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BOLETIM DE HISTÓRIA DEMOGRÁFICA
Ano XII, no. 36, abril de 2005
SUMÁRIO
Apresentação
Artigos
Resenha
Resumos
Notícia Bibliográfica
Publicações Recebidas
Notícias e Informes
ROL - Relação de Trabalhos Publicados
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Apresentação
Além do farto material informativo estampado neste número de nosso BHD, estão a distingui-lo o texto
assinado por Maria Luiza Marcílio, nome consagrado de nossa demografia histórica, os estimulantes
artigos sobre nomes e sobrenomes devidos a Sérgio Luiz Ferreira e o valioso e desafiador índice proposto
por Richard Graham, o qual se define como autor de obras clássicas sobre a história da escravidão nas
Américas.
Artigos
RICHARD GRAHAM. Purchasing power: a tentative approach and an appeal.
RESUMO. Depois de evidenciar as limitações representadas pelo uso das conversões cambiais como
forma de atualizar, para efeito do estabelecimento de confrontos, valores colhidos nos inventários
post-mortem concernentes a distintos momentos do tempo, o autor propõe um sucedâneo a tal prática
construindo um índice calcado nos preços de alimentos e de cativos. (a) Para ler a versão integral do
artigo e ter acesso aos preços levantados pelo autor e ao índice proposto, em formato Adobe (.pdf):
. (b) Para ter acesso apenas à versão do texto do artigo, em formato Word (.rtf):
. (c) Para ter acesso apenas aos preços e ao índice, em formado Excel (.xls)
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MARIA LUIZA MARCÍLIO. Os registros paroquiais e a historia do Brasil. (publicado originalmente na
revista Varia Historia, 31, jan. 2004:13-20).
RESUMO. Neste artigo, a autora recupera a história dos assentos paroquiais de batismos, casamentos e
óbitos concernentes à Igreja Católica. Evidencia, ademais, além das enormes potencialidades
informativas de tais fontes documentais, o papel crucial que desempenharam no estabelecimento da
moderna história demográfica. Para ler a versão integral do artigo
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SÉRGIO LUIZ FERREIRA. Transmissão de sobrenomes entre luso-brasileiros: uma questão de classe.
RESUMO. Este artigo procura discutir de forma genealógica, na acepção de Michel Foucault, a forma de
transmissão de sobrenomes numa freguesia de colonização açoriana da Ilha de Santa Catarina. O
principal objetivo é demonstrar que a transmissão de sobrenome não é uma questão de gênero, como
muitos pensam, mas uma questão de classe social. Para ler a versão integral do artigo
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SÉRGIO LUIZ FERREIRA. A utilização de prenomes: uma comparação entre uma freguesia do Sul do
Brasil e uma freguesia açoriana.
RESUMO. A pesquisa encontra-se embasada nos registros civis e religiosos da freguesia de Nossa
Senhora das Necessidades da Praia Comprida, atual distrito de Santo Antônio de Lisboa, município de
Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Dessa forma, todos os dados referidos neste trabalho foram
coletados nessa paróquia. No artigo comparam-se os prenomes adotados nessa freguesia com os
escolhidos em uma freguesia do arquipélago dos Açores, de onde veio a maioria absoluta dos povoadores
iniciais do atual distrito de Santo Antônio (cerca de 75%). A conclusão é que ao longo do século XIX
deu-se o "abrasileiramento" dos prenomes utilizados. De uns poucos nomes portugueses passou-se a
diversos nomes de muitas origens. Para ler a versão integral do artigo
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Resenha
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Os refugiados da seca
Maria Lucília Viveiros Araújo
NOZOE, Nelson; BASSANEZI, Maria Silvia C. Beozzo; SAMARA, Eni de Mesquita (org.). Os
refugiados da seca: emigrantes cearenses, 1888-1889. São Paulo; Campinas: NEHD, NEPO, CEDHAL,
2003. 44 p. e CD-ROM.
O trabalho reuniu professores de diferentes instituições - Nelson H. Nozoe é professor da FEA-USP, Eni
de Mesquita Samara da FFLCH-USP e Maria Silvia C. Beozzo Bassanezi é pesquisadora do
NEPO-UNICAMP - tendo por interesse comum a demografia histórica.
O livro tem o objetivo de sistematizar os dados e divulgar a documentação da Companhia de Vapores
dos anos 1888-1889, época da presidência de Antônio Caio da Silva Prado, do acervo do Arquivo
Público Estadual do Ceará.
Os dados foram extraídos de um conjunto de 24 livros do referido arquivo, e transcritos para o CD Rom
que acompanha a publicação. Os anexos ou CD Rom contêm a listagem dos 31.820 indivíduos ou
famílias que abandonavam a região da seca rumando para diferentes regiões. Essas listas discriminam o
nome, a idade, o sexo, o estado conjugal, o grau de parentesco com o chefe, a naturalidade, a
procedência, o destino e a companhia transportadora. O tratamento das fontes consta da segunda parte do
texto "Companhia de vapores, notas sobre a transcrição dos dados".
A primeira parte da publicação contextualiza o fenômeno. As secas periódicas do Nordeste provocaram
grandes deslocamentos populacionais, principalmente após a segunda metade do século XIX. Sendo que,
nos anos 1888/89, o presidente do Ceará resolveu optar pela subvenção do transporte para minorar o
risco de vida dos atingidos e preservar as cidades do litoral dos excessos populacionais.
Essa iniciativa redundou na produção dos documentos em questão, que individualizou apenas uma parte
dos 300.000 cearenses prejudicados pela seca. Ela nos informa sobre as regiões envolvidas, sobre a
origem e a circulação do camponês do Ceará, e, também, sobre o padrão de família e o destino
preferencial do retirante da época. Há dois mapas e oito tabelas apresentando didaticamente essa
população.
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Enfim, a publicação levanta várias questões a serem enfrentadas por futuros trabalhos sobre o tema. Por
exemplo, que atraiu 63,9% dos migrantes para as províncias do Norte? Por que não se aproveitou o
fenômeno para povoar as terras do Sul? Quais as providências tomadas nas províncias vizinhas? Isto é,
ela se propõe subsidiar o incipiente estudo historiográfico das migrações internas, o fenômeno das secas
do Nordeste, além de fornecer dados preciosos para as pesquisas genealógicas do brasileiro.
Resumos
ALMEIDA, Ana Maria Leal. Da casa e da roça: a mulher escrava em Vassouras no século XIX.
Universidade Severino Sombra, Dissertação de mestrado, 2001.
RESUMO. Esta dissertação apresenta pontos fundamentais para o estudo da mulher escrava em
Vassouras no período 1850-1888; são consideradas fontes documentais coevas, a literatura de época e a
bibliografia hodierna. Destaca-se, em especial, a presença da mulher escrava em inúmeras ocupações,
tanto no interior dos casarões urbanos ou campestres, como no meio rural, nos mais diversos trabalhos de
roça.
ABSTRACT. This work introduces fundamental aspects for the study of the slave woman in Vassouras
during the period from 1850 to 1888, according to documental sources, literature of that time and modern
bibliographical reference. It emphasizes the presence of the slave woman in countless occupations, either
inside the urban or country houses, or in the rural environment, in the most varied agricultural activities.
ASSIS, Marcelo Ferreira de. Tráfico atlântico, impacto microbiano e mortalidade escrava,
Rio de Janeiro c. 1790-c. 1830. (mestrado, IFCS da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 2002), 146 p., mimeografado. RESUMO. Este estudo observa a dinâmica da
mortalidade escrava em áreas urbanas e rurais da província do Rio de Janeiro, de 1790 a
1830, tendo como pressuposto que o tráfico atlântico influenciava de forma intensa tal
dinâmica. As migrações africanas forçadas constituíram um elemento de propagação de
doenças. Propagação esta que atingia tanto os próprios africanos como os crioulos,
também vitimados pelas doenças trazidas pelos navios negreiros.
BORTOLLI, Cristiane de Quadros de. Vestígios do passado: a escravidão no Planalto Médio Gaúcho
(1850-1888). Passo Fundo, Universidade Federal de Passo Fundo, Dissertação de mestrado, 2003.
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RESUMO. Neste estudo, de caráter histórico-regional, a autora analisa a escravidão no Planalto Médio
gaúcho no período 1850-1888. Busca elucidar os fatos referentes aos escravos dessa região, considerando
a forte presença de cativos e seu valor econômico no contexto sociopolítico e na formação dos
municípios de Cruz Alta e Palmeira das Missões; demonstrando que os escravos não estiveram presentes
somente na região charqueadora e em Porto Alegre, como até o momento foi apresentado pela
historiografia. Também analisa a produção historiográfica identificando como essa apresenta e trata o
escravo no Brasil e no Rio Grande do Sul. Através de pesquisa empírica, revela a existência de
movimentos abolicionistas nessa região, comparando-os com os de outras, as leis elaboradas nesse
período, as quais permitiram o encaminhamento de ações de liberdade que culminaram na abolição.
Através da análise de processos de inventários e testamentos, identifica e demonstra como essa ações
transcorreram e permitiram a concessão de liberdade aos cativos. A pesquisa em livros de registros de
batismos e óbito pertencentes à Igreja Matriz de Cruz Alta permitiu revelar a existência de batismo,
compadrio e apadrinhamento de escravos, bem como os óbitos ocorridos nessa cidade e em Palmeira das
Missões na segunda metade do século XIX. Através desses documentos o estudo descreve como se
realizavam os atos sacramentais, quantifica o número de batismos e identifica quem eram os cativos, seus
donos, seus padrinhos e onde esses atos ocorriam.
CAMPOS, Adalgisa Arantes. Locais de sepultamentos e escatologia através de registros de óbitos da
época barroca: a freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto. Varia Historia. Belo Horizonte,
Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p.
159-183.
RESUMO. A autora considera os sepultamentos feitos nas covas situadas na nave, na capela-mor e no
adro, isto é, no espaço sagrado entre 1712, dada da instituição da Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de
Ouro Preto, e 1733, ano da transladação do Triunfo Eucarístico que indica certa consolidação da
sociedade. O estudo apresenta aspectos qualitativos e quantitativos, revelando a documentação das
irmandades leigas, doutrinária, a legislação diocesana e, sobretudo, 158 assentos de óbitos daquela
paróquia ouropretana. São levantadas questões pertinentes ao ordenamento social e simbólico dos mortos
e de que forma a visão hierárquica vigente foi pouco flexibilizada nesse primeiro terço do povoamento
das Gerais. A documentação mostra que boa parte dos escravos não foi enterrada em solo sagrado. Só na
década seguinte, a partir da diversificação da sociedade e de recursos próprios, os escravos teriam acesso
às covas da fábrica paga, situadas no interior do templo. Só bem mais tarde o templo do Rosário dos
Pretos, próximo à matriz, destacar-se-ia como importante necrópole.
CARBONARI, Maria Rosa. População, fronteira e família: a região de Río Cuarto no período colonial
tardio. Niterói, Universidade Federal Fluminense, Tese de doutorado, 2001.
RESUMO. Esta pesquisa é uma contribuição à Historia Hispano-americana do período colonial tardio,
nela estuda-se, de fins do século XVIII ao início do século XIX, uma região rural e fronteiriça. Soma-se,
assim, aos debates historiográficos que procuram conhecer e discutir as relações específicas do mundo
colonial, neste caso população, povoamento e família em espaços não estudados anteriormente. Assim,
considera-se a região de Río Cuarto, um dos espaços mais austrais da Governação do Tucumán, e,
portanto, do Império colonial na América. Mostra-se como tal espaço se originou de uma Merced
abarcando dois ambientes geomorfológicos diferenciados: a serra e a planície. Embora até o século
XVIII a serra estivesse mais integrada ao espaço econômico colonial (fornecimento ao centro mineiro),
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com as Reformas Bourbônicas a planície passou a ter importância específica por ser via de comunicação
entre Buenos Aires e o Chile. Iniciava-se, neste espaço, um plano estratégico de povoamento (fundação
de vilas) e proteção (construção de baluartes defensivos) que levaria a região a passar de espaço marginal
a um espaço de fronteira. O período abordado estende-se de 1778 a 1813, marcos dados por dois
recenseamentos que permitem identificar a população que habitava a região e suas principais
características demográficas e, com auxílio de outras fontes, reconhecer a radiografia de uma sociedade
rural e fronteiriça, analisar as famílias que a habitavam e os outros grupos sociais.
CARVALHO, Rosane Aparecida Bartholazzi de. Imigrantes italianos em uma nova fronteira: Noroeste
Fluminense (1896-1930). Universidade Severino Sombra, Dissertação de mestrado, 2001.
RESUMO. No panorama dos estudos sobre imigrantes italianos no Brasil percebemos a necessidade de
produzir novos conhecimentos aprofundando em questões pouco exploradas no âmbito da História
Regional. Nesse sentido, o presente estudo é dedicado a uma colônia de italianos que se estabeleceu em
Varre-Sai, no município de Itaperuna, Noroeste Fluminense, no final do século XIX. A chegada do
imigrante se faz num período de expansão da cafeicultura na região. Procuramos analisar a dinâmica do
processo de aquisição de terras por parte destes, que de colonos e parceiros transformaram-se em
proprietários rurais. As diversas fontes de renda ligadas à lavoura cafeeira e os pecúlios existentes no
país de origem permitiram aos italianos uma ascensão econômico-social. Procuramos ainda explicar de
que maneira os imigrantes italianos atuaram no sentido de construir seu próprio espaço na região de
Varre-Sai. Trabalhamos, entre vários outros, com extensas fontes demográficas, judiciárias e privadas.
DOMINGUES, Petrônio. Uma História Não Contada - negro, racismo e branqueamento
em São Paulo no pós-abolição. São Paulo, Editora Senac São Paulo, 2004, 400 p.
RESUMO. O autor aborda a transição do trabalho escravo para o trabalho livre em São
Paulo e defende a tese de que a vinda dos imigrantes para a cidade, no período
pós-escravidão, foi uma política governamental paulista construída com apoio da elite,
interessada em excluir os negros livres da sociedade. Depois de abolida a escravidão, a
mão-de-obra se tornou escassa e os fazendeiros viram nos estrangeiros uma fonte
alternativa, fator que favoreceu a entrada de imigrantes no Brasil; essa é uma idéia
esposada por muitos estudiosos e contra a qual se coloca o autor da dissertação de
mestrado em foco, a qual foi apresentada na USP; nela se mostra que, pelo menos em
São Paulo, destino de muitos imigrantes, não havia falta de mão-de-obra, mas uma
concreta intenção da elite, do governo e dos intelectuais paulistas em "branquear" a
cidade. "Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o racismo em São Paulo não era
velado, mas apoiado por um grande número de pessoas que acreditava na inferioridade
do negro", afirma o autor. "Logo após o fim da escravidão sobrava mão-de-obra negra
na cidade, contudo eles eram impedidos de atuar no mercado formal e na indústria que
começava a florescer, partindo então para trabalhos marginais. Os imigrantes, por outro
lado, receberam vários incentivos para vir para o Brasil e para São Paulo, ainda que as
condições de trabalho muitas vezes fossem vis". São evidenciadas, também, as
dificuldades que os negros enfrentavam depois de livres e a discriminação que também
sofriam por parte dos imigrantes. Para elaborar sua dissertação o autor reuniu variada
gama de fontes documentais em arquivos da prefeitura de São Paulo, de museus da
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saúde pública, do tribunal judiciário de São Paulo, da Universidade de São Paulo, além
de percorrer jornais e atas da comunidade negra, jornais da grande imprensa, relatórios
de polícia e a legislação da cidade.
FRAGA, Ana Maria Almeida. Cativeiro barroco: a escravidão urbana em Minas Gerais - Mariana e
Ouro preto na primeira metade do século XVIII. Universidade Severino Sombra, Dissertação de
mestrado, 2000.
