UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
CURSO DE PSICOLOGIA
RENATA ALEXANDRE SEVERINO
A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA NEGRA NO
CONTEXTO ESCOLAR
CRICIÚMA, JUNHO DE 2010
RENATA ALEXANDRE SEVERINO
A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA NEGRA NO
CONTEXTO ESCOLAR
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para
obtenção do grau de Psicólogo no curso de
Psicologia da Universidade do Extremo Sul
Catarinense, UNESC.
Orientador (a): Prof.(ª) Eliene Benta de Campos
Ferreira
CRICIÚMA, JUNHO DE 2010
2
RENATA ALEXANDRE SEVERINO
A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA NEGRA NO
CONTEXTO ESCOLAR
Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela
Banca Examinadora para obtenção do Grau de
Psicólogo, no Curso de Psicologia da
Universidade do Extremo Sul Catarinense,
UNESC, com Linha de Pesquisa em Psicologia
Escolar.
Criciúma, 28 de Junho de 2010.
BANCA EXAMINADORA
__________________________________________
Prof. Eliene Benta de Campos Ferreira – Mestre (UNESC) - Orientador
__________________________________________
Prof. Elenice de Freitas Sais - Especialista (UNESC)
__________________________________________
Prof. Iolanda Romeli Lima Manoel – Especialista (Pref. Municipal de Criciúma)
3
Aos meus pais Soraia e Arcângelo e aos meus
irmãos Renan e Ranieli.
4
AGRADECIMENTOS
A minha Orientadora Eliene Benta de Campos Ferreira, pela dedicação,
comprometimento e pelo incentivo quando parecia que não iria conseguir; me dando
força e acreditando em meu potencial.
A minha mãe que no meu desespero me dava força e coragem para lutar.
Ao meu pai que torcia por mim.
Ao meu irmão, pois no momento em que mais precisei estendeu sua mão
para me ajudar.
A minha irmã Ranieli que nos momentos em que me sentia triste me fez
sorrir.
As minhas amigas Andréia e Gislaine que me proporcionaram no decorrer
da graduação momentos de alegrias e tristezas que passamos juntas, e pela ajuda
que me prestaram.
E a Deus pelo dom da vida.
5
“Não caçamos pretos, no meio da rua, a
pauladas,
como
nos
Estados
Unidos.
Mas
fazemos que talvez seja pior. A vida do preto
brasileiro é toda tecida de humilhações. Nós
tratamos com uma cordialidade que é o disfarce
pusilânime de um desprezo que fermenta em
nós, dia e noite.”
Nelson Rodrigues
6
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo refletir acerca da identidade da criança negra
no contexto escolar. Neste processo o trabalho discute as concepções de identidade
vinculadas à psicologia do desenvolvimento; os manejos pedagógicos desenvolvidos
no contexto escolar relacionados a esta formação; a importância da escola na
construção da identidade da criança negra, e a criação da lei 10.639/03. É refletido
também o papel da psicologia em colocar no seu conjunto de discussão as temáticas
referentes ao negro e as suas problematizações sociais, discutindo o papel do
psicólogo escolar como agente promovedor de mudanças. Os procedimentos
metodológicos adotados, consistiram em realizar por meio de uma amostra, um
levantamento das publicações de 2004 a 2009 na área de psicologia, através de
palavras-chaves para visualizar a quantidade de publicações relativas à temática do
trabalho. Este estudo aponta o distanciamento que a psicologia estabelece com o
processo de identidade da criança negra e sugere o desenvolvimento de projetos no
espaço escolar que contribuam para desconstrução de preconceitos raciais
envolvendo a formação da identidade da criança negra.
Palavras chave: Criança Negra, Identidade, Preconceitos Raciais, Psicólogo
Escolar.
7
ABSTRACT
The present work had as objective to reflect concerning the identity of the black child
in the pertaining to school context. In this process work one argues the entailed
conceptions of identity the pedagogical psychology of the development, manages
developed in the pertaining to school context related to this formation and the
importance of the school in the construction of the identity of the black child, and the
creation of law 10,639/03 as well as, the paper of psychology in placing in its
thematic set of quarrel referring to the black and its social problematizations,
questioning the paper of the pertaining to school psychologist as promoted agent of
changes. The adopted methodologists procedures had consisted of carrying through
through a sample, a survey of 2004 publications the 2009 in the area of psychology
through word-keys to visualize the relative amount of publications to the thematic one
of the work. This study it points the detachment that psychology establishes with the
process of identity of the black child and suggests development of projects in the
pertaining to school space that they contribute for deconstruction of racial
preconceptions involving the formation of the identity of the black child
Key Words: Black Child, Identity, Racial Preconceptions, Pertaining to school
Psychologist.
8
LISTA DE TABELAS E GRÁFICO
Tabela 1 - Periódicos Publicados no ano de 2004 .............................................. 36
Tabela 2 - Periódicos Publicados no ano de 2005................................................ 37
Tabela 3 - Periódicos Publicados no ano de 2006 .............................................. 37
Tabela 4 - Periódicos Publicados no ano de 2007................................................ 38
Tabela 5 - Periódicos Publicados no ano de 2008 .............................................. 38
Tabela 6 - Periódicos Publicados no ano de 2009................................................ 39
Tabela 7 -Total de Periódicos Publicados entre os anos de 2004 a 2009.......... 39
Gráfico 1 - Palavras chaves dos artigos com relação a temática ....................... 40
9
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
LDB – Leis Diretrizes e Bases
SEPPIR – Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Igualdade Racial
CNE – Conselho Nacional de Educação
ONGS – Organizações Não-Governamentais
MEC – Ministério da Educação
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
10
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11
2 A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE .......................................................................... 14
3 A ESCOLA E A FORMAÇÃO DE IDENTIDADE DA CRIANÇA NEGRA.............. 18
3.1 Historicidade do Processo Educacional do Negro no Brasil ........................ 18
3.2 Leis e Diretrizes Educacionais ......................................................................... 24
4 AS CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA .............................................................. 29
4.1 O papel da Psicologia Escolar na Sociedade Atual ....................................... 29
4.2 O Psicológo Escolar e as temáticas voltadas para o Negro.......................... 33
5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS ................................................. 36
6 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 42
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 45
11
1 INTRODUÇÃO
O interesse por este tema surgiu da motivação em entender como a
psicologia escolar trata a questão do preconceito, e também buscar um maior
entendimento sobre a posição a ser tomada pelos agentes escolares, tais como
professores, psicólogos escolares, orientadores e demais profissionais que fazem
parte do corpo docente de uma escola diante deste assunto, pois durante a
graduação da autora percebeu-se que havia poucas abordagens discutindo o tema
em questão.
O objetivo maior deste estudo é identificar os aspetos envolvidos na
formação da identidade da criança negra no contexto escolar, entendendo que é
neste espaço que a criança negra começa a buscar suas primeiras referências,
como as demais crianças de outra raça, para um reconhecimento de si mesmo
dentro da sociedade problematizando-se desta forma, qual a influência que a escola
exerce na formação da identidade da criança negra. Entendendo nesta pesquisa que
o termo raça embora atualmente seja postulado de outra forma, não definindo as
diferenças entre as pessoas, usando-se para isso a concepção de etnias, essa
terminologia ainda encontra-se presente em algumas literaturas.
A reflexão acerca do tema se dará através de estudos bibliográficos
visando especificamente: identificar os elementos didático-pedagógicos que se
relacionam com o processo de formação da identidade da criança negra;
compreender como é o processo da construção da identidade da criança negra no
contexto escolar; discutir a formação da identidade no ser humano; analisar como
ocorrem as relações raciais da criança negra no ambiente escolar e ainda refletir as
implicações da lei 10.639/03 e no sistema educacional.
Conseqüência direta de um período escravista no Brasil e que ainda
resulta de ações preconceituosas, o racismo se faz cada vez mais freqüente em
nossa sociedade. De uma etapa de “libertação” através da lei áurea até os dias
atuais, ainda escondemos o racismo dentro de leis, cotas e tratamentos
diferenciados para aqueles que deveriam ser tratados de forma constitucional com
direitos e deveres por iguais.
12
O ato de discriminar e pré-conceituar aquele que é deixado de lado pela
dita maioria da sociedade traz à tona, a discussão sobre o ato de inferiorizar alguém
pela sua cor, sua cultura, pelas suas características físicas e pelo seu passado
histórico. Isto não leva em conta o respeito pelo diferente e também a miscigenação
que houve ao longo do tempo em nossa sociedade.
Segundo Munanga (2005), é preciso insistir sempre que a sociedade
brasileira é preconceituosa e discriminadora em relação à sua população. Desta
forma, o modelo de educação acaba não sendo inclusivo, mesmo permitindo a
entrada de todos na escola. Todos entram, ou uma maioria entra. Mas nem todos
saem devidamente escolarizados. Muitos não saem aptos a enfrentarem a vida
como verdadeiros cidadãos.
O que se pode perceber ao longo destes séculos de racismos e préjulgamentos são as dificuldades que a raça negra possui, com relação aos pontos
positivos na sua inserção no meio escolar, social, trazendo com isso a falta de
confiança e autoestima necessárias para um bom desenvolvimento.
