SHIRLEY SEIXAS PEREIRA D A SILVA
U tiliz a ç ã o de R e c u rs o s F lo ra is na A lim e n ta ç ã o de
M o rc e g o s F ilo s to m íd e o s no C a m p u s da U n iv e rs id a d e
F e d e ra l R ural do R io de Ja n e iro , Itaguaí - RJ.
T ese a p re s e n ta d a ao C u rso de Pós-G radua­
ção em C iê n c ia s B iológ icas — Z o o lo g ia do
S e to r de C iê n c ia s B iológ icas da U n iv e rs i­
dade Fe d e ra l do Paraná, com o re q u is ito
pa rc ia l para obten ção do grau de M e s tre .
C U R IT IB A
1991
SHIRLEY
SEIXAS
PEREIRA
DA
SILVA
UTILIZAÇAO DE RECURSOS FLORAIS NA ALIMENTAÇfíO DE
MORCEGOS FILOSTOMIDEOS NO CAMPUS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
RURAL DO RIO DE JANEIRO, ITAGUAI - RJ.
Dissertação
Curso
de
Ciências
apresentada
ao
Pós-Graduação
em
Biológicas - Zoologia
do Setor de Ciências Biológicas
da
Universidade
Federal
Paraná, como requisito
para
obtenção
Mestre.
do
do
parcial
grau
de
UTILIZAÇÃO DE RECURSOS FLORAIS NA ALIMENTAÇAO DE
MORCEGOS FILOSTOMIDEOS NO CAMPUS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
RURAL DO RIO DE JANEIRO, ITAGUAI - RJ.
por
SHIRLEY
SEIXAS
PEREIRA
Dissertação aprovada
parcial para
SILVA
como requisito
obtenção
Mestre no Curso de
DA
do
grau
de
Pós-Graduação em
Ciências Biológicas - Zoologia, pela
Comissão formada pelos
professores:
Prof. Adriano Lúcio Peracchi
Prof. Nélio Roberto dos Reis
Prof. Vinalto Graf
Curitiba
1991
A
Artibeus,
Phyllostomus
Glossophaga,
e
Vampyrops
pelo sacrifício de suas vidas.
AGRADE OI MENTO S
Agradeço
direta
ou
às
seguintes
pessoas
indiretamente, tornaram
e
instituições
possível
a
que
elaboração
deste trabalho:
Prof.
Adriano Lucio Peracchi,
pela
orientação
durante
o
período de realização do trabalho.
Profa. Ariane Luna Peixoto, pelo interesse e apoio durante a
identificação dos espécimes vegetais.
Profa. Inês Machiline Silva, pelo interesse e apoio
durante
os estudos florais.
Profa. Nea Alcina da Silva Leite, pelo estímulo.
Profa. Sueli Pontes, pela amizade e conversas valiosas.
Profa.
Orthrud
interesse e
Monika
Barth,
pelo
apoio inquestionável
carinho,
durante
a
amizade,
identificação
do material polínico.
Profa. Angela Maria S. Fonseca Vaz, pela
identificação
do
material herborizado.
Prof.
Alwyn
H. Gentry,
pela
identificação
do
material
herborizado.
Prof. Eugênio Izecksohn, pela leitura crítica do
manuscrito
e suas valiosas sugestões.
Sr.
Ademar Ferreira da Silva,
pela amizade e
trabalhos de campo e laboratório.
auxilio
nos
Sra. Edna Thomaz Briggs, pela amizade, carinho e auxílio nos
trabalhos de campo.
Aos
amigos Sergio, Katia, Claudia e
Mareia
pelo
estímulo
durante o trabalho.
Aos funcionários do Jardim Botânico
da
UFRRJ,
pela
ajuda
durante a realização do trabalho de campo.
A
amiga
Claudia
Beatriz
Medaglia
Leães,
pela
pela
confiança
e
amizade,
carinho e estímulo.
Aos
meus
pais,
e
irmãos,
afeto
que
possibilitaram a realização deste trabalho.
A
Coordenação
do
Aperfeiçoamento
de
Pessoal
de
Nível
pelos
dados
Superior (CAPES) pela bolsa de Mestrado concedida.
Ao
Instituto
Nacional
Meteorológicos de Itaguaí.
de
Meteorologia,
SUMARIO
INTRODUÇÃO
...............................................
REVISÃO DE LITERATURA
MATERIAL E MÉTODOS
.................................... 6
.....
11
CARACTER IZAÇAO DA REGI AO E DA AREA ESTUDADA
.........
REGIAO DE ITAGUAI - RJ, LOCALIZAÇAO GEOGRAFICA
11
......
11
...........
11
.................................................
12
GEOMORFOLOGIA, SOLOS E VEGETAÇAO REGIONAL
CLIMA
1
AREA DE ESTUDO
RESULTADOS
........................................
12
..............................................
21
VEGETAIS UTILIZADOS COMO RECURSO ALIMENTAR
..........
21
MORCEGOS COLETADOS NO CAMPUS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
RURAL DO RIO DE JANEIRO
..............................
CARACTERIZAÇAO DAS ESPECIES DE MORCEGOS
VISITA AS FLORES
O COMPORTAMENTO
...........
.................
..............
...............................................
VISITA AS FLORES
37
38
ATIVIDADE DOS MORCEGOS DURANTE O ANO
DISCUSSÃO
.............. 31
......................................
UTILIZAÇAO DE RECURSOS ALIMENTARES
29
.......................
43
46
59
62
COMPORTAMENTO ALIMENTAR
............................
64
ATIVIDADE DURANTE O ANO
..............................
68
UTILIZAÇAO DE RECURSOS FLORAIS .......
CONCLUSOES
...........
71
74
APENDICE
................................................
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
.............................
77
82
LI STA
1
XME TABELAS
Dados climáticos para a região
no
ano de
1987 registrados
de
Seropédica
na Estação
de
Ecologia Agricola do Departamento Nacional de
Meteorologia .........................................
2
Dados climáticos para a região
no
ano de
1988 registrados
de
78
Seropédica
na Estação
de
Ecologia Agricola do Departamento Nacional de
Meteorologia .........................................
3
79
Dados climáticos para a região de Seropédica
no
ano de
1989 registrados
na Estação
de
Ecologia Agricola do Departamento Nacional de
Meteorologia .........................................
4
Morcegos capturados nos
Campus da UFRRJ
pontos de
80
coleta no
durante o período de
abril/
1988 a setembro/1989 ................................. 81
5
Espécies de morcegos filostomídeos
no
6
coletados
Campus da UFRRJ .................................. 32
Morcegos coletados que não utilizaram néctar/
pólen como recurso alimentar ........................
7
56
Recursos alimentares utilizados por morcegos,
coletados, nas estações do ano
UFRRJ
no
período
de
no Campus
da
abri1/1988 a setembro
/1989 ................................................
57
8
Vegetais cujo pólen/néctar
foram
utilizados
por morcegos durante o período de estudo ...........
58
LISTA
1
DE
FIGURAS
Mapa do Estado do Rio de Janeiro
região
de
Seropédica,
indicando a
Itaguai
e
Rio
de
de Janeiro ...........................................
2
Diagramas climáticos da região de
durante o período de estudo
3
Seropédica
........................
Mapa da Universidade Federal Rural do Rio
Janeiro, indicando as estações de coleta
4
Estação
UFRRJ
5
de
coleta
no
Jardim
Botânico
..........
8
9
...............................................
Localização das flores
e frutos de
Arvore
de
Pseudobombax
22
Chorisia
grandiflorum,
24
na
estação de coleta da Estrada da Floresta ...........
24
Flores de Pseudobombax grandiflorum .................
25
Flores de Bauhlnia purpurea abertas durante a
Arvore
de Lafoensia glyptocarpa
de coleta no Jardim Botânico
11
22
Arvore de Chorisia speciosa na área de Jardim
noite ................................................
10
17
da
s p e c i o s a .............................................
7
14
de
Botânico da UFRRJ ....................................
6
13
na
estação
.......................
Inflorescència de Lafoensia glyptocarpa
12 Arvore
de
Kigelia africana na
25
estação
...........
28
28
de
coleta do Lago A s s ú .................................. 30
13
Inflorescência de
caulifolia
Kigel ia africana,
notar a
..........................................
14
Glossophaga soricina
15
30
...............................
35
Artibeus lituratus
.................................
35
16
Vampyrops lineatus
.................................
36
17
Visita de Glossophaga soricina as
Pseudobombax grandiflorum,
pousado com as asas
ao corpo
18
flores
notar
o
de
animal
distendidas lateralmente
............................................
Visita de Glossophaga soricina
40
as flores de
Lafoensia glyptocarpa,notar o adejo em frente
as flores
19
...........................................
Visita de Glossophaga soricina
Kigelia africana, notar
flor
20
o animal pousado
Atividade
de
na
soricina,
e Vampyrops
de
lineatus
Material polínico
periodo
.......................
Fenologia dos vegetais observados
do Campus da UFRRJ
no
abril de 1988 a setembro de
período de 1988 a 1989 nos pontos
durante
de
coleta
................
de Eugenia sp
45
o
aderido
47
a
pelagem de Glossophaga soricina (250 x) .....
23
41
Artibeus lituratus,Glossophaga
1989 no Campus da UFRRJ
22
de
................................................
compreendido
21
as flores
40
49
Material polínico de Kigelia africana na
pelagem de Glossophaga soricina (250 x) .........
49
24
Pólen
de
Ãbutilon
sp
(A)
e
Lafoensia
glyptocarpa (B) no tracto gastrointestinal de
Glossophaga soricina (250 x) ........................
25
51
Material polinico de Pseudobombax grandifloruin,
aderido a pelagem de Phyllostomus hastatus (250 x) .. 51
26
Material
polinico
de
Lafoensia glyptocarpa
na pelagem de Vampyrops lineatus (250 x) ............
27
Material
polinico
de
Chorisia speciosa
no
tracto gastrointestinal de Artibeus lituratus .......
28
Porcentagem de material
no
tracto
polinico
gastrointestinal
53
53
encontrado
de Glossophaga
soricina, no período de abri1/1988 a setembro
/1989
55
RESUMO
No
presente trabalho
recursos florais
morcegos
Federal
durante
1989.
o
periodo
Paralelamente
comportamento,
alimentares,
estudada
alimentação
filostomídeos
Universidade
RJ
na
foi
de
que
Rural
de
a
quatro
ocorrem
do Rio de
abril
foram
espécies
de
Campus
da
no
Janeiro, Itaguai -
de
1988 a setembro
abordados
atividade,
utilização de
aspectos
utilização
de
de
do
recursos
relacionando-os a disponibilidade de
alimento
na área.
Devido
escolhidos
em
a
extensão
da
área
previamente quatro estações
locais onde havia grande número
de
do
Campus,
foram
de
coleta,
sempre
espécies
vegetais.
Os morcegos foram coletados com auxilio de redes "mist-nets"
e retirado
o
material
polínico
da
pelagem
e
tracto
gastrointestinal para identificação.
Sete espécies vegetais foram utilizadas como
limentar:
speciosa
Lafoensia
Âbutilon
St. Hill,
sp,
Bauhinia
Eugenia sp,
glyptocarpa Koehne
(Cav.) A.Robyns.
purpurea
Kigelia
fonte
L.,
Chorisia
africana
e Pseudobombax
a
Benth,
grandiflorum
Estes vegetais foram visitados
espécies de morcegos potencialmente polinizadoras:
por quatro
Artibeus
lituratus (Olfers,1818), Glossophaga soricina (Palias,1766),
Phyllostomus hastatus (Palias,1767)
e
Vampyrops
lineatus
(Geoffroy,1810).
Destes
apenas
Glossophaga
soricina
apresenta hábito alimentar nectarivoro.
0
seguiu
comportamento
um
padrão de
dos
morcegos
durante
acordo com a morfologia
as
visitas
floral
e
o
acesso ao alimento.
A
atividade
das
espécies
está
relacionada
a
disponibilidade de alimento. Entretanto, espécies frugívoras
compensam
a carência de frutos, em determinadas
ano
recursos
com
florais.
Esta
compensação
épocas
pode
extendida a morcegos nectarivoros, com relação a insetos.
do
ser
ABSTRACT
The utilization of floral resources in the nourishment
of
four species of phyllostomideous bats occurring
Campus
(Rio
on
of the Universidade Federal Rural do Rio de
de
Janeiro Federal Rural University),
within
the
parallel,
some
aspects
of
Janeiro
Itaguai
period from April 1988 to September
the
-
1989,
studied.
In
the
activity,
and food resource utilization, as related to
RJ
was
behavior,
the
food availability in the area, were dealt with.
Due
to
collection
located
The
the
large
stations
have
Campus
been
area
extension,
previously
four
selected,
on sites with a large number of vegetable
species.
bats were collected with the aid of mist nets, and
pollinic
material
removed
from
the
fur
all
and
the
the
gastrointestinal tract for identification.
Seven
Abutilon
Hil.,
sp,
vegetable
species were used
as
Bauhinia purpurea L., Chorisia
Eugenia
sp,
Kigelia
africana
food
source:
speciosa
Lafoensia
Benth,
glyptocarpa Koehne, and Pseudobombax grandiflorum (Cav.)
Robyns.
These vegetables were visited by four
soricina (Pallas, 1766), Phyllostomus
1818),
hastatus
(Pallas, 1767) and Vampyrops lineatus (Geoffroy, 1810).
these,
only
Glossophaga
soricina
exhibits
A.
potentially
pollinizing bat species: Artibeus lituratus (Olfers,
Glossophaga
St.
Of
nectarivorous
feeding habits.
