Móveis da Colecção Francisco de Bettencourt
Jácome de Bruges Bettencourt
Bettencourt, J. B. (2010), Móveis da Colecção Francisco Bettencourt. Boletim
do Núcleo Cultural da Horta, 19: 387-441.
Sumário: Neste trabalho tratamos da colecção privada de móveis que pertenceu a Francisco
de Bettencourt, um faialense que exerceu a sua acção como coleccionador nos meados do
século XX. Esta colecção sendo bastante eclética, tem uma marca inconfundível para a
história do mobiliário açoriano. Trata-se, pois, da maior colecção do género que existiu na ilha
do Faial até aos nossos dias. Reforça-se o esboço biográfico do coleccionador, bem como as
suas relações com outras personalidades com interesses comuns, não apenas a nível regional,
como nacional. Apresenta-se, nesta primeira parte, um inventário e historial dos móveis mais
significativos.
Bettencourt, J. B. (2010), Francisco Bettencourt’s furniture collection. Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 19: 387-441.
Summary: In this article we describe the private collection of furniture that belonged to Francisco de Bettencourt, a citizen of Faial Island who developed his collection in the mid-twentieth
century. This collection is very eclectic, is an unmistakable mark for the history of the Azorean
furniture. It is therefore the largest collection of its kind that existed on the island of Faial
to the present day. The article underlines the biographical sketch of the collector, as well as
his relations with other persons with common interests, not only at regional level but national
as well. In this first article a description is given of the inventory of the most significant part
of the furniture.
Jácome de Bruges Bettencourt – Instituto Histórico da Ilha Terceira. Academia Portuguesa de
Ex-Libris.
Palavras-chave: Francisco Bettencourt, Faial, mobiliário, colecção, inventário.
Key-words: Francisco Bettencourt, Faial, furniture, collection, inventory.
Para além de serem apreciados móveis
que merecem preservação, as peças
de que, agora, damos conhecimento
e simultaneamente procedemos à
sua inventariação, constituíram um
importantíssimo acervo que permaneceu na ilha do Faial. Isso, ao mesmo
tempo convida a uma reflexão sobre
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
culturas, para além de poder afirmarse que testemunham legados e aprendizagens de diversa natureza.
Aliás, muito me tem incentivado
Rui de Sousa Martins, ao considerar
úteis os meus estudos nesta área
“um trabalho pioneiro no âmbito da
história do coleccionismo açoriano”
e em 2005, afirma ainda que “sobre
as coisas açorianas caiu uma pesada
névoa de silêncios e de omissões que
está a devorar a memória de um povo,
transformando-o em consumidor passivo de uma cultura de importação,
seleccionada pelo gosto instalado no
poder. Perante este panorama triste,
as suas iniciativas”, referindo-se, evidentemente, às minhas “são actos de
combate por uma cultura alternativa,
reveladora do fascinante processo
histórico e cultural do arquipélago
Francisco de Bettencourt
aos 2 anos. Horta, 1921.
Goulart Cardoso – Fotógrafo
dos Açores”, segundo carta que me
dirigiu este professor universitário.
Perante o bom acolhimento destes
trabalhos de divulgação do património móvel existente na nossa região,
neste caso sobre peças reunidas pelo
faialense Francisco Joaquim Martins
de Bettencourt (1919-2006), na sua
casa da rua Conselheiro Medeiros,
n.º 7, cidade da Horta, referiremos,
desta vez, mais alguns interessantes
móveis, a maior parte construídos nos
Açores.
Começamos esta primeira parte com
caixas, caixinhas diversas, como
de costura, de música, escrivaninha
portátil, cofres, arquetas, arcas ou
baús, arquibancos, armários-oratórios e maquinetas, mesas de costura,
mesas de abas e pernas em cancela
(“gatelegs”), mesas de abas de rebater, toucadores, estantes de missal,
uma escrivaninha, algumas cómodas soltas, provas de mestrado, uma
cadeira e pequena cómoda ambas
peniqueiras, engenho de fiar, esquentador para banho, moinho de café em
grão, etc.
Deixamos armários, louceiras, estantes, escaparates, papeleiras e escrivaninhas, mesas e bufetes, mesas pé de
galo e de jogo, cadeiras, uma cadeira
de caixa órgão pintada, cadeirões,
canapés, poltronas, chaise‑longues,
leitos, mobílias de sala de jantar, de
quarto de dormir e de lavar, estojo
de faqueiro, bengaleiros, etc., para
Jácome de Bruges Bettencourt
389
Francisco de Bettencourt e sua mulher D. Maria Clara Paím de Bruges. Angra, 1944
– Foto Cruz
a continuação deste trabalho sobre
aquela que foi a mais notável colecção faialense privada. Essa segunda
parte será publicada no próximo
boletim do Núcleo Cultural da Horta.
Tentaremos, tanto quanto possível,
para além de fixar imagens, mencionar origens, possuidores anteriores
conhecidos através dos tempos, tipos
ou espécies de madeiras de fabrico,
ferrajarias ou outros materiais e informações.
O Coleccionador
Nascido no seio de famílias do Faial,
Rocha e Bettencourt, com ligações à
Terceira pela via materna, Martins,
reforçados esses laços pelo casamento, Paim de Bruges, houve através dos tempos manifesto interesse
pela arte em geral e antiguidades, por
parte destas famílias.
Francisco de Bettencourt sofreu, acentuadamente, a influência do seu avô
materno, coronel Francisco Augusto
da Costa Martins (1858-1938), de
quem foi principal herdeiro, desper-
Coronel Francisco Augusto da Costa Martins
1858-1938
390
Boletim do Núcleo Cultural da Horta
tando, muito jovem, para o gosto de
coleccionar, o que era estimulado por
este, com quem viveu de 1919 a 1938,
acompanhando o avô, o crescimento
e educação do neto, bem assim o seu
gosto estético e cultural.
Estulano Inácio de Bettencourt 1796-188?
Honorino Bettencourt, sua mulher D. Belmira
Martins e filha Aida Bettencourt. Horta, 1908
Junto da própria família começa
cedo a recolher mobiliário, cerâmica,
faiança, armas, esculturas, registos de
Santos da devoção açoriana, gravuras,
relógios, bengalas, livros, missais,
moedas, medalhas, notafilia, cédulas
camarárias ou de misericórdias, papéis de crédito ou acções, verónicas,
selos, scrimshaws, etc.
A necessidade de aprofundar os
seus conhecimentos em matéria de
arte levou-o a formar uma pequena
biblioteca temática relacionada com
as várias colecções que ia reunindo, e
o punham a par do mercado antiquá-
rio. Francisco de Bettencourt tornou‑se, também, um profundo conhecedor
de materiais, como das variadíssimas
madeiras que distinguia e classificava
como poucos, sendo por isso, bastas
vezes, consultado por marceneiros.
