CADERNO DE PROGRAMAÇÃO E RESUMOS
ABRALIN em CENA
Mato Grosso
10 a 13 de abril de 2012
Universidade Federal de Mato Grosso
Instituto de Linguagem
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem
Universidade Federal de Mato Grosso
Cuiabá/MT
ORGANIZAÇÃO EDITORIAL
Marco Antonio Martins
Aryonne da Silva Morais
Kássia Kamilla de Moura
Lucrécio Araújo de Sá Júnior
Maria Joyce Paiva Medeiros
Reika Gabrielle Dantas da Silva
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
A849a Associação Brasileira de Linguística. Congresso (2012 : Cuiabá, MT)
ABRALIN em CENA Mato Grosso: caderno de programação e
resumos: Congresso da Associação Brasileira de Linguística, 10 a 13
de abril de 2012. – Natal: Top Gráfica, 2012.
--- p.
ISSN – 2179-7145
1. Linguística – Mato Grosso – Congressos. I. Universidade
Federal de Mato Grosso.
CDU – 81’1(817.2)(063)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
Reitora
Maria Lúcia Cavalli Neder
Vice-Reitor
Francisco José Dutra Souto
Pró-Reitora de Ensino de Graduação
Myrian Thereza de Moura Serra
Pró-Reitora de Ensino de Pós-Graduação
Leny Caselli Anzai
Pró-Reitor de Pesquisa
Adnauer Tarquínio Daltro
Pró-Reitor de Cultura, Extensão e Vivência
Luis Fabrício Cirillo de Carvalho
Pró-Reitora Administrativa
Valéria Calmon Cerisara
Pró-Reitora de Planejamento
Elisabeth Aparecida Furtado de Mendonça
Diretora do Instituto de Linguagens
Rosangela Calix Coelho da Costa
Chefe do Departamento de Letras
Maria de Jesus das Dores Alves Carvalho Patatas
Coordenadora de Ensino de Graduação em Letras
Carolina Akie Ochiai Seixas Lima
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos
da Linguagem
Célia Maria Domingues da Rocha reis
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Centro de Ciências Humanas Letras e Artes
Departamento de Letras
Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem
(Sede Biênio 2011-2013)
Caixa Postal 1524 - Campus Universitário - Lagoa Nova - CEP:
59.072-970 - Natal/RN – Brasil
Fone/fax: 55 (84) 3215-3579
www.abralin.org
DIRETORIA DA ABRALIN BIÊNIO 2011-2013
Luis Passeggi (UFRN) – Presidente da ABRALIN
Marco Antonio Martins (UFRN) – Vice-residente da ABRALIN
Lucrécio Araújo de Sá Júnior (UFRN) – 1º tesoureiro
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN) – 2ª tesoureira
Maria da Penha Casado Alves (UFRN) – 1ª secretária
Paulo Henrique Duque (UFRN) – 2º secretário
ABRALIN em CENA
Mato Grosso
Realização:
ABRALIN
COMISSÃO ORGANIZADORA
Marco Antonio Martins (UFRN) – Presidente
Luis Passeggi (UFRN)
Lucrécio Araújo de Sá Júnior (UFRN)
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN)
Maria da Penha Casado Alves (UFRN)
Paulo Henrique Duque (UFRN)
EQUIPE LOCAL
Elias Alves de Andrade (UFMT)
Maria Inês Pagliarini (UFMT)
Maria Rosa Petroni (UFMT)
Roberto Leiser Baronas (UFSCAR)
Danie Marcelo de Jesus (UFMT)
EQUIPE DE APOIO
Aryonne da Silva Morais
Kássia Kamilla de Moura
Maria Joyce Paiva Medeiros
Reika Gabrielle Dantas da Silva
COMISSÃO CIENTÍFICA
Adair Vieira Gonçalves (UFGD)
Ana Maria Di Renzo (UNEMAT)
Cássia Regina Tomanin (UNEMAT)
Celina Aparecida de S. Nascimento (UFMS-Três Lagoas)
Danie Marcelo de Jesus (UFMT)
Dermeval da Hora (UFPB/CNPq)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
Eloisa Brito (UFG)
Francisco Quaresma (UFG)
Izete Lehmkuhl Coelho (UFSC)
José Leonildo Lima (UNEMAT)
Joyce Elaine de Almeida Baronas (UEL)
Luis Passeggi (UFRN)
Manoel Mourivaldo Santiago Almeida(USP)
Marco Antonio Martins (UFRN)
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN)
Maria da Penha Casado Alves (UFRN)
Maria Inês Pagliarini Cox (UFMT)
Maria Rosa Petroni (UFMT)
Mariney Pereira Conceição (UNB)
Marlon Leal Rodrigues (UEMS)
Renato Miguel Basso (UFSC)
Roberto Leiser Baronas (UFSCAR)
Rodolfo Ilari (UNICAMP)
Roxane Rojo (UNICAMP)
Sérgio Flores (UFMT)
Simone de Jesus Padilha (UFMT)
Solange Maria Barros Ibarra Papa (UNEMAT)
Sônia Cyrino (UNICAMP)
Sulemi Fabiano Campos (UFRN)
Valdir do Nascimento Flores (UFRGS/CNPq)
Thomas Massao Fairchild (UFPA)
Apoio:
Universidade Federal de Mato Grosso
Instituto de Linguagem
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem
Secretaria da Educação do Estado do Mato Grosso
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível superior –
CAPES
Apresentação
Prezados participantes,
Bem-vindos ao ABRALIN em CENA Mato Grosso!
O congresso ABRALIN EM CENA é uma iniciativa da
Associação Brasileira de Linguística, implementada na gestão de
2007-2009, presidida pelo prof. Dr. Dermeval da Hora, na
Universidade Federal da Paraíba. Tem por objetivo incentivar o
intercâmbio entre pesquisadores das diversas regiões brasileiras,
priorizando as linhas de pesquisa existentes nos Programas de PósGraduação da localidade onde o evento é realizado. A atual
diretoria da ABRALIN – gestão 2011-2013, presidida pelo
professor Luis Passeggi e sediada na Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, realiza mais uma edição do congresso “em cena”
na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)/Cuiabá, em
parceria com o Programa de Pós-Graduação em Estudos de
Linguagem dessa universidade. É importante salientar que a data
do evento, de 10 a 13 de abril de 2012, coincide com a data de um
encontro entre os coordenadores dos Programas de PósGraduação da região Centro-Oeste, com a presença da
coordenação de Área de Letras e Linguística da CAPES.
Considerando a participação dos coordenadores nesse encontro, a
programação do ABRALIN em CENA Mato Grosso conta com a
presença de muitos colegas coordenadores de Programas de PósGraduação da região Centro-Oeste em mesas-redondas e
minicursos.
Neste Caderno de Programação e Resumo, você encontrará
a programação geral do congresso, que conta com duas
conferências, oito mesas-redondas e sessões de comunicação em
Grupos Temáticos e de pôsteres, e os resumos das atividades
apresentadas.
A todos um excelente congresso!
Prof. Dr. Marco Antonio Martins
Presidente da comissão organizadora do ABRALIN EM
CENA MATO GROSSO
Sumário
Programação Geral
Dia 10 de outubro de 2011
Dia 11 de outubro de 2011
Dia 12 de outubro de 2011
Dia 13 de outubro de 2011
Resumos das mesas-redondas
Resumos dos Grupos Temáticos
Resumos dos Pôsteres
PROGRAMAÇÃO GERAL
10 DE ABRIL DE 2012
TERÇA-FEIRA
Horário
14h às 18h
18h30
19h
20h30min
Local
Sala K, 2º
Piso/IL
Auditório da
FAEC
Auditório da
FAEC
Atividade
Credenciamento e entrega do
material
Cerimônia de abertura
Auditório da
FAEC
Atividade cultural/Coquetel
Conferência de abertura:
Prof. Dr. Dermeval da Hora
(UFPB/CNPq/CAPES)
11
11 DE ABRIL DE 2012
QUARTA-FEIRA
Horário
Local
08h às 10h
Atividade
Minicursos (grupo A)
Sala 33-IL
GRAMATICALIZAÇÃO E MUDANÇA
LINGUÍSTICA – Jussara Abraçado (UFF)
Sala 34-IL
TRADIÇÕES DISCURSIVAS DAS
CULTURAS POPULARES –Lucrécio
Araújo de Sá Júnior (UFRN)
Sala 35-IL
AS RELAÇÕES ENTRE LINGUAGEM,
COGNIÇÃO E CORPORALIDADE – Paulo
Henrique Duque (UFRN)
Sala 36-IL
SEMIÓTICA E MITOLOGIA – Maria Luceli
Faria Batistote (UFMS)
Sala 37-IL
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DESCRITIVO
DE LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS Ana Suelly Arruda Câmara Cabral (LALIUnB); Aisanain Páltu Kamayurá
(Doutorando em linguística, LALI, PPGLUnB); Wary Kamayurá Awetí
(Doutorando em Linguística, LALI, PPGLUnB)
12
Horário
Local
Atividade
10h15 às 12h
Auditório da
FAEC
MESA-REDONDA 1: SEMÂNTICA
Luis Passeggi (UFRN) coordenador
Rodolfo Ilari (UNICAMP)
Renato Miguel Basso (UFSC)
Horário
14h às 16h
Local
Sala 33-IL
Atividade
GRUPO TEMÁTICO FONÉTICA E
FONOLOGIA E MORFOLOGIA
Coordenadores: Laudino Roces
Rodrigues e Izete Lehmkuhl Coelho
VARIAÇÃO FONÉTICA E FONOLÓGICA: UM OLHAR LINGUÍSTICO
SOBRE O MANUAL DIDÁTICO
Nádia Cristina da Silva Santos (UFMT)
ANÁLISE QUALITATIVA E ACÚSTICA DAS VOGAIS MÉDIAS
PRETÔNICAS NO PORTUGUÊS FALADO NA AMAZÔNIA PARAENSE
Mara Sueny Teixeira da Costa (UFPA)
A EVOLUÇÃO DO PARTICÍPIO PRESENTE NO PORTUGUÊS
Elaine Ferreira Dias (UNIMONTES/PUC Minas)
OS SINAIS BRAQUIGRÁFICOS
Angelita Heidmann Campos (UFMT)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
13
14h às 16h
Sala 34-IL
GRUPO TEMÁTICO SEMÂNTICA E
PRAGMÁTICA
Coordenadores: Miguel Basso (UFSC) e
Luis Passggi (UFRN)
OS LUGARES DE DIZER NA CENA ENUNCIATIVA
Leila Castro da Silva (UNEMAT)
AS DIFERENÇAS ENTRE AS LÍNGUAS E OS DIFERENTES PADRÕES DE
LEXICALIZAÇÃO: INTERFACE SEMÂNTICA E COGNITIVA
Viviane Lucy Vilar de Andrade (UFSC)
A SEMÂNTICA DO VERBO “PEGAR“: UM ESTUDO SOBRE O
SENTIDO
Elza Contieri (UNIFESP)
AS FIGURAS ENUNCIATIVAS DO AGENTE DE SAÚDE AMBIENTAL NA
ENUNCIAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA NA CIDADE DE CÁCERES
Sueli Martins Cardozo (UNEMAT)
14h às 16h
Sala 35-IL
GRUPO TEMÁTICO SOCIOLINGUÍSTICA E
DIALETOLOGIA
Coordenadores: Manoel Mourivaldo
Santiago Almeida (USP)
José Leonildo Lima (UNEMAT)
A REALIZAÇÃO DOS DITONGOS /AY/, /EY/ E /OW/ NO ENSINO DO
PORTUGUÊS EM CONTEXTOS FRONTEIRIÇOS.
Márcio Palácios de Carvalho (UEMS)
Elza Sabino da Silva Bueno (UEMS)
14
VARIAÇÃO DA LATERAL PALATAL EM FALARES DO RN E DA PB: UM
ESTUDO GEO-SOCIOLINGUÍSTICO
Josenildo Barbosa Freire (SEEC - RN)
INFLUÊNCIA LINGUÍSTICA E SITUAÇÃO DE CONTATO ENTRE O
PORTUGUÊS E O KAIOWÁ (GUARANI)
Valéria Faria Cardoso (UNEMAT)
ASPECTOS MORFOSSINTÁTICOS DO FALAR MATO-GROSSOSSENSE
José Leonildo Lima (UNEMAT)
O SENTIDO DOS NOMES DAS RUAS DO CENTRO HISTÓRICO DE
CÁCERES
Mirami Gonçalves Sá dos Reis (UNEMAT)
MAPAS DO RIO GUAPORÉ: UMA ANÁLISE FILOLÓGICA EM
DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS DO SÉCULO XVIII DA CAPITANIA
DE MATO GROSSO
Carolina Akie Ochiai Seixas Lima (UFMT)
George Gleyk Max de Oliveira(UFMT)
14h às 16h
Sala 36-IL
GRUPO TEMÁTICO ANÁLISE DO
DISCURSO 1
Coordenadora: Maria Inês Pagliarini
Cox (UFMT)
A FONÉTICA E A FONOLOGIA EM MATERIAIS DIDÁTICOS DO
ENSINO MÉDIO: POSIÇÕES DISCURSIVAS EM JOGO
Terezinha Della Justina (UNEMAT)
ACADEMIA MATOGROSSENSE DE LETRAS: LÍNGUA E SUJEITO
NACIONAIS
Roseli Moreira (UNEMAT)
Eliana Almeida (UNEMAT)
15
CONVERSANDO SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ANÁLISE
DISCURSIVA DE CARTAS DE MONTEIRO LOBATO A GODOFREDO
RANGEL
Sheila C de Carvalho (UFMT)
A HETEROGENEIDADE DO PORTUGUÊS EM LIVROS DIDÁTICOS:
EFEITOS DE SENTIDO
Sonia Renata Rodrigues (UFMT)
A PALAVRA IDEOLÓGICA COMO ARENA DE LUTA SIMBÓLICA:
IMAGENS SOCIAIS DE LÍNGUA (PORTUGUESA) E OBJETO DE
ENSINO ESCOLAR
Jefferson Ferreira (UNICAMP/Seduc-MT/ UFMT/SEDEF)
Lezinete Regina Lemes (UNICAMP/Seduc-MT/ UFMT/SEDEF)
Shirlei Neves dos Santos (UNICAMP/Seduc-MT/ UFMT/SEDEF)
Osvaldo Pereira Souza (UNICAMP/Seduc-MT/ UFMT/SEDEF)
AS IDEIAS LINGUÍSTICAS NA OBRA DE DINO PRETI: ANÁLISE DE
MARCAS DO “HORIZONTE DE RETROSPECÇÃO” NA OBRA
"SOCIOLINGUÍSTICA: OS NÍVEIS DA FALA"
Gil Roberto Costa Negreiros (FEPI)
14h às 16h
Sala 45-IL
GRUPO TEMÁTICO ANÁLISE DO
DISCURSO 2
Coordenador: Roberto Leiser Baronas
(UFSCAR)
O PODER, A VERDADE E O SABER NO YOUTUBE
Lígia Mara Boin Menossi de Araujo (UFSCar)
OS SENTIDOS DO LIXO NAS RELAÇÕES DE TRABALHO DOS
CATADORES EM ESPAÇOS NÃO URBANOS
Neuza Benedita da Silva Zattar (UNEMAT)
EFEITOS E MEMÓRIA: DA NARRATIVA
VILABELENSE
Weverton Ortiz Fernandes (UNEMAT)
16
ÀS
FESTIVIDADES
O LUGAR DO PODER E DA RESISTÊNCIA: DISCURSO, IMAGEM,
MEMÓRIA
Marcos Lúcio de Sousa Gois (UFGD)
ESTEREÓTIPO E ESPAÇO NACIONAL: UMA ANÁLISE NO CAMPO DA
MODA
Ana Carolina Vilela-Ardenghi (UNICAMP)
LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS: O INTÉRPRETE E AS SUAS
ESCOLHAS LINGUÍSTICAS E DISCURSIVAS
Sérgio Pereira Maiolini (UFMT)
Iara Cardoso Lopes (UFMT)
14h às 16h
Sala 46-IL
GRUPO TEMÁTICO LINGUÍSTICA
APLICADA EM PRIMEIRA E SEGUNDA
LÍNGUA
Coordenadores: Danié Marcelo de Jesus
(UFMT) e Solange Maria Barros Ibarra
Papa(UNEMAT)
INGLÊS NA ESCOLA PÚBLICA EM TEMPOS DE E-BOOKS E TABLETS:
O DISCURSO DOCENTE NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO
Estela Seraglio Furrer (UNEMAT)
O PROCESSAMENTO DE LEITURA EM LÍNGUA INGLESA POR
APRENDIZES BRASILEIROS DE LE.
Alyson Andrade (UFPB/FLS)
TELETANDEM: UMA ANÁLISE FENOMENOLÓGICA HERMENÊUTICA
DA RELAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUAS COM ESSE CONTEXTO
Micheli Gomes de Souza (IBILCE)
UMA ANÁLISE SISTÊMICO-FUNCIONAL DO DISCURSO ACADÊMICO
NO CURSO DE LETRAS
Fabíola Sartin Dutra Parreira Almeida (UNEMAT)
17
A EPISTEMOLOGIA GERATIVA
PORTUGUESA
Junia Lorenna da Silva (UnB)
14h às 16h
Sala 47-IL
E
O
ENSINO
DE
LÍNGUA
GRUPO TEMÁTICO LINGUÍSTICA
TEXTUAL
Coordenadores: Maria das Graças
Soares Rodrigues (UFRN) e Luis
Passeggi (UFRN)
PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS DOS
ESTUDOS DA LINGUAGEM NO BRASIL: AS TEORIAS LINGUÍSTICAS
NOS MANUAIS DE INTRODUÇÃO
José Carlos Leandro (UFPE)
GRAMATICALIZAÇÃO E TRADIÇÃO DISCURSIVA
Lúcia Regiane Lopes-Damasio (UFMT)
ABRE A PORTA E ACENDE A LUZ: TRADIÇÃO E FORMULAICIDADE
EM TEXTOS DA RELIGIOSIDADE POPULAR
Lucrécio Araújo de Sá Júnior (UFRN)
Elisângela Tavares Dias (UFRN)
ANÁLISE DA ESCRITA DE BILHETES PRODUZIDOS EM SALA DE
AULA: SEMELHANÇA COM A ESCRITA DOS SCRAPS DA REDE SOCIAL
ORKUT?
Verena Abreu (UFRB/Facemp/FACE)
14h às 16h
Sala 48-IL
GRUPO TEMÁTICO GÊNEROS
TEXTUAIS
Coordenadores: Maria da Penha
Casado Alves (UFRN) e Simone de Jesus
Padilha (UFMT)
18
GÊNERO TEXTUAL NA ESOLA: UMA PROPOSTA PARA A PRÁTICA
DA PEDAGOGIA DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Joseli Rezende Thomaz (UFJF)
LEITURA E ESCRITA NA PRÁTICA DE SALA DE AULA/EJA:
CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA ENUNCIATIVO-DISCURSIVA
Soeli Aparecida Rossi de Arruda (CEFAPRO, UFMT)
Maria Rosa Petroni (UNEMAT)
REPRESENTAÇÕES DO CAMPO E DA CIDADE NA POESIA DE
MANOEL DE BARROS
Paula Regina Bezerril Souza (UFRN)
O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS: UMA ANÁLISE
DISCURSIVA DA PRÁTICA DE ENSINO NO INSTITUTO MADRE
MARTA CERUTTI
Karla Amorim Sancho (UFMT)
14h às 16h
Sala 19-IL
GRUPO TEMÁTICO ENSINO DA
LEITURA E DA ESCRITA
Coordenadores: Sulemi Fabiano
Campos (UFRN) e Maria Rosa Petroni
(UFMT)
“NÓS TEMOS A OBRIGAÇÃO DE PASSAR A PARTE CULTURAL NÉ,
NEM QUE SEJA NO PAPEL”. PRÁTICAS SOCIAIS ORAIS E LETRADAS
NA EDUCAÇÃO ESCOLAR GUARANI
Carlos Maroto Guerola (UFSC)
UM CONTRAPONTO ENTRE A ABORDAGEM DE REDAÇÃO DO
ENEM E AS PROPOSTAS DOS DOCUMENTOS OFICIAIS DA
EDUCAÇÃO
Neila Barbosa de Oliveira Bornemann (UFMT)
19
CRIAÇÃO DE ATIVIDADES REFLEXIVAS EM UMA PERSPECTIVA
BAKHTINIANA: UM MOMENTO ANTES DA REESCRITA
Viviane Leticia Silva Carrijo (UFMT)
SEÇÕES DE LEITURA EM LIVROS DIDÁTICOS DE LINGUA INGLESA:
DECODIFICACÃO OU PRODUCÃO DE SENTIDOS?
Paulo Rogério de Oliveira (MeEL/UFMT)
Horário
16h15 às 18h
Local
Auditório do
MeEL/IL
Atividade
MESA-REDONDA 2: ESTUDOS
DIACRÔNICOS
Elias Alves de Andrade (UFMT) –
coordenador
Manoel Mourivaldo Santiago
Almeida (USP)
José Leonildo Lima (UNEMAT)
Joyce Elaine de Almeida Baronas
(UEL)
16h15 às 18h
Auditório da
FAEC
MESA-REDONDA 3: DISCURSO E
IDENTIDADE
Eloisa Brito (UFG) –
coordenadora
Solange Maria Barros Ibarra
Papa (UNEMAT)
Sérgio Flores (UFMT)
Celina Aparecida de S.
Nascimento (UFMS-Três Lagoas)
20
Horário
Local
18h15 às 20h15
Horário
20h30
Atividade
Minicursos (grupo B)
Sala 33-IL
ESTUDOS FILOLÓGICOS – Elias Alves
de Andrade (UFMT)
Sala 35-IL
FONÉTICA EXPERIMENTAL –
Laudino Roces Rodrigues (UFMT)
Sala 36-IL
A PERSPECTIVA TEXTUALINTERATIVA: UMA ABORDAGEM
DOS PROCESSOS CONSTITUTIVOS
DO TEXTO - Lúcia Damásio (UFMT)
Sala 48-IL
SOCIOLINGUÍSTICA E ENSINO DE
PORTUGUÊS – Silvia Vieira (UFRJ)
Local
Saguão do IL
Atividade
Sessão de Pôsteres
Lançamento de livros/Coquetel
1. EXPRESSÃO DE POSSE DOS NOMES EM PARKATÊJÊ
Rafaela Viana Maciel (UFPA)
2. A REALIZAÇÃO DO SUJEITO PRONOMINAL EM ANÚNCIOS DOS
SÉCULOS XIX E XX
Aryonne da Silva morais (UFRN)
Marco Antonio Martins (UFRN)
3. ADOTADO E ADOTANTE: NOMES QUE FAZEM HISTÓRIA
Elisandra Benedita Szubris (UNEMAT)
21
4. A CONCORDÂNCIA NOMINAL NA NORMA CULTA EM CUIABÁ
Joelson Penha Silva (UNIC)
5. UM ESTUDO ACERCA DOS TABUS LINGUÍSTICOS COM DADOS
DO PROJETO ALIB: ÁREA SEMÂNTICA DO CORPO HUMANO
Juliany Fraide Nunes (UFMS)
6. DESIGNAÇÕES PARA “EMPANTURRADO” NAS REGIÕES
CENTRO-OESTE E NORTE DO BRASIL: CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO
ALIB
Suellen de Souza Becker (UFMS)
7. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA: UM OLHAR NAS FALAS DOS
PROFESSORES DO DEPARTAMENTO DE LETRAS DA UFMT/CUR
Fernanda de Mello Cardoso (UFMT)
8. MAFALDA: MUITO MAIS DO QUE UMA GAROTINHA DE SEIS
ANOS
Fernanda Patricio Mariano (UFBA)
9. ENUNCIADOS DE CURTA EXTENSÃO: AFORIZAÇÃO, MÍDIA E
POLÍTICA
Tamires Cristina Bonani Conti (UFSCar)
Roberto Leiser Baronas (UFSCar)
10.VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO: O QUE FAZER?
Patrícia Aparecida da Silva (UNEMAT)
Ana Luiza Artiaga (UNEMAT)
11.O DISCURSO SOBRE A PIRACEMA E A PRESERVAÇÃO
AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Maria Martins da Silva Magio (UNEMAT)
22
12. UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS CARTAS DO LEITOR SOB A
PERSPECTIVA DA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA E COMUNICACIONAL
DO DISCURSO (ASDC)
Rafael Souza da Cruz
Cleide Emília Faye Pedrosa (UFRN)
13.UMA (RE)VISÃO DO CURRICULO VITAE LATTES (CVL) COM BASE
NO CAPITALISMO COGNICISTA : UM ESTUDO SOBRE O SUJEITO NO
TEXTO INTRODUTÓRIO NO CVL DO PESQUISADOR DE LETRAS DA
UFRN
Danielle Brito da Cunha (UFRN)
Cleide Emília Faye Pedrosa (UFRN)
14.A PRÁTICA REFLEXIVA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE
LINGUA INGLESA
Isadora Maria Falbot dos Santos (UFMT)
Ana Cláudia Milani (UFMT)
15.ENSINO DE LÍNGUAS E TEORIAS ENSINO APRENDIZAGEM: UM
ESTUDO DE CASO
Rosangela Vargas Cassola (PUCSP)
16.COLOCAÇÕES ESPECIALIZADAS EXTRAÍDAS DO CORPUS DE
ESTUDO “GREY’S ANATOMY”
Roberta Pereira Fiel (UNESP)
Adriane Orenha-Ottaiano (UNESP)
17.TUTORIA EM PEQUENOS GRUPOS: DESPERTANDO O INTERESSE
DOS ALUNOS PELA LÍNGUA INGLESA EM SALA DE AULA
Rochelle Serafim de Andrade (UFMT)
23
18.A IRONIA COMO ESTRATÉGIA DISCURSIVA: UMA ANÁLISE DE
TEXTOS JORNALÍSTICOS NORTERRIOGRANDENSES NO INÍCIO DO
SÉCULO XX
Reika Gabrielle Dantas da Silva (UFRN)
Lucrécio Araújo de Sá Júnior (UFRN)
19.SEMIÓTICA E A TEORIA BAKHTINIANA: REFLEXÕES SOBRE O
CONCEITO DE POLIFONIA NA OBRA DOSTOIEVSKIANA "CRIME E
CASTIGO"
Marcos Rogério Martins Costa (USP)
20.DISCURSO MÍTICO: A INSCRIÇÃO DO SUJEITO PANTANEIRO NA
LINGUAGEM
Maria Luceli Faria Batistote (UFMS)
Ana Lívia Tavares da Silva (UFMS)
21.A ESCRITA DOS JOVENS E ADULTOS DO IFMA - SANTA INÊS: A
POSSIBILIDADE DE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO PELA NOÇÃO DE
GÊNERO TEXTUAL
Elinaldo Quaresma (IFMA)
22.RESSIGNIFICAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM POR MEIO DO
GÊNERO CORDEL
Bruna Rafaelle de Jesus Lopes (UFRN)
Maria Fabiana Medeiros de Holanda (UFRN)
Maria da Penha Casado Alves (UFRN)
23.O POEMA O NAVIO NEGREIRO DE CASTRO ALVES PELO VIES DO
FILME AMISTADE DE STEVEN SPILBERG
Joelson Penha Silva (UNIC)
Eloide Pereira da Silva Santos (UNIC)
24.PRESSUPOSTO EPISTEMOLÓGICOS NAS GRAMÁTICAS EM
LÍNGUA PORTUGUESA – O CASO ERNESTO CARNEIRO RIBEIRO:
CIRCUNSTANCIAL OU PARADIGMÁTICO?
Ednei de Souza Leal (UFPR)
24
25.PIBID, LEITURA E POESIA: UM RESGATE DA IMAGINAÇÃO E DA
CRIAÇÃO EM SALA DE AULA
Elizabeth Olegário (UFRN)
Samira Gomes Aguiar (UFRN)
Maria da Penha Casado (UFRN)
26.REVISTA ACADÊMICA DE LINGUAGENS BOCA DA TRIBO:
ESPAÇO DE DIVULGAÇÃO E INTERAÇÃO
Fabiana Perez Garcia (UFMT)
Carlos Eduardo dos Santos Barros (UFMT)
27.ARGUMENTANDO NO MUNDO DA VIDA: O PIBID E AS
PRÁTICAS DE ENSINO COM GÊNEROS ARGUMENTATIVOS
Samira Gomes de Aguiar (UFRN)
Maria da Penha Casado Alves (UFRN)
28.QUESTÕES DE LEITURA E PROPOSTAS
APRESENTADAS PELO "NOVO ENEM"
Bruna Vittorazzi Duarte Leal (UFMT)
DE
REDAÇÃO
29.RODAS DE LEITURA: UMA EXPERIÊNCIA NO PIBID DE LÍNGUA
PORTUGUESA
Eide Justino Costa (UFRN)
Maria da Penha Casado Alves (UFRN)
30.CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO DO DISCURSO NO GÊNERO CARTA
DO LEITOR: REFORÇANDO
A IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO SOCIAL E HISTÓRICO
Debora Quezia Brito da Cunha (UFRN)
Rafael Souza da Cruz (UFRN)
31. RELAÇÕES RACIAIS E IDENTIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Rosana Fátima de Arruda (UFMT)
25
12 DE ABRIL DE 2012
QUINTA-FEIRA
Horário
Local
08h às 10h
Atividade
Minicursos (grupo A)
Sala 33-IL
GRAMATICALIZAÇÃO E MUDANÇA
LINGUÍSTICA – Jussara Abraçado (UFF)
Sala 34-IL
TRADIÇÕES DISCURSIVAS DAS
CULTURAS POPULARES –Lucrécio
Araújo de Sá Júnior (UFRN)
Sala 35-IL
AS RELAÇÕES ENTRE LINGUAGEM,
COGNIÇÃO E CORPORALIDADE – Paulo
Henrique Duque (UFRN)
Sala 36-IL
SEMIÓTICA E MITOLOGIA – Maria
Luceli Faria Batistote (UFMS)
Sala 37-IL
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DESCRITIVO
DE LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS Ana Suelly Arruda Câmara Cabral (LALIUnB); Aisanain Páltu Kamayurá
(Doutorando em linguística, LALI, PPGLUnB); Wary Kamayurá Awetí
(Doutorando em Linguística, LALI, PPGLUnB)
10h15h às 12h
26
Horário
Local
Atividade
10h15 às 12h
Auditório da
FAEC
MESA-REDONDA 4: PRODUÇÃO E
CIRCULAÇÃO DE TEXTOS NA
CONTEMPORANEIDADE:
INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO
Sulemi Fabiano Campos (UFRN) –
coordenadora
Maria das Graças Soares Rodrigues
(UFRN)
Valdir do Nascimento Flores
(UFRGS/CNPq)
Thomas Massao Fairchild (UFPA)
14h às 16h
Sala 33-IL
GRUPO TEMÁTICO MORFOLOGIA E
SINTAXE
Coordenadores: Sonia Cyrino
(UNICAMP) e Izete Lehmkuhl Coelho
(UFSC)
FLEXÃO RELACIONAL E LÍNGUAS JÊ SETENTRIONAIS: UMA
RETROSPECTIVA
Maxwell Miranda (LALI/UnB)
MAIS EVIDÊNCIAS LEXICAIS, FONOLÓGICAS E MORFOSSINTÁTICAS
DE PARENTESCO GENÉTICO DO RIKBAKTSA COM LÍNGUAS DO
TRONCO MACRO-JÊ
Ana Suelly Arruda Câmara Cabral (LALI/UnB)
Aryon Dall'Igna Rogrigues (LALI/UnB)
Sanderson Castro Soares de Oliveira (LALI/UnB)
27
USO DE CLASSIFICADORES EM LIBRAS
Elidéa Lúcia Almeida Bernardino (UFMG)
O INOVADOR “VOCÊ” EM CARTAS PESSOAIS NORTE-RIOGRANDENSES DO SÉCULO XX
Kássia Kamilla de Moura (UFRN)
Marco Antonio Martins (UFRN)
14h às 16h
Sala 34-IL
GRUPO TEMÁTICO SEMÂNTICA E
PRAGMÁTICA
Coordenadores: Coordenadores: Miguel
Basso (UFSC) e Luis Passggi (UFRN)
A JUSTIFICATIVA DO INJUSTIFICÁVEL: A ESCRAVIDÃO NEGRA NO
BRASIL E SEUS ARGUMENTOS LINGUÍSTICOS E RETÓRICOS
Najara Neves de Oliveira e Silva (UESB)
OS SENTIDOS DICIONARIZADOS DE "SINDICATO"
Wolber Sebastião Pereira (UNEMAT)
Neuza Zattar (UNEMAT)
A LEI RIO BRANCO DE 1871: UM ESPAÇO DE AMBIGUIDADES
CONVENIENTES
Dilma Marta Santos (UESB)
DA PRESSINTAXE À GRAMÁTICA, PASSANDO PELA DÊIXIS
Maria Jussara Abraçado de Almeida (UFF)
28
14h às 16h
Sala 35-IL
GRUPO TEMÁTICO SOCIOLINGUÍSTICA
E DIALETOLOGIA
Coordenadores: Manoel Mourivaldo
Santiago Almeida (USP) e José Leonildo
Lima (UNEMAT)
APONTAMENTOS PALEOGRÁFICOS SOBRE "BREUE MEMORIAL DOS
PECADOS & COUSAS QUE PEERTENCEM HÁ CONFISSAM", DE
GARCIA DE RESENDE – 1521
Elias Alves de Andrade (UFMT)
SAÚDE NA CAPITANIA DE MATO GROSSO, UM OLHAR ATRAVÉS DE
CARTAS DO SÉCULO XIX. EDIÇÃO SEMIDIPLOMÁTICA E ASPECTOS
ORTOGRÁFICOS
Grasiela Veloso dos Santos (UFMT)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
“FRONTEIRAS” ENTRE A FALA E A ESCRITA: UM ESTUDO DO LÉXICO
À LUZ DA TEORIA DA CONCEPÇÃO E DO MEIO
Pedro da Silva de Melo (USP)
ESTUDO FILOLÓGICO DE MANUSCRITO SETECENTISTA DOS
VEREADORES DA CÂMARA DE CUIABÁ
Kenia Maria Correa da Silva (UFMT)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
14h às 16h
Sala 36-IL
GRUPO TEMÁTICO ANÁLISE DO
DISCURSO 1
Coordenação: Maria Inês Pagliarini Cox
(UFMT)
29
POLÍTICAS LINGUÍSTICAS: OS SENTIDOS DO CURRÍCULO ESCOLAR
Alexandra Bressanin (UNEMAT)
Ana Maria Di Renzo (UNEMAT)
A PLENITUDE DO "ENVIO" E O VAZIO DA "FALTA": MISSÃO
SALESIANA ENTRE OS ÍNDIOS DO ALTO RIO NEGRO/AM
Judite Gonçalves de Albuquerque (UNEMAT)
MODOS DE ATRIBUIÇÃO DA CIDADANIA: EFEITOS DE EVIDÊNCIA
NO DISCURSO
Águeda Aparecida da Cruz Borges (UFMT-CUA/UNICAMP)
A CONSTRUÇÃO DA CENOGRAFIA E A CONSTITUIÇÃO DO ETHOS
DISCURSIVO EM RELATOS INDÍGENAS DA ALDEIA PAU-BRASIL
Adriana Recla (PUC- SP)
EDIÇÃO DE MANUSCRITO QUINHENTISTA: DO LINGUÍSTICO AO
DISCURSIVO
Rejane Centurion Gambarra e Gomes (USP)
O DISCURSO DE AUTORIDADE DOS PAIS E SEUS SENTIDOS (DA
DEFINIÇÃO DE AUTORIDADE À PRÁTICA DISCURSIVA NA FAMÍLIA)
Maria Aparecida Alves Ribeiro (UEMS)
Marlon Leal Rodrigues(UEMS)
14h às 16h
Sala 44-IL
GRUPO TEMÁTICO
ANÁLISE
DO
DISCURSO 2
Coordenador: Roberto Leiser Baronas
(UFSCAR)
ACONTECIMENTO, NOTÍCIA E PROCESSO JUDICIAL: O DIÁLOGO
ENTRE ENUNCIAÇÕES CONCRETAS
Maria Helena Cruz Pistori (PUC-SP)
30
CERTIDÃO DE NASCIMENTO: EFEITOS DA INCOMPLETUDE
Weverton Ortiz Fernandes (UNEMAT)
Thalita Miranda Gonçalves Sampaio (UNEMAT)
O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA PRÁTICA DO DISCURSO
JORNALÍSTICO: DITOS E NÃO-DITOS
Neusa Inês Philippsen (UNEMAT)
Cristinne Leus Tomé (UNEMAT)
UMA CENOGRAFIA DA PROSTITUIÇÃO: ANÁLISE DISCURSIVA DE
UMA TESE APRESENTADA À FACULDADE DE MEDICINA EM 1909
Elizete de Souza Bernardes (UFGD)
Marcos Lúcio de Sousa Góis (UFGD)
SENTENÇA JUDICIAL - POSSIBILIDADES SENSÍVEIS
Lucelia Leite da Silva (UNEMAT)
ACESSIBILIDADE: UM ESPAÇO DE ACONTECIMENTOS
Vera Regina Martins e Silva (UNEMAT)
14h às 16h
Sala 45-IL
GRUPO TEMÁTICO
LINGUÍSTICA
APLICADA EM PRIMEIRA E SEGUNDA
LÍNGUA 1
Coordenadores: Danié Marcelo de
Jesus (UFMT) e Solange Maria Barros
Ibarra Papa (UNEMAT)
MERK MAL: UMA FERRAMENTA ON-LINE AUTOMATIZADA PARA O
DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA LINGUISTICO-GRAMATICA
Christopher Shulby (UNESP)
O DESENVOLVIMENTO DO PROFESSOR REFLEXIVO NA FORMAÇÃO
INICIAL
Erika Regina Soares de Souza (UNEMAT)
31
O TRABALHO DO PROFESSOR NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL SOB O ENFOQUE DO ISD (INTERACIONISMO SOCIO
DISCURSIVO)
Eliana Moraes de Almeida Alencar (SECITEC/MT / UNESP)
LÍNGUA INGLESA ENQUANTO PRÁTICA SOCIAL: POROSIDADE
LINGUÍSTICA E REAPROPRIAÇÕES LOCALIZADAS
Igor Gadioli Cavalcante (UFSC)
REFLEXÕES SOBRE O FAZER PEDAGÓGICO NO ENSINO DE LÍNGUA
ESTRANGEIRA PARA CRIANÇAS
Leandra Ines Seganfredo Santos (UNEMAT)
14h às 16h
Sala 47-IL
GRUPO TEMÁTICO LINGUÍSTICA
APLICADA EM PRIMEIRA E SEGUNDA
LÍNGUA 2
Coordenadores: Danié Marcelo de
Jesus (UFMT) e Solange Maria Barros
Ibarra Papa(UNEMAT)
(DES) ARTICULAÇÃO TEORIA-PRÁTICA EM RELATÓRIOS DE
ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Adair Vieira Gonçalves (UFGD)
PROFESSORES QUE TRABALHAM COM JOVENS E ADOLESCENTES
EM CONTEXTO DE EXCLUSÃO SOCIAL: A RELEVÂNCIA DA
FORMAÇÃO CONTINUADA
Maria Antonia Correa (UFMT)
Solange Maria de Barros (UFMT)
HOMOFOBIA NA SALA DE AULA DIGITAL: REPRESENTAÇÕES DE
PROFESSORES EM FÓRUM DE DISCUSSÃO ONLINE
Dánie Marcelo de Jesus (UFMT)
PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA O SURDO: SENTIDOS
E SIGNIFICADOS DOCENTES
Rosangela Vargas UC)
32
14h às 16h Sala 48-IL
GRUPO TEMÁTICO LINGUÍSTICA TEXTUAL
Coordenadores: Maria das Graças Soares
Rodrigues (UFRN) e Luis Passeggi (UFRN)
UMA INVESTIGAÇÃO A RESPEITO DO LÉXICO MAIS FREQUENTE EM
UM CORPUS LITERÁRIO TRADUZIDO DO INGLÊS PARA AS LÍNGUAS
PORTUGUESA E ESPANHOLA
Celso Fernando Rocha (UNESP)
A HIPERTEXTUALIDADE NO FACEBOOK
Jaqueline Ribeiro Souza (UFMT)
Ana Cristina Lobo Sousa (UFMT)
FORMAS DE NOMEAÇÃO DO "BOM PROFESSOR" POR MEIO DE
(RE)CATEGORIZAÇÕES
Gisely Soares da Silva (UFMT)
Everaldo Lima de Araújo (UFMT)
SIGNIFICAR: UM TIPO ESPECIAL DE ATO DE DISCURSO
Candida Jaci de Sousa Melo (UFRN)
14h às 16h
Sala 20-IL
GRUPO TEMÁTICO GÊNEROS TEXTUAIS
Coordenadores: Maria da Penha Casado
Alves (UFRN) e Simone de Jesus Padilha
(UFMT)
ENSINO DO GÊNERO: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA
PARA O CONTO DE TERROR Rosemar Eurico Coenga (SEDUC)
ENSINO DE LÍNGUA MATERNA: ENTRE AS PROPOSTAS OFICIAIS E
DOS LINGUISTAS APLICADOS E A PRÁTICA REVELADA PELOS
MANUAIS DIDÁTICOS
Josilene Auxiliadora Ribeiro (UFMT)
33
AUDIOLIVRO: CONTRIBUIÇÕES DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS AOS
MULTILETRAMENTOS NA ESCOLA: PARA INTEGRAR, APRENDER E
DIVERTIR.
Thiago Rodrigues Lopes (UFMT)
Eliane Aparecida Albergoni de Souza (UFMT)
O AVESSO DOS COROAS: OS KARAS DE PEDRO BANDEIRA
Mariana Miranda Máximo (UFMT)
MEMÓRIAS LITERÁRIAS: DAS PRÁTICAS SOCIAIS À UTILIZAÇÃO NO
CONTEXTO ESCOLAR
Neiva de Souza Boeno (UFMT)
ESSE TAL DE GÊNERO...
Simone de Jesus Padilha (UFMT)
14h às 16h
Sala 21-IL GRUPO TEMÁTICO ENSINO DA LEITURA
E DA ESCRITA
Coordenadores: Sulemi Fabiano Campos
(UFRN) e Maria Rosa Petroni (UFMT)
TEATRO PEDAGÓGICO EM LÍNGUA ESPANHOLA
Silvana Aparecida Teixeira (UFMT)
PARA UM ENSINO-APRENDIZAGEM EXPLÍCITO DA LEITURA: O
LEITOR LITERÁRIO EM FOCO
Iara Cardoso Lopes (UFMT)
RELEVÂNCIA DOS ESTUDOS HISTÓRICOS PARA MELHOR
COMPREENSÃO DE FENÔMENOS LINGUÍSTICOS DO PORTUGUÊS
ATUAL
Irenilda Francisca de Oliveira e Silva (UFPE)
A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA COMO ADAPTAÇÃO FONÉTICOFONOLÓGICA PERMITIDA PELA LÍNGUA
Angela Maria Torres Santos (UFPE)
34
O TEXTO ACADÊMICO: UMA QUESTÃO DE HETEROGENEIDADE
DISCURSIVA
José Antônio Vieira (UFRN/PPGEL)
Sulemi Fabiano Campos (PG/UFRN/PPGEL)
Horário
Local
Atividade
16h15 às 18h
Auditório
da FAEC
MESA-REDONDA 5: ASPECTOS
DA SINTAXE DO PORTUGUÊS
BRASILEIRO
Marco Antonio Martins (UFRN) –
coordenador
Sônia Cyrino (UNICAMP)
Izete Lehmkuhl Coelho (UFSC)
Horário
Local
18h15 às 20h15
Atividade
Minicursos (grupo B)
Sala 35-IL
ESTUDOS FILOLÓGICOS – Elias
Alves de Andrade (UFMT)
Sala 36-IL
FONÉTICA EXPERIMENTAL –
Laudino Roces Rodrigues (UFMT)
Sala 47-IL
A PERSPECTIVA TEXTUALINTERATIVA: UMA ABORDAGEM
DOS PROCESSOS
CONSTITUTIVOS DO TEXTO Lúcia Damásio (UFMT)
SOCIOLINGUÍSTICA E ENSINO DE
PORTUGUÊS – Silvia Vieira (UFRJ)
Sala 48-IL
35
13 DE ABRIL DE 2012
SEXTA-FEIRA
Horário
Local
08h às 10h
Atividade
Minicursos (grupo A)
Sala 33-IL
GRAMATICALIZAÇÃO E MUDANÇA
LINGUÍSTICA – Jussara Abraçado (UFF)
Sala 34-IL
TRADIÇÕES DISCURSIVAS DAS
CULTURAS POPULARES –Lucrécio
Araújo de Sá Júnior (UFRN)
Sala 35-IL
AS RELAÇÕES ENTRE LINGUAGEM,
COGNIÇÃO E CORPORALIDADE – Paulo
Henrique Duque (UFRN)
Sala 36-IL
SEMIÓTICA E MITOLOGIA – Maria
Luceli Faria Batistote (UFMS)
Sala 37-IL
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DESCRITIVO
DE LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS Ana Suelly Arruda Câmara Cabral (LALIUnB); Aisanain Páltu Kamayurá
(Doutorando em linguística, LALI, PPGLUnB); Wary Kamayurá Awetí
(Doutorando em Linguística, LALI, PPGLUnB)
36
Horário
Local
Atividade
10h15 às 12h
Auditório
da FAEC
MESA-REDONDA
TEXTUAIS
6:
GÊNEROS
Simone de Jesus Padilha (UFMT) –
coordenadora
Adair Vieira Gonçalves (UFGD)
Maria da Penha Casado Alves
(UFRN)
Roxane Rojo (UNICAMP)
Horário
14h às 16h
Local
Sala 33-IL
Atividade
GRUPO TEMÁTICO
SOCIOLINGUÍSTICA E DIALETOLOGIA 1
Coordenadores: Manoel Mourivaldo
Santiago Almeida (USP) e José
Leonildo Lima (UNEMAT)
PEDAGOGIA DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA ESCOLA: É POSSIVEL?
Lucia F. Mendonça Cyranka (UFJF)
Lívia Nascimento Arcanjo (UFJF)
DUAS PRÁTICAS ESSENCIAIS NO ENSINO DE LINGUAGEM NAS
CLASSES DE EJA: A REESCRITA COMO FERRAMENTA NAS PRÁTICAS
DE ORALIDADE.
Mariângela Maia de Oliveira (UFJF)
RELAÇÃO ENTRE CRISE NO ENSINO E CONCEPÇÃO DE LÍNGUA
Quezia Maria Reis de Oliveira Barbosa (UFAM)
37
AMEAÇAS E ATAQUES DE ÍNDIOS BORORO ÀS FAZENDAS REAIS
CAIÇARA E CAETÉ: ESTUDO DE UM MANUSCRITO DE CÁCERES
José Maria de Sousa (UFMT)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
O ENSINO DA LÍNGUA MATERNA NO BRASIL
Gabriela Barreto de Oliveira (UFF)
14h às 16h
Sala 34-IL
GRUPO TEMÁTICO
SOCIOLINGUÍSTICA E DIALETOLOGIA 2
Coordenadores: Manoel Mourivaldo
Santiago Almeida (USP) e José Leonildo
Lima (UNEMAT)
EM CENA, UMA MULHER NA VILA REAL DO BOM SENHOR JESUS DE
CUIABÁ
Camila Lemos de Almeida (UFMT)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
NOTAS PALEOGRÁFICAS E ORTOGRÁFICAS EM MANUSCRITOS DOS
SÉCULOS XVIII E XIX ENCONTRADOS EM MATO GROSSO
Ana Maria Alves Rodrigues de Paula (UFMT)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
MANUSCRITO DO SÉCULO XVIII: ESTUDO PALEOGRÁFICO E
CODICOLÓGICO
Marisa Soares de Lima (UFMT)
Elias Alves de Andrade (UFMT)
38
POLÍTICA E PLANIFICAÇÃO LINGUÍSTICA EM SITUAÇÃO DE
CONTATO PORTUGUÊS-TIKUNA: REFLEXÕES SOBRE EDUCAÇÃO
BILÍNGUE E A GESTÃO DE IDENTIDADE(S) ETNOLINGUÍSTICA(S)
Edson Santos (UFF)
14h às 16h
Sala 35-IL
GRUPO TEMÁTICO
ANÁLISE DO
DISCURSO 1
Coordenação: Maria Inês Pagliarini Cox
LÍNGUA POÉTICA: SUJEITO E IMAGINÁRIOS
Thalita Miranda Gonçalves Sampaio (UNEMAT)
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TECNOLÓGICA: SENTIDOS E CONFLITOS
QUE SE ENTRECRUZAM NAS PRÁTICAS DISCURSIVAS DAS ESFERAS
PÚBLICA E ACADÊMICA
Sueli Correia Lemes Valezi (IFMT)
SOBRE A NEG/AÇÃO NO INTERIOR DO DISCURSO CARTONERO
COMO UMA OPÇÃO ALTERNATIVA PARA O ENSINO DE LÍNGUA
ESPANHOLA
Flavia Krauss de Vilhena (UNEMAT)
"PCN FÁCEIS DE APRENDER": O DISCURSO DA REVISTA ESCOLA EM
TORNO DO ENSINO DO INGLÊS.
Márcia de Moura Gonçalves (UFMT)
ANÁLISE DISCURSIVA DAS REPRESENTAÇÕES DE PROFESSORES DE
INGLÊS DE ESCOLA PÚBLICA DE MATO GROSSO SOBRE OS
DOCUMENTOS OFICIAIS OCNEM E OCEB – MT
Ana Raquel Diamante (UFMT)
CENOGRAFIA: UMA NOÇÃO FUNDAMENTAL NA LEITURA DE
CHARGES
Maria Inês Pagliarini Cox (UFMT)
MEMÓRIA: a arquitetura como espaço de leitura
Ana Luiza Artiaga R.da Motta (UNEMAT)
39
14h às 16h
Sala 36-IL
GRUPO TEMÁTICO SEMIÓTICA
Coordenador: Maria Luceli Faria
Batistote (UNEMAT)
SEMIÓTICA COMO OBJETO MODAL PARA UMA LEITURA CRÍTICA
DE ENUNCIADO EM LÍNGUA INGLESA.
Valdenildo dos Santos (UFOPA)
SEMIÓTICA E DANÇA: UMA ANÁLISE DO PRIMEIRO CAPÍTULO DO
ESPETÁCULO "NAZARETH"
Siane Paula de Araújo (CEFET-MG)
CONSERVAÇÃO E RECRIAÇÃO: O
IMPROVISADOR NA TRADIÇÃO DO JAZZ
Cleyton Vieira Fernandes (USP)
14h às 16h
Sala 44-IL
LUGAR
DO
MÚSICO
GRUPO TEMÁTICO LINGUÍSTICA
APLICADA EM PRIMEIRA E SEGUNDA
LÍNGUA 1
Coordenadores: Danié Marcelo de Jesus
(UFMT) e Solange Maria Barros Ibarra
Papa (UNEMAT)
PRÁTICAS PEDAGÓGICA DE PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA: O
IMPACTO IDENTITÁRIO DO CIBERESPAÇO
Alexandre Colli Dal Prá (UFMT)
Danie Marcelo de Jesus (UFMT)
ENSINO DE LEITURA E A RELAÇÃO ENTRE LIBRAS E PORTUGUÊS NA
SALA DE AULA: REFLETINDO SOBRE MESCLA LINGUÍSTICA E
ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS
Giselli Mara da Silva (FALE-UFMG)
40
RELENDO BAKHTIN: UM ESTUDO ENUNCIATIVO DOS
EMPRÉSTIMOS LÍNGUÍSTICOS NA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS LIBRAS.
Anderson Simão Duarte (UFMT)
LÍNGUA INGLESA NA MODALIDADE PROEJA: IMPRESSÕES DE
ALUNOS-CIDADÃOS
Maria Helena Moreira Dias Serra (IFMT)
14h às 16h
Sala 45-IL
GRUPO TEMÁTICO LINGUÍSTICA
APLICADA EM PRIMEIRA E SEGUNDA
LÍNGUA 2
Coordenadores: Danié Marcelo de
Jesus (UFMT) e Solange Maria Barros
Ibarra Papa (UNEMAT)
COMPILAÇÃO DE UM CORPUS DE APRENDIZES DE TRADUÇÃO E
ANÁLISE DE ASPECTOS COLOCACIONAIS
Adriane Orenha-Ottaiano (UNESP)
ANÁLISE DOS VOCÁBULOS RECORRENTES E PREFERENCIAIS NA
TRADUÇÃO PARA O INGLÊS DE A HORA DA ESTRELA, DE CLARICE
LISPECTOR.
