IntegrantesPromopetro: Coordenador: Professor Sérgio Lucena Edição de Apostilas Aklécio N. Silva Paloma Boa Vista Felix Sérgio Lucena Valnísia Nogueira Capa Cléber Souza APLICAÇÃO DA ENGENHARIA FÍSICA À Objetivos: Apresentar os conceitos da física, e discutir exemplos de fixação baseados em casos típicos da engenharia. Através de casos do dia a dia, mostramos uma ligação entre tais conceitos e sua utilização em situações práticas. Projeto Promopetro: O projeto tem como metodologia a elaboração de material didático impresso e multimídia sobre as disciplinas de ensino médio, e fará uso da simulação computacional, de aulas expositivas e práticas possibilitando visualização de unidades de processo através de maquetes virtuais. As apostilas fazem ligações entre as informações e conhecimentos sobre assuntos abordados na Engenharia e assuntos que podem ser estudados no ensino médio. A metodologia procura utilizar conceitos ligados à engenharia para estabelecer uma forte conexão entre as atividades de ensino das ciências exatas, como matemática, física, químicae informática, e as áreas de processos petroquímicos e de biocombustíveis. Isto permitirá envolver os alunos de ensino médio com os problemas tecnológicos e a escolha do seu futuro profissional. Estas disciplinas ligadas à engenharia, mesmo abordadas dentro de uma perspectiva de ensino médio trazem informação e conteúdo para uma formação adequada do aluno, e fazem uso de uma forte base das ciências exatas. A concepção do processo químico, o dimensionamento dos equipamentos, o desenho dos equipamentos de processo e o simulador computacional de processos serão aprendidos e executados passo a passo pelos alunos envolvidos. Isso permitirá uma interação entre atividades de ensino superior e as atividades de ensino das ciências exatas no ensino médio. Sumário CAPÍTULO 1: ELETRODINÂMICA ................................................................................... 1 1.1 Corrente elétrica ........................................................................................................... 3 1.4. Resistência ...................................................................................................................... 6 1.4.1 A lei de Ohm ........................................................................................................... 7 1.5 Potência Elétrica ........................................................................................................... 8 1.5.1 Consumo de energia elétrica .......................................................................... 10 1.6 Associação de Resistores .......................................................................................... 10 1.6.1 Associação de Resistores em série ................................................................. 10 1.6.2 Associação de resistores em paralelo ........................................................... 11 1.7 Geradores e receptores ............................................................................................ 16 1.7.1 Geradores .............................................................................................................. 16 1.7.2 Receptores ............................................................................................................. 18 1.8 Medidas elétricas ........................................................................................................ 20 1.8.1 Método da energia ............................................................................................. 20 1.8.2 Método do potencial ......................................................................................... 21 1.9 O Capacitor e suas associações ............................................................................ 23 1.9.1 Capacitor de placas paralelas ....................................................................... 23 1.9.2 Capacitores em série e em paralelo ............................................................. 25 EXERCÍCIOS PROPOSTOS............................................................................................ 31 CAPÍTULO 2: ELETROMAGNETISMO ............................................................................ 36 2.1 Introdução ao Eletromagnetismo .......................................................................... 37 2.2 Campo Magnético gerado por uma corrente elétrica e a Lei de Biot Savart..................................................................................................................................... 38 2.2.1 Força sobre condutores percorridos por corrente elétrica ..................... 39 2.2.2 Condutores paralelos: interação eletromagnética .................................. 41 2.2.3 A lei de Biot Savart ............................................................................................... 42 2.3 Campos em Solenóides e a Lei Circuital de Ampère ...................................... 43 2.4 Força de Lorentz e suas Aplicações ...................................................................... 47 2.5 Indução Eletromagnética, as Leis de Faraday e Friedrich Lenz .................... 47 2.5.1 Fluxo do campo magnético ............................................................................. 47 2.5.2 Lei de Faraday ...................................................................................................... 48 2.5.3 Lei de Lenz ............................................................................................................. 50 EXERCÍCIOS PROPOSTOS............................................................................................ 52 CAPÍTULO 3: ONDAS ................................................................................................... 55 3.1 Movimento Harmônico Simples .............................................................................. 57 3.2 Conceitos Gerais de Onda e a Equação da Onda Harmônica .................. 60 3.3 Propagação de Pulsos – Reflexão e Refração – Equação de Brook Taylor ................................................................................................................................................. 62 3.3.1 Formas de propagação .................................................................................... 62 3.3.2 Reflexão .................................................................................................................. 63 3.3.3 Equação de Brook Taylor .................................................................................. 64 3.4 Elementos de uma onda – Princípios de Huygens-Fresnel – Reflexão e refração de ondas planas – Lei de Snell-Descartes. ............................................... 65 3.4.1 Princípios de Huygens-Fresnel .......................................................................... 66 3.4.2 Reflexão .................................................................................................................. 67 3.4.3 Refração ................................................................................................................. 68 3.5 Difração e Polarização de Ondas ......................................................................... 69 3.6 Superposição de Ondas – Ondas Estacionárias ................................................ 71 3.7 Energia Associada à Onda – Efeito Doppler ...................................................... 72 3.8 Acústica – Propriedades das Ondas Sonoras – Qualidades Fisiológicas do Som – Tubos Sonoros ......................................................................................................... 73 3.8.1 Propriedade das ondas sonoras...................................................................... 73 3.8.2 Velocidade de propagação ........................................................................... 74 3.8.3 Tubos sonoros ........................................................................................................ 75 EXERCÍCIOS PROPOSTOS............................................................................................ 78 CAPÍTULO 4: ÓPTICA GEOMÉTRICA ........................................................................... 81 4.1 Reflexão da Luz em Espelhos Planos ..................................................................... 82 4.1.1 Imagem e Movimento ........................................................................................ 84 4.2 Espelhos Esféricos – Equação de Gauss para os Pontos Conjugados ........ 86 4.2.1 Equação de Gauss .............................................................................................. 87 4.3 Refração da Luz .......................................................................................................... 90 4.4 Dioptros Planos e Dioptros Curvos – Lâminas e Prismas ................................... 92 4.4.1 Formação de imagens em dioptros ............................................................... 92 4.4.2 Equação de Gauss para dioptros planos ..................................................... 93 4.4.3 Lâminas e Prismas ................................................................................................ 93 4.4 Lentes esféricas Delgadas ........................................................................................ 96 4.4.1 Tipos de lentes ....................................................................................................... 96 4.4.2 Comportamento óptico .................................................................................... 98 4.4.3 Equação de conjugação das lentes esféricas delgadas ....................... 99 4.5 Instrumentos Ópticos ................................................................................................ 100 EXERCÍCIOS PROPOSTOS.......................................................................................... 103 CAPÍTULO 5: FÍSICA MODERNA ................................................................................ 107 5.1 Introdução à Relatividade Restrita ...................................................................... 109 5.2 Introdução à Mecânica Quântica – Radiação Térmica – Corpo Negro – Hipóteses de Planck – Efeito Fotoelétrico e Efeito Compton ............................. 110 5.2.1 Radiaçãotérmica .............................................................................................. 111 5.2.2 Hipóteses de Planck .......................................................................................... 112 5.2.3 Efeito Fotoelétrico .............................................................................................. 112 5.2.4 Efeito Compton .................................................................................................. 115 5.3 Modelos Atômicos – O Átomo de Rutherford-Bohr – A experiência de Franck Hertz ....................................................................................................................... 116 5.3.1Modelos Atômicos .............................................................................................. 116 5.4.2 A experiência de Franck Hertz ....................................................................... 120 5.5 Natureza Ondulatória da Matéria – Dualidade Onda-Partícula – Princípios da Exclusão de Pauli – Princípio da Incerteza. ....................................................... 121 5.5.1 Princípios da Exclusão de Pauli ...................................................................... 122 5.5.2 Princípio da Incerteza ....................................................................................... 123 EXERCÍCIOS PROPOSTOS.......................................................................................... 127 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................ 129 CA APÍTU ULO1: ELET TROD DINÂM MICA Qu ual a i mporrtância a da e eletriccidade e? de acesssórios O domínio d s sobre a eletricida ade forne eceu a humanida h indisspensáveis ao seu desenvolv vimento cu ultural e tecnológic t co. Existe uma dive ersidade muito m grand de de aplicações da d eletricid dade na ssociedade e. Em nossas casas, por exemplo, quand do querem mos tomarr um banh ho quente num dia frio, basta a ligarmoss o interru uptor do chuveiro elétrico n no banheiiro e t tomarmos um bom banho o.Quando “ligamoss” o interruptor estamos na n realidad de fechan ndo um circuito e elétrico, qu ue permitirrá a passag gem da co orrente atrravés d mesmo do o; nesse circuito está á também um dispo ositivo c chamado de resistência elétrica qu ue irá disssipar e energia na a forma de e calor, aq quecendo assim a água. á E Este é um m dos exemplos, de entre uma infinidade e de o outros, em m que verificamos a aplicaçã ão da corrrente mesmo princípio ap e elétrica.O plicado pa ara aquec cer a á água que e passa através a do o chuveirro é aplic cado t também e outras situações. em s Numa indústria, se existe e a necesssidade de d aquecer um fluido para ser usados d determinad da finalidade, podem ntos nos quais e equipame q a disssipação de e calor atrravés a é eleva ada. A fiig.1.2 mostra um aquecedo or elétrico o de da resistência es são usa ados em sua s maioria nos pro ocessos de e aquecim mento passsagem, ele industrial. Tal como c o no ome diz, estes equip pamentos aquecem a os fluidos pela passsagem em m seu interior, com 10 00% de eficiência. São S constittuídos por uma resisttência de imersão com c flange e rosquead da ou flangeada em m uma câm mara term micamente isolada com um ma entrad da e uma a saída de fluidos. O equiipamento utiliza tam mbém term mopares e sensores para p mante er o contro ole e segu urança. Nas N extrem midades são coloc cadas ca aixas de ligação com posssibilidade de d instalar diferente es terminações para a conduíte es conform me a temp peratura e a proteçã ão exigida a no proce esso.O isola amento térrmico pod de ser feito o com mantas e calhas de lã de vidro o de qualidade, de e forma a se adequar a tem mperatura do proce esso. A fin nalidade do d isolamento é impedir a dissipação d o de ca alor entre o aque ecedor e o meio extterno além m de diminuir o risc co de ac cidentes pelo p Fig.1.2: Aquece edor elétric co de ano. A fig..1.3 ilustra um passa conttato huma agem Fig.1.1: Chuveiro elétrrico comum m Cap.0 01 - Eletrodin nâmica 1 esqu uema mais detalhad do do eq quipamento. A transsferência d de energia a na form ma de ca alor, que é respon nsável pelo aquecimento do fluido, está repre esentada pela letra Q, como pode p ser visto no dettalhe. Fig.1.3: Esquem ma de um aquecedo or elétrico de Emb bora esse tipo t aque ecedor ten nha um bo om rendim mento, o rresponsáve el na emp presa pela compra do d equipam mento dev ve também m estar cie ente dos gastos que ele irá gerar. g Nessse caso se e deve effetuar o cálculo c do o consumo o de enerrgia diário ou mensa al do equiipamento, de forma a a verifica ar se é possível utilizá á-lo gastando uma quantidad q de mínima de dinheiro. Cap.0 01 - Eletrodin nâmica 2 1.1 Corrente elétrica O estudo da eletrodinâmica é baseado na movimentação de cargas elétricas numa direção e sentido, ou seja, ela aborda o caso em que as partículas elétricas deixam o estado de repouso e se movem devido a uma influência externa. Há diferentes materiais capazes de transportar corrente, nos quais existem partículas móveis carregadas responsáveis pela corrente (os portadores de carga), quepodem ser positivas ou negativas. Nos metais, por exemplo, essas partículas (elétrons) têm sempre sinal negativo, já em soluções iônicas, estão presentes cargas positivas (íons positivos) e cargas negativas (íons negativos). Neste texto daremos enfoque ao estudo das correntes constantes de elétrons de condução que se movem em materiais condutores, como cobre ou alumínio. Corrente elétrica: é qualquer movimento de cargas que passa de uma região para outra, desde que haja um fluxo líquido de carga numa direção. Embora em materiais condutores de eletricidade existam elétrons livres que estão em movimento, isso não quer dizer que exista uma corrente elétrica. Nesse caso os elétrons se movimentam de forma aleatória em todas as direções e não há um fluxo resultante de elétrons. A fig.1.4ilustra uma espira na qual existe a disponibilidade de elétrons, e o efeito obtido ao se inserir uma bateria na espira condutora. A presença da bateria no sistema ocasiona uma diferença de potencial, e um campo elétrico (E) passa a atuar no interior do material exercendo uma força (F = qE) sobre os elétrons de condução e estabelecendo assim a corrente. Fig.1.4 – (a) Espira condutora no estado inicial, sem a presença de corrente elétrica. (b) Geração de corrente na espira condutora após inserção de uma bateria. Cap.01 - Eletrodinâmica 3 É importante ressaltar também que embora o fluxo de elétrons (da espira na fig.1.4) esteja ocorrendo da esquerda para a direita, por convenção, a direção da corrente tem a direção oposta, ou seja, da direita para esquerda, que é a direção do campo elétrico estabelecido, ou a mesma direção que se moveriam os portadores de carga positivos, como pode ser observado na fig.1.5. Fig. 1.5 – Direção convencional da corrente elétrica. Considere agora que queremos calcular à corrente através de uma seção qualquer do condutor, no qual foi estabelecida uma corrente, como mostrado na fig.1.6. Fig.1.6 – A corrente que atravessa os planos aa’, bb’ e cc’ possui o mesmo valor. Considerando que o valor da corrente não é dependente do tempo, podemos usar a seguinte expressão para o cálculo da corrente através de uma área (como o plano hipotético bb’ da fig.1.6): i= q Δt (1.1) Observe que utilizamos a equação (1.1) para efetuar o cálculo da corrente para qualquer uma das três seções mostradas nafig.1.6 (aa’; bb’ ou cc’), demonstrando a independência do valor obtido ao se utilizar diferentes seções ou áreas nesta análise, isso se deve ao fato de que a carga é conservada ao atravessar o condutor. Como tanto a carga como o tempo são escalares, a corrente dada pela equação (1.1) é também um escalar, por isso as setas das correntes não são vetores, elas mostram somente o sentido do fluxo de cargas. A unidade de corrente no SI é chamada ampère (A), que é definida como um Coulomb por segundo (1A = 1C/s). Quando se fala em conservação de carga pode-se imaginar uma parte do condutor na qual entra uma determinada quantidade de elétrons em uma extremidade enquanto essa mesma quantidade está saindo pela outra extremidade. A fig.1.7 exemplifica este raciocínio. Cap.01 - Eletrodinâmica 4 Se inicialmente a corrente que entra no condutor é ( io ), essa mesma quantidade de corrente deverá sair do condutor independente de quantas extremidades ele tenha (duas no caso, ( i1 ) e ( i 2 ), respectivamente). Fig.1.7 – Exemplo conservação de corrente, a qual independe da orientação dos fios. Por isso, para ambos os casos da fig.1.7, tem-se que: io = i1 + i2 Exercício (1.2) Resolvido 1.1A corrente elétricaem um condutor metálico, responsável pelo acionamento de uma bomba em uma fábrica de tintas, se deve ao movimento de: a) íons do metal, no mesmo sentido convencional de corrente. b) prótons, no sentido oposto ao sentido convencional da corrente. c) elétrons, no sentido oposto ao sentido convencional da corrente. d) elétrons, no mesmo sentido convencional da corrente. e) prótons, no mesmo sentido convencional da corrente. Solução: Letra c) é a alternativa correta. A direção convencional da corrente elétrica é a mesma direção em que se moveriam os portadores de carga positivos. Os elétrons por sua vez se movem na direção oposta, ou seja, no sentido oposto ao sentido convencional da corrente. Cap.01 - Eletrodinâmica 5 Exercício Resolvido 1.2–Nas operações em que se faça necessária a mistura de líquidos, a dispersão ou a suspensão de sólidos, os agitadores ou condicionadores são equipamentos usualmente utilizados. Suponha que o funcionamento de um agitador seja dependente de uma corrente elétricade 10 A mantida por um condutor metálico. Calcule a carga elétrica que atravessa uma seção do condutor durante o intervalo de tempo de 2 min. e escolha a alternativa correta: a) 120 C b) 1 200 C c) 200 C d) 20 C e) 600 C Solução: O valor da carga pode ser encontrado com o auxílio da eq.(1.1): i= q Δt Como o valor da corrente e do intervalo de tempo foram fornecidos no problema, basta substituir os valores na expressão anterior, tomando apenas o cuidado de converter o tempo (2 min.) para segundos, logo: q = i.Δt = 10 A × 120 s = 1200C Então a alternativa correta é a letra b). 1.4. Resistência Quando se aplica uma diferença de potencial em uma barra, a corrente estabelecida se comportará de modos diferentes dependendo do material que eles são constítuidos. Umabarra de cobre, por exemplo, irá conduzir a corrente mais facilmente que uma barra de madeira, devido a presença de elétrons livres. Podemos fazer uma classificação os materiais analisando uma propriedade elétricacaracterística do material chamada resistividade (ρ ) . Os Cap.01 - Eletrodinâmica 6 materiais com baixos valores de resistividade são classificados como condutores; os materiais com valores de resistividade intermediários são classificados como semicondutores, e aqueles com resistividade elevada como isolantes. A tabela a seguir mostra a resistividade de alguns materiais. Material Resistividade ρ (Ω ⋅ m ) Material Resistividade Metais Prata 1,62.10 Cobre 1,69.10 −8 Silício tipo n 9,68.10 −8 Ouro 2,35.10 −8 Silício tipo p 9,68.10 −8 Tungstênio 5,25.10 −8 Ferro 9,68.10 −8 −8 Semicondutores Silício ρ (Ω ⋅ m ) 9,68.10 −8 Material Resistividade Isolantes Vidro 1010 − 1014 ρ (Ω ⋅ m ) Quartzo fundido ~ 10 16 Tabela 1.1 – Resistividade de alguns materiais à temperatura ambiente (20oC). 