UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES DEPARTAMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS ANNA LIDIANE OLIVEIRA PAIVA GESTÃO DE RESÍDUOS DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS: As implicações da logística reversa no Brasil NATAL-RN 2013 ANNA LIDIANE OLIVEIRA PAIVA GESTÃO DE RESÍDUOS DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS: As implicações da logística reversa no Brasil Monografia de Conclusão de Curso apresentada ao Curso Superior de bacharelado em Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em cumprimento às exigências legais como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Gestão de Políticas Públicas Orientador: Figueiredo NATAL-RN 2013 Prof. Dr. Fábio Fonseca ANNA LIDIANE OLIVEIRA PAIVA GESTÃO DE RESÍDUOS DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS: As implicações da logística reversa no Brasil Monografia de Conclusão de Curso apresentada ao Curso Superior de bacharelado em Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em cumprimento às exigências legais como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Gestão de Políticas Públicas. MONOGRAFIA APROVADA EM ___/___/2013 BANCA EXAMINADORA __________________________________________________________________ Prof. Dr. Fábio Fonseca Figueiredo UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN (Presidente) __________________________________________________________________ Profª. DrªSoraya Guimarães Hoepfner (Examinadora Externa) __________________________________________________________________ Prof. Esp.Wagner Luiz Alves da Silva INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO NORTE - IFRN (Examinador Externo) AGRADECIMENTOS Agradeço a minha mãe Leonice Mariano, e a meu pai José de Paiva que sempre apoiaram e incentivaram minhas escolhas, e com extremo carinho e dedicação me mostraram como ser firme diante das dificuldades vividas. Agradeço a minha amada irmã Anna Sâmyra, fonte de inspiração e exemplo a ser seguido, sem a qual eu não teria como pensar em iniciar essa graduação. Agradeço a meu esposo Monyson Dias por seu apoio e companheirismo, e agradeço a minha filha, Anna Louise pela compreensão futura de minhas ausências. Agradeço aos colegas de curso pela parceria nessa trajetória e também aos colegas de grupo na disciplina ateliê, que me ensinaram como realmente funciona o trabalho de um gestor. Agradeço aos professores do departamento de políticas públicas que contribuíram com o meu desenvolvimento acadêmico e pessoal, e sempre mostraram-se disponíveis a ajudar. Agradeço a meu estimado orientador Fábio Fonseca, que sempre amigo, ajudou nessa empreitada e com o qual aprendi muito. Agradeço a Sara Medeiros por suas contribuições na finalização e aperfeiçoamento desse trabalho. Os meus sinceros agradecimentos vão para aqueles que eu não citei aqui, mas que estiveram ao meu lado e contribuíram indiretamente com esse trabalho. Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. RESUMO O estudo partiu da nova realidade da gestão de resíduos no Brasil, em que se insere a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e pela inclusão da logística reversa como ferramenta de retorno dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos. Foi realizada uma pesquisa de cunho bibliográfico e documental, contando com uma série de documentos oficiais, nacional e estrangeiro, bem como informações relevantes extraídas de organizações do terceiro setor. Partindo das perspectivas globais de geração de resíduos e da rápida obsolescência de equipamentos elétricos e eletrônicos, foi verificado um manejo inadequado dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos em alguns países em desenvolvimento proveniente da transferência ilegal de resíduos a partir de países com altos padrões de consumo, um cenário que demonstra danos ao meio ambiente e à saúde de trabalhadores informais. A gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos no Brasil se inicia com as práticas de reciclagem, e mostra um problema de direção, não há um tratamento específico para esses resíduos e a lei brasileira ainda não especifica as responsabilidades dos atores no que se refere a logística reversa. Existe resistência por parte dos fabricantes dos produtos, e, para que se efetive o retorno desses resíduos, é necessário que haja uma adequação dos atores de maneira cooperada. Palavras chave: Logística reversa. Obsolescência. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos. Transferência ilegal de resíduos. Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. ABSTRACT The study was based on the new reality of waste management in Brazil, where it operates the National Solid Waste Policy, and the inclusion of reverse logistics as a return of the Waste Electrical and Electronic Equipment tool. A survey of bibliographic and documentary stamp, with a series of official, domestic and foreign documents and relevant information extracted from third sector organizations was held. From the global perspective of waste generation and the rapid obsolescence of electrical and electronic equipment. Inadequate management of Waste Electrical and Electronic Equipment in some developing from the illegal shipment of waste countries from countries with high consumption patterns, a scenario that demonstrates environmental damage to the health of informal workers has been verified. The management of Waste Electrical and Electronic Equipment in Brazil starts with recycling practices, and shows a steering problem, there is no specific treatment for these wastes and Brazilian law does not yet specify the responsibilities of stakeholders with regard to logistics reverse . There is resistance on the part of manufacturers, and for that to take effect the return of this waste , there must be an adjustment of actors in a cooperative way. Key words: Waste electrical and electronic equipment. Reverse logistics obsolescence. Illegal transfer of waste. National solid waste policy. Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Contêiner com lixo hospitar apreendido no Porto de Suape, PE. ............................ 26 Figura 2: Venda de produtos de linha branca em alguns países. ............................................ 29 Figura 3: Imagem da queima de componentes de REEE na África ....................................... 30 Figura 4: Exportação de equipamentos a partir de países desenvolvidos. .............................. 32 Figura 5: Criança em meio aos resíduos na China ................................................................ 34 Figura 6: Mulheres manuseiam REEE na China. .................................................................. 34 Figura 7: Esquematização da logística reversa. ..................................................................... 43 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Categorias de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos conforme Diretiva da UE. . 21 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. LISTA DE SIGLAS SIGLA DEFINIÇÃO ABRELPE Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais CEMPRE Compromisso Empresarial para a Reciclagem CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente EEE Equipamentos Elétricos e Eletrônicos EMPA Laboratórios Federais Suíços de Ciência dos Materiais e Tecnologia EPR Responsabilidade Ampliada do Produtor IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IFRN Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte IMPEL Rede Europeia para a Implementação e Execução da Legislação Ambiental INESFA Instituto Nacional das Empresas de Preparação de Sucata Não Ferrosa e de Ferro e Aço OKO Instituto de Ecologia Aplicada ONU Organização das Nações Unidas PACE Parceria para a Ação em equipamentos de informática PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos PNSB Pesquisa Nacional de Saneamento Básico PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente REEE Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos RN Rio Grande do Norte RSU Resíduos Sólidos Urbanos EU União Europeia UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte UNESCO Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. SUMÁRIO 1Introdução ........................................................................................ 12 1.1 Metodologia ................................................................................................................... 13 1.2 Estrutura dos Capítulos .................................................................................................. 13 2 Os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos na Sociedade Global ............................................................................... 15 2.1 CrescimentoUrbano de Resíduos Sólidos ....................................................................... 17 2.2 Consumo de Bens e a Obsolescência Programada .......................................................... 19 2.3 Os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos .................................................... 20 3 Política e Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos.......................................................................................... 24 3.1 Convenção de Basiléia ................................................................................................... 24 3.1.2 Conferência das Partes ................................................................................................ 25 3.1.3 Normas de Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos na União Europeia .............................................................................................................................. 26 3.2 Manejo de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos em Alguns Países Desenvolvidos. .................................................................................................................... 28 3.3 Impactos em Países Receptores de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos ... 30 3.4 Experiências Internacionais de Responsabilidade Ampliada do Produtor ........................ 35 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 4 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos no Brasil ................................................................................................... 