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ESTUDO DE MERCADO DE SEMENTES
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FLORESTAIS DE ESPÉCIES NATIVAS DO AMAPÁ.
MANAUS/ 2005
CONTEÚDO GERAL
LISTAS DE FIGURAS........................................................................................
3
LISTAS DE TABELAS......................................................................................
3
APRESENTAÇÃO...............................................................................................
4
1.1 ANTECEDENTES.................................................................................................
4
1.2 OBJETIVOS DO ESTUDO...................................................................................
5
1.3 METODOLOGIA..................................................................................................
5
1.4 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................
6
1.5 ABRANGÊNCIA DO ESTUDO...........................................................................
6
1.
2. ASPECTOS GERAIS DO SEGMENTO DE SEMENTES NA REGIÃO
NORTE.................................................................................................................. 6
2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO SEGMENTO DE SEMENTES NO ESTADO DO
6
AMAPÁ...........................................................................................................
2.2 ÁREAS COM POTENCIAL DE PRODUÇÃO DE SEMENTES....................
7
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2.2.1 FONTES SUSTENTÁVEIS.................................................................................
7
3. RESULTADOS.....................................................................................................
8
3.1 ROTEIRO PARA COLETOR................................................................................
8
3.2 ROTEIRO PARA COMERCIANTE.....................................................................
12
3.3 ROTEIRO PARA CONSUMIDOR/DEMANDANTE..........................................
16
4. ANÁLISE MACRO DA ATIVIDADE NO AMAPÁ.........................................
18
4.1 IDENTIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS PONTOS QUE RESTRINGEM O
DESENVOLVIMENTO DO SEGMENTO..........................................................
18
5. CONCLUSÕES....................................................................................................
19
5.1 RECOMENDAÇÕES............................................................................................
20
6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA.....................................................................
21
ANEXOS...............................................................................................................
22
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1
Localização do Amapá em relação ao brasil......................................
7
FIGURA 2
Localização das áreas de coleta..........................................................
8
FIGURA 3
Tempo na atividade de coleta de sementes..........................................
9
FIGURA 4
Meio de transporte ao local de coleta................................................
10
FIGURA 5
Formas de ocupação das áreas de coleta............................................
11
FIGURA 6
Renda familiar mensal............................................................................
12
FIGURA 7
Percentual de cursos de treinamento ou capacitação.....................
13
FIGURA 8
Perfil do comerciante de sementes.......................................................
14
FIGURA 9
Modalidade de transporte utilizado no comércio de sementes......
14
FIGURA 10
Perfil do consumidor de sementes.........................................................
16
FIGURA 11
Tempo de aquisição de sementes e/ou mudas........................................
16
LISTA DE TABELAS
TABELA 1
Caracterização da coleta de sementes..............................................
11
TABELA 2
Forma de beneficiamento das sementes...............................................
11
TABELA 3
Espécies de maior demanda....................................................................
15
TABELA 4
Espécie com maior dificuldae de compra.............................................
17
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1. APRESENTAÇÃO
1.1 ANTECEDENTES
Este relatório faz parte de um trabalho maior intitulado “Diagnóstico do setor de sementes da região Norte
” que visa caracterizar a situação atual e potencial do mercado de sementes florestais de espécies nativas no estado
do Amapá.
Dados sobre a atividade do segmento de sementes neste estado são bastante escassas, fato é que no o II
Encontro do Fórum Permanente Norte de Sementes (2001), nenhum diagnóstico foi apontado especificamente para
o estado. Na falta de dados mais precisos, faz-se a seguir um breve historio do deste segmento segundo informações
pessoais com base em julho de 2003.
Algumas instituições de pesquisa apresentam dificuldades para trabalhar com sementes florestais por falta de
laboratório para armazenamento e outras técnicas adequadas, onde se cita EMBRAPA, e IEPA - Instituto de
Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá.
