Ajude sempre
Agenda Cristã – Francisco C. Xavier/André Luiz – Cap. 12
Diante da noite, não acuse as trevas.
Aprenda a fazer lume.
Em vão condenará você o pântano.
Ajude-o a purificar-se.
No caminho pedregoso, não atire calhaus nos outros.
Transforme os calhaus em obras úteis.
Não amaldiçoe o vozerio alheio.
Ensine alguma lição proveitosa, com o silêncio.
Não adote a incerteza, perante as situações difíceis.
Enfrente-as com a consciência limpa.
Debalde censurará você o espinheiro.
Remova-o com bondade.
Não critique o terreno sáfaro.
Ao invés disso, dê-lhe adubo.
Não pronuncie más palavras contra o decerto.
Auxilie a cavar um poço sob a areia escaldante.
Não é vantagem desaprovar onde todos desaprovaram.
Ampare o seu irmão com a boa palavra.
É sempre fácil observar o mal e identificá-lo.
Entretanto, o que Cristo espera de nós outros é a descoberta
e o cultivo do bem para que o Divino Amor seja glorificado.
EDITORIAL
150 anos
Em 18 de abril de 1857 surgiu em Paris, França,
O Livro dos Espíritos em sua primeira edição, e com
ele surgiu a Doutrina Espírita, abrindo uma nova era
para a regeneração da humanidade.
No ano seguinte, em 1858, já no dia 1º de janeiro, Kardec iniciava o trabalho de divulgação da
Doutrina Espírita, lançando a Revista Espírita (Revue
Spirite), periódico mensal de difusão doutrinária.
No mesmo ano de 1858, no dia 1º de abril,
­Kardec inaugurava a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que lhe serviu também de apoio para
a elaboração da codificação da Doutrina Espírita.
Neste ano de 2008 estamos, portanto, comemorando 150 anos de constante trabalho relacionado
com o estudo, a difusão e a prática do Espiritismo,
trabalho este fundamental para a construção de
um Mundo Novo que será regido pelos ensinos do
Evangelho de Jesus.
A Revista Espírita, fundada por Allan Kardec, continuou a ser editada mesmo depois da desencarnação do Codificador, em março de 1869. Passou por
uma série de dificuldades atendendo, sempre, ao
propósito de difusão dos ensinos espíritas.
Na segunda metade do século XX, depois de um
período de grandes dificuldades, os companheiros
espíritas da França conseguiram resgatar a Revista
para o Movimento Espírita, por meio do trabalho da
União Espírita Francesa e Francofônica.
Alguns anos após a fundação do Conselho
Espírita Internacional, em 1992, a União Espírita
Francesa e Francofônica, entidade que fundou e
integra o Conselho, buscou o apoio do CEI para
levar adiante a nobre tarefa de manter constante a
edição da Revue Spirite, fundada por Kardec.
Com essa feliz união das duas instituições, a
Revue Spirite, em edição francesa, continuou a
ser editada e propiciou, ao Conselho Espírita Internacional, a oportunidade de editar essa Revista
também em outros idiomas, tais como o espanhol,
o inglês, o esperanto e o russo, esta última editada
virtualmente.
No momento em que estamos comemorando
os 150 anos do surgimento da Revista Espírita, o
Conselho Espírita Internacional lança, também,
esta Revista em língua portuguesa como uma
forma de homenagear o Codificador, continuando
a colocar a sua revista a serviço da difusão da
Doutrina, tal como nasceu, ao alcance de todos
os povos e em todas as línguas.
“O campo é o Mundo”, afirma Jesus (Mat.
13:38) e é nesse Mundo, em todas as suas partes, que a boa semente do Consolador Prometido
continuará a ser espalhada pela Revista Espírita,
ajudando a construir um mundo melhor.
revista
espírita
3
Edição em língua portuguesa comemorativa dos
150 anos da Revista Espírita
DIRETOR-Geral de publicações
Nestor João Masotti, Secretário Geral do CEI
DIRETOR-GERAL De EDIções
Roger Perez
DIRETOR-geral ADMINISTRATIVO
Antonio Cesar Perri de Carvalho
EDITOR Da EDIção em português
Evandro Noleto Bezerra
COLABORADORES
Divaldo Pereira Franco
Luis Hu Rivas
Fernando Quaglia
Victor Hugo Silva Santos
design GRÁFICO e direção de arte
Luciano Carneiro Holanda
endereço
Conselho Espírita Internacional
Secretaria-Geral
SGAN - Q.603 - Conj. F
70830-030 - Brasília - Brasil
[email protected]
comissão executiva do cei
Nestor Masotti - Secretário-Geral (Brasil)
Charles Kempf - 1º Secretário (França)
Elsa Rossi - 2º Secretário (Reino Unido)
Antonio Cesar Perri de Carvalho - 1º Tesoureiro (Brasil)
Vanderlei Marques - 2º Tesoureiro (Estados Unidos)
Edwin Bravo (Guatemala)
Fábio Villarraga (Colombia)
Jean Paul Evrard (Bélgica)
Olof Bergman (Suécia)
Ricardo Lequerica (Colombia)
Salvador Martin (Espanha)
Vitor Mora Feria (Portugual)
Revista Espírita Nº 1
Outubro - Dezembro de 2008
SUMÁRIO
Fundada em 1º de janeiro de 1858 por Allan Kardec
Órgão Oficial do Conselho Espírita Internacional e
da União Espírita Francesa e Francofônica
24
06
ENTREVISTA
A Revista Espírita e a Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas
na visão de Divaldo Franco
REVISTA ESPÍRITA
26 EDICEI
150 anos esclarecendo
e orientando!
O desafio de editar livros espíritas
para o mundo
28 HISTÓRIA
Da primeira Sociedade Espírita
aos nossos dias
30 TVCEI
O Espiritismo na era digital
09
ESPECIAL - 150 ANOS
DA REVISTA ESPÍRITA
Introdução à Revista Espírita
Carta de Benjamin Franklin à Sra. Jone
Mecone sobre a Preexistência
32 NOTÍCIAS
Discurso de Victor Hugo
junto ao Túmulo de uma Jovem
Exame das Comunicações Mediúnicas
que nos são Enviadas
A Biblioteca de Nova York
O Espiritismo é uma religião?
> comentários e sugestoes:
36 MEMBROS DO CEI
[email protected] Revista Espírita
150
anos
esclarecendo e orientando!
> Evandro Noleto Bezerra
O
êxito suscitado pela divulgação das idéias espíritas, por
ocasião do lançamento de O Livro dos Espíritos, em
1857, provocou uma avalanche de cartas dirigidas a
Kardec, a maioria interrogando o Codificador sobre este ou aquele
ponto de doutrina, embora algumas lhe relatassem os insólitos
fenômenos espíritas que despontavam em toda parte, exigindo a sua
explicação. E, como se não bastasse, o fluxo crescente de visitantes
que acorriam à sua casa, inclusive da nobreza local e estrangeira,
ansiando por esclarecimentos mais substanciais.
6
revista
espírita
Naquela época, a Europa só dispunha de um único jornal dedicado à divulgação do Espiritismo, e mesmo assim em Genebra, longe da efervescência
de Paris e praticamente fora do alcance dos leitores da cidade-luz, contrariamente ao que ocorria nos Estados Unidos, favorecidos com dezessete jornais
consagrados ao espiritualismo.
Foi quando Allan Kardec se deu conta da imperiosa necessidade de criar
uma folha que periodicamente pusesse os estudiosos dos fenômenos espíritas
a par do que se passava no mundo e os instruísse de modo ordenado sobre
as mais variadas questões doutrinárias, embora lhe faltasse o tempo necessário para semelhante empreendimento, considerando-se os seus múltiplos
afazeres.
A tarefa não era fácil e implicava gastos de certa gravidade. Mesmo não
encontrando quem lhe patrocinasse a obra, Kardec apressou-se a redigir o
primeiro número, fazendo-o circular a 1º de janeiro de 1858, por sua própria conta e risco, sem dispor de assinantes e sem contar com fornecedores
de fundos. O êxito da Revista foi tão grande que, a partir daquela data, os
números se sucederam mensalmente, sem interrupção, tornando-se o jornal
poderoso auxiliar de seus trabalhos posteriores.
Do ponto de vista da apresentação, a Revista Espírita manteve as características das publicações científicas. Impressa em papel-jornal, contava com
32 páginas de 23,5 x 15 cm; sua apresentação era rústica, com capas de
papel. No final de cada ano os fascículos correspondentes eram reunidos,
formando uma coleção de exemplares encadernados, com capa especial e
índice alfabético. É da responsabilidade direta de Allan Kardec a publicação
www.sxc.hu / Ramona D’souza
dos fascículos que circularam entre 1º de janeiro de
1858 e 1o de abril de 1869, o que não significa que
a tenha redigido sozinho, visto ter contado com a
colaboração de centenas de participantes, encarnados
e desencarnados, dentre os quais cientistas, literatos,
filósofos, religiosos e homens do povo, cada qual
colaborando com o Mestre na sua respectiva esfera
de ação.
Quando lançou a Revista Espírita, em 1858, Allan
Kardec ainda tinha pela frente a publicação de quase
todas as suas obras, básicas e complementares. Era
todo um campo a pesquisar, idéias a desenvolver e a
amadurecer, conceitos a serem validados pelo critério
infalível da concordância e da universalidade do ensino
dos Espíritos, antes de serem incorporados ao patrimônio da Doutrina Espírita. Havia, pois, necessidade de
um tubo de ensaio, de um laboratório experimental,
onde tudo isto pudesse ser testado com segurança, sem
açodamento. Ora, a Revista Espírita foi esse laboratório
inestimável, espécie de tribuna livre, utilizada por Allan
Kardec para sondar a reação dos homens e a impressão
dos Espíritos acerca de determinados assuntos, ainda
hipotéticos ou mal compreendidos, enquanto lhes
aguardava a confirmação.
Como a Revista Espírita é uma obra subsidiária,
complementar da Doutrina Espírita, deve ser lida com
espírito crítico, especialmente no que diz respeito a
certas teorias científicas e a algumas opiniões isoladas,
de caráter filosófico. Sua moral, contudo, por ser baseada na do Cristo, é inatacável e não suscita dupla
interpretação, de modo que todos a compreendem,
seja qual for a classe social a que pertençam.
O estilo da Revista Espírita é leve e agradável,
vazado em linguagem simples e acessível aos não
iniciados, apresentando as matérias de forma clara e
objetiva. É aquele mesmo estilo que tanto apreciamos
nas obras básicas da Codificação Espírita, capaz de
agradar desde a gente simples que trabalhava nas
oficinas suburbanas, até os intelectuais mais exigentes
da aristocracia parisiense.
Embora não dispondo de um padrão editorial
claramente definido, suas seções eram muito variadas
e por vezes sofriam solução de continuidade. Entretanto, não é difícil perceber certa uniformidade na
temática abordada nos diferentes fascículos, sobretudo os relacionados com os ditados mediúnicos, as
conversas familiares de além-túmulo, as dissertações
espíritas, as evocações particulares, as poesias e as
revista
espírita
7
notas bibliográficas, praticamente comuns a todos
eles.
Por se tratar de um periódico mensal, muitas vezes
Allan Kardec transcrevia artigos e notícias de jornais
sobre os mais variados assuntos, desenvolvendo-os
e correlacionando-os com os postulados espíritas.
Isto emprestava à Revista um caráter de perene
atualidade, identificando-a com os problemas e as
preocupações da Paris de Napoleão III. Suicídio,
epidemias, pena de morte, duelos, assassinatos,
nada escapou à argúcia do Codificador, que deles
se aproveitava para edificar os leitores, por meio de
comentários judiciosos e oportunos. Quantos Espíritos
desencarnados foram evocados a partir de referências
extraídas dos jornais, e que brindaram os leitores da
Revista Espírita com o testemunho póstumo da sua
própria experiência!
Só muito raramente Allan Kardec se servia da
Revista Espírita para responder aos ataques pessoais
de que era alvo. Não polemizava; preferia o silêncio
como resposta às diatribes de seus detratores, mas
era cioso e bastante exigente na defesa dos princípios
espíritas que professava, fazendo-o com elegância e
sem dispensar a moderação e a conveniência, que era
a sua linha de conduta. Fiel a esse princípio, utilizou
a Revista inúmeras vezes para refutar as aleivosias
assacadas contra o Espiritismo.
A Revista Espírita é patrimônio dos espíritas do
mundo inteiro, o mais antigo periódico espírita em
circulação, aparecendo de forma quase ininterrupta
até hoje, salvo por ocasião das duas grandes Guerras
Mundiais, e durante curto período na década de 70,
também no século passado. Hoje, ela é o órgão oficial
do Conselho Espírita Internacional, sendo editada em
francês, inglês e espanhol. É a principal fonte de dados
autobiográficos do Codificador. Quem quiser conhecêlo não pode deixar de compulsar suas páginas, visto
que elas no-lo revelam tal qual ele se mostrava em sua
vida privada, real, autêntica, sem laivos de santidade
e sem se afastar do comum dos mortais.