RESUMO. Esta dissertação tem como tema o estudo da vida dos escravos "ao ganho", na sociedade da
área mineradora de Minas Gerais no século XVIII. O estudo da documentação sobre a repressão e
normatização das ações dos escravos no espaço urbano serviu para que pudéssemos apreender os
aspectos cotidianos da vida dos escravos urbanos como: origem, trabalho, sobrevivência, lazer e as
estratégias para alcançar a alforria. No correr do trabalho evidenciamos a especificidade do espaço
urbano em Mariana e Vila Rica as quais anteciparam as formações urbanas do século XIX e a
consolidação das características da escravidão urbana, assim como as várias estratégias desenvolvidas
pelos escravos para organizar a sua vida, cultura e possibilidades de manumissão.
FRANCO, Renato & CAMPOS, Adalgisa Arantes. Notas sobre os significados religiosos do Batismo.
Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências
Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 21-40.
RESUMO. Os autores analisam o ritual do batismo e os significados que a cerimônia tinha para o homem
religioso da época barroca. Nesse sentido, procuraram traçar uma via que privilegiasse o imaginário, os
aspectos formais da solenidade e os sentidos teológicos que permeiam o rito, na tentativa de elucidar
algumas repercussões que a vida religiosa tem sobre o cotidiano dos fiéis. Analisaram, também, alguns
aspectos da dinâmica religiosa de Vila Rica em seus primórdios: de 1712, ano da instituição da Freguesia
de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, até o fim de 1719, período esse que permite observar algumas
especificidades daquela sociedade nascente.
LIBBY, Douglas Cole & BOTELHO, Tarcísio R. Filhos de Deus: batismos de crianças legítimas e
naturais na Paróquia de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, 1712-1810. Varia Historia. Belo
Horizonte, Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31,
jan. 2004, p. 69-96.
RESUMO. Os autores analisam as características dos registros de batismos de crianças da paróquia de
Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto (MG) ao longo do século XVIII. Inicialmente, acompanham a
evolução dos batismos segundo a condição social da mãe (livre, forra ou escrava), mostrando o
predomínio de cativas ao longo da primeira metade do século. A legitimidade segundo a condição da
mães mostra que os filhos de mulheres livres eram predominantemente legítimos, enquanto o inverso
ocorria com as escravas, apesar do aumento da taxa de legitimidade dessas últimas nas décadas finais do
período observado. A partir do cruzamento das informações do nome das mães, conjugado com o nome
do senhor para o caso das escravas, é possível observar o número médio de filhos por mulher segundo
seu estado conjugal e sua condição social. Com os dados daquelas mães com mais de um filho,
estabeleceu-se o intervalo médio entre os batismos. Finalmente, foi efetuado o cruzamento dos registros
de filhos de escravas das últimas décadas com o recenseamento de Ouro Preto de 1804.
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MARCÍLIO, Maria Luiza. Os registros paroquiais e a História do Brasil. Varia Historia. Belo Horizonte,
Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p.
13-20.
RESUMO. O estudo considera as informações existentes na documentação de alçada paroquial, isto é, os
assentos de batismo, casamento e óbito, demonstrando a importância desse acervo para a investigação
das populações pretéritas.
MORTARI, Cláudia. Os Homens Pretos do Desterro. Um estudo sobre a Irmandade de Nossa Senhora do
Rosário (1841-1860). Porto Alegre, PUCRS, Dissertação de Mestrado, 2000.
RESUMO. A autora toma como objeto de estudo a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e seus
Irmãos africanos e afrodescendentes na cidade de Nossa Senhora do Desterro entre 1841 e 1860. A
Irmandade constituía um lugar próprio, com base no qual os Irmãos buscavam, mediante costume
instituído nas relações sociais, estabelecer e legitimar estratégias de solidariedade e assistência entre eles,
objetivando dentre outras metas, educar as crianças, alforriar escravos e enterrar e sufragar a alma dos
Irmãos falecidos. Enquanto um lugar composto por indivíduos de diferentes origens e condições sociais,
a Irmandade não estava isenta de conflitos e embates. É o que indica o conflito entre pretos e pardos da
Irmandade a partir de janeiro de 1841. Este conflito no interior da Irmandade do Rosário deu visibilidade
às diferentes experiências das populações africanas e afrodescendentes em Desterro, tirando-as do
silenciamento imposto pela historiografia catarinense.
PINHEIRO, Luciana de Araujo. A civilização do Brasil através da infância: propostas e ações voltadas
à criança pobre nos anos finais do Império (1879-1889). Niterói, Universidade Federal Fluminense,
Departamento de História, Dissertação de mestrado, 2003, 144 p.
RESUMO. Num contexto marcado pela crise do escravismo e por tentativas de se formar um mercado de
trabalho, a questão da infância pobre emergia como fator de grande preocupação das autoridades
brasileiras. O principal objetivo desta dissertação é estudar a problemática dessa infância a partir da
atuação de Chefes de Polícia da Corte, Ministros da Justiça, Presidentes da província do Rio de Janeiro e
Juizes de Órfãos da capital imperial, entre 1879 e 1889, frente ao problema dos menores ditos
"abandonados" nas ruas da cidade.
ABSTRACT. In a context of slavery decline and foundation of a working market, the issue of poverty
and childhood emerged as an element of constant worry to the Brazilian authorities. Thus, the main goal
of this dissertation is to study this problematic issue from the point of view of the action toward the
abandoned children taken by the Court's Chief of Police, the Ministry of Justice, the President of the
province of Rio de Janeiro and the Orphans` Judges from the imperial capital between 1879 and 1889.
RAMOS, Donald. Teias sagradas e profanas: o lugar do batismo e compadrio na sociedade de Vila Rica
durante o século do ouro. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de História da Faculdade de
Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 41-68.
RESUMO. O ensaio contém considerações acerca de duas investigações independentes. A primeira diz
respeito ao uso do banco de dados de registros de batismos de Ouro Preto como uma ferramenta para o
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estudo da demografia de Vila Rica durante o século XVIII. O que parece mais notável neste exame geral
é o fato de que a maioria das crianças nascidas livres era legítima e que, ao contrário, do esperado, houve
um declínio na proporção de crianças legítimas ao longo do século. A análise demográfica mais ampla
serve como pano de fundo para um estudo detalhado do sistema de compadrio que privilegia tanto seu
papel espiritual quanto sua função social. A natureza e o funcionamento do compadrio são investigados
para as comunidades livre e escrava. É interessante observar o uso do compadrio para estabelecer
estruturas hierárquicas dentro da comunidade escrava, apesar dos esforços por parte dos oficiais coloniais
no sentido de obstruir o desenvolvimento deste sistema de autoridade rival. Ao trazer o sagrado para o
interior da família a escolha da Virgem Maria e de outras santas católicas como madrinhas é vista como
uma ponte entre os mundos espiritual e profano.
SILVA, Cristiane dos Santos. Irmãos de fé, Irmãos no poder: a irmandade de Nossa Senhora do Rosário
dos Pretos na Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (1751-1819). Universidade Federal de Mato
Grosso, Dissertação de mestrado, 2001.
RESUMO. Esta é uma investigação sobre escravidão e as ações e as relações dos irmãos do Rosário
(marrom e negro) com o sagrado, contemplando o tema da devoção e escravidão, peculiar na constituição
de famílias negras que, ricas ou modestas participaram da construção da Vila de Cuiabá e da organização
da aludida irmandade. As famílias negras estabeleceram um sistema de solidariedade; as mulheres
tiveram um papel predominante na preservação, perpetuação das crenças e transformação dos aspectos
culturais que uniram igreja e sociedade da Vila de Cuiabá. No universo religioso o papel desempenhado
por uma mulher escrava aumentava quando pertencia a uma irmandade, pois quando adquiriam a
liberdade normalmente estendiam este benefício para suas crianças. Sob certos aspectos, de acordo com o
olhar do poder instituído, as mulheres poderiam ser "perigosas", pois possuíam uma mobilidade maior no
ambiente urbano, por serem líderes em potencial da religiosidade; necessárias nas procissões, festas e
missas. A Vila de Cuiabá também foi edificada em decorrência de relações de solidariedade de africanos,
inclusive os do Rosário.
SILVA, Vera Alice Cardoso. Aspectos da função política das elites na sociedade colonial brasileira: o
'parentesco espiritual' como elemento de coesão social. Varia Historia. Belo Horizonte, Departamento de
História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, n. 31, jan. 2004, p. 97-119.
RESUMO. O ensaio aborda a escolha de padrinhos para o batismo religioso de crianças na sociedade
colonial brasileira considerando-a como expressão de duas dimensões relevantes na constituição da
ordem social tradicional, a saber, a solidariedade grupal fundada em valores comunitários e o plano do
cálculo referido ao ganho social para o indivíduo e sua família decorrente do status social do padrinho
escolhido. Ressalta-se a preeminência das conexões pessoais entre indivíduos de diferentes estratos
econômicos e de prestígio social na produção da coesão social num tipo de sociedade em que a esfera da
política não está ainda constituída como espaço público de confrontações e de afirmação de direitos de
indivíduos, grupos e classes sociais.
Notícia Bibliográfica
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Trabalhos publicados por Maria Cristina Cortez Wissenbach nas
áreas da história demográfica, econômica e social.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. A mercantilização da magia na urbanização de São Paulo.
Revista de História, USP, São Paulo, n. 150, 2004.
RESUMO. Artigo, originário de minhas pesquisas para a tese de doutorado, sobre as religiões populares
na cidade de São Paulo entre finais do século XIX e primeiras décadas do XX, incluindo é claro as
religiões afro-brasileiras, macumba, umbanda ao lado das práticas de feitiçaria e de curandeirismo
provenientes dos grupos de afrodescendentes. A base documental é constituída de processos criminais.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Cartas, procurações, escapulários e patuás: os múltiplos
significados da escrita entre escravos e forros na sociedade oitocentista brasileira. Revista Brasileira de
História da Educação, Campinas, v. 4, p. 103-122, 2002.
RESUMO. Artigo no qual contemplo o uso e as práticas de escrita e leitura entre escravos e forros,
discutindo a questão em geral e analisando documentos (cartas de escravos) localizados entre processos
criminais do século XIX, de São Paulo. São as cartas de Theodora e Claro, sobretudo, das quais gosto
muito.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Desbravamento e catequese na constituição da nacionalidade
brasileira: as expedições do barão de Antonina no Brasil Meridional. Revista Brasileira de História, São
Paulo, v. 15, n. 30, p. 137-155, 1995.
RESUMO. O tema do artigo são as viagens empreendidas pelo Barão Antonina (figura de projeção na
sociedade paulista do século XIX) e a discussão sobre apropriação/legitimação, por meio desses relatos
de viagem de suas enormes propriedades de terras na região do Mato Grosso do Sul. Este artigo que não
trata da temática da escravidão.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Arranjos da sobrevivência escrava na cidade de São Paulo no
século XIX. Revista de História, USP, São Paulo, v. 119, p. 101-113, 1988.
RESUMO. A origem do artigo foi uma apresentação feita ao Congresso Internacional do Centenário da
Abolição; uma primeira abordagem do material de minha dissertação de mestrado.
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WISSENBACH, Maria Cristina Cortez; LOTITO, Márcia Padilha; OLIVEIRA, Maria Luisa de;
MARINS, Paulo César Garcez; PUNTONI, Pedro Luís; LINS, Silvia Queiroz Ferreira Barreto;
FERNANDES, Paula Porta Santos (coord.). Guia dos documentos históricos na cidade de São Paulo
(1554-1954). São Paulo, Hucitec/Neps, 1998, v. 1.
RESUMO. Espécie de catálogo ou inventário dos arquivos e da documentação existente na cidade de São
Paulo. Com descrição dos fundos e referências dos "acervos".
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Sonhos africanos, vivências ladinas. Escravos e forros em São
Paulo. São Paulo, Editora Hucitec/História Social, USP, 1998.
RESUMO. Dissertação de mestrado que analisa e interpreta a vida social dos escravos e forros em São
Paulo, na segunda metade do século XIX. A base é a documentação judiciária/criminal.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Gomes Ferreira e os símplices da terra: experiências sociais dos
cirurgiões no Brasil colonial. In: FURTADO, Júnia Ferreira (org.). Erário Mineral. Luís Gomes
Ferreira. Belo Horizonte/ Rio de Janeiro, FioCruz/Fundação João Pinheiro, 2002, v. 1, p. 107-149
(Coleção Mineriana).
RESUMO. Gomes Ferreira foi um cirurgião português que atendeu a população dos arraiais mineiros nos
primórdios da sociedade oitocentista. É um manual de medicina prática organizado por tipos de doenças
e descrição de casos. Mas é também um contundente relato da vida nos primeiros tempos do ouro. Entre
seus pacientes preferenciais estão, logicamente, os escravos africanos e crioulos que trabalham nesta
região. O texto que escrevi é de fato um dos artigos/prefácios da obra reeditada pela Fundação João
Pinheiro. Procuro percebê-lo como uma figura histórica e analiso algumas das características da medicina
que pratica, principalmente o encontro de diferentes tradições de cura e de percepção da doença, marca
de uma sociedade multiétnica.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Da escravidão à liberdade: dimensões de uma privacidade
possível. In: SEVCENKO, Nicolau; NOVAIS, Fernando A. (Org.). História da vida privada no Brasil.
República: da Belle Époque à Era do Radio. São Paulo, 1998, v. 3, p. 49-130.
RESUMO. É meu artigo na coleção que abre o volume 3 dirigido por Nicolau Sevcenko; trata das
populações de afrodescendentes no final da escravidão e na sua inserção à sociedade pós-abolição;
discuto, como sempre, a idéia da exclusão, da marginalidade etc., tentando mostrar como tais setores se
organizam (nas dimensões de sua sobrevivência, na vida cultural e religiosa...) e se integram no mundo
rural e no mundo urbano desta época.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. A circulação redefine a colônia. In: MENDES JR., Antonio;
RONCARI, Luiz; MARANHÃO, Ricardo. (Org.). Brasil História: texto e consulta. Colônia. 6a.. ed. São
Paulo, 1991, v. 1, p. 245-251.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. A Confederação do Equador. In: MENDES JR., Antonio;
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RONCARI, Luiz; MARANHÃO, Ricardo. (Org.). Brasil História: texto e consulta. Império. 6a.. ed. São
Paulo, 1991, v. 2, p. 183-190.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Regras e práticas da extração mineral. In: MENDES JR,
Antonio; RONCARI, Luis; MARANHÃO, Ricardo. (Org.). Brasil História: texto e consulta. Colônia.
6a.. ed. São Paulo, 1991, v. 1, p. 236-243.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Cirurgiões do Atlântico Sul: saber médico e terapêuticas nos
circuitos do tráfico e da escravidão (séculos XVII - XIX). In: XVII ENCONTRO REGIONAL DE
HISTÓRIA, 2004, Campinas. Anais do XVII Encontro Regional de História - O lugar da História, 2004,
p. 01-10 (em CD-ROM).
RESUMO. É a continuação da pesquisa sobre a história da medicina e que me levou ao estudo das
relações entre medicina e escravidão; tráfico e doenças; mundo atlântico e as trocas culturais de
terapêuticas e doenças. É uma pesquisa que ainda desenvolvo.
WISSENBACH, Maria Cristina Cortez. Cultura escrita e escravidão: reflexões em torno das práticas e
usos da escrita entre escravos no Brasil. In: 25ª REUNIÃO ANUAL DA ANPED. Educação:
Manifestos, Lutas e Utopias, 2002, Caxambu (MG), 2002.
RESUMO. Comunicação que resultou no artigo já citado acima sobre usos e práticas de escrita entre
escravos.
