Politécnica
Revista do Instituto Politécnico da Bahia
Fundado em 1896
Ano 4 * Edição trimestral * setembro/2011 * ISSN 1809-8169
ESTABILIDADE DAS ENCOSTAS
DO “ENÍGMA BAIANO” À INDUSTRIALIZAÇÃO DA BAHIA
A ENGENHARIA NAVAL NA BAHIA: FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO
Fonte : Internet; www.odebrechtonline.com.br
Pólo Petroquímico de Camaçari-BA
Fonte www.sisalnews.com.br
11E
Expediente
A Revista POLITECNICA é uma publicação do Instituto Politécnico da Bahia – IPB , visando a
apresentação de trabalhos científicos na área da Engenharia.
Ano III – Numero 11 - E - 3º trimestre /2011 – ISSN 1809-8169 - Instituto Politécnico da Bahia - IPB
Conselho Editorial
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Professor Adjunto Aposentado da Escola Politécnica da UFBA
Membro do Instituto Politécnico da Bahia – IPB
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Nossa Capa: Pólo Petroquímico de Camaçari-Bahia
Fonte : Internet; www.odebrechtonline.com.br e www.sisalnews.com.br
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INSTITUTO
POLITÉCNICO
Fundado
em
DA
BAHIA
1896
Diretoria do Instituto Politécnico da Bahia
Eleita em Assembléia Geral Ordinária de 23 de novembro de 2010.
Presidente em exercício
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Politécnica
Arq. Guarani Valença de Araripe
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Eng. Octavio Henrique Bahia de Aguiar
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EDITORIAL
O estudo aplicado de ciências nas escolas brasileiras praticamente não
existe.
As escolas públicas não possuem laboratórios de ciências e as particulares,
em maioria esmagadora, acompanham esta marcha disseminando a
ignorância científica.
Alega um dos diretores de escola particular : “ Temos uma sala de
computadores onde podem ser demonstradas todas as experiências do
curso”.
Ver e observar complementam mas não transmitem o sentimento “do fazer”
a experiência científica.
Em casa, com os meios não perigosos disponíveis no lar, podem ser
demonstradas muitas Leis da Física e da Química e então: Qual a razão que
impedem que sejam executadas nas escolas?
Econômica ? Falta de conhecimento?
Salvo outras considerações.
Professores, que também não cursaram escolas com laboratórios, não
sabem como fazer, não dispõem dos meios e nem sentem a necessidade de
despertar nos alunos o gosto pela Ciência.
José Goes de Araujo
Presidente
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INSTITUTO POLITECNICO DA BAHIA
REVISTA ELETRONICA Nº. 11 - E
Sumario
1 - ESTABILIDADE DAS ENCOSTAS
Sylvio de Queirós Mattoso, DSc, Geociências Engenheiro de minas e metalurgista
2 - DO “ENÍGMA BAIANO” À INDUSTRIALIZAÇÃO DA BAHIA
Dr. Fernando Alcoforado
3- A ENGENHARIA NAVAL NA BAHIA: FORMAÇÃO E
CAPACITAÇÃO
Ademar Nogueira Nascimento, Engenheiro Químico, Doutor em Engenharia Química pela UNICAMP
/Coordenador do CENAV.
Henrique José Caribé Ribeiro, Engenheiro Naval, Doutor em Engenharia Naval e Oceânica pela
COPPE/UFRJ/Vice-Coordenador do CENAV.
Alexandre de Macêdo Wahrhaftig, Engenheiro Civil, Doutor em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da
USP/ Professor do CENAV
Os textos assinados e aqui publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores,
podendo não representar a opinião do Conselho Editorial ou mesmo da Diretoria do IPB.
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1
ESTABILIDADE DAS ENCOSTAS
Sylvio de Queirós Mattoso, DSc, Geociências
Engenheiro de minas e metalurgista
Abstract: landslides in mountainous regions are natural phenomena which can also be triggered by human activity. A
brief comment on the time concept for geologists is presented to facilitate the understanding of how present Earth
topography was built. The author, considering the climate change that Earth is undergoing, believes that more landslides
can be expected in the next 20 to 50 years, which call for a better mapping to forecast their occurrence and prepare
better plans for land occupation. Thus education, science, technology and keen social political feeling will be strongly
called for from now on so as to avoid more deaths and high costs of accidents.
Resumo: escorregamento de encostas em regiões montanhosas são fenômenos naturais que podem ser acionados
pela atividade humana. O conceito de tempo geológico apresentado pelo autor a fim de facilitar a compreensão da
origem das atuais formas de relevo da Terra. O artigo mostra que as mudanças climáticas em curso tornarão mais
freqüentes os escorregamentos de terra nas regiões montanhosas. Essa previsão torna necessário, desde já, o
planejamento da ocupação humana, sobretudo em cidades de topografia acidentada como Salvador e nas regiões
montanhosas do Brasil. O artigo conclui que Educação, Ciência e tecnologia e Tirocínio sócio - político são cruciais nos
próximos anos.
Palavras- Chave:
observar, pensar, planejar, agir
Key words: record what you see, think plan, act.
Introdução – Escorregamentos de encostas são fenômenos absolutamente naturais, e vêm ocorrendo sem
qualquer traço de que a ocupação humana tenha contribuído para a formação de numerosos espetáculos
da natureza. As formas de relevo, como as que vemos ao norte de Porto Alegre e que se estendem a Santa
Catarina e Paraná, com vales bem profundos, e paredes quase verticais, bastante parecidas com as que
também são vistas em Mato Grosso, e na Chapada Diamantina da Bahia embora menos imponentes, são
tão belas quanto o gigante Grand Canyon do rio Colorado nos Estados Unidos. Também são naturais as
formas como o Pão de Açúcar, Urca, Corcovado, Mesa do Imperador na cidade do Rio de Janeiro e o Dedo
de Deus, entre Petrópolis e Teresópolis. Tudo resulta da própria formação da Terra que esculpiu o relevo
original. Com o tempo, a erosão se encarrega de dar outras formas ao relevo da Terra, no que é ajudada
pela movimentação da crosta terrestre sobre o manto. Em seguida, as chuvas, os ventos e a neve, atuando
sobre a cobertura vegetal, cujo porte e densidade de cobertura variam em função do clima em cada região,
imprimem irregularidades no relevo da superfície de nosso planeta e modelam as paisagens que
apreciamos e que são o resultado final dos eventos ocorridos durante a história geológica da Terra. Os
acidentes físicos que nos perturbam ocorrem quando nossas observações são escassas, quando os
estudos geológicos e geomorfológicos são insuficientes, de modo que a ausência de prevenção pode levar,
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ou leva fatalmente, aos acidentes de escorregamento de terra que podem custar vidas e causar prejuízos
econômicos bastante graves.
Com as mudanças climáticas hoje em curso, prevê-se que períodos de chuvas, secas e ventos mais
intensos ocorrerão nos próximos quarenta anos. Entre outras consequências, a alteração na cobertura
vegetal, originada por essas mudanças no clima, poderá agravar o resultado da má gestão ambiental pela
população em geral e pela sociedade, aí necessariamente incluída a classe política que tem
responsabilidade pela educação e medidas de prevenção de catástrofes. A sociedade que se organize e
se cuide.
Nosso conceito de tempo e da história da Terra - Acredito que compreender a escala de tempo
geológico é importante para desenvolver este tema.
A Terra existe há quase cinco bilhões de anos. Pode ser difícil introjetar e assimilar esse conhecimento,
essa dimensão do tempo. O contraste é demasiado amplo para o tempo de vida humano. Vamos imaginar
algumas situações em que usamos o tempo:
- O interior da Terra está a uma temperatura próxima de dois mil graus Celsius. Essa era possivelmente a
temperatura da Terra há cinco bilhões de anos.
- Se a temperatura baixasse a uma velocidade de 1º C a cada cem séculos, quanto tempo levaria para
atingir algo como 20º C?
Resposta: 10.000 x 1.980 = 19.800.000 séculos ou 1.980.000.000 anos, isto é, pouco menos de metade da
idade da Terra. Evidência de vida sobre a Terra sugere que esse ambiente propício teria ocorrido há algo
como um bilhão de anos.
