IV SEMANA INTERNACIONAL
DE PEDAGOGIA - SIP
Centro Cultural e de Exposições
Ruth Cardoso
De 21 a 25 de Novembro de 2015
Maceió - Alagoas - Brasil
I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO
INFANTIL - SLBEI
Colegiado de
Pedagogia
UFAL
Centro Acadêmico
Paulo Freire - CAPed
ISSN: 1981 - 3031
PIBID EDUCAÇÃO FÍSICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM O
CONTEÚDO FUTEBOL EM TURMAS DE 6º ANOS.
Petra Schnneider L. dos Santos1
Nerijane Menezes da Silva2
Luzicleia Barbosa3
RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo relatar as experiências desenvolvidas acerca
da transmissão do conhecimento do futebol nas aulas de Educação Física
desenvolvida pelo PIBID nas turmas do 6º ano de uma escola pública da zona rural
de Arapiraca-Alagoas. Nos valemos da metodologia Crítico-Superadora da
Educação Física, e do método da práxis social para o ensino do conteúdo. As
atividades foram registradas em caderno de campo, fotografadas e filmadas. O
principal resultado foi a apropriação do conhecimento teórico-prático do futebol,
compreendendo o contexto histórico em suas regras e relações. Concluímos que o
trabalho pedagógico no PIBID possibilitou aos alunos uma aproximação e apreensão
do conhecimento a partir das aulas desenvolvidas nesta escola, apesar da
resistência com o futebol foi possível constatar o trabalho docente em ação e suas
experiências concretas de sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Física. Crítico-Superadora. Futebol.
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência com o
conteúdo futebol nas aulas de Educação Física desenvolvida pelo PIBID4/Educação
Física da Universidade Federal de Alagoas- campus Arapiraca, com alunos das
turmas de 6ºs anos de uma escola pública da zona rural de Arapiraca-Alagoas. O
conteúdo selecionado foi o futebol a partir do planejamento anual das aulas de
Educação Física para as turmas do 6º ano o qual foi construído a partir do
1
Graduada em Educação Física Licenciatura pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL,
Especialista em Metodologia do Ensino e da pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer pela
Universidade Federal da Bahia – UFBA. Atualmente é Mestranda no programa de pós – graduação
em Educação da UFAL e professora da rede pública municipal de Arapiraca. Supervisora do PIBID [email protected].
2
Estudante do Curso de Educação Física Licenciatura UFAL/Campus Arapiraca e Bolsista PIBID [email protected]
3
Estudante do Curso de Educação Física Licenciatura UFAL/Campus Arapiraca e Bolsista PIBID [email protected]
4
Programa Institucional de Bolsa e Iniciação à Docência.
1
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referencial do município de Arapiraca sendo este conteúdo eleito para a terceira
etapa.
A metodologia utilizada nas aulas nos permitiu constatar limites e
possibilidades no ensino desse conteúdo sendo a Crítico-Superadora da Educação
Física (COLETIVO DE AUTORES, 1992) e o método da práxis social (SAVIANI,
2012)
que
se
dá
em
cinco
momentos:
prática
social,
problematização,
instrumentalização, cartase e retorno a prática social.
Neste trabalho será possível compreender a dinâmica das atividades,
apresentar de forma detalhada os limites e possibilidades do conteúdo abordado,
bem como os espaços e materiais delimitados que influenciam no desenvolvimento
da aprendizagem do ser humano, mais especificamente da escola em que o
conteúdo foi desenvolvido.
2 DESENVOLVIMENTO
No decorrer da evolução humana, a escola teve e deve ter por função “[...]
transferir as conquistas científicas e culturais às novas gerações, possibilitando-lhes,
pela via da apropriação de conhecimentos, o desenvolvimento das faculdades
psíquicas humanas superiores e suas correspondentes habilidades operacionais”
(MARTINS e ABRANTES, 2008, p.1).
A humanidade é cercada de culturas diversificadas, de conhecimentos
incalculáveis os quais o ser humano se descobre e se reconstrói a cada novo tempo,
é a internalização desses conhecimentos que fazem os indivíduos transformarem a
realidade de acordo com suas necessidades, e as próprias necessidades que fazem
este ser buscar novos conhecimentos. Esse é um processo constante e intenso que
faz a humanidade se diferenciar das outras espécies.
Assim, o homem, ao apodera-se dos instrumentos, assimila as operações
motoras a eles ligadas. Este processo é ao mesmo tempo um processo de
formação no homem, ao longo da sua existência, de novas capacidades
superiores, as chamadas funções psicomotoras, que humanizam a sua
esfera motora. (MARX apud LEONTIEV, 1980, p.50).
