Desenvolvimento de uma Metodologia para Determinação da Viscosidade de Solos Manuella Suellen Vieira Galindo Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, [email protected] Tácio Mauro Pereira de Campos Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, [email protected] RESUMO: Este trabalho apresenta o desenvolvimento de uma metodologia para determinação experimental da viscosidade de solos, visando subsidiar estudos associados ao desenvolvimento de corridas de massa. Este parâmetro reológico é importante não somente para a determinação dos valores de velocidade, como também para a delimitação de áreas a serem afetadas por tal tipo catastrófico de movimento. Para o alcance do referido objetivo, foi desenvolvido um equipamento a partir de adaptações no conjunto de abatimento de tronco de cone, utilizado para a realização de estudos em concreto, e estabelecida uma metodologia padrão a ser empregada nos ensaios voltados para a determinação da viscosidade em solos. De posse da taxa de cisalhamento, grandeza variável em função da umidade do material e obtida como resultado do ensaio realizado no equipamento desenvolvido, foram realizados testes reológicos em reômetro placa-placa, buscando-se correlacionar umidade, taxa de cisalhamento e viscosidade. Foram analisados quatro solos de litologias diferentes, o que permitiu uma boa espacialização dos resultados obtidos, culminando com a determinação de uma equação em que a viscosidade pode ser estimada em função da taxa de cisalhamento. PALAVRAS-CHAVES: Reologia; viscosidade de solos; ensaio de abatimento de tronco de cone; corridas de massa. 1. INTRODUÇÃO Segundo Hassiotis et al (1997), assegurar a estabilidade de taludes naturais ou artificiais continua sendo um problema fundamental para a engenharia geotécnica, e para resolvêlo, faz-se necessário entender os mecanismos de ruptura bem como os fatores associados à instabilidade. No caso das corridas de massa, Macias et al (1997) destacam a existência de dois procedimentos para entender o seu comportamento mecânico: - relações empíricas: baseadas em dados de observações e medições de campo em vários eventos; - relações analíticas por retroanálise: baseadas nas características geométricas e de comportamento reológico, estas últimas representadas pelos parâmetros de tensão de escoamento e viscosidade. Em termos da facilidade de obtenção dos parâmetros fundamentais, as relações analíticas levam grande vantagem sobre a abordagem baseada em relações empíricas (Hungr et al, 1984). No entanto, no caso dos solos, destaca-se a inexistência de um ensaio de laboratório, padronizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, para determinar diretamente tais parâmetros reológicos. Macias et al (1997) ressaltam ainda que o comportamento mecânico das corridas é de macroviscoso (ocorrido quando a resistência da dispersão é controlada pela viscosidade do fluido) a transição (neste caso, a resistência é proporcionada tanto pela pressão dispersiva, que é produto da colisão entre as partículas da mistura de detritos, quanto pela viscosidade do fluido). Tal fato ratifica a acentuada influência da viscosidade na resistência destes materiais ao fluxo, e sua extrema importância para a determinação dos valores de velocidade das corridas de massa a serem adotados nos projetos de contenção ou correção de áreas afetadas. Dentro deste contexto, o presente trabalho propõe o desenvolvimento de um equipamento, inspirado no abatimento de tronco de cone, utilizado para concreto, e de uma metodologia para a determinação experimental da viscosidade de solos, visando subsidiar estudos associados ao desenvolvimento de corridas de massa. 