a more stable economy, e.g., the pound sterling or the U.S. dollar. Several problems arise from this method, however: First, the purchasing power of the foreign currency may have changed even in the country that minted it.1 Second, in a country like Brazil for instance, with marked economic variations by region, the exchange rate (FX) in one port was not always equivalent to that in another.2 Third, the data on exchange rates in Brazil is mostly about the period after 1808, whereas many historians, myself included, study earlier ----------------------------------1 See, e.g., Scott Derks, ed., The Value of a Dollar: Prices and Incomes in the United States, 1860–1999, 2d ed. (Lakeville, CT: Grey House Publishing, 1999). 2 For this reason I have chosen to rely on the data for Salvador in Kátia M. de Queirós Mattoso, Bahia: A cidade de Salvador e seu mercado no século XIX, Coleção Estudos Brasileiros, no. 12 (São Paulo and Salvador: HUCITEC and Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 1978), p. 243n. Graham, Purchasing Power 2 periods as well (a recent article in the Boletim de História Demográfica by Nelson Nozoe and others listed several studies on the exchange rate but none covering the colonial period).3 For this reason it would be helpful to find exchange rates for Portugal before 1808. But most important, one may properly ask whether the foreign exchange rate is the best guide to local purchasing power, given that many of those at the lower end of the socio-economic scale never or rarely bought imported goods nor depended directly on exports for their livelihood. For them food is more important, and as a general rule the price of goods produced locally tends to move in tandem with the price of food over time. My current research focuses on the social history of Salvador from 1780 to 1860 and is based, to a considerable extent, on post-mortem estate inventories. At first I relied on the foreign exchange rate in Salvador to evaluate the total wealth of the deceased, but I was dissatisfied with the result for the reasons mentioned above. I then turned to some other works for models. Eulália Lahmeyer Lobo, in her classic study of the Rio de Janeiro economy from the middle of the nineteenth century to 1945, develops a table in which the cost of foodstuffs from 1820 to 1930 is indexed to 1820 values. She weights various foods by their importance in the diet of three classes – unskilled workers, skilled and salaried workers, and the wealthy (although it is unclear how she knows the appropriate weight for each item except for the class of skilled and salaried workers, which she draws from a 1949 study by the Fundação Getúlio Vargas). She calculates that farinha de mandioca accounted for 38 percent of an unskilled worker’s alimentary expenditures, beans for 21 percent, and dried meat for 17 percent (she gives no figures for fresh meat). Obviously she believes these three items were the most important ones as they added up to over threequarters of the expenditures of someone in that class.4 In Salvador, however, where virtually all legal ----------------------------------3 Nelson Nozoe, et al., “Brasil: Breves comentários sobre algumas séries referentes à taxa de câmbio,” Boletim de História Demográfica ( http://www.brnuede.com/ ) Ano XI, no. 32 (May 2004): unpaged. For a discussion of the various approaches to the study of purchasing power over time see Nathaniel H. Leff, Underdevelopment and Development in Brazil, Vol. I: Economic Structure and Change, 1822–1947 (London: Allen & Unwin, 1982), pp. 97-130. 4 Eulália Maria Lahhmeyer Lobo, História do Rio de Janeiro (do capital comercial ao capital industrial e financeiro), 2 vols. continously paged (Rio de Janeiro: IBMEC, 1978), pp. 504, 748-751, 958-960. Graham, Purchasing Power 3 sales of farinha, rice, corn, and beans were channeled through the Celeiro Público created in 1785, we have available detailed statistics on the volume of these four items from 1785 to 1849; and farinha de mandioca accounted for 87.44 percent of the total, whereas beans represented only 1.35 percent.5 So among these four items the price of farinha seemed most important for my purpose. And considering that my intent is to evaluate the wealth of those who died with some property, I decided that I would not consider dried meat but only fresh meat. Fortunately for me, Kátia de Queirós Mattoso has done the spade work of calculating the price of farinha and meat in Salvador from 1789 to 1908, and these data have the added advantage of including the last years of the eighteenth century. On the other hand, she was unable to supply prices for foodstuffs for the ten years from 1833 to 1842.6 Virtually every estate inventory in Salvador from 1780 to 1860 included slaves, even among those that listed very little else. It is well known that the price of slaves increased dramatically during the period I am studying, albeit there were periods in which they declined.7 So I determined to take their price into account in calculating the real value of an estate. To find a series with data for most of the period of my interest, I turned to the work of Maria José de Souza Andrade, which is based on an examination of 1,269 inventories and has almost continuous data for male skilled African slaves from 1811 to 1860.8 I chose the year 1824 as the base year for establishing an index, for several reasons. It lies roughly half way through the period in question. By then the war for Brazilian independence had ended ----------------------------------5 Mappa demonstrativo do numero d’alqueires dos differentes generos que pagarão a contribuição . . . e teve principio em 9 de setembro de 1785 até 31 de maio de 1849, Arquivo Público do Estado da Bahia, Seção Colonial e Provincial, Maço 1611. 6 Kátia M. de Queirós Mattoso, “Au nouveau monde: Une province d’un nouvel empire: Bahia au XIXe siècle” (Ph.D. diss., Université de Paris-Sorbonne, 1986), pp. 447-458. 7 Kátia M. de Queirós Mattoso, Herbert S. Klein, and Stanley L. Engerman, “Trends and Patterns in the Prices of Manumitted Slaves: Bahia, 1819–1888,” Slavery and Abolition 7, no. 1 (May 1986): 59– 67. 8 Maria José de Souza Andrade, A mão de obra escrava em Salvador, 1811–1860, Baianada, 8 (São Paulo and Brasília: Corrupio and CNPq, 1988), pp. 207-208. Graham, Purchasing Power 4 but the political instability that ensued had not yet begun, so values continued to reflect colonial understandings of economic realities. The export economy of the region still prospered. And by this date I could include price data for all four items of my inquiry. So I prepared an overall index, based on 1824 prices for farinha, meat, slaves, and the pound sterling (or, rather, the pence sterling). The most difficult decision, however, was whether to give more weight to some of these items than to others. In reading the work of the economist Nathaniel Leff I was struck by the ease with which this sophisticated econometrician and careful scholar arbitrarily determined in his study of Brazil to give equal weight to foreign exchange and foodstuffs, albeit dividing the latter into two markets, Rio de Janeiro and Salvador.9 I concluded that, given that my purpose was to evaluate the relative wealth of those leaving estates in Salvador, the best course of action was to weigh these four factors equally. Yet it is particularly to this question that I invite the commentary of readers, while welcoming their insight on any matter, such as the exchange rate before 1808. Comments may be addressed to me at [email protected] ----------------------------------9 Leff, Underdevelopment and Development in Brazil, Vol. I, p. 124. Page 1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 A B C D E F G H I J Table A.1 Arriving at an index of prices and exchange rates for Salvador, 1790-1860: Prices of foodstuffs in réis and exchange rates (FX), plus indices and a conversion multiplier Prepared by Richard Graham © Year Farinha price 5-yr ave. (réis per liter) 1789 1790 1791 1792 1793 1794 1795 1796 1797 1798 1799 1800 1801 1802 1803 1804 1805 1806 1807 1808 1809 1810 1811 1812 1813 1814 1815 1816 1817 1818 1819 1820 1821 1822 1823 1824 1825 1826 1827 1828 1829 1830 1831 1832 1833 1834 1835 1836 1837 1838 1839 1840 1841 1842 1843 1844 1845 1846 1847 1848 1849 1850 1851 1852 1853 1854 1855 1856 1857 1858 1859 1860 1861 1862 13,2 10,6 10 13,4 15,4 17,6 19,2 20,4 20,7 31,62 24,26 19,27 17,49 23,34 16,26 11,58 14,23 20,38 29,01 11,3 12,7 21 23,9 18,4 16 20 27,9 45 40,8 19,4 14,2 19,9 28,5 94,2 21,9 22,2 35,3 28,6 29,8 65,9 22,5 22,2 21,7 19 18,3 37,4 52,1 56,7 42,2 43,2 32,6 40,7 36,1 60,2 50,7 41,7 63,5 106,6 101,9 120,2 106,2 52,9 48 Farinha index (1824=100) 12,5 13,4 15,1 17,2 18,2 19,5 23,0 24,2 24,0 22,7 23,2 20,1 17,6 16,6 17,2 18,3 17,3 17,5 18,9 19,6 17,5 18,4 19,9 21,2 25,5 29,9 30,6 29,5 27,9 24,6 35,2 35,7 37,3 40,4 40,4 27,6 36,4 36,4 33,8 32,4 36,7 41,3 46,3 45,4 43,1 39,0 42,6 44,1 45,9 50,4 64,5 72,9 86,8 99,7 97,6 85,8 31 33 37 43 45 48 57 60 59 56 57 50 44 41 42 45 43 43 47 48 43 46 49 53 63 74 76 73 69 61 87 88 92 100 100 68 90 90 84 80 91 102 115 112 107 96 105 109 114 125 160 180 215 247 241 212 Meat price 5-yr ave. Meat index (réis per kg) 40,7 40,7 40,7 40,7 46,4 54,2 54,2 56,3 79,3 82 82 88,4 86,5 84,9 81 83,8 83,6 94,7 83,9 75 67,6 87,2 87,3 85,4 86,5 84,1 88 95,1 107,9 139,8 110,6 118,7 247,1 188,3 113,2 94 144,8 146,2 167,7 188,7 173,6 173,6 217,1 208 228,4 227,9 237,5 212 215,4 216,6 227,9 221,5 273,4 318,9 365,5 459,4 488,3 506,4 373,4 323,2 (1824=100) 41,8 44,5 47,2 50,4 52,8 61,0 68,0 74,9 82,9 83,6 84,8 84,6 84,9 84,0 85,6 85,4 84,2 81,0 81,7 80,2 80,5 82,8 86,1 86,3 87,8 92,3 103,0 108,3 114,4 144,8 160,9 155,6 166,8 160,7 131,8 103,6 119,4 128,3 152,9 161,9 26 28 29 31 33 38 42 47 52 52 53 53 53 52 53 53 52 50 51 50 50 52 54 54 55 57 64 67 71 90 100 97 104 100 82 64 74 80 95 101 200,14 211 223,78 222,76 224,24 221,88 221,88 218,68 230,96 251,66 281,44 327,74 381,1 427,7 438,6 430,14 125 131 139 139 140 138 138 136 144 157 175 204 237 266 273 268 FX-SSA FX-SSA (d. per milréis) 72 73,6 71,7 73,6 76,6 76,6 76,1 64 