1 FACULDADE DE TECNOLOGIA SENAI “NADIR DIAS DE FIGUEIREDO” RÔMOLO HERNANDES DE MORAES WAGNER FAUSTINO VITOR INFLUÊNCIA DO ALUMÍNIO NA CARBONITRETAÇÃO DO AÇO BAIXO CARBONO OSASCO 2011 2 RÔMOLO HERNANDES DE MORAES WAGNER FAUSTINO VITOR INFLUÊNCIA DO ALUMÍNIO NA CARBONITRETAÇÃO DO AÇO BAIXO CARBONO Projeto apresentado à Faculdade de Tecnologia SENAI “Nadir Dias de Figueiredo” em Processos Metalúrgicos para inscrição do Trabalho de Conclusão de Curso sob a orientação técnica do Prof. Paulo Sérgio de Freitas e orientação metodológica do Prof. Roberto Sanches Cazado OSASCO 2011 3 RESUMO Será investigada a influência de teores residuais do elemento químico alumínio nos resultados obtidos na carbonitretação dos aços baixo carbono, quando submetidos a diferentes ciclos. Recentemente, dificuldades têm sido encontradas, pelas empresas prestadoras de serviços de tratamentos termoquímicos, devido aos teores elevados de alumínio, na composição química dos aços. A pesquisa justifica-se, pois diversos itens de segurança no setor automotivo, automobilístico e construção civil, por exemplo, são fabricados com este tipo de material, onde uma falha pode acarretar acidentes catastróficos. A metodologia utilizada para análise dos resultados foi à comparação por meio de ensaio de dureza superficial e de núcleo. Também se aplicou a microscopia ótica, para a medição da espessura das camadas obtidas e análise microestrutural. A realização deste experimento possibilita identificar as variações ocasionadas no processo, e encontrar parâmetros que podem minimizar o efeito prejudicial causado pelo alumínio na carbonitretação do aço baixo carbono, como por exemplo, o refinamento dos grãos, perda da temperabilidade e queda na dureza. As melhorias dos parâmetros encontrados trarão efeitos significativos das propriedades mecânicas do produto final. Palavras - chave: Carbonitretação. Alumínio residual. Aço baixo carbono. Refinamento dos grãos. Perda da temperabilidade. 4 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA ......................................................5 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................7 2.1. USO DO ALUMÍNIO NA FABRICAÇÃO DO AÇO ........................7 2.2. AS VANTAGENS DO ALUMÍNIO NO AÇO.................................10 2.3. EFEITOS DO ALUMINIO NO AÇO..............................................10 3. OBJETIVO GERAL ............................................................................12 3.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................12 4. PLANO DE TRABALHO E CRONOGRAMA.....................................13 5. MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................14 6. FORMA DE ANÁLISE DOS RESULTADOS .....................................16 7. REFERÊNCIAS ..................................................................................17 5 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA Recentemente, dificuldades têm sido encontradas pelas empresas prestadoras de serviços de tratamentos termoquímicos, devido aos teores elevados do elemento químico alumínio na composição química dos aços. Com isto é observado que o nitreto de alumínio se precipita nos contornos dos grãos, colaborando com a formação de um produto de transformação indesejável na têmpera da camada carbonitretada, ao invés da promoção preferencial da martensita, este produto indesejado é a perlita fina. Esta martensita, de elevada dureza, confere a resistência ao desgaste das camadas cementadas e carbonitretadas. A limitação dos teores de alumino no aço visa restringir a formação do nitreto de alumínio, sendo os teores indicados para que a influência não se faça sentir, inferiores a 0,012% em peso. Logo, torna-se importante a realização desta pesquisa, pois diversos itens de segurança no setor automotivo, automobilístico e construção civil, por exemplo, são fabricados com este tipo de material, onde uma falha pode acarretar acidentes catastróficos. Esperamos identificar as variações ocasionadas no processo, servindo de base para estudos futuros de parâmetros que podem minimizar o efeito prejudicial causado pelo alumínio na carbonitretação do aço baixo carbono, como por exemplo, o refinamento dos grãos, perda da temperabilidade e queda na dureza. A adição de alumínio, durante a fabricação do aço, tem a principal finalidade de desoxidá-lo e desnitrogená-lo, é um desoxidante eficiente e de baixo custo, que confere efeitos benéficos nos processos de conformação mecânica. Porém, vale lembrar que teores residuais de alumínio permanecem no aço na forma