Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira FICHA TÉCNICA Título: Estudo de Benchmarking sobre Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Edição: INOVCLUSTER - Cluster Agro-Industrial do Centro Coordenação: KWL – Sistemas de Gestão da Qualidade Autoria: MCL Consultoria Ano: 2014 Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 2 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira SUMÁRIO Ficha Técnica......................................................................................................................2 Sumário .............................................................................................................................3 1. Introdução .....................................................................................................................4 2. Contextualização: O Panorama do Agronegócio Brasileiro……………………………………………5 3.O Sistema de I&DT e a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio Brasileiro ........................................................................................................................................10 3.1 O Papel da Embrapa...........................................................................................10 3.1.1 O Proeta – Programa de Incubação de Empresas da Embrapa ....................23 3.1.2 A Infoteca-e: sistema de informação tecnológica da Embrapa .........................39 3.2 Outros Centros de I&DT agropecuários no Brasil................................................42 3.2.1 EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina ………………………………………………………………………………………………………………….42 3.2.2 IAC – Instituto Agronômico de Campinas ....................................................46 3.2.3 EPAMIG – Empresa Agropecuária de Minas Gerais .....................................50 3.2.4 IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná ....................................................54 4. A Cadeia de Valor………………………………………………………………………………………………………..61 5. Fatores de Sucesso……………………………………………………………………………………………………..66 6. Processos de Mudança e Softskills……………………………………………………………………………….68 7.Conclusão…………………………………………………………………………………………………………………….70 Bibliografia .......................................................................................................................71 Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 3 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira 1. INTRODUÇÃO Este relatório tem como objetivo apresentar um levantamento sobre a transferência de conhecimento de tecnologias e serviços para o agronegócio no Brasil. País com um setor de agronegócio forte, o Brasil é considerado referência internacional em pesquisa aplicada à agropecuária. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), com mais de 40 anos de existência, é considerada um modelo de sucesso de pesquisa e desenvolvimento voltado para o agronegócio. Desde a sua fundação, a produtividade do agronegócio brasileiro mais do que duplicou. Segundo estimativas, um aumento de 1% nos gastos de pesquisa pela Embrapa está associado a um aumento de 0,2% da produtividade da agropecuária brasileira (GASQUES, BASTOS e BACCHI, 2009). Este impacto tão significativo está relacionado com a aposta na excelência dos seus investigadores e no seu grande poder de articulação, bem como na abrangência geográfica e tecnológica, características essenciais num país vasto e diverso como o Brasil. O relatório descreve o modelo de atuação da Embrapa e o seu papel na coordenação de centros de I&DT (investigação e desenvolvimento tecnológico), bem como duas iniciativas de transferência e difusão tecnológica – o Proeta, programa de incubação, e a Infoteca-e, repositório de informação tecnológica. Além disso, o relatório também apresenta quatro dos principais centros de I&DT para o agronegócio do país, de maneira a dar uma visão ampla do sistema de pesquisa e desenvolvimento agropecuário que existe no Brasil. As informações apresentadas neste documento são baseadas em fontes de dados oficiais, sítios e publicações oficiais das instituições, além de trabalhos académicos e entrevistas telefónicas com colaboradores das diversas instituições. Além desta introdução, o relatório possui mais três secções. Inicialmente, é feita uma contextualização sobre a importância do agronegócio para a economia brasileira. De seguida, é apresentado o sistema de I&DT e de transferência de tecnologias para o Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 4 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira agronegócio brasileiro. Nessa secção, o papel da Embrapa e suas estratégias de atuação estão descritos, com especial destaque para o Proeta e a Infoteca-e, assim como a atuação de quatro dos principais centros de I&DT agropecuário do país. Por fim, são feitas as considerações finais. 2. CONTEXTUALIZAÇÃO: O PANORAMA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO O Brasil, desde sempre um país com fortes vantagens comparativas no campo, devido aos seus biomas diversos, ao seu extenso território e a recursos naturais abundantes, tem observado uma evolução significativa do seu agronegócio nas últimas décadas. O país possui cerca de 5,2 milhões de estabelecimentos rurais e 250 milhões de hectares de lavouras e pastagens (MAPA, 2014). Em 2012, a agropecuária brasileira representou cerca de 4,5% do produto interno bruto (PIB) do país. Considerando-se o agronegócio como um todo (incluindo a agroindústria e serviços diretamente ligados a agropecuária), essa participação foi de 22% em 2011, com um valor total de R$ 918 bilhões (cerca de € 380 bi. à época) (MAPA, 2014). Não obstante a queda da participação da agropecuária no total do PIB desde os anos 1950, inicialmente devido à industrialização e posteriormente ao crescimento do setor de serviços (ver figuras 1 e 2), o setor é o único que tem constantemente apresentado um crescimento da produtividade. Figura 1 – Participação (em %) dos grandes setores no PIB – Brasil, 1947-2012. 70 60 58,18 54,02 SERVIÇOS 50 40 20 INDÚSTRIA 25,19 22,34 AGROPECUÁRIA 22,78 10 2009 2007 2005 2003 2001 1999 1997 1995 1993 1991 1989 1987 1985 1983 1981 1979 1977 1975 1973 1971 1969 1967 1965 1963 1961 1959 1957 1955 1953 1951 1949 1947 0 4,45 2011 30 Fonte: FGV e IBGE Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 5 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Figura 2 – Participação (em %) do agronegócio e da agropecuária no PIB – Brasil, 19942012*. *Ainda não há dados para a participação do agronegócio no PIB em 2012. Fonte: IBGE, CEPEA apud MAPA (2014). Desde o final do anos 70, há uma clara inflexão na produtividade do agronegócio brasileiro. De 1976 a 2013, a produção de grãos por hectare mais do que triplicou, chegando a 3,6 ton./ha (ver Figura 3). Fenómeno parecido, apesar de menor em escala, ocorreu com a pecuária. De 1960 a 2010, a produtividade do segmento passou de 0,47 para 1,2 cabeças de gado por hectare. No período estudado, o Brasil passou por diversas e profundas mudanças, tendo este aumento de produtividade sido causado por diversos fatores. Entre eles, diversos autores citam o aumento da qualificação da mão-de-obra (DEL GROSSI e GRAZIANO, 2006); a melhoria nos processos de gestão (GASQUES et al, 2010); o aumento da eficiência e capacidade operacional de máquinas (EMBRAPA, 2008a); e o aumento dos investimentos em investigação e desenvolvimento, principalmente por parte da Embrapa (GASQUES et al, 2010). Um estudo de Gasques, Bastos e Bacchi (2009) estima que um aumento de 1% nos gastos em pesquisa da Embrapa conduz a um aumento de 0,2% na produtividade no campo. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 6 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Figura 3 – Produtividade, em kilogramas por hectare, da produção de grãos* - Brasil, 1931-2013. Produtividade 4000 3.562,1 3500 3000 kg/ha 2500 2000 1.476,9 1500 1.436,3 1000 500 1931 1933 1935 1937 1939 1941 1943 1945 1947 1949 1951 1953 1955 1957 1959 1961 1963 1965 1967 1969 1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 0 Fonte: IBGE - Es tatísticas His tóricas, Elaboração AGE/ MAPA; *Arroz, Feijão, Milho , Soja e Trigo O facto é que o agronegócio tem um grande peso na economia brasileira, com uma produção diversificada. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, os principais produtos agropecuários do país, pelo valor bruto da produção, são o gado (21%), a soja (16%), a cana-de-açúcar (10%), o milho (7%) e o leite (7%) (ver Figura 4). Figura 4 – Principais produtos agropecuários brasileiros, em valor bruto da produção – 2009. Gado 21% Outros 21% Feijão 3% Arroz 4% Soja 16% Café 5% Avicultura 6% Leite 7% Milho 7% Cana-de-açúcar 10% Fonte: MAPA, 2010. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 7 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Apesar de cerca de 70% da produção agropecuária brasileira ser destinada ao consumo interno, o agronegócio tem uma importante participação na balança comercial. Em 2013, o setor registou um superávit de U$ 83 bilhões, o equivalente a 41% de todo o valor exportado pelo Brasil no ano (MAPA, 2014). Os principais produtos agropecuários exportados em 2013 foram a soja em grãos (U$ 23 bi.); o açúcar (U$ 12 bi.); a carne de frango (U$ 7,5 bi.); e o papel e a celulose (U$ 7,2 bi.) (MAPA, 2014). O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar, café e sumo de laranja do mundo, além de ser o maior exportador de carne bovina, tabaco, etanol e carne de frango e o segundo maior exportador de soja. Os principais destinos de exportação dos produtos agropecuários brasileiros são a Europa (29%), a China (14%) e os Estados Unidos (7%) (ver Figura 5) (MAPA, 2010). Figura 5 – Principais destinos das exportações de produtos agropecuários brasileiros, por valor da exportação – 2009. EU-27 29% Outros 31% Coreia do Sul 2% China 14% Arábia Saudita 2% Venezuela 2% Hong Kong 3% EUA 7% Japão 3% Índia Rússia 3% 4% Fonte: MAPA, 2010. Apesar de os esforços em investigação e desenvolvimento (I&D) se terem intensificado após a década de 70, desde o século XIX há iniciativas nesse sentido, principalmente por Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 8 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira parte do setor público. Após o fim do comércio de escravos, em 1850, houve uma forte pressão por parte dos produtores de cana-de-açúcar e café – à época, os principais produtos brasileiros –, receosos de uma possível falta de mão-de-obra, para que o governo estimulasse a modernização da agricultura do país (BEINTEMA, AVILA e PARDEY, 2001). Neste processo, o governo brasileiro criou o Imperial Instituto Fluminense de Agricultura (IIFA) e o Imperial Instituto Baiano de Agricultura (IIBA), que se focavam na pesquisa e extensão voltadas para o café e a cana-de-açúcar. Os institutos tinham como objetivos a busca de alternativas à mão-de-obra escrava, a melhoria dos equipamentos, a pesquisa sobre solo, adubagem e aclimatação de espécies e o estudo sobre variedades vegetais (BEDIAGA, 2011). Em 1887, com o fortalecimento da cultura de café no estado de São Paulo, o governo estabeleceu a Estação Agronômica de Campinas, atual Instituto Agrônomo de Campinas (IAC). Inicialmente, o instituto focava-se no aprimoramento das variedades de café, mas posteriormente passou a dar ênfase também a pesquisas nos campos da genética, manuseamento do solo, agroenergia e outros (BEDIAGA 2011 e IAC, 2011). Após a criação de diversos institutos que atuavam ao nível estadual, em 1971 o governo estabeleceu o Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuária (DNPEA), com mais de 75 estações de pesquisa espalhadas por todas as regiões do país. Em 1972, foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que absorveu a estrutura e os centros do DNPEA e que visava complementar a pesquisa básica feita pelas universidades (BEINTEMA, AVILA e PARDEY, 2001). A importância da Embrapa para a pesquisa e o desenvolvimento do Brasil é evidente. De acordo com estimativas de Beintema, Avila e Pardey (2001), a Embrapa responde sozinha por 57% dos investimentos em I&D e 44% dos investigadores da área. Outro dado importante diz respeito às agências estaduais (também públicas), que respondem por outros 21% de investimentos e 37% dos investigadores. O restante investimento é realizado pelas agências de pesquisa de centros universitários (15%), institutos privados (4%) e institutos que não visam ao lucro (3%). Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 9 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Nas seções seguintes, serão apresentados o papel da Embrapa e as suas principais ações de transferência tecnológica, assim como o papel de outros quatro importantes centros de pesquisa agropecuária. No final, serão apresentadas as conclusões, com os pontos positivos e as limitações da experiência brasileira em Investigação e Desenvolvimento e transferência tecnológica para o agronegócio. 3. O SISTEMA DE I&DT E A TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIAS PARA O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO Conforme visto na seção anterior, a investigação aplicada e a transferência de tecnologias tiveram um papel essencial no desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Nesta seção, serão apresentados o papel e as estratégias da Embrapa, com especial atenção para o Proeta e a Infoteca-e. Também será descrita a atuação de quatro dos principais centros de pesquisa agropecuária do Brasil: EPAGRI (de Santa Catarina), EPAMIG (Minas Gerais), IAC (São Paulo) e IAPAR (Paraná). 