Apenas sabe-se informalmente que o IEPA adquiriu sementes, óleo de andiroba, óleo de castanha, sementes
de urucum, mas que o instituto não possui nenhum cadastro dos fornecedores das comunidades, provavelmente
tendo como uso para produtos em fitoterápicos e museu sacaca.
Algumas iniciativas locais atuam na produção de mudas, seja no plantio de eucalipto para exportação de
cavaco, em razão de possuir moderno laboratório de cultura de tecidos, voltada para o plantio de eucalipto ou na
escola agrícola família do Pacuí no município do Pacuí, onde alunos coletam sementes para produção de mudas, mas
sem qualquer capacitação.
O Estado vem implementando ações que associam crescimento e conservação, onde, por exemplo, em
1995, foi criado o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá; desde 1997, está em vigor uma lei que
regula o acesso à biodiversidade, o uso de recursos genéticos e o emprego da biotecnologia e bioprospecção e, em
1999, foi criado o Centro de Referência para o Desenvolvimento Sustentável.
1.2 OBJETIVO DO ESTUDO
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Realizar um diagnóstico da situação atual e potencial do mercado de sementes florestais de espécies nativas
na região norte, em particular no estado do Amapá, especificamente (i) identificar áreas de coleta de sementes em
atividades; (ii) caracterização socioeconômica e infra-estrutura atual; (iii) caracterizar a oferta, demanda e canais de
comercialização e (iv) apresentar sugestões e recomendações referentes aos resultados obtidos.
1.3 METODOLOGIA
O estudo foi dividido em duas etapas distintas, sendo a primeira coleta de informações e a segunda, de
análise dos dados e interpretação dos resultados.
Na primeira fase foram realizados os levantamentos de campo, por meio de visitas, aplicação de
questionários, entrevistas e prognósticos observados durante a realização dos trabalhos no período de setembro de
2004. Os questionários foram subdivididos em 03 roteiros principais: 1. Coletor; 2. Comerciantes; 3.
Consumidor/Demandante, de modo que fosse identificada a seguinte base de dados: oferta e demanda de sementes;
caracterização dos produtores e demandantes; mecanismos de comercialização de sementes florestais de espécies
nativas e áreas de concentração de coleta de sementes, em atividade ou com potencial.
O levantamento foi desenvolvido num cômputo geral de atores diretamente envolvido com o tema do estudo
de mercado, onde os levantamentos em órgãos oficiais e representações estaduais marcaram o início dos trabalhos
de campo.
Quanto ao meio de investigação por meio de questionários, foi definida a amostra pesquisada, na prospecção
de mercado, a técnica de amostragem aleatória estratificada proporcional em razão de não ser possível à utilização
do censo em todas as abrangências do Estado.
Na segunda etapa foram tabulados e analisados os dados levantados, juntamente com as informações
complementares de dados secundários.
1.4 REFERENCIAL TEÓRICO
A sistemática desenvolvida estrutura-se em trabalhos realizados com enfoque, econômico e mercadológico, e
nas discussões e conclusões de alguns autores dos quais cita-se: Hummel (1994), Fontes (1992), Gama e Silva
(1996), Ângelo (1999), Gonçalves (2001), tendo à mesma abordagem, porém com distinções nas aplicações sobre
o modelo econômico.
1.5 ABRANGÊNCIA DO ESTUDO
O Estado do Amapá, Figura 1, localiza-se na no extremo norte do litoral brasileiro e tem início onde termina
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o Rio Oiapoque, que separa o estado da Guiana Francesa.
Possui uma área de 142.815,81 km2, de população estimada em 477.032 habitantes e somente 1% de sua
área de 143.453,7 km2 foi desmatada. Assim, a floresta, ocupa 70% do território, e conserva sua biodiversidade
praticamente intacta.
Os principais produtos de exportação do Amapá são arcos e estacas de madeira, palmito, camarão, cromita,
cavacos de pinus e castanha-do-pará. O manganês, que já foi à base da economia do estado, perde importância com
o esgotamento das jazidas. Ainda assim, o Amapá é o segundo produtor do mineral do país e o sexto de ouro - a
mineração equivale a 12% da arrecadação estadual, a economia do estado está centrada no extrativismo.
