NÍVEIS DE POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA EM GOIÁS
Antônio Pasqualetto
Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM
Mestre e Doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa, UFV
Professor na Universidade Católica de Goiás - UCG e Centro Federal de
Educação Tecnológica- CEFET-GO
Rua 16, Quadra 17, Lote14, Número 108
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Goiânia, GO, Brasil
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2
NÍVEIS DE POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA EM GOIÁS**
ANTÔNIO PASQUALETTO*
RESUMO
Objetivou-se estabelecer uma comparação entre os níveis de particulados em
suspensão no ar de Goiânia (terminal Izidória) e Anápolis (Distrito Agroindustrial
de Anápolis-DAIA) no período de estação seca compreendido entre os meses de
maio até outubro nos anos de 1999 e 2000. Os dados obtidos junto a Agência
Goiana de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Agência Ambiental) que
mantém equipamentos para avaliar a qualidade do ar nestes locais. Os resultados
demonstraram e denunciam que há poluentes em níveis elevados em ambos os
locais e por dois anos consecutivos.
Palavras-chave: ar, poluentes, Goiás.
ABSTRACT
In order to achieve a comparision between two levels of suspended particulate
material in Goiânia (Terminal Izidória) and Anápolis (Agroindustrial District of
Anápolis - DAIA) air during the drought season, from may to october of the years
1999 and 2000. All data were obtained from enviromental Agency of Goiás, whose
mantain several equipments to measure the air quality in these sites. The results
shows and denounce that there is polluants in levels elevated in both locations
and for two consecutive years.
Key-words: air, polluants, Goiás
_________________________
* Prof. Dr. do Departamento de Engenharia da Universidade Católica de Goiás
** Co-autoria com Bruna craveiro de Sá e Mendonça, Fernanda Queiroz Tristão, Helaine de Mota
Resplandes e Mirele Maria Barbosa Ferrreira, acadêmicas de Engenharia Ambiental na
Universidade Católica de Goiás
3
1 INTRODUÇÃO
Goiânia foi criada para ser uma cidade administrativa. No seu planejamento
não foi levado em conta a possibilidade de um crescimento tão rápido. Com
apenas 68 anos de idade, atingiu níveis de metrópole, contando, atualmente, com
mais de 1 milhão de habitantes.
Em sua volta, o cinturão de cidades satélites aumentam o fluxo de veículos
para transporte dos trabalhadores até a capital e em muitos casos, são pólos para
instalação
de
conglomerados
industriais,
a
exemplo
de
Anápolis,
desencadeamento o lançamento crescente de poluentes atmosféricos.
A estação do ano sem chuvas e o agravante das queimadas e incêndios,
associado a movimentação de massas de ar que provocam ventos fortes neste
período, acabam por contribuir para manter em suspensão grande quantidade de
material particulado, alterando a qualidade de vida da população e derivando
conseqüências alérgicas e respiratórias ao organismo humano.
A dificuldade de associar o crescimento destes centros urbanos com
planejamento que permita o desenvolvimento sustentável tem sido o principal
obstáculo dos administradores. Apesar disto, Avanços vem ocorrendo em defesa
do meio ambiente. A estação de tratamento de esgoto de Goiânia está sendo
implantada. O lixo tem destino no aterro sanitário, embora com vida útil não
superior a dez anos. A poluição hídrica começa a ser monitorada, especialmente
no rio Meia Ponte, principal manancial de abastecimento de água para Goiânia. A
poluição atmosférica é observada em pontos de coleta de dados. Esta, embora
sem a ênfase atribuída aos demais tipos de poluição, tem despertado a atenção
dos órgãos fiscalizadores, destacando-se a Agência Goiana de Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais (Agência Ambiental).
Este órgão vem fazendo desde o ano de 1999 o monitoramento da
qualidade do ar em Goiânia e Anápolis, fornecendo valiosas informações a
respeito do ar que respiramos.
O objetivo da pesquisa é confrontar os dados obtidos, analisando os
índices de poluição atmosférica nos pontos de coleta do terminal Izidoria em
Goiânia e no Distrito Agroindustrial de Anápolis – DAIA, nos anos de 1999 e
2000.