3.1 O PAPEL DA EMBRAPA No contexto do chamado “milagre econômico brasileiro”, quando o país crescia mais de 10% ao ano, o governo federal, com o intuito de modernizar a agropecuária brasileira e torná-la competitiva internacionalmente, fundou a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) em 1972, como empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura. Na lei que instituiu a Embrapa, fica claro que o papel da empresa é de “promover, estimular, coordenar e executar atividades de investigação, com o objetivo de produzir conhecimento e tecnologia para o desenvolvimento agrícola”, além de “dar apoio técnico e administrativo a órgãos do Poder Executivo, com atribuições de formulação, orientação e coordenação das políticas de ciência e tecnologia no setor agrícola” (BRASIL, 1972). Em 2008, a Embrapa lançou o seu V Plano Diretor, com uma visão de longo prazo, estendendo o seu planeamento até 2023. Nesse Plano, foi definido o seu Posicionamento Estratégico para os 15 anos seguintes, detalhando a sua missão, visão, os seus objetivos e as suas diretrizes estratégicas. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 10 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira A missão da Embrapa foi atualizada no Plano Diretor, em consonância com o que está previsto na lei que a criou, e ficou definida como “viabilizar soluções de investigação, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira”. Para isso, a Embrapa tem um orçamento anual de R$ 2,3 bilhões (€ 713 milhões), proveniente quase que inteiramente de recursos do Tesouro Nacional, e conta com um quadro qualificado de 9.795 empregados, sendo que 2.427 são investigadores. Desses investigadores, 7% são pós-doutores, 74% são doutores e 18% são mestres. No seu Posicionamento Estratégico (ver Figura 6), a Embrapa estabeleceu como visão de futuro “ser um dos líderes mundiais na geração de conhecimento, tecnologia e inovação para a produção sustentável de alimentos, fibras e agroenergia”. Para alcançar essa visão, a Embrapa estabelece seis transformações que visam gerar benefícios para o seu públicoalvo. Para isso, a instituição define grandes desafios científicos e tecnológicos que devem ser superados e estabelece cinco objetivos estratégicos relacionados. Por fim, a Embrapa esquematiza desafios organizacionais e institucionais que também devem ser superados e define oito diretrizes estratégicas para o efeito (EMBRAPA, 2008b). Entre os benefícios para o público-alvo, contam-se a preocupação com a promoção da competitividade do agronegócio brasileiro – por meio da agregação de valor – a sustentabilidade dos biomas e a redução dos desequilíbrios regionais do país. Destaca-se também a menção à agricultura familiar e aos pequenos e médios estabelecimentos. No que respeita aos desafios científicos e tecnológicos, destaca-se a importância dada à agregação de valor por meio da I&DT, em especial a ligada à biodiversidade brasileira. Quanto aos desafios organizacionais e institucionais, é possível perceber a ênfase na construção de parcerias e redes, na transferência de tecnologia e no fortalecimento de sua infraestrutura e quadro técnico. A empresa também atua como coordenadora do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), composto pela Embrapa e suas Unidades de Pesquisa e de Serviços, pelas Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Oepas), universidades, empresas privadas e fundações ligadas à pesquisa agropecuária (EMBRAPA, 2014). Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 11 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Figura 6 – Posicionamento Estratégico da Embrapa Fonte: EMBRAPA, 2008b. A Embrapa possui um Conselho de Administração (Consad), que é responsável pela organização, controle e avaliação das atividades da empresa. O conselho é formado por oito membros, tendo que ser obrigatoriamente composto pelo(a) presidente da Embrapa (que é nomeado(a) pelo(a) Presidente da República), três elementos indicados pelo Ministério da Agricultura – sendo pelo menos um deles representante de entidades de pesquisa agropecuária e outro dos empreendimentos produtores – por um representante dos(as) empregados(as) da Embrapa e por outros três membros indicados pelos Ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento Agrário. Abaixo do Consad está a Direção Executiva, composta pela presidência e pelas direções de Investigação e Desenvolvimento, Transferência de Tecnologia e Administração e Finanças (ver Figura 7). A Direção Executiva coordena as Unidades Centrais (UC), que por sua vez coordenam as Unidades descentralizadas (UD). Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 12 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Figura 7 – Organograma da Embrapa Fonte: Embrapa, 2014. O Consad, a Direção Executiva e a UC ficam localizadas na sede da Embrapa, em Brasília, e são responsáveis por planear, supervisionar, coordenar e controlar as ações de investigação agropecuária bem como a formulação de políticas agrícolas (EMBRAPA, Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 13 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira 2014). Destacam-se aqui, pela sua importância na questão da transferência tecnológica, os papéis do Departamento de Investigação e Desenvolvimento (DPD); da Secretaria de Negócios (SNE); e do Departamento de Transferência de Tecnologia (DTT). O DPD, ligado à Presidência e à Direção de Investigação e Desenvolvimento, é responsável pela gestão da agenda de I&D, incluindo os processos de articulação técnica e gestão da informação. Mais especificamente, o departamento trabalha na formulação da agenda de I&D da Embrapa e coordena a sua execução, definindo as metas técnicas de I&DT da instituição, alinhando as unidades de pesquisa, articulando parcerias internas e externas, e promovendo a diversificação de fontes financiadoras, monitorando, avaliando e ajustando a atuação da Embrapa em I&DT. O departamento é subdividido em três coordenações: gestão da programação (responsável por coordenar os macroprogramas de I&D), integração e articulação em I&D, e suporte gerencial e gestão da informação. A Secretaria de Negócios é ligada à Presidência e à Direção de Transferência de Tecnologia e é responsável pelas estratégias de negócio, gestão da propriedade intelectual da Embrapa e o desenvolvimento de estratégias de interação público-privada da instituição. Essa Secretaria é a responsável pelo Proeta, programa de incubação, apresentado mais à frente . O Departamento de Transferência de Tecnologia, também ligado à Presidência e à Direção de Transferência de Tecnologia, é responsável por coordenar, articular, orientar e avaliar as estratégias e ações da Embrapa na área de transferência de tecnologia. O DTT é subdividido em três coordenações: de Informação e Estratégias (CIE), de Articulação e Programação (CAP), e de Métodos e Análises (CMA). A CIE qualifica e sistematiza as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e coordena a definição de estratégias dos negócios de transferência de tecnologias (TT). Já a CAP coordena a articulação de parcerias relacionadas com a TT entre as unidades da Embrapa e os parceiros, além de coordenar o planeamento, a execução e o acompanhamento de programas e projetos de TT. Por fim, a CMA avalia as estratégias e os métodos de TT utilizados, analisa os impactos económicos, sociais e ambientais das tecnologias Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 14 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira transferidas e coordena o processo de elaboração de manuais e normas da Embrapa sobre TT. As 47 unidades descentralizadas foram criadas ao longo dos últimos 40 anos, em diversas épocas, e estão direccionadas para produtos, serviços ou biomas específicos. Estas unidades são subdividas em: unidades de temas básicos, unidades de produtos, unidades ecorregionais e unidades de serviço. As onze unidades de temas básicos concentram a pesquisa e as atividades em temas transversais estratégicos e têm atuação de âmbito nacional. A constituição da Embrapa Agroenergia, por exemplo, foi estabelecida em 2006, uma vez que o Ministério da Agricultura, juntamente com a Embrapa, definiu a temática como essencial para o futuro do agronegócio brasileiro (EMBRAPA, 2014). Ser líder mundial na geração de conhecimento, tecnologia e inovação em agroenergia é parte da visão de futuro da Embrapa (EMBRAPA, 2008b). Outra unidade essencial é a Embrapa Estudos e Capacitação, que realiza estudos prospectivos globais, procurando identificar tendências na procura científico-tecnológica. Esses estudos subsidiam o planeamento da instituição, influenciando a agenda da investigação agropecuária por ela realizada. Além disso, a unidade também tem o papel de mobilizar a capacitação e a transferência de conhecimento e tecnologias entre as diferentes unidades da Embrapa. Outros temas com unidades específicas de pesquisa são os seguintes: agrobiologia; agroindústria de alimentos; agroindústria tropical; informática agropecuária; instrumentação (que trabalha para o desenvolvimento de equipamentos e maquinaria adequada à realidade brasileira); meio ambiente (que procura viabilizar soluções de I&DT para promover a agricultura sustentável); monitorização por satélite (que trabalha com I&DT baseadas em geotecnologias e geoinformação para a gestão territorial e a sustentabilidade da agricultura); recursos genéticos e biotecnologia; e solos. As 14 unidades de produtos também têm âmbito nacional – apesar de estarem distribuídas em onze estados – e são voltadas para o avanço de produtos ou conjuntos de produtos de grande relevância socioeconómica para o Brasil (GOEDERT, CASTRO e PAEZ, Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 15 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira 1995). Em geral, as unidades são localizadas em locais fortes nos produtos específicos ou com vocação para tal e contêm campos experimentais na região. Estas unidades são especializadas em: algodão; arroz e feijão; caprinos e ovinos; florestas (dedicada a produtos florestais e gestão sustentável); gado de corte; gado de leite; hortaliças; mandioca e fruticultura; milho e sorgo; pesca e aquicultura; soja; suínos e aves; trigo (que engloba também cereais de inverno); e uva e vinho. As 17 unidades ecorregionais encontram-se distribuídas por praticamente todo o território nacional e visam contemplar a diversidade dos biomas e estados brasileiros. Essas unidades realizam I&DT aplicada às realidades dos biomas locais e promovem a difusão de tecnologias e conhecimentos gerados pelas unidades de temas básicos e de produtos, além do que é gerado pelos demais componentes do SPNA. Essas unidades são: Acre; Agropecuária Oeste (engloba os estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e partes do Paraná e São Paulo); Agrossilvipastoril (Mato Grosso); Amapá; Amazônia Ocidental (ênfase no estado do Amazonas); Amazônia Oriental (estado do Pará); Cerrados (principalmente região Centro-Oeste); Clima Temperado (Região Sul); Cocais (principalmente Maranhão); Meio-Norte (Piauí e Maranhão); Pantanal (Mato Grosso do Sul e partes do Mato Grosso); Pecuária Sudeste (Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro); Pecuária Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina); Rondônia; Roraima; Semiárido (Região Nordeste); Tabuleiros Costeiros (áreas costeiras de Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará). Por fim, a Embrapa possui também cinco unidades de serviços, que são as unidades mais próximas do produtor rural, responsáveis por boa parte da difusão de conhecimentos e tecnologias gerados pelas unidades mais diretamente ligadas à investigação. São unidades de serviços: Embrapa Informação Tecnológica (responsável pela difusão de informações geradas pela Embrapa); Embrapa Produtos e Mercados (responsável pela produção, promoção, comercialização e licenciamento de ativos e tecnológicos gerados pela Embrapa; principal responsável pela transferência tecnológica); Gestão Territorial (responsável pela procura por dados agrícolas em bases territoriais); Quarentena Vegetal Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 16 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira (responsável pelo intercâmbio e a quarentena de germoplasma); e Café (coordenadora de um consórcio de pesquisa em café). As unidades descentralizadas da Embrapa encontram-se em 24 dos 27 estados (incluindo o Distrito Federal) brasileiros (ver Figura 8), o que possibilita o desenvolvimento de tecnologias adequadas às diversas realidades do país. Figura 8 – Unidades de Pesquisa e de Serviços da Embrapa Fonte: EMBRAPA, 2014. De ressaltar ainda que a Embrapa, por ser coordenadora do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, ainda tem influência sobre as Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Oepas), que são componentes do SNPA e estão presentes em 18 estados, inclusive nos três únicos que não têm unidades descentralizadas da Embrapa. Deste Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 17 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira modo, observa-se que a Embrapa atua, de facto, em praticamente todo o território nacional. Outro ponto importante reforçado pelo V Plano Diretor da Embrapa, e que é também uma das diretrizes estratégicas da instituição, é a necessidade de a empresa expandir a sua atuação internacional, de modo a estimular a expansão do agronegócio brasileiro e realizar projetos de I&DT e transferência de tecnologia com instituições estrangeiras (EMBRAPA, 2008b). O referido documento prevê também a criação da Embrapa Internacional, que seria responsável por essas iniciativas. A atuação internacional da Embrapa é coordenada pela Secretaria de Relações Internacionais (SRI), que é ligada diretamente à Presidência da instituição. Atualmente, a Embrapa tem 78 acordos bilaterais com 89 instituições estrangeiras localizadas em 56 países. De modo geral, a Embrapa possui