UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL
BEATRIZ DA SILVA SCHERETTE
DEMANDAS DE SAÚDE DA POPULAÇÃO INDÍGENA:
UMA REVISÃO INTEGRATIVA
IJUÍ - RS
2011
BEATRIZ DA SILVA SCHERETTE
DEMANDAS DE SAÚDE DA POPULAÇÃO INDÍGENA:
UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como requisito para a
obtenção do título de Enfermeira (o), no
Curso de Enfermagem do Departamento
Ciências da Vida da Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio
Grande do Sul – UNIJUÍ.
Orientadora Prof(a) Ms: Adriane Cristina Bernat Kolankiewicz
Ijuí-RS
2011
SUMÁRIO
RESUMO................................................................................................................... 4
ABSTRACT............................................................................................................... 4
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 5
2 METODOLOGIA .................................................................................................... 6
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................... 8
4 DISCUSSÃO E ANÁLISE ...................................................................................... 11
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 16
6 BIBLIOGRAFIAS ................................................................................................... 17
3
RESUMO
Objetivo: Identificar na literatura brasileira quais são as demandas de saúde da
população indígena. Método: Revisão Integrativa onde o levantamento bibliográfico
foi realizado via on-line, no banco de dados Lilacs (Literatura Latino-Americana em
Ciências de Saúde), utilizamos as palavras-chave: saúde da população indígena,
utilizamos como critério de seleção: artigos e dissertações nacionais; completos e
que abordem este tema, no período de 10 anos, sendo identificados inicialmente 74
artigos, selecionamos os com idioma em português restaram 40 e excluímos os que
falavam de crianças sobraram 34 artigos, então solicitamos os artigos com texto
completo e restaram sete artigos que compuseram a amostra do estudo.
Resultados e discussão: Nos resultados foram encontrados basicamente que a
população indígena esta exposta a vários tipos de parasitas intestinais, e que a
população indígena de Rondônia é responsável por 6,6% das notificações existentes
no SINAN (Sistema de Informação e Agravos Notificados) fica claro que à uma
escassez de estudos sobre o estado nutricional da população indígena, e à uma
prevalência de níveis tensionais elevado onde indica hipertensão arterial na
população indígena Suruí de Rondônia, e está comprovada que a malária esta 95%
livre de transmissão autóctone da doença entre o povo indígena, e que após a
implantação da vacina contra hepatite B nas aldeias indígenas Apyterewa e Xingu
houve uma redução de portadores do HBV entre menores de dez anos, e que o
processo de alcoolização em populações indígenas do alto Rio Negro o beber
problema é constituído a partir de categorias que evidenciam um comportamento
inadequado caracterizado pelo comportamento violento. Conclusão: O estudo nos
mostra uma carência nas publicações sobre a saúde da população indígena, onde
as demandas de saúde estão sendo devido aos fatores de risco em que essas
pessoas estão expostos ser muito alto e cuidados de enfermagem são poucos.
Palavras-chaves: saúde, população indígena.
ABSTRACT
Objective: To identify the Brazilian literature what are the health demands of the
indigenous population. Method: Integrative Review where the literature was
conducted via online, the database LILACS (Latin American Literature in Health
Sciences), use the keywords: health of the indigenous population, used as selection
criteria: articles and national papers, complete and to address this issue, within 10
years, initially identified 74 articles, selected with the remaining 40 in Portuguese
language and exclude those who spoke of children on 34 items, then ask the full-text
articles and left seven items that comprised the study sample.
Results and discussion: The results were basically found that the indigenous
population is exposed to various types of intestinal parasites, and that the indigenous
population of Rondônia is responsible for 6.6% of the existing notifications SINAN
(Information System and Disease Reported) is course to a lack of studies on the
nutritional status of the indigenous population, and a high prevalence of blood
pressure levels in hypertension indicates where the indigenous population of
Rondônia Suruí, and it is proven that malaria is 95% free of indigenous transmission
of the disease among indigenous people, and that after the implementation of
hepatitis B vaccine in the Xingu Indian villages Apyterewa and there was a reduction
4
of HBV carriers among children under ten years, and that the process of alcoholism
in indigenous populations of the upper Rio Negro problem drinking is constructed
from categories that show inappropriate behavior characterized by violent behavior.
