Mitos que Identificam o Povo Guarani e seu Reflexo nas Famílias da Aldeia Pirajuí
Valentim Pires – Acadêmico do Curso de Licenciatura Indígena Teko Arandu
(UFGD/FAED)
Profª Me. Nely Aparecida Maciel – Orientadora
Após a criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), a equipe de Marechal
Cândido Rondon, funcionário chefe da instituição de 1915 até 1928, reservou,
demarcou e homologou Guarani e Kaiowá do antigo sul de Mato Grosso, atual Mato
Grosso do Sul, oito áreas de terras, em um total de 18.297 hectares; as reservas de
Amambai, Amambai (Benjamim Constant) e Limão Verde, de Dourados (Francisco
Horta Barbosa), de Caarapó (José Bonifácio), de Tacurú, a Ramada ou Sassoró, de
Japorã, a Porto Lindo ou Jacare’y, de Paranhos, a Pirajuí, e de Coronel Sapucaia, a
Taquapery. Como afirma Antonio Brand: “inicia-se, então, com apoio direto dos
órgãos oficiais, um processo sistemático e relativamente violento de confinamento
destes pedaços de terra” (BRAND, 1995, p. 8).
O objetivo do SPI, naquela época, era reunir todas as famílias Guarani na reserva
que estivesse mais próxima. Na aldeia Pirajuí aconteceu exatamente isso, muitas
famílias que viviam no seu tekoha tradicional foram expulsas para poder morar
reservados na reserva de Pirajuí. Algumas das terras tradicionais daquela época que
foram deixadas pelos indígenas devido à violência e à pressão dos grileiros de terra,
como, Potreiro Guassu, Ypo’i, Yvykua Rusu (aldeia Paraguassu). Para sair de suas
terras, as famílias recebiam promessas de que na reserva iam ter remédios, escola,
igreja, proteção e segurança.
Ao lado da reserva se instalaram os missionários alemães que prestavam
serviços na área da saúde e educação, eles pregavam a religião do não-índio para índio.
Os membros das famílias doentes recebiam remédios e tratamento dos missionários e
em troca as famílias participavam dos cultos religiosos nos dias de domingo e quartafeira. As doutrinas dos missionários era ler a bíblia, fazer orações, cantar, ensinavam os
indígenas chamar as pessoas que não eram irmão de irmão, a deixar os rituais
tradicionais indígenas para se tornar um índio convertido ao cristianismo. Assim as
famílias poderiam deixar de ter espíritos selvagens e virar “gente” civilizada.
As famílias eram aconselhadas pelos missionários a não participar do Jeroky
Takua (origem do ser) e a não acreditar nas histórias dos mais velhos. Toda crença da
tradição Guarani, as histórias contadas pelas pessoas mais velhas da família era julgada
pelos missionários como o caminho da perdição que levava ao inferno, onde o
sofrimento da alma ficava eternamente na chama do fogo.
Os missionários viam que existia uma necessidade de alfabetizar os adultos e
jovens indígenas para praticar a leitura da Bíblia na igreja ou em casa. Houve então uma
preocupação com essa alfabetização, durante as aulas faziam desenhos a partir das
histórias bíblicas. As famílias aprendiam hinos religiosos para cantar em casa à noite e
nos cultos da igreja, fazer orações e pedir a Deus para abençoar todos da aldeia. Tinham
a preocupação de dominar a língua Guarani para facilitar o trabalho. Para tanto, traziam
pessoas que dominavam a língua Guarani para conversar com os índios e transmitir o
máximo que pudessem da palavra de Deus e ensinar as famílias como ser um bom
evangélico. E os conhecimentos tradicionais muitas vezes e por muitos indígenas foram
deixados de lado.
Os conhecimentos tradicionais foram repassados oralmente para mim pela minha
avó Sebastiana Morales1, falecida no ano de 1991, aos noventa e cinco anos de idade.
Todos os dias meu pai me levava em sua casa de manhã ou de tardezinha e pedia para
ela me contar as histórias de Ñande Ypy (origem do ser). Nessa época, eu, Valentin,
tinha entre cinco a seis anos. Minha avó costumava fazer um fogo para assar mandioca e
batata. Próxima ao fogo, deitada numa rede, tomando chimarrão com meu pai e meu
avô, ela contava a origem dos seres humanos. Imaginava na minha cabeça um espaço,
lugares, pessoas, fortemente marcados pela imaginação.
Minha avó contava as histórias para todos da família ouvir. E quando fazíamos
perguntas, ela respondia tudo. Se pedíssemos para repetir a história, ela começava tudo
de novo.
Acredito que foi e continua sendo importante fortalecer a história sobre o ypy
nas famílias, porque é a identidade do povo Guarani e as pessoas ficam fortalecidas
sabendo da origem do principio da vida do povo Guarani. Ñande Ypykue voi oha´anga
jahecha haguã (O nosso Deus já fazia tudo o que ia acontecer nos dias atuais).
