IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 PIBID EDUCAÇÃO FÍSICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA COM O CONTEÚDO FUTEBOL EM TURMAS DE 6º ANOS. Petra Schnneider L. dos Santos1 Nerijane Menezes da Silva2 Luzicleia Barbosa3 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo relatar as experiências desenvolvidas acerca da transmissão do conhecimento do futebol nas aulas de Educação Física desenvolvida pelo PIBID nas turmas do 6º ano de uma escola pública da zona rural de Arapiraca-Alagoas. Nos valemos da metodologia Crítico-Superadora da Educação Física, e do método da práxis social para o ensino do conteúdo. As atividades foram registradas em caderno de campo, fotografadas e filmadas. O principal resultado foi a apropriação do conhecimento teórico-prático do futebol, compreendendo o contexto histórico em suas regras e relações. Concluímos que o trabalho pedagógico no PIBID possibilitou aos alunos uma aproximação e apreensão do conhecimento a partir das aulas desenvolvidas nesta escola, apesar da resistência com o futebol foi possível constatar o trabalho docente em ação e suas experiências concretas de sala de aula. PALAVRAS-CHAVE: Educação Física. Crítico-Superadora. Futebol. 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência com o conteúdo futebol nas aulas de Educação Física desenvolvida pelo PIBID4/Educação Física da Universidade Federal de Alagoas- campus Arapiraca, com alunos das turmas de 6ºs anos de uma escola pública da zona rural de Arapiraca-Alagoas. O conteúdo selecionado foi o futebol a partir do planejamento anual das aulas de Educação Física para as turmas do 6º ano o qual foi construído a partir do 1 Graduada em Educação Física Licenciatura pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL, Especialista em Metodologia do Ensino e da pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. Atualmente é Mestranda no programa de pós – graduação em Educação da UFAL e professora da rede pública municipal de Arapiraca. Supervisora do PIBID [email protected]. 2 Estudante do Curso de Educação Física Licenciatura UFAL/Campus Arapiraca e Bolsista PIBID [email protected] 3 Estudante do Curso de Educação Física Licenciatura UFAL/Campus Arapiraca e Bolsista PIBID [email protected] 4 Programa Institucional de Bolsa e Iniciação à Docência. 1 I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 referencial do município de Arapiraca sendo este conteúdo eleito para a terceira etapa. A metodologia utilizada nas aulas nos permitiu constatar limites e possibilidades no ensino desse conteúdo sendo a Crítico-Superadora da Educação Física (COLETIVO DE AUTORES, 1992) e o método da práxis social (SAVIANI, 2012) que se dá em cinco momentos: prática social, problematização, instrumentalização, cartase e retorno a prática social. Neste trabalho será possível compreender a dinâmica das atividades, apresentar de forma detalhada os limites e possibilidades do conteúdo abordado, bem como os espaços e materiais delimitados que influenciam no desenvolvimento da aprendizagem do ser humano, mais especificamente da escola em que o conteúdo foi desenvolvido. 2 DESENVOLVIMENTO No decorrer da evolução humana, a escola teve e deve ter por função “[...] transferir as conquistas científicas e culturais às novas gerações, possibilitando-lhes, pela via da apropriação de conhecimentos, o desenvolvimento das faculdades psíquicas humanas superiores e suas correspondentes habilidades operacionais” (MARTINS e ABRANTES, 2008, p.1). A humanidade é cercada de culturas diversificadas, de conhecimentos incalculáveis os quais o ser humano se descobre e se reconstrói a cada novo tempo, é a internalização desses conhecimentos que fazem os indivíduos transformarem a realidade de acordo com suas necessidades, e as próprias necessidades que fazem este ser buscar novos conhecimentos. Esse é um processo constante e intenso que faz a humanidade se diferenciar das outras espécies. Assim, o homem, ao apodera-se dos instrumentos, assimila as operações motoras a eles ligadas. Este processo é ao mesmo tempo um processo de formação no homem, ao longo da sua existência, de novas capacidades superiores, as chamadas funções psicomotoras, que humanizam a sua esfera motora. (MARX apud LEONTIEV, 1980, p.50). 