1.4.1 A lei de Ohm O físico alemão Georg Simon Ohm (1787-1854), a partir de seus trabalhos, descobriu uma importante relação entre voltagem e corrente elétrica em temperatura constante. Ohm descobriu que a corrente em um circuito é diretamente proporcional à voltagem, e inversamente proporcional à resistência estabelecida no circuito. A resistência (R ) em um condutor, que obedece essa proporcionalidade (condutor ôhmico), é dada pela expressão: R= V i (1.10) Sendo (V ) a diferença de potencial e (i ) a intensidade de corrente. A unidade no SI para resistência é o ohm (Ω ) . A lei de Ohm pode ser escrita como: Lei de Ohm: a relação entre diferença de potencial (V ) e corrente (i ) é diretamente proporcional, ou seja, R é constante. Um condutor de resistividade elevada, usulmente utilizado em circuitos, com finalidade de introduzir uma resistência é chamado de resistor, e é representado pelo símbolo ( ).A resistência também pode ser calculada Cap.01 - Eletrodinâmica 7 seo valor da resistividade for conhecido. Considere um fio de cobre no qual o campo elétrico e a densidade de corrente são iguais em todos os pontos, com comprimento (L ) , área da seção reta ( A) e com diferença de potencial (V ) entre as extremidades do fio, como mostra a fig.1.8. A resistência pode ser calculada com a seguinte expressão: Fig.1.8 – Uma corrente (i) é estabelecida ao se aplicar uma diferença de potencial (V) num fio de comprimento (L) e seção de área transversal (A). R=ρ L A (1.12) A equação (1.12) é válida para condutores isotrópicos homogêneos de seção reta uniforme como o da figura 1.9. Condutor isotrópico: condutor que possui as mesmas propriedades em todos os pontos do material. 1.5Potência Elétrica Considere o circuito da fig.1.9, que contém uma bateria A e um dispositivo B qualquer (resistência, bateria recarregável, motor, etc.). Como o circuito encontra-se fechado e há uma diferença de potencial constante entre os extremos da bateria, haverá uma corrente constante atravessando o circuito e o dispositivo B, do terminal “a” em direção ao terminal “b”. Ao completar seu percurso no circuito, a carga tem seu potencial reduzido, ou seja, sua energia potencial é reduzida por um dado valor. Fig.1.9 – Circuito fechado com uma bateria e um dispositivo qualquer. Cap.01 - Eletrodinâmica 8 De acordo com a lei da conservação da energia a redução de energia potencial é acompanhada pela conversão da energia para outra forma, como energia química ou energia térmica. Essa taxa de tranferência de energia é chamada potência (P ) , e é dada pela seguinte equação: P = iV (1.13) Além disso, (P ) é a taxa com que a energia é transferida para o dispositivo B. Se o dispositivo B for um resistor, haverá tranferência de energia potencial elétrica para energia térmica. Como esse processo não é reversível, é dito que ⎛ ⎝ há uma dissipação de energia. Sabendo que ⎜ R = V⎞ ⎟ , a potêcia dissipada i ⎠ pode ser encontrada usando as seguintes expressões: V2 P= R (1.14) P = i2R (1.15) Exercício Resolvido 1.3– Suponha que a resistência total de um aquecedor elétrico de uma petroquímica esteja submetida a uma diferença de potencial de 220 V, essa resistência é igual a 20 ohms. Sabendo disso determine: (a) a intensidade da corrente que atravessa o resistor (b) a potência dissipada pelo resistor (c) se o valor da corrente fosse alterado para 30A, qual seria o novo valor para a resistência, e qual seria a potencia dissipada? Solução: a)Podemos aplicar a expressão V=Ri, pois os valores da resistência e do potencial já foram fornecidos. V = 220V R = 20Ω Logo: i= V 220 = = 11 A R 20 Cap.01 - Eletrodinâmica 9 b) Sabemos que a potência dissipada por um resistor pode ser calculada com a eq.(1.15): P = i2R De acordo com a letra (a), a corrente vale 11A, então: P = (11) 20 = 2420W 2 c) Da definição de resistência: R= V 220 = = 7,33Ω i 30 1.5.1 Consumo de energia elétrica Os equipamentos que utilizam eletricidade para funcionar consomem uma quantidade de energia elétrica. Para se calcular este consumo é necessário saber apenas a potência do dispositivo e o tempo que ele permanece ligado. A expressão para o cálculo do consumo de energia é dada por: E = Pt Sendo (1.16) (E ) a energia consumida, sua unidade no SI é Joule potência em Watts (W ) , e (t ) o tempo em segundos (s ) . ( J ) , (P ) a 1.6Associação de Resistores 1.6.1Associação de Resistores em série A fig.1.10(a) mostra um circuito formado por três resistência em série e uma bateria. O termo em série refere-se a situação em que uma diferença de potencial (V ) é mantida pela fonte entre dois pontos num circuito(a e b), as cargas que atravessam as resistências tem apenas um caminho possível; as diferenças de pontecial entre os terminais de cada resistência produzem a mesma corrente em cada resistência, porém a diferença de potencial nos terminais dos resistores são diferentes (V1 ;V2 ;V3 ) . Cap.01 - Eletrodinâmica 10 Resistências em série podem ser substituídas por uma resistência equivalente, que corresponde a soma de cada resistência individual, como mostra a fig.1.10(b). A resistência equivalente é percorrida pela mesma corrente ( i ) , e com diferença de potencial total (V ) que equivale a soma dos potenciais das resistências individuais. Fig. 1.10 – (a) Circuito simples com três resistores. (b) Circuito com resistência equivalente. Para (n) resistores em série num circuito, a seguinte expressão pode ser usada para calcular a resistência equivalente: n Req = ∑ R j (1.17) j =1 1.6.2Associação de resistores em paralelo Quando os resistores num circuito estão em paralelo, a corrente elétrica pode percorrer mais de um caminho, mas a diferença de potencial para esses resistores é a mesma. A fig.1.11(a) mostra um circuito no qual estão presentes três resistências em paralelo e a fig.1.11(b) mostra o mesmo circuiito com a substitução das três resistêcias por uma resistência equivalente. A distribuição da corrente no circuito obedece a regra dos nós. Regra dos nós: A soma das correntes que entram em um nó é igual a soma das correntes que saem desse nó. Obedecendo a regra dos nós vemos que a corrente (i ) que passa por pelo ponto (b) na fig.1.11(a), e em seguida pelo primeiro nó é dada por: Cap.01 - Eletrodinâmica 11 i = i1 + i2 + i3 A corrente em cada resistência pode ser calculada com a eq. (1.10): i1 = V , R1 i2 = V , R2 i3 = V R3 Fig.1.11 – (a) Resistores em paralelo. (b) Substituição dos resistores em paralelo pelo resistor equivalente. Então: i= ⎛ 1 V V V 1 1 ⎞ ⎛ 1 + + =V⎜ + + ⎟ = V ⎜⎜ R1 R 2 R3 ⎝ R1 R 2 R3 ⎠ ⎝ Req ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ (1.18) Logo: 1 1 1 1 = + + Req R1 R2 R3 (1.19) Generalizando, no caso de (n) resistências em paralelo: n 1 1 =∑ Req j =1 R j (1.20) No caso de duas resistências em paralelo pode-se utilizar a seguinte equação prática: Req = R1 ⋅ R 2 R1 + R 2 Cap.01 - Eletrodinâmica (1.21) 12 Exercício Resolvido 1.4– Uma associação de resistores é utilizada em um equipamento industrial utilizado parao aquecimento de um fluido de passagem. Deseja-se saber qual o custoassociado ao consumo de energia elétricadesse equipamento durante8 horas de funcionamento se a corrente que atravessa os condutores tem intensidade de 15A, e sabendo que o valor do kWh custa 0,34 centavos. Solução: Inicialmente calculamos o valor da resistência equivalente do sistema.Como a associação de resistores está em série, temos que: n Req = ∑ R j j =1 Req = 20 + 30 + 40 = 90Ω Utiliza-se então este valor da resistência equivalente para calcular a potência dissipada: P = i 2 R = 152 ⋅ 90 = 20250W = 20,250kW O consumo de enegia do equipamento durante 8 horas é então: E = Pt = 20,250 ⋅ 8 = 162kWh Conhecendo o valor do consumo de energia, podemos agora calcular o custo usando a regra de três simples: 1kWh − R$0,34 162kWh − x Cap.01 - Eletrodinâmica x = R$55,08 13 Exercício Resolvido 1.5– Dois resistores, um de 20 ohm e outro de 5 ohm, são associados em paralelo ligados em 6 volts. A energia, em joules, dissipada pela associação, em 20 segundos, vale: a) 180 J b) 120 J c) 30 J d) 28,8 J e) 9 J Solução: Como temos apenas 2 resistores em paralelo, podemos utilizar a eq.(1.21), para calcular a resistência equivalente: Req = R1 ⋅ R 2 20 ⋅ 5 = = 4Ω R1 + R 2 20 + 5 Calcula-se então a potência dissipada pela resistência equivalente com a eq.(1.14): V 2 (6V ) = = 9W Req 4Ω 2 P= A energia dissipada é dada pela eq.(1.16), o tempo foi fornecido pela questão, então: E = Pt = 9W ⋅ 20s = 180J Então a alternativa correta é a letra a). Exercício Resolvido 1.6–Na figura abaixo a tensão entre os terminais A e B é de 6,0 V e a corrente que atravessa os resistores é de 1,5 A. Sendo R1 = 1,2 ohm , o valor de R2 é de: Cap.01 - Eletrodinâmica 14 a) 0,8 b)1,5 c) 1,8 d) 2,8 e) 5,0 Solução: Como os valores da corrente e da resistência 1 são conhecidos, podemos calcular a diferença de potencial entre os terminais deste resistor com a relação: i= V1 R V1 = Ri = 1,2Ω ⋅1,5 A = 1,8V Como a diferença de potencial entre os pontos A e B é conhecida, e para uma associação de resistores em série o potencial total é a soma dos potenciais individuais, temos: V = V1 + V2 6 = 1,8 + V2 V2 = 4,2V A resistência do resistor 2 é então: i= V2 R R= V2 4,2V = = 2,8Ω 1,5 A i Então a alternativa correta é a letra (d). Cap.01 - Eletrodinâmica 15 1.7Geradores e receptores 1.7.1 Geradores Para produzir uma corrente estável em um circuito é necessário que haja uma diferença de potencial no sistema, que será responsável pela movimentação dos portadores de carga, isso pode ser feito introduzindo no circuito uma bateria por exemplo, como visto anteriomente. Um dispositivo desse tipo é chamado fonte de tensão, dizemos que uma fonte de tensão produz uma “fem” ou força eletromotriz ( ε ), ou seja, há uma submissão dos portadores de carga a uma força gerada por uma diferença de potencial. Força eletromotriz: é a energia por unidade de carga transferida da fonte para as cargas móveis no circuito. Alguns exemplos de fontes podem ser citados: bateria, geradores, termopilhas, células de combustível, células solares, etc. No interior da fonte os portadores de carga positivos se movem do terminal negativo para o positivo, observe a fig.1.12, de modo que o potencial elétrico desses portadores de carga aumenta. Esse movimento tem o sentido contrário àquele no qual os portadores se moveriam sob influência de um campo elétrico, e é parte da corrente que se estabelece no mesmo sentido em todo o circuito; isso é possível pois há uma energia no interior da fonte realizando trabalho sobre as cargas e forçando-as a se moverem dessa forma, pode-se dizer então que a fonte realiza trabalho.A origem dessa energia pode ser mecânica como nos geradores, química, como nas células de combustível e baterias, ou térmica, como as células solares. Fig.1.12 – Circuito simples com uma fonte real e uma resistência, a qual é atravessada por uma corrente constante mantida pela fonte que realiza trabalho sobre as cargas. Então a carga que percorre o circuito entra na fonte no terminal de baixo potencial e sai pelo terminal de alto potencial, e o trabalho realizado sobre as cargas para que o movimento ocorra é dado pela expressão: Cap.01 - Eletrodinâmica 16 ε= ΔW Δq (1.22) Sendo (W ) o trabalho, com unidade em joules ( J ) , e (q) a carga, em coulomb (C ) . Logo a (1 J C = 1V ) . força eletromotriz (ε ) é dada em joule por coulomb, ou volt. Numa situação real, o movimento dos portadores de carga através do circuito sofre a influência de uma resistência à passagem de corrente, que está presente na maioria dos corpos. Na bateria essa resistência é denominada resistência interna (r ) . Podemos relacionar a diferença de potencial elétrico nos terminais do gerador (V ) com sua força eletromotriz (ε ) e com a diferença de potencial devido a resistência interna (V r ) , e obter a expressão matemática a seguir. A fig.1.13 mostra uma representação simbólica do gerador. V = ε − Vr (1.23) Lembrando que a força eletromotriz também é diferença de potencial, as grandezas (ε ) e (V r ) podem ser somadas. Observe que o valor de (V r ) é negativo devido ao consumo de energia dos portadores de carga, como esse valor é igual ao produto da resistência pela corrente (Vr = ri ) , temos então que: V = ε − ri (1.24) Fig.1.13 – Representação de um gerador, com a resitência interna e os potenciais destacados. Fonte de tensão ideal: é por definição aquela que não apresenta nenhuma resistência ao movimento de cargas entre o terminal de baixo potencial e o terminal de alto potencial. Nesse caso a diferença de potencial do circuito é igual a força eletromotriz da fonte ( ε = V ). Cap.01 - Eletrodinâmica 17 1.7.1.1 Potência e rendimento de um gerador O rendimento é um parâmetro que nos dá a idéia das perdas de um processo. Em um gerador o rendimento é dado em termos de potenciais, relacionandoa potência útil com sua potência total. Para calcular essas perdas em um gerador, multiplicamos ambos os termos da eq.(1.24) pela corrente ( i ), logo: Vi = εi − ri 2 (1.25) O primeiro termo dessa equaçãorepresenta a potência útil do gerador, pois (V ) representa a diferença de potencial entre os terminais do gerador. O segundo termo representa a potência total do gerador, pois (ε ) representa o trabalho realizado pelo gerador sobre os portadores de carga, e o último termo representa a potência dissipada no gerador, pois está relacionado a perda de energia devido a resistência interna. Portanto: Pu = Vi Pt = εi (1.26) Pd = ri 2 Sendo (Pu ) a potência útil , (Pt ) a potência total, e (Pd ) a potência dissipada. O rendimento do gerador é expresso da seguinte forma: η= Pu V = Pt ε (1.27) 1.7.2 Receptores Receptores são dispositivos com a capacidade de transformar energia elétrica em outras formas de energia que não seja a térmica. Por exemplo: campainhas, motores, computadores, aparelhos de som, etc. Diferentemente dos geradores, os responsáveis pela realização de trabalho nos receptores são os portadores de carga, costuma-se definir então por oposição aos geradores, a força contra-eletromotriz (ε ′ ) , que expressa a razão entre o trabalho e a quantidade de carga. ε′ = ΔW Δq (1.28) A fig.1.14 mostra a representação simbólica de um receptor. Cap.01 - Eletrodinâmica 18 Fig.1.14 – Representação esquemática de um receptor, com resistência e potenciais destacados. Podemos relacionar a diferença de potencial elétrico (V ) entre os terminais A e B do receptor com sua força contra-eletromotriz (ε ′ ) e com a queda de potencial devido a resistência interna ( Vr′ = r ′i ), obtendo a expressão: − V = ε ′ − Vr′ (1.29) ou − V = −ε ′ − r ′i (1.30) As diferenças de potenciais ( V e ε ′ ) possuem sinal negativo devido a perda de energia por causa do trabalho realizado no receptor e da sua resistência interna. 1.7.2.1 Potência e rendimento de um receptor De forma semelhante aos geradores, podemos também calcular o rendimento de um receptor. No entanto, calculamos a potência útil com base no valor de (ε ′ ) que é a queda de potencial correspondente ao trabalho útil realizado pelos portadores de carga sobre o receptor: Pu = ε ′i (1.31) O consumo total de energia do receptor corresponde a queda de potencial (V ) , então a potência total é: Pt = Vi (1.32) E a potência dissipada devido a resistência interna do receptor é: Pd = r ′i 2 (1.33) O rendimento do receptor é expresso da seguinte forma: η= Pu ε ′ = Pt V Cap.01 - Eletrodinâmica (1.34) 19 1.8Medidas elétricas Existem duas formas que são usualmente utilizadas para calcular a intensidade de corrente em um circuito simples de uma malha, o método da energia e o método do potencial. 1.8.1Método da energia A fig.1.15 mostra um circuito simples, que será utilizado como auxílio no desenvolvimento das equações e cálculo da corrente no circuito. Fig.1.15 – Circuito simples com uma fonte e uma resistência. É possível observar na figura que a fonte usada é ideal (sem resistêcia interna); a única resistência do circuito é a resistência proveniente do resistor (R), considerando que a resistência ofererecida pelos fios também é nula. A energia térmica dissipada no resistor num intervalo de tempo ( Δt ) é dada pela multiplicação da eq.(1.15) por esse intervalo de tempo, ( i 2 RΔt ). Mas nesse mesmo intervalo de tempo a carga que atravessa a fonte é ( Δq = iΔt ), e o trabalho realizado pela fonte sobre a carga é: Δ W = εΔ q = ε iΔ t (1.35) Para uma fonte ideal o trabalho realizado pela fonte é igual a energia térmica dissipada no resistor: εi Δt = i 2 R Δ t (1.36) Então: ε = iR (1.37) ou Cap.01 - Eletrodinâmica 20 i= ε (1.38) R 1.8.2Método do potencial Uma forma muito útil de calcular a corrente em um circuito fechado, é feita a partir da análise dos seus componentesindividuais seguindo a regra das malhas.Partindo de um ponto específico que possui um potencial,deve-se percorrer o circuito em um sentido arbritário contabilizando as diferenças de potencial no caminho, efinalmente retornando ao ponto original que possui potencial igual ao inicial. Regra das Malhas: A soma algébricas das variações de potencial encontradas ao longo de um circuito fechado é zero. A regra das malhas é também conhecida como lei das malhas de Kirchoof. Fig.1.16 – Circuito com uma única malha, na qual uma resistência R está ligada aos terminais de uma bateria ideal. Para a malha da fig.1.16, partindo do ponto “A”cujo potencial é ( Va ),em sentido horário, o primeiro componente do circuito é uma fonte, que é atravessada do terminal negativo para o positivo, com variação de potencial ( + ε ). O segundo componente é um resistor, com variação de potencial dada pela eq.(1.10), esse potencial deve diminuir pois passamos do lado de potencial mais alto do resistor para o de potencial mais baixo, assim a variação é ( − iR ). Então retornamos ao ponto (A) com potencial ( Va ). Como os potenciais no mesmo ponto devem ser iguais então escrevemos: Va + ε − iR = Va (1.39) A equação pode ser reescrita como: Cap.01 - Eletrodinâmica 21 ε = iR (1.40) Que é equivalente a equação encontrada através do método da energia. Exercício Resolvido 1.7– O circuito simples representado na figura a seguir é percorrido por uma corrente contínua após a inserção de uma bateria de 10V.Determine: (a) a intensidade da corrente que percorre este circuito (b) a diferença de potencial entre os pontos A e B. Solução: (a) Podemos observar na figura que há uma bateria e um receptor no circuito. O sentido da corrente estabelecida é horário, pois o potencial da bateria é maior que o do receptor. Podemos utilizar a lei de Kirchhoof para resolver este problema. Devemos partir de um ponto específico, escolher um sentido para análise, e somar as variações de potencial encontradas no caminho, e retornar ao mesmo ponto no final, logo o resultado desta soma devem ser nulo. Então vamos iniciar do ponto A, obtemos então: V A + ε − ri − R1i − R2 i − ε ′ − r ′i = V A ou ε − ri − R1i − R2 i − ε ′ − r ′i = 0 Cap.01 - Eletrodinâmica 22 O único valor desconhecido desta expressão é o da corrente, então substituindo os valores dados na figura, temos: 10 − 3.i − 6.i − 12.i + 2 − 5.i = 0 12 − 26.i = 0 i= 12 = 0,46 A 26 (b)Para encontrar a diferença de potencial entre dois pontos usamos a mesma metodologia da letra (a), ou seja, iremos contabilizar as variações de potencial presentes no percurso entre A e B, a diferença no entanto é que não podemos igualar a expressão a zero pois o ponto final não é igual ao inicial. Partindo de A no sentido horário, temos: V A + ε − ri − R1i − R2 i = VB Então a diferença de potencial entre B e A é: VB − V A = ε − ri − R1i − R2 i VB − V A = 10 − 3.0,46 − 6.0,46 − 12.0,46 VB − V A = 0,34V 1.9O Capacitor e suas associações O capacitor é um dispositivo largamente empregado em equipamentos eletrônicos, com o objetivo de armazenar energia elétrica. 1.9.1 Capacitor de placas paralelas O capacitor é basicamente constítuido por dois condutores isolados entre si, que recebem o nome de placas, independente de sua forma. Ele é representado pelo símbolo ( ), que é usado para representar qualquer tipo de capacitor. A fig.1.17 mostra um capacitor de placas paralelas, formados por duas placas condutoras equipotenciais de área (A). Cap.01 - Eletrodinâmica 23 7 – Capacitorr de placas p paralelas. Fig.1.17 O te ermo equip potenciais é usado para p dizer que q todos os pontos de uma placa p estão sob o mesmo m po otencial. Quando Q o capacito or está de escarregad do a diferrença de potencia al entre as a placas é nulo. No N entanto, quand do o capacitor é in nserido em m um circuito como o da fig.1.18, haverá á um acúmulo de carga c nega ativa na placa p (b) do d capacittor, e uma deficiênciia na placa (a) do capacitor, c devido a movimenta m ação das cargas pela fonte. Fig.1.18 8 - Circuito o simples para carreg gamento de e um capac citor. A medida m qu ue as plac cas adquirem carg gas, entre elas irá a aparecer uma diferrença de potencial, p que aume enta até se igualar a diferença a de pote encial entre e os termin nais do gerador, o movimento m das carga as então p pára, e dize emos que o capacittor está ca arregado. A quantidade q e de carrga arma azenada em e cada placa é diretam mente prop porcional a diferença a de potencial entre e as placas, normalm mente, qua ando estamos nos referrindo a carga nos referimos a carga de um capacitor, c c oluta (q ) de d uma das placas.Lo ogo podem mos escrev ver: abso q=C CV (1.41) Send do (q) a carga, c ça de po otencial entre as pllacas, e (C ) a (V ) a diferenç ⎛C ⎞ = F ⎟. ⎝V ⎠ capacidade do d capacittor dado em e Farad (F ) , ou Co oulomb po or Volt ⎜ mo o Fara ad é uma unidade muito grande, seu us submúlttiplos, com mo o Com ( ) ( micrroFarad μF = 10 F ou picoFarad pF = 10 −6 −12 ) F , sã ão mais utilizados. A partir da eq.(1.41) e uma expre essão espe ecífica pode ser ob btida para a um m placas paralelass, relacion nando a área á capacitor com ( A) dda placa e a ância (d ) entre e elas: distâ C= ε0 A d Cap.0 01 - Eletrodin nâmica (1.42) 2 24 O parâmetro ε0 é conhecido como permissividade no vácuo pF ⎞ ⎛ −12 F = 8,85 ⎜ ε 0 = 8,85.10 ⎟ m m ⎠. ⎝ 1.9.2 Capacitores em série e em paralelo Assim como os resistores, os capacitores também podem estar associados em série ou em paralelo, e às vezes podem ser substituídos por um capacitor equivalente. 