Conclusion: The study shows a deficiency in the publications on the health of the
indigenous population, where the health demands are due to the risk factors that
these people are exposed to be very high and nursing care are few.
Keywords: health, indigenous population.
1 INTRODUÇÃO
Na vida profissional os enfermeiros são constantemente desafiados na busca
de conhecimento científico a fim de promoverem a melhoria do cuidado ao paciente
bem como sua qualidade de vida, e na saúde da população indígena este quadro se
amplia, pois eles têm características e culturas diferentes. As Diretrizes de um
Sistema de Saúde Indígena, em conformidade com o processo de consolidação do
Sistema Único de Saúde (SUS), deliberam que a atenção de saúde aos índios deve
viabilizar um enfoque diferenciado se tratando de um povo com diferentes culturas,
origens dentre outros.
A Constituição Federal 1988 definiu a saúde como um direito de todos, neste
sentido devem ser garantidas políticas econômicas e sociais em um programa único,
para a população indígena. O subsistema atenta para a garantia do direito a uma
assistência diferenciada para a população indígena.
A União Federal é responsável pelas ações e serviços de saúde voltados aos
povos indígenas e estas são executadas pelo Ministério da Saúde (MS), de forma
articulada comas praticas dos sistemas tradicionais indígenas de saúde (Decreto
presidencial/91).
No Decreto Presidencial/94 MS está estruturado como um órgão responsável
pela coordenação e execução das ações de serviço de saúde dos povos indígenas e
pela integração ao SUS e articulação com órgão responsável pela política
indigenista do País.
Um estudo elaborado pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) (2000),
indica que entre os problemas mais comuns nos grupos indígenas brasileiros estão
5
alcoolismo, sobretudo, nas regiões nordeste, centro-oeste, sudeste e sul. Tal fato
pode ser explicado, principalmente, porque nestas macrorregiões os grupos
indígenas têm tido uma longa história de contato com a sociedade nacional
envolvente e um relacionamento mais continuado com a população regional.
Em estudo sobre epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil
(COIMBRA JR. e cols., 2000) descreve as condições de saúde nas tribos indígenas
no Brasil de hoje, destacando as intensas transformações, tanto nos perfis
epidemiológicos, como na estrutura do sistema de atenção.
Ainda para o mesmo autor apesar de as doenças infecciosas continuarem a
ocupar um papel central no perfil epidemiológico indígena no país, surgem
rapidamente outros agravos importantes, que incluem doenças crônicas não
transmissíveis, tais como diabetes mellitus, hipertensão arterial Sistêmica,
neoplasias e obesidade.
Os mesmos autores afirmam que tem ocorrido nas etnias indígenas
brasileiras, um aumento de casos das chamadas “doenças sociais” como o
alcoolismo e a depressão e que essas ocorrências têm aumentado a taxa de
mortalidade dos índios brasileiros, três a quatro vezes mais do que a média
nacional, dependendo do Estado da Federação.
O alcoolismo tem sido, portanto, considerado uma das principais causas de
mortalidade, seja pelo agravo de doenças como cirrose, diabetes, hipertensão
arterial, doenças do coração, do aparelho digestivo, depressão e estresse ou como
causa de morte por fatores externos como acidentes, brigas, quedas e
atropelamentos (COIMBRA JR. e cols., 2003).
Nesta perspectiva é importante saber o que esta sendo escrito na literatura
brasileira na temática em questão. Sendo assim questionam-se quais são as
demandas em saúde da população indígena?
Para tanto o estudo teve como objetivo geral: Identificar na literatura
brasileira quais são as demandas de saúde da população indígena.
2 METODOLOGIA
6
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, a qual possibilita sumarizar
as pesquisas já concluídas e obter conclusões a partir de um tema de interesse.
Este método de pesquisa permite a síntese de múltiplos estudos publicados e
possibilita conclusões gerais a respeito de uma particular área de estudo. É um
método valioso para a enfermagem, pois muitas vezes os profissionais não têm
tempo para realizar a leitura de todo o conhecimento científico disponível devido ao
volume alto, além da dificuldade para realizar a análise crítica dos estudos.
(Armstrong D, Bortz P. 2001).
Ainda para os mesmos autores em uma revisão integrativa inclui-se a análise
de pesquisas que dão suporte para a tomada de decisão e a melhoria da prática
clínica, possibilitando a síntese do estado do conhecimento de um determinado
assunto, além de apontar lacunas do conhecimento que precisam ser preenchidas
com a realização de novos estudos.
