Universidade Aberta do Nordeste e Ensino à Distância são marcas registradas da Fundação Demócrito Rocha. É proibida a duplicação ou reprodução desse fascículo. Cópia não autorizada é crime.
Linguagens, Códigos
e suas Tecnologias
Redação, Interpretação,
Literatura e Língua Estrangeira
Diego Pereira, Fonteles e Idália Parente
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Bom êxito!
Redação
O Enem solicita uma redação estruturada na forma de
texto em prosa do tipo dissertativo-argumentativo, a
partir da proposta de um tema de ordem social, científica, cultural ou política. Nesse texto, serão avaliadas
as cinco competências da Matriz do Enem, referentes à
produção de um texto:
I. Demonstrar domínio da norma-padrão da língua escrita. O estudante deve utilizar o registro adequado
a uma situação formal de produção de texto escrito:
a norma-padrão. Para isso, deve ter atenção aos aspectos gramaticais, como sintaxe de concordância,
de regência e de colocação, pontuação, flexão nominal e verbal e crase; às convenções ortográficas e
ao registro adequado ao texto solicitado conforme a
situação formal de produção textual exigida.
II. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. O estudante deve ler
atenciosamente a proposta para compreender a temática e, assim, instaurar uma problemática em que
se analisam, interpretam-se e se relacionam fatos, da-
dos, informações, argumentos e opiniões em defesa
de um ponto de vista; precisa também demonstrar
conhecimento da estrutura tipológica de texto dissertativo-argumentativo e estabelecer um projeto de
texto para desenvolver o tema configurando autoria.
III. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um
ponto de vista. Em dada situação formal de interlocução, o estudante deve demonstrar desempenho no
tocante à seleção, à organização, à relação e à interpretação de fatos, dados, informações, argumentos e
opiniões em defesa do enfoque dado ao tema proposto, estabelecendo relações lógicas e coerentes.
IV. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. Nessa competência, o estudante deve demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos
necessários para a construção e a articulação dos
argumentos, dos fatos e das opiniões selecionados
para a defesa de um ponto de vista, especialmente
com relação ao emprego de recursos coesivos, como
conectivos, tempos verbais, sequência temporal, re-
Universidade Aberta do Nordeste
3
lações anafóricas, conexões entre os vocábulos, as
sentenças e os parágrafos, objetivando o estabelecimento da coesão lexical (repetição, reiteração,
emprego de sinônimos, hiperônimos, conexos), da
coesão gramatical e da coesão referencial.
V. Elaborar proposta de intervenção para o problema
abordado, respeitando os direitos humanos. O autor
do texto precisa apresentar propostas de intervenção
relacionada com o tema proposto e com o projeto de
texto desenvolvido sobre o tema, bem como a indicação de possíveis variáveis para solucionar a problemática desenvolvida, respeitando os direitos humanos.
Deve atentar também para a viabilidade das propostas.
É importante também destacar que o texto solicitado pelo Enem é em prosa porque deve ser redigido em
parágrafos e é dissertativo-argumentativo porque se
estrutura sob a seguinte forma: proposição (ou tese), argumentação e conclusão e tem o objetivo de defender,
por meio de argumentos convincentes, uma ideia ou
uma opinião.
Observe o quadro abaixo e veja uma das possibilidades de desenvolver o texto dissertativo-argumentativo para o Enem. Lembre-se: não se trata de um modelo
ou uma receita infalível para a construção de texto, mas
sim de uma possibilidade de construção.
Introdução
Parte em que se estabelece a tese, que é a ideia que se defende, é uma afirmativa suficientemente definida e limitada e constitui o eixo central do texto para o qual vão concorrer todas as outras ideias que reforçam a posição apresentada.
Desenvolvimento
Parte em que se usam diversas estratégias argumentativas para envolver o leitor, para
impressioná-lo, para convencê-lo, para gerar credibilidade da tese que se está defendendo. Esses argumentos podem ser configurados como exemplos, dados estatísticos, fatos
comprováveis, evidências, testemunhos, fatos históricos e outros.
Conclusão
A conclusão solicitada é a de solução ou proposta. Para chegar a essa conclusão, toda a
construção argumentativa deve ter como objetivo a apresentação de possíveis soluções
para a questão levantada. A solução ou as soluções, porém, devem resultar de uma
relação lógica e coerente com os argumentos, as opiniões, as informações e os dados
apresentados no desenvolvimento.
Manual de Capacitação para Correção da Redação do ENEM 2011
Para produzir esse tipo de texto, você deverá desenvolver bem a habilidade de argumentar. Para isso, vamos
revisar o que é argumentar. Você já refletiu sobre esse termo?
Argumentar é a habilidade de persuadir e convencer. A persuasão se estabelece no plano das emoções, quando
o interlocutor é levado a fazer o que deseja o enunciador. Já o convencimento se dá no plano das ideias, quando o
locutor gerencia uma informação, com demonstrações e provas, para mudar a opinião do outro.
Pode-se convencer por meio de argumentos e razões, visando a levar o leitor a seguir uma linha de raciocínio
que o possibilite a concordar com os argumentos expostos. Essa linha de raciocínio pode ser bem estabelecida
quando se faz um bom projeto de texto.
O texto argumentativo, portanto, é mais complexo que os outros, pois é um recurso que leva em consideração a
experiência humana e está em contato com o saber. Por isso, é necessário que se tenha conhecimento do tema
sobre o qual se vai argumentar, e, para isso, é importantíssimo que se esteja em constante contato com a leitura.
ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar:
Gerenciando razão e emoção. 2ª ed.-São Paulo: Ateliê Editorial, 2000.
Além de dominar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo em prosa, o estudante deve ter conhecimentos diversificados uma vez que os temas solicitados
no Enem são de ordem social, científica, cultural ou política, por isso é necessário que você esteja atento aos
acontecimentos, leia bastantes jornais, revistas e sites
4
que possam contribuir para a construção de seus argumentos. As leituras diversas, com propósito definido,
ativam seu conhecimento prévio e, consequentemente,
contribuem para solidificar seu conhecimento de mundo. Relembre os temas já solicitados:
1999 – “Cidadania e participação social”
2000 – “Direito da criança e do adolescente: Como enfrentar esse desafio nacional”
2001 – “Desenvolvimento e preservação ambiental:
como conciliar os interesses em conflito”
2002 – “O direito de votar: como fazer dessa conquista
um meio para promover as transformações sociais que o
Brasil necessita?”
2003 – “A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras do jogo?”
2004 – “Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?”
2005 – “O trabalho infantil na sociedade brasileira”
2006 – “O poder de transformação da leitura”
2007 – “O desafio de se conviver com as diferenças”
2008 – “Meio ambiente”
2009 – “A valorização do idoso” (prova anulada)
2009 – “O indivíduo frente à ética nacional”
2010 – “O trabalho na construção da dignidade humana”
2011 – “Viver em rede no século XXI: os limites entre o
público e o privado”
http://educacao.uol.com.br/album/redacao_enem_album.jhtm
Leia mais!
Para redigir um bom texto dissertativo-argumentativo, é
importante que você evite
•• obscuridade: diz respeito ao uso de palavras ou
expressões que dificultam o sentido da mensagem
para o leitor.
•• ambiguidade: emprego de palavras ou expressões
cujos sentidos não estejam bem delimitados e precisos. Há dois tipos de ambiguidade:
A. A ambiguidade resultante do emprego inadequado
de uma palavra ou uma expressão que possibilita
duas ou mais interpretações;
B. A ambiguidade de referência, ou seja, quando o termo pode referir-se a mais de um elemento, mas a
situação contextual não especifica.
•• prolixidade: consiste na utilização exagerada e desnecessária de palavras para exprimir uma ideia. “Se
se pode expressar a ideia com quatro ou cinco palavras, por que se devem usar dez ou mais?”
Atenção!
Para treinar seus conhecimentos e suas habilidades
no processo de produção escrita do Enem, participe
do Christus - Redação 1000 online! Para isso, acesse o site www.christus.com.br e informe-se mais.
Linguagens, códigos e suas tecnologias
Semana de Arte Moderna
Este ano, a Semana de Arte Moderna está completando 90 anos, e por ter sido um dos movimentos mais
representativos no cenário artístico e cultural brasileiro,
foi o tema escolhido para iniciarmos o nosso estudo da
literatura brasileira e sua relação com as artes.
Ainda não se sabe ao certo quem teria dado a ideia
de realizar uma mostra de artes em São Paulo. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, de 18 de fevereiro de 1922, a sugestão teria sido dada por Marinete
Prado, esposa de Paulo Prado, filho do mais importante
fazendeiro de café do século XX. Contudo, já em 1920,
Oswald de Andrade prometera para 1922, ano do centenário da Independência, uma ação dos artistas, adeptos
das novas ideias, que marcasse, de forma contundente,
os festejos do centenário.
A Semana de Arte Moderna foi possível graças à arrecadação de fundos junto aos fazendeiros e aos exportadores de café. O primeiro a contribuir foi Paulo Prado.
