FLOTAÇÃO POR AR DISSOLVIDO EM ESCALA PILOTO COM ESCOAMENTO VERTICAL ENTRE
PLACAS PARA REMOÇÃO DE ALGAS EM ÁGUAS DE ABASTECIMENTO
Penalva Reali Marco Antonio*, Pereira dos Santos Solange
Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC/USP. Av. Dr. Carlos Botelho, 1465, Centro, São
Carlos - São Paulo. Brasil. CEP: 13560-250, Fone: (016) 274 9264; FAX (016) 274 9212.
Departamento de Engenharia Química da UNAERP. Av. Constábile Romano 2191, Ribeirânia, Ribeirão
Preto - São Paulo. Brasil. CEP : 14096-380, Fone:(016) 627 3300, FAX: (016) 627 5035.
RESUMO
Foi utilizada uma instalação de floculação/flotação por ar dissolvido (FAD) em escala piloto para
investigação do desempenho da flotação com escoamento vertical entre placas na remoção de algas
presentes em águas de abastecimento através da determinação de clorofila a do efluente da instalação.
Foi investigada a influência da Taxa de Aplicação Superficial Aparente(T.A.SAP) com respectivos números
de Reynolds associado ao escoamento vertical entre placas e a quantidade de ar fornecida, na eficiência
da flotação. Foram mantidos fixos a vazão afluente em torno de 0,24 L/s; a dosagem de cloreto férrico de
15 mg/L e pH de coagulação de 6,30; o gradiente médio de velocidade nas três câmaras de floculação foi
de 64s-1 com tempo total de detenção hidráulica de 21 minutos e a pressão na câmara de saturação
durante os ensaios em torno de 400 kPa.
Os resultados demonstraram que o sistema apresentou melhor desempenho com o fornecimento de ar na
faixa de 2,7 a 4,7 g/m3, para valores de TASAP de 220, 365 e 1020 m3/m2dia (no de Reynolds igual a 204,
340 e 1020 respectivamente) apresentando remoção entre 94,7 a 98,2% de redução de clorofila a, sendo
que o melhor desempenho foi obtido para no Reynolds em torno de 204 (TASAP de 220 m3/m2dia), quando
foram obtidas eficiências médias de 98,2% de remoção de clorofila a, 86% de remoção de turbidez e 93,6%
de remoção de SST. Portanto, a flotação por ar dissolvido com escoamento vertical entre placas mostrou
ser uma alternativa bastante vantajosa, tanto do ponto de vista de desempenho (elevada eficiência) quanto
do ponto de vista econômico (processo de alta taxa), para tratamento de água bruta contendo elevado teor
de algas em suspensão.
Palabras clave: tratamento de agua, flotação com baixo reynolds, remoção de algas
INTRODUÇÃO
As primeiras aplicações da flotação fora da área de processamento de minérios parece ter sido por volta de
1920 na indústria de papel e celulose, com a finalidade de recuperação das fibras de madeira o efluente,
resultando na diminuição da carga poluidora (ZABEL, 1985).
Após a segunda grande guerra verificou-se aumento da aplicação do processo de flotação, podendo-se
citar, entre outros, a remoção e/ou recuperação de óleos e gorduras, separação de sementes, remoção de
tintas de efluentes líquidos industriais, tratamentos de esgotos domésticos, espessamento de lodos e, mais
recentemente na área de tratamento de águas de abastecimento, como alternativa à sedimentação. Em
relação à ultima, observa-se que historicamente as unidades de sedimentação consagraram-se como
sendo uma maneira relativamente simples e eficiente de se promover o pré-tratamento de grande parte das
águas superficiais destinadas ao abastecimento. Entretanto, a existência de várias situações adversas ao
emprego da sedimentação, vem estimulando a busca de outras tecnologias capazes de responder com
maior eficácia tais dificuldades.
Como exemplo de situação problemática, pode-se citar o crescente processo de eutrofização verificado em
inúmeros reservatórios de acumulação utilizados para abastecimento público. A água proveniente de tais
reservatórios, contendo elevada concentração de algas em suspensão, acarreta sérios problemas para as
unidades de sedimentação, devido a sua baixa densidade os flocos formados após a coagulação/floculação
apresentam pequena velocidade de sedimentação (ou, às vezes, tendência a flutuação). Assim, a maior
parte dos flocos formados nestes casos “ atravessa” os sedimentadores, ocasionando sobrecarga
exagerada nas unidades de filtração subsequentes.
