Economia
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O ESTADO DO MARANHAO · SÃO LUÍS, 8 de junho de 2012 - sexta-feira
Panorama
econômico
Miriam Leitão
Com Alvaro Gribel
China diferente
O
s indicadores da China ainda são exuberantes mas avisam que a economia está diferente. O país está passando por uma transição política complexa, a crise mundial está reduzindo a demanda por seus produtos, e o governo
adiou a adaptação dos bancos chineses às novas regras de controle aceitas internacionalmente. O embaixador Sérgio Amaral entende que nada disso é fratura ou ruptura, mas é uma desaceleração que afeta o Brasil.
Há algo de novo no reino dos indicadores chineses. Quando se olha
para a indústria e o comércio, por exemplo, as taxas são fortes. A indústria teve o menor crescimento dos últimos três anos em abril, mas subiu
9,3%. As vendas do varejo desaceleraram no mesmo mês, mas cresceram
14,1%. Difícil dizer que os números são ruins. Na balança comercial, no
entanto, os números começam a ficar parecidos com os de outros emergentes: nos primeiros quatro meses de 2012, as exportações cresceram
6,9% e as importações, 5,1%. No mês de abril, subiram 4,9% e 0,3%, respectivamente. Será que isso deveria ser sinal de alerta para o Brasil?
A resposta é: sem dúvida. As exportações brasileiras para a China crescem a dois dígitos há mais de dez anos. Em 2003, subiram 73%. Isso tem
impulsionado nossa economia. Até no ano da crise, em 2009, o Brasil exportou 27% a mais para a China. Em 2011, a alta foi expressiva: 43%. Nos
primeiros quatro meses foi de apenas 7,61%.
Esses números chamam atenção para o fato de que o Brasil é Chinadependente. Além de ter um comércio muito concentrado em alguns
produtos. Minério de ferro, soja e petróleo são 80% do que o Brasil vende.
O minério de ferro viveu nos últimos anos um extraordinário boom no
volume de vendas e no patamar de preços. Agora, o FMI está prevendo
redução. Os preços continuarão altos, mas em níveis decrescentes. Veja
no gráfico abaixo o quanto o Brasil foi beneficiado nos últimos anos e a
desaceleração prevista pelo Fundo.
- A economia chinesa está sofrendo dois impactos. Um da economia
mundial, que está fraca e com demanda menor. Isso significa menos consumo de produtos chineses. O outro impacto é interno. A China está fazendo uma conversão na sua economia, mais focada no mercado interno. O chinês quer melhorar de vida, quer mais salário - diz o embaixador
Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China.
Ele conta que foram feitos muitos investimentos em infraestrutura
que não se mostraram necessários. O investimento teve que ser reduzido, e ele, em parte, é que puxava o crescimento de dois dígitos. Tem havido também mais integração comercial e econômica dentro da Ásia. Eles
estão integrando suas cadeias e assim crescem juntos: China, Índia, Indonésia. Muitos produtos são às vezes apenas terminados na China.
Além do mais, conta o embaixador, a China não quer apenas produzir em série para exportar, quer inovar também. Trocar o "made in China" para o modelo de produto desenvolvido na China, reproduzindo o
caminho de outros países asiáticos, como o próprio Japão e, depois, a Coreia. Além do mais, continuar crescendo principalmente via exportações
num mundo onde tantos países desenvolvidos estão encolhendo ou estagnados é difícil:
- Mas nada disso é sinal de fratura, de ruptura do modelo econômico.
Tudo indica uma desaceleração que manterá o país crescendo entre 6%
a 8% ao ano. O Brasil será afetado porque a demanda chinesa pelos nossos produtos será menor. Não que ela vá comprar menos, mas o ritmo de
crescimento será menos intenso. Isso terá reflexo na nossa balança. Por
sorte nossa, o chinês do interior continuará migrando para as cidades,
demandando alimentos e infraestrutura.
Uma China diferente traz sempre inúmeras dúvidas no mundo. Uma
das questões é até onde o comando do Partido Comunista sobre o país
será tão incontrastável quanto tem sido. Numa sociedade mais aberta as
manifestações de pessoas que pensam de forma diferente do que o governo gostaria tendem a ser mais frequentes.
Quanto ao Brasil, deve se preparar para o novo passo chinês e o melhor é ver os próprios problemas:
- Os problemas do Brasil vêm de dentro e não de fora. Temos uma dificuldade séria de competitividade industrial que não está sendo combatida. Nossa estratégia tem sido proteger a indústria e não dar condições
para que ela consiga competir. Temos uma plataforma de produção cara no país. Isso continua, apesar da queda dos juros e da desvalorização
do real.
Que o Brasil mude, antes que a China mude demais.
Receita Federal liberará
restituição do IR para
1,844 milhão no 1º lote
Contribuintes receberão
R$ 2,4 bilhões na
restituição, que será
paga no próximo dia 15
A Receita Federal liberará hoje,
às 9h, a consulta ao primeiro lote de restituição do Imposto de
Renda declarado este ano.