2. ASPECTOS GERAIS DO SEGMENTO DE SEMENTES DA REGIÃO NORTE
2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO SEGMENTO DE SEMENTES NO ESTADO DO AMAPÁ
Em linhas gerais o estado do Amapá é o que menos possui informações disponibilizadas sobre o segmento de
sementes, no entanto sabe-se que esta atividade seja com sementes nativas e/ou exóticas se encontra desorganizada,
as comunidades não sabem o que possuem, não há capacitação para os poucos que produzem, não há informação
precisa do local de ocorrência das espécies, e sem uma estrutura para análise e/ou armazenamento de sementes.
Exceção se faz ao setor privado, onde possuem certo grau de organização na produção de mudas de
eucalipto por meio de multiplicação de clones comerciais produzidos em laboratório para posteriormente seguir ao
viveiro florestal.
FIGURA 1 - Localização do Amapá em Relação ao Brasil.
FONTE: IBGE, (2001) (Adaptação do autor)
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2.2 ÁREAS COM POTENCIAL DE PRODUÇÃO DE SEMENTES
2.2.1 FONTES SUSTENTÁVEIS
Na falta de dados precisos e informações dispersas de produção de sementes no Estado do Amapá,
verificou-se que o estado tem mais de 45% de sua área protegida por lei, onde se encontram regiões de conservação
ambiental e reservas indígenas.
Somente 1% de sua área de 143.453,7 km2 foi desmatada. Assim, a floresta, que ocupa 70% do território,
conserva sua biodiversidade praticamente intacta e pode ser considerada de grande potencial de produção de
sementes.
3. RESULTADOS
3.1 ROTEIRO PARA COLETOR
Com intuito de caracterizar o lado da oferta, são apresentados alguns dados intrínsecos de modo que ocorra
uma representação da origem de coleta das sementes florestais, mesmo com um número reduzido de questionários
aplicados e que 67% não o tenham respondido. Assim sendo estima-se que as áreas de coleta variem entre 01 a
5.000 ha, caracterizando ser em pequenas propriedades a maior fonte de oferta de sementes. Destas não se
constatou uma predominância entre propriedades seja de terra firme ou em várzeas (Figura 2).
FIGURA 2 – Localização das áreas de coleta.
Não foi possível constatar as condições de ocupação da propriedade, ou seja, se áreas de coletas são
próprias ou privadas, e menos será a situação legal. O que se faz ao certo, é que há um dualismo na utilização da
mesma, seja com agricultura (50%) ou atividade florestal não madeireira (50%).
Como indicativos da caracterização socioeconômica, especificamente no item meio de comunicação, os
meios são os tradicionais: radio televisão e por telefone. Não se constatou nenhuma forma de organização
comunitária formalizada, a renda familiar gira acima de 05 salários. Este valor está associado à combinação e
atividades. Na verdade nenhum dos entrevistados baseia sua renda na produção de sementes ou mudas.
Identificou-se que 100 % dos entrevistados coleta sementes para produção de mudas, embora saiba-se da
utilização para outros fins (óleos, etc..) o que caracteriza uma diversificação na utilização das sementes.
Constatou-se ainda que o tempo médio na atividade de coleta de sementes é relativamente recente e de certa
forma bem distribuída, sendo 34% há 04 anos, 33% em 07 e 10 anos respectivamente. (Figura 3).
FIGURA 3 – Tempo na atividade de coleta de sementes.
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Fator importante constatado é a legalização da atividade por órgãos ambientais estaduais e/ou federais. A
mão de obra absorvida na atividade é em 75% dos casos contratada, e já tiveram algum tipo de treinamento,
envolvendo perto de 15 pessoas na coleta.
Provavelmente por envolver um grande quantitativo de pessoas contratadas, este serviço tende a ser
temporários, com uma remuneração média que varia de R$ 260,00/mês em algumas épocas do ano.