Quando a criança sai do âmbito familiar e vai para seu primeiro contato
fora deste grupo, a escola é sua primeira referência, surge um mundo novo de
diferentes indivíduos, onde a criança busca se identificar e conhecer diferentes
historicidades para assim construir a sua própria identidade, em se tratando das
relações da criança no contexto escolar destacamos os autores: Balbino(2008),
Costa(2006) e Erikson(1999).
Por isso, não basta apenas nortear o tratamento do racismo somente na
esfera escolar. Nem tão pouco criar leis e diretrizes para que uma dita minoria seja
aceita pelo restante da sociedade, há que se procurar entendimento dentro da
formação da identidade da criança negra, buscar a relação dentro do seu contexto
escolar e de que forma ou até que ponto nessa relação de constituição da
identidade, a escola tem contribuído e participado efetivamente.
De acordo com Munanga (2005), os negros, ao longo da história do Brasil,
têm sido, juntamente com os índios, os mais discriminados. Na escola essa questão
deve ser abordada, incluindo objetivamente no currículo, de tal forma que o aluno
possa refletir os casos e combater o preconceito, fazendo com que todos sejam e se
sintam cidadãos em igualdade de condições.
Nessas relações entre a criança negra e o seu ambiente escolar surge
então a figura do Psicólogo, que através de seus estudos proporcionam projetos
13
sociais juntamente a outros profissionais, ações afirmativas buscando concretizar no
espaço educacional um combate á discriminação e aos preconceitos, participando
ativamente deste processo de inserção e respeito ao semelhante.
Ressaltar-se que a formação da identidade da criança negra é diluída
entre seus pais, familiares, sociedade, e também está ligada a escola e aos
profissionais que fazem parte dela. No entanto teóricos da Psicologia Social expõem
temas específicos sobre a identidade vinculada diretamente no contexto social,
dentre eles Hall (2001), Silva (2005), Sawaia e Lane (1995), que apresentam o
processo de como saber lidar com os diferentes sentimentos destas crianças e suas
perspectivas, quanto ao preconceito e racismo vivido através da discriminação e de
seus estereótipos sociais.
Através desta reflexão, espera-se contribuir com a construção de uma
psicologia que atenda as demandas sociais, que se posicione diante de
comportamentos e atitudes de desqualificação do ser humano, e atue de forma
crítica no contexto no qual está inserida.
14
2 A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE
Uma das temáticas mais discutidas na psicologia é acerca do processo de
formação da identidade no ser humano. Segundo Erickson (1999), a formação da
identidade acontece quando os pais começam a definir o nome, projetar o sexo,
definir profissão e muitas das escolhas do futuro indivíduo. Sendo assim, a
identidade não se inicia nem termina na infância ou adolescência, mas é um
constante processo de formação.
De acordo com Erickson (1999), a compreensão da identidade parte do
pressuposto de que o indivíduo vê a si próprio separado e distinto, tendo a
necessidade de autoconsistência e de um sentimento de completude.
Erickson (1999) fala da importância da integridade do eu (self), para que
se possa ter clara, a separação dos outros quanto à unidade do eu. O indivíduo traz
consigo aspectos já vivenciados ao longo da infância e aquilo que pretende se tornar
no futuro, ou seja, é a soma de vários elementos. Sendo assim, um componente
importante de uma identidade não é apenas o individual ou o interno, e sim como o
indivíduo percebe como os outros o vêem, o coletivo, o externo então a identidade
não é apenas pessoal, mas também social.
Sawaia (2006) coloca que a identidade nada mais é do que a construção
do eu sujeito único e igual a si mesmo, e que essa construção gera liberdade,
cidadania, felicidade, contribuindo para as relações interpessoais e grupais.
O conceito de identidade está sendo revisado:
As velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social,
estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o
indivíduo moderno, sendo visto como um sujeito unificado. Desta forma
pode-se ver um processo mais amplo de mudança, que está deslocando as
estruturas e processos centrais das sociedades modernas e muitas vezes
abalam alguns quadros de referência que davam aos indivíduos um porto
seguro e estável no mundo social. (HALL, 2001, p.7)
Por isso, para o autor, tentar mapear a história da noção de sujeito
moderno através da sua identidade, é um exercício extremamente difícil. A idéia de
que as identidades eram plenamente unificadas e coerentes e que agora se
tornaram totalmente deslocadas é uma forma altamente simplista de contar a história
do sujeito moderno.
15
Hall (2001) afirma que algumas mudanças sublinham a afirmação básica
de que os conceitos dos sujeitos mudam e, portanto, têm uma história. Uma vez que
o sujeito moderno emergiu num momento particular (seu “nascimento”) e tem uma
história, segue-se que ele também pode mudar e, de fato, algumas das vezes por
certas circunstâncias, podemos mesmo contemplar sua “morte de identidade”.
É comum dizer que a época moderna fez surgir uma forma nova e decisiva
de individualismo, no centro da qual se emergiu uma nova concepção do
sujeito individual e sua identidade. Isto não significa dizer que nos tempos
pré-modernos as pessoas não eram indivíduos, mas que a individualidade
era tanto “vivida” quanto “conceitualizada” de forma diferente. Emergiu
então, uma concepção mais social do sujeito, ou seja, indivíduo passou a
ser visto como mais localizado e “definido” no interior dessas grandes
estruturas e formações sustentadoras da sociedade moderna. (HALL, 2001,
p.30)
Essa concepção social traz consigo a integração do indivíduo na
sociedade, mas em contrapartida surge a preocupação do “eu” deste sujeito estar
sendo apresentado em diferentes situações sociais, e com isso acabe gerando
conflitos entre vários papéis sociais que o indivíduo tem dentro desta rede social.
Por isso, Hall (2001) pontua que surge uma tendência em construir um problema
com essa relação do “eu” e a “sociedade” já estruturada por este mesmo “eu”, uma
relação de duas entidades conectadas, mas separadas, neste caso: o “indivíduo e a
sociedade”.
Ainda de acordo com Hall (2001), essa tendência que surge é uma
reciprocidade entre o “eu” (interior) e o exterior (sociedade), quando se busca o
desejo de ter uma identidade organizada através da interação com a sociedade
(exterior),e não se reconhecendo neste processo isso vai gerando conflitos para o
indivíduo, em seu interior buscando um conceito de identidade que englobe essas
duas relações sem aspectos contrativas.
Essas interações entre essas duas categorias são marcadas pelas
diferenças e não se tem como evitar conflitos. Muitas vezes, essas diferenças são
vistas apenas como problemas e são apresentadas e explicadas ao indivíduo que
está buscando formar sua identidade, porém quando há distanciamento entre o eu e
os modelos sociais essas diferenças, muitas vezes são sustentadas pela exclusão,
conforme Silva (2000).
Mas para o autor são nessas diferenças que se encontram a formação da
identidade do indivíduo e sua adaptação e correlação entre o seu “eu” (interior) e a
sociedade (exterior) que a singularidade de cada um se manifesta. Assim a
16
construção da identidade passa por aspectos sociais e econômicos, políticos etc, por
exemplo, de acordo com o contexto histórico em que o indivíduo vai estar inserido,
sendo mutável ao longo dos anos em que o mesmo vive.
Silva (2000) destaca que a identidade se torna mutável a partir do
momento em que o indivíduo começa a construir sua história de vida, todas as
experiências do indivíduo. Ou seja, o passado e o presente exercem um importante
papel nesses eventos de mutação da identidade. A contestação, muitas vezes no
presente, busca justificação no passado para a criação de novas e futuras
identidades deste indivíduo.
Hall (2001), afirma que a identidade do indivíduo não está “resolvida”,
unificada, essa identidade é um processo de construção em diferentes partes:
A identidade é realmente algo formado, ao longo do tempo, através de
processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no
momento do nascimento. Assim existe sempre algo “imaginário” ou
fantasiado sobre sua unidade. Ela permanece sempre incompleta, está
sempre “em processo”, sempre “sendo formada”. Não devemos falar da
identidade como uma coisa acabada, deveríamos falar de identificação, e
vê-la como um processo em andamento. (HALL, 2001, p.38)
Neste sentindo a identidade é apontada como uma relação intrínseca do
ser humano de aspectos internos e externos, originados da nossa relação com a
sociedade, bem como, da representação que construímos resultante desta relação.
O sujeito não tem apenas uma identidade unificada, mas várias, que se
apresentam contraditórias, na compreensão de Hall:
A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma
fantasia. Ao invés disso, na medida em que os sistemas de significação e
representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma
multiplicidade desconcertante e cabível de muitas identidades, com cada
uma das quais poderíamos nos identificar ao menos temporariamente ou
enquanto nos for útil e convier; ou seja, nossa identidade é diluída em
diferentes papeis que executamos em diferentes momentos da nossa vida.
(HALL, 2001, p.12)
Sendo assim, a vivência de uma identidade única e permanente é algo
ilusório e idealizado, em cada fase de nossas vidas nos expressamos dentro de um
conjunto de papéis que são nossas representações sociais, bem como, vamos
deixando para trás aqueles aspectos que não se vinculam aos espaços os quais
circulamos. Estamos sempre em busca de uma nova identidade através de novas
articulações que vivenciamos em nosso dia a dia, através de novos sujeitos e
situações, a qual ele chama de “recomposição da estrutura”. (HALL, 2001).