The bats behavior during the visits followed a pattern
in
accordance
with the floral morphology and the
kind
of
access to the food.
The
activity
availability.
of
the
species
is
related
to
However, frugivorous species compensate
food
for
the scarcity of fruit during certain seasons of the year, by
feeding
on
floral
resources.
Such
compensation
may
extended to nectarivorous bats, in respect of insects.
be
INTRODUÇfíO
A
estrutura de uma comunidade pode ser
definida
por
diversos parâmetros, incluindo a diversidade de espécies,
a
,estrutura trófica e as diversas formas de reprodução.
Nos trópicos, os processos reprodutivos de polinização
e dispersão são facilitados devido
entre
seres
as
relações
vivos, principalmente animais e
ecológicas
plantas.
Os
animais formam um grupo de enorme importância na polinização
dos
vegetais
incidência
polinico
pois a sua utilização
de
e
hibridos, perda
a
inviabilidade
alii, 1982).
Se em uma
competição
por
no
processo
desnecessária
das
população
reduz
de
a
material
sementes (Wheelwright et
de
polinizadores,
plantas
ocorre
haverá
uma
uma
maior
especialização, determinando uma evolução do complexo floral
como
em
forma de atração para um polinizador específico,
uma
comunidade
com
poucas
espécies
a
divisão
pois
de
polinizadores pode resultar em uma diminuição na produção de
sementes e tuna
A
eventual eliminação da população.
comunidade
de
visitantes de
flores
depende
dos
recursos florais oferecidos tais como, néctar, pólen, óleos,
etc.
Devido
a este fato
morfológicas
utilização
que
dos
perpetuação.
as
facilitaram
recursos
e
plantas
aos
sofreram
seus
paralelamente
adaptações
visitantes
promoveram
uma
sua
2
Estas
modificações implicaram em uma coevolução
de
ambos os organismos envolvidos no processo. Segundo Heithaus
(1982) a coevolução implica mais do que uma simples resposta
da outra espécie, envolve resposta e
contra-resposta,
isto
é cada espécie apresenta alterações justificadas pela
espécie.
plantas
Estas
se
alterações
adaptaram
evolutivas
demonstram
outra
que
as
as distintas classes de visitantes e
polinisadores.
Partindo desse principio, observa-se
morfologia
floral podemos
inferir
o
que
através
provável
da
visitante/
polinizador diurno ou noturno de determinado vegetal.
Os
insetos
formam
o
maior grupo de importância
visita e polinização de flores.
alimentarem de
estruturas
Devido
florais
ao
hábito
de
na
se
e se locomoverem de uma
flor até outra, o pólen é carregado eficientemente para
uma
polinização segura.
As flores, apresentam um mecanismo de
atração
destes
visitantes que torna quase uma certeza a polinização
a cada
visita
dos
secreção
cores
de
insetos.
Esta
estratégia
é
néctar através de nectários,
baseada
em
antese
diurna,
vivas e odores fortes e agradáveis (Faegri
&
uma
Pijl,
1971).
Dentre
os
vertebrados, as aves
e
os
mamíferos
se
destacam como visitantes de flores, pois utilizam osrecursos
florais
na
Nas aves, o
alimentação
principal
como
alimento
fonte
de
procurado
carbohidratos.
é
o
néctar.
3
que
devido
a
sua
produção
regularmente as flores.
intensa, levam-nas a visitar
Para que as visitas se tornem
mais
constantes, outros atributos foram desenvolvidos, tais como:
cores
vivas, ausência de odores, antese diurna,
corola
e
fusão
das
partes
florais.
Esse
redução da
conjunto
atributos
denomina-se "Síndrome da Ornitofilia” que
forma
garantir a polinização e a manutenção
de
vegetal
de
é
uma
da espécie
(Faegri & Pijl, 1971).
Para que os mamíferos visitem sua flores, os
também
desenvolveram
atrativos,
porém
mais
vegetais
específicos,
devido ao hábito quase sempre noturno de seus visitantes.
Em comparação com as aves,os mamíferos também procuram
o
néctar
como
fonte
energética,
porém
exploram
recursos para a alimentação como o pólen, anteras,
etc.
Pode-se dividir em dois, os grupos de
outros
pétalas,
mamíferos
que
visitam flores: voadores e não voadores.
Dentre os não voadores que
exploram recursos
florais
durante a noite, estão os marsupiais, primatas e roedores.
Os
morcegos
são,
dentre
os
mamíferos
importantes
visitantes/polinisadores
importância
é devida a grande capacidade
em
vôo
e
adaptações
fisiológicas
das
e
de
os
mais
flores.
Esta
deslocamento
morfológicas
que
facilitam o transporte do material polínico a outras flores.
Isso pode ser demonstrado através
espécies
vegetais
deles para sua
que servem
da
grande
de alimento
reprodução e perpetuação.
variedade
e
se
de
utilizam
4
Nos vegetais as adaptações são também
fisiológicas.
Estas
modificações
morfológicas
formam
um
e
conjunto
denominado "Síndrome da Quiropterofilia".
As adaptações sofridas pelos vegetais são: flores
cores
claras, grande
produção
de
néctar,
com
eliminação
odores fortes, grande quantidade de pólen, antese
de
noturna e
posição destacada na copa das árvores.
Para os morcegos,
as
modificações
do focinho, língua extensível e com
extremidade,
são:
papilas
alongamento
filiformes
na
alteração na dentição, tracto gastrointestinal
e pelagem (Faegri & Pijl, 1971).
Apenas duas famílias de quirópteros
utilizam recursos
vegetais: frutos, néctar, pólen na alimentação.
No
Velho Mundo os Pteropodidae (Megachiroptera)
exclusivamente
frugívoros,
não incluindo
animais
são
em
sua
apresentam
uma
dieta.
Para
o Novo Mundo, os Phyllostomidae
dieta mais variada com
certa
algumas subfamílias apresentando uma
preferência em relação ao alimento
preferência pode ser alterada em função
do
alimento na região, como pode ocorrer
apresentam
um
hábito
frugívoro
e
procurado.
da
Esta
disponibilidade
em
morcegos
que
que utilizam néctar ou
pólen como recurso alimentar em época de escasses de frutos;
ou
mesmo
com
morcegos
de
hábito
nectarívoro
que
complementam sua dieta com frutos e insetos.
0
presente
estudo
tem
por
objetivo
apresentar
o
5
resultado de observações envolvendo a utilização de recursos
florais:
pólen/néctar,
na
alimentação
de
morcegos
filostomideos no Campus da Universidade Federal Rural do Rio
de Janeiro.
0
será
comportamento
de cada morcego durante
relacionado a morfologia floral e com
morfológicas dos animais.
padrão
Também
serão
de atividade durante o ano e
alimento na área.
a
as
as
visitas
adaptações
correlacionados
disponibilidade
o
de
REVISÃO
A
XXE 3L
»
ITERATURA
visita de morcegos às flores em
sempre
despertou
(1936/37;
enorme
interesse
busca de
a
autores
1956; 1961), Porsch (1931) e Vogel
1969)
devido às
adaptações
pelas
plantas.
Para
zoofilia
muito
espécies
vegetais
sofridas
estes,
a
importante
nos
neotropicais
alimento
como
(1958;
1968;
pelos animais
quiropterofilia
trópicos
e
Pijl
pois
como
é
uma
várias
paleotropicais dependem
destes mamiferos para sua efetiva polinização.
Para os vegetais do Velho Mundo, diversas
foram
realizadas
estudou
25
morcegos,
por
Pijl
espécies
bem
como
(1936/1937)
vegetais
que
as adaptações
onde
recebem
dos
observações
este
autor
visitas
megaquirópteros
de
e
microquirõpteros para a nectarivoria/polinivoria.
Para as Américas, Porsch (1931) realizou estudos sobre
a
atração de morcegos pelas flores de Crescentia na
da
Costa
Rica
quiropterofilia
e
em
indicou
diversos
Bignoniaceae e Cactaceae.
conhecidos
a
possibilidade de
gêneros
de
região
ocorrer
Bromeliaceae,
Sendo assim, quase todos os casos
de vegetais quiropterofilos neotropicais são
da
América Central.
Devido a este fato e por haver poucas referências para
a
América do Sul, Vogel (1958; 1968/1969) realizou
nesta
região (Bolívia,
Brasil
e Colombia)
e
estudos
identificou
7
diversas
espécies
vegetais neotropicais
(16)
constantes visitas de morcegos nectarivoros.
destacam-se
as
contribuições de Carvalho
recebendo,
Para o
Brasil
(1960/1961)
Hopkins
(1984) para a região Norte, Gribel (1986)
região
do Distrito Federal e Sazima & Sazima (1975,
e
para
a
1976,
1978, 1980, 1987 e 1988) e Sazima et alii (1978, 1982)
para
a região Sudeste.
No Velho Mundo os morcegos que visitam diversas flores
são
os
Macroglossinae e no Novo Mundo
os
Glossophaginae,
porém outras subfamílias como Carolliinae, Phyllostominae
Stenoderminae
também
chegam
a enriquecer
sua
dieta
e
com
néctar e pólen.
Dentre
todas as famílias vegetais que
são
visitadas
por morcegos existem algumas em que o número de espécies que
recebem
elas:
freqüentemente essas visitas é muito
Bignoniaceae,
Bombacaceae, Cactaceae
grande.
e
São
Leguminosae
(Butanda et alii, 1978).
Na
família Leguminosae, subfamílias Caesalpinoidea
Mimosoidea,
são
os
mais
(Carvalho,
Heithaus
os gêneros Bauhinia, Eperua, Parkia e
conhecidos
como
visitados
1960/61; Baker & Harris, 1957;
por
e
Hymenaea
morcegos
Heithaus,
et alii, 1974; Hopkins, 1984; Pijl, 1936 e
1982;
Vogel,
1968).
0
espécies
Bauhinia
gênero Bauhinia, em particular, apresenta
visitadas/polinizadas
megalandra
Griseb.;
por
morcegos
Bauhinia
tais
pauletia
diversas
como:
Pers.;
8
Bauhinia rufa Stend.; Bauhinia ungulata L . .
Essas
recebem
subfamllias
a visita de representantes de duas
espécies
de
morcegos: os Glossophaginae e os Phyllostominae (Heithaus et
alii, 1974; Ramirez et alii, 1984 e Sazima et alii, 1978).
Para Eperua, as espécies Eperua falcata Aubl. e Eperua
leucantha Benth. recebem a visita de morcegos Macroglossinae
e Glossophaginae (Pijl, 1936/1937 e Vogel, 1968) e do gênero
Hymenaea
pode-se destacar a espécie Hymenaea
recebendo
visitas
neotropicais,
tais
de
diversas
como:
subfamllias
Glossophaginae,
courbaril
de
L.
morcegos
Phyllostominae,
Carolliinae e Stenoderminae (Carvalho, 1960/61; Heithaus
et
alii,
na
1975; Vogel, 1968) tanto na América Central
América do Sul.
(1984),
como
Em Parkia, Baker & Harris (1957),
Carvalho
(1960/1961) e Pijl
Phyllostominae
(1936)
e Macroglossinae
Hopkins
observaram
visita
de
as
flores
Parkia
gigantocarpa Ducke., Parkia pêndula Willd. e
a
de
Parkia
clappertoniana Keay..
A
visita de morcegos às flores de Bombacaceae
ocorre
com bastante frequência nos trópicos e diversos gêneros como
Bombax, Ceiba, Durio e Ochroma são citados por Baker
(1970)
(Durio
(Ceiba
zibethinus
acuminata
Gaertn);
Rose);
Murr.);
Carvalho
Baker
et
(1960/1961)
alii
(1971)
(Ceiba
pentandra
Heithaus et alii (1975) (Ceiba pentandra;
Ochroma
lagopus Swartz); Pijl (1936/1937) (Durio zibethinus; Ochroma
lagopus)
e
Vogel (1969) (Bombax
septenatum
Jacq;
munguba Mart e Ochroma lagopus) como visitados por
Bombax
morcegos
9
nectarívoros e frugívoros.
Ceiba
e
Bombax
são
Para a América do Sul os gêneros
visitados
por
Glossophaginae
e
Phyllostominae que promovem sua polinização.
A
evolução
proporcionou
da
morfologia
floral
das
Bignoniaceae
uma maioz' probabilidade destes vegetais
serem
visitados por morcegos (Gentry, 1974).
0
como:
gênero Kigelia foi observado por
diversos
autores
Harris & Baker (1958), Mc Cann (1931) e Vogel
(1958)
durante a visita de morcegos Glossophaginae e Macroglossinae
as
suas flores, e o gênero Crescentia
morcegos
Carolliinae,
Phyllostominae,
observado
recebe a
Glossophaginae,
visita
Stenoderminae,
bem como de Macroglossinae, como
pôde
por Carvalho (1960/1961) para a América
especialmente
no
Brasil, Heithaus et
de
alii
ser
do
Sul,
(1974/1975)
e
Porsch (1931) para a América Central e Pijl (1936/1937) para
Java.
Durante
as
visitas em que
o
morcego
procura
alimento, o comportamento segue o padrão de adejo em
seu
frente
às flores e/ou pouso como foi observado por Vogel (1958)
América
Sazirna.
do Sul, Carvalho (1960) em Belém do Pará, Sazima
(1978,
1980, 1987 e 1988) e Sazima et
para São Paulo.
material
alii
ou
&
(1982)
Durante esses comportamentos alimentares
polínico dos vegetais pode ser ingerido
na
o
ficar
aderido na pelagem dos animais.
