PLANEJAMENTO E APLICAÇÃO DA DANÇA EM ESCOLAS
ESPECIAIS: UM OLHAR DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO
FÍSICA
URIO, Priscila Batista – PUCPR
[email protected]
CAGGIANO, Viviane Borba – PUCPR
[email protected]
CARVALHO, João Eloir – PUCPR
[email protected]
LEÃO JUNIOR, Cleber Mena – PUCPR
[email protected]
PAZ, Helen Kamyla Pinheiro Mendes – PUCPR
[email protected]
Eixo Temático: Diversidade e Inclusão
Agência Financiadora: Não contou com financiamento
Resumo
A dança é um dos componentes da disciplina de Educação Física escolar, desenvolvida no
currículo das escolas de ensino básico. No âmbito da educação especial, este conteúdo pode e
deve ser trabalhado com os alunos com necessidades especiais, porém com algumas
adaptações. Este trabalho apresenta uma pesquisa realizada com 8 professores de Educação
Física, atuantes em escolas especiais de Curitiba, a fim de identificar se os mesmos, inserem
no planejamento e aplicam o conteúdo dança nas aulas de Educação Física. Para tanto,
primeiramente verificou-se o planejamento de cada professor para identificar se a dança
estava incluída. Para a pesquisa de caráter quantitativa e descritiva, foi aplicado um
questionário com 12 perguntas semi-abertas, porém apenas 4 questões foram analisadas com
maior aprofundamento. A partir dos resultados, verificou-se que o conteúdo dança pode até
estar no presente no planejamento da escola, porém apenas alguns dos professores a aplicam.
Os professores que aplicam a dança nas aulas de Educação Física relatam que além do
conteúdo agradar os alunos e ser bem aceito por eles, ajuda muito na socialização entre os
mesmos na escola, principalmente pelo método aplicado na prática, pois segundo a maioria
dos professores pesquisados o conteúdo desenvolve-se de forma lúdica.
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Palavras-chave: Dança. Deficiência. Planejamento. Educação Física.
Introdução
O ser humano age no mundo através de seu corpo, mais especificamente através do
movimento. É o movimento corporal que possibilita às pessoas se comunicarem, trabalharem,
aprenderem, sentirem o mundo e serem sentidos.
Como forma de expressão e movimento, a dança é considerada uma das melhores
formas de comunicação corporal, pois expressa alegria, liberdade e principalmente levanta a
auto-estima do indivíduo.
Todos podem ter acesso à dança. Na realidade, a maioria tem ou já teve na escola
através do conteúdo específico das aulas de Educação Física, a dança. Nessa perspectiva
Pereira et al. (2001, p. 61) coloca que a dança é um conteúdo fundamental para ser trabalhado
na escola: com ela, pode-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e seus colegas; levamnos também a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a criarem; a explorarem
novos sentidos, movimentos livres. Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho
do aluno em sua corporeidade, por meio dessa atividade.
Essa afirmação cabe também às pessoas com deficiência que freqüentam escolas
especiais, pois em outros lugares eles não têm acessibilidade a essa cultura corporal, pela
dificuldade de se movimentarem e pelo preconceito imposto pela sociedade. De certa forma,
pode-se trabalhar com essas pessoas em escolas especiais, incluindo a dança como conteúdo
no planejamento do professor de Educação Física, levando-se em consideração os benefícios
causados por essa prática: autoconhecimento, descobertas de potencialidades acústicas,
lingüística e corporal (MORAES; CAMPELLO, 1998, p. 18)
Para uma melhor aplicabilidade desse conteúdo nas escolas especiais, os professores
devem ter uma boa formação para trabalhar com essa população, pois é um grande desafio
hoje em dia, o qual deve ser vencido, ou seja, o professor deve ter muito conhecimento sobre
a área da educação especial e ainda relacioná-la com a dança.
Neste sentido, o objetivo deste artigo foi pesquisar como os professores de Educação
Física que atuam em escolas especiais de Curitiba, trabalham a dança com os alunos com
necessidades especiais, para tanto verificaremos também se estes aplicam esse conteúdo nas
aulas de Educação Física.
