Avaliação experimental do perfil de consumo de energia de veículos eléctricos Jorge Lucas Cordeiro Alves Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Mecânica Júri Presidente: Professor Mário Manuel Gonçalves da Costa Orientador: Doutor Gonçalo Nuno Antunes Gonçalves Co-orientador: Doutor Gonçalo Nuno de Oliveira Duarte Vogal: Professor Luís Alberto Gonçalves de Sousa Outubro 2013 Agradecimentos Antes de mais gostaria de agradecer aos Doutores Gonçalo Gonçalves e Gonçalo Duarte, por toda a ajuda, disponibilidade e conhecimento transmitido no decorrer desta tese. Agradeço também à restante equipa do departamento de transportes, energia e ambiente, pela ajuda proporcionada em inúmeras situações. Não posso deixar de agradecer a cedência de todos os veículos eléctricos indispensáveis ao desenvolvimento desta tese. Expresso a minha gratidão à empresa Emel por conceder o uso do Nissan Leaf, à empresa Prio.e por conceder o uso do Smart ED e em especial a Paulo Cordeiro da empresa Ecocritério pela cedência dos quadriciclos, Reva i e Estrima Biró. Por último gostaria de agradecer a toda a minha família e amigos o suporte demonstrado ao longo de todo o meu percurso académico. i ii Resumo O sector dos transportes enfrenta actualmente desafios crescentes em termos de consumo de energia, emissões e congestionamento. Uma das possibilidades passa por alterar a tecnologia dos veículos, sendo que os veículos eléctricos, pela sua eficiência e redução de emissão de poluentes, são considerados uma boa alternativa em contexto urbano. Admitindo a mobilidade eléctrica como alternativa viável às tecnologias actuais, é essencial caracterizar esta classe do ponto de vista energético. Assim, nesta tese, foram criadas metodologias com o objectivo de caracterizar energeticamente veículos eléctricos. Numa primeira fase, foi medido experimentalmente o consumo eléctrico em função das condições de utilização de um grupo de três quadriciclos eléctricos (Toyota COMS, Estrima Biró e Mahindra Reva), tendo sido efectuadas monitorizações em estrada, que consistem no registo do consumo eléctrico directo dos terminais da bateria em paralelo com o registo da dinâmica a que o veículo é sujeito (velocidade e declive). A aplicação desta metodologia a três quadriciclos eléctricos em cinco circuitos distintos compreende erros relativos de -8,1% a 10,3%, com uma média total de -2,8%. Numa segunda fase, foi desenvolvida uma metodologia que permite medir também o consumo eléctrico em função da dinâmica do veículo, mas a partir do integral de consumo por viagem, ou seja a partir dos registos de carregamento. A resolução desta metodologia passa por um sistema de equações que é baseado em padrões de consumo de veículos eléctricos, estes padrões são retirados directamente dos registos de consumo obtidos experimentalmente para os quadriciclos eléctricos. Por fim é aplicada esta mesma análise numérica de base experimental a dois veículos ligeiros, o Nissan Leaf e o Smart ED. Estes resultados tem precisões idênticas aos resultados experimentais obtidos para os quadriciclos eléctricos. A aplicação deste modelo a dois ligeiros eléctricos em três circuitos distintos compreende erros relativos de -6,3% a 11,4%, com uma média total de 3,6%. Palavras-Chave: veículos eléctricos, Vehicle Specific Power, quadriciclos eléctricos, modelação de consumo, Monitorização de veículos em estrada, mobilidade urbana. iii iv Abstract The modern transport sector faces growing challenges, in terms of energy consumption and pollutant emissions. One of the possibilities involves changing vehicle technology, with electric vehicles known for its efficiency and reduced emissions, they are considered as a good alternative for urban mobility. Assuming electric mobility as a viable alternative to conventional technologies, it is essential to characterize these vehicles in terms of energy. Hence this thesis consists of two different approaches in order to characterize battery electric road vehicles. Initially, the vehicle’s electrical consumption was experimentally measured simultaneously with vehicle dynamics, this measurement was made by monitoring the battery terminals in parallel with vehicle dynamics (velocity and slope) during a series of trips. A group of three electric quadricycles (Toyota COMS, Estrima Biró and Mahindra Reva) were subjected to this on-board monitoring due to the easy accessibility to the battery compartment. The error associated with overall consumption estimations applied to 15 different trips is between -8.1% and 10.3% with a mean error of -2.8%. In a second step, a methodology to define the electrical consumption as a function of the vehicle dynamics was developed, although this time it relies only on the charging data per trip, instead of the direct on-board measurement of the battery. The solution for this method involves a system of equations that is based on common electrical consumption patterns, as these patterns were defined using the data already obtained experimentally for the electric quadricycles. This numerical methodology of experimental basis was then applied to two full size vehicles, the Nissan Leaf and the Smart ED. The results obtained have similar accuracy and precision when compared with the purely experimental results obtained for the electric quadricycles. The error related with overall consumption estimations by applying this model to 3 vehicles on 3 different trips is between 6.3% and 11.4% with a mean error of 3.6%. Keywords: electric vehicles, Vehicle Specific Power, electric quadricycles, modeling of electric consumption, on-road vehicle monitoring, urban mobility. v vi Índice 1. 2. 3. Introdução e Objectivos .............................................................................................................................. 1 1.1. Introdução ............................................................................................................................... 1 1.2. Estado da arte.......................................................................................................................... 4 1.3. Objectivos ................................................................................................................................ 7 1.4. Estrutura da Tese..................................................................................................................... 8 Conceitos .......................................................................................................................................................... 8 2.1. Definição das tipologias de EVs ............................................................................................... 8 2.2. Arquitectura dos veículos eléctricos (EVs) ............................................................................ 11 2.3. Características do motor ....................................................................................................... 14 2.4. Regeneração .......................................................................................................................... 16 2.5. Baterias .................................................................................................................................. 17 Metodologias de caracterização de veículos .................................................................................... 19 3.1. Laboratório portátil ............................................................................................................... 19 3.2. Veículos caracterizados ......................................................................................................... 23 3.3. Ciclos de condução ................................................................................................................ 23 3.4. Tratamento dos dados experimentais .................................................................................. 26 3.5. Metodologia VSP ................................................................................................................... 29 3.5.1. Definição ........................................................................................................................ 29 3.5.2. Adaptação da metodologia VSP à classe de quadriciclos eléctricos (L6e e L7e) ........... 31 3.6. 4. Resultados .................................................................................................................................................... 39 4.1. 6. Caracterização experimental ................................................................................................. 39 4.1.1. Quadriciclos leves .......................................................................................................... 39 4.1.2. Quadriciclos pesados ..................................................................................................... 46 4.2. 5. Estimativa de consumo a partir dos dados de abastecimento e dinâmica ........................... 38 Consumos com base em dados de carregamento ................................................................ 49 4.2.1. Parâmetros-chave necessários ao desenvolvimento .................................................... 51 4.2.2. Formulação final ............................................................................................................ 55 4.2.3. Análise de sensibilidade ................................................................................................ 59 Aplicação ....................................................................................................................................................... 66 5.1. Quadriciclos ........................................................................................................................... 66 5.2. Ligeiros .................................................................................................................................. 68 Conclusões .................................................................................................................................................... 76 Referências............................................................................................................................................................ 78 vii Anexos ......................................................................................................................................................................... i A. Expressões de cálculo dos coeficientes da curva de consumo em função da potência específica.................................................................................................................................................................... i B. Distribuição temporal detalhada por modo VSP, dos vários circuitos efectuados ............... v C. Especificações técnicas dos veículos medidos ................................................................................ viii D. Detalhes dos circuitos percorridos..................................................................................................... xiii E. Dados de consumo normalizados para os quadriciclos .............................................................. xvi F. Distribuição do consumo eléctrico em 14 modos de potência específica (Smart ED) ...xviii viii Lista de Figuras Figura 1 – Distribuição do consumo energético global do sector dos transportes (1) ........................... 1 Figura 2 – Distribuição por modo em função do tempo para transporte de passageiros (EU-27) (Esquerda) Distribuição por modo em função do tempo para transporte de mercadorias (EU-27) (Direita).................................................................................................................................................... 2 Figura 3 – Gráficos de descarga (corrente vs consumo) para várias classes de baterias, sendo o gráfico da esquerda referente a uma condução económica e o da direita referente a uma condução agressiva ................................................................................................................................................................. 5 Figura 4 – Gráficos de descarga (corrente vs consumo) para várias classes de baterias, sendo o gráfico da esquerda referente a descargas num clima quente e o da direita referente a descargas num clima frio ........................................................................................................................................................... 6 Figura 5 – Exemplo de quadriciclo ligeiro eléctrico , Estrima Biró .......................................................... 9 Figura 6 – Exemplo de quadriciclo pesado eléctrico, Reva i ................................................................... 9 Figura 7 – Exemplo de veículo ligeiro de passageiros eléctricos, Nissan Leaf, modelo idêntico ao medido (13) ........................................................................................................................................... 10 Figura 8 – Exemplo de veículo ligeiro de passageiros eléctricos, Smart Eléctrica Drive, modelo idêntico ao medido.............................................................................................................................................. 10 Figura 9 – Corte lateral de um Nissan Leaf (13) .................................................................................... 11 Figura 10 – Posição do conjunto de baterias numa vista em corte de um Nissan Leaf (13)................. 11 Figura 11 – Detalhe da secção frontal do Nissan Leaf, onde se encontra o sistema de propulsão (23) ............................................................................................................................................................... 12 Figura 12 – Vista em corte de motor eléctrico in-wheel Fonte: Michelin............................................. 13 Figura 13 – Curva de eficiência em função da velocidade de rotação e binário ao veio de um motor DC “WarP 8” do fabricante NetGain Motors (14) ................................................................................. 14 Figura 14 – Curva de potência e binário do quadriciclo Reva i ............................................................. 15 Figura 15 – Mapas de eficiência de um motor eléctrico Leroy-Somer TRA 240 de indução (10) (esquerda) e de um motor síncrono (13) (direita) ................................................................................ 16 Figura 16 – Esquema do pedal de travão (esquerda) e gráfico de distribuição da travagem regenerativa/mecânica em função da velocidade do veiculo (10) (direita) ......................................... 17 Figura 17 - Evolução da Energia especifica dos vários tipos de bateria em função da potência específica exigida (15) ........................................................................................................................... 18 Figura 18 – Terminais do conjunto de baterias do Biró Caracterizado ................................................. 19 Figura 19 – Pinça Amperimétrica ligada ao terminal negativo da bateria do Reva i ............................ 20 Figura 20 – Unidade GPS Garmin GPS 76CSX usada durante os ensaios .............................................. 20 Figura 21 – Medidor de energia ............................................................................................................ 21 Figura 22 – Esquema energético de um veículo eléctrico ..................................................................... 22 Figura 23 – Variação de altitude durante um ensaio (esquerda) e Percurso IST/Av. Liberdade (direita) ............................................................................................................................................................... 24 Figura 24 – amostra da curva de velocidade e aceleração medida durante um ensaio ....................... 24 Figura 25 – Gráfico de velocidade em função do tempo recolhidos pelo sensor, GPS e GPS corrigido 26 Figura 26 – Suavização da curva de velocidade obtida com uma unidade de GPS a bordo do veículo 27 Figura 27 – Gráfico de potência (eléctrica e dinâmica) em função do tempo ...................................... 27 Figura 28 - Amostra de altitude em função da distância ...................................................................... 28 ix Figura 29 – Estimativa da área frontal do quadriciclo Toyota COMS (esquerda) e do Biró (direita), com recurso a um software próprio: Image Meter ...................................................................................... 32 Figura 30 – Estimativa da área frontal do quadriciclo Reva i ................................................................ 33 Figura 31 – Gráfico de potência eléctrica (de regeneração) em função da classe VSP, do quadriciclo Reva i ..................................................................................................................................................... 36 Figura 32 – Gráfico de potência eléctrica (de regeneração) em função da classe VSP, do quadriciclo Biró ........................................................................................................................................................ 36 Figura 33 – Gráfico de potência eléctrica (de regeneração) em função da classe VSP, do quadriciclo COMS ..................................................................................................................................................... 36 Figura 34 – Potência de carregamento do quadriciclo Biró em função do tempo ............................... 40 Figura 35 – Distribuição do nº de pontos medidos em função do modo VSP do quadriciclo Estrima Biró ........................................................................................................................................................ 41 Figura 36 – Gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP do quadriciclo Estrima Biró ........ 42 Figura 37 – Distribuição do nº de pontos medidos em função do modo VSP do quadriciclo Toyota COMS ..................................................................................................................................................... 44 Figura 38 – Gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP do quadriciclo Toyota COMS ..... 44 Figura 39 – Comparação de consumo eléctrico dos quadriciclos ligeiros caracterizados .................... 45 Figura 40 – Distribuição do nº de pontos medidos em função do modo de VSP do quadriciclo Mahindra Reva i .................................................................................................................................... 47 Figura 41 – Gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP do quadriciclo Mahindra Reva i . 47 Figura 42 – Comparação de consumo eléctrico dos quadriciclos ligeiros caracterizados .................... 48 Figura 43 – Gráfico de consumo eléctrico normalizado em função da potência específica normalizada, para os veículos medidos seguindo a metodologia VSP adaptada ....................................................... 49 Figura 44 – Gráfico de eficiência em função da potência específica normalizada, dos quadriciclos medidos ................................................................................................................................................. 50 Figura 45 – Dispersão dos registos de eficiência de regeneração em função da potência específica dos quadriciclos Reva i e COMS ................................................................................................................... 51 Figura 46 – Dispersão dos registos de consumo normalizados em função da potência específica dos vários veículos medidos ........................................................................................................................ 52 Figura 47 – Interpolação dos registos de consumo eléctrico em função da potência específica, para uma gama de potências negativa a partir de -2,5W/kg ........................................................................ 52 Figura 48 – Interpolação dos registos de consumo eléctrico em função da potência, para uma gama de potências negativa e próxima de 0W/kg.......................................................................................... 53 Figura 49 – Consumo eléctrico em função da potência específica dos quadriciclos medidos ............. 53 Figura 50 – Interpolação dos registos de consumo em função da potência específica ........................ 54 Figura 51 – Interpolação dos registos de consumo eléctrico em função da potência, para uma gama de potências positiva e próxima de 0W/kg ........................................................................................... 54 Figura 52 – Gráfico de consumo em função da potência específica do quadriciclo COMS .................. 62 Figura 53 – Gráfico de consumo em função da potência específica do quadriciclo Biró...................... 63 Figura 54 – Gráfico de consumo em função da potência específica do quadriciclo Reva i .................. 63 Figura 55 – Dispersão dos registos de consumo eléctrico em função do consumo estimado para o quadriciclo COMS, interpolação destes mesmos registos, representada por uma recta de cor preta 64 Figura 56 – Dispersão dos registos de consumo eléctrico em função do consumo estimado para o quadriciclo Biró, interpolação destes mesmos registos, representada por uma recta de cor preta .... 65 x Figura 57 – Dispersão dos registos de consumo eléctrico em função do consumo estimado para o quadriciclo Mahindra Reva i, interpolação destes mesmos registos, representada por uma recta de cor preta ................................................................................................................................................ 65 Figura 58 – Distribuição VSP do circuito 4 efectuado com o quadriciclo Biró ...................................... 66 Figura 59 – Distribuição VSP do circuito 1 efectuado com o quadriciclo Toyota COMS ....................... 67 Figura 60 – Distribuição temporal por modo VSP dos ensaios realizados com o Nissan Leaf .............. 69 Figura 61 – Gráfico de consumo eléctrico das baterias em função da potência específica, para o veículo eléctrico Nissan Leaf ................................................................................................................. 70 Figura 62 – Consumo eléctrico das baterias em função do modo VSP, do Nissan Leaf (distribuição por 14 modos).............................................................................................................................................. 71 Figura 63 – Distribuição temporal dos registos obtidos por modo VSP, dados relativos ao veículo ligeiro Smart ED ..................................................................................................................................... 72 Figura 64 – Gráfico de consumo eléctrico das baterias em função da potência específica, para o veículo ligeiro Smart ED ........................................................................................................................ 74 Figura 65 – Reva i .................................................................................................................................. viii Figura 66 – Toyota COMS ........................................................................................................................ ix Figura 67 – Estrima Biró ........................................................................................................................... x Figura 68 – Nissan Leaf ............................................................................................................................ xi Figura 69 – Smart electric drive.............................................................................................................. xii Figura 70 – Consumo eléctrico por modo VSP, do Smart ED (distribuição em 14 modos) ................. xviii xi xii Lista de Tabelas Tabela 1 – Resultados de uma análise aos poluentes emitidos por diversas tecnologias de mobilidade, dados extraídos do artigo publicado por MacHaris et al. (7) .................................................................. 