Capital da Notícia Curitiba, novembro de 2005 Capital da Notícia Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo Curitiba/PR - Novembro/2005 - Edição 22 Informação a serviço da sociedade Aumenta violência contra a mulher Uma mulher sofre violência a cada 15 segundos no Brasil. O número de registros de agressões aumenta na capital paranaense, mas sem amparo adequado, muitas ainda preferem o silêncio. Segundo índices da Delegacia da Mulher, a violência aumentou em 5,95% do ano de 2003 para 2004. Os bairros que mais contribuem para essa elevação são Cajuru e Bairro Alto. A estatística poderia ser ainda maior, caso não houvesse omissões da metade das vítimas. Como conseqüência, muitas perdem a auto-estima, sentem vergonha e acabam se afastando do convívio social. Para evitar esses problemas, ao realizar a queixa, as delegacias oferecem apoio psicológico e, posteriormente, jurídico. De todos os crimes contra a mulher, o mais cruel é o sexual, que pode deixar marcas eternas. Segundo pesquisas, o álcool, as drogas e o ciúme são os principais fatores que levam o homem a cometer um ato violento. Páginas 6 e 7 PERSONAGEM ESPORTES Arquivo vivo do futebol A onda é o streetball Vinícius Coelho, cronista paranaense, é arquivo vivo do esporte no Paraná e no Brasil. Página 3 Andressa Da Rosa VARIEDADES Fala sério! “Tá ligado que ter estilo não é para qualquer um né? Então chega junto porque agora é nós na fita! Curte um cara largadão? Pô! Vou te apresentar os manos, uns camaradas que não pagam mico e estão sempre antenados na moda.” Não entendeu o recado? O papo agora é a moda e as gírias dos adolescentes. Páginas 10 e 11 Clube bloqueia rua e fere lei Um basquete diferente está tomando conta das ruas tupiniquins. A batida é no ritmo do Hip Hop. Página 12 Há aproximadamente 50 anos a rua Dino Bertoldi, no Tarumã, permanece interditada pelo Jockey Club do Paraná. Apenas sócios do clube possuem livre acesso. Página 9 SAÚDE Informalidade Descaso na saúde Em cada ano político, a mesma história: promessas feitas pelos candidatos não saem do papel. Página 4 Foto: divulgação CN Edição 222.pmd GERAL Tr a b a l h o i n f o r m a l a v a n ç a n o B a i r r o A l t o ; desemprego é considerado um dos motivos. Página 8 EDUCAÇÃO Solidariedade Alerta Distrito de Saúde do bairro Cajuru revela índices preocupantes de mortalidade infantil. De 1000 crianças nascidas, aproximadamente 12 são vítimas da mortalidade. Página 4 1 22/11/2005, 16:44 Nelci Guimarães Na Casa de Joana D’Arc, população carente do Bairro Alto tem acesso a cursos pré-profissionalizantes, oficinas e informática. Página 5 2 O Curitiba, novembro de 2005 Capital da Notícia P I N I Ã O EDITORIAL Mulheres.... É tão bom ver uma mulher bonita, bem vestida e com um sorriso no olhar. Nada melhor do que perceber que ela está de bem com a vida e com ela mesma. Pois é, mas ser assim não tão fácil quanto se pensa. É preciso receber amor, carinho e cuidados para que assim, a felicidade e a plenitude aconteçam. Por incrível que pareça, existem pessoas que não tratam as mulheres como elas realmente merecem, muito pelo contrário. Muitos cometem os mais diferentes tipos de violência, tais como verbal, sexual, física, etc além do preconceito. Com isso, elas se sentem rejeitadas, acabam em depressão e afastam-se da sociedade. Agora é a hora de mudar toda essa situação. O começo é simples. Basta não aceitar um simples xingamento, não abaixar a cabeça diante de um ato violento e nem calar-se diante de situações constrangedoras ou que apresentem perigo. Felizmente, existem armas contra estes tristes acontecimentos. Hoje, a mulher conta com amparo das Delegacias da Mulher, centros especializados que promovem encontros voltados totalmente para elas e voluntários, que se disponibilizam a ajudá-las. O que falta no entanto, é que conscientização de muitas, que não denunciam as agressões e não tomam atitudes que poderiam modificar a situação. O tempo, o dinheiro e o adiantado da hora Andressa Oestreich CRÔNICA O fim da traição Aline Rodrigues e Vilma Takeda Izilda e Paulo eram um casal que chamava a atenção por onde passavam. Ela era morena, seios fartos, cintura fina e um requebrado que deixava qualquer malandro de queixo caído, brasileiríssima. Ele era franzino, cor de um amarelo-esverdeado (totalmente patriota), calçava 37 e usava os cabelos penteados pra trás. Todas as sextas quando a turma se reunia no bar, o assunto era sempre o mesmo: mulher. “Você viu aquela loiraça que anda dando mole pra mim?” “Só pra você não, pro timão inteiro!” “E a Lurdinha com aquela carinha de santa, dizem que gosta até de apanhar.” “Conta pra gente Paulo, como se faz pra conseguir um mulherão como a Izilda, com todo respeito, claro.” E passavam-se horas falando só da mulher alheia. Quando um dia, Paulo chegou na mesa e percebeu que seus amigos estavam mais calados, ninguém mais falava da Flavinha ou da Aninha. Todos tinham a cara de velório, evitavam olhar nos seus olhos. “Escuta, aconteceu alguma coisa que eu não saiba?” “Bom, já que você perguntou, vou contar só porque você é meu amigo.” “É, não gostamos de fofocas, mas isso você precisa saber.” “Eu nunca vi, mas dizem que no seu terreno tem outro galo.” “E olha que escutei de outra pessoa que viu um homem sair do seu apartamento na tarde de quarta.” “Acho bom, você cuidar melhor do que é seu.” “Se eu fosse você não deixaria ela sair de casa com aquele decote.” “E nem com aquele vestidinho curto que ela usa pra ir à feira.” “Sempre achei que ela era muito de se mostrar mesmo.” O choque foi tanto, que Paulo ficou mudo. Levantou-se e sem se despedir foi pra casa. Chegando lá, encontrou Izildinha sentada no sofá assistindo a novela. “Ué, voltou cedo hoje, querido. Você está bem?” Paulo sem responder entrou no quarto. Começou a vasculhar suas coisas no armário, de onde tirou sua arma. Dirigiu-se até a sala, parando em pé na frente de Izilda, que assustada, gesticulava. “O que é isso Paulo?” “O que você vai fazer com essa arma?” Cinco tiros foram disparados. O vermelho agora manchava o sofá e Izilda não existia mais. Paulo soltou a arma e começou a chorar. Era um soluço agoniado, doído, sofrido. “Por que Izildinha? Por que você fez isso comigo?” “Eu já sabia da sua traição há dois meses atrás, e eu já tinha te perdoado, Izildinha.” “Mas como você foi deixar a turma do bar descobrir? Isso eu não podia permitir...” CN Edição 222.pmd 2 A cada ano que passa você não tem a sensação de que o natal chega mais rápido? Os enfeites, por exemplo, a cada ano são vendidos mais cedo. Os carros também podem ser um bom exemplo. Se o ano é 2005 porque já é possível comprar carros 2006? Porque cada vez mais há pessoas impacientes e sempre com muita pressa? Esta pode ser uma dúvida não muito comum nas pessoas, mas é interessante tentar saber por que isso tudo acontece. A filosofia pode explicar a questão da pressa e da impaciência. A rapidez do avanço tecnológico atualmente é a principal causadora disso tudo. Um exemplo para isso pode ser o computador. Liga-se o computador e ele já está logo funcionado. Com as pessoas não, assim é preciso fazer uma série de coisas até entrar no próprio ritmo. Isso causa impaciência. Quando alguém se depara com algo um pouco mais devagar do que está acostumado, por exemplo, uma internet um pouco mais lenta, fica impaciente. De acordo com a filósofa Andréa Maila Voss Kominek, professora do curso de jornalismo da UniBrasil, o avanço fez com que o novo e desconhecido fosse muito procurado. “Temos a sensação de que é preciso ver ou saber tudo. Daí as pessoas exclamam sempre 'nossa eu não vi isso aqui ainda', ou então, 'esse assunto é bom eu deveria saber'”, disse. O fato é que, atualmente, como diz o escritor, filósofo e economista, Eduardo Giannetti, “quer-se fazer mais coisas do que se pode, saber mais do que se é capaz. Há uma sobrecarga de informações e isso nos gera angustia, impaciência, pressa para saber cada vez mais”. E a sociedade está se criando assim, com pressa de tudo. Atualmente as crianças são tão impacientes quanto os adultos. Não é possível mais contar uma história como antes, com começo, meio e fim, agora é necessário apenas saber um pouco do início e ir direto para o final. O caso fica ainda mais visível no comércio. As lojas são as que mais adiantam o tempo na corrida pelo lucro. A comerciante de Pinhais Elza Soares começou a vender enfeites natalinos no início de outubro. “As pessoas preferem consumir agora pois os gastos são bem menores”. É tudo uma questão de dinheiro, e como tempo é dinheiro, passa tudo a ser uma questão de tempo, por isso ambos estão cada vez mais escassos. Faculdades do Brasil Expediente Diretor Geral: Prof. Dr. Clemerson Merlin Clève / Diretor Acadêmico: Prof. Dr Lodércio Culpi Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. MSc.Roberto Nicolato / Professores responsáveis: MSc. João Augusto Moliani (Planejamento Gráfico e Editorial), MSc. Ana Paula Mira (Redação) e MSc. Jorge L. Kimieck (Fechamento). Alunos editores: Andressa Cristina da Rosa (capa e opinião), Janaina Szot e Rubens Castro (Variedades), Marco J. Corrêa (Geral), Caroline Cury e Cassiano Ribeiro (Educação e Saúde), Anderlin Júnior (Personagem) e Nelci Guimarães e Jonas Júnior (Esporte). O jornal Capital da Noticia é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido pelos alunos do 4º periodo, que circula nos