Os movimentos internos no nosso planeta e seus efeitos - É comum encontrar regiões da Terra que
estão submetidas a uma elevação de 2cm por século (velocidade medida, por exemplo, no mar Báltico,
entre Suécia, Finlândia, Polônia e outros cinco países banhados por esse mar). Significa que se existir uma
caverna a 1.000 metros de profundidade nesse mar, ela atingirá a superfície da terra em 5.000.000 (cinco
milhões) de anos. Essas velocidades de elevação podem também ser de abaixamento da superfície, o que
permite acumular vários milhares de metros de sedimentos em lagos e nos oceanos e depois ter esses
mesmos sedimentos expostos à superfície também acima do nível do mar. Os movimentos da terra não são
permanentemente para baixo nem continuadamente para cima. Localmente os abaixamento e levantamento
podem acontecer com maior rapidez, como no caso do Templo de Júpiter, na Itália, e do Farol de
Alexandria, no Egito, que ficaram sob quase dez metros de água no Mediterrâneo em um intervalo de tempo
que pouco ultrapassou um milênio. Se as denominadas rochas sedimentares estão acima do nível do mar,
muitas vezes em cotas superiores a mil metros, significa que essa região foi submetida, primeiramente a um
abaixamento quando se formaram as camadas sedimentares, e depois a um levantamento, quando a
erosão pode nos presentear com paisagens como o Grand Canyon do Colorado ou seus assemelhados na
chapada Diamantina da Bahia e os planaltos andinos da Bolívia.
Quando os sedimentos acumulados, por efeito do movimento descendente da crosta atingem espessuras
que ultrapassam algo como 20.000 metros. Nos sedimentos da base a temperatura (que se eleva cerca de
1º C a cada 33 m de profundidade) vai atuar e mudar a composição mineral dos sedimentos mais
profundos. Aos 30.000 metros de profundidade, por força dos movimentos da crosta e também do acúmulo
de sedimentos, os minerais começarão a fundir nas camadas ou níveis mais profundos, originando minerais
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novos e se incorporando ao manto, fluido. Este, em seu movimento continuado vai, ocasionalmente, em
busca de locais de temperatura mais baixa, pressionando para cima e originando vulcões com derrame de
lava na superfície do terreno.
Ainda um aceno ao que podemos pensar sobre velocidade - A Terra gira a uma velocidade, na linha do
equador, de pouco mais de 1.685 km/hora. Nossa velocidade a pé está um pouco abaixo de 5 km por hora.
As chuvas removem algo como 5 a 20 cm de solo por século (ou um metro a cada 5 a 40 séculos isto é, mil
a quatro mil anos), e esses detritos de solo e rochas são transportados pelos rios para os oceanos e lagos.
Significa que um lago de 100 metros de profundidade pode ser preenchido de terra (sedimento) totalmente
em cinquenta mil a duzentos mil anos.
No centro da Terra temos um núcleo fundido de Ferro e Níquel e acima desse núcleo temos um material
fundido (chamado de magma) que envolve o núcleo e fica por baixo da crosta. A crosta como que flutua
sobre esse magma, o qual está sempre em movimento. Esse movimento do magma altera a forma
superficial dessa crosta, com partes se levantando, partes se abaixando e partes se rachando
“escorregando” por cima de outras (placas tectônicas) e ocasionalmente deixando esse magma atingir a
superfície da crosta, que é também a superfície da Terra. Quando o magma se derrama pela superfície
temos o que se chama de lava (lava vulcânica). A fértil terra roxa de São Paulo e Paraná resulta da
alteração dessas lavas (basálticas) em contato com a atmosfera e a matéria orgânica. Como curiosidade,
essas lavas sustentam rochas sedimentares mais novas (portanto por cima delas) e na região do rio
Paraná, na fronteira de São Paulo com Mato Grosso) atingem espessura bem superior a mil metros.
As lavas resfriadas formam rochas normalmente impermeáveis, em contraste com os sedimentos que são
permeáveis e porosos. O relevo resultante desses movimentos de soerguimento da crosta e de erosão
pelas águas (chuvas), associado aos movimentos que produzem fraturas dá origem ao relevo que forma
hoje a paisagem da superfície terrestre.
A posição relativa das rochas e seus diferentes graus de coesão e dureza explicam parte das diferenças na
topografia: regiões de planícies quase horizontais, ou de encostas suaves ou encostas íngremes, a
presença de picos salientes, cônicos ou mais abaulados modelados e em constante alteração de forma e
altura devido à ação da erosão pelas águas da chuva. O tipo de cobertura vegetal, que pode ser mais ou
menos ralo, mais ou menos denso, vai depender do tipo de clima. A mudança de clima pode afetar a
natureza original da vegetação.
A formação dos solos - Os solos são o resultado de um complexo de reações químicas: a reação da água
da chuva, dos compostos químicos produzidos por bactérias no e do solo (ação de matéria orgânica), e dos
dejetos animais, com as rochas. O solo é, portanto, rocha alterada. A natureza do solo (mais argiloso ou
mais arenoso) depende ainda da composição mineralógica original da rocha que lhe deu origem. A
fertilidade do solo depende da composição mineralógica da rocha da qual se originou e sobre a qual o solo
se formou. Em regiões de clima mais úmido os solos são mais espessos que em clima seco. Na parte mais
úmida do Recôncavo e na faixa litorânea da Bahia os solos (denominados residuais) podem ultrapassar 15
metros de espessura sobre a rocha dura que lhe deu origem.
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Como, numa mesma região, o clima é bastante irregular, com períodos em que as chuvas são mais
intensas e demoradas, alternando de modo também bastante irregular com os anos chuvosos e chuvas
mais ou menos intensas, o solo fica sujeito a um desgaste que varia com a natureza e permeabilidade e
porosidade do próprio solo, com a inclinação do terreno e das encostas e com o tipo da cobertura vegetal.
Árvores de raízes pivotantes (uma raiz que se adentra no solo verticalmente) dão à árvore maior resistência
ao vento e, ao mesmo tempo, podem dar mais sustentação ao solo do que árvores com raízes subhorizontais.
Escorregamento de encostas. Origem do relevo - Essas considerações e comentários, sobre os
movimentos naturais da Terra, mostram que escorregamentos de encostas existirão mesmo sem a
presença de atividade humana. Quanto mais extensas e inclinadas forem as encostas, mais facilmente
ficam sujeitas a escorregamentos. Entretanto, as pessoas podem contribuir para acelerar um processo de
escorregamento (erosão) com qualquer obra simples como um pequeno corte (barranco) de terreno para
construir sua casa, com a alteração que fizer na densidade ou natureza da cobertura vegetal, com a
construção de um muro que desvia e atrasa o curso do escoamento superficial da água e favorece a
infiltração no terreno.
A topografia de qualquer região pode mostrar sinais claros de escorregamentos pretéritos: o Pão de Açúcar,
os morros da Urca e Corcovado no Rio de Janeiro são testemunhas do escorregamento espontâneo
anterior à ocupação da região. No caso particular do Pão de Açúcar, é fácil imaginar que as ondas do mar
desgastando o solo na base do morro facilitaram seu desnudamento,
Como se formaram os canyons encontrados no rio Colorado, em Santa Catarina e na Chapada
Diamantina e vizinhanças? Os rios escavam progressivamente seus leitos que vão ficando cada vez mais
fundos; a encosta, inicialmente na vertical, cada vez que o rio em seu leito desgasta a base na margem,
desequilibra e lá vem um desmoronamento despejando uma fatia vertical de rochas de média e/ou pequena
coesão no leito do rio.
Uma encosta com solo espesso (situação comum em Salvador) desenvolvido sobre uma rocha
dura, impermeável, situação também freqüente encontrada em Salvador, assim como na região de
Itaberaba e inúmeras outras no interior da Bahia, depois de chuvas intensas fica pesado por causa da água
infiltrada acumulada. Essa água acumulada que se infiltra eleva o peso do material do solo e, se não tiver
mais como se infiltrar para baixo, atua como uma espécie de lubrificante entre o solo e a rocha impermeável
que forma sua base e traz o solo morro abaixo, tal como ocorre em Salvador e no Recôncavo em geral
quando as chuvas são demoradas e intensas.
Pequenos abalos sísmicos podem acionar os desmoronamentos. Ventos muito fortes capazes de
derrubar árvores podem viabilizar os desmoronamentos ao desnudar o solo.
O relevo é dinâmico, em constante alteração - Em resumo, o relevo a Terra está em constante
adaptação às condições naturais de processos que se desenvolvem por milhares e/ou milhões de anos. Os
processos naturais podem ser acelerados pela atividade humana. Há então necessidade de aliar a
observação com a inteligência, fazer conjecturas, imaginar várias possibilidades, de modo a prever as mais
graves que poderão ocasionar acidentes e assim tentar evitá-los.