57 72,3 66,1 57,8 51,5 50 49 50,7 48,2 51,8 48,1 35,2 31,6 24,6 22,8 25 35,1 37,8 38,7 39,2 38,4 29,5 28,6 31,6 31 30,3 26,8 25,8 23,1 25,4 26,9 28 25 25,8 28,7 29,1 27,4 28,5 27,6 27,5 27,5 26,6 25,5 25,6 25,8 25,5 26,3 K 5yr. Ave. (réis per d.) 14 14 14 14 13 13 13 16 18 14 15 17 19 20 20 20 21 19 21 28 32 41 44 40 28 26 26 26 26 34 35 32 32 33 37 39 43 39 37 36 40 39 35 34 36 35 36 36 36 38 39 39 39 39 38 L FX-SSA index (1824=100) 14 13 13 14 14 15 15 16 17 17 18 19 20 20 20 22 24 28 33 37 37 36 33 29 26 28 29 30 32 33 34 35 37 38 39 39 39 38 37 37 37 36 35 36 36 36 37 38 38 39 39 67 67 66 68 72 72 75 79 82 85 91 96 99 99 100 108 120 139 164 183 183 178 163 145 131 136 145 151 157 164 168 171 183 190 194 192 194 189 185 182 183 178 175 177 179 180 184 187 189 192 192 Ave. price healthy skilled male African slave ("moço") M 5yr.ave. (in réis) 129.444 118.000 144.285 125.000 140.000 165.000 155.000 196.666 204.736 170.000 158.846 152.500 160.454 230.303 251.052 259.545 230.714 330.000 350.000 356.065 295.666 337.631 301.666 343.635 375.833 390.000 471.052 452.758 450.000 470.416 481.250 538.333 493.750 448.333 529.677 540.789 539.473 467.894 458.636 597.241 585.312 679.032 715.000 914.285 856.250 1.104.687 1.363.636 1.000.000 1.110.000 130.576 129.182 129.182 131.821 143.571 146.250 164.167 172.280 178.280 177.050 176.550 169.307 174.421 190.631 210.771 226.414 260.323 284.262 305.265 312.489 333.872 328.206 326.933 330.886 349.753 376.437 406.656 427.929 446.845 465.095 478.551 486.750 486.416 498.269 510.176 510.404 505.233 507.294 520.807 529.711 557.623 607.044 698.174 749.976 853.851 990.772 1.047.772 1.086.915 1.144.581 1.157.879 N O P index of slave prices Ave.index of farinha, meat, FX-SSA & slave price (1824=100) 1824=100 68 68 68 69 75 77 86 90 94 93 93 89 91 100 111 119 137 149 160 164 175 172 172 174 183 197 213 224 234 244 251 255 255 261 268 268 265 266 273 278 293 318 366 393 448 520 550 570 600 607 29 30 33 37 39 43 50 53 55 54 55 51 48 47 48 49 48 47 49 55 57 58 60 62 66 71 76 78 80 84 94 93 97 100 100 93 110 121 130 132 176 168 158 152 160 171 182 191 199 206 211 219 223 228 169 174 177 175 175 174 178 185 200 213 241 272 297 318 327 320 Multiplier for any figure 3,51 3,29 2,99 2,71 2,57 2,32 2,02 1,88 1,80 1,85 1,82 1,95 2,08 2,14 2,09 2,03 2,10 2,13 2,05 1,81 1,75 1,73 1,68 1,62 1,51 1,41 1,31 1,28 1,26 1,19 1,06 1,07 1,03 1,00 1,00 1,08 0,91 0,83 0,77 0,76 0,57 0,60 0,63 0,66 0,63 0,58 0,55 0,52 0,50 0,49 0,47 0,46 0,45 0,44 0,59 0,58 0,56 0,57 0,57 0,58 0,56 0,54 0,50 0,47 0,42 0,37 0,34 0,31 0,31 0,31 Page 2 Célula: B6 Comentário: From Kátia M. de Queirós Mattoso, “Au nouveau monde: Une province d’un nouvel empire: Bahia au XIXe siècle” (Ph.D. diss., Université de Paris-Sorbonne, 1986), pp. 447–58. Célula: E6 Comentário: From Kátia M. de Queirós Mattoso, “Au nouveau monde: Une province d’un nouvel empire: Bahia au XIXe siècle” (Ph.D. diss., Université de Paris-Sorbonne, 1986), pp. 447–58. Célula: H6 Comentário: From Kátia de Queirós Mattoso, Bahia: A cidade de Salvador e seu mercado no século XIX, Coleção Estudos Brasileiros, no. 12 (São Paulo and Salvador: HUCITEC and Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 1978), p. 243n. Célula: L6 Comentário: From Maria José de Souza Andrade, A mão de obra escrava em Salvador, 1811–1860, Baianada, 8 (São Paulo and Brasília: Corrupio and CNPq, 1988), pp. 207–08. Publicada na revista Varia Historia, 31, jan.2004:13-20 OS REGISTROS PAROQUIAIS E A HISTORIA DO BRASIL MARIA LUIZA MARCILIO Professora Titular da USP Foi o chamado movimento da Contra Reforma na Europa que suscitou a necessidade premente de se buscar um instrumento que distinguisse e controlasse cada um dos membros da Igreja Católica. Perdida a unidade da cristandade Ocidental, com a Reforma e com a aceitação e a difusão rápida, em algumas partes da Europa, das novas denominações protestantes, a Igreja Católica precisava conhecer claramente quais eram seus membros. A melhor forma de obter esse conhecimento seria através dos registros individuais de cada católico. O tema era urgente; foi levado ao Concilio de Trento(1545-1563) e longamente debatido em várias de suas sessões. Chegou-se a uma resolução final. Ficou decretado que cada Cura passaria a ser responsável pelo registro de cada Batismo e de cada Matrimonio celebrado em sua Paróquia. A fórmula do registro foi minuciosamente estabelecida.Era preciso resguardar um caráter universal e padronizado para os registros de cada católico. Passado o Concilio de Trento, a Igreja logo se deu conta que era preciso registrar igualmente as mortes de seus fiéis para evitar abusos de toda sorte, como por exemplo, o da bigamia, quando um dos esposos migrava sozinho para regiões distantes e lá se casava novamente, como se pela primeira vez fosse. O Papa Paulo V, em 1614, através do Rituale Romanum estende então a obrigatoriedade do registro aos óbitos, alem de impôr o Líber Status Animarum, uma espécie de censo periódico das paróquias, com o levantamento nominal e por família, de seus membros e agregados maiores de 7 anos (idade da comunhão ou da razão). Os dados a serem redigidos obrigatoriamente nas atas de batismo e em cada Paróquia, pela ordem estabelecida no Concilio de Trento eram: a data do batismo, o nome completo do batizando, sua filiação (quando fosse conhecida), local da residência de seus pais ou responsáveis, alem do nome de pelo menos um padrinho (o melhor seriam dois) que serviria de testemunho do ato e igualmente, passaria a ser um parente espiritual, que no caso da morte dos pais, deveria responsabilizar-se pela criação do afilhado; finalmente viria a assinatura do sacerdote. Um livro especial e exclusivo deveria servir para o assento dos Registros de Batismo da Paróquia. O vigário era o responsável pela sua guarda e conservação, em arquivo da Paróquia. Para o registro do matrimônio, as fórmulas igualmente estabelecidas em Trento eram claras. O casamento, salvo casos excepcionais, deveria ser realizado na Igreja e na presença do sacerdote. O registro do ato, também feito em livro especial, deveria conter: a data do casamento, o nome de cada cônjuge e sua filiação, residência, naturalidade, além dos nomes dos padrinhos, com suas residências e naturalidades, e a assinatura do sacerdote. Casos especiais deveriam ser mencionados, como por exemplo, no caso dos batismos: se a criança era ilegítima e o nome dos pais quando conhecidos, ou a menção filho de pais incógnitos; se a criança fora exposta (abandonada) a menção deste fato e onde estava sendo criada; se escrava, deveria trazer o nome do senhor. Casos de criança adulterina, ou de criança sacrílega(filha de padre) deveriam ser assinalados. A criança em perigo de morte poderia ser batizada em casa, por qualquer pessoa, desde que obedecida a forma: “eu te batizo em nome do Pai,do Filho e do Espírito Santo” e a matéria: água e sal. Esse ato deveria ser comunicado ao vigário da paróquia para que procedesse ao devido registro. No registro de matrimonio, exigia-se, se fosse o caso, a declaração de viuvez do cônjuge, com o nome do primeiro(a) esposo(a); era ainda necessário mencionar se os cônjuges estavam incursos nos impedimentos graves ou leves determinados pelo Código Canônico, da Igreja Católica (como por exemplo, parentescos consangüíneos ou espirituais). Neste caso, o matrimonio só se daria após um dispendioso processo de solicitação de dispensa dos impedimentos, dado pelo Bispo local. Essa dispensa deveria ser mencionada no registro de matrimonio, assinalando-se os graus de parentesco entre os cônjuges. Para o registro dos óbitos as regras não eram tão rigorosas e iguais. Bastava registrar a data do falecimento, o nome do morto, seu estado civil. No caso de solteiros, dever-se-ia nomear os pais, ou o fato de ter sido exposto ou ser ilegítimo. No caso dos casados e dos viúvos(as), alem desses dados, era necessário indicar o nome do esposo(a). Em muitas paróquias assinalava-se a naturalidade do morto, sua idade, e atividade que exerceu. Em alguns casos indicava-se a causa da morte e se o morto havia deixado testamento. As condições do enterramento vinham por vezes mencionadas: tipo e cor da mortalha ou do caixão(século XIX) e local do enterramento. Estes dados eram porem mais raros. Em alguns paises e dioceses da Europa e mesmo do Brasil os registros foram se aperfeiçoando e enriquecendo com novas informações. Por exemplo, em quase toda a França Moderna, assinalava-se a idade de cada cônjuge ao casar. No Brasil colonial, os casamentos das principais famílias proprietárias mereciam um registro especial, de página inteira ou mais, onde ao lado das informações obrigatórias, eram registrados os nomes dos avôs maternos e paternos de cada cônjuge e sua paróquia e diocese de nascimento e de moradia. Cito esses detalhes para que se possa perceber, desde logo, a riqueza de informações contidas nesses documentos de primeira ordem, para a reconstrução da história social e cultural das populações católicas e a potencialidade de explorações que permitem, para desvendar o passado em varias direções.Pobres e ricos, plebeus e nobres, brancos, negros e índios, homens e mulheres, todos sem exceção, quando batizados, casados ou falecidos tinham esses fatos vitais registrados em livros especiais, que eram conservados pela Igreja. A vida estava assim marcada com uma ata individual, com dados pessoais, nos seus momentos vitais: do nascimento, do casamento e da morte. A prática de registrar os sacramentos de batismo e do matrimonio não era uma novidade. Desde fins da Idade Media já se encontram um ou outro registro em uma ou outra Diocese, como em algumas cidades italianas. Roger Mols mostrou que no povoado francês de Givry, em 1334, já se registravam alguns óbitos e batismos.1 A novidade criada no Concilio de Trento é que a prática tornou-se obrigatória e universal para todos os católicos. Em Portugal o registro obrigatório dos batismos, casamentos e óbitos data de fins do século XVI, estabelecido nas Constituições de Coimbra(1591). Cada paróquia deveria manter um livro separado para os batismos, para os casamentos e também para os óbitos. Estas ordens foram estendidas aos domínios lusitanos do Ultramar ainda no século XVI. No Brasil, os registros paroquiais seguiram as determinações de Portugal até serem localmente regulamentados na sua Constituição Primeira do Arcebispado da Bahia, de 1707. As regras e as fórmulas não se modificaram; seguiam sempre as determinações de Trento. Sendo, como o foi, a religião católica sendo a oficial no Brasil Colônia e em todo o período do Império todos os que aqui nascessem, morressem ou se casassem, deveriam passar pelo registro da Paróquia que, revestia-se, pois, e ao mesmo tempo, de um caráter religioso, com força de um ato civil de cada individuo. O estatuto do Padroado Régio no Brasil até pelo menos a Constituição Republicana, de 1891(quando foi separados, o Estado da Igreja) deu aos Registros Paroquiais uma cobertura praticamente universal da população brasileira (excluídos apenas os protestantes que surgem principalmente no Segundo Reinado e dos índios e africanos pagãos, ainda não batizados). 