17
O verdadeiro equilíbrio se encontra na articulação entre o que somos e o
reconhecimento disso pelos grupos sociais nos quais estamos inseridos,
possibilitando a cada um experimentar um sentimento de inclusão, reconhecimento,
inserção, integração elementos extremamente importantes para nossa estrutura
emocional.
18
3 A ESCOLA E A FORMAÇÃO DE IDENTIDADE DA CRIANÇA NEGRA
3.1 Historicidades do Processo Educacional do Negro no Brasil
Segundo Gonçalves (2000), quando se reporta ao assunto da educação,
pode-se fazer um parâmetro da diferença dos negros mais jovens entre 20 e 40 anos
e de negros mais idosos de 60 e 80 anos, pertencentes ao século XX, nota-se que
há um índice muito grande de analfabestimo. Pesquisas realizadas apontam que se
houver uma população de 3 milhões de afrodescendentes, 70% é analfabeto de
modo geral, e para as mulheres negras esse índice é maior que 90%.
O autor aponta que a situação educacional do negro é precária, pois as
inversões das expectativas geracionais apontam que quanto menor a idade, o grau
de escolarização é maior. Os níveis de escolarização entre os negros brasileiros
pertencentes a diferentes gerações - filhos, pais e avós - é absolutamente diferente
um do outro. Então, é possível observar que avôs analfabetos pouco estimularam a
escolarização de seus filhos, mas os filhos com grau de estudos menor estimulam
suas gerações futuras a terem êxito na escola.
Para Gonçalves (2000), a família tem um papel importante no
desempenho escolar das crianças e jovens, mas se pode destacar as significativas
mudanças que ocorreram para as faixas etárias, em 1990, entre os 20 e 40 anos. Os
indivíduos que nasceram nesse período presenciavam expansão das políticas
públicas educacionais. A importância das famílias estimulando-os é de fundamental
importância, mas é preciso destacar também, o Estado, que trouxe expansão com a
escola pública universal e gratuita.
Gonçalves (2000) traz uma retrospectiva para encontrar resposta a estas
questões relacionadas ao abandono que os negros foram relegados; quem teria
ocupado o lugar do negro na educação no período colonial ou até mesmo após a
Abolição da Escravatura?
Se tratando ainda do século XIX, houve iniciativas voltadas à educação
para adultos, criando cursos noturnos, segundo a Lei 7.031 de 6 de setembro de
1878. No ano seguinte ocorreu a mudança na Reforma do Ensino Primário e
Secundário proposto por Leôncio Carvalho com o projeto educacional do império, na
qual era obrigatório o ensino dos 7 aos 14 anos, e eliminava a proibição de escravos
19
freqüentarem as escolas públicas. Essa lei para algumas províncias de escravos
deram certo, pois há registros de que de fato os mesmos freqüentavam a escola.
Mas, apesar dessas iniciativas criadas pelos poderes públicos ou
particulares, tendo a inclusão dos escravos e dos negros livres em cursos de
instrução primária e profissional não foi uma experiência universal. O autor
destaca que em uma determinada província existiam certas escolas que não
admitiam matricular escravos e nem aceitavam os negros livres e libertos. Os
cursos que tinham algum registro de presença dos negros eram aqueles
encabeçados por “abolicionistas”, republicanos ou críticos da igreja católica e
defensores de instrução para o povo. Vale ressaltar que esses registros
sobre a participação do negro não traziam dados concretos para a
veracidade das informações quanto a quem era negro ou não.
(GONÇALVES, 2000, p.369).
Muitos desses cursos continuaram; no entanto, após a abolição, era de se
esperar que as barreiras acontecessem por indivíduos com mentalidade escravista,
dificultando a frequência de negros nas aulas noturnas, fazendo com que
diminuíssem
ou
desaparecessem.
A
República
não
contribuiu
para
o
desenvolvimento e o acesso de todos à educação durante muitas décadas, e após a
Lei Áurea agravou a situação, pois os negros foram lançados a própria sorte.
Compreende Gonçalves (2000) que a educação não se restringe apenas à
escrita ou outras questões escolares, mas também a cidadania, visto que foi através
da cidadania que os negros aprenderam a lutar contra o preconceito e a
discriminação, reivindicando os seus direitos, visando oportunidades iguais de
educação e trabalho.
Com a democratização do ensino e tantas mudanças do sistema
educacional brasileiro, para Moura apud Munanga (2005), deve-se repensar na
atualidade o papel da escola como auxiliador de identidades, pois é um desafio
desenvolver na escola novos espaços pedagógicos que visem à valorização das
diversas identidades integrantes do povo brasileiro, por meio de métodos
pedagógicos que levem o aluno a conhecer sua origem e a reconhecer-se como
brasileiro. Muitos brasileiros negam sua identidade, pois a escola não os permitiu
conhecer sua história e saberem quem são.
Dados do último censo, realizado pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) apud Munanga (2005), apontam que 45% da nossa
população é mestiça e estão na classe dos menos favorecidos, tendo a escola um
papel fundamental em mudar esse mapeamento brasileiro e ser uma referência no
crescimento do poder aquisitivo do negro.
20
Uma reflexão feita por Moura (apud MUNANGA, 2005) com base nos
materiais recolhidos em algumas comunidades rurais brasileiras como Maranhão;
Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde o costume e a cultura afro-brasileira estão
sendo utilizadas através da dinâmica de recreação e criação, refletindo as
contribuições das festas e comemorações culturais como elo para formação das
identidades de cada participante. Nessas comunidades, a experiência da identidade
e a cultura são trabalhadas através do contraste.
Com o estudo se buscou compreender como as festas dos quilombos
contribuem para a formação e a recriação da identidade, como suporte para a
transmissão e internalização dos valores, possibilitando observar as diferenças, e a
inserção das comunidades rurais negras na sociedade de modo geral.
Observou-se que as crianças estão engajadas em todas as tarefas
comunitárias, juntamente com os adultos, participando na preparação da festas dos
quilombos. Durante este período observam o que é feito ou ajudam efetivamente,
para que esse engajamento se torne uma construção do saber da sua identidade
cultural, e assimilem as mudanças que as comunidades rurais negras sofrem para
se adaptarem ao contexto da sociedade atual.
A escola tem como função oportunizar a criança à expansão de suas
experiências, proporcionando ao aluno aprofundar o seu processo de aquisição de
conhecimentos, não esquecendo, do respeito às questões culturais que cada um
traz, a partir da qual se constrói a identidade dos alunos, tendo a atenção necessária
no resgate de suas origens e história, respeitando os direitos humanos,e
promovendo a convivência com o diferente.
Para Munanga (2005) no Brasil a identidade do negro nunca está
concluída, pois o mesmo não conhece a formação real de sua história, e com isso
não consegue ter elementos suficientes e condições de identificar-se consigo
mesmo.
O sistema de ensino muitas vezes, não prioriza ao estudante o
conhecimento da história real trazendo apenas versões unilaterais abordando a
história sob o ponto de vista dos colonizadores e das classes econômicas;
Os livros didáticos usados em salas de aula nos dão a percepção que não
há um relato quanto aos fatos históricos relevantes do desenvolvimento
histórico-cultural do negro. (MUNANGA, 2005, p.23)
21
Ocorre que, mesmo quando um livro apresenta algum tema relacionado a
uma passagem que insira algum personagem negro, este mesmo tema aparece de
forma sucinta e sem muita explicação, por vezes, trazendo algumas informações não
verdadeiras, carregador de esteriótipos e discriminação.
Sendo assim, se não houver materiais pedagógicos de qualidade,
exemplificando com maior riqueza de detalhes, a história destes personagens, os
livros didáticos podem acabar acarretando na criança negra, por exemplo, uma
imagem negativa e de inferioridade sobre sua história e de si mesmo refletindo na
rejeição em se dizer negro, ou pertencer a este grupo, bem como, uma baixa
autoestima.
É importante destacar o papel do professor neste processo, que segundo
Moura apud Munanga (2005), por muitas vezes, sem se dar conta, o educador
acaba por trazer para a sala de aula estereótipos já estabelecidos e convencionados
da sociedade. Pois, pelo processo que se tem apresentado nos meios educacionais,
não há estratégias adequadas para que o negro possa se aceitar, e isto pode gerar
em alguns momentos, uma autorejeição e a rejeição ao outro de sua raça,
apontados pela sociedade como “racismo do negro”.
Os estereótipos já preestabelecidos, da realidade de uma sociedade
repleta de miscigenação, podem conduzir para uma auto-rejeição ou gera a
construção de uma baixa autoestima e rejeição ao semelhante da mesma raça. Bem
como, podem levar ao indivíduo buscar novos valores tidos como universais, na
ilusão de substituir sua imagem por outra válida socialmente. Tentando desta forma,
libertar-se da dominação e inferiorização que traz consigo, gerando muitas vezes
crise de identidade.
Outro aspecto a destacar conforme Munanga apud Moura (2005) e que se
pode observar em livros, é que a historicidade do negro relatada apenas o contexto
do negro escravo, não resgatando de forma positiva a luta do negro para sua
libertação. Desta forma, a didática poderia ser mais enfatizada trazendo para a
atualidade, personagens marcantes negros, citando como exemplo Zumbi dos
Palmares, os Quilombos, para que as crianças negras conheçam a ação dos negros
e onde ela se iniciou, passando hoje pelos diversos movimentos e organizações
presentes.