Alvarez
&
Quintero (1970), Howell
&
Burch
(1974),
Hevly (1979), Pijl (1936/1969) e Vogel (1969) observaram
no
10
tracto gastrointestinal de morcegos a presença
polínico
dos vegetais
ingestão
de pólen
Macroglossinae,
visitados.
oferece
porém
Para
material
Pijl
recurso
considera
de
(1969)
proteico
que
a
a
para
ingestão
por
Glossophaga soricina ê acidental.
Segundo Howell (1974) a utilização de recursos florais
proporciona
aos
morcegos
carbohidratos
energeticamente
Porém,
haja
caso
alimentar
insetos
como
pode
ou
escassez
ser
uma
fonte
&
de
alterada
Baker
proteínas
necessários durante
néctar/pólen,
com
os
frutos (Carvalho, 1961).
Harris
de
(1958)
e
Pijl
(1956)
de morcegos
limitação
na floraçãodos vegetais utilizados
e
que
os
recursos
pode
florais
dieta
autores
a
ser
vôo.
utilizando
alguns
alimentar
alimentar
nectarívoros
a
animais
Para
o
e
variação
devida
como
à
fonte
explorados
são
insuficientes energeticamente levando estes animais a buscar
outras
ingestão
fontes.
Porém, para Alvarez &
de material polínico pode estar
Quintero
(1970)
relacionada
sexo e estágio de desenvolvimento do animal.
ao
a
MATER Jl AL
E
METOÜO S
CARACTERIZAÇÃO DA REGIAO E DA AREA ESTUDADA
REGIAO DE ITAGUAI,RJ - LOCALIZAÇAO GEOGRAFICA
Itaguaí é um
município
da
região
metropolitana do
Estado do Rio de Janeiro, compreendido entre as
coordenadas
22q. 51' 08" S e 43q 46' 31" W Gr. e com uma área de 523 Km2.
Este
município
subdivide-se
Grande, Ibiporanga, Itaguaí e
em
quatro
Seropédica,
distritos:
Coroa
sua sede
dista
53 Km da capital do Estado e limita-se com os municípios
Mangaratiba, Nova Iguaçú, Paracambi, Piraí e Rio
de
de Janeiro
(Secplan,1988) (Fig.l).
As observações e
coletas de dados
para
este
estudo
foram realizadas no Campus da Universidade Federal Rural
do
Rio de Janeiro, no distrito de Seropédica.
GE0M0RF0L0GIA, SOLOS E VEGETAÇÃO REGIONAL
A região de Itaguaí apresenta-se com formações antigas
de rochas pi^é-cambrianas em escarpas e reservas
da Serra do
Mar, rochas magmáticas (granito,granodiorito e gnaisse).
Os solos são
predominantemente
latossolos
profundos
com alta porosidade e solos podzólicos com acides elevada.
A
Floresta
cobertura
Pluvial
vegetal natural
Densa
com
de Itaguaí
áreas
de
é
do
tipo
pastagens,
florestas secundárias e agricultura (Secplan, 1988).
12
CLIMA
De acordo com a classificaçãoclimática
município
de
(megatérmico,
Itaguaí
úmido e
apresenta
clima
subúmido com
de
Koppen,
do
tipo
inverno seco),
temperatura média do mês mais quente em torno
dos
o
AW
com
a
35 graus
Celsius.
A região apresenta estação chuvosa de dezembro a abril
e uma seca de maio a novembro,
vista
pluviométrico
é
uma
bem marcada.
área
que
Do
ponto
obedece
ao
de
regime
tropical com chuvas abundantes.
Os
dados
climatológicos
registrados
na
(Km 47)
Instituto
do
estação
respectivamente
climáticos
nas
de
1987,
de Ecologia
Nacional
tabelas
e
1989
Agrícola - Seropédica
de
1,
1988
Meteorologia
2
e
3.
Os
estão
diagramas
para o período estão na fig.2.
AREA DE ESTUDO
Todas as
observações referentes a
este estudo
foram
realizadas no Campus da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ).
Esta Universidade localiza-se no distrito
de Seropédica (22a 45' S e 43a 41' W Gr.) e está
a aproximadamente 80
Km da capital
do
Estado
localizada
do
Rio
de
Janeiro.
A área total
da
Universidade
é
de
aproximadamente
13
Fig. 1: Mapa do Estado do Rio de Janeiro
indicando as
região de Seropédica (jf), Itaguai (*) e Rio de
Janeiro («§£>) .
14
ToC/Ppt
1937r
m
a
e ís e s
TEM PERATURA
-t*
PRECIPÉTACAO
■
+
■
P RC O IP ITAC AQ
ToC/Ppt
19 8 8
M
a
C
S
C
S
TEMPCfíA TTJPIA
ToG/Fpt
19 8 9
Fig. 2: Diagramas climáticos da
região de
durante o período de estudo.
Seropédica
15
3.024
hectares, dos
construído, onde
quais
se
131.346 m2
encontram
os
são
diversos
pesquisa. Jardim Botânico, alojamentos, etc.
região
de Seropédica
de 30 m.
atinge
e
é
pequenas
75 m.
baixa-plana
com
de
institutos de
(UFRRJ,1986). A
altitude
elevações espaçadas cuja
Situada
na
média
cota máxima
baixada fluminense e cercada por
serras bem distintas relativamente altas como a
Viúva Garça, Carretão e Tinguá,
Mar.
espaço
contra fortes
do Goulart,
da Serra
do
Apresenta uma grande diversidade floristica, onde
encontradas aproximadamente 52 famílias vegetais com
espécies
representativas
que
servem
de
várias
alimento
para
diversas espécies animais, porém a fitofisionomia da
é mais local que regional.
possível
uma
definição
região
Segundo Guimarães (1951),
clara do tipo de
são
não é
vegetação nativa
devido a região ter sofrido grandes transformações ocasiona­
das pelo homem como queimadas e derrubadas sucessivas.
Mas
são encontradas capoeiras em pontos distantes onde se nota a
presença de várias espécies arbóreas e herbáceas.
Durante
o período
compreeendido de abril de
1988
setembro de 1989, foram realizadas as observações e
de campo.
de
uma
As sessões de coleta
noite
de
coleta
e
foram
semanais.
observação
e
coletas
Com
caso
mais
houvesse
necessidade.
Estabeleceu-se
floristica,
a
que
devido a
primeira estação de
uma
grande
coleta
variedade
seria o
Botânico da UFRRJ (J.B), a segunda próximo ao Lago
Jardim
Assú
ou
16
Central (L.A),
a terceira
na estrada para o
Instituto de
Floresta (I.F) e a quarta no Instituto de Agronomia
(I.A.),
figura 3.
fixados
vários
Dentro da área do Jardim
pontos de coleta,
composição floristica.
Botânico foram
escolhidos
após
uma análise
da
No Lago Assu, na estrada da Floresta
e no Instituto de Agronomia foi fixado apenas
um
ponto
de
período
de
coleta.
0
cronograma
floração
das
de coletas foi
espécies
durante os meses de
Botânico (fig.4).
as
1989
dezembro de 1988
coletas
1988
coletas
se
e
assim,
janeiro,
realizaram no Jardim
e março, abril
Nos meses de setembro,
as
sendo
No Lago Assú ou Central as coletas foram
nos meses de abril de
1989.
vegetais observadas,
agôsto a
abril a julho de 1989
baseado no
e
setembro
novembro de 1988
ocorreram
na
estrada
do
de
e julho de
Instituto
Floresta, no Instituto de Agronomia as coletas foram no
de
mês
de junho de 1988. (Tab. 4).
Em
cada ponto de coleta foram armadas
três redes
do
tipo "mist-nets" (redes de espera) de 12 x 2,6m com
36mm de
malha.
hs
(ao
levou-se
em
Estas
anoitecer)
e
eram
estendidas
retiradas
considei^ação o hoi^ário
a
as
de
23
verão
partir
hs
das
(não
devido à
17
necessidade
observação da antese floral e
da
sempre
próximo à copa das árvores em
enfrente,
periodo de
folhas
para
abaixo
floração.
ou
Destas
herborização.
atividade
de
recolheu-se
De
cada
dos morcegos),
o
flor
com
flores e
identificada
Fig
3: Mapa da Universidade Federal Rural do
Rio
Janeiro, indicando as estações de coleta.
1
■Q
O
-
Jardim Botânico
2 - Lago Assu
Estrada Floresta
4 - Instituto de Agronomia
de
18
montou-se duas lâminas palinológicas
descrito a seguir,
que serviu de
pelo método
subsídio
para
direto
I
posterior
comparação com o material polínico encontrado nos morcegos.
Colocar o material polínico na lâmina, pingar uma gota
de álcool 70%.
Deixar escorrer o excesso.
Colocar gelatina
glicerinada e levai" ao fogo para derreter.
Colocar lamínula
e vedar com parafina estéril.
Os morcegos capturados foram identificados no campo
analisados quanto a
existência de pólen na pelagem, que
presente era retirado com pincel número
em
frasco de vidro com
álcool
70%.
10 e
e
se
acondicionado
Foram também anotados
em caderno de campo, para cada indivíduo, o sexo e
o estado
reprodutivo.
Para
os
machos,
foi
observada
a
evidenciação
testículos para um reconhecimento da atividade
Em
relação
através
às fêmeas
o estado reprodutivo
da apalpação abdominal
e
exame
reprodutiva.
foi
das
de
examinado
mamas,
esta
análise serviu de base para classificá-las em três estágios:
fêmeas não grávidas, fêmeas grávidas e fêmeas lactantes.
Os
animais
foram sacrificados
que
estavam
com éter
e
fora do período reprodutivo
os
demais
soltos
após
a
análise.
De cada animal capturado retirou-se, em laboratório, o
tracto
gastrointestinal
completo, que foi
aberto em
destilada, sob microscópio estereoscópico (lupa).
água
Depois de
retirados, caso houvessem, fragmentos de insetos ou sementes
19
o conteúdo
gástrico foi coado em
de malha para
montadas
tela de
separação do pólen.
lâminas
cobre de
0,5 mm
Do material coado
palinolõgicas
pelo
método
foram
direto
II
descrito abaixo:
Centrifugar
o
material
por
Colocar 10 ml de água destilada.
Decantar.
5
5
minutos.
Centrifugar por 5 minutos.
Colocar 5 ml de água destilada.
minutos.
Decantar.
Descansar
o
minutos.
Decantar.
absorvente.
Colocar
material
por
Montar
lâmina
5
Centrifugar
ml de água
30 minutos.
Emborcar
Decantar.
os
glicerinada.
Centrifugar
vidros
por
por 5
sobre
papel
em gelatina glicerinada.
Vedar
com parafina estéril.
Para o material
capturados,
proveniente da pelagem
utilizou-se
empregado
para
polínico
ser
o método de
as flores, devido ao
fresco.
dos
montagem
fato
Considerou-se
comprobatória de visita as flores lâminas
de
deste
como
que
morcegos
lâminas
material
amostra
apresentaram
mais de 30 pólens.
Todos os animais coletados foram taxidermizados.
As observações noturnas do comportamento dos
ao chegar as flores, foram feitas sob a luz do luar
auxílio
celofane
de
de
lanternas
cor
elétricas cobertas
vex^melha.
Durante
com
estas
morcegos
ou
papel
com
tipo
observações
registrou-se o número de indivíduos se alimentando/visitando
e o intervalo entre as
visitas
as flores.
Visando facilitar a identificação, durante as visitas,
20
os morcegos foram divididos em três
pequenos,
médios
comportamento
e
grandes.
categorias
Para
de tamanho:
uma melhor
alimentar fotografou-se
os animais
análise do
enquanto
visitavam as flores em busca do alimento.
A
fenologia de algumas plantas foi
visitas aos pontos de coleta durante
acompanhada,
o dia para
com
observação
da presença ou ausência de flores e frutos.
A identificação
pelos (as)
do
material
Professores (as) do
Universidade
Federal
Rural
herborizado
foi
feita
Departamento de Botânica da
do
Rio
de Janeiro, do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro e do Missouri Botanical Garden.
A
identificação do material
professores
do
Laboratório
polínico foi feita pelos
de Palinologia da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A confirmação da identificação dos morcegos foi
por professores do Departamento de
feita
Zoologia da Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro.
Todos
coleção
de
os
morcegos capturados
quirópteros
do
foram
Instituto
depositados
na
Biologia
da
de
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
As
foram
lâminas
palinológicas
depositados
Universidade
Federal
no
e
o
Departamento
material herborizado
de
Rural do Rio de Janeiro.
Botânica
da
RE SU LTADO S
VEGETAIS UTILIZADOS COMO RECURSO ALIMENTAR
Chorisia speciosa St. Hil., Bombacaceae
Vegetal
locais
na
de
área
de
aproximadamente
folhas
porte
arbóreo,
estudo,
encontrado
o
exemplar
com
cinco
folíolos,
diversos
observado
sete metros de altura (Fig.
digitadas
em
5).
que
mede
Apresenta
podem
cair
parcialmente ou totalmente durante o período de floração.
Flores
grandes,
actinomorfas
estames,
de
com
cilíndrica
coloração
filetes
em
pentâmeras,
cujo
rósea.
soldados
ápice
estão
hermafroditas,
Androceu
em
uma
com
coluna
assentadas
muitos
longa
as
e
anteras
reniformes.
A floração se estende de março a abril e de
agosto
a
setembro podendo ocorrer ambas, as floradas, no mesmo ano.
As
flores
se
localizam no extremo
dos
ramos,
que
juntamente com o tronco são cobertos por espinhos (Fig. 6).
A antese ocorre durante o dia e as flores permanecem a
bertas
durante
a noite,
não havendo eliminação
de odores
fortes, porém a produção de néctar é contínua.
