ENTREVISTA CESAR RIBEIRO ZANI SUPERINTENDÊNCIA DE OPERAÇÃO BUSCA EXCELÊNCIA O POR QUE A REESTRUTURAÇÃO? Karla Moura Andrade ito meses depois de formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, o engenheiro eletricista Cesar Ribeiro Zani ingressou em FURNAS, em novembro de 1978, na Divisão de Análise de Sistema Elétrico (DANS.O). A unidade está ligada ao Departamento de Estudos e Planejamento Elétrico da Operação (DEE.O), que faz parte da Superintendência de Operação (SO.O) da qual é o gerente desde janeiro de 2004. Ele explica nessa entrevista o que levou a Diretoria de Operação do Sistema e Comercialização de Energia (DO) a reestruturar a superintendência, que reunia comercialização e operação, e os planos da unidade para este ano. mida num mesmo momento. Isso tudo mento do setor, essencial para o país, A reestruturação foi devido ao cres- dificulta a logística de estoque – já que com a criação do Comitê de Monito- cimento da complexidade do setor elé- o que é produzido tem que ser consumi- ramento do Setor Elétrico – CMSE, insti- trico e às novas medidas do atual gover- do –, impedindo que seja classificada tuição da qual fazem parte o Ministério no, como o aumento da importância da como uma commodity. Além disso, ou- de Minas e Energia (MME), o Operador operação e da comercialização de ener- tras duas características dão um caráter Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a gia. Anteriormente, a comercialização especialíssimo ao “produto” energia Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e, ocupava um espaço bastante discreto; elétrica: a essencialidade e a impossibi- quando convocados, os agentes. Uma as empresas regionais tinham seu mer- lidade de substituição por “produto” das funções primordiais do CMSE é o cado cativo, havia um forte acoplamento equivalente. O novo governo, visando acompanhamento do desempenho do entre os aspectos contratual e físico (ope- obter modicidade tarifária criou, no sistema elétrico, identificando os pro- ração propriamente dita), as tarifas eram novo modelo do setor elétrico, um me- blemas e buscando soluções para garan- reguladas e não havia competição. Na canismo onde vence a licitação para tir a segurança e a regularidade do for- década de 90, a reforma do setor elétrico construção de uma nova usina o agente necimento de energia elétrica. A criação implantada em vários países, tendo como que oferecer o menor preço de venda do CMSE e a complexidade do setor base uma forte desregulamentação que para a energia gerada por esta usina. elétrico implicaram no aumento signifi- desacoplou quase que totalmente o as- Estabeleceu, também, que a energia pro- cativo da importância das funções de pecto físico do aspecto contratual, tra- duzida terá a comercialização previa- operação e planejamento da operação tou a energia elétrica como commodity mente assegurada em contrato. Tal me- em FURNAS. Desta forma, a permanên- e acabou malsucedida em quase todos canismo tirou do mercado o caráter cia da operação e comercialização em os países. O blecaute na Califórnia e o especulativo e manteve a competição apenas uma superintendência tornou- racionamento no Brasil servem como entre os agentes. se inviável. não pode ser tratada como arroz e fei- QUE OUTRAS MEDIDAS COMERCIALIZAÇÃO E OPERAÇÃO jão, produtos estocáveis... Ela tem uma ESTIMULARAM ESSA MUDANÇA? NÃO SÃO INTERDEPENDENTES? característica fundamental que é a Outros pontos importantes são a Conversamos muito sobre onde se- instantaneidade: é produzida e consu- reestruturação do processo de planeja- ria a fronteira entre as duas funções, já exemplos. Verificou-se que a energia 4 REVISTA FURNAS ANO XXXI Nº 320 MAIO 2005 que no modelo atual as ações não estão totalmente desvinculadas, pois há, principalmente, os aspectos relacionados ao planejamento da operação energética que interligam as funções de operação e