A seguir são identificadas as principais áreas de coleta, quanto ao tamanho e localização, em virtude da forma
de apresentação das respostas dos questionários tornou-se difícil caracterizar com precisão as mesmas: Mazagão;
Ferreira Gomes; Vila e periferia da Serra do Navio, com 5.000 ha.
As coletadas efetuadas são 100% efetuadas no próprio estado do Amapá, muito embora haja evidencias da
importação de sementes do Pará. O veículo é meio de transporte usado para acessar os locais de coleta em 75%
dos casos, seguido por 25% com a utilização de meios fluviais. (Figura 4)
FIGURA 4 – Meio de trasporte ao local de coleta.
Na Figura 5, verifica-se que o tipo de ocupação das áreas de coleta é homogêneo, sendo 34 % em áreas
particulares, o que é coerente à caracterização sócio econômica do coletor, 33,3 % em áreas públicas.
FIGURA 5 – Forma de ocupação das áreas de coleta.
O ambiente de coleta é diversificado, pois os entrevistados afirmam que as áreas de terra firme e
regeneração, áreas urbanas e cerrado e as várzeas são utilizadas em 33,3% dos casos respectivamente.
A coleta de sementes pode ser caracterizada de diversas formas, seja pela espécie florestal, o método de
colheita, o rendimento e pelo número de árvores coletas (Tabela 1). Quanto às espécies florestais, cerca de 25% das
coletas são de Pau mulato e 12,5% para as demais espécies.
Os métodos de colheita praticados, independente das espécies, são apenas 02, coleta na própria árvore
(meio não levantados) e a coleta de sementes no chão. A produção das sementes associadas às espécies resulta
certamente em rendimentos variados e de oferta diferenciadas ao longo do ano. A combinação de conhecimentos da
época de produção é fator essencial para a regularização da oferta, além de fatores técnicos de transporte e
armazenamento.
Um componente verificado é a falta de informação, para algumas espécies, do rendimento e número de
árvores, que por sua vez pode comprometer um futuro planejamento para o segmento, ou despertar a necessidade
de maiores estudos técnicos e científicos para o mesmo.
TABELA 1 – Caracterização da coleta de sementes.
Espécie
Pau mulato
Açaí
Andiroba
Método
Rendimento
na árvore
na árvore
no chão
não inf.
não inf.
não inf.
N. de Árvores
Coletadas
10
não inf.
não inf.
Percentual (% )
25,0
12,5
12,5
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Angelim
Jatobá
Paliteira
Virola
TOTAL
na árvore
na árvore
na árvore
no chão
não inf.
não inf.
não inf.
não inf.
20
10
não inf.
não inf.
12,5
12,5
12,5
12,5
100,0
A Tabela 02 ressalta que a forma de beneficiar as sementes coletadas não varia conforme a espécie,
podendo ser caracterizado como um método tradicional de secagem do fruto.
A espécie Andiroba aparece em cerca de 10%, como a mais beneficiada, seguida pelo Mogno com 8,6 %.
TABELA 2 – Forma de beneficiameto das sementes.
Espécie
Angelim
Jatobá
Paliteira
Pau mulato
TOTAL
Método
Rendimento
Participação (% )
secagem do fruto
secagem do fruto
secagem do fruto
secagem do fruto
não inf.
não inf.
não inf.
não inf.
25,0
25,0
25,0
25,0
100,0
Ressalta-se a coerência nos números apresentados entre as espécies coletadas e beneficiadas, exceção se faz
com algumas espécies que aparecem como as mais coletadas e não aparecem como beneficiadas, mesmo em termos
relativos.
Quanto as possibilidades de embalagem de sementes, identificou-se ser feita da seguinte forma:
frasco de
vidro (Jatobá); saco plástico (Pau mulato) e saco de papel (Angelin) . Já com referência à conservação, constatou-se
a geladeira (câmara fria) como o método mais utilizado.