Nas idas ao continente procurava
visitar o maior número possível de
museus, colecções particulares, adquirir livros e catálogos sobre arte ou
leilões que se iam realizando de tem-
Joaquim Silveira de Bettencourt 1822-1893
Jácome de Bruges Bettencourt
391
Da esquerda para a direita, de pé: Armando Rocha Bettencourt (1871-1951), Armando Pamplona
Bettencourt (1900-1977), D. Francisca Rocha Bettencourt (1876-1955), Honorino Rocha Bettencourt
(1873-1952) e D. Belmira da Costa Martins Bettencourt (1884-1939). Sentados: D. Maria Teresa Goulart Pamplona Moniz Corte-Real Bettencourt (1872-1955), D. Amélia Augusta Rocha de Bettencourt
(1836-1927), D. Aida Martins Bettencourt (1908-1985) e Joaquim Rocha Bettencourt (1868-1930).
Foto de 1913. Horta (Goulart Cardoso Fotógrafo).
pos a tempos. Com essas publicações
e visitas, foi somando conhecimentos
e com as imagens aí reproduzidas ia
comparando peças, ao mesmo tempo
que ficava a par do que se passava um
pouco por todo o país neste sector.
Não nos podemos esquecer da limitação ou condicionamento das comunicações nessa época.
Mas, pouco e pouco, foi recheando a
sua casa da Horta, já que se tratava
dum amplo e antigo edifício com
largos corredores e grandes salas, tornando-o possuidor de espaços que lhe
permitiram poder ser detentor duma
vasta e eclética colecção de arte,
notando-se relevante interesse por
tudo o que era fabricado na região ou
relacionado com ela.
Porém, isso não quer dizer que nas
suas múltiplas saídas dos Açores, para
além de permanências prolongadas
em Lisboa, não tivesse obtido peças
de origem continental, como em 1958,
António José Ferreira Rocha 1796-1884
392
Boletim do Núcleo Cultural da Horta
uma excepcional mobília de quarto
de cama (sem guarda-fatos), estilo
D. João V, em madeira de macacaúba,
obra do hábil e conhecido entalhador
mestre João da Silva, que teve oficina
no Bairro Alto, Lisboa, (que trataremos na segunda parte deste trabalho)
e outras peças de valer a pena registar,
como uma escrivaninha com alçado,
e uma completa mobília (em mogno)
de sala de jantar, estilo inglês, do
marceneiro Luís Matos Lima, comprada numa loja de móveis na rua de
S. José, Lisboa, em 1959, para além
de outras aquisições realizadas em
diversos lugares, até em Évora.
Como já escrevi, Francisco de Bettencourt, frequentava praticamente todos
os museus, palácios e casas museu
de Lisboa e arredores, Porto, Évora,
e outras cidades do país, o que lhe
deu conhecimentos de monta, ao
mesmo tempo que pôde admirar
grandes colecções nacionais, procurando privar e trocar opiniões com
os seus depositários como Eduardo
de Laemmert Bulcão, Ernesto de
Vilhena, António Caetano de Abreu
Freire Egas Moniz, Mário de Figueiredo Carmona, António de Medeiros
e Almeida, António Anastácio Gonçalves, António de Sommer Champalimaud, Abel de Lacerda, António da
Costa Gomes, Jorge Gambôa de Vasconcelos, José Maria da Costa e Silva
Almarjão, Duarte Dinis de Andrade
Albuquerque Bettencourt (Conde de
Albuquerque), José Honorato Gago
da Câmara de Medeiros (Visconde do
Botelho), Augusto de Ataíde Soares
de Albergaria, Manuel Dionísio, Padre
Júlio da Rosa, Francisco Ernesto de
Oliveira Martins, Vasco Maria Eugénio de Almeida (Conde de Vilalva),
José de Oliveira Soares, Família
Torres Vaz Freire, D. Maria Celeste
Cabral, Sangreman Proença, Alberto
Jordão Marques da Costa, D. NatáliaBarahona Paim, Túlio Espanca, Famílias Cary Potes Cordovil, Reynolds,
Câmara Manoel, Pinto Basto, Condes
de Ervideira, Marqueses de Fronteira, Francisco Hipólito Raposo,
José Eduardo Pisani Burnay, Rainer
Daehnhardt e outros que não me vem
agora à memória. Paralelamente visitava os Salões de Antiguidades que se
realizavam, ao tempo, anualmente, na
F.I.L., bem como as mais conhecidas
galerias de arte, como as de pintura e
fazia as “rondas” pelos antiquários de
Lisboa.
Francisco de Bettencourt morreu a 6
de Outubro de 2006, na sua Casa do
Cruzeiro na rua da Garoupinha, n.º 42,
freguesia de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo, aos
quase 87 anos, faltavam dois meses
para os atingir. O seu Amigo, Monsenhor Júlio da Rosa, rezou missas no
7.º e 30.º dia do seu falecimento por
sua intenção, convidando os familiares, cujos filhos se fizeram representar
por Herberto Bettencourt Dart, antigo
Jácome de Bruges Bettencourt
Diogo Paim de Bruges e sua mulher D. Maria Clara
de Menezes Parreira. Lisboa, 1928 – Foto Brasil
presidente do Município da Horta
(sobrinho do finado), D. Carmina
Santos Moniz Dart, mulher deste,
bancária aposentada e filha D. Sandra
Pamplona Bettencourt Dart, técnica
superior da Direcção Regional do
Turismo dos Açores e ainda a prima
D. Maria de Lourdes de Mesquita
Pamplona Bettencourt (1929-2008).
Monsenhor Júlio da Rosa enalteceu o
seu grande Amigo, que muitas vezes
com sacrifício conseguiu salvar,
comprando peças do património faia-
393
lense, evitando assim que saíssem
da Região. Havia nascido a 13 de
Dezembro de 1919 na casa de seu pai
no largo do Bispo Frei D. Alexandre,
n.º 8, freguesia da Matriz, cidade da
Horta.
Foi funcionário público (Junta Nacional dos Produtos Pecuários) durante
mais de 40 anos, na Horta, Lisboa
(sede) e em Ponta Delgada, onde veio
a reformar-se na categoria de chefe
de repartição. Era viúvo de D. Maria
Clara Parreira Paim de Bruges Bettencourt (1920-1994), com geração.
Relativamente às imagens aqui presentes, foram aproveitadas, muitas,
a partir de fotos que o coleccionador
possuía em fichas de estudo (notas),
tiradas pelo próprio, que nem sempre
são da qualidade desejada, mas optámos por elas, até em homenagem ao
seu trabalho. Quem o conheceu, sabe
que primava por uma natural simplicidade e humildade, própria dos
grandes espíritos. Só pessoas deste
calibre, deixam algo de valor para a
posteridade.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Aspectos interiores e exteriores da casa do coleccionador Francisco de Bettencourt,
na cidade do Horta, 1978.