Ao todo, 1,844 milhão de contribuintes que declaram o imposto neste ano, a maioria idosos, receberão R$ 2,4 bilhões na restituição, que será paga no dia 15.
No mesmo lote outros, R$ 100
milhões serão pagos referentes a
lotes residuais de 2008, 2009,
2010 e 2011. Somado a esses contribuintes, o lote irá liberar
1.885.524 declarações.
De acordo com a Receita, o lote total - R$ 2,5 bilhões - será o
maior valor da história. A consulta poderá ser feita pelo site da Receita Federal ou pelo Receitafone 146.
O dinheiro será depositado na
conta informada na declaração.
Caso não seja creditado, o contribuinte pode procurar qualquer
agência do Banco do Brasil ou ligar para a central de atendimento da Receita, nos telefones 40040001 (nas capitais), 0800-7290001 (nas demais cidades). Deficientes auditivos devem ligar para 0800-729-0088.
O dinheiro ficará disponível
para retirada durante um ano. Se
a restituição não for resgatada
nesse período, o contribuinte terá que fazer o pedido pela internet, ou diretamente no e-Cac
(centro virtual de atendimento
ao contribuinte).
BOVESPA
+3,19%
A bolsa
encerrou o dia
em 54,156
pontos
NASDAQ
+2,39%
A bolsa fechou
com a marca
de 2844,72
pontos
OURO
+0,49%
A commoditie
foi vendida a
R$ 105,52
DÓLAR
+0,49%
A moeda
americana foi
cotada em
R$ 2,0270
EURO
+0,35%
A moeda
europeia foi
cotada em
R$ 2,5297
Maranhão registrou em
maio o metro quadrado
mais caro do Nordeste
Estado mantém-se na primeira colocação no custo médio da construção, de
R$ 831,66, valor superior às médias da região (R$ 782,01) e do Brasil (R$ 830,28)
Arquivo
O
Maranhão mantém-se
na primeira colocação ao
registrar no mês passado
o metro quadrado mais caro da
Região Nordeste. De acordo com
dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), o
custo médio da construção no
estado chegou a R$ 831,66 em
maio, valor superior às médias da
própria região (R$782,01) e do
Brasil (830,28).
Este ano, o custo médio da
construção por metro quadrado
no Maranhão iniciou-se em janeiro no valor de R$ 820,67 e desde então aumentou em R$ 10,99,
alcançando em maio R$ 831,66.
Custo que supera os de estados
bem mais desenvolvidos como
Minas Gerais (R$ 786,63) e Rio
Grande do Sul (R$ 792,12).
No mês passado, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE em convênio com a Caixa Econômica
Federal, variou apenas 0,03% no
estado. No ano, a taxa estadual
está acumulada em 1,38%.
Acumulado - No Brasil, o Sinapi apresentou variação de 0,66%
em maio, pouco acima do resultado de 0,64% de abril. Considerando os meses de janeiro a maio
de 2012, a alta está em 2,55%, enquanto para o mesmo período
do ano passado havia ficado em
3,20%. O resultado dos últimos
12 meses situou-se em 4,98%,
abaixo dos 5,86% registrados nos
12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2011, a taxa
havia ficado em 1,50%.
De acordo com a pesquisa do
Operário da construção civil trabalha em obra; custo do metro quadrado no Maranhão é o mais alto do NE
IBGE, por causa da pressão exercida pelo reajuste salarial decorrente de acordo coletivo, São Paulo registrou a maior taxa mensal.
Em maio, a variação foi de 2,58%.
A Região Sudeste, com alta de
1,41%, registrou a maior taxa regional em maio, pressionada pelo reajuste salarial de São Paulo.
As demais regiões apresentaram
os seguintes resultados: 0,44%
(Sul); 0,23% (Norte); 0,08% (Centro-Oeste) e 0,07% (Nordeste).
A Região Sudeste também se
destacou em relação ao acumulado em 2012, apresentando a
maior taxa no ano, 3,85%. Porém, no acumulado dos últimos
12 meses, a Região Sul registrou
a maior variação, 6,50%.
O Sinapi
Números
R$
831,66
Foi o valor do custo médio
da construção por metro
quadrado no Maranhão
registrado no mês passado
1,38%
É a variação acumulada de
janeiro a maio deste ano no
custo da construção no
Maranhão, segundo o Sinapi
- O Sinapi é um sistema de pesquisa feita pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal. Foi criado em 1969 para
o setor de habitação, e em 1997
para o de saneamento e infraestrutura.
- Para realizar o estudo, o IBGE
analisa mensalmente preços de
materiais e equipamentos de
construção, bem como os salários das categorias profissionais
em estabelecimentos comerciais, industriais e sindicatos da
construção civil, em todas as capitais dos estados.