O revisor avalia criticamente os critérios e métodos empregados no
desenvolvimento dos vários estudos selecionados para determinar se são válidos
metodologicamente. Esse processo resulta em uma redução do número de estudos
incluídos na fase final da revisão. Os dados coletados desses estudos são
analisados de maneira sistemática. Finalmente os dados são interpretados,
sintetizados e as conclusões são formuladas originadas dos vários estudos incluídos
na revisão integrativa.
Uma revisão integrativa pode subsidiar a implementação de intervenções
eficazes no cuidado aos pacientes, é necessário que as etapas a serem seguidas
estejam claramente descritas. Para a elaboração da revisão integrativa, no primeiro
momento o revisor determina o objetivo específico, formula os questionamentos a
serem respondidos ou hipótese a serem testadas então realiza a busca para
identificar e coletar o máximo de pesquisas primárias relevantes dentro dos critérios
de inclusão e exclusão previamente estabelecidos (Ganong LH. 1987).
O processo de elaboração da revisão integrativa encontra-se bem definido na
literatura; entretanto, diferentes autores adotam formas distintas de subdivisão de tal
processo, com pequenas modificações.
O levantamento bibliográfico foi realizado pela internet pela Bireme, no banco
de dados Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde). Para o
7
levantamento dos artigos, utilizamos as palavras-chave: saúde da população
indígena.
Realizamos o agrupamento das palavras-chave da seguinte forma: saúde da
população indígena and português and not crianças. Os critérios utilizados para a
seleção da amostra foram: artigos e dissertações publicados em periódicos
nacionais; artigos completos e dissertações que abordem a saúde da população
indígena adulta.
O levantamento bibliográfico abrangeu dos anos 2001 a 2011, sendo
identificados inicialmente 74 artigos, selecionamos somente os com idioma em
português restaram 40 artigos e excluímos os que falavam de crianças sobraram 34
artigos, então solicitamos os artigos com texto completo e restaram sete artigos que
compuseram a amostra do estudo.
Os artigos e dissertações encontrados foram numerados conforme a ordem
de localização, e os dados foram analisados, segundo os seus conteúdos, pela
análise descritiva.
3 RESULTADOS
Após a leitura e análise do conteúdo selecionado, os dados foram
sistematizados e apresentados no quadro abaixo (Figura 1), composto pelas
variáveis: código, título, periódico, autores, tipo de estudo, objetivos, tema e
principais resultados.
Códig
Título
Periódicos
Autores
o
Tipo de
Objetivos
Estudo
A1
Parasitos
intestinais
na
comunidad
e indígena
Xavante de
Pimentel
Barbosa,
Mato
Grosso,
Brasil .
Dissertação
(Mestrado)Escola
Nacional de
Saúde
Publica
Sergio, Rio
de Janeiro,
2010.
Silva,
Gabriella
Mendes
Vieira da.
Pesquisan
as fezes
conduzida
entre
xavantesd
e Pimentel
Barbosa.
Principais
Resultados
Colaborar com
estudos sobre
parasitoses intestinais
em populações
indígenas.
Descrever a
frequência das
parasitoses intestinais
entre os xavantes de
PB no ano de 2006.
Comparar os
Existe uma
prevalências
para helmintos
e protozoários.
8
resultados sobre
parasitoses intestinais
entre xavantes com
estudos anteriores
realizados nesta
etnia.
Tuberculos
e nas
populações
indígenas
de
Rondônia
(19972006),
Amazônia
Ocidental û
Brasil: uma
análise
com base
no SINAN.
Fundação
Osvaldo
Cruz, Escola
Nacional de
Saúde
Publica
Sérgio
Arouca.
Sidon,
LinconlUc
hôa
Analise
retrospecti
va
descritiva
dos casos
de
tubercuos
e
notificados
junto ao
SINAN(19
97-2006).
Descrever os
aspectos clínicos,
epidemiológicos e
operacionais da
tuberculose
disponíveis entre o
casos indígenas e
não- indígenas
notificados no SINAN.
Dos casos
indígenas
parecem
ocorrer em sua
maioria na zona
rural de RO
enquanto os
não indígenas
se concentram
mais em áreas
urbanas
revelando
diferentes
cenários e
necessidade de
estratégias que
atendam dois
contextos.