4 Tabela 2 – Resultados de uma análise financeira a diversas tecnologias de mobilidade, dados extraídos do artigo publicado por MacHaris et al. (7)............................................................................. 4 Tabela 3 – Síntese dos resultados apresentados no artigo realizado por Bert Van Wee et al. (8) ......... 5 Tabela 4 – Características das tecnologias de baterias mais usuais em EVs (15) ................................. 18 Tabela 5 – Características relevantes à aplicação das metodologias propostas................................... 23 Tabela 6 – Descrição dos circuitos realizados para monitorização do quadriciclo Estrima Biró .......... 25 Tabela 7 – Descrição dos circuitos realizados para monitorização do quadriciclo Toyota COMS ........ 25 Tabela 8 – Descrição dos circuitos realizados para monitorização do quadriciclo Mahindra Reva i .... 25 Tabela 9 – Diferença média de velocidade entre a unidade GPS e o sensor de velocidade em função do atraso................................................................................................................................................ 26 Tabela 10 – Distribuição VSP em 14 modos .......................................................................................... 29 Tabela 11 – Coeficiente aerodinâmico dos veículos medidos .............................................................. 32 Tabela 12 – Coeficiente de resistência ao rolamento dos veículos medidos........................................ 33 Tabela 13 – Distribuição VSP em classes de uma unidade .................................................................... 34 Tabela 14 – Dados relativos à definição do limite superior das classes VSP aplicadas aos quadriciclos ensaiados ............................................................................................................................................... 35 Tabela 15 – Desvio padrão dos registos de consumo medidos em função da potência específica máxima .................................................................................................................................................. 35 Tabela 16 – Dados relativos à definição do limite superior das classes VSP aplicadas aos quadriciclos ............................................................................................................................................................... 37 Tabela 17 – Desvio padrão dos registos de consumo medidos em função da potência específica mínima................................................................................................................................................... 37 Tabela 18 – Coeficientes da equação VSP em função da classe de veículo .......................................... 38 Tabela 19 – Registos de consumos energéticos relativos aos circuitos realizados com o quadriciclo Estrima Biró ........................................................................................................................................... 39 Tabela 20 – Registo de consumos à rede e eficiência de carga/descarga do quadriciclo Estrima Biró 39 Tabela 21 – Resultados das medições a jusante do carregador durante um carregamento do quadriciclo Biró...................................................................................................................................... 40 Tabela 22 – Tempo decorrido, consumo eléctrico e desvio padrão desse consumo em função do modo VSP do quadriciclo Estrima Biró .................................................................................................. 42 Tabela 23 - Registos de consumos energéticos relativos aos circuitos realizados com o quadriciclo Toyota COMS ......................................................................................................................................... 43 Tabela 24 – Estimativa de consumo à rede do quadriciclo Toyota COMS ............................................ 43 Tabela 25 – Tempo decorrido, consumo eléctrico e desvio padrão desse consumo em função do modo VSP do quadriciclo Toyota COMS ............................................................................................... 45 Tabela 26 – Registos de consumos energéticos relativos aos circuitos realizados com o Reva i ......... 46 Tabela 27 – Estimativa de consumo à rede do quadriciclo Reva i ........................................................ 46 Tabela 28 – Tempo decorrido, consumo eléctrico e desvio padrão desse consumo em função do modo VSP do quadriciclo Mahindra Reva i ........................................................................................... 48 xiii Tabela 29 – Relação da derivada à esquerda e direita de 0W/kg do sistema de equações que define o consumo eléctrico em função da potência específica com base em registos experimentais de quadriciclos ........................................................................................................................................... 55 Tabela 30 – Sistema de equações de consumo em função da potência específica .............................. 55 Tabela 31 – Eficiência de carga e descarga em função do tipo de baterias .......................................... 56 Tabela 32 – Condições impostas ao sistema de equações que define consumo em função da potência específica ............................................................................................................................................... 57 Tabela 33 – Consumo base em função do tipo de veículo .................................................................... 57 Tabela 34 – Eficiência máxima em função do tipo de motor ................................................................ 57 Tabela 35 – Características dos circuitos medidos pelo quadriciclo Toyota COMS .............................. 60 Tabela 36 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Toyota COMS ......................................................................................................................................... 60 Tabela 37 – Características dos circuitos medidos pelo quadriciclo Estrima Biró ................................ 61 Tabela 38 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Estrima Biró ........................................................................................................................................... 61 Tabela 39 – Características dos circuitos medidos pelo quadriciclo Mahindra Reva i .......................... 61 Tabela 40 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Mahindra Reva i .................................................................................................................................... 62 Tabela 41 – Resumo de algumas características das viagens seleccionadas para aplicação dos registos de consumo ........................................................................................................................................... 66 Tabela 42 – Estimativa da energia eléctrica usada para efectuar a viagem 1 ...................................... 67 Tabela 43 – Estimativa da energia eléctrica usada para efectuar a viagem 2 ...................................... 67 Tabela 44 – Descrição dos circuitos efectuados com o Nissan Leaf, e consumo a eles associado ....... 68 Tabela 45 – Estimativa de consumo líquido de bateria do Nissan Leaf por circuito............................. 68 Tabela 46 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Nissan Leaf em função do conjunto de viagens usadas na aplicação da metodologia ......................... 69 Tabela 47 – Definição das equações de consumo para veículos eléctricos .......................................... 70 Tabela 48 – Diferença de consumo eléctrico entre o registo experimental de viagens não utilizadas para obter a curva de consumo e o valor estimado pela metodologia - dados do Nissan Leaf ........... 71 Tabela 49 – Consumo eléctrico em função do modo VSP, do Nissan Leaf (distribuição por 14 modos) ............................................................................................................................................................... 71 Tabela 50 – Descrição dos circuitos efectuados com o Smart ED, e consumo a eles associado .......... 72 Tabela 51 – Estimativa de consumo líquido de bateria do Smart ED por circuito ................................ 72 Tabela 52 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Smart ED em função do conjunto de viagens usadas na aplicação da metodologia ............................ 73 Tabela 53 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Smart ED em função do conjunto de viagens usadas na aplicação da metodologia, sem a viagem 1 . 73 Tabela 54 – Definição das equações de consumo para veículos eléctricos .......................................... 73 Tabela 55 – Diferença de consumo eléctrico entre o registo experimental o valor estimado pela metodologia, dados relativos ao Smart ED ........................................................................................... 74 Tabela 56 – Dados do quadriciclo Reva, relativos ao gráfico da figura 44 ............................................ xvi Tabela 57 – Dados do quadriciclo Biró, relativos ao gráfico da figura 44 ............................................. xvi Tabela 58 – Dados do quadriciclo Toyota COMS, relativos ao gráfico da figura 44............................. xvii Tabela 59 – Eficiência em função do Modo VSP dos quadriciclos monitorizados, dados da figura 45 xvii Tabela 60 – Consumo eléctrico por modo VSP, do Smart ED (distribuição em 14 modos) ................ xviii xiv Lista de abreviaturas ED Electric Drive EV Electric Vehicle GPS Global Positioning System HEV Hybrid Electric Vehicle PHEV Plug-in Hybrid Electric Vehicle VAL Valor actual líquido VSP Vehicle Specific Power xv xvi 1. Introdução e Objectivos 1.1. Introdução Actualmente as crescentes necessidades globais de energia estão inevitavelmente associadas ao acréscimo de emissões de poluentes e custos inerentes, sendo o sector dos transportes um dos principais responsáveis por estas necessidades globais, representando cerca de 30% do consumo global de energia e 60% do consumo de petróleo (1). Destes valores pode-se ainda destacar o sector rodoviário, que do total do consumo do sector dos transportes, é responsável por cerca de 80% dos gastos energéticos (Figura 1). Figura 1 – Distribuição do consumo energético global do sector dos transportes (1) Estes números pressionam o sector dos transportes, em particular dos transportes rodoviários a uma redução de consumos e emissões, muito por influência do custo energético actual e das restrições impostas na União Europeia e Estados Unidos no sentido de cumprir normas relativas à emissão de CO2 e poluentes (2). Por outro lado, a crescente necessidade de mobilidade do panorama actual, exige cada vez mais deste sector, como se pode perceber pelo incremento de distância percorrida ano após anos na Europa especialmente pelo sector rodoviário, ilustrado na Figura 2 (3): 1 Figura 2 – Distribuição por modo em função do tempo para transporte de passageiros (EU-27) (Esquerda) Distribuição por modo em função do tempo para transporte de mercadorias (EU-27) (Direita) Por estes motivos têm sido desenvolvidas soluções que vão de encontro às necessidades actuais de mobilidade e de redução do consumo energético, procurando simultaneamente preencher os padrões necessários exigidos pelo sector. Para colmatar o problema, desenvolvem-se cada vez mais tecnologias alternativas, como veículos híbridos, híbridos “Plug-in”, eléctricos com célula de combustível, eléctricos com bateria (4), (5). Os veículos híbridos (HEV) têm como vantagens, relativamente aos veículos convencionais, menor produção de emissões poluentes locais, tal como um consumo ligeiramente inferior. Sendo esta a principal solução alternativa adoptada pela indústria automóvel são produzidos numa escala superior quando comparados com outras soluções. Consequentemente, o custo de aquisição dos mesmos é inferior a outras alternativas (5). O passo seguinte, passa naturalmente pelos veículos híbridos “plug-in” (PHEV). Estes usam a tecnologia já conhecida dos híbridos eléctricos convencionais, no entanto a autonomia eléctrica é bastante superior, superando assim as vantagens do híbrido convencional. A capacidade das baterias do veículo é superior e proporciona um modo de condução exclusivamente eléctrico, garantindo emissões nulas em situações pontuais. Apesar de esta tecnologia apresentar 2 vantagens significativas relativamente aos híbridos convencionais, o acréscimo da capacidade das baterias e a imaturidade desta tecnologia, reflecte-se no custo dos mesmos. Tendo em consideração as vantagens e desvantagens de cada tecnologia, o veículo eléctrico (EV) é o que geralmente apresenta eficiências energéticas superiores para além de que, localmente, não emite qualquer tipo de poluente (as emissões globais dependem do “mix” energético nacional). Isto faz do veículo eléctrico uma solução muito interessante a nível ambiental, com reflexos na saúde humana. No entanto a imposição de autonomias elevadas, como por exemplo no mais recente eléctrico Tesla S que oferece uma autonomia de aproximadamente 500km (6), tem como consequência a necessidade de baterias com capacidades consideráveis (85kWh no caso do Tesla S), penalizando o custo de aquisição dos EVs, o que o torna inviável na grande maioria das situações. Nesse sentido, esta tese pretende estudar soluções eléctricas alternativas a veículos ligeiros convencionais, nomeadamente ligeiros eléctricos e pequenos veículos eléctricos (quadriciclos eléctricos), vistos como uma alternativa interessante em meio urbano. Um vez que foram aqui referidas as várias tecnologias alternativas relacionadas com propulsão eléctrica, é pertinente referir a célula de combustível, no entanto devido a dificuldades tecnológicas, esta alternativa ainda se encontra em fase de desenvolvimento e portanto não está disponível actualmente no mercado, não sendo presentemente uma solução ao problema levantado. Resumindo, o panorama global dos transportes terá de tomar um rumo diferente, de forma a cumprir normas cada vez mais exigentes relativamente à emissão de poluentes e ainda garantir um importante desvio da sua principal fonte energética - os combustíveis fósseis. Portanto, as alternativas tecnológicas acima referidas, já são e serão cada vez mais consideradas e analisadas como solução. Para que tal aconteça é importante que estas alternativas sejam caracterizadas e por consequência comparadas em pé de igualdade com as tecnologias actuais. Apesar de existir a necessidade de caracterizar estas novas alternativas de propulsão eléctrica, a informação referente a consumos ou caracterizações energéticas é escassa e pontual. De forma a colmatar esta falha, é claramente necessário definir consumos, tanto em função de inúmeros regimes de utilização, como defini-los de uma forma mais generalizada (por exemplo kWh/km). Conhecer os seus padrões de consumo e emissões (directas ou indirectas) facilitará a aplicação destes veículos a um sem número de situações específicas, mesmo considerando os seus custos de aquisição. Desta forma, é essencial desenvolver métodos de monitorização e quantificação versáteis, capazes de definir padrões de consumo energético, que permitam identificar e ultrapassar as limitações típicas de veículos eléctricos, independentemente da classe ou tipo de veículo em estudo. 3 1.2. Estado da arte Face ao panorama descrito na introdução, cada vez mais a mobilidade eléctrica é tida em conta como solução, especialmente em ambiente urbano. Este ponto é portanto cada vez mais abordado e estudado sobre vários pontos de vista, como: Combinação de transportes intermodais com mobilidade eléctrica, em ambiente urbano. O artigo publicado por MacHaris et al. (7) prova que já existem soluções eléctricas viáveis economicamente que trazem benefícios a nível de consumo energético, emissões de poluentes e mesmo ao nível da saúde humana, em particular no centro das cidades. Na Tabela 1, encontram-se os resultados de emissões de poluentes por parte de veículos pesados de mercadorias em situações idênticas. Emissões diárias (g/dia) CO2 HC NOx CO Diesel Eléctrico 1 Eléctrico 2 Hibrido 1 Hibrido 2 120720 396,0 1658,4 499,2 35264 5,4 53,5 2,2 30253 4,6 45,9 1,9 53835 69,7 576,0 53,0 54509 74,5 614,1 56,8 Tabela 1 – Resultados de uma análise aos poluentes emitidos por diversas tecnologias de mobilidade, dados extraídos do artigo publicado por MacHaris et al. (7) As emissões de poluentes, relativa aos veículos eléctricos representados na Tabela 1, foram calculadas com base no mix energético Belga de 2001. Numa segunda fase é feita uma análise financeira a estas mesmas soluções, o resultado final obtido, está representado na Tabela 2: Veículo Diesel Eléctrico 1 Eléctrico 2 Hibrido 1 Hibrido 2 Valor actual líquido (k€) 260,2 256,5 247,3 245,1 257,8 Tabela 2 – Resultados de uma análise financeira a diversas tecnologias de mobilidade, dados extraídos do artigo publicado por MacHaris et al. (7) O valor actual líquido (VAL) de cada um dos veículos, é calculado tendo em consideração o tempo útil de vida dos veículos, e considera: Custos de aquisição, custos energéticos, despesas com seguradoras, custos de manutenção, despensas ambientais e custos de aquisição das baterias durante o tempo útil de vida. 4 Substituição dos sistemas de mobilidade convencional por eléctrica em ambiente urbano. Bert Van Wee et al. (8) efectuaram uma comparação entre as emissões directas locais de veículos convencionais com as emissões indirectas dos veículos eléctricos, associadas à transformação de energia. Conclui-se que existem inúmeros benefícios com a adopção da mobilidade eléctrica, tanto a nível ambiental, como de consumo energético. Estes resultados encontram-se resumidos na Tabela 3. Características Custos por quilómetro Impacte ambiental (CO2, emissões, ruído) Autonomia Comparação com veículos convencionais Até -95% (dependendo dos custos de comb.) De -30% até -100% (dependendo do “mix” energético) Actual: 150-200 km Futuro: de -50% até -75% Abastecimento Actual: de 15min até 8h Performance Tempos de aceleração: -25 a 60% Peso: de -75% a 25% Tabela 3 – Síntese dos resultados apresentados no artigo realizado por Bert Van Wee et al. (8) Um dos pontos inevitavelmente abordados quando se fala em mobilidade eléctrica é a autonomia do veículo tal como o tempo de vida útil das baterias, associado também à potência máxima dos mesmos e peso total do conjunto. Este ponto é de vital importância no que toca à aplicação deste tipo de veículos a uma determinada situação: Um ponto importante relativamente ao trabalho desenvolvido por Arnaud Devie et al. (9) está na metodologia usada para caracterizar o comportamento das baterias em estudo. Este consiste numa análise experimental de inúmeros parâmetros, como a velocidade do veículo, corrente eléctrica, tensão eléctrica e temperatura das baterias. Todos estes dados são registados a bordo do veículo com uma frequência de 1 Hz, efectuando um determinado circuito em ambiente urbano. A análise experimental feita por Arnaud Devie et al. (9) teve como objectivo caracterizar o comportamento/autonomia das baterias de um quadriciclo pesado (L7e) comercial “Axiam Megacity”, em função da sua idade, tipo de utilização, condições climatéricas. Na Figura 3 e Figura 4 estão representados os principais resultados obtidos: Figura 3 – Gráficos de descarga (corrente vs consumo) para várias classes de baterias, sendo o gráfico da esquerda referente a uma condução económica e o da direita referente a uma condução agressiva 5 Figura 4 – Gráficos de descarga (corrente vs consumo) para várias classes de baterias, sendo o gráfico da esquerda referente a descargas num clima quente e o da direita referente a descargas num clima frio A regeneração é outra característica importante presente em veículos eléctricos. O seu estudo é essencial, quando se pretende desenvolver uma correcta caracterização energética. A caracterização realizada por Van Sterkenburg et al. (10), a partir de uma metodologia própria, conclui que o factor de regeneração normal de veículos eléctricos se encontra entre 0,22 e 0,23. Isto significa que cerca de 20% da energia consumida pelo motor/motores do veículo é proveniente de regeneração. A metodologia desenvolvida, com o objectivo de caracterizar a capacidade regenerativa, tem como base medições em estrada de potência dinâmica e potência eléctrica. Isto é conseguido a partir de registo com uma frequência de 1 Hz de parâmetros como velocidade e altitude (unidade GPS) ou tensão e corrente eléctrica das baterias do veículo, medidos a partir de um multímetro com “Data Logger”. Apesar dos trabalhos referidos, a medição ou estimativa de consumos energéticos com base experimental, continua a ser, na maioria, relativo a tecnologias convencionais, sendo este também o ponto de partida de todo o trabalho desenvolvido nesta tese, nomeadamente nas técnicas e metodologias de análise de dados. 6 Metodologia VSP (veículos convencionais) (11). Esta análise permite obter uma estimativa da potência específica, em função das condições dinâmicas do veículo (velocidade e declive da estrada). Feita esta análise é então possível associar dados de consumo energético obtidos experimentalmente em função da potência específica do veículo. Contudo, actualmente, esta metodologia está definida apenas para ligeiros e pesados. A aplicação em quadriciclos, necessitaria de uma adaptação, tendo em conta as características aerodinâmicas, de rolamento, limites de potência e regeneração, a fim de caracterizar energeticamente um veículo eléctrico. Um exemplo típico de aplicação da metodologia VSP consiste por um lado na aquisição dos parâmetros dinâmicos de velocidade e altitude, sendo a velocidade adquirida directamente dos sensores a bordo do veículo e a altitude obtida com o auxílio de um altímetro barométrico. Estes registos devem ser adquiridos em simultâneo e de forma sincronizada com os registos de consumo ou relativos à emissão de poluentes, a sua aquisição é normalmente estimada pela de medição de diversos parâmetros de um analisador de gases e sensores a bordo do veiculo, como a pressão na admissão. Face à falta de informação relativa à caracterização do consumo energético de veículos exclusivamente eléctricos, são apresentadas duas metodologias nesta tese que vão ao encontro desta lacuna. Isto será conseguido numa primeira fase a partir de um resultado puramente experimental. E numa segunda fase, partindo de uma análise numérica com base experimental de consumo, usando como entrada o consumo global de bateria em diferentes viagens, simplificando em grande parte o processo de caracterização energética destes veículos e descartando também a necessidade de um intrusivo laboratório. 