bairros Capão da Imbuia, Bairro Alto, Tarumã, Cajuru e Pinhais. Tiragem: 2.000 exemplares Endereço: Rua Konrad Adenauer, 442 - CEP: 82820-540 - Jornal Laboratório Telefone: 3361-4200 - Endereço eletrônico: capitaldanotí[email protected] 22/11/2005, 16:44 PERSONAGEM Capital da Notícia 3 Curitiba, novembro de 2005 Coelho, arquivo vivo do futebol Um dos primeiros a viver a experiência da transmissão ao vivo no Rádio e TV Anderlin Valério Jr. tem que ter amigos, assim todas as portas estarão sempre abertas quando necessário. Anderlin Valério Jr. O pioneirismo na crônica esportiva paranaense fez de Vinicius Coelho santos um arquivo vivo das histórias do esporte no Brasil e no Estado do Paraná. Começou numa época em que só o futebol era sinônimo de esporte no Brasil. Um dos primeiros a viver a experiência da transmissão ao vivo na tv e rádio,Vinicius marcou história mesmo como colunista nos jornais, Correio de Notícias, Gazeta do Povo, Tribuna do Paraná, Diário do Paraná e o Globo, no Período em que morou no Rio de Janeiro de 69 a 74. Por conta deste período foi jornalista bola de Ouro da revista Placar um dos maiores premios concedidos a imprensa esportiva na década de 70. Há 3 anos morando no bairro do Tarumã, na rua Monte castelo, diz que o bairro oferece uma infra-estrutura completa, além da vizinhança lembrar aquelas do “tempo antigo”. Casado e pai de 4 filhos Coelho é apaixonado por sua família, futebol,música e animais. Conheça um pouco da vida e história desse ícone do futebol Paranaense. CP: Você Havelange? conheceu João Coelho: Sim, conheci e gosto muito dele, pra mim o futebol deve muito a ele. Comparar o futebol antes e depois de Havelange é como comparar o futebol antes do Pelé e depois do Pelé. CP: Você viveu muitas experiencias cobrindo Copas do Mundo? Pode contar uma delas? Vinicius Coelho ao lado de seu cachorro Bily uma das suas paixões mecei a falar sobre futebol com ele ai ele disse, “escuta você não quer colaborar com a transmissão falando sobre o futebol no programa de rádio?”. Eu disse, “por mim tudo bem”. Ele então me orientou dizendo que era pra eu falar quando a luz do estúdio estivesse vermelha, ai o operador da mesa de aúdio fechou o meu microfhone logo quando eu disse meu primeiro nome Vinicius Coelho ou seja cortou o Santos, ai ficou até hoje Vinicius Coelho. CP: Como e quando você passou a ser chamado de Vinicius Coelho? Coelho: Eu comecei em Rádio e, em Rádio, o nome o quanto mais curto melhor, tudo aconteceu por acaso. Eu fui a um jogo assistir CoritibaXGuarani o ano era 1954 em Ponta Grossa-Pr.Lá encontrei um amigo que fazia a transmissão do jogo( Eloi Lima Pereira), eu co- CP: Em que rádio voce iniciou sua carreira? Coelho: Foi na rádio Emissora Paranaense, em 1959, após eu ter comentado o jogo que tinha ido assistir, o jogo que lhe falei CoritibaXGuarani. CP: Você é apaixonado pelo Coritiba ou apaixonado pelo jornalismo esportivo? Coelho: Pra ser jornalista você tem que ter saído da adolescencia, agora, a paixão pelo Coritiba vem de criança.Eu morava ao lado do campo do Coritiba e estudava no Colégio Estadual Zacarias, quando terminava a aula eu corria para o estádio para ir pegar bola atrás do gol no campo. Ali conheci o Fedato, o goleiro Amilton, Renê, Tonico enfim todos os jogadores do Coritiba da Época de 1940. Ai eu recebi um convite para trabalhar como auxiliar de roupeiro do clube, eu tinha uns 14 anos de idade. Então eu pude estar constantemente com os jogadores e técnicos do futebol que passaram pelo Coritiba na época. Coelho: Uma história interessante me aconteceu na chegada do time do brasil no aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro em 1958. Eu estava no meio do tumulto dos jornalista aguardando a chega da dos jogadores, aì passou um ônibus com um pessoal da imprensa selecionado a dedo pelo Palácio do Catete. Lá dentro avistei um amigo sentado no banco da frente do ônibus fiz um sinal para ele. Sei lá, ele conseguiu fazer o motorista parar e abrir as portas ai eu entrei e advinha onde o ônibus foi parar? Dentro do Palácio do Catete! Avistei Juscelino com a taça Jules Rimet falsa, a verdadeira estava em cima de um sofá, ai eu pedi para o meu colega que era fotografo tirar uma foto ai sairam as fotos no outro dia nos jornais eu ao lado da taça verdadeira e Juscelino segurando a falsa (Risos). Foi minha sorte. CP: Você foi o pioneiro da transmissão ao vivo. Como foi? Coelho: A primeira transmissão feita na televisão foi em 1960, jogo Coritiba x Operário no Estádio do Alto da Glória. O pessoal da técnica levou um més para montar os equipamentos de transmissão(Risos). CP: Como você analisa o futebol nos dias de hoje? CP: Você acha que o futebol de hoje perdeu a nostalgia? Coelho: O futebol se mercantilizou muito hoje, acabou aquele romantismo de antigamente. Um exemplo disso aconCoelho: Hoje o jogador vai para teceu agora há pouco tempo; Antonio um clube já pensando o quanto que ele Lopes estava no comando técnico do vai ganhar quando sair, essa leí do passe Coritiba e logo depois já estava comanveio para ser um desastre para o fute- do do Atlético. Outra coisa também é que bol. Ela veio numa boa hora, há coisas a cidade antigamente era menor, a genboas, mas ela tem que passar por te saía na rua no dia seguinte ao jogo reformulações os clubes estão indo à fa- atletiba, era aquela gozação sadia, a lência e os empresários estão gente conhecia a maioria das pessoas da enriquecendo.Isso ocorre porque hoje cidade e encontrava elas, era aquela goquem é dono do passe do jogador é o zação, “aí, seu time perdeu”(Risos). Hoje empresário, eleProf. negocia da forma que violência tomou conta, infelizmenDiretor Geral: Dr. Clemerson Merlin Clève a/ Diretor Acadêmico: Prof. Dr e, Lodércio Culpi Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. MSc.Roberto Nicolato / Professores responsáachar mais conveniente para ele.Os clute, o futebol se transformou em uma inJoão Augusto (Planejamentodústria. Gráfico e Editorial), MSc. Ana Paula Mira besveis: não MSc. tem mais o poderMoliani de negociação Jorge Kimieck o (Fechamento). Alunos editores: Andressa Cristina da Rosa do (Redação) passe issoe éMSc. ruim poisL. coloca joga(capa e opinião), Janaina Szot e Rubens Castro (Variedades), Marco J. Corrêa (Geral), Caroline dorCury na emão do empresário eo mesmo CP: Voce escreveu dois livros Cassiano Ribeiro (Educação e Saúde), Anderlin Júnior (Personagem) e Nelci Guimarães acaba monopolizando. em parceria com um atleticano (Care Jonas Júnior (Esporte). neiro Neto), como explica isso? O jornal Capital da Noticia é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido A amizade o levou a muitos pelosCP: alunos do 4º periodo, que circula nos bairros Capão da Imbuia, Bairro Alto, Tarumã, Cajuru lugares; para você,2.000 é importante Coelho: O Importante, seja Coxa e Pinhais. Tiragem: exemplarescultivar a amizade? ou Atleticano, é falar sobre o tema e não do time.O Carneiro Neto é meu Endereço: Rua Konrad Adenauer, 442 - CEP: 82820-540 - Jornal Laboratório Coelho: Sim, com certeza. Eu sou amigo-irmão, pena que ninguém é Telefone: 3361-4200 - Endereço eletrônico: capitaldanotí[email protected] o que sou graças aos amigos que tive e perfeito(Risos). também a humildade. Todo jornalista Faculdades do Brasil Expediente Vinicius Coelho segurando a Taça Jules Rimet CN Edição 222.pmd 3 22/11/2005, 16:44 4 S Curitiba, novembro de 2005 Capital da Notícia A Ú D E Mortalidade infantil no Cajuru Distrito de Saúde do bairro revela números preocupantes divulgação Fernando Cunha Em Curitiba, dentre 1000 bebês nascidos até os que completaram um ano de idade, 11,2 foram vítimas da mortalidade infantil. Isso é o que demonstra os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), referentes a 2004. Porém, a média no Distrito de Saúde do Cajuru, que compreende também os bairros Tarumã, Capão da Imbuia, Vila Oficinas e Bairro Alto, é superior ao índice do município. No ano passado, 15,7 casos de mortalidade infantil foram registrados nas Unidades de Saúde da região, a cada 1000 crianças nascidas. No ano de 2000, em decorrência do problema, foram confirmados 62 óbitos nos bairros, o equivalente a 14,4 em cada 1000 bebês nascidos no período. Entre 2001 e 2003 houve uma ligeira queda do índice. Já, em 2004 os números voltaram a crescer, o que ocasionou o registro da maior taxa dos últimos cinco anos.A médica Cristiane Marangon, do Programa de Atenção a Criança, da SMS, admite que o número de mortalidade infantil em Curitiba ainda é alto. Um dos principais motivos é a prematuridade com que nasce grande parte dos bebês, causada geralmente por infecções urinárias nas De 1999 a 2004, Curitiba registrou uma media de 25 mil crianças nascidas por ano gestantes. “Esse é um grave impasse, porque reflete a falta de orientação das futuras mães”, observa. No entanto, segundo ela, para amenizar o problema e suas conseqüências, a secretaria autorizou no início deste ano a contratação de médicos obste- tras para atuarem em todos os Distritos Sanitários com a médica, no Distrito Sanitário do Cajuru “os números são mais elevados, talvez pela maior concentração populacional ou influências sócio-culturais existentes na região”, justifica. Descaso Conforme relatado por uma enfermeira da Unidade de Saúde do Bairro Alto, que optou por não revelar sua identidade, em dezembro do ano passado, houve um