Capital da Notícia
Curitiba, novembro de 2005
Capital da Notícia
Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo
Curitiba/PR - Novembro/2005 - Edição 22
Informação a serviço da sociedade
Aumenta violência contra a mulher
Uma mulher sofre violência a cada
15 segundos no Brasil. O número de registros de agressões aumenta na capital
paranaense, mas sem amparo adequado, muitas ainda preferem o silêncio.
Segundo índices da Delegacia da Mulher,
a violência aumentou em 5,95% do ano
de 2003 para 2004. Os bairros que mais
contribuem para essa elevação são
Cajuru e Bairro Alto. A estatística poderia ser ainda maior, caso não houvesse
omissões da metade das vítimas. Como
conseqüência, muitas perdem a auto-estima, sentem vergonha e acabam se afastando do convívio social. Para evitar esses problemas, ao realizar a queixa, as
delegacias oferecem apoio psicológico e,
posteriormente, jurídico. De todos os crimes contra a mulher, o mais cruel é o
sexual, que pode deixar marcas eternas.
Segundo pesquisas, o álcool, as drogas e
o ciúme são os principais fatores que levam o homem a cometer um ato violento. Páginas 6 e 7
PERSONAGEM
ESPORTES
Arquivo vivo do futebol
A onda é o streetball
Vinícius Coelho, cronista paranaense, é arquivo vivo do esporte no Paraná e no Brasil.
Página 3
Andressa Da
Rosa
VARIEDADES
Fala sério!
“Tá ligado que ter
estilo não é para
qualquer um né? Então chega junto porque agora é nós na
fita! Curte um cara
largadão? Pô! Vou te
apresentar os manos,
uns camaradas que
não pagam mico e
estão sempre antenados na moda.”
Não entendeu o recado? O papo agora é
a moda e as gírias dos
adolescentes.
Páginas 10 e 11
Clube bloqueia rua e
fere lei
Um basquete diferente está
tomando conta das ruas
tupiniquins. A batida é no ritmo do Hip Hop.
Página 12
Há aproximadamente 50 anos a rua Dino
Bertoldi, no Tarumã, permanece interditada pelo Jockey Club do Paraná. Apenas sócios do clube possuem livre acesso. Página 9
SAÚDE
Informalidade
Descaso na saúde
Em cada ano
político, a
mesma história: promessas feitas pelos candidatos não saem
do papel.
Página 4
Foto: divulgação
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GERAL
Tr a b a l h o i n f o r m a l a v a n ç a n o
B a i r r o A l t o ; desemprego é considerado um dos motivos.
Página 8
EDUCAÇÃO
Solidariedade
Alerta
Distrito de Saúde do bairro Cajuru revela índices preocupantes de mortalidade infantil.
De 1000 crianças nascidas, aproximadamente 12 são vítimas da mortalidade.
Página 4
1
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Nelci Guimarães
Na Casa de Joana
D’Arc, população carente do Bairro Alto
tem acesso a cursos
pré-profissionalizantes, oficinas e
informática.
Página 5
2
O
Curitiba, novembro de 2005
Capital da Notícia
P I N I Ã O
EDITORIAL
Mulheres....
É tão bom ver uma mulher bonita, bem vestida e com um sorriso
no olhar. Nada melhor do que perceber que ela está de bem com a
vida e com ela mesma. Pois é, mas ser assim não tão fácil quanto se
pensa. É preciso receber amor, carinho e cuidados para que assim, a
felicidade e a plenitude aconteçam.
Por incrível que pareça, existem pessoas que não tratam as mulheres como elas realmente merecem, muito pelo contrário. Muitos
cometem os mais diferentes tipos de violência, tais como verbal, sexual, física, etc além do preconceito. Com isso, elas se sentem rejeitadas, acabam em depressão e afastam-se da sociedade. Agora é a
hora de mudar toda essa situação.
O começo é simples. Basta não aceitar um simples xingamento,
não abaixar a cabeça diante de um ato violento e nem calar-se diante
de situações constrangedoras ou que apresentem perigo.
Felizmente, existem armas contra estes tristes acontecimentos.
Hoje, a mulher conta com amparo das Delegacias da Mulher, centros
especializados que promovem encontros voltados totalmente para elas
e voluntários, que se disponibilizam a ajudá-las. O que falta no entanto, é que conscientização de muitas, que não denunciam as agressões
e não tomam atitudes que poderiam modificar a situação.
O tempo, o dinheiro e o
adiantado da hora
Andressa Oestreich
CRÔNICA
O fim da traição
Aline Rodrigues e Vilma Takeda
Izilda e Paulo eram um casal que chamava a atenção por
onde passavam.
Ela era morena, seios fartos, cintura fina e um requebrado
que deixava qualquer malandro de queixo caído, brasileiríssima.
Ele era franzino, cor de um amarelo-esverdeado (totalmente patriota), calçava 37 e usava os cabelos penteados pra
trás.
Todas as sextas quando a turma se reunia no bar, o assunto
era sempre o mesmo: mulher.
“Você viu aquela loiraça que anda dando mole pra mim?”
“Só pra você não, pro timão inteiro!” “E a Lurdinha com aquela
carinha de santa, dizem que gosta até de apanhar.” “Conta pra
gente Paulo, como se faz pra conseguir um mulherão como a
Izilda, com todo respeito, claro.”
E passavam-se horas falando só da mulher alheia.
Quando um dia, Paulo chegou na mesa e percebeu que
seus amigos estavam mais calados, ninguém mais falava da
Flavinha ou da Aninha. Todos tinham a cara de velório, evitavam olhar nos seus olhos.
“Escuta, aconteceu alguma coisa que eu não saiba?”
“Bom, já que você perguntou, vou contar só porque você
é meu amigo.”
“É, não gostamos de fofocas, mas isso você precisa saber.” “Eu nunca vi, mas dizem que no seu terreno tem outro
galo.” “E olha que escutei de outra pessoa que viu um homem
sair do seu apartamento na tarde de quarta.” “Acho bom, você
cuidar melhor do que é seu.” “Se eu fosse você não deixaria ela
sair de casa com aquele decote.” “E nem com aquele vestidinho
curto que ela usa pra ir à feira.” “Sempre achei que ela era
muito de se mostrar mesmo.”
O choque foi tanto, que Paulo ficou mudo. Levantou-se e
sem se despedir foi pra casa.
Chegando lá, encontrou Izildinha sentada no sofá assistindo a novela. “Ué, voltou cedo hoje, querido. Você está bem?”
Paulo sem responder entrou no quarto. Começou a vasculhar suas coisas no armário, de onde tirou sua arma.
Dirigiu-se até a sala, parando em pé na frente de Izilda,
que assustada, gesticulava. “O que é isso Paulo?” “O que você
vai fazer com essa arma?”
Cinco tiros foram disparados. O vermelho agora manchava
o sofá e Izilda não existia mais.
Paulo soltou a arma e começou a chorar. Era um soluço
agoniado, doído, sofrido. “Por que Izildinha? Por que você fez
isso comigo?”
“Eu já sabia da sua traição há dois meses atrás, e eu já
tinha te perdoado, Izildinha.” “Mas como você foi deixar a turma
do bar descobrir? Isso eu não podia permitir...”
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2
A cada ano que passa você não
tem a sensação de que o natal chega
mais rápido? Os enfeites, por exemplo,
a cada ano são vendidos mais cedo. Os
carros também podem ser um bom
exemplo. Se o ano é 2005 porque já é
possível comprar carros 2006? Porque
cada vez mais há pessoas impacientes
e sempre com muita pressa? Esta pode
ser uma dúvida não muito comum nas
pessoas, mas é interessante tentar saber por que isso tudo acontece.
A filosofia pode explicar a questão da pressa e da impaciência. A rapidez do avanço tecnológico atualmente
é a principal causadora disso tudo.
Um exemplo para isso pode ser
o computador. Liga-se o computador e
ele já está logo funcionado. Com as
pessoas não, assim é preciso fazer uma
série de coisas até entrar no próprio
ritmo. Isso causa impaciência. Quando
alguém se depara com algo um pouco
mais devagar do que está acostumado, por exemplo, uma internet um pouco mais lenta, fica impaciente. De
acordo com a filósofa Andréa Maila Voss
Kominek, professora do curso de jornalismo da UniBrasil, o avanço fez com
que o novo e desconhecido fosse muito procurado. “Temos a sensação de
que é preciso ver ou saber tudo. Daí as
pessoas exclamam sempre 'nossa eu não
vi isso aqui ainda', ou então, 'esse assunto é bom eu deveria saber'”, disse.
O fato é que, atualmente, como
diz o escritor, filósofo e economista,
Eduardo Giannetti, “quer-se fazer mais
coisas do que se pode, saber mais do que
se é capaz. Há uma sobrecarga de informações e isso nos gera angustia, impaciência, pressa para saber cada vez mais”.
E a sociedade está se criando assim, com
pressa de tudo.
Atualmente as crianças são tão impacientes quanto os adultos. Não é possível mais contar uma história como antes,
com começo, meio e fim, agora é necessário apenas saber um pouco do início e ir
direto para o final.
O caso fica ainda mais visível no
comércio. As lojas são as que mais adiantam o tempo na corrida pelo lucro. A
comerciante de Pinhais Elza Soares começou a vender enfeites natalinos no
início de outubro. “As pessoas preferem consumir agora pois os gastos são
bem menores”.
É tudo uma questão de dinheiro,
e como tempo é dinheiro, passa tudo a
ser uma questão de tempo, por isso
ambos estão cada vez mais escassos.
Faculdades do Brasil
Expediente
Diretor Geral: Prof. Dr. Clemerson Merlin Clève / Diretor Acadêmico: Prof. Dr Lodércio Culpi
Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. MSc.Roberto Nicolato / Professores responsáveis: MSc. João Augusto Moliani (Planejamento Gráfico e Editorial), MSc. Ana Paula Mira
(Redação) e MSc. Jorge L. Kimieck (Fechamento). Alunos editores: Andressa Cristina da Rosa
(capa e opinião), Janaina Szot e Rubens Castro (Variedades), Marco J. Corrêa (Geral), Caroline
Cury e Cassiano Ribeiro (Educação e Saúde), Anderlin Júnior (Personagem) e Nelci Guimarães
e Jonas Júnior (Esporte).