Emiliana Bonalumi (UFMT)
O PROCESSAMENTO DA LEITURA EM LÍNGUA MATERNA E EM
LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA ABORDAGEM CONEXIONISTA
Francisco das Chagas de Sousa (IFTO)
14h às 16h
Sala 46-IL
GRUPO TEMÁTICO GÊNEROS
TEXTUAIS
Coordenadores: Maria da Penha
Casado Alves (UFRN) e Simone de
Jesus Padilha (UFMT)
41
CANÇÃO, INTERTEXTUALIDADE E LITERATURA
Mirian Lesbão Dumont (UFMT)
AS INTERAÇÕES DE LINGUAGEM MEDIADAS PELOS GÊNEROS
DISCURSIVOS
Louredir Rodrigues Benevides (SEDUC/MT)
O PRAZER DA ESCRITA NA FRUIÇÃO DA LEITURA EM “SE UM
VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO”, DE ITALO CALVINO
Isabel Cristina Corgosinho (UNB)
O GÊNERO TEXTUAL ROMANCE E SUAS POTENCIALIDADES NA
OBRA TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA
Izabel Cristina Cavalcanti da Cruz (UFMT)
ALGUMAS REFLEXÕES ESTÉTICAS BAKHTINIANAS NA OBRA
ARTÍSTICA EL POZO
Leni Dias de Sousa Erdei (UFMT)
14h às 16h
Sala 47-IL
GRUPO TEMÁTICO ENSINO DA
LEITURA E DA ESCRITA 1
Coordenadores: Sulemi Fabiano Campos
(UFRN) e Maria Rosa Petroni (UFMT)
A APRENDIZAGEM DA ESCRITA EM CONTEXTOS DIGITAIS: ALGUNS
LIMITES E MUITAS POSSIBILIDADES
Fernanda Maria Almeida dos Santos (UFRB)
AUTORIA NAS PRODUÇÕES DA OLIMPÍADA DA LÍNGUA
PORTUGUESA: UMA ANÁLISE ENUNCIATIVO-DISCURSIVA
Leila Figueiredo de Barros (UFMT)
SUJEITO E LINGUAGEM NA SÍNDROME DO X-FRÁGIL: CRIANDO
CONTRADISPOSITIVOS
Michelli Alessandra Silva (UNICAMP)
42
A LEITURA COMO OBJETO DE APRENDIZAGEM NAS SÉRIES INICIAIS
Osvaldo Pereira de Souza (CEF 405)
A MEDICALIZAÇÃO DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA ESCRITA:
ANÁLISE DE DADOS DE SUJEITOS DIAGNOSTICADOS DE DISLEXIA
Laura Maria Mingotti Muller (UNICAMP)
14h às 16h
Sala 48-IL
GRUPO TEMÁTICO ENSINO DA
LEITURA E DA ESCRITA 2
Coordenadores: Sulemi Fabiano
Campos (UFRN) e Maria Rosa Petroni
(UFMT)
MODOS DE ARGUMENTAÇÃO DO DISCURSO EM CARTAS DE
LEITORES DO SÉCULO XIX
Maria Joyce Paiva Medeiros (UFRN)
Sulemi Fabiano Campos (UFRN)
ANÁLISE DE UMA PROPOSTA DE ATIVIDADE EM MATERIAIS DE
FORMAÇÃO CONTINUADA NA PERSPECTIVA DOS GÊNEROS DO
DISCURSO
Ely Alves Miguel (CEFAPRO)
Maria Rosa Petroni (UFMT/MeEL)
PROALFA: AVALIAÇÃO E ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS (2009-2010)
Ana Cláudia Osório Martins (PPGE da UFJF)
Horário
Local
Atividade
16h15 às 18h
Auditório da
FAEC
MESA-REDONDA 7: ANÁLISE
DO DISCURSO
Maria Inês Pagliarini Cox (UFMT)
– coordenadora
Roberto
Leiser
Baronas
43
(UFSCAR)
Marlon Leal Rodrigues (UEMS)
Ana Maria Di Renzo (UNEMAT)
16h15 às 18h AAuditório do
MeEL/IL
MESA-REDONDA 8: LINGUÍSTICA
APLICADA
Danie Marcelo de Jesus (UFMT) –
coordenador
Mariney Pereira Conceição (UNB)
Francisco Quaresma (UFG)
Maria Rosa Petroni (UFMT)
Horário
Local
18h15 às 20h15
Atividade
Minicursos (grupo B)
Sala 33-IL
ESTUDOS FILOLÓGICOS – Elias
Alves de Andrade (UFMT)
Sala 34-IL
FONÉTICA EXPERIMENTAL –
Laudino Roces Rodrigues
(UFMT)
Sala 35-IL
A PERSPECTIVA TEXTUALINTERATIVA: UMA
ABORDAGEM DOS PROCESSOS
CONSTITUTIVOS DO TEXTO Lúcia Damásio (UFMT)
SOCIOLINGUÍSTICA E ENSINO
DE PORTUGUÊS – Silvia Vieira
(UFRJ)
Sala 36-IL
44
Horário
20h30
Local
Auditório da
FAEC
Atividade
Conferência de encerramento:
Prof. Dr. Eduardo Guimarães
(UNICAMP) – Ler um Texto: uma
perspectiva enunciativa
RESUMOS
RESUMOS DAS MESAS-REDONDAS
MESA-REDONDA 1 – SEMÂNTICA
AS REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS EM UM DOCUMENTO
POLÍTICO HISTÓRICO: A CARTA-TESTAMENTO DE GETÚLIO VARGAS
Luis Passeggi
(UFRN)
A noção de representação discursiva baseia-se num “postulado de
representação” (Grize, 1996, p. 63; 2004, p. 25) segundo o qual as
atividades discursivas dos interlocutores são orientadas por um
conjunto complexo de representações dos temas tratados, da
situação de discurso e dos interlocutores. Assim, todo texto
constrói, com maior ou menor explicitação, representações
discursivas do seu enunciador, do seu ouvinte ou leitor e dos temas
ou assuntos que são tratados. A análise das representações
discursivas demanda categorias que permitam descrever as
operações de construção semântica do texto. Entre essas
operações, encontram-se a referenciação, a predicação e a
localização espaçotemporal (há outras). Propomos uma descrição
de sua utilização e funcionamento textual examinando os
procedimentos de construção da representação discursiva do povo
na Carta-Testamento de Gétúlio Vargas, assim como sua conexão
com as outras representações discursivas que constituem o texto.
45
ALGUNS MISTÉRIOS DE ‘EU’
Renato Miguel Basso
(UFSC)
Este trabalho apresenta e critica as análises tradicionais da palavra
‘eu’ feitas no âmbito da semântica formal, baseadas na proposta de
Kaplan (1989). Além do que chamamos de “uso referencial” de ‘eu’,
aquele analisado por Kaplan, propomos que há pelo menos outros 6
usos do ‘eu’ que não se encaixam, num primeiro olhar, na
abordagem kaplaniana (uso descritivo, como variável, metaficcional,
impróprio, metonímico e genérico). Apresentaremos os possíveis 7
usos de ‘eu’, uma sistematização desses usos e uma proposta de
unificação que leva em conta a sugestão de Nunberg (1993),
ampliada por Elbourne (2008) e Zobel (2010), segundo a qual os
itens indexicais são descrições definidas construídas a partir de um
elemento contextual. Em resumo, os indexicais, através de traçosphi pressuposicionais, selecionam um elemento extralinguístico (i) e
a partir dele e uma relação (R), que pode ser identidade ou papel
(“role”), para chegar a uma descrição definida. Nossa proposta é
formalizar as intuições de Nunberg para os casos não previstos pela
teoria kaplaniana e chegar a uma única forma semântica para o
item ‘eu’.
MESA-REDONDA 2 – ESTUDOS DIACRÔNICOS
ASPECTOS MORFOSSINTÁTICOS DO FALAR MATO-GROSSENSE
José Leonildo Lima
(UNEMAT)
Para discorrer sobre o falar mato-grossense, temos que nos
reportar a Antenor Nascentes. Ao fazer a divisão dialetal do
território brasileiro, classificou a região em que atualmente se
localiza o estado de Mato Grosso como “território incaracterístico”,
sem, contudo, definir o que de fato seria "incaracterístico". Na sua
classificação considerou como território incaracterístico, em termos
46
linguísticos, a área que compreendia entre a fronteira boliviana (rios
Verde, Guaporé, Mamoré até Abunã) e a fronteira de Mato Grosso
com o Amazonas e o Pará, áreas consideradas despovoadas
(NASCENTES, 1953, p. 25-26). Nos últimos anos foram realizadas
várias pesquisas tanto de natureza sociolinguística como
dialetológica, tais como trabalhos monográficos de graduação e de
especialização, sem, contudo fazer um mapeamento do falar local.
Visando fazer o registro da identidade linguística do estado, foi que
em 2009 teve início o Projeto do Atlas Linguístico do Estado de
Mato Grosso – ALIMAT. É uma pesquisa centrada num modelo
dialetológico que, a partir de um questionário contemplando os
níveis fonético, morfológico, sintático e semântico, visa mapear o
falar mato-grossense. Para a aplicação do questionário foram
escolhidos dezesseis municípios dentre aqueles que têm mais de 60
anos de existência, seguindo a metodologia adotadas pelos atlas em
geral. Dentre os níveis elencados na pesquisa, selecionamos para
esta comunicação alguns traços morfossintáticos mais recorrentes
ou que sejam particulares de determinadas regiões do estado. Um
deles diz respeito à questão do gênero, de modo especial o gênero
dos substantivos alface, cal, guaraná, alemão, chefe, ladrão e
presidente. Ainda sobre o substantivo, outro aspecto que foi objeto
de investigação diz respeito à questão da flexão dos substantivos
em número. Foi observado também o emprego dos pronomes
pessoais, possessivos e indefinidos. Outra categoria de palavras que
fez parte da pesquisa foi o verbo. As perguntas formuladas tiveram
como objetivo detectar, por exemplo, o emprego dos tempos
verbais presente do indicativo, pretérito perfeito, futuro do
presente e do pretérito. Foram objeto de investigação também a
concordância verbal e o emprego dos verbos ter e haver em sentido
existencial.
Palavras-chave: dialetologia, atlas, morfossintaxe
47
PARA A HISTÓRIA DO PORTUGUÊS PARANAENSE
Joyce Elaine de Almeida Baronas
(UEL)
O presente estudo objetiva apresentar as pesquisas realizadas pelo
projeto “Para a história do português paranaense: estudos
diacrônicos em manuscritos dos séculos XVII a XIX – fase II”(PHPPR),
vinculado ao Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da
Universidade Estadual de Londrina. Trata-se de pesquisas efetuadas
sob diferentes abordagens; (i) descrição do trabalho com os
manuscritos; (ii) análise do corpus sob a perspectiva funcionalista;
(iii) estudo do processo de escolarização no Estado, (iv) abordagem
diacrônica do ensino de língua portuguesa. O corpus da pesquisa se
compõe de 730 manuscritos produzidos no Paraná, entre os anos de
1693 (Fundação de Curitiba) a 1853 (emancipação do Estado, 5a.
Comarca de São Paulo), armazenados em CD ROM e
disponibilizados para os pesquisadores, docentes e discentes de
cursos de pós-graduação e iniciantes em pesquisa. Tais documentos
estão em fase final de edição, de forma que parte já está publicada.
Pretende-se, no projeto PHPPR, estudar a linguagem presente em
manuscritos paranaenses em seus aspectos sintáticos, semânticos e
lexicais do ponto de vista diacrônico; além disso, constituem
objetivos de trabalho: traçar a sócio-história do português
paranaense, estudando a ocupação demográfica e a formação das
variedades culta e popular; contribuir para melhor compreensão
das dificuldades de aprendizagem da Língua Portuguesa a partir de
dados diacrônicos; estudar a mudança gramatical da variedade
paranaense do português brasileiro; reconstruir o léxico estudando
suas alterações fonológicas, morfológicas e ortográficas; e organizar
e disponibilizar o Corpus Diacrônico do Português Paranaense, de
forma a estimular novas pesquisas sobre essa variedade. A
necessidade de dar prosseguimento às pesquisas direcionadas ao
trabalho com manuscritos paranaenses constitui a mola propulsora
deste projeto. Uma vez iniciado o estudo de tais documentos dos
séculos XVII a XIX, torna-se importante aprofundar os
conhecimentos já adquiridos para divulgar mudanças linguísticas
48
ocorridas no espaço de três séculos em relação à linguagem escrita
e às pistas para a reconstrução da linguagem oral da época.
MESA-REDONDA 4 – PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE TEXTOS NA
CONTEMPORANEIDADE: INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO
A (NÃO) ASSUNÇÃO DA RESPONSABILIDADE ENUNCIATIVA EM
GÊNEROS DO DISCURSO ACADÊMICO
Maria das Graças Soares Rodrigues
(UFRN/PPgEL/DLET/ATD)
Em geral, os gêneros do discurso acadêmico são escritos ou na 1ª.
pessoa do singular, ou na 1ª. pessoa do plural ou, ainda, na 3ª.
pessoa do singular. Essa possibilidade de escolha mostra que o
ponto de vista (PDV) é assumido diretamente pelo
locutor/enunciador primeiro, ou indiretamente por um
locutor/enunciador segundo, ou ainda por um enunciador segundo
não locutor (RABATEL, 2008b). Essas orientações discursivas
constituem diferentes PDVs ou a (não) assunção da
responsabilidade enunciativa. Essa mobilização nos parece ligada
diretamente às áreas do conhecimento. Para melhor compreender a
relação do locutor com a (não) assunção da responsabilidade
enunciativa a respeito das noções veiculadas por diferentes PDVs,
questionamos: (1) como a polifonia se mostra em gêneros
acadêmicos de diferentes áreas do conhecimento? (2) por que o
autor prefere usar a 3ª. pessoa do singular e não a 1ª. pessoa do
singular, nem a 1ª. pessoa do plural? (3) o que o distanciamento do
locutor evidenciado pela 3ª. pessoa do singular pode significar? Para
responder a essas questões, estabelecemos como objetivos analisar
a relação entre o uso das formas pronominais e verbais de 1ª.
pessoa do singular e do plural e a 3ª. pessoa do singular e o
gerenciamento do PDV pelo L1/E1. Em suma, para realizar o estudo,
nosso percurso teórico se situa na análise textual dos discursos, na
linguística da enunciação e em estudos acerca dos gêneros
49
discursivos, de modo especial, ancorando-nos no conceito
bakthiniano de gênero discursivo.
PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE TEXTOS ACADÊMICOS NA
CONTEMPORANEIDADE
Sulemi Fabiano Campos
(UFRN/PPgEL//DLET/GETED/ GEPPEP)
Esta pesquisa é fruto das investigações realizadas no Grupo de
Pesquisa Estudos do Texto e do Discurso - GETED do Departamento
de Letras da UFRN e do Grupo de Estudos e Pesquisa Produção
Escrita e Psicanálise - GEPPEP da Faculdade de Educação da USP.
Procuro responder a pergunta: na contemporaneidade, quais as
características da produção e circulação de textos acadêmicos no
que se refere ao engajamento do pesquisador na construção de
uma experiência por meio da linguagem? Para isso, analiso textos
produzidos por diferentes pesquisadores da área de linguística. Para
este trabalho, selecionei apenas dois artigos científicos publicados
na internet que abordam o papel da Análise do Discurso no Brasil.
Essa escolha se justifica pela proliferação dos estudos do discurso a
partir da década de 1990. Com base nesse corpus, procuro: 1)
verificar se tais textos, ao abordarem a temática da Análise do
Discurso, se diferenciam um do outro; 2) analisar se determinadas
marcas textuais podem ser tomadas como indícios de repetição do
já dito; e 3) apontar a possibilidade de construção da justa medida
entre sua palavra e a do outro. Para fazer mapeamento dessas
características, tomo com um dos aportes teóricos à discussão que
Authier-Revuz (2004, p. 12) faz sobre as formas explícitas da
heterogeneidade da língua, o modo como essas formas “se inserem
no fio do discurso como marcas de uma atividade de controleregulagem do processo de comunicação” que são dadas como
óbvias na produção do discurso. Essas marcas explícitas deixadas
no texto permitem ao leitor mais atento observar o maior ou menor
grau de engajamento do pesquisador com seu escrito. E aquilo que
parece ser metadiscurso ingênuo denuncia o uso excessivo da
palavra do outro no texto. Além de exercer um controle-regulagem
do dizer, marca a ausência de um posicionamento do pesquisador
50
ao que está sendo dito. Resultados de pesquisas anteriores
apontam pelo menos quatro características de textos: a) aquele que
repete os conceitos sem nada acrescentar; b) outro que verifica e
comprova uma teoria; c) outro que mostra que a teoria existe, mas
não é usada como deveria; e d) finalmente um texto que repete e
inova. Partilho da ideia de que para haver produção do
conhecimento, além de uma formação sólida, deverá haver uma
implicação subjetiva por parte de quem escreveu.
AUTORIA DIDÁTICA: PARA ONDE VAI A EXPERIÊNCIA DO
PROFESSOR COM OS TEXTOS?
Thomas Massao Fairchild
(UFPA/ DISSE/GEPPEP)
Procuro responder à seguinte pergunta: o que diferencia a
experiência de um professor de português com os textos que
circulam na contemporaneidade daquela experiência que todo
falante comum tem dos mesmos textos? Para discutir esse
problema, reporto-me à formação de professores para investigar de
que forma essa experiência é pensada nas licenciaturas em Letras.
Parto da percepção de que há três instâncias em que se tem
produzido discursos que buscam balizar a atuação profissional do
professor de língua portuguesa: 1) a literatura que trata de
fundamentos teórico-epistemológicos, centrada na problemática
das concepções (de linguagem, de língua, de texto, de avaliação
etc.); 2) a literatura sobre fundamentos didático-metodológicos,
centrada na proposição de formas de organização do ensino
(modalidades de avaliação, sequências didáticas etc.); e 3) os textos
efetivamente presentes em aula, na maior parte das vezes sob a
forma de livros didáticos. Minha hipótese é de que a formação de
professores tem se focado nas duas primeiras instâncias, de modo
que a circulam nos cursos de licenciatura, sobretudo, a literatura de
base teórica e as propostas metodológicas. Materiais didáticos têm
circulação menor, surgindo basicamente com a função de dado
(para exercícios de crítica) ou fonte (para elaboração de aulas).
Resta assim uma lacuna no que diz respeito ao desenvolvimento de
51
uma experiência na produção dos textos que subsidiam a aula de
português – o desenvolvimento de uma “autoria didática”. A análise
de alguns exercícios de língua produzidos por alunos em formação
em cursos de licenciatura mostra dois problemas dignos de atenção:
a) a elaboração de aulas por vezes encerra-se no planejamento
metodológico, não chegando a uma etapa de seleção e redação dos
materiais a serem utilizados; b) quando há produção de material
didático, ela por vezes se pauta na assimilação de características de
materiais didáticos já existentes e não na experiência direta do
aluno com os textos que figuram em sua aula. Como resposta à
pergunta lançada de início, afirmo que o professor de língua pode
diferenciar-se do falante comum pelo fato de dispor de um cabedal
teórico-metodológico que, articulado à experiência cotidiana com
os textos, permite discernir neles o que pode ser construído como
objeto de ensino – modificando sua própria experiência. Este
trabalho, ao que tudo indica, ainda é pouco observado.
POR ONDE CIRCULA O CURSO DE LINGUÍSTICA GERAL NA
CONTEMPORANEIDADE? UM ESTUDO A PARTIR DE DIFERENTES
FONTES
Valdir do Nascimento Flores
(UFRGS/CNPq)
A linguística ocidental tem seu início reconhecido com a publicação
póstuma, em 1916, de um livro, o Curso de linguística geral – o CLG
como é conhecido –, cuja autoria é atribuída ao suíço Ferdinand de
Saussure. Essa é a primeira grande fonte de pesquisa quando se tem
interesse no pensamento de Ferdinand de Saussure. As condições
em que esse livro veio a público são muito singulares e merecem ser
lembradas com destaque. Conforme explicam os editores do CLG,
no Prefácio que fazem à obra, Saussure fora convidado a ministrar
um curso de linguística geral entre os anos 1906/1907, 1908/1909 e
1910/1911 na Universidade de Genebra. Assistiram a esse curso
alguns poucos ouvintes. Segundo se sabe, Saussure pouco ou nada
teria escrito a respeito de suas aulas. Como viera a falecer em 1913
sem deixar muita coisa que atestasse os caminhos e descaminhos
52
seguidos em sua docência, seus alunos à época, cientes de que
testemunharam uma verdadeira revolução no campo da linguística,
entregaram suas anotações pessoais de aula a dois linguistas –
Albert Sechehaye e Charles Bally – para que, a partir delas, fosse
reunido um material que sintetizasse os três anos de curso. Assim
nasceu o Curso de linguística geral, cujo título, como se pode
facilmente deduzir, faz referência à sua natureza oral. Como é fácil
supor, então, a organização do livro obedece ao entendimento que
se teve do material considerado e está diretamente ligado aos
parâmetros da época do que, no fim do século XIX, era considerado
o discurso científico. É assim que, hoje em dia, há muitas e nãocoincidentes interpretações do livro. E foi com a versão dos fatos
dada por Bally e Sechehaye, ou melhor, com a versão dada ao que
se entendeu como sendo o raciocínio de Saussure, que a linguística
instituiu-se solidamente já na metade do século XX. Tudo começa a
mudar quando, em 1957 Robert Godel publica sua tese, Les sources
manuscrites du cours de linguistique générale, que faz um
levantamento profundo das fontes utilizadas para a organização do
CLG. Tem início, então, um período (conturbado) de descobertas
que inclui desde outros manuscritos de alunos até manuscritos do
próprio Saussure. Em 1958, há a descoberta do caderno de notas de
Émile Constantin, o mais completo já encontrado até hoje; em
1967/1968, é publicada a Edição crítica de Rudolf Engler, em dois
tomos, do Cours de linguistique générale, associada às notas dos
estudantes; em 1971, é publicado, por Jean Starobinski, Les mots
sous les mots: les anagrammes de Ferdinand de Saussure que reúne
os manuscritos sobre os anagramas; em 1996, é descoberto um
manuscrito na residência da família de Saussure editado por Simon
Bouquet e Rudolf Engler. A partir de tudo o que dissemos até aqui, é
fácil deduzir que falar sobre Ferdinand de Saussure, hoje em dia, é
tarefa complexa. E tal complexidade decorre, em grande medida, do
vasto número de fontes disponíveis para pesquisa que incluem
desde o próprio Curso de Lingüística Geral (CLG) até obras escritas e
publicadas por Ferdinand de Saussure; fontes manuscritas de
Saussure (publicadas ou não); cartas de Saussure (pessoais e
profissionais); anotações de alunos de Saussure; cartas de alunos;
edições críticas do CLG; Anagramas (publicados ou não), entre
outras. Isso posto, este trabalho busca avaliar as condições de
53
circulação, de leitura e de interpretação do Curso de linguística
geral na contemporaneidade tendo em vista a multiplicidade de
fontes que podem (ou não) resignificá-lo.
MESA-REDONDA 5 – ASPECTOS DA SINTAXE DO PORTUGUÊS
BRASILEIRO
ASPECTOS DA SINTAXE DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: O OBJETO
NULO
Sonia Cyrino
(Unicamp/CNPq)
O objeto nulo (ausência da expressão fonológica do complemento
do verbo) tem sido o tópico de vários estudos a partir dos anos 80,
com o advento da teoria de Princípios e Parâmetros. O português
brasileiro (PB) permite objetos nulos de forma (quase) irrestrita em
comparação com outras línguas. Nesta apresentação, aponto alguns
fatos sintáticos a respeito do objeto nulo, na busca da sustentação
de uma hipótese forte para a sua existência no PB como
consequência de uma mudança sintática. Os resultados contribuem
para o entendimento não só do objeto nulo, mas da sintaxe do PB.
ASPECTOS DA SINTAXE DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: A
COLOCAÇÃO DE CLÍTICOS PRONOMINAIS EM COMPLEXOS VERBAIS
Marco Antonio Martins
(UFRN)
Apresento, nesta comunicação, resultados preliminares da análise
da sintaxe dos clíticos pronominais em complexos verbais em parte
do córpus mínimo impresso do Projeto para a História do Português
Brasileiro (PHPB). O corpus se constitui de anúncios e cartas de
leitores publicados entre as primeiras e segundas metades dos
séculos XIX e XX em jornais de sete estados brasileiros: SC, PR, RJ,
54
SP,
BA,
PE,
RN
e
CE,
disponíveis
no
sítio
https://sites.google.com/site/corporaphpb/. Considerando a escrita
brasileira no curso desses séculos, estudos têm atestado (i) um
aumento gradativo (e mesmo o aparecimento, uma vez que a
próclise nesse contexto não foi atestada na história do português)
de construções com próclise ao verbo temático, interpretada como
derivada pela gramática do Português Brasileiro (PAGOTTO, 1992;
CYRINO, 1993; NUNES, 1993) e (ii) uma queda nas construções com
alçamento de clíticos, com próclise ou ênclise ao verbo finito. Esses
diferentes padrões de colocação refletem uma mudança sintática na
direção de cliticização dos clíticos pronominais na gramática do PB.
Os resultados obtidos com a análise das cartas de leitores e
anúncios de jornais brasileiros de diferentes estados mostram que a
implementação da mudança está associada à natureza do complexo
verbal: construções com os auxiliares (ter/haver/estar/ir) favorecem
o uso da variante inovadora, da gramática do PB, enquanto
construções com verbos aspectuais e modais (i.e. verbos de
controle) e com verbos causativos e perceptivos não.
ASPECTOS DA SINTAXE DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: PADRÕES DE
INVERSÃO DO SUJEITO
Izete Lehmkuhl Coelho
(UFSC/CNPq)
Diversos trabalhos sobre a variação da ordem do sujeito em
sentenças declarativas têm mostrado uma tendência ao
enrijecimento da ordem sujeito-verbo-objeto (SVO) no português
falado no Brasil atual, estando a posposição restrita a verbos
inacusativos. Outros trabalhos apontam que, na escrita de
brasileiros no curso do século XIX, padrões de inversão germânica,
românica e inacusativa são atestados. É como se nesse século o
português apresentasse um período de transição em que as
construções transitivas sujeito-verbo-objeto e verbo-sujeitoobjeto/verbo-objeto-sujeito (SVO e VSO/VOS) convivessem lado a
lado, e refletissem, na escrita, uma diglossia literária com padrões
gerados por uma variedade inovadora (ordem SVO) e uma
55
conservadora (inversão germânica e inversão românica). Com base
nesse quadro, este trabalho se propõe a descrever e mapear os
padrões de inversão do sujeito encontrados no português escrito
em diferentes regiões do Brasil. O corpus de análise é extraído do
projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) e os
resultados estatísticos, retomados de Coelho e Berlinck (2012),
apontam para uma curva de mudança entre o início do século XIX e
o final do século XX, em direção ao enrijecimento da ordem (X)SVO
ou SXVO, à preferência pelas construções V2 (verbo em segunda
posição) ou V3 (verbo em terceira posição) e ao padrão de inversão
inacusativa – contextos sintáticos preferencialmente encontrados
nas amostras empíricas de fala do final do século XX. Para explicar a
gradação observada entre formas em variação do português escrito
no curso dos séculos XIX e XX serão levados em consideração
postulados teórico metodológicos de Weinreich, Labov e Herzog
(1968) no que se refere aos problemas empíricos de restrição, de
encaixamento e de implementação, atrelados a uma interpretação
gramatical (estrutural) da mudança sintática.
MESA-REDONDA 8 – LINGUÍSTICA APLICADA
LINGUÍSTICA APLICADA E FORMAÇÃO DOCENTE: PROCESSO
(AINDA) INCONCLUSO?
Maria Rosa Petroni
(UFMT)
Os objetivos do ensino de Língua Portuguesa (LP), estabelecidos
pelos parâmetros oficiais — PCN (BRASIL, 1998), PCN+ (BRASIL,
2002), PCNEM (BRASIL, 1999) e OCEM (BRASIL, 2008a) giram em
torno da preparação do aluno para o domínio da expressão oral e
escrita, em situações de uso público da linguagem. Tal preparação,
mediada pelos gêneros, deve não só desenvolver as capacidades
linguístico-discursivas do aprendiz, como também promover a sua
autonomia, no tocante à leitura e à produção oral e escrita, a fim de
que participe conscientemente das práticas sociais, como cidadão.
Nesse contexto, a formação inicial e continuada do professor de LP
56
apresenta-se como fator decisivo para os resultados do processo de
ensino-aprendizagem. Nesta comunicação, apresento alguns dados
relativos
ao
Programa de formação contínua GESTAR II (BRASIL, 2008b),
destinado a professores do Ensino Fundamental, que tem grande
abrangência e aceitação, em todo país. A análise de parte desse
material oficial utilizado na preparação de docentes para o Ensino
Fundamental foi realizada articulando o conteúdo de uma das
unidades aos pressupostos da Linguística Aplicada. Os resultados
obtidos indicam a necessidade de melhor formação do professor e
de cuidados essenciais na elaboração de material formativo.
A APRENDIZAGEM COLABORATIVA DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS:
UM OLHAR SOBRE DOIS ESTUDOS
Francisco José Quaresma de Figueiredo
(UFG)
Esta apresentação tem por objetivo apresentar aos participantes
um referencial teórico sobre aprendizagem colaborativa, com base
nos estudos realizados por Vygotsky. Serão também apresentados
dois estudos (Figueiredo, 2001; Souza, 2003) que tiveram como
foco de estudo a aprendizagem colaborativa de línguas estrangeiras
– o primeiro sendo realizado por meio da interação face a face, e o
segundo, pela interação mediada pelo computador. Tais estudos
corroboram o fato de que a interação e a colaboração são
elementos profícuos para a aprendizagem de uma língua
estrangeira.
LINGUÍSTICA APLICADA E INCLUSÃO SOCIAL
Mariney Pereira Conceição
(UNB)
“A inclusão, abrangendo conceitos como respeito mútuo,
compreensão, apoio, eqüidade e autorização, não é uma tendência,
um processo ou um conjunto de procedimentos educacionais
57
passageiros a serem implementados. Ao contrário, a inclusão é um
valor social que, se considerado desejável, torna-se um desafio no
sentido de determinar modos de conduzir nosso processo
educacional para promovê-la.” (Ministério da Educação, Brasil,
2004, p. 15-16). Considerando a Linguística Aplicada como o
estudo de práticas específicas de uso da linguagem em contextos
específicos (Signorini, 1998:101), nesta fala, pretendemos abrir
uma discussão a respeito das contribuições dessa área do
conhecimento para a inclusão dentro das salas de aula de Língua
Estrangeira. Como destaca Canclini (1995), adotar a perspectiva
dos oprimidos, das minorias e dos excluídos, funciona como um
importante passo para gerar questões na pesquisa que desafiem os
saberes constituídos, tornando visíveis campos muitas vezes
ignorados pelo conhecimento hegemônico. Para Bakhtin (2003),
olhar para o outro a partir de sua subjetividade constitui um
elemento indispensável no processo da compreensão do outro.
Com base nos estudos de Barcelos (2011), o diálogo que
pretendemos propor tem como premissa o fato de que a exclusão
ou inclusão social não se dá somente com portadores de
necessidades especiais, mas com todos aqueles que não são
reconhecidos em suas comunidades de aprendizagem
Consideramos, nesse sentido, que as crianças que já estão em
nossas salas podem também se sentir excluídas da aprendizagem
por práticas tradicionais que as limitam e tolhem seu potencial e
capacidade de desenvolvimento como pessoa e como aluno
(Barcelos, 2011, p.18). Como destaca a autora, pensar sobre
inclusão social significa também repensar nossas crenças, uma vez
que, para aceitarmos o outro e o diferente, é preciso examinar que
tipos de crenças possuímos a respeito desse outro (Barcelos,
2011, p. 19).
58
RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES EM GRUPO
TEMÁTICO
ÁREA TEMÁTICA 1- FONÉTICA E FONOLOGIA
ANÁLISE QUALITATIVA E ACÚSTICA DAS VOGAIS MÉDIAS
PRETÔNICAS NO PORTUGUÊS FALADO NA AMAZÔNIA PARAENSE.
Autores MARA SUENY TEIXEIRA DA COSTA 1,
Instituição 1 UFPA - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (Universidade
Federal do Pará - Rua Augusto Corrêa, 01 - Guamá. CEP
66075-110. PA)
Resumo
O presente estudo tem como objetivo caracterizar acusticamente as
vogais orais átonas das variedades estudadas da Amazônia Paraense
pela equipe da UFPA a qual tem a pesquisa O sistema vocálico do
Português falado em Belém (PA): análise experimental vinculada ao
PROBRAVO. O referido trabalho irá abordar especificamente os
resultados alcançados com a análise qualitativa e acústica das
vogais /e/ vogal média anterior e /o/ vogal média posterior ambas
em posição pretônica, da variedade do português falada na capital
paraense. O corpus original é composto de amostras de fala de 18
(dezoito) informantes nativos de Belém (PA) estratificados
socialmente em sexo (masculino e feminino), faixas etárias (de 15 a
25 anos; 26 a 45 anos; acima de 45 anos) e nível de
escolaridade(ensino fundamental; ensino médio; ensino superior)
que foram gravados em situação de fala lida. Os mesmos
produziram 51 (cinquenta e um) vocábulos nos quais contem as
vogais pretônicas alvo /e/ e /o/, a partir da leitura de um texto que
tem por título “A marca da nacionalidade Brasileira” o qual fala
sobre o futebol. Ao todo o corpus de fala lida compreende 918
(novecentos e dezoito) ocorrências das vogais médias em posição
de análise. O tratamento dos corpora foi feito no software PRAAT
onde a apresenta 06 (seis) níveis de segmentação, em seguida para
o controle e levantamento dos dados foi dado início ao
preenchimento de questionários e a criação da planilha para a
59
omada de medias físicas. Foram efetuadas tomadas de medidas
físicas da freqüência fundamenal (F0) e os formantes F1 e F2 para o
cálculo de média, desvio padrão e teste T das vogais alvo. A análise
qualitativa e acústica dos dados até o presente momento tem
confirmado a hipótese de harmonia vocálica no caso do alteamento
das vogais médias pretônicas no dialeto da cidade de bélem.
Palavras-chaves: Analise Acústica, Português Brasileiro, Vogais
Médias Pretônicas.
VARIAÇÃO FONÉTICA E FONOLÓGICA: UM OLHAR LINGUÍSTICO
SOBRE O MANUAL DIDÁTICO
Autores Nádia CRISTINA DA SILVA SANTOS 1,
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO
(AV. FERNANDO CORRÊA DA COSTA, BAIRRO BOA
ESPERANÇA, CUIABÁ-MT.)
Resumo
Como falantes nativos do português, percebemos que, muitas
vezes, a língua se apresenta sob uma forma bastante diferente
daquela a qual estamos habituados ao conversarmos em casa com
nossos familiares ou com nossos amigos. Essa diferença pode
manifestar-se em vários níveis linguísticos como: o fonético, o
fonológico, o morfológico e sintático. O campo da variação
linguística é muito amplo. Por isso, nessa pesquisa, optamos por
estudar a variação linguística nos níveis fonético e fonológico. A
proposta do presente trabalho é refletir sobre as discussões feitas a
respeito da variação nos níveis fonéticos e fonológicos em três livros
didáticos do Ensino Médio da rede pública de Educação: “Novas
palavras: língua portuguesa: ensino médio”, de Emília Amaral (et al)
“Português: ensino médio”, de José De Nicola e “Português:
linguagens”, de Willian Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães.
Para isso, se fará um estudo dos conceitos e das atividades
abordados nesses níveis de análise, comparando-os com o que é
pressuposto pela Linguística, em sua ramificação da Fonética e da
Fonologia do português. Nos dados coletados durante o estudo,
observou-se que as atualizações das pesquisas em Linguística não
estão, de forma geral, contempladas na apresentação desses
60
conteúdos pelos livros didáticos, e, ainda, nota-se certo preconceito
quando os autores trabalham com o tema variação linguística, pois
estes são trabalhados de maneira fragmentada tanto na parte
destinada à conceituação quanto nos exemplos e exercícios
propostos. Outro fato importante que deve ser lembrado é que
sempre na parte das orientações para o professor os livros
apresentam as inovações, bem como os autores que discutem esses
temas, além de trazê-lo de uma forma ampla ao passo que nos
capítulos são apresentadas de maneira resumida. Observamos
também que em nenhum momento os livros didáticos trabalham
com exemplos que contemplem uma variedade linguística diferente
da “padrão”. Isso, só reafirma a ideia de normatização da língua e a
visão tradicional dos autores ao selecionar os conteúdos destinados
a constituição dos manuais didáticos.
Palavras-chaves: Ensino, Fonética, Fonologia, Linguística, Variação.
ÁREA TEMÁTICA 2- MORFOLOGIA
A EVOLUÇÃO DO PARTICÍPIO PRESENTE NO PORTUGUÊS
Autores Elaine Ferreira Dias 1,2
Instituição 1 UNIMONTES - Universidade Estadual de Montes Claros
(Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro - Vila
Mauricéia CEP 39401-089), 2 PUC Minas - Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (Av. Dom José
Gaspar, 500 - Prédio 20 - sala 210 - Coração Eucarístico)
Resumo
Com vistas a contribuir para o estudo dos processos de lexicalização
e gramaticalização, este trabalho tem por objetivo apresentar
algumas considerações sobre a mudança do particípio presente.
Segundo Williams (1961, p. 191), houve mudança na categoria de
verbos do particípio presente no latim e no português arcaico para
adjetivos e substantivos no português contemporâneo. Em um
estudo preliminar, observou-se que alguns verbos, apesar de
apresentarem a forma de particípio presente, funcionavam
respectivamente como adjetivos, substantivos, preposições
acidentais e conjunções. O processo parece tomar pelo menos duas
direções. a) itens que se lexicalizam e b) itens que se
61
gramaticalizam. Segundo Vitral & Ramos, (2005, p.24), um item se
gramaticaliza quando é recategorizado como gramatical
(lexical>gramatical). Por exemplo, a mudança de categoria do verbo
no particípio presente para conectivo, com o item mediante. E
lexicaliza quando permanece como item da mesma categoria lexical
ou de outra categoria também lexical (lexical>lexical). Nesse caso, a
mudança de verbo para substantivo e adjetivo expressa nos itens
ouvinte e minguante. No primeiro caso, com o conectivo mediante,
verifica-se um esvaziamento do conteúdo semântico e das funções
lexicais para incorporar funções gramaticais, o mesmo não ocorre
com o segundo caso, com os itens ouvinte e minguante, pois foram
preservadas as características de item lexical. A discussão desses
fenômenos envolve algumas questões, como: 1) que fatores
influenciaram a mudança do particípio presente? 2) em que estágio
de gramaticalização se encontra o particípio presente no português
contemporâneo? A fim de responder a esses questionamentos,
serão apresentadas discussões propostas por diferentes autores
como, Heine, Claudi e Hünnemeyer (1991); Brinton e Traugott
(2005), Vitral e Ramos (2005). Bem como será apresentado
resultado preliminar do estudo corpus adotado, que é constituído
por textos de diferentes fases da língua português - fase arcaica,
fase moderna e fase contemporânea - com o intuito de testar as
hipóteses assumidas.
Palavras-chaves: particípio presente, lexicalização, gramaticalização
OS SINAIS BRAQUIGRÁFICOS
Autores Angelita Heidmann Campos 1, Elias Alves de Andrade 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Correa da Costa s/n, Bairro Coxipó), 2 UFMT Universidade Federal de Mato Grosso (Av. Fernando
Correa da Costa s/n, Bairro Coxipó)
Resumo
Esta comunicação pretende apresentar, por meio de edições
monotestemunhais, todos os sinais braquigráficos encontrados nos
cinco manuscritos: Instruções dadas pela rainha Mariana da Áustria
a Dom Antônio Rolim de Moura; Registro do regimento dos
62
governadores gerais ou vice-reis do estado do Brasil; Cópia das
instrução de João Pedro da Camera ao Conde de Azambuja; Cópia
da instrução dada por Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e
Cáceres a Luiz Pinto de Souza Coutinho e Cópia da instrução que
João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres deixou a seu irmão
por Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, datados entre
1749 e 1788/1789, do “Livro de Registro das Instruções Reais ao
Governadores da Capitania de Mato Grosso”, pertencente ao
Arquivo Público de Mato Grosso (APMT). As abreviaturas serão
apresentadas em três colunas. A primeira composta pela edição facsimilar, ou mecânica (SPINA, 1977, p.77-78), que apresenta um grau
mínimo de intervenção do editor no manuscrito (CAMBRAIA, 2005,
p. 91), já que reproduz com muita fidelidade as características do
original: o formato, o papel, as ilustrações, as margens e possibilita
o acesso quase direto ao texto. A segunda pela edição diplomática
(SPINA, 1977, p. 78) e (CAMBRAIA, 2005, p. 93-95) que é uma
transcrição rigorosa na qual se edita conservando os elementos
presentes no texto tal como o escriba fez. E a terceira pela edição
semidiplomática (SPINA, 1977, p. 78), ou paleográfica (CAMBRAIA,
2005, p. 93-95), ou seja, representa uma transcrição conservadora,
apenas desdobrando-se as abreviaturas, conservando-se os demais
elementos presentes no texto. A palavra braquigrafia, originária do
grego <i>braqui</i>, curto, e <i>graphien</i>, escrever, significa
escrever abreviado, prática que derivou das siglas, notas tironianas
e <i>Notae Juris</i>, utilizadas pelos romanos para reduzir os
vocábulos, segundo Acioli (1994, p. 45). Segundo Flexor (2008, p.
12) e Acioli (1994, p. 46), o uso de abreviaturas, siglas e notas
tironianas tinham o intuito de ocupar menos espaço devido à
escassez de materiais de base e de registro e economizar tempo.
Spina (1977, p. 44) enfatiza que conhecer as abreviaturas é
fundamental para se interpretar os documentos medievais e
classifica as abreviaturas por sigla, apócope, síncope, letras
sobrepostas, signos especiais de abreviação e letras numerais. Este
trabalho é vinculado aos projetos de pesquisa: “Estudo do
português em manuscritos produzidos em Mato Grosso a partir do
século XVIII”, MeEL/ IL/ UFMT, e ao projeto temático “Para a
História do Português Brasileiro – PHPB.
63
Palavras-chaves:
Braquigráficos
Filologia,
Manuscrito,
Edições,
Sinais
FLEXÃO RELACIONAL E LÍNGUAS JÊ SETENTRIONAIS: UMA
RETROSPECTIVA
Autores Maxwell Miranda 1
Instituição 1 LALI/UnB - Laboratório de Línguas Indígenas,
Universidade de Brasília (Campus Universitário Darcy
Ribeiro, ICC Sul, Sala BSS 231 - Caixa Postal: 4395 –)
Resumo
A flexão relacional constitui um dos traços tipológicos comuns em
uma gama considerável de línguas de distintos agrupamentos
genéticos da América do Sul, entre os quais o Tupí, o Macro-Jê e o
Karíb (Rodrigues 1985, 1999, 2010). O mecanismo morfossintático
em foco, descrito primeiramente por Rodrigues (1953) para o
Tupinambá (ou Tupí Antigo), estabelece, por meio de prefixos, a
relação de dependência sintagmática entre o núcleo e seu
respectivo determinante, conforme ou não a sua contiguidade
sintática, isto é, entre verbo transitivo e seu objeto, verbo
intransitivo e seu sujeito, nome e posposição ou nome e seu
possuidor em construções genitivas. Nesse estudo, exploraremos o
mecanismo da flexão relacional em línguas da família Jê (tronco
Macro-Jê), que inclui quatro línguas faladas no Mato-Grosso: o
Suyá, o Mebengokrê, o Tapajúna e o Panará, com base na proposta
de Rodrigues (2001) e de Cabral e Costa (2003), e nos trabalhos de
Borges (1995), Santos (1997), e Dourado (2001). Incluiremos dados
de outras línguas da família – das línguas Krahô e Apinajé, faladas
em Tocantins e da língua Xikrín, falada no Pará. Focalizaremos o
fenômeno em questão a partir dessas línguas do ramo JêSetentrional, as quais apresentam paradigmas regulares, ao
contrário de outras línguas, cujo mecanismo flexional apresenta
apenas vestígios do que teria sido a flexão relacional em estágios
anteriores. Dados dessas últimas línguas serão apresentados para
realçar o contraste entre línguas em que os prefixos relacionais são
produtivos e línguas em que os antigos relacionais perderam sua
64
funcionalidade. Os dados analisados nesse estudo provêm de
trabalhos de campo realizados por pesquisadores do Laboratório de
Línguas Indígenas, junto aos falantes de suas respectivas línguas
(Miranda, 2010, notas de campo e Costa 2010, notas de campo),
bem como dos trabalhos de Santos (1997), Dourado (2001), Ferreira
(2003), (Costa 2003, notas de campo) e Albuquerque (notas de
campo).
Palavras-chaves: prefixos relacionais, morfossintaxe, línguas Jê
Setentrionais, tronco-Macro-Jê, línguas indígenas.
MAIS EVIDÊNCIAS LEXICAIS, FONOLÓGICAS E MORFOSSINTÁTICAS
DE PARENTESCO GENÉTICO DO RIKBAKTSA COM LÍNGUAS DO
TRONCO MACRO-JÊ
Ana Suelly Arruda Câmara Cabral 1 , Aryon Dall'Igna
Autores
Rogrigues, Sanderson Castro Soares de Oliveira
Instituição 1 LALI/UnB - Laboratório de Línguas Indígenas,
Universidade de Brasília (Campus Universitário Darcy
Ribeiro, ICC Sul, Sala BSS 231 - Caixa Postal: 4395 –)
Resumo
Em Rodrigues e Cabral (2007) é acentuado que “A hipótese da
origem comum de todas as famílias linguísticas reunidas sob o
rótulo Macro-Jê ainda está longe de uma comprovação cabal.”
(p.114). Os desafios que essa hipótese representa são de naturezas
distintas. Por um lado, há falta de documentação das línguas em
questão, como acentuado por esses autores (op. cit.), por outro
lado, pode tratar-se de um tronco cujo desmembramento teria se
dado durante uma história com maior profundidade temporal do
que a dos grandes agrupamentos consolidados, como o tronco Tupí,
a família Karíb e a família Aruák. Há ainda a possibilidade de efeitos
de contato desses povos com outros de origens genéticas distintas,
dada a separação geográfica em que se encontram na atualidade e
que refletem longas migrações em raios que somam até 3.500 km
de extensão, como é o caso de uma única família, a família Jê, cujos
representantes localizam-se em pontos distantes – no extremo
norte do estado do Maranhão, no estado do Pará, no estado do
Tocantins, no Estado de Mato-Grosso, no estado de Goiás e nos
65
estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Migrações em grandes áreas como essas propiciam encontros em
que as línguas em contato podem não só receber os mais diferentes
tipos de interferência, como podem ser a fonte de interferências em
outras línguas; e os dois casos são possibilidades que não podem ser
descartadas em se tratando das várias famílias propostas como
sendo do tronco Macro-Jê. Há ainda o grave problema causado pela
falta de documentação de línguas extintas e que foram
minimamente documentadas. Nesta comunicação fazemos uma
comparação de aspectos lexicais, fonológicos e morfossintáticos da
língua Rikbaktsa com dados de outras línguas também consideradas
por Rodrigues como pertencentes ao tronco Macro Jê,
acrescentando novos dados que fortalecem a hipótese da filiação
do Rikbaktsa a este tronco lingüístico. O presente estudo é também
uma demonstração da aplicação dos princípios e etapas
metodológicas
do
Método
Histórico
Comparativo
no
estabelecimento de conexões genéticas entre línguas.
Palavras-chaves: morfossintaxe, linguística histórica, método
histórico-comparativo, língua Rikbaktsá, tronco Macro-Jê
USO DE CLASSIFICADORES EM LIBRAS
Autores Elidéa Lúcia Almeida Bernardino 1
Instituição 1 UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais (Av.
Presidente Antonio Carlos, 6627, Pampulha, FALE)
Resumo
O uso de classificadores em línguas de sinais tem sido examinado
por muitos anos, destacando-se no Brasil: Ferreira-Brito (1995),
Felipe (2002), Quadros e Karnopp (2004) e Bernardino (2006), além
de alguns estudos mais recentes a respeito. Porém, poucos estudos
apresentam uma descrição do uso de classificadores por surdos
sinalizadores, comparando usuários nativos e não-nativos de Libras.
Este estudo busca descrever como surdos nativos e não-nativos
usam classificadores em resposta a um estímulo de produção de
linguagem chamado “RO task” (Real Objects Task), criado por
Hoffmeister e sua equipe (Hoffmeister , 1999; 2007) com o objetivo
de estudar a produção de classificadores em ASL, sendo utilizado
66
também em testes com a língua de sinais grega (Kourbetis,
Hoffmeister e Bernardino, 2005) e brasileira, agora descrito. Esse
teste foi feito com cinco surdos profundos, atuantes na comunidade
surda: um deles tem pais surdos, outro tem irmãos mais velhos
surdos e ambos adquiriram a Libras na infância e os outros três
sujeitos adquiriram a língua após os seis anos de idade. Todos eles
ensinam a língua de sinais a profissionais ouvintes que trabalham
com crianças e dois deles atuam ou atuaram durante vários anos
como professores ou modelos de língua de sinais para crianças e
adolescentes surdos. Em resposta aos estímulos apresentados,
algumas categorias de objetos foram representadas de forma
similar por todos os sinalizadores; outras, no entanto, mostraram
uma maior variação. Embora tenha sido encontrada uma certa
regularidade na escolha de configurações de mão específicas para
se referir a objetos no mundo, a variação encontrada entre os
sinalizadores foi maior entre aqueles que adquiriram a língua mais
tarde do que entre os surdos que a adquiriram antes dos seis anos
de idade. Esse era um resultado esperado, já sugerido por pesquisas
que comparavam a produção de surdos que adquiriram a ASL cedo
ou tardiamente (Mayberry e Lock, 2004). Este estudo também
apresenta uma contribuição relevante ao estudo das línguas de
sinais, pois descreve o uso de classificadores na representação de
várias categorias de objetos, o que ainda tem sido pouco explorado
nas pesquisas sobre a Língua Brasileira de Sinais.
Palavras-chaves: Libras, classificadores, surdos nativos, aquisição
tardia
ÁREA TEMÁTICA 3- SINTAXE
O INOVADOR “VOCÊ” EM CARTAS PESSOAIS NORTE-RIOGRANDENSES DO SÉCULO XX
Autores Kássia Kamilla Moura, Marco Antonio Martins1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Natal, RN)
Resumo
Neste trabalho, objetivamos descrever e analisar o processo de
67
variação/mudança envolvendo os pronomes pessoais TU e VOCÊ, e
sua extensão no paradigma pronominal no Português Brasileiro
(PB), em cartas pessoais trocadas entre o casal Lourival Rocha e
Ruzinete Dantas, ambos nascidos no Rio Grande do Norte no início
do século XX. O universo discursivo dessas cartas é basicamente
notícias da cidade em que viviam – uma vez que moravam em
cidades distintas –, assuntos do cotidiano (trabalho, viagens e
política) bem como a preocupação com a família e a saúde dos
filhos. As cartas analisadas fazem parte do córpus da minha
dissertação de mestrado em desenvolvimento, pelo Programa de
Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da UFRN, e parte delas
integram o banco de dados do córpus mínimo manuscrito do
Projeto História do Português Brasileiro no Rio Grande do Norte
(PHPB-RN). Neste trabalho, tomamos por base os estudos de Lopes
e Machado (2005), Rumeu (2008) e Lopes et al. (2009), os quais
registram que no PB a forma VOCÊ suplanta o uso de TU a partir do
século XX. As referidas autoras atestam o seguinte quadro:
enquanto (a) as formas verbais imperativas, (b) os sujeito pleno e (c)
os pronomes complementos preposicionados são contextos
favorecedores ao uso do VOCÊ; as (d) formas verbais não
imperativas (com sujeito nulo), (e) os pronomes complementos não
preposicionados e (f) os pronomes possessivos (teu/tua) são
contextos de resistência do TU. Observando a produtividade do
VOCÊ nesses diferentes contextos sintáticos nas cartas pessoais
norte-rio-grandenses, pretendemos responder as seguintes
questões de pesquisa: 1) No processo de implementação do
inovador VOCÊ, as cartas pessoais norte-rio-grandenses apresentam
o mesmo quadro delineado acima? e 2) Por que os contextos de
implementação listados em (a), (b) e (c) favorecem o uso do VOCÊ?
No tocante à metodologia, os dados extraídos das cartas serão
categorizados de acordo com a sociolinguística variacionista (cf.
WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006; LABOV, [1972] 2008) e,
posteriormente, submetidos aos programas do pacote estatístico
GOLDVARB2001 (cf. ROBINSON; LAWRENCE; TAGLIAMONTE, 2001),
a fim de rastrear, detalhadamente, por meio de frequências de uso
e pesos relativos, a implementação do você nas cartas.
Palavras-chaves: Português Brasileiro; Pronomes Pessoais, Século
XX; “Você”.
68
ÁREA TEMÁTICA 4- SEMÂNTICA
OS LUGARES DE DIZER NA CENA ENUNCIATIVA
Autores Leila Castro da Silva 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade Estadual de Mato Grosso (AV:
SÃO JOÃO)
Resumo
Dentre os vários tipos de violência, uma delas vem sendo
evidenciada pela mídia em nosso país: a violência contra a mulher.
Com a criação da Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da
Penha, a violência toma uma dimensão maior e repercute nos
diversos discursos da sociedade brasileira. Pensando essa
problemática, proponho, neste trabalho, analisar enunciativamente
o agenciamento das figuras enunciativas inscritas no texto de um
Inquérito Policial Lesão Corporal – Decorrente de Violência
Doméstica e Familiar, observando, como as figuras enunciativas são
agenciadas a dizer, isto é, quem fala, para quem e de que lugar se
fala. Para o estudo, mobilizarei os pressupostos teóricometodológicos da Semântica do Acontecimento, desenvolvida no
Brasil por Eduardo Guimarães. Neste resumo, me aterei à
apresentação de uma análise preliminar de um recorte teórico
extraído desse Inquérito, que constitui o corpus da pesquisa que
desenvolvo no Mestrado em Linguística, a partir da noção de cena
enunciativa que, segundo Guimarães (2010, p. 23), “se caracteriza
por constituir modos específicos de acesso à palavra, dada as
relações entre as figuras de enunciação e as formas linguísticas”. No
texto do Boletim de Ocorrência-BO, em que consta a denúncia feita
por uma vítima menor de idade, irei analisar como se dá o
agenciamento das figuras enunciativas inscritas nesse documento. A
cena enunciativa, em análise, se constitui nos espaços de
enunciação de Língua Portuguesa do século XXI, entre falantes que
se caracterizam pelos modos de dizer e pelos lugares sociais que
representam. Na cena do Boletim de Ocorrência, os lugares são
constituídos pelos dizeres das pessoas, e não por pessoas que se
imaginam donas do seu dizer, ou seja, as figuras enunciativas são
constituídas pelo locutor-escrivão e o locutor- comunicante (mãe).
69
O Locutor que ocupa o lugar social de Escrivão de Polícia (locutor-x)
representa o poder judiciário, e é autorizado a dizer desse lugar. O
locutor-comunicante (mãe) representa a filha menor de idade que,
pelas normas do jurídico não é autorizada a dizer, a denunciar.
Neste sentido, estudar esses acontecimentos como fatos de
linguagem é de suma importância para perceber as pistas deixadas
pela linguagem em diferentes épocas e em diferentes
materialidades produzindo sentidos diversos. Espero, através deste
estudo, dar visibilidade aos estudos da semântica e também refletir
sobre essa temática.