37 4.1 A Política Nacional de Resíduos Sólidos ........................................................................ 39 4.2 Logística Reversa e Responsabilidade Ampliada do Produtor ......................................... 40 4.2.1 Ordenamento do sistema ............................................................................................. 43 5 Considerações Finais...................................................................... 44 6 Referências Bibliográficas ............................................................. 46 Anexos ................................................................................................ 51 Anexo 01 ............................................................................................................................. 52 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 1Introdução Muito se discute sobre a temática ambiental, a preocupação com o esgotamento dos recursos naturais em função do processo de consumo de bens industrializados produzidos principalmente com o uso de combustíveis fósseis e a partir de minerais. As perspectivas de crescimento populacional fazem surgir diversas reflexões sobre a crescente produção de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE), a produção desses equipamentos tem um alto custo ambiental. Ao passo que quanto mais funcionalidades possuir um desses componentes, maior será a demanda por materiais preciosos e recursos naturais. O impacto dessas extrações é visto também pela grande quantidade de água e energia elétrica utilizada para a fabricação de computadores, por exemplo. Além do processo de retirada de matéria prima que desgasta o solo, os métodos de extração contaminam-no com outros materiais, não menos importante e, atrelado a esses processos produtivos está a emissão do gás CO2. O resíduo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (EEE) adquire proporções gigantes quando comparado o nível mundial de geração de resíduos sólidos urbanos, de acordo com o relatório “RECICLING E-WAST TO RESOURCES” do PNUMA. No cálculo total de RSU estima-se que 5% dos gerados são resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. Os componentes mais comuns são computadores e celulares. Este relatório Página 12 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. demarca o descaso com o tratamento e o descarte desses resíduos, especialmente em países pobres para onde se destinam parte dos equipamentos inutilizados. Os REEE são conseqüência desse avanço tecnológico atual, e dos preços cada vez mais acessíveis no mercado consumidor. A tendência é de crescimento, o que leva a dimensão do descarte desses objetos obsoletos. A discussão parte do princípio da reutilização desses materiais que compõem os REEE, se adequadamente reciclados, haveria uma diminuição da retirada de recursos naturais. Os estudos químicos apontam a existência de substâncias perigosas nos locais de depósito de equipamentos descartados, se esses materiais entram em contato com o solo, logo o contaminarão como também ao lençol freático. É prejudicial não apenas ao meio ambiente, mas ao ser humano, principalmente os trabalhadores que mantém contato com esses materiais, que são vítimas de doenças, distúrbios, e em alguns casos, pode ser fatal. 1.1 Metodologia Para o desenvolvimento deste trabalho a metodologia utilizada foi de cunho bibliográfico e documental, com consulta a fontes primárias e secundárias. O referencial teórico ao longo do texto, foi construído a partir de autores que tratam da temática ambiental, dos resíduos sólidos e Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos. Houve consulta de dados a associações relacionadas à limpeza urbana e a reciclagem. Consultou-se projetos nacionais, internacional e um diagnóstico da geração de REEE no Brasil. 1.2 Estrutura dos Capítulos Dividido em quatro capítulos, temos inicialmente esta introdução. No segundo capítulo foi discutido o principal conceito de EEE em âmbito da sociedade global. No terceiro Página 13 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. capítulo foram apresentados os principais instrumentos de política e gestão de REEE no âmbito internacional. O capítulo 4 aborda os regulamentos brasileiros relativos aos resíduos de EEE, tendo apresentado a logística reversa e a responsabilidade ampliada do produtor, para então serem expostas as principais implicações da logística reversa no Brasil. Por fim as considerações que não encerram a discussão, pelo contrário, levantam questionamentos e debates que, no segundo momento, podem ser retomadas em nível internacional. Página 14 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 2 Os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos na Sociedade Global A problemática ambiental passa a ter destaque nas agendas governamentais a partir da década de 1980, o foco das discussões em agências internacionais era o uso dos recursos naturais, principalmente dos não renováveis. O aumento populacional que aconteceu entre os séculos XVIII e XIX, trouxe para o cenário a possibilidade de extinção e degradação do meio ambiente em função da ação humana, partindo da visão teórica neomalthusiana. A Organização das Nações Unidas (ONU) teve notória importância na institucionalização e disseminação dessas políticas ambientais nas mais diversas nações.Sua tentativa, entretanto não se consolidou em termos práticos. Em 1972 ocorreu a primeira conferência das nações em Estocolmo, decorrente disso o tema meio ambiente passaria a se inserir nas agendas políticas e diversas instâncias de poder dos países. É importante destacar que nos anos seguintes as ações de ambientalistas foram fundamentais para ampliar o debate sobre meio ambiente e resíduos, tomando a forma de debate social. O meio ambiente passou a ser visto como um entrave ao desenvolvimento industrial e a acumulação de capital a partir da disseminação dos conceitos e perspectivas futuras, uma vez que representava um retrocesso nas formas de exploração de recursos e produção de bens. Página 15 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Consequentemente foram rechaçadas pelas nações que buscavam um maior desenvolvimento econômico. A tecnologia é fruto da ação, do aperfeiçoamento do trabalho e do relacionamento humano, o desenvolvimento científico proporcionou a criação de meios e de objetos para ampliar e melhorar o convívio em sociedade. Alguns instrumentos tiveram essa função de interligar e estabelecer necessidades sempre em constate mudança, como os televisores, os aparelhos telefônicos e mais recentemente os computadores. A construção de argumentos que edifiquem a noção de que a variável ambiental não é prejudicial à produção de capital ou mesmo a coexistência destas de maneira complementar constitui um dilema para atual momento. Um paradoxo, quando se visiona a falta de produção de bens com uso de matéria prima e da posterior circulação dos fluxos de capital. Logo, como privar as pessoas do progresso tecnológico proeminente? Acordos firmados entre países, em sua maioria, têm como finalidades diminuir índices de contaminação, por exemplo, a emissão de gases poluentes tornou-se um selo de garantia de qualidade, essa apropriação da imagem do ambientalmente correto é um rótulo que encarece produtos e serviços, e não garante de fato a proteção devida. A participação de agências internacionais e instituições financeiras na dinâmica econômica dos financiamentos de ações públicas requerem que atitudes ambientais e socialmente corretas sejam desenvolvidas, no caso do Estado, que se efetivem políticas públicas compensadoras dos danos causados por terceiros. Em alguns casos, esses terceiros são os atores que já alcançaram um grau de desenvolvimento maior que outros, como grandes corporações ou mesmo países exportadores de capital e de indústrias. Países ricos possuem menos indústrias que os países em desenvolvimento, atuam principalmente na concepção dos produtos, consequentemente poluem menos no seu território e enviam as indústrias que causam maior poluição para países pobres. O reflexo disso está no exemplo das multinacionais que mantém os centros de produção em lugares com subsídios Página 16 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. fiscais e mão de obra a baixos custos, e as sedes de inteligência com capacidade decisória e de giro de capital nos países desenvolvidos. Aos países em desenvolvimento, cabe reduzir o próprio crescimento econômico - ou buscar novas vias de produção - para se adequar a padrões de sustentabilidade global, padrões não executados pelos países mais industrializados, consumidores de matérias primas e detentores de grandes mercados de consumo. Alguns países com essas características se recusam a fixar metas previstas nas conferencias entre países e a assinar protocolos de proteção do meio ambiente, mascarando suas práticas consumistas com imagens midiáticas de ambientalmente corretos. Assim, o meio ambiente passou a ter destaque para a sociedade global em decorrência de acidentes de grandes proporções com vítimas e geração de danos a diversos ecossistemas. A discussão sobre meio ambiente e REEE na sociedade global, permeia assuntos relacionados a efetivação de ações nacionais conjuntas, no entanto a realização é prevista na esfera local, os acordos e a discussão se consumará com atitudes práticas nesse espaço. Por ser um tema ligado as vertentes de acumulação de capital e a economias nacionais, não é vinculado aos meios mais comuns de disseminar informação, quando o é, trata-se de informar pequenas ações pontuais como direitos do consumidor e locais de disposição de resíduos sólidos. 2.1 Crescimento Urbano de Resíduos Sólidos A atual coleta de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), de acordo com o Relatório de Economia Verde do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em todo o mundo é de aproximadamente 11,2 bilhões de toneladas por ano. Os resíduos que antes eram colocados em locais a céu aberto ou próximo a bairros com altos índices de pobreza, em sua maioria ainda não recebem o tratamento adequado e não são destinados a aterros apropriados para recebê-los. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Página 17 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. (IBGE) através da Política Nacional de Saneamento Básico (PNSB) de 2008 aponta que, dos 5 565 municípios com manejo de resíduos sólidos, 2 810 destinam seus resíduos a vazadouros a céu aberto, os municípios que tem esse tipo de gestão são na quase totalidade com população até 50 mil habitantes com densidade menos que 80 hab./km². São os pequenos municípios que compõem tal estatística, os que possuem um adensamento populacional baixo, que são dependentes de repasses estaduais e da União, com destinação já comprometida de recursos, e diante do alto custo de manutenção do sistema de gerenciamento de RSU, ficam impossibilitados de efetuarem ações de grande porte. A PNSB 2008 traz dados sobre a coleta no Brasil, foram 183 mil toneladas de RSU ao dia no ano de 2008, verifica-se o significativo aumento quando comparado com o ano 2000, que era em torno de 149 mil toneladas por dia. O aumento constante da produção de resíduos requer dos governos locais e da sociedade uma definição de prioridades e a execução de ações equilibradas, o que parece ainda estar adormecido é que os atuais instrumentos, como os aterros, possuem uma capacidade total, um tempo estimado de funcionamento, regras de proximidade habitacional e outras mais. Haverá constantes esgotamentos de espaços disponíveis para disposição de resíduos nos municípios, o que mostra que não é esta a solução final para a problemática. O desafio em questão é redução da quantidade gerada dos diferentes tipos de resíduos. Dos vários tipos de resíduos, os de equipamentos elétricos e eletrônicos são os que apresentam maior crescimento do volume total tanto em países desenvolvidos, quanto em países em desenvolvimento, de acordo com o relatório anteriormente citado. Nos EUA o valor estimado do sistema de gerenciamento de resíduos é de US$ 410 bilhões por ano. Os resíduos que antes não possuíam valor econômico e eram destinados as proximidades de bairros periféricos, causavam impactos ao meio ambiente, a saúde da população e a própria qualidade de vida das pessoas que habitavam o entorno, atualmente se incorporaram a processos de coleta seletiva e reciclagem na gestão dos RSU, agregando um alto valor econômico. O crescimento populacional dos últimos séculos, no pós-revolução industrial demonstra uma significativa melhora na vida cotidiana do homem, fatores como o progresso Página 18 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. de técnicas e políticas de saúde, como também o desenvolvimento educacional podem ser apontados como propulsores dessa nova demografia. O novo cenário revela o desenvolvimento de uma cadeia de setores econômicos, sociais e ambientais a pouco tempo reflexionado. O crescimento urbano, impacto dessa nova realidade faz reflexo na geração de resíduos sólidos. Como apontam Barbiere; Monte-mór; Silva (2012 p.422) a quantidade e a qualidade de bens demandados e consumidos é que definirá o padrão de geração domiciliar de resíduos. Nas últimas décadas a sociedade vivencia uma mudança nos hábitos de consumo, o padrão de vida geralmente é proporcional ao poder de compra das pessoas. Apesar disso, determinados produtos com diferentes preços tem uma duração semelhante, como também passaram a ter acesso facilitado pela oferta constante no mercado a baixos custos, essas novas possibilidades de aquisições é que convergem na situação do quadro de RSU. 2.2 Consumo de Bens e a Obsolescência Programada A cada ano mais pessoas trocam seus equipamentos domésticos, televisores, celulares, computadores e outros elétricos, em um ciclo que alimenta a produção industrial e a quantidade de REEE. De acordo com Figueiredo (2008), as ações desenvolvidas para planejar o tempo de operação de um eletroeletrônico, como também a constante saída de determinados produtos do mercado constituem a obsolescência programada. O consumidor adquire produtos semelhantes ou iguais com muita frequência, pois eles são programados para durar por um determinado período, de maneira que alimenta-se um ciclo de compra e descarte. No início do século XX a demanda do produto era maior que a oferta. A explicação para este fenômeno foi a escassez de produtos no mercado. A atividade industrial ainda que tivesse alta produtividade para aquela época não conseguia atender ao mercado consumidor que surgia. Mais tarde, com o desenvolvimento e crescimento industrial e o avanço da produtividade, a oferta superou a demanda e não tinha necessidade de introduzir novos Página 19 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. incentivos para aumentar os preços dos produtos e incentivar a compra destes. (FIGUEIREDO, 2008) A obsolescência programada foi um termo criado como determinação para reduzir a vida útil de determinados produtos, essa estratégia era tida como solução para reaquecer a economia da Europa e dos EUA no período da crise de 1929. Mas, antes disso o símbolo dessa ideia foi a redução gradual do tempo de duração de lâmpadas produzidas nos cartéis formados entre as nações industriais europeias e as estadunidenses, com a intenção de aumentar as receitas das empresas fabricantes. Existe um documentário, a história secreta da obsolescência planeada, a respeito da tentativa de conserto de uma máquina de impressão, o proprietário desse equipamento se submete a procurar por conserto em diversos locais especializados, não obtém sucesso. Apenas quando divulga sua necessidade na internet consegue ajuda de alguém que está em outro país e diz-lhe o simples comando a ser executado. Depreende-se então uma lógica, que parte do desconhecimento público de fatores técnicos para que se comprem novos produtos, essa falta de conhecimento é usada como propulsão para o mercado. 2.3 Os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos Hodiernamente, desenvolvem-se tecnologias em alta velocidade e estas estão a cada dia obsoletas. Novos modelos de produtos entram nos mercados domésticos e internacionais com essa mesma frequência, as empresas passam por grandes desafios para se manter nesse mercado globalizado. Esse setor se consolida através de inúmeras multinacionais que dominaram os mercados de vários países e se estabelecem onde haja maior capacidade de produção a baixos custos, ainda que o impacto disso possa ser desconsiderado, países como a China que tem alto índice de industrialização, sofrem com os custos para a saúde de vivência da população, e com as consequências da poluição do meio ambiente. É comum a presença de tais instituições nos mercados asiáticos, os países as atraem com facilidades fiscais, insumos Página 20 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. barateados e altas capacidades técnicas desproporcionais as médias salariais que são muito baixas. O espaço de discussão e efetivação de atitudes relacionadas a práticas efetivas sobre REEE ainda é restrito, os estudos científicos estão em fase construtiva, geralmente as pesquisas procuram quantificar e identificar os direcionamentos desses resíduos, mas as abordagens sobre impactos socioeconômicos e ambientais ainda são embrionárias. A destinação desses resíduos para países em desenvolvimento é alvo de discussão nos próximos itens. De acordo com a Diretiva da União Europeia são «Equipamentos elétricos e eletrônicos», ou «EEE», os equipamentos cujo adequado funcionamento depende de correntes elétricas ou campos eletromagnéticos, bem como os equipamentos para geração, transferência e medição dessas correntes e campos, pertencentes às categorias abaixo definidas, as seguintes categorias compõem-se de produtos específicos. A lista desses produtos está nos anexos desse trabalho. Quadro 1 – Categorias de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos conforme Diretiva da UE. Categorias de EEE 1 2 3 4 5 6 Grandes eletrodomésticos Pequenos eletrodomésticos Equipamentos de informática e de telecomunicações Equipamentos de consumo e painéis fotovoltaicos Equipamentos de iluminação Ferramentas elétricas e eletrônicas (com exceção de ferramentas industriais fixas de dimensões) 7 Brinquedos e equipamentos de esporte e lazer 8 Aparelhos médicos (com exceção de todos os produtos implantados e infectados) 9 Instrumentos de Monitoramento e controle 10 Distribuidores Automáticos Fonte: Adaptado da Diretiva 2002/96/CE do Parlamento Europeu. As análises a respeito dos resíduos desses equipamentos consideram que são Resíduos de EEE todos os componentes, subconjuntos e materiais consumíveis que fazem Página 21 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. parte do produto no momento em que este é descartado. Esse documento traz ainda especificações sobre o processo de possível reutilização, reciclagem e demais ciclos que posteriormente serão analisados. Em função dessa ação europeia esse termo é assim usado internacionalmente. Os mais diversos equipamentos que podem variar entre grandes e de pequeno porte, como já foi visto no Quadro1, possuem diversas destinações na dinâmica dos mercados nacionais quando vão para consertos, assistência técnica, e que não há uma solução casual chegam a formar um mercado de revenda informal, onde circulam pelo comercio das sucatas. De acordo com o INESFA1, são mais de cinco mil empresas espalhadas pelo Brasil, com maior concentração na região sudeste e com uma média de menos de dez empregados em cada uma. O Anexo 01 mostra detalhadamente o que são os EEE e quais equipamentos se enquadram nas categorias acima citadas. Revela-se desde então a necessidade de ampliação institucional dos REEE, que movimentam um grande fluxo de dinheiro, ocorre importação e exportação desses materiais sem que haja uma normatização específica, demonstrando também um padrão de trabalho subvalorizado, que será abordado em seguida. A preocupação com total de resíduos gerados no mundo em termos quantitativos e de volume dos EEE é relacionada principalmente a presença computadores, televisores e aparelhos celulares, o problema está entre outros fatores no tempo de vida útil delimitado desde a sua produção industrial que tem como consequência o descarte desses elétricos. Segundo Robinson (2009), gira em torno de três anos o tempo de utilização de um computador. As inovações tecnológicas, as mudanças de funcionalidades, os novos padrões de produção como no caso de televisores de tubo, aparelhos de videocassetes ambos substituídos por TV’s de LCD, e aparelhos de DVD. Como também o aperfeiçoamento de produtos, o 1 Disponível em: http://www.inesfa.org.br/downloads/o_mercado_ferroso_brasileiro.pdf