UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSU” ENERGIAS ALTERNATIVAS EÓLICA E SOLAR JAIR PINTO RODRIGUES JUNIOR Orientadora PROFª MARIA ESTHER RIO DE JANEIRO 2010 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATU SENSU” REVOLUÇÃO ENERGÉTICA E BENEFÍCIOS QUE A ENERGIA ALTERNATIVA TRAZ PARA O PLANETA E PARA A ECONOMIA. Apresentação de monografia ao Instituto a Vez do Mestre – Universidade Cândido Mendes para obtenção especialização de no grau de curso de Gestão Ambiental. Jair Pinto Rodrigues Junior 3 AGRADECIMENTOS Ao corpo docente do Instituto A Vez do Mestre, à profª Maria Esther pela atenção, colaboração e ajuda no desenvolvimento da pesquisa, aos alunos e pessoas que contribuíram confecção desse para a trabalho de monografia e à minha esposa em especial. 4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho de Monografia aos meus familiares em especial à minha mãe, minha esposa e meu filho que muito colaboraram para a realização desse trabalho. 5 RESUMO Esse trabalho tem como objetivo mostrar etapas e histórico da Revolução Energética e também uma abordagem sobre a importância das energias alternativas (eólica e solar) dentro do nosso panorama sócio-econômico, levando em consideração a escassez do petróleo e de outros combustíveis fósseis. As energias alternativas, também chamadas “energia limpa” não só trazem benefícios para a economia e aos consumidores, como também contribuem fortemente para a preservação do nosso planeta, bem como a diminuição das emissões de gases de efeito estufa (CO2 e CH4), o desmatamento das florestas, tratando-se do carvão ainda utilizado como fonte de energia em alguns países, entre outros. Essa questão da preservação, dependendo do ponto de vista, deveria ser levada mais em consideração, pois a humanidade é totalmente dependente dos recursos naturais e gratuitos que dispomos, mas o que realmente se vê é que infelizmente o mais importante ainda continua sendo as questões econômicas, que desempenham um papel de forte aliada nessa mudança de consciência, e assim, juntando o útil ao agradável, conseguimos chegar ao objetivo principal que é estar eliminando essa matriz energética e substituído-a por energia limpa. 6 METODOLOGIA Este trabalho foi concluído com base em pesquisas cujas fontes de consultas foram: Sites, matérias de revistas cedidas pela Infoteca Light e livros relacionados ao tema. Na tentativa de trazer para futuros pesquisadores um conteúdo diversificado, mas bastante consolidado dentro do conceito de Revolução energética. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - A REVOLUÇÃO ENERGÉTICA 10 CAPÍTULO II - ENERGIA EÓLICA 24 CAPÍTULO III – ENERGIA SOLAR 36 CONCLUSÃO - 46 BIBLIOGRAFIA - 48 WEBGRAFIA - 49 ÍNDICE - 50 8 INTRODUÇÃO Neste trabalho de monografia estaremos abordando a história da revolução energética, bem como tipos de obtenção de energia considerados menos nocivos para o meio ambiente e o nosso planeta. Dentre os modelos de energia, também chamados “limpa”, daremos maior ênfase à energia eólica e à energia solar, que estão ganhando força devido as suas fontes de alimentação que são extraídas ou utilizadas, mas sem a agressão causada à natureza, como acontece com os combustíveis fòsseis que ainda são muito utilizados. Todo método de captação de energia, mesmo os menos agressivos como a eólica, a solar, a biomassa, entre outros, também possuem vantagens e desvantagens. Por exemplo, a energia eólica, a matéria prima para a sua captação é o vento que é um bem natural, não há custos para se obtê-lo, em contra partida nos deparamos com a construção das turbinas eólicas que são extremamente caras, é necessário dispor de espaço para a sua instalação, e um fator que mais preocupa é o ruído que as turbinas emitem quando estão em atividade que causam danos à audição humana. A energia solar sua fonte também é um bem natural que ao contrário do que algumas pessoas pensam, não precisa estar fazendo sol para sua captação, basta a luminosidade do dia e somente à noite não conseguimos captar essa energia. Mas com toda essa vantagem, temos custos com os materiais empregados necessários e mão de obra especializada para a sua instalação. Então podemos concluir que não é tão simples essa transição da matriz energética atual para modelos de captação de energia denominadas “limpa”, mesmo porquê não é só a questão do custo considerado, mas também a vontade política, a nossa cultura capitalista, entre outros aspectos que acabam gerando barreiras para a evolução dessa consciência voltada para a preservação do meio ambiente. 9 Embora saibamos desses empecilhos, também acreditamos que é possível, e isso já vem acontecendo, utilizar energia limpa, obter lucratividade e ao mesmo tempo colaborar com a preservação do nosso planeta, para a geração atual, como para as gerações futuras, estando em conformidade com a sustentabilidade. Falaremos também da importância da força empresarial e o aquecimento da economia, que vem crescendo em adesão a energia limpa ainda modestamente, lógico que não poderia ser em curto prazo, mas de médio a longo prazo, pois o empresariado já percebeu uma lucrativa forma de negócio, se o seu produto possui certificações de conformidade com as exigências dos órgãos ambientais, e isso pode ser um diferencial perante seu concorrente direto, esse produto terá maior aceitação para o mercado consumidor. Percebe-se que uma mudança dessa matriz energética por energia limpa é possível e também muito desejável, considerando-se os benefícios ao meio ambiente, solução para a escassez de combustíveis fósseis e diversos outros problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica. 10 CAPÍTULO I REVOLUÇÃO ENERGÉTICA Nosso planeta vem sofrendo conseqüências catastróficas com a lentidão nos avanços em eficiência energética. A experiência com políticas para aumentar a eficiência energética e o uso de energias renováveis está crescendo, criando alternativas e produzindo muitos modelos que podem auxiliar-nos para um futuro esperado mais próximo. “Conforme Fabiano, Das mais diversas maneiras a energia está presente e se manifesta em nosso dia a dia. É assim, por exemplo, quando usamos os músculos ou máquinas elétricas, quando acendemos o fogão com um fósforo, quando nos alimentamos ou mesmo quando obtemos informações via rádio ou televisão. Essa diversidade manifesta o vasto campo de pesquisa que a palavra energia carrega consigo, cobrindo desde o uso de recursos naturais até os aspectos relacionados ao desempenho das modernas tecnologias, bem como permitindo uma abordagem que envolva seus componentes sócioeconômicos e ambientais. Até mesmo quanto sua evolução histórica e suas perspectivas futuras.”(Fabiano Silva, 2009, p.13). A energia é essencial para a vida humana. Necessitamos de energia para aquecer, refrescar, iluminar nossas casas, bem como para cozinhar e conservar nossos alimentos. A energia abastece nossos carros, caminhões e outros meios de transporte. A energia faz com que funcionem nossas indústrias, escritórios e outros locais de trabalho. Nos Estados Unidos e em outros países industrializados 11 (anexo I) quase toda esta energia utilizada é originária de combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás natural) e eletricidade. Os combustíveis fósseis e a eletricidade parecem ser abundantes, baratos e prontamente disponíveis. Sem contabilizar os impostos, um litro de gasolina custa quase o mesmo que um litro de água engarrafada. Ligamos nossos equipamentos e luzes com apenas um toque, raramente pensando em como a eletricidade é produzida ou sobre as conseqüências sobre a geração da eletricidade. Enchemos nossos tanques de gasolina sem nos importarmos com a procedência do combustível ou com as conseqüências de nossa cultura, que utiliza combustíveis fósseis intensamente. A energia afeta nossas vidas de outras formas além do nosso uso direto de energia. As geradoras de energia, como as maiores empresas petrolíferas, estão entre as maiores e lucrativas corporações do mundo. As ações dessas empresas afetam economias de governos e de todo mundo, como ficou evidenciado pelo espetacular colapso do Híperon e de suas ramificações. A distribuição de energia e a busca de recursos energéticos no mundo todo afetam as relações entre os países, como se tem testemunhado com os conflitos periódicos por causa do petróleo na região do Golfo Pérsico ou com as contendas entre a Opep e os países importadores de petróleo. A intenção deste capítulo é mostrar que tanto as fontes quanto às tendências atuais do uso de energia não são sustentáveis. Se permanecer o consumo cada vez maior de combustíveis fósseis causará muitos danos ao meio ambiente, um risco sem precedentes de mudanças climáticas, além de rápida e crítica redução dos recursos naturais. Se forem mantidas as tendências energéticas atuais, haverá também um aumento da desigualdade e das tensões entre as nações, tensões estas que inflamam conflitos regionais e manifestações violentas como as que ocorreram contra o World Trade Center e contra o Pentágono em 11 de Setembro de 2001. Simplificando, se for mantido o cenário da atualidade para a energia, o bem estar das futuras gerações estará em risco. 