Jácome de Bruges Bettencourt
395
Bibliografia
Bastos, Celina e Proença, José António –
Museu de Lamego. Mobiliário. Ed. I. P.
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Bettencourt, Jácome de Bruges
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A.H., 2000, 112 p. (c/ Separata).
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–— A Colecção de Esculturas Religiosas
de Francisco de Bettencourt, in Livro
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Séc. XV a XX”. N.C.H., Horta, 2007
(c/ Separata).
Faria, Fernando
–— Retalhos da Nossa História – XVIII,
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396
Boletim do Núcleo Cultural da Horta
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Proença, José António – Mobiliário da Casa‑Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa,
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Soares (Carcavelos), Eduardo de Campos
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Terceira, Porto, 1944, Liv. Fernando
Machado, 3 Vols.
Catálogos de Antiguidades e Obras de Arte,
Pintura, Pratas e Jóias de Cabral Moncada Leilões e do Palácio do Correio
Velho Leilões. Lisboa.
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pt/drac/cca/enciclopedia/index.aspx).
Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C
3%A1gina_principal).
Enciclopédia pela Imagem –· O nosso Mobiliário, Livraria Lello, L.da - Editora, Porto.
Anexo
O Inventário
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 1: Caixa em madeira de cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), denunciando a sua açorianidade,
com molduras em jacarandá negro da Bahía, de enfeites em espinha e gavetas almofadadas em idêntico
pau Brasil, com molduras, também em espinha. Tem 2 gavetas alinhadas na frente e respectivos fingimentos laterais. Frisos tremidos. Pés em bola. Aparatoso móvel de boa construção e excepcional ferrajaria
original (séc. XVII/XVIII) que se encontra impecável. Chave da época, de decoração elaborada. Dimensões: 1,42 × 77 × 63cm. Tem à sinistra, no interior, escaninho.
Móvel proveniente dos Bettencourt, do Faial, que se saiba, foi passando de pai para filho, ao longo de mais
de dois séculos, desde pelo menos o alferes de ordenanças Manuel Silveira de Bettencourt (1756-1831);
do capitão de milícias Estulano Inácio de Bettencourt (1796-188?); Joaquim Silveira de Bettencourt
(1822-1893) vereador da C.M.H. (entre 1868 e 1882), editor de “O Atlântico”, órgão do partido progressista; Honorino Rocha Bettencourt (1873-1952), funcionário público; passando ao filho Francisco de
Bettencourt, em 1952.
Esta caixa em 2006/2007, sofreu restauro de conservação (recolagens e limpeza) por mestre Idalmiro
Soares Pimentel Macedo, com oficina na Terra-Chã, Terceira, ao largo da Oliveira, Carpintaria, Marcenaria
e Restauros S. José.
Jácome de Bruges Bettencourt
399
Figura 2: Caixa, séc. XVIII/XIX, construída integralmente em cedro açoriano, com molduras de enfeites
em meia cana, que lhe emprestam maior beleza. Tem escaninho dentro, do lado esquerdo. Pés do tipo
tradicionalmente usado nestes móveis de origem terceirense. As ferragens já não são originais, o que é
pena. As actuais foram da responsabilidade do mestre ferreiro Jorge Ruben da Silva, de 79 anos, com tenda,
juntamente com o filho Raimundo Jorge da Rocha da Silva, na canada das Roças, Posto Santo, Terceira.
Dimensões: 130 × 67 × 57,3 cm. Foi restaurada em 2005 por mestre Idalmiro Pimentel Macedo.
Pertenceu ao coronel de infantaria Francisco Augusto da Costa Martins (1858-1938) presidente da Câmara
Municipal da Horta em 1926, e fora, anteriormente de seu pai, António Jacinto Martins (1816-1891) que a
herdara de antepassados da então Vila da Praia da Vitória, Terceira.
400
Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 3: Caixa parecida com a anterior, só que, em madeiras de vinhático, com molduras e pés de
sucupira. Séc. XVIII/XIX. Tem escaninho do lado esquerdo. Pés do formato usado nas caixas da Terceira.
Ferragens, em parte originais, impecavelmente restauradas, no que concerne à fechadura executada tal e
qual as antigas, pelo excelente artífice ferreiro mestre João “Merciana” Borba que em 1962 tinha oficina
na rua de S. Pedro, Angra do Heroísmo, na loja da casa onde então funcionava a Casa de Bordados de
Robert Reginald Pearce (inglês) e agora se encontra a Casa Museu e residência de Francisco Ernesto de
Oliveira Martins. Este móvel foi comprado na Terceira, em 1962, pelo coleccionador e o pequeno restauro
(limpeza de madeiras, colagens e aplicação de ceras) foi do mestre João “Pão de Rala” que trabalhou para o
Museu d’Angra e possuiu oficina nos baixos do Clube Musical Angrense junto ao Jardim Público Duque da
Terceira, propriedade e residência, actualmente do médico cirurgião José Henrique Henriques Simões
Flores. Dimensões: 124 × 67,5 × 57 cm.
Jácome de Bruges Bettencourt
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Figura 4: Caixa em jacarandá, com gaveta. Séc. XVIII. Oriunda de Santa Cruz da Graciosa. Faltam-lhe
os dois pés-suporte do tipo descanso e encaixe (género cachorros) que se terão perdido no granel da casa
da rua do Armador, n.º 7, Corpo Santo (Angra), da sogra do coleccionador e constava terem nas frentes
esculpidas (em talha) cabeças de leão. Tem escaninho à esquerda. Pertenceu ao poeta, professor do ensino
liceal de francês e inglês (efectivo no Liceu da Horta e depois no de P. Delgada), João Hermetto Coelho
d’Amarante (1820-1893) e antes fora de seu pai, o alferes de ordenanças Cândido José Coelho (1799-1863),
proprietário em Sta. Cruz, na Graciosa. Dimensões: 110,5 x 50 x 51,5 cm.
402
Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 5: Caixa, Séc. XIX (1.ª metade), em pinho resinoso ou resinado. (Em S. Jorge dão a esta madeira
a designação de “carolina”, sendo que grande quantidade era importada, principalmente destinada a
soalhos ou sobrados. Vinha, sobretudo, da Carolina do Norte, E.U.A.). Peça interessante, até pelo tamanho.
Ferragens originais. Dimensões: 162 × 85 × 67 cm. Tem escaninho à dextra. Foi adquirida numa casa sita
na estrada corrente da Vila Nova, concelho da Praia da Vitória. Custou, em 1974, novecentos escudos,
em estado impecável. Estes móveis foram frequentes nas grandes casas rurais do Ramo Grande e serviam para arrumar ou guardar roupa de cama ou de vestir. Eram feitos pelos marceneiros/carpinteiros da
ilha Terceira.