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. Reologia de solos Segundo Vyalov (1986), a reologia dos solos pode ser entendida como um ramo da mecânica dos solos que trata de investigar não só a origem como também as mudanças dependentes do tempo provocadas no estado de tensões e deformações do solo. Após uma análise profunda da relação entre as taxa de tensão e deformação para diversos solos, Vyalov (1986) concluiu que o modelo reológico de Bingham (viscoplástico) poderia descrever o comportamento dos solos sob estado permanente de tensões. No entanto, é válido ressaltar que tal comportamento já havia sido matematicamente proposto por Gupta & Pandya (1966). Desde então, o comportamento viscoplástico do solo tem sido reportado em diversos estudos [Ghezzehei & Or (2001); Spira et al (2005); Karmakar & Kushwaha (2007); Karin & Gnanendran (2008); Abdullan (2011)]. No que tange a determinação dos parâmetros reológicos de solos, diversas investigações realizadas em trabalhos voltados para o estudo de corridas de massa [O’Brien & Julien (1988); Julien & León (2000); Egashira et al (2001); Huang & Aode (2009); Boniello et al (2010)] mostraram que a viscosidade ( ) e a tensão de escoamento ( ) crescem exponencialmente com a concentração de sedimentos (Cv), conforme indicado nas Equações 1 e 2. (1) (2) *Onde Cv = Vs (volume de sedimentos)/ Vt (volume de água mais sedimentos). α1, α2, β1, β2 são coeficientes empíricos. 2.2. Comportamento materiais viscoplástico dos De acordo com Bird et al (1983), os fluidos viscoplásticos ou binghamianos se comportam como sólido até que uma tensão mínima, chamada de tensão de escoamento, seja excedida; em seguida, a relação entre a tensão e a taxa de cisalhamento torna-se linear. Na maioria das vezes esses fluidos são dispersões que podem formar uma rede interpartículas mantida por forças ligantes em repouso. Essas forças restringem mudanças de posição dos elementos, resultando em um material de caráter sólido com alta viscosidade. As forças externas, se menores do que aquelas que formam a rede, deformam elasticamente o material sólido. Somente quando as forças externas são grandes o suficiente para superar as forças de ligação entre as partículas é que a estrutura entra em colapso. Quando isso acontece, os elementos podem mudar de posição irreversivelmente, isto é, o sólido se transforma em um líquido (Bird et al, 1983). 2.3. Medição das propriedades reológicas Os reômetros são os instrumentos mais amplamente utilizados para medir as propriedades reológicas dos fluidos. Tais equipamentos podem apresentar diferentes configurações, nas quais as mais comuns são: sistemas capilares e sistemas rotacionais (Walters, 1975). De acordo com Klein (1992), os equipamentos rotacionais podem ser classificados em relação à variável controlada (tensão ou deformação controlada) e em relação à geometria do sensor (cilindros coaxiais, cone-placa e placa-placa). De acordo com Van Wazer et al. (1966), a escolha do tipo de geometria a ser utilizada em reômetros rotacionais depende basicamente de três fatores: o tipo de fluido, a faixa de viscosidade e a taxa de deformação. No caso do concreto, o ensaio de abatimento de tronco de cone figura entre os mais utilizados para medir as propriedades reológicas deste material. Desenvolvido nos Estados Unidos por volta de 1910, acredita-se que o slump foi utilizado pela primeira vez por Chapman, embora em muitos países o aparelho seja associado à Abrams (Bartos et al., 2002). Uma vez que o ensaio de abatimento de tronco de cone tradicional era capaz de medir apenas a propriedade reológica relacionada com a tensão de escoamento do concreto fresco, Tanigawa et al. (1991) propuseram modificações que tornariam possíveis a obtenção de medidas relacionadas com a viscosidade plástica do material. O equipamento adaptado por estes autores, apresentado na Figura 1, era formado por um medidor de deslocamento associado a um aquisitor de dados que armazenava o abatimento com o tempo. Figura 1 - Ensaio de abatimento de tronco de cone modificado proposto por Tanigawa et al. (1991). 