PLANEJAMENTO E APLICAÇÃO DA DANÇA EM ESCOLAS ESPECIAIS: UM OLHAR DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA URIO, Priscila Batista – PUCPR [email protected] CAGGIANO, Viviane Borba – PUCPR [email protected] CARVALHO, João Eloir – PUCPR [email protected] LEÃO JUNIOR, Cleber Mena – PUCPR [email protected] PAZ, Helen Kamyla Pinheiro Mendes – PUCPR [email protected] Eixo Temático: Diversidade e Inclusão Agência Financiadora: Não contou com financiamento Resumo A dança é um dos componentes da disciplina de Educação Física escolar, desenvolvida no currículo das escolas de ensino básico. No âmbito da educação especial, este conteúdo pode e deve ser trabalhado com os alunos com necessidades especiais, porém com algumas adaptações. Este trabalho apresenta uma pesquisa realizada com 8 professores de Educação Física, atuantes em escolas especiais de Curitiba, a fim de identificar se os mesmos, inserem no planejamento e aplicam o conteúdo dança nas aulas de Educação Física. Para tanto, primeiramente verificou-se o planejamento de cada professor para identificar se a dança estava incluída. Para a pesquisa de caráter quantitativa e descritiva, foi aplicado um questionário com 12 perguntas semi-abertas, porém apenas 4 questões foram analisadas com maior aprofundamento. A partir dos resultados, verificou-se que o conteúdo dança pode até estar no presente no planejamento da escola, porém apenas alguns dos professores a aplicam. Os professores que aplicam a dança nas aulas de Educação Física relatam que além do conteúdo agradar os alunos e ser bem aceito por eles, ajuda muito na socialização entre os mesmos na escola, principalmente pelo método aplicado na prática, pois segundo a maioria dos professores pesquisados o conteúdo desenvolve-se de forma lúdica. 7441 Palavras-chave: Dança. Deficiência. Planejamento. Educação Física. Introdução O ser humano age no mundo através de seu corpo, mais especificamente através do movimento. É o movimento corporal que possibilita às pessoas se comunicarem, trabalharem, aprenderem, sentirem o mundo e serem sentidos. Como forma de expressão e movimento, a dança é considerada uma das melhores formas de comunicação corporal, pois expressa alegria, liberdade e principalmente levanta a auto-estima do indivíduo. Todos podem ter acesso à dança. Na realidade, a maioria tem ou já teve na escola através do conteúdo específico das aulas de Educação Física, a dança. Nessa perspectiva Pereira et al. (2001, p. 61) coloca que a dança é um conteúdo fundamental para ser trabalhado na escola: com ela, pode-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e seus colegas; levamnos também a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a criarem; a explorarem novos sentidos, movimentos livres. Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho do aluno em sua corporeidade, por meio dessa atividade. Essa afirmação cabe também às pessoas com deficiência que freqüentam escolas especiais, pois em outros lugares eles não têm acessibilidade a essa cultura corporal, pela dificuldade de se movimentarem e pelo preconceito imposto pela sociedade. De certa forma, pode-se trabalhar com essas pessoas em escolas especiais, incluindo a dança como conteúdo no planejamento do professor de Educação Física, levando-se em consideração os benefícios causados por essa prática: autoconhecimento, descobertas de potencialidades acústicas, lingüística e corporal (MORAES; CAMPELLO, 1998, p. 18) Para uma melhor aplicabilidade desse conteúdo nas escolas especiais, os professores devem ter uma boa formação para trabalhar com essa população, pois é um grande desafio hoje em dia, o qual deve ser vencido, ou seja, o professor deve ter muito conhecimento sobre a área da educação especial e ainda relacioná-la com a dança. Neste sentido, o objetivo deste artigo foi pesquisar como os professores de Educação Física que atuam em escolas especiais de Curitiba, trabalham a dança com os alunos com necessidades especiais, para tanto verificaremos também se estes aplicam esse conteúdo nas aulas de Educação Física. 