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SEMINÁRIOS: TODA AÇÃO DEMANDA A ADOÇÃO DE UM
MÉTODO
José Carlos de Cerqueira Moraes*
RESUMO: Este estudo pretende mostrar e discutir os equívocos cometidos pelos
acadêmicos em relação à técnica para apresentação de seminários, decorrentes
do desconhecimento da mesma, bem como dos recursos pedagógicos a ela inerentes. Assim, a discussão e análise dessas dificuldades buscam esclarecer os
principais pontos na prática da socialização do conhecimento, no tocante à integração à técnica e ao conteúdo.
PALAVRAS-CHAVE – Seminário; apresentação; técnica.
ABSTRACT: This study intends to show and disscus the misundersdings made by
the academics in relation to technique for presentation of seminars, current of the
ignorance of the same, as the pedagogic resources and it inherent. Thus, the
discussion and analisys of those difficulties. The main point in the practice of the
distribution of the knowledge, concerning the integration to the technique and the
content.
KEY WORDS: Seminar; presentation; technique
* Professor do Curso Normal Superior da Faculdade Maria Milza- FAMAM
Textura, Cruz das Almas-BA, ano 1, n.º 2, p. 125-134, Novembro, 2006.
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A Comunicação é técnica e apresenta princípios a serem seguidos, então
para o comunicador exercê-la na sua plenitude e, assim, ser bem entendido,
necessário se faz a observância dos mesmos, inerentes a esta arte.
As novas tecnologias, bem como as formas de expressão e distribuição do
conhecimento exigem uma reformulação dos antigos paradigmas, devendo-se
repensar tais formas no dia-a-dia. Sêneca afirma que “Nenhum vento sopra a
favor de quem sabe para onde ir”. Convém lembrar que, na opinião de Newton,
não se inventam Hipóteses. O mesmo raciocínio estende-se a todos os setores do
cotidiano, onde, mesmo de forma involuntária, adota-se um método para encaminhamento das ações.
“A comunicação acadêmica de alta qualidade tem como atributos, dentre
outros, a clareza e a precisão, garantias de que a compreensão instantânea ou imediata será facilitada no processo de difusão dos saberes e técnicas”. (ALMEIDA
FILHO, N. IN LUBISCO, 2003, P. 1). Claro se torna que os atributos clareza e precisão pressupõem um mínimo de conteúdo e, mais notadamente as formas de exposição desses conteúdos. O aspecto pedagógico ganha, assim, uma vultosa forma,
capaz de veicular a mensagem no formato adequado a quem a recebe.
Por isto, este trabalho tem a pretensão de auxiliar o acadêmico em uma
perspectiva mais geral da técnica aplicada à preparação e condução de seminários, desde a oratória e impostação da voz, aos materiais, disciplina e persuasão do
público-alvo.
“Como poderei entender o que leio se alguém não me explicar?”, diz o relato
bíblico (Atos 8:31), destacando a importância não apenas da comunicação, mas
também da pedagogia na socialização do conhecimento, quando registra um diálogo mantido entre um alto oficial etíope e Felipe (seguidor de Jesus). Da mesma
maneira, as chamadas para a comunicação no tocante ao testemunho, principalmente no Novo Testamento, se colocam tanto em termos individuais como das
massas, Opus citatum, passim.
Percebe-se, assim, a importância da comunicação na transmissão da informação, já que a mesma é um poderoso veículo de difusão de idéias e que, segundo o lingüista Hjelmslev apud Chauí (1994), através da linguagem, pode-se influenciar e ser influenciado.
De acordo com Aristóteles, somente o homem é dotado de linguagem e,
possuindo a palavra, torna-se social e político. (...).“A linguagem tem, assim, um
poder encantatório , isto é, uma capacidade para reunir o sagrado e o profano (...)