4
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 O Ar
Segundo Gomes (1998, p.3), o ar é recurso mais indispensável que
usamos. Uma pessoa de estatura média necessita, aproximadamente, de 15 kg
de ar por dia, para cobrir uma superfície de contato alveolar aproximada de 70 m².
O recurso atmosférico possui as mais diversas utilizações: como o uso
metabólico pelos seres vivos, comunicação, transporte, combustão, processos
industriais, benefícios advindos dos fenômenos naturais e meteorológicos e a
utilização do ar como receptor e transportador de resíduos da atividade humana.
Contudo, o uso básico do ar é manter a vida. Todos os outros usos devem
sujeitar-se à manutenção de uma qualidade de ar que não degradará a saúde ou
o bem estar do ser humano.
Gomes (1997) acredita que a atmosfera com sua composição atual (tabela
1) 7tenha surgido há aproximadamente 1 bilhão de anos.
Tabela 1. Composição de gases na atmosfera terrestre.
Componentes Gasosos
Nitrogênio
Oxigênio
Argônio
Dióxido de carbono
Neônio
Hélio
Metano
Criptônio
Óxido nitroso
Hidrogênio
Xenônio
Fonte: Gomes (1998)
Composição Volumétrica
(ppm)
780.900
209.500
9.300
300
18
5,2
2,2
1
1
0,5
0,08
Composição em peso
(ppm)
755.100
231.500
12.800
460
12,5
0,72
1,2
2,9
1,5
0,03
0,36
2.2 Os Principais Poluentes Atmosféricos
A poluição atmosférica pode ser definida como a presença na atmosfera de
substâncias causadoras de danos materiais ou prejudiciais à saúde, ou ainda que
interfiram no gozo normal da vida e da propriedade. Estas concentrações de
poluentes resultam da interação dinâmica de emissões contaminadoras e
transformações atmosféricas.
Sob o ponto de vista da poluição internacional, deve -se registrar a
privilegiada posição geográfica do Brasil, situado no hemisfério sul, que é menos
5
densamente povoado e poluído que o norte, protegido por grandes barreiras
naturais, como a Cordilheira dos Andes, a oeste, o Oceano Atlântico, a leste e a
fabulosa floresta amazônica, com o sistema Parima-Guiano, ao norte. Resta
somente a abertura de nossas costas para o sul especialmente a Antártida, como
ameaça potencial exterior ao meio ambiente (Coelho, 1977).
Se considerada a poluição natural provocada por agentes orgânicos (pólen,
esporos resíduos vegetais e animais), ou minerais (fumos e vapores expelidos
pelos vulcões e gêiseres, poeiras levantadas pelos ventos nos desertos e outras
regiões da Terra, e escórias de rochas lançadas ao ar pelas erupções vulcânicas),
ou biológicos (bactérias, vírus expelidos pelas secreções dos seres vivos),
seremos obrigados a admitir que a poluição natural do ar existe desde a aurora
dos tempos. No entanto, não parece que a poluição natural, até agora tenha
afetado seriamente a biosfera terrestre (Honkis, 1977).
De acordo com este mesmo pesquisador, os poluentes naturais são
lançados em teores e em velocidades relativamente baixas, ou, pelo menos,
suficientemente baixos para permitir sua gradual e praticamente inofensiva
absorção pela atmosfera. O mesmo não se pode dizer da poluição artificial,
provocada pelo homem e que reconhece como causas agentes orgânicos
(produtos químicos voláteis expelidos pelas fumaças e vapores das indústrias),
minerais (vapores e fumos nitrosos, sulfurosos, iodo, cloro, difundidos pelas
indústrias, e o monóxido de carbono saído dos canos de exaustão dos veículos a
motor de combustão interna) e os agentes radioativos (subprodutos da usinas
atômicas e resultantes das explosões dos engenhos nucleares).
Coelho (1977) classificou os principais poluentes do ar em:
Natureza física:
1- Aerosóis (partículas sólidas e líquidas com dimensões de 0,05 a 20 micros,
mas que podem atingir 20 micros, limite de resolução dos microscópios
eletrônicos atuais);
2- Gases e vapores;
Natureza química:
1- Compostos sulfurados: SO2 , H2SO4, H2S, sulfetos e sulfatos- mercaptans*.
2- Halogênios: Cl2, cloretos e fluoretos, ácidos clorídricos e fluorídricos.