A3
Vigilância
alimentar e
nutricional
para os
povos
indígenas
no Brasil:
análise da
construção
de uma
política
pública em
saúde.
Dissertação
para
obtenção do
titulo de
Mestre em
Ciências, na
área de
Epidemiologi
a em Saúde
Publica,
2010.
Caldas,
Aline Diniz
Rodrigues
Estudo
descritivo
qualitativo.
Analisar a
implementação do
SISNAN no âmbito do
subsistema de saúde
indígena.
O resultado de
estudos
nutricionais
apontam para
importantes
desafios quanto
a questão
alimentar e
nutricional.
A4
Epidemiolo
gia da
hipertensã
o arterial e
níveis
tensionais
em adultos
indígenas
Suruí,
Rondônia,
Brasil.
Fundação
Osvaldo
Cruz, Escola
Nacional de
Saúde
Publica
Sérgio
Arouca,
2010.
Tavares,
Felipe
Guimarãe
s.
Estudo
transversa
l.
Descrever os níveis
tensionais e sua
relação com
condições
socioeconômicas e
composição corporal
entre adultos
indígenas Suruí com
idade maior ou igual a
20 anos.
Os resultados
indicam a
emergência de
hipertensão
entre indivíduos
Suruí, o que
indica a
necessidade de
elaboração de
estratégias
especificas e
adaptação de
A2
9
politicas
publicas de
saúde nesse
campo às
características
dos povos
indígenas em
particular dos
Suruí.
A5
O modelo
hekura
para
interromper
a
transmissã
o da
malária:
uma
experiência
de ações
integradas
de controle
com os
indígenas
Yanomami
na virada
do século
XX.
Ministério da
Saúde,
Fundação
Osvaldo
Cruz, Escola
Nacional de
Saúde
Publica
Sérgio
Arouca.
Pithan,
Oneron de
Abreu.
Estudo
históricodescritiva
e outro
analíticoavaliativa
Tem como objetivo de
interromper a
transmissão da
malária, de
elevadíssima
morbimortalidade
entre esses
indígenas.
Ao analisar a
distribuição
espacial da
malária
demonstrou
que 95% do
território
indígena
encontra-se
livre da
transmissão
autóctone da
doença.
A6
Prevalênci
a dos
marcadore
s
sorológicos
dos vírus
das
hepatites B
e D na
área
indígena
Apyterewa,
do grupo
Parakanã,
Pará.
Cad.Saúde
Pública,
23(11):27562766, 2007.
Nunes,
Heloisa
Marcelian
o;
Monteiro,
Maria Rita
de Cassia
Costa;
Soares,
Manoel do
Carmo
Pereira.
Estudo
quantitativ
o
Pesquisar a
prevalência de
infecção de hepatite B
e D nas comunidades
indígenas e analisar a
resposta imune as
vacinas contra
Hepatite B iniciada
nas aldeias
Apyterewa e Xingu.
O estudo
identificou
endemicidade
moderada com
prevalência de
infecção
pregressa pelo
HBV de 55,7,
com 5,4% de
portadores do
vírus na aldeia
Apyterewa e de
49,5% com
1,1% de
portadores na
Xingu.
A7
O processo
de
alcoolizaçã
o em
populações
indígenas
do Alto Rio
Negro e as
Revista
psiquiátrica
clinica 34(2);
90-96, 2007.
Souza,
Maximilian
o Loiola
Ponte de;
Schweicka
rdt, Júlio
César;
Garnelo,
Estudo
qualitativo
e
interdiscipl
inar.
Aborda a temática do
uso de álcool em
grupos cuturalmente
diferenciado.
Na população
investigada o
“beber
problema” é
construído a
partir de
categorias que
evidenciam um
10
limitações
do CAGE
como
instrument
o de
screening
para
dependênc
ia ao
álcool.
Luíza.
comportamento
disruptivo ou
inadequado dos
indivíduos
caracterizado
pelo
comportamento
violento.
Figura 1: Distribuição dos artigos selecionados, segundo Código, Título, Periódico,
Autores, Tipo de Estudo, Objetivos e Principais Resultados, 2011.