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Desenvolvimento
Dança na escola
Segundo Bregolato (2000, p. 23) a dança é um componente dos conteúdos da
Educação Física escolar, no qual se desenvolvem em três dimensões: práticas dos
movimentos corporais (onde está inserida a dança), contextualização teórica e princípios de
valores e atitudes. Essas dimensões são trabalhadas de forma integrada, tendo momentos que
enfatizam uma ou outra.
Os conteúdos das práticas corporais são elementos que proporcionam a cultura
corporal, ou seja, a apropriação de várias formas de linguagens ou expressões corporais. São
elas: ginástica, jogos, esportes, lutas e danças.
Nanni (2001) destaca que a dança consta como disciplina no currículo da maioria das
escolas de Educação Física do Brasil, durante alguns períodos. “Cabe ao professor de
Educação Física aprofundar seus conhecimentos e habilidades técnico-científicas, cultural,
artístico em dança, aprimorando cada vez mais seus atributos e valores como educador”
(NANNI, 2001, p. 133).
No que se refere ao currículo escolar, mais especificamente às aulas de Educação
Física, a escola é uma das instituições responsáveis pela socialização, formação e mediação
das interações humanas. Assim, a área de Educação Física hoje contempla múltiplos
conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e movimento (uma
delas, a dança). Entre eles, se consideram fundamentais as atividades culturais de movimento
com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e com possibilidades de
promoção, recuperação e manutenção da saúde (BRASIL, 1997, p. 26).
Nessa perspectiva, cabe ao professor de Educação Física essa responsabilidade. Soler
(2005, p. 18), diz que “a tarefa do professor de Educação Física é complexa, pois deve
compatibilizar os interesses do grupo com aqueles que apresentam necessidades especiais, das
mais variadas, atendendo as características individuais de cada um”. Ainda acrescenta que o
“educador tem um papel fundamental nesse processo, pois tem a faca e o queijo nas mãos e
pode modificar toda uma cultura por meio de suas aulas” (SOLER, 2005, p. 34).
7443
Com isso, um dos papeis do professor na escola é estimular a criatividade dos alunos
no processo de ensino-aprendizagem, não reproduzir modelos prontos de movimentos
corporais. Não deve se preocupar com o resultado imediato daquilo que tem por objetivo, mas
sim proporcionar as variadas formas de expressão da dança, ampliando assim a cultura
corporal. Como diz Bregolato (2000, p. 134) “não se trata só de ter cultura, mas de vivenciar
o que para si é novo, de sentir uma emoção até então desconhecida”.
É de suma importância colocar a dança no contexto escolar, para alunos com
deficiência, principalmente se o professor tem uma formação específica na área, um
planejamento e uma metodologia adequada.
Planejamento e metodologias da dança nas aulas de Educação Física
Segundo Vasconcellos (2000, p. 79) “planejar é antecipar mentalmente uma ação ou
um conjunto de ações a ser realizadas e agir de acordo com o previsto. Planejar não é, pois,
apenas algo que se faz antes de agir, mas é também agir em função daquilo que se pensa.”
Ou seja, o planejamento é um processo mental que envolve análise, reflexão e
previsão. Nesse sentido, planejar é uma atividade tipicamente humana, e está presente na vida
de todos os indivíduos, nos mais variados momentos.
Cada vez mais, a atitude de planejar ganha importância e torna-se mais necessária,
principalmente nas sociedades complexas do ponto de vista organizacional. Hoje em dia, falase muito do ato de planejar e de sua importância, principalmente quando falamos de
planejamento na escola, mais especificamente nas aulas de Educação Física. Porém há poucos
estudos sobre o tema, como destaca Bossle (2002, p. 31) “são muito poucos os artigos sobre o
tema planejamento de ensino, bem como, são poucos os autores que escrevem livros sobre a
didática da Educação Física, e conseqüentemente sobre o planejamento de ensino”.