No ano do sesquicentenário de seu lançamento,
nada mais justo, portanto, do que conhecer a alma de
Allan Kardec, gozar de sua intimidade, acompanhar
passo a passo a marcha do Espiritismo nascente, as
dificuldades para a sua implantação, as lutas que teve
de vencer para fincar as balizas de uma Nova Era para
a regeneração da Humanidade. Enfim, conhecer a
vida daquele que foi escolhido para materializar, na
Terra, a promessa feita por Jesus na Palestina distante,
de permanecer eternamente conosco.
8
revista
espírita
>
Evandro Noleto Bezerra, assessor da FEB e tradutor da
Revista Espírita do francês ao português.
Especial 150 anos da
Revista EspÍrita
revista
espírita
9
especial
Introdução à
150 anos da Revista Espírita
Revista Espírita
> Allan Kardec
A
10
revista
espírita
rapidez com que se propagaram,
em todas as partes do mundo,
os estranhos fenômenos das
­manifestações espíritas é uma prova evidente do interesse que despertam. A princípio
simples objeto de curiosidade, não tardaram a chamar a atenção de homens sérios
que neles vislumbraram, desde o início, a
influência inevitável que viriam a ter sobre
o estado moral da sociedade. As novas idéias
que surgem desses fenômenos popularizam-se cada dia
mais, e nada lhes pode deter o progresso, pela simples
razão de que estão ao alcance de todos, ou de quase
todos, e nenhum poder humano lhes impedirá que se
manifestem. Se os abafam aqui, reaparecem em cem
outros pontos. Aqueles, pois, que neles vissem um
inconveniente qualquer, seriam constrangidos, pela
própria força dos fatos, a sofrer-lhes as conseqüências,
como sói acontecer às indústrias novas que, em sua
origem, ferem interesses particulares, logo absorvidos,
pois não poderia ser de outro modo. O que já não se
fez e disse contra o magnetismo! Entretanto, todos
os raios lançados contra ele, todas as armas com que
foi ferido, mesmo o ridículo, esboroaram-se ante a
realidade e apenas serviram para colocá-lo ainda mais
em evidência.
É que o magnetismo é uma força natural e, perante
as forças da Natureza, o homem é um pigmeu, semelhante a cachorrinhos que ladram inutilmente contra
tudo que os possa amedrontar.
Dá-se com as manifestações espíritas a mesma coisa
que se dá com o sonambulismo: se não se produzirem
à luz do dia e publicamente, ninguém impedirá que
ocorram na intimidade, pois cada família pode descobrir um médium entre seus membros, das crianças aos
velhos, assim como pode encontrar um sonâmbulo.
Quem, pois, poderá impedir que a primeira pessoa
que encontremos seja médium e sonâmbula? Sem
dúvida, os que o combatem não refletiram nisto. Insistimos: quando uma força está na Natureza, pode-se
Arquivo / Feb
detê-la por um instante, porém, jamais aniquilá-la! Seu
curso apenas poderá ser desviado. Ora, a força que se
revela no fenômeno das manifestações, seja qual for
a sua causa, está na Natureza, da mesma forma que
o magnetismo, e não poderá ser exterminada, como
a força elétrica também não o será. O que importa é
que seja observada e estudada em todas as suas fases,
a fim de se deduzirem as leis que a regem. Se for um
erro, uma ilusão, o tempo fará justiça; se, porém,
for verdadeira, a verdade é como o vapor: quanto
mais se o comprime, tanto maior será a sua força de
expansão.
Causa justa admiração que, enquanto na América, somente os Estados Unidos possuem dezessete
jornais consagrados a esse assunto, sem contar um
sem-número de escritos não periódicos, a França, o
país da Europa onde tais idéias mais rapidamente se
aclimataram, não possui nenhum. Não se pode contestar a utilidade de um órgão especial, que ponha
o público a par do progresso desta nova Ciência e
o previna contra os excessos da credulidade, bem
como do cepticismo. É essa lacuna que nos propomos
preencher com a publicação desta Revista, visando a
oferecer um meio de comunicação a todos quantos
se interessam por estas questões, ligando, através de
um laço comum, os que compreendem a Doutrina
Espírita sob o seu verdadeiro ponto de vista moral:
a prática do bem e a caridade evangélica para com
todos.
Se não se tratasse senão de uma coleta de fatos,
a tarefa seria fácil; eles se multiplicam em toda parte
com tal rapidez que não faltaria matéria; mas os fatos,
por si mesmos, tornam-se monótonos pela repetição
e, sobretudo, pela similitude. O que é necessário ao
homem racional é algo que lhe fale à inteligência.
Poucos anos se passaram desde o surgimento dos
primeiros fenômenos, e já estamos longe da época das
mesas girantes e falantes, que foram suas manifestações
iniciais. Hoje, é uma ciência que revela todo um mundo de mistérios, tornando patentes as verdades eternas
que apenas pelo nosso espírito eram pressentidas; é
uma doutrina sublime, que mostra ao homem o caminho do dever, abrindo o mais vasto campo até então
jamais apresentado à observação filosófica. Nossa obra
seria, pois, incompleta e estéril se nos mantivéssemos
nos estreitos limites de uma revista anedótica, cujo
interesse rapidamente se esgotasse.
Talvez nos contestem a qualificação de ciência, que
damos ao Espiritismo. Certamente não teria ele, em
nenhum caso, as características de uma ciência exata, e
é precisamente aí que reside o erro dos que o pretendem julgar e experimentar como uma análise química
ou um problema matemático; já é bastante que seja
uma ciência filosófica. Toda ciência deve basear-se
em fatos, mas os fatos, por si sós, não constituem
a ciência; ela nasce da coordenação e da dedução
lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem.
Chegou o Espiritismo ao estado de ciência? Se por isto
se entende uma ciência acabada, seria sem dúvida
prematuro responder afirmativamente; entretanto, as
observações já são hoje bastante numerosas para nos
permitirem deduzir, pelo menos, os princípios gerais,
onde começa a ciência.
O exame raciocinado dos fatos e das conseqüências que deles decorrem é, pois, um complemento sem
revista
espírita
11
revista
espírita
Arquivo / Feb
especial
150 anos da Revista Espírita
12
o qual nossa publicação seria de medíocre utilidade,
não oferecendo senão um interesse muito secundário
para quem quer que reflita e queira inteirar-se daquilo
que vê. Todavia, como nosso fim é chegar à verdade,
acolheremos todas as observações que nos forem
dirigidas e tentaremos, tanto quanto no-lo permita
o estado dos conhecimentos adquiridos, dirimir as
dúvidas e esclarecer os pontos ainda obscuros. Nossa
Revista será, assim, uma tribuna livre, em que a discussão jamais se afastará das normas da mais estrita
conveniência. Numa palavra: discutiremos, mas não
disputaremos. As inconveniências de linguagem nunca
foram boas razões aos olhos de pessoas sensatas; é a
arma dos que não possuem algo melhor, voltando-se
contra aqueles que dela se servem.
Embora os fenômenos de que nos ocupamos se
tenham produzido, nos últimos tempos, de maneira
mais geral, tudo prova que têm ocorrido desde as
eras mais recuadas. Não há fenômenos naturais nas
invenções que acompanham o progresso do espírito
humano; desde que estejam na ordem das coisas, sua
causa é tão velha quanto o mundo e os seus efeitos
devem ter-se produzido em todas as épocas. O que
testemunhamos, hoje, portanto, não é uma descoberta
moderna: é o despertar da Antigüidade, desembaraçada do envoltório místico que engendrou as superstições; da Antigüidade esclarecida pela civilização e
pelo progresso nas coisas positivas.
A conseqüência capital que ressalta desses fenômenos é a comunicação que os homens podem estabelecer com os seres do mundo incorpóreo e, dentro
de certos limites, o conhecimento que podem adquirir
sobre o seu estado futuro. O fato das comunicações
com o mundo invisível encontra-se, em termos inequívocos, nos livros bíblicos; mas, de um lado, para
certos céticos, a Bíblia não tem autoridade suficiente;
por outro lado, para os crentes, são fatos sobrenaturais,
suscitados por um favor especial da Divindade. Não
haveria aí, para todo o mundo, uma prova da generalidade dessas manifestações, se não as encontrássemos
em milhares de outras fontes diferentes. A existência
dos Espíritos, e sua intervenção no mundo corpóreo,
está atestada e demonstrada não mais como um fato
excepcional, mas como um princípio geral, em Santo
Agostinho, São Jerônimo, São João Crisóstomo, São
Gregório Nazianzeno e tantos outros Pais da Igreja. Essa
crença forma, além disso, a base de todos os sistemas
religiosos. Admitiram-na os mais sábios filósofos da
Antigüidade: Platão, Zoroastro, Confúcio, Apuleio,
Pitágoras, Apolônio de Tiana e tantos outros.
Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos,
entre os gregos, os egípcios, os hindus, os caldeus, os
romanos, os persas, os chineses.
Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos
povos, a todas as perseguições e desafiar todas as revoluções físicas e morais da Humanidade. Mais tarde
a encontramos entre os adivinhos e feiticeiros da Idade
Média, nos Willis e nas Walkírias dos escandinavos,
nos Elfos dos teutões, nos Leschios e nos Domeschnios Doughi dos eslavos, nos Ourisks e nos Brownies
da Escócia, nos Poulpicans e nos Tensarpoulicts dos
bretões, nos Cemis dos caraíbas, numa palavra, em
toda a falange de ninfas, de gênios bons e maus, nos
silfos, gnomos, fadas e duendes, com os quais todas as
nações povoaram o espaço. Encontramos a prática das
evocações entre os povos da Sibéria, no Kamtchatka,
na Islândia, entre os indígenas da América do Norte e
os aborígenes do México e do Peru, na Polinésia e até
entre os estúpidos selvagens da Nova Holanda.
Sejam quais forem os absurdos que cercam essa
crença e a desfiguram segundo os tempos e os lugares,
não se pode discordar de que ela parte de um mesmo
princípio, mais ou menos deturpado.
Ora, uma doutrina não se torna universal, não
sobrevive a milhares de gerações, não se implanta de
um pólo a outro, entre os povos mais diversificados,
pertencentes a todos os graus da escala social, se não
estiver fundada em algo de positivo. O que será esse
algo? É o que nos demonstram as recentes manifestações. Procurar as relações que possam existir entre
tais manifestações e todas essas crenças, é buscar
a verdade. A história da Doutrina Espírita, de certo
modo, é a história do espírito humano; teremos que
estudá-la em todas as fontes, que nos fornecerão uma
mina inesgotável de observações tão instrutivas quão
interessantes, sobre fatos geralmente pouco conhecidos. Essa parte nos dará oportunidade de explicar a
origem de uma porção de lendas e de crenças populares, delas destacando o que toca a verdade, a alegoria
e a superstição.
No que concerne às manifestações atuais, daremos
explicação de todos os fenômenos patentes que testemunharmos ou que chegarem ao nosso conhecimento,
quando nos parecerem merecer a atenção de nossos
leitores. De igual modo o faremos em relação aos
efeitos espontâneos que por vezes se produzem entre
pessoas alheias às práticas espíritas e que revelam,
seja a ação de um poder oculto, seja a emancipação
da alma; tais são as visões, as aparições, a dupla
vista, os pressentimentos, os avisos íntimos, as vozes
secretas, etc. À narração dos fatos acrescentaremos a
explicação, tal como ressalta do conjunto dos princípios. A respeito faremos notar que esses princípios decorrem do próprio ensinamento dado pelos Espíritos,
fazendo sempre abstração de nossas próprias idéias.
Não será, pois, uma teoria pessoal que exporemos,
mas a que nos tiver sido comunicada e da qual não
seremos senão meros intérpretes.
Um grande espaço será igualmente reservado às
comunicações escritas ou verbais dos Espíritos, sempre que tiverem um fim útil, assim como às evocações
de personagens antigas ou modernas, conhecidas
ou obscuras, sem negligenciar as evocações íntimas
que, muitas vezes, não são menos instrutivas; numa
palavra: abarcaremos todas as fases das manifestações
materiais e inteligentes do mundo incorpóreo.