1.9.2.1 Capacitores em paralelo A fig.1.19(a) mostra uma associação de três capacitores em paralelo,todos os capacitores estão sob a mesma diferença de potencial (V ) e a carga total (q) armazenada nos capacitores é igualà soma das cargas armazenadas individualmente nos capacitores. Os capacitores em paralelo podem ser substituídos por um capacitor equivalente com a mesma diferença de potencial (V ) e carga total (q) , como mostra a fig.1.19(b). Fig.1.19 – (a) Três capacitores ligados em paralelo a uma bateria, a bateria mantém a mesma diferença de potencial “V” entre os terminais dos capacitores. (b) Mesmo circuito após a substituição dos três capacitores por um capacitor equivalente. A carga dos capacitores individuais é calculada com a eq.(1.41): q1 = C1V q 2 = C 2V q3 = C3V Então a carga total dos capacitores é: Cap.01 - Eletrodinâmica 25 q = q1 + q2 + q3 = (C1 + C2 + C3 )V (1.43) A capacitância equivalente com a mesma diferença de potencial (V ) e carga total (q ) é: Ceq = q = C1 + C 2 + C3 V (1.44) Ou para um número arbitrário (n), de capacitores em paralelo: n Ceq = ∑ C j (1.45) j =1 1.9.2.2 Capacitores em série A fig.1.20(a) mostra uma associação de três capacitores em série, ou seja, os capacitores são ligados em sequência, e cada um é submetido a uma diferença de potencial ( V1 , V2 , V3 ),porém todos os capacitores armazenem a mesma carga (q ) . Assim como os capacitores em paralelo, os capacitores em série também podem ser substituídos por um capacitor equivalente, fig.1.20(b). Fig.1.20 – (a) Três capacitores ligados em série no mesmo circuito. (b) Circuito com o capacitor equivalente. ( ) Para obter o valor de Ceq , temos que determinar as diferenças de potencial entre as placas dos capacitores, utilizando a eq.(1.41): V1 = q C1 V2 = q C2 V3 = q C3 A diferença de potencial total produzida pela bateria pela bateria é a soma dos potenciais individuais: Cap.01 - Eletrodinâmica 26 ⎛ ⎞ 1 ⎟⎟ V = V1 + V2 + V3 = q⎜⎜ + + C C C 2 3 ⎠ ⎝ 1 (1.46) Então, a capacitância equivalente é: Ceq = q 1 = V C1 + C2 + C3 (1.47) Ou para um número arbitrário (n), de capacitores em série: n 1 1 =∑ Ceq j =1 C j (1.48) Exercício Resolvido 1.8– Certos trabalhos numa indústria requerem a utilização de uma grande quantidade de ar, e para manipular o ar geralmente se utilizam equipamentos chamados de compressores. Seu acionamento, assim como em outros dispositivos, ocorre de maneira instantânea devido a utilização de capacitores, que tem a função de fornecer carga de utilização rápida,aumentando o torque de partida do compressor. Suponha que um capacitor de placas paralelas de um compressor tem os seguintes valores nominais 60pF e 20V. Sabendo disso, determine: a) a quantidade máxima de carga que esse capacitor pode armazenar; b) a energia potencial elétrica máxima armazenada pelo capacitor. Solução: Os valores de utilização recomendados pelo fabricante do capacitor são chamados de valores nominais, que são os valores limite que se podem ser aplicados aos terminais do capacitor. a) Como a diferença de potencial máxima do capacitor (∆V=10V) e sua capacidade (C=60pF) são conhecidos, podemos calcular a quantidade máxima de carga com a expressão: C= q V Cap.01 - Eletrodinâmica 27 Ou seja: q = CV = 60 ⋅10 −12 F ⋅ 20V = 1,2 ⋅10 −9 C b) O cálculo da energia potencial elétrica do capacitor é feito por substituição direta dos valores na equação: E= QV 1,2 ⋅10 −9 C ⋅ 20V = = 1,2 ⋅10 −8 J 2 2 Exercício Resolvido 1.9– Sabendo que C1=5pF, C2=4pF e C3=2pF, calcule o valor da capacitância equivalente no circuitos: a)capacitores em série b) capacitores em paralelo Solução: a) Como os capacitores tem diferentes capacidades, a diferença de potencial entre cada capacitor será diferente, no entanto a carga é a mesma em todos os capacitores. O somatório das diferenças de potencial entre os capacitores individuais é igual a diferença de potencial fornecida pela fonte: VE = V1 + V2 + V3 A diferença de potencial entre os terminais de um capacitor é dada pela expressão: Cap.01 - Eletrodinâmica 28 C= q q ⇒V = V C Logo, temos que: q q q q = + + C E C1 C 2 C3 A expressão anterior pode ser simplificada dividindo todos os termos por “q”. Ficamos então com: 1 1 1 1 = + + C E C1 C 2 C3 Substituindo os valores dados no enunciado da questão, a capacitância equivalente pode ser calculada: 1 1 1 1 = + + = 0,95 CE 5 4 2 C E = 1,05 pF b) Quando os capacitores são associados em paralelo, todos estarão submetidos a mesma diferença de potencial, porém cada um irá possuir uma carga diferente: q E = q1 + q2 + q3 Sabemos que: C= q ⇒ q = CV V Então: C EV = C1V + C 2V + C3V Dividindo os termos da expressão anterior por “V”, ficamos com: C E = C1 + C2 + C3 A capacitância equivalente nesse caso vale: C E = 5 + 4 + 2 = 11 pF Cap.01 - Eletrodinâmica 29 CURIOSIDA ADES: Como C a energiia elétriica que e alimen nta nosssa cassa é gerrada? O te ermo eletricidade fo oi inicialme ente emprregado pe elo inglês William Gilbert quando desco obriu que substânciias se elettrizavam por p atrito c com o âm mbar. Com mo o âmba ar, em gre ego, é ele ektron, ele chamou tais substância s as de elétric cas.A energia elétric ca é uma das formas de e energia mais m utilizad da nos dia a de hoje pela a humanid dade. Ela a está pre esente em m vários mom mentos da a nossa viida, ela é empregada em laress, indústrrias, faze endas, hospitais, etc. A eletrricidade esstá presen nte até me esmo no se eu corpo, diversas estim mulando suas cé élulas.Ela possui aplic cações na a sociedade moderna, por exemplo, no defornece lar aeletricida a e luz e pro oduz calor para o func cionamento o de refrig geradores, aspiradore es de pó, Fig.1.21 – Local da rádio os, televiso ores, etc. Em E edifício os comerciiais ela é primeira u usina de usad da no fun ncionamen nto de ele evadores, escadas energia hidrelétrica do rolan ntes. A energia elétrica ajuda a mover mundo em m Wisconsin. ntos das in praticamente todos os equipame e ndústrias, com mo grand des torno os mecân nicos e imensas forna alhas. Existtem diversa as formas de produzzir esse tipo o de energ gia. Uma delas d é usar a força das água as, esse é um u métod do bastante antigo, u usado dessde o sécu ulo I A.C, e começo ou com a utilização o das cham madas rod das d’água ou “noras”, que atra avés da ação a direta de d uma q queda d’á água produzia a energia mecânic ca. A partir do d século XVIII, co om o surgime ento d de novas n tecnolo ogias com mo a turrbina hidráulic ca, o moto or, o dínam mo, a lâmpad da, foi posssível conv verter em a ene ergia mecânica eletricid dade.A primeira usina de energia a hidrelétriica foi ab berta em Ap ppleton, W Wisconsin, em 1882, no o Rio Fox. O proprie etário de um moinho d de papel local ligou uma u turbin na movid da a água a um gerad dor. A prim meira usina 12,5 produziu apenas Fig.1.2 22 - Turbina de d água da Represa R Gran nd Coulee. quilowa atts de e eletricidade e, o suficientte para aliimentar a casa do proprietári p o e dois moinhos de d papel.A A primeira a unidade produtora a de enerrgia no Brrasil foi a usina u term melétrica in nstalada em e Campo os, no ano o de 1883 3, com a potência de e 52 kW. Atualmente A e, cerca de e 20% da e energia elé étrica gera ada no mundo m é provenient p e de hidrrelétricas. A maior h hidrelétrica a do mun ndo em te ermos de barragem m se localiiza na Ch hina, ela sse chama Três Garg gantas, co om capac cidade de geração total de 22.500 2 MW.A eletricid dade por si s só não é uma fontte de enerrgia. As usinas hidrelé étricas posssuem eno ormes Cap.0 01 - Eletrodin nâmica 3 30 turbinas que rodam impulsionadas pela pressão da água, ao girar, essas turbinas acionam geradores que irão produzir energia. Logo, para que a usina funcione é primordial ter um bom nível de água nos reservatórios e consequentemente um bom poder de queda d’água. Se por acaso este nível estiver muito baixo devido à ausência de chuvas por um longo tempo, a produção de energia é prejudicada. Como no Brasil as hidrelétricas são responsáveis pela produção de aproximadamente 95% da energia elétrica no país, a falta de chuva é um grande problema, a solução para este problema pode ser o racionamento, como aconteceu tempos atrás no chamado “apagão”. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1.1- Em um circuito elétrico existem três resistores As intensidades das correntes elétricas que passam por eles correspondem aos valores: i1=7,5A, i2=2,5ª e i3=10ª. Calcule o valor da tensão total aplicada ao circuito e a resistência do segundo resistor (R2) se as resistências no primeiro e terceiro resistor são conhecidas: R1=20 ohm, e R3=45 ohm. 1.2 – Uma pessoa resolveu estudar o consumo de energia elétrica decorrente do uso de uma determinada lâmpada, com especificação nominal 220V – 100W. Calcule o consumo de energia da lâmpada nos seguintes casos: 1) Se a lâmpada, com as condições nominais do enunciado, permanecer ligada durante 30 min; 2) Considere agora que a lâmpada é ligada em uma tomada de 110V, novamente durante 30 min. Escolha a alternativa, que contem a respostas dos itens 1 e 2, respectivamente: a) 1,10 . 10-2, 2,20 . 10-2 b) 2,20 . 10-2, 1,10 . 10-2 c) 2,0 . 10-2, 1,0 . 10-2 d) 1,25 . 10-2, 5,0 . 10-2 e) 5,0 . 10-2, 1,25 . 10-2 Cap.01 - Eletrodinâmica 31 1.3 –A diferença de potencial entre os pontos A e B da associação de resistores, ilustrado na figura abaixo, vale 50V. Sabendo que a potêcia dissiopada por efeito Joule é igual a 250 W. O valor da resistência R, é de: a) 8 ohm b) 7 ohm c) 6 ohm d) 5ohm e) 4 ohm 1.4 – Quando as resistências R1 e R2 são colocadas em série, elas possuem uma resistência equivalente de 6 ohm, Quando R1 e R2 são colocadas em paralelo, a resistência equivalente cai para 4/3 ohm. Calcule os valores das resistências 1 e 2, respectivamente, e escolha a alternativa correta. a) 5 ohm e 1 ohm b) 3ohm e 3ohm c) 4ohm e 2ohm d) 6ohm e 0ohm e) 0ohm e 6 ohm 1.5 - Três capacitores cujas capacitâncias são C1= 4,0 . 10-9F, C2= 3,0 . 10-9F e C3= 6,0 . 10-9F, são associados como representa o esquema abaixo.Sabendo que a carga elétrica armazenada no capacitor C3 vale 3,0 . 10-7 C, é correto afirmar que a carga no capacitor C1, em coulombs, vale: a) 3 . 10-7 b) 4 . 10-7 c) 6 . 10-7 d) 1,2 . 10-6 e)1,6 . 10-6 Cap.01 - Eletrodinâmica 32 CA APÍTU ULO2: ELET TROM MAGN NETIS SMO O q que é um dínamo o? Os experimen e tos realiza ados por Hans H Christtian Oerste ed (1820) comprova aram que uma corre ente elétric ca pode gerar um ca ampo mag gnético. Mich hael Faraday acre editava que q fenôm menos co omo a e eletricidade e, o mag gnetismo e a gravid dade pod deriam ser descritos através d de uma única ú teoriia. Após vá ários estud dos, em 18 831, Farada ay verificou que a eletricidade eeo mag gnetismo estavam e re ealmente relacionad dos. Atravé és de seuss experime entos ele verificou v q que é posssível produ uzir uma corrente elé étrica qua ando o ca ampo mag gnético sofre s va ariação, fenômeno o conhe ecido co omo indu ução eletrromagnética. Esta foi f uma descoberta revolucio onária que e até hoje tem um ma diversiificada u utilidade para socied dade. Nas aplicaçõe es industriais a en nergia elé étrica prové ém quase que exclusivamente e de gerad dores mecâ ânicos cujjo princíp pio é o fenômeno o da indução eletrom magnética a. Apare elhos como o este posssuem um dínamo, que q é um dispositivo constituído c por um ím mã fixo em m eixo Fig.2 2.1 – Gerad dor de móve el, ao redor deste eixxo existe um conjuntto de corre ente contíínua espira as (bobina). Quando o o ímã gira, um ca ampo magn nético variiável gera a uma corrrente eléttrica. Para a efetuar a rotação dos imãs pode-se p en ncontrar o gerador a acoplado com outro o equipam mento como uma turbina, como c mosttra a fig.2.2 2. Fig.2 2.2 – Turbin na (aparelho à essquerda) a acoplada a um gerador (a aparelho à dire eita). Cap.0 02 - Eletroma agnetismo 3 36 2.1Introdução ao Eletromagnetismo Os materiais magnéticos podem ser classificados em: ferromagnéticos, paramagnéticos, diamagnéticos, antiferromagnéticos e ferrimagnéticos. Material ferromagnético: corpos desses materiais são sempre atraídos por imãs. Por exemplo, ferro, níquel, cobalto, ou ligas metálicas que contêm esses elementos. Material paramagnético: sofre fraca atração por imãs. São exemplos de materiais paramagnéticos o paládio, a platina, o potássio, o sódio e algumas ligas. Material diamagnético: é repelido por imãs. É um efeito fraco apresentado por materiais como prata e bismuto. Materiais antiferromagnéticos e ferrimagnéticos: são propriedades semelhantes que permite dar ao material diferentes formas de magnetização. São exemplos destes materiais o cromo, o manganês e a ferrita. Os imãs são corpos de materiais ferromagnéticos com propriedade de atrair outros materiais ferromagnéticos e de atrair ou repelir imãs. Independente da forma que os imãs tenham, eles têm dois pólos distintos: o pólo norte e o pólo sul. Como regra geral, pólos opostos se atraem e pólos de mesmo nome se repelem. Os pólos dos ímãs sempre se opõem entre si em relação a uma superfície de simetria, como mostra a fig.2.3. Fig.2.3 – Algumas formas que os imãs podem ser encontrados. Cap.02 - Eletromagnetismo 37 2.2Campo Magnético gerado por uma corrente elétrica e a Lei de Biot Savart Os campos magnéticos podem ser produzidos de duas formas. Na primeira forma, um campo magnético pode ser produzido por um imã. Na segunda, um campo é gerado por partículas em movimento, como uma corrente elétrica em um fio. Se uma partícula (corpo de prova) de carga elétrica ( q ), é positiva e tem velocidade ( v ) em um ponto P, sob ação de uma força perpendicular ( F ), associamos ao ponto P, por definição, o vetor campo magnético ( B ), de módulo: B= F qv ⋅ senθ (2.1) A unidade do módulo do vetor campo magnético no SI é o N ou Tesla (T). A⋅ m A região do campo magnético gerado pode ser representada através de linhas de campo magnético, como mostra a fig.2.4.A tangente a essas linhas de campo magnético, em cada ponto indica a direção do vetor campo magnético ( B ). E o sentido dessas linhas pode ser determinado por uma regra prática que utiliza a mão direita. Fig.2.4 – Campo magnético ao redor de um fio. Regra da mão direita: Coloca-se a mão quase fechada com o polegar para fora, junto ao condutor no sentido da corrente, a curvatura dos dedos indica o sentido das linhas do campo magnético, observe a fig.2.5. Fig.2.5 – Como usar a regra da mão direita. Cap.02 - Eletromagnetismo 38 2.2.1 Força sobre condutores percorridos por corrente elétrica Um fio condutor retilíneo de comprimento ( l ) percorrido por uma corrente contínua de intensidade ( i ), imerso em um campo magnético, observe a fig.2.6, cujo vetor ( B ) forma um ângulo ( θ )com a direção do condutor, sofre a ação de uma força ( F ), chamada de força magnética, de módulo: F = ilB ⋅ senθ (2.2) Fig.2.6 – Força magnética sobre um condutor percorrido por corrente elétrica. Quando condutor está disposto de forma perpendicular às linhas de campo magnético, ou seja, θ = 90° , podemos escrever: F = ilB (2.3) Já se o fio for disposto na mesma direção das linhas do campo magnético, ou seja, θ = 0° ou θ = 180° , a força será nula. O sentido dos vetores é dado pela regra da mão direita espalmada. Observe a fig. 2.7. Regra da mão direita espalmada: O polegar indica o sentido da corrente () elétrica ( i ), a palma da mão indica a direção da força F gerada, e os dedos estendidos indicam o vetor campo magnético ( B ). Fig.2.7 - Regra da mão direita espalmada. Cap.02 - Eletromagnetismo 39 Exercício Resolvido 2.1-Um fio condutor elétrico retilíneo de comprimento 25,00 cm e massa 20,00 g está disposto paralelamente ao solo (horizontal) e perpendicularmente às linhas de indução de um campo magnético uniforme, conforme a figura abaixo. O vetor indução magnética tem direção horizontal e intensidade B=8,00. 10-2T. Quando o amperímetro ideal indica a intensidade de corrente de 10,0 A, o fio condutor fica sujeito à ação de uma força resultante de intensidade: a) Nula b) 1,0 . 10-1 N c) 2,0 . 10-1 N d) 4,0. 10-1 N e) 8,0. 10-1 N Solução: Como a disposição do condutor é perpendicular às linhas de campo magnético, podemos utilizar a seguinte expressão para calcular a força magnética: F = ilB Substituindo os dados fornecidos na questão na equação anterior, temos que: F = 10 ⋅ 0,25 ⋅ 8 ⋅10 −2 = 0,2 N Como a massa do fio é de 20 g ou 0,02 kg e assumindo que a aceleração da gravidade é 10 m/s2, podemos calcular a força peso exercida pelo fio com a expressão: P = mg = 0,02 ⋅ 10 = 0,2 N Como a força magnética e o peso possuem mesma direção e sentido, a força resultante é dada por: Cap.02 - Eletromagnetismo 40 FR = F + P = 0,2 + 0,2 = 0,4 N FR = 4 ⋅10 −1 N Logo a alternativa correta é a letra (d). 2.2.2 Condutores paralelos: interação eletromagnética Vimos que um condutor sofre ação de uma força quando está inserido em um campo magnético, também vimos um condutor gera um campo magnético quando é percorrido por uma corrente elétrica. Então, quando dois condutores percorridos por corrente são colocados próximos um do outro, podemos dizer que haverá uma interação entre eles, pois ambos geram e são afetados por campos magnéticos. Quando esses condutores são dispostos de maneira paralela, observa-se o seguinte comportamento: • Condutores percorridos por correntes elétricas de mesmo sentido se atraem. ( ) Quando a regra da mão direita é aplicada ao fio 1, verifica-se que o vetor B1 , gerado por (i1 ) no fio 2, é perpendicular e orientado para dentro da figura, isto é representado pelo símbolo corrente (i2 ) ( ) , enquanto que o vetor B2 gerado pela é perpendicular e orientado para fora da figura,sendo é representado pelo símbolo . Aplicando agora a regra da mão direita espalmada no fio 2 (para descobrir o sentido da força magnética sobre um um fio imerso num campo magnético), descobrimos que o fio 2 sofre a ( ) ação de uma força − F12 , devido ao campo magnético do fio 1. Observe a fig.2.8. Fig.2.8 – Condutores paralelos percorridos por correntes de mesmo sentido se atraem. • Condutores percorridos por elétricas em sentido oposto se repelem. Cap.02 - Eletromagnetismo correntes 41 Essa conclusão é obtida a partir de uma análise análoga a situação anterior. Observe a fig.2.9. Fig.2.9 – Condutores paralelos percorridos correntes de sentido oposto se repelem. por Para ambos os casos, a seguinte expressão pode ser utilizada para calcular o módulo das forças resultantes entre os condutores: F= μ 0 i1i2 l 2πd (2.4) Sendo (l ) o comprimento dos condutores paralelos iguais e muito extensos, (d ) a distância entre os condutores, (i1 ) e (i2 ) as intensidades de corrente nos fios 1 e 2, respectivamente, e (μ0 ) a permeabilidade magnética do meio. 2.2.3 A lei de Biot Savart Podemos estar interessados em calcular o campo magnético produzido por uma corrente num pontopróximo a um fio. A equação utilizada para o cálculo é obtida a partir da lei de Biot Savart, mostrada a seguir: ∧ μ i Δs × r ΔB = 0 4π r 2 (2.5) Sendo ( μ 0 ) uma constante conhecida como permeabilidade do meio, ( i ) a corrente, ( Δs )o vetor comprimento na direção da corrente, ( B ) o campo ∧ magnético, ( r ) o vetor que liga ( Δs ) ao ponto em análise, ( r ) é a distância perpendicular entre o ponto e o fio. Cap.02 - Eletromagnetismo 42 2.3Campos em Solenóides e a Lei Circuital de Ampère A lei de Ampère é utilizada para calcular o campo magnético total associado a uma distribuição de correntes, quando essa distribuição apresentar simetria (planar, esférica ou cilíndrica) os cálculos tornam-se relativamente simples usando a lei de ampère. Ela permite determinar o módulo do campo magnético em um ponto, gerado por uma corrente contínua. No caso de uma corrente que percorreum fio retilíneo longo, o cálculo do campo magnético num ponto exterior aum fio retilíneo longo, é dado pela expressão: B= μ 0i 2πr (2.6) E para um ponto no interior do fio: ⎛ μi ⎞ B = ⎜ 0 2 ⎟r ⎝ 2πR ⎠ (2.7) Sendo (r) a distância do ponto ao centro do fio, e ( R ) o raio do fio. Exercício Resolvido 2.2– Suponha que um fio condutor retilíneo infinito, que está posicionado perpendicularmente ao plano do papel como mostra a figura, seja percorrido por uma corrente de intensidade 6A no sentido saindo do papel. E os pontos A, B e C estão contidos neste mesmo plano, com uma distância ao fio de r1 = 0,3m , r2 = 0,4m e r3 = 0,6m respectivamente. Determine: (a) O módulo dos vetores campo magnético em cada ponto se a permeabilidade magnética do ar é μ o = 4π .10 −7 T .m / A . (b) Utilize a regra da mão direita para representar graficamente os vetores campo magnético. Solução: (a)Sabemos que para calcular o módulo do campo magnético em um fio retilíneo longo podemos usar a eq.