Página 2 - Bauru, quinta-feira, 31 de outubro de 2013
OPINIÃO
Tribuna do leitor
Entrelinhas
Da Redação
O LIXO NOSSO DE CADA DIA!
Cruzamento
Hoje, ainda que tardiamente, o assunto
do momento é o lixo, mas quem é o pai desse
problema crucial, denominado lixo?! O problema é seu, é nosso, é de todos! Principalmente
seu, que é o agente gerador e propulsor do lixo!
Mas, apesar de ser o gerador, ninguém os quer
perto, descartando-o, em qualquer lugar, basta
caminhar pelos quatro cantos da cidade e tá lá,
o lixo depositado irregularmente!
Você, além de gerador é o responsável
por uma série de epidemias e invasão de moscas! Ninguém quer o lixo ao seu lado, mas age
com irresponsabilidade no trato do mesmo!
Que pena que pensamos no lixo como responsabilidade única do poder público! O lixo é seu
e a consequência é de todos! Lixo, que lixo?
É triste caminhar pelas ruas centrais,
principalmente aos fins de semana, e depararmos com a avalanche de lixo espalhado pelas
ruas e calçadas! As lixeiras e eco-lixeiras na sua
totalidade destruídas, queimadas, uma lástima,
um desrespeito com nossos varredores! O lixo
é seu, o problema é nosso, o respeito e o efeito
são de todos! (Rui Miguel Tripoli)
O JC de hoje traz a notícia de que a
empresa da ex-engenheira da Seplan Tania
Kamimura Maceri é a responsável pela distribuição das controversas correspondências
sobre a regularização de imóveis. A denúncia
foi levada à última sessão legislativa pelo
vereador Sandro Bussola (PT). O marido de
Tânia, Wilson Maceri Jr., é filiado ao PT e
integra a chapa de José Carlos Batata, que
disputa a eleição pela presidência municipal do partido. Sandro apoia Claudinho da
Construção e se tornou adversário político da
vice-prefeita Estela Almagro, sua mentora
na vida pública, e esposa de Batata.
Na Câmara
Realizada ontem, a reunião da Comissão de Fiscalização e Controle que,
possivelmente, antecedeu a elaboração do
relatório das investigações para as denúncias envolvendo a Seplan, ouviu depoimento do servidor de carreira James Rufino Rodrigues que, sem apresentar mais
informações e no contexto de opiniões
pessoais, disse acreditar na afirmação de
José Amir Mobaid sobre a existência de
uma quadrilha na secretaria.
Ex-secretário
O ex-secretário do Planejamento Rodrigo Said também falou ontem na reunião
da Comissão de Fiscalização e negou ter
conhecimento de qualquer irregularidade,
afirmando, inclusive, que as avaliações
da gleba do empreendimento Spazio Comendador, feitas por imobiliárias, são bem
embasadas. Disse também que o prefeito
sempre foi informado a respeito das avaliações e providências em geral.
IPTU maior
Na última sessão da Câmara Municipal,
Telma Gobbi (PMDB) atacou projeto do
governo que prevê as alíquotas progressivas para o IPTU. Segundo ela, a administração eleva a arrecadação, mas a população
não sente o retorno em serviços públicos
oferecidos com qualidade. Ela, junto a Roberval Sakai (PP), também criticou o DAE
pela cobrança do ar que gira os hidrômetros
em residências com as torneiras secas.
O outro lado
Pera, uva, maçã ou sala mista?
A brincadeira de criança em que os envolvidos escolhem entre pera, uva, maçã ou
salada mista, retrata bem a condução atual
da política econômica brasileira, ou seja, dependendo do ângulo da análise as conclusões
podem ser diferentes entre si. De um lado, há
unanimidade de que o governo no tocante à
política fiscal está distante de fazer sua parte.