O jornal Capital da Noticia é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido
pelos alunos do 4º periodo, que circula nos bairros Capão da Imbuia, Bairro Alto, Tarumã, Cajuru
e Pinhais. Tiragem: 2.000 exemplares
Endereço: Rua Konrad Adenauer, 442 - CEP: 82820-540 - Jornal Laboratório
Telefone: 3361-4200 - Endereço eletrônico: capitaldanotí[email protected]
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PERSONAGEM
Capital da Notícia
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Curitiba, novembro de 2005
Coelho, arquivo vivo do futebol
Um dos primeiros a viver a experiência da transmissão ao vivo no Rádio e TV
Anderlin Valério Jr.
tem que ter amigos, assim todas as portas estarão sempre abertas quando necessário.
Anderlin Valério Jr.
O pioneirismo na crônica esportiva paranaense fez de Vinicius Coelho
santos um arquivo vivo das histórias do
esporte no Brasil e no Estado do Paraná.
Começou numa época em que só o futebol era sinônimo de esporte no Brasil.
Um dos primeiros a viver a experiência
da transmissão ao vivo na tv e
rádio,Vinicius marcou história mesmo
como colunista nos jornais, Correio de
Notícias, Gazeta do Povo, Tribuna do
Paraná, Diário do Paraná e o Globo, no
Período em que morou no Rio de Janeiro de 69 a 74.
Por conta deste período foi jornalista bola de Ouro da revista Placar
um dos maiores premios concedidos a
imprensa esportiva na década de 70. Há
3 anos morando no bairro do Tarumã, na
rua Monte castelo, diz que o bairro oferece uma infra-estrutura completa, além
da vizinhança lembrar aquelas do “tempo antigo”.
Casado e pai de 4 filhos Coelho é
apaixonado por sua família,
futebol,música e animais. Conheça um
pouco da vida e história desse ícone do
futebol Paranaense.
CP: Você
Havelange?
conheceu
João
Coelho: Sim, conheci e gosto muito dele, pra mim o futebol deve muito a
ele. Comparar o futebol antes e depois
de Havelange é como comparar o futebol antes do Pelé e depois do Pelé.
CP: Você viveu muitas
experiencias cobrindo Copas do Mundo? Pode contar uma delas?
Vinicius Coelho ao lado de seu cachorro Bily uma das suas paixões
mecei a falar sobre futebol com ele ai
ele disse, “escuta você não quer colaborar com a transmissão falando sobre o futebol no programa de rádio?”. Eu disse,
“por mim tudo bem”. Ele então me orientou dizendo que era pra eu falar quando a luz do estúdio estivesse vermelha,
ai o operador da mesa de aúdio fechou o
meu microfhone logo quando eu disse
meu primeiro nome Vinicius Coelho ou
seja cortou o Santos, ai ficou até hoje
Vinicius Coelho.
CP: Como e quando você passou
a ser chamado de Vinicius Coelho?
Coelho: Eu comecei em Rádio e,
em Rádio, o nome o quanto mais curto
melhor, tudo aconteceu por acaso. Eu
fui a um jogo assistir CoritibaXGuarani o
ano era 1954 em Ponta Grossa-Pr.Lá encontrei um amigo que fazia a transmissão do jogo( Eloi Lima Pereira), eu co-
CP: Em que rádio voce iniciou
sua carreira?
Coelho: Foi na rádio Emissora
Paranaense, em 1959, após eu ter comentado o jogo que tinha ido assistir, o jogo
que lhe falei CoritibaXGuarani.
CP: Você é apaixonado pelo
Coritiba ou apaixonado pelo jornalismo esportivo?
Coelho: Pra ser jornalista você tem
que ter saído da adolescencia, agora, a
paixão pelo Coritiba vem de criança.Eu
morava ao lado do campo do Coritiba e
estudava no Colégio Estadual Zacarias,
quando terminava a aula eu corria para
o estádio para ir pegar bola atrás do gol
no campo. Ali conheci o Fedato, o goleiro Amilton, Renê, Tonico enfim todos os
jogadores do Coritiba da Época de 1940.
Ai eu recebi um convite para trabalhar
como auxiliar de roupeiro do clube, eu
tinha uns 14 anos de idade. Então eu
pude estar constantemente com os jogadores e técnicos do futebol que passaram pelo Coritiba na época.
Coelho: Uma história interessante me aconteceu na chegada do time do
brasil no aeroporto do Galeão no Rio de
Janeiro em 1958. Eu estava no meio do
tumulto dos jornalista aguardando a chega da dos jogadores, aì passou um ônibus com um pessoal da imprensa selecionado a dedo pelo Palácio do Catete. Lá
dentro avistei um amigo sentado no banco da frente do ônibus fiz um sinal para
ele. Sei lá, ele conseguiu fazer o motorista parar e abrir as portas ai eu entrei
e advinha onde o ônibus foi parar? Dentro do Palácio do Catete! Avistei Juscelino com a taça Jules Rimet falsa, a verdadeira estava em cima de um sofá, ai
eu pedi para o meu colega que era fotografo tirar uma foto ai sairam as fotos no
outro dia nos jornais eu ao lado da taça
verdadeira e Juscelino segurando a falsa (Risos). Foi minha sorte.
CP: Você foi o pioneiro da transmissão ao vivo. Como foi?
Coelho: A primeira transmissão
feita na televisão foi em 1960, jogo
Coritiba x Operário no Estádio do Alto da
Glória. O pessoal da técnica levou um
més para montar os equipamentos de
transmissão(Risos).
CP: Como você analisa o futebol
nos dias de hoje?
CP: Você acha que o futebol de
hoje perdeu a nostalgia?
Coelho: O futebol se mercantilizou
muito hoje, acabou aquele romantismo
de antigamente. Um exemplo disso aconCoelho: Hoje o jogador vai para teceu agora há pouco tempo; Antonio
um clube já pensando o quanto que ele Lopes estava no comando técnico do
vai ganhar quando sair, essa leí do passe Coritiba e logo depois já estava comanveio para ser um desastre para o fute- do do Atlético. Outra coisa também é que
bol. Ela veio numa boa hora, há coisas a cidade antigamente era menor, a genboas, mas ela tem que passar por te saía na rua no dia seguinte ao jogo
reformulações os clubes estão indo à fa- atletiba, era aquela gozação sadia, a
lência e os empresários estão gente conhecia a maioria das pessoas da
enriquecendo.Isso ocorre porque hoje cidade e encontrava elas, era aquela goquem é dono do passe do jogador é o zação, “aí, seu time perdeu”(Risos). Hoje
empresário,
eleProf.
negocia
da forma
que
violência
tomou conta,
infelizmenDiretor Geral:
Dr. Clemerson
Merlin
Clève a/ Diretor
Acadêmico:
Prof. Dr e,
Lodércio
Culpi
Coordenador
do Curso de
Jornalismo:
Prof. MSc.Roberto
Nicolato
/ Professores
responsáachar
mais conveniente
para
ele.Os clute, o futebol
se transformou
em
uma inJoão Augusto
(Planejamentodústria.
Gráfico e Editorial), MSc. Ana Paula Mira
besveis:
não MSc.
tem mais
o poderMoliani
de negociação
Jorge
Kimieck o
(Fechamento).
Alunos editores: Andressa Cristina da Rosa
do (Redação)
passe issoe éMSc.
ruim
poisL. coloca
joga(capa e opinião), Janaina Szot e Rubens Castro (Variedades), Marco J. Corrêa (Geral), Caroline
dorCury
na emão
do
empresário
eo
mesmo
CP: Voce
escreveu
dois
livros
Cassiano Ribeiro (Educação e Saúde), Anderlin Júnior
(Personagem)
e Nelci
Guimarães
acaba
monopolizando.
em parceria com um atleticano (Care Jonas
Júnior (Esporte).
neiro Neto), como explica isso?
O jornal Capital da Noticia é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido
A amizade
o levou
a muitos
pelosCP:
alunos
do 4º periodo,
que circula
nos bairros Capão da Imbuia, Bairro Alto, Tarumã, Cajuru
lugares;
para
você,2.000
é importante
Coelho: O Importante, seja Coxa
e Pinhais.
Tiragem:
exemplarescultivar a amizade?
ou Atleticano, é falar sobre o tema e
não do time.O Carneiro Neto é meu
Endereço: Rua Konrad Adenauer, 442 - CEP: 82820-540 - Jornal Laboratório
Coelho: Sim, com certeza. Eu sou amigo-irmão, pena que ninguém é
Telefone: 3361-4200 - Endereço eletrônico: capitaldanotí[email protected]
o que sou graças aos amigos que tive e perfeito(Risos).
também a humildade. Todo jornalista
Faculdades do Brasil
Expediente
Vinicius Coelho segurando a Taça Jules Rimet
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S
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Capital da Notícia
A Ú D E
Mortalidade infantil no Cajuru
Distrito de Saúde do bairro revela números preocupantes
divulgação
Fernando Cunha
Em Curitiba, dentre 1000 bebês nascidos até os que completaram
um ano de idade, 11,2 foram vítimas
da mortalidade infantil. Isso é o que
demonstra os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), referentes a
2004. Porém, a média no Distrito de
Saúde do Cajuru, que compreende também os bairros Tarumã, Capão da
Imbuia, Vila Oficinas e Bairro Alto, é
superior ao índice do município. No ano
passado, 15,7 casos de mortalidade
infantil foram registrados nas Unidades
de Saúde da região, a cada 1000 crianças nascidas.
