COLEÇÃO
Elaboração
de Projetos
Inovadores
na Educação
Profissional
Editora
SENAI/ PR
Departamento Regional
2a Edição revisada e ampliada
VOLUME II
FIEP- Federação das Indústrias do Estado do Paraná
Rodrigo Costa da Rocha Loures
Presidente
Ovaldir Nardin
Superintendente Corporativo do Sistema Fiep
Diretor Financeiro
SENAI – Departamento Regional do Paraná
João Barreto Lopes
Diretor Regional
Antonio Bento Rodrigues Pontes
Diretor de Administração de Controle
José Antonio Fares
Diretor de Recursos Humanos
Pedro Carlos Carmona Gallego
Diretor de Tecnologia de Gestão de Informação
Hans Gerhard Schörer
Diretor de Inovação
Marcelo Passi Mafra
Diretor de Marketing
Luiz Virgilio Zaina de Macedo
Diretor de Captação e Fomento
Milton Bueno
Diretor de Relações com os Sindicatos e Coordenadorias Regionais
Marco Antônio Areias Secco
Diretor de Operações
Gerente de Orientação Profissional e Aprendizagem Industrial
Tadeu Pabis Junior
Gerente de Capacitação Técnica e Pós-graduação Tecnológica Industrial
José Ayrton Vidal Junior
Gerente de Qualificação e Aperfeiçoamento Profissional
Reinaldo Victor Tockus
Gerente de Serviços Técnicos e Tecnológicos
Sonia Regina Hierro Parolin
Gerente do Programa Inova SENAI / SESI/ IEL
Amilcar Badotti Garcia
Gerente de Alianças Estratégicas e Projetos Especiais
Osvaldo Pimentel
Gerente de Planejamento, Orçamento e Gestão
Marilia de Souza
Gerente do Observatório SENAI de Prospecção e Difusão de Tecnologia COLEÇÃO
Elaboração
de Projetos
Inovadores
na Educação
Profissional
Sonia Regina Hierro Parolin
Organizadora
Deusdedit Carvalho de Moraes
Heloisa Cortiani de Oliveira
Simone Luzia Maluf Zanon
Thaise Nardelli
Curitiba PR
2008
2008, FIEP – Federação das Indústrias do Estado do Paraná
Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida, desde que citada a fonte.
Os volumes da Coleção Inova estão disponíveis para download no site: www.fiepr.org.br/colecaoinova
Elaboração de projetos inovadores na educação profissional / Sonia Regina Hierro Parolin (org.); Deusdedit
Carvalho de Moraes, Heloisa Cortiani de Oliveira, Simone Luzia Maluf Zanon; Thaise Nardelli. 2a edição (revisada
e ampliada). Curitiba: SESI/SENAI/PR, 2008.
144 p.: il. ; 30 cm. – (Coleção Inova ; v. 1).
1. Projetos. 2. Educação profissional – Inovações tecnológicas.
I. Parolin, Sonia Regina Hierro (org.). II. Moraes, Deusdedit Carvalho de; III. Oliveira, Heloisa Cortiani de. IV. Zanon,
Simone Luzia Maluf. V. Nardelli, Thaise.
CDU 331.5
Programa Inova SENAI / SESI / IEL PR
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Centro Cívico – Curitiba – PR
Tel (41) 3271- 9353 / 3271- 9354
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e-mail: [email protected]
COLEÇÃO
Sobre a Coleção Inova
A inovação é elemento fundamental para o desenvolvimento
econômico e é no setor produtivo que ela encontra o espaço
ideal para se manifestar.
A indústria brasileira aprendeu na prática que precisa enfrentar
diversos desafios nessa área: aumentar os investimentos no
desenvolvimento de produtos, renovar processos e ainda
tornar-se mais ágil para responder com rapidez às novas
demandas do mercado.
Remar em outra direção traz como resultado a perda da
competitividade. Por isso, cada vez mais, as empresas
buscam profissionais com capacidade de criar, iniciativa para
formular soluções e facilidade para trabalhar em equipe.
As instituições de educação têm estar preparadas para formar
profissionais com esse perfil.
Uma forte contribuição nesse sentido está sendo oferecida
pela Coleção Inova. Editada pelo Sistema Federação
das Indústrias do Estado do Paraná, pelo Senai, Sesi,
Iel e Unindus Pr, irá tratar de um tema diferente a cada
volume, apresentando à comunidade acadêmica e científica,
empresários e ao público em geral informações que ampliem
a compreensão do papel de cada um no esforço direcionado
à inovação.
COLEÇÃO
Serão discutidos assuntos relacionados à criatividade,
inovação, empreendedorismo e propriedade intelectual,
de forma a contribuir para o aprimoramento da educação
profissional e para a competitividade sustentável da
indústria.
A Coleção Inova também atende ao objetivo estratégico do
Sistema Fiep, de desenvolver a cultura empreendedora e
ambiente propício à inovação.
Rodrigo Costa da Rocha Loures
Presidente do Sistema Federação
das Indústrias do Estado do Paraná
COLEÇÃO
Sumário
Apresentando o Volume I.................................................................................................09
João Barreto Lopes
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................11
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Exigências do Mercado de Trabalho....................................................................................................11
2. Perfil profissional.................................................................................................................................15
PARTE I – DEFINIÇÃO, ELABORAÇÃO E ETAPAS DE UM PROJETO..........................................19
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Definição, elaboração, tapas de um projeto........................................................................................19
2. Características....................................................................................................................................23
2.1 Limites entre rotina e projeto.......................................................................................................24
2.2 Finalidades, utilidades e benefícios..............................................................................................26
2.3 Importância da Gestão.................................................................................................................28
2.4 Papel do gerente de projetos.......................................................................................................29
2.5 Benefícios do gerenciamento de projetos....................................................................................30
2.6 Tipos de projeto...........................................................................................................................31
2.7 Projetos inovadores.....................................................................................................................34
3. Características da Inovação................................................................................................................37
PARTE II - PROJETOS NA ESCOLA...........................................................................................43
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Ensino por projetos x aprendizagem por projetos................................................................................43
2. Pedagogia de projetos.........................................................................................................................49
3. Papel do professor na pedagogia de projeto........................................................................................56
3.1 Questões metodológicas..................................................................................................................57
4. Papel do aluno na pedagogia de projetos............................................................................................63
5. Elaboração de projetos na Educação Profissional................................................................................65
5.1 Normas para elaboração de projetos...........................................................................................65
5.2 Elementos básicos de um projeto................................................................................................64
6. Construção do conhecimento mediante situações-problema..............................................................68
7. Estruturação do projeto sobre situação-problema...............................................................................72
PARTE III - PROPRIEDADE INTELECTUAL, INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E TRANSFERÊNCIA DE
TECNOLOGIAS.........................................................................................................................75
Heloisa Cortiani de Oliveira
1. Sistema Brasileiro de Propriedade Industrial.......................................................................................77
2. Registro de Desenho Industrial...........................................................................................................81
3. Proteção da marca..............................................................................................................................82
4. Indicação geográfica...........................................................................................................................83
5. Repressão à concorrência desleal......................................................................................................83
6. Programas de computador (software).................................................................................................84
7. Informação tecnológica......................................................................................................................85
8. Transferência de tecnologia................................................................................................................87
PARTE IV - IMPORTÂNCIA DOS PROJETOS INOVADORES NA INDÚSTRIA E DOS
EMPREENDEDORES NO MUNDO GLOBALIZADO.....................................................................89
Deusdedit Carvalho de Moraes
1. Elevação da competência do profissional brasileiro............................................................................89
2. SMO – Serie Metódica de Oficina: um resgate histórico....................................................................93
3. Exemplos práticos da SMAR em espírito empreendedor e projetos inovadores..................................97
4. Necessidade de projetos inovadores dentro da empresa..................................................................123
5. Descrição e características funcionais do profissional em instrumentação......................................126
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................................131
Simone Luzia Maluf Zanon, Sonia Regina Hierro Parolin e Thaise Nardelli
REFERÊNCIAS.......................................................................................................................133
DADOS SOBRE OS AUTORES................................................................................................139
CRÉDITOS..............................................................................................................................143
COLEÇÃO
Apresentando o Volume I
A Coleção Inova incentiva as instituições de ensino a
buscarem novas formas de apoio ao processo de formação,
instiga a cultura da inovação nas escolas e empresas e amplia
o escopo de ação do trabalhador.
Esta publicação sugere a adoção da pedagogia de projetos
como instrumento para atender à solicitação do mercado por
profissionais empreendedores, proativos e com capacidade
para criar e inovar. O texto orienta o professor na estruturação
da pedagogia no âmbito escolar e analisa as principais
dificuldades que os alunos, normalmente, apresentam
durante esse trabalho.
Na prática, ao desenvolver um projeto, o estudante concentra
energia e conhecimento na solução de um problema concreto.
Mediado pelo professor, ele transforma idéias em ação.
O método também tem o mérito de aproximar a aprendizagem
do universo empresarial, uma vez que propõe o uso da mesma
ferramenta utilizada pelas empresas para resolver questões
de ordem gerencial e produtiva. Ao elaborar um projeto,
os alunos têm de sistematizar ações, definir objetivos,
dimensionar recursos, condições e equipe e, por fim, avaliar
os resultados obtidos.
Toda edificação exige planejamento e reflexão, esforço e
trabalho árduo, mas somente a educação consegue construir
uma sociedade embasada no conhecimento. A elaboração de
projetos inovadores configura-se importante ferramenta para
aumentar a participação do aluno no ambiente empresarial
e sua visão sobre o sentido do seu trabalho no contexto
organizacional.
Após sua edição inicial, foram trabalhados alguns pontos
de melhoria decorrendo necessários aprimoramentos.
Especialmente, no exemplo de aplicações industriais como
o caso SMAR, percebem-se, nitidamente, fatores extrasensoriais instigados por um comportamento dotado de
acentuada espiritualidade do narrador, um dos principais atores
dos processos de inovação implantados. Esse comportamento
estimulou toda a organização para as práticas apresentadas.
Este documento traz essas reflexões e encaminha o assunto
para o patamar esperado pela sociedade.
João Barreto Lopes
Diretor Regional SENAI/ PR
10
COLEÇÃO
Introdução
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Exigências do Mercado de Trabalho
No século passado (XX), as características dos trabalhadores
foram determinadas pela Revolução Industrial. Durante a
primeira metade desse século, as idéias tayloristas foram o
centro das discussões sobre o trabalho e a mecanização do
homem na esfera industrial.
Atualmente, o profissional, para ser bem-sucedido, precisa
ter seu lado relacional e comportamental bem trabalhado e
desenvolvido, de forma que possa trabalhar com facilidade em
equipe, opinar, sugerir e questionar. Esse profissional deve
ter como principais qualidades a iniciativa, a proatividade
e a capacidade de criar e inovar, mesmo em pequenas e
cotidianas ações. Porém, nem sempre foi assim.
No filme Tempos Modernos, estrelado por Charles Chaplin,
há clara reprodução, em forma de comédia, de ações que,
até poucas décadas atrás, eram extremamente comuns: a
fragmentação do produto final numa linha de montagem,
determinando àquele que aperta o parafuso do lado esquerdo
da peça, fazer apenas isso, com tempo e movimentos bem
definidos.
11
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Esse modelo ainda não é obsoleto, muitas fábricas, como
na área da confecção, por exemplo, dispõem de linhas de
produção nesses moldes. A costureira da máquina 1 só faz
costura reta; da máquina 2 só costura bolso; da máquina
3 só costura zíper. Essa é uma forma de administração
denominada científica, baseada no estudo e na padronização
de tempo e movimentos e na padronização de ferramentas e
instrumentos, resultando na racionalização do trabalho com
ênfase na produtividade e, ainda, promovendo minimização
do esforço muscular (Maximiano, 2000).
Frederick Winslow Taylor (1856 /1915), com base na
tecnologia da época, elencava o trabalho a ser desenvolvido
e suas etapas, separava e criava ou estruturava as formas
de efetuá-las, distribuindo-as entre as linhas de produção.
As operações eram basicamente manuais e cartesianas e
otimizavam o tempo empregado, os materiais utilizados e os
movimentos necessários para efetuar cada ação, para que
nada fosse desperdiçado.
Nessa mesma época histórica, a escola ensinava
fundamentalmente conceitos de obediência, pontualidade e
submissão, sem questionamentos ou criticidade. A pedagogia
era centrada no professor e na exposição oral, cujos
conteúdos e formas de atuação eram por ele determinados.
Essa pedagogia esteve presente em todo o século XIX e em
grande parte do século XX, situação que, por mais que a
educação tenha avançado em seus conceitos, hoje ainda é
encontrada em muitas escolas.
A partir de 1913, Henry Ford (em sua fábrica Ford Motors
& Co.) instituiu o denominado fordismo, que, apesar de ter
muitas semelhanças com o método desenvolvido por Taylor
(taylorismo), adotava uma estratégia mais abrangente “de
organização da produção que envolve extensa mecanização,
com o uso de máquinas-ferramentas especializadas, linha de
montagem e de estrutura rolante e de crescente divisão do
trabalho.” (Cattani, 2003).
12
COLEÇÃO
Esse processo representou uma inovação para a época,
pois, a implantação de esteiras na linha de produção e
a automação de algumas etapas instituíram novo ritmo
ao processo. Neste, o mais importante era seguir o ritmo
almejado pela empresa e não o que o funcionário podia
oferecer, pois, a movimentação da esteira era alterada por
um temporizador e não pelo término da operação por parte
do funcionário. Com isso, ele tinha de ajustar seu tempo ao
da esteira para que sua etapa na fabricação do produto fosse
concluída.
Como princípio, a administração científica de Taylor também
se debruçou na busca de eficiência na área de planejamento,
implantando cartões de instruções, sistema de pagamento
por desempenho e o cálculo de custos. As transformações
introduzidas por Taylor geraram o movimento da
administração científica, tendo como principais integrantes o
próprio Taylor; Gilbreth (estudos de movimentos e de fadiga
e de psicologia aplicada); Gantt (proposta de um gráfico e
do treinamento profissionalizante) e Münsterberg (psicologia
industrial). Esse movimento, ao conjugar as contribuições
desses diversos estudiosos, propiciou o desencadeamento
da produção em massa, tendo o sistema Ford de produção
como ícone do movimento. Com o trabalhador especializado,
a linha de montagem instalada e o crescimento da atividade
industrial, as tecnologias expandiram-se na perspectiva da
sofisticação dos mecanismos de controle e de eficiência,
mantendo os mesmos princípios da administração científica
(Maximiano, 2000).
Essa abordagem, porém, com o avanço das tecnologias e com
a complexidade das relações, mostrou-se rígida e inflexível,
dando espaço para as teorias focadas no perfil pessoal e
relacional dos trabalhadores, humanizando e democratizando
a administração e trazendo à tona novo repertório lingüístico
voltado para a área administrativa.
13
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
“Fala-se agora em motivação, liderança, comunicação,
organização informal, dinâmica de grupo, etc. Os conceitos
básicos de liderança, hierarquia, racionalização do trabalho e
departamentalização passam a ser contestados ou criticados
(Chiavenato, 1983)”.
A escola também precisou se adaptar a essas transformações.
Assim, a pedagogia adotada passou a ser mais crítica, a se
preocupar em ensinar a buscar informação, a se atualizar
constantemente, reciclando-se, formando cidadãos críticos
e com visão global do trabalho e da sociedade capazes de
construir conhecimento.
Há necessidade de educar o indivíduo para enxergar os
problemas da empresa em horizontes geográficos e temporais
mais amplos que o instantâneo, de produzir com eficiência
para colocar os produtos no mercado de trabalho (Ferreti,
1994).
Em paralelo com todas essas mudanças no mundo do trabalho
e da educação, vem ocorrendo a evolução da tecnologia,
apontada aqui (numa visão simples), como o conhecimento
mais a técnica. Ela torna possível transformar o que se tem
em mente no real. Essa evolução da tecnologia tomou grande
impulso com a Revolução Industrial, abrangendo não só
objetos ou técnicas, mas também técnicas que interferem na
gestão dos processos.
A escola, ao incentivar o aluno a construir conhecimento,
a aliar o conhecimento à técnica e ao instigar o aluno por
meio de situações-problema e/ou elaboração de projetos,
aproxima-o das situações críticas da sociedade e do trabalho,
enriquecendo e potencializando o desempenho desse futuro
profissional.
14
O principal impacto das mudanças tecnológicas acontece na
composição da força de trabalho. De modo geral, as novas
tecnologias demandam trabalhadores mais qualificados. Um
bom nível educacional facilita a readaptação da mão-deobra. Uma educação precária dificulta (Pastore, 1998).
COLEÇÃO
Mas, como o profissional poderia saber se apresentava, ou
não, essas características? Para nortear esse questionamento
e auxiliar nessa reflexão, será feita uma exposição sobre
o perfil dos profissionais pesquisadores, inovadores e
empreendedores.
2. Perfil Profissional
O mundo passou por várias transformações dinâmicas e
rápidas e o trabalho não parou. O final do século XX traz
a Revolução do Conhecimento e, com ela, novas exigências
pessoais e profissionais (Mussak, 2003).
Neste século XXI, o mercado de trabalho busca menos
produtividade e mais competitividade, menos informação
e mais conhecimento, menos treinamento e mais educação.
Assim, surgem novas características do trabalhador para
este século.
Mussak (2003) apresenta essas características, vistas
pela UNESCO, como qualidades, resumindo-as em
oito palavras: flexibilidade, criatividade, informação,
comunicação, responsabilidade, empreendedorismo,
sociabilização, tecnologia. De forma resumida, ele assim
as define:
 Flexibilidade: capacidade de agir de acordo com as
situações apresentadas, ou seja, adaptação após a
percepção das mudanças ocorridas.

Criatividade: capacidade de processar e utilizar as
informações de forma original e inovadora, tornando-se
o diferencial desejável.

Informação: condição necessária para o avanço em todas
as áreas. A educação continuada é essencial para o
desenvolvimento humano.
15
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli

Comunicação: habilidade para o relacionamento
interpessoal necessária e indispensável para a
qualidade do atendimento ao cliente e para a integração
de grupos de trabalho.

Responsabilidade: exigência do mundo do trabalho em
relação às pessoas, pois os cargos e funções estanques
estão desaparecendo e estão surgindo postos de trabalho
destinados ao cumprimento de tarefas em que a
responsabilidade de execução é cada vez mais cobrada.

Empreendedorismo: atributo dos empreendedores pelo
qual demonstram sua capacidade de agregar valor ao
trabalho mediante ousadia, criatividade e inovação.
Qualquer pessoa pode empreender uma ação que vise
otimizar, melhorar, agilizar, favorecer, qualificar, com
vistas à criação de um mundo melhor.

Sociabilização: capacidade de compreender, respeitar e
conectar-se com diferenças culturais, para que se possa
interagir globalmente.

Tecnologia: aptidão de aceitar e conviver com as
tecnologias emergentes agregando competências pessoal
e organizacional.
No entanto, para que seja possível apresentar todas essas
qualidades pessoais, há necessidade de ter desenvolvido
algumas habilidades básicas como: convivência em
sociedade, raciocínio lógico, leitura crítica, expressão verbal
e escrita.
16
COLEÇÃO
Além, do ambiente social, é a escola que transmite essa
bagagem comportamental. Local onde se inicia o convívio
com outras pessoas não escolhidas e até então desconhecidas;
onde se é obrigado a pensar em coisas abstratas, assimilar
conhecimentos muitas vezes sem aplicabilidade imediata,
embora estimule o prazer de conhecer novas idéias, novos
saberes, formar novo convívio social, repartindo com as
pessoas um bom pedaço do dia.
O sistema escolar também proporciona sabores e dissabores
nas atividades em sala de aula, sistematizadas por parâmetros
não muito claros, mas que, no final, acabam por desenvolver
habilidades básicas e cruciais para o futuro.
17
18
COLEÇÃO
PARTE I
DEFINIÇÃO, ELABORAÇÃO,
E ETAPAS DE UM PROJETO
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
1. Definição de projeto
Para se definir projeto, bastaria incluir um dos tantos
conceitos elaborados por autores tão qualificados, quanto
Heloísa Lück (2003, p. 27): “Entende-se por projeto, neste
contexto, como um conjunto organizado e encadeado de ações
de abrangência e escopo definidos, que focaliza aspectos
específicos a serem abordados num período de tempo, por
pessoas associadas e articuladoras das condições promotoras
de resultados, com um determinado custo”.
Sua clareza e objetividade bem expressam o cotidiano de
quem já está disciplinado a pensar de forma empreendedora,
ou seja, de quem sabe o que quer, estabelece metas para
consegui-lo, seleciona meios e recursos para serem as
possibilidades de execução, determina prazos e constitui
parâmetros de qualidade para avaliar os resultados. Esse é o
conteúdo básico da elaboração de um projeto.
19
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
À feição dos jornalistas, podem-se estabelecer questões,
cujas respostas facilitam os alicerces de um projeto, senão,
observe-se:
 O que se deseja? Definir o objeto almejado.

Por que? Justificar o empreendimento.

Para que? Definir os objetivos a serem atingidos.

Como? Selecionar pessoas capazes de empreender e
realizar; estabelecer formas de trabalho, das atividades
necessárias, de escolha e utilização dos recursos.

Quando? Determinar prazos para cada etapa de
execução cuja flexibilidade viabilize sua execução sem
comprometer os resultados.

Onde? Definir locais adequados e necessários.