três tipos de cooperação internacional: intercâmbio de conhecimento; cooperação técnica; e projetos estruturantes. O principal tipo de projeto de intercâmbio de conhecimento são os “Labex”, também chamados de “Laboratórios Virtuais”. Neste tipo de cooperação, a Embrapa procura, de forma proativa, uma parceria de maior densidade e uma visão programática de longo prazo, focada em tecnologias de fronteira de interesse de ambas as partes (LABEX USA, 2014). No âmbito do Labex, investigadores senior da Embrapa instalam-se em instituições de investigação agropecuária de ponta por um período que varia entre dois e quatro anos. No Labex convencional, os investigadores devem dedicar dois terços do seu tempo a temas de pesquisa previamente combinados entre as instituições, e um terço a atividades exploratórias para a geração de novas oportunidades de pesquisa (AGROPOLIS INTERNATIONAL, 2012). Atualmente, a Embrapa possui cinco Labex (EMBRAPA, 2014): Estados Unidos, em parceria com o Serviço de Pesquisa Agrícola, do Departamento de Agricultura (ARS/USDA); França, com a Agrópolis; Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 18 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Reino Unido, com o Rothamsted Research; Coreia do Sul, com a Administração de Desenvolvimento Rural (RDA); e China, com a Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS), a Academia Chinesa de Ciências (CAS) e a Academia Chinesa de Ciências Agrícolas Tropicais (CATAS). Os projetos de cooperação técnica são estabelecidos em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e costumam ser acordados com outros países em desenvolvimento, seja para programas de formação via Embrapa Estudos e Capacitação ou “Innovation Marketplaces”, parcerias que visam promover a inovação e o desenvolvimento agropecuários (AGRICULTURAL INNOVATION MARKETPLACE, 2014). Esses projetos abrangem países da América Central e Caribe, América do Sul, África, além do Timor Leste. Os chamados Projetos Estruturantes são os de maior tamanho e visam resultados de maior profundidade. São exemplos os projetos de cotonicultura e rizicultura em países africanos (ARRAES, 2012). Na Figura 9, a seguir, é possível ver a distribuição dos Labex e demais projetos da Embrapa no exterior. Figura 9 – Labex e demais projetos da Embrapa no Exterior Fonte: EMBRAPA, 2014. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 19 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Além das unidades de pesquisa e de serviços, a Embrapa Produtos e Mercados possui 14 Escritórios de Negócio (EN) e 2 Unidades de Produção (UP) responsáveis por produzir, comercializar e distribuir sementes e mudas básicas . Como é possível ver na Figura 10, os EN e as UP estão presentes em doze estados, em todas as regiões do país. Cada escritório costuma especializar-se em produtos adaptados à região. A título de exemplo, o EN de Campina Grande comercializa, entre outros produtos, sementes de algodão, produto típico da região. Figura 10 – Escritórios de Negócios e Unidades de Produção Fonte: EMBRAPA, 2014. Além dos EN, a Embrapa também mantém a página “Negócios de Cultivares”, na qual clientes interessados em adquirir tecnologias desenvolvidas pela instituição conseguem visualizar fotos, descrição e pontos de comercialização dos produtos. Como forma de comunicar aos produtores as suas novas tecnologias, a Embrapa realiza nos seus eventos por todo o país as “Vitrines Tecnológicas” e as “Unidades Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 20 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Demonstrativas”, espaços nos quais a instituição demonstra ao público in loco os seus novos produtos. Nesses eventos, porém, não se costuma realizar a transferência de tecnologia. A Embrapa também realiza licitações para a venda de sementes e mudas que deseja inserir no mercado. Em geral, oferecem-se sementes básicas de uma nova variedade de cultivar e o direito de produzir e comercializar sementes e mudas. O edital da licitação apresenta os detalhes do cultivar e as condições de licenciamento. Os editais estabelecem um valor por muda ou semente e critérios de classificação dos produtores (tempo de produção, tamanho da produção, etc). Os produtores vencedores têm o direito de produzir e comercializar a semente por um tempo determinado. Em contrapartida, não podem reivindicar qualquer forma de propriedade intelectual, devem utilizar a marca da Embrapa e não podem realizar melhoramento genético com o cultivar. Além disso, os produtores devem pagar à Embrapa uma percentagem da produção (geralmente entre 5% e 7%) em royalties. Outro tipo de procedimento comum para a transferência de tecnologias é a parceria entre a Embrapa e fundações ou institutos privados de investigação. Nessas parcerias, a Embrapa alia-se a esses institutos com o intuito de arrecadar recursos financeiros para a pesquisa, além de realizar investigação aplicada às necessidades do mercado (DE CARLI, 2005). Os produtos dessas parcerias são então comercializados com a utilização da marca Embrapa, que é detentora exclusiva da propriedade intelectual do produto. Em contrapartida, o instituto de investigação costuma ter exclusividade na exploração comercial do produto por um período que varia entre cinco e dez anos, enquanto a Embrapa recebe uma percentagem da receita em royalties. O instituto licenciado recebe vistorias técnicas periódicas da Embrapa para verificar a qualidade e manter a marca Embrapa no produto (DE CARLI, 2005). Uma forma similar de transferência é a decorrente da parceria de cooperação técnica da Embrapa com a multinacional Monsanto, firmada em 1997. No âmbito dessa parceria, Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 21 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira foram desenvolvidos cultivos de soja transgênica a partir de germoplasma da Embrapa e tecnologia Roundup Ready® da Monsanto. O fator diferenciador é que a Monsanto não tem exclusividade na comercialização do produto. Conforme o acordo estabelecido, a Embrapa pode licenciar empresas produtoras de sementes, que pagam uma taxa tecnológica à Monsanto e royalties à Embrapa (MENDES e BUAINAIN, 2013). De 2006 até ao início de 2012, a Embrapa já tinha arrecadado mais de R$ 29 milhões (cerca de € 9 mi.) em royalties advindos dessa parceria (EMBRAPA, 2012a). Atualmente, está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei que, se aprovado, criará uma subsidiária da Embrapa, Embrapa Tecnologia SA – Embrapatec, que será responsável pela comercialização das tecnologias, produtos e serviços criados pela Embrapa. A ideia é que a Embrapatec seja responsável também pelo uso das marcas e os direitos de propriedade intelectual da Embrapa, tendo que necessariamente aplicar parte dos recursos em investigação agropecuária. A Embrapatec também poderá ser acionista minoritária de outras empresas (EMBRAPA, 2012b). A Embrapa também faz parcerias com ministérios, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), para distribuição de sementes a agricultores familiares. Nessas parcerias, a Embrapa costuma fornecer sementes e mudas, que são custeadas e distribuídas pelos ministérios (EMBRAPA, 2011). Outra forma de transferência tecnológica é a incubação de empresas de base tecnológica (via Proeta), tema abordado na secção seguinte. Além disso, a Embrapa promove informação tecnológica por meio da publicação de livros e divulgação de artigos e folhetos informativos. A Embrapa Informação Tecnológica produz um programa semanal de rádio (Prosa Rural), que é transmitido em rádios em todos os estados brasileiros, e um programa semanal de TV (Dia de Campo), que é transmitido em canais públicos e em canais privados destinados ao público rural. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 22 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira A Embrapa também mantém 47 bibliotecas espalhadas na sua sede e nas suas unidades descentralizadas. As bibliotecas mantêm um acervo técnico-científico, com material produzido pela Embrapa e seus parceiros, além de monografias, dissertações e livros relacionados com a pesquisa agropecuária. Como forma de potenciar as suas ações de informação tecnológica, a Embrapa também mantém três sistemas de acesso aberto e gratuito com produção técnica e científica de investigadores da Embrapa e de outros autores de interesse para produtores rurais e investigadores da área de agropecuária: Infoteca-e (Informação Técnológica em Agricultura), Repositório Alice (Repositório Acesso Livre à Informação Científica da Embrapa), Sabiia (Sistema Aberto e Integrado de Informação Agrícola). Esses sistemas serão mais detalhados na secção sobre a Infoteca-e, a seguir. Como evidenciado até aqui, a Embrapa possui uma atuação ampla, diversificada e geograficamente abrangente. Ao longo dos seus mais de 40 anos, a empresa foi-se adaptando às novas realidades, expandindo as suas atividades. A instituição trabalha desde a fase da investigação e desenvolvimento, seja de maneira interna ou por meio de parcerias com institutos e universidades, até à transferência tecnológica e a comercialização dessas tecnologias para empresas e produtores rurais. A seguir, serão apresentados o Proeta, programa de incubação, e a Infoteca-e, serviço de informação tecnológica da Embrapa. 3.1.1 O PROETA – PROGRAMA DE INCUBAÇÃO DE EMPRESAS DA EMBRAPA Com o objetivo de potenciar as suas ações de transferência tecnológica e promover o empreendedorismo de agronegócio no Brasil, a Embrapa lançou em 2001, com apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do seu Fundo Multilateral de Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 23 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Investimento (FUMIN), o Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e a Transferência de Tecnologia – Proeta1. O Proeta é um programa de incubação de empresas que beneficia do vasto portfólio de tecnologias agropecuárias desenvolvidas pela Embrapa. As empresas que são incubadas pelo programa criam planos de negócio a partir das tecnologias disponibilizadas pela Embrapa. De acordo com a Embrapa (EMBRAPA, 2004; 2009), os principais objetivos do programa são: Transferir tecnologias, produtos e serviços gerados pela Embrapa para a iniciativa privada; • Contribuir para a geração de empresas de base tecnológica agropecuária; • Apoiar a formação e disseminação de cultura de inovação e empreendedorismo; • Colaborar com o desenvolvimento da agricultura familiar; • Contribuir para a geração de emprego; • Contribuir para o desenvolvimento das cadeias produtivas do agronegócio; e • Contribuir para o desenvolvimento regional. O que se destaca no Proeta como diferente de outros programas de incubação é a metodologia de inovação aberta. No modelo tradicional de incubação, o empreendedor apresenta um plano de negócio baseado numa ideia inovadora própria e recebe apoio da incubadora para implementá-lo. No Proeta, a Embrapa apresenta tecnologias, produtos e serviços já desenvolvidos pela instituição e disponibiliza-os a empreendedores que queiram colocá-los em prática, e que se candidatam ao processo de incubação com o plano de negócio baseado na inovação da Embrapa. Se aprovado, o empreendedor recebe apoio de gestão por parte da incubadora para executar o seu plano de negócio e assistência técnica da Embrapa para desenvolver a tecnologia transferida. 1 Para conhecer o sítio do PROETA, visitar: http://hotsites.sct.embrapa.br/proeta Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 24 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira No Proeta, o processo de incubação é realizado via incubadoras parceiras já estabelecidas, de modo que o papel da Embrapa é de coordenação do programa e assistência técnica para o desenvolvimento das tecnologias. Dessa forma, o processo tem três principais envolvidos: a Embrapa, a incubadora e o empreendedor. No sentido de ter abrangência nacional, a Embrapa operacionaliza o Proeta por meio de cinco unidades descentralizadas localizadas nas cinco regiões do Brasil. Essas unidades são chamadas de Unidades Coordenadoras Regionais (UCR) e encontram-se distribuídas da seguinte forma: UCR Norte – Embrapa Amazônia Oriental – Belém-PA; UCR Nordeste – Embrapa Agroindústria Tropical – Fortaleza-CE; UCR Centro-Oeste – Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – Brasília-DF; UCR Sudeste – Embrapa Gado e Leite – Juiz de Fora-MG; UCR Sul – Embrapa Suínos e Aves – Concórdia-SC; Além das UCRs, qualquer unidade descentralizada da Embrapa pode iniciar as ações, devendo reportar à UCR de sua região para orientação e supervisão, como Unidade Vinculada (UV). As UCRs e UVs têm como atividades (SILVA, DIAS e CAMPOS, 2009): Analisar as tecnologias da Embrapa com potencial de mercado para compor o portfólio do Proeta; Articular parcerias com incubadoras locais, de modo a ampliar a rede de incubadoras do programa; Promover, juntamente com as incubadoras, o Proeta e os editais públicos de seleção de negócios a serem incubados; Prestar consultoria e assistência técnica às empresas incubadas; Promover a capacitação em empreendedorismo, incubação e gestão de negócios junto de empreendedores, estudantes universitários e gestores locais do Proeta; e Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 25 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Acompanhar as incubadoras parceiras e as empresas incubadas durante o regime de incubação. De modo simplificado, o fluxo de ações do Proeta é o apresentado na Figura 11. De forma mais detalhada, o processo de incubação acontece da seguinte maneira: 1. UCR ou UV assina acordo de parceria com incubadora parceira. 2. Embrapa (via UCR/UV) e incubadora definem um plano de ação. 3. Embrapa disponibiliza portfólio de tecnologias disponíveis com potencial de mercado. 