7442 Desenvolvimento Dança na escola Segundo Bregolato (2000, p. 23) a dança é um componente dos conteúdos da Educação Física escolar, no qual se desenvolvem em três dimensões: práticas dos movimentos corporais (onde está inserida a dança), contextualização teórica e princípios de valores e atitudes. Essas dimensões são trabalhadas de forma integrada, tendo momentos que enfatizam uma ou outra. Os conteúdos das práticas corporais são elementos que proporcionam a cultura corporal, ou seja, a apropriação de várias formas de linguagens ou expressões corporais. São elas: ginástica, jogos, esportes, lutas e danças. Nanni (2001) destaca que a dança consta como disciplina no currículo da maioria das escolas de Educação Física do Brasil, durante alguns períodos. “Cabe ao professor de Educação Física aprofundar seus conhecimentos e habilidades técnico-científicas, cultural, artístico em dança, aprimorando cada vez mais seus atributos e valores como educador” (NANNI, 2001, p. 133). No que se refere ao currículo escolar, mais especificamente às aulas de Educação Física, a escola é uma das instituições responsáveis pela socialização, formação e mediação das interações humanas. Assim, a área de Educação Física hoje contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e movimento (uma delas, a dança). Entre eles, se consideram fundamentais as atividades culturais de movimento com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e com possibilidades de promoção, recuperação e manutenção da saúde (BRASIL, 1997, p. 26). Nessa perspectiva, cabe ao professor de Educação Física essa responsabilidade. Soler (2005, p. 18), diz que “a tarefa do professor de Educação Física é complexa, pois deve compatibilizar os interesses do grupo com aqueles que apresentam necessidades especiais, das mais variadas, atendendo as características individuais de cada um”. Ainda acrescenta que o “educador tem um papel fundamental nesse processo, pois tem a faca e o queijo nas mãos e pode modificar toda uma cultura por meio de suas aulas” (SOLER, 2005, p. 34). 7443 Com isso, um dos papeis do professor na escola é estimular a criatividade dos alunos no processo de ensino-aprendizagem, não reproduzir modelos prontos de movimentos corporais. Não deve se preocupar com o resultado imediato daquilo que tem por objetivo, mas sim proporcionar as variadas formas de expressão da dança, ampliando assim a cultura corporal. Como diz Bregolato (2000, p. 134) “não se trata só de ter cultura, mas de vivenciar o que para si é novo, de sentir uma emoção até então desconhecida”. É de suma importância colocar a dança no contexto escolar, para alunos com deficiência, principalmente se o professor tem uma formação específica na área, um planejamento e uma metodologia adequada. Planejamento e metodologias da dança nas aulas de Educação Física Segundo Vasconcellos (2000, p. 79) “planejar é antecipar mentalmente uma ação ou um conjunto de ações a ser realizadas e agir de acordo com o previsto. Planejar não é, pois, apenas algo que se faz antes de agir, mas é também agir em função daquilo que se pensa.” Ou seja, o planejamento é um processo mental que envolve análise, reflexão e previsão. Nesse sentido, planejar é uma atividade tipicamente humana, e está presente na vida de todos os indivíduos, nos mais variados momentos. Cada vez mais, a atitude de planejar ganha importância e torna-se mais necessária, principalmente nas sociedades complexas do ponto de vista organizacional. Hoje em dia, falase muito do ato de planejar e de sua importância, principalmente quando falamos de planejamento na escola, mais especificamente nas aulas de Educação Física. Porém há poucos estudos sobre o tema, como destaca Bossle (2002, p. 31) “são muito poucos os artigos sobre o tema planejamento de ensino, bem como, são poucos os autores que escrevem livros sobre a didática da Educação Física, e conseqüentemente sobre o planejamento de ensino”. Bossle (2002, p. 32) ainda ressalta que para “introduzir a questão do planejamento no âmbito da educação escolar, faz-se necessário, a abordagem