(2.6): Cap.02 - Eletromagnetismo 43 Então para o ponto A temos: B1 = μ o i 4π .10 −7 i 2.10 −7.6 = = = 4.10 −6 T 2πr 2πr1 0,3 Para o ponto B; B2 = μ o i 4π .10 −7 i 2.10 −7.6 = = = 3.10 −6 T 2πr 2πr2 0,4 Para o ponto C: μ o i 4π .10 −7 i 2.10 −7.6 B3 = = = = 2.10 −6 T 2πr 2πr3 0,6 (b)De acordo com a regra da mão direita, a direção e o sentido dos vetores B1 , B2 , B3 , são determinados, e podemos construir um esquema como o seguinte: Nesse caso as linhas de campo magnético são circulares e os vetores obtidos são tangentes a essas linhas. Já vimos anteriormente como determinar o campo magnético em um fio retilíneo longo, as linhas de campo magnético tinham trajetória circular em torno do fio. Considere agora que essa configuração fosse modificada para um condutor em forma de espira circular. Nesse caso as linhas de campo magnético seriam distorcidas e teríamos uma nova distribuição de linhas, observe a fig.2.10. Note que a linha que passaria no interior da espira seria representada por uma linha reta. Cap.02 - Eletromagnetismo 44 Fig.2.10- Campo magnético em uma espira circular. O sentido das linhas do campo magnético em uma espira percorrida por corrente elétrica, pode ser encontrado usando a regra da mão direita de uma forma diferente: os dedos acompanham o percurso da corrente elétrica na () espira e o polegar indica o sentido do vetor campo magnético B . A expressão utilizada no cálculo do módulo do campo magnético no centro de uma espira de raio (r ) , percorrida por uma corrente contínua de intensidade (i ) , é: B= μ0i (2.8) 2r Um caso útil no qual a lei de ampère é utilizada é na determinação do campo magnético em um solenóide. De forma simplificada um solenóide é um conjunto de espiras enroladas lado a lado. A fig.2.11 mostra um solenóide percorrido por uma corrente.A direção das linhas de campo está ilustrada pelas setas ao centro. Fig.2.11 – Solenóide comum. Solenóide: Bobina helicoidal formada por espiras circulares muito próximas. Um solenóide constitui uma forma prática de criar um campo magnético uniforme de valor conhecido. Cap.02 - Eletromagnetismo 45 A configuração das linhas de campo pode ser obtida da reunião das configurações individuais, quanto maior o número de espiras, e menor a distância entre elas mais definida fica a configuração. Se o comprimento do solenóide (L ) for muito grande, o campo magnético no ( ) seu interior é praticamente uniforme, ou seja, vetor campo magnético Bs é constante em todos os pontos, com direção e sentido dados pela regra da mão direita, seu módulo é dado pela expressão: Bs = μ0 N i L (2.9) ⎛N⎞ ⎟ por (n ) , que é o número de espiras por ⎝L⎠ Se representarmos a fração ⎜ unidade de comprimento, então: Bs = μ 0 ni Sendo (N ) o (2.10) número de espiras, (L) o comprimento do solenóide, intensidade de corrente e (μ 0 ) a permeabilidade do meio. (i ) a Exercício Resolvido 2.3- Uma empresa de equipamentos industriais recebeu um pedido de uma concessionária para fabricação de um gerador mecânico parafornecer energia em uma de suas unidades. Neste pedido havia sido especificada a necessidade de geração de uma corrente de 12A. O responsável pelo projeto do gerador deseja saber a quantidade de espiras que serão necessárias para o solenóide na montagem do dínamo desse gerador se o valor do comprimento e do campo magnéticos descritos nas normas da empresa são de 30 cm e 4,02.10-3T, respectivamente. Dado: μ o = 4π .10 −7 T .m / A . Solução: Sabemos que o campo magnético de um solenóide pode ser calculado com a eq.(2.9). Como os valores da corrente, do comprimento e do campo magnético, foram especificados, precisamos apenas substituir seus valores na equação: B= μ 0 Ni L Cap.02 - Eletromagnetismo 46 Ou para N: N= LB 0,3.4,02.10 −3 = = 80 espiras μ0i 4π .10 −7.12 2.4Força de Lorentz e suas Aplicações Um portador de carga elétrica com carga (q ) que se move com velocidade (v) em uma região sob influência simultânea de um campo magnético (B )e um campo elétrico (E ) ,está sujeito a dois tipos de força, a elétrica e a magnética. A força de Lorentz representa a forçaeletromagnética total que atua no portador de carga, ela é calculada com a seguinte expressão: F = q.E + q.v × B ( ) (2.11) ( ) O produto q.E representa a contribuição da força elétrica e o termo q.v × B representa a contribuição da força magnética, que atuam simultaneamente sobre a partícula durante seu movimento. A componente elétrica da força de Lorentzé independente do movimento da partícula, existindo com esta em movimento ou em repouso, enquanto a parcela associada à força magnética é dependente da velocidade da partícula, sendo nula caso a partícula se encontre em repouso no referencial em questão. A adição das parcelas deve obedecer às regras associadas à soma vetorial. A componente elétrica da força encontra-se sempre paralela ao campo elétrico, e a componente magnética da força encontra-se perpendicular à () velocidade v da partícula e ao campo magnético em virtude do produto vetorial entre estas duas grandezas. A força de Lorentz encontra aplicação no estudo da dinâmica de partículas em tubos de raios catódicos e em cíclotrons. 2.5Indução Eletromagnética, as Leis de Faraday e Friedrich Lenz 2.5.1 Fluxo do campo magnético Cap.02 - Eletromagnetismo 47 Para entender o fenômeno da indução eletromagnética é necessário introduzir o conceito de fluxo do campo magnético.O conceito de fluxo está relacionado ao número de linhas de campo que atravessam uma superfície de área (S ) , esse conceito se torna simples quando o vetor campo magnético for constante e a superfície for plana, ou quando o ângulo (θ ) , formado entre () o segmento normal a superfície e o vetor B for constante. Nessa situação o fluxo do campo magnético (φ B ) através da superfície é por definição: φ B = BS . cosθ (2.12) Sendo (B ) o módulo do vetor campo magnético. A unidade no SI do fluxo é o tesla por metro quadrado ou Weber, ( T .m 2 = Wb ). 2.5.2Lei de Faraday Após descobrir que uma corrente elétrica é capaz de criar um campo magnético, os físicos começaram a se questionar se um campo magnético poderia gerar corrente. Em 1831 Faraday descobriu a veracidade do fenômeno com a realização de alguns experimentos. A fig. 2.12 ilustra um desses experimentos, uma corrente na bobina à esquerda produz um campo magnético no anel de ferro. A bobina a direita é ligada a um galvanômetro, que é usado para indicar a presença de corrente induzida no circuito. O campo magnético gerado no anel é estacionário, exceto no instante em que o interruptor (S ) é fechado ou aberto, nesse instante uma corrente induzida é detectada pelo galvanômetro. Quando o interruptor é fechado, a corrente induzida tem um sentido, e no momento em que o interruptor é fechado a corrente tem o sentido oposto. Então se pode concluir deste experimento que para um campo magnético estacionário não há corrente induzida. Fig.2.12 – Sistema com duas bobinas enroladas em torno de um anel de ferro, uma chave S e um galvanômetro G. Quando a chave é fechada ou aberta o galvanômetro sofre uma deflexão momentânea. A fig.2.13 ilustra outro experimento no qual a influência da variação do campo magnético é necessária para geração de corrente induzida. O campo magnético gerado pelo imã quando este está em repouso não gera corrente na bobina. Quando o imã é aproximado da espira ocorre variação do campo magnético e consequentemente geração de corrente ( i0 ) em um sentido. Quando o imã é afastado da bobina, uma corrente induzida ( i0 ) é detectada na espira, porém em sentido oposto. Cap.02 - Eletromagnetismo 48 Fig.2.13 – (a) Uma corrente é induzida na espira quando o imã se aproxima dela. (b) Quando o imã se afasta da espira, a corrente induzida gerada tem sentido oposto. A corrente produzida nos circuitos é chamada de corrente induzida, eo trabalho executado por unidade de carga para produzir essa corrente é chamado de força eletromotriz induzida.Logo quando há variação do campo magnético o circuito terá uma corrente induzida e uma força eletromotriz induzida associada, esse processo é chamado de indução. A análise quantitativa entre o campo magnético variável e a força eletromotriz induzida é realizada em termos do fluxo magnético. Lei de Faraday: A força eletromotriz ( ε ) induzida numa espira é diretamente proporcional à variação de fluxo magnético ( Δφ B ) que a atravessa e inversamente proporcional ao intervalo de tempo ( Δt ) em que essa variação ocorre. A lei é expressa matematicamente na forma: ε =− Δφ B Δt (2.13) No caso de ( N ) espiras formando uma bobina plana, o fluxo total é obtido multiplicando o fluxo magnético ( Δφ B ) pela quantidade de espiras ( N ), a equação é então expressa da seguinte forma: ε = −N ⋅ Δφ B Δt (2.14) O sinal negativo das expressões indica o sentido em que a força eletromotriz atua, determinando o sentido da corrente elétrica. Exercício Resolvido 2.4-Um ímã, preso a um carrinho, desloca-se com velocidade constante ao longo de um trilho horizontal. Envolvendo o trilho há Cap.02 - Eletromagnetismo 49 uma espira metálica, como mostra a figura adiante. Pode-se afirmar que, na espira, a corrente elétrica: a)ésempre nula. b) existe somente quando o ímã se aproxima da espira. c) existe somente quando o ímã está dentro da espira. d) existe somente quando o ímã se afasta da espira. e) existe quando o ímã se aproxima ou se afasta da espira. Solução: A alternativa correta é a letra (e). Vimos de acordo com a lei de Faraday que uma corrente induzida é gerada na espira devido à variação do fluxo magnético gerado pelo imã em movimento. 2.5.3 Lei de Lenz Pouco depois de propor a lei de indução, Heinrich Friedrich Lenz inventou uma regra para determinar o sentido da corrente em uma espira: Lei de Lenz: A corrente induzida em uma espira gera um campo magnético que se opõe à variação do fluxo magnético que induz essa corrente. A fig.2.14 fornece uma melhor compreensão sobre a lei de Lenz. A corrente induzida e a força eletromotriz, produzem um campo magnético na espira cujo sentido, se opõe ao movimento do imã e é dado pela regra da mão direita (os dedos curvados da mão indicam a corrente e o polegar indica a direção do fluxo do campo magnético induzido gerado pela espira). Cap.02 - Eletromagnetismo 50 Fig.2.14 – O camp po magnético o do imã se opõe o ao cam mpo magnéttico induzido da espira qu uando (b) o imã se afassta da espira a (força atra ativa) (b) o imã se mov ve em direçã ão à espira (força repulssiva) ADES: Por P que os trens magle ev levitam? CURIOSIDA O magnetismo m o é conhecido dessde a anttiguidade, existem rregistros qu ue a civilizzação chinesa já utilizava a bússola b dessde o sécu ulo III A.C, eles já sab biam também com mo magne etizar o aç ço através de imãss naturais,, embora não houv vesse uma a explica ação para a o fenômeno. Na a idade média, Petrus P Pere egrinus pro oduziu uma a obra intittulada “Ep pístola de Magnete””, ignorada a até fins do d século XVI, a qua al relatava experiênc cias com o magnetismo, talvezz este seja o primeirro trabalho o, de que e temos notícias, n que buscava explica ar os fenô ômenos elétricos e magnétic cos. Porém m não ha avia distin nção entre os diferrentes tipos de atraç ção: a mag gnética e a elétrica. Em 1820 1 um no ovo fenôm meno foi observado por acaso o pelo físico o dinamarrquês Hanss Christian Oersted. Durante D um ma de sua as aulas so obre o efeiito térmico o das corre entes nos fios condu utores, perrcebeu que ao passar uma co orrente elé étrica por um fio, uma u agulha magné ética loca alizada prróxima a este fio sofria s influê ência. Percebeu-se então que e ao se pa assar uma corrente e elétrica po or um fio um campo magnétic co é gerado ao seu re edor. A camposs geração o de mag gnéticos no n mundo hoje tem m dive ersas apliicações. O trem m mag glev, por exemplo, tem seu u func cionamento o basea ado noss conh hecimento os do o eletrromagnetissmo. Esse trem é ca apaz de le evitar e se e deslo ocar porr meio da força a mag gnética de e campos atrativos e repu ulsivos. As tecnologia t as que são o Fig.2.15 – Trem Ma aglev Cap.0 02 - Eletroma agnetismo 5 51 aplicadas podem permanentes. envolver: ímãs supercondutores, eletroímãs e imãs No caso dos supercondutores, a força magnética é produzida pela interação entre o campo magnético gerado por bobinas externas localizadas ao longo da plataforma, e as correntes persistentes que circulam nas bobinas supercondutoras existentes no interior do trem, feitas com fios supercondutores que geram campos muito intensos graças a não dissipação de energia, sendo esta uma característica desse material. Ocasionando assim uma levitação entre 1 e 10 cm sobre o trilho. A mudança na polaridade das bobinas é responsável pelo movimento do trem, de modo que a parte frontal do trem puxa o veículo para frente, enquanto o campo magnético atrás do trem intensifica esse movimento de modo a empurrar o veículo para frente. Como o trem não entra em contato com o trilho, ele consegue atingir altas velocidades, em torno de 500 km/h. Atualmente a Alemanha e o Japão são os países com maiores pesquisas no campo. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 2.1 – O disco rígido de um computador é um meio magnético utilizado para armazenar informação em forma digital. Sua superfície é dividida em trechos retangulares, muito pequenos, que funcionam como ímãs microscópicos e podem ser orientados em dois sentidos opostos: e , respectivamente. Um modelo simplificado do processo de leitura da informação gravada no disco rígido envolve um conjunto de bússolas I, II e III, como mostra a figura. Se o pólo norte da bússola aponta para cima ( ), sua orientação é representada pelo dígito 1, e se aponta para baixo ( ), é representada pelo dígito 0. Escolha a alternativa que representa a orientação das bússolas na situação da figura: a)1 0 1 b)0 1 0 c)1 0 0 Cap.02 - Eletromagnetismo 52 d)0 1 1 e)0 0 1 2.2- É possível acender um LED, movimentando-se uma barra com as mãos? Para verificar essa possibilidade, um jovem utiliza um condutor elétrico em forma de U, sobre o qual pode ser movimentada uma barra M, também condutora, entre as posições X1e X2. Essa disposição delimita uma espira condutora, na qual é inserido o LED, cujas características são indicadas na tabela ao lado. Todo o conjunto é colocado em um campo magnético B (perpendicular ao plano dessa folha e entrando nela), com intensidade de 1,1 T. O jovem, segurando em um puxador isolante, deve fazer a barra deslizar entre X1e X2. Para verificar em que condições o acenderia durante o movimento, estime: LED a) A tensão V, em volts, que deve ser produzida nos terminais do LED, para que ele acenda de acordo com suas especificações. b) A variação Δφ do fluxo do campo magnético através da espira, no movimento entre X1e X2. c) O intervalo de tempo Δt em s, durante o qual a barra deve ser deslocada entre as duas posições, com velocidade constante, para que o LED acenda. 2.3 - A figura mostra parte de um circuito elétrico que está imerso numa região de campo magnético uniforme, perpendicular ao plano da figura. O fioABtem densidade linear igual a1,8 g/cm, podendo deslizar sem atrito sobre os dois fios metálicos verticais. A corrente elétrica no circuito é igual a0,10 A. Qual deve ser a intensidade do campo magnético, para manter o fioABem equilíbrio, sob a ação das forças gravitacional e magnética? a) 41 T b) 32 T c) 18 T d) 12 T e) 10 T Cap.02 - Eletromagnetismo 53 CAPÍTULO 3:ONDAS Como encontrar petróleo? Diversos produtos que a sociedade utiliza no dia-a-dia são provenientes do petróleo. Além de servir como matéria-prima na produção de combustíveis, o petróleo também é empregado na produção de fertilizantes, plásticos, tintas, borrachas, etc.Nas refinarias, o petróleo recebe um tratamento especial, o óleo bruto passa por uma série de processos até a obtenção dos produtos derivados, como gasolina, diesel, lubrificantes, nafta e querosene de aviação. Outros produtos obtidos a partir do petróleo são os petroquímicos, que substituem uma grande quantidade de matérias-primas, como madeira, vidro, algodão, metais, celulose, lã, couro e marfim. Por isso o petróleo tem bastante influência na economia nacional e internacional. Ele é um óleo de origem fóssil, que começou a ser formado há milhões de anos atrás e é geralmente encontrado em rochas de origem sedimentar. Atualmente esse óleo é a principal fonte de energia do mundo moderno embora seja uma fonte de energia não renovável. No Brasil a maior parte das reservas é encontrada em campos marítimos, em lâminas d’água com alta profundidade. A dificuldade é saber a localização das reservas de petróleo. A parte inicial da busca pelo petróleo é realizada pelos geólogos e geofísicos que vão observar e explorar todas as pistas da possível presença de hidrocarbonetos abaixo do solo, isso é geralmente feito examinando amostras de rochas, em seguida registrando a camada de origem da amostra, para finalmente tentar reconstituir o cenário de bilhões de anos atrás. A análise é auxiliada pelo uso de fotografias aéreas e imagens de satélite, com o objetivo de formular a hipótese da existência de petróleo em determinada área. A segunda parte do estudo é conduzida por geofísicos, que irão fortalecer as hipóteses dos geólogos a partir da análise de uma coleta de dados, usando a gravimetria e a magnetometria, que fornecem uma ideia da constituição do terreno e a possibilidade da existência de óleo. O estudo da presença de petróleo pode ser conduzido em terra firme (onshore) ou no mar (off-shore). No primeiro caso, um caminhão vibrador gera um choque na superfície e uma onda sonora se propaga no solo, sofre refração e é refletida no subsolo. O modo como essas ondas se propagam varia conforme elas passam através das diferentes camadas. Por meio de um microfone altamente sensível, conhecido como geofone, o geofísico escuta e registra o eco dessas ondas. Cap.03 - Ondas 55 Fig.3.1 – Busca pe elo petróleo on-shore. o (1) Caminhão vibrador v (2) Geofones G (3) La aboratório mó óvel. No segundo s c caso uma embarcaç ção sísmica gera as ondas, ass ondas so ofrem refra ação e são o refletidas e captadas por hifro ofones. Fig.3.2 – Busca pe elo petróleo off-shore. o (1) Embarcação o sísmica (2) Hidrofones Os registros sísmicos do geo ofísico são processsados p por poderosos com mputadoress. O terren no é mape eado por meio de pontos p liga ados em liinhas isócrronas no solo s no qu ual as ond das levam m exatame ente o me esmo lapso o de temp po para serem reffletidas de e volta à superfície e. Esse m método prroduz imag gens bi e tridimensio t onais das camadas c do d subsolo, permitind do a obten nção de mapas m sísm micos que e contribue em para inferir se alguma a ca amada po oderá contter hidroca arbonetos. Fig.3.3 – Resultado os obtidos. (1 1) Isócronas (2) ( Mapas tridimensionaiss. A utilização de e ondas é uma ferra amenta muito útil co omo acab bamos de citar, não somente na indússtria do petróleo p mais m tamb bém em d diversos outros o segm mentos.O movimento realizad do pelas ondas o é um m movime ento oscila atório bem m definido, nesse movimento m o há o tra ansporte apenasde e energia sem transsporte de matéria. O movime ento oscila atório por sua s vez é um fenôm meno maiss amplo, que envolve e o movim mentoondu ulatório, o movimento m o harmônic co, o mov vimento harmônico h o simples,, movime ento ana armônico, etc.Há uma dive ersidade en norme de aplicações proven nientes dessses conhe ecimentos. Daí impo ortância de estudar esse fenôm meno indisspensável para socie edade noss dias de hoje. h Cap.0 03 - Ondas 5 56 3.1Movimento Harmônico Simples Movimentos oscilatórios estão presentes em vários momentos da nossa vida, como o movimento de vaivém do pêndulo de um relógio, ou o movimento executado por uma mola comprimida e relaxada em sequência. Todo movimento que se repete em intervalos de tempo regulares é chamado de movimento harmônico. Um desses movimentos é o movimento harmônico simples (MHS). Nesse tipo de movimento o deslocamento ( x ) de uma partícula em relação a um eixo de origem, é dado por uma função da forma: x(t ) = xm cos(ωt + φ ) Sendo ( xm ) (3.1) uma grandeza denominada amplitude, que representa o movimento máximo da partícula em um dos sentidos do movimento oscilatório; (φ ) é chamada de constante de fase, é um valor dependente do deslocamento e da velocidade da partícula no instante inicial, ela é expressa geralmente em radianos; (ω ) é a frequência angular do movimento, e pode ser calculada com a seguinte expressão: ω= 2π = 2πf T (3.2) A unidade para frequência angular no SI é o radiano por segundo (rad s ) . Uma propriedade importante de movimentos oscilatórios é chamada frequência ( f ) , medida no SI em hertz (Hz ) , que mede o tempo de uma ( ) −1 oscilação por segundo, 1Hz = 1s . Outra propriedade importante que é relacionada à frequência é o período, que é o tempo necessário para efetuar uma oscilação completa, e é calculada usando a relação: T= 1 f (3.3) A velocidade de uma partícula no MHS é expressa matematicamente com a equação: v(t ) = −ω.xm sen(ωt + φ ) (3.4) Enquanto que a aceleração da partícula é dada por: a (t ) = −ω 2 x m cos(ωt + φ ) Cap.03 - Ondas (3.5) 57 ou a(t ) = −ω 2 x(t ) (3.6) Conhecendo como a aceleração da partícula varia com o tempo e conhecendo segunda lei de Newton podemos descobrir a força que está agindo sobre a partícula quando ela adquire essa aceleração: F = ma F = −(mω 2 ) x (3.7) Esta última equação é semelhante a lei de Hooke: F = −kx Onde (k) é a constante elástica. Comparando-se a duas últimas expressões temos que: k = mω 2 (3.8) Um caso bastante simples em que verificamos um movimento harmônico é o sistema massa mola, que está ilustrado na fig.3.4. A relação entre a frequência angular do movimento do bloco com a constante de elasticidade e a massa do bloco é dada por: ω= k m (3.9) O sistema massa mola constitui um oscilador harmônico simples linear, para o qual a força é proporcional ao deslocamento. Fig.3.4 - Oscilador harmônico simples linear. O bloco se realiza um movimento harmônico quando é empurrado ou puxado da posição de origem (x=0). O período do oscilador é dado pela combinação das equações: Cap.03 - Ondas 58 T = 2π . m k (3.10) A energia de um oscilador linear é transformada repetidamente em energia cinética e potencial e vice-versa. A energia potencial está inteiramente associada à mola, ou seja, seu alongamento ou compressão, e é dada pela seguinte expressão: 1 1 2 U (t ) = kx 2 = k .xm cos 2 (ωt + φ ) 2 2 (3.11) Enquanto a energia cinética está associada ao movimento do bloco, seu valor depende da rapidez com a qual o bloco se move. A energia cinética nesse caso é dada pela expressão: K (t ) = 1 2 1 2 mv = mω 2 xm sen 2 (ωt + φ ) 2 2 2 Mas como ( ω = k ), a expressão anterior fica: m 1 1 2 K (t ) = mv 2 = kxm sen 2 (ωt + φ ) 2 2 (3.12) A energia mecânica do sistema é a soma da energia potencial e cinética, logo: E =U + K 1 1 2 2 E = k .xm cos 2 (ωt + φ ) + kxm sen 2 (ωt + φ ) 2 2 1 2 E = kxm (cos 2 (ωt + φ ) + sen 2 (ωt + φ )) 2 Mas sabemos que para qualquer ângulo α : cos 2 α + sen 2α = 1 Então, a energia mecânica do sistema é expressa por: E= 1 2 kxm 2 (3.13) De acordo com esta última expressão, verificamos que a energia mecânica de um oscilador harmônico linear é constantee independente do tempo. Cap.03 - Ondas 59 3.2Conceitos Gerais de Onda e a Equação da Onda Harmônica As ondas estão presentes em todos os lugares do mundo e fazem parte do nosso dia-a-dia, podemos citar, por exemplo, a luz solar que permite a existência da vida no planeta, as ondas sonoras que nos permitem a comunicação e escutar músicas na internet. Tipos de ondas: Ondas mecânicas: são ondas governadas pelas leis de Newton que necessitam de um meio para se propagar. Exemplos: ondas sonoras, ondas do mar, ondas sísmicas. Ondas eletromagnéticas:estas ondas não precisam de um meio material para se propagar. Exemplos: ondas de rádio, luz visível, luz ultravioleta. Ondas de matéria: ondas associadas a partículas elementares (elétrons e prótons), átomos e moléculas. Daremos ênfase nesse texto às ondas mecânicas. Efetuando uma análise de uma onda em uma corda, sabemos que será realizado um movimento que pode ser representado por funções como seno ou cosseno. Para uma onda senoidal se propagando na direção do eixo (x), a seguinte expressão fornece o deslocamento (y)do elemento na posição (x), em certo instante (t): y( x, t ) = ym sen(kx ± ωt ) (3.14) O termo entre parênteses é chamado de fase da onda, o sinal do parâmetro (t) na equação indica o sentido de propagação da onda. Se a onda se propaga no sentido positivo do eixo (x), (t) é positivo e a equação fica: y( x, t ) = ym sen(kx − ωt ) Se a onda se propaga no sentido oposto: y( x, t ) = ym sen(kx + ωt ) Sendo ( ym ) a amplitude da onda, esse termo se refere ao módulo do deslocamento máximo dos elementos, por isso sempre é um valor positivo, (k ) o número de onda, (t ) o tempo, ( x ) a posição e (ω ) a frequência angular. Cap.03 - Ondas 60 Em uma onda a distância entre repetições de forma de onda recebe o nome de comprimento de onda (λ ) . Como o deslocamento de onda é representado por uma função senoidal o deslocamento será o mesmo, sempre que o ângulo aumentar de ( 2π rad ), a função é repetida. Podemos representar isso utilizando o número de onda (k ) , dado pela expressão: 2π k= λ (3.15) A unidade do número de onda no SI é o radiano por metro ou ( m −1 ). A frequência angular pode ser calculada com a equação: 2π T ω= (3.16) A frequência da onda é relacionada à frequência angular com a seguinte expressão: f = 1 ω = T 2π (3.17) Sendo a frequência o número de oscilações por unidade de tempo, medida em Hertz (Hz ) no SI. A velocidade da onda é expressa por: v= ω k = λ T = λf (3.18) Tendo conhecimento que a função cosseno e seno podem ser utilizadas para representar ondas, podemos relacionar os conceitos apresentados anteriormente do movimento harmônico simples linear e as equações que definem o movimento ondulatório aqui apresentado para definir a equação de onda harmônica. Genericamente o movimento harmônico de uma partícula pode ser representado pela seguinte expressão de deslocamento: y = xm cos(ωt + φ ) (3.19) Para um intervalo de tempo ( Δt ) a partícula se deslocará com velocidade( v ) um percurso x . Temos então que a velocidade pode ser expressa por: Cap.03 - Ondas 61 v= x Δt (3.20) Sendo Δt = t − t 0 (3.21) Podemos expressar o instante inicial por: t 0 = t − Δt (3.22) Substituindo as equações (3.22) e (3.16) na equação (3.19) obtemos: ⎤ ⎡ 2π y = xm cos⎢ (t − Δt ) + φ ⎥ ⎦ ⎣T A eq.