caso em que um bebê recémnascido morreu por falta de atendimento médico. “Era um domingo e o médico plantonista não veio trabalhar”, revelou. A reportagem do Capital da Notícia foi até o endereço da mãe da criança, mas segundo um vizinho, ela mudouse do local recentemente. A Secretaria Municipal de Saúde informou não ter tomado conhecimento do fato. Programa Mãe Curitibana Em 1999, foi criado pela Prefeitura Municipal o Programa Mãe Curitibana. Por intermédio desse programa, gestantes têm acesso a exames de pré-natal e acompanhamento médico durante toda a gravidez e pós-parto. Segundo a prefeitura, o Mãe Curitibana tem sido responsável por boa parte da queda da taxa de mortalidade infantil na cidade. Somente em 2004, 16.237 gestantes foram atendidas pelo Mãe Curitibana. Dentre as gestantes assistidas pelo programa, apenas 3% são conveniadas a algum plano de saúde. As demais, 97%, são atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). US 24h do Cajuru deve sair do papel neste ano Foto/Divulgação Marco Corrêa Em cada ano político a mesma história se repete: promessas feitas pelos candidatos que não saem do papel. O ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi é um exemplo disso. Cássio não cumpriu grande parte das propostas, principalmente na área de saúde pública. O então candidato a prefeitura do município, prometeu nas eleições de 2000, a construção de 23 unidades de saúde, além de dois postos 24 horas, um no bairro Pinheirinho e outro no Cajuru. Das 23 unidades prometidas, apenas 11 foram inauguradas. A construção dos dois postos 24 horas, não foi concluída e se arrasta até a atual administração. Segundo o presidente do Conselho Distrital de Saúde do Cajuru, Odenir Cândido, a gestão anterior tentou construir a unidade 24 horas (US) próximo ao Terminal do Capão da Imbuia. A obra previa a construção de uma Rua da Cidadania que abrigaria o posto de saúde, porém não foi aceita pela comunidade. “A prefeitura tentou empurrar para população a construção neste local, porém a localização não favorecia a comunidade menos favorecida, que é realmente quem necessita desse serviço. A obra tinha financiamento internacional e atendia o interesse dos CN Edição 222.pmd Vista aréa da região onde será construida a US 24h do Cajuru comerciantes e não da comunidade”, afirma Cândido. Odenir destaca alguns aspectos positivos que foram cumpridos devido às reivindicações da comunidade. A reforma da Unidade de Saúde do Capão da Imbuia e as construções das Unidades do Solitude e Trindade II, são algumas obras que atenderem o interesse do moradores. “ Das 11 unidades inauguradas em Curitiba na gestão anterior, três foram na regional do Cajuru”, disse Cândido. 4 A superintendente da Secretária Municipal de Saúde, Edimara Seegmüller, defende a antiga gestão. Seegmüller informou que as promessas não foram cumpridas principalmente, por falta de recursos para realização das obras. “ Na US do Pinheirinho o problema ocorreu quanto a liberação do financiamento e com a empresa que ganhou a licitação. Existiram falhas na construção, assim a obra foi paralisada. Na US do Cajuru havia uma solicitação junto ao Ministério da Saúde e 22/11/2005, 16:44 uma proposta de emenda parlamentar que só se concretizou em 2005 ”, comenta Edimara. Coordenador do Programa de Saúde do ex-candidato Ângelo Vanhoni (PT), que enfrentou Cassio Taniguchi nas eleições municipais de 2000, o médico Mário Lobato, afirma que as desculpas dadas pela antiga gestão não são aceitáveis. Para Lobato, Cássio já tinha noção que orçamento era escasso para realização das obras e que os problemas com a licita para a construção da unidade do Pinheirinho, poderia ser facilmente resolvido; “Há pelo menos três mandatos as promessas são as mesmas e a população é enganada. A construção dos postos 24h do Pinheirinho e do Cajuru foi promessa nas duas campanhas do Cássio e na última campanha do Beto, espero que nesta gestão elas sejam concluídas”, fala Lobato. A conclusão das unidades do Pinheirinho e do Cajuru parecem sair do papel. A atual gestão, através do prefeito Beto Richa, firmou um acordo com o governo estadual para a conclusão dessas e de outras promessas feitas pela atual e a antiga gestão. O Plano 360, assim intitulado pela administração municipal, prevê a realização de 163 ações na diversas áreas (infra-estrutura, urbanismo, meioambiente,desenvolvimento econômicosocial e saúde) em um prazo de 360 dias. E Capital da Notícia Curitiba, novembro de 2005 D U C A Ç Ã O 5 Bem vindos à Casa de Joana D’Arc No “coração” do Bairro Alto bate forte a solidariedade Nelci Guimarães Nelci Guimarães Há muita coisa que incomoda os moradores do Bairro Alto, como falta de emprego, pobreza, violência, consumo de drogas, coisas comuns na maior parte dos bairros de Curitiba. Mas algumas atitudes podem mudar a vida de muitas pessoas. É o que acontece à Rua Pedro Eloy de Souza, nº. 1141, onde está situada a Guarda Mirim Joana D’Arc (que está passando a ser denominada de Casa de Joana D’Arc). No início era oferecida no local uma sopa para socorrer o problema mais urgente, a fome. Hoje se transformou na segunda casa de muitos moradores do bairro, como conta Rosângela Aguirre de Castro, diretora e idealizadora da idéia. Ela achou que só a doação não era suficiente para acabar com a miséria, então reuniu uma equipe e, com apoio da FAS - Fundação de ação social e também de voluntários, inaugurou a Guarda Mirim Joana D’Arc, para tentar restituir a dignidade e diminuir a pobreza que via ao redor. “A doação alimenta a pobreza. Mais do que ensinar a pescar, nós ajudamos a construir a vara” diz. Depois da parceria que fez com o Lar Fabiano (uma entidade que gerencia o projeto e mantém casas desse tipo em todo o Brasil, resgatando socialmente pessoas que vivem à margem da sociedade), foi possível a aquisição de mais um terreno para desenvolver um trabalho mais Os alunos aprendem informática abrangente. Hoje funcionam lá, desde reforço escolar, até oficinas que preparam o adolescente para o mercado de trabalho, além de centros de geração de renda. Tudo é feito de forma a suprir as necessidades básicas das pessoas, sobretudo das crianças, que são submetidas a um acompanha- mento multidisciplinar para ajudar na reintegração familiar - o pincipal objetivo da cas Como funciona É feito um estudo diagnóstico da família-alvo. A equipe realiza visitas às casas para apurar as reais necessidades e descobrir se aquele núcleo possui o perfil para ser atendido. Alguns itens são pesquisados, como renda familiar, qualidade da habitação, grau de comprometimento social e familiar. As famílias são “adotadas” e um trabalho de apoio é realizado por uma equipe de 18 profissionais, divididos entre psicólogos, assistentes sociais, professores, monitores e, mais uma quantidade de voluntários. No período em que participam do atendimento, as famílias recebem ajuda para se reestruturarem. São levantadas as causas que geram a violência e a desagregação familiar e, com ajuda profissional, e principalmente conscientização do problema, o trabalho é enfocado para a auto-solução. A pessoa aprende a redescobrir o valor das coisas, materiais, sociais e morais. Após o período máximo de cinco anos, as famílias deixam a casa (há 116 famílias em processo de desligamento). O acompanhamento é feito à distância com visitas freqüentes, para verificar se estão pondo em prática o que foi aprendido, como cuidado consigo, com a família, com os filhos, com o trabalho, com a vida... até que mais tarde possam desvincularse completamente. Segundo a assessora Nádia Silveira “depois de romper os grilhões da miséria material, social, afetiva e moral, com os filhos igualmente restabelecidos e integrados, uma grande parte dos núcleos atendidos passa a viver dignamente e de forma autônoma”. Há recuperação de 25% das famílias, um índice considerado bem alto. Maria Benedita G. de Souza, moradora à Rua Nicolau Langer, 15 - DR, diz que os filhos passaram pela instituição e elogia que todos estão bem direcionados, alguns ainda freqüentam. Ela mesma pertence ao programa familiar oferecido. Todas as pessoas presentes na casa, parecem estar imbuídas de um mesmo sentimento de solidariedade. Por exemplo, as cozinheiras Miralda B. Rodrigues e Léia Costa da Silva, que trabalham há quatro anos, dizem sentiremse muito felizes, pois além de estarem exercendo uma atividade profissional, ainda ajudam a quem precisa. Miralda disse: “O trabalho é muito gratificante, a gente vê criança que chega desnutrida e depois de alguns meses nem parece a mesma”. Elas destacam o carinho especial com que são tratadas pelas crianças e dizem que quando uma família fica capacitada, sentem-se como se fossem um pouco responsáveis pelo sucesso. Programa amigos da escola deixa a desejar Janaina Szott tências para o melhor aproveitamento e organização das atividades. No início eram muitas propagandas e campanhas do programa, mas depois de alguns anos tudo isso caiu no esquecimento. A EE Maria Balbina, por exemplo, jamais recebeu voluntários indicados pelo projeto e também não foi contatada pelos responsáveis dos Amigos da Escola. O diretor da escola, Roserlei Corsi, no cargo desde o início de 2004, disse não saber nada a respeito do cadastramento, e que nem tinha o conhecimento de que o nome da mesma estava no site do programa. A escola nunca recebeu os materiais didáticos