ABUNDÂNCIA E DISTRIBUIÇÃO DOS PARES REPRODUTORES DE Pygoscelis
adeliae E Pygoscelis antarctica NA ILHA PINGÜIM, SHETLAND DO SUL,
ANTÁRTICA.
Sander, Martin1, 2; Coelho Balbão, Tatiana1, 3,; dos Santos, César Rodrigo1
Schneider Costa, Erli , 3
1
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Laboratório de Ornitologia e Animais
Marinhos LOAM. www.saude.unisinos.br/loam. [email protected]
2
Professor Unisinos
3
BICs CNPq (180322/2003-6 e 180305/2003-4). Apoio: UNISINOS, PROANTAR, CNPQ
(55.0371/2002-8)
Palavras-chave: Pingüim-antártico, Pingüim-de-Adélia, Pares reprodutores, Ilha Pingüim,
Antártica
Keywords: Chinstrap penguin, Adélie penguin, breeding pairs, Penguin Island, Antarctica
RESUMO
Este trabalho é uma análise quantitativa da população de pares reprodutores de
Pygoscelis adeliae e Pygoscelis antarctica, que utilizam a Ilha Pingüim para reprodução. Foram
analisados os dados obtidos no verão austral de 2003/04 e dados bibliográficos.
ABSTRACT
This work is a quantitative analysis about the population of breeding pairs of Pygoscelis
adeliae and Pygoscelis antarctica, that uses the Penguin Island for breeds. It was analyzed the
dates obtained at the austral summer of 2003/04 and bibliographic dates.
INTRODUÇÃO
A Ilha Pingüim é um pequeno vulcão dormente com 1,5 Km de diâmetro, que chega a
medir até 170 m de altura. Fica situada nas proximidades da Ilha Rei George, em Turret Point,
entre a Baía Rei George e a Baía Sherrat, na margem nordeste do Estreito de Bransfield
(Birkenmajer, 1982).
As primeiras informações sobre a ocorrência de aves na Ilha Pingüim são relativas ao
programa de anilhamento dos Estados Unidos, conforme Sladen et al. (1968). Os trabalhos
mais recentes são Jablònski (1980), Jablònski (1984) e Trivelpiece et al (1987), e também há
informações no programa de anilhamento brasileiro.
Na ilha nidificam nove espécies de aves, entre elas Pygoscelis adeliae (pingüim-deadélia) e Pygoscelis antarctica (pingüim-antártico).
MATERIAIS E MÉTODOS
Em quatro de dezembro de 2003, foi realizado um censo para estimar a população de
pares reprodutores dos pingüins Adélia e antártico na Ilha Pingüim. Para localizar as áreas
reprodutivas foram realizadas caminhadas lineares em toda a orla livre de gelo. Utilizou-se a
técnica de contagem direta de adultos em atividade de incubação em cada colônia, feita por
três a quatro pessoas. Os valores absolutos foram obtidos através das médias das contagens.
As colônias foram mapeadas com o auxílio do GPS.
RESULTADOS, DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
No verão de 2003/04 foram registrados 2.672 pares reprodutores de pingüim-antártico, e
684 de pingüim-de-Adélia para a Ilha Pingüim. Conforme o trabalho publicado por Jablónski
(1980), em janeiro de 1979 existiam 7.058 ninhos de pingüim-antártico e 1.710 de Adélia. No
verão seguinte, em 1980/81 Jablònnski (1984) contou 7.581 pares reprodutores de pingüimantártico, e 3.114 de Adélia. Com estes dados Trivelpiece et al. (1987), fez um cálculo baseado
nas médias de sucesso reprodutivo de ambas as espécies e estimou a população de Adélia em
3.425 pares reprodutores e de antártico em 8.794 (Figura 1, Tabela 1).
Foi possível constatar através dos dados bibliográficos que a população de pares
reprodutores do pingüim-de-Adélia reduziu 75 %, e para o pingüim-antártico houve um
decréscimo de 66 %, desde o verão de 1979/80 para 2003/04.
Quanto ao posicionamento das colônias, foi constatado em 2003/04 que elas continuam
situadas nas mesmas áreas dos períodos de 1979/80 e 1980/81. Em 1979/80 existiam quatro
colônias de pingüim-antártico e uma mista com Adélia. Em 2003/04 a colônia mista perdurou,
mas na região das quatro colônias de antárticos foram encontradas duas.
A coleta dos dados foi feita no início de dezembro de 2003. A média da temperatura nos
arredores da Estação Antártica Comandante Ferraz, localizada na Ilha Rei George, durante os
meses de verão é de 1,7 ºC, sendo que neste verão foi de 1,0 ºC. No mês de novembro, em
especial, as temperaturas estavam 1,4 ºC abaixo da média, e com isso a neve depositada
durante o inverno não derreteu, podendo ter prejudicado a confecção dos ninhos dos pingüins.