No ano de 2000, em decorrência do problema, foram confirmados 62
óbitos nos bairros, o equivalente a 14,4
em cada 1000 bebês nascidos no período. Entre 2001 e 2003 houve uma ligeira queda do índice. Já, em 2004 os
números voltaram a crescer, o que ocasionou o registro da maior taxa dos últimos cinco anos.A médica Cristiane
Marangon, do Programa de Atenção a
Criança, da SMS, admite que o número
de mortalidade infantil em Curitiba
ainda é alto. Um dos principais motivos é a prematuridade com que nasce
grande parte dos bebês, causada geralmente por infecções urinárias nas
De 1999 a 2004, Curitiba registrou uma media de 25 mil crianças nascidas por ano
gestantes. “Esse é um grave impasse,
porque reflete a falta de orientação das
futuras mães”, observa.
No entanto, segundo ela, para
amenizar o problema e suas conseqüências, a secretaria autorizou no início deste ano a contratação de médicos obste-
tras para atuarem em todos os Distritos Sanitários com a médica, no Distrito Sanitário do Cajuru “os números
são mais elevados, talvez pela maior
concentração populacional ou influências sócio-culturais existentes na região”, justifica.
Descaso
Conforme relatado por uma enfermeira da Unidade de Saúde do Bairro
Alto, que optou por não revelar sua identidade, em dezembro do ano passado,
houve um caso em que um bebê recémnascido morreu por falta de atendimento médico. “Era um domingo e o médico
plantonista não veio trabalhar”, revelou.
A reportagem do Capital da Notícia foi até o endereço da mãe da criança, mas segundo um vizinho, ela mudouse do local recentemente. A Secretaria
Municipal de Saúde informou não ter tomado conhecimento do fato.
Programa Mãe Curitibana
Em 1999, foi criado pela Prefeitura Municipal o Programa Mãe
Curitibana. Por intermédio desse programa, gestantes têm acesso a exames de
pré-natal e acompanhamento médico
durante toda a gravidez e pós-parto. Segundo a prefeitura, o Mãe Curitibana tem
sido responsável por boa parte da queda
da taxa de mortalidade infantil na cidade.
Somente em 2004, 16.237 gestantes foram atendidas pelo Mãe
Curitibana. Dentre as gestantes assistidas pelo programa, apenas 3% são
conveniadas a algum plano de saúde. As
demais, 97%, são atendidas pelo Sistema
Único de Saúde (SUS).
US 24h do Cajuru deve sair do papel neste ano
Foto/Divulgação
Marco Corrêa
Em cada ano político a mesma história se repete: promessas feitas pelos
candidatos que não saem do papel. O
ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi
é um exemplo disso. Cássio não cumpriu grande parte das propostas, principalmente na área de saúde pública.
O então candidato a prefeitura
do município, prometeu nas eleições de
2000, a construção de 23 unidades de
saúde, além de dois postos 24 horas,
um no bairro Pinheirinho e outro no
Cajuru. Das 23 unidades prometidas,
apenas 11 foram inauguradas. A construção dos dois postos 24 horas, não
foi concluída e se arrasta até a atual
administração.
Segundo o presidente do Conselho Distrital de Saúde do Cajuru, Odenir
Cândido, a gestão anterior tentou construir a unidade 24 horas (US) próximo
ao Terminal do Capão da Imbuia. A obra
previa a construção de uma Rua da Cidadania que abrigaria o posto de saúde, porém não foi aceita pela comunidade.
“A prefeitura tentou empurrar
para população a construção neste local, porém a localização não favorecia
a comunidade menos favorecida, que
é realmente quem necessita desse serviço. A obra tinha financiamento internacional e atendia o interesse dos
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Vista aréa da região onde será construida a US 24h do Cajuru
comerciantes e não da comunidade”,
afirma Cândido.
Odenir destaca alguns aspectos positivos que foram cumpridos
devido às reivindicações da comunidade. A reforma da Unidade de Saúde do
Capão da Imbuia e as construções das
Unidades do Solitude e Trindade II, são
algumas obras que atenderem o interesse do moradores. “ Das 11 unidades
inauguradas em Curitiba na gestão anterior, três foram na regional do
Cajuru”, disse Cândido.
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A superintendente da Secretária
Municipal de Saúde, Edimara
Seegmüller, defende a antiga gestão.
Seegmüller informou que as promessas
não foram cumpridas principalmente,
por falta de recursos para realização
das obras. “ Na US do Pinheirinho o problema ocorreu quanto a liberação do
financiamento e com a empresa que
ganhou a licitação. Existiram falhas na
construção, assim a obra foi paralisada. Na US do Cajuru havia uma solicitação junto ao Ministério da Saúde e
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uma proposta de emenda parlamentar
que só se concretizou em 2005 ”, comenta Edimara.
Coordenador do Programa de
Saúde do ex-candidato Ângelo Vanhoni
(PT), que enfrentou Cassio Taniguchi
nas eleições municipais de 2000, o médico Mário Lobato, afirma que as desculpas dadas pela antiga gestão não são
aceitáveis. Para Lobato, Cássio já tinha noção que orçamento era escasso
para realização das obras e que os problemas com a licita para a construção
da unidade do Pinheirinho, poderia ser
facilmente resolvido;
“Há pelo menos três mandatos
as promessas são as mesmas e a população é enganada. A construção dos postos 24h do Pinheirinho e do Cajuru foi
promessa nas duas campanhas do Cássio e na última campanha do Beto, espero que nesta gestão elas sejam concluídas”, fala Lobato.
A conclusão das unidades do
Pinheirinho e do Cajuru parecem sair do
papel. A atual gestão, através do prefeito Beto Richa, firmou um acordo com o
governo estadual para a conclusão dessas e de outras promessas feitas pela
atual e a antiga gestão.
O Plano 360, assim intitulado pela
administração municipal, prevê a realização de 163 ações na diversas áreas
(infra-estrutura, urbanismo, meioambiente,desenvolvimento econômicosocial e saúde) em um prazo de 360 dias.
E
Capital da Notícia
Curitiba, novembro de 2005
D U C A Ç Ã O
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Bem vindos à Casa de Joana D’Arc
No “coração” do Bairro Alto bate forte a solidariedade
Nelci Guimarães
Nelci Guimarães
Há muita coisa que incomoda os
moradores do Bairro Alto, como falta de
emprego, pobreza, violência, consumo de
drogas, coisas comuns na maior parte dos
bairros de Curitiba. Mas algumas atitudes
podem mudar a vida de muitas pessoas. É
o que acontece à Rua Pedro Eloy de Souza, nº. 1141, onde está situada a Guarda
Mirim Joana D’Arc (que está passando a
ser denominada de Casa de Joana D’Arc).
No início era oferecida no local uma
sopa para socorrer o problema mais urgente, a fome. Hoje se transformou na
segunda casa de muitos moradores do
bairro, como conta Rosângela Aguirre de
Castro, diretora e idealizadora da idéia.
Ela achou que só a doação não era
suficiente para acabar com a miséria, então reuniu uma equipe e, com apoio da
FAS - Fundação de ação social e também
de voluntários, inaugurou a Guarda Mirim
Joana D’Arc, para tentar restituir a dignidade e diminuir a pobreza que via ao redor. “A doação alimenta a pobreza. Mais
do que ensinar a pescar, nós ajudamos a
construir a vara” diz.
Depois da parceria que fez com o
Lar Fabiano (uma entidade que gerencia
o projeto e mantém casas desse tipo em
todo o Brasil, resgatando socialmente pessoas que vivem à margem da sociedade),
foi possível a aquisição de mais um terreno para desenvolver um trabalho mais
Os alunos aprendem informática
abrangente. Hoje funcionam lá, desde reforço escolar, até oficinas que preparam o
adolescente para o mercado de trabalho,
além de centros de geração de renda. Tudo
é feito de forma a suprir as necessidades
básicas das pessoas, sobretudo das crianças, que são submetidas a um acompanha-
mento multidisciplinar para ajudar na reintegração familiar - o pincipal objetivo da
cas
Como funciona
É feito um estudo diagnóstico da família-alvo. A equipe realiza visitas às casas
para apurar as reais necessidades e descobrir se aquele núcleo possui o perfil para
ser atendido. Alguns itens são pesquisados,
como renda familiar, qualidade da habitação, grau de comprometimento social e
familiar.
As famílias são “adotadas” e um trabalho de apoio é realizado por uma equipe
de 18 profissionais, divididos entre psicólogos, assistentes sociais, professores,
monitores e, mais uma quantidade de voluntários. No período em que participam
do atendimento, as famílias recebem ajuda para se reestruturarem. São levantadas as causas que geram a violência e a
desagregação familiar e, com ajuda profissional, e principalmente conscientização
do problema, o trabalho é enfocado para
a auto-solução. A pessoa aprende a
redescobrir o valor das coisas, materiais,
sociais e morais.
Após o período máximo de cinco
anos, as famílias deixam a casa (há 116
famílias em processo de desligamento). O
acompanhamento é feito à distância com
visitas freqüentes, para verificar se estão
pondo em prática o que foi aprendido,
como cuidado consigo, com a família, com
os filhos, com o trabalho, com a vida...
até que mais tarde possam desvincularse completamente. Segundo a assessora Nádia Silveira “depois de romper os
grilhões da miséria material, social,
afetiva e moral, com os filhos igualmente
restabelecidos e integrados, uma grande parte dos núcleos atendidos passa a
viver dignamente e de forma autônoma”. Há recuperação de 25% das famílias, um índice considerado bem alto.
Maria Benedita G. de Souza, moradora à Rua Nicolau Langer, 15 - DR,
diz que os filhos passaram pela instituição e elogia que todos estão bem
direcionados, alguns ainda freqüentam.
Ela mesma pertence ao programa familiar oferecido.
Todas as pessoas presentes na
casa, parecem estar imbuídas de um
mesmo sentimento de solidariedade. Por
exemplo, as cozinheiras Miralda B.
Rodrigues e Léia Costa da Silva, que trabalham há quatro anos, dizem sentiremse muito felizes, pois além de estarem
exercendo uma atividade profissional,
ainda ajudam a quem precisa. Miralda
disse: “O trabalho é muito gratificante,
a gente vê criança que chega desnutrida e depois de alguns meses nem parece a mesma”. Elas destacam o carinho
especial com que são tratadas pelas
crianças e dizem que quando uma família fica capacitada, sentem-se como
se fossem um pouco responsáveis pelo
sucesso.