Palavras-chaves: Cena Enunciativa, Semântica do Acontecimento,
Violência Contra a Mulher
AS DIFERENÇAS ENTRE AS LÍNGUAS E OS DIFERENTES PADRÕES DE
LEXICALIZAÇÃO: INTERFACE SEMÂNTICA E COGNITIVA
Autores Viviane Lucy Vilar de Andrade 1
Instituição 1 UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (Campus
Universitário Trindade, CCE, Bl B, Sala 315)
Resumo
De acordo com McWhorter (2005), as línguas variam no que elas
gramaticalizam, a ponto de uma mesma estrutura semântica poder
ser representada por várias estruturas sintáticas e poderem ser
mais ou menos complexas, tendo essa variação ou gradiência
explicada por diversos fatores. Seguindo essa linha de pesquisa e
apoiado em pressupostos da Linguística Cognitiva, o presente
trabalho apresenta uma comparação entre algumas línguas
humanas e os seus diferentes padrões de lexicalização, suas
estruturas conceptuais e as diferentes representações semânticas
em cada língua e, com Talmy (2003), foca a interface entre a
estrutura cognitiva e a estrutura semântica. Dos vários elementos
de uma gramática, o presente trabalho se concentra nos estudos de
aspectos verbais e observa em Talmy (2003) como se dá sua
classificação de macro-evento, apontando que essa estrutura
(macro-evento) reflete um esquema conceptual (cognitivo) bem
definido. Se opondo à teoria gerativa, a qual se centralizava na
sintaxe, Talmy e Jackendoff (1983) não concordam que pode haver
apenas estruturas sintáticas, mas devem haver estruturas
70
semânticas também. Assim, a linguagem não pode estar desligada
dos outros aspectos cognitivos. A linguagem apresenta relação com
outros sistemas (módulos) cognitivos, como a visão, por exemplo:
FIGURA/FUNDO. Este trabalho também observa, com exemplos, o
léxico de uma língua e os padrões de lexicalização e sua interface
semântica e cognitiva. Já que uma das habilidades cognitivas
humanas é a seleção ou a capacidade de se focar em determinada
parte do que se experiencia e no que se acha que é relevante
naquele momento, da mesma forma, a capacidade de se ignorar
aspectos do que se experiencia e que se considera não relevantes,
tem-se o enquadre, enquadre semântico e o enquadre excludente.
Aponta-se o Projeto Framenet Brasil e observa-se que uma unidade
lexical, a qual provoca determinado frame e/ou diversos frames,
possibilitam a construção semântica e gramatical. É, assim, um
ESQUEMA CONCEPTUAL: REDE DE FRAMES. Trata-se de uma
pesquisa bibliográfica e teórica.
Palavras-chaves: lexicalização, variação linguística, linguística
cognitiva, interface semântica, interface cognitiva
A SEMÂNTICA DO VERBO “PEGAR“: UM ESTUDO SOBRE O
SENTIDO
Autores ELZA CONTIERI 1
Instituição 1 UNIFESP/Bolsa Capes - Universidade Federal de São
Paulo (Estrada do Caminho Velho, 333 - Guarulhos)
Resumo
No universo da linguagem, sabe-se que o estudo do sentido
empregado para a análise dos variados usos lexicais toca em
questões cadentes, principalmente, na prática de ensino de língua,
materna ou estrangeira. No caso do ensino brasileiro de língua
materna, verifica-se que o tratamento dado não consegue abarcar a
riqueza semântica dos usos linguísticos, visto que há,
predominantemente, no país, uma prática educacional que pouco
evidencia as múltiplas possibilidades semânticas que envolvem o
usuário e a língua (Cf. ROMERO,2009; FRANCHI,2002). Desse modo,
tanto educador e educando, quanto o modelo de ensino devem ser
reavaliados- isso justifica nosso estudo e instiga-nos a desbravar os
meandros linguísticos, em específico no âmbito educacional.
71
Observando esse panorama educacional, propõe-se uma atividade
epilinguística, isto é, a de promover a oportunidade de reflexão
constante acerca do funcionamento da língua e dos mecanismos da
linguagem. Trata-se, assim, de uma atividade metalinguística que
primeiro experimenta os possíveis usos de uma determinada
unidade léxico-gramatical e suas possíveis significações para depois
descrever suas regularidades, construindo, dessa maneira, o
conhecimento sobre e pela linguagem. A partir dessa proposição,
pretendemos realizar um trabalho de reflexão sobre a linguagem e
seus processos de significação na língua portuguesa partindo de
uma unidade linguística: o verbo “pegar”. Analisando, nesse verbo,
em suas possíveis construções sintáticas, as várias acepções que lhe
são conferidas. Observando, também, os termos com os quais esse
elemento linguístico interage e, além disso, seus processos de
formação de novas palavras, como: “pegação” e “pegada”. Para
tanto, utilizaremos como corpus textos lexicográficos coletados
numa sala do 1o ano do ensino médio de uma escola pública, em
novembro de 2011. Como instrumental teórico a Teoria das
Operações Enunciativas (TOE), de Antoine Culioli (1999), que
propõe o estudo semântico da língua, compreendendo o sentido
como o resultado das relações que as unidades léxico-gramaticais
operam para compor os enunciados. Nota-se, por meio desse viés
teórico, que o sentido da unidade linguística, no caso a do verbo em
questão, deve ser buscado no próprio desenrolar do processo
enunciativo - o que corrobora com a perspectiva epilinguística já
proposta. Por conseguinte, por meio de nossas análises ainda em
andamento, pudemos constatar que o uso do verbo pegar é muito
produtivo e dinâmico, no sentido que este verbo contribuiu para a
formação de neologismos na língua em uso, promovendo nesta uma
nova categoria semântica para os enlaces amorosos. Esses
resultados já mostram que a análise dos variados usos lexicais são
de suma importância para o estudo da construção do sentido,
principalmente no período escolar.
Palavras-chaves: Atividade Epilinguística, Léxico, Teoria da
Operações Enunciativas, Semântica, Verbo
72
AS FIGURAS ENUNCIATIVAS DO AGENTE DE SAÚDE AMBIENTAL NA
ENUNCIAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA NA CIDADE DE CÁCERES
Autores SUELI MARTINS CARDOZO 1,1,1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Campus Universitário de Cáceres)
Resumo
Este projeto de pesquisa tem por objetivo analisar a constituição
das figuras enunciativas do Agente de Saúde Ambiental (ASA) na
enunciação da saúde pública na cidade de Cáceres-MT. O
<i>corpus</i> de nossa pesquisa consistirá de documentos oficiais
referentes à categoria, entrevistas com servidores da FUNASA,
(Fundação Nacional de Saúde), servidores municipais (ASA) e de
munícipes na enunciação da visita desses profissionais nas
residências, uma vez que nessas cenas enunciativas, o acesso à
palavra pelas figuras se constitui de modo particular, pois
percebemos durante as visitas que o morador estabelece diferenças
no tratamento entre o servidor da FUNASA e o ASA. Nossa lente
teórica é a Semântica do Acontecimento de Eduardo Guimarães
(2002), por entendermos que a língua se relaciona com a história,
com a cultura da sociedade que a produziu e isto fica evidente
quando nos ocupamos em compreender a significação das palavras
que chegam até nós carregadas de sentidos e de ideologia.
Também, nesta reflexão não nos interessamos na concepção de
língua como transparente, como um sistema fechado, mas em
observar a língua em funcionamento, significando as coisas e os
sujeitos. Para entender a constituição dessas figuras enunciativas é
pertinente reportarmos ao século XIX, mais precisamente ao ano de
1808, marco da chegada da Família Real no Brasil, e início da saúde
pública no Brasil que se deu por volta de 1810-1815, com a
fundação do Colégio Médico-Cirúrgico no Rio de Janeiro e do Real
Hospital Militar, em Salvador, Bahia. No ano de 1828 foi criada a
Inspetoria de Saúde dos Portos a fim de prevenir as epidemias de
varíola, febre amarela e cólera que assolavam a população. Uma
Junta de Higiene Pública foi formada para vacinar toda a Corte
contra o “mal das bexigas”, como era conhecida a varíola. As
doenças tropicais se alastravam por todo o Império, e por volta de
73
1850 a 1860, o Rio de Janeiro exportava a febre amarela. A saúde
coletiva e o setor econômico se tornaram um caos, pois os navios
estrangeiros se recusavam a atracar no porto do Rio de Janeiro.
Visando combater a febre-amarela, o presidente do Brasil,
Rodrigues Alves nomeou o sanitarista Oswaldo Cruz, para o cargo de
Diretor do Departamento Federal de Saúde Pública. Formou-se um
grupo de 1500 homens para trabalhar na desinfecção da cidade e
combater o mosquito transmissor da doença. Em fim, procuraremos
investigar qual a imagem que a população atendida pelo ASA faz
dele, bem como o início das atividades dos denominados “mata
mosquitos”, origem do que conhecemos hoje como ASA. Trilhando
esse caminho, compreendemos que a enunciação sobre o ASA, não
é só um fato de linguagem, mas assunto relevante para uma
pesquisa.
Palavras-chaves: Semântica, Enunciação, Linguagem, Sentido,
Saúde
A JUSTIFICATIVA DO INJUSTIFICÁVEL: A escravidão negra no Brasil
e seus argumentos linguísticos e retóricos
Autores Najara Neves de Oliveira e Silva 1,
Instituição 1 UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
(Estrada do Bem Querer, Km04, Vitória da Conquista, Ba.
CEP45031-300)
Resumo
Este artigo pretende discutir a escravidão negra no Brasil, no século
XIX, a partir da perspectiva da Teoria da Argumentação na Língua de
Oswald Ducrot (2009) contrastando a retórica com a Linguística,
tendo em vista investigar como a escravidão foi justificada pela
linguagem: Como se explicou o fato da escravidão do homem pelo
homem, em período de paz, desde que até então a escravidão
conhecida era, sobretudo, decorrente da guerra? Pretende-se
articular pontos de vista. Será estudado o conto de Machado de
Assis, “Pai contra mãe”, que, publicado em 1906, trata de uma
história da escravidão, sendo, portanto uma obra literária ficcional,
mas que retrata fatos que aconteciam no período estudado,
considerando-se a farta documentação existente sobre o assunto a
74
exemplo de Costa e Silva (2002).Machado de Assis narra a história
de um modo que permite uma leitura, até certo ponto, fidedigna
dos acontecimentos, o que possibilita uma análise da linguagem e
argumentos utilizados pela sociedade da época. Desse modo, este
trabalho objetiva investigar o seguinte problema: De que maneira,
do ponto de vista retórico e linguístico, a sociedade brasileira do
século XIX justificava a escravidão negra? Visa-se procurar através
da teoria da argumentação na língua e teoria da retórica as
características desses argumentos. Para tanto, será levantado o
contexto histórico porque se entende o “acontecimento” escravidão
negra no Brasil como consequência de condições históricas bem
específicas. O foco serão as condições de possibilidade para o
surgimento/manutenção da escravidão, construídas e estabelecidas
por argumentos retórico-linguísticos que serviram de justificação
para tal prática. Assim, Ducrot (2009), delimita o que seja
argumentação retórica – “atividade verbal que visa fazer alguém
crer em alguma coisa”, e argumentação linguística – (...) “segmentos
de discurso constituídos pelo encadeamento de duas proposições A
e C, ligadas implícita ou explicitamente por um conector do tipo
donc
(portanto),
alors
(então),
par
conséquent
(consequentemente)”, chamados de normativos. Neste trabalho,
por recorte metodológico, seguiremos os postulados de Ducrot
(2009) no que se refere aos encadeamentos em portanto (donc),
sem considerar os em no entanto (pourtant) (cf. DUCROT; CAREL,
2005), visto que o objetivo aqui é comparar a argumentação
linguística com a argumentação retórica, conforme definido acima.
Desse modo, analisa-se a argumentação retórica e a argumentação
linguística e suas diferenças, em enunciados extraídos do texto de
Machado de Assis. Os dados analisados corroboram o postulado de
Ducrot (2009) sobre a relatividade da verdade, quando explica que
para pesquisar a verdade absoluta, seria necessário que se fosse
além da linguagem. Para ele é a linguagem, tem sua ordem própria,
o que impede uma relação transparente com a realidade. Nesse
sentido, observou-se que os discursos que explicaram a escravidão
no Brasil no século XIX estavam inseridos em um contexto histórico
que os justificavam e tais justificativas possuíam falhas que
permitiam deslocamentos, o que foi aproveitado pelos
abolicionistas, os quais utilizaram em seus discursos o ponto de
75
vista da desigualdade dos direitos, ao contrário do ponto de vista
central da diferença pela raça e pela cor. Assim, os dados apontam
propedeuticamente em duas direções fundamentais: de um lado,
revelam que, no Brasil, os argumentos justificadores, tanto do
ponto de vista linguístico quanto retórico, embasaram-se sobretudo
no modelo escravocrata moderno, imposto pelos europeus na
América, o qual se fundamentou na ótica radical da diferença pela
raça, o que vai implicar em uma diferença coletiva, diferindo-se, por
exemplo, da escravidão justificada do ponto de vista aristotélico,
que afirmava uma diferença de fato, todavia individual, singular,
que estaria impressa no espírito daquele considerado “deficiente”.
Por outro lado, os dados mostram que, complementarmente, os
argumentos religiosos deram amparo à escravidão, embasando as
justificativas dos escravocratas.
Palavras-chaves: escravidão negra, linguagem, argumentação
retórica, argumentação linguística, teoria da argumentação na
língua
OS SENTIDOS DICIONARIZADOS DE "SINDICATO"
Autores Wolber Sebastião Pereira 1,1, Neuza Zattar 1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Rua São João, Cavalhada, Cáceres, MT)
Resumo
Procuramos analisar, neste texto, os sentidos da expressão
sindicato, em dicionários de língua portuguesa. Selecionamos como
corpus dessa pesquisa os seguintes dicionários: Dicionário
Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, de Antonio
Geraldo da Cunha, de 1982; duas edições do Novo Dicionário da
Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, uma de
1975, 1ª edição, e doutra de 2009, 4ª edição; e o Dicionário Houaiss
da Língua Portuguesa, de 2001, 1ª edição. Trabalhar com o sentido
de palavras e expressões é trabalhar com as relações de sentido
destas palavras e expressões nos enunciados e textos em que
funcionam. Procuramos não contar a história da palavra sindicato
em dicionários, mas verificar como o real da palavra e das
concepções que lhe são atribuídas pela sociedade na qual circulam,
em diferentes épocas.. Fazermos essa abordagem, considerando
76
dicionários publicados no período recortado para a pesquisa, que
nos possibilita verificar que memória e que memoráveis recortam.
Para as análises, vamos mobilizar conceitos da Semântica do
Acontecimento, de Eduardo Guimarães (2002, 2005), como
designação, determinação e predicação, Domínio Semântico de
Determinação, bem como os procedimentos de análise semântica,
como a reescrituração e a articulação. Pretendemos, assim, verificar
o funcionamento das determinações e predicações da palavra
sindicato e, assim, apresentar o Domínio Semântico de
Determinação dessa palavra, verificando o quê essa palavra designa
nos textos dos dicionários. O nosso interesse em trabalhar com
dicionários se deve a que o real da expressão que tomamos como
objeto de estudo, em nosso caso, sindicato, recorta os sentidos
dicionarizados desta palavra como sentidos estabilizados e de
unidade na língua. Mas, na posição que adotamos, a posição
materialista, considera a relação da linguagem com o real como
uma relação histórica e não transparente, e os sentidos das palavras
se constituem na relação entre sua história de enunciações e seu
funcionamento no acontecimento enunciativo.
Palavras-chaves: Sindicato, Dicionário, Determinação, Designação
A LEI RIO BRANCO DE 1875: UM ESPAÇO DE AMBIGUIDADES
CONVENIENTES.
Autores Dilma Marta Santos 1
Instituição 1 UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
(Estrada do Bem Querer, km 4. Vitória da ConquistaBahia. cep:45031.300)
Resumo
No Brasil, o caminho percorrido até a abolição da escravatura foi
marcado por eventos de fundamental importância para a
concretização desse movimento e o aspirado processo de
emancipação só ganhou força a partir da segunda metade do século
XIX, quando algumas leis foram promulgadas a esse favor. A Lei
Eusébio de Queiroz, de 1850, que se referia a proibição do tráfico
negreiro, ainda não constituiu para os escravos negros um elemento
de aspiração a liberdade, pois, com ela a manutenção da escravidão
estava assegurada. Considera-se que um passo fundamental rumo
77
ao processo de liberdade ocorreu em 1871, quando a Lei Rio
Branco, mais conhecida como a Lei do Ventre livre, se propôs a
tornar livres os filhos de escravas nascidos a partir daquela data. A
Lei, no seu artigo 1°, parágrafos 1° e 2° estabelecia duas
possibilidades para as crianças consideradas livres: ficariam sob o
poder dos senhores de suas mães até a idade de oito anos
completos e, a partir dessa idade, os senhores, ou as entregariam ao
Estado mediante indenização de seiscentos mil réis ou se utilizariam
de seus serviços até a idade de vinte e um anos. Em tese, enquanto
texto jurídico, tal lei foi considerada como abolicionista, por uns; e
como mantedora do status quo da sociedade escravocrata, por
outros: foi uma Lei cujo texto, conforme Santos (2008), materializou
linguisticamente, ao mesmo tempo, os dois discursos vigentes na
época: o abolicionista e o escravagista. Tal ambiguidade jurídica da
Lei já motivou importantes estudos como os de Grinberg (1994),
Pena (2001) e Mendonça (2001). Não obstante as diversas e
relevantes análises já empreendidas desse texto legal, levadas a
efeito do ponto de vista jurídico e/ou histórico, é em busca de
desvendar a efetividade dessa lei que, sob outro ponto de vista,
este trabalho pretende analisar alguns desdobramentos de sentido
existentes em enunciados de certos artigos e parágrafos. A
finalidade, assim, é considerá-la sob o ponto de vista da Linguística,
especificamente da Semântica, a exemplo do que fez Santos (2008),
com vistas a demonstrar, principalmente, ambiguidades existentes
em artigos e parágrafos , que proporcionaram dualidades
argumentativas e culminaram numa possível falta de efetividade ao
que se propunha em princípio, ou seja, tornar livres os filhos de
escravas a partir daquela data. Pretende-se também demonstrar
que através do texto da Lei foi possível, por assim dizer,
camuflarem-se ambiguamente, escravocratas em abolicionistas
fazendo permanecer praticamente intocados, por longo prazo, os
interesses senhoriais. Para tanto, este trabalho pretende responder
ao questionamento: “Por que a Lei Rio Branco, embora
historicamente se qualifique como abolicionista, não se efetivou
enquanto prática imediata no processo de construção da abolição?”
Tal pergunta será respondida tendo como base a Teoria da
Argumentação na Língua (TADL), na sua versão TBS (Teoria dos
Blocos Semânticos), fase atual da TADL, conforme postulada por
78
Ducrot e Carel (2005), especificamente no que diz respeito às
noções de Argumentação Interna e Argumentação Externa. Tal
Teoria defende a ideia de que é na língua que se instauram a
significação e a argumentatividade e que palavras, expressões e
enunciados trazem em si a natureza argumentativa, sem necessitar
do extralinguístico para caracterizá-las.
Palavras-chaves: Lei, Argumentação, Ambiguidade
ÁREA TEMÁTICA 6- SOCIOLINGUÍSTICA E DIALETOLOGIA
O SENTIDO DOS NOMES DAS RUAS DO CENTRO HISTÓRICO DE
CÁCERES.
Autores Mirami Gonçalves Sá dos Reis (UNEMAT)
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Rua São João, Cavalhada, Cáceres, MT)
Resumo
Este trabalho se propõe apresentar uma análise com “um novo
olhar” sobre os sentidos produzidos pela enunciação que nomeia e
renomeia os nomes das ruas do Centro Histórico de Cáceres/MT,
por considerarmos relevante, não só por seu valor histórico ou por
uma questão de cidadania, mas também conhecer como se dá a
constituição desses nomes enunciativamente. Em outras palavras,
os nomes não podem ser entendidos/interpretados apenas como
uma classificação objetiva dos espaços urbanos, mas como uma
forma de identificação de fatos histórico-sociais. Ou seja, para que
os habitantes conheçam as relações históricas, culturais, políticas e
ideológicas que determinaram as nomeações e as renomeações
desses logradouros. Este estudo se fundamenta nos princípios da
Semântica do Acontecimento desenvolvidos por Eduardo Guimarães
(2005a, 2005b, 2006, 2007, 2009, 2010) e nos princípios teóricometodológicos da Toponímia mobilizados dos princípios adotados
pelo francês Albert Dauzat (1926) à realidade toponímica brasileira,
pela professora Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick (1990), da
Universidade de São Paulo. O corpus do trabalho constitui-se de um
conjunto de vinte e cinco nomes de ruas do Centro Histórico de
Cáceres que foram escolhidas por ser as primeiras ruas a receber
nomes oficiais. As propriedades linguísticas dos nomes próprios das
79
ruas do Centro Histórico de Cáceres são analisadas sob três
aspectos: a) as estruturas morfossintáticas; b) o funcionamento
semântico-enunciativo e c) a configuração da temporalidade do
acontecimento. Em nossa análise, pudemos constatar que na
constituição e na significação dos nomes das ruas do centro urbano
de Cáceres, vários discursos se instalam tais como os discursos da
origem, das instituições, do religioso, do político, etc., o que nos
leva a afirmar que tanto a nomeação quanto a renomeação dessas
vias não nasceram por acaso, elas foram construídas pelo
acontecimento sócio-político-ideológico-administrativo. Seus nomes
foram determinados por diferentes posições de sujeito, em
diferentes situações históricas. A respeito do funcionamento dos
nomes próprios de ruas, ou seja, da nomeação e renomeação,
podemos dizer que a linguagem fala de algo, e que não podemos
imaginar uma semântica linguística sem considerar que o que se diz
é incontornavelmente construído na linguagem e na relação desta
com a história. Fato comprovado no sentido dos nomes das ruas do
Centro Histórico de Cáceres.
Palavras-chaves: Nomeação, Ruas de Cáceres/MT, Semântica do
Acontecimento
A REALIZAÇÃO DOS DITONGOS /AY/, /EY/ E /OW/ NO ENSINO DO
PORTUGUÊS EM CONTEXTOS FRONTEIRIÇOS.
Autores
Márcio Palácios de Carvalho 1, Elza Sabino da Silva Bueno
1
Instituição 1 UEMS - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
(dos Dentistas nº 500 – Arnaldo Est. de Figueiredo CEP
79043-250 Campo Grande/MS)
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo mostrar o uso real e
contextualizado dos ditongos /ay/, /&#603;j/e /ow/ no português
falado em regiões fronteiriças de Mato Grosso do Sul, e contrapor
os resultados obtidos por meio do uso espontâneo da língua falada
80
com a visão tradicionalista contida nos manuais didáticos. Com isso,
pretendemos mostrar como o ensino não contempla a realidade
linguística das localidades fronteiriças, o que interfere na aquisição
de outras variedades linguisticamente prestigiadas. Para tanto,
utilizamos a metodologia da Sociolinguística Variacionista,
desenvolvida e aprimorada pelo Norte Americano Willian Labov,
que leva em consideração o contexto social em que o falante está
inserido e mostra que a linguagem se apresenta de forma
heterogênea e diversificada. Os dados que apresentados nesse
estudo são compostos por: a) vinte entrevistas realizadas nas
cidades fronteiriças Ponta Porã e Corumbá, ambas localizadas em
MS. A primeira faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero Paraguaio, e a Segunda está localizada há 10 quilômetros de Puerto
Quijarro – Bolívia. b) dez definições encontradas nos manuais
didáticos com regras de utilização dos ditongos /ay/, /ey/ e /ow. Os
resultados apresentados tanto nas entrevistas como nas definições
dos livros didáticos nos revelam a distância entre a veracidade
dinâmica e flexível da língua falada com a realidade da língua
consolidada e estandardizada nos livros didáticos. A respeito disso,
Travaglia (2002) muito bem nos alerta que, o que fazemos em
nossas aulas de Português afasta a língua da vida a que ela serve e
se torna algo artificial e sem significado para o aluno, pois as
gramáticas normativas registram uma realidade que não faz parte
do contexto em que os alunos estão inseridos. Enfim, pretende-se
com essa discussão, revelar algumas peculiaridades da região, para
sensibilizar os professores no sentido de levarem em consideração
alguns eventos da oralidade durante o ensino aprendizagem de
língua materna, assim, acreditamos que o processo de ensino se
tornará mais prazeroso e produtivo, já que seu ponto de partida
será o meio em que o aluno está habituado. Para esse estudo, nos
apoiamos em estudiosos das questões linguísticas voltadas para o
ensino como: Castilho (2004), Bortoni-Ricardo (2005), Bueno (2009),
Geraldi (1999), Lemle (1984), Monteiro (2000), entre outros.
Palavras-chaves: Português falado, Ensino de línguas, Região
Fronteiriças
81
VARIAÇÃO DA LATERAL PALATAL EM FALARES DO RN E DA PB: UM
ESTUDO GEO-SOCIOLINGUÍSTICO
Autores Josenildo Barbosa Freire 1
Instituição 1 SEEC - RN - Secretaria Estadual de Educação (R. São
José, Sn - Montanhas RN)
Resumo
O objetivo deste trabalho é descrever o comportamento variável da
lateral palatal em duas comunidades de fala: Jacaraú, localizada na
microrregião do Litoral Norte do Estado da Paraíba; e Nova Cruz,
localizada na região Agreste Potiguar do Estado do Rio Grande do
Norte. Diversos estudos (ARAGÃO, 1996,1999, 2008; CASTRO 2006;
OLIVEIRA & MOTA, 2007; CHAVES & MELO, 2009) têm revelado que
o comportamento da lateral palatal na fala apresenta quatro
variantes concorrendo entre si, respectivamente, [&#955;], [l], [j] e
[Ø]. Com base no objetivo geral, iniciou-se o trabalho a partir dos
seguintes objetivos específicos: a) analisar a variação da lateral
palatal nessas comunidades; b) identificar os fatores que favorecem
a sua variação; c) descrever a influência das variáveis sociais e
estruturais que condicionam a variação; e d) estabelecer
comparações, em nível regional e nacional, com outros estudos já
realizados. Parti-se do pressuposto de que apesar de serem cidades
vizinhas limítrofes, essas cidades possuiriam a fala diferenciada com
relação ao uso do fonema lateral palatal. Acredita-se que o
favorecimento de Nova Cruz (RN) em relação ao uso do segmento
/&#955;/ em relação aos falantes de Jacaraú (PB) deva-se à posição
privilegiada daquela cidade no cenário local referentes aos aspectos
sociais, políticos e econômicos encontrados naquela comunidade de
fala. Para a consecução de nossos objetivos, foram utilizados os
pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Variação
Linguística (LABOV, 1966; 1972) e da Dialetologia (2010). Assim,
realizou-se o levantamento de um corpus de língua falada, através
de amostragem aleatória, abrangendo vinte e quatro informantes,
estratificados igualmente por sexo, idade (15 a 25 anos; 26 a 49
anos; mais de 49 anos) e escolarização (nenhum ano de
82
escolarização; de 1 a 8 anos de escolarização; mais de 8 anos de
escolarização), sendo doze informantes de cada comunidade
pesquisada. Após a aplicação de uma ficha social, foi realizada uma
entrevista de aproximadamente trinta minutos de duração com
cada informante, gravada com um gravador digital modelo RRUS430. Em seguida, os dados foram codificados a partir de nove
variáveis independentes (sexo, faixa etária, escolarização, contexto
fonológico seguinte, contexto fonológico precedente, tonicidade,
tipo de vocábulo, número de sílabas do vocábulo, localidade) e,
posteriormente, submetidos ao programa estatístico GOLDVARB X
(SANKOFF, TAGLIAMONTE & SMITH, 2005) que é utilizado em
pesquisas variacionistas para produção dos índices matemáticos. Os
primeiros resultados obtidos mostram que o fenômeno em análise
está condicionado por restrições linguísticas e extralinguísticas, e ao
mesmo tempo, apontam uma maior tendência de uso da variante
[&#955;] para os informantes de Nova Cruz-RN em detrimento dos
informantes jacarauenses.
Palavras-chaves: lateral palatal, restrições, variação
PEDAGOGIA DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA ESCOLA: É possivel?
Autores Lucia F.Mendonça Cyranka 1, Lívia Nascimento Arcanjo 1
Instituição 1 UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora (Campus de
Martelos)
Resumo
A proposta de se trabalhar a variação linguística na escola, partindo
do dialeto do aluno, seja ele representante de que ponto for do <i>
contínuo de urbanização</i> (BORTONI-RICARDO, 2004), para leválo a desenvolver competências de uso na variedade culta do
português brasileiro, é considerada hoje de relevância indiscutível.
A grande questão reside, no entanto, em como operacionalizar essa
proposta pedagógica, num contexto em que ainda vigora, com tanta
força, a tradição escolar de ensino reprodutivo, em que o professor,
assentado em práticas seculares, sustenta suas aulas na exposição
da teoria gramatical. Uma pesquisa em escola pública de Juiz de
Fora (MG), patrocinada pela FAPEMIG/UFJF teve como objetivo
83
investigar a possibilidade de implementação dessa proposta,
acompanhando, durante o primeiro semestre de 2011, uma
professora da disciplina Língua Portuguesa de uma turma de 6º ano
do Ensino Fundamental. Desenvolveu-se uma pesquisa-ação, com
presença em sala de aula, seguida de encontro semanal com a
professora, para reflexão sobre as atividades didáticas realizadas a
partir de planejamento discutido em equipe, da qual participavam
bolsistas de iniciação científica, do curso de Letras da UFJF. Apesar
da adesão da professora à proposta de se construir uma pedagogia
da variação linguística (FARACO, 2008) em suas aulas, verificou-se a
existência de entraves importantes de natureza tanto administrativa
quanto funcional. Os primeiros impunham dificuldades
insuperáveis, como estar presente em duas, e até três salas de aula,
ao mesmo tempo, para suprir ausência de colegas faltosos. A
questão funcional foi relativa à superação, pela professora, de suas
dificuldades em lidar com essa a proposta, dentro de uma prática
tradicional que, entre outras limitações, determina o uso do livro
didático como guia absoluto. Interessante, e indispensável, um
olhar sobre esse instrumento que, apesar de frequentemente
limitado, pode constituir fonte de material pedagógico, mesmo que
não preparado especialmente para discutir a Sociolinguística
Educacional (BORTONI-RICARDO, 2004). De qualquer modo, os
resultados apontam para a necessidade e a viabilidade de o
professor compreender essa proposta não como uma simples
teoria, mas como implementação de uma <b>atitude</b> científica,
frente aos fenômenos da variação e da mudança, buscando
construir, em seus alunos, <b>crenças</b> positivas sobre seu
dialeto, de modo a motivá-los a ampliar sua competência no uso das
modalidades falada e escrita da língua portuguesa. Ensinar a
variedade culta, prestigiada, continua sendo, portanto, tarefa
precípua da escola. Para isso, no entanto, ela não pode prescindir
da pedagogia da variação linguística, instrumento que possibilita a
discussão, em nível tanto teórico quanto prático de itens ligados à
fonética/fonologia, ao léxico, à morfossintaxe e mesmo à
pragmática. Pesquisas anteriores (CYRANKA, 2011) já
demonstraram ser isso possível.
Palavras-chaves: Língua materna na escola, Pedagogia da variação
linguística, Os dialetos populares na escola
84
“FRONTEIRAS” ENTRE A FALA E A ESCRITA: Um estudo do léxico à
luz da teoria da concepção e do meio
Autores PEDRO DA SILVA DE MELO 1
Instituição 1 USP - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (Av. Prof. Luciano
Gualberto, 403 - 05508-900 - Cid. Universitária - São
Paulo)
Resumo
Neste trabalhamos pretendemos abordar alguns critérios teóricos, à
luz da Sociolinguística, da Pragmática e da Análise da Conversação,
para tratar do léxico oral em contraste com o léxico culto.
Pretendemos analisar a seguinte pergunta de pesquisa: É possível
determinar com exatidão as “fronteiras” entre o oral e o escrito?
Embora fala e escrita se manifestem em meios específicos,
compreende-se que fala e escrita não sejam dicotômicas, mas polos
de um <i>continuum</i> de variedades. Desse modo, o oral e o
escrito frequentemente se entrecruzam e textos orais apresentam
características da língua escrita e textos escritos apresentam
características da língua falada. Quando se trata de analisar marcas
de oralidade em um texto escrito, há marcas fonológicas ou
morfossintáticas mais evidentes, constituídas de fenômenos
sistemáticos que distinguem com maior clareza a língua falada da
língua escrita, de modo que determinados usos linguísticos são
claramente marcados como pertencentes a uma modalidade ou
outra. Quando se trata de léxico, entretanto, tais distinções são
tênues e fluidas e, em muitos casos, um cientista da linguagem faz
as distinções empiricamente ou contando com sua intuição de
falante. Apesar das dificuldades que o estudo do léxico impõe,
temos por hipótese que alguns critérios básicos podem ser
explorados: a relação entre significante e significado, uso e situação
de produção. Propomos, com base em Preti (2003), Urbano (2000 e
2011) e Oesterreicher e Koch (apud Urbano, 2006), um esquema em
que virtualmente pode ser enquadrado o léxico: vulgar, popular,
intermediário, culto e precioso. Com esse esquema, porém, não
preconizamos que o léxico possa ser “enquadrado” em um modelo
classificatório rígido, mas propomos um mecanismo que permita
analisar o léxico como <i>conceptualmente</i> mais falado ou mais
85
escrito. Como corpus desta pesquisa, utilizamos o livro “Quarto de
despejo: diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus (19141977), cujo léxico (ora na voz do narrador, ora na voz dos
personagens) oscila entre a modalidade oral (entendida aqui como
quase-sinônimo de língua falada popular) e culta (escrita, de
tradição literária) da língua. Nossa metodologia envolveu a leitura
da obra e o levantamento do léxico oral (conceptualmente falado)
em contraste com o léxico culto (conceptualmente escrito), cujo
significado é compreendido pelo contexto ou pelo auxílio de um
dicionário.
Palavras-chaves: Análise da Conversação, Fala e escrita, Léxico,
Sociolinguística, Quarto de despejo
DUAS PRÁTICAS ESSENCIAIS NO ENSINO DE LINGUAGEM NAS
CLASSES DE EJA: A reescrita como ferramenta nas práticas de
oralidade
Autores MARIÂNGELA MAIA DE OLIVEIRA 1
Instituição 1 UFJF - UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (Rua
José Lourenço Kelmer, s/n - Campus Universitário)
Resumo
Este trabalho tem como objetivo apresentar uma experiência de
trabalho com a reescrita e a oralidade nas aulas de Língua
Portuguesa. Segundo Dionísio (2005) e os PCNs (1998), entre
outros, deve-se privilegiar o texto como unidade básica do ensino.
Para tanto, tomamos como pressuposto a concepção de linguagem
como interação (TRAVAGLLIA, 2000). Partindo da noção de uma
pedagogia culturalmente sensível (BORTONI-RICARDO, 2005),
adotamos como base o fato de que, no trabalho em sala de aula, a
linguagem do aluno deve ser considerada, ainda que não siga o
modelo entendido como “padrão” ou de “prestígio” pela sociedade.
Desse modo, ele deve sentir-se livre para falar e se expressar,
independente do código usado – variedade padrão ou não-padrão.
Assim sendo, sem proibições ou recriminações, é necessário
conscientizá-lo quanto às diferenças para que ele possa começar a
monitorar sua linguagem. Visando um trabalho que viesse a
comprovar as ideias em questão, adotamos, como metodologia, o
86
desenvolvimento de uma sequência didática com textos de opinião
(textos simples e curtos, através dos quais os alunos deveriam
argumentar sobre o tema eleições e as propostas dos candidatos à
eleição presidencial do ano de 2010), numa turma de 8º ano do
Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do
Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de
Fora, Minas Gerais. Propusemos a produção de textos de opinião e,
em seguida, após a verificação do professor, a sua reescrita,
abarcando não só as questões relativas à linguagem, mas também
às características do gênero textual trabalhado. Após essa reflexão,
elaboramos um debate regrado sobre o tema dos textos produzidos
pelos alunos, com a finalidade de observar sua fluência nas práticas
de oralidade. Tal oportunidade permitiu-nos concluir como o
trabalho anterior com a reescrita auxiliou no excelente desempenho
dos alunos durante a exposição oral, possibilitando o
desenvolvimento da sua competência comunicativa e de sua
consciência crítica sobre as diferenças linguísticas.
Palavras-chaves: Linguagem, Oralidade, Reescrita
APONTAMENTOS PALEOGRÁFICOS SOBRE "BREUE MEMORIAL DOS
PECADOS & COUSAS QUE PEERTENCEM HÁ CONFISSAM", DE
GARCIA DE RESENDE - 1521
Autores Elias Alves de Andrade 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernanado Correa da Costa, 2367)
Resumo
Esta comunicação tem por objetivo realizar um estudo filológico do
códice “Breue memorial dos pecados & cousas que pertencem há
confissam, ordenado por Garcia de Resende, fidalguo da casa del rei
nosso senhor”, impresso em Lisboa – Portugal, em 25 de fevereiro
de 1521. Para isso, serão realizadas as edições fac-similar e
semidiplomática do documento citado, entendendo-se pela
primeira como a fotografia do texto, sem qualquer grau de
interferência do editor, ale, naturalmente, da possibilidade de
alteração do tamanho da cópia e da cor das letras; pela segunda
compreende-se um grau baixo de intervenção do editor, por isso
87
mesmo ser uma edição mais conservadora, apenas com o
desdobramento das abreviaturas, mantendo-se todas as demais
características do texto, como letras maiúsculas e minúsculas,
acentuação, pontuação, grafia etc. (Spina, 1977 e Cambraia, 2005).
Estas duas edições, dispostas de forma justalinear para facilitar o
seu cotejo, são direcionadas a um público mais restrito, composto
por especialistas da área de Filologia ou Crítica textual, ou de áreas
afins, já que, por uma lado, a fac-similar permite o acesso direto à
fonte, e a semidiplomática por ter sofrido pequenas alterações,
preserva características que possibilitam o estudo de aspectos das
funções da Filologia – principalmente a substantiva, que se fixa
apenas no texto, além de características linguísticas nas áreas de
sintaxe, fonologia e fonética, morfologia, morfo-sintaxe e
semântica. Neste trabalho, que é uma versão preliminar de um
artigo que será submetido a avaliação para publicação na Revista de
história da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, serão estudados
os aspectos paleográficos de parte do códice citado, o primeiro fólio
sem numeração e o segundo identificado com “biij”, quanto aos
tipos de letra, acentuação, pontuação e abreviaturas, dentre outras,
que caracterizam a escrita da época em que foi produzido, fase de
transição entre os períodos arcaico e moderno da Língua
portuguesa. Palavras-chave: Filologia, Edições, Paleografia.
Palavras-chaves: Edição, Filologia, Paleografia
SAÚDE NA CAPITANIA DE MATO GROSSO, UM OLHAR ATRAVÉS DE
CARTAS DO SÉCULO XIX. EDIÇÃO SEMIDIPLOMÁTICA E ASPECTOS
ORTOGRÁFICOS
Autores Grasiela Veloso dos Santos 1, Elias Alves de Andrade 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(AV. FERNANDO CORREA DA COSTA, BAIRRO BOA
ESPERANÇA)
Resumo
No presente trabalho é apresentado um estudo filológico através
das edições fac-similar e semidiplomática de duas cartas do século
XIX, escritas por vereadores da capitania de Mato Grosso aos
governadores da época, ambas em Vila Bela da Santíssima Trindade.
88
A primeira carta, denominada de Ms1, escrita em janeiro de 1805 é
direcionada ao governador de Mato Grosso Manoel Carlos de Abreu
e Menezes, na qual solicitam aprovação e autorização do Governo
para que Antônio de Souza, furriel da Companhia de Dragões,
pudesse curar o povo na qualidade de cirurgião. A carta
denominada de Ms2, lavrada em 24 de dezembro de 1808, é
remetida ao governador João Carlos Augusto D’ Oeynhausen e
Gravemberg versando sobre uma epidemia catarral e outras
moléstias que assolavam a Vila e Arraiais. Ambas as cartas estão
hoje aos cuidados do Arquivo Público de Mato Grosso – APMT, em
Cuiabá. Procurou-se neste trabalho mostrar a edição fac-similar
para facilitar o a edição semidiplomática apoiando-se em alguns
teóricos como Spina (1977) e Cambraia (2005). Outra questão
bastante visível em documentos desta época são os aspectos
ortográficos, desse modo, procurou-se também fazer um
levantamento das ocorrências divergentes da escrita atual. Um
último item analisado volta-se para o conteúdo destas cartas que
remetem a atividades de cura da época e situação da saúde da
população, trata-se aqui da função transcendente da filologia
aplicada ao contexto sócio-histórico de Mato Grosso, com o intuito
de esclarecer o mundo vivido pelo escriba e ao que ele representa
nas suas palavras. Nesta função segundo Spina (1977, p.77) “o texto
deixa de ser um fim em si mesmo da tarefa filológica para se
transformar num instrumento que permite ao filólogo reconstituir a
vida espiritual de um povo ou de uma comunidade em determinada
época”. Dessa forma, é uma possibilidade de mostrar ao leitor o
resultado de um estudo, pois o caráter individual do texto
praticamente desaparece. Cabe ainda salientar, a importância da
preservação documental dos documentos manuscritos do Estado
para manter viva a memória cultural deste povo, bem como
compreender e cooperar para estudos posteriores relacionados ao
desenvolvimento e a formação da nossa língua portuguesa.
Palavras-chaves: Filologia , Edições, Função Transcendente
89
ESTUDO FILOLÓGICO DE MANUSCRITO SETECENTISTA DOS
VEREADORES DA CÂMARA DE CUIABÁ
Autores Kenia Maria Correa da Silva 1, Elias Alves de Andrade 1,1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Avenida
Fernando Correa da Costa, Coxipó)
Resumo
Desde a Antiguidade, o homem preocupa-se em conservar os
escritos antigos, devido a sua relevância cultural, lingüística e
histórica e por representá-lo ideologicamente. Assim, o presente
trabalho tem por finalidade, investigar sob a perspectiva filológica,
uma carta manuscrita de 2 de junho de 1764, pertencente ao
Arquivo Público do Estado de Mato Grosso – APMT, enviada pelos
vereadores da Câmara de Cuiabá ao Conde de Azambuja,
Governador Capitão-general da Capitania de Mato Grosso, Dom
Antonio Rolim de Moura, relatando atritos que ocorriam entre os
mesmos e os oficiais da Intendência e solicitando aprovação para
continuar seguindo as Leis Reais. Segundo Spina (1977, p. 75) “*...+ a
Filologia concentra-se no texto, para explicá-lo, restituí-lo à sua
genuinidade e prepará-lo para ser publicado *...+”. Dessa forma,
serão feitas as edições fac-similar e a semidiplomática. A primeira
equivale a um grau próximo de zero de intervenção do editor e a
segunda apresenta um grau médio de intervenção do crítico, onde
apenas desdobram-se as abreviaturas e fazem-se conjecturas. A
partir das mesmas, com base nas ciências auxiliares à Filologia,
como a Paleografia, a Codicologia e a História, buscar-se-á descrever
e analisar os aspectos presentes no documento, que refletem o
cenário político, sócio-histórico, dentre outros, da sociedade da
época. Do mesmo modo, busca contribuir, para o resgate, a
recuperação e a transmissão do patrimônio cultural escrito de um
povo, uma língua, uma determinada cultura, neste caso
especificamente Mato Grosso e Cuiabá. Este trabalho se insere na
linha de pesquisa “Práticas textuais e discursivas: múltiplas
abordagens” do Programa de Pós-graduação em Estudos de
Linguagem – Mestrado do Instituto de Linguagens da Universidade
Federal de Mato Grosso –, em desenvolvimento, atividade vinculada
como parte dos projetos de pesquisa: "Estudo do português em
90
manuscritos produzidos em Mato Grosso a partir do século XVIII” –
MeEL/IL/UFMT e “Para a História do Português Brasileiro – PHPB.
Palavras-chaves: Filologia, Edições, Paleografia, Codicologia
RELAÇÃO ENTRE CRISE NO ENSINO E CONCEPÇÃO DE LÍNGUA
Autores Quezia Maria Reis de Oliveira Barbosa 2
Instituição 2 UFAM - Universidade federal do Amazonas (Av. General
Rodrigo Otávio, 3000 - Coroado)
Resumo
Este trabalho objetiva apresentar discussões a respeito da crise no
ensino da língua no Brasil, analisando o IDEB – Índice de Educação
Básica, observações e pontos-de-vista de educadores, linguistas,
membros da sociedade, especialistas ou leigos no assunto, sob a
ótica da sociolingüística. Destaca os atuais resultados da avaliação
sistêmica propondo uma possível relação entre eles e as concepções
de língua, gramática e ensino adotadas pela escola. A avaliação
sistêmica, recente modalidade de avaliação, em larga escala,
desenvolvida no âmbito dos sistemas de ensino tem entre seus
objetivos prover informações quanto à proficiência em língua
portuguesa e matemática no nível da educação básica. Desde sua
criação até suas ultimas aplicações, esse instrumento tem apontado
falhas no sistema escolar brasileiro, especialmente, quanto ao
ensino da língua. Na tentativa de entender e explicar os fatores
responsáveis pelos baixos resultados que as escolas brasileiras tem
obtido nessas avaliações, este trabalho inicialmente faz uma
exposição quanto a essa modalidade de avaliação, sua implantação
e resultados. Em seguida, apresenta considerações dos PCNs _
Parâmetros Curriculares Nacionais_ sobre a questão. Também
expõe pontos de vista e observação de educadores sobre a crise no
ensino. Justifica a abordagem sociolinguísta no estudo da língua e
apresenta um pouco da polêmica que ficou conhecida no Brasil
como a “polêmica do livro didático”, incidente que deixa
transparecer as concepções de língua e seu ensino na sociedade e
consequentemente no sistema educacional brasileiro. Segundo os
PCNs (1998), na década de 60 e início da de 70, as propostas de
reformulação do ensino de Língua Portuguesa indicavam
91
fundamentalmente mudanças no modo de ensinar, pouco
considerando os conteúdos de ensino”. As propostas de mudanças
restringiam aos setores médios da sociedade, sem se dar conta das
consequências profundas que a incorporação dos filhos das
camadas pobres implicava. O ensino da língua orientado pela
perspectiva gramatical adequava-se ao tempo em que a escola era
frequentada basicamente pelas camadas privilegiadas da população
que falava a variedade linguística bastante próxima da chamada
variedade padrão e que traziam representações de mundo e de
língua semelhantes às que eram oferecidas pelos livros e textos
didáticos. No entanto os problemas no ensino da língua são bem
anteriores à introdução das camadas pobres da sociedade no
sistema escolar do país como testemunhado por Herbert Parentes
forte em sua reflexão sobre “O ensino da língua e a crise didática na
expressão e comunicação”. Esse e outros fatos nos levam a
considerar que a raiz do problema no ensino esteja na concepção de
língua que a sociedade ainda mantém.
Palavras-chaves: Avaliação Sistêmica, Conceito de Língua, Crise,
Ensino, Sociolinguística
INFLUÊNCIA LINGUÍSTICA E SITUAÇÃO DE CONTATO ENTRE O
PORTUGUÊS E O KAIOWÁ (GUARANI).
Autores Valéria Faria Cardoso 1
Instituição 1 Unemat - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Campus de Alto Araguaia)
Resumo
A maioria da população de países latino-americanos, em linhas
gerais, é monolíngue em português ou espanhol. Todavia, há mais
de 500 anos, desde que se deu o início da colonização das Américas,
as línguas ameríndias (nativas) coexistem espacialmente com as tais
línguas europeias, configurando, assim, uma situação de contato de
línguas. Atualmente não se pode asseverar sobre o grau de contato
entre o português e a grande maioria das línguas indígenas
brasileiras, tendo em vista que ainda são quase inexistentes os
estudos que se ocupam desse tipo de situação de contato
linguístico. Tal fato levou-nos a tratar de uma das situações de
92
contato vivenciadas ainda hoje no Brasil, no caso, o contato entre o
português e o kaiowá (guarani), línguas que coexistem na região
Centro-Oeste brasileira, mas especificamente, no Estado de Mato
Grosso do Sul. O presente trabalho visa apresentar informações
iniciais a cerca do projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido
neste Estado (com o apoio do CNPq e da FAPEMAT) e que tem por
finalidade contribuir com a descrição de um repertório bilíngue e
multilíngue presentes nas comunidades indígenas guarani do
Centro-Oeste brasileiro, especificamente, nas regiões fronteiriças
com o Paraguai, no qual, procuramos analisar situações de
influência linguística decorrentes dos processos de empréstimo e
dos processos e recursos neológicos. Em específico, objetivamos
tratar das situações de influência linguística decorrentes do
processo de empréstimo que, em geral, resultam em interferência
fonética sujeita a adaptação e a acomodação, e em alterações no
padrão morfológico e sintático na língua receptora. Ponderamos
que o grau de influência linguística é resultante da situação de
contato íntimo estabelecido entre o guarani (língua receptora/local)
e o português (língua fonte/estrangeira), tendo em vista a situação
de bilinguismo social presente nas comunidades indígenas kaiowá,
que atualmente difundem mais o bilinguismo do que o
monolinguismo na maioria das situações da fala.
Palavras-chaves: contato de línguas, empréstimo, línguas indígenas,
variação
EM CENA, UMA MULHER NA VILA REAL DO BOM SENHOR JESUS DE
CUIABÁ
Autores Camila Lemos de Almeida 1, Elias Alves de Andrade 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(AVENIDA FERNANDO CORREA, COXIPÓ)
Resumo
No século XVIII, a tradição escrita feminina é muito escassa,
principalmente no tocante aos documentos manuscritos não
literários. O Iluminismo ou século das luzes permitiu, dentre outras
frentes, a presença da mulher em cenas públicas e literárias, com
algumas ressalvas. Com a ascensão da burguesia, nova sociedade,
93
“novos tempos”, a rigidez das normas e costumes começa a ser
abalada, a mulher, mesmo que lentamente, beneficiou-se com a
educação e os novos horizontes. O presente trabalho tem por
objetivo o estudo filológico de uma carta manuscrita produzida por
uma mulher em Cuiabá, Lucrecia de Morais Siqueira, viúva, datada
de 29 de março de 1789, enviada ao Governador Capitão-general da
Capitania de Mato Grosso e Vila Real do Bom Senhor Jesus de
Cuiabá, Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres,
informando sobre sua condição financeira e solicitando a liberdade
da prisão de seu sobrinho, o Padre Francisco Xavier dos Guimarães
Brito e Costa. Para tanto, o documento selecionado é pertencente
ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso –
IHGMT e foram feitas as edições fac-similar e semidiplomática para
possibilitar a leitura do texto para o trabalho paleográfico e de
alguns aspectos históricos, sociais e culturais em que o manuscrito
foi produzido. Assim, este trabalho tem como propósito explorar
conjuntamente, os mais variados aspectos do texto contribuindo de
tal maneira com o resgate, a recuperação e a transmissão do
patrimônio cultural escrito de um povo, uma língua, uma
determinada cultura. Tendo como suporte teórico deste estudo
Spina (1977), Andrade (2007), Cambraia (2005), Holanda (1989),
Santiago-Almeida (2000), Siqueira (1990), dentre outros. Esta é uma
atividade desenvolvida como parte do projeto de pesquisa "Estudo
do português em manuscritos produzidos em Mato Grosso a partir
do século XVIII", do Programa de Pós-Graduação em Estudos de
Linguagem, do Instituto de Linguagens, da Universidade Federal de
Mato Grosso-MeEL/IL/UFMT.
Palavras-chaves: Filologia, Paleografia, Codicologia, História Social
NOTAS PALEOGRÁFICAS E ORTOGRÁFICAS EM MANUSCRITOS DOS
SÉCULOS XVIII E XIX ENCONTRADOS EM MATO GROSSO
Ana Maria Alves Rodrigues de Paula 1, Elias Alves de
Autores
Andrade 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Correia,2363 Boa Esperança Cuiabá MT)
Resumo
94
Resumo: Esta comunicação é resultado da dissertação de Mestrado,
apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos de
Linguagem– MEeL/UFMT, do qual se destacam notas paleográficas e
ortográficas, verificadas em documentos manuscritos, datados dos
séculos XVIII e XIX, pertencentes ao Arquivo Público de Mato
Grosso. Estes documentos foram editados de duas formas: em
edição fac-similar, que é a fotografia do manuscrito, e a edição
semidiplomática, de acordo com princípios da Filologia,
principalmente em Spina (1977), Cambraia (2005), Spaggiari e
Perugi (2004), dentre outros, com o objetivo de compreender a
língua utilizada em Mato Grosso, no período histórico a que
pertencem os documentos analisados, além da análise da
ortografia, contribuindo para a caracterização do que nos últimos
anos tem sido chamado português brasileiro. Serão apresentados,
além da introdução com pressupostos teóricos que embasam o
trabalho, contexto histórico-social dos documentos, que pertencem
ao final do século XVIII até o final da primeira metade do XIX,
compreendendo o período colonial e o imperial da história do Brasil
e, consequentemente, de Mato Grosso, analisando aspectos da
escravidão em Mato Grosso, presente nos fólios estudados; a
análise paleográfica, verifica os tipos de letras utilizados nos
manuscritos, os sinais braquigráficos (abreviaturas), os sinais
estigmológicos (pontuação) e os os sinais diacríticos (acentuação);
as notas de ortografia presentes levantam a ortografia presente no
corpus, de acordo com Coutinho (1974), que propõe três períodos
de história da ortografia da língua portuguesa, quais sejam, o
fonético, em que “se escrevia para o ouvido”, o pseudoetimológico,
que buscava na etimologia a escrita correta das palavras, e o
simplificado, utilizado após Gonçalves Viana publicar sua Ortografia
Nacional, em 1904; considerações finais e referências bibliográficas.
Este trabalho está vinculado ao projeto de pesquisa “Estudo do
português em manuscritos produzidos em Mato Grosso a partir do
século XVIII”, MeEL/IL/UFMT, e ao projeto temático: Para a História
do Português Brasileiro – PHPB.