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Sebastiana Morales é avó paterna de Valentim Pires (Avá Guyrapa Mirim), ela falecida no ano de 1991.
Durante sua vida educava oralmente as crianças, jovens e casais da família contando histórias sobre o
Ñande Ypy (origem Guarani).
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Esses ensinamentos fazem parte da minha vida até os dias de hoje. Eles foram de
suma importância para a construção da minha identidade. Penso que nas casas dos
patrícios e nas escolas precisa acontecer o fortalecimento dos valores Guarani, tirando
proveito do ensinamento através do ypy; com isso, poderíamos estar mais fortalecidos
para enfrentar os desafios nos dias atuais.
Depois que eu tinha recebido ensinamento da história do ypy, estudei durante
doze anos fora da aldeia, nas missões missionárias onde recebi outro tipo de
ensinamento. Nesse tempo, guardei os valores que aprendi com minha avó. Só depois
de 1991 quando o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) realizou na cidade de
Dourados um curso sobre direitos dos povos indígenas, que começou a despertar em
mim a importância dos ensinamentos que eu tinha recebido antes de sair de perto da
família para estudar, percebi o significado e o valor dos ensinamentos para o meu povo
e para minha família.
Isso me marcou muito criando em mim força emocional e espiritual, potencial
psicológico e respeito pela natureza. A partir da história mítica, a minha avó já
explicava o presente e que todos os problemas atuais têm origem nos princípios. Não
era somente eu que escutava a minha avó, tinha outras pessoas, como, por exemplo,
meus tios, tias e meus primos ouvindo histórias do Ñande Ypy (origem do ser). A
família se juntava na casa da minha avó para ouvir a voz dela contando historias do
Ñande Ypy. As forças sentimentais de respeito eram fortes. Além das histórias que
ouvia de pessoas da minha família, também ouvi a mesma história de pessoas de outras
famílias. Essas histórias, ouvidas através de várias famílias, levam-me acreditar que isso
é uma força invisível de cada família e do povo Guarani no significado da nossa
identidade.
Sobre esse fato de ensino de saberes ypy, é importante citar a escrita de Tonico
Benites:
Em geral, no seio de família extensa Kaiowá, a avó e o avô narram
frequentemente aos seus filhos (as) e netos (as) as suas próprias histórias, suas
estratégias e sua experiência de vida passada em cada circunstância histórica.
Todos os acontecimentos relevantes do passado são narrados de modo
repetitivo aos seus membros por meio de ensinos orais. Descrevem em detalhes
os fatos significantes que ocorriam no seu território (tekoha guasu) tais como: a
chegada dos não-índios (karai), os conflitos interétnicos, a ocorrência de
eventos rituais profanos, religiosos, etc. Uma das funções fundamentais de
líder doméstico interno da família (teko laja rerekua), líder político
(mburuvicha) e xamã (ñanderu) de família é realizar a transmissão de seus
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saberes e sua própria história aos seus integrantes neófitos (BENITES, 2009,
p.44).
Conforme a afirmação do autor, os ensinamentos acontecem oralmente até os
dias de hoje, antes e depois da criança na escola, por entre os membros da família, isto
é, as crianças e jovens não são educadas somente na palavra, mas na vivência.
Outra descoberta foi sobre a língua Guarani e sua importância na questão da
identidade do meu povo. A língua indígena Guarani hoje é falada nos países
colonizados pelos europeus como Paraguai, Bolívia, Uruguai.
A nossa língua Guarani é uma das verdadeiras línguas brasileiras. Está no ventre
do espírito, ela não foi criada nem pode ser destruída. A nossa língua é a força movida
pela energia da luz espiritual que está dentro da gente. E através dela conseguimos
contar, conquistar e viajar no passado e futuro. A língua Guarani é a mãe verdadeira de
parte desse país que se chama Brasil. Ela é a identidade Guarani que não morreu, pois
está viva no nosso meio, e os mais velhos contam as histórias através dela e os
ensinamentos permanecem vivos.
Como já sabemos, a base fundamental de uma família Guarani está na história
do Ñande Ypy, pois sabendo sobre as origens do universo, as famílias Guarani ficam
preparadas psicologicamente para os desafios, as forças de justiça, a solidariedade, o
bom senso moral, a paciência e o respeito pela natureza que são conhecimentos
explicados às famílias desde o principio do Ñande Ypy, que os Guarani mantém até os
dias de hoje.
O mito Guarani é carregado de sentimentos, portanto ele ensina muitas coisas,
como, alegria, raiva, tristeza, luta, dialogo, conciliação, arrependimento. Esses
sentimentos estão intimamente ligados nas famílias Guarani atual.
O Ñande Ypy é a fonte da força Guarani, nela é encontrada consolo, coragem,
firmeza e forças espirituais para vencer os desafios e conquistar sua resistência na
família. O mais idoso se sente bem e sadio espiritualmente ao ensinar sobre Ñande Ypy.