A Doutrina Espírita nos oferece, enfim, a única
solução possível e racional de uma multidão de fenômenos morais e antropológicos, dos quais somos
testemunhas diariamente e para os quais se procuraria, inutilmente, a explicação em todas as doutrinas
conhecidas. Nesta categoria classificaremos, por
exemplo, a simultaneidade de pensamentos, a anomalia de certos caracteres, as simpatias e antipatias, os
conhecimentos intuitivos, as aptidões, as propensões,
os destinos que parecem marcados pela fatalidade e,
num quadro mais geral, o caráter distintivo dos povos,
seu progresso ou sua degenerescência, etc. À citação
dos fatos acrescentaremos a pesquisa das causas que
os poderiam ter produzido. Da apreciação desses
fatos ressaltarão, naturalmente, ensinamentos úteis
quanto à linha de conduta mais conforme à sã moral.
Em suas instruções, os Espíritos Superiores têm sempre
por objetivo despertar nos homens o amor do bem,
através dos preceitos evangélicos; por isso mesmo
eles nos traçam o pensamento que deve presidir à
redação dessa coletânea.
Nosso quadro, como se vê, compreende tudo
quanto se liga ao conhecimento da parte metafísica
do homem; estudá-la-emos em seu estado presente e
no futuro, porquanto estudar a natureza dos Espíritos
é estudar o homem, tendo em vista que ele deverá
fazer parte, um dia, do mundo dos Espíritos. Eis por
que acrescentamos, ao nosso título principal, o de
jornal de estudos psicológicos, a fim de fazer compreender toda a sua importância.
Nota: Por mais abundantes sejam nossas observações pessoais e as fontes onde as recolhemos, não
dissimulamos as dificuldades da tarefa, nem a nossa
insuficiência. Para suplementá-la, contamos com o
concurso benevolente de todos quantos se interessam
por essas questões; seremos, pois, bastante reconhecidos pelas comunicações que houverem por bem
transmitir-nos acerca dos diversos assuntos de nossos
estudos; a esse respeito chamamos a atenção para
os seguintes pontos, sobre os quais poderão fornecer
documentos:
1o Manifestações materiais ou inteligentes obtidas
nas reuniões às quais assistirem;
2o Fatos de lucidez sonambúlica e de êxtase;
3o Fatos de segunda vista, previsões, pressentimentos, etc;
4o Fatos relativos ao poder oculto, atribuídos com
ou sem razão a certos indivíduos;
5o Lendas e crenças populares;
6o Fatos de visões e aparições;
7o Fenômenos psicológicos particulares, que por
vezes ocorrem no instante da morte;
8o Problemas morais e psicológicos a resolver;
9o Fatos morais, atos notáveis de devotamento
e abnegação, dos quais possa ser útil propagar o
exemplo;
10o Indicação de obras antigas ou modernas,
francesas ou estrangeiras, onde se encontrem fatos
­relativos à manifestação de inteligências ocultas, com
a designação e, se possível, a citação das passagens.
Do mesmo modo, no que diz respeito à opinião emitida sobre a existência dos Espíritos e suas relações
com os homens, por autores antigos ou modernos,
cujo nome e saber possam lhes dar autoridade.
Não daremos a conhecer o nome das pessoas que
nos enviarem as comunicações, a não ser que, para
isto, sejamos formalmente autorizados.
>
(Texto de Allan Kardec, transcrito de Revue Spirite, janeiro
de 1858)(Revue Spirite)
revista
espírita
13
especial
150 anos da Revista Espírita
Carta de Benjamin
Franklin à Sra. Jone
Mecone sobre a
Preexistência
Dezembro, 1770.
E
m minha primeira estada em
Londres, há cerca de quarenta e
cinco anos, conheci uma pessoa
que tinha uma opinião quase semelhante
à de vosso autor. Seu nome era Hive; era
viúva de um impressor. Morreu pouco depois de
minha partida. Por seu testamento, obrigou o filho
a ler publicamente, em Salter’s-Hall, um discurso
solene, cujo objetivo era provar que esta Terra é
o verdadeiro inferno, o lugar de punição para os
Espíritos que tinham pecado num mundo melhor.
Em expiação de suas faltas, são enviados para cá,
14
revista
espírita
sob formas de toda espécie. Há muito tempo vi
esse discurso, que foi impresso. Creio lembrar-me
de que as citações da Escritura ali não faltavam; ali
se supunha que, conquanto hoje não guardássemos
nenhuma lembrança de nossa preexistência, dela
tomaríamos conhecimento após a nossa morte e
nos recordaríamos dos castigos sofridos, de modo a
serem corrigidos. Quanto aos que ainda não tivessem
pecado, a vista dos nossos sofrimentos devia servirlhes de advertência.
De fato, aqui vemos que cada animal tem o seu
inimigo, e esse inimigo tem instintos, faculdades,
­a rmas para o aterrar, ferir, destruir. Quanto ao
­h omem, que está no primeiro grau da escala, é
um demônio para o seu semelhante. Na doutrina
­recebida da bondade e da justiça do grande Criador, parece que é preciso uma hipótese como a da
­senhora Hive, para conciliar com a honra da divindade esse estado aparente de mal geral e sistemático.
Mas, em falta de história e de fatos, nossa razão não
pode ir longe quando queremos descobrir o que
fomos ­antes de nossa existência terrestre, ou o que
seremos mais tarde. (Magasin pittoresque, outubro
de 1867, pág. 340).
Na Revista de agosto de 1865 demos o epitáfio
de Franklin, escrito por ele próprio e que é assim
concebido:
“Aqui repousa, entregue aos vermes, o
corpo de Benjamin Franklin, impressor,
como a capa de um velho livro cuja s
folhas foram arrancadas, e cujo título e
douração se apagaram. Mas nem por isto a
obra ficará perdida, pois, como acredito,
reaparecerá em nova e melhor edição, revista
e corrigida pelo autor.”
Ainda uma das grandes doutrinas do Espiritismo,
a pluralidade das existências, professada, há mais de
um século, por um homem considerado com toda a
razão como uma das luzes da Humanidade. Aliás, esta
idéia é tão lógica, tão evidente pelos fatos que diariamente temos aos nossos olhos, que está no estado de
intuição numa multidão de criaturas. De fato, hoje é
admitida por inteligências de escol, como princípio
filosófico, fora do Espiritismo. O Espiritismo não a
inventou, mas a demonstrou e provou; e, do estado
de simples teoria, a fez passar ao de fato ­positivo. É
uma das numerosas portas abertas às idéias espíritas,
porque, conforme explicamos em outra circunstância, admitido esse ponto de partida, de dedução em
dedução chega-se forçosamente a tudo o que ensina
o Espiritismo.
>
(Transcrição de Revue Spirite, dezembro de 1867).
Arquivo / Feb
Discurso de Victor Hugo
junto ao Túmulo de uma Jovem
> Allan Kardec
E
mbora esta tocante oração
fúnebre tenha sido publicada
por diversos jornais, encontra
lugar igualmente nesta Revista, em razão
da natureza dos pensamentos que encerra,
cujo alcance todos poderão compreender.
O jornal do qual a tomamos dá conta da
cerimônia fúnebre nos seguintes termos:
“Uma triste cerimônia reunia, quinta-feira última,
uma multidão dolorosamente comovida no cemitério
dos independentes, em Guernesey. Inumavam uma
jovem, que a morte viera surpreender em meio às
alegrias da família, e cuja irmã se casara dias antes. Era
uma moçoila feliz, a quem um dos filhos do grande
poeta, Sr. François Hugo, havia dedicado o décimo
quarto volume de sua tradução de Shakespeare; ela
morreu na véspera do lançamento desse volume.
“Como acabamos de dizer, a assistência era numerosa nesses funerais, numerosa e simpática, e é com
viva emoção, com lágrimas que a amizade derramava,
que ela ouviu as palavras de adeus, pronunciadas sobre
esse túmulo tão prematuramente aberto, pelo ilustre
exilado de Guernesey, pelo próprio Victor Hugo.
“Eis o discurso pronunciado pelo poeta:
“Em algumas semanas ocupamo-nos de duas irmãs:
casamos uma e sepultamos a outra. Eis o perpétuo
tremor da vida. Inclinemo-nos, meus irmãos, ante o
severo destino.
“Inclinemo-nos com esperança. Nossos olhos não
foram feitos para chorar, mas para ver; nosso coração
não foi feito para sofrer, mas para crer. A fé numa outra
existência nasce da faculdade de amar. Não o esqueçamos: nesta vida inquieta e apaziguada pelo amor, é o
coração quem crê. O filho conta encontrar a seu pai;
a mãe não consente em perder para sempre o filho.
Esta recusa do nada é a grandeza do homem.
“O coração não pode errar. A carne é um sonho;
ela se dissipa. Se esse desaparecimento fosse o fim do
revista
espírita
15
especial
150 anos da Revista Espírita
16
revista
espírita
homem, tiraria à nossa existência toda sanção. Não
nos contentamos com esta fumaça que é a matéria;
precisamos de uma certeza. Quem quer que ame, sabe
e sente que nenhum dos pontos de apoio do homem
está na Terra. Amar é viver além da vida. Sem esta
fé, nenhum dom perfeito do coração seria possível;
amar, que é o objetivo do homem, seria o seu suplício.
O paraíso seria o inferno. Não! digamos bem alto, a
criatura amante exige a criatura imortal. O coração
necessita da alma.
“Há um coração neste féretro, e esse coração está
vivo. Neste momento ele escuta minhas palavras.
“Emily de Putron era o doce orgulho de uma família
respeitável e patriarcal. Seus amigos e parentes tinham
por deleite sua graça e por festa seu sorriso. Ela era
como uma flor de alegria a desabrochar na casa. Desde o berço era cercada de todas as ternuras; cresceu
feliz e, recebendo felicidade, dava felicidade; amada,
amava. Ela acaba de partir.
“Para onde foi? Para a sombra? Não.
“Nós é que estamos na sombra. Ela está na aurora.
“Ela está na glória, na verdade, na realidade, na
recompensa. Essas jovens mortas, que não fizeram
nenhum mal na vida, são bem-vindas do túmulo, e
sua cabeça se ergue suavemente fora da sepultura,
para uma coroa misteriosa. Emily de Putron foi buscar no céu a serenidade suprema, complemento das
existências inocentes. Ela se foi: juventude, para a
eternidade; beleza, para o ideal; esperança, para a
certeza; amor, para o infinito; pérola, para o oceano;
Espírito, para Deus.
“Vai, alma!
“O prodígio desta grande partida celeste, que
chamam morte, é que os que partem não se afastam.
Estão num mundo de claridade, mas assistem, como
testemunhas enternecidas, ao nosso mundo de trevas.
Estão no alto, e muito perto. Ó, quem quer que sejais,
que vistes desaparecer na tumba um ente querido, não
vos julgueis abandonados por ele. Está sempre lá. Está
ao vosso lado mais que nunca. A beleza da morte é
a presença. Presença inexprimível das almas amadas,
sorrindo aos nossos olhos em lágrimas. O ser chorado
desapareceu, mas não partiu. Não mais percebemos
o seu rosto suave... Os mortos são os invisíveis, mas
não estão ausentes.
“Rendamos justiça à morte. Não sejamos ingratos
para com ela. Ela não é, como se diz, um aniquilamento, uma cilada. É um erro acreditar que tudo se
perde na obscuridade desta fossa aberta. Aqui tudo
reaparece. O túmulo é um lugar de restituição. Aqui
a alma retoma o infinito; aqui ela readquire a sua
plenitude; aqui entra na posse de sua misteriosa natureza; liberta-se do corpo, liberta-se da necessidade,
liberta-se do fardo, liberta-se da fatalidade. A morte
é a maior das liberdades. É, também, o maior dos
progressos. A morte é a ascensão de tudo o que viveu
em grau supremo. Ascensão fascinante e sagrada. Cada
um recebe o seu aumento. Tudo se transfigura na luz e
pela luz. Aquele que na Terra só foi honesto torna-se
belo; o que foi apenas belo torna-se sublime; o que
só foi sublime torna-se bom.
“E agora, eu que falo, por que estou aqui? o que é
que trago a esta fossa? com que direito venho dirigir
a palavra à morte? Quem sou eu? Nada. Engano-me,
sou alguma coisa. Sou um proscrito. Exilado pela força
ontem, exilado voluntário hoje. Um proscrito é um
vencido, um caluniado, um perseguido, um ferido do
destino, um deserdado da pátria. Um proscrito é um
inocente sob o peso de uma maldição. Sua bênção
deve ser boa. Eu abençôo este túmulo.