3. EQUIPAMENTOS EXPERIMENTAIS 3.1 Abatimento de desenvolvido E tronco roldanas, responsável por suavizar o movimento vertical e ascendente de subida do cone. O tronco de cone utilizado, fabricado em aço zincado, tem 30cm de altura, 20cm de diâmetro inferior e 10cm de diâmetro superior. Para diminuir o atrito lateral com o solo, este parelho recebeu um tratamento termoquímico de Xylan® preto, um revestimento de fluorpolímeros que confere antiaderência à superfície. A imobilização do equipamento, promovida em sua versão tradicional pelo peso do operador sobre as aletas passou a ser proporcionada, na configuração modificada, por dois tarugos de latão com aproximadamente 12,5kg cada. A superfície de espalhamento do material contido no interior do cone deveria ser lisa e auxiliar a vedação da lateral inferior do equipamento, evitando assim a saída de água. Por apresentar as características citadas, optou-se por utilizar uma manta de silicone de 50x50cm. O dispositivo de monitoramento dos deslocamentos verticais é formado por um: transdutor linear Gefran® LT-M 300, com 30cm de curso, precisão de 0,05%, repetitividade de 0,01mm e resolução infinita, acoplado a um disco de acrílico; transdutor para potenciômetro Tecnolog® FS200, com precisão de 0,2%, sistema de aquisição de dados Novus MyPCLab®, com capacidade de armazenar um dado para cada 0,01s. As Figuras 2 e 3 apresentam a configuração final do equipamento desenvolvido. TÉCNICAS de cone No intuito de reduzir a grande dispersão entre as medidas obtidas no ensaio de abatimento de tronco de cone tradicional, relacionadas à operação manual, foi projetada uma estrutura de sustentação feita com perfis de alumínio com seção de 45x45mm. A referida estrutura foi ainda associada a um sistema de cabos e Figura 2 - Detalhe do equipamento desenvolvido antes da realização do ensaio. 11) recolher o material, limpar o interior do cone e repetir os passos anteriores (2 a 10) mais duas vezes para verificar a repetitividade dos resultados obtidos; 12) para a análise de uma nova umidade devese recolocar o material na batedeira, acrescentar a quantidade de água correspondente, bater por 10 minutos e repetir os passos anteriormente apresentados (2 a 11). Figura 3 - Detalhe do equipamento desenvolvido após a realização do ensaio. 3.1.1 Procedimento experimental Antes da execução do ensaio, são necessários alguns procedimentos para preparar a amostra a ser utilizada. Inicialmente, esta deve ser seca em estufa a 60°C, de modo a preservar as características mineralógicas do solo, destorroada e passada na peneira #40. Ao todo devem ser separados aproximadamente 6kg do material passante. Uma vez finalizadas essas operações preliminares deve-se seguir as etapas de execução listadas abaixo: 1) misturar, em equipamento adequado, durante 10 minutos, a massa de solo seco reservada com a quantidade de água calculada para o primeiro ponto do ensaio; 2) passar glicerina líquida (C3H8O3) nas paredes do tronco de cone para reduzir o atrito entre o solo e as paredes internas do equipamento; 3) preencher o tronco de cone com o auxílio de uma concha; 4) fazer o acabamento na superfície usando uma espátula; 5) encaixar o disco de acrílico na extremidade da haste do transdutor; 6) iniciar o sistema de aquisição de dados; 7) colocar o peso que levantará o tronco do cone verticalmente; 8) uma vez estabilizado o abatimento, ou no máximo um minuto após a realização do ensaio, finalizar a aquisição de dados; 9) retirar eventual material aderido ao interior do cone e pesar o conjunto bandeja-solo para determinação da massa específica total do solo inserido no cone; 10) coletar material do centro e da lateral da massa escoada para verificar a umidade; 3.2 Reômetro Os ensaios foram realizados no reômetro rotacional Haake Mars, Figura 4, fabricado pela Thermo Scientifc®. Os testes realizados foram tipo CD (deformação controlada), ou seja, uma taxa de cisalhamento ( ̇ ) era imposta, a tensão resultante (τ), decorrente do torque aplicado para rotacionar a haste, era determinada e a razão τ/ ̇ fornecia a viscosidade em função do tempo. Figura 4 - Reômetro Haake Mars utilizado neste trabalho. Dentre as os tipos de geometrias disponíveis, optou-se por utilizar a placaplaca do tipo cross hatch, pois a referida geometria apresenta ranhuras em suas faces internas, evitando assim o deslizamento do material. De acordo com O’Brien & Julien (1988), a folga existente entre as placas deve ser de dez vezes o diâmetro da maior partícula existente no material ensaiado. Como o reômetro utilizado apresenta uma folga máxima de 4,0mm, optou-se por utilizar materiais passantes na peneira #40, cuja abertura é de 0,42mm. Tal fato justifica a escolha da referida peneira para as análises no abatimento do tronco de cone. Entretanto, durante a realização dos ensaios, observou-se que, nos solos mais viscosos, a utilização da folga máxima forçava o motor do reômetro, e nos menos viscosos, propiciava o extravasamento do material além dos limites da geometria. Assim, optou-se por utilizar uma folga de 2,0mm. Tabela 2 - Caracterização mineralógica dos materiais estudados. 