3- Oxidantes e compostos oxigenados: O3, NO, NO2, NH3.
6
4- Compostos carbonados: C, CO, CO2, aldeídos, cetonas, ácidos orgânicos,
hidrocarbonetos
(alifáticos,
aromáticos,
saturados,
não
saturados,
policíclicos).
5- Metais tóxicos: Se, Te, Be, As, Sb, Mn, Mo, Si.
6- Metais pesados: Cu, Pb, Zn, Cd, Fe.
7- Substâncias radioativas: C-14 (liberação de nêutrons nas explosões
nucleares), Sr-90, I-131, Cs-137, Ba-140 (produtos de fissão das explosões
nucleares), Pu-239, radioisótopos naturais.
*Poluentes que podem acarretar, desde chuvas mais ácidas (sulfatos), à elevação
do chumbo diluído em áreas urbanas e até comprometimentos da saúde humana,
animal e vegetal, devido, freqüentemente, à ação sinérgica de dois ou mais
poluentes
2.3 Os Efeitos à Saude Humana
Carvão (fuligem) e o SO2 (poluição primária): atmosfera ácida e redutora;
doenças respiratórias; redução da função pulmonar; irritação dos sentidos.
Gases de motor a explosão (CO, O3, NO, NO2); complexos orgânicos, SO2:
irritação dos olhos; asma; efizema pulmonar; formação da carboxihemoglobina
(CO-Hb) que reduz oxigenação celular afetando portadores de deficiências cardiorespiratórias. Na vegetação, provocam redução das colheitas.
Agentes específicos: pó de mamona, asbesto – sufocação, asbestose,
câncer pulmonar.
Berílio: beriliose (intoxicação que compromete os pulmões, peles, tecidos
subcutâneos , fígado, nodos linfáticos e outras estruturas anatômicas).
Fumo (auto-poluição) – efizema pulmonar; doenças cardiovasculares;
câncer do pulmão.
As indústrias constituem um sistema químico complexo e por isso a sua
avaliação é mais efetiva quando estudada em base individual.
1- Indústrias metalúrgicas: pó (berílio e plutônio)
2- Indústrias químicas: inúmeros poluentes
3- Indústrias de fertilizantes: P
4- Indústrias de ácido sulfúrico: SO2 e SO3
7
5- Indústrias de papel: sulfetos de hidrogênio, mercaptans e material
particulado
6- Indústrias de sebos, farinha de osso: odores
7- Indústrias de minerais não metálicos: pó
8- Indústrias de materiais elétrico: Pb, H2SO4
9- Fontes não industriais: queima de lixo, combustíveis, queimadas.
3 METODOLOGIA
3.1 Local e período de amostragem
Foram instaladas as seguintes estações de amostragem, monitorada pela
Agência Ambiental de Goiás no ano da 1999 e 2000.
Estação de amostragem do Distrito Agroindustrial de Anápolis, GO - DAIA
Estação de amostragem do Terminal Izidória, Setor Pedro Ludovico, Goiânia, GO.
Em 1999, as amostras ocorreram de 12 de agosto até 20 de outubro. Já no
ano de 2000, foram coletadas entre 12 de agosto a 25 de setembro.
3.2 Método de coleta
Embora a legislação estabeleça outros métodos de coleta, a Agência Goiana
de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais optou pelo método de Determinação
de partículas em suspensão na atmosfera (Amostrador de Grandes Volumes- HiVol).
De acordo com Relatório das atividades de monitoramento da qualidade do ar
(Agência Goiana de Meio Ambiente e Recursos Naturais, 1999) o princípio do
método é o seguinte: O ar é succionado para um abrigo onde passa através de
um filtro a uma vazão de 1,13 a 1,70m³ por minuto que faz com que as partículas
em suspensão com diâmetro menor que 100 micros (STOKES) atinjam o filtro.
Em filtros de fibra de vidro são coletados partículas com diâmetro entre 100 e
0,1micros.
A concentração de partículas em suspensão é expressa em micrograma
por metro cúbico (µg/m³); seu cálculo é feito determinando a massa do material
coletado e o volume de ar amostrado.