“Abençôo o ser nobre e gracioso que está nesta fossa. No deserto encontram-se oásis; no exílio
encontram-se almas. Emily de Putron foi uma dessas
encantadoras almas encontradas. Venho pagar-lhe a
dívida do exílio consolado. Eu a abençôo na profundeza da sombra. Em nome das aflições sobre as quais ela
resplandeceu docemente, em nome das provações do
destino, para ela acabadas, para nós continuadas; em
nome de tudo o que ela esperou outrora e de tudo o
que obtém hoje, em nome de tudo o que ela amou,
abençôo esta morte, abençôo-a na sua grandeza, na
sua juventude, na sua ternura, na sua vida e na sua
morte; abençôoa na sua branca túnica sepulcral, na
sua missão que deixa desolada, no seu caixão, que
sua mãe encheu de flores e que Deus vai encher de
estrelas!”
>
(Transcrição parcial de notícia inserida por Allan Kardec em
Revue Spirite, fevereiro de 1865).
> Allan Kardec
M
uitas comunicações nos foram
enviadas por diferentes grupos,
quer nos pedindo conselho e
julgamento de suas tendências, quer, da
parte de alguns, na esperança de as verem
publicadas na Revista. Todas nos foram entregues com a faculdade de delas dispor
como melhor entendêssemos para o bem
da causa.
Fizemos o seu exame e classificação e esperamos
que ninguém haja de se surpreender ante a impossibilidade de inseri-las todas, considerando-se que, além
das já publicadas, há mais de três mil e seiscentas que,
sozinhas, teriam absorvido cinco anos completos da
Revista, sem contar um certo número de manuscritos
mais ou menos volumosos, dos quais falaremos adiante. A apreciação crítica deste exame nos fornecerá
matéria para algumas reflexões, que cada um poderá
tirar proveito.
Em grande número encontramo-las notoriamente
más, no fundo e na forma, evidente produto de Espíritos ignorantes, obsessores ou mistificadores e que
juram pelos nomes mais ou menos pomposos com que
se revestem. Publicá-las teria sido dar armas à crítica.
Circunstância digna de nota é que a quase totalidade
das comunicações dessa categoria emana de indivíduos
isolados, e não de grupos. Só a fascinação os poderia
levar a tomá-las a sério e impedir que vissem o lado
ridículo. Como se sabe, o isolamento favorece a fascinação, ao passo que as reuniões encontram controle
na pluralidade das opiniões.
Todavia, reconhecemos com prazer que as comunicações dessa natureza formam, na massa, uma
pequena minoria. A maioria das outras encerra bons
pensamentos e excelentes conselhos, sem significar
que todas devam ser publicadas, e isto pelos motivos
que vamos expor.
Os bons Espíritos ensinam mais ou menos a mesma
coisa em toda parte, porque em toda parte há os mesmos vícios a reformar e as mesmas virtudes a pregar.
Eis um dos caracteres distintivos do Espiritismo; muitas
vezes a diferença está apenas na correção e elegância
do estilo. Para apreciar as comunicações, tendo em
conta a publicidade, não se deve considerá-las de seu
ponto de vista, mas do do público. Compreendemos a
satisfação que se experimenta ao obter algo de bom,
sobretudo quando se começa, mas além do fato de que
certas pessoas podem ter ilusão sobre o mérito intrínseco, não se pensa que em cem outros lugares se obtêm
coisas semelhantes, e o que é de poderoso interesse
individual pode ser banalidade para a massa.
Além disso, é preciso considerar que, de algum
tempo para cá as comunicações adquiriram, em todos
os aspectos, proporções e qualidades que deixam muito para trás as que eram obtidas há alguns anos. Aquilo
que então era admirado parece pálido e mesquinho
junto ao que se obtém hoje. Na maioria dos centros
realmente sérios, o ensino dos Espíritos cresceu com a
compreensão do Espiritismo. Desde que por toda parte
são recebidas instruções mais ou menos idênticas, sua
publicação poderá interessar apenas sob a condição
de apresentar qualidades adicionais, como forma ou
como alcance instrutivo. Seria, pois, ilusão crer que
toda mensagem deve encontrar leitores numerosos
e entusiastas. Outrora, a menor conversa espírita
era uma novidade que atraía a atenção; hoje, que
os espíritas e os médiuns não se contam mais, o que
era uma raridade é um fato quase banal e habitual, e
que foi distanciado pela vastidão e pelo alcance das
comunicações atuais, assim como os deveres do escolar
o são pelo trabalho do adulto.
Temos à vista a coleção de um jornal publicado
no princípio das manifestações sob o título de A Mesa
Falante, característico da época. Diz-se que o jornal
tinha de 1.500 a 1.800 assinantes, cifra enorme para
a época. Continha uma porção de pequenas conversas familiares e fatos mediúnicos que, então, atraíam
profundamente a curiosidade. Aí procuramos em vão
www.sxc.hu / Oliver Gruener
Exame das Comunicações
Mediúnicas que nos são
Enviadas
revista
espírita
17
especial
150 anos da Revista Espírita
18
revista
espírita
alguma coisa para reproduzir em nossa Revista; tudo
quanto tivéssemos colhido seria hoje pueril e sem
interesse. Se o jornal não tivesse desaparecido, por
circunstâncias que não vêm ao caso, só poderia ter
vivido com a condição de acompanhar o progresso
da ciência e, se reaparecesse agora nas mesmas condições, não teria cinqüenta assinantes. Os espíritas
são imensamente mais numerosos do que então, é
verdade; mas são mais esclarecidos e querem um
ensinamento mais substancial.
Se as comunicações não emanassem senão de um
único centro, sem dúvida os leitores se multiplicariam
em razão do número de adeptos. Mas não se deve perder de vista que os focos que as produzem se contam
aos milhares e que por toda parte onde são obtidas
coisas superiores não pode haver interesse pelo que
é fraco ou medíocre.
Não falamos assim para desencorajar as publicações; longe disso. Mas para mostrar a necessidade
de uma escolha rigorosa, condição sine qua non do
sucesso. Aprofundando os seus ensinamentos, os Espíritos nos tornaram mais difíceis e mesmo exigentes.
As publicações locais podem ter imensa utilidade, sob
duplo aspecto: espalhar nas massas o ensino dado na
intimidade e mostrar a concordância que existe nesse
ensino sobre diversos pontos. Aplaudiremos isto sempre e os encorajaremos toda vez que forem feitas em
boas condições.
Antes de mais, convém dela afastar tudo quanto,
sendo de interesse privado, só interessa àquele que
lhe concerne; depois, tudo quanto é vulgar no estilo
e nas idéias, ou pueril pelo assunto.
Uma coisa pode ser excelente em si mesma, muito
boa para servir de instrução pessoal, mas o que deve
ser entregue ao público exige condições especiais. Infelizmente o homem é propenso a imaginar que tudo
o que lhe agrada deve agradar aos outros. O mais hábil
pode enganar-se; o importante é enganar-se o menos
possível. Há Espíritos que se comprazem em fomentar
essa ilusão em certos médiuns; por isso nunca seria
demais recomendar a estes últimos que não confiassem
em seu próprio julgamento. É nisto que os grupos são
úteis: pela multiplicidade de opiniões que eles permitem
colher. Aquele que, neste caso, recusasse a opinião da
maioria, julgando-se mais iluminado que todos, provaria
sobejamente a má influência sob a qual se acha.
Aplicando esses princípios de ecletismo às comunicações que nos são enviadas, diremos que em 3.600
há mais de 3.000 que são de moralidade irreprochável,
e excelentes como fundo; mas que desse número nem
300 merecem publicidade e apenas 100 têm mérito
fora do comum. Como essas comunicações vieram de
muitos pontos diferentes, inferimos que a proporção
deve ser mais ou menos geral. Por aí pode julgar-se
da necessidade de não publicar inconsideradamente
tudo quanto vem dos Espíritos, se quisermos atingir o
objetivo a que nos propomos, tanto do ponto de vista
material quanto do efeito moral e da opinião que os
indiferentes possam fazer do Espiritismo.
Resta-nos dizer algumas palavras sobre manuscritos
ou trabalhos de fôlego que nos remeteram, entre os
quais não encontramos, em trinta, mais que cinco ou
seis de real valor. No mundo invisível, como na Terra,
não faltam escritores, mas os bons são raros. Tal Espírito
é apto a ditar uma boa comunicação isolada, a dar
excelente conselho particular, mas incapaz de produzir
um trabalho de conjunto completo, passível de suportar
um exame, sejam quais forem suas pretensões e o nome
com que se disfarce como garantia. Quanto mais alto
o nome, maior o cuidado. Ora, é mais fácil tomar um
nome que justificá-lo; eis por que, ao lado de alguns
bons pensamentos, encontram-se, muitas vezes, idéias
excêntricas e traços inequívocos da mais profunda ignorância. É nessas modalidades de trabalhos mediúnicos
que temos notado mais sinais de obsessão, dos quais um
dos mais freqüentes é a injunção por parte do Espírito
de os mandar imprimir; e alguns pensam erradamente
que tal recomendação é suficiente para encontrar um
editor atencioso que se encarregue da tarefa.
É principalmente em semelhante caso que um
exame escrupuloso é necessário, se não nos quisermos expor a fazer discípulos à nossa custa. É, ainda,
o melhor meio de afastar os Espíritos presunçosos e
pseudo-sábios, que se retiram inevitavelmente quando
não encontram instrumentos dóceis a quem façam
aceitar suas palavras como artigos de fé. A intromissão
desses Espíritos nas comunicações é, fato conhecido,
o maior escolho do Espiritismo. Toda precaução é
pouca para evitar as publicações lamentáveis. Em tais
casos, mais vale pecar por excesso de prudência, no
interesse da causa.
Em suma, publicando comunicações dignas de
interesse, faz-se uma coisa útil. Publicando as que são
fracas, insignificantes ou más, faz-se mais mal do que
bem. Uma consideração não menos importante é a
da oportunidade. Algumas há cuja publicação seria
intempestiva e, por isso mesmo, prejudicial. Cada coisa
deve vir a seu tempo. Várias das que nos são dirigidas
estão neste caso e, conquanto muito boas, devem ser
adiadas. Quanto às outras, acharão seu lugar conforme
as circunstâncias e o seu objetivo.
>
(Texto de Allan Kardec, transcrito de Revue Spirite,
maio de 1863).
A Biblioteca de Nova York
> Allan Kardec
Lê-se no Courrier des États-Unis:
U
m jornal de Nova York publica
um fato bastante curioso, do
qual certo número de pessoas
já tinha conhecimento, e sobre o qual,
desde alguns dias, eram feitos comentários assaz divertidos. Os espiritualistas vêem
nele um exemplo a mais das manifestações do outro
mundo. As pessoas sensatas não vão procurar tão longe
a explicação, reconhecendo claramente os sintomas
característicos de uma alucinação. É também a opinião
do próprio Dr. Cogswell, o herói da aventura.
O Dr. Cogswell é o bibliotecário chefe da Astor
Library. O devotamento que se permite ao acabamento
de um catálogo completo da biblioteca, muitas vezes
o leva a consagrar a esse trabalho as horas que deveria
destinar ao sono. É assim que tem oportunidade de
visitar sozinho, à noite, as salas onde tantos volumes
se acham arrumados nas estantes.
Há cerca de quinze dias, pelas onze horas da
noite, ele passava, com o castiçal na mão, diante de
um dos recantos cheios de livros, quando, para sua
grande surpresa, percebeu um homem bem-posto,
que parecia examinar com cuidado os títulos dos vo-
lumes. A princípio, imaginando que se tratasse de um
ladrão, recuou e observou atentamente o desconhecido. Sua surpresa tornou-se ainda mais viva quando
reconheceu, no visitante noturno, o doutor ***, que
tinha vivido na vizinhança de Lafayette-Place, mas que
estava morto e enterrado havia seis meses.
O Dr. Cogswell não acredita muito em aparições e
as teme menos ainda. Não obstante, resolveu tratar o
fantasma com atenção e, levantando a voz, disse-lhe:
Doutor, como se explica que em vida provavelmente
jamais tenhais vindo a esta biblioteca, e agora a visitais
depois de morto? Perturbado em sua contemplação,
o fantasma olhou o bibliotecário ternamente e desapareceu sem responder.
– Singular alucinação, disse o Sr. Cogswell de si para
si. Sem dúvida terei comido algo indigesto ao jantar.
Retornou ao trabalho; depois foi deitar-se e dormiu
tranqüilamente. No dia seguinte, à mesma hora, teve
vontade de visitar a biblioteca. No mesmo local da
véspera encontrou o mesmo fantasma, dirigiu-lhe as
mesmas palavras e obteve o mesmo resultado.
Eis uma coisa curiosa, pensou ele; é preciso que
eu volte amanhã.