2 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 Nesse sentido, a Educação Física faz parte dos instrumentos culturais pelos quais o ser humano se apropria dos conhecimentos essenciais e como uma disciplina que integra o currículo escolar pode se valer de seus elementos: jogo, dança, ginástica, lutas e esporte para contribuir com o progresso humano. Diante desse cenário de formação humana, decidimos trabalhar com o futebol, segundo a metodologia Crítico-Superadora “[...] a qual está vinculada a uma Pedagogia claramente socialista que se alicerça no materialismo histórico-dialético e no marxismo como concepção de homem e de história comprometidos com a práxis revolucionária” (ESCOBAR, 1995, p.95). Assim, a partir desta concepção compreendemos que pode-se organizar, planejar e pôr em prática qualquer conhecimento, alcançar resultados e avançar naquilo que for necessário. 2.1 Futebol O futebol tem sido um fenômeno debatido em todas as culturas, assim como tem sido uma ponte entre elas. O mundo parece sintonizar-se em uma única energia durante os jogos mundiais, um exemplo disto é a copa do mundo. Segundo historiadores, o futebol tem origem na Inglaterra, e era praticada pelos camponeses e em seguida pelos operários, a burguesia e a igreja não concordavam e acreditavam que esta atividade afastava o povo da igreja, ou no caso da burguesia acreditavam que reduziria o trabalho dos operários. O futebol devidamente disciplinado convergia os interesses dos pedagogos que passam a estimular sua prática nas escolas, como também do capital, que passa a enxergar no esporte um novo aliado, pois servia de ferramenta de doutrinação e formatação dos valores da burguesia, tendo em vista que propagava na sociedade a competitividade dentro de regras préestabelecidas. (OLIVEIRA, 2012, p. 171) Oliveira (2012) nos esclarece que com o passar do tempo e de muitas lutas, o futebol foi ganhando prestigio e regras, bem como reconhecimento e popularização em outros países como por exemplo o Brasil, que teve contribuições do paulista Charles Miller, o qual estudou na Inglaterra, e quando voltou ao Brasil, 3 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 trouxe consigo elementos (chuteira, bola e uniforme), além disto encontrou o país em condições favoráveis, o que permitiu a rápida disseminação do futebol. A escola deve selecionar os conteúdos clássicos universais e também trabalhar com repertório cultural local partindo de experiências vividas particulares necessários à formação do cidadão autônimo, critico e criativo, para que este possa participar, intervir e comprometer – se com a construção de uma sociedade mais justa, plural e democrática (JEBER, 2005, p.07). Assim, entendemos que esse fenômeno enquanto elemento da cultura corporal precisa ser transmitido às demais gerações, um dos principais motivos que justifica o ensino desse conteúdo. 2.2 Vivenciando os limites e possibilidades do futebol na escola O conteúdo futebol foi planejado juntamente com a coordenadora, supervisora e bolsistas do PIBID para a 3º etapa do planejamento anual, para serem desenvolvidas com quatro turmas, sendo uma na segunda- feira e três na terça- feira todas no período da manhã, havendo turmas com até 50 alunos, com idade entre 12 e 14 anos com exceção de uma delas a qual pode-se perceber a grande evasão de alunos e repetência tendo alunos de 15 a 18 anos. É necessário salientar que essa foi uma das turmas que mais teve deficiência em atenção, aprendizagem e falta de respeito entre si. Para conter essas situações a professora utilizou alguns artifícios como curiosidades e histórias pautadas no conteúdo numa tentativa de garantir concentrar e a atenção dos alunos para o conteúdo planejado. Uma das dificuldades encontradas foi a falta de espaço para a realização das atividades, a escola dispunha de uma quadra descoberta para a realização das atividades práticas, porém quando iniciaríamos as aulas práticas, começaram a reforma da quadra. Assim, as aulas práticas ocorreram no pátio, o que não era um lugar adequado, pois ficava próximo a cozinha, bebedouros e banheiros, sendo extremamente limitado, pois havia muita movimentação de alunos de outras turmas, desviando assim a atenção das turmas que estavam durante a aula de educação física. 