8
Em condições desfavoráveis o erro na determinação pode ser maior que
50% do valor real, dependendo da queda na vazão e variação da concentração
com o tempo de 24 horas, e repetibilidade a 3%. Material particulado oleoso e
neblina densa ou alta (chuvas) são interferências que reduzem severa e
bruscamente o fluxo de ar no filtro, fazendo com que a leitura e os resultados
sejam nulos e desprezados, em decorrência da confiabilidade
3.3 Padrões de qualidade do ar
Os padrões de qualidade do ar são estabelecidos pela resolução do
CONAMA 03/90 e Lei 8.544/78 do Estado de Goiás. A legislação estadual define
no artigo 33 os padrões de qualidade do ar: Concentração média anual: 40µg/ m³;
Concentração máxima diária: 120µg/m³.
As normas brasileiras estabelecem
para o tempo de amostragem de 24h: 240µg/m³ - Padrão primário; 150µg/m³Padrão secundário.
3.4 Análise dos dados
Os dados coletados e disponibilizados em forma de relatórios pela Agência
Goiana de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais foram submetidos a análise
estatística no Departamento de Engenharia da Universidade Católica de Goiás,
para verificação das variações referentes à concentração de material particulado
nos diferentes locais, no período da estação seca, nos anos de 1999 e 2000.
Levou-se em consideração todas os dados coletados em cada ano,
constituindo um conjunto unitário de informações que foram confrontadas entre os
locais de amostragem: terminal Izidoria e DAIA para o ano respectivo. Procedeuse a análise de variância e as médias foram comparadas pelo teste F, a nível de
5% de probabilidade.
Foram obtidos valores de precipitação pluviométrica, velocidade de ventos
(Estação Meteorológica da EA/UFG) e focos de calor no estado de Goiás
(IBAMA), os quais auxiliam no esclarecimento dos dados coletados. A dificuldade
de obtenção destas informações para ambos os locais nos fizeram optar pelas
disponíveis, as quais indicam a tendência de comportamento ambiental do
período estudado.
9
4 RESULTADOS OBTIDOS
Na tabela 2 são apresentados os dados originais das amostragens de
material particulado presente no ar nos locais avaliados.
Tabela 2. Concentrações de material particulado no ar (ug/m3) de acordo com o
período de amostragem para Goiânia e Anápolis
Ano
Local
Terminal Izidória
1999
DAIA
Terminal Izidória
2000
DAIA
Data
12/08
18/08
25/08
01/09
16/09
23/09
06/10
14/10
19/10
20/10
18/08
26/08
01/09
08/09
13/09
16/09
19/09
20/09
28/09
12/07
24/07
03/08
08/08
14/08
15/08
23/08
28/08
31/08
05/09
12/09
25/09
12/07
24/07
03/08
08/08
14/08
15/08
23/08
28/08
31/08
05/09
12/09
25/09
Nível de Poluição (µg/m³)
49
734
581
495
28
604
703
630
632
565
1173
146
606
231
163
562
623
577
782
278''
265''
190''
169
173
181
147
149
137
142
84
86
89
189
61
-
“ Período de calibragem do equipamento.
Amostragem não realizada devido ao corte de energia, problemas técnicos/operacionais.
Fonte: Agência Goiana de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (1999/2000)
10
Nas tabelas 3 e 4 são apresentados os resultados de quadrados médios
obtidos através da análise de variância dos dados.
Tabela 3. Quadrados médios do nível de material particulado no ar -1999
Fonte de Variação
Grau de Liberdade
Quadrado Médio
n.s
Local
1
6924,2580
Resíduo
17
84897,2300
Total
18
n.s
não signifcativo à 5% de probabilidade pelo teste F.
Tabela 4. Quadrados médios do nível de material particulado no ar - 2000.
Fonte de Variação
Grau de Liberdade
Local
1
Resíduo
13
Total
14
*
signifcativo à 5% de probabilidade pelo teste F.
Quadrado Médio
22032,3000*
2488,1300
No ano de 1999 apesar dos elevados valores obtidos, não foram
verificadas diferenças estatísticas entre os locais amostrados.
Diferentemente
ocorreu no não de 2000 onde foi possível perceber significância entre os níveis de
material particulado presente na atmosfera entre locais. Estas informações
permitem a identificação de qual apresentou maiores problemas de poluição
atmosférica. Na tabela 4 e Figura 1 constam as médias, desvio padrão e
coeficiente de variação do experimento que melhor elucidam o ocorrido.
