Trabalho Histedbr ENSINO MÉDIO: a dualidade histórica e A legislação educacional Brasileira do século XX Mestrando: Edison Cardoso Lins Orientadora: Mara Regina Martins Jacomeli RESUMO A educação secundária, no Brasil, ou ensino médio, sua atual denominação, já em sua origem apresentou contradições e dualidades que permanecem na atualidade. E se refletem, por exemplo, na ausência de objetivos e perspectivas mais definidas quanto ao seu papel. Esta etapa educacional que, como meta formal, precederia o ensino superior é caminho também para que boa parte dos alunos seja encaminhada para uma formação profissional. Deve então ser o ensino médio ministrado em formato abrangente, preparando para a etapa educacional seguinte, o ensino superior, ou deve se ater a ser etapa articulada como preparadora para o mundo do trabalho? Pretendemos avaliar a forma como esta dualidade e algumas das contradições que lhe são afetas, foram tratadas na trajetória das diversas leis que nortearam tal segmento de ensino, ao longo do século XX, em especial a partir da década de 1930, percorrendo a intensa e complexa sucessão de leis, durante o século passado até a primeira legislação educacional de relevância para o ensino médio, no século XXI. INTRODUÇÃO A educação secundária, no Brasil, ou ensino médio, sua atual denominação, já em sua origem apresentou contradições e dualidades que permanecem na atualidade. E se refletem, por exemplo, na ausência de objetivos e perspectivas mais definidas quanto ao seu papel. Esta etapa educacional que, como meta formal, precederia o ensino superior é caminho também para que boa parte dos alunos seja encaminhada para uma formação profissional. Deve então ser o ensino médio ministrado em formato abrangente, preparando para a etapa educacional seguinte, o ensino superior, ou deve se ater a ser etapa articulada como preparadora para o mundo do trabalho? Pretendemos avaliar a forma como esta dualidade e algumas das contradições que lhe são afetas, foram tratadas na trajetória das diversas leis que nortearam tal segmento de ensino, ao longo do século XX, em especial a partir da década de 1930. Embora encaminhadas no sentido de solucionar dualidades e contradições, equacionaram-nas ou, em sentido contrário, reforçaram-nas apesar do discurso de superá-las? Olhando para a série de leis, e não foram poucas, é possível identificar também os agentes políticos e as idéias pedagógicas associadas, definidas, via de regra, pelo modo de desenvolvimento capitalista, que claramente determinaram objetivos para a educação. Não obstante ter havido o apontamento de contradições e da dualidade. Tais influências parecem-nos, significaram, até mesmo quando sob pretexto de mudanças, reforço da dualidade. Justifica-se tal pesquisa neste momento em que o número de alunos matriculados no ensino médio é o maior já havido no Brasil. No intenso debate sobre qualidade do nosso ensino, as análises sobre a legislação de ensino médio, à luz do contexto histórico e político do nosso processo educacional oficial, podem permitir melhor compreensão em relação a alguns problemas, que afetam nosso ambiente educacional e apontar caminhos que busquem efetivas mudanças. Alguns resultados recentes, divulgados pela imprensa, olhando para nossos altos e persistentes índices de repetência, decorrentes de avaliações comparativas, reforçam o debate em torno da qualidade da nossa educação. Embora com avanços quantitativos nos sistemas de ensino fundamental e médio, no quesito qualidade, a educação brasileira continua tendo um grande desafio. Considere-se ainda o debate proposto por Saviani (2004) “... sobre a existência ou não de sistema educacional no Brasil não foi ainda respondida. Sobre ela pairam muitas controvérsias...as expressões sistema de educação...de ensino...escolar...de uso corrente entre os educadores, não havendo, entretanto, acordo sobre seu significado...” (cap.1,pág.04). E mais adiante: “... a demonstração da inexistência de um sistema educacional no Brasil acarretará – acredita- se – como conseqüência, uma mudança na atitude dos educadores: deixarão de pressupor um sistema, passando a encarar sua construção como uma tarefa urgente que precisa ser realizada”. (idem, pág.06). As sucessivas mudanças havidas no ensino médio, ao longo