Existem indígenas que acreditam no Ñande Ypy, mas não levam esses ensinamentos a
sério e nos momentos mais difíceis procuram os idosos que sabem das rezas. O idoso
faz o atendimento espiritual, mas faz uma cobrança para a fé dessas famílias.
Atualmente a escola faz parte do povo Guarani da aldeia Pirajuí, é dada uma
importância para os ensinamentos transmitidos na escola pensando no fortalecimento da
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identidade Guarani. A escola é um espaço para aprender a cultura da escrita, no entanto
esse conhecimento deve ser um conteúdo que tenha significado nos ensinamentos
Guarani.
A escola indígena tem obrigação de trabalhar os conhecimentos indígenas. O
mito que fala sobre Ñande Ypy é a raiz de toda educação Guarani, se esses
ensinamentos forem transmitidos pela escola, vai haver o fortalecimento do povo
Guarani. Para dentro das salas de aula os professores devem trazer as pessoas que
sabem histórias do Ñande Ypy para contar aos alunos. Nessa educação tradicional do
Ñande Ypy, vamos encontrar o processo de aprendizagem, metodologia tradicional, os
problemas e os desafios para encarar a vida.
Para comprovar afirmações da importância do mito nos ensinamentos dos
Guarani relatamos aqui minhas experiências da escola não indígena e indígena:
Em 1969, nasci na terra tradicional de Kapi’i, hoje chamada de aldeia Potreiro
Guassu. Nessa localidade, minha família foi pressionada pelo órgão do governo, a
FUNAI e pelos missionários para abandonar a terra, por isso, viemos morar nas terras
da reserva Pirajuí. Nessa época, eu tinha oito anos de idade. Minha família veio morar
nessa reserva criada pelo Marechal Cândido Rondon, em 1928. E foi nessa aldeia que
assisti às aulas na escola da Missão Evangélica Unidas de 1ª a 4ª série. Os professores
eram alemães que mal falavam o português e, aos poucos, os missionários foram
colocando professores falantes da língua indígena Guarani. As famílias eram
aconselhadas pelos missionários a colocar seus filhos na escola para aprender a ler e
escrever. Terminei a 4ª série em 1982, fui para o internato da Missão Caiuá na cidade de
Dourados para estudar com vários colegas da aldeia.
Para estudar fora da aldeia, passei por uma experiência de isolamento da minha
família; somente via os familiares nas férias, de seis em seis meses. Em 1986, terminei a
8ª série na escola Francisco Meireles; escola da Missão Caiuá. Após esses estudos,
fiquei um ano trabalhando de ajudante de mecânico em Dourados numa oficina com o
senhor Daniel da Missão Caiuá. Diariamente saíamos da Missão para a cidade no local
onde ficava a oficina de carros.
Em 1987, voltei para aldeia Pirajuí e durante dois anos trabalhei em algumas
fazendas do Paraguai, derrubando mato e fazendo a limpeza das capoeiras. Em 1990, o
capitão da aldeia Pirajuí Otávio Pires, me chamou para uma reunião junto com a
comunidade e me convidou para trabalhar como professor numa escola da aldeia.
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Naquele momento, havia apenas uma única sala de aula, com paredes de madeira.
Aceitei o pedido da comunidade e iniciei os trabalhos. Lembro-me de dois nomes que
me apoiaram nesse novo trabalho, os senhores Luis Vera e Estanislau Vera, pois esses
patrícios me apoiaram moralmente perante a comunidade.
Nesse momento, aconteceu o curso de Formação Continuada para professores
através do CIMI em Dourados. Participei também de vários outros cursos. Aconteceu
um curso que não me lembro o ano, mas o curso era de Ensino Fundamental
diferenciado, mas não foi reconhecido oficialmente pelos órgãos governamentais e não
teve sucesso e continuidade. No final da década de 1980, iniciou-se o Encontro de
Professores Indígenas Guarani e Kaiowá que vem tendo continuidade com a realização
do evento todos os anos.
Após uma grande luta dos Guarani e Kaiowá, que durou uma década,
reivindicando um curso de Ensino Médio específico para Guarani e Kaiowá, foi
aprovado no ano de 2000 o curso de magistério indígena em nível médio, que foi
batizado na língua Guarani como curso Ará Verá (dia brilhoso). Fui aluno desse curso e
concluí em 2003.
Em 2006, iniciei a primeira turma de curso superior da Universidade Federal da
Grande Dourados denominado Licenciatura Intercultural Indígena, batizado como curso
Teko Arandu (viver com sabedoria). Estou concluindo esse curso agora, no ano de
2011.
Durante essas experiências que acabei de relatar, a escola civilizadora nãoindígena não conseguiu apagar da minha memória o que aprendi com os mais velhos
dos ensinamentos tradicionais. Carreguei por muitos anos os valores Guarani dentro de
mim sem poder compartilhar e socializar com outras pessoas, pois a escola não-indígena
não dava oportunidade de expressão aos meus conhecimentos tradicionais e muito
menos se interessava por eles.