Jácome de Bruges Bettencourt
403
Figura 6: a) e b). Caixas militares ou de soldado. Séc. XIX. As mais antigas, como estas duas, um tanto
diferentes, até no tamanho, são de madeira de flandres, fabricadas na região, se calhar até nas oficinas dos
próprios quartéis. Os tropas guardavam nelas roupa civil e fardamentos, pelo que era distribuído um exemplar por militar, para uso na caserna, debaixo da respectiva cama ou beliche, ao nível do chão. Às vezes
apareciam pintadas nas cores usadas pelo exército, esverdeado-cinza, conforme as unidades ou quartéis.
Eram de fechadura ou cadeado. Mais tarde foram substituídas por caixas feitas em pinho do continente e
depois por metálicas. Houve tempo em que podiam acompanhar o militar em viagens de serviço.
A maior tem escaninho. Dimensões: a) 91 × 36 × 39 cm; b) 110 × 42 × 48 cm.
As aqui representadas pertenceram ao coronel de infantaria Francisco Augusto da Costa Martins.
404
Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 7: Caixa de porão do 1.º quartel do Séc. XX em madeira de origem africana. Com tabuleiro interior. Era usada em viagens de navio. Peça bem construída, de malhetes, etc., com fechadura e ferragens de
reforço. Foi usada pelo coronel Martins e depois pelo coleccionador, seu neto. Dimensões: 93 × 66 × 53 cm.
Figura 8: Caixa, tipo mala de porão em acácia, com pés em bola. Com tabuleiro interior. Usada em viagens
marítimas pelos mesmos da anterior. Séc. XX (1.º quartel). Dimensões: 102,5 × 50 × 53,5 cm.
Jácome de Bruges Bettencourt
405
Figura 9: Cofre-caixa em madeira do Brasil. Séc. XVIII/XIX. Serviu de licoreiro em adaptação, contendo
frascos de vidro da época, com douramentos e rolhas de vidro. Tem ferragens de reforço. Foi oferecido
ao então capitão Martins, cerca de 1898. Dimensões: 40,5 × 37,5 × 28 cm.
Figura 10: Cofre-caixa em madeira do Brasil
reforçada a cobre, Séc. XIX (início). Dimensões:
51 × 71,5 × 43,5 cm.
Pertenceu à cabine (camarote) do capitão da escuna
“Amélia” que navegou durante muitos anos sobretudo entre os Açores e Brasil, tendo como armador
António José Ferreira Rocha (depois de ter sido
vereador do Município entre 1834 e 1847, é presidente da Câmara Municipal da Horta, eleito em
1848, 1853, 1861 e 1862, e membro da Junta Geral
do Distrito da Horta em 1839, 1846, 1850 e 1854,
cônsul do Brasil e vice-cônsul do Uruguai). Este
navio teve como 1.º piloto o pai de João José da
Graça Jr., introdutor da imprensa no Faial.
406
Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 11: Caixa escrivaninha de viagem ou de campanha. Espécie de mogno. Séc. XIX (início). Eram
usadas pelos oficiais do exército, sobretudo em campanha. Tem escaninhos compartimentados e gavetinhas. Pertenceu ao coronel Francisco A. da C. Martins. Dimensões: 51 × 17 × 29 cm (fechada).

Figura 12: Várias caixas de costura (do Séc. XVII a XX), algumas com espelho e com divisórias no
interior, em várias madeiras, como cedro, pau cetim, jacarandá, sucupira, cupiá-marfim, etc.. Referência
para caixa de costura, em carvalho, apresentando gaveta com puxador torneado. Dim.: 29,5 × 13 × 22,5 cm.
Realce para uma caixa de costura de laca preta chinesa com preparos da função, em marfim, de que se
conhecem mais alguns exemplares semelhantes em museus portugueses. Dim.: 28 × 20 × 12,5 cm. Nesta
colecção encontramos uma fabricada na ilha da Madeira no início do Séc. XX, tendo na tampa o tradicional carro de ladeira (sem rodas). Esta última foi adquirida no Funchal pelo coronel Martins, em 1919.
Dim.: 24,4 × 15,3 × 7cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 13: Caixinha em osso de cachalote, para costura. Manufactura ligada à caça ao cachalote do
Séc. XIX, da época áurea da baleação. Adquirida, cerca de 1968, a D. Maria da Conceição Fraião Alves
(1938-1995), Matriz, Horta. Pertenceu a seu avô Caetano Augusto Moniz Jr. (1861-1946). Esta peça inclui
uma série de agulhas curiosas, em osso e marfim de cachalote para confecção de vários tipos de bordados.
Dim.: 20 × 12 × 14,5 cm.
Figura 14: Caixa de música. Madeira de
nogueira, com aplicações em bronze. Séc.
XIX (início). Dimensão: 21 × 17 × 19 cm.
Foi adquirida cerca dos anos quarenta,
quando a família do Visconde da Agualva
(1872-1938) pôs à venda, na sua casa da rua
Direita, Angra (onde residiu, em tempos, o
Conde de Vila Flor), muitas peças de mobiliário, cerâmicas, louças, moedas, e outras
peças de colecção, tendo F.co de Bettencourt
adquirido, entre vários móveis e objectos, a
presente caixinha de música.
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Figura 15: Arca, Séc. XVIII, em madeira de cedro dos Açores. Ferragens de origem, artisticamente trabalhadas, com duas fechaduras, abertas com a mesma chave. Pés de descanso, do tipo para baú. Dimensões:
112 × 52 × 57cm. Veio da família de José de Menezes Parreira (1847-1922) grande proprietário na Terceira,
membro da Junta Geral do Distrito de Angra, etc., que a recebeu de seu pai, o capitão de voluntários
Estulano Inácio Parreira (1808-1877), combatente na batalha de 11 de Agosto de 1829, no areal da Praia,
Terceira, defendendo o movimento liberal, proprietário e conhecido ganadeiro da época, vereador da
Câmara Municipal de Angra, etc..
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 16: Arca, Séc. XIX (início), em madeira de pinho flandres (no Faial e Pico esta madeira é
designada na linguagem dos marceneiros/carpinteiros, por pinho malemo ou “maleno” e nas Flores usou-se
a designação de “malengue”. Ferrajaria original. Pertenceu a António José Ferreira Rocha (1796-1884),
presidente da C. M. da Horta, cônsul do Brasil no Faial (carta patente de 31.01.1830), vice-cônsul do Brasil
no Pico (carta de 13.03.1837), vice-cônsul do Uruguai no Faial e Pico (carta de 18.01.1839), proprietário,
negociante por grosso e armador de navios com carreiras para o Brasil e América do Norte. Dimensões:
126 × 53 × 63 cm.