4. Incubadora e Embrapa lançam edital público de seleção de empreendedores e empresas a serem incubados. 5. Empreendedores apresentam ideias de negócios que utilizem tecnologias do portfólio do Proeta. 6. Empresas e empreendedores são classificados de acordo com critérios como grau de inovação da ideia, viabilidade económica, capacidade dos empreendedores, entre outros critérios definidos pela Embrapa e pela incubadora. 7. Os empreendedores melhor classificados são pré-selecionados e recebem formação e assessoria para elaboração de plano de negócios fornecido pela incubadora. 8. Empreendedores apresentam os planos de negócio. 9. Os empreendedores com os melhores planos de negócio são selecionados para serem incubados. 10. Após incubados, os empreendedores assinam contratos com a Embrapa e com a incubadora. 11. Empreendedores pagam royalties à Embrapa pelo uso das suas tecnologias (após o início da comercialização do produto ou serviço); pagam custos de Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 26 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira manutenção à incubadora; e recebem assistência técnica da Embrapa e apoio à gestão da incubadora (EMBRAPA, 2004, 2014). De acordo com a Norma do Proeta (EMBRAPA, 2004), o público-alvo do programa são empreendedores e empresários que tenham capacidade técnica ou científica para absorver o conhecimento científico ou tecnológico da Embrapa e com interesse de desenvolver empresas inovadoras do agronegócio. Entre esses, a Embrapa visa atrair para o empreendedorismo investigadores e técnicos, graduados e pós-graduados e alunos bolseiros. Cabe ressaltar que a Embrapa não fornece as instalações físicas para as empresas incubadas, ficando essa responsabilidade por conta das incubadoras. O programa também prevê a incubação à distância, ou as “empresas não-residentes”, por meio da qual as empresas passam por todo o processo de incubação, mas não ficam fisicamente instaladas na incubadora (EMBRAPA, 2004). Figura 11 – Fluxo de Ações do Proeta Fonte: EMBRAPA, 2014. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 27 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Até dezembro de 2012, o Proeta contava com 42 incubadoras parceiras, localizadas em 17 estados (incluindo o Distrito Federal), nas cinco regiões do País (ver Figura 12 e Quadro 1). Grande parte das incubadoras estão ligadas a centros universitários, mas há algumas ligadas a prefeituras, governos estaduais, fundações públicas de pesquisa e institutos privados. Além disso, a maior parte das incubadoras atuam de maneira multissetorial, o que permite que a transferência de tecnologia não fique focada em poucos segmentos. Figura 12 – Localização das incubadoras do Proeta Fonte: Elaboração própria a partir de dados do sítio do Proeta (EMBRAPA, 2004). Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 28 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Quadro 1 – Rede de incubadoras parcerias do Proeta, por região. Incubadora Cidade CIDE - Centro de Incubação e Manaus- Desenvolvimento Empresarial AM Setor de atuação NORTE RITU - Rede de Incubadoras de Base Tecnológica da Universidade do Estado Belém-PA do Pará Biotecnologia, TIC, eletroeletrônica. Saúde, educação, agronegócio, alimentos, design e ambiente NORDESTE CENTEC - Instituto Centro de Ensino Fortaleza Tecnológico -CE CISE - Centro Incubador de Empresas Aracaju- de Sergipe SE Multissetorial Multissetorial Santa Incubadora de Empresas das Cruz Faculdades do Descobrimento Cabrália- Multissetorial BA Química/Petroquímica, Alimentos, INCUBATEC - CEPED Camaçari Biotecnologia, Minero- -BA metalurgia,Mecânica de precisão, Farmácia, TIC e Energia INEAGRO-CABUGI - Incubadora de Empresas do Agronegocio da Caprinovinocultura do Sertão do Cabugi AngicosRN Agronegócio de caprinovinocultura Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 29 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Nutec - Fundação Núcleo de Tecnologia Fortaleza Industrial -CE PADETEC - Parque de Desenvolvimento Fortaleza Tecnológico -CE Parque Tecnológico da Paraíba PaqTcPB SergipeTec Multissetorial Multissetorial Campina Grande- Multissetorial PB AracajuSE Biotecnologia, TIC, energia. CENTRO-OESTE Arca Multincubadora Ativa - Incubadora do CEFET Cuiabá CuiabáMT CuiabáMT CASULO - Incubadora de Empresas do Brasília- UniCEUB DF I-deia IESA - Incubadora de Empresas Sapezal Rondonó polis-MT SapezalMT Incubadora TECNOTEX - Pref. de Goianésia Goianésia -GO Multissetorial Agronegócios Multissetorial Multissetorial Multissetorial Multissetorial ITEC/UCB - Projeto Incubadora Tecnológica de Empresas e Brasília- Cooperativas DF Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 Multissetorial 30 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Multincubadora - CDT/UnB Brasília- Multissetorial DF SUDESTE AVANTE - Incubadora de Empresas de Brazópoli Base Tecnológica de Brazópolis s-MG CIETEC - Centro de Inovação, São Empreendedorismo e Tecnologia Paulo-SP Belo HABITAT – Fundação Biominas Horizont Base tecnológica Multissetorial Biotecnologia, quimíca fina e informática aplicada e-MG Incubadora de Empresas da UVA Universidade Veiga de Almeida Rio de Indústria criativa, turismo Janeiro- sustentável, Meio ambiente e RJ tecnologia Incubadora de Empresas de Base Campinas Tecnológica da Unicamp - Incamp -SP Incubadora de Empresas de Guarulhos Incubadora de Empresas de Patos de Minas Incubadora de Empresas em Agronegócios da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - INEAGRO Multissetorial Guarulho Multissetorial s-SP Patos de Minas- Multissetorial MG Seropédi Agronegócios ca-RJ Santos- Incubadora de Santos SP Informática, turismo e design Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 31 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Incubadora do Centro Universitário de Sete Lagoas - UNIFEMM Incubadora Empresarial de Bebedouro Sete Lagoas- Multissetorial MG Bebedour Multissetorial o-SP Santa Incubadora Municipal de Empresas de Rita do Agronegócios de Santa Rita do Sapucaí Sapucaí- Multissetorial MG IncubaLIX – Incubadora do Instituto Marca de Desenvolvimento Socioambiental CariacicaES Incubatec - Incubadora Empresarial Barretos- Tecnológica de Barretos SP INDESI - Incubadora Tecnológica do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Itabira Socioambiental e econegócios ItabiraMG ParqTec - Fundação Parque de Alta São Tecnologia de São Carlos Carlos-SP CRIATEC Ijuí-RS INCTECh - Incubadora Tecnológica da Chapecó- Unochapecó SC Multissetorial Multissetorial Multissetorial SUL Multissetorial Multissetorial Porto Incubadora Empresarial do Centro de Alegre-RS Biotecnologia (IE-Cbiot/UFRGS) Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 Biotecnologia 32 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Incubadora Internacional de Empresas Londrina- de Base Tecnológica da UEL - INTUEL PR Incubadora Tecnológica de Porto Cooperativas Populares - ITCP/UFRGS Alegre-RS Incubadora Tecnológica Empresarial de Alimentos e Cadeias Agroindustriais ITACA/UFRGS Multissetorial Cooperativismo Porto Alimentos Alegre-RS Proem – UTFPR - Campus Pato Branco Pato TIC; Agronegócios e Biotecnologia; Branco- Automação Comercial e Industrial; PR Saúde e Entretenimento. Fonte: Elaboração própria a partir de Embrapa, 2014 e SLUSZZ et al. 2013. Até ao momento, a Embrapa disponibilizou no seu portfólio 41 produtos e serviços aptos para serem transferidos para empresas incubadas. As tecnologias variam de acordo com a região e o segmento, envolvendo 15 unidades descentralizadas da Embrapa (ver quadro 2). Quadro 2 – Tecnologias disponibilizadas pela Embrapa para incubação de empresa via Proeta, por região. Nome da tecnologia Unidade Responsável NORDESTE Barra de cereais enriquecida com gergelim Beneficiamento da casca do coco verde Biocontrole para a broca do rizoma da bananeira Bioinseticida de Beauveria bassiana formulado em óleo vegetal Biopesticida à base de Chrysoperla externa Embrapa Algodão Embrapa Agroindústria Tropical Embrapa Semiárido Embrapa Semiárido Embrapa Semiárido Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 33 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Controle biológico de moscas-das-frutas Cryptolaemus montrouzieri para controle de pragas Insumo biológico à base de Trichogramma Embrapa Semiárido Embrapa Semiárido Embrapa Semiárido Jardins in vitro Embrapa Mandioca e Fruticultura Macaxeira (aipim) tipo “chips” e “palito” Embrapa Mandioca e Fruticultura Maturação e defumação de queijo caprino Embrapa Caprinos e Ovinos Obtenção de doce de leite caprino Embrapa Caprinos e Ovinos Obtenção de queijo caprino tipo coalho com BPFs e sabores Embrapa Caprinos e Ovinos Pasta de amendoim e outras formulações Embrapa Algodão Processamento de carne ovina e caprina Embrapa Caprinos e Ovinos Produtos panificáveis enriquecidos com Embrapa Algodão gergelim Produção de mudas de espécies vegetais por micropropagação Embrapa Agroindústria Tropical CENTRO-OESTE Produção de cogumelos por meio da Embrapa Recursos Genéticos e técnica chinesa “Jun Cao” modificada Biotecnologia Aproveitamento agroindustrial de espécies nativas do Cerrado Biorreator de imersão temporária Identificação e quantificação de impurezas em materiais em pó e moído Embrapa Cerrados Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Embrapa Cerrados Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 34 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Sistema de limpeza de águas residuárias de Embrapa Café processamento frutos SUDESTE Determinação de resíduos de medicamentos veterinários bovinos Embrapa Pecuária Sudeste Farinha instantânea de quinoa ou amaranto Embrapa Agroindústria de Alimentos Farinha mista de milho e soja Embrapa Agroindústria de Alimentos Farinha mista pré-cozida de arroz e pó de café e seus derivados Gestor de conteúdo da agência de informação Embrapa Obtenção de um cereal matinal à base de algaroba e milho Processo para obtenção de derivados da carne de rã Processo para obtenção de farinha de berinjela sem glúten Secador para frutas e hortaliças desidratadas Embrapa Agroindústria de Alimentos Embrapa Informática Agropecuária Embrapa Agroindústria de Alimentos Embrapa Agroindústria de Alimentos Embrapa Agroindústria de Alimentos Embrapa Agroindústria de Alimentos Unidade de compostagem de resíduos Embrapa Solos SUL Suco de uva natural e integral Incineração de resíduos animais e orgânicos Automação e controle de sistemas de tratamento de dejetos suínos Embrapa Uva e Vinho Embrapa Suínos e Aves Embrapa Suínos e Aves Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 35 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Insumo biológico à base de Trichogramma Bio-Cote: controle da broca da cana-deaçúcar Embrapa Clima Temperado Embrapa Clima Temperado Fonte: SLUSZZ et al., 2013. Em dezembro de 2012, havia 12 empresas incubadas em 7 incubadoras, além de uma empresa pré-incubada e duas já graduadas (ver Quadro 3). Quadro 3 - Empresas de base tecnológica constituídas via PROETA, as respectivas tecnologias transferidas e incubadoras parceiras, por estágio de desenvolvimento do empreendimento. NOME DA EMPRESA TECNOLOGIA UTILIZADA INCUBADORA REGIÃO INCUBADAS Processo misto para Aliança Orgânica desinfecção e aproveitamento do lodo de esgoto Produção de Cogumelos Blazei Brazil Ltda por meio da técnica “JUN CAO” modificada. ParqTec Fundação Parque de Alta Sudeste Tecnologia de São Carlos CASULO Incubadora de Centro- Empresas do Oeste UniCEUB ParqTec - BRSensor Empresa Brasileira de Analisador de Café em Sensores Ltda Pó Fundação Parque de Alta Sudeste Tecnologia de São Carlos Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 36 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Macropropagação para CarbonoFixo.Com projetos de crédito de carbono Cocos & Cocos Instituto Centro de Ensino Incubadora de casca do coco verde Santos por meio da técnica “JUN CAO” modificada. Nordeste Tecnológico Beneficiamento da Produção de Cogumelos Cultivis Cogumelos Comestíveis CENTEC - Sudeste CASULO Incubadora de Centro- Empresas do Oeste UniCEUB ParqTec - Natureza Ativa – Comércio de Fotorreator Ltda Fotorreator para Fundação Parque Tratamento de Resíduos de Alta de Pesticidas em Água Tecnologia de Sudeste São Carlos Prisma Agroindústria Amaranto (BRS Alegria) Arca Centro- Multincubadora Oeste ParqTec WhitePix Sistema Analisador de Café em Computacionais Ltda Pó Fundação Parque de Alta Sudeste Tecnologia de São Carlos Nutec - Sabor Tropical Pigmento de Caju Fundação Núcleo de Tecnologia Nordeste Industrial Yellow Soluções Agrícolas Automação para Incubadora de sistemas de tratamento Empresas de Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 Sul 37 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira de dejetos suínos Base Tecnológica da Unicamp – INCAMP Controle de sistemas de Integral Soluções Ambientais tratamento de dejetos suínos Incubadora Tecnológica da Unochapecó - Sul IncTech GRADUADAS Produção de mudas de Pan Flora espécies vegetais por micropropagação Bioclone Produção de Mudas LTDA Produção de mudas de espécies vegetais por micropropagação PADETEC Parque de Desenvolvimento Nordeste Tecnológico CENTEC Instituto Centro de Ensino Nordeste Tecnológico PRÉ-INCUBADA MADEZDESOFT - Tecnologia Sustentável Tecnologias de gestão de recursos hídricos em agroindústrias Incubadora Tecnológica da Unochapecó - Sul IncTech Fonte: SLUSZZ, BASSI e SILVA, 2013. Pelos dados aqui apresentados, percebe-se que o Proeta tem um desenho institucional adequado e estabelecido, com um grande potencial para a promoção da transferência de tecnologias da Embrapa por todo o território nacional. Porém, e apesar de a Embrapa contar já com uma rede de 42 incubadoras parceiras, o programa tem apenas 12 empresas incubadas. Segundo a Embrapa, o programa tem vindo a ser reestruturado e Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 38 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira em 2014 poderá passar por mudanças que visam a ampliação do número de empresas incubadas e a melhoria do processo de incubação. 