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Prevenindo escorregamentos - Em Salvador, ao começar a ocupação de terrenos com encostas
inclinadas, a administração pública deveria intervir providenciando arruamento e orientando a ocupação do
solo a fim de prevenir acidentes graves. O arruamento e obras de contenção já representam uma orientação
aos que vierem a construir na área. Educação voltada para fortalecer a associação dos moradores é
importante para que a população local saiba que devem evitar construir muros e jogar lixo nas ruas que
possam acumular água, barrar o movimento das águas superficiais e dificultar o escoamento da água da
chuva. Também o peso do lixo jogado na encosta e saturado de água da chuva, soma-se ao peso do solo
também “encharcado” de água que se infiltrou e termina por atingir a condição favorável para iniciar um
escorregamento da encosta, destruindo casas, provocando mortes e ferimentos nas pessoas do lugar. E,
muitas vezes, dificultando a chegada de socorro.
A título de ilustração, embora não seja o nosso caso, mas qualquer um pode imaginar o efeito da
acumulação de neve nas montanhas dos Alpes, dos Andes, dos Apeninos, dos Urais, dos Pirineus, do
Himalaia e em todas as cordilheiras de montanhas no mundo mostradas em cinema. As avalanches de neve
nas encostas se assemelham, dentro de certos limites, aos escorregamentos de solos nas encostas de
morro no Brasil. Os escorregamentos nas encostas são fenômenos naturais que podem ser acionados
antes do tempo como resultado da ocupação humana não planejada ou planejada de modo inadequado.
As encostas estão em um equilíbrio natural que pode ser rompido de modo absolutamente natural. O relevo
que temos hoje, em áreas não construídas resulta de alterações naturais e sucessivas do equilíbrio, mal
comparando, como o equilíbrio dos dentes de leite de uma criança. Apenas a título de ilustração
comparativa, a queda dos dentes de uma criança pode ser acelerada, mas tem um tempo natural para o
dente soltar da gengiva e cair.
Atenção às mudanças climáticas. Fim da estabilidade climática dos últimos doze mil anos - Número
1
recente da revista norte americana NEWSWEEK publicou um artigo que ilustra muito bem o que podemos
esperar no futuro como consequência das irregularidades do clima que parece estão se acentuando nos
últimos anos e prometem muito mais desdobramentos no futuro.
Nos Estados Unidos quase um milhar de tornados devastaram muitas áreas, registrando mais de 500
mortos e perdas que atingiram US$9 bilhões, este ano. O meio Oeste daquele país teve o maior índice de
umidade dos últimos 116 anos. Na Rússia, a seca respondeu pela morte de algo como 15.000 pessoas há
dois anos. Enchentes mais recentes no Paquistão e na Austrália foram responsáveis por 2.000 vidas. O
longo período de seca ocorrido recentemente na China devastou milhões de hectares de terras cultivadas.
Esses eventos sugerem que a estabilidade climática dos últimos doze mil anos desapareceu, não mais
existe. Não podemos contar com clima estável.
Nos próximos 30 a 50 anos, com uma boa proporção de população existente na Terra hoje (para
testemunhar essas previsões), o derretimento do gelo polar aumentando o “upsurge” (borbulhar) de águas
frias nos oceanos, certamente causará transtornos climáticos acentuados, junto com a simultânea elevação
do nível dos oceanos. Prevê-se que as chuvas de maior intensidade irão agravar os escorregamento nas
encostas de várias partes dos Estados Unidos e, com a elevação do nível dos mares na Califórnia, já
começam a preparar novo traçado para a Rodovia conhecida como Highway 1, muito próxima do litoral e
1
Nature’sfury, autor Sharon Begley, Newsweek, June 06,2011, pp28-34
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que terá de ser reprojetada e construída mais para o interior. O território do Brasil está sujeito aos mesmos
fenômenos.
Planejar é essencial. Agir também – Essas são as palavras chave deste texto. Esses tipos de evento
estão levando os líderes da sociedade a cuidar para que ações sejam tomadas já, a fim de enfrentar o
desaparecimento de algumas ilhas e a invasão do continente pelas águas do mar que está se elevando em
velocidade crescente nos próximos 30 a 50 anos. Entretanto, somente 14 estados do país (EUA) têm
planos, alguns já em execução, para enfrentar os efeitos dessas mudanças de clima.
Pergunto: alguém no Brasil está ciente desses problemas? Estão agindo ou pelo menos influindo a
sociedade para que cuidemos logo do futuro? De que modo entidades como o IRAE, ou o Rotary, poderão
contribuir para disseminar o conhecimento sobre esse tema e ajudar a minimizar ou até evitar, inundações e
escorregamentos de encostas e outros efeitos mais graves das mudanças climáticas em curso?
As mudanças de temperatura farão sentir seus efeitos não somente nas pessoas, mas também nas plantas
e nos animais. Doenças mais características de climas mais quentes, como a malária, poderão aparecer em
regiões hoje com clima frio.
As cidades de clima mais frio nos Estados Unidos já se dispõem a plantar mais árvores na área urbana (e
várias cidades de lá já estão fazendo isso), pois grama é mais bem-vinda nos climas frios e temperados,
enquanto árvores têm forte efeito moderador de temperatura em regiões tropicais, como é o caso do Brasil.
Em 2020 já se espera uma temperatura cerca de 1º C mais alta do que hoje.
Podemos esperar, no Brasil, nos próximos 20 a 40 anos, mais inundações e mais graves que no passado,
escorregamentos de terra naturais mais freqüentes o que obriga a um cuidado maior na proteção da
população de zonas rurais próxima de cidades montanhosas como Rio de Janeiro, assim como Salvador e
outras pelo Brasil afora. Nossa posição como celeiro do mundo ficará ameaçada se não agirmos em tempo.
Livro recente da EMBRAPA sobre “Mudanças climáticas” parece ser a primeira manifestação oficial a esse
respeito em nosso país.
As cidades litorâneas terão de fazer investimentos pesados para se prevenir das inundações causadas pela
elevação do nível do mar. Por exemplo, a parte sul da cidade de Nova Iorque exige investimentos para
proteger as fundações dos edifícios e reconfigurar as vias de circulação para tráfego de barcos, como em
Veneza na Itália. Isso já está sendo feito naquela metrópole.
Além da elevação do nível dos oceanos (entre 3 e 4 metros), temos ainda de lidar com eventuais zonas de
subsidência, em que áreas expressivas estão abaixando e tendendo a submergir. Em vários pontos do
litoral isso já é evidente no Brasil. Educação, ciência e tecnologia e tirocínio sócio - político são
cruciais nos próximos anos. A Era do Conhecimento que estamos vivendo, mas que muitos
menosprezam, precisa valorizar mais ainda a educação, o conhecimento. Conhecimento é poder, mas
poder de debater, poder de sugerir, poder de escolher equipe competente de pessoal e poder de
resolver os problemas que brevemente teremos de enfrentar como resultado do chamado “efeito –
estufa”.
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Estamos preparados para o futuro? - Em Salvador temos de estar preparados para agir com
antecedência, reservando áreas para expansão da cidade, com efetivo planejamento urbano, ruas largas e
arborização de encostas com árvores de raiz pivotante e drenos subterrâneos do tipo usado em cortes
rodoviários, com tubos porosos para recolher as águas do subsolo da encosta e desviá-las para locais
adequados. Essa experiência de reservar áreas para bairros novos já foi feita no passado, no governo
Roberto Santos, em Cajazeiras e Mussurunga e, creio também, em Cají. Com os conhecimentos
acumulados sobre as mudanças climáticas que já estão em curso, com os escorregamentos já mapeados e
mais a experiência que temos com o tráfego em Salvador hoje, há necessidade e urgência de projetar
bairros novos com escolas, centrais de polícia e centros de saúde, tal como também se fez nos bairros
citados. Se essas providências deixarem de ser tomadas com a urgência devida poderá ser considerado um
testemunho de ignorância e incapacidade de governar.
EMAIL - [email protected]
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
Begley, Sharon – Nature’s fury, Newsweek (revista semanal), June 06, 2011, PP. 28-34, New York, NY –
Estados Unidos
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2
DO “ENÍGMA BAIANO” À INDUSTRIALIZAÇÃO DA BAHIA
Fernando Alcoforado∗
Abstract: this article aims to present the factors that contributed to overcome the so-called “Enigma of Bahia” with the
onset of industrialization of the State of Bahia in the second half of the twentieth century.
Resumo: este artigo tem por objetivo apresentar os fatores que contribuíram para superar o denominado “Enigma
Baiano” com o desencadeamento do processo de industrialização do Estado da Bahia na segunda metade do Século
XX.
