Universidade de Brasília
EDUARDO HENRIQUE NAVES
O ESPORTE COMO PRÁTICA INCLUSIVA: uma realidade na cidade de Três
Ranchos/GO?
Catalão/GO
2007
2
EDUARDO HENRIQUE NAVES
O ESPORTE COMO PRÁTICA INCLUSIVA: uma realidade na cidade de Três
Ranchos/GO?
Monografia apresentada ao Curso de Especialização em
Esporte Escolar do Centro de Educação à Distância da
Universidade de Brasília em parceria com o Programa de
Capacitação Continuada em Esporte Escolar do Ministério do
Esporte para obtenção do título de Especialista em Esporte
Escolar.
Catalão/GO
2007
3
Banca Examinadora
______________________________________
Profª Ms. Lana Ferreira de Lima (Orientadora)
Mestre em Educação
Universidade Federal de Goiás – Campus Catalão
_______________________________
Prof. Ms. Ari Lazzaroti Filho (Leitor)
Mestre em Educação Brasileira
Universidade Federal de Goiás
4
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho as pessoas que através de seus esforços fazem que a área da
Educação Física cresça em especial a minha orientadora Lana Ferreira de Lima, que me
incentivou várias vezes na continuidade deste trabalho.
Dedico ainda a todos que participaram com sua ajuda na realização do Programa
Segundo Tempo no Colégio Estadual Maria Elias de Melo.
5
AGRADECIMENTOS
Inicialmente agradeço a Deus pela oportunidade de vivenciar este momento.
Agradeço a todas as pessoas que durante a realização deste trabalho contribuíram para
sua realização, seja com incentivos de apoio, com dicas ou até mesmo com a sua ausência,
dou a todos um tratamento igual e os meus sinceros agradecimentos.
Em especial a minha orientadora Lana, que aqui reconheço não fossem seus vários
telefonemas, e-mails eu não teria terminado essa pós-graduação, além desse incentivo seus
conhecimentos, suas sábias orientações e tolerância quando da extrapolação quase que sempre
dos prazos estabelecidos, deixo expresso meu apreço e reconhecimento de tamanha
competência profissional.
Aos amigos que com suas experiências profissionais me ajudaram na elaboração deste
trabalho, não quero aqui cometer nenhuma injustiça em citar nomes e vir a me esquecer de
alguém, fica um agradecimento a todos.
Aos meus familiares e minha namorada Josiele, pela tolerância nos momentos de mau
humor e apoio nos momentos de dificuldade.
E finalmente aos organizadores desse curso de capacitação que nos deram à
oportunidade de aperfeiçoarmos nossos conhecimentos em nossa área de atuação.
6
EPÍGRAFE
“O conhecimento é processo diário que não termina nem
acaba”
Demo
7
Resumo
NAVES, Eduardo Henrique. O Esporte como prática inclusiva: uma realidade na cidade de
Três Ranchos/GO? 2007. 54f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Esporte
Escolar) - Centro de Educação à Distância da Universidade de Brasília - Ministério do
Esporte, Brasília/DF. 2007.
Este trabalho apresenta como objeto de estudo, a prática esportiva enquanto elemento de
inclusão no Programa Segundo Tempo, desenvolvido na cidade de Três Ranchos/GO, o qual
teve a duração de treze meses, com início em agosto de 2004 e término em outubro de 2005.
Desse modo estabelecemos como objetivo geral deste estudo analisar como os alunos,
monitores, professores e direção do Colégio Estadual Maria Elias de Melo compreendem a
relação esporte-inclusão a partir da realização do Programa Segundo Tempo na cidade de Três
Ranchos/GO. Mais especificamente objetivamos: a) analisar a relação Educação Física,
Esporte e Cultura; b)refletir sobre o papel do esporte enquanto um elemento mediador da
inclusão social; c)caracterizar a escola-campo em que foi desenvolvido o Programa Segundo
Tempo; d)descrever e analisar a compreensão de alunos, monitores e direção do Colégio
Estadual Maria Elias de Melo acerca da relação esporte-inclusão a partir da realização do
Programa Segundo Tempo. Para a realização deste trabalho desenvolvemos uma pesquisa de
campo. Para tanto a população do estudo foi composta pelos dois monitores que
desenvolveram o Programa Segundo Tempo na escola-campo, a direção da escola e alunos
que participaram do Programa. Para a coleta de dados foram aplicados questionários para
cada grupo contendo questões abertas e fechadas. Os questionários eram diferentes para cada
grupo contendo perguntas sobre esporte, inclusão e o Programa Segundo Tempo. Concluímos
que para todas as categorias que fizeram parte da coleta de dados (alunos, monitores e
direção) o Programa Segundo Tempo a partir de suas ações contribuiu para uma ação
inclusiva nesta localidade, através de uma metodologia diferenciada nas aulas do programa,
que não selecionava nem discriminava, muito menos buscava homogeneizar as ações,
buscávamos nas ações estimular a criatividade e o respeito às diferenças.
8
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Demonstrativo do total de alunos e alunas distribuídas por ano e
turma........................................................................................................................................ 39
Quadro 2 - Motivos
que
levaram
os
alunos
a
participarem
do
Programa
Segundo Tempo ...................................................................................................................... 42
Quadro 3 - Dificuldades
encontradas
para
participar do
Programa Segundo
Tempo...................................................................................................................................... 43
Quadro 4- Dificuldades apresentadas pelos alunos/alunas para participar nas atividades
esportivas nos PST................................................................................................................... 44
Quadro 5 - Concepções de esporte dos alunos..........................................................................45
Quadro 6 - Concepções de inclusão ........................................................................................ 47
9
LISTA DE SIGLAS
CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais
EJA - Educação de Jovens e Adultos
FMI – Fundo Monetário Internacional
FUNDEC/MEC - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação/Ministério da Educação
e Cultura
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
PRAEC - Projeto de Atividades Educacionais Complementares
PROINFO - Programa Nacional de Informática na Educação
PST - Programa Segundo Tempo
10
Sumário
Página
Resumo..........................................................................................................................
07
Lista de Quadros............................................................................................................
08
Lista de Siglas ................................................................................................................
09
Introdução......................................................................................................................
11
Procedimentos Metodológicos......................................................................................
17
Capítulo I - Cultura, Educação Física, Esporte e Inclusão............................................
19
1.1 – Educação Física, Esporte, Cultura.......................................................................
22
1.2 – O papel do esporte enquanto elemento de inclusão social...................................
25
1.3 – Escola, Esporte, Inclusão.....................................................................................
27
Capítulo II - Inclusão/exclusão no Programa Segundo Tempo no Colégio Estadual
Maria Elias De Melo.....................................................................................................
33
1. Caracterização do município de Três Ranchos.........................................................
33
2. Contornos da escola campo.......................................................................................
36
3. A relação esporte-inclusão, na perspectiva dos alunos, a partir da realização do
Programa Segundo Tempo............................................................................................
39
4. A relação esporte-inclusão, na perspectiva dos monitores e direção, a partir da
realização do Programa Segundo Tempo.......................................................................
48
Considerações Finais......................................................................................................
52
Referências......................................................................................................................
54
Anexos............................................................................................................................
57
11
Introdução
Dentre os objetivos do Programa Segundo Tempo (PST) está a preocupação em
avaliar e acompanhar o esporte educacional no Brasil, bem como propiciar o contato com a
prática esportiva, desenvolver capacidades e habilidades motoras de crianças e jovens,
contribuir para a diminuição da exposição a situações de risco social e ainda qualificar os
recursos humanos profissionais. De forma geral este é um Programa idealizado pelo
Ministério de Esporte que se caracteriza pelo acesso no contra-turno escolar, de crianças e
adolescentes em situação de risco social, a diversas atividades e modalidades esportivas
(individuais e coletivas), desenvolvidas em espaços físicos da escola ou em espaços
comunitários, tendo como enfoque principal o esporte educacional como forma de inclusão
social. (MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2007).
A partir desses elementos temos como objeto de estudo, neste trabalho, a prática
esportiva enquanto elemento de inclusão no Programa Segundo Tempo, desenvolvido na
cidade de Três Ranchos/GO, o qual teve a duração de treze meses, com início em agosto de
2004 e término em outubro de 2005.
Inicialmente deixamos clara a idéia de que a existência de excluídos acompanha a
história da humanidade, já que sempre existiram pessoas vitimadas por processos de
dominação e segregação, motivados por problemas relacionados com religião, política, saúde,
etnia sexo, economia etc.que tiveram predominância exclusiva ou combinada em cada
momento histórico. (RIBEIRO, 1999 apud ALMEIDA, 2002). É necessário aqui não
simplificarmos o tema exclusão tratando-o apenas como um processo do campo de trabalho e
sim como uma problemática social mais complexa presente nas mais variadas camadas
sociais, estando relacionado ainda com a falta de acesso a práticas esportivas e atividades
culturais.
Assim, para nos orientarmos melhor sobre o que estamos denominando de inclusão,
nos pautaremos no autor Bracht (2006) o qual nos diz que a
Inclusão precisa ser entendida como a participação ou a construção das condições
de possibilidade para participar da construção cultural: cidadania cultural (não
apenas consumir o que a indústria cultural produz). Nesse sentido, a escola e a
educação física possuem uma responsabilidade intransferível. Incluir não pode
significar integrar de forma subordinada, vale dizer, não na condição de mero
consumidor, e sim de cidadão. (p. 127)
12
Diante do exposto acima se torna necessário entendermos que a inclusão visa
oportunizar condições de vivências igualitárias a todos os membros da sociedade
indiferentemente de classes sociais, crenças religiosas ou quaisquer diferenças que seja. Mas
para além de incluir devemos também nos atentar a como se dará o processo inclusivo,
buscando garantir que o indivíduo incluído seja muito mais do que um receptor de tarefas, de
dados, de conhecimento e sim favorecer a este ter uma visão de suas possibilidades enquanto
sujeito constituinte do processo, podendo assim contribuir com a formação de cidadãos
críticos.
Segundo Rabelo e Amaral (2003) a inclusão se baseia na idéia de que todas as pessoas
devem, democraticamente, participar de forma ativa na organização da sociedade, de tal
maneira que todos possam ter acesso às oportunidades de desenvolvimento sociocultural,
incluindo-se também os elementos da cultura corporal, e considerando-se suas características
individuais. Compreendemos com essa fala uma necessidade em rompermos com a visão
ofuscada pelo não reconhecimento das diferenças, valorizando ações homogenizadoras que
acabam segregando indivíduos em função da cor, raça, classe econômica. Faz-se necessário
entendermos e aprendermos a lidar com as diferenças sem classificá-las com estereótipos.
Nessa linha de raciocínio que aponta para a relação inclusão e diversidade,
encontramos os autores Marques e Marques (2003) que tratam a inclusão como sendo um
princípio alicerçado no entendimento de que existem diversas formas de existência humana,
portanto um ideário pautado no princípio da diversidade humana.
Entendemos assim, que as diferenças que se fazem presentes na sociedade vão
aparecer também no contexto escolar por meio, por exemplo, de
ritmos diferentes de
aprendizagem, classe social, cor, raça, biótipo e outras; a escola inclusiva, nessa perspectiva,
deve se pautar nas multiplicidades, nas diversidades, e não ficar centralizada num modo
padrão. (MARQUES, MARQUES, 2003).
Para compreender nosso interesse pelo objeto ‘prática esportiva enquanto elemento de
inclusão no Programa Segundo Tempo’ faz-se necessário antes de mais nada um regresso ao
tempo em que ainda cursávamos a graduação em Educação Física; pois desde esse período
tínhamos consciência da importância que o esporte possuía no contexto da área, como uma
prática corporal constituída por códigos e significados, porém não conhecíamos a dimensão
exata que este elemento da cultura corporal possuía dentro da escola, haja vista que este é
tratado no ambiente escolar como um dos principais conteúdos da disciplina Educação Física.
Na graduação são várias as disciplinas que trazem o debate sobre o tema esporte
como, por exemplo, as disciplinas específicas no trato esportivo: Basquetebol, Futebol,
13
Handebol, Natação assim como disciplinas de trato pedagógico como Didática e Prática de
Ensino, Filosofia e História das Atividades Corporais, Estrutura e Funcionamento Ensino,
Antropologia Social e Aprofundamento em Educação Física Escolar.
Tais disciplinas fortalecem nosso conhecimento sobre as dimensões pedagógicas no
trato com o esporte, possibilitando um entendimento deste nas suas mais diferentes
manifestações: esporte de rendimento, que é visto como uma prática de reprodução de
valores, normas, técnicas e gestos da sociedade vigente, incorporando códigos e significados
que reforçam os princípios de alta competitividade (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS DE
EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004, módulo I, p.34); esporte
educacional, visto na contra-mão do esporte de rendimento pois possibilita superarmos a idéia
de transmitir e ensinar técnicas de esporte com vistas a competição e sim transformá-lo
pedagogicamente (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO
MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004, módulo I, p. 25); esporte enquanto lazer que trata de
aspectos mercadológicos e eficácia do mesmo enquanto uma política social (COMISSÃO DE
ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004,
módulo I, p. 28).
Para, além disso, há no decorrer do curso de graduação uma discussão constante sobre
a relação entre Educação Física e esporte com vistas ao desenvolvimento de um sujeito em
todas as suas dimensões motoras cognitivas e sociais oportunizando o acesso a todos e
valorizando os conhecimentos que os alunos trazem consigo as habilidades e vivências
motoras.
Portanto, nossa formação inicial nos possibilitou entender que não devemos excluir
ninguém das aulas de Educação Física e que todos os alunos merecem ter a mesma
oportunidade, consideração e respeito, e a instituição escola, neste processo, deve atuar como
um mediador da inclusão social, pois conforme Almeida (2002) a escola é um espaço
sociocultural, portanto em articulação com o contexto social em que está inserida, tornando-se
responsável pela abordagem pedagógica do conhecimento e da cultura.