Figura 17: Arca de grandes dimensões. Séc. XIX, 1.ª metade, madeira de flandres. Ferragens reparadas,
sendo parte em cobre. Dimensões: 179,5 × 65 × 59,5 cm. Pertenceu a António José Ferreira Rocha e depois
tocou a seu filho Justino Augusto Ferreira Rocha (1840-1902), que exerceu funções de chefe da secretaria do Governo Civil do Distrito da Horta, proprietário. Foi grande amigo do Duque d’Ávila e Bolama,
segundo informação de Fernando Faria (conceituado historiador faialense), que consultou na Biblioteca
Nacional em Lisboa, o espólio deste estadista, onde há basta correspondência trocada entre ambos.
Jácome de Bruges Bettencourt
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Figura 18: Arqueta. Séc. XVIII, 2.ª metade, em madeira de casquinha. Ferrajaria e fechadura originais.
Tem escaninho à sinistra. Dimensão: 55 × 33 × 31 cm. Foi adquirida na freguesia de Castelo Branco,
Faial, em 1962.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 19: Baú. Séc. XVII/XVIII. Origem portuguesa. Peça notável de alguma raridade nos Açores, onde
são mais comuns os provenientes do Brasil. Madeira de pinho, couro, linho e metal amarelo. Caixa paralelepipédica com tampo convexo, com abas de protecção no rebordo, revestido a couro em cor castanha,
dito de “moscóvia”. Interior pintado a tinta de óleo, sem forro, que deve ter sido forrado a linho estampado.
As arestas da caixa são percorridas por uma fiada de pregaria de metal amarelo formando caixilhos.
Apresenta motivos cordiformes no tampo, sobretudo. Tem duas fechaduras. Nas ilhargas observam-se
argolas com espelhos rectangulares de extremidades alargadas e flordelizadas. Advém de António da
Fonseca Carvão da Câmara (1765-1838) 1.º Barão do Ramalho, major de ordenanças da cidade de Angra
em 1824, passando ao genro, professor João Hermetto Coelho d’Amarante, poeta e primeiro professor de
francês do Liceu da Horta e sucessivamente a José de Menezes Parreira (1847-1922) e Diogo da Câmara
Paim de Bruges (1866-1930) sogro do coleccionador F. de Bettencourt. Dimensões: 121,5 × 51 × 60 cm.
Jácome de Bruges Bettencourt
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Figura 20: Baú encoirado de cor castanha, com pêlo já um tanto raso pelas imensas viagens do coronel
Francisco Martins. Séc. XIX (início). Com ferrajaria inicial e uma só fechadura. Foi do pai deste oficial
superior do exército, António Jacinto Martins (1816-1891). Dimensões: 92 × 44 × 45 cm. Com descanso em
madeira de pinho resinoso (no Faial pinho resinado, em S. Jorge, carolina). Decorações a pregaria.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 21: Baú encoirado, possivelmente de origem brasileira, gaúcha, Séc. XIX (início). Pele colorida a
preto. Ferragens originais com duas fechaduras com chaves diferentes e bastante elaboradas nas guardas.
Tem escaninho e segredo. Forrado internamente a chita da época. Assente em descanso de madeira de
casquinha. Dimensões: 114 × 56 × 60 cm. Enfeites a pregaria com cabeça de metal amarelo. Na frente
ostenta dois crescentes com corações aplicados em pele na cor avermelhada. No tampo apresenta bonita
decoração a pregaria de metal amarelo, tendo ao centro as iniciais JALS, do seu primeiro possuidor.
Ofertado em 1976, por D. Maria Dolores de Araújo Diniz (1903-1981), em Angra do Heroísmo.
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Figura 22: Contador de caixa e “miolos” em várias madeiras, como teca, sândalo e pau-cetim. Com trempe
com pernas e travejamento torneados e de torcidos, em pau santo. Frisos tremidos. De 12 gavetas, com as
2 superiores com divisórias. Tampo em pedra mármore cinza a denotar ter sofrido modificações no início
do Séc. XX, que, lamentavelmente, desvalorizam este móvel. Foi comprado logo no princípio da década
de cinquenta do século passado pelo coleccionador Francisco de Bettencourt, no encerramento da Pensão
“Chave d’Ouro”, que funcionou na Horta, na casa da rua Walter Bensaúde, n.º 4, que foi propriedade de
Fernando da Costa (1885-1935), gerente da Fayal Cool, presidente da C.M.H e antigo governador Civil do
Distrito da Horta, entre 1927 e 1931, vice-cônsul de Espanha e da Noruega, e agora pertence à Congregação
das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, tendo aí, antes, funcionado a Intendência
de Pecuária e a Estação Agrária da Horta, isto entre 1951 e 1970). Esta peça estava na sala de jantar da
aludida pensão e nas suas gavetinhas guardavam-se os talheres. Tal equipamento hoteleiro/restauração terá
encerrado por volta de 1950. Dimensões: 91,5 × 133,5 × 43 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 23: Cofre-contador. Excelente
exemplar indo-português, Séc. XVII.
Madeiras de teca, ébano, sissó e marfim
de elefante. Cantos de cobre dourado,
arrendilhado. Tem três gavetas, com a
inferior a fingir duas, portanto aparentando possuir quatro gavetas, duas em
cima e duas em baixo (que é só uma).
Na frente tem ramagens e flores.
As decorações embutidas do tampo,
ilhargas e costas são mais ricas, apresentando ramos, animais e losangos
em marfim, por vezes colorido a verde.
Pés de bola em ébano. Adquirido cerca
de 1978 na ilha Terceira. Dimensões:
27 × 24 × 22 cm.
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Figura 24: Arquibanco. Séc. XVIII/XIX. Madeira de flandres ou pinho malemo com ferragens primitivas.
Móvel de factura faialense, possivelmente da freguesia de Castelo-Branco. Pertenceu ao tronco principal
dos Bettencourt do Faial, que inicialmente se terão radicado ali, vindos das Lajes do Pico, os mesmos
detentores das peças em 1 e 27. Esteve muitos anos no granel da rua de S. Bento, pertencente à casa da rua
de S. João, até que pelos anos cinquenta foi transferido para a casa do coleccionador. Estes móveis de que
registei, em 1970, no Faial, mais dois, um nos Cedros (este encontra-se, hoje, na colecção de Luís Mendes
Brum, Biscoitos, Terceira) e outro no Salão quase semelhantes, tinham função de arrumo de cereais ou
farinhas nos granéis ou nas atafonas. Mais tarde, sobretudo os de melhor madeira e concepção, passaram
a ter outros usos, como conter roupas ou outros objectos, passando aos corredores ou saguões de entrada
das casas nobres da cidade, servindo de banco ou assento, quantas vezes para espera dos rendeiros que
vinham “aos Santos” (princípio de Novembro de cada ano) pagar rendas ou foros aos senhorios da cidade.