1.3. Objectivos Considerando as questões levantadas na introdução e estado da arte, os objectivos deste trabalho são: Caracterizar experimentalmente um grupo de veículos eléctricos numa perspectiva energética. Partindo de uma metodologia de carácter exclusivamente experimental, que tem como entradas o consumo de bateria e as condições dinâmicas a que o veículo é sujeito. Todos os parâmetros serão medidos utilizando um laboratório portátil a bordo do veículo durante toda a extensão das monitorizações. Os sensores deste laboratório terão que registar os parâmetros necessários ao cálculo do consumo eléctrico das baterias, sendo esta a principal razão pela qual este objectivo é dedicado exclusivamente a quadriciclos, uma que vez a sua simplicidade de construção garante um acesso fácil aos terminais das baterias. Será ainda necessário registar a componente dinâmica (velocidade e declive) do veículo de forma sincronizada com o consumo. Desenvolver uma metodologia capaz de estimar o consumo eléctrico a partir dos dados de carregamento de baterias. Esta metodologia partirá de uma base experimental no que toca aos registos globais de carregamento e às condições dinâmicas a que o veículo é sujeito, isto é, às condições de condução impostas ao veículo em situação de condução. Visto que os dados de consumo desta análise são integrais, a resolução da mesma passa pelo desenvolvimento de uma análise numérica que tem como base a definição dos padrões de consumo típicos de veículos eléctricos, esta definição será elaborada a partir dos resultados da análise experimental a quadriciclos eléctricos. Estes padrões serão posteriormente extrapolados a qualquer veículo eléctrico contabilizando as diferenças tecnológicas a nível do sistema de propulsão e baterias. Aplicar as metodologias desenvolvidas a veículos ligeiros, a partir dos dados de carregamento de baterias. Este objectivo implica contornar a dificuldade associada ao registo de dados experimentais de consumo a partir de um laboratório. Colocando de parte a aplicação de uma análise exclusivamente experimental ao consumo, se por sua vez se considerar a aplicação da análise numérica com base experimental descrita no ponto anterior, será possível obter uma estimativa de consumo aproximada, isto considerando como hipótese padrões de consumo idênticos entre veículos eléctricos. 7 A aplicação desta metodologia permitirá então estimar o consumo de qualquer veículo eléctrico de baterias, desde quadriciclos a ligeiros, sem que para isso seja necessária a medição instantânea do consumo eléctrico em viagem, descartando assim a necessidade de um laboratório intrusivo. 1.4. Estrutura da Tese Esta Tese encontra-se dividida em seis capítulos distintos. No Capítulo 1, é feita uma introdução ao trabalho que aqui será apresentado, enquadrando o leitor no tema. Neste capítulo definem-se ainda os objectivos a atingir, de acordo com os problemas levantados. No Capítulo 2, estão descritos todos os conceitos relacionados com mobilidade eléctrica, necessários ao entendimento do trabalho desenvolvido, sendo que muitos dos conceitos aqui explicados são necessários à validação e aplicação das metodologias desenvolvidas no capítulo 3. O Capítulo 3 é referente às metodologias propostas, sendo descrito com pormenor o laboratório utilizado, os veículos caracterizados e os ciclos de condução efectuados. Para além disso são explicados os passos necessários ao desenvolvimento e aplicação de uma primeira metodologia, de carácter experimental aplicada a quadriciclos, que permite quantificar os seus consumos. Numa segunda fase é definida a aproximação necessária ao desenvolvimento de uma segunda metodologia, que tem como base padrões de consumo, resultantes da aplicação da primeira. No Capítulo 4 são apresentados todos os resultados do método desenvolvido para caracterizar quadriciclos eléctricos. A partir deste ponto é desenvolvida uma metodologia numérica que tem como base os resultados apresentados sobre veículos eléctricos de pequenas dimensões. O seu desenvolvimento permitirá caracterizar qualquer veículo eléctrico de uma forma simplificada. O Capítulo 5 divide-se em duas secções: na primeira secção, referente à metodologia geral e desenvolvida no capítulo 4, são apresentados os resultados da aplicação (consumos) desta metodologia a dois veículos ligeiros eléctricos, o Nissan Leaf e o Smart ED. Na segunda secção, são aplicados alguns dos dados resultantes do capítulo 4 a situações específicas. No Capítulo 6, é feita uma conclusão de todo o trabalho desenvolvido, partindo de uma síntese de problemas levantados, objectivos propostos e componente experimental necessária ao desenvolvimento deste trabalho. Por fim são discutidos os resultados obtidos tal como os erros que lhes estão associados. Esta análise de erro leva a uma validação das metodologias desenvolvidas. 2. Conceitos 2.1. Definição das tipologias de EVs No decorrer deste trabalho, foram estudadas as seguintes classes de veículos eléctricos (12): 8 Quadriciclo ligeiro (categoria L6e), exemplificado na Figura 5. o Veículo com uma massa sem carga inferior a 350 kg, excluindo a massa das baterias o Velocidade máxima não superior a 45 km/h o Potência máxima igual ou inferior a 4 kW Figura 5 – Exemplo de quadriciclo ligeiro eléctrico, Estrima Biró Quadriciclo pesado (categoria L7e), exemplificado na Figura 6. o Veiculo com uma massa sem carga inferior a 400 kg, ou 550 kg no caso dos veículos destinados ao transporte de mercadorias, excluindo a massa das baterias o Potência máxima igual ou inferior a 15 kW Figura 6 – Exemplo de quadriciclo pesado eléctrico, Reva i Ligeiro de passageiros (categoria M1), exemplificado nas Figura 6 e Figura 7. o Veículo com uma massa sem carga superior a 550 kg o Velocidade máxima superior a 25 km/h 9 Figura 7 – Exemplo de veículo ligeiro de passageiros eléctricos, Nissan Leaf, modelo idêntico ao medido (13) Figura 8 – Exemplo de veículo ligeiro de passageiros eléctricos, Smart Eléctric Drive, modelo idêntico ao medido 10 2.2. Arquitectura dos veículos eléctricos (EVs) Em termos de arquitectura os veículos eléctricos presentemente disponíveis no mercado são em quase tudo idêntico aos seus homólogos com motor de combustão interna, sendo que a grande diferença reside no sistema de propulsão e sistema de armazenamento de energia, de acordo com a Figura 9. As suas características serão abordadas de seguida. Figura 9 – Corte lateral de um Nissan Leaf (13) Sistema de armazenamento de energia Conjunto de Baterias - Excluindo a estrutura do veículo este é geralmente o componente/sistema mais pesado e de maiores dimensões num veículo eléctrico e por essas mesmas razões encontra-se geralmente na parte inferior do mesmo, como é perceptível no seguinte exemplo (Figura 10): Figura 10 – Posição do conjunto de baterias numa vista em corte de um Nissan Leaf (13) No capítulo 2.5 serão abordadas em maior detalhe as várias tecnologias e características das baterias usadas em veículos exclusivamente eléctricos. 11 Sistema de propulsão Devido às reduzidas dimensões e simplicidade dos motores eléctricos existem inúmeras configurações possíveis no que toca a sistemas de propulsão eléctrica. Este sistema é constituído por: o Controlador/Inversor Sistema responsável pela alimentação eléctrica do motor do veículo, impondo a carga necessária exigida pelo condutor a cada instante. Quando se trata de um motor de corrente alterna (grande maioria dos casos) existe ainda uma conversão de corrente contínua (DC), proveniente das baterias, em corrente alterna (AC) que pode ainda ter frequência variável dependendo do tipo de motor (indução ou síncrono) (4). o Motor eléctrico Um motor por eixo - Esta é a configuração mais comum em veículos eléctricos, sendo também a configuração que mais se assemelha à dos veículos convencionais. Este tipo de configuração exige um diferencial e uma engrenagem de redução, sendo esta relação única entre o motor e a roda suficiente para veículos eléctricos, dispensando por completo a habitual caixa de velocidade presente em veículos convencionais (4). Esta arquitectura é possível graças à distribuição de potência em função da velocidade característica dos motores eléctricos, ponto que será referido no subcapítulo 2.5. Um exemplo desta configuração encontra-se na Figura 11, onde está representado o motor e transmissão do Nissan Leaf. Com a excepção do Estrima Biró e do Toyota COMS caracterizados neste trabalho, os restantes veículos medidos, apresentam esta configuração. Figura 11 – Detalhe da secção frontal do Nissan Leaf, onde se encontra o sistema de propulsão (23) 12 Um motor por roda - É a configuração menos utilizada presentemente, sendo constituída por um motor eléctrico por roda estando cada uma delas associada a uma engrenagem de redução. A grande diferença está no facto das rodas serem independentes em termos de velocidade e potência, dispensando assim um diferencial, permitindo ainda, fazer uma gestão de potência roda a roda, por exemplo para controlos de estabilidade em estrada (4). Motor “in-wheel” - Configuração que dispensa qualquer tipo de transmissão ou redução. Tal como exemplificado na Figura 12, o motor encontra-se dentro da roda e apesar de, aparentemente ser a configuração mais simples é também a que traz mais desvantagens. Estando o motor acoplado directamente à roda, é então obrigado a rodar à mesma velocidade, e portanto, a sua velocidade será bastante mais baixa relativamente às configurações anteriores. Isto obriga a que o motor gere um Binário quase uma ordem de grandeza superior (4), tendo como consequência a selecção de um motor de maior complexidade e especificidade, e portanto de preço superior. Outra desvantagem desta configuração é o aumento considerável de massa não amortecida nas rodas motrizes do veículo. Esta situação é especialmente penalizante para o sistema de suspensão, afectando assim a segurança e conforto do mesmo. Esta configuração encontra-se presente nos quadriciclos ligeiros Estrima Biró e Toyota COMS caracterizados durante o decorrer desta tese. Figura 12 – Vista em corte de motor eléctrico in-wheel Fonte: Michelin 13 2.3. Características do motor Sinteticamente as principais categorias de motores usados por veículos exclusivamente eléctricos, dividem-se em: Corrente contínua (DC) Este motor, apesar de simples e barato (dispensa a necessidade de inversores) está a ser deixado de parte pela indústria automóvel por não ter um comportamento satisfatório em situações de carga elevada a velocidade constantes, por exemplo declives acentuados. Outra razão é a necessidade de uma manutenção mais assídua, devido ao facto de utilizar escovas e de não ter um estator selado (4). Na Figura 13, encontra-se um gráfico com as características típicas de um motor DC de aplicação automóvel. Figura 13 – Curva de eficiência em função da velocidade de rotação e binário ao veio de um motor DC “WarP 8” do fabricante NetGain Motors (14) Corrente alterna (AC) Trata-se da configuração de motor mais usada presentemente. A utilização deste motor implica uma alimentação eléctrica de corrente alterna, necessitando de um inversor (4), ficando assim o sistema mais dispendioso relativamente ao motor de corrente contínua. No entanto o seu desempenho em termos de Binário/Potência em função da velocidade torna-o ideal para uso rodoviário. 14 Este motor funciona em dois regimes bem definidos: Regime de Binário contante entre 0 rpm e “rated speed”; Regime de Potência contante entre “rated speed” e Velocidade máxima. Estes regimes podem ser observados no gráfico da Figura 14: 180 9 160 8 140 7 120 6 100 5 4 3 2 80 Binário (N.m) Binário Rated speed Potência (kW) Potência 10 60 40 20 1 0 0 0 10 20 30 40 50 Velocidade (km/h) 60 70 80 Figura 14 – Curva de potência e binário do quadriciclo Reva i O gráfico representado na Figura 14 resulta dos dados registados durante os ensaios de monitorização. A linha a tracejado divide os dois regimes acima referidos, que para este quadriciclo específico, corresponde a 23,8 km/h, ou a uma velocidade de rotação do motor de 3400 rpm. Esta velocidade é a mais utilizada para caracterizar motores eléctricos, pois para além de se distinguir os dois regimes acima referidos, é também para esta velocidade que geralmente são atingidos o binário e potência máxima do motor, sendo que, para o caso do Reva i estes valores são 152 N.m e 9,34 kW, respectivamente. Os motores de corrente alterna podem ainda subdividir-se em dois tipos: Indução Síncrono O primeiro (indução) é o mais comum e mais utilizado até à data, por uma questão de simplicidade e custo de aquisição, este é também o tipo de motor utilizado no Reva i e Smart ED monitorizados. No entanto, a superior eficiência dos motores síncronos, está a levar a uma alteração deste panorama, uma vez que este tipo de motor tem um comportamento idêntico ao motor de indução e a sua eficiência é entre 5 a 10 pontos percentuais superior (4), sendo esta a principal razão pela qual cada vez mais veículos eléctricos o utilizam. Contudo o seu uso implica um complexo inversor, em que a frequência é variável em função da velocidade do motor, resultando num aumento de complexidade e custo total do veículo. 15 De modo a perceber as diferenças de consumo entre veículos eléctricos (indução, síncronos), é então útil analisar os mapas de eficiência dos mesmos (Figura 15): Figura 15 – Mapas de eficiência de um motor eléctrico Leroy-Somer TRA 240 de indução (10) (esquerda) e de um motor síncrono (13) (direita) Sendo o regime de utilização mais usual, um regime de carga parcial, é então possível identificar a gama de eficiências típica de cada um destes motores: Eficiência do motor assíncrono/indução entre 70 e 90% Eficiência do motor síncrono entre 86 e 95% De notar que ambos os mapas de eficiência apresentados na Figura 15 são referentes ao conjunto Inversor/Motor. 2.4. Regeneração A regeneração de energia enquanto o veículo está a ser conduzido, tira partido da dinâmica a que este está sujeito, tipicamente em situação de travagem, desaceleração e declives negativos, transformando-a em energia eléctrica que é armazenada na bateria. Esta capacidade depende do tipo de condução e do veículo em causa. Na grande maioria das situações, nomeadamente em cidade, representa uma fatia considerável do total de energia consumida durante a viagem, que varia tipicamente entre 10% e 20% do total consumido como se verifica no trabalho desenvolvido por Van Sterkenburg et al. (10). Desta forma, é possível garantir um consumo líquido de bateria inferior e por consequência um menor consumo à rede eléctrica. A regeneração é na grande maioria dos casos accionada pelo “levantar” do pé do pedal do acelerador e a sua intensidade definida pelo controlador instalado no veículo. Outro método de accionamento da função de gerador do motor eléctrico é por acção do pedal de travão, sendo a intensidade de regeneração definida pela pressão exercida (10). No entanto, atingindo-se a capacidade máxima de regeneração do veículo, por uma questão de estabilidade em travagem e/ou limite de potência do motor/gerador, este passa a ser auxiliado por um convencional travão mecânico. Como exemplificado na Figura 16 (esquerda), a verde está 16 representado o curso de pedal com travagem exclusivamente regenerativa e a vermelho o curso em que é accionado o travão mecânico do veículo em paralelo com o sistema de regeneração: Figura 16 – Esquema do pedal de travão (esquerda) e gráfico de distribuição da travagem regenerativa/mecânica em função da velocidade do veiculo (10) (direita) De notar que a travagem regenerativa não está presente em todos os veículos disponíveis actualmente no mercado. E mesmo quando presente, representa ainda uma pequena parte da potência total de travagem do mesmo. 2.5. Baterias Este é o componente que permite armazenar energia de uma fonte externa (rede eléctrica) para posterior consumo durante a utilização do veículo em estrada. Actualmente é este o componente que define as características pelas quais os veículos exclusivamente eléctricos estão mais limitados, como: Potência máxima Peso Autonomia Custo de aquisição Todas estas características são interdependentes, ou seja, para um veículo eléctrico com potência máxima elevada (50 – 80 kW) e uma autonomia superior a 100 km necessitará de uma bateria com uma capacidade superior a 20 kWh o que significa que o peso e preço do mesmo será fortemente penalizado, sendo este dilema mais comum na classe de ligeiros. (5) Pelo contrário se a intenção for um preço ou peso reduzidos (baterias com capacidades inferiores a 5 kWh), a potência e autonomia serão bastante limitadas, por exemplo para potências de 5 a 13 kW e autonomias inferiores a 80 km, como acontece nos quadriciclos disponíveis actualmente. As baterias também se podem diferenciar pelo tipo de tecnologia, sendo que cada uma destas influencia também as características acima referidas, sendo elas: 17 Li-ion – Presentemente, devido às necessidades de elevada potência e energia específicas, as baterias de Lítio começam a dominar o mercado dos veículos exclusivamente eléctricos. NiMH – Quanto às baterias de Níquel, estas dominam o mercado dos híbridos actualmente, isto porque a tecnologia já está bastante madura e as necessidades totais de energia não são tão exigentes como para os EVs. Pb-acid – As baterias de Chumbo, apesar de mais acessíveis, estão em declínio e já só se encontram em quadriciclos de menor potência. Algumas das características das várias tecnologias de baterias aqui referidas, encontram-se resumidas na Tabela 4: Tecnologia Li-Ion NiMH Pb-acid Eficiência Carga/descarga (%) Energia específica (Wh/kg) Custo (€/kWh) Tempo de vida (nº de cargas) 80 - 90 60 - 70 50 - 92 50 - 150 30 - 80 30 - 40 500 - 600 250 - 350 140 - 180 750 - 1000 750 - 1000 500 -750 Tabela 4 – Características das tecnologias de baterias mais usuais em EVs (15) De notar que os valores apresentados na Tabela 4, são relativos a conjuntos de baterias típicos para o uso em veículos eléctricos (EVs). Estas características podem adequar-se de formas diferentes consoante o tipo de aplicações, como híbridos “plug-in” ou híbridos convencionais. Isto acontece porque a potência máxima exigida das baterias, para as diferentes aplicações, tem influência directa na carga total das baterias, como é possível perceber no seguinte gráfico da Figura 17. Figura 17 - Evolução da Energia especifica dos vários tipos de bateria em função da potência específica exigida (15) Concluindo, as várias tecnologias de baterias disponíveis, apesar de estarem ainda em desenvolvimento, em particular as de Li-ion, estão ainda muito longe de atingir energias especificas próximas dos combustíveis fósseis, como a gasolina com uma energia específica de aproximadamente 13000 Wh/kg, penalizando bastante este tipo de veículos em três aspectos fundamentais: potência/autonomia, peso total do veículo e custo de aquisição. 18 3. Metodologias de caracterização de veículos 3.1. Laboratório portátil Tendo em conta os objectivos deste trabalho, para caracterizar energeticamente um grupo de veículos eléctricos, são propostas metodologias que dão resposta a esta questão, obrigando a uma quantificação/medição de inúmeras variáveis em estrada durante toda a extensão das viagens com uma resolução de 1 Hz. Estas variáveis são: Tensão nos terminais da bateria O sinal é obtido por uma simples ligação entre a placa de aquisição e os terminais, com a necessária divisão do sinal de tensão, para que à entrada da placa este se encontre no intervalo de funcionamento da mesma (0 – 10 V). Figura 18 – Terminais do conjunto de baterias do Biró Caracterizado Os cabos brancos representados na Figura 18 fazem a ligação dos terminais positivo e negativo da bateria à placa de aquisição, transmitindo assim o sinal de tensão. Caso não seja possível medir a tensão durante o ensaio, esta pode ser considerada constante e igual à tensão nominal das baterias, tendo como consequência um pequeno erro associado no posterior cálculo da potência eléctrica. Corrente eléctrica absorvida pelos diversos sistemas do veículo A medição foi efectuada a partir de uma pinça amperimétrica que envolve um dos terminais da bateria, com a necessária calibração. A pinça presente na Figura 19 envolve o terminal negativo da bateria do quadriciclo Reva i caracterizado, permitindo assim registar a corrente requerida pelos 19 diversos sistemas do veículo. Na Figura 19 estão também presentes os cabos que medem o sinal de tensão da bateria, como referido no ponto anterior. Figura 19 – Pinça Amperimétrica ligada ao terminal negativo da bateria do Reva i Velocidade e altitude O registo da velocidade do veículo e da altitude é feito com o auxílio da unidade GPS (GPS+Barómetro) instalado a bordo do veículo, presente na Figura 20. Estas variáveis definem o ciclo de condução efectuado e a partir delas é possível também determinar a aceleração e declive da estrada. Figura 20 – Unidade GPS Garmin GPS 76CSX usada durante os ensaios 20 Uma vez instalado todo equipamento a bordo do veículo, é iniciada a recolha de dados da viagem através de um computador portátil que recolhe a informação descrita anteriormente, usando software desenvolvido em LabView para recolha e integração simultânea dos dados. Um outro registo necessário à aplicação destas metodologias é o consumo integral do veículo requisitado à rede. Este registo pode ser obtido durante o ciclo de carga do conjunto de baterias, após cada uma das viagens realizadas. Consumo global de electricidade. É quantificado a partir de um medidor de energia, colocado entre uma tomada da rede eléctrica e o transformador do veículo. O equipamento regista todo consumo eléctrico pedido à rede, ou seja, o consumo necessário ao carregamento total dos veículos medidos. De notar também que este registo só faz sentido caso o veículo se encontre na carga máxima no início de cada viagem. Figura 21 – Medidor de energia Equipamento auxiliar: Placa de Aquisição - Esta permite que os dados de tensão e correntes medidas durante os ensaios sejam convertidos e registados pelo computador portátil que segue a bordo do veículo. Computador Portátil - Estando a placa de aquisição e a unidade GPS ligadas via USB ao portátil, é então possível, com o auxílio do software próprio (Labview ou equivalente), registar todos os valores medidos durante o ensaio: velocidade, altitude, tensão e corrente eléctrica. No caso de EVs ligeiros, devido à dificuldade/perigo de aceder ao sistema eléctrico, a aplicação do laboratório é diferente, contudo os seguintes equipamentos continuam a ser utilizados: Unidade GPS, Medidor de Energia, portátil, dispensando assim o equipamento de medição directa de consumo eléctrico. 21 Configuração experimental Na Figura 22 estão presentes os pontos onde foram registados valores de consumo energético relativos aos ensaios de caracterização, sendo que os consumos dos pontos 2 e 3 são registados segundo a segundo durante os ensaios de caracterização de quadriciclos. No caso dos EV ligeiros estando restrito o acesso às baterias (Ponto 2), a solução passa por contabilizar o integral do consumo à rede por ensaio, correspondente à medição no ponto 1 da Figura 22. De notar que a dinâmica é sempre medida (ponto 3), independentemente do método ou veículo em estudo. Figura 22 – Esquema energético de um veículo eléctrico As caixas presentes no esquema da Figura 22 representam os vários sistemas do veículo, e as setas, fluxos energéticos. As setas vermelhas estão associadas a fluxos de consumo. As verdes representam fluxo energético inverso, regenerado a partir da dinâmica do veículo (situações de travagem/desaceleração ou declives negativos). Neste esquema estão presentes os 4 pontos em que é feita uma quantificação dos consumos com fim de aplicar as metodologias que aqui vão ser apresentadas: Ponto 1 – Energia (eléctrica) consumida pelo transformador e veículo à rede eléctrica nacional, durante o ciclo de carga das baterias. Equipamento: Medidor de Energia Ponto 1b – Caracterização idêntica ao ponto anterior. Contudo a medição é feita a jusante do transformador. Equipamento: Pinça amperimétrica; Placa de aquisição (sinal de tensão) Ponto 2 – Energia (eléctrica) consumida durante os ensaios pelos vários sistemas do veículo em estudo: controlador; motor e auxiliares. Equipamento: Pinça amperimétrica; Placa de aquisição (sinal de tensão) Ponto 3 – Energia mecânica imposta pelo veículo à roda, estimada a partir da dinâmica. Equipamento: Unidade GPS (velocidade e altitude) 22 3.2. Veículos caracterizados A Tabela 5 apresenta as principais características do sistema de propulsão e de armazenamento de energia dos veículos estudados neste trabalho e que são relevantes para a aplicação das metodologias propostas. Três dos cinco veículos (Toyota COMS, Estima Biró e Mahindra Reva i) foram caracterizados experimentalmente e serviram de base ao desenvolvimento das metodologias. Os restantes dois veículos (Nissan Leaf e Smart ED) foram caracterizados por aplicação da metodologia desenvolvida. Veiculo Classe Potência Máxima (kW) Tipo de Motor Eléctrico Potência Regen. (kW) Tecnologia das Baterias Peso (kg) Toyota COMS Quadriciclo leve (L6e) 4 DC --- Pb-Acid (Chumbo) 400 Estrima Biró Quadriciclo leve (L6e) 4 DC --- Pb-Acid (Chumbo) 370 Mahindra Reva i Quadriciclo pesado (L7e) 8 (s/boost) AC Indução --- Pb-Acid (Chumbo) 565 Smart ED Ligeiro (M1) 20 (s/boost) AC Indução 10 Li-ion (Lítio) 975 Nissan Leaf Ligeiro (M1) 80 AC Síncrono 30 Li-ion (Lítio) 1521 Tabela 5 – Características relevantes à aplicação das metodologias propostas No anexo C está uma descrição mais detalhada de cada um dos veículos ensaiados. 