Potencial para a produção de mel
no Maranhão atrai investidores
Empresas Parodi Apicultura e Cearapi pretendem instalar um Entreposto de Mel nas
regiões do Alto Turi e Gurupi, responsáveis por cerca de 70% da produção de mel do estado
O potencial dos cinco biomas
existentes no Maranhão que possibilita a produção de mel durante todo o ano está atraindo empresários interessados em investir na extração do produto no estado. Dario Chiachiarini, gerente da empresa argentina Parodi
Apicultura e Aglayrton Câmara,
da Cearapi, estiveram reunidos,
quarta-feira, com o secretário de
Agricultura, Pecuária e Pesca,
Cláudio Azevedo, para discutir a
instalação de um Entreposto de
Mel da empresa Parodi nas regiões do Alto Turi e Gurupi, responsáveis por cerca de 70% da
produção de mel do estado.
A Prodapys, empresa exportadora de mel de Santa Catarina,
também aposta na produção de
mel do Maranhão e está construindo uma unidade da empresa em Santa Luzia do Paruá.
No caso da região do Alto Turi, o pasto apícola é explorado no
período de junho a setembro. Na
área dos mangues a apicultura
migratória acontece nos meses
de setembro a dezembro.
Eucalipto - Outra alternativa
que está sendo utilizada pelos
apicultores do Maranhão e de
outros estados é a produção de
mel em plantios de eucalipto. No
povoado Alto Brasil, município
de Grajaú, por exemplo, já existem cerca de 10 mil colmeias instaladas em 35 mil hectares de
plantios de eucalipto. A estimativa é de que, com a estiagem
que está ocorrendo com maior
intensidade nos outros estados
do Nordeste, seja triplicada a
produção de mel no Maranhão.
"Cerca de 50 mil colmeias foram instaladas este ano no Maranhão por apicultores da Bahia,
Arquivo
Bebedouro
Com o produtor de mel do município de Maracaçumé, Rolf
Benkert, Euler Tenório foi o autor do invento do aparelho "Bebedouro Inteligente", apresentado recentemente no 19º Congresso de Apicultura e Meliponicultura de Gramado/RS.
Apicultor mostra criatório de abelhas; setor tem potencial no estado
Ceará, Piauí e Pernambuco", informou o representante da Cearapi, Aglayrton Câmara.
Previsão - A previsão é de que
seja acrescentada uma produção de cerca de 3.600 toneladas
à produção autal do Maranhão,
que é de 1.800 toneladas. "Vamos atingir essa produção caso
não ocorra nenhum problema
de seca e as condições das floradas permaneçam boas", alertou
o consultor do Sebrae e apicultor, Euler Gomes Tenório, que
também participou da reunião.
Vale ressaltar que nos anos de
2003 e 2004, o Maranhão produzia aproximadamente 300 toneladas de mel.
O secretário afirmou que o
governo estadual incentiva as
empresas que ajudam no desenvolvimento do Maranhão e citou
o Programa ProMaranhão, que
concede incentivos fiscais para
empresas que desejam se insta-
lar aqui, como uma das ações de
apoio a esses empresários. "Nós
também vamos apoiar mais a
iniciativa empreendedora, trabalhando a capacitação de produtores de mel e de produtores
de abelha rainha", assinalou.
A empresa Parodi Apicultura,
que está realizando uma fusão
com a empresa Cearapi, inicialmente está viabilizando a instalação de uma unidade de extração móvel de mel. "O envolvimento social da apicultura é
muito grande. Nós trabalhamos
na Região Nordeste e exportamos nosso mel para os Estados
Unidos e Europa. Queremos investir no Maranhão, que tem potencial muito grande para a exploração do mel", ressaltou Dario Chiachiarini.
Certificação - O representante
da Cearapi, Aglayrton Câmara,
explicou que desde 2004 produz
mel no Maranhão e que um dos
O aparelho de transferência de
tecnologia foi bastante elogiado pelos participantes do congresso e tem como objetivo o
fornecimento de água para as
abelhas no período de poucos
recursos hídricos com boa relação custo-benefício.
grandes problemas do estado é
a falta de certificação do produto. "A Parodi já possui essa certificação e isso vai proporcionar
uma estrutura melhor para os
apicultores maranhenses, que
irão crescer junto com a nossa
empresa", ressaltou.
Euler Gomes Tenório informou que no Maranhão somente uma empresa de São Luís
tem certificação do Serviço de
Inspeção Municipal (SIM), mas
só pode comercializar na Ilha
de São Luís. "Falta empreendedorismo dos apicultores maranhenses. Atualmente o que
acontece é que eles vendem para empresas de fora que comercializam esse mel, o que não gera nenhuma receita para o Maranhão. Com a certificação do
mel do Maranhão, os apicultores poderiam vender diretamente para outros estados e países,
pois 90% do mel produzido no
Brasil é exportado", alertou.
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