É importante mencionar um fato ocorrido em 1917, que
concorreu, de forma decisiva, para a realização da Semana de Arte Moderna. Esse fato foi a crítica feita por
Monteiro Lobato à exposição de Anita Malfatti. Anita
chega ao Brasil depois de quatro anos de estudos na
Alemanha e nos Estados Unidos e faz uma exposição
de pinturas de influências expressionistas e cubistas no
salão de chá da loja Mappin, na rua Líbero Badaró, em
São Paulo. No primeiro dia, a exposição obteve relativo
sucesso, recebendo, inclusive, reservas de quadros. No
segundo dia, porém, Monteiro Lobato, na época crítico
de arte do jornal O Estado de São Paulo, que visitara
a exposição na véspera, publica o artigo “Paranoia ou
Mistificação?”, em que, apesar de admitir que a artista tinha talento, denigre seu trabalho, e as reservas dos
Universidade Aberta do Nordeste
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quadros são canceladas. A violenta crítica feita por Lobato à Anita Malfatti fez que aqueles artistas e escritores
que defendiam o moderno nas artes saíssem em defesa
da pintora, gerando um sentimento de grupo em torno
da defesa das ideias modernistas.
A Semana de Arte Moderna concentrou-se em três
sessões, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. Em
cada um desses dias, houve a predominância de uma temática. Durante toda a semana, o saguão do Teatro Municipal de São Paulo ficou aberto ao público. Nele havia
uma exposição de artes plásticas. Na primeira noite (132-1922), houve uma conferência proferida por Graça
Aranha abrindo o evento. Essa conferência intitulada “A
emoção estética na arte moderna” mostrava o apoio
do escritor ao movimento modernista. Logo após a conferência, houve declamação de poemas, por Guilherme
de Almeida e Ronald de Carvalho, e apresentação de
músicas de Ernani Braga e Villa-Lobos. Na segunda noite
(15-2-1922), a mais tumultuada e a mais importante das
três, houve uma conferência de Menotti del Picchia com
o objetivo de negar a ligação do modernismo brasileiro
com o futurismo de Marrinetti e defender a integração
da poesia com os tempos modernos, como também
a criação de uma arte genuinamente brasileira com liberdade criadora. Na última noite (17-2-1922), a mais
tranquila das três, houve um longo recital de Villa-Lobos,
Alfredo Gomes, Paulina d’Ambrósio, Lima Viana, Maria
Emma, Lúcia Villa-Lobos, Pedro Vieira e Antão Soares.
A imprensa, de um modo geral, desdenhou a Semana de Arte Moderna; porém, O Estado de São Paulo,
maior jornal paulista da época e um dos maiores do país,
conservou uma sobriedade até certo ponto simpática
para com o evento. A Semana de Arte Moderna tinha os
seguintes objetivos fundamentais:
1. Reivindicar o direito permanente à pesquisa estética,
à atualização da arte brasileira e à criação de uma
consciência criadora nacional.
2. Reagir contra o academicismo de uma maneira geral.
3. Defender o uso da linguagem coloquial e da livre
expressão.
4. Valorizar a realidade nacional.
5. Exaltar as ideias modernistas.
os escritores de maior destaque dessa fase defendiam a
reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais,
a promoção de uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais. Eram, portanto,
defensores de uma visão nacionalista, porém crítica, da
realidade brasileira. Durante essa primeira fase, vários
manifestos ganharam o cenário intelectual nacional,
numa investigação profunda, e por vezes radical, de novos conteúdos e de novas formas de expressão. Os resultados deixados por esse período de pesquisas foram
a implantação definitiva do movimento modernista e a
maturidade e a autonomia da literatura brasileira. Falemos um pouco sobre os manifestos pós-semana de 22.
PAU-BRASIL (1924) - Tem início quando Oswald de Andrade lança o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, na edição de 18 de março do Correio da Manhã. Essa corrente
propunha uma arte brasileira de “exportação”, de raiz,
telúrica e primitiva.
VERDE-AMARELO (1926) - As primeiras manifestações
do movimento Verde-Amarelo aconteceram em 1926,
criticando a estética Pau-Brasil, por julgá-la “afrancesada”, e pregando uma arte genuinamente nacional, de
tom ufanista, com a valorização do elemento indígena
e sem fazer nenhuma concessão aos estrangeirismos. O
Verde-Amarelo evoluiu para o Movimento da Anta, de
franco caráter direitista, com enunciações fascistas.
ANTROPOFAGIA (1928) - Revidando com sarcasmo
o primitivismo xenófobo da Anta, Oswald de Andrade,
Tarsila do Amaral e Raul Bopp lançaram, em 1928, o
mais radical de todos os movimentos do período: a Antropofagia. O movimento foi inspirado no quadro Abaporu (antropófago, em tupi), que Tarsila do Amaral tinha
dado de presente a Oswald de Andrade. O movimento
propõe a “devoração” da cultura e das técnicas importadas e sua reformulação com autonomia, transformando o produto importado em exportável.
Questão comentada
Manifestos Pós-Semana de 22
A primeira fase do Modernismo brasileiro, conhecida
como Geração de 22, caracterizou-se pelas tentativas de
solidificação do movimento renovador e pela divulgação
de obras e ideias modernistas. Apesar da diversidade de
correntes e ideias, pode-se dizer que, de modo geral,
Amaral,Tarsila do. O Mamoeiro. 1925, óleo sobre tela, 65x70, IEB/USP.
6
(Enem) O modernismo brasileiro teve forte influência das vanguardas europeias. A partir da Semana de Arte Moderna, esses conceitos passaram a fazer parte da arte brasileira definitivamente. Tomando como referência o quadro O Mamoeiro,
identifica-se que, nas artes plásticas, a
A. imagem passa a valer mais que as formas vanguardistas.
B. forma estética ganha linhas retas e valoriza o cotidiano.
C. natureza passa a ser admirada como um espaço utópico.
D. imagem privilegia uma ação moderna e industrializada.
E. forma apresenta contornos e detalhes humanos.
Solução comentada
A opção “A” está errada, pois afirma que a imagem passa a
valer mais que as formas vanguardistas, quando, na realidade,
o que se observa é a predominância do Cubismo na tela de
Tarsila do Amaral. Como se sabe o Cubismo foi das vanguardas europeias. A opção “B” está correta, pois em função da
influência do Cubismo, percebe-se a utilização de linhas retas
na confecção da obra, também se observa que a realidade
cotidiana brasileira é destacada na obra. Isso é uma influência
direta da Semana de Arte Moderna, pois um dos postulados
do modernismo brasileiro foi a valorização da realidade nacional. A opção “C” está errada, pois afirma que a natureza é admirada como um espaço utópico, e, como sabemos,
Tarsila fez parte do Manifesto Pau-Brasil que tinha uma visão
nacionalista crítica e não utópica. A opção “D” está errada
porque afirma que a imagem privilegia uma ação moderna
e industrializada, enquanto a tela de Tarsila nos mostra uma
cena de uma cidadezinha, possivelmente do interior, sem nenhuma marca de industrialização. A opção “E” também está
errada porque a imagem mostra uma cidadezinha com casas,
plantas, água, uma ponte e algumas pessoas e não contornos
e detalhes humanos. Portanto, a resposta é letra “B”.
Para aprender mais!
1. A exposição de Lasar Segall, em 1913, não causou
polêmica. Afinal, tratava-se do trabalho de um estrangeiro, que teria, portanto, o “direito” de apresentar uma arte estranha ao gosto brasileiro. Mas,
com a exposição da pintora brasileira Anita Malfatti, a reação foi diferente. Sua exposição, em 1917,
provocou a publicação de um artigo com severas
críticas por parte do escritor Monteiro Lobato. Em
função das críticas desfavoráveis a Anita Malfatti,
muitos artistas se uniram a ela em busca de uma
arte brasileira livre das regras impostas pelo academicismo. Eis a grande importância histórica de
Anita Malfatti:
A. trazer de volta os valores clássicos para a arte brasileira, pois as críticas feitas por Lobato promoveram
uma profunda reflexão na visão da grande pintora
B.
C.
D.
E.
brasileira que se tornou o maior nome da Semana
de Arte Moderna.
revitalizar a arte romântica brasileira, pois observou
que o gosto brasileiro não comportava tanta inovação no uso da cor.
ao ser criticada, chamou a atenção para as inovações na arte e revelou que sua pintura apontava novos caminhos, principalmente no uso da cor.
ao ser criticada por Lobato, preferiu dar à sua pintura um novo viés. Torna-se a grande representante do
Surrealismo no Brasil.
iniciar uma inovação revolucionária na pintura mundial, pois mesclou o Impressionismo ao Expressionismo dando início à Semana de Arte Moderna.
2. Que importa a paisagem, a Glória, a baia, a linha
do horizonte?
O que eu vejo é o beco
(Manuel Bandeira, Poema do beco.)
Manuel Bandeira compõe, juntamente com Oswald e
Mário de Andrade, a tríade maior da primeira fase modernista, responsável pela divulgação e pela solidificação
do movimento modernista em nosso país. Entre as inúmeras contribuições deixadas pela poesia de Bandeira,
uma está exemplificada no poema posto acima e pode
ser identificada como
A.