(3.20) pode ser reescrita como ( Δt = (3.23) x ). Substituindo esta expressão na v eq.(3.23), ficamos com: ⎡ 2π ⎛ x ⎞ ⎤ y = xm cos⎢ ⎜ t − ⎟ + φ ⎥ ⎣ T ⎝ v⎠ ⎦ ou ⎡ ⎛t x ⎞ ⎤ y = x m cos ⎢2π ⎜ − ⎟ +φ⎥ ⎣ ⎝ T vT ⎠ ⎦ (3.24) Da eq.(3.18) sabemos que ( λ = vT ), ou seja, podemos reescrever a eq.(3.24) como: ⎡ ⎛ t x⎞ ⎤ y = x m cos ⎢2π ⎜ − ⎟ + φ ⎥ ⎣ ⎝T λ ⎠ ⎦ (3.25) A eq.(3.25) é conhecida como equação de onda harmônica. 3.3Propagação de Pulsos – Reflexão e Refração – Equação de Brook Taylor 3.3.1 Formas de propagação Podemos classificar as ondas também com relação à forma que as ondas adquirem, elas podem ser transversais ou longitudinais. Cap.03 - Ondas 62 Onda transversal: é aquela que tem sua propagação perpendicular ao movimento. Exemplo: onda gerada por uma pessoa ao balançar uma corda em um movimento harmônico simples. Onda longitudinal: é a onda que se propaga na mesma direção do movimento. Exemplo: a vibração de uma mola que ocorre na mesma direção do seu movimento. Quanto à direção das ondas, elas podem ainda ser classificadas em unidimensionais, bidimensionais e tridimensionais. Ondas unidimensionais: mola, ondas em cordas tracionadas. Ondas bidimensionais: ondas em um lago Ondas tridimensionais: ondas sonoras Alguns fenômenos como reflexão e refração são usualmente estudados devido à necessidade de análise mais ampla sobre a propagação de ondas. As ondas bidimensionais, assim como as ondas unidimensionais, se refletem ao atingir um obstáculo ou sofrem refração quando há mudança do meio de propagação. Vamos analisar a propagação de uma onda unidimensional em uma corda quando tais fenômenos ocorrem. 3.3.2 Reflexão Existem duas situações comuns nas quais ocorre a reflexão, elas serão demonstradas a seguir. 3.3.2.1Extremidade fixa Quando um pulso é gerado uma tensão faz com que cada ponto da corda suba e depois desça a posição original, ao atingir a extremidade o pulso exerce uma força sobre a parede, e de acordo com a terceira lei de Newton (ação e reação) a parede exerce uma força oposta e de mesmo módulo sobre a corda. Nesse caso o pulso refletido sofre inversão de fase, como mostra a fig.3.5. Cap.03 - Ondas 63 Fig.3.5 – Propagação de uma onda em uma corda com uma extremidade fixa. 3.3.2.2 Extremidade livre Neste segundo caso, a extremidade da corda é presa por um anel a uma barra ideal, na qual o atrito entre o anel e a barra é desconsiderado. Quando o pulso atinge a extremidade o anel se desloca para cima e ao se mover o anel puxa a corda esticando-a e produzindo um pulso refletido com mesma amplitude que o pulso incidente. Neste caso não há inversão de fase. Observe a fig.3.6. Fig.3.6 – Propagação de uma onda em uma corda com uma extremidade móvel. 3.3.3 Equação de Brook Taylor A velocidade de uma onda está relacionada com o comprimento e a frequência da onda, masé determinada pelas propriedades (massa e elasticidade) do meio em que ela se propaga. A velocidade de propagação de uma onda em uma corda esticada (com duas forças aplicadas em suas Cap.03 - Ondas 64 extremidades) pode ser calculada com a equação de Brook Taylor, que demonstra que a velocidade de propagação depende apenas da tensão e da densidade linear da corda. v= τ μ (3.26) Sendo ( τ ) a tensão a qual a corda está submetida, e ( μ ) a densidade linear da corda, que é dada pela expressão: μ= Δm Δl (3.27) A massa da corda é representada por ( Δm ) e o comprimento por ( Δl ). 3.4Elementos de uma onda – Princípios de Huygens-Fresnel – Reflexão e refração de ondas planas – Lei de Snell-Descartes. A representação de ondas no espaço pode ser entendida de uma maneira mais fácil, introduzindo-se o conceito de frente de onda. Frente de onda: conjunto de pontos do meio que são alcançados no mesmo instante pela mesma fase de uma onda. As figs. 3.7, 3.8e 3.9 ilustram as frentes de ondas em uma duas ou três dimensões. Fig.3.7 - Em ondas unidimensionais as frentes de onda são representadas por pontos, como ponto P, por exemplo. Cap.03 - Ondas 65 Fig.3.8 - Ondas bidimensionais possuem frentes de onda curvas. As frentes de ondas são descritas pelos eixos x e y. Fig.3.9 - Frentes de onda tridimensionais são representadas por superfícies, como a superfície E, e são descritas pelos eixos x, y e z. 3.4.1 Princípios de Huygens-Fresnel Um instrumento de análise que auxilia a compreensão das propriedades e características ondulatórias de ondas bidimensionais e tridimensionais é o princípio de Huygens, com este princípio podemos ter uma ideia geral da propagação das ondas num determinado meio. Princípio de Huygens: Cada ponto de uma frente de onda pode ser considerado uma nova fonte de ondas secundárias que se propagam em todas as direções, a superfície que envolve a fronteira dessas ondas secundárias é a nova frente de onda.A fig.3.10 demonstra esse princípio. Cap.03 - Ondas 66 Fig. 3.10- Frentes de ondas circulares em t1 dão origem a frentes de ondas circulares em t2. Para um considerado instante, cada ponto da frente de onda comporta-se como fonte das ondas elementares de Huygens. É possível concluir que, em um meio homogêneo e com as mesmas características físicas em toda sua extensão, a frente de onda se desloca de forma a manter sua forma (desconsiderando a presença de obstáculos). 3.4.2 Reflexão Na reflexão, a onda incide sobre um obstáculo e retorna ao meio de propagação mantendo as características originais. A fig.3.11 demonstra a reflexão que uma onda sofre ao atingir um anteparo plano. Fig.3.11 – Reflexão sobre superfície plana, o raio incidente atinge a superfície pelo lado esquerdo, enquanto o raio refletido deixa a superfície pelo lado direito. As frentes de onda planas ( a ) são separadas pelo comprimento de onda ( λ ), que ao atingir o anteparo sofrem reflexão formando um ângulo de incidência ( θ ) entre o anteparo e a normal (N), dando origem a novas frentes de onda ( a′ ) com mesmo ( λ ) e ângulo de reflexão ( θ ′ ) igual ao ângulo de incidência. θ =θ′ Cap.03 - Ondas (3.28) 67 3.4.3 Refração A refração ocorre sempre que uma onda atravessa a superfície de separação de meios nos quais a velocidade de propagação da onda é diferente. Uma característica típica da refração é a mudança na direção da propagação, esse desvio só ocorre quando a incidência da onda é oblíqua à superfície, observe a fig.3.12. Fig.3.12 – Refração de uma onda ao atravessar o plano de separação entre os meios 1 e 2. Pode-se determinar esse desvio com o auxílio da Lei de Snell-Descartes: senθ1 v1 = senθ 2 v2 (3.29) Substituindo a eq.(3.18) na expressão anterior, obtemos: senθ1 λ1 = senθ 2 λ2 (3.30) Exercício Resolvido 3.1 – Uma onda bidimensional plana se propaga do meio 1 para o meio 2, conforme a figura abaixo. Sabendo que a frequência da fonte é 50 Hz, e os comprimentos de onda na região1 e 2 são λ1 = 0,08m e λ 2 = 0,12m , respectivamente. Determine: Cap.03 - Ondas 68 a) A velocidade de propagação da onda em cada meio. b) O valor do ângulo de incidência (θ1 ) se o ângulo de refração é conhecido (θ 2 = 64°) (Dado: sen64° = 0,898) Solução: a) Podemos descobrir a velocidade da onda nos meios 1 e 2 com a expressão: f = v1 λ1 No meio 1, como λ1 = 0,08m e f = 50 Hz : v1 = λ1 f = 0,08.50 = 4 m s No meio 2, como λ 2 = 0,12m e f = 50 Hz : v 2 = 0,12.50 = 6 m s b) A relação entre os ângulos de incidência e refração com as velocidades de onda nos meios é dada pela lei da refração: senθ1 v1 = senθ 2 v2 As velocidades de onda nos dois meios foi obtida na letra (a), e o valor do ângulo de refração foi fornecido na questão (θ 2 = 64°) , substituindo os valores na equação, temos que: senθ1 4 = sen64° 6 senθ1 = 0,6 θ1 = 36,8° 3.5Difração e Polarização de Ondas Pode-se dizer que a difração é a tendência das ondas em contornar obstáculos, devido a um encurvamento sofrido pelos raios. Por exemplo, uma onda sonora que se propaga pelo ar e encontra uma fenda numa parede. Podemos explicar este fenômeno ondulatório partindo do princípio de Huygens. Observe a fig. 3.13. Cap.03 - Ondas 69 Fig.3.13 – Uma onda plana atravessar a fenda na parede. diverge ao Na tentativa de atravessar a fenda, os raios sofrem desvios devido ao contato com as bordas da parede, esses desviossão proporcionaos ao tamanho da fenda. Quanto menor o comprimento da fenda maior a tendência dos raios em adquirir um formato circular. Nesse caso seria válido considerar a existência de fontes secundárias junto às paredes na abertura do anteparo. Essas novas fontes explicam a capacidade das ondas contornarem obstáculos. Já a polarização é um fenômeno de seleção de planos vibracionais associado com ondas transversais que vibram em várias direções, logo a polarização consiste na seleção de um plano de vibração específico utilizando-se um dispositivo chamado polarizador. A luz, por exemplo, é um tipo de onda eletromagnética transversal que possui mais de um plano vibracional, ou seja, ela possui campos elétricos e magnéticos perpendiculares, de modo a emitir em várias direções. A fig.3.14 mostra um esquema onde um feixe de luz é polarizado. Fig.3.14 – Polarização de um feixe de luz. Após atravessar o primeiro polarizador (com fendas verticais), a onda passa a vibrar em um único plano, assim dizemos que a luz está polarizada. Se um segundo polarizador fosse colocado em sequência, a luz não o atravessaria, pois a direção de vibração da luz não está coincidindo com a posição das fendas do polarizador. Cap.03 - Ondas 70 3.6Superposição de Ondas – Ondas Estacionárias Existem diversos exemplos nos quais ocorre a superposição de ondas, quando vamos a um show, em que os integrantes da banda usam diferentes instrumentos musicais, está havendo a superposição das ondas sonoras. Outro exemplo de superposição seria num porto, com diversas embarcações que agitam a água simultaneamente, etc. Esse fenômeno ocorre quando duas ou mais ondas passam pela mesma região. Um caso simples de ilustrar esse comportamento, ocorre em uma corda, observe a fig.3.15. Fig.3.15 – Superposição de pulsos individuais em uma corda. Na mesma corda são produzidos dois pulsos em extremidades opostas. Quando os pulsos se encontram eles se superpõem produzindo um pulso resultante de modo que nesse instante a ordenada de cada ponto é soma algébrica das ordenadas dos pulsos individuais, essa afirmação é chamada Princípio da Superposição. Após o cruzamento, no entanto, cada pulso continua seu percurso com suas próprias características. Podemos dizer que ondas superpostas não se afetam mutuamente. Por isso quando ouvimos o som de uma banda, sabemos que as ondas sonoras produzidas por cada instrumento, que se propagam no mesmo meio e região do espaço, não serão modificadas, garantindo a distinção dos sons dos instrumentos.O mesmo raciocínio aplicado para os pulsos pode ser usado para ondas. O fenômeno de combinação de ondas recebe o nome de interferência, a onda resultante é dada pela soma algébrica das ordenadas em cada ponto. Quando a onda resultante tem a amplitude aumentada ocorre uma interferência construtiva, quando ela é reduzida dizemos que a interferência é destrutiva. Analisemos agora um segundo caso. Imagine agora que na mesma corda considerada anteriormente fossem geradas duas ondas senoidais em extremidades opostas, com mesma amplitude e mesmo comprimento de onda. As ondas são somadas de acordo com o princípio da superposição, e Cap.03 - Ondas 71 em alguns pontos a corda permanece imóvel, estes pontos são chamados de nós, e em outros a amplitude da onda resultante é máxima, esses pontos são chamados de ventres, observe a fig.3.16. Fig.3.16 - Onda estacionária Essas ondas são chamadas de ondas estacionárias, pois, a forma de onda não irá se mover nem para direita nem para esquerda, e as posições de máximo e mínimo não variam com o tempo. 3.7Energia Associada à Onda – Efeito Doppler O efeito Doppler é a alteração da frequência sonora percebida por um observador em virtude do movimento relativo de aproximação ou afastamento de uma fonte sonora. Esse fenômeno é muito comum com cotidiano. Um exemplo frequentemente usado para explicar o efeito Doppler é o caso de uma ambulância com a sirene ligada, quando ela se aproxima ou se afasta de um observador. Quando ela se aproxima do observador o som é mais agudo e quando ele se afasta o som é mais grave. Esse é um fenômeno característico de qualquer propagação ondulatória, ele é observado nas ondas sonoras e em ondas eletromagnéticas como em ondas de rádio e a luz visível. Se o detector ou a fonte está se movendo, ou ambos estão se movendo, a relação entre a frequência emitida e a frequência detectada é dada pela relação: f′= f v ± vD v ± vS (3.31) Onde ( f ′ ) é a frequência detectada, ( f ) é a frequência emitida, ( v ) é a velocidade do som no ar, ( v D ) é a velocidade do som em relação ao ar, e ( vS ) é a velocidade da fonte em relação ao ar. Cap.03 - Ondas 72 O ar onde as ondas se propagam é utilizado como referencial na medição das velocidades, porém considera-se que o ar está em repouso em relação ao solo de modo que as velocidades podem também ser medidas usando o solo como referencial. 3.8 Acústica – Propriedades das Ondas Sonoras – Qualidades Fisiológicas do Som – Tubos Sonoros 3.8.1 Propriedade das ondas sonoras As ondas sonoras não são visíveis e possuem todas as características de qualquer propagação ondulatória. A reflexão é uma das propriedades mais interessantes, com ela podemos explicar o eco, que é caracterizado pela percepção de um mesmo som emitido e refletido num intervalo de 0,1 segundos, que é o tempo que o ouvido humano consegue distinguir dois sons. A refração de ondas sonoras pode ser percebida na praia, por exemplo, o sol aquece a areia da praia de modo que a camada de ar de acima da areia é modificada, o ar se expande e sua densidade diminui, ocasionando a refração do som, que terá sua velocidade trajetória modificada, por isso que duas pessoas tem dificuldade em se comunicar se elas estiverem a certa distância. A interferência sonora também é um fenômeno típico, em shows ao ar livre é comum existirem locais onde se ouve muito pouco, enquanto em outros locais o som é muito intenso. Existem três qualidades diferentes que o ouvido humano é capaz de perceber, elas são chamadas de qualidades fisiológicas do som e são descritas a seguir: Altura ou tom – a qualidade que faz com que o ouvido possa distinguir um som baixo (grave) de um som alto (agudo). Por exemplo, o som da voz masculina (grave), e o som da voz feminina (agudo). Intensidade auditiva ou sonoridade – a qualidade que faz com que o ouvido possa distinguir um som forte (boate) de um som fraco (tique-taque de um relógio). A intensidade ( I ) de uma onda sonora em uma superfície é a taxa média por unidade de área na qual a energia contida na onda atravessa ou é absorvida pela superfície, matematicamente temos: I= P A (3.32) Onde ( P ) é a taxa de variação com o tempo da transferência de energia da onda sonora e ( A ) a área da superfície que intercepta o som. Cap.03 - Ondas 73 Timbre - qualidade que faz com que o som seja distinguido na mesma intensidade e na mesma altura, mesmo sendo emitidos por fontes diferentes, por exemplo, se um violino ou um piano emitir a mesma nota musical com intensidades iguais a pessoa poderá distinguir os dois sons, devido à diferença de timbre. 3.8.2 Velocidade de propagação De forma semelhante à propagação de ondas em cordas, a velocidade de propagação do som depende das propriedades do meio. A expressão matemática da velocidade de propagação do som é obtida a partir daeq.(3.26), ou seja, é uma generalização da velocidade ondas em cordas: v= B (3.33) ρ Sendo (B ) o módulo de elasticidade volumétrico, parâmetro associado à variação de volume de um elemento do meio; e (ρ ) a massa específica. Exercício Resolvido 3.2– Uma equipe de uma companhia de petróleo está em busca de uma jazida no mar. Para construir um mapa e avaliar os tipos de rochas presentes na região, eles contam com o auxílio do sonar de sua embarcação sísmica, que gera ondas com frequência de 30Hz. As ondas sonoras se propagam irão se propagar tanto na água do mar quanto nas camadas de sólido. Considerando que a primeira camada sólida seja de granito e sabendo que o módulo de elasticidade volumétrico na água e no sólido são B = 2316 ,5 MPa e B = 93,6GPa respectivamente. Determine: (a)A velocidade de propagação da onda na água e no sólido. (b)O comprimento de onda na camada de granito e na água. Solução: (a) A velocidade de propagação da onda na água e na camada sólida podem ser encontradas com o auxílio da eq.(3.33): v1 = B ρ = 2316,5.10 6 = 1522 m s 1000 Na camada de granito temos então: Cap.03 - Ondas 74 B v2 = ρ = 93,6.10 9 = 6000 m s 2600 (b) A partir da eq.(3.18) temos que: v = λf Então o comprimento de onda no meio 1 é: λ1 = v1 1522 = 50,7 m f 30 E no meio 2: λ = v 2 6000 = = 200 m f 30 3.8.3Tubos sonoros O ar contido dentro de um tubo é capaz de vibrar com frequências sonoras assim como uma corda ou uma mola. Alguns instrumentos musicais como a flauta, o clarinete, a corneta, etc. são baseados nessa capacidade. Os tubos são classificados como abertos, que possuem as duas extremidades abertas, ou fechados, que tem uma extremidade fechada e uma aberta. Quando as ondas se propagam no interior de um tubo, elas são refletidas nas extremidades, a reflexão ocorre mesmo que a extremidade do tubo esteja aberta, mas nesse caso a reflexão não é completa. Para certos comprimentos haverá a superposição entre as ondas que se propagam no tubo em sentidos opostos de modo a formar ondas estacionárias. Esses comprimentos correspondem às frequências de ressonância do tubo. A onda estacionária mais simples em um tubo aberto é chamada de modo fundamental ou primeiro harmônico, ela possui um nó no ponto médio do tubo e dois ventres nas extremidades, como mostra a fig.3.17. Fig.3.17 – Modo fundamental de uma onda estacionária. Cap.03 - Ondas 75 Para produzi-lo as ondas sonoras devem ter um comprimento de onda tal que ( λ = 2L ), sendo ( L ) o comprimento do tubo. Para o segundo e terceiro harmônico, fig.3.18, o comprimento de onda deve ser ( λ = L ) e( λ = 2L ). 