A partir do momento que fui despertado para os conhecimentos e valores que
estavam adormecidos em mim, comecei a sentir a força tradicional Guarani. A escola
não-indígena não estava para fortalecer o Guarani, mas para enfraquecer nossa cultura.
No momento desse trabalho compreendo que fortalecendo a escrita através da memória,
o conhecimento tradicional ganha força entre as famílias, conseqüentemente o povo
Guarani passa a valorizar mais sua cultura.
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A partir de disto passo a relatar as histórias do Ñande Ypy que aprendi desde
criança e que guardei por um tempo quando me deparei com pessoas que não davam
importância a esses valores, mas isso esteve, estava e está na minha vivência.
A narrativa aqui apresentada é nos dia de hoje repassada dentro da minha
família. Tive oportunidade de ouvi-la várias vezes, desde a minha infância, bem antes
de entrar na idade escolar.
Desde o inicio quando Ñande Ru (Deus) em forma de ar limpo (espírito) e
através do poder do seu pensamento ele se transformou num homem carnal, iniciou aí o
principio do livre pensar que existe até hoje. Depois que se transformou em homem
carnal o ar limpo (veravy - espírito) permaneceu nele e é o ar que o homem respira até
hoje. Quando foi transformado em avá (homem) ele precisava de uma companheira e
Ñande Ru (Deus) imaginou uma mulher no seu pensamento e a transformou em uma
mulher carnal para conviver com ele; era o começo de uma família para o Guarani.
Ñande Ru pela força de seu pensamento pensou numa oga (casa) coberta de capim e
uma tataindy´y (altar) para fazer jeroky (reza) e tudo isso foi realizado.
O Ñande Ru (Deus) engravidou a mulher (kuña) através do seu pensamento sem
que ela fosse tocada. O Ñande Ru (Deus) saiu de casa, falou para sua mulher que ia
fazer uma roça e plantar milho, kumanda (feijão de vara). Ele foi e não demorou muito
tempo para voltar da roça e, após algumas horas, falou para sua mulher que podia ir na
roça pegar milho verde e kumanda. E a mulher, ñandesy (nossa mãe), admirada pelo
pedido de ir à roça buscar os alimentos da produção que Ñande Ru havia ido plantar há
pouco tempo, começa a questionar Ñande Ru. Nesse momento inicia a desobediência da
mulher. Depois de alguns segundos a mulher foi na roça, quando ela chegou viu as
plantas quase maduras. A mulher pensou que era verdade o que o esposo tinha falado
para ela. Enquanto ela estava na roça, Ñande Ru colocou akã guaa (coroa) na cabeça e
pegou o seu mbarakã e saiu de casa fazendo três voltas ao redor da mesma dançando e
cantando. Ao completar as voltas, apareceu para ele uma estradinha pequena com areia
branca e dois lados cheios de flores de vários tipos.
Ñande Ru seguiu a estrada e foi cantando e dançando com seu mbaraka. Quando
a mulher volta da roça, ele não esta mais em casa, e ela viu os rastros dele e seguiu a
estrada. Durante a caminhada pela estrada, a mulher, grávida de dois filhos (gêmeos),
conversava com eles ainda dentro de sua barriga. Perguntava para seus filhos onde seu
pai foi? E os dois respondiam tudo certinho. No caminho, as crianças na barriga da mãe
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pediam flores e a mãe pegava para elas. Quando a mulher estava colhendo a última flor,
levou uma ferroada de maribondo e deu soco na sua própria barriga, depois disso as
crianças gêmeas da barriga não contaram mais nada para sua mãe sobre seu pai, mesmo
com a insistência da mãe, elas não diziam mais nada. A mãe continuou andando e
chegou num lugar onde Ñande Ru tinha entrado numa estrada estreita. Ela perguntou
novamente para os seus filhos: por onde será que o seu pai foi? E as crianças não
responderam mais nada. Ela não viu o sinal de entrada que o Ñande Ru fez e seguiu
para a estrada errada.
A mulher do Ñande Ru seguiu a estrada, e nessa estrada havia dois lados e uma
guarda de pássaros, de um lado tinha um papagaio e, do outro lado, jacu. Logo quando
viu a mulher grávida passando por lá, o papagaio avisou uma dona velha que é ovó do
aña (satanás), que estava sozinha, os outros da casa estavam caçando no mato. A mulher
do Ñande Ru (Deus), depois de muita andança, chegou cansada à casa do aña (satanás).
Logo a mulher velha percebeu e recebeu com maior sorriso a mulher do Ñande
Ru (Deus). Ela sentou-se no chão, já cansada, e a mulher velha (satanás) trouxe para
ñandesy banana e fruta silvestre para ela comer, ñandesy estava com muita fome.