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Nesse sentido, a Educação Física faz parte dos instrumentos culturais pelos
quais o ser humano se apropria dos conhecimentos essenciais e como uma
disciplina que integra o currículo escolar pode se valer de seus elementos: jogo,
dança, ginástica, lutas e esporte para contribuir com o progresso humano.
Diante desse cenário de formação humana, decidimos trabalhar com o
futebol, segundo a metodologia Crítico-Superadora “[...] a qual está vinculada a uma
Pedagogia claramente socialista que se alicerça no materialismo histórico-dialético e
no marxismo como concepção de homem e de história comprometidos com a práxis
revolucionária” (ESCOBAR, 1995, p.95). Assim, a partir desta concepção
compreendemos que pode-se organizar, planejar e pôr em prática qualquer
conhecimento, alcançar resultados e avançar naquilo que for necessário.
2.1 Futebol
O futebol tem sido um fenômeno debatido em todas as culturas, assim como
tem sido uma ponte entre elas. O mundo parece sintonizar-se em uma única energia
durante os jogos mundiais, um exemplo disto é a copa do mundo. Segundo
historiadores, o futebol tem origem na Inglaterra, e era praticada pelos camponeses
e em seguida pelos operários, a burguesia e a igreja não concordavam e
acreditavam que esta atividade afastava o povo da igreja, ou no caso da burguesia
acreditavam que reduziria o trabalho dos operários.
O futebol devidamente disciplinado convergia os interesses dos pedagogos
que passam a estimular sua prática nas escolas, como também do capital,
que passa a enxergar no esporte um novo aliado, pois servia de ferramenta
de doutrinação e formatação dos valores da burguesia, tendo em vista que
propagava na sociedade a competitividade dentro de regras préestabelecidas. (OLIVEIRA, 2012, p. 171)
Oliveira (2012) nos esclarece que com o passar do tempo e de muitas lutas,
o futebol foi ganhando prestigio e regras, bem como reconhecimento e
popularização em outros países como por exemplo o Brasil, que teve contribuições
do paulista Charles Miller, o qual estudou na Inglaterra, e quando voltou ao Brasil,
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trouxe consigo elementos (chuteira, bola e uniforme), além disto encontrou o país
em condições favoráveis, o que permitiu a rápida disseminação do futebol.
A escola deve selecionar os conteúdos clássicos universais e também
trabalhar com repertório cultural local partindo de experiências vividas
particulares necessários à formação do cidadão autônimo, critico e criativo,
para que este possa participar, intervir e comprometer – se com a
construção de uma sociedade mais justa, plural e democrática (JEBER,
2005, p.07).
Assim, entendemos que esse fenômeno enquanto elemento da cultura
corporal precisa ser transmitido às demais gerações, um dos principais motivos que
justifica o ensino desse conteúdo.
2.2 Vivenciando os limites e possibilidades do futebol na escola
O conteúdo futebol foi planejado juntamente com a coordenadora, supervisora
e bolsistas do PIBID para a 3º etapa do planejamento anual, para serem
desenvolvidas com quatro turmas, sendo uma na segunda- feira e três na terça- feira
todas no período da manhã, havendo turmas com até 50 alunos, com idade entre 12
e 14 anos com exceção de uma delas a qual pode-se perceber a grande evasão de
alunos e repetência tendo alunos de 15 a 18 anos. É necessário salientar que essa
foi uma das turmas que mais teve deficiência em atenção, aprendizagem e falta de
respeito entre si. Para conter essas situações a professora utilizou alguns artifícios
como curiosidades e histórias pautadas no conteúdo numa tentativa de garantir
concentrar e a atenção dos alunos para o conteúdo planejado.
Uma das dificuldades encontradas foi a falta de espaço para a realização das
atividades, a escola dispunha de uma quadra descoberta para a realização das
atividades práticas, porém quando iniciaríamos as aulas práticas, começaram a
reforma da quadra. Assim, as aulas práticas ocorreram no pátio, o que não era um
lugar adequado, pois ficava próximo a cozinha, bebedouros e banheiros, sendo
extremamente limitado, pois havia muita movimentação de alunos de outras turmas,
desviando assim a atenção das turmas que estavam durante a aula de educação
física.