3 Fig.3.18–Segundo e terceiro harmônicos, respectivamente. Assim a equação geral para uma quantidade qualquer de harmônicos é: λ= 2L n para n = 1,2,3..... (3.34) Onde ( n ) é o número de harmônicos.As frequências de ressonância para um tubo aberto são dadas pela expressão: f = v λ = nv 2L para n = 1,2,3..... (3.35) Sendo ( v ) a velocidade do som.Para um tubo fechado o caso mais simples apresenta um nó na extremidade fechada e um antinó na extremidade aberta, nesse caso o comprimento de onda será ( λ = 4L ). A fig. 3.19 ilustra alguns harmônicos produzidos num tubo fechado. Fig.3.19–Primeiro, segundo e terceiro harmônicos produzidos em um tubo fechado. Cap.03 - Ondas 76 Para a “n” harmônicos, o comprimen c nto de ond da é expre esso por: λ= 4L n p para n = 1,3,5.... (3 3.36) As frrequênciass de resson nância parra um tubo o fechado o podem se er encontradas com m a expresssão: f = v λ = nv para n = 1,3,5.... p 4L 3.37) (3 CURIOSIDA ADES: Como C funcion na o Bluetoot B th do seu cellular? Na era e da infformação,, as ondass eletroma agnéticas constituem m um bem m de inesttimável va alor para a sociedad de, que se tornou tão o fundame ental quan nto a terra a para a ag gricultura, ou o sol pa ara as plan ntas. Tod dos os equipamento os sem fio, dos celu ulares ao os controle es remoto os de TV, mandam m ou rec cebem sin nais em determina d das faixass de frequência lo ocalizadass dentro do o espectro o das ondas eletro omagnéticas. Esse e espectro nã ão é infiinito, mas possui uma a grande d diversidade de ap plicações. O avanço o de sua utilização vem pro ogredindo desde o início do sséculo XX, num ritm mo que de eve aumentar ao lo ongo do sé éculo XXI, ainda mais m agora a com a ampliação o do uso o de nov vos produ utos e te ecnologiass de co onexão se em fio como c o “wi-fi” e o “Bluetooth”.A A rede Blu uetooth tra ansmite dados via a ondas de e rádio de e baixa po otência. Ela se que está entre co munica em m uma fre equência e Fig.3 3.20 – Celular com 2,4 402 GHz e 2,480 GHz. Essa banda a de blue etooth. de ISM, foi reservada frequência, chamada c a por acordo intern nacional para p o uso de dispossitivos industriais, cien ntíficos e médicos. m a das van ntagens que q os disspositivos com Blue etooth disp põe é a não Uma interrferência em e outros sistemas, s d devido a ba aixa potên ncia utilizad da, cerca de 1 miliw watt, ou se eja um sinal bem fra aco, perm mitindo que e várias pe essoas possam troca ar informa ações simu ultaneamente. A desvantagem m é o curtto alcance do dispo ositivo, cerrca de 10 metros. m Cap.0 03 - Ondas 7 77 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 3.1 -Um bloco, preso a uma mola ideal, encontra-se inicialmente em repouso, em um ponto O, sobre um plano horizontal. O bloco é afastado da posição inicial e, em seguida, abandonado, passando a oscilar, sem atrito, sobre o plano. Enquanto oscila, é correto afirmar que, no ponto O, o bloco tem em módulo: a) velocidade, aceleração e energia potencial máximas. b) velocidade mínima, aceleração e energia potencial máximas. c) velocidade e aceleração mínimas e energia potencial máxima. d) velocidade máxima, aceleração e energia potencial mínimas. e) velocidade, aceleração e energia potencial mínimas. 3.2- Um jovem estudante resolve construir um relógio usando uma mola de constante elástica k = 72 N/m. Para que cada oscilação corresponda a um segundo, o estudante deve prender à mola uma massa de: a) 1 kg b) 2 kg c) 3 kg d) 4 kg e) 5 kg 3.3- A mesma nota musical, quando emitida por uma flauta, é diferente quando emitida por um piano. O fato de o aluno do Curso de Música distinguir, perfeitamente, a nota emitida por um dos dois instrumentos é devido: a) a freqüências diferentes. b) a alturas diferentes. c) a timbres diferentes. d) a intensidades diferentes. 3.4- Um trem se aproxima, apitando, a uma velocidade de 10 m/s em relação à plataforma de uma estação. A freqüência sonora do apito do trem é 1,0 Cap.03 - Ondas 78 kHz, como medida pelo maquinista. Considerando a velocidade do som no ar como 330 m/s, podemos afirmar que um passageiro parado na plataforma ouviria o som com um comprimento de onda de: a) 0,32 m b) 0,33 m c) 0,34m d) 33m e) 340 m 3.5- Uma estação de rádio transmite em 1 200 kHz. Sendo 3 . 105 km/s a velocidade das ondas de rádio, qual o comprimento de onda das ondas dessa estação? a) 25 m b) 0,25 m c) 250 m d) 3600 m e) n.d.r 3.6– A superfície da água de uma piscina é perturbada por pingos de água que caem de uma torneira, numa frequência regular de dois pingos por segundo. As cristas de onda que se formam distam 0,1 m uma da outra. A velocidade de propagação dessas ondas é: a) 0,2 m/s b) 0,4 m/s c) 0,8 m/s d) 1,2 m/s e) 2,0 m/s Cap.03 - Ondas 79 CA APÍTU ULO 4 4:ÓPT TICA G GEOM MÉTRIICA O q que é um esspectrrofotô ômetrro? O esspectrofotô ômetro é um u aparelho utilizado em indú ústrias e lab boratórios para analisar amostras e ide entificar a presença de deterrminados c compostoss.Sua funç ção é med dir e comp parar a qua antidade de luz abssorvida ou transmitidapor estes elementtos, de forrma a gerrar um sin nal específfico que irrá confirm mar a presença destte composto na soluç ção. Uma das pa artes ma ais imporrtantes desse d equipa que amento é o monocro omador, geralm mente utilizza um prism ma ou red de de difra ação. O prisma como o veremos neste cap pítulo, tem m sua utilidade baseada no fenômeno da a refração o. Um feixe de luz que nele incide é separado o em diverso os outros com co omprimentos de onda o diferen ntes. O dispositiv vo terá apenas que selec cionar o comprimen c nto de on nda adequ uado Fig.4 4.1: Especttrofotômettro. para a a análise e. g esse equipame ento possu ui uma fontte de enerrgia radian nte estável, um Em geral mon nocromado or, que se eleciona a faixa esp pectral de interesse, um recipiente feito o de um m materia al espe ecífico (quartzo o, vidro o,etc.), onde a amo ostra é inse erida, e um m dete ector de radiação o que conv verte a radia ação recebida em m um sinal elétrico, que e gera a uma in nformação o apre esentável em um m dispo ositivo ele etrônico. A fig.4.2 mosstra um m esqu uema simp ples de um m espe ectrofotôm metro. Fig.4.2 2: Esquema a básico de e um espe ectrofotôm metro Cap.0 04 – Óptica geométrica g 8 81 4.1Reflexão da Luz em Espelhos Planos A reflexão da luz, como visto anteriormente no caso geral das ondas, é um fenômeno físico no qual ocorre a mudança na direção da propagação da luz após os feixes incidentes entrarem em contato com uma superfície refletora (desde que o ângulo de incidência não seja 90°).A característica mais importante da reflexão é tornar iluminado qualquer corpo. Essa reflexão pode ser difusa ou regular dependo das condições da superfície, observe a fig.4.3, uma superfície polida produz a reflexão regular enquanto uma superfície irregular produz a reflexão difusa. Fig.4.3 – (a) Reflexão regular numa superfície polida (b) Reflexão difusa numa superfície irregular. Como a luz se propaga em todas as direções, tridimensionalmente, são enunciadas duas leis no estudo de sua reflexão. Leis da Reflexão: • • O raio incidente ( i ), a normal a superfície refletora ( N ) e o raio refletido ( r ) estão no mesmo plano. O ângulo de incidência ( θ ) é igual ao ângulo de reflexão ( θ ′ ). A superfície ilustrada na fig.4.3(a) é chamada de espelho plano. A imagem de um objeto num espelho plano é formada por cada um de seus pontos. Para um ponto P (ponto objeto) existe sempre seu correspondente P ′ (ponto imagem) como mostra a fig.4.4. É importante salientar que a distância entre o ponto objeto e o ponto imagem ao espelho é igual. Cap.04 – Óptica geométrica 82 Fig.4.4 – Os pontos objeto e imagem são equidistantes em relação ao espelho. Se do ponto( P ) saem dois raios de luz incidentes ( i1 e i2 ), o ponto ( P ′ ) é determinado observando o ponto de convergência dos raios refletidos( r1 e r2 ), ou seja, o prolongamento desses raios. Como a imagem formada do objeto se localiza atrás do espelho, ela é chamada de imagem virtual. Então ( P ′ ) é um ponto virtual. Considere agora o objeto mostrado na fig. 4.5. A imagem do segmento (AB) é o segmento (A’B’). Fig.4.5 – Os pontos constituintes do objeto estão igualmente espaçados com relação ao espelho. A imagem (A’B’) nesse caso é: • • • virtual, formada pelos prolongamentos dos raios refletidos . direita, a imagem está no mesmo sentido do objeto. igual, possui mesma altura do objeto. Nenhuma imagem formada por um espelho plano pode se sobrepor, ou seja, se uma for uma imagem for colocada em cima de outra elas não irão ser coincidentes, fenômeno chamado de enantiomorfismo.Observe a fig.4.6. Cap.04 – Óptica geométrica 83 Fig.4.6 – A imagem reproduzida pelo espelho plano não se sobrepõe à do objeto. A imagem da letra (F) é invertida em relação à letra, mas o tipo de inversão depende da posição entre a figura e o espelho. 4.1.1 Imagem e Movimento Se um espelho plano se movimentar, as imagens também irão se movimentar. Para um movimento de translação, a imagem do ponto ( P ) irá se deslocar da posição inicial ( P ′ ) para uma nova posição ( P ′′ ) devido ao afastamento do espelho da posição ( X 1 ) para ( X 2 ), como está mostrado na fig.4.7.Se o espelho é afastado por uma distância ( l ), então a imagem será deslocada uma distância ( d ) que é o dobro de ( l ), ou seja: d = 2l (4.1) Fig.4.7 – Deslocamento da imagem após a movimentação de um espelho de forma retilínea. Cap.04 – Óptica geométrica 84 E se o invés de se deslocar retilineamente o espelho girasse? Neste caso, a posição da imagem também giraria. Se o espelho gira um ângulo ( α ), o raio refletido gira um ângulo ( β ), observe a fig.4.8: Fig.4.8 -Alteração da disposição da imagem após rotacionar o espelho. De forma que: β = 2α (4.2) Os espelhos planos podem ser associados. Por exemplo, dois espelhos podem ser colocados lado a lado formando um ângulo ou dispostos paralelamente entre si. Essas associações podem deslocar a imagem ou multiplicar o número de imagens de um objeto. Quando associados em ângulo, os espelhos multiplicam as imagens formadas, pois a imagem de um espelho funciona como objeto para o outro espelho. Observe a fig.4.9. Fig.4.9 – Efeito da associação de espelhos planos. O número ( n ) de imagens obtidas para dois espelhos que formam um ângulo ( α ) é dado pela relação: n= 360 o α −1 Cap.04 – Óptica geométrica (4.3) 85 4.2 Espelhos Esféricos – Equação de Gauss para os Pontos Conjugados Uma calota ou superfície esférica espelhada é chamada de espelho esférico. Se a parte externa da calota for espelhada, dizemos que o espelho é convexo, e se a superfície interna for espelhada, o espelho é côncavo. Os principais elementos usados no estudo de espelhos esféricos estão representados na fig.4.10 e estão resumidos a seguir: Fig.4.10 – Representação bidimensional de um espelho côncavo e seus elementos. C – centro de curvatura: centro da esfera da a qual a calota pertence V – vértice: centro geométrico da calota R – raio de curvatura: raio da calota esférica é igual à distância entre (C) e (V). s – eixo principal: reta que passa por (C) e (V). s’ – eixo secundário: qualquer reta que passa por (C), mas não por (V). α - ângulo formado pelos segmentos de reta com origem em (C) e extremidades nas bordas da calota. Condições de Gauss: • • O ângulo ( α ) deve ser menor que 10°. Os raios incidentes devem ter pequenas inclinações em relação ao eixo principal. Essas condições garantem que o espelho esférico é estigmático, ou seja, cada ponto do objeto fornece um ponto de imagem correspondente. O estudo dos espelhos esféricos pode ser feito considerando uma análise de suas propriedades num plano bidimensional. Cap.04 – Óptica geométrica 86 F – foco (foco principal): a localização do foco( F ) de um espelho, que obedece às condições de Gauss, é encontrada ao se incidir um feixe de raios de luz paralelos ao eixo principal, o feixe de raios refletidos converge pra um ponto, esse ponto é chamado de foco ou foco principal, veja a fig.4.11. Para um espelho côncavo o foco é real, enquanto para um espelho convexo o foco é virtual. Fig.4.11 –(a) Foco de um espelho côncavo. (b) Foco de um espelho convexo. Para um espelho esférico de raio de curvatura (R), o foco principal está à distância ( f ) do vértice do espelho, essa distância é chamada de distância focal e é dada pela expressão: f = R 2 (4.4) 4.2.1 Equação de Gauss A relação entre a posição do objeto, a posição da imageme a distância focal do espelho é chamada de equação de conjugação de espelhos esféricos ou equação de Gauss. Essa equação é expressa matematicamente por: 1 1 1 + = p p' f (4.5) Sendo (p) a distância do objeto ao vértice do espelho, e (p’) a distância da imagem ao vértice do espelho. A fig.4.12 ilustra um caso onde uma imagem é formada em um espelho côncavo, e como os parâmetros da equação de Gauss são medidos.A imagem formada é real, invertida e maior que o objeto. Cap.04 – Óptica geométrica 87 Fig.4.12 – Imagem de um objeto gerada por um espelho côncavo. A tabela a seguir ilustra os tipos de imagens que podem ser normalmenteobtidas em função da posição que ocupam em relação ao espelho: Espelho Posição do objeto Entre C e Sobre F F Real, Real, Real, Imprópria invertida e invertida invertida menor e igual e maior Virtual, direita e menor Antes de C Côncavo Convexo Sobre C Entre F e V Virtual, direita e maior Tabela 4.1 – A primeira coluna mostra o tipo de espelho, enquanto as colunas seguintes mostram o tipo de imagem obtido de acordo com a posição do objeto. Exercício Resolvido 4.1– Um objeto real, direito, de altura y=5 cm, é colocado sobre o eixo principal de um espelho esférico côncavo com raio de curvatura de 30 cm. Determine a altura, a posição e as características da imagem quando o objeto estiver a uma distância de: (a) 40 cm do vértice do espelho (b) 20 cm do vértice do espelho Cap.04 – Óptica geométrica 88 Solução: 1 1 1 podemos determinar a altura das imagens + = p p' f R 30 = 15cm formadas. Tanto na letra(a) quanto na letra (b) o foco é f = = 2 2 Utilizando a expressão (a) Como a distância p ao vértice do espelho 40 cm, então: 1 1 1 + = 40 p ' 15 Como o mínimo múltiplo comum (mmc) desta expressão é 120p’, podemos escrever: 3 p ′ + 120 = 8 p ′ p ′ = 24cm Podemos relacionar a altura do objeto e da imagem com suas respectivas distâncias com a relação: y′ p′ =− y p Sendo y’ a altura da imagem desejada, logo: y′ = − p ′y 24.5 =− = −3cm p 40 A imagem formada é menor (|y’|<y), invertida (y’<0) e real (p’>0). (b) Calculamos a altura da imagem de forma semelhante à letra (a), trocando, no entanto o valor da distância do objeto: 1 1 1 + = 20 p ' 15 Cap.04 – Óptica geométrica 89 O mmc desta expressão é 60p’, escrevemos então: 3 p ′ + 60 = 4 p ′ p ′ = 60cm E a altura da imagem: y′ = − p ′y 60.5 =− = −15cm p 20 A imagem formada é então maior (|y’|>y), invertida (y’<0) e real (p’>0). 4.3Refração da Luz A refração como dita anteriormente ocorre quando uma onda sofre uma mudança em sua direção quando ela atravessa uma fronteira entre dois meios a diferentes velocidades, as leis da refração e reflexão da luz continuam as mesmas do movimento ondulatório, porém essas leis podem ser complementadas. Na reflexão podemos dizer que o raio refratado estará no mesmo plano definido pela normal e o raio incidente, e na refração o conceito de índice de refração, que é utilizado para a luz e as demais radiações eletromagnéticas, é introduzido. Leis da refração para a luz 1. O raio de luz incidente, a normal a superfície de separação entre os dois meios, e o raio refratado estão no mesmo plano, veja a fig.4.13. Fig.4.13 – Refração da luz, todos os raios estão no mesmo plano. 2. A razão entre o seno do ângulo de incidência e o ângulo de reflexão é um valor constante chamado de índice de refração. Ou seja: Cap.04 – Óptica geométrica 90 senθ1 = n21 senθ 2 (4.6) Sendo ( n21 ) o índice de refração do meio 2 em relação ao meio 1. Termo conhecido como índice de refração relativo. Quando esta expressão é comparada com a equação senθ1 v1 = senθ 2 v2 (4.7) Verificamos que: n21 = v1 v2 (4.8) 3. O raio incidente e os raios refratado e refletido estão sempre em semiplanos opostos, ( α ) e( β ) na fig.4.14. Fig.4.14 – Os raios refletido e refratado estão no mesmo plano. Quando a luz passa do vácuo para determinado meio, o índice de refração desse meio em relação ao vácuo é definido como índice de refração absoluto desse meio. A velocidade da luz no vácuo é representada por ( c ). Se a luz atravessa a superfície de separação entre o vácuo, que tem velocidade ( c ), e o meio 1, onde a velocidade é ( v1 ), o índice de refração do meio 1 é calculado com a expressão: n1 = c v1 (4.9) Das expressões anteriores podemos afirmar que o índice de refração é um valor adimensional; o valor numérico do índice de refração absoluto será sempre maior que 1, pois ( c ) é o maior valor possível para a velocidade da luz. Cap.04 – Óptica geométrica 91 Valores para índices de refração absolutos podem ser encontrados em tabelas, as quais se referem aos valores como índice de refração, deixando a palavra “absoluto”, subtendida. A segunda lei da refração é usualmente expressa em função desses índices: n1 senθ1 = n2 senθ 2 (4.10) Sendo ( n1 )e ( n 2 ) os índices de refração dos meios 1 e 2 respectivamente. Estes índices são relacionados da seguinte forma: n21 = n2 n1 (4.11) 4.4Dioptros Planos e Dioptros Curvos – Lâminas e Prismas Um dioptro plano é definido como um sistema composto por dois meios homogêneos e transparentes, separados por uma superfície, que pode ser curva ou plana, veja a fig.4.15. Fig.4.15 – Dioptros plano e curvo, respectivamente. 4.4.1 Formação de imagens em dioptros Considere o exemplo de um homem olhando para um peixe dentro uma piscina, como na fig.4.16. O observadorverá a imagem virtual desse objeto, que está em uma posição acima da posição verdadeira desse objeto. Isso ocorre devido à refração dos raios de luz emitidos pelo peixe quando eles atravessam a superfície que separa os dois meios. Cap.04 – Óptica geométrica 92 Fig.4.16 – Dioptro plano formado por dois meios homogêneos, ar e água. A imagem do peixe é definida como virtual por ser formada pela interseção dos prolongamentos dos raios refratados, e é formada em uma linha perpendicular ao plano. 4.4.2 Equação de Gauss para dioptros planos Observando a figura verificamos que a imagem é formada a uma distância ( h ) da superfície da água, essa é a profundidade aparente objeto, e a uma distância ( x ) do objeto. A profundidade real do objeto é representada por ( H ). Através da equação de Gauss temos que: n1 n2 = H h (4.12) Onde ( n1 ) e( n2 ) são os índices de refração absolutos dos meios 1 e 2 respectivamente. 4.4.3Lâminas e Prismas Se dois dioptros planos delimitam o mesmo meio eles irão constituir uma lâmina de faces paralelas. Por exemplo, uma placa de vidro imersa em um meio como o ar, como ilustrado na fig.4.17. Fig.4.17 – Dioptro plano de faces paralelas. Cap.04 – Óptica geométrica 93 Como era de se esperar o raio de luz ao atravessar a placa de vidro sofre refração duas vezes, na entrada e na saída, note que a direção do raio incidente antes de atingir o objeto permanece a mesma após a deixar o mesmo. O caso mais geral é aquele em que as lâminas paralelas estão imersas no mesmo meio. O efeito resultante desse sistema é o deslocamento ( d ) do raio de luz entre as direções do raio de luz incidente e o raio emergente. Para a lâmina da fig.4.17, que possui uma espessura ( e ), incide um raio de luz com ângulo de incidência ( θ i ), e ângulo de refração ( θ r ), que se relacionam pela segunda lei da refração pela expressão: n1senθ i = n2 senθ r Sendo (n1 ) o índice de refração do meio 1 e (n2 ) o índice de refração do meio 2 . O deslocamento sofrido pelo raio de luz é dado pela expressão: d = e. sen(θ i − θ r ) cosθ r (4.13) Outro caso similar ao de lâminas paralelas é obtido quando se utilizam prismas, porém nos prismas o raio de luz ao invés de apenas sofrer um deslocamento, ele é desviado. Para um prisma triangular um raio de luz monocromática sofre um desvio ( δ ) em sua trajetória como mostra a fig.4.18. Fig.4.18 – Desvio sofrido por um raio de luz monocromática ao atravessar um prisma triangular. Sendo( Â ) o ângulo de refringência, ( θ1 ) e ( θ 2 ) os ângulos de incidência e emergência, respectivamente, do raio de luz. ( θ1′ ) e ( θ 2′ ) são os ângulos formados com as faces internas dos prismas. O desvio sofrido pelo raio de luz pode ser calculado com a expressão: δ = θ1 + θ 2 − Â (4.14) Sendo ( Â ) calculado da seguinte maneira: Â = θ1′ + θ 2′ Cap.04 – Óptica geométrica (4.15) 94 Exercício Resolvido 4.2– O prisma é um objeto bastante conhecido devido a sua capacidade de refratar a luz. A refração da luz tem bastante utilidade, por exemplo, na caracterização amostras realizadas por químicos ou engenheiros, isso pode ser feito utilizando alguns equipamentos quando é necessário descobrir a presença e a quantidade de determinado composto, um desses equipamentos é chamado de espectrofotômetro. No espectrofotômetro uma fonte emite uma radiação eletromagnética, esta radiação incidente é absorvida pela amostra e o restante dessa radiação inicial incide sobre um prisma que refrata esse feixe para selecionar um comprimento de onda adequado à análise. Supondo que um raio de luz monocromático deixa a amostra e incida sobre um prisma triangular (veja a figura), deseja-se saber qual é o desvio sofrido por esse raio de luz, sabendo que esse prisma tem ângulo de refringência Â=60° e o ângulo de incidência sobre o prisma é θ 1= 53° . Dados: ( n p = 1,6 , nar = 1 ) Solução: Para determinar o desvio, é necessário determinar os valores de θ 2 , θ1′ e θ 2′ . Então inicialmente aplicamos a expressão n1 senθ1 = n2 senθ 2 na primeira face atingida pela luz, ou seja, do ar para o prisma, então: nar .senθ1 = n p .senθ1′ Substituindo os valores dados na questão, temos que: 1.sen53° = 1,6.senθ1′ senθ1′ = 0,5 ∴θ1′ = 30° Sabendo que Â=60°, podemos obter θ 2 com a expressão: Â = θ1′ + θ 2′ θ 2′ = 60° − 30° = 30° O valor de θ 2 é obtido aplicando novamente a expressão n1 senθ1 = n2 senθ 2 , considerando agora a face de saída do raio de luz, neste caso, do prisma para o ar: Cap.04 – Óptica geométrica 95 n p .sen θ 2′ = n ar .senθ 2 senθ 2 = 1,6.0,5 = 0,8 1 θ 2 = 53° Aplicando os valores encontrados na expressão δ = θ1 + θ 2 − Â podemos finalmente obter o desvio: δ = 53° + 53° − 60° = 46° 4.4 Lentes esféricas Delgadas Uma associação de dois dioptros é denominada lente esférica, na qual uma de suas fronteiras é necessariamente esférica, e a outra, é plana ou esférica. Quando a espessura da lente for desprezível em comparação aos raios de curvatura dos dioptros, ela é chamada de lente delgada. 