Página 22 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. barateamento destes, e a necessidade de acompanhar um sistema de produção frequente fazem boa parte desses equipamentos se tornarem resíduo em pouco tempo. No Brasil as especificações sobre REEE ainda são recentes, e foram credenciadas pela ABNT em março desse ano, as quais se apresentaram indispensáveis de especificação após a sanção dada a Lei Nº 12.305/2010 que prevê a PNRS e sua efetivação até o ano de 2014. Esta Norma objetiva estabelecer requisitos para proteção ao meio ambiente, o controle dos riscos da segurança e saúde no trabalho na atividade proveniente de manufatura reversa de resíduos eletroeletrônicos. Diante do exposto, não há dúvidas que os REEE causam grandes impactos ambientais devido a sua composição química nos de ciclos de reciclagem, incineração ou mesmo destinação final. No tocante aos recursos ambientais, a água também é muito utilizada nos processo de fabricação e há um gasto crescente de energia elétrica. Dessa maneira, As matérias primas mais utilizadas na produção de EEE são: cobre, ferro, alumínio, cádmio, níquel, chumbo, lítio, índio, berílio, tálio, plástico, e também os combustíveis fósseis que são utilizados como fonte de energia e para produzir polímeros aditivos e produtos químicos básicos (RODRIGUES, 2007, p. 80-81). Nessa inter-relação entre uso e extração de recursos, o processo que retira esse material da natureza também é um ponto a ser examinado. Em termos gerais a mineração se constitui como a forma mais utilizada para extrair metais da natureza, o processo se torna invasivo por mexer com uma grande quantidade de materiais para separar os minérios, o que além de consumir combustível fóssil no maquinário de extração, e de separação causa um impacto sobre o meio ambiente local e diversos ecossistemas. O consumo de minérios está voltado para grandes mercados de produção industrial. Segundo Rodrigues (2007) esse consumo de concentra nos EUA, Canadá, Austrália, Japão e Europa Ocidental, e mostra também que a extração desses minérios se volta cada vez mais aos países em desenvolvimento. A extração de matérias primas se configura como uma atividade mais atraente ao mercado industrial por ser mais barata do que o processo de reciclagem dos EEE. Página 23 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 3 Política e Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos Os equipamentos elétricos e eletrônicos quando são descartados incorretamente geram impactos nocivos para o meio ambiente. Esses equipamentos foram propagados em escala global no início do século passado, a problemática que os acompanhou foi a rápida modernização tecnológica, as necessidades pessoais de estar conectado à rede de internet, como também ter acesso a bens de consumo que proporcionassem bem estar e conforto. Os REEE se distinguem dos demais resíduos, e por isso é que devem ser desenvolvidas políticas específicas para a sua gestão. No entanto seu gerenciamento é caro e tende a desviar fluxos de resíduos de países onde a legislação determina seu tratamento adequado a países pobres, onde não existem mecanismos regulatórios. 3.1 Convenção de Basiléia A Convenção de Basiléia surge em um cenário de direcionamento interno de leis ambientais em diversos países, diante de um fluxo indiscriminado de resíduos. Realizada em Basel na Suíça, a conferência diplomática que deu origem a convenção ocorreu no ano de 1989, mas só entrou em vigor em 1992. Para o alcance dos objetivos estabelecidos, cada país participante deve gerir seus resíduos assegurando a saúde das pessoas e do meio ambiente, de Página 24 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. maneira que estes resíduos permaneçam no Estado em que foram gerados, a importação deve ser evitada e só ocorrer quando da negociação entre os países que receberão e os que enviarão. Essa convenção diz respeito ao controle de movimentos transfronteiriços de resíduos perigosos e seu depósito. Trata dos instrumentos de possível controle. Esse acordo entre países objetivava regulamentar e inibir um comércio que ocorria sem obstáculos e assegurar segurança para o meio ambiente, já que os destinos eram, e ainda são os países pobres. A participação e assinatura na conferência não garantiriam instrumentos efetivos que inibissem isoladamente a chegada de materiais perigosos, e mesmo do problema mais recorrente que são os REEE. Tornou-se necessário criar políticas nacionais em cada país correspondente as ideias da convenção. O Brasil promulgou o texto da convenção através do Decreto Nº 875, de 19 de julho de 1993. A resolução do CONAMA Nº 23 de 12 de dezembro de 1996 fortaleceu os regulamentos para esses perigos iminentes, dispõe sobre o tratamento a ser dado aos resíduos considerados perigosos conforme a convenção de Basiléia, classificando-os e dá importantes limitações sobre a importação para fins empresariais relacionados a remanufatura ou reciclagem. O IBAMA é o órgão que autoriza e fiscaliza as atividades do setor. Apesar da amplitude industrial relacionada ao período de criação das regulamentações nos Estados, criação de secretarias específicas ao setor ambiental em âmbito global, as ações individuais não significam por si só uma gestão adequada de todos os resíduos, e também não poderia acarretar o fim do transporte de resíduos de qualquer natureza. 3.1.2 Conferência das Partes A Conferência das Partes foi criada pelo artigo 15 da Convenção de Basiléia, ela é responsável por elaborar políticas, decidir sobre mudanças no texto da Convenção e traçar estratégias de gerenciamentos dos resíduos perigosos (ZIGLIO, 2005, p. 47). Já foram realizadas até o momento sete conferências, a última foi marcada pela reafirmação de regras quanto a responsabilidades para quem exporta ou importa e compensações de danos correspondentes a tráfegos de resíduos perigosos ou pelo seu depósito. Um ponto Página 25 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. questionável dessas conferências é quanto à representação dos Estados membros, sobre até que ponto eles tem participado sobre a decisão de um assunto em pauta. O Brasil assinou a convenção e participa das conferências, apesar disso não está protegido contra a entrada ilegal de resíduos. A exemplo disso, a apreensão de contêineres com lixo hospitalar vindo dos Estados Unidos. Esse material chegava ao estado pernambucano que é polo de produção têxtil no País, como tecido de algodão defeituoso, no entanto, se tratava de lençóis e demais roupas de cama destinadas a confecções de bolsos de roupas. Figura 1: Contêiner com lixo hospitalar apreendido no Porto de Suape, PE. Fonte: Máfia do Lixo 3.1.3 Normas de Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos na União Europeia As normas de gestão dos resíduos de EEE se aplicam aos Estados que são membros da União Europeia através das diretivas do bloco, elas determinam entre outras possibilidades Página 26 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. as práticas de responsabilidade ampliada do produtor que dizem respeito ao retorno de produtos a distribuidores e fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos para que sejam reciclados, desviando o fluxo de REEE dos aterros e da consequente incineração. Segundo Nnorom e Osibanjo2 (2008), as estipulações feitas pela diretiva determinam que: A concepção e a produção de EEE devem facilitar a desmontagem e recuperação para reutilização posterior e reciclagem dos REEE; Os REEE devem ser recolhidos separadamente de outros tipos de resíduos, e esta coleta deve ser gratuita para as famílias; As melhores técnicas de tratamento disponível, de valorização e reciclagem devem ser usadas para garantir a saúde e a proteção do ambiente; Os EEE colocados no mercado após 13 de Agosto de 2005 devem ser marcados com o gráfico ‘latão’, a fim de manter o produto fora da coleta geral de resíduos urbanos; Até o final de 2006, os Estados membros devem atender a uma taxa de 4 kg/ano/habitante recolhidos em habitações particulares; Até o final de 2006, os produtores devem cumprir uma meta de reutilização e reciclagem de REEE; A taxa varia de 50 a 80% por categoria de REEE [...], os produtores são responsáveis pelo financiamento do retorno e gestão dos REEE; As informações necessárias para cumprir esses requisitos devem ser fornecidas aos usuários e às instalações de tratamento. (p. 850) Para melhorar a clareza da Diretiva 2002/96/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de janeiro de 2003, houve uma complementação das demais diretivas através da Diretiva 2012/19/EU do Parlamento Europeu e do Conselho, de 4 de julho de 2012. Essa complementação diz respeito ao incremento de novos equipamentos no rol de produtos que devem ter sua composição química modificada e que se enquadram nas atividades de responsabilidades dos produtores. De acordo com o artigo oitavo da última publicação de diretivas, o tratamento adequado de resíduos de EEE deve incluir no mínimo a retirada dos fluidos considerados perigosos. No que se refere à exportação de REEE, a diretiva especifica que o exportador deve provar que o tratamento ocorreu em condições equivalentes aos requisitos da diretiva. 