O PAPEL DAS TIC´S NO ENSINO SECUNDÁRIO
Maria de Fátima Estêvão Jasso Jerónimo
Lichinga, Junho de 2014
O PAPEL DAS TIC´S NO ENSINO SECUNDÁRIO
Maria de Fátima Estêvão Jasso Jerónimo
Dissertação apresentada ao Departamento de
Educação, da Faculdade de
Educação e
Comunicação da Universidade Católica de
Moçambique, como requisito parcial para a
obtenção do grau de Mestre em Gestão e
Administração Educacional
Orientador
Nurdin
Científico:
Lichinga, Junho de 2014
Ma
Abubacar
José
ii
COMITÉ DO JÚRI
Presidente: Mendita Ugembe , Docente UCM-Extensão de Lichinga.______________________
Oponente:Felipe André Angust, Docente UCM-Extensão de Lichinga._____________________
Oponente: João Baptista , Director Pedagógico- UCM-Extensão de Lichinga._______________
iii
Declaração
Eu, Maria de Fátima Estevão Jasso Jerónimo , declaro que esta dissertação é resultado de
investigação pessoal, que o seu conteúdo é original e que todas as fontes consultadas estão
devidamente mencionadas no texto em forma de aspas (“ ”) ou parafraseando, nas notas e na
bibliografia.
Lichinga, aos 9 de Junho de 2014
A Estudante
Visto pelo Supervisor
___________________________________
_____________________________________
Maria de Fátima Estevão Jasso
Ma Abubacar José Nurdin
iv
Agradecimentos
A realização desta dissertação para a obtenção do grau de Mestrado contou com o apoio e
incentivo de diversas pessoas, que sem elas não seria possível e, as quais serei eternamente grata.
Ao Mestre Abubacar José Nurdin pela sua orientação e disponibilidade total, pelo saber que
transmitiu didáctico e pedagogicamente, pelas suas opiniões, pela colaboração na busca de
soluções para os problemas que foram surgindo ao longo do percurso e pelo seu encorajamento.
Aos docentes e alunos das escolas Secundárias Paulo Samuel Kankhomba e Cristiano Paulo
Taimo, pela sua participação, porque sem eles não seria possível a concretização deste trabalho.
Ao meu colega de trabalho, Paulo Ambasse, pelo seu apoio incondicional no tratamento
estatístico dos dados.
A todos que não foram citados, e que de alguma maneira contribuíram para a concretização deste
trabalho, em ideias ou de qualquer género.
Por último, tendo a consciência que sozinha, nada teria sido possível, dirijo o meu agradecimento
aos meus pais, meus irmãos, por terem, mais uma vez, acreditado em mim, pelos incentivos que
ajudaram a concretizar a produção desta dissertação.
v
Didicatória
“The only way schools will change is if teacher´s change them”
Francis Duffy
Em memória do meu Pai Estevão Jasso
vi
Lista de Tabelas
TABELA 4. 1 DISCIPLINAS QUE OS ALUNOS MAIS GOSTAM ............................................................................................. 58
TABELA 4. 2 TEM TIDO AULAS DE TIC´S? ..................................................................................................................... 59
TABELA 4. 3 PERIODICIDADE DAS AULAS DE TIC´S ....................................................................................................... 59
TABELA 4. 4 DURAÇÃO DE CADA AULA ......................................................................................................................... 60
TABELA 4. 5 LOCAL ONDE DECORREM AS AULAS .......................................................................................................... 60
TABELA 4. 6 ACESSO AO COMPUTADOR EM AULAS DE TIC´S ........................................................................................ 61
TABELA 4. 7 ENVOLVIMENTO DAS TIC´S (COMPUTADOR) PARA APRENDIZAGEM ......................................................... 62
TABELA 4. 8 DISCIPLINAS QUE PODERIA USAR MAIS O COMPUTADOR PARA O ENSINO DOS CONTEÚDOS ........................ 62
TABELA 4. 9 SE INTERNET TEM UM PAPEL IMPORTANTE NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DOS CONTEÚDOS DA
SUA CLASSE .......................................................................................................................................................... 63
TABELA 4. 10 O QUE OS PROFESSORES ACHAM SOBRE A DISCIPLINA DE TIC´S .............................................................. 73
vii
Lista de Figuras
FIGURA 2. 1 TRÍADA DE CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO ........................................................................................... 41
viii
Lista de Gráficos
GRÁFICO 4. 1 RAZÕES DE FALTA DE ACESSO DO COMPUTADOR ....................................................................................61
GRÁFICO 4. 2 PAPEL DA INTERNET ................................................................................................................................64
GRÁFICO 4. 3 CONTRIBUTO DAS TIC´S NO ENSINO-APRENDIZAGEM .............................................................................64
GRÁFICO 4. 4 DISCIPLINAS QUE PODERIAM USAR MAIS O COMPUTADOR ...................................................................69
GRÁFICO 4. 5 CONTRIBUTO DAS TIC`S NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM .......................................................74
ix
Lista de diagramas
DIAGRAMA 4. 1 PAPEL DA INTERNET ............................................................................................................................ 69
DIAGRAMA 4. 2 CONTRIBUTO DAS TIC`S ...................................................................................................................... 70
DIAGRAMA 4. 3 EXPLORAÇÃO DAS TIC´S PARA A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS ............................................................ 70
x
Lista de acrónimos
TIC´s- Tecnologias de Informação e Comunicação
AECT- Association for Educational Communications and Technology
AEC- Ensino assistido por computador
CAI- Computer aided instruction
EUA´s- Estados Unidos de América
ES- Ensino Secundário
PCESG- Plano Curricular do Ensino Secundário Geral
PSK- Paulo Samuel Kankhomba
CPT- Cristiano Paulo Taimo
ZDP- Zona de desenvolvimento proximal
ZPD- Zona de desenvolvimento potencial
ICT- Information & Comunication Technology
BECTA- British Educational Communications and Technology Agency
xi
Resumo
Na conjuntura actual, há necessidade de nos adaptar às mudanças constantes a que a sociedade está sujeita
e, às quais a escola não deve ficar alheia, tendo em conta que esta está para servir os interesses da
sociedade, na sua responsabilidade de formar sujeitos activos e reflexivos. Esta pesquisa intitulada “O
Papel das Tecnologias de Informação e Comunicação no Ensino Secundário”, pretende compreender em
que medida o ensino das TIC´s, contribui para a construção de conhecimento dos alunos, em duas escolas
do ensino secundário na cidade de Lichinga. Cingimo-nos sobre às condições em que são ministradas as
aulas de TIC na escola, dificuldades que os professores e os alunos encontram no ensino das TIC´s, ao
grau de importância atribuída às mesmas no processo de ensino - aprendizagem. Para a concretização do
mesmo, usamos várias ferramentas, como questionários e fichas de observação, contando com
participação dos alunos assim como professores. A revisão bibliográfica bem como a triangulação dos
dados foram outros suportes usados. Dá análise dos resultados, o estudo concluiu que o ensino das TIC´s
nas duas escolas tem vários desafios, desde a insuficiência de meios, a gestão das salas de aulas, até a não
valorização das TIC´s como uma ferramenta para a construção de conhecimentos, resultante do
desconhecimento das suas potencialidades. Para o efeito, recomenda-se que as escolas criem condições
para o ensino da disciplina e revejam as formas de leccionação para uma mudança da prática pedagógica
na sala de aulas, colocando o aluno no centro da aprendizagem.
.
Palavras-chaves: TIC´s, ensino-aprendizagem, aluno
xii
Abstract
At the current juncture, it is necessary to adapt to the constant changes to which the society is subjected
and which the school should not remain aloof taking into account that this is to serve the interests of
society in its responsibility to form active and reflective individuals. This research entitled "The Role of
Information and Communication Technologies in Secondary Education", aims to understand the extent to
which the teaching of ICT can contribute to the construction of knowledge amongst students in two
secondary schools in the city of Lichinga. We followed the conditions under which ICT classes in the
school are ministered, difficulties that teachers and students encounter during ICT classes, the degree of
importance attributed to them in the teaching – learning process. To achieve such, we use various tools,
such as questionnaires and observation records, with participation of students as well as teachers. Other
media were used for the literature review and the triangulation of data. From the results analysis, the study
concluded that the teaching of ICT in both schools have various challenges, from lack of resources,
management of classrooms, lack of appreciation of ICT as a tool for building knowledge as a result lack
of knowledge of its potentialities. For this purpose, it is recommended that schools create conditions for
teaching of this subject and review the forms of teaching for a change of in practical classroom, placing
the student in the learning center.
keywords: ICT, teaching - learning, student
xiii
Índice
Declaração ..................................................................................................................................................... iii
Agradecimentos............................................................................................................................................. iv
Didicatória ...................................................................................................................................................... v
Lista de Tabelas............................................................................................................................................. vi
Lista de Figuras ............................................................................................................................................ vii
Lista de Gráficos ......................................................................................................................................... viii
Lista de diagramas......................................................................................................................................... ix
Lista de acrónimos ......................................................................................................................................... x
Resumo .......................................................................................................................................................... xi
Abstract ........................................................................................................................................................ xii
CAPÍTULO I ............................................................................................................................................... 16
Introdução ................................................................................................................................................... 16
1.1 Como Começou ................................................................................................................................. 16
1.2 Em Torno da Problemática ................................................................................................................ 21
1.3
Delimitação ................................................................................................................................. 22
1.4
Pergunta de Partida...................................................................................................................... 22
1.5
Objectivos.................................................................................................................................... 23
1.5.1 Objectivo Geral .......................................................................................................................... 23
1.5.2 Objectivos Específicos ............................................................................................................... 23
1.6 Questões de Investigação .................................................................................................................. 23
1.7 Pertinência Teórica e Prática da Investigação ................................................................................... 23
1.8 Justificativa....................................................................................................................................... 24
1.9 Estrutura da Dissertação .................................................................................................................... 24
CAPÍTULO II ............................................................................................................................................. 26
2.1 Quadro Teórico e Conceptual............................................................................................................... 26
2.2 Definição dos Principais Termos da Investigação............................................................................. 26
2.3 David Ausubel ....................................................................................................................................... 28
xiv
2.4 Jerome Bruner ....................................................................................................................................... 30
2.5 Lev Semonovich Vygotsky ................................................................................................................... 31
2.6 Jean Piajet.............................................................................................................................................. 33
2.7 Seymour Papert ..................................................................................................................................... 34
2.8 Integração das TIC`S em Contextos Educativo ................................................................................... 35
2.8.1 Aplicação das TIC´s no Contexto Educativo ............................................................................. 38
2.8.2 Aprender a Partir das TIC`s, Uma Perspectiva Construtivista ................................................... 39
2.8.3 O papel do Professor .................................................................................................................. 43
2.8.4 O Papel do Aluno ....................................................................................................................... 44
2.9
Estudos realizados sobre a utilização das TIC´s na Educação .................................................... 45
CAPÍTULO III ............................................................................................................................................ 51
3.1
Metodologia ....................................................................................................................................... 51
3.2 Opções Metodológicas ...................................................................................................................... 51
3.3 Questões de Investigação .................................................................................................................. 51
3.4 Participantes (Universo e Amostra) .................................................................................................. 52
3.5 Objecto de Estudo ............................................................................................................................. 53
3.6 Instrumentos de recolha de dados ..................................................................................................... 53
3.7 Modelo de Análise de Dados............................................................................................................. 54
3.8 Limitações do Estudo ........................................................................................................................ 54
3.9 Considerações Éticas ......................................................................................................................... 55
3.10 Caracterização do Local da Investigação ........................................................................................ 55
3.10.1 Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba ......................................................................... 55
3.10.2 Escola Secundária Geral Cristiano Paulo Taimo...................................................................... 56
CAPÍTULO IV ............................................................................................................................................ 57
4.1 Apresentação, Análise e Tratamento dos Dados ............................................................................... 57
4.2 Resultados obtidos a partir dos questionários dos alunos ................................................................. 57
4.2 Resultados obtidos a partir dos questionários dos professores da disciplina de TIC ........................ 64
4.3 Resultados obtidos a partir dos questionários dos professores de outras disciplinas ........................ 71
4.4 Síntese dos Resultados ...................................................................................................................... 75
CAPÍTULO V ............................................................................................................................................. 78
Conclusões .................................................................................................................................................. 78
xv
Recomendações ........................................................................................................................................... 83
Bibliografia ................................................................................................................................................. 84
Apêndices .................................................................................................................................................... 90
16
CAPÍTULO I
Introdução
A humanidade alcançou o desenvolvimento actual, um desenvolvimento em todas as áreas de
conhecimento, graças à curiosidade e insatisfação do homem, na busca da inovação e de meios
que facilitam as suas tarefas e o proporcionam o bem-estar.
Uma dessas inovações que o Homem trouxe ao mundo são as Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC´s), que vieram para modificar os hábitos e diminuir o tempo de realização de
tarefas e consequentemente a melhoria de qualidade de vida das pessoas. Nesta óptica, Vygotsky
( 1998, citado em Negrif & Brito, 2008, p.2) diz que :
“Se a actividade dos homens se reduzisse em repetir o passado, o homem seria um ser voltado
exclusivamente para o ontem e incapaz de adaptar-se a uma manhã diferente. É precisamente a
actividade criadora que nos faz dele um ser projectado para o futuro, um ser que contribui e
modifica o presente.
Na educação, a importância das TIC´s visa o desenvolvimento de competências para a formação
integral do aluno, como um cidadão capaz de agir na sociedade. Neste contexto, pretende-se nesta
pesquisa avaliar o papel das TIC´s no ensino secundário, para a construção de conhecimentos dos
alunos.
1.1 Como Começou
O século XX é considerado como período de afirmação de várias ciências, como resultado da
corrida do mundo, ora dividido em dois blocos, socialista e capitalista, na busca da supremacia e
controlo do mundo. Portanto, esta guerra ideológica, afectou o sector de educação. Começa-se a
questionar a maneira como era conduzido o processo de ensino – aprendizagem.
Este questionamento refere-se ao desenvolvimento de competências, para que os indivíduos
sejam capazes de pensar por si mesmos e resolver os problemas da sociedade actual. “ Neste
contexto, passou a valorizar-se a promoção de competências relacionadas com a gestão dos
processos de aprendizagem pelos próprios aprendentes, a adopção de uma autonomia crescente
nos seus percursos escolares … (Santos, 2007, p. 4).
17
A evolução das (TIC´s) ocasiona muitas vezes, transformações na vida quotidiana das
populações, e a sua implementação à escala mundial, passou por diferentes fases. A sua
concretização ocorre quando a pedagogia propõe a utilização de máquinas para o ensinoaprendizagem. Costa (2008) afirma que a sua periodização é baseada na proposta da Association
for Educational Communications and Technology ( AECT) divide nas seguintes fases:
 Período Inicial (1923-1931)
 Período de consolidação ( 1932-1945)
 Período Posterior à 2ª Guerra Mundial ( 1946-1957)
 Período de Grande expansão ( 1958-1970)
 Período de reafirmação e abertura ( 1971-1982)
 Período determinado pelo impacto do computador ( 1983-1999)
Período Inicial (1923-1931)
Este período corresponde ao do desenvolvimento da rádio, do cinema mudo e do movimento de
utilização de meios visuais nas escolas, com vista a tornar idéias e conceitos abstractos. Esses
meios serviam de auxílio para o trabalho do professor. Por outro lado, este período foi
evidenciado pela teoria de Thorndike (conexionismo e associacionismo), “vê na aprendizagem
como uma série de conexões e ou vínculos estímulo-resposta” (Nurdin, 2012, p. 23) e da
afirmação da psicologia como disciplina científica.
Período de consolidação ( 1932-1945)
Corresponde ao período de afirmação audiovisual reforçado pelo conhecimento potencial das
máquinas e materiais como meios de ensino, baseado na eficácia demonstrada na preparação
rápida e eficaz de tropas para a 2ª Guerra Mundial.
Neste período os filmes educativos ganham destaque na preparação aulas pelos professores e
especialmente alunos como materiais de apoio. Nóvoa (2008, citado em Júnior 2011) diz que o
uso da linguagem cinematográfica como instrumento auxiliar na formação histórica, tinha como
18
finalidade integrar, orientar e estimular a capacidade de análise dos estudantes, com a utilização
de películas como fonte de discussão e prepará-los para a pesquisa.
Foram conduzidos estudos na área de psicologia para estabelecer a relação entre a percepção e a
memória e da educação humanista, centrada no aluno.
Período do Pós Guerra (1946- 1957)
Predominado pelos trabalhos de Skinner e da sua teoria de ensino programado. Skinner foi o
primeiro estudioso a propor o uso de tecnologias ao serviço do ensino.
A proposta de Skinner é, aliás, considerada historicamente como a força catalítica
decisiva para a convergência da investigação realizada em áreas diversas (nomeadamente
a investigação sobre a aprendizagem, a investigação na área de gestão, focando aspectos
como planeamento e resolução de problemas, e a investigação do domínio da
comunicação propriamente dita através dos novos meios) (Costa, 2008, pp-51-52).
Skinner referia-se do ensino programado, onde as máquinas assumiriam o papel de resolução de
problemas relativos a aprendizagem, “ que consistia em dividir o material a ser ensinado em
pequenos módulos, de maneira que cada facto ou conceito fosse apresentado ao aluno de forma
sequencial” (Sousa & Fino 2011, p. 6).
A falta de padronização do material utilizado contribuiu no insucesso desta teoria, e que com o
surgimento do computador, “ foram criados programas informáticos de instrução programada e
começou a popularizar-se a expressão ensino assistido por computador (AEC) ou“ computeraided instruction (CAI)” (Sousa & Fino 2011, p. 7)
Momento de Grande Expansão ( 1958-1970)
A Guerra fria entre os Estados Unidos de América (EUA´s) e a extinta URSS contribui bastante
na expansão das TIC`s, cujo marco inicia após o lançamento do primeiro satélite Russo em finais
de 1957. Este acontecimento, leva os EUA´s a uma corrida contra o seu principal inimigo no que
concerne ao desenvolvimento de tecnologias, sem precedentes.
19
Importa-nos mencionar que o êxito do lançamento do “Sputnik” pelos soviéticos, ainda tenha
abalado a confiança dos EUA na qualidade do seu sistema educativo, não causou um movimento
de relevo de modo que criasse grandes alterações, quer em termos de definição de metas, quer em
termos organizacionais (Fino & Sousa, 2011).
“Os EUA desencadeiam um esforço federal sem precedentes, intervindo ao nível do currículo e
disponibilizando grandes financiamentos para a produção de conteúdos (curriculum packages)
que permitisse melhorar o ensino em todas as áreas, com especial atenção à Matemática, Ciências
e línguas estrangeiras”( Costa, 2008, p.52). Assim, escolas e universidades são equipadas com
materiais modernos e aprofundam-se as questões de uso de meios tecnológicos nas escolas.
Período de Reafirmação e Abertura ( 1971-1982)
Período caracterizado por intensas investigações e do aparecimento do computador (desktop) às
escolas e empresas. De acordo com Bouthours (1987, citado em Costa, 2008, p. 57), “ esta
constatação seria para alguns o núcleo de uma “théorie de l’apprendissage par les média”, que
exigiria o recurso às ciências cognitivas e constituiria, em sua opinião, a originalidade de algumas
investigações realizadas em França”.
Por outro lado, Papert, cria a linguagem LOGO, na segunda metade dos anos sessenta, um
projecto pedagógico de utilização de computadores na educação, cujo objectivo era de potenciar
a capacidade de ensinar, aprender para além do currículo. Papert propunha a mudança do
paradigma instrucionista para o paradigma construcionista. Em oposição à visão mais económica
para a facilitação do processo de ensino-aprendizagem, a AECT, propõe a utilização de
computadores para a resolução de problemas educacionais.
Período Determinado pelo Impacto do Computador ( 1983-1999)
Neste período já não se trata mais do ensino audiovisual ou do ensino programado, mas sim, do
ensino apoiado em TIC´s, onde aluno constrói o seu conhecimento. Elas encurtam as distâncias
através da internet, transpõe as barreiras linguísticas, a troca acelerada de mensagens e a fluência
da informação. Levy ( 1993, citado em Quartiero, 1999) afirma que:
20
Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das
telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria
inteligência dependem, na verdade de metamorfose incessante de dispositivos
informacionais de todos os tipos. A escrita e aprendizagem são capturadas por uma
informática casa vez mais avançada, não se pode mais conceber a pesquisa científica sem
uma aparelhagem complexa que redistribui as antigas divisões entre a experiência e teoria
(p. 5).
No contexto Moçambicano
A introdução do ensino das TIC´s, no Ensino Secundário em Moçambique, é considerada como
inovação ao currículo, com vista a tornar o profissionalizante, como resposta ao processo de
globalização, e, exige a formação de um cidadão participativo e empreendedor. De acordo com o
Plano Curricular do Ensino Secundário Geral (PCESG), As TIC´s serão usadas como meio de
ensino nas diferentes disciplinas, para simplificar o trabalho dos
alunos na resolução dos
problemas, buscas e sistematização de informações e sua utilização interactiva.
Com base neste pensamento, (Almeida, 2004, p. 40) assevera que “as TIC´s devem ser usadas
como fonte de informação ou ainda instrumento para representar o pensamento sobre o
conhecimento em construção, de troca de informação e de elaboração colaborativa. As TIC´s
devem servir como fonte para a consolidação dos conhecimentos adquiridos nas várias áreas de
saber, despertando no aluno o interesse na pesquisa e elaboração de trabalhos na escola.
Nesta óptica, sendo a introdução do ensino das TIC´s no nosso país uma questão recente data do
ano 2008 e é, uma área que está em constante mutação e actualização, exige que todos os actores
se desdobrem com vista a integrar ao mundo globalizado.
As TIC`S, contribuem para o crescimento económico do países bem como para a qualificação dos
seus cidadãos, são uma fonte de passagem e busca de informação e servem como instrumento
para o desenvolvimento integral do aluno, transforma a informação por esta obtida em
conhecimento, permitindo assim, a participação activa na sociedade. As TIC´s bem utilizadas
provocam alteração de comportamento de professores assim como de alunos, levando-os ao
melhor conhecimento e maior aprofundamento do conteúdo estudado (Kenski, 2007).
21
As TIC´s são consideradas como recursos didácticos, uma vez que dinamizam o espaço de
ensino-aprendizagem e alteram numerosas funções cognitivas do aluno, por conseguinte, a
memória humana vai ampliar e exteriorizar-se.
Hoje, mais que no passado, as crianças entram pela 1ª vez na escola com algum conhecimento
das TIC´s, como é o caso do uso de telefones para troca de informação, por várias vias, como em
redes sociais entre outras. Com isto, queremos dizer que o aluno vai à escola já rodeado de
noções sobre as TIC´s.
Com tudo, a escola desempenha um papel importante para a evolução do conhecimento que o
aluno traz consigo de casa de uma forma fragmentada. Por outro lado, a escola tem a função de
integrar as TIC`s na vertente pedagógica, contribuindo para a sua democratização, uma vez que
oferecem ferramentas indispensáveis para a educação.
Com o desenvolvimento das TIC´s, nota-se uma rapidez na difusão da informação às pessoas, e
uma constante actualização dos conhecimentos. Para que o aluno não fique excluído deste
processo, é necessário que seja munido de conhecimentos que lhe permitam explorar as recentes
tecnologias.
As TIC´s não constituem apenas como uma fonte de informação e comunicação, mas elas servem
de instrumento para o desenvolvimento cognitivo, transformando a informação por ela obtida em
conhecimento e que permite por sua vez o desenvolvimento integral do aluno.
1.2 Em Torno da Problemática
Nos dias actuais, a educação tem privilegiado o uso das TIC´s como fonte para a busca de
conhecimentos em outras áreas de saber, por parte do aluno e integração no mundo globalizado.
No nosso país, o ensino de TIC´s é um legado recente, que culminou com a reformulação do
Programa Curricular do Ensino Secundário Geral em 2008 e por conseguinte as TIC´ são
consideradas como uma disciplina do tronco comum.
Por outro lado a presença das TIC´s na escola se faz necessária com vista a responderr às
expectativas do nosso país na sua inserção na sociedade de informação e, que a inovação e o
conhecimento constituem um factor chave para a preparação de cidadãos para os novos desafios
22
da aldeia global. A introdução do TIC tem em via a melhorar a qualidade de ensino e da gestão
escolar, como forma a tornar acessíveis os conteúdos escolares.
Para a concretização deste currículo, que inclui as TIC’s como uma disciplina à semelhança de
outras, são colocados à disposição nas escolas, salas equipadas com equipamento informático,
por vezes com tecnologia de ponta que, em apenas um clique o aluno é levado a um outro mundo.
No entanto, esse processo, por vezes, não tem alcançado resultados desejáveis, uma vez que a
maior parte dos alunos graduados nas Escolas Secundárias Paulo Samuel Kankhomba e Paulo
Cristino Taimo ingressam ao ensino superior sem adquirirem competências previstas no PCESG,
a destacar:
 Operar com diferentes tecnologias, gerar e partilhar informação e conhecimento de
forma adequada;
 Usar as TIC`s para a superação das lacunas encontradas no processo de construção
de conhecimento;
 Recolher informações de diversas fontes para a realização de e apresentação de
trabalhos na sala de aulas;
 Usar o computador para a elaboração de trabalhos académicos;
O desafio actual não se trata apenas de ensinar o aluno a utilizar o mecanismo tecnológico da
actualidade, pois se trata desse aluno saber a importância dessa disciplina na escola e usá-lo na
escola para os propósitos estabelecidos. Com base nesses pressupostos, qual é o Papel do ensino
das TIC`s para a construção do conhecimento no ensino secundário?
1.3 Delimitação
O presente estudo foi realizado nas escolas secundárias Paulo Samuel Khankhomba e Paulo
Cristino Taimo, em Lichinga, província do Niassa, no período de Janeiro à Abril de 2014.
1.4 Pergunta de Partida
Que Papel desempenha o Ensino das Tecnologias de Informação e Comunicação para a
construção de conhecimentos dos alunos nas Escolas Secundárias Paulo Samuel Kankhomba e
Cristiano Paulo Taimo?
23
1.5 Objectivos
1.5.1 Objectivo Geral
Compreender em que medida o ensino das TIC´s, contribui para a construção de conhecimento
dos alunos, nas Escolas Secundárias Paulo Samuel Kankhomba e Cristinano Paulo Taimo cidade de Lichinga.
1.5.2 Objectivos Específicos