De acordo com LUNDGREN (1970), um dos grandes avanços verificados na técnica de flotação de águas
residuárias da indústria de papel, consistiu na introdução de lamelas no interior da câmara de flotação.
Entre tais lamelas ocorre escoamento associado a baixos valores de número de Reynolds, possibilitando a
aplicação de maiores taxas de aplicação superficial na unidade de flotação sem que haja queda na
eficiência do processo. LUNDGREN (1970), patenteou a unidade de recuperação de fibras de papel, não
fornecendo maiores informações a respeito de suas características. Apesar dos estudos efetuados por
LUNDGREN (1970) demonstrarem grandes vantagens no emprego de unidades de FAD com lamelas para
o tratamento de águas residuárias de indústria de papel, não se tem notícia da aplicação desse tipo de
unidade de FAD no tratamento de águas de abastecimento.
A flotação em reator com escoamento laminar constitui inovação que a exemplo da sedimentação laminar,
pode proporcionar desempenho consideravelmente melhor que o apresentado por unidades convencionais
de FAD(com escoamento turbulento). Este tipo de reator permite a adoção de valores mais elevados de
taxa de aplicação superficial, resultando em unidades bem mais compactas.
No presente trabalho está sendo abordada a proposta de utilização de uma unidade original de flotação por
ar dissolvido (FAD), concebida pelo autor principal, a qual apresenta placas planas paralelas em seu
interior, dispostas de forma a possibilitar a obtenção de escoamento associado a baixos números de
Reynolds. Nesse estudo foi avaliada a eficiência da referida unidade na remoção de algas presentes em
águas de abastecimento. Vale salientar que este tipo de unidade constitui inovação que, a exemplo da
sedimentação laminar, pode proporcionar bom desempenho associado a valores de taxa de aplicação
superficial aparente (TASAP) bem mais elevados que as unidades convencionais de FAD, resultando em
reatores mais compactos (pequena área em planta).
MATERIAIS E MÉTODOS
Na fig. 1 é mostrado um esquema simplificado da instalação piloto de flotação por ar dissolvido utilizada
durante a pesquisa. Tal instalação é constituída de uma unidade de mistura rápida “ in line” com reator
tubular do tipo proposto por HESPANHOL (1977), onde é aplicado o coagulante. Após a passagem pela
mistura rápida, a água é submetida a floculação em uma unidade de floculação constituída de três câmaras
em série, contendo agitadores lentos mecanizados com eixo vertical e paletas perpendiculares ao eixo,
passando em seguida para a unidade de flotação por ar dissolvido com escoamento vertical entre placas
planas paralelas dispostas com ângulo de inclinação de 50o.
No canal existente entre a última câmara de floculação e a unidade de flotação, a água floculada é
misturada à água saturada com ar dissolvido proveniente da câmara de saturação. Em seguida, com a
entrada da água floculada (misturada com a água proveniente da câmara de saturação) nos espaços entre
as placas planas paralelas existentes na unidade de flotação, tem início o processo de remoção por
flotação. As placas planas paralelas permitem a formação de uma região de baixa velocidade de
escoamento próximo às paredes das mesmas, onde os aglomerados (“ flocos mais bolhas” ) podem subir
em direção à superfície com pouca interferência do líquido que escoa entre as placas.
As partículas removidas são acumuladas na superfície da unidade de flotação enquanto que o líquido
clarificado é coletado por um sistema de canalizações em forma de “ grelha” contendo orifícios. Dessa
forma a água é então encaminhada para um tanque contendo um vertedor triangular. Neste tanque, uma
parcela da água é encaminhada para a bomba de recalque que abastece a câmara de saturação e a
parcela restante constitui o efluente final da unidade piloto.
Fig. 1 - Esquema simplificado da Instalação Piloto de Flotação por Ar Dissolvido com Placas Planas
Paralelas com Escoamento Vertical.
Parte do efluente clarificado é recalcada para a câmara de saturação, que constitui a vazão de recirculação
do sistema. A câmara de saturação utilizada contém recheio constituído de anéis de PVC conforme projeto
proposto por REALI (1992). Na entrada dessa unidade injeta-se ar comprimido com a finalidade de se
manter o recheio sempre envolto por um colchão de ar. Em seguida, a água saturada é então encaminhada
ao dispositivo de despressurização situado no interior da unidade de flotação onde deverá ocorrer a
liberação das microbolhas e subsequente mistura com a água floculada.