de nitreto de alumínio insolúvel, causando um efeito prejudicial às propriedades metalúrgicas do aço, como por exemplo, a formação de perlita fina na camada carbonitretada, refinamento de grão, causando variação de dureza superficial, ocasionando redução significativa da qualidade e durabilidade do produto final. A identificação destas variáveis torna-se viável, pois possibilitam a melhoria contínua dos parâmetros de processo de tratamentos térmicos, que é de fundamental importância para o setor e podem ser traduzidas em maior qualidade e confiança ao 6 serviço prestado, consequentemente, as propriedades mecânicas do produto final serão alcançadas, garantindo maior competitividade no crescente mercado de prestação de serviços. Conforme a norma DIN 17014, “A carbonitretação é um tratamento termoquímico que, associado à têmpera, visa o endurecimento superficial do aço através da difusão conjunta de carbono e de nitrogênio”. Segundo MARTINEZ (2004), “O processo de carbonitretação consiste na modificação da composição química do material, na superfície das amostras, visando temperabilidade nesta a aumento da região e, conseqüentemente, aumento da dureza que se traduz em aumento da resistência ao desgaste superficial dos componentes metálicos. Os aços carbono contendo elevados teores de alumínio podem sofrer refinamento dos grãos, perda da temperabilidade e queda na dureza”. Segundo NETTO, (1995), o alumínio tem efeito benéfico na performance durante a estampagem, laminação a quente e laminação a frio, aumentando sua ductilidade. Segundo HIRSCHHEIMER (1981), o efeito percebido, ao microscópio óptico, é a presença de perlita fina na camada cementada e, conseqüentemente, uma dureza superficial não uniforme, muitas vezes fora das especificações do projeto. Vale lembrar que o produto esperado na têmpera, posterior ao enriquecimento de carbono superficial que caracteriza a carbonitretação, é a martensita e que os produtos de transformação indesejáveis, tais como perlita e ferrita nucleiam nos contornos de grão. Dessa forma, pode-se entender o porquê de um material com granulação mais grosseira possuir temperabilidade maior do que outro com granulação mais fina, exatamente por possuir menor número de interfaces entre os grãos. 7 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. USO DO ALUMÍNIO NA FABRICAÇÃO DO AÇO Há mais de 70 anos o alumínio tem sido utilizado por fabricantes de aço para a desoxidação e, adicionalmente, muitos aços com baixo teor de carbono e acalmados ao alumínio tem sido conhecidos por apresentar um aumento na resistência ao envelhecimento após deformação e incremento na capacidade de sofrer estampagem profunda (MARTINEZ, 2004). A adição de alumínio, durante a fabricação do aço, tem a principal finalidade de desoxidá-lo e desnitrogená-lo. A presença residual de alumínio não é suficiente para classificar o aço como aço ligado, porém, sua presença como “desnitrogenante” reduz, sensivelmente, o fenômeno conhecido por “envelhecimento do aço”. Os produtos, finamente dispersos, da desoxidação e, principalmente da desnitrogenação do aço, têm grande influência sobre o tamanho dos grãos a altas temperaturas (até cerca de 1000 °C), atuando como se fossem bloqueios mecânicos, que limitam seu crescimento, (HIRSCHHEIMER, 1981). O alumínio usado como desoxidante forma alumina, a qual pode tanto flotar no metal líquido em forma de escória como permanecer no aço após solidificar-se. Esta última pode ser reportada como alumínio insolúvel, mas algumas partículas de nitreto de alumínio, formadas pelo excesso de alumínio, podem também aparecer como alumínio insolúvel e o remanescente juntamente com o alumínio livre aparecem como alumínio solúvel, (NETTO, 1995). Nos aços acalmados, o teor de alumínio é mantido abaixo de 0.01%, enquanto nos aços de granulação fina (5 a 8 ASTM) seu teor varia entre 0,02% e 0,06%. Genericamente, o alumínio determina o estreitamento do campo de existência da austenita no aço (figura 1 e 2). Em consequência disto, as temperaturas A1 e A3 são deslocadas para valores mais altos, a solubilidade do carbono na austenita diminui e a ferrita original permanece estável a temperaturas onde um aço isento de alumínio já estaria sofrendo a transformação α ' γ. 8 Figura 1: Diagrama Ferro-Alumínio (Fe-Al) 9 Figura 2: Diagrama Ferro-Carbono (Fe-C) 10 A temperabilidade dos aços contendo cerca de 1% C e baixos teores de alumínio (até cerca de 0,1% Al) diminui sensivelmente, devido à granulação fina do aço e a ação nucleante dos nitretos de alumínio finamente dispersos. Com teores de alumínio mais altos, a temperabilidade aumenta novamente, alcançando, a partir de 0,5% Al e temperaturas de austenitização superiores a 800° C, praticamente a mesma temperabilidade dos aços isentos de alumínio, (HIRSCHHEIMER, 1981). 