Bossle (2002, p. 32) ainda ressalta que para “introduzir a questão do planejamento no
âmbito da educação escolar, faz-se necessário, a abordagem das diferentes concepções do
processo de planejamento”. Portanto, para fazer um bom planejamento, temos que conhecer
as abordagens pedagógicas que norteiam a disciplina de Educação Física na escola.
Segundo Darido e Rangel (2005, p. 5), hoje em dia existem várias concepções na área
de Educação Física, todas elas tendo em comum a tentativa de romper com o modelo
mecanicista, esportivista e tradicional. São elas: Psicomotricidade, desenvolvimentista,
7444
construtivista,
crítico-superadora,
crítico-emancipatória,
saúde
renovada
e
PCN’s.
Concepções essas que devem ser trabalhadas em escolas de educação especiais, de acordo
com o projeto político pedagógico.
Escolas de educação especial
Antes de entrarmos diretamente no assunto, destacaremos a definição do termo
“educação especial”. De acordo com Mazzotta (1993, p. 21) é:
Um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais organizados para apoiar,
suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de
modo a garantir a educação formal dos educandos que apresentem necessidades
educacionais muito diferentes da maioria das crianças e jovens.
As pessoas com necessidades especiais também são conhecidas como excepcionais,
definido por Mazzotta (1993, p. 23) como educandos que requerem auxílio ou serviços
especiais de educação, por apresentarem necessidades educacionais (desvios acentuados de
ordem física, intelectual, emocional ou sócio-cultural) que precisam ser adequadamente
atendidas
Segundo Ferreira (1994, p. 19) a história de atendimento ao excepcional na educação
especial tem registros a partir de meados do século XVIII, principalmente nos Estados Unidos
e alguns países da Europa. Instituições residenciais no século XIX e classes especiais do
ensino público no século XX são os dois pontos chaves para a evolução da história da
educação do deficiente mental.
As instituições se fundavam na perspectiva do “tratamento moral” ou “medicina
moral”, na linha de treino psicomotor, com imposição de hábitos regulares e freqüentes, como
oposição à anomalia fisiológica (FERREIRA, 1994, p. 19).
Atualmente, essas instituições são chamadas de escolas de educação especial, as quais
são organizadas para atender exclusivamente alunos com deficiência. Há escolas que atendem
apenas um determinado tipo de excepcionalidade (deficiente visual, físico, auditivo ou
mental), como também há escolas que atendem alunos com diferentes tipos de
excepcionalidade (MAZZOTTA, 1993, p. 26).
7445
A educação especial visa o atendimento e a promoção do desenvolvimento de
indivíduos que não se beneficiam significativamente de situações tradicionais de educação,
por limitações ou peculiaridades de diferentes naturezas. Em termos gerais, o especial da
educação escolar, fica mais explícito quando o sistema educacional recorre ao conteúdo
especial, método especial, material didático especial e pessoal especializado para atender as
necessidades dos alunos (FERREIRA, 1994, p. 18; MAZZOTA, 1993, p. 41). Dentre esses
elementos, o professor de educação física, como pessoal especializado, constitui o pilar
fundamental para o pleno desenvolvimento destas ações.
Dança X Pessoa com Deficiência (P.D)
A dança é fundamental na vida de uma pessoa. Algumas seguem o lado artístico,
outras apenas praticam para desenvolver sua integração social. No caso de pessoas com
deficiência pode ser considerada uma maneira de superar seus limites e provar que são
capazes. “De fato, alguma aquisição de habilidades sociais se dará por um processo de seguir
modelos, entretanto, com muita freqüência, os alunos PNE’s tem necessidades de instrução
adicional para sentirem-se à vontade num contexto social” (TRINDADE et al., 2004, p. 5).