22
Assim, um trabalho didático voltado para a temática do negro poderá
diminuir essa invisibilidade e a reduzida apresentação do negro no livro didático, ou
ainda desmistificar a construção da ilusão de não existência ou de condição de
minoria na sociedade - do negro, mesmo em regiões onde essa raça se constitui
maioria.
[..]nas muitas ilustrações de grupos e multidões o elemento negro é tratado
como minoritário. Por isso, é importante e vale a pena ressaltar que o
professor pode estabelecer a comparação entre a ilustração e a realidade
do aluno, solicitando que este redesenhe, por exemplo, a ilustração em um
livro ou apostila de acordo com a realidade da sala de aula, do pátio da
escola, do bairro, da cidade, da rua onde mora, etc.(MOURA, apud
MUNANGA,2005, p.79)
Identificar e corrigir a ideologia pregada ao longo do tempo é ensinar que a
diferença pode ser bela, que a diversidade é enriquecedora e não é sinônimo de
desigualdade, é um dos passos para a reconstrução da autoestima, do autoconceito,
da cidadania e da abertura para o acolhimento dos valores das diversas culturas
presentes na sociedade.
A desconstrução da ideologia abre a possibilidade do reconhecimento e
aceitação dos valores culturais próprios, bem como a sua aceitação por indivíduos e
grupos sociais que pertencem a outras raças/etnias, de forma a facilitar as trocas
interculturais na escola e na sociedade. Assim, começa-se a imaginar que
desconstruir este estigma da desigualdade atribuído às diferenças se constitui em
tarefa de todos e já são numerosos os que contribuem para atingir esse objetivo,
como a presença de Movimentos Negros e ONGs, por exemplo.
Por isso, a estes pontos históricos e ideológicos é que se tem hoje e ao
longo do tempo em nossa sociedade, o expressar a repulsa ao outro que não seja
da mesma cor que uma dita maioria da sociedade, por exemplo, e o denominamos
de racismo. Isto afeta emocionalmente o discriminado que não pode mudar suas
características raciais que a natureza lhe deu, para ser aceito em uma sociedade
que tem padrões diferentes da sua imagem exterior, sendo assim:
O racismo, não nasceu de uma hora para outra. Ele é fruto de um longo
processo de amadurecimento, que objetivou a mão-de-obra barata através
da exploração dos povos colonizados. Exploração que gerava riqueza e
poder, sem nenhum custo-extra para o branco colonizador e opressor. Aos
poucos o racismo foi surgindo e se consolidando, assim como toda cultura
popular, por exemplo, sobrevive aos tempos porque ela é transmitida
através de gerações, aconteceu e acontece também com o racismo muitas
23
vezes. E sendo o racismo um fenômeno ideológico, ele se consolida através
dos preconceitos, discriminações e estereótipos. Desta base ideológica de
sobrevivência é que podemos perceber que o racismo tem sobrevivido e foi
se fortalecendo através das épocas, alcançando, comunidades, escolas,
salas de aula e tantos outros lugares. (MUNANGA, 2005, p.42).
Pode-se entender que o racismo é uma estrutura mantida por diferentes
sistemas dentro da nossa sociedade, explicitamente ou sutilmente, as mensagens
recebidas diariamente são agregadas da desvalorização do negro e de seu papel na
sociedade brasileira. Quando ampliamos essas mensagens para o contexto de
escola, nos deparamos com uma realidade ainda mais problemática, visto que
considera–se também função da escola o estímulo à expressão e ao respeito à
diversidade cultural e racial.
Bem como, não se pode esquecer do racismo refletido através de ações
públicas ou do meio privado e que afetam negativamente o negro, impondo padrões
para que o mesmo seja aceito em uma sociedade. O racismo ao negro está
intimamente relacionado à sua cor de pele e a seu passado histórico escravista, que
passa a mensagem para uma sociedade de ser uma raça inferior ou não apta a
certos trabalhos, funções etc.
Dentro da contextualização apresentada, essa ideologia presente, é
existente por que se pratica no âmbito escolar uma ideologia de inferiorização do
negro e que é fortalecida na escola através do livro didático e, muitas vezes, por
professores e pela direção escolar, sob a forma de estereótipos e preconceitos.
Mesmo que isso ocorra de forma consciente e inconsciente, essa inferiorização se
faz presente.
Constatar então, que o professor e todo o corpo escolar são figuras
importantes na educação do aluno não seria nenhum exagero, mas alguns
profissionais da educação ainda não se atentaram a este detalhe, bem como ao
importante papel que exercem como grandes mediadores no processo ideológico,
reforçando a transmissão destes estereótipos e preconceitos.
Existe a necessidade imperativa (se assim podemos chamar) de tornar a
escola mais próxima da realidade sócio-cultural e histórica de seus alunos, levando
em conta os valores culturais locais numa perspectiva universal; se for realmente o
desejo de formar cidadãos capazes de construir a sua própria história, num Brasil
plural e verdadeiramente democrático.
24
3.2 Leis e Diretrizes Educacionais
No Brasil, está começando um momento histórico, em que as
reivindicações voltadas para a questão do negro e seu processo de exclusão na
sociedade brasileira, passam a ser pensados também pelo Estado em ações no
Sistema Educacional:
O Ministério da Educação, comprometido com a pauta de políticas
afirmativas do governo federal, vem ao longo do tempo instituindo um
conjunto de medidas e ações com o objetivo de corrigir injustiças, eliminar
discriminações e promover a inclusão social e a cidadania para todos no
sistema educacional brasileiro. (HADDAD, 2005, p.5).
O que se pode perceber é que ao longo da história, o Brasil estabeleceu
um modelo de desenvolvimento excludente, impedindo que milhões de brasileiros
tivessem acesso à escola ou nela permanecessem. (HADDAD, 2005).
De acordo com Ribeiro (2005), o que se busca relatar com essa exclusão
aberta e tão perceptível aos nossos olhos, é que o Brasil, desde os tempos de
Colônia, passando pelo período de Império e hoje República, teve historicamente, no
aspecto legal, uma postura ativa e permissiva diante da discriminação e do racismo
que atinge a população afrodescendente brasileira até hoje.
Ao longo desses processos de transformações do país, muitos decretos
foram criados, e para Ribeiro (2005) serviram para uma busca em entender, analisar
e apontar as desigualdades na educação entre brancos e negros, constatando que
há sim, a necessidade de políticas especificas que revertam o quadro atual, como no
documento a seguir:
“o Decreto nº 1.331, de 17 de Fevereiro de 1854, estabelecia que nas
escolas públicas do país não fossem admitidos escravos, e a previsão de
instrução para adultos negros dependia da disponibilidade de professores”.
(RIBEIRO, 2005, p.7)
Historicamente
identificamos
estratégias
que
inviabilizaram
a
escolarização do negro no Brasil, atualmente o Estado se redime criando medidas
que ajudam nesta inserção. Nesse contexto de desigualdade, é sancionada pelo
governo federal em Março de 2003, a lei nº 10.639/03, que altera a LDB (Lei
Diretrizes e Bases) e estabelece as Diretrizes Curriculares para implementação da
mesma. Assim para Ribeiro (2005), o preconceito, a exclusão e a diferença no
25
tratamento aos afrodescendentes começam a ganhar os bancos escolares e
também os livros, com objetivo de desconstruir a imagem que se tem do negro.
Essa lei de nº 10.639 institui a obrigatoriedade do ensino da História da
África e dos africanos no currículo escolar de ensino fundamental e médio. Ribeiro
(2005) diz que essa decisão resgata historicamente a contribuição dos negros na
construção e formação da sociedade brasileira, o que lhe dá uma valoração
diferente da que possui atualmente..
Mesmo com a criação dessa lei, dando a diretriz por onde se deveria
caminhar para a diminuição da falta de informação, bem como, a exclusão do negro
em nossa sociedade, foi criada em 21 de Março de 2003, a Seppir (Secretária
Especial de Políticas e Promoção da Igualdade Racial), que de acordo com Ribeiro
(2005), instituiu a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
Para Ribeiro (2005), desta forma, recoloca-se a questão racial na agenda
nacional, ressaltando a importância de serem adotadas políticas públicas afirmativas
de forma democrática, descentralizada e transversal. Tendo como principal objetivo
promover alteração positiva na realidade vivenciada pela população negra e trilhar
rumo a uma sociedade democrática, justa e igualitária. Tentando reverter os
perversos efeitos de séculos de preconceito, discriminação e racismo.