2.3 Relato das experiências de cada aula conforme planejamento
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As aulas com o conteúdo Futebol iniciaram em setembro de 2015 seguindo a
metodologia escolhida para as aulas. Em todas as turmas num primeiro momento foi
questionado aos alunos se eles conheciam este esporte, se já haviam visto em
algum espaço de comunicação e se já haviam acessado a sua origem. As respostas
emergiam dos diversos espaços da sala afirmando que de fato conheciam o esporte,
assistiam na TV e que ele era bastante divulgado pela mídia, não só equipes do
Brasil, mas do mundo como exemplo a ultima copa do mundo que ocorreu no Brasil,
mas que eles puderam conhecer as equipes participantes pelo que a mídia
apresentava. Quanto a vivência, as afirmativas eram relacionadas a espaços como a
rua e „campinhos‟ de futebol próximos a residência deles. Um aspecto interessante a
ser enfatizado é que os alunos que se expressavam eram em todas as turmas
compostos por meninos, poucas vezes algumas meninas expressavam seu
entendimento sobre o futebol. Observou-se também que durante as aulas, no
momento de vivenciar os fundamentos algumas não se permitiam experimentar o
conteúdo dando ênfase a participação mais efetiva dos meninos. Isso nada mais é
que um reflexo de separação outrora ocorrido que nos faz refletir sobre a relação de
gêneros nas aulas, é possível constatar preconceito de mulheres no mundo do
futebol.
Além disto, foi solicitado aos alunos que eles registrassem numa folha o que
representava o futebol para eles, se o esporte era importante e se alguém não
gostasse do futebol, explicasse por que. Diante da solicitação, constatamos que nas
quatro turmas, o futebol é um elemento querido e que tinha importância na realidade
a qual eles estão inseridos, porém, houveram alguns que justificaram que o futebol
era esporte para meninos, não gostavam e não achavam interessante.
Num segundo momento, trabalhamos com a origem do futebol o qual
apresenta relatos de diversas culturas que utilizavam algumas bolas feitas de fibra
de bambu, couro e cabelo, como também cabeças de inimigos durante a guerra
(caso da China) a partir de um texto escrito na lousa. No decorrer da aula a
professora perguntou quem já havia ganhado uma bola dos seus pais ou de outras
pessoas, apesar das turmas terem grande quantidade de alunos poucos
responderam que ganharam, e de todos que se pronunciaram eram meninos. Em
seguida a professora debate o texto explica e tira dúvidas quando há. Houve relatos
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de alguns alunos acerca das aproximações com o futebol no dia a dia foi possível
ouvir falas do tipo: “Professora eu prático futebol de segunda a sexta na praça com
os meninos e ainda jogamos com uma bolinha feita de papel”. Diante disto é
possível perceber além da energia, a criatividade do aluno, que busca confeccionar
um material para usar como bola nas horas de lazer.
No início das atividades a professora sempre revisava o conteúdo da aula
anterior e as corrigia em conjunto com os alunos. Além destas, foi solicitado algumas
pesquisas para registrar no caderno. Nesse aspecto percebeu-se que os alunos em
maior número respondiam as questões, porém quanto as pesquisas era um número
menor, justificando a ausência de internet e/ou meio de acesso onde residem,
porém, sempre foi socializado a turma o que foi pesquisado, mantendo sempre uma
dinâmica de conhecimento com todos na sala.
Num terceiro momento, é apresentada pela professora a explicação do
primeiro fundamento elegido que foi o passe. É questionado aos alunos se eles
sabem o que significa ou o conceito, alguns alunos afirmam que “é passar a bola
professora, para outra pessoa”. Assim, a professora solicita que a bola seja passada
de qualquer forma para os alunos dispostos num circulo. As situações que sempre
aconteciam eram de alguns alunos mais habilidosos sempre receberem e
conduzirem a bola, outros não queriam dominar a bola e executar o comando
solicitado visto que eles sentiam medo, outros aos poucos foram se permitindo. Em
seguida, a professora explica o tipo de passe eleito para a aula „Passe direto‟ e que
é necessário realizar a recepção assim os alunos executaram conforme solicitado o
movimento correto, na sequencia a professora realizou o passe e a recepção com
cada aluno individualmente.
Por fim, foi proposto uma atividade em duplas para a condução da bola até o
local determinado, garantindo assim a execução do fundamento ensinado. Logo,
identificamos no momento final a partir dos questionamentos feitos para as turmas,
que as diversas situações ocorridas são reflexos das primeiras aproximações com a
bola de futebol que não é um objeto presente na vida de alguns e que realizar as
ações solicitadas pela professora em alguns momentos foi motivo de chacota pelo
modo como realizavam o movimento e isso gerou transtorno para alguns num
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primeiro momento. Mas, diante dessa situação, as limitações foram quebradas e os
alunos conseguiram vencer tais barreiras.
