AUTONOMIA DO ENFERMEIRO NO TRATAMENTO DE FERIDAS Rafaela da Silva Argolo1 Margarete Costa Santos2 A autonomia profissional é alcançada por meio do saber técnico-científico, conquistas legais e representações sociais de uma determinada categoria. Com o avanço da ciência no tratamento de feridas e o crescente interesse dos profissionais de enfermagem, desenha-se um novo campo de atuação e esta categoria assume-se como a principal cuidadora de pessoas com alterações tissulares. As delimitações dos campos de saberes e práticas em saúde, e suas especialidades se por um lado tem levado ao desenvolvimento e a melhoria das condições de tratamento, por outro lado objetos de intervenção de natureza interdisciplinar, como é o cuidado em feridas, tem levado a embates entre diversas categoriais profissionais. Este trabalho tem como objetivo identificar na literatura científica nacional os principais limites e possibilidades de autonomia profissional no tratamento de feridas. Para alcançar tais objetivos utilizou-se como desenho metodológico a revisão sistemática de literatura. A fonte de dados foram artigos disponíveis em SCIELO e LILACS com recorte temporal de 2000 a 2010. Os artigos foram filtrados pela combinação dos unitermos: autonomia, feridas e enfermagem. Da seleção prévia de 15 artigos, foi realizada leitura flutuante e capturados 06 artigos que atendiam ao objetivo do estudo. Os resultados obtidos indicam que os principais limites na autonomia profissional do enfermeiro que cuida de feridas são: falta de legislação dos CORENs que versem sobre o tratamento de feridas; ausência de protocolos e normas para o suporte legal da prática profissional; autonomia limitada para prescrever curativos; poucos cursos de pós-graduação em estomaterapia e enfermagem dermatológica no país; hegemonia do trabalho médico; falta de estímulo para o exercício do poder pela enfermagem. Como possibilidades de autonomia na atuação foram identificados; criação de algorítimos para o cuidado; difusão das Comissões de Feridas nos hospitais e serviços de atenção a pessoa com lesões de pele; Fortalecimento das especialiddes de estomaterapia e enfermagem dermatológica; padronização dos procedimentos de prevenção e tratamento de feridas; estruturação de indicadores de qualidade na terapêutica de lesões. Conclui-se que o exercício 1 Discente do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Email: [email protected] 2 Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Especialista em Saúde Coletiva. Email: [email protected] da autonomia implica uma atitude proativa dos sujeitos, do aparato jurídico-institucional e do reconhecimento social da enfermagem enquanto profissão autônoma na produção do conhecimento em feridas enquanto campo de saberes e fazeres. 1 Discente do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Email: 2 Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Especialista em Saúde Coletiva. Email: [email protected] Descritores: Autonomia; Enfermagem; Ferida. REFERÊNCIAS FERREIRA, Adriano M; BOGAMIL, Daiane D.D; TORMENA, Paula C. O enfermeiro e o tratamento de feridas: em busca da autonomia do cuidado. Arq Ciênc Saúde 2008 jul-set; 15(3):105-9 RODRIGUES, Franciele Silva; SANTOS, Emanuelle Fernandes. A autonomia do enfermeiro no tratamento de feridas em uma abordagem ética e legal. IV Forum de Ensino. Universidade Estadual de Montes Claros. FERREIRA, Adriano Menis; CANDIDO, Mariluci Camargo Ferreira da Silva; CANDIDO, Marco Antonio. O cuidado de pacientes com feridas e a construção da autonomia do enfermeiro. Rev. Enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 out/dez; 18 (4):656-60. 1 Discente do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Email: [email protected] 2 Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Especialista em Saúde Coletiva. Email: [email protected]