2.2. AS VANTAGENS DO ALUMÍNIO NO AÇO Nos aços conformados a frio, o alumínio tem seu maior efeito benéfico, no desempenho durante a estampagem; O alumínio também possui um efeito benéfico tanto na laminação a quente como na laminação a frio de chapas de aço, pois confere maior plasticidade se comparado com um aço efervescente; Em aços laminados a frio e recozidos, a precipitação do nitreto de alumínio promove o desenvolvimento de uma textura favorável para estampagem profunda; A presença do nitreto de alumínio nos aços laminados faz aumentar a ductilidade e evitar o envelhecimento após deformação ou encruamento a frio, o qual pode aumentar a tendência de formação de fissuras e uma superfície com aparência insatisfatória após a conformação a frio. Vale lembrar que a cinética de precipitação do nitreto de silício é muito lenta para indicar o silício como inibidor do processo de envelhecimento após deformação. Esta é uma das razões pela qual o aço acalmado ao alumínio tem maior preferência que o aço acalmado ao silício, (NETTO, 1995). 2.3. EFEITOS DO ALUMINIO NO AÇO Basicamente, a teoria e os dados pertinentes ao nitreto de alumínio e ao crescimento dos grãos tem sido usados para indicar os limites dos teores de alumínio e nitrogênio que deverão ser requeridos para permitir um tamanho de grão da ordem de 4 ASTM, que pode ser considerado um tamanho de grão grosso para efeito de temperabilidade do material. 11 O tamanho de grão de um aço, que caracteriza a granulação como grosseira e fina, está relacionado com os parâmetros de austenitização tais como: Ð Tempo e; Ð Temperatura. Tais parâmetros são importantes para controlar a fração volumétrica e o tamanho das partículas de nitreto de alumínio. Para entender os efeitos do alumínio na temperabilidade da camada carbonitretada é necessário que se conheça duas classes de fenômenos que tem influência sobre ele, ou seja: Ð O controle do tamanho de grão por partículas - a redução da área dos contornos dos grãos e a energia da interface entre os grãos influenciam no seu crescimento e; Ð A solubilidade do alumínio na matriz - a precipitação de uma segunda face em contorno, o número de partículas precipitadas por unidade de área e o tamanho das mesmas inibem o seu crescimento. Outro fator importante é a solubilidade do alumínio na matriz e a precipitação do nitreto de alumínio na interface entre os grãos. O teor de alumínio dissolvido, o teor de nitrogênio dissolvido e a temperatura do processo têm grande influência na solubilidade do alumínio na matriz metálica e sobre a precipitação do nitreto. Além disso, a presença de elementos químicos residuais no aço, tais como, cromo, molibdênio e níquel podem ser o divisor de águas entre uma transformação satisfatória ou insatisfatória, quando se trata da carbonitretação de materiais com elevados teores de alumínio. 12 3. OBJETIVO GERAL Identificar a influência de teores residuais do elemento químico alumínio na carbonitretação dos aços baixo carbono. 3.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Ð Realizar ciclos distintos de tratamento termoquímico de carbonitretação em amostras de aço baixo carbono acalmado ao alumínio. Ð Analisar os resultados por meio de ensaio de dureza superficial e de núcleo, medição de camada e análise microestrutural através de microscopia ótica. Ð Identificar as variações ocasionadas no processo, com base nos resultados obtidos. 13 4. PLANO DE TRABALHO E CRONOGRAMA A realização deste cronograma obedece às etapas estipuladas em conjunto com os orientadores Paulo Sérgio de Freitas e Roberto Sanches Cazado: 14 5. MATERIAIS E MÉTODOS O tratamento termoquímico de carbonitretação é realizado, usualmente, em temperaturas que variam entre 820°C e 880°C, de acordo com a geometria, profundidade da camada e características dos componentes. O processo consiste na introdução de carbono e nitrogênio, sendo o primeiro oriundo do gás propano (C3H8) e o segundo da amônia (NH3), ambos os gases injetados nos fornos de atmosfera gasosa controlada. No caso dos banhos de sais, os elementos químicos, necessários ao processo, são provenientes da composição química dos sais fundidos. À medida que a peça é exposta ao meio carbonitretante, o tempo e a temperatura controlam a profundidade da camada carbonitretada, uma vez que, este processo se dá por difusão atômica. O endurecimento