12 Fica evidenciado que uma “revolução energética“ é possível e desejável. Ao se enfatizar uma eficiência energética bem maior e uma crescente confiança em fontes de energia renovável, como a solar, e a eólica e a bioenergia, todos os problemas associados aos atuais padrões e tendências energéticas podem ser mitigados. No entanto, há um conjunto imenso de barreiras que limitam o poder de avanços em eficiência energética e a transição para as fontes de energia renovável em quase todo o mundo. Também podemos concluir que é possível superar estas barreiras por meio de políticas públicas esclarecidas. A experiência com políticas para aumentar a eficiência energética e o uso de energias renováveis, está se expandindo, produzindo muitos modelos e lições bem sucedidas que podem guiar os próximos passos. O crescimento da adoção das políticas que se mostraram eficazes, bem como o aumento e a concentração dos esforços internacionais, poderiam acelerar a revolução energética e resultar em um futuro energético mais sustentável. Ao invés de considerar políticas e cenários energéticos futuros, é recomendável rever o uso global de energia durante os dois últimos séculos. O uso mundial de energia aumentou 20 vezes desde 1850, 10 vezes desde 1900, e mais de quatro vezes desde 1950 (ver figura I1). Este aumento dramático do uso de energia proporcionou um padrão de vida bem melhor e uma considerável parcela, mas não toda da crescente população mundial. Esse crescimento no uso de energia, nos últimos 100 anos, ocorreu principalmente no mundo industrializado, que abriga cerca de 20% da população mundial. “... Segundo Geller, Nossas fontes de energia sofreram uma grande mudança nos últimos anos. A maior parte da energia consumida no século XIX era em forma de biomassa – lenha, carvão e resíduos agrícolas – também conhecidos como fontes tradicionais de energia. A produção e uso do carvão se expandiram rapidamente no final do século XIX, fazendo do carvão a principal fonte de energia mundial durante cerca de 70 13 anos, iniciando-se por volta de 1890. Em meados do século XX, a produção e uso de petróleo rapidamente se aceleraram, tornadoo a fonte de energia dominante durante os últimos 40 anos. Além disso, tanto o uso do gás natural quanto o da energia nuclear cresceram rapidamente nos últimos 25 anos. Assim, o conjunto de fontes de energia se mostra bastante dinâmico. O mundo já passou por outras revoluções energéticas.“(Geller, 1998, p.16 ). Os combustíveis fósseis respondem por cerca de 80% do fornecimento global de energia atualmente entre os combustíveis fósseis, o petróleo é responsável pela maior fatia e responde por cerca de 35% do fornecimento global de energia. O carvão é responsável por cerca de 23% e o gás natural por cerca de 21% do total. As fontes de energia sustentável respondem por cerca de 145 do fornecimento global, mas as maiores partes delas estão em fontes tradicionais. As modernas fontes de energia renovável, incluindo as hidroelétricas e eólica, bem como as modernas formas de bioenergia, respondem por cerca de 4,5% do fornecimento total. A energia nuclear fornece os 6% restantes do fornecimento global. Uma grande parcela da população mundial aproximadamente dois bilhões de pessoas ainda dependem quase que inteiramente da lenha e de outras fontes tradicionais de energia para suprir suas necessidades energéticas. Essas famílias não consomem nem eletricidade, nem gás natural um fator primordial que contribui para o seu empobrecimento. Enquanto isso, os cidadãos mais ricos do mundo consomem quantidades cada vez maiores de combustíveis fósseis, energias hidroelétricas e nucleares para abastecer um número crescente de veículos, instalações físicas e equipamentos. 14 1.1 - Perspectivas energéticas atuais e suas implicações O cenário atual prevê que o uso global de energia crescerá cerca de 2% ao ano, nas próximas décadas. Por exemplo, o 2000 World Energy Outlook, produzido pela Agência Internacional de Energia, projeta em seu cenário de referência que a demanda mundial de energia crescerá cerca de 54% entre 1997 e 2020 (ver figura I-2). O uso do petróleo cresceria 56%, o uso do gás natural 86%, e o uso do carvão 49%, de acordo com essa previsão. Os combustíveis fósseis responderiam por quase 84% do fornecimento primário total de energia em 2020, acima de sua fatia de 80% em 1997. O uso de combustíveis tradicionais nos países em desenvolvimento continuaria a crescer, porém mais lentamente que o crescimento projetado para o uso de combustíveis fóssil. “... Outras previsões indicam que, caso se mantenha as atuais políticas e tendências energéticas, o uso global de energia pode dobrar os níveis de 1990 até 2025, triplicar até 2050 e crescer ainda mais na segunda metade do século XXI.” (Geller, 2003, p.18). Estima-se que a maior parcela desse crescimento aconteça em países em desenvolvimento, devido a seu grande crescimento demográfico e aos baixos níveis atuais de consumo de energia. Os países em desenvolvimento poderiam ultrapassar os países industrializados em termos de uso total de energia até 2025. Mas esse uso per capita, em países industrializados continuaria a crescer e permaneceria bem mais alto do que nos países em desenvolvimento nos cenários atuais. É sabido que um futuro de grande crescimento e de uso intensivo de energia gerada por combustíveis fósseis apresenta uma gama de problemas e desafios para a humanidade. Esses problemas e desafios incluem altos custos, 15 poluição do ar, aquecimento global, riscos de segurança, depleção de recursos e desigualdade. 1.2 - Custos exorbitantes A construção de usinas elétricas, oleodutos e gasodutos, além de outros equipamentos para o fornecimento de energia são capital-intensivos. As análises mostram que, se o uso mundial de energia continuar a crescer na ordem de 2% ao ano, investimentos em fornecimento de energia da ordem de US$11-13 trilhões serão necessários, no período 2000-2020, e US$26-35 trilhões adicionados serão necessários, no período 2020-2050(em valores de 1998). Esse nível de investimento de US$500 bilhões a US$1 trilhão por ano - é de duas a quatro vezes o nível mundial de investimento em produção e conversão de energia na década de 1990. O aumento de investimentos em fornecimento e conversão em energia é viável em alguns países, mas serão bastante complicados em muitos outros. Com certeza será extremamente problemático levantar grandes somas de capital para aumentar o fornecimento de energia em países em desenvolvimento e de economias de transição. Os escassos fundos públicos desses países são necessários para um amplo leque de prioridades que incluem educação, saneamento, saúde, e desenvolvimento rural. Muitos países em desenvolvimento e em transição estão imobilizados por pesadas dívidas e tem dificuldades em atrair investimentos do setor privado. Esses fatores limitam o investimento em fornecimento de energia na África e na Ásia, por exemplo, o que, por sua vez inibe o desenvolvimento social e econômico destas regiões. Os custos de energia também são sentidos em nível individual, nos países em desenvolvimento e em transição. As residências, em países em desenvolvimento, freqüentemente gastam uma fatia considerável de sua renda com energia, incluindo querosene, bateria e outros combustíveis; freqüentemente essas fontes de energia são usadas com muita ineficiência. Nos países que 16 pertenciam ao bloco comunista, os imóveis residenciais enfrentam contas de energia muito altas, considerando-se sua baixa renda, por causa de ineficiência e desperdício, fatos somados a gradual eliminação de subsídios. Na Ucrânia, por exemplo, os custos de energia respondem por até 40% dos gastos de uma família. Da mesma forma, gastos com energia podem reduzir uma considerável fração de renda das famílias mais pobres em países industrializados, porque grande parte das famílias mais pobres habita casas ineficientes. Nos estados Unidos, por exemplo, os gastos com energia vão de 12 a 26% da renda das famílias mais pobres, comparados a apenas uns poucos por cento da renda de famílias de classes média ou um pouco mais alta. Uma fração significativa da população mundial ainda continuará a desperdiçar energia e a enfrentar altos custos num futuro energético atual. 