Programa amigos da escola deixa a desejar
Janaina Szott
tências para o melhor aproveitamento e organização das atividades.
No início eram muitas propagandas e campanhas do programa,
mas depois de alguns anos tudo isso
caiu no esquecimento. A EE Maria
Balbina, por exemplo, jamais recebeu voluntários indicados pelo projeto e também não foi contatada pelos responsáveis dos Amigos da Escola. O diretor da escola, Roserlei
Corsi, no cargo desde o início de
2004, disse não saber nada a respeito do cadastramento, e que nem tinha o conhecimento de que o nome
da mesma estava no site do programa.
A escola nunca recebeu os materiais didáticos divulgados pelo programa, que ajudariam no desenvolvimento das atividades. A reportagem entrou em contato com o Amigos da Escola, mas não obteve resposta sobre o desconhecimento da
escola em relação à inscrição no programa
Em busca de parceria
Mesmo sem o apoio dos Amigos
da Escola e até da comunidade, o diretor Roserlei Corsi não desistiu. Teve
a idéia de procurar a Unibrasil e propor uma parceria. Depois de algumas
reuniões, surgiram as aulas de
informática para os alunos da escola
O Amigos da Escola é um projeto criado em 1999 pela TV Globo e
emissoras afiliadas. E segundo o site
do programa, atualmente estão cadastradas no projeto mais de 30 mil
escolas de várias regiões do país, e
no Paraná são 2678 escolas cadastradas. Em Curitiba são 26 escolas. No
bairro Tarumã são três escolas cadastradas: Escola Municipal Madre
Antonia, Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima e Escola Estadual Professora Maria Balbina.
O objetivo do projeto era o fortalecimento da escola pública de educação básica por meio do trabalho voluntário e da ação solidária. E através da mobilização desses voluntários apoiar a direção da escola, fornecendo informações e subsídios para
que esta desenvolvesse suas compe-
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5
Maria Balbina. Segundo Corsi a escola não possui estrutura e equipamentos para oferecer certos programas o que reforçou a idéia de parceria.
O projeto começou em maio de
2005 com as aulas para os alunos do
EJA - Educação de Jovens e Adultos,
que são do período noturno. Toda segunda-feira, a partir das 19 horas os
alunos interessados se dirigem até a
universidade, que é próxima à escola, junto com um inspetor para assistir as aulas que são realizadas nos
laboratórios da faculdade que também disponibiliza profissionais para
trabalhar no projeto. E desde o dia
22 de setembro começaram as aulas
para os alunos do período da tarde.
“Só depende da gente para conseguir
apoio à escola, pois se depender da
ajuda de voluntários da comunidade
projetos como esse não vão acontecer” relata Corsi.
Ainda assim, segundo Corsi, a
escola está de portas abertas às pessoas que, de alguma forma, possam
colaborar com o desenvolvimento de
atividades que levem ao aprendizado dos alunos.
22/11/2005, 16:44
10 dicas sobre
voluntariado
1. Todos podem ser voluntários,
o que cada um faz bem pode fazer
bem a alguém
2. Voluntariado é uma relação
humana, rica e solidária
3. Trabalho voluntário é uma
via de mão dupla
4. Voluntariado é ação, quem
quer, vai e faz
5. Voluntariado é escolha
6. Cada um é voluntário a seu
modo, não há fórmulas nem
modelos a serem seguidos
7. Voluntariado é compromisso
8. Voluntariado é uma ação
duradoura e com qualidade
9. Voluntariado é uma ferramenta de inclusão social
10. Voluntariado é um hábito do
coração e uma virtude cívica
6
Curitiba, novembro de 2005
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R EPORTAGEM
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Mulheres em xeque: entre a violência
O índice de casos do Bairro Alto e do Cajuru aumenta as estatísticas da De
Aline Rodrigues e Vilma Takeda
Aline Rodrigues
curitibanas vítimas da violência.
O outro projeto cria o programa
de Centros de Referência, inexistente na
cidade, mas eficaz em muitas outras capitais. O Centro seria uma rede de atendimento e proteção, implantado em cada
regional do município, nas Ruas da Cidadania ou em outros espaços que facilitem a articulação desses centros com a
Fundação de Ação Social (FAS) e os Conselhos Tutelares. “Nesse espaço a mulher
teria atendimento jurídico, psicológico
e de assistência social, sem precisar se
deslocar para vários lugares, simplificando o atendimento”, explica a vereadora.
Os projetos encontram-se parados na
mesa executiva da Câmara Municipal esperando para serem colocados em pauta.
Segundo a vereadora, é necessário existir uma política pública voltada
para mulher, mesmo porque as questões
de gênero necessitam de sensibilização
da sociedade. “Para temas como esse,
numa cidade do porte de Curitiba, as
pessoas deveriam estar mais sensíveis,
mas elas não estão” afirma a Professora Josete.
Nesses centros de referência
também haveria tratamento adequado
para o agressor. Ele seria reeducado e
reabilitado para voltar ao convívio familiar, já que na maioria das vezes ele
faz parte da família. “E geralmente, o
agressor possui um histórico familiar de
violência, por isso ele também é uma
pessoa que necessita de ajuda”, diz a
psicóloga Regina Célia Langer de Lima.
Na capital paranaense ainda não existe nenhum projeto nesse sentido.
Por isso nesses casos, os grupos
de apoio seriam importantes, segundo
a psicóloga, pois poderiam ajudar o
agressor no processo de auto-conhecimento, para que esse possa aceitar suas
fraquezas e descobrir seus limites.
O álcool, as drogas, o ciúme e a
rejeição são apontados como os principais fatores que levam o homem a cometer atos violentos.
Crimes sexuais são os mais graves
Como o marido ou companheiro é o principal agressor, muitas mulheres não têm para onde fugir
A cada 15 segundos uma mulher é
vítima de violência no Brasil. Mesmo após
séculos de luta, elas continuam a sofrer
discriminações dentro da sociedade. E
em Curitiba os números não são diferentes. Os índices da Delegacia da Mulher
mostram que a violência aumentou em
5,95% do ano de 2003 para 2004. Neste
ano, até o mês de agosto, foram
registrados 2.761 casos, sendo a maior
parte de lesões corporais: 1260 registros.
Estima-se que os números possam
ser bem maiores, já que mais da metade das mulheres agredidas não presta
queixa. Isso porque o agressor, na maioria das vezes, é o próprio marido, companheiro ou outro membro da família da
vítima.
Por causa da agressão, muitas
mulheres acabam perdendo a auto-estima, sentem vergonha e culpa pela violência sofrida. Enfrenta também, a discriminação das pessoas próximas, que
preferem se afastar por se tratar de um
caso doméstico.
O caso de Maria (nome fictício),
54 anos, é semelhante a muitos outros.
Moradora do Bairro Alto, ela ainda se
sente constrangida de falar sobre o crime ocorrido em maio deste ano. Segundo uma vizinha que a socorreu, Maria foi
agredida com um pedaço de pau, pelo
companheiro que chegou bêbado em
casa, reivindicando uma dívida de R$
0,50.
Ela ainda tentou se defender, mas
foi atingida no rosto, sofrendo um corte
profundo no supercílio, fratura no osso
da face e hematomas no queixo. Enquanto ela era encaminhada a um posto de
saúde pelos vizinhos, o agressor ainda
quebrou todas as janelas da casa.
Devido a essa agressão, Maria precisou tirar licença de 15 dias do seu trabalho, e arcar com as despesas da casa
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depredada. O boletim de ocorrência foi
feito, mas até agora o criminoso continua impune.
Na Delegacia da Mulher, toda vítima que resolve fazer a queixa recebe o
encaminhamento jurídico em que é
marcada a primeira audiência
reconciliatória no juizado especial. O
agressor é intimado a depor e a vítima
decidirá então, se continuará ou não com
o processo. Caso não haja consenso, haverá julgamento.
Pessoas como Maria fazem parte
da minoria da população feminina que
tem coragem de denunciar crimes no
âmbito familiar. E a coibição de se fazer
a denúncia pode estar na própria Lei
9.099, de 1995, que processa todos os
crimes de violência doméstica como sendo casos de lesões leves. Segundo o advogado Roque Miranda, o ponto controverso da lei está na penalização do
agressor, que costuma pagar com algumas cestas básicas, ou é obrigado a prestar serviços para a comunidade, como
por exemplo, pintar escolas. Por isso, o
que acontece muitas vezes, é que depois de penalizado, ele acaba voltando
a praticar atos violentos.
Essa reincidência de agressões,
leva as mulheres a procurar ajuda na
assistência social da prefeitura de
Curitiba, para tentar conseguir uma das
vagas do abrigo. Hoje na cidade, há apenas um abrigo, a Pousada de Maria, com
capacidade para acomodar 15 famílias
(mulheres e seus filhos) por um período
de no máximo 60 dias.
Na Câmara Municipal de
C u r i t i b a , a v e r e a d o r a Pr o f e s s o r a
Josete lançou dois projetos relacionados à proteção da mulher. Um deles
institui o programa municipal de expansão das casas de abrigo, para a
ampliação do número de vagas para as
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De todos os crimes contra a mulher, o sexual deixa mais seqüelas e
traumas, pois além do abalo psicológico, a violência pode resultar em uma
gravidez indesejada ou até mesmo uma
doença sexualmente transmissível.
Segundo a psicóloga Regina
Célia, as mulheres que sofrem esse tipo
de violência se sentem culpadas pelo
próprio pensamento machista e individualista da sociedade em que vivemos,
que chega a acusá-la de ser conivente
com o crime.
Em Curitiba, o Programa Mulher
de Verdade da Secretaria Municipal de
Saúde foi implantado em todas as Unidades de Saúde da cidade, em uma tentativa de humanizar o atendimento da
mulher que sofre violência sexual. Esse
programa tem por objetivo diminuir o
constrangimento da vítima de ter que
passar por vários exames. Em parceria
com a Delegacia da Mulher e os hospi-
tais Evangélico, de Clínicas e Pequeno Príncipe, o exame médico é feito
apenas uma única vez, e o laudo é
encaminhado para a delegacia, ficando a critério da vitima fazer a denúncia ou não.