Todos esses dispositivos legais; bem como, reivindicações e propostas do
Movimento Negro ao longo do século XX, segundo CNE (Conselho Nacional de
Educação), apontam para a necessidade de diretrizes que orientem a formulação de
projetos empenhados na valorização da história e cultura dos afro-brasileiros e dos
africanos, assim como comprometidos com a educação de relações étnico-raciais
positivas, e que tais conteúdos devem conduzir políticas e ações afirmativas, tais
como:
A CNE (2005) (Conselho Nacional de Educação), o que se deve salientar é
que tais políticas têm como meta o direito dos negros se reconhecerem na
cultura nacional, expressarem visões de mundo próprias a sua realidade e
seu passado. Manifestando com autonomia, individual e coletiva, seus
pensamentos. Que tais políticas têm como meta o direito dos negros, assim
como de todos os cidadãos brasileiros, cursarem cada um dos níveis de
ensino, em escolas devidamente instaladas e equipadas, orientados por
professores qualificados para o ensino das diferentes áreas de
conhecimento. (DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A
EDUCAÇÃO, 2005, p.10)
Pensando na capacitação de profissionais para que
cada vez mais
qualificados para efetivamente terem ações pedagógicas coerentes com o
26
compromisso de resgate da subjetividade do ser humano, o conselho nacional de
educação aponta:
Segundo a CNE (2005), teremos profissionais com formação para lidar com
as tensas relações produzidas pelo racismo e discriminações, sensíveis e
capazes de conduzir a reeducação das relações entre diferentes grupos
étnico-raciais, ou seja, entre descendentes de africanos, europeus, asiáticos
e povos indígenas. Essas condições materiais das escolas e de formação
dos professores se tornam indispensáveis para que haja uma educação de
qualidade, para todos, assim como o reconhecimento e valorização da
história, cultura e identidade dos descendentes africanos. (DIRETRIZES
CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO, 2005, p.13).
O principal instrumento para isso é o encaminhamento de diretrizes que
nortearão a implementação de ações afirmativas no âmbito da administração pública
federal. Desta forma, segundo Ribeiro (2005), é necessário buscar articulações com
estados, municípios, ONGS (Organizações Não-Governamentais) e iniciativa
privada, para que haja da sociedade num todo em conflitos.
Ribeiro (2005) ainda ressalta que a Seppir (Secretária Especial de
Políticas e Promoção da Igualdade Racial) no cumprimento de sua missão, tem
parceria com o MEC (Ministério da Educação) por meio das suas secretarias e
órgãos que estão imbuídos do mesmo espírito, ou seja, construir as condições reais
para as mudanças necessárias do sistema educacional. Assim, essas parcerias se
tornam parte de um desafio, para que de uma vez por todo o combate ao racismo e
a promoção da igualdade, de oportunidades entre os diferentes grupos étnicos que
compõem a rica nação brasileira, possam se consolidar.
A mudança de concepção do negro na sociedade brasileira é um
resultante, processual de vários mecanismos, tais como: agentes, instituições, mídia,
para que se possa realmente inverter os discursos e tratar com igualdade o
diferente. Resgatar a identidade através de ações educativas dirigidas, como por
exemplo, um trabalho com áreas específicas do conhecimento:
“... o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, evitando-se
distorções, envolverá articulação entre passado, presente e futuro no âmbito
de experiência, construções e pensamentos produzidos em diferentes
circunstâncias realidades do povo negro. É um meio privilegiado para a
educação das relações étnico-raciais e tem por objetivos o reconhecimento
e valorização da identidade, história e cultura afro-brasileiras, garantia de
seus direitos de cidadãos, reconhecimento e igual valorização das raízes
africanas da nação brasileira, ao lado das indígenas, européias e asiáticas.
Ainda assim, ações educativas de combate ao racismo e as discriminações,
passam também por alguns pontos e princípios, que serve de conexão para
objetivos e estratégias traçadas para melhor compreensão e inserção do
negro em nossa sociedade de forma igualitária (DIRETRIZES NACIONAIS
PARA A EDUCAÇÃO, 2005, p. 20).
27
Ribeiro (2005, p.27) indica alguns pontos para a elaboração de novas
didáticas para a sala de aula:
a) A conexão dos objetivos, estratégias de ensino e atividades com a
experiência de vida dos alunos e professores, valorizando aprendizagens vinculadas
às suas relações com pessoas negras, brancas, mestiças, assim como as
vinculadas às relações entre negros, indígenas e brancas no conjunto da sociedade;
b) Valorização da oralidade, da corporeidade e da arte, por exemplo, como
a dança, marcas da cultura de raiz africana, ao lado da escrita e da leitura;
c) O cuidado para que se dê um sentido construtivo à participação dos
diferentes grupos sociais, étnico-raciais na construção da nação brasileira, aos elos
culturais e históricos entre diferentes grupos étnico-raciais, às alianças sociais e,
d) a participação de grupos do Movimento Negro, e de grupos culturais
negros, bem como da comunidade em que se insere a escola, sob a coordenação
dos professores, na elaboração de projetos político-pedagógicos que contemplem a
diversidade étnico-racial.
Este desenvolvimento pode e deve se estender até bairros, localidades,
municípios,
regiões
(exemplos:
associações
negras
recreativas,
culturais,
educativas, artísticas, de assistência, de pesquisa, irmandades religiosas, grupos do
Movimento Negro). Assim, será dado melhor destaque aos acontecimentos e
realizações próprias de cada região e localidade. (CNE, 2004, p. 21).
Ainda de acordo com o Conselho Nacional de Educação (CNE, 2004),
datas significativas para cada região e localidade serão devidamente assinaladas. O
dia 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo, será um dia também
para se refletir sobre a historicidade do negro e os momentos de lutas.
Trabalhar numa perspectiva de recolocação do negro na cultura brasileira
implica na potencialização de lutas específicas dos movimentos que levantam essas
“bandeiras”, o dia 20 de Novembro, segundo o CNE (2004), será celebrado o Dia
Nacional da Consciência Negra e ainda, a aprovação do dia 21 de março, Dia
Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação.
Para as datas significativas, ainda vale ressaltar entre outras datas de
significado histórico e político, ainda neste âmbito de ensino da cultura afrobrasileira, conciliando passado, presente e futuro.
28
Estas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações
Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, estão
ligadas com a Seppir (2003) (Secretária Especial de Políticas e Promoção da
Igualdade Racial), que pertence ao Ministério da Educação e tem como função
promover a alteração positiva na realidade vivenciada pela população negra e trilhar
rumo a uma sociedade democrática, justa e igualitária, revertendo os perversos
efeitos de séculos de preconceito, discriminação e racismo.
Os órgãos normativos como a Seppir, CNE e a Lei de Diretrizes
Curriculares têm a tarefa de adequar o proposto nos pareceres à realidade dos
sistemas de ensino, e a partir das competências dos órgãos executores,
administrações de cada ensino das escolas, definirem estratégias que, quando
postas em ação, viabilizarão o cumprimento efetivo da Lei de Diretrizes e Bases que
estabelece a formação básica comum, como:
O respeito aos valores culturais, como princípios constitucionais da
educação tanto quanto da dignidade da pessoa humana (inciso III do art.1º),
garantindo-se a promoção do bem de todos, sem preconceitos (inciso IV do
art.3º), a prevalência dos direitos humanos (inciso II do art.4º) e repúdio ao
racismo (inciso VIII do art.4º).Cumprir a lei é, pois responsabilidade de todos
e não apenas do professor em sala de aula ou de parte da sociedade.
Exige-se, assim, um comprometimento solidário dos vários elos do sistema
de ensino brasileiro, tendo-se como ponto de partida o presente parecer,
que junto com outras diretrizes e pareceres e resoluções, possuem o papel
articulador e coordenador da organização da educação nacional.
(DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO, 2005,
p. 26).
Pressupõe-se que as medidas e políticas afirmativas quando estruturadas
e definidas como lei, possuem uma “garantia” ainda que pequena de aplicabilidade
no contexto escolar. Essas medidas legislativas aparecem com certo avanço no
sistema educacional, em pensar na temática do Negro, bem como, indica uma nova
relação com a sociedade do negro, através da intervenção do Estado.
29
4 AS CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA
A psicologia contemporânea tem-se caracterizado com um enfoque mais
voltado para as demandas sociais, e de acordo com Balbino (2008) a atuação
competente e tendências inovadoras têm surgido em todas as áreas da psicologia.
Segundo o autor, dados obtidos em pesquisas, conferências e congressos do
Conselho Federal de Psicologia apontam para essa necessidade, havendo inclusive
certa homogeneidade de propostas entre os profissionais das diferentes áreas. Isto
se traduz em formação básica generalista sólida, além da formação tecnicista tão
vigente ainda hoje nos cursos, e da ética comprometida com os problemas sociais.
Verifica-se uma grande quantidade de trabalhos e pesquisas que se
propõem a compreender, enumerar e discutir os problemas da psicologia e da
formação dos psicólogos. Com base nessas pesquisas as análises e discussões
sobre a psicologia, vislumbram mudanças concretas de ação, que constituem um
passo além das críticas e denúncias, na busca de um novo fazer.
4.1 O papel da Psicologia Escolar na Sociedade Atual
Para
Balbino
(2008),
o
conhecimento
produzido
na
psicologia
freqüentemente é centrado muito no aspecto individual, excluindo uma análise mais
aprofundada dos aspectos socioeconômicos e políticos, e contribuindo para a falta
de contextualização do saber psicológico aos longos dos anos. Esse mesmo tipo de
orientação e análise também era adotado nas orientações teórico-práticas na área
de psicologia escolar.
Por isso, segundo Balbino (2008), contribuir para um ajustamento global
da criança, procurando encontrar soluções adequadas para as diversas situações ou
dificuldades apresentadas pelos alunos através do diagnóstico, orientação e
encaminhamento dos casos, além do estudo sistemático de todos os alunos do
primeiro e últimos anos escolares.
