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PROPOSTA DE PARECER
CONSELHO UNIVERSITÁRIO - CONSUNI
PROCESSO Nº. 010/2014
ASSUNTO:. Proposta de concessão de título honorífico de “Doutor Honoris Causa” para o
professor Alcides Abreu e para o naturalista Fritz Müller
INTERESSADO: Reitoria da Fundação Universidade Regional de Blumenau
PROCEDÊNCIA: Reitoria da Fundação Universidade Regional de Blumenau
I – HISTÓRICO:
Em 08 de novembro de 2013, através do Memorando nº 95/2013/CCSA, a então
Diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Profª. Josani Milene Fink, encaminhou ao
Reitor, a proposta de outorga do título honorífico de Doutor Honoris Causa ao Professor
Alcides Abreu, em virtude da comemoração dos 50 anos do Curso de Ciências Econômicas. A
proposta de outorga do título honorífico de Doutor Honoris Causa ao naturalista Fritz Müller
é originária da Reitora.
Em 14 de abril de 2014, o Reitor, através da Portaria nº. 527/2014, designou
Comissão Especial, constituída pelos Conselheiros do CONSUNI, Geraldo Moretto, Gustavo
Rosa Borges e Ivo marcos Theis, para elaborar o parecer sobre a concessão de Títulos Doutor
Honoris Causa para o professor Alcides Abreu e o naturalista Fritz Müller.
Em 23 de maio de 2014, a Comissão Especial encaminhou o parecer ao Reitor e, em
27 de maio, o Reitor encaminhou a proposta de concessão de título de Doutor Honoris Causa
para deliberação do CONSUNI.
II – ANÁLISE:
A outorga de títulos honoríficos está prevista no Estatuto da Fundação Universidade
Regional de Blumenau, Resolução nº. 35/2010, Artigo 104, que se encontra regulamentada na
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Resolução nº. 52/1998. A apreciação da proposta é de competência do CONSUNI, conforme
previsto no Art.13, Inciso VIII, do Estatuto.
A proposta de concessão do título de Doutor Honoris Causa ao Professor Alcides
Abreu foi encaminhada pelo Centro de Ciências Sociais Aplicadas e aprovada em reunião do
Conselho de Centro, realizada no dia 24 de outubro de 2013. A concessão do título ao
naturalista Fritz Müller foi proposta pela Reitoria. As duas propostas estão em conformidade
com o Artigo 4º, da Resolução nº. 52/1998.
Em atendimento ao Art. 7º, da citada resolução, a Comissão Especial apreciou a
proposta e em seu parecer se manifestou pela outorga do título de Doutor Honoris Causa
para o professor Alcides Abreu1 e ao naturalista Fritz Müller2, conforme texto abaixo
extraído do parecer da comissão.
“1) Alcides Abreu
Alcides Abreu, filho de Hermundino Domingos de Abreu e Elza Kumm Abreu, nasceu
em 5 de setembro de 1926, no município catarinense de Bom Retiro. Cedo migrou para
Florianópolis, onde, entre fevereiro de 1939 e dezembro de 1945, estudou no Colégio
Catarinense. No ano de 1946 ingressou na Faculdade de Direito de Santa Catarina (FDSC),
formando-se em novembro de 1950. Em 1951, começou um curso de especialização em
Economia, na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas, da Universidade de Paris I
(Pantheon Sorbonene), que concluiu no ano seguinte. Essa especialização possibilitaria que,
em 1955, se tornasse economista profissional. Também se especializaria, em 1973, no Curso
Superior da Escola Superior de Guerra (ESG). Dez anos antes, porém, ainda concluiria um
Bacharelado em Filosofia pela Faculdade Catarinense de Filosofia, iniciado em 1955.
Cumpre acrescentar que também é reconhecido como jornalista, tendo sido sócio
fundador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina.
Em termos profissionais, Alcides Abreu exerceu várias atividades. Dentre elas, a de
Delegado Regional de Policia de Joaçaba (1951-1953), a de Promotor Público (1952-1953), a
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Para elaborar esta parte da análise, contou-se com o valoroso auxílio do colaborador
técnico–administrativo Darlan Jevaer Schmitt, atual Diretor da Biblioteca da Fundaçaõ
Universidade Regional de Blumenau e Presidente da Comissão FURB 50 anos.
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de Economista da Superintendência da Região Sul (SUDESUL) (1968-1971) e a de professor
ao longo dos 40 anos entre 1955 e 2005. A docência, Alcides Abreu a exerceu nas seguintes
instituições:
- Faculdade de Direito de Santa Catarina (FDSC), onde foi concursado livre-docente na
cadeira de Economia Política (1957) e concursado catedrático na cadeira de Teoria Geral do
Estado (1957);
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), como professor titular da cadeira de Ética
Geral da Faculdade de Serviço Social (1959 a 1972), passando a lecionar no Mestrado (1973)
e no Doutorado (1988) em Direito;
- Universidade de Brasília (UnB), como professor de Economia Política (1967-1968);
- Escola de Estudos Superiores de Administração e Gerência (ESAG), como professor
convidado (1991);
- Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), como professor do Curso de PósGraduação em Relações Internacionais (1998-2005).Na vida pública integrou as equipes de
diversos governadores de Santa Catarina, tendo dado importante contribuição ao Plano de
Metas do Governo 1961-1965 (PLAMEG), assim como à criação do BESC, da UDESC e da
CELESC. Por isso, chegou a ser cogitado candidato ao Governo de Santa Catarina em 1965.