das diferentes concepções do processo de planejamento”. Portanto, para fazer um bom planejamento, temos que conhecer as abordagens pedagógicas que norteiam a disciplina de Educação Física na escola. Segundo Darido e Rangel (2005, p. 5), hoje em dia existem várias concepções na área de Educação Física, todas elas tendo em comum a tentativa de romper com o modelo mecanicista, esportivista e tradicional. São elas: Psicomotricidade, desenvolvimentista, 7444 construtivista, crítico-superadora, crítico-emancipatória, saúde renovada e PCN’s. Concepções essas que devem ser trabalhadas em escolas de educação especiais, de acordo com o projeto político pedagógico. Escolas de educação especial Antes de entrarmos diretamente no assunto, destacaremos a definição do termo “educação especial”. De acordo com Mazzotta (1993, p. 21) é: Um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais organizados para apoiar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação formal dos educandos que apresentem necessidades educacionais muito diferentes da maioria das crianças e jovens. As pessoas com necessidades especiais também são conhecidas como excepcionais, definido por Mazzotta (1993, p. 23) como educandos que requerem auxílio ou serviços especiais de educação, por apresentarem necessidades educacionais (desvios acentuados de ordem física, intelectual, emocional ou sócio-cultural) que precisam ser adequadamente atendidas Segundo Ferreira (1994, p. 19) a história de atendimento ao excepcional na educação especial tem registros a partir de meados do século XVIII, principalmente nos Estados Unidos e alguns países da Europa. Instituições residenciais no século XIX e classes especiais do ensino público no século XX são os dois pontos chaves para a evolução da história da educação do deficiente mental. As instituições se fundavam na perspectiva do “tratamento moral” ou “medicina moral”, na linha de treino psicomotor, com imposição de hábitos regulares e freqüentes, como oposição à anomalia fisiológica (FERREIRA, 1994, p. 19). Atualmente, essas instituições são chamadas de escolas de educação especial, as quais são organizadas para atender exclusivamente alunos com deficiência. Há escolas que atendem apenas um determinado tipo de excepcionalidade (deficiente visual, físico, auditivo ou mental), como também há escolas que atendem alunos com diferentes tipos de excepcionalidade (MAZZOTTA, 1993, p. 26). 7445 A educação especial visa o atendimento e a promoção do desenvolvimento de indivíduos que não se beneficiam significativamente de situações tradicionais de educação, por limitações ou peculiaridades de diferentes naturezas. Em termos gerais, o especial da educação escolar, fica mais explícito quando o sistema educacional recorre ao conteúdo especial, método especial, material didático especial e pessoal especializado para atender as necessidades dos alunos (FERREIRA, 1994, p. 18; MAZZOTA, 1993, p. 41). Dentre esses elementos, o professor de educação física, como pessoal especializado, constitui o pilar fundamental para o pleno desenvolvimento destas ações. Dança X Pessoa com Deficiência (P.D) A dança é fundamental na vida de uma pessoa. Algumas seguem o lado artístico, outras apenas praticam para desenvolver sua integração social. No caso de pessoas com deficiência pode ser considerada uma maneira de superar seus limites e provar que são capazes. “De fato, alguma aquisição de habilidades sociais se dará por um processo de seguir modelos, entretanto, com muita freqüência, os alunos PNE’s tem necessidades de instrução adicional para sentirem-se à vontade num contexto social” (TRINDADE et al., 2004, p. 5). Por meio da dança, a pessoa com deficiência poderá conhecer as qualidades do movimento expressivo como intensidade, duração e direção; conhecer algumas técnicas de execução de movimentos e utilizar-se deles e de adotar atitudes de valorização e apreciação dessas manifestações expressivas. Trindade et al. (2004, p. 5) apontam que: A principal finalidade da educação é a de preparar os alunos para serem eficazes e