da camada ocorre pela têmpera da camada, ou seja, pela transformação martensítica. A introdução de nitrogênio confere à periferia das peças tratadas algumas características que as diferem daquelas apenas carbonetadas: Ð Aumento da temperabilidade; Ð Maior resistência à perda de dureza pela ação do revenimento; Ð Aumento do teor de austenita retida após a têmpera; Ð Diminuição da tenacidade. Enquanto a carbonetação a gás é perfeitamente dominada pelos parâmetros tempo, temperatura e atmosfera carbonetante, para a carbonitretação gasosa devem-se considerar mais duas variáveis: Ð Vazão de gás amônia; Ð Tempo de duração da adição do gás amônia. Uma vez fixados estes cinco parâmetros, a carbonitretação gasosa poderá ser estudada através de um modelo matemático, que na prática, significa a obtenção de resultados repetitivos. 15 Para a realização dos experimentos, utilizamos amostras de aços baixo carbono (aço 1010) com diferentes teores de alumínio, gentilmente cedidas pelas empresas Brasmetal Waelzholz e Aro Estamparia. O tratamento térmico em fornos IPSEN e realização de análises laboratoriais (insumos, equipamentos, hora/técnico), foram realizados na empresa Itaraí Metalurgia, eliminando os custos para o estudo em questão. Para a realização deste experimento utilizamos dois tipos de aços baixo carbono, na forma de chapas recozidas e laminadas, com diferentes teores de alumínio em sua composição (tabela 1): Porcentagem em peso (%) Liga Espessura Chapa (mm) C Si Mn Al Cr Mo Ni A 3,65 0,190 0,104 0,41 0,002 0,002 0,001 0,004 B 3,00 0,170 0,140 0,51 0,050 0,014 N/A 0,009 Tabela 1: Espessura das chapas e composição química (porcentagem em peso) dos aços utilizados. Os dois aços foram carbonitretados, em forno elétrico do tipo IPSEN. A atmosfera utilizada constituiu-se de propano, metanol e amônia. O potencial de carbono utilizado no processo foi 1,00%. Para determinação das temperaturas ideais do processo de carbonitretação (temperatura de austenitização, tempo de patamar e temperatura do óleo), realizouse 14 ciclos distintos (7 ciclos para cada amostra), dos quais serão selecionados os que apresentar maior e menor homogeneidade de camada e dureza. 16 6. FORMA DE ANÁLISE DOS RESULTADOS As amostras foram tratadas em fornos com atmosfera protetora do tipo IPSEN, com atmosfera composta por Metanol, potencial de carbono conferido por Propano e Nitrogênio fornecido pela adição de Amônia. Os resultados foram analisados através dos seguintes ensaios: Dureza superficial e de núcleo: A dureza Vickers será utilizada na caracterização dos materiais carbonitretados. Será utilizado equipamento modelo LEINTS, com carga de 1 kg. Os valores serão considerados pela média de 3 resultados. Análise metalográfica: Camada será analisada na seção transversal. A preparação metalográfica das amostras envolve as etapas de corte, embutimento em resina fenólica, lixamento, polimento e ataque químico. A microestrutura das amostras será revelada com reagente metalográfico 2%. Esta análise será realizada com auxílio da técnica de microscopia óptica, utilizando um microscópio óptico da marca OLYMPUS, equipado com analisador de imagens. Também como forma de análise dos resultados, utilizamos a comparação quantitativa dos métodos aplicados neste projeto, a fim de identificar as variações ocasionadas no processo, que podem servir de base para encontrar parâmetros capazes de minimizar o efeito prejudicial causado pelo alumínio na carbonitretação do aço baixo carbono, como por exemplo, o refinamento dos grãos, perda da temperabilidade e queda na dureza. É importante salientar que as melhorias dos parâmetros encontrados trarão efeitos significativos das propriedades mecânicas do produto final. 17 7. REFERÊNCIAS HIRSCHHEIMER, Luiz Roberto; Penteado, Sérgio B.. Uma visão prática da carbonitretação a gás de peças estampadas de aço SAE 1010 comercial – a influência do teor de alumínio do aço. São Paulo, 1981. MARTINEZ, José Enrique Gonzales; Netto, Eliana Bezerra de Menezes. A influência do elemento químico alumínio, presente na composição dos aços carbono, nos resultados do processo de carbonitretação. São Paulo, 2004. NETTO, Eliana Bezerra de Menezes. Influência do alumínio sobre a carbonitretação de aços carbono. São Paulo, 1995. Diagrama Fe-Al, disponível em: <http://www.infomet.com.br/diagramas- fasesver.php?e=mostrar&id_diagrama=39&btn_filtrar=Ok>; Acesso em: 12 jun. 2011, 12:13:14. Diagrama Fe-C, disponível em: <http://www.infomet.com.br/diagramas-fasesver.php?e=mostrar&id_diagrama=112&btn_filtrar=Ok>; Acesso em: 12 jun. 2011, 12:13:14.