1 Para maiores detalhes ver nosso artigo Marcílio, ML Dos Registros Paroquiais à Demografia Histórica no Brasil. Anais de História(Assis), 2, 1970:81-100. A cobertura universal da população nos Registros Paroquiais brasileiros é, pois, a primeira grande característica positiva dessa documentação serial. A segunda característica especial e única é o seu caráter individual e coletivo a um tempo. Cada indivíduo é registrado com suas características pessoais e em cada momento vital de sua existência; e cada um deles integra uma serie cronológica de eventos, guardados em livros especiais e que cobrem uma localidade fisicamente bem demarcada- a paróquia. A terceira grande característica desses dados é seu caráter nominativo, o que permite identificar cada individuo em sua família, e com suas características pessoais. E por ultimo, os Registros Paroquiais têm seu valor ainda por terem sido efetuados no momento mesmo do evento, guardando um caráter serial e cronológico. O grande problema, no entanto, foi o da conservação desses livros paroquiais, particularmente em um País como o Brasil, onde pouco se cultivou a prática e o valor da Arquivística. Boa parte dos registros paroquiais brasileiros não existe mais: sofreram a ação predatória conjugada do tempo, dos insetos e especialmente do Homem. Em visitas que fizemos a arquivos eclesiásticos de várias partes do Brasil, pudemos constatar, consternadas de que, para os séculos XVI, XVII e boa parte do XVIII poucas series subsistem. Mesmo para os finais do século XVIII e o XIX nem sempre se encontram series das três ordens de registros completas e bem conservadas. Raros são os arquivos paroquiais que foram objeto de restauro, como ocorreu com os livros de registros da Cúria Metropolitana de São Paulo. Exemplo melhor vem justamente de Minas Gerais, da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, cujo acervo documental excepcionalmente bem conservado, passou por cuidadoso processo de restauro, organização e higienização, permitindo a montagem de um modelar Banco de Dados, organizado pela Universidade Federal de Minas Gerais e objeto deste número especial da Há ainda outro aspecto que vem prejudicando seriamente a conservação das séries dos Registros Paroquiais no Brasil. A Igreja Católica, particularmente ao longo do século XX, passou por contínuos desmembramentos de suas Dioceses. A cada criação de uma nova Diocese o costume no Brasil é de deslocar a documentação histórica das paróquias da nova Diocese desmembrada, para essa nova circunscrição eclesiástica. Com isso, e contrariando as modernas orientações da Arquivística, os documentos são cada vez mais dispersados e em certos casos, estão mal conservados, mal guardados, em locais impróprios e sujeitos a rápido desaparecimento. Por se tratar de documentos privativos de cada Diocese ou de cada Paróquia, o acesso dos interessados aos mesmos, depende em muitos casos, da boa vontade e do grau de cultura histórica de seus responsáveis. As características únicas transformaram os Registros Paroquiais em fontes de primeira linha para se chegar às populações e às sociedades do passado, passando por seus traços culturais particulares. Estas séries documentais, com acuidade especial podem ser fontes inestimáveis para o conhecimento das mentalidades, dos comportamentos, das sensibilidades de sociedades do passado. Foi o que viu Louis Henry, na França. Engenheiro de formação, estatístico e demógrafo da população francesa, foi ele incumbido pelo INED, depois da Segunda Grande Guerra, de descobrir o por quê da fecundidade francesa ser de longe a mais baixa do mundo de então. Debruçado nessa pesquisa, viu Louis Henry, imediatamente, que as razões não se limitavam ao século XX; era necessária buscá-las mais para traz, talvez mesmo antes do século XIX. Foi então recuando suas análises com base nos censos existentes. Mas o mais recuado deles era o de 1821 que contou a população da França inteira. E até essa fase, verificou o professor, continuava a fecundidade francesa a ser a mais baixa da Europa. Mas como recuar para os séculos anteriores, se não havia censos? O recurso aos registros paroquiais foi a saída vislumbrada. Aliando-se a Michel Fleury, o historiador, L. Henry acabou por montar uma técnica para transformar os Registros Paroquiais em dados de base para análises sofisticadas de Demografia do passado, e que desse conta de estabelecer taxas diferenciadas de fecundidade, de natalidade, de nupcialidade e de mortalidade. Surgia o método de Reconstituição de Família, e com ele estava criada uma nova ciência: a Demografia Histórica.2 Antes da Demografia Histórica os Registros Paroquiais eram intensamente manuseados por pessoas preocupadas em restabelecer a genealogia, ou a biografia de personalidades, e ainda, como documento comprovante de parentesco para efeitos de herança e sucessórios. Historiadores, antropólogos, sociólogos, artistas raramente montavam suas análises do passado utilizando-se dos registros paroquiais. Foi de fato, a Demografia Histórica que mostrou a todos a riqueza desse corpo documental, as ricas possibilidades que abriam a um novo conhecimento das humanidades que nos precederam. A Demografia História começou, em suas primeiras análises, testando o método da Reconstituição de famílias de uma paróquia ou de conjunto de paroquiais, e com a finalidade expressa de calcular taxas gerais e especiais de fecundidade, de nupcialidade e de mortalidade, para populações pré-estatísticas(sem dados censitários ou quantitativos sobre sua população). Logo os primeiros resultados elaborados através de métodos especiais e rigorosos, a partir dos registros de batismos, de casamentos e de óbitos de paroquiais da França do Antigo Regime, não apenas começaram a ser conhecidos os fenômenos demográficos vitais e pela primeira vez, como ficou patente que os mananciais contidos nesses acervos eram riquíssimos e deveriam ser explorados em várias direções. Descobriu-se, com os trabalhos da Demografia Histórica, realidades humanas inusitadas, nunca antes vislumbradas ou mal definidas. Agora partia-se de realidades humanas empiricamente documentadas e de forma abrangente. Não se tratava mais de fazer História com um ou dois documentos testemunhais: era a sociedade inteira que surgia aos nossos olhos, através de analises bem estabelecidas. 2 L. Henry, o Pais da Demografia Histórica testou seu método em dezenas de pesquisas em paroquiais da França de de Genebra. Ao longo de toda sua vida foi aperfeiçoando seus métodos, que já eram sucesso em todos os paises da Europa e na América Latina e em paises da Ásia. Eles vem expostos em seus manuais, o primeiro deles: HENRY,L. e FLEURY,M.Nouveau Manuel de depouillement et d’ Etat civil ancien. Paris, INED, 1965. O mundo da infância (que guardou tão poucos testemunhos) e com muitas de suas variáveis sociais pode ser resgatado. O mundo das famílias foi outro viés que foi penetrado por novos ângulos e com novas descobertas através das análises da Demografia Histórica, baseadas em Registros Paroquiais veio à luz em toda a sua variedade. A Mulher, tão escondida nos documentos oficiais e particulares do passado pode ter parte de seu passado desvendado. A morte, a doença, as epidemias mortíferas do passado foram outros tantos estudos que vieram à luz. Até mesmo a movimentação espacial das populações foram possíveis com base nas informações contidas nos registros de matrimônios e de óbitos. Foi então, que ao lado de realidades novas, desconhecidas, os resultados além de revelar realidades desconhecidas, destruíram alguns mitos históricos, algumas verdades tidas como leis. Só para ilustrar nossas assertivas. Fora estabelecida pela antropologia histórica, desde Le Play, na França de fins do século XIX que, a organização da família ocidental evoluiu do sistema complexo ao nuclear, seguindo a evolução das sociedades, de agrícolas para industriais e urbanas. Vários estudos comparativos de varias comunidades e em vários momentos distintos da Idade Moderna ao século XIX, fundados nos Registros Paroquiais, notadamente os de Louis Henry e de Peter Laslett mostraram com analises empíricas e rigorosas, que nem sempre houve essa evolução linear. Na maioria das famílias da Idade Moderna européia preponderou a família de tipo nuclear simples: pai, mãe e filhos, em cada “fogo” ou domicilio. Mesmo no Brasil escravista, a maioria das residências eram habitadas por famílias simples, como provaram nossos estudos para a cidade de São Paulo e a vila de Ubatuba nos séculos XVIII e XIX. Poderia citar outros exemplos. No caso do Brasil o sucesso das descobertas fundadas nos Registros Paroquiais, e demonstrados pelos estudos de Demografia Histórica foi enorme. Podemos dizer, sem exagero, que houve mesmo uma revolução nas formas de fazer História e nas temáticas que se abriram. O mundo da criança brasileira na História começou a ser desvendado. A alta presença de filhos ilegítimos, dentro da população não escrava, o ato de abandonar o filho ao nascer, a variação dos nomes e dos prenomes dados às pessoas na pia batismal, a presença largamente difundida de concubinatos, que