divulgados pelo programa, que ajudariam no desenvolvimento das atividades. A reportagem entrou em contato com o Amigos da Escola, mas não obteve resposta sobre o desconhecimento da escola em relação à inscrição no programa Em busca de parceria Mesmo sem o apoio dos Amigos da Escola e até da comunidade, o diretor Roserlei Corsi não desistiu. Teve a idéia de procurar a Unibrasil e propor uma parceria. Depois de algumas reuniões, surgiram as aulas de informática para os alunos da escola O Amigos da Escola é um projeto criado em 1999 pela TV Globo e emissoras afiliadas. E segundo o site do programa, atualmente estão cadastradas no projeto mais de 30 mil escolas de várias regiões do país, e no Paraná são 2678 escolas cadastradas. Em Curitiba são 26 escolas. No bairro Tarumã são três escolas cadastradas: Escola Municipal Madre Antonia, Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima e Escola Estadual Professora Maria Balbina. O objetivo do projeto era o fortalecimento da escola pública de educação básica por meio do trabalho voluntário e da ação solidária. E através da mobilização desses voluntários apoiar a direção da escola, fornecendo informações e subsídios para que esta desenvolvesse suas compe- CN Edição 222.pmd 5 Maria Balbina. Segundo Corsi a escola não possui estrutura e equipamentos para oferecer certos programas o que reforçou a idéia de parceria. O projeto começou em maio de 2005 com as aulas para os alunos do EJA - Educação de Jovens e Adultos, que são do período noturno. Toda segunda-feira, a partir das 19 horas os alunos interessados se dirigem até a universidade, que é próxima à escola, junto com um inspetor para assistir as aulas que são realizadas nos laboratórios da faculdade que também disponibiliza profissionais para trabalhar no projeto. E desde o dia 22 de setembro começaram as aulas para os alunos do período da tarde. “Só depende da gente para conseguir apoio à escola, pois se depender da ajuda de voluntários da comunidade projetos como esse não vão acontecer” relata Corsi. Ainda assim, segundo Corsi, a escola está de portas abertas às pessoas que, de alguma forma, possam colaborar com o desenvolvimento de atividades que levem ao aprendizado dos alunos. 22/11/2005, 16:44 10 dicas sobre voluntariado 1. Todos podem ser voluntários, o que cada um faz bem pode fazer bem a alguém 2. Voluntariado é uma relação humana, rica e solidária 3. Trabalho voluntário é uma via de mão dupla 4. Voluntariado é ação, quem quer, vai e faz 5. Voluntariado é escolha 6. Cada um é voluntário a seu modo, não há fórmulas nem modelos a serem seguidos 7. Voluntariado é compromisso 8. Voluntariado é uma ação duradoura e com qualidade 9. Voluntariado é uma ferramenta de inclusão social 10. Voluntariado é um hábito do coração e uma virtude cívica 6 Curitiba, novembro de 2005 R R EPORTAGEM E P O R T A G E M Mulheres em xeque: entre a violência O índice de casos do Bairro Alto e do Cajuru aumenta as estatísticas da De Aline Rodrigues e Vilma Takeda Aline Rodrigues curitibanas vítimas da violência. O outro projeto cria o programa de Centros de Referência, inexistente na cidade, mas eficaz em muitas outras capitais. O Centro seria uma rede de atendimento e proteção, implantado em cada regional do município, nas Ruas da Cidadania ou em outros espaços que facilitem a articulação desses centros com a Fundação de Ação Social (FAS) e os Conselhos Tutelares. “Nesse espaço a mulher teria atendimento jurídico, psicológico e de assistência social, sem precisar se deslocar para vários lugares, simplificando o atendimento”, explica a vereadora. Os projetos encontram-se parados na mesa executiva da Câmara Municipal esperando para serem colocados em pauta. Segundo a vereadora, é necessário existir uma política pública voltada para mulher, mesmo porque as questões de gênero necessitam de sensibilização da sociedade. “Para temas como esse, numa cidade do porte de Curitiba, as pessoas deveriam estar mais sensíveis, mas elas não estão” afirma a Professora Josete. Nesses centros de referência também haveria tratamento adequado para o agressor. Ele seria reeducado e reabilitado para voltar ao convívio familiar, já que na maioria das vezes ele faz parte da família. “E geralmente, o agressor possui um histórico familiar de violência, por isso ele também é uma pessoa que necessita de ajuda”, diz a psicóloga Regina Célia Langer de Lima. Na capital paranaense ainda não existe nenhum projeto nesse sentido. Por isso nesses casos, os grupos de apoio seriam importantes, segundo a psicóloga, pois poderiam ajudar o agressor no processo de auto-conhecimento, para que esse possa aceitar suas fraquezas e descobrir seus limites. O álcool, as drogas, o ciúme e a rejeição são apontados como os principais fatores que levam o homem a cometer atos violentos. Crimes sexuais são os mais graves Como o marido ou companheiro é o principal agressor, muitas mulheres não têm para onde fugir A cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência no Brasil. Mesmo após séculos de luta, elas continuam a sofrer discriminações dentro da sociedade. E em Curitiba os números não são diferentes. Os índices da Delegacia da Mulher mostram que a violência aumentou em 5,95% do ano de 2003 para 2004. Neste ano, até o mês de agosto, foram registrados 2.761 casos, sendo a maior parte de lesões corporais: 1260 registros. Estima-se que os números possam ser bem maiores, já que mais da metade das mulheres agredidas não presta queixa. Isso porque o agressor, na maioria das vezes, é o próprio marido, companheiro ou outro membro da família da vítima. Por causa da agressão, muitas mulheres acabam perdendo a auto-estima, sentem vergonha e culpa pela violência sofrida. Enfrenta também, a discriminação das pessoas próximas, que preferem se afastar por se tratar de um caso doméstico. O caso de Maria (nome fictício), 54 anos, é semelhante a muitos outros. Moradora do Bairro Alto, ela ainda se sente constrangida de falar sobre o crime ocorrido em maio deste ano. Segundo uma vizinha que a socorreu, Maria foi agredida com um pedaço de pau, pelo companheiro que chegou bêbado em casa, reivindicando uma dívida de R$ 0,50. Ela ainda tentou se defender, mas foi atingida no rosto, sofrendo um corte profundo no supercílio, fratura no osso da face e hematomas no queixo. Enquanto ela era encaminhada a um posto de saúde pelos vizinhos, o agressor ainda quebrou todas as janelas da casa. Devido a essa agressão, Maria precisou tirar licença de 15 dias do seu trabalho, e arcar com as despesas da casa CN Edição 222.pmd depredada. O boletim de ocorrência foi feito, mas até agora o criminoso continua impune. Na Delegacia da Mulher, toda vítima que resolve fazer a queixa recebe o encaminhamento jurídico em que é marcada a primeira audiência reconciliatória no juizado especial. O agressor é intimado a depor e a vítima decidirá então, se continuará ou não com o processo. Caso não haja consenso, haverá julgamento. Pessoas como Maria fazem parte da minoria da população feminina que tem coragem de denunciar crimes no âmbito familiar. E a coibição de se fazer a denúncia pode estar na própria Lei 9.099, de 1995, que processa todos os crimes de violência doméstica como sendo casos de lesões leves. Segundo o advogado Roque Miranda, o ponto controverso da lei está na penalização do agressor, que costuma pagar com algumas cestas básicas, ou é obrigado a prestar serviços para a comunidade, como por exemplo, pintar escolas. Por isso, o que acontece muitas vezes, é que depois de penalizado, ele acaba voltando a praticar atos violentos. Essa reincidência de agressões, leva as mulheres a procurar ajuda na assistência social da prefeitura de Curitiba, para tentar conseguir uma das vagas do abrigo. Hoje na cidade, há apenas um abrigo, a Pousada de Maria, com capacidade para acomodar 15 famílias (mulheres e seus filhos) por um período de no máximo 60 dias. Na Câmara Municipal de C u r i t i b a , a v e r e a d o r a Pr o f e s s o r a Josete lançou dois projetos relacionados à proteção da mulher. Um deles institui o programa municipal de expansão das casas de abrigo, para a ampliação do número de vagas para as 6 De todos os crimes contra a mulher, o sexual deixa mais seqüelas e traumas, pois além do abalo psicológico, a violência pode resultar em uma gravidez indesejada ou até mesmo uma doença sexualmente transmissível. Segundo a psicóloga Regina Célia, as mulheres que sofrem esse tipo de violência se sentem culpadas pelo próprio pensamento machista e individualista da sociedade em que vivemos, que chega a acusá-la de ser conivente com o crime. Em Curitiba, o Programa Mulher de Verdade da Secretaria Municipal de Saúde foi implantado em todas as Unidades de Saúde da cidade, em uma tentativa de humanizar o atendimento da mulher que sofre violência sexual. Esse programa tem por objetivo diminuir o constrangimento da vítima de ter que passar por vários exames. Em parceria com a Delegacia da Mulher e os hospi- tais Evangélico, de Clínicas e Pequeno Príncipe, o exame médico é feito apenas uma única vez, e o laudo é encaminhado para a delegacia, ficando a critério da vitima fazer a denúncia ou não. Quando a vítima chega às Unidades de Saúde, ela recebe os primeiros cuidados, como a pílula do dia seguinte, se a violência estiver acontecido em menos de 72 horas. E depois ela é encaminhada pela própria