Guia do Professor Objeto de Aprendizagem: Potencial Elétrico NOA UFPB Guia do professor Apresentação Bem vindos!!! Você está acessando o guia do professor, que contém as instruções que possibilitam tirar melhor proveito do objeto de aprendizagem (OA) “Potencial Elétrico”- instrumento construído por especialistas. Nele você encontrará informações específicas sobre uma metodologia centrada no uso do OA para o processo de construção dos conhecimentos científicos que versam sobre o a Eletrostática e a Eletrodinâmica. Esta condição é um grande desafio para todos nós (especialista, professor e aprendiz). Portanto destacamos uma série de aspectos neste guia, que possibilitam uma trilha favorável ao sucesso nesta investida. Contamos com o seu apoio e facultamos o uso integral ou parcial deste instrumento em suas atividades pedagógicas. Cordialmente Romero Tavares Coordenador do NOA I-Introdução V-Na sala do computador II-Objetivos VI-Atividades complementares III-Pré-requisitos VII-Avaliação IV-Tempo previsto para a VIII-Sugestões de leituras atividade I – Introdução A intenção deste objeto de aprendizagem é facilitar a construção dos conceitos da Física por aprendizes do ensino médio nas duas modalidades, em um curso presencial ou à distância. A metodologia desenvolvida tem como linha prioritária o construtivismo e como fundamentação para o processo de construção do conhecimento científico a teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel. Esse objeto foi elaborado na perspectiva de se apresentar como um material educacional potencialmente significativo, que pretende facilitar a aprendizagem significativa (ou aprendizagem de significados) de seus usuários a ponto de ser considerado um verdadeiro andaime cognitivo. Uma de suas potencialidades é a de ser utilizado tanto como uma etapa prévia da construção de conceitos mais gerais, na medida em que instiga os alunos a formarem seus conceitos sobre o tema considerado. Assim como na construção de conceitos mais específicos em atividades mediadas pelo professor, o que proporciona ao aprendiz um clima mais atento e receptivo ao assunto que ele irá explorar e aprofundar. Outra de suas potencialidades é um processo avaliativo congruente com a metodologia desenvolvida. O que possibilita a obtenção de dados mais realistas sobre a construção do conhecimento. Enfim trata-se de uma ferramenta de valia a favor da construção de significados. Elaborada sem perder de vista que de maneira geral as pessoas adquirem ao longo da vida a sua maneira peculiar de lidar com um conteúdo novo a ser aprendido, e cada ser humano tem o seu estilo pessoal de aprender. II-Objetivos Geral: Desenvolver a capacidade de construção e aplicabilidade dos conceitos da Física presentes no eixo temático Potencial elétrico e equipotenciais, a partir da exploração e uso do OA Potencial Elétrico. Específicos: • Compreender os conceitos da Física presentes no eixo temático Potencial Elétrico, a partir da observação e/ou leitura de materiais potencialmente significativos (mapa conceitual, texto histórico, aplicações, animação interativa, avaliação). • Aplicar os conceitos físicos da eletricidade na resolução de problemas referentes a capacidade de realizar trabalho a partir da energia potencial elétrica. • Caracterizar a partir da observação e uso de representações pictóricas construídas por especialistas na forma virtual referentes ao campo elétrico, ao potencial elétrico, linhas de força, superfícies equipotenciais o conceito de trabalho da força elétrica. • Interpretar corretamente e aplicar o Princípio da Conservação da Energia presente no funcionamento de aparatos tecnológicos elétricos e eletrônicos. • Configurar o potencial elétrico gerado por cargas elétricas puntiformes conhecendo a representação das linhas do campo elétrico ou vice-versa. III-Pré-requisitos Conceito de força e campo elétrico Conservação da carga elétrica Princípio da