B.
C.
D.
E.
o rigor métrico.
a forte musicalidade simbolista.
a violenta crítica social.
a perfeita escolha lexical.
o verso livre.
3.
Texto 1
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultura, 1988)
Universidade Aberta do Nordeste
7
Texto 2
“Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita
quando se deseja reproduzir a fala dos personagens
(...)”
(CEGALLA, Domingos Paschoal. São Paulo:
Nacional, 1980)
O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos postos
acima. Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos
A.
B.
C.
D.
E.
condenam essa regra gramatical.
acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
criticam a presença de regras na gramática.
afirmam que não há regras para o uso de pronomes.
relativizam essa regra gramatical.
4. A imprensa, de um modo geral, desdenhou a Semana de Arte Moderna; houve até publicações que
antecipadamente se declararam contra o evento
sem saber sequer do que se tratava. O Estado de
São Paulo, maior jornal paulista da época e um
dos maiores do país, manteve uma postura sóbria
sobre o evento. Apesar da resistência dos grupos
mais conservadores, após a Semana de Arte Moderna de 1922, ocorreu uma revolução nas artes
brasileiras, revelando novas linguagens, formas e
abordagens, que chocavam pelo ineditismo e ousadia. O período vivido pela Geração de 22, também chamado de fase heroica, em decorrência da
implantação do Modernismo no Brasil em um momento ainda fortemente marcado por tendências
conservadoras, é caracterizado por intenso experimentalismo, tanto na forma como na temática.
Nesse primeiro momento do Modernismo, desenvolveram-se a poesia, mais intensamente, a prosa
e ainda a prosa-poética. Em todas essas formas,
observam-se inovações como
A. o rompimento com o passado e a conservação do
academicismo literário.
B. a incorporação e a valorização do prosaico, do vulgar, do cotidiano, inclusive da linguagem coloquial,
na poesia e na prosa.
C. a prevalência do nacionalismo ufanista e a rejeição
do nacionalismo crítico.
D. a rejeição do prosaico, do vulgar, do cotidiano e da
linguagem coloquial no texto literário.
8
E. o rigor formal, personificado pelo uso do soneto e
pelas formas de composição com métrica regular.
Leia mais!
Centenário de nascimento de
Nelson Rodrigues
(23-8-1912/21-12-1980)
Nelson Rodrigues foi importante dramaturgo, jornalista
e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil. Nascido no Recife, Pernambuco, mudou-se, em 1916, para a cidade do Rio de Janeiro. Quando
maior, trabalhou no jornal A Manhã, de propriedade
de seu pai. Foi repórter policial durante longos anos,
de onde acumulou uma vasta experiência para escrever
suas peças a respeito da sociedade. Sua primeira peça foi
A Mulher sem Pecado, que lhe deu os primeiros sinais
de prestígio dentro do cenário teatral. O sucesso mesmo
veio com Vestido de Noiva, que trazia, em matéria de
teatro, uma renovação nunca vista nos palcos brasileiros.
A consagração se seguiria com vários outros sucessos,
transformando-o no grande representante da literatura
teatral do seu tempo, apesar de suas peças serem tachadas muitas vezes de obscenas e imorais. Em 1962,
começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão por futebol. Veio a falecer em
1980 no Rio de Janeiro.
Funções da linguagem
É importante, ao estudarmos as funções da linguagem,
que conheçamos os elementos constitutivos de todo
processo linguístico, de todo ato de comunicação. Esses
elementos são:
1. Emissor, Destinador ou Remetente - é aquele
que emite a mensagem; pode ser uma firma, uma
pessoa, um jornal, etc.
2. Receptor ou Interlocutor - é aquele que recebe a
mensagem; pode ser uma pessoa ou um grupo de
pessoas (os leitores de um jornal, os alunos de uma
sala de aula, etc.).
3. Mensagem - é o conjunto de informações transmitidas.
4. Código - é o conjunto de signos e regras de combinação desses signos, utilizados na transmissão de
uma mensagem. A comunicação só será efetiva se o
receptor souber decodificar a mensagem.
5. Canal de comunicação - é o meio concreto pelo
qual a mensagem é transmitida (voz, livro, revista,
emissora de TV, jornal, computador, etc.).
6. Contexto ou Referente - é a situação ou o assunto
a que a mensagem se refere.
Segundo Roman Jakobson, cada um dos seis fatores anteriormente determinados define uma diferente função da linguagem. Normalmente não se encontram mensagens verbais que se relacionem a uma
única função. A estrutura verbal de uma mensagem
depende basicamente da função predominante. Vejamos quais são elas:
1. Função referencial - é a que se volta para a informação, para o próprio contexto. A intenção é transmitir ao interlocutor dados da realidade de uma forma direta e objetiva, com palavras empregadas em
seu sentido denotativo.
2. Função emotiva ou expressiva - nessa função a
intenção do emissor é posicionar-se em relação ao
tema de que está tratando, é expressar seus sentimentos e emoções, produzindo um texto subjetivo,
escrito em primeira pessoa, que se transforma num
espelho de seu ânimo, de suas emoções, de seu estado, enfim.
3. Função conativa ou apelativa - ocorre essa função quando a intenção do emissor é influenciar o
receptor, pois a mensagem está centrada nele (receptor) em forma de ordem, apelo ou súplica. Os
verbos no imperativo, o uso de vocativos e da segunda pessoa são marcas gramaticais dessa função.
4. Função fática - ocorre essa função quando a preocupação do emissor é manter contato com o receptor, prolongando uma comunicação ou então
testando o canal de comunicação.
5. Função metalinguística - essa função acontece
quando a preocupação do emissor está voltada para
o próprio código utilizado, ou seja, o código é o
tema da mensagem ou é utilizado para explicar o
próprio código.
6. Função poética - essa função está centrada na
mensagem e se caracteriza pela criatividade da linguagem. Ocorre quando a linguagem é considerada
em seu significante, no seu valor rítmico, sonoro ou
visual.
Questão comentada
A propaganda pode ser definida como divulgação intencional e constante de mensagens destinadas a um determinado
auditório visando criar uma imagem positiva ou negativa de
determinados fenômenos. A propaganda está muitas vezes
ligada à ideia de manipulação de grandes massas por parte
de pequenos grupos. Alguns princípios da propaganda são: o
princípio da simplificação, da saturação, da deformação e da
parcialidade.
(Adaptado de Norberto Bobbio, et al. Dicionário de política)
(Enem) Segundo o texto, muitas vezes a propaganda
A. não permite que minorias imponham ideias à maioria.
B. depende diretamente da qualidade do produto que é
vendido.
C. favorece o controle das massas difundindo as contradições do produto.
D. está voltada especialmente para os interesses de quem
vende o produto.
E. convida o comprador à reflexão sobre a natureza do que
se propõe vender.
Solução comentada
O texto apresenta informações sobre a propaganda, sabe-se
que, no texto publicitário, predomina a função apelativa ou
conativa da linguagem, pois como o objetivo de toda propaganda é influenciar o receptor da mensagem a tomar uma
determinada decisão, todos os argumentos textuais utilizados
concorrem para esse fim. Evidentemente, se o alvo é o receptor para tentar convencê-lo a fazer algo, o texto publicitário
está voltado especialmente para os interesses de quem vende o produto. Daí a predominância da função apelativa, pois,
para vender o produto, é necessário convencer o comprador,
ou seja, o receptor da mensagem. Portanto, a opção correta é
a letra “D” que afirma que a propaganda está especialmente
voltada para os interesses de quem vende o produto.
Para aprender mais!
5.
“Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo,
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é... Quanto tempo...
(Viola, Paulinho da. Sinal fechado.)
Observando o trecho da canção posta acima, que reproduz uma conversa entre duas pessoas que não se encontram há muito tempo e não têm muito sobre o que falar,
percebe-se que nesse texto predomina a função
A.metalinguística.
B.conativa.
Universidade Aberta do Nordeste
9
C.poética.
D.fática.
E.emotiva.
C.apelativa.
D.fática.
E.emotiva.
6.
8. “benesse/é/ s.2g. 1 ECLES emolumento a que têm
direito os curas, vigários e outros eclesiásticos; pé-de-altura; direito de estola 2p.ext. aquilo que se
doa; presente, dádiva (a solidariedade brasileira
cumulou de b. os flagelados) 3p.ext. vantagem ou
lucro que não deriva de esforço ou trabalho; sinecura 4 fig. Condição favorável; vantagem, ajuda (as b.
da mocidade) [...]”
“ Lá fora há uma treva dos diabos, um grande silêncio.
Entretanto o luar entra por uma janela e o nordeste furioso espalha folhas secas no chão.
É horrível! Se aparecesse alguém...Estão todos dormindo.
Se ao menos a criança chorasse...Nem sequer tenho
amizade a meu filho. Que miséria!
Casimiro Lopes está dormindo. Marciano está dormindo.
Patifes!
E eu vou ficar aqui, às escuras, até não sei que horas,
até que, morto de fadiga, encoste a cabeça à mesa e
descanse uns minutos.”