Arrecada e arrecada muito, mas gasta também muito e de maneira questionável. Não
faz sequer questão de esconder que é incapaz
de gerar superávits primários (receita menos
despesas sem contar os juros - o serviço da
dívida) e ainda utiliza-se de artifícios contábeis questionáveis para fechar suas contas.
Tributar em demasia retira importantes
recursos que poderiam circular no mercado.
Gastar em excesso, notadamente em custeio,
inibe a capacidade de investimentos. Não investir é não gerar riqueza e renda, reduzindo
a ampliação da denominada demanda agregada. É um ciclo vicioso em que os gastos
equivocados, sem excedentes para investimentos, não eliminam gargalos importantes
para sustentar o crescimento, o que geraria,
inclusive, condições favoráveis para ampliar
a oferta, garantindo que a demanda pudesse
ser crescente sem desequilíbrios no mercado.
De outro lado, mesmo sem tais investimentos, o mercado trabalho ainda não encolheu. Há sinais, mas ainda é possível escolher
entre pera, uva, maçã ou salada mista. É
talvez a variável que mais preocupa, mas que
ainda não sofreu com a falta de pulso firme
na condução da política econômica brasileira.
Uma leitura pode estar na mudança de postura
do empresariado brasileiro. Se no passado a
qualquer queda no nível de atividade a dispensa de funcionários era a primeira atitude,
com a falta de mão de obra qualificada, e o
custo em treiná-la, tais empresários optaram
Secretário de Finanças, Marcos Garcia
passou pela Câmara na última terça para
pedir a mudança do horário da audiência
pública que vai discutir o projeto do IPTU,
em 8 de novembro. Ele reclama que os
Há uma síndrome de privatizações
parlamentares não querem o aumento
proposto, mas fogem da discussão quando assolando o país. Privatizações que são euquestionados sobre os investimentos que femisticamente denominadas de partilhas,
concessões ou terceirizações de serviços
devem ser cortados pela administração.
culturais através de ONG´s. Aprendi que
partilha, é coisa que as quadrilhas realiPelo diálogo
zam após qualquer assalto, assim como, a
Vereador Fabiano Mariano (PDT), re- entrega de bens culturais nas mãos de orlator do projeto na Comissão de Finanças, ganizações distantes dos interesses da raiz
vai propor nesta quinta-feira aos pares cultural brasileira, é sempre algo perigoso.
que recebam Marcos Garcia na semana Em ambas as situações, quem é aviltada é
que vem, durante a reunião do grupo a soberania nacional.
Na questão que envolve esse fatídico
que antecederá a audiência pública, para
que alternativas sejam discutidas. Ele já leilão do campo de Libra, onde compramos
conversou com o secretário ontem e se aquilo que já era nosso, a coisa assume ares
de entreguismo. Desde os tempos em que
mostrou animado com a discussão.
era funcionário da Petrobrás, em nossas discussões internas no Sindicato, já sabíamos
Sem energia
da existência desse lençol petrolífero que
Os vereadores Moisés Rossi (PPS), se estende pelo litoral do sul / sudeste, até
Sandro Bussola (PT) e Roberval Sakai o Espirito Santo. Já escrevi sobre Richard
(PP) reclamaram das constantes quedas na Burton, que no início do século passado foi
energia elétrica que se prolongam por mais Consul da Inglaterra em Santos, e que era
de 12 horas, especialmente em Tibiriçá. geólogo de formação.
Esses episódios já provocaram, inclusive,
Esse diplomata em suas horas vagas,
prejuízos a produtores rurais que dependem e que eram muitas, mapeou toda a região
de refrigeração. Além disso, Sandro alertou, acima mencionada, tanto por mar como por
ontem, sobre a intenção da CPFL de desa- terra, realizando estudos tanto na prospecção
tivar seu Centro de Operações em Bauru. de campos marítimos de petróleo, quanto
de jazidas de xisto betuminoso. E por divulgar tais estudos, foi retirado do país pela
Olha o ponto!
Inglaterra, e nunca mais se ouviu falar dele.