4.4.1 Tipos de lentes Existem seis principais tipos de lentes esféricas no estudo de óptica (biconvexa, plano-convexa, côncavo-convexa, bicôncava, plano-côncava e convexocôncava), todas elas possuem elementos em comuns, os quais são descritos a seguir: C1 e C2 - centros de curvatura das faces esféricas V1 e V2 - vértices da lente R1 e R 2 - raios de curvatura das faces Espessura da lente – distância entre ( V1 ) e ( V2 ). n1 e n 2 - índice de refração do meio que circunda a lente e índice de refração da lente, respectivamente. S’ – eixo principal As lentes também podem receber um outro tipo de classificação referente ao tipo de borda que apresentam, elas podem ser lentes de borda fina ou lentes de borda grossa (espessa). Cap.04 – Óptica geométrica 96 As figuras a seguir ilustram esses tipos de lentes. Fig.4.19 - Lente biconvexa. Ela possui a periferia mais fina que a região central. Fig.4.20 - Lente plano-convexa. É convexa em uma das faces e plana na outra, possui periferia mais fina que a região central. Fig.4.21 - Lente côncavo-convexa, ela possui duas faces côncavas e outra convexa. Tem a periferia mais fina que a região central. Cap.04 – Óptica geométrica 97 Fig.4.22 - Lente bicôncava, ela é côncava em ambas as faces e tem a periferia mais espessa que a região central. Fig.4.23 - Lente plano-côncava, é plana em uma das faces e côncava em outra, tem a periferia mais espessa que a região central. Fig.4.24 – Lente convexo-côncava. Tem a periferia mais espessa que a região central. 4.4.2 Comportamento óptico O comportamento de um feixe de luz ao ser incidido sobre uma lente pode ser classificado como divergente ou convergente, dependendo dos índices de refração da lente e do meio. A fig.4.25 (a) e (b) mostra como as lentes são representadas, sendo (C) o centro óptico das lentes. Cap.04 – Óptica geométrica 98 Fig.4.25 – (a) Lente esférica convergente. (b) Lente esférica divergente Em uma lente esférica com comportamento convergente, os raios de luz paralelos entre si que incidem sobre a lente são refratados e convergem a um único ponto. Tanto lentes de bordas finas quanto as lentes de bordas grossas podem ser convergentes, dependendo do seu índice de refração em relação ao do meio externo. Em uma lente esférica com comportamento divergente, os raios de luz paralelos entre si que incidem sobre a lente são refratados, tomando direções que divergem a partir de um único ponto. Como no caso das lentes convergentes, tanto lentes de bordas finas quanto as de bordas grossas podem ser divergentes, dependendo do seu índice de refração em relação ao do meio externo. 4.4.3 Equação de conjugação das lentes esféricas delgadas De maneira semelhante ao que foi visto para espelhos esféricos, a equação de conjugação relaciona a posição do objeto (p) e sua imagem (p’) com a distância focal da lente com a expressão: 1 1 1 + = p p′ f No entanto o foco é determinado pela “equação dos fabricantes de lentes”: ⎛1 1 1 ⎞ = (n − 1)⎜⎜ + ⎟⎟ f ⎝ R1 R2 ⎠ (4.16) E a relação entre a altura e a imagem do objeto é dada por: Cap.04 – Óptica geométrica 99 y′ p′ =− y p (4 4.17) 4.5 Instrume entos Óp pticos Lupa a Fig.4.2 26 – Lupa A lupa a é um dos instrrumentos ópticos mais simp ples, tam mbém deno ominada de lente de aume ento, é utilizada pa ara observ var com mais deta alhe pequ uenos ob bjetos ou superfície es, ela consiste c d de uma lente conv vergente de peque ena distância foca al, e consseqüentem mente, gra ande conv vergência. O objeto examinad do deve estar entre o foco objjeto e o ce entro óptic co da lente para se obter uma a ampliaçã ão da imag gem. Câm mera fotogrráfica g.4.27 – Câmera fotográfica Fig A câmera fotográfica é um u equip pamento capaz c de projetar uma imag gem em um u antepa aro, atravé és de uma a lente co onvergente e, e armazzenar essa imagem. Em máq quinas anttigas, um filme fotossensível era e coloca ado dentro o da câm mera servindo como anteparo, a incidên ncia da luzz propiciav va uma rea ação quím mica entre os sais do filme. Cap.0 04 – Óptica geométrica g 100 Em câm meras digittais, o ante eparo con nsiste em um u dispositivo eletrônico, conh hecido como c Ch harge-Coup pled Dev vice (CCD), que converte e as inten nsidades de d luz que incidem so obre ele em valores digitais arm mazenáve eis na form ma de Bits e Bytes. Micrroscópio Composto C o Composto Fig. 4.28 - Microscópio Um mic croscópio composto é um instrumento óptico forrmado po or um tubo o, que é delimita ado nas suas exttremidades por le entes esfé éricas conv vergentes,, formando o uma asso ociação de e lentes se eparadas. A lente e mais próxima do o objeto observado o o é cham mada obje etiva, enqu uanto a lente próxxima ao observador o r é chama ada de le ente ocula ar. A prim meira possu ui uma distância fo ocal na ordem o de milímetross, enquan nto a segu unda é um ma lente co om distânc cia focal na a ordem de centíme etros. A lente objetiva fornece uma u imagem real, invertida e maior que o obje eto. Esta im magem fun nciona com mo objeto para a lente ocularr, que func ciona com mo uma lup pa, fornece endo uma a imagem final virtua al, direta e maior.Ou seja, o ob bjeto é aum mentado duas d vezess, fazendo com que objetos pe equenos se ejam melh hores obse ervados. Cap.0 04 – Óptica geométrica g 101 Lune eta L Fig. 4.29 – Luneta etas são in nstrumentos utilizadoss para obsservar obje eto a gran ndes distân ncias, Lune por exemplo, para ob bservação de astro os (luneta astronôm mica) ou para obse ervação da d superfíc cie terrestre e (luneta terrestre). A luneta astronômica é com mposta po or dois sisttemas convergente es de lenttes, como o no caso o do temos a le micrroscópio composto c ente objettiva e a le ente ocular. A objetiiva é conssiderada um u sistema a converge ente de disstância foc cal na ord dem de me etros, enqu uanto a ocular o é considerad c da um sistema con nvergente que func ciona com mo uma lup pa. CURIOSIDA ADES: Como C o nosso cérebrro interp preta uma ima agem? Certtamente em e algum momento o da sua vida você ê deve ter se visto uma imag gem ou fo oto de ilussão de ótiica. O termo ilusão de ótica é usado para desc crever as ilusões que engana am o nosso sistema visual, essas ilusõess nos fazem interpre etar as ima agens erron neamente, pois em determina d adas condiições nosso cérebro o tem dificuldade em com mparar ân ngulos, co omprimento os e distâ ância, fazendo com m que te enhamos uma interrpretação diferente e da realidade. Fig.4 4.30 - Ilusão o que dá a sensação o de movimento m o. Cap.0 04 – Óptica geométrica g O circ cuito de neurônios e envolvido com nosso sistema visual pa assa por um processso evolutiv vo, que no os permite criar modelos de e imag gem muito m rapida amente, em mbora de maneira muito m simplifiicada, de e modo q que pode emos fazer interpretaç ções muito o eficiente es de image ens usuais em três dimensões (3D), no enttanto ao se observar uma ima agem fora do o comum,, como um ma imagem m de diferen ntes diâmetros, sofremos o efeito e da ilussão de ótic ca. 102 Os estímulos e visuais não são consttantes, eless estão em m constantte variação, os com mprimentoss de onda da luz re efletida po or um obje eto, por exxemplo, so ofrem varia ação se ass condiçõe es de ilumin nação mudarem. No o entanto p para variações em pequena escala o cérebro c lhes atribui uma cor constante, c sem perc ceber varia ação algum ma. EXERCÍC CIOS PRO OPOSTOS S 4.1–N Na figura abaixo, A e B representam do ois observa adores, resspectivam mente na água á (n = 4/3) 4 e no ar a (n = 1). É correto affirmar que: a)B vê v A 10 m abaixo da a superfície e S. b)B vê v A 16 m abaixo da a superfície e S. c) A vê B na mesma m distâ ância com m que B vê A. d)A vê B 12 m acima da superfície S. a superfície e S. e) A vê B 16 m acima da 4.2- Quando uma u pesso oa se aproxima de um u espelho o plano co om velocid dade de 10 km/h: a) su ua imagem m se aproxiima do esp pelho com m uma velo ocidade de e 20 km/h. b) su ua imagem m se afasta a do espelh ho com ve elocidade de 20 km/h. c) a pessoa se aproxim ma de sua imagem com velocidade de e 20 km/h, em mód dulo. d) a pessoa se e aproxima a de sua im magem com m velocida ade de 10 km/h. e) a distância entre a pe essoa e sua a imagem permanec ce constan nte. Cap.0 04 – Óptica geométrica g 103 4.3–Um mergulhador que se acha a 2 m de profundidade da água, cujo índice de refração é 4/3, olha um pássaro que esta voando a 12 m de altura. Para esse mergulhador a altura aparente do pássaro é: a) 16 m b) 9 m c) 12 m d) 6 m e) 8 m 4.4–Uma menina observa um objeto através de uma lente divergente. A imagem que ela vê é: a) virtual, direita, menor que o objeto. b) virtual, direita, maior que o objeto. c) virtual, direita, maior que o objeto. d) real,invertida, menor que o objeto. e) real, direita, maior que o objeto. 4.5 - Um objeto real está situado a 10 cm de uma lente convergente. A imagem desse elemento também é real e situa-se a 40 cm da lente. A distância focal dessa lente é, portanto: a) 8 cm b) 10 cm c) 30 cm d) 40 cm e) 400 cm Cap.04 – Óptica geométrica 104 CA APÍTU ULO 5 5:FÍSICA MODER RNA Co omo fu uncion na um m reato or nucclear?? Ao longo do século XIX X e início do séc culo XX vá ários cientistas esta avam cond duzindo pe esquisas investigativa as para de escobrir a estrutura e d do átomo. Esses estudos possib bilitaram a descoberta das partículass subatôm micas (eléttrons, próto ons e nêutrons) qu ue nos pe ermitiram ter um maior m conhecimento o da natu ureza em que q vivemo os. A aplicação desses co onhecimen ntos fornec ceu a soc ciedade m meios para a seu dese envolvimen nto, com a criação o de nova as tecnolo ogias. A d descoberta a do nêuttron e suass proprieda ades em 1932,possib 1 bilitou a rea alização d do processso de fissão o nuclear. Esse proc cesso passo ou a fazerr parte doss meios de e produção de enerrgia conhe ecidos pela as nações.. Essa nova fo onte de energia e fo oi algo in novador para p mundo, devid do à posssibilidade de d gerar uma u quantidade exorbitante de d energia a usando uma quantida ade muito o pequena a de matéria prima. O único ú problema tais de fissionar elementos a era que quantida ade de en nergia libe erada era muito elevada a e ocorria num d tempo muito curtto. espaço de Fig.5.1 – Angra I,, usina nu uclear localizada a em Angra d dos Reis (RJ). Os reatores nucleares foram criados c co om o pro opósito de e controla ar a quantidade de d energia a liberada a do proc cesso de fissão f nuclear de fo orma segu e palpáve ura, fornec cendo asssim somen nte uma quantidad q el de ene ergia, nece essária pa ara um de eterminado o fim. Num ma usina nuclear e essa energ gia é usad da para tra ansformar água á líquid da em vap por, esse va apor em se eguida irá girar uma a turbina e assim ge erar energiia elétrica. Após deixar a turb bina o vap por é resfriiado em um u trocado or de calo or (sendo resfriado r pela água do mar, ou o de um rio), r e retorrna a fase líquida no circuito principal. Cap.0 05 – Física Moderna 107 Fig.5.2- Esquema de reator nuclear. O problema da d utilizaçã ão de usin nas nuclea ares é a produção p d de lixo nuc clear (resíd duos obtid dos após a fissão), que q é altamente perigoso a sa aúde hum mana, pois emitem ra adiação e precisa se er isolado do d meio am mbiente. Cap.0 05 – Física Moderna 108 5.1 Introdução à Relatividade Restrita Em 1905 Einstein publicou sua teoria num artigo intitulado “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”, ele formulou os dois postulados básicos da Teoria da Relatividade Restrita. O primeiro postulado, ou Princípio da Relatividade diz: “As leis da física são as mesmas para todos os observadores em quaisquer sistemas de referência inerciais.” Ou seja, observadores em diferentes sistemas de referência inerciais devem observar o mesmo fenômeno físico. Esse primeiro princípio é uma generalização das conclusões de Galileu e Newton. Além de confirmar a impossibilidade de distinguir repouso e movimento em referenciais inerciais, esse princípio nega a existência de um referencial absoluto no universo. O segundo postulado, ou Princípio da Constância da Velocidade da Luz, estabelece que: “A velocidade da luz no vácuo tem o mesmo valor para todos os observadores, qualquer que seja o seu movimento, ou movimento da fonte”. Toda velocidade, seja de partículas, seja de ondas,depende do referencial. Contudo de acordo com esse princípio, a luz é uma exceção. Para a luz, assim como para qualquer radiação eletromagnética, isso não ocorre. Uma das consequências desses postulados é a impossibilidade de sabermos se dois eventos são simultâneos, ou seja, se dois eventos ocorreram ao mesmo tempo. Quando dizemos que dois eventos são simultâneos, geralmente não levamos em consideração a diferença de tempo em que eles ocorrem, se essa diferença de tempo for muito pequena. Por exemplo, quando várias pessoas assistem a um jogo de futebol, algumas no estádio e outras em casa. Para um torcedor que está nas arquibancadas, a luz demora cerca de 0,0000001s para trazer a imagem de um lance até seus olhos; e para um torcedor que está em casa assistindo o jogo pela televisão a 3000 km do estádio, a radiação eletromagnética traz a imagem do lance para a televisão após 0,01s. Como a variação de tempo é muito pequena geralmente não a levamos em consideração, porém na escala do universo essa diferença de tempo pode ser enorme. Cap.05 – Física Moderna 109 Exercício Resolvido 5.1– Assinale a alternativa que se refere a um dos postulados da teoria da relatividade restrita de Albert Einstein. a) As leis da física tem a mesma forma em qualquer sistema de referência inercial. b) A radiação eletromagnética é constituída de pacotes de energia. c) Cargas aceleradas emitem radiação eletromagnética. d) Grandes massas podem influenciar a trajetória de raios de luz. e) A entropia total do Universo tende sempre a aumentar. Solução: A letra (a) é a alternativa correta, pois o primeiro postulado do princípio da relatividade diz que: “As leis da física são as mesmas para todos os observadores em quaisquer sistemas de referência inerciais.” 5.2 Introdução à Mecânica Quântica – Radiação Térmica – Corpo Negro – Hipóteses de Planck – Efeito Fotoelétrico e Efeito Compton A teoria da relatividade restrita mostrou algumas das leis que foram descobertas no século XX, como: • • • • A simultaneidade não existe. A massa dos corpos tende a infinito quando a velocidade tende a velocidade da luz. O comprimento se reduz na direção do comprimento. O tempo não transcorre da mesma maneira em referenciais inerciais a diferentes velocidades. Nessa mesma época, outras leis da natureza estavam sendo descobertas. Foram descobertas novas radiações e partículas, o conceito de radiação térmica, por exemplo, passou a ser melhor entendido. Cap.05 – Física Moderna 110 5.2.1 Radiaçãotérmica Até meados século XIX, acreditava-se que o calor seria um fluido denominado calórico, que atravessava os corpos devido a diferença de temperatura entre eles. Nos sólidos o calórico se moveria entre os poros do material através da condução, esses poros existiriam entre as moléculas das substâncias. Nos líquidos e gases o calórico seria transportado por convecção pelas moléculas. Tanto no processo de condução quanto no processo de convecção, o meio era indispensável para a transferência de calor. A radiação, da maneira que é conhecida hoje, ou seja, um modo de transferência de calor que não necessita de um meio intermediário, só foi admitida posteriormente. A radiação pode ser transmitida e absorvida por objetos. Todos os corpos que possuam temperatura diferente do zero absoluto 0 K(kelvin) irão emitir radiação. Os estudo das relações entre o calor absorvido e o calor emitido, permitiram ao físico alemão Robert Kirchhoof postular duas leis fundamentais para o estudo da radiação térmica: • • Como a cor da radiação de um corpo depende da frequência da radiação emitida, e esta depende da temperatura, a cor de um corpo aquecido depende apenas de sua temperatura. Um corpo com características ideais em relação à absorção e a emissão da radiação é chamado de corpo negro (não necessariamente da cor preto), esse corpo tem a capacidade de absorver toda radiação que nele incide e ao mesmo tempo emitir toda radiação que nele é gerada. Um corpo negro conhecido nos dias de hoje é chamado de buraco negro. Modelos de corpo negro podem ser criados, por exemplo, uma caixa ou sala fechada, com apenas um orifício por onde a radiação poderá entrar, observe a fig.5.3; essa radiação dificilmente sairá da caixa, pois praticamente todo fóton que atravessa essa cavidade é absorvido durante as reflexões internas. Fig.5.3 – A caixa com orifício é um modelo de corpo negro. Cap.05 – Física Moderna 111 5.2.2 Hipóteses de Planck O corpo negro se tornou um objeto de trabalho fundamental para a física, devido a maior quantidade de informações e reprodutibilidade de experimentos. O espectro do corpo negro foi muito importante nos estudos realizados. Um desses experimentos tinha o objetivo de explicitar a relação entre a potência emitida pelo corpo negro e sua frequência e foi feito da seguinte maneira: a radiação emitida por um corpo negro era dispersa por um prisma não absorvente e em seguida direcionada para um detector, com função de medir a intensidade de cada frequência de radiação. Tendo conhecimento dos valores de intensidade e frequência, um gráfico pode ser traçado, porém este gráfico demonstrava uma relação que não podia ser explicada a partir dos conceitos da física clássica. Então o físico alemão Max Planck resolveu realizar esta análise de forma invertida, iniciando pelos gráficos de forma a obter uma função. A função que Planck obteve estava experimentalmente correta, porém sem significado físico. A justificativa teórica foi obtida posteriormente a partir dos conceitos de entropia e a probabilidade de Boltzmann da termodinâmica, os termos dessa função passaram a ter significado físico, dentre esses valores a constante de Planck ( h ) foi estabelecida. h = 6,63.10−34 J .s Este resultado tem um significado inaceitável para a física clássica, ele nos diz que a energia só existe na natureza em valores discretos, em quanta de ação. 5.2.3 Efeito Fotoelétrico No final do século XIX Hertz e Hallwachs observaram que uma superfície metálica emite elétrons quando é atingida por um feixe de luz com determinada frequência, observe a fig.5.4. Esse processo de emissão de elétrons causado pela radiação luminosa é chamado de efeito fotoelétrico. Suas principais características são: • • Para cada substância existe uma quantidade mínima de radiação com determinada frequência, necessária para fotoemissão. A emissão de elétrons é aumentada quando a intensidade da radiação incidente sobre o metal é maior Cap.05 – Física Moderna 112 Fig.5.4 – Efeito fotoelétrico numa superfície metálica. Esse fenômeno ocorre nos metais devido à disponibilidade de elétrons livres em sua rede cristalina. Esses elétrons não escapam do metal a temperatura ambiente porque a quantidade de energia que eles recebem não é suficiente para expelir os elétrons. Seja ( φ ) a energia mínima necessária para que um elétron escape do metal. Se o elétron absorve uma energia (E), a diferença (E- φ ) será a energia cinética (Ek), do elétron emitido, então: Ek = E − φ (5.1) Albert Einstein explicou as características do efeito fotoelétrico, supondo que cada elétron absorvia um “quanta” de radiação ou “fóton”. A energia do fóton é obtida multiplicando-se a frequência( f ) da radiação eletromagnética pela constante de Planck (h) logo: E = hf (5.2) Sendo ( f ) igual a: f = c λ O parâmetro (c ) representa a velocidade da luz no vácuo, e comprimento de onda da radiação eletromagnética. (5.3) (λ ) o Se a energia do fóton E for menor que( φ ) a energia mínima dearranque, não há emissão fotoelétrica. Em caso contrário, o elétron sai do metal com uma energia cinética (Ek) igual a ( E − φ ). Exercício Resolvido 5.2 –Selecione a alternativa que apresenta as palavras que completam corretamente as lacunas, pela ordem, no seguinte texto relacionado com o efeito fotoelétrico. O efeito fotoelétrico, isto é, a emissão de ….. por metais sob a ação da luz, é um experimento dentro de um contexto físico extremamente rico, incluindo a oportunidade de pensar sobre o funcionamento do equipamento que leva à evidência experimental relacionada com a emissão e a energia dessas partículas, bem como a oportunidade de entender a inadequacidade da visão clássica do fenômeno. Cap.05 – Física Moderna 113 Em 1905, ao analisar esse efeito, Einstein fez a suposição revolucionária de que a luz, até então considerada como um fenômeno ondulatório, poderia também ser concebida como constituída por conteúdos energéticos que obedecem a uma distribuição ….. , os quanta de luz, mais tarde denominados ….. .). a) fótons – contínua – fótons b) fótons – contínua – elétrons c) elétrons – contínua – fótons d) elétrons – discreta – elétrons e) elétrons – discreta – fótons Solução: A letra (e) é a alternativa correta, pois como vimos anteriormente a incidência da luz sobre uma superfície metálica permitirá a emissão de elétrons, desde a superfície metálica receba uma quantidade mínima de radiação com determinada frequência, essa quantidade de energia discreta absorvida foi denominada posteriormente de fóton. Exercício Resolvido 5.3– A descoberta das partículas subatômicas permitiu que os cientistas obtivessem um conhecimento mais refinado do mundo numa visão atômica. Existem diversos exemplos em que a utilidade desses conhecimentos pode ser observada. Sabe-se hoje em dia que o processo de fissão nuclear é usado para geração de energia, e envolve diretamente partículas atômicas e átomos instáveis. Explique como ocorre o processo de fissão nuclear e diga qual é a partícula atômica indispensável nesse processo. Solução: A fissão nuclear é uma reação que ocorre no núcleo de um átomo, Uma partícula subatômica, o nêutron é acelerado em direção ao núcleo de um átomo, geralmente o urânio com massa molecular 235u( 235U ), que após o choque sua instabilidade aumenta, havendo um decaimento, ou seja, há uma imensa liberação de energia, e a formação de núcleos menores, havendo também a liberação de radiação gama e mais nêutrons, que podem iniciar uma reação em cadeia. Por isso em usinas nucleares são utilizados reatores nucleares equipados com barras de controle, com o objetivo de controlar esta reação em cadeia. Exercício Resolvido 5.4 – Sabe-se que a energia de um fóton é proporcional à sua frequência. Também é conhecido experimentalmente que o comprimento de onda da luz vermelha é maior que o comprimento de onda da luz violeta Cap.05 – Física Moderna 114 que, por sua vez, é maior que ocomprimento de onda dos raios X. Adotando a constância davelocidade da luz, pode-se afirmar que: a) a energia do fóton de luz vermelha é maior que a energiado fóton de luz violeta. b) a energia do fóton de raio X é menor que a energia dofóton de luz violeta. c) as energias são iguais, uma vez que as velocidades sãoiguais. d) as energias dos fótons de luz vermelha e violeta sãoiguais, pois são parte do espectro visível, e são menoresque a energia do fóton de raio X. e) a energia do fóton de raio X é maior que a do fóton deluz violeta, que é maior que a energia do fóton de luzvermelha Solução: A letra e) é a alternativa correta. A relação entre a energia e a frequência de uma onda é uma grandeza diretamente proporcional, no entanto as grandezas energia e o comprimento de onda são inversamente proporcionais de acordo com as expressões: E = hf e f = c λ Ou seja: E=h c λ Isso quer dizer que se o comprimento de onda da luz vermelha é maior que o da luz violeta que, por sua vez, é maior que ocomprimento de onda dos raios X. A energia do fóton de raio X é maior que a do fóton deluz violeta, que é maior que a energia do fóton de luzvermelha. 