Enquanto ela estava “matando a fome”, a mulher velha (satanás) preparou um ña´ữ
(panela grande) e capturou a mulher do Ñande Ru (Deus). Enquanto isso, chegaram o
resto dos satanases que estavam caçando. E a mulher velha (satanás) sorriu e falou:
“vocês foram caçar e eu aqui em casa tive sorte e peguei essa mulher grávida no meu
panelão”. Eles levantaram a tampa do panelão e mataram a mulher do Ñande Ru (Deus)
e tiraram da barriga dela dois meninos.
A mulher velha (satanás) pegou as duas crianças e falou: “essas vou assar para
eu comer”. Depois, ela fez um espeto e queria enfiar no corpo das duas crianças, como
as crianças estavam lisas, ela não conseguiu. Ela fez uma fogueira e jogou-as na brasa.
As crianças apagaram o fogo. Ela desistiu de assá-las e falou: “vou colocar no meio do
algodão” e ela colocou. Depois de algumas horas, as crianças estavam se movimentando
e a mulher velha foi ver. Ao ver as crianças, admirou a beleza delas e resolveu deixá-las
crescerem. E pensou que após tornarem-se adultos, poderiam ser bons caçadores.
As duas crianças cresceram e eram muitos inteligentes. Eles matavam aves e
trazia para a dona velha (satanás) comer assado. As crianças se tornaram boas caçadoras
e não deixavam a sua dona passar fome. Num certo dia, eles foram num lugar que a
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dona velha proibia e achou um papagaio que falava, um dos meninos apontou uma
flecha no papagaio e o papagaio começou a falar para eles: “vocês estão dando de tudo
para a dona velha, essa velha que matou a mãe de vocês. Se não acreditam no que estou
dizendo, vão naquele matinho, pois lá estão os ossos da mãe de vocês”.
Em seguida, eles foram e acharam os ossos de sua mãe. Um dos meninos
montou os ossos da sua mãe em forma de esqueleto. Enquanto faltava um pouquinho
para completar o esqueleto da mãe, o outro menino pulou para mamar e derrubou tudo
de novo. Era o inicio do sol e da lua. O mais velho, o sol, e o mais novo, a lua. Sabendo
de tudo o que tinha acontecido com a sua mãe, eles voltaram na casa da dona velha. A
dona ficou brava por não trazerem nada de caça. As duas crianças falaram para ela que
iam a outro lugar para caçar, e eles foram e planejaram acabar com os satanases. O sol e
a lua foram a um lugar distante e fizeram vários tipos de frutas silvestres. Os meninos
trouxeram um pouquinho de frutas para casa e os satanases experimentaram das frutas e
perguntaram onde achar mais dos frutos que eles foram buscar, pois acharam os frutos
gostosos. O sol e a lua já tinham preparado uma ponte para passar. Todos os satanases
foram, uma estava grávida e indo bem atrás dos outros. O sol estava de um lado e a lua
do outro. Quando os satanases iam passando, a lua virou a ponte e imaginou que o sol
tinha dado sinal e todos os satanases se afogaram, só a última que estava passando, que
era a mulher grávida, conseguiu nadar e voltou no lugar. Logo que ela saiu da água, a
criança nasceu – era uma onça. Princípio da onça. E a partir disso, o sol e a lua se
separaram um do outro, um dos meninos ficou para clarear o dia – o sol, e o outro
menino para clarear a noite – a lua. A história continua... a partir desse momento o mito
Ñande Ypy não pode ser relatada por completo na língua portuguesa; pois cada família
sabe uma parte dessa história.
A partir do momento que o Ñande Ypy imaginou uma mulher para ele e a
transformou em carnal para ser sua companheira, desde essa época até os dias atuais, a
família começa depois do casamento. É uma instituição natural de todos os seres
humanos. A união de um homem com uma mulher forma uma família. Nesta instituição
existem regras, acordos, divergência, mas sempre para o bem estar da casa.
A família para o Guarani dessa aldeia é a continuação do mito explicado e
contado pelos mais idosos. Dentro da casa da família Guarani, sempre existe uma
fogueira para as pessoas se aquecerem, tomar chimarrão, fazer comida, contar histórias.
O fogo dá sinal à família, pois ele transmite mensagens de previsões para as famílias.
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A casa de uma família Guarani é um lugar sagrado, um lugar de descanso e de
conforto.
A família se sente livre e segura em sua própria casa mantendo
responsabilidade compartilhada entre pai, mãe e filhos. No lugar da casa da família,
existem forças que movem a vida e o sorriso. O pai e a mãe gostam e amam seus filhos,
cada pessoa da família se sente importante; a família é algo sagrado. O pai e a mãe
gostam de ver os filhos sorrindo e saudáveis, contribuindo para o bem estar da casa. A
mãe gosta de amamentar os filhos depois de nascer, gosta de apreciar e beijar os filhos e
carrega os filhos nos braços para onde for, é função da mãe cuidar e ensinar aos filhos.
A Mãe e o pai de família Guarani são carregados de paixões e amores pelos seus filhos.
Eles os ensinam dar os primeiros passos, a andar e a falar as primeiras palavras na
língua Guarani.