3.3. Ciclos de condução Os ciclos de condução efectuados pelos veículos definem a distribuição dos pontos medidos, cobrindo as várias condições de funcionamento possíveis. É então importante que os ensaios realizados garantam um número de registos suficiente em todo o espectro de potências dos veículos, em particular para potências negativas, situação em que o motor eléctrico funciona como gerador, permitindo assim um resultado final preciso independentemente do tipo condução efectuada. Uma regra prática para cumprir este requisito consiste em verificar que a soma de todos os ensaios efectuados, contém pelo menos 3 horas de registos. Os ciclos efectuados com os quadriciclos representam uma condução típica em cidade (Lisboa) com médias de velocidade a rondar os 25 km/h. É sempre feito o possível para que todos os ciclos incluam uma topografia variada, contendo situações em que o declive é praticamente nulo e outras com declives mais acentuados até 10%, sempre com o objectivo de cobrir um espectro alargado de gamas de potência. As Figura 23 e 24 apresentam algumas das características registadas durante um ensaio no circuito Av. Liberdade. No anexo D estão definidos outros exemplos de percursos realizados durante as várias medições efectuadas durante o decorrer deste trabalho. 23 Altitude(m) 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 0 2000 4000 6000 Distância (m) 8000 10000 50 5,0 40 4,0 30 3,0 20 2,0 10 1,0 0 1277 -10 0,0 1327 -20 1377 1427 1477 Tempo (s) Velocidade (m/s) 1527 1577 1627 Aceleração (m/s2) Velocidade (km/h) Figura 23 – Variação de altitude durante um ensaio (esquerda) e Percurso IST/Av. Liberdade (direita) -1,0 -2,0 aceleração (m/s^2) Figura 24 – amostra da curva de velocidade e aceleração medida durante um ensaio Percorridos por: Quadriciclos leves (L6e) Estrima Biró Devido a uma restrição de autonomia deste quadriciclo (cerca de 20km) todos os ensaios foram medidos no Parque das Nações, local de partida/carga do veículo. Também devido a esta limitação nem sempre foi possível realizar exactamente o mesmo trajecto existindo então pequenas variações na topografia e percurso dos ensaios. Apesar desta limitação, foi conseguida uma distribuição por modo VSP suficiente para a caracterização do veículo, como se demonstra na Tabela 6. 24 Circuito 1 2 3 4 5 6 7 Totais Tempo Nº de (min) registos 24 1449 25 1489 22 1318 31 1841 28 1658 25 1475 23 1384 177 10611 Distância (km) 9,9 9,9 9,6 11,0 11,2 10,5 9,8 71,9 Velocidade média (km/h) 24,7 23,9 26,3 21,6 24,4 25,7 25,5 24,4 Percurso (localização) Parque das Nações Parque das Nações Parque das Nações Parque das Nações Parque das Nações Parque das Nações Parque das Nações Topografia min/max (m) 27,5/85,3 27,3/86,2 24,2/52,1 25,5/45,2 24,3/43,6 26,9/51,2 26,0/46,6 Tabela 6 – Descrição dos circuitos realizados para monitorização do quadriciclo Estrima Biró Toyota COMS Na Tabela 7, encontra-se um resumo dos circuitos realizados com o Toyota COMS. As monitorizações deste quadriciclo foram efectuadas em ambiente exclusivamente urbano, visto que a sua aplicação se destina apenas a este ambiente. Circuito 1 2 3 4 5 Total Tempo (min) 55 46 54 50 28 233 Nº de Pontos 3303 2780 3259 2988 1675 14005 Distância (km) 9,9 9,8 9,7 9,6 7,8 46,8 Velocidade média (km/h) 10,8 12,7 10,6 11,5 16,9 12,1 Percurso (localização) IST/Av. Liberdade IST/Av. Liberdade IST/Av. Liberdade IST/Av. Liberdade IST/G. Coutinho Topografia min/max (m) 24,3/123,4 32,3/124,1 27,7/120,4 33,8/128,6 72,8/119,5 Tabela 7 – Descrição dos circuitos realizados para monitorização do quadriciclo Toyota COMS Mahindra Reva i Na Tabela 8, encontra-se um resumo de todos circuitos realizados com o quadriciclo Reva i, que como seria de esperar foram todos realizados em ambiente urbano. Circuito 1 2 3 4 Total Tempo (min) 38 35 20 49 142 Nº de Pontos 2304 2079 1224 2932 8539 Distância (km) 9,7 16,7 11,7 17,7 55,8 Velocidade média (km/h) 15,2 28,9 34,5 21,7 23,5 Percurso (localização) IST/Av. Liberdade Expo/Aeroporto Expo/IST IST -- Topografia min/max (m) 29,3/110,6 16,5/119,2 19,2/111,3 56,4/111,4 -- Tabela 8 – Descrição dos circuitos realizados para monitorização do quadriciclo Mahindra Reva i Os percursos indicados nas tabelas anteriores (Tabela 6, Tabela 7 e Tabela 8), estão detalhados no anexo D. 25 3.4. Tratamento dos dados experimentais Velocidade Partindo dos dados do GPS definem-se as condições dinâmicas impostas ao veículo, sobre a forma de potência específica (VSP) num determinado instante. Contudo, o sinal de GPS (velocidade) possui um pequeno atraso e nesse sentido, é então importante garantir que a potência eléctrica medida seja referente a esse mesmo instante para assim obter valores realistas de consumo relativos a uma condição dinâmica especifica. Para definir este atraso, recorreu-se durante um dos ensaios a um sensor de velocidade com um atraso aproximadamente nulo, possuindo ainda uma resolução superior à do GPS (16), possibilitando a correcção em forma e atraso das restantes curvas de velocidade obtidas via GPS. A Tabela 9 apresenta a diferença média entre a velocidade medida pelo Sensor de velocidade e a velocidade do GPS com atraso corrigido: Atraso (s) 0 1 2 3 4 Diferença média (km/h) 6.00 4.35 2.83 2.16 3.04 Tabela 9 – Diferença média de velocidade entre a unidade GPS e o sensor de velocidade em função do atraso É também possível perceber essa mesma diferença neste gráfico de velocidade por unidade de tempo da Figura 25: Sensor 40 GSP GPS Corrigido Velocidade [km/h] 35 30 25 20 15 10 5 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Tempo [s] 90 100 110 120 130 140 Figura 25 – Gráfico de velocidade em função do tempo recolhidos pelo sensor, GPS e GPS corrigido A curva “GPS corrigido” (a verde na Figura 25) está corrigida relativamente à curva “GPS” original em forma e atraso (3 segundos). Ou seja, para um determinado ponto da curva de velocidade “GPS corrigido”, referente a um tempo decorrido t em segundos, é atribuído o valor dos dados originais de GPS referente a um tempo decorrido t + 3. 26 Outra correcção é feita ponto a ponto (segundo a segundo), efectuando uma média ponderada entre os pontos anteriores e seguintes da curva de velocidade original. Isto elimina alguma falta de resolução do GPS, suavizando os dados originais e aproximando-os dos obtidos pelo sensor. Esta última correcção tem então como efeito obter uma velocidade mais próxima da real (quando comparada com a velocidade do sensor). No entanto o maior efeito é no cálculo da aceleração a partir do declive desta mesma curva. A correcção elimina alguns “picos” de aceleração, criados pela falta de resolução, que não reflectem a dinâmica do ciclo efectuado. De notar que a correcção do atraso foi obtida tendo em conta os dados de uma unidade GPS específica (Garmin 76CSX) e por consequência pode não ser a mais indicada para qualquer outro equipamento ou processo de medição. A Figura 26 apresenta um detalhe da suavização da curva de velocidade GPS: 35 Velocidade (km/h) 30 25 20 15 10 5 Original 0 4150 4155 Correcção 4160 tempo (s) 4165 Figura 26 – Suavização da curva de velocidade obtida com uma unidade de GPS a bordo do veículo Na Figura 27 encontra-se representado o efeito do atraso da medição da velocidade GPS em relação à leitura da potência eléctrica consumida pelo veículo. 8000 Potência eléctrica 6000 Potência dinâmica Corrigida 4000 Potência (W) 2000 Potência dinâmica original 0 1050 -2000 1055 1060 1065 1070 1075 1080 -4000 -6000 -8000 -10000 Tempo (s) Figura 27 – Gráfico de potência (eléctrica e dinâmica) em função do tempo 27 Corrigida a velocidade em forma e atraso, os resultados podem ser sujeitos a uma verificação final, a partir do sincronismo das potências eléctrica e dinâmica (Figura 27). Esta análise garante uma precisão superior após aplicação da metodologia em questão (capítulo 3.5), uma vez que esta tem como resultado final o comportamento do consumo eléctrico em função da potência específica (dinâmica). Topografia A partir da altitude registada pelo altímetro barométrico da unidade de GPS durante os vários ensaios de monitorização, é calculado o declive. O cálculo do declive não pode ser calculado a partir da simples diferença de altitudes ponto a ponto, pois, resultaria em inúmeros declives nulos intercalados com declives elevadíssimos, devido às reduzidas distâncias percorridas entre cada segundo. De forma a contornar este efeito, é efectuada uma aproximação do declive a partir da diferença de altitudes de um ponto 50m à frente do veículo e outro 50m imediatamente atrás, para um determinado instante. Este método garante uma precisão suficiente para as condições a que o veículo foi sujeito. No gráfico da Figura 28 está representado um exemplo de aplicação deste método. 74 50m 50m Altitude (m) 72 70,1 m 70 68,3 m 67,7 m 68 66 64 3711,4 y = 0,0002x2 - 1,7476x + 3443,3 3761,4 3811,4 Distância (m) 3861,4 Figura 28 - Amostra de altitude em função da distância Para calcular o declive de um determinado ponto de uma viagem, por exemplo o ponto amarelo do gráfico (Figura 28), o método passa por interpolar uma equação quadrática com os seguintes pontos: ponto no qual se quer calcular o declive, ponto 50 metros à frente e ponto 50 metros atrás do veiculo. Por fim o declive é calculado pela derivada da equação no ponto pretendido. Este procedimento deve ser repetido para todos os pontos registados da viagem. Como nota, também o declive terá um atraso relativamente à medição de potência eléctrica, já que depende da posição e altitude, medidas ambas pela unidade de GPS. Portanto o atraso de 3 segundos, justificado no ponto anterior, também se aplica à topografia desta caracterização. 28 3.5. Metodologia VSP 3.5.1. Definição A metodologia Vehicle Specific Power (11) permite caracterizar experimentalmente o consumo energético e emissões de gases de veículos, em função de um determinado regime ou condição de utilização. A equação (Eq 1) na qual é baseada consiste numa simplificação das principais forças aplicadas a um veículo em situação de condução (aerodinâmica, resistência ao rolamento, declive e aceleração), permitindo assim obter uma aproximação da potência dinâmica imposta pelo veículo num determinado instante (11): Eq 1 Para aplicar esta metodologia é necessário medir experimentalmente, velocidade ( em ) aceleração ( em ) e o declive da estrada ( , diferença de altitude (m) por distância percorrida (m)). Quanto às constantes presentes na equação, a aceleração gravítica é representada por 9,81 m.s , é o coeficiente de resistência ao rolamento, é o coeficiente de resistência aerodinâmica e FA o factor de aceleração. Estes três últimos parâmetros são ajustados ao tipo de veículo em estudo, como se verá adiante. -2 Para veículos ligeiros, utilizam-se as seguintes constantes: FA =1,1 Sendo a potência específica traduzida pela equação 2 (11): Eq 2 Portanto para cada segundo de informação recolhida nos ensaios de monitorização é calculado um valor de em W.kg-1, que por sua vez é agrupado por modos de VSP, sendo o método mais usual a distribuição em 14 modos, de acordo com a Tabela 10: Modo VSP 1 3 5 7 9 11 13 Definição VSP < -2 0 ≤ VSP < 1 4 ≤ VSP < 7 10 ≤ VSP < 13 16 ≤ VSP < 19 23 ≤ VSP < 28 33 ≤ VSP < 39 Modo VSP 2 4 6 8 10 12 14 Definição -2 ≤ VSP < 0 1 ≤ VSP < 4 7 ≤ VSP < 10 13 ≤ VSP < 16 19 ≤ VSP < 23 28 ≤ VSP < 33 VSP ≥ 39 Tabela 10 – Distribuição VSP em 14 modos Agrupando cada um dos instantes da viagem por modo, e sendo que a cada um deles está associado um registo de consumo ou de emissões de um determinado poluente, obtém-se consequentemente uma média de consumo ou emissões por modo VSP. 29 O processo de cálculo do consumo médio em função do modo VSP é iniciado, distribuindo todos os registos experimentais num esquema de modos de potência específica, como o apresentado na Tabela 10. Finalmente estando os registos organizados por modos VSP é feita uma média de todos os consumos eléctricos a estes associados, de acordo com a Eq3: Eq 3 Em que é o consumo eléctrico médio do veiculo em função do modo VSP e , o somatório do consumo de todos os pontos associados a um determinado modo de potência especificas ou . Para obter o consumo total medido por viagem ou troço é necessário um simples somatório de todos os consumos referentes a cada um dos pontos medidos durante o ensaio (Eq4). Eq 4 Quantificados os consumos por modo VSP de um determinado veículo, passa a ser então possível estimar o seu consumo integral, em qualquer outro ciclo de condução. Esta estimativa é aplicável, sempre que os limites de operação do veículo o permitam. Isto é, sempre que o veículo em estudo apresente registos de consumo numa gama de potências especificas, igual ou superior à gama de potências característica do ciclo de condução. Esta estimativa é feita a partir do somatório de vários produtos em função do modo VSP. Estes produtos são: nº de pontos em função do modo VSP e consumo médio ( ) também em função do modo de VSP, como descrito na Eq5. Eq 5 De notar que, esta ferramenta permite ainda fazer uma validação do método e coeficientes usados, comparando o consumo estimado ( com o valor integral de consumo medido durante os ensaios ( de acordo com a Eq6. Eq 6 30 3.5.2. Adaptação da metodologia VSP à classe de quadriciclos eléctricos (L6e e L7e) Apesar do método definido no ponto anterior permitir caracterizar e comparar veículos ligeiros, não é o mais adequado aos quadriciclos eléctricos em estudo. De forma a aplicar a metodologia VSP já usada para veículos ligeiros, torna-se necessário implementar algumas modificações, devido às características destes veículos: O Consumo passa a ser um consumo eléctrico e é calculado a partir da corrente e tensão nos terminais do conjunto de baterias do veículo em estudo. A medição de emissões deixa de fazer sentido, já que este tipo de veículos eléctricos (EVs) não produzem directamente qualquer tipo de emissão. Por apresentarem potências específicas baixas e eficiências superiores a carga parcial, relativamente a veículos ditos convencionais, faz sentido utilizar modos VSP menos abrangentes e idênticos para toda a gama de potência específica. Devido à capacidade regenerativa e à sua complexidade, o consumo ou melhor a regeneração de energia, que ocorre para potências específicas negativas, requer uma resolução idêntica ao lado positivo, portanto ao contrário do que acontece para a metodologia convencional, os modos deverão ser simétricos. Os coeficientes da equação VSP referidos no capítulo 3.2.1 estão já definidos para as classes de veículos convencionais, no entanto para a classe de quadriciclos estes valores devem ser ajustados de forma a garantir resultados mais adequados à classe de veículos em estudo. Coeficiente de resistência aerodinâmica (Caero) Resolvendo a equação da resistência aerodinâmica (Eq 7) em paralelo com a componente aerodinâmica da equação VSP (Eq 8): Eq 7 Eq 8 Eq 9 Das equações 7, 8 e 9, obtém-se a seguinte equação (Eq 10): Eq 10 31 Os resultados para cada um dos veículos caracterizados encontram-se na Tabela 11. Biró COMS Reva i Média ponderada Cx 0,64 0,64 0,64 0,64 2 Área frontal (m ) 1,41 1,18 1,56 1,38 Massa (kg) 510 480 620 558 Caero -3 1,06 x 10 -4 9,44 x 10 -4 9,66 x 10 -4 9,84 x 10 Tabela 11 – Coeficiente aerodinâmico dos veículos medidos O Coeficiente aerodinâmico usado no cálculo da potência específica de quadriciclos será uma média ponderada entre quadriciclos leves e pesados (Eq 11) ou seja: Eq 11 O uso de um coeficiente comum aos quadriciclos e não de um coeficiente específico a cada um dos veículos, permite que os consumos ou distribuições de tempo por modo VSP, sejam directamente comparáveis entre veículos, tal como acontece para a classe de ligeiros. Os dados presentes na Tabela 11 são referências comerciais de cada um dos fabricantes, (17), (18) e (19) - quando disponíveis. Por falta de informação relativamente ao coeficiente aerodinâmico Cx dos veículos em estudo, é utilizado o coeficiente aerodinâmico do Renault Twizzy (20) como aproximação para os restantes veículos, uma vez que o Renault se encaixa também na categoria de quadriciclo. Relativamente às áreas frontais, os dados também não são divulgados pelos fabricantes, no entanto esta pode ser facilmente estimada. Assumindo como referência geométrica as dimensões gerais de cada um dos veículos e tirando partido de fotos frontais do veículo em questão, como demonstram a Figura 29 e Figura 30. Figura 29 – Estimativa da área frontal do quadriciclo Toyota COMS (esquerda) e do Biró (direita), com recurso a um software próprio: Image Meter De notar que este método tem um erro associado à perspectiva das fotografias, contudo de forma a contrariar este efeito é feita uma selecção cuidada do plano de referência. 32 Figura 30 – Estimativa da área frontal do quadriciclo Reva i Coeficiente de resistência ao rolamento (Crr) Assumindo que a resistência ao rolamento é independente da velocidade, esta pode ser aproximada pela equação 12: Eq 12 Considerando a componente da equação VSP que contabiliza a resistência ao rolamento de um veículo, representada pela equação 13: Eq 13 E considerando a equação 14: Eq 14 O coeficiente de rolamento da equação VSP é calculado segundo a equação 15: Eq 15 Os resultados para cada um dos veículos caracterizados são apresentados na Tabela 12. Biró COMS Reva i Média ponderada Pneu Crr F rolamento (N) C rolamento (N/kg) 130/60 R13 (scooter) 145/70 R12 145/70 R13 --- 0.0180 0,0173 0,0147 0,0162 90.3 81.6 89.9 81.6 0.177 0,170 0,145 0,159 Tabela 12 – Coeficiente de resistência ao rolamento dos veículos medidos 33 O Coeficiente de resistência ao rolamento usado no cálculo da potência específica de quadriciclos é também aproximado por uma média ponderada entre quadriciclos leves e pesados. A resistência ao rolamento depende directamente dos pneus do veículo (dimensões e composição). Portanto, como aproximação é usado um valor típico dos pneus montados em cada um dos veículos. Estes valores são referentes a dados comerciais dos respectivos fabricantes. Factor de aceleração (FA): aceleração das massas rotativas Por falta de informação e devido às semelhanças do sistema de transmissão dos quadriciclos eléctricos com veículos convencionais o factor de aceleração para quadriciclos é assumido como 1.1, tal como o coeficiente usado no cálculo da potência específica de veículos ligeiros. Corrigidos os coeficientes, da metodologia VSP definida em 3.5.1, a equação de cálculo da potência específica para um quadriciclo é dada pela Eq 16: Eq 16 Como consequência dos pontos anteriores, o método sugerido de análise passa por definir as classes VSP de 1 em 1 W/kg, de acordo com a Tabela 13: Classe VSP Definição (W/kg) Classe VSP Definição (W/kg) 0 VSP = 0 -1 -1 < VSP < 0 1 0 < VSP < 1 -2 -2 < VSP ≤ -1 2 3 1 ≤ VSP < 2 2 ≤ VSP < 3 -3 -4 -3 < VSP ≤ -2 -4 < VSP ≤ -3 ... 9 ... 8 ≤ VSP < 9 -5 -6 -5 < VSP ≤ -4 -6 < VSP ≤ -5 10 VSP ≥ 9 -7 VSP ≤ -6 Tabela 13 – Distribuição VSP em classes de uma unidade Os limites (Classes VSP 10 e -7) representados na Tabela 13 são definidos tendo em conta as potências específicas limites típicas de quadriciclos eléctricos e pela sua representatividade experimental, ou seja o número de registos obtidos em comparação com total medido. Isto significa que perto dos limites de potência podem não existir registos com representatividade suficiente. Os compromissos que definem as classes limite referidas na Tabela 13 e garantem um resultado preciso, estão de seguida justificados. A classe VSP máxima é definida com um compromisso entre as potências máximas debitadas pelos veículos (Eq 17) e pela sua representatividade nesses regimes (Eq 18): Eq 17 Eq 18 34 Na Tabela 14, encontram-se os factores considerados na selecção do limite superior das classes de potência específica, usadas para caracterizar quadriciclos eléctricos: Veículo Estrima Biró 1,0% 1,0% Toyota COMS 1,0% 1,3% Mahindra Reva i 1,4% 8,6% Tabela 14 – Dados relativos à definição do limite superior das classes VSP aplicadas aos quadriciclos ensaiados O compromisso encontrado, para definir a classe de potências especifica superior é correspondente à classe VSP 10 ou seja VSP > 9 W/kg, este limite foi encontrado de forma a não prejudicar a representatividade dos registos efectuados com quadriciclos ligeiros nesta situação limite. Por outro lado este limite definido abaixo das capacidades típicas de potência para quadriciclos pesados, tem como consequência um acréscimo de registos na classe 10. Contudo esta situação não é penalizante, como se pode verificar na Tabela 15, que contém uma breve análise ao desvio padrão dos registos de consumo do quadriciclo pesado Reva i, para a classe de limite. Desvio padrão dos registos de consumo medidos (Wh/s) Média dos registos de consumo (Wh/s) VSP > 9 W/kg 0,368 2,14 VSP > 12 W/kg 0,446 2,20 Classe VSP Tabela 15 – Desvio padrão dos registos de consumo medidos em função da potência específica máxima A classe VSP mínima é definida tendo em consideração a gama de VSP a partir da qual o veículo não tem mais capacidade regenerativa, uma vez que esta informação nem sempre é cedida pelos fabricantes, pode ser aproximada a partir dos registos de consumo. No gráfico da Figura 31, relativo à potência eléctrica do quadriciclo Reva i em situação de potência negativa à roda (desaceleração/travagem), a classe VSP mínima, é facilmente identificado, como classe -11 (VSPmin). Para classes inferiores a -11, a potência eléctrica gerada passa a ser aproximadamente constante por limitações do veículo, e portanto a sua dependência da potência específica (VSP) deixa de existir, assim todos os pontos inferiores a -10W/kg ficam a pertencer à classe VSP -11. A Figura 31 traduz o resultado final, em que na classe VSP -11 estão agrupados todos os pontos com uma potência específica inferior a -10W/kg. 35 -4000 -3000 -2000 Potência eléctrica (W) -5000 -1000 0 -15 -14 -13 -12 -11 -10 -9 -8 -7 Classe VSP -6 -5 -4 -3 -2 -1 Figura 31 – Gráfico de potência eléctrica (de regeneração) em função da classe VSP, do quadriciclo Reva i Esta definição de limite inferior (VSP ≤ VSPmin) apesar de apresentada com base nos registos do quadriciclo Reva i, foi observada nos restantes veículos (Figura 32 e Figura 33): -1200 -800 -400 Potência eléctrica (W) -1600 0 -15 -14 -13 -12 -11 -10 -9 -8 -7 Classe VSP -6 -5 -4 -3 -2 -1 Figura 32 – Gráfico de potência eléctrica (de regeneração) em função da classe VSP, do quadriciclo Biró -2500 -2000 -1500 -1000 -500 0 -15 -14 -13 -12 -11 -10 -9 -8 -7 Classe VSP -6 -5 -4 -3 -2 -1 Figura 33 – Gráfico de potência eléctrica (de regeneração) em função da classe VSP, do quadriciclo COMS 36 Potência eléctrica (W) -3000 Na Tabela 16 encontra-se um resumo, referente às limitações inferiores de potência para os quadriciclos monitorizados: Veículo Estrima Biró Toyota COMS Mahindra Reva i -7 2,8% 2,8% -12 0,6% 2,9% -11 1,1% 3,5% Tabela 16 – Dados relativos à definição do limite superior das classes VSP aplicadas aos quadriciclos O compromisso encontrado, para definir a classe de potências especifica inferior é correspondente à classe VSP -7 ou seja VSP < -6 W/kg, este limite foi encontrado de forma a não prejudicar a representatividade dos registos efectuados com qualquer quadriciclo nesta situação limite e próxima desta. Mesmo estando o limite inferior definido de forma a subestimar as capacidades dos Quadriciclos Toyota COMS e Mahindra Reva, o erro associado é diminuto, como se pode observar pelo desvio padrão dos registos de consumo para a solução de compromisso encontrada, presente na Tabela 17. VSP < -6 W/kg Desvio padrão dos registos de consumo medidos (Wh/s) 0,440 Média dos registos de consumo (Wh/s) 0,502 VSP < -12 W/kg 0,402 0,678 VSP < -6 W/kg 0,604 -1,05 VSP < -11 W/kg 0,648 -1,31 Veículo Classe VSP Toyota COMS Mahindra Reva i Tabela 17 – Desvio padrão dos registos de consumo medidos em função da potência específica mínima 37 3.6. Estimativa de consumo a partir dos dados de abastecimento e dinâmica Como foi referido na introdução, a simplicidade dos quadriciclos eléctricos disponibilizados, garantem uma facilidade de acesso às baterias ou pelo menos aos terminais das mesmas, permitindo assim, que o laboratório portátil anteriormente descrito faça uma monitorização segundo a segundo do consumo eléctrico do veículo, garantindo a aplicação quase directa da metodologia VSP já referida. A necessidade de quantificação dos consumos de veículos eléctricos mais complexos, como é o caso dos veículos ligeiros, em que a monitorização do consumo instantâneo em situação de condução é complicada, devido às elevadas tensões e correntes envolvidas, assim como o acesso aos componentes. Sendo negado este acesso directo aos registos de consumo eléctrico em condições reais de operação, foi desenvolvida uma metodologia, que contorna esta limitação e que permite da mesma forma caracterizar o consumo de um veículo eléctrico em função da potência específica do mesmo. Esta abordagem foi desenvolvida em torno dos seguintes parâmetros: Consumo integral por viagem, registado a partir do consumo das baterias à rede. Distribuição temporal dos vários pontos registados por modo VSP, cujo registo é feito por aplicação da metodologia descrita no capítulo 3.2 usando apenas os dados de velocidade e altitude do circuito. Para veículos ligeiros não devem ser usados os coeficientes da equação VSP definidos no Capitulo 3.2.2. Na Tabela 18 estão representados os coeficientes adequados, às duas classes de veículo estudadas: Classe de veículos eléctricos Quadriciclo Ligeiro Caerodinâmico 0,984 x 10-3 0,302 x 10-3 Cr. rolamento 0,159 0,132 Tabela 18 – Coeficientes da equação VSP em função da classe de veículo 38 Percepção do comportamento típico do consumo eléctrico em função da potência específica à roda (modo VSP), ponto este, que em conjunto com a distribuição temporal por modo, dará forma à curva de consumo do veículo em estudo. 