Os frutos são do tipo cápsula loculicida, com sementes
envoltas em pelos brancos
fruto.
e
que se
originam
das
paredes do
Estes pelos são popularmente conhecidos como ''paina"
deram
espinhos".
a
este vegetal
o
nome vulgar
de
"Paineira com
F ig. 4:
Esta~~o
de co l e ta no Jard im Bot§nico da UFRRJ.
.'~::::·
\
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Fig . 5 : !'.rvore d e Chorisia speciosa
Botan ic o da UFRR,J.
na
area do
Jardim
23
Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns., Bombacaceae
Vegetal
de
porte
arbóreo
(Fig.
7),
com
muitos
exemplares na área de estudo, medindo
aproximadamente
metros
compostas
de
folíolos,
altura.
que
Apresenta folhas
caem
totalmente
durante
o
de
sete
cinco
período
de
floração.
As flores
são
grandes,
hermafroditas, dialipétalas,
actinomorfas, com cinco pétalas que se enrolam em direção ao
pedúnculo de sustentação, durante a antese, de forma que
os
estames ficam expostos e livres (Fig. 8).
Os estames
variai'
de
são
longos,
brancos e
seu
duzentos e cinquenta a duzentos e
número
pode
oitenta,
que
dão um aspecto de pincel às flores.
A floração é curta, iniciando-se no mês de
maio e
se
estendendo até o mês de julho de cada ano.
As flores se localizam no extremo dos ramos desnudos e
iniciam
a
antese as 17:45 h s .
eliminação de um odor forte,
fresca
que
numerosos
parte da
estames.
Durante este
enjoativo
porção central
processo,
semelhante a
do cálice,
Paralelamente inicia-se a
há
couve
entre
os
produção
de
néctar.
As flores duram apenas uma noite,
estando os
estames
murchos na manhã seguinte.
0 fruto
é do
tipo cápsula, com
sementes envoltas em
pelos amarelados ou ferruginosos que se originam das paredes
do fruto denominados "paina"; devido à ausência de
espinhos
24
Fig.S : Loca l i zac&o
d as flare s
(A)
e
frut os
(B)
de
Chorisia speciosa.
Fig.?: Arvore de Pseudobombax grandiflorum,
de co l eta da es trada d a Floresta.
na
esta~ao
25
nos galhos e tronco,
esta árvore
é conhecida
popularmente
como "Paineira lisa".
Bauhinia purpurea L., Leguminosae - Caesalpinioidea
Vegetal
de
porte arbóreo, pouco
estudo
medindo o exemplar observado
metros
de
folíolos
este
altura.
Suas folhas
parcialmente
na
área
aproximadamente
são
compostas
concrescidos, que pela forma
As
durante
são
grandes,
zigomorfas,
hermafroditas, pentâmeras e de
são
em
número
coloração
dos
deu
a
folhas
de
cinco,
ramos e se abrem durante o
dialipétalas,
púrpura
(Fig.9).
simples,
livres,
recurvados para cima e com anteras rimosas.
extremo
dois
o período de floração.
flores
estames
de
cinco
por
vegetal o nome vulgar de "unha de vaca". Estas
não caem
Os
comum
Se localizam no
dia,
permanecendo
abertas durante a noite.
A floração é longa, se estendendo de abril a
setembro
de cada ano.
Não
humano.
vegetal
há
eliminação
0 néctar
recebe
é
visita
de
odor
produzido
perceptível
constantemente,
de insetos
e
aves
ao
olfato
pois este
(beija-flores)
durante todo o dia.
0 exemplar observado não produziu frutos.
Lafoensia glyptocarpa Koehne., Lythraceae
Vegetal de porte arbóreo com poucos exemplares na área
de
estudo,
medindo
aproximadamente
oito
metros
de
26
F ig. 8: F l o res de Pseudobombax grandiflorum.
Fig .9: Fl ores
noite .
d e Bauhi nia
purpurea ab e rtas
durante a
27
altura
(Fig. 10).
Apresenta
folhas
verticiladas
com
hidatódios na nervura média, estas folhas não caem durante o
período de floração.
As
flores
são
grandes,
sigomorfas,
hemafroditas,
tetrâmeras com pétalas crespas, brancas e dispostas ao redor
do cálice.
As
flores
racemosa simples.
estão
reunidas
Androceu com
em
inflorescência
15 estames livres entre si,
com anteras rimosas.
A
termina
floração
em
inicia-se
a partir
do mês
julho de cada ano. As flores
de
se
junho
localizam
e
no
extremo dos ramos e iniciam a abertura a partir das
17:30hs
(Fig.11).
flores,
Durante
o
período
de
abertura
das
inicia-se a produção de néctar que chega a gotejar para fora
do cálice devido à quantidade produzida.
eliminação
de um odor leve e agrádavel
Paralelamente
em torno da árvore.
As flores duram apenas uma noite, estando na
os
estames
murchos
e retraídos,
bem
há
manhã seguinte
como as
pétalas se
desprenderam do cálice.
Este vegetal é conhecido
popularmente como "mirindiba
rosa" devido a coloração do tronco sob a casca.
0
fruto
é seco,
deiscente,
capsular,
com
semente
alada.
Kigelia africana Benth., Bignoniaceae
Vegetal de porte arbóreo (Fig. 12) exótico
na área de
estudo medindo aproximadamente nove metros de altura.
folhas são
compostas
pinadas,
que não
caem
Suas
durante
o
28
Fig.lO: Arvore de La£oensia glyptocarpa
na
esta~ao
coleta no Jardim Bot §nico.
Fig.ll: Inflorescencia de La£oensia glyptocarpa.
de
29
período de floração.
As
flores
zigomorfas
de
esverdeado
por
são
grandes,
pentameras,
hermafroditas,
coloração avermelhada por dentro e
fora,
com
inflorescência
racemosa
(caulifloria),
CFig. 13).
estrias.
pendente
Estão
que
São quatro
amarelo-
reunidas
parte
dos
estames
em
galhos
recurvados,
didínamos com estaminòide mais curto e anteras rimosas.
A
floração
é
longa,
estendendo-se até abril.
18
hs.
Durante
este
iniciando-se
A antese se
período
em
agôsto
ocorre a
inicia-se
a
partir das
produção
néctar e a eliminiação de um odor forte, semelhante a
que se acentua a medida que a flor se abre.
e
de
couve
As flores podem
ser funcionais por uma ou duas noites, isto é, podem cair na
manhã seguinte ou permanecer abertas por 24 h s .
Os frutos são cilíndricos, indeiscentes e pendentes.
MORCEGOS COLETADOS NO CAMPUS DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL
DO RIO DE JANEIRO - UFRRJ
Foram coletados na área de estudo cento
sete
morcegos
pertencentes
as
famílias:
e quarenta
e
Phyllostomidae,
Vespertilionidae e Molossídae. Destas, apenas Phyllostomidae
apresenta
um
regime
alimentar
variado
que
pode
se
constituir de frutos, néctar, pólen, insetos e
até pequenos
vertebrados.
e Molossidae
Nas
famílias
Vespertilionidae
a dieta alimentar é exclusivamente insetívora.
As espécies de morcegos coletados nas quatro
estações
e que pertencem a família Phyllostomidae, estão relacionados
30
Fig.l2:
Arvore
de Kigelia
africana,
na
esta~ao
de
coleta no Lago Assu.
Fig.13: Inflorescencia
caulifloria.
de
Kigelia
africana, notar
a
31
na Tabela 5, com o número de exemplares capturados.
Além
das espécies
também um exemplar de
1819)
um
vinte
exemplar
exemplares
que
foram
Epitesicus
estudadas,
brasiliensis
de Histiotus velatus
de
coletou-se
Myotis nigricans
(Desmarest,
(Geoffroy, 1824),
(Schinz,
1821)
cinco exemplares de Molossus molossus (Palias, 1766).
animais por apresentarem um hábito alimentar
e
Estes
exclusivamente
insetívoro não foram utilizados neste estudo.
Carollia
lilium
perspicillata
(Geoffroy,
primariamente
um
1810)
(Linnaeus, 1758)
são
hábito
morcegos
alimentar
Carollia
tracto
perpicillata
gastrointestinal
Sturnira
lilium,
apresentava
o
dos
e
quatro
apresentam
podendo
Dos três exemplares
coletados,
vazio
que
Sturnira
frugívoro,
utilizar eventualmente néctar e pólen.
de
e
dois
um
com
estavam
sementes.
exemplares
tracto gastrointestinal
com o
Em
coletados
vazio
e
três
um
com
sementes.
Devido
estas duas espécies
frutos em sua alimentação
não ter havido
na área de
aparecimento de
gastrointestinal
elas
não
terem
somente
estudo e também
pólen na
serão
utilizado
pelagem e
consideradas
por
tracto
para
esse
estudo.
CARACTERIZAÇAO DAS ESPECIES DE MORCEGOS
Phyllostonrus hastatus
Filostomídeo
de
(Palias, 1767)
grande
porte,
com
comprimento
de
32
Tabela 5: Espécies de morcegos f ilostomideos
coletados
no Campus da UFRRJ.
SUB FAMÍLIA
Phyllostominae
ESPECIE
ESTACAO
COLETA
No.
EXEMPLAR
J.B
1
I.F
2
J.B
15
L.A
14
I.F
5
I .A
8
J.B
2
I .A
1
J.B
36
L.A
14
I.F
5
S.lilium
J.B
4
V.lineatus
J.B
6
.L.A
7
P.hastatus
p
H
Glossophaginae
G.soricina
Y
L
L
0
Carolliinae
o
O
C .perspicillata
---------------
T
Stenoderminae
A.lituratus
0
M
I
D
A
E
T 0 T A L
120
L E G E N D A:
I .A . = Instituto de Agronomia
J.B. = Jardim Botânico
I.F. - Estrada da Floresta
L.A.-= Lago Assu
33
antebraço
variando de 88,5 a 90 mm e um
gramas.
Apresenta
folha
nasal
Orelhas
focinho pouco
peso médio
alongado e
larga, lanceolada e em forma
curtas.
Calcâneo
dentária: 2.1.2.3 .
Hábito
bem
largo,
de
com
ferradura.
desenvolvido.
alimentar
de 111
Fórmula
onívoro,
que
pode
2.1.2.3
incluir uma
néctar,
variedade
pólen,
de
partes
insetos,
florais
pequenos
vertebrados,
frutos.
Material
e
examinado: ALP: 5213; 5297; 5298.
Glossophaga soricina (Palias, 1766)
Filostomideo
antebraço
pequeno
porte, com
variando de 30 a 39 mm e
gramas.
0
pequena
de
e
focinho
localizada
arredondadas.
filiformes
2.1.2.3 .
é alongado
Língua
na
na
um peso médio
e
fino,
extremidade.
longa
e
comprimento
com
Apresenta hábito alimentar
10,3
folha nasal
Orelhas
estensível
extremidade (Fig. 14).
de
de
curtas e
com
Fórmula
papilas
dentária:
nectarívoro,
podendo
2.1.3.3
utilizar
frutos e insetos.
Material examinado: ALP:5144
a
5151; 5197 a 5199; 5202; 5212; 5215; 5216; 5227; 5231; 5236;
5266;
5275; 5277 a 5279; 5294 a 5296; 5299 a 5301;
5303
a
5315.
Artibeus lituratus (Olfers, 1818)
Filostomideo
antebraço
de
variando de
grande
porte,
65 a 75 mm e um
com
peso
comprimento
médio
de
do
72
34
gramas.
Apresenta
focinho curto e largo, com
larga e relativamente curta. Orelhas curtas.
brancas
longitudinais
estendem
orelhas
nasal
Quatro listras
e paralelas sobre a
da base da folha nasal até a
folha
fronte
base
que
posterior
(Fig. 15). Fórmula dentária: 2.1.2.2.
se
das
Apresenta
2.1.2.3
hábito alimentar frugívoro, podendo utilizar também insetos,
néctar,
pólen
na sua dieta.
Material
examinado:
AL P :
5133; 5135; 5136; 5137; 5183; 5184; 5189 a 5195; 5200; 5201;
5204
a
5230;
5207; 5209 a 5211; 5217 a 5219; 5225;
5238;
5226;
5241; 5243 a 5247; 5249 a 5252; 5254
a
5228;
5256;
5260; 5263; 5264; 5267 a 5269; 5271 a 5274; 5276; 5292.
Vampyrops lineatus (Geoffroy, 1810)
Filostomídeo
de
porte
médio,
antebraço variando de 44,6 a 50,6 mm
gramas.
com
comprimento
de
e um peso médio de
25
Apresenta focinho curto e largo com folha nasal bem
desenvolvida,
lanceolada
e
livre.
Orelhas
arredondadas.
Quatro listras brancas e paralelas na cabeça (Fig.16).
sob os olhos e duas que partem da base
a porção posterior da orelha.
bem nítida que parte
nasal
até
No dorso há uma listra branca
da cabeça
Fórmula dentária: 2.1.2.3 .
da folha
Duas
até a
Hábito
base do
alimentar
uropatágio.
frugívoro
2 .1. 2 .3
podendo
utilizar
insetos e néctar.
Material
examinado:
ALP: 5178; 5196; 5203; 5242; 5253; 5257 a 5259; 5261;
5265; 5291; 5293.
5262;
35
Fig.14: Glossophaga soricina (Pallas, 1766).
Fig.15: Artibeus lituratus (Olfers, 1818).
36
F i g.16: Vampyrops lineatus (G eo ffroy, 1810)
37
VISITA AS FLORES
Todas
as
apresentaram
espécies observadas
dois tipos
de
visitando
as
flores,
comportamento: adejo ou pouso.