Valeu a pena? Realizar avaliação criteriosa dos erros e
acertos para se garantir resultados profícuos e positivos.
Assim descrito pode parecer simples, no entanto, as tarefas
vão assumindo características cada vez mais complexas e
amplitudes muitas vezes inesperadas diante do novo, que vai
se configurando. Podem demandar adaptações e correções de
rumo, porque podem surgir eventos de maiores proporções e
esse é o maior desafio das inovações: lidar com o desconhecido
que vai se apresentando e concretizá-lo com habilidade e
qualidade nesse processo criativo que produz o novo.
As etapas do ciclo vital de um projeto podem ser representadas
por suas principais atividades (grupos de processos):
Iniciação/Concepção:
a. identificação de necessidades e/ou oportunidades;
b. caracterização e definição da situação-problema;
c. determinação dos objetivos e metas a serem alcançados;
20
COLEÇÃO
d. análise do ambiente do problema;
e. definição do escopo (produto ou subproduto do projeto);
f. análise dos recursos disponíveis;
g. avaliação da viabilidade dos objetivos;
h. estimativa dos recursos necessários;
i. elaboração da proposta do projeto.

Execução, Controle e Conclusão:
Planejamento: fase de estruturação e viabilização operacional
do projeto; garantia da consistência entre os objetivos
estabelecidos e os recursos disponíveis. Destacam-se como
atividades pertinentes:
a. detalhamento das metas e objetivos a serem
alcançados;
b. definição do gerente do projeto;
c. programação das atividades e elaboração de cronograma
para a execução das atividades previstas;
d. determinação dos resultados tangíveis a serem alcançados
durante a execução do projeto;
e. programação dos recursos financeiros, humanos e
materiais;
f. delineamento dos procedimentos de acompanhamento e
controle do projeto;
g. estruturação do sistema de comunicação.
21
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli

Execução: fase de realização de todas as projeções
contidas no documento denominado projeto, cujas
principais ações a serem efetivadas se apontam:
a. verificação do escopo;
b. comunicação entre os participantes do projeto;
c. disponibilidade de recursos;
d. mobilização das equipes, materiais e equipamentos;
e. controle da qualidade dos procedimentos;
f. monitoramento do emprego dos recursos;
g. geração e reprogramação de atividades necessárias.

Controle: as ações desta fase devem garantir
proativamente às ações previstas acontecerem como
projetado; e às imprevistas serem avaliadas e incluídas,
ou não, ao projeto permitindo correções e redefinição de
rotas. (Menezes, 2003, p. 196), por meio de:
a. monitoramento dos processos, ou seja, acompanhamento
físico de sua execução;
b. análise das distorções,
c. apresentação de soluções;
d. replanejamento do projeto, se necessário.

22
Conclusão: fase final do projeto, que consiste na certeza
de que todas as metas foram atingidas; momento da
avaliação do desempenho final, com base nos indicadores
estabelecidos.
COLEÇÃO
2. Características
Os projetos podem ser elaborados para se solucionar uma
situação-problema, consistindo basicamente em transformar
idéias em ações, de imediato, a curto, médio ou a longo prazo.
Dessa forma, torna-se um documento em que se descreve
tudo que é necessário para o desenvolvimento de atividades
a serem executadas com o fim de se alcançar objetivos num
determinado tempo.
O conhecimento técnico da elaboração de um projeto tem
sido exaustivamente estimulado pelas escolas do SENAI,
refletindo-se em toda atividade empreendedora fomentada
na atualidade nacional e globalizada, exemplificadas pelos
hotéis inovadores, pelas incubadoras, pelas redes e parques
tecnológicos, pelo estímulo ao empreendedorismo.
As principais características de um projeto, segundo Vargas
(2003, p. 15), são a temporalidade (início, meio e fim),
individualidade do produto ou serviço a ser desenvolvido
(garantia de inovação), complexidade (clareza dos objetivos,
condução das atividades, emprego dos recursos) e
acrescente-se a mobilidade de certos parâmetros (prazos,
custos, pessoal, material e equipamento e qualidade),
constantemente revisados.
Para Lück (2003, p.70/80), projetos que funcionam
apresentam características importantes para os resultados
finais, tais como:
 Clareza: percepção clara do foco do projeto; linguagem
simples; não detalhar mais do que o necessário.

Objetividade: percepção e descrição da realidade.

Especificidade: delimitação do foco sem utilizar questões
genéricas.

Visão estratégica: previsão de fatos; busca de resultados
positivos e não apenas de possíveis.
23
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli

Aplicabilidade: condições de viabilidade; projetos
executáveis.

Criatividade: olhar novo sobre a realidade; atribuição de
diferencial competitivo.

Flexibilidade: capacidade de lidar com imprevistos e de
realizar adaptações e redirecionamentos.

Consistência: boa fundamentação,
teórico-conceitual dos componentes.

Coerência: estabelecimento de unidade temática em todos
os segmentos do projeto; objetivos coerentes ao problema,
à metodologia e às demais etapas.

Globalidade: relação equilibrada entre o todo e as partes.

Unidade: vínculo entre os elementos conceituais; superação
de dicotomias, fragmentações;

Responsabilização: estabelecimento de responsabilidades
dos participantes, orientando suas ações para o foco
principal.
aprofundamento
2.1 Limites entre rotina e projeto
Segundo Menezes (2003), no caso de uma solução-padrão,
a empresa utiliza abordagens metodológicas e ferramentas
específicas para sua implantação e, no caso de uma solução
inovadora, procede-se a uma análise como se a solução a ser
implementada fosse por meio de um projeto.
Vargas (2003, p.16), contudo, é incisivo e claro: todo projeto
tem início, meio e fim; um projeto que não tem término não
passa de uma rotina.
24
COLEÇÃO
O ambiente global e competitivo em que as organizações
se encontram caracteriza-se por forte dinamismo e,
em decorrência, torna-se necessário que as empresas
desenvolvam capacidade de mudança para adaptar-se a
esse cenário, bem como de adotar postura estratégica de
alteração de seus processos, padrões administrativos,
habilidades de negociação, entre outros.
O continuum característico da existência dos homens
e das empresas (estas, justamente, para atenderem às
necessidades constantemente emergentes dos homens)
demanda inovação, e, como os projetos se demonstram
estratégias vitais para esse processo, requerem, portanto,
projetos inovadores em todos os setores vivenciais humanos;
o fulcro da própria educação deveria contemplar também o
futuro, em vez de privilegiar tanto o passado.
O gerenciamento de projetos se confirma como chave para
o crescimento e o sucesso organizacional, configurandose ferramenta gerencial, por meio da qual a empresa
desenvolve o conjunto de habilidades destinado ao controle
de seus projetos, obedecendo aos fatores predeterminados
como tempo, custo, qualidade e demais inerências.
De acordo com o texto A Guide to the Project Management
Body of Knowledge (Edition, 2000), o gerenciamento de
projetos é composto por cinco grupos de processos: iniciação,
planejamento, execução, controle e encerramento e em nove
áreas do conhecimento, todas decorrentes do Gerenciamento
da Integração; do Escopo; do Tempo; dos Custos; da
Qualidade; dos Recursos Humanos; da Comunicação; dos
Riscos e dos Fornecimentos de Bens e Serviços do Projeto.
25
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
2.2 Finalidades, utilidades e benefícios
Os projetos podem ser utilizados em toda e qualquer área
do conhecimento, bem como no cotidiano pessoal de cada
indivíduo. Sua utilidade está exatamente no planejamento
de ações de forma sistemática e útil em busca da excelência
em um ramo de atividade, em um setor educacional, em um
evento simples e cotidiano.
Para citar um expoente, eis o que Perrenoud (1994) afirma:
A competência não pertence ao mundo empresarial, nem
ao mundo do trabalho, mas se faz presente em toda ação
humana, seja individual ou coletiva.
A disciplina de execução de um projeto leva a quem dele se
serve a racionalizar a própria vida em termos de identificar
tarefas para a obtenção do objeto almejado; de estabelecer
limites para as próprias pretensões; de autoconhecimento
das reais possibilidades e, principalmente, de estímulo para
buscar soluções viáveis e para a diversidade situacional
encontrada no âmbito vivencial relativa à conflitante relação
entre interesses e poder. Portanto, ensinar a empreender é
ensinar não apenas a viver, mas, principalmente, a conviver.
Na área educacional, os projetos constituem não apenas
referencial para o desenvolvimento de competências, mas
um instrumento de trabalho necessário e organizador das
atividades dos professores, sejam de perspectiva anual,
mensal ou até mesmo diária.
Nas empresas, os projetos marcam um referencial competitivo,
uma procura de produtos e serviços marcados pela qualidade
e eficiência. Para atender às exigências da clientela são
necessários profissionais com capacidade de prever prazos e
custos das atividades, bem como os riscos inerentes e, muito
mais, capazes de tomar decisões de amplitudes ecológicas
e humanísticas em busca do melhor para o ser humano, do
justo e do ético.
26
COLEÇÃO
Nas escolas de objetivos profissionalizantes muito mais se
faz sentir a premência desses objetivos, pois, ensinam os
alunos a pensarem, a agirem e decidirem, além de promover
a mobilização de saberes e conhecimentos adquiridos,
desenvolver a cooperação, a inteligência coletiva, a
autonomia, a capacidade de fazer escolhas e de negociá-las.
Os projetos têm sido utilizados como referencial, tanto nas
escolas, como nas empresas.
Projetar e realizar (empreender, enfim) constituem-se atividades
que expressam a razão de ser da vida, porque esta é a obra
máxima dos homens no âmbito planetário e, quiçá, galáctico.
A segunda parte deste livro é exemplo concreto de que a
pedagogia de Projeto promove a interação do aluno com o meio,
possibilitando oportunidades de experiências nas diversas
áreas do conhecimento e de promover o desenvolvimento
das múltiplas inteligências.
A sobrevivência dos profissionais e de uma empresa na
atualidade está intimamente vinculada à capacidade de
produzir o novo e de com ele conviver, como na experiência
dos instantes da vida em constante mutação e infinita
criação.
Ao organizar idéias, projetando-as num papel e
transformando-as em um projeto, estar-se-á sistematizando
todo o trabalho em objetivos a alcançar, em etapas a serem
cumpridas, em meios a serem utilizados, em recursos
necessários e, principalmente, em avaliação dos resultados.
Com isso, as pessoas vão desenvolvendo habilidades e
atributos que igualmente vão transformando-as em seres
cada vez mais evoluídos e preparados para a grandeza da
vida. E assim também serão suas criações.
Dessa forma, ensinando a acompanhar os passos principais
da elaboração e da execução de um projeto, como tantos
outros próprios da vida comum (projetos de estudo, de uma
viagem, de trabalho e assim por diante), a educação oferecerá
à sociedade profissionais de alto gabarito e pessoas de
magnitude existencial. Essas pessoas, sendo capazes de viver
27
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
com dignidade situações políticas, culturais, associativas,
econômicas, profissionais, demonstrarão a formação ética de
verdadeiros cidadãos, de seres universais e fraternos.
2.3 Importância da Gestão
Ao se falar sobre gestão de projetos ou gerenciamento
de projetos, pretende-se enfatizar a importância desses
instrumentos dentro das organizações, a necessidade deles
e suas características.
A globalização exige potencial competitivo e para que uma
organização mantenha sua expressividade no mercado,
ela necessita de ser vista como detentora dessa vantagem
competitiva. Isso está em sua capacidade de formular e
implementar estratégias em concorrências que permitam
sua atuação e sustentabilidade no mercado (Coutinho, apud
Gomes; Braga, 2001).
A estratégia empresarial deve ser entendida como um
conjunto de diretrizes utilizadas para o alcance de seus
objetivos, o que conseqüentemente gera o planejamento
estratégico, por antecipar acontecimentos permitindo que
sejam implementadas ações destinadas a obter os resultados
almejados em relação aos objetivos organizacionais.
Os projetos, segundo Esteves (2005 , p. 47), são parte
integrante do processo decisório do planejamento
organizacional, pois atuam como realimentadores e, assim,
devem estar vinculados aos objetivos e metas da empresa. Ao
verificar viabilidades, passa a ser um modelo da realidade.
28
Como as organizações se encontram cada vez mais
orientadas ao melhoramento contínuo de seus processos,
sempre visando ao empreendedorismo e conseqüente
competitividade, o planejamento estratégico deve ser
permanentemente acompanhado e revisado. Demanda,
portanto, sua composição por inúmeros projetos como:
melhoria de produtos, criação e desenvolvimento de
produtos, melhorias internas, mudanças organizacionais,
COLEÇÃO
gestão estratégica, entre outros. Ou seja, fica explicitado
que a utilização de projetos torna-se útil estratégia de
transformação da realidade.
As práticas embasadas no habitual, apegadas ao modo
vigente e costumeiro de fazer as coisas (à semelhança
do prejudicial comodismo), evidenciam-se extremamente
limitadas, pobres, conservadoras e caracterizadas pelo
desperdício. A perspectiva da realidade dinâmica, marcada
pelas constantes transformações das instituições, das
empresas e das pessoas, em busca do novo e do diferencial
competitivo gera propulsão e energia. A ótica futurista
focaliza, portanto, de forma prospectiva e estratégica, a
possibilidade de criação de uma nova realidade pela realização
de projetos inovadores e, por isso, empreendedores.
2.4 Papel do Gerente de Projetos
Fundamental em todo o ciclo de vida do projeto, é seu
acompanhamento pela gerência ativa, cujo objetivo, segundo
Menezes (2003), é estabelecer o seu controle, assegurando
o cumprimento dos prazos e orçamento determinados,
conduzindo à sua conclusão com a qualidade almejada.
A principal responsabilidade do gerente do projeto, segundo
Esteves (2005), é fazer com que o projeto alcance a meta para a
qual foi proposto, apresentando as seguintes habilidades de:
 boa comunicação: saber ouvir e persuadir;

organização: planejar, estabelecer metas, analisar;

formação de equipes: demonstrar empatia, criar
motivação;

liderança: estabelecer exemplos positivos, evidenciar
energia, ser proativo, saber delegar;

convivência: ser flexível, criativo, paciente, persistente;

aptidão técnica: possuir experiência e conhecimento em
projetos.
29
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Para desempenhar o papel de gerente, ou de integrante de
equipes de projeto, as pessoas devem assimilar compreensão
básica dos processos e das áreas de conhecimento comuns a
todos os tipos de planejamentos.
2.5 Benefícios do gerenciamento de projetos
Desde que bem planejados, controlados e geridos de
forma adequada, os projetos proporcionam às empresas e
respectivos empreendedores obter os resultados almejados.
Assim, o gerenciamento de projetos não é restrito a projetos
gigantescos, complexos e de alto custo, ele pode e deve ser
aplicado em empreendimentos de qualquer complexidade,
tamanho, orçamento e linha de negócios.
Ao utilizar metodologias estruturadas, permite-se, ainda,
desenvolver diferenciais competitivos e novas técnicas e
adaptar os trabalhos ao mercado consumidor e aos clientes.
A proatividade emerge como fundamental para essa atuação
do gerente e depende da estruturação do projeto permitir
ações preventivas e corretivas antes que essas situações se
tornem um problema.
Alguns projetos podem não obter sucesso e as principais
causas, segundo Vargas (2003), podem decorrer do mau
estabelecimento de metas e objetivos. Podem ser essas
causas: a inclusão de muitas atividades e pouco tempo para
sua realização, sistema de controle inadequado, estimativas
financeiras pobres e incompletas, dados insuficientes e
inadequados, falta de integração dos agentes do projeto, falta
de conhecimento necessário para a execução das atividades
planejadas, gerenciamento inadequado ou inexistente.
Uma das fases cruciais, portanto, de um projeto, além de
seu planejamento, é o seu controle. Conforme afirmação de
Verzuh (1998, p. 107.) “o maior desafio da gestão de projeto
é fazer a coisa certa no tempo certo.”
30
COLEÇÃO
2.6 Tipos de projeto
Em Esteves (2005, p.17), encontra-se uma lista adaptada de
projetos, baseada em Casarotto Filho (1999), que classifica
projetos em três áreas: prestação de serviços, industrial e de
infra-estrutura, apresentadas a seguir.
a. Projetos da área de prestações de serviços, que são
associados:
 Assistência técnica: à solução de problemas de
engenharia que compreendem coleta, interpretação e
análise de dados e informações, seguidos de preparação
de relatório conclusivo e com recomendações.

Estudos
técnicos:
ao
aperfeiçoamento
e/ou
desenvolvimento de tecnologias ou de outros estudos,
inclusive os de natureza multidisciplinar, cuja finalidade
seja definir a viabilidade técnica e/ou econômica de uma
tecnologia ou de um empreendimento.

Projetos de engenharia: à elaboração de um conjunto
de documentos, constituído de especificações,
lista de materiais e desenho de detalhes. Esses
indicam, esclarecem e justificam todos os critérios de
dimensionamento, hipóteses de cálculos técnicos, de
execução e custos de uma utilidade física (unidade ou
sistema).

Compras técnicas: ao cadastramento de fabricantes;
seleção de equipamentos, máquinas, componentes,
materiais de construção, etc.; preparação de documentos
de licitação; coleta e avaliação de propostas; contratação
e efetivação de compras; expedição e armazenamento no
canteiro; obtenção, registro e recuperação de catálogos,
desenhos, dados de desempenho e demais.

Construção e montagem: à execução propriamente dita
de obras civis, instalações e montagem industrial.
31
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli

Gerência de projetos: ao planejamento e controle
efetivos, permitindo que todas as fases de execução do
empreendimento sejam realizadas de modo a se atingir
os objetivos quanto a qualidade, funcionalidade e
segurança dos respectivos projetos, dentro do cronograma
e orçamento previstos.

Serviços especiais: à aerofotogrametria, geomorfologia e
geodésia, topografia e batimetria, oceanografia, geotecnia,
hidrotecnia e outros.

Desenvolvimento de software: à análise, projeto (design)
codificação e teste de programas e tecnologias de
computador.

Pesquisa e desenvolvimento: à pesquisa e tecnologias
em instituições públicas ou privadas.

Pesquisas de mercado: à determinação da demanda de
um produto por segmentos do mercado.

Campanhas publicitárias: à elaboração, desenvolvimento
e execução de campanhas publicitárias de lançamento
de um produto ou serviço, em agências de publicidade,
explorando o segmento de mercado a que se destina.
b. Projetos da área de indústria, referentes a:
 Implantação, reforma e ampliação: projetos de
engenharia, compras técnicas, construção e montagem,
gerenciamentos de projetos e outros.
32

Manutenção de máquinas, equipamentos e sistemas:
manutenção corretiva ou preventiva, efetuadas de
maneira programada.

Lançamento de novos produtos: pesquisa de mercado,
estudos de engenharia, projeto de produtos, compras
técnicas, campanha publicitária, fabricação e montagem
e demais.
Produção sob encomenda: compras técnicas, fabricação
e montagem de produtos, conforme especificações, prazo
e preço previamente determinados.

Desenvolvimento e implantação de sistemas
computacionais: de análise, design, codificação, testes e
implantação de sistemas computacionais.

Pesquisa e desenvolvimento: pesquisa e desenvolvimento
de novos produtos, processos e tecnologias, executadas
em departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento
(P&D).
COLEÇÃO

c. Projetos de infra-estrutura, destinados a:
 Saneamento: distribuição ou captação, estações de
tratamento, estações de recalque, emissários oceânicos
e demais.

Edificações: hospitais, terminais de transporte, silos de
armazenagem, conjuntos habitacionais e outros.

Transporte: aeroportos, portos, terminais, rodovias,
ferrovias, túneis, pontes e outros.

Planejamento urbano e regional: estudos locais, sistemas
de transporte, recursos naturais, distritos industriais,
núcleos habitacionais e outros.

Energia: geração convencional (hidro, termo e nuclear);
geração não convencional (biomassa, solar, eólica),
subestações, transmissão, distribuição e demais.