3.1.2 A INFOTECA-E: SISTEMA DE INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA DA EMBRAPA Em 2009, a Embrapa lançou o projeto “Acesso Aberto na Embrapa: maximizando o impacto da pesquisa, a visibilidade e a gestão da informação científica”. O objetivo do projeto era criar um sistema aberto de gestão da informação científica e tecnológica que desse maior visibilidade ao conhecimento gerado pela Embrapa e demais investigadores voltados para o agronegócio. Por meio do projeto, foram criadas três plataformas de acesso aberto, gratuito e baseado em softwares livres: Infoteca-e (Informação Técnológica em Agricultura), com material produzido pela Embrapa em linguagem adaptada a produtores rurais e técnicos agrícolas. Site: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/ Repositório Alice (Repositório Acesso Livre à Informação Científica da Embrapa), com material científico produzido pela Embrapa e seus investigadores. Site: http://www.alice.cnptia.embrapa.br/ Sabiia (Sistema Aberto e Integrado de Informação Agrícola), que congrega material científico (produzido pela Embrapa ou não) publicado em instituições nacionais e internacionais de acesso aberto. Site: http://www.sabiia.cnptia.embrapa.br/ Essas três iniciativas foram lançadas em 2011 e, apesar de conterem material diverso e de visarem públicos diferentes, todas têm como intuito dar maior visibilidade e mais fácil acesso ao conteúdo gerado pela investigação agropecuária, de forma a dar suporte às atividades de investigação e desenvolvimento, internas ou externas à Embrapa. Pelo tipo de conteúdo divulgado, o Repositório Alice e o Sabiia têm como público-alvo investigadores da área de agropecuária. Relativamente à Infoteca-e, a plataforma congrega material técnico produzido pela Embrapa ao longo dos anos, incluindo cartilhas, Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 39 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira programas de rádio e televisão, livros para transferência de tecnologia e artigos divulgados na imprensa. Não é criado material novo especificamente para a plataforma, que apenas congrega material que já foi produzido pela instituição. O público-alvo da Infoteca-e abrange: Produtores rurais; Extensionistas; Técnicos agrícolas; Cooperativas; Estudantes e professores de escolas rurais. Adequada ao seu público-alvo, a linguagem dos materiais disponibilizados na Infoteca-e costuma ser mais simples e direta (não científica), de forma que seu público assimile o conteúdo veiculado com facilidade e possa apropriar-se das tecnologias apresentadas. Exemplos de materiais disponibilizados são: cartilhas sobre doenças que afetam diferentes tipos de cultivo2; livretos didáticos que ensinam produtores a agregar valor aos seus produtos3; comunicados técnicos com informações e dicas sobre produtos específicos4 etc. A Infoteca-e foi desenvolvida com o software livre DSpace, inspirada em iniciativas como a do Repositorium, plataforma desenvolvida e mantida pela Universidade do Minho há mais de dez anos (LEITE, BERTIN e PEREIRA, 2008)5. A iniciativa é mantida inteiramente pela Embrapa, por meio da Embrapa Informação Tecnológica e da Embrapa Informação Agropecuária. Para disponibilizar todo o material técnico e científico da Embrapa nas plataformas Infoteca-e e Alice, a Embrapa Informática criou um programa específico baseado no DSpace que coletou e armazenou, de forma automática, 11.500 publicações que estavam Exemplo desse tipo de material: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/981339 Exemplo: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/122739 4 Exemplo: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/handle/doc/439741 5 http://repositorium.sdum.uminho.pt/ 2 3 Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 40 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira nos sites das 43 unidades de pesquisa e serviços da Embrapa que existiam à época. Após esse período inicial, a alimentação passou a ser feita por bibliotecários nas unidades de pesquisa e serviços da Embrapa por todo o país (VACARI, 2010). Segundo uma colaboradora da Embrapa Informação Tecnológica envolvida na gestão da Infoteca-e, a plataforma não tem uma estratégia de Marketing e Comunicação explicitamente definida. Ainda assim, a iniciativa costuma ser divulgada nos diversos eventos e feiras de produtores dos quais a Embrapa participa, bem como nas unidades descentralizadas e nas suas bibliotecas. Entre 2011 e o início de 2014,6 a Infoteca-e registou um total de 3.117.960 downloads do seu material, com um crescimento de 54% entre 2012 e 2013. Só em 2013, foram realizados 1.562.248 downloads (ver Figura 13), uma média de 4.280 downloads diários (EMBRAPA, 2014). Cabe destacar que usuários de Portugal foram responsáveis por 2% dos downloads totais (63.187, em números absolutos)7. Figura 13 – Número de downloads de materiais da Infoteca-e, por ano. 1.562.248 1.015.601 339.313 200.798 2011 2012 2013 2014 (até 26/2) Fonte: EMBRAPA, 2014 (sítio da Infoteca-e). Até 26 de fevereiro de 2014. Para ver mais estatísticas sobre a Infoteca-e, visitar: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/stats?locale=pt_BR 6 7 Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 41 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira A Infoteca-e é mantida exclusivamente com recursos da Embrapa e, por ter como proposta o acesso livre e gratuito, não tem retorno financeiro direto com a iniciativa. 3.2 OUTROS CENTROS DE I&DT AGROPECUÁRIOS NO BRASIL Como apresentado na seção anterior, a Embrapa é o principal centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o agronegócio no Brasil, responsável por quase 60% dos recursos investidos na área (BEINTEMA, AVILA e PARDEY, 2001). Ainda assim, o país conta com diversos outros centros, públicos, privados ou sem fins lucrativos. A seguir, serão apresentados quatro dos principais centros de I&DT brasileiros: (1) a EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina; (2) o IAC – Instituto Agronômico de Campinas; (3) a EPAMIG – Empresa Agropecuária de Minas Gerais; e, por fim, o IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná. 3.2.1 EPAGRI – EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA E EXTENSÃO RURAL DE SANTA CATARINA Fundada em 1991, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina é uma empresa pública ligada ao Governo do Estado de Santa Catarina por meio da Secretaria de Estado de Agricultura e da Pesca. A EPAGRI faz parte do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA, 2014) e tem como missão institucional: “Conhecimento, tecnologia e extensão para o desenvolvimento sustentável do meio rural, em benefício da sociedade” (EPAGRI, 2014). A empresa especializa-se em agricultura familiar e atua com I&D, transferência de tecnologia, extensão rural e assistência técnica. Os seus objetivos são (EPAGRI, 2014): Promover a preservação, recuperação, conservação e utilização sustentável dos recursos naturais; Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 42 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Incentivar a competitividade da agricultura catarinense face a mercados globalizados, adequando os produtos às exigências dos consumidores; Promover a melhoria da qualidade de vida do meio rural e pesqueiro. A EPAGRI recebe financiamento do Governo Estadual e tem um orçamento estipulado para 2014 de R$ 310.276.582,00 (cerca de € 96 mi.) (SANTA CATARINA, 2013). A empresa conta com quadro de 2.118 empregados, sendo 842 deles agentes técnicos de nível superior. Desses agentes, 280 (33%) são licenciados, 146 (17%) são especialistas, 290 (34%) são mestres e 126 (15%) são doutores (EPAGRI, 2014). A empresa atua apenas no estado de Santa Catarina e possui, além da sede, 23 delegações regionais, 295 escritórios municipais (para 293 municípios do estado) e cinco centros especializados de pesquisa, além de 11 estações e campos experimentais e 13 centros de formação. Para efeitos de planeamento, o estado é dividido em dez unidades de gestão técnica (UGT), que congregam regiões com condições edafoclimáticas similares. Com esta estrutura, a EPAGRI está presente em praticamente todo o território de Santa Catarina (ver Figura 14). Figura 14 – Unidades da EPAGRI (mapa de Santa Catarina) Fonte: EPAGRI, 2014. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 43 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Os cinco centros de pesquisa são voltados para as seguintes áreas (EPAGRI, 2014): Aquicultura e pesca Recursos ambientais e hidrometorologia Socioeconomia e planeamento agrícola Apicultura Agricultura Familiar Além disso, as estações e os campos experimentais estão espalhados pelo estado, de forma a representar as diversas condições edafoclimáticas das regiões de Santa Catarina. Essas estações e campos desenvolvem trabalhos de investigação nas áreas de sementes, solos, água, entomologia, fitopatologia, fisiologia, nutrição animal e vegetal, genética e melhoramento, cultura de tecidos, tecnologia e aplicação de defensivos, enologia, apicultura, imunologia, microbiologia, biologia molecular, sanidade animal, produção de larvas e alevinos, produção de inseticida biológico (EPAGRI, 2014). Os escritórios municipais e os centros de formação, espalhados pelo estado, promovem cursos para agricultores familiares e pescadores artesanais, além de difundirem informações e soluções técnicas adequadas para os problemas que afetam as suas atividades. Esses centros e escritórios também orientam os produtores no acesso a linhas de crédito e programas e políticas públicas dos governos estadual e federal (EPAGRI, 2014). Em 2012, a EPAGRI deu assistência técnica agropecuária a 123.852 famílias, o que corresponde a 2/3 do total de famílias rurais de Santa Catarina (EPAGRI, 2013). A estrutura organizacional da EPAGRI pode ser dividida nos níveis político-estratégico, tático e operacional. A sede administrativa, localizada em Florianópolis, é formada pela direção executiva (escolhida pela Secretaria de Estado de Agricultura e da Pesca), conselhos administrativo e fiscal, gerências estaduais (que coordenam temas transversais) e assessorias. É responsável por formular as políticas, diretrizes e estratégias da instituição, além de monitorizar o cumprimento da execução dessas ações. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 44 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Já no nível tático, encontram-se as cinco unidades de investigação e as delegações regionais, que executam a estratégia formulada pela Sede e coordenam os campos experimentais, os centros de formação e os escritórios municipais, conforme organograma a seguir (Figura 15). Figura 15 – Organograma da EPAGRI Fonte: SIBANSKI, 2013. Apesar de atuar em diversas frentes, a EPAGRI centra-se principalmente no desenvolvimento de tecnologias para a produção agropecuária, melhoramento vegetal e Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 45 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira animal e fitossanidade. A instituição possui doze programas institucionais8, mas os programas de fruticultura, pecuária, tecnologias ambientais e aquicultura e pesca responderam por 75% dos projetos desenvolvidos entre 2011 e 2012 (EPAGRI, 2013). A EPAGRI atua com parcerias de diversos tipos, com outros centros de I&DT (Embrapa, IAC, IAPAR, etc), órgãos públicos nos níveis municipal, estadual e federal (Ministério da Agricultura, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Prefeitura de Joinville, etc.), universidades e escolas técnicas (Universidade Federal de Santa Catarina, Instituto Federal de Santa Catarina, etc.), além de cooperativas de produtores do estado (EPAGRI, 2013). A natureza das parcerias varia, sendo algumas restritas ao financiamento e outras à cooperação técnica. Como o foco da EPAGRI é a agricultura familiar de pequena dimensão, a transferência de tecnologia costuma ser gratuita para o produtor. Essa transferência costuma ser feita por meio de cursos de formação realizados nos seus diversas centros de formação e unidades municipais, além da presença de pelo menos um expert por município do estado. Muitas vezes, a geração e a transferência de tecnologia ocorrem num processo único, desenvolvido por investigadores da EPAGRI, agricultores/pescadores/pecuaristas e agentes de assistência técnica e rural (EPAGRI, 2008). Como forma de obter retorno financeiro com as tecnologias desenvolvidas, a EPAGRI realiza rotineiramente convênios com órgãos públicos em projetos nos quais transfere tecnologias para agricultores familiares e recebe de Ministérios ou Secretarias de Estado por isso. 3.2.2 IAC – INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS Fundado em 1887 pelo Imperador Dom Pedro II, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas-SP, é um dos mais antigos centros de investigação agropecuária do Brasil. O Instituto está ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, que por sua vez 8 http://carcara.epagri.sc.gov.br/epagri/?page_id=3040 Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 46 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira está subordinada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (IAC, 2014). O IAC tem como missão institucional: “Gerar e transferir ciência, tecnologia e produtos para a otimização dos sistemas de produção vegetal, com responsabilidade ambiental, visando o desenvolvimento socioeconómico e a segurança alimentar, por meio da pesquisa, da formação