Desse modo, veremos que na escola em vários momentos e situações é reforçada a
hierarquização e desigualdade social presente no modelo econômico da sociedade capitalista,
já que o professor passa a reproduzir os parâmetros da produção e do rendimento, trazendo-os
para a prática cotidiana das aulas. Nessa perspectiva o professor torna-se um objeto a serviço
do rendimento corporal como preparo para o trabalho produtivo necessário às sociedades
capitalistas. Nesse sentido percebemos que o corpo humano é moldado como instrumento
político e instrumentalizado pelo poder, com o fim de disciplinar e camuflar as desigualdades
14
sociais. (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO
DO ESPORTE, 2004, módulo I, p. 104)
Porém, temos claro, que essa mesma escola age também na busca pela superação das
diferenças e luta por oferecer uma Educação de qualidade. Assim, podemos dizer segundo
Tiballi (2002) que a educação está posta entre dois movimentos opostos, no primeiro é a
defesa de uma sociedade mais humana e justa construída através das ações participativas dos
seus cidadãos e o Estado fica responsável por oferecer não só educação por si só, mas uma
educação de qualidade e igualitária que conscientize todos os alunos do papel social que lhes
cabe. O outro movimento que age de maneira oposta é a afirmação dos princípios capitalistas
na economia sofrendo interferências de órgãos estrangeiros como o Banco Mundial e o Fundo
Monetário Internacional (FMI), que influenciam as políticas públicas inclusive a educacional,
impondo uma dicotomia entre o discurso de uma escola pública de qualidade para todos e a
prática que, de modo geral vem sendo utilizada.
Nessa perspectiva, uma escola inclusiva será o reflexo de uma sociedade inclusiva e,
por outro lado, uma educação inclusiva terá influência sobre a sociedade, transformando-a em
uma sociedade voltada para todos, que não acolha em seu seio a intolerância para com os
diferentes. (RABELO, AMARAL, 2002).
Podemos entender que a escola e a sociedade estão numa relação intrínseca, onde os
impactos de ações tanto de uma quanto de outra terá reflexos em ambos, uma educação que
rompa com os princípios capitalistas que estabeleça explicitamente ou implicitamente
parâmetros de rendimento, que devem ser buscados e constantemente superados numa
sociedade
capitalista
reforçando
uma
educação
excludente
reforçada
pela
hipercompetitividade. Esta exclusão também se manifesta nas diferenças entre as classes
sociais e nas oportunidades de acesso a bens de consumo e cultura restrito a apenas uma parte
da população, no caso os incluídos.
A partir desse entendimento, nos dedicamos de uma forma especial a observar durante
as aulas de Educação Física no Colégio Estadual Maria Elias de Melo na cidade de Três
Ranchos – GO a maneira como se manifestava o processo de inclusão/exclusão dentro da
escola por meio do trabalho com o esporte.
No ano de 2004 começamos a trabalhar no Colégio Estadual Maria Elias de Melo, na
cidade de Três Ranchos, local onde foi desenvolvido o núcleo do Programa Segundo Tempo
em questão aqui, logo quando do início de nossa atuação percebemos naquela localidade uma
grande dificuldade em lidar com o conteúdo esporte, pois ali estava presente uma tendência à
15
reprodução do esporte de rendimento e para além disso os conteúdos desenvolvidos nas aulas
de Educação Física se limitavam ao Futsal, Handebol e Basquetebol.
Logo percebemos que a freqüência e participação dos alunos nas aulas teóricas eram
satisfatórias, mas sempre com a cobrança pela aula prática; as aulas teóricas eram organizadas
de forma a apresentar e discutir um conteúdo que seria posteriormente desenvolvido em
atividades práticas e durante as quais objetivávamos não só possibilitar aos alunos a
aprendizagem dos conteúdos mas também desenvolver as relações interpessoais entre os
mesmos.
Durante as aulas práticas observávamos que tanto a presença quanto a participação dos
alunos eram insatisfatórias, fato este que nos incomodava bastante, pois eram sempre os
mesmos alunos/as que participavam e os/as demais se negavam a participar das atividades
demonstrando um grande desinteresse, mesmo a aula tendo por objetivo a participação de
todos e, portanto não selecionando nem excluindo ninguém.
Tal fato ocorria, em nosso entendimento, devido a problemas tais como, a exclusão
das atividades daqueles alunos que tinham um repertório motor menos desenvolvido que
outros alunos com sobrepeso ou menor domínio das habilidades técnicas gerando uma
intolerância
por
parte
daqueles
com
que
consideravam
apresentar
um
maior
domínio/habilidade nas práticas esportivas desenvolvidas nas aulas de Educação Física.
Estes fatos se agravavam nos anos finais do processo de escolarização tanto na
segunda fase do Ensino Fundamental quanto ao final do Ensino Médio, pois alguns alunos em
conversas informais durante as aulas, ou não, justificavam não participar das aulas práticas
principalmente pela intolerância dos próprios colegas quanto aos seus erros e limitações, e
também pela repetição dos conteúdos estudados os quais não avançavam nos diferentes anos
de escolarização.
Portanto, no ambiente escolar percebemos através de observações assistemáticas que a
visão dos membros da comunidade escolar (professores, direção etc...) em relação à Educação
Física ainda está pautada numa lógica de rendimento visando a descoberta de talentos
esportivos. Em face disso sofremos cobranças por parte da comunidade escolar para obtenção
de resultados em participações em jogos estudantis, existindo a necessidade de selecionarmos
os alunos mais aptos, ou seja, aqueles que possuem melhores qualidades técnicas para
representarem a escola nos jogos estudantis. Desta maneira começa a surgir o processo de
exclusão gerada pelos próprios alunos que discriminam os menos habilidosos em certas
práticas esportivas e até mesmo de nossa parte enquanto professores uma vez que precisamos
apresentar resultados satisfatórios.
16
Com a implantação do PST passamos a ter um suporte para trabalhar de forma
diferenciada e mais justa com aqueles alunos menos aptos e também com os portadores de
alguma necessidade especial. Na condição de coordenador do PST na Escola Maria Elias de
Melo, percebíamos através das aulas ministradas pelos monitores e também por meio da troca
de experiências em nossas reuniões semanais, que o referido Programa veio em boa hora para
suprir as necessidades que encontrávamos dentro da escola.
No Programa os monitores foram instruídos a lidar com a inclusão social e, portanto,
desenvolveram seu trabalho tentando fazer com que todos os alunos que ali estavam
participassem das aulas estimulando-os a desenvolver mais do que habilidades técnicas
pertinentes aos desportos ali desenvolvidos, mas que fossem desenvolvidas capacidades
cognitivas e sociais, além de valores como respeito e cooperação com o próximo.
Diante dessa vivência no ambiente escolar e as observações assistemáticas realizadas
durante as aulas na escola, um fator que fortaleceu nosso interesse em refletir sobre a prática
esportiva enquanto elemento de inclusão no Programa Segundo Tempo, foi o fato de termos
iniciado o Curso de Especialização em Esporte Escolar, oferecido pela Subsecretaria Regional
de Educação da cidade de Catalão – GO em parceria com a Universidade de Brasília. Isto
porque durante o referido Curso pudemos refletir sobre nossa prática docente, bem como
sobre o esporte como política social para todos, o direito da criança e do adolescente no
esporte, o homem como produtor e consumidor do esporte e dessa forma aprofundar nossos
conhecimentos sobre o esporte educacional.
Com a discussão dos módulos de estudo avançamos nas concepções de esporte
educacional compreendendo que este deve ser trabalhado numa perspectiva inclusiva
favorecendo e oportunizando o acesso para todos os alunos a todas as atividades
desenvolvidas. O esporte possibilita educar através da cooperação, da solidariedade, dá noção
de conjunto, organização, discussão de regras, socialização e temas da cultura corporal assim
as atividades devem favorecer a participação de todos e para isso torna-se importante que no
interior das escolas, a comunidade tenha acesso a práticas culturais e sociais que a possibilite
interagir com e através do esporte. (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO
FÍSICA DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004, módulo I, p. 34-35).
Tendo em vista estas considerações, levantamos para reflexão no decorrer deste
trabalho a seguinte indagação: como os alunos, monitores e direção compreendem a
relação esporte-inclusão a partir da realização do Programa Segundo Tempo?
Desse modo estabelecemos como objetivo geral deste estudo analisar como os alunos,
monitores, professores e direção do Colégio Estadual Maria Elias de Melo compreendem a
17
relação esporte-inclusão a partir da realização do Programa Segundo Tempo na cidade de Três
Ranchos/Go. Mais especificamente objetivamos:
a)
analisar a relação Educação Física, Esporte e Cultura;
b)
refletir sobre o papel do esporte enquanto um elemento mediador da inclusão social;
c)
caracterizar a escola-campo em que foi desenvolvido o Programa Segundo Tempo;
d)
descrever e analisar a compreensão de alunos, monitores e direção do Colégio
Estadual Maria Elias de Melo acerca da relação esporte-inclusão a partir da realização do
Programa Segundo Tempo.
Procedimentos Metodológicos
Para a realização deste trabalho desenvolvemos uma pesquisa de campo. Para tanto a
população do estudo foi composta por dois monitores que desenvolveram o Programa
Segundo Tempo na escola-campo, a direção da escola e alunos que participaram do Programa.
Tendo em vista que o Programa foi desenvolvido no Colégio Estadual Maria Elias de
Melo no período de agosto de 2004 a outubro de 2005, para escolhermos os alunos que
participariam da pesquisa foi obedecida à seriação atual em que se encontravam 9ºA, 9ºB,
1ºA, 2ºA, 3ºA.
Assim, selecionamos aleatoriamente e por acessibilidade dois alunos de cada uma das
séries (9ºA, 9ºB, 1ºA, 2ºA e 3ºA), sendo um do sexo masculino e um do sexo feminino. Essa
escolha por alunos do fim do Ensino Fundamental e alunos do Ensino Médio se deu por
entendermos que os mesmos possuem mais maturidade para responder as questões
apresentadas no instrumento de coleta de dados.
Para a coleta de dados foram aplicados questionários para cada grupo contendo
questões abertas e fechadas. Os questionários eram diferentes para cada grupo contendo
perguntas sobre esporte, inclusão e o Programa Segundo Tempo.
A partir dos dados obtidos organizamos este estudo em dois capítulos no primeiro
fazemos uma reflexão sobre os aspectos cultura, escola, Educação Física, Esporte e
inclusão/exclusão. No último capítulo apresentamos a caracterização da cidade de Três
Ranchos, da escola-campo e apresentamos e analisamos os dados coletados junto a alunos,
monitores e direção.
Esperamos com a realização de este trabalho poder contribuir para uma visão
totalitária no trato do esporte como ferramenta inclusiva, tratando-o pedagogicamente no
âmbito escolar favorecendo e oportunizando a todos os alunos o acesso as atividades sem
18
necessariamente ser um reprodutor de técnicas esportivas já constituídas, ou dominar gestos
técnicos pré-estabelecidos historicamente.
19
CAPÍTULO I
Cultura, Educação Física, Esporte e Inclusão
Iniciamos nosso capítulo analisando a relação Educação Física, Esporte e Cultura e
posteriormente refletirmos sobre o papel do esporte enquanto um elemento mediador da
inclusão social.
Para tanto, em um primeiro momento refletimos sobre o termo cultura, o qual
sociologicamente – entendemos ter um sentido diferente do senso comum. Sintetizando
simboliza tudo o que é aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e
que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertença. Na sociologia não existem
culturas superiores, nem culturas inferiores pois a cultura é relativa, desigando-se em
sociologia por relativismo cultural, isto é a cultura do Brasil não é igual à cultura portuguesa,
por exemplo: diferem na maneira de se vestirem, na maneira de agirem,crenças, valores e
normas diferentes. (WIKIPEDIA, 2007)
Para a filosofia cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a
natureza ou comportamento natural. Por seu turno, em biologia uma cultura é normalmente
uma criação especial de organismos (em geral microscópicos) para fins determinados (por
exemplo: estudo de modos de vida bacterianos, estudos microecológicos, etc). No dia-a-dia
das sociedades civilizadas, especialmente a sociedade ocidental e no vulgo, costuma ser
associada à aquisição de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como melhores,
superiores, ou seja, erudição; este sentido normalmente se associa ao que é também descrito
como “alta cultura”, e é empregado apenas no singular pois não existem culturas, apenas uma
cultura, à qual os homens indistintamente devem se inserir. (WIKIPEDIA, 2007)
Podemos dizer portanto, que no âmbito da filosofia a cultura está atrelada aos desejos
e as necessidades humanas, pois através deles são criadas respostas para lhe satisfazer. A
cultura é o resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo os seus
problemas ao longo da história. Entretanto, na cultura não existe somente a repetição da
cultura antiga mas a criação, o homem cria elementos que a renovam. A cultura favorece a
humanização, pois o homem está inserido num grupo cultural e nesse grupo a cultura
manifesta-se como um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade
e que conferem sentido à vida dos seres humanos.(WIKIPEDIA, 2007).
20
Para a Antropologia a cultura é vista como o totalidade de padrões aprendidos e
desenvolvidos pelo ser humano. Para Edward Burnett Tylor em sua definição pioneira, sob a
etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo
que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos
adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. (WIKIPEDIA, 2007)
Quando indagamos se tudo é cultura, Martins (2007) nos apresenta a seguinte
resposta:
Sim e não, dependendo de usarmos o conceito amplo de cultura ou o conceito restrito.