Publicações Recebidas
VENÂNCIO, Renato Pinto & RAMOS, Jânia Martins (orgs.). Edição, Apresentação e Notas a:
GUSMÃO, Alexandre de. Arte de criar bem os filhos na idade da puerícia. São Paulo, Martins Fontes,
2004, XXXII + 305 p. (Coleção Clássicos Martins Fontes).
RESUMO. Além das Notas os dois organizadores e editores efetuam, na Apresentação, a análise e
qualificação desta muito bem cuidada edição da obra do jesuíta Alexandre de Gusmão (o diplomata seu
homônimo foi seu sobrinho e afilhado, sendo ainda irmão de Bartolomeu Lourenço de Gusmão).
VENÂNCIO, Renato Pinto. Adoção antes de 1916. In: LEITE, Eduardo de Oliveira. Grandes Temas da
Atualidade. Adoção - aspectos jurídicos e metajurídicos. Rio de Janeiro, Editora Forense, 2005, p.
271-282.
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RESUMO. A legislação específica, relativa à adoção, é um fenômeno relativamente recente. No Brasil,
as determinações do Código Civil de 1916, complementadas pelas alterações implementadas em 1957,
lançaram as modernas bases da regulamentação da adoção de crianças. No artigo em pauta o autor
apresenta, de maneira sucinta, a evolução dos dispositivos legais sobre a adoção que vigoraram no
período que se estende do século XVI ao XIX.
BRUNO, José Eduardo de Oliveira. Vargem Grande e o café Bourbon. Informativo do IEV. Lorena,
Instituto de Estudos Valeparaibanos, n. 158, nov./dez. de 2004, p. 4-6.
RESUMO. O autor historia as atividades do médico fluminense Luiz Pereira Barreto concernentes às
experiências que levaram à geração do café "Bourbon", o qual foi difundido no Estado de São Paulo, sob
sua liderança, por numeroso grupo de seus familiares que o acompanharam, em 1876, na chamada
"Caravana Pereira Barreto".
BRUNO, José Eduardo de Oliveira. Caravana Pereira Barreto. Notícia bibliográfica e histórica.
Campinas, PUC de Campinas, ano XXXV, n. 190, jul./set. de 2003, p. 311-324.
RESUMO. O artigo vota-se à ação do médico de Resende (RJ), Luiz Pereira Barreto, que não só liderou
a chamada "Caravana Pereira Barreto" - a qual introduziu o café "Bourbon" no Oeste Paulista -, mas,
também dedicou-se ao plantio da uva em território do Estado de São Paulo, promoveu a fabricação de
cerveja no Brasil, assim como o aproveitamento do xarope do guaraná para o preparo de um refrigerante.
Notícias e Informes
I Seminário de História Econômica e Social da Zona da Mata mineira
Centro de Ensino Superior, Juiz de Fora, MG
27 a 29 de Maio de 2005
Trata-se de seminário acadêmico que congrega historiadores, economistas, cientistas sociais e demais
pesquisadores que têm a Zona da Mata mineira como objeto de reflexão. Os temas serão abordados em
palestras e mesas-redondas compostas por pessoas convidadas, assim como por Grupos de Discussão
organizados com base em trabalhos selecionados. O Evento concentra-se em discutir a produção
acadêmica referente à Zona da Mata mineira, entretanto também serão bem-vindos trabalhos que
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abordem, de forma comparativa, estudos regionais correlatos.
Endereço para contato:
Luiz Fernando Saraiva
I Seminário de História Econômica e Social da Zona da Mata mineira
Rua Cândido Tostes, 210 ap. 402
São Mateus
3016-030 Juiz de Fora MG
e-mail: [email protected]
DOCUMENTAÇÃO PAULISTA
A Divisão do Acervo Histórico da Assembléia Legislativa de São Paulo, dirigida por nosso colega Dainis
Karepovs, digitalizou documentos que remontam a 1835. Basicamente, são prestações de contas das
Câmaras Municipais, posturas municipais e ofícios diversos tratando de pedidos de verbas, obras
públicas etc. Até o momento, a reprodução de tais documentos é oferecida graciosamente mediante ofício
de solicitação e CDs para gravação. A Divisão do Acervo Histórico localiza-se no Palácio 9 de Julho Av. Pedro Álvares Cabral 201, em São Paulo (SP); o número telefônico para contato é (11) 3886-6308 e
o horário de atendimento estende-se das 9 às 19 horas, de segunda a sexta-feira.
Llamado para colaboraciones - Chamada de artigos
Población & Sociedad
revista regional de estudios sociales
Fundación Yocavil
Población & Sociedad es una publicación asociada a los siguientes organismos universitarios del
Noroeste argentino: Instituto de Estudios Geográficos (FFyL, UNT); Instituto de Estudios
Socioeconómicos (FCE, UNT); Instituto de Historia de la Arquitectura (FAU, UNT); Centro de Estudios
Indígenas y Coloniales (FH, UNJu); Unidad de Investigación en Historia Regional (UNJu); Centro de
Investigaciones Históricas del NOA (FH, UNCa); Grupo de Estudios Sociológicos (FH, UNSE).
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Para mais informações sobre este número especial, dedicado à pobreza na Argentina e na América
Latina,
ROL - Relação de Trabalhos Publicados
OUTROS TRABALHOS INCORPORADOS AO ROL
DURHAM, Eunice Ribeiro. Estudo sobre as famílias imigrantes da região de Descalvado (São Paulo).
Revista do Museu Paulista, Nova Série, vol. 14, 1963, p. 299-310.
RESUMO. Estudo sobre as famílias imigrantes da região de Descalvado em período de grande produção
cafeeira, 1880 a 1920. Utilizou dados populacionais e principalmente o levantamento de José Francisco
de Camargo. Na primeira parte, apresenta as linhas gerais do desenvolvimento econômico-social e da
ascensão social do imigrante italiano na zona rural. Na segunda parte, analisa os fatores explicativos
dessa ascensão, baseando-se no material coletado em entrevistas.
Publicações de FE IGLESIAS GARCÍA na área da história
demo-econômica
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Algunas características de los españoles llegados a Cuba entre 1882 y 1900.
Revista Rábida, n. 21, Huelva, España, 2002, p. 75-85.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Cuba, la abolición de la esclavitud el "canal de la inmigración jornalera". En:
PIQUERAS, José Antonio (comp.). Azúcar y esclavitud en el final del trabajo forzado: homenaje a M.
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Moreno Fraginals. México, Fondo de Cultura Económica, 2002, p. 93-115.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Del ingenio al central. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 1999.
(Premio Nacional de la Academia de Ciencias de Cuba, 1999; Premio de Crítica 2000).
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Del ingenio al central. Río Piedras, Editorial de la Universidad de Puerto Rico,
1998.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Historiography of Cuba. En: HIGMAN, Barry (editor). General History of the
Caribbean, vol. VI. UNESCO Publishing, 1999.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. El costo demográfico de la Guerra de Independencia. Debates Americanos, n.
4, julio-diciembre, 1997.
IGLESIAS GARCÍA, Fe & BERGAD Laird W. & BARCIA, María del Carmen. The Cuban Slave
Market 1790-1880. Cambridge University Press, 1995. (Cambridge Latin American Studies).
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Fuentes cuantitativas para la historia económica y social de Cuba. En: Nuestra
Común historia. Cultura y sociedad. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 1995.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. La población de Puerto Rico y Cuba en 1899. Investigación para el
Desarrollo. Revista de la Universidad Autónoma de Santo Domingo, año 1, n. 1, octubre 1994.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Contratados peninsulares para Cuba. Anuario de Estudios Americanos, XL,
Sevilla, 1994.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Características de la inmigración española en Cuba. En:
SÁNCHEZ-ALBORNOZ, Nicolás (compilador). Españoles hacia América. La emigración en masa,
1880-1930. Alianza Editorial, 1993.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Marx, Engels y la esclavitud moderna. Santiago, n. 75, 1993.
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IGLESIAS GARCÍA, Fe. Características de la inmigración española en Cuba. Economía y Desarrollo.
La Habana, n. 2, 1988.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. La periodización de la historia de Cuba. Un estudio historiográfico. Santiago,
n. 69.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Algunas consideraciones en torno a la abolición de la esclavitud. En: Colectivo
de autores. La esclavitud en Cuba. La Habana, Editorial Academia, 1986.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Población y clases sociales en la segunda mitad del siglo XIX. Revista de la
Biblioteca Nacional José Martí, n. 3, 1982.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. Características de la población cubana en 1862. Revista de la Biblioteca
Nacional José Martí, n. 3, 1980.
IGLESIAS GARCÍA, Fe. El censo cubano de 1877 y sus diferentes versiones. Santiago, n. 34, 1979.
GUTERRES, Letícia Batistella. Para além das fontes: im/possibilidades de laços familiares entre livres,
libertos e escravos: (Santa Maria: 1844-1882)". Porto Alegre, PUCRS, Dissertação de Mestrado, 2005.
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PURCHASING POWER: A TENTATIVE APPROACH AND AN APPEAL
© Richard Graham
University of Texas at Austin
Social historians often find post-mortem estate inventories to be an invaluable source. They tell
us a great deal about familial relationships, material culture, inheritance practices, business patterns, and
the shared understandings of religion, death, or proper behavior. But to place these inventories in
perspective one must know the relative wealth of the estate being inventoried. Although all inventories
have the drawback of only referring to those with some property, many of them deal with very modest
estates, while others refer to the extremely wealthy. So before drawing conclusions about some of the
information an inventory reveals, it is important to take into account the total value of the estate . When
the purchasing power of a currency varies significantly over time, however, an estate of several contos
may be a sign of extraordinary wealth at one time and be relatively common among persons of a middling
sort several decades later. How should we establish the value of the currency? This note traces some of
my tentative steps in that direction and asks readers to comment on them and suggest alternative
approaches.
One common technique is simply to convert the currency at any one time to that of a more stable
economy, e.g., the pound sterling or the U.S. dollar. Several problems arise from this method, however:
First, the purchasing power of the foreign currency may have changed even in the country that minted it.1
Second, in a country like Brazil for instance, with marked economic variations by region, the exchange
rate (FX) in one port was not always equivalent to that in another.2 Third, the data on exchange rates in
Brazil is mostly about the period after 1808, whereas many historians, myself included, study earlier
----------------------------------1
See, e.g., Scott Derks, ed., The Value of a Dollar: Prices and Incomes in the United States,
1860–1999, 2d ed. (Lakeville, CT: Grey House Publishing, 1999).
2
For this reason I have chosen to rely on the data for Salvador in Kátia M. de Queirós Mattoso,
Bahia: A cidade de Salvador e seu mercado no século XIX, Coleção Estudos Brasileiros, no. 12 (São
Paulo and Salvador: HUCITEC and Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 1978), p. 243n.
Graham, Purchasing Power 2
periods as well (a recent article in the Boletim de História Demográfica by Nelson Nozoe and others
listed several studies on the exchange rate but none covering the colonial period).3 For this reason it
would be helpful to find exchange rates for Portugal before 1808. But most important, one may properly
ask whether the foreign exchange rate is the best guide to local purchasing power, given that many of
those at the lower end of the socio-economic scale never or rarely bought imported goods nor depended
directly on exports for their livelihood. For them food is more important, and as a general rule the price
of goods produced locally tends to move in tandem with the price of food over time.
My current research focuses on the social history of Salvador from 1780 to 1860 and is based, to
a considerable extent, on post-mortem estate inventories. At first I relied on the foreign exchange rate in
Salvador to evaluate the total wealth of the deceased, but I was dissatisfied with the result for the reasons
mentioned above. I then turned to some other works for models. Eulália Lahmeyer Lobo, in her classic
study of the Rio de Janeiro economy from the middle of the nineteenth century to 1945, develops a table
in which the cost of foodstuffs from 1820 to 1930 is indexed to 1820 values. She weights various foods
by their importance in the diet of three classes – unskilled workers, skilled and salaried workers, and the
wealthy (although it is unclear how she knows the appropriate weight for each item except for the class of
skilled and salaried workers, which she draws from a 1949 study by the Fundação Getúlio Vargas). She
calculates that farinha de mandioca accounted for 38 percent of an unskilled worker’s alimentary
expenditures, beans for 21 percent, and dried meat for 17 percent (she gives no figures for fresh meat).
Obviously she believes these three items were the most important ones as they added up to over threequarters of the expenditures of someone in that class.4 In Salvador, however, where virtually all legal
----------------------------------3
Nelson Nozoe, et al., “Brasil: Breves comentários sobre algumas séries referentes à taxa de
câmbio,” Boletim de História Demográfica ( http://www.brnuede.com/ ) Ano XI, no. 32 (May
2004): unpaged. For a discussion of the various approaches to the study of purchasing power over time
see Nathaniel H. Leff, Underdevelopment and Development in Brazil, Vol. I: Economic Structure and
Change, 1822–1947 (London: Allen & Unwin, 1982), pp. 97-130.
4
Eulália Maria Lahhmeyer Lobo, História do Rio de Janeiro (do capital comercial ao capital
industrial e financeiro), 2 vols. continously paged (Rio de Janeiro: IBMEC, 1978), pp. 504, 748-751,
958-960.
Graham, Purchasing Power 3
sales of farinha, rice, corn, and beans were channeled through the Celeiro Público created in 1785, we
have available detailed statistics on the volume of these four items from 1785 to 1849; and farinha de
mandioca accounted for 87.44 percent of the total, whereas beans represented only 1.35 percent.5 So
among these four items the price of farinha seemed most important for my purpose.
And considering that my intent is to evaluate the wealth of those who died with some property, I
decided that I would not consider dried meat but only fresh meat. Fortunately for me, Kátia de Queirós
Mattoso has done the spade work of calculating the price of farinha and meat in Salvador from 1789 to
1908, and these data have the added advantage of including the last years of the eighteenth century. On
the other hand, she was unable to supply prices for foodstuffs for the ten years from 1833 to 1842.6
Virtually every estate inventory in Salvador from 1780 to 1860 included slaves, even among
those that listed very little else. It is well known that the price of slaves increased dramatically during the
period I am studying, albeit there were periods in which they declined.7 So I determined to take their
price into account in calculating the real value of an estate. To find a series with data for most of the
period of my interest, I turned to the work of Maria José de Souza Andrade, which is based on an
examination of 1,269 inventories and has almost continuous data for male skilled African slaves from
1811 to 1860.8
I chose the year 1824 as the base year for establishing an index, for several reasons. It lies
roughly half way through the period in question. By then the war for Brazilian independence had ended
----------------------------------5
Mappa demonstrativo do numero d’alqueires dos differentes generos que pagarão a contribuição
. . . e teve principio em 9 de setembro de 1785 até 31 de maio de 1849, Arquivo Público do Estado da
Bahia, Seção Colonial e Provincial, Maço 1611.
6
Kátia M. de Queirós Mattoso, “Au nouveau monde: Une province d’un nouvel empire: Bahia
au XIXe siècle” (Ph.D. diss., Université de Paris-Sorbonne, 1986), pp. 447-458.
7
Kátia M. de Queirós Mattoso, Herbert S. Klein, and Stanley L. Engerman, “Trends and Patterns
in the Prices of Manumitted Slaves: Bahia, 1819–1888,” Slavery and Abolition 7, no. 1 (May 1986): 59–
67.
8
Maria José de Souza Andrade, A mão de obra escrava em Salvador, 1811–1860, Baianada, 8
(São Paulo and Brasília: Corrupio and CNPq, 1988), pp. 207-208.
Graham, Purchasing Power 4
but the political instability that ensued had not yet begun, so values continued to reflect colonial
understandings of economic realities. The export economy of the region still prospered. And by this date
I could include price data for all four items of my inquiry. So I prepared an overall index, based on 1824
prices for farinha, meat, slaves, and the pound sterling (or, rather, the pence sterling).