Palavras-chaves: Filologia, Manuscrito, Edição, paleografia, História
social
95
MANUSCRITO DO SÉCULO XVIII: ESTUDO PALEOGRÁFICO E
CODICOLÓGICO
Autores Marisa Soares de Lima 1, Elias Alves de Andrade 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(Avenida Fernando Correa da Costa, Coxipó)
Resumo
Este trabalho tem por objetivo o estudo filológico de um
documento manuscrito do século XVIII, datado de 1784,
pertencente ao acervo do Arquivo Público do Estado de Mato
Grosso – APMT, a partir da edição fac-similar, acompanhada de
transcrição semidiplomática, que fazem parte de pesquisa realizada
no Programa de Pós-Graduação em Mestrado em Estudos de
Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso, do Instituto de
Linguagens – MeEL/IL/UFMT. Cambraia (CAMBRAIA, 2005, p.23)
entende a paleografia como estudo das escritas antigas e afirma
que, modernamente, ela tem finalidade tanto teórica quanto
pragmática. Teórica porque se preocupa em entender como se
constitui sócio-historicamente o sistema de escrita. Pragmática
porque visa capacitar os leitores modernos a avaliarem a
autenticidade de um documento com base na sua escrita, além de
interpretar de maneira adequada as escritas antigas. A Paleografia
auxilia-nos a compreender os diversos caracteres que as escritas de
diferentes épocas podem apresentar, bem como na fiel transcrição
do documento impedindo que possíveis mudanças aconteçam e se
perca a ideia do original. Vale ressaltar que, para Cambraia (2005), a
transcrição paleográfica apresenta um grau médio de mediação do
editor no texto, pois se realizam nele poucas modificações, visando
torna-lo mais acessível por um público que não seria capaz de
decodificar certas características originais, tais como os sinais
abreviativos. Neste tipo, apenas se reproduz a imagem de um
testemunho através de meios mecânicos, como fotografia,
escanerização, etc. Spina (1977) define a função substantiva da
filologia como a explicação do texto, ou seja, a sua restituição à
forma original através dos princípios da crítica textual e a sua
organização material e formal com vistas à publicação. Este trabalho
está vinculado ao projeto de pesquisa “Estudo do português em
96
manuscritos produzidos em Mato Grosso a partir do século XVIII” –
MeEL/IL/UFMT e ao projeto temático “Para a História do Português
Brasileiro – PHPB”.
Palavras-chaves: Filologia, Manuscrito, Edição, Paleografia
POLÍTICA E PLANIFICAÇÃO LINGUÍSTICA EM SITUAÇÃO DE
CONTATO PORTUGUÊS-TIKUNA: REFLEXÕES SOBRE EDUCAÇÃO
BILÍNGUE E A GESTÃO DE IDENTIDADE(S)ETNOLINGUÍSTICA(S)
Autores Edson Santos 1,2
Instituição 1 UFF - Universidade Federal Fluminense (Rua Professor
Marcos Waldemar de Freitas Reis, s/nº Campus do
Gragoatá Bloco C s), 2 CAPES - Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Setor
Bancário Norte, Quadra 2, Bloco L, Lote 06, CEP 70040020 - Brasília, DF C)
Resumo
No âmbito de investigação sobre língua(gem) e identidade, como no
estudo em questão, emergem inúmeras questões de extrema
relevância para discussão no espaço escolar, acadêmico, político e
na sociedade em geral. As ações de política e planificação linguística
diligenciadas pelo Estado e demais instituições de representação
civil não-governamentais, mobilizadas em torno da construção de
ditas políticas públicas educacionais, constituem-se na atualidade
como um dos temas para o qual se deve atentar, lançando sobre o
mesmo um olhar crítico, embasado em conhecimentos e fazeres
que confluam, de fato, para a promoção de um verdadeiro ideal de
cidadania linguística. O dinamismo das relações entre diversos
povos e culturas, resultante do fenômeno da globalização, muito
tem contribuído para aumentar e legitimar um alto grau de
intervenção humana sobre a(s) língua(s), em uma perspectiva
política que envolve, certamente, as esferas do poder público. Este
caráter eminentemente político que envolve as ações de
intervenção sobre usos e domínios linguísticos, demanda a
atribuição de um sentido maior às ações de cientistas da linguagem,
não as restringindo apenas ao meio acadêmico-científico, ao
contrário, expandindo seu alcance aos níveis político-econômico e
97
sociocultural. O desmembramento das reflexões aqui engendradas,
sobre os usos funcionais linguísticos em diversos ambientes
comunicativos por indígenas (no mínimo) bilíngues da região do
Alto Rio Solimões - Amazonas, com enfoque para o contato
português-tikuna, desvela a dinâmica do processo de construção
identitária, cujo caráter fluido permite que isso ocorra a todo
momento. Isso fica patente ao observarmos que os sujeitos
partícipes do estudo em pauta, em sua maioria, aquiescem ao
desejo de aprender novas línguas, reforçam, no entanto, que a sua
língua materna será merecedora de especial atenção. O apega às
marcas étnicas, como a língua, é uma forma de construir
identidade(s) indígenas fragmentadas. A(s) relação(ões) afetiva(s)
do(s) falante(s) para com sua(s) língua(s) é(são) relevante(s) para
entendermos certas questões ligadas a nuances identitárias, aqui
tematizadas. Para tanto, deve-se partir da premissa de que as
configurações sociolinguísticas (peculiarmente heterogêneas), que
se estabelecem tanto no interior dos grupos étnicos, quanto entre
esses grupos e os demais segmentos regionais ou nacionais,
projetam-se como constituintes de relações em nível macro, sejam
elas socioeconômicas, políticas ou culturais. Por esse motivo, a
educação bilíngue na região ganha destaque como propulsora e
meio de ascensão social e acesso à cidadania. No contexto
investigado, atribui-se à língua portuguesa, como ‘língua nacional’,
ou ‘oficial’, por exemplo, um valor inimaginável, referente à
conquista de direitos e movimentos no sentido da manutenção de
hábitos culturais. Ao mesmo tempo que um “afastamento
linguístico” é desejado, uma aproximação é necessária, para que a
inclusão social possa ser levada à cabo, através da língua. Com isso,
reforça-se a discussão sobre o papel dos linguistas no século XXI,
diante dos desafios que as sociedades bi/multilíngues e
multiculturais lhes impõem enquanto pesquisadores.
Palavras-chaves: política e planificação iguística, línguas em
contato, educação bilíngue, identidade
98
AMEAÇAS E ATAQUES DE ÍNDIOS BORORO ÀS FAZENDAS REAIS
CAIÇARA E CAETÉ: Estudo de um manuscrito de Cáceres
Autores José Maria de Sousa 2,2, Elias Alves de Andrade 2,2
Instituição 2 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa/ Coxipó)
Resumo
Este trabalho tem por objetivo apresentar, sob a ótica da filologia, o
estudo de um manuscrito do século XVIII, pertence ao Arquivo
Público de Mato Grosso-APMT, escrito no destacamento do Registro
do Jaurú, distrito de Vila Maria do Paraguay, atualmente Cáceres,
em 25 de agosto de 1798, que versa sobre as ameaças e ataques de
índios bororo às fazendas reais Caiçara e Caeté, no período da
Capitania de Mato Grosso. O documento foi submetido às edições
fac-similar e semidiplomática, evidenciando a importância da edição
de textos e análise paleográfica para melhor auxiliar em sua
compreensão e das informações que ele venha suscitar, nas
diferentes relações que estão estabelecidas entre a história social,
econômica, cultural e a vida espiritual de uma determinada época
em Vila Maria do Paraguay, cuja posição privilegiada
geograficamente servia ao trânsito, manutenção e ocupação das
terras pelos portugueses frente aos espanhóis, junto à fronteira do
extremo oeste da Capitania de Mato Grosso. Nesse trabalho, o
estudo filológico se concentra nas funções substantiva e
transcendente da filologia, que, através da última, se permite
explorar o manuscrito em suas diferentes relações, de acordo com
os fatos nele relatados, que se procura aqui explorar. Nesta função
transcendente “*...+ o texto deixa de ser um fim em si mesmo da
tarefa filológica, para [...] reconstituir a vida espiritual de um povo
ou de uma comunidade em determinada época.” (SPINA, 1977, p.
77). O documento analisado é parte integrante do corpus que
compõe a dissertação de mestrado na linha de Práticas Textuais e
Discursivas: múltiplas abordagens, do Programa de Pós-Graduação
em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso
– UFMT; vinculado ao projeto de pesquisa: “Estudo do português
em manuscritos produzidos em Mato Grosso a partir do século
99
XVIII” e ao projeto temático “Para a História do Português Brasileiro
– PHPB.
Palavras-chaves: Filologia, edição, manuscrito, fazendas reais, vila
Maria do Paraguay
O ENSINO DA LÍNGUA MATERNA NO BRASIL
Autores Gabriela Barreto de Oliveira 1
Instituição 1 UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (CAMPUS
DO GRAGOATA - SÃO DOMINGOS - NITERÓI - RJ - CEP
24210-200)
Resumo
Este trabalho tem como objetivo levantar questionamentos acerca
do ensino da língua materna, particularmente, do ensino da matéria
Língua Portuguesa, pois no Brasil, onde vige uma norma-padrão
com raízes fincadas no português europeu, a evolução da fala pode
ser, em determinados momentos, indevidamente, encarada como
desvio, como erro. É, a nosso ver, fundamental que o professor de
Língua Portuguesa em nosso país tenha consciência de que a
norma-padrão – que ele deve ensinar – é uma variante do
português, como tantas outras que há. Sob esta óptica, não deve o
professor discriminar o falar do aluno. É importante que a Escola
conheça as variantes linguísticas da comunidade na qual ela se
insere e atue de modo a respeitar e a valorizar o conhecimento
linguístico prévio de cada estudante, pois se este perceber que o
seu modo de falar é valorizado e respeitado sentir-se-á estimulado a
aprender. Sendo assim, deve ser ensinada a variedade-padrão, mas
sem que se despreze a bagagem cultural que o aluno já traz ao
entrar na escola, tendo-se o cuidado de não se dizer que o que ele
sabe está errado: “Ele fala errado, escreve errado” são dizeres
inadequados a um professor, pois encerram uma incoerência, uma
vez que as outras variantes costumam ser tão apropriadas para a
comunicação quanto à norma-padrão, mesmo que não obedeçam
às regras gramaticais desta última. Quando os educadores se
conscientizam de que o educando já carrega uma experiência de
100
vida, às vezes rica, anterior à fase escolar, de que ele não é uma
folha em branco, um intelecto vazio aguardando depósitos de
sabedoria, mas um ser que se comunica eficientemente e que busca
através da escolarização a conquista do código que o capacitará a
alcançar uma posição social digna, aí, sim, pensamos, a Escola está
apta a bem cumprir sua finalidade. Entendemos que também é
encargo do professor empenhar-se no combate à visão carente de
fundamentos lógicos difundida no seio da população de que a
variante culta é a única boa possibilidade de expressão, o dialeto
social ideal, merecendo as demais variantes, as populares, ser
relegadas a um plano inferior e tachadas de inadequadas e
defeituosas para a comunicação oral ou escrita. Reiterando: a
norma-padrão deve realmente ser ensinada, mas a expressão
veiculada em uma das variantes de menos prestígio não pode ser
considerada inferior, do ponto de vista linguístico. Entre
profissionais do ensino, principalmente da área de português, um
conhecimento mínimo de sociolinguística é indispensável, a fim de
possibilitar uma visualização isenta do panorama dialetal brasileiro.
Frases que já fazem parte do senso comum, do tipo “o português é
a língua mais difícil do mundo” e “no Brasil ninguém domina a
língua materna”, não podem encontrar guarida na Escola ou entre
professores, pois, à luz da linguística, tais afirmações não se
sustentam. Sendo assim, concluímos que a linguística contribui para
a formação do professor de português ao inovar na conceituação de
linguagem, língua, variações e registros, entre outras, além de
evidenciar a noção de que não há língua que não evolua, de que o
uso atualiza a gramática e de que a variação natal, a língua materna
naturalmente aprendida, integra a personalidade do falante como
um saber interior, que deve ser tomado como ponto de partida do
ensino.
Palavras-chaves: ensino, língua materna, norma-padrão, variação
linguística
101
ASPECTOS MORFOSSINTÁTICOS DO FALAR MATO-GROSSOSSENSE
Autores José Leonildo Lima 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso (Av.
Bom Jesus, 1462 - P. e Lacerda - MT)
Resumo
Para discorrer sobre o falar mato-grossense, temos que nos
reportar a Antenor Nascentes. Ao fazer a divisão dialetal do
território brasileiro, classificou a região em que atualmente se
localiza o estado de Mato Grosso como “território incaracterístico”,
sem, contudo, definir o que de fato seria "incaracterístico". Na sua
classificação, considerou como território incaracterístico, em termos
linguísticos, a área que compreendia entre a fronteira boliviana (rios
Verde, Guaporé, Mamoré até Abunã) e a fronteira de Mato Grosso
com o Amazonas e o Pará, áreas consideradas despovoadas
(NASCENTES, 1953, p. 25-26). Nos últimos anos foram realizadas
várias pesquisas tanto de natureza sociolinguística como
dialetológica, tais como trabalhos monográficos de graduação e de
especialização, sem, contudo fazer um mapeamento do falar local.
Visando fazer o registro da identidade linguística do estado, foi que
em 2009 teve início o Projeto do Atlas Linguístico do Estado de
Mato Grosso – ALIMAT. É uma pesquisa centrada num modelo
dialetológico que, a partir de um questionário contemplando os
níveis fonético, morfológico, sintático e semântico, visa mapear o
falar mato-grossense. Para a aplicação do questionário foram
escolhidos dezesseis municípios dentre aqueles que têm mais de 60
anos de existência, seguindo a metodologia adotadas pelos atlas em
geral. Dentre os níveis elencados na pesquisa, selecionamos para
esta comunicação alguns traços morfossintáticos mais recorrentes
ou que sejam particulares de determinadas regiões do estado. Um
deles diz respeito à questão do gênero, de modo especial o gênero
dos substantivos alface, cal, guaraná, alemão, chefe, ladrão e
presidente. Ainda sobre o substantivo, outro aspecto que foi objeto
de investigação diz respeito à questão da flexão dos substantivos
em número. Foi observado também o emprego dos pronomes
pessoais, possessivos e indefinidos. Outra categoria de palavras que
fez parte da pesquisa foi o verbo. As perguntas formuladas tiveram
102
como objetivo detectar, por exemplo, o emprego dos tempos
verbais presente do indicativo, pretérito perfeito, futuro do
presente e do pretérito. Foram objeto de investigação também a
concordância verbal e o emprego dos verbos ter e haver em sentido
existencial.
Palavras-chaves: dialetologia, atlas, morfossintaxe
ÁREA TEMÁTICA 7- ANÁLISE DO DISCURSO
CENOGRAFIA: uma noção fundamental na leitura de charges
Autores Maria Inês Pagliarini Cox 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Campus
Universitário - IL)
Resumo
Chamamos de “charges” aqueles textos que se utilizam da
linguagem pictórica ou da combinação da linguagem pictórica com a
verbal para fazer uma crítica humorística, derrisória, de um
acontecimento central ou tangencialmente político que esteja na
ordem do dia. Chargistas dialogam com assuntos momentosos com
os quais virtuais leitores estejam em sintonia. Aliás, apenas os
leitores que compartilham das condições de produção constitutivas
de uma dada charge podem, de fato, entendê-la. Apartado espaçotemporalmente das condições de produção, uma charge tem seu
potencial de significação altamente comprometido, requerendo um
trabalho deliberado de reconstituição do momento histórico que
passou e não mais evocado de pronto pelo público leitor como algo
familiar, como algo presente no repertório das coisas que nos são
contemporâneas. Possenti (2008) havia mostrado que a cenografia
é fundamental na leitura de textos publicitários. Parecia-nos ser ela
também uma noção muito apropriada para leitura de charges – um
gênero discursivo marcado pela derrisão de acontecimentos
sazonais. E é a cenografia que tem o poder de trazer os
acontecimentos para dentro. Assim, além de focalizarmos na análise
das charges a chamada “cenografia”, na proposição de
Maingueneau (2008 e 2001), recorremos também ao conceito de
103
semântica global para operacionalizar a leitura dos textos.
Conforme Maingueneau (2005, p. 79), “uma semântica ‘global’ não
apreende o discurso privilegiando esse ou aquele dentre seus
‘planos’, mas integrando-os todos ao mesmo tempo, tanto na
ordem do enunciado quanto na da enunciação”. Transcendendo os
planos do signo e da sentença, a semântica global postula que o
processo de significação se dissemina por toda a “discursividade”.
Entre os diversos planos abarcados pela semântica global, incluemse, no caso da charge, o plano pictórico, reafirmando a vocação da
Análise de Discurso como um instrumental de leitura de práticas
intersemióticas. O corpus foi constituído por dez textos chárgicos
que exploravam a gripe suína como tema principal ou como gatilho
para outros temas. “Gripe suína” era o assunto do momento na
mídia à época em que realizávamos esta pesquisa e, como tal, um
terreno fértil para a pena de chargistas. Nossa investigação mostrou
que a cenografia simula cenas contemporâneas ou da memória
discursiva familiares aos dois pólos da enunciação, fazendo do
enunciador e co-enunciador cúmplices no processo de comentar,
criticar e escarnecer de alguém ou alguma coisa. A cumplicidade é a
garantia do riso compartilhado. Por isso as charges envelhecem. Sob
a retina de um público leitor que não reconheça as cenografias
evocadas pelos enunciadores-chargistas, elas podem não fazer
sentido, podem ser totalmente insossas, sem graça. A semântica
global nos permitiu focalizar, nas várias cenografias, os elementos
formais mais significativos na produção dos efeitos de sentido em
cada uma das charges: o trocadilho, a hipérbole pictórica, a
metáfora imagética político/porco e a intertextualidade,
configurando-se, pois, como um aparato teórico-metodológico
adequado para a leitura de textos multimodais. Como afirma
Maingueneau (2008 e 2001), há textos que se reduzem às cenas
englobante e genérica, como uma lista telefônica, uma receita
médica, uma bula de remédio etc. Não é certamente o caso da
charge que não sobrevive sem a cenografia, responsável pela
evocação do ingrediente da cotidianidade de que rimos. Sem
cenografia, não há charge.
Palavras-chaves: análise de discurso, cenografia, charge, gripe suína
104
AS IDEIAS LINGUÍSTICAS NA OBRA DE DINO PRETI: análise de
marcas do “Horizonte de Retrospecção” na obra "Sociolinguística:
os níveis da fala"
Autores Gil Roberto Costa Negreiros 1
Instituição 1 FEPI - Centro Universitário de Itajubá (Av. Dr. Antonio
Braga Filho, 687, Bairro Varginha, Itajubá, MG CEP
37500-000)
Resumo
A gramatização é o processo de descrição e instrumentalização de
uma língua a partir da produção de tecnologias, como materiais
didáticos de cunho linguístico e outros instrumentos
metalinguísticos, como a produção acadêmica dos especialistas da
área. Especificamente no Brasil, após a década de 1960, em alguns
“instrumentos linguísticos”, como livros didáticos e materiais
bibliográficos de apoio ao ensino de linguagem, iniciaram-se
discussões sobre questões ligadas à oralidade e à Sociolinguística,
em resposta positiva àquilo que estava sendo buscado pelas
ciências da linguagem em outros centros (em especial nos Estados
Unidos e na França). Assim, por meio de outros “instrumentos
linguísticos”, como teses, dissertações, artigos oriundos de
investigações acadêmicas, delinearam-se a oralidade e os usos da
língua na sociedade como objeto de pesquisa e, consequentemente,
esse delineamento influenciou alguns tipos de materiais didáticos.
Um dos principais pesquisadores brasileiros desse percurso é Dino
Preti, autor que constantemente buscou divulgar a Análise da
Conversação e a Sociolinguística nos contextos de pesquisa e de
ensino. Nesta comunicação, nosso objetivo é apresentar um
trabalho, parte de uma pesquisa maior, referente à investigação de
algumas ideias linguísticas e das possíveis causalidades históricas
que nortearam a produção da obra “Sociolinguística: os níveis da
fala", de Dino Preti, a partir da investigação desse instrumento
tecnológico metalinguístico produzido (e publicado em determinado
momento histórico) pelo autor. De forma mais específica, daremos
ênfase à influência estruturalista saussureana, principalmente no
105
que se refere à dicotomia “langue / parole. O trabalho se apoia em
pressupostos teóricos da “Historiografia Epistemológica”, na
modalidade adotada por Auroux e por Puech. Essa linha teórica
considera a língua como fato social e se baseia na explicação e na
interpretação filosófico-científica do conhecimento humano. Há um
interesse, a partir desse quadro teórico, nas ligações causais do
objeto investigado com outros que lhe são relacionados, a partir de
cinco parâmetros (sistema de objetos, parâmetro temporal,
parâmetro espacial, sistema de parametragem externo que liga o
sistema de objetos ao seu contexto e sistema de interpretantes).
Segue-se, no processo de pesquisa, o Método Fenomenológico, a
partir de seus quatro momentos metodológicos, a saber: imersão,
discriminação, atribuição e síntese.
Palavras-chaves: Dino Preti, horizonte de retrospecção, ideias
linguísticas, influências saussureanas, Sociolinguística e texto oral
O PODER, A VERDADE E O SABER NO YOUTUBE
Autores Lígia Mara Boin Menossi de Araujo 1
Instituição 1 UFSCar - Universidade Federal de São Carlos (Rodovia
Washington Luís, km235, SP310)
Resumo
Este trabalho nasce com intuito de seguir grosseiramente alguns
caminhos deixados por Foucault (1995), caminhos esses que
apresentam as ideias sobre o Poder, a Verdade e o Saber. Conceitos
que fizeram com que olhássemos para nosso material de análise da
pesquisa de doutorado realizado no Programa de Pós-Graduação
em Linguística da Universidade Federal de São Carlos e fossem
levantados alguns pontos que pautam a problemática central deste
estudo e fizeram irromper a seguinte questão de pesquisa: Como se
constroem as relações de poder em um novo suporte midiático, o
YouTube? Mais especificamente em vídeomontagens tidas como de
humor? Nossa hipótese é a de que o YouTube é fonte de
informação e impõe uma outra dinâmica nas relações de poder isto
devido ao seu potencial de interação inédito. Nossa tentativa de
análise tem como material uma vídeomontagem postada no site
YouTube no ano eleitoral de 2010 em que o alvo de
106
descaracterização é a atual presidente Dilma Rousseff na época
candidata às eleições presidenciais. O título da vídeomontagem
trazida é Direto ao Assunto: Episódio #03 Meio Ambiente, ela faz
parte de uma seqüência de seis vídeomontagens que foram
postadas pelo mesmo internauta que utiliza o pseudônimo de
exilados. Para nosso embasamento teórico-analítico, tentaremos
pensar alguns pontos que envolvem os conceitos de Poder, Verdade
e Saber. De acordo com Foucault, o que caracteriza o poder que
analisaremos é o fato dele “colocar em jogo as relações entre os
indivíduos (ou entre grupos)” (1995, p.240). Deste modo, é possível
supor que determinados grupos ou indivíduos estabeleçam um
poder sobre outro grupo; contudo, esta via não é de mão única, pois
ela impõe relações que fazem com que os dois grupos exerçam o
seu poder um sobre o outro caracterizando o que o estudioso
denomina de relações de poder. Ligada ao poder, podemos
entender que a verdade trata de um “conjunto de procedimentos
reguladores para a produção, a lei, a repartição, a circulação e o
funcionamento dos enunciados” (1999b, p. 13). Sabemos que
outros temas estão intrínsecos aos que trataremos aqui e os que
aqui serão expostos suscitariam esclarecimentos muito maiores,
todavia, em virtude da extensão de nosso trabalho, infelizmente,
tomaremos apenas algumas de suas proposições e assim nosso
trabalho não se tornará demasiadamente extenso (Apoio: FAPESP –
Processo 2011/09851-8).
Palavras-chaves: vídeomontagens, Youtube, discurso político,
poder, saber
OS SENTIDOS DO LIXO NAS RELAÇÕES DE TRABALHO DOS
CATADORES EM ESPAÇOS NÃO URBANOS
Autores Neuza Benedita da Silva Zattar 1,1,1,1
Instituição 1 UNEMAT - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO
GROSSO (AV. SÃO JOÃO S/N CAVALHADA)
Resumo
Pode-se compreender o cruzamento de olhares entre a lente da
câmera e o que ela captura, como uma relação simbólica que busca
aproximar pela linguagem diferentes sujeitos que se movimentam
107
em espaços socialmente particularizados pelas tarefas que realizam.
O ato de olhar, além de preceder as palavras, segundo Berger
(1999), produz outro sentido para essa relação: o ato de ver
estabelece o lugar do sujeito no mundo circundante. Estou me
referindo ao vídeo-documentário Boca do Lixo, que registra e
mostra a vida de brasileiros excluídos da cidade, os catadores de lixo
que, empurrados para as margens findas do município de São
Gonçalo, região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, se
constituem sócio-historicamente em sujeitos-protagonistas que
interpretam o cotidiano sob os olhares do cinegrafista Eduardo
Coutinho. Além do cenário e da construção histórica dos
personagens, o diálogo, no documentário, é dominante entre os
que são capturados pela lente da câmera e o que os captura sob
vários ângulos, num misto de tensão e conflito que o encontro e/ou
a invasão produz. Compartilhando com aqueles que consideram a
linguagem como “mediação necessária entre o homem e a
realidade natural e social” (ORLANDI, 1999, p. 15), propomos
analisar como o lixo, enquanto dispositivo material e simbólico,
(re)significa nas relações de trabalho dos catadores nos discursos
que se entrecruzam e se chocam nos espaços suburbanos e
subumanos, e se manifestam através de gestos de interpretação
específicos que textualizam o documentário. No documentário, os
objetos catados para venda e consumo funcionam discursivamente
como ícones de comércio e de alimentação, enquanto os produtos
de uso significam a identificação dos catadores com o objeto
catado, ou seja, os objetos materializam a imagem de algo que
gostariam de usar ou de deixar à mostra em suas casas, cujo efeito
de sentidos passa a integrar a história de vida de cada um. No
documentário em análise, observa-se que a posição-sujeito dos
catadores de lixo e do cinegrafista, quando articulam a linguagem,
se inscrevem em formações discursivas distintas, porém, apesar
destas determinarem o que pode e deve ser dito (PÊCHEUX, 1997),
podem ocorrer efeitos de constatação no modo como o cinegrafista
se relaciona com os catadores que, interpelados, já têm assinalado
o seu lugar para responder.
Palavras-chaves: Análise do discurso, documentário, lixo
108
ACADEMIA MATOGROSSENSE DE LETRAS: língua e sujeito
nacionais
Autores Roseli Moreira 1, Eliana Almeida 1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Avenida Tancredo Neves)
Resumo
Este trabalho tem como foco uma leitura discursiva do Estatuto do
Centro Matogrossense de Letras (1921), numa relação com a peça
de oratória de Dom Aquino Corrêa, O Belo nas Letras, em: Poética –
Terra Natal – Volume II, Tomo I (1985). Nosso objetivo é
compreender como oratória de Dom Aquino e o Estatuto do Centro
Matogrossense de Letras, produzem sentidos para o estado de
Mato Grosso, língua nacional e o sujeito nacional mato-grossense.
Para tanto, consideramos as condições de produção e a
historicidade dessas materialidades, pois, entendemos que na
relação entre sujeitos e os discursos, Pêcheux (1997), a língua é um
produto da história e os sentidos, por consequência, não existem
em si mesmos, mas se constituem em uma situação dada e em
relação às posições sustentadas pelos sujeitos na formulação
discursiva em que se encontram. A mudança dos sentidos ocorre
em relação “às formações ideológicas (...) nas quais essas posições
se inserem” (PÊCHEUX, 1997). Os sentidos, deste modo, são
produzidos segundo condições específicas de produção discursiva,
que incluem o sujeito, o contexto imediato em que ocorre a
enunciação e os contextos sócio-histórico e ideológico, constitutivos
do sujeito e do discurso. Nesse percurso, consideramos a fundação
do Centro Matogrossense de Letras e a oratória de Dom Aquino,
como um “gesto de interpretação” Orlandi (1996),sobre a língua,
realizado pelos intelectuais mato-grossenses, e como tal,
materializaram as ideologias formadoras do pensamento da época,
contribuindo assim, para a produção de sentidos sobre a língua
nacional, durante o processo de institucionalização e legitimação da
língua portuguesa, como língua nacional brasileira, iniciado no Brasil
no final do século XIX. Enfim, procuramos descrever neste trabalho,
os sentidos construídos nessas materialidades discursivas e os
109
efeitos destes sentidos em relação à língua e sujeito nacionais. Para
tanto, inscrevemos esta leitura nos pressupostos teóricos da Análise
de Discurso, a partir de Pêcheux (1997) e Orlandi (2010), numa
relação com a História das Ideias Linguísticas.
Palavras-chaves: Análise de Discurso, Centro Matogrossense de
Letras, Dom Aquino Corrêa, Língua Nacional
ACONTECIMENTO, NOTÍCIA E PROCESSO JUDICIAL: o diálogo entre
enunciações concretas
Autores Maria Helena Cruz Pistori 1
Instituição 1 PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(R. Monte Alegre, 984)
Resumo
Neste trabalho, parte de nosso projeto de pesquisa Mídia impressa
e discurso jurídico: ressonâncias dialógicas, cuja finalidade é a
compreensão mais profunda tanto da relação e possíveis
ressonâncias dialógicas entre um e outro discurso, como dos
próprios discursos, situados social, política e historicamente,
propomos a observação desse diálogo entre o discurso jornalístico e
o jurídico, em textos referentes a um mesmo delito - o assassinato
de um índio pataxó, em Brasília, em 20 de abril de 1997, por cinco
rapazes de classe média. Tal delito foi julgado no processo n.
17.901/97, instaurado em 23 de abril do mesmo ano. Tomamos
como corpus as primeiras páginas dos jornais Correio Braziliense e
Folha de S. Paulo, nos dois dias posteriores ao crime – 21 e
22/04/1997, e a Denúncia que instaurou o processo. A análise
dialógica do discurso, de inspiração nas obras do Círculo de Bakhtin,
é nosso fundamento teórico-metodológico. Nos enunciados
concretos selecionados, buscamos a compreensão não apenas do
aspecto verbal, mas também do visual, especialmente na mídia, que
os reúne num projeto gráfico único. Em ambas as esferas de
atividade humana, as enunciações refletem e refratam perspectivas
próprias da realidade, mobilizando discursos que, no diálogo,
explicam, organizam e classificam o mundo, estabelecendo relações
e dependências, valores e efeitos de sentido de verdade. Por meio
do fenômeno social da interação discursiva constituem-se o locutor
110
e o interlocutor como sujeitos. A análise, pois, considera o contexto
social mais amplo e o mais imediato dos enunciados em questão; as
esferas de produção, circulação e recepção dos textos, com seus
diferentes gêneros e respectivas coerções; a explicitação e o
posicionamento das vozes discursivas, assim como a seleção dos
recursos visuais, lexicais, gramaticais e composicionais dos
enunciados, especialmente em seus aspectos persuasivos. Em
última análise, buscam-se as possíveis influências de um discurso
sobre o outro, e como os sentidos das enunciações selecionadas,
situadas social, política e historicamente, revelam ideologicamente
visões de mundo concordantes ou divergentes. (Apoio: FAPESP Processo 2009/16.902-8)
Palavras-chaves: diálogo, discurso jurídico, discurso jornalístico,
posicionamentos axiológicos
Certidão de Nascimento: efeitos da incompletude
Weverton Ortiz Fernandes 1,1,1,1, Thalita Miranda
Gonçalves Sampaio 1,1,1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Pontes e Lacerda - MT)
Autores
Resumo
Tomando como material simbólico de análise a campanha nacional
da certidão de nascimento, tenho como objetivo compreender os
efeitos de sentidos que constituem o enunciado: Certidão de
nascimento – um direito que dá direitos. Um dever de todo Brasil.
Com filiação na Análise de Discurso de linha francesa, compreendo a
incompletude como constitutiva do real da língua, que vai produzir
sentidos e constituir um sujeito interpelado pelo Estado que, em
sua invisibilidade, não é livre. Irei compreender o modo como se
constitui a interpelação do sujeito na materialidade lingüística do
enunciado, partindo da materialidade lingüística para a
materialidade discursiva, com o objetivo de compreender os efeitos
sócio-histórico-ideológico que se constituem pela incompletude. As
noções mobilizadas para a análise foram: Incompletude, silêncio
111
fundador, silenciamento, equívoco e memória discursiva. Essas
noções foram baseadas nas discussões de Eni Orlandi (2007, 2006 e
1997) e Claudine Haroche (1992). O material simbólico de análise:
“Certidão de nascimento – um direito que dá direitos. Um dever de
todo o Brasil.” constitui-se pelo discurso jurídico. O discurso jurídico
se significa pelo silêncio fundador, silêncio este presente não em
relação às palavras mas, se significa nas palavras (Orlandi 1997).
Pelo silêncio fundador compreende-se o Estado Jurídico não como
um “Estado Democrático”. Nessa invisibilidade o Estado se
posiciona como “autoritário”. O “autoritarismo” se significa não
pela visibilidade, “evidência”. O “autoritarismo” se significa pela
invisibilidade, constitutivo da incompletude. Esse efeito constitutivo
da incompletude, o silêncio fundador, interpela o sujeito brasileiro
como se esse sujeito fosse livre. Essa liberdade ocorre em função
desse dizer (enunciado) “Certidão de nascimento – um direito que
dá direitos. Um dever de todo o Brasil.” se inscrever no discurso
jurídico. É a memória do discurso jurídico “direito” e “direitos” que
produz um efeito de inquestionável e de natural nesse enunciado.
Mas, ao verticalizarmos a compreensão, a memória é um efeito que
“ilude” o brasileiro como um sujeito livre. A liberdade, de fato, não
existe. “Certidão de nascimento – um direito que dá direitos. Um
dever de todo o Brasil.” silencia outras possibilidade de enunciação
para se constituir nesse lugar enunciativo. “Dever” produz um efeito
de ambiguidade em que o Estado é obrigado a oferecer a certidão
aos brasileiros e, os brasileiros são obrigados a possuírem a certidão
de nascimento. A proposta de pesquisa foi o de compreender pela
materialidade linguística como o Estado interpela o sujeito
brasileiro, interpelação esta presente no material simbólico de
análise.
Palavras-chaves: Incompletude, Silêncio fundador, Silenciamento,
Interdiscurso
112
O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA PRÁTICA DO DISCURSO
JORNALÍSTICO: ditos e não-ditos
Autores Neusa Inês Philippsen 1, Cristinne Leus Tomé 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Avenida dos Ingás, 3001 Centro 78550-000 - Sinop, MT )
Resumo
A presente proposta de apresentação constitui-se de um recorte
das atividades desenvolvidas no Projeto Tecer de uma
discursividade na região norte mato-grossense da Amazônia Legal:
contextos e possibilidades de desenvolvimento frente à
sustentabilidade,
que
se
apresenta
interdepartamental,
multidisciplinar e interinstitucional, na Universidade do Estado de
Mato Grosso/UNEMAT/campus de Sinop - MT. O objeto de pesquisa
que se acentua nos trabalhos realizados pelos pesquisadores
integrantes desse Grupo de Pesquisa compreende a discursividade
posta na região norte mato-grossense, inserida na Amazônia Legal,
na formulação “desenvolvimento sustentável”, por meio dos
pressupostos teóricos da Análise de Discurso de linha francesa, e
procura evidenciar a constituição de um espaço de dizer nas
relações político-jurídico-ambientais e econômicas que possibilite
apreender os efeitos de sentidos que circulam nesta região. Neste
recorte, apresenta-se um olhar investigativo lançado em dois artigos
veiculados na mídia impressa de Sinop, cidade pólo do norte de
Mato Grosso, com o intuito de averiguar, no discurso jornalístico,
mais especificamente no gênero notícia, como a temática
“desenvolvimento sustentável” é apresentada nas marcas
linguísticas enunciativas pelo enunciador-jornalista, buscando
apreender os diferentes efeitos de sentido que aparecem nos
diálogos entre as muitas vozes que são suscitadas no momento da
produção e da circulação dos fatos trazidos pelos textos
informativos que circulam nesse espaço discursivo. Nesse contexto,
para buscar compreender o papel da mídia impressa na mobilização
de sentidos sobre a temática “desenvolvimento sustentável”,
procurou-se, em duas notícias selecionadas, e que integram os
corpora desse Projeto de pesquisa, identificar as vozes que se
apresentam na materialidade discursiva, responsáveis pela
113
circulação e recepção do tema no norte mato-grossense, (re)
produzidas em distintos suportes midiáticos. Dentre os resultados
analíticos que se evidenciaram nas formulações, destacam-se
deslocamentos, incompletudes e polêmicas entre os discursos
ambientalistas e desenvolvimentistas, confrontados em um embate
ideológico sócio-econômico que se empreende, fundamentalmente,
pelas organizações de trabalho e pelos sistemas políticos vigentes.
Palavras-chaves: Análise de Discurso, Discurso Jornalístico,
Desenvolvimento Sustentável, Amazônia Legal, Norte Matogrossense
LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS: O INTÉRPRETE E AS SUAS
ESCOLHAS LINGUÍSTICAS E DISCURSIVAS
Autores Sérgio Pereira Maiolini 1,2, Iara Cardoso Lopes 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa), 2 UNIC - Universidade de Cuiabá (Av.
Beira Rio)
Resumo
Conforme BRITO (1995), as línguas de sinais, bem como línguas
orais são línguas naturais onde a comunidade se apropria e
compartilha do mesmo código linguístico por meio da interação
entre os falantes. Sua estrutura linguística permite a comunicação e
expressão de qualquer vontade, notadamente emocional, racional,
literário, etc que, por conseguinte, promoverá a interação cujo
objetivo principal é promover a comunicação discursiva. As línguas
de sinais diferem-se das línguas orais por meio da modalidade de
comunicação entre os falantes. Sendo a primeira visual-espacial e a
segunda língua oral-auditivo. Isto significa dizer que as línguas de
sinais se concretizam por intermédio do corpo, especificamente,
pelas mãos e pelos braços, bem como pelas expressões faciais e
corporais que são de suma importância para esta modalidade
comunicativa. A partir de 22 de abril, pela Lei Federal Nº
10.436/2002 a Língua de Sinais Brasileira (doravante Libras) passa a
ser reconhecida legalmente como Língua oficial para a comunidade
114
surda. Sendo assim, este estudo tem como objetivo principal
investigar a atuação do profissional intérprete, precisamente as
suas escolhas linguísticas e discursivas ao interpretar. Segundo
(QUADROS, 2003), o tradutor intérprete de língua de sinais pode ser
entendido como aquele que “traduz e interpreta a língua de sinais
para a língua falada e vice-versa em quaisquer modalidades que se
apresentar (oral ou escrita)”. O intérprete é o profissional que atua
como uma ponte entre a comunicação do surdo e a do ouvinte e
vice-versa, no entanto o foco deste trabalho será em investigar a
atuação do intérprete ouvinte, isto é, aquele que irá interpretar
uma língua oral para uma língua visual-espacial - por exemplo, da
língua portuguesa para a Libras. A atuação do intérprete vai além do
conhecimento gramatical e a fluência nas línguas, pois faz-se
necessário agilidade e destreza no momento da interpretação
simultânea. As escolhas linguísticas que o intérprete faz é carregada
de intenções, de ressonâncias ideológicas, de valoração apreciativa,
isto é, há uma reacentuação daquilo que está sendo dito ao surdo.
Palavras-chaves: língua de sinais brasileira, intérprete, discurso
POLÍTICAS LINGUÍSTICAS:OS SENTIDOS DO CURRÍCULO ESCOLAR
Autores Alexandra Bressanin 1, Ana Maria Di Renzo 1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Campus de Cáceres), 2 UNEMAT - Universidade do
Estado de Mato Grosso (Campus de Cáceres), 3
Resumo
Este projeto de pesquisa propõe um gesto de interpretação dos
discursos produzidos pelas políticas linguísticas do Estado de Mato
Grosso. Filiado a uma concepção discursiva de linguagem, inscrevese nos pressupostos teórico-analíticos adotados pela Análise de
Discurso, de linha francesa, numa tentativa de compreender as
relações entre sujeito/Língua/Estado, pois sujeitos e sentidos se
constituem num movimento constante do simbólico e da história.
Temos por objetivo analisar as formulações discursivas produzidas
115
pelas Orientações Curriculares - (OCs-2010), que se mostra como
um lugar importante para se pensar a questão do texto. Queremos
saber em que condições de produção os documentos curriculares e
os instrumentos normativos de ensino são produzidos? Quais são as
formações discursivas que os constituem? Pois, o sujeito é, mesmo
na ilusão de não o ser, o lugar de coerções e proibições, “*...+ o
sujeito é individualizado, isolado, responsabilizado na gramática e
no discurso” (HAROUCHE, 1992, p. 23). Ou seja, é na língua o lugar
onde o poder, pelo efeito de transparência, tenta civilizar o
indivíduo. O movimento de reformas curriculares no país constituise num desafio às práticas linguísticas. Por isso, “...língua e os
instrumentos linguísticos são objetos históricos que estão
intimamente ligados à formação do país, da nação, do Estado”
(GUIMARÃES 1996, p.14). Sendo assim, é importante compreender
o currículo como instrumento de ensino que contribui para a
construção de identidades sociais. No Brasil as leis refletem um
desejo de cidadania, assim, ser cidadão não é uma questão de
direito garantido, mas capacidade de se transformar, “virar
cidadão”. O Estado transfere essa responsabilidade à Escola,
especialmente ao ensino de língua: “(...) Toda criança na escola,
onde a escolarização representa o projeto de urbanidade, de
civilidade. Mas ainda aí também não se consuma esse destino
histórico: sem escola não há cidadania...” (ORLANDI, 2002, p. 228).
Como afirma a autora, é dever do governo dar condições para
instruir e emancipar os indivíduos, mas só quando conseguirmos
viver em igualdade numa sociedade heterogênea é que não
estaremos mais “à cata de cidadania”. Portanto, a história não nos é
transparente, mas sendo nossa, é preciso persistir na possibilidade
que temos de, na universidade, refletir sobre o ensino, o político e a
produção de ciência.
Palavras-chaves: currículo, texto, língua
116
MODOS DE ATRIBUIÇÃO DA CIDADANIA: efeitos de evidência no
discurso
Autores Águeda Aparecida da Cruz Borges 1
Instituição 1 UFMT-CUA/UNICAMP - UFMT/UNICAMP (Campus
Universitário do Araguaia)
Resumo
Ao conceber o corpo da cidade como um espaço de significação
particular, busco compreender como os sentidos são aí produzidos,
sentidos nos quais se organiza a vida urbana e seus sujeitos, em
especial o sujeito índio Xavante enredado na produção discursiva,
em Barra do Garças-MT. É na diferença, no caráter revolucionário
atribuído aos estudos da linguagem, configurado no discurso, que
Pêcheux constituiu o dispositivo teórico da Análise de Discurso,
teoria de entremeio, em que me fundamento para dar sustentação
às análises. No jogo que sustenta o político na sociedade se
depreende que toda dominação ideológica é antes de tudo uma
dominação interna, isto é, uma dominação que se exerce
primeiramente na organização interna em que as práticas do
aparelho ideológico se inscrevem, mostrando os efeitos de
evidência produzidos pela ideologia. Nessa perspectiva, procedo a
análise de um recorte de sequências que pode ser identificado
como uma família parafrástica, pois há uma reformulação do dizer
que abre para a interpretação de que os sujeitos aí se inscrevem,
pela 1ª pessoa do verbo, em uma posição de cidadãos entendida
pelo lugar cedido ao Outro. É em relação a si que se atribui o espaço
ao índio, na ilusão de domínio de si: “penso que”, “eu acho que”,
“no meu pensar”, “na minha opinião”. Nesse caso, o mecanismo
parafrástico se realiza pelo recurso à modalização me leva a
caracterizar esse tipo de paráfrase como modalizadora. Assim, a
escuta da cidade dá visibilidade aos processos de identificação pelos
seus moradores, torna visível também o quanto esses modos de
subjetivação, em função do lugar de constitutividade, são
multifacetados e imbricados, pois os lugares de identificação são,
antes de tudo, tomadas de posição, lugares de interpelação pela
ideologia, modos de subjetivação. Os sujeitos assumem um
engajamento discursivo para produzir a partir da “sua” posição, ou
117
seja, a de cidadão, a “cidadania” para os Xavante
presentes/frequentes na cidade da pesquisa.
Palavras-chaves: Discurso, cidade, ideologia, índio Xavante
A HETEROGENEIDADE DO PORTUGUÊS EM LIVROS DIDÁTICOS:
efeitos de sentido
Autores Sonia Renata Rodrigues 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Rua
Buenos Aires, 280, Apto 302)
Resumo
Neste estudo, analisa-se um espaço discursivo polêmico,
englobando discursos que dizem a língua e seu ensino na
contemporaneidade, a partir de um conjunto de enunciados
extraídos de dois livros didáticos de Língua Portuguesa do Ensino
Médio, designados como obra 1 e obra 2. O recorte e a análise dos
enunciados são orientados teoricamente pela Análise de Discurso
francesa, na perspectiva de Dominique Maingueneau. Na obra 1,
falam enunciadores do discurso gramatical, que não podem mais
ignorar o discurso linguístico, uma vez abonado pelos Parâmetros
Curriculares Nacionais que, hoje, representam as políticas
educacionais e linguísticas de Estado. O discurso gramatical é um
gigante que reinou por séculos praticamente sem adversários, mas,
agora, tem de enfrentar um antagonista à sua altura, jovem e
poderoso, nascido e ungido com a pecha de conhecimento
“científico”. Na obra 2, fala um enunciador do discurso linguístico
em luta contra o gigante. Ambos disputam a melhor forma de
significar a existência heterogênea do português: pelo viés purista,
como faz o discurso gramatical, ou pelo viés pluralista, como faz o
discurso linguístico? Na obra 1, cujo Mesmo é o discurso gramatical
e cujo Outro é o discurso linguístico, flagra-se uma espécie de
namoro infiel do Mesmo com o Outro na tentativa de interpretar o
português como contextualmente variável. À primeira vista, os
enunciadores 1 parecem falar das variedades de português
interpelados pela ideologia e pelo discurso do múltiplo, mas logo se
percebe o retorno deles ao Mesmo, ou seja, à ideologia e ao
discurso do UM, para a qual a língua é homogênea e estável e toda
118
variação é sinônimo de destruição, corrupção, desordem. Na obra 2,
cujo Outro é o discurso gramatical e cujo Mesmo é o discurso
linguístico, acompanha-se uma espécie de separação litigiosa do
Mesmo em relação ao Outro, na luta para derrotar o purismo
ideológico e gramatical que tolda a interpretação do português
como uma língua heterogênea e dinâmica e é fonte de preconceito,
estigma e discriminação. O discurso linguístico ainda vive uma fase
de constituição em que não pode ignorar a existência do Outro. Mal
se pode imaginar um tempo em que a voz da gramática normativa
tenha recuado para a periferia do campo das Letras e algo possa ser
dito sem que ela ressoe altissonante.
Palavras-chaves: heterogeneidade linguística, livro didático, ensino
de lingua portuguesa, interdiscurso, polêmica
A FONÉTICA E A FONOLOGIA EM MATERIAIS DIDÁTICOS DO
ENSINO MÉDIO: posições discursivas em jogo
Autores Terezinha Della Justina 1,1
Instituição 1 UNEMAT - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO
GROSSO (AV. DOS INGÁS, 3001)
Resumo
A comunicação versará sobre um estudo que busca investigar os
discursos que dizem a fonética e a fonologia em materiais didáticos
de ensino médio, perscrutando as posições discursivas assumidas
pelos enunciadores/autores de livros didáticos de português, mais
especificamente, como se posicionam em relação à tese do primado
da oralidade sobre a escrita, afirmada pela linguística, desde seu
advento, em contraposição ao grafocentrismo da gramática
tradicional; busca também captar possíveis deslizamentos entre a
fonologia e a ortografia no conjunto de enunciados e compreender
como enunciados de livros didáticos de português respondem aos
parâmetros e orientações curriculares, bem como aos critérios do
Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio (PNLEM), quanto
ao postulado da inclusão do tema diversidade linguística observável
no nível fonológico. Para realizar o estudo, são investigados dois
livros didáticos incluídos no Catálogo do PNLEM 2012: “Novas
Palavras, nova edição” de Emília Amaral et alli (2010) e “Português:
119
linguagens” de Willian Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
(2010), ambos publicados em São Paulo pelas Editoras FTD e Saraiva
respectivamente. Focaliza-se deles as seções e/ou capítulos que
tratam do tema fonética e fonologia, recortando-se algumas
sequências linguísticas significativas para uma leitura discursiva na
perspectiva da escola francesa de análise de discurso. O conjunto de
recortes do corpus em estudo visa a capturar instantes privilegiados
de enredamento interdiscursivo entre o discurso da gramática
tradicional (DG) e o discurso da linguística (DL), cada um deles se
revezando nos papéis de discurso agente e paciente. Subsume-se,
para tanto, que os discursos são historicamente constituídos e que
há uma memória discursiva que os mantêm vivos, retomando-os,
repetindo-os e, quando muito longevos e arraigados, são muito
resistentes e difíceis de serem abalados e silenciados no campo
discursivo em que circulam. O (DG) é um desses discursos vetustos:
por séculos reinou sozinho, atravessando fronteiras, tempos e
espaços, forjando leituras dos fenômenos linguísticos e sendo
repetido por especialistas das Letras, mas também pela praça
pública. Contudo, por serem sempre constitutivamente
heterogêneos, os discursos também aninham forças de mudança.
Com o surgimento da linguística, o DG foi abalado em suas
estruturas, já não é mais possível falar em ensino de língua sem
considerar o que esta diz sobre. Mesmo assim, o presente estudo
revela que, apesar da presença ruidosa do (DL) no campo do ensino
de línguas, há quase quatro décadas, quase nada daquilo que se
apresenta sobre a fonética e a fonologia nos livros didáticos é
comungado com os preceitos da linguística, mesmo sendo elas
disciplinas que, dadas suas características, poderiam receber
tratamento diferenciado. Há, sim, em espaços destinados à fonética
e à fonologia, a presença do (DG) ainda dominando: grafocentrismo,
língua homogênea, certa ou errada.
Palavras-chaves: análise de discurso, livro didático do ensino médio,
fonética e fonologia
120
A construção da cenografia e a constituição do ethos discursivo em
relatos indígenas da aldeia Pau-Brasil
Autores Adriana Recla 1,2
Instituição 1 PUC- SP - PontifÃcia Universidade Católica de São
Paulo (R. Ministro de Godói - Perdizes), 2 FAACZ Faculdade de Aracruz (R. Professor Berilo Basilio - s/n)
Resumo
Esta comunicação trata da constituição do ethos discursivo no
processo de desvelamento da identidade do indígena da aldeia PauBrasil, localizada na cidade de Aracruz, no estado do Espírito Santo.
Selecionamos como objeto de análise, o relato Mal(sic) Espírito
retirado dessa realidade indígena e publicado na coletânea “Os
Tupinikim e Guarani contam...”, organizada por Edivanda Mugrabi,
em 2005. Para analisar o relato, propusemos como objetivo
examinar a cenografia e o modo de constituição do ethos discursivo,
ou seja, a forma como o sujeito enunciador constrói uma imagem
de si e revela-se a nós no interior do discurso. Para o estudo
proposto, fundamentamo-nos na Análise do Discurso, nas
perspectivas apontadas por Maingueneau (1997, 2005, 2008, 2010),
que concebe o discurso como uma atividade de sujeitos inscritos em
determinados contextos. Nesta perspectiva, o relato foi concebido
como discurso, pois constitue um lugar enunciativo, onde se
inscreve o enunciador que se revela por uma voz e uma
corporalidade, que nos permite depreender a construção de sua
imagem da qual inferimos uma identificação com o sujeito autor.
Trata-se, assim, da noção de ethos discursivo e da possibilidade de
sua verificação nos diversos discursos. Privilegiamos, por conta
disso, as noções de interdiscurso, cenografia e ethos como
elementos indissociáveis que constroem e legitimam o discurso. O
trabalho possibilitou-nos reconhecer o enunciador por meio da
cenografia, que confere credibilidade à enunciação, uma
representação, mais ou menos unificada e coerente do mundo, pois
que manifesta um ethos discursivo, que auxilia na compreensão e
explicação de seu entorno e revela a identidade dos indígenas. O
121
fato de o relato construir-se pela voz do indígena de Pau Brasil faznos compreender que tal discurso implica um ethos de enunciador,
apreendido pelos recursos linguísticos, na enunciação, ao mesmo
tempo em que nos permite inferir o ethos do sujeito indígena da
coletividade que produziu o relato.
Palavras-chaves: Ethos discursivo, Relato, Análise do Discurso
EDIÇÃO DE MANUSCRITO QUINHENTISTA: do linguístico ao
discursivo
Autores Rejane Centurion Gambarra e Gomes 1,2
Instituição 1 USP - Universidade de São Paulo (www.usp.br), 2
UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(www.unemat.br)
Resumo
O objetivo desta comunicação é divulgar a proposta de edição de
um texto quinhentista intitulado “Tractado da terra do Brasil no
qual se cõ tem a informação das cousas que há nestas partes feito
por P° de Magalhães”. A edição do “Tractado” justifica-se dada a
importância que tal documento representou na produção escrita do
período colonial, considerada Literatura de Informação. Nossa
pesquisa ocupar-se-á de apenas um testemunho para estudo,
estando, pois, na classe de edições monotestemunhais, utilizandose dos tipos fac-similar e semidiplomática. Trata-se de um texto
genuíno, manuscrito, com a finalidade de enviar informações/
impressões sobre a “nova” terra à Coroa Portuguesa, e dedicado
“Ao muy alto e sereníssimo Príncipe dom Anrrique Cardeal Iffante
de Portugal”. Seu autor envia a descrição, dividida em duas partes,
destacando capitanias, índios, fazendas, costumes, qualidades,
mantimentos, animais, frutas, entre outros. Tal documento,
elaborado no século XVI, cuja autoria é destinada a um português,
poderá mostrar o uso da norma estabelecida em Portugal, já que
seu autor pertence à classe social que, supomos, deva ter passado
por instrução, e, portanto, deva fazer uso da variedade da língua
considerada padrão. Assim, a edição justifica-se por apresentar,
entre outros aspectos, a oportunidade de conhecer e refletir acerca
122
de um momento anterior da evolução da nossa língua. Destacamos
as funções da filologia, a partir de Spina (1977), sendo a substantiva,
a adjetiva e a transcendente. Relacionando-as ao nosso
<i>corpus</i>, podemos afirmar que ao explicá-lo e prepará-lo
tecnicamente para publicação, estaremos fazendo uso da função
substantiva; já a função adjetiva será mobilizada à medida que
procurarmos deduzir informações as quais não estejam presentes
no documento; finalmente, a partir da função transcendente, o
material de análise deixará de ser tomado apenas como um fim
filológico para permitir uma reconstituição da vida da sociedade
brasileira do século XVI, tomando, portanto, como ponto de partida,
a edição do documento, para, seguidamente, estabelecermos um
diálogo com a discursividade. Assim, pretendemos editar o texto,
apresentando apontamentos paleográficos e codicológicos, bem
como seu funcionamento discursivo.