(CHAUÍ, 1994). O poder encantatório citado é usado como forma de persuadir pessoas, grupos e até mesmo grandes massas. Nesta perspectiva, vale a seguinte
citação:
A deusa da persuasão chamava-se Pitho, era mulher de fisionomia feliz, filha da deusa Vênus, deidade dos prazeres e da
beleza era considerada a personificação do amor sexual. Diziase que, sob os seus passos, as flores germinavam.(...) Por que
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uma mulher e não um homem simboliza esta arte? Talvez porque a mulher busca mais o encanto que o arroubo da força
bruta e, nessa senda, o persuasor deve imitá-la. Sabemos que
a mulher é graciosa, gentil, suave e doce, que utiliza mais o
encanto, ardil e a habilidade sem nunca usar da violência.
(BARROSO, 2005)
Assim, o comunicador deve ser o mais verdadeiro possível, sob pena de
levar a pecha de “vendedor de ilusões, podendo fazê-lo perder a credibilidade. A
necessidade da adoção um método, relata Nunes (1998) faz as pessoas, conscientemente ou não, fazê-lo no dia-a-dia, como, "para levantar ou deitar na cama,
para calçar os sapatos ou por um automóvel em movimento é necessário executarmos um conjunto de operações cuja seqüência não pode ser alterada sob pena
de não alcançarmos o resultado final desejado".
Claro que qualquer alteração nessa seqüência poderá não se atingir o objetivo pretendido, sob pena de travar o processo, frustrando esta pretensão. Da
mesma forma, guardadas as devidas proporções, a arte da comunicação não
pode perder os seus encantos por pura imperícia do comunicador:
Por método entendo regras certas e fáceis, graças às quais
todos os que as observem exatamente jamais tomarão como
verdadeiro aquilo que é falso e chegarão, sem se cansar com
esforços inúteis e aumentando progressivamente a sua ciência, ao conhecimento verdadeiro de tudo o que lhes é possível
esperar. (NUNES, 1998)
A adoção de um método exige o planejamento inteligente das ações, de tal
maneira que a exposição de um tema tenha poder persuasivo. A assertiva supracitada é corroborada por Behe (1997), que garante que planejamento é tão
somente o arranjo intencional de partes, em que se pode desenhar ou formatar
uma palestra.
Existe uma ordem a ser seguida durante a execução desta tarefa, visando a
grande eficiência e eficácia na transmissão da informação. Atualmente, alguns
comunicadores têm-se aventurado na prática desta alteração (método), mas de
forma discreta, sem prejuízo da apresentação, haja vista não haver alteração na
essência do conteúdo, mas sim, melhorando a beleza da forma. Neste trabalho,
será dada ênfase maior à comunicação de grupos de pessoas, cujas técnicas exigidas buscam persuadi-las a uma só vez, na perspectiva da eficiência, sem perda
da eficácia. A voz é um poderoso recurso da persuasão, devendo ser utilizada
para o propósito pretendido e da melhor maneira possível.
Portanto, há que se cuidar do recurso vocal, de maneira que a voz fique
bem limpa, com boa entonação e harmoniosa. Uma boa impostação vocal consegue manter atenta a platéia.
Barroso (2005), afirma que a persuasão procura atrair a platéia utilizando
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como meio a fala. As palavras do orador devem ser bem soletradas sem, contudo,
comprometer o bom encaminhamento da palestra. O controle da respiração fa-loá utilizar satisfatoriamente o ar armazenado nos pulmões, já que, a depender de
quão longa seja a frase, exigirá mais (ou menos) do aparelho fonador, e a frase
não poderá ser interrompida. Uma boa impostação da voz passa segurança e credibilidade para a assistência, o que, sem dúvida, permitirá que se tenha sucesso
na apresentação. A organização do evento deverá providenciar água de beber,
para que o palestrante possa manter a sua garganta em boas condições de uso,
bem como para poder recuperar o fôlego da empreitada. Desta maneira, a voz se
constitui num poderoso recurso da persuasão que, sendo bem utilizada, conduzirá o público pelos caminhos desejados pelo persuasor, atingindo os seus objetivos.