4. Resultados 4.1. Caracterização experimental A aplicação das metodologias referidas no capítulo 3, têm como resultado uma distribuição de pontos por modo VSP, que reflecte o tipo de circuito/condução efectuado. Associando cada registo de consumo eléctrico a cada um dos pontos correspondentes e por sua vez a um modo VSP, obtém-se então um consumo eléctrico do veículo em função do modo VSP. Os resultados da aplicação da metodologia VSP adaptada a quadriciclos eléctricos, encontram-se representados nas secções seguintes, para cada um dos veículos monitorizados. 4.1.1. Quadriciclos leves Estrima Biró Os registos de consumo presentes na Tabela 19 são referentes ao consumo da bateria requeridos por parte dos vários sistemas do veículo durante a operação do mesmo e medidos com o laboratório portátil, encontrando-se representados em função dos circuitos realizados pelo Estrima Biró. Circuito Distância Consumo (km) (Wh) 1 9,9 679,7 2 9,9 742,7 3 9,6 676,6 4 11,0 751,9 5 11,2 718,7 6 10,5 729,0 7 9,8 658,7 Total 71,9 4957 Regeneração (Wh) 88,8 109,0 64,8 85,78 83,0 105,6 57,3 594,3 Consumo líquido (Wh) 590,9 633,7 611,8 666,1 635,6 623,4 601,4 4363 % de regeneração 13,1 14,7 9,6 11,4 11,6 14,4 8,7 12,0 Consumo por km (Wh/km) 59,7 64,0 63,7 60,6 57,8 55,7 61,4 60,7 Tabela 19 – Registos de consumos energéticos relativos aos circuitos realizados com o quadriciclo Estrima Biró Após cada um dos ensaios é feito um carregamento total do veículo, resultando assim num registo de consumo à rede que está associado ao circuito realizado. Comparando este valor com o valor de descarga da bateria medido durante o decorrer do ensaio, obtém-se uma eficiência de carga/descarga da bateria. Circuito Consumo à rede (Wh) 1 2 3 4 5 6 7 Total 990 1300 1010 1380 1030 1260 980 7950 Eficiência Carga/Desc. (%) 61,3 47,4 55,7 48,6 65,6 48,8 60,7 54,6 Consumo à rede por km (Wh/km) 100 131 105 126 92 120 100 111 Custo por km (€/100 km) 1,30 1,70 1,37 1,64 1,20 1,56 1,30 1,44 Tabela 20 – Registo de consumos à rede e eficiência de carga/descarga do quadriciclo Estrima Biró 39 Como é possível perceber da Tabela 20, o consumo do veículo à rede é claramente superior ao consumo medido da descarga das baterias (Tabela 19), devendo-se à fraca eficiência de carga/descarga, que está associada à tecnologia e à capacidade das baterias, já que são de Chumbo e possuem capacidades reduzidas. Sendo o valor típico de eficiência das baterias de chumbo nestes veículos já bastantes baixo, perto de 60% como verificado nos circuitos 1, 5 e 7 (registos conseguidos com um tempo de carregamento estritamente necessário ao carregamento total), quando o veículo se encontra ligado à rede durante mais tempo (por exemplo durante a noite), existe um acréscimo de consumo parasita à rede, que aliado à pequena capacidade da bateria, se reflecte numa baixa eficiência de carga da mesma, como acontece nos registos dos circuitos 2, 4 e 6. De notar que a segunda situação é a mais realista, já que muitos dos veículos eléctricos são ou serão geralmente carregados durante a noite, dando origem a carregamentos mais longos que o necessário ao carregamento total. Com o intuito de justificar as diferenças de eficiência de carregamento presentes na Tabela 20 e de forma a entender melhor esta questão de consumo parasita durante a fase de carregamento, foi efectuado um registo a jusante do carregador de forma a quantificar a totalidade de energia necessária à carga das baterias. Na Tabela 21 encontram-se os resultados obtidos após a monitorização da fase de carregamento do quadriciclo Biró: 1ª Fase 2º Fase Sem Carga Total Duração (h:mm) 1:23 3:04 0:22 4:49 Energia (Wh) 661,1 186,5 18,2 865,9 Potência média (W) 476,2 61,1 49,6 180,0 Tabela 21 – Resultados das medições a jusante do carregador durante um carregamento do quadriciclo Biró Na Figura 34, encontra-se o gráfico de potência de carregamento em função do tempo para o carregamento medido. Figura 34 – Potência de carregamento do quadriciclo Biró em função do tempo 40 No gráfico da Figura 34, estão identificadas as duas principais fases de carregamento de uma bateria de Chumbo: a 1ª fase é responsável por grande parte do carregamento, como se pode confirmar no gráfico; a 2ª fase tem como característica um carregamento a baixa potência e de longa duração. A medição a jusante do carregador perfez 866 Wh no total, contudo a medição directamente da rede eléctrica representa um consumo de 880Wh, o que confere ao transformador uma eficiência de 98,4%, colocando-o de parte como responsável da baixa eficiência de carga/descarga registada nas restantes monitorizações Estes registos foram obtidos a partir de uma ensaio de monitorização extra com o único objectivo de definir a eficiência das baterias deste quadriciclo, não está portanto associado a nenhum dos ensaios referidos na Tabela 20. O registo de consumo global medido a bordo do veículo foi de 552Wh, garantindo às baterias uma eficiência de 63,8%, para este ensaio em específico. Descritos os parâmetros energéticos globais de cada um dos ensaios, pode-se passar à aplicação da metodologia descrita no capítulo 3.5. Na Figura 35, encontra-se representada a distribuição de pontos medidos em função de modos de potência específica. Esta apresenta diferenças significativas quando comparada com os outros veículos, devido ao facto do ensaio se ter realizado exclusivamente no Parque das Nações, onde o trânsito local é menos intenso do que no centro de Lisboa, resultando num menor número de registos para os modos VSP mais próximos de potências específicas nulas, quando comparado com monitorizações em que o trafego local é mais intenso. No entanto esta variação, não tem consequência no que toca à estimativa de consumo eléctrico por modo VSP, como se pode ver pelo desvio padrão do consumo em função do modo VSP apresentado na Tabela 22. 1200 1000 800 600 400 200 Nº de pontos medidos 1400 0 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 Classe VSP 4 5 6 7 8 9 10 Figura 35 – Distribuição do nº de pontos medidos em função do modo VSP do quadriciclo Estrima Biró O superior número de pontos no modo VSP -7 (Figura 35), deve-se ao facto de este modo acumular pontos com potência específica inferiores a -6 W/kg, tal como foi explicado na secção 3.5.2, relativa ao ajuste da metodologia VSP a quadriciclos eléctricos. 41 1,00 0,50 0,00 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 -0,50 Consumo Eléctrico (Wh/s) 1,50 -1,00 -1,50 Classe VSP Figura 36 – Gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP do quadriciclo Estrima Biró Uma das características deste veículo prende-se com a regeneração eléctrica pouco intensa, tal como se constata no gráfico da Figura 36 de consumo em função do modo VSP. Em comparação com o Toyota COMS (apresentado de seguida), cujas características são idênticas às do Biró, ambos apresentam consumos semelhantes da classe -1 à classe -4, sendo o consumo aproximadamente proporcional à potência dinâmica. No entanto a partir da classe VSP -5, deixa de o ser e converge para o valor constante da classe -7. Isto é facilmente explicado pelo facto da função de regeneração do Biró, ser exclusivamente accionada pelo levantar do pé do acelerador, assim a restante potência de travagem é colmatada com o travão mecânico. Na Tabela 22 encontra-se um resumo de todos os dados obtidos por aplicação da metodologia descrita em 3.5. Classe VSP Tempo (s) % Consumo eléctrico (Wh/s) Desvio padrão (Wh/s) Classe VSP Tempo (s) % Consumo eléctrico (Wh/s) Desvio padrão (Wh/s) 10 99 1.0% 1.38 0.371 -1 707 6.9% -0.001 0.181 9 174 1.7% 1.25 0.189 -2 446 4.4% -0.097 0.227 8 306 3.0% 1.24 0.205 -3 377 3.7% -0.217 0.242 7 450 4.4% 1.18 0.215 -4 286 2.8% -0.334 0.178 6 618 6.0% 1.00 0.266 -5 219 2.1% -0.387 0.132 5 815 8.0% 0.83 0.268 -6 140 1.4% -0.403 0.097 4 1125 11.0% 0.70 0.250 -7 289 2.8% -0.411 0.100 3 1237 12.1% 0.57 0.242 2 1087 10.6% 0.452 0.247 1 1012 9.9% 0.221 0.255 0 838 8.2% 0.005 0.030 Tabela 22 – Tempo decorrido, consumo eléctrico e desvio padrão desse consumo em função do modo VSP do quadriciclo Estrima Biró 42 Toyota COMS Os dados de consumo medidos durante os ensaios e fase de carregamento em função dos circuitos efectuados com o toyota COMS, estão resumidos na Tabela 23. Os ensaios de monitorização que permitiram obter os seguintes registos experimentais foram obtidos antes de se dar inicio a esta tese, contudo o procedimento usado para os obter é idêntico ao efectuado para os restantes veiculos. Circuito Distância (km) Consumo (Wh) Regeneração (Wh) 1 2 3 4 5 Total 9,9 9,8 9,7 9,6 7,8 46,8 842,1 795,9 784,8 773,4 598,1 3794 164,4 154,0 149,7 130,9 101,8 700,8 Consumo líquido da bateria (Wh) 677,7 641,9 635,2 645,6 494,3 3093 % regeneração 19,5 19,3 19,1 16,9 17,0 18,5 Consumo por km (Wh/km) 68,5 65,5 65,5 67,3 63,3 66,1 Tabela 23 - Registos de consumos energéticos relativos aos circuitos realizados com o quadriciclo Toyota COMS Como se pode identificar, a intensidade de regeneração deste veiculo é alta, quando comparada com os restantes veiculos monitorizados, nomeadamente o Estrima Biró (Tabela 19). É também possível verificar que estas taxas de regeneração próximas de 20%, já tinham sido indentificadas noutra análise experimental efectuada por outro autor (10), como foi já referido na introdução e conceitos. De notar que todos os registos presentes na Tabela 23 são referentes ao consumo das baterias por parte dos vários sistemas do veiculo, isto é motor, controlador e sistemas auxiliares. Os dados de consumo à rede, apesar de medidos, não estão aqui presentes por falta de rigor, devido ao facto do veículo não ter inciado os circuitos de medição totalmente carregado. Assim os dados apresentados na Tabela 24, são estimados com base numa eficiência de carga/descarga de 55%, Esta eficiência base assumida foi medida a partir dos registos de carregamento do quadriciclo Estrima Biró e extrapolada para o Toyota COMS, pois ambos possuem características semelhantes. Circuito Consumo à rede (Wh) 1 2 3 4 5 Total 1232 1167 1155 1174 899 5624 Consumo à rede por km (Wh/km) 125 119 119 122 115 120 Custo por km (€/100 km) 1,63 1,55 1,55 1,59 1,50 1,56 Tabela 24 – Estimativa de consumo à rede do quadriciclo Toyota COMS Após aplicação da metodologia referida no capítulo 3.5, é estimado para cada instante uma potência específica, debitada pelo veiculo, com base na informação dinâmica (velocidade, aceleração). Agrupados os registos do Toyota COMS por modos de potência especifica, obtém-se a distribuição temporal da Figura 37. 43 10485 ... 2000 1500 1000 500 Nº de pontos medidos 2500 0 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 Classe VSP 4 5 6 7 8 9 10 Figura 37 – Distribuição do nº de pontos medidos em função do modo VSP do quadriciclo Toyota COMS Tal como descrito no capítulo 3.3 os circuitos realizados com o Toyota COMS, reprentam uma condução tipicamente urbana, tendo como consequência, um acréscimo de registos para os modos VSP mais próximos de 0 W/kg, no entanto, dada a extensão e número de circuitos realizados, a quantidade de registos noutros modos VSP revelam-se suficientes para uma correcta caracterização. O acréscimo de pontos no modo VSP -7 deve-se ao facto deste modo acumular todos os pontos com potência específica inferiores a -6 W/kg, pois tal como foi explicado na metodologia VSP para quadriciclos eléctricos (capítulo 3.5.2), a partir de um determinado valor de potência à roda, o consumo/regeneração eléctrica do veículo é constante, sendo que para o veículo em questão, a grande maioria dos pontos registados a potências inferiores a -6 W/kg apresentam valores de regeneração eléctrica idênticos. Na Figura 38 encontra-se a evolução do consumo eléctrico em função da potência especifica deste quadriciclo: 1,50 0,50 0,00 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 -0,50 Classe VSP -1,00 Figura 38 – Gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP do quadriciclo Toyota COMS 44 Consumo eléctrico (Wh/s) 1,00 O gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP (Figura 38) revela uma relação linear para modos VSP não próximos do modo 0, ou seja para modos superiores a 2 e inferiores a -2, devendo-se ao facto dos motores eléctricos conseguirem eficiências elevadas, mesmo em regimes de carga parciais, situação que não se verifica em veiculos convencionais. Na Tabela 25 estão resumidos todos os dados resultantes da aplicação da metodologia VSP adaptada a quadriciclos eléctricos. Classe VSP Tempo (s) % Consumo eléctrico (Wh/s) Desvio padrão (Wh/s) Classe VSP Tempo (s) % Consumo eléctrico (Wh/s) Desvio padrão (Wh/s) 10 174 1.3% 1.22 0.273 -1 1086 8.1% -0.0116 0.162 9 163 1.2% 1.21 0.238 -2 549 4.1% -0.118 0.234 8 266 2.0% 1.15 0.234 -3 374 2.8% -0.179 0.269 7 414 3.1% 1.03 0.255 -4 278 2.1% -0.242 0.294 6 517 3.9% 0.91 0.273 -5 186 1.4% -0.316 0.310 5 652 4.9% 0.80 0.265 -6 130 1.0% -0.386 0.325 4 627 4.7% 0.67 0.269 -7 384 2.9% -0.502 0.440 3 585 4.4% 0.54 0.263 2 605 4.5% 0.410 0.261 1 1134 8.5% 0.200 0.223 0 5242 39.3% 0.0209 0.0334 Tabela 25 – Tempo decorrido, consumo eléctrico e desvio padrão desse consumo em função do modo VSP do quadriciclo Toyota COMS Apresentados os resultados relativos a quadriciclos ligeiros eléctricos, encontra-se de seguida uma comparação directa de consumos por classe VSP, entre o quadriciclo Estrima Biró e o Toyota COMS 1,50 COMS 1,00 0,50 0,00 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Consumo eléctrico (Wh/s) Biro -0,50 -1,00 Classe VSP Figura 39 – Comparação de consumo eléctrico dos quadriciclos ligeiros caracterizados 45 4.1.2. Quadriciclos pesados Mahindra Reva i Efectuados os circuitos e medições referidas no capítulo 3.3, obtêm-se os registos de consumo presentes na Tabela 26 referentes ao consumo da bateria por parte dos vários sistemas do veículo, nomeadamente o sistema controlador/motor. Estes registos são calculados pelo somatório de todos os consumos medidos em estrada. De notar que este consumo não reflecte o consumo à rede eléctrica, sendo este ponto analisado adiante. Circuito Distância (km) Consumo (Wh) Regeneração (Wh) 1 2 3 4 Total 9,7 16,7 11,7 17,7 55,8 1135 1530 1223 1802 5691 211,4 222,6 111,7 327,2 872,8 Consumo líquido de bateria (Wh) 923,9 1307,5 1111,6 1475,4 4818,3 % de regeneração Consumo por km (Wh/km) 18,6 14,5 9,1 18,2 15,1 95,3 78,3 95,0 83,4 86,3 Tabela 26 – Registos de consumos energéticos relativos aos circuitos realizados com o Reva i Os dados de consumo à rede de cada um dos circuitos, não foram registados directamente pelo medidor de energia, portanto este consumo é calculado pela divisão do consumo líquido de bateria por uma eficiência típica de 55%, característica das baterias em questão, como comprovado pelos dados de consumo à rede do quadriciclo Biró, representados na Tabela 27. Circuito Consumo à rede (Wh) 1 2 3 4 Total 1680 2377 2021 2682 8761 Consumo à rede por km (Wh/km) 173 142 173 152 157 Custo por km (€/100 km) 2,25 1,85 2,25 1,98 2,04 Tabela 27 – Estimativa de consumo à rede do quadriciclo Reva i Descritos os parâmetros energéticos globais de cada um dos ensaios, pode-se passar à aplicação da metodologia descrita no capítulo 3.5. Na Figura 40, está representada a distribuição do total de pontos medidos durante os 4 circuitos de monitorização, sendo esta distribuição feita em função do modo VSP. Cada um dos pontos corresponde a 1 segundo de viagem. 46 1400 1000 800 600 400 Nº de Pontos medidos 1200 200 0 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 Classe VSP 4 5 6 7 8 9 10 Figura 40 – Distribuição do nº de pontos medidos em função do modo de VSP do quadriciclo Mahindra Reva i O superior número de pontos nas classes VSP -7 e VSP 10 deve-se ao facto de estas classes acumularem pontos com potência específica inferiores a -7W/kg e superiores a 9W/kg respectivamente, tal como foi explicado na metodologia VSP para quadriciclos eléctricos. Na Figura 41 encontra-se representado o gráfico de evolução do consumo eléctrico em função da potência especifica do quadriciclo Reva i: 2,50 1,50 1,00 0,50 0,00 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 -0,50 Consumo eléctrico (Wh/s) 2,00 -1,00 -1,50 Classe VSP -2,00 Figura 41 – Gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP do quadriciclo Mahindra Reva i O gráfico de consumo eléctrico em função do modo VSP revela uma relação linear para modos VSP não proximos do modo 0, tal como acontece para os restantes veículos. A diferença do consumo por modo relativamente aos restantes quadriciclos resume-se essencialmente à sua magnitude, que é superior para o veículo em questão. 47 Na Tabela 28 encontra-se um resumo de todos os dados obtidos por aplicação da metodologia descrita em 3.5. Classe VSP Tempo (s) % Consumo eléctrico (Wh/s) Desvio padrão (Wh/s) Classe VSP Tempo (s) % Consumo eléctrico (Wh/s) Desvio padrão (Wh/s) 10 694 8.6% 2.14 0.369 -1 615 7.6% -0.048 0.190 9 312 3.9% 1.95 0.433 -2 307 3.8% -0.212 0.247 8 325 4.0% 1.72 0.469 -3 306 3.8% -0.378 0.287 7 311 3.8% 1.58 0.471 -4 213 2.6% -0.457 0.325 6 371 4.6% 1.35 0.471 -5 156 1.9% -0.59 0.338 5 446 5.5% 1.16 0.468 -6 119 1.5% -0.73 0.405 4 501 6.2% 0.95 0.440 -7 287 3.5% -1.05 0.604 3 492 6.1% 0.76 0.436 2 469 5.8% 0.59 0.445 1 844 10.4% 0.215 0.295 0 1335 16.5% 0.057 0.067 Tabela 28 – Tempo decorrido, consumo eléctrico e desvio padrão desse consumo em função do modo VSP do quadriciclo Mahindra Reva i Apresentados os resultados relativos a quadriciclos eléctricos, é oportuno comparar directamente o consumo eléctrico de todos os quadriciclos caracterizados experimentalmente, representada na Figura 42. 2,50 Biro COMS REVA 1,50 1,00 0,50 0,00 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 -0,50 -1,00 -1,50 Classe VSP Figura 42 – Comparação de consumo eléctrico dos quadriciclos ligeiros caracterizados 48 Consumo eléctrico (Wh/s) 2,00 4.2. Consumos com base em dados de carregamento De forma a desenvolver uma metodologia indirecta para estimar consumos modais, tal como proposto nos objectivos, será útil analisar o comportamento dos veículos já estudados a partir de dados experimentais. A ideia que permite o desenvolvimento desta metodologia, foi inspirada na tese de doutoramento de Gonçalo Duarte (21), esta análise implica identificar o comportamento do consumo de energia em função da potência específica do veículo. Posto isto, é útil comparar os diferentes veículos/tecnologias medidas experimentalmente, de forma a identificar padrões/tendências de consumo, independentemente das características dos mesmo. Esta comparação pode ser vista na Figura 43 onde está representado um gráfico de consumo eléctrico normalizado em função da potência específica também normalizada. Sendo o consumo eléctrico normalizado pelo consumo eléctrico máximo e a potência específica normalizada pela potência específica máxima. 1 0,6 0,4 0,2 0 -1,2 -1 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 -0,2 -0,4 Consumo eléctrico Normalizado 0,8 -0,6 Reva Biro COMS -0,8 Potência específica normalizada Figura 43 – Gráfico de consumo eléctrico normalizado em função da potência específica normalizada, para os veículos medidos seguindo a metodologia VSP adaptada Apesar dos veículos medidos apresentarem tecnologias diferentes (baterias e motor eléctrico), é possível perceber que as diferentes curvas de consumo têm comportamentos idênticos, tendo em consideração a sua potência máxima, isto para o lado positivo, onde se regista o consumo eléctrico. Para o lado negativo, onde se regista regeneração eléctrica, este já não é o caso, porque existem diferenças significativas de regeneração entre veículos, no entanto estas diferenças acontecem não devido ao tipo de tecnologia (baterias e motor), mas devido às suas configurações, como a intensidade de regeneração definida pelo controlador ou devido às capacidades do veículo, como regeneração em travagem ou apenas em desaceleração. Nota: Os limites fixos de potência específica impostos ao quadriciclos na metodologia definida no capítulo 3.5, foram aqui levantados excepcionalmente, permitindo uma análise mais completa a todo o espectro de potência destes veículos. As tabelas de consumo normalizado referentes aos dados do gráfico da Figura 43 podem ser encontradas no anexo E (Tabela 56, Tabela 57 e Tabela 58). 49 Outro resultado importante, com o intuito de caracterizar os quadriciclos em estudo, e a tecnologia a eles associada é a eficiência dos mesmos em função da potência específica, representada sobre a forma de gráfico na Figura 44. De notar que esta eficiência tem como base os dados de potência eléctrica medida segundo a metodologia VSP adaptada a quadriciclos, que por sua vez é dividida pela potência dinâmica associada ao modo VSP em questão. Posto isto, estes dados de eficiência contabilizam apenas o sistema controlador/motor, não fazendo parte desta análise a bateria e sistema de carregamento. 100% 90% 80% 70% 50% 40% Eficiência 60% 30% 20% 10% Reva Biro COMS 0% -1,2 -1 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 Potência específica normalizada Figura 44 – Gráfico de eficiência em função da potência específica normalizada, dos quadriciclos medidos Tal como para a situação anterior (Figura 43), o comportamento da curva (Figura 44) é semelhante para os três veículos para potências específicas positivas, apesar de apresentarem magnitudes ligeiramente diferentes. Em situação de regeneração, o comportamento é também idêntico com excepção do quadriciclo Biró, pelas mesmas razões apresentadas anteriormente. É possível também identificar o carácter constante da eficiência em regeneração, ponto importante no desenvolvimento desta metodologia. A tabela com os dados de eficiência dos três quadriciclos, referente ao gráfico da Figura 44 pode ser encontrada no anexo E (Tabela 59). Considerando como hipótese, um comportamento idêntico de consumo eléctrico em função do modo VSP, é necessário definir e quantificar este comportamento padrão. Este ponto encontra-se descrito no capítulo 4.2.1. 