Palavras-chaves: codicologia, discursividade, edição, filologia,
paleografia
O Discurso de autoridade dos pais e seus sentidos( da definição de
autoridade à prática discursiva na família)
MARIA APARECIDA ALVES RIBEIRO 1, MARLON LEAL
RODRIGUES 1,1
Instituição 1 UEMS - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO
DO SUL (CAMPO GRANDE, MS)
Autores
Resumo
Esse estudo tem como objeto de análise o discurso de autoridade
dos pais e seus sentidos (da definição de autoridade à prática
discursiva na família). Está organizado em pressupostos teóricos da
análise do discurso, pressupostos da organização social do século
XVIII engendrando poder e autoridade, mostrando a descrição da
materialidade do objeto na história, delimitando os sentidos que o
discurso de autoridade dos pais tem na prática discursiva da
autoridade na família e as práticas discursivas que circulam como
dissimuladoras do discurso de autoridade dos pais. “A língua é a
123
materialidade específica do discurso e o discurso a materialidade
específica da ideologia...” (Orlandi, 2002 p.31). Objetiva-se analisar
as formações imaginárias da posição-sujeito pai e mãe enquanto
discurso de autoridade sendo atravessado pelas formações
ideológicas do atual momento histórico. Para Marx (1998, p. 12) “A
maneira como os indivíduos manifestam sua vida reflete
exatamente o que eles são.” Busca-se descrever a materialidade do
objeto que é o discurso de autoridade na família no pressuposto da
organização social engendrando poder e autoridade com o apoio
teórico de Foucault, a sua origem contada por Engels, essa mesma
unidade, a família, envolta no poder político e econômico analisada
na teoria de Althusser com os Aparelhos Ideológicos de Estado
mostrando as leis que regem esse objeto na história ratificado na
teoria marxista. Na análise, há a definição de autoridade e a prática
discursiva sobre a autoridade dos pais, prática discursiva delimitada
pelas teorias de Pêcheux e Orlandi observando a relação entre
discurso, discurso de autoridade na família e ideologia. Buscamos
Pêcheux (1988, p. 160) para dizer que “numa formação ideológica
dada, isto é, a partir de uma posição dada numa conjuntura dada,
determinada pelo estado da luta de classes, determina o que pode e
deve ser dito”. A metodologia é qualitativa de forma descritiva, o
corpus é composto de enunciados extraídos de questionários, os
sujeitos foram levados a discursivisar sobre os sentidos da palavra
autoridade. Com o estudo procuramos contribuir em que se reflita
sobre a verificação de que o discurso de autoridade assumiu outros
sentidos dentro das formações discursivas analisadas. Dessa forma,
a subordinação do sujeito sempre ocorre com o seu consentimento
aparecendo nas relações sociais em diferentes realidades de
discurso em formato de autonomia (Pêcheux, 1988). Ao que diz
respeito às leis que regem o objeto na história pressupõe-se que o
Estado, mesmo antes da sociedade Vitoriana do século XVIII,
utilizando de seu poder criou diversas maneiras de cercear a
sociedade tratando de procurar meios de controlar o ordenamento
das cidades e que esse controle segue até hoje em diferentes
discursos que são rearticulados em dado momento histórico,
procuramos em Althusser (2003, p. 35). Nessa ordem houve a
necessidade de delimitar os sentidos que o discurso de autoridade
dos pais sofreu diante dos discursos de persuasão social/capitalista
124
levado pela historicidade que atua diretamente nessas práticas
discursivas. Análise do Discurso
Palavras-chaves: Discurso, Discurso de autoridade na família,
Ideologia
CONVERSANDO SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA: Uma análise
discursiva de cartas de Monteiro Lobato a Godofredo Rangel
Autores Sheila C de Carvalho 2
Instituição 2 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Avenida
Fernando Correa da Costa)
Resumo
RESUMO: Neste trabalho, analisa-se um conjunto de enunciados
recortados de cartas de Monteiro Lobato a Godofredo Rangel no
lapso temporal de 1907 a 1926, publicadas na obra “A barca de
Gleyre”. Dentre os variados assuntos tratados nessas cartas
trocadas entre amigos, focalizam-se, nesse estudo, aqueles que
especificamente debatem a questão da reforma ortográfica e o
abrasileiramento da língua portuguesa. “Homens de letras” da
época, os autores em questão se dispõem a discutir sobre tópicos
relacionados ao idioma e suas peculiaridades. Por vezes, o assunto é
debatido de maneira bastante explícita enquanto que, em outras, é
mencionado de maneira mais velada. A leitura que aqui se faz do
corpus, sob as lentes da análise do discurso de vertente francesa,
busca observar a constituição dos ethos do enunciador das cartas.
Entende-se por ethos a maneira de dizer vinculada à figura do
enunciador que é o ‘fiador’ de seu discurso e que deverá, por meio
de sua fala, construir uma imagem de si compatível com os mundos
criados pelos enunciados. É a partir da incorporação de estereótipos
que circulam nas mais diversas esferas da cultura que o fiador
constitui o ethos que deverá provocar a adesão dos coenunciadores. Procura-se apreender as marcas discursivas que
identifiquem o posicionamento discursivo de Monteiro Lobato a
respeito da polêmica concernente à língua portuguesa falada no
Brasil e se esta deveria ou não ser um idioma à parte daquele falado
125
em Portugal. Considera-se a situação enunciativa das cartas como
fator-essencial para a análise discursiva aduzida. Através do estudo
realizado, pontuam-se os argumentos de que o enunciador que fala
pela voz de Monteiro Lobato e dos quais lança mão para defender
sua posição separatista em relação à polêmica linguística. Examinase o diálogo travado por Monteiro Lobato e Godofredo Rangel, a
respeito da constituição da identidade nacional, ainda que de
maneira implícita.
Palavras-chaves: Monteiro Lobato, Análise do discurso, Língua
Portuguesa
EFEITOS E MEMÓRIA: da narrativa às festividades vilabelense
Autores Weverton Ortiz Fernandes 1,1,1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Cáceres)
Resumo
Esta proposta parte de um projeto de dissertação recém aprovado
no programa de mestrado em linguística da Unemat - MT. O projeto
tem como título Efeitos e memória: da narrativa às festividades
vilabelense. A proposta de pesquisa é analisar as festividades locais
de uma cidade situada à extremo oeste do Estado de Mato Grosso:
Vila Bela da Santíssima Trindade, cidade esta fundada para ser a
primeira capital do Estado. São três festividades locais que me
proponho a desenvolver: Festa do Divino Espírito Santo, Dança do
Congo e Dança do Chorado. Além dessas três materialidades, tomo
como corpus de análise um relato que narra a história da Dança do
Chorado. A análise será embasada, teoricamente, pela Análise do
discurso de linha francesa, considerando a inscrição dos dizeres
(narrativa) e da significação (festividades) numa relação com a
incompletude e com a formação discursiva. Essas noções serão
baseadas a partir das discussões de Eni Orlandi (2002, 2002, 2006 e
2007); M. Pêcheux (1995); Solange L. Gallo (1992); Eduardo
126
Guimarães (1995); Claudine Haroche (1992); Maria Onice Payer
(2006); Tereza Nazar (2006); e Pierre Achard (1999). No relato sobre
Chorado, pretendo pensar como que a narrativa não se esgota na
ordem do “efetivamente ouvido” (PAYER; 2006, p. 28), ou seja,
numa transmissão fiel da mensagem. Busco compreender na
narrativa como a memória regulariza o dizer que se constitui por um
acontecimento discursivo, conforme podemos observar no seguinte
recorte: A Dança do Chorado foi uma estratégia usada pelas
senhoras escravas no momento correto. O que coloco em questão
na narrativa é a de pensar essa “oralidade” e a posição sujeito num
movimento de sentidos que se constituem no enunciado. Com
relação aos efeitos, questiono como a memória regulariza o dizer do
morador vilabelense pela oralização da escrita para significar uma
tradição local. Na sociedade vilabelense, fundada pelos portugueses
em 1752, há no imaginário local de que a narrativa do Chorado é
uma oralidade de uma tradição local. Conforme Orlandi (2002)
compreendo que essa “oralidade” é significada pela memória da
escrita. Sendo assim, não penso que seja um morador de uma
comunidade local que “narra” a história do Chorado, mas é a
memória da escrita que regulariza o dizer dessa narrativa. Nesse
caso, formulo a seguinte questão: quais os efeitos produzidos pela
memória da escrita na narrativa do Chorado? Quanto às
festividades, será que os ritos da atualidade: Dança do Chorado,
Dança do Congo e a Festa do Divino Espírito Santo é um “resgate”
cultural do passado? Quais os sentidos produzidos pelo efeito de
presentificação-simulação no processo de significação das
festividades e da narrativa? Para discutir a significação das
festividades que se baseia numa “tradição”, irei mobilizar as noções
de efeito metafórico e silêncio fundador (ORLANDI; 2006 e 2007).
Com relação ao efeito metafórico, segundo Orlandi (2006, p. 80); M.
Pêcheux (1969) vai chamar efeito metafórico o fenômeno
semântico produzido por uma substituição contextual, lembrando
que esse “deslizamento de sentido” entre x e y é constitutivo do
sentido designado por x e y. Conforme Orlandi (2006), os sentidos
que se significam/constituem num objeto simbólico estão á deriva.
Um mesmo objeto simbólico pode, em diferentes períodos, produzir
diferentes efeitos. Tanto os ritos de “tradição” vilabelense quanto à
narrativa do Chorado produzem efeitos distintos em diferentes
127
épocas. Neste caso, busco compreender que efeitos são produzidos
na re-significação de uma memória nas festividades vilabelense e na
narrativa do Chorado.
Palavras-chaves: Memória Discursiva, Formação
Incompletude, Efeito Metafórico, Silêncio Fundador
Discursiva,
LÍNGUA POÉTICA: sujeito e imaginários
Autores Thalita Miranda Gonçalves Sampaio 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Campus de Cáceres)
Resumo
A linguagem não se apresenta como algo plano ou com sentidos
estáticos. Ela é espaço de materialização de diferentes discursos
numa relação com a memória. Do conjunto heteróclito da
linguagem definido por Saussure (1997), proponho-me a estudar a
língua escrita, especificamente em versos de composições musicais,
sendo elas <i>De Babado</i> e <i>Cem Mil-Réis</i> (1936) de Noel
Rosa, <i>Joana Francesa</i> (1973) de Chico Buarque e
<i>Babylon</i> (2000) de Zeca Baleiro. A música, como toda arte,
está relacionada ao desestabilizado dos sentidos, pois que
materializa o poético na língua. Os sentidos em funcionamento nas
músicas se dão na escrita e na letra, através dos jogos fonéticos ou
lexicais de deslizamentos que vão produzindo outros sentidos.
Nosso recorte toma especificamente as músicas que mobilizam
simultaneamente diferentes sistemas lingüísticos distintos,
tomando-os nessa injunção da cadeia significante. Inscrevo assim
esta comunicação na Análise do Discurso (ALMEIDA (2010),
MARIANI (2007), ORLANDI (2001; 2005), PAYER (2006) e PÊCHEUX
(1990), uma vez que busco compreender como se dão os gestos de
interpretação e os efeitos de sentidos presentes na materialidade
discursiva recortada. A música materializa o poético da língua e na
possibilidade do deslizamento, da metáfora, do jogo entre as
palavras e seus fonemas, produz/desloca sentidos, numa relação
com o desestabilizado da memória discursiva. Tomo a noção de
metáfora como deslizamento de sentidos que se dá no jogo de
128
substituição de uma palavra por outra. Os sentidos se produzem
assim nas relações imaginárias entre os interlocutores, aquele que é
intérprete e aquele que ouve, uma vez que, no discurso localiza-se
as marcas daquele que o produz, de modo que ao enunciar, o
sujeito constitui-se no seu dizer determinado por uma
exterioridade, pelo lugar do Outro. Esta análise toma assim
diferentes momentos da história da Música Popular Brasileira,
buscando compreender de que modo os sistemas linguísticos
distintos produzem sentidos em sua simultaneidade do uso no
verso, tendo as condições de produção como determinantes do jogo
imaginário produzido entre os locutores na sua relação com a
memória.
Palavras-chaves: memória, poético, metáfora, música, efeitos de
sentido
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TECNOLÓGICA: sentidos e conflitos que
se entrecruzam nas práticas discursivas das Esferas Pública e
Acadêmica
Autores Sueli Correia Lemes Valezi 1,2,3
Instituição 1 IFMT-Campus Cuiabá - Instituto Federal de Educação,
Ciencia e Tecnologia de MT (Av. Zulmira Canavarros, 91
Cuiabá-MT), 2 UEL - Universidade Estadual de Londrina
(Av. Celso Garcia Cid), 3 CAPES - CAPES (Brasília-DF)
Resumo
Este trabalho de Análise do Discurso tem o objetivo de construir um
painel de sentidos que circulam em algumas práticas discursivas de
duas esferas de atividade: a oficial, representada pelo Ministério da
Educação; e a acadêmica, representada por uma Instituição Pública
de Ensino. O presente estudo tem a finalidade de perscrutar como
os sujeitos estão significando a Educação Profissional Tecnológica
no Brasil na atualidade. Os objetos textuais selecionados para a
análise são o documento “Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais
para a Educação Profissional de Nível Tecnológico” e as falas que
entrecruzam discursos do contexto acadêmico tecnológico da
instituição escolar. Os excertos analisados foram coletados de
respostas a questionários aplicados com professores de dois grupos:
129
informática e língua portuguesa. Os conceitos selecionados para a
leitura dos dados foram os de sujeito, formação discursiva,
interdiscurso, heterogeneidade constitutiva do discurso, abordados
em especial por Brandão (1997), Maingueneau (1997), Charaudeau
& Maingueneau (2004), Foucault (2004) e Authier-Revuz (1990).
Para a análise do gênero de texto “diretrizes”, foram utilizados
alguns aportes teórico-metodológicos dos estudos do grupo de
Machado et all (2009) e de Bronckart (1999). O foco desta
apresentação gira em torno das vozes evidenciadas nas práticas
discursivas que emergem dos textos que compõem o conjunto de
dados da pesquisa. As análises discursivas desvelaram a existência
de um sujeito que, imerso em um complexo entrelaçamento de
diferentes formações discursivas, mostra-se descentrado e
fragmentado, características decorrentes de um mundo pósmoderno, em constante renovação. Além disso, os sentidos
produzidos pelas análises dos textos constataram a atualização do
discurso hegemônico capitalista nas práticas discursivas dos sujeitos
que significam a educação profissional tecnológica no país,
reforçando sentidos em torno da concepção dicotômica da
educação formal no Brasil ao categorizarem “trabalho manual” e
“trabalho intelectual” e a dividirem a sociedade trabalhadora em
“elites condutoras do país” de um lado e “operários do fazer
manual” de outro.
Palavras-chaves: Análise do Discurso, Formação Discursiva,
Interdiscurso, Educação Profissional Tecnológica
UMA CENOGRAFIA DA PROSTITUIÇÃO: análise discursiva de uma
tese apresentada à Faculdade de Medicina em 1909
Elizete de Souza Bernardes 1, Marcos Lúcio de Sousa Góis
Autores 1
Instituição 1 UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados
(Rodovia Dourados-Itahum, Km 12. CEP: 79.825-070)
Resumo
<b>Neste trabalho, inscrito nos domínios da Análise do Discurso
(AD) de linha francesa, propomos a análise de um texto intitulado
<i>“A influencia da prostituição na sociedade actual”</i> (SANTOS,
130
1909), apresentado à Faculdade de Medicina da Bahia no início do
século XX. Para tanto, mobilizamos Dominique Maingueneau
(2006), Boaventura de Sousa Santos e Michel Foucault. Nosso artigo
é fruto de algumas reflexões iniciadas em pesquisa, em nível de
Mestrado, que se propõe a analisar as relações de <i>poder</i> e
<i>saber</i> acerca da temática “prostituição”. Para tanto, partimos
do pressuposto de que para a AD a produção de sentidos do texto
não é uma etiqueta do real, e sim o produto da história, entendida
como o resultado da luta empreendida pelos diversos grupos sociais
para impor seus valores. Sendo assim, os sentidos no texto são
construídos <i>a posteriori</i>, adquirindo efeitos de sentidos a
partir de uma conjuntura sócio-histórica e de posições ocupadas
pelo sujeito. Considerando, portanto, que a AD é uma disciplina que
faz “ranger” os conceitos das ciências com as quais interage,
sustentaremos nossas leituras discursivas em torno das discussões
de cunho social-político-econômico desenvolvidas por Boaventura
de Sousa Santos, sociólogo lusitano que nos instiga a refletir sobre o
denominado “pensamento abissal” e, de modo semelhante,
Foucault, que nos permite sustentar que os discursos que circulam
em sociedade não são espontâneos; são regulados, ordenados,
policiados, silenciados. Em nossa pesquisa, partimos da hipótese de
que os silenciamentos no e do dizer, com base nos trabalhos de
Santos (2002; 2003; 2006; 2008), estão ligados a certa lógica
ocidental que estabelece o “ponto de vista”, a pelo menos 150 anos,
a partir da <i>monocultura do saber</i>. A essa, para nossa leitura
discursiva, somam-se as reflexões acerca do <i>poder/saber</i> de
Foucault (1999; 2002; 2003) a fim de construirmos a cenografia
médica a partir da qual o discurso do texto de 1909 se sustenta.
Com efeito, conforme esclarece Dominique Maingueneau (2006, p.
114), “a cenografia é, ao mesmo tempo, origem e produto do
discurso; ela legitima um enunciado que, retroativamente, deve
legitimá-la e estabelecer que essa cenografia de onde se origina a
palavra é precisamente a cenografia requerida” (grifos originais)
para validar e instituir o próprio discurso que se desenrola,
progressivamente.</b>
Palavras-chaves: Análise do Discurso, Prostituição, Cenografia,
Figuras feminas
131
SENTENÇA JUDICIAL - POSSIBILIDADES SENSÍVEIS
Autores Lucelia Leite da Silva 1
Instituição 1 UNEMAT - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO
GROSSO (CEPEL - Cidade Universitaria, Caceres/MT)
Resumo
O presente trabalho tem como escopo entender a repercussão dos
textos judiciais e suas conseqüências sociais, aí incluído como
objeto de estudo, como primeiro paciente o pró-prio autor. Recortei
para começar meus estudos uma curiosidade sobre a
comunicabilidade dos atos judiciais. E como o ato mais importante
em um processo é a sentença, acreditei que pre-cisava começar
meus exames por ela, uma vez que todo o processo caminha para
esse provi-mento final. Sentença aqui compreendida a acepção
jurídica do termo, ato que põe fim ao processo, dizendo de quem é
o melhor direito. O que me move em propor este trabalho é saber
como os juízes sentem esse momento e como discursam suas
decisões. Como vivenciam o sacro oficio de decidir sobre um bem
da vida, seja identidade, liberdade, privacidade, integridades,
propriedades (material ou imate-rial),e tantos outros. Como
acolhem o fardo de dizer o direito a A e B e ditar suas conseqüências? E como o fazem? A quem direcionam os seus textos? As
ferramentas que utilizam na suas redações estão muito além da
forma, dos códigos ou dos léxicos. Se escrevem, precisam antes de
tudo de um vocabulário. Estaria aí uma dificuldade? Que palavras
usam para dizer o direito às partes, sendo elas pessoas comuns do
povo? Ou ainda, precisam se fazer entender por essas pessoas
diretamente, ou não? Quais as implicações de ambas as formas?
Quais as consequências? São essas consequências desejadas pelos
autores-juízes? Do ponto de vista da sociedade, é desejável? Por
quem são desejadas? O que especificamente é comunicado às
partes que recebem uma sentença decisória – contra-pondo-se à
sentença homologatória- e a quem mais? Enfim: qual é a percepção
do sujeito sobre seu próprio discurso? Quais são as evidências, nos
textos, de que o autor - ou juiz, tem total conhecimento dessas
132
implicações? Quais são as evidências de que o prolator de uma
sentença judicial tem domínio do drama humano sobre o qual
discursa? Sendo as partes que pedem uma sentença, pessoas
comum do povo, no maior número de casos, explicitar as razões
pelas quais um magistrado redige uma decisão levando em
consideração de forma mais acentuada, seus próprios pares, os
advogados, e os tribunais re-cursais. Sentenças há em que mesmo
os advogados mais estudiosos têm dificuldades para entendê-las. É
um fato. O que deseja seu redator? Que resposta dá às partes e à
sociedade quando o faz? Que outras opções teria? Quais as
possíveis consequências dessas outras opções para todos os
destinatários da decisão? São essas questões que espera começar a
elucidar com o desenvolvimento do projeto, que ora entende
pertencer a área da Análise do Discurso. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS -BITTAR, Eduardo Carlos Bianca. Temas de Filosofia
do Direito. Novos Cenários, velhas questões./Organizadores:
Eduardo Car4los Bianca Bittar e Fabiana de Menezes Soares. –
Barueri – SP: Manole, 2004. - LORENZETIT, Ricardo Luis. Teoria da
Decisão Judicial: Fundamentos de Direi-to/Ricardo Luis Lorenzetti;
Bruno Miragem, tradução; Claudia lima Marquês, notas – São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2009. - PRADO, Lídia Reis de Almeida.
O juiz e a emoção: aspectos da lógica da decisão judicial. 4. ed.
Campinas: Millennium Editora, 2008. 211p Por José Renato Nalini * GNERRE, Maurizio. Linguagem, escrita e Poder/ Maurizio Gnerre – 4
ed.- São Pau-lo: Martins Fontes, 1998. - Problemas de Linguistica
Geral I : tradução de Maria da Gloria Novak e Maria Lui-sa Neri;
revisão do Prof. Isac Nicolau Salum – 4 ed. – Campinas, SP : Pontes,
1995. Editora da Universidade Estadual de Campinas, (Linguagem
critica). - CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo, Editora
Atica, 2003.
Palavras-chaves: sentença, judicial, consequencias, destinatarios
133
O LUGAR DO PODER E DA RESISTÊNCIA: Discurso, Imagem,
Memória
Autores Marcos Lúcio de Sousa Gois 1
Instituição 1 UFGD - UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE
DOURADOS (Rua João Rosa Goes N 1761, Vila Progresso,
Cx.P.: 322 CEP-79825-070 Dourados-MS)
Resumo
Esta proposta nasceu de questionamento surgido durante o <i>I
Ateliê de Estudos de Discurso</i>, realizado em 2011 pelo Programa
Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (MeEL- UFMT), quando
este autor apresentou um texto tratando da relação entre “Análise
do Discurso” e “Estudos Pós-coloniais”. Em síntese, a provocação
feita foi aproximadamente esta: quando se lê <i>A Primeira
Missa</i>, de Victor Meireles (1860), é possível ver nela índices de
resistência ao discurso dominante? Considerando que o poder se
apresenta no discurso, sendo este “o poder do qual nos queremos
apoderar”, conforme sustentou Michel Foucault em <i>A Ordem do
Discurso</i> (2002), então, esta comunicação quer contribuir com
uma resposta a essa questão. Para tanto, pretende-se, a partir da
leitura de algumas imagens sobre o Brasil, dentre as quais também
se destaca <i>Independência ou Morte</i>, de Pedro Américo
(1888), tentar mostrar como se dá o embate entre “poder” e
“resistência” na construção de dizeres em relação a esse país. Vale
lembrar que a Foucault, sobretudo, deve-se a problematização em
torno do poder não mais como um lugar fixo a alcançar, posição
defendida, dentre outros, por Thomas Hobbes em <i>Leviatã</i>, ou
a combater, a exemplo do marxismo, mas o pulverizado em todas as
esferas das relações humanas. Por isso, a hipótese de trabalho é se
algumas das “imagens” que serão investigadas, retiradas de
diversos suportes, podem ser aceitas como enunciados que
contribuíram para a construção de identidades e se ainda
contribuem, ou seja, se produzem ecos e ressonâncias. E se elas
manifestam uma hierarquia na forma como se representam certos
acontecimentos e personagens históricos. Escolheu-se, a título de
delimitação, o tema “Descobrimento” e “Independência” do Brasil
134
por estarem presentes, de modo intenso, em nossas memórias.
Deseja-se que esta discussão, sem pretensões de ser conclusiva,
leve a outras e contribua para uma melhor compreensão do
discurso do “ser brasileiro”.
Palavras-chaves: Discurso, Imagem, Memória, Poder, Resistência
A PALAVRA IDEOLÓGICA COMO ARENA DE LUTA SIMBÓLICA:
imagens sociais de língua (portuguesa) e objeto de ensino escolar
Autores
Jefferson Ferreira (Unicamp/ Seduc-MT/ UFMT/ SEDEF)
Lezinete Regina Lemes (Unicamp/ Seduc-MT/ UFMT/
SEDEF)
Shirlei Neves dos Santos (Unicamp/ Seduc-MT/ UFMT/
SEDEF)
Osvaldo Pereira Souza (Unicamp/ Seduc-MT/ UFMT/
SEDEF
Resumo
Neste artigo, nosso objetivo é refletir sobre os conceitos de
ideologia e signo ideológico na perspectiva do Círculo de Bakhtin,
tomando como referências principais as discussões empreendidas
pelos membros desse Círculo em Bakhtin/Medvedev (1991[1928]) e
em Bakhtin/Volochinov (2004[1929]). Nessas obras, pudemos
perseguir o conceito sendo explicitado como valores sóciohistóricos, materializados na linguagem. O termo correto mesmo
seria ideologias no plural uma vez que, para os autores russos, as
especificidades do lugar sócio-histórico dão contornos às formas
ideológicas. As ideologias sobrevivem apenas nas interações sociais
mediadas simbolicamente e a palavra receberá um índice de valor
ou outro a depender das situações e dos lugares sociais assumidos
pelos sujeitos da interação. Os autores apresentam a palavra como
o signo ideológico (ideologema) por excelência e um dos principais
produtos e processos da ideologia. Estudar as ideologias é estudar
as linguagens na sua multiplicidade, ou seja, é nelas que se
compreendem os embates ideológicos. Nesses embates, a palavra é
135
a arena de luta porque, nela, os sujeitos apresentam seus
interesses, sua concepção de mundo, sua apreciação valorativa para
sua realidade social. Essa orientação permite-nos interligar ideologia
também com a noção de compreensão responsiva. Cada atitude
responsiva do sujeito pode ser compreendida como uma expressão
ideológica, uma reação valorativa endereçada a outro (s) ou em
confronto com pontos de vista ideológico-valorativos de outros
situados em lugares sociais diferentes. Trata-se, assim, de uma
tomada de posição construída nas relações estabelecidas pelo
sujeito em seu ambiente de vivência ou grupo social determinado. A
fim de ilustrarmos o funcionamento desses conceitos, traremos
para análise uma discussão tensa em torno do ensino da norma
culta e da variação linguística, instaurada no espaço social da mídia
impressa e televisiva brasileira, tendo como pivô uma proposta
didática que contempla uma variação popular da língua contida em
um livro didático de Língua Portuguesa, direcionado para a
Educação de Jovens e Adultos (EJA). As discussões fizeram emergir a
imagem de língua (portuguesa) construída pelos mais diferentes
discursos que circulam socialmente e esse embate de luta dá-se
justamente no uso da palavra “ignorância” que ambos os discursos
se servem para desqualificar a postura do outro em relação à noção
de língua e de seu ensino-aprendizagem em espaço escolar.
Pretendemos mostrar como os sentidos de um mesmo termo oscila
quando é assumido por um e outro discurso em um ou outro lugar.
Palavras-chaves: ideologia, ideologema, língua (portuguesa), objeto
de ensino
MEMÓRIA: a arquitetura como espaço de leitura
Autores Ana Luiza Artiaga R.da Motta 1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso (Av.
São João s/n)
Resumo
Este trabalho, sobre a questão da memória, toma corporeidade no
subprojeto “Práticas de leitura como constituição da memória” no
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência
136
PIBID/UNEMAT/CAPES. Nesta escrita, o propósito será discutir pela
teoria da Análise de Discurso francesa de M. Pêcheux, Eni Orlandi
entre outros, a memória sócio-histórica, o arquitetônico, na cidade
de Cáceres-MT. Para tanto, tomamos como lugar de análises a
imagem do arquitetônico, da escola Estadual “Esperidião Marques”
enquanto memória que evoca múltiplas leituras, no social. Dessa
forma, olhar a arquitetura de uma escola denominada “grupo
escolar”, em 1912, remete a ideia política de nação, de brasilidade,
de cidadania, de uma política de Estado no processo de expansão
das escolas no Brasil. Há sítios de significância que recorta a
arquitetura em face a cidade bicentenária de Cáceres e a memória
que a escola institucionaliza no poder local. Assim, dizer sobre a
escola tem a ver com a territorialização, a cidade de Cáceres em
Mato Grosso, com a coletividade. Para tanto, nesta reflexão, o gesto
do olhar torna-se demorado e silencioso. O silêncio é constitutivo da
interpretação (ORLANDI, 1997). Dessa forma, não queremos olhar a
escola em separado da cidade, mas pensar, sobretudo, na relação
desse espaço institucional com a cidade. A representação simbólica,
arquitetônica, de uma determinada escola construída há cem anos,
no chão de Mato Grosso, já nos inscreve em uma posição de
questionamentos, de sentidos transversos que historicizam o poder
local, em relação ao nacional. Assim, dizer sobre a arquitetura como
espaço de memória permite dizer que a compreendemos não no
nível do linguístico, mas da memória discursiva que a atravessa e a
significa. Nesse sentido, há uma interlocução significativa entre o
projeto arquitetônico e a cidade. Daí, a necessidade da regularidade
jurídica da Lei que a institui como Patrimônio tombado. Há um
percurso de vida, de sujeito que historiciza, atravessa e da
corporeidade a ambiência escolar, que se significa a partir desse
espaço arquitetônico. Nessa ambiência, a confluência urbana tem
expectativas de mudanças pelo saber, pelo conhecimento, pelo fato
de tornar-se sujeito escolarizado. Nesse sentido, a presença da
escola faz emergir um imaginário outro no processo de cidadania,
do direito e deveres que particulariza o sujeito em uma região
fronteiriça em 1912. Ou seja, qual a significância política de uma
instituição como o Grupo Escolar Esperidião Marques na cidade, a
começar em 1912? Que memória discursivisa a escola com a
sociedade do/no século XXI?
137
Palavras-chaves: memoria, cidade, escola, arquitetura, sujeito.
SOBRE A NEG/AÇÃO NO INTERIOR DO DISCURSO CARTONERO
COMO UMA OPÇÃO ALTERNATIVA PARA O ENSINO DE LÍNGUA
ESPANHOLA
Autores Flavia Krauss de Vilhena 1
Instituição 1 Unemat - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Rodovia 358, Tangará da Serra, MT)
Resumo
Entendendo juntamente com Rajagopalan (2003, p. 69) que a
aprendizagem de uma língua estrangeira seja um trabalho de
redefinição de identidades, em nossa reflexão focalizamos como
objeto de estudo uma alternativa que se propõe a configurar-se
contra o discurso hegemônico, a saber: o discurso cartonero. Assim,
nos propomos a mapear discursivamente estes coletivos, tentando
auscultar o modo como integram um movimento de resistência e
neg/ação a partir da [e na própria] língua espanhola. Objetivamos
oferecer visibilidade a uma possibilidade já em andamento:
analisamos o discurso cartonero, pretendendo oferecer certo
suporte teórico a uma alternativa prática existente. Por outra parte,
e inclusive para que possamos lançar um olhar crítico para nossos
próprios dados, também procuraremos comparar o que é dito com
o que é feito. Assim sendo, nos esforçaremos por interpretar a
proposta cartonera a partir de uma dupla entrada: primeiramente,
analisar o discurso cartonero como um acontecimento discursivo;
paralelamente, trataremos de cotejar o dito e o feito por esta
mesma proposta. Nos justificamos: por entendermos que a teoria
seja um local privilegiado para o embate político, percebemos este
trabalho como um fortalecedor teórico da proposta cartonera, que
aqui defendemos como material de leitura legítimo no interior da
prática de ensino da língua espanhola que se consolida na escola
pública de Tangará da Serra, por sermos uma região considerada
fronteiriça com a Bolívia. Ao mesmo tempo, procuramos apresentar
uma resposta prática à demanda identificada no Foro
Iberoamericano sobre Bibliodiversidad, que aconteceu no interior
do Otoño Cultural de Huelva e do III Salón del Libro de Huelva, sobre
138
a necessidade de medidas que se proponham a compensar o
desequilíbrio que existe no intercâmbio de livros entre América
Latina e Espanha, que se dá em uma proporção de um por
cinqüenta, facilitando mecanismos que incrementem a circulação
de livros locais nesta zona (que é extremamente escassa, ainda que
apresentemos
grande
proximidade
histórico-geográfica).
Pretendemos, deste modo, alavancar um ensino de língua
espanhola que não esteja sob o jugo das editoras espanholas e que
tampouco se baseie nos binarismos da lógica moderna hegemônica,
que separa um ideal de língua de seu real, supervalorizando o
primeiro em detrimento do segundo, já que, historicamente este
esquema de cognição tem possibilitado in/certo silenciamento
histórico. Porque também defendemos que as hierarquias devam
ser ret[rab]alhadas no ambiente escolar, e também em todo
currículum, seja explícito ou oculto, objetivamos pensar uma práxis
que não dissocie a leitura do mundo da leitura da palavra, como nos
ensinam Freire e Macedo (1994), o trabalho manual do intelectual,
o trabalho lingüístico-literário do artesanal, a teoria da prática. Por
tudo o que foi aqui exposto, apresentamos esta análise como uma
interpretação [que inclui os níveis opacos, como pretende a Análise
do Discurso de vertente francesa] de uma alternativa que se propõe
como emancipatória, uma proposta artística que em nosso ponto de
vista poderia possibilitar a captura dos alunos em redes de
significâncias diferentes daquelas em que já participam. Isto
fazemos porque, em nossa perspectiva, a produção cartonera se
apresenta como propícia a um trabalho com a língua e cultura
espanhola que se esforce por superar os estereótipos e
preconceitos que muitas vezes oferecem os pilares ao seu processo
de didatização e favoreça a constituição de uma subjetividade
diferente daquela almejada pelos materiais didáticos que se
inserem em uma filiação ligada à certa língua de madeira que, em
última instância, visa impingir-nos uma cosmovisão para a qual
[supostamente] não existiriam alternativas, impossibilitando, assim,
a escritura e a sustentação de distintos discursos heterodoxos.
Palavras-chaves: cartoneras latinoamericanas, análise do discurso,
língua espanhola
139
A PLENITUDE DO "ENVIO" E O VAZIO DA "FALTA": Missão
Salesiana entre os Índios do alto rio Negro/AM
Autores Judite Gonçalves de Albuquerque 1
Instituição 1 UNEMAT - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO
GROSSO (AV. SÃO JOÃO S/N CAVALHADA)
Resumo
Esta pesquisa analisa aspectos do projeto de civilização do governo
brasileiro entre índios do Rio Negro/AM, tomando como referência
os processos de educação escolar desenvolvidos pelos missionários
salesianos na região, nos últimos cem anos, na tentativa de formar o
sujeito cidadão brasileiro cristão; as ações pedagógicas
desenvolvidas na região pelos missionários têm conexões muito
claras com os objetivos e políticas do Estado brasileiro, naquele
momento, como se pode constatar, analisando os objetivos da
Missão. Ao desembarcar no Rio Negro/AM, os salesianos “sabem”
com clareza, o que devem fazer, mesmo antes de ter contato com
os povos indígenas da região: ensinar “uma língua”, a portuguesa;
converter a população para uma “única religião”, a católica;
introduzir os mesmos costumes, isto é, os seus próprios costumes
europeus e cristãos; ensinar o culto à “bandeira” do Brasil, em
resumo,formar o cidadão. Esta pesquisa analisa a discursividade do
Estado Nacional e dos missionários salesianos, os sentidos da
Missão, as formas como os Salesianos se vêem nesse trabalho, e
como vêem os índio; os sentidos de educação para os missionários
salesianos, sentidos derivados dos conceitos de civilização e cultura
que serviram de bússola para as ações educativas desenvolvidas no
Rio Negro/AM. Este estudo toma a Análise de Discurso como base
teórica e mobiliza, de modo particular, a categoria de préconstuído, isto é, do não-dito, mas de alguma forma, inscrito no
interior do discurso, dando-lhe sustentação: a presença de um nãodito atravessa o dito sem fronteira observável (MAZIÈRE, F. e
COLLINOT, A., 1994:197, nota nº4). Não sendo possível analisar os
discursos como textos, em sua superfície linguística, fechada sobre
si mesma, “é necessário referi-los ao conjunto dos discursos
possíveis” (PÊCHEUX, AAD, 1990:79), o que permite ao analista
perceber os sentidos estabilizados que estão funcionando e como
140
eles subsistem produzindo efeitos. São estes efeitos de préconstruído que tento analisar, rastreando a farta documentação
que os salesianos têm a respeito dos seus trabalhos no Amazonas.
Palavras-chaves: Análise de discurso, Educação, Civilização
ANÁLISE DISCURSIVA DAS REPRESENTAÇÕES DE PROFESSORES DE
INGLÊS DE ESCOLA PÚBLICA DE MATO GROSSO SOBRE OS
DOCUMENTOS OFICIAIS OCNEM E OCEB – MT
Autores Ana Raquel Diamante 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Correa)
Resumo
Esta comunicação visa apresentar o projeto de pesquisa que vem
sendo desenvolvido no Programa de Mestrado em Estudos de
Linguagem com o título: “Documentos Oficiais OCNEM e OCEB – MT
(Orientações Curriculares para a Educação Básica do Estado de
Mato Grosso): Representações Discursivas de Professores de Inglês
de Escola Pública de Mato Grosso”. O estudo tem como objetivo
investigar as representações discursivas de professores de língua
inglesa (LI) acerca dos documentos oficiais (OCNEM / OCEB/MT). O
foco da pesquisa está na formação critica do professor de línguas,
sob o arcabouço teórico a Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH,
1989; 2003). A metodologia é de base etnográfica, pois, a coleta de
dados é feita pela pesquisadora na escola, e para a análise de dados
serão utilizadas entrevistas e aplicação de questionários. Os dados
revelarão quais as representações dos professores acerca dos
documentos OCNEM e OCEB-MT, e se esses documentos oficiais
contribuem ou não para um melhor desempenho por parte do
professor em sala de aula, uma vez que este documento visa à
uniformização da pratica pedagógica nas escolas da rede estadual. É
essencial transpor as barreiras teóricas para tornar esses
documentos oficias em ferramentas eficazes na prática pedagógica
dos professores de língua estrangeira (LE), pois, nos dias atuais fazse necessário uma abordagem diferente no ensino de (LE), dado a
necessidade de comunicar-se efetivamente na língua alvo. A partir
do resultado desta pesquisa, será possível fazer uma avaliação
141
sobre a influência dessas, enquanto norteadores da prática dos
professores de Língua Inglesa e indicar possíveis caminhos a serem
seguidos no sentido de tornar essa leitura e a utilização mais
significativas. E embora, tenham se passado aproximadamente, seis
anos da publicação dos documentos nacionais (OCNEM),
recentemente foram disponibilizados no site da SEDUC - (Secretaria
do Estado de Mato Grosso) para os professores da rede estadual de
ensino as Orientações Curriculares de LE de Mato Grosso, é
pertinente analisar o impacto desses, no ensino de Língua Inglesa
em escolas da rede estadual de ensino, por ter conhecimento que
há poucas pesquisas sobre tais documentos daí a relevância desta
pesquisa.
Palavras-chaves: Análise Crítica do Discurso, documentos oficiais,
formação critica , professores de língua
"PCN FÁCEIS DE APRENDER": o discurso da revista Escola em torno
do ensino do inglês.
Autores Márcia de Moura Gonçalves 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Correa da Costa s/n Coxipó Cuiabá MT)
Resumo
Neste trabalho proponho examinar a linguagem da reportagem PCN
fáceis de entender, publicada na revista Escola em edição especial
de 2003, com base na Análise de Discurso Crítica e nas contribuições
teórico-metodológicas de Norman Fairclough. Concebendo o
discurso como texto, prática discursiva e prática social, a análise
focaliza o modo pelo qual os títulos, a escolha vocabular, o emprego
da modalidade, a argumentação e o estilo tecidos no espaço textual
significam o inglês e as identidades docentes emanadas pelo
discurso. Relacionando texto e contexto sócio-histórico em que
foram produzidos, a interpretação considera forma e significado
procurando entender como a prática discursiva incorpora ideologias
e estabelece relações de poder. No texto, pode-se observar todo
142
um processo de construção do sentido do inglês: primeiramente, na
seção ‘Bem-vindos à era da informação’ a revista dialoga com o
leitor levantando a questão de que cabe a ele, professor, levar o seu
aluno a enxergar a utilidade prática de aprender inglês; em seguida,
com o uso da voz passiva, em mas deve ser ressaltado que,
diferentemente de décadas anteriores, conhecer um novo idioma
significa nos dias de hoje um passaporte para o ingresso na
sociedade da informação, está implícito que quem deve ressaltar tal
concepção de língua é o professor. A mensagem para os professores
é: adote uma prática de ensino que possa oferecer aos alunos o que
eles precisam. Assim, pelo seu discurso a identidade constituída do
professor é a de sujeito mediador entre o discurso hegemônico do
inglês e o aluno. A língua estrangeira é construída como uma
mercadoria, um bem do qual ele necessita para seu sucesso no
mercado de trabalho. A análise indica que os significados
mobilizados no discurso de Escola representam o inglês como língua
hegemônica, internacional e seu aprendizado como sendo essencial
de acordo com o discurso da empregabilidade. Como contribuição,
este estudo joga luz sobre a influência que os meios de
comunicação de massa podem exercer na (re)constituição da
realidade social, seja ela a do ensino e da aprendizagem do inglês e
na (re)construção de identidades sociais de acordo com seus
próprios interesses. Nesse sentido, pretende-se contribuir, também,
para discussão de uma formação docente por meio da qual
professores de inglês possam tornar-se mais críticos dos discursos a
que são submetidos.
Palavras-chaves: Análise de Discurso Crítica, Identidade Docente,
Ensino de Inglês
143
ESTEREÓTIPO E ESPAÇO NACIONAL: uma análise no campo da
moda
Autores Ana Carolina Vilela-Ardenghi 1,2
Instituição 1 Unicamp - Universdidade Estadual de Campinas (Rua
Sérgio Buarque de Holanda, no 571 CEP 13083-859 Campinas - SP - Brasil ), 2 UFMS - Universidade Federal de
Mato Grosso do Sul (Avenida Senador Filinto Müller, 1 Universidade Federal Campo Grande - MS)
Resumo
Na década de 1960, inicia-se no Brasil uma reflexão acerca do que
seria uma moda genuinamente nacional. Alceu Penna, por exemplo,
na antiga revista Cruzeiro, questiona a preferência pelo bordado
inglês em face do cearense. A discussão acerca do que torna a moda
feita aqui realmente representativa de uma identidade nacional vai
ganhando espaço na mídia em geral – saindo dos espaços até então
reservados a esses debates (tais como revistas especializadas). No
início dos anos 2000, a moda nacional voltou-se para elementos
bastante ligados ao espaço nacional, em especial elementos de
nossa fauna e flora, que, supostamente, representariam uma
“essência” do Brasil. Neste trabalho, a partir do aparato teóricometodológico da Análise de Discurso de linha francesa, nosso
objetivo é analisar os sentidos de uma moda “genuinamente”
brasileira considerando os deslocamentos operados a partir de um
certo estereótipo de um espaço nacional. Na esteira de Lippman
(apud AMOSSY & PIERROT, 2005), para quem os estereótipos “são
indispensáveis para a vida em sociedade”, sem os quais “o indivíduo
estaria perdido no fluxo e refluxo da sensação pura; lhe seria
impossível compreender o real, categorizá-lo e atuar sobre ele” (p.
32), defenderemos aqui que o estabelecimento de uma moda
“típica” do Brasil encontra-se fortemente associado a imagens
estereotipadas de um espaço nacional igualmente estereotípico.
Entretanto, essas imagens cristalizadas (estereótipos) são
frequentemente um ponto de partida a partir do qual se operam
deslocamentos que, por seu turno, deixam “rastros” no fio do
discurso. Nesse sentido, intentamos discutir no presente trabalho
como, no campo da moda, os traços de uma identidade nacional
144
“genuinamente” brasileira fornecem o ponto de partida para a
legitimação de outros traços constitutivos do que chamamos um
“espaço nacional”. Para tanto, nosso corpus constitui-se de
matérias, editoriais, entrevistas, comentários e debates acerca das
duas últimas edições das mais importantes semanas de moda
brasileiras, a saber: o Rio Fashion Week e o São Paulo Fashion
Week. Além disso, será preciso olhar também para as roupas
levadas às passarelas.
Palavras-chaves: espaço nacional, estereótipo, unidades não
tópicas inglesa, representações discursivas
ACESSIBILIDADE: um espaço de acontecimentos
Autores Vera Regina Martins e Silva 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Rua São João s/n)
Resumo
Este trabalho, que se inscreve na Análise de Discurso, filiada a
Michel Pêcheux (França) e Eni Orlandi (Brasil), apresenta reflexões
sobre a acessibilidade, enquanto materialidade que constitui o ir e
vir dos sujeitos no espaço urbano, em tempos de competições
mundiais. A questão das possibilidades de acesso constitui "a
bandeira de luta" das pessoas com deficiência como um direito
fundador de cidadania. Da Emenda Constitucional nº 12, de 17 de
outubro 1978, que referia somente o acesso aos edifícios e
logradouros até a legislação atual, que se propõe a garantir o acesso
a todos, até 2014, durante a Copa Mundial de Futebol e 2016, nas
Olimpíadas e Paraolimpíadas, tem-se um deslizamento dos sentidos
do que seja ter acesso a. O processo de discursivização de
Acessibilidade não se restringe mais apenas aos aspectos
arquitetônicos e/ou urbanísticos, mas refere a facilidade ou
dificuldade de TODAS as pessoas em terem acesso a TUDO que a
cidade pode oferecer. Ir e vir, não significa simplesmente
locomoção, deslocamento, mas um apropriar-se da cidade
enquanto espaço simbólico significante (Orlandi, 2001) constitutivo
dos processos de identificação/subjetivação. O lugar de enunciação
antes interditado começa a ser tomado e toma como mote o
145
enunciado “Nada sobre Nós sem Nós”, expressão difundida
internacionalmente. Nunca o sujeito deficiente esteve tão "visível"
como agora, em tempo algum se falou tanto em seus direitos, se
textualizou tanto "sua cidadania". Estamos, nós, também em ritmo
de acompanhar e dar visibilidade à trajetória das práticas
discursivas sobre acessibilidade que, ao terem seus rituais de
enunciação interrompidos pela mudança das condições de
produção (Zoppi-Fontana, 1997), configuram o acontecimento
discursivo. Ou seja, a dimensão dessas competições fazem emergir
novas posições enunciativas, reconfigurando o discurso da
acessibilidade. O entrecruzamento dos diversos enunciados, nesse
clima de competições mundiais, reorganiza as práticas discursivas,
produzindo sentidos outros em relação à acessibilidade, como
direito fundamental de todos.
Palavras-chaves: Acessibilidade, Análise do Discurso, Pessoa com
Deficiência
ÁREA TEMÁTICA 8- COGNIÇÃO
DA PRESSINTAXE À GRAMÁTICA, PASSANDO PELA DÊIXIS
Autores Maria Jussara Abraçado de Almeida 1
Instituição 1 UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (AV. RIO
BRANCO, S/N, CAPUS DO GRAGOATÁ, BLOCO C, CENTRO
NITERÓI RJ.)
Resumo
O fenômeno da dêixis tem merecido pouca atenção dos estudos
linguísticos. Não é de se estranhar que assim seja, uma vez que a
noção de dêixis está atrelada à própria noção de língua e admitir a
existência da dêixis significa romper com as noções de sistema
linguístico abstrato ou de universo discursivo, ambos desvinculados
do mundo ambiental, conforme se postula. Embora grande parte
dos estudos contemporâneos considere importantes o papel do
usuário da língua e a influência dos aspectos pragmáticos que
envolvem os enunciados linguísticos, observa-se haver ainda uma
tendência a se desconsiderar o contexto situacional ou o mundo
146
ambiental, no que concerne ao uso da língua. Ancorados em um
constructo teórico, o denominado “universo discursivo”, alguns
estudiosos fazem referência a objetos do discurso e a contextos
discursivos que se encontrariam no âmbito do universo postulado.
E, por considerem que os atos comunicativos se desenvolvem
também no âmbito desse universo, ignoram a possibilidade de
referência ao mundo ambiental (ou exterior) e, por conseguinte,
ignoram também a dêixis. Sob esse ponto de vista, os atos
linguísticos se dariam sempre numa espécie de universo paralelo
desvinculado do mundo ambiental. Tal noção de universo
discursivo, no que se refere à questão que se pretende tratar, não
parece estar tão distante da noção muito difundida de sistema
linguístico abstrato e autônomo que pressupõe a subtração, da
análise linguística, de todos os fatores ligados à realização da língua.
A principal diferença entre as duas noções está no fato de que, na
postulação do universo discursivo, são levadas em consideração a
realização linguística e a influência do contexto nos atos
comunicativos; ficando claro, entretanto, que uma coisa e outra
fazem parte do universo discursivo mencionado. Assim sendo, o
mundo ambiental fica completamente à parte, sem que seja
explicado como é possível vivermos e convivermos em um mundo
real e nos comunicarmos exclusivamente no âmbito de um universo
discursivo. Com o respaldo de estudos sobre a linguagem humana
de base evolucionista e também de estudos de cunho cognitivista
(Armstrong, Strokoe & Wilcox 1995; Edelman 1987, 1988, 1989,
1992; Kendon 1991; Goldberg 1995), entende-se ser a dêixis um elo
entre o mundo ambiental e a gramática de uma língua. Assim
sendo, tomando como base tais estudos e o pressuposto
funcionalista de que a pragmática é o berço da sintaxe (Sankoff;
Brown 1976; Givón 1979), tem-se como proposta discutir a
demarcação entre o “real” e o “linguístico” ou entre o mundo
ambiental e a gramática e apresentar evidências de que a dêixis
constitui o elo entre o real, o discursivo e o gramatical. Em outras
palavras, considera-se que, sendo a pragmática o berço da sintaxe,
conforme demonstram diversos estudos sobre gramaticalização, os
recursos formais existentes nas línguas naturais para indicar o
marco de referência (quando este não coincide com o EU/TU-AQUIAGORA da enunciação) seriam resultantes da gramaticalização de
147
recursos pragmático-discursivos, observando-se, então, um
contínuo entre dêixis e referenciação e, conjuntamente, entre o
real, o discursivo e o gramatical.
Palavras-chaves: COGNIÇÃO, DÊIXIS, REFERÊNCIA, PRESSINTAXE,
GRAMÁTICA
ÁREA TEMÁTICA 9- LINGUÍSTICA APLICADA EM PRIMEIRA E
SEGUNDA LÍNGUA
MERK MAL: Uma Ferramenta On-line Automatizada para o
Desenvolvimento da Competência Linguistico-Gramatica
Autores Christopher Shulby 1
Instituição 1 UNESP - Universidade Estadual de Sao Paulo Sao Jose
do Rio Preto (Rua Cristóvão Colombo, 2265 - Jardim
Nazareth, São José do Rio Preto - SP)
Resumo
<b>Resumo</b><p>Merk mal é uma ferramenta on-line interativa
de aprendizagem desenvolvida para aumentar a consciência do
aluno quanto às formas gramaticais alvo em contexto e diagnosticar
erros de gramática de aprendizes de nível intermediário. O design
da ferramenta online permite que o instrutor facilmente converta
textos autênticos na língua estrangeira em exercícios interativos
online. Em sua fase de desenvolvimento, Merk mal foi usado em um
curso de alemão na Universidade Estadual de Ohio, em conjunto
com o material do curso, que incluiu um romance moderno alemão
como tema e classes verbais (forte, fraco, e misto) como seu
conteúdo de gramática. O programa pode ser adaptado facilmente
para outros materiais e linguagens. A tarefa dos alunos era ler
trechos do romance, identificar os verbos nas passagens e decifrar
quais verbos eram fortes, fracos, ou mistos. Como parte do projeto,
foi investigada a viabilidade do uso de software de tagging
gramatical para automatizar a anotação das passagens usadas em
Merk mal. O software utilizado foi "Tree Tagger", desenvolvido na
148
Universidade de Stuttgart, na Alemanha. “Tree Tragger” usa lemas
(raizes dos termos do discurso) para identificar infinitivos com suas
formas verbais de modo que as respostas corretas podem ser
classificadas dinamicamente pelo programa Merk mal. Os alunos
recebem feedback sobre as formas que foram identificadas
corretamente, incorretamente ou simplesmente esquecidas. Merk
mal também inclui recursos para ajudar os alunos a entender
porque eles cometeram erros e como corrigi-los no futuro. Esses
recursos incluem explicações gramaticais explícitas, glossários,
dicionários online, etc. O presente trabalho irá discutir como o
projeto foi desenvolvido ao longo do tempo para incluir aspectos
mais interativos e automáticos e a sua viabilidade para o instrutor
em sala de aula. O projeto teve sucesso em criação de uma
ferramenta na qual os alunos perceberem ser um instrumento útil
na melhoria da consciência de formas verbais da lingua alemã.</p>
Palavras-chaves: Online, L.E., Aprendizagem, NLP, CALL
O DESENVOLVIMENTO DO PROFESSOR REFLEXIVO NA FORMAÇÃO
INICIAL
Autores Erika Regina Soares de Souza 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Cidade Universitária - Cáceres MT), 2 UNEMAT Universidade
do
Estado
de
Mato
Grosso
([email protected])
Resumo
Há algumas décadas, a formação de professores de línguas tem
recebido especial atenção. Pode-se dizer que uma parte da
Línguística Aplicada tem se preocupado em mostrar que o professor
de LE não é apenas aquele que aplica essa ou aquela metodologia
de ensino mais apropriada na sua sala de aula, mas é também um
profissional que pesquisa e reflete a cerca dessa prática, porque
tem consciência da importância de reflexões e mudanças para a
melhoria do ensino de línguas. Com o desejo de formar profissionais
149
reflexivos, críticos e investigativos, este trabalho tem como objetivo
constatar se é possível formar professores reflexivos e
pesquisadores de sua própria prática já na formação inicial do
futuro profissional de línguas. Um dos primeiros momentos no
curso de Letras em que o graduando atua como profissional do
ensino é na disciplina do estágio supervisionado. Portanto, este
deve ser tomado como um momento de produção reflexiva de
conhecimentos, em que a ação é problematizada e refletida no
contexto presente. Assim, a aquisição do conhecimento é concebida
como resultado de uma atividade de procura por parte do próprio
sujeito, com orientações dadas por outro sujeito. O aprender
perpassa pela investigação e re(elaboração) constante. Partindo
desse conceito, Pimenta (2002) amplia essa discussão de professor
reflexivo para professor pesquisador de sua prática. Quando o
professor reflete nas suas ações, ele levanta hipóteses, reformula o
seu agir, cria novas estratégias, busca explicações, experimenta
novas formas de pensar e traz soluções para alguns desafios no seu
ensino. Em outras palavras, professor não pode ser visto como
aquele que adquiriu alguma habilidade e a coloca em prática para
transmitir algum conhecimento. Mas é um profissional que pensa o
seu ensino, e que é capaz de criar e produzir melhorias nele. Outro
fator que mostra a importância do professor investigar a sua própria
prática de ensino se deve ao fato de que os contextos escolares
diferem muito de um lugar para o outro. E a forma de viver, pensar
e se comunicar das pessoas também estão em constantes mutações
devido às mudanças sociais, políticas e econômicas. Diante desses
fatores, Moite-Lopes (2006:23) defende uma linguística onde as
teorias “dialoguem com o mundo contemporâneo e com as práticas
sociais onde as pessoas vivem”, quer dizer, nem todas as teorias se
encaixam na realidade escolar que muitos professores se
encontram. Por isso, conforme concorda Rajagopalan (2006), a
prática também pode dizer muito a teoria. Diante dessas discussões,
pode se dizer que o agir pedagógico não é uma via de mão única
que parte do ensinar para o aprender e da teoria para a prática, mas
é um ir e vir de ações, reflexões e reformulações das ações num
processo contínuo.