A instalação foi alimentada com água bruta preparada de forma a apresentar concentração algal, na faixa
de 50.000 a 60.000 células/mL. A água de estudo foi preparada através da dosagem de “ solução mãe” (
cultura simples de Chlorella Homosphaera) em água proveniente do poço profundo da EESC -USP, de
forma a se obter a faixa de concentração desejada. Essa água de estudo era preparada e armazenada em
reservatórios de 6,0 m3, para utilização subsequente em cada um dos ensaios realizados.
A referida suspensão de algas foi obtida então através do desenvolvimento em laboratório de uma cultura
de alga tipo Chlorella Homosphaera, que constitui espécie bastante comum e de crescimento bastante
rápido. Os inóculos de alga foram obtidos junto ao Banco de Algas da Universidade Federal de São Carlos
- SP. As algas foram cultivadas em meio de cultura tipo WC-N/5, proposto por GUILLARD e LENEZENL
appud DUARTE e colaboradores (1991).
Em ensaios preliminares realizados com a mesma água utilizada nos ensaios com a instalação piloto,
empregando-se uma unidade de FAD em escala de laboratório (Flotateste), foram determinadas as
condições ótimas de coagulação com cloreto férrico (pH ótimo e dosagem ótima de coagulante). Os
resultados desse estudo preliminar estão sendo publicados na dissertação de mestrado da co-autora do
presente trabalho, tendo sido encontrada a dosagem de 15mg/l de cloreto férrico com pH na faixa de 6,3 a
6,4 como a condição ótima de coagulação da água de estudo. Nesses estudos preliminares, observou-se
também que o valor de gradiente médio de velocidade em torno de 64s-1 forneceu flocos com boas
condições de flotação. Para o ajuste do pH de coagulação foi dosada barrilha antes da unidade de mistura
rápida. Durante os ensaios com a instalação piloto foram mantidos fíxos a pressão de saturação em torno
de 400 kPa, além de todos os parâmetros de coagulação e floculação. Foram realizados três carreiras de
ensaios, fixando-se durante cada carreira um valor de velocidade de escoamento entre placas, associado a
um valor de taxa aparente de aplicação superficial (T.A.SAP), definido pelo valor da vazão dividida pela
área em planta coberta por placas. A cada valor de TASAP está associado um valor de velocidade de
o
escoamento entre placas (Ve) e respectivo N de Reynolds (Rey = Ve.4Rh/ν sendo Rh o raio hidráulico)
Durante cada carreira de ensaios com um determinado valor de T.A.SAP, foi variada a quantidade de ar
fornecida para a flotação (Sp.p, em g de ar / m3 de água bruta) na faixa de 2,29 a 8,36 g / m3. Os valores
3
2
o
médios de T.A.SAP investigados nas quatro carreiras foram respectivamente 219; 365 e 1.095 m /m .d ( n
de Reynolds de 204, 340 e 1020 respectivamente).
Para variação da T.A.SAP mantinha-se sempre constante a vazão afluente e variavam-se o número de
espaços entre placas no interior da unidade de flotação, através da obstrução de tais espaços com a ajuda
de dispositivos apropriados de vedação. O valor da quantidade de ar fornecida (Sp.p) era controlado
através do ajuste da vazão de recirculação pressurizada proveniente da câmara de saturação, cuja
medição era realizada com o emprego de um medidor magnético indutivo de vazões acoplado a linha de
recirculação. Na fig. 2 é apresentado um fluxograma ilustrativo dos ensaios realizados e respectivas
variáveis investigadas.
Mantendo-se Fixos :
Pressão na câmara de saturação : 400 kPa
Água com
Determinação do pH ótimo de
concentração algal em
coagulação (Flotateste).
torno de
Efetuado antes de cada ensaio.
60.000 células/mL
Temperatura da água :( 25 ± 1 ) ºC
Dosagem de cloreto férrico : 22 mg/L
Vazão afluente: ( 0,24 ± 0,01 ) L/s
pH de coagulação : 6,3 ± 0,4
Tempo total de floculação : 21 min.