(Ramos, Graciliano. São Bernardo.35ª.
Ed.Rio de Janeiro: Record, 1980. p. 191.)
Analisando esse fragmento, retirado da obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, observa-se a presença de
interjeições, de alguns sinais de pontuação (reticências,
ponto de exclamação ) e o emprego da primeira pessoa
do singular. Esses elementos textuais apontam para a
predominância da função
A.emotiva.
B.fática.
C.referencial.
D.poética.
E.conativa.
7.
Observa-se que o texto posto acima busca persuadir o
receptor, no caso o consumidor, tentando convencê-lo
a consumir o produto anunciado. Nesse tipo de texto,
predomina a função
A.metalinguística.
B.poética.
10
(Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar.
Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de janeiro: Objetiva, 2001)
Observa-se que o fragmento posto acima, retirado de
um dicionário da língua portuguesa, tem como fator essencial o código. O objetivo da mensagem é referir-se à
própria linguagem. Portanto, esse fragmento exemplifica a função
A.metalinguística.
B.apelativa.
C.poética;
D.conativa.
E.referencial.
O texto
A palavra texto é proveniente do latim textum que significa tecido. Há, pois, uma razão etimológica para que ele
seja entendido como se fosse uma textura, ou seja, um
entrecruzamento de frases, como os fios de um tecido. E
tal como os fios de um tecido, essas frases são estanques,
independentes, embora unidas entre si, produzindo significados diferentes, de acordo com o contexto em que estão inseridas. Daí a necessidade de se fazer um confronto
entre todas as partes que compõem um texto, a fim de
apreender o que está contido nas entrelinhas. Tendo em
vista que um texto não é uma simples reunião de frases
isoladas, conclui-se que, para entender qualquer uma de
suas passagens, é necessário confrontá-la com as demais
partes que compõem, pois, do contrário, pode-se chegar
a um significado oposto ao que realmente ele tem. Por
isso, deve-se levar sempre em conta o contexto em que
está inserida a passagem lida.
1. O contexto
É a unidade linguística maior (conhecimento ) na qual
se encaixa uma unidade linguística menor (texto). Desse
modo, uma frase se insere no contexto de uma oração,
que se insere no contexto de um período, que se insere no contexto do parágrafo, que se insere no contexto
do capítulo, que se insere no contexto de toda a obra.
O contexto deve vir sempre explicitado linguisticamente
ou então deve estar implícito, o que ocorre quando os
elementos do enredo em que se produz o texto não necessitam de maiores esclarecimentos e dão como pressuposto o contexto em que ele está encaixado.
Uma boa leitura nunca pode basear-se em trechos
isolados de um texto, porquanto o significado das partes
é sempre determinado pelo contexto dentro do qual se
situam. Assim, a leitura ideal deve apreender sempre o
pronunciamento contido nas entrelinhas do texto e perceber a posição tomada pelo autor frente a uma questão
qualquer.
2. Como ler e entender o texto
Diante de um texto, deve-se proceder a dois tipos de leitura: a informativa e a interpretativa. Na informativa,
há que se identificar, em primeiro lugar, a palavra-chave
de cada parágrafo e as palavras que estruturam as frases
básicas da informação. Já a leitura interpretativa exige
que se tenha a capacidade de compreensão, análise e
síntese das informações que se encontram nos diversos
parágrafos do texto.
2.1 Leitura informativa
Sua finalidade é dar respostas específicas e, para tanto,
exige que a leitura seja seletiva e crítica.
I. Leitura seletiva - Para uma leitura seletiva, deve-se
procurar identificar, em cada parágrafo, a ideia-núcleo, pois é em torno dela que o autor desenvolve
as ideias secundárias. A ideia-núcleo quase sempre
se encontra no primeiro período do parágrafo e raramente, no último. A ideia núcleo (uma generalização) constitui a base de tudo o que o autor relata
no parágrafo. É conhecida como tópico frasal e, a
partir dela, seguem-se as demais ideias, as secundárias (especificações). Quando o tópico frasal está no
primeiro período, diz-se que o parágrafo é desenvolvido com raciocínio dedutivo. Quando no último,
diz-se que é com raciocínio indutivo. Nesse tipo de
leitura, ou seja, a seletiva, também deve-se selecionar, na continuidade do texto, os tópicos frasais de
cada um dos parágrafos. Ao fazer essa seleção, obtém-se a síntese ou resumo do texto.
II. Leitura crítica - Para fazer esse tipo de leitura, é necessário que o leitor tenha uma visão que abarque
todo o assunto que está em pauta. A leitura crítica
exige o conhecimento da pertinência dos conteúdos
do texto, com base no ponto de vista do autor, e não
do leitor, e a relação contida entre esse ponto de vista
e os tópicos frasais. Com isso, observa-se a subordinação entre a ideia principal e as que a subsidiam.
2.2 Leitura interpretativa
Esse tipo de leitura exige, em primeiro lugar, que se tenha o domínio da leitura informativa e, a seguir, que o
leitor domine as seguintes capacidades:
I. Compreensão global do texto - O leitor deve entender a mensagem literal contida no texto, isto é, a
ideia central, o objetivo, a tese defendida, o ponto
de vista e a postura ideológica do autor.
II. Análise do texto - Refere-se à capacidade de saber
decompor um texto em suas diferentes partes, partindo do tópico frasal de cada parágrafo e verificando a sua relação com o contexto.
III. Síntese do texto - É a reconstituição do texto já decomposto pela análise, eliminando-se o supérfluo,
com fixação no essencial.
3. Erros Clássicos
I. Contradição - Um ou outro item conclui contrariamente ao texto. Para o leitor, parece estar correto,
mas, se verificar com mais cuidado, verá que a afirmação diz o contrário do texto ou omite passagens
importantes para fugir do original. Deve-se tomar
cuidado com algumas palavras: pode, deve, não, exceto, inclusive e outras.
II. Extrapolação - Ocorre esse erro quando o examinador faz a questão fora do texto, ou diz mais do
que o texto, ou generaliza o que é particular. Muitas vezes são fatos reais, mas não estão expressos
no texto. O leitor deve ater-se somente ao que está
relatado.
III. Redução - Ocorre quando se particulariza o que é
geral ou então se despreza o contexto e entende-se
apenas uma parte do texto, com outro significado
que não foi dado pelo autor.
Questão comentada
O “politicamente correto” tem seus exageros, como chamar
baixinho de “verticalmente prejudicado”, mas, no fundo,
vem de uma louvável preocupação em não ofender os diferentes. É muito mais gentil chamar estrabismo de “idiossincrasia ótica” do que de vesguice. O linguajar brasileiro está
cheio de expressões racistas e preconceituosas que precisam
de uma correção, e até as várias denominações para bêbado
(pinguço, bebo, pé-de-cana) poderiam ser substituídas por
Universidade Aberta do Nordeste
11
algo como “contumaz etílico”, para lhe poupar os sentimentos. O tratamento verbal dado aos negros é o melhor exemplo da condescendência que passa por tolerância racial no
Brasil. Termos como “crioulo”, “negão” etc. são até considerados carinhosos, do tipo de carinho que se dá a inferiores, e,
felizmente, cada vez menos ouvidos. “Negro” também não
é mais correto. Foi substituído por afrodescendente, por influência dos afro-americans, num caso de colonialismo cultural positivo. Está certo. Enquanto o racismo que não quer
dizer seu nome continua no Brasil, uma integração real pode
começar pela linguagem.
Para aprender mais!
(VERÍSSIMO, L, F. Peixe na cama.
Diário de Pernambuco. 10 jun.2006 – adaptado)
(Enem) Ao comparar a linguagem cotidiana utilizada no Brasil
e as exigências do comportamento “politicamente correto”, o
autor tem a intenção de
A. criticar o racismo declarado do brasileiro, que convive
com a discriminação camuflada em certas expressões linguísticas.
B. defender o uso de termos que revelam a despreocupação
do brasileiro quanto ao preconceito racial, que inexiste no
Brasil.
C. mostrar que os problemas de intolerância racial, no Brasil,
já estão superados, o que se evidencia na linguagem cotidiana.
D. questionar a condenação de certas expressões consideradas “politicamente incorretas”, o que impede os falantes
de usarem a linguagem espontânea.
E. sugerir que o país adote, além de uma postura linguística
“politicamente correta”, uma política de convivência sem
preconceito racial.
Solução comentada
Pela leitura do texto, percebe-se que a argumentação feita
pelo autor ao estabelecer uma comparação entre a linguagem
cotidiana do brasileiro e o comportamento “politicamente
correto” tem como objetivo sugerir que o país não somente adote uma linguagem politicamente correta com os vários
segmentos sociais vítimas de preconceito, mas também adote
uma política de convivência social livre de preconceito racial.
Portanto, a opção correta é a letra “E”.
(http://www.google.com.br. Acesso 14 jul. 2012)
9. Observando-se o conteúdo da tira posta acima,
principalmente o questionamento feito por Mafalda
no último quadrinho, é lícito inferir-se que Mafalda
A. se mostra otimista com relação ao futuro por isso
critica a postura do animal.