3.2 ROTEIRO PARA COMERCIANTE.
Entende-se este item como um dos pontos principais da cadeia produtiva deste segmento, pois se acredita
que a margem de contribuição nesta etapa deva ser a mais expressiva. Tal inferência poderá ser comprovada
mediante a uma maior base de dados de preços praticados entre quem produz (custo de produção) e os preços de
venda e revenda.
Inicialmente buscou-se caracterizar o comerciante deste segmento, de modo a identificar seu grau
envolvimento com algum grupo social, assim sendo constatou-se que 100% dos comerciantes entrevistados não
pertencem a nenhuma forma de organização.
A renda familiar é compatível com o quadro de coletores, considerando que a muitos dos coletores também
são comerciantes. Este caso específico aponta uma renda familiar acima de 05 salários mínimos em 75% dos
entrevistados. (Figura 6)
FIGURA 6 – Renda familiar mensal.
Quanto a comercialização de sementes, observa-se que 50% ocorrem tanto em mercado local (dentro do
município) e o estadual. Todos os entrevistados não consideram o envolvimento no comércio de sementes como
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atividade principal, o que é relativamente fácil entender por pelo menos 02 motivos: informalidade, sazonalidade da
oferta de sementes, sendo que o envolvimento na atividade é de 02 a 10 anos. Percebe-se claramente que mesmo
que o envolvimento não seja exclusivo, o comércio em geral e o serviço são as principais atividades do comerciante
de sementes, sendo que 100% dos envolvidos afirmem estarem supostamente legalizados por órgãos ambientais.
Figura 7 percebe-se que o grau de especialização é equilibrado, onde 50% dos entrevistados afirmam
possuírem cursos de treinamento ou algum nível de capacitação na área, verificou-se também, haver uma relação
direta entre a abrangência de mercado que cada comerciante atinge e o grau de especialização.
FIGURA 7 – Percentual de cursos de
treinamento e/ ou capacitação.
Não
50%
Sim
50%
Já a Figura 8 consolida o que já foi apresentado nos resultados do item “coletor”, pois se constata que 50%
dos entrevistados coletam as sementes e produzem mudas. Neste contexto todos os entrevistados são unânimes em
afirmar que as mudas são o produto mais procurado, e que em todas as oportunidades a mão de obra absorvida é
contratada e permanente com uma remuneração de R$ 260,00 a R$ 600,00 mensais.
Ressalta-se que embora o número de pessoas envolvidas na atividade seja alto (15 pessoas), do ponto de
vista absoluto não o é, tal indicativo passa a ser expressivo e importante para o estabelecimento de políticas de longo
prazo para este segmento.
Considerando ainda os motivos (área de formação, interesse em espécies não madeireiras) que levaram esses
comerciantes entrarem no comércio de sementes, sugere-se que no futuro ocorra um refinamento dessas
informações, e que as mesmas sejam delineadas em espécies nativas e exóticas, considerando que esta última pode
ter influenciado alguns dos resultados aqui apresentados.
FIGURA 8 – Perfil do comerciante de sementes.
Para que a possibilidade do crescimento e fortalecimento venha a ocorrer, considerando que 100 % dos
entrevistados apostam que este mercado é promissor mesmo afirmando que conseguem atender a demanda (75%),
algumas iniciativas técnicas e operacionais devem ser perseguidas, pois são apontados os seguintes gargalos na
atividade: dificuldade na aquisição de sementes, assistência técnica, descompasso entre demanda e oferta, legislação,
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fiscalização, armazenamento e embalagem das sementes, com 33,3% respectivamente.
Os gargalos aqui identificados podem estar associados a pouca informação sobre a atividade, logística de
coleta e distribuição, linhas de financiamento, concorrência, inexistência de áreas próprias e falta de incentivos.
Na Figura 9, percebe-se que as possibilidades de transporte são apenas 02, das quais 50% por conta do
comprador e 50% do vendedor. Certamente este fato está associado às peculiaridades intrínsecas ao Estado e não
levantadas, como volume, destino do produto e ao preço competitivo do frete.
FIGURA 9 – Modalidade de transporte utilizado
no comércio de sementes.