Esses comportamentos podem ser determinados pelo tamanho dos
animais, especializações
Os
bucais e pela
glossofagineos,
morfológicas
auxiliam
são
morcegos
no
cujas
do focinho
floral.
adaptações
comportamento
nectarívoro, devido ao afilamento
longa e extensível.
morfologia
alimentar
e uma
língua
Em flores cujo néctar se encontra
mais
acessível, estes pequenos morcegos podem adejar defronte
as
flores por breves segundos devido ao seu tamanho, pouco peso
e assim recolher o alimento.
corola tubular e
cálice,
o
os animais
Em flores que
néctar
fica
apresentam
depositado
necessitam pousar
no
fundo
e introduzir
o
uma
do
seu
pequeno corpo no interior da corola, para recolher o néctar.
Em
filostomíneos,
morfológicas,
padrão
de
não
comportamento
apresentam
alimentar
pouso, independente do
acessível.
dificulta
o
que
Devido
um
modificações
apresenta apenas
alimento
estar
ou
não
também ao seu grande tamanho e peso que
adejar
defronte
as
flores,
estes
animais
necessitam pousar para recolher o alimento.
Os
apresentam
estenodermíneos,
são
morcegos
adaptações morfológicas
para
que
a
também
não
nectarivoria,
porém podem apresentar os dois tipos de comportamento: pouso
e/ou adejo
durante a
comportamento de pouso
exploração
de
recursos
ocorre independente
florais.
0
do néctar estar
38
acessível para espécies de grande ou médio porte.
O COMPORTAMENTO
Glossophaga
soricina
foi a
espécie
mais
observada
visitando as flores no Campus da Universidade Federal
Rural
do Rio de Janeiro.
Em
Bauhinia purpurea, este pequeno glossofagíneo
visitas
solitárias
ou
em
grupo
de
no
indivíduos,
adejava em frente as
focinho
interior da corola. Apesar de haver
muito
no
grande
visitadas.
de
Porém
flores
flores,
máximo
abertas
aconteciam
(30),
duas
com
quatro
introduzindo
nem
um
o
número
todas
eram
a três visitas a
mesma
flor, sempre alternadamente.
As visitas são rápidas, com os indivíduos chegando
linha reta até a
abordagens
e
se
flor, rodeando a
copa da árvore
afastando em linha
reta
do
em
entre as
ponto
onde
chegaram.
Devido a morfologia floral, provavelmente os
estames
não são tocados por Glossophaga soricina durante as visitas.
Kigelia
africana é visitada
por
no
quando em
florada plena, são intensas com grupos de mais de
solitárias
As visitas a
Glossophaga
soricina,
vinte animais.
Campus da UFRRJ.
apenas
este vegetal
No final de floradas as visitas passam a ser
ou em dupla.
Glossophaga
soricina
apresentava
sempre um comportamento padrão: chega em linha reta pousando
na flor.
Fecha as asas e agarra-se com as
unhas
dos pés e
39
polegares a corola e o cálice, por fim introduz a cabeça
no
interior
no
da corola para recolher
o
néctar
depositado
fundo (Fig.17).
Em Lafoensia glyptocarpa,
soricina
eram
Artibeus
as visitas
concomitantes
lituratus.
A
com
visita
de
Glossophaga
Vampyrops
de
lineatus
Phyllostomus
e
hastatus
ocorreu antes da chegada de Glossophaga soricina.
Para Glossophaga soricina
com mais de cinco indivíduos.
reta,
visitando
várias
as visitas
eram em
grupos
Os animais chegavam em
flores
abertas,
linha
alternadamente.
Quase sempre acontecia mais de uma visita a mesma flor.
morcegos
adejavâm
brevemente
defronte
as
flores
seguida introduziam o focinho em seu interior,
os
estames tocavam
ventral
da
asa
rodeavam a
em seu
copa
das
Entre
as
visitas
e
ou
Campus da UFRRJ.
pouso,
pois
aproxima
flor
o
em dupla por
Glossophaga
néctar
não
está acessível.
o néctar
0
em linha reta, rodeia a copa desnuda e
pousando
sobre ela com
os
numerosos
depositado no
fundo
estames,
do
visitadas
do
no
tipo
animal
se
aborda
as
a
asas
Glossophaga soricina se
as unhas dos polegares e pés
entre
animais
soricina,
0 comportamento deste morcego é
estendidas ou recolhidas (Fig. 19).
a cabeça
que
árvores.
de baixo para cima,
agarra com
em
porção
os
As flores de Pseudobombax grandiflorum são
solitariamente
e
de modo
peito, dorso, cabeça
(Fig.18).
Os
na flor
introduz
para
recolher
cálice.
Durante
40
F ig. l7: Vi sita de
Glossophaga soricina
Kigelia africana,
na ta r
a
as
animal
flares
de
pausado na
fl or.
Fig.18: Vi s ita de Glossophaga
soricina
Lafoensia glyptocarpa, natar
a s flar e s.
a
as
flares
adejo em
de
frente
41
Fi g _l9: Vi s it a d e Glossophaga
Pseudobombax
pou sado c om as
a o co r po _
soricina
g randiflorum,
asas
as
notar
di s tendidas
flares
o
de
animal
lateralmente
a alimentação
cabeça
do
Em
a
os
estames
tocam o dorso,
ventre
e
a
animal.
relação a Chorisia
visita
de
Não
alimentar
speciosa, este
vegetal recebe
Glossophaga soricina.
foi
possível
a observação
de
Glossophaga
soricina
do
comportamento
enquanto
visitava
as
flores de Abutilon sp e Eugenia sp, pois através do material
polínico
não
conseguiu-se
uma
identificação
a
nível
específico, o que dificultou o reconhecimento do vegetal
na
área de estudo.
Por
apresentar
um
hábito
alimentar
Phyllostomus hastatus também inclui em sua
onívoro,
dieta
néctar
e
pólen.
Esta
as
espécie foi observada
flores
animal
flor
visitando
solitariamente
de Lafoensia glyptocarpa, logo ao
chegou
em linha reta no alto da copa
anoitecer.
0
abordando
a
com um leve pouso de asas abertas, voltou
desta
vez
abordando a flor apenas de passagem.
em
seguida
Apesar
haver várias flores abertas no plano mais inferior da
nas
duas
visitas o animal se aproximou apenas
de
copa,
das
flores
mais altas.
Em
dupla,
Pseudobombax
este
comportamento
grandiflorum,
cuja
visita
morcego de grande porte apresentou
de
pouso,
semelhante
ao
foi
em
também
um
descrito
para
Lafoensia glyptocarpa.
0
animal antes de se aproximar da flor rodeou a
copa
43
desnuda,
pelo
agarrando-se
distendidas
alto.
Pousou
rapidamente
com as unhas dos pés,
sobre
a
pois manteve
flor,
as
asas
para trás. Desta forma os estames tocaram a sua
cabeça e o dorso.
Artibeus lituratus e Vampyrops lineatus
que
utilizam basicamente frutos em sua
Jardim
Botânico
Artibeus
da
UFRRJ,
são
dieta.
coletou-se
morcegos
Na área
exemplares
lituratus e Vampyrops lineatus enquanto
do
de
visitavam
as flores de Lafoensia glyptocarpa.
Vampyrops lineatus, abordava as flores
três
em grupos
indivíduos, pousando nos galhos com auxílio dos pés
de
e
polegares. Enfiava a cabeça entre os estames para recolher o
néctar.
Artibeus lituratus é um morcego
de
grande
porte que
visita solitariamente as flores de Lafoensia glyptocarpa
passagens rápidas, onde retira o néctar e o pólen.
observado
o
lineatus.
Houve
pode indicar
comportamento
de
pouso,
como
em
apenas uma abordagem sobre as
Não
em
foi
Vampyrops
flores
que
um pouso muito rápido.
Chorisia speciosa
também
recebe
visita
de Artibeus
lituratus.
ATIVIDADE DOS MORCEGOS DURANTE O ANO
A
atividade,
no
Campus
da
UFRRJ,
dos
morcegos
estudados está na figura 20.
Phyllostomus
hastatus
não
será
utilizado
44
comparativamente em
relação
número
exemplares que foram
pequeno
três.
de
Sendo assim,
apenas
a atividade
três
das
anual,
devido
coletados,
quatro
ao
apenas
espécies
de
morcegos serão utilizadas na análise da atividade durante
o
período de estudo.
Glossophaga soricina apresenta atividade mais
a
partir
agôsto.
do
A
atividade,
coletados
mês
partir
de
maio, havendo
uma
de setembro nota-se um
observada
através
do
número
diminuição
em
crescimento
da
de
em rede. De dezembro a março não
atividade
desse morcego na área
observados nos
intensa
exemplares
se
de estudo,
registrou
porém
meses de fevereiro, março e abril
foram
enquanto
se alimentavam em vegetais da área.
Artibeus
durante
o
registrada
lituratus
manteve
uma
atividade
ano com excessão do mês de junho onde
sua
atividade,
porém nota-se
um
regular
não
foi
aumento
em
outubro, dezembro e janeiro.
Vampyrops
atividade
coletados
lineatus
observado
apresenta
através
do
um padrão
número
de
regular
de
exemplares
nos meses de março a setembro, havendo uma
pausa
em outubro e voltando em novembro e dezembro.
E
interessante
notar
que
no
mês onde não
foram
coletados exemplares de Vampyrops lineatus (= outubro) houve
um aumento significativo do número de exemplares de Artibeus
lituratus coletados.
45
1U
D
U
a:
5
U
<
t.
0
o
>
a
kl
a
MESES
A, litu ratus
Fig.20:
G. so ricin a
Atividade
soricina,
período
V. lin e a tu s
de Artibeus lituratus,
e
Vampyrops
compreendido
Glossophaga
lineatus durante
de
abril
de
setembro de 1989 no Campus da UFFRJ.
1988
o
a
46
UTILIZAÇRQ DE RECURSOS ALIMENTARES
Os morcegos coletados utilizaram néctar/pólen,
frutos
ou insetos em sua dieta durante o período de estudo (Tab.7).
A utilização de frutos,
considerada baixa,
para as
quatro espécies
tendo em vista que em apenas
{- Artibeus lituratus) foi observada a presença
um
foi
animal
de sementes
no tracto gastrointestinal.
Insetos
e
utilizados pelos
na utilização
pólen e
morcegos
foram
os
recursos
durante o ano.
Há
de insetos durante o inverno,
néctar.
o tracto
néctar
bem
de
No verão os animais coletados estavam
com
provavelmente
porque as
realizadas antes dos animais se alimentarem.
De acordo com a fenologia
das
plantas observadas
área, figura 21, nota-se que há uma distribuição
da
oferta
Isto
de alimento,
favorece
nectarívoros
fontes
aumento
como
gastrointestinal vazio,
coletas foram
um
mais
uma
ou
ocorrendo às
maior
vezes
exploração
não, quando ocorrer
na
equitativa
superposição.
por
excassez
morcegos
de
outras
alimentares.
Através
pelagem,
da
tracto
análise
do
material
gastrointestinal
e
proveniente
fezes
de
da
morcegos
frugívoros e nectarívoros pode-se observar quais os vegetais
cujo pólen/néctar foi utilizado como recurso alimentar.
Foram
soricina,
Bauhinia
observados
mas
não
purpurea
foi
e
coletados
3
exemplares
encontrado material
no tracto
gastrointestinal
de
polínico
e
G.
de
pelagem.
47
+-- -- ---- - ----- - -- - ---- -- - ----- - - - - -- -- ---------+
:JAN:FEV:MAR:ABR:MAI:JUN:JUL:AGO:SET:OoT:NoV:DEz:
+-- - -- ----- - ------ - - --- - -- - ----- - ---- - -- --------+
Bauhinia purpurea
+ - -- - ----- - - -
,-------~- - --- - -- --- +
+- --- - ------
~------~-- - ----- -- -+
Chorisia spe ciosa
**
*
-----------+
+- ---- --
- - --- -- --- -+
Kige lia a fricana
Lafoensi a glyptocarpa
+-- - - - -- -- ----- - -- - -
- -- ------ - - - ----- --+
+----------- ----- - - -
- ------ - - - ---- - -- --+
Pseudobombax grandiflorum
+- - -------------
--------------- - - --+
+- ---- - ---------
- ---------------- - -+
+---+
Inicio
+-- -+
+- --+
:*:
+- --+
Final
Plena
F ig.21:
Fe n o logia
periodo
des v e get ais observados
de 1988 a 1989 nos pontes
durante
de
o
coleta
do Campus da UFFRJ.
*
A dupla flora~ao e d e vido a de marQo/abril
o c orrido e m 1989 e a de julho/agosto em 1988.
Modificado de Hill, J. E . e Smith, J. D.
(1984).
ter
48
Apenas
foi
encontrado
pólen de
gastrointestinal, pelagem
Eugenia
sp
e fezes (Fig.22).
no
tracto
Destes, dois a
presentaram fragmentos de insetos no tracto gastrointestinal.
Foram observados e coletados exemplares de Glossophaga
soricina
quatro
durante
as visitas.
apresentaram
pelagem
e
tracto
gastrointestinal
pólen de
glyptocarpa,
Eugenia sp
Kigelia
gastrointestinal
Pseudobombax
no
animais
e
sp
polínico
encontrado na
(Fig.