Figura 1 – Aprendendo o fundamento “passe”.
Fonte: Arquivos do caderno de campo (PIBID)
No quarto momento, os alunos são levados a aprender mais um fundamento
do futebol. É questionado o que seria o “drible”, alguns responderam “passar por
uma pessoa sem deixar ela pegar a bola”, nesse momento a professora explica que
diante do objetivo do futebol os jogadores utilizam esse fundamento consiste num
movimento rápido com o pé movendo a bola para um lado de modo a poder superar
o adversário com um movimento de engano ou finta para ultrapassar os jogadores
adversários deixando-os para trás e que existem dribles de diversos nomes e
pergunta aos alunos quais são. De imediato o repertório de dribles é anunciado
“Professora, tem o drible „freio‟, „croquete‟, „roleta‟, „bicicleta‟ e o elástico que se faz
assim”. Após, a professora realiza a primeira atividade, espalhando os alunos no
espaço e cada um em sua vez deverá ultrapassar os alunos através da condução da
bola, os alunos ficam parados e um aluno por vez irá executar o comando solicitado.
Por fim, a atividade é conduzir a bola entre cones, de modo que os alunos
individualmente consigam vivenciar as primeiras aproximações com o drible. Quanto
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aos limites, voltamos a afirmar o medo de errar para alguns, porém todos
participaram e avançaram nesse fundamento.
Figura 2 – Aprendendo o fundamento “drible”
Fonte: Arquivos do caderno de campo do PIBID
No quinto momento, os alunos são levados a vivenciarem as primeiras
aproximações como o „cabeceio‟. A professora questiona os alunos se eles
conhecem o cabeceio, alguns respondem que sim, que seria “bater na bola com a
cabeça” outros ficam em silêncio. A seguir, os alunos são organizados em círculo de
forma que a professora joga a bola em direção à cabeça do aluno e estes retornam
com um toque de cabeça da forma que sabem. Observa-se que as meninas têm
receio de realizarem o movimento, e quando percebem a bola vindo em sua direção
desviam, já a maioria dos meninos tem mais facilidade, embora tenha também
aqueles que não querem participar da aula quer seja meninas ou meninos. Diante
disto, a professora solicita a atenção daqueles que não querem participar firmando
um diálogo ressaltando a importância de aprender o conteúdo.
Na segunda atividade explica-se que existem dois tipos de cabeceio o
„ofensivo‟ usado para o ataque e o „defensivo‟ usado para a defesa, orienta-se que
use a testa como região da cabeça para entrar em contato com a bola. Em seguida
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organiza duas filas, nesse momento os próprios alunos fazem a separação de
gênero, meninos para um lado e meninas para o outro. A professora joga a bola em
direção a cabeça do aluno, ele deve fazer os dois movimentos (defensivo e
ofensivo). Em seguida alunos são levados para a sala, desenha na lousa um campo,
dar-se exemplos de situações do jogo em que pode-se usar o cabeceio, como
receber a bola a partir do escanteio ou da lateral, isso faz com que os alunos
percebam a importância desse fundamento.
Figura 3 – Aprendendo o cabeceio “ofensivo” e “defensivo”
Fonte: Arquivos do caderno de campo (PIBID)
O sexto momento é realizada uma reflexão sobre o futebol a partir da música
da banda Skank – “é uma partida de futebol”. A professora organizou slides em que
os alunos podiam ver e ouvir a música, assim como para cada estrofe haviam
imagens relacionadas. Após apresentação da música, a professora retoma cada
estrofe para a interpretação da letra. Então é perguntado se alguém já ouviu a
música, muitos alunos respondem que sim, através da TV ou rádio. Em seguida a
professora pergunta se alguém já sonhou em ser um jogador de futebol, muitos
respondem que sim, outros não e quanto às meninas algumas dizem que sim.
Explicou-se cada estrofe relacionando as imagens, e aos elementos da
música que se referem à partida de futebol em face da realidade social.
[...] os conteúdos são realidades exteriores ao aluno que devem ser
assimilados e não simplesmente reinventados, eles não são
fechados e refratários às realidades sociais, pois não basta que os
conteúdos sejam apenas ensinados, ainda que bem ensinados é
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preciso que se liguem de forma indissociável à sua significação
humana e social (LIBÂNEO, 1985, p.39).