Quando a vítima chega às Unidades de Saúde, ela recebe os primeiros cuidados, como a pílula do dia seguinte, se a violência estiver acontecido em menos de 72 horas. E depois ela
é encaminhada pela própria Unidade
para um dos hospitais que participam
do programa.
De todos os crimes contra a mulher, o sexual deixa mais seqüelas e
traumas, pois além do abalo psicológico, a violência pode resultar em uma
gravidez indesejada ou até mesmo uma
doença sexualmente transmissível.
Segundo a psicóloga Regina
Célia, as mulheres que sofrem esse tipo
de violência se sentem culpadas pelo
Segundo os índices, o período do Carnaval é o que mais ocorre crimes sexuais durante o ano
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Capital da Notícia
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olência e o descaso do poder público
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ticas da Delegacia da Mulher, mas muitas vítimas ainda preferem o silêncio
próprio pensamento machista e individualista da sociedade em que vivemos,
que chega a acusá-la de ser conivente
com o crime.
Em Curitiba, o Programa Mulher
de Verdade da Secretaria Municipal de
Saúde foi implantado em todas as Unidades de Saúde da cidade, em uma tentativa de humanizar o atendimento da
mulher que sofre violência sexual. Esse
programa tem por objetivo diminuir o
constrangimento da vítima de ter que
passar por vários exames. Em parceria
com a Delegacia da Mulher e os hospitais Evangélico, de Clínicas e Pequeno
Príncipe, o exame médico é feito apenas uma única vez, e o laudo é encaminhado para a delegacia, ficando a critério da vitima fazer a denúncia ou não.
Quando a vítima chega às Unidades de Saúde, ela recebe os primeiros
cuidados, como a pílula do dia seguinte,
se a violência estiver acontecido em menos de 72 horas. E depois ela é encaminhada pela própria Unidade para um dos
hospitais que participam do programa.
US do Cajuru atende 3 vítimas por semana
Nas Unidades de Saúde do bairro
Cajuru são atendidas em média 3 vítimas de violência sexual por semana. E
em Curitiba, no ano passado, foram
atendidas 468 pessoas pelo programa
Mulher de Verdade. Mas deste total, somente 96 denúncias chegaram até a Delegacia da Mulher, ou seja, apenas20 %
das vítimas prestam queixa contra o
agressor.
No ano passado foram atendidas
120 crianças do sexo feminino menores que 12 anos, e em 56,63% desses
casos, os parentes das vítimas são os
principais agressores, sendo o próprio
pai, o responsável pela maior parcela
dos crimes.
A faixa etária que possui o maior
número vítimas vai de 10 a 19 anos com
219 casos registrados, ou seja, 47,92%
do total.
Segundo a coordenadora do programa, Vera Lídia Alves de Oliveira,
quando as vítimas são menores de 18
anos, o Conselho Tutelar é automaticamente comunicado.
A discriminação em números
O relatório “Fortalecimento
das Mulheres: Medindo a Desigualdade entre os Sexos”, divulgado em
junho deste ano pelo Fórum Econômico Mundial, sediado em Davos, na
Suíça, revela dados poucos animadores do Brasil:
- Dos 58 países pesquisados,
o Brasil ocupa a posição de número
51 no ranking que mede a desigualdade entre homens e mulheres. O
Brasil obteve a pior classificação de
toda a América do Sul e até mesmo
Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, oferece às mulheres melhores condições.
- O País foi classificado em penúltimo lugar na lista, no quesito da
participação política, perdendo apenas para a Jordânia. Dos 33 ministros, apenas três são mulheres e apenas 8,7% da Câmara Federal é com-
posta pelo sexo feminino. Em
Curitiba, a Câmara Municipal é constituída por 38 vereadores, mas apenas 5 são mulheres.
- O Brasil também ficou em
53º colocação no índice que analisou o acesso aos serviços de saúde.
- E em 46º lugar quando assunto foi a respeito da igualdade de
remuneração.
- No que se refere à educação
as brasileiras alcançaram o 27º lugar.
- O melhor posicionamento do
país foi na questão das oportunidades de acesso a cargos de alta remuneração, ficando em 21º lugar, à
frente de países como Reino Unido
(41º), Estados Unidos (46º) e Japão
(52º).
Ainda existe discriminação no trabalho feminino
Aline Rodrigues
Professora Kelly Prado sofre discriminação dos alunos durante as aulas de musculação
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“Esse trabalho não é para mulher.”
São piadas machistas como essa que a
professora de Educação Física, Kelly Prado escuta todos os dias na sua profissão.
Responsável pela orientação da sala de
musculação da academia Arena, no
Cajuru, ela precisa lidar com alunos que
não admitem precisar da ajuda de uma
mulher para levantar pesos ou mesmo
receber instruções.
Durante uma de suas aulas, um
fato que deixou a professora chateada,
foi que mesmo estando próxima de um
aluno que deixava a barra cair, ele não
pediu sua ajuda. “Ele simplesmente ignorou minha presença, preferindo ser
ajudado por outro aluno homem”, afirma Kelly.
Mesmo enfrentando os vários tipos de discriminação, a mulher avança
dentro do mercado de trabalho, conquistando cada vez mais, cargos altos e
que até alguns anos atrás eram ocupados apenas por homens. Uma pesquisa
realizada pela empresa de recursos humanos Catho, revelou que as mulheres
brasileiras já ocupam 15,87% dos cargos presidenciais executivos e 45% no
nível de encarregado.
Grace Maldonado, 28 anos, gerente de investimentos do banco BMC S.A. é
uma delas. Ela conta que além de ser
difícil conquistar um cargo de responsabilidade, ainda precisa enfrentar a diferença salarial entre homens e mulheres.
“Como o mercado financeiro é predominantemente masculino, precisamos aceitar algumas condições; um salário menor, por exemplo.”
Segundo a auditora fiscal do trabalho Marilza Lima da Silva, por lei, uma
pessoa independentemente do sexo deve
receber o mesmo salário que outra pes-
22/11/2005, 16:44
soa no mesmo cargo, desde que esta tenha menos que dois anos no cargo. Mas
infelizmente não é isso o que acontece.
E não é por falta de preparo, pois
as mulheres estão estudando mais que
os homens. Enquanto a média de anos
de estudo das mulheres é de 8,2 anos, a
média dos homens fica em torno de 7,3
anos. Na faculdade Unibrsil por exemplo, existem 4.827 alunos, sendo 2.293
do sexo masculino e 2.534 do sexo feminino, ou seja, o número de mulheres supera o de homens em quase 10%. Mas a
diferença de salários entre homens e mulheres aumenta justamente quando a escolaridade é maior. Se os homens com
curso superior completo ganham R$
1.862,54, as mulheres com a mesma escolaridade chegam a receber 37,46% a
menos ou o salário de R$ 1.164,79, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).
A mulher que se sentir discriminada de alguma forma no seu local de
trabalho, pode procurar o Núcleo de Promoção da Igualdade, Oportunidade e de
Combate a Discriminação nas Relações
de Trabalho da Delegacia Regional do
Trabalho (DRT), que tem por objetivo
melhorar as relações dentro do ambiente de trabalho, para que empresa e trabalhador possam manter uma ligação
mais saudável e produtiva.
Do período que vai de fevereiro
até agora, o Núcleo recebeu 41 denúncias relacionadas à discriminação da mulher no trabalho. Sendo a queixa mais
freqüente a do assédio pelo seu superior. “Nós procuramos mudar a rotina da
empresa para haja maior conscientização desse tipo de problema”, diz
a auditora Marilza.
8
GERAL
Curitiba, novembro de 2005
Capital da Notícia
Trabalho informal cresce no Bairro Alto
Comércio de cachorro-quente torna-se opção de emprego
Frank Alves
O aumento do desemprego e a
queda da renda dos brasileiros abriram
caminho para uma veia crescente, a da
informalidade, ou seja, o trabalho sem
registro em carteira. O Bairro Alto está
nesse curso. São muitas pessoas que
buscam na venda de cachorro quente o
seu sustento e de suas famílias.
Alcir Clesio Colonetti e a esposa
Suzani Block, são donos do “Dog do
Keco” o point do cachorro quente do
Bairro Alto. Faz oito anos e meio que
atendem na rua Percy de Feliciano de
Castilho, com um diferencial, entregam
em domicílio.
Eles são os primeiros a adotarem
o serviço de delivery, e contam que isso
aconteceu por acaso. A prefeitura há
sete anos e meio pavimentou a rua onde
eles têm o seu comércio. Por isso tiveram que mudar o carrinho algumas quadras. Os clientes acostumados a lanchar
na sua barraca começaram a fazer pedidos por telefone, iniciando assim o
primeiro cachorro quente de Curitiba
entregue em casa.
“Muitas pessoas hoje me vêem
com um bom carro, com bastante freguesia, e acham que vão ficar ricas vendendo cachorro quente, mas o que conta é a persistência, se você não trabalhar duro, vai fechar antes dos seis meses como a maioria”, disse Keco.
O seu carrinho funciona das 18h
Frank Alves
Keco e sua esposa preparando um cachorro-quente
às 23h, com uma renda média de 4 mil
por mês, com a venda de dois mil a
2500 cachorros quentes. “Paro somente véspera e no dia de natal, e véspera e dia de ano novo”, acrescentou
Keco.
Eduardo Motiejaus é morador do
Bairro Alto desde 1998, e contou que
sempre lancha na barraca do Keco,
pois como trabalha e estuda á noite
na Federal, não tem tempo para comer
em casa, e quando esta muito cansado
pede para que entregue o seu cachorro
quente em casa.
Outras pessoas que estão na
informalidade são: Angelina Maria de
Lima com mais de 50 anos, e Everli Denise Vieira, que resolveram abrir um carrinho de cachorro quente, pois Angelina não conseguia mais se encaixar no
trabalho com carteira registrada. Ela
contou que após ter uma doença que a
impossibilita de ficar durante horas em
pé e a idade, se viu obrigada a fazer
alguma coisa que pudesse dar o seu susFrank Alves
tento e de uma filha de 11 anos.