The most difficult decision, however, was whether to give more weight to some of these items
than to others. In reading the work of the economist Nathaniel Leff I was struck by the ease with which
this sophisticated econometrician and careful scholar arbitrarily determined in his study of Brazil to give
equal weight to foreign exchange and foodstuffs, albeit dividing the latter into two markets, Rio de
Janeiro and Salvador.9 I concluded that, given that my purpose was to evaluate the relative wealth of
those leaving estates in Salvador, the best course of action was to weigh these four factors equally. Yet it
is particularly to this question that I invite the commentary of readers, while welcoming their insight on
any matter, such as the exchange rate before 1808.
Comments may be addressed to me at [email protected]
----------------------------------9
Leff, Underdevelopment and Development in Brazil, Vol. I, p. 124.
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74
75
76
77
78
79
80
81
82
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
Table A.1
Arriving at an index of prices and exchange rates for Salvador, 1790-1860:
Prices of foodstuffs in réis and exchange rates (FX), plus indices and a conversion multiplier
Prepared by Richard Graham ©
Year
Farinha
price 5-yr ave.
(réis per
liter)
1789
1790
1791
1792
1793
1794
1795
1796
1797
1798
1799
1800
1801
1802
1803
1804
1805
1806
1807
1808
1809
1810
1811
1812
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1815
1816
1817
1818
1819
1820
1821
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1824
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1828
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1831
1832
1833
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1835
1836
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1843
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15,4
17,6
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20,4
20,7
31,62
24,26
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17,49
23,34
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12,7
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18,4
16
20
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45
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19,4
14,2
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28,5
94,2
21,9
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35,3
28,6
29,8
65,9
22,5
22,2
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106,6
101,9
120,2
106,2
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48
Farinha
index
(1824=100)
12,5
13,4
15,1
17,2
18,2
19,5
23,0
24,2
24,0
22,7
23,2
20,1
17,6
16,6
17,2
18,3
17,3
17,5
18,9
19,6
17,5
18,4
19,9
21,2
25,5
29,9
30,6
29,5
27,9
24,6
35,2
35,7
37,3
40,4
40,4
27,6
36,4
36,4
33,8
32,4
36,7
41,3
46,3
45,4
43,1
39,0
42,6
44,1
45,9
50,4
64,5
72,9
86,8
99,7
97,6
85,8
31
33
37
43
45
48
57
60
59
56
57
50
44
41
42
45
43
43
47
48
43
46
49
53
63
74
76
73
69
61
87
88
92
100
100
68
90
90
84
80
91
102
115
112
107
96
105
109
114
125
160
180
215
247
241
212
Meat
price
5-yr ave. Meat index
(réis per
kg)
40,7
40,7
40,7
40,7
46,4
54,2
54,2
56,3
79,3
82
82
88,4
86,5
84,9
81
83,8
83,6
94,7
83,9
75
67,6
87,2
87,3
85,4
86,5
84,1
88
95,1
107,9
139,8
110,6
118,7
247,1
188,3
113,2
94
144,8
146,2
167,7
188,7
173,6
173,6
217,1
208
228,4
227,9
237,5
212
215,4
216,6
227,9
221,5
273,4
318,9
365,5
459,4
488,3
506,4
373,4
323,2
(1824=100)
41,8
44,5
47,2
50,4
52,8
61,0
68,0
74,9
82,9
83,6
84,8
84,6
84,9
84,0
85,6
85,4
84,2
81,0
81,7
80,2
80,5
82,8
86,1
86,3
87,8
92,3
103,0
108,3
114,4
144,8
160,9
155,6
166,8
160,7
131,8
103,6
119,4
128,3
152,9
161,9
26
28
29
31
33
38
42
47
52
52
53
53
53
52
53
53
52
50
51
50
50
52
54
54
55
57
64
67
71
90
100
97
104
100
82
64
74
80
95
101
200,14
211
223,78
222,76
224,24
221,88
221,88
218,68
230,96
251,66
281,44
327,74
381,1
427,7
438,6
430,14
125
131
139
139
140
138
138
136
144
157
175
204
237
266
273
268
FX-SSA FX-SSA
(d. per
milréis)
72
73,6
71,7
73,6
76,6
76,6
76,1
64
57
72,3
66,1
57,8
51,5
50
49
50,7
48,2
51,8
48,1
35,2
31,6
24,6
22,8
25
35,1
37,8
38,7
39,2
38,4
29,5
28,6
31,6
31
30,3
26,8
25,8
23,1
25,4
26,9
28
25
25,8
28,7
29,1
27,4
28,5
27,6
27,5
27,5
26,6
25,5
25,6
25,8
25,5
26,3
K
5yr. Ave.
(réis per
d.)
14
14
14
14
13
13
13
16
18
14
15
17
19
20
20
20
21
19
21
28
32
41
44
40
28
26
26
26
26
34
35
32
32
33
37
39
43
39
37
36
40
39
35
34
36
35
36
36
36
38
39
39
39
39
38
L
FX-SSA
index
(1824=100)
14
13
13
14
14
15
15
16
17
17
18
19
20
20
20
22
24
28
33
37
37
36
33
29
26
28
29
30
32
33
34
35
37
38
39
39
39
38
37
37
37
36
35
36
36
36
37
38
38
39
39
67
67
66
68
72
72
75
79
82
85
91
96
99
99
100
108
120
139
164
183
183
178
163
145
131
136
145
151
157
164
168
171
183
190
194
192
194
189
185
182
183
178
175
177
179
180
184
187
189
192
192
Ave. price
healthy skilled
male African
slave ("moço")
M
5yr.ave.
(in réis)
129.444
118.000
144.285
125.000
140.000
165.000
155.000
196.666
204.736
170.000
158.846
152.500
160.454
230.303
251.052
259.545
230.714
330.000
350.000
356.065
295.666
337.631
301.666
343.635
375.833
390.000
471.052
452.758
450.000
470.416
481.250
538.333
493.750
448.333
529.677
540.789
539.473
467.894
458.636
597.241
585.312
679.032
715.000
914.285
856.250
1.104.687
1.363.636
1.000.000
1.110.000
130.576
129.182
129.182
131.821
143.571
146.250
164.167
172.280
178.280
177.050
176.550
169.307
174.421
190.631
210.771
226.414
260.323
284.262
305.265
312.489
333.872
328.206
326.933
330.886
349.753
376.437
406.656
427.929
446.845
465.095
478.551
486.750
486.416
498.269
510.176
510.404
505.233
507.294
520.807
529.711
557.623
607.044
698.174
749.976
853.851
990.772
1.047.772
1.086.915
1.144.581
1.157.879
N
O
P
index of
slave
prices
Ave.index of
farinha, meat,
FX-SSA &
slave price
(1824=100)
1824=100
68
68
68
69
75
77
86
90
94
93
93
89
91
100
111
119
137
149
160
164
175
172
172
174
183
197
213
224
234
244
251
255
255
261
268
268
265
266
273
278
293
318
366
393
448
520
550
570
600
607
29
30
33
37
39
43
50
53
55
54
55
51
48
47
48
49
48
47
49
55
57
58
60
62
66
71
76
78
80
84
94
93
97
100
100
93
110
121
130
132
176
168
158
152
160
171
182
191
199
206
211
219
223
228
169
174
177
175
175
174
178
185
200
213
241
272
297
318
327
320
Multiplier
for any
figure
3,51
3,29
2,99
2,71
2,57
2,32
2,02
1,88
1,80
1,85
1,82
1,95
2,08
2,14
2,09
2,03
2,10
2,13
2,05
1,81
1,75
1,73
1,68
1,62
1,51
1,41
1,31
1,28
1,26
1,19
1,06
1,07
1,03
1,00
1,00
1,08
0,91
0,83
0,77
0,76
0,57
0,60
0,63
0,66
0,63
0,58
0,55
0,52
0,50
0,49
0,47
0,46
0,45
0,44
0,59
0,58
0,56
0,57
0,57
0,58
0,56
0,54
0,50
0,47
0,42
0,37
0,34
0,31
0,31
0,31
Page 2
Célula: B6
Comentário: From Kátia M. de Queirós Mattoso, “Au nouveau monde: Une province d’un nouvel empire: Bahia au XIXe siècle” (Ph.D. diss., Université de Paris-Sorbonne, 1986), pp. 447–58.
Célula: E6
Comentário: From Kátia M. de Queirós Mattoso, “Au nouveau monde: Une province d’un nouvel empire: Bahia au XIXe siècle” (Ph.D. diss., Université de Paris-Sorbonne, 1986), pp. 447–58.
Célula: H6
Comentário: From Kátia de Queirós Mattoso, Bahia: A cidade de Salvador e seu mercado no século XIX, Coleção Estudos Brasileiros, no. 12 (São Paulo and Salvador: HUCITEC and Secretaria Municipal
de Educação e Cultura, 1978), p. 243n.
Célula: L6
Comentário: From Maria José de Souza Andrade, A mão de obra escrava em Salvador, 1811–1860, Baianada, 8 (São Paulo and Brasília: Corrupio and CNPq, 1988), pp. 207–08.
Publicada na revista Varia Historia, 31, jan.2004:13-20
OS REGISTROS PAROQUIAIS E A HISTORIA DO BRASIL
MARIA LUIZA MARCILIO
Professora Titular da USP
Foi o chamado movimento da Contra Reforma na Europa que suscitou a necessidade
premente de se buscar um instrumento que distinguisse e controlasse cada um dos
membros da Igreja Católica. Perdida a unidade da cristandade Ocidental, com a Reforma e
com a aceitação e a difusão rápida, em algumas partes da Europa, das novas denominações
protestantes, a Igreja Católica precisava conhecer claramente quais eram seus membros. A
melhor forma de obter esse conhecimento seria através dos registros individuais de cada
católico.
O tema era urgente; foi levado ao Concilio de Trento(1545-1563) e longamente
debatido em várias de suas sessões. Chegou-se a uma resolução final. Ficou decretado que
cada Cura passaria a ser responsável pelo registro de cada Batismo e de cada Matrimonio
celebrado em sua Paróquia. A fórmula do registro foi minuciosamente estabelecida.Era
preciso resguardar um caráter universal e padronizado para os registros de cada católico.
Passado o Concilio de Trento, a Igreja logo se deu conta que era preciso registrar
igualmente as mortes de seus fiéis para evitar abusos de toda sorte, como por exemplo, o
da bigamia, quando um dos esposos migrava sozinho para regiões distantes e lá se casava
novamente, como se pela primeira vez fosse. O Papa Paulo V, em 1614, através do Rituale
Romanum estende então a obrigatoriedade do registro aos óbitos, alem de impôr o Líber
Status Animarum, uma espécie de censo periódico das paróquias, com o levantamento
nominal e por família,
de seus membros e agregados maiores de 7 anos (idade da
comunhão ou da razão).
Os dados a serem redigidos obrigatoriamente nas atas de batismo e em cada
Paróquia, pela ordem estabelecida no Concilio de Trento eram: a data do batismo, o nome
completo do batizando, sua filiação (quando fosse conhecida), local da residência de seus
pais ou responsáveis, alem do nome de pelo menos um padrinho (o melhor seriam dois)
que serviria de testemunho do ato e igualmente, passaria a ser um parente espiritual, que no
caso da morte dos pais, deveria responsabilizar-se pela criação do afilhado; finalmente
viria a assinatura do sacerdote. Um livro especial e exclusivo deveria servir para o assento
dos Registros de Batismo da Paróquia. O vigário era o responsável pela sua guarda e
conservação, em arquivo da Paróquia.
Para o registro do matrimônio, as fórmulas igualmente estabelecidas em Trento
eram claras. O casamento, salvo casos excepcionais, deveria ser realizado na Igreja e na
presença do sacerdote. O registro do ato, também feito em livro especial, deveria conter: a
data do casamento, o nome de cada cônjuge e sua filiação, residência, naturalidade, além
dos nomes dos padrinhos, com suas residências e naturalidades,
e a assinatura do
sacerdote.
Casos especiais deveriam ser mencionados, como por exemplo, no caso dos
batismos: se a criança era ilegítima e o nome dos pais quando conhecidos, ou a menção
filho de pais incógnitos; se a criança fora exposta (abandonada) a menção deste fato e onde
estava sendo criada; se escrava, deveria trazer o nome do senhor. Casos de criança
adulterina, ou de criança sacrílega(filha de padre) deveriam ser assinalados. A criança em
perigo de morte poderia ser batizada em casa, por qualquer pessoa, desde que obedecida a
forma: “eu te batizo em nome do Pai,do Filho e do Espírito Santo” e a matéria: água e sal.
Esse ato deveria ser comunicado ao vigário da paróquia para que procedesse ao devido
registro. No registro de matrimonio, exigia-se, se fosse o caso, a declaração de viuvez do
cônjuge, com o nome do primeiro(a) esposo(a); era ainda necessário mencionar se os
cônjuges estavam incursos nos impedimentos graves ou leves determinados pelo Código
Canônico, da Igreja Católica (como por exemplo, parentescos consangüíneos ou
espirituais). Neste caso, o matrimonio só se daria após um dispendioso processo de
solicitação de dispensa dos impedimentos, dado pelo Bispo local. Essa dispensa deveria ser
mencionada no registro de matrimonio, assinalando-se os graus de parentesco entre os
cônjuges.
Para o registro dos óbitos as regras não eram tão rigorosas e iguais. Bastava registrar
a data do falecimento, o nome do morto, seu estado civil. No caso de solteiros, dever-se-ia
nomear os pais, ou o fato de ter sido exposto ou ser ilegítimo. No caso dos casados e dos
viúvos(as), alem desses dados, era necessário indicar o nome do esposo(a). Em muitas
paróquias assinalava-se a naturalidade do morto, sua idade, e atividade que exerceu. Em
alguns casos indicava-se a causa da morte e se o morto havia deixado testamento. As
condições do enterramento vinham por vezes mencionadas: tipo e cor da mortalha ou do
caixão(século XIX) e local do enterramento. Estes dados eram porem mais raros.
Em alguns paises e dioceses da Europa e mesmo do Brasil os registros foram se
aperfeiçoando e enriquecendo com novas informações. Por exemplo, em quase toda a
França Moderna, assinalava-se a idade de cada cônjuge ao casar. No Brasil colonial, os
casamentos das principais famílias proprietárias mereciam um registro especial, de página
inteira ou mais, onde ao lado das informações obrigatórias, eram registrados os nomes dos
avôs maternos e paternos de cada cônjuge e sua paróquia e diocese de nascimento e de
moradia.
Cito esses detalhes para que se possa perceber, desde logo, a riqueza de informações
contidas nesses documentos de primeira ordem, para a reconstrução da história social e
cultural das populações católicas e a potencialidade de explorações que permitem, para
desvendar o passado em varias direções.Pobres e ricos, plebeus e nobres, brancos, negros e
índios, homens e mulheres, todos sem exceção, quando batizados, casados ou falecidos
tinham esses fatos vitais registrados em livros especiais, que eram conservados pela Igreja.
A vida estava assim marcada com uma ata individual, com dados pessoais, nos seus
momentos vitais: do nascimento, do casamento e da morte.
A prática de registrar os sacramentos de batismo e do matrimonio não era uma
novidade. Desde fins da Idade Media já se encontram um ou outro registro em uma ou
outra Diocese, como em algumas cidades italianas. Roger Mols mostrou que no povoado
francês de Givry, em 1334, já se registravam alguns óbitos e batismos.1 A novidade criada
no Concilio de Trento é que a prática tornou-se obrigatória e universal para todos os
católicos.
Em Portugal o registro obrigatório dos batismos, casamentos e óbitos data de fins do
século XVI, estabelecido nas Constituições de Coimbra(1591). Cada paróquia deveria
manter um livro separado para os batismos, para os casamentos e também para os óbitos.
Estas ordens foram estendidas aos domínios lusitanos do Ultramar ainda no século XVI.