23).
africana,
e
tracto
sp
um somente
no
pólen
no
com
de
tracto
pólen
gastrointestinal.
pelagem se
Cinco
grandiflorum
Eugenia
na
Lafoensia
e pelagem. Três, apenas
pelagem,
Eugenia
coletados,
Kigelia africana
e Pseudobombax
grandiflorum
gastrointestinal
14
somente pólen de
apresentaram
tracto
Dos
de
0 material
localizava
na
cabeça
e dorso dos animais. Foram encontrados fragmentos d.e insetos
no tracto gastrointestinal de seis animais.
Dos
coletados,
cinco
três
exemplares
apresentaram
Lafoensia glyptocarpa
e
na
de
carga
Glossophaga
pura
pelagem, tracto
de
e
gastrointestinal
Pseudobombax
Abutilon
(Fig. 24), e um
grandiflorum
gastrointestinal.
sp
e
na
com
Eugenia
Apenas um exemplar
pólen
de
gastrointestinal
fezes, um apresentava carga mista de pólen
glyptocarpa
soricina
de
pelagem
Lafoensia
e
tracto
carga polínica
sp
no
de
tracto
coletado, apresentou
fragmentos de insetos no tracto gastrointestinal.
49
F ig . 22 :
Mater i a l
pol i n i co d e
Euge nia
sp
ade rido
a
pelagem de Glo s s o phaga s oricina ( 2 50 x ).
Fi g . 2 3:
Mate ri a l
po l inico
de
Kigelia
africana
pelagem de Glossophaga s oric i na ( 2 50 x ).
na
50
Dos
pura
de
três
morcegos coletados,
um apresentava
pólen de Pseudobombax grandiflorum
tracto gastrointestinal, dois
na
carga
pelagem
apresentavam carga
mista
e
de
pólen de Pseudobombax grandiflorum e Eugenia sp
no
gastrointestinal
encontrados
e
pelagem.
Não
foram
tracto
fragmentos de insetos em nenhum dos animais coletados.
Dos
sete
coletados
exemplares
próximo
polínica
a
pura
speciosa
Glossophaga
esta árvore,
de
gastrointestinal,
de
um
Chorisia
e seis carga
soricina
apresentava
speciosa
no
mista de pólen de
carga
tracto
Chorisia
e Eugenia sp na pelagem e tracto gastrointestinal.
Encontrou-se
também
fragmentos
de insetos
no
tracto
gastrointestinal de cinco dos sete exemplares coletados.
Foram observados e coletados dois exemplares durante a
visita
as
apresentava
flores
de
carga
mista
grandiflorum
e
Pseudobombax
de
Lafoensia
grandiflorum.
pólen
de
Um
Pseudobombax
glyptocarpa
no
tracto
gastrointestinal e pelagem e o outro apresentava carga
de
pólen
de
Pseudobombax grandiflorum
no tracto gastrointestinal (Fig. 25).
na
pura
pelagem
e
Coletou-se na área de
estudo, um exemplar de Phyllostomus hastatus que apresentava
somente fragmentos de insetos no seu tracto gastrointestinal.
Foram observados e
as
exemplares durante
visitas. Mo tracto gastrointestinal e na
encontrados
Não
coletados dois
houve
pelagem
foram
pólens de Lafoensia glyptocarpa e Eugenia
aparecimento
de
sementes
e/ou
fragmentos
sp.
de
51
Fig.24:
Polen
de
Abutilon
ap
(A)
e
Lafoenaia
glyptocarpa (B) no tracto gastrointestinal de
Glosaophaga aoricina (250 x).
Fig.25: Material polinico de Paeudobombax grandiflorum,
aderido
(250 x).
a
pelagem
de
Phylloatomua
haatatua
52
insetos (Fig. 26).
Coletou-se
apresentava
na
pelagem
um
exemplar
durante
carga pura de pólen
e
no
tracto
de
as
visitas
Lafoensia
que
glyptocarpa
gastrointestinal.
Não
houve
aparecimento de sementes e fragmentos de insetos.
Dez
Campus
exemplares
da
UFRRJ
de Chorisia
de Artibeus
lituratus,
apresentaram
carga
coletados no
pura
de
speciosa no tracto gastrointestinal,
pólen
pelagem e
fezes (Fig. 27).
E
necessário
destacar
que Glossophaga
soricina,
Phyllostomus hastatus e Vampyrops lineatus apresentaram mais
de uma espécie de material polinico tanto
no
tracto
gastrointestinal
utilização
assim
amostra
fezes,
variada de flores na busca
para
recursos,
e
numericamente
considerou-se
avaliar
cada
na
de
a
pelagem
como
indicando
uma
alimento.
utilização
espécie de
pólen
destes
como
uma
diferente (Tab.8).
Artibeus lituratus, Phyllostomus hastatus e
lineatus
devido
Sendo
utilizaram recursos
ao número reduzido de
florais
Vampyrops
oportunisticamente,
individuos
que
apresentaram
pólen durante este estudo.
Glossophaga soricina mantém um
padrão
de
utilização
de néctar durante todo o ano e explorando diversas
não
pode
demonstrando
chegar
mesma noite.
flores,
preferência.
Este
pequeno
filostomídeo
a visitar duaB ou
mais
espécies vegetais
na
53
Fig.26: Material polinico de
Lafoenaia glyptocarpa
na
pelagem de Vampyropa lineatua (250 x) .
t
...••
'•
Fig.27: Material
tracto
( 250 x).
polinico
de
Choriaia
gastrointestinal de
apecioaa
no
Artibeua lituratua
54
Na figura 28, observa-se um declínio durante os
de
junho a agôsto em relação a
tracto
ser
de
suficientes
utilizar
insetos.
de
pólen
gastrointestinal de Glossophaga eoricina, isto
explicado
período
porcentagem
meses
de
por
floração
haver
e
na
os
energeticamente,
área
poucos
existentes
levando
este
pode
vegetais
talvez
não
animal
no
em
serem
a
outras fontes de alimento como por exemplo
se
de
PO RCENTAGEM
55
MESES
Fig.28: Porcentagem de material polinico
encontrado no
tracto gastrointestinal de GlossopSiaga soricima.
no período de abril de 1988 a setembro de 1989.
56
Tabela 6: Morcegos
coletados
que
não
utilizaram
néctar/pólen como recurso alimentar.
FAMÍLIA
Molossidae
ESPECIE
Molossus molossus
Vespertilionidae Myotis nigricans
REGISTRO (ALP)
5129; 5222; 5223; 5224; 5237
5130 a 5132; 5134 ;5170 a 5177
5179 a 5181; 5185 a 5188; 523Í
Epitesicus brasiliensis 5221
Phyllostomidae
Histiotus velatus
5220
Carollia perspicillata
5152; 5214; 5229
Sturnira lilium
5232 a 5234; 5270
57
Tabela 7: Recursos alimentares utilizados por
coletados, nas estações do
UFRRJ,
no
período
ano no
de
morcegos
Campus da
abril/1988
a
setembro/1989.
Estações do Ano
Morcegos
Verao
Outono
Inverno
A. G. P. V.
A. G. P. V.
A. G. P. V.
Primavera
A. G. P. V.
Item Alimentar
1 10
Nectar/Polen
10 23
2
2
Frutos
(Sementes)
1
Insetos
Sub total
Total
3
0
4
11
1 14
10 34
15
48
1
2
Legenda:
A: Artibeus lituratus;
G: Glossophaga soricina;
P: Phylostomus hastatus;
V: Vampyrops lineatus.
2
1
4
5
58
Tabela 8: Vegetais cujo
pólen/néctar foram
utilizados
por morcegos durante o periodo de estudo.
A.
G.
P.
V.
Especies
lituratus soricina * hastatus * lineatus *
Vegetais
. Abutilon sp
. C. speciosa
1
10
. Eugenia sp
24
1
. P. grandiflorum
TOTAL
2
9
. K. africana
. L. glyptocarpa
7
11
5
1
11
2
57
3
2
4
* Ocorrência de mais de uma especie de polen na amostra.
Di scussao
A
utilização
de
recursos
florais
por
morcegos
ê reconhecida por vários autores: Alvarez & Quintero (1970),
Carvalho
Hevly
(1961),
(1979)
Gardner (1977), Heithaus et
e Howell &
conhecidas 64 familias
a visita de
Burch
vegetais
(1974).
que
alii (1975),
Atualmente
regularmente
morcegos que buscam o néctar
e
o
são
recebem
pólen
como
alimento (Dobat, 1985).
Dentre
de
estas famílias algumas apresentam um
características
especiais
denominada
conjunto
"Síndrome
da
Quiropterofilia" que atraem os morcegos com mais freqüência,
determinando talvez uma "preferência" em relação as outras.
A
espécie
Glossophaga
Bauhinia
soricina
características
Pijl (1971).
purpurea
apesar
quiropterofilas
recebe
de
visitas
não
de
apresentar
descritas por
Faegri
&
A utilização deste vegetal parece ser de forma
oportunística
pois devido a sua longa
florada
Glossophaga
soricina explora suas flores sem muita regularidade,
apenas
como
néctar
uma alternativa em caso de uma oferta menor de
na região.
não
Devido a ausência de um polinizador
há formação de
Botânico
frutos
especifico,
em Bauhinia purpurea
da UFRRJ (Profa. Angela Maria
Vaz,
Assim, Glossophaga soricina apenas visita
promovendo a sua polinização.
suas
no
com.
Jardim
pess.).
flores
não
60
De acordo com as observações de Ramirez et alii (1984)
e
Heithaus
et
alii
responsável pela
Glossophaga
(1974),
polinização
Bauhinia
de
soricina
ungulata
é
L.
e
Bauhinia pauletia PERS., respectivamente. Nestes dois casos,
as
visitas
são
muito freqüêntes e duram toda a noite.
0
pólen fica depositado na cabeça e porção ventral do animal.
Na área do Campus da UFRRJ, ocorrem diversas
de
Destas, foram observadas Chorisia speciosa
Bombacaceae.
e Pseudobombax
espécies
grandiflorum por terem sido utilizadas
como
fonte alimentar para morcegos da região.
Chorisia
Morfologicamente,
speciosa
características
quiropterófilas.
coloração rósea,
não apresenta odor
e
sua
antese
ê
diurna.
Essa
Suas
não
flores
forte
espécie
e
recebe
prováveis
polinizadores
coletados
próximo a árvore apresentaram uma
polínica
na
observações
apresentamos
pelagem
sobre
da
cabeça.
apenas
as
observações deste
os
a
mais
animais
carga
escassez
este
estudo
referência de Sazima & Sazima em comunicação a
em 5.X.1979., onde há uma citação da visita
os
intensa
a
de
visita de
são
pois
Devido
a visita de morcegos
são
desagradável
Glossophaga soricina e Artibeus lituratus que
deste vegetal,
apresenta
de
vegetal,
e
uma
Dobat (1985)
de Phyllostomus
discolor (Wagner, 1843) as flores de Chorisia speciosa.
Em Pseudobombax grandiflorum as visitas são freqüêntes
e
a
polinização
soricina
é
provavelmente
e Phyllostomus hastatus.
feita
Esse
por
vegetal
Glossophaga
apresenta
61
características quiropterófilas como:
antese
noturna, odor
desagradável, numerosos estames, posição destacada
que garantem uma visita periódica a suas flores.
volume de néctar produzido atraem morcegos de
como Phyllostomus hastatus, que
oportunística e
Sua
utilizam
os nectarívoros
na
Devido
grande
néctar
tornando-se
essas
duas
que
forma
como Glossophaga soricina.
uma importante
espécies
ao
porte
de
floração ocorre no inverno, onde a oferta de
diminui
copa
fonte
alimento
alimentar
compartilham
este
para
recurso.
Carvalho (1961) observou que essas duas espécies de morcego,
não visitam as mesmas flores em busca de alimento,
área
de
estudo
Phyllostomus
foi
possível
observar
a
porém na
visita
hastatus e Glossophaga soricina as
de
flores
de
Durante o período de estudo observou-se as visitas
de
Pseudobombax grandiflorum.
Glossophaga soricina as flores de Kigelia africana.
Este
vegetal
nativo da
Africa
tropical,
característica quiropterófilas, com
excessão
vermelha
pode
localização
pela
de
a
suas
distância .
caulifloria
Glossophaga
flores,
e
soricina
pelo
é
que
da
o
eliminado
único
coloração
dificultar
Essa deficiência
odor
apresenta
é compensada
pelas
morcego
sua
a
flores.
visitar
regularmente este vegetal no Campus da UFRRJ, polinizando-o.
Vogel
(1958) teve a oportunidade de observar que as
de Kigelia aethiopica DECNE são visitadas
soricina no Panamá.
por
flores
Glossophaga
62
Observações da visita de morcegos às flores de Kigelia
africana foram realizadas por Harris & Baker
Ghana
e
Baker
Micropteropus
corroborar
(1961)
que
registraram
pussilus (Peters).
Estas
(1958/1959) em
a
visita
de
observações
vêem
com a hipótese levantada por Pijl (1956)
gênero Kigelia é estéril em regiões onde
não há
que
o
visita por
morcegos.
0
gênero
quiropterófilas
Lafoensia,
como
foi
apresenta
características
sugerido por
Vogel
(1958)
ao
exemplares
de
observar exemplares de Lafoensia punicifolia DC..
Em
1975,
Sazima & Sazima
observaram
Lafoensia pacari St.Hil,sendo visitados por Anoura geoffroyi
(Gray, 1838), Artibeus jamaisensis (Leach, 1821) e Vampyrops
lineatus.
Na
área
de
estudo
foi
observado
Lafoensia
que
glyptocarpa recebe a visita de três subfamílias de morcegos:
Glossophaginae, Phyllostominae e Stenoderminae representadas
por Glossophaga
soricina,
Phyllostoraus
hastatus, Artibeus
lituratus e Vampyrops lineatus, respectivamente.