Unidade para um dos hospitais que participam do programa. De todos os crimes contra a mulher, o sexual deixa mais seqüelas e traumas, pois além do abalo psicológico, a violência pode resultar em uma gravidez indesejada ou até mesmo uma doença sexualmente transmissível. Segundo a psicóloga Regina Célia, as mulheres que sofrem esse tipo de violência se sentem culpadas pelo Segundo os índices, o período do Carnaval é o que mais ocorre crimes sexuais durante o ano 22/11/2005, 16:44 R EPORTAGEM R Capital da Notícia E P O R T A G E M olência e o descaso do poder público 7 ticas da Delegacia da Mulher, mas muitas vítimas ainda preferem o silêncio próprio pensamento machista e individualista da sociedade em que vivemos, que chega a acusá-la de ser conivente com o crime. Em Curitiba, o Programa Mulher de Verdade da Secretaria Municipal de Saúde foi implantado em todas as Unidades de Saúde da cidade, em uma tentativa de humanizar o atendimento da mulher que sofre violência sexual. Esse programa tem por objetivo diminuir o constrangimento da vítima de ter que passar por vários exames. Em parceria com a Delegacia da Mulher e os hospitais Evangélico, de Clínicas e Pequeno Príncipe, o exame médico é feito apenas uma única vez, e o laudo é encaminhado para a delegacia, ficando a critério da vitima fazer a denúncia ou não. Quando a vítima chega às Unidades de Saúde, ela recebe os primeiros cuidados, como a pílula do dia seguinte, se a violência estiver acontecido em menos de 72 horas. E depois ela é encaminhada pela própria Unidade para um dos hospitais que participam do programa. US do Cajuru atende 3 vítimas por semana Nas Unidades de Saúde do bairro Cajuru são atendidas em média 3 vítimas de violência sexual por semana. E em Curitiba, no ano passado, foram atendidas 468 pessoas pelo programa Mulher de Verdade. Mas deste total, somente 96 denúncias chegaram até a Delegacia da Mulher, ou seja, apenas20 % das vítimas prestam queixa contra o agressor. No ano passado foram atendidas 120 crianças do sexo feminino menores que 12 anos, e em 56,63% desses casos, os parentes das vítimas são os principais agressores, sendo o próprio pai, o responsável pela maior parcela dos crimes. A faixa etária que possui o maior número vítimas vai de 10 a 19 anos com 219 casos registrados, ou seja, 47,92% do total. Segundo a coordenadora do programa, Vera Lídia Alves de Oliveira, quando as vítimas são menores de 18 anos, o Conselho Tutelar é automaticamente comunicado. A discriminação em números O relatório “Fortalecimento das Mulheres: Medindo a Desigualdade entre os Sexos”, divulgado em junho deste ano pelo Fórum Econômico Mundial, sediado em Davos, na Suíça, revela dados poucos animadores do Brasil: - Dos 58 países pesquisados, o Brasil ocupa a posição de número 51 no ranking que mede a desigualdade entre homens e mulheres. O Brasil obteve a pior classificação de toda a América do Sul e até mesmo Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, oferece às mulheres melhores condições. - O País foi classificado em penúltimo lugar na lista, no quesito da participação política, perdendo apenas para a Jordânia. Dos 33 ministros, apenas três são mulheres e apenas 8,7% da Câmara Federal é com- posta pelo sexo feminino. Em Curitiba, a Câmara Municipal é constituída por 38 vereadores, mas apenas 5 são mulheres. - O Brasil também ficou em 53º colocação no índice que analisou o acesso aos serviços de saúde. - E em 46º lugar quando assunto foi a respeito da igualdade de remuneração. - No que se refere à educação as brasileiras alcançaram o 27º lugar. - O melhor posicionamento do país foi na questão das oportunidades de acesso a cargos de alta remuneração, ficando em 21º lugar, à frente de países como Reino Unido (41º), Estados Unidos (46º) e Japão (52º). Ainda existe discriminação no trabalho feminino Aline Rodrigues Professora Kelly Prado sofre discriminação dos alunos durante as aulas de musculação CN Edição 222.pmd 7 “Esse trabalho não é para mulher.” São piadas machistas como essa que a professora de Educação Física, Kelly Prado escuta todos os dias na sua profissão. Responsável pela orientação da sala de musculação da academia Arena, no Cajuru, ela precisa lidar com alunos que não admitem precisar da ajuda de uma mulher para levantar pesos ou mesmo receber instruções. Durante uma de suas aulas, um fato que deixou a professora chateada, foi que mesmo estando próxima de um aluno que deixava a barra cair, ele não pediu sua ajuda. “Ele simplesmente ignorou minha presença, preferindo ser ajudado por outro aluno homem”, afirma Kelly. Mesmo enfrentando os vários tipos de discriminação, a mulher avança dentro do mercado de trabalho, conquistando cada vez mais, cargos altos e que até alguns anos atrás eram ocupados apenas por homens. Uma pesquisa realizada pela empresa de recursos humanos Catho, revelou que as mulheres brasileiras já ocupam 15,87% dos cargos presidenciais executivos e 45% no nível de encarregado. Grace Maldonado, 28 anos, gerente de investimentos do banco BMC S.A. é uma delas. Ela conta que além de ser difícil conquistar um cargo de responsabilidade, ainda precisa enfrentar a diferença salarial entre homens e mulheres. “Como o mercado financeiro é predominantemente masculino, precisamos aceitar algumas condições; um salário menor, por exemplo.” Segundo a auditora fiscal do trabalho Marilza Lima da Silva, por lei, uma pessoa independentemente do sexo deve receber o mesmo salário que outra pes- 22/11/2005, 16:44 soa no mesmo cargo, desde que esta tenha menos que dois anos no cargo. Mas infelizmente não é isso o que acontece. E não é por falta de preparo, pois as mulheres estão estudando mais que os homens. Enquanto a média de anos de estudo das mulheres é de 8,2 anos, a média dos homens fica em torno de 7,3 anos. Na faculdade Unibrsil por exemplo, existem 4.827 alunos, sendo 2.293 do sexo masculino e 2.534 do sexo feminino, ou seja, o número de mulheres supera o de homens em quase 10%. Mas a diferença de salários entre homens e mulheres aumenta justamente quando a escolaridade é maior. Se os homens com curso superior completo ganham R$ 1.862,54, as mulheres com a mesma escolaridade chegam a receber 37,46% a menos ou o salário de R$ 1.164,79, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). A mulher que se sentir discriminada de alguma forma no seu local de trabalho, pode procurar o Núcleo de Promoção da Igualdade, Oportunidade e de Combate a Discriminação nas Relações de Trabalho da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que tem por objetivo melhorar as relações dentro do ambiente de trabalho, para que empresa e trabalhador possam manter uma ligação mais saudável e produtiva. Do período que vai de fevereiro até agora, o Núcleo recebeu 41 denúncias relacionadas à discriminação da mulher no trabalho. Sendo a queixa mais freqüente a do assédio pelo seu superior. “Nós procuramos mudar a rotina da empresa para haja maior conscientização desse tipo de problema”, diz a auditora Marilza. 8 GERAL Curitiba, novembro de 2005 Capital da Notícia Trabalho informal cresce no Bairro Alto Comércio de cachorro-quente torna-se opção de emprego Frank Alves O aumento do desemprego e a queda da renda dos brasileiros abriram caminho para uma veia crescente, a da informalidade, ou seja, o trabalho sem registro em carteira. O Bairro Alto está nesse curso. São muitas pessoas que buscam na venda de cachorro quente o seu sustento e de suas famílias. Alcir Clesio Colonetti e a esposa Suzani Block, são donos do “Dog do Keco” o point do cachorro quente do Bairro Alto. Faz oito anos e meio que atendem na rua Percy de Feliciano de Castilho, com um diferencial, entregam em domicílio. Eles são os primeiros a adotarem o serviço de delivery, e contam que isso aconteceu por acaso. A prefeitura há sete anos e meio pavimentou a rua onde eles têm o seu comércio. Por isso tiveram que mudar o carrinho algumas quadras. Os clientes acostumados a lanchar na sua barraca começaram a fazer pedidos por telefone, iniciando assim o primeiro cachorro quente de Curitiba entregue em casa. “Muitas pessoas hoje me vêem com um bom carro, com bastante freguesia, e acham que vão ficar ricas vendendo cachorro quente, mas o que conta é a persistência, se você não trabalhar duro, vai fechar antes dos seis meses como a maioria”, disse Keco. O seu carrinho funciona das 18h Frank Alves Keco e sua esposa preparando um cachorro-quente às 23h, com uma renda média de 4 mil por mês, com a venda de dois mil a 2500 cachorros quentes. “Paro somente véspera e no dia de natal, e véspera e dia de ano novo”, acrescentou Keco. Eduardo Motiejaus é morador do Bairro Alto desde 1998, e contou que sempre lancha na barraca do Keco, pois como trabalha e estuda á noite na Federal, não tem tempo para comer em casa, e quando esta muito cansado pede para que entregue o seu cachorro quente em casa. Outras pessoas que estão na informalidade são: Angelina Maria de Lima com mais de 50 anos, e Everli Denise Vieira, que resolveram abrir um carrinho de cachorro quente, pois Angelina não conseguia mais se encaixar no trabalho com carteira registrada. Ela contou que após ter uma doença que a impossibilita de ficar durante horas em pé e a idade, se viu obrigada a fazer alguma coisa que pudesse dar o seu susFrank Alves tento e de uma filha de 11 anos. Faz três meses que trabalham das 19h até