Todavia, a voz por si mesma e dissociada de outros valores importantes,
não poderá trazer bons resultados aos que se permitem ingressar neste tipo de atividade interativa. Há, portanto, que se utilizar o recurso vocal, mas com boa
expressão dos gestos e olhar firme para toda a platéia. A não observância de
quaisquer desses recursos poderá comprometer a apresentação, já que tais itens
funcionam como importantes correias de transmissão, sendo muito oportunos do
ponto de vista da difusão da mensagem.
As repetições desnecessárias de palavras tendem a entediar a platéia, bem
como a pobreza gramatical, criando um clima geral de desconfiança, por melhor
que seja o conteúdo. Neste caso, a linguagem bem aplicada também será bem
entendida. Não se trata do uso de uma linguagem rebuscada, mas do uso de termos apropriados e de fácil compreensão. Se o apresentador tem dificuldade em
fazer as colocações lingüísticas corretas, melhor que faça o bom uso de palavras
mais simples e de uso corrente.
Do ponto de vista conteudístico, porém, há que se ter bastante cuidado, já
que um público mais exigente apresenta certo acúmulo de informações, sendo
também um bom formador de opinião. Trata-se de um público mais crítico e que
costuma deleitar-se com informações mais novas, entediando-se com a repetição
do que já se sabe. Convém lembrar que um conteúdo satisfatório e bem trabalhado, ou seja, bem combinado com os recursos da voz, microfone, materiais áudiovisuais e uma boa seqüência de idéias trará maior tranqüilidade ao apresentador e
grande satisfação ao público.
O mau uso do microfone costuma desagradar aos ouvintes. Mantendo-se
este equipamento a uma boa distância da boca, já que muito distante e muito próximo podem comprometer a audição do que se fala, promoverá um som bem agradável. Existe um consenso entre os que trabalham com locução de que a respiração é algo que precisa ser controlado, com o propósito de se manter o fôlego e de
se evitar que a respiração seja amplificada junto com a voz. Da mesma maneira,
na importante tarefa de se transmitir mensagens, deve-se evitar pigarrear e tossir
ao microfone, já que compromete a fala e provoca um desagradável ruído.
A oração feita de forma prolixa o fará embaraçar-se na exposição das idéiTextura, Cruz das Almas-BA, ano 1, n.º 2, p. 125-134, Novembro, 2006.
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as, fazendo-o dar voltas e mais voltas, perdendo a objetividade e gastando tempo
desnecessariamente. A recomendação que se faz é que o palestrante faça um
bom exercício antes do evento, para que não se perca do objeto principal, mas só
se comente sobre os pontos-chave do tema em apresentação.
Ao se receber um convite para expor um tema, deve-se perguntar a si
mesmo sobre o tipo de colaboração que pode ser dada tanto do ponto de vista conteudístico como na forma da veiculação desse conteúdo. Trata-se de uma autocrítica, buscando a preservação de uma imagem e de um bom aproveitamento por
parte do público-alvo. O fato de alguém tê-lo convidado deixa-o envaidecido e honrado, o que é muito natural. Entretanto, é prudente fazer-se um exame de consciência antes da aceitação da proposta, haja vista que ninguém pode dominar
todo e qualquer tema. É de Schwantes (ca.1975) a afirmação de que "O lamentável é que tantas pessoas talentosas embarcam, por um capricho da vontade, em
empresas para as quais não estão absolutamente talhadas", entretanto, compreende-se que não se pode, neste caso, fazer generalizações, já que todos, indistintamente, devem comunicar-se, e da melhor maneira possível.
Alexis Carrel, “coloca a audácia ao lado do senso moral e da inteligência
como um dos apanágios do homem integral, denotando fé operante no domínio do
imprevisível”. (CARREL, A. apud SCHWANTES, ca. 1975, 450 p.)
Nunes (1998), aconselha que “o pesquisador deve considerar seriamente
suas limitações materiais e, sobretudo, intelectuais antes de se definir por um
assunto ou tema”. Além disso, convém se conhecer o tipo de público, o seu nível e
cultura, se as instalações são adequadas à sua apresentação, se a organização
do evento dispõe de recursos áudio-visuais, telas para projeção, quadro de giz e
outros de finalidade pedagógica. De posse dessas informações, concluir-se-á
sobre a aceitação ou não do convite para se expor o tema proposto. Mesmo que se
decida pela aceitação do convite, o íten materiais didáticos e instalações físicas
dar-lhe-ão idéia de como proceder na operacionalização para a efetivação do
intento.