Verificar em que condições são ministradas as aulas de TIC nas escolas;

Apurar as dificuldades que os professores e alunos encontram no ensinoaprendizagem das TIC´s;

Averiguar o grau de importância que são atribuídas às TIC´s nas escolas no
processo de ensino aprendizagem.
1.6 Questões de Investigação
 Em que condições são ministradas as aulas de TIC´s?
 Quais são as dificuldades que os professores e alunos encontram no ensino da TIC´s?
 Qual é o grau de importância atribuído às TIC´s na escola?
 Qual é a importância do ensino das TIC`s para a construção de conhecimentos?
1.7 Pertinência Teórica e Prática da Investigação
Este estudo poderá contribuir para o desenvolvimento de diversas medidas sobre a prática
pedagógica dos professores na sala de aulas e para uma nova visão sobre a importância das TIC´s
no ensino, para a resolução de problemas de aprendizagem, numa época em que diferentes
estudos apelam o uso de ferramentas tecnológicas no sector de educação.
Por outro lado, a pesquisa ajudará os professores a auxiliar aos alunos na busca de melhores
estratégias de aprendizagem para resolverem com êxito as diferentes tarefas da escola, que muitas
vezes as resolviam socorrendo-se da memorização, por falta de estratégias alternativas, como as
TIC´s, facto que concorre para o fraco aproveitamento escolar e consequentemente a falta de
motivação por parte dos alunos.
24
1.8 Justificativa
A Escolha do tema assenta-se no princípio de que todo o ensino só tem relevância quando traz
mudanças significativas no aluno. Se um aluno passa de classe sem que atinja o nível de
competências exigidas, estamos perante um fenómeno que precisa de ser estudado com vista a
procurar possíveis respostas.
Ao estudarmos este tema, pretendemos ilustrar se o ensino das TIC´s no ES, nas Escolas
secundárias Paulo Samuel Kankhomba (PSK) e Cristiano Paulo Taimo (PCT), tem contribuído
para a construção de conhecimento no aluno. Por outro lado, é que o grosso número de estudantes
graduados do ES no Niassa é proveniente das mesmas escolas.
Para além do que foi aludido anteriormente, temos recebido queixas por parte de professores do
Ensino Superior, sobre estudantes dos primeiros anos e seguintes, que têm tido muitas
dificuldades em trabalhar com as TIC´s no processo de pesquisa, elaboração e apresentação de
trabalhos académicos. Vilelas (2009) diz que as razões podem ser pessoais, conhecimentos
prévios, saber acumulado num determinado campo, inquietações que em cada época e lugar
adquirem predomínio na comunidade
Apesar desses alunos terem estudado as TIC´s no ensino secundário, são obrigados a recorrer
escolas de informática para estarem habilitados no uso das mesmas. Para os que não têm
possibilidades de fazer um curso extra ficam excluídos da sociedade. Barros & Lehfeld (1999)
argumentam que a escolha do tema é confinada por motivações externas ou internas como são os
casos de observação do quotidiano, a vida profissional, os programas de investigação, o contacto
e/ou relacionamento com especialistas, informações de pesquisas já efectuadas, o estudo de
literatura especializada.
Ao trazermos as causas e soluções do problema em estudo, estaríamos a contribuir para o
desenvolvimento do ensino na província do Niassa em particular e de Moçambique em geral e
melhorar a prática docente nas escolas, com vista a superar os entraves que estão por detrás deste
problema.
1.9 Estrutura da Dissertação
A presente pesquisa foi organizada em cinco capítulos:
25
No Capítulo I-Corresponde a introdução da pesquisa, parte que antecede a apresentação da
estrutura.
No Capítulo II- Inicia com definição dos principais conceitos de investigação, descrição de
teorias que, no nosso entender, são o sustento para esta investigação. Mas adiante falamos da
integração das TIC´s em contextos educativos e por último, apresentamos os estudos recentes que
fundamentam o uso das TIC´s no ensino.
No Capítulo III- Metodologia, são apresentadas as opções metodológicas, as questões de
investigação, descrição do tipo de estudo e do seu respectivo objecto, os instrumentos de recolha
de dados utilizados e a forma como os mesmos foram recolhidos e tratados, a calendarização das
actividades definidas, as limitações do estudo, considerações éticas e a caracterização do local da
investigação.
No IV Capítulo- Apresentação e discussão dos resultados, expõe-se os dados recolhidos no
campo sobre o sentimento dos intervenientes no estudo, em forma gráfica, tabulação e diagramas
e a respectiva interpretação.
No V Capítulo- Conclusões, Apresenta-se a redacção das conclusões a partir das questões de
investigação, do marco teórico, dos dados recolhidos e os respectivos resultados.
26
CAPÍTULO II
2.1 Quadro Teórico e Conceptual
Pretendemos neste capítulo fazer a definição de termos da investigação, contextualizar algumas
teorias de aprendizagem que no nosso entender são relevantes para a integração das TIC´s no
ensino e apresentação de alguns estudos realizados sobre o uso das TIC´s em contextos
educativos.
Acreditamos que é necessário fazer conhecer os estudos realizados por consagrados autores, que
graças à sua mestria, trouxeram grandes contributos para entender como ocorre o processo de
desenvolvimento intelectual do indivíduo.
As ideias e descobertas destes autores impulsionaram na busca de melhores formas de exercer a
pedagogia na sala de aulas. Com base nestes fundamentos, optamos pelas teorias cognitivistas de
David Ausubel e Jerome Bruner, as construtivistas de Lev Semenovich Vygotsky e Jean Piaget e
mais adiante a teoria construcionista de Seymour Papert.
2.2 Definição dos Principais Termos da Investigação
TIC´s
Masetto( 2000, citado em Silva e Neto, 2008) designa por novas tecnologias em educação o:
uso da informática, do computador, da internet, do cd-rom, da hipermédia, da multimédia,
de ferramentas para a educação à distância- como chats, grupos ou listas de discussões,
comércio electrónico etc… e de outros recursos de linguagens digitais de que actualmente
dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação
mais eficiente e mais eficaz ( p. 2).
As TIC´s são recursos tecnológicos, utilizados de forma integrada, com objectivo de facilitar o
processo de ensino-aprendizagem, e que com a popularização da internet veio potenciar e
revolucionar o processo educativo.
Por seu turno, Sousa (2005), chama de tecnologia de informação e comunicação os,
27
Conhecimentos reflectidos em equipamentos ou programas, quer na criação e utilização
ao nível pessoal, educacional e empresarial. Das várias ferramentas, métodos e técnicas, e
que o computador tem-se destacado, na medida em que é o elemento em relação ao qual
existe uma maior interacção com o ser humano.
O computador ligado à internet promove intercâmbio de informações entre os seres humanos e
gera novos conhecimentos e competências.
“ TIC´s São consideradas como um conjunto de processos e produtos derivados das novas
ferramentas digitais, electrónicas, etc… ( hardware e software), aos suportes da informação e
canais de comunicação, relacionados com armazenamento, processamento e transmissão digitais
da informação” González et al. ( citado em Ricoy e Couto, 2009, pp. 147-148).
O
desenvolvimento de hardware e software permite a operacionalização dos processos decorrentes
em meios virtuais.
Aprendizagem
Os seres humanos são considerados por excelência como sujeitos de aprendizagem. A
aprendizagem e o ser humano são inseparáveis, e, é um processo contínuo que começa desde que
a pessoa nasce até a morte. Ela ocorre tanto na família, na comunidade, na escola, portanto, no
intercâmbio com outros seres da mesma espécie.
Aprendizagem que ocorre na escola é a continuação do processo que inicia em casa. No entanto,
a aprendizagem exige mudança significativa, como resultado daquilo que se experiencia e esta
mudança deve ocorrer no nível cognitivo, psicomotor e afectivo. Mwamwenda (2005, p. 163)
afirma que, “a aprendizagem pode ser definida como uma mudança relativamente permanente no
comportamento, na sequência da prática ou de uma experiência de qualquer tipo”.
Esse comportamento deverá reflectir na consciência, a formação de novos valores, formas de
pensar, ser e pode ser exteriorizado através de acções que por vezes, podem ser não observáveis.
Mais adiante, Teixeira (1971, citado em Piletti 2006, p. 32) diz que “só se aprende para a vida
quando não somente se pode fazer coisas de outro modo, mas também se quer fazer a coisa desse
outro modo. Só essa aprendizagem é que interessa à vida e, portanto à escola”.
28
Por seu turno Novak & Gowin (1996, citados em Rodrigues & Ferrão, 2009, p.80) consideram a
aprendizagem como “uma actividade que não poderá ser partilhada. É sim, uma questão de
responsabilidade individual”.
Não é pelas boas maneiras de uma instrução de um professor que pode um aluno aprender, mas
sim, quando este aluno lhe é proporcionado melhores oportunidades de construir o conhecimento.
2.3 David Ausubel
Na década de 60, Ausubel propôs uma teoria de aprendizagem significativa ou verbal, ela
enfatiza a aprendizagem de significados como a mais relevante para o ser humano, tendo
salientado que a maior aprendizagem é aquela que ocorre de forma receptiva.
Para a concretização deste tipo de aprendizagem, é necessário que o conhecimento novo seja
estruturado de forma lógica, e, que exista conhecimentos na estrutura cognitiva1 de modo que
haja conexão com o conhecimento novo. Por outro lado, deve existir uma atitude por parte do
aprendente em aprender e conectar o seu conhecimento com aquele que pretende absorver.
De acordo com Tavares (2004):
quando se dá a aprendizagem significativa, o aluno transforma o significado lógico do
material pedagógico em significado psicológico à medida que esse conteúdo se insere do
modo peculiar na sua estrutura cognitiva e, cada pessoa tem um modo específico de fazer
essa inserção, o que torna essa atitude um processo indissiocrático.
Por sua vez, Davis (1983, p. 221) enfatiza que a “capacidade de aprendizagem de um novo
material depende da capacidade que a pessoa tem para relacionar esse material com o que já
conhece”.
Nessa ordem de ideia, entendemos que o aluno aprende de uma forma significativa de um mesmo
conteúdo, no entanto, tem opiniões diferentes sobre um conteúdo devido a construção de
conhecimento ocorrido de uma forma peculiar.
A aprendizagem significativa exige um esforço por parte do aluno, em conectar o novo
conhecimento com a estrutura cognitiva existente. (Moreira & Masini, 1982) afirmam que a
1
Entenda-se por estrutura cognitiva como qualquer coisa que tenha sido vivenciado e aprendido no passado (Mwamwenda , 2005)
29
aprendizagem significativa só acontece quando o novo material apresenta uma estrutura lógica,
interage com conceitos relevantes e inclusivos claros e que estejam na estrutura cognitiva.
Para Ausubel, uma aprendizagem significativa pode ocorrer em sala de aulas, com recursos
tradicionais, no entanto, é necessário uma atitude proactiva por parte do aluno. Ela deve ser
encarada como um processo interno e pessoal.
Ausubel (1978, citado em Mwamwenda, 2005, p.187) dizia que “se eu tivesse que reduzir toda a
psicologia educacional a um só princípio, eu gostaria de dizer: factor mais importante que
influencia a aprendizagem é o que o aluno já sabe. Verificar isto é ensinar de acordo com isto”.
Necessidade para o ensino de acordo com a teoria de Ausubel:
a. Avaliação da aptidão- consiste em conhecer tudo o que diz respeito ao aluno (idade,
capacidade), isto pode ser feito através da observação sobre o desempenho na sala de
aulas, testes, exames e deve basear-se no desempenho das classes anteriores.
b. Selecção do material- na preparação de uma aula, baseada no princípio de que o aluno
conhece algo sobre a aula. O professor deve centrar-se nos pontos centrais e apresentá-los
de uma forma clara, começando do concreto e da experiência do aluno de modo que a
aula seja interessante. O professor não deve apenas reproduzir o que os manuais propõem,
mas conciliar com outros recursos como: jornais, revistas, filmes, experiências pessoais
entre outros.
c. Identificar
princípios
organizadores-
Compreende
determinar
os
conceitos
fundamentais a serem discutidos na aula, que servirão de base para que a informação
detalhada seja recordada. Depois da identificação dos conceitos, estes devem ser dados
ênfases na introdução, mediação e assimilação e na conclusão da aula.
d. Utilizar organizadores avançados2- articular um novo conceito com o antigo.
2
Organizadores avançados devem ser entendidos como servem para fazer ponte entre o que o aluno já conhece e o que ele
precisa de saber antes de aprender com sucesso a tarefa em questão (Mwamwenda, 2005).
30
e. Destacar princípios e conceitos- o professor deve assegurar a compreensão através do
destaque de princípios de conceitos de modo a evitar a memorização, para tal é necessário
que questione, discuta, explique, reveja até ter a certeza que o objectivo foi atingido.
f. Foco nas relações- sempre que possível, o professor deve relacionar sobre o que os
alunos aprenderam previamente e o que está sendo ensinado, pode ser uma disciplina ou o
que lhe é ensinado na escola e o que acontece na prática, na vida real.
Mwamwenda (2005) afirma que:
A aprendizagem significativa implica que o professor apresente o material sob a forma de
uma Palestra, enquanto os alunos escutam atentamente e tomam notas daquilo que
consideram ser pontos importantes ou itens que foram destacados pelo professor. Ensinar
inclui palestras, demonstrações, filmes, a partir de leituras, excertos de filmes, cassetes,
discos, micro computadores, centros de aprendizagem etc….
Com base neste pressuposto podemos afirmar que é importante que os professores reconsiderem
a sua forma de actuação, de modo que haja uma aprendizagem significativa nos moldes propostos
por Ausubel, partindo do pressuposto que o aluno é a chave para aprendizagem.
2.4 Jerome Bruner
Bruner propôs a sua teoria de aprendizagem por descoberta que advoga que o aluno deve
descobrir o conhecimento por si próprio.
A descoberta envolve reorganização e transformação para obter nova informação ou insights.
(Mwamwenda, 2005).
Os alunos devem ser dados oportunidades para descobrir, por eles próprios os conceitos e
princípios. O professor tem o papel de facilitar o processo indutivo, apresentando problemas aos
alunos começando do particular para o geral, com vista o alcance de grandes conceitos.
Mwamwenda (2005) afirma que esta abordagem é benéfica porque os alunos são capazes de reter
informações por um período de tempo considerável e são capazes de transferi-los.
Por seu turno, Vasconcelos, Praia & Almeida, (2003) dão importância ao pensamento intuitivo na
educação do aluno e consideram que este é negligenciado na escola, uma vez que é considerado
31
como o ponto de partida do pensamento produtivo, não só nas disciplinas formais, mas também
no dia-a-dia.
A aprendizagem por descoberta aumenta nos alunos a capacidade de aprender matérias
relacionadas, aumenta o interesse, seguimento de tarefas, facilita a retenção da informação, a
transferência da aprendizagem, aumenta a capacidade de lidar com problemas parecidos,
desenvolve a capacidade de interpretação e a crítica, e ensina o aluno como se aprende.
Bruner Defende que “um currículo em forma de espiral onde a matéria é apresentada de forma
repetitiva, da simples para a mais complexa, na medida que houver progressões. A matéria deve
estar de acordo com o nível de desenvolvimento cognitivo e a compreensão da criança”
(Mwamwenda (2005, p. 187).
Se o conteúdo é dado na disciplina for organizado sequencialmente, simplificará a aprendizagem
dos alunos. No entanto, recomenda-se que a sequência deve abranger os horários das disciplinas,
onde as que requerem mais concentração sejam ministradas nas primeiras horas do dia. Esta
teoria salienta o uso da motivação como sorrisos, elogios, atribuição de notas altas para que haja
aprendizagem e ensino efectivos.
2.5 Lev Semonovich Vygotsky
Esta teoria defende que o conhecimento só se dá dentro de um contexto e, as influências sociais
são mais importantes do que os aspectos biológicos. Nesta perspectiva, o desenvolvimento ocorre
em função da aprendizagem. Vigotsky diz que a aprendizagem na criança sucede na interacção
com outras crianças do seu ambiente.
“A partir das suas pesquisas, Vigotsky constata que no quotidiano3das crianças elas observam o
que os outros dizem, porque dizem, o que falam e porque falam, internalizando tudo o que é
observado e se apropriando do que viveram e ouviram” ( Scoz, 2007, p. 23).
O Desenvolvimento cognitivo vai se construindo através dos processos intrapsíquicos, ocorridos
pela vivência com as outras crianças, ou pessoas do mesmo grupo cultural, permitindo assim,
3
[Sic]
32
paulatinamente, como afirma (Griz, 2009) que a construção de estruturas linguísticas e cognitivas
pelo sujeito, resultam da mediação do grupo.
No ensino, Vigotsky dá maior importância a aprendizagem sobre a Zona de Desenvolvimento
Proximal- ZDP4. A segunda contribuição deste autor é a Zona Potencial de DesenvolvimentoZPD.5
Vigotsky diz que a Zona de Desenvolvimento Proximal implica o seguinte:

aquilo que a criança realiza hoje com apoio de uma pessoa especializada poderá mais
tarde realizar de uma forma autónoma;

essa autonomia é conquistada com a assistência de uma criança mais velha, de um adulto
havendo uma relação de aprendizagem e desenvolvimento;

o conceito nos lembra a constituição dos processos psicológicos superiores;

a interacção entre pessoas não é sempre sinónima de desenvolvimento, o que significa que
uma boa aprendizagem precede o desenvolvimento e cede lugar a uma reprodução.
A Aprendizagem é um aspecto universal e necessário para o desenvolvimento humano. No
entanto, (Scoz, 2007) alerta que a aprendizagem não é, por si só desenvolvimento, quando ela é
bem organizada leva ao desenvolvimento mental e mobiliza grupos no processo de
desenvolvimento, que pode ser activado apenas com a aprendizagem.
A aprendizagem ocorre com sucesso quando as crianças copiam às outras, as mais velhas,
modelos. Por outro lado, quando elas colaboram com um adulto, principalmente a mãe, tem mais
chance de ter sucessos nas tarefas.
Deste modo, a teoria de desenvolvimento proximal, reforça a ideia da importância da interacção e
responsabiliza o professor no processo de ensino-aprendizagem, onde evidencia a parceria entre o
professor e o aluno (Griz, 2009).
Na perspectiva construtivista de Vigotsky, o professor deve ser um mediador no processo de
ensino e aprendizagem, com vista a ajudar o aluno a superar as suas incapacidades. No entanto,
4
ZDP-Entenda-se por zona de desenvolvimento proximal como o potencial de capacidade que a criança possui e que a separa do
nível de capacidade que é observável por meio do seu desempenho e sua capacidade latente.
5
ZPD- O nível de Desenvolvimento potencial, ou seja, aquele momento em que a resolução de problemas é feita pela criança com
ajuda de um companheiro ou com a orientação de um adulto.
33
não basta apenas ficar munidos de meios, mas sim usá-los de forma correcta com vista a ajudar o
aluno na construção de conhecimento.
Vigotsky (1988), diz que a criança atrasada, desamparada a si mesma, não pode atingir nenhum
pensamento abstracto e, precisamente por isso, a tarefa concreta da escola, consiste em fazer
todos os esforços para encaminhar a criança nessa direcção, para devolver o que lhe falta.
A ZDP é considerada como uma mola mestre na teoria de Vigotsky. É a partir dela, por meio da
interacção com outros indivíduos, que ocorre a aprendizagem.
2.6 Jean Piajet
Para este grande estudioso, o desenvolvimento cognitivo recai nos aspectos biológicos do
indivíduo, e que o ambiente poderá influenciar no desenvolvimento e a aprendizagem é
consequência do desenvolvimento.
Segundo ( Griz, 2009), Piajet concentrou-se naquilo que as crianças têm e não naquilo que lhes
falta. (Santrock, 2009) secunda dizendo que, Piajet acreditava que os processos eram importantes
diante destes factores: esquemas, assimilação, acomodação, organização e equilíbrio que
organizam o conhecimento.
Piajet diz que o desenvolvimento do intelecto infantil depende do factor biológico (crescimento
orgânico e a maturação do sistema nervoso), exercício, experiência física, adquiridos na acção
exercida sobre os objectos, interacção e transmissões sociais, que são obtidos através da
educação, linguagem e o factor da equilibração das acções.
Este último factor, o de transmissões sociais, no entender de (Palangana, 2001, p.23),
desempenha um papel de extrema importância no processo de desenvolvimento, colocando-se
como alicerce da teoria Piagetiana e sendo inclusive, necessário para explicar todos os demais
factores. Por seu turno Lins ( 2003, citado em Nurdin , 2012), diz que:
Sabe-se que as teorias de Piajet revelam que a estrutura da mente e o conhecimento
construído são entidades que se desenvolvem enquanto interagimos com o mundo e não
podem ser separados porque afectam-se mutuamente, assim como o ser humano é dotado
de uma mente que se desenvolve nos mais diferentes contextos e baseia-se essencialmente
na razão ( p.27).
34
É importante reconhecer o papel de Piajet sobre os passos para a compreensão da ciência de
preparar o aluno para ter um lugar na sociedade, e que a tarefa do professor na escola é de
promover e facilitar o desenvolvimento cognitivo do aluno, através do uso das TIC´s, como
ferramentas para aprendizagem.
Nesta óptica, Piajet (1968, citado em Mwamwenda, 2005, p.93), “tem dado ênfase à importância
das «acções» na aquisição do conhecimento, e defende que deve ser dada à criança a
«oportunidade de experimentar e manipular activamente objectos», como uma experiência que
provavelmente intensifica a sua compreensão da transformação dos objectos e das relações a eles
associadas”.
Os professores precisam de perceber que o aluno tem um papel activo na aprendizagem, tanto
quanto possível devem permitir que o aluno necessita de procurar soluções para os problemas que
lhes são colocados. Para isso, Lawton e Hooper (1978, citado em Mwamwenda, 2005, p. 93),
dizem que “um forte argumento pode ser que a teoria de Piajet tem uma relevância decisiva para
a educação, na qual a criança é percebida como alguém que não é apenas um sujeito activo que
descobre, mas também um inventor e solucionador de problemas”.
2.7 Seymour Papert
Influenciado pelo Construtivismo de Piajet, Papert na companhia de Marvin Misnky , criou um
laboratório de Inteligência Artificial do Instituto Tecnológico de MIT Massachussets, onde
depois de várias pesquisas concluiu que o aluno tem um papel activo na sua aprendizagem e que
a sociedade e a cultura têm uma grande responsabilidade na disponibilização de meios
necessários para fazê-lo. O meio de que Papert se referia é o computador. Para este autor, os
computadores são como sementes culturais que podem exercer uma poderosa influência sobre o
pensamento das pessoas.
Papert diz que, a construção de conhecimento ocorre primeiro na cabeça das pessoas quando a
criança é envolvida na construção do tipo mais público, numa página de WEB, ou um programa
de computador. A aprendizagem não ocorre apenas quando um aluno encontra melhor professor,
mas sim quando damos ao aluno melhores oportunidades para construir o conhecimento. Com
base nesta premissa, a aprendizagem, na perspectiva construcionista, pressupõe que há uma
35
habilidade natural para o ser humano aprender, através da experiência e criação de estruturas
mentais que organizam e sintetizam as informações e experiências adquiridas no quotidiano.
(Belloni, 2005 e Kenski, 2007) afirmam que a escola deve exercer o seu poder em relação as
novas formas de aprendizagem e uso das TIC´s que farão a mediação entre professores, alunos e
os conteúdos a serem aprendidos.
As TIC`S São consideradas como recursos didácticos, impulsionam o espaço de ensinoaprendizagem que antes era disputado pelo giz, livro, quadro e a voz do professor. O domínio de
certas tecnologias distingue os seres humanos, por isso se diz que as tecnologias são poder. A
escola deve ter um papel importante, partindo do contrucionismo de Papert, do conceito de
desenvolvimento proximal de Vigotsky para o uso da sinergia das TIC`s como agente-chave na
autonomia do aprender a aprender por parte dos alunos.
2.8 Integração das TIC`S em Contextos Educativo
Um dos papéis da educação é de formar pessoas que sabem pensar, promover mudanças, com
vista a participação activa na sociedade. Portanto, a educação, forma cidadãos que agem com
maior propriedade, com mais segurança, de uma forma organizada e planejada na sua condição
de sujeitos pensantes, capazes de transformar e agir sobre o mundo.
Durante o século passado as várias tecnologias foram surgindo e experimentadas em escolas na
Europa e nos Estados Unidos de América. No entanto, a sua função nunca teve a expressão que
elas assumiram no actual século. Os professores usavam, apenas, como meio para a transmissão
de conhecimentos na sala de aulas e não como uma ferramenta de suporte cognitivo.
No entender de Libâneo (2009), uma proposta de educação influenciada pelo impacto das TIC´s
visa desenvolver competências cognitivas e operacionais com a utilização de computadores, um
novo paradigma de aprendizagem centrado mais no saber fazer.
d`Eça (1988, citado em Santos, 2007, p.64), secunda dizendo que “ as TIC, ao dispor dos
sistemas educativos, funcionam como um instrumento de transmissão, aquisição e partilha de
conhecimentos, pesquisa, análise e resolução de problemas, de conhecimento e de aproximação
entre culturas e pessoas”.
36
No entanto, essa educação deve acompanhar a evolução da sociedade e usar as facilidades do
momento, com vista a facilitar o processo de construção do conhecimento. Como base nestes
pressupostos, podemos afirmar que as TIC´s surgem como ferramentas para o alargamento da
actividade mental do aluno, para o desenvolvimento das habilidades e competências do sujeito.
Nesta vertente, Jonassen (2007, pp. 20-21), afirma que … “as tecnologias podem apoiar a
construção de significados por parte dos alunos. Isso irá acontecer quando os alunos forem
colocados em situações em que possam aprender com as tecnologias”. Sobre o mesmo assunto,
(correia, 2004) enuncia que as TIC´s podem constituir um factor para incentivar o diálogo entre
professores e alunos, quebrando a monotonia causada pelo modelo tradicional de ensino.
A escola não deve ser um local onde o professor transmite saberes, mas um local onde o saber é
construído. Santos (2006, citado em Santos, 2007, pp. 64-65) refere que “a escola deve ser um
local onde é possível utilizar os meios necessários para edificar o conhecimento, desenvolver
atitudes, valores e adquirir competências”.
As TIC´s na escola proporcionam uma complexa comunicação na sala de aulas, uma vez que elas
possibilitam aprender através da interacção, por via de textos, áudio, vídeo entre outros. “Os
Recursos tecnológicos podem ser um instrumento facilitador na dinamização do tempo da aula e
na concepção de metodologias activas que requeiram a participação dos alunos de uma forma
mais efectiva”(Coelho & Haguenauer, 2004, p. 2).
Quando um ambiente de aprendizagem é enriquecido através da interacção do aluno com TIC´s
há muita probabilidade de construir o seu conhecimento. Neste caso, o conhecimento não é
passado para o aluno, que era visto como uma caixa-de-ressonância no modelo tradicional.
Queremos dizer que o aluno não é instruído, ensinado, mas ele é o construtor do seu próprio
conhecimento.
Sarmento (1998, citado em Correia, 2004), diz que as TIC´s podem constituir uma maior valia ao
serem inseridas na dinâmica da escola, uma vez que poderão apoiar no desenvolvimento de
capacidades específicas tanto através de software educacional, como ferramentas do uso corrente,
permitindo a criação de espaços de interacção e partilha.
37
No entanto, a inserção das TIC´s no contexto educativo impõe vários desafios para adopção das
novas tecnologias como instrumentos para a construção de conhecimentos. Costa (2008), diz que:
A utilização dos computadores é ainda pouco consistente e está dependente de uma
diversidade de factores, quanto a nós predominantemente circunstanciais- por falta de
medidas objectivas sustentadas e nela relacionadas, frequentemente, com o maior ou
menor entusiasmo dos professores, com a existência ou não de meios e recursos na escola,
com o feito “ mola” à medida que cada tecnologia vai surgindo, com a existência ou
inexistência de incentivos e respectivos financiamentos, em fim, um sem número de
aspectos que merecem atenção particular (p.40).
Para isso, como afirma Bransford et al. (1999, citado em Santos, 2007, p. 65), “ a importância da
integração das tecnologias na escola reside na possibilidade de exploração de problemas reais na
aprendizagem”. Para que haja essa integração, é necessário que o professor como implementador
do currículo na escola, explore os problemas reais de aprendizagem de cada disciplina e recorrerse às TIC`s e não como apenas uma tecnologia que vem somente mudar a forma como o
professor lecciona as suas aulas.
É muito escasso o seu uso no quotidiano escolar, ou ainda menos significativo, um uso pouco
ambicioso do ponto de vista de aprendizagem propriamente dita, continuando as tecnologias
como um suporte ao trabalho do professor ou de suporte das tarefas rotineiras dos alunos, não
acrescentando nada em termos de exigências do ponto de vista cognitivo como aponta Costa e
Peralta (2006, citados em Costa, 2008).
Sobre o mesmo assunto, Papert & Jonassen ( 2007) afirmam que é comum o desaproveitamento
do potencial das TIC´s e do computador no desenvolvimento de competências de aprendizagem.
Se uso do computador ou das TIC´s na escola fossem dados importância, no entender de
Ringstaff e Kelly (2005, citado em Santos, 2007),
“ como a compilação, organização, análise da informação e o uso dessa informação para
resolver problemas, os alunos poderão despender menos tempo a efectuar cálculos e mais
tempo a pensar em estratégias para resolver problemas complexos e a desenvolver uma
compreensão mais aprofundada sobre as matérias” (p.65).
38
Em contextos onde há carências de manuais e livros para a aprendizagem dos alunos, o uso das
TIC´s, como a internet facultaria a utilização de documentação actualizada, permitindo o acesso à
bibliotecas virtuais que complementariam ou substituiriam às bibliotecas pouco equipadas.
Para Sousa (2005, citado em santos, 2009), a internet pode facultar o acesso à fontes de
informação dificilmente acessíveis por outros meios, assim como a grandes quantidades
de informação, permite aceder e disponibilizar materiais, fóruns electrónicos que
suportam a aprendizagem colaborativa, reforça a concepção de aprendizes como agentes
activos no processo de aprendizagem e não receptores passivos do conhecimento (p.67).
2.8.1 Aplicação das TIC´s no Contexto Educativo
Vários autores comungam a ideia de que as TIC´s têm um grande valor na aprendizagem
significativa dos alunos, no entanto, Bransford et al. (citado em Santos, 2007), alertam que o uso
inapropriado das TIC´s pode influenciar na aprendizagem, em situações em que os alunos ao
invés de planearem, escreverem e reverem as suas ideias, aquando da realização dos seus
trabalhos, despendem tempo a escolher tipos ou cores de letras.
Por outro lado, a expansão e utilização dessas tecnologias estão ainda longe de corresponder às
espectativas, devido à sua evolução e capacidade que se vem alterando todos os dias e acarreta
constrangimentos económicos resultantes dos investimentos para actualização na medida que vão
aparecendo. Scholer (1993, citado em Costa, 2008) aponta que:
Uma das fontes de incerteza acaba por advir do facto da utilização das tecnologias em
contexto educativo ser um campo de estudo emergente, também à procura de uma
epistemologia própria, e que acaba por reflectir, em termos práticos, as diferentes
perspectivas e abordagens científicas que, de alguma maneira, a foram influenciando ao
longo do século XX. Ciências também elas emergentes à procura de afirmação científica,
com as fragilidades daí decorrentes não só em termos metodológicos, mas sobretudo em
termos de objecto de estudo, e, em particular, no que se refere à função atribuída aos
meios tecnológicos, falta de consenso sobre o estatuto que essas mesmas tecnologias
deverão assumir na escola, em geral e no processo de ensino e aprendizagem, em
particular (pp. 66-67).
39
Essa incerteza poderá ser colmatada através estratégias claras para cada abordagem, a forma
como elas devem ser integradas em cada contexto ao serviço dos seus objectivos. Por outro lado,
é necessário que estas tecnologias estejam disponíveis na escola, existência de competências
(professores capacitados em usar as TIC´s com finalidades pedagógicas), motivação, que está
condicionada pela crença de que a utilização de TIC´s na sala de aulas pode trazer benefícios na
aprendizagem.
As tecnologias só farão sentido se forem utilizadas, com sucesso, naquilo que os alunos não são
capazes de fazer com os meios tradicionais. Para Costa (2008), a Evolução do pensamento de
aprendizagem significativa reconhece que a acção pedagógica e a didáctica poderiam ser
assumidas pelas máquinas sem que se retirasse a responsabilidade do professor no processo de
ensino-aprendizagem
Ricoy e Feliz (2003, citado em Ricoy e Couto, 2009) apontam que as TIC´s
no processo
educativo servem com: a) Meios de comunicação; b) recurso de aprendizagem activa; c) matéria
de objecto de estudo académico; d) tratamento da informação (como meio de tratamento ou
exposição da informação); e) elemento de organização e gestão; f) gerador de vivência e lúdico(
adquirir conhecimentos através do brincar, jogar).
2.8.2 Aprender a Partir das TIC`s, Uma Perspectiva Construtivista
Na perspectiva construtivista de aprendizagem, consideram-se as TIC´s na escola como parceiras
no processo educativo, onde os alunos se apoiam para a construção de conhecimento. No entanto,
é necessário que haja uma alteração da forma com elas são usadas na escola, para que se tornem
parceiras no processo educativo.
“As TIC´s não devem assumir apenas um papel de complementaridade das outras disciplinas,
elas devem proporcionar uma transformação constante dos esquemas de conhecimento que
integram as novas experiências e continuamente as reconstroem” (Amante, 2007, p. 55).
No entanto, Jonassen, Peck& Wilson ( 1999
citado em Jonassen, 2007) afirmam que é
necessário, que os alunos sejam colocados em situação em que possam aprender as TIC`s
quando:
40
Os computadores apoiam a construção de conhecimento ao permitirem:

Representar as ideias, as percepções e as convicções dos próprios alunos;

Produzir bases de conhecimento multimédia organizados pelos próprios alunos;
Os computadores apoiam a aprendizagem pela prática ao permitirem:

Simular problemas, situações em contextos significativos do mundo real;

Representar convicções, perspectivas, argumentos e histórias de outros;

Um espaço seguro, controlado e estimulante para o pensamento do aluno;

Colaboração com outros;

Discutir e defender ideias e construir consensos entre membros de uma
comunidade de aprendizagem;

Construir conhecimento em comunidade.
Os computadores são parceiros intelectuais que apoiam na aprendizagem
pela reflexão ao permitirem:

Articular e representar o que os alunos pensam;

Reflectir sobre o que os alunos apreenderam e como fazem;

Estimular as negociações internas dos alunos e a construção de significados;

Construir representações pessoais dos significados;

Desenvolver o pensamento cognitivo.
Aprender com os computadores não significa que tudo o que o aluno deseja para o seu trabalho é
já acabado, é necessário, porém, que se empenhem nas matérias a serem estudadas e pensem
sobre elas. Sobre este assunto, ( Jonassen, 2007, p. 22) diz que os alunos não podem utilizar
ferramentas cognitivas sem pensarem profundamente sobre os conteúdos que estão a aprender
(…).
Os computadores quando usados pelos alunos, podem ser parceiros que ajudam a reduzir a tarefa
de memorização não produtiva. No entanto, o professor tem a responsabilidade de explorar essas
ferramentas a favor da interacção com os seus alunos e entre eles, como fonte de consulta,
recursos mediáticos para que atraiam atenção e facilitem a aprendizagem no aluno.
O Uso do computador aliado à internet, possibilita habilidades técnicas, bem como o
acesso à informação que pode gerar a aprendizagem, além de trabalhar o factor cognitivo,
pois o indivíduo tem a possibilidade de interligar os conhecimentos, experiências e
41
informações de sua realidade às novas informações obtidas, podendo alcançar novos
conhecimentos e descobrir novas possibilidades ( Silva& Neto, 2008, p. 7).
Construção de Conhecimento
No momento em que vivemos, há uma constante revolução sobre a teoria aplicada às TIC`s, a
teoria construtivista, cujo enfoque centra-se no processo de construção de conhecimento pelos
alunos. Esta teoria, à semelhança do construtivismo de Vigotsky, no entender de Jonassen (
2007),
a forma como os alunos constroem o conhecimento depende do que eles já sabem, o que
por sua vez, depende do tipo de experiências que tiveram, da forma como organizaram
essas experiências em estruturas de conhecimento e das convicções que usam para
interpretar objectos e acontecimentos que encontram no mundo ( p.24).
No construtivismo, o aluno com ajuda das ferramentas cognitivas vai construindo uma
aprendizagem significativa. Não se trata do professor pensar que o aluno deve aprender o que lhe
é dito por ele, mas sim, através da realidade e interpretação da experiência do mundo, que
significa interpretar o que o professor diz com base nas suas experiências e convicções.
É uma abordagem centrada na pedagogia de projectos, baseados em desafios na relação entre
aluno-objecto, aluno-aluno e aluno-professor, uma tríada onde o conhecimento é construído por
intermédio de uma ferramenta com base no seguinte esquema.
Aluno
Objecto
Conhecimento
Professor
Figura 2. 1 Tríada de construção de conhecimento
42
Pensamento Reflexivo
Um pensamento reflexivo é aquele que exige uma deliberação, quando o aluno ao deparar-se com
uma situação age sobre ela, volta a pensar no que ele fez e mais tarde infere a partir da sua
experiência. O antídoto é o pensamento reflexivo, que nos ajuda a entender o que experienciamos
e o que sabemos ( Janessen, 2007).
Uma das razões do uso de ferramentas cognitivas pelo aluno é de apoiar-se no pensamento
reflexivo, onde por sua vez fará a construção do seu conhecimento através de novas
representações adquiridas, modificando as antigas e comparando entre elas (Normar 1993, citado
em Jonassen, 2007).
O processo reflexivo baseia-se na vontade, no pensamento, leva ao aluno a ter atitudes de
questionamento e curiosidade, na busca da verdade. É um processo lógico e psicológico, que
combina com a racionalidade da lógica investigativa com a irracionalidade intuitiva do aluno.
Ferramentas de Parceria Cognitiva
As TIC´s são ferramentas que ajudam os alunos a ultrapassar as limitações das suas mentes,
como memória para a resolução de problemas. Ao contrário da maioria das outras ferramentas, as
ferramentas informáticas podem funcionar como parceiras intelectuais na resolução de tarefas,
(Salomon 1993, citado em Janassen, 2007, p. 26).
Sobre o mesmo assunto, Assmann (2000, citado em Freire, 2004), diz que:
as novas tecnologias da informação e da comunicação já não são apenas instrumentos no
sentido técnico tradicional, mas feixes de propriedades activas. São algo tecnologicamente
novo e diferente. As tecnologias tradicionais serviam como instrumento para aumentar o
alcance dos sentidos (braços, visão, movimento, etc.). As novas tecnologias ampliam o
potencial cognitivo do ser humano ( cérebro /mente) e possibilitam mixagens cognitivas
complexas e cooperativas ( pp. 191-192).
43
As TIC´s não podem ser vistas como apenas meios para a formatação, onde se deve estabelecer
uma relação de usuário. Precisa-se de uma relação cooperativa entre o aluno e as máquinas uma
vez que o papel das TIC´s, de acordo com Assmann (2000, citado em Freire, 2004):
… já não se limita à simples configuração e formatação, ou, se quiserem, ao
enquadramento de conjuntos complexos de informação. Elas participam activamente do
passo da informação para o conhecimento. Está acontecendo um ingresso activo do
fenómeno técnico na construção cognitiva da realidade. Doravante, nossas formas de
saber terão um ingrediente (…) derivado da nossa parceria cognitiva com as máquinas
que possibilitam modos de conhecer anteriormente inexistentes. Em resumo, as novas
tecnologias têm um papel activo e coestruturante de formas do aprender e do conhecer.
Há nisso, por um lado, uma incrível multiplicação de chaces cognitivas, que convém não
desperdiçar, mas aproveitar ao máximo (p. 192).
Apoio no Pensamento
O uso de ferramenta cognitiva no ensino apoia no desenvolvimento das capacidades do aluno,
cujo impacto reflecte na Zona de Desenvolvimento Proximal. Nesta óptica, Vygotsky afirma que
o processo de aprender deve ser visto numa perspectiva prospectiva, isto é, focar no que a criança
está aprendendo.
Para tal é útil em práticas pedagógicas procurar-se prever o que pode ser útil ao aluno, não apenas
no momento da aula mas também a posterior. Neste pressuposto, (Jonassen, 2007, p. 26), afirma
que “as ferramentas cognitivas implicam novas formas de raciocínio que, fundamentalmente
reorganizam as formas pelas quais os alunos representam oque sabem. Se essas formas de
raciocínio estiverem dentro da sua zona, então os alunos irão interiorizar o formalismo”.
2.8.3 O papel do Professor
Hoje, não estamos perante um meio onde o professor é considerado como detentor do
conhecimento, sujeito que repassa os seus conhecimentos para o aluno através de uma aula
expositiva, cabendo aos alunos a tarefa de acumular aquilo que o professor passa através da
memorização. Há uma necessidade de buscar novas formas e mudança de postura perante o
actual cenário, com vista a adaptação de um mundo dominado pelas TIC´s.
44
A influência das TIC´s nas nossas vidas tende a crescer, no entanto, não se trata de reduzir o
papel do professor, uma vez que as TIC´s por si só, não são garante da qualidade do ensino. Estes
recursos tecnológicos devem ser incorporados no meio pedagógico com vista a facilitar o
processo de ensino-aprendizagem na óptica de que o aluno é o centro da aprendizagem.
De acordo com Belloni (1999, citado em Coelho & Haguenauer, 2004, p. 5), o papel do professor
é:
o de orientar os alunos nos estudos da disciplina pela qual é responsável,
esclarecendo dúvidas e explicando questões relativas aos conteúdos, mas não
somente isso. Ele deve fazer com que os alunos busquem e que não esperem uma
resposta já decifrada, pois é precisamente esta situação que eles vão encontrar na
vida e no trabalho.
Por seu Turno Jonassen (2007, p. 300), diz que “como professor, terá que facilitar a transcrição,
proporcionando orientação e encorajamento. Seja perseverante, pois não há objectivos
educacionais mais nobres, e use todas as ferramentas, incluindo as ferramentas cognitivas, à sua
disposição para auxiliar neste processo”.
É necessário que o professor mude os seus hábitos, métodos no desempenho das suas funções de
integrador das TIC`s, com vista a lançar desafios, facilitar e por vezes encorajar, outras vezes
responder perguntas com uma outra pergunta, por vezes clarificar como os projectos, trabalhos
que podem ser levados adiante ( Belchior, 1993).
Por outro lado, para que haja o uso efectivo das TIC´s na escola, é necessário, a criação de
ambientes educativos mais ricos que promovam uma aprendizagem de natureza construtivista. Só
com essas premissas é que o aluno deixará de ser o sujeito passivo e passar para agente activo no
processo de construção de conhecimentos, defendido por Piaget, Vygostky, Papert e Pires (2005).
2.8.4 O Papel do Aluno
Os alunos devem aprender com base nas oportunidades que lhes são dadas, com vista a aprender
a resolver os problemas que lhes são impostos no contexto do ensino-aprendizagem. Aceder às
informações por várias vias e de forma fácil, e desenvolver estratégias de aprendizagem com
vista a organizar o saber, da reflexão e da participação crítica.
45
No mundo informatizado, os alunos podem obter informações em tempo real, com vista a
triangulação com outras fontes, como livros, jornais e do próprio professor. Usar a TIC`s no
processo de construção de conhecimento, por ser uma forma do aluno fugir da memorização que,
por vezes lhe é imposto como uma única forma de aprendizagem, por falta de estratégias
alternativas, durante o processo de construção de conhecimento.
Jonassen (2007, p. 298) enfatiza que “os alunos devem abordar a aprendizagem de forma activa e
consciente, devem entender e executar as suas intensões pessoais para aprender, pensar e regular
esses processos”.
2.9 Estudos realizados sobre a utilização das TIC´s na Educação
No presente subcapítulo, pretendemos apresentar conclusões de alguns estudos internacionais
sobre a utilização de TIC´s no contexto educativo. No nosso país, o uso de TIC´s na escola é um
dado recente e estudos sobre esta matéria são escassos.
Nos Estados Unidos de América, foi desenvolvido pelo United States Department of Education,
um estudo denominado por Challenge 2000 Multimedia Project e o relatório Transforming
Teaching and Learning With Multimedia Technology com o objectivo de verificar o impacto da
tecnologia em contexto educativo.
De acordo com
(Penuel, Means & Simkins, 2000), deste estudo
pretendia aferir se os
computadores e as TIC`S funcionavam como catalisadores de mudanças fundamentais no
ensino.
O relatório Transforming Teaching and Learning With Multimedia Technology reportava
actividades desenvolvidas em 1995 - 1998 donde saíram as seguintes conclusões:
a) Formação e treino de professores para apoiarem os alunos a aprenderem através da
utilização de computadores e da internet;
b) Distribuição de computadores pelas salas de aulas;
c) Acesso à internet em todas as salas de aulas
d) Utilização de software pertinente e motivador e de recursos on-line como parte integrante
do currúculo (Means & Golan,1998).
46
O estudo concluiu que há uma relação entre o uso da tecnologia e os métodos de ensino centrados
no aluno. Maiores expectativas em relação ao seu desempenho e maior motivação por parte dos
alunos, cuja implementação resultou na alteração dos papéis do professor e aluno na sala de
aulas, situação que coloca o aluno como fazedor autónomo, cabendo ao professor o papel de
facilitador do processo de ensino-aprendizagem.
Por outro lado, o relatório serviu de alicerce para a criação de uma estrutura para apoio aos
professores, com vista a orientá-los na superação dos desafios colocados pela aprendizagem
baseada em projectos, onde os alunos não são vistos com consumidores das tecnologias
avançadas, mas podem aprender a usar, a adaptar as ferramentas específicas para atender os
desafios impostos por uma tarefa de comunicação complexa.
Foi verificado também, que os alunos têm a tendência de se empenhar mais em projectos que
envolvem tecnologias e, que os resultados destes projectos apresentavam um nível maior de
complexidade cujas repercussões foram observadas em:
Interacções nas salas de aulas, na duração e complexidade das tarefas, redução de aulas
expositivas, colaboração e aprendizagem em pares, utilização de recursos externos,
competência na colaboração, envolvimento nas tarefas, motivação e na auto-estima dos
alunos, qualidade e complexidade dos produtos finais, na adequação dos alunos com
necessidades educativas especiais, na competência tecnológica e no aprofundamento dos
conhecimentos. ( Means & Golan, 1998).
Um outro estudo foi levado a cabo pela National Center for Education Statistics, do Institute os
Education Sciences e do United States of Education, denominado por Young Children Acess to
Computering The Home And at School, cuja finalidade era de verificar o grau de acesso e uso
do computador em casa e na sala de aulas pelas crianças do ensino pré-escolar e da 1a classe.
De acordo com Rathbun et al.(2003, citado em Santos, 2007), foram analisados os dados de
1999 à 2000, e, permitiu verificar o seguinte:
Houve acréscimo de 75% em 1999 para 87% em 2000 no número de alunos que acediam
à internet a partir das escolas públicas;
47
Aumentou 86% para 92% o número de alunos que tinha acesso à computadores no
interior da sala de aulas;
Aumentou de 49% para 60% o número de alunos que tinham acesso à computadores em
suas casas;
O uso mais frequente de computadores estava relacionado com a aprendizagem da leitura
e escrita de 64% em 1999 para 65% em 2000;
Do uso relacionado com a aprendizagem da matemática de 61% para 56%;
Das ciências exactas de 20% para 14% ;
Para divertimento de 61% para 52%;
Para acesso à internet de 4% para 9%;
64% dos alunos do ensino pré-escolar e 65% dos alunos na 1a classe usavam computador
na escola uma vez por semana.
O Estudo denominado por Youg People and ICT 2002 foi efectuado pela British Educational
Communication and Technology Agency e do Department for Education and skill, e pretendia-se
estudar as atitudes e experiências de crianças e jovens dos 5 aos 18 anos e de seus progenitores
no período de 2001 em relação ao uso das TIC´s em casa e na escola. Hayward (2002, citado em
Santos, 2007) diz que este estudo propunha-se a :
Analisar a extensão e os padrões de uso das TIC´s por jovens e crianças dentro e fora da
escola para fins educativos;
Analisar a extensão da inclusão das TIC´s nos lares e ambientes extra-escolares e o acesso
dos jovens às tecnologias;
Identificar o impacto das TIC´s na aprendizagem e no aproveitamento escolar;
Analisar as alterações ocorridas ao estudo anterior;
Analisar diferentes atitudes e tipos de uso relativamente à etnia, idade, nível de ensino,
género, necessidades educativas especiais, nível socioeconómico, religião e meio urbano
/rural.
Este estudo permitiu verificar que os padrões de uso de computador pelas crianças e jovens
mantiveram inalterados entre 2001 - 2002. No entanto, Hayward (2002, citado em Santos, 2007)
diz que o mesmo não aconteceu com o uso da internet que aumentou de 45% para 56%; ou com
48
uso de computadores para trabalhos escolares que passou de 7% para 40%. No que refere à faixa
etária ( KS)6, (KS2)7.
Destas conclusões, destaca-se 56% dos alunos que afirmaram utilizar o computador na escola nas
aulas de Inglês, 43% nas aulas de ciências exactas e 41% na Matemática na faixa etária (KS2).
Uma cifra de 45% de pais considerou que os seus educandos teriam melhores resultados
escolares se tivessem acesso a computadores em casa. Uma outra cifra de 41% de pais referiu que
o acesso a computador em casa ajudava os seus educandos a obter melhores resultados na escola.
76% de alunos (KS1) 8 disseram que o acesso à computador tornava o trabalho escolar mais
divertido (Hayward, 2002, citado em Santos, 2007).
O estudo mostra-nos que o computador serve como uma ferramenta para aprendizagem das
diversas disciplinas, motiva os alunos na sua a aprendizagem e que influencia nos resultados
escolares.
O Estudo ImpaCT2
The Impact of Information and Communications Technologies on Pupils Learning and
Attainment, executado pela British Educational Communications and Technology Agency e do
Department for Education and Skill, realizado entre 1999 e 2002, tendo sido abrangidas sessenta
escolas inglesas com objectivo de identificar o impacto do uso das TIC´s nas escolas e em
ambientes não escolar; descobrir o nível de influência das TIC no aproveitamento escolar nas
etapas definidas (KS2, KS39 e KS410).
Harrrison et al., ( 2003, citado em Santos, 2007), afirmam que o estudo contribuiu para esclarecer
que o uso das TIC´s pode exercer uma influência indiscutível no nível de aprendizagem e no
aproveitamento escolar e permitiu concluir o seguinte:
1- Existe uma relação positiva estatisticamente significativa entre o uso das TIC´s no
National Test for English;
6
( KS)- Keystages
(KS2)- dos 7 aos 11 anos
8(KS1)- Até aos 7 anos
9
(KS3)- dos 11 aos 14 anos
10
( KS4)- Dos 14-16 anos
7
49
2- Existe indícios de uma relação positiva entre o uso das TIC´s e a Matemática, embora não
seja convincente nem estatisticamente evidente.
Por outro lado, Somekh et al. (2002, citado em Santos, 2007) afirma que para a maioria dos
alunos, o tempo de utilização das TIC em casa excede ao tempo de uso na escola, em média os
alunos usam 3 horas semanais, em contrapartida, na escola, essas tecnologias são usadas apenas
durante uma hora. Os alunos que não têm acesso à internet em casa estão em desvantagem.
No nosso entender, para colmatar a lacuna de tempo de uso das TIC`S na escola, devido a
escassez de tempo e recursos, para famílias com acesso à internet, os seus educandos deviam
aproveitar fazer o uso das tecnologias em contextos extra escolares.
Por outro lado o estudo revelou que a utilização das TIC´s em contexto escolar é um grande
desafio para as escolas e professores. A sua implementação, na prática do ensino e aprendizagem
tem sido morosa progredindo em três fases distintas:
a) A fase de dotação das escolas com equipamento e infra-estruturas adequadas;
b) Da formação dos professores e das aulas de TIC leccionadas por professores de TIC´s;
c) Integração das TIC no currículo, ( Harrison et al., 2003 citado em Santos, 2007).
O estudo da ICT and Attainment, realizado pelo British Educational Communications and
Technology Agency e pelo Department for Education and Skill, cuja finalidade era de investigar
os efeitos das TIC´s no aproveitamento dos alunos, chegou a conclusão que os efeitos que o uso
das TIC´s traz efeitos positivos no aproveitamento dos alunos, principalmente quando a sua
utilização está relacionada com os objectivos da aprendizagem. (British Educational
Communications and Technology Agency, 2003).
No entanto, recomenda o estudo que há necessidade de relacionar os métodos de apreciação desse
aproveitamento e a experiência de aprendizagem criada com o uso específico das TIC´s . Um
outro factor a considerar, é o tempo de utilização, considerando como um condicionante do efeito
das TIC´s no aproveitamento dos alunos.
A outra revelação do estudo, é do facto de haver maiores conhecimentos relacionados com o uso
das TIC´s na disciplina de Inglês em alunos do ensino primário pelo facto da sua faixa etária estar
na fase de desenvolvimento da linguagem. Em ciências facilita na compreensão de conceitos
50
específicos, desenvolvimento de habilidades para a resolução de problemas e melhora o
raciocínio científico. Em Matemática, os efeitos são mais evidentes, quando as competências
específicas e tarefas envolvidas são mensuráveis ( BECTA, 2003).
Por outro lado, o estudo concluiu que o número de computadores disponíveis para os alunos
influenciará no aproveitamento. A existência de um único computador, numa sala de aulas, é um
factor restritivo. Nessas condições, se o professor se preocupar, nestas condições, em dar
oportunidade de utilização a todos, ao invés de ajudar, leva com que a aprendizagem seja pouco
efectiva para cada um deles.
BECTA (2003), evidencia o papel do professor na utilização das TIC´s para o aproveitamento
dos alunos, uma vez que ele apoia os seus alunos na busca de estratégias de aprendizagem mais
eficazes e intervém quando necessário. Este tipo de aprendizagem recolherá dados reais sobre as
experiências de aprendizagem dos alunos, que poderiam ser relacionadas através de uma
avaliação.
Das várias teorias aqui apresentadas, optamos neste trabalho a teoria construtivista, uma vez que
esta é que esta é que adequa-se ao nosso estudo e o ensino apoiado em TIC´s tem no
construtivismo as suas origens.
51
CAPÍTULO III
3.1 Metodologia
3.2 Opções Metodológicas
Pretende-se neste capítulo fazer a descrição das opções metodológicas adoptadas no
desenvolvimento deste estudo, bem como as razões que nortearam tais opções. A escolha da
metodologia, no entender de Vilelas (2009), visa
determinar as regras de investigação,
testemunho das exactidões científicas.
Quanto aos objectivos, esta pesquisa pode ser classificada como descritiva, pelo facto de ter
procurado descrever o papel das TIC´s, no processo de ensino-aprendizagem nas escolas
secundárias ora estudadas. Por outro lado, a pesquisa preocupou-se com o produto, e, o nosso
foco cinge-se no significado que o grupo estudado dá o tema estudado.
Gil (1993, p.46) diz que, “ são inúmeros os estudos que podem ser classificados como
descritivos, sendo incluídos sob este título os que têm por objectivo levantar opiniões, atitudes e
crenças de uma população sobre um determinado fenómeno”. Por seu turno, (Godoy,1995) refere
que o estudo descritivo envolve a interacção directa do pesquisador com a situação estudada, com
vista a perceber fenómenos segundo a perspectiva dos pesquisados.
Por outro lado, optou-se por uma investigação de natureza mista (qualitativa e quantitativa), uma
vez que aplicou-se técnicas de recolha de dados qualitativos (observação) e quantitativo
(questionário) em simultâneo. Shaffer & Serlin ( 2004, citado em Morais & Neves, 2007, p. 77)
dizem que “os métodos qualitativos e quantitativos são em última análise, métodos para garantir
a apresentação de uma amostra adequada (…), adequar uma técnica de inferência, a afirmação à
comprovação”. No tratamento dos dados, recorreu-se a métodos quantitativos (tratamento
estatístico) e qualitativos (análises interpretativas de conteúdo).
3.3 Questões de Investigação
Tal como foi referido no primeiro capítulo, esta pesquisa insere-se num conjunto de estudos
relacionados com a avaliação sobre o Papel das TIC´s no ensino secundário na construção de
52
conhecimentos. Como foi indicado na introdução, as questões de investigação para as quais se
pretende encontrar respostas são as seguintes:

Em que condições são ministradas as aulas de TIC´s?

Quais são as dificuldades que os professores e alunos encontram no ensino da TIC´s?

Qual é o grau de importância atribuído às TIC´s na escola?

Qual é a importância do ensino das TIC`s para a construção de conhecimentos?
3.4 Participantes (Universo e Amostra)
No entender de Vilelas (2009, p. 245), “a população é um conjunto de todos indivíduos no qual
se desejam investigar algumas propriedades”. Por seu turno, (Quivy & Campenhoudt,1999)
julgam que a população é a totalidade de elementos, ou das unidades constitutivas do conjunto
considerado. Mais adiante, Marconi & Lakatos (2011, p. 27) definem universo ou população
“como o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos características
em comum”.
Nesta pesquisa, temos como participantes alunos da 11ª e 12ª classes e professores das Escolas
secundárias Paulo Samuel Kankhomba e Cristiano Paulo Taimo, na cidade de Lichinga. A
escolha do tipo de amostra, a ser utilizada nesta pesquisa, foi feita como objectivo de garantir que
todos os elementos da população tivessem a mesma oportunidade de serem escolhidos, e que os
resultados dessa amostra sejam semelhantes, mesmo quando se tratasse de estudar toda a
população. “ Para que isto aconteça, é necessário proceder à extracção de amostra, mediante
certas técnicas, capazes de garantir que cada elemento possui a mesma probabilidade de pertencer
à amostra”. (Vilelas, 2009, p. 249).
Nesta pesquisa, optou-se pela técnica de amostragem probabilística aleatória simples para os
grupos de alunos das turmas das 11ª e 12ª classes e, a não probabilística intencional para o grupo
de professores. Na técnica de amostragem probabilística, no entender de Vilelas (2009), todos os
elementos da população têm a mesma probabilidade de serem escolhidos.
Por outro lado, sentimos a necessidades de incluir todos os professores de TIC´s das duas escolas,
uma vez que estes são uma minoria nas tais escolas. Neste caso referenciamos uma amostragem
não probabilística . Pois, segundo COUTINHO (2011, p. 90) “A amostragem é não probabilística
se não podemos especificar a probabilidade de um sujeito pertencente a uma dada população”.
53
Vemos neste caso que usamos o grupo todo de professores de TIC´s das referidas escolas. Com
base nestas opções, dividimos as amostras como ilustramos na tabela a baixo:
Tabela 3 1 Distribuição da Amostra
Escola
Participantes
N.
de Amostra
População
Paulo
Samuel Alunos
Kankhomba
Cristiano
2854
183
Professores outras disciplinas
93
8
Professores de TIC´s
2
2
977
56
Professores outras disciplinas
46
4
Professores de TIC´s
2
2
Paulo Alunos
Taimo
Fonte: Direcção das Escolas Secundárias Paula Samuel Kankhomba e Cristiano Paulo Taimo
3.5 Objecto de Estudo
O objecto de estudo da pesquisa é avaliar o papel do TIC´s no ensino secundário, como uma
ferramenta para a construção e partilha de conhecimentos do aluno, no processo de ensinoaprendizagem.
3.6 Instrumentos de recolha de dados
Com vista a obtermos mais informações dos intervenientes e confrontação com aquilo que
acontece na prática quotidiana nas escolas e os ensinamentos de vários autores recorremos as
técnicas de questionário semi-estruturado e observação estruturada.
Questionários, sem identificação, direccionados para professores de TIC´s, de outras disciplinas e
para os alunos, foi elaborado um questionário pela pesquisadora e entregue à direcção da escola,
antecedido de uma explicação detalhadas sobre os objectivos dos mesmos. “ O questionário é um
instrumento de colecta de dados constituído por uma série de perguntas ordenadas, que devem ser
respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador” (Marconi & Lakatos, 2011, p.86).
54
Estes instrumentos apresentavam uma introdução explicativa com vista a facilitar a compreensão
e o preenchimento. Hernánez Sampieri et al. (200, citado em Vilelas, 2009, p. 295) refere que
“Um questionário deve possuir instruções de preenchimento, que esclarecem o inquirido acerca
do investigador, do tipo de estudo que está a realizar, dos objectivos, de maneira de responder, da
sua cooperação no preenchimento”
Tratando-se de uma pesquisa de índole mista, privilegiamos também a observação estruturada,
com o propósito de conhecer o contexto de onde o estudo foi realizado. Na mesma óptica, Vilelas
(2009), afirma que a observação estruturada é útil dado que reduz a influência do observador
sobre o que observa, uma vez que existe um guia de observação.
Por conseguinte, fez-se a triangulação entre os dados dos questionários, observação com a
literatura. Gazier (1992, citado em Moresi, 2003) afirma que em pesquisas qualitativas, a
consistência pode ser verificada por meio de um exame detalhado da literatura e comparando
com os dados colhidos ou observações com os apresentados na literatura.
3.7 Modelo de Análise de Dados
Tendo em conta a bordagem desta pesquisa, optamos por organizar os dados de forma descritiva.
No Entender de Gil (1999, p.168) “a análise tem como objectivo organizar e sumariar só dados
de forma tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema mais amplo das respostas
ao problema proposto para a investigação”.
Os dados obtidos a partir da técnica de questionário, preenchidos pelos professores e alunos
foram apresentados em tabelas, diagramas e gráficos obtidos através do programa de estatística
IBM SPSS Statistics 20. Os dados recolhidos através das grelhas de observação nas salas de
informática das duas escolas, serão apresentados de forma descritiva, como forma de ilustrar a
situação real do local onde decorrem as aulas de TIC´s.
“Na análise, o pesquisador entra em mais detalhes sobre os dados decorrentes do trabalho
estatístico, a fim de conseguir respostas às suas indagações, e procura estabelecer as relações
necessárias entre os dados obtidos e as hipóteses formuladas”. (Marconi & Lakatos, 2011,p.21).
3.8 Limitações do Estudo
A realização desta pesquisa esteve sujeita a algumas limitações identificadas e outras que não
teremos conseguido identificar. Por se tratar de uma pesquisa cuja amostra era constituída
55
maioritariamente por alunos, apesar destes estarem a frequentar o 2º ciclo do ensino secundário,
houve dificuldades no preenchimento do questionários, uma vez que a técnica de recolha de
dados por nós optada, não permitiu o esclarecimento de dúvidas por parte da pesquisadora,
contudo, o questionário tinha uma nota introdutória sobre as formas de preenchimento.
3.9 Considerações Éticas
Com vista a salvaguardar a identidade dos participantes que responderam ao questionário, não
solicitamos dados para o efeito. Todas a informações por eles fornecidas foram apenas para
responder a esta pesquisa, que, posteriormente será com eles partilhada, como forma de resolver
os problema exposto na pesquisa. “ Assim, assumida essa postura de respeito à dignidada da
pessoa, parte-se para o respeito à autonomia dos participantes. Para que o participante possa
manifestar sua autonomia, ele deve ser esclarecido de todos os aspectos na pesquisa ( seus riscos,
seus benefícios, os que ele como participante, deverá fazer como parte da pesquisa …” Guerreiro,
Schimidt & Zicker (2008, p. 196).
As imagens que constam do anexo, foram consentidas pelos participantes e não serão usadas
para outros fins.
3.10 Caracterização do Local da Investigação
3.10.1 Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba
A Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, é uma escola pública, que foi construída no
período colonial, e, pertencia a Missão Católica, cuja denominação era Escola Preparatória de
Nzinje. Após a independência passa para o Governo Moçambicano e passa a designar-se por
Escola Secundária de Nzinje, nome que prevaleceu até 1976.
Em 1994, foi o ano que iniciou a leccionar a 11ª classe, e consequentemente a escola passa a
leccionar dois ciclos do ensino secundário em regime diurno e nocturno.Em 2012, a escola
passou a leccionar apenas o 2º ciclo do ensino geral.
A escola possui 12 salas de aula, 1 bloco administrativo, 1 biblioteca, 1 sala para o posto médico,
2 salas de professores , 1 sala de informática com 30 computadores onde apenas 8 estavam a
disposição dos alunos, 1 campo de jogos, 1 cantina, lavabos para professores e alunos.
56
Segundo dr. Gouvene, O. ( 3 de Junho de 2014) , para o ano lectivo de 2014, a escola matriculou
para o curso diurno 2854 alunos, dos quais 1415 do sexo feminino e 1439 do sexo masculino.
Para o Curso nocturno, a escola matriculou 1713 alunos, dos quais 328 do sexo feminino e 1385
do sexo masculino, assistidos por 95 professores.
3.10.2 Escola Secundária Geral Cristiano Paulo Taimo
Foi aberta em 2012, a maior escola sucundário de raiz construída no pós independência, na
cidade de Lichinga, possui 9 blocos, dos quais 1 adminstrativo, 5 de salas de aulas e os restantes
3 para outros serviços. Tem 17 salas de aulas, das quais 1 biblioteca, 1 sala de informática com 7
computadores, 1 sala de professores, lavabos para professores e alunos, 1 cantina, 1 campo
polivalente com vestiários e lavabos, 1campo de futebol de 11 e 6 residências para professores
dados fornecidos por dr. Chabane, I. ( 3 de Junho de 2014).
A escola lecciona 1º e 2º ciclos, tem 1387 alunos do 1º ciclo, dentre eles 729 do sexo feminino e
658 do sexo masculino e no 2º ciclo 977 alunos dos quais 391 do sexo feminino e 586 do sexo
masculino, assistidos por 48 professores.
57
CAPÍTULO IV
4.1 Apresentação, Análise e Tratamento dos Dados
Neste capítulo, apresentamos os resultados da pesquisa feita a 183 alunos e 10 professores da
Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, 56 alunos e 5 professores da Escola Secundária
Cristiano Paulo Taimo, na cidade de Lichinga, todos do regime diurno. Para a Escola Cristino
Taimo, tínhamos uma amostra de 57 alunos, no entanto um dos questionários não foi devolvido à
pesquisadora. Como ordem de apresentação, começaremos a descrever os dados dos alunos,
seguido dos professores de outras disciplinas e por último faremos a dos professores da disciplina
de TIC´s.
4.2 Resultados obtidos a partir dos questionários dos alunos
Distribuição de amostra por escolas
No que diz respeito ao número de alunos que responderam ao questionário, 183 alunos
pertenciam a Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, correspondente a 76,57% da amostra
e 56 alunos da escola Secundária Cristiano Paulo Taimo, representando 23,43% da amostra.
Classe dos Alunos
Relativamente às classes dos alunos, a 12ª classe, na Escola Secundária Paulo Samuel
Khankomba, representava a maioria e teve como participantes 116 alunos, que corresponde a
48,74% e 16 alunos da Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo, correspondendo a 6,72%. Para
a 11ª classe, a Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba teve uma representação de 66
alunos, correspondente a 27,73% e 40 alunos da Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo, o que
corresponde a 16,81%.
Qual o seu intervalo de idade?
Em termo de idade dos alunos, a faixa etária ronda entre 15 à 20 anos de idade e constituía a
maioria, com 161 alunos da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, correspondendo à
67,65% e a Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo foi representada por 48 alunos o que
corresponde a 20,17% . Por outro lado, na faixa etária entre 25 à 30 anos, tínhamos 6 alunos, na
Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, o que representa 2,5% do universo dos inquiridos.
Género
58
No que diz respeito à característica dos alunos das duas escolas, o sexo masculino representa a
maioria, onde a Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba tinha 113 alunos, o que representa
47,48% e a Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo participou com 69 alunos, o que
corresponde 29 %. Por outro lado, o sexo feminino representava a minoria, com 29 alunas da
Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, que representa 12,18% e por último a Escola
Secundária Cristiano Paulo Taimo com 27 alunas, o que fixa a cifra de 11,34%.
Qual é o seu maior sonho?
Em termos de preferências de profissão para os alunos, as outras profissões representam 34% do
total de alunos das duas escolas, 25% para a profissão de médico ou enfermeiro e a minoria opta
pela profissão de arquitectura, com 2%.
Tabela 4. 1 Disciplinas que os alunos mais gostam
Nome da Escola
Total
%
Quais são as disciplinas que você PSK
mais gosta na sua classe?
Português
133
Ingles
9
Introdução à Filosofia
13
TIC´s
5
EducaçãoFísica
3
Geografia
7
História
1
Biologia
Química
Física
Desenho
Descritiva
e
Geo.
5
4
2
1
PCT
21
1
4
1
0
13
1
154
10
17
6
3
20
2
64%
4%
7%
3%
1%
8%
1%
12
2
1
0
17
6
3
1
7%
3%
1%
0%
183
56
239
100%
Total
A manifestação de desejo por uma determinada disciplina tem sempre as suas razões, muitas
delas ocultas e outras aparentes. Por coincidência ou não, como indica a tabela 4.1, a disciplina
de português é a mais preferida pelos alunos das duas escolas. 133 Alunos da Escola secundária
Paulo Samuel Kankhomba, gostam da disciplina de português o que representa 55,65% dos
alunos inquiridos e 21 alunos da Escola secundária Cristiano Paulo Taimo também optaram por
Português o que representa 8,79%. Um outro aspecto que precisamos de ilustrar, é a não
59
preferência pela disciplina de TIC`s pelos alunos das duas escolas, como se pode confrontar
resultados nas duas escolas, com 2,10% de alunos na Escola Secundária Paulo Samuel
Kankhomba e 0,42% da Escola Cristiano Paulo Taimo.
Tabela 4. 2 Tem tido aulas de TIC´s?
Nome da Escola
PSK
PCT
Total
Tem tido aulas de TICs na Total
escola?
Sim
Não
121
59
180
55
1
56
176
60
236
Do número de alunos que responderam a esta questão, como se pode observar na tabela 4.2, mais
da metade afirmaram ter recebido aulas de TIC´s na sua escola, onde: 121 alunos são da Escola
Secundária Paulo Samuel Kankhomba, o que corresponde a 51, 27% e 55 alunos são da Escola
Secundária Cristiano Paulo Taimo, o que representa a 23,31%. Um facto não menos importante
é que 59 alunos da Escola Secundária Paulo Samuel Kanhomba disseram não ter recebido aulas
de TIC´s o que corresponde a 25% dos alunos inquiridos.
No entanto, apesar de não ter sido previsto no questionário opção para a justificação em caso de
resposta negativa, os alunos indicaram nos questionários que a não preferência às TIC´s deviase a não comparência do professor na escola, durante o primeiro trimestre do ano lectivo, período
da recolha destes dados.
Tabela 4. 3 Periodicidade das aulas de TIC´s
Nome da Escola
PSK
PCT
Total
Quantas vezes por semana?
1
2
3 oumais
125
1
1
54
1
1
179
2
2
Total
127
56
183
No que diz respeito a periodicidade das aulas TIC´s, como se pode verificar na tabela 4.3 a
maioria afirmou que as aulas de TIC acontecem uma vez por semana, correspondendo desta
forma a 68% o número de alunos que assim responderam na Escola Secundária Paulo Samuel e
29,51% com igual resposta na Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo.
60
Tabela 4. 4 Duração de cada aula
Nome da Escola
PSK
PCT
Total
%
Quanto tempo dura cada
aula?
30 min 45 min
60 min
90 min 120
min
3
38
25
47
8
3
27
5
17
3
6
65
30
64
11
3%
37%
17%
36%
6%
Total
121
55
176
100%
Em relação a duração de cada aula, há divergência entre as duas escolas, como se pode observar
na tabela 4.4, onde 47 alunos da Escola Secundária Paulo Samuel Kamkhomba afirmaram que
cada aula tinha a duração de 90 minutos, o que corresponde a 26,70 % e 27 alunos da Escola
Cristiano Paulo Taimo disseram que a aula tinha a duração de 45 minutos, o que corresponde a