No Brasil, os registros paroquiais seguiram as determinações de Portugal até serem
localmente regulamentados na sua Constituição Primeira do Arcebispado da Bahia, de
1707. As regras e as fórmulas não se modificaram; seguiam sempre as determinações de
Trento.
Sendo, como o foi, a religião católica sendo a oficial no Brasil Colônia e em todo o
período do Império todos os que aqui nascessem, morressem ou se casassem, deveriam
passar pelo registro da Paróquia que, revestia-se, pois, e ao mesmo tempo, de um caráter
religioso, com força de um ato civil de cada individuo. O estatuto do Padroado Régio no
Brasil até pelo menos a Constituição Republicana, de 1891(quando foi separados, o Estado
da Igreja) deu aos Registros Paroquiais uma cobertura praticamente universal da população
brasileira (excluídos apenas os protestantes que surgem principalmente no Segundo
Reinado e dos índios e africanos pagãos, ainda não batizados).
1
Para maiores detalhes ver nosso artigo Marcílio, ML Dos Registros Paroquiais à Demografia Histórica no Brasil. Anais de
História(Assis), 2, 1970:81-100.
A cobertura universal da população nos Registros Paroquiais brasileiros é, pois, a
primeira grande característica positiva dessa documentação serial.
A segunda característica especial e única é o seu caráter individual e coletivo a um
tempo. Cada indivíduo é registrado com suas características pessoais e em cada momento
vital de sua existência; e cada um deles integra uma serie cronológica de eventos,
guardados em livros especiais e que cobrem uma localidade fisicamente bem demarcada- a
paróquia.
A terceira grande característica desses dados é seu caráter nominativo, o que permite
identificar cada individuo em sua família, e com suas características pessoais.
E por ultimo, os Registros Paroquiais têm seu valor ainda por terem sido efetuados
no momento mesmo do evento, guardando um caráter serial e cronológico.
O grande problema, no entanto, foi o da conservação desses livros paroquiais,
particularmente em um País como o Brasil, onde pouco se cultivou a prática e o valor da
Arquivística. Boa parte dos registros paroquiais brasileiros não existe mais: sofreram a
ação predatória conjugada do tempo, dos insetos e especialmente do Homem. Em visitas
que fizemos a arquivos eclesiásticos de várias partes do Brasil, pudemos constatar,
consternadas de que, para os séculos XVI, XVII e boa parte do XVIII poucas series
subsistem. Mesmo para os finais do século XVIII e o XIX nem sempre se encontram series
das três ordens de registros completas e bem conservadas. Raros são os arquivos paroquiais
que foram objeto de restauro, como ocorreu com os livros de registros da Cúria
Metropolitana de São Paulo. Exemplo melhor vem justamente de Minas Gerais, da
Paróquia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, cujo acervo documental
excepcionalmente bem conservado, passou por cuidadoso processo de restauro,
organização e higienização, permitindo a montagem de um modelar Banco de Dados,
organizado pela Universidade Federal de Minas Gerais e objeto deste número especial da
Há ainda outro aspecto que vem prejudicando seriamente a conservação das séries
dos Registros Paroquiais no Brasil. A Igreja Católica, particularmente ao longo do século
XX, passou por contínuos desmembramentos de suas Dioceses. A cada criação de uma
nova Diocese o costume no Brasil é de deslocar a documentação histórica das paróquias da
nova Diocese desmembrada, para essa nova circunscrição eclesiástica. Com isso, e
contrariando as modernas orientações da Arquivística, os documentos são cada vez mais
dispersados e em certos casos, estão mal conservados, mal guardados, em locais
impróprios e sujeitos a rápido desaparecimento. Por se tratar de documentos privativos de
cada Diocese ou de cada Paróquia, o acesso dos interessados aos mesmos, depende em
muitos casos, da boa vontade e do grau de cultura histórica de seus responsáveis.
As características únicas transformaram os Registros Paroquiais em fontes de
primeira linha para se chegar às populações e às sociedades do passado, passando por seus
traços culturais particulares. Estas séries documentais, com acuidade especial podem ser
fontes inestimáveis para o conhecimento das mentalidades, dos comportamentos, das
sensibilidades de sociedades do passado.
Foi o que viu Louis Henry, na França. Engenheiro de formação, estatístico e
demógrafo da população francesa, foi ele incumbido pelo INED, depois da Segunda
Grande Guerra, de descobrir o por quê da fecundidade francesa ser de longe a mais baixa
do mundo de então. Debruçado nessa pesquisa, viu Louis Henry, imediatamente, que as
razões não se limitavam ao século XX; era necessária buscá-las mais para traz, talvez
mesmo antes do século XIX. Foi então recuando suas análises com base nos censos
existentes. Mas o mais recuado deles era o de 1821 que contou a população da França
inteira. E até essa fase, verificou o professor, continuava a fecundidade francesa a ser a
mais baixa da Europa. Mas como recuar para os séculos anteriores, se não havia censos? O
recurso aos registros paroquiais foi a saída vislumbrada. Aliando-se a Michel Fleury, o
historiador, L. Henry acabou por montar uma técnica para transformar os Registros
Paroquiais em dados de base para análises sofisticadas de Demografia do passado, e que
desse conta de estabelecer taxas diferenciadas de fecundidade, de natalidade, de
nupcialidade e de mortalidade. Surgia o método de Reconstituição de Família, e com ele
estava criada uma nova ciência: a Demografia Histórica.2
Antes da Demografia Histórica os Registros Paroquiais eram intensamente
manuseados por pessoas preocupadas em restabelecer a genealogia, ou a biografia de
personalidades, e ainda, como documento comprovante de parentesco para efeitos de
herança e sucessórios. Historiadores, antropólogos, sociólogos, artistas raramente
montavam suas análises do passado utilizando-se dos registros paroquiais. Foi de fato, a
Demografia Histórica que mostrou a todos a riqueza desse corpo documental, as ricas
possibilidades que abriam a um novo conhecimento das humanidades que nos precederam.
A Demografia História começou, em suas primeiras análises, testando o método da
Reconstituição de famílias de uma paróquia ou de conjunto de paroquiais, e com a
finalidade expressa de calcular taxas gerais e especiais de fecundidade, de nupcialidade e
de mortalidade, para populações pré-estatísticas(sem dados censitários ou quantitativos
sobre sua população).
Logo os primeiros resultados elaborados através de métodos especiais e rigorosos, a
partir dos registros de batismos, de casamentos e de óbitos de paroquiais da França do
Antigo Regime, não apenas começaram a ser conhecidos os fenômenos demográficos
vitais e pela primeira vez, como ficou patente que os mananciais contidos nesses acervos
eram riquíssimos e deveriam ser explorados em várias direções.
Descobriu-se, com os trabalhos da Demografia Histórica, realidades humanas
inusitadas, nunca antes vislumbradas ou mal definidas. Agora partia-se de realidades
humanas empiricamente documentadas e de forma abrangente. Não se tratava mais de
fazer História com um ou dois documentos testemunhais: era a sociedade inteira que surgia
aos nossos olhos, através de analises bem estabelecidas.
2
L. Henry, o Pais da Demografia Histórica testou seu método em dezenas de pesquisas em paroquiais da França de de Genebra.
Ao longo de toda sua vida foi aperfeiçoando seus métodos, que já eram sucesso em todos os paises da Europa e na América
Latina e em paises da Ásia. Eles vem expostos em seus manuais, o primeiro deles: HENRY,L. e FLEURY,M.Nouveau Manuel
de depouillement et d’ Etat civil ancien. Paris, INED, 1965.
O mundo da infância (que guardou tão poucos testemunhos) e com muitas de suas
variáveis sociais pode ser resgatado. O mundo das famílias foi outro viés que foi penetrado
por novos ângulos e com novas descobertas através das análises da Demografia Histórica,
baseadas em Registros Paroquiais veio à luz em toda a sua variedade. A Mulher, tão
escondida nos documentos oficiais e particulares do passado pode ter parte de seu passado
desvendado. A morte, a doença, as epidemias mortíferas do passado foram outros tantos
estudos que vieram à luz. Até mesmo a movimentação espacial das populações foram
possíveis com base nas informações contidas nos registros de matrimônios e de óbitos.
Foi então, que ao lado de realidades novas, desconhecidas, os resultados além de
revelar realidades desconhecidas, destruíram alguns mitos históricos, algumas verdades
tidas como leis. Só para ilustrar nossas assertivas. Fora estabelecida pela antropologia
histórica, desde Le Play, na França de fins do século XIX que, a organização da família
ocidental evoluiu do sistema complexo ao nuclear, seguindo a evolução das sociedades, de
agrícolas para industriais e urbanas. Vários estudos comparativos de varias comunidades e
em vários momentos distintos da Idade Moderna ao século XIX, fundados nos Registros
Paroquiais, notadamente os de Louis Henry e de Peter Laslett mostraram com analises
empíricas e rigorosas, que nem sempre houve essa evolução linear. Na maioria das famílias
da Idade Moderna européia preponderou a família de tipo nuclear simples: pai, mãe e
filhos, em cada “fogo” ou domicilio. Mesmo no Brasil escravista, a maioria das residências
eram habitadas por famílias simples, como provaram nossos estudos para a cidade de São
Paulo e a vila de Ubatuba nos séculos XVIII e XIX. Poderia citar outros exemplos.
No caso do Brasil o sucesso das descobertas fundadas nos Registros Paroquiais, e
demonstrados pelos estudos de Demografia Histórica foi enorme. Podemos dizer, sem
exagero, que houve mesmo uma revolução nas formas de fazer História e nas temáticas
que se abriram.
O mundo da criança brasileira na História começou a ser desvendado. A alta
presença de filhos ilegítimos, dentro da população não escrava, o ato de abandonar o filho
ao nascer, a variação dos nomes e dos prenomes dados às pessoas na pia batismal, a
presença largamente difundida
de concubinatos, que chegou a caracterizar boa parte
senão a maioria das uniões no Brasil católico, de ontem e de hoje, as diferenças sociais
marcantes ante a doença e a morte, a sinalização de anos e do volume de certas epidemias
que assolaram nossas populações do passado, o mundo do trabalho e de suas profissões e
ocupações no Brasil antigo, foram temas e realidades maiores e muitas vezes pioneiros
desvendados pelos estudos de Demografia Histórica.
Essas pesquisas e a riqueza e variedade de suas descobertas levaram naturalmente, à
“História do Terceiro Nível”, como a denominou Pierre Chaunu, ou simplesmente à
Historia das Mentalidades, à História da Cultura como preferem os historiadores de hoje.
Os trabalhos nesse sentido são hoje numerosos e inspirados pelos resultados das
pesquisas das populações do passado em grande parte baseadas nos registros da
catolicidade. Conhecemos mais sobre as atitudes perante a Vida, perante a Morte, como
inaugurou o demógrafo historiador e antropólogo da História, Philippe Áries; sobre o Sexo
e o Amor, como inauguraram Martine Segalen ou François Lebrun; sobre a Família na
História à maneira de Peter Laslett; as atitudes ante a Criança com novamente Philippe
Áriès todos ligados às pesquisas da Demografia Histórica da primeira hora. Com o auxilio
de registros de matrimônio que trazem a assinatura dos nubentes, conhecer níveis de
alfabetização como os realizou Roger Schoffield para a Inglaterra pré-industrial. Os
exemplos e os grandes nomes da historiografia que mudaram os rumos da História, graças
em grande parte aos estudos inaugurados pela Demografia Histórica, que se basearam em
registros paroquiais, a partir dos anos de 1960 poderiam ser multiplicados.
Eles não
pararam de inaugurar novos temas e novos rumos para a Historiografia atual.
A renovação dos estudos fundados nos registros paroquiais antigos continuam a dar
frutos. Prova disto está nos diferentes e inovadores trabalhos apresentados neste número
especial da Revista Varia História; agradeço à sua organizadora, a professora Adalgiza
Arantes de Campos a honra do convite para participar da abertura desse numero especial.
Transmissão de sobrenomes entre luso-brasileiros: uma questão de classe
Sérgio Luiz Ferreira∗
Resumo: Este artigo procura discutir de forma genealógica, na acepção de Michel Foucault,
a forma de transmissão de sobrenomes numa freguesia de colonização açoriana da Ilha de
Santa Catarina. O principal objetivo é demonstrar que a transmissão de sobrenome não é
uma questão de gênero, como muitos pensam, mas uma questão de classe social.
Palavras Chave: família, sobrenome, classe social, açorianos.
Abstract: This article intends to discuss from genealogy point of view, according to Michel
Foucault, the way to transmit the last name in the parish of azorean colonization from the
Santa Catarina island. The main objective is to show that the last name is not the gender
subject, as most of people think, but it is a social class issue.
Keywords: family, last name, social class, azoreans
Será possível convidar para a mesma mesa, Foucault, Nietzsche, Henry e Fleury?
À primeira vista parece que uma conversa entre eles não seria muito produtiva.
Henri e Fleury são os fundadores da demografia histórica, na década de 1950, na França.
Este modelo já deu provas de que não se adapta à realidade luso-brasileira, mas abriu
perspectivas para um novo olhar sobre os estudos demográficos.
Michel Foucault, inspirado em Friedrich Nietzsche, propôs aos historiadores a
abordagem genealógica da histórica. Pensei, então, porque não uma abordagem
genealógica, na perspectiva de Foucault, dos dados genealógicos propriamente ditos? Se a
abordagem genealógica serve para qualquer análise histórica, há de servir para aquele ramo
do saber do qual lhe empresta o nome, pois não?
Segundo Foucault:
A genealogia não se opõe à história como a visão altiva e profunda do
filósofo ao olhar de toupeira do cientista; ela se opõe, ao contrário, ao
desdobramento meta-histórico das significações ideais e das indefinidas
teleologias. Ela se opõe à pesquisa da ‘origem’.1
∗
Doutorando em História da UFSC, sob a orientação da professora doutora Joana Maria Pedro
Aqueles que se interessam pela pesquisa de sua árvore genealógica, de modo geral,
estão justamente em busca de sua origem. Muitas vezes, estão interessados apenas na
linhagem paterna do seu sobrenome. Ao se depararem com a realidade de que descendem
de um povo inteiro, percebem que não há origens a serem encontradas. Existem, no
máximo, alguns “começos” mais próximos. Não há possibilidade de chegar a Adão e Eva.
Esta tentativa pode ser uma forma de tentar estabelecer uma genealogia à moda da árvore
genealógica de Jesus Cristo que consta no Evangelho de Lucas. Nesta passagem da Bíblia,
o evangelista enumera os que seriam os 76 ascendentes masculinos de Jesus Cristo até
Adão.
Aliás, na genealogia de Lucas, só há homens na ascendência de Cristo. Já na
genealogia do evangelista Mateus, que vai de Davi a Jesus, aparecem algumas mulheres.
De modo geral, o pesquisador quando vai às fontes está preocupado com
determinado sobrenome. Geralmente procura aquele que carrega em seu próprio nome ou
aquele que julga ser o mais nobre. Aliás, a nobreza é sempre evocada por muitos
genealogistas profissionais. Veja-se o caso das empresas especializadas em brasões de
família. A história de toda família começa sempre com os dizeres “a nobre e antiga
família”. Qualquer sobrenome é sempre nobre e antigo. Não há, na história desses brasões,
nenhuma família plebéia ou nova. É bem verdade que brasão é privilégio de nobres, mas
todo sobrenome encontra abrigo no rol de brasões destas empresas especializadas.