de recursos humanos e da preservação do património” (IAC, 2011). O Instituto tem como objetivos: Desenvolver ações de investigação de acordo com as necessidades do setor agrícola; Prever e propor necessidades e soluções; Desenvolver e transferir produtos e processos; Produzir material bibliográfico técnico e científico; Orientar a formulação de políticas públicas; Formar competências científicas e críticas; Contribuir para a segurança alimentar; Propor produtos e processos inovadores (IAC, 2011). Para alcançar esses objetivos, o Instituto conta com 187 investigadores – 80% doutores e 16% mestres – e 342 servidores de apoio. Por ser parte da administração estadual de São Paulo, a atuação do IAC é restrita ao estado (ver Figura 16). No total, o Instituto possui 11 centros de investigação, além de um centro experimental central. A sua sede é localizada em Campinas, onde também se encontram o Centro de Pesquisa de Ecofisiologia e Biofísica e o Centro de Pesquisa de Solos e Recursos Naturais. Também em Campinas, o IAC mantém seu Centro Experimental Central, com os Centros de Pesquisas do Café; Ecofisiologia e Biofísica; Fitossanidade; Grãos e Fibras; Horticultura; Recursos Genéticos Vegetais (que inclui o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento do Jardim Botânico); e Solos e Recursos Ambientais. O Instituto possui ainda três outros Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 47 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira centros de investigação em Cordeirópolis (Centro de Citros), Jundiaí (Centro de Engenharia e Automação e Centro de Frutas) e Ribeirão Preto (Centro de Cana). Além desses centros, o Instituto mantém um programa de pós-graduação em agricultura tropical e subtropical, com cursos de mestrado e doutorado (IAC, 2011). Figura 15 – Unidades do IAC (mapa de São Paulo). Fonte: IAC, 2011. A estrutura organizacional do IAC pode ser considerada simples, com a sede congregando a Direção Geral, o Centro de Administração e o Centro de Comunicação e Transferência de Conhecimento. Cada centro de pesquisa tem uma diretoria responsável, subordinada à diretoria-geral (IAC, 2014). Em 2010, o IAC teve um orçamento de R$ 64,2 milhões (cerca de € 20 mi.), sendo 60% advindos do Tesouro Estadual e 40% captados (dos quais 22% da iniciativa privada e 18% de órgãos públicos federais e estaduais). Desde a sua fundação até 2010, o Instituto contabilizou 923 variedades desenvolvidas em 66 espécies agrícolas e 619 variedades agrícolas registadas no Ministério da Agricultura. A área que tem recebido mais Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 48 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira investimentos em pesquisa é a de melhoria genética vegetal, seguida de novas tecnologias de sementes e ecofisiologia e fisiologia vegetal (IAC, 2011). De 2008 a 2010, o IAC trabalhou em parceria com cerca de 300 empresas nacionais e internacionais (IAC, 2010). Um exemplo interessante destas parcerias é a do IAC com a multinacional suíça Syngenta, iniciada em 2010. Através desta iniciativa, o IAC e a Syngenta fazem investigação conjunta, compartilhando infraestruturas, investigadores e informação tecnológica para promover melhorias no plantio da cana-de-açúcar (SYNGENTA, 2010). Em 2014, como fruto dessa parceria, IAC e Syngenta lançaram novas variedades de cana com potencial para aumentar a produtividade do canavial em 15%. A tecnologia foi produzida na fábrica da Syngenta a partir de tecnologias da empresa aplicadas a clones de variedades mais resistentes de cana, desenvolvidas anteriormente pelo IAC em conjunto com o centro de investigação privado Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Ridesa, rede de universidades federais voltadas para a investigação na área sucroenergética. Esta nova tecnologia, nascida de uma parceria público-privada, poderá agora ser disseminada pelo IAC (UDOP, 2014). Outro tipo de parceria de sucesso foi a realizada entre o IAC e o Laboratório de Genômica e Expressão (LGE), da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), orientada para o desenvolvimento de ferramentas de bioinformática para identificar subgenomas do café. Com a ferramenta desenvolvida no âmbito desta parceria, o IAC conseguiu um mapeamento mais preciso do genoma do produto, conseguindo inclusive identificar polimorfismos em genes específicos do café. A ferramenta desenvolvida também poderá ser aplicada em outros projetos de catalogação de genes (IAC, 2010). O Instituto promove a difusão do conhecimento e tecnologia gerados de diversas maneiras, uma delas é a publicação constante dos seus investigadores via imprensa e meios técnicos, científicos. Em 2010, foram disponibilizadas mais de 900 publicações e produtos tecnológicos de autoria dos investigadores do IAC. Além disso, no mesmo ano as tecnologias do Instituto foram divulgadas em mais de 700 artigos em meios de grande circulação nacional (IAC, 2010). Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 49 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira O IAC também faz comercialização direta dos seus produtos e tecnologias. O Instituto mantém no seu site oficial, um portfólio de sementes prontas para serem comercializadas9. Na página, é possível ler uma descrição das sementes, com indicação de preço e disponibilidade. Caso o produtor tenha interesse em comprar alguma semente, há na página informação de contato para comercialização. 3.2.3 EPAMIG – EMPRESA AGROPECUÁRIA DE MINAS GERAIS A EPAMIG (Empresa Agropecuária de Minas Gerais) foi fundada em 1974 e é uma empresa pública vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais. A empresa foi criada com o intuito de promover, planear, coordenar e executar as atividades de pesquisa e experimentação agrícola no estado de Minas Gerais. Assim como a EPAGRI, a EPAMIG também faz parte da SNPA (EPAMIG, 2010). A EPAMIG tem como negócio a geração de tecnologias e inovações para o agronegócio e como missão institucional: “Apresentar soluções e inovações tecnológicas para o desenvolvimento sustentável do agronegócio, em benefício da sociedade” (EPAMIG, 2010). No seu Planeamento Estratégico, a EPAMIG definiu como objetivos estratégicos (EPAMIG, 2010): 9 Realizar a gestão orçamentária e financeira com transparência e eficiência. Expandir a captação de recursos. Valorizar e motivar as pessoas. Aprimorar a gestão da informação e do conhecimento. Garantir as infraestrutura e competências necessárias para I&DT. Promover a modernização da gestão. http://www.iac.sp.gov.br/produtoseservicos/sementesiac/ Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 50 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Maximizar a eficiência e a qualidade da produção própria. Potenciar o acesso às tecnologias. Aprimorar a gestão da pesquisa. Fortalecer a imagem institucional. Contribuir para a segurança alimentar e para a oferta de produtos não alimentares. Contribuir para o desenvolvimento económico e social do Estado. Para alcançar esses objetivos, a EPAMIG conta com 1.029 funcionários, sendo 191 deles investigadores, dos quais 50% possuem doutorado, 37% mestrado e 13% são licenciados. Em 2010, a receita total projetada da instituição era de R$ 80 milhões (cerca de € 25 mi.), sendo 18% dessa receita de atividades da instituição (EPAMIG, 2010). A EPAMIG divide seus gastos de acordo com a fonte de recursos. Os projetos de investigação são financiados exclusivamente com recursos captados em fundos de apoio à investigação (FAPEMIG, FINEP, CNPq, etc.); a folha de pagamento é custeada com recursos do Tesouro Estadual; e o custeio é pago com a receita própria gerada pela instituição (EPAMIG, 2010). Essa divisão de recursos pode servir como um estímulo para a captação de recursos externos, já que só haverá recursos para investigação se houver captação externa. A instituição atua apenas no estado de Minas Gerais e tem sede em Belo Horizonte, além de cinco unidades regionais; 28 fazendas experimentais; duas estações experimentais; seis núcleos tecnológicos; um instituto de laticínios; e um núcleo de ensino técnico agropecuário. No total, a EPAMIG tem unidades em 30 municípios (ver Figura 16) e só não está presente nas regiões Noroeste, Jequitinhonha-Mucuri e Vale do Rio Doce10 (EPAMIG, 2014). 10 Em 30 de janeiro de 2014, foi anunciado que a EPAMIG está a implementar uma unidade regional no município de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, em parceria com a União Ruralista Rio Doce (MINAS GERAIS, 2014). Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 51 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira A EPAMIG possui um Conselho de Administração e uma Direção Executiva que coordenam a Presidência e as Direções de Operações Técnicas (DROT) e de Administração e Finanças (DRAF). A DROT conta com uma divisão de investigação e outra de informação tecnológica, e coordena as unidades regionais e os institutos de laticínios e de ensino técnico. Essas unidades, por sua vez, coordenam as fazendas e estações experimentais (EPAMIG, 2014)11. Figura 16 – Unidades da EPAMIG (mapa de Minas Gerais) Fonte: EPAMIG, 2014. A EPAMIG atua em parceria com instituições públicas e privadas e desenvolve pesquisas nas áreas de (EPAMIG, 2014): Agroenergia Aquicultura Cafeicultura 11 Para a visualização do organograma completo http://www.epamig.br/images/stories/imagens/dlb-685.pdf Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 da EPAMIG, visitar: 52 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Floricultura Grandes culturas Olericultura Pesquisa em bovinos Processamento agroindustrial Silvicultura e meio ambiente No seu planeamento , a instituição definiu como áreas prioritárias a investigação nas cadeias de alimentos, agroenergia e preservação do meio ambiente. Para dar suporte à pesquisa nessas áreas, a EPAMIG estabeleceu cinco Núcleos Tecnológicos nas áreas de Azeitona e Azeite; Batata e Morango; Florestas e Recursos Naturais; Floricultura; e Uva e Vinho. Esses núcleos geram conhecimento e tecnologia, além de promoverem formação e assistência técnica para a transferência de tecnologias (EPAMIG, 2010). De forma a realizar investigação agropecuária realmente aplicada às necessidades do estado, a EPAMIG conta com o Programa Microrregional de Desenvolvimento Tecnológico da Agropecuária (PRODESAG), que tem como objetivos fazer o levantamento das necessidades tecnológicas, reestruturar fazendas experimentais existentes e implantar novas fazendas e estações experimentais onde a empresa ainda não atua. O Programa, estabelecido em parceria com municípios, universidades e empresas funciona da seguinte maneira (EPAMIG, 2014): 1. A EPAMIG realiza encontros de levantamento de necessidades de investigação e tecnologias nos municípios. 2. Os Produtores apresentam os seus interesses e dificuldades 3. Os Investigadores da EPAMIG disponibilizam informações sobre tecnologias já existentes 4. Caso essas tecnologias existentes não respondam à procura, a EPAMIG elabora projetos de investigação específicos para a microrregião. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 53 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira 5. Com base na procura, a EPAMIG promove eventos de transferência tecnológica (dias de campo, palestras, seminários etc.) específico para os produtores da região. 6. A EPAMIG disponibiliza, então, sementes básicas, mudas e animais adequados às necessidades dos produtores. De 2006 a 2010, o PRODESAG contemplou 43 municípios e realizou 413 eventos, entre cursos, dias de campo, visitas técnicas e palestras. Como forma de promover a difusão da informação tecnológica e a transferência de tecnologia, a EPAMIG publica bimestralmente a revista “Informe Agropecuário” e divulga material técnico e científico sob a forma de livros, artigos, entre outros. Além disso, a empresa realiza parcerias com órgãos públicos para distribuir sementes básicas para agricultores familiares, tendo transferido mais de mil sementes básicas em 2009 (EPAMIG, 2010). Por fim, a EPAMIG também realiza parcerias público-privadas para o desenvolvimento de produtos em conjunto com empresas (EPAMIG, 2014). 