A grande camada de neve ainda perdurou acima da média por todo o mês de dezembro
(CPTEC/INPE, 2004). Outros autores relatam distúrbios diretos e indiretos nas populações de
aves marinhas, devido às mudanças climáticas regionais (Croxall et al, 2002). Mas o principal
fator que regula o número de indivíduos numa colônia parece ser a disponibilidade de alimento
(Vega, 1999).
Recentes estudos, como mostra Fraser & Patterson (1997) relatam distúrbios e efeitos
adversos nas populações de pingüins pela presença humana, principalmente no que se refere
às atividades de turismo. Nas proximidades da Estação Polonesa Arctowski, que fica localizada
num sítio de especial interesse científico (SSSI 8), e onde há colônias reprodutivas de
Pygoscelis, Ciaputa & Salwicka (1997) relatam que entre 1991 e 1997 cerca de 12.884 turistas
visitaram a região. Fato semelhante acontece na Ilha Pingüim, onde foram observadas trilhas
(compactação), provavelmente deixadas por grupos de turistas. Em ferramenta de busca na
Internet foram encontrados pacotes turísticos oferecendo a Ilha como parte do passeio.
Agradecimentos: Alberto Setzer, Heber Reis dos Passos, Marcelo Romão (Projeto
Meteoro: CPTEC / INPE), pelas informações sobre climatologia na EACF.
BIBLIOGRAFIA
Birkenmajer, K., 1982. The Penguin Island Volcano, South Shetland Islands (Antarctica): its
structure and succession. Studia Geologica Polonica, vol LXXIV: 155-173 p.
Ciaputa, P. & Salwicka, K., 1997. Tourism at Antarctic Arctowski Station 1991–1997: policies for
better management. Polish Polar Research. 20: 65–75 p.
Croxall, J. P., Trathan, P. N. & Murphy, E. J., 2002. Environmental Change and Antarctic
Seabird Population. Polar Science. 297:1510-1514 p.
Fraser, W. R. & Patterson, D. L., 1997. Human disturbance and long-term changes in Adelie
penguin populations: a natural experiment at Palmer Station, Antarctic Peninsula. In:
Battaglia, B., Valencia, J. & Walton, D. W. H. Antarctic Communites: Species, Struture
and Survival. Cambridge, 63:445-452p.
Jablònski, B., 1980. Distribution and numbers of birds and pinnipedes on Penguin Island (South
Shetland Islands in january 1979. Polish Polar Research. 1(1):109–116p.
Jablònski, B. 1984. Distribution and numbers of penguins in the region of King George Island
(South Shetlands Islands) in the breeding season 1980/1981. Polish Polar Research. 5
(1-2):17-30p.
Sladen, W. J. L., Wood R.C.& Monagham E. P., 1968. The USA RP bird banding program,
1958-1965 (In: Antarctic Research Series, 12, Antarctic bird studies), Baltimore, 213-262p.
Trivelpiece, W. Z., Trivelpiece, S. G. & Volkman, N. J. 1987. Ecological segregation of adelie,
gentoo and chinstrap penguins at King George Island, Antarctica. Ecology. 58(2):351–
361p.
Vega, S. G., 2000. Antártida: Las leyes entre las Costas y el Mar. Serie Explorando Nuestra
Naturaleza. Buenos Aires: Contacto Silvestre. 125p il.
www.cptec.inpe.gov.br/antartica
PS: O trabalho “Bestandsaufnahme und Managementpläne für zwei touristisch genutzte
Gebiete der Antarktis” dos autores PFEIFFER, S. & PETER, H. U. 2002, não foi citado e
utilizado para a análise comparativa, devido ao resumo ter sido enviado anterior ao recebimento
do mesmo.
Tabela 1. População de pares reprodutores de Pygoscelis adeliae (Pad) e Pygoscelis antarctica
(Pan) nos verões de 1979/80, 1980/81 e 2003/04.
Pad
Pan
1979/80
1980/81
1980/81
2003/04
(Jablónski, 1980) (Jablónski, 1984) (Trievelpiece et al., 1987) (OPERANTAR XXII)
1710
3114
3425
684
7058
7581
8794
2672
10000
8000
6000
4000
2000
0
1979/80
1980/81
1980/81
(Jablónski, 1980) (Jablónski, 1984) (Trievelpiece et
al., 1987)
Pad
2003/04
(OPERANTAR
XXII)
Pan
Figura 1: Análise quantitativa da população de P. adeliae e P. antarctica desde 1979.
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