Cabe lembrar que, em 1961, Alcides Abreu foi Secretário do Plano de Obras e
Equipamentos, no Governo Celso Ramos (1961-1966). E desde essa condição é que se pode
aferir sua contribuição para a formação e implementação do referido PLAMEG. Daí em
diante, ainda seria presidente – o primeiro – do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC),
um dos frutos do PLAMEG, entre 1962 e 1965. Também esteve à frente da Companhia de
Telecomunicações de Santa Catarina, antecessora da já extinta TELESC. Foi presidente da
Fundação de Amparo e Tecnologia e Meio Ambiente (FATMA) no ano de 1979. Chegou ao
cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas de Santa Catarina em 1972, mas aí permaneceu
apenas até 1977. E foi Diretor do Departamento Regional do SENAI entre 1954 e 1972.
Sua atividade intelectual, Alcides Abreu a traduziu por meio da publicação de mais de
20 livros e inúmeros artigos, durante mais de 60 anos de vida ativa. Sua última publicação,
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que data de 2013, foi o livro Inovação: Santa Catarina @ Estado Máximo de Inovação,
cuja organização divide com Alfeu Luiz Abreu e Ana Claudia Donner Abreu.
Alcides Abreu, enfim, é um catarinense que passou pela academia e pela administração
pública, exercendo cargos de grande importância e produzindo intelectualmente como poucos
ao longo das últimas seis a sete décadas. Sua importância para a FURB reside no fato de que
ele esteve presente nos seus primórdios, no comecinho desta caminhada que agora completa
50 anos.
Tendo suas atividades acadêmicas iniciado em março de 1964, o que se conhece hoje
como FURB emerge no cenário da educação superior brasileira aos 2 de maio de 1964. A
razão está em que nessa data o professor Alcides Abreu proferiu uma palestra, convidado por
Victor Fernando Sasse, para os alunos da primeira turma do Curso de Ciências Econômicas,
primeiro curso superior do interior de Santa Catarina. Eis porque o 2 de maio de 1964 passou
a ser considerada a data de fundação da FURB. Eis porque, coincidindo com os primeiros 50
anos de vida da jovem universidade, Alcides Abreu é homenageado com o título de Doutor
Honoris Causa.
2) Fritz Müller
Johann Friedrich Theodor Müller (Fritz Müller), filho de pai pastor evangélico, nasceu
em 30 de março de 1822 na cidade de Windischhlzhausen, Alemanha.
Enquanto cursava o ginásio, por influência do avô materno que era químico, Fritz
Müller já trabalhava como aprendiz numa farmácia em Erlangen. Após o curso ginasial
ingressou na Universidade de Berlim, decidido a se tornar um naturalista, onde com a
aproximação da filosofia à pesquisa científica, moveu o jovem estudante em direção às
vanguardas do pensamento. Seu primeiro trabalho científico, desenvolvido com sanguessugas,
foi o tema da tese de doutorado em Filosofia, o qual foi publicado na Revista Archiv für
Naturgeschicht, 1844.
Habilitado em Filosofia, ingressou no estágio probatório para o magistério no
Gymnasium de Erfurt, onde lecionou as disciplinas de álgebra e história natural por um
período de seis meses, desistindo em seguida da carreira de professor para cursar medicina na
Universidade de Greifswald.
Na Universidade, sem abandonar as pesquisas em zoologia, ele passa a participar de
discussões intelectuais envolvendo filosofia e religião. As reflexões o levaram a contestar a fé
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e a viver de acordo com suas crenças. Sem se casar oficialmente, contrário aos valores
familiares religiosos da época, manteve uma relação marital com Karoline Tölner, filha de um
lavrador, que a conheceu durante excursão de coleta de material de pesquisa.
Os movimentos intelectuais da época influenciaram Fritz Müller a participar de
movimentos político-sociais, tornando-o militante do Partido Democrático que reunia
trabalhadores e estudantes, porém, suas idéias não alcançaram êxito em decorrência do poder
monárquico. Quanto ao curso de medicina não colou grau por recusar-se a pronunciar uma
frase do juramento médico “assim me iluminai Deus e seu sacrossanto Evangelho” ou
substituir tal juramento pelo juramento judaico.
A impossibilidade de exercer a profissão de médico, associada ao insucesso das ações
políticas e abdicação do exercício de professor da escola pública, as expectativas de trabalho
para Fritz Müller na Alemanha eram reduzidas. Assim, após um encontro com Hermann
Blumenau, optou por migrar para o Brasil, chegando à colônia Blumenau em 21 de agosto de
1852. Aqui em Blumenau estabeleceu residência no bairro Garcia na altura do atual número
1000, onde permaneceu por quatro anos, dedicando-se às atividades de sobrevivência, ajudou
a construir colônia e pesquisou a flora e a fauna.