Keywords: the “enigma of Bahia”, the industrialization process in Brazil, the industrialization process in the
state of Bahia
Palavras-chave: o “enigma baiano”, o processo de industrialização no Brasil, o processo de industrialização
no estado da Bahia
1. O “enigma baiano”
Durante a primeira metade do Século XX, aventou-se a existência de um suposto enigma envolvendo o
crescimento da atividade industrial no Estado da Bahia, que possuía dinâmica oposta em relação ao
vertiginoso desenvolvimento industrial que estava ocorrendo nas regiões mais dinâmicas do país, ou
∗
Fernando Alcoforado, Doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de
Barcelona, Graduado em Engenharia Elétrica pela UFBA - Universidade Federal da Bahia e Especialista em Engenharia
Econômica e Administração Industrial pela UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi Secretário do
Planejamento de Salvador (1986/1987), Vice-Presidente da ABEMURB – Associação Brasileira das Entidades
Municipais de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (1986), Subsecretário de Energia do Estado da Bahia
(1988/1991), Diretor de Relações Internacionais da ABEGÁS - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Gás
Canalizado (1990/1991), Coordenador do Programa Nacional do Dendê- PRONADEN (1991), Presidente do Clube de
Engenharia da Bahia (1992/1993), Presidente do IRAE- Instituto Rômulo Almeida de Altos Estudos (1999/2000) e Diretor
da Faculdade de Administração das Faculdades Integradas Olga Mettig de Salvador, Bahia (2003/2005). É atualmente
professor universitário e consultor de organismos públicos e privados nacionais e internacionais nas áreas de
planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos. Foi
articulista de diversos jornais da imprensa brasileira (Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, A Tarde e Tribuna da Bahia),
publicando artigos versando sobre economia e política mundial e brasileira, questão urbana, energia, meio ambiente e
desenvolvimento, ciência e tecnologia, administração, entre outros temas. É autor dos livros Globalização (Editora Nobel,
São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um
Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese
de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e
Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos
Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social
Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken,
Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010) e Amazônia
Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio
Pardo, São Paulo, 2011) , entre outros.
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mesmo em alguns estados do Nordeste, como era o caso de Pernambuco. Esta estagnação do setor
industrial do Estado da Bahia fez com que sua economia perdesse importância no contexto da produção
industrial do Brasil durante as décadas de 1940 e 1950. Esta situação vivida pela Bahia foi estudada
durante as décadas seguintes por diversos autores, entre eles, Pinto de Aguiar que a denominou de
"Enigma Baiano".
As bases da superação do “Enigma Baiano” foram delineadas entre as décadas de 1950 e 1970, quando o
Estado da Bahia passou por um processo sistemático de planejamento que resultou no desencadeamento
do processo de industrialização do Estado da Bahia, no qual se destaca a contribuição do Plano de
Desenvolvimento da Bahia — PLANDEB, elaborado sob o comando do economista Rômulo Almeida com
base em estudos desenvolvidos por técnicos da recém-criada Comissão de Planejamento Econômico –
CPE, bem como do Fórum Econômico “Luiz Tarquínio”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado
Bahia (FIEB) no qual foi relevante a participação do engenheiro José Goes de Araújo que, como relator do
tema “Petroquímica”, apresentou suas conclusões apoiadas em estudos por ele aprofundados sobre a
indústria química e petroquímica dos Estados Unidos e que foram úteis na implantação da indústria
petroquímica na Bahia.
2. O processo de industrialização no Brasil
Ressalte-se que até 1930, era insignificante a participação da indústria na economia brasileira. A Primeira
Guerra Mundial, a crise econômica de 1929 e a Revolução de 1930 criaram, entretanto, as condições para o
início do processo de ruptura do Brasil com o passado colonial e a decolagem do processo de
industrialização do País. As forças políticas que assumiram o poder no Brasil em 1930 sob a liderança de
Getúlio Vargas apoiaram e implementaram um projeto de industrialização com o objetivo de retirar o País do
atraso econômico e impulsioná-lo rumo ao progresso com a implantação de um parque industrial próprio,
nos moldes das nações européias e dos Estados Unidos. Foi a primeira vez na história do Brasil que um
governo fez semelhante opção.
Em 1930, torna-se vitoriosa a ideologia do nacionalismo: desenvolvimento autônomo com forte base
industrial. A industrialização se desenvolveria através do processo de substituição de importações, isto é,
produzindo no país o que antes era importado do exterior. Na primeira fase da industrialização de 1930 a
1940, a ênfase foi na produção de bens de consumo imediato (bens não-duráveis). Com base no Programa
de Metas do governo Kubitschek, a partir da segunda metade da década de 1950, foi implementada a
segunda fase do processo de industrialização no Brasil com a produção de bens de consumo duráveis
como o setor mais dinâmico da economia brasileira.
O Programa de Metas, ao optar pela indústria de bens de consumo duráveis, significou o abandono do
projeto do governo de Getúlio Vargas no período 1950/1954 que era orientado para a implantação e
expansão da indústria de base, a produção de bens de capital. A implantação da indústria automobilística,
na segunda metade da década de 1950, representou o passo mais importante dessa fase seguido da
indústria de eletrodomésticos e eletroeletrônica. Em meados da década de 1950, a industrialização
brasileira toma novo rumo. Até então, o processo de industrialização avançara sob a liderança da empresa
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brasileira. A partir daí, o capital estrangeiro vai assumir, progressivamente, o controle dos ramos mais
dinâmicos da economia brasileira.
Os desequilíbrios regionais se acentuaram durante o governo Kubitschek porque o esforço de
industrialização do Brasil concentrou-se no Sudeste do país. Foi o desequilíbrio entre o Nordeste e o
Sudeste que fez com que o governo Kubitschek constituísse o GTDN — Grupo de Trabalho para o
Desenvolvimento do Nordeste e dele resultasse a criação da SUDENE, que elaborou em 1961 um plano
qüinqüenal que se apoiava em transferências líquidas de fundos do Sudeste para o Nordeste, bem como
em recursos proporcionados pelos Estados Unidos. Cabe ressaltar que, de 1930 a 1970, o processo de
integração nacional estimulou enormemente o desenvolvimento de todas as regiões do país. A criação da
SUDENE no Nordeste e da SUDAM e SUFRAMA na Amazônia com os incentivos fiscais intensificaram a
migração do capital produtivo para aquelas regiões.
Os turbulentos anos vividos pelo Brasil a partir de 1960, durante o governo João Goulart, foram vazios de
qualquer linha consistente de política econômica. A grande expansão econômica registrada no Brasil
durante o governo Kubitschek chegou ao fim com o advento da estagnação que se prolongou de 1962 até
1967. De 1968 a 1973, durante a ditadura militar, o Brasil experimentou elevadas taxas de crescimento
econômico, gerando um clima de otimismo geral logo batizado como “o milagre econômico” e a indústria
constituiu o principal setor no surto de desenvolvimento iniciado em 1968. Percebe-se, pelo exposto, que a
experiência desenvolvimentista recente no Brasil teve no governo federal seu principal agente e como seu
principal suporte o processo de industrialização. A substituição de importações no processo de crescimento
industrial levou a uma tendência contra o uso de tecnologias que absorviam grande quantidade de mão-deobra. O crescimento industrial contribuiu para o aumento substancial na concentração de renda devido ao
uso intensivo de capital pelas indústrias.
O processo de industrialização no Estado da Bahia
No período entre 1950 e 1970, o Estado da Bahia passou por um processo sistemático de planejamento, no qual
se destaca como seminal, o Plano de Desenvolvimento da Bahia — PLANDEB (concluído em 1959 e
contemporâneo do planejamento elaborado por Celso Furtado para o Nordeste) sob o comando do economista
Rômulo Almeida, então Secretário da Fazenda) durante o governo Antonio Balbino, que foi elaborado com base
em estudos desenvolvidos por técnicos da recém-criada Comissão de Planejamento Econômico – CPE, que
projetou um setor industrial objetivando um equilíbrio entre a produção de bens de consumo e de capital, além de
enfatizar a prioridade para a especialização das grandes empresas produtoras de bens intermediários,
aproveitando alguns recursos naturais à época abundantes na região, como o petróleo. O PLANDEB propunha
projetos que integrariam de forma sistêmica os setores agrícola, industrial e comercial, objetivando o
desenvolvimento equilibrado do Estado da Bahia sendo responsável pela “estratégia de desconcentração
concentrada” que preconizava a industrialização da Bahia mediante a sua inserção no projeto nacional de
desenvolvimento posto em prática pelo governo federal.