chegou a caracterizar boa parte senão a maioria das uniões no Brasil católico, de ontem e de hoje, as diferenças sociais marcantes ante a doença e a morte, a sinalização de anos e do volume de certas epidemias que assolaram nossas populações do passado, o mundo do trabalho e de suas profissões e ocupações no Brasil antigo, foram temas e realidades maiores e muitas vezes pioneiros desvendados pelos estudos de Demografia Histórica. Essas pesquisas e a riqueza e variedade de suas descobertas levaram naturalmente, à “História do Terceiro Nível”, como a denominou Pierre Chaunu, ou simplesmente à Historia das Mentalidades, à História da Cultura como preferem os historiadores de hoje. Os trabalhos nesse sentido são hoje numerosos e inspirados pelos resultados das pesquisas das populações do passado em grande parte baseadas nos registros da catolicidade. Conhecemos mais sobre as atitudes perante a Vida, perante a Morte, como inaugurou o demógrafo historiador e antropólogo da História, Philippe Áries; sobre o Sexo e o Amor, como inauguraram Martine Segalen ou François Lebrun; sobre a Família na História à maneira de Peter Laslett; as atitudes ante a Criança com novamente Philippe Áriès todos ligados às pesquisas da Demografia Histórica da primeira hora. Com o auxilio de registros de matrimônio que trazem a assinatura dos nubentes, conhecer níveis de alfabetização como os realizou Roger Schoffield para a Inglaterra pré-industrial. Os exemplos e os grandes nomes da historiografia que mudaram os rumos da História, graças em grande parte aos estudos inaugurados pela Demografia Histórica, que se basearam em registros paroquiais, a partir dos anos de 1960 poderiam ser multiplicados. Eles não pararam de inaugurar novos temas e novos rumos para a Historiografia atual. A renovação dos estudos fundados nos registros paroquiais antigos continuam a dar frutos. Prova disto está nos diferentes e inovadores trabalhos apresentados neste número especial da Revista Varia História; agradeço à sua organizadora, a professora Adalgiza Arantes de Campos a honra do convite para participar da abertura desse numero especial. Transmissão de sobrenomes entre luso-brasileiros: uma questão de classe Sérgio Luiz Ferreira∗ Resumo: Este artigo procura discutir de forma genealógica, na acepção de Michel Foucault, a forma de transmissão de sobrenomes numa freguesia de colonização açoriana da Ilha de Santa Catarina. O principal objetivo é demonstrar que a transmissão de sobrenome não é uma questão de gênero, como muitos pensam, mas uma questão de classe social. Palavras Chave: família, sobrenome, classe social, açorianos. Abstract: This article intends to discuss from genealogy point of view, according to Michel Foucault, the way to transmit the last name in the parish of azorean colonization from the Santa Catarina island. The main objective is to show that the last name is not the gender subject, as most of people think, but it is a social class issue. Keywords: family, last name, social class, azoreans Será possível convidar para a mesma mesa, Foucault, Nietzsche, Henry e Fleury? À primeira vista parece que uma conversa entre eles não seria muito produtiva. Henri e Fleury são os fundadores da demografia histórica, na década de 1950, na França. Este modelo já deu provas de que não se adapta à realidade luso-brasileira, mas abriu perspectivas para um novo olhar sobre os estudos demográficos. Michel Foucault, inspirado em Friedrich Nietzsche, propôs aos historiadores a abordagem genealógica da histórica. Pensei, então, porque não uma abordagem genealógica, na perspectiva de Foucault, dos dados genealógicos propriamente ditos? Se a abordagem genealógica serve para qualquer análise histórica, há de servir para aquele ramo do saber do qual lhe empresta o nome, pois não? Segundo Foucault: A genealogia não se opõe à história como a visão altiva e profunda do filósofo ao olhar de toupeira do cientista; ela se opõe, ao contrário, ao desdobramento meta-histórico das significações ideais e das indefinidas teleologias. Ela se opõe à pesquisa da ‘origem’.1 ∗ Doutorando em História da UFSC, sob a orientação da professora doutora Joana Maria Pedro Aqueles que se interessam pela pesquisa de sua árvore genealógica, de modo geral, estão justamente em busca de sua origem. Muitas vezes, estão interessados apenas na linhagem paterna do seu sobrenome. Ao se depararem com a realidade de que descendem de um povo inteiro, percebem que não há origens a serem encontradas. Existem, no máximo, alguns “começos” mais próximos. Não há possibilidade de chegar a Adão e Eva. Esta tentativa pode ser uma forma de tentar estabelecer uma genealogia à moda da árvore genealógica de Jesus Cristo que consta no Evangelho de Lucas. Nesta passagem da Bíblia, o evangelista enumera os que seriam os 76 ascendentes masculinos de Jesus Cristo até Adão. Aliás, na genealogia de Lucas, só há homens na ascendência de Cristo. Já na genealogia do evangelista Mateus, que vai de Davi a Jesus, aparecem algumas mulheres. De modo geral, o pesquisador quando vai às fontes está preocupado com determinado sobrenome. Geralmente procura aquele que carrega em seu próprio nome ou aquele que julga ser o mais nobre. Aliás, a nobreza é sempre evocada por muitos genealogistas profissionais. Veja-se o caso das empresas especializadas em brasões de família. A história de toda família começa sempre com os dizeres “a nobre e antiga família”. Qualquer sobrenome é sempre nobre e antigo. Não há, na história desses brasões, nenhuma família plebéia ou nova. É bem verdade que brasão é privilégio de nobres, mas todo sobrenome encontra abrigo no rol de brasões destas empresas especializadas. A meta do pesquisador genealogista de encontrar sua ascendência esbarra muitas vezes na ausência de certos dados essenciais nos registros paroquiais. Por exemplo, quando o batizado é filho de mãe solteira não aparece o nome do pai e isto se torna um obstáculo para descobrir a sua ascendência paterna. Geralmente, quando se ignora o nome do pai da criança, é costume dizer que é “filho das ervas”. O mesmo acontece quando o casal não é casado no religioso. No entanto, encontrei muitos assentos em que o padre escreveu o nome do pai, mesmo sendo a criança um filho natural. Estes casos aconteceram quando o pai era abastado ou estrangeiro. Aliás, os padres sempre respeitavam bastante os ricos e os estrangeiros. Segundo Foucault, a história deve ser pensada com um campo de relações de força e cabe ao historiador apreender o diagrama, percebendo como se constituem os jogos de poder. A forma como estes assentos eclesiásticos são redigidos demonstra de forma clara como se dão estas relações de poder. Por exemplo, os militares têm sempre sua patente citada no registro, bem como suas esposas são chamadas de dona e têm sobrenome. Já os pais pobres podem mudar de sobrenome de um assento para o outro e as mães dificilmente têm sobrenome, são geralmente Maria de Jesus, do Sacramento, do Amor Divino, do Espírito Santo ou de Santo Antônio. Mas o que caracteriza a história genealógica? Parece que uma história genealógica não está interessada em recuperar o que os documentos dizem, como se um passado dele emanasse e pedisse para ser revelado, ou para utilizar um termo muito em voga hoje no senso comum, resgatar o passado. A tarefa do historiador não é encontrar a finalidade do processo histórico nem a necessidade objetiva que se expressa em leis que organizam a ordem natural do mundo, a história global. Trabalhar de forma genealógica os documentos significa tomá-los enquanto monumentos. Isto significa recusar a crença na transparência da linguagem e a cristalizada certeza de encontrar através dos documentos o passado tal e qual. A história nesta perspectiva não pretende “resgatar” a verdade intrínseca nos documentos através da sua interpretação, mas “trabalhá-los desde o interior, elaborá-los”, como afirma Foucault em A Arqueologia do Saber. Minha pesquisa tem sido a partir dos registros civis e religiosos da freguesia de Nossa Senhora das Necessidades da Praia Comprida, atual distrito de Santo Antônio de Lisboa, município de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Dessa forma, todos os dados a que me refiro neste trabalho foram coletados nesta paróquia. Um assento de casamento que me chamou a atenção nesta pesquisa foi o de João Luzia da Ventura e de Marcolina Maria de Lima. No registro civil do casamento (27 de abril de 1912) está a observação de que o matrimônio foi realizado por “ordem do senhor sub-delegado, o Coronel José Antônio de Lima”. Foi o único registro em Santo Antônio de Lisboa que encontrei referência tal. Percebam que se trata de um casamento civil, segundo a lei republicana de 1890. O escrivão ao anotar esta observação no assento estava explicitando uma relação de poder bastante nítida. Pelo visto, o coronel, que era compadre do governador Hercílio Luz, realmente mandava na região. Dentre os vários mitos de origem das famílias no Sul do Brasil está um muito recorrente, sobretudo entre descendentes de alemães e italianos, que diz que todos que carregam o mesmo sobrenome pertencem à mesma família. Diz que vieram dois ou três irmãos e que um foi para o Rio Grande do Sul, outro que ficou em Santa Catarina e outro que foi para o Paraná, mas são todos parentes. Outro mito muito comum que encontrei, sobretudo entre os descendentes dos alemães chegados a Santa Catarina em 1829, foi a de que seu antepassado alemão veio da Europa fugido da guerra de navio, dentro de um caixote. Ele teria ficado tanto tempo dentro do caixote que sua barba saía pelas frestas. Este mito de origem repetido por tantas famílias é instigante, uma vez que estes descendentes de alemães estabelecidos em São Pedro de Alcântara (SC) vieram numa leva de migrantes registrados com o rol de embarcados. Um dos casos que conheço, é o de Miguel Pitz. Sobre ele, os descendentes contam esta história de fuga. Mas, encontrei o registro da chegada dele com a esposa, Maria Zirchen e seus quatro filhos. Ora, se vieram de forma legal, por que os descendentes contam uma história de fuga? Será uma forma de dizer que não vieram