A saúde também foi pautada pelo ve- Portanto, não se trata de “descobertas” deste
reador Roque Ferreira (PT), que criticou a ou daquele. Simplesmente alguém resolveu
movimentação de médicos que não querem ir atrás e confirmou a existência daquilo que
bater ponto eletrônico para registrar suas Burton já havia cantado a bola.
jornadas de trabalho. Segundo ele, profissionais alegam que teriam problemas com
outros compromissos, o que leva à suposição de que os horários não são cumpridos.
por sacrificar suas margens de lucro, deixando para o momento mais agudo, inevitável,
eventuais dispensas.
Outro olhar é sobre a indefinição da política monetária. A tônica no passado era taxa
de juros em queda. Agora são juros em alta. A
inflação é colocada como pano de fundo, mas
o certo mesmo é que a condução equivocada
da política fiscal forçou o governo a rever sua
estratégia o que levou os agentes econômicos
a reverem suas posições e até mesmo questionar a forma de abordagem do Banco Central
e da equipe econômica como um todo no
combate aos desequilíbrios internos. Também
não podemos deixar de considerar o nó que
é a condução da política externa brasileira.
Pauta de exportação fraca e com a ausência de
uma política para substituição de importação
o Brasil é presa fácil no comércio exterior.
Em meio a todas as estas avaliações,
tem o mundo real, aonde a coisa efetivamente acontece e, apesar de uma pesquisa
aqui e ali apontar para queda na confiança
do meio empresarial, o certo mesmo é que
os agentes econômicos ainda apostam no
potencial do mercado brasileiro e a partir
disso mantém apetite por gerar riquezas
e ampliar seus negócios. Claro que é um
olhar macro, na floresta como um todo, sabedores que na visão micro haverá sempre
aqueles que não vão tão bem assim. Enquanto isso observamos aportes de recursos
em franquias, ampliação de empreendimentos, mercado imobiliário ainda aquecido e
um olhar apurado em novos investimentos.
E você escolhe o quê? Pera, uva, maçã ou
salada mista? Eu prefiro fazer uma leitura
pé no chão, mas sem me deixar contaminar
pelo pessimismo. (O autor, Reinaldo Cafeo,
é economista, diretor regional do Corecon
e articulista do JC)
E la nave va...
Agora, daí a “entregar” tais jazidas em
um leilão como se fosse um tapete persa, ou
uma obra da Dinastia Ming, torna-se difícil
entender, seja qual o nome que se dê a essa
manobra econômica. O mesmo na questão
cultural. Eu costumo dizer que “quem não
tem colírio usa óculos escuros”, que é mais ou
menos o seguinte: quem não tem competência
não deve se estabelecer.
Os governos gastam verbas na construção de equipamentos culturais, em
alguns casos com a participação ativa da
iniciativa privada, para posteriormente
entrega-los a uma ONG qualquer, quase
sempre formada por apaniguados, para que
tais organismos os gerenciem e obtenham
renda para sustentar a referida organização. Tem algumas que já estão infiltradas
em órgãos estaduais, onde o compadrio e
o nepotismo, são marcas de uma política
distante dos interesses do povo.
E a mídia chapa branca apoia tais desmandos, desde que as verbas publicitárias
caiam em seus cofres, e seus proprietários
possam ostentar belos apartamentos e mansões de final de semana, algumas até no exterior. E assim, “la nave va…” sabe Deus até
quando. O certo é que um dia a casa cai, principalmente quando os eleitores adotarem uma
consciência política, e deixarem de “vender”
seus votos por míseros reais ou cestas básicas.