15,34%.
Tabela 4. 5 Local onde decorrem as aulas
Nome da Escola
Total
P. C. T
Onde é que decorrem as aulas de P. S. K
TIC?
Sala de Informática
146
56 202
Sala de aula normal
2
0
2
Centro das Irmãs de Cerâmica
1
0
1
Escola Eduardo Mondlane
1
0
1
Na comunidade
1
0
1
Nas Irmãs Três Pastorinhos da
1
0
1
Cerâmica
152
56 208
Total
%
97%
1%
0%
0%
0%
0%
100%
Nesta questão, os alunos foram unânimes que as aulas da disciplina de TIC´s decorrem na sala de
informática, conforme os dados apresentados na tabela 4.5, onde 146 alunos são da Escola
Secundária Paulo Samuel Kamkhomba, o que corresponde a 70,19 % e outros 56 alunos são da
Escola secundária Cristiano Paulo Taimo, representando 26,92% to total dos inquiridos.
61
Tabela 4. 6 Acesso ao computador em aulas de TIC´s
Tem tido acesso ao computador em todas as aulas de TIC as aulas de
TIC?
Nome da Escola
Sim
Não
PSK
90
85
PCT
22
34
112
119
Total
Total
175
56
231
Atinente a esta questão, mais de metade dos alunos das duas escolas responderam não ter acesso
ao computador em todas aulas de TIC´s, como ilustra a tabela 4.6, desta tabela pode-se ver que
85 alunos da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, o que corresponde 36,80% e 34
alunos são da Escola secundária Cristiano Paulo Taimo, o que corresponde a cifra de 14,72%. Por
outro lado pode-se ver que, 90 alunos da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, o que
corresponde a 38,96% e 22 alunos da Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo, o que
corresponde 9,52% disserem ter acesso ao computador em todas aulas de TIC´s o que pode ser
confrontado com o apêndice 4.
Gráfico 4. 1 Razões de falta de acesso do computador
Relativamente às razões de falta de acesso do computador nas aulas de TIC, os resultados são
ilustrados no gráfico 4.1. As respostas dos alunos coincidem nas duas escolas, sendo que 48%
dos alunos inquiridos afirmaram que a insuficiência de computadores é a razão da falta de acesso
de computador, aliado ao elevado número de alunos ambas escolas.
62
Por outro lado, 30% dos alunos disseram que ainda não tiveram contacto com o computador por
falta de professor, isto pode ser confirmado com a informação da tabela 4.2, onde parte de alunos
da Escola Secundária Paulo Samuel Kamkhomba afirmaram não ter recebido aulas de TIC´s.
Tabela 4. 7 Envolvimento das TIC´s (Computador) para aprendizagem
Acha que é possível envolver as TICs (Computador) para
poderes aprender nas diversas áreas da sua classe?
Total
Nome da Escola
Sim
Não
PSK
173
7
180
76%
PCT
55
1
56
24%
228
8
236
100%
Total
%
Neste ponto, apesar dos alunos não gostarem da disciplina de TIC´s, como ilustra a tabela 4.1, um
universo que corresponde a cifra de 3% de inquiridos gosta desta disciplina, e por outro lado os
alunos utilizarem as TIC´s sem se aperceber no seu dia-a-dia, como chats via whatsup, facebook
entre outros, eles reconheceram que é possível envolver as TIC´s para aprendizagem nas diversas
áreas da sua classe, como se pode observar na tabela 4.7, onde 173 alunos são da Escola
Secundária Paulo Samuel Kankhomba, o que corresponde a 73,31% e 55 alunos da Escola
Secundária Cristiano Paulo Taimo, o que corresponde a 23,31%.
Tabela 4. 8 Disciplinas que poderia usar mais o computador para o ensino dos conteúdos
Quais são as disciplinas que achas que poderia usar mais o Total
computador para poder ser ensinado os conteúdos da sua classe
Nome
Escola
da Portugês
Matemática Física
Todas as disciplinas da
minha classe
%
P.SK
89
28
8
53
178
76%
PCT
25
4
3
24
56
24%
Total
114
32
11
77
234
100%
%
49%
14%
5%
33%
100%
63
Relativamente à disciplina (s) que mais deviam usar computador para e aprender os conteúdos, os
dois grupos de alunos afirmaram que seria na disciplina de Português, conforme ilustram os
resultados na tabela 4.8, com a cifra de 49%, distribuídos em 38,03% para a Escola Secundária
Paulo Samuel Kankhomba e 10,59% para a Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo. Por outro
lado, alguns foram unânimes em afirmar que o computador poderia ser usado para o ensino de
todas as disciplinas da sua classe com 22,46% para Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba
e 10,17% para a Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo.
Tabela 4. 9 Se internet tem um papel importante no processo de ensino-aprendizagem dos
conteúdos da sua classe
Achas que a internet tem um papel importante para o
processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos da sua
classe?
Total
Nome da Escola
Sim
Não
PSK
175
5
180
76%
PCT
55
1
56
24%
230
6
236
100%
Total
%
Relativamente a questão na qual pretendíamos aferir se o aluno reconhecia o papel importante da
internet no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos da sua classe, eles foram unânimes
em afirmar que sim, ou seja, 230 alunos, o que corresponde a 97,46% dos alunos das duas escolas
responderam positivamente.
64
Papel da Internet
Outro
27%
Fornece a Informação
23%
Conhecer coisas Novas
22%
28%
Facilita na Investigação
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
Gráfico 4. 2 Papel da Internet
Relativamente aos comentários dos alunos em relação ao papel da internet para o processo de
ensino-aprendizagem, como ilustra o gráfico 4.2, 28% dos alunos reconheceram que a internet
facilita na investigação dos conteúdos, 27% disseram que serve para outros fins, 23% para o
fornecimento da informação, que pode ser para a comunicação e 22% disseram que serve para
conhecer novas coisas.
Contributo das TICs
Outro
18%
Saber a usar computador
17%
23%
Comunicação
Ensino e aprendisagem
41%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
Gráfico 4. 3 Contributo das TIC´s no Ensino-aprendizagem
Na questão sobre que contributos tem as TIC´s no processo de ensino-aprendizagem, como o
gráfico 4.3 apresenta, a maioria dos alunos, 41% afirmou que a TIC´s contribuem para o ensinoaprendizagem , 23% disse que contribui para a comunicação, 18% para outros e 17% para saber
usar o computador.
4.2 Resultados obtidos a partir dos questionários dos professores da disciplina de TIC
Distribuição de amostra por escolas
No que diz respeito ao número de professores de TIC´s que responderam ao questionário, a
Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba é a que teve a maior representatividade,
65
correspondendo a uma cifra de 67% e a Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo foi
representada
por
docentes
que
correspondem
a
uma
percentagem
de
66
Qual é o seu intervalo de idade?
Em termos de idade, podemos afirmar que este grupo de professores era constituído por
professores jovens, e que todos se encontravam na faixa etária de 20-30, também convém
salientar que a disciplina de TIC´s entra no currículo de ensino secundário em 2008, razão pela
qual os professores que aqui encontramos são jovens. Fazendo comparação com os professores
das outras áreas de ensino e aprendizagem.
Género
Relativamente ao género do grupo de professores da disciplina de TIC´s, o masculino constitui a
maioria, como aconteceu com os outros grupos que responderam aos questionários, com uma
cifra de 67% de representatividade masculina e os restantes 33% do sexo feminino.
Nível académico
Relativamente ao nível académico dos professores de TIC´s das duas escolas, todos os
professores desta cadeira são do nível N1.
Área de formação (neste ponto queremos nos referir a área de actuação na sala de aula,
disciplinas que lecciona o docente)
Com relação a área de formação, 2 professores são formados em TIC´s, na cifra de 67%, ambos
da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba. No entanto, a Escola secundária Cristiano
Paulo Taimo tem um professor formado em outra aérea, mas que o mesmo faz os
acompanhamentos, ou lecciona a disciplina de TIC´s, o que corresponde a cifra de 33%.
Há quanto tempo trabalha como professor?
Relativamente aos anos de experência dos professores, há uma diversificação. Porém, a Escola
Secundária Paulo Samuel Kankhomba é a que tem professores mais experientes em relação à
Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo, onde, para além do professor ser formado em outra
área, ele tem apenas 2 anos de experiência.
67
Na sua área de formação poderia descrever-nos qual dos conteúdos gosta mais de leccionar,
e porque?
Para esta questão, os professores responderam o seguinte: Professor 1, disse que gosta de
programação de computador, pelo facto dos seus conteúdos serem relevantes na leccionação. Por
seu turno, o professor 2, disse que aprecia a montagem e reparação de computadores, devido a
falta de técnicos de manutenção do equipamento. Para o professor 3, exemplos de importância na
vida dos alunos são conteúdos de que ele mais gosta de leccionar.
Onde é que decorrem as aulas de TIC?
Relativamente a esta questão, tal como foi respondido pelos alunos na tabela 4.5, os professores
foram unânimes em afirmar que as aulas de TIC´s decorrem na sala de informática.
O sala de informática está esquipada com todo o material necessário para as aulas de
TIC´s?
Quanto ao apetrechamento da sala de informática, no que concerne ao equipamento necessário
para aulas de TIC´s, 67% dos professores questionados afirmaram que as salas não estão
equipadas com todo o material necessário para o decurso normal de aulas de TIC´s, como
modens com ligação à internet e impressoras, distribuídos em 8 computadores na Escola
Secundária Paulo Samuel Kankhomba e 7 para Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo.
Periodicidade das aulas de TIC`s
As aulas de TIC´s nas duas escolas, decorrem em períodos opostos das aulas normais de cada
classe e uma vez por semana. No entanto, em termos de carga horária, há divergência em relação
ao tempo para as duas escolas. Por outro lado, nota-se uma divergência em relação ao tempo
indicado pelos alunos das duas escolas com o que foi referenciado pelos professores. 27% dos
alunos inquiridos da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba disse que as aulas tinham a
duração de 90 minutos e , contrariamente os seus professorem afirmaram que as mesmas tinham
a duração de 60 minutos. 15,34% dos alunos submetidos ao questionário na Escola Secundária
Cristiano Paulo Taimo disse que as aulas têm a duração de 45 minutos e o respectivo professor
afirmou que as aulas tinham a duração de 90 minutos.
68
Como é feita a gestão da sala de Informática?
Relativamente à gestão da sala de informática, todos os professores foram unânimes que a sala de
informática fica aberta apenas para aulas de TIC´s. Isto quer dizer que os alunos só têm acesso a
mesma quando tiverem aulas de TIC e não para outro tipo de actividades.
Durante as aulas de TIC, todos os alunos têm acesso ao computador? Não, Porquê?
Em relação à acessibilidade de computador para o aluno nas aulas de TIC´s , os professores de
ambas escolas responderam que os alunos não têm tido acesso ao computador em todas as aulas
de TIC´s, a mesma informação dada pelos alunos. A causa da falta de acessibilidade é a mesma, a
insuficiência de computadores, cuja cifra dos que assim responderam 67% alegam falta de
manutenção dos computadores representa 33% .
Aos nossos dias, tem-se discutido a respeito das TIC´s no processo de ensino-aprendizagem.
O que acha dessa área?
Neste ponto, os professores foram unânimes em afirmar que as TIC´s são vistas como uma nova
área que vem para melhorar no ensino e aprendizagem, o mesmo sentimento é partilhado por
professores de outras disciplinas.
Acha que é possível envolver as TIC´s (o computador) para aprendizagem nas diversas
áreas de conhecimento?
Relativamente ao envolvimento do computador para a aprendizagem nas diferentes áreas de
conhecimento, os professores de TIC´s concordaram, de igual modo concordaram os professores
de outras disciplinas assim como os alunos. Todos dizem que sim, é possível envolver o
computador na aprendizagem.
69
Quais as disciplinas que acha que
poderia usar mais o computador
67%
33%
Português
Todas as disciplinas do 2º
Cíclo
Gráfico 4. 4 Disciplinas que poderiam usar mais o computador
Os dados do gráfico 4.4, mostram-nos que, no entender dos professores das TIC´s, as disciplinas
que poderiam usar mais as TIC´s são todas do 2º ciclo, assim como afirmaram os professores de
outras disciplinas. Por outro lado, 33% dos professores concordaram com a informação dos
alunos que, a disciplina de Português é que poderia usar mais o computador.
Papel da internet
33%
33%
Ajuda a realização dos
trabalhos aos alunos na sua
aprendizagem
Dá mais informações sobre
qualquer assunto
33%
Podem usar a internet para
aprofundar mais a matáeria
leccionada pelos professores
Diagrama 4. 1 Papel da Internet
Em relação ao papel da internet, os professores afirmaram que ela tem um papel importante para
o processo de ensino e de aprendizagem. O diagrama 4.1, nos mostra que 33% dos professores
afirmaram que a internet ajuda na realização dos trabalhos. A outra cifra de 33% disse que ela dá
informações sobre qualquer assunto e os restantes 33% disseram que ela serve para o
aprofundamento das matérias leccionadas pelo professor.
70
Contributo das TICs
33%
Contribui na
minimização dos
trabalhos que eram
feitos manualmente
Enriquece a aula e
também vem inovar as
técnicas e métodos de
ensino
Para Judar o professor
na procura de mais
informações ou melhor
informações
33%
33%
Diagrama 4. 2 Contributo das TIC`S
Na questão sobre o contributo das TIC´s no processo de ensino-aprendizagem, como se pode
conferir no diagrama 4.2, os professores tiveram opiniões diferentes, apesar de as mesmas
estarem em vista a melhoria do processo de ensino. Dos inquiridos, 33% dos professores
disseram que elas contribuem para a realização de trabalhos que eram feitos manualmente, 33%
afirmaram que elas enriquecem as aulas e vêm inovar as técnicas de ensino e os restantes 33%
disseram que elas ajudam ao professor na procura de mais informações.
Os seus alunos tem explorado as TICs para a resolução
de problemas?
33%
Não
67%
As vezes, quando
necessário
Diagrama 4. 3 Exploração das TIC´s para a resolução de problemas
71
O diagrama 4.3 ilustra-nos que tal como foi afirmado pelos professores de outras disciplinas, os
das TIC´s também consideraram que os seus alunos exploram as TIC´s para a resolução de
problemas de construção de conhecimentos às vezes, quando necessário, uma cifra de 67%. Em
outras palavras, não é prática os alunos usarem as TIC´s para a resolução de problemas de
construção de conhecimentos. Os outros que perfazem a cifra de 33% disseram que não usam as
TIC`s.
Como é que os alunos consideram a disciplina de TIC´s
Relativamente a presente questão, apesar dos alunos terem reconhecido o papel das TIC´s no
processo de ensino-aprendizagem, os professores das TIC´s paradoxalmente afirmaram que os
seus alunos consideram a disciplina das TIC´s pouco relevante.
4.3 Resultados obtidos a partir dos questionários dos professores de outras disciplinas
Quanto ao número de professores de outras disciplinas que responderam ao questionário, dos 12
professores que responderam ao questionário, 67%
é a cifra dos professores que pertencem a
Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba e os restantes , na ordem de 33% são Escola
secundária Cristiano Paulo Taimo.
Idade dos Professores
Em termos de idade dos professores, na Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba o intervalo
de idade dominante é de 20 à 30 anos, com uma representação de 33,30% ; seguido de 30 à 40
anos, com a representação de 25%. Na mesma tabela pode-se ler que a Escola Secundária