Comunicações: sistemas de transmissão (rádio, tv,
dados), centrais de comutação (telefone, dados), redes
telefônicas (cabos e dutos), etc.
Encontram-se, na literatura pertinente, outras classificações,
que incluem, ou excluem, ou ainda complementam os
anteriormente citados e pode-se afirmar que todos os tipos
33
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
de projetos são destinados a uma finalidade, ou seja, algum
tipo de implementação, adaptação, inovação, construção,
pesquisa, desenvolvimento e assim por diante.
Deve-se ressaltar que um projeto se destina a solucionar algum
tipo de necessidade, problemática ou não, o que equivale a
dizer que alguém necessita de algum produto ou serviço e
que deve e pode ser atendido. Cabe aos especialistas em
geração, elaboração, execução e gerenciamento de projetos
buscar esse atendimento obtendo-se, na maioria das vezes, a
solução ideal decorrente de propostas inovadoras.
2.7 Projetos Inovadores
Diferente dos tradicionalmente formais, elaborados
somente para legitimar decisões já tomadas, os projetos
inovadores estão, no bom sentido, revolucionando a área
de empreendedorismo, encontrando na inovação o estímulo
para a criação, desenvolvimento e obtenção dos benefícios
advindos da inteligência do homem e das suas competências
na construção de uma humanidade cada vez mais centrada
no ecológico, no ético e no saudável, em prol do bem comum
de seus membros.
Heloísa Lück (2003, p. 26.) faz na obra citada uma
abordagem sobre projetos, como orientação articulada de
inovação, melhoria e transformação:
“ Considerando que toda situação de trabalho e dinâmica é interrelacionada a múltiplos fatores, deve-se entender a elaboração
de projetos como um processo de resolução de problemas e
criação de novas e melhores situações, processo esse igualmente
complexo, dinâmico e interativo e que envolve atores, como
agentes transformadores.”
34
Com base nessa abordagem de Lück, obtêm-se algumas
palavras-chave para caracterizar projetos inovadores:
criação; nova; dinâmico; interativo; transformadores.
Portanto, pode-se concluir que projeto inovador é aquele
COLEÇÃO
capaz de transformar, inovar, causar algum tipo de impacto,
proporcionar soluções ainda não pensadas.
Frente à multiplicidade de fenômenos sociais que vêm
redefinindo as relações internacionais promovendo
crescente globalização no âmbito da economia, cultura,
religião, tecnologia, educação, acaba-se assumindo inovação
como sinônimo de competitividade. Dessa capacidade de
lançar novos produtos e serviços com maior velocidade,
menor custo e com maior segurança no atendimento às
necessidades do mercado, as empresas são lançadas no rol
da competitividade e no alcance do mercado externo cada
vez mais amplo.
Observa-se que a conceituação dessa competitividade
desvia-se do embate entre pessoas, empresas, países
para se localizar no diferencial inovativo da capacidade
empreendedora do ser humano.
Assim, a aquisição de novos conhecimentos, a busca
permanente de atualizações, o processo de aprendizagem
continuada contribuem para o pensar inovativo, para gerar
idéias, para o ser criativo. Segundo Bastos (1991, p.74.), a
aprendizagem é “um meio de preparar o indivíduo para enfrentar
situações novas e é requisito indispensável para a solução de
problemas globais”.
As instituições de ensino, tanto regulamentares, como
profissionalizantes, ao compreenderem o processo de
inovação necessário no contexto globalizado e competitivo,
estão repensando sua organização curricular. Por possibilitar
que o processo ensino-aprendizagem se torne mais dinâmico,
interdisciplinar, flexível, atualizado constantemente e
apresente concentração de atividades que estimulam a
criatividade e o empreendedorismo, a aprendizagem por
projetos tem sido excelente opção para a organização
curricular.
As empresas já se conscientizaram de que promover a
inovação tornou-se imprescindível para aumentarem sua
competitividade e rentabilidade, mas que ainda precisam
35
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
ter competência para inovar. Isto exige qualificação
de seus recursos humanos, planejamento, equipes
multidisciplinares, ferramentas diferenciadas de gestão,
entre outros fatores.
Mochkalev e Pimenta (2001, p. 49.) consideram alguns
aspectos importantes para criar condições necessárias
para inovação em uma empresa. O primeiro é o clima
organizacional, compreendendo o ambiente de trabalho e
a motivação da equipe. O segundo trata das recompensas
adequadas, as quais estimulam a criatividade individual
e coletiva. Por fim, a seleção de pessoal, o treinamento
do potencial criativo, da iniciativa, da autonomia e da
capacidade de trabalhar em equipe.
Apresentam-se, também (idem, p.56), alguns fatores
condicionantes de clima favorável à inovação numa
empresa, quais sejam: a) tolerância: para as idéias e as
atitudes novas (mesmo ainda não bem formuladas) e para
os possíveis erros; b) estímulos: para desenvolvimento
de flexibilidade intelectual e liberdade na busca de
soluções novas; para a propagação de idéias novas dentro
das empresas, mediante vários canais de comunicação,
voltados para a interação dos funcionários (especialmente,
pessoas com acentuado potencial criativo); c) incentivos e
treinamentos para trabalhar eficientemente em equipes.
Outros autores se pronunciam a respeito, evidenciando as
vantagens advindas. Para Staub (2001, p.5), “não resta
dúvida de que a economia contemporânea se move em função
da geração e incorporação de inovações. Com efeito, inovar
tornou-se a principal arma de competição entre empresas e
entre países”.
Logo, ao se ter em mãos todo trabalho que vem sendo
desenvolvido, pode-se verificar que a formação desses
profissionais não compete somente às instituições de
ensino profissionalizante, ou de ensino superior. Trata36
COLEÇÃO
se da formação holística do indivíduo nos níveis pessoal,
social e profissional. Assim, a responsabilidade por sua
formação é da escola, desde as séries iniciais, priorizando
o desenvolvimento da criatividade, com vistas a estimular a
habilidade de inovação.
3. Características da Inovação1
O conceito de inovação, conforme tratado nesta exposição,
contempla a introdução no mercado de produtos, processos,
métodos ou sistemas não existentes anteriormente ou com
alguma característica nova e diferente da até então em vigor.
(Guimarães, 2000).
Da mesma forma com que se aceitam as afirmações de
Longo (1996), quando define que inovação significa a solução
de um problema tecnológico, utilizada pela primeira vez,
descrevendo o conjunto de fases que vão desde a pesquisa
básica até o uso prático, compreendendo a introdução de um
novo produto no mercado, em escala comercial tendo, em
geral, fortes repercussões socioeconômicas.
Lemos (2000) vai mais adiante, ao falar de inovação
incremental, esclarecendo tratar-se da introdução de qualquer
tipo de melhoria em um produto, processo ou organização da
produção dentro de uma empresa, sem alteração na estrutura
industrial.
Por outro lado, a FINEP (2000) concebe a inovação para
o desenvolvimento social definindo-a como a criação
de tecnologias, processos e metodologias originais, que
possam vir a se constituir em propostas de novos modelos
e paradigmas para o enfrentamento de problemas sociais,
combate à pobreza e promoção da cidadania.
Percebe-se, pelos conceitos acima, que a inovação permeia todos
os aspectos sociais, econômicos e organizacionais. Assim, visando
1
Colaboraram, nesta seção, Maricilia Volpato e Gilson B. Fonseca.
O Manual de Oslo é a principal fonte internacional de diretrizes para coleta e uso de dados sobre atividades inovadoras da indústria.
Está disponível para download no site www.pr.senai.br/inova
2
37
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
promover um conjunto de definições coerentes e universais
sobre os distintos tipos de inovação e atividades de inovação,
o Manual de Oslo (2004)2 apresenta as seguintes definições
internacionalmente aceitas e comparáveis e dele extraídas.
Em sua página 54, o Manual de Oslo (2004) define Inovações
Tecnológicas em Produtos e Processos (TPP), como:
“(...) compreendem as implantações de produtos e processos
tecnologicamente novos e substanciais melhorias tecnológicas em
produtos e processos. Uma inovação TPP é considerada implantada
se tiver sido introduzida no mercado (inovação de produto) ou usada
no processo de produção (inovação de processo). Uma inovação
TPP envolve uma série de atividades científicas, tecnológicas,
organizacionais, financeiras e comerciais. Uma empresa inovadora
em TPP é uma empresa que tenha implantado produtos ou
processos tecnologicamente novos ou com substancial melhoria
tecnológica durante o período em análise”.
Importante salientar que o referido Manual indica como
exigência mínima que o produto ou processo deve ser novo
para a empresa, não exigindo ser necessariamente novo para
o mundo, utilizando o termo produto tanto para bens, como
para serviços. Dessa forma, os principais componentes das
Inovações TPP são discriminados nesse documento entre
produtos e processos e por grau de novidade da mudança
introduzida em cada caso e inclui inovações relacionadas
com atividades primárias e secundárias, bem como inovações
de processos em atividades consideradas ancilares.
Podem-se resumir os preceitos contidos no Manual de Oslo
(2004), sobre o grau de novidade de uma inovação e sobre
suas variáveis em termos técnicos ou de mercado (Manual
de Oslo, p.55/56), da seguinte forma:
a. Produtos novos: características tecnológicas ou usos
pretendidos que diferem daqueles próprios dos produtos
já disponíveis. “Podem envolver tecnologias radicalmente
38
COLEÇÃO
novas (ex: primeiros microprocessadores), podem basear-se
na combinação de tecnologias existentes em novos usos (ex:
primeiro toca-fitas portátil), ou podem ser derivadas do uso
de novo conhecimento”.
b. Produtos aprimorados: desempenho significativamente
aperfeiçoado ou elevado efetuado em produto existente
(em termos de melhor desempenho ou menor custo), pela
introdução de componentes (introdução de freios ABS nos
carros) ou materiais de desempenho melhor (substituição
por plástico nos equipamentos de cozinha), ou um produto
complexo, que consista em vários subsistemas técnicos
integrados, aprimorado por modificações parciais em um dos
subsistemas.
c. Processos inovadores: adoção de métodos de produção
novos (ex: novo método de p urificação de água para uso
doméstico, como água potável), ou significativamente
melhorados (ex: auxílio de softwares integrados para
planejamento e controle da produção); incluindo métodos
referentes a mudanças no equipamento (ex: mecânico para
eletrônico) na organização da produção (ex: de registros
manuais para computadorizados).
O resultado da adoção de processo tecnologicamente novo
ou substancialmente aprimorado deve ser significativo em
termos do nível e da qualidade do produto ou dos custos de
produção.
As inovações tecnológicas em processos são definidas no
Manual (p.56) como:
“a adoção de métodos de produção novos ou significativamente
melhorados, incluindo métodos de entrega dos produtos.
Tais métodos podem envolver mudanças no equipamento
ou na organização da produção, ou uma combinação dessas
mudanças, e podem derivar do uso de novo conhecimento. Os
39
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
métodos podem ter por objetivo produzir ou entregar produtos
tecnologicamente novos ou aprimorados, que não possam ser
produzidos ou entregues com os métodos convencionais de
produção, ou pretender aumentar a produção ou eficiência na
entrega de produtos existentes”.
Outra importante orientação apontada no Manual é a de que,
em algumas indústrias de serviço, a distinção entre processo
e produto pode ser nebulosa. O documento apresenta alguns
exemplos a que o leitor interessado poderá dedicar-se melhor.
Um deles refere-se à introdução de sistemas de transmissão
digital em empresas de correio e telecomunicações. Essa
inovação gerou simplificação nessa rede pela redução de
níveis, com o uso de menos centrais de comutação, mas em
nível de automação mais alto.
Podem-se classificar as demais inovações, desde que
contemplem os requisitos de novidade, diferenciação e
utilidade ou aplicabilidade, ou seja, desde que o cerne da
inovação possa ser identificado pela sua utilidade e geração
de valor. Uma criação sem utilidade não é inovação é
invenção (Simantob; Lippi, 2003). Podem-se ter inovações
em design (ex: caixa de sabão em pó com dosador ou estação
de trabalho ergonômica); inovações em gestão (ex: Embraer,
com a gestão de projetos articulados por contratos de redes
de parceiros); ou inovações em negócios (ex: Monsanto, com
o desenvolvimento da biotecnologia agrícola).
Observem-se, assim, as seguintes classificações:
a. por tipo de novidade em termos de mercado:
40

nova apenas para a empresa;

nova para a indústria no país ou para o mercado em que
a empresa opera;

nova no mundo.

aplicação de descoberta científica revolucionária;

substancial inovação técnica;

melhoria ou mudança técnica;

transferência de técnica para outro setor;

ajuste de um produto para novo mercado.
COLEÇÃO
b. pela natureza da inovação:
Essas distinções são úteis na elaboração de projetos e
auxiliam na sua classificação perante editais de fomento
(que subsidiarão os projetos aceitos); na apresentação de
projetos em bancas examinadoras (projetos de conclusão de
cursos de Aprendizagem Industrial, Técnicos, Tecnólogos,
Graduação, Mestrados, Doutorados e outros); ou para
projetos aplicados a situações empresariais. Esses conceitos
também são exigidos em editais de chamada de projetos em
pré-incubadoras, hotéis tecnológicos e incubadoras.
41
42
COLEÇÃO
PARTE II
PROJETOS NA ESCOLA
Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli
A utilidade da aplicação da pedagogia de projetos vem se
evidenciado por resultados não apenas surpreendentes,
mas de reais benefícios no processo ensino/aprendizagem,
mormente nas escolas de ensino profissionalizante.
1. Ensino por projetos versus aprendizagem por projeto
Para se iniciar esta explanação sobre projetos na escola, é
interessante expor alguns pontos de vista e alinhar alguns
pensamentos. Parte-se, desse modo, do questionamento sobre
a possibilidade de haver ensino sem aprendizagem.
Parece claro e lógico que, se há alguém ensinando, há alguém
aprendendo, ou que, quando se ensina algo a alguém, esse
indivíduo absorve boa parte do assunto tratado, mas, na
prática, no dia-a-dia, essa concepção apresenta mudanças.
Se, em sala de aula, o docente projetar o conteúdo no quadro
branco por intermédio de um aparelho multimídia, um aluno
43
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
com dificuldades visuais, ainda não identificadas pela família
ou pelo docente, poderá não conseguir acompanhar o ritmo
da turma, nem aprender da mesma forma que os demais.
Partindo-se de um exemplo bem simples, todos podem sempre
relembrar de alguma situação de aprendizagem em sala de
aula. Duas pessoas nem sempre aprendem exatamente de
igual maneira, nem apresentam facilidade de aprender os
mesmos assuntos.
Thomas Armstrong, em seu livro Inteligências Múltiplas
em Sala de Aula, descreve que, cada indivíduo possui oito
inteligências, algumas mais desenvolvidas, outras menos,
que lhes facilitam a aprendizagem mediante situações
ou estímulos com os quais suas inteligências mais
desenvolvidas se identificam. As oito inteligências, segundo
Armstrong (2001), podem ser resumidas, conforme segue:
44

Inteligência lingüística: capacidade de utilizar as
palavras de forma efetiva, quer oralmente (ex. contador
de histórias, orador ou político), quer escrevendo (ex.
poeta, dramaturgo, editor ou jornalista). Essa inteligência
inclui a capacidade de manejar a sintaxe ou a estrutura
da linguagem, a semântica ou os significados das
palavras. Alguns desses usos incluem a retórica (usar a
linguagem para convencer os outros a seguirem um curso
de ação específica). A mnemônica (usar a linguagem para
lembrar-se de informações), a explicação (para informar)
e a metalinguagem (usar a linguagem para falar sobre ela
mesma).

Inteligência lógico-matemática: capacidade de usar
os números de forma efetiva (ex. matemático, contador
ou estatístico) e para raciocinar bem (ex. cientista,
programador de computador ou lógico). Essa inteligência
inclui sensibilidade a padrões e relacionamentos
lógicos, afirmações e proposições, funções e outras
abstrações relacionadas aos tipos de processo usados a
serviço da inteligência lógico-matemática: categorização,

Inteligência espacial: a capacidade de perceber com
precisão o mundo óptico-espacial (caçador, escoteiro ou
guia) e de realizar transformações sobre essas percepções
(decorador de interiores, arquiteto, artista ou inventor).
Essa inteligência abrange a sensibilidade à cor, linha,
forma, configuração e espaço e as relações entre esses
elementos. Ela inclui a capacidade de visualizar, de
representar graficamente idéias visuais ou espaciais e de
orientar-se apropriadamente em uma matriz espacial.

Inteligência corporal-cinestésica: perícia no uso do
corpo todo para expressar idéias e sentimentos (ator,
mímico, atleta, dançarino) e facilidade no uso das mãos
para produzir ou transformar coisas (artesão, escultor,
mecânico ou cirurgião). Essa inteligência inclui
habilidades físicas específicas, tais como coordenação,
equilíbrio, destreza, força, flexibilidade e velocidade,
assim como capacidades perspectivas e hápticas.

Inteligência musical: capacidade de perceber
(aficionados por música), distinguir (crítico de música),
transformar (compositor) e expressar (musicista) formas
musicais. Essa inteligência inclui sensibilidade ao
ritmo, tom ou melodia e timbre de uma peça musical,
apresentando entendimento figural ou geral da música
(global intuitivo), ou entendimento formal, detalhado
(analítico técnico), ou ambos.

Inteligência interpessoal: capacidade de perceber e
fazer distinções no humor, nas intenções, nas motivações
e nos sentimentos das outras pessoas. Isso pode incluir
sensibilidade a expressões faciais, voz, gestos, à
capacidade de discriminar diferentes tipos de sinais
interpessoais e de responder efetivamente a esses sinais
de maneira pragmática (influenciar um grupo de pessoas
a seguir a mesma linha de ação).
COLEÇÃO
classificação, inferência, generalização, cálculo e
testagem de hipóteses.
45
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli

Inteligência intrapessoal: autoconhecimento e
capacidade de agir adaptativamente com base nesse
conhecimento. Essa inteligência inclui possuir precisa
imagem de si mesmo (das próprias forças e limitações),
consciência dos estados de humor, intenções,
motivações, temperamento e desejos e a capacidade de
autodisciplina, auto-entendimento e de auto-estima.

Inteligência naturalista: perícia no reconhecimento e
classificação das numerosas espécies (da flora e da
fauna) do meio ambiente do indivíduo. Inclui também
sensibilidade a outros fenômenos naturais (formação
de nuvens e montanhas) e, no caso das pessoas que
cresceram num meio ambiente urbano, a capacidade de
discernir entre seres inanimados como: carros, tênis e
capa de discos musicais.
Após essas ponderações sobre inteligências múltiplas,
observe-se que cada integrante de uma turma escolar
apresenta uma combinação diferente dessas inteligências,
em diferentes estágios de desenvolvimento, sendo essa
combinação única, peculiar a cada indivíduo.
Essa combinação é um dos fatores a possibilitar que, em um
trabalho em equipe, alguém goste mais de pesquisar, outro de
apresentar o trabalho para a turma e outro, ainda, de entrevistar
pessoas na rua. Inclusive, ainda, possibilitar a alguns
aprenderem melhor, quando o professor coloca uma música, e a
outros, quando a explanação do tema é oral, ou quando têm de
pesquisar na biblioteca da escola. Por isso, não se pode afirmar
que, em uma mesma aula, todos os alunos aprenderam todas
as partes do assunto tratado, da mesma forma.
O papel do professor, nesse processo, é o de alternar as
diversas estratégias didáticas, conjugando-as, ou não,
para garantir que toda a turma aproveite ao máximo seus
ensinamentos.
46
COLEÇÃO
O aluno, por sua vez, também desenvolve importante papel
nesse processo, pois, ele deve ser um parceiro do professor
na escolha do melhor processo e participante ativo na
aprendizagem. Além de ajudar o professor, por meio do
diálogo e do interesse, a descobrir as potencialidades de
cada aluno, deve antes se conhecer, perceber e identificar
suas facilidades e seus pontos fracos e ainda buscar
complementar aquilo que aprendeu.
Veja-se um exemplo prático: o docente, todo empolgado e
enfático, chega à sala de aula dizendo que, a partir daquele
dia até a semana seguinte nas aulas de ciências, a turma irá
trabalhar com o projeto solo, ou com o projeto meio ambiente,
enfim, algum outro tema.
A turma então fica responsável por pesquisar, distribuindose a cada aluno ou grupo uma parte do tema ou um local.
Depois de mais ou menos uma semana, todos se juntam
e analisam os resultados da pesquisa. Como num grande
quebra-cabeça, juntam as partes coordenadamente,
resumem e transformam em um cartaz colocado no corredor
da escola.
Ao se questionar se isso seria ensinar por projetos, convém
relembrar Gardner (1994, p.189), quando esclarece
que o projeto é capaz de fornecer “uma oportunidade
para os estudantes disporem de conceitos, habilidades
previamente dominadas, a serviço de uma nova meta ou
empreendimento”.
Assim, evidencia-se que, sendo o aluno o real interessado
em saber maiores detalhes sobre o tema, ele deve participar
de forma ativa na seleção do mesmo, optando por aprender
e aprofundar o que realmente é significativo para ele.
Da mesma forma como serão elaborados, em conjunto,
os passos do projeto na definição dos objetivos, na
configuração dos meios, recursos e atividades de execução.
Principalmente, na determinação do caráter inovativo do
projeto, que pode se iniciar em simples questões do dia-adia escolar, mas que sejam estimulantes e cativem o aluno,
47
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
despertando-lhe o interesse pelos estudos, pela pesquisa,
pela escola, pela aprendizagem, enfim.
Basta, por exemplo, transformar um tópico obrigatório do
currículo em um projeto. Se o tema for bem trabalhado, antes
de iniciar a pesquisa em livros, internet, periódicos, museus,
enfim, em toda e qualquer fonte que se fizer necessária,
o aluno se interessará pelo assunto e procurará realmente
saber do que se trata.
Estabelece-se, então, um diferencial de aprender por
projetos em referência a aprender por conteúdos ou pela
seqüência lógica do livro e da apostila. Ressalte-se a
importância da discussão e da análise dos resultados
obtidos, do reconhecimento e citação corretos das fontes,
da priorização dos dados mais significativos e de sua
divulgação.
Ensinar por projetos exige especial atenção aos alunos, que
precisam ser orientados a buscar o conhecimento de forma
adequada; a ler o que encontraram com atenção; a entender
a sistemática de busca pela informação fidedigna; a compilar
toda informação pesquisada e recebida. Tudo isso exige
tempo, dedicação e paciência, pois os alunos apresentam
diferentes ritmos de aprendizagem e o trabalho terá como
plano de fundo as dificuldades de alguns e o brilhantismo
de outros em cada um dos aspectos que nortearem esse
trabalho.
O docente deve, portanto, estar preparado para, mais do que
acompanhar, usar seu tempo com qualidade, sua paciência,
seus conhecimentos e pesquisar com os alunos. Precisa
complementar os conhecimentos encontrados, dominar bem
o assunto do projeto, para interagir com os alunos, sanando
suas dificuldades e, até mesmo, interagindo com outros
docentes, outras turmas ou cursos.
O ensino por projetos deve ser significativo para o aluno,
para que ele possa sob a orientação do docente, interagir
com o conhecimento. Porém, se um projeto é realização
48
COLEÇÃO
de uma proposta inovadora, o desenvolvimento das
potencialidades das pessoas inevitavelmente levará para
resultados admiráveis e para a descoberta do novo.
Ensinar por projetos é também e ainda ensinar aos alunos
(independente de idade, sexo, raça, cor, escola, classe social
ou curso) a sistematizar os conhecimentos e ações possíveis
para a realização de seus sonhos e ambições. Ensinar por
projetos é ensinar que conquistas, mudanças, idéias e
inovações, para serem efetivas, precisam de um objetivo, de
uma estrutura e de uma significação.
Por outro lado, aprender por projetos é aproveitar a
possibilidade que se tem de buscar e analisar conhecimentos,
das mais diversas fontes, sob os mais diferentes pontos de
vista, conversar sobre, discutir, repensar, recriar, inovar!
Assim, o ensino e a aprendizagem por essa metodologia
constituem grande fonte de inovação, quando trabalhados da
forma correta e direcionados para um novo olhar, um novo
ponto de vista, uma nova possibilidade, um novo horizonte,
um novo conhecimento.
2. Pedagogia de projetos
Quando o docente adota por metodologia o ensino por
projetos, ele congrega ao seu redor fatores que atingem todo
o ambiente educacional e que devem estar articulados à
gama de conhecimentos prevista para ser transmitida àquela
série ou àquele curso.
Os projetos propiciam realizar a riqueza de articulações e
detalhes, que são amplamente vistos e desejados no mundo
do trabalho, pois, de acordo com Lück (2003, p. 16.),
possibilitam:
 sistematizar e integrar (em seu sentido mais elementar)
conjuntos organizados de ações que, do contrário,
permaneceriam desarticuladas e até mesmo conflitantes
entre si;
49
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli

definir, claramente e com visão realista, os resultados
pretendidos pelas ações, de modo a maximizar os esforços
para a consecução de resultados mais significativos;

agir à parte de situações claramente entendidas;

dimensionar, articular e organizar recursos, condições,
energia e o talento da equipe para sua efetivação;

oferecer condições de retroalimentação e melhoria
contínua das ações;

compreender, pela reflexão baseada no monitoramento e
na avaliação, a relação entre processos e resultados.
Para tanto, os projetos formam excelente ferramenta para
que os alunos passem a entender os conhecimentos por
uma perspectiva global, para que saiam para o mercado de
trabalho com visível articulação entre teoria e prática.
Ao docente, cabe valorizar as experiências anteriores dos
alunos sob um olhar multidisciplinar e interdisciplinar. A
utilização de atividades norteadas por situações-problema
e/ou pela metodologia de projetos de trabalho ressignifica
os espaços de aprendizagem e valoriza a participação dos
educandos e do professor no momento de ensino-aprendizagem.
Pois, segundo Perrenoud (2000, p. 58), “a escolaridade só
tem sentido se o essencial do que nela se aprende possa ser
investido fora dela, paralelamente ou mais tarde”.
Para diferenciar essas formas de ressignificar os conteúdos,
faz-se necessário realizar uma análise aprofundada
das peculiaridades dessas formas de contextualizar o
conhecimento, que não são únicas, embora amplamente
divulgadas e utilizadas nos sistemas educativos.
Portanto, focar-se-á, principalmente, a Metodologia de
Projetos de Trabalho, que pode ser descrita inicialmente
como:
50
COLEÇÃO
“Uma proposta de investigação pedagógica que dá à atividade de
aprender um sentido novo. Permitindo ao aluno viver experiências
positivas de confrontos, de decidir, de comprometer-se com
a escolha, de projetar-se no tempo, mediante planejamento de
suas ações e seus aprendizados como agente na construção do
próprio conhecimento, quando as necessidades de aprendizagem
afloram na perspectiva de resolver situações problemáticas e
diversificadas. (Pegorette; Souza; Chaves, 2003, p.16).
Saliente-se que essas situações problemáticas e
diversificadas são diferentes das situações do trabalho com
atividades norteadas por situações-problema. Os projetos
de trabalho passam por etapas mais complexas, dinâmicas
e participativas do que as atividades norteadas por
situações-problema, principalmente, no que diz respeito à
sua concepção e às fases pelas quais cada um deles deve
percorrer.
Essa modalidade de articulação dos conhecimentos é uma
forma de organizar as atividades de ensino/aprendizagem,
que implica considerar que tais conhecimentos não se
ordenam para sua compreensão de forma rígida, nem em
função de algumas referências disciplinares preestabelecidas
ou de uma homogeneização de alunos. A função dos projetos
é favorecer a criação de estratégias de organização de
conhecimentos escolares em relação a:
“1) tratamento da informação, e 2) a relação entre os diferentes
conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos
alunos a construção de seus conhecimentos, a transformação da
informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em
conhecimento próprio (Hernández; Ventura, 1996, p. 61).
A metodologia de projetos de trabalho é complementar e de
significativa importância em metodologias dinâmicas como
a de formação e certificação por competências, pois estimula
a aquisição e desenvolvimento de diversas habilidades, em
51
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
razão de unir aspectos importantíssimos no processo de
ensino/aprendizagem.
Outro fator positivo é equilibrar a onipotência do professor
sobre os conteúdos, pois uma das chaves do sucesso dos
projetos de trabalho é a participação dos alunos desde o
início da concepção dele, opinando e atuando de forma ativa
em todas as etapas.
Assim sendo, tomando as decisões em conjunto (professor e
aluno) ambos se comprometem com o que foi escolhido para
trabalhar, propiciando ao aluno tornar-se sujeito da própria
aprendizagem, que, com certeza, será muito significativa.
Dessa forma o tema pode pertencer ao currículo oficial,
proceder de uma experiência comum, originar-se de um
fato da atualidade, surgir de um problema proposto pela
professora ou emergir de uma questão que ficou pendente
em outro projeto (Hernández; Ventura, 1996, p. 6).
Na formação profissional, primordialmente, esse processo de
decisão coletiva é muito importante, pois, quando o aluno
ingressar no mercado de trabalho, deverá ter noções quanto à
sua capacidade de participação e de decisão nos projetos de
que fizer parte, bem como de assumir as responsabilidades
inerentes à sua função ou cargo.
Elaborar projetos caracteriza-se como processo de
construção de conhecimentos e compreensão de uma
realidade, orientado pelo espírito científico sempre
aberto e questionador das pessoas participantes e não,
simplesmente, por esquemas formais de sua elaboração.
(Lück, 2003, p. 28)
52
Desde a definição do tema ou do problema a ser estudado, do
planejamento, em todas as suas fases, o grupo poderá opinar com
relação à forma, etapas, cronogramas e atividades. Faz-se uma
análise do que se tem disponível para a elaboração do projeto,
quanto a número de pessoas, equipamentos, livros, fontes de
pesquisa, orçamento para visitas técnicas e o que mais se julgar
necessário para embasar o planejamento das ações.
COLEÇÃO
Na fase inicial, não se definem detalhes, apenas faz-se
necessário o primeiro esboço das atividades. O planejamento
é aberto, pois, no decorrer da execução podem surgir
imprevistos que modifiquem sua estrutura, reciclando o que
foi planejado, inclusive o cronograma estipulado. Não se deve
prescindir de planejar a etapa de divulgação dos resultados,
pois, o andamento e a conclusão do projeto devem ser do
conhecimento de todos.
A questão da abertura e flexibilidade do planejamento
merece atenção por parte dos participantes do projeto, alerta
Pegorette et al. (2003), ao relatar que:
“O perigo da excessiva interferência do docente, que preocupado
com o programa previamente estabelecido chega a transformar
o projeto em uma coordenação de lições em torno de um tema
determinado, de pouco interesse para os alunos (Pegorette;
Souza; Chaves, 2003, p. 34).
Outra questão importante a ser considerada é a de que cada
grupo tem suas áreas de interesse e suas características
pessoais, assim, o que deu certo para um grupo pode ser
extremamente entediante para outro.
No mundo do trabalho, planejar abrange operações mentais
múltiplas, orientadas pelo espírito científico, dentre as
quais se destacam as de identificação, análise, comparação,
extrapolação, classificação, dedução, indução, avaliação,
síntese, previsão, dentre outras. (Lück, 2003, p. 67). Portanto,
quando os alunos participam de todas as etapas do projeto,
aumenta-se o comprometimento de todos e respeitam-se as
limitações e o ritmo do grupo, vivenciando-se um pouco da
realidade empresarial.
Na formação profissional, um projeto de trabalho em equipes
terá como resultado o desenvolvimento e aprimoramento de
inúmeras habilidades tais como: pessoal, social, técnica,
cultural e reflexiva, reproduzindo o ambiente de resolução
de problemas a ser encontrado no mercado de trabalho,
53
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
facilitando o entendimento das relações interpessoais,
inteligentes e produtivas.
Esse método de trabalho favorece novas relações na escola,
na sala de aula e do aluno com o conhecimento dos conteúdos
e de suas capacidades e potencialidades, gerando alto grau
de autoconsciência e de significatividade nos alunos com
respeito à própria aprendizagem (Hernández; Ventura, p. 2,
1996).
Essa proposta tem a finalidade de organizar os conteúdos a
fim de se solucionar os problemas inicialmente levantados,
cuja magia se encontra na possibilidade do trabalho
contextualizado pela aprendizagem.
O próximo passo diz respeito à problematização do tema, ao
levantamento das questões e dúvidas a respeito do tema, momento
em que o professor pode, inclusive, identificar a profundidade
do conhecimento que seus alunos têm do assunto.
Trabalhar com algumas questões norteadoras também facilita
a obtenção de um foco central do projeto, evitando que
se torne abrangente ou específico demais. Por meio desse
questionamento, é possível elaborar uma justificativa para o
projeto, estabelecendo os objetivos a serem atingidos.
A problematização, os objetivos e a justificativa constituem,
portanto, o ponto de partida para a pesquisa, sistematização,
produção e ressignificação dos conhecimentos em torno do
tema proposto. Nesta fase, o papel do professor torna-se o de
facilitador do processo de aprendizagem.
54
O docente nunca deverá oferecer as respostas certas, nem
tampouco corrigir as erradas, uma vez que seu dever é o de
incentivar o aluno a ter a própria opinião deixando-o decidirse por outra resposta, quando esta lhe parecer mais adequada.
As idéias erradas não podem ser eliminadas pelo docente,
mas sim devem ser modificadas pelos alunos, a fim de que
cheguem à resposta correta, discutindo o suficiente entre
eles e favorecidos pela intervenção maiêutica e inteligente
do docente (Pegorette; Souza; Chaves, p. 22, 2003).
COLEÇÃO
Todas as atividades relacionadas ao projeto devem ter: datas,
registros, descobertas, dúvidas e avanços, para que ao final
a turma possa ter um dossiê e elabore um relatório que
sistematize e compile os dados coletados e as conclusões a
que chegaram.
Esses dados devem ser divulgados, seja por cópias do relatório
elaborado ou de uma exposição para a escola, pais e/ou
comunidade, essa escolha depende muito da característica
do grupo e da criatividade do professor. Importante é que
esses resultados sejam divulgados para a valorização do
trabalho desenvolvido.
Um projeto, em sua real conotação, deve ser criado e gerido
pelo grupo em que foi pensado e será aplicado, ou seja, por
seus maiores interessados. Quando a proposta foge dessas
características, ou seja, quando é uma coisa pronta, ou
semipronta, que vem de fora do grupo, passa a ter viés de
atividade e não, de projeto.
Saliente-se a importância do trabalho com projetos na
educação profissional, pois, a história das organizações
tem evidenciado que somente a ação inteligente é capaz
de transformar problemas em soluções e que a falta dela
transforma soluções em problemas (2003, Lück 2003).
As empresas voltaram seus olhares para o capital humano,
gerando demanda por um novo tipo de profissional, fazendo
com que as escolas, tanto de formação para o trabalho, quanto
de ensino regular, necessitem mudar sua forma de educar e
procurem se adequar a essa nova tendência do mercado de
trabalho.
É notório que, hoje, a formação do trabalhador não deve ser
apenas regulada por tarefas relativas a postos de trabalho. O
mundo do trabalho exige cada vez mais um profissional que
domine não apenas um conteúdo técnico específico à sua
atividade, mas que, igualmente, detenha capacidade crítica,
autonomia para gerir o próprio trabalho, habilidade para atuar
em equipe e solucionar criativamente situações desafiadoras
em sua área profissional (SENAI, 2002, p. 07).
55
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Nesse contexto, um profissional focado apenas no saber fazer
já não proporciona as contribuições esperadas pelas empresas,
sendo também facilmente substituído por máquinas. Aí entra
o papel e a importância da escola na formação e educação
do ser humano: ela não pode em hipótese alguma estar
alienada e/ou desvinculada dos avanços tecnológicos e do
perfil de empregado desejado pelo mercado de trabalho,
que, segundo Lück (2003, p. 09), “exige de profissionais
em geral e de gestores em especial, tanto muita agilidade
e criatividade, quanto elevado espírito de organização e
planejamento inteligente aplicado a seu trabalho e a projetos
sob sua responsabilidade”.
A busca por uma educação capaz de desenvolver a
“trabalhabilidade” das pessoas, definida como “o conjunto
de competências e capacidades que são desenvolvidas
tornando o profissional apto para o desempenho de
atividades com ou sem vínculo empregatício” (Deffune
e Depresbiteris), é crescente, tendo a escola a obrigação
de corresponder a essas expectativas, desenvolvendo nos
indivíduos as aptidões desejadas pelo mercado de trabalho
e pela sociedade, não apenas assegurando os anos de
escolarização ou de formação profissional estritamente
necessários, mas formando cientistas, inovadores e quadros
técnicos de alto nível (Dellors, 2001, p. 71).
Na formação para o trabalho, um dos maiores desafios
encontrados consiste em articular os conteúdos de forma a
desenvolver no educando as competências necessárias para
seu ingresso ou permanência no mercado de trabalho de
forma prática e tecnicamente embasada, ou seja, traduzir
para o mundo da educação as competências profissionais
demandadas pelo mundo do trabalho.
3. Papel do professor na pedagogia de projetos
56
Na definição desse papel, tem-se que projetos não podem
ser aplicados de maneira generalizada e seguindo ímpeto
COLEÇÃO
inovador sem desvirtuá-los, porque requerem vontade de
mudança na maneira de fazer do professorado e de assumir
o risco que implica adotar uma inovação que traz consigo,
sobretudo, uma mudança de atitude profissional (Hernández,
Ventura, 1996, p. 10).
Portanto, fica clara a importância do professor, como
facilitador da aprendizagem nesse processo de transferência
de conhecimento. Segundo Perrenoud (2000), é ele quem
terá o papel de facilitar a transmissão dos conhecimentos
formais para o mundo real e é ele quem irá fazer com que o
aluno repasse o que aprendeu para o mundo do trabalho e
para a vida.
Para exercitar essa transferência, o ideal seria reconstituir,
durante a escolaridade, situações próximas daquelas do
mundo do trabalho, da vida fora da escola, quer seja das
crianças, adolescentes ou dos adultos em que se tornarão.
Essas situações não são mais reais que as situações escolares
clássicas, mas não são criadas e controladas pela escola, o
que faz toda a diferença (Perrenoud, 2000, p. 65).
3.1 Questões metodológicas
Na pedagogia de projetos, e não só nela, o professor
desempenha papel essencial: o de mediador entre o
conhecimento e o aluno. No entanto, essa mediação não
pode ser meramente reprodutivista ou autoritária, deve
estar cercada de atributos que garantam um processo de
aprendizagem agradável, assertivo e inovador. A inovação
intrínseca a esse processo, transmitida pela prática
pedagógica do professor em sala de aula, garante aos
alunos segurança e estímulo para se atingir os objetivos de
aprendizagem. Em vez de fugir das aulas, os alunos passam
a fugir da rotina, buscando conhecer e aprender de forma
instigante e nova.
Alguns passos, esclarecidos por meio de perguntas feitas pelo
professor a si mesmo, auxiliam-nos nessa busca do melhor
caminho para um ensino/aprendizagem profícuo e realmente
útil para os alunos.
57
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Primeiro passo: O que eu estou fazendo aqui? Quem sou eu
neste processo?
A partir do momento em que o docente assume quem
ele é dentro do contexto, torna-se eficaz ao posicionar-se
também como aprendiz e alguém passível de errar, mas
principalmente como alguém que sabe lidar com a enorme
gama de conhecimentos disponíveis para solucionar seus
problemas e realizar suas aspirações. Essa busca constante pelo
autoconhecimento e pelo crescimento como profissional e como
pessoa configura-se exemplar diante de seus orientandos.
Segundo passo: Quem são meus alunos?
Esta é a chave para o sucesso de um planejamento
educacional em qualquer local, a qualquer tempo.
Reconhecer a bagagem experiencial trazida pelos alunos,
seus conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidas
dentro e fora da escola, na interação constante com o mundo
e a sociedade, resulta de real importância. Essa avaliação
diagnóstica alicerça o trabalho docente, construindo um
ponto de partida seguro e eficiente em suas práticas de
ensino.
Terceiro passo: O que tenho de ensinar?
Conhecer o programa dos conhecimentos, habilidades e
atitudes a serem desenvolvidos nos alunos e ter a perspicácia
de identificar esse desafio e propor a inovação constitui-se
instrumento vital para a prática docente. Não é necessário
reinventar a roda para conseguir inovar, mas sim fazer com
que o aluno encontre sua maneira de fazê-la girar. No entanto,
planejar para isso é fundamental.
58
COLEÇÃO
Quarto passo: Quais são meus objetivos? Aonde quero
chegar com essas atividades?
Os planos de aula são importantíssimos para o professor
traçar seus objetivos e suas atividades para lograr
resultados em sessenta ou cento e vinte minutos de sua aula.
Sobretudo (se o objetivo consiste de apresentar aos alunos
um marisco) verificar no final da aula que eles sabem do
que se trata, inclusive, vislumbrando-o como fonte de renda
ou de alimento. Bastaria incluir nesse plano levar mariscos
para a sala de aula e ensinar os alunos a manuseá-los para,
interdisciplinarmente, ensinar a cozinhá-los, ou a criá-los.
Quinto passo: De que preciso para alcançar meu objetivo?
Desdobrar o objetivo geral em objetivos específicos mostra a
seqüência, o grau de importância de cada uma das etapas a
serem cumpridas para atingir os objetivos educacionais.
Por exemplo: Objetivo geral: Organizar o ambiente de
trabalho de acordo com as normas de segurança vigentes.
Objetivos específicos:
 Reconhecer o ambiente de trabalho, as máquinas,
equipamentos e ferramentas que o compõem.

Saber as normas de segurança vigentes e onde encontrálas.

Aplicar essas normas no ambiente de trabalho, de acordo
com a realidade da empresa.