Tabela 4. Média de concentração de material particulado no ar: Terminal Izidória
(Goiânia) e DAIA (Anápolis) 1999 e 2000.
Local
Nível de Poluição
(Material Particulado no ar)
(ug/m³)
1999
2000
Terminal Izidória
502,10 a
183,10 a
DAIA
540,33 a
101,80 b
Média
520,21
156,00
Desvio Padrão
283,84
62,32
Coeficiente de Variação (%)
56,01
31,98
* Médias seguidas de letras iguais no mesmo ano não diferem estatisticamente a nível de 5% de
probabilidade pelo Teste F.
1999 foi um ano com elevada concentração de material particulado na
atmosfera tanto em Goiânia (502,1µg/m³) como em Anápolis (504,33µg/m³), onde
os níveis de poluentes demonstraram-se exageradamente superiores ao padrão
11
legal (240µg/m³) representando quase o dobro do permitido. Os perigos à saúde
humana foram iminentes durante todo o período da estação seca. Mas que
motivos podem justificar tais parâmetros.
Material Particulado ( u g/m3)
Terminal
Izidória
DAIA
240u g/m3
1999
2000
Figura 1 - Concentração de Material Particulado no Ar Amostrado no Terminal Izidória (Goiânia) e no Distrito
Agroindustrial de Anápolis - DAIA noa anos de 1999 e 2000
A partir do diagnóstico de precipitações, queimadas ocorridos na estação
seca tem-se um indicativo para discutir os resultados (Tabela 5, 6). A velocidade
dos ventos também não pode ser desconsiderada.
De acordo com os dados do ano 2000, Goiânia obteve uma concentração
média de material particulado no ar de 183,10 µg/m³, aproximadamente 76,30%
do padrão estabelecido em lei, que é de 240 µg/m³. Quando comparado com os
dados obtidos no DAIA, apresentou média estatisticamente superior com
percentual relativo de 79,86%.
Estranha-se que o DAIA por ser pólo industrial apresente não apenas
menor concentração de poluentes atmosféricos, mas também em proporção muito
inferior, demonstrada estatisticamente. Alguns aspectos devem ser considerados
12
para os locais amostrados, os primeiros de ordem climática: ventos, descritos
para as ocasiões que se fizeram necessárias e precipitações pluviométricas
(tabela 5), o primeiro por manter em suspensão os particulados e o segundo por
reduzir bruscamente a concentração dos mesmos na atmosfera. De outro modo
fatores dependentes do ser humano como ocorrência incêncios, queimadas e
estabelecimento de controle da emissão de poluentes também são importantes.
Tabela 5. Precipitações pluviométricas (mm) ocorridas em 1999 e 2000 na
Estação Climatológica da Universidade Federal de Goiás.
Dia
mai
Jun
Mês/1999
jul
Ago set
6,0
Dia
out
mai
Jun
Mês/2000
jul
Ago
set
out
1
1
11,8
2
2
9,8
3
3
5,8
4
6,0
4
5
3,8
5
6
6
5,4
7
7
12,0
8
4,4
8
3,5
9
9
0,3
10
9,9
14,6
10
0,3
11 55,6
11
12
26,4
12
13
13
1,5
14
14
1,5
15
1,5
15
16
1,0
16
6,6
17
7,0
17
18
18
0,7
19
0,3
19
20
10,0
20
21
1,0 21,0
21
22
4,3
2,4
22
23
3,5
23
24
24
33,0
25
0,5
25
16,0
26
26
27
71,0
27
2,0
28
28
2,0
29
22,0
29
26,0
17,8
30
30
12,2
31
31
8,7
Dias não preenchidos indicam não ocorrência de precipitação pluviométrica.
Fonte: Estação Meteorológica da Escola de Agronomia - Universidade Federal de Goiás
De acordo com Agência Goiana de Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais (2000) na amostragem do dia 23 de agosto de 2000, na 6ª avaliação do
mês (tabela1) a maior concentração de material particulado em suspensão
13
(181µg/m³) foi atribuída ao ventos antecedentes. Nos dias 17 e 18 os ventos
denotaram velocidades de 4,2 e 3,0 km/h, acima da média mensal que foi de
2,7km/h (dados da estação climatológica da EA – UFG).