B. tem certeza de que o futuro será catastrófico, por
isso afirma que o animal não tem futuro.
C. tem dúvida com relação à existência de um futuro bom.
D. critica toda e qualquer visão ufanista sobre o futuro.
E. não consegue ter uma visão sobre o futuro porque
não entende o presente.
10.
Orfandade
Meu Deus,
me dá cinco anos
me dá um pé de fedegoso com formiga preta,
me dá um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dá a negrinha Fia pra eu brincar,
me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me cura de ser grande,
ó meu Deus, meu pai,
meu pai.
(PRADO, Adélia. Poesia reunida.
São Paulo: Scipione, 2001)
Pela leitura do poema posta acima, percebe-se que o eu
lírico se sente completamente órfão
12
A. por ter perdido os saudosos momentos de sua infância. Por isso suplica a Deus que lhe dê novamente a sua vida de criança e o faça esquecer que já é
adulto, e que tudo de bom se foi.
B. por ter perdido sua mãe. Por isso lamenta a ausência
dela e lembra os momentos tristes de solidão junto
a um pai ausente e insensível que só pensava no
trabalho.
C. por ter perdido a boa condição financeira que teve
na infância. Por isso não aceita a carência material
vivida no presente e busca desesperadamente recuperar a antiga condição social.
D. por ter perdido sua fé em Deus. Por isso tenta resgatar
essa fé perdida e voltar a ser alguém crente e cheio de
esperanças para poder seguir a caminhada da vida.
E. por ter perdido totalmente a crença no ser humano.
Por isso busca resgatar a vida bucólica cercada de
animais que teve na infância quando viveu na fazenda de um tio.
11.
A declaração de Hagar revela uma visão de mundo
A.
B.
C.
D.
E.
democrática e inovadora.
polarizada e restrita.
conciliadora e altruísta.
capitalista e comunista ao mesmo tempo.
reacionária e humanitária.
Língua Espanhola
Para a realização de uma boa prova de língua estrangeira, é necessário que o aluno tenha um bom conhecimento das estratégias de leitura e seja um leitor competente, pois, o Enem, nas provas de espanhol realizadas
até hoje, tem mostrado interesse basicamente pela interpretação textual. Por isso, daremos ênfase à abordagem
da leitura e da interpretação em língua estrangeira, no
caso, língua espanhola.
É bom lembrar que ler não é apenas decodificar,
mas, para ler, é preciso saber decodificar, ou seja, ter um
conhecimento, ainda que mínimo, do léxico da língua na
qual se está lendo. De acordo com Palinscar e Brown, a
compreensão do que se lê é produto de três condições.
1. “Da clareza e coerência do conteúdo dos textos, da familiaridade ou conhecimento da sua
estrutura e do nível aceitável do seu léxico, sintaxe e coesão interna.”
2. “Do grau em que o conhecimento prévio do
leitor seja relevante para o conteúdo do texto.
Em outras palavras, da possibilidade de o leitor possuir os conhecimentos necessários que
lhe vão permitir a atribuição de significado aos
conteúdos do texto.”
3. “Das estratégias que o leitor utiliza para intensificar a compreensão e a lembrança do
que lê, assim como para detectar e compensar os possíveis erros ou falhas de compreensão. Estas estratégias são as responsáveis pela
construção de uma interpretação para o texto
e, pelo fato de o leitor ser consciente do que
não entende, para poder resolver o problema
com o qual se depara.”
De tal sorte, é importante que o leitor conheça e
aplique as estratégias de leitura durante a realização
da prova de espanhol do Enem, como também de outras provas que avaliem a leitura e a interpretação em
língua espanhola. Portanto, vamos apresentar as cinco
estratégias de leitura, que, de acordo com Isabel Solé,
devem ser utilizadas na leitura e na interpretação em
língua espanhola levando em conta as peculiaridades
desse idioma.
1. “Compreender os propósitos implícitos e explícitos da leitura.” Equivaleria a responder às perguntas: O que tenho que ler? Por que tenho que ler
este texto?
2. “Ativar e aportar à leitura os conhecimentos prévios relevantes para o conteúdo em questão.” O
que sei sobre o conteúdo do texto? O que sei sobre
conteúdos afins que possam ser úteis para mim? Que
outras coisas sei que possam me ajudar: sobre o autor, o gênero, o tipo de texto...? Vale lembrar que o
conhecimento prévio do leitor deve ser utilizado para
ajudar na compreensão da leitura do texto e na percepção da melhor solução para a situação-problema
apresentada pela questão, mas nunca para responder
à questão em si, pois isso poderá levar o aluno a cometer o erro da extrapolação textual.
Universidade Aberta do Nordeste
13
3. “Dirigir a atenção ao fundamental, em detrimento do que pode parecer mais trivial.” Qual
é a informação essencial proporcionada pelo texto e
necessária para conseguir o meu objetivo de leitura?
Que informações posso considerar sem relevância,
por sua redundância, por seu detalhe, por não serem pertinentes aos propósitos que persigo?
4. “Comprovar continuamente se a compreensão
ocorre mediante a revisão, a recapitulação periódica e o questionamento.” O que se pretende
explicar neste parágrafo? Qual a ideia fundamental
que extraio daqui? Posso reconstruir o fio dos argumentos expostos? Posso reconstruir as ideias contidas nos principais pontos? Tenho uma compreensão
adequada dos mesmos?
5. “Elaborar e provar inferências de diversos tipos, como interpretações, hipóteses, previsões
e conclusões.”
Questão comentada
El Tango
Ya sea como danza, música, poesía o cabal expresión de una
filosofía de vida, el tango posee una larga y valiosa trayectoria,
jalonada de encuentros y desencuentros, amores y odios, nacida desde lo más hondo de la historia argentina.
El nuevo ambiente es el cabaret, su nuevo cultor la clase madia
porteña, que ameniza sus momentos de diversión con nuevas
composiciones, sustituyendo el carácter malevo del tango primitivo por una nueva poesía más acorde con las concepciones
estéticas provenientes de Londres y París.
Ya en la década del 20 el tango se anima incluso a traspasar
las fronteras del país, recalando en lujosos salones parisinos
donde es aclamado por públicos selectos que adhieren entusiastas a la sensualidad del nuevo baile. Ya no es privativo
de los bajos fondos porteños; ahora se escucha y se baila en
salones elegantes, clubs y casas particulares.
El tango revive con juveniles fuerzas en ajironadas versiones de
grupos rockeros, presentaciones en elegantes reductos de San
Telmo, Barracas y La Boca y películas foráneas que lo divulgan
por el mundo entero.
(disponível em: http://www.elpolvorin.over-blog.es.
Acesso em: 22 jun. 2011. Adaptado)
(Enem) Sabendo-se que a produção cultural de um país pode
influenciar, retratar ou, inclusive, ser reflexo de acontecimentos de sua história, o tango, dentro do contexto histórico argentino, é reconhecido por
A. manter-se inalterado ao longo de sua história no país.
B. influenciar os subúrbios, sem chegar a outras regiões.
C. sobreviver e se difundir, ultrapassando as fronteiras do país.
14
D. manifestar seu valor primitivo nas diferentes camadas sociais.
E. ignorar a influência de países europeus, como Inglaterra
e França.
Solução comentada
A opção “A” está errada porque informa que o tango, ao
longo de sua história, permaneceu sem alterações, enquanto o texto nos diz que o tango, ao longo do tempo, foi se
adaptando a novas situações e realidades sociais. A opção “B”
também está errada, pois afirma que o tango não chegou a
outros lugares além do subúrbio. Porém, observa-se que o texto afirma que o tango conquistou outros espaços, inclusive,
no exterior. A opção “C” está correta, pois afirma que o tango
sobreviveu e se difundiu chegando, inclusive, ao exterior podemos comprovar essa informação no terceiro parágrafo do
texto. A opção “D” está errada porque diz que o tango manifestou seu valor primitivo em diferentes camadas. Porém, o
texto, no segundo parágrafo, diz: “...sustituyendo el carácter
malevo del tango primitivo por una nueva poesía más acorde
con las concepciones estéticas provenientes de Londres y París”. A opção “E” também está errada, pois afirma que o tango ignorou a influência de países europeus. Essa informação
está em desacordo com o conteúdo do segundo parágrafo.
Portanto, a opção correta é a C.
Para aprender mais!
12.
“Hablando sobre el último partido del Boca el arquero
Cárceres dijo a un periodista tras el juego que no comprendió lo que pasó hoy en la cancha en la final del torneo clasura. En su opinión el equipo no ha jugado bien,
pero ha perdido.
(El Clarín, cuaderno de deportes.)
Após a leitura do fragmento posto acima, é possível
observar que
A. o goleiro Cárceres mostra grande conhecimento sobre o futebol e soube expressar seu ponto de vista
com muita coerência.
B. a postura do atleta revela uma total falta de visão
crítica, pois, apesar de fornecer explicações lógicas
para a derrota do time, não a aceita.