Antes de voltar, porém, o Dr. Cogswell examinou
as estantes que pareciam interessar vivamente ao fantasma e, por uma singular coincidência, reconheceu
que estavam repletas de obras antigas e modernas de
necromancia. No dia seguinte, ao encontrar pela terceira vez o doutor morto, variou a pergunta e lhe disse:
revista
espírita
19
Especial
150 anos da Revista Espírita
20
revista
espírita
“É a terceira vez que vos encontro, doutor. Dizei-me
se algum desses livros perturba vosso repouso, a fim
de que eu o mande retirar da coleção.” O fantasma
não respondeu desta, como das outras vezes, mas
desapareceu definitivamente, e o perseverante bibliotecário pôde voltar à mesma hora e ao mesmo
lugar, noites seguidas, sem o encontrar.
Entretanto, aconselhado por amigos, aos quais
havia contado a história, e pelos médicos a quem
consultou, decidiu repousar um pouco e fazer uma
viagem de algumas semanas até Charlestown, antes
de retomar a tarefa longa e paciente que se havia
imposto, e cuja fadiga, sem dúvida, havia causado a
alucinação que acabamos de narrar.
Observação – Sobre o artigo, faremos uma primeira observação: é a falta de cerimônia com que os
negadores dos Espíritos se atribuem o monopólio do
bom-senso. “Os espiritualistas – diz o autor – vêem
no fato um exemplo a mais das manifestações do
outro mundo; as pessoas sensatas não vão procurar
tão longe a explicação, reconhecendo claramente
os sintomas de uma alucinação.” Assim, de acordo
com esse autor, somente são sensatas as pessoas que
pensam como ele; as demais não têm senso comum,
mesmo que fossem doutores, e o Espiritismo os conta
aos milhares. Estranha modéstia, na verdade, a que
tem por máxima: Ninguém tem razão, exceto nós e
nossos amigos!
Ainda estamos para ter uma definição clara e
precisa, uma explicação fisiológica da alucinação.
Mas, em falta de explicação, há um sentido ligado a
esta palavra; no pensamento dos que a empregam,
significa ilusão. Ora, quem diz ilusão diz ausência de
realidade; segundo eles, é uma imagem puramente
fantástica, produzida pela imaginação, sob o império
de uma superexcitação cerebral. Não negamos que
assim possa ser em certos casos; a questão é saber se
todos os fatos do mesmo gênero estão em condições
idênticas. Examinando o que foi relatado acima,
parece que o Dr. Cogswell estava perfeitamente
calmo, como ele próprio declara, e que nenhuma
causa fisiológica ou moral teria vindo perturbar-lhe
o cérebro. Por outro lado, mesmo admitindo nele
uma ilusão momentânea, restaria ainda explicar
como essa ilusão se produziu vários dias seguidos, à
mesma hora, e com as mesmas circunstâncias; isso
não é o caráter da alucinação propriamente dita. Se
uma causa material desconhecida impressionou seu
cérebro no primeiro dia, é evidente que essa causa
cessou ao cabo de alguns instantes, quando o fantasma desapareceu. Como, então, ela se reproduziu
identicamente três dias seguidos, com vinte e quatro
horas de intervalo? É lamentável que o autor do artigo tenha negligenciado de o fazer, porquanto deve,
sem dúvida, ter excelentes razões, visto pertencer ao
grupo das pessoas sensatas.
Contudo, reconhecemos que, no fato acima
mencionado, não há nenhuma prova positiva da
realidade e que, a rigor, poder-se-ia admitir que a
mesma aberração dos sentidos tenha podido repetirse. Mas dar-se-á o mesmo quando as aparições são
acompanhadas de circunstâncias, de certo modo,
materiais? Por exemplo, quando pessoas, não em
sonho, mas perfeitamente despertas, vêem parentes
ou amigos ausentes, nos quais absolutamente não
pensavam, aparecer-lhes no momento da morte,
que vêm anunciar, pode-se dizer que seja um efeito
da imaginação? Se o fato da morte não fosse real,
haveria incontestavelmente ilusão; mas quando o
acontecimento vem confirmar a previsão – e o caso
é muito freqüente – como não admitir outra coisa,
senão simples fantasmagoria? Ainda que o fato fosse
único, ou mesmo raro, poder-se-ia crer num jogo
do acaso; mas, como dissemos, os exemplos são
inumeráveis e perfeitamente provados. Que os alucinacionistas se disponham a nos dar uma explicação
categórica e, então, veremos se suas razões são mais
probantes que as nossas. Gostaríamos, sobretudo,
que nos provassem a impossibilidade material que a
alma – principalmente eles, que se julgam sensatos
por excelência, e admitem que temos uma alma que
sobrevive ao corpo – que nos provassem, dizíamos,
que essa alma, que deve estar em toda parte, não
possa estar à nossa volta, ver-nos, ouvir-nos e, desde
então, comunicar-se conosco.
>
(Texto de Allan Kardec, transcrito de Revue Spirite, maio de
1860).
O Espiritismo é uma
www.sxc.hu / Constantin Jurcut
religião?
> Allan Kardec
“[...] Todas as reuniões religiosas, seja
qual for o culto a que pertençam, são
fundadas na comunhão de pensamentos;
com efeito, é aí que podem e devem exercer
a sua força, porque o objetivo deve ser a
libertação do pensamento das amarras da
matéria. Infelizmente, a maioria se afasta
deste princípio à medida que a religião se
torna uma questão de forma. Disto resulta
que cada um, fazendo seu dever consistir na realização
da forma, se julga quites com Deus e com os homens,
desde que praticou uma fórmula. Resulta ainda que
cada um vai aos lugares de reuniões religiosas com
um pensamento pessoal, por sua própria conta e,
na maioria das vezes, sem nenhum sentimento de
confraternidade em relação aos outros assistentes; fica
isolado em meio à multidão e só pensa no céu para
si mesmo.
Por certo não era assim que o entendia Jesus, ao
dizer: “Quando duas ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, aí estarei entre elas.” Reunidos
em meu nome, isto é, com um pensamento comum;
mas não se pode estar reunido em nome de Jesus sem
assimilar os seus princípios, sua doutrina. Ora, qual é
o princípio fundamental da doutrina de Jesus? A caridade em pensamentos, palavras e ações. Mentem os
egoístas e os orgulhosos, quando se dizem reunidos
em nome de Jesus, porque Jesus não os conhece por
seus discípulos.
[...} Dissemos que o verdadeiro objetivo das
assembléias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; é que, com efeito, a palavra religião quer
dizer laço. Uma religião, em sua acepção larga e
verdadeira, é um laço que religa os homens numa
comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças; consecutivamente, esse nome foi dado a esses
mesmos princípios codificados e formulados em
dogmas ou artigos de fé. É nesse sentido que se diz:
a religião política; entretanto, mesmo nesta acepção,
a palavra religião não é sinônima de opinião; implica
uma idéia particular: a de fé conscienciosa; eis por
que se diz também: a fé política. Ora, os homens
podem filiar-se, por interesse, a um partido, sem
ter fé nesse partido, e a prova é que o deixam sem
escrúpulo, quando encontram seu interesse alhures,
ao passo que aquele que o abraça por convicção é
inabalável; persiste à custa dos maiores sacrifícios, e
é a abnegação dos interesses pessoais a verdadeira
pedra-de-toque da fé sincera. Todavia, se a renúncia
a uma opinião, motivada pelo interesse, é um ato de
desprezível covardia, é, não obstante, respeitável,
quando fruto do reconhecimento do erro em que se
estava; é, então, um ato de abnegação e de razão. Há
mais coragem e grandeza em reconhecer abertamente
que se enganou, do que persistir, por amor-próprio,
no que se sabe ser falso, e para não se dar um desmentido a si próprio, o que acusa mais obstinação
do que firmeza, mais orgulho do que razão, e mais
fraqueza do que força. É mais ainda: é hipocrisia,
porque se quer parecer o que não se é; além disso
é uma ação má, porque é encorajar o erro por seu
próprio exemplo.
O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o
seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os
corações, que identifica os pensamentos, as aspirações,
e não somente o fato de compromissos materiais, que
se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas
que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito
desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele
une, como conseqüência da comunhão de vistas e
revista
espírita
21
Especial
150 anos da Revista Espírita
22
revista
espírita
de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a
indulgência e a benevolência mútuas. É nesse sentido
que também se diz: a religião da amizade, a religião
da família.
Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma
religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido
filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos
vangloriamos por isto, porque é a doutrina que funda
os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre
bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza.
Por que, então, temos declarado que o Espiritismo
não é uma religião? Em razão de não haver senão uma
palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na
opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma,
que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse
uma religião, o público não veria aí mais que uma nova
edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu
cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios;
não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos
contra os quais tantas vezes a opinião se levantou.
Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres
de uma religião, na acepção usual da palavra, não
podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo
valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que
simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.
As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito
que comporta a natureza grave dos assuntos de que
se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces
que, em vez de serem ditas em particular, são ditas
em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por
assembléias religiosas. Não se pense que isto seja um
jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a
aparente confusão não provém senão da falta de uma
palavra para cada idéia.
Qual é, pois, o laço que deve existir entre os
espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum
contrato material, por nenhuma prática obrigatória.
Qual o sentimento no qual se deve confundir todos
os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo
espiritual, todo humanitário: o da caridade para com
todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que
compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os
mortos sempre fazem parte da Humanidade.
A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para
com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer
que não há verdadeiro espírita sem caridade.
Mas a caridade é ainda uma dessas palavras de
sentido múltiplo, cujo inteiro alcance deve ser bem
compreendido; e se os Espíritos não cessam de pregála e defini-la, é que, provavelmente, reconhecem que
isto ainda é necessário.
O campo da caridade é muito vasto; compreende
duas grandes divisões que, em falta de termos especiais, podem designar-se pelas expressões Caridade
beneficente e caridade benevolente. Compreende-se
facilmente a primeira, que é naturalmente proporcional aos recursos materiais de que se dispõe; mas
a segunda está ao alcance de todos, do mais pobre
como do mais rico. Se a beneficência é forçosamente
limitada, nada além da vontade poderia estabelecer
limites à benevolência.
O que é preciso, então, para praticar a caridade
benevolente? Amar ao próximo como a si mesmo. Ora,
se se amar ao próximo tanto quanto a si, amar-se-o-á
muito; agir-se-á para com outrem como se quereria
que os outros agissem para conosco; não se quererá
nem se fará mal a ninguém, porque não quereríamos
que no-lo fizessem.
Amar ao próximo é, pois, abjurar todo sentimento
de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, todo desejo e todo
pensamento de prejudicar; é perdoar aos inimigos e
retribuir o mal com o bem; é ser indulgente para as
imperfeições de seus semelhantes e não procurar o
argueiro no olho do vizinho, quando não se vê a trave
no seu; é esconder ou desculpar as faltas alheias, em
vez de se comprazer em as pôr em relevo, por espírito
de maledicência; é ainda não se fazer valer à custa dos
outros; não procurar esmagar ninguém sob o peso de
sua superioridade; não desprezar ninguém pelo orgulho. Eis a verdadeira caridade benevolente, a caridade
prática, sem a qual a caridade é palavra vã; é a caridade
do verdadeiro espírita, como do verdadeiro cristão;
aquela sem a qual aquele que diz: Fora da caridade
não há salvação, pronuncia sua própria condenação,
tanto neste quanto no outro mundo.
[...] Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade;
na preexistência da alma como única justificação do
presente; na pluralidade das existências como meio de
expiação, de reparação e de adiantamento intelectual
e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos;
na felicidade crescente com a perfeição; na eqüitativa
remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a
cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça
para todos, sem exceções, favores nem privilégios para
nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à
da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe
deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na
continuidade das relações entre o mundo visível e o
mundo invisível; na solidariedade que religa todos
os seres passados, presentes e futuros, encarnados
e desencarnados; considerar a vida terrestre como
transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é
eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista
de um futuro mais invejável que o presente; praticar
a caridade em pensamentos, em palavras e obras na
mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia
para ser melhor que na véspera, extirpando toda
imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças
ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar
pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por
mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a
consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas
da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são
as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo,
religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto
é, com todas as maneiras de adorar a Deus. É o laço
que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão
de pensamentos, esperando que ligue todos os homens
sob a bandeira da fraternidade universal.
Com a fraternidade, filha da caridade, os homens
viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que
nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do
egoísmo, da ambição, da inveja e de todas as imperfeições da Humanidade.
O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso
para a sua felicidade aqui na Terra, porque lhes ensina a
se contentarem com o que têm. Que os espíritas sejam,
pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele
traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia,
que resplandecerá nas gerações futuras.
[...]
>
(Texto de Allan Kardec lido na Sessão Anual Comemorativa
dos Mortos, no dia 1º. de novembro de 1868. Transcrição
parcial, Revue Spirite, dezembro de 1868).