4 CARACTERÍSTICAS DOS LOCAIS ESTUDADOS 5.1 Para a realização dos ensaios foram escolhidos quatro solos. Um dos materiais consiste em um solo maduro e argiloso, que se localiza na encosta do campus principal da PUC-Rio (CEII). O segundo material, localizado na Bacia dos rios Quitite e Papagaio (BQP), no bairro de Jacarepaguá Rio de Janeiro, tem características arenoargilosas. O terceiro e o quarto material são solos areno-argilosos e argilosos, provenientes respectivamente da Reserva Biológica do Tinguá (RBT) e do Campus Avançado da PUC (CAT), localizados no município de Nova Iguaçu - Rio de Janeiro. Para a caracterização física dos solos foram realizados ensaios de massa específica dos grãos (s), análise granulométrica e limites de consistência. As amostras foram preparadas de acordo com o procedimento de secagem prévia, conforme a NBR 6457/86, seguindo as demais recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Para a caracterização mineralógica foram realizados ensaios de Análise Térmica Diferencial e Difração de Raio-X. As Tabelas 1 e 2 apresentam um resumo dos principais resultados encontrados. Tabela 1 - Caracterização física dos materiais estudados. LL LP IP Ensaio Ia Gs SUCS (%) (%) (%) CEII 47,7 23,9 23,8 0,53 2,684 CL BQP 55,4 29,4 26 0,70 2,658 SC CAT 64,5 35,9 28,6 0,71 2,661 CH RBT 50,2 32 18,2 0,68 2,569 SC CEII BQP CAT RBT Caulinita Gibbsita e Caulinita Gibbsita e Caulinita Gibbsita e Caulinita 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Abatimento do tronco de cone Conforme observado na Tabela 3, os materiais foram ensaiados para quatro ou cinco umidades diferentes. Durante a execução de cada ensaio, acompanhava-se a velocidade do material por meio do seu deslocamento com o tempo, objetivando-se, assim, definir uma taxa de cisalhamento para cada uma das umidades analisadas. Esta taxa, que relaciona a diferença de velocidades entre duas partículas vizinhas ou planos vizinhos (dv) com a distância entre eles (dy), é expressa pela Equação 3. ̇ (3) Tabela 3 - Umidade do ensaio, concentração de sedimentos e taxa de cisalhamento. w (%) CEII Cv ̇ (s-1) w (%) BQP Cv ̇ (s-1) 61,37 0,36 1,8 79,52 0,31 1,0 66,45 0,34 2,3 84,54 0,30 1,9 77,31 0,32 2,9 94,69 0,28 2,6 85,34 0,30 3,7 103,12 0,26 2,9 - - - 113,52 0,23 3,7 CAT RBT w (%) Cv ̇ (s-1) w (%) Cv ̇ (s-1) 85,64 0,29 1,0 68,37 0,35 2,7 89,38 0,28 1,4 77,86 0,33 3,3 95,34 0,27 2,1 88,61 0,30 4,0 104,53 0,25 2,7 97,34 0,28 5,0 115,01 0,24 3,2 - - - 5.2 Reômetro De um modo geral, a viscosidade associada a cada umidade foi definida a partir da média dos valores obtidos nos últimos 100 segundos, pois as curvas apresentaram um comportamento aproximadamente constante neste trecho. A Tabela 4 apresenta a correspondência entre a viscosidade definida no reômetro e a taxa de cisalhamento obtida no ensaio de abatimento de tronco de cone. Tabela 4 - Correspondência entre a viscosidade definida no reômetro (η) e a taxa de cisalhamento ( ̇ ) obtida no ensaio de abatimento de tronco de cone. CEII η ̇ (Pa.s) (s-1) BQP η ̇ (Pa.s) (s-1) CAT η ̇ (Pa.s) (s-1) RBT η ̇ (Pa.s) (s-1) 224,76 1,80 457,47 1,00 574,38 1,00 89,19 2,70 129,19 2,30 243,82 1,90 393,30 1,40 54,23 3,30 58,34 2,90 124,58 2,60 188,73 2,10 30,41 4,00 31,95 3,70 - - dentre estes, o que mais se aproximou da área real mapeada pela GEORIO à época dos movimentos foi simulado com uma viscosidade de 92 Pa.s. Por meio de uma interpolação dos resultados obtidos neste trabalho para os ensaios feitos na amostra BQP, a referida viscosidade, de 92 Pa.s, estaria associada a uma taxa de cisalhamento de 2,7 s-1 e uma concentração de sedimentos da ordem de 0,27. Desta forma, pode-se inferir que os valores de viscosidade determinados com base na metodologia aqui apresentada exibem uma boa concordância com os resultados encontrados na literatura. 