DPs e ADAPTAÇÕES – CURRÍCULO DISCIPLINAR
CURSOS: ADMINISTRAÇÃO, CONTÁBEIS, GESTÃO EM RH, GESTÃO FINANCEIRA e LOGÍSTICA
DISCIPLINA: Sociologia e Antropologia
I. BIBLIOGRAFIA INDICADA Biblioteca Virtual Pearson
1) DIAS, Reinaldo. Introdução à sociologia. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2010.
2) FÉREOL, Gilles e NORECK, Jean-Pierre. Introdução à sociologia. São Paulo: Ática, 2007.
3) FILGUEIRAS, L. A.M. Reestruturação Produtiva, Globalização e Neoliberalismo: capitalismo
e exclusão social neste final de século. O mal estar no fim do século XX, 1997. Disponível em
http://www.cefetsp.br/edu/eso/neoglobliberalismo.pdf
II. ATIVIDADES AVALIATIVAS
1) Leia o artigo “De skinhead a judeu ortodoxo” (em anexo). Com auxílio da referência (1)
acima, elabore um texto coerente e coeso que identifique no artigo os conceitos de
socialização, ideologia, identidade, papel social e senso comum e que os apresente de forma
articulada, relacionando-os entre si e com a situação descrita no artigo. Lembre-se, é um
trabalho acadêmico, as regras usuais devem ser seguidas.
2) Com base no texto de FILGUEIRAS (1997), responda as seguintes perguntas: a) De que
maneira o autor relaciona os impactos do Neoliberalismo e a Globalização sobre a
Reestruturação Produtiva? (mínimo de 20 linhas). b) Qual é o papel do Estado na perspectiva
do Neoliberalismo? (mínimo de 10 linhas). c) O que é a crise do capitalismo na descrição do
autor? (mínimo de 10 linhas). d) O texto em questão faz uma análise sobre os principais
impactos do Capitalismo e da Globalização sobre a sociedade no final do século XX. Elabore
um texto com sua própria análise sobre como será o mundo no século XXI. (mínimo de 10
linhas)
III. ENTREGA DAS ATIVIDADES
As atividades avaliativas requeridas devem ser entregues até às 21h do dia 22/06/2015
Na Central de Atendimento ao Aluno (via Requerimento).
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ANEXO
De skinhead a judeu ortodoxo – (publicado em 01/03/2010 no Herald Tribune)
Dan Bilefsky, Em Varsóvia
Às vezes, quando Pawel se olha no espelho, ainda é capaz de enxergar um skinhead
neonazista retribuindo seu olhar, o homem que costumava ser antes de cobrir sua cabeça
raspada com um yarmulke, substituir sua ideologia fascista pela Torá e trocar a violência e o
ódio pelo louvor a Deus.
“Ainda luto todos os dias para descartar minhas antigas ideias”, diz Pawel, um judeu
ultraortodoxo e ex-motorista de caminhão de 33 anos, observando com alguma ironia que teve
de parar de odiar os judeus para poder se tornar um. “Quando vejo uma foto minha da época
de skinhead, fico envergonhado. Todo dia tento fazer teshuvah”, diz ele, usando a palavra
hebraica para penitência. “A cada minuto do dia. Há muito para redimir.”
Pawel, que também usa seu nome hebreu Pinchas, pediu para que seu sobrenome não
fosse divulgado, temendo que seus antigos amigos neonazistas pudessem ir atrás dele ou de
sua família. Pawel talvez seja o exemplo mais improvável do atual renascimento judeu na
Polônia, no qual centenas de poloneses, a maioria criados como católicos, estão se
convertendo ao judaísmo ou descobrindo suas raízes judaicas enterradas há décadas, logo
após a 2ª Guerra Mundial.
Antes de 1939, a Polônia abrigava mais de três milhões de judeus; mais de 90% deles
foram mortos pelos nazistas durante o Holocausto. A maioria dos que sobreviveram
emigraram. Entre os menos de 50 mil que permaneceram na Polônia, muitos abandonaram ou
esconderam o judaísmo ao longo décadas de opressão comunista durante a qual continuaram
os massacres contra judeus.
Mas o rabino Michael Schudrich, rabino chefe da Polônia, observou que 20 anos depois
da queda do comunismo, um reconhecimento histórico finalmente começou a acontecer. Ele
disse que a metamorfose de Pawel ilustra o quanto o país se transformou. “Antes de 1989
havia uma sensação de que não era seguro dizer 'Eu sou judeu'”, diz ele. “Mas hoje, há um
sentimento crescente de que os judeus são uma espécie de membro perdido na Polônia.”
Há cinco anos, observa o rabino, havia cerca de 250 famílias na comunidade judaica de
Varsóvia; hoje há 600. Durante esse período, o número de rabinos que serve o país aumentou
de um para oito. Os cafés e bares do antigo bairro judeu em Cracóvia estão cheios de jovens
judeus recém-convertidos ouvindo hip-hop israelense. Até vários padres decidiram se tornar
judeus.
A transformação de Pawel, de skinhead batizado na igreja católica em judeu, começou
num bairro frio e cheio de prédios de concreto em Varsóvia nos anos 80. Pawel contou que ele
e seus amigos reagiram à uniformidade mordaz do socialismo abraçando o antissemitismo e a
ideologia de extrema-direita. Eles raspavam a cabeça, carregavam facas, e cumprimentavam
uns aos outros com o gesto de saudação dos nazistas. “Oy Vey [Oh, não], odeio admitir isso,
mas nós batíamos nas crianças judias e árabes e em alguns moradores de rua”, disse Pawel
recentemente na Sinagoga Nozyk. “Cantávamos sobre coisas estúpidas como Satã e
assassinatos. Acreditávamos que a Polônia deveria ser só para os poloneses.”
