NOTA DE REPÚDIO
CONFERÊNCIA DISTRITAL DE ESPORTE / 1º DE MAIO DE 2010
No dia 1º de Maio de 2010, Dia do Trabalhador, foi realizada a Conferência Distrital
de Esporte, na cidade de Brasília, no centro de Convenções Ulysses Guimarães. O evento
teve como objetivo o estabelecimento de ações e metas a serem encaminhadas para
Conferência Nacional de Esporte com vistas à criação e implementação do Plano Decenal
de Esporte e Lazer pelo Ministério do Esporte. Além disso, foram eleitos 15 delegados,
que representarão o DF na etapa nacional.
Uma data marcada pela comemoração aos direitos trabalhistas, duramente
conquistados pela mobilização e reivindicação da classe trabalhadora, não teve o que
festejar em relação à realização da Conferência Distrital de Esporte. Os lastimáveis
acontecimentos que marcaram a Conferência representam a consubstanciação de
problemas existentes ao longo de toda a organização do evento, inclusive nas etapas
regionais que precederam o encontro.
As dificuldades enfrentadas pela Comissão Organizadora Distrital, no que concerne
à
alimentação,
divulgação,
transporte
e
infraestrutura,
salvo
o
esforço
e
comprometimento de uma parcela da Secretaria de Esporte do GDF e da ajuda substancial
do Ministério do Esporte, engendraram uma série de limites que acabaram se
materializando na falta de mobilização e participação na Conferência Distrital. Não
obstante
todas
as
barreiras
impostas,
um
significativo
número
de
delegados/conferencistas se fizeram presentes no evento, representando as várias
entidades de todos os campos ligados ao desenvolvimento do esporte e lazer no DF,
demonstrando enorme interesse com os rumos da política nacional e local para
atendimento a esses setores.
Todavia, nem todos os conferencistas/convidados que compareceram ao evento
estavam dispostos a debater democrática e respeitosamente as questões referentes ao
esporte e lazer do DF. Essa conclusão é fruto das atitudes e discursos de cunho sectário e
egoísta empreendidas por parte do público presente na Conferência Distrital de Esporte.
Desde a abertura dos trabalhos no período da manhã, verificou-se que um grupo
de estudantes da Universidade Católica de Brasília (UCB), na sua maioria cursando os
primeiros semestres do curso de Educação Física, foram ingênua e irresponsavelmente
conduzidos ao evento por alguns de seus professores, representantes do Conselho
Regional de Educação Física (CREF 07), e um membro do CONFEF, o que dificultou o bom
andamento dos debates em alguns grupos de trabalho no período da manhã.
O que pode se perceber é que os estudantes foram, equivocada e
intencionalmente, persuadidos a pensar que Conferência Distrital teria como objetivo a
discussão de uma provável revisão da Lei nº 9.615/1998 (Lei Pelé), que em sua análise
teria como intuito acabar com a profissão de Educação Física. Além disso, esses mesmos
alunos foram instruídos a se oporem a quaisquer delegados que não compactuassem com
os interesses clientelistas e corporativistas presentes na Educação Física, o que gerou um
clima tenso e segregador, que em momento algum contribuiu com o enriquecimento dos
debates realizados durante o evento.
As intervenções e alocuções desses alunos demonstraram uma evidente confusão
em torno de um possível fim da carreira profissional do professor de Educação Física, o
que os levou a assumir uma clara postura de oposição e combate ao reconhecimento e
valorização dos agentes sociais de esporte e lazer, reconhecidos e legitimados na 2ª
Conferência Nacional do Esporte e que atuam nos programas e projetos sociais do
Governo Federal. O CONFEF e o CREF 7 em seus discursos insistem em combater a ação
desses sujeitos socais (os ditos leigos), amparados na alegação da falta de conhecimento
técnico dos mesmos. Todavia, essa fala, de cunho meritocrático e descontextualizada da
realidade concreta, desconsidera o processo formativo das diferentes manifestações da
cultura corporal (lutas, dança, circo, esporte, capoeira, yoga etc.) para o ensino e
manutenção de suas culturas tradicionais, além de suas multiprofissionalidades e
multidisciplinaridades, advogando a propriedade dessas culturas ao terreno exclusivo da
Educação Física. Além disso, ignora o cenário de desigualdades sociais que assola o país,
bem como os limites sociais e econômicos que cerceiam o direito dos agentes sociais
esporte e lazer de terem acesso à formação inicial (ensino superior).
O ponto mais elevado de todo esse clima inamistoso foi a manifestação incabível
dos estudantes da UCB, que teve como claro objetivo o não prosseguimento dos trabalhos
da Conferência Distrital de Esporte. Tal atitude foi propositadamente incitada pelo
representante do CONFEF e membros do CREF 7 (dentre eles, alguns professores da UCB),
que ao perceberem que estavam em menor número de delegados na plenária e,
conseqüentemente, teriam dificuldades de aprovarem suas teses incorporadas às ações e
metas a serem discutidas na Conferência Nacional de Esporte. Dessa forma, aproveitaramse da inexperiência desses alunos para induzi-los com o intuito de interromper a
continuidade da Conferência.