C. a declaração de Cárceres é incoerente, pois não há
relação de adversidade entre o fato de o time não
ter jogado bem e ter perdido; pelo contrário, seria
possível estabelecer uma relação de adição ou de
conclusão.
D. o jogador revelou que tem conhecimento de fatos
internos do clube que levaram a uma derrota inesperada e inexplicável.
E. há uma tentativa do repórter em conduzir a resposta
do jogador, pois, sendo ele o repórter ligado ao clube
adversário, deseja gerar uma crise interna no Boca.
14.
13.
De acordo com a tira, pode-se afirmar que
Pelo conteúdo da charge, percebe-se que a mulher
A. tem saudade da época em que o homem tinha bons
modos na presença dela.
B. não se sente à vontade na presença do marido.
C. gostaria de ser estranha como o marido.
D. pensa que ela e o marido são pessoas de fino trato social.
E. continua perdidamente apaixonada pelo marido.
A. há uma referência à flacidez corporal que vem com
a idade.
B. há uma crítica ao comportamento excessivamente
calmo dos adultos.
C. há uma comparação entre a infância e a fase adulta
no que diz respeito à postura diante da vida.
D. a personagem se mostra triste diante da calma de
alguns adultos.
E. a fase adulta é vista como sendo melhor que a juventude.
15.
La cumbia es una danza y ritmo con contenidos de
tres vertientes culturales distintas: indígena, negra y
blanca(española), siendo fruto del largo e intenso mestizaje entre estas culturas durante la conquista y colonia
de tierras americanas. La presencia de estos elementos
culturales se puede apreciar así:
- En la instrumentación están los tambores de claro origen africano, las maracas, el guache y los pitos (millo
y gaitas) de origen indígena, mientras que los cantos y
coplas son aporte de la poética española, aunque
- Las vestiduras tienen claros rasgos españoles: adaptadas desde luego.
Universidade Aberta do Nordeste
15
- Presencia de movimientos sensuales, marcadamente
galantes, seductores, características de los bailes de origen africano.
largas polleras, encajes, lentejuelas, candongas, etc. Y
los mismos tocados de flores y el maquillaje intenso en
las mujeres; camisa y pantalón blancos, un pañolón rojo
anudado al cuello y sombrero en los hombres.
cal e elipse)
2. Associação – A associação se dá pelo processo da
seleção lexical (seleção de palavras semanticamente
próximas).
3. Conexão – A conexão se dá pelo estabelecimento de
relações sintático-semânticas entre termos, orações e parágrafos. Essas relações se estabelecem por meio de preposições, conjunções, advérbios e respectivas locuções.
(El País, España)
A cultura e as tradições de um povo podem ser observadas, muitas vezes, por meio de sua música e de suas
danças. Um dos ritmos mais populares da Colômbia é
a cumbia. Sobre essa manifestação folclórica e popular,
pode-se afirmar que
A. a influência espanhola na formação da cumbia se
evidencia nos instrumentos musicais.
B. a presença de movimentos sensuais, marcadamente, galantes e sedutores, mostra a influência africana nessa dança colombiana.
C. a vestimenta usada na cumbia evidencia a influência
indígena nessa dança.
D. na formação da cumbia observamos apenas a influência das culturas espanhola e africana.
E. a cumbia é uma dança essencialmente americana,
pois não mostra nenhuma influência europeia.
A coesão textual
A função da coesão é a de promover a continuidade do
texto, a sequência interligada de suas partes, para que
não se perca o fio de unidade que garante a sua interpretabilidade.
O que se diz precisa ter sentido. Para que tenha sentido o que a gente diz, as palavras devem estar interligadas; os períodos, os parágrafos devem estar encadeados. A compreensão que se consegue ter do que o outro
diz resulta dessa relação múltipla que se estabelece em
cada segmento, em todos os seus níveis.
É importante, pois, ressaltar que a continuidade que
se instaura pela coesão é, fundamentalmente, uma continuidade de sentido, uma continuidade semântica, que se
expressa, no geral, pelas relações de reiteração, associação e conexão. Falemos um pouco sobre essas relações.
1. Reiteração – A reiteração se estabelece por meio
dos seguintes processos: repetição (paráfrase, paralelismo e repetição propriamente dita) e substituição (substituição gramatical, substituição lexi-
16
Questão comentada
Es posible reducir la basura
En México se producen más de 10 millones de metros cúbicos
de basura mensualmente, depositados en más de 50 mil tiraderos de basura legales y clandestinos, que afectan de manera
directa nuestra calidade de vida, pues nuestros recursos naturales son utilizados desproporcionalmente, como materias
primas que luego desechamos y tiramos convirtiéndolos en
materiales inútiles y focos de infección.
Todo aquello que compramos y consumimos tiene una relación directa con lo que tiramos. Consumiendo racionalmente,
evitando el derroche y usando sólo lo indispensable, directamente colaboramos con el cuidado del ambiente.
Si la basura se compone de varios desperdicios y si como desperdicios no fueron basura, si los separamos adecuadamente, podremos controlarlos y evitar posteriores problemas. Reciclar se traduce
en importantes ahorros de energía, ahorro de agua potable, ahorro de materias primas, menor impacto en los ecosistemas y sus
recursos naturales y ahorro de tiempo, dinero y esfuerzo.
Es necesario saber para empezar a actuar...
(Disponível em: http://www.tododecarton.com.
Acesso em: 27 abr. 2010. Adaptado.)
(Enem) A partir do que se afirma no último parágrafo:
“Es necesario saber para empezar a actuar...”, pode-se
constatar que o texto foi escrito com a intenção de
A. informar o leitor a respeito da importância da reciclagem para a conservação do meio ambiente.
B. indicar os cuidados que se deve ter para não consumir alimentos que podem ser focos de infecção.
C. denunciar o quanto o consumismo é nocivo, pois é
o gerador dos dejetos produzidos no México.
D. ensinar como economizar tempo, dinheiro e esforço
a partir dos 50 mil depósitos de lixo legalizados.
E. alertar a população mexicana para os perigos causados pelos consumidores de matéria-prima reciclável.
Solução comentada
O comando da questão localiza a situação-problema no último parágrafo do texto. Esse fato facilita a resolução da ques-
tão por parte do aluno, pois direciona a atenção do leitor
apenas para um determinado ponto do texto, porém não se
deve esquecer que todo texto é um conjunto. Isso significa
que, mesmo direcionando a atenção para o último parágrafo
na resolução da situação-problema, não se pode desprezar as
outras informações presentes no texto. A citação colocada no
comando da questão “Es necesario saber para empezar a actuar...” evidencia que a intenção do autor do texto é informar
o leitor a respeito da importância da reciclagem para a conservação do meio ambiente.
Para aprender mais!
16.
luego del encuentro realizado en México quedó bien claro que uno de los retos es detener lo más pronto posible
esta pandemia que nos afecta a millones de personas
confirmadas, sin que se tengan en realidad datos de los
millones quizás de portadores que aún no asumen la responsabilidad de hacerse la prueba y cuyo temor es comprensible. Doctor, sé que su información se convertirá
en una voz de esperanza para muchos de nosotros que
esperamos ansiosos ese día que espero no sea lejano. Estoy seguro que los desafíos a la ciencia no pueden ser en
vano y más cuando existen seres con mucha capacidad
e inteligencia para lograrlo. Un abrazo y muchas gracias
de nuevo por su dedicación a acompañarnos.
Je
Respuesta del dr. Natterstad
Querido Je
Tu pregunta es de lo más oportuna. Creo que el año
2010 señaló un momento decisivo para la búsqueda de
la erradicación(una cura) del VIH. Fue un año en el que la
discusión de una cura realmente previsible desempeña
un papel más importante que nunca en muchas conferencias y publicaciones científicas. De hecho apareció en
una revista médica en diciembre un informe de seguimiento que trata de un hombre (“el paciente de Berlín”)
que llevaría más de tres años curado.
Hay más buenas noticias: ! un grupo internacional de
investigadores se ha fijado una meta de encontrar una
cura en la próxima década!? Qué te parece esa voz de
esperanza?
Un abrazo fuerte,
Dr. Steve Natterstad.
A charge, posta acima, remete o leitor a um problema
que sempre afligiu o ser humano. Esse problema, nos
dias atuais, tem se mostrado uma constante na vida de
muitas pessoas que moram nas grandes cidades e têm
uma vida muito agitada. Estamos falando de um problema relacionado
A.
B.
C.
D.
E.
à saúde física do homem.
à situação financeira do homem.
a um estado de espírito do ser humano.
a uma questão política e social.
a uma questão religiosa.
17. O título de um texto procura antecipar para o leitor
o tema que será tratado pelo autor. Com base na
leitura do texto posto acima, o título mais adequado
para ele é
A.
B.
C.
D.
E.
Últimos avances para la cura del VIH.
Aumenta el número de casos de Sida en todo el mundo.
Se ha encontrado la cura para el VIH Sida.
Casos del VIH Sida en niños recién nacidos.
Disminuyen las muertes por el VIH Sida.
18. Após uma leitura do texto, deduz-se que
Texto para as questões 17 e 18.
