Nota de Imprensa
Santander Cultural celebra a diversidade cultural brasileira com
exposições simultâneas dos mestres nordestinos
Gilberto Freyre e Ariano Suassuna
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Mostras abrem juntamente com a 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, que este ano tem
Pernambuco como Estado Convidado
São Paulo, outubro de 2008 – A partir de 31 de outubro, o Santander Cultural – Unidade
Porto Alegre celebra a diversidade cultural e a riqueza artística e literária do Nordeste com
duas exposições sobre renomados escritores nascidos na região: Gilberto Freyre e Ariano
Suassuna. Os projetos aliam-se à Feira do Livro de Porto Alegre, que nessa 54ª edição tem
como estado convidado Pernambuco – onde Freyre nasceu e do qual Suassuna é um grande
ícone cultural.
A proposta é promover um diálogo reflexivo entre o Nordeste e o Sul do País, por meio
de duas personalidades marcantes da cultura brasileira, que revelam nas suas trajetórias e
obras dois importantes veios da matriz cultural nordestina, o de Freyre, a partir da Zona da
Mata pernambucana, e o de Suassuna, a partir do sertão.
Gilberto Freyre – Intérprete do Brasil apresenta o universo de Gilberto Freyre, autor do
clássico e revolucionário Casa Grande & Senzala e considerado o Pai da Antropologia Cultural
do País. A mostra é uma realização do Santander Cultural em parceria com o Instituto Brasil
Leitor, a Fazer Arte e a Fundação Gilberto Freyre.
São cerca de 200 obras, entre pinturas e documentos originários de suas pesquisas,
manuscritos originais e primeiras edições de seus livros, documentos pessoais e fotografias
que fazem parte do acervo da Fundação Gilberto Freyre, dirigida por Gilberto Freyre Neto, e da
coleção da família. Entre os grandes destaques da exposição estão cartas trocadas com
grandes personalidades, como Erico Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade.
Como hobby e ao mesmo tempo com a intenção de fazer registro etnográfico, Freyre
desenhava, pintava e presenteava amigos e parentes com suas obras. Parte dessa produção
artística, pouco conhecida pelo grande público, será exposta no Santander Cultural, assim
como outras peças curiosas, como o quadro assinado pelo amigo e pintor modernista Cícero
Dias – Engenho Noruega (óleo sobre tela, 1933) –, uma representação gráfica da obra literária
Casa Grande & Senzala.
O conteúdo da mostra, sob a curadoria de Julia Peregrino, Elide Rugai Bastos e Pedro
Karp Vasquez, estará distribuído em ambientes cenográficos criados por André Cortez com a
intenção de representar o universo intimo da casa, no qual o público será convidado a explorar
a vida pessoal e o trabalho do escritor. Os visitantes poderão interagir em seus diversos
ambientes, percorrendo os cômodos e abrindo portas e gavetas para fazer descobertas sobre o
universo do intelectual.
“Mais do que apresentarmos um amplo panorama da obra de um homem ousado e
polêmico, à frente de seu tempo, relacionando-a com a história do País, queremos despertar
no público o senso de que nosso maior patrimônio está na diversidade de nossas expressões
cotidianas”, observa Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural.
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Gilberto Freyre – Intérprete do Brasil é a terceira grande mostra de artes visuais
realizada pelo instituto em 2008. É também a segunda vez que o Santander Cultural dedica
uma mostra deste gênero à Feira do Livro – a primeira foi em 2004, durante as comemorações
dos 50 anos do evento, com OLHO VIVO – a arte da fotografia, que reuniu os 50 Anos de
Europa de Cartier Bresson e 50 Anos da Arte Fotógrafica Brasileira, abrangendo obras do
acervo do Museu de Arte Moderna – MAM de São Paulo.
A exposição, que foi criada e exibida originalmente no Museu da Língua Portuguesa,
fica em cartaz no Santander Cultural até 15 de fevereiro e terá diversas atividades simultâneas
e de estímulo à leitura. Serão oficinas, encontros e sessões interativas com teatro, música e
audiovisual no hall do instituto, com a participação de ONGs, atores e escritores convidados.
Ariano Suassuna e o Movimento Armorial
A mostra-homenagem Ariano Suassuna: Iluminogravuras – A Estética Armorial, sobre o
escritor, dramaturgo, advogado, professor e atual secretário de Cultura de Recife, conhecido
principalmente pelos sucessos O Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, reunirá 153
objetos: 29 desenhos, 10 iluminogravuras e 10 xilogravuras, além de 104 ferros de marcar
gado, que deram origem ao chamado alfabeto armorial, revelando um Suassuna menos
conhecido: o artista gráfico.