Neste sentido contatou-se que 100% se manifestaram positivamente quanto ao conhecimento de áreas com
potencial de coleta de sementes florestais, das quais se cita: Km 5; Porto Grande – Matupi; Área de reserva
particular no Município de Ferreira Gomes; Porto Grande ( área experimental da EMBRAPA),
Para uma melhor percepção de mercado a relação oferta e demanda, dado um nível de preços, deve ser
pormenorizada, no entanto dado nível de informações disponíveis algumas análises não podem ser conclusivas
sugerindo uma ampliação dos dados.
Na Tabela 3, é apresentada uma listagem de sementes de espécies florestais que mais são procuradas no
Estado. Em termos relativos, percebe-se uma preferência de 17,6% de Açaí e Cupuaçu, Graviola com 11,8% e
posteriormente a Andiroba com 5,9%, o que mostra uma demanda maior por sementes de espécies frutíferas.
Os níveis de preços praticados não foram informados (os pesquisadores não souberam precisar os valores),
o que não impossibilita análise de margem de contribuição.
TABELA 3 – Espécies de maior demanda.
Espécies
Açai
Cupuaçu
Graviola
Andiroba
Angelim vermelho
Angelim pedra
Cajú
Cumarú
Goiaba
Pimenta
Pupunha
Virola
TOTAL
Percentual (% )
17,6
17,6
11,8
5,9
5,9
5,9
5,9
5,9
5,9
5,9
5,9
5,9
100
Independente da estrutura de armazenamento identificou-se apenas a Andiroba a ser embalada em saco de
juta, tendo como ambiente de conservação e acondicionamento galpões. Dado a tecnologia disponível e informações
específicas de espécies florestais tornam-se necessário à difusão de recomendações técnicas de acondicionamento e
os canais de comercialização existentes, considerando naturalmente a variável tempo.
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3.3 ROTEIRO PARA CONSUMIDOR/DEMANDANTE
Com intuito de caracterizar o lado da demanda (Figura 10), e na falta de mais informações, neste tópico, será
efetuada apenas uma análise intrínseca em razão da pouca base de dados, logo se recomenda a ampliação desta
amostra para que se possam gerar resultados mais conclusivos. Assim sendo é apresentado em seguida um
demonstrativo, onde são apresentados os principais demandantes de sementes florestais: 34% empresa
reflorestadora; Instituições não governamentais e viveiro se ambos com 33%.
FIGURA 10 – Perfil do consumidor de sementes
Em linhas gerais a demanda de sementes pelas instituições governamentais, privadas e não governamentais
são homogêneas, da mesma forma constatada no item tempo de aquisição de sementes/mudas, onde tecnicamente
não há uma diferença quantitativa, pois praticamente todas as opções quanto ao tempo foi de 33% (Figura 11).
FIGURA 11 – Tempo de aquisição de sementes
e / ou mudas
A atividade desenvolvida por essas instituições mesmo no caso da aquisição de sementes há um menor
tempo, sempre reflete a uma possibilidade de demandar futuramente mais sementes, por conta de parcerias
(instituições de pesquisa local) em projetos e na implementação do manejo de açaí ou recuperação de áreas
degradadas.
Neste contexto apresenta-se abaixo (Tabela 4) as espécies com maior dificuldade de aquisição de sementes
e/ou mudas, verifica-se que não há uma predominância de uma espécie, e sim uma diluição entre todas as apontadas.
TABELA 4 – Espécies de maior dificuldade de compra.
Espécie
Acapú
Cedro branco
Cedro Rosa
Cedro Vermelho
Copaíba
Ipê
Ipê amarelo
Ipê roxo
Jatobá
Mogno
Sucupira
Urucum
TOTAL
Percentual (% )
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
8,3
100,0
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Fator interessante é que 100% dos entrevistados atuam diretamente na coleta de sementes, destes a Faveira
e o Urucum foram citados, com quantitativos que variam de 48 a 1.200 kg, os preços não foram quantificados e o
principal uso dessas espécies tem fins fitoterápicos.