UNIDADE DE FLOTAÇÃO POR AR DISSOLVIDO
o
Ângulo de inclinação das placas planas paralelas :50
(mantido fixo em todos os ensaios )
Veloc. média entre as placas
Veloc. média entre as placas
Veloc. média entre as
: 33,4 cm/min
placas : 100,3 cm/min
N de Reynols: 340
N de Reynols: 1020
: 20,1 cm/min
o
o
N de Reynols: 204
3
2
3
2
o
3
2
TASap: 219 m /m dia
TASap: 365 m /m dia
TASap: 1095 m /m dia
(5 espaçamentos abertos e 3
(3 espaçamentos abertos e
(1 espaçamento aberto e
fechados)
5 fechados)
7 fechados)
3
Sp1 = 2,74 g/m
3
Sp2 = 5,05 g/m
3
Sp3 = 7,45 g/m
Sp1 = 7,44 g/m
Sp2 = 4,61 g/m
Sp3 = 2,29 g/m
3
3
3
3
Sp1 = 8,36 g/m
3
Sp2 = 6,51 g/m
3
Sp3 = 4,66 g/m
Fig. 2 - Fluxograma dos ensaios realizados com a Instalação Piloto
O monitoramento dos ensaios foi realizado através de medidas de : i) concentração de clorofila a, turbidez,
sólidos suspensos totais (SST), pH e alcalinidade da água bruta; ii) turbidez, sólidos suspensos totais (SST)
e pH da água floculada e iii) concentração de clorofila a, turbidez e sólidos suspensos totais (SST) da água
efluente do flotador. As análises e determinações efetuadas para avaliação e controle dos ensaios foram
realizadas no Laboratório de Processos Anaeróbios, Laboratório do CRHEA e no Laboratório de
Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos. Para medida de pH, temperatura e turbidez foram
utilizados aparelhos da marca Hach One. Nas determinações de sólidos suspensos das amostras foi
utilizado o aparelho de filtração Millipore, com filtros whatman com abertura igual a 1,2 µm. Para a análise
da concentração de clorofila a e de feofitina utilizou-se amostras coletadas em garrafas plásticas de 2 L,
que foram filtradas, com réplicas, em filtro GF/C (Whatman). Após a filtração, os filtros foram colocados em
envelopes de papel, acondicionados em frascos escuros contendo sílica-gel e mantidos a baixa
temperatura até o momento da extração. A extração da concentração de clorofila a foi feita utilizando-se
choque térmico com Etanol 90% aquecido a 78ºC como solvente, de acordo com recomendação de
ESPÍNDOLA (1994).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nas figuras apresentadas a seguir, são mostrados os resultados obtidos em cada um dos ensaios
efetuados, ou seja, a variação dos parâmetros de controle adotados (turbidez, SST e concentração de
clorofila a) ao longo do tempo de duração de cada ensaio.
Tabela 1 - Resultados das Análises e Determinações para Caracterização da Água Bruta e da Água
Floculada durante os Ensaios.
Ensaio
Nº
Turbidez(U.T.), Sólidos Suspensos Totais (mg/L), Clorofila a( µ g)
Sp(g/m3)
01
02
03
04
05
06
07
08
09
Conc.
pH da Alcalinidade Turbidez SST da
água
Clorofila a
água da água bruta da água
bruta
bruta (mg CaCO3/L)
bruta
na água
(mg/L)
(uT)
bruta
(µg/L)
6,81
32
0,88
3,2
19,25
6,81
32
0,88
3,03
23,58
6,81
32
0,88
3,3
21,34
6,74
28
0,99
38,78
6,74
28
0,99
27,06
6,74
28
0,99
25,16
6,54
34
1,03
2,3
18,0
6,54
34
0,89
0,94
18,0
6,54
34
0,88
17,78
pH coagulação
Turbidez
água
floculada
(uT)
SST água
floculada
(mg/L.)
6,35 - 6,55
6,43 - 6,48
6,33 - 6,43
6,45 - 6,66
6,35 - 6,55
6,37 - 6,50
6,26 - 6,50
6,38 - 6,53
6,35 - 6,46
2,69
2,50
3,09
3,12
3,25
3,40
2,54
3,72
2,96
15,9
17,1
22,2
13,5
7,3
8,0
16,5
20,8
16,1
20
turbidez
18
sólidos
clorofila
16
Sp.p
Ensaio Nº01
14
Ensaio Nº03
Ensaio Nº02
12
10
8
6
4
2
0
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
320
340
360
380
400
420
440
tempo de ensaio ( min )
Turbidez(U.T.), Sólidos Suspensos Totais (mg/L), Clorofila a(
µ g)
Sp(g/m3)
Fig. 3 - Resultados de Turbidez, Sólidos Suspensos Totais (S.S.T), Concentração de Clorofila a no Efluente
da Instalação Piloto e Valores de Quantidade de Ar Fornecida (Sp.p) durante os ensaios Nº01, 02 e 03 .