Este móvel sofreu uma “amputação” pois acreditamos que tivesse nas costas decoração mais elaborada, que
se terá extraviado. Dimensões: 180 × 97 × 47 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 25: Oratório/maquineta. Séc. XIX (início). Madeira de pinho resinado. Construção originária de
marceneiro do Faial. Pertenceu a Honorino Rocha Bettencourt (1873-1952) e antes a sua mãe D. Amélia
Augusta Rocha de Bettencourt (1836-1927). Móvel simples de meias colunas decorativas aplicadas e bilros
torneados. Frontão inclinado para a frente, rematado no topo por uma cruz. Porta de vidro. Não deixa de
ostentar alguma beleza e harmonia nas suas proporções e singeleza. Dimensões 42,5 × 78 × 23 cm.
Jácome de Bruges Bettencourt
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Figura 26: Oratório tipo maquineta. Séc. XVIII/XIX. Oficina terceirense. Madeira de mogno, com
colunas de torso salomónico, duas de cada lado, na mesma madeira, mas escurecida, o que empresta notável
efeito estético ao móvel. Forrado interiormente a papel acetinado, da época. Tem três vidros, o da porta
e os laterais. Tecto de cúpula, em declive para os três lados envidraçados. Bilros torneados. Dimensões:
48 × 100 × 36 cm. Pertenceu ao coronel Francisco da Costa Martins (1858-1938) que o recebeu dos seus
antepassados da ilha Terceira, Praia da Vitória.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 27: Armário-oratório, Séc. XVII, policromado, de decoração vegetalista no interior das portas,
com exterior de pintura marmoreada em tons de azul, vermelho e ouro. Construído, totalmente, em madeira
de cedro dos Açores.
Preparado esteticamente em forma edícula para receber um Senhor crucificado, onde o fundo exibe, na
pintura de base dourada, nimbo radiante à altura devida da imagem da crucificação. Tem colunas salomónicas fingidas (pintadas). À frente abre os volantes a toda a largura e grande parte da altura para franquear
o interior. Apresenta dentro ao fundo, duas mísulas, uma de cada lado para receber esculturas de Santos.
A pintura apresenta-se cheia de vivacidade, quase festiva, envolvendo jarras floridas no interior das portas,
mas de recuada expressão, ou seja sem a excessiva guarnição religiosa de outros casos. Tem na base e a
todo o comprimento do móvel uma gaveta. No interior dos volantes (portas) na parte inferior apresenta uma
grade com balaustrada torneada, de bom efeito. Pormenor de interesse, o florão com talha.
A diversidade interpretativa do estilo lusitano em que este raro exemplar de factura açoriana se inspira,
tem os característicos tópicos fundamentais, como a arbitrária combinação de cores; preponderância de
temas vegetalistas no interior dos volantes; pinturas com grande equilíbrio dos desenhos combinados.
Ferrajaria de origem, embora nos pareçam menos próprias as dobradiças. A peça pertenceu como a de 1 e
24 aos Bettencourt do Faial. Dimensões: 153 × 73 × 37 cm. Serve de base a este Armário Oratório pintado,
esta meia cómoda, de pernas altas, em “madeira de óleo”, com forramentos em pinho flandres. Puxadores
das gavetas torneados. Finais do século XVIII. Dim. 95 × 67 × 83 cm. Este móvel, foi mandado oferecer ao
coleccionador, em 1960, por D. Maria Pinheiro dos Santos, visto esta senhora ser há muito residente nos
Estados Unidos da América. Nasceu e era proprietária em Cima da Lomba, Faial.
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Figura 28: Armário-oratório, Século XVII (meados) em dois corpos, com 2 volantes no corpo superior e
2 portas no inferior. Com estrado entre os corpos, recolhido, mas que aberto proporciona altar para celebrar
Missa. Móvel açoriano, em jacarandá da Bahía, com todos os forramentos, fundos, prateleiras e mais interiores em cedro do mato. Toda a ferrajaria de origem, isto é, da época da sua construção. No interior dupla
fiada de gavetas de frentes almofadadas e talhas de boa execução para além de duas fiadas de colunas e
arcos salomónicos em jacarandá. Volantes e portas de exterior almofadado do tipo ponta de diamante com
molduras de tremidos. Em rodapé enfeites vazados, talha aberta, assim como no florão ao cimo com “esses”
e outras decorações. Tem um escudo oval com INRI e no vértice, ou ponto mais alto, uma cruz. Os pés são
em bola. Móvel pintado em todo o interior do corpo superior, tendo nos volantes, jarras douradas com flores
sobre vermelho. Molduras com decorações vegetalistas. Fundo com sol nascente dourado, preparado para
colocação de Senhor crucificado e pinturas vegetalistas envolventes a verde e vermelho (flores). Trata-se
do mais notável móvel do género, existente nos Açores. Pertenceu, segundo a tradição, a uma religiosa da
família e vem passando de geração em geração, na linha feminina. Assim, foi de D. Rosa de Menezes da
Fonseca Coelho (1855-1922), artista pintora que dominava o óleo e a aguarela, depois coube a D. Maria
Clara de Menezes Parreira Paim de Bruges (1886-1933), D. Maria Clara Parreira Paim de Bruges Bettencourt (1920-1994), mulher de Francisco de Bettencourt e agora de sua filha, a actual detentora. Facto
curioso, o Museu Nacional de Arte Antiga (Janelas Verdes), em 1934, ter oferecido avultada quantia por este
oratório que foi energicamente rejeitada, mantendo-se sempre na Família. Dimensões: 300 × 125 × 62 cm.
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Figura 29: Mesa de costura ou costureira. Séc. XVIII, madeira de jacarandá com embutidos de pau branco.
Comprada pelo coleccionador em 1955, numa casa da freguesia de Pedro Miguel, Faial, por vinte escudos.
Servia de poleiro para a criação de galinhas num “palheiro”. Dimensões 60,5 × 48 × 51 cm.
Figura 30: Mesa de costura. Séc. XVIII em pau santo. Dimensão: 60 × 28 × 37,5 cm. Tem em cima uma
máquina de costura. Pensamos que terá sofrido rebaixamento dos pés. Foi adquirida, em 1954, na casa do
Portão de Ferro, à rua do Arco, Horta, antiga propriedade do conselheiro António Patrício da Terra Pinheiro
(1837-1912), que foi governador civil da Horta entre 1881 e 1886 e, também, antes, presidente do Município Faialense de 1874 a 1877.