Reciba un fraternal saludo y bendiciones por su magnífica labor. Quisiera saber que información a la fecha tiene
sobre una posible cura del VIH. Tengo entendido que
A. “...portadores que aún no asumen la responsabilidad de hacerse la prueba...” faz referência às
pessoas que possivelmente têm Aids, porém sem
confirmação.
Universidade Aberta do Nordeste
17
B. o dr. Natterstad, em sua resposta a Je, considerando
fatos como a cura do paciente de Berlim, argumenta
que em 2010 se encontrou uma solução definitiva
para a Aids.
C. na frase “lo más pronto posible”, a palavra “pronto” apresenta uma ideia de distância.
D. a palavra “lejano” pode ser substituída por “cercano” sem alterar a informação fornecida pelo texto.
E. as informações apresentadas no texto mataram todas as esperanças dos portadores do HIV.
19.
A leitura do fragmento posto acima, evidencia propostas do Movimento Modernista de 22. Com base nisso, o
fragmento a seguir que evidencia as propostas do Movimento Modernista de 22 é
A. “Torce, aprimora, alteia, lima/ A frase; e, enfim/ No
verso de ouro engasta a rima,/ Como um rubim.”
B. “Descrever o objeto é matar três quartos dele”
C. “Buscamos e defendemos a Arte pela Arte”
D. “Não rimarei a palavra sono/ com a incorrespondente palavra outono./ Rimarei com a palavra carne/ ou
qualquer outra, que todas me convêm.”
E. “Eu quero compor um soneto duro/ como poeta algum ousara escrever./ Eu quero pintar um soneto
escuro,/ seco, abafado, difícil de ler”
2.
Observando-se a tira, percebe-se que Gaturro
A. tem uma visão negativa sobre o aleitamento materno.
B. considera o leite materno um alimento de alta
qualidade.
C. pensa em fazer uma campanha para divulgar o leite
materno.
D. ao comparar o leite materno à gasolina, transmite
uma visão negativa sobre o aleitamento materno.
E. tem saudades de quando era um recém-nascido.
Ampliando conhecimentos para o Enem
1.
“Queremos libertar a poesia do presídio canoro das
fórmulas acadêmicas, dar elasticidade e amplitude aos
processos técnicos, para que a ideia se transubstancie,
sintética e livre (...). Nada de postiço, meloso, artificial,
arrevesado, preciso: queremos escrever com sangue,
que é humanidade com eletricidade, que é movimento,
expressão dinâmica do século; violência, que é energia
bandeirante.”
18
A origem do nome de um dos quadros mais importantes
do Modernismo brasileiro
O Abaporu é o mais importante quadro já produzido no
Brasil. Tarsila do Amaral pintou-o como presente de aniversário a Oswald de Andrade, seu marido na época. O
nome significa aba (homem) e poru ( antropófago).
O quadro inspirou Oswald de Andrade a escrever seu
Manifesto Antropofágico, berço de um movimento
que propunha a “deglutição” da cultura europeia, transformando-a em algo brasileiro.
Mas qual o significado do quadro? Difícil dizer, mas, na
opinião de certos críticos, o homem avantajado com a
cabeça pequena seria o brasileiro desmiolado. Quanto
aos pés e as mãos, enormes, era como Tarsila via nosso
povo (sofridos trabalhadores). O sol simboliza a penosa
rotina do homem do campo, dando duro debaixo de sol
inclemente. Ainda hoje, a polêmica obra tem avivado
acaloradas discussões.
(Contrim, Márcio. Revista Língua Portuguesa.
Ano, 5, nº 59, set. de 2010. Adaptado.)
A leitura do texto e a observação da imagem permitem
concluir que
A. o autor tece leve crítica a Tarsila por ter a artista produzido uma obra em que retrata o brasileiro como
um povo de “cabeça pequena”, ou seja, um povo
desmiolado.
B. é necessário decifrar o “Abaporu” para fazer parte
do patrimônio cultural nacional, em virtude, inclusive, do seu valor material.
C. o “Abaporu” foi criado e seus significados esclarecidos por Tarsila do Amaral, não havendo, portanto,
necessidade de qualquer outra interpretação.
D. o “Abaporu” foi representativo para a criação do
Movimento Antropofágico, inspirando Oswald
de Andrade na fundação dessa manifestação artística brasileira.
E. o “Abaporu”, além de ter inspirado Oswald de
Andrade na criação do Movimento Antropofágico, representa o início da fase social na pintura
de Tarsila do Amaral. Isso se dá pela forte crítica
social presente na tela ao fazer alusão ao sofrimento do trabalhador brasileiro.
3. A Semana de Arte Moderna, vista isoladamente,
não deveria merecer tanta atenção. Os jornais da
época, por exemplo, não lhe dedicaram mais do que
algumas poucas colunas, e a opinião pública ficou
distante. Seus participantes não tinham sequer um
projeto artístico comum; unia-os apenas o sentimento de liberdade de criação e o desejo de romper com
a cultura tradicional. Apesar disso, a Semana foi aos
poucos ganhando uma enorme importância histórica e rejeitando o chamado colonialismo mental, pregando uma maior fidelidade à realidade brasileira e
valorizando bastante o regionalismo. Os reflexos da
Semana fizeram-se sentir em todo o decorrer dos
anos 1920, atravessaram a década de 1930 e, de
alguma forma, têm relação com a arte que se faz
hoje. Com isso, pode-se dizer que
A. o romance regional assumiu características de exaltação, retratando os aspectos românticos da vida
sertaneja.
B. a escultura e a pintura tiveram seu apogeu com a
valorização dos modelos clássicos.
C. o movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os
temas nacionais e reinterpretando nossa realidade.
D. os modelos arquitetônicos do período buscaram sua
inspiração na tradição do barroco português.
E. a preocupação dominante dos autores foi retratar
os males da colonização.
4. Em 1924, Oswald de Andrade lançou o Manifesto
da Poesia Pau-Brasil, dando início ao movimento
Pau-Brasil, que, a exemplo do nosso primeiro produto de exportação, o pau-brasil, defendia a criação
de uma poesia brasileira de exportação. Demonstrando irreverência e revolta contra a cultura acadêmica e a dominação cultural europeia em nosso
país, o movimento propunha
A. uma poesia primitivista, construída com base na revisão crítica de nosso passado histórico e cultural e
na aceitação e valorização dos contrastes da realidade e da cultura brasileiras.
B. a defesa do nacionalismo ufanista com evidente
inclinação para o nazifascismo e um forte viés de
xenofobia pregando a rejeição de toda e qualquer
influência estrangeira.
C. que, assim como os índios primitivos devoravam seu
inimigo, acreditando que, desse modo, assimilariam
suas qualidades, se fizesse a “devoração simbólica”
da cultura estrangeira, aproveitando suas inovações
artísticas, porém sem perder a identidade nacional.
D. uma poesia brasileira com forte traço xenófobo que
buscasse a irreverência e a revolta contra a cultura
acadêmica e a dominação cultural europeia no Brasil.
E. uma poesia nacionalista que denunciasse as contradições sociais presentes no País e que, apesar de
buscar o novo, defendesse todos os padrões acadêmicos usados na literatura até então.
5.
Tentativa
Andei pelo mundo no meio dos homens!
uns compravam joias, uns compravam pão.
Não houve mercado nem mercadoria
que seduzisse a minha vaga mão.
Calado, Calado, me diga, Calado
por onde se encontra minha sedução.
Alguns, sorriram, muitos, soluçaram,
Uns, porque tiveram, outros porque não.
Calado, Calado, eu, que não quis nada,
por que ando com pena no meu coração?
(Cecília Meireles. Obra poética.
Rio de Janeiro, 1978. Fragmento.)
No fragmento posto acima, observa-se o envolvimento
Universidade Aberta do Nordeste
19
pessoal do emissor, que comunica sentimentos, emoções,
inquietações, avaliações e opiniões centradas na expressão de “eu”, de seu mundo interior. Essas características
citadas mostram que no fragmento predomina a função
A. conativa.
C. referencial.
E.poética.
B.
D.
expressiva.
fática.
6. Linguagem inata
Se você é uma daquelas pessoas que odeiam estudar gramática, talvez se sinta mais confortável em saber que você
já “nasceu sabendo”. É o que sugere um estudo de Marie
Coppola e Elissa Newport, especialistas em ciências cognitivas da Universidade de Rochester, em Nova York. Um experimento com um grupo de surdos da Nicarágua indica que
a língua de sinais que utilizam, aprendida em casa e sem
uma educação formal, incorpora o conceito gramatical de
sujeito da oração, presente em todas as línguas humanas
conhecidas. Tal fato parece confirmar uma tese de que
o linguista americano Noam Chomsky defende desde os
anos 50: a de que a gramática é inata ao homem, em vez
de adquirida pelo aprendizado. Para Chomsky, a rapidez
com que uma criança aprende uma língua se deve a uma
disposição inata para o domínio da gramática.