Satisfeita esta exigência inicial, deve-se tomar as medidas de cunho operacional/organizacional, como a data, o local e o horário estabelecidos. Chegado o
momento do evento, pressupõe-se já tomadas as providências de ordem preparatória, como um descanso providencial, checagem do equipamento de projeção,
cuidados com a voz, que deve estar limpa e reverberante, o telefone celular desligado, relógio sobre uma mesa ou local estratégico para se evitar a suspensão freqüente do braço para ver as horas... Aliás, olhar com freqüência para o relógio, em
meio a uma apresentação de trabalho causa grande má impressão ao público, significando para todos que o apresentador está apressado ou que está louco para
sair dali.
Ainda que tudo pareça ter sido providenciado, sempre haverá algo de que
só se lembrará minutos antes do começo da palestra. As surpresas surgem como
desafio aos promotores do evento, já que, “embora haja energia elétrica no local e
uma parede ideal para projeção, a tomada mais próxima dista vinte metros deste
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local ideal”, por exemplo. Claro que uma extensão resolveria o problema, mas
somente o dia-a-dia será capaz de municiar a todos de uma bagagem suficiente
para minimizar tais surpresas.
Alguém da organização do evento fará a sua apresentação à platéia, após a
qual se inicia as saudações de praxe, cujo tipo dependerá do público e serve de
“aquecimento” para a apresentação do conteúdo. Nada como uma calorosa saudação ao público presente, expressando o seu contentamento por estar naquele
local e com pessoas tão educadas e acolhedoras. A depender do público presente, pode-se usar um respeitoso “Senhoras e Senhores”, um “boa noite a todos”,
um “jovens da minha terra”, ou “Boa noite, meus ilustres concidadãos”. A saudação inicial ajuda-lo-á a iniciar muito bem o tema, diminuindo o nervosismo e quebrando “gelo” inicial, próprio do momento.
Modernamente, alguns têm optado por inverter um pouco esta seqüência,
apenas saudando o público após contar uma piada, ou mesmo citando o que será
visto naquele momento. De qualquer maneira, não se deve perder a oportunidade
de se mostrar gentil para com a platéia, demonstrando sentir-se à vontade para tratar daquele assunto, registrando gostar e já estar familiarizado com o mesmo. Convém não esquecer ou errar o nome da localidade ou instituição onde se dá a palestra, já que o registro da satisfação por estar ali valoriza o lugar e as pessoas. O contrário causa uma má impressão, além do que o público sente-se desprestigiado
(i.g. como se sente quando alguém esquece o seu nome?).
Começa-se, então, a discorrer sobre o assunto de forma firme, olhando
para toda a platéia e gesticulando sempre na altura da cintura, mas evitando pôr
as mãos nos bolsos, ou para trás, denotando posição defensiva. Convém lembrar
que a persuasão objetiva atrair pessoas para a sua exposição, mas nunca deverá
repeli-las.
O apresentador deve ser capaz de pronunciar bem as palavras, sem gritar,
mas com um tom audível e utilizando recursos áudio-visuais. Deve-se lançar mão
do uso do quadro de giz, caso se faça necessário. A técnica pedagógica indica,
caso o faça, apagá-lo na direção vertical e de cima para baixo, assim a poeira cairá
na calha coletora e não incomodará a platéia. O conhecido apontador a laser deve
ser desligado após o seu uso, já que se trata de um equipamento que provoca
certo pavor à assistência quando ligado. A luz emitida por este equipamento intraqüiliza a platéia, que busca esquivar-se sempre que a mesma é direcionada para
ela.