Palavras-chaves: Ensino, Formação , Língua, Pesquisa, Reflexão
150
O TRABALHO DO PROFESSOR NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL SOB O ENFOQUE DO ISD (INTERACIONISMO
SOCIODISCURSIVO)
Autores Eliana Moraes de Almeida Alencar 1,2
Instituição 1 SECITEC/MT - Secretaria de Estado de Ciência e
Tecnologia (Rodovia Senador Roberto Campos, km2 Bairro Novo Diamantino - Diamantino - MT ), 2 UNESP Araraquara - Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho (Rod. Araraquara-Jaú Km 1 Bairro:
Machados 14800-901 - Araraquara, SP)
Resumo
A educação profissional e tecnológica no Brasil passou por
diferentes momentos históricos, mas algumas características
resistiram ao tempo. A principal diz respeito a sua subordinação aos
momentos políticos e econômicos vivenciados no país, bem como
aos discursos que perpassam diferentes posições ideológicas sobre
a necessidade de formação instrumental focada no fazer em
detrimento do ser, atendendo as demandas do mercado de
trabalho. Neste contexto, a formação do professor necessita ser
abordada de forma diferenciada, considerando que em sua grande
maioria não são oriundos de cursos de licenciatura ou têm alguma
preparação didática específica para a atuação em sala de aula.
Mesmo no momento da seleção dos docentes a questão central é a
“prática” antecedente ao conhecimento teórico puro. Assim, muitos
encaram a atividade de ensino como a reprodução de
procedimentos e o aprimoramento de técnicas através do fazer em
sala de aula. Estes docentes recebem formação durante sua jornada
quando sua instituição de origem oferta a eles cursos de
capacitação de maneira pontual ou continuada. A realidade do
ambiente escolar que trazem para sua prática é aquela que
experimentaram na construção de sua história particular como
alunos, frequentemente tendem a reproduzir aquilo que “deu
certo” ou “funcionou” nos seus processos de ensino e
aprendizagem. É este quadro de incoerências e desafios que
151
motivou esta pesquisa, cujos objetivos têm como foco o professor
em formação, fazendo um levantamento das representações sobre
a situação em que se encontra, confrontando as ações realizadas
com aquelas que previamente imaginou realizar. Este percurso
passa ainda pelas relações entre textos prescritivos, planificadores e
avaliativos e as ações efetivamente realizadas (MACHADO:2005, p.
2-3). Para atender a tais objetivos, o trabalho toma como
pressuposto as bases do Interacionismo Sociodiscursivo
desenvolvido por Bronckart (2004), também conhecido por ISD.
Segundo Bronckart (2008), o interacionismo sociodiscursivo (ISD) é,
inicialmente, uma posição epistemológica e uma tomada de posição
sobre o desenvolvimento humano, sobre uma ciência do humano e
sobre as condições de seu desenvolvimento. É uma posição que é,
ao mesmo tempo, sócio-histórica, materialista-dialética e que
considera importantes as questões da linguagem e da formaçãoeducação. Para Bronckart (apud Lousada, 2006), o interacionismo
sociodiscursivo é uma corrente do interacionismo social que, por
sua vez, não é um movimento formalmente constituído, mas uma
orientação epistemológica geral, ou um posicionamento
epistemológico e político, constituído essencialmente a partir das
obras de Spinoza, de Marx e de Vygotsky. O ISD pretende realizar
apenas uma parte do projeto do interacionismo social. Ele visa a
mostrar a papel fundador da linguagem e, sobretudo do
funcionamento
discursivo/da
atividade
discursiva
no
desenvolvimento humano. De acordo com o autor, o ISD conduz
trabalhos teóricos e empíricos que se desenvolvem nos três níveis
do programa de referência do interacionismo social, a saber: os préconstruídos, as mediações formativas e desenvolvimento. Ao lado
do ISD, outras bases teóricas associadas foram necessárias tendo
em vista que o percurso da pesquisa começa pelo entendimento do
termo “trabalho” e sua relação com a atividade do professor. Essa
reflexão contou com as contribuições da uma leitura marxiana da
atividade de trabalho, com os aportes da ergonomia da atividade e
da clínica da atividade (Clot 1999 e 2006).
Palavras-chaves: Formação do professor, Trabalho, Educação
Profissional
152
LÍNGUA INGLESA ENQUANTO PRÁTICA SOCIAL: porosidade
linguística e reapropriações localizadas
Autores Igor Gadioli Cavalcante 1
Instituição 1 UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (Campus
Universitário Reitor João David Ferreira Lima
Florianópolis-SC)
Resumo
Uma orientação pós-colonialista de ensino/aprendizagem de línguas
adicionais defende que as performances nesses idiomas podem
promover construções identitárias inovadoras e localizadas, que
superem a mera reprodução de práticas advindas de comunidades
linguísticas hegemônicas. Tais performances, portanto, constituem
uma prática de empoderamento para seus falantes. Este trabalho se
insere no campo da Linguística Aplicada Crítica e se utiliza dos
conceitos de “ingleses” ou englishes, (MOITA LOPES, 2008), bem
como o de variedades do inglês (CANAGARAJAH, 2005, 2006), para
problematizar a performance em língua inglesa em um mundo de
porosidade linguística sem fronteiras claramente definidas, o que
contribui para criações e reapropriações linguísticas localizadas. Sob
uma perspectiva pós-estruturalista e pós-colonialista do que venha
a ser língua estrangeira/adicional, a posse sobre a língua inglesa
pode ser também atribuída a falantes de outras línguas, que
nasceram em outras localidades e têm formulações linguísticas
diversas das recorrentes em falantes “nativos”. Essa visão
problematiza, por conseguinte, o binarismo “falante nativo vs.
falante não-nativo” no campo da aquisição de línguas, evidenciando
sua subjetividade na aferição de desempenho lingüístico e as
relações de poder implícitas em tal dicotomia. Esta comunicação
têm por objetivos 1) discutir as relações de hegemonia e alteridade
implícitas no conceito de “falante nativo” 2) dar legitimidade ao uso
de línguas adicionais (em particular, do inglês) que não se atêm a
padrões de comunidades linguísticas hegemônicas e 3) aventar
153
quais aspectos deixam e/ou passam a ser relevantes para a
definição de proficiência em uma língua adicional. Para investigar os
objetivos propostos, este trabalho se vale de dados preliminares de
minha pesquisa de mestrado em andamento, de base etnográfica e
conduzida junto a alunos de inglês de ensino médio em uma escola
pública de Florianópolis/SC. Tais dados têm apontado, até aqui,
para reapropriações linguísticas dos alunos no contexto escolar,
fazendo a língua inglesa funcionar para seus propósitos entre seus
colegas, o que corrobora com uma visão de língua inglesa enquanto
prática social localizada. O estudo traz, por fim, implicações de
como esse olhar sobre línguas adicionais pode informar a conduta
de professores dentro de sala de aula, promovendo assim não
apenas uma abordagem culturalmente sensível das variantes desses
idiomas, bem como das práticas de falantes de um modo geral em
relações interculturais dentro de um mundo globalizado.
Palavras-chaves: Língua inglesa, Pós-colonialismo, Ingleses, Falante
nativo
REFLEXÕES SOBRE O FAZER PEDAGÓGICO NO ENSINO DE LÍNGUA
ESTRANGEIRA PARA CRIANÇAS
Autores Leandra Ines Seganfredo Santos 1
Instituição 1 UNEMAT - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO
GROSSO (AVENIDA DOS INGÁS 3001 CENTRO)
Resumo
O foco deste estudo é descrever e discutir experiências teóricopráticas de formação desenvolvidas na disciplina “Pressupostos
Teórico-Práticos de Ensino de Língua Estrangeira em Anos Iniciais”,
que compõe o quadro de disciplinas do Curso de Especialização em
Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas Portuguesa e Inglesa,
ofertada pela Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus
Universitário de Sinop, no semestre letivo 2011/02. A disciplina
busca fazer alguns apontamentos sobre os objetivos do ensino de
língua inglesa em anos iniciais em uma perspectiva de formação
154
integral dos aprendizes, assegurando-lhes igualdade de
oportunidades e integração no mundo plurilíngue, pluricultural e
multisemiotizado mediante apresentação de teorias e metodologias
de ensino-aprendizagem de língua inglesa para este público a partir
de estudo dos conhecimentos teórico-linguístico-metodológicos
necessários ao professor de LE para atuação com crianças. Os dados
são provenientes de um grupo de alunos que cursaram a disciplina e
foram coletados a partir de diferentes atividades propostas, do
próprio fazer pedagógico e por meio de diários reflexivos com
alguns participantes. O aporte teórico teve por base os trabalhos de
Cameron (2003), Phillips (2003), Tonelli e Ramos (2007), Santos
(2010 e 2011), Rocha (2007 e 2008), dentre outros. No decorrer da
disciplina foi possível observar o interesse do grupo em conhecer
pressupostos teóricos e experienciar/discutir metodologias de
ensino de língua estrangeira para crianças. Os resultados mostram
que a justificativa para a oferta deste ensino ainda pauta-se em
fatores relacionados à (possível) garantia de um futuro melhor, via
conhecimento da língua inglesa, a língua da globalização. A
socialização de conhecimentos, experiências e angústias, sem
dúvida, proporcionaram e continuam a proporcionar, construção de
importantes conceitos e conhecimentos sobre a docência nesta área
e faixa etária específicas. O envolvimento no processo de formação
com base reflexiva nos motiva a buscar cada vez mais melhorias
pessoais e profissionais e com o trabalho desenvolvido conseguimos
mostrar para o próprio grupo de professores, para a comunidade
escolar e a sociedade em geral, a importância da disciplina,
desencadeando sua valorização e autovalorização profissional.
Palavras-chaves: fazer pedagógico, formação docente, Língua
Inglesa para crianças
155
(DES) ARTICULAÇÃO TEORIA-PRÁTICA EM RELATÓRIOS DE
ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Autores Adair Vieira Gonçalves 1
Instituição 1 UFGD - Universidade Federal da Grande Dourados (Rua
JOão Rosa Góis, centro), 2 UFGD/CNPq - Universidade
Federal da Grande Dourados (JOão Rosa Gois, centro)
Resumo
Este trabalho é resultado de inquietações a respeito dos Cursos de
Licenciatura, ou seja, de indagações sobre a (des)articulação entre
teoria e prática. A pesquisa está contextualizada no Curso de
Licenciatura Dupla em Letras (habilitações Português/Inglês e
Português/Literatura), da Faculdade de Comunicação, Artes e
Letras, da Universidade Federal da Grande Dourados- UFGD-,
especificamente: i) na realização do Estágio Supervisionado em
Língua Portuguesa I; ii) na produção do relatório das práticas
realizadas; iii) na articulação entre as discussões teóricas realizadas
na disciplina Laboratório de Textos Científicos I e II, cuja ementa
consiste, basicamente, no estudo dos gêneros textuais e sua
didatização por meio de sequências didáticas (DOLZ, NOVERRAZ &
SCHNEUWLY, 2004); e, por fim, iv) nas disciplinas relativas aos
estudos linguísticos do curso que, potencialmente, contemplam os
saberes teóricos e práticos peculiares ao profissional das Letras: dos
estudos de Saussure à Linguística da Enunciação, da abordagem do
sistema fonológico aos estudos do texto/discurso. Em nosso
cenário, antes de efetivar a “regência” propriamente dita, os
alunos-estagiários investigam a realidade/rotina escolar a partir da
realização de entrevistas com o professor regente e de períodos de
observação. Nesse sentido, o egresso do Curso de Letras, além de
ser um professor-reflexivo (KINCHELOE, 1997; PIMENTA & GHEDIN,
2002, TARDIF, 2010), deve preparar-se para a possibilidade de
construir-se como professor-pesquisador. É, pois, da investigação da
conexão entre teoria e prática na formação inicial de professores, a
partir do gênero relatório de estágio, que este texto se ocupa. Para
tanto, a pesquisa será demonstrada em três etapas interligadas.
156
Primeiramente, delineamos as configurações curriculares,
especialmente das disciplinas Laboratório de Textos Científicos I e II.
Em seguida, mapeamos o gênero relatório de estágio. Na terceira,
numa abordagem textual-discursiva, efetuamos uma análise dos
relatórios na busca de evidências da transposição didática. Ao
concluir o texto, retomamos as notas teórico-metodológicas e
apontamos sugestões de como superar os “entraves”.
Palavras-chaves: articulação teoria-prática, Estágio Supervisionado,
Licenciatura, Interacionismo sociodiscursivo, relatório de estágio
PROFESSORES QUE TRABALHAM COM JOVENS E ADOLESCENTES
EM CONTEXTO DE EXCLUSÃO SOCIAL: a relevância da formação
continuada.
Autores Maria Antonia Correa 1,1, Solange Maria de Barros 1,1
Instituição 1 UFMT - Universidade FEderal de Mato Grosso (Av
Fernando Correa da Costa Coxipó)
Resumo
Este trabalho tem como proposta investigar a prática pedagógica do
professor de línguas, com ênfase na etnografia crítica, segundo
Oliveira (2009, p. 05) a etnografia crítica, diferente da etnografia
convencional que “descreve o que é” ela “pergunta o que poderia
ser”, assim o objeto de interesse da etnografia crítica é a
consciência crítica dos sujeitos, nesse caso, é um processo que
busca o rompimento da domestificação dos sujeitos por meio da
descrição interpretativa de suas práticas e do questionamento dos
mecanismos de controle e de poder presentes nelas, o que torna os
sujeitos indiferentes a elas. Objetivando enfatizar a importância da
formação continuada. Consoante Celani (2002) a formação
continuada não tem tempo para terminar descartando a
possibilidade de um trabalho acabado, pois se permeia entre a
teoria e a prática. Ressalta a relevância da formação crítica, de
professores em busca da melhoria de sua prática docente gradual
dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva seguindo a mesma
157
esteira de estudiosos como a autora já citada, Perrenoud (2002),
Alarcão (2007), Papa (2008), Barros (2010), entre outros. Trata-se
de um estudo etnográfico envolvendo professores que exercem
suas atividades docentes na Escola Estadual Meninos do Futuro,
localizada no Centro Sócioeducativo do Pomeri, em Cuiabá, capital
do Estado de Mato Grosso. Esses profissionais trabalham com
jovens e adolescentes, em contexto de exclusão social, a Escola
Estadual Meninos do Futuro tem seu principal objetivo atender
adolescentes e jovens excluídos do contexto social, desta forma
necessita de profissionais que atendam as particularidades num
trabalho em equipe que visa auxiliar a instituição de forma ética e
comprometida a reinserir esses adolescentes e jovens a sociedade.
Para a realização desta pesquisa serão utilizados alguns
instrumentos para a coleta dos dados, entre eles, a observação
participante, no curso de formação continuada, entrevistas
informais com os professores, gravadas em áudio, terá caráter
descritivo.
Palavras-chaves: formação crítica do professor, etnografia, escola
pública
HOMOFOBIA NA SALA DE AULA DIGITAL: representações de
professores em fórum de discussão online
Autores Dánie Marcelo de Jesus 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa da Costa, nº 2367 - Bairro Boa
Esperança)
Resumo
Nas últimas décadas, inúmeros trabalhos (SEDWICK, 1990/2008,
LOURO, 2000; MOITA LOPES, 2002; BUTLER, 2006; HIGHTOWER,
2011) vêm se preocupando com a temática homoerótica, bem assim
com suas consequênciais sociais e políticas no contexto
contemporâneo. Essas pesquisas procuram questionar como a
sexualidade no Ocidente é marcada por um discurso hegemônico de
158
heterenormalidade que tenta legitimar práticas sociais do que seja
feminino e masculino. Desse modo, homens naturalmente devem
ser apresentados como fortes e dominadores, ao passo que
mulheres como dóceis e frágeis. Entretanto, essa polarização
procura negar as diversas ramificações de expressividade sexual.
Contrariamente a essa posição, os estudos atuais demonstram a
volatilidade dos indivíduos que podem se identificar com rótulos de
homossexuais, travestis, cross-dressers, bissexuais, lésbicas, ativos,
passivos, entre outros, a depender dos diferentes contextos sociais.
O objetivo deste trabalho é investigar as representações de
professores em fórum de discussão em um curso de formação
continuada a distância sobre gênero e diversidade. A finalidade é
compreender como é apresentada a temática homoerótica no
discurso dos participantes. O estudo se insere numa perspectiva
crítica do discurso (FAIRCLOUGH, 2000), apoiado nos estudos sobre
gênero e sexualidade (SEDWICK, 1990/2008, LOURO, 2000; MOITA
LOPES, 2002; BUTLER, 2006). A metodologia de pesquisa é de
caráter interpretativo, e a análise buscou apreender as
representações discursivas que se materializam nas escolhas
linguísticas dos usuários do curso. A pesquisa foi desenvolvida em
um curso de formação continuada a distância financiada pela
Universidade Aberta do Brasil. O curso tinha como objetivo criar um
espaço para reflexão crítica sobre a questão gênero, orientação
sexual e relações étnico-raciais com uma carga horária de 200
horas, dividido em cinco módulos. O primeiro era de apresentação e
ambientação na plataforma moodle, com 25 horas; o segundo era o
de diversidade, com 35 horas; o terceiro, desigualdade de gênero,
com 35 horas; sexualidade e orientação sexual, 35 horas; relações
étnico-raciais, gênero e desigualdade, com 35 horas; finalmente o
último de avaliação, com 30 horas. As conclusões apontam que os
docentes, apesar do curso de formação, tendem a se apoiar no
discurso hegemônico heteronormativo para descrever indivíduos
com uma identificação homossexual.
Palavras-chaves: representações , professores, homoerotismo,
discurso, formação de professores
159
PORTUGUÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA PARA O SURDO: sentidos e
significados docentes
Autores Rosangela Vargas Cassola 1
Instituição 1 PUC - PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA (SÃO
PAULO)
Resumo
Partimos da problemática de que a aprendizagem do Português
como segunda língua para o Surdo pode impactar em seu processo
inclusivo escolar e também social, e objetivamos compreender
criticamente o processo de ensino-aprendizagem do Português
como segunda língua do Surdo. Mais especificamente, temos por
objetivos: (1) avaliar o impacto da aprendizagem do Português
como segunda língua no processo de inclusão escolar e social do
aluno Surdo e (2) analisar e transformar os sentidos e significados
atribuídos pelos professores sobre a língua e o ensino de línguas. A
fim de atingir nossos objetivos optamos por desenvolver uma
pesquisa crítica de colaboração, considerando que essa oferece
importantes princípios para a orientação de estudos que tem como
foco as atitudes da sociedade em geral. Para tanto, dividimos a
pesquisa em duas etapas. Na primeira etapa, para avaliar o impacto
da aprendizagem do Português como segunda língua no processo
de inclusão escolar e social do aluno Surdo, realizamos filmagens
durante doze dias das aulas de Português ministradas em um
segundo ano do ensino fundamental, onde estuda um aluno Surdo,
trata-se de uma turma inserida em uma Escola Pública localizada no
município de Sidrolândia-MS. Na segunda etapa, para analisar e
transformar os sentidos e significados atribuídos pelos professores
sobre a língua e o ensino de línguas, realizamos primeiramente
entrevistas semiestruturadas e em seguida seis sessões reflexivas de
estudo com a professora regente da turma e com a intérprete do
aluno Surdo, sendo que a cada duas aulas filmadas, realizamos uma
sessão reflexiva. Os dados foram registrados através de gravações
em áudio e vídeo e no momento contamos com mais de vinte horas
de filmagens em sala de aula e mais de dez horas de filmagens das
160
sessões reflexivas. Estamos realizando a transcrição, a análise
linguística do material coletado e paralelamente construindo nosso
o referencial teórico, o qual perpassa principalmente pela TSHC Teoria Sócio-Histórico-Cultural de Lev Semenovich Vigotski (1997,
2007, 2009), e ainda em trabalhos acerca da inclusão e da surdez. A
TSHC de Vigotski considera inicialmente o aspecto social, o aspecto
histórico e o aspecto cultural; e por isso é primordial como
embasamento teórico para nosso trabalho. No aspecto social a
TSHC considera que o conhecimento é compartilhado e produzido
coletivamente; no aspecto histórico considera que os seres
humanos e as atividades variam no tempo e no espaço, e estão em
constante transformação; e no aspecto cultural, a TSHC considera
que o modo de viver de um determinado grupo social, seus valores,
regras e sentidos também são determinantes para o
desenvolvimento humano. O interesse pelo desenvolvimento dessa
pesquisa voltada para o ensino de português para o Surdo, deu-se
em virtude da necessidade de que pesquisas sejam realizadas
visando verificar a possível necessidade de modificações nos
currículos, nas práticas pedagógicas, nas políticas de inclusão de
alunos com NEEs e em especial do aluno Surdo e ainda, na formação
dos docentes sobre o ensino de línguas, neste caso de Língua
Portuguesa como segunda língua (na modalidade escrita) e de
Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como primeira. Consideramos
que o desenvolvimento dessa pesquisa possua uma grande
importância na compreensão das questões sociais, políticas e
educacionais que tem como objeto de estudo as línguas, a inclusão
e a concepção dos docentes sobre as línguas.
Palavras-chaves: português, língua, surdo, sentidos, significados
161
INGLÊS NA ESCOLA PÚBLICA EM TEMPOS DE E-BOOKS E TABLETS: o
discurso docente na era da globalização
Autores Estela Seraglio Furrer 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Campus Universitário de Cáceres)
Resumo
Esta comunicação tem como objetivo apresentar um estudo acerca
do discurso do professor de inglês da escola pública, no que se
refere à sua prática pedagógica num momento em que vivencia-se
aspectos “múltiplos” decorrentes da globalização. Parte-se do
pressuposto de que alunos e professores tornam-se interlocutores
no processo ensino-aprendizagem, pois, através do discurso é que
manifestamos escolhas linguísticas que representam maneiras de
ser/dizer no mundo social. Entende-se aqui que a linguagem está
em constante operação num “campo de forças plurais”, a
globalização. Por isso, a tendência de muitos estudos
contemporâneos em Linguística Aplicada (LA) é focalizar a
linguagem como prática social considerando, portanto, os mais
variados contextos de uso. Nesse sentido, propõe-se, neste estudo,
refletir sobre as implicações do discurso docente que desvelam sua
prática na contemporaneidade em relação ao uso das novas
tecnologias e à globalização. Para tanto, tomamos como corpus de
análise o discurso docente. Os participantes da pesquisa são
professores de inglês do Ensino Médio de uma escola pública da
cidade de Cáceres-MT, localizada aproximadamente a 100 km da
fronteira Brasil-Bolívia. Para o desenvolvimento da pesquisa
recorremos à Linguística Sistêmico-Funcional a partir dos estudos de
Halliday (1994 e 2004) que concebe a linguagem como um sistema
social funcional e semiótico; e, na formação de professor de Língua
Estrangeira consonante (Assis-Peterson, 2007; Paiva, 1996; Celani,
2003). O trabalho de análise do discurso docente será feito a partir
dos dados que serão coletados por meio de observação de aulas e
162
entrevistas. Os dados serão organizados e categorizados por meio
da ferramenta computacional WordSmith tools, em que serão
analisadas a lista de frequência e de concordância dos elementos
léxico-gramaticais presentes no discurso dos professores. O estudo
pretende ampliar e provocar discussões sobre a relevância do
discurso como objeto de estudo, como elemento indicativo de
mudanças de atitude em relação ao uso das novas tecnologias na
sala de aula de língua inglesa e, sobretudo refletir/contribuir com
pesquisas futuras na área de formação de professores.
Palavras-chaves: Ensino de Inglês, Escola Pública de Fronteira,
Linguística, Sistêmico-Funcional, Globalização.
O PROCESSAMENTO DE LEITURA EM LÍNGUA INGLESA POR
APRENDIZES BRASILEIROS DE LE.
Autores Alyson Andrade 2,1
Instituição 1 UFPB - LAPROL - Universidade Federal da Paraíba
(Campus Universitário I. Jardim Cidade Universitária CEP
- 58.059- 900. João Pess), 2 FLS / LAPROL - Faculdade
Leão Sampaio (Av. Maria Leticia Leite Pereira s/n - Lagoa
Seca - Juazeiro do Norte Ceará)
Resumo
Nossas hipóteses iniciais para o desemprenho de leitura on-line de
língua estrangeira por brasileiros apontam basicamente para três
vertentes: o nível de proficiência do candidato que influenciaria
direta ou indiretamente no desempenho de leitura on-line dos
aprendizes de Le; a influência que a língua materna exerceria sobre
a nova língua em aprendizado ou em uso, e por fim, a aplicabilidade
ou não da teoria da Shallow Structure Hypótesis de Felser & Clahsen
(2006) que afirma que a capacidade de processamento do aprendiz
de LE seria limitada mesmo para os indivíduos mais proficientes
naquela nova língua, não podendo ser comparados completamente
ao desempenho de um nativo da língua alvo. Acreditamos ser esta
uma tarefa árdua, a tentativa de verificar quais processos seriam
163
relevantes em relação ao processamento de leitura on-line de
brasileiros aprendizes de inglês como uma língua estrangeira. Para
capturar estes dados contamos com a participação de alunos de
cursos de idiomas como o CCAA (Crato-CE) bem como alunos do
curso de graduação em Gestão de RH da Faculdade Leão Sampaio
(Juazeiro do Norte - CE) que já estudavam inglês. A estes
participantes aplicamos testes de proficiência para agrupá-los em
níveis bem definidos e após essa etapa, os volutários participavam
propriamente do experimento de leitura auto monitorada (on-line)
onde tinham de ler sentenças fragmentadas em língua inglesa
enquanto o computador e o software psyscope capturavam os
tempos de leitura de todos os segmentos em medidas de milésimos
de segundo. Alguns resultados importantes foram capturados como
o nível de proficiência que se mostrou bem saliente nos tempos de
leitura dos diferentes grupos de proficiência; No que concerne ao
experimento verificamos que o nível de proficiência parece
demonstrar relevancia, pois o grupo básico exibiu maior lentidão na
leitura das sentenças e respostas às perguntas controle, inclusive
apresentando um número maior de erros que os demais grupos. De
maneira isolada encontramos resultados interessantes no grupo
avançado para aposição na condição “of”, este grupo exibiu
menores tempos de processamento ligando a oração relativa ao
SN1-alto. Desta forma, para nossos aprendizes, a condição
preposição temática “with” não facilitou o processamento como
propõe parte da Shallow Structure Hypothesis de Felser & Clahsen
(2006) ou como foi encontrado nos resultados de Papadopoulou &
Clahsen (2002) e Felser et al.(2003). Com o aumento do nível de
proficiência a área cerebral utilizada para processamento da nova
língua seria substituída automaticamente pela memória procedural
utilizada comumente por nativos desta LE. Essa teoria vem ao
encontro com a teoria da Shallow Structure Hypótesis de Felser &
Clahsen (2006) em psicolinguística quando afirmam que a
capacidade de processamento do aprendiz de LE é restrita se
comparada ao nativo da LE. Retomando de forma geral nossas
hipóteses verificamos que o nível de proficiência como prevíamos é
sim um fator relevante definidor de maior ou menor agilidade e
eficiência tanto para a leitura quanto para a compreensão do input
em LE em ambos os experimentos. Lembramos que na literatura
164
para resultados on-line o Português e o Inglês demonstram
preferências de aposição baixa, sendo consideradas línguas
convergentes; quando tratamos de estudos off-line para o
Português a preferência é alta e para o Inglês a preferência é baixa,
neste caso são tidas como línguas divergentes.Pode ser que a
questão seja: quando há divergência entre as línguas há
transferência de L1 para LE, mas quando não existe divergência,
ainda assim há diferença entre nativos e aprendizes.Nosso estudo
parece então ser significativo ao abrir caminho para que outras
análises e experimentos sejam feitos no intuito de corroborarem ou
não as hipóteses existentes na literatura e complementarem os
resultados explicitados aqui.
Palavras-chaves: Aprendizes de LE, Leitura On-line, Transferência de
L1, Nível de Proficiência
TELETANDEM: uma análise fenomenológica hermenêutica da
relação do professor de línguas com esse contexto
Autores Micheli Gomes de Souza 1
Instituição 1 IBILCE - Intituto de Biociências Letras e Ciências Exatas
(Rua Cristóvão Colombo, 2265 Bairro: Jardim Nazareth
15054-000 - São José do Rio )
Resumo
Esta comunicação tem como objetivo apresentar e discutir os
resultados do projeto de pesquisa de mestrado Os primeiros
contatos de professores em - serviço com a prática de teletandem,
desenvolvido junto ao programa de pós-graduação em Estudos
Linguísticos – Linguística Aplicada da UNESP – São José do Rio Preto,
sob orientação do Prof. Dr. João Antonio Telles e com apoio
financeiro da CAPES. O contexto desta pesquisa é o Projeto
Teletandem Brasil: línguas estrangeiras para todos. O teletandem
consiste, basicamente, em uma prática colaborativa de
aprendizagem de línguas a distância, por meio de aplicativos como o
Skype, entre aprendizes de português como língua estrangeira e
165
aprendizes de línguas vinculados às unidades da UNESP. Por meio
dessas parcerias, estabelecidas primeiramente entre os
departamentos de línguas de universidades no exterior e da UNESP,
os aprendizes realizam encontros regulares, nos quais um ajuda o
outro a aprender sua língua de proficiência. Como um dos objetivos
finais deste projeto está a expansão do contexto teletandem para
unidades dos CELs (Centro de Estudos de Línguas), da rede pública
do estado de São Paulo. Para tanto, uma primeira incursão foi
realizada por meio de um curso de extensão oferecido à
aproximadamente 20 professores de espanhol atuantes em
unidades dos CELs em duas cidades do interior do estado. Por meio
de uma metodologia de pesquisa qualitativa de cunho
interpretativista fenomenológico (Van Manen, 1990), foram
analisados, a partir dos dados gerados em fóruns de discussão
online e em encontros presenciais do curso, como os professores
vivenciaram esse primeiro contato com o contexto teletandem,
levando em conta que o mesmo é um contexto que se utiliza de
diferentes tecnologias e propicia ao aluno e ao professor
experiências de ensino e aprendizagem baseadas no uso de
tecnologias e em parcerias colaborativas interculturais. Esta
apresentação buscará mostrar, de forma geral, a análise
empreendida a partir das questões suscitadas pelos professores,
participantes do curso descrito acima, em relação ao contexto
teletandem.
Palavras-chaves: teletandem, formação continuada, tecnologia,
fenomenologia hermenêutica
166
UMA ANÁLISE SISTÊMICO-FUNCIONAL DO DISCURSO ACADÊMICO
NO CURSO DE LETRAS
Autores Fabíola Sartin Dutra Parreira Almeida 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso (Av.
São João)
Resumo
Esta comunicação tem como objetivo apresentar uma análise de
trabalhos monográficos realizados por alunos do curso de Letras de
duas universidades, tendo como enfoque teórico a Gramática
Sistemico-Funcional (Halliday, 1994/2004), mais especificamente, o
Sistema de Avaliatividade – subsistema de Atitude (Martin, 1992,
2000; Martin & Rose, 2003; Martin & White, 2005). O sistema de
Avaliatividade contempla os significados interpessoais utilizados
pelos falantes/escritores para negociar emoções, julgamentos e
avaliações, sob três domínios interacionais, ou subsistemas: Atitude
(Attitude), Engajamento (Engagement) e Graduação (Graduation). A
expressão de atitude, que será explorada neste trabalho, não é
apenas um comentário sobre o mundo e sim uma postura
interpessoal do falante/escritor cujo objetivo é obter uma resposta
de solidariedade do seu interlocutor (Martin, 2000). A análise dos
elementos avaliativos presentes nas monografias pode indicar as
escolhas realizadas em um texto acadêmico, portanto, um gênero
textual específico que extrapola as caraterísticas inerentes ao
gênero e prevê uma resposta de solidariedade dos leitores. Tendo
isso em mente, é nesse enfoque que se trata este estudo: será
apresentada uma análise dos elementos avaliativos, concentrandose no subsistema de Atitude presentes nas partes da Introdução e
Considerações Finais das monografias das áreas da Linguística,
Linguística Aplicada e Literatura do curso de Letras. Os dados foram
organizados e categorizados pelo programa computacional
WordSmith tools (Scott, 1997), valendo-se das ferramentas – lista
de frequência e lista de concordância.Os resultados apontam para o
uso dos elementos avaliativos direcionando as respostas dos
leitores esperadas pelos alunos/escritores em suas respectivas
167
pesquisas. Foi possível perceber a mudança de foco dos elementos
avaliados e também a forma pela qual a avaliação é realizada,
mostrando a intencionalidade dos escritores, bem como, a
obtenção da resposta de solidariedade. Trazendo para o contexto
de ensino, este trabalho ilustra as contribuições do uso da
Linguística Sistêmico-Funcional como instrumento de análise
linguística no contexto de sala de aula, uma vez que propicia aos
alunos a compreensão e interpretação do processo de construção
dos textos.
Palavras-chaves: discurso acadêmico,
funcional, monografias, avaliatividade
A EPISTEMOLOGIA
PORTUGUESA
GERATIVA
E
O
gramatica
ENSINO
DE
sistêmico-
LÍNGUA
Autores Junia Lorenna da Silva 1
Instituição 1 UnB - Universidade de Brasília (Campus Universitário
Darcy Ribeiro, Brasília - CEP 70910-900)
Resumo
Este trabalho visa estabelecer uma aproximação entre pressupostos
oriundos da Teoria Gerativa, de Noam Chomsky (1957), e conceitos
a ela correlatos, e o ensino de língua portuguesa. Essa corrente
teórica tem feito muitos avanços na área da pesquisa formal, ao
tentar estabelecer uma relação entre linguagem e mente, mas ainda
não se observam muitas utilizações dos pressupostos de tal área no
desenvolvimento de pesquisa relacionadas ao ensino. Dessa forma,
pretende-se estabelecer correlações entre conceitos como
Aquisição de Linguagem, Gramática Universal (GU), <i>Input</i>,
Argumento da Pobreza de Estímulo e Período Crítico às questões
relacionadas ao ensino, bem como pesquisar como tais
pressupostos podem vir a acrescentar possíveis soluções para as
questões enfrentadas por professores com relação ao ensino de
língua materna. Sabe-se que as atividades relacionadas ao ensino e
aos saberes docentes são de natureza complexa (cf. Tardif 2010),
168
pois envolvem conhecimentos didáticos, sociais, antropológicos,
psicológicos e outros, porém estes aspectos não serão o foco das
discussões, mas sim abordados apenas tangencialmente neste
trabalho. A metodologia constará de uma análise teórica da
epistemologia gerativa com foco principal nas seguintes obras de
Noam Chomsky: <i>Arquitetura da Linguagem</i> (2008);
<i>Linguagem e mente: pensamentos atuais sobre antigos
problemas</i> (1998); <i>Linguística cartesiana</i> (1969);
<i>Novas perspectivas linguísticas</i> (1970); <i>Linguagem e
pensamento</i> (1971); <i>Aspectos da teoria da sintaxe</i>
(1975); <i>Reflexões sobre a linguagem</i> (1977) e <i>Regras e
representações</i> (1981). Procura-se responder às seguintes
perguntas: a) De que forma a teoria gerativa pode auxiliar os
professores? b) As hipóteses teóricas respondem que tipo de
perguntas relacionadas ao ensino de língua? c) Qual a relevância de
se adotar o pressuposto de uma Gramática Universal (GU) para os
professores? d) Qual a importância do input para a aquisição? Como
desdobramentos desta análise epistemológica, e sua posterior
aplicação ao contexto educacional, acredita-se chegar a uma
contribuição consistente para a boa compreensão dos fenômenos
envolvidos no processo de ensino-aprendizagem na escola a partir
da boa compreensão de como se dá o processo de aquisição da
linguagem pela criança, pois é preciso considerar que há, em cada
um desses processos, o desenvolvimento de uma língua distinta: no
primeiro, de uma L1, no segundo, de uma L2, como também aborda
KATO, 2005.
Palavras-chaves: Ensino, Gerativismo, Input
169
PRÁTICAS PEDAGÓGICA DE PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA: o
impacto identitário do ciberespaço
Autores Alexandre Colli Dal Prá 1, Danie Marcelo de Jesus 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando C. da Costa, Nº:2367, CEP:78060-900, B. Boa
Esperança. Cuiabá-MT)
Resumo
No final do século XX e início do século XXI, vários acontecimentos
de importância histórica transformaram o cenário social, sobretudo
em decorrência das constantes mudanças tecnológicas, culturais e
estruturais que vem ocorrendo e alterando nosso modo de vida,
desde a forma como interagimos até o modo como concebemos o
mundo e as circunstâncias ao nosso redor. Considerando esse
cenário, localizado no âmbito de Estudos de Linguagem, este estudo
intitulado Práticas pedagógicas de professores de língua inglesa: o
impacto identitário do ciberespaço, objetiva investigar as práticas
sociais do professor de língua inglesa em blogs educacionais com o
intuito de analisar como esse novo ambiente impacta sua
identidade. Para tanto, lanço mão do conhecimento político e social
relevante (BAUMAN, 2001, 2009; DEBORD, 1997; GIDDENS, 2002;
HALL, 2005; MOITA-LOPES, 2003; SILVA, 2009) para interpretar as
práticas sociais de professores de língua inglesa em ambiente
digital. As questões que norteiam este estudo são as seguintes: 1)
quais são as práticas sociais de professores de língua inglesa em
blogs educacionais? 2) como esse ambiente impacta a identidade
docente? A metodologia de pesquisa se ancora em alguns princípios
da pesquisa interptretativista ou naturalística (Erickson, 1985).
Contudo, parto do pressuposto de que a metodologia de pesquisa
não deve ser limitada aos modelos pré-existentes pelo simples
motivo de não se confinar ao já percorrido e menosprezar outros
caminhos aparentemente sem relevância, por isso lanço mão de
explanações de vários autores como jonh Ziman (1996), MoitaLopes (2003), Thompson (1995), Uwe Flick (2009) e Zigmunt
Bauman (2010) para desenvolver um modo de investigação
170
relevante aos meus propósitos. Os dados serão gerados apartir de
acessos a blogs onde professores de língua inglesa realizam suas
práticas sociais. A análise aponta para mudnças no que diz respeito
a poder, interação e cognição, evidenciando a exigência de uma
nova postura do ser professor em ambiente digital.
Palavras-chaves: Práticas sociais, Blogs educacionais, Identidade
docente.
ENSINO DE LEITURA E A RELAÇÃO ENTRE LIBRAS E PORTUGUÊS NA
SALA DE AULA: refletindo sobre mescla linguística e estratégias
didáticas
Autores Giselli Mara da Silva 1
Instituição 1 FALE-UFMG - Faculdade de Letras - Universidade
Federal de Minas Gerais (Av. Antônio Carlos 6627
Pampulha Belo Horizonte MG CEP:31270-901)
Resumo
Nesta apresentação, pretende-se abordar o ensino de leitura de
textos em português a alunos surdos usuários da Libras, construindo
uma reflexão sobre a a mescla lingüística entre Libras e português
no contexto da sala de aula. Para tanto, exploraram-se
contribuições oriundas do campo de estudos da surdez,
particularmente trabalhos voltados ao estudo do ensino de
português para surdos e do processo de letramento desse grupo
(COSTA, 2001; BOTELHO, 2002; CHAVES, 2002; LODI; HARRISON,
CAMPOS, 2002; SILVA, 2005, entre outros), além de contribuições
dos Estudos do Letramento (BLOOME, 1987,1989; CASTANHEIRA et.
al, 2001; CASTANHEIRA; GREEN; DIXON, 2007) que favorecem a
compreensão da leitura, da aprendizagem e das interações
estabelecidas em sala de aula como fenômenos socialmente
construídos. A partir desse quadro conceitual, desenvolveu-se um
estudo de orientação etnográfica, durante o período de três meses,
em uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental, de uma escola
pública da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte, composta
171
por alunos surdos e professora ouvinte. Esse estudo envolveu
observação participante (SPRADLEY, 1980) e filmagens das aulas de
Português, além de entrevistas, filmagens das aulas e coleta de
artefatos impressos que circularam entre os participantes do grupo
observado. O processo analítico evidenciou como a construção dos
significados para as práticas de letramento do grupo passa pelo
trânsito entre as duas línguas durante as interações em sala de aula
e possibilitou a identificação de padrões interacionais relativos ao
uso do português sinalizado e da Libras no processo de ensino da
leitura. Além disso, as análises levaram também a uma reflexão
sobre a complexidade do contato entre línguas na sala de aula.
Apesar de a mescla linguística ser um fenômeno natural no contato
entre falantes de línguas diferentes e ser um processo comum no
aprendizado do português pelos surdos, ainda assim precisa ser
discutido em termos das consequências para a aprendizagem
desses alunos.
Palavras-chaves: ensino de leitura, Libras, surdos, mescla linguística,
letramento
RELENDO BAKHTIN: um estudo enunciativo dos empréstimos
línguísticos na língua brasileira de sinais - libras.
Autores ANDERSON SIMÃO DUARTE 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO (AV
FERNANDO CORREA DA COSTA, SN COXIPO)
Resumo
Este trabalho tem como propósito a pesquisa enunciativa da Língua
Brasileira de Sinais em consonância com a estrutura semiótica da
percepção viso espacial, língua esta constituída de forma imagética,
logo, visual e temporal. Os sinais se constituem ideologicamente
através de seus nativos, em questão – os surdos. A Língua de Sinais
conecta-se com os enunciados sociais interagindo homem e sua
historicidade, cunhado aos contextos políticos, religiosos,
tecnológicos dentre outros, contemplando as necessidades coletivas
172
e individuais dos usuários da Língua Visual. A Língua Brasileira de
Sinais busca, constantemente, uma relação estreita com as Línguas
Francesa de Sinais, Língua Americana de Sinais, Língua Portuguesa,
Língua Latina, figuras imagéticas (imagens), contextos históricos e
populares, além de religiosos. Cada sinal (signo ideológico)
comporta-se de forma ímpar, pois carrega marcas históricas e
sociais, compondo assim um espelho de signos e significados
linguísticos. Entretanto, cada sinal terá um novo significado quando
usado num dado enunciado, a cada momento, a cada situação, a
cada necessidade, o sinal acarretará uma nova interação, pois
entendemos que a língua esteja em constante movimento social.
Desta forma, não há como desmembrarmos língua de falante, pois a
língua constitui, ideologicamente, o usuário nativo, marca
transformações e influências linguísticas e ideológicas de outros
usuários, assim com a influência marcante da Língua Francesa e
Americana de Sinais. No período imperial, professores oriundos da
França e Estados Unidos da Americana respectivamente foram
trazidos pelo então Imperador D. Pedro II para fins de alfabetização
de surdos brasileiros, filhos de membros próximos à corte,
inaugurando o então, Instituto Nacional de Surdo Mudo – INSM,
hoje, Instituto Nacional de Educação ao Surdo – INES, nomenclatura
esta alterada pelo então presidente da República Juscelino
Kubitschek. Portanto, cada sinal na Língua Brasileira de Sinais tem
suas assinaturas registradas das influências ideológicas de surdos e
não surdos, da linha oral nacional brasileira e línguas de sinais
originárias de outras nações.
Palavras-chaves: Empréstimos Linguísticos, Língua Brasileira de
Sinais , Enunciativo
173
LÍNGUA INGLESA NA MODALIDADE PROEJA: impressões de alunoscidadãos
Autores Maria Helena Moreira Dias Serra 1
Instituição 1 IFMT - INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIENCIA E
TECNOLOGIA DE MT (CAMPUS PONTES E LACERDA), 2
IFMT - INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIENCIA E
TECNOLOGIA DE MT (CAMPUS PONTES E LACERDA)
Resumo
Tão importante quanto conhecer as teorias e abordagens de ensino
e aprendizagem é conhecer o estudante, suas expectativas e
necessidades, para que esse saber possa ser utilizado para criar
contextos que favoreçam a aprendizagem. Acreditando nisso, este
trabalho se dedica a verificar as impressões que discentes de um
curso de Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio na
Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA - têm acerca
da Língua Inglesa que está sendo ensinada em seu curso, como
reagem diante do ensino dessa língua estrangeira e como percebem
sua aplicação em seu cotidiano pessoal e profissional. Ressalta-se
que as impressões são possíveis formadoras de crenças que, por sua
vez, são norteadoras das atitudes individuais e sociais e podem
tanto influenciar o comportamento e refletir na motivação e
disposição para a aprendizagem como moldar modos de vida e
anseios, sendo, portanto, merecedoras de ações investigativas. Os
dados foram coletados por meio de aplicação de questionário e
submetidos à análise de conteúdo por categorização, observando-se
os pontos em comum que permitiram o agrupamento dos dados.
Espera-se que os apontamentos dessa investigação possam
contribuir para a aproximação da teoria e prática de sala de aula,
utilizada por instituições de ensino e professores, à prática
cotidiana, exercida pelo aluno-cidadão na realização de suas
atividades, seja na esfera pessoal/social ou profissional, já que o
curso em questão propõe profissionalizá-lo através da formação
integral do indivíduo. Outra contribuição almejada é provocar
reflexões acerca do ensino de Língua Inglesa na modalidade
174
PROEJA, para que não seja apenas uma disciplina a mais na matriz
curricular, mas que seu ensino leve a uma aprendizagem
consistente e significativa, que possibilite o engajamento dos
trabalhadores em trocas de significados que realmente façam a
diferença em várias esferas da atividade humana e o uso da Língua
Inglesa faça parte de um processo de inserção e transformação da
sociedade mundial, sendo um elemento mediador entre homens e
culturas.
Palavras-chaves: Aprendizagem, Crenças, Impressões, Língua
Inglesa, PROEJA
COMPILAÇÃO DE UM CORPUS DE APRENDIZES DE TRADUÇÃO E
ANÁLISE DE ASPECTOS COLOCACIONAIS
Autores Adriane Orenha-Ottaiano 1
Instituição 1 UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (Rua
Cristóvão Colombo, 2265 CEP 15054-000 )
Resumo
Dada sua crescente importância nas relações internacionais, da
necessidade cada vez mais constante de busca de informação
científica e tecnológica, da intensificação do comércio entre as
nações, das mudanças sócio-políticas e econômicas, os Estudos da
Tradução vêm ganhando cada vez mais espaço no âmbito da
pesquisa e têm estabelecido uma série de confluências entre
diversos ramos da Linguística. Entre eles, a Linguística de Corpus
tem fornecido importantes subsídios para a construção de corpora
computadorizados, bem como para o desenvolvimento de uma
metodologia de pesquisa que possibilita investigações mais amplas
e menos dependentes da intuição do analista. Nesse sentido, a
Linguística de Corpus traz para o campo dos Estudos da Tradução
uma inovação metodológica, uma vez que permite, por exemplo,
estabelecer parâmetros para a delimitação de unidades
fraseológicas, de extrema relevância para a prática tradutória, Dessa
maneira, possibilita descobrir quais são seus significados, seus
175
padrões de combinabilidade, as características semânticas que se
repetem nesses padrões etc. Além disso, no plano teórico, pode
auxiliar o pesquisador a delimitar, explicar e definir tais unidades
fraseológicas, entre elas as colocações, por meio de dados
observáveis pelo computador e com o auxilio de ferramentas
computacionais. Assim, esta apresentação visa tratar dos passos
metodológicos, dos objetivos e de algumas dificuldades
encontradas para a compilação de um corpus de aprendizes de
tradução, formado a partir das traduções realizadas por alunos
universitários brasileiros, na direção tradutória português-inglês.
Além disso, objetiva discutir alguns resultados de uma pesquisa
voltada para a análise de aspectos fraseológicos, mais
especificamente colocacionais, presentes neste corpus. Com o
auxílio do programa computacional WordSmith Tools (Scott, 2007),
versão 5.0, foi possível extrair as colocações mais frequentemente
empregadas pelos alunos e, desse modo, 1) obter resultados
parciais no que tange às escolhas e aos padrões colocacionais do
público-alvo investigado, em comparação àqueles encontradas no
texto original; 2) levantar os tipos de colocações mais, ou menos,
empregados por alunos universitários brasileiros em relação ao
texto original; e 3) verificar a influência da língua-mãe em suas
escolhas colocacionais. Ao levantar essas questões, notamos que os
desafios em relação ao ensino de padrões colocacionais em uma
língua estrangeira para aprendizes de tradução ainda permanecem.
Tendo em vista este contexto, ainda é preciso debruçar-nos sobre
determinadas questões que merecem nossa investigação, entre as
quais: como podemos minimizar as quebras colocacionais ou os
desvios dos padrões colocacionais, levando em consideração as
dificuldades dos aprendizes para dominar tais unidades
fraseológicas? Outrossim, cabe-nos refletir acerca de como
podemos auxiliar os aprendizes de tradução, no sentido de capacitálos a empregar as colocações de modo mais efetivo, por meio de
estudos baseados em corpus.
Palavras-chaves: colocações, colocações especializadas, corpus de
aprendizes, tradução
176
ANÁLISE DOS VOCÁBULOS RECORRENTES E PREFERENCIAIS NA
TRADUÇÃO PARA O INGLÊS DE A HORA DA ESTRELA, DE CLARICE
LISPECTOR.
Autores Emiliana Bonalumi 1,
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Rodovia
Rondonópolis-Guiratinga
Km
6
MT
270
Rondonópolis78735-901 )
Resumo
Este trabalho faz parte de um projeto maior intitulado “Investigação
de vocábulos recorrentes e preferenciais em traduções literárias,
jornalísticas, jurídicas, bem como nas áreas da culinária, da moda e
da medicina” e teve como objetivo identificar e comparar cinco
vocábulos recorrentes e preferenciais encontrados nos corpora
literários escritos originalmente em língua portuguesa (<b>A Hora
da Estrela</b>, de Clarice Lispector) e traduzido para a língua
inglesa (<b>The Hour of the Star</b>, por Giovanni Pontiero) por
meio do programa computacional <i>WordSmith Tools</i>. No que
tange à escolha de Clarice Lispector, podemos comentar que foi
considerada a repercussão dentro e fora do país, em virtude de os
temas por ela abordados serem atuais até os dias de hoje. Diversos
trabalhos foram escritos atestando sua notoriedade, como por
exemplo os de críticos de literatura brasileira Alceu Amoroso Lima
(1946), Ferreira Gullar e Julia Peregrino(2007), bem como Ferreira
Gullar (2007); os de críticos da recepção de Clarice Lispector nos
Estados Unidos e Inglaterra, Earl Fitz (2005) e Amanda Hopkinson
(2009), entre outros. Foram analisados os vocábulos: “vida”,
“amor”, “morte”, “moça” e “tempo” e suas traduções para a língua
inglesa, onde pudemos observar algumas variações e omissões em
relação aos vocábulos apresentados no corpus literário escrito
originalmente em língua portuguesa. Em seguida, com o uso do
programa computacional <i>WordSmith Tools</i>, em especial a
ferramenta <i>Concord</i>, examinamos a tradução dos cinco
vocábulos. Os resultados de nossa pesquisa nos indicaram como o
tradutor Giovanni Pontiero usou a estratégia de fluência para
177
traduzir o texto de maneira a ser melhor compreendida na língua
meta. A nossa análise situou-se na proposta de Linguística de
Corpus de Berber Sardinha (2004) e nas investigações a respeito dos
Estudos da Tradução Baseados em Corpus de Baker (1993, 1995),
assim como nas definições de variação de Bonalumi (2010) e de
omissão de Baker (1992) e de Bonalumi (2010).