Considerando, em primeiro lugar, o conceito amplo ou antropológico, cultura é o
modo como indivíduos ou comunidades respondem às suas próprias necessidades e
desejos simbólicos. O ser humano, ao contrário dos animais, não vive de acordo com
seus instintos, isto é, regido por leis biológicas, invariáveis para toda a espécie, mas a
partir da sua capacidade de pensar a realidade que o circunda e de construir
significados para a natureza, que vão além daqueles percebidos imediatamente. A
essa construção simbólica, que vai guiar toda ação humana, dá-se o nome de cultura.
A cultura, nesse sentido amplo, engloba a língua que falamos, as idéias de um grupo,
as crenças, os costumes, os códigos, as instituições, as ferramentas, a arte, a religião, a
ciência, enfim, todas as esferas da atividade humana. Mesmo as atividades básicas de
qualquer espécie, como a reprodução e a alimentação, são realizadas de acordo com
regras, usos e costumes de cada cultura particular. Os rituais de namoro e casamento,
os usos referentes à alimentação (o que se come, como se come), o preparo dos
alimentos, o tipo de roupa que vestimos a língua que falamos as palavras de nosso
vocabulário, tudo isso é regulado pela cultura à qual pertencemos. A função da
cultura é tornar a vida segura e contínua para a sociedade humana. Ela é o "cimento"
que dá unidade a certo grupo de pessoas que divide os mesmos usos e costumes, os
mesmos valores. Deste ponto de vista, portanto, podemos dizer que tudo o que faz
parte do mundo humano é cultura. (MARTINS, 2007)
Encontramos em Geertz (1989 apud DAOLIO, 2006) a afirmação em que sustenta que
a capacidade mental, durante a evolução do homem lhe
foi permitindo certas atitudes culturais, como a utilização de ferramentas, o
convívio social, o início da linguagem, que determinaram a evolução final do
cérebro humano. Dessa forma, a cultura, mais do que conseqüência de um sistema
nervoso estruturado, seria um ingrediente para seu funcionamento (...) sem os
homens não haveria cultura, mas de forma semelhante e muito significativamente,
sem cultura não haveria homens. (p. 29-30)
Podemos então dizer que esta discussão sobre natureza e cultura humanas relaciona-se
diretamente com a questão do corpo. Existe um arcabouço biológico semelhante a todos os
seres humanos, mas que se expressa e se desenvolve diferentemente, dependendo das
influências culturais. Os movimentos realizados pelo corpo humano são desenvolvidos e
determinados em função de uma cultura. (DAOLIO, 2006)
21
Desde que nascemos estamos determinados a seguir uma linha cultural à qual somos
submetidos, ou seja, conforme os valores culturais do meio ambiente em que estamos
inseridos iremos agir socialmente acreditando ser esta a maneira ideal de se comportar frente
aos obstáculos que surgem em nossa vida. Biologicamente o ser humano possui as mesmas
características físicas, mas culturalmente cada local do mundo pode possuir uma característica
própria que difere as pessoas tornando-as propícias a agirem da maneira em que acreditam ser
o correto.
Segundo Rodrigues (1986 apud DAOLIO, 2006, p.31) “o corpo humano como
qualquer outra realidade do mundo, é socialmente concebido, e a análise de sua representação
social oferece uma via de acesso à estrutura de uma sociedade particular”. Já DaMatta (1987,
p.31) afirma que “existem tantos corpos quanto há sociedades”.
Então podemos dizer que o conjunto de posturas e movimentos corporais representa
valores e princípios culturais de uma sociedade. Portanto, atuar no corpo implica atuar na
sociedade na qual este corpo está inserido. A Educação Física, como prática institucional que
trabalha cotidianamente com o corpo, deve ser pensada neste contexto. E a Educação Física
escolar, que se propõe educar os alunos por meio de seu corpo, deve estar atenta à
importância cultural de sua prática. (DAOLIO, 2006)
Devemos considerar que a Educação Física escolar deve partir do acervo cultural dos
alunos, visto que os movimentos corporais que possuem extrapolam a influência da escola,
são culturais e têm significados. O professor não deve encará-los como movimentos errados,
não técnicos e tentar eliminá-los. Ao contrário, o professor pode ampliar o acervo motor de
seus alunos, proporcionando assim aquisição cultural maior por parte deles.
Os gestos esportivos não devem limitar-se aos movimentos padronizados ensinados
pelo professor, mas contemplar a experiência dos alunos e incentivar sua criatividade e sua
capacidade de exploração. Normalmente, o professor de Educação Física valoriza alunos que
melhor repetem as técnicas esportivas que ele deseja. Muitas vezes, o aluno que tem outra
experiência de movimento, que poderia ser considerada e valorizada nas aulas de Educação
Física, é punido pelo professor e torna-se alvo de chacotas por parte dos colegas. (DAOLIO,
2006)
Sendo assim, trabalhar com uma prática esportiva nas aulas de Educação Física é
muito mais do que ensinar regras, técnicas e táticas próprias da modalidade. É preciso, acima
de tudo, contextualizar esta prática na realidade sociocultural em que ela se encontra.
Se o professor de Educação Física estiver conectado com a realidade sociocultural na
qual seu aluno está inserido, provavelmente terá mais condições de realizar seu trabalho de
22
forma mais competente e desta forma contribuir com uma educação que leve à transformação
da realidade, permitindo ao aluno um desenvolvimento em todos os seus aspectos.
O esporte é hoje um fenômeno de grande expressividade social e que merece atenção
dos estudiosos, inclusive dos que procuram pensar a Educação Física Escolar. No entanto,
acreditamos que não é mais possível justificar a existência do esporte no currículo escolar,
como conteúdo nas aulas de Educação Física, com um discurso que argumenta em favor da
descoberta e fomento do talento esportivo, muito menos quando este está atrelado a iniciativas
para que este esporte escolar venha a se tornar a base do esporte de alto rendimento, pois
desse modo estaremos contribuindo para reforçar a exclusão no ambiente escolar.
1.1 Educação Física, Esporte e Cultura.
A Educação Física se institucionalizou no Brasil, a partir do século XIX, onde era
fundamentada pelas ciências biológicas, onde tinha como objetivo o desenvolvimento da
aptidão física.
A Educação Física no Brasil tem sua origem desde o período colonial com os índios,
esses, porém deram pouca contribuição a não ser os movimentos rústicos naturais tais como
nadar, correr atrás da caça, lançar, e o arco e flecha. Nas suas tradições incluem-se as danças,
cada uma com significado diferente: homenageando o sol, a lua, os deuses da guerra e da paz,
os casamentos etc. Entre os jogos incluem-se as lutas, a peteca, a corrida de troncos entre
outras que não foram absorvidas pelos colonizadores. Sabe-se que os índios não eram muito
fortes e não se adaptavam ao trabalho escravo. (CDOF, 2007).
Posteriormente os negros que vieram para o Brasil para o trabalho escravo eram
levados a fugir para os Quilombos o que os obrigava a lutar sem armas contra os capitães-domato, homens a mando dos senhores de engenho que entravam mato a dentro para recapturar
os escravos. Com o instinto natural, os negros descobriram ser o próprio corpo uma arma
poderosa e o elemento surpresa. A inspiração veio da observação da briga dos animais e das
raízes culturais africanas, surgindo daí a capoeira. (CDOF, 2007).
Foi no Brasil Império, em 1851, por meio da lei nº 630, que a ginástica passou a ser
incluída nos currículos escolares. Embora Rui Barbosa não quisesse que o povo soubesse da
historia dos negros, preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e
secundárias praticada quatro vezes por semana durante 30 minutos. (CDOF, 2007)
No período do Brasil República começou a profissionalização da Educação Física. As
políticas públicas até os anos 60 eram limitadas ao desenvolvimento das estruturas
23
organizacionais e administrativas específicas tais como: Divisão da Educação Física e o
Conselho Nacional de Desportos.(CDOF,2007)
Nos anos 70, marcados pela ditadura militar, a Educação Física era usada, não para
fins educativos, mas de propaganda do governo sendo os ramos e níveis de ensino voltado
para os esportes de alto rendimento. (CDOF, 2007)
Mas a partir da década de 80, a Educação Física traz em cena a questão cultural, o que
trouxe um avanço significativo para a área. Nesse sentido Daolio (2006) nos traz a afirmação
que a cultura é o conceito mais importante para a Educação Física:
(...) defendo que a cultura é o principal conceito para a educação física, uma vez
que todas as manifestações corporais humanas (esporte, dança, ginástica, jogo etc.)
são geradas no seio de uma dada cultura e se manifestam diversamente no contexto
de grupos culturais específicos. De fato, uma manifestação cultural como o jogo de
peteca, por exemplo, é característica principalmente do estado de Minas Gerais, e
não é do Brasil como um todo e, muito menos, de outros países do mundo. (p.92)
Essa afirmação nos traz a clareza de que a Educação Física possui construções
corporais diferentes em cada grupo social, ou seja, os hábitos corporais, os cuidados com o
corpo, o tipo de dança, até a mesma modalidade esportiva, adquire funções culturais
específicas de cada local, pois há várias formas culturais de compreender o jogo, a dança e o
esporte.
Assim, é possível entender que a dimensão cultural é um processo de ensinoaprendizagem aonde a ação corporal vai dando sentido ao movimento humano em cada lugar
ou grupo em que se realiza. Desse modo, o esporte trabalhado pela Educação Física é um
fenômeno cultural, fruto de um processo histórico da humanidade, que varia de acordo com as
formas e significados de cada modalidade.
O esporte tornou-se uma prática hegemônica no âmbito da cultura corporal de
movimento pela capacidade de mobilização social. Contudo Linhales (1996 apud FARIA,
2000), ao reconstituir a trajetória política do esporte no Brasil, destaca a existência de
contradições e ambigüidades na prática esportiva, sendo as suas diferentes facetas permeadas
“pela multiplicidade de interesses que constituem as relações humanas, políticas e econômicas
e características do século e da modernidade que acolhe”. (p.09)
As transformações econômicas e a globalização que afetam as diferentes sociedades
levam ao aumento do consumo, na comercialização de bens e serviços, inclusive nos
esportivos. Assim, o esporte de rendimento ou espetáculo “entra em campo” por suas
possibilidades de inserção nas diversas culturas e de mobilização social. (FARIA, 2000).
24
É importante que tenhamos um olhar no interior da cultura esportiva, onde os sujeitos
são capazes de criar estratégias e de processar escolhas sem perder de vista certos
condicionantes de tempos/espaços nas quais os sujeitos se encontram inseridos. Um
importante espaço de inserção do esporte é a escola, a qual deve ser entendida não apenas
como o lugar de “reprodução”, mas também como um espaço social ambíguo, relativamente
autônomo, conflituoso, contraditório e de “produção de cultura”. (FARIA, 2000).
Faria (2000) vem discutindo a escola, como lugar fomentador da produção de
conhecimento e de construção social e afirma que
O conhecimento escolar, como todo conhecimento presente na sociedade, é uma
construção social produzida entre conflitos, concordâncias e consentimento dos
atores/autores frente à relação de tensão e luta que busca a auto-afirmação do
poder, por meio da interação social. Essa interação social ocorre em meio a uma
dependência de cultura, contextos, costumes e das especificidades dos processos
históricos para a construção de símbolos e significados. (p.13)
Pensando as relações que a escola estabelece com a cultura – em nosso caso com a
cultura esportiva – analisamos que ela se constitui numa multiplicidade de aparências e
formas segundo os rumos da história e as divisões geográficas, variando de uma sociedade a
outra e de um grupo a outro, no interior da mesma sociedade. E o que percebemos no plano da
história da Educação Física, é que o conteúdo que vem se destacando nos últimos 50 anos,
como objeto de ensino dessa disciplina, é o esporte. (GONZÁLEZ, 2006).
É evidente que nós professores precisamos desenvolver a prática esportiva, não com a
finalidade de educar os alunos por meio de seus corpos, mas deve ficar atenta a importância
cultural de sua prática, partindo do acervo cultural dos alunos, pois são dotados de cultura e
significados. Pois sabemos que o esporte sempre esteve presente em suas vidas, sendo
praticado por meio de atividades e jogos livres (piques de rua, jogos com bolas nas ruas, nos
passeios, em terrenos baldios e praças) nas quais participa quem quer com total liberdade de
entrar e sair da brincadeira. E nesses pequenos espaços, acreditamos que há troca e aquisição
de conhecimentos; valorizar e respeitar todas as formas de movimentos e regras é o nosso
papel, nós enquanto agentes mediadores de conhecimentos. Por isso, como nos afirma Daolio
(2006),
os movimentos corporais que os alunos possuem extrapolam a influência da escola,
são culturais e têm significados, o professor não deve encará-los como movimentos
errados, não técnicos e tentar eliminá-los e sim ampliar o acervo motor dos alunos
proporcionando aquisição cultural maior por parte deles. (p.32)
25
Essas práticas esportivas determinadas culturalmente devem fazer parte de um
programa de Educação Física Escolar, onde é valorizado o que os alunos já vivenciaram em
suas vidas estimulando as trocas de experiências entre os mesmos. Assim, trabalhar a prática
esportiva nas aulas de Educação Física é muito mais que o ensino das regras, técnicas e
táticas, é contextualizar esta prática na realidade sócio-cultural em que ela se encontra. E
quando o professor volta as suas aulas para o alcance da cultura, ele busca o trabalho de
inclusão, onde o aluno tem o livre acesso para participar das aulas, livre de chacotas feitas
muitas das vezes pelos colegas, e o professor desenvolve um trabalho fazendo com que haja
nas suas aulas momentos de criação, recriação e transformação de gestos/movimentos.