conservação da energia Cargas elétricas em condutores Trabalho de uma força em campos conservativos Linhas de forças do campo elétrico IV-Tempo previsto para a atividade Tema Atividade Conceito de Energia Presencial Tempo Ideal ou à 3 horas Potencial Elétrica Distância Potencial Elétrico Idem 2 horas Superfícies Idem 2 horas Energia Idem 3 horas Equipotenciais Avaliação: Potencial Elétrica e Potencial Elétrico O intervalo de tempo mínimo para execução de determinada atividade deve ser mensurado levando-se em consideração o ritmo individual de cada aprendiz e em atividades conjuntas à do grupo que a executa, e as necessidades para o sucesso da mesma. A construção do conhecimento é um processo idiossincrático. Portanto, está associado ao ritmo próprio de cada aprendiz. Se o aprendiz encontrar dificuldades na construção de um conceito, mesmo face às informações que lhes são disponibilizadas considere um intervalo de tempo extra para que possa acessar mais vezes um mesmo instrumento. Ou para descobrir outras pistas nos diversos recursos que compõe o OA. Talvez ele entenda melhor sob outro ponto de vista. Considere ainda a possibilidade de flexibilização do tempo em eventos presenciais com a mediação do professor. V- Na sala do computador Requerimentos técnicos: O OA foi desenvolvido através da plataforma Macromedia Flash Professional 8.0 e requer que o usuário disponha de um plug-in Adobe Flash Player 8.0. Este plug-in pode ser encontrado e rapidamente instalado em sua máquina a partir do site www.adobe.com. O OA foi desenvolvido para solicitar o menor recurso computacional possível, o que permite aos computadores de menor desempenho executar perfeitamente este aplicativo educacional. Preparação: O uso do OA na sala de informática segue a linha da integração virtual e tem como suporte fundamental, o uso do computador como plataforma de informação em tempo real. O ideal seria alocar no máximo dois aprendizes por máquina. Caso contrário deve-se disponibilizar a turma em frente ao computador nos limites de resolução da tela do monitor associado ao conforto visual dos aprendizes. Em caso de público maior sugerimos o uso do data-show acoplado ao computador. Durante a atividade: Este objeto foi construído vislumbrando o máximo possível à auto-explicação de forma a possibilitar ao aprendiz a autonomia necessária à construção do conhecimento com algumas variantes no processo, sem equivalência entre elas. a) Interação: aprendiz (turma) → OA → conceitos da Física b) Interação: aprendiz (turma) → OA → conceitos da Física em processo mediado pelo professor. c) Interação: grupo de estudos (aprendizes e/ou professor) com participantes distribuídos, mas interligados em rede → OA → conceitos da Física. Seria interessante, em atividades mediadas sistematizar algumas lógicas: ¾ Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e possibilidades cognitivas do aprendiz. ¾ Negociar um processo avaliativo congruente com o OA. ¾ Observar e avaliar os alunos em aprendizagem de acordo com uma abordagem formativa. ¾ Administrar a heterogeneidade cognitiva no âmbito da turma. ¾ Proporcionar um ambiente favorável ao desenvolvimento da autonomia do aprendiz que permita articular suas visões. ¾ Articular a solução de problemas com a construção dos conceitos da Física. Consideramos que a maneira de como conduzir o processo de ensino-aprendizagem influencia tanto quanto o conteúdo; fato que nos custou um intervalo de tempo extra para integrá-la na construção do OA. VI-Atividades complementares Referenciando a metodologia Ao enfocarmos a Animação atente para dois amplos domínios, que separaremos somente para efeito didático. De um lado temos os aspectos visuais, na sua qualidade de objeto que representa algo para nós, ou seja, o modelo físico, e seus componentes reproduzidos de forma a compor esquematicamente o fenômeno físico que objetivamos referenciar. Desta forma poderíamos induzir à