50 4.2.1. Parâmetros-chave necessários ao desenvolvimento Para validar/aplicar esta metodologia, será pertinente perceber o comportamento típico do consumo eléctrico em função do modo VSP, pois é a partir deste comportamento que se condiciona o sistema de equações que dá solução à metodologia. Esta análise ao comportamento pode ser feita por partes: 1. Regeneração (VSP < 0W/kg) Apesar de nesta região o fluxo energético ser essencialmente de recarregamento das baterias para gamas VSP mais próximas de 0, este pode ser nulo ou pode mesmo registar-se um consumo, isto porque independentemente do regime de potência do veículo, existe sempre um consumo base associado à alimentação dos sistemas auxiliares. 2. Análise ao andamento da curva de consumo normalizada pelo consumo máximo em função da potência específica. No gráfico da Figura 45, estão representados os consumos medidos e normalizados pelo consumo máximo de cada um dos veículos. Os dados do Estrima Biró apesar de estarem representados no gráfico, não são representativos do comportamento típico de um veículo eléctrico, já que a regeneração do mesmo não é accionada em situação de travagem, e por essa mesma razão, não entrará nesta análise. Quanto aos restantes veículos, consegue-se identificar uma semelhança na evolução do consumo em função da potência específica. Potência específica (W/kg) 0 -10 -8 -6 -4 -2 0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 -0,5 -0,6 Consumo normalizado -12 -0,7 Reva i Biró COMS Figura 45 – Dispersão dos registos de eficiência de regeneração em função da potência específica dos quadriciclos Reva i e COMS Outra indicação pertinente do andamento da curva de consumo é revelada a partir da evolução da eficiência de regeneração em função da potência específica do veículo (Figura 46), esta eficiência pode ser aproximada pela divisão da potência eléctrica pelo produto da potência específica e peso do veículo, de acordo com o modo VSP. 51 COMS 1 0,8 0,6 0,4 0,2 Eficiência de regeneração Reva i 0 -10 -8 -6 -4 Potência específica (W/kg) -2 0 Figura 46 – Dispersão dos registos de consumo normalizados em função da potência específica dos vários veículos medidos Na Figura 46 encontra-se o gráfico da eficiência de regeneração e podemos então assumir que para potências específicas inferiores a -2 W/kg a eficiência é aproximadamente constante. Esta tendência permite aproximar o consumo eléctrico em regeneração por uma recta que passa na origem para o domínio onde se registam potências específicas inferiores a -2 W/kg. Esta hipótese é confirmada pela interpolação dos dados experimentais dos quadriciclos medidos, como indicado na Figura 47. Potência específica (W/kg) -10 -8 -6 -4 0 -2 0 -0,2 y = 0.0652x - 0.0228 R² = 0.9936 -0,4 -0,6 y = 0,1181x - 0,0572 R² = 0,9965 -0,8 -1 -1,2 Reva i Consumo eléctrico (Wh/s) -12 COMS -1,4 Figura 47 – Interpolação dos registos de consumo eléctrico em função da potência específica, para uma gama de potências negativa a partir de -2,5W/kg Quanto à restante região do lado regenerativo, para potências específicas entre 0W/kg e 2,5W/kg, o seu andamento pode ser representado por uma equação quadrática, como se pode identificar na seguinte interpolação dos dados referentes às monitorizações em estrada, Figura 48: 52 Potência específica (W/kg) 0 -3 -2,5 -2 -1,5 -1 -0,5 0 -0,1 y = 0.0068x2 + 0.1024x + 0.0271 R² = 0.9914 -0,2 y = 0.0129x2 + 0.1923x + 0.0539 R² = 0.9994 REVA COMS -0,3 Consumo eléctrico (Wh/s) 0,1 -0,4 Figura 48 – Interpolação dos registos de consumo eléctrico em função da potência, para uma gama de potências negativa e próxima de 0W/kg 3. Região de consumo de bateria (VSP ≥ 0 W/kg) Para esta gama de consumos, também se regista uma evolução aproximadamente linear, isto a partir de um determinado valor de potência específica. O consumo base dos veículos é também de fácil identificação, e pouco varia dentro da classe. Portanto, tendo em conta as medições em estrada, pode ser assumida uma potência base de 120W para quadriciclos. A análise ao andamento da curva de consumo em função da potência específica encontra-se na Figura 49: 2,5 Biro COMS 2 1,5 1 0,5 0 0 2 4 6 8 Potência específica (W/kg) 10 Consumo eléctrico (Wh/s) Reva i 12 Figura 49 – Consumo eléctrico em função da potência específica dos quadriciclos medidos Tal como acontece para o lado regenerativo desta curva, esta evolução do consumo eléctrico, pode ser considerada proporcional em função da potência específica. De notar que esta aproximação só pode ser feita para potências específicas superiores a 2,5W/kg, pois este efeito não se verifica para potências específicas próximas de 0W/kg. Isto acontece devido a uma menor eficiência dos veículos eléctricos neste regime de utilização. No gráfico da Figura 50 é possível identificar a evolução linear do consumo eléctrico em função da potência específica através de uma interpolação dos registos experimentais de consumo por aplicação da metodologia VSP adaptada. 53 2 y = 0.1814x + 0.374 R² = 0.9881 y = 0.1312x + 0.2303 R² = 0.9869 1,5 1 y = 0.1152x + 0.2613 R² = 0.9955 Consumo eléctrico (Wh/s) 2,5 0,5 Reva Biro COMS 0 0 2 4 6 8 10 12 Potência específica (W/kg) Figura 50 – Interpolação dos registos de consumo em função da potência específica A região de potências positivas e próximas de 0W/kg pode ser aproximada por uma equação quadrática, como se pode confirmar pela interpolação dos registos de consumo eléctrico em função da potência específica, Figura 51. 0,9 0,6 0,45 y = -0.069x2 + 0.3896x + 0.0119 R² = 0.9986 0,3 y = -0.0551x2 + 0.3397x + 0.0278 R² = 0.9981 Consumo eléctrico (Wh/s) 0,75 y = -0.0569x2 + 0.4467x + 0.044 R² = 0.9971 0,15 Reva Biro COMS 0 0 0,5 1 1,5 2 Potência específica (W/kg) 2,5 3 Figura 51 – Interpolação dos registos de consumo eléctrico em função da potência, para uma gama de potências positiva e próxima de 0W/kg 54 Sumariamente, a curva de consumo em função da potência específica de um veículo pode ser definida por 4 equações distintas, relativas a 4 regiões definidas. No entanto é ainda necessário definir constrangimentos dessas curvas, de forma a representarem fidedignamente a curva de consumo de um determinado veículo eléctrico, nomeadamente: Continuidade – todas as fronteiras das equações aqui definidas, deverão ser continuas, e portanto deverão entrar como constrangimentos no sistema de equações a resolver por esta metodologia. Continuidade da derivada – As fronteiras entre a equação quadrática e linear, do lado positivo e negativo, ou seja para os pontos -2,5 W/kg e 2,5 W/kg têm uma derivada aproximadamente continua, portanto são também condições fronteira dos sistema de equações a resolver. Pelo contrário a fronteira do ponto de potência específica nula, não apresenta uma continuidade na derivada, isto tendo em conta os registos e consequente interpolação do consumo em função da potência específica, podendo ser confirmado na Tabela 29. Quadriciclo Reva Biró Toyota COMS Derivada para 00,192 0,404 0,102 Derivada para 0+ 0,447 0,390 0,340 Razão 2,33 0,96 3,33 Tabela 29 – Relação da derivada à esquerda e direita de 0W/kg do sistema de equações que define o consumo eléctrico em função da potência específica com base em registos experimentais de quadriciclos 4.2.2. Formulação final Durante o desenvolvimento desta metodologia, concluiu-se que são necessárias pelo menos 2 viagens (ou secções de viagens), que serão utilizadas para definir a curva de consumo eléctrico em função da potência específica. São ainda necessárias viagens adicionais que serão usadas como validação do resultado obtido. De modo a definir a curva de consumo eléctrico em função da potência específica, são necessárias 4 equações, para 4 domínios diferentes, sendo que duas destas equações são lineares e as outras duas quadráticas (Tabela 30): Equação Domínio (W/kg) 1ª Equação (Linear) 2ª Equação (Quadrática) 3ª Equação (Quadrática) 4ª Equação (Linear) Tabela 30 – Sistema de equações de consumo em função da potência específica O processo de escolha destas equações encontra-se descrito no capítulo 4.2.1. Para definir os coeficientes da curva de consumo que dão solução à metodologia exposta, é necessário resolver um sistema de 10 equações, para os 10 coeficientes da curva. Utilizando a distribuição temporal por modo VSP do registo de duas das viagens monitorizadas, tal como o consumo integral de bateria, de cada uma destas, resolvem-se duas das equações que dão solução a este sistema. Estas equações de consumo integral são dadas pela seguinte expressão Equação 19 55 Eq 19 Cada uma das equações de consumo integral deverá ser calculada a partir dos registos específicos da viagem, sendo eles: , consumo integral das baterias necessário à alimentação controlador/motor e sistemas auxiliares é calculado pela equação 20: do sistema Eq 20 Onde representa a energia consumida à rede durante a fase de carregamento do veículo, registo feito pelo medidor de energia referido no subcapítulo 3.1. Por fim representa a eficência de carga e descarga das baterias que depende essencialmente da tecnologia de baterias instalada no veículo. Caso os valores de eficiência de carga e descarga não sejam disponibilizados, devem ser consideradas as seguintes referências representadas na Tabela 31. Tipo de Baterias Li-ion1 Chumbo2 0,85 0,55 Tabela 31 – Eficiência de carga e descarga em função do tipo de baterias 1 , potência especifica associada a cada um dos modos VSP registados, esta toma o valor médio da gama de potências do modo ao qual está associado, por exemplo o modo VSP 4 engloba a gama de potências de 3 a 4W/kg, portanto a potência especifica associada a este modo será de 3,5W/kg. , distribuição temporal registada em segundos em função do modo VSP. A eficiência de carga e descarga definida para as baterias de Lítio são retiradas da referência (22). A eficiência de carga e descarga das baterias de Chumbo considera dados experimentais medidos do quadriciclo Estrima Biró, estes são validados por outros autores (24). 2 56 Portanto para resolver este sistema com 10 variáveis, são necessárias ainda 8 equações extra, para além das já referidas. Estas são conseguidas impondo as seguintes restrições presentes na Tabela 32. Condições Equações Continuidade (1º/2º eq) Continuidade (2º/3º eq) Continuidade (3º/4º eq) Continuidade de Derivada (1º/2º eq) Continuidade de Derivada (3º/4º eq) Consumo base Consumo máximo Eficiência de regeneração constante Tabela 32 – Condições impostas ao sistema de equações que define consumo em função da potência específica Simplificando o sistema acima descrito, obtém-se como resultado cada um dos coeficientes da curva de consumo em função dos registos experimentais e características dos veículos. Devido à extensão destas expressões, estão descritas no anexo A. Para além das entradas relativas aos dados registados durante os ensaios de monitorização, é ainda necessário contabilizar algumas características próprias do veículo em estudo e que dão entrada nas equações descritas na Tabela 32: , consumo base do veículo em (Wh/s), ou seja alimentação dos sistemas auxiliares. Tipo de veículo Quadriciclo Ligeiro Potência típica (W) 120 200 (Wh/s) 3,33x10-2 5,56x10-2 Tabela 33 – Consumo base em função do tipo de veículo , consumo máximo do veiculo em Wh/s (Eq 21). Eq 21 Em que: , é a potência máxima do veiculo em Watts , é a eficiência máxima do veiculo (Tabela 34) Tipo de motor DC ou AC de Indução AC Síncrono (%) 82 95 Tabela 34 – Eficiência máxima em função do tipo de motor 57 , potência especifica máxima em W/kg (Eq 22). Eq 22 Em que: , é a potência máxima do veiculo em Watts , é o peso do veiculo em kg para as condições em que foi ensaiado , potência especifica mínima em W/kg (Eq 23). Eq 23 Em que é a potência regenerativa máxima do veiculo em estudo. Caso não exista informação sobre a potência regenerativa do veículo, a potência específica mínima poderá ser aproximada pela Equação 24: Eq 24 Resolvido o sistema de equações, tendo em conta as características do veículo medido e os registos experimentais de distribuição temporal, obter-se-á uma curva de consumo eléctrico em função do modo VSP, que tem por base duas viagens. No entanto, a precisão deste resultado depende também do tipo de viagens usadas e das diferenças entre elas. Assim a verificação desta metodologia deverá ser validada pelas restantes viagens monitorizadas, a partir da equação de consumo definida no início deste capítulo utilizando as seguintes entradas: Distribuição temporal por modo VSP das viagens destinadas à validação Coeficientes da curva de consumo, por aplicação da metodologia O resultado, será um consumo de bateria estimado, relativo às restantes viagens monitorizadas, . Comparando o registo medido de consumo integral da Bateria, , das viagens destinadas à validação, com o valor estimado, obtém-se o erro associado à metodologia em função da selecção de viagens, sendo calculado da seguinte forma(Eq 25): Eq 25 Esta análise de sensibilidade à metodologia aplicada é um passo importante na sua resolução e precisão final, e portanto é abordada em pormenor no capítulo seguinte (4.2.3). 58 4.2.3. Análise de sensibilidade Tal como foi referido no capítulo 4.2.2, onde foi formulada esta metodologia, para que se obtenham resultados com uma precisão aceitável, é necessário fazer uma análise de sensibilidade, para garantir um resultado final com o menor erro possível. Isto é feito com recurso a medições de viagens extra, para além das duas exigidas pela metodologia em si. De acordo com os resultados observados durante o desenvolvimento desta metodologia, tipicamente um total de 5 viagens ou melhor 4 a 5 horas de registos é suficiente, para aplicar a metodologia em questão, bem como para efectuar a sua validação. É também necessário que dentro dos registos efectuados, existam pelo menos duas viagens que apresentem diferenças significativas, a nível de circuito ou condução, de forma a garantir uma distribuição dos registos por modo VSP diferentes para cada uma das viagens. A selecção das viagens é um ponto de grande importância na aplicação desta metodologia, pois tem uma influência directa no cálculo dos coeficientes da curva de consumo. Assim a selecção deve ser cuidada e validada, após a aplicação da metodologia. O processo de selecção será explicado a partir dos registos obtidos para os quadriciclos eléctricos. Durante o desenvolvimento, foram obtidos os melhores resultados quando a selecção de viagens considera: Um conjunto de viagens com um perfil regenerativo o mais distinto possível, no entanto esta informação só pode ser medida directamente, com acesso aos terminais da bateria, uma forma de contornar esta limitação é a partir de um indicador que relaciona o número de registos medidos em situação de potência específica negativa com o número de registos total: Selecção de viagens com um número de pontos considerável, quando comparadas com as restantes, de forma a garantir uma selecção de circuitos com uma boa representação do consumo do veículo. Apesar dos pontos anteriores indicarem com alguma precisão a selecção que garante melhores resultados, é necessário iterar esta metodologia para cada um dos conjuntos de viagens possíveis. O processo de selecção de viagens está abaixo exemplificado para os quadriciclos medidos anteriormente. Na Tabela 35 está um resumo das características dos vários circuitos efectuados com o quadriciclo Toyota COMS. 59 Circuito 1 2 3 4 5 Total Nº de Pontos 3303 2780 3259 2988 1675 14005 Velocidade média (km/h) 10,8 12,7 10,6 11,5 16,9 12,1 Consumo de bateria (Wh) 677,7 641,9 635,2 645,6 494,3 3093 % Tempo em VSP < 0 25,6 25,4 22,5 24,5 21,9 Tabela 35 – Características dos circuitos medidos pelo quadriciclo Toyota COMS Tendo em conta os pontos referidos anteriormente, relativos à selecção de viagens para aplicação da metodologia, o conjunto indicado para obter um resultado preciso será a viagem 1 e 3, isto porque representam o máximo e mínimos relativos aos registos obtidos em situação de regeneração. A viagem 5 representada na Tabela 35, apesar de ser também candidata a esta selecção, é descartada por ter menos representatividade que as restantes (menor número de registos). Esta selecção, tal como os critérios que a definem, podem ser validados pelas diferenças entre consumo medido experimentalmente e o consumo estimado (Tabela 36): Diferença de consumo Viagem 1 Viagem 2 Viagem 3 Viagem 4 Viagem 5 Média Média absoluta Desvio padrão 1/2 0 0 -4,90 -6,30 0,277 -3,64 3,83 2,83 Selecção de Viagens (%) 1/3 1/5 0 1,08 0 -1,81 1,29 0,19 1,39 1,42 0 -0,30 -6,25 -7,53 0 -4,69 4,69 3,15 3 2/3 4/5 -1,42 0 0 -1,9 0,403 -0,97 1,24 0,99 -2,79 -0,56 2,17 0 0 -0,395 1,84 2,03 Tabela 36 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Toyota COMS Os dados da tabela anterior são resultantes de uma análise de erro, efectuada com o intuito de garantir uma selecção mais cuidada das viagens, bem como validar a metodologia aqui desenvolvida. Esta analise é feita a partir de sucessivas iterações da metodologia e posterior cálculo da diferença entre o consumo global estimado, e o mesmo valor registado a partir de um medidor de energia, . O cálculo do consumo energético associada à variável, capitulo 4.2.2. , está definido no As viagens seleccionadas devem garantir erros (diferenças entre consumo estimado e experimental das restantes viagens) com uma dispersão reduzida em torno de zero. Outro ponto a considerar é a média dos erros obtidos, esta deverá estar o mais próximo de zero possível. 3 Na Tabela 36, está representada apenas uma amostra dos vários conjuntos de viagens possíveis. 60 Este mesmo procedimento será repetido para os restantes quadriciclos, de forma a validar todo o processo. Estrima Biró Viagem 1 2 3 4 5 Total Nº de Pontos Consumo de bateria (Wh) % Tempo em VSP < 0 2938 1318 3499 1472 1384 10611 1224 611,7 1302 623,4 601,4 4363 25,8 25,5 23,7 28,9 20,7 Tabela 37 – Características dos circuitos medidos pelo quadriciclo Estrima Biró Analisando as características por viagem da Tabela 37, a selecção de viagens mais indicada para definir o consumo eléctrico, será o conjunto 4 / 5, uma vez que representam o máximo (28,9%) e o mínimo (20,7%) de tempo em potências específicas negativas desta amostra. Diferença de consumo viagem 1 viagem 2 viagem 3 viagem 4 viagem 5 Média Média absoluta Desvio padrão Selecção de Viagens (%) 1/5 2/ 3 1/2 0 0 17,4 -1,50 15,9 10,6 11,6 8,58 0 -7,65 4,08 -2,08 0 -1,88 4,60 4,79 35,7 0 0 33,9 -16,6 17,7 28,7 24,2 4 3/4 2,23 -9,38 0 0 -5,69 -4,26 5,77 4,84 4/5 2,03 -6,77 4,64 0 0 -0,0338 4,48 4,88 Tabela 38 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Estrima Biró Da Tabela 38 verifica-se que o conjunto de viagens que oferece melhores resultados corresponde à selecção 4/5. Isto porque a dispersão do erro é reduzida, tal como acontece para a selecção 1/5 no entanto a média dos erros de 4/5 está mais próxima de zero. Mahindra Reva i Viagem 1 2 3 4 Total Nº de Pontos 2304 2079 1224 2932 11471 Consumo de bateria (Wh) % Tempo em VSP < 0 805,5 1308 1111 1474 6172 29,5 24,9 18,6 28,2 Tabela 39 – Características dos circuitos medidos pelo quadriciclo Mahindra Reva i 4 Na Tabela 38, está representada apenas uma amostra dos vários conjuntos de viagens possíveis. 61 Analisando as características por viagem da Tabela 39, a selecção de viagens mais indicada para definir o consumo eléctrico, será o conjunto 1 / 3, uma vez que representam o máximo (29,5%) e o mínimo (18,6%) de tempo em potências específicas negativas desta amostra. Diferença de consumo Viagem 1 Viagem 2 Viagem 3 Viagem 4 Média Média absoluta Desvio padrão 1/2 0 0 -4,43 -2,68 -3,55 3,55 0,878 Selecção de Viagens (%) 1/3 2/ 3 0 3,40 0 -1,02 1,19 2,21 2,21 -9,51 0 0 -7,35 -8,43 8,43 3,01 5 2/ 4 5,45 0 -6,97 0 -0,76 6,21 6,21 3/4 1,53 3,94 0 0 2,74 2,74 1,21 Tabela 40 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Mahindra Reva i Da Tabela 40 verifica-se que o conjunto de viagens que oferece melhores resultados corresponde à selecção 1/3, isto porque apresenta uma dispersão do erro reduzida em torno de zero, tal como acontece para a selecção 1/2 e 3/4. No entanto a média de erros da selecção 1/3 é a que está mais próxima de zero. A título de desenvolvimento e posterior validação desta metodologia, foram usados os resultados experimentais de consumo eléctrico dos quadriciclos, por aplicação da metodologia descrita no Capítulo 3.5, efectuando-se a comparação destes registos com a curva de consumo em função da potência específica obtida pela metodologia em discussão. Na Figura 52, Figura 53 e Figura 54 encontram-se representadas as equações de consumo resultantes da aplicação desta metodologia a cada um dos quadriciclos medidos. Em paralelo com a curva de consumo obtida numericamente estão os registos experimentais de consumo, estes registos estão representados no gráfico por circunferências. Figura 52 – Gráfico de consumo em função da potência específica do quadriciclo COMS 5 Na Tabela 38, está representada apenas uma amostra dos vários conjuntos de viagens possíveis. 62 Figura 53 – Gráfico de consumo em função da potência específica do quadriciclo Biró Figura 54 – Gráfico de consumo em função da potência específica do quadriciclo Reva i As curvas de consumo representadas na Figura 52, Figura 53 e Figura 54, foram obtidas a partir das selecções de viagens que garantem melhores resultados. Nestes gráficos, é possível identificar que a estimativa desenvolvida segue os principais padrões de consumo eléctrico em função da potência específica, mesmo para o quadriciclos Biró (Figura 53), que tem um comportamento atípico no domínio negativo da potência específica. 63 De seguida nos gráficos da Figura 55, Figura 56 e Figura 57, são comparados directamente os registos de consumo obtidos pelo método experimental (eixo das ordenadas) e obtidos por análise numérica (eixo das abcissas). Estando os registos de consumo experimentais descritos discretamente por classe VSP, é necessário calcular o consumo obtido numericamente também discretamente por modo VSP, isto é conseguido pelo cálculo da equação de consumo em função do valor intermédio de potência específica associado à classe VSP em questão. Os gráficos da Figura 57, Figura 56 e Figura 55, permitem então avaliar o erro global da estimativa, comparando a recta de interpolação dos pontos de consumo (representada a preto) com uma recta dada por x=y (desenhada a vermelho), que representa uma estimativa perfeita relativamente aos dados experimentais. No mesmo gráfico pode ser analisado o erro pontual para cada uma das classes VSP, esta análise é feita por comparação dos registos discretos de consumo (pontos azuis dos gráficos), com a recta dada por x=y. Toyota COMS Consumo eléctrico Medido (Wh/s) Linear (Inter) Linear (X=Y) 1,5 y = 0,9601x + 0,0071 R² = 0,9989 1 0,5 0 -1 -0,5 0 0,5 1 1,5 -0,5 -1 Consumo eléctrico Estimado (Wh/s) Figura 55 – Dispersão dos registos de consumo eléctrico em função do consumo estimado para o quadriciclo COMS, interpolação destes mesmos registos, representada por uma recta de cor preta Do gráfico da Figura 55, podemos concluir que no domínio positivo os registos obtidos estão ligeiramente sobrestimados (erro inferior a 2%), e para o domínio negativo ligeiramente subestimados (erro inferior a 4%). 64 Estrima Biró Consumo eléctrico Medido (Wh/s) Linear (Inter) 1,5 Linear (X=Y) y = 1,0014x - 0,0002 R² = 0,9952 1 0,5 0 -1 -0,5 0 0,5 1 1,5 -0,5 -1 Consumo eléctrico Estimado (Wh/s) Figura 56 – Dispersão dos registos de consumo eléctrico em função do consumo estimado para o quadriciclo Biró, interpolação destes mesmos registos, representada por uma recta de cor preta No gráfico da Figura 56, apesar da interpolação dos registos coincidir com a recta x = y, que tem como significado uma estimativa muito adequada dos dados de consumo relativamente aos registos experimentais, isto não é verdade se analisarmos pontualmente este gráfico. No domínio negativo intermédio o consumo é sobrestimado apesar de no limite do domínio negativo este já ser subestimado. Isto acontece porque a estimativa está desenvolvida com base em padrões típicos de consumo. Por outro lado o quadriciclo Biró tem um comportamento atípico no domínio da regeneração. Apesar disto o erro neste domínio negativo é sempre inferior a 20%. Já no domínio positivo este desvio é inferior a 4%. Consumo eléctrico Medido (Wh/s) Mahindra Reva i Linear (Inter) 2,5 Linear (X=Y) y = 1,0278x - 0,0179 R² = 0,9986 2 1,5 1 0,5 0 -1,5 -1 -0,5 -0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 -1 -1,5 -2 Consumo eléctrico Estimado (Wh/s) Figura 57 – Dispersão dos registos de consumo eléctrico em função do consumo estimado para o quadriciclo Mahindra Reva i, interpolação destes mesmos registos, representada por uma recta de cor preta Do gráfico da Figura 57 é possível concluir que no domínio positivo os registos obtidos estão ligeiramente subestimados (erro inferior a 6%), e para o domínio negativo ligeiramente sobrestimados (erro inferior a 8%). 