As dificuldades encontradas pela manhã persistiram após o almoço. No período da
tarde, dando prosseguimento aos trabalhos, foram identificados e recredenciados os
presentes que teriam direito a voto, uma vez que o regimento determinada que apenas
aqueles que compareceram em ao menos uma conferência livre ou regional estariam
aptos a ser delegados na etapa distrital e, conseqüentemente, poderiam participar da
votação.
Desde o princípio da votação ficou evidente que o grupo ligado ao sistema
CONFEF/CREF e a UCB, apesar do grande número de pessoas presentes, não conseguiram
um elevado quantitativo de delegados, pois a maioria dos presentes não havia participado
das etapas anteriores (livres e regionais) e, portanto, segundo determinação do
regimento, não poderia votar, mas teria a possibilidade de acompanhar o processo com
direito a fala. Diante desse cenário, na primeira votação polêmica, dentro da linha
estratégica nº 2 – “Formação e valorização profissional”, o grupo unido ao sistema
CONFEF/CREF foi derrotado por 54 a 31 votos.
A partir do acontecimento acima, o que se viu foi uma sucessão de fatos
lamentáveis, tais como: a tentativa de tomada da mesa de condução dos trabalhos pelos
estudantes; discursos inflamados e desrespeitosos; apitos e narizes de palhaços (?), assim
como gritos reivindicando um direito de voto inexistente que contrapunha o regimento da
Conferência; falas do membro do CONFEF e de um determinado representante do CREF 7
(e docente da UCB) dirigindo-se em tom de ameaça aos membros da plenária, chegando
por vezes a proferir palavras hostis e ameaças de agressão a outros participantes
contrários a suas proposições; entre outros fatos que podem ser comprovados pelas fotos
e gravações realizadas no local.
Para conseguir obter sucesso na aprovação de suas demandas clientelistas e
conservadoras, que tem como objetivo principal a reserva de mercado, o CONFEF e o CREF
7, juntamente com alguns professores universitários (UCB), arquitetaram a ida dos
estudantes da UCB, que saíram em ônibus (articulado pela própria comissão organizadora
distrital) da instituição de ensino até o Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Cabe
destacar que muitos desses estudantes não haviam participado de qualquer etapa
preparatória (livres ou regionais) e, portanto, não teriam direito a participar como
delegados, ou seja, teriam apenas direito a fala e não a voto. Possivelmente, este critério
foi arbitrariamente ocultado dos alunos, uma vez que essas regras foram amplamente
divulgadas nas etapas regionais, onde representantes/integrantes da UCB e do CREF 7
estiveram presentes.
Não é nosso intuito negar a esses alunos o direito de participação no evento,
mesmo porque, temos consciência do rico papel político e pedagógico que a participação
na Conferência poderia ter na formação acadêmica desses indivíduos. Ao mesmo tempo,
reconhecemos o caráter educativo e cidadão presente num ato de mobilização. Contudo,
todos esses valores foram comprometidos e ignorados pela atitude irresponsável dos atos
presenciados na Conferência, tutelados pelos seus docentes e membros do CREF 07.
Vale destacar que não podemos atribuir à Universidade Católica de Brasília a total
responsabilidade pelos acontecimentos da Conferência Distrital de Esporte, pois
acreditamos que dificilmente é de conhecimento das instâncias máximas de decisão dessa
instituição as ações sucedidas no último dia 1º de maio de 2010. Nesse sentindo,
acreditamos que todo o ocorrido trata-se mais de uma ação isolada de alguns professores
que motivados pela estreita ligação que possuem com os interesses do sistema
CONFEF/CREF, utilizaram se da influência que possuíam sobre seus alunos para conduzilos à Conferência.
É lamentável o fato de que sejam empreendidos tantos esforços em ações e
reclamações fortemente vinculadas a interesses corporativos, financeiros e particularistas,
relegando à segundo plano questões mais importantes que permeiam a luta pela garantia
do esporte e lazer como direitos sociais. A busca por uma Educação Física melhor, mais
qualificada, “mais profissional” não pode jamais estar desvinculada do propósito de
construirmos uma nação e uma sociedade mais humana e menos desigual. Essa
compreensão nos move a lutar sempre por uma Educação Física de qualidade social,
atrelada a reivindicação pelo direito de todos a melhores condições de saúde, segurança,
trabalho, educação, moradia e claro, de esporte e lazer.
Subscrevem abaixo as seguintes entidades,
Secretaria Distrital do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte – CBCE/DF
Sindicato dos Professores de Escolas Particulares do Distrito Federal – SINPROEP/DF
Centro Acadêmico de Educação Física da Universidade de Brasília – CAEdF/UnB
Central Única das Favelas – CUFA/DF
União Nacional dos Estudantes – UNE/DF
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES/DF
Federação de MuayThay Tradicional do Distrito Federal - FMT/DF
ONG Cataventos Juventude e Cidadania - CATAVENTOS
Associação Cultural e Esportiva Abarka - ABARKA
Rádio Alternativa de Planaltina – RÁDIO ALTERNATIVA
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