O professor deve ainda entender a variabilidade dos fenômenos humanos ligados ao
corpo e ao movimento; é fundamental quando se pensa na pluralidade de formas de vida que o
ser humano moderno apresenta. Entender ainda que não devamos nos pautar em aspectos
biológicos e sim contextualizar o movimento onde ele se realiza. (COMISSÃO DE
ESPECIALISTAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004).
Quando estudamos a Educação Física, o esporte e a cultura podemos compreender que
a natureza e a cultura fazem parte de um mesmo processo. Esta natureza cultural não exclui o
desenvolvimento biológico, mas o engloba. Por mais que a Educação Física historicamente
seja fruto de uma visão que separou a natureza da cultura lida diretamente com o homem em
integração entre estes dois aspectos.
A Educação Física na escola deve, portanto, dar conta não só da pluralidade de formas
da cultura corporal humana (jogos, danças, esportes, formas de ginástica e lutas) como
também da expressão diferencial dessa cultura nas aulas. Assim podemos vislumbrar uma
prática escolar despida de preconceitos em relação ao comportamento corporal dos alunos
oferecendo a todos e a cada um o direito de uma educação física significativa. (DAOLIO,
1995).
1.2. O papel do esporte enquanto um elemento mediador da inclusão social.
Inicialmente faremos uma análise de como se dá o processo de inclusão/exclusão no
âmbito geral de nossa sociedade e posteriormente relacionando-o com e esporte. Entender
a
inclusão nos remete a pensar esse processo sob um olhar crítico sobre as relações de poder,
dominação e classes sociais.
Um critério básico para identificar os incluídos é a prática social e econômica desse
estrato social. Entretanto, este critério, na maioria das vezes, não é explicitado nem debatido
26
porque, caso isto aconteça, a identificação dos responsáveis pela existência dos excluídos
saltará aos olhos de todos, denunciando que a existência dos incluídos é condição necessária
para a existência dos excluídos. (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO
FÍSICA DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004, p.68)
Então a idéia de inclusão social, parte do princípio que existe uma exclusão social de
determinado estrato social e que estas pessoas vivem à margem das riquezas sociais geradas
historicamente por todos os homens. Assim, para Tiballi (2002), os termos exclusão e
inclusão não podem ser suficientemente explicados senão vinculando-os a desigualdade social
que tem na estrutura social de classes a sua sustentação. Inclusão e exclusão são
desdobramentos da desigualdade social fundante das sociedades estruturadas em classes
sociais. Diante disso, torna-se necessário ressignificar a diversidade humana e para que isso
ocorra é necessário direcionar as políticas sociais para uma lógica que garanta modificações
profundas na maneira de gerar e distribuir riqueza no país. A partir dessa compreensão
procuraremos a seguir fazer uns resgates históricos nas relações que marcaram os incluído e
excluídos.
Na Antiguidade a organização social estava centrada na herança familiar e distinção
entre escravos e amos. Observamos que o indivíduo nascia livre ou escravo, sendo ao segundo
negado o direito de acesso aos benefícios sociais. No muno medieval e moderno os donos de
grandes propriedades rurais, senhores feudais, clero e nobreza, viviam no ócio e à custa do
trabalho dos servos e dos vassalos. Já no mundo contemporâneo, os homens tornaram-se
iguais em direito, restando aos donos do capital e aos proprietários dos meios de produção
comprar a força dos trabalhadores rurais e urbanos, pagando sempre menos que o valor do
trabalho realizado. Com isso poucos trabalhadores conseguem ter acesso aos benefícios
sociais que ajudaram a criar. (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004).
Existem, ainda em nossa era, outras distinções sociais importantes que merecem ser
destacadas. Por exemplo, no início do século XX os excluídos eram os ignorantes e os
iletrados. Em meados desse mesmo século passaram a ser os não especialistas, os
incompetentes e os destreinados. Atualmente no século XXI os excluídos são os diferentes e
os desiguais. Desde já podemos observar a questão do rendimento atrelando valores aos
cidadãos.
Um fato importante de ser analisado é até que ponto o discurso de implementação de
práticas inclusivas vai realmente atender as necessidades, haja vista que na nossa sociedade as
27
pessoas excluídas são um dos pilares de sustentação da própria desigualdade, tal fato nos
permite considerar que
Acabar com a relação de alienação e domínio que existe entre os desiguais é o
mesmo que acabar com o próprio sistema econômico vigente, e isto poucos
colocam como horizonte possível, sobretudo os adaptadores sociais. (COMISSÃO
DE ESPECIALISTAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO DO
ESPORTE, 2004, p.70).
Portanto, pode-se dizer que é necessário que as ações desenvolvidas não sejam
reduzidas meramente a ações paliativas para diminuir as desigualdades no que tange as
oportunidades, mas atacar as desigualdades sociais como um todo, ou seja é necessário
melhor distribuir a renda, independente do trabalho social gerador dessa fonte de recursos,
colocando mais próximos os menores e maiores salários. (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS
DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004).
1.3 Escola, Esporte e Inclusão
Para Figueiredo (2002) a escola é um terreno fértil de aprendizagens diversas,
constitui o espaço privilegiado para as manifestações de ordem afetiva, social e cognitiva dos
sujeitos em enfrentamento do outro e da cultura. Entendemos assim a escola como um lugar
de múltiplas possibilidades, de transformações e produtora de conhecimento, e nela são
aprendidas as regras básicas de convivência em sociedade, indispensáveis à sobrevivência
social.
Nos dias atuais vemos um debate em torno de uma educação inclusiva que não pode
continuar anulando e marginalizando as diferenças nos processos através dos quais forma e
instrui os alunos e muito menos desconhecer que aprender é errar, ter dúvidas, expressar, dos
mais variados modos, o que sabemos, representar o mundo, a partir
de nossas
origens,valores, sentimentos.
Por esses motivos Mantoan (2002) aponta que muitas crianças, jovens e aprendizes em
geral são penalizados nas salas de aula e até mesmo por suas famílias e pela sociedade. A
exclusão escolar manifesta-se das mais diversas e perversas maneiras, e quase sempre o que
está em jogo é a incompetência do aluno, o qual sofre as conseqüências de um jogo desigual,
de cartas marcadas pelo autoritarismo e poder arcaico do saber escolar.
Sabemos que uma educação inclusiva é ainda nos tempos de hoje um desafio para
educadores, já que é necessário um rompimento com o paradigma tradicional da educação
28
escolar que busque a cada dia dar as melhores condições para atender as necessidades e
principalmente as peculiaridades dos alunos.
Entendemos que a educação produtora de igualdades preza pela homogeneidade
reforçando as desigualdades, assegurar as diversidades é necessário, nesse sentido Figueiredo
(2002) nos remete a pensar a diversidade:
Formada pelo conjunto de singularidades, mas também de semelhanças, que une o
tecido das relações sociais. Logo, está presente em todas as interações e
manifestações do ser humano, mesmo que se tente normatizar, ordenar e
regulamentar determinadas relações, como pretende a escola. Parece que, na
tentativa de garantir a promoção da igualdade, a escola está confundindo diferenças
com desigualdades. Aquelas são inerentes ao ser humano enquanto são socialmente
produzidas. As diferenças enriquecem, ampliam, são desejáveis porque permitem a
identificação/diferenciação,por conseguinte contribuem para o crescimento. As
desigualdades ao contrario, produzem inferioridade, porquanto minam o
desenvolvimento das potencialidades humanas pelo fato de implicarem relações de
exploração. As diferenças assentem na cooperação, enquanto as desigualdades
ocasionam competição. Adotar a abordagem da diversidade implica reconhecer as
diferenças e, a partir delas, realizar a gestão da aprendizagem, tendo presente o
ideário político pedagógico da escola que pensa uma educação capaz de atender a
todas as crianças, tendo em grande consideração as desigualdades sociais. (p. 6970)
Reconhecer as diversidades é também reconhecer e valorizar as diferenças, a
heterogeneidade dos processos de construção coletiva e individual do conhecimento. Tais
escolas são inclusivas, pois não excluem os alunos, ou seja, não têm valores e medidas
predeterminantes de desempenho escolar, considerando a pluralidade um fator relevante para
o desenvolvimento.
Para Almeida (2002) uma educação que vise dotar o país de uma população capaz de
participar ativa e criticamente na construção de um futuro melhor deve ter como objetivo a
realização plena dos seus cidadãos. Entendemos necessária assim uma educação não somente
visando ascensão no mercado de trabalho, mas sim que oportunize acesso ao conhecimento e
a concomitantemente a formação de um cidadão realizado tanto individualmente quanto
coletivamente, na economia, na política e na cultura.
Na Educação Física, mais do que nunca, é necessário abandonar modelos arcaicos que
já não atendem às expectativas da sociedade atual, como é o caso do modelo de aptidão física
que traz em si uma visão positivista da produtividade e concebe o humano como uma
máquina capaz de produzir trabalho. E neste caso, deve-se desconstruir as práticas
segregacionistas, mesmo as mais simples que se apresentam em nossas aulas e que requerem
um trabalho diferenciado.
29
O esporte enquanto fenômeno que surgiu das transformações de elementos da cultura
corporal de movimento das classes populares e da nobreza inglesa, é interpretado como um
produto da ascensão da nova forma da organização social capitalista presente na Idade
Moderna. (PRONI apud GONZÁLES, 2002).
Logo em seguida ao período da Segunda Guerra, o esporte apresenta um grande
desenvolvimento, afirmando-se paulatinamente em todos os países sob a forma de influência
da cultura européia como elemento predominante da cultura corporal. (COLETIVO DE
AUTORES, 1992).
Essa influencia vai se apresentar com tal magnitude que passa a ter, agora o esporte na
escola e não mais o esporte da escola. Indicando assim uma subordinação da Educação Física
aos códigos e sentidos da instituição esportiva, caracterizando o esporte na escola como um
prolongamento da instituição esportiva: esporte olímpico, sistema desportivo nacional e
internacional. Segundo o Coletivo de Autores (1992), esses códigos podem ser resumidos em:
princípios de rendimento atlético/desportivo, competição, comparação de rendimento e
recordes, regulamentação rígida, sucesso no esporte como sinônimo de vitória.
Diante disso o esporte determina o conteúdo de ensino da Educação Física, e novas
determinantes na relação professor-aluno, que pode ser entendido como treinador-atleta, o
professor passa a ter um papel de treinador. Acontece o atrela mento de valores de eficiência e
produtividade aos objetivos a serem alcançados nas aulas.
O esporte desta maneira dentro da escola se torna uma prática excludente, onde o
mesmo valoriza rendimento, gestos técnicos, cópia, tratando o aluno como uma atleta ele
passa a excluir muito mais do que incluir. Os modelos esportivos predominantes são
difundidos com base em práticas de reprodução de valores e normas técnicas. Assim, vamos
presenciar a busca pelo esporte da escola em vez do esporte na escola. Enquanto esse último
apenas reproduz de forma a-crítica condutas e princípios do esporte de rendimento, como a
competição exacerbada, a especialização precoce, o ganhar a qualquer preço, etc., o esporte
da escola defenderia a construção do esporte possível, com valores discutidos entre os
participantes e com condutas condizentes a esses valores (COMISSÃO DE ESPECIALISTAS
DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2004). Assim,
Nessa construção do esporte da escola, o papel do professor é fundamental, a fim
de que se posicione claramente em relação aos valores que levem a maior
participação de alunos, ao reconhecimento e respeito às diferenças entre eles,à
oportunidade de apropriação por parte de todos desse maravilhoso patrimônio
cultural, que é o esporte (p.82).
30
Podemos dizer conforme o Coletivo de Autores (1992) que nas aulas de Educação
Física Escolar o esporte precisa estar presente como um conteúdo a ser apreendido pelos
alunos, devendo ser organizado e estruturado pedagogicamente de forma a ser entendido,
apreendido, refletido e reconstruído enquanto conhecimento que constitui o acervo cultural da
humanidade, possibilitando sua constatação, sistematização, ampliação e aprofundamento.
Pode-se dizer, portanto, que é necessário trabalhar o esporte no âmbito escolar na perspectiva
de uma educação integral, sendo oferecido sem distinção de qualquer tipo (sexo, raça,
habilidade, características físicas, desempenho estudantil), de forma que no interior das
escolas, a comunidade tenha acesso a práticas culturais e sociais possibilitando interagir
através do esporte.
O professor ao trabalhar o conteúdo esporte deve conhecer todas as dimensões
necessárias para o efetivo conhecimento sobre o esporte, compreender que sua prática
pedagógica, assim como a escolha do conteúdo ‘esporte’, não são ações neutras, ou seja exige
do professor uma consciência crítica diante das escolhas que deve efetuar em sua prática
profissional.
Nesse sentido, cabe aqui chamarmos atenção para o PST, o qual surge no ano de 2003
e foi criado pelo Ministério do Esporte/Secretaria de Esporte Educacional; este foi idealizado
com o intuito de democratizar e difundir o esporte nas escolas para as crianças dos sete aos
quatorze anos. Para que o aluno fosse contemplado com a participação no Programa deveria
estar regularmente matriculado nas escolas da rede pública de ensino nos estados e
municípios.
Uma das principais ações do Programa Segundo Tempo é a capacitação de recursos
humanos para atuação no esporte educacional, desse modo acontece uma melhor capacitação
dos envolvidos favorecendo uma melhor prática pedagógica no trato com o esporte
educacional.
Envolvendo vários Ministérios como os Ministérios da Educação, da Justiça, da
Defesa, do Trabalho e Emprego, e também várias Ongs, universidades e diversas entidades, o
Programa teve inicialmente a proposta de atender escolas que se encontravam situadas em
locais de risco social entre outros.