2.3 Relato das experiências de cada aula conforme planejamento 4 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 As aulas com o conteúdo Futebol iniciaram em setembro de 2015 seguindo a metodologia escolhida para as aulas. Em todas as turmas num primeiro momento foi questionado aos alunos se eles conheciam este esporte, se já haviam visto em algum espaço de comunicação e se já haviam acessado a sua origem. As respostas emergiam dos diversos espaços da sala afirmando que de fato conheciam o esporte, assistiam na TV e que ele era bastante divulgado pela mídia, não só equipes do Brasil, mas do mundo como exemplo a ultima copa do mundo que ocorreu no Brasil, mas que eles puderam conhecer as equipes participantes pelo que a mídia apresentava. Quanto a vivência, as afirmativas eram relacionadas a espaços como a rua e „campinhos‟ de futebol próximos a residência deles. Um aspecto interessante a ser enfatizado é que os alunos que se expressavam eram em todas as turmas compostos por meninos, poucas vezes algumas meninas expressavam seu entendimento sobre o futebol. Observou-se também que durante as aulas, no momento de vivenciar os fundamentos algumas não se permitiam experimentar o conteúdo dando ênfase a participação mais efetiva dos meninos. Isso nada mais é que um reflexo de separação outrora ocorrido que nos faz refletir sobre a relação de gêneros nas aulas, é possível constatar preconceito de mulheres no mundo do futebol. Além disto, foi solicitado aos alunos que eles registrassem numa folha o que representava o futebol para eles, se o esporte era importante e se alguém não gostasse do futebol, explicasse por que. Diante da solicitação, constatamos que nas quatro turmas, o futebol é um elemento querido e que tinha importância na realidade a qual eles estão inseridos, porém, houveram alguns que justificaram que o futebol era esporte para meninos, não gostavam e não achavam interessante. Num segundo momento, trabalhamos com a origem do futebol o qual apresenta relatos de diversas culturas que utilizavam algumas bolas feitas de fibra de bambu, couro e cabelo, como também cabeças de inimigos durante a guerra (caso da China) a partir de um texto escrito na lousa. No decorrer da aula a professora perguntou quem já havia ganhado uma bola dos seus pais ou de outras pessoas, apesar das turmas terem grande quantidade de alunos poucos responderam que ganharam, e de todos que se pronunciaram eram meninos. Em seguida a professora debate o texto explica e tira dúvidas quando há. Houve relatos 5 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 de alguns alunos acerca das aproximações com o futebol no dia a dia foi possível ouvir falas do tipo: “Professora eu prático futebol de segunda a sexta na praça com os meninos e ainda jogamos com uma bolinha feita de papel”. Diante disto é possível perceber além da energia, a criatividade do aluno, que busca confeccionar um material para usar como bola nas horas de lazer. No início das atividades a professora sempre revisava o conteúdo da aula anterior e as corrigia em conjunto com os alunos. Além destas, foi solicitado algumas pesquisas para registrar no caderno. Nesse aspecto percebeu-se que os alunos em maior número respondiam as questões, porém quanto as pesquisas era um número menor, justificando a ausência de internet e/ou meio de acesso onde residem, porém, sempre foi socializado a turma o que foi pesquisado, mantendo sempre uma dinâmica de conhecimento com todos na sala. Num terceiro momento, é apresentada pela professora a explicação do primeiro fundamento elegido que foi o passe. É questionado aos alunos se eles sabem o que significa ou o conceito, alguns alunos afirmam que “é passar a bola professora, para outra pessoa”. Assim, a professora solicita que a bola seja passada de qualquer forma para os alunos dispostos num circulo. As situações que sempre aconteciam eram de alguns alunos mais habilidosos sempre receberem e conduzirem a bola, outros não queriam dominar a bola e executar o comando solicitado visto que eles sentiam medo, outros aos poucos foram se permitindo. Em seguida, a professora explica o tipo de passe eleito para a aula „Passe direto‟ e que é necessário realizar a recepção assim os alunos executaram conforme solicitado o movimento correto, na sequencia a professora realizou o passe e a recepção com cada aluno individualmente. Por fim, foi proposto uma atividade em duplas para a condução da bola até o local determinado, garantindo assim a execução do fundamento ensinado. Logo, identificamos no momento final a partir dos questionamentos feitos para as turmas, que as diversas situações ocorridas são reflexos das primeiras aproximações com a bola de futebol que não é um