Convém evitar-se a repetição desenfreada de palavras e a colocação de
transparências envelhecidas e com dados muito antigos. No momento da troca
das transparências, convém se falar algo, pois isto manterá a platéia atenta. Tais
transparências atualizadas devem ser numeradas, já que em caso de uma eventual alteração da ordem o apresentador não perderá a seqüência das mesmas. Os
dados recentes supracitados, por certo, dará credibilidade a apresentação, principalmente em se tratando de público mais exigente e de nível de informação e crítica maiores.
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É lógico que se deve posicionar-se na lateral do retroprojetor, desligando-o
sempre que já tiver projetado algo, pois a luz projeta um retângulo luminoso na
parede, desviando a atenção da assistência. Nada deve impedi-lo de aplicar os
recursos da melhor maneira possível, sob pena de comprometer a exposição, por
se ter demandado um tempo considerável na preparação de tão importante
momento. A sua locomoção à frente da platéia deve ser comedida e sem gestos
espalhafatosos, embora alguns advoguem a idéia de que, tratando-se de apresentadora, um discreto toque no cabelo à altura do ombro torna a apresentação
mais interessante.
Tratando-se do desenvolvimento da apresentação, todo e qualquer exagero deve ser contido, desde as roupas muito coloridas e transparentes à maquiagem muito carregada. È um momento especial, de cunho informacional, social e
educativo, em que o mais importante é o tema em explanação. Neste sentido, ressalta-se que o vocabulário utilizado deve ser o mais adequado possível, podendo
haver uma flexibilização, dependente do tema, da cultura, nível e idade da platéia.
Em geral, o uso de gírias banaliza a apresentação, por isso, o tão falado “tá ligado?” Deve ser substituído por um “entenderam?.”
Atitudes exageradas, a exemplo de piadas ousadas, expressões depreciativas e ar arrogante podem, eventualmente, provocar alguma reação negativa da
assistência. Uma vez que o público presente, no aguardo da mensagem, alimenta
grandes expectativas, o mesmo deve ser valorizado, devendo-se evitar o confronto com o mesmo. Aliás, o contrário deve ser cultivado, de maneira que a interação
produza os melhores efeitos e o clima de harmonia prevaleça. Neste aspecto,
todas as perguntas feitas pela assistência devem ser respeitadas e estimuladas,
mesmo porque os questionamentos e a apresentação de novas idéias enriquecem o debate e promovem a pessoa humana.
Um público aparentemente hostil não poderá intimidá-lo, sendo recomendado, neste caso, a presença de espírito. Este procedimento não é simples, já que
exige uma boa prática nesta atividade, além de inspiração. Assim, Barroso, narra:
O grande advogado Tobias Barreto, professor na Universidade
de Recife era, segundo a história, muito exigente. Seus alunos
um dia resolveram pregar-lhe uma peça, fazendo um burro
adentrar a sua sala de aulas antes do seu início. O professor ao
entrar naquele recinto ficou surpreso, pois os alunos não estavam, e sim, o enorme quadrúpede. O Doutor Tobias, então, sentou-se e pôs-se a abrir o seu livro de Códigos, ministrando a
aula para o burro que ali estava. Ao final da aula, o ilustre professor fechou o seu livro, dando a aula por encerrada, dizendo
ao animal: a classe está encerrada e, por favor, diga aos seus
colegas que teremos prova amanhã com o assunto da aula de
hoje. BARROSO (2005, 37 p).
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A presença de espírito ajuda a arrefecer os ânimos e criar um clima descontraído. Sempre haverá uma pergunta que incomoda ao apresentador, e muitas
vezes, fora do contexto da apresentação. As chamadas “saias-justas” são comuns
nos debates travados em público, então deve-se recorrer à humildade e ao famoso “jogo de cintura”. Pode-se evitar situações embaraçosas, por exemplo, afirmando que “aquilo que fora perguntado representou uma limitação daquele trabalho, mas que deverá ser contemplado nos trabalhos futuros, ou que o presente trabalho é não-conclusivo, podendo contemplar aquilo que foi perguntado posteriormente.”