Palavras-chaves: Estudos da Tradução Baseados em Corpora,
Vocábulos Recorrentes e Preferenciais, Literatura Brasileira
Traduzida, Clarice Lispector
O PROCESSAMENTO DA LEITURA EM LÍNGUA MATERNA E EM
LÍNGUA ESTRANGEIRA: uma abordagem conexionista
Autores Francisco das Chagas de Sousa 1
Instituição 1 IFTO - INSTITUTO FEDERAL
(www.ifto.edu.br)
DO
TOCANTINS
Resumo
A leitura, seja em língua materna, seja em língua estrangeira,
envolve o leitor, o texto, a interação entre leitor e texto, o
conhecimento prévio – enciclopédico e lingüístico – do leitor e o
processamento cognitivo da informação lingüística em vários níveis:
ortográfico, fonológico, sintático e semântico (KODA, 1994). No bojo
da questão do imbricamento entre a leitura em língua materna e
em língua estrangeira, surgem questões intrigantes com relação à
existência de estratégias de processamento usadas na leitura nas
duas línguas – a materna e a estrangeira. Além disso, o estudo do
processamento da leitura em língua materna e em língua
estrangeira justifica-se por três fatores principais: 1) as estatísticas
da SAEB (Sistema de Avaliação do Ensino Brasileiro) de 2003
apontam um desempenho em leitura muito aquém do esperado,
tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio; 2) a
automatização de processos ascendentes de leitura em língua
materna, como a decodificação de palavras, são tidos como fatoreschave para que o leitor iniciante chegue à compreensão de leitura, e
178
várias pesquisas (OLIVEIRA, 2004; FREITAS, 2004) indicam que essa
automatização não está ocorrendo; 3) as questões relativas ao
processamento cognitivo da leitura em L2 são importantes devido
ao contexto em que se insere a Unisc, uma vez que a variante
sociolingüística falada por grande parte da população do interior do
Vale do Rio Pardo é o alemão e, em virtude disso, muitas crianças
chegam à escola com pouco conhecimento prévio do português
brasileiro, o que faz do processo de alfabetização um processo de
aprendizagem da leitura em língua estrangeira. <p> Além do
colocado acima, há de se destacar que, embora provavelmente seja
verdadeiro o fato de os processos cognitivos subjacentes à leitura
em L1 e em L2 serem os mesmos (SEIDENBERG, 1992), é importante
que se reconheça, também, que existe uma conjunção de vários
fatores que fazem da leitura em L2 um fenômeno psicolingüístico
com características específicas próprias que justificam uma
investigação mais aprofundada.
Palavras-chaves: Processamento da leitura, Cognição e linguagem,
Leitura em L2, Leitura em L1
ÁREA TEMÁTICA 10- LINGUÍSTICA TEXTUAL
SIGNIFICAR: UM TIPO ESPECIAL DE ATO DE DISCURSO
Autores
Candida Jaci de Sousa Melo1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
Departamento de Filosofia (Natal, RN)
RESUMO:
Na tradiçao logica da filosofia analitica, compreender a significaçao
de un enunnciado é compreender suas condições de verdade. Na
tradição da filosofia da linguagem natural, a significação está ligada
além disso ao uso que os agentes fazem da linguagem. Com Grice, a
179
significação ultrapassaou as fronteiras da filosofia da linguagem e
entrou no terreno da filosofia da mente e da ação. Ela está desde
então ligada às atitudes e às ações dos interlocutores. Segundo
Austin, Searle, Vanderveken e autros os agentes significam quando
eles utilisam as palavras com a intenção de realizar atos
ilocucionárions. Tais atos têm condições de felicdade em vez de
condições de verdade. Segundo esta abordagem, há significaçao
quando há realização dos atos ilocucionários.
O objetivo deste trabalho é de clarificar a natureza própria da
significação na segunda tradição. Aos meus olhos, toda análise
adequada da significação deve reconhecer que a mente, a
linguagem e a ação são ligadas. Por um lado, a mente precisa da
linguagem para descrever o mundo e agir. Pour outro lado, o
linguagem precisa da intencionalidade para que haja significação e
comunicação. Em particular, os agentes devem ter certos tipos de
estados mentais (sobretudo intenções, crenças e desejos) e
igualmente fazer certos atos de pensamento (sobretudo atos de
discourso tais como os atos de enunciação, de referéncia, de
predicação e os atos ilocucionários). Por esta razão, defendo a ideia
que significar é agir intencionalmente em vez de ter apenas
intenções. Qualquer um que comunique no discourso tenta
inevitavelmente realizar atos ilocucionários. Ora, as tentativas são
ações intrinsicamente intencionais em vez de atitudes dos locuteurs.
Por consequência, significar alguma coisa é agir intencionalmente.
É preciso entao adicionar à taxonomia dos actos de discourso, o ato
de tentar de realizar atos illocucionarios. Em resumo, significar é
tentar de realizar atos illocucionarios pouco importa si conseguimos
ou não. Para fazer tais tentativas é preciso compreender as
condições de felicidade dos atos tentados. Falarei das condições de
felicidade do ato próprio de significar.
180
PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS DOS
ESTUDOS DA LINGUAGEM NO BRASIL: as teorias linguísticas nos
manuais de introdução
Autores José Carlos Leandro 1,1,1,1
Instituição 1 UFPE - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (AV
PROF MORAES RÊGO,1235, RECIFE-PE, 50670-420)
Resumo
Na abordagem assumida no presente estudo, entendemos que
Filosofia da Linguística, enquanto modo de acompanhar
criticamente o trabalho do linguista autor do Manual de Introdução,
não pode prescindir da contribuição da Filosofia da Ciência, como
instrumento analítico do fazer de todo e qualquer pesquisador em
qualquer área do conhecimento. Sabemos que, por sua vez, o
estudo da Filosofia da Ciência leva em conta os achados da História
da Ciência, a fim de não normatizar rigorosamente a análise
pautada pela Filosofia da Ciência em sua tarefa de desvelar os
avanços e recuos que uma determinada ciência realizou. Um
exemplo da relevância da inserção da Filosofia da Ciência nos
problemas linguísticos no processamento da análise de teorias
como o Estruturalismo desenvolvido por Saussure na Europa,
especificamente na França e na Suíça, é a presença da mesma
corrente efetuada nos Estados Unidos. Enquanto o Estruturalismo
de base dicotômica e universalista predominou na Europa, a
corrente de mesmo nome focou a descrição fonética, morfológica e
sintática de línguas indígenas ou em extinção na América do Norte,
particularizando assim as descobertas linguísticas como fenômenos
presentes em cada uma das línguas, fenômenos que, inclusive,
poderia não se repetir em outras. À Filosofia da Ciência cabe
oferecer as motivações externas que levaram os estudiosos da
linguagem nos diferentes continentes a escolher uma perspectiva
do Estruturalismo e desenvolvê-la mais que outras. À Filosofia da
Linguística cabe justificar quais os rebatimentos que tais escolhas
por um determinado modo de fazer pesquisa estruturalistas tiveram
para os estudos da linguagem de um modo geral. Nesse aspecto,
181
este estudo se propõe a compreender a (s) influências(s) que os
estudos linguísticos contemporâneos, nos últimos 30 anos, tiveram
sobre a forma como as teorias da linguística são apresentadas nos
Manuais de Introdução à Linguística que foram publicados por
autores nacionais. Dessa forma, abordaremos em nosso estudo a
Filosofia da Linguística como uma disciplina que se ocupa hoje de
tais questionamentos. Nesse sentido, compreendemos a Filosofia da
Linguística como um ramo da Filosofia da Ciência voltado
especificamente à análise da Lingüística e de “suas teorias,
cabendo-lhes investigar as formas de obtenção do conhecimento
fundamentado sobre a linguagem humana que os linguistas, no
mundo real, utilizam”. (NETO, José Borges, 2004, p.8). Acreditamos,
dessa forma, ser importante entender como os estudiosos da
linguagem e, principalmente, os proponentes de teorias que
explicam o funcionamento dela são apresentados pelos autores de
manuais de introdução aos estudos da linguagem, pois os
conhecimentos expostos em tais manuais vão, de alguma forma,
influenciar os estudantes de Letras e de Linguística, quiçá em toda
sua vida profissional como docente e como pesquisador. Nesta
perspectiva, podemos inferir que a linguagem pertence à filosofia
no sentido de se caracterizar como um primeiro conhecimento
humano e que esta relação entre linguagem e conhecimento
sempre esteve posta na vida do homem por causa desse
inescapável atrelamento da linguagem ao conhecimento e viceversa. Por essa razão, escolhemos como teoria-guia deste estudo a
Filosofia da Linguística para assim poder historiar a chegada e os
reflexos das teorias linguísticas para se estabelecer o movimento de
mudanças ocorridas e vislumbrar interpretações explicativas para
notáveis avanços e lamentáveis recuos em torno do fenômeno
língua ao longo dos séculos XX e XXI. Assim, uma das questões
desafiadoras que se apresentam em nossos dias é revelada a partir
da multiplicidade das abordagens teóricas. Ela possibilita
enxergarmos dois momentos: um de riqueza das abordagens e
outro de certa fragmentariedade. Nesse sentido, a contribuição dos
estudos bakhtinianos poderá fornecer elementos analíticos
relevantes, sobretudo na identificação das “vozes” e nas pistas de
sua presença ou não nos textos dos manuais.
182
Palavras-chaves: CIÊNCIA, FILOSOFIA DA LINGUISTICA, LINGUÍSTICA,
TEORIAS LINGUÍSTICAS
GRAMATICALIZAÇÃO E TRADIÇÃO DISCURSIVA
Autores Lúcia Regiane Lopes-Damasio 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto
de Linguagens (Av. Fernando Corrêa da Costa, 2367, Boa
Esperança, CEP78060-900)
Resumo
Partindo de um enfoque teórico geral baseado na concepção
Coseriana (1975) de <i>sincronia<i>, <i>diacronia<i>, <i>história<i>
e <i>mudança linguística<i>, em direção a um enfoque mais
específico sobre um tipo de mudança que faz emergir
itens/construções gramaticais de itens/construções lexicais ou
menos gramaticais, via processo de gramaticalização (TRAUGOTT,
1982, 1989, 1995; TRAUGOTT e KÖNIG, 1991), conjugado aos
pressupostos analíticos da perspectiva textual-interativa, assentada
em uma concepção pragmática de linguagem e texto (JUBRAN,
2006), e numa orientação teórico-metodológica fundamentada no
conceito de diacronia não-ideal e, consequentemente, no de
Tradição Discursiva (TD), entendida como a repetição de um texto
ou de uma maneira particular de escrever/falar, com valor de signo
próprio (KABATEK, 2005) esta pesquisa, vinculada ao “Projeto para
História do Português Paulista” (também conhecido como Projeto
Caipira), analisa o item <i>assim<i> no que tange ao seu
funcionamento tópico geral, especificamente com enfoque
semântico-formal e no processo de junção instaurado, em
diferentes TDs. Os <i>corpora<i> desta pesquisa constituem-se por
textos de TDs medialmente faladas e escritas, representativos da
variedade Paulista do Português, a saber: (i) no recorte diacrônico:
cartas e editoriais jornalísticos dos séculos XVIII, XIX e XX; e (ii) no
recorte sincrônico: e-mails e dados de fala (Banco de dados
IBORUNA). Objetiva-se analisar, nos contextos de cada TD e de
comparação entre as TDs, a estabilidade ou mudança relacionada
183
ao item <i>assim<i>, ou seja, a alteração, permanência ou exclusão
dos seus traços discursivo-semântico-gramaticais, de acordo com os
pressupostos da gramaticalização. Os resultados permitem afirmar
que além de os contextos linguísticos imediatos serem
fundamentais nesse processo, o tipo de TD exerce também papel
determinante, uma vez que, em determinadas TDs, determinados
contextos são mais frequentes, levando à convencionalização de
determinadas implicaturas na constituição das funções gramaticais.
Assim, confirma-se a relação do desenvolvimento gramatical do
item <i>assim<i> com as TDs. Destacam-se duas generalizações
relacionadas a isso: (i) determinados aspectos gramaticais se
desenvolvem mediante pressões contextuais favorecidas pelas
características de determinadas TDs; (ii) determinados aspectos
gramaticais se desenvolvem independentemente das características
de determinadas TDs, de modo a comprovar aspectos da
heterogeneidade constitutiva da linguagem (cf. CORRÊA, 1997,
2004). Dessa forma, comprova-se a existência de uma estreita
relação entre as tradições textuais investigadas e o caminho de
mudança percorrido pelo item, a partir de uma concepção histórica
de diacronia não-ideal.
Palavras-chaves: Assim, Gramaticalização, Mudança Linguística,
Tradição Discursiva
ABRE A PORTA E ACENDE A LUZ: tradição e formulaicidade em
textos da religiosidade popular
Autores Lucrécio Araújo de Sá Júnior 1, Elisângela Tavares Dias 1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Campus Universitário- Lagoa Nova)
Resumo
O sujeito é verdadeiramente o criador de imagens. É assim que
Bachelard (BARBOSA, 1996, p. 31) admite em sua obra
epistemológica, a despeito do método fenomenológico, que é o
sujeito quem as cria como acontecimentos súbitos (ibidem) da/na
184
vida. Esta concepção desvela sumariamente uma vivência, muitas
vezes, metaforizada da realidade pela oralidade. Neste estudo
tomamos a noção de formulaicidade para compreender como se
processam os textos das Folias de Reis, reiterados em outras
performances tradicionais das culturas populares. O uso de
expressões fraseológicas se faz como Tradições Discursivas que se
estabelecem através da cadeia da oralidade popular. Desse modo,
segundo Xatara e Oliveira (2008), constituem-se como unidades
lexicais fixas, consagradas por falantes de uma língua, que as
recolhem a partir de experiências vividas, formulando enunciados
figurados, sucintos e completos, com o intuito de ensinar, mitigar,
aconselhar, admoestar, repreender, persuadir, etc. Note-se que, no
caso das Folia de Reis, a relação entre igreja e vivência popular, é
representada pela palavra que se enuncia como lembrança,
memória-em-ato, ressonância ilimitada no curso de si (ZUMTHOR,
2010, p. 12). Nessa perspectiva, a plurissignificação fraseológica na
religiosidade popular vislumbra sua representatividade, nitidamente
observável pelos significados que esta carrega. Neste trabalho,
fazemos o levantamento dos constituintes discursivos de base
sociocultural, a fim de mostrarmos que as expressões fraseológicas
dentro das Folias de Reis mostram-se cristalizadas e recorrentes,
mas podendo ter graus distintos de fixidez lexicais. Observaremos
ainda que, as construções fraseológicas são, em rigor, aquelas
estabilizadas pela língua/linguagem, mas estas não se cristalizam a
um tipo de texto específico, uma vez que são absorvidas por uma
comunidade linguística considerando a sintonia entre a sua
produção e obviamente o seu uso em situação de performance. E
disso, resultam constituintes específicos que envolvem as
propriedades para seleção das bases semânticas, sintáticas,
fonológicas e lexicais (BRAGANÇA JÚNIOR, 1999, p. 8).
Palavras-chaves: Formulaicidade, Fraseologia, Tradição oral, Folia
de Reis, Religiosidade Popular
185
ANÁLISE DA ESCRITA DE BILHETES PRODUZIDOS EM SALA DE
AULA: Semelhança com a escrita dos scraps da rede social orkut?
Autores Verena Abreu 1
Instituição 1 UFRB - Universidade Federal do Recôncavo Baiano (Av.
Carlos Amaral, 1015 - Cajueiro - Santo Antônio de
Jesus/BA CEP: 44.570-000), 2 Facemp - Faculdade de
Ciências Empresariais (Travessa XV de Novembro, 89A Centro - Santo Antônio de Jesus - BA), 3 FACE - Faculdade
de Ciências Educacionais (Rua Maria Consuelo, nº 123,
bairro Graça, Valença, Bahia)
Resumo
Com base na perspectiva teórica da Linguística Textual e apoiado
nos estudos sobre a linguagem digital e a transmutação dos
gêneros, na presente dissertação apresenta-se como tema a escrita
digital e sua influência na grafia de jovens em ambiente escolar,
sobretudo em momentos comunicativos de produção de bilhetes,
fora do ciberespaço. Os <i>corpora</i> investigados nesse trabalho
foram <i>scraps</i> extraídos do site de relacionamentos
<i>Orkut</i> e bilhetes produzidos em sala de aula que trazem
realizações de notação escrita que sugerem uma não exclusividade
da linguagem digital à <i>Web</i>. Assim sendo, este estudo,
fundamentado na Lingüística Textual e na concepção de gêneros
discursivos de Bakhtin (2003), bem como na concepção de
Hipertexto e estudo de gêneros digitais, também por autores
vinculados a Linguística de Texto (Marcuschi, Xavier, Araújo,
Komesu, Coscarelli, Bisognin, Ribeiro, dentre outros), objetiva,
principalmente, analisar o fenômeno, com o propósito de investigar
o uso frequente da escrita digital e a sua influência na grafia dos
jovens usuários da Internet, já que a comunidade escolar depara-se
inúmeras vezes com essa nova variação da escrita, seja em
situações de maior ou de menor formalidade, fora do ciberespaço.
Trata-se então da possível transmutação da transmutação, uma vez
que foram investigados <i>scraps</i> do <i>Orkut</i>, considerados
a transmutação dos gêneros bilhetes, mas também, quando
186
proposto aos discentes a escrita de bilhetes, mesmo usando o papel
como suporte, muitos deles utilizam-se, vez por outra, de palavras
que apresentam a grafia da escrita digital. A metodologia mais
aplicada aos propósitos deste trabalho é a pesquisa de campo.
Nesse sentido, os <i>corpora</i> são atividades escolares
(redações) de Língua Portuguesa/Redação, de alunos de uma escola
particular, localizada Santo Antonio de Jesus (BA), nas quais estes
utilizam a Internet com freqüência, inclusive na própria escola; e
textos disponíveis no site de relacionamentos <i>Orkut</i>,
especialmente <i>scraps</i> escritos por jovens em idade escolar,
para caracterizar a notação escrita digital e ilustrar inúmeras de
suas realizações no hipertexto. A seleção do corpus referente às
atividades escolares foi realizada com 96 estudantes do sexto ao
nono ano do Ensino Fundamental, com faixa etária de onze e quinze
anos. Assim, são analisadas algumas realizações da notação escrita
em bilhetes, averiguando similaridade ou não com a linguagem
digital em textos elaborados pelos alunos durante as aulas de
Língua Portuguesa/ Redação, cujo destinatário foi um colega de
classe, efetivando, portanto, um propósito comunicativo.
Palavras-chaves: Bilhetes, Escrita, Gêneros, Scraps, Transmutação
UMA INVESTIGAÇÃO A RESPEITO DO LÉXICO MAIS FREQUENTE EM
UM CORPUS LITERÁRIO TRADUZIDO DO INGLÊS PARA AS LÍNGUAS
PORTUGUESA E ESPANHOLA.
Autores Celso Fernando Rocha 2
Instituição 2 UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (Rua
Cristóvão Colombo, 2265 - São José do Rio Preto)
Resumo
O objetivo do presente trabalho foi analisar o livro The Chronicles of
Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, de C. S. Lewis, e as
respectivas traduções para a língua portuguesa, realizada por Paulo
Mendes Campos, e para o espanhol por Margarita Valdés. O
trabalho tem como aporte teórico os Estudos da Tradução Baseados
187
em Corpus (Baker, 1993, 1996, 2000) e a Linguística de Corpus
(Berber Sardinha, 2004). No que concerne à metodologia adotada,
os livros em inglês, português e espanhol foram transformados em
arquivos eletrônicos e os dados referentes às obras foram extraídos
por meio do programa WordSmith Tools e das ferramentas wordlist
e concord. A primeira foi utilizada para extração das listas de
palavras e estatísticas de todos os corpora e a última para extração
da listagem contendo o nódulo de busca acompanhado de seu
respectivo contexto. Com relação aos resultados, observou-se que
as obras traduzidas apresentam maiores traços de explicitação,
nota-se que há um maior emprego de mecanismos linguísticos
específicos como a repetição de vocábulos e o uso de nomes
próprios no lugar de pronomes. Registrou-se, também, maior
tendência à topicalização de parágrafos e consequente mudança de
pontuação. Em um trecho em específico, por exemplo, o texto de
partida apresentava a palavra “professor”, empregada uma vez,
enquanto que no texto traduzido para o português observamos
substituição dos pronomes (do texto de partida) pelo substantivo
(no texto de chegada), ou seja, repetiu-se a palavra professor mais
vezes na tradução. No caso do contraste entre as duas traduções,
verifica-se que no caso do espanhol, houve maior preocupação em
manter a organização dos parágrafos e uma tradução mais presa ao
texto de partida. A título de ilustração, apresentamos o seguinte
trecho do original e suas traduções para o português e para o
espanhol: At last the Turkish Delight was all finished and Edmund
was looking very hard at the empty box [...] – “Por fim, acabou-se o
que era doce, e Edmundo olhava fixamente para a caixa vazia *...+” –
e, Por fin las Delicias turcas se terminaron. Edmundo mantuvo la
vista fija en la caja vacía *…+. Em língua portuguesa, há um processo
de tradução mais livre, por meio do qual o tradutor optou por
empregar uma expressão que geralmente é dita para crianças e
apresenta-se em forma de rima. Por fim, é importante salientar que
existem outros aspectos da obra traduzida que serão
oportunamente explorados.
Palavras-chaves: Linguística Aplicada, Linguística de Corpus, Estudos
da tradução baseados em corpus, Estudos da Tradução
188
A HIPERTEXTUALIDADE NO FACEBOOK
Autores Jaqueline Ribeiro Souza 1, Ana Cristina Lobo Sousa 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(RODOVIA MT 270 KM 06 ROO GUIRATINGA CEP:
78735910)
Resumo
O Facebook é o segundo site mais visitado no mundo (KIRKPATRICK,
2011) e a principal rede social hoje no Brasil. Desde sua criação, em
2004, tem sido uma forma de expressão excepcionalmente singular
ao imprimir uma característica viral à informação (KIRKPATRICK,
2011, p. 15), o que demonstra uma mudança na forma como as
pessoas se comunicam e interagem em ambiente virtual. Trata-se
de uma experiência cultural compartilhada por pessoas que usam a
linguagem para expressar opiniões e paixões em relação aos fatos
do momento com uma velocidade muito grande para unir e
organizar pessoas. Além disso, é ótimo exemplo de como “todos
podem ser editores, criadores de conteúdo, produtores e
distribuidores” (KIRKPATRICK, 2011, p. 17). Tudo isso se dá por meio
de práticas discursivas em ambiente hipertextual, o que confere à
linguagem a possibilidade de apresentar-se não apenas tendo a
língua como centro da comunicação, mas também com a presença
de linguagens inter-relacionadas em “um processo de
ressemiotização ou ressignificação” (GOMES, 2010, p. 97). Na
esteira de Gomes (2010), entendemos que o Facebook, enquanto
um exemplo de hipertextualidade, fornece-nos ótimo exemplar de
como a multimodalidade se configura para a definição do que é
hipertextual. Assim, a presente pesquisa, em andamento, objetiva
analisar a hipertextualidade no Facebook por meio da descrição de
um dos principais critérios definidores do hipertexto: a
multimodalidade (ARAÚJO, 2003; 2006; COSCARELLI, 2006; GOMES,
2010; KOCH, 2003; 2006; XAVIER, 2002; 2010). A hipertextualidade
é entendida aqui como uma enunciação digital, consoante Xavier
(2002; 2009) e rediscutida em Lobo-Sousa (2009). Para o alcance
deste objetivo, a investigação, de natureza teórica, vale-se dos
189
estudos empreendidos por Gomes (2010), no tocante ao hipertexto
multimodal e considera as formulações teórico-filosóficas de
Bakhtin (1997), relativa aos conceitos de enunciação, enunciado e
gêneros. Em nossa análise, pudemos constatar que os modos
semióticos do Facebook não só se apresentam como o que já se
poderia encontrar no texto, mas principalmente, em função da
hipermídia, apresentam-se também em diferentes escalas de
organização, tal como defendia Gomes (2010), fundamentando-se
em Lemke (2002), para quem o termo hipermodalidade seria mais
adequado ao hipertexto que o termo multimodalidade.
Palavras-chaves: hipertextualidade, multimodalidade, Facebook
FORMAS DE NOMEAÇÃO DO "BOM PROFESSOR" POR MEIO DE
(RE)CATEGORIZAÇÃOES
Autores Gisely Soares da Silva 1, Everaldo Lima de Araújo 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Rodovia
Rondonópolis-Guiratinga - Km 6 - MT 270 - Rondonópolis
- MT)
Resumo
Muitos estudos no âmbito da Linguística Textual têm refletido sobre
referenciação, considerando-a como um conjunto de ações de
natureza cognitivo-discursiva, efetuadas por coenunciadores que,
constroem, compartilhadamente, os objetos-de-discurso que
garantirão a construção de sentido(s), seja isso expresso em uma
expressão referencial que será retomada em processos anafóricos
ao longo de um texto, seja pela construção sociocognitiva permitida
pela linguagem e não explicitada no cotexto. Isso se justifica pelo
fato de se considerar “os processos de referenciação em termos de
construção de objetos de discurso e de negociação de modelos
públicos.”. (MONDADA; DUBOIS, 2003, p. 48) e também por
entendermos que “os processos de referenciação são escolhas do
sujeito em função de um querer-dizer. Os objetos-de-discurso não
se confundem com a realidade extra-linguística, mas (re)constroem190
na no próprio processo de interação.”. (KOCH, 2004, 61). Nessa
perspectiva é que propomos a presente proposta, parte de uma
pesquisa ainda em andamento, que visa à discussão de como se dá
a nomeação do que seja “bom professor” na Revista Nova Escola. O
tema “bom professor” tem sido estudado por alguns autores, como
Cury (2003), para quem o professor é nomeado como um
profissional eloquente, com metodologia, que transmite com
segurança e clareza os conteúdos a serem dados. Costa (2008), por
sua vez, nomeia o bom professor como um profissional
competente, responsável, criativo, com domínio de conteúdo.
Assim, partimos da seguinte questão: como se dá a nomeação do
“bom professor” em textos da Revista Nova Escola? Nosso intuito é
analisar as funções discursivas de expressões referenciais
(re)categorizadoras, considerando que o processo cognitivo da
(re)categorização não se dissocia da referenciação, estando os dois
intimamente ligados, tal como defende Ciulla e Silva (2008). Para o
alcance de nosso objetivo, tomaremos como corpus, textos
publicados na Revista Nova Escola, por meio de variadas matérias e
edições. Acreditamos que em textos dessa revista haja formas de
(re)categorizações nas nomeações do chamado “bom professor”
merecedoras de uma análise mais acurada, uma vez que resultados
preliminares já apontam para a excessiva adjetivação eivada de
conotações de valoração cultural consoante com sistemas
econômicos. Essa análise inicial já nos permite perceber, pela
estratégia referencial utilizada, importante modo de veicular um
jogo ideológico acerca do que seja esse “bom professor”.
Palavras-chaves: referenciação, (re)categorizações, bom professor
191
MAPAS DO RIO GUAPORÉ: uma análise filológica em documentos
cartográficos do século XVIII da Capitania de Mato Grosso
Carolina Akie Ochiai Seixas Lima 1, George Gleyk Max de
Oliveira 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
fernando Correa,Bairro Coxipó)
Autores
Resumo
Com este trabalho pretendemos demonstrar as semelhanças e
diferenças entre as edições fac-similadas de três mapas do Rio
Guaporé. Um mapa encontra-se sob a guarda do Arquivo do
Exército no Rio de Janeiro, outro na Biblioteca Nacional do Rio de
Janeiro e um terceiro na Casa da Ínsua em Portugal. Todos
confeccionados à mão no século XVIII, durante o governo do
Capitão-General da Capitania de Mato Grosso Luis de Albuquerque
de Mello Pereira e Cáceres. Esta análise se deu à luz da Filologia, em
suas ciências auxiliares: codicológica e paleográfica dos mapas
através do método histórico-comparativo que permitiu uma análise
da toponímia apresentada no curso do Rio Guaporé. Por meio desta
análise também apresentaremos o estudo dos textos e das gravuras
presentes no interior dos mapas e demos a conhecer os diversos
aspectos diferentes entre o mapa que deu origem e à reprodução
dos demais outros dois exemplares. É sabido que a coroa
portuguesa por meio do então primeiro ministro de Portugal,
Marquês de Pombal, trabalhava para fixar a presença lusitana a
ocidente da linha divisória do Tratado de Santo Idelfonso, ocupando
terras que pertenciam ao Império Espanhol. Ao descrever
detalhadamente o curso do rio Guaporé, seus afluentes e as
localidades que o margeavam, como também o relevo montanhoso,
mostra a posse das terras que já estavam em mãos portuguesas. O
poderio da demarcação implantada por fundação de cidades, vilas,
aldeias e o domínio sobre os povos indígenas pode ser
demonstrado. A importância de conhecer a hidrografia da região
proporcionava o seu domínio e a divulgação para aqueles que se
arriscariam em habitá-la, aumentar o número de habitantes
192
portugueses em terras a oeste da costa do atlântico era a intenção
de Portugal. Ao observar os mapas, saltam aos olhos a riqueza de
ilustrações coloridas e tão bem desenhadas e passados mais de
duzentos anos conservam-se em bom estado.
Palavras-chaves: Filologia, Capitania de Mato Grosso, Mapas.
ÁREA TEMÁTICA 11- SEMIÓTICA
SEMIÓTICA COMO OBJETO MODAL PARA UMA LEITURA CRÍTICA
DE ENUNCIADO EM LÍNGUA INGLESA.
Autores Valdenildo dos Santos 1
Instituição 1 UFOPA - Universidade Federal do Oeste do Pará (Av
Marechal Rondon S/N, Caranazal, Santarém, Pará, Cep
68040070), 2 UFOPA - Universidade Federal do Oeste do
Pará (Av Marechal Rondon S/N, Caranazal, Santarém,
Pará, Cep 68040070)
Resumo
A maioria dos professores de Língua Inglesa ao se depararem com
textos em sala de aula, sejam estes de livros didáticos ou de
material pedagógico alternativo, têm como preocupação básica, nas
aulas de leitura da referida língua, ensinar as técnicas de leitura
instrumental como "skimming", "scanning", cognatos, marcadores
discursivos, título, "layout", inferências, etc como auxiliadores para
a compreensão do enunciado, em outras palavras, a tradução do
texto, considerando o repertório cultural do aluno. Em aulas de
Inglês em geral as habilidades da língua geralmente exploradas são
"Listening Comprehension", gramática, escrita e conversação. Não
há uma preocupação com a leitura crítica do enunciado, uma vez
que ensinar as quatro habilidades tradicionais já é um grande
desafio em termos de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Noam
Chomsky, falando sobre o sistema educacional americano, afirma
que aquele sistema prepara o aluno para ser obediente, submisso,
enfim, um autômata. Refletindo sobre essas questões, este
193
comunicador, professor pesquisador ousou introduzir a semiótica
da escola de Paris como objeto modal para o ensino de leitura
crítica em enunciados musicalizados extraídos de Programas de
Rádio de caráter educativo de sua produção e apresentação que
têm como foco o ensino da Língua Inglesa via textos musicalizados.
O que pretende-se comunicar aqui, portanto, é o relato de uma
experiência aplicada em sala de aula junto a um grupo de 15
professores de Língua Inglesa das escolas públicas de Santarém e
região, no Oeste do Pará, momento em que procurou-se mostrar
que mesmo um texto aparentemente ingênuo e fácil de se traduzir
ou compreender, têm, em seu interior, aspectos mais profundos
que podem ser captados através da aplicação da referida teoria.
Neste sentido, será apresentada tal experiência e os resultados
obtidos por meio da análise semiótica do enunciado musicalizado
"Love" de autoria de John Winston Lennon, quando foram
explorados aspectos sinestésicos inseridos na letra da canção, numa
abordagem que envolve a semiótica do sensível em que se revelam
aspectos passionais e estéticos.
Palavras-chaves: semiótica, Ensino, Leitura Crítica, Língua Inglesa,
Semiótica sensível
SEMIÓTICA E DANÇA: uma análise do primeiro capítulo do
espetáculo "Nazareth"
Autores Siane Paula de Araújo 1
Instituição 1 Posling CEFET-MG - Programa de Pós-Graduação em
Estudos de Linguagens CEFET-MG (Av. Amazonas 5253 Nova Suiça - Belo Horizonte - MG - Brasil)
Resumo
Este trabalho é uma proposta de análise do primeiro capítulo do
espetáculo "Nazareth", em vídeo, do Grupo Corpo Companhia de
Dança, de Belo Horizonte. O espetáculo é subdividido em sete
capítulos que abarcam os dez títulos coreografados. Estes capítulos
que representam a tradução intersemiótica de algumas referências
194
da literatura de Machado de Assis, como os contos "Um Homem
Célebre" e "Terpsícore", para a adaptação da música de Ernesto
Nazareth feita por José Miguel Wisnik e, desta, para a dança do
coreógrafo Rodrigo Pederneiras. O primeiro capítulo é
compreendido pelos títulos "A Polca" - cuja trilha sonora é uma
adaptação da música "Cruz Perigo!" - e "A Valsa" - adaptação da
música "Improviso de Concerto" de Nazareth. Para a análise,
importa como as distintas linguagens, como a literária e a musical,
são apropriadas para a dança do espetáculo. Tão logo, a semiótica
de Charles Sanders Peirce junto às teorizações do poeta Haroldo de
Campos sobre tradução e ao conceito de "corpomídia" das
professoras Helena Katz e Christine Greiner (PUC-SP) são adotados
como principais instrumentais teóricos à proposta de leitura. Nesse
contexto, o corpo impregnado na tela de transmissão da dança em
vídeo é tomado como signo, ou melhor, como um corpo semiótico,
detentor de linguagem icônica, indicial e simbólica no espaço de
representação gerando uma polifonia de sentidos. Este "espaço"
que se encontra pela relação entre o sujeito bailarino com o "outro"
no plural, ou seja, não somente entre os outros bailarinos, como
também entre o cenário, os figurinos, a iluminação e a trilha sonora.
A problemática da tradução se insere nessa dinâmica processual
dialógica e polifônica como uma ato crítico e reflexivo, sincrônico e
diacrônico, ampliando este "espaço" pelas relações sígnicas
espelhadas entre literatura, música e dança. Dessa forma, a
"brasilidade" que acompanha a marca do Grupo Corpo também se
desabrocha nesse contexto pelas distintas temporalidades sobre um
conteúdo que é audiovisual, bem como, pelas características da
própria dança que é espaço-temporal.
Palavras-chaves: Dança, Grupo Corpo, Nazareth, Semiótica
195
CONSERVAÇÃO E RECRIAÇÃO: o lugar do músico improvisador na
tradição do Jazz
Autores Cleyton Vieira Fernandes 1
Instituição 1 Usp - Universidade de São Paulo (Av. Prof. Luciano
Gualberto, 403 - Sala 16)
Resumo
O semioticista Jean-Marie Floch propõe, em vários de seus textos, a
categorização dos discursos em Referenciais ou Míticos, de acordo
com o grau de vínculo que tais discursos possam estabelecer com a
construção de uma significação fora deles ou neles mesmos.
Considerando que tais categorizações antecedem a materialização
do signo, de acordo com o semioticista Pietroforte, tais categoria
podem ser aplicadas a quaisquer planos de expressão, e, em nosso
caso, interessa-nos o olhar sobre o discurso musical instrumental.
Nas décadas de 1970 e 80 era bastante acirrado o debate entre
musicólogos que defendiam a chamada “interpretação histórica” e
os que defendiam uma interpretação que conservasse a liberdade
do músico em recriar ou, ao menos, imprimir sua própria marca à
obra. Por outro lado, na tradição ocidental da música popular, o
músico improvisador ocupa uma posição bastante peculiar no
processo de criação musical. O ato de improvisar recria e amplia o
tema musical proposto e confere ao improvisador o estatuto de
compositor e intérprete, simultaneamente. Em nosso trabalho,
pretendemos discutir os vários posicionamentos tomados pelos
improvisadores em alguns períodos do Jazz nos Estados Unidos. Ao
observarmos diferentes formas de improvisação, verificamos que
tais músicos, ora se posicionam como intérpretes, ora como
recriadores. Evidentemente, tal observação se dá pelas marcas
presentes na enunciação enunciada para, a partir daí, nos fazer ver
a transformação de uma linguagem em constante processo de
renovação. O ato de improvisar pode, em dados momentos, levar
em conta uma discursivização programática e narrativa, ou, pode
remeter à outros sistemas musicais e contrapô-los em níveis
fundamentais da linguagem, afirmando então a discursivização
196
mítica. Discutir tais conceitos e aplicá-los será o objetivo dessa
comunicação. Finalizaremos apresentando um breve modelo que
caracteriza o modus operandi de tais intérpretes e os relaciona
numa cadeia de oposições em relação ao ato de recriar ou
conservar.
Palavras-chaves: Semiótica, Música, Jazz, Discurso
ÁREA TEMÁTICA 12- GÊNEROS TEXTUAIS
ENSINO DO GÊNERO: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA
PARA O CONTO DE TERROR
Autores Rosemar Eurico Coenga 1
Instituição 1 SEDUC - Secretaria de Estado de Educação de Mato
Grosso (Mato Grosso)
Resumo
Este trabalho insere-se na área de Língua Portuguesa e consiste na
apresentação de uma proposta de sequência didática para o ensino
do conto de terror. Objetivo criar alternativas de aprimoramento de
práticas pedagógicas que visem a desenvolver a competência leitora
de alunos do 3º ciclo (2ª e 3ª fase) do ensino fundamental
correspondente ao 8º e 9º ano. Pesquisas recentes têm destacado o
papel dos gêneros para o ensino- aprendizagem de línguas,
buscando situar a relação entre texto, contexto, discurso e
sociedade. Nesta perspectiva, abarca-se as teorias de Bakhtin
(2002), que reflete sobre as atividades de linguagem como práticas
sociais, e as de Dolz e Schneuwly (2004), que tratam do ensino dos
gêneros por meio de sequências didáticas. Palavras-chaves: ensino
do gênero , sequência didática , conto de terror
197
GÊNERO TEXTUAL NA ESOLA: uma proposta para a prática da
pedagogia da variação linguística
Autores Joseli Rezende Thomaz 1
Instituição 1 UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora (Rua José
Lourenço Kelmer, s/n Campus Universitário – São Pedro
36036-330)
Resumo
O presente trabalho tem como base a concepção da linguagem
proposta por Bakhtin (1999) que concebe a língua como um
conjunto de práticas sociais e cognitivas historicamente situadas.
Considerando que é através de trocas interativas que se desenvolve
a linguagem em seus diferentes padrões de fala e escrita, apoio-me
na concepção sócio-interacionista de linguagem, adotada também
pelos PCNs e na proposta de ensino de língua, através de sequência
didática (Dolz e Schneuwly, 2004) com vistas ao desenvolvimento da
competência comunicativa, através dos gêneros textuais. Tenho
como objetivo apresentar uma proposta para a prática da
pedagogia da variação linguística no ensino de Língua Portuguesa,
voltada para o uso da língua em gênero de texto. Para tanto,
planejei e apliquei, como metodologia, uma sequência didática para
o ensino do gênero carta de leitor, demonstrando a eficácia desse
procedimento didático metodológico no trabalho com os gêneros
textuais na sala de aula. Escolhi, para a realização deste trabalho, o
gênero carta de leitor por se tratar de uma das manifestações reais
de uso da escrita na sociedade, além de oportunizar a aprendizagem
e o desenvolvimento de habilidades e competências exigidas para o
uso do tipo argumentar. O trabalho foi realizado com alunos do 8º
ano de uma escola da rede privada do município de Juiz de Fora. Os
resultados do estudo revelaram que essa proposta de didatização
de gêneros, bem como o trabalho sistemático com a leitura e escrita
de textos em uma variedade culta possibilitam aos alunos, ao
mesmo tempo, o domínio do gênero estudado e a apropriação das
expressões da variedade culta da língua. Embora os alunos cujos
textos foram analisados tenham várias habilidades linguísticas a
serem desenvolvidas principalmente no que tange à língua culta
escrita, é possível constatar, que eles aprenderam a utilizar a língua
198
materna em sua amplitude, selecionando linguagem, forma,
estratégias e recursos a serem utilizados, segundo as situações de
comunicação, com as quais eles se deparam em sua vida social.
Palavras-chaves: Gêneros textuais, Ensino de Língua Portuguesa,
Variação linguística
LEITURA E ESCRITA NA PRÁTICA DE SALA DE AULA/EJA:
contribuições da teoria enunciativo-discursiva
Soeli Aparecida Rossi de ARRUDA 1,3,2, Maria Rosa
PETRONI 2
Instituição 1 CEFAPRO - Centro de Formação e Atualização dos
Profissionais do Ensino (Rua Tiradentes, s/n - CENTRO Cáceres-MT), 2 UFMT - Universidade Federal do Estado
de Mato Grosso (Cuiabá-MT), 3 UNEMAT - Universidade
do Estado de Mato Grosso (Cáceres-MT)
Autores
Resumo
No contexto educativo contemporâneo uma das grandes
dificuldades vivenciadas nas escolas, por alguns professores, é a
falta de conhecimento teórico que lhes dê base para a prática de
ensino de Língua Materna, na perspectiva dos gêneros discursivos
voltados às práticas sociais. Desta maneira, verifica-se a necessidade
de pesquisas voltadas para a diferenciação entre os gêneros e para
a intervenção junto aos professores, com vistas ao desenvolvimento
das habilidades para apropriação de gêneros discursivos que
circulam socialmente. Na escola a tendência é privilegiar o trabalho
apenas sobre os gêneros de discurso homogêneos, ou na
perspectiva da tipologia textual, ou seja, das sequências de um
texto: narração, descrição, argumentação, exposição e conversação.
E, deixa de lado uma abordagem mais orientada por aquela que leva
em conta a heterogeneidade discursiva Os gêneros discursivos se
estruturam de acordo com as diferentes esferas de atividade
humana; e a variedade de formas de utilização da língua, sejam elas
orais ou escritas, reflete aquelas esferas sociais especificamente.
199
Nesse sentido, os gêneros não são fixos, eles variam em acordo com
as necessidades de comunicação humana. Para tanto, com uma
pesquisa-ação, objetiva-se refletir sobre a prática pedagógica e
discursiva dos professores de Língua Portuguesa com vistas ao
ensino de leitura e escrita na Educação de Jovens e Adultos – EJA do
Ensino Médio, na Escola Estadual “Professor Milton Marques
Curvo”, em Cáceres-MT. Discutir se o trabalho desenvolvido pelos
professores na prática de sala de aula na EJA condiz com a proposta
dos PCNEM e OCEM e identificar suas dificuldades mais comuns
para compreender as orientações desses documentos para o ensino
de leitura e escrita na EJA são objetivos que levam a uma análise das
práticas sociais desenvolvidas no processo ensino-aprendizagem de
uma parcela da população que se insere em uma modalidade
característica de ensino. Nesse contexto, e visando à busca de
alternativas de ensino mais eficazes, esse estudo terá como
fundamento a teoria enunciativo-discursiva bakhtiniana (19341935; 1952/1953; 1993-2003), a teoria sócio-histórica da
aprendizagem vygotskyniana (1935) e contribuições de outros
autores filiados a concepção teórica de Bakhtin e, de Schenewly e
Dolz.
Palavras-chaves: Ensino, Leitura, Escrita, Concepção, Interação
REPRESENTAÇÕES DO CAMPO E DA CIDADE NA POESIA DE
MANOEL DE BARROS.
Autores Paula Regina Bezerril Souza 1,1,1,1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Av.Senador Salgado Filho,3000-BR101Km 92Lagoa NovaNatal/RN.59078970)
Resumo
Inúmeros trabalhos têm sido realizados e publicados no Brasil
acerca das questões que envolvem a literatura em sua articulação
com a vida social e histórica. Nessa compreensão, conforme a
perspectiva de Antonio Candido: “os fatores sociais atuam
200
concretamente nas artes, especialmente na literatura” (1985, p. 37).
Neste sentido, pode-se reconhecer que a literatura, em sua
plenitude, é capaz de discorrer algo fatual, que ocorre na realidade.
Percebe-se que o autor muitas vezes reflete, analisa e discute a
partir das dificuldades de vida do homem. Também pode tematizar
a dificuldade social, tensões entre campo e cidade, problemas de
aspectos da natureza causados pelo homem, a religiosidade e
misticismos do sujeito simples do campo, etc. O presente artigo
toma como principal referencial teórico as reflexões sobre o campo
e a cidade sistematizadas por Williams em seu livro O campo e a
Cidade (1989); em torno das comunidades existentes,
historicamente bastante variadas, cristalizaram-se e generalizaramse atitudes emocionais poderosas, com incidência de avaliar como
ocorre a construção do sentido do texto que é o poema.
Motivaram-nos a um estudo mais aprofundado a respeito das
teorias que discorrem sobre este texto. Seguindo essa linha de
pensamento, Candido cuja postura frente à literatura mostra-se
bastante maleável uma vez que considera como literatura não
apenas os textos canônicos, mas toda forma de manifestação
cultural realizada pelo ser humano em todos os níveis de uma
sociedade. A articulação entre o literário e o social pode ser vista na
literatura sob vários ângulos. No presente trabalho, ver-se-á como a
referida articulação se dá através das representações sociais do
campo e da cidade na poética de Manoel de Barros. Neste sentido,
a relação apontada tem evidência de elementos que caracterizam a
modernidade, a tradição prefigurada na relação campo e cidade. E
assim motivada por ser um escritor que dá permissão a pesquisa e
comove o leitor com o despojamento de seus versos, tirados de
chão, árvore, bicho, água e pedra.
Palavras-chaves: Literatura, Modernidade, Tradição, Sociedade,
Cultura
201
O TRABALHO COM GÊNEROS TEXTUAIS: UMA ANÁLISE
DISCURSIVA DA PRÁTICA DE ENSINO NO INSTITUTO MADRE
MARTA CERUTTI
Autores Karla Amorim Sancho 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa da Costa, 2367, Boa Esperança, CEP
78060-900)
Resumo
O presente trabalho é resultado de um estudo que teve como meta
principal investigar como se processa a prática pedagógica que
trabalha com a produção sistemática dos gêneros textuais. O campo
de pesquisa do presente trabalho é a escola. O local da pesquisa é o
Instituto Madre Marta Cerutti, escola particular católica, da cidade
de Barra do Garças, no estado de Mato Grosso.O fato de o Instituto
Madre Marta Cerutti ser também nosso campo de trabalho por seis
anos justifica a opção pelo referido campo de pesquisa. O corpus
constitui-se da observação das aulas de Língua Portuguesa,
ministradas a turma do 6º ano “B”, do Ensino Fundamental II, no
que se refere a práticas de leitura, ao papel do professor e ao
processo que tem a produção de texto como resultado. A Análise do
Discurso, referencial teórico adotado no presente trabalho,
considera como componente constitutivo do sentido o contexto
histórico-social; ela analisa as condições em que este texto foi
produzido. O contexto histórico-social ou contexto da enunciação
compõe parte do sentido do discurso e não apenas um
complemento que pode ou não ser considerado. Para a Análise do
Discurso, os sentidos são historicamente construídos. A pesquisa
objetivou descrever os saberes transmitidos nas aulas de Português,
a atividade mesma de transmissão – compreendida como uma
atividade discursiva – e as condições nas quais se realiza essa
atividade.A presente investigação objetivou observar nesse
contexto, a constituição do processo de produção textual escrita e
compreender os mecanismos envolvidos nas interações sociais
estabelecidas em sala de aula pela linguagem e a relação destas
202
interações com o processo de construção do conhecimento relativo
à produção de textos escritos. Para alcançar esse objetivo, esta
pesquisa discorre sobre o ensino da língua portuguesa como
instrumento de formação social, trazendo presentes os referenciais
teóricos que norteiam essa proposta de ensino. A explanação do
campo de pesquisa e a análise desenvolvida a partir do confronto
com o referencial teórico concluem este trabalho.
Palavras-chaves: Alunos, Análise do discurso, Gêneros textuais,
Professor
ENSINO DE LÍNGUA MATERNA: entre as propostas oficiais e dos
linguistas aplicados e a prática revelada pelos manuais didáticos
Autores JOSILENE AUXILIADORA RIBEIRO 1,1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(AV. FERNANDO CORREA DA COSTA)
Resumo
Nas últimas décadas, os professores de Língua Portuguesa têm
presenciado inúmeras transformações no que concerne à maneira
de abordar o conteúdo da referida disciplina em sala de aula. Essas
mudanças, iniciadas na década de oitenta, orientam o ensino não
somente para a gramática, mas especialmente para o texto, isto é,
para a materialização das intenções comunicativas do
falante/escritor. No final da década de noventa, tais mudanças são
oficializadas, por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais
(1998), que, ancorados na teoria bakhtiniana, apresentam uma
nova abordagem para o ensino de Língua Portuguesa. O objeto de
ensino, nesse novo paradigma, passa a ser o gênero discursivo, pois,
segundo o filósofo russo Mikhail Bakhtin (1979 [1929); 2000 [19521953], os gêneros discursivos são caracterizados por enunciados
orais ou escritos efetivados em situações de interação, considerados
como diferentes discursos que fazem parte da vida do ser humano
nas diversas esferas sociais em que ele se insere. São textos
definidos por sua estrutura, estilo e, principalmente por suas
203
intenções comunicativas, contextualizados em momentos históricosociais, levando-se em consideração também aspectos culturais dos
indivíduos que os utilizam. Bakhtin (2010, p.282), afirma que
“falamos apenas através de determinados gêneros do discurso, isto
é, todos os nossos enunciados possuem formas relativamente
estáveis e típicas de construção do todo”. É assim que o ensino da
gramática, da leitura e da produção textual deve ser,
contextualizado nos gêneros discursivos, pois não é mais possível
concebê-los de forma dissociada, uma vez que a escola precisa ser o
lugar em que o aluno aprenda a usar a linguagem nas diversas
situações de comunicação em que ele se insere. Atualmente,
percebe- se que, no cotidiano da sala de aula, os gêneros discursivos
já foram introduzidos por intermédio dos livros didáticos, quer
representam importante apoio ao professor. Porém, a proposta
apresentada nesse material, de modo geral, não contempla a
perspectiva enunciativo-discursiva atrelada ao ensino da gramática,
da leitura e da produção textual, por meio dos gêneros discursivos.
Por essa razão, tal ensino ainda é isolado e descontextualizado.
Neste trabalho, temos como objetivo fazer uma reflexão sobre a
proposta apresentada pelos documentos oficiais em relação ao
objeto de ensino da Língua Portuguesa e sua abordagem em sala de
aula pelos professores, que, na maioria das vezes, têm como único
suporte o livro didático. Apresentaremos uma análise prévia sobre
as orientações dos documentos oficiais e de alguns linguistas
aplicados quanto ao ensino- aprendizagem dos gêneros discursivos
e da gramática, em sala de aula, e sobre esse mesmo ensino,
abordado em uma seção do livro Português Linguagens – oitavo
ano, dos autores - Willian Roberto Cereja e Teresa Cochar
Magalhães. Para nossa discussão, usaremos a fundamentação
teórica fornecida por Bakhtin(2010); Paes de Barros(2005);
Petroni(2008); Geraldi(1984), Vygotsky (2010), dentre outros.
Palavras-chaves: EnsinoGramática , Livro didático
aprendizagem,
204
Gênero
discursivo,
AUDIOLIVRO: contribuições dos estudos linguísticos aos
multiletramentos na escola: para integrar, aprender e divertir.
Thiago Rodrigues Lopes 1, Eliane Aparecida Albergoni de
Souza 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Correa da Costa s/n Bairro Coxipó)
Autores
Resumo
Lidamos cotidianamente com as diferenças, esta é uma questão que
perpassa as práticas sociais em diversas esferas. As vivências das
pessoas cegas nos contextos escolares são atravessadas pelo
preconceito, exclusão e negligências de direitos. As tentativas em
implementar os planos e as diretrizes das políticas de inclusão
escolar geralmente falham por não levar em consideração que as
pessoas cegas estão inscritas histórico-socialmente, e que não estão
restritas aos meandros da deficiência física. Elas ainda estão
pautadas em concepções errôneas de sujeito e de educação. Desta
feita, podemos perceber que as dinâmicas dos processos de ensinoaprendizagem em determinados espaços escolares, ainda
negligenciam às pessoas cegas os estímulos adequados e
necessários ao seu desenvolvimento cognitivo, subjetivo e político.
Com a inserção de alunos com necessidades especiais nas escolas
regulares, além de aprender a lidar com os instrumentos
multimidiáticos, é preciso considerar que o aluno com dificuldades
especiais também deve ter acesso às práticas de letramentos
multissemióticos. Neste sentido, trilhando e ampliando os caminhos
dos processos de ensino-aprendizagem possibilitados pelos estudos
de linguagem, sob a inscrição teórica bakhtiniana, apresentamos
neste trabalho uma proposta pedagógica baseada nos
multiletramentos, por meio da utilização do gênero audiolivro. Esta
proposta torna-se extremamente profícua, uma vez que podem ser
explorados aparatos tecnológicos em multimídias, confecção e
manuseio de instrumentos de sonorização, leitura e compreensão
de textos, dramatização, e uma interação positiva entre alunos,
professores e comunidade. Não é só o aluno cego ou de baixa visão
205
que será beneficiado, mas todos os demais participantes do
processo terão ganhos significativos em termos de letramento.
Assim, por meio da criação e utilização do audiolivro os alunos
cegos terão vivências que talvez não fossem possíveis somente por
meio da leitura pelo método braile, onde todos os envolvidos
podem desenvolver capacidades e habilidades no lidar com
diferenças e uma qualidade interativa positiva em situação de
igualdade de oportunidades didáticas.
Palavras-chaves: Multiletramentos, Audiolivro, Inclusão, Pessoa
cega
O AVESSO DOS COROAS: Os Karas de Pedro bandeira
Autores Mariana Miranda Máximo 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(Av. Fernando Corrêa da Costa, nº 2367 - Bairro Boa
Esperança. Cuiabá - MT - 7806)
Resumo
O texto propõe uma visão reflexiva a cerca da adolescência em uma
série de livros de Pedro Bandeira intitulada <i>Os Karas<i/>,
composta por cinco obras: <i>A droga da obediência<i/>,
<i>Pântano de Sangue<i/>, <i>Anjo da Morte<i/>, <i>A droga do
amor<i/> e <i>Droga de americana!<i/>. Miguel, Magrí, Calú, Crânio
e Chumbinho são os protagonistas destas narrativas, jovens que se
reúnem afim de desvendar mistérios. "O contrário dos coroas, o
avesso dos caretas!"(BANDEIRA, 1999, p.160). Frase de Pedro
Bandeira ao explicar sua escolha para intitular este grupo de jovens
pensantes. <i>Karas<i/> de caras - frente da moeda, atrevimento,
ousadia; contrário dos coroas - reverso da moeda, indivíduo de meia
idade; avesso dos caretas - máscara, conservador, preso a
convenções, quadrado, tradicional (HOUAISS, 2004, p. 615, 625,
840). As personagens criadas por Bandeira nos fazem refletir, nos
instigam a querer um mundo melhor e são repletos de sentimentos
iguais aos nossos de adolescentes (dos nossos adolescentes). Este
206
grupo de cinco jovens é ávido pela justiça social, investigadores de
crimes,e estudantes apaixonados pela vida e pela sociedade,
esperançosos pelo melhor, corajosos, levam o leitor a refletir sobre
inúmeros problemas sociais instaurados em nosso país e mundo.