Utilizar equipamentos de proteção
adequadamente e sempre que necessário.
individual
59
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Sexto Passo: Como atingir meus objetivos?
Neste passo, a criatividade deve atingir o ponto alto. Cabe ao
professor, agora mais do que em qualquer etapa do processo,
definir se isto será uma aventura do conhecimento para o
aluno ou apenas mais um capítulo do livro ou da apostila a
ser visto.
As normas de segurança no trabalho correlatas à sua
profissão podem ser ensinadas por meio de conteúdos, pura
e simplesmente com a leitura da apostila, ou por uma visita
técnica em uma empresa, que aplique essas normas em seus
ambientes de trabalho e utilizem EPIs.
Como tarefa de casa, os alunos serão orientados a pesquisar, em
qualquer meio de informação, sobre a definição e utilidades
dessas normas. Na data marcada, abre-se uma mesa redonda,
os alunos expõem seus resultados, construindo uma teia
de conhecimentos e fontes de informações. Elabora-se em
conjunto, sob a orientação do docente, uma lista dos tópicos
mais importantes e faz-se um registro para consultas futuras.
Na seqüência, o professor pode distribuir as NRs referentes
à área de formação dos alunos para que eles analisem e em
grupos dêem sugestões de aplicabilidade prática. Depois,
pode ser organizada uma visita técnica a uma empresa,
quando os alunos tomarão notas das ações aplicadas pela
empresa, ou não aplicadas, em prol da segurança dos
funcionários e do atendimento às NRs.
Depois disso, para finalizar, cada equipe deve apontar os
pontos positivos vistos na empresa, fazendo correlação com
a parte da norma referente, e os pontos negativos, apontando
as soluções mais adequadas para o atendimento à norma.
Pode-se, ainda, socializar as informações e analisar a
viabilidade das soluções apontadas no grande grupo e como
a montagem da metodologia utilizada auxiliou para alcançar
o objetivo geral e os específicos rendendo bons resultados.
60
COLEÇÃO
Sétimo Passo: Do que eu preciso para tornar estas idéias
realidade?
É possível listar item por item do que é necessário planejar,
prover, comprar, a fim de que essa metodologia possa ser
aplicada, desde um pincel necessário para escrever um
cartaz até o custo de transporte dos alunos para a visita
técnica. Em planejamentos escolares, freqüentemente,
denomina-se esta etapa de recursos necessários, recursos
físicos, materiais e humanos, ou apenas recursos. Com a
previsibilidade das ações e dos recursos, torna-se possível
rever os planos iniciais ou colocá-los em prática com mais
segurança e propriedade.
Caso a escola não disponha desses meios, haverá tempo
de buscá-los com parceiros, solicitar compra por parte dos
alunos, improvisar ou até mesmo mudar um pouco a rota,
além de verificar outras questões, como disponibilidade de
uma empresa em recebê-los e assim por diante.
Oitavo passo: De quanto tempo necessito?
Normalmente, o planejamento deve ser feito no mínimo
com duas semanas de antecedência, considerando-se o
detalhamento exigido para que seja bem preparado com
vistas à sua execução.
Deve-se prever também que, a cada semana, o professor
passa executar um novo projeto, logo após o término do
outro, e assim, de forma planejada, evitar sobreposições. Isto
também, porque o tempo de execução deve estar de acordo
com a complexidade do assunto e com o ritmo da turma.
O ideal é alternar planejamentos, conforme a exigência de
mais recursos, ou menos, sem atropelar a construção do
conhecimento e sem deixar tudo para a última hora.
61
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Nono passo: Como identificar se os alunos aprenderam?
Não apenas interessante, mas necessária, é uma avaliação
diagnóstica inicial dos alunos, por meio de conversa com a
turma, um exercício, uma dinâmica, um pequeno trabalho.
Com isso, o professor identifica os alunos com maior ou
menor conhecimento do tema, maior ou menor dificuldade
de expressão, de síntese ou de interesse.
Assim, pode acompanhá-los passo a passo, observando seus
avanços, seus insights e suas atitudes, avaliando-os no cotidiano
e, ao final do período ou da atividade, avaliar para revisão e
fixação dos pontos mais importantes da etapa cumprida.
Essa avaliação final servirá de parâmetro comparativo com o
diagnóstico feito no início do processo e estará enriquecida
com todas as análises realizadas no decorrer das atividades,
contemplando os vários momentos da aprendizagem e sua
evolução.
Décimo passo: O que devo registrar e como?
O registro é ferramenta vital para o processo educacional
por permitir a realização segura do planejado e, ainda, uma
avaliação completa de tudo o que foi desenvolvido até o
final da atividade, servindo como aprendizado e como fonte
de pesquisa, de reconstrução, de acompanhamento e de
socialização.
Os planos de aula, por conterem assunto, carga horária,
objetivos geral e específicos, metodologia, recursos
necessários e avaliação, revelam-se excelente forma de
registro, além de orientação para as ações docentes.
62
COLEÇÃO
Um relato elaborado pelo professor, avaliando erros e acertos
nas etapas desenvolvidas, serve de histórico e possibilita
socialização e reedição mais assertiva da atividade,
compartilhando não só a idéia, mas também a crítica da
realidade encontrada na execução.
4. Papel do aluno na pedagogia de projetos
Quando se realiza um projeto de forma sistematizada,
buscando também a inovação, fica bastante viável
proporcionar ao aluno atividades demonstrativas de que ele
pode construir o caminho do autoconhecimento e alcançar,
pela experiência escolar, seu crescimento rumo ao trabalho
e à auto-sobrevivência.
Por onde começar?
Deve-se focalizar esse desafio, refletindo sobre os aspectos
circundantes e basicamente sobre os conhecimentos
necessários, anotando em forma de tópicos informações
primárias sobre locais, pessoas, dados e abordagens a serem
investigadas. Enfrentar situações inusitadas exige postura
criativa e inovadora, decisão de fazer o que precisa ser feito
e fazer bem.
O que e como?
Não há como fugir, qualquer projeto escolar ou de vida passa
pela revisão de conhecimentos e isso implica leitura, muita
leitura, isso é de fundamental valor para adquirir informações,
conhecimentos que formam a base para a resolução de
problemas, para as descobertas, para a inovação, para a vida.
63
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
Deve-se, portanto, saber ler, o que equivale a selecionar
a literatura de interesse, verificando desde a data da
publicação, autor, pertinência dos temas mais simples aos
mais complexos para embasar cientificamente o trabalho.
É necessário aplicar todo o espírito crítico na seleção das
referências bibliográficas, para, literalmente, separar o trigo
do joio, e os professores são fonte segura para tanto, indicando
os melhores autores, livros, jornais, revistas e periódicos.
Trabalhar de forma científica é pesquisar em fontes seguras,
assertivas e fidedignas, elaborando e criando, sem fazer mera
cópia de trabalhos pela internet.
Há requisitos básicos para uma leitura profícua e útil:
ambiente calmo e silencioso; boa iluminação; de preferência,
ler sentado; ter à mão papel e caneta, para anotações;
manter-se focado na idéia mestra do trabalho; sublinhar
nos textos o que realmente importa; fazer esquemas de cada
leitura realizada; anotar páginas interessantes por livro ou
por assunto e assim por diante.
O que fazer com tudo isso?
Antes de qualquer coisa, lembrar-se da regra básica: escrever
para que outras pessoas leiam e entendam as idéias e
pensamentos expostos e isso pressupõe clareza, objetividade
e síntese, para que a leitura se torne agradável e proveitosa.
Depois, basta começar a escrever, de forma dissertativa,
relatando as descobertas, as reflexões, as conclusões.
Lembrar-se sempre de que toda transcrição fiel, ou
adaptada, de textos publicados deve obedecer aos preceitos
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
citando-se sempre a fonte.
64
COLEÇÃO
5. Elaboração de projetos na Educação Profissional
O ambiente escolar é muito fértil para criação e estruturação
de projetos, uma vez que nele toda sorte de experiências
são iniciadas, sistematizando pesquisas, planejamentos,
conhecimentos e vivências.
A introdução nesse mundo de projetos tem base em pesquisas
bibliográficas. Depois, aos poucos, são realizadas algumas
pesquisas de campo para se aprofundar na arte de criar
projetos com mais autonomia e mais complexidades.
Contudo, mesmo os projetos de pesquisa mais simples
exigem estruturação e organização minuciosa e prática,
ao mesmo tempo, ou seja, de modo que abranja todos os
aspectos, porém, de forma clara e objetiva.
Para que o trabalho siga essas orientações, cada passo deve
ser elaborado com base em alguns elementos fundamentais,
que serão apresentados a seguir.
5.1 Normas para elaboração de projetos
No Brasil, atualmente, o órgão que centraliza as normatizações
técnicas, a fim de padronizar a formatação de documentos,
criação de produtos, execução de serviços é a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Por esse motivo, as instituições de ensino, cada vez mais
cedo, têm solicitado a entrega de trabalhos e pesquisas de
acordo com essas normas, que são observadas não só no
meio acadêmico, mas também em relatórios e documentos
empresariais. Como essas normas são alteradas com
determinada freqüência, é importante estar atento e ter fonte
confiável de consulta.
65
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
5.2 Elementos básicos de um projeto
Ao se elaborar um projeto, seja de pesquisa ou de planejamento
de produtos, deve-se ter em mente que a versão escrita e seus
componentes não pertencerão exclusivamente a seu autor,
pois, com certeza, o conhecimento e a organização elaboradas
serão lidas por interessados no assunto abordado.
Assim, a primeira regra básica para a elaboração de um projeto
é apresentar clareza na escrita e na montagem das etapas
para facilitar o entendimento do leitor e dos executores, na
busca por informações e no registro dos progressos. Outras
explanações já foram feitas na parte 1 deste volume, no
momento, propõe-se a seguinte esquematização.
PROJETO
OBJETIVO GERAL
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
JUSTIFICATIVA
DESTINO/FINALIDADE/PÚBLICO-ALVO
aspectos qualitativos
e quantitativos
METODOLOGIA/PROCEDIMENTO/
DESCRIÇÃO DE TAREFAS
66
COLEÇÃO
FASES / ETAPAS
Prévia, preparatória, implementação,
conclusiva
CRONOGRAMA
RECURSOS
humanos, materiais, físicos e
financeiros)
AVALIAÇÃO
modelos, normas, leis, formulários, etc.
Após uma esquematização prévia, o projeto deverá ser
formalizado na seguinte estrutura, conforme determinações
da ABNT.
a. Título
b. Justificativa
c. Objetivos
d. Desenvolvimento/funcionamento
e. Inovação (vide Parte I, item 3)
 classificação por tipo de inovação: produtos ou
processos inovadores;

descrição da inovação principal: breve descrição
sobre a inovação do produto ou processo, ou do
produto ou processo modificado, ou a combinação
de quaisquer das inovações. Esta fase deve ser
subsidiada com informações sobre propriedade
intelectual (vide Parte III).
67
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
f. Esquemas e desenhos
g. Aplicabilidade na indústria, ou na comunidade
h. Tempo estimado de execução/ Apresentação do
funcionamento
i. Especificações do material
j. Recursos humanos e financeiros
k. Bibliografia
6. Construção do conhecimento mediante
situações-problema
As situações-problema revelam-se excelentes formas
de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes
indispensáveis para a formação profissional dos alunos,
pois cria a condição ideal para que todo o conhecimento
adquirido seja colocado em prática, com atitude, iniciativa
e proatividade.
Na educação profissional, as situações-problema devem
reproduzir ou representar a realidade em que o aluno está
inserido, para:
 refletir uma situação real que acontece ou pode acontecer
em uma organização;
68

prever os tipos de conhecimentos, habilidades e atitudes
da situação real a serem requeridos do aluno, como input
ao processo;

serem relacionadas à área de formação;

considerar o nível de aprendizado técnico em que a turma
se encontra e suas experiências anteriores;

ajustar a linguagem à realidade da turma e gerando
empatia, para que os alunos realmente vivenciem a
situação;
serem apresentadas de forma simples, clara, sucinta e
precisa.
COLEÇÃO

Devem ser considerados os seguintes aspectos dos
componentes do projeto:
a. quantidade de alunos, total e por sexo;
b. faixa etária;
d. quantidade dos que trabalham;
e. tipos de empresa em que trabalham;
f. desempenho da turma, no dia-a-dia;
g. assuntos preferidos;
h. recursos disponíveis e possíveis de utilização;
i. tempo disponível para trabalhar com o projeto;
j. importância do projeto para a formação dos alunos;
k. pontos de maior relevância do projeto;
l. subsídio prestado pelas inteligências múltiplas;
m. auxílio da metodologia de gestão por projetos na
prática docente;
n. conhecimentos sobre inovação e patentes para
identificar a situação-problema;
o. ponto relevante no aprendizado dos alunos ao final da
atividade proposta.
Com base nesses quesitos, deve-se encontrar o ponto
necessário para contextualizar a situação-problema, tendo
como intuito:
 criar situação motivadora para a aprendizagem e
relacionar teoria com prática, mostrando a relação
dos saberes contidos no desafio com a vida (pessoal,
profissional e social), o motivo de serem importantes e as
formas de aplicá-los em uma situação real. Para isso, é
69
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
preciso vincular conhecimentos, habilidades e atitudes
a serem desenvolvidos aos lugares e momentos em que
serão aplicados (SENAI, Coordenadoria de Qualificação
Profissional/ COQUAP, 2005, p. 02).
Essa contextualização deve vir seguida do terceiro passo, o
questionamento base da situação-problema, a qual deverá
representar uma situação, uma organização, que exija análise
e busca de variáveis de solução.
Deve-se lançar a situação-problema como algo instigante
para a busca de novos conhecimentos que auxiliem na
resolução da problemática apresentada. Esse desafio deve
levar à elaboração de um produto, processo, bem ou serviço.
Para tanto, deverão ser observados os 3C:
 Condição: meios disponibilizados para o educando
resolver a situação-problema.

Comportamento: ação a ser observada com a resolução
da situação-problema.

Critério: padrão de desempenho esperado, ou indicadores
utilizados, para aferir o alcance da competência (SENAI/
DN).
O trabalho com situações-problema exige a observância de
alguns critérios (SENAI/DN) próprios para cada fase, quais
sejam:
Na proposição do problema:
1. Propor tarefas abertas com vários caminhos e alternativas
possíveis de resolução, preterindo as tarefas fechadas.
2. Modificar o formato ou a definição dos problemas, evitando
que o aluno identifique uma forma de apresentação com um
tipo de problema.
70
COLEÇÃO
3. Diversificar os contextos e respectivas estratégias,
propiciando ao aluno trabalhar os mesmos problemas em
diferentes momentos do currículo mediante conteúdos
conceituais diferentes.
4. Propor tarefas com formato acadêmico, mas também
relativas a cenários cotidianos e significativos para o aluno,
para que ele estabeleça conexões entre ambas as situações.
5. Adequar, à definição do problema, perguntas e informação
proporcionada aos objetivos da tarefa, aplicando em relação
a eles, em diferentes momentos, formatos mais ou menos
abertos.
6. Utilizar diversidade de problemas durante o
desenvolvimento ou seqüência didática de um tema,
evitando que as tarefas práticas simplesmente pareçam
ilustração, demonstração ou exemplificação de alguns
conteúdos previamente apresentados ao aluno.
Durante a solução do problema
1. Habituar o aluno a adotar as próprias propostas sobre
o processo de resolução, assim como a refletir sobre essa
análise, oferecendo-lhe crescente autonomia na tomada de
decisões.
2. Fomentar a cooperação na realização das tarefas pelos
alunos, mas também incentivar a discussão e os pontos
de vista diversos, para explorar o espaço do problema
a fim de comparar as soluções ou caminhos de resolução
alternativos.
3. Proporcionar aos alunos informações necessárias durante
o processo de resolução, realizando um trabalho de apoio,
dirigido mais a fazer perguntas e a fomentar neles o hábito
de perguntar a si mesmos do que meramente dar respostas às
perguntas dos alunos.
71
Simone Luzia Maluf Zanon | Thaise Nardelli
7. Estruturação do projeto sobre situação-problema
Após a proposta da situação-problema, inicia-se o trabalho
referente à elaboração do projeto específico, seguindo estes
passos.
 Análise da situação-problema proposta:
a. Elencar os aspectos relevantes;
b. Analisar o contexto no qual está inserido o problema.

Hipóteses de caminhos para solução:
a. Fundamentação técnica/teórica.
b. Parecer técnico de viabilidade das hipóteses
levantadas.
c. Resultado escolhido.
d. Etapas de planejamento e implantação da solução.
e. Construção da solução ou da dinâmica do produto e/ou
simulação do serviço.
f. Implantação ou encaminhamento da solução para a
empresa.

Avaliação do problema:
1. Considerar mais os processos de resolução seguidos pelo
aluno do que a correção final da resposta obtida. Ou seja,
avaliar mais do que corrigir.
2. Valorizar especialmente o grau de requisição de
planejamento prévio para esse processo de resolução,
mediante ponderação e auto-avaliação do aluno, durante as
tarefas realizadas.
72

COLEÇÃO
3. Valorizar a reflexão e a profundidade das soluções
alcançadas pelos alunos e não a rapidez com que são
obtidas.
Proposta de condução de trabalho com situaçãoproblema:
a. eleger um tema para estudo, um objeto ou um processo
de uma área de conhecimento correlata ao curso, decisão
tomada em conjunto por professor e alunos.
b. elencar possíveis pontos de vista sobre o tema gerador
eleito, tais como curiosidades, formas de elaboração/
fabricação e outros tópicos.
c. gerar uma equipe para cada tópico, responsável por
pesquisar, analisar e formular meios interessantes de
ensinar aos demais o conteúdo do tópico.
d. preparar um seminário, a fim de que cada equipe
socialize suas descobertas e planos, após acompanhar
cada etapa das pesquisas e da elaboração das oficinas/
demonstrações de cada tópico, quando as pesquisas já
estiverem bem avançadas.
Nesse momento, as equipes poderão se fundir, ou não,
dependendo das pesquisas e do direcionamento tomado
por pesquisa de tópicos. A partir de então, o professor
deve estimular os alunos a refletirem sobre as inovações
pesquisadas, a importância delas e as sugestões a serem
feitas para produto/processo/serviço almejado.
Contando sempre com a mediação do professor, essa inovação
será gerada e gestada pelos alunos e seus resultados poderão
ser expostos para a comunidade em geral, por intermédio de
exposição, feira de projetos, entre outros meios de divulgação.
73
74
COLEÇÃO
PARTE III
PROPRIEDADE INTELECTUAL,
INFoRMAÇÃO TECNOLÓGICA E
TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIAS
Heloisa Cortiani de Oliveira
A propriedade intelectual compreende o conjunto de
direitos resultantes da atividade intelectual nos âmbitos do
conhecimento, tais como: industrial, científico e artístico. É
um instituto jurídico dirigido ao bem comum, pois, ao mesmo
tempo em que resguarda os direitos do criador, torna público
o invento ou a obra, contribuindo para o desenvolvimento
tecnológico, científico e cultural de toda a sociedade.
Pode-se dividi-la em dois campos de proteção:
 Propriedade Industrial: refere-se às patentes de invenção,
aos modelos de utilidade, aos desenhos industriais,
às marcas, às indicações geográficas e à repressão à
concorrência desleal.
75
Heloisa Cortiani de Oliveira

Direitos Autorais: relacionam-se às criações expressas por
qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível
ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro (art.
7.º da Lei 9.610/98, Lei de Direitos Autorais). Abrange
as obras literárias e artísticas, incluindo os programas de
computador.
Quando se deseja obter a propriedade intelectual de uma
criação, é necessário buscar o órgão competente. No caso
dos direitos de propriedade industrial, assim como os
programas de computador, esse órgão é o Instituto Nacional
de Propriedade Industrial (INPI). As obras literárias devem
ser registradas na Biblioteca Nacional, mas algumas criações
intelectuais não são protegidas pelas formas tradicionais, a
exemplo das topografias de circuitos integrados, pois seguem
o previsto pela Lei 11.484 de 31 de maio de 2007 e das
cultivares, pela Lei de Proteção de Cultivares, Lei 9.456 de
25 de abril de 1997. Estas, inclusive, devem ser registradas
no Ministério da Agricultura e Abastecimento, por meio do
Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC).
O esquema abaixo auxilia nessa explicitação.
Patente
Desenho Industrial
Propriedade
Industrial
Marca
Cultivares
Propriedade
Intelectual
Topografias de circuitos integrados
Direito
Autoral
76
Programa de computador
Obras literárias, audiovisuais,
musicais e estéticas
COLEÇÃO
1. Sistema Brasileiro de Propriedade Industrial
A propriedade industrial vem assumindo papel fundamental
no cenário econômico atual, tendo em vista os elevados
padrões de competitividade do mercado. Obter a propriedade
industrial de um produto ou processo representa um
diferencial competitivo, tanto para a empresa, como para
o inventor independente, ou pertencente a uma instituição
de pesquisa e/ou ensino, que deseje transferir seus direitos
de comercialização. O titular de direitos de propriedade
industrial pode impedir que terceiros reproduzam, usem,
coloquem à venda ou importem o produto ou processo
protegido.
Muitas vezes, a pesquisa e o desenvolvimento para
elaboração de novos produtos e processos requerem grandes
investimentos. Logo, proteger esse produto por meio de
uma patente, por exemplo, significa prevenir-se de que
competidores copiem e vendam esse produto a um preço
mais baixo, uma vez que eles não foram onerados com os
custos da pesquisa e desenvolvimento do produto3. Ou
ainda, impedir que os falsificadores fabriquem produtos com
as mesmas características, utilidades e, principalmente, a
marca original, mas com materiais de pouca qualidade, que
podem causar danos ao consumidor e prejudicar a imagem
do produto.
O titular pode, ainda, optar por ceder ou licenciar o direito de
exploração de sua invenção e lucrar com os royalties obtidos
em Contratos de Transferência de Tecnologia.
Dessa forma, constata-se a importância do Sistema de
Propriedade Industrial, cuja principal função é permitir o
avanço tecnológico da sociedade, sendo justo com aquele
que propiciou esse desenvolvimento, contribuindo para o
crescimento econômico do país.
3
Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Industrial, disponível em <http://www.inpi.gov.br>. Acesso em junho 2006.
77
Heloisa Cortiani de Oliveira
O Sistema Brasileiro de Propriedade Industrial, disciplinado
pela Lei 9.279/96, Lei de Propriedade Industrial (LPI),
contempla, em seu artigo 2.º, para as criações no campo
industrial, as seguintes formas de proteção:
I. concessão de patentes de invenção e de modelo de
utilidade;
II. concessão de registro de desenho industrial;
III. concessão de registro de marca;
IV. repressão às falsas indicações geográficas;
V. repressão à concorrência desleal.
Em 1970, foi criado o Instituto Nacional da Propriedade
Industrial (INPI), autarquia federal, cuja finalidade principal
é executar, no âmbito nacional, as normas que regulam a
propriedade industrial, tendo em vista a sua função social,
econômica, jurídica e técnica. É responsável pela concessão
de patentes e de registro de marcas, averbação dos contratos
de transferência de tecnologia e, posteriormente, pelo
registro de programas de computador, contratos de franquia
empresarial, registro de desenho industrial e de indicações
geográficas4.
A patente é privilégio legal outorgado pelo Estado aos
inventores ou autores, ou outras pessoas físicas ou jurídicas
detentoras de direitos sobre a criação, conferindo-lhes a
exclusividade de exploração do objeto de uma invenção
patenteada. Esse privilégio é concedido por determinado
período, em contrapartida pelo acesso do público ao
conhecimento detalhado de todo o conteúdo técnico da
matéria protegida pela patente. Findo o prazo do privilégio
concedido, a invenção patenteada cai em domínio público.
78
4
Op cit.
COLEÇÃO
Há dois tipos de patente:
1. De invenção (com vigência de 20 anos): considerada uma
concepção resultante da capacidade de criação do homem,
que represente uma solução para um problema técnico
específico, dentro de um determinado campo tecnológico,
que possa ser fabricada ou utilizada industrialmente.
Exemplo: aparelho capaz de emitir e reproduzir sons através
de um cabo elétrico, ou telefone.
2. Modelo de utilidade (com vigência de 15 anos): constituise de nova forma ou disposição introduzida em objeto de uso
prático, ou em parte dele, suscetível de aplicação industrial
e que caracteriza ato inventivo, resultando em melhoria
funcional no seu uso ou em sua fabricação. Exemplo: a
mudança de forma e estrutura de um aparelho telefônico
inicialmente utilizado, em que a modificação consistiu em
integrar o transmissor e o receptor numa só peça, visando
seu uso prático.
Há também o certificado de adição, requerido pelo
depositante ou titular de patente de invenção para proteger
o aperfeiçoamento ou desenvolvimento introduzido no objeto
da invenção. Deve fazer parte do mesmo conceito inventivo
do pedido original, não sendo necessário conter atividade
inventiva. Sua vigência acompanha a da patente-mãe (art.
76, LPI).
Segundo o art.10 da Lei 9.279/06, Lei de Propriedade
Industrial (LPI), não são consideradas invenções nem
modelos de utilidade: as descobertas, teorias científicas e
métodos matemáticos; as concepções puramente abstratas;
os esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais,
contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e
de fiscalização; as obras literárias, arquitetônicas, artísticas
e científicas ou qualquer criação estética; os programas de
computador em si; a apresentação de informações; regras
de jogo; técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem
como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação
no corpo humano ou animal; o todo ou parte de seres vivos
79
Heloisa Cortiani de Oliveira
naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou
ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de
qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais.
As invenções, para serem protegidas por patentes, devem
atender aos seguintes requisitos: novidade; utilização ou
aplicação industrial; suficiência descritiva. Além desses
requisitos, as invenções devem apresentar atividade inventiva
e os modelos de utilidade, ato inventivo e melhoria funcional.
De acordo com a Lei de Propriedade Industrial (LPI),
destacam-se os conceitos a seguir:

Novidade: a invenção e o modelo de utilidade são
considerados novos quando não compreendidos no estado
da técnica. Este é constituído por tudo aquilo tornado
acessível ao público antes da data de depósito do pedido de
patente, por descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer
outro meio, no Brasil ou no exterior (art. 11).