Os ferros de marcar gado, trazidos para a exposição, são itens da tradição nordestina:
cada família usava um símbolo próprio para marcar e diferenciar seu rebanho. O interesse pelo
tema motivou Suassuna a fazer uma profunda pesquisa, que culminou na criação da tipografia
Armorial a partir do livro Ferros do Cariri: Uma Heráldica Sertaneja (1974), por Ricardo Goveia
de Melo e Giovana Caldas. Essa tipografia pode ser vista em títulos de diversos sonetos de
sua autoria.
A série de iluminogravuras que compõem a mostra, assim como os desenhos, foram
desenvolvidos no final da década 1970 e início dos anos 1980. Tinham a intenção de servir de
estudos para serem aplicados nas ilustrações de sua obra literária. A iluminogravura – termo
criado pelo próprio Suassuna – é a junção das técnicas iluminura e gravura. Criada na Idade
Média pelos monges cristãos, a iluminura era usada para decorar os livros escritos a mão.
Aliando essa técnica à gravura e à pintura, Suassuna costuma ilustrar pessoalmente os seus
romances, como é o caso do Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e
Volta, no qual os desenhos ganham papel fundamental na narrativa, sendo mencionados nos
textos e “assinados” por um dos personagens.
As obras de Suassuna caminham pelo universo Armonial, movimento proposto por ele
na década de 1970, que estrutura de forma erudita a arte fundamentada nas raízes populares
da cultura brasileira, na literatura, artes plásticas, teatro, música, dança e cinema, produzindo
uma estética única e característica da cultura popular nordestina.
A dimensão estética emprestada à palavra, na visão do artista gráfico Ariano, é
apresentada na mostra-homenagem, como disse, certa vez, ser o seu objetivo: “Unir o texto
literário e a imagem num só emblema, para que a Literatura, a Tapeçaria, a Gravura, a
Cerâmica e a Escultura falem, todas, através de imagens concretas, firmes e brilhantes,
verdadeiras insígnias das coisas.”
Para Liliana Magalhães, responsável pela iniciativa da homenagem, e que defende o
valor da cultura como instrumento de educação e enriquecimento das identidades, “essa não é
apenas mais uma homenagem a Ariano. É celebrar um grande ícone da cultura brasileira
unindo-se a ele na difusão da estética do movimento armorial, que demonstra a erudição da
arte popular e seus signos carregados de informações de identidade, tão preciosas e
necessárias no processo de globalização em que vivemos”.
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Valorização das raízes com repercussão mundial
Por meio da valorização das expressões artísticas e culturais regionais e nacionais,
tanto Freyre como Suassuna traçaram trajetórias brilhantes e suas obras alcançaram
repercussão mundial.
Nascido em 15 de março de 1900 em Recife (PE), Freyre formou-se em Ciências e
Letras, no Brasil, e em Ciências Políticas, nos Estados Unidos, onde viveu de 1918 a 1922.
Passou várias temporadas na Europa, onde conviveu com artistas e iniciou os estudos de sua
obra mais famosa. Foi em Portugal que começou as pesquisas que serviriam de base para
Casa Grande & Senzala, publicado em 1933. Tão ousado quanto polêmico, Gilberto Freyre foi
reverenciado nos anos 1940 e 1950 e alvo de intensa crítica de intelectuais nas décadas de
1960 e 1970. Poucos autores brasileiros sofreram críticas tão intensas e receberam louvores
tão apaixonados quanto Gilberto Freyre. O lançamento de seu livro mais conhecido, Casa
Grande & Senzala, em 1933, foi recebido como uma revolução no estudo da história brasileira
e saudado pelos críticos e intelectuais mais importantes da época. A história se voltava para a
vida cotidiana de escravos e senhores. Saía dos gabinetes e salões para entrar nas cozinhas e
alcovas, dando destaque aos prazeres sensuais da culinária e do sexo.
Nem todos, entretanto, aplaudiram Casa Grande & Senzala, que foi taxado de
pornográfico e obsceno por alguns críticos. Também foi criticado por intelectuais por apresentar
de forma idílica o passado colonial e por defender a existência, no Brasil, de uma democracia
racial.
Atualmente, quando o governo implanta políticas de cotas nas universidades e promove
campanhas para combater o racismo, a obra de Freyre se mostra atual, mas o debate sobre o
tema está longe de uma conclusão — o que só torna mais interessante o estudo do
pensamento do sociólogo pernambucano.
Mas o legado de Gilberto Freyre vai muito além. Sua obra completa reúne
impressionantes 81 títulos, cuja variedade de temas dá a medida da personalidade eclética do
escritor. Vão desde clássicos das ciências sociais, como Sobrados e Mucambos e Problemas
Brasileiros de Antropologia; textos sobre personalidades históricas, ensaios, crônicas e artigos
de jornal; estudos sobre literatura, urbanismo, ecologia e culinária, além de guias turísticos das
cidades que amava, Olinda e Recife. Os livros do escritor foram lançados em 14 países e Casa
Grande & Senzala permanece como um dos maiores best sellers brasileiros, somando 48
edições.