por livre escolha para o Brasil? Entre os brasileiros de ascendência lusa não é possível buscar a origem através do mesmo sobrenome como é recorrente entre os alemães ou italianos. No Brasil as tentativas de organizar os dados demográficos à moda francesa não deram muitos resultados. A demografia histórica, nascida na França nos anos de 19502, tem utilizado o método de reconstituição de família que consiste em organizar os dados a partir dos sobrenomes de família. Este método é conhecido como o Método Fleury-Henry. Para o caso português e brasileiro é inútil tentar trabalhar a partir dos sobrenomes. Temos casos de paróquias já estudadas em Santa Catarina, em que o pesquisador arrola os sobrenomes, como se à moda francesa, os sobrenomes fossem transmitidos ininterruptamente. Há livros publicados em Santa Catarina onde aparecem que para a freguesia tal vieram tantos Conceição, outros tantos Jesus, outros tantos Ferreira, quando, na realidade, podem ser todos irmãos com sobrenomes diferentes. Como nos afirma, Maria Norberta Amorim: “De fato, é comum nos registros portugueses que o mesmo indivíduo oscile de apelidos [sobrenomes] de um registro para outro, em função de ligações familiares mais fortes no momento, ao critério do redator paroquial”.3 Essa situação acontece muito comumente com as mulheres, que muitas vezes chegam a ser registradas com um sobrenome em cada batizado de filho. No entanto, o fato também acontece com muitos homens, sobretudo entre as classes populares. É preciso dizer desde já que a questão da transmissão de sobrenome é uma questão de classe e não de gênero como afirma Maria Odila Leite da Silva Dias em Quotidiano e Poder em São Paulo no Século XIX: Tinham (as mulheres) o costume sugestivo de abandonar os nomes de família e adotar nomes próprios, a que o recenseador acrescentava às vezes um respeitoso “dona”. Cerca de um terço conservava nomes de família, por vezes ilustres, dos mandões da terra. Entretanto, a grande maioria assumia nomes como Ana Gertrudes de Jesus, Maria da Cruz, Madalena de Jesus, Gertrudes do Espírito Santo, Joaquina Josefa da Anunciação... Talvez porque tivessem nascido bastardas, ou porque vivessem em concubinato, mais provavelmente porque não tinham os meios decentes de sobrevivência, impostos pelos padrões da terra.4 Na realidade esta atitude de abandonar o sobrenome não era exclusividade das mulheres, muitos homens também faziam isso. Quem eram, então, estes homens e mulheres que abandonavam os sobrenomes? Geralmente os mais pobres, que nada tinham a herdar em termos de posse de terra ou de tradição familiar. Entre as famílias abastadas o sobrenome, muitas vezes duplo, se perpetua por mais de dois séculos. Este indicativo da sobrevivência do sobrenome de família proprietária é tão forte que temos vários casos na freguesia de pessoas que inverteram o sobrenome. Ou seja, colocaram o sobrenome menos “importante” do pai primeiro e o sobrenome da mãe, digamos mais “chique”, por último. Isto demonstra claramente que a questão de classe é mais importante do que a de gênero na transmissão do sobrenome. Para efeito de entendimento do que caracterizo como classe social na freguesia devo dizer que a classe abastada era constituída pelos proprietários de grandes extensões de terra e de engenhos de farinha e de cana-de-açúcar, dos proprietários de parelhas de pesca (canoa bordada e rede de arrasto) e pelos comerciantes (negociantes de produtos agrícolas e donos de venda). Quase todos estes proprietários, no século XIX, possuíam escravos. Os abastados moravam em casas de pedra e cal, construídas paralelas às estradas, no limiar dos terrenos, junto às calçadas, com amplas salas dianteiras. A quantidade de janelas fronteiras determinava as posses do proprietário, no mínimo três e no máximo cinco janelas. As alcovas de dormir ficavam entre as salas dianteiras e a cozinha que ocupava toda a extensão dos fundos da casa. As casas eram caiadas, cobertas de telhas de barros e forradas. A mobília, mesmo nas casas dos ricos, era escassa. Na sala tinham-se marquesas e cadeiras. Nas alcovas camas de casal, onde várias crianças dormiam. As roupas eram guardadas em caixas e baús. Na cozinha havia o fogão à lenha feito de tijolos, uma grande mesa ladeada de bancos compridos, uma cristaleira e o guarda-comida (armário com tela onde a comida que sobrava do jantar aguardava a hora da ceia). As refeições eram o aparadinho (café puro ao levantar), almoço às nove horas (café com acompanhamento, podia ser peixe frito), jantar ao meio dia, café da tarde pelas três horas e ceia à boca da noite. O pão de cada dia era o biju, feito de massa de mandioca e guardado no paiol no meio da farinha. Os pobres, de modo geral, plantavam suas roças em terras alheias ou comunais e faziam a farinha de mandioca em engenhos emprestados. Ao fim da farinhada, deixavam um terço da produção ao proprietário do engenho. Mesmo os que viviam da agricultura, costumavam ter sua tarrafa de peixe e camarão. Além do mar, pescavam no Rio Ratones, geralmente à noite. O peixe era a base alimentar, o conduto, mesmo na região agrícola de Ratones. Já os pescadores raramente tinham roça de mandioca, que exige mais cuidado e tempo disponível. Geralmente plantavam culturas, cuja safra se dá em três meses, por exemplo, feijão, milho e amendoim no mês de janeiro, quando a pescaria é mais escassa e também no mês de agosto. Sobretudo estes, dificilmente tinham terras para plantar. Suas roças eram feitas em terras alheias, a quem pagavam a terça (terça parte da produção), em terras comunais ou em terrenos do Senhor dos Passos. As casas dos pobres, dificilmente eram de pedra e cal, geralmente eram feitas de pau-a-pique, taipa, conhecidas na região como casas de estuque. A casa era feita da seguinte forma: paus fincados no chão, taquaras de bambus entrelaçados e barro amassado com os pés, e que eram arremessados contra as treliças de bambu. Aliás, as construções destas casas eram sempre feitas em regime de mutirão À medida que o barro ia caindo com o tempo, enfiava-se trouxas de “barba de velho” nos buracos. O piso era de chão batido e o telhado era de telhas de calha, moldadas geralmente nas coxas. Daí surgiu a origem da expressão “feito nas coxas”. As casas dos agricultores eram geralmente afastadas das estradas, no meio dos cafezais. As casas dos pescadores eram próximas das praias. Na casa dos muito pobres a esteira de talo de bananeira era a mobília básica, servia de mesa para comer e de cama para dormir. O fogo era feito no chão com a panela apoiada por três pedras ou na trempe (peça de ferro em forma de arco com três pés onde se apoiava a panela). Outra observação a fazer sobre a questão colocada por Maria Odila é de que não só as bastardas ou as concubinas não usavam sobrenome. Muitas filhas e filhos de família regulares, para usar a terminologia da demografia histórica, também não usavam sobrenome, bem como homens e mulheres mesmo casados no religioso. Na freguesia das Necessidades todos os sobrenomes que na realidade são prenomes, como Aparício, Januário, Felipe, Marciano, Henrique e outros são casos de pessoas que abandonaram o sobrenome e passaram a utilizar o prenome que estava mais em evidência. Além desse costume, havia também a tradição de se utilizar alcunhas para designar determinadas famílias. Marshall Sahlins que estudou aldeias de ilhas do Pacífico em Ilhas de História, diz que “de acordo com a definição tradicional, o povo, as pessoas comuns são aquelas que não são capazes de traçar sua genealogia para além de seus avós”.5 É exatamente assim que acontece na freguesia estudada. Ora, se não se consegue traçar a genealogia, o sobrenome também não tem grande importância, e o prenome do avô ou do pai torna-se mais significativo. E Sahlins diz ainda que muitos desses que não conhecem sua genealogia, são muitas vezes descendentes de antigos chefes que, por sucessivas derrotas, perderam seus privilégios.6 Na freguesia em questão acontece a mesma coisa, temos vários descendentes dos primeiros maiorais da terra, de oficiais da Guarda Nacional, de Cavaleiros da Ordem de Cristo, que não têm a memória destes antepassados. É preciso ainda lembrar que estamos falando de uma população que, de modo geral, é composta por 75% de descendentes de açorianos. Esta população de origem açoriana, até bem pouco tempo se dizia sem origem. Marshall Sahlins mais uma vez faz uma observação que muito nos ajuda a pensar esta realidade: O missionário Hunt, falando dos nativos de Fiji, diz que “eles praticamente nada sabem sobre seu passado. Sua origem e história são para eles um completo mistério... Malani de Lakemba foi considerado por Hocart como sendo bastante tagarela, mas pouco sabia, por ter sido criado entre pessoas comuns e não entre os nobres.7 Ou seja, o passado remoto parece não importar às pessoas comuns. “No limite, o povo está à beira de uma ausência de história... reduzindo desse modo a memória genealógica da maioria das pessoas comuns às lembranças pessoais”.8 É importante lembrar que lá se trata de uma sociedade sem escrita e cá se refere a uma localidade em que até bem pouco tempo os alfabetizados eram a minoria da população. “As pessoas comuns têm centenas de parentes que são contemporâneos seus, sobre os quais ‘falam estórias’”.9 Ou seja, a memória das pessoas comuns é horizontal, não tem a preocupação vertical dos que se acham nobres. Minha avó Emília Ferreira (Miloca) contava histórias de muitas pessoas quase todas que elas conheceu. No entanto, de seus antepassados a pessoa mais antiga que ela contava história era de sua bisavó, Senhorinha Maria da Cunha Goulart, a quem ela conheceu. Vó Miloca nunca contou histórias de seu trisavô, Jorge da Rosa, que era açoriano da Ilha do Faial e que ela não conheceu. Vamos, então, ver os casos encontrados de trocas ou abandono de sobrenomes. Primeiramente, um caso de troca de um sobrenome por um sobrenome duplo que permanece por várias gerações. É o caso de Francisco Pereira Machado, natural da Ilha de São Miguel, aqui chegado em 1750 e que tem muitos descendentes ainda hoje na região utilizando o mesmo sobrenome duplo. Ele era filho de