International Spiritist Council
revista 23
Av. L2 Norte - Quadra 603 - Conj. F - Asa Norte - 70830-030
espírita
Brasilia - DF - Brazil - Tel: 00 55 (0) 61 3321-1767
www.spiritist.org.br - [email protected]
Entrevista
exclusiva
ENTREVISTA
A Revista Espírita e a
Sociedade Parisiense de
Estudos Espíritas na visão
de Divaldo Franco.
> Entrevista concedida a Luis Hu Rivas
1 – Qual é a importância da Revista
Espírita?
24
revista
espírita
Em face da publicação de O Livro dos Espíritos,
em Paris, no dia 18 de abril de 1857, Allan Kardec
passou a receber volumosa correspondência.
De toda parte, onde chegava a novel doutrina
inserta na memorável obra, procediam comentários, interrogações, informações, narrativas de fatos
mediúnicos, exigindo demasiadamente do insigne
Codificador.
Ademais, as acusações e combates contra o
Espiritismo avolumavam-se, necessitando de um
órgão portador de esclarecimentos, que pudesse
enfrentar a má fé e a pusilanimidade dos adversários
do progresso.
Ao mesmo tempo, considerando que as pesquisas prosseguiam, tornava-se necessário continuar
divulgando-as como contribuição valiosa para os
estudiosos e iniciantes no conhecimento libertador
da nova ciência.
A Revista Espírita, por conseqüência, tornou-se o
veículo mensal de grande significado para atender a
todas essas necessidades.
Posteriormente, ao elaborar as demais obras da
Codificação, Allan Kardec utilizou-se de muitas informações e contributos publicados na Revista para
servir-lhes de fundamentos valiosos.
“É de grande importância que
se propague a doutrina espírita
por todos os meios e modos
nobres possíveis, a fim de atenuar
as tragédias do cotidiano e
preparar os seres humanos para
as inevitáveis transformações
morais e sociais que já se vêm
operando no planeta.”
2 – A Revista Espírita é a primeira publicação
espírita em forma de jornal de todos os
tempos. Como tem servido de base para a
imprensa espírita até os dias de hoje?
Tratava-se de um pequeno grupo de participantes
que se reuniam hebdomadariamente, com profundo
interesse pelo aprofundamento das questões espíritas
sob a presidência de Allan Kardec.
Transformando-se em fonte inexaurível de informações e abarcando todo um universo de acontecimentos
e de informações, a Revista Espírita é um exemplo para
a nossa imprensa, especialmente pela maneira sábia
como Allan Kardec a utilizou.
Perseguido, hostilizado, combatida a Doutrina
Espírita, o Codificador jamais abdicou da ética e do
bom tom, para enfrentar os adversários ideológicos e
pessoais, perdidos na própria pequenez.
Utilizando-se sempre de linguagem escorreita e
fundamentando os seus conceitos na experiência de
laboratório, o mestre de Lyon tornou-se exemplo de
serenidade, de honradez e nobreza no enfrentamento
com os contumazes inimigos da humanidade.
Nunca se permitiu nela publicar quaisquer temas
ou questões que não estivessem vinculadas ao Espiritismo, jamais se preocupando com o proselitismo de
arrastamento, mas sempre atento ao esclarecimento e
à iluminação de consciências dos leitores.
5 – O que tem mudado nos Centros Espíritas desde o seu surgimento?
3 – Qual conselho daria aos divulgadores da imprensa espírita?
Confesso reconhecer a pobreza de valores culturais
e morais que me caracterizam, para atrever-me a aconselhar os lidadores da imprensa espírita. Nada obstante,
sugiro a todo aquele que deseja oferecer contributos
valiosos aos labores de divulgação do Espiritismo através
da imprensa, que tenham em Allan Kardec na condição
de modelo ideal, sendo fiel aos princípios doutrinários e
jamais derrapando para as acusações ou as defesas pessoais, os debates inócuos, as publicações perturbadoras,
as discussões infrutíferas em torno de temas que mais
perturbam os principiantes do que os esclarecem.
4 – Há 150 anos surgiu a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o primeiro
centro espírita do mundo. Comente-nos
como era o trabalho da época.
A criação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas tornou-se uma necessidade imperiosa, naqueles
dias, a fim de facultar o prosseguimento das pesquisas
mediúnicas, o debate sensato com os Espíritos da
Codificação, o estudo cuidadoso dos postulados revelados, a demonstração da legitimidade dos fenômenos,
especialmente para alguns cidadãos interessados na
busca da verdade.
Em razão do próprio progresso cultural e tecnológico da atualidade, o Centro Espírita mantém um
elenco ampliado de atividades, sendo uma escola de
estudos da Doutrina, uma oficina de edificação moral,
um santuário de amor onde a caridade vige soberana,
um núcleo de aglutinação de todos quantos se interessam pelo conhecimento, divulgação e vivência do
Espiritismo.
6 – Na época do Codificador surgiram os
primeiros núcleos. Hoje falamos de mais
de 12 mil centros espíritas, só no Brasil.
Como você observa esta expansão no
Brasil e no mundo?
Essa expansão está prevista na revelação dos
imortais, porquanto, os Espíritos sopram onde querem,
e as suas vozes, chamando a atenção das criaturas
humanas, logo as conclamam à organização de entidades de estudo, de trabalho e de divulgação dos seus
conteúdos insertos na Codificação e nas obras que lhe
são subsidiárias.
É de grande importância que se propague a Doutrina Espírita por todos os meios e modos nobres possíveis,
a fim de atenuar as tragédias do cotidiano e preparar
os seres humanos para as inevitáveis transformações
morais e sociais que já se vêm operando no planeta.
7 – Qual seria sua orientação aos trabalhadores dos centros espíritas?
Sendo-me facultado sugerir uma orientação aos
trabalhadores dos centros espíritas, conclamo-os à
fidelidade doutrinária em relação à codificação kardequiana, às obras que lhe constituem complemento
valioso, evitando os modismos e as novidades que
muito agradam os frívolos, com desconsideração pela
seriedade com que deve ser encarado o Espiritismo.
O Espiritismo é doutrina séria para pessoas sérias
que se dispõem ao esforço pela transformação moral
de si mesmas para melhor, superando as suas más
inclinações.
>
Divaldo Pereira Franco é médium e orador espírita
revista
espírita
25
EDICEI
O desafio de editar livros
espíritas para o mundo
> Fernando Quaglia
A
penas começaram a ser divulgados os
primeiros exemplares de O Livro dos
Espíritos, na livraria Dentu, situada no
Palais-Royal, em Paris, começou um singular
fenômeno editorial que permitiu esgotar, em
pouco tempo, os 1.200 exemplares que tinham
sido impressos1.
26
revista
espírita
Com 501 perguntas e diagramado em duas colunas, o Livro teve grande repercussão na Sociedade
Parisiense da segunda metade do século XIX.
Seguindo a orientação dos Espíritos, Allan Kardec
preparou uma segunda edição, desta vez aumentada e
corrigida, no formato que atualmente conhecemos.
Com uma seqüência lógica, e ampliando os
ensinamentos que se encontravam nesta obra extraordinária, Kardec publicou os outros livros que
integram a Codificação Espírita: O Livro dos Médiuns,
O Evangelho segundo o Espiritismo, o Céu e o Inferno
e A Gênese.
Nos anos seguintes, numerosas traduções da obra
de Allan Kardec começaram a ser publicadas em
diferentes países, tanto na Europa como na América,
permitindo uma ampla divulgação dos princípios da
Doutrina Espírita.
Hoje, mais de 150 anos da aparição de O Livro
dos Espíritos, permanece vigente o desafio de levar
a mensagem Consoladora que os Espíritos superiores
legaram à Humanidade, até o mais distantes rincões
do planeta.
Com este objetivo, o Conselho Espírita Internacional – CEI, em conjunto com a Federação Espírita
Brasileira, está trabalhando ativamente para que o
Espiritismo seja cada vez mais conhecido em todo o
mundo, valendo-se do livro espírita, que ainda hoje
continua sendo o principal veículo de divulgação dos
princípios doutrinários.
É assim que surge a EDICEI, o departamento do
Conselho Espírita Internacional que se encarrega de
coordenar o trabalho de publicação de suas obras,
que incluim a aquisição de traduções em múltiplos
idiomas, os processos de diagramação e criação de
capas, impressão e divulgação.
Na hora de eleger um livro para publicação, as preferências mudam de acordo com a cultura e os hábitos
de leitura de cada país. É por este motivo que os livros
do CEI buscam adapatar sua apresentação de acordo
com o idioma para o qual são traduzidos, mantendo
inalterada a fidelidade dos princípios codificados por
Allan Kardec.
Com obras publicadas em espanhol, francês, alemão, russo e húngaro, entre outros idiomas, e com
www.sxc.hu / Rodolfo Clix
numerosas traduções em andamento, o CEI trabalha ativamente para ampliar o catálogo de títulos impressos.
Uma vez que a obra foi publicada, o trabalho de
divulgação apenas começa. Com presença nas principais feiras de livro do mundo, como Frankfurt, Paris
e São Paulo, o CEI busca difundir, cada vez mais, as
obras de Allan Kardec e de outros autores destacados
da literatura espírita, como Francisco Cândido Xavier
ou Yvonne A. Pereira, entre outros.
O Conselho Espírita Internacional, desde que
começou a trabalhar em programas mais amplos de
divulgação, participando em feiras e eventos em diversos lugares do mundo, constatou um grande interesse
das pessoas em conhecer os princípios da Doutrina
Espírita. Hoje o CEI tem acordos para divulgar seus
livros em países como a França e os Estados Unidos,
e permanentemente vem trabalhando para poder
ampliar estes convênios.
Atualmente, as tecnologias do mercado editorial
permitem uma verdadeira revolução na edição de
livros. Hoje é possível diagramar um livro no Brasil e
solicitar a impressão de 300 exemplares na Argentina,
de 500 na Colômbia e 200 no Chile, simplificando os
processos de edição, impressão e distribuição, o que
permite contar com melhores opções de divulgação.
Apesar de toda esta tecnologia, o que faz com que
um leitor se sinta interessado por um livro é seu conteúdo e não pelas opções tecnológicas que o envolvem.
Por isto, devemos contar com traduções que reflitam
fielmente os princípios Espíritas, além de ter um correto
uso do idioma ao qual foi transcrito.
Entre os principais desafios que são enfrentados
para a edição de livros espíritas é a falta de tradutores especializados e confiáveis. Antigamente, eram
enviadas ao CEI traduções realizadas na base da boa
vontade, por colaboradores que decidiam traduzir
uma obra por sua conta e somente a enviavam quando
estava finalizada. Assim ocorria que chegavam 3 ou 4
traduções de um mesmo livro que, em muitos casos,
já havia sido publicado. Atualmente o Departamento
Editorial do CEI está trabalhando para regularizar
este processo, coordenando as diferentes equipes de
colaboradores e estabelecendo um cronograma de
trabalho que facilite a preparação de traduções de
excelente qualidade.
Contar com tradutores capacitados permite que as
obras publicadas pelo Conselho Espírita Internacional
sejam reconhecidas por sua qualidade lingüística e
fidelidade doutrinária, transformando-se, hoje em
dia, em obras de referência de grande valor para os
leitores.
Ainda resta muito trabalho a ser realizado. São milhões de livros que deverão ser impressos e divulgados,
para que possam alcançar a todos aqueles que buscam
esclarecimento e consolo através de suas páginas.
O desafio apenas começou.
>
Fernando Quaglia é coordenador do Departamento do Livro
do CEI
Referências:
1
Esta foi a quantidade de livros impressos na primeira edição,
segundo consta na obra O Livro dos Espíritos e sua tradição
Histórica e Legendária. Canuto Abreu. Edições LFU – Lar da
Família Universal. São Paulo, 1996.
Edição em Espanhol da Confederação Espiritista Argentina – CEA.
Buenos Aires, 2007. Tradução de Gustavo Martínez.
revista
espírita
27
Da primeira sociedade
espírita aos nossos dias
história
> Antonio Cesar Perri de Carvalho
A
obra inaugural do Espiritismo - O Livro
dos Espíritos (1857) - provocou interesse
e seu autor foi muito procurado por
aqueles que queriam conhecê-lo e trocar
idéias. Poucos meses depois Kardec realizava
reuniões em sua residência, à rua dos Mártires.
Interessados da França e de outros países ali
compareciam para conhecer o Espiritismo e o
Codificador.
Quatro meses após lançar - a 1º. de janeiro de
1858, a Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos – Allan Kardec e seus companheiros fundaram a
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE), em
1o de abril de 1858, na Galerie Valois (Palais Royal), ao
lado do Museu do Louvre, em Paris. Em 1860 a Sociedade mudou-se para nova sede, na Passage de Saint
Anne, à rua Saint Anne no 59. A SPEE foi o primeiro
Fotos: Cesar Perri
Palais Royal no século XIX
local de estudo e prática do Espiritismo e um ponto de
referência para os interessados no Espiritismo. Kardec
divulgou muitas informações sobre a SPEE nas páginas
de Revista Espírita (6).