65 5. Aplicação 5.1. Quadriciclos Uma vez obtidos os valores de consumo eléctrico por classe VSP dos quadriciclos medidos, é possível estimar o seu consumo noutra qualquer viagem ou troço. Esta estimativa é feita a partir do somatório de vários produtos em função do modo VSP. Estes produtos são: número de pontos em função do modo VSP e consumo médio ( ) do veículo também em função do modo de VSP, como descrito na equação 26: Eq 26 A partir da distribuição temporal por modo VSP de 3 viagens medidas durante os ensaios de monitorização, serão aplicados os dados de consumo referentes a cada um dos quadriciclos caracterizados. As viagens seleccionadas para esta aplicação são: Medido por Nº de registos Tempo (min) Distância (km) Velocidade média (km/h) Percurso 1 Biró 1841 31 11 21,6 Parque das Nações 2 COMS 3303 55 9,9 10,8 IST / Av. Liberdade Viagem Tabela 41 – Resumo de algumas características das viagens seleccionadas para aplicação dos registos de consumo Na Figura 58 encontra-se a distribuição VSP dos registos medidos na viagem 1. Esta viagem foi medida durante um ensaio de monitorização do quadriciclo Estrima Biró no parque das nações, tem como característica principal, a quase não existência de trafego, o que resulta numa distribuição por modo VSP menos acentuada no domínio negativo (desaceleração/travagem). Viagem 1 300 262 208 250 191 151 80 26 16 -7 -6 34 200 140 150 95 83 100 69 48 31 15 8 9 10 Nº de Registos 196 188 50 0 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 Classe VSP 4 5 6 7 8 Figura 58 – Distribuição VSP do circuito 4 efectuado com o quadriciclo Biró Os dados de consumo globais obtidos por aplicação da distribuição VSP da viagem 1 aos restantes veículos (COMS e Reva) encontram se na Tabela 42. 66 Viagem 1 Biró6 COMS Reva i Consumo (Wh) 751,9 694,6 1006 Regeneração (Wh) 85,8 67,4 136 Consumo Liquido (Wh) 666,1 626,7 869,8 Taxa Regeneração (%) 11,4 9,7 13,5 Consumo à rede (Wh) 1211 1139 1581 Tabela 42 – Estimativa da energia eléctrica usada para efectuar a viagem 1 Como era de esperar o quadriciclo Reva i, é o que consume mais dos três, devido a um consumo eléctrico superior em todas as gamas de potência específica, é também o veículo com mais regeneração. Quanto ao Toyota COMS e Biró, a diferença é muito menor, uma vez que pertencem à mesma classe de quadriciclos e possuem tecnologias de baterias e sistema de propulsão idênticas. Na Figura 59 encontra-se a distribuição VSP dos registos medidos na viagem 2. Esta viagem foi medida durante um ensaio de monitorização do quadriciclo Toyota COMS no circuito IST/Av. Liberdade (descrito no anexo D) este circuito tem como característica principal a existência de trafego mais intenso, o que resulta numa distribuição por modo VSP mais acentuada no domínio negativo (desaceleração/travagem) e um elevado número de registos para potências específicas nulas. Viagem 2 1200 800 600 400 Nº de Registos 1000 200 0 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 Classe VSP 4 5 6 7 8 9 10 Figura 59 – Distribuição VSP do circuito 1 efectuado com o quadriciclo Toyota COMS Os dados de consumo globais obtidos por aplicação da distribuição VSP da viagem 2 aos restantes veículos (Biró e Reva) encontram se na Tabela 43 Viagem 2 Biró COMS7 Reva i Consumo (Wh) 823,1 842,1 1168 Regeneração (Wh) 131,8 164,4 264,3 Consumo Liquido (Wh) 691,3 677,7 903,9 Taxa Regeneração (%) 16,0 19,5 22,6 Consumo à rede (Wh) 1257 1232 1643 Tabela 43 – Estimativa da energia eléctrica usada para efectuar a viagem 2 Mais uma vez o quadriciclo Reva i é o que consome mais dos três. Verificou-se neste circuito muitas situações de potência negativa, quase um quarto da energia consumida pelo motor do Reva i é gerada a partir da dinâmica do veículo. Quanto ao Toyota COMS e Biró, a diferença é novamente reduzida, no entanto a taxa de regeneração do Toyota COMS é agora superior isto deve-se ao facto 6 7 Veiculo usado para percorrer a Viagem 1 Veiculo usado para percorrer a Viagem 2 67 deste veículo ter uma capacidade regenerativa superior para potências especificas mais negativas (VSP < -3Wh/kg). Apesar de ser possível estimar o consumo dos quadriciclos para uma terceira viagem medida experimentalmente pelo Mahindra Reva, este resultado não seria válido, uma vez que alguns dos registos que caracterizam as viagens realizadas pelo quadriciclo Reva, não são alcançáveis pelos quadriciclos leves, isto por uma limitação tanto de potência, como de velocidade. 5.2. Ligeiros Neste capítulo, serão apresentados os resultados da aplicação da metodologia desenvolvida em 4.2. Dois veículos, Nissan Leaf e Smart ED, foram sujeitos a medições, exclusivamente de potência específica à roda, calculada pela equação VSP descrita no capítulo 3.1, e consumo à rede eléctrica em cada circuito realizado. Nissan Leaf Dados de Carregamento Na Tabela 44 encontra-se um resumo dos circuitos realizados com o Nissan Leaf. Estes apresentam características mais variadas relativamente ao tipo de circuito efectuado em comparação com os quadriciclos monitorizados, incluindo troços urbanos e extra urbanos, num total de 222 km durante 6 horas. O circuito 1 e 3 contêm um misto de condução urbana e extra-urbana, os restantes são exclusivamente urbanos. Circuito 1 2 3 4 5 Total Tempo (min) 67 87 74 48 78 353 Distância (km) 59 29 67 37 30 222 Velocidade média (km/h) 52,5 20,6 54,1 45,4 23,2 37,6 Consumo à rede (kWh) 13,54 5,78 12,97 6,61 5,56 44,42 Consumo à rede por km (kWh/km) 0,230 0,199 0,194 0,179 0,185 0,200 Tabela 44 – Descrição dos circuitos efectuados com o Nissan Leaf, e consumo a eles associado Os valores de consumo líquido de bateria por circuito são estimados a partir de uma referência de eficiência de carga/descarga definida no capítulo 3.3 (Tabela 31). Estando o Nissan Leaf equipado com baterias de Lítio, a sua eficiência de Carga/descarga é aproximada por 0,85: Circuito 1 2 3 4 5 Total Consumo líquido de bateria (Wh) 11,51 4,91 10,99 5,62 4,73 37,76 Consumo de bateria por km (kWh/km) 0,196 0,169 0,165 0,152 0,157 0,170 Custo por km (€/100 km) 2,54 2,17 2,15 1,98 2,04 2,20 Tabela 45 – Estimativa de consumo líquido de bateria do Nissan Leaf por circuito 68 Potência específica ... Para além dos dados de consumo líquido global e algumas características do veículo, a metodologia depende principalmente da distribuição temporal por modo VSP. Esta distribuição (Figura 60) foi medida para cada um dos circuitos efectuados pelo veículo. A tabela que contém a distribuição temporal por modo VSP e circuito usada para obter os resultados finais, encontra-se no anexo B. 3975s 1600 1400 1000 800 600 400 200 Tempo (segundos) 1200 0 -30 -26 -22 -18 -14 -10 -6 -2 2 6 10 14 18 22 26 30 34 38 42 46 50 Classe VSP Figura 60 – Distribuição temporal por modo VSP dos ensaios realizados com o Nissan Leaf Selecção de viagens Na Tabela 46, estão descriminados os erros obtidos (diferença entre consumo medido e consumo estimado) em função da selecção de viagens usadas na aplicação da metodologia: Diferença de consumo (%) Viagem 1 Viagem 2 Viagem 3 Viagem 4 Viagem 5 Média Média absoluta Desvio padrão % Tempo VSP < 0 28,3 28,4 29,9 26,7 27,7 Selecção de Viagens 1/2 1/3 1/ 4 1/5 2/3 2/4 2/ 5 3/4 3/ 5 4/ 5 0 0 0 0 -6,91 10,1 6,45 -6,36 -6,76 12,1 0 -233 -11,4 -2,52 0 0 0 18,6 -5,15 2,19 8,06 0 7,67 7,98 0 19,9 15,6 0 0 22,9 14,7 -284 0 11,4 24,6 0 5,32 0 17,8 0 2,88 -264 -10,2 0 5,97 -1,64 0 -15,6 0 0 8,53 -260 -4,65 5,63 7,9 9,46 9,12 -13,5 1,97 12,2 8,53 260 9,76 7,31 12,5 10,6 9,12 13,5 9,91 12,2 4,82 21,2 8,72 5,93 13,0 8,8 4,6 5,2 11,2 8,18 Tabela 46 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Nissan Leaf em função do conjunto de viagens usadas na aplicação da metodologia Da Tabela 46, podemos em primeira abordagem, seleccionar os conjuntos viagens que estimam com maior precisão as restantes viagens, avaliando pelo desvio padrão, estas são a 1/5, 2/5 e 3/4. Dentro destes conjuntos, a selecção que oferece menores erros de consumo é a selecção 1/5, pois as diferenças de consumo por ele estimadas tem a média absoluta mais baixa. Posto isto, e considerando as equações presentes na Tabela 47, a curva de consumo eléctrico obtida para o Nissan Leaf é definida pelos seguintes coeficientes: 69 Equações de consumo (Wh/s) Domínio (W/kg) 1ª Equação (Linear) 2ª Equação (Quadrática) 3ª Equação (Quadrática) 4ª Equação (Linear) Tabela 47 – Definição das equações de consumo para veículos eléctricos Figura 61 – Gráfico de consumo eléctrico das baterias em função da potência específica, para o veículo eléctrico Nissan Leaf Na Figura 61 encontra-se uma representação gráfica da curva de consumo obtida para o Nissan Leaf, a 1ª equação (a azul escuro na figura) representa a evolução linear do consumo em domínio positivo, a 2ª equação (a verde na figura) e 3ª equação (a vermelho na figura) representa a evolução quadrática do consumo num domínio próximo de zero, positivo e negativo, respectivamente. Por fim a 4ª equação (a azul claro na figura) representa a evolução linear da regeneração no domínio negativo da potência específica. De forma a validar os dados obtidos, através da aplicação desta metodologia, recorre-se mais uma vez às restantes viagens, ou seja às viagens que não são usadas directamente na resolução do sistema de equações. Os desvios obtidos pela aplicação da curva de consumo obtida no gráfico da Figura 61, de acordo com a distribuição temporal de VSP para cada uma das viagens, encontram-se sumarizados na Tabela 48. 70 Viagens Consumo registado experimentalmente (kWh) Consumo estimado (kWh) Diferença de consumo (Wh) Erro relativo (%) Dif. Média (Wh) Média Abs (Wh) Desvio padrão (Wh) 4,91 10,99 5,62 4,79 11,9 6,26 -124 877 643 -2,52 7,98 11,4 465,3 548 427,5 2 3 4 Tabela 48 – Diferença de consumo eléctrico entre o registo experimental de viagens não utilizadas para obter a curva de consumo e o valor estimado pela metodologia - dados do Nissan Leaf Os erros obtidos para este veículo em específico estão dentro de uma gama de valores idêntica aos erros encontrados por aplicação da metodologia VSP com medição directa, tal como está descrito no Capitulo 4.1. A título de comparação entre tecnologias, a Figura 62 mostra uma representação do consumo sobre a forma de 14 modos de potências específica. Consumo Eléctrico (Wh/s) 25 20 15 10 5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 -5 modo VSP (14 modos) Figura 62 – Consumo eléctrico das baterias em função do modo VSP, do Nissan Leaf (distribuição por 14 modos) Apesar de apresentado aqui o consumo sobre a forma de 14 modos, este método não é o mais adequado a veículos eléctricos por falta de resolução no domínio negativo (apenas 2 modos). No entanto, pode se mostrar útil comparar directamente consumos energéticos, quer sejam veículos eléctricos ou convencionais. Os valores de consumo eléctrico estão representados na Tabela 49. Classe VSP 1 2 3 4 5 6 7 Consumo eléctrico (Wh/s) Classe VSP Consumo eléctrico (Wh/s) -2,6378 -0,2338 0,1699 1,6110 2,9944 4,3118 5,1965 8 9 10 11 12 13 14 6,996 8,372 9,850 11,796 14,166 16,735 20,421 Tabela 49 – Consumo eléctrico em função do modo VSP, do Nissan Leaf (distribuição por 14 modos) 71 Smart ED Dados de Carregamento Na Tabela 50 encontra-se um resumo dos circuitos realizados com o Smart ED, durante as medições necessárias à caracterização do Smart ED, foram percorridos 159 km durante 5 horas, ao contrário do Nissan Leaf todos os circuitos medidos com Smart ED são referentes a uma condução exclusivamente urbana. Circuito 1 2 3 4 5 Total Tempo (min) 59 72 70 55 44 300 Distância (km) 37 43 37 25 17 159 Velocidade média (km/h) 37,9 35,9 31,6 27,5 22,9 31,8 Consumo à rede (kWh) 7,085 7,407 5,851 4,309 3,334 27,99 Consumo por km (kWh/km) 0,192 0,172 0,158 0,172 0,196 0,176 Tabela 50 – Descrição dos circuitos efectuados com o Smart ED, e consumo a eles associado Os valores de consumo líquido de bateria por circuito (Tabela 51) são estimados a partir da referência de eficiência de carga/descarga de 0,85 (Tabela 31), uma vez que também o Smart ED se encontra equipado com baterias de Lítio. Circuito 1 2 3 4 5 Total Consumo líquido de bateria (Wh) 6,02 6,29 4,97 3,66 2,83 23,79 Consumo de bateria por km (kWh/km) 0,162 0,146 0,134 0,133 0,166 0,149 Custo por km (€/100 km) 2,11 1,90 1,74 1,76 2,16 1,94 Tabela 51 – Estimativa de consumo líquido de bateria do Smart ED por circuito Potência específica Na Figura 63, encontra-se a distribuição temporal de todos os registos por modo VSP. As tabelas, que descrevem as distribuições por circuito, usadas na resolução do sistema de equações, encontram-se no anexo B. 2500 2000 1500 1000 500 Tempo (segundos) 3000 0 -14 -12 -10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 Classe VSP 6 8 10 12 14 16 18 Figura 63 – Distribuição temporal dos registos obtidos por modo VSP, dados relativos ao veículo ligeiro Smart ED 72 Selecção de viagens Na Tabela 52, estão descriminados os erros obtidos (diferença entre consumo medido e consumo estimado) em função da selecção de viagens usadas na aplicação da metodologia: Diferença de consumo (%) Viagem 1 Viagem 2 Viagem 3 Viagem 4 Viagem 5 Média Média absoluta Desvio padrão % Tempo VSP < 0 29,4 31,4 31,0 33,6 30,0 Selecção de Viagens 1/2 1/3 1/ 4 1/5 2/3 2/4 2/ 5 3/4 3/ 5 4/ 5 0 0 0 0 -14,0 14,1 -15,5 -14,8 -13,8 -25,9 0 57,1 -1,75 7,44 0 0 0 -3,6 0,85 -4,97 33,3 0 34,3 28,9 0 66,9 -3,74 0 0 -25,6 0 2,52 84,7 0 13,2 5,01 0 5,30 0 6,20 -13,0 86,7 -16,1 0 -1,31 -24,8 0 -6,86 0 0 7,6 76,2 5,49 16,5 -3,42 18,7 -4,66 8,43 -2,23 -18,8 16,3 76,2 17,4 16,5 6,77 35,3 8,19 8,43 6,94 18,8 19,2 13,5 21,2 9,08 7,86 37,6 8,53 4,73 8,44 9,79 Tabela 52 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Smart ED em função do conjunto de viagens usadas na aplicação da metodologia Dos resultados da Tabela 52, é possível concluir que existe um problema com os dados experimentais da viagem 1, este problema está claramente relacionado com a (indevida) utilização do Boost durante a viagem 1, o Boost teve um efeito adverso no consumo de bateria deste ensaio, uma vez que as curvas de consumo obtidas a partir desta viagem estimam com pouca precisão as restantes viagens, com erros de até 80%. O mesmo se passa quando esta é usada para validar outra selecção. Na Tabela 53 será feita a mesma análise da Tabela 52 excluindo a viagem 1 Selecção de Viagens 2/ 5 3/4 -0,78 -5,23 Diferença de consumo (%) Média 2/3 1,85 2/4 21,1 Média absoluta 3,16 45,9 4,52 Desvio padrão 3,16 45,9 4,52 3/ 5 -3,53 4/ 5 -15,3 5,23 3,53 15,3 1,63 2,68 10,3 Tabela 53 – Diferença entre consumo medido e consumo estimado para as viagens percorridas pelo Smart ED em função do conjunto de viagens usadas na aplicação da metodologia, sem a viagem 1 Na Tabela 53, estão marcadas a vermelho as colunas que apresentam curvas de consumo fisicamente incoerentes, isto porque a semelhança dos circuitos efectuados, gerou uma subestimativa do consumo e por consequência uma grande sobre estimativa da regeneração, levando estas viagens a estimar em todo o domínio negativo da potência específica um consumo eléctrico positivo em vez de negativo (Regeneração), no entanto é dado como certo que este veículo tem capacidades regenerativas (até 10kW, dados da marca) colocando de parte estes conjuntos de viagens. Avaliando a precisão das restantes viagens (selecção 3/4 e 4/5) a selecção 3/4 é claramente mais precisa com um menor desvio padrão e um valor médio do erro mais próximo de zero. Posto isto, o cálculo dos coeficientes das equações da Tabela 54, terão como entradas os dados dos registos do circuito 3 e 4. Equações de consumo (Wh/s) Domínio (W/kg) 1ª Equação (Linear) 2ª Equação (Quadrática) 3ª Equação (Quadrática) 4ª Equação (Linear) Tabela 54 – Definição das equações de consumo para veículos eléctricos 73 A curva de consumo eléctrico obtida para o Smart ED é então definida pelos seguintes coeficientes: Utilizando os coeficientes acima, é possível obter uma representação gráfica do consumo eléctrico das baterias do Smart ED em função da potência específica, de acordo com a Figura 64: Figura 64 – Gráfico de consumo eléctrico das baterias em função da potência específica, para o veículo ligeiro Smart ED Apesar de este veículo pertencer à mesma classe do Nissan Leaf, o comportamento do consumo eléctrico é equiparável ao consumo dos quadriciclos eléctricos medidos, principalmente, se analisado o domínio regenerativo. A validação da metodologia aplicada ao Smart ED é efectuada a partir da diferença de consumo registado experimentalmente e o consumo estimado pelas equações de consumo, de acordo com a Tabela 55. Viagens 1 2 5 Consumo registado experimentalmente (kWh) Consumo estimado (kWh) Diferença de consumo (Wh) Erro relativo (%) Dif. Média (Wh) Média Abs (Wh) Desvio padrão (Wh) 6,022 6,296 2,834 5,128 6,069 2,640 -894 -225 -194 -14,8 -3,57 -6,85 -438 438 323 Tabela 55 – Diferença de consumo eléctrico entre o registo experimental o valor estimado pela metodologia, dados relativos ao Smart ED 74 As diferenças obtidas a partir dos resultados deste veículo estão também dentro de uma gama aceitável, no entanto, ao contrário dos resultados do Nissan Leaf, o consumo eléctrico, foi claramente subestimado. Esta tendência pode ser resolvida, efectuando novas viagens, com características diferentes das já medidas ou por ajuste de alguns parâmetros, na definição da metodologia, como o consumo para potências específicas nulas ou a restrição de eficiência constante para potências negativas. No entanto este tipo de alterações vai contra o carácter geral da metodologia. Os parâmetros ou condições impostas ao sistema de equações que a definem são um compromisso que visa caracterizar desde os mais pequenos quadriciclos ao Nissan Leaf com uma precisão idêntica. Dada a limitada gama de potências do Smart ED, a distribuição do consumo pelos 14 modos de potência específica, não é totalmente preenchida, não tendo assim grande relevância a sua apresentação nesta tese. Contudo esta informação está descrita no anexo F desta tese. 75 6. Conclusões Considerando as questões levantadas na introdução ao nível dos impactos energéticos e ambientais do sector dos transportes, os veículos eléctricos surgem como uma alternativa aos veículos convencionais. Uma vez considerados uma alternativa às tecnologias actuais, é necessário avaliar este tipo de veículos de um ponto de vista energético em função de condições de utilização reais, face à falta de informação relativa à caracterização do consumo energético, definiram-se como objectivos, medir experimentalmente o consumo de quadriciclos eléctricos em função das condições dinâmicas do veículo, desenvolver uma metodologia capaz de estimar o consumo eléctrico com base em dados de carregamento, aplicar a metodologia desenvolvida a veículos ligeiros eléctricos. Assim foram caracterizados experimentalmente com um laboratório portátil 3 quadriciclos em condições reais de operação durante 175 km, onde foi medido o consumo de energia a partir da corrente eléctrica e do sinal de tensão nos terminais das baterias, para definir as condições de utilização, dinâmica do veículo. Foi utilizada uma unidade GPS registando a velocidade e altitude do veículo. Os registos obtidos em condições reais de utilização durante 381 km que permitiram aplicar a metodologia desenvolvida a 2 veículos ligeiros eléctricos, foram definidos utilizando também uma unidade GPS, esta unidade registou todos os parâmetros necessários ao cálculo da dinâmica, velocidade e altitude, os registos relativos ao carregamento das baterias do veículo, foram obtidos por um medidor de energia, colocando entre o transformador do veículo e uma tomada da rede eléctrica. Dos registos experimentais obtidos com o laboratório portátil foram criadas duas metodologias capazes de caracterizar experimentalmente o consumo energético de veículos eléctricos em função da sua dinâmica. Utilizando os dados das medições dos quadriciclos, numa primeira análise ao problema foi criada uma metodologia que permite definir o consumo eléctrico em função da potência específica, recorrendo à medição do consumo eléctrico directamente dos terminais da bateria, em paralelo com a medição ou cálculo de alguns parâmetros relativos à dinâmica do veículo (velocidade, aceleração, resistência ao rolamento, resistência aerodinâmica e variação da altitude). Esta análise foi usada para caracterizar o desempenho energético de três quadriciclos distintos, Toyota COMS, Estrima Biró e Mahindra Reva, permitindo ainda estimar o consumo total de uma qualquer viagem ou troço, desde que conhecida a sua distribuição de tempo em função das condições de utilização. Uma aplicação típica desta estimativa passa por calcular o consumo global dos veículos para um mesmo circuito, permitindo assim fazer uma comparação directa entre os veículos monitorizados de um ponto de vista energético. Fazendo uma estimativa de consumo global para alguns dos circuitos medidos durante este trabalho, é possível afirmar que o Mahindra Reva apresenta consumos cerca de 25% superiores relativamente aos restantes, tendo um consumo médio de 86 wh/km, no entanto é também o veículo que consegue recuperar mais energia em situações de travagem ou desaceleração (cerca de 16 wh/km), recuperando mais 3% do total de energia que o Toyota COMS recupera ou mais 5% do total de energia que recupera o Estrima Biró. Entre os dois quadriciclos leves (Toyota COMS e Estrima Biró) as diferenças de consumo são mais ligeiras, tendo o Estrima Biró um consumo médio de 68 wh/km e o Toyota COMS um consumo de 66 wh/km, quando à recuperação de energia destes dois 76 veículos, o seu comportamento é distinto, em situações de regeneração intensa (potências especificas mais negativas) o Toyota COMS é claramente o veículo mais regenerador, registando-se diferenças de até mais 5% do total regenerado, pelo contrário em situações de regeneração menos intensa (potências especificas negativas, mais próximas de zero) o Estrima Biró consegue taxas de regeneração superiores (até mais 2% do total regenerado). Considerando todas as viagens monitorizadas para cada um dos três quadriciclos, o erro relativo da estimativa de consumo está entre -8,1% e 10,3%. Este erro é calculado pelas diferenças relativas entre consumos medidos experimentalmente por viagem e consumos estimados para a mesma viagem. Os registos de consumo referentes à análise experimental anterior levaram à formulação de uma hipótese e posterior desenvolvimento de uma metodologia que permite estimar o consumo de energia de um veículo eléctrico a partir dos dados de carregamento e dinâmica das viagens monitorizadas. Esta hipótese tem por base os semelhantes padrões de consumo energético entre os quadriciclos eléctricos medidos, extrapolando estes mesmos padrões a veículos ligeiros, o que permite o desenvolvimento de uma metodologia aplicável a qualquer veículo eléctrico (de quadriciclos a ligeiros). Uma vez desenvolvida esta análise, a sua validação foi conseguida a partir da aplicação e consequente análise de erro de dois veículos ligeiros eléctricos, o Nissan Leaf e o Smart ED. Este método consegue estimar o consumo dos veículos medidos, com um erro médio absoluto de 6,3%, sendo que o erro nunca é superior a 11,4%, Estes números mostram uma precisão não muito inferior ao método de medição directo dos terminais da bateria. Numa análise mais detalhada aos erros obtidos, a estimativa de consumo das viagens monitorizadas com o Nissan Leaf tem um erro de -2,5% a 11,4%. A diferença entre consumo estimado e medido para o Smart ED varia entre -3,6% e -6,3%. Considerando os registos experimentais obtidos durante a aplicação desta metodologia é ainda possível comparar o consumo eléctrico dos dois ligeiros monitorizados, sendo que foi registado um consumo de 14,9 kWh/100km para o Smart ED com um custo energético de 1,94€/100km e um consumo de 17,0kWh/100km para o Nissan Leaf com um custo de 2,20€/100km, de notar que estes valores de consumo são globais e relativos aos vários ensaios efectuados com estes veículos. De acordo com os resultados obtidos da aplicação da estimativa com base em dados de carregamento, é possível confirmar que os erros resultantes estão dentro de uma gama de valores equivalente à encontrada por medição directa do consumo nas baterias dos quadriciclos, validando assim a hipótese que serviu de base a esta metodologia. 