Sebastião de Souza Beirão e de Maria da Estrela. Não consegui identificar a origem do sobrenome Pereira Machado. Não sei se era originário dos avós maternos ou do padrinho. Um filho de Francisco Pereira Machado e de Angélica Maria da Silva, o Tenente Coronel Antônio Pereira Machado, recebeu a comenda de Cavaleiro da Ordem de Cristo quando da visita de Dom Pedro II à freguesia em 1845. O fato é que os Pereira Machado são o exemplo de utilização de dois sobrenomes juntos por mais de dois séculos no Brasil. No entanto, se formos pesquisar seus ascendentes nos Açores, este sobrenome duplo, tão presente aqui, não será relevante lá. Outro caso é o do abandono do sobrenome. Por exemplo, Henrique Antônio da Ventura era descendente de Manoel da Ventura Mesquita, natural do Porto. Henrique se casa com Justina Maria da Rocha e falece em 1868, aos 36 anos de idade, deixando sete filhos. Dentre os que alcançam a maioridade, somente um utilizará o sobrenome do pai, se chamará José Antônio da Ventura. Outros dois usaram o sobrenome da mãe, Manoel Henrique da Rocha e Henrique Antônio da Rocha Júnior. Este último será Henrique Antônio como o pai, mas utilizará o sobrenome Rocha, acrescentando o Júnior. Entre os filhos de Manoel Henrique da Rocha, teremos Macário Manoel Henrique da Rocha e Afonso Manoel Henrique, alcunhado de Pequeninho. Afonso não usará o Rocha bem como sua esposa que se chamará Paula Regina Henrique. Já os filhos usarão o sobrenome Rocha. Aqui vemos o que a professora Maria Norberta Amorim já observou para o caso português, a morte do pai fez com que os filhos utilizassem o sobrenome da família da mãe, que por certo se tornou referência mais forte. Outro caso é o da inversão dos sobrenomes, ou seja, a composição de colocar primeiro o sobrenome do pai e por último o da mãe. É o caso da família Pereira Serpa que teve entre outros descendentes, o Cônego José Fabriciano Pereira Serpa, que foi vigário de Santo Antônio por 53 anos. O pai do Cônego era o Alferes José Pereira Serpa, filho do Alferes João José Pereira e de Dona Floriana Rosa de Serpa. Dentre os filhos de João José e de Floriana Rosa, apenas José Pereira Serpa e Francisco de Assis Pereira Serpa utilizarão o sobrenome Pereira Serpa, os outros utilizarão apenas o sobrenome Pereira: Venâncio José Pereira, Francisca de Assis Pereira, Floriana Amália Pereira, Mariano José Pereira, Júlia Custódia Pereira e Leopoldina Carolina Pereira Cabral, que se casou com José de Vasconcelos Cabral. Na família Dias de Lima aconteceu a mesma coisa. A família utiliza este sobrenome composto a partir de João Francisco Dias de Lima, nascido em 1820. Ainda hoje muitos de seus descendentes utilizam os dois sobrenomes. João Francisco era filho de Manoel Francisco Dias e de Águeda Jacinta de Jesus. Seus avós paternos eram Francisco Dias Baião, natural do Porto, e Cipriana Rosa de Jesus, maternos eram Felipe Antônio de Lima e Antônia Jacinta. Para compor o seu nome João Francisco colocou o sobrenome do pai primeiro e o do avô materno como segundo. Temos assim os Dias de Lima há quase duzentos anos. Estas duas famílias são exemplos de inversão de sobrenomes, onde a família da mãe era mais abastada que a família do pai. A ascendência econômica, ou o prestígio falou mais alto do que a questão de gênero. Outra situação é a troca do sobrenome pelo nome de um santo. João Damasceno Machado, nascido em 1880, era filho de Manoel Caetano Machado e neto de José Caetano Machado. Ficará conhecido como João Queitano (forma local de pronunciar Caetano). Apesar de não ter o Caetano no nome, o fato de duas gerações da família terem utilizado esse prenome fará com essa família ficasse assim conhecida. João Damasceno Machado teve um filho que utilizará o nome de Nilo João Damasceno, nascido em 1912. Dessa forma seus descendentes deixaram de ser Machado e se tornaram Damasceno, no entanto, Nilo era conhecido como Nilo Caetano. Há algum tempo um neto de Nilo João Damasceno me apareceu com o brasão da família Damasceno, dizendo que sua família era originária de Damasco, na Síria. Precisei lhe dizer que o Damasceno que carrega como sobrenome começou com seu avô e que seu bisavô recebeu o nome de João Damasceno em homenagem ao São João Damasceno, também chamado João Mansur, santo católico que era comemorado em 27 de março e que hoje é celebrado a 4 de dezembro. O mais comum, no entanto, é o abandono dos últimos sobrenomes. Como sempre se colocava o nome do pai no filho, quando o nome ia se tornando muito extenso, abandonava-se o último sobrenome. É o caso de Manoel Januário Homem, nascido em 1884, filho de Januário Deolindo Homem e de Carlota Jacinta da Silva. Januário Deolindo Homem era filho de Deolindo Francisco Homem e de Laureana Antônia Rosa. Deolindo era filho de Francisco José Homem e de Rosa de Jesus. Laureana era filha de Januário de Souza Bitencourt e de Joaquina Rosa de Jesus. Manoel Januário Homem será conhecido, no entanto, como Mané Carrelota, forma local de dizer Carlota, que era sua mãe. Os filhos de Manoel Januário Homem utilizarão os nomes Paulo Manoel Januário e Thomaz Manoel Januário, apesar de serem conhecidos como Paulo Carrelota e Thomaz Carrelota. O que vemos aqui é que os filhos de Manoel Januário Homem não usarão o sobrenome Homem, ficarão com o prenome do bisavô de Manoel Januário Homem, Januário de Souza Bitencourt, apesar de serem conhecidos pelo prenome da avó, Carlota Jacinta da Silva (Carrelota). Aliás, apesar de ter conhecimento de prenomes femininos que se tornaram sobrenomes em outros lugares, não encontrei sequer um caso assim na freguesia estudada. Apesar de algumas famílias serem conhecidas por prenomes femininos em nenhum o prenome feminino se tornou sobrenome de fato. Com os filhos de Manoel Aparício da Cunha e Julia Ana Medeiros da Silva Peres acontecerá o mesmo que houve com a família de Manoel Januário Homem. Os filhos de Manoel Aparício da Cunha se chamarão Apolônio Manoel Aparício e Saturnino Manoel Aparício. Hoje a maioria dos seus descendentes utiliza o sobrenome Aparício e alguns, o sobrenome Cunha. Hercílio Pedro Marciano e Raulino Pedro Marciano são dois irmãos nascidos respectivamente em 1919 e 1921 na Barra de Sambaqui. Seus filhos carregam o sobrenome Marciano. Por exemplo, um filho de Hercílio, se chama Manoel Hercílio Marciano. Hercílio e Raulino são filhos de Pedro Marciano da Rosa (1886-1969). Pedro, por sua vez, é filho de Marciano da Rosa Luz, que é filho de Antônio da Rosa Luz (1798-1862), que é filho do Sargento Antônio da Rosa Luz, que é filho de José da Rosa Luz, nascido na Ilha do Pico, Açores. Houve nesse caso a substituição do sobrenome composto que esteve presente em quatro gerações pelo prenome Marciano. Aliás, todos os filhos de Marciano da Rosa Luz utilizarão o seu prenome: Maria Marciana da Rosa, que se casa com Ludovino Dias de Lima; Guilherme Marciano da Rosa, que se casa com Eduvirgem Rosa de Jesus e Pedro Marciano da Rosa, que se casa com Clemência Maria de Sant’ Anna. Eulália Alves Cabral terá filhos a partir de 1885 com o italiano José Damasco e seus filhos utilizarão um nome ou outro: Manoel Alves Cabral, ficará conhecido com Mané Olara, forma de pronunciar Eulália. Antônio Alves Cabral que também será chamado de Antônio Olara e Roque José Damasco, que utilizará o sobrenome do pai. Apesar, de não utilizarem oficialmente o prenome da mãe, é por este nome que ficaram conhecidos, a família Olara (Eulália). Várias serão as famílias em que o nome permanecerá, apesar de não constar oficialmente nos registros. Por exemplo, em 1894, nasce Francisco João da Silva, filho de João Germano da Silva, que ficará conhecido como Chico Germano, apesar de não ter Germano no nome. O nome Germano identificará mais essa família do que o sobrenome Silva. O mesmo se dará com o irmão de João Germano da Silva, Gasparino João da Silva, nascido em 1897. Hoje todos os seus descendentes utilizam como sobrenome Gasparino das Silva. Haverá também os casos em que os irmãos utilizam sobrenomes diferentes entre si. De todas as famílias pesquisadas, a família de Manoel Felipe Pereira, conhecido como Mané Patrão, é a que os filhos têm os sobrenomes mais diversos. Manoel, que era filho de Manoel Francisco Pereira e de Maria Lourença da Silva, era neto paterno de Francisco Pedro da Ventura e de Rita Maria de Jesus e materno de Sabino José Pimentel e de Cândida Rosa de Jesus. Manoel se casou em primeiras núpcias com Maria Damiana da Ventura, filha de Laureano Anselmo Soares da Ventura e de Mathildes Damiana da Ventura. Os filhos dessa união se chamarão Wenceslau Francisco do Amaral e Amaro da Ventura. O sobrenome de Amaro era o mesmo da mãe, agora o de Wenceslau não consegui identificar. Provavelmente era o sobrenome do padrinho, que poderia ser o vizinho João Rodrigues do Amaral Borralho. Manoel Felipe Pereira se casa em segundas núpcias com Joaquina Maria Lisboa, filha de Manoel Ignácio da Rosa e de Maria Joaquina da Rosa. Os filhos se chamarão: Manoel Pereira da Rosa, Francisca Pereira (que se casou com Themóteo Antônio Ferreira, que depois se casa com Emília Ferreira e por último com Esmeraldina Peixoto), Gualberto Manoel Pereira, José Manoel Felipe e Genésio Francisco da Rosa. Dessa forma temos sete irmãos com seis sobrenomes diferentes: Amaral, Ventura, Pereira da Rosa, Pereira, Felipe e da Rosa. Há também o caso em que se adota o sobrenome do padrinho de batismo. Augusto Guimarães da Silva, nascido em 1879, era filho de José Maria de Lima e de Josephina da Silva Lima, recebeu o sobrenome Guimarães da Silva, que era o sobrenome do padrinho de batismo. Porém, os filhos de Augusto utilizarão o apelido Lima. É lugar comum se dizer que a transmissão do sobrenome paterno é mais importante para os filhos homens. Não é bem assim o que se observa. Por exemplo, o casal Jacinto Laureano de Andrade e Angélica Rosa de Jesus se casaram em 1896. Ele era filho de Laureano Jacinto de Andrade e de Maria Joana da Silva e ela era filha de João Francisco Dias de Lima e de Serafina Rosa de Jesus. Suas duas filhas utilizarão o sobrenome do pai ao qual acrescentarão o sobrenome dos maridos: Josina Andrade da Luz que