Faz três meses que trabalham
das 19h até às 00h. “Tiramos mais ou
menos R$ 35,00 á R$ 40,00 reais por
noite, uma parte vai para comprar os
mantimentos, e ainda sobra para ter
uma vida digna”, explicou Angelina.
Cada cachorro quente varia de R$ 1,50
a R$ 2,00. O carrinho das sócias está
na rua José Veríssimo, esquina com José
de Oliveira Franco.
Ainda conforme Angelina o maior problema foi à parte financeira, pois
não sabiam como administrar seu pequeno negócio, mas agora com ajuda
de uma filha mais velha que deu para
elas um livro caixa, as coisas começaram a melhorar.
Neste tempo em que as duas
sócias estão na informalidade nunca sofreram assaltos, e também não houve
fiscalização da prefeitura.
A pessoa que deseja trabalhar
com o comércio informal deve se dirigir ás ruas da Cidadania: requerer um
formulário de ambulante, e de 10 a 15
dias se for acatado o pedido recebera
uma carteira fornecida pela prefeitura, válida para o titular e o preposto,
com a duração de um ano.
Transtornos em bancos do Capão da Imbuia
Rubens Castro
Atualmente o serviço bancário da
região do Capão da Imbuia é feito por
dois bancos, Itaú e Caixa Econômica Federal, que vivem lotados por falta de
estrutura e de funcionários para auxiliar no atendimento. A agência da Caixa geralmente é mais lotada, por efetuar pagamentos a aposentados e outros benefícios aos trabalhadores.
O Detran, por encerrar suas atividades às 14h, prejudica o atendimento bancário do Itaú, que possui um posto dentro da instituição. Dessa forma,
o banco encerra seu expediente junto
com o órgão público. A maior parte dos
“usuários” (assim chamados pelo
Detran) faz somente pagamentos de taxas administrativas do próprio órgão
neste posto. A grande maioria dos serviços bancários ficam para a agência
da Caixa Econômica Federal, na Rua
Leopoldo Belczak.
O aposentado João Siqueira, 67,
por exemplo, disse que chegou às 14h03
e não conseguiu entrar no Detran para
pagar um título do Itaú, que vencia naquele dia. “É uma vergonha! Onde já
se viu fechar às duas? Para cobrar da
gente eles são bons!”, disse Siqueira.
Segundo assessoria do banco, com fechamento do órgão, a agência, por es-
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Rubens Castro
O movimento na Agência da Caixa da Leopoldo Belczak aumenta a partir das 14h.
tar interligada, é fechada em conjunto ao horário estabelecido.
Há quatro anos o atendimento
era efetuado até às 16h, mas isso gerava um custo maior para o governo,
que precisava servir almoço aos seus
8
funcionários. Outro problema é devido
à quantidade de desempregados que se
dirigem à agência para receber FGTS,
PIS, Seguro Desemprego, entre outros.
Esses serviços são de exclusividade da
Caixa e provocam um grande aumento
22/11/2005, 16:44
no número de pessoas dentros das
agências.
“Além de eu estar esperando
para receber um benefício que eu consegui com meu suor, até humilhado já
fui”, reclama Siqueira. Já Osni Vieira,
outro usuário, disse que ficou quarenta minutos na fila para receber uma
parcela do seguro desemprego, que,
segundo ele, é “esmola do governo”.
De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), para que
seja viável a abertura de uma agência
bancária em um bairro, esse necessariamente deve possuir mais de 35 mil
pessoas economicamente ativas. Hoje
o bairro possui uma população de aproximadamente 22 mil habitantes. Segundo estudos, serão necessários mais
quinze anos para que a população atinja esses índices. Até isso acontecer, a
comunidade continuará a sofrer com
as longas filas.
Dicas
Para reduzir o tempo de espera,
procure as agências bancárias
entre 12 e 13h.
GERAL
Capital da Notícia
Jockey fecha rua
Curitiba, novembro de 2005
9
Sistema viário beneficia
Capão da Imbuia
Apenas sócios têm livre acesso
Quem procura esta rua, no bairro Tarumã, embora esteja no mapa de
Há mais ou menos cinqüenta Curitiba, não conseguirá usá-la, pois
anos, a rua Dino Bertoldi foi bloquea- está protegida por um portão instalada pelo Jockey Club Paranaense, im- do no meio dela; único acesso possível
pedindo a passagem de carros e tran- à BR-116.
O bloqueio é somente para os
seuntes.
Se não fosse isso, as pessoas te- pedestres, pois os sócios do clube
riam acesso direto da Victor Ferreira têm livre acesso, o que transforma o
do Amaral para a BR-116 e assim teri- público em privado.
O diretor de Fiscalização da Seam uma economia de aproximadamencretaria Municipal de Urbanismo, José
te 5 quilômetros.
De acordo com a legislação, es- Luiz Filippetto, diz: “a construção do
sas situações são consideradas portal e o bloqueio do acesso são conusurpação de logradouro público (veja siderados ilegais, pois esta é uma via
pública”.
box abaixo).
Segundo assessoria de imprensa
da Prefeitura Municipal
de Curitiba, a rua está
Elis Regina
bloqueada parcialmente
e a prefeitura já entrou
com uma ação fiscal para
a sua reabertura.Ainda
conforme o projeto de
urbanização, a BR-116
será totalmente reformulada e será necessária a abertura do portão.
A reportagem entrou em contato com o
Jockey Club e o presidente da instituição não
Portão fecha a rua e pemite apenas a entrada de sócios
quis se manifestar.
Lei orgânica do munícipio
Artigo 191 – A usurpação ou a invasão da via pública e a depredação ou a
destruição das obras, construções e benfeitorias – calçamento, meios-fios, passeios, pontes, galerias, bueiros, muralhas, balaustradas, ajardinados, árvores,
bancos – e outros, bem como das obras existentes sobre os cursos d’água, nas
suas margens e no seu leito, serão penalizadas na forma prevista em lei
§ 1.º – Verificada a usurpação ou a invasão do logradouro em conseqüência da obra de caráter permanente (casa, muro, muralha, outros) por meio de
vistoria administrativa, o órgão competente procederá, imediatamente, a demolição necessária, para que a via pública fique completamente desembaraçada e a área invadida reintegrada ao uso público.
Foto/ Divulgação
Elis Regina
Benefício: Capão da Imbuia receberá nova pavimentação
Jônatas Dias Lima
Curitiba deve ganhar, no ano que
vem, várias obras no sistema viário para
desafogar o trânsito e melhorar o sistema de transporte coletivo.
Uma das mais significativas refere-se à interligação entre os terminais do Capão da Imbuia e Vila Hauer.
Além de facilitar o deslocamento de automóveis na região, beneficiará os usuários do transporte coletivo.
Segundo informações da Unidade Técnico Administrativa de
Gerenciamento do Programa de Transporte Urbano (UTAG) o volume médio
de tráfego diário nesta ligação está
na ordem de 23,3 mil veículos, e deve
aumentar para 28 mil após a implantação das obras.
As principais mudanças nas vias
da região acontecem na rua Professor Nivaldo Braga, que passará a funcionar com sentido duplo de tráfego,
será construída uma nova trincheira
na interseção da rua Reinaldo
Issberner com a BR-277, que terá pista dupla e sentido único. Enquanto
acontecem as modificações, uma das
pistas será interditada.
Para as demais vias envolvidas no
planejamento, como as ruas Sesinando
Chaves, São Vicente Palotti, estão previstas restaurações no pavimento e implantação de calçadas, sem alterações
de sentido.
Wilson Justus Soares, coordenador geral da UTAG, afirmou que não serão necessárias desapropriações de áreas e que possivelmente em janeiro os
trabalhos já devem ser iniciados. A previsão de Justus é de que as obras devem durar oito meses.
O investimento de R$ 10,58 milhões é financiado pelo Banco
Interamericano de Desenvolvimento e
48,7% serão usados para pavimentação.
“LIGEIRINHO ARTICULADO”
A principal linha de ônibus beneficiada pelo novo sistema será a do
ligeirinho Inter 2, uma das que apresenta maior demanda na cidade. A
Urbs informou que a prefeitura adaptará as estações tubo para compatíveis com os veículos articulados.
ExpoTrade será um dos mais modernos do mundo
Felipe Corrêa Pontes
Hoje o empreendimento possui
46 mil metros quadrados de área
construída, sendo 23 mil de pavilhão.
O restante é constituído de um amplo
centro de convenções com 13 auditórios, o maior com 1.500 lugares, inteiramente dotado de “wireless”(conexão
sem fio), áreas de serviço, uma moderna área de alimentação, telefones públicos cabinados e banheiros totalmente novos.
Ao adquirir o empreendimento
do Grupo Atacadão, por cerca de R$
21milhões, o Grupo João Carlos Ribeiro - composto pelos sócios Carlos
Miranda, João Carlos Ribeiro, atual
presidente do Country Club de Curitiba
e João Elísio Ferraz de Campos, ex-governador do Paraná - assume um empreendimento com uma área de 650
Com nova administração desde
agosto, a direção do ExpoTrade terá
como prioridade transformá-lo em uma
das centrais de eventos mais modernas do mundo,com investimentos pesados
principalmente,
na
informatização e logística no intuito de
captar feiras e eventos corporativos
rotativos, objetivando criar para o pavilhão um calendário de feiras e eventos fixos.
Segundo João Guilherme Ribeiro, diretor administrativo, o ExpoTrade,
apesar de suas reconhecidas qualidades como pavilhão de exposições, não
tinha áreas de auditório e estava sem
manutenção havia alguns meses, o que
prejudicava sua performance.
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9
mil metros quadrados
Em março de 2006 será realizado o Congresso de Biodiversidade da
ONU (Organização das Nações Unidas),
com a presença de 195 países.
Para isso, está sendo reformada
mais uma área do pavilhão, que estará
preparada para receber até seis mil
pessoas em um único ambiente,
modulável, dotado de tratamento acústico e tecnologia de última geração.