Cristiano Paulo Taimo é a que tem mais professores no intervalo de 40 à 50 anos, com uma
representação de 16,70%.
Género
No que diz respeito à característica dos professores das duas escolas, o sexo masculino representa
a maioria, com 75% e o sexo feminino, a minoria com 25%.
72
Nível académico
Relativamente ao nível académico dos pressofessores de outras disciplinas, os docentes da
categoria nível N1 representam a maioria, com 50% dos inquiridos na Escola Secundária Paulo
Samuel Kankhomba e os outros que correspondem a 25 % são da Escola Secundária Cristiano
Paulo Taimo. Os docentes com as categorias de nível N2 constituem a minoria, situando-se na
ordem, com 16,70% na Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba
e 8.30% na Escola
Secundária Cristiano Paulo Taimo.
Área de formação dos Professores
Em relação as áreas de formação, constatou-se que uma distribuição equitativa por áreas de
formação dos professores para ambas as escolas, onde a maior parte das disciplinas estão
representadas por um professor apenas, que se pode encontrar alternadamente. No entanto, as
disciplinas de Inglês e Português tiveram 2 representantes, sendo 1 para a Escola Secundária
Paulo Samuel Kanlhomba e 1 para a Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo, o que
corresponde a 16,70% por disciplina.
Há quanto tempo trabalha como professor?
Relativamente aos anos de experência dos profesores, a maioria dos professores corresponde
aquela que tem experiência de 4 ou mais anos, com cifras de 42% na Escola Secundária Paulo
Saumuel Kankhomba e 17% na Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo. Os outros que
correspondem a minoria possuem 3 anos de experiência, somente da Escola Cristiano Paulo
Taimo é representado na cifra de 8%. Perante estes dados, podemos afirmar que as duas escolas
possuem professores com algum nível de experiência.
Na sua área de Formação poderia descrever qual dos conteúdos gostam mais de leccionar e
porque?
Os conteúdos que os professores gostam de leccionar na sua área de formação, há a descrever que
existe uma vasta diversidade de conteúdos preferidos, isto tem a ver com as diferentes áreas de
formação dos professores. No entanto, as disciplinas de línguas contituem a maioria, com 42%,
sendo que os conteúdos preferidos pelos professores são relacionados com a gramática, base para
a comprensão de uma determinada ligua.
73
Tabela 4. 10 O que os professores acham sobre a disciplina de TIC´s
Nome da escola
Total
PSK
PCT
Nos nossos dias, tem- se discutido a respeito das TICs
no processo de ensino-aprendizagem. O que acha
dessa área?
Uma nova área que vem
2
3
5
melhorar o processo de
aprendizagem
17%
25%
42%
Uma área com imensas
5
0
5
potencialidades para o ensino
42%
0%
42%
Um instrument didáctico
1
1
2
8%
8%
17%
8
4
12
Total
67%
33%
100%
Uma vez que as TIC´s são uma área com imensas potencialidades para o ensino, este comentário
foi coberto numa cifra de 42 % dos intervenientes na pesquisa, e todos foram unânimes em
defender que as TIC´s é são garante Didáctico no processo de ensino e aprendizagem. E os
restantes que correspondem a cifra de 16% alegam haver outros motivos. Tal como se pode
confrontar na tabela 4.10.
Acha que é possível envolver as TIC´s (o Computador ) para aprendizagem nas diversas
áreas de conhecimento?
Neste ponto, pode-se observar que, a maioria dos professores reconhece que é possível envolver
o computador na aprendizagem de diversas áreas de conhecimento, onde os 58% os professores
são da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba e 33% da Escola secundária Cristiano Paulo
Taimo disseram que era possível envolver as TIC´s na aprendizagem. Por outro lado 1 professor
da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, que representa 8%, pensa que as TIC´s nada
pode contribuir para melhorar o ensino e a aprendizagem.
Quais são as disciplinas que acham que poderiam usar mais o computador para poder ser
ensinados os conteúdos?
A questão colocada aos professores visava que enumerassem disciplinas que, na sua opinião,
devem ser leccionadas usando o computador, tendo o resultado que 60% dos intervenientes
disseram que as TIC´s devem ser usadas em todas disciplinas e fazendo a confrontação com os
74
comentários dos alunos, verifica-se que as ideias não se alinham na mesma direcção, pois estes
dizem que a disciplina de Português é aquela que de entre muitas deve socorrer-se das TIC`s na
sua ministração.
Acha que a Internet tem um papel importante para o processo de ensino e aprendizagem
dos conteúdos das diferentes disciplinas?
Relativamente ao papel da internet no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos das
diferentes disciplinas, 83% dos professores afirmou que sim. Embora a maioria dos
intervenientes do grupo de alunos reconhecer que a internet tem um papel importante no ensinoaprendizagem, existem professores que não acreditam que a internet tem o papel no ensino e
aprendizagem, estes docentes representam uma cifra de 17%.
Se sim,porque?
Em relação ao papel da Internet, a maioria dos professores disseram que ela contribui para a
pesquisa representando uma cifra de 83%. Outros 8% dos professores, afirmaram que a internet
contribui para a contemplação de conteúdos que não estejam nos manuais dos professores, com
vista ao aprofundamento do ensino dos mesmos. Outros ainda, 8% de inquiridos disse que a
internet ajuda a obter mais informações, que, no nosso entender, pode ser que se referiram à
pesquisa.
Contributo das TICs
Globalização
8%
Facilita o ensino e aprendizagem
33%
Busca de Informação
17%
Pesquisa
17%
Obtenção de Novos Conhecimentos
25%
0%
5%
10% 15% 20% 25% 30% 35%
Gráfico 4. 5 Contributo das TIC`s no processo de ensino-aprendizagem
75
Na questão sobre o contributo das TIC´s no processo de ensino-aprendizagem, como ilustra o
gráfico 4.5, 33% dos professores inquiridos afirmou que as TIC´s simplificam o processo de
ensino-aprendizagem. Por outro lado, 25% afirmou que as TIC´s contribuem para a obtenção de
novos conhecimentos, 17% diz que permite a busca de informação, 17% que se usa para
investigação e 8% afirmam que facilita a globalização.
Os seus alunos têm explorado as TIC´s para a resolução de problemas e construção de
conhecimento?
Relativamente a esta questão, mais da metade dos professores afirmou que os seus alunos
exploram as TIC´s para a resolução de problemas e construção de conhecimentos, às vezes
quando necessário: 33% de professores são da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba e
25% da Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo. Por outro lado, o sentimento dos professores
da Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo é de descrença em relação à exploração das TIC´s
para fins pedagógicos pelos alunos.
4.4 Síntese dos Resultados
Com vista a obtermos dados empíricos que ajudassem a responder às questões de investigação
desta pesquisa, foram aplicadas diversas técnicas de recolha de dados ilucidadas no Capítulo da
Metodologia que incluiam: Questionários para alunos , professores da disciplina de TIC´s e outro
para professores de outras disciplinas e ainda uma ficha de observação. Por conseguinte, apartir
da triangulação com diferentes fontes, apresentamos as conclusões desta investigação.
Finalizada a apresentação, análise e tratamento dos dados recolhidos, passamos a apresentar o
resumo das evidencias que no nosso entender são mais significativas:
- Em relação a disciplina que os alunos mais gostam, estes foram unânimes em afirmar que têm a
preferência pela disciplina de português. Por outro lado, os dados que obtivemos, permitem-nos
afirmar que os alunos não gostam da disciplina de TIC´s. Quando questionados à respeito da
leccionação da disciplina de TIC´s nas duas escolas, estes afirmaram que se lecciona, apesar de
parte de alunos não terem recebido aulas devido a não comparência de professores por motivos
não esclarecidos.
- Quanto a periodicidade das aulas de TIC´s nas duas escolas, os resultados colhidos, amostram
que as mesmas decorrem uma vez por semana, no período oposto as aulas normais de cada turma.
76
- No que diz respeito ao tempo de duração de cada aula, houve divergência entre as afirmações
dos professores e alunos das duas escolas: Os alunos da Escola Secundária Paulo Samuel
Kankhomba afirmaram que as aulas de TIC´s tinha a duração de 90 minutos
e os seus
professores disseram que as mesmas tinham a duração de 60 minutos, isto é, uma hora de tempo.
Os alunos da Escola Secundária Cristiano Paulo Taimo afirmaram que as aulas de TIC´s tinham
a duração de 45 minutos e o seu professor afirmou que eram de 90 minutos. No nosso entender,
essa divergência pode ser resultado
dos alunos considerarem a disciplina de TIC´s pouco
relevante.
- Professores e alunos foram unânimes em afirmar que as aulas de TIC´s ocorrem nas salas de
informática.
- Alunos e professores disseram que durante as aulas de TIC´s nem todos os alunos têm tido
acesso à computadores, devido à insuficência das máquinas e turmas com elevado número de
alunos, o que também foi confirmado durante a nossa observação.
- No que concerne ao equipamento necessário para aulas de TIC´s, os professores afirmaram que
as salas não estão equipadas com todo o material necessário para o decurso normal de aulas de
TIC´s, como modens com ligação à internet e impressoras.
- Quando questionados sobre a gestão da sala de informática, os professores da disciplina de
TIC´s disseram que as mesmas ficam abertas apenas para aulas de TIC´s.
- No que se refere ao envolvimento do computador na aprendizagem dos conteúdos das diversas
disciplinas, os três grupos que responderam ao questionário concordaram que é possível envolver
o computador na aprendizagem.
- Os professores das disciplinas de TIC´s consideram as TIC´s como uma área que vem melhorar
o ensino - aprendizagem. Sobre o mesmo assunto, os professores das outras disciplinam acham
que a TIC´s são uma área com imensas potencialidades para o ensino, por isso é uma área que
vem melhorar o ensino - aprendizagem.
- Em relação a questão sobre as disciplinas que mais poderiam usar o computadores para o seu
ensino, os alunos responderam-nos que devia ser a disciplina de Português enquanto que os
professores dos dois grupos pensam que são todas as disciplinas do 2ºciclo.
77
- Relativamente ao papel da internet no processo de ensino-aprendizagem, alunos e professores
reconheceram que a internet tem o papel importante no processo de ensino-aprendizagem e que
ela contribui para a pesquisa.
- Sobre o contributo das TIC´s no processo de ensino-aprendizagem os alunos disseram que
contribui para o processo de ensino-aprendizagem e para a comunicação.
- Os professores de TIC´s disseram que as TIC´s facilitam a digitação de trabalhos que eram
feitos manualmente, enriquece as aulas e inova as técnicas e métodos de ensino e ajuda na
investigação. Por conseguinte, os professores de outras disciplinas disseram que as TIC´s
facilitam o ensino-aprendizagem e a investigação.
- Quando perguntamos se os alunos das duas escolas exploravam as TIC´s para a resolução de
problemas e construção de conhecimentos, os dois grupos de professorem foram unânimes em
afirmar que os seus alunos usam as TIC´s quando necessário, isto quer dizer que, nas duas
escolas as TIC´s não são capitalizadas para a construção de conhecimento.
- De acordo com os professores das disciplinas de TIC´s das duas escolas, os seus alunos
consideram a disciplina de TIC pouco relevante, apesar dos alunos e professores reconhecerem o
papel das TIC´s no processo de ensino-aprendizagem.
78
CAPÍTULO V
Conclusões
Pretende-se no presente capítulo, trazer conclusões sobre o tema que nos propusemos investigar,
intitulado: O Papel das Tecnologias de Informação e Comunicação no Ensino Secundário,
com base na triangulação entre questões de investigação, do quadro teórico e conceptual onde
tratamos as teorias de aprendizagem que apoiam o uso das TIC´s no ensino-aprendizagem e dos
dados empíricos recolhidos nas escolas onde a investigação teve lugar.
Esta pesquisa visava verificar em que condições são ministradas as aulas de TIC´s nas escolas,
apurar as dificuldades que os professores e alunos encontram no ensino das TIC´s e averiguar o
grau de importância éatribuída às TIC´s na escola no processo de ensino aprendizagem;
O ensino com recurso às TIC´s gera um novo tipo de aprendizagem mais centrada no aluno, que
constitui é a nossa preocupação e incentiva a realização desta pesquisa. De acordo com Ramos (
2005, citado em Santos, 2007, p. 67) “ O Real valor das TIC´s reside no facto de poderem ser
perspectivadas de acordo com as modernas teorias pedagógicas, de entre as quais se destaca o
construtivismo”.
No período em que vivemos, o uso de TIC´s em contextos educativos visa que o aluno construa
os seus próprios conhecimentos, sem que elas assumam apenas um papel de complementaridade
em outras actividades escolares, como a simples digitação de documentos. No entanto, para que
isso aconteça, é necessário, a criação de ambientes estimulantes para a aprendizagem, onde o
computador é capitalizado para desenvolver as competências de forma quase natural.
Por outro lado, o professor deve desempenhar um papel preponderante, com vista a intervir
adequadamente como um facilitador no processo de ensino-aprendizagem, “(…) um professor
exploratório, um agente que permite ao aluno reflexão e interpretação, um sujeito capaz de fazer
ressurgir a motivação na construção activa do conhecimento” Nurdin (2012, p. 94).
O professor deve assumir o compromisso de explorar os recursos presentes e saber utilizá-los de
maneira consciente, crítica e progressiva com vista a sua participação efectiva no meio em que
este está inserido. Para que isso aconteça é necessário a mudança dos seus hábitos, a pedagogia
79
tradicional, para se adaptar a novas maneiras de dirigir o processo de ensino-aprendizagem,
centrado no aluno.
As TIC´s promovem a aprendizagem ao invés do ensino, onde o processo de aprendizagem é
colocado nas mãos do aluno, auxiliado pelo professor que entenda que a educação não significa
transferir conhecimentos, mas a construção do conhecimento é feita pelo próprio aluno, como
resultado do seu engajamento intelectual, da sua entrega total.
O aluno deve ser dado a oportunidade de aprender e abordar os problemas e usar as TIC´s como
recurso para a sua resolução. Com isto, não queremos dizer que a existência de materiais e fontes
de informação em quantidade e qualidade deve implicar abandonar o ambiente de aprendizagem
de outras fontes tradicionais.
A utilização das TIC´s na sala deve ser vista como uma ferramenta que auxilia e facilita o
trabalho do aluno. Uma maneira do aluno saber ultrapassar dificuldades é aprender a saber
utilizar tais ferramentas. As ferramentas cognitivas representam uma abordagem construtivista, a
utilização das TIC´s, em ambiente ou actividade que estimula o aluno a reflectir, a manipular e
representar o que sabe ao invés de reproduzir o que alguém lhe diz ( Jonassen, 2007).
Num ambiente de ensino suportado pelas TIC´s o aluno está inserido num contexto social, uma
vez que os meios tecnológicos favorecem a autonomia, interacção e colaboração com os outros.
Sobre este aspecto, (Freire,1970) afirma que um aluno aprende com a comunidade e pode auxiliála a identificar problemas.
O desenvolvimento deste relatório de dissertação, foi norteado por quatro questões de
investigação, relativas ao papel das TIC´s. que abaixo apresentamos seguidas das conclusões
tiradas da análise dos dados.
Questão 1