do século XX, sem que tivesse havido resultado nos objetivos preconizados parecem corroborar tal pensamento. DUALIDADES E CONTRADIÇÕES AGORA UNIVERSALIZADAS No ensino médio dimensionar e compreender dualidades e contradições nele presentes é um desafio recorrente e atual. E a dualidade que queremos investigar é sobre o mesmo ter caráter propedêutico, com formação mais abrangente sem, contudo ser elitista ou se deve preparar para o mercado de trabalho. Essa busca de um papel mais claro para esse nível de ensino, se faz presente nas sucessivas reformas educacionais que alcançaram nossa educação ao longo do século XX. O período escolar situado entre o ensino fundamental e o segmento superior, tem tido denominação variada, nas diversas mudanças, um reflexo de instabilidades e indefinições que persistem na atualidade, algumas consolidadas nas reformas educacionais ocorridas no Brasil, no século XX. Na reforma Capanema, quando ganhou status de período escolar autônomo, foi chamado de Ensino Secundário. Na Lei 4024/61, o nome adotado foi: Ensino Médio, com duas ramificações, as secundárias e as técnicas. A Lei 5692/71 que estabeleceu de forma compulsória para todo este segmento, o ensino profissionalizante, não tendo o alcance prático pretendido, denominou-o como o nível de 2º. grau. A LDB em vigor, de 1996, restabeleceu a nomenclatura Ensino Médio e uma tentativa conciliadora e pragmática que, até aqui, não resultou na superação da dualidade, podendo tê-la acentuado se considerarmos, por exemplo, as diferenciações práticas entre o ensino médio ministrado no diurno e aquele disponibilizado no período noturno. As próprias mudanças de denominação refletem a busca, a nosso ver com insucesso, de um papel melhor definido para a modalidade em questão. E ao analisarmos especificamente tal período escolar, não podemos dissociar sua problemática de outras complexas questões crônicas do nosso contexto educacional ainda não equacionadas efetiva ou plenamente, não obstante o intenso movimento reformista verificado no século passado. Tal movimento evidencia tentativas de melhorias, mas os resultados, no geral, apontam em sentido contrário. Se considerarmos apenas os dados estatísticos oficiais, e mais especificamente, o número de alunos matriculados, divulgados tanto pelo MEC 1 . As fontes citadas trazem informações que permitem concluir que existiu, em período recente e num processo ainda em curso, cujos resultados, mesmo quantitativamente, sejam ainda bastante incertos, uma verdadeira explosão de matrículas no ensino médio brasileiro: em 1994 eram pouco mais de 5 milhões de matrículas. Em 2000 houve registro de mais de oito milhões de 1 (Revista do Ensino Médio – publicação governamental : Números revelam grande crescimento do Ensino Médio. Brasília : Assessoria de Comunicação do Ministério de Educação do MEC,n.4, p.4-5,2004), informações de Secretarias Estaduais de Educação, como a do estado de São Paulo(2), site www.educacao.sp.gov.br, Ensino Médio caminha para a Universalização, set.2005 alunos, crescimento de 50%. Em 2003 eram mais de nove milhões no ensino médio. Há omissão, em todas as leis e decretos educacionais, e na atual em particular, quanto a uma relevante característica do nosso ensino médio, a de ser predominantemente público e noturno que, no meu entender, deveria ser considerado enquanto causa e conseqüências. Olhando além dos dados numéricos, verifica-se que diante da ampliação do acesso, a heterogeneidade do alunado acrescenta outros desafios ao conjunto de outras complexas dificuldades, um deles é a necessária revisão curricular. Este, aliás, é um dos propósitos colocados pelo programa Ensino Médio em Rede, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. O diagnóstico é correto, os encaminhamentos, entretanto, carecem de uma abordagem mais abrangente, levando em conta o histórico das reformas e ações, observadas objetivamente diante das sucessivas leis verificadas ao longo do século XX. É imperativo buscar o repensar dos conteúdos enciclopédicos e descontextualizados e até mesmo a revisão de métodos de ensino. Ocorre que para atender tais urgências postas, sem que haja um apontamento, mais preciso que aquele que tem prevalecido, quanto ao efetivo papel que deve cumprir o ensino médio, na trajetória