4 DISCUSSÃO E ANÁLISE
Na enfermagem nacional os enfermeiros precisam vencer diferentes barreiras
para a condução e/ou utilização de resultados de pesquisas na prática clínica,
principalmente no que se refere à falta de preparo para o processo de investigar,
dificuldades para a avaliação crítica dos estudos disponíveis e para a transferência
do conhecimento novo para a prática.
Dos artigos encontrados cinco são de profissionais enfermeiros que fizeram
mestrado em saúde publica e dois artigos de profissionais médicos. A quantidade e
a complexidade das informações na área da saúde e principalmente no que diz
respeito à saúde indígena, e o tempo limitado dos profissionais têm determinado a
necessidade do desenvolvimento de processos que proporcionem caminhos
concisos até os resultados.
No artigo Silva (2010) retrata uma pesquisa sobre as parasitoses intestinais
na comunidade Xavante do Mato Grosso, onde segundo a pesquisa, há uma
prevalência alta de helmintos e protozoários onde é comum mais de 50% da
população ser acometida por estas espécies, de 196 amostras analisadas 40,3%
foram positivas para helmintos e 35,7% para protozoários, a prevalência obtida foi
elevada, pois sabe-se que as condições de saúde dos Xavantes são ainda pouco
conhecidas, embora não tenha sido possível conhecer aspectos sobre as infecções
por amebídeos, os diagnósticos feitos em relação a helmintos e protozoários
levaram ao tratamento especifico de cada individuo.
11
Segundo Amato Neto (1991) à presença de parasitoses nas comunidades
indígenas é bem presente, pois os fatores de risco são muito altos devido às más
condições de saneamento básico e habitacional dessas comunidades.
No artigo 2 os autores optaram em classificar e analisar os indivíduos de
forma agrupada, quanto a sua origem étnica” indígenas e não- indígenas”, e nos
resultados descreve os indicadores clínicos, epidemiológicos e operacionais, com
ênfase na analise de indicadores. A distinção de casos de tuberculose notificados
segundo suas características sócio demográfico e geográficas podendo contribuir
não só para a reorganização das estratégias de prevenção e controle de TB (
Tuberculose), mas também para a efetividade destas ações. Os povos indígenas de
Rondônia foram responsáveis por 6,6% dos casos notificados no SINAN ( Sistema
de Informação e Agravos de Notificação) de 1997-2006.Uma prevalência também
aumentada se comparada com a população branca.
Segundo Coimbra Jr. 2000 a tuberculose instalou-se entre os indígenas no
início da década de 1970 e, desde então, vem se mantendo altamente endêmica. A
tuberculose permanece como prioridade de saúde pública no Brasil e atinge níveis
preocupantes em certos segmentos sociais, como é o caso dos povos indígenas da
aldeia Suruí em RO.
Em RO ( Rondônia) a alta prevalência de TB ativa a presença de bacilos
multirresistentes nos Suruí expõem todas as etnias e populações a um alto risco de
infecção, adoecimento e morte. Além disso, foram apontadas falhas nos serviços de
diagnostico e tratamento dos casos indígenas notificados, complicando ainda mais a
situação.
A Tuberculose permanece como um problema mundial de saúde pública que
ocorre,
principalmente
nos
segmentos
menos
favorecidos
da
população,
constituindo-se em um indicador das disparidades étnico/raciais em saúde.
A
tuberculose é uma infecção causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a
qual mais comumente afeta os pulmões (tuberculose pulmonar), mas também pode
atingir o sistema nervoso central (meningite), sistema linfático, sistema circulatório
(tuberculose miliar), sistema geniturinário, ossos e articulações (Romero-Sandoval
2007).
No artigo 3 a autora se baseia em modelos de análise de saúde publica
sobre qual é a concepção do SISVAM (Sistema de Vigilância Alimentar Nutricional)
12
no subsistema de saúde indígena, refere que os condicionantes que levaram ao
reconhecimento dos elevados déficits nutricionais dos povos indígenas como
problema de saúde pública pelos gestores governamentais da saúde indígena e a
escolha da implantação da vigilância alimentar e nutricional nos DSEI( Distrito
Sanitário Especial Indígena) como alternativa mais viável, onde algumas pessoas
tinham carência alimentar da capacidade de produção de alimentos, condição
sanitária inadequada, doenças infecciosas ou parasitárias e dietas pobres, redução
de disponibilidade de alimentos tradicionais.