De acordo com o autor o psicólogo escolar não deve se acomodar ao
“psicologismo”, tentando lidar com o aluno apenas na dinâmica intrapsíquica, mas
considerando a sua realidade histórica e social. Por isso, para superar a atuação
30
individualista, principalmente no que diz respeito à solução de casos de “alunos
problemas”, o autor sugere um trabalho preventivo com pais e professores.
Ao analisar as relações entre sociedade, educação e psicologia escolar, é
interessante criar a possibilidade de aprofundar a leitura crítica em relação aos
conhecimentos, repassados nesta área, e ao papel assumido pelo psicólogo escolar
na sociedade. Avaliando principalmente a formação dos psicólogos, privilegiando a
formação em psicologia clínica em seu sentido mais restrito em detrimento, muitas
vezes, as outras áreas. Balbino (2008)
O autor ressalta as práticas voltadas para o diagnóstico e o tratamento de
distúrbios da personalidade; bem como, salienta que os cursos não têm dedicado a
devida atenção à formação do psicólogo de modo a motivá-lo e prepará-lo para o
exercício de uma função profilática e libertadora, juntos as camadas oprimidas da
população, na qual posso fazer psicologia sem psicologizar e fazer ciência sem
cientificar. No entanto, apesar de tentar redefinir seu papel social e priorizar a
psicologia escolar nos cursos, percebe-se, ainda hoje, que o “clinicismo” é destaque
na formação e na prática psicológica em vários cursos.
Muitas vezes na ação escolar, segundo afirma Almeida (2006), a
psicologia reforça a culpabilização que recai sobre o aluno e isenta os fatores
intraescolares e as questões sociais da promoção do fracasso escolar, através da
psicologia escolar. Essas críticas revelam-se muito pertinentes para a prática do
psicólogo escolar, pois tendo sua atuação diretamente voltada para a escola esse
profissional exerce grande influência nas concepções dos profissionais da
Educação.
A Psicologia aplicada à educação é propulsora de grandes mudanças na
escola, segundo Almeida (2006), no entanto alvo de poucos investimentos nos
cursos de formação de psicólogo.
A disciplina Psicologia Escolar e Problemas de Aprendizagem, em muitos
centros de formação é o único contato com essa área que o estudante tem, Almeida
(2006) afirma que:
“... o curso deve preparar o profissional dando-lhe instrumentos para
resolvê-los, mas com concepções que excluem a idéia de que é na
interação com o meio e na apropriação dos símbolos e instrumentos já
desenvolvidos que se constrói o ser humano”. (ALMEIDA, 2006, p.26).
31
Ainda assim, o modelo de atuação pautado em diagnóstico, vem
recebendo muitas críticas. Sobretudo por aqueles que afirmam ser esse tipo de
atendimento uma transposição acrítica dos modelos da Psicologia Clínica para a
Educação, porém, os profissionais querendo
superar o modelo clínico,
se
distanciam de uma atitude clínica, o que, sem dúvida contribuiu para o agravamento
da crise de identidade do psicólogo escolar.
Para Almeida (1999), os posicionamentos críticos parecem não ter
oferecido modelos teóricos, que pudessem subsidiar outras práticas profissionais
dos psicólogos na escola, e as análises psicológicas passaram a ser vistas como
reacionárias.
Nesta nova configuração do papel do psicólogo escolar, uma nova
identidade busca ser delineada, uma ação que resgate o cuidado singular do
indivíduo na escola; porém, que seja ampliado para contextualizações dos temas
sociais que permeiam este ambiente, transitar entre ações que se apóiam na
perspectiva clínica e inserir na escola análise das produções da psicologia social,
talvez isso se apresente como o maior desafio do psicólogo escolar, discutir a
formação do homem seu psiquismo e sua relação e inserção no meio social
Segundo Lane e Sawaia (1995), entender o porquê deste processo sóciohistórico é um desafio das ciências do homem. Sendo assim, a Psicologia Social,
traz uma grande contribuição nas suas produções, compreendendo por que o
homem, que é um ser de relações, que sabe que sem o outro não há humanidade, e
mesmo assim vive em constante conflito interpessoal
Lane e Sawaia (1995) argumentam que são inúmeros os estudos que
apontam para a natureza social do homem, devendo ser dividido com o meio o
processo de construção de cada um, correspondentes a elementos particularizados
e coletivizados.
Desvelar os vários níveis de opressão e exclusão seja em que âmbito for
(escolar, família, em sociedade), no qual o indivíduo está sujeito, e como ele
resiste e agüenta submeter-se ás certas condições humilhantes. é preciso
pesquisar, para conhecer a maneira como esse processo se objetiva no
cotidiano deste indivíduo e como ele vivencia este momento de sua vida,
buscando onde a motivação, emoção, pensamento, sonho, desejo, fantasia,
representações nestes diferentes agentes sociais.(LANE E SAWAIA,
1995,p.165).
Mas, para que todo esses aspectos intrínseco a formação do indivíduo e
presente também na escola possam ser reconhecidos de forma coerente o
Psicólogo Escolar deve assumir um papel estratégico, percebendo todas as nuances
32
que permeiam as relações, os discursos, as práticas
na escola, bem como,
contribuir com sua atuação para a eficiência deste processo.
Utilizando-se dos conhecimentos da Psicologia do Desenvolvimento,
Psicologia da Aprendizagem, Psicologia da Educação e da Psicologia
Escolar. Nos estudos para a elaboração dos conteúdos básicos de cada
série...(COSTA, 2006, p. 23).
Para o autor essa atuação pode estar presente também nos currículos
escolares, no planejamento e execução das Semanas de Planejamento, Cursos de
Aperfeiçoamento e Atualização dos Profissionais. Em reuniões deve participar com
propostas concretas e bem elaboradas para que toda a equipe técnico-pedagógica
atinja seus objetivos específicos e gerais.
Segundo Costa (2006, p. 36) diretamente: para uma atuação direta deve
planejar ações que objetivem assessorar o corpo docente, auxiliando-o na resolução
de problemas pedagógicos, principalmente naquilo que interfere ou prejudica o
processo de transmissão e assimilação do conhecimento.
Já de uma forma indireta, lembra que:
Para uma atuação indireta deve inteirar-se do planejamento elaborado pelo
Supervisor Escolar no que diz respeito às ações que este profissional
desenvolve juntos aos professores e, procurando perceber como os
diversos setores da escola concebem o docente, ou seja, que importância
lhe é atribuída. (COSTA, 2006, p.38).
O autor ressalta como meta do ensino a transformação global do
educando para que este atinja o desenvolvimento satisfatório das suas
potencialidades. Torna-se então, imprescindível que o Psicólogo Escolar possua um
profundo conhecimento da vida escolar, do processo educativo e das dificuldades
que os agentes, principalmente o professor enfrenta, fornecendo subsidio teórico e
vivencial para esta superação.
Todo elemento, em uma comunidade humana, tem uma responsabilidade
em educação e por isso cabe ao Psicólogo Escolar a ação de mediador, bem como,
promovedor de esclarecimento e reflexão acerca do papel de cada um no grupo
educacional.
O campo de intervenção do psicólogo escolar é bastante amplo e
complexo. Balbino (2008) entende que é necessário repensar o “mito” da psicologia
clínica nas escolas, muitas vezes ainda vista como “solucionadora” de problemas.
Essa prática, além de apresentar-se como reducionista e paliativa, de certa forma
impede também, o florescimento de intervenções mais maduras e profundas.
33
Ressalta-se a importância do compromisso de um “conhecimento” e “fazer”
psicológicos na escola, atrelados à transformação social da sociedade brasileira.
Para Balbino (2008, p.27), o psicólogo é visto como: “Agente social ativo,
discutindo e redefinindo seu papel profissional na busca de uma maior contribuição
na solução dos inúmeros problemas da educação no Brasil.” Esses problemas
citados pelo autor são: alto índice de analfabetismo, evasão e reprovação,
inadequação do ensino, desqualificação do professor, violência nas escolas, drogas,
prostituição infantil, gravidez precoce, prevenção e DSTs, etc.
4.2 O Psicólogo Escolar e as Temáticas Voltadas para o Negro
Dentro do conjunto temático apresentados pela psicologia, verifica-se
através das problematizações que a Psicologia Brasileira tem conferido pouca
atenção sobre a questão da diversidade étnica, destacamos aqui o trabalho de
Ferreira (2004) que faz um levantamento com quase 5 mil artigos, de periódicos e
teses da Psicologia brasileira; ainda assim há somente 11 que tratam de alguma
forma de preconceito racial e de elementos vinculados à questão étnica afrobrasileira.
Segundo Ferreira (2004), a Psicologia não vem tratando do tema, pois se
percebe que dos três eixos raciais principais que formaram a nação brasileira, o
indígena e o africano permanecem intactos de serem objetos de investigação e
exploração por parte dos psicólogos.
Esconder o tema racismo e não reconhecê-lo, faz parte de um contexto
para manutenção da discriminação racial brasileira. Na realidade no Brasil, o
racismo se estrutura a partir do não conhecimento do problema. Assim, dizem que o
racismo brasileiro é o que denota uma perversidade maior, pois temos o fruto de
uma ideologia social, no mito de uma democracia racial. Desta forma, pode-se inferir
que a Psicologia brasileira de certa forma, se revela cúmplice deste mito.