Uma análise detalhada sobre os volumes adquiridos, considera-se desnecessário por não ser objeto maior
deste estudo, muito embora pudesse a vir a ser relevante se associado aos níveis necessários de sementes com vistas
as principais utilizações das mesmas.
4. ANÁLISE MACRO DA ATIVIDADE NO AMAPÁ
4.1 IDENTIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS PONTOS QUE RESTRINGEM O DESENVOLVIMENTO
DO SEGMENTO.
No decorrer deste estudo tornou-se possível identificar os principais desafios do segmento de sementes de
essências florestais no Estado. A existência de áreas florestais de grande dimensão coloca a atividade com potencial
neste estado, a manipulação e venda são desafios onde se identifica fortes indicativos de informalidade causado pela
falta de incentivo, gerado inclusive pela desarticulação das Instituições. Aponta-se à seguir outros fatores de ordem
geral que comprometem o desenvolvimento da atividade, merecendo ações estratégicas visando uma mudança no seu
direcionamento.
Escassez de dados para análise mais abrangente e conclusiva sobre a atividade, considerando que muitos
entrevistados não responderam satisfatoriamente;
Ausência de políticas voltadas ao segmento;
Pouco envolvimento de comunidades;
Formação de preços imprecisa;
Desintegração entre as possibilidades de produção de sementes, mudas e a potencialidade do mercado;
Inexistência de informação de financiamentos para a atividade;
Ausência e manutenção de um banco de dados, culminando na dispersão de informações sobre o
segmento;
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5.
CONCLUSÕES
Utilizando-se como base o referido estudo, em linhas podem-se inferir as seguintes conclusões para este
segmento no Estado do Amapá.
1 - Concentração na demanda por poucas espécies, e em alguns casos diferentes da oferta atual;
2 - Impossibilidade de determinação da margem de contribuição em razão da indisponibilidade de
preços das sementes comercializadas;
3 - Atividade com suposto grau de formalização nas etapas da cadeia produtiva, porém
desarticulada;
4 - Atividade com poucos envolvidos e formação de parcerias restrita;
5- Atividade com capital humano em todos os níveis;
6 - Baixo fluxo capital intensivo na atividade, embora com suposta formalidade da atividade;
7- Aprimoramento de informações quanto ao armazenamento para fins de comercialização e
procedimentos de acondicionamento devem ser perseguidas;
8 - Necessidade de aproximação da pesquisa e novas demandas de mercado;
9 - Necessidade de investimentos em infra-estrutura e pesquisa;
10 - A demanda atual por sementes concentra-se para fins produção de mudas, com referencias a
utilização não madeireira;
11 - A oferta de sementes florestais é restringida pela carência em infra-estrutura e nas formas de
acondicionamento, mas mesmo com restrições satisfaz a demanda;
12 - Evidências que o estado importa sementes;
13 - O potencial de oferta de algumas sementes florestais é superior às demandas atuais,
considerando a concentração no mercado local.
14 - Relações comerciais difusas, em razão de coletores, comerciantes e demandantes serem os
mesmos em algumas oportunidades;
15 - Evidencias de produção de mudas exóticas.
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5.1 RECOMENDAÇÕES
1-
Desenvolvimento de trabalhos que aumentem a consciência, no Estado do Amapá, da
importância desta atividade;
2-
Ampliação do estudo para maior profundidade a cadeia produtiva de sementes como base
para o planejamento e fluxo de produção;
3-
Estudo e aplicação de técnicas que visem a melhoria no controle de qualidade da semente,
como a melhoria dos processos utilizados;
4-
Desenvolvimento de estudos que visem uma melhor adaptação da tecnologia disponível as
espécies florestais nativas;
5-
Delineamento de políticas de investimento privado e governamental, visando a formação de
mão-de-obra técnica e superior especializada, visto a carência de profissionais adequadamente
preparados para esta atividade;
6-
Integração entre instituições de fiscalização e fomento, contribuindo assim para a estruturação
de um banco de dados confiável para este segmento.