1.3 - Poluição local e regional do ar A queima de combustíveis fósseis causa a poluição do ar e isto está prejudicando a saúde pública e desequilibrando os ecossistemas. As atividades energéticas respondem por 85% das emissões de dióxido de enxofre, 45% da emissão de particulados, 41% de emissões de chumbo, 40% das emissões de hidrocarboneto e 20% das emissões de óxido de nitroso na atmosfera. Esses poluentes do ar, por sua vez, resultam em chuva ácida, neblina com fumaça nas cidades, além de fuligem. A queima de combustível fóssil é também a maior fonte de geração de produtos químicos tóxicos como causador de câncer. Existe a estimativa de que 1,4 bilhão de pessoas estejam expostas a níveis perigosos de poluição externa. A poluição externa do ar é especialmente alta em áreas urbanas, causando aproximadamente 500mil mortes no mundo e até 5% das mortes em áreas urbanas em alguns países em desenvolvimento. Devido à baixa eficiência da combustão e a falta de controles de poluição, os níveis de material particulado são de duas a cinco vezes mais altos do que os limites propostos pala Organização Mundial de Saúde(OMS), em cidades do sudoeste 17 asiático, e ainda mais altos em algumas cidades da China e da Índia. Mais de 80% das maiores cidades da china excedem os limites da OMS para dióxido de enxofre, algumas chegando ao fator três. Níveis de chumbo, monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis também freqüentemente excedem os níveis de segurança. Os impactos dessa poluição do ar são extremamente graves. Estima-se que a poluição do ar urbano cause de 170 mil a 290 mil mortes prematuras anualmente, na China, e de 90 mil a 200 mil, na Índia. Os efeitos da poluição do ar sobre a saúde humana nas cidades chinesas, quando traduzidas em termos econômicos, excedem 20% da renda média dos trabalhadores chineses e estão chegando à casa dos US$50 bilhões (7% do PIB) para a nação como um todo. A poluição do ar causada pela queima de combustíveis fósseis não é um problema apenas de países em desenvolvimento. Estima-se que as emissões das usinas de energia tenham causado cerca de US$70 bilhões em danos à saúde humana, às instalações físicas e às plantações, na União Européia. Isto equivale a 4,5 centavos de dólar por KWH, aproximadamente metade do preço médio de eletricidade no varejo. Também é equivalente a cerca de 1% do PIB da União Européia. A maioria desses custos é causada pelos impactos nocivos à saúde pública. Um estudo estima que a poluição do ar ocasiona cerca de 800 mil ocorrências de asma e bronquite e 40 mil mortes anualmente na Áustria, França e Suíça. As emissões da maioria dos poluentes do ar decresceram nos Estados Unidos, nos últimos 20 anos. Mas a poluição do ar especialmente os níveis elevados de ozônio e particulados, ainda é um problema em muitas áreas metropolitanas. Aproximadamente 125 milhões de americanos (46% da população total dos Estados Unidos) viviam em regiões que não estavam de acordo com os padrões de qualidade do ar por causa de pelo menos um poluente, em 1999. Uma grande parcela de cidadãos americanos sofrem de ataques de asma e outros problemas respiratórios por causa da emissão de particulados leves de usinas de energia e de outras fontes. A longa e intensa exposição a essas minúsculas 18 partículas resulta em crescente risco de câncer de pulmão e de doenças cardíacas, além de abreviar a vida de mais de 30 mil pessoas nos Estados Unidos a cada ano. A contaminação do meio ambiente pode ser especialmente nociva em regiões com grande produção de energia. O Cazaquistão, por exemplo, é um grande produtor de petróleo, gás natural, carvão e urânio. Mas também apresenta grave poluição do ar, contaminação do solo e poluição tanto da água da superfície quanto da subterrânea. A poluição vem afetando severamente o mar Cáspio e seus ecossistemas. Além disso, as indústrias de urânio e combustíveis fósseis têm contribuído para a contaminação radioativa em larga escala. Em resumo, o Cazaquistão enfrenta uma crise ecológica e de saúde pública decorrente da poluição relacionada à energia. A poluição externa do ar em muitos países em desenvolvimento e tão grave quanto, a poluição interna do ar, causada pela queima de lenha e resíduos agrícolas para cozinhar e aquecer, são um perigo ainda maior para a saúde. Na África do Sul, por exemplo, residências rurais que queimam lenha para cozinhar e aquecer o ambiente apresentam níveis de particulados internos 13 vezes maiores que o nível máximo recomendado pela OMS. A pesquisa epidemiológica mostra que indivíduos expostos a tal nível de material particulado têm cinco vezes mais riscos de contrair doenças respiratórias se comparados àqueles que vivem sob condições normais. As residências na África do Sul, que utilizam carvão para aquecimento e cozinha também estão expostas a níveis perigosos de material particulado. De acordo com a OMS e outros especialistas, a poluição do ar vem causando cerca de 1,8 milhões de mortes prematuras anualmente, principalmente em mulheres e crianças (OMS,1997). Isto é três a quatro vezes maiores que o número de mortes causadas pela poluição do ar ambiente no mundo. Só na Índia, por exemplo, a poluição interna do ar causada pela queima de combustíveis sólidos causa cerca de 500 mil mortes prematuras por ano em mulheres e crianças. Esta taxa é maior que a 19 mortalidade causada por outros grandes problemas de saúde na Índia, como a malária, AIDS, doenças cardíacas e câncer. A expansão do uso extensivo de energia provinda de combustíveis fósseis durante o próximo século poderia exacerbar esses problemas da qualidade do ar, adversamente não só afetando a produção econômica, como também a saúde pública. Com o crescente uso de combustíveis fósseis e o limitado decréscimo da poluição, a qualidade ambiental do ar poderia se deteriorar ainda mais e severamente afetar a saúde pública, a produção de alimentos e os ecossistemas na Ásia dentro de 20 anos. Também o desenvolvimento energético business-asusual prevê que bilhões de pessoas continuarão a queimar lenha e outros combustíveis tradicionais para cozinhar e aquecer, mantendo as altas incidências de doenças respiratórias e mortes prematuras como resultado. 1.4 - Aquecimento global O índice de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa estão crescendo rapidamente na atmosfera a causando o aquecimento global. Houve um aumento de 31% nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera e um aumento de 151% dos níveis de metano, desde a era pré-industrial. A concentração de dióxido de carbono está mais alta hoje do que em todos os últimos 420 mil anos, e o índice de aumento não tiveram precedentes nos últimos 20 mil anos pelo menos. Com esse aumento nos níveis de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa, a temperatura média da superfície terrestre aumentou cerca de 0,6 ºc (1,1º F) durante o último século (ver figura I-3). Além disso, a década de 1990 foi a mais quente já registrada, 1998 foi o ano mais quente dos últimos mil anos, e 2001 foi o segundo ano mais quente. As atividades relacionadas à energia, principalmente a queima de combustíveis fósseis, produzem cerca de 78% de emissões de dióxido de carbono e 23% de emissões de metano provocadas pelo homem. 