Temperatura da água: 23,6 a 26,6ºC. Velocidade entre as placas: 20,1 cm/min, No de Reynolds: 204 e
TASAP: 219 m3/m2dia.
20
Turbidez
S.S.T.
Clorofila a
18
16
Sp.p
Ensaio Nº04
Ensaio Nº05
Ensaio Nº06
14
12
10
8
6
4
2
0
80
100 120 140
160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360 380 400 420 440
tempo de ensaio ( min )
Turbidez(U.T.), Sólidos Suspensos Totais (mg/L), Clorofila a( µ g)
Sp(g/m3)
Fig. 4 - Resultados de Turbidez, Sólidos Suspensos Totais (S.S.T)., Concentração de Clorofila a no
Efluente da Instalação Piloto e Valores de Quantidade de Ar Fornecida (Sp.p) durante os ensaios Nº04, 05
e 06 . Temperatura da água: 24,5 a 27,3ºC. Velocidade entre as placas: 33,4 cm/min, No de Reynolds: 340
e TASAP: 365 m3/m2dia.
20
turbidez
sólidos
18
clorofila
16
Sp.p
Ensaio Nº07
Ensaio Nº08
Ensaio Nº09
14
12
10
8
6
4
2
0
80
100
120
140
160 180
200
220
240
260
280
300
320
340
360
380
400
420
440
tempo de ensaio ( min )
Fig. 5 - Resultados de Turbidez, Sólidos Suspensos Totais (S.S.T)., Concentração de Clorofila a no
Efluente da Instalação Piloto e Valores de Quantidade de Ar Fornecida (Sp.p) durante os ensaios Nº07, 08
e 09 . Temperatura da água: 23,6 a 25,5ºC. Velocidade entre as placas : 100,3 cm/min, No de Reynolds:
1020 e TASAP: 1095 m3/m2dia.
Através da análise dos resultados apresentados na fig. 3 e tabela 2, observa-se que dentre os ensaios
realizados com TASAP de 219 m3/m2dia com No de Reynolds correspondente a 204 (1a carreira de ensaios),
o ensaio no 02, onde foi aplicado o valor de Sp.p em torno de 4,6 g/m3, apresentou melhor eficiência de
remoção de concentração de clorofila a (98%), de remoção de SST (86%) e de turbidez (93%). Da mesma
forma, no que se refere a 2a carreira de ensaios (TASAP de 365 m3/m2dia com No de Reynolds igual a 340),
constata-se que o ensaio no 04 quando aplicado Sp.p de 2,7 g/m3 apresentou, de maneira geral, os
melhores resultados de remoção de concentração de clorofila a (95%), turbidez (90%) e SST (98%).
Quando foi aplicada a TASAP equivalente a 1095 m3/m2dia (No de Reynolds de 1020), o ensaio de no 09
apresentou os melhores resultados (aplicando Sp.p de 4,7 g/m3) com remoção de 96% para remoção de
concentração de clorofila a, 91% de turbidez e 91% de SST.
Tabela 2 : Eficiência Média de Remoção (%) e Concentração Média no Efluente de Clorofila a, Turbidez e
Sólidos Suspensos Totais (SST) em cada um dos Ensaios Realizados.
Eficiência de Remoção
Conc. Média no Efluente do
(%)
Flotador
Ensaio Sp.p
Conc.
Turbidez
SST
Conc.