bem sucedidos. Para proporcionar esta educação aos PNE’s, os educadores devem atentar para os desafios e problemas que eles enfrentarão, e como melhor responderão a esses obstáculos. É importante que os PNE’s sejam colocados em situações em que se consigam um bom desempenho escolar; cada PNE tem seu próprio potencial, que deve ser explorado, avaliado e desafiado. Um bom desempenho nas atividades escolares é um fator que encoraja, aumenta a auto-estima e estimula novas tentativas, muitas vezes o incentivo correto pode determinar o grau de esforço desprendido para realizar a tarefa, assim explica-se o papel fundamental do educador. Diante dessa perspectiva fica claro que a pessoa com deficiência apesar de terem uma limitação no aprendizado não significa que elas não possam vivenciar essa experiência: a dança. 7446 Nesse sentido Silva (1999, p. 1022) afirma que a dança: Para pessoas portadoras de deficiência física deve ser entendida, acima de tudo, como uma conquista social, que está quebrando paradigmas, se firmando enquanto área da pesquisa e demonstrando ser uma área emergente de atuação da Educação Física Adaptada e dança que nos permite compreender a dança alem do que ela já foi compreendida em nossa sociedade. Cidade e Freitas (2002, p. 57) defendem que a dança também é uma possibilidade para o deficiente auditivo, mesmo que as pessoas pensem que o trabalho com música com esse tipo de pessoa seja ilógico. Outros autores afirmam que a dança promove alguns benefícios para o deficiente auditivo, entre eles: flexibilidade, força muscular, equilíbrio, ritmo, melhoria da postura, participação social. O progresso da fala também “é conseqüência do trabalho respiratório promovido pela dança e que fortalece e condiciona a musculatura respiratória, favorecendo a entonação e o ritmo na aprendizagem da fala” (CIDADE; FREITAS, 2002, p. 58). Enfim, a dança estimula as pessoas mostrar suas capacidades e potencialidades. Através da prática da mesma, pessoas com necessidades especiais podem apresentar uma melhora no domínio de suas capacidades físicas, cognitivas, intelectuais e emocionais, proporcionando sua auto-independência e domínio do próprio corpo. Para confirmar essa expectativa Trindade et al. (2004, p. 6) colocam que A aula de dança como todas as outras vivenciadas pelos alunos PNE’s, ajuda no desenvolvimento dos mesmos. Essa aula também proporciona momentos mágicos através do lúdico para os alunos. A dança desenvolve as habilidades motoras, equilíbrio, e a auto-expressão. Percebe-se que com a aula de dança eles se sentem mais confiantes em si, se mostrando desinibidos, aumentando o interesse pela música, tornando-os mais íntimos com os ritmos, e com os próprios colegas. Os autores ainda acrescentam que: A aula de Educação Física ajuda no desenvolvimento dos alunos de varias maneiras. A aula procura explorar as próprias capacidades físicas, melhorando no estado físico geral e na resistência, desenvolve a força muscular e a melhora na coordenação. Geralmente as atividades são exercidas coletivamente, estimulando os reflexos, sempre promovendo o sentimento de colaboração entre eles. A ludicidade nessa aula é manifestada no desenvolvimento das atividades como correr, pular, entre outros, e 7447 ainda através de jogos cooperativos que são sempre muito bem aceitos pelos alunos (TRINDADE et al., 2004, p. 6). Numa pesquisa realizada com pessoas com necessidades especiais visuais, os cegos, Gandara (1994) apud Borges e Vieira (1999, p. 1015) sugere que “antes de dar início à expressão corporal, se faça um trabalho de conhecimento do esquema corporal”. Num primeiro momento, pode ser iniciado com o conhecimento das articulações do corpo e suas possibilidades de movimento. Em relação à função do professor ao ensinar dança educativa: É limitada, pois este não pode dizer ao dançarino o que ou como coreografar. O professor deve oferecer estímulos que ampliem a experiência e a visão dos alunos para suas potencialidades expressivas. Por outro lado, a função do professor no ensino da dança educativa é ilimitada, se