5.2.4 Efeito Compton Da mesma forma como o elétron pode ganhar energia ao absorver um fóton, como ocorre no efeito fotoelétrico, ele pode também perder energia emitindo fótons. Considere que a situação em que um elétron é acelerado por um campo elétrico, ao colidir com matéria, será produzido um ou vários fótons. Os fótons produzidos terão mesma ordem de grandeza da diferença de potencial aceleradora. Por razões históricas, este tipo de radiação eletromagnética é denominada raio X. Cap.05 – Física Moderna 115 Compton realizou experimentos nos quais raios X de energia inicial conhecida, eram espalhados por um alvo de grafite. O comprimento de onda dos raios espalhados, dado por ângulo( θ ) medido em relação à direção incidente, era determinado utilizando-se a difração de Bragg. Fig.5.5 - Esquema do experimento de Compton. Os resultados dos experimentos indicaram que, para qualquer direção de observação que não seja a direção do feixe incidente o espectro de raios X espalhados exibe duas linhas, uma de comprimento de onda igual ao dos raios incidentes e a outra de comprimento de onda maior. A diferença de comprimento de onda entre as duas linhas aumentava com o ângulo de espalhamento. Estas características eram incompatíveis com a visão meramente ondulatória da radiação eletromagnética, isso conferiu uma afirmação qualitativa da natureza particular da radiação. 5.3 Modelos Atômicos – O Átomo de Rutherford-Bohr – A experiência de Franck Hertz 5.3.1Modelos Atômicos No século XIX em meio a diversas questões e hipóteses sendo estudadas, a consolidação da ideia do átomo estava sendo firmada. Devido à impossibilidade de visualizar a forma de uma partícula, vários modelos foram propostos com o intuito de descrever o átomo. Cap.05 – Física Moderna 116 • Modelo atômico de Dalton O químico inglês John Dalton afirmava que a menor parte constituinte da matéria era o átomo, essa seria a menor partícula que constituía a matéria. Em 1808, Dalton apresentou seu modelo atômico: o átomo como uma minúscula esfera maciça, indivisível, impenetrável e indestrutível, também conhecido como “modelo da bola de bilhar”. Para ele, todos os átomos que possuíam a mesma massa eram iguais. Hoje, que temos conhecimento da existência dos isótopos, átomos de um mesmo elemento químico que possuem entre si massas diferentes, sabemos que o modelo proposto por Dalton estava equivocado. Fig.5.6 – Modelo Atômico de Dalton (bola de bilhar) • Modelo Atômico de Thomson Outro modelo foi proposto pelo físico inglês J. J. Thomson, que estudando raios catódicos demonstrou que os mesmos podiam ser interpretados como sendo um feixe de partículas carregadas de energia elétrica negativa, as quais foram chamadas de elétrons. Com o auxílio de campos magnéticos e elétricos, Thomson conseguiu determinar a relação entre a carga e a massa do elétron. Ele conclui que os elétrons deveriam ser constituinte de todo tipo de matéria, pois observou que a relação carga-massa do elétron era a mesma para qualquer gás que fosse inserido na Ampola de Crookes, tubo de vidro com gás rarefeito o qual sofria descargas elétricas em meio campos elétricos e magnéticos. Com base em suas conclusões, Thomson confirmou que o modelo do átomo indivisível não estava exato, e apresentou seu modelo, conhecido também como o "modelo de pudim com passas". Fig.5.7 – Modelo de Thomson (pudim de passas) Cap.05 – Física Moderna 117 • Modelo Atômico de Rutherford Alguns anos mais tarde Ernest Rutherford propôs um novo modelo. Ele conduziu experimentos utilizando uma lâmina delgada (muito fina) de ouro, a qual foi bombardeada com partículas alfa (que eram positivas). Rutherford verificou que, para aproximadamente cada 10.000 partículas alfa que incidiam na lâmina de ouro, apenas uma era desviada ou refletida. Com isso foi possível concluir que o raio do átomo era 10.000 vezes maior que o raio do núcleo, e como as partículas eram desviadas ou refletidas, o átomo deveria possuir alguma região central com carga de mesmo sinal que as partículas ( α ), essa zona central foi chamada de núcleo.Podemos imaginar essa situação, se o núcleo de um átomo tivesse o tamanho de uma azeitona, o átomo teria o tamanho do estádio de futebol. Em 1911, o modelo do átomo nucleado foi lançado, conhecido como o modelo planetário do átomo: • • • O átomo é constituído por um núcleo central positivo, muito pequeno e denso. Os elétrons, com pequena massa e carga negativa, localizam-seao redor do núcleo (compondo a "enorme" eletrosfera). Esses elétrons neutralizam a carga positiva do núcleo. Fig.5.8 - Modelo atômico de Rutherford (modelo planetário do átomo). • Modelo Atômico de Bohr O físico dinamarquês Niels Bohr propôs um modelo atômico baseado no sistema solar, na verdade ele complementou o modelo proposto por Rutherford, que apresentava principalmente dois equívocos: Os elétrons (carga negativa) em órbita deveriam se chocar com o núcleo (carga positiva) devido às forças atrativas. Uma carga negativa em movimento irradia (perde) energia constantemente, emitindo radiação. Porém, sabe-se que o átomo em seu estado normal não emite radiação. Cap.05 – Física Moderna 118 Inicialmente o modelo de Bohr foi feito para o átomo de hidrogênio e depois foi estendido para outros elementos. Nesse modelo os elétrons giram em torno do núcleo e estão localizados em diferentes níveis de energia bem definidos. No estado fundamental os elétrons do átomo encontram-se no nível energético mais baixo possível. A teoria de Bohr é fundamentada nos seguintes postulados: • • Os elétrons descrevem órbitas circulares estacionárias ao redor do núcleo, sem emitirem nem absorverem energia. Fornecendo energia (elétrica, térmica, etc.) a um átomo, um ou mais elétrons absorvem essa energia e saltam para níveis mais afastados do núcleo, essa quantidade de energia é quantizada, ou seja, ela possui um valor específico. Ao voltarem as suas órbitas originais, eles emitem a mesma energia recebida em forma de luz. Fig.5.9 - Modelo atômico de Bohr As órbitas interiores são as de menor energia, enquanto as exteriores apresentam uma energia mais alta. Exercício Resolvido 5.5–Escolha, entre os modelos atômicos citados nas opções, aquele (aqueles) que, na sua descrição, incluiu (incluíram) o conceito de fóton: a) Modelo atômico de Thomson. b) Modelo atômico de Rutherford. c) Modelo atômico de Bohr. d) Modelos atômicos de Rutherford e de Bohr. e) Modelos atômicos de Thomson e de Rutherford. Solução: Cap.05 – Física Moderna 119 A alternativa (c) é a correta. c No modelo o atômico de Bohr vimos que foi conssiderado que q as transições ele etrônicas ocorrem o d forma q de quantizada a. Os outro os modelo os proposto os ainda nã ão aborda avam o conceito de fótons. 5.4.2 2 A experriência de e Franck Hertz H Em 1914 Jam mes Franc ck e Gusstav Hertz realizam um exp perimento que com mprovava as ideia as de Bo ohr, eles procurara am expe erimentalm mente dem monstrar a existência a dos níve eis de ene ergia do átomo á e m mostrar qu ue as transsferências de energ gia poderriam de fato f apen nas absorv ver (ou se erem excittadas) porr quantida ades espec cíficas de energia, chamada c de quantu um.O expe erimento original o envolveu um m tubo contendo va apor de m mercúrio (H Hg) à baixxa pressão equipado o com um m dois elettrodos e uma u grade e acelerad dora, com mo pode se er visto na fig.5.10. f Fig.5.10 – Experim mento de Fran nck Hertz O ân nodo foi mantido m so ob um pote encial eléttrico negattivo em relação à grade g de modo m que e os elétron ns obtivesssem energ gia cinética a suficiente ao longo do seu percurso. Foram utilizados insstrumentoss para me edir a corrrente entrre os eletrrodos e pa ara ajustarr a diferen nça de po otencial en ntre o cato odo e a grade g aceleradora. O experim mento foi realizado r se observa ando a re elação enttre a corre ente e a voltagem obtida, podendo-s p se constru uir um grá áfico Corre entex Volta agem, veja a a fig.5.11 1. Cap.0 05 – Física Moderna 120 Fig.5.11- Gráfico tensão x corrente no ânodo Pode-se observar que a corrente no tubo aumenta de forma contínua com o aumento do potencial, e sofre uma queda em torno de 4,9 V, em seguida cresce de forma contínua novamente com o aumento da voltagem, e sofre outra queda em torno de 9,8 V, e assim sucessivamente, esse comportamento foi observado aumentando-se a tensão até 100 V. A menor energia para excitar um átomo de mercúrio 4,9 elétron-volt (eV). Quando a tensão aceleradora chega a 4,9 V, cada elétron livre possui exatamente 4,9 eV de energia cinética quando atinge a grade. Consequentemente, uma colisão entre um átomo de mercúrio e um elétron livre naquele momento poderia ser inelástica, ou seja, a energia cinética um elétron livre poderia ser convertida em energia potencial, aumentando o nível de energia de um elétron ligado a um átomo de mercúrio. Com a perda completa da sua energia cinética adquirida, o elétron livre não pode mais vencer o potencial ligeiramente negativo no eletrodo negativo, e a corrente medida cai drasticamente. Esses experimento foi realizado devido à previsão da mecânica quântica de que um átomo não pode absorver nenhuma energia até que a energia de colisão exceda o mínimo necessário para levar um elétron para um estado de energia mais alto. 5.5 Natureza Ondulatória da Matéria – Dualidade OndaPartícula – Princípios da Exclusão de Pauli – Princípio da Incerteza. O estudo do efeito fotoelétrico levou os físicos a alguns questionamentos, pois a relação entre a frequência e a energia da onda eletromagnética não podia ser explicada pela teoria ondulatória. A teoria ondulatória estabelece apenas a relação entre a frequência de uma onda e sua amplitude, ou seja, ou a teoria ondulatória estava errada ou a propagação magnética não poderia ser um fenômeno ondulatório. Cap.05 – Física Moderna 121 Em 1905 Albert Einstein trouxe a solução para esse impasse, sugerindo que a propagação magnética não era um fenômeno ondulatório. De acordo com Einstein a energia da luz não era distribuída uniformemente pelo espaço, ela era na verdade propagada através de pacotes de energia “quanta de energia”. Ele propôs que a luz seria formada por corpúsculos de luz, ou quanta de luz, posteriormente chamado de fóton. A energia do fóton apresenta relação proporcional à frequência de radiação. Matematicamente: E = hf Sendo ( h ) a constante de Planck, ( E ) a energia e ( f ) a frequência de radiação. Embora a natureza particular da luz seja incontestável, não se pode descartar a abordagem ondulatória, pois alguns fenômenos só são explicados adequadamente com a teoria ondulatória. Logo a luz tem caráter dual, os fenômenos de reflexão, refração, interferência, difração e polarização da luz podem ser explicados pela teoria ondulatória e os de emissão e absorção podem ser explicados pela teoria corpuscular. 5.5.1 Princípios da Exclusão de Pauli O alemão Arnold Sommerfeld aprimorou a teoria dos átomos de Bohr no início da década de 1920. Uma de suas contribuições foi à ideia da quantização espacial. De acordo com Sommerfeld se pode associar um vetor (L) a cada órbita eletrônica, esse vetor tem orientação semelhante a do vetor campo magnético em uma espira percorrida por uma corrente elétrica com mesmo sentido da velocidade do elétron. O modelo de Sommerfeld se caracterizava por valores numéricos conhecidos como números quânticos: n – número quântico principal: se refere ao nível de energia em que os elétrons estão localizados, seu valor pode variar de 1 a 7, dependendo da camada em que se encontra. Essas camadas estão localizadas na eletrosfera atômica e são representadas por letras (K,L,M,N,O,P,Q) l - número quântico secundário: referente aos subníveis presentes nas camadas, e a quantidade de elétrons que os ocupam. m - número quântico magnético - especifica a orientação permitida para uma nuvem eletrônica no espaço, relacionado com a forma da nuvem no espaço. Cap.05 – Física Moderna 122 Tendo conhecimento de alguns fenômenos como o efeito Zeeman, os físicos puderamconcluir que para cada órbita existem dois vetores (L) correspondentes devido a uma espécie de magnetismo do elétron, essa propriedade recebeu o nome de spin. s - spin: é o movimento de rotação do elétron em torno do seu eixo. Em 1925 o austríaco Wolfgang Pauli analisando espectros de diferentes elementos, percebeu que o spin dos átomos lhes conferia identidade própria. Ou seja, além de serem permitidos apenas determinados estados quânticos, estes estados são exclusivos de cada elétron em cada átomo. O princípio da exclusão de Pauli é enunciado como: • Num mesmo átomo, não podem existir dois elétrons com o mesmo conjunto de números quânticos. O conjunto dos três primeiros números quânticos ( n , l , m ) é conhecido como orbital. Cada orbital suportando no máximo dois elétrons, correspondentes aos spins permitidos. 5.5.2 Princípio da Incerteza Toda medida estatística tem uma incerteza, ela é relacionada com o tamanho da amostra utilizada e o com o processo de medida. Então é impossível realizar uma medida totalmente correta, a física diz que a incerteza é inevitável, independente do quão perfeito possa ser o instrumento. A formulação do princípio da incerteza é devido a Werner Heisenberg. A principal característica desse princípio é a quantificação numérica da incerteza, a partir de uma expressão matemática, que estabelece a uma espécie de compensação entre duas grandezas. Por exemplo, uma partícula na posição (x) que se move ao longo do eixo x, com uma quantidade de movimento (p) num instante inicial e num instante final, as medidas das variações da posição ( Δx ) e da quantidade de movimento ( Δp ) terão uma incerteza que pode, de acordo com Heisenberg, ser calculada com a relação: Δx.Δp ≥ h 4π (5.4) Sendo ( h ) a constante de Planck. A relação de Heisenberg é valida para grandezas complementares como: posição e quantidade de movimento; energia e tempo; etc. Cap.05 – Física Moderna 123 A interpretação dessas expressões é algo muito curioso, pois à medida que se realiza uma medida com maior precisão, a medida da outra se torna menos precisa, é impossível melhorar a precisão de ambas. CURIOSIDADES: O que acontece quando uma bomba atômica explode? A radioatividade é definida como a capacidade que alguns elementos fisicamente instáveis possuem de emitir energia sob a forma radiação eletromagnética ou de partículas, ou seja, radiação é emitida quando ocorrem desintegrações sucessivas de núcleos atômicos de átomos instáveis. Como um núcleo particulariza cada elemento, após a emissão dessas partículas, novos elementos químicos são formados, pois novos núcleos são formados. Esse processo de decaimento radioativo ocorre devido a necessidade natural de estabilidade de cada átomo. Nesse processo de decaimento radioativo, há uma liberação de uma grande quantidade de energia, e essa energia pode ser utilizada de diversas formas.Quando submetida a um campo elétrico ou magnético descobriu-se que a radiação podia ser separada, essas partículas foram classificadas em três tipos e nomeadas com algumas letras do alfabeto grego, como mostra a tabela a seguir: Radiação Símbolo Constituição Carga Massa Velocidade (u) Alfa 4 +2 Beta 0 −1 Gama 0 0 α 2 prótons e +2 4 β 2 elétrons elétron -1 0 γ Onda 0 eletromagnética com elevada energia 0 Poder de penetração 1/10 da Baixo velocidade da luz 9/10 da Médio velocidade da luz Velocidade Elevado da luz Tabela 5.1 – Tipos de radiação e suas características. Esses tipos de radiação têm diferentes poderes de penetração, como mostra a fig.5.12.Uma bomba atômica é uma arma explosiva cuja energia deriva de uma reação nuclear e tem um poder destrutivo imenso, a potência uma única bomba é capaz de destruir uma cidade inteira. Elas são geralmente classificadas em bombas de fissão ou bombas de fusão nuclear, que liberam essencialmente radiação gama, que possui elevado poder de penetração e podem atravessar vários objetos em seu percurso. Cap.05 – Física Moderna 124 Fig.5.12 – Poder de penetração das radiações α ,β e γ . O funcionamento dos modelos de bombas utilizadas na 2ª Guerra mundial era baseado na colisão de porções subcríticas de urânio, separadas no compartimento interno da bomba, que eram acionadas por um detonador, de modo que uma explosão química fazia as duas porções colidirem formando assim a massa crítica, isto é, o material necessário para iniciar a reação em cadeia. Fig.5.13 – (a) “Little boy”, bomba atômica lançada em Hiroshima (b) Esquema de bomba atômica. A bomba detonada em Hiroshima tinha 7 quilogramas de urânio, com 20 quiloton, ou seja, um poder destrutivo equiparável a 20 mil toneladas de TNT, que matou cerca de 100 mil pessoas instantaneamente.O processo de fissão nuclear foi estudado pelos cientistas italianos Enrico Fermi e Emílio Segrè, que bombardearam átomos de urânio com nêutrons encontrando quatro espécies radioativas como produtos, entre elas o neptúnio. Os químicos alemães Otto Hahn e Fritz Strassman, repetiram o experimento, e concluíram que o urânio estava sendo dividido (fissionado), e esse fenômeno recebeu o nome de fissão nuclear. Cap.05 – Física Moderna 125 Um caso de fissão f nuclear acontece a pa artir do bo ombardea amento de e um átom mo do isóttopo 235 do d urânio presente em e uma determinad d da quantid dade (masssa crítica)) do eleme ento, isso ocasiona o a formação de nova as espécies e a liberração de novos n nêu utrons que irão fission nar outros átomos de urânio numa n reaç ção em cadeia, essse processso ocorre de mane eira muito rápida e com elevada quantidade de energia se endo dissip pada. Fig.5.14 - Os nêuttrons produzidos na fissã ão de um áto omo de outros átomos de 235 U podem pro ovocar a fissã ão de 235 U. A fig g.5.15 resu ume os eventos e qu ue ocorrem na exp plosão de e uma bo omba atôm mica. Fig.5.15 – Sequênc cia de eventtos de uma bomba b atômiica. Cap.0 05 – Física Moderna 126 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 5.1- No início do século XX, novas teorias provocaram uma surpreendente revolução conceitual na Física. Um exemplo interessante dessas novas idéias está associado às teorias sobre a estrutura da matéria, mais especificamente àquelas que descrevem a estrutura dos átomos. Dois modelos atômicos propostos nos primeiros anos do século XX foram o de Thomson e o de Rutherford. Sobre esses modelos, assinale a alternativa correta. a) No modelo de Thomson, os elétrons estão localizados em uma pequena região central do átomo, denominada núcleo, e estão cercados por uma carga positiva, de igual intensidade, que está distribuída em torno do núcleo. b) No modelo de Rutherford, os elétrons são localizados em uma pequena região central do átomo e estão cercados por uma carga positiva, de igual intensidade, que está distribuída em torno do núcleo. c) No modelo de Thomson, a carga positiva do átomo encontra-se uniformemente distribuída em um volume esférico, ao passo que os elétrons estão localizados na superfície da esfera de carga positiva. d) No modelo de Rutherford, os elétrons movem-se em torno da carga positiva, que está localizada em uma pequena região central do átomo, denominada núcleo. e) O modelo de Thomson e o modelo de Rutherford consideram a quantização da energia. 5.2- Quanto ao número de fótons existentes em 1 joule de luz verde, 1 joule de luz vermelha e 1 joulede luz azul, podemos afirmar, corretamente, que: a) existem mais fótons em 1 joule de luz verde que em 1 joule de luz vermelha e existem maisfótons em 1 joule de luz verde que em 1 joule de luz azul. b) existem mais fótons em 1 joule de luz vermelha que em 1 joule de luz verde e existem maisfótons em 1 joule de luz verde que em 1 joule de luz azul. c) existem mais fótons em 1joule de luz azul que em 1 joule de verde e existem mais fótons em1 joule de luz vermelha que em 1 joule de luz azul. d) existem mais fótons em 1 joule de luz verde que em 1 joule de luz azul e existem mais fótonsem 1 joule de luz verde que em 1 joule de luz vermelha. e) existem mais fótons em 1 joule de luz vermelha que em 1 joule de luz azul e existem maisfótons em 1 joule de luz azul que em 1 joule de luz verde. Cap.05 – Física Moderna 127 5.3 - Nos diodos emissores de luz, conhecidos como LEDs, a emissão de luz ocorrequando elétrons passam de um nível de maior energia para outro de menorenergia.Dois tipos comuns de LEDs são o que emite luz vermelha e o que emite luz verde.Sabe-se que a freqüência da luz vermelha é menor que a da luz verde.Sejam λverdeo comprimento de onda da luz emitida pelo LED verde e Everdeadiferença de energia entre os níveis desse mesmo LED.Para o LED vermelho, essas grandezas são, respectivamente, λvermelhoe Evermelho. Considerando-se essas informações, é correto afirmar que: a) Everde>Evermelho e λverde>λvermelho b) Everde>Evermelho eλverde<λvermelho c) Everde<Evermelho eλverde>λvermelho d) Everde<Evermelho eλverde<λvermelho Cap.05 – Física Moderna 128 BIBLIOGRAFIA BONSOR, Kevin Como funcionam os trens maglev Disponível em: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/trens-maglev.htm>. Acesso em 05 abr. 2012. ELETROBRAS Eletronuclear. 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