Turbidez SST
o
n
(g/m3) Clorofila a
(uT)
(mg/L) Clorofila
(uT)
(mg/L)
a
(µg/L)
(µg/L)
1a carreira de
01
7,5
88,4
82,5
84,0
2,23
0,47
2,5
ensaios
02
4,6
98,2
86,0
93,6
0,42
0,35
1,1
3
2
TASAP: 219 m /m dia
03
2,3
92,8
82,9
93,3
1,54
0,53
1,5
a
2 carreira de
04
2,7
94,7
90,4
98,4
2,06
0,30
0,2
ensaios
05
5,0
86,6
91,7
84,9
3,63
0,27
1,1
TASAP: 365 m3/m2dia
06
7,3
95,0
68,5
88,0
1,26
1,07
1,0
3a carreira de
07
8,4
88,7
80,3
85,3
2,03
0,50
2,4
ensaios
08
6,5
94,6
87,6
87,8
0,977
0,46
2,5
3
2
TASAP:1095 m /m dia
09
4,7
96,1
90,5
90,7
0,70
0,28
1,5
Comparando-se entre si os ensaios de cada carreira que apresentaram os melhores resultados, ou seja,
ensaio no 02 da primeira carreira (TASAP de 220 m3/m2dia com Sp.p de 4,6 g/m3), ensaio no 04 da segunda
carreira (TASAP de 365 m3/m2dia com Sp.p de 2,7 g/m3) e o ensaio no 09 da terceira carreira (TASAP de
1095 m3/m2dia com Sp.p de 4,7 g/m3), verifica-se que as melhores condições foram aquelas referentes ao
ensaio no 02, que apresentou 98,2% de remoção de clorofila a, 86% de remoção de turbidez e 93,6% de
remoção de SST. No entanto, mesmo para taxa extremamente elevada, tal como aquela aplicada no
ensaio no 09 (TASAP de 1095 m3/m2dia, com número de Reynolds de 1020 e Sp.p de 4,7 g/m3), o reator foi
capaz de apresentar desempenho muito bom (96,1% de remoção de clorofila a, 90,5% de remoção de
turbidez e 90,7% de remoção de SST), desde que se fornecesse a quantidade de ar adequada (4,7 g/m3).
Além disso, verifica-se que o fornecimento de quantidade de ar maior que a ótima acarretou queda na
eficiência da flotação para os três valores de no de Reynolds estudados, ou seja, existe um valor ótimo de
Sp.p, acima ou abaixo do qual o sistema passa a apresentar desempenho pior. No caso, para os valores
de no de Reynolds investigados, a quantidade ótima de ar fornecida (Sp.p) estava na faixa de 2,7 a 4,7
g/m3, parecendo, de acordo com os resultados da tabela 2, que os valores mais recomendados devem
estar mais próximos de 4,7 g de ar/m3 de água bruta.
Deve-se salientar ainda que a unidade de flotação com escoamento vertical entre placas estudado,
demonstrou ser capaz de operar bem à taxas extremamente elevadas, requerendo quantidade de ar menor
que aquelas usualmente exigidas nas unidades convencionais de flotação por ar dissolvido, as quais
situam-se na faixa de 5 a 10 g/m3.
CONCLUSÕES
A unidade de flotação por ar dissolvido proposta, contendo placas planas paralelas de forma a proporcionar
escoamento vertical com baixos números de Reynolds, apresentou eficiência muito boa para remoção de
algas em suspensão (94,7 a 98,2% de redução na concentração de clorofila a) para os três valores de
velocidade entre placas estudados, com número de Reynolds entre 204 e 1020; sendo que o melhor
desempenho foi obtido para o número de Reynolds em torno de 204 (TASAP de 220 m3/m2dia), quando
foram obtidas eficiências médias de 98,2% de remoção de clorofila a (com concentração no efluente de
0,42 µg/L), 86% de remoção de turbidez ( com turbidez no efluente de 0,35 uT) e 93,6% de remoção de
SST (com 1,1 mg/L de SST no efluente). Para as três velocidades investigadas a quantidade ótima de ar
requerida esteve na faixa de 2,7 a 4,7 g/m3, recomendando-se valores mais próximos de 4,7 g/m3.
De maneira geral, o tipo de unidade estudada, apresentou desempenho muito bom para remoção de algas,
demonstrando constituir alternativa bastante eficiente para o tratamento de água bruta contendo elevado
teor de algas em suspensão, podendo operar com altas taxas e exigindo menores quantidades de ar (Sp.p)
que aquelas usualmente requeridas em unidades convencionais de flotação, desde que sejam realizadas
coagulação e floculação adequadas.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à
Coordenação de Apoio a Pesquisa (CAPES) pelo suporte financeiro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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May
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flotação por ar dissolvido em escala piloto com