Atividade Inventiva: a invenção é dotada de atividade
inventiva sempre que, para um técnico no assunto, não
decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da
técnica (art.13).

Ato inventivo: o modelo de utilidade é dotado de ato
inventivo sempre que, para um técnico no assunto,
não decorra de maneira comum ou vulgar do estado da
técnica (art.14).

Aplicação Industrial: a invenção e o modelo de utilidade
são considerados suscetíveis de aplicação industrial,
quando podem ser utilizados ou produzidos em qualquer
tipo de indústria (art. 15).
O requisito da suficiência descritiva diz respeito à redação
do pedido de patente em que a criação deve ser descrita de
forma perfeitamente clara e completa de modo a permitir sua
reprodução por um técnico no assunto (art. 24, LPI).
80
Pedido de
Depósito de
Patente de
Modelo de
Utilidade
•Novidade
•Atividade Inventiva
•Aplicação Industrial
•Novidade
•Ato Inventivo
•Aplicação Industrial
COLEÇÃO
Pedido de
Depósito de
Patente de
Invenção
Suficiência Descritiva
Depósito no INPI
A patente será concedida dentro do período de cinco a
oito anos, após a data do pedido, mas a criação já estará
protegida desde a data do depósito no INPI. Isso quer dizer,
por exemplo, que, se terceiro comercializar um produto sem
a autorização do depositante ou titular da patente, este terá
direito à indenização.
2. Registro de Desenho Industrial
O desenho industrial é a forma plástica ornamental de um
objeto ou do conjunto ornamental de linhas e cores que possa
ser aplicada a um produto, proporcionando resultado visual
novo e original na sua configuração externa e que possa
servir de tipo de fabricação industrial (art. 95, LPI). Além da
novidade e da aplicação industrial, é necessário o requisito da
originalidade para o registro, que exige resultar do desenho
81
Heloisa Cortiani de Oliveira
industrial uma configuração visual distintiva em relação a
outros objetos anteriores (art. 97, LPI). A vigência do registro
de desenho industrial é de 10(dez) anos prorrogáveis por três
períodos sucessivos de 5(cinco) anos cada.
3. Proteção da Marca
Segundo a LPI, marca é todo sinal distintivo, visualmente
perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços
de outros análogos, de procedência diversa, bem como
certifica a conformidade desses com determinadas normas
ou especificações técnicas5.
Quanto à natureza, as marcas podem ser (art. 123, LPI):
 De produto ou serviço: usadas para distinguir produto
ou serviço de outro igual, semelhante ou afim, de origem
diversa.

De certificação: usada para atestar a conformidade de
um produto ou serviço com determinadas normas ou
especificações técnicas.

Coletiva: usada para identificar produtos ou serviços
provenientes de entidades filiadas a uma mesma
coletividade.
O depósito do pedido de registro deve ser feito com base no
preenchimento de formulário de requerimento do INPI,
acompanhado dos documentos necessários para cada caso. O
registro será expedido em aproximadamente um ano e meio,
após o pedido, mas a marca já estará protegida, desde o depósito,
contra eventual utilização por terceiros não autorizados.
82
A concessão do registro será publicada na Revista de
Propriedade Industrial e, a partir desse momento, após o
pagamento das retribuições necessárias, vigorará por 10
anos, podendo ser concedida renovação por iguais períodos
sucessivos.
5
Fonte: Instituto Nacional de Propriedade Industrial, disponível em <http://www.inpi.gov.br>. Acesso em junho 2006.
COLEÇÃO
O registro da marca assegura, ao seu titular, uso exclusivo
em todo o território nacional, podendo referido titular ceder
seu registro ou pedido e licenciar seu uso.
4. Indicação Geográfica
A indicação geográfica visa estabelecer uma ligação entre o
produto ou serviço e o seu local de origem, conferindo a eles
uma identidade que os distingue de outros disponíveis no
mercado. Essa indicação geográfica só poderá ser utilizada
pelos membros da localidade em referência, que produzem
ou prestam serviço de maneira homogênea.
5. Repressão à concorrência desleal
O INPI, assim como outros órgãos do governo (CADE,
Ministério da Justiça, por meio do Conselho Nacional
de Combate à Pirataria), tem buscado reprimir os atos de
concorrência contrários aos usos éticos e honrados em
matéria de indústria e de comércio. O objetivo é reprimir
os competidores que se utilizam de artifícios para captar
a clientela de outras empresas, induzindo o público ao
erro, quanto às características de um produto e/ou meio
de produção, prejudicando as indústrias nacionais e os
consumidores.
O Conselho Nacional de Combate à Pirataria, por exemplo,
realiza esse trabalho adotando as seguintes medidas:
 Educativas: conscientização dos consumidores, quanto
aos prejuízos causados pelos produtos falsificados.

Repressivas: maior condenação das fraudes.

Econômicas: estudos sobre alternativas para diminuir
a diferença de preços entre os produtos originais e os
falsificados.
83
Heloisa Cortiani de Oliveira
6. Programas de Computador (software)
A Lei 9.609/98 (Lei de Programa de Computador) define
programa de computador como:
“...a expressão de um conjunto organizado de instruções em
linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico
de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas
automáticas de tratamento da informação, dispositivos,
instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica
digital ou análoga, para fazê-los funcionar de modo e para fins
determinados” (art. 1.º).
O programa de computador tem natureza jurídica de Direito
Autoral, como já mencionado, mas a competência para o
registro é do INPI, de acordo com o Decreto n.º 2.556, de 1998.
é uma forma de assegurar, ao autor, direitos de exclusividade
na produção, uso e comercialização da criação.
Destacam-se, ainda, outras duas características adicionais do
registro de programa de computador ou software: a proteção
goza de abrangência internacional e o título do programa é
protegido concomitantemente com o programa em si.
A validade dos direitos, para quem desenvolve um programa
de computador e comprova a sua autoria, é de 50 (cinqüenta)
anos, contados de 1.º de janeiro do ano subseqüente ao da
sua data de criação, que é aquela em que o programa se torna
capaz de executar a função para a qual foi projetado.
84
COLEÇÃO
7. Informação tecnológica
Informação tecnológica é todo tipo de conhecimento sobre
tecnologias de fabricação, de projeto e de gestão que
favoreça a melhoria contínua da qualidade e a inovação no
setor produtivo6.
Com a globalização e a disseminação de conhecimentos pela
internet, possuir e acessar informação tecnológica tornou-se
necessidade estratégica para obter vantagem competitiva e
permanecer no mercado.
A informação tecnológica é revelada por meio do Sistema de
Patentes e por artigos científicos. Ocorre que, a divulgação da
invenção por meio de artigos científicos, feiras e congressos
impedem a concessão da patente, a menos que esteja dentro
do período de graça (12 meses anteriores ao depósito) e,
por isso, muitos a mantêm em sigilo, pois há países que não
reconhecem esse período.
O Sistema de Patentes contém milhões de documentos de
patentes concedidas e depositadas, abrangendo todos os
campos tecnológicos. Grande parte da tecnologia gerada tem
divulgação exclusiva por documentos de patentes.
Dessa forma, a busca de informação tecnológica é um
instrumento que deve ser utilizado, não só no momento do
depósito da patente, mas também para identificar o estágio
da evolução tecnológica, suas tendências e mercados
potenciais. Além disso, contribui também para monitorar
a concorrência, constituindo importante instrumento de
marketing e de reserva de mercado.
6
Fonte: Glossário Geral de Ciência da Inovação. Brasília, CID/UNB, 2004.
85
Heloisa Cortiani de Oliveira
O acesso à informação tecnológica possibilita a “imitação
criativa”, termo usado pelo professor Roberto Nicolsky,
baseado na obra de Linsu Kim (Da Imitação à Inovação,
Editora Unicamp, 2005). Nessa obra, Linsu Kim fala sobre a
rápida industrialização na Coréia ocorrida graças à imitação
e explica que tal processo não implica necessariamente a
falsificação ou clonagem de mercadorias importadas.
As imitações criativas visam à geração de cópias de
produtos, mas com novas características de desempenho.
Explicita ainda que a cópia pode ser atividade legal, não
abrangendo, nem a violação de patentes, nem a pirataria.
São produtos parecidos com os produtos originais não
protegidos por propriedade intelectual, ou que já estejam em
domínio público, e que são comercializados com as próprias
marcas, a preços bem mais baixos. Assim, muitos esforços
e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento podem ser
poupados.
Não se pode esquecer, no entanto, que as bases de dados
observam a limitação do período em que os documentos
ficam em sigilo, ou seja, a base de dados só recuperará os
documentos que já tenham sido publicados.
Há diversos tipos de bases de dados para realização de
buscas de informação tecnológica: arquivos dos bancos de
patentes dos escritórios nacionais e internacionais, contendo
documentos em papel ou digitalizados (CD-ROM e DVD) e
as bases eletrônicas gratuitas e comerciais (pagas).
As bases eletrônicas gratuitas são ferramentas rápidas e
práticas, de acesso a documentos de patentes do mundo
inteiro. As mais utilizadas são:
 Base de Patentes do INPI, para documentos nacionais
(www.inpi.gov.br).
86

Base do Escritório Europeu de Patentes, para documentos
do mundo inteiro (http://ep.espacenet.com).

Base do Escritório Americano de Marcas e Patentes
(http://www.uspto.gov/patft/index.htm).
COLEÇÃO
8. Transferência de Tecnologia
A aquisição de tecnologia pelas empresas tornou-se fator
determinante para o aumento da competitividade e do valor
da empresa no mercado. A tecnologia pode ser produzida
pela própria empresa ou adquirida de terceiros. Para se ter
uma idéia clara do que significa, é importante primeiramente
definir o termo tecnologia: um conjunto de conhecimentos
organizados aptos a serem empregados na produção e
comercialização de bens e serviços.
A transferência de tecnologia, portanto, caracteriza a forma
pela qual esse conjunto de conhecimentos, técnicas e
processos é passada de uma organização para outra, por uma
transação de caráter econômico, que visa proporcionar a quem
recebe o aumento do valor agregado de seus produtos e/ou
serviços e, conseqüentemente, o incremento da participação
da empresa no mercado.
Ao mesmo tempo, a transferência de tecnologia pode
proporcionar benefícios também para quem a concede, que
pode receber royalties oriundos da exploração da tecnologia
concedida e utilizar o aperfeiçoamento da tecnologia operada
pelo adquirente.
A comercialização desses bens intangíveis é
instrumentalizada por meio de um contrato de
transferência de tecnologia, cuja averbação no INPI
é importante para obter os seguintes efeitos: legitimar
pagamentos para o exterior; permitir, quando for o caso,
a dedutibilidade fiscal para a empresa cessionária dos
pagamentos contratuais efetuados; gerar efeitos perante
terceiros.
São averbáveis no INPI, os seguintes contratos:
 Exploração de Patentes: objetivam o licenciamento de
patente concedida, ou pedido de patente depositado no
INPI.
87
Heloisa Cortiani de Oliveira

Uso de Marcas: objetivam o licenciamento de uso de
marca registrada, ou pedidos de registros depositados no
INPI.

Fornecimento de Tecnologia: objetivam a aquisição de
conhecimentos e de técnicas não amparados por direitos
de propriedade industrial, destinados à produção de bens
industriais e serviços. Ex: segredo industrial.

Prestação de Serviços de Assistência Técnica e
Científica: estipulam as condições de obtenção de
técnicas, métodos de planejamento e programação, bem
como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução
ou prestação de serviços especializados.

Franquia: destinam-se à concessão temporária de
direitos que incluam uso de marcas, prestação de
serviços de assistência técnica, combinadamente ou
não, com qualquer outra modalidade de transferência de
tecnologia necessária à consecução de seu objetivo7.
Mais informações sobre Propriedade Intelectual estão nos
sites do Instituto Nacional de Propriedade Industrial/ INPI
(www.inpi.gov.br) e da Biblioteca Nacional (www.bn.br).
7
88
Fonte: Glossário Geral de Ciência da Inovação. Brasília, CID/UNB, 2004.
COLEÇÃO
PARTE IV
IMPORTÂNCIA DOS PROJETOS
INOVADORES NA INDÚSTRIA E DOS
EMPREENDEDORES NO MUNDO
GLOBALIZADO
Deusdedit Carvalho de Moraes
1. Elevação da competência do profissional brasileiro
As exigências do mercado de trabalho, o perfil profissional
e a proposição de projetos inovadores na educação
profissional e na escola, já tratados anteriormente pelos coautores, configuram-se de substancial importância para o
aprimoramento do profissional brasileiro.
O estado da arte, neste início do século XXI, apresentase bastante complexo frente às tecnologias de ponta que
vêm sendo ofertadas em razão da velocidade acelerada da
evolução técnica.
As divisas geográficas perdem força e o conceito de grandes
potências oscila com a união efetuada pelos países de cada
continente, a exemplo do Mercado Comum Europeu e do
Mercosul, provocando ainda outras mudanças de valores.
89
Deusdedit Carvalho de Moraes
O fenômeno da globalização faz com que o planeta se
transforme em uma ilha, ao se considerar que, pela internet,
as informações vencem distâncias em tempo real, ou seja,
são imediatas.
O Brasil aumenta a exportação e vai competir com países do
propalado Primeiro Mundo, lá fora e aqui em seu território.
Enfrentar essa realidade sem profissionais empreendedores
e sem domínio em projetos inovadores caracteriza-se tarefa
impossível de ser realizada.
Muitas e muitas nações fortes economicamente estão correndo
para investir no Brasil provocando aumento de empregos para
profissionais empreendedores. Se não encontrarem, poderão
importar mão-de-obra especializada. Além disso, não há
como desenvolver o espírito empreendedor sem providenciar
o ensino da elaboração e da execução de projetos inovadores
nas habilitações dessa população educacional.
Portanto, a Parte I deste livro entrega à indústria do Paraná e
do Brasil uma orientação sábia para seguirem, inclusive, no
caminho das inovações.
Por outro lado, a Parte II oferece às escolas brasileiras
modalidade ímpar para a Educação Profissional na Elaboração
de Projetos Inovadores, podendo ser usada na aprendizagem
de nível técnico, de graduação e pós-graduação.
O presente capítulo caminha no sentido de comprovar o que
está consagrado na Parte I e II, com farta exemplificação
prática do que está sendo vivenciado pela indústria.
Os exemplos expostos nesta Parte IV foram vivenciados pela
Indústria SMAR8, que vem desenvolvendo tecnologia de
ponta totalmente brasileira, há 34 anos, em Sertãozinho, no
estado de São Paulo. Além disso, por utilizar profissionais
empreendedores, habilitados em projetos inovadores, hoje, a
empresa alcança liderança mundial na área de instrumentação,
controle de processo e automação empresarial, exportando
para 77 países.
90
8
http://www.smar.com/brasil2/
COLEÇÃO
Dos 980 funcionários, 140 trabalham em tempo integral
em pesquisa e desenvolvimento, sendo a única na América
Latina com essa criatividade. Possui subsidiárias em Nova
York e Houston nos Estados Unidos, presididas por exalunos da Politécnica de São Paulo e do ITA. Possui, ainda,
subsidiárias na Alemanha, França, Cingapura, China, México
e Argentina.
Essa empresa está terminando a implantação de uma fábrica
nos Estados Unidos e estudando a fundação de outra na
China; no exterior, conta com setenta funcionários.
Para nortear suas decisões, a presidência da empresa se
fundamenta em preceitos simples e diretos:
 Opção por Tecnologia de Ponta.

Não Reinventar a Roda.