(Superinteressante, São Paulo, mar. 2006)
Observando o conteúdo do texto posto acima, percebe-se que a função da linguagem predominante é a referencial. Isso decorre do fato
A. de a intenção essencial do emissor do texto se transmitir informações sobre o referente limitando as interferências pessoais ao mínimo.
B. da intenção do emissor em testar o canal de comunicação.
C. de a ênfase recair sobre a construção do texto, a
seleção e a disposição das palavras.
D. de o destaque recair no receptor a quem se deseja
persuadir através da mensagem do texto.
E. de a ênfase ser dada ao papel do emissor, observando-se o envolvimento pessoal dele que comunica
seus sentimentos usando verbos e pronomes em 1ª
pessoa do singular.
7.
Lembrem de mim
Como de um
20
Que ouvia a chuva
Como quem assiste missa
Como quem hesita, mestiça,
Entre a pressa e a preguiça.
(Paulo Leminski. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1983)
No fragmento posto acima, observa-se que a ênfase recai
sobre a construção do texto, a seleção e a disposição das
palavras. Isso evidencia que a função predominante é a
A. metalinguística.
C. conativa.
E.poética.
B.
D.
fática.
referencial.
8.
PELA CULATRA
“Perdi meu amor na balada”:
campanha viral é alvo de processos
No início do mês, começou a circular na internet um vídeo que mostra um rapaz pedindo ajuda para encontrar
uma garota que tinha conhecido em uma casa noturna
de São Paulo. No entanto, a peça fazia parte de uma
campanha da Nokia para divulgação de novo celular, o
que se descobriu em vídeos divulgados posteriormente. O Procon-SP e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) já abriram processos para
investigar se houve violação das regras de publicidade e
do Código de Defesa do Consumidor.
Chamado de “Perdi meu amor na balada”, o vídeo gerou alguma comoção nas redes sociais. A representação
contra a Nokia no Conar foi motivada por denúncias de
consumidores que se sentiram enganados. Para o Procon-SP, a publicidade deve ser veiculada de forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal. A
Nokia ainda não se pronunciou sobre o caso e a agência
Na jaca, responsável pela peça, afirmou por meio da sua
assessoria de imprensa que não irá manifestar-se.
Disponível em: http://www.istoe.com.br/assunto/semana/historico/paginar/2.
Acesso em: 25 de julho de 2012.
Tendo em vista que um texto é um todo harmônico, para
entender qualquer uma de suas passagens, é necessário confrontá-la com as demais partes que o compõem.
No texto lido, qual o fragmento que explica a expressão
“PELA CULATRA”?
A. “No início do mês, começou a circular na internet
um vídeo que mostra um rapaz pedindo ajuda para
encontrar uma garota que tinha conhecido em uma
casa noturna de São Paulo.”
B. “O Procon-SP e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) já abriram processos
para investigar se houve violação das regras de publicidade e do Código de Defesa do Consumidor.”
C. “A representação contra a Nokia no Conar foi motivada por denúncias de consumidores que se sentiram enganados.”
D. “Para o Procon-SP, a publicidade deve ser veiculada
de forma que o consumidor, fácil e imediatamente,
a identifique como tal.”
E. “A Nokia ainda não se pronunciou sobre o caso e a
agência Na jaca, responsável pela peça, afirmou por
meio da sua assessoria de imprensa que não irá se
manifestar.”
D. sugerir o consumo de sucos naturais.
E. condenar o consumo excessivo de produtos com corantes artificiais.
Texto para as questões 9 e 10.
11.
10.Temos no texto da propaganda “...Fanta: refresca,
alegra, sabe tan bien...” ao dizer que fanta “sabe
tan bien”, o emissor do texto informa ao receptor
que o refrigerante anunciado
A.
B.
C.
D.
E.
tem sabor estranho.
tem vários sabores.
sabe como agradar o consumidor.
tem sabor agradável.
tem gosto de fruta.
“Para hacer un análisis del poder que no sea económico, de qué disponemos actualmente? Creo que de muy
poco. Disponemos, en primer lugar, de que tanto la
apropiación como el poder no se dan, no se cambia, ni
se retoman sino que se ejercen, no existen más que en
acto. Disponemos además de esta otra afirmación, que
el poder no es principalmente mantenimiento ni reproducción de las relaciones económicas sino ante todo una
relación de fuerza. La pregunta consistiría pues ahora
en saber: si el poder se ejerce, qué es este ejercicio?,
en qué consiste?, cuál es su funcionamiento? Hay una
respuesta imediata que me parece proviene de muchos
análisis actuales: el poder es esencialmente lo que reprime. El poder reprime la naturaleza, los instintos, a una
classe, a los individuos. Aun cuando se encuentra en el
discurso actual esta definición del poder, una y otra vez
repetida, como algo que reprime, no es el discurso contemporáneo quien la ha inventado, ya lo había dicho
Hegel, Freud y Marcuse. En cualquier caso, ser órgano
de represión es en el vocabulario actual el calificativo casi
onírico del poder. No debe pues el análisis del poder ser
en primer lugar y esencialmente el análisis de los mecanismos de represión?
(Microfísica del poder, Michel Foucault)
De acordo com o texto, pode-se inferir que
9. O texto posto acima tem como objetivo principal
A. induzir o público-alvo a consumir o produto divulgado.
B. alertar sobre os riscos de consumir produtos industrializados.
C. divulgar um refrigerante dietético.
A. a condição onírica do poder é algo que já havia sido
dito por Hegel, Freud e Marcuse.
B. para se fazer uma análise do poder econômico, dispomos atualmente de muito pouco.
C. a natureza, os instintos, uma classe e indivíduos são
reprimidos pelo poder.
D. o poder é uma relação de força e sua análise nunca
Universidade Aberta do Nordeste
21
deve ser primeiramente a análise dos mecanismos de
repressão.
E. não há uma relação entre poder e repressão.
B.
C.
D.
E.
os subsídios para manter a indústria cultural.
o refúgio na leitura para compensar o desânimo.
a ajuda de mecenas para o apoio às artes.
o impulso à produção de cultura exportável.
Texto para as questões 12 a 14.
La excepción cultural latinoamericana
El rechinar de dientes del otoño europeo tiene su contrapeso en la tímida primavera que llega a esos países que
llaman emergentes. Y lo que vale para el clima vale para
la cultura. Mientras la crisis del Viejo Continente obliga
a Gobiernos a mandar su cuota de prestigio cultural al
aparcamiento de los presupuestos, Latinoamérica quiere
colocarla en la vía rápida de las autopistas, incluídas las
que le quedan por construir.
14. No segundo parágrafo, o autor expõe que a cultura
deve
A.
B.
C.
D.
E.
deslocar-se para a América Latina.
revoltar-se contra os políticos.
inspirar-se nos países comunistas.
distanciar-se da submissão à economia.
submeter-se aos interesses dos europeus.
Texto para as questões 15 e 16.
En medio de una crisis de la América Latina parece estar
a salvo, la constante invocación a la cultura tiene que ser
también una forma de exorcizar el fantasma del control
económico.
Como explica el politólogo brasileño Emir Sader, impulsor del Foro Social de Porto Alegre, “a mayor desarrollo
económico, mayores condiciones para el desarrollo en
la producción cultural; sin embargo, esta última no se
explica por el mayor o menor nivel de desarrollo económico.” Y recurre al ejemplo de la literatura contemporánea: “Difícilmente podría decirse que la producción
más significativa proviene de los países del centro del
capitalismo; y cuando lo hace, es de la mano de autores
cuyas raíces se hunden en la periferia. Basta pensar en
las antiguas colonias en el caso del inglés o en la literatura latino-americana del siglo XX en el caso del español”.
No es, pues, extraño que las migraciones sean otro de
los ejes de un congreso en el que todo es cultura.
(MARCOS, J. R. La excepción cultural latino-americana.
Dispinible en: http//:www.elpaís.es. Aceso en 10 jun. 2012)
12.As expressões “rechinar de dientes del otoño europeo” y “tímida primavera” da primeira oração do
primeiro parágrafo, carregam
A.
B.
C.
D.
E.
uma significação idêntica.
um conteúdo metafórico.
ideias inverossímeis.
preconceitos sobre a Europa.
pressupostos econômicos.
13. No início do texto, assinala-se que a crise que afeta
a Europa justifica, nesse continente,
A. a redução do orçamento destinado à cultura.
22
15.Observando o conteúdo da tira, percebemos que a
postura de Felipe em relação à cultura
A.
B.
C.
D.
E.
é elogiada por todos os seus amigos.
é criticada por todos os seus amigos.
não é compartilhada por seus amigos.
fere a ética e a moral.
representa uma visão plenamente factível.
16. No balão do primeiro quadrinho, observamos que o
comentário feito por Mafalda estabelece uma
A.
B.
C.
D.
E.
violenta crítica.
interrogação filosófica.
dúvida existencial.
explicação ambígua.
ressalva ao elogio.
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ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2008.
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Literatura brasileira: ensino médio. 3. ed. São Paulo:
Atual, 2005.
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JOUVE, Vincent. A leitura. Tradução de: Brigitte Hervor..
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KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da
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MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de
gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola editorial,
2008.
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