No primeiro momento trata-se sobre os símbolos que identificam e que
diferenciam os times, assim como a rivalidade entre as torcidas que provocam a
violência dentro dos estádios, nesse momento um aluno da um exemplo: “Há
professora, como naquele caso que um homem arremessou um vaso na cabeça de
um rapaz”. Trata-se sobre o preconceito vivido por jogadores negros, sendo
chamados de macaco durante uma partida de futebol a professora faz relação a
eugenia, conteúdo trabalhado em aulas anteriores, os alunos relembram o conceito
e interagem na aula e percebem que até hoje esta categoria está presente do
esporte. Ressaltou-se sobre o respeito e todo comportamento para com a vida
pessoal e em sociedade. Outro aspecto lembrado também foi sobre o dinheiro
investido nos jogos e jogadores. Dar-se o exemplo de um jogador que fez uma
chuteira revestida de cristais confirmando assim o trecho da música sobre a “realeza
nos gramados”. Ainda nesta aula, foi ensinado sobre o as dimensões do campo de
futebol e as posições dos jogadores e regras do futebol, a professora lembrou
alguns aplicativos criados para os jogos de futebol, e que os alunos poderiam baixar
para jogar e vivenciar o jogo de maneira virtual através de simulações. A professora
pergunta se é importante a participação de todos os jogadores durante o jogo, um
aluno se expressa e diz que sim, pois todos tem uma função para alcançar o objetivo
que é o gol. Em seguida os alunos são levados a responder uma atividade
interpretativa referente a música trabalhada. Com a explanação da professora
principalmente no aspecto crítico do fenômeno futebol, os alunos perceberam que é
necessário entender a realidade concreta e que as problemáticas sociais também
estão ligadas ao esporte, ao futebol.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento do conteúdo futebol nos permitiu pensar, discutir, refletir e
planejar novas possibilidades de ensinar um conteúdo que foi historicamente
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construído pela humanidade e que dever ser apreendido pelas novas gerações,
assim como outros conteúdos da cultura corporal (jogo, dança, luta, ginástica e
esporte). Oliveira (2006, p.31), propõe a necessidade de haver a aplicação de uma
proposta transformadora pela qual:
As transformações ocorrerão em relação às limitações físicas e técnicas dos
alunos para realizar determinados movimentos, deve - se enfatizar o prazer
e satisfação do aluno em movimentar – se, pois a tarefa da escola não é
treinar o aluno, mas estudar o esporte de forma atrativa e compreensiva,
incluindo a efetiva participação de todos.
Dentre os resultados julgamos que a apropriação do conhecimento teóricoprático foi efetivada apesar do receio de alguns alunos, principalmente por parte das
meninas em vivenciar as aulas práticas. Temos ainda, o objetivo conforme os
Parâmetros Curriculares Nacionais de que
[...] as aulas mistas de Educação Física podem dar oportunidades para que
meninos e meninas convivam, observem-se, descubram-se e possam
aprender a ser tolerantes, a não discriminar e a compreender as diferenças,
de forma a não reproduzir, de forma estereotipada, relações sociais
autoritárias (BRASIL, 1997, p.30 e 1998a, p. 42).
Para que permita o desenvolvimento integral dos alunos no que diz respeito
ao conhecimento. Além disto, constatamos as novas possibilidades de ensino para
que possamos contribuir com o desenvolvimento humano, e que os conteúdos
necessários jamais sejam negados dentro desse espaço chamado escola. E o PIBID
continue sendo um instrumento para o alcance desse desenvolvimento.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares
Nacionais: Educação Física. Brasília: MEC/SEF, 1997.
COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. São
Paulo: Cortez, 1992.
ESCOBAR, Micheli Ortega. Cultura corporal na escola: tarefas da educação
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<https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/article/view/22600> Acessado em:
09/10/2015
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Artigos –Natal/RN vol. 02 – nº 18, 2005, disponível em: http://
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LIBÂNEO, José C.; Democratização da Escola Publica a Pedagogia Crítico Social
dos Conteúdos. São Paulo, Loiola, 15ª edição, 1985.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, História e Educação: construção e
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OLIVEIRA, Alex Fernandes. Origem do Futebol Na Inglaterra No Brasil. Revista
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OLIVEIRA, Maria Cecília Mariano de - Atletismo Escolar– uma proposta de ensino
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Acadêmica: UNESP /Pró-Reitoria de Graduação, 2008.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 11. ed. Rev. –
Campinas, SP: Autores Associados, 2012. – (Coleção educação contemporânea).
12
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pibid educação física - Semana de Pedagogia 2015