Em 1956, por imposição do Dr Blumenau e a convite do presidente da Província de
Santa Catarina, João José Coutinho, Fritz Müller se transferiu para a Vila Nossa Senhora do
Desterro, onde passou lecionar no Colégio Liceu Provincial. Durante onze anos, além da
dedicação ao magistério, organizou o Jardim Botânico, um laboratório de física e química e
deu continuidade ao estudo da fauna marinha que já havia iniciado na Alemanha. Entretanto,
descontente com a condução do Colégio Liceu, em maio de 1867 propôs o retorno ao Vale do
Itajaí para estudar plantas de interesse agrícola e medicinal, além de outras questões relativas
a história natural. A proposta foi aceita pelo governo da Província e em julho do mesmo ano
Fritz Müller retornou à Blumenau.
No âmbito científico, os onze anos em que Fritz Müller residiu em Desterro foram muito
produtivos. Nessa época ele foi projetado à ciência mundial, suas observações contribuíram
fortemente à teoria evolutiva “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, publicada em
1859, que a conheceu em 1861. Motivado com a nova teoria, resolveu aplicá-la aos estudos
dos crustáceos que deu origem ao livro Für Darwin, publicado na Alemanha em 1864, obra
que lhe garantiu uma estreita relação com Darwin, ao ponto deste cientista oferecer ajuda
financeira quando a enchente de 1880 teria causado prejuízos ao Fritz Müller.
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A convite do diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro
ocupou
o cargo de
Naturalista Viajante, o qual foi exercido por quinze anos. Várias excursões pelo estado de
Santa Catarina foram realizadas por Fritz Müller durante esse período. Entre elas, chama
atenção a excursão ao Rio Taió em1877, realizada em companhia do Eng. Emil Odebrecht,
onde já na época Fritz Müller já manifestava a preocupação com a destruição do meio
ambiente ao ver a devastação efetuada pelo fogo a partir das pastagens e bambuzais que se
alastravam pela floresta. Também a partir das excursões realizadas pelo estado, surge nas
bromélias um novo material biológico que desperta enorme interesse às pesquisas de Fritz de
Müller, as quais se dedicou até o final da vida.
O reconhecimento da contribuição científica, respaldado em aproximadamente 250
publicações resultantes de suas observações lhe renderam várias homenagens. Em vida, lhe
foram concedidos dois títulos de Doutor Honoris Causa, o primeiro pela Universidade Bonn
em 1868 e o outro pela Universidade de Tübigan em 1874, ambas alemãs. Também foi
distinguido como membro honorário da Entomological Society de Londres, em 1884. Pós
morte, também foi homenageado com o titulo Doutor Honoris Causa, concedido pela
Universidade Federal de Santa Catarina no ano de 2009 e a 18ª Reunião Anual da sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 1996 foi em sua homenagem.
Sua produção científica auxiliou no conhecimento da fauna e flora brasileira, na
projeção do nome do Brasil. Seus estudos são ainda citados e embasam pesquisas pelo mundo
da ciência. O material coletado em campo encontra-se em inúmeros museus e instituições de
história natural no país e exterior. Fritz Müller, com sua correspondência científica, promoveu
um ampla rede social que projetou ao mundo, o Brasil e em especial o estado de Santa
Catarina. Cientistas do mundo buscavam em Fritz Müller o apoio quando necessitavam
informações acerca de temas da Biologia Tropical.
Considerando a importância de Alcides Abreu, devido à sua atuação como
administrador público, docente no ensino superior e autor de inúmeros trabalhos para e sobre
Santa Catarina, e mui especialmente, devido ao fato de ter sido aquele que proferiu a aula
magna para a primeira turma de Ciências Econômicas, assim identificando, para sempre, a
data de 2 de maio de 1964 como a do início de nossa jovem universidade, somos de parecer
que se outorgue ao eminente professor Alcides Abreu o título de Doutor Honoris Causa pela
Universidade Regional de Blumenau.
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Considerando a imensa contribuição que Fritz Müller deu à ciência do século XIX,
especialmente, à Botânica e à Zoologia, assim como, enquanto cientista de renome
internacional, ao Brasil, que o acolheu e, sobretudo, a Blumenau, onde se estabeleceu, mas,
considerando também a formidável influência que exerceria sobre as gerações posteriores de
cientistas, principalmente, de biólogos, que pode bem ser dimensionada aqui mesmo em nossa
própria Instituição de Ensino Superior, somos de parecer que se outorgue ao grande cientista
Fritz Müller o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Regional de Blumenau”.
III – PARECER:
Considerando o exposto na análise, sou de parecer que o Conselho Universitário
aprove à outorga do título honorífico de Doutor Honoris Causa:
a) Ao eminente professor Alcides Abreu;
b) Ao grande cientista Fritz Müller.
Blumenau, 03 de junho de 2014.
Prof. Geraldo Moretto
Relator
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parecer do relator ao processo nº010-2014 - consuni