As atividades eram desenvolvidas no contra-turno escolar, 3 vezes na semana, 1 hora
por dia, quem estudava no período matutino participava das atividades do PST, no período
vespertino e vice-versa, a seleção dos alunos interessados em participar obedecia alguns
critérios como vontade própria em estar participando, crianças em situação de risco social
entre outros.
31
Os recursos materiais utilizados eram fornecidos por detentos do Programa Pintando a
Liberdade, e comunidades de baixa renda, e os estagiários-monitores eram escolhidos em
parcerias com as universidades locais; outro fator importante a salientar é o valor destinado ao
lanche aproximadamente R$0,50 por aluno que era na época 3 vezes mais do que alunos do
ensino regular que era aproximadamente R$0,15 por pessoa, dando assim a oportunidade de
ser oferecido um lanche de melhor qualidade. Assim o PST apresentava como objetivo geral:
democratizar o acesso ao esporte educacional de qualidade, como forma de inclusão social,
ocupando o tempo ocioso de crianças e adolescentes em situação de risco social, e mais
especificamente objetivava: a) Oferecer práticas esportivas educacionais, estimulando
crianças e adolescentes a manter uma interação efetiva que contribuísse para o seu
desenvolvimento integral; b) oferecer condições adequadas para à prática esportiva
educacional de qualidade.
Entendemos que o esporte trabalhado dentro do PST, veio ao encontro do
posicionamento do esporte da escola e não do esporte na escola, com uma metodologia
diferenciada tratando da cultura corporal. O professor/monitor agindo como mediador entre os
valores expressos pelos seus alunos e os objetivos do programa.
Assim, podemos dizer que o PST busca de uma forma efetiva democratizar o acesso às
práticas esportivas nos estabelecimentos públicos de educação no Brasil e de tornar
verdadeiro o preceito constitucional que define o esporte como direito de cada um.
(COMISSÃO DE ESPECIALISTAS EM EDUCAÇÃO FÍSICA DO MINISTÉRIO DO
ESPORTE, 2004). Entendemos que as atividades desenvolvidas no âmbito deste Programa
buscam respeitar o conhecimento da cultura corporal, pois durante a sua realização tenta-se
desmistificar a simples prática de gestos mecânicos e técnicos desprovidos de seu conteúdo
social.
Podemos então dizer que a discussão sobre natureza e cultura humanas relaciona-se
diretamente com a questão do corpo. Existe um arcabouço biológico semelhante a todos os
seres humanos, mas que se expressa e se desenvolve diferentemente, dependendo das
influências culturais. Os movimentos realizados pelo corpo humano são desenvolvidos e
determinados em função de uma cultura. (DAOLIO, 2006)
Entendemos que embora todas as pessoas apresentem características biológicas
parecidas, estas pessoas são moldadas a partir da cultura onde estão inseridas, pois o conjunto
de posturas e movimentos corporais representa valores e princípios culturais de uma
sociedade. Por isso Educação Física deve se atentar ao contexto de origem do aluno
valorizando seus gestos, sua bagagem cultural e não querer que esse aluno seja um mero
32
repetidor de gestos esportivos pré definidos, o professor deve ser capaz de contextualizar a
prática na realidade sociocultural em que ela se encontra.
O esporte se condiciona em cada período da história de acordo com os interesses
pertinentes de cada época. Entretanto, não podemos deixar de considerar que o esporte de
rendimento (uma das perspectivas do esporte) dentro da escola se torna uma prática
excludente, onde o mesmo valoriza rendimento, gestos técnicos, cópia, tratando o aluno como
uma atleta ele passa a excluir muito mais do que incluir. Assim, é que podemos afirmar que
na época da ditadura militar o esporte servia para alienação e controle social, por sua vez no
contexto atual tratamos o esporte como fator de inclusão, porém, para que isto aconteça no
âmbito escolar é necessário que nós professores desenvolvamos a prática esportiva, não com a
finalidade de educar os alunos por meio de seus corpos, mas deve ficar atento para a
importância cultural de sua prática, partindo do acervo cultural dos alunos, pois são dotados
de cultura e significados.
Entendemos que ao analisar o termo exclusão/inclusão devemos ir muito além da idéia
de oportunizar o acesso às pessoas seja no que for, a cultura, a escolas, é importante favorecer
além da acessibilidade condições para permanecer e usufruir dessa acessibilidade. A exclusão
está basicamente atrelada à desigualdade social, e uma discussão nessa profundidade não é
interessante para nossos governantes, pois os mesmos “necessitam desses excluídos” para
alimentar programas sociais eleitoreiros que são não mais que ações paliativas, e que em
longo prazo não resolvem a situação de exploração e exclusão em que vive parcela
significativa da população.
A escola é um espaço rico para reconhecer as diversidades é também reconhecer e
valorizar as diferenças, a heterogeneidade dos processos de construção coletiva e individual
do conhecimento. Nesse sentido o esporte como fator de inclusão na escola não deve ser
tratado como um fato isolado, mas condicionado aos fatos históricos, à cultura local, deve
respeitar as diferenças entre os indivíduos valorizar a criatividade a bagagem cultural que os
alunos trazem consigo em sua trajetória. Devemos desvincular dentro da escola a relação
aluno/atletas, professor/treinador, o trato do esporte não deve se prender a busca por
resultados, performance.
33
CAPÍTULO II
Inclusão/exclusão e Programa Segundo Tempo no Colégio Estadual Maria Elias de Melo
Neste capítulo faremos uma caracterização da cidade de Três Ranchos onde foi
desenvolvido o núcleo do Programa Segundo Tempo (PST) e também do Colégio Estadual
Maria Elias de Melo. Apresentaremos na visão dos alunos, monitores e direção, seus pontos
de vista quanto ao esporte, inclusão/exclusão e Programa Segundo Tempo.
O capítulo foi divido em dois momentos, ou seja: num primeiro momento faremos
uma caracterização da cidade de Três Ranchos e do Colégio Estadual Maria Elias de Melo;
em seguida descreveremos e analisaremos os dados coletados por meio da aplicação dos
questionários.
1. Caracterização do município de Três Ranchos.
Inicialmente, nesta parte do capítulo, apresentaremos os aspectos referentes à origem e
desenvolvimento da cidade de Três Ranchos bem como informações relativas a aspectos
sócio-políticos, culturais, econômicos e esportivos que nos ajudarão a caracterizar o
município em que o Programa Segundo Tempo foi realizado.
Posteriormente apresentaremos uma caracterização da escola-campo, destacando sua
história, organização física, pedagógica. Em nosso entendimento isso se faz necessário, pois
entendemos que as instituições de ensino refletem os valores sociais da época em que estão
inseridas. Segundo Rabelo e Amaral (2003) os valores que compõem uma sociedade é que
determinarão o tipo de educação que a ser estabelecida.
Destacamos que as informações aqui apresentadas foram obtidas por meio da leitura
do Projeto Político Pedagógico da escola-campo e páginas eletrônicas da cidade de Três
Ranchos.
O município de Três Ranchos possui um território de 256km², sendo que destes
235,3km² são de área rural e 20,7km² são de área urbana. A cidade está a 675 metros acima do
nível do mar e está localizada na microrregião sudeste à margem do Rio Paranaíba, limitandose com o Estado de Minas Gerais e com os municípios de Catalão e Ouvidor; está situada a
270 km de distância de Goiânia/GO e a 330 km da capital do Brasil. (TRÊS RANCHOS,
2004, p. 07).
34
As informações sobre o povoamento do território que hoje forma o município de Três
Ranchos indicam que antes do período de 1887 a 1888 as terras, onde se localiza o município
atualmente, já eram atravessadas por tropeiros oriundos da província de São Paulo e Minas
Gerais com destino aos municípios de Entre Rios, Santa Cruz e Vila Boa, atualmente
denominadas de Ipameri, Santa Cruz de Goiás e Goiás, respectivamente, e depois de algum
tempo, este local transformou-se num ponto por onde transitava pessoas a procura de novas
terras.
O fato de haver no local três casebres cobertos por folhas de babaçu servindo como
ponto de pouso para boiadeiros e viajantes, havendo também um local para pastagens e
descanso dos animais, foi o aspecto que serviu como origem ao atual nome do município,
Três Ranchos.
Como elementos impulsionadores do povoamento do referido município destacam-se
a inauguração, em 1922, da estrada de ferro, as terras férteis à margem do rio, portanto de
excelente qualidade para pastagens, e o garimpo de diamantes, os quais contribuíram para o
fortalecimento de migrações de povos de outras regiões do país para essa nova localidade.
Em 1948, no dia 19 de dezembro, o povoado foi elevado à categoria de distrito da
cidade de Catalão/GO, situada a 29 km desta cidade. Mais tarde, em 19 de outubro de 1953,
através da lei 824, foi emancipado politicamente sendo que a instalação oficial do município
se deu em 1º de janeiro de 1954 e com isso surgiu o nome de Paranaíba de Goiás. A
população da época não gostou da troca de nomes e dois anos depois, devido à pressão dos
próprios habitantes o povoado voltou a adotar seu nome original.
Com a construção da Usina Hidroelétrica de Emborcação 1 , pela Companhia
Energética de Minas Gerais (CEMIG), a rede hidrográfica do município modificou-se
completamente, de forma que os ribeirões juntamente com outros córregos e o rio Paranaíba
foram transformados num imenso lago, denominado de Lago Azul 2 , o qual está situado nas
divisas dos estados de Goiás e Minas Gerais.
Deve-se destacar que o represamento das águas do rio Paranaíba foi a principal causa
de uma mudança radical na paisagem da região, que só era conhecida até então pelo garimpo
de diamantes. Com a formação do Lago Azul, conseqüentemente várias mudanças foram
1
O início da construção da barragem foi em primeiro de maio de 1977, e o enchimento total tem como registro
06 agosto 1981. A barragem possui 1.507mt de comprimento, 156mt de altura.
2
A represa possui uma profundidade máxima de 176mt. O volume de água é, aproximadamente de 17,6 bilhões
de metros cúbicos, numa área que abrange 446km², o que representa duas vezes o tamanho da Bahia de
Guanabara.
35
acontecendo relacionadas ao município de Três Ranchos nos aspectos ambientais da região,
como mudanças na fauna e flora, e nos aspectos físicos da região como a diminuição da área
da cidade devido à invasão da água sobre as terras do município.
A economia da cidade também sofreu mudanças em face da construção da Barragem,
pois deixou de se basear apenas no garimpo e agricultura e passou a contar com o turismo.
A instalação da indústria do turismo no município acarretou mudanças nos hábitos da
população, a começar pelas propriedades rurais, que passou sofrer com o êxodo rural e estas
propriedades tiveram uma valorização impensada até então. Como reflexo disso vamos
observar que os trabalhadores braçais das fazendas passaram a optar pelo serviço doméstico
das casas de veraneio ou os cargos públicos oferecidos pela Prefeitura da cidade, cargos
criados para o atendimento às novas necessidades locais, em função da saída dos
trabalhadores da zona rural e melhor dinâmica de trabalho para suprir as necessidades atuais.
Uma mudança significativa a destacar, ainda, foi o fato de que os pequenos armazéns
de secos e molhados deram lugar a mercearias bem abastecidas e a modernos supermercados,
interessados em atender uma nova clientela, consumista e mais exigente. (SOUSA, 2004).
Constatamos que o turismo é hoje a principal potencialidade do município de Três
Ranchos, que na época de alta temporada fica bastante agitado com os turistas que ali se
instalam e contribuem para a geração de divisas para a cidade. Deve-se destacar que uma das
características do turismo em Três Ranchos é o fato de que nas margens do Lago localizam-se
várias casas e chácaras de pessoas de outras cidades que no período do represamento do Lago
se sentiram atraídas para ali construírem residências. Essas casas em sua grande maioria
servem para seus proprietários em determinadas épocas do ano, as chamadas ‘altas
temporadas’, como por exemplo, nos períodos em que ocorrem festas de carnaval ou
religiosas, classificando assim o turismo de Três Ranchos de segunda moradia.
Alguns fatores que contribuíram para o grande número de construções as margens do
Lago relacionam-se com a boa localização do município de Três Ranchos estando situado
perto de grandes centros urbanos e bem servido por rodovias, e ainda devido à carência, no
Estado de Goiás, de locais que proporcionem turismo. (SOUSA, 2004).
No que diz respeito à cultura local destacam-se na cidade, durante todo o ano, duas
festividades que conseguem atrair várias pessoas, são elas o carnaval e a festa de Nossa
Senhora do Rosário. A cidade de Três Ranchos vem se destacando, em todo o Estado de
Goiás, não só por oferecer aos foliões (aproximadamente 100.000/ano) um dos melhores e
mais animados carnavais da região, mas também por oferecer aos mesmos vários locais para
36
hospedagem como condomínios, pousadas, hotéis e ranchos, e ainda boas opções de serviços
no ramo alimentício dentro da realidade do município.
No que diz respeito à festa em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, esta se
configura como uma manifestação cultural-religiosa muito forte na cidade, que acontece todos
os anos durante o mês de Julho, e consegue atrair não só turistas das cidades vizinhas (a
exemplo Ouvidor e Catalão) como também os moradores que normalmente alugam suas casas
e condomínios.
No que se refere às práticas esportivas na cidade o poder público local vem garantindo
à população o acesso a atividades esportivas em modalidades coletivas como futsal, voleibol,
futebol além de alguns esportes náuticos como caiaque e remo.
Quanto aos espaços para práticas esportivas, a cidade possui uma infra-estrutura que
favorece sua manifestação. São ao todo quatro praças que favorecem as tradicionais
brincadeiras de rua (a exemplo o ‘bete’); um campo de futebol com dimensões oficiais, um
ginásio de esportes coberto com boa infra-estrutura; e o espaço próximo ao Lago. Observa-se,
porém, que além dos esportes apresentados e oferecidos pelo poder público outros se
manifestam nesta realidade como rodeio, MotoCross e atletismo.