Por meio da dança, a pessoa com deficiência poderá conhecer as qualidades do
movimento expressivo como intensidade, duração e direção; conhecer algumas técnicas de
execução de movimentos e utilizar-se deles e de adotar atitudes de valorização e apreciação
dessas manifestações expressivas. Trindade et al. (2004, p. 5) apontam que:
A principal finalidade da educação é a de preparar os alunos para serem eficazes e
bem sucedidos. Para proporcionar esta educação aos PNE’s, os educadores devem
atentar para os desafios e problemas que eles enfrentarão, e como melhor
responderão a esses obstáculos. É importante que os PNE’s sejam colocados em
situações em que se consigam um bom desempenho escolar; cada PNE tem seu
próprio potencial, que deve ser explorado, avaliado e desafiado. Um bom
desempenho nas atividades escolares é um fator que encoraja, aumenta a auto-estima
e estimula novas tentativas, muitas vezes o incentivo correto pode determinar o grau
de esforço desprendido para realizar a tarefa, assim explica-se o papel fundamental
do educador.
Diante dessa perspectiva fica claro que a pessoa com deficiência apesar de terem uma
limitação no aprendizado não significa que elas não possam vivenciar essa experiência: a
dança.
7446
Nesse sentido Silva (1999, p. 1022) afirma que a dança:
Para pessoas portadoras de deficiência física deve ser entendida, acima de tudo,
como uma conquista social, que está quebrando paradigmas, se firmando enquanto
área da pesquisa e demonstrando ser uma área emergente de atuação da Educação
Física Adaptada e dança que nos permite compreender a dança alem do que ela já
foi compreendida em nossa sociedade.
Cidade e Freitas (2002, p. 57) defendem que a dança também é uma possibilidade para
o deficiente auditivo, mesmo que as pessoas pensem que o trabalho com música com esse tipo
de pessoa seja ilógico. Outros autores afirmam que a dança promove alguns benefícios para o
deficiente auditivo, entre eles: flexibilidade, força muscular, equilíbrio, ritmo, melhoria da
postura, participação social. O progresso da fala também “é conseqüência do trabalho
respiratório promovido pela dança e que fortalece e condiciona a musculatura respiratória,
favorecendo a entonação e o ritmo na aprendizagem da fala” (CIDADE; FREITAS, 2002, p.
58).
Enfim, a dança estimula as pessoas mostrar suas capacidades e potencialidades.
Através da prática da mesma, pessoas com necessidades especiais podem apresentar uma
melhora no domínio de suas capacidades físicas, cognitivas, intelectuais e emocionais,
proporcionando sua auto-independência e domínio do próprio corpo. Para confirmar essa
expectativa Trindade et al. (2004, p. 6) colocam que
A aula de dança como todas as outras vivenciadas pelos alunos PNE’s, ajuda no
desenvolvimento dos mesmos. Essa aula também proporciona momentos mágicos
através do lúdico para os alunos. A dança desenvolve as habilidades motoras,
equilíbrio, e a auto-expressão. Percebe-se que com a aula de dança eles se sentem
mais confiantes em si, se mostrando desinibidos, aumentando o interesse pela
música, tornando-os mais íntimos com os ritmos, e com os próprios colegas.
Os autores ainda acrescentam que:
A aula de Educação Física ajuda no desenvolvimento dos alunos de varias maneiras.
A aula procura explorar as próprias capacidades físicas, melhorando no estado físico
geral e na resistência, desenvolve a força muscular e a melhora na coordenação.
Geralmente as atividades são exercidas coletivamente, estimulando os reflexos,
sempre promovendo o sentimento de colaboração entre eles. A ludicidade nessa aula
é manifestada no desenvolvimento das atividades como correr, pular, entre outros, e
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ainda através de jogos cooperativos que são sempre muito bem aceitos pelos alunos
(TRINDADE et al., 2004, p. 6).
Numa pesquisa realizada com pessoas com necessidades especiais visuais, os cegos,
Gandara (1994) apud Borges e Vieira (1999, p. 1015) sugere que “antes de dar início à
expressão corporal, se faça um trabalho de conhecimento do esquema corporal”. Num
primeiro momento, pode ser iniciado com o conhecimento das articulações do corpo e suas
possibilidades de movimento.