A captação do evento da ONU
mudou a estratégia do ExpoTrade, que
a partir desse grande acontecimento
passará a disputar o mercado mundial,
tanto de feiras quanto de congressos.
“Vamos participar de todas as
feiras do calendário da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) e da FBCVB
(Federação Brasileira de Convention &
22/11/2005, 16:44
Visitors Bureaux) e estamos contratando novos profissionais especializados
em captação de eventos internacionais,
congressos e feiras nacionais e tantos
outros eventos corporativos”, afirma
Ribeiro.
Projeto
Novo Expo Trade
- Construção de um hotel quatro
estrelas com 230 aptos;
- Um teatro com 6 mil lugares;
- Uma arena com capacidade para
20 mil pessoas;
- Uma cidade cenográfica.
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Curitiba, novembro de 2005
Capital da Notícia
E R A L
“Manos” conquistam espaço na moda
Populares, eles buscam respeito e lutam contra o preconceito
Andressa Cristina Da Rosa
Andressa Cristina Da Rosa
Através da forma como uma pessoa se veste é possível, em alguns casos, perceber como ela é, a maneira
como pensa, a classe social à qual pertence, etc. Mas nem sempre é assim.
Em determinados casos, as roupas nada
mostram além do estilo.
Hoje, existe um grupo denominado “manos”, popular por usar calças,
moletons e camisetas
largas,
bandanas, bonés e tocas, que tem sofrido grande discriminação. Já mulheres são facilmente conhecidas por utilizarem tranças e faixas nos cabelos,
camisetas mais justas, calças folgadas
e moletons coloridos. Muitos integrantes são confundidos com marginais,
impedidos de entrar em shoppings, alvo
de policiais e pré-julgados por parte da
população.
Atraídos pelo rap e pelo hip hop,
Gabriel Fonteles e Gregory Santos, ambos de 16 anos, identificaram-se com
o estilo e o seguem à risca, embora sofram muito preconceito. “Não posso ficar mais do que cinco minutos na frente da minha escola que um policial já
chega e pede meus documentos. Em
shoppings, posso entrar com, no máximo, dois amigos ou então somos
barrados”, declarou Fonteles. Já Santos disse não suportar o modo como o
olham. “Essa é a forma como me sinto
bem, não vejo motivo para que me recriminem”, afirmou ele, indignado.
Sobre essa moda, a opinião da
técnica em moda e estilismo, Iracema
Bos é esclarecedora. “A grande incorporação de pessoas ao estilo hip hop
aumentou quando muitos estilistas passaram a criar coleções voltadas para o
grupo. Prova disso é que hoje existem
lojas que vendem exclusivamente para
esse público como a Anjuss, Drop Dead,
Maha, entre outras.” Além disso, Iracema acredita que o estilo hip hop é
Com estilo
ousado eles
chamam a
atenção por
onde
passam.
porém,
muitas vezes
são confundidos com
marginais.
ousado, foge dos parâmetros normais,
o que acaba causando um certo
estranhamento. “Se houver preconceito contra os “manos”, deve haver com
toda a população. Cada um possui um
estilo, as “patys”, os “boys”, os surfistas, assim como o hip hop. É ridículo
rotular uma pessoa pela roupa que ela
usa”, diz.
É tão grande o número de pessoas que aderiram a esse estilo, que algumas lojas contratam vendedores que
também sejam adeptos, para que melhor orientem os clientes. Djoni Machado, 23, trabalha na Anjuss e diz ter sido
selecionado justamente por ser um seguidor da moda hip hop. “Tenho uma
noção do que esse grupo gosta e posso
oferecer exatamente aquilo que o cliente procura. Agrado dizendo o que
realmente acho de cada peça”, disse
Machado.
Unanimidade é que os seguidores do estilo “mano” se identificam
com as roupas, acessórios, gírias, músicas etc. “São as roupas com as quais
me identifico. Me sinto bem assim. Nem
o preconceito fará com que me vista
de outra forma”, disse Rodrigo
Marcondes, 17 anos, estudante.
Tanto é o prazer por vestir-se
dessa forma que muitos estudantes
adaptam seus uniformes à moda. Esse
é o caso de Rodrigo da Silva Oliveira,
16 anos, que confessou modificar as
calças e blusas para ir à escola, já que
é obrigado a seguir os padrões da instituição onde estuda. “Mandei fazer minha calça mais larga e uso um pouco
abaixo do normal; com as blusas é mais
fácil, sempre compro um número maior”, contou.
Mesmo não sendo a preferência
das mulheres, algumas ficam revolta-
das quando mencionada a palavra preconceito associada ao estilo “mano”.
Aline Brandt Silveira fica inconformada
com a discriminação que seus amigos
sofrem. “É lamentável; não sei como
as pessoas conseguem ser assim. Somos todos iguais”.
As amigas Laís Brossanini e Kand
Marques são adeptas e dizem que não
haveria a menor graça se todos usassem as mesmas roupas, freqüentassem
os mesmos lugares e pensassem da
mesma forma. Elas acreditam que
pode parecer diferente, mas é ousado
e em alguns casos se torna até atraente.
Já dizia Coco Channel: ”Os estilos morrem, mas a moda jamais”. Assim, o estilo marcará presença na história da moda. Futuramente, mostrará como viveram as pessoas e a maneira como se expressaram.
Banda de reggae entre as melhores do Paraná
Caroline Cury
Caroline Cury
Há cinco anos na estrada, a banda Nação Erê é a revelação no cenário
reggae curitibano, formada por Jackson
(vocal), Leniro Luiz Nerone Júnior (guitarra), Marlon Siqueira (guitarra), Guilherme Cordeiro (baixo), Gustavo Cordeiro (bateria), Leandro Leal (Percussão), Klaus Cardoso (teclado).
A banda começou começou seus
primeiros acordes no estúdio do ex-integrante Bhrorel Santinho e hoje conta
com uma legião de fãs que lotam bares
e casas de shows.
Já se apresentaram com as maiores bandas de reggae do Brasil, entre
elas Tribo de Jah, Natiruts, Planta e
Raiz, Dread Lion, Djambi, entre outras.
A Nação Erê também participou
de vários festivais, entre eles o “Palco
Livre Mercadorama”, disputando com
mais de 200 bandas. Por terem vencido o torneio, tiveram suas músicas incluídas na Coletânea Reggae do Proje-
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to Geração Pedreira, da Rádio 96 Rock.
No mais recente “Festival Paraná
Bandas”, realizado no dia 9 de setembro, no Canal da Música, que contou
com a participação de bandas de todo
o estado, Nação Erê saiu como vencedora na categoria de Reggae. E como
prêmio irão se apresentar na Operação
Verão no litoral paranaense.
Em Curitiba, as apresentações da
banda são sinônimo de boa vibração e
gente bonita. “É muito gratificante ver
que todo o nosso esforço tem sido reconhecido, em todos os lugares por
onde vamos”, disse o baterista Gustavo
Cordeiro.
Segundo o Nação Erê, a previsão
para o lançamento do seu primeiro CD
é para o ano que vem, no qual serão
incluídos seus principais sucessos, como
“Meu Paraná” e “Pra Mudar” que já são
conhecidas pelo público Curitibano.
Steel Pulse, Peter Tosh, Bob
Marley, Gilberto Gil e Edson Gomes são
algumas influências no som da Banda.
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A banda Nação Erê e seus sete integrantes antes de um show em Curitiba
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Capital da Notícia
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Gírias: quem entende?
Marcos Nakamura
Ninguém sabe de onde vem. Uns
dizem que é moda outros que é um código. As gírias são assim, aparecem do
nada e, quando menos se espera, nos
deparamos com uma. Os adolescentes,
a cada dia que passa, buscam um novo
jeito de se comunicar e se expressar.
Essa busca incansável de liberdade e independência gera nada mais do que as
famosas gírias, que no português padrão
significam linguagem de grupos sociais.
Mas se engana quem acha que
elas são apenas coisas de adolescentes. Manuel Joaquim de Almeida, autor de “Memórias de um Sargento de
Milícias” (1854) e Artur de Azevedo, autor de “O Cortiço” (1890) recorreram
à gíria para dar clareza às suas histórias.
Os adolescentes, a cada dia que passa, buscam um novo jeito de se expressar
Os jovens, apesar de repeti-las
gírias quando esquece de alguma palafreqüentemente, acabam se esquecen- pre estática”, diz Silvia
E possivel encontrar vários tipos vra. “Nem sempre a palavra vem na cado, logo que outras forem surgindo. Isso
mostra o quanto as gírias são voláteis, de gírias, de todos os formatos e quali- beça, então quando isso acontece uso
dades, que vão ‘bagaça’, que pra mim, serve quase pra
ou você se lembra de
desde um sim- tudo”, comenta.
todas as gírias que
ples “tipo asPara Mariane Caroline Fila, 15
usava no passado?
sim” e “tá liga- anos, estudante do primeiro ano do enSegundo
a
“Os jovens falam
do” até um sino médio, pais sempre tem dificuldaprofessora Silvia
em gírias para serem
“Birinigth” que des de entender o que eles falam.
Tavarello, 36 anos,
significa sair à “Quando estou falando com minha mãe,
formada em letras/
aceitos
em
um
grupo”.
noite pra be- e digo, vou lá fazer um ‘bagulho’, ela
português
pela
ber. Geralmen- pergunta, que bagulho? Eu falo, aquela
UFPR, as gírias não
te, os jovens ‘parada’, ai piora tudo!”, diz Mariane.
são um grande prousam essas exO professor de língua portugueblema, desde que
pressões quan- sa, Hélio Novaes, 59 anos, diz que se
exista um limite na
comunicação. Pode se tornar uma di- do falta ou esquecem uma palavra qual- adequar às gírias não é o problema, o
ficuldade, quando o excesso de gírias quer, “aquela parada” pode ter vários problema surge quando o adolescente
dificulta o entendimento. “A língua é significados, dependendo do contexto. não sabe o momento adequado para usaviva, você não pode ser conservador a Fernanda de Paula, 15 anos, estudante las. “Temos que respeitar o vocabulário
ponto de querer manter a língua sem- do ensino médio, diz que sempre usa as deles”, diz.