Já Ariano Suassuna, aos 81 anos, tem sido festejado e reconhecido como um dos mais
importantes dramaturgos brasileiros, principalmente pelo célebre Auto da Compadecida, de
1955. Premiada desde as primeiras encenações, a peça o projetou não só no País como foi
traduzida e representada em nove idiomas, além de ser adaptada com enorme sucesso para o
cinema e para a TV.
Outro fenômeno: seu Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e
Volta, publicado originalmente em 1971, foi relançado somente em 2005 e teve sua segunda
edição esgotada em menos de um mês – algo raro para um volume de quase 800 páginas.
Filho de João Suassuna e de Rita de Cássia Villar, Ariano estava com um pouco mais
de três anos quando seu pai, que havia governado o Estado da Paraíba no período de 1924 a
1928, foi assassinado no Rio de Janeiro, em conseqüência da luta política às vésperas da
Revolução de 1930. Em 1942, sua família se mudou para Recife, onde os seus primeiros textos
foram publicados nos jornais da cidade, enquanto ainda fazia os estudos pré-universitários.
Paralelamente aos estudos na Faculdade de Direito, escrevia peças teatrais e fundou com
artistas amigos o Teatro do Estudante Pernambucano. No ano seguinte, Ariano escreveu sua
primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol, posteriormente premiada.
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Formado em 1950, passou a dedicar-se também à advocacia. Mudou-se de novo para
cidade paraibana de Taperoá, onde escreveu e montou a peça Torturas de um Coração, em
1951. No ano seguinte, voltou a morar em Recife.
Em 1957, Ariano se casou com Zélia de Andrade Lima, com a qual teve seis filhos. Foi
membro fundador do Conselho Federal de Cultura, do Conselho Estadual de Cultura de
Pernambuco e diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de
Pernambuco – UFPE.
Suassuna sempre se interessou pelo desenvolvimento das formas de expressão
populares tradicionais, o que o levou a lançar o Movimento Armorial em 1970. O escritor
também foi Secretário de Educação e Cultura do Recife de 1975 a 1978. Doutorou-se em
História pela Universidade Federal de Pernambuco em 1976 e foi professor da UFPE por mais
de 30 anos, onde ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura
Brasileira.
Serviço
Gilberto Freyre – Intérprete do Brasil e mostra-homenagem Ariano Suassuna:
Iluminogravuras – a Estética Armorial
Data: de 31 de outubro a 15 de fevereiro
Santander Cultural – Unidade Porto Alegre
Local: Rua Sete de Setembro, 1028
www.santandercultural.com.br
Artes Visuais
As mostras de Artes Visuais do Santander Cultural têm o compromisso com o
contemporâneo e com a interação com a diversidade das linguagens e conteúdos artísticos
culturais. Elas são o fio condutor que irradia temáticas, desdobrando-se em atividades,
provocando debates, movimentando os espaços e inspirando as outras áreas do
conhecimento em programações multidisciplinares.
Sobre o Santander Cultural
O Santander Cultural é uma instituição vinculada ao Banco Santander
no Brasil, voltado à integração e à difusão da diversidade das linguagens e dos conteúdos
artístico-culturais, comprometido com a cultura contemporânea, com o conhecimento e com o
desenvolvimento sócio-econômico.
Atua nos campos das artes visuais, da música, do cinema e da reflexão, preocupado
com a inserção dos diversos segmentos sociais, em parcerias com as áreas de produção
cultural brasileira e internacional.
Em sete anos de atuação, o Santander Cultural apresentou 19 grandes mostras de
artes visuais, milhares de exibições de filmes, festivais, seminários e cursos, e centenas de
shows musicais, workshops e masterclasses. As ações educativas, especificamente, tiveram,
no período, a participação de cerca de 350 mil estudantes e professores.
Em parceria com uma rede mais de três mil instituições, o Santander Cultural promove
a cultura, a educação e a cidadania a partir de Porto Alegre, em sintonia com a pauta dos
principais movimentos sócio-culturais mundiais, com ênfase na responsabilidade social e em
busca da sustentabilidade.
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Lide Comunicações
Heloísa Ribeiro / Otávio Almeida / Marco Dabus
(11) 2711.1612 / 2711.1615 / 2711.1617
[email protected] / [email protected] / [email protected]
Grupo Santander Brasil
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(51) 3287-5721 / 3287-5523 / 3287-5582 Regional Sul
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