Ainda que se possa pensar na presença de espírito como "fuga" ou engodo,
é preciso que se compreenda o verdadeiro significado deste antigo artifício, já que
não se trata de acovardar-se, mas, na visão de Schwantes (ca.1975), de refugiarse em um abrigo que lhe parece mais familiar. Em uma visão mais ética, seria o último recurso a ser utilizado, mesmo porque alguns, exagerada e irresponsavelmente, lançam mão de mentiras, refugiando-se na fraude.
Tampouco devem aparecer, ao lado da "fuga", outras formas apelativas, a
exemplo de atalhos e desvios que guardam uma impressão ruim, figurando, na
visão geral e comum como conduta questionável do apresentador, mesmo porque, além da irresponsabilidade consigo mesmo, frusta o público, maculando uma
reputação. Se possível, deve-se esmerar-se ao máximo, fazendo as vezes dos
"homens da segunda milha", caminhando um pouco mais.
Mas, para se ter sucesso neste campo é preciso que haja segurança, experiência e bom estado emocional do apresentador. Todavia, platéias aparentemente calmas e indiferentes podem reservar surpresas, pelo menos aos menos avisados. Trata-se de um procedimento muito antigo, já que há registros dessas passagens em escritos bem remotos. Jesus, de acordo com o relato Bíblico, ao ser questionado por fariseus e escribas, sobre o por quê dos seus discípulos não lavarem
as mãos para comer, conforme a tradição dos anciãos, prontamente respondeu:
“por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?” (MATEUS 15:2 e 3)
Com freqüência, têm-se observado registros históricos, de diálogos mantidos por personagens que se utilizaram da não resposta direta, mas de uma outra
pergunta como resposta àquela indagação. Note-se que se trata de procedimento
que requer habilidade, já que coloca o primeiro questionador em situação embaraçosa. Existem situações em que a resposta direta, pura e simples irá demandar
muito tempo, não satisfazendo a quem indaga. A resposta dada por Jesus foi bem
simples e didática, daquelas que cala e leva a quem inquire evadir-se. Então, é preciso que a preparação da apresentação seja a melhor possível, independente do
tipo de público.
Não se recomenda apontar pessoas na platéia ou fazer perguntas dirigidas,
pois as pessoas da assistência ficam constrangidas e deixam de interagir. No máximo, a recomendação que se faz é que, em se fazendo perguntas, não dirigi-las,
mas deixar que um voluntário responda. Em geral, as pessoas da assistência perTextura, Cruz das Almas-BA, ano 1, n.º 2, p. 125-134, Novembro, 2006.
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guntam ou comentam algo em baixo volume, então deve ser solicitado que falem
mais alto para que todos possam ouvi-las. Mas, se isto não for possível, convém
que o apresentador repita a indagação feita de forma audível. Aconselha-se que,
na medida do possível, se socialize a pergunta, pois, assim, a comunicação efetivar-se-á, alcançando a todos.
Sendo a técnica utilizada na comunicação tão importante quanto a própria
arte da comunicação, todo empenho se faz necessário ao longo da explanação.Como de praxe, ao final, se expõe de forma resumida os tópicos abordados,
fazendo-se uma retrospectiva do que fora visto na explanação, passando uma
visão melhorada do todo, relacionando as partes vistas. Assim, abre-se, em seguida, o espaço para perguntas e comentários. Para tanto, o apresentador deverá
estimular o debate, deixando as pessoas à vontade para fazê-lo.
Caso o tempo destinado ao debate tenha ficado restrito, o palestrante pode
optar por responder às perguntas em bloco, para evitar que as respostas sejam
repetidas. Neste caso, aconselha-se anotar em papel as perguntas, já que serão
várias em bloco.