Segundo Coimbra Jr. 1991 a prevalência de desnutrição na população
indígena brasileira é elevada, superior à identificada em comunidade indígena
urbana e área rural da região Centro-Oeste, mas inferior às reportadas por grupos
indígenas da região amazônica.
A desnutrição abrange condições patológicas decorrentes da falta de energia
e proteínas em variadas proporções e são agravadas por infecções repetidas. A
prevalência de desnutrição no Brasil é substancialmente maior nos países de
terceiro mundo e o seu quadro usualmente é em decorrência da situação
socioeconômica das famílias, que não tem condições de oferecer a criança uma
alimentação adequada e ou pelo desconhecimento de uma alimentação balanceada.
A desnutrição crônica causa o comprometimento do índice estatura/idade,
indicando que a pessoa tenha o crescimento comprometido em processo de longa
duração o que significa nanismo, já a desnutrição aguda reflete no déficit do índice
peso/estatura, mostrando um comprometimento mais recente do crescimento com
reflexo mais pronunciado no peso, esses fenômenos normalmente acometem
crianças.
No artigo 4 o autor apresenta um artigo discutindo a prevalência de
hipertensão arterial sistêmica (HAS) no Suruí de Rondônia, apesar desse estudo
identificar pela primeira vez casos HAS no Suruí apontam para uma possível
emergência no grupo, a prevalência desse agravo permanece superior àquelas
observadas nos estudos realizados com outras populações indígenas e não
indígenas, portando indica a necessidade de elaboração de estratégias especificas
e adaptação das politicas publicas de saúde nesse campo, com o objetivo de
prevenir e controlar os fatores de risco e o aumento da prevalência de sobrepeso e
obesidade e hipertensão arterial.
13
Para isso é necessário o planejamento e a implantação de ações que visem
orientar os Suruí quanto ao adequado consumo de sal, açúcar, alimento
industrializados, gorduras, bem como a realização de atividades físicas, medidas
preventivas importantes na prevenção das doenças e agravos não transmissíveis
(DANT).
Segundo GIMENO, Suely Godoy Agostinho et al 2007 sugerem a
necessidade de implementação de medidas que visem tanto ao controle como à
prevenção da obesidade e outros fatores de risco cardiovasculares entre esses
indivíduos.
No artigo 5 o autor faz uma analise da distribuição espacial da malária em
uma reserva indígena de Rondônia onde demonstrou que mais de 95% do território
indígena encontra-se livre de transmissão autóctone da doença, com ocorrência de
83 casos no segundo semestre de 2002, estes casos são restritos a localidades de
periferia.
Para Carvalho M.E 1985, a persistência da transmissão de malária na região
de São Paulo demonstrou a necessidade de ser adotada abordagem mais
abrangente do problema do que a tradicionalmente usada. Serão, portanto,
propostos estudos de geografia humana visando analisar, de modo mais profícuo, as
condições de instalação e manutenção do foco.
No artigo 6 as autoras revelam populações jovens constituídas de indígenas
com idade abaixo de vinte anos, o estudo identificou padrão de
endemicidade
moderada com prevalência de infecção pregressa pelo HBV
( carga viral da hepatite B). O estudo mostra que nas aldeias Apyterewa e Xingu a
transmissão horizontal familiar tem maior importância que a transmissão vertical, e
que a transmissão sexual parece ser significante nessas populações as quais
apresentam características crescentes de infecções relacionadas à idade e a
prevalência de hepatites nesta população é grande.
Para Bensabath, G. 1987 já se tem documentado epidemia de hepatite D com
elevada letalidade em tribo indígena do norte da América do Sul, onde havia
previamente alta prevalência de portadores do HBsAg.
No artigo 7 nos mostra que na população investigada o “ beber problema” é
construído a partir de categorias que evidenciam um comportamento disruptivo ou
inadequado dos indivíduos, caracterizado pelo comportamento violento, no campo
de estudo dos problemas de consumo de álcool os autores identificam a
14
necessidade de aprofundamento de pesquisa que permitam viabilizar a articulação
interdisciplinar entre conceitos tão diversos como dependência.