Em relação à função do professor ao ensinar dança educativa:
É limitada, pois este não pode dizer ao dançarino o que ou como coreografar. O
professor deve oferecer estímulos que ampliem a experiência e a visão dos alunos
para suas potencialidades expressivas. Por outro lado, a função do professor no
ensino da dança educativa é ilimitada, se considerarmos o amplo aspecto de
possibilidades que podem ser trabalhadas, tendo como “restrição” somente a
criatividade do educando. Para trabalhar expressão criativa da Dança deve-se num
primeiro momento proporcionar aos alunos a descoberta de simples movimentos,
gerados de movimentos já conhecidos (BORGES; VIEIRA, 1999, p. 1016).
Diante dessas perspectivas Borelli e Almeida (1999, p. 1063) acreditam que
possibilitar vivências corporais alternativas às crianças com necessidades especiais como
forma de estímulos, utilizando meios como a música e o movimento alterariam o quadro
inicial dessas crianças, influenciando nos desempenhos de etapas não conquistadas e também
que as mesmas não desencadeiem novos problemas.
Hoje em dia, a dança trabalhada de forma adaptada, como meio de intervenção nas
aulas em escolas especiais, faz parte da disciplina de Educação Física, onde segundo Cidade e
Freitas (2002, p. 36) “não se diferencia da Educação Física em seus conteúdos, mas
compreende técnicas, métodos e formas de organização que podem ser aplicados ao indivíduo
deficiente. É um processo de atuação docente com planejamento, visando atender às
necessidades de seus educandos.”
Sendo assim, a dança como disciplina nas escolas especiais, pode e deve ser
trabalhada com os alunos com deficiência.
Procedimentos metodológicos
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A pesquisa caracterizada como quantitativa e descritiva, contou com a participação de
8 (oito) professores, de ambos os sexos, sendo 5 mulheres e 3 homens, com faixa etária entre
24 a 56 anos, que atuam na área de Educação Física em escolas especiais da cidade de
Curitiba.
A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um questionário composto por
12 perguntas abertas e fechadas, porém foram selecionadas as 4 mais relevantes para
elaboração deste artigo. Após a aprovação do Comitê de Ética, foi marcado um dia e horário
com os professores participantes para responderem o questionário na própria escola em que
atuam. Depois de entregue o questionário a cada professor, foi esclarecido algumas dúvidas,
feita a explicação e orientação necessária, sendo que o tempo para responderem o
questionário variou de professor para professor e o pesquisador aguardou o término do
preenchimento do instrumento, sem interferência.
Resultados e discussões
Para a devida tabulação e análise dos resultados, os professores participantes foram
nomeados no decorrer do trabalho como A, B, C, D, E, F, G, H; os quais são apresentados em
forma de gráfico.
A questão (4) que abordava se na escola onde eles atuam, existe a inserção da dança
no currículo da escola apresentou os seguintes dados:
Gráfico 1 - Este conteúdo está inserido no planejamento da escola em que você atua?
Apenas um professor (D), que corresponde a 13% no gráfico, diz que não contempla
em seu planejamento, pois a escola não oferece essa disciplina aos alunos, por terem tanto o
intelectual quanto o motor comprometido. Todos os demais professores (A, B, C, E, F, G, H)
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afirmam que a dança é um componente do currículo, pois é “um dos eixos da Educação
Física” relata o professor F, o professor C diz que é proporcionado apenas em alguns
momentos, outro exemplo relatado pelo A é que somente em “danças folclóricas em datas
comemorativas”.
Segundo os PCN’s (BRASIL, 1997) o conteúdo inclui as manifestações da cultura
corporal, tendo a expressão e comunicação mediante gestos e a presença de estímulos sonoros
como referência para o movimento corporal. Essa expressão na dança constitui um amplo
leque de possibilidades de aprendizagem.
A questão anterior apresentou se o conteúdo dança estava no planejamento da escola,
porém não se sabe se os professores a aplicam em suas aulas. Sendo assim, a questão (6)
abordou se os professores aplicam esse conteúdo na aula.
Gráfico 2 - Você aplica o conteúdo dança na sua aula?