considerarmos o amplo aspecto de possibilidades que podem ser trabalhadas, tendo como “restrição” somente a criatividade do educando. Para trabalhar expressão criativa da Dança deve-se num primeiro momento proporcionar aos alunos a descoberta de simples movimentos, gerados de movimentos já conhecidos (BORGES; VIEIRA, 1999, p. 1016). Diante dessas perspectivas Borelli e Almeida (1999, p. 1063) acreditam que possibilitar vivências corporais alternativas às crianças com necessidades especiais como forma de estímulos, utilizando meios como a música e o movimento alterariam o quadro inicial dessas crianças, influenciando nos desempenhos de etapas não conquistadas e também que as mesmas não desencadeiem novos problemas. Hoje em dia, a dança trabalhada de forma adaptada, como meio de intervenção nas aulas em escolas especiais, faz parte da disciplina de Educação Física, onde segundo Cidade e Freitas (2002, p. 36) “não se diferencia da Educação Física em seus conteúdos, mas compreende técnicas, métodos e formas de organização que podem ser aplicados ao indivíduo deficiente. É um processo de atuação docente com planejamento, visando atender às necessidades de seus educandos.” Sendo assim, a dança como disciplina nas escolas especiais, pode e deve ser trabalhada com os alunos com deficiência. Procedimentos metodológicos 7448 A pesquisa caracterizada como quantitativa e descritiva, contou com a participação de 8 (oito) professores, de ambos os sexos, sendo 5 mulheres e 3 homens, com faixa etária entre 24 a 56 anos, que atuam na área de Educação Física em escolas especiais da cidade de Curitiba. A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um questionário composto por 12 perguntas abertas e fechadas, porém foram selecionadas as 4 mais relevantes para elaboração deste artigo. Após a aprovação do Comitê de Ética, foi marcado um dia e horário com os professores participantes para responderem o questionário na própria escola em que atuam. Depois de entregue o questionário a cada professor, foi esclarecido algumas dúvidas, feita a explicação e orientação necessária, sendo que o tempo para responderem o questionário variou de professor para professor e o pesquisador aguardou o término do preenchimento do instrumento, sem interferência. Resultados e discussões Para a devida tabulação e análise dos resultados, os professores participantes foram nomeados no decorrer do trabalho como A, B, C, D, E, F, G, H; os quais são apresentados em forma de gráfico. A questão (4) que abordava se na escola onde eles atuam, existe a inserção da dança no currículo da escola apresentou os seguintes dados: Gráfico 1 - Este conteúdo está inserido no planejamento da escola em que você atua? Apenas um professor (D), que corresponde a 13% no gráfico, diz que não contempla em seu planejamento, pois a escola não oferece essa disciplina aos alunos, por terem tanto o intelectual quanto o motor comprometido. Todos os demais professores (A, B, C, E, F, G, H) 7449 afirmam que a dança é um componente do currículo, pois é “um dos eixos da Educação Física” relata o professor F, o professor C diz que é proporcionado apenas em alguns momentos, outro exemplo relatado pelo A é que somente em “danças folclóricas em datas comemorativas”. Segundo os PCN’s (BRASIL, 1997) o conteúdo inclui as manifestações da cultura corporal, tendo a expressão e comunicação mediante gestos e a presença de estímulos sonoros como referência para o movimento corporal. Essa expressão na dança constitui um amplo leque de possibilidades de aprendizagem. A questão anterior apresentou se o conteúdo dança estava no planejamento da escola, porém não se sabe se os professores a aplicam em suas aulas. Sendo assim, a questão (6) abordou se os professores aplicam esse conteúdo na aula. Gráfico 2 - Você aplica o conteúdo dança na sua aula? Dentre os oito professores, cinco deles (A, E, F, G, H), que correspondem à 62%, aplicam a dança em suas aulas de Educação Física; segundo o professor E a dança “faz parte do conteúdo planejado no semestre”. Essa afirmação é confirmada por