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6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ÂNGELO, H.; Comércio de madeiras tropicais: subsídios para a sustentabilidade das
florestas no Brasil. FAO/TCP/BRA/6712 – Projeto Agenda positiva para o setor florestal
doBrasil (UTF/BRA/047), Brasília, 1999 50 p.
BARBOSA, S.R. Diagnóstico da participação do sub-setor florestal na economia do Estado
do Amazonas, com base na arrecadação do ICMS.. Manaus, 1995. UTAM 41 p.
(monografia).
FONTES, R.M.O.; O estudo de mercado na elaboração de projetos.UFV, 1992.
GAMA E SILVA, Z.A.G.P.; Subsídios Técnico-econômicos para a elaboração de uma estratégia
de marketing para bens madeireiros produzidos no Estado do Acre. FUNTAC. Relatório
técnico. 1996.
GIL, A.C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo, Atlas, 1989. 159p.
GONÇALVES, S.L.F.; Estudo da cadeia produtiva no Estado do Amazonas: elementos de
reflexão. Relatório Técnico. 57 p. UFAM / 2001.
GONÇALVES, S. L. F., JANSEN, M. A., OLIVEIRA, V. S.
Gestão de recursos florestais no mundo, Brasil e Amazônia In: VI Congresso Internacional de
compensado e madeira tropical, 2003, Belem.
Anais do VI Congresso Internacional de compensado e madeira tropical. São Paulo: WR
Produções, 2003.
HUMMEL, A. C. et al. Diagnóstico do Subsetor Madeireiro do Estado do Amazonas.
Manaus, SEBRAE/AM-IMA/AM, 1994. 76p
JANSEN, M.R.A; MELO,E.H. Análise do consumo e reposição florestal obrigatória dos estoques
madeireiros do Estado do Amazonas. 2º ENCONTRO BRASILEIRO DE ECONOMIA E
PLANEJAMENTO FLORESTAL. Anais. Curitiba /1991, p. 375-392.
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ANEXOS
ANEXO I – Espécies citadas no texto
Nome popular
Nome científico
Família
Acapú
Açaí
Andiroba
Angelim
Angelim pedra
Angelim vermelho
Cajú
Cedro branco
Cedro rosa
Cedro vermelho
Copaíba
Minquartia guionenses Aubl.
Euterpe oleracea Mart.
Caropa guianensis Aubl.
Dinizia excelsa Ducke.
Andira anthelmia (Vell.) J.F.Macbr.
Dinizia excelsa Ducke.
Anacardium occidentale L.
Olacaceae
Palmae ( Arecacea)
Meliaceae
Leguminosae-Mimosadeae
Leguminosae-Papilionoideae
Leguminosae-Mimosadeae
Anacardiaceae
Cedrella fissilis Vell.
Cedrella fissilis Vell.
Copaífera langs dosfii Desf.
Meliaceae
Meliaceae
Leguminosae-Caepinoideae
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Cumarú
Cupuaçu
Graviola
Ipê
Ipê Amarelo
Ipê roxo
Jatobá
Mogno
Paliteiro
Pau mulato
Pimenta
Pupunha
Sucupira
Virola
Dipteryx alata Vogel.
Leguminosae-Papilionaideae
Annona muricata L.
Paratecoma peroba (Record & Mell) Kuhlm.
Tabebuia Alba (Cham.) Sandwith
Tabebuia avellanedae Lorentz ex Griseb
Himenaia courbaril Var. Stilbo Carpa
Swietenia macrophylla R. A. King.
Annonaceae
Bignoniaceae
Bignoniaceae
Bignoniaceae
Leguminosae-Caesalpinoidae
Meliaceae
Calycophyllum spruceanum (Benth.) Hook F. ex K.
Schinus molle L.
Bactris gasipaes Kunth
Pterogynenitens Tul.
Virola duckei A. C. Sm.
Rubiaceae
Anacardiaceae
Palmae (Arecaceae)
Leguminosae-Caesalpinoideae
Myristicaceae
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