objeto presente na vida de alguns e que realizar as ações solicitadas pela professora em alguns momentos foi motivo de chacota pelo modo como realizavam o movimento e isso gerou transtorno para alguns num 6 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 primeiro momento. Mas, diante dessa situação, as limitações foram quebradas e os alunos conseguiram vencer tais barreiras. Figura 1 – Aprendendo o fundamento “passe”. Fonte: Arquivos do caderno de campo (PIBID) No quarto momento, os alunos são levados a aprender mais um fundamento do futebol. É questionado o que seria o “drible”, alguns responderam “passar por uma pessoa sem deixar ela pegar a bola”, nesse momento a professora explica que diante do objetivo do futebol os jogadores utilizam esse fundamento consiste num movimento rápido com o pé movendo a bola para um lado de modo a poder superar o adversário com um movimento de engano ou finta para ultrapassar os jogadores adversários deixando-os para trás e que existem dribles de diversos nomes e pergunta aos alunos quais são. De imediato o repertório de dribles é anunciado “Professora, tem o drible „freio‟, „croquete‟, „roleta‟, „bicicleta‟ e o elástico que se faz assim”. Após, a professora realiza a primeira atividade, espalhando os alunos no espaço e cada um em sua vez deverá ultrapassar os alunos através da condução da bola, os alunos ficam parados e um aluno por vez irá executar o comando solicitado. Por fim, a atividade é conduzir a bola entre cones, de modo que os alunos individualmente consigam vivenciar as primeiras aproximações com o drible. Quanto 7 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 aos limites, voltamos a afirmar o medo de errar para alguns, porém todos participaram e avançaram nesse fundamento. Figura 2 – Aprendendo o fundamento “drible” Fonte: Arquivos do caderno de campo do PIBID No quinto momento, os alunos são levados a vivenciarem as primeiras aproximações como o „cabeceio‟. A professora questiona os alunos se eles conhecem o cabeceio, alguns respondem que sim, que seria “bater na bola com a cabeça” outros ficam em silêncio. A seguir, os alunos são organizados em círculo de forma que a professora joga a bola em direção à cabeça do aluno e estes retornam com um toque de cabeça da forma que sabem. Observa-se que as meninas têm receio de realizarem o movimento, e quando percebem a bola vindo em sua direção desviam, já a maioria dos meninos tem mais facilidade, embora tenha também aqueles que não querem participar da aula quer seja meninas ou meninos. Diante disto, a professora solicita a atenção daqueles que não querem participar firmando um diálogo ressaltando a importância de aprender o conteúdo. Na segunda atividade explica-se que existem dois tipos de cabeceio o „ofensivo‟ usado para o ataque e o „defensivo‟ usado para a defesa, orienta-se que use a testa como região da cabeça para entrar em contato com a bola. Em seguida 8 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 organiza duas filas, nesse momento os próprios alunos fazem a separação de gênero, meninos para um lado e meninas para o outro. A professora joga a bola em direção a cabeça do aluno, ele deve fazer os dois movimentos (defensivo e ofensivo). Em seguida alunos são levados para a sala, desenha na lousa um campo, dar-se exemplos de situações do jogo em que pode-se usar o cabeceio, como receber a bola a partir do escanteio ou da lateral, isso faz com que os alunos percebam a importância desse fundamento. Figura 3 – Aprendendo o cabeceio “ofensivo” e “defensivo” Fonte: Arquivos do caderno de campo (PIBID) O sexto momento é realizada uma reflexão sobre o futebol a partir da música da banda Skank – “é uma partida de futebol”. A professora organizou slides em que os alunos podiam ver e ouvir a música, assim como para cada estrofe haviam imagens relacionadas. Após apresentação da música, a professora retoma cada estrofe para a interpretação da letra. Então é perguntado se alguém já ouviu a música, muitos alunos respondem que sim, através da TV ou rádio. Em seguida a professora pergunta se alguém já sonhou em ser um jogador de futebol, muitos respondem que sim, outros não e quanto às meninas algumas dizem que sim. Explicou-se cada estrofe relacionando as imagens, e aos elementos da música que se referem à partida de futebol em face da realidade social. [...] os conteúdos são realidades exteriores ao aluno que devem ser assimilados e