2 Tradução nossa. Página 27 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 3.2 Manejo de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos em Alguns Países Desenvolvidos. É notório o aumento da compra de alguns equipamentos que, de acordo com o Anexo 01 são grandes equipamentos (placas elétricas, fornos elétricos, fogões elétricos, máquinas de lavar louça, secadores de roupa, máquinas de lavar, frigoríficos, geladeiras). Mas também é importante lembrar que apesar das normas de gestão determinarem que deve haver uma redução doméstica da compra desses equipamentos a partir de 2006, não há como reverter esses números em um curto espaço temporal. Após a aprovação das diretivas referentes às regras de disposição, tratamento, e financiamento de processos que façam parte do gerenciamento de REEE, o manejo de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos no que se refere à responsabilização dos processos pós consumo passou do âmbito governamental nos estados membros da União Europeia para a cadeia de fabricantes. Mesmo que esses gráficos reflitam uma dinâmica de mercado interligada a produtos de linha branca que tem uma vida útil mais longa comparados a equipamentos de pequeno porte como computadores e aparelhos celulares, a intenção é demonstrar uma realidade de consumo crescente dentro dos países desenvolvidos que aparecem na figura 2. Alguns desses países serão mostrados como propulsores de políticas de responsabilização de produtores de equipamentos elétricos e eletrônicos, no entanto existem apontamentos que indicam a saída de fluxos transfronteiriços de resíduos, mesmo que a revelia das determinações da Convenção de Basiléia, dessas localidades para outras nações. Página 28 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Figura 2: Venda de produtos de linha branca em alguns países. Fonte: E wasteguide.info. Página 29 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 3.3 Impactos em Países Receptores de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos A globalização e o mercado de consumo mostram uma superioridade européia que remonta a época das grandes navegações, as diretivas são exemplo mundial quando se refere aos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. No que se refere à destinação de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos a países em desenvolvimento, com freqüência ocorrem entradas desses resíduos como instrumentos de possível utilização, como o caso de computadores, que chegam a esses lugares com o disfarce de incluir socialmente pessoas no meio digital. É de vários países da União Européia que saem REEE com destino a países da África, da Ásia e da América Latina. Figura 3: Imagem da queima de componentes de REEE na África Fonte: Swiss Federal Laboratories for Materials Science and Technology (EMPA) São inúmeros os desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento que recebem ou geram os REEE. Segundo Nnorom e Osibanjo 3 (2008, p. 844) “Nesses países, devido à falta de infraestrutura de gerenciamento dos resíduos de forma segura, eles são enterrados, 3 Tradução nossa Página 30 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. queimados à céu aberto ou despejados em corpos de águas superficiais.” É possível ver a queima de resíduos na figura 3, comum em muitos países da África. Quando surgem, as oportunidades nessas localidades são relacionadas a empresas de reciclagem que extraem os componentes valiosos que estão nos equipamentos elétricos e eletrônicos que foram descartados no país ou importados O secretariado da Convenção de Basiléia é responsável pela condução de um projeto na África, para mapeamento dos REEE conjuntamente com os Laboratórios Federais Suíços de Ciência dos Materiais e Tecnologia (EMPA), o Instituto de Ecologia Aplicada (Instituto Oko), a Rede Européia para a Implementação e Execução da Legislação Ambiental (IMPEL), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e com a Parceria para a Ação em Equipamentos de Informática (PACE). O E-waste Africa Project tem um cunho prioritariamente econômico, porque busca estreitar parcerias entre as pequenas empresas de reciclagem. Apesar disso, o projeto identifica pontos importantes sobre mapeamento e destinação dos resíduos, especificando quais os países que mais exportam resíduos para o continente africano e quais países recebem. Existem diversas associações que fazem diagnósticos sobre a chegada e a geração local de REEE. Os resultados preliminares desse projeto (não há na internet a versão final) demonstram que os países europeus que mais exportam para a África Ocidental equipamentos elétricos e eletrônicos em fim de vida, que são aqueles que ainda podem ser usados por um curto espaço de tempo, são Alemanha e Holanda. Outros países também entram nessa lista, a Figura 4 clarifica melhor essa percepção. Não por acaso, a chegada de resíduos se dá pela via marítima, alguns desses países receptores possuem costa oceânica, e de acordo com o projeto acima citado a importação se dá por tal via, a partir do Reino Unido, da Holanda e da França. A pesquisa que embasou o projeto E-waste África mostra que na região ocidental do continente alguns países sofrem mais com a geração e importação ilegal de REEE, por isso são alvos de diagnósticos, muitas vezes não há destinação para reciclagem colocando diversas Página 31 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. localidades em risco de contato com substâncias perigosas para o meio ambiente e para o homem. Delimitando a pesquisa a quatro países: Benin, Costa do Marfim, Gana e Nigéria. Em Gana, foi identificado que há uma separação de metais como partes de maior interesse, as partes que contem substâncias perigosas não são tratadas e sim despejadas no solo ou queimadas durante o processo de desmontagem. Figura 4: Exportação de equipamentos a partir de países desenvolvidos. Fonte:Zentralverband der Elektroindustrie(2010 apud E-wasteAfricaProject, 2010) O estudo também revela que há um centro de reciclagem onde os resíduos de EEE são desmontados de forma ambientalmente saudável e que algumas partes que não são desmontadas nesse centro, em Gana, são reexportados para a Europa. Na Nigéria os produtos obsoletos de fim de linha que chegam ao país fornecem diversos empregos formais e informais, que não necessitam de qualificação como coleta e a reciclagem, já o conserto de aparelhos emprega outra fração de trabalhadores. Página 32 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Esses países estão entre os que possuem os menores PIB per capita do mundo, a maioria por assim dizer é da Ásia e da África, e dependem desses mercados informais por não disporem de meios próprios de desenvolvimento e necessários a curto prazo para manter as necessidades mínimas. Há pessoas que lidam com esses materiais para garantir alimentação mínima e condições precárias de sobrevivência. A figura 4 mostra uma realidade alarmante, o repasse de resíduos gerados em países europeus a países africanos ocorre como um comércio que movimenta a economia local, como o desenvolvimento de um sistema que fosse benéfico, partindo do pressuposto de pormenorização do continente e desses países. Os anos de exploração imperialista de nações européias sobre as colônias africanas não foram suficientes para o desenvolvimento de tais nações? É necessário reverter todos os ônus decorrentes dos avanços conquistados, levar as indústrias que poluem para países pobres, explorar o capital humano, de uma segregação que demonstra uma superioridade que não existe, que tornou esses povos estigmatizados como servos de etnias superiores. As quantidades de resíduos de EEE de acordo com Robinson (2009) não são possíveis de ser quantificadas, pois existe clandestinidade em algumas operações, que encontram brechas na Convenção de Basiléia. Exemplo disso é o caso de organizações que enviam em meio a equipamentos obsoletos uma enorme quantidade desses já sem funcionalidade. As maiores quantidades vão para a china, outros destinos são: Índia, Paquistão, Vietnã, Filipinas, Malásia, Nigéria, Gana, e possivelmente, Brasil e México Puckettet al (2005 apud ROBINSON, 2009). A China recebe diariamente incontáveis toneladas desses resíduos, a cidade de Guiyu é foco nas discussões internacionais e de uma indústria ilegal de separação e revenda de componentes, os regulamentos e restrições internacionais não permitem a saída de materiais danosos ao meio ambiente de um país em destinação a outro. As barreiras são ignoradas e o fluxo de resíduos vai diretamente para países na Ásia e na África.A destinação é fruto de um jogo econômico feito por países desenvolvidos, alguns buscam a retirada dos REEE e de outros resíduos do território, outros veem uma oportunidade lucrativa. A preocupação de Página 33 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. várias agências internacionais, como a ONU, é sobre os meios de trabalho utilizados pelas pessoas que lidam com a desmontagem, a exploração do trabalho infantil, os riscos para a saúde humana se sobressairiam diante dessa lucratividade já mencionada. É possível visualizar este cenário através de documentários, fotos e reportagens nesses países. Figura 5: Criança em meio aos resíduos na China Fonte: Greenpeace, Natalie Behring (2012). Figura 6: Mulheres manuseiam REEE na China. Fonte: CNN, 2013. Página 34 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. As figuras 5 e 6 revelam os verdadeiros trabalhadores dos desmontes de EEE, a figura 5 mostra uma criança com um avental próprio para separação de componentes, suja e sem qualidade de vida, ou traços que remetam a um crescimento saudável. A figura 6 mostra a realidade já conhecida sobre a pormenorização do trabalho feminino, em ambas, impera a necessidade básica de sobrevivência e sustento. 3.4 Experiências Internacionais de Responsabilidade Ampliada do Produtor O termo EPR (Extended producer responsibility), é citado ao longo dos regulamentos e literaturas internacionais estudadas. É visto na literatura nacional como Responsabilidade Ampliada do Produtor utilizado por Rodrigues (2007), ou Responsabilidade Alargada do Produtor como usam Bueno, Haumann e Pizarro (2013). Nesse trabalho foi utilizada a terminologia ‘Ampliada’. De acordo com Rodrigues (2007), os Estados Unidos da América (EUA) e o Canadá são países que realizam trabalhos voluntários através de Organizações Não Governamentais para colocar em prática projetos de reutilização e reciclagem. No Canadá, uma organização não governamental foi formada por fabricantes de EEE para apoiar processos relativos a gestão de REEE, como a discussão de regras e propósitos. Nos EUA, alguns estados construíram legislações que indicavam a proibição de dispor produtos de linha branca e que contivessem tubos de raios catódicos nos aterros, nesse país existe uma taxa que é paga no momento em que a compra é efetuada com o intuito de financiar o sistema de gestão de resíduos. No Japão, alguns equipamentos, como televisores, refrigeradores e aparelhos de ar condicionado são destinados a empresas de reciclagem, mas antes disso eles passam por locais de estocagem. De acordo com Nnorom e Osibanjo (2008), em Taiwan um exemplo bem sucedido de reciclagem de computadores deu início ao sistema de EPR, a partir da coleta e Página 35 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. armazenamento de sucatas recolhidas em pontos próprios, em um período de quatro meses no ano de 1998 foram recuperados cerca de noventa e um mil (91.000) unidades. Página 36 