do nosso ensino básico, aqui entendido como todo o tempo escolar anterior ao acesso ao terceiro grau, há repetições ou reforços de problemas já diagnosticados. Parece-nos ser este um problema grave, nas nossas sucessivas reformas educacionais, que estudos mais aprofundados sobre o ensino médio revelam. É o que se pretende nesta pesquisa, analisando o ensino médio nas principais reformas. Este segmento, definido na atual LDB, a 994/96, como etapa final da chamada Educação Básica, caminha, no Brasil, para o que se chama de universalização. Mesmo que se desconfie, com alguma razão objetiva, deste enfoque numérica que, em parte, por exemplo, desconsidera a expressiva evasão que se verifica até a efetiva conclusão, do ponto de vista quantitativo, a universalização evidencia-se pelos números, estatísticas e projeções. A incorporação de grupos sociais antes excluídos da continuidade de estudos, egressos do ensino fundamental, e o retorno dos que haviam deixado a escola criam um quadro no qual se alia, de um lado, uma grande explosão da demanda, e de outro, uma acentuada diferenciação da clientela. Este é o outro desafio relevante do projeto de modernização e democratização social do país, que tem na reformulação do ensino médio uma de suas dimensões mais importantes. A universalização qualitativa exige análises e abordagens mais abrangentes. O Ensino Médio, pelo aqui já exposto, talvez seja o segmento escolar brasileiro de mazelas mais complexas. Uma análise qualitativa, portanto, requer que se vá além de questões técnicas e imediatas que, de certa forma, são análises tautológicas. A problemática do Ensino Médio não pode ficar subjacente ou dimensionada apenas em dados estatísticos ou na diversidade de projetos fragmentados que tentam equacionar, quase sempre de forma isolada e desarticulada, alguns efeitos sem, contudo aprofundar sobre as causas. Essas nos remetem quase que obrigatoriamente a voltar às origens do nosso Ensino Médio, percorrer sua trajetória, repleta de reformas, algumas de forma explícita outras camufladas. Nossa intenção é selecionar, de forma planejada, alguns tópicos na trajetória da legislação e reflexos desta no desenvolvimento do ensino médio brasileiro, analisá-los, projetá-los para todo o percurso naquilo em que isso for pertinente, indicar hipóteses e apontar caminhos. Um ponto inicial relevante a ser considerado é que o número de alunos neste segmento escolar é expressivo, atualmente. Houve crescimento contínuo na década de 90. Registre-se ainda que os anos 90 e o início do novo século ficam marcados por uma intensa discussão de estruturas e conceitos do ensino médio. Diante da virada de século, talvez esta seja a motivação, há uma intensificação de processos de revisão curricular do ensino médio se não em todos, mas em boa parte dos estados brasileiros, através das respectivas Secretarias de Educação, com o fomento do MEC.. Tal repensar, entretanto ocorreu e ocorre num cenário de respostas quase sempre caráter imediato e influenciados por diversos interesses políticos e econômicos, alguns dos quais determinantes da visão utilitária da educação, o que pode explicar a ausência do temário oficial a dualidade e as contradições que aqui abordamos. Assim tais discussões, em relação ao ensino médio, não conseguem resolver as contradições e a sua dicotomia principal: qual deve ser a finalidade do mesmo, preparar para o mundo do trabalho ou priorizar formação mais abrangente, além da visão de educação como instrumento de um sistema produtivo. A maior dos matriculados está no período noturno. O projeto apresentado visava investigar e apontar as condições específicas do Ensino Médio Noturno, suas propostas e expectativas, seu resultado prático e efetivo, sobretudo no ensino médio ministrado pelas escolas públicas, suas contradições e complexidades e suas diferenças em relação ao ensino médio oferecido no período noturno. A proposta era ir a campo e levantar algumas questões a partir de questionários aplicados para alunos, professores e equipe pedagógica em escolas públicas de Campinas e Região. Com esses dados, corroborar algumas constatações advindas da prática de ensino neste período, relacionadas no projeto inicial e com isto propor algumas modificações, tanto em alguns parâmetros curriculares