perguntas diretamente relacionadas ao seu funcionamento (potencialidades, ação dos objetos); por exemplo: É possível realizar trabalho a partir da energia potencial elétrica? Qual a relação entre a energia potencial elétrica e o potencial elétrico? Como podemos traçar as linhas e superfícies equipotenciais de uma carga elétrica ou de um sistema discreto de partículas eletricamente carregadas? Um outro enfoque menos presente no modelo, mas decorrente do uso adequado dos dispositivos destes, seriam as possibilidades de interferirmos no modelo (ação do usuário ou interação com os dispositivos eletrônicos) de modo a obtermos outros resultados a partir de conhecimentos dos conceitos da física aplicados adequadamente. Por exemplo: O que caracteriza uma superfície equipotencial? Qual o trabalho realizado pela força elétrica sobre uma partícula eletricamente carregada que se desloca sobre a mesma? Como armazenar maior ou menor quantidade de energia elétrica a ser utilizada na realização de trabalho? O potencial elétrico pode ser considerado um campo escalar enquanto o campo elétrico um campo vetorial; a forma de operar matematicamente com uma grandeza depende de sua natureza escalar ou vetorial? Observe que estas perguntas estão também diretamente relacionadas à solução de problemas, ou seja, neste contexto como selecionar os objetos em face de sua funcionalidade de dispositivo tecnológico, entretanto, em ressonância com os conceitos da Física. Neste ponto, daremos ênfase para a mediação como forma de explicitar as propriedades físicas do conjunto, como atividade compatível com o conhecimento científico. Para saber mais Será disponibilizado no OA, um mapa conceitual construído por especialistas levandose em consideração a hierarquia dos conceitos que versam o tema “Potencial Elétrico”. Como forma de bibliografia complementar foi disponibilizado um texto: Potencial Elétrico- de onde veio e para onde foi a energia potencial elétrica. Esta abordagem traz como novidade uma referência a uma forma de tratar o trabalho de uma força elétrica a partir da utilização da energia potencial elétrica e do conceito de potencial definido em relação à mesma. Trata-se de uma forma do aprendiz iniciar uma trajetória indo além das informações da Física contidas no OA. Permitindo a elucidação de alguns aspectos que talvez possam estar ocultos nos outros instrumentos do OA. Questões para discussão Sugerimos que após as atividades de aprendizagem se envolva o aprendiz em situações de resolução de problemas que necessitem um grau maior de abstração sobre a temática. Como sugestão disponibilizamos algumas questões (desafio) que podem ser trabalhadas. Por outro lado, esta sessão visa obter indicadores que nos permitam apreciar os aspectos presentes no OA. VII- Avaliação O objeto de aprendizagem privilegia em seu processo avaliativo o exercício da cognição, a aprendizagem significativa e a habilidade do aprendiz na solução de problemas. Ressaltamos o caráter singular da sua construção, em congruência com os objetivos do OA. No que se refere ao critério adequado à construção de significados, optamos pela Taxonomia de Bloom Revisada, por ser auto-consistente com a validade do instrumento. A avaliação é de caráter formativo, flexível e dinâmica. Embora enfatize a posse dos conceitos, a sua relevância prima pela construção do conhecimento. Podendo ser considerada mais que um diagnóstico, isto é, mais uma ferramenta colaborativa no processo de ensino-aprendizagem. VIII- Sugestões de leitura - Alvarenga, B.; Máximo, A. Física de olho no mundo do Trabalho. Editora Scipione. São Paulo- SP, 2003. - Ferracini, Gerson. Aprendendo Física, Biografias, vol. 3. Editora Scipione. São PauloSP, 1996. - Figueiredo, A.; Pietro Cola M. Faces da Energia. Editora FTD. São Paulo, 1998. - Gaspar, Alberto. Física. Vol. Único. Editora Ática. São Paulo- SP, 2008. - GREF- Grupo de Reelaboração do ensino de Física, Física, v. 