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 4 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos no Brasil Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos se constituíram um fator de preocupação para o meio ambiente, principalmente por compor altas porcentagens no total de RSU gerado no país. A gestão de REEE se apresenta embrionariamente em torno de uma institucionalização de políticas e regulamentos, passa a se inserir em um mercado gerido por empresas que fazem logística reversa, redirecionando componentes e produtos que foram descartados por consumidores. Outrossim, é sedimentada sobre políticas amplas, que são incipientes diante do crescimento da produção urbana de RSU consequentemente de REEE. O Brasil também enfrenta um novo desafio, o de obter e divulgar informações sobre o sistema de gestão desses resíduos. Os REEE são desafiadores para o sistema de gerenciamento, pois tem uma complexidade maior na sua composição química e estrutural, o processo de reciclagem não é como o de produtos da mesma composição, plástica por exemplo. O preocupante não é a relação do total da composição de plásticos, ferro, aço e mesmo vidro, a periculosidade está nos compostos utilizados larga escala que são prejudiciais. Os custos financeiros da atual gestão são altos, em primeiro plano pelo já discutido aumento dos resíduos, em segundo, a modernização dos sistemas que compõem a própria gestão desde a coleta até a destinação final. O gerenciamento desse moderno ciclo possui altos custos financeiros em aterros sanitários, controlados, ou a céu aberto, todas as opções implicam em desgaste ambiental. Página 37 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. A vigente terceirização do gerenciamento de RSU mostra-se como uma possibilidade de fiscalizar e obter dados sobre a composição total e específica dos REEE. A partir dessa averiguação de dados seria possível vislumbrar as quantidades de geração per capita, identificar quais políticas seriam cabíveis as diferentes camadas sociais e localidades específicas, as ações públicas seriam mais bem direcionadas. As despesas do próprio aterro se constituem um novo custo para as prefeituras do Brasil. Os planos de gerenciamento dos resíduos sólidos passaram a ser obrigatórios a partir da PNRS e deveram ser cumpridos até o ano 2014. Nesse aspecto a colocação dos fluxos provenientes da união através de repasses sofre uma divisão setorial. A maioria dos mais de cinco mil municípios não possui verbas orçamentárias para a efetivação do que prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que é o atual instrumento de regulamentação mínima dos REEE e traz uma nova discussão para o embate ambiental, a logística reversa desses equipamentos. Em comparativo com outros países a isenção de um valor extra para repasse do consumidor ao fabricante garantiria que a logística reversa funcionasse e em parte estes produtos, ou partes tidas como rejeitos, não estariam em aterros sanitários. Seus fabricantes os teriam de volta com um recurso a mais para redirecioná-lo e possivelmente reduzir o uso de matéria prima para fabricação de novos equipamentos, mantendo o conhecido ciclo de reciclagem, porém com o aperfeiçoamento técnico e tecnológico que necessitam os resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. Essas formas de participação financeira podem ser tarifas proporcionais ao valor de compra e se tornarem um instrumento de parâmetro regulatório. Muitos seriam os impactos dessa nova forma de cobrança, o principal seria uma possível fuga, as pessoas usariam uma forma de dispor indevidamente os resíduos, ou mesmo se recusariam a pagar. Os custos despendidos para a fiscalização e institucionalização de uma nova ação política, os parâmetros de pagamento sobre peso e ainda as implicações sobre quem não pudesse pagar um novo tributo são nuances de novos pensamentos que surgem sobre a temática RSU e que requerem empenho financeiro e a constituição de uma nova cultura à sociedade. Página 38 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Alguns estados tomaram iniciativa quanto à destinação através de lei e também elaboraram seus próprios panoramas. O estado de Minas Gerais foi pioneiro na elaboração de um diagnóstico estadual, da região metropolitana de Belo Horizonte e nacional. 4.1 A Política Nacional de Resíduos Sólidos Trata-se da Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, dispõe sobre princípios, objetivos e instrumentos relativos a gestão integrada do resíduos sólidos e seu gerenciamento, a partir de determinação do Governo Federal em regime de cooperação com Estados e Municípios. Para entender o desenvolvimento da PNRS, é necessário compreender qual o fato gerador das políticas para o meio ambiente no Brasil. As políticas ambientais brasileiras surgiram da necessidade de preservar espaços territoriais que sofriam risco de extinção, quer pelo desenvolvimento agrícola nacional, quer pela extração de madeira florestal. No decorrer do século XX são feitas tentativas de regular o uso dos recursos naturais, essa regulamentação tenta efetivar-se a partir da criação de leis, códigos e órgãos governamentais de fiscalização. Apesar da necessidade e urgência na resolução dos problemas advindos dos resíduos sólidos, a semelhança de outras questões ambientais brasileiras, passaram-se décadas sem que a administração pública formulasse políticas direcionadas a essa questão. Formulada inicialmente no ano de 1991 para ser apresentada na Conferência do Rio em 1992, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada pela presidência da república em agosto de 2010. A PNRS, que possui um extenso arcabouço normativo composto de trinta e três artigos, objetiva normatizar as ações de um setor caracterizado pela preponderância da informalidade das atividades e falta de informações confiáveis e atualizadas (FIGUEIREDO, 2013, p. 146). O fragmento acima demonstra uma semelhança entre as questões ambientais brasileiras, no âmbito da PNRS. É possível falar de resíduos sólidos que são o alvo da política e também de referir aos REEE, as políticas ditas pelo autor sofreram uma ação temporal de esquecimento, foram postas em contramão a dinâmica de consumo. O cenário atual que motivou a sanção dessa lei é de crescimento vertiginoso dos RSU. Segundo Bachi (2013) “a Página 39 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Política Nacional de Resíduos Sólidos não se refere diretamente aos REEE e deve ser ainda implementada, discorre que enquanto esta política estava sendo avaliada, aumentava-se a quantidade de REEE disposto no meio ambiente, em lixões, aterros e outros”. Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos têm uma presença relativa nessa nova política, ao contrário das diretivas do parlamento europeu que determinam como deve ser a gestão dos REEE, e como devem ser os processos de reciclagem de cada componente. A PNRS contempla a logística reversa de alguns objetos em específico, e trata da logística reversa, equiparando-a a um termo conhecido internacionalmente como Responsabilidade Ampliada do Produtor (EPR). No último artigo da Política Nacional de Resíduos Sólidos consta a afirmação que a logística reversa relativa aos produtos de que tratam os incisos V e VI do caput do art.33– respectivamente lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, produtos eletroeletrônicos e seus componentes – será implementada progressivamente segundo cronograma estabelecido em regulamento. 4.2 Logística Reversa e Responsabilidade Ampliada do Produtor O crescente fluxo de compra de equipamentos elétricos e eletrônicos no Brasil está acarretando um novo paradigma na gestão de resíduos, as atuais dinâmicas de vendas desses eletroeletrônicos mostram que não há até o momento, diminuição possível desses fluxos. Um contraponto atualmente é estudado e já tendo sido implementado em outros países. A logística reversa de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, que é o retorno dos equipamentos que um dia foram comercializados e utilizados por consumidores para as empresas que os fabricaram. Todavia é indispensável o desenvolvimento de infraestrutura que garanta a coleta dos resíduos e um destino seguro a eles, de maneira que minimizem-se os impactos ambientais causados por uma possível disposição incorreta. Segundo Rogers e Tibben-Lembke (apud CAMPOS, PIMENTA e SILVA, 2013, p. 546): Página 40 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. A logística reversa compreende o gerenciamento do fluxo inverso dos produtos, após o consumo, abrangendo os processos de coleta, transporte, armazenagem, estoque e desmontagem, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de agregar valor aos resíduos e minimizar os impactos sobre o meio ambiente. De acordo com Xavier et al (2010) um sistema de logística reversa deve ser uma associação tanto das soluções propostas pelo Governo Federal quanto pelas empresas que fabricam equipamentos eletroeletrônicos. Fato relevante para a dinâmica desse sistema quando observadas as dimensões territoriais brasileiras, os termos discutidos sobre a implementação de práticas como a responsabilidade ampliada do produtor (EPR) mostraram que essa política de EPR foi introduzida em países com um sistema institucional avançado. Países que já possuem infraestrutura em espaços urbanos consolidados, como transportes, vias de tráfego, portos, e também tecnologia para tratar resíduos de EEE. O problema se amplia quando é revelada a ótica das indústrias fabricantes desses produtos, há uma forte resistência quanto à aplicação de leis que determinem a volta de equipamentos sem utilidade funcional, ou seja, as indústrias que estão aqui no país são contrárias as práticas de logística reversa. O conceito de EPR surgiu em 1991 na Alemanha, nasceu da necessidade reduzir o custo de gerenciamento de resíduos, como também de uma tendência a priorizar a melhora de produtos eletroeletrônicos. O termo EPR se aplica aos anseios de proteção ao meio ambiente, tornou-se um forte instrumento de controle dos fluxos produtos ditos fim de linha, ou que estejam sem utilidade. Dessa forma, “[...] obriga os produtores a cobrirem o custo de coleta, reciclagem e descarte [...]” (BUENO; HAUMANN; PIZARRO, 2013, p. 54). A prática de ações voltadas para EPR determina como consequência à formulação de novas estratégias empresariais, entre elas, a