O lugar para construir a casa é escolhido em qualquer parte da aldeia. Depois da
escolha do terreno, o casal limpa o local para construir a casa. O homem vai procurar
capim, cipó, madeira, serna para levantar a casa, a cobertura é feita de capim e as parede
de pau. A casa Guarani tem mais de uma porta para sua estratégia de defesa, quando o
Guarani vai construir uma casa, ele pensa na natureza, porque ela oferece de tudo
segundo os mais idosos. A estrutura da casa não é alta, é calculado na altura do casal
que vão morar nela e também pensando na prevenção contra a tempestade.
O casal de uma família depende muito da fé e da natureza: rios, matos, campo e
de animais. Os rios servem para pescar os peixes para alimentar a família. Os matos
servem para caçar e procurar remédio de vários tipos. Existem animais que servem de
alimento e remédio. O campo e o mato são muito importantes para a família Guarani.
Ao longo do final do século XX, várias famílias que deixaram sua terra
tradicional vieram morar nesta reserva indígena Pirajuí, morando bem perto uma das
outras. Essas famílias juntas em Pirajuí são entendidas como “uma comunidade
indígena da aldeia Pirajuí”, assim é denominada, sobretudo pelos agentes dos órgãos
dos governos como a FUNAI, FUNASA, prefeitura, Estados, etc. Atualmente, cada
casal ou família nuclear Guarani omendava ocupa uma micro área da sua família
extensa. Diante desse fato vivido pelas famílias Guarani, concluí que essa reserva/aldeia
não foi demarcada e delimitada para as famílias Guarani ter uma vida digna. Nessa
aldeia, não foram garantidas as sobrevivências culturais do Guarani, mas mesmo assim,
apesar dessas dificuldades citadas, cada família procura seu jeito de preservar e
transmitir os saberes tradicionais Guarani.
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Na reserva Pirajuí, não tem mais os recursos naturais que existiam antes, como
variedade de árvores, sapé, cipó, frutas naturais e plantas medicinais. Antigamente, para
construir uma casa tradicional, era preciso elementos da natureza como: capim, tronco
de árvores especiais e cipó hun. Estes materiais não se encontram mais nessa aldeia.
Acabou tudo. Portanto, as novas gerações da família Guarani da aldeia Pirajui sofrem
muito neste novo momento histórico. Hoje, as crianças que nascem nessa aldeia,
praticamente já estão condenadas a não ter mais condições de vivência digna como
vivia os seus antepassados no território tradicional. Essas situações são resultados de
políticas de governos anteriores que continua sendo cultivado até hoje pelo governo
atual do Brasil.
Diante da falta desses recursos naturais dentro da aldeia Pirajui e a necessidade
geral existente, os membros das famílias responsáveis diretamente pelas crianças,
principalmente o pai e a mãe estão sempre preocupados, quase diariamente, fazem
quaisquer atividades para garantir a sobrevivência atual. A maioria dos pais vai
atravessando o limite da aldeia para coletar os elementos da floresta, tais como as frutas,
folhas, raízes para usos medicinais, para sobreviver culturalmente e construir a suas
casas tradicionais, etc. Nessa nova situação, as pessoas da aldeia, por não ter mais os
recursos para as famílias sobreviver, os pais e mães juntamente com as crianças se
arriscam de noite para pegar objetos de construção de casas e plantas medicinais fora da
aldeia. Da mesma forma, hoje as famílias praticam clandestinamente e escondido suas
culturas e tradições, como a cultura de caça, pesca, coleta de remédios e frutas
tradicionais em torno da aldeia Pirajuí, buscando tanto do lado do Paraguai como do
lado do Brasil.
Hoje, o território tradicional Guarani localizado em torno da reserva Pirajuí é
considerado pelos fazendeiros e pelo poder político como sua propriedade particular ou
fazenda, proibindo caça e pesca dos indígenas no seu próprio território antigo. Diante
dessa situação descrita, constatei que os novos membros dessas famílias reconhecem
bem que esse amplo território Guarani foi tomado violentamente de várias famílias no
começo do século.
Gostaria de destacar que, historicamente, as famílias dependiam, e ainda
dependem desse território tradicional, dos rios, da caça, dos recursos do mato e do
campo para viver como povo Guarani. Por essa razão, os membros de várias famílias se
articulam e se mobilizam para recuperar uma parte desse território como no caso das
famílias do Potrero Guasu, Ypo’i, etc. É notável que os mais jovens das famílias
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Guarani da aldeia Pirajui já sabem que a maior parte desse amplo território se
transformou em fazendas.
Essas novas gerações das famílias estão cientes de que a reserva de Pirajui
demarcada não foi e nem é suficiente para atender as demandas das culturas Guarani e
todas as necessidades das famílias. Por isso, as lideranças das famílias grandes se
articularam e já reocuparam dois territórios, tais como tekoha Potrero e Ypo’i. Esse fato
tem ocorrido na última década, envolvendo diversas autoridades do Brasil.