3. EDUSP, São Paulo – SP, 2000. - Máximo, A. R.; Alvarenga, B. A. Física vol. 3. Editora Scipione AS. São Paulo, 2008. - Nussenzveig, H. Moysés. Curso de Física. vol. 3. Edgard Blücher. São Paulo-SP, 1981. - Penteado. P. C. M. Física- Ciência e Tecnologia. Editora Moderna ltda. São Paulo, 2005. - Sampaio, José Luiz. Física vol. Único. Editora Saraiva AS, Atual, São Paulo, 2008. Questões e Desafios Objeto de Aprendizagem: Potencial Elétrico NOA UFPB O conceito de Energia Potencial é definido em geral em conexão com forças conservativas, tipo a Força Elétrica. Mas é possível associarmos a Energia Potencial Elétrica (U) em cada ponto de um campo elétrico, ao conceito de Potencial Elétrico, onde se define o Potencial Elétrico (V) em qualquer ponto de um Campo Elétrico, como a Energia Potencial Elétrica por unidade de Carga Elétrica associada a uma partícula de teste (q) colocada neste ponto. Com base nas informações contidas no texto responda as questões 1, 2, 3 e 4: 1- Podemos afirmar que o Potencial Elétrico é uma propriedade do sistema Campo Elétrico-Carga Elétrica. Sim? ou Não? Justifique sua resposta. 2- Energia Potencia Elétrica se refere a uma característica do sistema Campo ElétricoCarga Elétrica devido à interação entre o campo e uma partícula (de prova) carregada colocada no campo. Sim? ou Não? Justifique sua resposta. 3- Sabendo que Potencial Elétrico é uma medida da Energia Potencial Elétrica por unidade de Carga Elétrica, sua unidade no S.I. é joule (J) por coulomb (C) denominada volt (V). Obtenha a identidade: 1V/m = 1N/C N (newton); m (metro). 4- A análise dimensional do lado esquerdo da identidade acima mostra que a dimensão do campo elétrico tem dimensão de potencial dividido pela distância. Isto sugere que os campos potencial e elétrico estão diretamente relacionados. Sim? ou Não? Justifique sua resposta. 5- Considere a representação esquemática das linhas de campo de um campo elétrico uniforme e das superfícies equipotenciais (linhas tracejadas). Sabendo que o campo elétrico é um campo conservativo, obtenha uma expressão para o valor numérico do campo elétrico representado no diagrama. Sugestão: o valor numérico do campo elétrico gerado entre as placas da figura pode ser interpretado como a taxa de variação do potencial elétrico entre dois pontos ao longo de uma linha de campo elétrico dividido pela distância entre estes dois pontos; percorrendo uma linha de campo no mesmo sentido do vetor campo elétrico, o potencial elétrico diminui. 6- Esboce em um plano e em diagramas representativos distintos as configurações das linhas do campo elétrico gerado por cargas elétricas pontuais positiva e negativa em conjunto com as representações das superfícies equipotenciais. 7- Esboce em um plano e em diagramas representativos distintos às seções retas das superfícies equipotenciais e das linhas de campo elétrico para uma distribuição discreta de cargas elétricas puntiformes nas situações: a) b) c) d) Um dipolo elétrico Duas cargas elétricas positivas iguais significativamente espaçadas Duas cargas elétricas negativas iguais significativamente espaçadas Observando os diagramas esquemáticos obtidos nas configurações a, b e c, o que se pode concluir sobre o ângulo formado entre a direção da linha de campo e de uma linha equipotencial em cada ponto de intersessão destas. e) Comente com base na resposta anterior o fato de que o campo elétrico não pode realizar trabalho ao deslocar uma carga de teste ao longo de uma superfície equipotencial contido no mesmo. f) Sobre uma dada superfície equipotencial o potencial possui o mesmo valor em todos os seus pontos, entretanto, o que se pode afirmar sobre o módulo do campo elétrico nestes pontos? Sugestão: comente observando os diagramas esquemáticos 4.c, 7.a, 7.b e 7.c. Aplicação Objeto de Aprendizagem: Potencial Elétrico NOA UFPB Potencial Elétrico: de onde veio e para onde foi a Energia Potencial Elétrica