Um dia, lembra-se, ele e seus amigos mataram aula e tomaram um trem para
Auschwitz, o campo de concentração nazista, próximo de Cracóvia. “Fizemos piada dizendo
que queríamos que a exposição fosse maior e que os nazistas tivessem matado ainda mais
judeus”, diz. Ele conta que seus pais, uma professora e um homem de negócios, católicos
praticantes, suspeitaram que ele era skinhead, mas tinham esperança de que fosse só uma
fase. “Nunca fui pego pelas coisas que eu fiz e nem fui preso, então meus pais não
perceberam que as coisas estavam tão ruins”, diz ele. “Mas eles ficavam estressados vez ou
outra quando eu chegava em casa de manhã ferido e coberto de sangue.”
Pawel conta que, mesmo quando escolheu a vida de neonazista, ele tinha a sensação
de que sua identidade havia sido construída sobre uma mentira. Seu pai, frequentador da
igreja, parecia gostar muito de citar o Velho Testamento. E seu avô havia dado dicas de que
havia segredos quanto ao passado da família. “Uma vez, quando falei para o meu avô que os
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judeus eram maus, ele explodiu e gritou comigo: 'Se eu ouvir você dizendo algo assim de novo
na minha casa, você nunca mais voltará aqui!'”
Pawel entrou para o exército e se casou com uma colega skinhead aos 18 anos. Mas
seu senso de identidade mudou irrevogavelmente aos 22, quando sua mulher, Paulina,
suspeitou que ele tinha raízes judaicas, foi a um instituto genealógico e descobriu o nome dos
avôs maternos de Pawel num registro de Judeus de Varsóvia, junto com os seus próprios avós.
Pawel conta que, quando confrontou seus pais, eles não resistiram e disseram a
verdade: que sua avó materna era judia e que havia sobrevivido à guerra escondida num
convento por um grupo de freiras. Seu avô paterno, também judeu, tinha cinco irmãos e irmãs,
a maioria mortos no Holocausto. “Fui até meus pais e disse: 'Que diabos?' Imagine só, eu era
um neonazista e recebi essa notícia. Não consegui olhar no espelho durante semanas. Aquilo
foi um choque e ainda é um choque para mim”, diz ele. “Meus pais eram os típicos filhos de
sobreviventes de guerra judeus, que decidiram esconder sua identidade judaica para tentar
proteger a família.”
Estremecido por descobrir suas raízes judaicas, Pawel disse que decidiu ver o rabino
Schudrich, que deu a ele uma cópia da Bíblia Hebraica. “Passei semanas fechado como uma
tartaruga, questionando tudo em que eu havia acreditado. Eu tinha dentro de mim uma
sensação profunda de que precisava fazer isso, eu tinha que me tornar judeu. Quando
perguntei ao rabino: 'Por que me sinto assim?', ele respondeu: 'As almas dormentes de seus
ancestrais o estão chamando.'” Aos 24 anos, ele foi circuncidado. Dois anos depois, decidiu se
tornar um judeu ortodoxo. Sua mulher começou a usar um sheitel, a boina que as mulheres
ortodoxas usam para demonstrar modéstia.
Hoje, eles têm dois filhos, que estão criando num lar judeu. Pawel também está
estudando para se tornar um shochet, a pessoa encarregada de matar animais de acordo com
as leis judaicas. “Sou bom com facas”, explicou. Pawel disse que gosta do significado e
disciplina que o judaísmo ultraortodoxo trouxe para sua vida. Ele reconhece que é atraído por
extremos.
“Quando faço qualquer coisa, não vou só até a metade do caminho”, diz ele. “Eu ainda
tenho dificuldades acordar para rezar todas as manhãs. Tenho que lembrar que quando eu
como carne, não posso tomar leite com o café porque não é kosher. Tenho que pensar antes
de fazer qualquer coisa.”
Seus pais não abraçaram o judaísmo, mas ele diz que sua mãe às vezes visita a casa
dele nas sextas-feiras e acende as velas do Sabbath. Quando seu pai morreu no ano passado,
Pawel foi a um cemitério católico e fez a kaddish, a oração judaica do luto, em frente do túmulo.
Embora a Polônia tenha desejado superar sua história de antissemitismo, cultivando
laços estreitos com Israel, adotando a música Klezmer e escritores em iídiche como seus
tesouros nacionais, e desculpando-se pelas transgressões do passado, Pawel observa que ele
continua sendo alvo dos mesmos antissemitas que antes contavam com ele entre seus
membros. Ele elogia a nova receptividade que as gerações mais jovens da Polônia têm em
relação ao judaísmo, mas diz que alguns, apesar disso, internalizaram o ódio de seus pais.
“Quando os jovens me veem nas ruas com meu chapéu e costeletas, às vezes riem de
mim. Mas as mulheres mais velhas são as piores”, diz ele. “Às vezes, elas usam a mesma
linguagem que eu usava quando era skinhead e dizem: 'Vá embora e volte para o seu país', ou
'Judeu, vá para casa!' Outros sentem o vazio que os judeus deixaram na Polônia quando foram
assassinados e se aproximam para dizer 'shalom'.” Quaisquer que sejam os desafios, o rabino
Schudrich diz que a transformação de Pawel é uma história com uma moral decididamente
judaica a respeito da possibilidade de mudança.
“A lição da história de Pawel é que ninguém deve perder a esperança”, diz ele. “O
impossível só leva um pouco mais de tempo.”
(fim do texto)
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DISCIPLINA: Sociologia e Antropologia I. BIBLIOGRAFIA INDICADA