Só espero que as transformações que o país
necessita, não ocorram através da força. Já
tivemos tal experiência e parece que a classe
política não aprendeu nada. (O autor, Carlos
Pinto, é jornalista)
O que eles dizem
Política & Entrelinha
http://www.jcnet.com.br
email: [email protected]
* “A Marina entrou no governo junto comigo, em 2003, e ela sabe que o Brasil tem hoje
mais estabilidade.” (Ex-presidente Lula, ao criticar Marina Silva e dizer que ex-senadora tomou “lições” erradas de economia. Página 21)
* “Ninguém que governou de costas para o
povo tem legitimidade para atacar o combate à
desigualdade que fizemos.” (Presidente Dilma,
ao criticar a oposição, durante comemoração
dos dez anos do Bolsa Família. Página 21)
FINADOS
Não tenho hábito de ir a cemitérios. Em
São Paulo ia ao cemitério do Araçá para
apreciar as obras de Brecheret, que os ricos
do início do século contratavam para homenagear seus mortos. Tenho a crença religiosa
que meus amigos e familiares são sempre
lembrados pelas minhas orações, meus queridos pais, meu sobrinho, queridos amigos
como a Dona Cida, e outros tantos que já estão
ao lado de Deus. Lembro-me de um livro de
Érico Veríssimo, creio em que no portão do
cemitério estava escrito em letras garrafais:
Nós que aqui estamos, por Vós esperamos! É a
maior e única certeza que temos. E recordando
o filme espírita Nosso Lar, num dia escolhido
por Deus, estaremos todos juntos. Agradeço a
publicação. (Carlota Magalhães)
REVOLTAS POPULARES
O povo brasileiro sempre foi desinformado e nunca teve acesso pleno aos meios
democráticos de direto à informação e demais serviços públicos. Isso se comprova
desde os tempos da revolta da vacina no Rio
de Janeiro, em 1909, um caos generalizado
devido o uso da força para a vacinação e
outros fatores. Assim é o Brasil atual, onde
montanhas de dinheiro são despejadas nas
mãos de empreiteiras, políticos ou em outros
países e até para realizar copa do mundo e
outras festas em um país que sequer possui
atendimento médico decente.
E o povo, que não possui internet, telefone, nem paciência para usar os “canais
disponibilizados pelos governos”, usa pneus
queimados, quebra-quebra, gera congestionamentos gigantes, pois só assim têm
seus apelos escutados por aqueles que só
preocupam-se com a minoria rica. É tempo
de nossos governantes atentarem ao fato de
que o povo não quer só uma bolsa-auxílio
todos os meses, quer segurança, saúde e educação de qualidade e com respeito. (Daniel
Marques - historiador)
CONSUMO CONSCIENTE...
FAÇA A SUA PARTE
Senhor editor, há quase um mês sem poder acessar minha caixa de e-mails, por problemas de saúde, vi-me agora restabelecida.
E eis que encontro uma linda mensagem de
um grupo sem fins lucrativos. Estava e estou
agradecida por minha saúde, quando pude
ver que é o que realmente importa. Mas essa
mensagem me tocou tanto que resolvi dividir
com os leitores deste jornal.
“O Dia do Consumo Consciente foi institído
em 15 de outubro de Ministério do Meio Ambiente (MMA) com o objetivo de conscientizar
e educar o público para os problemas sociais,
econômicos, ambientais e políticos causados
pelos padrões de produção e consumo excessivos e insustentáveis praticados atualmente.
Cinco dicas para se tornar um consumidor consciente: 1. Planeje suas compras. Organize-se
antecipadamente, evite compras impulsivas e,
com isso, compre menos e melhor; 2. Avalie os
impactos de seu consumo no meio ambiente e
na sociedade; 3. Consuma apenas o necessário.
Reflita sobre suas reais necessidades e procure
viver com menos; 4. Reutilize produtos e embalagens. Conserte, transforme e reutilize; 5.
Separe seu lixo de forma ecológica.”
(Texto original - Associação O Eco, uma organização brasileira que se preza por não ter fins
lucrativos nem vinculação com partidos políticos,
empresas ou qualquer tipo de grupo de interesse).
Atenciosamente. (Marina Amaro - escritora)
Mais cartas na página 26
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