Imagine duas situações presentes no nosso cotidiano. Na primeira, você eleva verticalmente um bloco de massa (m) até uma altura (h) nas proximidades da terra, em relação a um plano de referência horizontal (podendo ser o piso da sala de aula). Em seguida, o bloco é solto e descreve um movimento retilíneo acelerado de volta a terra. Vamos considerar que você possua o conceito físico de trabalho de uma força, e que consiga estabelecer uma relação entre o trabalho realizado para elevar o bloco até o ponto e a energia potencial gravitacional adquirida pelo bloco nesta posição. Energia que será utilizada para trazer o bloco de volta ao solo (configuração inicial). É importante ressaltar a energia potencial gravitacional como resultado da interação gravitacional (massa do bloco, campo gravitacional e posição) e destacar a energia como capacidade de realizar trabalho. Considere uma nova situação, podendo ser quando você liga uma lâmpada ou utiliza um dispositivo eletrônico ou simplesmente observa um relâmpago; evento no qual é liberada uma enorme quantidade de energia potencial elétrica. Ingrediente indispensável em nossa sociedade tecnológica. Agora vamos pensar os conceitos de trabalho e energia no contexto das interações elétricas. Para isto, imagine uma partícula com carga elétrica (q) (carga de prova) que se desloca paralela às linhas de força de um campo elétrico (E) (podendo ser visto na figura), sob a ação exclusiva da força de interação elétrica (F) que realiza o trabalho para deslocá‐la. De maneira análoga (ao campo gravitacional) este trabalho pode ser expresso em termos da variação da energia potencial elétrica adquirida pela partícula em cada ponto do campo elétrico. Onde a energia potencial elétrica da partícula pode ser descrita usando um novo conceito denominado potencial elétrico. Define‐se o potencial elétrico (V) em um ponto p do campo elétrico como sendo a energia potencial elétrica (U) adquirida pela carga de prova no ponto dividida pela carga elétrica(q) da carga de prova. Observe que assim como o campo elétrico, o potencial também é um campo e tem um valor em cada ponto do espaço (independente do valor da carga de prova colocada neste ponto). Devido a energia potencial elétrica e a carga de prova serem grandezas escalares o potencial elétrico é um campo escalar. Na primeira, você eleva verticalmente um bloco de massa (m) até uma altura (h) nas proximidades da terra, em relação a um plano de referência horizontal (podendo ser o piso da sala de aula). Em seguida, o bloco é solto e descreve um movimento retilíneo acelerado de volta a terra. Em um determinado ponto nas proximidades de uma carga puntiforme (Q), se mostra que o potencial elétrico assume valores diretamente proporcionais ao valor da carga (fonte) e inversamente proporcionais a distância (r) da carga ao ponto (atente que o potencial leva o sinal da carga, podendo ser positivo ou negativo). Para a determinação do potencial devido a uma distribuição discreta de cargas puntiformes, é preciso calcular separadamente o potencial produzido por cada uma das cargas e depois somá‐los. Com o auxílio de algumas propriedades que definiremos a seguir podemos obter representações pictóricas bastantes ricas em informações, tanto sobre o campo elétrico, assim como do potencial elétrico e da capacidade de realização de trabalho a partir da energia potencial elétrica. Inicialmente considere um campo elétrico configurado pelas suas linhas de força e uma carga de prova, se deslocando de forma que a força elétrica realize trabalho sobre a mesma. Por exemplo, a carga fonte e a carga de prova são ambas positivas. Nesta situação a força aplicada e o deslocamento podem possuir uma mesma direção e sentido. Neste caso, o trabalho realizado pela força elétrica é positivo, isto significa que ao longo desta trajetória a energia potencial elétrica da carga está diminuindo e, consequentemente o potencial