quanto em conteúdos e projetos. A DUALIDADE DO E A NOSSA HISTÓRIA EDUCACIONAL Um pesquisa que percorra , na linha do tempo, a trajetória do nosso ensino médio, fornece maior clareza e permite constatar que as contradições e complexidades não eram privilégio apenas do Ensino Médio Noturno. Na verdade são intrínsecas a todo o Ensino Médio Brasileiro, desde sua origem. Origem que se dá em meio as contradições sociais e políticas de um país cuja economia consolida o modelo agrário-comercial e com as primeiras tentativas de industrialização. No Brasil-Império, embora o ensino secundário fosse da alçada das províncias, surge o Colégio D. Pedro II sob jurisdição da coroa, com a finalidade de ser padrão de ensino. Relevante citar aqui Maria Lucia de Arruda Aranha: “Entre o ensino primário e o secundário não há pontes ou articulações: são dois mundos que se orientam, cada um na sua direção (2005, pg.153), e aponta para um resultado indesejável, prossegue:” Esse fracionamento sem um eixo unitário, com uma dualidade de sistemas, em tudo é prejudicial à educação “(idem, 154). Um persistente quadro de indefinições, sob vários aspectos reforçados nas muitas reformas educacionais brasileiras, corrobora com isso”. Registre-se ainda que, por um longo tempo, não houve um currículo efetivamente sistematizado. As decisões eram consideradas pelos parâmetros pressupostos para o ensino superior que determinavam o leque e o enfoque das disciplinas do ensino secundário, obrigando-o a se tornar cada vez mais propedêutico, ou seja, destinado a preparar os jovens para a faculdade. Evidencia-se aqui um caráter elitista na origem do nosso ensino médio. Com o avanço da industrialização, mais adiante, surge a demanda por mão de obra o que, de certa forma, vai colocar em xeque a opção anterior, determinando o fortalecimento de uma vertente utilitária para o ensino médio. Interesses que podem ser considerados alheios aos interesses da educação, permeiam as decisões pertinentes ao Ensino Médio. Um desses momentos pôde ser verificado em 1968 quando Roberto Campos, figura exponencial, tanto no campo econômico quanto de forte suporte ideológico à ditadura militar, defendia que o ensino secundário perdesse suas características humanísticas para ganhar, na visão dele, conteúdos mais práticos. Tal opinião evidentemente vinha ao encontro dos interesses do sistema produtivo. Era grande naquele momento a pressão da classe média por ampliação de vagas nas universidades públicas. Fixar para o Ensino Médio papel de preparar prioritariamente para o mercado atendia de um lado a classe menos favorecida economicamente remetendo seus filhos para a possibilidade de emprego. De outro lado isso poderia diminuir a pressão da classe média pelas almejadas vagas para o ensino superior. Pertinente aqui citar Dagmar M. L. Zibas (2005), que assim sintetiza a questão apontada “Essa focalização no mercado parecia “cair como uma luva” para a solução do problema criado pela crescente pressão à expansão de vagas nas universidades públicas, pressão exercida, na época, por setores médios até então alijados do ensino superior”. A tal circunstância, em si binária, deve-se ainda considerar que se ampliou e reproduziu para alguns outros aspectos, como por exemplo, o que hoje evidencia, por exemplo, dualidade entre o ensino médio noturno e o do diurno, dicotomia presente também entre o que se oferece através das escolas públicas e o ensino das escolas privadas, este último segmento com forte influência de instituições religiosas. Podemos considerar tais diferenciações como reflexos da dualidade principal, verificada já na origem. Recuperar o histórico das indefinições quanto aos objetivos a serem alcançados pelo ensino médio, é o ponto de partida para compreensão das outras implicações e reflexos em como importante para apontar caminhos de sua superação. Tais questões, observadas na verificação da trajetória histórica da nossa educação, pautando-se em sua instável legislação, já se faziam presentes na etapa de surgimento do nosso ensino secundário. Preparar alguns para o ensino superior e outros para o mundo do trabalho sempre foi uma contradição, evidenciando, na verdade a disputa de classes, que em diversos momentos se expressou até mesmo em estranhas diferenciações curriculares, a