Esse instante é especial, já que vários pontos de vista deverão ser manifestados e, muitas vezes, algo importante que deixou de ser dito pelo apresentador
vem à tona, clareando as idéias e enriquecendo o debate. Todavia, como a palavra
está franqueada, não é incomum haver exaltação da platéia, o que poderá levar ao
atrito as pessoas, que desejam impor as suas verdades. Então, o apresentador
fará também o papel de mediador (caso não haja) do debate, organizando-o e acalmando os ânimos dos mais inflamados. É um momento em que a serenidade e a firmeza devem imperar, e o medo deve ser afastado. Neste sentido, Schwantes
(ca.1975) assegura que “Ou nos dominamos pela aplicação dos controles interiores, ou seremos dominados pelas circunstâncias”.
Geisler & Bocchino (2001), garantem que “Devemos procurar responder ao
que parece uma pergunta insincera da maneira mais amável e verdadeira, pois
mesmo se não satisfizermos o proponente da pergunta, poderemos influenciar os
que estão em torno esperando a nossa resposta”.
Tais circunstâncias são desfavoráveis para aqueles mais atemorizados, já
que o momento deixa de ser um monólogo para transformar-se em debate. Portanto, fazendo valer o slogan “Sê perfeito em tudo que fizeres”, até se deixar o
local do evento deverá haver um sentimento de dever cumprido. Neste sentido,
convém lembrar que se deve afastar o medo sempre que se apresentar um seminário. Inúmeras pessoas perderam grandes oportunidades de iniciar no processo
da oratória por questões de timidez, insegurança, etc. A timidez, aliada ao medo
tem impedido ou atrasado muitos no exercício da comunicação. Por isso, o restrito
mundo dos bons oradores pertence àqueles que, embora sem auxílio técnico inicial, tiveram coragem de enfrentar desafios.
No final da explanação, ao término do debate, para o encerramento da fala,
recomenda-se resumir rapidamente os principais pontos abordados, relacionando-os e desenhando um “todo”, compreensível, dando sentido lógico ao que fora
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discutido nos momentos de exposição. Fecha-se a palestra, então, com um pensamento de alguém consagrado ou versículo bíblico, desde que tenha relação
com o assunto tratado na explanação. Os agradecimentos ao público presente
são altamente necessários, não se admitindo o contrário. Na conclusão do fechamento, deixa-se clara a grande satisfação por estar interagindo naquele local e
com aquelas pessoas.
Recomenda-se ao palestrante colocar-se sempre à disposição de todos
daquele lugar ou instituição para outras explanações, bem como para dirimir qualquer dúvida em outro local e em outro momento, principalmente para aqueles que
se intimidaram em usar a palavra.
Portanto, pelo exposto, ao que parecia inexpressivo e desprovido de efeito
social, em verdade demanda muita técnica e disciplina aos que se propõem ao
exercício da comunicação como meio persuasivo, para atingir a função da linguagem. Neste ponto de vista, é premente a necessidade do conhecimento dessas
técnicas, pois, através delas, se potencializará o intento do comunicador, permitindo uma interação entre o sujeito da enunciação e os receptores, ampliando as possibilidades de se alcançar o fim desejado.
REFERÊNCIAS
1 ALMEIDA Filho, N. Apresentação. Introdução. IN: Lubisco, N.M. & Vieira, S.C.
Manual de Estilo Acadêmico, 2? ed., Salvador: EDUFBA. p. 1, 2003.
2 .BARROSO, P. Curso de Oratória. Salvador. Módulo 1, p. 03-13. 2005.
3. BEHE, M. J. A caixa preta de Darwin: o desafio da bioquímica à teoria da
evolução. Ed. 2. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed. , 1997, 289 p.
4. CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. ED. I, São Paulo, Ed. Ática-S. 1994. 440 p.
5. GEISLER, N. & BOCCHINO, P. Fundamentos Inabaláveis. Ed. I. São Paulo,
Ed. Nova Vida. 2001. 437 p.
6. NUNES, R.P. Métodos para a Pesquisa Agronômica. Ed. I. Ceará,
Universidade Federal do Ceará. 1998. 564 p.
7. SCHUANTES, J. Colunas do Caráter. Ed. I. São Paulo, Casa Publicadora
Brasileira. (ca. 1975). 450 p.
Textura, Cruz das Almas-BA, ano 1, n.º 2, p. 125-134, Novembro, 2006.
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