3.2.4 IAPAR – INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ O IAPAR, Instituto Agronômico do Paraná, é uma autarquia vinculada à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (SEAB). Fundada em 1972, o IAPAR tem como atividades a investigação técnico-científica, a difusão do conhecimento e a transferência de tecnologia. O Instituto tem como missão: “prover soluções inovadoras para o meio rural e o agronegócio do Paraná” (IAPAR, 2014a). O seu público-alvo principal são os agricultores familiares (OLIVEIRA, 2013). Os objetivos do IAPAR são: Promover estudos e aplicar conhecimentos dos campos científicos relacionados com o setor agropecuário, de ciência e tecnologia e agroindustrial, visando o desenvolvimento económico e social do Estado; Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 54 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Desenvolver estudos e pesquisas sobre produtos, processos e sistemas de produção de importância atual e potencial para a economia agropecuária e agroindustrial do Paraná; Desenvolver, através de pesquisa sistemática, o conhecimento dos recursos naturais renováveis do Paraná, tendo como objetivo a sua preservação e utilização sustentada; Produzir e difundir o germoplasma básico, notadamente de sementes, mudas, reprodutores e matrizes, para fins de multiplicação e com vistas à melhoria dos padrões de produção agropecuária do Estado, responsabilizando-se pela certificação da produção própria junto aos órgãos competentes; Difundir e transferir os resultados de pesquisa, visando a rápida incorporação no processo produtivo; Difundir estudos, pesquisas e trabalhos técnicos na comunidade cientifica; Promover a capacitação pela formação e o aperfeiçoamento de recursos humanos para o desenvolvimento da agropecuária e da agroindústria; Contribuir para a formulação e aperfeiçoamento de políticas públicas para a agropecuária, a agroindústria, o meio rural e o meio ambiente do Estado; Prestar serviços técnicos de especialidade sob a forma de análises, execução de programas e projetos, bem como de assessoria direta a produtores e organizações públicas ou privadas e/ou técnicos; Fomentar a parceria e o intercâmbio técnico-científico e de serviços com instituições congéneres, nacionais e internacionais, como forma de intensificar a incorporação das inovações geradas na agropecuária do Estado; Zelar pela convergência dos objetivos institucionais com as necessidades da sociedade e dos programas de Governo (PARANÁ, 2013). Pela missão e pelos objetivos, fica claro que o IAPAR tem o papel de realizar I&DT, promover a transferência de tecnologias e a difusão tecnológica, além de prestar Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 55 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira assessoria técnica aos produtores rurais. Para alcançar esses objetivos, o Instituto tem um desenho institucional que se divide em três níveis: Direção, Assessoria e Execução (ver Figura 17) (IAPAR, 2014a). Ao nível de Direção, encontram-se a SEAB, o Conselho de Administração e a Presidência. O Conselho de Administração é responsável por determinar a política de ação da instituição, além de acompanhar e avaliar o cumprimento da missão e dos objetivos do IAPAR. O Conselho é composto por secretarias de estado (da Agricultura e de Ciência & Tecnologia); pelo Diretor-Presidente do IAPAR; representante dos (as) funcionários (as) da IAPAR; e representantes da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão RuralEMATER; da Federação da Agricultura do Estado do Paraná-FAEP; da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado do Paraná-FETAEP; da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná-OCEPAR; da Sociedade Rural do Paraná-SRP; da Embrapa; da Federação das Indústrias do Estado do Paraná - FIEP e da Associação Paranaense de Produtores de Sementes e Mudas-APASEM (IAPAR, 2014a). Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 56 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Figura 17 – Organograma do IAPAR Fonte: IAPAR, 2014a. Ao nível da Assessoria, existem as unidades que apoiam o processo de decisão da Presidência, além de serem responsáveis pela coordenação geral do IAPAR. Destaca-se aqui o papel do Comitê Técnico-Científico, composto por investigadores, que constitui o Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 57 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira órgão superior que objetiva o bom desempenho técnico-científico da IAPAR (IAPAR, 2014a). Abaixo do nível de assessoria está o de execução, dividido nas Direções de Administração e Finanças; Recursos Humanos; Técnico-Científica; e de Inovação e Transferência Tecnológica. A Direção Técnico-Científica é responsável por executar os projetos de investigação e apoio técnico. Sob a responsabilidade dessa direção, encontram-se as Áreas Técnicas de Especialidade. São elas: Fitotecnia; Melhoramento e Genética Vegetal; Propagação Vegetal; Solos; Engenharia Agrícola; Socioeconomia; Nutrição Animal; Sanidade Animal; Proteção de Plantas; Ecofisiologia; Melhoramento e Reprodução Animal; e Zootecnia Além dessas áreas, a Direção Técnico-Científica ainda é responsável por três Unidades de Apoio Técnico (Biometria, Documentação, e Produção e Experimentação). Por fim, a Direção também é responsável por uma estrutura não-permanente de 14 programas, que contam com equipas multidisciplinares que operam de maneira matricial. As equipas dos programas são responsáveis por cerca de 250 projetos de pesquisa e mais de 600 de experimentação (IAPAR, 2014a). Os programas são nas áreas de: Sistemas de Produção; Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 58 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Gestão do Solo e Água; Recursos Florestais; Forrageiras; Produção Animal; Cereais de Inverno; Feijão; Milho; Algodão; Café; Fruticultura; Propagação Vegetal; Culturas Diversas; Agroecologia; Agroenergia A recém-criada Direção de Inovação e Transferência de Tecnologia é responsável pelas ações de difusão e transferência de tecnologia, comercialização de produtos desenvolvidos pelo instituto, e políticas de propriedade intelectual (IAPAR, 2014a). O IAPAR atua apenas no estado do Paraná, com sede em Londrina, cinco unidades regionais (nos municípios de Curitiba, Ponta Grossa, Paranavaí, Pato Branco e Santa Tereza); 19 Estações Experimentais; quatro Unidades de Beneficiamento de Sementes; 23 estações agrometereológicas e 25 laboratórios (IAPAR, 2014a). Deste modo, o Instituto está presente em quase todo o território do Paraná. Em termos de pessoal, o IAPAR tem 780 profissionais, sendo 133 investigadores (as), todos (as) com pós-graduação – 65 (49%) com mestrado e 68 (51%) com doutoramento . Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 59 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Em 2013, o orçamento do Instituto foi de R$ 74 milhões (cerca de € 23 mi.) (PARANÁ, 2014). O IAPAR realiza parcerias com empresas privadas e públicas, universidades, e fundações de pesquisa. A Embrapa, através das suas diversas unidades descentralizadas, é parceira em diversas ações do Instituto. Um exemplo de parceria recente ocorreu com a COPEL – Companhia Paranaense de Energia. Em 2009, a COPEL e o IAPAR assinaram um convénio para desenvolver bioenergia a partir de microalgas. No convénio, a COPEL entrou com os recursos financeiros (R$ 2,2 milhões) e o know-how da área de energia (COPEL, 2009). Já a IAPAR participa com os seus investigadores e estrutura de investigação e desenvolvimento. Em 2010, o IAPAR inaugurou um laboratório exclusivo para a investigação de microalgas (IAPAR, 2010). A expectativa da COPEL e do IAPAR é tornar o produto comercialmente viável e obter retorno do investimento em 5 a 10 anos (PEREIRA, 2010). O IAPAR possui uma unidade específica para coordenar as ações de divulgação e transferência de tecnologia, a ADT. Essas ações incluem cursos, palestras, seminários, congressos, além da venda de livros. Outra estratégia é a da realização de vitrines tecnológicas e dias de campo, nos quais o IAPAR demonstra as suas tecnologias in loco e procura produtores rurais interessados e com capacidade para adotá-las (IAPAR, 2014b). Também no sentido de difundir as tecnologias desenvolvidas pela instituição e levar informação ao campo, o IAPAR mantém, na sua página oficial, uma descrição de algumas das suas tecnologias12, com cartilhas e artigos com orientações sobre plantio e acompanhamento. O Instituto também realiza transferência de tecnologia nos seus projetos de extensão rural (IAPAR, 2014b). Apesar de o Instituto comercializar algumas das suas tecnologias, talvez pelo seu caráter público e com foco na agricultura familiar, as receitas diretas ainda não são consideráveis, respeitando a menos de 5% do orçamento de 2013 (PARANÁ, 2014). 12 http://www.iapar.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=412 Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 60 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira 4. A CADEIA DE VALOR No processo de construção de valor do agronegócio brasileiro, os centros de I&DT e a Embrapa, em particular, têm grande participação. Como descrito por Gasques et al. (2004), a cadeia de agronegócio começa com as matérias-primas, passando pela agropecuária, indústria, comércio por grosso e retalho, até chegar ao consumidor final (ver Figura 18). Durante todo este processo, os ambientes institucional e organizacional (onde se inserem a Embrapa e demais centros de I&DT agropecuária) são fatores de forte influência. Figura 18 – Cadeia do Agronegócio Fonte: GASQUES et al., 2004. De acordo com CEPEA (2014), a maior parte do valor acrescentado pelo agronegócio está relacionado com as atividades no final da cadeia. A agropecuária, a agroindústria e a distribuição respondem por cerca de 30% cada do valor total acrescentado pelo agronegócio no Brasil (ver Figura 19). Já o segmento de matérias-primas/fornecimentos (insumos, no Brasil) responde por 11,8%. Segundo o CEPEA (2011), a relativa baixa participação dos insumos no valor adicionado deve-se ao facto de o país ter uma produção modesta de fertilizantes, pesticidas e herbicidas – parcela importante dos Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 61 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira gastos em insumos. Como esses produtos são, na sua maioria, importados, não contribuem para o valor acrescentado do agronegócio. Figura 19 – PIB do Agronegócio Brasileiro, participação no valor agregado por segmento do agronegócio Fonte: Elaboração própria a partir de CEPEA (2014). Relativamente à geração de conhecimento e tecnologia, apesar de ser difícil quantificar de forma objetiva a participação de I&DT no valor acrescentado gerado pelo agronegócio, é de realçar a sua vastidão e abrangência, já que envolve vários atores e é transversal a diversas áreas. Como apresentado no capítulo anterior, o Estado, por diversos meios, é o maior agente de promoção de I&DT agropecuário do Brasil. A Embrapa responde por 57% dos recursos aplicados em I&DT agropecuário em todo o Brasil, seguido pelas agências de Investigação estaduais (21%), agências de investigação de universidades, muitas delas públicas (15%) e institutos privados de investigação (4%). A maior parte do orçamento da Embrapa advém do Tesouro Nacional, mas a empresa também recebe pelos seus serviços e tecnologias, em especial via royalties, além de estabelecer convénios com Ministérios, centros de investigação públicos e privados, etc. Quanto às organizações estaduais de pesquisa agropecuária, tal como as cobertas neste estudo, todas dependem, de modo geral, de recursos dos seus respectivos governos estaduais, além de contarem com recursos de fundos de apoio à investigação públicos federais (por meio de editais), como a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos); estaduais, como FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e congêneres; ou privadas, como a FUNDAG (Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola) e outras. Estas organizações costumam trabalhar em parceria com universidades (em geral, públicas) e os seus centros de investigação, além de obter recursos através de convénios com a Embrapa, Ministérios e empresas estaduais de assistência técnica rural – Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 62 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira as chamadas EMATERs. Em complemento, estes organismos recebem ainda receitas dos seus serviços (algumas possuem cursos de pós-graduação) e royalties. A Embrapa trabalha com todos os públicos rurais – desde o agricultor familiar até aos grandes produtores de soja –, tendo programas e ações distintas para cobrir de forma satisfatória os diferentes públicos. Já as agências estaduais de I&DT agropecuário costumam estar mais direccionadas para os pequenos produtores e agricultores familiares, tendo como objetivo o desenvolvimento socioeconómico de seu respectivo estado. Estas agências também trabalham com outros públicos, apesar de apostarem mais nos pequenos produtores. Além disso, o papel das agências varia de acordo com o estado. O IAC, por exemplo, apesar de também trabalhar em prol dos pequenos produtores, tem muito do seu trabalho voltado para cana-de-açúcar, cultura essa geralmente ligada a grandes produtores. Na Figura 20 a seguir, procura-se apresentar, de forma simplificada, o funcionamento do sistema de I&DT agropecuário brasileiro. Figura 20 – Sistema de I&DT agropecuário no Brasil Fonte: Elaboração própria. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 63 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Fica claro que há uma aposta forte na promoção de I&DT e transferência tecnológica no Brasil, havendo frutos concretos disto. Um deles foi o avanço da agropecuária na Região Centro-Oeste nos anos 70, que teve a participação decisiva da Embrapa. Entre 1976 e 1999, 77% das variedades de arroz, 30% das variedades de feijão e 37% das variedades de soja do país eram de tecnologia da Embrapa (GASQUES et al., 2004). Além disto, Gasques et al. (2004) demonstraram que os investimentos em I&DT da Embrapa estão mais ligados a aumentos de produtividade do agronegócio do que o crédito rural. Segundo os autores, um aumento de 1% em investimentos de I&DT da Embrapa está associado a um aumento de 0,15% na produtividade de todo o setor agropecuário do Brasil. No seu Balanço Social de 2012, no qual a Embrapa avalia o impacto social, económico e ambiental das suas ações e tecnologias na sociedade brasileira, a empresa afirma que cada R$ 1 gasto pela Embrapa teve um retorno de R$ 7,80 para a sociedade brasileira em rendimentos, empregos, tributos e outros efeitos diretos e indiretos (EMBRAPA, 2013). Um exemplo da geração de valor promovida pela Embrapa ocorreu num projeto de biopesticida para a cultura de milho, que tem sofrido com pragas resistentes e que causam perdas de 20% a 35% da produção. A Embrapa desenvolveu uma biopesticida bacteriana voltada para o cultivo de milho e, em 2012, em parceria com a Secretaria de Agricultura do Estado do Ceará, construiu uma biofábrica para a produção desse pesticida e distribuição gratuita (financiada pelo Governo do Ceará) para os pequenos produtores do estado. Só em 2012, 5.000 famílias haviam sido beneficiadas, com o menor custo da produção e menos perdas devido a pragas, além de um potencial para agregação de valor do produto por este não conter pesticidas tradicionais. Além disso, a sociedade como um todo foi beneficiada pela não poluição de rios e nascentes. Essa mesma tecnologia também foi licenciada para que uma empresa de Minas Gerais a pudesse explorar comercialmente (EMBRAPA, 2013). Em todo o sistema de I&DT agropecuário, é possível observar grande interação entre os diversos elos, para além do financiamento. É comum que as agências estaduais de investigação – muitas delas parte do SNPA – atuem em parceria com a Embrapa. Um dos exemplos de maior impacto dessas parcerias foi a que desenvolveu os 50 mil genes do Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 64 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira café. O sequenciamento do genoma deu-se por meio de uma parceria entre o Consórcio Café (liderado pela Embrapa Café) e a FAPESP, com o envolvimento de dez instituições, sendo cinco delas universidades estaduais (USP, UNICAMP, UNESP, UFLA e UFV) e outras cinco centros públicos de I&DT agropecuária (Embrapa, EPAMIG, IAPAR, IAC e INCAPER). Fruto desse projeto, foram aprovadas duas patentes por tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, UNESP (Universidade Estadual de São Paulo) e IAC (MENDES, 2009). Apesar do sistema atual ter promovido efeitos positivos e não desprezíveis no agronegócio brasileiro, há, também, lições a serem tiradas de suas limitações. Até mesmo o amplo sistema de agências estaduais de pesquisa pode levar a situações contraproducentes. Como citado anteriormente, essas organizações, além de receberem recursos de seus respectivos governos estaduais, captam recursos em fundos de apoio à investigação. Essa situação leva, por vezes, a uma competição predatória por recursos, muitas vezes causando a não cooperação entre agências de diferentes estados (MENDES, 2009). Até mesmo a Embrapa, ao trabalhar com problemas específicos de certos estados, é vista como competidora por alguns investigadores dessas agências. Uma pesquisa de opinião junto de agências estaduais revelou que em apenas uma das 17 agências estudadas a cooperação com a Embrapa foi considerada de alto nível – a maioria afirmou manter cooperação em nível razoável ou baixo (CGEE, 2006). Essa situação também explicita outro problema do sistema atual: apesar de ser amplo e ter grande capilaridade, parece haver também uma falta de coordenação, com o estabelecimento de papeis claros para os diversos agentes. Tal situação torna difícil a convergência e integração entre agentes e ações, o que poderia promover uma maior complementariedade e a potencialização de resultados (MENDES, 2009). Outro grande problema do sistema é a imensa dependência de recursos públicos. Se por um lado o aporte estatal tem o poder de propiciar investimento de I&DT em áreas importantes que por ventura não sejam de interesse imediato do mercado, ou mesmo de auxiliar na manutenção e criação de vantagens comparativas do país, por outro lado, pode fazer com que centros de investigação fiquem sujeitos à restrição de recursos caso Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 65 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira um governo não entenda a I&DT agropecuário como prioritária, além de diminuir os incentivos para a criação de tecnologias que tragam retorno financeiro. A título de exemplo dessa possibilidade, entre 1996 e 2002, época em que o Brasil passou por diversos ajustes fiscais, os gastos da Embrapa em investigação diminuíram, em termos reais (GASQUES et al., 2004). De facto, as organizações estaduais de investigação agropecuária têm passado por restrições e dificuldades de várias naturezas, tendo levado o Governo Federal, em 2008, a lançar o programa PAC-Embrapa, com o objetivo de modernizar e recuperar as instalações das organizações do SNPA (MENDES, 2009). 5. FATORES DE SUCESSO Ainda que com limitações, o sistema brasileiro de I&DT possui diversos aspectos positivos que merecem ser destacados. Talvez o principal fator de sucesso desse sistema seja a sua capilaridade. A Embrapa, por si só, já tem uma capilaridade considerável, somando-se os diversos centros da Embrapa com as agências de investigação do SNPA e as restantes organizações estaduais e centros privados de investigação agropecuária, que formam um sistema vasto, cobrindo praticamente todo o território nacional. Essa capilaridade promove a investigação aplicada às diversas realidades e problemas locais. Com isso, propicia-se também um sistema diversificado e representativo, com potenciais de ganho por meio da troca de informações, conhecimentos e tecnologias entre centros de diferentes contextos em rede. O foco na qualificação dos investigadores é outro fator de sucesso relevante. A Embrapa é exemplo disso, com uma política de manter entre 12% a 13% de sua equipa técnica em programas de capacitação e formação no Brasil e no exterior (MENDES, 2009). Além disso, desde a sua fundação, a Embrapa promove a qualificação dos seus investigadores por meio do mestrado e doutorado, especiamente em instituições do exterior. Essa política de qualificação contínua de investigadores contribui para ampliar a competência Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 66 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira técnico-científica da instituição e para atualizar regularmente as suas políticas de I&DT (GASQUES et al., 2004). Outro ponto a destacar no sistema brasileiro é que, por conta de seu caráter maioritariamente público, as instituições costumam perspetivar a tecnologia agropecuária como ferramenta para a resolução de problemas socioeconómicos regionais (GASQUES et al, 2004). Com isso, as instituições estão em contato constante com os produtores e promovem tecnologias que de facto terão aplicabilidade no campo. Por fim, esse contato com produtores acaba por gerar constantemente novas necessidades e a procura de soluções. As parcerias público-privadas são outro fator de sucesso a destacar. A parceria já citada entre Embrapa e Monsanto para o desenvolvimento de novas variedades de soja é um exemplo disso. Ao se associar a uma empresa, há processos de ganho das duas partes: a Embrapa desenvolve produtos preparados para o mercado e adquire know-how em tecnologias inovadoras do mercado; já a Monsanto tem acesso ao conhecimento técnicocientífico e germoplasmas da Embrapa, além de desenvolver um produto com o “selo Embrapa”. Por fim, os produtores brasileiros têm acesso a tecnologias inovadoras, mais produtivas e prontas para o mercado, enquanto que a Embrapa e a Monsanto recebem recursos pelo uso da tecnologia desenvolvida. A parceria, também já citada, entre IAC e Syngenta para o desenvolvimento de novos cultivares de cana-de-açúcar é similar e também trouxe resultados positivos para os envolvidos e para a sociedade. Além das parcerias com a iniciativa privada, ressalta-se aqui também a tendência da Embrapa e de outros centros de I&DT agropecuários brasileiros de trabalhar em parceria com outros centros, nacionais e internacionais. A troca de conhecimentos e tecnologias foi fundamental para o desenvolvimento do sistema de I&DT existente. A parceria firmada entre centros de investigação e universidades para o sequenciamento do genoma do café é um bom exemplo de como a troca entre instituições diversas pode ter resultados positivos para o agronegócio e para a sociedade. O projeto Labex, da Embrapa, Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 67 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira também é um bom exemplo de uma parceria win-win e dos benefícios de se promoverem intercâmbios de profissionais entre centros de investigação um pouco por todo o mundo. 6. PROCESSOS DE MUDANÇA E SOFTSKILLS Pesquisa, desenvolvimento e inovação são atividades que, pela sua própria natureza, enfrentam mudanças constantes. No agronegócio, setor de grandes mudanças nas últimas décadas, isso não é diferente. Os centros de I&DT estão sempre em busca de melhorias nos seus processos e ações. Um exemplo de processo de mudança importante foi a internacionalização da Embrapa. Até 1998, a Embrapa praticamente não tinha uma atuação internacional (FREIRE, et al., 2004). Porém, com o mundo cada vez mais globalizado e com a abertura comercial do país, a instituição passou a competir com empresas e centros de pesquisa de todo mundo. Além disso, o intercâmbio de conhecimento e tecnologia é essencial para se manter na linha da frente. Tendo esses aspectos em mente, a Embrapa mostrou flexibilidade ao optar pelo modelo de laboratórios virtuais (Labex) para se internacionalizar e promover o intercâmbio de investigadores. Após uma primeira experiência de sucesso com o Serviço de Pesquisa Agrícola, do Departamento de Agricultura, o projeto foi expandido para outros quatro centros na Europa e Ásia. Em 2009, a partir da experiência positiva do Labex, a instituição criou a Secretaria de Relações Internacionais, diretamente ligada ao Presidente (AGROPOLIS INTERNATIONAL, 2012). Desde então, a instituição tem ampliado os seus esforços internacionais de cooperação técnica, transferência de tecnologia e intercâmbio de investigadores. Esta característica da Embrapa - de testar ideias inovadoras de geração e transferência de conhecimento, para depois avaliar a sua efetividade, fazer correções e expandir, é, sem dúvida, algo extremamente benéfico para a instituição. Até ao momento presente, os Labex já geraram resultados em diversas áreas, como por exemplo: Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 68 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira Segurança Alimentar: desenvolvimento de tecnologia que permite identificar, por meio de metodologias moleculares, microrganismos que contaminam alimentos, especialmente na cadeia produtiva de leites e derivados e de suínos. Recursos Genéticos: crescimento do acervo genético do Brasil, com a adição de mais de 50.000 acessos de alta importância como soja e arroz. Nanotecnologia: desenvolvimento de plástico-filme biológico e comestível, feito a partir de elementos de frutas, para revestir frutas e hortaliças. Biologia Avançada: desenvolvimento de tecnologia que identifica os genes que tornam o feijão resistente a ferrugem. Criação de ferramentas biotecnológicas para controle genético de pragas como a Sigatoka Negra e o Mal-do-Panamá. Entre outros (FREIRE et al., 2013). Outro momento importante de mudança na Embrapa foi a extinção da EMBRATER (Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural), em 1991. Inicialmente, no sistema de I&DT agropecuário brasileiro, a Embrapa seria responsável pela rede de pesquisa, enquanto a EMBRATER ficaria responsável pelas ações de assistência técnica e transferência de tecnologia (MENDES, 2009). Porém, com o fim da EMBRATER, e sem a sua substituição por parte do governo, a Embrapa passou a ser crescentemente requisitada para desempenhar os papéis da antiga EMBRATER. Para atender a essa procura, a Embrapa passou a atuar mais proxima da iniciativa privada, principalmente nos segmentos de sementes, insumos/fornecimentos, equipamentos e serviços de comunicação (ATRASAS, SACOMANO e LORENZO, 2012). Algumas lições muito claras surgem destes processos de mudança: para um centro de I&DT prosperar é necessário que seja flexível, que se adapte rapidamente às mudanças do ambiente, que experimente soluções e que, tendo sucesso , se expanda , e atue em parceria. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 69 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira 7. CONCLUSÃO O agronegócio brasileiro apresentou grandes avanços nos últimos 40 anos, tornando-se competitivo mundialmente em diversos segmentos. Parte desse sucesso foi decorrente das políticas acertadas de promoção do I&DT, a transferência de tecnologias e a extensão agropecuária. A Embrapa, responsável por 57% do investimento em I&DT agropecuário do Brasil (BEINTEMA, AVILA e PARDEY, 2001), tem particular relevância nesse contexto. A empresa tem como méritos a sua abrangência nacional e atuação descentralizada. Isso permitiu que a Embrapa desenvolvesse tecnologias adequadas e aplicáveis às diversas condições que os biomas brasileiros oferecem. Outro ponto essencial para o sucesso da Embrapa é a aposta num corpo técnico altamente qualificado – 74% dos seus 2.427 são doutores. Não menos importante é o constante intercâmbio da Embrapa com outros institutos de investigação, nacionais e internacionais. Além desses aspectos, um fator crucial para o sucesso da Embrapa é a preocupação permanente, desde sua criação, com a difusão de informação e transferência de tecnologia. O Proeta e a Infoteca-e são bons exemplos desse processo, na prática. As experiências de outros centros de I&DT apresentadas neste relatório também evidenciam a importância de se investir em investigação que esteja em consonância com a realidade local. Observa-se que há uma preocupação crescente desses centros com a questão da propriedade intelectual e com formas de comercialização que dêem sustentabilidade financeira a esses institutos. Certamente há pontos de melhoria possíveis no sistema de I&DT agropecuário brasileiro – a questão da dependência evidente de recursos públicos é algo a ser melhorado –, mas várias lições podem ser retiradas de um sistema que ajudou a transformar um país importador de produtos alimentícios num dos maiores produtores agropecuários do mundo em menos de 50 anos. Rede de Cooperação da Fileira das Tecnologias e Serviços do Agronegócio 2014 70 Estudo de Benchmarking sobre a Transferência de Tecnologias para o Agronegócio – A Experiência Brasileira BIBLIOGRAFIA AGRICULTURAL INNOVATION MARKETPLACE. Agricultural Innovation Marketplace. Disponível em: <http://www.africa-brazil.org/site/>. Acesso em: 24 fev. 2014. AGROPOLIS INTERNATIONAL. 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