Hoje, para sobreviver, as famílias passam a depender dos programas sociais, das
cestas básicas de alimentos, bolsa família doadas pelo governo do Estado do MS. Além
disso, a maioria dos idosos depende da sua aposentadoria, que é um salário mínimo por
mês. Esses aposentados (avós e avôs das famílias) fazem compra no comércio do
Paraguai e Brasil. Essas pessoas beneficiadas contraem muitas dívidas, isto é, eles
devem tudo nos mercados na cidade de Paranhos-Brasil e Ypehu-Paraguai. Os
comerciantes paraguaios (patron dos aposentados Guarani) geralmente se aproveitam da
situação difícil da família Guarani. Eles vendem os produtos ou mercadorias de
qualidade inferior aos indígenas com preços altíssimos, fato esse que nunca foi
fiscalizado pelo governo brasileiro.
Nota-se que todas essas situações vividas pelas famílias na aldeia Pirajuí foram
ocasionadas pelas destruições da floresta e do campo natural. É importante observar e
destacar também que as famílias Guarani pesquisadas procuram sempre constituir a vida
em família de acordo com a história ou mito de origem da família Ñande Ypy que
fundamenta a origem da família Guarani, orientando a forma de ser e viver autêntica da
família Guarani, isto é, o jeito de se comportar entre as famílias procuram praticar e
manter os membros das famílias unidas, visitando-se com frequência, principalmente
não abandonando um ao outro no momento de crise, pois os pais e as mães ensinam as
crianças nas práticas para distribuir os alimentos e não acumulá-los e assim por diante.
Essa forma de educação familiar ocorre em segredo; os não índios não têm
conhecimento do exemplo da família de origem Guarani Ñande Ypy. Muitos idosos ou
chefes tradicionais das famílias aconselham os jovens em diferentes ocasiões para que
respeitem os guardiões das famílias, casas, roças, matos, rios, sol, animais, vento, ar,
estrelas e etc. Visto que todos estes seres e elementos possuem seus guardiões jará
desde origem Ñande Ypy.
Segundo a história de origem da família Guarani Ñande Ypy (mito), até hoje,
esta família se encontra vivendo de acordo com a origem de vida no território do
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universo de cosmo Guarani. Essas narrações míticas afirmam que cada família possui
amplo território exclusivo no cosmo onde tem todos os recursos naturais, e cada item
dos recursos tem que utilizar sagradamente, respeitando o guardião para não ser punido
por esse guardião, devido ao desrespeito. Assim, o ideal é ser e viver aqui na terra de
forma igual a essa família de origem Ñande Ypy. Os idosos ou lideranças das famílias
que retomaram o território narram dessa forma similar à explicação das famílias de
origem Ñande Ypy. Defendem que o território tradicional tem que ser recuperado por
cada família, portanto é preciso que as autoridades federais reconheçam que os agentes
do SPI cometeram grandes erros ao delimitar pequeno espaço como o da reserva Pirajuí
para confinar várias famílias Guarani, contrariando o modo de ser e viver da família de
origem Ñande Ypy.
Pretendo também descrever resumidamente aqui o importante processo
educativo da família Guarani desenvolvido durante o velório de funeral Guarani. Várias
vezes tanto na aldeia Pirajuí, quanto em outras aldeias, observei que durante o velório
de funeral acontece diversos ensinamentos vitais entre os membros de cada família. No
velório, é um momento em que os jovens e crianças de cada família são educadas para
se comportar adequadamente com o espírito angue do falecido, ao mesmo tempo com
os parentes vivos do falecido. Dessa forma, este momento de tristeza profunda e
perplexo serve também para praticar e transmitir o princípio de respeito entre os
espíritos do corpo vivo e do corpo falecido dos integrantes de cada família, exigindo
rigorosamente atitude de respeito mútuo, controlando o sentimento e comportamento
inadequado hekope’yguava das famílias.
Cada família tem seu processo próprio de educação e suas histórias específicas;
pois cada família veio de localidades diferentes para morar na aldeia Pirajuí. Existe a
preocupação por parte de alguns educadores da escola em contar uma única história de
vida dos Guarani sobre Ñande Ypy.
Portanto, as famílias da reserva Pirajuí têm enfrentado várias situações difíceis;
porém não relatei todas as situações problemas, mas uma situação que envolve a todos é
a questão do território que leva a acontecer os demais problemas. O problema de falta
de espaço contraria os ensinamentos do Ñande Ypy; onde existem espaços para a casa,
roças, matas, animais e etc.