5.3 Análise conjunta: abatimento de tronco de cone e reômetro 75,37 2,90 108,06 2,70 12,82 5,00 45,55 3,70 62,86 3,20 - - A Tabela 5, por sua vez, apresenta os valores de viscosidade obtidos por meio de retroanálises numéricas, desenvolvidas por Macias et al. (1997), para analisar o comportamento mecânico das corridas de massa do Quitite e Papagaio, ocorridas no Rio de Janeiro em 1996. As relações analíticas utilizadas foram baseadas nos modelos propostos por Bagnold (1954) e Johnson (1970). Tabela 5 - Viscosidade dos materiais envolvidos nas corridas de massa ocorridas no Rio de Janeiro em 1996 (Adaptado de Macias et al, 1997). Modelo de Bagnold Modelo de Johnson Corrida (Pa.s) (Pa.s) Quitite 92 3440 Papagaio 165 1790 A junção de todos os resultados experimentais obtidos, apresentada na Figura 5, permitiu a obtenção de uma curva de ajuste única, expressa por meio da Equação 4, correlacionando a viscosidade, obtida a partir da realização de ensaios no reômetro placaplaca, com a taxa de cisalhamento, determinada a partir do ensaio de abatimento de tronco de cone desenvolvido. ̇ (4) Por meio da utilização da equação supracitada, pode-se obter uma estimativa da viscosidade do solo mediante apenas a realização do ensaio de abatimento de tronco de cone desenvolvido no presente trabalho. 1000 R² = 0,9813 100 η (Pa.s) De acordo com Macias et al. (1997), a diferença entre os valores de viscosidade encontrados está relacionada ao fato de que no modelo de Johnson representa-se o depósito como um todo, enquanto no modelo de Bagnold, a viscosidade é representativa da resistência do material mais fino (matriz), o qual é intuitivamente menos resistente do que a mistura blocos-matriz (detritos). Estudos numéricos baseados nas corridas de massa ocorridas nestes locais também foram desenvolvidos por Gomes (2006). Seu trabalho envolveu a análise de 150 cenários, 10 BQP CAT RBT CEII 1 0 1 2 3 4 5 𝛾 ̇ (s-1) Figura 5 - Ajuste dos resultados experimentais para todos os solos estudados. 6 No que tange a análise conjunta da viscosidade e concentração de sedimentos, pode-se observar que os materiais ensaiados agruparam-se segundo duas tendências, delimitando assim uma faixa de viscosidade. Conforme observado na Figura 6, os solos analisados no presente trabalho apresentam maiores viscosidades que os retroanalisados por O’Brien & Julien (1988). e a viscosidade. Entretanto, em face a grande variedade de solos existentes e sua complexidade, novos ensaios devem ser realizados, no intuito de calibrar a equação aqui proposta. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao CNPq e à PUC-Rio pelos incentivos concedidos. 1.000,00 100,00 REFERÊNCIAS η (Pa.s) 10,00 Galindo (2013) 1,00 O’Brien & Julien (1988) 0,10 0,01 0,00 0,10 0,20 Cv 0,30 0,40 Figura 6 - Relação entre a viscosidade e a concentração de sedimentos para todos os solos ensaiados, com destaque para as faixas de valores obtidas por Galindo (2013) e O’Brien & Julien (1988). 6 CONCLUSÕES Os resultados obtidos a partir dos ensaios de viscosidade, realizados a uma taxa de cisalhamento constante em reômetro placaplaca, apresentaram uma boa concordância com os citados na literatura. A junção de todos os resultados experimentais permitiu à obtenção de uma curva de ajuste, correlacionando a viscosidade (outrora obtida a partir da realização de ensaios no reômetro placa-placa) com a taxa de cisalhamento (determinada a partir do ensaio realizado no abatimento de tronco de cone desenvolvido). A equação relacionada a este ajuste modelou o comportamento reológico dos solos no que tange a viscosidade. Deste modo, esta pesquisa indicou a existência de uma correlação clara entre o resultado do ensaio desenvolvido no equipamento de abatimento de tronco de cone Abdullah W. S. Viscoplastic Finite Element Analysis of Complex Geotechnical Problems. Jordan Journal of Civil Engineering, vol. 5, n. 2, 2011, p. 302-314. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Amostra de Solos – Preparação para ensaios de compactação e caracterização. NBR6457, 1986. Bagnold, R.A. Experiments on a gravity free dispersion of large solid spheres in a Newtonian fluid under shear. Proceedings of the Royal Society of London, series A, 1954, 225, p. 49-63. Bartos, P.J.M.; Sonebi, M.; Tamimi, A.K. (Eds.) Workability and rheology of fresh concrete: compendium of tests. Report of RILEM Technical Committee TC 145-WSM, Workability of Special Concrete Mixes, RILEM Publications S.A.R.L., Cachan Cedex, France, 2002. Bird, R. B.; Armstrong, R. C.; Hassager, O. Dynamics of Polymeric Liquids, Vol. 1, Fluid Dynamics, New York: Wiley, 2nd edition, 1977. Boniello, M.A.; Calligaris, C.; Lapasin, R. Zini L. Rheological investigation and simulation of a debris flow event in the Fella watershed. Natural Hazards and Earth System Sciences, 10, p. 989-997, 2010. Egashira, S.; Honda, N.; Itoh, T. Experimental study on the entrainment of bed material into debris flow. Phys. Chem. Earth, vol 26, n° 9, p. 645-650, 2001. Galindo, M.S.V. Desenvolvimento de uma metodologia para determinação experimental da viscosidade dos solos. Dissertação de mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, Rio de Janeiro-RJ, 2013, 122 p. Ghezzehei, T.A.; Or, D. Rheological properties of wet soiland clays under steady and oscillatory stresses. Soil Science Society American Journal. vol. 65, 2001, p. 624-637. Gomes, R.A.T. Modelagem e previsão de movimentos de massa a partir da combinação de modelos de escorregamentos e corridas de massa. Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Rio de Janeiro-RJ, 2006, 180 p. Gupta C. P.; Pandya A.C. Rheological behavior of soil under static loading. Transactions of the American Society of Agricultural Engineers, vol 9, n. 5, 1966, p. 718-728. Hassiotis, S.; Chameau, J.L.; Gunaratne, M. Design method for stabilization of slope with piles. Journal of Geotchnical and Geoenvironmental Engineering, vol. 123, n° 4, 1997, p. 314-323. Huang, Z.; Huhe A. A laboratory study of rheological properties of mudflows in Hangzhou Bay, China. International Journal of Sediment Research, 24, 2009, p. 410-424. Hungr, O.; Morgan, G.; Kellerhals, L. Quantitative analisys of debris hazards for design of remedial measures. Canadian Geotchnical Journal, vol. 21, 1984, p. 633-677. Johnson, A. Physical process in Geology. Freeman, Cooper & Company, San Francisco, California, 1970, 576p. Julien, P.Y.; León C. A. Mudfloods, mudflows and debris flows: classification, rheology and structural design. International Workshop on Mudflows and debris flows, Caracas, Venezuela, 2000. Karim, M. R.; Gnanendran C.T. Review of viscoplastic soil models for predicting the performance of embankments on soft soils. The 12th International Conference of International Association for Computer Methods and Advances in Geomechanics, Goa, Índia, 2011, p. 945-956. Karmakar, S.; Kushwaha, R.L. Development and laboratory evaluation of a rheometer for soil viscoplastic parameters. Journal of Terramechanics, vol. 44, 2007, p. 197-204. Klein, B. Rheology and stability magnetite dense media. Tese de doutorado. University of Britsh Columbia, Canadá, 1992, 457 p. Macias, J.; Amaral, C.; Vargas JR. E. Retroanálise do comportamento mecânico das corridas de massa de 1996 no Rio de Janeiro: determinação da velocidade e da viscosidade dos materiais envolvidos. In: 2º Pan-American Symposium on Landslide (II PSL)/ 2ª Conferência Brasileira sobre Estabilidade de Encostas (2º COBRAE), Rio de Janeiro, vol.1, 1997, p.243-251. O’Brien, J.S.; Julien, P.Y. Laboratory analysis of mudflow properties. Journal of hydraulic engineering, vol. 114, nº 8, 1988, p. 877-887. Spira Y.; Lackner R.; Pichler CH.; Mang H. A. Viscoplastic material models for soil: new insight into the soil-support interaction in NATM tunnel excavations. Archives of Mechanics, 57, 2-3, 2005, pp. 209–240. Tanigawa, Y.; Mori, H.; Watanabe, K. Analytical and experimental studies on casting of fresh concrete into modeled wall form. Transactions of the Japan Concrete Institute, v.13, 1991, p. 33-40. Van Wazer, J. R.; Lyons, J.W.; Kim, K.Y.; Colwell, R.E. Viscosity and flow measurement: a laboratory handbook of rheology. New York: Interscience Publisher, 1966, 406p. Vyalov, S. S. Rheological fundamentals of soil mechanics. Amsterdam: Elsevier, 1986, 576p. Walters, K. Rheometry. London: Chapman and Hall; 1975.