Em que condições são ministradas as aulas de TIC´s?
Ao longo da nossa pesquisa, verificamos que as aulas de TIC´s nas duas escolas decorrem em
condições similares, em salas específicas, apesar de existir alguma diferença em alguns aspectos,
como espaço, uma vez que as duas escolas encontram-se situadas em zonas bem distintas, sendo
80
que a Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba é urbana, absorvendo a maior parte dos
estudantes da cidade e a Cristiano Paulo Taimo suburbana, o que influência no número elevado
de alunos por turma na primeira escola.
Tanto quanto pudemos apurar, devido ao elevado número de turmas, a Escola Secundária Paulo
Samuel Kankhomba reduziu a carga de horária prevista no Plano Curricular do Ensino
Secundário Geral (PCESG) da disciplina de TIC´s de 2 tempos para 1 hora, uma redução de 30
minutos, como forma de dar oportunidade a todas as turmas ao acesso à sala de informática.
Alertamos que o facto dos alunos desta escola terem pouca possibilidade de usar computador
poderá interferir na aprendizagem, tal como nos diz (Santos, 2007) ao afirmar que o número de
computadores disponíveis para o uso dos alunos influenciará o contributo das TIC´s no
aproveitamento dos mesmos.
Questão 2

Quais são as dificuldades que os professores e alunos encontram no ensino da TIC´s?
Como foi dito no primeiro capítulo deste trabalho, o ensino das TIC´s no nosso país e na cidade
de Lichinga, em particular, é um dado recente, e que há muito que ser feito, principalmente no
que diz respeito ao apetrechamento das salas com equipamento completo, para a leccionação de
aulas de TIC´s.
Um outro aspecto que ainda nos preocupa é o do rácio computador-aluno que chega a ultrapassar
o número de 5 alunos. Quando estes comparecem todos para participar às aulas de TIC, como
solução, os professores fazem grupos de alunos para cada computador, e, ao longo da aula, eles
vão fazendo a troca. Cox et. al. (2003, citado em Santos , 2007, p. 59) apontam que “ A
preocupação de dar oportunidades de utilização iguais a todos, leva uma utilização pouco efectiva
por cada um deles.
Apuramos nesta pesquisa que as duas escolas não tinham computadores ligados à Internet, apesar
de na escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba existir o equipamento, este encontra-se
danificado. Este facto, contribui para pouca efectividade das TIC´s como instrumento de
transmissão, aquisição e partilha de conhecimentos entre os alunos, professores e outros. Nestas
81
condições não é possível fazer pesquisa para a resolução dos problemas que os alunos encontram
na aprendizagem.
Há uma necessidade das escolas assumirem o seu papel, onde a aprendizagem deve ser construída
pelos alunos e não perpetuar a escola como um espaço onde o professor transmite saberes. Por
outro lado,
“ Os professores sempre presumiram que, quando dizem algo aos alunos, eles devem
entendê-los da mesma forma como o professor entende. No entanto, aos alunos não
podem aprender apenas ouvindo os professores, uma vez que não possuem um conjunto
de experiências e interpretações comuns. Os alunos têm de pensar sobre o que o professor
lhes diz e interpretá-lo de acordo com as suas próprias experiencias, convicções e
conhecimentos ( Jonassen, 2007, p.24).
Questão 3

Qual é o grau de importância atribuído às TIC´s na escola?
No nosso entender, apesar dos professores e alunos de ambas as escolas reconhecerem a
importância das TIC´s no processo de ensino-aprendizagem, o estudo constatou que esta
disciplina não é dada a importância desejada, primeiro porque os próprios professores afirmaram
pouco usam as TIC´s no seu quotidiano. Isto é visto por Freire (1970), como o dificultar pensar
autêntico, Nas aulas verbalistas, nos métodos de avaliação dos “conhecimentos”, na distância
entre o professor e os alunos, a proibição do pensar verdadeiro.
Por outro lado, os alunos só têm tido acesso ao computador uma vez por semana, uma vez que as
salas só ficam abertas para aulas de TIC, esta pode ser uma das razões que faz com que os alunos
considerarem as TIC´s como uma disciplina que vem apenas acrescentar as disciplinas no
currículo.
Se os alunos têm acesso ao computador apenas quando têm aulas de TIC´s, e sem outra forma de
acedê-lo, não será possível operar as diferentes tecnologias, gerir e partilhar informação e
conhecimentos de forma adequada, reconhecer as suas lacunas e procurar superá-las com recurso
àsTIC´s. “ As tecnologias emergentes estão a levar ao desenvolvimento de muitas oportunidades
82
para orientar e melhorar a aprendizagem e que eram inimagináveis há alguns anos” Balanskat et
al. (citado em Santos, 2007, p. 64).
Questão 4
 Qual é a importância do ensino das TIC`s para a construção de conhecimentos?
No âmbito deste estudo, verificamos que ainda é incipiente o conhecimento dos professores e
alunos em relação ao poderio das TIC´s no contexto educativo, no que se refere à construção dos
conhecimentos pelo aluno. Os alunos pensam que as TIC´s ajudam apenas no processo de
ensino-aprendizagem, principalmente na pesquisa de trabalhos didácticos, eles não sabem que são
capazes de construir conhecimento, o que nos faz entender que eles ainda estão apoiados na ideia
de que o conhecimento é transmitido pelo professor.
O propósito das TIC´s no contexto educativo não é apenas fazer trabalhos quando o professor
pede, no entender de Bransford et al. ( 1999, citado em Santos , 2007, p. 65), a importância da
integração das tecnologias na Escola reside na possibilidade de exploração de problemas reais de
aprendizagem: “ An importante use of technology is its capacity to create new opportunities for
curriculum and instruction by bringin grealword problems into the classroom for students to
explore and solve”.
O potencial das TIC´s não reside apenas em digitação de trabalhos e enriquecer as aulas como é o
entendimento dos professores, Jonassen (2007,), refere que as TIC´s servem de apoio nas formas
de pensamento, e de raciocínio na Zona de Desenvolvimento Proximal, zona entre as capacidades
existentes e as capacidades potenciais dos alunos. Isso significa que com as TIC´s em poder dos
alunos, eles serão capazes de reorganizar o seu raciocínio através daquilo que eles já sabem.
83
Recomendações
A Educação do Século XXI considera as TIC´s como um espaço que oferece grandes vantagens e
desafios para a actividade cognitiva dos alunos em todos os níveis de ensino. No entanto, a
integração dessas ferramentas cognitivas na escola, relaciona-se como a forma elas são usadas.
Para que as TIC´s desempenhem o papel proposto no currículo, é necessário que as escolas criem
condições em termos de equipamento e infra-estruturas adequadas para a leccionação das aulas
de TIC´s e para que elas assumam o papel de facilitadoras na resolução problemas de
aprendizagem dos aluno.
Por outro lado, urge a necessidade de se repensar em que moldes esta disciplina deve ser
ministrada na escola, principalmente quando se trata de turmas numerosas, de modo que os
alunos tenham a mesma oportunidade de aprender.
Tornar a escola num espaço de interacção e partilha de conhecimentos, numa comunicação com
recurso às TIC´s, onde elas são fontes de informação e de transformação dessa mesma
informação é necessário que os computadores estejam ligados à internet. Para a minimização de
custos de internet recomendamos que as escolas explorem as parcerias público-privado, como
uma alternativa que poderá resolver parte do problema.
Para criar o hábito no aluno, de usar as TIC´s para a construção de conhecimentos, é
imprescindível a mudança de atitudes por parte do professor em relação à sua visão sobre o
ensino, usando os mecanismos disponíveis com vista a tornar o ensino relevante e, desempenhar
o seu papel no processo de ensino-aprendizagem, onde o aluno é colocado no centro de
aprendizagem.
84
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Recuperado à 3 de Maio, 2014, de https://ria.ua.pt/bitstream/10773/4766/1/2007001184.pdf.
Scoz, B. (2007). Psicopedagogia e Realidade Escolar: O problema escolar e de aprendizagem.
(14ª ed.). Rio de Janeiro: Editora Vozes.
Silva, K.F. & Neto, S. A. S. (2008). O processo de Ensino e Aprendizagem apoiado Pelas TIC`s:
Representando
Práticas
Educacionais.
Recuperado
à
17
de
Março,
2014,
de
http://Ketiuce.com.br//TDAE/Artigo_TDAE_Ketiuce2.pdf.
Sousa, S. (2005). Tecnologias de Informação. Lisboa: FEA- Editora Informática.
Sousa, J.M. & Fino, C.N. (2011). As Tic Abrindo Caminho a um Novo Paradigma Educacional.
Revista Educação e Cultura Contemporânea, 5, 11-26. Recuperado à 2 de Abril, 2014.
dehttp://tie1112uma.blogspot.com/2011/10/as-tic-abrindo-caminho-um-novo_31.html .
Tavares, R. (2004). Aprendizagem Significativa. Conceito, 55, 55-60. Recuperado à 16 de
Fevereiro, 2014, de http//objectoseducacionais2.mec.gov.br.bitstrea.
Vasconcelos, C. , Praia, J. F. & Almeida, L. S. (2003). Teorias de Aprendizagem e o Ensino /
aprendizagem das Ciências. Da Instrução à Aprendizagem, 1, 11-19.
Vigotsky, L. (1988). El desarrollo de los procesos psicológicos superiores. México: Editorial
Crítica, Grupo editorial Grijalbo.
89
Vilelas, J. (2009). Investigação: O Processo de Construção de Conhecimento. Lisboa: Edições
Sílabo ,Lda.
90
Apêndices
Apêndice 1- Questionário para alunos
Caro aluno, o presente questionário tem por objectivo recolher informações sobre o papel das
Tecnologias de Informação no Ensino Secundário. Pedimos que responda com clareza e precisão
as questões que lhe são colocadas, visto que não existe resposta correcta e nem errada.
Nome da Escola________________________________________________________________
Classe__________
Assinale com X a opção escolhida.
1. Qual o seu intervalo de idade?
15 à 20
20 à 25
25 à 30
30 à mais
2. Género
Masculino
Feminino
3. Qual é o seu maior sonho?
__________________________________________________________________________
______________________________________________________________________
4. Quais são as disciplinas que você mais gosta na sua classe?
Portugues
Ingles
Introdução
Filosofia
TIC´s
Educação Física
Geografia
História
Biologia
Desenho e geo. Descritiva
Química
Educação Visual
Frances
Liguas
Moçambicanas
Física
Artes Cénicas
à
Geografia
5. Têm tido aulas de TIC´s na escola?
Sim..
Não…
Quantas vezes por semana? ___________ Quanto tempo dura cada aula?____________
91
6. Onde é que decorrem as aulas de TIC?
Sala de informática.
Sala de aulas normais
Outro Lugar
Se
for
outro
indique________________________________________________________
lugar
7. Tem tido acesso ao computador em todas as aulas de TIC?
Sim …… Não…..
Caso
não
diga
porquê____________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
8. Acha que é possível envolver as TIC´s (o computador) para poderes aprender nas diversas
áreas da sua classe?
Sim
Não
9. Quais são as disciplinas que acham que poderia usar mais o computador para poder ser
ensinado os conteúdos da sua classe? (Caso diga sim na questão 8).
Português
Matemática
Física
Todas as disciplinas da minha classe
10. Acha que a internet tem um papel importante para o processo de ensino e aprendizagem dos
conteúdos da sua classe?
Sim.
Porque
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
____________________________________________________________________
Não.
11. Que contributo tem as Tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino e
aprendizagem?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
____________________________________________________________________
FIM!
Obrigado pela Colaboração!
92
Apêndice II- Questionário para Professores da Disciplina
Caro Professor, o presente questionário tem por objectivo recolher informações sobre o papel das
Tecnologias de Informação no Ensino Secundário. Pedimos que responda com clareza e precisão as
questões que lhe são colocadas, visto que não existe resposta correcta e nem errada.
Nome da Escola________________________________________________________________
Assinale com X a opção escolhida.
1. Qual o seu intervalo de idade?
20 à 30
40 à 50
30 à 40
50 à mais
2. Género
Masculino
Feminino
3. Nível académico
Médio
com
psicopedagógica
Docente N2
Docente N1
Mestrado
Outro
formação
93
4. Área de formação (neste ponto queremos nos referir a área de actuação na sala de aula,
disciplinas que lecciona o docente).
_________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
5. Há quanto tempo trabalha como professor?
_________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
6. Na sua área de formação poderia descrever-nos qual dos conteúdos gostas mais de
leccionar, e porque?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________
7. Onde é que decorrem as aulas de TIC?
Sala de Informática
Sala de Aulas normais
Outro Lugar
Se for outro lugar indique________________________________________________
_____________________________________________________________________
8. O sala de informática está esquipada com todo o material necessário para as aulas de TIC´s
? Sim…
Não….
9. Periodicidade das aulas de TIC`s
Duração da aula_____ Horas
Quantas vezes por Semana______
10. Como é feita a gestão da sala de Informática?
a. Fica aberta apenas quando há aulas de TIC
b. A sala fica aberta também para outro tipo de actividades
11. Durante as aulas de TIC, todos os alunos têm acesso ao computador?
Sim
Não
Porquê_______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
94
12. Aos nossos dias, tem se discutidos a respeitos das TIC´s no processo de ensinoaprendizagem. O que acha dessa área?
Uma nova área que vem melhorar o processo de aprendizagem;
Uma área com imensas potencialidades para o ensino;
Um instrumento didáctico
Uma área de diversão e motivação para introduzir as nossas aulas.
Outros:
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
13. Acha que é possível envolver as TIC´s (o computador) para aprendizagem nas diversas
áreas de conhecimento?
Sim
Não
14. Quais são as disciplinas que acham que poderiam usar mais o computador para poder ser
ensinado os conteúdos? (Caso diga sim na questão 13).
Português
Matemática
Física
Todas as disciplinas do 2º Ciclo
15. Acha que a internet tem um papel importante para o processo de ensino e aprendizagem dos
conteúdos das diferentes disciplinas?
Não .
Sim.
Porque ?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
_________________________________________________________________
16. Que contributo tem as Tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino
eaprendizagem;_____________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
95
17. Os seus alunos têm explorado as TIC´s para a resolução de problemas e construção de
conhecimento?
Sim
Não
As vezes, quando necessário
18. Como é que os alunos consideram a disciplina de TIC´s
a) Muito relevante b) relevante
c) Pouco relevante
e) Não tem opinião
FIM!
Obrigado pela Colaboração
d)
irrelevante
96
Apêndice III
Questionário para Professores
Caro Professor, o presente questionário tem por objectivo recolher informações sobre o papel das
Tecnologias de Informação no Ensino Secundário. Pedimos que responda com clareza e precisão as
questões que lhe são colocadas, visto que não existe resposta correcta e nem errada.
Nome da Escola________________________________________________________________
Assinale com X a opção escolhida.
1. Qual o seu intervalo de idade?
20 à 30
40 à 50
30 à 40
50 à mais
2. Género
Masculino
Feminino
3. Nível académico
Médio com formação psicopedagógica
Docente N2
Docente N1
Mestrado
Outro
4. Área de formação (neste ponto queremos nos referir a área de actuação na sala de aula,
disciplinas que lecciona o docente).
_________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
97
5. Há quanto tempo trabalha como professor?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
6. Na sua área de formação poderia descrever-nos qual dos conteúdos gostas mais de
leccionar, e porque?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
7. Aos nossos dias, tem se discutidos a respeitos das TIC´s no processo de ensinoaprendizagem. O que acha dessa área?
Uma nova área que vem melhorar o processo de aprendizagem;
Uma área com imensas potencialidades para o ensino;
Um instrumento didáctico
Uma área de diversão e motivação para introduzir as nossas aulas.
Outros:
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
8. Acha que é possível envolver as TIC´s (o computador) para aprendizagem nas diversas
áreas de conhecimento?
Sim
Não
9. Quais são as disciplinas que acham que poderiam usar mais o computador para poder ser
ensinado os conteúdos? (Caso diga sim na questão 8).
Português
Matemática
Física
Todas as disciplinas do 2º Ciclo
10. Acha que a internet tem um papel importante para o processo de ensino e aprendizagem
dos conteúdos das diferentes disciplinas?
Não .
Sim.
Porque ?
98
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
11. Que contributo tem as Tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino
e aprendizagem;
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
12. Os seus alunos têm explorado as TIC´s para a resolução de problemas e construção de
conhecimento?
Sim
Não
As vezes, quando necessário
FIM!
Obrigado pela Colaboração
99
Apêndice IV- Sala de informática da Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba.
1
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o papel das tic´s no ensino secundário - UCM