A estratégia do PLANDEB contemplava a atração de grandes empresas produtoras de bens intermediários
que atuariam como pólos do desenvolvimento industrial juntamente com as empresas produtoras de bens
finais que se instalariam a jusante nos centros e distritos industriais criados para abrigá-las, tanto na Região
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Metropolitana de Salvador quanto nas cidades do interior. Entre 1970 e 1980, com financiamentos a juros
subsidiados, isenção de impostos e incentivos fiscais com o aporte de consideráveis recursos públicos a
fundo perdido oriundos dos organismos de fomento ao desenvolvimento do país, foram implantados os
distritos industriais do interior e da RMS (o Centro Industrial de Aratu e o Complexo Petroquímico de
Camaçari) e montado o parque produtor de bens intermediários concentrados nos segmentos da
química/petroquímica e dos minerais não-metálicos. De 1980 até o momento atual concretizou-se
efetivamente a implantação do Complexo Petroquímico de Camaçari em conseqüência da evolução do setor
petrolífero e químico do Brasil.
Após a elaboração do PLANDEB, é importante destacar a contribuição do Fórum Econômico “Luiz
Tarquínio” promovido pela Federação das Indústrias do Estado Bahia (FIEB), realizado de 14 a 21 de maio
de 1961, no desencadeamento posterior do processo de industrialização do Estado da Bahia. Este Fórum
teve por objetivo o equacionamento dos aspectos fundamentais da economia baiana, cujo temário
contemplou: 1) produção agrícola; 2) produtividade; 3) problemas fiscais; 4) industrialização; 5)
investimentos básicos; 6) comércio exterior; e, 7) comunicações. No que concerne ao item 4
(industrialização), cabe destacar a importante contribuição do engenheiro José Goes de Araújo que foi
indicado pelo presidente da FIEB como autor do tema “Petroquímica”. Como relator do tema “Petroquímica”,
o engenheiro José Goes de Araújo demonstrou a semelhança existente entre as condições existentes na
Bahia e em Houston no Texas (Estados Unidos) onde existia um Pólo petroquímico, além de apresentar,
apoiado em estudos por ele aprofundados sobre a indústria química e petroquímica dos Estados Unidos.
As conclusões do engenheiro José Goes de Araújo sobre o tema “Petroquímica” estão descritas a seguir: 1)
Sem sombra de dúvida, a Petroquímica abrirá caminho para a industrialização da Bahia; 2) Seus produtos
impulsionarão direta ou indiretamente nossa Agricultura, Pecuária, Mineração e Indústria; 3) Obrigará uma
revisão no sistema ferroviário principalmente para as zonas de mineração; 4) Exigirá mais quilômetros de
estradas pavimentadas, intensificando o tráfego rodoviário; 5) A demanda de energia permitirá maiores
investimentos em centrais elétricas e sistemas de distribuição; 6) Aumentará o volume de exportações para
outros Estados, exigindo melhores aparelhagens portuárias; 7) A nossa balança comercial com os Estados
Sulinos será possivelmente equilibrada; 8) A arrecadação do Estado e Municípios não será diretamente
beneficiada devido a possíveis isenções, porém será indiretamente pela comercialização; 9) Haverá mais
procura de mão-de-obra, na zona industrial, como também nas zonas de mineração e de produtos agrícolas
auxiliares; 10) Incentivo às profissões técnicas, como engenheiros- Químicos, Geólogos, Metalúrgicos,
Engenheiros de Minas, Agrônomos, etc.; 11) Concentração de investimentos na Bahia de capital
estrangeiro, nacional, público ou privado; 12) A renda per capita tenderá a se elevar; 13) A participação na
renda bruta nacional que diminuiu de 11% para 9,6% (Nordeste) melhorará; e, 14) É mais rentável para a
Petrobrás utilizar o óleo combustível e o gás natural para produtos petroquímicos do que como combustível.
As conclusões do engenheiro e professor José Goes de Araújo se confirmaram na prática com a
implantação da indústria petroquímica no Estado da Bahia que se transformou no “carro-chefe” da
industrialização da Bahia. A partir da década de 1970, no contexto da política do governo federal de
substituição de importações, a Bahia foi contemplada com vários projetos industriais que tinham por objetivo
a produção de bens intermediários (intensivos em capital e tecnologicamente modernos) complementar à
matriz de produção já desenvolvida na região Sudeste do país. O processo de industrialização da Bahia
baseado na indústria de bens intermediários começou com a implantação da Refinaria de Mataripe na
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década de 1950, aproveitando-se da disponibilidade de petróleo existente no Estado, com a formação de
um complexo mínero-metalúrgico em Candeias na década de 1960, a implantação do CIA — Centro
Industrial de Aratu, do Complexo Petroquímico de Camaçari e da metalurgia do cobre no início da década
de 1980.
Conclusões
O “Enigma Baiano” foi desvendado e superado com o desencadeamento do processo de
industrialização que ocorreu tardiamente no Estado da Bahia em comparação com os países líderes do
capitalismo mundial, com uma defasagem de cerca de 40 anos em relação ao que aconteceu em São
Paulo no Brasil. A industrialização processada no Estado da Bahia se realizou na década de 1970 com
base nos fundamentos do taylorismo e do fordismo, isto é, com o uso de plantas industriais baseadas
na produção padronizada em massa e na economia de escala. A quase totalidade dos recursos foi
destinada às indústrias químicas, petroquímicas e metalúrgicas de grande porte.
Havia a expectativa que não se realizou de que a indústria petroquímica viabilizaria no Estado da Bahia
a implantação de indústrias menores locais a montante e a jusante. No entanto, essas indústrias a
montante aconteceram em pequeno número e aquelas a jusante voltadas à produção de bens finais
não foram implantadas fazendo com que os efeitos multiplicadores da indústria fossem menores do que
o previsto. Essas indústrias de bens finais se instalaram, sobretudo em São Paulo, principal mercado
consumidor do Brasil.
Apesar de ter produzido sobre a economia baiana efeitos multiplicadores menores do que o esperado, a
indústria petroquímica produziu aumento da massa salarial com os empregos diretos oferecidos,
crescimento da renda local com a contratação de serviços e incremento da arrecadação de impostos do
governo em todos os seus níveis. Durante e após a implantação da indústria petroquímica na Bahia,
produziram-se grandes mudanças na RMS — Região Metropolitana de Salvador, com o incremento do
processo de urbanização e o adensamento populacional, sobretudo em Salvador, e a realização de
investimentos imobiliários e de infra-estrutura urbana.
CONTATO
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALCOFORADO, Fernando. Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia. Tese de doutorado.
Barcelona: Universidade de Barcelona, 2003. (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,
http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003).
ARAÚJO, José Góes de. Petroquímica e industrialização da Bahia. Salvador: Fórum Econômico Luiz
Tarquínio, 1961.
CANO, Wilson. Desequilíbrios regionais e concentração industrial no Brasil. Campinas: Unicamp, 1998.
FÓRUM LUIZ TARQUÍNIO. A Bahia tem condições para indústria pesada. Salvador: A Tarde, 1961.
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 22ª edição. São Paulo: Editora Nacional, 1987.
SPINOLA, Noélio Dantaslé. A implantação de distritos industriais como política de fomento ao
desenvolvimento regional: o caso da Bahia. Salvador: Revista de Desenvolvimento Econômico,
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3
A ENGENHARIA NAVAL NA BAHIA: FORMAÇÃO E
CAPACITAÇÃO
Ademar Nogueira Nascimento,
Engenheiro Químico,
Doutor em Engenharia Química pela UNICAMP
/Coordenador do CENAV.
Henrique José Caribé Ribeiro,
Engenheiro Naval,
Doutor em Engenharia Naval e Oceânica pela COPPE/UFRJ/
Vice-Coordenador do CENAV.
Alexandre de Macêdo Wahrhaftig
Engenheiro Civil,
Doutor em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP/
Professor do CENAV..
Abstract: this work evaluates the conditions of provision of training courses and training in Naval Architecture and Marine
Engineering fields at Polytechnic School of the Federal University of Bahia – hereafter UFBA – specifically with considerations on
the Specialization Course in the same field CENAV, and their possible impacts on the marine segment in Bahia.
Resumo: o presente artigo avalia as condições de oferta de cursos de capacitação e formação em Engenharia Naval na Escola
Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), especificamente tecendo considerações sobre o Curso de Especialização em
Engenharia Naval – CENAV – e seus possíveis impactos no segmento naval baiano.