Este
vegetal
também recebe visitas
de
uma
espécie
próxima à Phyllostoraus hastatus, Phyllostoraus discolor, como
foi observado por
Sazima
&
Sazima
(1977),
na
região de
Glossophaga
soricina,
Campinas.
VISITA AS FLORES
As adaptações morfológicas
de
tais como: língua longa e extensível com papilas cónicas
na
63
porção distai que dá um aspecto de
pincel
e assim adaptada
para recolher o néctar depositado no cálice floral,
com projeções que facilitam a aderência dos grãos
(Howell
& Hodgkin, 1976),
sistema
de
a
este
grande habilidade em
pelagem
de
pólen
vôo
e
um
ecolocação sensível (Howell, 1974) possibilitam
pequeno
morcego
visitar
flores
com
ou
sem
características quiropterófilas.
As
observações realizadas durante o presente
estão de acordo com as observações feitas
Carvalho
0
que
a demonstrar que
este
de comportamento em função
tendo
por Vogel (1958),
(1960), Sazima & Sazima (1978, 1980, 1987,
vêem
padrão
estudo
morcego
da
1988).
apresenta
morfologia
em vista que os referidos autpres
floral,
observaram
diferentes em diversos locais e também em épocas
um
flores
distintas.
Por sua preferência pela frugívora Artibeus lituratus,
não
apresenta
características
durante a visita as flores.
morfológicas
que
auxiliam
A presença de um focinho
curto
e largo,língua não extensível e um grande porte não favorece
a este estenodermineo a exploração de recursos florais.
Talvez
néctar
como
frutos,
visitando
pelo
forma
fato de
explorar
complementar
são poucas as
referências
oportunisticamente
durante
de
autor
excassez
Artibeus
encontrou
material
polinico
Costa
de
de
lituratus
flores quiropterófilas, registrando-se apenas
observações de Heithaus et alii (1975) na
o
a
o
as
Rica, onde
Bombacaceae
Bignoniaceae no tracto gastrointestinal desse morcego.
e
64
Outro
observado
estenodermineo,
Vampyrops
lineatus,
durante este estudo também pode
ser
Tal
como Artibeus lituratus,
foi
considerado
oportunista em relação a utilização de recursos
alimentação.
que
florais
apresenta
na
uma
preferência alimentar por frutos (Gardner,1977) porém também
em
algumas épocas do ano pode ser observado forrageando
flores
quiropterófilas
brasiliense (Camb)
como Lafoensia
pacari
e
em
Caryocar
(Sazima & Sazima, 1975; Gribel, 1986).
Assim como Phyllostomua discolor,Phyllostomus hastatus
também
na
utiliza-se com certa freqüência de recursos
alimentação.
apresenta
Este
filostomineo de
caracteristicas
nectarivoria
porém
autores
grande
morfológicas
como
Vogel
florais
porte,
adaptadas
(1968),
a
Carvalho
(1960/1961), observaram a visita deste morcego as flores
Leguminosae,
não
Cariocaraceae e Bombacaceae bem como
de
material
polínico na pelagem e tracto gastrointestinal.
COMPORTAMENTO ALIMENTAR
0 padrão de comportamento dos
as
morcegos
flores em busca de alimento varia em
ao
abordarem
função do
tamanho
do animal e/ou da morfologia floral.
Para
Bauhinia purpurea o comportamento de
alimentação
descrito
(Heithaus
de
para
Glossophaga
Bauhinia
et
respectivamente.
alii,
soricina
ungulata
1974;
e
Ramirez
é
chegada
semelhante
Bauhinia
et
alii,
e
ao
pauletia
1984),
65
Em
Kigelia
soricina
Pijl
é
semelhante
(1936),
outras
africana
o
ao
comportamento de Glossophaga
descrito
McCann (1931) e Harris &
espécies
de morcegos.
A
por
Baker
semelhança
Vogel (1958),
(1958)
para
entre
estas
quatro espécies: Micropteropus pussilus (Peters), Cynopterus
sphinx (Vahl), Macroglossus minimus (Geoffroy) e Glossophaga
soricina,
pode
durante
talvez
a visita as flores de
Kigelia
africana
ser explicada pela morfologia floral,
néctar não está acessível ao animal, forçando-o a
introduzir
a
cabeça na corola tubular
para
pois
o
pousar
e
assim
poder
recolher o alimento, independentemente do seu tamanho.
Lafoensia
glyptocarpa,
uma
visitas
vegetal
sendo
constantemente.
0 comportamento alimentar dos morcegos
visitam,
recebe
espécie
quiropterófila,
a
assim
é
diferem devido principalmente
ao
de
morcegos
que
tamanho
dos
mesmos, independente do néctar estar ou não acessível.
Glossophaga
soricina
apresenta
um
padrão
comportamental como de outros glossofaglneos, isto é,
defronte
mesmo
as flores.
adejo
Sazima & Sazima (1975) observaram este
comportamento
para
outro
glossofagíneo
Anoura
geoffroyi durante as visitas a Lafoensia pacari na Serra
Cipó.
de
Nesse mesmo estudo, os autores observaram as
Artibeus
jamaicensis
e
Vampyrops
lineatus,
do
visitas
a
esse
vegetal.
Durante
Artibeus
o
presente
lituratus
e
estudo observou-se
Vampyrops
lineatus
as
a
visita de
flores
de
66
Lafoensia glyptocarpa.
destes
dois
0 padrão de comportamento
estenodermineos é semelhante ao
alimentar
descrito
por
Sazima & Sazima (1975) para Lafoensia pacari.
Phyllostomus
alimentar
recursos
hastatus
diversificado,
por
não
florais, talvez
apresentar
explora
um
padrão
regularmente
os
devido a este fato poucas são
as
referência sobre as visitas deste filostomíneo as flores.
Carvalho
visitando
do
Pará
(1960)
observou
Phyllostomus
as flores de Parkia gigantocarpa DUCKE
e o comportamento deste morcego
observado
para
Lafoensia
é
em
Belém
semelhante
porém
glyptocarpa,
hastatus
não
ao
tão
violento durante as abordagens as flores.
Phyllostomus
Sazima
(1977)
discolor
enquanto
foi
observado
visitava as
glyptocarpa na região de Campinas.
apresenta
Para
as
grandiflorum,
apresentaram
néctar
soricina,
asas
para
de
Este outro
&
Lafoensia
filostomíneo
visitas
Rural para Phyllostomus hastatus.
as
flores
de
Pseudobombax
Glossophaga soricina e Phyllostomus
hastatus
-um comportamento de pouso, isto devido
não
se
encontrar
acessível.
talvez
Glossophaga
apresentou-se abordando as flores e
mantendo
as
estendidas lateralmente ao corpo ou recolhidas; talvez
dar
melhor
Phyllostomus
ao
flores
Sazima
um comportamento de abordagem/pouso semelhante ao
observado na Universidade
ao
por
observado
sustentação
durante
a
alimentação.
hastatus, apresentou comportamento
durante
a
visita
as
flores
de
semelhante
Lafoensia
67
glyptocarpa. Sazima & Sazima (1977) observaram que as flores
de
Pseudobombax
grandiflorum também recebem
a
visita
de
Phyllostonrus discolor.
Chorisia
soricina
Rural,
e
recebeu
Artibeus lituratus no
como
material
speciosa
visitas
de
Glossophaga
Campus
da
Universidade
foi possível documentar através da
pollnico
deste
vegetal
gastrointestinal
destes
dois
(com.
Dobat
(1985)
pess.
a
na
coleta
pelagem
morcegos.
e
Sazima
5.X.1979)
do
tracto
&
Sazima
observaram
as
flores de Chorisia speciosa sendo visitadas por Fhyllostomus
discolor
na
animais
não
deve
região
foi
sofrer
de
Campinas.
observado, porém
grande
alteração,
soricina
o
esperado
devido ao néctar
lituratus
comportamento
supomos que
isto é,
adejo em frente as
o
0
flores
o
é provável
ramo floral dar sustentação suficiente
nêo
Glossophaga
comportamento
estar acessível.
pouso também
este
para
é
dos
Para
devido
ao
para
este
Artibeus
fato
do
morcego
e também ao seu tamanho e peso que dificulta o adejar.
Em
relação
a Eugenia sp
e Abutilon
sp,
não
foi
possivel a observação das visitas de Glossophaga soricina
estas
flores,
flores
de
vegetais
tracto
Sendo
Porsch
bem como a visita de Vampyrops
lineatus
Eugenia sp porém registrou-se a visita
através
do recolhimento de material
gastrointestinal
assim,
(1941),
e pelagem
foi possível
Vogel
destes
confirmar
(1969)
e
as
a
no
morcegos.
observações
Gottsberger
às
esses
pollnico
dois
a
(1972)
de
para
68
Abutilon sp e Eugenia sp.
ATIVIDADE DURANTE O ANO
Diversos
fatores
precipitações,
externos
como
ventos e a luz da lua
temperatura,
podem
interferir
na
controlador
da
atividade dos morcegos.
A
temperatura
ambiente é um
fator
atividade para morcegos insetívoros nas regiões
temperadas.
Em relação a precipitações e ventos, quando estes são fracos
tem
pouca
animais.
ou quase
Porém
precipitações
nenhuma influência
quando
pode
há
haver
ventos
uma
na
atividade dos
fortes
e
interrupção
da
grandes
atividade
(Erkert, 1982).
Outro fator que deve ser levado
fase
redução
lunar,
onde
segundo
de
atividade
Morrison
durante
as
(= crescente, minguante e cheia)
período
de
lua
em
nova (fase
consideração
(1978)
fases
com
ocorre
do
ciclo
excessão
escura).
é a
Esta
uma
lunar
apenas
no
redução
da
atividade diminui as chances de captura em rede.
A baixa freqüência de captura
área de estudo está
relacionada à
foi possível realizar as sessões
de
fase
dos
da
de coleta
escura (lua nova) devido à necessidade
período de floração
algumas espécies na
lua, pois
sempre na
não
fase
de acompanhamento do
vegetais observados, bem
como
de
observar e coletar os animais durante a visita às flores.
A atividade de Glossophaga soricina no Campus da UFRRJ
69
está
relacionada
disponibilidade
setembro
a
ao
de
período
alimento
dezembro
forrageamento
deste
de
nos
propiciam
morcego
floração.
meses de
área
observar através de coletas, como de
maior
junho/julho, e
uma intensa
na
A
atividade
como
foi
de
possível
observação
direta
do
comportamento alimentar.
No
mês de agôsto, apesar de serem realizadas
coletas
sistemáticas a redução da atividade de Glossophaga
soricina
pode
área
ser
devido
a
um deslocamento
para
outra
forrageamento dentro do Campus que não tenha
como estação de coleta ou
para
lituratus por alimento devido à
não
de
sido escolhida
competir com
Artlbeus
diferença de tamanho
entre
estas espécies.
Artibeus
lituratus mantêm uma atividade muito
durante o ano no Campus da UFRRJ.
foi
observado
Nota-se
que
atividade
diminuição
que
duas áreas
Ârtibeus
levou
horas
de
ocorre
uma
Campus pode
coleta por
a uma diminuição
ser
maio
tempo
de
de
abundância
Japi.
na
e
devida
instabilidade
do
do
redução
litutatus de abril a
para a área do
redução das
comportamento
por Marinho-Filho (1985) na Serra
nestas
de
Este mesmo
grande
esta
a
uma
climática
manutenção
da
rede de captura na área.
Em
Campus
relação
da
época
UFRRJ, provavelmente
frutificação
Artibeus
à
na
Serra
lituratus
do
é semelhante
Japi (setembro a
pode utilizar frutos em
de
a
frutos
no
época
de
março)
sua
pois
dieta
no
70
periodo de agosto a abril, uma vez que
não foram
de
encontrados
néctar/pólen
sementes
resíduos
na
que indicassem
alimentação,
em um exemplar no mês de
periodo de maio a julho, a
pode
mas
de
forrageamento,
permanecer
néctar.
na área e
meses
utilização
encontrou-se
setembro (Tab.
7).
No
queda na atividade deste morcego
ser devida à necessidade de se
áreas
durante estes
porém,
utilizar
deslocar
alguns
outras
animais,
recursos
Segundo Heithaus (1975) a
para
podem
disponíveis
área
de
como
forrageamento
de Artibeus lituratus ê muito extensa.
área
Em
relação
de
estudo, observa-se que aatividadedeste
pode
ser
à atividade de Vampyrops
considerada
reduzida
competição com Artibeus lituratus
devido
por
lineatus na
morcego
talvez
abrigo
e
a
uma
alimento
que leva este animal a uma atividade mais tardia ou utilizar
outra região para forrageamento, buscando até
recurso
alimentar
outro tipo de
como por exemplo, néctar de
acordo
observações realizadas por Sazima (1976) e Gribel (1986).
redução
do
número
de indivíduos coletados
setembro
a
Artibeus
lituratus; deve-se
atividade
maio
novembro coincide com o pico
nos
de
notar também
de Vampyrops lineatus nos meses
a julho e de novembro/dezembro, porém
um
de
meses
com
A
de
atividade
de
aumento
na
março/abril,
estes
aumentos
não interferem na atividade de Artibeus lituratus na área do
Campus, mas podem indicar um deslocamento de pequenos grupos
de morcegos para áreas onde haja
uma maior
disponibilidade
71
de
alimentos
(frutos).