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Figura 31: Mesinha, pés de lira em carvalho, Séc. XVII, usada como costureira com uma máquina de
costura antiga em cima. Pertenceu ao tenente-coronel de infantaria Frederico Augusto Lopes da Silva Jr.
(1896-1979) e veio dos seus antecessores praianos (Terceira). Fez parte do leilão realizado nos finais do
ano de 1967 (em que foi viver para Lisboa), no desmanchar do recheio da casa deste oficial do exército que
foi etnólogo e escritor de mérito, sita à rua de Jesus, n.º 49-1.º, Angra, onde residia. Saiu para arrematação
com a base de 100 escudos, originando um aceso despique entre o coleccionador Bettencourt e D. Maria
Alvarina Simões Flores, que atingiu 900 escudos, mais os impostos. Dimensões: 55 × 30 × 35 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 32: Mesinha costureira em pau-brasil, Séc. XVIII/XIX. Foi ofertada a D. Belmira da Costa Martins
Bettencourt (1884-1939), mãe do coleccionador, pela 1.ª viscondessa Borges da Silva, D. Maria da Nazaré
de Bettencourt (1868-1918) com residência na Horta na rua D. Pedro IV, n.os 23 a 27, casa contígua à antiga
Biblioteca Municipal. Dimensões: 59 × 32 × 38 cm.
Figura 33: Mesa de abas e pernas, torneadas, em cancela, “gate-leg”. Séc. XVII/XVIII. Madeira do Brasil.
Foi restaurada (limpa) pelo falecido mestre Manuel “Canaverde” à rua da Rocha, Angra, em 1972. Pertenceu a Justino Augusto Ferreira Rocha e antes a seu pai António José Ferreira Rocha (Horta). Permaneceu
muitos anos na cozinha da casa da quinta da rua de S. João, n.os 36-38. Dimensão: 127,5 × 145 × 53,5 cm.
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Figura 34: Mesa de abas e pernas, torneadas, em cancela, “gate-leg”. Séc. XVII/XVIII. Pés em jacarandá,
taça em madeira de canela, proveniente de sobrado, pois o tampo e abas encontravam-se bastante danificados por as criadas de Justino Rocha e descendência usarem este móvel para passar roupa a ferro de carvão
(pelas brasas). Foi restaurada em 1949 a mando de F. de Bettencourt pelo mestre Simas “Santa Barbaças”,
que foi residente nas Angústias, na rua Nova, Horta. É uma peça “mimosa” com talha simples, com gavetas
abauladas. Escudetes das gavetas em metal amarelo, do restauro. Dimensão 143 × 104 × 80 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 35: Mesa de abas. Séc. XVIII/XIX. Vinhático. Tampo liso em forma rectangular onde se fixam
duas abas de rebater. Não tem gavetas. Dimensões: 116 × 119 × 51 cm. Pertenceu ao cons.º António Patrício
da Terra Pinheiro, Horta, Faial.
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Figura 36: Cama/brinquedo. Séc. XVIII/XIX. Madeira de jacarandá. Dim.: 19 × 15,5 cm. Pertenceu a
D. Maria Clara Parreira Paim de Bruges Bettencourt (1920-1994) e suas antepassadas.
Figura 37: Cómoda. Prova de mestrado. Séc. XVIII. Madeira de vinhático. Estilo D. Maria. Oferta de
D. Maria de Bettencourt Laemmert Bulcão (1885-1965). Pertenceu a seu marido o coleccionador comendador Eduardo de Laemmert Bulcão (1870-1947), director da Casa Bensaúde na Horta, representante da
Lloyd’s, agente consular da Bélgica, França, Dinamarca, Grécia e Suécia. Dimensões: 26,5 × 41 × 24,5 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 38: Cómoda. Prova de mestrado. Séc. XIX. Madeira de jacarandá. Pertenceu ao professor Manuel
Dionísio (1886-1954), docente de Escola Primária na cidade da Horta, coleccionador, etnólogo, fundador
do extinto Museu Municipal da Horta. Foi comprada ao filho, então residente nos Flamengos, já falecido.
Dimensão: 43 × 38 × 25 cm.
Figura 39: Cómoda. Séc. XVIII. Estilo D. José. Madeira de jacarandá. Forramentos em casquinha. Quinas
quebradas na frente, em pilastras salientes, com embutidos e pés curvos com entalhamentos e vazamentos
decorados com enrolamentos vegetalistas e de flores. Ferragens em metal amarelo com motivos decorativos de parras e uvas nos puxadores e escudetes. Apresenta três gavetões. Tampo recortado, moldurado
por rebaixo, sendo a caixa ligeiramente ondulada na frente. Pertenceu a Justino Augusto Ferreira Rocha e
depois a seu filho, o médico Eduíno Rocha (1866-1910). Dimensão 130 × 84,5 × 71 cm.
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Figura 40: Cómoda. Séc. XVIII. Madeira do Brasil ondulada na caixa, forramentos em flandres. Ferragens
e escudetes de metal amarelo. Sofreu uma ligeira amputação dos pés, que foram cortados o que rebaixou
em cerca de 20 cm o móvel, possivelmente por esta peça ter permanecido em local húmido, o que os poderá
ter estragado. Dimensões: 113 × 71,5 × 60 cm. Pertenceu ao médico José Estevam da Silva Azevedo, que
exerceu clínica no Faial e foi inspector de saúde do distrito da Horta. Residiu na rua de Jesus desta cidade.
Terá falecido em finais dos anos cinquenta no continente.
Figura 41: Cómoda. Séc. XVIII (finais). Madeira do Brasil, com embutidos de várias madeiras na frente,
ilhargas e tampo. Marchetaria de paus santo, rosa e cetim. As ferragens não são de origem, mas puxadores
de ferro fundido, muito usados nos finais do Séc. XIX. Esta cómoda foi adquirida numa casa em Santo
Amaro, arrabalde da Horta. Dimensões: 119 × 85 × 59 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 42: Cómoda do Séc. XIX (2.ª metade). Mogno. Forramentos de flandres. Factura terceirense. Tem
na frente (pilastras) aplicações de talha, tipo carrancas da mesma madeira escurecida. Com três gavetas e
uma quarta gaveta falsa. Tampo em pedra mármore. Puxadores da época. Escudetes de madeira. Pertenceu
ao coronel Francisco da Costa Martins. Dimensões: 136 × 94,5 × 68,5 cm.
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Figura 43: Cómoda em sucupira com alçado em mogno e acácia. Séc. XVIII. Puxadores em sucupira
torneados com decoração em marfim de cachalote. Adquirida em 1978 a D. Maria Dolores de Araújo Diniz
(1903-1981). Dimensões: 187 × 119 × 67,5 cm.