Andressa Cristiona Da Rosa
Cada dia mais populares, as gírias tomam conta dos adolescentes
As gírias ao
longo do tempo
Anos 60: Bacana (bonito),
cafona (feio), carango (carro),
gamar (apaixonar-se), gata (mulher bonita), paca (muito),
pelego (líder sindical governista), pra frente (moderno).
Anos 70: Bicho (amigo),
biônio (político nomeado pelo
governo), careta (pessoa conservadora), jóia (tudo bem), transar
(amar), tutu (dinheiro).
Anos 80: Bode (mau humor), brega (feio), deprê (deprimido), economês (linguagem
dos ecomistas), fio dental (biquíni), nassa (bom, ótimo),
mina (garota).
Anos 90: Antenado (atento), azaração (namoro), boiola
(homossexual), mala (chato),
mauricinho (rapaz bem vestido),
pagar mico (passar vexame),
patricinha (menina bem vestida).
2005: A lot (muito, demais), Cana – Bebida alcoólica.
Hules – Aquele que domina algo
muito bem, In style – Usada praticamente no sentido de bacana, legal, Irmãozinho – Amigo
muito chegado,Jow – Termo usado para chamar qualquer pessoa.
“Ei, jow!”. Larica – Menina feia,
Lesado – Bêbado.
O que faz a cabeça da moçada
Franciele Fermino
Franciele Fermino
A moda agora é usar a cabeça.
São diversos tipos de acessórios para
essa moda. E existem para todos os
gostos e estilos. Bonés, tocas, faixas,
lenços, bandanas, arcos, fivela, laços
e muitos outros.
E agora não há mais preconceitos entre os sexos tantos os meninos podem usar faixas, laços e outros que
eram considerados coisa de mulher,
como tem meninas usando bonés e
bandanas, acessorios sempre foram
considerados masculinos.
Gabriel Fonteles, de 16 anos, por
exemplo, usa bandana e boné por cima.
“Uso assim, pois todos os meus amigos
seguem esse estilo, por causa do rap”.
Tem também o skatista que usa
mais boné, o qual combina com a maioria dos estilos, é como se fosse uma
peça coringa entre os jovens.
Até as meninas de classe média
alta, as chamadas “patricinhas”, que
sempre se vestiram de uma forma mais
sofisticada, estão sendo adeptas aos bonés. Claro que os femininos se diferenciam nos modelos, nas cores e nos bordados que não teriam em um masculino, mas a mania de usá-los está em alta.
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Muitas cores e variedades de bonés podem ser encontrados em lojas especializadas
E o detalhe é que elas usam para irem
para baladas, coisa mais “estilosas”
não fazem. Ou seja, o acessório virou
artigo de luxo. Exemplo clássico é o de
Daniella Cicarelli, que atualmente aparece de boné, em qualquer lugar que
se encontre. Enfim, virou febre até entre as modelos.
Outra coisa que se pode notar é
que existe um penteado diferente para
se usar com ele. Priscila Lopes de Oli11
veira, 25 anos, cabeleireira ha sete, diz
que no seu salão atualmente vão algumas pessoas utilizando a moda. “Entre
os meninos é o famoso topete, para que
possam deixar aparecendo para fora do
boné”. Priscila relata ainda que entre
as meninas é a escova, feita para que
o cabelo fique bem lisinho e combine
melhor com acessório.
E os que não seguem nenhuma
tendência apenas usam acessórios para
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se diferenciar dos outros, ou porque
acham bonito, como Rennan Shimidth,
de 18 anos. “Eu não sigo estilo nenhum, apenas não gosto de cores claras”. Ele diz que gosta de mudar sempre, prefere estar diferente e hoje usa
dread com faixa.
Pessoas que não gostam de seus
cabelos acabam usando um tipo de
acessório para escondê-los.David Gomes, 18 anos, diz até pender para o
lado do surf, mas usa boné para esconder seus cabelos, que considera feios.
No inverno, quem ataca a moda
e as tendências é a toca, que também
pode ser encontrada em grande variedade de modelos, cores e tipos. Essa
diversidade é tão grande que sempre
uma vai se encaixar em alguma pessoa, de qualquer idade e independente da tendência que segue.
Cada pessoa usa o que gosta e o
que lhe convém, e cada um tem motivo
diferente para explicar o porquê de ser
adepta de uma determinada moda, e é
essa grande diversidade que faz dela um
grande sucesso.
Com a chegada do verão, o aumento do uso de bonés e a moda fazem
o sucesso desse acessório na estação.
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Capital da Notícia
S P O R T E
Basquete + estilo + hip hop = streetball
Influência norte-americana faz jovens trocarem gols por cestas
Anderlin Júnior
Um basquete diferente está tomando conta das ruas de Curitiba e
vem na batida do hip hop. O
streetball, como é conhecido, conta
com milhares de praticantes e admiradores nos Estados Unidos, onde nasceu e já é um esporte oficial. No Brasil, ainda embrionário, está crescendo
devido ao seu caráter democrático e à
sua vocação para o espetáculo.
O basquete de quadra convencional tem regras rígidas que permitem
a evolução de um jogo competitivo de
equipes, enquanto o streetball não exige estatura, peso, treinos diários por
horas a fio, alimentação especial e,
muito menos, poder aquisitivo de seus
praticantes. O que vale é o manejo da
bola, o drible no adversário e as enterradas. Entre pegar a bola e marcar a
cesta, os jogadores costumam exibir
suas habilidades, proporcionando um
show para platéia.
Para muitos, o basquete de rua
ainda é visto com um certo receio, mas
centenas de jovens já aderiram ao esporte e hoje têm uma melhor qualidade de vida. Para praticar esse esporte
são necessários apenas um aro, uma ta-
bela e três jogadores em cada equipe.
As regras são flexíveis e previlegiam as
jogadas ousadas. O espetáculo proporcionado pelo improviso dos lances garante o sucesso da modalidade.
O jovem Heitor Luiz Mees Filho
de 17 anos, da equipe Trio Street Ball,
morador da cidade de Pinhais, pratica
o esporte há um ano. “O nosso objetivo é divertir as pessoas, mostrar um
espetáculo e não apenas obter a vitória a qualquer custo”, diz.
Mees Filho também comenta que
a partida pode ser determinada por
tempo de jogo ou por pontos, ou seja,
pode ser de dez minutos ou por 20 pontos. Os lugares onde costumam jogar
são o Clube Santa Mônica, onde já ganharam um campeonato, na praça
Oswaldo Cruz e na Praça Osório.
O visual é inspirado nos jogadores e ídolos da NBA (liga de basquete
norte-americana). “Streeteiro” que se
preza tem que parecer meio largado,
usar roupas folgadas e abusar dos
assessórios, além é claro, dos penteados exóticos, faixas e bonés. E já que
conquistar a terra do Tio Sam é um sonho distante, os meninos de Curitiba e
região metropolitana se divertem mesmo é nas praças e clubes da cidade.
A rua agora é espaço para quem gosta de cestas
Curitiba pretende incentivar a prática do skate
Pablo Vaz
As crianças de famílias de baixa
renda da Vila Trindade terão um bom
motivo para sair de casa para brincar
e se divertir. A Fundação de Assistência Social (FAS) da Prefeitura Municipal de Curitiba está coordenando um
projeto, com duração prevista para seis
meses, cujo objetivo principal é
viabilizar a prática esportiva do skate
como uma alternativa de lazer para as
crianças entre os 10 aos 14 anos de idade.
Como coordenadores das aulas
foram chamados os skatistas Elton
Rodrigues e Daniel Labaig, que se dividirão em dois turnos, um pela manhã e
outro pela tarde, com um número de
15 crianças em cada. Divisão esta que
foi a solução encontrada para atender
as crianças de ambos os turnos escolares. Sendo o local escolhido para a prática do skate a pista do “parque linear”, na Vila Trindade, no bairro Cajuru.
Segundo Rodrigues: “O projeto é
importante pelo seu caráter de inclusão social através da prática esportiva, dado o interesse das crianças da
comunidade pelo skate, (ainda mais
neste caso cujo custo é elevado)”.
Além disso, um outro fator importante no projeto será o estímulo a
permanência das crianças em sala de
aula, visto que elas só poderão participar do projeto se estiverem devidamente matriculadas na escola.
A idéia da escolinha foi motivada por uma oficina que aconteceu nos
meses de fevereiro e março deste ano.
Elton foi convidado para ser o instru-
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tor “a idéia veio durante uma session
pela pista do bairro, quando constatei
que as crianças tinham grande interesse em andar de skate, mas não tinham
como praticar por falta de grana, daí
elas utilizavam a pista para escorregar
com papelão e mandar mortais de cima
do quarter”, complementa o skatista.
Para o início do projeto,
Rodrigues faz um apelo às empresas do
segmento, pedindo a colaboraçao e ajuda com materiais para a prática do esporte, tais como: skates, tênis, ou equipamentos de segurança.
A pretensão da Faspar é expandir o projeto para mais comunidades
carentes da cidade, numa alternativa
pioneira de inclusão social pela prática do skate. Apesar da falta de opções
para os streeteiros, Curitiba tem revelado grandes nomes do esporte no
cenário mundial.
Como o projeto ainda está em
andamento, não há uma data confirmada par o início das atividades; assim que forem acertadas, as crianças
do bairro poderão comparecer à Casa
da Comunidade Vila Autódromo para
fazer sua inscrição.
Os organizadorfes prometem que
a ansiedade da espera será recompensada com aulas recheadas de muita diversão e adrenalina - essa é a verdadeira essência do skate.
Elton Rodrigues
“O projeto é
importante
pelo seu
caráter de
inclusão
social”
Elton Rodrigues
Skatista
Dicionário:
Session - apresentação de skate
Streeiteiro - skatisa que prefere andar na rua ao invés de nas pistas
Quarter - tipo de obstáculo utilizado em prova de pista
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22/11/2005, 16:44
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Capital da Notícia - Curso de Jornalismo do UniBrasil