elétrico. Agora vamos deslocar a carga por uma linha normal às linhas de força. Neste caso o trabalho realizado é nulo, isto significa que não há diferença de potencial entre estes pontos. De forma que, o potencial de um ponto é igual ao do outro. E podemos afirmar que percorrendo uma linha normal às linhas de força, o potencial elétrico é constante. As linhas construídas desta forma se chamam linhas equipotenciais, pois para cada ponto da mesma, o potencial elétrico é constante. Este raciocínio pode ser generalizado, lembrando que o campo elétrico ocupa um espaço tridimensional de forma que podemos escolher uma superfície que é a normal às linhas de forças do campo. Essas superfícies são chamadas superfícies equipotenciais. Potencial Elétrico: de onde veio e para onde foi a Energia Potencial Elétrica Imagine duas situações presentes no nosso cotidiano. Na primeira, você eleva verticalmente um bloco de massa (m) até uma altura (h) nas proximidades da terra, em relação a um plano de referência horizontal (podendo ser o piso da sala de aula). Em seguida, o bloco é solto e descreve um movimento retilíneo acelerado de volta a terra. Vamos considerar que você possua o conceito físico de trabalho de uma força, e que consiga estabelecer uma relação entre o trabalho realizado para elevar o bloco até o ponto e a energia potencial gravitacional adquirida pelo bloco nesta posição. Energia que será utilizada para trazer o bloco de volta ao solo (configuração inicial). É importante ressaltar a energia potencial gravitacional como resultado da interação gravitacional (massa do bloco, campo gravitacional e posição) e destacar a energia como capacidade de realizar trabalho. Considere uma nova situação, podendo ser quando você liga uma lâmpada ou utiliza um dispositivo eletrônico ou simplesmente observa um relâmpago; evento no qual é liberada uma enorme quantidade de energia potencial elétrica. Ingrediente indispensável em nossa sociedade tecnológica. Agora vamos pensar os conceitos de trabalho e energia no contexto das interações elétricas. Para isto, imagine uma partícula com carga elétrica (q) (carga de prova) que se desloca paralela às linhas de força de um campo elétrico (E) (podendo ser visto na figura), sob a ação exclusiva da força de interação elétrica (F) que realiza o trabalho para deslocá‐la De maneira análoga (ao campo gravitacional) este trabalho pode ser expresso em termos da variação da energia potencial elétrica adquirida pela partícula em cada ponto do campo elétrico. Onde a energia potencial elétrica da partícula pode ser descrita usando um novo conceito denominado potencial elétrico. Define‐se o potencial elétrico (V) em um ponto p do campo elétrico como sendo a energia potencial elétrica (U) adquirida pela carga de prova no ponto dividida pela carga elétrica(q) da carga de prova. Observe que assim como o campo elétrico, o potencial também é um campo e tem um valor em cada ponto do espaço (independente do valor da carga de prova colocada neste ponto). Devido a energia potencial elétrica e a carga de prova serem grandezas escalares o potencial elétrico é um campo escalar. Em um determinado ponto nas proximidades de uma carga puntiforme (Q) mostra‐se que o potencial elétrico assume valores diretamente proporcionais ao valor da carga (fonte) e inversamente proporcionais a distância (r) da carga ao ponto (atente que o potencial leva o sinal da carga, podendo ser positivo ou negativo). Para a determinação do potencial devido a uma distribuição discreta de cargas puntiformes, é preciso calcular separadamente o potencial produzido por cada uma das cargas e depois somá‐los. Com o auxílio de algumas propriedades que definiremos a seguir podemos obter representações pictóricas bastantes ricas em informações, tanto sobre o campo elétrico, assim como do potencial elétrico e da capacidade de realização de trabalho a partir da energia potencial elétrica. Inicialmente