Para Vinicius (2002), essa omissão traz consigo prejuízos para os
indivíduos, que sofrem a discriminação social, e para a própria Psicologia. A primeira
questão a ser levantada é que a Psicologia não reconhecendo o problema da
discriminação racial, deixa de cooperar para esclarecer uma experiência social
extremamente relevante, que é a desqualificação que o indivíduo recebe
socialmente.
34
Essa relação gera uma série de questões de identidade nas quais esse
indivíduo não pode, com conforto e com tranqüilidade, reconhecer a si próprio, ou
ele se reconhece como algo negativo e desvalorizado. Outro aspecto é que além
deste fato de reconhecimento negativista, a Psicologia não tem contribuído para
conhecer mais a própria construção subjetiva da negritude e deixa de contribuir para
evitar, ou para diminuir, os efeitos devastadores da discriminação (VINICIUS, 2002).
Na verdade, o que se percebe segundo Crochík (1997), nessa construção
e mudança diária social, é o preconceito de marca, que é o preconceito em relação à
aparência. Por meio deste preconceito, é muito difícil as pessoas enxergarem o
negro de outra forma. Ele é sempre visto de forma inferiorizada, se comparado ao
branco.
Foi a partir dos anos 20 que o preconceito passou a ser estudado e
trabalhado como “atitude psicológica”. Até então, era compreendido como uma
teoria. Um exemplo disto, é que os negros eram tidos como inferiores aos brancos, e
os teóricos buscavam justificar e entender esse fato. No entanto, com o avanço dos
movimentos raciais e das lutas por direitos civis nos EUA, esse direcionamento foi
mudando e os estudiosos então, mudaram o enfoque para tentar explicar “o que leva
algumas pessoas a supor que são superiores as outras”.
Isto talvez sirva para justificar a desigualdade racial existente ou a
pretensão de amenizá-la de alguma forma, pois a discriminação claramente está
inserida no preconceito. Quando a discriminação não ocorre, o preconceito pode
estar embutido, por exemplo, sobre alguém, através de sua aparência, aí se tem de
lidar com ele antes que se torne declarado e manifestado. Ao se tratar apenas da
discriminação e não o preconceito deixa-se de lado uma tendência que pode
explodir em outro momento.
Segundo Silveira (2007), é de fundamental importância o conhecimento e
compreensão sobre os Direitos Humanos nas Políticas Públicas, pois é através
destes reflexos que são descritas ações e estratégias para conquistas desses
direitos, para combater qualquer tipo de desigualdade e garantir às pessoas uma
sociedade, na qual todos tenham uma vida digna. Sendo assim, existem dois
elementos que fundamentais dos Direitos Humanos:
Igualdade: os direitos humanos são intitulados por todos os indivíduos pelo
mero fato de serem Seres Humanos; e Dignidade esta concepção permite
que junto ao conceito de igualdade haja o reconhecimento da diferença, tais
como aquelas relacionadas ao gênero, á raça, á idade, etc., mas a
35
igualdade de dignidade concede a qualquer ser humano o caráter de fim em
si mesmo e não de mero meio para outros fins. (SILVEIRA, 2007, p.29).
Os Direitos Humanos são valores construídos pela humanidade, e visam
ser trabalhados constantemente na cultura e nos costumes das diversas sociedades
que compõem o nosso planeta. Cabe, então à Psicologia enquanto ciência e
profissão se comprometer com essa construção, pois qualquer tipo de prática que
não discuta a dignidade e ética do ser humano deve ser repudiada e desconstruída.
A Psicologia tem grandes contribuições e um papel primordial de ajuda aos
indivíduos e aos grupos sociais na superação e construção das relações humanas.
Silveira (2007) cita outro conceito para ser discutido pela Psicologia que é
o de exclusão e inclusão, agregando a partir destes elementos, outros temas como:
opressão, dominação, exploração, subordinação, A inclusão vem sendo utilizada no
processo pelo qual as pessoas que necessitam de condições especiais, possam
gozar de direitos iguais aos demais cidadãos ou exercerem a sua cidadania.
No vasto campo teórico da Psicologia, cabe a ela diagnosticar e tratar à
diversidade, construindo meios de exercício à cidadania, juntamente com as
Políticas
Públicas,
utilizando
de
mecanismos
de
prevenção,
reabilitação,
equiparação de oportunidades para a promoção do respeito e convivência à
diversidade independente de qual seja a característica do indivíduo, seja ela de
ordem física, racial, cognitiva ou cultural, (SILVEIRA, 2007).
36
5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS
Durante levantamento de dados relacionados com a temática do trabalho,
selecionou-se para este estudo um grupo de periódicos publicados na área de
Psicologia.
Foram pesquisados 11 periódicos para cada ano, que compuseram o
total de 169 obras analisadas, desde 2004.
Com este levantamento, no ano de 2004 (tabela 1) das 32 consultas,
encontrou-se
apenas
1
artigo
relacionado
ao
tema
e
que
corresponde
aproximadamente a 9,10% das publicações referentes àquele ano, e nos anos de
2008 e 2009 obteve-se o mesmo resultado (9,10%) dos 11 periódicos consultados
respectivamente para cada ano.
No ano de 2005 (tabela 2) a porcentagem para os 11 periódicos
consultados, ficou em 18,20% ou seja, apenas 2 artigos traziam relação com a
temática, isto se faz repetir em 2007 (tabela 4). Já em 2006 (tabela 3), 3 artigos dos
11 periódicos apresentavam alguma menção ao tema, que corresponde a 27,30%,
sendo o ano com maior índice de artigos relacionados à pesquisa.
As tabelas e o gráfico abaixo mostram como foram distribuídas as
quantidades e as porcentagens dos 11 periódicos consultados para cada ano.
Tabela 1 – Publicações de Periódicos na Psicologia no ano de 2004
ANO
(2004)
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
TOTAL
QUANTIDADE DE
REVISTAS
PESQUISADAS
TRIMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
11 REVISTAS
QUANTIDADE DE
ARTIGO NA
TEMÁTICA
1
1
37
Tabela 2 – Publicações de Periódicos na Psicologia no ano de 2005
ANO
(2005)
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
TOTAL
QUANTIDADE DE
REVISTAS
PESQUISADAS
TRIMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
11 REVISTAS
QUANTIDADE DE
ARTIGO NA TEMÁTICA
1
1
2
Tabela 3 – Publicações de Periódicos na Psicologia no ano de 2006
ANO
(2006)
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
TOTAL
QUANTIDADE DE
REVISTAS
PESQUISADAS
TRIMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
11 REVISTAS
QUANTIDADE DE
ARTIGO NA TEMÁTICA
1
1
1
3
38
Tabela 4 – Publicações de Periódicos na Psicologia no ano de 2007
ANO
(2007)
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
TOTAL
QUANTIDADE DE
REVISTAS
PESQUISADAS
TRIMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
11 REVISTAS
QUANTIDADE DE
ARTIGO NA TEMÁTICA
1
1
2
Tabela 5 – Publicações de Periódicos na Psicologia no ano de 2008
ANO
(2008)
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
TOTAL
QUANTIDADE DE
REVISTAS
PESQUISADAS
TRIMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
11 REVISTAS
QUANTIDADE DE
ARTIGO NA TEMÁTICA
1
1
39
Tabela 6 – Publicações de Periódicos na Psicologia no ano de 2009
ANO
(2009)
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
TOTAL
QUANTIDADE DE
REVISTAS
PESQUISADAS
TRIMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
QUADRIMESTRAL
QUADRIMESTRAL
SEMESTRAL
11 REVISTAS
QUANTIDADE DE
ARTIGO NA TEMÁTICA
1
1
Tabela 7 – Total de Periódicos Publicados entre os anos de 2004 a 2009
REVISTAS
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
TOTAL
QUANTIDADE DE
EXEMPALRES DE 2004
A 2009
24
12
5
17
9
20
11
20
18
21
12
169
QUANTIDADE DE
ARTIGO NA TEMÁTICA
1
1
1
2
2
3
10
40
No Gráfico 1 apresentado abaixo se demonstra a evolução dos 11
periódicos consultados para cada ano conforme as palavras chaves pesquisadas:
Identidade, Preconceito, Racismo, Subjetividade, Branqueamento.
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
2004
2005
2006
2007
2008
2009
Gráfico 1 – Evolução dos 11 periódicos consultados para cada ano.
Através destes dados, considera-se a baixa produtividade no campo da
Psicologia, referente às questões que envolvem o desenvolvimento da identidade da
criança negra na sociedade brasileira. O que por sua vez, indica um espaço a ser
preenchido pela psicologia em questões sociais que envolvam desconstruir
estereótipos que produzem exclusão social.
Embora se identifique atualmente na sociedade uma gama infinita de
temas sociais, nos quais a psicologia pode adentrar, contribuindo na promoção de
alguma espécie de mudança de comportamento e atitude, enfatizamos aqui,
referente à realidade pesquisada a urgência pelo menos no âmbito escolar, do
psicólogo situar-se com relação à discriminação produzida na escola que afeta
diretamente a representação da imagem da criança negra sobre si mesma.
Identifica-se também através destas problemáticas que a Psicologia
Brasileira tem conferido pouca atenção sobre a temática da diversidade étnica, que
41
segundo Ferreira (2004), a pesquisa e reflexão acerca da temática do negro é
irrelevante em comparação com as inúmeras produções na área.