A meta do pesquisador genealogista de encontrar sua ascendência esbarra muitas
vezes na ausência de certos dados essenciais nos registros paroquiais. Por exemplo, quando
o batizado é filho de mãe solteira não aparece o nome do pai e isto se torna um obstáculo
para descobrir a sua ascendência paterna. Geralmente, quando se ignora o nome do pai da
criança, é costume dizer que é “filho das ervas”. O mesmo acontece quando o casal não é
casado no religioso. No entanto, encontrei muitos assentos em que o padre escreveu o nome
do pai, mesmo sendo a criança um filho natural. Estes casos aconteceram quando o pai era
abastado ou estrangeiro. Aliás, os padres sempre respeitavam bastante os ricos e os
estrangeiros. Segundo Foucault, a história deve ser pensada com um campo de relações de
força e cabe ao historiador apreender o diagrama, percebendo como se constituem os jogos
de poder. A forma como estes assentos eclesiásticos são redigidos demonstra de forma clara
como se dão estas relações de poder. Por exemplo, os militares têm sempre sua patente
citada no registro, bem como suas esposas são chamadas de dona e têm sobrenome. Já os
pais pobres podem mudar de sobrenome de um assento para o outro e as mães dificilmente
têm sobrenome, são geralmente Maria de Jesus, do Sacramento, do Amor Divino, do
Espírito Santo ou de Santo Antônio.
Mas o que caracteriza a história genealógica? Parece que uma história genealógica
não está interessada em recuperar o que os documentos dizem, como se um passado dele
emanasse e pedisse para ser revelado, ou para utilizar um termo muito em voga hoje no
senso comum, resgatar o passado. A tarefa do historiador não é encontrar a finalidade do
processo histórico nem a necessidade objetiva que se expressa em leis que organizam a
ordem natural do mundo, a história global. Trabalhar de forma genealógica os documentos
significa tomá-los enquanto monumentos. Isto significa recusar a crença na transparência
da linguagem e a cristalizada certeza de encontrar através dos documentos o passado tal e
qual. A história nesta perspectiva não pretende “resgatar” a verdade intrínseca nos
documentos através da sua interpretação, mas “trabalhá-los desde o interior, elaborá-los”,
como afirma Foucault em A Arqueologia do Saber.
Minha pesquisa tem sido a partir dos registros civis e religiosos da freguesia de
Nossa Senhora das Necessidades da Praia Comprida, atual distrito de Santo Antônio de
Lisboa, município de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Dessa forma, todos os dados
a que me refiro neste trabalho foram coletados nesta paróquia.
Um assento de casamento que me chamou a atenção nesta pesquisa foi o de João
Luzia da Ventura e de Marcolina Maria de Lima. No registro civil do casamento (27 de
abril de 1912) está a observação de que o matrimônio foi realizado por “ordem do senhor
sub-delegado, o Coronel José Antônio de Lima”. Foi o único registro em Santo Antônio de
Lisboa que encontrei referência tal. Percebam que se trata de um casamento civil, segundo
a lei republicana de 1890. O escrivão ao anotar esta observação no assento estava
explicitando uma relação de poder bastante nítida. Pelo visto, o coronel, que era compadre
do governador Hercílio Luz, realmente mandava na região.
Dentre os vários mitos de origem das famílias no Sul do Brasil está um muito
recorrente, sobretudo entre descendentes de alemães e italianos, que diz que todos que
carregam o mesmo sobrenome pertencem à mesma família. Diz que vieram dois ou três
irmãos e que um foi para o Rio Grande do Sul, outro que ficou em Santa Catarina e outro
que foi para o Paraná, mas são todos parentes. Outro mito muito comum que encontrei,
sobretudo entre os descendentes dos alemães chegados a Santa Catarina em 1829, foi a de
que seu antepassado alemão veio da Europa fugido da guerra de navio, dentro de um
caixote. Ele teria ficado tanto tempo dentro do caixote que sua barba saía pelas frestas.
Este mito de origem repetido por tantas famílias é instigante, uma vez que estes
descendentes de alemães estabelecidos em São Pedro de Alcântara (SC) vieram numa leva
de migrantes registrados com o rol de embarcados. Um dos casos que conheço, é o de
Miguel Pitz. Sobre ele, os descendentes contam esta história de fuga. Mas, encontrei o
registro da chegada dele com a esposa, Maria Zirchen e seus quatro filhos. Ora, se vieram
de forma legal, por que os descendentes contam uma história de fuga? Será uma forma de
dizer que não vieram por livre escolha para o Brasil?
Entre os brasileiros de ascendência lusa não é possível buscar a origem através do
mesmo sobrenome como é recorrente entre os alemães ou italianos.
No Brasil as tentativas de organizar os dados demográficos à moda francesa não
deram muitos resultados. A demografia histórica, nascida na França nos anos de 19502, tem
utilizado o método de reconstituição de família que consiste em organizar os dados a partir
dos sobrenomes de família. Este método é conhecido como o Método Fleury-Henry. Para o
caso português e brasileiro é inútil tentar trabalhar a partir dos sobrenomes. Temos casos de
paróquias já estudadas em Santa Catarina, em que o pesquisador arrola os sobrenomes,
como se à moda francesa, os sobrenomes fossem transmitidos ininterruptamente. Há livros
publicados em Santa Catarina onde aparecem que para a freguesia tal vieram tantos
Conceição, outros tantos Jesus, outros tantos Ferreira, quando, na realidade, podem ser
todos irmãos com sobrenomes diferentes.
Como nos afirma, Maria Norberta Amorim: “De fato, é comum nos registros
portugueses que o mesmo indivíduo oscile de apelidos [sobrenomes] de um registro para
outro, em função de ligações familiares mais fortes no momento, ao critério do redator
paroquial”.3
Essa situação acontece muito comumente com as mulheres, que muitas vezes
chegam a ser registradas com um sobrenome em cada batizado de filho. No entanto, o fato
também acontece com muitos homens, sobretudo entre as classes populares.
É preciso dizer desde já que a questão da transmissão de sobrenome é uma questão
de classe e não de gênero como afirma Maria Odila Leite da Silva Dias em Quotidiano e
Poder em São Paulo no Século XIX:
Tinham (as mulheres) o costume sugestivo de abandonar os nomes de
família e adotar nomes próprios, a que o recenseador acrescentava às
vezes um respeitoso “dona”. Cerca de um terço conservava nomes de
família, por vezes ilustres, dos mandões da terra. Entretanto, a grande
maioria assumia nomes como Ana Gertrudes de Jesus, Maria da Cruz,
Madalena de Jesus, Gertrudes do Espírito Santo, Joaquina Josefa da
Anunciação... Talvez porque tivessem nascido bastardas, ou porque
vivessem em concubinato, mais provavelmente porque não tinham os
meios decentes de sobrevivência, impostos pelos padrões da terra.4
Na realidade esta atitude de abandonar o sobrenome não era exclusividade das
mulheres, muitos homens também faziam isso. Quem eram, então, estes homens e mulheres
que abandonavam os sobrenomes? Geralmente os mais pobres, que nada tinham a herdar
em termos de posse de terra ou de tradição familiar. Entre as famílias abastadas o
sobrenome, muitas vezes duplo, se perpetua por mais de dois séculos. Este indicativo da
sobrevivência do sobrenome de família proprietária é tão forte que temos vários casos na
freguesia de pessoas que inverteram o sobrenome. Ou seja, colocaram o sobrenome menos
“importante” do pai primeiro e o sobrenome da mãe, digamos mais “chique”, por último.
Isto demonstra claramente que a questão de classe é mais importante do que a de gênero na
transmissão do sobrenome.
Para efeito de entendimento do que caracterizo como classe social na freguesia devo
dizer que a classe abastada era constituída pelos proprietários de grandes extensões de terra
e de engenhos de farinha e de cana-de-açúcar, dos proprietários de parelhas de pesca (canoa
bordada e rede de arrasto) e pelos comerciantes (negociantes de produtos agrícolas e donos
de venda). Quase todos estes proprietários, no século XIX, possuíam escravos. Os
abastados moravam em casas de pedra e cal, construídas paralelas às estradas, no limiar dos
terrenos, junto às calçadas, com amplas salas dianteiras. A quantidade de janelas fronteiras
determinava as posses do proprietário, no mínimo três e no máximo cinco janelas. As
alcovas de dormir ficavam entre as salas dianteiras e a cozinha que ocupava toda a extensão
dos fundos da casa. As casas eram caiadas, cobertas de telhas de barros e forradas. A
mobília, mesmo nas casas dos ricos, era escassa. Na sala tinham-se marquesas e cadeiras.
Nas alcovas camas de casal, onde várias crianças dormiam. As roupas eram guardadas em
caixas e baús. Na cozinha havia o fogão à lenha feito de tijolos, uma grande mesa ladeada
de bancos compridos, uma cristaleira e o guarda-comida (armário com tela onde a comida
que sobrava do jantar aguardava a hora da ceia). As refeições eram o aparadinho (café puro
ao levantar), almoço às nove horas (café com acompanhamento, podia ser peixe frito),
jantar ao meio dia, café da tarde pelas três horas e ceia à boca da noite. O pão de cada dia
era o biju, feito de massa de mandioca e guardado no paiol no meio da farinha.
Os pobres, de modo geral, plantavam suas roças em terras alheias ou comunais e
faziam a farinha de mandioca em engenhos emprestados. Ao fim da farinhada, deixavam
um terço da produção ao proprietário do engenho. Mesmo os que viviam da agricultura,
costumavam ter sua tarrafa de peixe e camarão. Além do mar, pescavam no Rio Ratones,
geralmente à noite. O peixe era a base alimentar, o conduto, mesmo na região agrícola de
Ratones. Já os pescadores raramente tinham roça de mandioca, que exige mais cuidado e
tempo disponível. Geralmente plantavam culturas, cuja safra se dá em três meses, por
exemplo, feijão, milho e amendoim no mês de janeiro, quando a pescaria é mais escassa e
também no mês de agosto. Sobretudo estes, dificilmente tinham terras para plantar. Suas
roças eram feitas em terras alheias, a quem pagavam a terça (terça parte da produção), em
terras comunais ou em terrenos do Senhor dos Passos. As casas dos pobres, dificilmente
eram de pedra e cal, geralmente eram feitas de pau-a-pique, taipa, conhecidas na região
como casas de estuque. A casa era feita da seguinte forma: paus fincados no chão, taquaras
de bambus entrelaçados e barro amassado com os pés, e que eram arremessados contra as
treliças de bambu. Aliás, as construções destas casas eram sempre feitas em regime de
mutirão À medida que o barro ia caindo com o tempo, enfiava-se trouxas de “barba de
velho” nos buracos. O piso era de chão batido e o telhado era de telhas de calha, moldadas
geralmente nas coxas. Daí surgiu a origem da expressão “feito nas coxas”. As casas dos
agricultores eram geralmente afastadas das estradas, no meio dos cafezais. As casas dos
pescadores eram próximas das praias. Na casa dos muito pobres a esteira de talo de
bananeira era a mobília básica, servia de mesa para comer e de cama para dormir. O fogo
era feito no chão com a panela apoiada por três pedras ou na trempe (peça de ferro em
forma de arco com três pés onde se apoiava a panela).
Outra observação a fazer sobre a questão colocada por Maria Odila é de que não só
as bastardas ou as concubinas não usavam sobrenome. Muitas filhas e filhos de família
regulares, para usar a terminologia da demografia histórica, também não usavam
sobrenome, bem como homens e mulheres mesmo casados no religioso.
Na freguesia das Necessidades todos os sobrenomes que na realidade são prenomes,
como Aparício, Januário, Felipe, Marciano, Henrique e outros são casos de pessoas que
abandonaram o sobrenome e passaram a utilizar o prenome que estava mais em evidência.
Além desse costume, havia também a tradição de se utilizar alcunhas para designar
determinadas famílias.
Marshall Sahlins que estudou aldeias de ilhas do Pacífico em Ilhas de História, diz
que “de acordo com a definição tradicional, o povo, as pessoas comuns são aquelas que não
são capazes de traçar sua genealogia para além de seus avós”.5 É exatamente assim que
acontece na freguesia estudada. Ora, se não se consegue traçar a genealogia, o sobrenome
também não tem grande importância, e o prenome do avô ou do pai torna-se mais
significativo. E Sahlins diz ainda que muitos desses que não conhecem sua genealogia, são
muitas vezes descendentes de antigos chefes que, por sucessivas derrotas, perderam seus
privilégios.6 Na freguesia em questão acontece a mesma coisa, temos vários descendentes
dos primeiros maiorais da terra, de oficiais da Guarda Nacional, de Cavaleiros da Ordem de
Cristo, que não têm a memória destes antepassados.
É preciso ainda lembrar que estamos falando de uma população que, de modo geral,
é composta por 75% de descendentes de açorianos. Esta população de origem açoriana, até
bem pouco tempo se dizia sem origem. Marshall Sahlins mais uma vez faz uma observação
que muito nos ajuda a pensar esta realidade:
O missionário Hunt, falando dos nativos de Fiji, diz que “eles
praticamente nada sabem sobre seu passado. Sua origem e história são
para eles um completo mistério... Malani de Lakemba foi considerado por
Hocart como sendo bastante tagarela, mas pouco sabia, por ter sido criado
entre pessoas comuns e não entre os nobres.7
Ou seja, o passado remoto parece não importar às pessoas comuns. “No limite, o
povo está à beira de uma ausência de história... reduzindo desse modo a memória
genealógica da maioria das pessoas comuns às lembranças pessoais”.8 É importante lembrar
que lá se trata de uma sociedade sem escrita e cá se refere a uma localidade em que até bem
pouco tempo os alfabetizados eram a minoria da população. “As pessoas comuns têm
centenas de parentes que são contemporâneos seus, sobre os quais ‘falam estórias’”.9 Ou
seja, a memória das pessoas comuns é horizontal, não tem a preocupação vertical dos que
se acham nobres. Minha avó Emília Ferreira (Miloca) contava histórias de muitas pessoas
quase todas que elas conheceu. No entanto, de seus antepassados a pessoa mais antiga que
ela contava história era de sua bisavó, Senhorinha Maria da Cunha Goulart, a quem ela
conheceu. Vó Miloca nunca contou histórias de seu trisavô, Jorge da Rosa, que era açoriano
da Ilha do Faial e que ela não conheceu.
Vamos, então, ver os casos encontrados de trocas ou abandono de sobrenomes.
Primeiramente, um caso de troca de um sobrenome por um sobrenome duplo que
permanece por várias gerações. É o caso de Francisco Pereira Machado, natural da Ilha de
São Miguel, aqui chegado em 1750 e que tem muitos descendentes ainda hoje na região
utilizando o mesmo sobrenome duplo. Ele era filho de Sebastião de Souza Beirão e de
Maria da Estrela. Não consegui identificar a origem do sobrenome Pereira Machado. Não
sei se era originário dos avós maternos ou do padrinho. Um filho de Francisco Pereira
Machado e de Angélica Maria da Silva, o Tenente Coronel Antônio Pereira Machado,
recebeu a comenda de Cavaleiro da Ordem de Cristo quando da visita de Dom Pedro II à
freguesia em 1845. O fato é que os Pereira Machado são o exemplo de utilização de dois
sobrenomes juntos por mais de dois séculos no Brasil. No entanto, se formos pesquisar seus
ascendentes nos Açores, este sobrenome duplo, tão presente aqui, não será relevante lá.
Outro caso é o do abandono do sobrenome. Por exemplo, Henrique Antônio da
Ventura era descendente de Manoel da Ventura Mesquita, natural do Porto. Henrique se
casa com Justina Maria da Rocha e falece em 1868, aos 36 anos de idade, deixando sete
filhos. Dentre os que alcançam a maioridade, somente um utilizará o sobrenome do pai, se
chamará José Antônio da Ventura. Outros dois usaram o sobrenome da mãe, Manoel
Henrique da Rocha e Henrique Antônio da Rocha Júnior. Este último será Henrique
Antônio como o pai, mas utilizará o sobrenome Rocha, acrescentando o Júnior. Entre os
filhos de Manoel Henrique da Rocha, teremos Macário Manoel Henrique da Rocha e
Afonso Manoel Henrique, alcunhado de Pequeninho. Afonso não usará o Rocha bem como
sua esposa que se chamará Paula Regina Henrique. Já os filhos usarão o sobrenome Rocha.