não simplesmente reinventados, eles não são fechados e refratários às realidades sociais, pois não basta que os conteúdos sejam apenas ensinados, ainda que bem ensinados é 9 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 preciso que se liguem de forma indissociável à sua significação humana e social (LIBÂNEO, 1985, p.39). No primeiro momento trata-se sobre os símbolos que identificam e que diferenciam os times, assim como a rivalidade entre as torcidas que provocam a violência dentro dos estádios, nesse momento um aluno da um exemplo: “Há professora, como naquele caso que um homem arremessou um vaso na cabeça de um rapaz”. Trata-se sobre o preconceito vivido por jogadores negros, sendo chamados de macaco durante uma partida de futebol a professora faz relação a eugenia, conteúdo trabalhado em aulas anteriores, os alunos relembram o conceito e interagem na aula e percebem que até hoje esta categoria está presente do esporte. Ressaltou-se sobre o respeito e todo comportamento para com a vida pessoal e em sociedade. Outro aspecto lembrado também foi sobre o dinheiro investido nos jogos e jogadores. Dar-se o exemplo de um jogador que fez uma chuteira revestida de cristais confirmando assim o trecho da música sobre a “realeza nos gramados”. Ainda nesta aula, foi ensinado sobre o as dimensões do campo de futebol e as posições dos jogadores e regras do futebol, a professora lembrou alguns aplicativos criados para os jogos de futebol, e que os alunos poderiam baixar para jogar e vivenciar o jogo de maneira virtual através de simulações. A professora pergunta se é importante a participação de todos os jogadores durante o jogo, um aluno se expressa e diz que sim, pois todos tem uma função para alcançar o objetivo que é o gol. Em seguida os alunos são levados a responder uma atividade interpretativa referente a música trabalhada. Com a explanação da professora principalmente no aspecto crítico do fenômeno futebol, os alunos perceberam que é necessário entender a realidade concreta e que as problemáticas sociais também estão ligadas ao esporte, ao futebol. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento do conteúdo futebol nos permitiu pensar, discutir, refletir e planejar novas possibilidades de ensinar um conteúdo que foi historicamente 10 IV SEMANA INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA - SIP Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso De 21 a 25 de Novembro de 2015 Maceió - Alagoas - Brasil I SEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL - SLBEI Colegiado de Pedagogia UFAL Centro Acadêmico Paulo Freire - CAPed ISSN: 1981 - 3031 construído pela humanidade e que dever ser apreendido pelas novas gerações, assim como outros conteúdos da cultura corporal (jogo, dança, luta, ginástica e esporte). Oliveira (2006, p.31), propõe a necessidade de haver a aplicação de uma proposta transformadora pela qual: As transformações ocorrerão em relação às limitações físicas e técnicas dos alunos para realizar determinados movimentos, deve - se enfatizar o prazer e satisfação do aluno em movimentar – se, pois a tarefa da escola não é treinar o aluno, mas estudar o esporte de forma atrativa e compreensiva, incluindo a efetiva participação de todos. Dentre os resultados julgamos que a apropriação do conhecimento teóricoprático foi efetivada apesar do receio de alguns alunos, principalmente por parte das meninas em vivenciar as aulas práticas. Temos ainda, o objetivo conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais de que [...] as aulas mistas de Educação Física podem dar oportunidades para que meninos e meninas convivam, observem-se, descubram-se e possam aprender a ser tolerantes, a não discriminar e a compreender as diferenças, de forma a não reproduzir, de forma estereotipada, relações sociais autoritárias (BRASIL, 1997, p.30 e 1998a, p. 42). Para que permita o desenvolvimento integral dos alunos no que diz respeito ao conhecimento. Além disto, constatamos as novas possibilidades de ensino para que possamos contribuir com o desenvolvimento humano, e que os conteúdos necessários jamais sejam negados dentro desse espaço chamado escola. E o PIBID continue sendo um instrumento para o alcance desse desenvolvimento. REFERÊNCIAS BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasília: MEC/SEF, 1997. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. 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