Na cidade de Anápolis, observou-se uma concentração média de material
particulado de 101,08 µ/m³ aproximadamente 42,42% do padrão legal (240µg/m³)
e bem inferior ao obtido no Terminal Izidoria em Goiânia. Apesar da amostragem
realizada no dia 28 de agosto de 2000 (5ª avaliação do mês) ter atingido um ponto
máximo de 189 µg/m³ de material particulado no ar, devido a influência de ventos
ocorrentes na região (6,7 km/h) causando assim interferência no acúmulo de
poluentes, os demais demonstraram a tendência de valores em torno de 80µg/m³
(tabela 1), portanto inferior aos dados coletados em Goiânia. No final de agosto e
início de setembro houveram precipitações que permitiram a diminuição dos
particulados em suspensão de tal forma que a avaliação realizada em setembro
de 2000 indicou redução na concentração de poluentes.
Os resultados revelam que a qualidade do ar é influenciadas por fatores
climáticos e ambientais ocorrentes e eventuais, além da emissão de poluentes por
veículos e indústrias.
A redução brusca das médias gerais de poluição em ambos os locais
parece Ter associação com maior ocorrência de precipitações pluviométricas no
ano de 2000 e conscientização estabelecida por meio de propagandas, cursos e
visitas in loco de representantes do IBAMA e Agência Ambiental, bem como a
ação de contenção de focos de incêndio e queimadas pelo corpo de bombeiros.
De acordo com IBAMA (2000) houve redução no número de focos de calor
identificados pelo satélite NOA-12 do ano de 1999 para o ano de 2000 de 19,5%.
Se considerados os meses do período da estação seca esta foi de 16% (tabela 6).
Conforme Avelino (2001) isto se deve a intensos trabalhos de conscientização
realizados pelo IBAMA/PREVFOGO/PROARCO por meio de cursos, palestras,
campanhas publicitárias estabelecidas especialmente a partir de 1998.
Em
cooperação, a Agência Ambiental intensificou as propagandas e o Ministério
Público está atento aos crimes ambientais. Estes resultados favorecem a
qualidade do ar que respiramos em função de que diminui a concentração de
partículas em suspensão.
14
Tabela 6. Ocorrência de focos de calor registrados pelo satélite NOA-12 na
estação seca dos anos de 1999 e 2000.
Ano
Mai
jun
Focos de calor/mês
jul
Ago
set
1999
89
212
262
1158
2000
67
222
332
925
Fonte: IBAMA/PREVFOGO/PROARCO, 2000
1928
1296
out
696
905
Focos de
calor/
semestre
4345
3747
Focos de
calor/ano
4582
3835
Além disto, como pode ser percebido pela tabela 7, o Corpo de Bombeiros
teve trabalho em conter vários focos de incêndios, especialmente a na região de
abrangência do COB.
Tabela 7. Focos de incêndios controlados pelo corpo de Bombeiros. 1999 e 2000.
Ano
COB
1999
2000
º
3 GI
1999
2000
Fonte: Corpo
mai
jun
82
95
99
241
Focos de incêndio/mês
jul
Ago
set
out
Focos de incêndio/
semestre
121
125
156
150
105
65
70
136
633
812
31
57
57
31
58
36
de Bombeiros (2001)
59
54
31
14
16
23
251
216
Entretanto, o fato de no Terminal Izidória no ano de 2000 os valores serem
superiores ao pólo industrial de Anápolis nos trazem espanto, tendo em vista a
grande circulação de pessoas local. Por outro lado, a postura do setor industrial
em estabelecer processos de gerenciamento da emissão de seus poluentes é
louvável e tem se demonstrado em melhoria da qualidade ambiental. De forma
oposta, a frota de ônibus que circula pelo Terminal Izidória pouco foi renovada e
a quantidade de veículos que por ali trafegam se intensificou, acarretando
aumento nos índices de poluição.
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Ações urgentes por parte do setor público se fazem necessárias para
redução dos níveis de poluentes no terminal Izidória. A grande movimentação de
trabalhadores e a associação à veículos motorizados sem catalizadores, em
especial a frota de ônibus antiga e formam um combinado indesejável a saúde
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humana e ao bem estar social. Deslocamento de linhas, incentivo a renovação de
frotas e ação mais contundente da fiscalização podem contribuir para reversão do
quadro estabelecido.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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