20 O dióxido de carbono e o metano são responsáveis por cerca de 80% do aquecimento ocorrido desde a era pré-industrial devido às emissões de gases de longa residência atmosférica. As atividades relacionadas à energia também resultam em emissões de sulfatos, particulados e na formação de ozônio na troposfera, o que também vem a contribuir para o aquecimento global. Dado o aumento da temperatura no último século e na última década em particular, os cientistas agora concluem que as atividades humanas vêm causando a maior parte desse aquecimento. O aquecimento global começa a apresentar uma série de impactos adversos. Entre eles, uma ocorrência mais freqüente e extrema de problemas climáticos, com secas, enchentes, e ondas de calor, que, por sua vez, causam danos, mortes e perdas agrícolas. No mundo inteiro, as perdas econômicas decorrentes de problemas climáticos extremos aumentaram dez vezes: de cerca de US$ 4 bilhões por ano na década de 1950 para cerca de US$ 40 bilhões por ano durante a década de 1990. O nível médio global do mar elevou-se de 10 para 20 centímetros durante o século XX; as geleiras estão diminuindo e a precipitação pluviométrica vem aumentando em várias regiões. Ao mesmo tempo, a freqüência e a intensidade das secas vêm aumentando em partes da Ásia e da África. A continuarem as atuais tendências de fornecimento e de demanda de energia, sofreremos um aquecimento global dramático durante o século XXI. As emissões mundiais de dióxido de carbono aumentariam num fator de 2 à 2,5 até 2050 e de 2,5 à 3,5 até 2100, se houver um grande aumento do uso de combustíveis fósseis no futuro. À medida que crescem as emissões de dióxido de carbono, os oceanos e a terra absorverão uma fração menor de emissões. Assim, o aumento de emissões de dióxido de carbono na atmosfera irá se acelerar, atingindo concentrações de 700 a 970 partes por milhão por volume (ppmv) até 2010. Essa concentração de dióxido de carbono é de 2,5 a 3,5 vezes o nível préindustrial. Juntamente com o aumento de outros gases de efeito estufa, haveria um aumento de 1,4 a 5,8º C na temperatura média da superfície terrestre até 2100, de acordo com as últimas estimativas. 21 A elevação da temperatura, mesmo nos níveis mais baixos dessa cadeia, pode ter efeitos devastadores. Aumentariam a freqüência e a magnitude dos graves problemas climáticos, alastrando doenças infecciosas, como a malária e a dengue, aumentaria a mortalidade decorrente das ondas de calor, reduziria a produção agrícola na maioria das regiões habitadas, além de prejudicar os ecossistemas em todo o mundo. Poderia causar um aumento do nível do mar de até 90 centímetros, aumentando enormemente as enchentes nas áreas mais baixas e inundando países insulares. Isto, por sua vez, causaria o deslocamento de dezenas de milhões de pessoas. O custo econômico desses vários impactos adversos poderia alcançar US$300 bilhões anuais até 2050, equivalente a 1,5% do PIB global, de acordo com uma importante companhia seguradora. Além disso, os países mais pobres seriam os mais severamente afetados, uma vez que são altamente vulneráveis a esses impactos e carecem de recursos para se adaptarem às mudanças. O aquecimento global projetado para o decorrer do século XXI, baseado nas tendências business-as-usual de energia também poderia causar alterações ecológicas catastróficas e irreversíveis. Essas alterações incluem uma considerável redução ou até uma interrupção da corrente marinha que leva água quente para o Atlântico Norte, o deslocamento da camada de gelo da Antártida Ocidental e possível “aquecimento global de fuga” devido a realimentações do ciclo de carbono, liberação de carbono de regiões de subsolo permanentemente congelado, e/ou liberação de metano em sedimentos costeiros. A probabilidade dessas alterações ainda não é bem conhecida e talvez seja muito baixa, mas espera-se que a probabilidade aumente à medida que continue o aquecimento global. Mesmo que eventos catastróficos não ocorram, o aumento das emissões de dióxido de carbono e o aquecimento global continuado inevitavelmente resultarão no descongelamento das camadas de gelo do pólo e a expansão térmica do oceano ao longo de muitos séculos. Isto, por sua vez, resultará no aumento do nível do mar de pelo menos alguns metros durante os próximos anos. O impacto é 22 demorado por causa do intervalo de tempo entre o aquecimento da atmosfera e o aumento do nível do mar, mas é previsto pelos níveis elevados de temperatura no curto prazo. Uma elevação do nível do mar desta magnitude inundaria várias áreas de terra, seria um enorme desafio à humanidade. 1.5 - Impactos de segurança Os Estados Unidos e outros países industrializados são altamente dependentes das importações de petróleo, e essa dependência vem aumentando. Isto deixa as economias ocidentais vulneráveis aos preços fixados pelo cartel da Opep e a potenciais choques no preço do petróleo. Isto também representa riscos à segurança nacional devido a potenciais interrupções no fornecimento do petróleo, com possível intervenção militar para manter suprimentos vitais de petróleo, além dos efeitos colaterais de uma forte presença militar na região do Golfo Pérsico. De fato, ocorreram 14 interrupções significativas no fornecimento de óleo durante os últimos 50 anos, principalmente relacionados com a política ou conflitos militares no Oriente Médio. “... Choques anteriores no preço do petróleo custaram aos Estados Unidos trilhões de dólares por causa da subseqüente inflação, recessão e transferência de riqueza para países que mantinham o controle oligopólico sobre os preços de energia. As nações ocidentais gastam dezenas de bilhões de dólares a cada ano protegendo suprimentos de petróleo no Oriente Médio (UCS, 2002). Várias centenas de bilhões de dólares foram despendidas na guerra no Iraque, em 1990-91 uma guerra travada em grande parte para proteger os suprimentos de petróleo da região do Golfo.” (HOWARD STEVEN, 2003). 23 De forma resumida um futuro com intenso uso de combustíveis fósseis, não é nada desejável, tende a piorar a poluição do meio ambiente, causando perigosas mudanças climáticas, sem contar o esgotamento das reservas de petróleo, então a direção a ser tomada é a utilização de energia de fontes renováveis chamadas energia limpa. É esperado que o mundo mude essa consciência o mais rápido possível, e assim poderemos salvar o nosso planeta, com desenvolvimento e sustentabilidade caminhando lado a lado, deixando para trás esse passado trágico e apostando em um futuro bem melhor para a humanidade e para o desenvolvimento sem destruição. 24 CAPÍTULO II ENERGIA EÓLICA O que podemos notar é que a humanidade, mais precisamente a sociedade mundial, tem demorado demasiadamente em perceber que existe uma solução acessível e proveniente de um bem natural para os problemas com captação de energia elétrica. Estamos nos referindo á Energia Eólica resultante do vento que dispomos sem custo algum, de reservas intermináveis e que durante toda a nossa existência esteve bem próxima de nós, mas o mais curioso é que ainda é um método de captação de energia que está aquém do potencial que nos proporciona. Existe a expectativa de que o mundo desperte para essa realidade antes que seja tarde demais. O que ainda cria barreiras para a implantação desse método eficiente e limpo de captação de energia elétrica e aumente a quantidade de centrais eólicas em todo o mundo é o alto custo com seus equipamentos e o pagamento de mão de obra especializada. A energia eólica se torna aproximadamente 70% mais cara que as tradicionais usinas hidroelétricas, o que inviabiliza o crescimento e adesão desse método de captação de energia elétrica pelos países do mundo inteiro. 2.1 - Funcionamento da Energia Eólica O vento gira uma hélice gigante conectada a um gerador que produz eletricidade. Quando vários mecanismos como esse conhecido como turbina de vento são ligados a uma central de transmissão de energia, temos uma central eólica. A quantidade de energia produzida por uma turbina varia de acordo com o tamanho das suas hélices e, é claro, do regime de ventos na região em que está instalada. E não pense que o ideal é contar simplesmente com ventos fortes. 