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Figura 44: Estante de Missal. Séc. XVIII. Madeira de mogno com embutidos e entalhamentos. Tem os
pés serrados na base. Mutilação feita de propósito para rebaixar a estante, por isso um acto ignorante que
desvaloriza a peça. Usada na Ermida de Nossa Senhora da Penha de França da Fajã da Praia do Norte.
Pertenceu ao médico Eduíno Rocha (1866-1910) e Família. Dim.: 31 × 29,5 × 23 cm.
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Figura 45: Estante de Missal. Séc. XVIII. Madeira de vinhático com entalhamentos. Do oratório da Casa
da Quinta da Estrella (S. Pedro, Angra) do Visconde de Bruges, Teotónio d’Ornellas Bruges (1807-1870)
Dim.: 33 × 32 × 31 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 46: Toucador. Séc. XVIII/XIX. Mogno. Com 2 gavetas com puxadores e pés torneados. Moldura
do espelho com folheado de mogno com cantos em jacarandá. Pertenceu ao coronel F.co da Costa Martins.
Dimensões: 47 × 49,5 × 24 cm.
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Figura 47: Toucador. Séc. XVIII/XIX, em vinhático com uma só gaveta de puxadores e pés torneados.
Dimensões: 48 × 60 × 28 cm. Adquirido na liquidadora do Lemos na alameda Barão de Roches, Horta.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 48: Papeleira/escrivaninha. Final do Séc. XVIII. Sucupira, com forramentos em madeira de castanho (castanheiro). Com embutidos de faia simples e escudetes do mesmo pau. Puxadores de sucupira
torneados, com espécie de botão decorativo ao centro, em marfim de cachalote. Pés torneados. No interior
escaninhos e gavetas com segredo e alçapão de tampa de correr, com fundo. Quando em 1964, altura
em que foi adquirida pelo coleccionador F.co de Bettencourt e restaurada, foi encontrado um maço de
correspondência amorosa (no segredo) entre uma senhora de Angra e um clérigo, então detentor deste
móvel, procedendo-se logo à queima destas cartas. Possui 3 fiadas de gavetas, sendo que na primeira
existem 2 mais pequenas. Dimensões: 94 x 103 x 52 cm. Foi restaurada na carpintaria/marcenaria de Helder
Valdemar Correia de Melo (1924-2003), que funcionou também como uma espécie de loja de venda de
antiguidades/2.ª mão, nos baixos da casa de D. Violante do Canto, na rua da Sé (hoje sede do Sport Clube
Lusitânia). Havia nesta altura em Angra mais algumas casas que se dedicavam à venda de móveis usados
como a do “Grãozinho de Milho” ao Pisão, a do João Guilherme, à Moagem do Pisão (junto à Memória),
a do Inácio, ao Alto das Covas, a do “Fanfarra”, ao Lameirinho, sem contar, evidentemente, com o Narciso
da Costa, à rua do Faleiro (Corpo Santo) e o Manuel “Transacção.” à rua do Galo, com o seu Bric-à‑Brac,
estes dois últimos mais refinados. Na Horta, existiam as liquidadoras da rua de S. João, nos baixos da
antiga casa de D. Carolina Augusta Serpa Ferreira Deusdado Espírito Santo (1899-1973) (esta senhora
possuiu bons móveis) e a da alameda Barão de Roches, antigamente do Josezinho Alves, depois do Lemos
(contínuo do Liceu).
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Figura 49: Roda de fiar ou engenho de fiar/caneleiro (em S. Jorge). Madeira de loureiro (cerne),
sanguinho, incenso e faia. Séc. XIX. Provindo daquela ilha, foi adquirida esta peça em 1967 a Narciso da
Costa, rua do Faleiro, Angra do Heroísmo. Custou 300 escudos. Dimensões: 103 × 110 × 29 cm.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 50: Esquentador de origem inglesa, em ferro fundido, com fogão a petróleo de quatro bocas e
caldeira de cobre, comprado em 1927 por Honorino Rocha Bettencourt para a casa de banho da sua residência no Largo do Bispo, n.º 8-1.º, Matriz, Horta. Tem a marca Ewart’s Victor-Geyser, Regd. Patd. – Ewart
& Son, L.d London. Dim.: Alt. 124 cm.
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Figura 51: Moinho francês para café em grão, séc. XIX (finais). Peugeot. Fréres Brevetes S.C.D.G..
Foi de Joaquim Silveira de Bettencourt (1822-1893) vereador da C.M.H. durante muitos anos e director/
editor de “O Atlântico”, etc.. Dim.: mesa: 52 × 52 × 20 cm., moinho: 29 cm de altura.
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Boletim do Núcleo Cultural da Horta
Figura 52: Cómoda peniqueira ou “silheta”.
Esta última designação usava-se antigamente
para este tipo de móveis com função especialmente para doentes e idosos retidos no quarto,
aparecendo em alguns dicionários de outros
tempos. Silha, corresponde ainda, no espanhol,
a cadeira. Esta peça, em mogno, do início do
Séc. XIX, provavelmente, é interessante por
não ser comum. Geralmente, o penico, bacio
ou “capitão” era usado nas cadeiras designadas
peniqueiras, adaptadas de cadeiras de braços
que escondiam o bacio (na caixa inferior),
tendo uma porta lateral. Esta pequena cómoda,
tem uma gaveta, a inferior e as outras duas são
falsas por se situarem no espaço que encerra o
penico. O tampo é móvel para esconder o dito
preciso. Pertenceu à colecção do comendador
Eduardo Laemmert Bulcão (1870-1947) e foi
oferecida pela viúva deste, D. M.ª de Bettencourt Bulcão a seu primo Francisco de Bettencourt, cerca de 1948. Dim.: 49 × 39 × 37 cm.
Jácome de Bruges Bettencourt
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Figura 53: Cadeira de braços de canto peniqueira ou “silheta”, em mogno. Início do Séc. XIX. Pertenceu
a António José Ferreira Rocha (1796- 1884) e foi usada pelos seus descendentes, como Honorino Rocha
Bettencourt (1873-1952) e D. Aida Martins Bettencourt Dart (1908-1985). Conhecemos, na família, outra
cadeira peniqueira de braços que serviu a Armando Rocha Bettencourt (1871-1951) e mulher D. Maria
Tereza Goulart Pamplona Moniz Corte-Real Bettencourt (1872-1955), a última com falta da respectiva
porta e coxim. Encontram-se estes móveis em poder dos herdeiros de D. Aida Bettencourt, irmã do
coleccionador, isto é, de seus filhos D. Maria de Fátima e Herberto Bettencourt Dart. Dimensões:
75 × 53 × 53 cm (o bacio fica à altura de 41 cm).
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Móveis da colecção Francisco de Bettencourt