mais comum é quando a organização tenta atrair o consumidor através de certificados de reciclagem. Os principais objetivos da responsabilidade ampliada do produtor são: prevenir e reduzir resíduos, reutilizar produtos, aumentar na produção de novos equipamentos o uso de Página 41 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. materiais reciclados, internalizar os custos ambientais nos preços dos produtos e consequentemente reduzir o consumo de recursos naturais. Os mecanismos mais usados por esta política são taxas e impostos acrescidos sobre produtos, como as taxas de reciclagem com antecedência, impostos sobre o retorno de produtos e sobre matérias primas (NNOROM; OSIBANJO, 2008). Algumas portas de divulgação são importantes para o sistema básico de logística reversa, como demonstra o estudo feito por Dmajorovic (2012). Os canais utilizados por empresas, como telefone, serviço de atendimento ao consumidor, e-mail e suporte de assistência técnica de algumas empresas do ramo de celulares e baterias, não conseguem repassar para o consumidor a necessidade das práticas de logística reversa, tampouco sobre seu descarte. A pesquisa mostra que não há facilidade com relação à buscas nos sites dessas empresas sobre depósitos de equipamentos obsoletos ou sobre destinação final, e que a comunicação é imprescindível para inserir o consumidor ao ciclo da logística reversa. No Brasil, o sistema mais aplicado de logística reversa é a coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos. De acordo com o CEMPRE (Compromisso Empresarial Para a Reciclagem), nesse sistema a reciclagem de resíduos secos coletados nas áreas urbanas atingiu a marca de 27% de resíduos que foram inseridos novamente na atividade produtiva, a coleta é devida na sua maioria ao trabalho de catadores. Outro dado importante diz respeito ao total de municípios que dispõem do serviço de coleta seletiva, 14% e deste número 86% estão no Sul e Sudeste do país. Na publicação anual Cempre Review, produzida pela associação CEMPRE, se verifica que a inexistência de dados oficiais torna esse trabalho de quantificar a reciclagem algo complexo, assim como outros fatores como a dimensão do território nacional, e a quantidade de atores que exige esse mercado (desde catadores até empresas de coleta desses materiais). Constatou-se também que no ano de 2010 houve uma perda de R$ 8 bilhões ao enterrar os resíduos que poderiam ser reciclados. Página 42 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Esses resíduos possuem alto valor, e podem ser estocados para servir de matéria prima para a industrialização de novos equipamentos, uma vez que a reciclagem desses materiais pode se autofinanciar. É possível inferir que há uma compatibilidade momentânea entre a necessidade de ações ambientais voltadas para o controle dos REEE, os requisitos legais necessários a implementação da logística reversa, porém as atitudes das indústrias que fabricam EEE ainda devem ser repensadas em âmbito global. 4.2.1 Ordenamento do sistema A direção dos fluxos pós-consumo é que determinará o desfecho da logística reversa. Se esses resíduos forem condicionados sob destinação segura, onde não se verifique desvio para mercados secundários, as consequências serão a otimização das matérias primas secundárias para a fabricação de novos equipamentos, evitando a extração indiscriminada e a organização de um sistema benéfico ao meio ambiente e ao homem. Figura 7: Esquematização da logística reversa. Fonte: Mueller (2005 apud DEMAJOROVIC, 2012). Página 43 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 5 Considerações Finais A problemática dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos começa a ter caráter prioritário nas discussões devido ao aumento na composição total dos resíduos sólidos urbanos. Esse crescimento, a nível global, evidencia a necessidade de ações conjuntas intergovernamentais para a gestão adequada dos REEE, O que pode requerer a adoção de responsabilidades compartilhadas, onde haja de maneira clara a definição dos papéis de diferentes atores. A demonstração de falta de interesse de quem produz no que se refere a efetuar a logística reversa, pode significar a reincidência de responsabilidades por quem já opera o gerenciamento de resíduos, os entes federados mais vulneráveis, os municípios. O modelo mundial de legislação (as diretivas da união europeia) consegue efetuar suas premissas, de inibir certas substâncias, repassar para o produtor a responsabilidade e os custos advindos dos REEE, porém não significa um impedimento quanto a transferência de resíduos para países pobres. Não existem soluções definitivas, ou que estejam disponíveis na literatura consultada, o que se verifica em nível global é que a situação tende a se agravar com o passar dos anos. A abordagem bibliográfica e documental em nível nacional mostrou uma expectativa anterior a PNRS e quanto as implicações da Política. Posteriormente, há uma frustração por esse mecanismo não contemplar os resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos de forma específica. Página 44 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. As políticas ambientais brasileiras se constituíram como incipientes ao longo do desenvolvimento nacional e do próprio legado regulamentar. Condicionadas por vertentes territoriais e de preservação de florestas e águas. As legislações se adequaram timidamente ao momento em que foram criadas, embora demonstrassem certa urgência nas causas que as motivassem, quando postas em prática. A gestão de REEE é permeada de complexidades estruturais e possui diversas etapas, as quais podem ser muito onerosas. O sistema brasileiro direcionado a esses resíduos ainda é obscuro. O desmonte desses resíduos se tornou um risco eminente a quem os manuseia e ao meio ambiente O CEMPRE criou um comitê especializado em resíduos eletroeletrônicos, tendo como membros diversas empresas do ramo e se tornou um espaço de discussão sobre os REEE, esse comitê defende um compartilhamento das responsabilidades sobre esses resíduos entre a sociedade, governo e indústrias. Na prática, significa benefícios para o setor privado quando se onera mais o consumidor e são concedidos incentivos por parte do Estado, é uma maneira de compensar custos advindos das novas políticas internas geradas pela PNRS A sustentabilidade não aparece como compatível com as atuais classes consumidoras. Onde se verifica o individualismo próprio do capitalismo, em que prevalece essa falta de iniciativa cultural conjunta, as pessoas não tomam atitudes com o argumento de ser mínima frente ao todo que se constitui o espaço urbano. Diante do que já foi descrito sobre resíduos, o que se mostra emergente é uma necessária adequação do manejo de REEE a gestão de resíduos sólidos já existente no Brasil, considerando as determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos, como também a proposição de políticas que tenham participação voluntária de consumidores e pessoas que tenham equipamentos em suas residências, a ação conjunta trará o benefício ao meio ambiente, para que haja a disseminação de uma nova prática de preocupar-se com a destinação final de um produto sem utilidade, sobre a necessidade de comprá-lo. Página 45 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. 6 Referências Bibliográficas BACHI, M. Helena. Resíduos tecnológicos: A relação dos Resíduos Eletroeletrônicos com a Legislação do Brasil. Revista Brasileira de Gestão Ambiental – RBGA, Pombal, PB, v.7, n.1, p. 01- 05, jan./mar. 2013. Disponível em: <http://www.gvaa.com.br/revista/index.php/RBGA/article/view/1923>. Acesso em 29 ago. 2013. BARBIERI, A. F.; MONTE-MÓR, R. L.; SILVA, H. Demografia do consumo urbano: um estudo sobre a geração de resíduos sólidos domiciliares no município de Belo Horizonte. R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v. 29, n. 2, p. 421-449, jul./dez. 2012. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/rbepop/v29n2/a12v29n2.pdf>. Acesso em: 12 out. 2013. BOUERES, J. A.; DEMAJOROVIC, J.; HUERTAS, M. K. Z.;SILVA, A. G. da.; SOTANO, A. S. Logística Reversa: Como as Empresas Comunicam o Descarte de Baterias e Celulares? Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rae/v52n2/v52n2a04.pdf>. Acesso em: 29 ago. 2013. BRASIL. Lei 12. 305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de resíduos Sólidos altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, 03 de agosto de 2010. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 20 de ago. 2013. BUENO, P. de A.; HAUMANN, F. C.; PIZARRO, C. A.. LEVANTAMENTO DE DADOS SOBRE A RECICLAGEM DO LIXO ELETRÔNICO NO MUNICÍPIO DE MEDIANEIRA– PR. Tecno-Lógica, v. 17, n. 1, p. 52-59, 2013. Disponível em: <http://online.unisc.br/seer/index.php/tecnologica/article/view/3638>. Acesso em 16 nov. 2013. Página 46 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. CASTRO, R. C.; HERNÁNDEZ, C. T.; MARTINS, F. A. S. Modelo de Gerenciamento da Logística Reversa.Gest. Prod., São Carlos, v. 19, n. 3, p. 445-456, 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/gp/v19n3/01.pdf>. Acesso em: 29 ago. 2013. CAMPOS , L. M. de S.; SILVA, L. A. A. da.; PIMENTA , H. C. D. Logística Reversa dos Resíuduos Eletrônicos do Setor de Informática: Realidade, Perspectivas e Desafios na Cidade do Natal-RN. Revista Produção Online, Florianópolis, SC, v.13, n. 2, p. 544-576, abr./jun. 2013. Disponível em: <http://www.producaoonline.org.br/rpo/article/view/1133>. Acesso em: 29 ago. 2013. DANTÉS, G. B.;PORTUGAL, S. M. Diagnóstico da Geração de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE) 2010. Revista de Resíduos em Referência, Belo Horizonte, MG, p. 16-21, Dez. 2010. Disponível em: <http://www.cmrr.mg.gov.br/media/uploads/2012/01/24/Revista%20Tecnica%201%20Edicao .pdf>. Acesso em: 29 ago. 2013. DIRECTIVA 2002/96/CE DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHOde 27 de Janeiro de 2003 relativa aos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE). Jornal Oficial da União Europeia, 13.2.2003. Disponível em: <http://eur- lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2003:037:0024:0038:pt:PDF>. Acesso em: 14 out. 2013. DEMAJOROVIC, Jacques. Da política tradicional de tratamento do lixo à política de gestão de resíduos sólidos. Revista de Administração de Empresas, v. 35, n. 3, 1995. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rae/v35n3/a10v35n3.pdf>. Acesso em: 14 out. 2013. DEMAJOROVIC, Jacques et al. LOGÍSTICA REVERSA: COMO AS EMPRESAS COMUNICAM O DESCARTE DE BATERIAS E CELULARES?. RAE - Revista de Administração de Empresas, v. 52, n. 2, p. 165-178, 2012. Página 47 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. DRUMMOND, J. A Legislação Ambiental Brasileira de 1934 a 1988: Comentários de um cientista ambiental simpático ao conservacionismo. Ambiente & Sociedade. Ano II, nº 3 e 4, 2º semestre de 1998, 1º semestre de 1999, p. 127-149. FIGUEIREDO, F. F. Basuras eletrónicas, la reproducción del modelo de obsolescencia programada. Barcelona/Espanha: Anais do IV Simposio Internacional Territorios y Sociedades en un Mundo en Cambio: Miradas Contrastadas en Iberoamérica, 2008. FIGUEIREDO, F. GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL E SEUS REBATIMENTOS EM NATAL, BRASIL (solid waste management in Brazil and its repercussions in Natal, Brazil). Revista Mercator, v. 12, n. 2, p. 145 a 152, 2013. Disponível em: <http://www.mercator.ufc.br/index.php/mercator/article/view/1180/502>. Acesso em: 07 out. 2013. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pnsb2008/PNSB_2008.p df >. Acesso em: 07 out. 2013. NNOROM, I. C.; OSIBANJO, O. Overview of electronic waste (e-waste) management practices and legislations, and their poor applications in the developing countries. Resources, Conservation and Recycling, v. 52, n. 6, p. 843-858, 2008. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921344908000165>. Acesso em: 26 out. 2013. PRADO, Monica Igreja. Eletrônicos: do lixo ao lucro: a escassez de matéria prima para a contínua produção de equipamentos eletrônicos eo peso para a reciclagem pós-consumo-doi: 10.5102/un. gti. v2i1. 1576. Universitas: Gestão e TI, v. 2, n. 1, 2012. Disponível em: <http://publicacoes.uniceub.br/index.php/gti/article/view/1576/1563>. Acesso em: 15 nov. 2013. Página 48 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. REIDLER, Nivea Maria Vega Longo. Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos em instituições de ensino superior: estudo de caso e diretrizes para elaboração de plano de gestão integrada. 2012. Tese (Doutorado em Saúde Ambiental) - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6134/tde-16052012-141559/>. Acesso em: 23 out. 2013. ROCHA, G. H. T. et al. Diagnóstico da geração de resíduos eletroeletrônicos no estado de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2009. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/4E1B1104/DiagGer_REE_MG_FEAM_EM PA.pdf>. Acesso em: 09 nov. 2013. ROBINSON, Brett H. E-waste: an assessment of global production and environmental impacts. Science of the Total Environment, v. 408, n. 2, p. 183-191, 2009.Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048969709009073>. Acesso em: 26 out. 2013. RODRIGUES, Angela C. Impactos Sócio-ambientais dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: Estudo da Cadeia Pós-consumo no Brasil. Santa Bárbara D’Oeste; 2007. 303 p. (Dissertação de Mestrado) – Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo da UNIMEP. Disponível em: <https://www.unimep.br/phpg/bibdig/pdfs/2006/KFTTMPPVCRXA.pdf>. Acesso em: 09 nov. 2013 SCHLUEP, M. et al. Recycling – from e-waste to resources. StPE study report commissioned by UNEP and UNU. Germany: UNEP, 2009. 90 p. Disponível em: <http://www.unep.org/pdf/Recycling_From_e-waste_to_resources.pdf>. Acesso em: 26 out. 2013 WIDMER, Rolf et al. Global perspectives on e-waste. Environmental Impact Assessment Review, v. 25, n. 5, p. 436-458, Página 49 de 54 2005. Disponível em: Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0195925505000466>. Acesso em: 26 out. 2013. XAVIER, Lúcia H.; LUCENA, L. C.; COSTA, M. D.; XAVIER, V. DE A.; CARDOSO, R. S.Gestão de Resíduos Eletroeletrônicos: mapeamento da Logística Reversa de Computadores e Componentes no Brasil.3º Simposio Iberoamericano de Ingeniería de Residuos, 2º Seminário da Região Nordeste sobre Resíduos Sólidos, Recife, PE, 2010. Disponível em: <http://www.redisa.uji.es/artSim2010/Gestao/Gest%C3%A3o%20de%20residuos%20electroe lectr%C3%B4nicos_mapeamento%20da%20log%C3%ADstica%20reversa%20de%20compu tadores%20e%20componenetes%20no%20Brasil.pdf>. Acesso em: 29 ago. 2013. ZIGLIO, Luciana. A Convenção de Basiléia e o destino dos resíduos industriais no Brasil. São Paulo, 2005. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. Disponível em: <http://www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/teseBasileia.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2013. Página 50 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil Anexos Página 51 de 54 PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. Anexo 01 Quadro: Classificação Dos Equipamentos Elétricos e eletrônicos por Categoria. EEE POR CATEGORIAS Grandes Grandes aparelhos de arrefecimento, frigoríficos, Congeladores, Outros eletrodomésticos grandes aparelhos utilizados na refrigeração, conservação e armazenamento de alimentos, Máquinas de lavar roupa, Secadores de roupa, Máquinas de lavar louça, Fogões, Fornos elétricos, placas de fogão elétricas, Micro-ondas, Outros grandes aparelhos utilizados para cozinhar ou transformar os alimentos, Aparelhos de aquecimento elétricos, Radiadores elétricos, Outros aparelhos de grandes dimensões para aquecimento de casas, camas, mobiliário para sentar, Ventoinhas elétricas, Aparelhos de ar condicionado, Outros equipamentos de ventilação, ventilação de exaustão e condicionamento. Pequenos Aspiradores, Aparelhos de limpeza de alcatifas, Outros aparelhos de eletrodomésticos limpeza, Aparelhos utilizados na costura, tricô, tecelagem e outras formas de transformar os têxteis, Ferros de engomar e outros aparelhos para engomar, calandrar e tratar o vestuário, Torradeiras, Fritadeiras, Moinhos, máquinas de café e aparelhos para abrir ou fechar recipientes ou embalagens, Facas elétricas, Aparelhos para cortar o cabelo, secadores de cabelo, escovas de dente elétricas, máquinas de barbear, aparelhos de massagem e outros aparelhos para o cuidado do corpo, Relógios de sala, relógios de pulso e aparelhos para medir, indicar ou registrar o tempo, Balanças. Equipamentos de Processamento centralizado de dados: Macrocomputadores (mainframes), informática e de Minicomputadores, Unidades de impressão, Equipamentos informáticos telecomunicações pessoais, Computadores pessoais (CPU, rato, ecrã e teclado incluídos), Computadores portáteis «laptop» Página 52 de 54 (CPU, rato, ecrã e teclado Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. incluídos),Computadores portáteis «notebook» , Computadores portáteis «notepad» , Impressoras, Copiadoras, Máquinas de escrever elétricas e eletrônicas, Calculadoras de bolso e de secretária, e outros produtos ou equipamentos para recolher, armazenar, tratar, apresentar ou comunicar informações por via eletrônica, Sistemas e terminais de utilizador, Telecopiadoras (fax), Telex, Telefones, Postos telefônicos públicos, Telefones sem fios, Telefones celulares, Atendedores automáticos e outros produtos ou equipamentos para transmitir som, imagens ou outras informações por telecomunicação. Equipamentos de Aparelhos de rádio, Aparelhos de televisão, Câmaras de vídeo, consumo e Gravadores de vídeo, Gravadores de alta-fidelidade, Amplificadores painéis áudio, Instrumentos musicais e outros produtos ou equipamentos para fotovoltaicos gravar ou reproduzir o som ou a imagem, incluindo sinais ou outras tecnologias de distribuição do som e da imagem por outra via que não a telecomunicação, Painéis fotovoltaicos. Equipamentos de Aparelhos de iluminação para lâmpadas fluorescentes (com exceção dos iluminação aparelhos de iluminação domésticos), Lâmpadas fluorescentes clássicas, Lâmpadas fluorescentes compactas, Lâmpadas de descarga de alta intensidade, incluindo lâmpadas de sódio sob pressão e lâmpadas de Haletos metálicos, Lâmpadas de sódio de baixa pressão, Outros equipamentos de iluminação ou equipamento destinado a difundir ou controlar a luz (com exceção das lâmpadas de incandescência). Ferramentas Berbequins, Serras, Máquinas de costura, Equipamento para tornear, elétricas e fresar, lixar, triturar, serrar, cortar, tosar, brocar, fazer furos, puncionar, eletrônicas (com dobrar, encurvar, ou para processos similares de tratamento de madeira, exceção de metal e outros materiais, Ferramentas para rebitar, pregar ou aparafusar ferramentas ou remover rebites, pregos ou parafusos, ou para usos semelhantes, Página 53 de 54 Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos: As Implicações da Logística Reversa no Brasil PAIVA, Anna Lidiane Oliveira. industriais fixas Ferramentas para soldar ou usos semelhantes, Equipamento para de grandes pulverizar, espalhar, dispersar ou para tratamento de substâncias líquidas dimensões) ou gasosas por outros meios, Ferramentas para cortar relva ou para outras atividades de jardinagem. Brinquedos e Conjuntos de comboios elétricos ou de pistas de carros de corrida, equipamentos de Consoles de jogos de vídeo portáteis, Jogos de vídeo, Computadores para esporte e lazer ciclismo, mergulho, corrida, remo, etc. Equipamento desportivo com componentes elétricos ou eletrônicos, Caça-níqueis (slot machines). Aparelhos Equipamentos de radioterapia, Equipamentos de cardiologia, médicos (com Equipamentos de diálise, Ventiladores pulmonares, Equipamentos de exceção de todos medicina nuclear, Equipamentos de laboratório para diagnóstico in vitro, os produtos Analisadores, Congeladores, Testes de fertilização, Outros aparelhos para implantados e detectar, evitar, controlar, tratar, aliviar doenças, lesões ou deficiências. infectados) Instrumentos de Detectores de fumo, Reguladores de aquecimento, Termostatos, Monitoramento e Aparelhos de medição, pesagem ou regulação para uso doméstico ou controle como equipamento laboratorial, Outros instrumentos de controlo e comando utilizados em instalações industriais (por exemplo, em painéis de comando). Distribuidores Distribuidores Automáticos automáticos de garrafas ou latas quentes ou frias, Distribuidores automáticos de bebidas quentes, Distribuidores automáticos de produtos sólidos, Distribuidores automáticos de dinheiro, Todos os aparelhos que forneçam automaticamente todo o tipo de produtosPT. FONTE: Adaptado da DIRECTIVA 2002/96/CE DO PARLAMENTO EUROPEU Página 54 de 54