25 "Além da velocidade dos ventos, é importante que eles sejam regulares, não sofram turbulências e nem estejam sujeitos a fenômenos climáticos como tufões", diz o engenheiro mecânico Everaldo Feitosa, vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica. A intensa busca por fontes alternativas de energia tem levado vários países a investirem na transformação e ampliação de seus parques energéticos. As questões ambientais, principalmente no que se refere aos impactos causados pelas formas tradicionais de geração, têm levado, também, a uma procura por diferentes fontes renováveis de energia. Nos últimos anos o consumo de energia eólica tem crescido nas áreas industriais, comerciais e residenciais. Esse crescimento tem levado os governos de todo o mundo a adotarem uma estratégia de fornecimento de energia a curtos e longos prazos. A preocupação com o aumento do consumo e as questões ambientais tem justificado um planejamento mais rigoroso quanto às novas formas de energia. É nesse contexto que a importância das fontes renováveis de energia tem crescido de modo global. O uso de fontes alternativas não se limita mais a comunidades isoladas (até então um importante local de aplicação). Aplicações efetivas de fontes alternativas de energia, como a energia eólica entre outras, têm sido dirigidas para as comunidades isoladas, principalmente para aquelas que se encontram afastadas da rede convencional de energia elétrica. Certamente uma outra nova abordagem para as fontes alternativas são os projetos que visam a complementação energética da rede convencional. Nesse caso, a energia eólica se mostra uma excelente opção. Vários países da Europa e Estados Unidos têm investido amplamente na instalação de um número cada vez maior de parques eólicos para o fornecimento de energia elétrica. Com potenciais cada vez maiores e novas tecnologias aplicadas no desempenho e na confiabilidade do sistema, as turbinas eólicas têm conquistado importantes espaços na matriz energética mundial. Atualmente podemos ver que a energia eólica vive um crescimento de mercado onde se nota queda nos preços dos aerogeradores ao longo das últimas 26 décadas. Não se trata apenas de questões de custo. Nesse mesmo período de queda de preços, a tecnologia aplicada à energia eólica melhorou muito suas características operacionais tornando-a ainda mais competitiva com outras fontes de geração de energia. O curto espaço de tempo necessário para sua instalação e operação imediata, o custo “zero” de seu combustível, o baixo custo de manutenção, entre outros motivos, são fatores pelos quais a energia eólica tem consolidado seu espaço entre as demais fontes de energia. Aqui no Brasil possuímos uma geografia muito favorável e o país apresenta características privilegiadas para o uso de fontes renováveis de energia, em especial para a energia eólica. O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro mostra ventos com velocidades médias anuais superiores a 6m/s (medida feita a 50 m de altura), principalmente ao longo do litoral nordestino. A questão do uso da energia eólica no Brasil ganhou um rumo novo a partir da reforma do setor elétrico. Essa reforma, ao introduzir novos elementos, como a racionalidade privada e a ”livre concorrência” criou um novo cenário que pode favorecer novos investimentos em fontes alternativas, principalmente na figura do produtor independente e do auto produtor de energia. Dentro deste novo cenário do setor elétrico do Brasil, a Agencia nacional de Energia Elétrica (ANEEL) tem desenvolvido um importante papel na utilização nas fontes alternativas de energia. Entre as resoluções publicadas pela ANEEL, podemos citar a que trata do valor “normativo”, que limita o rapasse para as tarifas de fornecimento dos preços livremente negociados na aquisição de energia elétrica, por parte dos concessionários e permissionários. A questão que requer maior atenção no que diz respeito à implantação é a adequação a captação de energia renovável e o mais recente cenário do setor elétrico apresenta desafios no que se refere à aplicação efetiva das fontes alternativas de energia em seu parque gerador. Com algumas leis e resoluções já em vigor, o desenvolvimento das fontes alternativas encontra um aporte legislativo para a sustentabilidade de novos projetos. 27 “... A Lei nº. 10.438, de 16 de abril de 2002, ao apresentar o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA) e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), mostra-se como um dos mais importantes avanços em programas governamentais para o incentivo de fontes alternativas de energia em especial a energia eólica, energia de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. Estipulando uma meta de implantação de 3.300 MW entre as três fontes já na primeira fase do PROINFA, a Lei nº. 10.438 mostra o interesse claro no desenvolvimento do uso destas fontes na matriz energética nacional. Mesmo ainda incipiente no Brasil, a energia eólica é uma fonte que deve ser explorada e largamente utilizada principalmente nas regiões onde as características do vento a tornam técnica e economicamente viável.“ (Maurício Tolmasquim, 2004, p.180). 2.2 - DEFINIÇÃO Energia eólica é aquela gerada pelo vento. Desde a antiguidade este tipo de energia é utilizado pelo homem, principalmente nas embarcações e moinhos. Atualmente, a energia eólica, embora pouco utilizada, é considerada uma importante fonte de energia por se tratar de uma fonte limpa (não gera poluição e não agride o meio ambiente). Grandes turbinas (aerogeradores), em formato de cata-vento, são colocadas em locais abertos e com boa quantidade de vento. Através de um gerador, o movimento destas turbinas gera energia elétrica. 28 Atualmente, apenas 1% da energia gerada no mundo provém deste tipo de fonte. Porém, o potencial para exploração é grande. (Sua pesquisa.com, 23/01/11) 2.3 - Evolução Histórica e o Meio Ambiente Dentre as energias alternativas, a energia eólica vem conquistando seu espaço como fonte alternativa de energia e tem mostrado, ao longo do século XX, a sua importância no mercado energético mundial. Historicamente, a energia eólica tem ajudado o homem em diversas atividades, já desde épocas remotas, com a utilização de máquinas simples e rústicas para o bombeamento de água e moagem de grãos. No final do século XIX e todo o século XX, a utilização dos ventos para a geração de energia elétrica foi marcada por grandes desafios em pesquisa e desenvolvimento. Vários países investiram em diversos protótipos de turbinas eólicas para serem conectadas à rede para o fornecimento de energia elétrica. “... O mercado eólico mundial experimentou transformações principalmente após os choques do petróleo da década de 70. Esse mercado, até então obsoleto e principalmente voltado para a pesquisa e desenvolvimento de novos conceitos e modelos, passou a enxergar um mercado de desenvolvimento industrial. A 29 partir de então, novos estudos e projetos foram desenvolvidos no sentido de ampliar o mercado para o fortalecimento do setor eólico industrial. Durante as décadas de 80 e 90, a indústria eólica mundial cresceu significativamente no amadurecimento de suas tecnologias e também na procura de novos mercados.” (Maurício Tolmasquim, 2004, p.181). Algumas iniciativas políticas importantes possibilitaram que países como a Alemanha, Estados Unidos e Dinamarca alcançassem uma importância considerável e destaque na energia eólica mundial. Subsídios e leis federais, que garantiam a compra da energia elétrica proveniente de fontes renováveis, ampliaram o uso da energia eólica no mercado da geração de energia elétrica em diversos países em todo o mundo. 2.4 - Fatores históricos do uso da Energia Eólica Com o avanço da agricultura, o homem necessita cada vez mais de ferramentas que o auxiliassem nas diversas etapas do trabalho. Tarefas como a moagem dos grãos e o bombeamento de água exigiam cada vez mais esforço braçal e animal. Isso levou ao desenvolvimento de uma forma primitiva de moinho de vento, utilizada no beneficiamento dos produtos agrícolas, que constava de um eixo vertical acionado por uma longa haste presa a ele, movida por homens ou animais caminhando numa gaiola circular. Existia também outra tecnologia utilizada para o beneficiamento da agricultura onde uma gaiola cilíndrica era 30 conectada a um eixo horizontal e a força motriz (homens ou animais) caminhava no seu interior. Com o decorrer dos anos esses métodos antes utilizados foram atualizados com a utilização de cursos d’água como força motriz surgindo, assim, as rodas d’água. Historicamente, o uso das rodas d’água precede a utilização dos moinhos de vento devido à sua concepção mais comum de utilização de cursos naturais de rios como força motriz. Como não se dispunha de rios em todos os lugares para o aproveitamento em rodas d’água, o aparecimento do vento como fonte natural de energia possibilitou o surgimento de moinhos de vento substituindo a força motriz humana ou animal nas atividades agrícolas. Foi na pérsia que ocorreu o primeiro registro histórico de utilização da energia eólica para bombeamento de água e moagem de grãos através de cataventos, por volta de 200 a.C. Esse tipo de moinho de eixo vertical veio a se espalhar pelo mundo islâmico sendo utilizado por vários séculos. Acredita-se que antes da invenção dos cata-ventos na Pérsia, a China (por volta de 2000 a.C.) e o Império Babilônico (por volta 1700 a.C.) também utilizavam cata-ventos rústicos para irrigação. Apesar da sua baixa eficiência devido a suas características, os cata-ventos primitivos apresentavam vantagens básicas de