Dentre os oito professores, cinco deles (A, E, F, G, H), que correspondem à 62%,
aplicam a dança em suas aulas de Educação Física; segundo o professor E a dança “faz parte
do conteúdo planejado no semestre”. Essa afirmação é confirmada por Nanni (2001, p. 132)
quando diz que a dança consta como disciplina no currículo da maioria das escolas de
Educação Física no Brasil. Porém três dos professores (B, C, D) dizem que não aplicam e não
justificaram sua resposta.
Apesar de agradar o público com deficiência, a dança é um conteúdo muito amplo.
Desta forma, a questão (9) questionou como esse conteúdo deve ser trabalhado nas escolas
especiais, no ponto de vista dos professores e ainda buscou investigar como esses professores
trabalham o conteúdo em suas aulas. Destacamos as opiniões dos professores:
A – “de forma lúdica, para aproximar os alunos”;
7450
B – “primeiramente deve estar inserido no currículo, mas para cada deficiência, a dança tem sua
peculiaridade”;
C – “com pouca técnica e conteúdo amarrado. Primeiro momento deixa livre, depois insere o
conteúdo”;
D – “deve ser inserido aos poucos, começando com tipos de ritmos e expressão corporal”;
E – “de forma lúdica, descontração e depois insere como ela realmente tem que ser”;
F – “deve ser trabalhada para desenvolver coordenação motora e rítmica dos alunos. Dança circular
desenvolve isso e é bem aceita pelos alunos”;
G – “de forma lúdica, na base de brincadeiras, brinquedos cantados”;
H – “deve ser explorada, pois a aceitação é grande. Trabalhar a dança em datas comemorativas,
eventos”.
A maioria dos professores respondeu que a dança deve ser aplicada de forma lúdica,
de acordo com Assis e Correia (2006, p. 122) o ato de dançar permite embrenhar-se em uma
vivência lúdica, não possuindo uma direção utilitária, tratando-se de um ato de vontade de
cada um, habitando a ordem da fantasia, do prazer. O professor (F) relatou a importância de se
trabalhar a coordenação motora, segundo Marques (1997, p. 24) deve ser um conteúdo a ser
incluído nos programas e objetivos da aula de dança.
Sendo assim, Gândara (1994 apud Borges e Vieira 1999) sugere que antes de dar
inicio à expressão corporal, se faça um trabalho de conhecimento do esquema corporal. Esse
trabalho pode ser iniciado com o conhecimento das articulações e suas possibilidades de
movimento.
Procurando responder de forma mais evidente o objetivo do estudo, foi solicitado aos
professores que aplicam a dança em suas aulas, que fizessem alguns comentários do
planejamento das aulas para seus alunos. Essa questão foi respondida na questão (12) e
destacam-se a seguir os comentários dos professores sobre seu plano de aula, com exceção do
professor (D) que não aplica a dança na sua aula.
A – “há necessidade de se trabalhar individualmente, sem música, para depois partir para duplas
até chegar ao grupo. A música é inserida aos poucos. (utilizado o espelho, trabalhar expressão corporal)”;
B – “no meu planejamento não contempla a dança, porque existem professores específicos para este
trabalho. Mas sempre que posso, participo ajudando nas aulas de dança”;
C – “no primeiro momento, de 5 a 8 minutos, dança livre com vários ritmos a escolha deles. Após,
entrar com o conteúdo, paulatinamente até chegar ao objetivo proposto no planejamento. Explicar o valor dos
movimentos dentro do objetivo e que é mais um passo de dança que eles vão aprender e mostrar as pessoas”;
E – “fala-se sobre o conteúdo, o que se pretende com os alunos que iremos trabalhar (mostra-se o que se
quer deles) e começa a aplicar por partes – mostra o movimento ( um de cada vez, para depois fazer a junção e
dar vida a coreografia); quando é lúdico, recreativo (pede-se um movimento para cada um), pergunta-se se eles
tem conhecimento dos passos, das coreografias e joga-se estímulos para os mesmos”;
F – “nos anos anteriores eu deixava a dança mais para o final do ano. Porem, no começo deste ano
fizemos um curso de dança circular aqui na escola (para todas as professoras) e decidi aplicar á na segunda
semana de aula para ver como estava a socialização e coordenação dos alunos. Foi muito boa esta mudança e
pretendo manter no inicio do ano e na volta das férias de julho”;
7451
G – “trabalho de acordo com as características dos alunos. A parte de dança fica mais para o professor,
considerando os aspectos sociais dos alunos que formam uma turma (reação aos estímulos)”;
H – “primeiramente observo qual é a dificuldade e a potencialidade de cada aluno durante a dança
(coreografia). Em seguida, tento adaptar o movimento ou o aluno dentro da dança. Penso que nos alunos com
deficiência neurológica, a principal dificuldade é a memória (decorar a seqüência de movimentos) até porque o
tempo de aula é pouco e semanalmente”.