No tocante a área da Educação a cidade conta com duas instituições de ensino e um
curso pré-vestibular, a unidade municipal “Santa Rita de Cássia” que atende crianças na
primeira fase do ensino fundamental e é mantida pela prefeitura local, o Colégio Estadual
Maria Elias de Melo que atende crianças desde a primeira fase do ensino fundamental até o
Ensino de Jovens e Adultos (EJA) dirigido pelo estado, já o curso pré-vestibular “Clarisse
Pereira” visa preparar os alunos para o vestibular é oferecido pelo município aos alunos da
cidade.
Podemos considerar, portanto que a construção do Lago Azul foi um dos elementos
impulsionadores do desenvolvimento do município, o qual conta atualmente, conforme dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000), com aproximadamente 3189
moradores dos quais 2233 são moradores da área urbana e 956 residem na zona rural.
2. Contornos da escola-campo.
A instituição de ensino na qual o Programa Segundo Tempo foi realizado na cidade de
Três Ranchos é uma escola da rede estadual, o Colégio Estadual “Maria Elias de Melo”, e a
sua história tem início no dia 1º de março de 1959 quando foi criado o Grupo Escolar de Três
Ranchos. (MENDES et al, 2002).
37
Em 1963 a escola passou a se chamar Grupo Escolar Dr.Wilson da Paixão
permanecendo assim até o dia 16 de abril de 1971, quando em seção solene com funcionários
da escola e autoridades municipais, ficou decidido em votação secreta que a escola receberia o
nome de “Maria Elias de Melo” em homenagem a uma das professoras pioneiras, já então
falecida. (MENDES et al, 2002).
Em 1981 o Conselho Estadual concede autorização ao Colégio para ministrar o curso
em Magistério, sendo o mesmo extinto em 1996 e implantando o curso não profissionalizante.
(MENDES et al, 2002).
No que se refere à estrutura física a escola conta com dezessete salas de aulas, uma
utilizada para sala de professores, uma utilizada sala pela coordenação pedagógica, uma sala
de recursos, uma para programa acelera, uma sala destinada à secretaria, um laboratório de
informática, uma biblioteca, quatro banheiros para os alunos, cantina, pátio coberto,
almoxarifado, sala da direção, possui uma sala para guardar os materiais esportivos e ainda
conta com uma quadra de esportes coberta.
O Colégio Estadual Maria Elias de Melo funciona no sistema de seriação e oferece os
seguintes cursos: primeira e segunda fase do Ensino Fundamental; Ensino Médio e Educação
de Jovens e Adultos, para tanto funciona nos turnos matutino, vespertino e noturno.
A escola no corrente ano atende a aproximadamente 570, sendo 260 do sexo
masculino e 270 do sexo feminino, divididos em 22 turmas distribuídas por período da
seguinte forma: matutino nove turmas, vespertino nove turmas e noturno quatro turmas. No
quadro a seguir podemos visualizar o total de estudantes distribuídos por turno, ano gênero.
38
ANO/TURMA
2º "A”Ens. Fund. Iªfase
3º"A” Ens. Fund. Iªfase
3º"B” Ens. Fund. Iªfase
4º"A” Ens. Fund. Iªfase
4º"B” Ens. Fund. Iªfase
5º"A” Ens. Fund. Iªfase
Projeto Se Liga
6º"A” Ens. Fund. 2ªFase
6º"B” Ens. Fund. 2ªFase
7º"A” Ens. Fund. 2ªFase
7º"B” Ens. Fund. 2ªFase
8º"A” Ens. Fund. 2ªFase
8º"B” Ens. Fund. 2ªFase
9º"A” Ens. Fund. 2ªFase
9ºB”Ens”. Fund. 2ªFase
1º"A” Ens. Médio
1º"B” Ens. Médio
2º"A” Ens. Médio
2º"B” Ens. Médio
3º"A” Ens. Médio
3º"B” Ens. Médio
EJA
TOTAL:
MAT
TURNO
VESP
X
X
X
X
X
X
X
NOT
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Nº. DE ALUNO
MENINOS/MENINAS
14
10
15
7
6
17
12
14
12
11
15
14
10
3
14
20
17
13
23
10
9
22
12
18
15
17
12
11
12
11
12
19
11
6
5
11
12
6
8
15
9
8
5
7
TOTAL
24
32
23
36
23
29
13
34
30
33
31
30
32
23
23
31
17
16
18
23
17
12
530
Quadro: 01 Demonstrativo do total de alunos e alunas distribuídos por ano e turno.
Fonte: Documentos cedidos pela Secretaria do Colégio Estadual Maria Elias de Melo.
Vários projetos são desenvolvidos na escola, tais como, por exemplo, o Projeto de
Atividades Educacionais Complementares (Praec), Projeto Aprender, Projeto Folclore e
Projetos Mediáticos, que são projetos que visam aliar as tecnologias (câmera digital, dvd,
retro-projetor, internet etc.) ao cotidiano do aluno estimulando sua capacidade criadora e
crítica.
A escola dispõe de vários recursos didáticos pedagógicos como: 1 aparelho
videocassete, 1 aparelho de dvd, 1 TV 29 polegadas, 1 retro projetor, 1 kit tecnológico
enviado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação/Ministério da Educação e
Cultura FNDE/MEC, Laboratório de Informática (PROINFO) o qual conta com vinte
microcomputadores com acesso a internet, atendendo várias crianças ao mesmo tempo; possui
ainda uma Biblioteca, uma máquina digital, material do multicurso e periódicos, tais como:
Nova Escola, Pátio, Ciência Hoje e Época.
Especificamente para a Educação Física os recursos materiais são bolas de futsal,
voleibol, handebol, basquetebol, queimada, bolas de borracha nº 08, 12, 14, petecas, cordas,
39
cones, tabuleiro de dama, tabuleiro de xadrez, jogo de ludo, bambolês, coletes, bastões, redes
de voleibol e peteca..
Deve-se destacar que a escola apresentava algumas limitações para o desenvolvimento
das atividades no seu interior, limitações estas relacionadas mais especificamente com o
espaço físico para a realização das atividades de Educação Física. A escola pertence à rede
estadual, e se constituía a única instituição de ensino no município da rede estadual,
funcionando nos três períodos, atendendo alunos tanto da área urbana e quanto os
provenientes da zona rural. Diante disso os horários para realização das atividades no contra
turno das aulas regulares, como é a proposta do PST, ficava inviável, assim a solução
encontrada foi negociarmos junto à prefeitura municipal uma parceria para que as atividades
pudessem ser praticadas no ginásio de esportes municipal, que por sua vez viria a atender
praticamente os mesmos alunos que desenvolviam atividades no próprio ginásio.
Em relação aos professores (as) a escola conta 31 docentes dos quais 26 são mulheres
e cinco são homens. Dentre os docentes alocados na escola quinze possuem habilitação em
Pedagogia, três em Matemática, seis em Letras, dois em Geografia, dois em História, um em
Educação Física, um em Biologia e um em Física.
No que diz respeito ao corpo administrativo da instituição escolar esta conta com uma
diretora, uma secretaria, três coordenadores pedagógicos, uma coordenadora geral, uma
professora de recursos, uma gerente de merenda, dois dinamizadores no Laboratório de
Informática, uma professora de apoio, um auxiliar de biblioteca, nove agentes administrativos
nível I e II, cinco agentes administrativos nível III e IV e dois vigias noturnos.
3. A relação esporte-inclusão, na perspectiva dos alunos, a partir da realização do
Programa Segundo Tempo.
Os dados que apresentaremos foram obtidos junto aos dez alunos, à direção e aos
monitores que atuaram no Programa. Destacamos que dentre os dois monitores apenas um
respondeu ao questionário.
O grupo de alunos foi composto por cinco mulheres e cinco homens na faixa etária dos
quatorze aos dezessete anos.
Dentre os dez alunos, cinco ao serem indagados sobre o que os motivou a participar do
PST responderam ser o gosto elevado para a prática de esportes. Destacamos abaixo
depoimentos que ilustram essa afirmação.
40
“Eu sempre adorei praticar esportes e mesmo antes do PST eu já praticava vários. E
por isso o motivo que mais me motivou foi o meu gosto pelos esportes e a vontade
de sempre aprender mais sobre cada modalidade”. (Aluna do 3º “A” do Ensino
Médio).
“A vontade de praticar esportes que eu gosto”. (Aluno do 1º “A” do Ensino Médio).
“Porque eu gosto muito de praticar esportes” (Aluna do 2º “A” do Ensino Médio).
“Foi à vontade e o gosto pelo esporte”. (Aluno do 2º “A” do Ensino Médio).
“O que mais me motivou foi sempre gostar de esporte”. (Aluna do 9º “A” Ensino
Fundamental II Fase).
Pelas falas descritas observamos que mesmo antes do início do Programa os alunos já
tinham acesso a alguma forma de prática esportiva e por sua vez já traziam consigo uma
preferência para um ou outro esporte a partir de suas vivências, fato este respeitado para a
implantação do PST na cidade de Três Ranchos, no momento de decidir quais modalidades
seriam oferecidas a aquela comunidade escolar foi levado em conta não só as possibilidades
estruturais e físicas para desenvolvimento das atividades esportivas como também o esportes
que estavam mais ligados à realidade daquela comunidade.
Outras duas pessoas responderam que buscaram participar do PST com a finalidade de
ocupar o tempo ocioso, afirmação exemplificada nas falas abaixo.
“A não ficar a toa na rua”. (Aluna do 9º “A” Ensino Fundamental II Fase).
“Quando não estava na escola não tinha nada pra fazer”. (Aluno do 9º “A” Ensino
Fundamental II Fase).
Observamos nessas falas a importância de atividades educacionais complementares às
ações desenvolvidas na escola durante o período de estudo, ou seja, no contra-turno como era
a proposta do PST, favorecendo aos alunos/alunas participar de atividades que promovem o
desenvolvimento dos mesmos.
Tivemos ainda dentre os motivos apresentados pelos alunos aspectos como
curiosidade, diversão e espaço para a construção de novas amizades.
No quadro abaixo poderemos visualizar todos os motivos elencados pelos alunos para
participarem do PST.
41
Categorias
TOTAL
1-Gosto elevado pela prática de esportes.
5
2- Ocupar o tempo ocioso
2
3- Curiosidade
1
4-Diversão
1
5-Fazer amigos
1
TOTAL
10
Quadro 02: Motivos que levaram os alunos a participarem do PST.
Fonte: Questionários Aplicados aos Alunos/alunas.
Buscamos entender junto aos alunos/alunas se os mesmos enfrentaram dificuldades
para participarem do PST. A partir da análise dos dados observamos que sete alunos/alunas
disseram não enfrentar nenhuma dificuldade para participar e que os objetivos do Programa
eram alcançados. Vejamos abaixo alguns depoimentos que ilustram essa afirmação.
“Não, pois foi bem organizado”. (Aluna do 1º “A” Ensino Médio).
“Não, dificuldade nenhuma”. (Aluna do 9º “A” Ensino Fundamental II Fase).
“Não, para mim foi normal, eu não senti dificuldade nenhuma ao participar”.
(Aluno do 9º “A” Ensino. Fundamental II Fase).
“Não, pois ele foi um programa inclusivo”. (Aluno do 1º “A” Ensino Médio).
“Não, porque as atividades eram para todos”. (Aluna do 9º “A” Ensino
Fundamental II Fase).
Para dois alunos as dificuldades para sua participação nas atividades do programa
estiveram relacionadas à distância entre a residência e o local de realização do Programa,
assim como o fato de alguns alunos se considerarem melhor do que os outros. Vejamos
abaixo as falas dos mesmos.
“Sim, pois morava um pouco longe de onde era realizado o programa e não tinha
ninguém para me levar, e também não tinha nem bicicleta.” (Aluno do 3º “A”
Ensino Médio).
“Sim porque em todo esporte há atletas que se destaca mais que os outros e a
maneira desses atletas se julgam superior, mas como os objetivos do programa era a
inclusão eu consegui superar esses obstáculos”. (Aluna do 3º “A” Ensino Médio).
42
Categorias
TOTAL
1-Não sentia dificuldades nenhuma
8
2- Distância entre a residência e o local de realização das atividades
1
3- Alguns alunos se considerarem melhor que outros
1
TOTAL
10
Quadro 03: Dificuldades encontradas para participar do Programa Segundo Tempo
Fonte:Questionários aplicados aos alunos/alunas
Através das falas podemos observar alguns dados relevantes do Programa na cidade de
Três Ranchos, como já foi dito anteriormente nesse trabalho, a cidade apresenta algumas
situações peculiares. É uma cidade que possui um imenso lago artificial o qual está rodeado
de grandes casas nas quais trabalham boa parte da população como caseiros; a escola na
modalidade de ensino oferecida é a única da cidade, o acesso dos alunos moradores das
margens do lago e também da zona rural para as aulas regulares é oferecido através de
transporte escolar, porém para as atividades do PST, não era oportunizado transporte para
esses alunos virem à cidade participar do Programa, fato esse que dificultava a participação
dos mesmos.
Na fala da aluna do 3º ano A percebemos explicitamente que a questão do domínio das
habilidades técnicas gerava entre os alunos/alunas um desconforto tanto para quem os possuí
quanto para os menos habilidosos. O primeiro que as possui, “incluído”, se julga melhor e por
isso não valoriza os demais, desrespeitando suas limitações; já o segundo que não as possui,
“excluído”, pois considera como sendo melhor aquele que possui domínio de gestos técnicos,
os quais se tornam um padrão a ser buscado, e ele mesmo não reconhece o valor da
diversidade.