bombeamento d’água ou moagem de grãos, substituindo a força motriz humana ou animal. Pouco se sabe sobre o desenvolvimento e uso dos cata-ventos primitivos da China e Oriente Médio como também dos cata-ventos surgidos no Mediterrâneo. Os importantes desenvolvimentos da tecnologia primitiva foram os primeiros modelos a utilizarem velas de sustentação em eixo horizontal encontrado nas lhas gregas do Mediterrâneo. O aparecimento dos cata-ventos na Europa aconteceu, principalmente, no retorno das Cruzadas há 900 anos. Os cata-ventos foram largamente utilizados e seu desenvolvimento bem documentado. As máquinas primitivas persistiram até o século XII quando começaram a ser utilizados moinhos de eixo horizontal na Inglaterra, França e Holanda, entre outros países. Os moinhos de vento de eixo 31 horizontal do tipo “holandês” foram rapidamente disseminados em vários da Europa. Durante a Idade Média, na Europa, a maioria das leis feudais incluía o direito de recusar a permissão à construção de moinhos de vento pelos camponeses, o que os obrigava a usar os moinhos dos senhores feudais para a moagem de seus grãos. Dentro das leis de concessão de moinhos também se estabeleceram leis que proibiam a plantação de árvores próximas ao moinho assegurando, assim, o “direito ao vento”. Os moinhos de vento na Europa tiveram, sem dúvida, uma forte e decisiva influência na economia agrícola por vários séculos. Com o desenvolvimento tecnológico das pás, sistema de controle, eixos etc., o uso dos moinhos de vento propiciou a otimização de várias atividades utilizando-se a força motriz do vento. Na Holanda, durante os séculos XVII a XIX, o uso de moinhos de vento em grande escala esteve relacionado amplamente com a drenagem de terras cobertas pelas águas. A área de Beemster Polder, que ficava três metros abaixo do nível do mar, foi drenada por 26 moinhos de vento de até 50HP cada, entre os anos de 1608 e 1612. Mais tarde, a região de Schermer Polder também foi drenada por 36 moinhos de vento durante quatro anos, a uma vazão total de 1000 m³/min. Os moinhos de vento na Holanda tiveram uma grande variedade de aplicações. 2.5 - Empecilhos para instalação. • Ausência de uma política de incentivo ao desenvolvimento da indústria nacional de equipamentos. • Apenas três empresas brasileiras produzem equipamentos para a geração de energia eólica: – Wobben Wind Power (subsidiária brasileira do grupo alemão Enercon). – Tecsis, tecnologia 100% nacional. – Sawe (South America Wind Energy) 32 • Condições de financiamento. • Licenciamento ambiental. • Conexão à rede (regulamentação, custo e estrutura física). • Ambiente político-regulatório incerto (aumento dos custos). 2.6 - Energia Eólica no Brasil: perspectivas • O Brasil pode se tornar um grande produtor. • Vantagens competitivas brasileiras: – 70% da população está concentrada na faixa litorânea, onde está localizada a maior parte do potencial eólico. – Nossos ventos, em média, têm velocidades altas e, em geral, são estáveis e bem comportados. – Complementaridade energética decorrente da sazonalidade dos ventos e da hidraulicidade. • Para tanto, é necessária uma política de desenvolvimento da indústria nacional de equipamentos eólicos e incentivos à pesquisa tecnológica. • Precisa-se criar uma base industrial sólida para sustentar o mercado, uma cadeia produtiva nacional consolidada. Conclusões • Temos condições de instalar e ampliar plantas industriais para atender o mercado interno e nos tornar uma plataforma de exportação de equipamentos para produção de energia de fontes alternativas. • Há demanda mundial por equipamentos e uma cadeia produtiva a ser alavancada, com perspectivas de geração de emprego em larga escala 33 • A energia de fontes alternativas é viável: temos tecnologia, perspectiva de escala e preço. • Falta um projeto ousado, de longo prazo, com apoio de recursos públicos para desenvolver a indústria eólica no país e, conseqüentemente, ampliar o parque eólico nacional. 2.7 - Energia Eólica no Mundo Século XXI: o mundo desperta para a geração eólica Maiores taxas de crescimento do setor elétrico • Em 2010 espera-se que a capacidade instalada no mundo alcance 132 mil MW (hoje são 78,7 mil MW instalados): – A Europa deve perder sua posição de liderança – As previsões indicam que 41% da capacidade estará fora da Europa • A meta dos chineses é alcançar 5 mil MW até 2010: 34 – A China, hoje com 2,4 mil MW, tem 20 fabricantes de turbinas que empregam em torno de 25 mil pessoas. • Em 2014, espera-se 210 mil MW instalados no mundo. • A meta da Alemanha é atender 30% da demanda de eletricidade com energia eólica até 2030: – Hoje, na Alemanha, a indústria eólica já consome mais aço e emprega mais pessoas que a indústria automobilística. (www.senado.com.br,21/01/2011). 35 36 CAPÍTULO III ENERGIA SOLAR A energia gerada pelo Sol é hoje sem dúvidas uma das fontes de captação de energia elétrica mais promissoras, e de fontes inesgotáveis, pois não precisa o sol estar forte para podermos obter a energia gerada por ele e sim apenas da luminosidade do dia, e só teríamos uma perda dessa captação no período noturno. O Sol é o responsável por toda forma de vida do nosso planeta, sem ele não existiríamos, e também é através dele que obtemos todas as outras formas de energia. Então podemos concluir que o Sol é uma fonte de energia favorável a preservação do meio ambiente e em relações aos métodos tradicionais de obtenção de energia elétrica, energia de fonte inesgotável. 3.1 - Definição Energia solar é aquela proveniente do Sol (energia térmica e luminosa). Esta energia é captada por painéis solares, formados por células fotovoltáicas, e transformada em energia elétrica ou mecânica. A energia solar também é utilizada, na sua maior parte em residências, para o aquecimento da água. A energia solar é considerada uma fonte de energia limpa e renovável, pois não polui o meio ambiente e não acaba. A energia solar ainda é pouco utilizada no mundo, pois o custo de fabricação e instalação dos painéis solares ainda é muito elevado. Outro problema é a dificuldade de armazenamento da energia solar. 37 Os países que mais produzem energia solar são: Japão, Estados Unidos e Alemanha. Sem nos determos a expor as teorias mais ou menos convincentes e demonstradas acerca da origem da energia solar, limitar-nos a informar alguns valores relativos a elas. No espaço interestelar, longe da Terra (a uma distância fixada em 149,67.109 m) , a radiação solar é definida pela chamada constante solar, e tem o valor de 1400W/m²; a potência que atinge o solo é naturalmente menor, por causa da absorção operada pela atmosfera, que varia com a altura do Sol sobre o horizonte, e com as condições atmosféricas, bem como a latitude sobre o nível do mar do local da medida. A propósito da latitude, pode-se dizer que tanto mais ela cresce, tanto mais o Sol permanece distante do zênite, ou seja, da vertical do local de observação, e tanto maior é a espessura mínima da atmosfera que os raios deverão atravessar, e maior a absorção atmosférica. Quanto à altura acima do nível do mar, é um fato de todos conhecido que o Sol no alto das montanhas é bem mais eficaz que o Sol da planície, porque os raios não devem atravessar as camadas mais baixas da atmosfera, que são as mais densas. O ideal seria recolher a radiação solar fora da atmosfera, por exemplo, mediante satélites artificiais.