às 00h. “Tiramos mais ou menos R$ 35,00 á R$ 40,00 reais por noite, uma parte vai para comprar os mantimentos, e ainda sobra para ter uma vida digna”, explicou Angelina. Cada cachorro quente varia de R$ 1,50 a R$ 2,00. O carrinho das sócias está na rua José Veríssimo, esquina com José de Oliveira Franco. Ainda conforme Angelina o maior problema foi à parte financeira, pois não sabiam como administrar seu pequeno negócio, mas agora com ajuda de uma filha mais velha que deu para elas um livro caixa, as coisas começaram a melhorar. Neste tempo em que as duas sócias estão na informalidade nunca sofreram assaltos, e também não houve fiscalização da prefeitura. A pessoa que deseja trabalhar com o comércio informal deve se dirigir ás ruas da Cidadania: requerer um formulário de ambulante, e de 10 a 15 dias se for acatado o pedido recebera uma carteira fornecida pela prefeitura, válida para o titular e o preposto, com a duração de um ano. Transtornos em bancos do Capão da Imbuia Rubens Castro Atualmente o serviço bancário da região do Capão da Imbuia é feito por dois bancos, Itaú e Caixa Econômica Federal, que vivem lotados por falta de estrutura e de funcionários para auxiliar no atendimento. A agência da Caixa geralmente é mais lotada, por efetuar pagamentos a aposentados e outros benefícios aos trabalhadores. O Detran, por encerrar suas atividades às 14h, prejudica o atendimento bancário do Itaú, que possui um posto dentro da instituição. Dessa forma, o banco encerra seu expediente junto com o órgão público. A maior parte dos “usuários” (assim chamados pelo Detran) faz somente pagamentos de taxas administrativas do próprio órgão neste posto. A grande maioria dos serviços bancários ficam para a agência da Caixa Econômica Federal, na Rua Leopoldo Belczak. O aposentado João Siqueira, 67, por exemplo, disse que chegou às 14h03 e não conseguiu entrar no Detran para pagar um título do Itaú, que vencia naquele dia. “É uma vergonha! Onde já se viu fechar às duas? Para cobrar da gente eles são bons!”, disse Siqueira. Segundo assessoria do banco, com fechamento do órgão, a agência, por es- CN Edição 222.pmd Rubens Castro O movimento na Agência da Caixa da Leopoldo Belczak aumenta a partir das 14h. tar interligada, é fechada em conjunto ao horário estabelecido. Há quatro anos o atendimento era efetuado até às 16h, mas isso gerava um custo maior para o governo, que precisava servir almoço aos seus 8 funcionários. Outro problema é devido à quantidade de desempregados que se dirigem à agência para receber FGTS, PIS, Seguro Desemprego, entre outros. Esses serviços são de exclusividade da Caixa e provocam um grande aumento 22/11/2005, 16:44 no número de pessoas dentros das agências. “Além de eu estar esperando para receber um benefício que eu consegui com meu suor, até humilhado já fui”, reclama Siqueira. Já Osni Vieira, outro usuário, disse que ficou quarenta minutos na fila para receber uma parcela do seguro desemprego, que, segundo ele, é “esmola do governo”. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), para que seja viável a abertura de uma agência bancária em um bairro, esse necessariamente deve possuir mais de 35 mil pessoas economicamente ativas. Hoje o bairro possui uma população de aproximadamente 22 mil habitantes. Segundo estudos, serão necessários mais quinze anos para que a população atinja esses índices. Até isso acontecer, a comunidade continuará a sofrer com as longas filas. Dicas Para reduzir o tempo de espera, procure as agências bancárias entre 12 e 13h. GERAL Capital da Notícia Jockey fecha rua Curitiba, novembro de 2005 9 Sistema viário beneficia Capão da Imbuia Apenas sócios têm livre acesso Quem procura esta rua, no bairro Tarumã, embora esteja no mapa de Há mais ou menos cinqüenta Curitiba, não conseguirá usá-la, pois anos, a rua Dino Bertoldi foi bloquea- está protegida por um portão instalada pelo Jockey Club Paranaense, im- do no meio dela; único acesso possível pedindo a passagem de carros e tran- à BR-116. O bloqueio é somente para os seuntes. Se não fosse isso, as pessoas te- pedestres, pois os sócios do clube riam acesso direto da Victor Ferreira têm livre acesso, o que transforma o do Amaral para a BR-116 e assim teri- público em privado. O diretor de Fiscalização da Seam uma economia de aproximadamencretaria Municipal de Urbanismo, José te 5 quilômetros. De acordo com a legislação, es- Luiz Filippetto, diz: “a construção do sas situações são consideradas portal e o bloqueio do acesso são conusurpação de logradouro público (veja siderados ilegais, pois esta é uma via pública”. box abaixo). Segundo assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Curitiba, a rua está Elis Regina bloqueada parcialmente e a prefeitura já entrou com uma ação fiscal para a sua reabertura.Ainda conforme o projeto de urbanização, a BR-116 será totalmente reformulada e será necessária a abertura do portão. A reportagem entrou em contato com o Jockey Club e o presidente da instituição não Portão fecha a rua e pemite apenas a entrada de sócios quis se manifestar. Lei orgânica do munícipio Artigo 191 – A usurpação ou a invasão da via pública e a depredação ou a destruição das obras, construções e benfeitorias – calçamento, meios-fios, passeios, pontes, galerias, bueiros, muralhas, balaustradas, ajardinados, árvores, bancos – e outros, bem como das obras existentes sobre os cursos d’água, nas suas margens e no seu leito, serão penalizadas na forma prevista em lei § 1.º – Verificada a usurpação ou a invasão do logradouro em conseqüência da obra de caráter permanente (casa, muro, muralha, outros) por meio de vistoria administrativa, o órgão competente procederá, imediatamente, a demolição necessária, para que a via pública fique completamente desembaraçada e a área invadida reintegrada ao uso público. Foto/ Divulgação Elis Regina Benefício: Capão da Imbuia receberá nova pavimentação Jônatas Dias Lima Curitiba deve ganhar, no ano que vem, várias obras no sistema viário para desafogar o trânsito e melhorar o sistema de transporte coletivo. Uma das mais significativas refere-se à interligação entre os terminais do Capão da Imbuia e Vila Hauer. Além de facilitar o deslocamento de automóveis na região, beneficiará os usuários do transporte coletivo. Segundo informações da Unidade Técnico Administrativa de Gerenciamento do Programa de Transporte Urbano (UTAG) o volume médio de tráfego diário nesta ligação está na ordem de 23,3 mil veículos, e deve aumentar para 28 mil após a implantação das obras. As principais mudanças nas vias da região acontecem na rua Professor Nivaldo Braga, que passará a funcionar com sentido duplo de tráfego, será construída uma nova trincheira na interseção da rua Reinaldo Issberner com a BR-277, que terá pista dupla e sentido único. Enquanto acontecem as modificações, uma das pistas será interditada. Para as demais vias envolvidas no planejamento, como as ruas Sesinando Chaves, São Vicente Palotti, estão previstas restaurações no pavimento e implantação de calçadas, sem alterações de sentido. Wilson Justus Soares, coordenador geral da UTAG, afirmou que não serão necessárias desapropriações de áreas e que possivelmente em janeiro os trabalhos já devem ser iniciados. A previsão de Justus é de que as obras devem durar oito meses. O investimento de R$ 10,58 milhões é financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e 48,7% serão usados para pavimentação. “LIGEIRINHO ARTICULADO” A principal linha de ônibus beneficiada pelo novo sistema será a do ligeirinho Inter 2, uma das que apresenta maior demanda na cidade. A Urbs informou que a prefeitura adaptará as estações tubo para compatíveis com os veículos articulados. ExpoTrade será um dos mais modernos do mundo Felipe Corrêa Pontes Hoje o empreendimento possui 46 mil metros quadrados de área construída, sendo 23 mil de pavilhão. O restante é constituído de um amplo centro de convenções com 13 auditórios, o maior com 1.500 lugares, inteiramente dotado de “wireless”(conexão sem fio), áreas de serviço, uma moderna área de alimentação, telefones públicos cabinados e banheiros totalmente novos. Ao adquirir o empreendimento do Grupo Atacadão, por cerca de R$ 21milhões, o Grupo João Carlos Ribeiro - composto pelos sócios Carlos Miranda, João Carlos Ribeiro, atual presidente do Country Club de Curitiba e João Elísio Ferraz de Campos, ex-governador do Paraná - assume um empreendimento com uma área de 650 Com nova administração desde agosto, a direção do ExpoTrade terá como prioridade transformá-lo em uma das centrais de eventos mais modernas do mundo,com investimentos pesados principalmente, na informatização e logística no intuito de captar feiras e eventos corporativos rotativos, objetivando criar para o pavilhão um calendário de feiras e eventos fixos. Segundo João Guilherme Ribeiro, diretor administrativo, o ExpoTrade, apesar de suas reconhecidas qualidades como pavilhão de exposições, não tinha áreas de auditório e estava sem manutenção havia alguns meses, o que prejudicava sua performance. CN Edição 222.pmd 9 mil metros quadrados Em março de 2006 será realizado o Congresso de Biodiversidade da ONU (Organização das Nações Unidas), com a presença de 195 países. Para isso, está sendo reformada mais uma área do pavilhão, que estará preparada para receber até seis mil pessoas em um único ambiente, modulável, dotado de tratamento acústico e tecnologia de última geração. A captação do evento da ONU mudou a estratégia do ExpoTrade, que a partir desse grande acontecimento passará a disputar o mercado mundial, tanto de feiras quanto de congressos. “Vamos participar de todas as feiras do calendário da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) e da FBCVB (Federação Brasileira de Convention & 22/11/2005, 16:44 Visitors Bureaux) e estamos contratando novos profissionais especializados em captação de eventos internacionais, congressos e feiras nacionais e tantos outros eventos corporativos”, afirma Ribeiro. Projeto Novo Expo Trade - Construção de um hotel quatro estrelas com 230 aptos; - Um teatro com 6 mil lugares; - Uma arena com capacidade para 20 mil pessoas; - Uma cidade cenográfica. 