Segundo Reis (1984),
os
morcegos
tropicais não são dependentes de uma única fonte de alimento
pois, caso haja uma competição entre espécies ou escassez de
alimentos,
estes
podem
utilizar-se
de
outros
Sendo assim, a atividade de Artibeus lituratus,
soricina
está
e Vampyrops lineatus durante o
diretamente
disponível
na
através do
Artibeus
relacionada
área.
padrão de
periodo de
Este fato pode ser
pois
do
a
de
alimento
bem
observado
constante
morcegos
na
floração
serem coincidentes
ou encadeados,
recursos
(néctar/pólen)
abundância
em
estudo
Glossophaga soricina
presença
Campus é
Glossophaga
oferta
atividade de
lituratus,
área
à
recursos.
devida
aos
fornecem
Glossophaga
soricina e para Artibeus lituratus a utilização de
florais veêm compensar a escassez de frutos em
destes
períodos de
que
para
e
recursos
determinadas
épocas do ano; assim, estas duas espécies não necessitam
se
deslocar para outras áreas, por longos períodos, em busca de
alimento.
UTILIZAÇHQ DE EEOJRSOS FLORAIS
Sales (1982),
intestinal
de
estudando células da mucosa gástrica
Glossophaga
soricina observou
que
há
e
uma
grande quantidade de células "G" distribuídas
uniformemente
no
estimulam
estômago
secreção
extração
do
deste
ácido
morcego.
Estas
clorídrico,
que
células
é
utilizado
a
para
das proteínas do grão de pólen (Howell, 1974-A)
e
72
provavelmente também age sobre os insetos que fazem parte da
dieta
deste
soricina
morcego
na
área.
Desta
forma
pode utilizar proteina animal em
Glossophaga
sua
alimentação
que juntamente com o néctar são fontes energéticas.
Porém
grande
Sales (1982) acredita que
o
aparecimento
quantidade de células "G" no tracto
morcego
não
está
relacionado
ao
gástrico
hábito
em
deste
alimentar
nectarívoro/polinívoro.
Acredito
soricina
na
área
consiga
alimento
para
suprir sua
suficiente
apesar
que
da
Universidade
(néctar/pólen)
necessidade
do aparecimento de fragmentos
busca
de
frutos
levando
em
quantidade
energética,
de insetos no
gastrointestinal durante quase todo o
houve
Glossophaga
pois
tracto
período de estudo não
a
crer
que
apenas
o
néctar/pólen e insetos suprem as necessidades energéticas
e
biológicas deste morcego.
Para Artibeus lituratus e Vampyrops lineatus
primariamente
quando
há
observado
Distrito
frugívoros,
escasses
por
a utilização
de frutos ná
região.
Gribel (1986) durante
Federal,
onde
Vampyrops
por
néctar
Este
são
ocorre
fato
foi
estudo
na região
do
lineatus
forrageia
em
maiores grupos no pico da floração de
e
de
que
Caryocar
Sazima & Sazima (1975) durante estudo
brasiliense
na
Serra
do
Cipó.
Em relação
a Artibeus lituratus
poucos
são os dados
a respeito da utilização de outras fontes alimentares.
Isso
73
pode
ser
devido
a
este animal
apresentar
forrageamento extensa (Heithaus, 1975) onde
alimento
como
(frutos) em maior
a
uma
pode
disponibilidade.
área do Campus da UFRRJ apresenta
área
encontrar
Provavelmente
uma
diversidade
floral muito grande, essas duas espécies conseguem
(frutos)
durante
grande
complementação
em
abundância
néctar
de
caso
parte do ano,
de
como
total
foi
alimento
recorrendo
falta
de
de
observado
a
uma
frutos
ou
nos
meses
de
junho/julho (Tab. 7).
Apesar do número pequeno de indivíduos coletados
pode-se
observar
que o regime
alimentar
de
(3),
Fhyllostomus
hastatua
inclui néctar, pólen e insetos.
Dentre
todas
espécies
coletadas para este estudo esse morcego é o
as
único
que pode ser considerado onivoro (Gardner, 1977).
Juntamente com Artibeus lituratus e Vampyrops lineatus
que
não
visitam
néctar/pólen,
grande
regularmente
Phyllo8tomua
quantidade
de
vegetais
ha8tatus
células "G" na
em
não
busca
de
apresenta
uma
mucosa
gástrica
se
compararmos com Gloaaophaga soricina (Sales, 1982).
A carência de células "G” no tracto gástrico pode
um
dos fatores que levam estas
obter
energia
em
outras
espécies a não
fontes
néctar/pólen constantemente, mantendo
um rigor alimentar.
procurarem
alimentares,
sempre
ser
que
como
possível
CONCLUSOES
Na
área
néctar
de estudo
como
Quatro
diversos
recurso
espécies
vegetais
alimentar
foram
para
morcegos.
registradas
potencialmente polinizadoras: Artibeus
Glossophaga
Vampyrops
soricina,
lineatus.
oferecem
Phyllostomus
Destes,
como
lituratus,
hastatus
apenas
e
Glossophaga
soricina visitou todas as flores estudadas.
As
flores
de
Bauhinia
purpurea
são
apenas
visitadas por Glossophaga soricina.
A ausência de
frutificação para este vegetal pode
demonstrar
a
falta de um polinizador especifico na região.
Para Chorisia speciosa, as visitas de
soricina
e
Artibeus
proporcionam
Glossophaga
eficiente
a
polinização
soricina
para
morfologia
lituratus
Glossophaga
provavelmente
deste
parece ser o
vegetal.
morcego
efetuar este processo,
floral
e
por
suas
mais
devido
a
adaptações
morfológicas.
Pseudobombax grandiflorum, apresenta
um
conjunto
de carcateres florais que o enquadram na "Síndrome
da Quiropterofilia".
Este vegetal recebe
visitas
75
de
Glossophaga soricina e
que
são
seus
Phyllostomus
polinizadores,
hastatus
devido
o
comportamento demonstrado ao se alimentarem, e por
não ter havido visitas de outros
animais as
suas
flores, em busca de alimento.
5.
Kigelia africana
Glossophaga
única
visitada
soricina,
espécie
abertas
é
e
a
e
polinizada
tendo em vista que
visitar
a utilizar
seu
suas
flores
néctar
como
por
foi
a
quando
recurso
alimentar na área de estudo.
6.
As
flores
de Lafoensia
glyptocarpa,
recebem
visita de todas as espécies de morcegos
a
estudadas
e apenas Glossophaga soricina e Vampyrops lineatus
podem
polinizar
comportamento
suas
flores,
devido
apresentado durante as
ao
visitas
em
busca do alimento.
7.
A utilização de recursos florais na alimentação de
Glossophaga soricina ocorre
o
ano
podendo, este morcego, complementar sua dieta
com
insetos.
Como
durante
pôde ser observado
todo
na
área
de
estudo.
8.
Para Artibeus lituratus, Phyllostomus hastatus,
Vampyrops
florais
lineatus
não
seguiu
a
um
utilização
padrão
de
de
e
recursos
exploração
76
sistemática, apenas recorrem a esta fonte em
caso
de excassez de outras.
9.
0
padrão de atividade anual das três espécies
morcegos
estudados,
disponibilidade
há
uma
está
de alimento.
competição
entre
as
relacionada
Porém, nota-se
espécies
de
à
que
levando
algumas a se deslocarem para outras áreas em busca
de recursos, temporariamente.
APENDIGE
78
Tabela 1: Dados climáticos para a região de Seropédica
no ano de 1987 registrados na Estação de
Ecologia Agricola do Departamento Nacional
de Meteorologia.
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O
1/1
79
Tabela 2: Dados climáticos para a região de Seropédica
no ano de 1988 registrados na Estação de
Ecologia Agricola do Departamento Nacional
de Meteorologia.
A G R IC U L T U R A
DA
M IN ISTÉR IO
DA
Tabela
M IN I S T É R IO
A G R IC U L T U R A
INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA
Estado
ECGt/TrlA A^TCOIA
Estação^.
22* 4V
Latitude.
_Longitude.
M E T E O R O L Ó G IC A S
19 6 j
__________________________________________ P eríodo_
4? g 4 11
W . Grw .
Altitude
Da estação (Hs.)_
Da cu b a do barA m etro iH b .^
TEM PERATURA
atmosférica
(mb)
Midi*
Média
da»
In
máximas mínimas
3 4 .5
Janeiro.......
2 4 .8
mAxima absoluta
Umidade NebutoMINIMA ABSOLUTA
Graut
Data
Gnu*
3 9 .8
30
2 2 .3
22 .5
2 0 .0
Fevereiro ...
3 5 .2
25*5
39. ^
2?
Março......
3 5 .2
2 3 .7
3 7 .5
17
l.:0 .1
"-.o
2 9 .1
27 .5
7 .6
1 5 3 ,2
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6 9 .5
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1 5 7 .7
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27
12 C. L
12S.-0
13
;
c
74
5 .3
09
1 9 .2
72
5 .5
4 9 .3
11.8
1 3 .5
15
22.0
66
5 .7
35.9
n
24
13 .6
03
2?.9
75
8.0
8 5 .1
2 7 .3
26
1 6 .4
20
2 4 .0
69
7 .2
3 8 .2
1 6 .2
28
1 1 5 .6
1 5 -.8
6
16.6
03
2 7.1
66
7 .0
7 5 .6
1 9 .3
23
1 4 7 .2
1 8 7 .1
10
1 7 .5
22
2 6 .4
65
6 .8
7 9 .6
2 1 .5
27
1 6 2 .4
2 0 1 .7
3
7 4 .9
09 / 0 2
Junho.........
2 5 .0
1 5 .9
2 9 .5
.23
J vilbu..........
2 5 .5
1 5 .1
3 2 .1
24
1 2 .=
11.0
Açosto ....
2 7 .3
1 7 .9
3 4 .3
21
S e te m b ro . . .
2 7 .9
1 9 .0
3 8 .8
O u tu b ro ..
2 9 .1
20.0
22.8
2 2 .1
20.6
3 7 .2
3 0 .4
7 .5
73
73
IO
1 3 .9
ANO............
70
Oata
57. I
1 1 3 .6
1 6 .5
01
D ezem b ro .
•’3 . 7
Altura
(mm)
E*apoí*açlo InsstaçJo tota»
total
(horas s
(mm)
déc-moí) - ...... !
5 .9
29
34. 4
3 3 .2
Altura lata!
(mm)
74
3 6 .5
1 3 .6
23
10
30/01
3 9 .8
3 9 .3
~ 7-
sidada
(0-10)
71
2 1 .5
2 8 .3
3 2 .9
3 2 .4
11
-í
MAXIMA EM 24 HCRAS
ralativa
(%)
2 2 .9
O
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3 1 . 21
Novexnl>ro..
Data
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compen­
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.
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(•C)
Pr*ssão
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03/07
2 4 .6
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V ISIO _
ff^aTvis Soüinho Fiího
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l
. I * OWE -
» • f l .l 3C42-S
7 5 .9
6 .5
9 7 7 .4
t
j
3
to
6
-
■r- . -
1 5 3 3 .6 ? 2 l 6 .5
1?
119
3: Dados climáticos para a região de Seropédica
no ano
de
1989 registrados na
Estação
de
Ecologia
Agrícola do
Departamento Nacional
de Meteorologia.
O eSER V A Ç Ô ES
81
Tabela 4: Morcegos capturados nos pontos de coleta
Campus da UFRRJ durante
o período
abril/1988 a setembro/1989.
hESES
LOCAIS DE COLETA
ESPECIES
1988
Abril
J.B.
Junho
I.A.
Agosto
J.B.
J.B.
I.F.
Outubro
LOCAIS DE COLETA
ESPECIES
1989
L.A.
Seteabro
HESES
no
de
J.B.
Noveabro
J.B.
Dezeabro
I.F.
J.B.
H.
H.
H.
A.
C.
G.
A.
G.
H.
V.
H.
E.
A.
G.
C.
P.
V.
N.
A.
6.
A.
6.
C.
H.
H.
S.
A.
6.
6.
A.
V.
nigricans (4)
aolossus (1)
nigricans (1)
lituratus (41
perspicillata (1)
soricina (8)
lituratus (9)
soricina (3)
nigricans (15)
lineatus (2f
velatus (1)
brasiliensis (1)
lituratus (7)
soricina (3)
perspicillata (1)
hastatus (1)
lineatus (2)
aolossus (3)
lituratus (5)
soricina (1)
lituratus (3)
soricina (1)
perspicillata (1)
nigricans (1)
aolossus (1)
liliua (3)
lituratus (2)
soricina (1)
soricina (1)
lituratus (2)
lineatus (1)
Janeiro
Harco
J.B.
L.A.
Abril
J.B.
L.A.
tlaio
J.B.
Junho
J.B.
Julho
I.F.
J.B.
Seteabro
L.A.
A.
A.
V.
A.
S.
G.
A.
V.
A.
6.
V.
G.
P.
G.
A.
6.
6.
lituratus (4)
lituratus (4)
lineatus (1)
lituratus (2)
liliua (1)
soricina (1)
lituratus (6)
lineatus (6)
lituratus (5)
soricina (3)
lineatus (1)
soricina (1)
hastatus (2)
soricina (3)
lituratus (1)
soricina (3)
soricina (13)
LEGENDA:
=======
J.B. = Jardia Botanico
I.F. = Estrada da Floresta
I.A. = Instituto Agronoaia
L.A. = Lago Assu
I ) = no. exeaplares coletados
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22 HARRIS, B.J. &
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H.G.
Pollination
of
Kigelia
africana (Benth).J. West. Afric. Sei. Assoe.,
4:25-30,
1958.
23 ----- .
Pollination
of
flowers
by
bats
in
Ghana.
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seven
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