considere um campo elétrico configurado pelas suas linhas de força e uma carga de prova, deslocando‐se de forma que a força elétrica realize trabalho sobre a mesma. Por exemplo, a carga fonte e a carga de prova são ambas positivas. Nesta situação a força aplicada e o deslocamento podem possuir uma mesma direção e sentido. Neste caso, o trabalho realizado pela força elétrica é positivo, isto significa que ao longo desta trajetória a energia potencial elétrica da carga está diminuindo e, consequentemente o potencial elétrico. Agora vamos deslocar a carga por uma linha normal às linhas de força. Neste caso o trabalho realizado é nulo, isto significa que não há diferença de potencial entre estes pontos. De forma que, o potencial de um ponto é igual ao do outro. E podemos afirmar que percorrendo uma linha normal às linhas de força, o potencial elétrico é constante. As linhas construídas desta forma chamam‐se linhas equipotenciais, pois para cada ponto da mesma, o potencial elétrico é constante. Este raciocínio pode ser generalizado, lembrando que o campo elétrico ocupa um espaço tridimensional de forma que podemos escolher uma superfície que é a normal às linhas de forças do campo. Essas superfícies são chamadas superfícies equipotenciais. Contexto Histórico Objeto de Aprendizagem: Potencial Elétrico NOA UFPB Contração das pernas da rã A diferença de potencial elétrico (ddp), indicado por U = VB-VA, é definido pela razão entre τBA e q. O termo τBA é o trabalho da força elétrica produzida por uma partícula carregada de carga Q, que age sobre a carga q, que está imersa em seu campo elétrico, para deslocá-la de um ponto A até um ponto B. A unidade no Sistema Internacional (SI) para a diferença de potencial é a unidade de energia (Joule, cujo símbolo é J) dividida pela unidade de carga elétrica (Coulomb, cujo símbolo é C), a qual se chama de Volt, e usamos como símbolo a letra V. Esta unidade, o Volt, foi dada em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta. Alessandro Volta (1745-1827) nasceu na Itália como membro de uma família aristocrática. Como professor da Universidade de Pávia, Itália, lecionou filosofia natural, física nos dias atuais, sendo considerado o precursor do estudo moderno da eletricidade, criando a primeira pilha elétrica. Por seus trabalhos no campo da Eletricidade, o próprio Napoleão, condecorou-o com o título de conde. Alguns autores, no entanto, consideram que o estudo moderno da eletricidade iniciou-se com o biólogo italiano, professor universitário de anatomia, Luigi Galvani (1737-1797), em seus estudos com pernas de rã. Galvani suspendia pernas de rã para secar usando-se presilhas de cobre em um suporte de ferro. Quando balançadas pelo vento, as pernas contraíam-se bruscamente. Galvani pensou ter encontrado uma espécie de corrente animal, atribuindo o efeito observado à existência de corrente elétrica produzida pelas próprias pernas da rã. Volta discordou das explicações de Galvani sugerindo que as contrações eram produzidas por uma corrente elétrica, mas não originária do próprio animal. Volta esclareceu que as extremidades livres das pernas tocavam o suporte de ferro, de modo que o contato se estabelecia entre dois metais. O contato das pernas de rã com dois metais, o cobre de um lado e o ferro de outro, e substâncias ácidas do corpo da rã eram responsáveis pelo aparecimento da corrente e conseqüente contração. A partir desta descoberta, Volta criou no final do século XVIII a primeira fonte de corrente contínua, denominada de pilha de Volta, fato que o tornou celebridade e comprovou experimentalmente a sua hipótese. Referências Bibliográficas - Alvarenga, B.; Máximo, A. Curso de Física, vol. 3. Editora HARBRA. São Paulo - SP, 1994. - Ramalho Júnior, F.; Ferraro, N. R. e Soares, P. A. T. Os Fundamentos da Física, vol. 3. Editora Moderna. São Paulo- SP, 2001. - Gaspar, A. Física, vol. 3. Editora Ática. São Paulo- SP, 2000.