(Cometta 1978,p.27) 3.2 - Características da energia solar. À luz do que se disse, e considerando que a energia solar está disponível de forma absolutamente gratuita, surge espontaneamente a pergunta: como o aproveitamento da energia solar, para fins técnicos, é praticamente inexistente? A resposta é simples e esclarecedora: a energia solar se apresenta sob forma disseminada, e não concentrada, e sua captação e aproveitamento, ao menos para potências elevadas, requerem instalações complexas e custosas. A energia, também, no local da instalação, é disponível de forma descontínua, 38 sujeita a alternâncias periódicas (dia-noite; verão-inverno e casuais (céu claronebuloso), pelo que é indispensável prover dispositivos de acumulação, com ulteriores complicações e elevação dos custos da instalação. As considerações econômicas não são atualmente favoráveis a um rápido desenvolvimento do uso da energia solar; os elevados custos iniciais de instalação e as dificuldades associadas com a disponibilidade descontínua continuariam a obstacular sua utilização; a menos de um ulterior dramático aumento dos custos dos combustíveis tradicionais e nucleares. Por outro lado, a energia solar é uma forma de energia absolutamente pura; não dá origem a fumaça, nem escórias de nenhuma espécie (e muito menos, a escórias radioativas, que representam a incógnita mais grave que obstacula a difusão das centrais nucleares) e tampouco a descargas de gênero algum. Destes pontos de vista, o aproveitamento da energia solar constitui a solução ideal para a proteção do meio ambiente. (Cometta 1978, p.29;30) 3.3 - Conhecendo o Sol O Sol já foi considerado um deus na religião de muitos povos da antiguidade, tamanha sua importante para o desenvolvimento da vida na Terra. Sem esta estrela não seria possível a sobrevivência de grande parte das espécies que hoje habitam nosso planeta. Ele é responsável pela temperatura, pela 39 evaporação, pelo aquecimento e por muitos processos biológicos que ocorrem em plantas e animais. Por outro lado, o excesso de sol pode causar danos aos seres humanos. A exposição excessiva aos raios ultra-violetas emitidos pelo sol, sem o uso de protetor ou bloqueador solar, pode causar câncer de pele. Ao redor do Sol giram nove planetas, compondo o sistema solar. Estudos científicos mostram que o Sol deve ter se formado há aproximadamente 5 bilhões de anos. Sua massa é cerca de 300 mil vezes maior à do planeta Terra. O diâmetro do Sol é de aproximadamente 1.4 milhão de quilômetros. A distância entre a Terra e o Sol é de aproximadamente 150 milhões de quilômetros. A temperatura média no núcleo do Sol chega a 15 milhões de graus Celsius. Nesta parte mais interior da estrela, ocorrem reações químicas como, por exemplo, a fusão entre átomos de hidrogênio. Na fotosfera, superfície do Sol, originam-se a luz e o calor. Ainda compõe o Sol uma camada de gases que envolvem a estrela. A cada ciclo de 11 anos, o Sol passa por período de extrema agitação, enviando para terra tempestades solares. Carregadas de eletricidade, estas tempestades acabam influenciando nos sistemas eletrônicos, redes de energia, computadores, aparelhos eletrônicos, sistemas de comunicação de aviões e navios e satélites. Estas ondas de energia e eletricidade chegam a criar as conhecidas aurora boreal e austral. O ar brilha nas regiões próximas aos pólos magnéticos da Terra, gerando um espetáculo de luzes e cores nos céus. Do ponto de vista químico, o Sol é formado pelos seguintes elementos: 73% de hidrogênio, 25% de hélio e 2% de outros elementos. A NASA e a Agência Espacial Européia tem monitorado constantemente as atividades do Sol. Estes estudos e observações têm por objetivo aprimorar os conhecimentos sobre esta importante estrela e melhorar a vida em nosso planeta. (www.suapesquisa.com, 21/01/11) 40 Perfil da energia solar: direto da fonte Todos os dias a Terra recebe mais energia do Sol do que a humanidade usa em um ano. Ainda assim, a energia solar permanece como uma pequena fração no mix global de energia. A queda nos preços e uma melhor eficiência poderiam mudar este quadro, mas será que isso pode acontecer rápido o bastante? A energia solar é aquela energia obtida pela luz do Sol, pode ser captada com painéis solares. A cada ano a radiação solar trazida para a terra leva energia equivalente a vários milhares de vezes a quantidade de energia consumida pela humanidade. Através de coletores solares, a energia solar pode ser transformada em energia térmica, e usando painéis fotovoltaicos a energia luminosa pode ser convertida em energia elétrica. Há dois componentes na radiação solar: radiação direta e radiação difusa. A radiação direta é a que vem diretamente do sol, sem reflexões ou refrações intermediárias. A radiação difusa é emitida pelo céu durante o dia, graças aos muitos fenômenos de reflexão e refração da atmosfera solar, nas nuvens, e os restantes elementos do atmosférico e terrestre. A radiação refletida direta pode ser concentrada e de utilização, embora não seja possível concentrar dispersa a luz que vem de todas as direções. No entanto, tanto a radiação direta quanto a radiação difusa são utilizáveis. 41 3.4 - Vantagens e desvantagens da energia solar Segundo (PALZ, 2002): “... A energia solar recebida pela terra a cada ano é dez vezes superior à contida em toda a reserva de combustíveis fósseis. Mas, atualmente a maior parte da energia utilizada pela humanidade provém de combustíveis fósseis.” A Energia Solar apresenta inúmeras vantagens, principalmente em países como o Brasil, onde o Sol é soberano na maioria das regiões o ano todo. Entre os benefícios podemos citar: é uma energia limpa, não polui, não consome combustível, a instalação é simples e sua manutenção mínima, a vida útil dos painéis é comprovadamente de 25 anos, permite a sua auto-suficiência energética. A Energia Solar é a solução para levar a eletricidade aos locais aonde a rede convencional não chegou ou é fornecida de maneira precária. É cada vez mais utilizada, principalmente no meio rural, para iluminação, TV, telecomunicações, bombeamento de água e eletrificação em geral. Este tipo de energia também possui algumas desvantagens, entre elas: existe variação da energia produzida, de acordo com a situação climática do local (por exemplo, locais chuvosos), durante a noite não existe produção de energia, fazendo-se necessários meios de armazenamento, que por vez se tornam caros é deficientes comparados com os outros meios de produção de energia. 3.5 - Benefícios da energia solar para a humanidade A vida moderna tem sido movida a custa de recursos esgotáveis que levaram milhões de anos para se formar. O uso desses combustíveis em larga escala tem mudado substancialmente a composição da atmosfera e o balanço térmico do planeta provocando o aquecimento global, de gelo nos pólos, chuvas 42 ácidas e envenenamento da atmosfera e todo meio-ambiente. As previsões dos efeitos decorrentes para um futuro próximo, são catastróficas. A utilização das energias renováveis principalmente a energia solar em substituição aos combustíveis fósseis é viável e vantajosa. Além de serem praticamente inesgotáveis, as energias renováveis podem apresentar impacto ambiental muito baixo, sem afetar o balanço térmico ou a composição atmosférica do planeta. O desenvolvimento das tecnologias para o aproveitamento das fontes renováveis poderá beneficiar comunidades rurais e regiões afastadas bem como a produção agrícola através da autonomia energética e conseqüente melhoria global da qualidade de vida dos habitantes. 3.6 - Energia Solar Fotovoltaica. A Energia Solar Fotovoltaica é a energia obtida através da conversão direta da luz em eletricidade (Efeito Fotovoltaico). O efeito fotovoltaico, relatado por Edmond Becquerel, em 1839, é o aparecimento de uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor, produzida pela absorção da luz. A célula fotovoltaica é a unidade fundamental do processo de conversão. Inicialmente o desenvolvimento da tecnologia apoiou-se na busca, por empresas do setor de telecomunicações, de fontes de energia para sistemas instalados em localidades remotas. O segundo agente impulsionador foi a "corrida espacial". A célula solar era, e continua sendo, o meio mais adequado (menor custo e peso) para fornecer a quantidade de energia necessária para longos períodos de permanência no espaço. Outro uso espacial que impulsionou o desenvolvimento das células solares foi a necessidade de energia para satélites. A crise energética de 1973 renovou e ampliou o interesse em aplicações terrestres. Porém, para tornar economicamente viável essa forma de conversão de energia, seria necessário, naquele momento, reduzir em até 100 vezes o custo de produção das células solares em relação ao daquelas células usadas em 43 explorações espaciais. Modificou-se, também, o perfil das empresas envolvidas no setor. Nos Estados Unidos, as empresas de petróleo resolveram diversificar seus investimentos, englobando a produção de energia a partir da radiação solar. A equipe do Cresesb apresentou no dia 4 de outubro de 2008 o protótipo do carro solar. Projetado pelo estagiário João Ricardo Ramos (DTE) sob orientação dos Pesq. Marco Antônio Galdino e Ricardo Marques Dutra (DTE) ele será utilizado para divulgar aplicações de energia solar fotovoltaica aos visitantes do Cepel, passando a compor o acervo de equipamentos de demonstração da Casa Solar. O projeto mecânico e a construção contaram com a ativa participação da equipe da oficina mecânica do CEPEL sob coordenação do Eng. Sérgio Caixão e integrada pelos técnicos Sérgio Izaltino de Souza (DPL), André Oliveira de Abreu (DPL) e Josias de Oliveira Coelho (DPL). O veículo tem capacidade de transportar uma pessoa de 70kg e possui uma autonomia de aproximadamente 4 horas, atingindo uma velocidade de 8 km/h. O carro solar utiliza um motor elétrico de corrente alternada do tipo gaiola de esquilo em sua tração, cuja energia é suprida por duas baterias instaladas a bordo. Essas baterias são recarregadas por um arranjo de módulos fotovoltaicos 44 de 256 W, e também podem ser recarregadas pela rede elétrica. As demais características técnicas do projeto são: § Motor: 1 hp/ 220V AC; § Geração Fotovoltaica: 4 módulos de silício policristalino (poli-Si) de 64W; § Área total de painéis:2,9m2; § Baterias: 2 baterias de 12V, 110Ah em série totalizando 24V; § Inversor de tensão: potência de 1000W, tensão de entrada 12/24V, tensão de saída 230V e frequência 60Hz; § Inversor de frequência: 1,5KW; § Velocidade: 8 Km/h; § Autonomia: 4h; Combinando alta eficiência energética, zero emissões de poluentes e baixos custos operacionais, o carro solar tem como principal objetivo divulgar o uso da energia fotovoltaica e despertar nos visitantes da casa solar, que em sua maioria é formada por estudantes, o interesse em sistemas que utilizem fontes alternativas de energia.