se casa com Leopoldo José da Luz e Maria Andrade da Luz que se casa com Lindolfo José da Luz. Aliás, aqui se casaram duas irmãs com dois irmãos. Já o filho do casal se chamará Sinfrônio Jacinto Dias, que utilizará o primeiro sobrenome do avô materno. Muitas vezes também acontece de o sobrenome não ser usado por uma ou duas gerações e depois retornar. Por exemplo, José Francisco Pires, migrado da Freguesia de Santa Beatriz das Quatro Ribeiras para a freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa. Ele veio acompanhado dos pais Manoel Pires e Isabel da Ressurreição e de seus irmãos Rosa Maria, João Martins Lourenço e Francisco Ferreira da Costa. José Francisco Pires se casa com Quitéria Clara da Conceição e seu filho se chamará José Pires Ferreira, nascido em 1773. É importante perceber que um irmão de José Francisco Pires se chamava Francisco Ferreira da Costa. Um filho de José Pires Ferreira se chamará Isidoro Pires Ferreira, trisavô do governador Luiz Henrique da Silveira. Outro filho se chamará Manoel Pires Ferreira, nascido em 1800, e se casará com Senhorinha Maria de Jesus, natural de Santo Antônio. Ela era filha de Leopoldo Martins da Rocha e de Maria Joaquina. Do casamento de Manoel e Senhorinha, que passam a residir em Sambaqui, nasce Manoel da Rocha Pires, em 1838, que dará início ao apelido duplo Rocha Pires. Ele pegou o segundo sobrenome do avô materno e o primeiro do pai. De qualquer forma, dentre a população da freguesia as referências mais fortes serão o prenome do pai, da mãe ou o prenome mais comum na família. É possível fazer uma distinção clara entre a forma dos luso-brasileiros e dos descendentes de alemães que vivem em Santa Catarina estabelecerem essa relação de pertença. Entre os germânicos, quando se quer identificar alguém se diz: aquele é um Pitz, aquele é um Wagner; aquela Wolff casouse com um Weber. Entre os lusos brasileiros a relação é de pertença, por exemplo: o filho do João da Finoca se casou com uma da gente do Pequeno. Neste caso, Finoca era a alcunha de Delfina Maria da Conceição, mãe de João Vital Garcia e Pequeno era a alcunha de Luiz Manoel Machado que se casou com Natalícia Catarina Machado. Ao se falar “em gente do fulano”, pode se estar referindo a um filho, neto, sobrinho ou agregado. Dentre os descendentes de italianos e alemães de Santa Catarina é muito comum fazerem festa de família. Reúnem-se todos os que carregam determinado sobrenome ou se sentem descendentes. Entre os lusos brasileiros fica mais difícil se sentir descendente de alguém que não se carrega o sobrenome. Em Ratones viveu um casal na segunda metade do século XIX que se chamavam João Luiz Machado e Genoveva Leopoldina da Silva. Ele era filho de Luiz Januário de Bitencourt e de Angélica Ana Machado, ela era filha de José Rodrigues da Silva e de Leopoldina Carolina da Rocha. Vejam que ele usava o sobrenome da mãe. Seus filhos se chamarão: Maria Joana da Silva, João Luiz de Bitencourt, Leopoldina Genoveva da Silva, Marcolino João da Silva, José Luiz Machado, Francisca Simphrosia da Silva e Fernando João da Silva. Vejam a diversidade de sobrenomes existentes entre os irmãos. Fernando, por exemplo, se casa com Cândida Francelina de Mello. Deste casamento surgirão os Mello e Silva: Otávio de Mello e Silva, Jorge de Mello e Silva e Aurino de Mello e Silva. Ficarão conhecidos, no entanto, como gente do Fernando. Eram chamados de Otávio do Fernando, Jorge do Fernando e Aurino do Fernando. Interessante também é perceber como os estrangeiros que aportaram por aqui trataram o sobrenome. Há alguns casos em que passam a utilizar sobrenomes portugueses. Temos três nubentes que declararam ser naturais de Londres: Antônio Bernardo de Souza, Carlos Thomaz Afonso e Henrique José de Simas. Já Carlos Marquesi, natural de Gênova, Itália, terá seus descendentes utilizando o sobrenome Marques. Um caso típico de aportuguesamento do sobrenome. Dentre os estrangeiros, no entanto, o caso mais interessante será o de James Swan, natural de Baltimore, Estados Unidos da América. Ele se casa aqui em 03 de fevereiro de 1867 com Maurícia Maria Goulart. Nos registros seguintes passará a utilizar o nome de Diogo Guilherme de Sisne. Ou seja, traduziu para o português não apenas o prenome como também o sobrenome. Entre os seus descendentes, por exemplo, a professora Sandra Célia de Cisne, utiliza-se o sobrenome Cisne, Swan em inglês. Há casos em que se abandona o sobrenome e passa-se a usar o nome da cidade de origem. É o caso do Alferes José Maria da Cunha, natural de Lisboa, que acrescenta o nome da capital portuguesa ao seu nome. Seu filho, também alferes, terá o nome de João Maria da Cunha Lisboa. Já os seus filhos e descendentes abandonaram o nome Lisboa e ficaram só com o Cunha. Já a família Mafra iniciou com José da Silva Mafra, nascido em Mafra, Portugal, que era filho de Domingos Delgado. José abandonou o Delgado e assumiu o sobrenome duplo que perdura há mais de duzentos anos. Pesquisar encadeamentos genealógicos nesta perspectiva me parece ser a tentativa de utilizar a perspectiva genealógica de Foucault. Os sobrenomes não são o que parecem ser. Não há uma origem remota, inamovível e perfeita onde todos os descendentes daquele ancestral divino, primeiro de seu nome, podem ir beber. Os começos são movediços, móveis, muitas vezes disfarçados. Como, por exemplo, no registro de um batizado de um filho de mãe solteira em que o padre anotou no livro de atos que o inspetor de quarteirão e o povo sabiam quem era o pai. Há casos em que os registros oficiais informam uma coisa e a tradição oral diz outra. Por exemplo, Raul Francisco Lisboa, segundo os registros paroquiais, nasceu em 15 de setembro de 1888, filho legítimo de Francisco Frederico Lisboa e de Etelvina Justiniana de Andrade Lisboa. No entanto, várias fontes orais, informam que ele foi deixado em um cesto na porta da casa deste casal. Neste caso, ele seria um exposto. Sendo assim, o registro paroquial deveria informar que a criança foi exposta na casa de fulano de tal. Fica a dúvida. Se foi exposto, porque esta informação foi omitida? Se ele era filho legítimo, porque esta tradição oral permanece por mais de um século? 1 FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 3a. ed.Rio de Janeiro, Graal, 1982. p. 16 FLEURY, M. e HENRY, L. Nouveau Manuel de dépouillement et d’exploitation de l’état civil ancien. Paris: INED, 1965. Apud AMORIM, Maria Norberta (coord.). Informatização normalizada de arquivos: 2 Reconstituição de paróquias e história das populações – um projeto interdisciplinar. Universidade do Minho, 1995. 3 AMORIM, Maria Norberta. Demografia Histórica: um programa de docência. Universidade do Minho, Instituto de Ciências Sociais, 1995. p. 37 4 DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no Século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1984. p. 24 5 SAHLINS, Marshall. Ilhas de história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990. p. 44 6 Ibidem. p. 44 7 Ibidem. p. 74 8 Ibidem. p. 75 9 Ibidem. p. 76 A utilização de prenomes: uma comparação entre uma freguesia do Sul do Brasil e uma freguesia açoriana Sérgio Luiz Ferreira∗ Uma das evidências do processo de abrasileiramento da população da freguesia das Necessidades pode ser constatado na utilização dos prenomes de batismo. Estabeleci três cortes para a análise. O primeiro período vai de 1780 a 1825, o segundo de 1826 a 1889 e o terceiro de 1890 a 1922. O primeiro corte coincide, mais ou menos, com o designado período colonial brasileiro e na freguesia seu início se dá com o livro de batismo mais antigo ainda existente e o final a saída do seu primeiro vigário nativo, Padre Lourenço Rodrigues de Andrade. O segundo corte coincide com a fase do Império brasileiro. O terceiro começa no ano do estabelecimento do casamento civil e termina no ano da morte do Cônego Serpa. 1780-1825 Nomes 1. Maria 2. Ana 3. Luiza 4. Joaquina 5. Rita Subtotal 6. Ignácia 7. Rosa 8. Alexandrina 9. Jacinta 10. Francisca Subtotal Outros nomes Total ∗ Mulheres No. Porcentagem Absolutos 476 22,9% 234 11,2% 94 4,5% 72 3,4% 61 2,9% 937 45% 52 2,5% 41 1,9% 39 1,87% 37 1,78% 35 1,68% 1.141 54,9% 937 45,1% 2.078 100% Nomes 1. Manoel 2. José 3. João 4. Antônio 5. Francisco Subtotal 6. Joaquim 7. Luiz 8. Alexandre 9. Jacinto 10. Ignácio Subtotal Outros nomes Total Homens No. Porcentagem Absolutos 343 15,85% 279 12,89% 250 11,55% 165 7,62% 125 5,77% 1.162 53,72% 83 3,83% 64 2,95% 47 2,17% 40 1,84% 37 1,71% 1.433 66,25% 730 33,74% 2.163 100% Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina. 1826-1889 Nomes 1. Maria 2. Francisca 3. Ana 4. Rita 5. Rosa Subtotal 6. Luiza 7. Leopoldina 8. Alexandrina 9. Júlia 10. Cândida Subtotal Outros nomes Total Mulheres No. Porcentagem Absolutos 875 35,65% 134 5,46% 100 4,0% 70 2,85% 50 2,0% 1.229 50,08% 48 1,95% 42 1,71% 36 1,46% 35 1,42% 27 1,1% 1.417 57,74% 1.037 42,25% 2.078 100% Nomes 1. Manoel 2. João 3. José 4. Francisco 5. Antônio Subtotal 6. Pedro 7. Joaquim 8. Luiz 9. Cândido 10. Domingos Subtotal Outros nomes Total Homens No. Porcentagem Absolutos 485 18,29% 314 11,84% 301 11,35% 187 7,05% 96 3.62% 1.383 52,16% 83 3,13% 73 2,75% 66 2,48% 27 1,01% 24 0,90% 1.656 62,46% 995 37,53% 2.651 100% 1890-1922 Nomes 1. Maria 2. Francisca 3. Rosa 4. Benta 5. Rosalina Subtotal 6. Rita 7. Geraldina 8. Almerinda 8. Catharina 8. Cecília 8. Durvalina 8. Júlia Subtotal Outros nomes Total Mulheres No. Porcentagem Absolutos 570 27,46% 53 2,55% 38 1,83% 24 1,15% 23 1,10% 708 34,12% 22 1,06% 20 0,96% 18 0,86% 18 0,86% 18 0,86% 18 0,86% 18 0,86% 840 40,48% 1.235 59,52% 2.075 100% Nomes 1. Manoel 2. João 3. José 4. Francisco 5. Antônio Subtotal 6. Pedro 7. Domingos 8. Luiz 9. Miguel 10. Àlvaro Subtotal Outros nomes Total Homens No. Porcentagem Absolutos 265 11,96% 186 8,39% 181 8,17% 71 3,20% 70 3.16% 773 34,89% 45 2,03% 33 1,48% 21 0,94% 17 0,76% 16 0,72% 905 1310 2.215 40,85% 59,14% 100% No primeiro período (1780-1825) para um universo de 2.078 mulheres tivemos 303 nomes diferentes, isto significa 6,8 pessoas por nome. Entre os 2.163 homens tivemos 278 nomes diversos, isto significa 7,7 pessoas por nome. No segundo período (1826-1889) entre 2.454 mulheres tivemos 521 nomes diferentes, isto significa 4,7 pessoas por nome. Entre os 2.651 homens tivemos 522 nomes, ou 5 pessoas por nome. No terceiro período (1890-1922) teremos 2.075 mulheres registradas com 587 tipos de nomes, isto dá 3,5 mulheres por nome. Entre os 2.215 homens teremos 667 nomes diversos, o que significa 3,3 pessoas por nome. Entre o início da observação e o final perceberemos um aumento significativo da diversidade de prenomes, praticamente o dobro. No primeiro período percebemos um comportamento muito parecido com o observado em Portugal, especialmente nos Açores. Adiante, faremos uma comparação com os dados pesquisados pela professora Maria Norberta Amorim sobre a freguesia de São João, na Ilha do Pico, Açores. Nomes de mulher No segundo período chama a atenção a passagem do nome Francisca de décimo para segundo lugar. Seria por causa da princesa imperial, Dona Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I? Também é interessante a utilização do nome Leopoldina. No primeiro período é um número insignificante, apenas 8. No segundo período pula para 42, ficando em sétimo lugar. Dona Leopoldina foi a primeira imperatriz do Brasil. Aliás, as mulheres de nome Leopoldina, geralmente eram conhecidas como Pudica. Já quem tinha o nome de Cândida era chamada de Candoca ou Cainda. Neste período também o nome Maria alcançará seu índice maior, 35,65%. Em compensação, os outros nomes terão.percentagens bem baixas. No terceiro período, apesar da manutenção absoluta do nome Maria, haverá uma pulverização do outros nomes. Os cinco nomes mais comuns que no segundo período somam 50,08% do total caem para apenas 34,12%. Chama atenção no terceiro período também o nome Benta que se torna o quarto mais comum (24 mulheres). No primeiro período não houve uma Benta sequer e apenas 5 no segundo período. Há uma tradição popular que diz que quando uma mulher tem muitas filhas deve colocar o nome de Benta na última para que o próximo seja um homem. Da mesma forma, quando se tem muitos filhos homens, deve-se colocar o nome de Bento para que nasça uma mulher. Seria isso mais um indício do abrasileiramento desta população. Nomes de homem Entre os homens, Manoel apesar de ser o nome mais comum, não reina tão absoluto quanto Maria entre as mulheres. João e José, sempre muitos próximos, não ficam muito atrás. No quarto e quinto lugar, Antônio e Francisco se revezam. Da mesma forma, que entre as mulheres, os cinco primeiros nomes masculinos que, no primeiro período chegavam a 53,72% e no segundo eram de 52,16%, no terceiro período caem para 34,89%. Índice parecido com o encontrado entre os nomes femininos. No segundo período chama a atenção a utilização do nome Pedro. Enquanto no período anterior ocupava a 12a. posição, nos dois períodos seguintes ocupará a 6a. posição. Seriam homenagens aos imperadores Pedro I e Pedro II? O que chama a atenção são os nomes que surgem a partir da proclamação da República. Hercílio, por exemplo, teremos 9 nesta época, todos nascidos depois que Hercílio Pedro da Luz foi governador do Estado. Aristides também surgem após a República, seria por causa do republicano Aristides Lobo? Até um Deodoro aparece nesta época. Se de início tínhamos o hábito da colocação de nomes tradicionais portugueses, aos poucos e, sobretudo no derradeiro período, veremos a introdução de nomes estrangeiros, nomes surgidos da fusão de outros nomes, nomes inventados e nomes de santos retirados dos almanaques. Entre os nomes estrangeiros, surge até um Mozart e um Lafayete. Também data desta época a utilização de nomes indígenas, como Ypiranga, Jacy, Iracy, Irany, até um com o nome de Índio. Aliás, os almanaques se tornam nessa época a principal fonte dos prenomes. Em Portugal os nomes variam muito menos. Só para fazer uma comparação observemos a tabela abaixo, feita pela professora Maria Norberta Amorim, sobre os nomes mais utilizados na freguesia de São João da Ilha do Pico, Açores. Quadro I1 Os cinco nomes próprios masculinos mais escolhidos em São João – Ilha do Pico ! "$#%'&( )+* , -/.102!3 4$53'26 4$7 , -.02+3 4+53826 4$7 , -.02!3 4+53826 4+7 , 9 :<;=>?+@ ABC CD A E<FGHJI!K ALB CM A E<FGHI!K N+OQP NR O S<TUVW+X YYZ N[ Y \^]_Q`]a b cd ef g hjikml nop qr q hjikml nop qs q t^uvQwux i yz n|{ } hik~l ys np } tuvQwuJx i nqq no } t^uvQwux i nq{ nQr } hik~l yz n|{ j 1 m Q j | r ~| +m ¡!¢¢ £¤ !~ ¨©Qª«¬+¯®« °°|¢ §¤ ¨/©J±ª«/¬J!¯®« ³+´µm¶·¸º¹!»1¶· ¼½¾ ¿¾¾ ³!´µ~¶·¸^¹+»¶· ¥¡¡ £¦ +m ~| £² °° ¨©±ª1«¬+¯®« ½À½ ¿¾¾ ³+´µm¶·¸º¹!»¶· £§¦ ¦¡ +~ ¢¢ ¥ ÁÁ ¿¾¾ m ¨©Qª«/¬J!¯®« ³+´µ~¶·¸º¹!»1¶· ¢£¥ ¦¤ ¥§ °¤ ÃÂÁ ¿¾¾ Nomes masculinos em São João e em Santo Antônio Os cinco nomes mais escolhidos serão os mesmos em São João e em Santo Antônio. 1 Amorim, Maria Norbeta. Falando de demografia histórica In: Boletim Informativo No. 33/34 – setembro/outubro de 2003 do Núcleo de Estudos de População e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho. P. 2-3 Veremos que ao longo de duzentos anos os nomes de Manuel, António, José, João e Francisco foram os mais comuns, com Manuel sempre na primeira posição, da mesma forma que em Santo Antônio. O nome de António foi, logo a seguir, o mais popular no primeiro período e no último e o de José foi mais apreciado ente 1750 e 1849. Já em Santo Antônio, Antônio foi o quarto no primeiro período e quinto no segundo e terceiro período. Já José tem uma preferência parecida em Santo Antônio e em São João. Na vila açoriana foi o segundo no primeiro período e terceiro nos dois outros períodos, em Santo ele fica em segundo lugar no primeiro período e segundo nos dois outros períodos, mas com números muitos próximos de João. Em São João, João, que ocupava a quarta posição na primeira metade do século XVIII desceu para quinta posição no meio século seguinte trocando com o nome de Francisco. Em Santo Antônio, João ocupará a terceira posição no primeiro momento, passando para segundo nos outros períodos. No século XIX a popularidade do nome de João volta a subir, situando-se sempre o nome de Francisco como quinta escolha. Em Santo Antônio, Francisco também será o quinto escolhido no primeiro período, subindo para quarto nos outros períodos. A grande diferença entre Santo Antônio e São João está no fato de que esses cinco nomes mais comuns cobriam 80% das opções na primeira metade do século XVIII, passando no período seguinte para 89%, para atingir na primeira metade do século XIX os 94%. Na segunda metade desse século dá-se uma redução para 90%. Enquanto na vila açoriana houve a tendência à concentração da maioria absoluta da população masculina em cinco nomes, em Santo Antônio se dará o inverso. Se no primeiro período (1780-1825) 53,72% dos homens usavam os cinco nomes mais comuns, entre 1890 e 1922 este número cairá para 31,73%. Aqui temos uma diferença significativa entre o hábito daquela freguesia dos Açores e desta do Sul do Brasil Quadro II Os cinco nomes próprios femininos mais escolhidos ÄÅÆÆ Ç ÄÅÈÉ ÄÅÊÆ Ç ÄÅÉÉ ÄËÆÆ Ç ÄËÈÉ ÄËÊÆ Ç ÄËÉÉ ÌÍÎÏ!Ð Ñ+ÒÐ8ÏÓ Ñ+Ô Õ ÌÍÎÏ!Ð Ñ$ÒÐ'ÏÓ Ñ+Ô Õ ÌÍÎÏ!Ð Ñ$ÒÐ'ÏÓ Ñ+Ô Õ ÌÍÎÏ!Ð Ñ+ÒÐ'ÏÓ Ñ$Ô Õ Ä Ö<×ÍØ × ÄÙÆ ÚÅ Ä Ö<×Í1Ø × ÛÛÚ ÚÅ Ä Ö<×Í1Ø × ÚÛÉ ÈÛ Ä Ö<×ÍØ × ÚÛÙ ÊÄ Û Ü+ÏÍ~ÏÓQ× ÚÅ Ë Û ÝÞßQàÞJØ × ÊÅ ÄÆ Û áÍ1×ÞâØ Ómâ× ÊÛ Å Û áÍ×ÞâØ Ó~â|× ÚÙ Ù Ú ã äQåçæJè!é ê+ë ì ê íîï~ðñ~ò óô õ ö íîï~ðñ~ò óõ ô ö ÷ ïQòçøJð!ù öú ô íjîïmðñmò ûü ý þÿò ó ý ÷ ï±òøð+ù óö þ^ÿò õ ö ó ú $% ó $% ó ú ó "# & & ' $% (") $% ! *+%-,.+/0 "# *+%-,.+/0 ")& *+%-,.+/0 ' *+%-,.+/0 $% (123,4 ") $% (123,4 &' ") $% (123,4 ' ") $% (123,4 ") Os nomes de batismo femininos em São João e em Santo Antônio Se entre os cinco nomes masculinos mais utilizados tivemos exatamente os mesmos nomes nas duas freguesias, entre os nomes femininos isto não se dará. No que respeita às crianças do sexo feminino nascidas dentro do casamento em São João, o nome de Maria, que no século XVIII ocupava 37% das opções, subiu na primeira metade do século seguinte para 42%, atingindo 51% entre 1850 e 1899. Semelhante lugar ocupa este nome em Santo Antônio, apenas com índices menores. Em São João, Teresa ocupará o segundo lugar na primeira metade do século XVIII, e depois perde a popularidade. Já em Santo Antônio este nome ocupa um lugar insignificante. Antônia será o segundo nome na segunda metade do século XVIII em São João e quase não aparece em Santo Antônio. Francisca ocupará em São João o segundo lugar durante todo o século XIX, da mesma forma isso acontecerá em Santo Antônio, sendo que este nome ocupava a décima colocação do século XVIII. Isabel e Josefa que se revezam no terceiro e quarto lugar em São João foram poucos utilizados em Santo Antônio. Em Santo Antônio haverá uma variação de nomes, com Ana ocupando o segundo lugar no século XVIII, o terceiro no segundo período (1826-1889) e praticamente desaparecendo no terceiro período. Teremos aqui entre os cinco primeiros ainda Luiz, Joaquina, Rita, Rosa, Benta e Rosalina. Reparamos em São João que entre os cinco primeiros nomes femininos mais escolhidos, apesar da preferência por Maria ser superior à preferência por Manuel, ocupam entre 65 e 68% das opções, deixando maior margem para outros nomes. Segundo a professora Maria Norberta Amorim, a percentagem elevada de crianças a quem foi posto o nome de Maria tem a ver com o hábito que se foi arraigando da primeira filha ser Maria e, para finais do século XIX tornar-se freqüente várias filhas de uma mesma família serem batizadas com o nome de Maria, com um sobrenome identificativo aplicado depois, mas não registrado no batismo. De fato, enquanto na primeira metade do século XVIII só 29% das escolhas de nome para a primeira filha nascida recaía sobre Maria, na segunda metade do século a percentagem sobe para 44%, no período seguinte sobe para 57%, colocando nos 61% na segunda metade do século XIX. Os outros quatro nomes mais escolhidos não o foram especialmente para a primeira filha nascida. O somatório desse nomes no primeiro período coloca a percentagem nos 7%, no segundo período, nos 5%, no terceiro, nos 3% e no último período, em apenas 2% das opções. Referência: Polanah, Luís, Olhares sobre a vida camponesa. Estudos e Reflexões de Antropologia Social, NEPS, 2003.