Nanni (2001, p. 132) quando diz que a dança consta como disciplina no currículo da maioria das escolas de Educação Física no Brasil. Porém três dos professores (B, C, D) dizem que não aplicam e não justificaram sua resposta. Apesar de agradar o público com deficiência, a dança é um conteúdo muito amplo. Desta forma, a questão (9) questionou como esse conteúdo deve ser trabalhado nas escolas especiais, no ponto de vista dos professores e ainda buscou investigar como esses professores trabalham o conteúdo em suas aulas. Destacamos as opiniões dos professores: A – “de forma lúdica, para aproximar os alunos”; 7450 B – “primeiramente deve estar inserido no currículo, mas para cada deficiência, a dança tem sua peculiaridade”; C – “com pouca técnica e conteúdo amarrado. Primeiro momento deixa livre, depois insere o conteúdo”; D – “deve ser inserido aos poucos, começando com tipos de ritmos e expressão corporal”; E – “de forma lúdica, descontração e depois insere como ela realmente tem que ser”; F – “deve ser trabalhada para desenvolver coordenação motora e rítmica dos alunos. Dança circular desenvolve isso e é bem aceita pelos alunos”; G – “de forma lúdica, na base de brincadeiras, brinquedos cantados”; H – “deve ser explorada, pois a aceitação é grande. Trabalhar a dança em datas comemorativas, eventos”. A maioria dos professores respondeu que a dança deve ser aplicada de forma lúdica, de acordo com Assis e Correia (2006, p. 122) o ato de dançar permite embrenhar-se em uma vivência lúdica, não possuindo uma direção utilitária, tratando-se de um ato de vontade de cada um, habitando a ordem da fantasia, do prazer. O professor (F) relatou a importância de se trabalhar a coordenação motora, segundo Marques (1997, p. 24) deve ser um conteúdo a ser incluído nos programas e objetivos da aula de dança. Sendo assim, Gândara (1994 apud Borges e Vieira 1999) sugere que antes de dar inicio à expressão corporal, se faça um trabalho de conhecimento do esquema corporal. Esse trabalho pode ser iniciado com o conhecimento das articulações e suas possibilidades de movimento. Procurando responder de forma mais evidente o objetivo do estudo, foi solicitado aos professores que aplicam a dança em suas aulas, que fizessem alguns comentários do planejamento das aulas para seus alunos. Essa questão foi respondida na questão (12) e destacam-se a seguir os comentários dos professores sobre seu plano de aula, com exceção do professor (D) que não aplica a dança na sua aula. A – “há necessidade de se trabalhar individualmente, sem música, para depois partir para duplas até chegar ao grupo. A música é inserida aos poucos. (utilizado o espelho, trabalhar expressão corporal)”; B – “no meu planejamento não contempla a dança, porque existem professores específicos para este trabalho. Mas sempre que posso, participo ajudando nas aulas de dança”; C – “no primeiro momento, de 5 a 8 minutos, dança livre com vários ritmos a escolha deles. Após, entrar com o conteúdo, paulatinamente até chegar ao objetivo proposto no planejamento. Explicar o valor dos movimentos dentro do objetivo e que é mais um passo de dança que eles vão aprender e mostrar as pessoas”; E – “fala-se sobre o conteúdo, o que se pretende com os alunos que iremos trabalhar (mostra-se o que se quer deles) e começa a aplicar por partes – mostra o movimento ( um de cada vez, para depois fazer a junção e dar vida a coreografia); quando é lúdico, recreativo (pede-se um movimento para cada um), pergunta-se se eles tem conhecimento dos passos, das coreografias e joga-se estímulos para os mesmos”; F – “nos anos anteriores eu deixava a dança mais para o final do ano. Porem, no começo deste ano fizemos um curso de dança circular aqui na escola (para todas as professoras) e decidi aplicar á na segunda semana de aula para ver como estava a socialização e coordenação dos alunos. Foi muito boa esta mudança e pretendo manter no inicio do ano e na volta das férias de julho”; 7451 G – “trabalho de acordo com as características dos alunos. A parte de dança fica mais para o professor, considerando