Keywords: naval Architecture, marine engineering. specialization, undergraduate program, polytechnic school.
Palavras chave: engenharia naval, especialização, graduação, escola politécnica.
Introdução
Segundo o Ministério de Educação e Cultura do Brasil – MEC (1) encontram-se instalados em suas
respectivas Universidades Federais, cursos de graduação em Engenharia Naval apenas nos Estados de
São Paulo, Rio de Janeiro e Pará, mas a partir deste ano (2011) foi também instalado na Universidade
Federal de Pernambuco (2). O Rio Grande do Sul, através da Universidade Federal do Rio Grande, também
iniciou recentemente o curso de graduação na área naval, contudo apenas como uma extensão da
engenharia mecânica, denominado de Engenharia Mecânica Naval (3). Uma análise correlacionando a
oferta de engenheiros e o Produto Interno Bruto (4) na região nordeste do Brasil revela um grande espaço
ainda a ser preenchido por essa formação no Estado da Bahia. Enquanto a Universidade Federal de
Pernambuco, por exemplo, pertencente ao Estado com o segundo maior PIB do nordeste (R$70 bilhões),
disponibilizou 900 vagas em seus 14 cursos de engenharia ofertados em seus campi da capital e interior,
para o próximo vestibular (2012), a Universidade Federal da Bahia, sediada no Estado com o maior PIB do
nordeste (R$130 bilhões), quase o dobro do pernambucano, disponibilizou apenas 580 vagas para o
mesmo evento, na Capital e interior (Barreiras), em seus apenas 10 cursos de Engenharia (5).
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Evidencia-se, portanto, que a criação de um novo Curso de Graduação, bem como a oferta de cursos de
capacitação, a exemplo de especializações, deverão se constituir em importante canal para o
desenvolvimento estadual, principalmente nos setores secundário e terciário, repercutindo na força de
trabalho e trazendo conseqüências benéficas sobre os aspectos sociais, a exemplo da geração de emprego
e renda, trazidos pelos empreendimentos nas áreas naval, e de petróleo, gás, e “offshore”, previstos para a
Bahia e o Brasil, todas elas fortemente correlacionadas.
Justificativa de oferta
Os fundamentos apresentados anteriormente – sobretudo em razão da demanda presente, que já se faz
sentir, e da demanda futura em rápida expansão são razões suficientes para que o Estado da Bahia
aumente a sua oferta de Engenheiros especializados na área naval e nas correlacionadas. Além do mais,
pode-se mencionar aspectos tais como:
a) Necessidade de responder aos anseios gerais da sociedade, no sentido do aumento do número de vagas,
bem como da criação de novos cursos no sistema público de educação superior, visto que uma expressiva
parcela dos jovens brasileiros em idade universitária busca qualificação em instituições particulares, já que
o seu acesso ao ensino superior público e gratuito revela-se muito difícil.
b) A impulsionada demanda por Engenheiros, conforme as evidentes consultas de Indústrias e outras
Organizações baianas, fez com que várias empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari, através do Comitê
de Fomento Industrial de Camaçari – COFIC, solicitassem à Escola Politécnica da UFBA novas edições de
cursos consolidados no passado, a exemplo das áreas de Processamento e Manutenção Petroquímica,
recentemente oferecidos nas instalações da referida Escola Politécnica.
c) Segundo divulgação da Associação dos Engenheiros da Petrobras – AEPET (6), para se atender às
demandas do PAC e do Pré-Sal faz-se necessário a formação de 90 mil engenheiros por ano, mas formamse apenas um terço desse valor anualmente. Apenas para efeito de comparação internacional, estudo da
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, citado no mesmo levantamento da
AEPET indica que no Japão formaram-se, apenas em 2008, 129.570 engenheiros, o que demonstra o
quanto estamos distante de alcançarmos um nível de desenvolvimento tecnológico equivalente a nações
com esse perfil. Cabe aqui salientar, que nesse ambiente serão necessários profissionais em diferentes
modalidades, mas que a engenharia naval deverá destacar-se em razão das demandas por construções de
estruturas “offshore” e de navios que darão sustentação à expressiva produção que deve ser iminente.
d) No plano Nacional e Estadual, a Bahia, além de deter o maior litoral do Brasil – aproximadamente
1.200 Km – possui um estaleiro de grande porte, que é o canteiro de São Roque do Paraguassú (consórcio
Rio Paraguassú – UTC/ODEBRECHT/QUEIROZ GALVÃO), onde atualmente constroem-se as plataformas de
petróleo P-59 e P-60, o estaleiro de reparos de embarcações de médio e grande porte situado na Base
Naval de Aratú, que contem um dique-seco para até 40.000 t e um sistema elevador de navios (SELENA)
para 1.200 t, e o estaleiro COREMA, de porte médio, especializado em construção de embarcações de até
2.000 t. Além desses estão também em operação vários outros estaleiros de médio e pequeno porte,
destacando-se o estaleiro da empresa B3BOAT – localizado no Centro Industrial de Aratu, construindo
atualmente lanchas para transporte escolar fluvial na bacia amazônica – e o estaleiro de reparos da BELOV
ENGENHARIA. Encontra-se ainda em construção outro estaleiro de grande porte, denominado Estaleiro
Enseada do Paraguassú (OAS/ODEBRECHT/UTC), que deverá servir para a construção de navios e módulos
de indústrias de petróleo.
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e) Dada a crescente movimentação que vem ocorrendo na área naval, o Governo do Estado criou
organismo específico para coordenar e fomentar tais demandas instituindo a Secretaria Extra-Ordinária da
Indústria Naval e Portuária - SEINP, atuando na construção de um complexo logístico integrado, que inclui
um porto de grande porte, uma ferrovia e um moderno aeroporto no município de Ilhéus.
f) Um marco também relativamente recente refere-se à iniciativa do Governo Federal juntamente com
empresas privadas, principalmente a PETROBRAS, que instituíram o Programa de Mobilização da Indústria
Nacional de Petróleo e Gás (PROMIMP), cujo objetivo é maximizar a participação da indústria brasileira em
bases competitivas e sustentáveis na implantação de projetos no Brasil e no Exterior. Nesse ambiente, a
Escola Politécnica da UFBA contribuiu com a oferta de 08 (oito) cursos, todos na área de engenharia, onde
foram capacitados 240 profissionais.
g) Justamente visando melhorar sua participação para a formação de mão-de-obra qualificada, o
Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da UFBA ofereceu entre os anos de 2009 e
2011, o Curso de Especialização em Engenharia Naval (CENAV). Nessa mesma direção, o PROMINP,
reconhecendo a importância do Estado da Bahia nessa área, o incluiu na oferta de curso de Especialização
em Engenharia Naval para o presente ano, curso que será oferecido em apenas mais três Estados (Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco).
h) O Plano de Desenvolvimento Institucional da UFBA advoga claramente pela expansão de vagas na
Universidade. A Escola Politécnica também trilha a mesma direção, existindo elementos formais emitidos
por sua Direção que evidenciam a preocupação da Instituição com o esforço pela expansão de vagas na
engenharia. Tal esforço resultou na criação de 03 (três) novos cursos de graduação em engenharia
(Produção, Computação e Controle e Automação), estando-se atualmente em estudo a possibilidade de
criação do curso de Engenharia Naval e de Engenharia Metalúrgica, o que consolidaria o ciclo metalmecânico com o já existente Curso de Engenharia Mecânica.
Curso de Especialização em Engenharia Naval – CENAV.
O objetivo do CENAV é contribuir para o desenvolvimento da capacidade tecnológica da Engenharia Naval
no Estado da Bahia, qualificando engenheiros para conduzir a referida indústria naval baiana, focado nas
áreas de construção e reparos navais de média e alta complexidade, a partir de atividades práticas, com
consistente embasamento teórico.
Aprovado pelas instâncias superiores da Escola Politécnica e de Órgãos da Administração Central da
Universidade, o Curso é classificado como Pós-Graduação Lato Sensu (Especialização), tendo iniciado suas
aulas em setembro de 2009 e finalizado em maio de 2011, apesar de os esforços para tanto datar desde o
ano de 2005. Trata-se de um Curso com 18 componentes curriculares, incluindo um trabalho de conclusão,
tendo duração total de 680 horas, cuja relação dos componentes encontra-se na Tabela , a seguir:
O perfil do corpo discente foi de engenheiros plenos em algumas modalidades, preferencialmente com
experiência ou atividade na área naval. Os candidatos inscritos, foram selecionados através da análise de
curriculum vitae seguido de entrevista técnica por comissão avaliadora composta por professores. O Curso
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teve o seu horário de funcionamento no turno noturno da sexta-feira, e em horário integral nos turnos
matutino e vespertino dos sábados.