comercialização. COMO ESTÁ ORGANIZADA A SO.O? A Superintendência de Operação “ QUAIS SÃO OS PROJETOS DA SO.O PARA ESTE ANO? Os projetos da superintendência para Outras duas este ano vão além do aumento da qua- características dão um lidade da operação, do aperfeiçoamen- caráter especialíssimo ao 'produto' tem dois departamentos: o DEE.O e o de Operação do Sistema (DOS.O), a essencialidade efetivos e 40 contratados. O DEE.O as demais áreas de FURNAS, e do treinamento de pessoal. Queremos atingir a energia elétrica: totalizando 276 empregados – 236 to da comunicação e da operação com e a impossibilidade excelência em termos de desempenho dos operadores, dos despachantes, dos profissionais que hoje estão envolvidos na área de estudos. Já fizemos um avanço muito grande com a admissão de 36 está todo situado no Escritório Cen- de substituição por novos profissionais, pois a Empresa esta- tral e contempla três divisões: a de 'produto' equivalente va com um quadro de pessoal perto do Análise do Sistema (DANS.O), a de Análise da Proteção (DAPR.O) e a de nível crítico. Devo ressaltar que esses concursados estão tendo um desempe- ” Estudos Especiais da Operação (DEEO.O). O DOS.O reúne cinco cen- nho acima do que a gente esperava, apesar do concurso não ter sido tros de operação: o Central que fun- empreender negociações que envolvem formatado adequadamente às necessi- ciona aqui na sede da Empresa, no o ONS, FURNAS e, em certos casos, as dades da Empresa. Recebemos opera- bloco E, e quatro regionais: em Minas empresas de distribuição e o próprio dores, despachantes, engenheiros e téc- Gerais (na Usina de Furnas), São Paulo MME. Dependendo da situação de como nicos. A meta agora é dar treinamento (na Subestação de Campinas), Goiás se encontra o sistema elétrico naquele intenso para atingirmos a excelência em (na Usina de Itumbiara) e Rio de Ja- momento, é preciso muita cautela, já termos de operação, através da aquisi- neiro (na Subestação de Jacarepaguá). que diminuindo-se a confiabilidade, ção de ferramentas ultramodernas. aumenta-se a possibilidade de um dis- Durante o EDAO – Encontro Para Deba- QUAL A MISSÃO DA túrbio. No caso do sistema de transmis- tes de Assuntos de Operação, realizado SUPERINTENDÊNCIA? são de FURNAS, a situação é bem delica- em março –, conhecemos um simulador A missão da superintendência é ope- da, já que ele percorre grandes distânci- de sistema que oferece ao operador uma rar, cada vez melhor, o Sistema Elétrico as, interligando várias regiões. Seria tela semelhante a que ele vê no Centro de FURNAS, visando o bem público, os como a coluna vertebral do Sistema In- de Operação. Um instrutor executa resultados da Empresa, o atendimento terligado Nacional. Esse equilíbrio entre “emergências” no sistema e o operador, ao Sistema Elétrico Brasileiro, diminuin- atender a necessidade de se efetuar o da sua mesa de trabalho, fala com os do o risco de desligamentos, limitando- programa de manutenção e preservar a centros que, nesse caso, é o instrutor. os apenas àqueles causados por falhas segurança do sistema é um grande desa- Assim sendo, ele é obrigado a repetir de equipamentos e ocorrências da natu- fio e, ao mesmo tempo, muito enrique- todas as ações que faria numa circuns- reza. Devemos, também, atender à ma- cedor por requerer, internamente, um tância real. A grande vantagem desse nutenção do sistema, e quando esse perfeito entendimento e cooperação simulador é que ele é totalmente por- trabalho é realizado é necessário fazer entre as áreas de produção, de manu- tátil, podendo ser instalado num intervenções que podem, eventualmen- tenção e de operação de FURNAS. E, microcomputador e as interações acon- te, provocar a redução da confiabilidade externamente, o mesmo entendimento tecem através da internet, ou pela do sistema. Para essa ação, temos que com o ONS. própria intranet. REVISTA FURNAS ANO XXXI Nº 320 MAIO 2005 5