(CRESESB). A organização da sociedade também evolui e sofre mudanças. Se o recurso energético dominante está em escassez, os preços aumentam, é provável que a necessidade leve ao desenvolvimento das energias renováveis, principalmente as energias solar e eólica, passando a ser dominantes no final do séc. XXI, ainda que na fase de transição, das fósseis para as renováveis, se assista a um aumento da exploração do gás natural, com maiores reservas do que o petróleo e menos poluente do que o carvão. A incessante emissão de gases poluentes tem provocado, nas últimas décadas, o fenômeno climático conhecido como efeito estufa. Este tem gerado o aquecimento global do planeta. Se este aquecimento continuar nas próximas décadas, poderemos ter mudanças climáticas extremamente prejudiciais para o meio ambiente e para a vida no planeta Terra. 45 Na luta para identificar-se a “fonte energética perfeita”, ou somente aperfeiçoar as fontes já identificadas, o ser humano vem se demonstrando bastante criativo e empregando os mais diversos meios. As fontes de energias renováveis podem ser a solução para o nosso planeta. O que falta é que todos, desde as grandes indústrias até as mais humildes residências, assumam seu papel neste processo de “reconstrução” do nosso planeta. 46 CONCLUSÃO Certamente podemos dizer, com base em todo o material pesquisado no decorrer desse trabalho de monografia, que a solução para o sistema energético no país e no mundo é mesmo a energia alternativa, mais precisamente as energias eólica e solar que nessa pesquisa foram abordadas. Uma questão relevante que nos confirma o citado acima é a escassez dos combustíveis fósseis, combustíveis esses que tanto contribuem para as emissões dos gases de efeito estufa que são lançados na atmosfera ao longo de todos esses anos. Temos um grande potencial para a obtenção de energia eólica e solar a nível nacional, o que proporciona uma ótima captação, diminuição da poluição e maior lucratividade, levando em conta seu baixo custo. A energia alternativa, além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, também oferece uma forma de negócio muito rentável. As questões ambientais, bem como impactos e danos ao meio ambiente causados pelas formas tradicionais de obtenção de energia elétrica, tem causado uma grande procura por fontes de energia renováveis pelo mundo inteiro. Vários países estão substituindo suas formas tradicionais de obtenção de energia elétrica por energia de fontes renováveis, devido não somente pela rigorosidade das leis ambientais que são impostas, mas também pela possibilidade de lucratividade em sincronismo com a preservação do meio ambiente. Assim como todas as fontes tradicionais de obtenção de energia elétrica, as energias eólica e solar também possuem algumas desvantagens tais como: por exemplo a energia eólica tem como desvantagem a emissão de ruídos e a mortandade de pássaros originários das respectivas regiões, já a energia solar ainda se depara com o alto custo de suas instalações e mão de obra 47 especializada, mas mesmo com essas evidências em desvantagens, com certeza ainda são menos impactantes para o meio ambiente do que as tradicionais. As pressões ambientais impulsionaram o mundo em busca de soluções lucrativas e ecologicamente corretas para o suprimento de energia elétrica. O crescimento da energia alternativa no mundo tem sido uma resposta da sociedade em prol da qualidade de vida e um basta á destruição e desrespeito ao meio ambiente. Percebe-se que ainda existe um entrave, no que diz respeito a essa transição de métodos de captação de energia, mais precisamente ao processo de adequação a cada método específico, o que causa um certo desconforto nos que já estão estabelecidos no mercado de energia elétrica. Com muita boa vontade política e educação ambiental de base, conseguiremos dar um grande passo nessa questão tão importante como a preservação do meio ambiente, que certamente trará vários benefícios a nossa humanidade e ao nosso planeta. capítulo VI, artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB): “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendêlo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” (CRFB, 1989). 48 BIBLIOGRAFIA TOLMASQUIM, Alternativas Energéticas Sustentáveis no Brasil p.179. Editora Relume Dumará 2004. Maurício Tiomno Tolmasquim. GELLER, Revolução Energética, Políticas para um futuro sustentável.p.15-31 Editora Relume Dumará 2003 Howard Steven Geller, Maria Vidal Barbosa, Marcio Edgar Schuler. COMETA, Energia Solar, utilização e empregos práticos. Editora Hemus. Emílio Cometa. GLOBAL ENERGY PERSPECTIVES NEBOJSA NAKICENOVIC, ARNULF GRUBLER E ALAN MC DONALD,1998 Editora Cambridge Área MEIO AMBIENTE Idioma INGLÊS Número de páginas 300 Edição 1998 ISBN 0521645697 EAN 9780521645690 GELLER, H. S. Revolução energética: políticas para um futuro sustentável. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003. p.299 Capítulo VI, artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB): 49 WEBGRAFIA SILVA, Fabiano Ionta Andrade Análise da evolução dos indicadores de intensidade energética do gênero química do Brasil – 1996 a 2005. / Fabiano Ionta Andrade Silva. — Santo André: Universidade Federal do ABC, 2009. Dissertação (Mestrado) — Universidade Federal do ABC, Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas, Programa de Pós-graduação em Planejamento e Operação de Sistemas de Energia, 2009. http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_224740.shtml 29/01/11 p.1 http://www.cresesb.cepel.br/index.php?link=/tutorial/tutorial_solar.htm 29/01/11 p.1 Centro de referência para energia solar e eólica Sérgio de Salvo Brito. PALZ, Wolfang. Energia Solar e Fontes Alternativas. São Paulo: Hemus, 2002. SEMINÁRIO SOBRE OS DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O MERCADO DE ENERGIA RENOVÁVEIS, 1., 2008, São Paulo. Brasil: Vento, energia e Investimento. São Paulo. Conselho Global de Energia Eólica, 2008. Fonte: http://www.webartigos.com/articles/21159/1/FONTES-DE-ENERGIARENOVAVEIS-E-SEUS-PRINCIPAIS-BENEFICIOS-PARA-A-HUMANIDADE/pagina1.html#ixzz17efIcoIW http://www.cresesb.cepel.br/index.php?link=/tutorial/tutorial_solar.htm 50 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 02 AGRADECIMENTO 03 DEDICATÓRIA 04 RESUMO 05 METODOLOGIA 06 SUMÁRIO 07 INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I – REVOLUÇÃO ENERGÉTICA 1.1 – Perspectivas energéticas atuais e suas implicações 14 1.2 – Custos exorbitantes 15 1.3 – Poluição local e regional do ar 16 1.4 – Aquecimento global 19 1.5 – Impactos de segurança 22 CAPÍTULO II – ENERGIA EÓLICA 2.1 – Funcionamento da energia eólica 24 2.2 – Definição 27 2.3 – Evolução histórica e o meio ambiente 28 2.4 – Fatores históricos do uso de energia eólica 29 2.5 – Empecilhos para instalação 31 2.6 – Energia Eólica no Brasil: perspectivas 32 51 2.7 – Energia Eólica no Mundo 33 CAPÍTULO III – ENERGIA SOLAR 3.1 – Definição 36 3.2 – Características da energia solar 37 3.3 – Conhecendo o Sol 38 3.4 – Vantagens e desvantagens da energia solar 41 3.5 – Benefícios da energia solar para a humanidade 41 3.6 – Energia solar fotovoltaica 42 CONCLUSÃO 46 BIBLIOGRAFIA 48 WEBGRAFIA 49 52 Ref monografia Pág12 Pág19 Pág 14