Para COIMBRA Jr. 2003 a situação descrita “alcoolismo” demonstra a
necessidade de intervenções específicas, pois a questão do alcoolismo e da
violência podem ter significado e interpretações muito diferentes para cada grupo
étnico, em relação ao mesmo fenômeno.
Para Kaplan et al., 1997 a ampla aceitação de que a dependência ao álcool
se constitui em uma doença está relacionada ao sucesso dos grupos Alcoólicos
Anônimos que explicitamente a adotam. Dentre as evidências que apontam para
uma etiologia biológica para a dependência ao álcool, pode-se enumerar: risco de
três a quatro vezes maior de desenvolver o quadro, caso o indivíduo tenha um
parente em primeiro grau portador desta condição.
Oliveira (2001), utilizando um enfoque antropológico, aborda a questão do
“alcoolismo” entre os Kaingang onde relata que o uso de bebidas alcoólicas
fermentadas é um costume antigo, associado tanto ao contexto religioso quanto ao
profano, sendo regulamentado por diversas normas sociais. Defende que a
introdução, de alambiques para a preparação de bebidas destiladas na época da
conquista de seu território, está associada ao surgimento dos problemas
relacionados ao uso de álcool nessa etnia. Para ela, o “alcoolismo” tem, por um lado,
suas raízes na cultura tradicional e, por outro, na incorporação e transformação de
costumes a partir da conquista, com a introdução da cachaça.
Segundo III Conferencia Nacional de Saúde Indígena 2001 a saúde indígena
é um tema central na luta dos povos indígenas pela conquista de seus direitos, dada
à precária situação, em termos de acessos aos serviços, a que eles estão
submetidos no Brasil. Para melhor compreensão acerca da realidade brasileira, é
necessário resgatar alguns princípios sobre saúde e o entendimento do processo
saúde e doença, levando-se em conta as especificidades culturais de cada uma das
etnias presentes no País.
Por isso a necessidade de entender que o processo saúde e doença é parte
integrante de contextos socioculturais e, portanto, deve ser abordado, no âmbito das
políticas de saúde, de forma a contemplar a participação social, a intersetorialidade,
a integralidade das ações e, sobretudo, a diversidade cultural, em se tratando das
populações indígenas.
15
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A melhora do estado de saúde dos povos indígenas não ocorre pela simples
transferência
para eles
de
conhecimentos e tecnologias
da
biomedicina,
considerando-os como receptores passivos, despossuídos de saberes e práticas
ligadas ao processo saúde-doença.
As demandas de saúde da população indígena são muitas e cabe aos
profissionais de saúde fazer educação em saúde.
As principais demandas
apontadas pelos artigos selecionados forma alta prevalência entre os indígenas do
Mato Grosso de helmintos e protozoários, alta prevalência de tuberculose. Apontam
para importantes desafios quanto a questão alimentar e nutricional,
indicam a
emergência de hipertensão arterial entre indivíduos Suruí, o que indica a
necessidade de elaboração de estratégias especificas e adaptação de politicas
publicas de saúde nesse campo às características dos povos indígenas em
particular dos Suruí.
Ao analisar a distribuição espacial da malária demonstrou que 95% do
território indígena encontram-se livre da transmissão autóctone da doença,
identificou endemicidade moderada com prevalência de infecção pregressa pelo
HBV de 55,7, com 5,4% de portadores do vírus na aldeia Apyterewa e de 49,5%
com 1,1% de portadores na Xingu. Para os indígenas do alto Rio Negro o “beber
problema” é construído a partir de categorias que evidenciam um comportamento
disruptivo ou inadequado dos indivíduos caracterizado pelo comportamento violento.
Sendo assim a fraca cobertura sanitária das comunidades indígenas, a
deterioração crescente de suas condições de vida, a ausência de um sistema de
busca ativa dos casos de doenças, os problemas de acessibilidade (geográfica,
econômica, linguística e cultural) aos centros de saúde, a falta de supervisão dos
doentes em regime ambulatorial e o abandono frequente pelos doentes do
tratamento favorecem a manutenção de endemia, mortalidades, morbidades entre
as populações indígenas no Brasil.
6 BIBLIOGRAFIA
16
AMATO NETO, V.; CORRÊA, L.L. Exame parasitológico das fezes. 5. ed. São
Paulo: Sarvier, 1991.
ARMSTRONG, D.; BORTZ, P. An integrative review of pressure relief in surgical
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