77 Referências 1. Atabania, A.E.; Badruddin, I.A.; Mekhilef, S.; Silitonga, A.S. . A review on global fuel economy standards, labels and technologies in the transportation sector. s.l. : Elsevier, 2011. 2. Capros, P.; Tasios, N.; De Vita, A.; L., Mantzos; L. Technical report accompanying the analysis of options to move beyond 20% GHG emission reduction in the EU by 2020: Member State results Report to DG Climate Action, European Commission. s.l. : National Technical University of Athens, 2012. 3. European Commission. EU transport in figures: Statistical pocketbook. s.l. : European Commission, 2012. 4. Ehsani, M.; Gao, Y.; Emadi, A. 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Electric Vehicle Battery Technologies. Electric Vehicle Integration into Modern Power Networks. s.l. : Springer, 2013. 16. M2/M3 Sensor (Microwave Doppler Sensor) Operating Manual. [Online] [Citação: 12 de Setembro de 2013.] http://www.corrsys-datron.com/Support/Manuals/a_Sensors/cds-m_M2M3_e.pdf. 17. Biró Technical Specifications. [Online] [Citação: 12 de Setembro de 2013.] http://www.estrima.com/en/wp-content/uploads/sites/2/2013/09/SchedaTecnica_Specification.pdf. 18. Toyota Auto Body COMS Specifications. [Online] [Citação: 12 de Setembro de 2013.] http://techon.nikkeibp.co.jp/english/NEWS_EN/20120703/226633/. 19. Especificações Reva i. [Online] [Citação: 12 de Setembro de 2013.] http://www.ecocriterio.pt/Catalogo_Reva.pdf. 20. Renault Twizy Brochure. [Online] [Citação: 12 de Setembro de 2013.] http://www.renault.co.uk/Resources/Pdf/Brochures/Twizy.pdf. 21. Duarte, G. A methodology to estimate vehicle fuel consumption and pollutant emissions in realworld driving based on certification data. Gonçalo Duarte, PhD Thesis, Instituto Superior Técnico. 2013. 22. Idota, Y.; Kubota, T.; Matsufuji A.; Maekawa Y.; Miyasaka T. Tin-Based Amorphous Oxide: A High-Capacity Lithium-Ion-Storage Material. s.l. : Sience vol.276, 1997. 23. Nissan Leaf interview. [Online] [Citação: 9 de 6 de 2013.] http://www.nissanzeroemission.com/EN/LEAF/interview.html. 24. Sun, J. Car Battery Efficiencies. s.l. : Stanford University, 2010. 79 Anexos A. Expressões de cálculo dos coeficientes da curva de consumo em função da potência específica Referente à metodologia descrita no capítulo 4.2 Descrição das entradas necessárias ao cálculo dos coeficientes: Dados relativos à viagem 1 Dados relativos à viagem 2 SP21 = SP22 = SP11 = SP12 = SPI31 = SPI32 = SPI21 = SPI22 = SPI11 = SNI31 = SNI21 = SNI11 = SN21 = SPI12 = SNI32 = SNI22 = SNI12 = SN22 = SN12 = SN11 = VSPmax – Potência máxima do veiculo em W/kg, expressão de cálculo descrita no capitulo 4.2 VSPmin – Potência mínima do veiculo em W/kg, expressão de cálculo descrita no capitulo 4.2 c_zero – Consumo base do veiculo em Wh/s, expressão de cálculo descrito na capitulo 4.2 Pmax – Consumo máximo do veiculo em Wh/s, expressão de cálculo descrito na capitulo 4.2 Expressões de cálculo dos coeficientes da curva de consumo: b = -( 25*(E1*SN22 - E2*SN21 + E1*SNI22 - E2*SNI21) + Pmax* (25*SN21*SP12 - 25*SN22*SP11 + 25*SNI21*SP12 - 25*SNI22*SP11 + 20*SN21*SPI22 - 20*SN22*SPI21 - 4*SN21*SPI32 + 4*SN22*SPI31 + 20*SNI21*SPI22 - 20*SNI22*SPI21 - 4*SNI21*SPI32 + 4*SNI22*SPI31) + c_zero* i (25*SN21*SNI12 - 25*SN22*SNI11 + (100*SN21*SNI22)/7 - (100*SN22*SNI21)/7 + (100*SN21*SNI32)/49 - (100*SN22*SNI31)/49 - 25*SNI11*SNI22 + 25*SNI12*SNI21 + (100*SNI21*SNI32)/49 - (100*SNI22*SNI31)/49 + 25*SN21*SPI12 - 25*SN22*SPI11 - 20*SN21*SPI22 + 20*SN22*SPI21 + 4*SN21*SPI32 - 4*SN22*SPI31 + 25*SNI21*SPI12 - 25*SNI22*SPI11 20*SNI21*SPI22 + 20*SNI22*SPI21 + 4*SNI21*SPI32 - 4*SNI22*SPI31) ) / ( 25* (SN21*SP22 SN22*SP21 + SN21*SPI22 - SN22*SPI21 + SNI21*SP22 - SNI22*SP21 + SNI21*SPI22 - SNI22*SPI21) + VSPmax*(- 25*SN21*SP12 + 25*SN22*SP11 - 25*SNI21*SP12 + 25*SNI22*SP11 - 20*SN21*SPI22 + 20*SN22*SPI21 + 4*SN21*SPI32 - 4*SN22*SPI31 - 20*SNI21*SPI22 + 20*SNI22*SPI21 + 4*SNI21*SPI32 - 4*SNI22*SPI31)) c = (25*(VSPmax*( E1*SN22 - E2*SN21 + E1*SNI22 - E2*SNI21) + Pmax*(SN21*SP22 - SN22*SP21 + SN21*SPI22 - SN22*SPI21 + SNI21*SP22 - SNI22*SP21 + SNI21*SPI22 - SNI22*SPI21) + VSPmax*c_zero* ( SN21*SNI12 - SN22*SNI11)) + VSPmax*c_zero* ( (100*SN21*SNI22)/7 (100*SN22*SNI21)/7 + (100*SN21*SNI32)/49 - (100*SN22*SNI31)/49 - 25*SNI11*SNI22 + 25*SNI12*SNI21 + (100*SNI21*SNI32)/49 - (100*SNI22*SNI31)/49 + 25*SN21*SPI12 25*SN22*SPI11 - 20*SN21*SPI22 + 20*SN22*SPI21 + 4*SN21*SPI32 - 4*SN22*SPI31 + 25*SNI21*SPI12 - 25*SNI22*SPI11 - 20*SNI21*SPI22 + 20*SNI22*SPI21 + 4*SNI21*SPI32 4*SNI22*SPI31))/ (25*(SN21*SP22 - SN22*SP21 + SN21*SPI22 - SN22*SPI21 + SNI21*SP22 SNI22*SP21 + SNI21*SPI22 - SNI22*SPI21 - VSPmax*(SN21*SP12 + SN22*SP11 - SNI21*SP12 + SNI22*SP11)) - VSPmax* (20*SN21*SPI22 + 20*SN22*SPI21 + 4*SN21*SPI32 - 4*SN22*SPI31 20*SNI21*SPI22 + 20*SNI22*SPI21 + 4*SNI21*SPI32 - 4*SNI22*SPI31)) d = -(4*(E1*SN22*VSPmax - E2*SN21*VSPmax + E1*SNI22*VSPmax - E2*SNI21*VSPmax + Pmax*SN21*SP22 - Pmax*SN22*SP21 + Pmax*SN21*SPI22 - Pmax*SN22*SPI21 + Pmax*SNI21*SP22 - Pmax*SNI22*SP21 + Pmax*SNI21*SPI22 - Pmax*SNI22*SPI21 - SN21*SP22*c_zero + SN22*SP21*c_zero - SN21*SPI22*c_zero + SN22*SPI21*c_zero - SNI21*SP22*c_zero + SNI22*SP21*c_zero - SNI21*SPI22*c_zero + SNI22*SPI21*c_zero + SN21*SNI12*VSPmax*c_zero SN22*SNI11*VSPmax*c_zero) + (16*SN21*SNI22*VSPmax*c_zero)/7 (16*SN22*SNI21*VSPmax*c_zero)/7 + (16*SN21*SNI32*VSPmax*c_zero)/49 (16*SN22*SNI31*VSPmax*c_zero)/49 - 4*SNI11*SNI22*VSPmax*c_zero + 4*SNI12*SNI21*VSPmax*c_zero + (16*SNI21*SNI32*VSPmax*c_zero)/49 (16*SNI22*SNI31*VSPmax*c_zero)/49 + 4*SN21*SP12*VSPmax*c_zero 4*SN22*SP11*VSPmax*c_zero + 4*SN21*SPI12*VSPmax*c_zero - 4*SN22*SPI11*VSPmax*c_zero + 4*SNI21*SP12*VSPmax*c_zero - 4*SNI22*SP11*VSPmax*c_zero + 4*SNI21*SPI12*VSPmax*c_zero 4*SNI22*SPI11*VSPmax*c_zero)/(25*SN21*SP22 - 25*SN22*SP21 + 25*SN21*SPI22 25*SN22*SPI21 + 25*SNI21*SP22 - 25*SNI22*SP21 + 25*SNI21*SPI22 - 25*SNI22*SPI21 25*SN21*SP12*VSPmax + 25*SN22*SP11*VSPmax - 25*SNI21*SP12*VSPmax + 25*SNI22*SP11*VSPmax - 20*SN21*SPI22*VSPmax + 20*SN22*SPI21*VSPmax + 4*SN21*SPI32*VSPmax - 4*SN22*SPI31*VSPmax - 20*SNI21*SPI22*VSPmax + 20*SNI22*SPI21*VSPmax + 4*SNI21*SPI32*VSPmax - 4*SNI22*SPI31*VSPmax) ii e = -(25*E1*SN22 - 25*E2*SN21 + 25*E1*SNI22 - 25*E2*SNI21 - 20*E1*SN22*VSPmax + 20*E2*SN21*VSPmax - 20*E1*SNI22*VSPmax + 20*E2*SNI21*VSPmax + 25*Pmax*SN21*SP12 25*Pmax*SN22*SP11 - 20*Pmax*SN21*SP22 + 20*Pmax*SN22*SP21 + 25*Pmax*SNI21*SP12 25*Pmax*SNI22*SP11 - 20*Pmax*SNI21*SP22 + 20*Pmax*SNI22*SP21 - 4*Pmax*SN21*SPI32 + 4*Pmax*SN22*SPI31 - 4*Pmax*SNI21*SPI32 + 4*Pmax*SNI22*SPI31 + 25*SN21*SNI12*c_zero 25*SN22*SNI11*c_zero + (100*SN21*SNI22*c_zero)/7 - (100*SN22*SNI21*c_zero)/7 + (100*SN21*SNI32*c_zero)/49 - (100*SN22*SNI31*c_zero)/49 - c_zero *(25*SNI11*SNI22 + 25*SNI12*SNI21 + (100*SNI21*SNI32))/49 - (100*SNI22*SNI31*c_zero)/49 + c_zero*(20*SN21*SP22 - 20*SN22*SP21 + 25*SN21*SPI12 - 25*SN22*SPI11 + 20*SNI21*SP22 - 20*SNI22*SP21*c_zero + 4*SN21*SPI32 - 4*SN22*SPI31 + 25*SNI21*SPI12 - 25*SNI22*SPI11 + 4*SNI21*SPI32 4*SNI22*SPI31) - 20*SN21*SNI12*VSPmax*c_zero + 20*SN22*SNI11*VSPmax*c_zero (80*SN21*SNI22*VSPmax*c_zero)/7 + (80*SN22*SNI21*VSPmax*c_zero)/7 (80*SN21*SNI32*VSPmax*c_zero)/49 + (80*SN22*SNI31*VSPmax*c_zero)/49 + 20*SNI11*SNI22*VSPmax*c_zero - 20*SNI12*SNI21*VSPmax*c_zero (80*SNI21*SNI32*VSPmax*c_zero)/49 + (80*SNI22*SNI31*VSPmax*c_zero)/49 20*SN21*SP12*VSPmax*c_zero + 20*SN22*SP11*VSPmax*c_zero - 20*SN21*SPI12*VSPmax*c_zero + 20*SN22*SPI11*VSPmax*c_zero - 20*SNI21*SP12*VSPmax*c_zero + 20*SNI22*SP11*VSPmax*c_zero - 20*SNI21*SPI12*VSPmax*c_zero + 20*SNI22*SPI11*VSPmax*c_zero)/(25*SN21*SP22 - 25*SN22*SP21 + 25*SN21*SPI22 25*SN22*SPI21 + 25*SNI21*SP22 - 25*SNI22*SP21 + 25*SNI21*SPI22 - 25*SNI22*SPI21 + VSPmax*(25*SN21*SP12 + 25*SN22*SP11 - 25*SNI21*SP12 + 25*SNI22*SP11 - 20*SN21*SPI22 + 20*SN22*SPI21 + 4*SN21*SPI32 - 4*SN22*SPI31 - 20*SNI21*SPI22 + 20*SNI22*SPI21 + 4*SNI21*SPI32 - 4*SNI22*SPI31)) f = c_zero m = (4*c_zero)/49 n = (25*E1*SP22 - 25*E2*SP21 + 25*E1*SPI22 - 25*E2*SPI21 - 25*E1*SP12*VSPmax + 25*E2*SP11*VSPmax - 20*E1*SPI22*VSPmax + 20*E2*SPI21*VSPmax + 4*E1*SPI32*VSPmax 4*E2*SPI31*VSPmax - 25*Pmax*SP11*SP22 + 25*Pmax*SP12*SP21 - 25*Pmax*SP11*SPI22 + 25*Pmax*SP12*SPI21 + 20*Pmax*SP21*SPI22 - 20*Pmax*SP22*SPI21 - 4*Pmax*SP21*SPI32 + 4*Pmax*SP22*SPI31 - 4*Pmax*SPI21*SPI32 + 4*Pmax*SPI22*SPI31 + (100*SN21*SP22*c_zero)/7 (100*SN22*SP21*c_zero)/7 - 25*SNI11*SP22*c_zero + 25*SNI12*SP21*c_zero + (100*SN21*SPI22*c_zero)/7 - (100*SN22*SPI21*c_zero)/7 - (100*SNI31*SP22*c_zero)/49 + (100*SNI32*SP21*c_zero)/49 - 25*SNI11*SPI22*c_zero + 25*SNI12*SPI21*c_zero (100*SNI31*SPI22*c_zero)/49 + (100*SNI32*SPI21*c_zero)/49 + 25*SP21*SPI12*c_zero 25*SP22*SPI11*c_zero - 20*SP21*SPI22*c_zero + 20*SP22*SPI21*c_zero + 4*SP21*SPI32*c_zero 4*SP22*SPI31*c_zero - 25*SPI11*SPI22*c_zero + 25*SPI12*SPI21*c_zero + 4*SPI21*SPI32*c_zero 4*SPI22*SPI31*c_zero - (100*SN21*SP12*VSPmax*c_zero)/7 + (100*SN22*SP11*VSPmax*c_zero)/7 + 25*SNI11*SP12*VSPmax*c_zero - 25*SNI12*SP11*VSPmax*c_zero (80*SN21*SPI22*VSPmax*c_zero)/7 + (80*SN22*SPI21*VSPmax*c_zero)/7 + (100*SNI31*SP12*VSPmax*c_zero)/49 - (100*SNI32*SP11*VSPmax*c_zero)/49 + (16*SN21*SPI32*VSPmax*c_zero)/7 - (16*SN22*SPI31*VSPmax*c_zero)/7 + 20*SNI11*SPI22*VSPmax*c_zero - 20*SNI12*SPI21*VSPmax*c_zero 4*SNI11*SPI32*VSPmax*c_zero + 4*SNI12*SPI31*VSPmax*c_zero + iii (80*SNI31*SPI22*VSPmax*c_zero)/49 - (80*SNI32*SPI21*VSPmax*c_zero)/49 (16*SNI31*SPI32*VSPmax*c_zero)/49 + (16*SNI32*SPI31*VSPmax*c_zero)/49 25*SP11*SPI12*VSPmax*c_zero + 25*SP12*SPI11*VSPmax*c_zero + 20*SP11*SPI22*VSPmax*c_zero - 20*SP12*SPI21*VSPmax*c_zero - 4*SP11*SPI32*VSPmax*c_zero + 4*SP12*SPI31*VSPmax*c_zero + 20*SPI11*SPI22*VSPmax*c_zero 20*SPI12*SPI21*VSPmax*c_zero - 4*SPI11*SPI32*VSPmax*c_zero + 4*SPI12*SPI31*VSPmax*c_zero)/(25*SN21*SP22 - 25*SN22*SP21 + 25*SN21*SPI22 25*SN22*SPI21 + 25*SNI21*SP22 - 25*SNI22*SP21 + 25*SNI21*SPI22 - 25*SNI22*SPI21 25*SN21*SP12*VSPmax + 25*SN22*SP11*VSPmax - 25*SNI21*SP12*VSPmax + 25*SNI22*SP11*VSPmax - 20*SN21*SPI22*VSPmax + 20*SN22*SPI21*VSPmax + 4*SN21*SPI32*VSPmax - 4*SN22*SPI31*VSPmax - 20*SNI21*SPI22*VSPmax + 20*SNI22*SPI21*VSPmax + 4*SNI21*SPI32*VSPmax - 4*SNI22*SPI31*VSPmax) o = c_zero h = (25*E1*SP22 - 25*E2*SP21 + 25*E1*SPI22 - 25*E2*SPI21 - 25*E1*SP12*VSPmax + 25*E2*SP11*VSPmax - 20*E1*SPI22*VSPmax + 20*E2*SPI21*VSPmax + 4*E1*SPI32*VSPmax 4*E2*SPI31*VSPmax - 25*Pmax*SP11*SP22 + 25*Pmax*SP12*SP21 - 25*Pmax*SP11*SPI22 + 25*Pmax*SP12*SPI21 + 20*Pmax*SP21*SPI22 - 20*Pmax*SP22*SPI21 - 4*Pmax*SP21*SPI32 + 4*Pmax*SP22*SPI31 - 4*Pmax*SPI21*SPI32 + 4*Pmax*SPI22*SPI31 - 25*SNI11*SP22*c_zero + 25*SNI12*SP21*c_zero - (100*SNI21*SP22*c_zero)/7 + (100*SNI22*SP21*c_zero)/7 (100*SNI31*SP22*c_zero)/49 + (100*SNI32*SP21*c_zero)/49 - 25*SNI11*SPI22*c_zero + 25*SNI12*SPI21*c_zero - (100*SNI21*SPI22*c_zero)/7 + (100*SNI22*SPI21*c_zero)/7 (100*SNI31*SPI22*c_zero)/49 + (100*SNI32*SPI21*c_zero)/49 + 25*SP21*SPI12*c_zero 25*SP22*SPI11*c_zero - 20*SP21*SPI22*c_zero + 20*SP22*SPI21*c_zero + 4*SP21*SPI32*c_zero 4*SP22*SPI31*c_zero - 25*SPI11*SPI22*c_zero + 25*SPI12*SPI21*c_zero + 4*SPI21*SPI32*c_zero 4*SPI22*SPI31*c_zero + 25*SNI11*SP12*VSPmax*c_zero - 25*SNI12*SP11*VSPmax*c_zero + c_zero*VSPmax ((100*SNI21*SP12)/7 - (100*SNI22*SP11)/7 + (100*SNI31*SP12*VSPmax)/49 (100*SNI32*SP11)/49 + 20*SNI11*SPI22 - 20*SNI12*SPI21 - 4*SNI11*SPI32 + 4*SNI12*SPI31 + (80*SNI21*SPI22)/7 - (80*SNI22*SPI21)/7 - (16*SNI21*SPI32)/7 + (16*SNI22*SPI31)/7 + (80*SNI31*SPI22)/49 - (80*SNI32*SPI21)/49 - (16*SNI31*SPI32)/49 + (16*SNI32*SPI31)/49 25*SP11*SPI12 + 25*SP12*SPI11 + 20*SP11*SPI22 - 20*SP12*SPI21 - 4*SP11*SPI32 + 4*SP12*SPI31 + 20*SPI11*SPI22 - 20*SPI12*SPI21 - 4*SPI11*SPI32 + 4*SPI12*SPI31))/(25*SN21*SP22 25*SN22*SP21 + 25*SN21*SPI22 - 25*SN22*SPI21 + 25*SNI21*SP22 - 25*SNI22*SP21 + 25*SNI21*SPI22 - 25*SNI22*SPI21 - 25*SN21*SP12*VSPmax + 25*SN22*SP11*VSPmax 25*SNI21*SP12*VSPmax + 25*SNI22*SP11*VSPmax - 20*SN21*SPI22*VSPmax + 20*SN22*SPI21*VSPmax + 4*SN21*SPI32*VSPmax - 4*SN22*SPI31*VSPmax 20*SNI21*SPI22*VSPmax + 20*SNI22*SPI21*VSPmax + 4*SNI21*SPI32*VSPmax 4*SNI22*SPI31*VSPmax) k=0 iv B. Distribuição temporal detalhada por modo VSP, dos vários circuitos efectuados Nissan Leaf Tempo(modo) [s] P.Esp (W/kg) Modo VSP 1 2 3 4 5 >49 50 26 3 12 1 3 45 48.5 49 7 0 0 0 0 7 47.5 48 2 0 2 0 1 5 46.5 47 5 0 2 0 0 7 45.5 46 4 1 3 0 0 8 44.5 45 8 0 3 1 1 13 43.5 44 4 0 0 0 0 4 42.5 43 7 0 8 0 0 15 41.5 42 7 1 9 0 0 17 40.5 41 12 0 8 0 1 21 39.5 40 16 0 9 0 1 26 38.5 39 12 1 7 0 0 20 37.5 38 10 1 8 0 0 19 36.5 37 8 0 9 0 0 17 35.5 36 12 2 11 2 0 27 34.5 35 12 0 13 0 0 25 33.5 34 15 3 19 0 0 37 32.5 33 15 1 16 0 1 33 31.5 32 15 2 11 1 1 30 30.5 31 19 1 17 0 0 37 29.5 30 20 0 7 2 0 29 28.5 29 19 1 15 2 0 37 27.5 28 23 4 19 1 1 48 26.5 27 23 3 21 2 2 51 25.5 26 31 5 33 3 0 72 24.5 25 30 5 22 4 0 61 23.5 24 41 4 47 4 4 100 22.5 23 34 4 31 5 1 75 21.5 22 37 9 53 8 1 108 20.5 21 45 3 51 9 6 114 19.5 20 41 10 58 13 7 129 18.5 19 51 14 62 20 6 153 17.5 18 52 12 65 30 10 169 16.5 17 37 16 62 28 11 154 15.5 16 52 15 73 39 20 199 14.5 15 46 32 61 46 29 214 13.5 14 67 30 60 56 38 251 12.5 13 66 39 85 93 48 331 11.5 12 67 42 79 72 61 321 Total v 10.5 11 59 62 85 80 73 359 9.5 10 75 77 105 92 89 438 9 82 118 140 99 93 532 7.5 8 118 98 127 106 117 566 6.5 7 102 141 153 125 132 653 5.5 6 125 160 165 140 174 764 5 108 157 150 123 179 717 3.5 4 131 194 141 137 176 779 2.5 3 151 244 147 117 190 849 1.5 2 160 260 152 139 221 932 1 196 566 229 190 403 1584 1386 435 296 1286 3975 8.5 4.5 0.5 0 0 572 -0.5 -1 187 397 219 177 334 1314 -1.5 -2 99 223 126 84 184 716 -3 112 174 112 79 136 613 -3.5 -4 89 115 102 69 122 497 -4.5 -5 75 101 83 65 77 401 -5.5 -6 70 79 89 50 76 364 -7 52 71 70 41 70 304 -7.5 -8 47 56 62 36 54 255 -8.5 -9 42 46 51 26 52 217 -9.5 -10 42 28 53 25 33 181 -11 43 24 37 13 27 144 -11.5 -12 34 29 28 17 20 128 -12.5 -13 33 23 39 15 20 130 -13.5 -14 33 18 20 14 19 104 -15 23 13 22 12 8 78 -15.5 -16 14 14 18 5 8 59 -16.5 -17 19 10 27 8 8 72 -17.5 -18 15 9 19 3 7 53 -19 11 5 15 4 7 42 -19.5 -20 9 6 14 6 8 43 -20.5 -21 6 4 18 6 13 47 -21.5 -22 5 9 7 2 3 26 -23 8 2 16 5 1 32 -23.5 -24 2 8 11 0 4 25 -24.5 -25 7 4 8 4 1 24 -25.5 -26 4 1 10 0 1 16 -27 6 1 5 1 0 13 -27.5 -28 5 3 4 4 0 16 -28.5 -29 3 1 5 0 0 9 <-29 -30 Total (min) Consumo à rede(Wh) Consumo de Bateria(Wh) 38 7 31 0 3 79 67 87 74 48 78 353 13540 5780 12930 6614 5556 44420 11509 4913 10990.5 5621.9 4722.6 37757 -2.5 -6.5 -10.5 -14.5 -18.5 -22.5 -26.5 vi Smart ED Tempo(modo) [s] P. Esp (W/kg) Modo VSP 1 2 3 4 5 >17 16.5 15.5 14.5 13.5 12.5 11.5 10.5 9.5 8.5 7.5 6.5 5.5 4.5 3.5 2.5 1.5 0.5 0 -0.5 -1.5 -2.5 -3.5 -4.5 -5.5 -6.5 -7.5 -8.5 -9.5 -10.5 -11.5 -12.5 -13.5 <-14 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 -1 -2 -3 -4 -5 -6 -7 -8 -9 -10 -11 -12 -13 -14 -15 95 48 39 66 60 74 85 98 77 122 112 98 124 121 160 160 175 298 472 219 138 117 81 82 82 66 54 51 30 32 19 14 9 38 130 46 56 57 56 67 95 119 117 108 151 175 182 181 205 189 185 302 534 299 167 124 120 90 78 81 56 56 48 49 42 29 19 97 37 12 18 24 34 52 53 84 113 149 178 226 190 233 218 246 226 318 497 290 164 159 120 92 82 75 67 50 37 34 23 23 21 68 61 16 24 23 27 44 63 72 70 92 101 113 127 143 137 156 169 290 445 262 141 106 104 78 56 55 52 43 43 31 19 25 17 69 57 21 27 32 26 27 42 41 38 43 59 77 71 101 96 98 89 193 730 220 114 72 67 57 44 39 39 16 21 13 13 11 12 62 380 143 164 202 203 264 338 414 415 514 601 689 694 779 816 849 844 1401 2678 1290 724 578 492 399 342 316 268 216 179 159 116 102 78 334 Total (min) 59 72 70 55 44 300 Consumo à rede (Wh) 7085 7407 5851 4309 3334 27986 Consumo de Bateria (Wh) 6022 6295 4973 3662 2833 23788.1 Total vii C. Especificações técnicas dos veículos medidos Mahindra Reva i AC (Quadriciclo pesado): Dimensões Comprimento (m) Largura (m) Altura (m) Área frontal (m2) 2,63 1,32 1,51 1,52 Motor Potência (c/Boost) (kW) Potência (s/Boost) (kW) Binário@ 8000rpm (N.m) Tipo 13 8 52 Trifásico Rotação máxima (rpm) 8000 “Rated Speed” (rpm) 3400 Relação de transmissão 9,4:1 Figura 65 – Reva i Pneus Dimensões Crr Baterias Tensão (V) Capacidade chumbo (kWh) Capacidade Litio (kWh) Autonomia Chumbo anunciada (km) Autonomia Litio anunciada (km) 145/70 R13 0,0147 48 9,36 7,68 80 100 Performance Velocidade máx. (km.h-1) Aceleração 0 - 45km.h-1 (s) Aceleração 0 - 70km.h-1 (s) Declive superável @ 30km.h-1 (%) 85 7,2 16,7 11,4 Peso Total Sem Baterias (kg) Baterias de Chumbo (kg) Baterias de Lítio (kg) 400 270 165 Total ensaiado (kg) 565 Capacidade de carga (kg) 275 viii Toyota COMS (quadriciclo leve): Dimensões Comprimento (m) Largura (m) Altura (m) Área frontal (m2) 2,40 1,03 1,50 1,14 Motor Potência máxima (kW) Binário máximo (N.m) 2+2 250 Tipo DC Figura 66 – Toyota COMS Pneus Dimensões 145/70 R12 Crr 0,0170 Performance Velocidade máx. (km.h-1) Aceleração 0 - 45km.h-1 (s) Declive superável @ 30km.h-1 (%) Baterias Tensão (V) Capacidade (kWh) Autonomia anunciada (km) 45 18,5 8,6 72 3,74 40 Peso Total Sem Baterias (kg) Baterias de Chumbo (kg) 240 160 Total ensaiado (kg) 400 ix Estrima Biró (quadriciclo leve): Dimensões Comprimento (m) Largura (m) Altura (m) Área frontal (m2) 1,74 1,03 1,57 1,35 Motor Potência máxima (kW) Binário máximo (N.m) Tipo 2+2 250 DC In-wheel Figura 67 – Estrima Biró Pneus Dimensões Tipo 130/60 R13 scooter Crr 0,0180 Performance Velocidade máx. (km.h-1) Aceleração 0 - 45km.h-1 (s) Declive superável @ 30km.h-1 (%) 45 17,5 8,5 Baterias Tensão (V) Capacidade (kWh) Autonomia anunciada (km) 48 2,92 40 Peso Total Sem Baterias (kg) Baterias de Chumbo (kg) 245 125 Total ensaiado (kg) 370 x Nissan Leaf (Ligeiro): Dimensões Comprimento (m) Largura (m) Altura (m) Área frontal (m2) 4,45 1,77 1,55 --- Motor Potência máxima (kW) Binário máximo (N.m) Tipo 80 280 AC Síncrono Figura 68 – Nissan Leaf Pneus Dimensões 205/55 R16 Crr --- Performance Velocidade máx. (km.h-1) 150 -1 9,9 Aceleração 0 - 100km.h (s) Baterias Tensão (V) 360 Capacidade (kWh) 24 Autonomia anunciada (km) 117 Peso Total Sem Baterias (kg) Baterias de Lítio (kg) 1221 300 Total ensaiado (kg) 1521 xi Smart Electric Drive (Ligeiro): Dimensões Comprimento (m) Largura (m) Altura (m) Área frontal (m2) Motor Potência máx s/Boost (kW) Potência máx c/boost (kW) Binário máximo (N.m) Tipo 4,45 1,77 1,55 --- 20 30 120 AC Indução Figura 69 – Smart electric drive Pneus Dimensões frente 155/60 R15 Dimensões trás 175/55 R15 Crr --- Performance Velocidade máx. (km.h-1) Aceleração 0 - 60km.h-1 (s) 100 6,5 Baterias Tensão (V) Capacidade (kWh) 360 16.5 Autonomia anunciada (NEDC)(km) 135 Peso Total Sem Baterias (kg) 795 Baterias de Lítio (kg) 180 Total ensaiado (kg) 975 xii D. Detalhes dos circuitos percorridos Circuito IST/Av. Liberdade Início/fim do circuito Distância = 0/10km 140 Altitude (m) 120 100 80 60 40 20 00 0 2000 4000 6000 Distância (m) 8000 10000 xiii Circuito Expo/Aeroporto Início/fim do circuito Distância = 0/26km Rotunda do Relógio Distância=20km 140 Altitude (m) 120 100 80 60 40 20 0 10000 xiv 12000 14000 16000 18000 20000 Distância (m) 22000 24000 26000 Circuito Parque das nações Início/fim do circuito Distância = 0/13km 60 Altitude (m) 50 40 30 20 10 0 20000 22000 24000 Distância (m) 26000 28000 xv E. Dados de consumo normalizados para os quadriciclos Modo VSP Potência específica normalizada Consumo eléctrico (Wh/s) Consumo eléctrico normal. Modo VSP Potência específica normalizada Consumo eléctrico (Wh/s) Consumo eléctrico norma. 11 1.000 2.178 1.000 -1 -0.048 -0.045 -0.020 10 0.905 2.098 0.964 -2 -0.143 -0.202 -0.093 9 0.810 2.002 0.919 -3 -0.238 -0.348 -0.160 8 0.714 1.746 0.802 -4 -0.333 -0.461 -0.212 7 0.619 1.612 0.740 -5 -0.429 -0.592 -0.272 6 0.524 1.389 0.638 -6 -0.524 -0.715 -0.328 5 0.429 1.185 0.544 -7 -0.619 -0.840 -0.386 4 0.333 0.970 0.445 -8 -0.714 -0.970 -0.445 3 0.238 0.800 0.367 -9 -0.810 -1.023 -0.470 2 0.143 0.602 0.276 -10 -0.905 -1.168 -0.536 1 0.048 0.229 0.105 -11 -1.000 -1.310 -0.602 0 0.000 0.057 0.026 Tabela 56 – Dados do quadriciclo Reva, relativos ao gráfico da figura 44 Modo VSP Potência específica normalizada Consumo eléctrico (Wh/s) Consumo eléctrico normal. Modo VSP Potência específica normalizada Consumo eléctrico (Wh/s) Consumo eléctrico norma. 11 --- --- --- -1 -0.059 -0.015 -0.012 10 --- --- --- -2 -0.176 -0.114 -0.088 9 1.000 1.300 1.000 -3 -0.294 -0.235 -0.181 8 0.882 1.227 0.944 -4 -0.412 -0.348 -0.268 7 0.765 1.141 0.878 -5 -0.529 -0.391 -0.301 6 0.647 0.965 0.743 -6 -0.647 -0.400 -0.308 5 0.529 0.801 0.617 -7 -0.765 -0.410 -0.315 4 0.412 0.673 0.518 -8 --- --- --- 3 0.294 0.557 0.429 -9 --- --- --- 2 0.176 0.433 0.333 -10 --- --- --- 1 0.059 0.202 0.155 -11 --- --- --- 0 0.000 0.005 0.004 Tabela 57 – Dados do quadriciclo Biró, relativos ao gráfico da figura 44 xvi Modo VSP Potência específica normalizada Consumo eléctrico (Wh/s) Consumo eléctrico normal. Modo VSP Potência específica normalizada Consumo eléctrico (Wh/s) Consumo eléctrico norma. 11 --- --- --- -1 -0.059 -0.011 -0.009 10 --- --- --- -2 -0.176 -0.119 -0.098 9 1.000 1.212 1.000 -3 -0.294 -0.184 -0.152 8 0.882 1.142 0.942 -4 -0.412 -0.250 -0.207 7 0.765 1.022 0.843 -5 -0.529 -0.316 -0.261 6 0.647 0.901 0.744 -6 -0.647 -0.386 -0.319 5 0.529 0.793 0.654 -7 -0.765 -0.430 -0.355 4 0.412 0.659 0.543 -8 -0.882 -0.539 -0.445 3 0.294 0.536 0.442 -9 -1.000 -0.574 -0.474 2 0.176 0.405 0.334 -10 -1.118 -0.633 -0.523 1 0.059 0.197 0.162 -11 --- --- --- 0 0.000 0.021 0.017 Tabela 58 – Dados do quadriciclo Toyota COMS, relativos ao gráfico da figura 44 Modo VSP Eficiência Reva (%) Eficiência Biró (%) Eficiência COMS (%) Modo VSP Eficiência Reva (%) Eficiência Biró (%) Eficiência COMS (%) 11 83.0% --- --- -1 51.7% 21.3% 16.4% 10 78.0% --- --- -2 78.2% 53.6% 59.4% 9 73.1% 92.7% 93.5% -3 80.7% 66.4% 55.2% 8 74.0% 86.6% 87.6% -4 76.5% 70.2% 53.6% 7 69.4% 80.7% 84.8% -5 76.3% 61.4% 52.7% 6 68.2% 80.7% 81.3% -6 75.5% 51.4% 52.7% 5 65.4% 79.5% 75.7% -7 75.0% 44.5% 49.6% 4 62.2% 73.7% 70.9% -8 75.1% --- 53.9% 3 53.8% 63.6% 62.2% -9 69.9% --- 50.7% 2 42.9% 49.1% 49.4% -10 71.4% --- 50.0% 1 37.6% 35.1% 33.9% -11 72.5% --- --- 0 0.0% 0.0% 0.0% Tabela 59 – Eficiência em função do Modo VSP dos quadriciclos monitorizados, dados da figura 45 xvii F. Distribuição do consumo eléctrico em 14 modos de potência específica (Smart ED) A apresentação do Consumo sobre a forma de 14 modos VSP encontra-se na Figura 70. Contudo, como foi descrito anteriormente, a representação dos dados de consumo sobre a forma de 14 modos, não é o mais adequado a veículos eléctricos, sendo que no caso deste veículo e dos quadriciclos eléctricos, existem classes sem registo de consumo devido a potências específicas máximas baixas, como se pode verificar na Tabela 60. 7 Consumo eléctrico (Wh/s) 6 5 4 3 2 1 0 -1 1 -2 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Modo VPS (14 modos) Figura 70 – Consumo eléctrico por modo VSP, do Smart ED (distribuição em 14 modos) Na Tabela 5 está descriminado o consumo eléctrico por modo VSP (distribuição em 14modos): Classe VSP 1 2 3 4 5 6 7 Consumo eléctrico (Wh/s) -0.742 -0.060 0.148 1.20 2.33 3.43 4.55 Classe VSP 8 9 10 11 12 13 14 Consumo eléctrico (Wh/s) 5.71 6.76 ----------- Tabela 60 – Consumo eléctrico por modo VSP, do Smart ED (distribuição em 14 modos) xviii