Pessoal Altamente Qualificado.
Ainda toma por base um princípio geral de ação: “Uma
empresa só é digna de sobrevivência, quando ela entrega
mais à sociedade do que dela recebe.”
Atualmente, a SMAR tem 24 patentes concedidas nos
Estados Unidos e mais seis aprovadas, aguardando a emissão
dos certificados.
91
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 1 – 24 Patentes
Tudo que há em volta de todos, em termos de objetos/produtos,
a toalha de mesa, a mesa, a cor da tinta, o lápis, a cadeira,
o chão de piso frio, o televisor, o computador, a informática
e as tecnologias de ponta, enfim, tudo um dia foi sonhado,
pensado, idealizado, projetado e executado por alguém ou
por um grupo de pessoas.
Se você agradecer continuamente a todos que realizaram
projetos inovadores, por tudo que já fizeram e continuam
fazendo para o seu conforto, você estará entrando nessa
consciência coletiva. Pode, então, até se perguntar: E eu, o
92
COLEÇÃO
que estou criando? Como resposta, poderá obter a afirmação
de que todos os seres humanos podem criar sempre e, com
base nessas constantes realizações, passam a denominá-las
projetos inovadores.
Na Parte 1, desta obra, as co-autoras oferecem palavraschave muito importantes, às quais este autor acresce: não
desista nunca. Recomenda-se, ainda, a leitura e reflexão da
mensagem (Mussak, 2003, p. 190), que inclui as palavras
“com beleza e amor”, julgada o ponto-chave para qualquer
criação e projeto inovador. Pois, os seres humanos são cocriadores com Deus, porque Ele cria pela mão dos homens,
Seus instrumentos na Terra.
Deus pediu aos homens para amarem e não cobrou resultados.
É óbvio, uma vez que todos sabem que se colhe o que se planta
e que a toda ação corresponde uma reação inversamente
contrária (segunda lei de Newton), repete-se, por isso, à
exaustão: não desista nunca, porque aos pensamentos e
ações correspondem as reações. Daí vem a responsabilidade
maior de “o que pensar e como agir” a cada minuto.
Antes de se registrar os exemplos da SMAR, apresenta-se a
grande experiência do SENAI, no próximo item, em razão de
seu importante papel na formação de empreendedores por
intermédio da Série Metódica de Oficina (SMO) incentivando
e gerando projetos inovadores.
2. SMO – Série Metódica de Oficina:
um resgate histórico
O fato de se trabalhar em linha de produção, com
procedimentos determinados pelas tarefas e operações já
elaboradas por alguém mais experiente, não significa que
não se possam sugerir melhorias.
Ao se atingir competência e qualidade na rotina da execução
das tarefas, domínio alcançado pela experiência prática,
tem-se o pré-requisito para obter ótimas idéias para projetos
93
Deusdedit Carvalho de Moraes
inovadores, principalmente, se já for vislumbrada a beleza do
trabalho e sentida a vibração de amor e alegria de executá-lo. Inegáveis são as vantagens dos processos produtivos, que
dependem de procedimentos repetitivos para a execução de
tarefas com tempos determinados, obtidas pela experiência
das execuções, pelo sucesso do trabalho do SENAI em
todo o país, nos últimos 60 anos de dedicação à formação
industrial. Além dessas vantagens já consagradas, encontrase mais outra, a repetitividade das tarefas e de operações que
proporciona ao profissional vasta amplitude e experiência
prática vivida, para o seu banco de dados pessoal ao longo
dos anos, intransferível e inexplicável apenas para quem não
as viveu.
Experiência não se transfere, somente realizando-a é que se
alcança a competência de se poder usufruir dela. A melhor
forma de aprender e saber fazer é fazendo, segundo Piaget
e Dewey.
O SENAI, até a década de 1950, dispunha de material didático
prático para a aprendizagem em cada profissão, na sua rede de
escolas em nível nacional, executada por seus Departamentos
Regionais (D.R) de cada estado. O aluno aprendia nas folhas
de tecnologia e folhas de operação com o docente e seguia a
folha de tarefa com as suas fases de execução.
O SENAI, percebendo naquela época que o aluno aprendia
apenas as tarefas que fazia, deixando a desejar nas soluções de
novas tarefas encontradas nas indústrias, efetuou um trabalho
de pesquisa, mediante questionário de avaliação, do índice
de satisfação das empresas, com referência à performance dos
ex-alunos no posto de trabalho, quanto à criatividade frente às
novas situações não praticadas na escola.
A resposta foi clara. Os chefes, encarregados e gerentes
precisavam ensinar com detalhe as novas situações, o que
tomava tempo dos gestores daquela época, frente às suas
atividades mais importantes na linha de produção.
94
Apoiado na Organização Internacional do Trabalho (OIT), o
SENAI/DN (Departamento Nacional), na década de 1960,
COLEÇÃO
criou a Série Metódica de Oficina (SMO) fundamentada
na Coleção Básica Ocupacional (CBO), feita por profissão,
representando enorme sucesso do SENAI para o país. Essa
obra era dividida em duas partes: a primeira constituíase pela Série Metódica e a segunda, pela Fase Industrial,
destinada a trabalhos reais além da SMO.
As Folhas de Tarefas (FT), Folhas de Operação (FO) e Folhas
de Informação Tecnológica (FIT) eram estabelecidas e
montadas por tarefa prática pela SMO.
Nessa elaboração, era respeitada a ordem crescente de
dificuldade (das tarefas mais fáceis para as mais difíceis),
sendo as anteriores pré-requisitos para as posteriores. Dessa
forma, cada FT continha as indicações das operações repetidas
(rotina) e de novas operações (projetos de inovação).
O Quadro Analítico da SMO era elaborado com todos os
nomes das tarefas (FT) e das respectivas operações repetidas
( ) e operações novas( ), respeitando a ordem crescente de
dificuldade, conforme citado.
O Estudo Dirigido foi o grande passo na Educação
Profissional para o aluno aprender a estudar sozinho por
meio de leitura silenciosa como primeiro passo, depois,
para desenvolver trabalho em equipe, em segundo passo
e, finalmente, a elaboração do Roteiro de Trabalho, como
terceiro passo. O docente era um orientador eliminador de
dúvidas. O aluno criava o roteiro de trabalho, aprendendo
em cada tarefa, executando o trabalho em grupo, a pesquisa
e a elaboração do plano de trabalho, com todos os detalhes
técnicos, inclusive, prevenção de acidente e pontos-chave
dos projetos inovadores.
A pedagogia da Educação Profissional deu um salto
significativo nessa época para os projetos inovadores e
o aluno ganhou velocidade na sua adaptação no posto de
trabalho das indústrias.
95
Deusdedit Carvalho de Moraes
Muitos ex-alunos, dos anos 1960, 1970 e 1980, como
resultado desse passo pedagógico do SENAI, ocupam, na
atualidade, cargos de gerente, diretores e empresários no
país. Da mesma forma com que muitos docentes do SENAI,
que participaram desse trabalho e se aposentaram da década
de 1980 para cá, têm contribuído muito em novas empresas
e em consultorias.
Após o término da Elaboração de uma SMO era feito o Manual
do Docente, explicando aos novos professores as estruturas
de funcionamento metodológico, pedagógico e didático
da Aplicação de Estudo Dirigido em salas ambientais e a
utilização dos Roteiros de Trabalho nas oficinas e laboratórios
do SENAI. Em razão de ser usado o mesmo material didático
em todo o país, os profissionais obtinham a mesma qualidade
de formação.
A experiência na Escola SENAI Euvaldo Lodi, do Rio de
Janeiro, nos finais dos anos 1960 e durante os anos de 1970,
tendo como diretor naquela época o Prof. José Manoel de
Aguiar Martins, hoje, Diretor Nacional do SENAI, pode ser
utilizada em cursos técnicos, tecnológicos e em pós-graduação
e até nos tão notórios cursos de ensino a distância.
Os educadores experientes do SENAI, naquela época,
discutiam muito sobre o que deveria ser contemplado no
processo ensino / aprendizagem para propiciar maior ou
menor facilidade de aprender para os seres humanos.
Por isso, pensava-se bastante em ensino individualizado,
iniciativa que foi liderada pela Escola SENAI Euvaldo Lodi,
do Rio de Janeiro. Instituíram-se as Salas de Estudo Dirigido
ambientadas por profissão, por disciplinas de pré-requisitos,
como desenho, matemática, português e disciplinas das
diferentes profissões. Assim, propiciava-se que o ensino
fosse totalmente individualizado, respeitando as diferenças
individuais do ser humano para aprender. Com isso, o tempo
para concluir o curso foi se tornando diferente para cada
aluno.
96
COLEÇÃO
As matrículas eram feitas diariamente durante todo o ano
e a entrega do certificado também. Deixava a desejar com
relação ao trabalho de equipe, mas a respeito da velocidade
de cada aprendiz demonstrou-se autenticamente eficaz.
No entanto, na atualidade, considerando-se a pós-graduação
e o ensino a distância, esse método tem-se demonstrado
válido e propício principalmente para os autodidatas.
3. Exemplos práticos da SMAR em
espírito empreendedor e projetos inovadores
Outra experiência interessante de se destacar é a da SMAR,
que tem a linguagem facilitada com escolas do SENAI, por
ser o fundador da empresa em 1974 (hoje, Vice-Presidente)
Mauro Sponchiado, egresso do Curso de Mecânica Geral do
SENAI (SMO, Mecânica Geral), de Ribeirão Preto, cidade
do estado de São Paulo. Além dele, Edson Savério Benelli,
egresso do curso de Eletricidade Geral (SMO, Eletricidade
Geral), também é sócio da empresa desde 1978, em que
implantou a Divisão de Produção Eletrônica, ocupando
o cargo de Diretor de Produção, produzindo tecnologia de
ponta brasileira para o seu país e mais 77 outros.
Edmundo Rocha Gorini, Presidente da SMAR desde 1978,
foi professor do SENAI de Belo Horizonte/MG, Escola do
Horto, enquanto fazia a graduação de Engenharia Elétrica
na Universidade Federal de Minas Gerais.
A Assessoria da Presidência da SMAR, desde 1985, é
ocupada por um aposentado do SENAI/SP, nesse mesmo
ano, que, durante 11 anos, foi professor de Eletricidade
Geral pelo modelo pedagógico da época (SMO), aplicando
repetitividade de operações e criatividade nas operações
novas e elaborando Roteiro de Trabalho em projetos
inovadores, nas décadas de 1960, 1970 e 1980.
97
Deusdedit Carvalho de Moraes
Em todos os setores da SMAR, há gerentes, engenheiros
e técnicos egressos do SENAI. Dentro desse espírito de
comunhão entre SENAI e SMAR, seis vivências foram
aproveitadas em outras escolas e indústrias, alavancando,
no Brasil, o empreendedorismo e a habilitação por projetos
nos locais e nas áreas profissionais indicadas a seguir:
1. Em 1989: Implantação de três Plantas Didáticas
móveis para o Triângulo Mineiro, em forma de convênio
do SENAI/DR/MG com a SMAR.
2. Em 2000: Implantação da Primeira Unidade Móvel
do Mundo com Tecnologia Foundation Fieldbus em
Instrumentação pelo Convênio SENAI/PR e SMAR.
3. Em 2002: Implantação do Programa de Atualização na
Tecnologia SMAR (PATS)
4. Em 2002: Implantação do Primeiro Curso de Engenharia
de Automação Empresarial do Brasil, Convênio FPTE/
Unilins & SMAR.
5. Em 2002: Implantação dos Minicursos para Estudantes
de Curso Técnico, de Engenharia de Empresa e de PósGraduação.
6. Em 2003: Implantação de Manual de Estágio, em
2003, FPTE /Unilins & SMAR.
Essas seis vivências estão comentadas e ilustradas a seguir.

98
Primeira Vivência, em 1989: Implantação de três Plantas
Didáticas móveis para o Triângulo Mineiro, em forma de
convênio do SENAI/DR/MG com a SMAR.
COLEÇÃO
Figura n.º 2 – “Educação Profissional Brasileira” na Planta
Didática Exportada para Rússia.
- Tecnologia SENAI & SMAR
A Planta Didática engloba as principais tarefas usuais em uma
indústria na área de automação empresarial, como controles
automáticos de processos nas variáveis de temperatura,
nível, pressão, vazão, pH, e outras variáveis inerentes a cada
processo de produção.
Esse trabalho foi projetado por coordenadores técnicos
da área de automação e instrumentação do SENAI/DR/
MG e a SMAR, por meio de um convênio, para implantar
projetos inovadores em Educação Profissional, na área de
instrumentação e controle de processo.
Nascida dessa união SENAI e SMAR, a PD é fabricada
pela SMAR, em Sertãozinho, estado de São Paulo, e, hoje,
encontram-se Plantas Didáticas instaladas em muitas escolas
e empresas do país e do exterior.
De acordo com orientações da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) e da sua extensão Centro Interamericano
de Investigação e Documentação (CINTERFOR) sobre a
Formação Profissional, ao se elaborar uma Série Metódica
de Oficina, é necessário lembrar- se das seguintes ações.:
99
Deusdedit Carvalho de Moraes

Tarefas Reais: aquelas que podem ser levadas realmente
para as oficinas e laboratórios das escolas, como tornear,
limar, montar placas de circuitos eletrônicos, pois, podem
ser executadas em bancadas dentro desses espaços
físicos.

Tarefas Típicas: aquelas impossíveis de serem transportadas
aos ambientes escolares, como alto forno, virador de vagão,
laminação de uma siderúrgica. Para essas realidades,
elaboram-se as Folhas de Operação em condições típicas
para a montagem das Folhas de Tarefas.
Respeitando essa orientação da OIT e CINTERFOR, o SENAI
implantou em todos seus cursos técnicos de instrumentação,
Plantas Pilotos, compostas pelas principais atividades de uma
planta industrial, com as Malhas de Controle instaladas nas
empresas que atuam com automação de Processos Contínuos.
A produção industrial dispõe de três principais tipos de
processos produtivos:
a. Contínuos: refinarias, siderúrgicas, usinas, destilarias
e outras.
b. Produção em Série (manufatura): de automóveis,
eletrodomésticos e outros.
c. Batelada: aqueles que são contínuos com interrupções
periódicas.
Para o controle automático de processos dos tipos Contínuos
e de Bateladas, são utilizadas as Malhas de Controle das
diferentes variáveis inerentes a cada um: nível, vazão,
temperatura, pressão, pH e outras. Para todos os módulos
de malha de controle, são freqüentes os pequenos, médios
ou grandes Projetos Inovadores. Essas Malhas de Controle
são constituídas de oito módulos (Elementos Primários;
Indicadores; Transmissores e Conversores; Linha de
Transmissão; Registradores; Controladores; Elemento
Final de Controle; Anunciadores de Alarme e Segurança)
demonstrados a seguir.
100
COLEÇÃO
Módulo 1: Elementos Primários
São instrumentos sensores que sentem as oscilações das
variáveis de pressão, nível, vazão, temperatura, pH e outras
variáveis de processos industriais.
Figura n.º 3 – Termopar
Figura n.º 4 – Sensor de Temperatura
Módulo 2: Indicadores
São instrumentos que indicam, em tempo real, cada
movimento em regime contínuo dos valores mensuráveis de
cada variável.
101
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 5 – Indicador Digital
Módulo 3: Transmissores e Conversores
São instrumentos que efetivam as conversões de sinais,
compreendendo transmissores, conversores e interfaces.
Figura n.º 6 – Conversor de Pressão
Foundation Fieldbus FP 302
102
COLEÇÃO
Figura n.º 7 – Transmissor de Densidade
Foundation Fieldbus DT 302
Módulo 4: Linha de Transmissão.
São as linhas componentes da rede que efetua toda a transmissão
dos sinais dentro da Malha de Controle, podendo, para isso,
valer-se das tecnologias mecânica, pneumática, elétrica,
eletrônica, de microprocessadores, fibra ótica, rádio freqüência
e outras tecnologias futuras para transmissões de sinais.
Figura n.º 8 – Arquitetura da Linha de Transmissão
103
Deusdedit Carvalho de Moraes
Módulo 5: Registradores
São os instrumentos, dentro do sistema, que registram as
oscilações das variáveis do processo de produção industrial,
com os tempos pré-definidos em 24 horas, uma semana ou
um mês, para estudo de melhoria e otimização dos algoritmos
matemáticos do Controle Automático, buscando sempre a
melhor relação custo/beneficio da produção.
Figura n.º 9 – Tela de Registro
Módulo 6: Controladores
São os instrumentos, dentro do sistema, que, ao receber
os sinais do Módulo 1 (Elementos Primários – sensores),
comparam-nos com o valor desejado (set point) do projeto e
atuam no Elemento Final, a ser visto no próximo módulo, para
manter a variável estável dentro de seus valores na Malha de
Controle. Esse Módulo 6 é considerado o “coração” da Malha
de Controle, por trabalhar em tempo real, com o feedback
contínuo das oscilações e respectiva retroalimentação.
104
COLEÇÃO
Figura n.º 10 – Controlador Microprocessado
Módulo 7: Elemento Final de Controle
São os instrumentos, dentro do sistema, que efetuam a ação
de diminuir ou aumentar o valor de passagem do produto,
buscando manter o Valor Desejado, de acordo com o projeto
em cada Malha de Controle.
Figura n.º 11 – Válvula de Controle
105
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 12 – Posicionador
Módulo 8: Anunciadores de Alarme e Segurança.
São os instrumentos incumbidos de acompanhar todo o
andamento contínuo da Malha de Controle Automático. Se,
em um tanque de petróleo, ou de outro líquido, estiver o Valor
Desejado de se manter em 80% de capacidade do tanque e
ele começar a subir para 81%, 82% de nível, esse módulo
irá anunciar e alarmar essa alteração. Dependendo da
tecnologia implantada, esse aviso se fará com sinais visíveis
e sonoros, em painéis, em telas de microcomputadores ou
em controles remotos, para que os operadores de processo e
os profissionais da manutenção interajam rapidamente para
evitar que o tanque transborde.
Em todos esses eventos, os profissionais das indústrias
necessitam estar habilitados em projetos inovadores, para
soluções rápidas e seguras, uma vez que problemas podem
surgir em qualquer um dos módulos anteriores, necessitando
de pesquisa rápida e de solução imediata, para evitar grandes
perdas e acidentes.
106
COLEÇÃO
Figura n.º 13 – Sumário de Alarme
Figura n.º 14 – Barreira de Segurança Intrínseca Foundation Fieldbus &
Profibus PA
107
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 15 – Ações de Segurança
Evolução da Tecnologia para as Malhas de Controles e
Sistemas de Automação
a- Controle Manual até a década de 1940
Figura n.º 16 – Controle Manual
108
COLEÇÃO
b- Controle Automático no Campo após a década de 1940
Figura n.º 17 – Controle Automático de Campo
c- Controle Automático no Século XXI:
Empresarial
Automação
Figura n.º 18 – Sala de Controle
109
Deusdedit Carvalho de Moraes
A habilitação e competência em projetos inovadores são
indispensáveis a todos os profissionais da automação
de Controle de Processo e Instrumentação (Automação
Empresarial), que militam dentro da força de trabalho e
compõem o segmento da economia brasileira das indústrias
petrolíferas, petroquímicas, químicas, papel e celulose,
siderúrgica, alimentícia, destilaria de álcool, usinas de
açúcar, têxtil, usinas hidrelétricas, usinas termelétricas,
usinas termonucleares, embalagens, saneamento, vidro,
pesca, naval, cimento, mineração e outras que se utilizam
de Controles Automáticos de Processos Contínuos com seus
sistemas e Malhas de Controle, na Manufatura e Gestão.
Para todas as indústrias dos segmentos mencionados
anteriormente, a Planta Didática SMAR configura-se
importante material didático, com muitos projetos inovadores,
desde planos diretores até para o chão de fábrica nas plantas
industriais.
Uma equipe de Gerentes e Engenheiros da SMAR, dos
departamentos de Engenharia de Desenvolvimento e
da Engenharia de Aplicações, aprimora dentro da idéia
de projetos inovadores, os cálculos e outros recursos
tecnológicos, assim que a empresa define fabricá-las.
Essa Planta Didática SMAR, usada na Educação Profissional,
é monitorada e operada de uma estação, constituída de um
microcomputador do tipo PC (arquitetura desktop) e um
software de supervisão, que efetua a aquisição de dados
dos equipamentos e dos instrumentos do chão de fábrica
e os apresenta por meio de animação nas telas. Permite
também atuar nos registros, modificando valores desejados
dos equipamentos e nos modos operacionais das malhas de
controle, utilizando continuamente projetos inovadores. Essa
planta é utilizada hoje na Educação Profissional em escolas
do país e do exterior, em cursos técnicos, de graduação e
de pós-graduação nas áreas de automação empresarial e sua
instrumentação. Para tanto, é indispensável que os alunos,
110

COLEÇÃO
do SENAI e de outras escolas do país, saiam do período
escolar para as indústrias com bom desempenho em projetos
inovadores para enfrentar o mercado globalizado.
Segunda Vivência, em 2000: Implantação da Primeira
Unidade Móvel do Mundo com Tecnologia Foundation
Fieldbus em Instrumentação pelo Convênio SENAI/PR
e SMAR.
Esse convênio foi assinado pelo Presidente da SMAR, Eng.
Edmundo Rocha Gorini, pelo Diretor Regional do SENAI/
Paraná, naquela época, Prof. Ito Vieira e o Vice- Diretor
Regional do SENAI/Paraná, João Barreto Lopes, atualmente.
Diretor Regional do SENAI desse estado.
Figura n.º 19 – Unidade Móvel com Tecnologia Foundation
Fieldbus, Hart e Profibus
111
Deusdedit Carvalho de Moraes
a. Aplicação de Projetos Inovadores nos treinamentos
dentro da Unidade Móvel de Instrumentação e Controle de
Processo.
Inaugurada em 2000, no CIETEP do SENAI/DR/PR, em
Curitiba, essa Unidade Móvel tem o objetivo de levar às
indústrias conhecimentos e habilitações, pela Educação
Profissional Móvel, as tecnologias de ponta em instrumentação
e controle de processo para a Automação Empresarial. Essa
ação técnico-pedagógica avançada permite ao docente
habilitar os profissionais em projetos inovadores em seus
trabalhos diários, em Plantas Industriais, Fabricantes,
Departamentos de Desenvolvimento de Tecnologia, Produção,
Engenharia de Aplicação, Assistência Técnica, Marketing
de Produtos, Sistemas, Treinamentos e Qualidade.
Na inauguração da Unidade Móvel foram entregues à
primeira turma os Certificados do Curso Como Implantar
Projetos com Tecnologia Foundation Fieldbus. Os alunos eram
profissionais das indústrias e do SENAI da Grande Curitiba,
Araucária e Telêmaco Borba, que atuam em Instrumentação
e Controle de Processo.
Figura n.º 20 – Primeira Turma do Curso
112
COLEÇÃO
b. Como Implantar Projetos com Tecnologia Foundation Fieldbus
Essa iniciativa da FIEP/SENAI/PR e SMAR, pelo convênio
firmado, possibilitou que a Unidade Móvel de Instrumentação
levasse nos últimos dez anos as tecnologias de ponta
Foundation Fieldbus, Hart e Profibus, em muitos projetos
inovadores nessa habilitação, a nove estados brasileiros
(PR, SP, PA, GO, RJ, SC, MG, BA), a Brasília (DF) e mais
76 cidades do país. Portanto, a preparação de profissionais
empreendedores e hábeis em projetos inovadores pela
Educação Profissional da escola é prioritária.
c. Aplicação de Projetos Inovadores com os Demokits nas
Tarefas Práticas
Os Demokits foram projetados para uso dentro da Unidade Móvel
de Instrumentação para a execução, por parte do aluno, das
tarefas práticas relacionadas a hardwares e softwares embarcados
e sistêmicos para atender ao grande leque de configurações
inerentes às tecnologias de ponta das Plantas Industriais. É
impossível, em cada tarefa, ou mesmo nas Malhas de Controle
e nas Plantas Industriais, caminhar sem usar a metodologia de
projetos a cada passo e em toda jornada do Controle de Processo,
buscando sempre otimizações para a maior eficiência do processo
produtivo na relação custo/benefício.
Figura n.º 21– Demokits com Tecnologia Foundation Fieldbus
113
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 22 – Vista interna da Unidade Móvel
- Bancadas, Painéis e Demokits
d. Aplicações de Projetos Inovadores na Planta Didática da
Unidade Móvel
Após a execução das tarefas com os Demokits, treinando
na base da Educação Profissional os Projetos Inovadores
nas configurações dos Sistemas, o aluno participa dentro da
Unidade Móvel, na Planta Didática, controlando as variáveis
nível, pressão, vazão e temperatura, alternando os valores
desejados e registrando todas as oscilações da retroalimentação
buscando a otimização do Controle de Processo.
114
Figura n.º 23 – Vista interna da Unidade Móvel
- Planta Piloto no Fundo
Terceira Vivência, em 2002: Implantação do Programa
de Atualização na Tecnologia SMAR (PATS)
COLEÇÃO

Figura n.º 24 – Logo do PATS
A SMAR, sentindo as dificuldades que as indústrias usuárias
e as escolas tinham de acompanhar, em fase de pesquisas
e desenvolvimento da empresa, o lançamento das novas
tecnologias, instrumentos e sistemas, criou o Programa de
Atualização na Tecnologia SMAR (PATS). O objetivo foi
propiciar que as indústrias e escolas acompanhassem “os
muitos projetos inovadores” criados pelos 140 profissionais
que trabalham dentro da Divisão de Engenharia de Pesquisa
e Desenvolvimento Mecânico, Eletrônico, Digital e Sistemas.
No final do PATS, o aluno primeiro colocado recebe um
prêmio da SMAR, entregue por um Diretor.
Quando os clientes da SMAR entram em uma escola para
participar do PATS, ao encontrarem o clima escolar dos
alunos, lembram das suas origens nas escolas. Por outro
lado, os alunos, ao verem grupos adultos de profissionais na
escola, vislumbram o futuro dos seus caminhos. São exemplos
gratificantes para uns e motivadores para outros.
115
Deusdedit Carvalho de Moraes
A SMAR, empresa fabricante, acredita que com isso está
contribuindo fortemente para “quebrar o muro” entre a
indústria e a escola, na busca da ampliação dos projetos
inovadores dos dois lados, além de torná-los mais coesos.
Esse trabalho do PATS é executado para clientes, desde
2002, portanto, há sete anos, dentro do espírito de Educação
Profissional nos níveis técnicos, graduação e pós-graduação
em escolas e indústrias.
Se todo o país implantasse esse projeto nas escolas
que atuam em Educação Profissional e nas empresas, a
elevação da competência e capacitação dos profissionais
brasileiros alcançaria patamar igual, ou até melhor, ao de
grandes potências. Com isso, diminuiria o tempo gasto no
aprendizado das tecnologias de ponta pelos alunos, que hoje
vão para as empresas usuárias e cinco anos depois para as
escolas, considerando o atraso na burocracia de atualização
das grades curriculares e na atualização dos professores.
A SMAR se obriga a reciclar seus clientes para diminuir a
distância (gap) da escola com o estado da arte, que vai dos
fornecedores para os usuários.
116
COLEÇÃO
Alguns Resultados do PATS pelo país
Figura n.º 25 – Resultados do PATS