os aspectos sociais dos alunos que formam uma turma (reação aos estímulos)”; H – “primeiramente observo qual é a dificuldade e a potencialidade de cada aluno durante a dança (coreografia). Em seguida, tento adaptar o movimento ou o aluno dentro da dança. Penso que nos alunos com deficiência neurológica, a principal dificuldade é a memória (decorar a seqüência de movimentos) até porque o tempo de aula é pouco e semanalmente”. Observou-se que apenas 5 deles (A, C, E, F, H) aplicam sistematicamente a dança nas suas aulas de Educação Física. A maioria entra em concordância, quando relatam que num primeiro momento da aula, deve-se deixar um tempo livre, vivenciando a música individualmente, para poder observar as dificuldades e as potencialidades dos alunos, (se possível, utilizar de um espelho para eles mesmos reconhecerem seu próprio corpo), em seguida deve-se falar um pouco sobre o conteúdo e introduzir, de forma pedagógica, o que se quer propor na aula. Desta forma, os PCN’s (1997) propõem que o conhecimento e o controle do corpo permitem que os alunos comecem a monitorar seu desempenho, adequando às dificuldades e o grau de exigência de algumas atividades. Pela percepção do próprio corpo, os alunos podem também começar a compreender as relações entra a prática de atividades corporais, o desenvolvimento das capacidades físicas e os benefícios que trazem à saúde. Considerações finais Quanto à inserção do conteúdo no planejamento das escolas, 7 dos professores pesquisados responderam positivamente em relação à essa questão, representando 87 % dos participantes, sendo justificado pelo fato da dança ser um dos eixos da Educação Física, disciplina integrante do currículo escolar, que por sinal é trabalhada em alguns momentos dentro da escola, como por exemplo, em datas comemorativas. O professor que relata não usar esta metodologia justifica que seu público é de deficientes intelectuais severos, ficando impossível o trabalho com a dança, porém, o mesmo destaca que alguns de seus alunos gostam da música e outros ficam agressivos em relação ao som. No que diz respeito à aplicação da dança nas aulas, 625 dos professores pesquisados afirmam aplicar esse conteúdo, pois o mesmo faz parte do planejamento do semestre. Os outros professores que não aplicam (38%), porque a população sente muita dificuldade, pelo fato de serem deficientes intelectuais severos, outro professor relata que trabalha apenas com um conteúdo na escola (natação) e não tem interesse em aplicar a dança, pois trabalha com 7452 alunos até 6 anos, e segundo este profissional a natação é mais apropriada para esta idade. Desta forma, concluí-se que a dança pode estar no planejamento da escola, porém nem sempre é aplicada pelos professores. Dentre os outros questionamentos realizados no estudo, o que se refere a agradar e ter boa aceitação do conteúdo da dança destaca-se que o aluno com necessidades especiais aprecia muito este conteúdo, porque descobrem que seu corpo pode mais e ficam felizes quando se sentem capazes. Sendo assim, o conteúdo dança, sendo bem aceito e agradando aos alunos com necessidades especiais, ajuda no processo de socialização entre os mesmos, pois na prática, se trabalha a aproximação, contato, afetividade, melhorando a convivência dentro da própria turma. Nessa perspectiva de socialização, os professores defendem a idéia de que esta conteúdo deve ser trabalhado de forma lúdica, com um momento livre para a criatividade , para sentirem a música e em seguida inserir brinquedos cantados que possam descontrair e aproximar os alunos, dependendo do objetivo da aula. REFERÊNCIAS ASSIS, M; CORREIA, A. M. Entre o jogo estético e o impulso lúdico: um ensaio de dança. Revista Brasileira de Ciência do Esporte, Campinas, v. 27, n. 2, p. 121-130. Janeiro, 2006. Disponível em: <www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE/article/download/96/104> Acesso em: 11/06/2011. BORGES, R; VIEIRA, A. P. A dança para portadores de deficiência visual: do conhecimento à intervenção. 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