10 G Curitiba, novembro de 2005 Capital da Notícia E R A L “Manos” conquistam espaço na moda Populares, eles buscam respeito e lutam contra o preconceito Andressa Cristina Da Rosa Andressa Cristina Da Rosa Através da forma como uma pessoa se veste é possível, em alguns casos, perceber como ela é, a maneira como pensa, a classe social à qual pertence, etc. Mas nem sempre é assim. Em determinados casos, as roupas nada mostram além do estilo. Hoje, existe um grupo denominado “manos”, popular por usar calças, moletons e camisetas largas, bandanas, bonés e tocas, que tem sofrido grande discriminação. Já mulheres são facilmente conhecidas por utilizarem tranças e faixas nos cabelos, camisetas mais justas, calças folgadas e moletons coloridos. Muitos integrantes são confundidos com marginais, impedidos de entrar em shoppings, alvo de policiais e pré-julgados por parte da população. Atraídos pelo rap e pelo hip hop, Gabriel Fonteles e Gregory Santos, ambos de 16 anos, identificaram-se com o estilo e o seguem à risca, embora sofram muito preconceito. “Não posso ficar mais do que cinco minutos na frente da minha escola que um policial já chega e pede meus documentos. Em shoppings, posso entrar com, no máximo, dois amigos ou então somos barrados”, declarou Fonteles. Já Santos disse não suportar o modo como o olham. “Essa é a forma como me sinto bem, não vejo motivo para que me recriminem”, afirmou ele, indignado. Sobre essa moda, a opinião da técnica em moda e estilismo, Iracema Bos é esclarecedora. “A grande incorporação de pessoas ao estilo hip hop aumentou quando muitos estilistas passaram a criar coleções voltadas para o grupo. Prova disso é que hoje existem lojas que vendem exclusivamente para esse público como a Anjuss, Drop Dead, Maha, entre outras.” Além disso, Iracema acredita que o estilo hip hop é Com estilo ousado eles chamam a atenção por onde passam. porém, muitas vezes são confundidos com marginais. ousado, foge dos parâmetros normais, o que acaba causando um certo estranhamento. “Se houver preconceito contra os “manos”, deve haver com toda a população. Cada um possui um estilo, as “patys”, os “boys”, os surfistas, assim como o hip hop. É ridículo rotular uma pessoa pela roupa que ela usa”, diz. É tão grande o número de pessoas que aderiram a esse estilo, que algumas lojas contratam vendedores que também sejam adeptos, para que melhor orientem os clientes. Djoni Machado, 23, trabalha na Anjuss e diz ter sido selecionado justamente por ser um seguidor da moda hip hop. “Tenho uma noção do que esse grupo gosta e posso oferecer exatamente aquilo que o cliente procura. Agrado dizendo o que realmente acho de cada peça”, disse Machado. Unanimidade é que os seguidores do estilo “mano” se identificam com as roupas, acessórios, gírias, músicas etc. “São as roupas com as quais me identifico. Me sinto bem assim. Nem o preconceito fará com que me vista de outra forma”, disse Rodrigo Marcondes, 17 anos, estudante. Tanto é o prazer por vestir-se dessa forma que muitos estudantes adaptam seus uniformes à moda. Esse é o caso de Rodrigo da Silva Oliveira, 16 anos, que confessou modificar as calças e blusas para ir à escola, já que é obrigado a seguir os padrões da instituição onde estuda. “Mandei fazer minha calça mais larga e uso um pouco abaixo do normal; com as blusas é mais fácil, sempre compro um número maior”, contou. Mesmo não sendo a preferência das mulheres, algumas ficam revolta- das quando mencionada a palavra preconceito associada ao estilo “mano”. Aline Brandt Silveira fica inconformada com a discriminação que seus amigos sofrem. “É lamentável; não sei como as pessoas conseguem ser assim. Somos todos iguais”. As amigas Laís Brossanini e Kand Marques são adeptas e dizem que não haveria a menor graça se todos usassem as mesmas roupas, freqüentassem os mesmos lugares e pensassem da mesma forma. Elas acreditam que pode parecer diferente, mas é ousado e em alguns casos se torna até atraente. Já dizia Coco Channel: ”Os estilos morrem, mas a moda jamais”. Assim, o estilo marcará presença na história da moda. Futuramente, mostrará como viveram as pessoas e a maneira como se expressaram. Banda de reggae entre as melhores do Paraná Caroline Cury Caroline Cury Há cinco anos na estrada, a banda Nação Erê é a revelação no cenário reggae curitibano, formada por Jackson (vocal), Leniro Luiz Nerone Júnior (guitarra), Marlon Siqueira (guitarra), Guilherme Cordeiro (baixo), Gustavo Cordeiro (bateria), Leandro Leal (Percussão), Klaus Cardoso (teclado). A banda começou começou seus primeiros acordes no estúdio do ex-integrante Bhrorel Santinho e hoje conta com uma legião de fãs que lotam bares e casas de shows. Já se apresentaram com as maiores bandas de reggae do Brasil, entre elas Tribo de Jah, Natiruts, Planta e Raiz, Dread Lion, Djambi, entre outras. A Nação Erê também participou de vários festivais, entre eles o “Palco Livre Mercadorama”, disputando com mais de 200 bandas. Por terem vencido o torneio, tiveram suas músicas incluídas na Coletânea Reggae do Proje- CN Edição 222.pmd to Geração Pedreira, da Rádio 96 Rock. No mais recente “Festival Paraná Bandas”, realizado no dia 9 de setembro, no Canal da Música, que contou com a participação de bandas de todo o estado, Nação Erê saiu como vencedora na categoria de Reggae. E como prêmio irão se apresentar na Operação Verão no litoral paranaense. Em Curitiba, as apresentações da banda são sinônimo de boa vibração e gente bonita. “É muito gratificante ver que todo o nosso esforço tem sido reconhecido, em todos os lugares por onde vamos”, disse o baterista Gustavo Cordeiro. Segundo o Nação Erê, a previsão para o lançamento do seu primeiro CD é para o ano que vem, no qual serão incluídos seus principais sucessos, como “Meu Paraná” e “Pra Mudar” que já são conhecidas pelo público Curitibano. Steel Pulse, Peter Tosh, Bob Marley, Gilberto Gil e Edson Gomes são algumas influências no som da Banda. 10 A banda Nação Erê e seus sete integrantes antes de um show em Curitiba 22/11/2005, 16:44 G Capital da Notícia Curitiba, novembro de 2005 E R A L 11 Gírias: quem entende? Marcos Nakamura Ninguém sabe de onde vem. Uns dizem que é moda outros que é um código. As gírias são assim, aparecem do nada e, quando menos se espera, nos deparamos com uma. Os adolescentes, a cada dia que passa, buscam um novo jeito de se comunicar e se expressar. Essa busca incansável de liberdade e independência gera nada mais do que as famosas gírias, que no português padrão significam linguagem de grupos sociais. Mas se engana quem acha que elas são apenas coisas de adolescentes. Manuel Joaquim de Almeida, autor de “Memórias de um Sargento de Milícias” (1854) e Artur de Azevedo, autor de “O Cortiço” (1890) recorreram à gíria para dar clareza às suas histórias. Os adolescentes, a cada dia que passa, buscam um novo jeito de se expressar Os jovens, apesar de repeti-las gírias quando esquece de alguma palafreqüentemente, acabam se esquecen- pre estática”, diz Silvia E possivel encontrar vários tipos vra. “Nem sempre a palavra vem na cado, logo que outras forem surgindo. Isso mostra o quanto as gírias são voláteis, de gírias, de todos os formatos e quali- beça, então quando isso acontece uso dades, que vão ‘bagaça’, que pra mim, serve quase pra ou você se lembra de desde um sim- tudo”, comenta. todas as gírias que ples “tipo asPara Mariane Caroline Fila, 15 usava no passado? sim” e “tá liga- anos, estudante do primeiro ano do enSegundo a “Os jovens falam do” até um sino médio, pais sempre tem dificuldaprofessora Silvia em gírias para serem “Birinigth” que des de entender o que eles falam. Tavarello, 36 anos, significa sair à “Quando estou falando com minha mãe, formada em letras/ aceitos em um grupo”. noite pra be- e digo, vou lá fazer um ‘bagulho’, ela português pela ber. Geralmen- pergunta, que bagulho? Eu falo, aquela UFPR, as gírias não te, os jovens ‘parada’, ai piora tudo!”, diz Mariane. são um grande prousam essas exO professor de língua portugueblema, desde que pressões quan- sa, Hélio Novaes, 59 anos, diz que se exista um limite na comunicação. Pode se tornar uma di- do falta ou esquecem uma palavra qual- adequar às gírias não é o problema, o ficuldade, quando o excesso de gírias quer, “aquela parada” pode ter vários problema surge quando o adolescente dificulta o entendimento. “A língua é significados, dependendo do contexto. não sabe o momento adequado para usaviva, você não pode ser conservador a Fernanda de Paula, 15 anos, estudante las. “Temos que respeitar o vocabulário ponto de querer manter a língua sem- do ensino médio, diz que sempre usa as deles”, diz. Andressa Cristiona Da Rosa Cada dia mais populares, as gírias tomam conta dos adolescentes As gírias ao longo do tempo Anos 60: Bacana (bonito), cafona (feio), carango (carro), gamar (apaixonar-se), gata (mulher bonita), paca (muito), pelego (líder sindical governista), pra frente (moderno). Anos 70: Bicho (amigo), biônio (político nomeado pelo governo), careta (pessoa conservadora), jóia (tudo bem), transar (amar), tutu (dinheiro). Anos 80: Bode (mau humor), brega (feio), deprê (deprimido), economês (linguagem dos ecomistas), fio dental (biquíni), nassa (bom, ótimo), mina (garota). Anos 90: Antenado (atento), azaração (namoro), boiola (homossexual), mala (chato), mauricinho (rapaz bem vestido), pagar mico (passar vexame), patricinha (menina bem vestida). 