Quarta Vivência, em 2002: Implantação do Primeiro
Curso de Engenharia de Automação Empresarial do
Brasil, Convênio F.P.T.E/ Unilins & SMAR.
Esse curso teve a primeira turma formada em 2005 com
colação de grau em janeiro de 2006. A sua carga horária foi
de 1/3 para Automação de Controle de Processo, 1/3 para
Automação da Manufatura e 1/3 para Automação de Gestão,
tendo, portanto, sido denominado Automação Empresarial,
por formar profissional mais eclético.
117
Deusdedit Carvalho de Moraes
Figura n.º 26 – 1.ª Turma do Curso de Engenharia de Automação Empresarial
Os projetos inovadores desse curso, além das áreas de gestão
de Ciências Humanas, para melhorar mais o entendimento
do software humano e a habilitação prática em laboratório
específico de automação, utiliza metodologia de Estudo
de Tarefa, elaboração de Roteiro, dentro da filosofia e
metodologia da SMO de Oficina.
Figura n.º 27 – Laboratório de Automação Empresarial

118
Quinta Vivência, em 2002: Implantação dos Minicursos
para Estudantes de Curso Técnico, de Engenharia de
Empresa e de Pós-Graduação.
COLEÇÃO
Os alunos do Curso de Engenharia de Automação Empresarial
participantes do convênio SMAR com a Fundação Paulista
de Tecnologia e Educação (FPTE/Unilins) efetuam o estágio
dentro da empresa, supervisionado e avaliado pelos gerentes
e encarregados. As orientações seguem o Manual de Estágio,
modelo SENAI, vivenciando os projetos nos departamentos
de desenvolvimento, produção e assistência técnica nas áreas
mecânica, elétrica, eletrônica e painéis. O item 1.4, página
2, Manual de Estágio da SMAR, refere-se a algumas atitudes
que serão observadas e qualificam o estagiário, entre elas, a
iniciativa “demonstrada pelo interesse, na procura de novos
meios para solucionar problemas e cooperação com os que
o rodeiam”. A iniciativa é uma das atitudes basilares para o
desenvolvimento de projetos inovadores.
Como contribuição aos leitores, coloca-se como exemplo
um Programa de Estágio da Divisão Elétrica e Eletrônica,
página 12, do Manual de Estágio da SMAR. Esse exemplo
mostra atividades a aprender, que a empresa necessita dos
profissionais, relacionadas a cada equipamento, por setor
dessa Divisão.
119
Deusdedit Carvalho de Moraes
a- Programa de Estágio elaborado pela Indústria.
120
Figura n.º 28 – Exemplo de Programa de Estágio
COLEÇÃO
b- Ficha de Avaliação de Desempenho
Essa ficha, preenchida pelos gerentes de cada estagiário,
propicia a “quebra do muro” de forma rápida, avaliando
e orientando Atividade de Trabalho, Ritmo, Qualidades
Pessoais, Iniciativas, Segurança e Hábitos.
Figura n.º 29 – Ficha de Avaliação de Desempenho do Estagiário
121
Deusdedit Carvalho de Moraes

Sexta Vivência, em 2003: Implantação de Manual de
Estágio pela FPTE /Unilins & SMAR
Considerando a carência, nas grades curriculares dos Planos
de Curso das escolas, de habilitação da vida real no diaa-dia das indústrias, mesmo porque é impossível colocar a
indústria dentro da escola, o aluno não tem a oportunidade,
durante o curso, de conhecer as Divisões dentro da empresa,
compostas por seus Departamentos de Desenvolvimento
Mecânico e Eletrônico, Produção, Assistência Técnica,
Engenharia de Aplicação, Marketing, Exportação, Recursos
Humanos, Financeiro, Contabilidade, Treinamento,
Exportação, Qualidade Assegurada ISO 9000, SA 12000.
Com o fim de aproximar essa realidade para as escolas e seus
alunos, fazendo da indústria uma extensão da escola, a SMAR
criou, inicialmente nas seguintes áreas, minicursos de:
I.
Departamento de Desenvolvimento Mecânico
II.
Departamento de Produção Mecânica
III.
Departamento de Desenvolvimento Eletrônica
IV.
Departamento de Produção Eletrônica
V.
Departamento Assistência Técnica e Revisões
VI.
Departamento de Engenharia de Aplicação
VII.
Centro de Treinamento SMAR
VIII. ISO/9000 e Qualidade na empresa
122
A estrutura técnico-pedagógica dos minicursos funciona com
grupos de vinte a trinta alunos. Após um pré-teste, o Gerente
faz a apresentação do Organograma do Departamento e sua
estrutura de funcionamento aos alunos, que passam o dia
inteiro em um só departamento, acompanhando e fazendo
algumas tarefas do assunto em questão.
COLEÇÃO
Ao final do dia, após uma reunião com a gerência do
departamento, para eliminação de dúvidas e reforço, é
aplicado um pós-teste, demonstrando os resultados e, depois,
é feita a entrega do Certificado.
A implantação desse projeto aconteceu em 2003 para os
alunos de Engenharia de Automação Empresarial.
4. Necessidade de Projetos
Inovadores dentro da Empresa
A SMAR foi criada por ex-alunos do SENAI, em 1974, e em
1978, recebeu no corpo societário mais um ex-aluno e um exprofessor do SENAI/MG e outros sócios. De origem totalmente
nacional, vem gerando tecnologias de ponta continuamente,
levando-as atualmente para 77 países, o que a transformou
em multinacional brasileira, com 24 patentes nos Estados
Unidos, por ter maior força no mercado internacional, como
resultados de empreendedores da empresa.
Para a continuidade e aprimoramento dessa soma de
talentos brasileiros, no mundo globalizado, a diretoria de
desenvolvimento mecânico, eletrônico, digital e de sistema;
as diretorias de produção mecânica e produção elétricaeletrônica; as diretorias nacional e internacional; a diretoria
de açúcar e álcool; as diretorias de qualidade assegurada
e marketing, com seus equipamentos de alta tecnologia,
como CNC, células de usinagem, robôs e outros, dependem
de empreendedores habilitados continuamente em projetos
inovadores, cujas equipes totalizam hoje 980 funcionários
no Brasil e 70 no exterior, com prospecção para ampliar.
A Educação Profissional brasileira, na formação de RH
para a nação, de alunos habilitados em projetos inovadores
e empreendedores é de substancial importância para
crescimento contínuo das empresas do Brasil.
123
Deusdedit Carvalho de Moraes
Para tanto, os trabalhos conjuntos da escola e empresa darão
velocidade e qualidade para o Brasil estar no palco dos
países de primeiro mundo.
A SMAR, vista de forma holística, depende de profissionais
empreendedores e habilitados e necessita continuamente
dos Projetos Inovadores, esperando sempre esse resultado
da escola para continuar obtendo sucesso.
Como exemplo, um dos últimos projetos inovadores da SMAR
desenvolvidos por profissionais da empresa, o Transmissor
de Nível por Ondas Guiadas.
Figura n.º 30 – Transmissor de Nível por Ondas Guiadas
Hoje, mais do que nunca, o mercado passa por demandas
tecnológicas intensas e das mais variadas. Produtos cada
vez menores e com maior valor agregado, pessoas mais
habilitadas para necessidades cada vez mais específicas
encontram incontável quantidade de opções e soluções
tecnológicas destinadas ao mesmo fim.
124
A área de automação industrial não foge dessa regra. Sendo
por isso que a SMAR, há mais de 30 anos, preocupa-se em
estar na vanguarda desse mercado, com soluções robustas,
confiáveis e apresentando tecnologia de ponta. Foi pensando
assim que a SMAR lançou em 2007 seu transmissor de nível
por ondas guiadas.
COLEÇÃO
Também conhecido como Radar de Ondas Guiadas, esse
transmissor se baseia no princípio de Reflectometria pelo
Domínio do Tempo (TDR, na sigla em inglês). Tal método
é baseado na reflexão de ondas eletromagnéticas, quando
elas atingem um meio diferente do caminho em que antes
se propagavam. No entanto, essas ondas são literalmente
guiadas por sondas de metal, para que não haja dispersão
e ruídos externos (algo muito comum nos radares de ondas
livres e ultra-sons).
Os radares de ondas guiadas são os medidores de nível mais
novos do mercado mundial, comparados às outras tecnologias
de ondas livres, pressão hidrostática, células de carga ou
capacitivas e demais. Eles surgiram no início dos anos 1990
e atingem hoje uma fase de maturidade em todo o mundo,
com uma taxa de crescimento de 10,5% ao ano (frente a
apenas 8% de outras tecnologias também recentes, como os
transmissores tipo “antena” ou “corneta”).
Assim, focada em um mercado com usuários cada vez mais
bem preparados técnica e comercialmente, a SMAR tem
como foco levar a esse mercado soluções de alto padrão e
qualidade, preocupando-se com o crescimento sustentável
de plantas de pequeno, médio e grande porte. Uma prova
disso é que hoje ela atende a aplicações inéditas, para
medição de nível, preenchendo as demandas tecnológicas
tão exigidas pelo mercado de automação industrial.
125
Deusdedit Carvalho de Moraes
5. Descrição e características funcionais
do profissional em instrumentação
Monografia n.º 23 do SENAI Departamento Nacional – 1977
5.1 Descrição
Pela Classificação Internacional Uniforme de Ocupação
(CIUO) editada pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT), a ocupação do profissional de Instrumentação é
codificada em CIUO 8 - 42.32.
Segundo essa classificação, o instrumentista executa as
seguintes funções:
 Mantém, repara, calibra e instala elementos primários,
indicadores, pneumáticos, eletrônicos e elétricos,
transmissores pneumáticos, transdutores pneumáticoeletrônicos, registradores pneumáticos e eletrônicos,
controladores pneumáticos e eletrônicos, elementos
finais de controle, anunciadores de alarme pneumático,
eletrônico, elétrico e analisadores de processos industriais
e cadeias de controle e nível, vazão, temperatura, pressão
e outras variáveis, acompanhando sempre as inovações
tecnológicas de cada época.
126

Desempenha tarefas similares às que realizam o
eletricista, em geral (8.55.10), e o mecânico de
máquinas, em geral (8-49.10), porém, é especializado
em manutenção, reparação, montagem, calibração e
instalação de instrumentos em cadeias de controle de
processos industriais dentro das tecnologias inovadoras.

Interpreta fluxogramas de processos industriais e de
especificação.

Coloca e fixa os instrumentos em painéis de controle,
consoles, corta, dobra e instala linhas de eletroduto
e tubulação de cobre, vinil e aço inoxidável; faz a
fiação elétrica e instalações à vista e aberta; testa a
COLEÇÃO
estanqueidade em linhas pneumáticas; executa provas
para pesquisar defeitos nas instalações pneumáticas,
elétricas, eletrônica, digitais e microprocessadas e faz
as conexões necessárias; substitui ou repara fios de
instalação, fios de compensação e tubulações.
No Brasil, o Instrumentista Reparador, além de executar
a manutenção prevista e corretiva de instrumentos,
equipamentos e sistemas que formam a cadeia de controle,
repara seus implementos e acessórios.
5.2 Características Funcionais
É uma ocupação com predomínio nas funções mentais,
sensoriais e motoras, exigindo atenção e reação a estímulos
visuais, sinestésicos e adaptação fisiológica à temperatura
de até 80ºC, variando de acordo com os diferentes tipos de
processos industriais. Compreende trabalhos que vão, desde
o reaperto simples de peças, até os que necessitam do uso de
instrumentos de elevado grau de sofisticação.
Esse trabalho está sujeito a situações variáveis, que requerem
capacidade de criar, improvisar, adaptar e transferir
conhecimentos e habilidades, frente às constantes situações
novas, causadas pela complexidade de manutenção e pela
constância de mutações técnicas dos fabricantes, em busca
de aproveitamento na otimização dos controles de processos
industriais. No Brasil, é indispensável o conhecimento do
inglês técnico na ocupação, por se tratar de uma tecnologia
recente no país.
As tarefas executadas pelo instrumentista abrangem
um campo muito eclético, adentrando em várias outras
ocupações, conforme mostrado a seguir.
 Instalações Pneumáticas em tubulações de cobre, de
vinil, de aço carbono e inoxidáveis, cada uma com suas
características especificadas.
127
Deusdedit Carvalho de Moraes

Instalações Elétricas e Eletrônicas em linha aberta, linha
à vista, rede exposta e rede embutida de acordo com a
ABNT.

Retirada de operação, remoção, reparação e instalação de
elementos primários, sensores das variáveis, vazão, nível
e temperatura, assim como: placa de orifício, rotâmetro,
medidor magnético de vazão, turbina, termopares, pirômetro
ótico, pirômetro monocromático, pirômetro de radiação,
bóias, eletrodos, sensores eletromecânicos e demais.

Reparações e calibrações de instrumentos pneumáticos,
eletrônicos analógicos, digitais e microprocessados,
eletropneumáticos, indicadores, transmissores,
transdutores, registradores e controladores, sistemas e todos
os instrumentos que compõem as malhas de controle.

Interpretações de esquemas elétricos, eletrônicos, digitais
e microprocessadores, pneumáticos e fluxogramas de
processo.
O instrumentista necessita ainda de conhecer operações de
processo, para manter diálogo com os operadores na pesquisa
de defeitos dos instrumentos.
Normalmente, o Instrumentista Reparador é conhecido no
mercado por Técnico em Instrumentação ou Supervisor de
Área e também por Instrumentista Industrial, Instrumentista
Pneumático e Instrumentista Eletrônico.
Sua ocupação é ativa, sem probabilidades de monotonia em
seu desempenho, em vista de sua flexibilidade. Geralmente,
aquele que trabalha no campo enfrenta grandes distâncias
e, às vezes, grandes alturas entre instrumentos e sensores
de uma mesma cadeia de controle, além de muitas vezes
encontrar percursos acidentados. Esses fatos introduzem
certa morosidade na manutenção.
128
COLEÇÃO
As grandes indústrias amenizam esses problemas mantendo
pequenos laboratórios nos vários setores do campo, com
toda a documentação do processo, do sistema de automação
do controle e catálogos dos instrumentos de cada Malha
de Controle com os respectivos Tags (identificação dos
instrumentos na planta industrial), além do laboratório
central de manutenção de instrumentação.
129
130
COLEÇÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Simone Luzia Maluf Zanon, Sonia Regina Hierro Parolin
e Thaise Nardelli
Trabalhar com realidades estanques e fragmentadas
dificultam a apropriação do conhecimento pelos alunos e
profissionais. A construção de uma visão contextualizada,
que lhes permita uma percepção sistêmica da realidade,
configura-se uma abordagem muito mais própria,
principalmente, na educação profissional.
Nesse sentido, docentes e gestores devem lembrar-se de que
seu papel é o de mediador entre as idéias e as práticas, além
de reconstrutor do conhecimento por meio de aprendizagens
significativas e relevantes.
O docente, ao planejar o processo de ensino, deve prever,
antecipar situações específicas e considerar os interesses
dos alunos. Segundo Weisz (2002), as atividades propostas
pelo docente devem reunir condições para que: a) os alunos
utilizem e aprimorem seus conhecimentos; b) os alunos
resolvam e tomem decisões sobre suas propostas; e c) as
competências trabalhadas mantenham suas características
de objeto sociocultural real, incluindo a aprendizagem
significativa e o contexto em que os alunos estão inseridos.
131
Simone Luzia Maluf Zanon | Sonia Regina Hierro Parolin | Thaise Nardelli
As dificuldades a serem resolvidas e as decisões a serem
tomadas baseiam-se no pressuposto de que o aluno só
consegue avançar na sua aprendizagem quando tem bons
problemas para solucionar; portanto, aprende resolvendo
essas situações adversas. (SENAI/DN, 2006).
Dessa forma, trabalhar com situações-problema e com
projetos é ter consciência da incompletude do ser humano;
é projetar no mundo as próprias possibilidades; é fazer
acontecer; é instigar a busca por melhorias, pela inovação,
pela solução de dificuldades surgidas durante a caminhada
vivencial.
As experiências da SMAR relatadas nesta obra ilustram
a amplitude das vivências com situações-problemas
organizadas no formato de projetos com características
inovadoras. São vivências como essas, que oferecem
a dimensão dos rumos da Educação Profissional e seu
compromisso com o desenvolvimento industrial do país.
132
COLEÇÃO
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DADOS SOBRE OS AUTORES
Heloisa Cortiani de Oliveira
Advogada formada pela UFPR/ 2000, com estágio baseado
na Lei de Inovação Francesa na Université de Technologie
de Compiègne, França/ 2003; Cursando Especialização
em Planejamento e Gestão de Negócios na UNIFAE/PR;
Técnico Responsável pelo NOPI/ Núcleo de Orientação de
Propriedade Intelectual, do Programa INOVA SENAI/SESI/
IEL PR. Contato: [email protected].
Deusdedit Carvalho de Moraes
Mecânico Eletricista formado pelo SENAI, 1956; Instrutor
formado pelo CENAFOR/1968; Técnico em Eletrotécnica
formado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) SP/1968;
Técnico de Chefia e Dinâmica de Grupo pelo IDORT/1964;
Pedagogo formado pela SENADOR FLAQUER com
Habilitação no MEC em Administração Escolar de 1.º e 2.º
Grau e Professor de Psicologia da Educação e Sociologia
da Educação/1974; Controle Avançado formado no IRA/
Institut de Régulation et Automation, França/1978; Lato
Censo/ 2006, Teoria de Psicanálise Aplicada pelo Instituto
139
Saber de Brasília; Técnico em Instrumentação em Energia
(CPFL), entre 1956 a 1961; Instrutor, Chefe dos Cursos de
Elétrica Eletrônica; Supervisor de Instrumentação; Assessor
da Diretoria de Formação Profissional do SENAI/DR/SP,
1961 a 1985; no SENAI, acumulou a função de Assessor da
Secretaria Especial de Informática (SEI) da Presidência da
República, de 1979 a 1985, para projeto e execução da Lei
de Informática para reserva de mercado; Coordenador no
SENAI da implantação do Curso Técnico de Instrumentação
de 1974 a 1985, nos Departamentos Regionais de SP em
Santos e Campinas, no DR/BA, DR/RS, DR/ES; Coordenador
da Transferência de Tecnologia da França para o SENAI/SP/
Santos e do Japão para o SENAI/ES/ Vitória. Desde 1985,
é Assessor da Presidência da SMAR, acumulando com
a Presidência da Instrumentação para Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (INSISTE), Presidência do Grupo
Nacional de Instrumentação de Açúcar, Álcool e Alimentos
(GINAAA). Contato: [email protected].
Simone Luzia Maluf Zanon
Formada em Pedagogia pela UTP/PR/2000; Especialista
em Psicopedagogia pelo IBPEX/PR/2001 e em Inovação
de Projetos Educacionais – Âmbito Escolar e não Escolar
pela PUCPR/2004; Mestranda em Tecnologia/ UTFPR;
Atuante na Área de Educação Profissional do SENAI/PR,
desde 2003, especificamente, nos Cursos Técnicos de Nível
Médio; Participante da elaboração do programa Fundamentos
Pedagógicos para a Educação Profissional do SENAI/PR;
Participante na validação da Metodologia para Avaliação de
Projetos de Cursos, elaborada pelo SENAI/DN, em 2005, na
Região Centro-Oeste, DR/PR e DR/ES. Contato: simone.
[email protected]
140
COLEÇÃO
Sonia Regina Hierro Parolin
Graduada em Artes pela FAP, 1981; Especialista em
Fundamentos da Arte-educação pela FAP, 1998, e em
Administração pelo ISPG, 1997; Mestre em Administração
pela UFRGS, 2001 e Doutora em Administração pela USP
(2008); Gerente do Programa Inova SESI/SENAI/IEL-PR,
desde 2004, na condução de Projetos voltados ao Estímulo
à Criatividade, Empreendedorismo, Inovação e Propriedade
Intelectual; à Educação Profissional e ao Meio Empresarial;
Professora de Criatividade em cursos de Pós-Graduação;
Autora de vários artigos publicados sobre os temas indicados.
Contato: [email protected]
Thaise Nardelli
Graduada em Pedagogia pela UFPR/ 2003; Especialista
em Pedagogia da Gestão Empresarial pela UTP/ 2004 e em
Inovação em Projetos Educacionais: âmbito escolar e não
escolar, pela PUC/PR/ 2005; Mestre em Tecnologia/ UTFPR;
Atuante em Educação Profissional no SENAI/PR, desde
2001 e na área de Educação, desde 1998. Contato: thaise.
[email protected]
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COLEÇÃO
Créditos
2 Edição revisada e ampliada
a
Federação das Indústrias do Estado do Paraná - FIEP
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial/Departamento Regional - SENAI
Diretor Regional
João Barreto Lopes
Diretor de Operações
Marco Antônio Areias Secco
Gerente Programa INOVA SENAI/SESI
Sonia Regina Hierro Parolin
Serviço Social da Indústria - SESI
Diretor Superintendenete
José Antônio Fares
Diretoria de Tecnologia de Gestão da Informação
Diretor de Tecnologia de Gestão da Informação
Pedro Carlos Carmona Gallego
Coordenadoria de Tecnologia e Mídias Educacionais - CTME
Coordenação – Lucio Suckow
Projeto Gráfico – Ana Célia Souza França
Priscila Bavaresco
Tratamento de imagens – Priscila Bavaresco
Editoração – Ana Célia Souza França
Revisão de texto – Bernadete de Lourdes Michelato
Código CTME 012 08
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Elaboração de Projetos Inovadores na Educação Profissional