Conforme Vinicius (2002) o distanciamento apresentado pela psicologia em
discutir as temáticas raciais, gera um duplo prejuízo, para os indivíduos que sofrem a
discriminação social e estão sujeitos a um sofrimento psíquico na sua formação de
eu; e para a própria Psicologia, que fica alheia ao cotidiano social, não cumprindo
com seu papel formativo e transformador.
Reconfigurar as relações sociais, capacitar os professores, implantar
programas que estimulem a valorização da criança negra, fortalecendo seu
sentimento de identidade enquanto pessoa, se apresentam como pontos de pauta
de uma psicologia inovadora e contemporânea.
De acordo com Balbino (2008), verifica-se atualmente uma quantidade
crescente de trabalhos e pesquisas que se propõem a compreender, enumerar e
discutir os problemas da psicologia e da formação dos psicólogos. Com base nessas
pesquisas as análises e discussões sobre a psicologia, vislumbram mudanças
concretas de ação que constituem um passo além das críticas e denúncias, na
busca de um novo fazer, visualiza-se uma psicologia mais voltada para questões
sociais com estratégias concretas de atuação.
42
6 CONCLUSÃO
Durante a realização deste trabalho percebeu-se que as produções
temáticas na área de Psicologia quase não abordam sobre a formação da identidade
da criança negra, nem mesmo dando ênfase a temas relacionados, tais como a
discriminação racial ou o preconceito dentro do âmbito escolar.
Outro aspecto relevante observado durante a construção desse trabalho
foi à ausência de livros e a falta de autores da área da Psicologia na discussão
sobre a temática do negro. No entanto, apesar da falta de autores referentes à
temática, destaca-se o trabalho do Psicólogo Ricardo Franklin Ferreira, que em seu
livro (Afro descendente – Identidade em Construção), onde este destaca o papel
defasado do Psicólogo na questão da problemática do afro-descendente em sua
afirmação da identidade de forma positiva.
A discussão sobre o racismo, preconceito e inserção da criança negra,
começa a acontecer de forma mais sistemáticas através das políticas de leis
aprovadas nos últimos anos, como a lei 10.639/03 que começa a inserir livros
didáticos capazes de ressaltar a história do negro brasileiro, bem como, sugere
trabalhos voltados a todos os alunos para o conhecimento desta etnia.
Tais práticas possibilitam, ao contingente de crianças negras que se
sentem desqualificadas diante da experiência de um sistema educacional que lhes
apresenta uma imagem distorcida sobre si mesmo, através das ações afirmativas,
vivenciar uma nova perspectiva da diferença racial, e conquistar seu espaço social,
condição esta de todo e qualquer ser humano.
Um dos aspectos mais importantes da interferência da escola na formação
da identidade da criança negra é a figura do professor, este é elemento chave para
que muitos avanços possam ocorrer. Apesar disto, se pode ressaltar a pouca
capacitação do meio docente quanto ao tema, bem como a limitação das escolas,
que
não
utilizam
novas
didáticas
para
trabalhar
a
inclusão
da
cultura
afrodescendente e valorização das origens e diferenças. Desta forma, a escola
ainda é um espaço no qual existem muitas defasagens, que a impedem de fornecer
à criança negra, elementos saudáveis na formação de sua identidade.
O psicólogo escolar ainda possui precariedades na execução de suas
funções nesta perspectiva, sua ação na escola muitas vezes é diluída em diferentes
43
pontos de atuação, não sendo nem sequer mencionado um trabalho de cunho social
que se caracterize pela desconstrução dos estigmas que o negro recebe na escola.
Embora com uma ação limitada em vários contextos, a psicologia
contemporânea busca cada vez mais estar inserida nos diversos espaços que atua,
na garantia e defesa dos direitos do ser humano. Historicamente muitos avanços
podem ser apontados como positivos e de crescimento acelerado dentro da
sociedade como um todo, o papel e a função do psicólogo sofreu visível mudanças.
Embora se discuta o papel da psicologia no tema, corrigir este estigma da
desigualdade atribuído às diferenças raciais se constitui em tarefa de todos, e já são
numerosos os que contribuem para atingir esse objetivo, como a presença de
Movimentos Negros e ONGs, por exemplo.
Nesta pesquisa constatou-se que a identidade é uma construção social,
estabelecida através da representação social que o meio atribui ao indivíduo,desta
forma, quando a criança negra se depara com uma imagem negativa do negro,
apresentada pela sociedade em geral e reforçada na mídia e na escola, isso
inevitavelmente irá atuar no seu psiquismo, gerando um sentimento de inferioridade
e baixa autoestima.
A escola por ser um espaço de convívio e aprendizado social deveria estar
habilitada e estruturada para receber crianças das mais diversas culturas,
constituição física, valores religiosos, etc., e acolhê-las, desenvolvendo em cada
competência interpessoal, fundamental para que o indivíduo possa desenvolver-se
saudavelmente no meio que está inserido.
A conclusão deste trabalho está baseada no sentido de que não somente
as políticas sociais, econômicas e de inclusão do negro em alguns processos da
iniciativa privada ou pública vão solucionar o problema do racismo. Mas, há que se
buscar uma interação do saber científico, visando entender as raízes profundas que
levam as pessoas a diferenciarem outras pelo seu tom de pele ou por seu passado
histórico de marginalização.
A realização de pesquisas apontando a realidade do negro em diversos
contextos; bem como, problematizando-a de diferentes formas, gera cada vez mais
elementos que desmistificam e desmascaram o preconceito racial, além de fornecer
dados para planejamentos estratégicos e desenvolvimento de programas.
44
Este estudo conclui a urgência da vinculação dos trabalhos e das
reflexões desenvolvidos na psicologia escolar e social, com o intuito de fortalecer
aprofundamentos em ações eficazes na desconstrução dos preconceitos a que está
submetida à criança negra na escola.
45
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de. Psicologia escolar: ética e competência na
formação e atuação profissional. Campinas, SP: Alínea, 2003. 194 p.
BALBINO, Vivina do Carmo Rios. . Psicologia e psicologia escolar no Brasil:
formação acadêmica, práxis e compromisso com as demandas sociais. São Paulo:
Summus, 2008. 203 p.
BRASIL Ministério da Saúde Secretaria Especial de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das
relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e
africana. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2004. 35 p.
CAMPOS, Regina Helena de Freitas; GUARESCHI, Pedrinho A. (Org.). Paradigmas
em psicologia social: a perspectiva Latino-Americana. 2. ed Petrópolis, RJ: Ed.
Vozes, 2002. 222 p.
COSTA, Carmem Rodrigues da; RONCAGLIO, Sônia Maria; SOUZA, Iara Elizabeth
Redwitz de. Momentos em psicologia escolar. 2. ed Curitíba, PR: Juruá, 2006.121
p.
CROCHÍK, José Leon. TEORIAS. Disponível em:
<http://www.crpsp.org.br/crp/midia/jornal_crp/115/frames/fr_teorias.aspx>
Acesso em: 19 de Maio de 2010.
ERIKSON, Erik H.; VERONESE, Maria Adriana Veríssimo. O ciclo de vida
completo. Porto Alegre: Artmed, 1999. 111 p.
GONÇALVES, Luiz Alberto Oliveira apud LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA
FILHO, Luciano Mendes de; VEIGA, Cynthia Greive. 500 anos de educação no
Brasil. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. 606 p.
HADDAD, Fernando. Diretrizes Curriculares nacionais para a educação das
relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e
africana. Brasília, 2005.35 p.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 6.ed Rio de Janeiro:
DP&A, 2001. 102 p.
46
LANE, Silvia T. Maurer; SAWAIA, Bader Burihan. Novas veredas da psicologia
social. São Paulo: EDUC, 1995. 168 p.
LANE, Silvia. Psicologia social: O homem em movimento. São Paulo. Ed.
Brasiliense, 1997.
LOUREIRO, Stefânie Arca Garrido. Identidade étnica em re-construção: a
ressignificação da identidade étnica de adolescentes negros em dinâmica de grupos,
na perspectiva existencial humanista. Belo Horizonte: Lutador, 2004. 220 p.
MUNANGA, Kabengele. Superando o racismo na escola. Brasília: Ministério da
Educação, 2005. 204 p.
PAPALIA, Diane E; OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento humano. 7.ed Porto
Alegre: Artmed, 2000. 684 p.
POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1999.
190 p.
RIBEIRO, Matilde. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das
relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e
africana. Brasília, 2005.35 p.
SAWAIA, Bader Burihan. As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética
da desigualdade social. 6. ed Petropolis, RJ: Vozes, 2006. 156 p.
SILVA, Tomaz Tadeu da; HALL, Susan J.; WOODWARD, Kathryn. Identidade e
diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Rio de Janeiro: Vozes, 2005. 133
p.
SILVEIRA, Andrea Fernanda CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO
PARANÁ. . Caderno de psicologia e políticas públicas. Curitiba: Conselho
Regional de Psicologia do Paraná, 2007. 50 p.
VINÍCIUS, Marcus. Um mundo Melhor. Disponível em:
<http://www.crpsp.org.br/crp/midia/jornal_crp/132/frames/fr_um_mundo_melhor.aspx
>. Acesso em: 19 de Maio de 2010.
Download

a formação da identidade da criança negra no contexto escolar