A experiência de fundar e dirigir uma Sociedade Espírita foi de fundamental importância para o
Codificador, passando pela vivência da organização,
normatização e do acompanhamento rotineiro.
Kardec viveu o contato direto com os colaboradores
e suas dificuldades, os cuidados com os médiuns,
a análise das dissertações espirituais, e os contatos
com visitantes. O Codificador além de escrever os
livros, editar a Revista Espírita e dirigir a Sociedade,
ainda fez algumas viagens pela França e pela Bélgica
para conhecer e ampliar o intercâmbio com as novas
instituições espíritas que surgiam. Na realidade, foi
um trabalho hercúleo para apenas quinze anos de
atuação.
Há muitas considerações de Allan Kardec sobre
a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritos e o funcionamento de grupos espíritas, incluídas em Revista
Espírita, O Livro dos Médiuns e em Obras Póstumas.
Allan Kardec divulgou muitas informações sobre a SPEE
nas páginas de Revista Espírita, adaptando-as depois
em forma de orientações para reuniões em capítulos
de O Livro dos Médiuns, onde também transcreve o
“Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritas” (1). Entendemos que as observações do Codificador incluídas nas obras citadas sejam significativos
referenciais e subsídios para o funcionamento dos
centros espíritas até nossos dias. O testemunho de sua
atuação como Codificador reforça inclusive seu oportuno comentário sobre o compromisso dos encarnados:
“O que caracteriza a revelação espírita é o ser divina
a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua
elaboração fruto do trabalho do homem.” (2).
Passados 150 anos da fundação do primeiro Centro Espírita do mundo, torna-se importante a reflexão
sobre a evolução desta instituição até nossos dias.
as Entidades Federativas Estaduais que integram o
Conselho Federativo Nacional da FEB aprovaram o
texto “Orientação ao Centro Espírita”, que passou a ser
um marcante subsídio orientador para as instituições
espíritas do país. As propostas de organização administrativa e doutrinária dos centros espíritas culminaram
com o projeto sobre “Capacitação Administrativa da
Casa Espírita”, em Reunião realizada em novembro de
2002 e na elaboração do “Plano de Trabalho para o
Movimento Espírita Brasileiro (2007-2010)”.
Há também reflexos internacionais. Desde o ano
de 2004 têm sido desenvolvidos miniseminários sobre
temas de gestão administrativa e doutrinária. Daí
em diante, os seminários de Gestão Administrativa e
Doutrinária foram desenvolvidos em vários países e
passou a ser um programa de trabalho do Conselho
Espírita Internacional. Atualmente, perto de 50 países
dispõem de grupos espíritas e 33 países dispõem de
Movimento Espírita e estão integrados ao CEI.
>
Cesar Perri de Carvalho, diretor da FEB. Membro da Comissão
Executiva do CEI.
Referências:
Rua Saint Anne no 59, Paris
Léon Denis, que conheceu Kardec durante visita
deste a Tours, em 1862, e depois esteve com este em
mais duas oportunidades, no ano de 1867 (3), veio a
se transformar no grande divulgador do Espiritismo e o
consolidador do Movimento Espírita francês, visitando
e proferindo palestras em inúmeros grupos espíritas. O
Espiritismo se firmou em várias localidades francesas.
Léon Denis considerou que “Lyon é a muralha do
Espiritismo”. Esta cidade chegou a possuir uma creche
espírita fundada em 1903 (5). Os primeiros grupos
espíritas se espalharam pela França e países europeus
e, em seguida, pelas Américas.
No final do século XIX surgiram instituições espíritas em vários países da América Latina, e algumas
destas fundadas na Argentina e no Brasil prosseguem
em atividades até nossos dias.
No Brasil, a expansão do Movimento Espírita e
a tendência de se aumentar a procura pelos centros
espíritas, a partir dos “Pinga-Fogos” na TV com Chico
Xavier, gerou a preocupação sobre algumas aparentes
distorções e obstáculos à organização doutrinária dos
centros, ações de assistência social apenas com a
materialização da caridade, e, a mediunidade como
fim, poderiam comprometer as bases do Movimento
Espírita. Seria importante o fortalecimento em bases
kardequianas e a divulgação pelo livro (4). Em 1980,
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1964.
Cap. XXX.
2. Kardec, Allan. A Gênese. Tradução Guilhom Ribeiro. Cap. I, Rio de Janeiro:
FEB, item 13, 1977.
3. LUCE, Gaston. Vida e Obra de Léon Denis. (Trad. Miguel Maillet) 1. ed. São Paulo:
Edicel, 1968. Cap.1.
4. PERRI DE CARVALHO, A.C. Espiritismo e Modernidade. 1. ed. São Paulo: USE,
1996, p.56-7.
5. PONSARDIN, Mickaël. Le Spiritism à Lyon. 1. ed. Marly-le-Roi: Philman, 2004,
p.5, 105-06.
6. WANTUIL, Zêus.; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: pesquisa biobliográfica e
ensaios de interpretação. v. III. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1988. Cap.3.
Palais Royal na atualidade
revista
espírita
29
O Espiritismo na
era digital
> Victor Hugo Silva Santos
B
tvcei
asta sentar-se em frente ao computador,
digitar em um site de busca a palavra
­“Espiritismo” e, imediatamente, milhares
de opções se farão disponíveis com os mais
variados assuntos relacionados à Doutrina
Espírita. Essa é a realidade atual para muitos espíritas com acesso ao mundo de possibilidades
que a Internet oferece. Por meio dela, é possível encontrar desde as obras da codificação
espírita, em versão de leitura, até bibliotecas
virtuais com obras raras do Espiritismo referentes ao século XIX, para estudo e pesquisa dos
interessados. Com isso, o Espiritismo ganha a
oportunidade de expansão das revelações que
o constituem.
Dentro dos muitos instrumentos que a Internet
proporciona, um dos que se encontra em maior expansão é a webtv, uma programação televisiva transmitida unicamente pelas ondas da rede mundial de
computadores. Esta se apresenta como uma solução
para o Brasil, onde a concessão de canais ou espaço
em horários na TV aberta é restrita a pequenos grupos
de comunicação. Além disso, as facilidades da webtv
são variadas: acesso gratuito ao conteúdo, sem limites
de horários, alcance de material televisivo gerado em
nível mundial, interatividade com o usuário e muitas
outras.
30
revista
espírita
“Uma publicidade em larga
escala, feita nos veículos de
maior circulação, levaria
ao mundo inteiro, até às
localidades mais distantes,
o conhecimento das idéias
espíritas, despertaria o
desejo de aprofundá-las
e, multiplicando-lhe os
adeptos, imporia silêncio aos
detratores, que logo teriam
de ceder, diante da ascensão
da opinião pública”.
Atualmente, dentro do Movimento Espírita, a
webtv do Conselho Espírita Internacional, conhecida
como TVCEI, é o site mais visitado por internautas
que buscam conteúdo audiovisual com temas sobre
a Doutrina Espírita. O projeto foi criado há dois anos
com o objetivo de expandir as idéias espíritas para
além das fronteiras brasileiras.
“Queremos nos tornar referência em divulgação
espírita pela internet”, afirma Joseval Carneiro Jr, um
dos idealizadores do projeto. Para ele, a TVCEI exerce um papel fundamental no consolo das pessoas
que vivem em outros países e não têm fácil acesso
à Doutrina Espírita.
A TVCEI recebe apoio da Federação Espírita
Brasileira. No site www.tvcei.com é possível assistir
mais de 30 programas de TV, produzidos por grupos
diversos de instituições espíritas, filmes, estudos,
entrevistas e produções variadas em inglês, espanhol
e francês, disponíveis 24h. São oito canais à dispo-
sição do público, abrangendo, inclusive, ­canais de
áudio, como a Rede Boa Nova de Rádio, a ­Rádio
Rio de Janeiro e a Rádio do Conselho Espírita Internacional.
A TVCEI é também pioneira nas transmissões de
eventos espíritas, em tempo real, como palestras e
seminários de várias localidades do Brasil e exterior,
com os mais atuantes oradores espíritas, entre eles os
médiuns Divaldo Pereira Franco e José Raul Teixeira.
Recentemente, comprovou-se a amplitude da webtv
com a transmissão da Semana Espírita de Vitória da
Conquista, que está em sua 55ª edição e é um dos
maiores eventos espíritas do país. O evento durou
oito dias e teve um público estimado em 2.000
pessoas diariamente para estudo e divulgação do
tema “Reencarnação: uma questão de justiça”. A
transmissão ao vivo pela TVCEI bateu recorde de
acessos com aproximadamente 25.000 visitantes
do Brasil e exterior.
“É um dos eventos mais importantes do ano para o
cenário espírita”, explica Luis Hu Rivas, coordenadorgeral da TVCEI. “É muito gratificante poder levar esse
encontro de paz aos espíritas, no conforto dos seus
lares”.
Os desafios do projeto são muitos. Certamente, os
números mostram uma nova vertente que a divulgação
espírita ganha, aliados aos mais novos recursos de
comunicação, impulsionados pela tecnologia. O que
resta daqui para frente é trabalhar para que o consolo
espírita alcance um número cada vez maior de pessoas.
Ademais, segue-se o Projeto 1868, do insigne codificador: “Uma publicidade em larga escala, feita nos
veículos de maior circulação, levaria ao mundo inteiro,
até às localidades mais distantes, o conhecimento das
idéias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las
e, multiplicando-lhe os adeptos, imporia silêncio aos
detratores, que logo teriam de ceder, diante da ascensão da opinião pública”.
revista
espírita
31
Honduras
> A Coordenadoria do Conselho Espírita Internacional para a América Central e Caribe promoveu o “III Congresso Centroamericano, Panamá e o Caribe”, na cidade de Tegucigalpa (Honduras),
nos dias 27, 28, 29 e 30 de junho. Entre os representantes do
CEI e expositores, atuaram no evento: os diretores da FEB João
Pinto Rabelo e Marta Antunes de Moura e, integrantes da equipe
da FEB e do CEI: Roberto Fuina Versiani e Luís Rivas Hu.
Itália
> No dia 12 de abril foi fundada a Unione Spiritica Italiana – USI.
A Itália hoje conta com 8 grupos espíritas, alguns já fundados
há mais de 10 anos. Em breve a USI criará uma página eletrônica própria, oferecendo a todos os interessados informações
sobre todo o Movimento Espírita italiano, livros espíritas na
língua do País, entre outras informações. Contato pelo e-mail
[email protected]
CANADÁ
> Com o objetivo de fundar o Conselho Espírita Canadense, nos
dias 12, 13 e 14 de setembro, ocorreram reuniões e palestras
nos três grupos espíritas de Montreal (Canadá): “Mensageiros Luz
e Paz”, “Justiça, Amor e Caridade” e “Fraternidade”. Também
estiveram presentes aos eventos os representantes do “Joanna
de Angelis Spiritist Study Group”, de Toronto, o qual sediará a
nova Entidade representativa do Canadá. As citadas atividades
em Montreal e palestras e reuniões em Toronto, contaram com
a atuação de Antonio Cesar Perri de Carvalho, membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional
notícias
Congresso da América
Central e Caribe
Constituída União
Espírita
CEI NO CANADÁ
32
revista
espírita
> A Coordenadoria de Apoio ao Movimento Espírita na Europa,
do Conselho Espírita Internacional, realizou a sua 10ª Reunião
Anual, nos dias 16, 17 e 18 de maio, no Hotel Nuovo, em Lecco
(Itália). A Reunião foi dirigida pelo coordenador do CEI para a
Europa Charles Kempf, contando com a presença do secretáriogeral do CEI, Nestor João Masotti e de integrantes da Comissão
Executiva do CEI.
Compareceram representantes de instituições de 16 países da
Europa, dos quais 11 como membros do CEI e cinco como observadores, os quais apresentaram informações sobre as ações
espíritas em seus respectivos países: Maria Gekeler (União Espírita Alemã), Jean Paul Évrard (União Espírita Belga), Salvador
Martin (Federação Espírita Espanhola), Jean Luc Royens (União
Espírita Francesa e Francofônica), Maria Moraes da Silva (União
Espírita da Holanda), Evi Alborghetti (União Espírita Italiana),
Maria Cristina Latini (Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec),
Maria Isabel Saraiva (Federação Espírita Portuguesa), Joca Dalledone (União Britânica de Sociedades Espíritas), Eliane Dahre
(União Espírita Sueca) e Gorete Newton (União dos Centros de
Estudos Espíritas na Suíça). Como observadores: Cláudia Werdine
(Áustria); Spartak Severin (Bielorrússia), August Kilk (Estônia),
Pekka Kaarakainen (Finlândia), Szabadi Tibor (Hungria).