Aqui vemos o que a professora Maria Norberta Amorim já observou para o caso português,
a morte do pai fez com que os filhos utilizassem o sobrenome da família da mãe, que por
certo se tornou referência mais forte.
Outro caso é o da inversão dos sobrenomes, ou seja, a composição de colocar
primeiro o sobrenome do pai e por último o da mãe. É o caso da família Pereira Serpa que
teve entre outros descendentes, o Cônego José Fabriciano Pereira Serpa, que foi vigário de
Santo Antônio por 53 anos. O pai do Cônego era o Alferes José Pereira Serpa, filho do
Alferes João José Pereira e de Dona Floriana Rosa de Serpa. Dentre os filhos de João José e
de Floriana Rosa, apenas José Pereira Serpa e Francisco de Assis Pereira Serpa utilizarão o
sobrenome Pereira Serpa, os outros utilizarão apenas o sobrenome Pereira: Venâncio José
Pereira, Francisca de Assis Pereira, Floriana Amália Pereira, Mariano José Pereira, Júlia
Custódia Pereira e Leopoldina Carolina Pereira Cabral, que se casou com José de
Vasconcelos Cabral.
Na família Dias de Lima aconteceu a mesma coisa. A família utiliza este sobrenome
composto a partir de João Francisco Dias de Lima, nascido em 1820. Ainda hoje muitos de
seus descendentes utilizam os dois sobrenomes. João Francisco era filho de Manoel
Francisco Dias e de Águeda Jacinta de Jesus. Seus avós paternos eram Francisco Dias
Baião, natural do Porto, e Cipriana Rosa de Jesus, maternos eram Felipe Antônio de Lima e
Antônia Jacinta. Para compor o seu nome João Francisco colocou o sobrenome do pai
primeiro e o do avô materno como segundo. Temos assim os Dias de Lima há quase
duzentos anos.
Estas duas famílias são exemplos de inversão de sobrenomes, onde a família da mãe
era mais abastada que a família do pai. A ascendência econômica, ou o prestígio falou mais
alto do que a questão de gênero.
Outra situação é a troca do sobrenome pelo nome de um santo. João Damasceno
Machado, nascido em 1880, era filho de Manoel Caetano Machado e neto de José Caetano
Machado. Ficará conhecido como João Queitano (forma local de pronunciar Caetano).
Apesar de não ter o Caetano no nome, o fato de duas gerações da família terem utilizado
esse prenome fará com essa família ficasse assim conhecida. João Damasceno Machado
teve um filho que utilizará o nome de Nilo João Damasceno, nascido em 1912. Dessa forma
seus descendentes deixaram de ser Machado e se tornaram Damasceno, no entanto, Nilo era
conhecido como Nilo Caetano. Há algum tempo um neto de Nilo João Damasceno me
apareceu com o brasão da família Damasceno, dizendo que sua família era originária de
Damasco, na Síria. Precisei lhe dizer que o Damasceno que carrega como sobrenome
começou com seu avô e que seu bisavô recebeu o nome de João Damasceno em
homenagem ao São João Damasceno, também chamado João Mansur, santo católico que
era comemorado em 27 de março e que hoje é celebrado a 4 de dezembro.
O mais comum, no entanto, é o abandono dos últimos sobrenomes. Como sempre se
colocava o nome do pai no filho, quando o nome ia se tornando muito extenso,
abandonava-se o último sobrenome. É o caso de Manoel Januário Homem, nascido em
1884, filho de Januário Deolindo Homem e de Carlota Jacinta da Silva. Januário Deolindo
Homem era filho de Deolindo Francisco Homem e de Laureana Antônia Rosa. Deolindo
era filho de Francisco José Homem e de Rosa de Jesus. Laureana era filha de Januário de
Souza Bitencourt e de Joaquina Rosa de Jesus. Manoel Januário Homem será conhecido, no
entanto, como Mané Carrelota, forma local de dizer Carlota, que era sua mãe. Os filhos de
Manoel Januário Homem utilizarão os nomes Paulo Manoel Januário e Thomaz Manoel
Januário, apesar de serem conhecidos como Paulo Carrelota e Thomaz Carrelota. O que
vemos aqui é que os filhos de Manoel Januário Homem não usarão o sobrenome Homem,
ficarão com o prenome do bisavô de Manoel Januário Homem, Januário de Souza
Bitencourt, apesar de serem conhecidos pelo prenome da avó, Carlota Jacinta da Silva
(Carrelota). Aliás, apesar de ter conhecimento de prenomes femininos que se tornaram
sobrenomes em outros lugares, não encontrei sequer um caso assim na freguesia estudada.
Apesar de algumas famílias serem conhecidas por prenomes femininos em nenhum o
prenome feminino se tornou sobrenome de fato.
Com os filhos de Manoel Aparício da Cunha e Julia Ana Medeiros da Silva Peres
acontecerá o mesmo que houve com a família de Manoel Januário Homem. Os filhos de
Manoel Aparício da Cunha se chamarão Apolônio Manoel Aparício e Saturnino Manoel
Aparício. Hoje a maioria dos seus descendentes utiliza o sobrenome Aparício e alguns, o
sobrenome Cunha.
Hercílio Pedro Marciano e Raulino Pedro Marciano são dois irmãos nascidos
respectivamente em 1919 e 1921 na Barra de Sambaqui. Seus filhos carregam o sobrenome
Marciano. Por exemplo, um filho de Hercílio, se chama Manoel Hercílio Marciano.
Hercílio e Raulino são filhos de Pedro Marciano da Rosa (1886-1969). Pedro, por sua vez,
é filho de Marciano da Rosa Luz, que é filho de Antônio da Rosa Luz (1798-1862), que é
filho do Sargento Antônio da Rosa Luz, que é filho de José da Rosa Luz, nascido na Ilha do
Pico, Açores. Houve nesse caso a substituição do sobrenome composto que esteve presente
em quatro gerações pelo prenome Marciano. Aliás, todos os filhos de Marciano da Rosa
Luz utilizarão o seu prenome: Maria Marciana da Rosa, que se casa com Ludovino Dias de
Lima; Guilherme Marciano da Rosa, que se casa com Eduvirgem Rosa de Jesus e Pedro
Marciano da Rosa, que se casa com Clemência Maria de Sant’ Anna.
Eulália Alves Cabral terá filhos a partir de 1885 com o italiano José Damasco e seus
filhos utilizarão um nome ou outro: Manoel Alves Cabral, ficará conhecido com Mané
Olara, forma de pronunciar Eulália. Antônio Alves Cabral que também será chamado de
Antônio Olara e Roque José Damasco, que utilizará o sobrenome do pai. Apesar, de não
utilizarem oficialmente o prenome da mãe, é por este nome que ficaram conhecidos, a
família Olara (Eulália).
Várias serão as famílias em que o nome permanecerá, apesar de não constar
oficialmente nos registros. Por exemplo, em 1894, nasce Francisco João da Silva, filho de
João Germano da Silva, que ficará conhecido como Chico Germano, apesar de não ter
Germano no nome. O nome Germano identificará mais essa família do que o sobrenome
Silva. O mesmo se dará com o irmão de João Germano da Silva, Gasparino João da Silva,
nascido em 1897. Hoje todos os seus descendentes utilizam como sobrenome Gasparino
das Silva.
Haverá também os casos em que os irmãos utilizam sobrenomes diferentes entre si.
De todas as famílias pesquisadas, a família de Manoel Felipe Pereira, conhecido como
Mané Patrão, é a que os filhos têm os sobrenomes mais diversos. Manoel, que era filho de
Manoel Francisco Pereira e de Maria Lourença da Silva, era neto paterno de Francisco
Pedro da Ventura e de Rita Maria de Jesus e materno de Sabino José Pimentel e de Cândida
Rosa de Jesus. Manoel se casou em primeiras núpcias com Maria Damiana da Ventura,
filha de Laureano Anselmo Soares da Ventura e de Mathildes Damiana da Ventura. Os
filhos dessa união se chamarão Wenceslau Francisco do Amaral e Amaro da Ventura. O
sobrenome de Amaro era o mesmo da mãe, agora o de Wenceslau não consegui identificar.
Provavelmente era o sobrenome do padrinho, que poderia ser o vizinho João Rodrigues do
Amaral Borralho. Manoel Felipe Pereira se casa em segundas núpcias com Joaquina Maria
Lisboa, filha de Manoel Ignácio da Rosa e de Maria Joaquina da Rosa. Os filhos se
chamarão: Manoel Pereira da Rosa, Francisca Pereira (que se casou com Themóteo
Antônio Ferreira, que depois se casa com Emília Ferreira e por último com Esmeraldina
Peixoto), Gualberto Manoel Pereira, José Manoel Felipe e Genésio Francisco da Rosa.
Dessa forma temos sete irmãos com seis sobrenomes diferentes: Amaral, Ventura, Pereira
da Rosa, Pereira, Felipe e da Rosa.
Há também o caso em que se adota o sobrenome do padrinho de batismo. Augusto
Guimarães da Silva, nascido em 1879, era filho de José Maria de Lima e de Josephina da
Silva Lima, recebeu o sobrenome Guimarães da Silva, que era o sobrenome do padrinho de
batismo. Porém, os filhos de Augusto utilizarão o apelido Lima.
É lugar comum se dizer que a transmissão do sobrenome paterno é mais importante
para os filhos homens. Não é bem assim o que se observa. Por exemplo, o casal Jacinto
Laureano de Andrade e Angélica Rosa de Jesus se casaram em 1896. Ele era filho de
Laureano Jacinto de Andrade e de Maria Joana da Silva e ela era filha de João Francisco
Dias de Lima e de Serafina Rosa de Jesus. Suas duas filhas utilizarão o sobrenome do pai
ao qual acrescentarão o sobrenome dos maridos: Josina Andrade da Luz que se casa com
Leopoldo José da Luz e Maria Andrade da Luz que se casa com Lindolfo José da Luz.
Aliás, aqui se casaram duas irmãs com dois irmãos. Já o filho do casal se chamará Sinfrônio
Jacinto Dias, que utilizará o primeiro sobrenome do avô materno.
Muitas vezes também acontece de o sobrenome não ser usado por uma ou duas
gerações e depois retornar. Por exemplo, José Francisco Pires, migrado da Freguesia de
Santa Beatriz das Quatro Ribeiras para a freguesia de Nossa Senhora da Conceição da
Lagoa. Ele veio acompanhado dos pais Manoel Pires e Isabel da Ressurreição e de seus
irmãos Rosa Maria, João Martins Lourenço e Francisco Ferreira da Costa. José Francisco
Pires se casa com Quitéria Clara da Conceição e seu filho se chamará José Pires Ferreira,
nascido em 1773. É importante perceber que um irmão de José Francisco Pires se chamava
Francisco Ferreira da Costa. Um filho de José Pires Ferreira se chamará Isidoro Pires
Ferreira, trisavô do governador Luiz Henrique da Silveira. Outro filho se chamará Manoel
Pires Ferreira, nascido em 1800, e se casará com Senhorinha Maria de Jesus, natural de
Santo Antônio. Ela era filha de Leopoldo Martins da Rocha e de Maria Joaquina. Do
casamento de Manoel e Senhorinha, que passam a residir em Sambaqui, nasce Manoel da
Rocha Pires, em 1838, que dará início ao apelido duplo Rocha Pires. Ele pegou o segundo
sobrenome do avô materno e o primeiro do pai.
De qualquer forma, dentre a população da freguesia as referências mais fortes serão
o prenome do pai, da mãe ou o prenome mais comum na família. É possível fazer uma
distinção clara entre a forma dos luso-brasileiros e dos descendentes de alemães que vivem
em Santa Catarina estabelecerem essa relação de pertença. Entre os germânicos, quando se
quer identificar alguém se diz: aquele é um Pitz, aquele é um Wagner; aquela Wolff casouse com um Weber. Entre os lusos brasileiros a relação é de pertença, por exemplo: o filho
do João da Finoca se casou com uma da gente do Pequeno. Neste caso, Finoca era a
alcunha de Delfina Maria da Conceição, mãe de João Vital Garcia e Pequeno era a alcunha
de Luiz Manoel Machado que se casou com Natalícia Catarina Machado. Ao se falar “em
gente do fulano”, pode se estar referindo a um filho, neto, sobrinho ou agregado.
Dentre os descendentes de italianos e alemães de Santa Catarina é muito comum
fazerem festa de família. Reúnem-se todos os que carregam determinado sobrenome ou se
sentem descendentes. Entre os lusos brasileiros fica mais difícil se sentir descendente de
alguém que não se carrega o sobrenome. Em Ratones viveu um casal na segunda metade do
século XIX que se chamavam João Luiz Machado e Genoveva Leopoldina da Silva. Ele era
filho de Luiz Januário de Bitencourt e de Angélica Ana Machado, ela era filha de José
Rodrigues da Silva e de Leopoldina Carolina da Rocha. Vejam que ele usava o sobrenome
da mãe. Seus filhos se chamarão: Maria Joana da Silva, João Luiz de Bitencourt,
Leopoldina Genoveva da Silva, Marcolino João da Silva, José Luiz Machado, Francisca
Simphrosia da Silva e Fernando João da Silva. Vejam a diversidade de sobrenomes
existentes entre os irmãos. Fernando, por exemplo, se casa com Cândida Francelina de
Mello. Deste casamento surgirão os Mello e Silva: Otávio de Mello e Silva, Jorge de Mello
e Silva e Aurino de Mello e Silva. Ficarão conhecidos, no entanto, como gente do
Fernando. Eram chamados de Otávio do Fernando, Jorge do Fernando e Aurino do
Fernando.
Interessante também é perceber como os estrangeiros que aportaram por aqui
trataram o sobrenome. Há alguns casos em que passam a utilizar sobrenomes portugueses.
Temos três nubentes que declararam ser naturais de Londres: Antônio Bernardo de Souza,
Carlos Thomaz Afonso e Henrique José de Simas. Já Carlos Marquesi, natural de Gênova,
Itália, terá seus descendentes utilizando o sobrenome Marques. Um caso típico de
aportuguesamento do sobrenome.
Dentre os estrangeiros, no entanto, o caso mais interessante será o de James Swan,
natural de Baltimore, Estados Unidos da América. Ele se casa aqui em 03 de fevereiro de
1867 com Maurícia Maria Goulart. Nos registros seguintes passará a utilizar o nome de
Diogo Guilherme de Sisne. Ou seja, traduziu para o português não apenas o prenome como
também o sobrenome. Entre os seus descendentes, por exemplo, a professora Sandra Célia
de Cisne, utiliza-se o sobrenome Cisne, Swan em inglês.
Há casos em que se abandona o sobrenome e passa-se a usar o nome da cidade de
origem. É o caso do Alferes José Maria da Cunha, natural de Lisboa, que acrescenta o
nome da capital portuguesa ao seu nome. Seu filho, também alferes, terá o nome de João
Maria da Cunha Lisboa. Já os seus filhos e descendentes abandonaram o nome Lisboa e
ficaram só com o Cunha. Já a família Mafra iniciou com José da Silva Mafra, nascido em
Mafra, Portugal, que era filho de Domingos Delgado. José abandonou o Delgado e assumiu
o sobrenome duplo que perdura há mais de duzentos anos.