Ao longo do seu período de realização, além das aulas tradicionais (encontros presenciais em classe), foram
realizadas várias visitas técnicas de alunos e professores a estaleiros tanto no Estado da Bahia (COREMA,
BASE NAVAL DE ARATU, B3BOAT, SÃO ROQUE DO PARAGUAÇU) bem como em outro Estado (Rio de
Janeiro), oportunidade em que vários alunos visitaram instalações de um Estaleiro de Grande Porte
(Brasfels), localizado no município de Angra dos Reis.
Tabela – Componentes curriculares - CENAV
CARGA
DISCIPLINA1
4º Per
3º Per
2º Per
1º Per
HORÁRIA
1
ENGB97 - REVISÃO BÁSICA
34
2
ENGB98 - INTROD. ENGENHARIA NAVAL
17
3
ENGB99 - ESTRUTURAS NAVAIS
51
4
ENGC01 - ARQUITETURA NAVAL I
34
5
ENGC02 – HIDRODINÂMICA
34
6
ENGC03 - LEGISLAÇÃO E NORMAS
17
7
ENGC04 - METOD. DA PESQ. CIENTÍFICA
17
8
ENGC05 - ARQUITETURA NAVAL II
34
9
ENGC06 - INST. PROPULSORAS E AUX.
34
10
ENGC07 – PRATICAS E CONSTRUÇÕES NAVAIS I
34
11
ENGC08 - CONSTRUÇÃO NAVAL I
51
12
ENGC09 - TECNOLOGIA DE SOLDAGEM
51
13
ENGC10 – CORROSÃO
51
14
ENGC11 - REPAROS NAVAIS
51
15
ENGC12 - CONSTRUÇÃO NAVAL II
51
16
ENGC13 - ORG. ESTAL. E PROCESSOS
51
17
ENGC14 - PRATICAS E CONSTRUÇÕES NAVAIS II
34
18
ENGC15 - PROJETO FINAL DE CURSO
34
Total
680
Outro momento de destaque nesse contexto foram as visitas às instalações da Indústria Química DETEM,
localizada no Pólo Petroquímico de Camaçari, com o objetivo de se trabalhar conteúdos ministrados na
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disciplina Corrosão. Deve-se ainda destacar as palestras proferidas por autoridades do segmento da
Indústria Naval, a exemplo do Secretário da Indústria Naval e Portuária do Estado da Bahia – SEINP,
versando sobre as perspectivas dessa Indústria na Bahia, de experiente Engenheiro da Petrobras,
abordando os desafios da engenharia para a exploração do petróleo na camada pré-sal, de Engenheiro do
Estaleiro Consórcio Rio Paraguaçu, tratando das excepcionais exigências técnicas para a realização das
operações de “load-out” de plataformas, bem como de Engenheiro de Organização Normatizadora (RBNA),
debatendo aspectos relacionados à importância de marcos reguladores para a construção e reparos de
embarcações navais.
No que se refere à aquisição de material técnico de suporte às aulas, podem-se mencionar as dificuldades
operacionais para a aquisição de livros específicos da Engenharia Naval. Se por um lado esses títulos não
foram encontrados no País, sua importação esbarrou na impossibilidade de emissão de nota fiscal, o que
impediria a prestação de contas administrativas.
Destaca-se a importância da doação de livros realizada por professores e colaboradores, que foi
integralmente encaminhada à Biblioteca da Escola Politécnica. Os alunos tiveram ainda às suas
disponibilidades apostilas elaboradas pelos professores com o necessário conteúdo das aulas. No que se
refere a disciplinas de caráter básico e geral, encontravam-se disponíveis os títulos do acervo da Biblioteca
da Escola Politécnica. Outro destaque digno de nota foi a aquisição de software especializado em projetos
de estruturas navais, denominado de “MAXSURF®”, tendo sido os alunos treinados em seu uso.
No que se refere à empregabilidade dos egressos, constata-se que o CENAV foi coroado de grande êxito,
uma vez que todos os alunos se encontram empregados em diferentes áreas do segmento naval. Observase, contudo, que muitos desses alunos já atuavam em Organizações do segmento, mas que com a
conclusão do CENAV foram atraídos por outras empresas do setor com a oferta de melhores condições de
emprego, em razão da nova qualificação que foi incorporada em seus currículos.
A positiva imagem do CENAV no contexto estadual repercutiu junto ao Comando do 20 Distrito Naval da
Marinha do Brasil que convidou o curso a apresentar algumas de suas monografias durante o “Simpósio de
Guerra de Minas”, realizado na Base Naval de Aratu em maio/2011. No entanto, esse conceito positivo
acabou sendo projetado para além das fronteiras do Estado da Bahia, repercutindo em várias partes do
país. Instituições de Ensino sediadas fora da Bahia solicitaram que o curso fosse oferecido em regiões, a
exemplo do Rio de Janeiro (Prefeitura do Município de São Sebastião) e de Manaus (proposta formulada
pelo Exército Brasileiro). A primeira demanda não pôde ser atendida em razão de que o Curso ainda se
encontrava em plena atividade, não existindo disponibilidade docente para tanto. Já a segunda, encontrase em fase de avançados entendimentos, com a apreciação jurídica de contrato entre as Instituições
(UFBA/Exército Brasileiro) prestes a ser finalizada.
Também em razão do êxito e experiência com curso na área da Engenharia Naval, o Governo Federal,
juntamente com a Petrobras, incluiu o Estado da Bahia na oferta de Curso similar (Especialização em
Engenharia Naval), no ambiente do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás
(PROMINP), que será realizado na Escola Politécnica, provavelmente ainda este ano. Ao final do CENAV foi
formalizada solicitação de atribuição profissional dos egressos ao Conselho Regional de Engenharia,
Arquitetura e Agronomia (CREA/Ba), que se encontra em fase final de análise por Câmara Técnica.
O corpo docente do Curso, composto por quinze professores, todos mestres, doutores e experientes em
suas respectivas áreas de atuação, é formado, em sua maioria, por titulados no próprio segmento da
Engenharia Naval. Como resultado complementar, além da capacitação de profissionais, o CENAV gerou
trabalhos conclusão, elaborados pelos alunos e supervisionados por seus correspondentes professores
orientadores, cuja relação encontra-se na
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Tabela , a seguir:
Tabela – Trabalhos de conclusão - CENAV
TEMA
PROF.
ORIENTADOR
Cálculo de Tensões em Amarras de portos Flutuantes da
TANSPETRO em Manaus em função da Variação do Nível do Rio
Negro.
Marcos Parahyba
Campos
Diagnóstico da Indústria Naval na Bahia
Ademar Nogueira
do Nascimento
Gestão de manutenção em frotas de embarcações de grande
porte e controle do seu DOWTIME (tempo da embarcação
parada por motivo de manutenção não programada no
contrato)
Marcos Parahyba
Campos
4. Fernando Lisa
Barbosa
Análise dos Processos de Soldagem na Indústria Naval
Carlos Alberto
Caldas Sousa
5. Jefferson Nery de
Almeida
Evolução histórica da soldagem sub-aquática molhada
Marcelo de Barros
Alonso
6. Júlio César Santos
de Jesus
Sistemas de Ancoragem aplicáveis a estruturas oceânicas
Henrique José
Caribe Ribeiro
Controle Preventivo e Corretivo das avarias a bordo de meios
flutuantes de grande porte
Silvino José Silva
Bastos
Estudo da eficiência propulsiva do navio químico Jataí
Henrique José
Caribe Ribeiro
9. Mauricio Carvalho
Sacchi de Oliveira
Evolução das características de projeto, construção e
montagem de navios petroleiros nas ultimas décadas
Leopoldo Amaral
Neto
10. Mayanne Moreira
Santos
Análise de tensões em estruturas offshore, usando modelagem
computacional.
Alexandre de
Macedo
Wahrhaftig
Análise dos esforços para dimensionamento de Jaquetas
Alexandre de
Macedo
Wahrhaftig
Estudo voltado a veículo remotamente controlado (ROV) e sua
Valmar P. Cabral
ALUNO
1. Allysson Vicente
Diniz
2. Antônio Barreto
Doria
3. Daniel Chaves
Bastos
7. Marcelo Cajado
Sampaio
8. Marcelo da Silva
Rohrs
11. Moema Almeida
Hagge Sampaio
12. Nilson Garcez
Montenegro
Politécnica
Ano 4 Nº 11 - E Edição trimestral Julho/setembro 2011 | 23
ALUNO
Junior
13. Odair José de
Morais
14. Paulo de Tarso
Cordeiro Baleeiro
15. Ricardo Matos
Pimentel
16. Sérgio Helemilton
Belov Moreira
TEMA
PROF.