O que se observa, portanto é que mesmo entre os alunos há uma ênfase na valorização
da aprendizagem de movimentos técnicos esportivos e com isso não se legitima, no processo
de ensino aprendizagem, as diversas possibilidades de aprendizagem que se estabelecem com
a consideração das dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos.
(BRASIL, 1998, p. 19)
Quando indagados se durante o desenvolvimento das práticas esportivas oferecidas
pelo PST enfrentavam alguma dificuldade, cinco alunos disseram não enfrentar dificuldade
nenhuma, pois já possuíam vivências nos esportes e por considerarem que os monitores eram
43
qualificados. Outros três alunos disseram enfrentar dificuldades por não dominarem as
habilidades técnicas exigidas nos esportes. Vejamos abaixo alguns depoimentos.
“Às vezes não dava conta de algumas coisas”. (Aluno do 2º “A” Ensino Médio).
“Enfrentei uma pequena dificuldade no esporte Handebol, pois nunca tinha jogado,
mas foi pouca.” (Aluno do 3º “A” Ensino Médio).
“Sim, mas considero essa dificuldade como um processo natural que todos que
iniciam uma modalidade possuem como o manuseio da bola, a falta de preparo
físico e o conhecimento das regras do jogo.” (Aluna do 3º “A” Ensino Médio).
Categorias
TOTAL
1-Não. Nenhuma
7
2- Dificuldade para realização de atividades técnicas
3
TOTAL
10
Quadro 04: Dificuldades apresentadas pelos alunos/alunas para participar nas atividades esportivas nos PST..
Fonte: Questionários Aplicados aos Alunos/alunas.
Embora identifiquemos que a maioria dos alunos não enfrentava nenhuma dificuldade,
ainda está presente nas falas dos alunos um discurso do esporte de rendimento que padroniza
ações, que limita a criatividade e para Bruhns (1996) apud SCAGLIA (2004), no esporte
performance, os jogadores são estimulados a vencer de qualquer maneira e avaliados por
porcentagens de pontos, marcas, etc. A acumulação está presente para lembrar que tudo é
aquisitivo, competitivo, com limitações e comparações.(p.163)
Os alunos/alunas foram indagados sobre a concepção que possuíam de esporte, dentre
os dez alunos quatro disseram que o esporte serve para manter uma boa saúde. Abaixo
podemos ver alguns depoimentos para ilustrar essa afirmação.
“Uma forma divertida,que além de estimular nosso corpo contribui para a nossa
saúde. E envolve atividades onde utilizamos nossa força física e ao mesmo tempo
nossa coordenação motora.”. (Aluno do 1º “A” Ensino Médio).
“Esporte serve para termos uma vida melhor e com mais saúde”. (Aluno do 2º “A”
Ensino Médio).
Três evidenciaram em suas falas que o esporte é um meio de socialização, integração e
formação do indivíduo.
Outras duas alunas disseram que o esporte está relacionado a lazer. Vejamos algumas
falas.
44
“Eu entendo que o esporte é muito bom para passar aquele momento se divertindo”
(Aluno do 9º “A” Ensino Fundamental II Fase).
“É uma atividade que praticamos na rua, clubes, escolas jogando”. (Aluno do 9º
“B”. Ensino Fundamental II Fase.).
Em uma das falas a aluna associou, em nosso entendimento, o esporte à competição ao
afirmar que “... para mim o esporte é pegar uma bola de futebol e juntar 10 meninas e sai
chutando a bola pra fazer gol” (Aluna do 2º “A” Ensino Médio).
Outras falas apresentadas na analise dos questionários veremos no quadro abaixo.
Categorias
TOTAL
1-Manutenção da Saúde
4
2- Meio de integração, formação e socialização do indivíduo.
3
3- Forma de Lazer
2
4- Esporte enquanto competição.
1
TOTAL
10
Quadro 05: Concepções de esporte dos alunos
Fonte: Questionários Aplicados aos Alunos/alunas.
Observamos que esta predominância pela relação entre esporte e bem estar, “saúde”,
pode se dar pela influência da mídia sobre o esporte, inculcando valores mercadológicos
trazendo o discurso tão difundido do “Esporte é Saúde”. Segundo Faria (2000) as
transformações econômicas e a globalização que afetam diferentes sociedades levam ao
aumento no consumo, a comercialização de bens e serviços, inclusive os esportivos, com forte
tendência para a padronização de suas formas de uso. Assim, o esporte de rendimento entra
em campo por suas possibilidades de inserção nas diversas culturas e mobilização social,
atendendo com facilidade a interesses externos, de mercados etc.
Entendemos, assim como está presente em algumas falas dos alunos, que o esporte
pode ser inclusivo desde que não estabeleça relações com o esporte de rendimento, mas que
vise oferecer oportunidades iguais nas atividades a todos os alunos, e o mesmo pode ser
importante na formação do indivíduo. Diante disso o profissional de Educação Física deve
procurar não reproduzir e enfatizar nas aulas os movimentos técnicos das modalidades
esportivas, mas constituir-se mediador de um conhecimento amplo e crítico sobre o esporte,
45
incluído aí aqueles reproduzidos pela mídia. (AZEVEDO, SUASSUNA, DAOLIO, 2004, p.
83).
Observamos ainda dois momentos importantes nas concepções de esporte nas falas
dos alunos, “o esporte como forma de expressão corporal” e oportunizando “conhecer outras
culturas”, observamos assim que os alunos demonstram um entendimento elevado do assunto,
entendendo diversas manifestações do esporte.
Ao solicitarmos que os alunos expusessem que ao vivenciar o conteúdo esporte no
PST, o que eles buscaram alcançar, obtivemos as seguintes respostas: a) alcançar, aprimorar a
convivência com outras pessoas e também melhorar os conhecimentos sobre Handebol; b)
praticar esporte porque faz bem para saúde; c) aprender e aperfeiçoar as habilidades
esportivas; d) forma de levar o conteúdo teórico do esporte para a atividade prática fora da
escola; e) forma de lazer e trabalho em equipe; f) alcançar os objetivos do projeto.
Podemos observar que os alunos reconhecem o esporte como um instrumento capaz de
propiciar um melhor relacionamento entre as pessoas, desde que seja transmitido o
entendimento do esporte como um fator cultural (por conseqüência humano), estimulando
sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade. (MINISTÉRIO DOS
ESPORTES, 2004)
Os alunos ao serem indagados sobre a concepção de inclusão que possuíam quatro
relacionaram a inclusão às atividades esportivas.
“É a pessoa ser incluída em alguma coisa em algum esporte”. (Aluno do 9º “A”
Ensino Fundamental II Fase)
“Eu entendo que é uma coisa que procura trazer mais pessoas para dentro do
esporte para fazer mais amizades.” (Aluno do 9º “B” Ensino Fundamental II Fase)
“É incluir pessoas que não praticam esporte no PST.”(Aluna do 1º “A” Ensino
Médio)
Outros quatro apresentaram um entendimento de inclusão relacionado a integração dos
indivíduos nos meio social, numa vida em grupo. Abaixo alguns depoimentos que ilustram
essa afirmação.
“Um processo onde todas as pessoas estão incluídas sem restrição”. (Aluno do 1º
“A” Ensino Médio).
“Inclusão foi à forma que o programa utilizou para mostrar aos alunos que se
sentiam excluídos ou que nunca tinham praticado esporte, a grande importância
dele na nossa vida. E como o próprio diz: inclusão tem o objetivo de incluir; e no
46
caso do esporte incluir pessoas para que aprendam viver em equipe”. (Aluna 3º “A”
Ensino Médio).
Chamamos atenção para a/o aluno/a que apresentou uma visão, em nosso
entendimento, mais amplo da inclusão relacionando-a ao acesso à educação, à saúde, à cultura
e um nível de vida digno. Como podemos analisar na fala seguinte.
“Uma das preocupações das sociedades democráticas, todos os benefícios que o
desenvolvimento dessa sociedade é capaz: acesso a educação, à saúde, à cultura, a
um nível de vida digno”. (Aluno do 3º “A” Ensino Médio).
As outras concepções presentes nas falas dos alunos sobre a inclusão podem ser
visualizadas no Quadro 06 a seguir:
Categorias
TOTAL
1- Incluir no esporte.
4
2- Incluir no meio social.
4
3- Ter acesso a todos os benefícios que o desenvolvimento da sociedade oferece: acesso
à educação, à saúde, à cultura.
1
8-È trazer quem está fora para dentro.
1
TOTAL
10
Quadro: 06 Concepções de inclusão
Fonte: Questionários Aplicados aos Alunos/alunas.
Entendemos que os alunos apresentam respostas diversificadas e visões fragmentadas
do termo inclusão e em alguns momentos não tem a noção do termo de uma forma mais
global o relacionando várias vezes ao esporte somente. Como sabemos a inclusão engloba
todas as formas de existência humana.
No que diz respeito a como os alunos percebiam a questão da inclusão/exclusão no
ambiente escolar e em especifico no PST, quatro alunos disseram que a escola é mais
excludente do que o PST. Como podemos ver em algumas falas abaixo.
“No ambientes escolares muitas pessoas são mais excluídas do que incluídos, já no
Programa Segundo Tempo não tinha toda essa diferença em inclusão e exclusão
tinha mais pessoas incluídas.” (Aluna do 1º “A” Ensino Médio).
47
“Na escola nem todos os alunos são favorecidos igualmente por falta de
oportunidades. No programa as oportunidades eram iguais a todos em minha
opinião”. (Aluno do 2º “A”. Ensino Médio).
Esse grupo de alunos relata em suas falas que há diferenças no trato das atividades
dentro da escola referentes ao esporte e referentes ao PST no momento em que eles dizem à
escola ser mais excludente que o PST, observa nas falas desses alunos implicitamente que no
ambiente escolar a tolerância com as diferenças é menor, busca uma homogeneização de
comportamentos, a metodologia do PST que oferece condições a todos os alunos iguais sem
privilegiar nem distinguir ninguém por habilidade técnicas, favorecendo no nosso
entendimento o processo de inclusão.
Do grupo de alunos questionados, três disseram não ter havido nenhum tipo de
exclusão e conseqüentemente julgavam que todos estavam incluídos. Abaixo temos algumas
falas para ilustrar essa afirmação.
“Na escola e no Programa Segundo Tempo não houve nenhum tipo discriminação,
pois cada um respeita a maneira de ser do outro, o jeito de jogar e ninguém criticam
ou faz comentários maldosos.” (Aluna do 9º “B” Ensino Fundamental II Fase).
“Não. O Programa foi ótimo para o meio social e para o bom relacionamento entre
os alunos.” (Aluna do 3º “A” Ensino Médio).
“Não teve nenhum tipo de discriminação”. (Aluna do 9º “A”. Ensino Fundamental
II Fase).
Outras respostas surgiram como: a) Temos exclusão no racismo, pobreza, mais tem
poucas. Inclusão teve muitas onde integra um elemento a um todo; b) Nem todo mundo tem
oportunidades; c)Eu avalio que devem ser respeitados todos que querem participar
independente se sabem ou não jogar.
Os alunos quando indagados se em algum momento de sua participação nas práticas
esportivas se sentiram excluídos oito responderam que não. Podemos ver logo abaixo falas
para exemplificar a afirmação.
“Não em nenhum momento eu me senti excluído, pois cada um respeita a maneira
de ser do outro”. (Aluna dos 9 º “B” Ensino Fundamental II Fase).
“Não de maneira alguma, muito pelo contrario, todos me incentivavam, como os
alunos e principalmente o professor”. (Aluna dos 2 º “A” Ensino Médio).
“Nunca. Por que isso só me trouxe mais amigos”. (Aluno dos 9 “B” Ensino Médio).
48
Dois alunos disseram que em alguns momentos se sentiram excluídos nas atividades, o
que nos faz entender que o PST pode ter contribuído para oportunizar atividades diferenciadas
que enfatizassem a participação de todos de forma igualitária.
Ao serem solicitados a relatar situações de exclusão vivenciadas nas aulas do PST e
como estas foram solucionadas, sete alunos disseram não ter presenciado nenhum tipo de
exclusão, outros três alunos disseram que presenciaram. Podemos visualizar alguns
depoimentos abaixo que exemplificam essa afirmação.
“Algumas pessoas por não saberem jogar muito bem, o professor parava a aula e
falava que o programa era pra todos.” (Aluna do 1º “A” Ensino Médio).
“Alguns alunos por se julgarem melhores que os outros, foi resolvido com
dinâmicas do professor e dialogo com todos”. (Aluna do 3º “A” Ensino Médio).
Observamos que ainda persiste na prática esportiva mesmo dentro do PST, uma
valorização por parte de alguns alunos do desempenho, porém quando tratado com o devido
rigor pelo professor isso pode ser superado, faz-se necessário mais uma vez colocarmos a
importância do professor no comando das atividades seja na execução das mesmas e também
na seleção e no planejamento dos conteúdos a serem trabalhados, assim como na definição de
estratégias/dinâmicas que enfatizem a inclusão, o envolvimento de todos nas atividades
independente de suas habilidades/conhecimentos.
4. A relação esporte-inclusão, na perspectiva dos monitores e direção, a partir da
realização do Programa Segundo Tempo.
A diretora do Colégio Estadual Maria Elias de Melo no período em que foi
desenvolvido o PST, possuía habilitação legal em Pedagogia, com mais de 20 anos de atuação
pedagógica.O monitor que devolveu o questionário concluiu seu curso de Licenciatura Plena
em Educação Física no ano de 2001, no período do PST,o mesmo possuía vinculo com a
Universidade Federal de Goiás pois estava cursando uma pós graduação em Educação Física
Escolar.