Quando pensei em escrever sobre o tema Mito que Identifica o Povo Guarani e
seu Reflexo na Família da Aldeia Pirajuí fiquei preocupado com a identidade familiar
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que aos poucos sofrem impactos com as influências dos não-indígenas. O mito Ñande
Ypy de origem do ser Guarani aos milhares de anos fortaleceu o povo Guarani dando
resistência desde o primeiro contato com a sociedade não-indígena. O povo Guarani
sofreu imposições e humilhações e por muitos anos fingiu se calar. As pessoas mais
idosas sabiam da importância do mito Ñande Ypy que guardava em sua memória e
transmitiam os conhecimentos às crianças, aos jovens e aos adultos Guarani escondidos
da sociedade não-indígena; pois essa sociedade não achava importância nesse mito;
acreditava ser uma crença diabólica.
A educação transmitida pela escola não-indígena não dava importância à
identidade do povo Guarani, como para sua língua, história e conhecimentos em gerais.
O que se ensinava não estava ligado intimamente aos sentimentos das pessoas. Já o
Guarani transmite conhecimentos tradicionais. As crianças e jovens para quem foi
ensinada a tradição da cultura Guarani praticada em casa, a escola civilizadora não
conseguiu apagar. Na escola indígena os professores têm que explorar muitas coisas da
pedagogia tradicional Guarani do Ñande Ypy. Ela tem força de conhecimentos e
facilidade de aprendizagem para as crianças e jovens da escola indígena.
Voltando-nos para a história da reserva Pirajuí, ela foi demarcada em 1928 por
não indígenas através do Serviço de Proteção ao Indígena (SPI). Depois desta pesquisa,
pudemos compreender que a reserva foi criada estrategicamente para que várias famílias
que viviam nas suas terras tradicionais localizadas próximas dessa reserva mudassem
para esse pequeno espaço gerenciado pelos agentes do SPI, deixando seus territórios
tradicionais aos grileiros de dois países (Brasil e Paraguai). Na seqüência, foi isso que
de fato aconteceu aos poucos.
Hoje, pudemos observar que várias famílias que
abandonaram suas terras tradicionais estão morando na reserva Pirajuí. Constatamos
que essas famílias deixaram as suas terras tradicionais por diversas pressões externas.
Essas pressões para sair das terras eram incentivadas e realizadas pelos próprios agentes
do SPI, missionários e grileiros das terras da época. Identificamos que os grileiros
desses territórios Guarani foram os não-índios que vieram tanto do Sul do Brasil quanto
do país Paraguai. Esses não-indígenas foram sendo os grileiros das terras Guarani
situados na faixa de fronteira dos territórios de Potrero Guassu, Ypo’i, Arroio Kora,
entre outros. Os mais idosos desses territórios citados contaram que no final da década
de 1940, muitos paraguaios vieram fugindo da revolução ou da guerra que ocorria
naquele país. Por isso, vieram diretamente se esconder no território Guarani, já
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ocupando uma parte. Ficou claro que os não-indígenas do Brasil e do Paraguai que
vieram se apropriar das terras Guarani eram as próprias autoridades ligadas aos poderes
partidários de cada país, como exemplo do Brasil: os coronéis, agentes policiais e etc.
Segundo as histórias contadas pelos mais idosos Guarani que recepcionaram os
paraguaios naquela época em seus territórios, esses fugitivos do Paraguai haviam sido
filiados ao partido “liverar” que na época se encontravam em conflito bélico e armado
com partido “colorao”. As narrações desses Guarani idosos mostram que já naquele
período iniciou a organização criminosa temida e armada na fronteira, praticando ações
criminosas de todas as ordens.
Nesse contexto, as primeiras vítimas foram diretamente famílias Guarani desses
territórios, visto que sofreram as expulsões violentas das suas terras que vinham sendo
legalizadas em nomes dos grileiros citados. De todas as formas, até hoje os territórios
Guarani entraram em disputas entre o povo Guarani e os pistoleiros vinculados aos
poderes dos grileiros das terras e organização dos traficantes, dominando as famílias
Guarani com mãos armadas, enquanto que as vítimas das famílias Guarani reagem com
seu ritual e sua fé tradicional de modo invisível, jeroky takua rupive isto é, lutando com
apoios dos seres imortais e invisíveis pela suas terras. Dessa forma, até mesmo defende
a fronteira criada por poderes de conflito dos não-indígenas.
Em relação ao movimento Guarani atual pela recuperação do território,
concluímos que nessa situação histórica difícil, encontram-se as lutas dos conjuntos das
famílias Guarani na faixa de fronteira do Brasil com o Paraguai.
Referências:
Fonte Oral:
História Oral transmitida por Sebastiana Morales (avó paterna de Valentim Pires).
Fonte Bibliográfica:
BENITES, Tonico. A Escola na ótica dos Avá Kaiowá: impactos e Interpretações
indígenas. 2009. 144f. Dissertação de Mestrado – PPGAS do Museu Nacional – UFRJ.
Rio de janeiro, Museu PPGAS do Museu Nacional - UFRJ. Rio de Janeiro.
BRAND, Antônio Jacó. O impacto da perda da terra e correspondente confinamento
sobre a tradição Kaiowa. In: V ABA (MERCO)SUL. Comunicação. Tramandaí-RS,
set./1995, 17 p.
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