2005: A lot (muito, demais), Cana – Bebida alcoólica. Hules – Aquele que domina algo muito bem, In style – Usada praticamente no sentido de bacana, legal, Irmãozinho – Amigo muito chegado,Jow – Termo usado para chamar qualquer pessoa. “Ei, jow!”. Larica – Menina feia, Lesado – Bêbado. O que faz a cabeça da moçada Franciele Fermino Franciele Fermino A moda agora é usar a cabeça. São diversos tipos de acessórios para essa moda. E existem para todos os gostos e estilos. Bonés, tocas, faixas, lenços, bandanas, arcos, fivela, laços e muitos outros. E agora não há mais preconceitos entre os sexos tantos os meninos podem usar faixas, laços e outros que eram considerados coisa de mulher, como tem meninas usando bonés e bandanas, acessorios sempre foram considerados masculinos. Gabriel Fonteles, de 16 anos, por exemplo, usa bandana e boné por cima. “Uso assim, pois todos os meus amigos seguem esse estilo, por causa do rap”. Tem também o skatista que usa mais boné, o qual combina com a maioria dos estilos, é como se fosse uma peça coringa entre os jovens. Até as meninas de classe média alta, as chamadas “patricinhas”, que sempre se vestiram de uma forma mais sofisticada, estão sendo adeptas aos bonés. Claro que os femininos se diferenciam nos modelos, nas cores e nos bordados que não teriam em um masculino, mas a mania de usá-los está em alta. CN Edição 222.pmd Muitas cores e variedades de bonés podem ser encontrados em lojas especializadas E o detalhe é que elas usam para irem para baladas, coisa mais “estilosas” não fazem. Ou seja, o acessório virou artigo de luxo. Exemplo clássico é o de Daniella Cicarelli, que atualmente aparece de boné, em qualquer lugar que se encontre. Enfim, virou febre até entre as modelos. Outra coisa que se pode notar é que existe um penteado diferente para se usar com ele. Priscila Lopes de Oli11 veira, 25 anos, cabeleireira ha sete, diz que no seu salão atualmente vão algumas pessoas utilizando a moda. “Entre os meninos é o famoso topete, para que possam deixar aparecendo para fora do boné”. Priscila relata ainda que entre as meninas é a escova, feita para que o cabelo fique bem lisinho e combine melhor com acessório. E os que não seguem nenhuma tendência apenas usam acessórios para 22/11/2005, 16:44 se diferenciar dos outros, ou porque acham bonito, como Rennan Shimidth, de 18 anos. “Eu não sigo estilo nenhum, apenas não gosto de cores claras”. Ele diz que gosta de mudar sempre, prefere estar diferente e hoje usa dread com faixa. Pessoas que não gostam de seus cabelos acabam usando um tipo de acessório para escondê-los.David Gomes, 18 anos, diz até pender para o lado do surf, mas usa boné para esconder seus cabelos, que considera feios. No inverno, quem ataca a moda e as tendências é a toca, que também pode ser encontrada em grande variedade de modelos, cores e tipos. Essa diversidade é tão grande que sempre uma vai se encaixar em alguma pessoa, de qualquer idade e independente da tendência que segue. Cada pessoa usa o que gosta e o que lhe convém, e cada um tem motivo diferente para explicar o porquê de ser adepta de uma determinada moda, e é essa grande diversidade que faz dela um grande sucesso. Com a chegada do verão, o aumento do uso de bonés e a moda fazem o sucesso desse acessório na estação. 12 E Curitiba, novembro de 2005 Capital da Notícia S P O R T E Basquete + estilo + hip hop = streetball Influência norte-americana faz jovens trocarem gols por cestas Anderlin Júnior Um basquete diferente está tomando conta das ruas de Curitiba e vem na batida do hip hop. O streetball, como é conhecido, conta com milhares de praticantes e admiradores nos Estados Unidos, onde nasceu e já é um esporte oficial. No Brasil, ainda embrionário, está crescendo devido ao seu caráter democrático e à sua vocação para o espetáculo. O basquete de quadra convencional tem regras rígidas que permitem a evolução de um jogo competitivo de equipes, enquanto o streetball não exige estatura, peso, treinos diários por horas a fio, alimentação especial e, muito menos, poder aquisitivo de seus praticantes. O que vale é o manejo da bola, o drible no adversário e as enterradas. Entre pegar a bola e marcar a cesta, os jogadores costumam exibir suas habilidades, proporcionando um show para platéia. Para muitos, o basquete de rua ainda é visto com um certo receio, mas centenas de jovens já aderiram ao esporte e hoje têm uma melhor qualidade de vida. Para praticar esse esporte são necessários apenas um aro, uma ta- bela e três jogadores em cada equipe. As regras são flexíveis e previlegiam as jogadas ousadas. O espetáculo proporcionado pelo improviso dos lances garante o sucesso da modalidade. O jovem Heitor Luiz Mees Filho de 17 anos, da equipe Trio Street Ball, morador da cidade de Pinhais, pratica o esporte há um ano. “O nosso objetivo é divertir as pessoas, mostrar um espetáculo e não apenas obter a vitória a qualquer custo”, diz. Mees Filho também comenta que a partida pode ser determinada por tempo de jogo ou por pontos, ou seja, pode ser de dez minutos ou por 20 pontos. Os lugares onde costumam jogar são o Clube Santa Mônica, onde já ganharam um campeonato, na praça Oswaldo Cruz e na Praça Osório. O visual é inspirado nos jogadores e ídolos da NBA (liga de basquete norte-americana). “Streeteiro” que se preza tem que parecer meio largado, usar roupas folgadas e abusar dos assessórios, além é claro, dos penteados exóticos, faixas e bonés. E já que conquistar a terra do Tio Sam é um sonho distante, os meninos de Curitiba e região metropolitana se divertem mesmo é nas praças e clubes da cidade. A rua agora é espaço para quem gosta de cestas Curitiba pretende incentivar a prática do skate Pablo Vaz As crianças de famílias de baixa renda da Vila Trindade terão um bom motivo para sair de casa para brincar e se divertir. A Fundação de Assistência Social (FAS) da Prefeitura Municipal de Curitiba está coordenando um projeto, com duração prevista para seis meses, cujo objetivo principal é viabilizar a prática esportiva do skate como uma alternativa de lazer para as crianças entre os 10 aos 14 anos de idade. Como coordenadores das aulas foram chamados os skatistas Elton Rodrigues e Daniel Labaig, que se dividirão em dois turnos, um pela manhã e outro pela tarde, com um número de 15 crianças em cada. Divisão esta que foi a solução encontrada para atender as crianças de ambos os turnos escolares. Sendo o local escolhido para a prática do skate a pista do “parque linear”, na Vila Trindade, no bairro Cajuru. Segundo Rodrigues: “O projeto é importante pelo seu caráter de inclusão social através da prática esportiva, dado o interesse das crianças da comunidade pelo skate, (ainda mais neste caso cujo custo é elevado)”. Além disso, um outro fator importante no projeto será o estímulo a permanência das crianças em sala de aula, visto que elas só poderão participar do projeto se estiverem devidamente matriculadas na escola. A idéia da escolinha foi motivada por uma oficina que aconteceu nos meses de fevereiro e março deste ano. Elton foi convidado para ser o instru- CN Edição 222.pmd tor “a idéia veio durante uma session pela pista do bairro, quando constatei que as crianças tinham grande interesse em andar de skate, mas não tinham como praticar por falta de grana, daí elas utilizavam a pista para escorregar com papelão e mandar mortais de cima do quarter”, complementa o skatista. Para o início do projeto, Rodrigues faz um apelo às empresas do segmento, pedindo a colaboraçao e ajuda com materiais para a prática do esporte, tais como: skates, tênis, ou equipamentos de segurança. A pretensão da Faspar é expandir o projeto para mais comunidades carentes da cidade, numa alternativa pioneira de inclusão social pela prática do skate. Apesar da falta de opções para os streeteiros, Curitiba tem revelado grandes nomes do esporte no cenário mundial. Como o projeto ainda está em andamento, não há uma data confirmada par o início das atividades; assim que forem acertadas, as crianças do bairro poderão comparecer à Casa da Comunidade Vila Autódromo para fazer sua inscrição. Os organizadorfes prometem que a ansiedade da espera será recompensada com aulas recheadas de muita diversão e adrenalina - essa é a verdadeira essência do skate. Elton Rodrigues “O projeto é importante pelo seu caráter de inclusão social” Elton Rodrigues Skatista Dicionário: Session - apresentação de skate Streeiteiro - skatisa que prefere andar na rua ao invés de nas pistas Quarter - tipo de obstáculo utilizado em prova de pista 12 22/11/2005, 16:44