Tanto a diretora quanto o monitor apresentaram respostas parecidas quando
questionados sobre o que entendiam por esporte e os benefícios do mesmo ao ser trabalhado
com crianças e jovens na escola, assim nos responderam.
49
“Entendo que esporte é uma atividade física e que traz vários benefícios aos seres
humanos. Se trabalhado com crianças e jovens nas escolas públicas ou privadas, o
esporte proporciona a valorização e integração nas diferentes situações sociais,
adotando no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e respeito mutuo.”
(Diretora).
“O esporte é uma atividade física e, portanto quando trabalhado de forma adequada
com crianças e jovens pode gerar vários benefícios aos mesmos, mas se praticado
de maneira inadequada a atividade esportiva poderá promover malefícios porque ao
ser praticado devem ser respeitadas as individualidades de cada um”. (Monitor).
Está presente nas falas de ambos um entendimento do esporte como uma ferramenta
inclusiva, capaz de trazer benefícios aos alunos e também uma preocupação com a orientação
para a realização de tais atividades estas devem ser planejas de maneira que fujam os
princípios do esporte de rendimento, que segundo Coletivo de Autores (1993, p. 71) na escola
é preciso resgatar os valores que privilegiam o coletivo sobre o individual, defendem o
compromisso da solidariedade e respeito humano.
Ambos os sujeitos da pesquisa foram questionados sobre quais devem ser os objetivos
a serem alcançados com os alunos ao trabalharmos o esporte. Vejamos abaixo as falas dos
sujeitos.
“Ao se trabalhar esporte nas escolas o professor almeja alcançar a participação dos
alunos nas atividades teóricas e práticas, de forma a utilizar diferentes fontes de
informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos”.
(Diretora).
“Quando o esporte é trabalhado nas escolas deve buscar desenvolver nos alunos a
cooperação, respeito, solidariedade e não valorizar domínios técnicos.” (Monitor).
Assim acreditamos que dentro das escolas, devemos possibilitar que a comunidade
tenha acesso a práticas culturais e sociais que possibilitem à mesma interagir através do
esporte. Como dito nas falas acima favorecendo as relações interpessoais dos sujeitos. (SADI,
2004, p. 34)
No que se refere à concepção de inclusão da diretora e do monitor, analisando os
dados observamos o primeiro trata o assunto de uma maneira mais simplista já o segundo vai
além dos portadores de necessidades especiais e cita questões como respeito às diversidades.
As falas abaixo explicitam essa afirmação.
“Entendo que é a transformação, modificação da sociedade como pré-requisito para
que as pessoas com necessidades especiais possam buscar seu desenvolvimento e
exercer sua cidadania”. (Diretora).
“Eu acredito que inclusão possa ser entendida como a participação ou a construção
das condições de possibilidade para participar da construção cultural e assim
50
contribuir para a formação de cidadãos íntegros aptos a conviverem com a
diversidade de uma maneira sólida e sem preconceito.” (Monitor).
Os mesmo foram indagados ainda sobre como percebiam e avaliavam a questão da
inclusão/exclusão no ambiente escolar. Vejamos as falas abaixo.
“Percebo que a inclusão é um processo amplo com transformações pequenas e
grandes, nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive da
própria pessoa com necessidades especiais.” (Diretora).
“Percebo que ainda existem profissionais despreparados para lidar com esta questão
sendo assim, acredito que dentro do ambiente escolar todos os funcionários têm que
estar preparados para aceitar os limites de cada um respeitando suas possibilidades
evitando então que gere a exclusão de alguém em qualquer atividade proposta pela
escola”. (Monitor).
Assim conforme Gonçalves (1994) apud BRITO (2004) (p. 103) entendemos que é
importante que o professor desmistifique para os alunos as relações de dominação de uma
classe sobre a outra suas conseqüências na forma de ser e pensar de indivíduos e grupo,
proporcionado
vivências
de
organização
comunitária
objetivada
segundo
valores
democráticos, assim o professor orienta conscientemente o processo educativo para esses
objetivos, proporcionando formar o homem que seja capaz de gerar as transformações sociais.
Visualizaremos abaixo questionamento feito à direção da escola, sobre se ocorreram
mudanças nas relações entre os alunos a partir da vivência dos mesmos no PST. Segue abaixo
sua fala.
“Em nossa escola, percebi que durante o desenvolvimento desse programa os
alunos alcançaram bom desempenho em outras áreas de conhecimento e
modificações de comportamentos, disciplina, obediência e respeito com os outros,
inclusive o envolvimento dos pais durante as atividades”. (Diretora).
O monitor quando questionado sobre a inclusão no PST nos diz que
“Aconteceu de maneira positiva porque quando se trata de esporte em geral sempre
há o fator exclusão, e o PST, veio para suprir essa necessidade de inclusão dando
oportunidades igualmente a todos os participantes e recriminando a exclusão.”
(Monitor).
Ainda questionado sobre as dificuldades enfrentadas, e as mudanças que ocorreram
nas concepções de esporte dos alunos e nas relações entre os alunos o monitor respondeu que
no início enfrentou dificuldades por estar trabalhando com um grupo heterogêneo, e que as
relações entre os alunos melhoraram significativamente era notório nas aulas seguintes uma
51
tolerância maior com o colega, respeito e também eram relatadas pelos pais as melhoras dos
filhos nas relações com os colegas tanto na escola quanto com as pessoas de seu convívio
cotidiano.
Analisando os dados observamos um fato importante, em vários momentos do
questionário foram citados como fato negativo pelos alunos a questão do domínio de gestos
técnicos, isso por parte de alguns alunos que trouxeram essas raízes de suas experiências das
aulas de Educação Física, como sabemos o PST apresentava uma proposta totalmente
contrária à essa, nos relatos dos alunos o professor/monitor conseguia solucionar esses casos
quando os mesmos ocorriam. Observamos ao tratarmos do que é o esporte e inclusão os
alunos se mostraram limitados com visões fragmentadas, assim como as resposta da diretora
que por sua vez colocava uma visão simplista do que era inclusão, relacionando-a apenas a
alguma deficiência.Entendemos que é necessário um entendimento da inclusão como um todo
em todas as esferas da comunidade.
Ficamos convictos que na realidade do Colégio Estadual Maria Elias de Melo o PST
conseguiu alcançar seus objetivos, incluindo os alunos sem privilegiar nem discriminar
ninguém por habilidade/nível técnico, favorecendo uma nova maneira de trabalhar o esporte,
oportunizando a todos os alunos vivenciarem-no assim também no ambiente escolar. Nas
falas dos alunos observamos que o programa era inclusivo, pois os mesmos citavam diversos
momentos ocorridos durante as práticas esportivas no PST que ocorriam a inclusão de todos
nas atividades, houve mudanças significativas nas ações dos alunos após arealização do
referido programa, contribuindo para uma relação melhor do aluno com a escola.
52
Considerações Finais
Buscamos neste trabalho procurar analisar como os alunos, monitores, professores e
direção do Colégio Estadual Maria Elias de Melo compreendem a relação esporte-inclusão a
partir da realização do Programa Segundo Tempo na cidade de Três Ranchos/Go.
O esporte é uma produção cultural tecida ao longo da história, nas suas diferentes
aparições, seja enquanto esporte de rendimento, educacional ou lazer.
Entendemos ser importante que o professor detenha o conhecimento sobre cada uma
dessas modalidades, esporte de rendimento, lazer ou educacional para dessa forma saber agir
na sua prática pedagógica como manda cada modalidade. E como é o fruto deste trabalho o
esporte na escola entendemos necessário que o profissional deva entender o que é a escola,
ações inclusivas de uma escola inclusiva, entender a manifestações presente no ambiente
escolar, o emaranhado de responsabilidades colocadas sobre escola.
Sabemos que o esporte é um conteúdo privilegiado no ambiente escolar, tendo
múltiplas possibilidades, porém há tempos atrás e até mesmo na atualidade existem indícios
do esporte no âmbito escolar enquanto um modelo que reforça o gesto técnico, performance,
recriação, incorpora valores, normas técnicas, busca por rendimento atlético, sendo assim em
determinados momentos utilizados como aparelho ideológico de controle social. Nesse
sentido o esporte como fator de inclusão na escola não deve ser tratado como um fato isolado,
mas condicionado aos fatos históricos, a cultura local, deve respeitar as diferenças entre os
indivíduos valorizar a criatividade a bagagem cultural que os alunos trazem consigo em sua
trajetória.
Dentro da escola o aluno não deve ser tratado enquanto um atleta e o professor não
deve se posicionar como treinador, deve-se estabelecer uma relação de mão dupla entre
professor/aluno, nessa visão o rendimento, performance são deixados de lado e se visa uma
ação que respeite as limitações dos alunos sem os discriminar, assim e o aluno deve ter acesso
ao esporte possibilitando vivenciar as práticas culturais e sociais.
No nosso entendimento é necessário tratar o esporte escolar enquanto “da escola” e
não o esporte “na escola”, respeitando assim as diversidades humanas e favorecendo o acesso
às práticas corporais, sem segregar por cor, raça, gênero e domínio de gestos
técnicos/habilidades técnicas.
A partir da análise do Programa Segundo Tempo, sua realização na cidade de Três
Ranchos na escola campo “Colégio Estadual Maria Elias de Melo”, entendemos que o
referido programa contribuiu significativamente para a comunidade escolar, favorecendo o
53
desenvolvimento de cidadãos críticos e incluídos sim. Observamos isso nas análises dos
questionários de todos, alunos, monitores e direção, bem como nas conversas e nas
observações. Reforçamos essa afirmação não como uma visão simplista de inclusão
meramente como dar acesso às práticas corporais, mais muito além, oportunizar o acesso e
dentro dele propiciar condições de vivenciar o esporte educacional, que respeite as
diversidades e busque superar as desigualdades.
Concluímos que para todos os grupos que fizeram parte da coleta de dados, alunos,
monitores e direção o Programa Segundo Tempo a partir de suas ações contribuiu para uma
ação inclusiva nesta localidade, os propósitos inclusivos do PST foram alcançados com uma
metodologia diferenciada nas aulas do programa, que não selecionava nem discriminava,
muito menos se buscava homogeneizar as ações tornando os alunos meros repetidores,
buscávamos nas ações estimular a criatividade, o respeito às diferenças procurando entendêlas e respeitá-las, os alunos demonstraram avanços significativos nas relações inter-pessoais,
como dito pela diretora, como em conversas informais com pais e professores bem como em
observações assistematicas.
54
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Wikipédia, a enciclopédia livre. Cultura. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura.
Acesso em 05/08/2007.
57
ANEXOS
58
Anexo I
QUESTIONÁRIO APLICADO À DIREÇÃO
1. Fale o que você entende por ‘esporte’ e quais os benefícios do mesmo ao ser
trabalhado com crianças e jovens na escola.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2. Para você, ao se trabalhar o conteúdo esporte quais devem ser os objetivos a serem
alcançados com os alunos?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3. O que você entende por inclusão?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4. Como você percebe e avalia a questão da inclusão/exclusão no ambiente escolar.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
5. Como você avalia a relação esporte e inclusão nas aulas de Educação Física.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
6. Você avalia que ocorreram mudanças nas relações entre os alunos a partir da vivência
dos mesmos no Programa Segundo Tempo? Justifique sua resposta.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
59
Anexo II
QUESTIONÁRIO APLICADO AOS MONITORES
1. Fale o que você entende por ‘esporte’ e quais os benefícios do mesmo ao ser
trabalhado com crianças e jovens.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2. Para você, ao se trabalhar o conteúdo esporte quais devem ser os objetivos a serem
alcançados com os alunos?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3. Ao trabalhar o esporte no Programa Segundo Tempo, quais foram os objetivos que
você buscou alcançar com os alunos?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4. O que você entende por inclusão?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
5. Como você percebe e avalia a questão da inclusão/exclusão no ambiente escolar.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
6. Como você avalia a relação esporte e inclusão no Programa Segundo Tempo.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
60
7. Na sua avaliação a metodologia utilizada nas aulas do Programa Segundo Tempo
favoreceram a inclusão de alunos? Justifique sua resposta e exemplifique com
situações vivenciadas.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
8. A partir da sua vivência no Programa Segundo Tempo você avalia que ocorreram
mudanças na concepção de esporte dos alunos e nas relações entre os alunos?
Justifique sua resposta.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
9. No desenvolvimento do Programa Segundo Tempo, você avalia que enfrentou
dificuldades? Justifique sua resposta.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
61
Anexo III
QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS
Idade:
Série:
1. Fale o que você entende por ‘esporte’.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2. Para você, ao vivenciar o conteúdo esporte no Programa Segundo Tempo o que você
buscou alcançar?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3. O que o motivou a participar do Programa Segundo Tempo?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4. Você enfrentou dificuldades para participar do Programa Segundo Tempo? Quais?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
5. No desenvolvimento das práticas esportivas oferecidas pelo Programa Segundo
Tempo você enfrentava alguma dificuldade? Quais?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
6. O que você entende por inclusão?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
62
10. Como você percebe e avalia a questão da inclusão/exclusão no ambiente escolar e em
específico no Programa Segundo Tempo.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
7. Em algum momento de sua participação nas práticas esportivas oferecidas pelo
Programa Segundo Tempo você se sentiu excluído?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
8. Relate situações de exclusão vivenciadas nas aulas do Programa Segundo Tempo e
como estas foram solucionadas.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
63
Foto da Cidade de Três Ranchos vista do Cristo Redentor
64
Foto do Colégio Estadual Maria Elias de Melo
65
Foto da Quadra de Esportes do Colégio
66
Foto do Ginásio Municipal
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Universidade de Brasília EDUARDO HENRIQUE NAVES