serem aprofundadas na pesquisa, E como foram tratadas tais dualidades ao longo das muitas e sucessivas reformas educacionais? A pretexto então de erradicar ou reformar tal dicotomia, neutralizando ou mascarando as diferenças, que seguramente não foram resolvidas pelas intenções das reformas, é o caso, portanto, de verificar se as mesmas não foram sendo mantidas, e até mesmo acentuadas, a cada reforma. Considere-se ainda, para melhor clarear tais constatações, a necessidade de apontar os aspectos de pertinência sócio-política, conceituais e ideológicos subjacentes em cada uma das diversas reformas ocorridas. Acácia Kenzer (2000), resume a questão em um dos seus artigos sobre o tema : “A história do Ensino Médio no Brasil tem sido marcada pelas dificuldades típicas de um nível que, por ser intermediário, precisa dar respostas à ambigüidade gerada pela necessidade de ser, ao mesmo tempo, terminal e propedêutico. Embora tendo na dualidade estrutural a sua categoria fundante, as diversas concepções que vão se sucedendo ao longo do tempo refletem a correlação de forças dominantes em cada época, a partir da etapa de desenvolvimento das forças produtivas”. Observe-se ainda um aspecto interessante de luta de interesses advindos de classes socialmente distintas. A classe média, com expectativa de ver seus filhos no ensino superior não viam com bons olhos a profissionalização compulsória evidenciada, em tese, pela Lei n.5692/71, reivindicando a manutenção ou o reforço dos aspectos propedêuticos. Os setores mais empobrecidos , embora do ponto de vista imediatista, aceitassem a possibilidade de profissionalização, foram vítimas da falta de condições técnicas e materiais para uma efetiva profissionalização nas escolas. O ensino médio neste período teve enfraquecida a capacidade propedêutica e tampouco profissionalizou. Os reflexos desta confusão iria se fazer sentir nos períodos seguintes e até a atualidade. Em 1982 a Lei n. 7.044, revogou aspectos da profissionalização obrigatória estipulada pela legislação anterior. Todo esse embate esteve presente nos debates da nova LDB que, conforme a constituição de 1988, deveria substituir a LDB de 1961. Tal debate ocorreu em momentos de intensas alterações mundiais nas relações econômicas e políticas que afetaram o Brasil, na forma de diversos interesses. FATORES QUE DETERMINAM A MANUTENÇÃO DA DUALIDADE Nossa educação, em todos os seus níveis, foi influenciada por movimentos que, em resumo, passaram a atribuir à educação um papel de salvação e resgate bastante complexo e discutível. De outro lado ganhou força o discurso e a prática de redefinir o Estado como menos provedor das necessidades de financiamento, cabendo a ele, segundo tal concepção, a indução da busca da qualidade e da otimização de recursos. Alunos clientes e professores, diretores, supervisores, etc... seriam gestores dentro de e para tal concepção. O ensino médio, especificamente, na LDB 9394/96, passa a ser etapa final da nossa educação básica. Indica ainda, em um contexto de ambigüidades, que a formação profissional decorre de uma sólida formação geral. As indefinições permitiram ou exigiram que o governo instituísse complementarmente a Lei 2208/97, determinando que a formação técnica, modularizada, fosse ofertada separadamente do ensino médio regular. Assim a dualidade não só foi consolidada como reconhecida formalmente. Os interesses todos, as disputas entre concepções teóricas, pedagógicas e ideológicas, a influência de organismos financiadores internacionais, presentes nessas definições da atual lei, serão melhor analisadas na pesquisa completa. Da mesma forma considerar-se-á ainda, na trajetória, visando verificar em que medida as legislações reforçaram um problema histórico, a primeira questão relevante, já no século XXI, referente à histórica dualidade propedêutico X profissionalizante, ou seja, o Decreto 5.154/2004. BIBLIOGRAFIA − ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação, SP, Editora Moderna, 2ª. Edição revista e atualizada, 2005. − ABRAMOVAY, Miriam, CASTRO, Mary G. Ensino médio: múltiplas vozes. Brasília: UNESCO BR, MEC, 2003. − BARRETO, Elba Siqueira de Sá. A propósito das orientações curriculares nacionais para o ensino médio. 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