Observou-se que apenas 5 deles (A, C, E, F, H) aplicam sistematicamente a dança nas
suas aulas de Educação Física. A maioria entra em concordância, quando relatam que num
primeiro momento da aula, deve-se deixar um tempo livre, vivenciando a música
individualmente, para poder observar as dificuldades e as potencialidades dos alunos, (se
possível, utilizar de um espelho para eles mesmos reconhecerem seu próprio corpo), em
seguida deve-se falar um pouco sobre o conteúdo e introduzir, de forma pedagógica, o que se
quer propor na aula.
Desta forma, os PCN’s (1997) propõem que o conhecimento e o controle do corpo
permitem que os alunos comecem a monitorar seu desempenho, adequando às dificuldades e
o grau de exigência de algumas atividades. Pela percepção do próprio corpo, os alunos podem
também começar a compreender as relações entra a prática de atividades corporais, o
desenvolvimento das capacidades físicas e os benefícios que trazem à saúde.
Considerações finais
Quanto à inserção do conteúdo no planejamento das escolas, 7 dos professores
pesquisados responderam positivamente em relação à essa questão, representando 87 % dos
participantes, sendo justificado pelo fato da dança ser um dos eixos da Educação Física,
disciplina integrante do currículo escolar, que por sinal é trabalhada em alguns momentos
dentro da escola, como por exemplo, em datas comemorativas. O professor que relata não
usar esta metodologia justifica que seu público é de deficientes intelectuais severos, ficando
impossível o trabalho com a dança, porém, o mesmo destaca que alguns de seus alunos
gostam da música e outros ficam agressivos em relação ao som.
No que diz respeito à aplicação da dança nas aulas, 625 dos professores pesquisados
afirmam aplicar esse conteúdo, pois o mesmo faz parte do planejamento do semestre. Os
outros professores que não aplicam (38%), porque a população sente muita dificuldade, pelo
fato de serem deficientes intelectuais severos, outro professor relata que trabalha apenas com
um conteúdo na escola (natação) e não tem interesse em aplicar a dança, pois trabalha com
7452
alunos até 6 anos, e segundo este profissional a natação é mais apropriada para esta idade.
Desta forma, concluí-se que a dança pode estar no planejamento da escola, porém nem
sempre é aplicada pelos professores.
Dentre os outros questionamentos realizados no estudo, o que se refere a agradar e ter
boa aceitação do conteúdo da dança destaca-se que o aluno com necessidades especiais
aprecia muito este conteúdo, porque descobrem que seu corpo pode mais e ficam felizes
quando se sentem capazes. Sendo assim, o conteúdo dança, sendo bem aceito e agradando aos
alunos com necessidades especiais, ajuda no processo de socialização entre os mesmos, pois
na prática, se trabalha a aproximação, contato, afetividade, melhorando a convivência dentro
da própria turma. Nessa perspectiva de socialização, os professores defendem a idéia de que
esta conteúdo deve ser trabalhado de forma lúdica, com um momento livre para a criatividade
, para sentirem a música e em seguida inserir brinquedos cantados que possam descontrair e
aproximar os alunos, dependendo do objetivo da aula.
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28/07/2011.
VASCONCELLOS, C. S. Planejamento projeto de ensino-aprendizagem e projeto
político-pedagógico. 7º ed. São Paulo: Ladermos Libertad, 2000.
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um olhar dos professores de educação física