Pesquisar encadeamentos genealógicos nesta perspectiva me parece ser a tentativa
de utilizar a perspectiva genealógica de Foucault. Os sobrenomes não são o que parecem
ser. Não há uma origem remota, inamovível e perfeita onde todos os descendentes daquele
ancestral divino, primeiro de seu nome, podem ir beber. Os começos são movediços,
móveis, muitas vezes disfarçados. Como, por exemplo, no registro de um batizado de um
filho de mãe solteira em que o padre anotou no livro de atos que o inspetor de quarteirão e
o povo sabiam quem era o pai.
Há casos em que os registros oficiais informam uma coisa e a tradição oral diz
outra. Por exemplo, Raul Francisco Lisboa, segundo os registros paroquiais, nasceu em 15
de setembro de 1888, filho legítimo de Francisco Frederico Lisboa e de Etelvina Justiniana
de Andrade Lisboa. No entanto, várias fontes orais, informam que ele foi deixado em um
cesto na porta da casa deste casal. Neste caso, ele seria um exposto. Sendo assim, o registro
paroquial deveria informar que a criança foi exposta na casa de fulano de tal. Fica a dúvida.
Se foi exposto, porque esta informação foi omitida? Se ele era filho legítimo, porque esta
tradição oral permanece por mais de um século?
1
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 3a. ed.Rio de Janeiro, Graal, 1982. p. 16
FLEURY, M. e HENRY, L. Nouveau Manuel de dépouillement et d’exploitation de l’état civil ancien. Paris:
INED, 1965. Apud AMORIM, Maria Norberta (coord.). Informatização normalizada de arquivos:
2
Reconstituição de paróquias e história das populações – um projeto interdisciplinar. Universidade do Minho,
1995.
3
AMORIM, Maria Norberta. Demografia Histórica: um programa de docência. Universidade do Minho,
Instituto de Ciências Sociais, 1995. p. 37
4
DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no Século XIX. São Paulo: Brasiliense,
1984. p. 24
5
SAHLINS, Marshall. Ilhas de história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990. p. 44
6
Ibidem. p. 44
7
Ibidem. p. 74
8
Ibidem. p. 75
9
Ibidem. p. 76
A utilização de prenomes: uma comparação entre uma freguesia do Sul do Brasil e
uma freguesia açoriana
Sérgio Luiz Ferreira∗
Uma das evidências do processo de abrasileiramento da população da freguesia das
Necessidades pode ser constatado na utilização dos prenomes de batismo. Estabeleci três
cortes para a análise. O primeiro período vai de 1780 a 1825, o segundo de 1826 a 1889 e o
terceiro de 1890 a 1922. O primeiro corte coincide, mais ou menos, com o designado
período colonial brasileiro e na freguesia seu início se dá com o livro de batismo mais
antigo ainda existente e o final a saída do seu primeiro vigário nativo, Padre Lourenço
Rodrigues de Andrade. O segundo corte coincide com a fase do Império brasileiro. O
terceiro começa no ano do estabelecimento do casamento civil e termina no ano da morte
do Cônego Serpa.
1780-1825
Nomes
1. Maria
2. Ana
3. Luiza
4. Joaquina
5. Rita
Subtotal
6. Ignácia
7. Rosa
8. Alexandrina
9. Jacinta
10. Francisca
Subtotal
Outros nomes
Total
∗
Mulheres
No.
Porcentagem
Absolutos
476
22,9%
234
11,2%
94
4,5%
72
3,4%
61
2,9%
937
45%
52
2,5%
41
1,9%
39
1,87%
37
1,78%
35
1,68%
1.141
54,9%
937
45,1%
2.078
100%
Nomes
1. Manoel
2. José
3. João
4. Antônio
5. Francisco
Subtotal
6. Joaquim
7. Luiz
8. Alexandre
9. Jacinto
10. Ignácio
Subtotal
Outros nomes
Total
Homens
No.
Porcentagem
Absolutos
343
15,85%
279
12,89%
250
11,55%
165
7,62%
125
5,77%
1.162
53,72%
83
3,83%
64
2,95%
47
2,17%
40
1,84%
37
1,71%
1.433
66,25%
730
33,74%
2.163
100%
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina.
1826-1889
Nomes
1. Maria
2. Francisca
3. Ana
4. Rita
5. Rosa
Subtotal
6. Luiza
7. Leopoldina
8. Alexandrina
9. Júlia
10. Cândida
Subtotal
Outros nomes
Total
Mulheres
No.
Porcentagem
Absolutos
875
35,65%
134
5,46%
100
4,0%
70
2,85%
50
2,0%
1.229
50,08%
48
1,95%
42
1,71%
36
1,46%
35
1,42%
27
1,1%
1.417
57,74%
1.037
42,25%
2.078
100%
Nomes
1. Manoel
2. João
3. José
4. Francisco
5. Antônio
Subtotal
6. Pedro
7. Joaquim
8. Luiz
9. Cândido
10. Domingos
Subtotal
Outros nomes
Total
Homens
No.
Porcentagem
Absolutos
485
18,29%
314
11,84%
301
11,35%
187
7,05%
96
3.62%
1.383
52,16%
83
3,13%
73
2,75%
66
2,48%
27
1,01%
24
0,90%
1.656
62,46%
995
37,53%
2.651
100%
1890-1922
Nomes
1. Maria
2. Francisca
3. Rosa
4. Benta
5. Rosalina
Subtotal
6. Rita
7. Geraldina
8. Almerinda
8. Catharina
8. Cecília
8. Durvalina
8. Júlia
Subtotal
Outros nomes
Total
Mulheres
No.
Porcentagem
Absolutos
570
27,46%
53
2,55%
38
1,83%
24
1,15%
23
1,10%
708
34,12%
22
1,06%
20
0,96%
18
0,86%
18
0,86%
18
0,86%
18
0,86%
18
0,86%
840
40,48%
1.235
59,52%
2.075
100%
Nomes
1. Manoel
2. João
3. José
4. Francisco
5. Antônio
Subtotal
6. Pedro
7. Domingos
8. Luiz
9. Miguel
10. Àlvaro
Subtotal
Outros nomes
Total
Homens
No.
Porcentagem
Absolutos
265
11,96%
186
8,39%
181
8,17%
71
3,20%
70
3.16%
773
34,89%
45
2,03%
33
1,48%
21
0,94%
17
0,76%
16
0,72%
905
1310
2.215
40,85%
59,14%
100%
No primeiro período (1780-1825) para um universo de 2.078 mulheres tivemos 303
nomes diferentes, isto significa 6,8 pessoas por nome. Entre os 2.163 homens tivemos 278
nomes diversos, isto significa 7,7 pessoas por nome.
No segundo período (1826-1889) entre 2.454 mulheres tivemos 521 nomes
diferentes, isto significa 4,7 pessoas por nome. Entre os 2.651 homens tivemos 522 nomes,
ou 5 pessoas por nome.
No terceiro período (1890-1922) teremos 2.075 mulheres registradas com 587 tipos
de nomes, isto dá 3,5 mulheres por nome. Entre os 2.215 homens teremos 667 nomes
diversos, o que significa 3,3 pessoas por nome.
Entre o início da observação e o final perceberemos um aumento significativo da
diversidade de prenomes, praticamente o dobro.
No primeiro período percebemos um comportamento muito parecido com o
observado em Portugal, especialmente nos Açores. Adiante, faremos uma comparação com
os dados pesquisados pela professora Maria Norberta Amorim sobre a freguesia de São
João, na Ilha do Pico, Açores.
Nomes de mulher
No segundo período chama a atenção a passagem do nome Francisca de décimo
para segundo lugar. Seria por causa da princesa imperial, Dona Francisca Carolina, filha de
Dom Pedro I? Também é interessante a utilização do nome Leopoldina. No primeiro
período é um número insignificante, apenas 8. No segundo período pula para 42, ficando
em sétimo lugar. Dona Leopoldina foi a primeira imperatriz do Brasil. Aliás, as mulheres
de nome Leopoldina, geralmente eram conhecidas como Pudica. Já quem tinha o nome de
Cândida era chamada de Candoca ou Cainda. Neste período também o nome Maria
alcançará seu índice maior, 35,65%. Em compensação, os outros nomes terão.percentagens
bem baixas.
No terceiro período, apesar da manutenção absoluta do nome Maria, haverá uma
pulverização do outros nomes. Os cinco nomes mais comuns que no segundo período
somam 50,08% do total caem para apenas 34,12%.
Chama atenção no terceiro período também o nome Benta que se torna o quarto
mais comum (24 mulheres). No primeiro período não houve uma Benta sequer e apenas 5
no segundo período. Há uma tradição popular que diz que quando uma mulher tem muitas
filhas deve colocar o nome de Benta na última para que o próximo seja um homem. Da
mesma forma, quando se tem muitos filhos homens, deve-se colocar o nome de Bento para
que nasça uma mulher. Seria isso mais um indício do abrasileiramento desta população.
Nomes de homem
Entre os homens, Manoel apesar de ser o nome mais comum, não reina tão absoluto
quanto Maria entre as mulheres. João e José, sempre muitos próximos, não ficam muito
atrás. No quarto e quinto lugar, Antônio e Francisco se revezam.
Da mesma forma, que entre as mulheres, os cinco primeiros nomes masculinos que,
no primeiro período chegavam a 53,72% e no segundo eram de 52,16%, no terceiro período
caem para 34,89%. Índice parecido com o encontrado entre os nomes femininos.
No segundo período chama a atenção a utilização do nome Pedro. Enquanto no
período anterior ocupava a 12a. posição, nos dois períodos seguintes ocupará a 6a. posição.
Seriam homenagens aos imperadores Pedro I e Pedro II?
O que chama a atenção são os nomes que surgem a partir da proclamação da
República. Hercílio, por exemplo, teremos 9 nesta época, todos nascidos depois que
Hercílio Pedro da Luz foi governador do Estado. Aristides também surgem após a
República, seria por causa do republicano Aristides Lobo? Até um Deodoro aparece nesta
época.
Se de início tínhamos o hábito da colocação de nomes tradicionais portugueses, aos
poucos e, sobretudo no derradeiro período, veremos a introdução de nomes estrangeiros,
nomes surgidos da fusão de outros nomes, nomes inventados e nomes de santos retirados
dos almanaques. Entre os nomes estrangeiros, surge até um Mozart e um Lafayete.
Também data desta época a utilização de nomes indígenas, como Ypiranga, Jacy, Iracy,
Irany, até um com o nome de Índio. Aliás, os almanaques se tornam nessa época a principal
fonte dos prenomes.
Em Portugal os nomes variam muito menos. Só para fazer uma comparação
observemos a tabela abaixo, feita pela professora Maria Norberta Amorim, sobre os nomes
mais utilizados na freguesia de São João da Ilha do Pico, Açores.
Quadro I1
Os cinco nomes próprios masculinos mais escolhidos em São João – Ilha do Pico
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Nomes masculinos em São João e em Santo Antônio
Os cinco nomes mais escolhidos serão os mesmos em São João e em Santo Antônio.
1
Amorim, Maria Norbeta. Falando de demografia histórica In: Boletim Informativo No. 33/34 –
setembro/outubro de 2003 do Núcleo de Estudos de População e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais,
Universidade do Minho. P. 2-3
Veremos que ao longo de duzentos anos os nomes de Manuel, António, José, João e
Francisco foram os mais comuns, com Manuel sempre na primeira posição, da mesma
forma que em Santo Antônio.
O nome de António foi, logo a seguir, o mais popular no primeiro período e no
último e o de José foi mais apreciado ente 1750 e 1849. Já em Santo Antônio, Antônio foi o
quarto no primeiro período e quinto no segundo e terceiro período.
Já José tem uma preferência parecida em Santo Antônio e em São João. Na vila
açoriana foi o segundo no primeiro período e terceiro nos dois outros períodos, em Santo
ele fica em segundo lugar no primeiro período e segundo nos dois outros períodos, mas
com números muitos próximos de João.
Em São João, João, que ocupava a quarta posição na primeira metade do século
XVIII desceu para quinta posição no meio século seguinte trocando com o nome de
Francisco. Em Santo Antônio, João ocupará a terceira posição no primeiro momento,
passando para segundo nos outros períodos. No século XIX a popularidade do nome de
João volta a subir, situando-se sempre o nome de Francisco como quinta escolha. Em Santo
Antônio, Francisco também será o quinto escolhido no primeiro período, subindo para
quarto nos outros períodos.
A grande diferença entre Santo Antônio e São João está no fato de que esses cinco
nomes mais comuns cobriam 80% das opções na primeira metade do século XVIII,
passando no período seguinte para 89%, para atingir na primeira metade do século XIX os
94%. Na segunda metade desse século dá-se uma redução para 90%. Enquanto na vila
açoriana houve a tendência à concentração da maioria absoluta da população masculina em
cinco nomes, em Santo Antônio se dará o inverso. Se no primeiro período (1780-1825)
53,72% dos homens usavam os cinco nomes mais comuns, entre 1890 e 1922 este número
cairá para 31,73%. Aqui temos uma diferença significativa entre o hábito daquela freguesia
dos Açores e desta do Sul do Brasil
Quadro II
Os cinco nomes próprios femininos mais escolhidos
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Os nomes de batismo femininos em São João e em Santo Antônio
Se entre os cinco nomes masculinos mais utilizados tivemos exatamente os mesmos
nomes nas duas freguesias, entre os nomes femininos isto não se dará.
No que respeita às crianças do sexo feminino nascidas dentro do casamento em São
João, o nome de Maria, que no século XVIII ocupava 37% das opções, subiu na primeira
metade do século seguinte para 42%, atingindo 51% entre 1850 e 1899. Semelhante lugar
ocupa este nome em Santo Antônio, apenas com índices menores.
Em São João, Teresa ocupará o segundo lugar na primeira metade do século XVIII,
e depois perde a popularidade. Já em Santo Antônio este nome ocupa um lugar
insignificante. Antônia será o segundo nome na segunda metade do século XVIII em São
João e quase não aparece em Santo Antônio. Francisca ocupará em São João o segundo
lugar durante todo o século XIX, da mesma forma isso acontecerá em Santo Antônio, sendo
que este nome ocupava a décima colocação do século XVIII.
Isabel e Josefa que se revezam no terceiro e quarto lugar em São João foram poucos
utilizados em Santo Antônio.
Em Santo Antônio haverá uma variação de nomes, com Ana ocupando o segundo
lugar no século XVIII, o terceiro no segundo período (1826-1889) e praticamente
desaparecendo no terceiro período. Teremos aqui entre os cinco primeiros ainda Luiz,
Joaquina, Rita, Rosa, Benta e Rosalina.
Reparamos em São João que entre os cinco primeiros nomes femininos mais
escolhidos, apesar da preferência por Maria ser superior à preferência por Manuel, ocupam
entre 65 e 68% das opções, deixando maior margem para outros nomes.
Segundo a professora Maria Norberta Amorim, a percentagem elevada de crianças a
quem foi posto o nome de Maria tem a ver com o hábito que se foi arraigando da primeira
filha ser Maria e, para finais do século XIX tornar-se freqüente várias filhas de uma mesma
família serem batizadas com o nome de Maria, com um sobrenome identificativo aplicado
depois, mas não registrado no batismo.
De fato, enquanto na primeira metade do século XVIII só 29% das escolhas de
nome para a primeira filha nascida recaía sobre Maria, na segunda metade do século a
percentagem sobe para 44%, no período seguinte sobe para 57%, colocando nos 61% na
segunda metade do século XIX. Os outros quatro nomes mais escolhidos não o foram
especialmente para a primeira filha nascida. O somatório desse nomes no primeiro período
coloca a percentagem nos 7%, no segundo período, nos 5%, no terceiro, nos 3% e no último
período, em apenas 2% das opções.
Referência: Polanah, Luís, Olhares sobre a vida camponesa. Estudos e Reflexões de
Antropologia Social, NEPS, 2003.
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. BOLETIM DE HISTÓRIA DEMOGRÁFICA Ano XII, no. 36, abril de