Nesta Reunião foi realizada a integração da União Espírita Italiana
junto ao CEI, em substituição ao Centro que temporariamente
representava a Itália. Ocorreram informações sobre os preparativos para o 6º Congresso Espírita Mundial, programado para
a cidade de Valencia (Espanha), para outubro de 2010; difusão
do Espiritismo em novas traduções de livros e pela internet; o
andamento das comemorações dos 150 anos de publicação de
La Revue Spirite e de fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e, as atividades gerais do CEI. No período, houve
reunião da Comissão Executiva do CEI para tratar de assuntos
da organização e, especificamente, sobre os preparativos sobre
o já citado Congresso, promovido pelo CEI.
Foi desenvolvido o Seminário para Formação de Trabalhadores
Espíritas, por Antonio Cesar Perri de Carvalho (Missão dos Espíritas) e Charles Kempf (Formação de Pequenos Grupos). Também
ocorreram palestras públicas, no salão do Hotel Nuovo: no dia
16 por Nestor João Masotti e no dia 17 por Antonio Cesar Perri
de Carvalho. No dia 19, pelo secretário-geral do CEI e presidente
da FEB, na Associação Cultural Sentieri dello Spirito, em Milão.
Europa
Reunião da Coordenadoria
do Cei
revista
espírita
33
EDICei
A presença do CEI na Feira
do Livro de Brasília supera
todas as expectativas.
> Com um importante trabalho de divulgação, o Conselho Espírita Internacional participou da Feira do Livro de Brasília, de 29
de agosto a 7 de setembro, com um stand exclusivo.
No marco da Feira foram apresentados os novos lançamentos em
outros idiomas, publicados pelo CEI, e também todas as obras
já publicadas totalizando mais de 60 títulos em espanhol, inglês,
alemão, francês e outros idiomas.
notícias
A procura do público foi maior do esperado. Os freqüentadores
da Feira se mostraram gratamente surpresos por todo o trabalho
de divulgação que o CEI vem realizando.
TVCei
> Espíritas de outros países têm encontrado um ótimo canal de
divulgação da Doutrina Espírita em sua língua de origem através
da Web TV do Conselho Espírita Internacional. A Web TV disponibiliza espaço para veiculação de congressos e palestras, em
outros idiomas, ao vivo, para todo o mundo. Atualmente, existem 5
localidades do exterior com palestras em língua estrangeira: Todas
as terças, 20h30(horário de Brasília) palestras direto de Cartagena,
na Colômbia. Às quartas, a partir das 22h, com Edwin Bravo, da
Guatemala. Todas as quintas e sábados, às 21h, palestras e estudo de O Livro dos Espíritos em inglês, direto de Baltimore (EUA),
além de transmissões de Lisboa, às sextas-feiras, 16h30. É possível
encontrar detalhes de temas e horários no www.tvcei.com no link
“Agenda de eventos”, na página principal do site.
Lima
> Nos dias 11 e 12 de outubro, ocorre a 3ª Reunião da Coordenadoria do Conselho Espírita Internacional para a América do
Sul, em Lima (Peru), tendo como anfitriã a Federação Espírita
do Peru. Na pauta da Reunião constam informações sobre o
andamento do Movimento Espírita em países da América do
Sul e troca de idéias para um plano de ação. Durante o evento
será desenvolvido um Seminário para Dirigentes Espíritas Sulamericanos, por Divaldo Pereira Franco. Desde o dia 10 e até o
dia 12 também acontecerá o 2º Encontro Espírita Peruano, com
palestras de Divaldo Pereira Franco, Nestor João Masotti, Antonio
Cesar Perri de Carvalho, Ney Prieto Peres, Fábio Villarraga, Jorge
F. Leon, Jorge Berrío, Simoni Privato e Ricardo Morante. Haverá
ainda apresentação musical de Nando Cordel.
Espíritas do mundo transmitem
pela TVCEI
Reunião da Coordenadoria do
CEI para América do Sul
34
revista
espírita
revista
espírita
35
Países Membros
CEI
do CEI
CONSELHO ESPÍRITA INTERNACIONAL
Av. L2 Norte - Quadra 603 - Conj. F - Asa Norte
70830-030 - Brasília - DF - Brasil
Tel: 00 55 (0) 61 3321-1767
www.spiritist.org.br
[email protected]
1 – ALEMANHA
União Espírita Alemã
Hackstrasse 11
D-70190 Stuttgart-Ost
Alemanha – Germany
Tel: 0049.7122.82253
[email protected]
www.spiritismus-dsv.org
2 – ANGOLA
Sociedade Espírita Allan Kardec de Angola
Rua Amílcar Cabral, 29 - 4°. B
LUANDA - ANGOLA
Tel/Fax: 00 2 442 334 030
[email protected]
www.seaka.org
3 – ARGENTINA
Confederación Espiritista Argentina
Sanchez de Bustamante 463
Buenos Aires
Tel. (54) 11 4 8626314
[email protected]
www.spiritist.org/argetina
36
revista
espírita
4 – AUSTRÁLIA
Franciscans Spiritist House
1 Lister Ave. – Rodkdale 2216 – Sydney –
NSW
Gloria Collaroy (02) 9597 6585
[email protected]
www.joanadecusa.org.au
7 – BRASIL
Federação Espírita Brasileira
Av. L2 Norte - Quadra 603 - Conj.F - Asa Norte
70830-030 – Brasília - DF - Brasil
Tel: 00 55 (0) 61 2101 6150
www.febnet.org.br
[email protected]
5 – BÉLGICA
Union Spirite Belge
43 Rue Maghin, B-4000 LIEGE
BELGIQUE (BÉLGICA)
Tel: 00 32 (04) 227-6076
www.spirites.be
e-mail: [email protected]
8 – CANADÁ
Canadian Spiritist Council
1357 B Dundas Street West
Toronto, ON - M6J 1Y3
+1-456-532-7896
[email protected]
[email protected]
6 – BOLÍVIA
Federación Espírita Boliviana
(FEBOL)
Calle Libertad 382
Santa Cruz de la Sierra
Tel. (591) 3337 6060
[email protected]
www.febol.org
9 – CHILE
Centro de Estudios Espíritas Buena Nueva
Calle Nelson, 1721 – Ñuñoa – Santiago.
SANTIAGO - CHILE
[email protected]
www.consejoespirita.com/chile
10 – COLÔMBIA
Confederación Espírita Colombiana
(CONFECOL)
Calle 73, 20B-08
Bogotá D.C.
Tel. (571) 2551417 , Fax (571) 21719565
[email protected]
www.confecol.org
11 – CUBA
Sociedad Amor y Caridad Universal
Ave 37 No. 3019 entre 30 y 34 bajos, Playa,
Ciudad Habana - CUBA
Tel: 209-6833
[email protected]
www.josedeluz.com
12 – EL SALVADOR
Federación Espírita de El Salvador
39 Calle Poniente No. 579 y 571,
Barrio Belén
SAN SALVADOR - EL SALVADOR
América Central
Tel: 00 (503) 502 2596
2235-4250 7763-8764,
2235-4250 7229-4886,
[email protected]
www.elsalvadorespirita.org
13 – ESPANHA
Federación Espírita Española
Calle Dr. Sirvent, 36 A
03160 Alhoradí – Alicante
Tel: (34) 626311881
[email protected]
www.espiritismo.cc
14 – ESTADOS UNIDOS
United States Spiritist Council
P.O BOX 341366 - Bethesda, MD 20827
- USA
Tel: 00 1 (240) 453.0361,
Fax: 00 1 (240) 453.0362
www.usspiritistcouncil.com
[email protected]
15 – FRANÇA
Union Spirite Française et Francophone
1, Rue du Docteur Fournier
Boite Postalle 2707
37027 TOURS - FRANCE
Tel/Fax: 00 33 (0)2 4746-2790
www.union-spirite.fr
[email protected]
16 – GUATEMALA
Cadena Heliosophica Guatemalteca
15 Av. 6-71, zona 12
01012 – Guatemala
Tel: (502) 2471 9935,
Cel. (502) 5704 1387
[email protected]
www.guatespirita.org
17 – HOLANDA
Nederlandse Raad voor het Spiritisme
Postadres: Klokketuin 15 1689 KN HOORN - HOLLAND
Tel: 00 31 (0)229 234527
www.nrsp.nl
[email protected]
18 – HONDURAS
Asociación Civil de Proyección Moral –
ACIPROMO
Zona de Tiloarque, Colonia El Contador,
Calle principal, lote 3 y 4
Apartado Postal # 3163
TEGUCIGALPA, HONDURAS
Tel: 504-2379312 - 504-33800299
[email protected]
www.hondurasespirita.org
19 – ITÁLIA
Unione Spiritica Italiana
Via dei Pescatori,43
23900 - Lecco - Italia
Tel: 00 39 (0) 341494127
www.spiritist.org/italia
[email protected]
20 – JAPÃO
Comunhão Espírita Cristã Francisco Cândido Xavier
Chiba-Ken/Jehikawa-shi/Ainokawa 3-13-20/101
2720034 – JCHIKAWA-SHI
[email protected]
www.spiritism.jp
21 – MÉXICO
Central Espírita Mexicana
Retorno Armando Leal 14
Unidad CTM Atzacoalco. Delegación Gustavo A.
Madero; Ciudad de México, C.P. 07090
Tel: 00 52 5715-0660
E-mail: [email protected]
www.spiritist.org/mexico
22 – NOVA ZELÂNDIA
Allan Kardec Spiritist Group of New Zealand
7/7 Balmain Road
Birkenhead - Auckland
New Zealand
Tel: 00 64 21 178 75 56
www.allankardec.org.nz
[email protected]
23 – NORUEGA
Gruppen for Spiritistiske Studier Allan Kardec
Dronningens gt. 23
0154 Oslo – Noruega
Tel: 00 47 (22) 19 44 69
www.geeaknorge.com
[email protected]
24 – PANAMÁ
Fraternidad Espírita Dios, Amor y Caridad (FEDAC)
Calle V # 9 - Parque Lefevre
Panamá - República de Panamá
Apartado Postal 0834 - 01981
Panamá, República de Panamá
www.fedac.org.pa
[email protected]
[email protected]
26 – PERU
Federación Espírita del Perú FEPERU
Jr. Salaverry Nº 632 -1, Magdalena del Mar
LIMA-PERÚ
Tel: 00 (511) 263-3201 - (511) 440-1919
[email protected]
www.spiritist.org/peru
27 – PORTUGAL
Federação Espírita Portuguesa
Praceta do Casal de Cascais - Lote 4 R/C - A
Alto da Damaia
2720 – 090 - Amadora - PORTUGAL
Tel: 00 351 214 975 754
[email protected]
[email protected]
www.feportuguesa.pt
28 – REINO UNIDO
British Union of Spiritist Societies-BUSS
Room 9, Oxford House - Derbyshire Street
Bethnal Green - E2 6 HG
Tel. 02077293214
[email protected]
www.buss.org.uk
29 – SUÉCIA
Svenska Spiritistiska Förbundet
c/o Eliane Dahre, Norra Kringelvägen 12,
28136 Hässleholm – Sweden
Tel: 00 46 (451) 12916
[email protected]
www.spiritist.org/sweden
30 – SUÍÇA
Union des Centres d’Études Spirites en Suisse
Postfach: 8404 - WINTERTHUR - SUIÇA
Tel.privé: ++ 41/ 055 210 1878
UCESS 00 41 52 232 2888
www.spiritismus.ch
[email protected]
31 – URUGUAI
Federación Espírita Uruguaya
Av. General Flores 4689
11100 - Montevideo - Uruguay
Tel: 00 598 62 24980
[email protected]
[email protected]
www.spiritist.org/uruguay
32 – VENEZUELA
Asociación Civil «Sócrates»
Carrera 23 entre Calle 8 y Av. Moran
Edificio: Roduar IV apto. 2-3
Barquisimeto – Estado Lara
Tel: 0251-2527423
[email protected]
www.venezuelaespirita.org
25 – PARAGUAI
Centro de Filosofía Espiritista Paraguayo
Calle Amancio González, 265
ASUNCIÓN – PARAGUAY
Tel/Fax: 00 595 21 90.0318
www.spiritist.org/paraguay
[email protected]
revista
espírita
37
Conselho Espírita Internacional - CEI, Av. L2 Norte - Quadra 603, Conj. F - Asa Norte, 70830-030 - Brasília - DF - Brasil
Tel: 00 55 (0) 61 3321-1767 – www.spiritist.org.br – [email protected]
Download

Introdução à Revista Espírita