ORIENTADOR
atuação no apoio a indústria naval.
Junior
Aços inoxidáveis duplex: Características e aplicação no setor
offshore.
Carlos Alberto
Caldas de Sousa
Efeito slamming em navios ULCC
Alexandre de
Macedo
Wahrhaftig
Aplicação dos aços inoxidáveis austeníticos e aços inoxidáveis
duplex na indústria naval e offshore
Carlos Alberto
Caldas de Sousa
Serviços e operações subaquáticas em navios e plataformas
Leopoldo Amaral
Neto
Faz-se importante observar ainda a estatística de resultados discentes como indicadora de eficiência. Neste
caso os resultados foram os seguintes: Alunos inicialmente matriculados: 22; Alunos que abandonaram o
curso: 1; Alunos que cursaram até o fim: 21; Bolsista integral: 1; Bolsistas parciais: 4; Alunos que não
concluíram com aproveitamento suficiente :5; Alunos concluintes: 16
Curso de Graduação em Engenharia Naval
O Curso de Graduação em Engenharia Naval está enquadrado por Resolução específica do CONFEA,
sendo que aos egressos deste curso, deverá ser conferido o título de Engenheiro Naval. Seguindo-se os
mesmos propósitos já mencionados, vem-se planejando a criação do curso de graduação em Engenharia
Naval na EPUFBA, com as seguintes características:
Título: Engenharia Naval
Turno: Diurno
Regime: Semestral
Número de Vagas: 45
Previsão de início: 2013.1
Propõe-se que o Engenheiro Naval a ser capacitado na UFBA, seja capaz de absorver e desenvolver
competências para a concepção e análise de produtos, processos e projetos navais, para a operação e
melhoria de sistemas produtivos, tais como a condução de projetos de engenharia, e que seja capaz de
liderar equipes de trabalho a partir de eficiente capacidade de comunicação, incluindo o domínio da
tecnologia de informação.
Considerando-se que o número total de entrada anual será de 45 estudantes, estima-se que a população
acumulada total de alunos deva ser de 270, até o final dos primeiros seis anos. Constata-se que isto poderá
representar um importante acréscimo na formação de engenheiros pela UFBA, buscando atender à
demanda reprimida da sociedade. Para se ter uma idéia, a população atual de estudantes de engenharia na
Universidade Federal da Bahia é de aproximadamente 3.000 alunos. Este novo curso, portanto,
representaria um aumento de 11,25 % na formação de engenheiros pela mesma.
A carga horária total prevista para a graduação em Engenharia Naval deverá situar-se em torno de 4.000 h,
sendo que o núcleo de disciplinas específicas deverá absorver mais de 50 % dessa carga horária, conforme
estabelece a Resolução 11/2002 do CNE/CES. As disciplinas do núcleo específico podem ser vistas na Tabela
Tabela – Disciplinas do núcleo específico – Graduação em Engª Naval
Politécnica
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N
Código
Nome
hs
1.
ENG-IEN
Introdução à Engenharia Naval
102
2.
ENG-HDBI
Hidrodinâmica Básica I
68
3.
ENG- HDBII
Hidrodinâmica Básica II
68
4.
ENG-TSOI
Tecnologia de Sistemas Oceânicos I
68
5.
ENG-TSOII
Tecnologia de Sistemas Oceânicos II
68
6.
ENG-ANI
Arquitetura Naval I
68
7.
ENG-ANII
Arquitetura Naval II
68
8.
ENG-CNI
Construção Naval I
68
9.
ENG-CNII
Construção Naval II
68
10.
ENG-TMI
Transporte Marítimo I
68
11.
ENG-TMII
Transporte Marítimo II
68
12.
ENG-TMIII
Transporte Marítimo III
68
13.
ENG-REI
Resistência Estrutural I
68
14.
ENG-REII
Resistência Estrutural II
68
15.
ENG-REIII
Resistência Estrutural III
68
16.
ENG-TS
Tecnologia de Soldagem
68
17.
ENG-MMI
Máquinas Marítimas I
68
18.
ENG-MMII
Máquinas Marítimas II
68
19.
ENG-MMIII
Máquinas Marítimas III
68
20.
ENG-HDAI
Hidrodinâmica Aplicada I
68
21.
ENG-HDAII
Hidrodinâmica Aplicada II
68
22.
ENG-ITP
Introdução a Teoria de Projetos
68
23.
ENG-PSM
Projetos de Sistemas de Máquinas
68
24.
ENG-PSOI
Projetos de Sistemas Oceânicos I
68
25.
ENG-PSOII
Projetos de Sistemas Oceânicos II
68
26.
OPT-1
Optativa 1
68
27.
OPT-2
Optativa 2
68
Politécnica
Ano 4 Nº 11 - E Edição trimestral Julho/setembro 2011 | 25
28.
OPT-3
Optativa 3
68
29.
OPT-4
Optativa 4
68
Totais
2006
Com o objetivo de complementar o aprendizado teórico e viabilizar o desenvolvimento de pesquisa
aplicada na área naval, está prevista, inicialmente, a instalação de 04 (quatro) laboratórios para o curso
Engenharia Naval, assim discriminados:
1)
2)
3)
4)
Laboratório de Hidrostática e Mecânica dos Fluidos
Laboratório de Ensaios Hidrodinâmicos (Tanque de Provas)
Laboratório de Termodinâmica e Turbinas a Gás
Laboratório de Geração de Energia a Vapor
Outros laboratórios e instrumentações complementares que também se fazem necessários, e que se
encontram no momento em fase de dimensionamento, são:
1) Fábrica de Modelos (escala reduzida);
2) Bancada de ensaio de decaimento em jogo com modelos de embarcações em escala reduzida;
3) Bancada de dinamômetros e instrumentação necessária a ensaios com modelos auto-propelidos;
4) Bancada de Instrumentação de medição da esteira hidrodinâmica em modelos em escala reduzida;
5) Laboratório de teste com motores e outras máquinas marítimas;
6) Bancada de medição de tensões em materiais e estruturas;
Considerações Finais
Parece oportuno observar que as discussões em torno da necessidade de disponibilizar formação de
pessoal para o segmento naval iniciaram-se no ano de 2005, quando se notou que a sociedade demandaria
uma quantidade de mão-de-obra de nível superior significativa para o setor.
Desde então a Escola Politécnica da UFBA mobilizou-se continuamente para atender esta demanda, o que
pode ser demonstrado pelos resultados apresentados ao longo deste texto.
Politécnica
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Também é importante observar que nenhuma demanda solicitada pela sociedade local ou nacional ficou
sem resposta. A ausência de oferta objetiva para as consultas recebidas apenas se observou no caso em
que o Grupo de Trabalho encontrava-se com seus recursos humanos comprometidos em atender outras
demandas. Isso demonstra claramente a eficiência do trabalho de Coordenação, aí incluídos a Direção da
Escola Politécnica e do Departamento de Engenharia Mecânica, que não mediram esforços para prestar um
serviço com prontidão e qualidade, ajudando a Universidade a cumprir com excelência seu papel de servir à
sociedade no processo de capacitação e formação de recursos humanos especializados.
E-MAILS DE CONTATO
Ademar Nogueira Nascimento∗ Henrique José Caribé Ribeiro -
[email protected]
[email protected]
Alexandre de Macêdo Wahrhaftig -
[email protected]
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
1)
Ministério de Educação e Cultura. www.emec.gov.br. Acesso em 14 de setembro de 2011.
2)
Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.
http://www.ufpe.br/agencia/index.php?option=com_content&view=article&id=40959. Acesso
14/09/2011
3)
Fundação Universidade Federal do Rio Grande. www.furg.br. Acesso em 05/09/2011.
4)
Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Acesso 05/09/2011
http://www.sei.ba.gov.br/index.php?
5)
Universidade Federal da Bahia – UFBA.
http://www.vestibular.ufba.br/docs/vest2012/relatorio_concorrencia_CPL.pdf. Acesso em 04/09/2011
6)
Associação dos
Engenheiros da Petrobrás - AEPET. www.aepet.org.br/site/noticias. Acesso em 30/09/2011
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