Este trabalho consiste em quatro itens: <i>Narrativa, de aventura a
suspense<i/>, no qual há a contextualização do gênero narrativo
que foi escrito a série, estrutura que percorre um longo caminho,
primeiro como romance de aventura, passando por romance
policial, <i>noire<i/>, até se apresentar como gênero de suspense,
junção do policial e <l>noire<l/>, comum nos dias atuais por colocar
os detetives em perigo e utilizando o crime apenas como pontapé
inicial da trama; No segundo item, <i>Perspectiva, de Monteiro
Lobato a Literatura infanto-juvenil<i/>, pode-se conhecer melhor as
influências de Lobato, criador do <i>Sítio do Pica-Pau Amarelo<i/> e
precursor da Literatura infanto-juvenil no Brasil, levando-as às
obras, objetos de pesquisa, de Bandeira. Além da contextualização
da própria literatura infanto-juvenil, sua origem, estrutura;
<i>Simbiose, adolescência nos Karas<i/>, terceiro item, engloba
principalmente a contextualização dos cinco livros pesquisados, nos
quais é descrito as aventuras d'Os <i>Karas<i/>. Isto, sob
perspectivas abordadas anteriormente, além do caminho que o
autor faz na construção das narrativas com foco no perfil de
adolescência criado nesta série. Esta etapa é sub dividida em cinco
itens que especificam cada livro - <l>Tudo começou com um "K": A
droga da obediência; Só beleza?: Pântano de Sangue; Heil Mein
Führer": Anjo da Morte; Por amor...: A droga do amor; Mais um
Kara?: Droga de americana!; o último item é uma análise das cinco
obras citadas, os objetos de estudo. É hora de pensarmos sobre a
crítica humana que perpassa nas narrativas de Pedro Bandeira e
descobrir até que ponto somos um <i>Kara<i/>, mesmo sendo
jovens, pois o que deve prevalecer é o espírito aberto. Devemos
mostrar às nossas crianças este mundo maravilhosos da literatura
que cresce cada vez mais e pode mudar a história de muita gente. E
aí, o que vai ser? <i>Kara<i/> ou coroa?
Palavras-chaves: Literatura infanto juvenil, Romance de suspense,
Narrativa de ficção, Adolescência
207
MEMÓRIAS LITERÁRIAS: das práticas sociais à utilização no
contexto escolar
Autores Neiva de Souza Boeno 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa da Costa, 2367 - Boa Esperança,
Cuiabá-MT)
Resumo
Nas últimas décadas, a teoria dos gêneros discursivos já vem sendo
discutidos nos PCN de Língua Portuguesa para o Ensino
Fundamental e Médio, segundo as reflexões de Bakhtin (1992) e da
escola de Genebra através de Dolz e Schneuwly (1996), bem como
nas orientações curriculares estaduais, para além do que já era
conhecido e trabalhado na escola, ou seja, para além dos gêneros
literários e tipologia textual: narração, descrição e dissertação. Esses
documentos apontam para o campo da Ciência da Linguagem (em
substituição ao estruturalismo e a teoria da comunicação) que tem
como norte a concepção de linguagem enquanto interação
mediadora e constituidora nas relações sociais. Sabe-se que as
práticas sociais da escrita na escola efetivamente precisam se
sobressair ao conceito dos gêneros textuais, e não ficar apenas
como escrita que obedece a uma forma composicional e à
apresentação de vários gêneros textuais, como se a escola
precisasse apresentar todos os gêneros textuais utilizadas nas
esferas da atividade humana. Nesse contexto, a Olimpíada de
Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, desde 2008, nos anos
pares, introduziu em sua estruturação de programa o ensino de
Língua Portuguesa por meio da teoria de gêneros textuais em
conformidade com os PCN, e o gênero Memórias Literárias foi
escolhido para ser utilizado nas turmas de 7º e 8º anos do Ensino
Fundamental, um gênero não muito conhecido e utilizado na escola,
como gênero escolarizado. Desse universo, surgiram as seguintes
indagações: Em quais espaços se produz e circula o gênero
Memórias Literárias? Como ele se constitui? E qual é a relação do
gênero Memórias Literárias entre sua utilização nas práticas sociais
208
e sua aplicabilidade no espaço escolar? Essas questões nortearam
os estudos iniciais, parte introdutória de uma pesquisa acadêmica, e
têm como objetivo central analisar sua natureza e a discursividade
do gênero Memórias Literárias no contexto escolar à luz dos
conceitos bakhtinianos: de alteridade, dialogia, exotopia, cronotopo
e o papel do escritor (nesse caso, o aluno), e, também
vygotskyanos, na perspectiva da teoria da aprendizagem. Essa
análise inicial tem como corpus duas narrativas que compõem o
material pedagógico de Memórias Literárias (da OLP), uma de
Manoel de Barros (Memórias inventadas: a terceira infância, de
2008) e outra de Zélia Gattai (Anarquistas, graças a Deus, de 1986),
bem como duas produções de alunos finalistas na 2ª Edição da
Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, de 2010.
Palavras-chaves: gênero textual, memórias, alteridade
ESSE TAL DE GÊNERO...
Autores Simone de Jesus Padilha 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(AV. FERNANDO CORREA S/N)
Resumo
O conceito de gênero tem habitado, desde a década de 90, o debate
acadêmico nas áreas de estudos do texto e do discurso e também
no campo da linguística aplicada, principalmente os estudos
relacionados à aprendizagem de línguas materna e estrangeira.
Também, desde este período, o conceito passa a fazer parte do
discurso oficial, ou seja, integra os documentos oficiais publicados
pelo Ministério da Educação, como os Parâmetros Curriculares de
Ensino Fundamental (PCN) e Médio (PCNEM) e as Orientações
Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (OCEM). Neste quadro,
dois fatos foram se desenrolando em paralelo: a assimilação do
conceito pela academia, com diferentes apropriações tendo em
vista as bases teóricas anteriores dos pesquisadores envolvidos, e a
apropriação incipiente pela escola e pelo professor.
209
Compreendemos que, em nenhuma das duas ocorrências, houve
uma unanimidade de compreensão/interpretação do conceito nem
mesmo uma total assimilação do mesmo, se considerarmos o
referencial teórico bakhtiniano como um todo. Em meio a este
debate, denominações flutuantes circularam indiferentemente nos
espaços acadêmicos e escolares, principalmente as de “gênero
textual” e “gênero discursivo”. Este artigo, portanto, procura
problematizar a noção de gênero, a partir das contribuições do
Círculo de Bakhtin e de alguns teóricos comentadores de suas obras
sobre a questão, como Rojo, Barbosa, Brait, Sobral, entre outros. As
apropriações e reapropriações desta noção a têm desgastado e
desvinculado do quadro teórico mais amplo dos estudos
bakhtinianos. Perde-se de vista, portanto, seu elo fundamental com
noções basilares como as de dialogismo, enunciado concreto,
formas arquitetônicas e composicionais. A reflexão que aqui se
empreende busca refletir, ainda, sobre o tratamento do conceito
por materiais didáticos destinados ao ensino fundamental e médio,
tendo em vista os resultados das recentes pesquisas desenvolvidas
pelos mestrandos do Programa de Pós-graduação em Estudos da
Linguagem – MeEL – UFMT, na área de Estudos Linguísticos, entre
os anos de 2007 e 2011.
Palavras-chaves: gênero, livro didático, estudos bakhtinianos
CANÇÃO, INTERTEXTUALIDADE E LITERATURA
Autores Mirian Lesbão Dumont 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal De Mato Grosso (Av.
Fernado Correa)
Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar canções da MPB como
recurso didático para as aulas de Língua Portuguesa e Literatura no
Ensino Médio. É sabido que o gênero canção alcança maior público
– principalmente de jovens – em relação aos demais textos escritos,
pela sua divulgação nos meios midiáticos. Nas aulas de leitura é
210
possível perceber, entre os alunos do Ensino fundamental e Médio,
o pouco ou nenhum acesso que tiveram aos textos literários, à sua
leitura, principalmente de outras épocas. Em nossa prática de
docência, observamos, ao propor algumas leituras, a resistência que
eles apresentam. No entanto, quando propomos a audição de
algumas canções, acompanhadas das letras impressas, eles ficam
curiosos para saber sobre o seu conteúdo, sobretudo sobre as
relações intertextuais presentes nas letras de música em estudo. Em
vista disso, aproveitamos a oportunidade desse envolvimento para
despertar a sensibilidade em relação à palavra poética, com seus
recursos especiais, e ao seu conteúdo, com os diálogos
intertextuais, além de enfatizar a importância da leitura para
ampliar conhecimentos, sensibilizar o espírito, torná-los mais
críticos e cientes da sociedade na qual estão inseridos. Diante disso,
selecionamos algumas letras de música que dialogam com outros
textos literários ou com outras artes. As canções escolhidas –
<i>Capitu</i> (Luiz Tatit), <i>Dom Quixote</i> (Engenheiros do
Hawaii), <i>Vambora</i> (Adriana Calcanhotto), <i>Vamos comer
Caetano</i> (Adriana Calcanhotto) – fazem referências não só a
obras literárias, brasileira e universal, como também a movimentos
de expressão artística de grande importância para a nossa formação
cultural. Pretendemos, neste sentido, observar a sonoridade e o
intertexto como forma de expressividade que busca um diálogo com
outras artes. Entendemos que a intertextualidade é uma forma de
se colocar no mundo, proporciona ao leitor a percepção de que o
texto não é hermético, mas possibilita envolvimento, por meio da
leitura, com outras culturas de outros tempos e lugares reafirmando
e ou se contrapondo a elas.
Palavras-chaves: canção, intertextualidade, Literatura
211
AS INTERAÇÕES DE LINGUAGEM MEDIADAS PELOS GÊNEROS
DISCURSIVOS
Autores Louredir Rodrigues Benevides 1
Instituição 1 SEDUC/MT - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE
MATO GROSSO (Centro Político Administrativo - Palácio
Paiaguás)
Resumo
No presente artigo temos como objetivo discorrer sobre alguns
conceitos na perspectiva teórica dialógica ou enunciativo-discursiva
e sobre a concepção de linguagem interativa do Círculo de Bakhtin,
cujos integrantes principais são Mikhail M. Bakhtin, Valentin N.
Volochinov e Pavel N. Medvedev. Basicamente, compreendemos a
visão teórica de linguagem como interação. Nessa ótica de
linguagem, os seres humanos se reunem para produzir, executar e
circular suas atividades mediadas pelo uso da língua e linguagem em
interações discursivas. Essas interações são denominadas de
interações semióticas e englobam as interações permeadas por
gestos, mímicas, expressões faciais, expressões corporais, bem
como
pelas
interações
verbais
orais
e
escritas
(BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2006 [1929]). Os encontros interativos
intermediados pela utilização da linguagem ocorrem em
determinados espaços sociais, cujas designações desses são
campos, esferas ou áreas da criatividade ideológica. Em essência,
abordaremos a extensa rede de categorias e conceitos dos
membros do Círculo nos aspectos dos conceitos de campos ou
domínios da criatividade humana (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2006
[1929]), gêneros do discurso, gêneros primários e secundários
(BAKHTIN, 2003 [1952-53/1979]), enunciados concretos ou
enunciações mediadas pelas interações (BAKHTIN/VOLOCHINOV,
2006[1929]). Especificamente, levaremos em consideração as ideias
de interação semiótica de Volochinov e Bakhtin e, mais
destacadamente as interações mediadas pelos usos da palavra, as
interações verbais (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2006 [1929]). Ainda
mais particularmente, exploraremos os enunciados concretos como
212
respostas aos outros enunciados já ditos e similarmente a
enunciação como compreensão responsiva (VOLOCHINOV, 1981
[1930]). Por fim, subsidiaremos as discussões com base nos estudos
dos referidos conceitos realizados por pesquisadores do
pensamento bakhtiniano, em especial Brait e Rojo (2002), cujas
explicações de interação verbal são de cunho científico e didático a
partir de uma forma simples composta de uma tríade entre o
locutor, o objeto do discurso e o interlocutor (BRAIT, ROJO, 2002).
Ainda, tomamos as ideias de Faraco (2009) e a noção de interação
similar a intercâmbios verbais (SOBRAL, 2009).
Palavras-chaves: Campos da criatividade ideológica, gêneros do
discurso primários e secundário, enunciados, interações
O PRAZER DA ESCRITA NA FRUIÇÃO DA LEITURA EM “SE UM
VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO”, DE ITALO CALVINO
Autores Isabel Cristina Corgosinho 1
Instituição 1 UNB - Universidade de Brasília (Rua Unb Darci Ribeiro
s/n - Campus Universitário Brasília - DF, 70910-000)
Resumo
O artigo tem como propósito a interpretação da obra <i>Se um
viajante numa noite de inverno</i>, do escritor italiano Italo
Calvino, a partir das categorias do romanesco como opção
metaficcional; a explicitação do dialogismo intrínseco e extrínseco
dos autores e leitores-personagens e o excedente da visão estética
ali representados. O enfoque privilegiado pelo artigo incide sobre as
teorizações dialogizadas da escritura e da leitura, cujos enredos se
tornam mote propício ao prazer e à sedução, na medida em que se
constituem como o grande elo na tessitura metaficcional da obra,
ensejando na leitura o encontro amoroso dos personagens. A
explícita retomada dos procedimentos de interrupção e sedução
estão na base da obra de forma a operar uma releitura do fabuloso
213
livro <i>As mil e uma noites</i>. Roland Barthes (1993) traz
contribuição inestimável sobre o prazer do texto, principalmente no
esclarecimento dos confiscos dos finais dos enredos e na interdição
do encontro do Leitor com a Leitora que sugerem a complexidade
da relação da escritura com o prazer da leitura. Essa relação sinaliza
com luz própria para o jogo da sedução e do fugidio que provocam
o Leitor a constituir um destino, que acena a possibilidade de viver
uma paixão, mas esta sempre lhe escapa a exemplo dos enredos -o
gozo sempre interditado. Para fundamentar a relação de prazer na
literatura, é imprescindível, também, o diálogo com o texto
<i>Escritores Criativos</i>, de Freud, entre outros. Nesse sentido, o
artigo almeja demonstrar que a perspectiva autoconsciente da obra
<i>Se um viajante</i> realiza, em sua arquitetônica, o objeto
estético na crítica da leitura e da escritura como inovação da
tradição dialogizada e polifônica do romance. Ademais, os
personagens e enredos são contemporaneamente atualizados em
discursos que rementem às reflexões filosóficas, científicas e
estéticas, com o propósito de enriquecer a teoria do romance, suas
condições de existência dentro de estética da arte, no contexto
atual das novas formas de organização sociocultural.
Palavras-chaves: dialogismo, excedente de visão, escritura,
sedução, prazer
O GÊNERO TEXTUAL ROMANCE E SUAS POTENCIALIDADES NA
OBRA TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA
Autores Izabel Cristina Cavalcanti da Cruz 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Avenida
Fernando Corrêa da Costa, 2367- Boa Esperança- Cuiabá
-MT)
Resumo
O gênero textual denominado como romance oferece inúmeras
oportunidades para a formulação de estratégias de ensino que
possibilitem a formação do educando, como “leitor literário”. Além
214
de ser a forma que melhor traduz e concretiza a dinâmica da
modernidade, o gênero romance também oferece a oportunidade
de reconhecimento de experiências vivenciadas por outros sujeitos,
bem como, propõe um constante diálogo com outras artes e
ciências, a exemplo da psicanálise e da sociologia, por exemplo.
Assim, a escolarização da forma romance constituirá uma
oportunidade para a construção de um leitor autônomo e atuante,
capaz, portanto de refletir, analisar e criticar os textos literários com
os quais se depara. O romance, filho do desenvolvimento de uma
nova era, propõe uma intensa reflexão acerca da realidade sóciohistórica que, em forma de experiências vividas, determina e
conforma o mundo no qual os indivíduos estão inseridos, propondo,
desse modo, uma constante revisão acerca dos destinos que
conformam a epopéia do homem em sua trajetória no tempo e no
espaço. Objetivando investigar de que modo o gênero romance,
enquanto gênero textual, concorre para o desenvolvimento do
“letramento literário” dos educandos elegemos a obra romanesca
intitulada como <i>Triste fim de Policarpo Quaresma</i> da autoria
de Lima Barreto. Para tanto, propõe-se um diálogo com ciências
como a História e a Sociologia, como forma de potencializar a
discussão acerca da questão da identidade nacional, tema da obra
em questão. Em 1911, irrompe no cenário brasileiro da <i>Belle
Epóque</i>, o romance <i>Triste fim de Policarpo Quaresma</i>
trazendo em seu bojo um convite à reflexão acerca da questão da
identidade nacional brasileira, até então cristalizada pelo ideário do
Romantismo, movimento de origem européia, deflagrado no
cenário artístico brasileiro, após a proclamação da Independência
do país. A consciência de que era necessário refletir acerca da
utopia nacionalista romântica só se deu no alvorecer do século XX,
por obra do movimento Pré-Modernista. Entre os intelectuais que
buscaram desmascarar o logro romântico, lançando um olhar crítico
ao país, destaca-se o escritor Lima Barreto. O escritor carioca Lima
Barreto, produz uma obra, cujo tom crítico, incita à revisão dos
mitos que conformaram, ao longo do século XIX, a nação brasileira e
é por meio do romance <i>Triste Fim de Policarpo Quaresma</i>
que se conhecerá o melhor desempenho barreteano, no que toca à
elucidação dos problemas advindos do idealismo ingênuo, acrítico e
ilusório, construído pelos românticos que mascarava as verdadeiras
215
contradições que assolavam o país, já no início do século XX. A obra
narra as desventuras do protagonista, o Major Policarpo e seu
desmedido amor pela pátria, durante o período da Primeira
República. Em nome desse amor descomedido pelo país e da crença
nos valores utópicos acerca do caráter nacional do Brasil, o herói
empreende uma caminhada em busca do fortalecimento dos
símbolos nacionais envolvendo-se em projetos de cunho
nacionalista que culminarão com seu fuzilamento, logo após a
participação desastrosa do protagonista, na Revolta da Armada.
Palavras-chaves: gênero textual, letramento literário, Lima Barreto,
modernidade, romance
ÁREA TEMÁTICA 13- ENSINO DA LEITURA E DA ESCRITA
PROALFA: Avaliação e Estratégias Pedagógicas (2009-2010)
Autores Ana Cláudia Osório Martins 1
Instituição 1 PPGE da UFJF - Programa de Pós-graduação em
Educação (CAMPUS UNIV. MARTELOS JUIZ DE FORA)
Resumo
A presente pesquisa qualitativa denominada “PROALFA: Avaliação e
Estratégias Pedagógicas (2009-2010)” tem como proposta analisar o
impacto dos resultados do Programa de Avaliação da Alfabetização
(PROALFA) do Estado de Minas Gerais no ambiente escolar, bem
como a (re)construção de projetos, ações e práticas facilitadoras do
processo de alfabetização e letramento nas séries iniciais do Ensino
Fundamental, em escolas públicas da rede de ensino municipal e
estadual de Juiz de Fora. A investigação se dá em três fases:
pesquisa bibliográfica; análise de resultados das escolas e pesquisa
de campo. A partir da pesquisa bibliográfica, elaborou-se o
referencial teórico e a revisão de literatura. No referencial teórico,
destacam-se, quanto à linguagem, os trabalhos de Rojo (2009),
Bortoni-Ricardo (2006 e 2009), Bakhtin (2002), Kleiman (1997),
216
Mortatti (2004), Soares (2006). Quanto à avaliação, as produções de
Franco (2007), Freitas (2007), Sousa e Oliveira (2010), Bonamino
(2002). Na revisão acerca da literatura, destacam-se os trabalhos já
produzidos sobre o PROALFA, a saber: as dissertações de Silva
(2005), Falci (2005) e Carvalho (2010); as publicações em periódicos
de Monteiro (2010) e Carvalho e Macedo (2010). A partir da
observação de resultados nos boletins do PROALFA, houve a escolha
das escolas a serem pesquisadas, a análise dos dados, a construção
de tabelas e a montagem de gráficos. Na pesquisa de campo, foram
feitas um total de vinte entrevistas semi-estuturadas. Participaram
da pesquisa seis diretores, seis coordenadores e oito professores
que estavam atuando em 2009 e 2010 no terceiro ano do Ensino
Fundamental das seis escolas pesquisadas, das quais quatro
pertencem à rede municipal e duas à rede estadual de ensino de
Juiz de Fora. A escolha das instituições ocorreu a partir dos
resultados obtidos no PROALFA nos anos de 2009 e 2010. Foram
selecionadas duas escolas municipais que melhoraram nos índices e
duas que tiveram piora no resultado. A escolha das escolas
estaduais obedeceu ao mesmo critério adotado para as escolas
municipais. Com vistas ao fato da pesquisa estar em andamento,
considera-se que os resultados parciais obtidos demonstraram a
necessidade de formação dos profissionais que atuam nos anos
iniciais do Ensino Fundamental a respeito de variação linguística
tanto no aspecto conceitual quanto no pedagógico, tendo em vista
que o grande público atendido pelas escolas públicas recorre em
suas interações a uma variedade linguística que não é valorizada.
Outro resultado já constatado foi o distanciamento entre o
conhecimento teórico produzido pela academia e a prática
pedagógica dos profissionais que atuam nos anos iniciais do Ensino
Fundamental em escolas públicas no processo de aquisição de
habilidades na alfabetização e no letramento. Por fim, analisa-se a
utilização de estratégias pedagógicas por algumas escolas para
melhorar o resultado do PROALFA.
Palavras-chaves: Avaliação Externa, PROALFA, Alfabetização,
Letramento, Estratégias Pedagógicas
217
“NÓS TEMOS A OBRIGAÇÃO DE PASSAR A PARTE CULTURAL NÉ,
NEM QUE SEJA NO PAPEL”. PRÁTICAS SOCIAIS ORAIS E LETRADAS
NA EDUCAÇÃO ESCOLAR GUARANI
Autores Carlos Maroto Guerola 1
Instituição 1 UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina (Campus
Universitário, 88040-970, Trindade, Florianópolis)
Resumo
Este trabalho aborda os conflitos epistemológicos e políticos entre
as práticas sociais de conhecimento relacionadas à oralidade e
aquelas relacionadas ao letramento, com foco especial no
letramento em língua indígena, tomando a relação entre ambos os
tipos de práticas de conhecimento como problema central para a
compreensão dos processos de ensino-aprendizagem diferenciados
da educação escolar indígena Guarani. Através de uma etnografia
do letramento da Escola Indígena de Ensino Fundamental Itaty, da
aldeia Guarani Morro dos Cavalos (Palhoça, Santa Catarina, Brasil),
fundamenta-se a asserção de que a “adequada imersão” no mundo
da escrita, com o fim de que os alunos “incorporem” os usos da
leitura e da escrita, “apropriando-se plenamente" das práticas
letradas, se não for feita desde uma perspectiva excelentemente
crítica, e na instrução e desenvolvimento concomitantes de práticas
sociais de conhecimento orais, pode acarretar a substituição dessas
práticas econômicas e socioculturais, próprias de tradições
subalternizadas, por práticas econômicas e socioculturais da
tradição hegemônica ocidentalizante. Graças ao quadro teórico dos
Estudos de Letramento (GEE, 1994; STREET, 2003; KLEIMAN, 1995)
este trabalho evidencia o conflito epistemológico e político
motivado pela introdução de práticas de conhecimento letradas,
através das falas dos professores Guarani entrevistados, cujos
depoimentos protagonizam o corpo central do trabalho. Os
resultados da pesquisa apontam que a introdução de práticas
sociais letradas em línguas indígenas não significa uma maior
garantia de sobrevivência destas línguas, que pode ser sim
garantida, pelo contrário, através das “condições de possibilidade
218
de uma língua falada, sem restrições nem perdas à sua liberdade”,
algo que “a escrita, por si só, ainda não parece oferecer às línguas
indígenas” (MELIÁ, 1997, p. 104). Isso se consegue assegurando às
sociedades indígenas suas terras e seu modo de viver, sua economia
e sua organização política, e introduzindo, nos currículos e projetos
político-pedagógicos das escolas Guarani, eventos e práticas de
oralidade em relação de igualdade respeito aos eventos e práticas
de letramento.
Palavras-chaves: conflitos epistemológicos, educação escolar
guarani, educação diferenciada, letramento, oralidade
UM CONTRAPONTO ENTRE A ABORDAGEM DE REDAÇÃO DO
ENEM E AS PROPOSTAS DOS DOCUMENTOS OFICIAIS DA
EDUCAÇÃO
Autores Neila Barbosa de Oliveira Bornemann 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av
Fernando Correa da Costa nº 2367, Bairro Boa
ESperança, Cuiabá-MT)
Resumo
As atuais demandas interacionais requerem cidadãos cada vez mais
competentes em relação ao domínio dos gêneros discursivos,
principalmente aqueles da modalidade escrita. As tecnologias
digitais que deram lugar a cibercultura, como novo espaço de
interação, sociabilidade, transação, informação e conhecimento,
têm ressignificado os usos da escrita entre jovens e adolescentes –
não se trata mais de escrever apenas para se sair bem nas
atividades escolares, mas de escrever para interagir, por meio da
internet, com os mais diversos interlocutores. Considerando a
urgência de a escola trabalhar o desenvolvimento da competência
comunicativa
em
sintonia
com
as
exigências
da
contemporaneidade, este estudo objetiva investigar a relação entre
as orientações contidas nos principais documentos oficiais que
regulamentam a educação no Brasil: Parâmetros Curriculares
219
Nacionais- PCN (Brasil, 1998), Parâmetros Curriculares Nacionais do
Ensino Médio- PCNEM (Brasil, 1999) e Orientações Curriculares para
o Ensino Médio- OCEM, (Brasil, 2006) e as propostas de redação do
Exame Nacional do Ensino Médio-ENEM dos anos 2010 e 2011. Em
um primeiro momento, busca-se apreender a proposta de tais
documentos em relação à prática da escrita em sala de aula. Em um
segundo momento, realiza-se a análise das propostas de redação do
ENEM, verificando as competências exigidas, bem como
apresentando algumas sugestões relacionadas a alguns itens, a fim
de melhorá-las tendo em vista as concepções e proposições
contidas nos documentos oficiais. Esse contraponto evidencia que
os documentos oficiais são uníssonos em suas propostas e enfáticos
ao recomendarem que o gênero discursivo seja tomado como ponto
de partida para o trabalho escolar com a produção de textos, com a
finalidade de otimizar a prática de letramento crítico dos alunos,
prática que foi possível perceber parcial ausência nas propostas de
produção textual do ENEM, pois, conforme análise, verificamos que
de maneira positiva, as proposta apresentadas no exame de 2010 e
2011 atendem, em grande parte, às propostas dos documentos
oficias, deixando de atender, quando, por exemplo, no lugar de
exigir uma produção textual que atenda um Gênero discursivo
existente nos variados contextos sociais, as propostas retomam e
reforçam a tradição de exigir do aluno um texto vago “dissertativoargumentativo” sem existência real na circulação social. O estudo
revela a importância de a escola intensificar o trabalho com as
práticas sociais da linguagem escrita de modo sensível às demandas
contemporâneas, considerando a cobrança, bem como a
valorização social e histórica que esta forma de linguagem tem na
sociedade.
Palavras-chaves: Função Social da escrita, PCN, PCNEM, OCEM,
ENEM
220
CRIAÇÃO DE ATIVIDADES REFLEXIVAS EM UMA PERSPECTIVA
BAKHTINIANA: um momento antes da reescrita
Autores Viviane Leticia Silva Carrijo 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO
(AV FERNANDO CORREA DA COSTA)
Resumo
O estudo em foco é uma pesquisa de mestrado, a qual se orienta
pelas seguintes questões: Quais construtos teóricos de Bakhtin e
seu Círculo são visíveis no processo de reescrita? Quais atividades
de reescrita seriam possíveis desenvolver, considerando os aspectos
bakhtinianos? Esses questionamentos nasceram de nossas reflexões
sobre a reescrita, sobre as quais consideramos que somente a
análise de aspectos linguísticos ou da estrutura de textos é
insuficiente para que o aluno alcance a proficiência na prática social
da escrita, pois a abstração e artificialidade da linguagem não o
ajudariam a portar-se como sujeito ativo em uma interação.
Contudo, pensar a escrita como processo desloca a ênfase da
intervenção do aluno e professor em um suposto produto final para
um processo de produção que envolve: planejamento, escrita,
revisão e reescrita, constituindo-se um ciclo no desenvolvimento da
produção de textos. Consideramos, então, a reescrita como
processo, levando em conta a relação de quem escreve com quem
lê. Uma relação não de conhecimento, mas que exige um tipo de
resposta sobre o que leitor pensa ao ler o que o outro escreveu e se,
a partir disso, o autor mudará sua opinião ou acrescentará algo mais
em resposta ao que o leitor disse. Desse modo, o que o aluno
produz também constitui um diálogo não apenas para obtenção de
nota ou apenas para responder ao professor, visto que na escrita
eles podem responder tudo que queiram na sociedade. Nessa
perspectiva, escolhemos a teoria enunciativa de Bakhtin e seu
Círculo por sua abordagem sócio-histórica e por acreditarmos em
sua relevância para um ensino reflexivo sobre a linguagem e
constituição social do aluno mediante a escrita, desse modo,
analisamos essa teoria a fim de verificarmos quais os conceitos
221
estão presentes na prática processual da reescrita, dessa maneira o
professor poderia criar atividades de reescrita que culminem em
uma prática reflexiva do aluno sobre sua aprendizagem.
Trabalhamos com alguns aspectos da teoria bakhtiniana: a interação
e o dialogismo – principais componentes constitutivos da
linguagem; a formação do sujeito agente responsivo – ligado a
questão da compreensão ativa e a atitude criadora do autor; a
exotopia relacionada ao excedente de visão do autor sobre sua
produção escrita e também sobre o dizer do outro; o ato ético e
estético – no processo de formação do discurso e os gêneros
discursivos. Acreditamos que o conhecimento desses aspectos
auxiliará o professor em sua reflexão de criação de atividades de
reescrita, considerando que essa é uma prática dialógica entre ele e
o aluno, logo, o professor também precisa ter a percepção daquilo
que o aluno ainda não sabe, ou seja, trabalhar mediante as
necessidades dos alunos e suas possibilidades de aprendizagem
(ZPD), pois a partir daí o professor saberá quais atividades reflexivas
para a reescrita serão mais eficientes para que os alunos possam
aperfeiçoar os discursos de acordo com a situação comunicativa.
Palavras-chaves: atividades reflexivas, dialogismo, reescrita
222
O TEXTO ACADÊMICO: UMA QUESTÃO DE HETEROGENEIDADE
DISCURSIVA
Autores José Antônio Vieira 1,2, Sulemi Fabiano Campos 3
Instituição 1 PG/UFRN/PPGEL - Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (Caixa Postal 1524 - Campus Universitário
Lagoa Nova CEP 59078-970 | Natal/RN - B), 2 UNEMAT Universidade do Estado de Mato Grosso (Br 174 - km 209
- Pontes e Lacerda - CP 181 - Cep. 78250-000), 3
UFRN/PPgEL/GETED/GEP - Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (Caixa Postal 1524 - Campus
Universitário Lagoa Nova CEP 59078-970 | Natal/RN - B)
Resumo
Neste trabalho tomamos como objeto a relação que o sujeito
estabelece com uma dada teoria, a Análise do Discurso, no
momento da escrita dos textos acadêmicos exigidos durante sua
formação. Partimos do pressuposto de que a escolha de uma teoria
não é aleatória, visto que é pela utilização de uma dada teoria e de
seus conceitos mais operacionais que um sujeito dá mostras de
participar de uma dada comunidade científica. Além disso,
sustentamos que a análise dos conceitos teóricos utilizados na
escrita de um texto pode evidenciar como ocorreu determinada
formação universitária. Neste sentido, propomos uma análise da
escrita de monografias e relatórios de estágio produzidos por
estudantes de um curso de graduação em Letras, no qual a teoria da
Análise do Discurso tem um papel em destaque, seja em razão de
parte do corpo de professores realizarem suas investigações
baseadas nesta teoria, ou porque nesse curso há uma disciplina
dedicada a essa área teórica. Assim, nosso objetivo nesta pesquisa é
verificar como os conceitos advindos, neste caso, da Análise de
Discurso são apropriados durante a construção desses textos
acadêmicos. E, questionamos: Como o licenciado em Letras utiliza e
se apropria dos conceitos teóricos advindos análise do discurso
durante a produção escrita do corpus selecionado para realização
deste trabalho? Na tentativa de responder esta pergunta de
223
pesquisa analisaremos preliminarmente 01 (um) relatório de estágio
e 01 (um) trabalho de conclusão de curso de um mesmo aluno,
observando como este recorre a teoria e se esta materializa-se de
modo a compor uma peça importante na argumentação em prol da
tese que o pesquisador e/ou estagiário quer defender. Para
analisarmos como essas produções escritas podem demonstrar o
nível de apropriação e domínio do estudante em relação a uma
teoria específica, recorremos, então, a Authier-Revuz (2004), que
nos apresenta o conceito de que todo texto possui uma participação
discursiva do “outro”, daquele para quem o locutor constrói o
enunciado. A pesquisadora denomina tal fato de heterogeneidade
constitutiva do discurso e afirma ainda que a heterogeneidade do
discurso pode não ser apenas constitutiva, mas também mostrada e
não mostrada.
Palavras-chaves: heterogeneidade, monografias, relatórios
TEATRO PEDAGÓGICO EM LÍNGUA ESPANHOLA
Autores Silvana Aparecida Teixeira 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(Av. Fernando Correa da Costa s/n Cuiaba - MT), 2 UFMT
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO (AVENIDA
FERNANDO CORREA DA COSTA, COXIPO)
Resumo
Teatro Pedagógico em Língua Espanhola é projeto de pesquisa
desenvolvido em 2008, cuja segunda etapa ocorre em 2012, em
parceria com o C.R.D.E - Centro de Recursos Didácticos de
Espanhol/Embaixada de Espanha no Brasil, Secretaria de Estado de
Educação de Mato Grosso e Secretaria de Estado de Cultura de
Mato Grosso. Tem por objetivo oferecer aos professores de Língua
Espanhola da rede pública estadual a Leitura Dramatizada como
recurso pedagógico para o ensino da Leitura em Língua Espanhola.
224
Participaram - durante quatro meses de execução - sessenta
docentes que ao final do curso gratuito fizeram leituras com
apresentação pública para alunos e sociedade em geral. Foram
selecionados em comum acordo, textos cômicos intitulados
Entremeses, de Miguel de Cervantes Saavedra (1547 - 1616), e as
leituras ocorreram em duas noites no Teatro Liceu Cuiabano, na
capital Cuiabá. Visamos, neste Abralin em Cena, mostrar os
resultados obtidos com esta pesquisa interculturalista (de reunião
de culturas diferentes e de transdisciplinaridade entre Educação,
Linguagem e Cultura). A pesquisa teve por metodologia a
intervenção sociológica denominada pesquisa em ação, tendo em
vista que as observações, descobertas e ações surgiram durante o
processo de execução do projeto. A concepção de leitura apoia-se
em teorias sobre Enunciação e Leituras perceptiva e conceptiva do
leitor (ORLANDI, 1988; CARDOSO-SILVA, 2006 e SAYEG-SIQUEIRA,
2003 e 2007) para exploração de percursos de leitura na produção
de sentidos literais e inferenciais. Sobre o ensino de Línguas
Estrangeiras foi trabalhado o conceito de estranhamento (SERRANIINFANTI, 1997; CHKLOVSKI, 1917) por acreditar que tal efeito
propicia o distanciamento em relação ao modo como apreendemos
o mundo e a própria arte. Por outro lado, a exploração do teatro em
sala de aula é fato bastante conhecido, e o desafio reside em aplicálo em aulas de língua estrangeira, no caso Espanhola. Assim, Teatro
Pedagógico (ou Teatro na Educação) foi usado como recurso levado
à sala de aula cujas técnicas de teatro foram aplicadas para o ensino
da leitura. Dentro dessa técnica, exploramos a leitura dramatizada
como recurso pedagógico (geralmente utilizado ocmo recurso
dramatúrgico por atores e diretores) observando durante as leituras
possíveis "estranhamentos", ou, o defrontar de "outros modos de
estruturar as significações "do" mundo, que se apresenta
"tangivelmente" como múltiplo e construído", no dizer de SERRANIINFANTI. A apresentação será feita pela própria autora, Silvana
Aparecida Teixeira, mestre em Estudos de Linguagem/UFMT e
professora de Língua Espanhola e suas Literaturas.
Palavras-chaves:
Dramatização
Linguistica
Aplicada,
225
Espanhol,
Leitura,
PARA UM ENSINO-APRENDIZAGEM EXPLÍCITO DA LEITURA: o leitor
literário em foco
Autores Iara Cardoso Lopes 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa), 2 UFMT - Universidade Federal de
Mato Grosso (Av. Fernando Corrêa)
Resumo
Este estudo faz parte das investigações do “Grupo de Estudos
Linguísticos e de Letramento em Mato Grosso” e tem como objetivo
descrever e compreender os processos de ensino-aprendizagem de
leitura de uma escola pública, em particular o trabalho que se
realiza para a formação do leitor literário no âmbito escolar público
de Ensino Fundamental, do município de Cuiabá – MT. Os exames
nacionais, notadamente Prova Brasil, SAEB, e o Programa
Internacional de Avaliação de Alunos – PISA têm revelado
resultados insuficientes para a proficiência em leitura. Os PCN
(1998) destacam a necessidade da formação de um leitor crítico que
seja capaz de se apropriar de uma diversidade de textos, de uma
maneira mais proficiente. Assim, no âmbito deste trabalho,
defendemos a necessidade de práticas pedagógicas promotoras da
ampliação das capacidades de letramento num sentido amplo, a
partir de intervenção explícita, que seja capaz de desenvolver no
aluno a maestria de lidar com textos diversos, de forma crítica, nos
mais diferentes contextos. Dessa forma, a presente pesquisa de
mestrado se propõe a investigar e defender a relevância do
letramento literário no Ensino Fundamental. Para tanto, partimos
do ensino explícito de leitura do gênero discursivo conto. Segundo
Kraemer (2010) existe uma escassez de estudos cujo gênero conto
seja - à luz da teoria bakhtiniana - o objeto de pesquisa. Assim como
Antonio Cândido (1995), acreditamos que a literatura tem um
caráter humanizador, isto é, confirma no homem aqueles traços que
julgamos serem essenciais, quais sejam o exercício da reflexão, a
perceber a complexidade do mundo e dos seres humanos, a refletir
sobre a sua própria condição humana, dentre outros. Sendo assim,
226
compreendemos que uma pesquisa que enfoque a relevância da
formação do leitor literário torna-se relevante, na medida em que o
processo de ensino-aprendizagem de leitura dos gêneros da esfera
literária possa contribuir para a formação de um aluno-leitor e
apreciador de textos literários.
Palavras-chaves: LEITURA, LETRAMENTO LITERÁRIO, GÊNERO
DISCURSIVO
SEÇÕES DE LEITURA EM LIVROS DIDÁTICOS DE LINGUA INGLESA:
Decodificacão ou producão de sentidos?
Autores Paulo Rogério de Oliveira (MeEL/UFMT) 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Correa da Costa s/n, Bairro Coxipó - Cuiabá
MT)
Resumo
Neste estudo, examinamos as propostas de leitura feitas em dois
livros didáticos de língua inglesa destinados ao ensino médio. Tendo
em vista que a estrutura e as atividades de todas as unidades
seguem um mesmo “script”, selecionamos para análise apenas uma
unidade de cada livro, concentrando-nos nas seções que abordam a
leitura de texto. Nosso objetivo é investigar, as atividades propostas
nos dois livros, buscando responder às seguintes questões: Que
concepções de linguagem, leitura, aluno e ensino-aprendizagem
perpassam o tratamento da leitura pelos autores? As atividades de
leitura presentes nestes livros contribuem para o desenvolvimento
crítico e reflexivo dos alunos? A análise do conjunto das atividades
de leitura norteia-se pelo referencial teórico-metodológico da
Análise de Discurso de orientação francesa e da Lingüística Aplicada.
Constata-se que as atividades concentram-se na decodificação dos
códigos lingüísticos, tidos como invólucro para uma mensagem
unívoca, em consonância com uma concepção de linguagem como
instrumento de comunicação. As perguntas são fechadas, isto é, não
dão margem para que outros sentidos possíveis venham à tona. A
227
história de vida e a subjetividade do aluno são silenciadas, pois as
perguntas feitas pelos autores nas seções de leitura negligenciam
esses fatores que são constitutivos de todo sujeito. Essa abordagem
poderia ser problematizada pelo professor em sua prática
pedagógica. Contudo, na maioria das vezes, o que os livros propõem
é aceito pelos professores sem qualquer questionamento, pois há
um imaginário de que tudo o que é posto no livro didático é
verdadeiro, legítimo, inquestionável. Ler em uma língua estrangeira
não é só traduzir/verter palavras para a língua materna, estudar
aspectos gramaticais, buscar o significado intencionalmente
depositado no texto pelo autor; ler é produzir sentidos, é fazer com
que o aluno seja intérprete ou autor-produtor de sua leitura. É
necessário problematizar e questionar se as atividades de leitura
propostas são realmente atividades de interpretação, a menos que
a meta não seja realizar uma educação emancipatória, como
recomendam os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua
Estrangeira. Palavras Chave: língua Inglesa, livro didático, leitura,
Palavras-chaves: língua Inglesa, livro didático, leitura
RELEVÂNCIA DOS ESTUDOS HISTÓRICOS PARA MELHOR
COMPREENSÃO DE FENÔMENOS LINGUÍSTICOS DO PORTUGUÊS
ATUAL.
Autores Irenilda Francisca de Oliveira e Silva 1
Instituição 1 UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (Centro de
Artes e Comunicação, Campos UFPE)
Resumo
Para defender a ideia de que o conhecimento histórico da língua
portuguesa ajuda no entendimento das similaridades e
correspondências dos casos latinos com a estrutura sistêmica da
nossa língua materna, objetivando melhor compreender os
fenômenos linguísticos, buscou-se um embasamento teórico em
linguistas como Mendes de Almeida, Mattoso Câmara, Carvalho e
Coutinho. Na busca por uma ciência que auxiliasse a defesa dessa
228
concepção, ganhou relevância o papel da Linguística Histórica, pelos
fundamentos analíticos das mudanças ocorridas na língua, no
momento em que observam o seu percurso histórico, focalizando a
evolução dos fenômenos transformacionais e sucessivos, com
suporte em documentos escritos. Apesar de muitos
desconsiderarem a importância dos estudos históricos sobre a
evolução da língua, este trabalho pretendeu demonstrar sua
relevância quando se verificam fatos linguísticos da língua
portuguesa, como as questões envolvendo a ortoépia e a prosódia.
Dominar aspectos presentes na língua atualmente falada implica
conhecer os processos evolutivos na formação do léxico, na
estrutura morfológica, na capacidade sintática de seus termos, no
sentido de suas palavras, validado pela etimologia e semântica,
sem, no entanto, desconsiderarem-se aspectos histórico-sociais e
políticos. Isso significa buscar suporte teórico na Linguística
Histórica, permitindo o repensar da importância da língua latina
para os estudos de Língua Portuguesa, como uma opção mais
consciente por uma metodologia que norteie a análise da linguagem
numa perspectiva histórica. A adoção de uma atitude incursiva
pelos aspectos históricos da língua portuguesa, com enfoque na
língua latina, com certeza, propiciará, aos educadores
comprometidos com a proficiência linguística dos discentes,
conhecer caminhos mais cientificamente fundamentados para
trilhar em seu mister, cônscios da responsabilidade por eles
assumida, como orientadores de uma formação linguística profícua,
que articule saberes ao conhecimento acumulado, resultando em
atitudes reflexivas sobre temas e problemas concernentes à
linguagem, como, por exemplo, a variação linguística. Entendendo a
variação como fenômeno comum a toda língua em uso, o educador
evitará atitudes preconceituosas, incentivando os discentes a
assumirem uma atitude de maior cientificidade a respeito das
formas variantes da língua.
Palavras-chaves: Linguística Histórica, Língua Portuguesa, Ensino.
229
A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA COMO ADAPTAÇÃO FONÉTICOFONOLÓGICA PERMITIDA PELA LÍNGUA
Autores Angela Maria Torres Santos 1
Instituição 1 UFPE - Universidade Federal de Pernambuco (Centro de
Artes e Comunicação, Campus UFPE)
Resumo
Defender a unicidade da língua brasileira é uma ilusão comum a
todos aqueles que desconhecem o fato de que toda língua está
sujeita, indubitavelmente, à mudança. Pensar, pois, uma língua
como livre de variação é vê-la em uma perspectiva que
desconsidere seu uso, já que as alterações que sofre uma língua
demonstram que a gramática normativa não se sobrepõe a uma
análise empírica. Diante dessa realidade inevitável, os educadores
precisam saber lidar com a variação linguística que se faz presente
em sala de aula, devendo procurar subsídios na Linguística Histórica,
a fim de entender as razões dos falares distintos. Vendo os
metaplasmos como transformações fonéticas, inconscientes,
graduais e constantes, portanto como fenômeno comum a toda
língua falada, neste trabalho buscou-se analisar formas variantes no
português brasileiro, disseminadas entre falantes nativos,
analisando-as sob critérios científicos já determinados, de forma
que se extrapolou a consideração de aspectos apenas socioculturais
para explicar tais alterações, necessitando-se do suporte da
Linguística Histórica. Com apoio em diversos teóricos, dentre os
quais Mattoso Câmara Jr., Tarallo, Perini e Poza, este trabalho
ateve-se a aspectos fonético-fonológicos da língua para entender
algumas das alterações reiteradas na fala pernambucana. Tentou-se
mostrar que o surgimento dessas formas variantes advém das
possibilidades articulatórias oferecidas pela língua, havendo
regularidade nas oscilações apresentadas. Dessa forma, o
aparecimento de formas diferenciadas faz parte da própria natureza
da língua, cujo sistema se adapta a novas ocorrências internas e
permite que as alterações se concretizem. Esse conhecimento
permite entender a variação linguística como propiciada pela
230
natureza interna do sistema da língua, esclarecendo, de forma
adequada, a ocorrência desse fenômeno como natural à
comunidade falante necessitando, portanto, não de um olhar
preconceituoso, mas de uma análise quanto à sua maior ou menor
adequação ao nível da linguagem que se quer usar, em consonância
com a intencionalidade dos sujeitos sociais que dela fazem uso.
Palavras-chaves: Variação
Linguística Histórica
Linguística,
Fonética,
Fonologia,
A APRENDIZAGEM DA ESCRITA EM CONTEXTOS DIGITAIS: alguns
limites e muitas possibilidades
Autores Fernanda Maria Almeida dos Santos 1,2
Instituição 1 UFRB - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
(Av. Nestor de Melo Pita, 535 - Centro, Amargosa/BA CEP: 45.300-000), 2 UFBA - Universidade Federal da Bahia
(Av. Barão de Jeremoabo, 147 - Ondina - Salvador/BA CEP: 40170-290)
Resumo
O surgimento e constante ampliação do uso das tecnologias digitais
na sociedade hodierna, devido – especialmente – à popularização e
facilidade de acesso aos microcomputadores, propiciaram
significativos avanços na vida e nas relações humanas, bem como
nos modos de apropriação do conhecimento. A inclusão no mundo
digital oportuniza ao sujeito experimentações, desafios e novas
possibilidades de utilização da língua, podendo favorecer o processo
de desenvolvimento da leitura e escrita ao possibilitar, por meio das
ferramentas de comunicação mediadas pelo computador, uma
multiplicidade de dinâmicas linguístico-discursivas que propiciam
aos seus usuários introduzirem-se, espontaneamente, na língua que
estão usando para se comunicar e ressignificar sua escrita, fazendo
um uso social da linguagem em diferentes contextos de produção e
interpretação de sentidos. Seguindo essa ótica, o presente trabalho
propõe uma discussão sobre o processo de aquisição da linguagem
231
escrita em contextos digitais, enfatizando alguns aspectos que
podem limitar a aprendizagem e destacando as múltiplas
possibilidades de apropriação da escrita por intermédio do
computador. Para tanto, utiliza-se uma metodologia de investigação
explicativa, com método de abordagem qualitativo. O referencial
teórico do trabalho concilia a teoria enunciativo-discursiva de
Bakhtin e a teoria sociointeracionista de Vygotsky com os
estudos/análises de Araújo, Coscarelli, Freire, Kato, Marcuschi,
Ribeiro, Soares e Xavier, entre outros, sobre leitura, escrita e
letramento digital. Inicialmente, apresenta-se uma discussão acerca
do processo de aquisição da linguagem escrita, analisando-se as
condições básicas para o desenvolvimento desse processo e
apresentando-se as principais fases de aprendizagem. Em seguida,
expõe-se de que modo o computador pode ser um importante
aliado no processo de aprendizagem da escrita pela criança,
ressaltando-se alguns desafios e as múltiplas possibilidades para o
uso desse recurso no campo educacional, especialmente, através do
trabalho com os gêneros de textos digitais em sala de aula. E, por
fim, analisam-se as implicações das tecnologias digitais na aquisição
do português escrito. Argumenta-se, através da análise realizada,
que o uso das tecnologias digitais favorece o processo de
letramento, pois possibilita o uso social e concreto da escrita. E se,
por um lado, a especificidade linguística presente em textos virtuais
influencia a escrita empregada por crianças em gêneros de textos
não-digitais; por outro lado, a convivência com os gêneros de textos
digitais favorece as práticas comunicativas e interacionais, bem
como o uso social da leitura e escrita, possibilitando a ampliação
dessas habilidades pela criança. Assim, verifica-se que os recursos
digitais podem operar como importante instrumento pedagógico no
processo de aprendizagem da escrita.
Palavras-chaves: Aprendizagem da Escrita, Limites, Possibilidades,
Tecnologias Digitais
232
AUTORIA NAS PRODUÇÕES DA OLIMPÍADA
PORTUGUESA: Uma Análise Enunciativo-Discursiva
DA
LÍNGUA
Autores Leila Figueiredo de Barros 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (AV.
Fernando Correa)
Resumo
Este trabalho tem como propósito apresentar, parcialmente,
resultado de nossa pesquisa de Mestrado, que investigou a autoria
nas crônicas produzidas por alunos participantes do projeto
Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro (OLPEF).
Sabemos que a crônica é, muitas vezes, tratada no espaço escolar
de forma simplificada e fragmentada, com o objetivo apenas de
formar o leitor. Além disso, o baixo número de materiais didáticos
voltados para o ensino-aprendizagem da produção escrita da
crônica e, por ser reconhecida como um gênero que carrega estilos
e formas variadas com um potencial imenso de reflexões, nos fez
escolhê-la para ser objeto de investigação. Dessa forma,
consideramos pertinente analisar como o material da Olímpiada de
Língua Portuguesa encaminha o projeto de ensino para a crônica,
uma vez que estudar um gênero de natureza social híbrida e ver
como ele permite versar sobre aspectos sociais altamente
complexos a partir do olhar singular do cotidiano, é relevante para
as práticas escolares. Por essa razão, o enfoque em produções de
crônicas de alunos em contexto escolar pode nos permitir entender
a interferência das práticas pedagógicas na formação do alunoautor. À luz da teoria enunciativo-discursiva, buscamos
compreender a discursividade nas crônicas para que pudéssemos
observar de que forma os alunos constituíram-se como autores. Na
perspectiva bakhtiniana, ser autor é ultrapassar limites, apresentar
de forma contextualizada seu querer dizer, em que há um
movimento dialógico, pois este constitui a arquitetônica do projeto
discursivo de quaisquer enunciados, pois nossos discursos estão
sempre ligados a outros discursos, já que estamos sempre num
contínuo processo de diálogos com outros. Na análise dos dados,
233
mostramos que a relação dialógica entre o autor, o objeto do
discurso e seu interlocutor é preponderante para os alunos alçarem
como autores de seus enunciados, pois é fundamental guiar-se por
um viés dialógico. Por isso, entendemos que os gêneros não devem
ser vistos como modelos prontos, mas como formas flexíveis, em
que se podem focalizar diferentes aspectos para permitir que o
aluno seja autor de seu dizer.
Palavras-chaves: Crônica, Dialogismo, Autoria
SUJEITO E LINGUAGEM NA SÍNDROME DO X-FRÁGIL: criando
contradispositivos
Autores Michelli Alessandra Silva 1
Instituição 1 UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas (Rua
Sérgio Buarque de Holanda, no 571 )
Resumo
Neste trabalho, é apresentada uma reflexão sobre o discurso
científico veiculado em diferentes publicações (artigos científicos,
textos em sites de associações e entidades relacionadas à patologia,
bem como textos publicados em sites de eventos e conferências)
sobre a Síndrome do X-Frágil (SXF). Com base em algumas obras de
Foucault, analisa-se como essa patologia é descrita pela área
médica, especialmente em relação ao desenvolvimento da
linguagem, quais efeitos de poder/saber são produzidos por esse
discurso e suas implicações. Tendo isso vista, acompanha-se o
processo de aquisição e uso da fala, leitura e escrita de três sujeitos
portadores da síndrome - PM (12 anos), AS (15 anos) e RC (19 anos)
- em sessões semanais individuais (1h de duração). PM e AS
também são acompanhados em sessões semanais em grupo (2h de
duração),
no
Laboratório
de
Neurolinguística
(LABONE/IEL/UNICAMP). Ambos fazem parte do Centro de
Convivência de Linguagens (CCazinho), grupo que tem como
proposta acompanhar e compreender o processo de entrada no
mundo da leitura e da escrita de crianças e jovens que receberam
234
um diagnóstico (dificuldades de aprendizagem, dislexia, problemas
no processamento auditivo, deficiência mental), que produz efeitos
negativos em sua escolarização e em sua vida. A metodologia
adotada é de natureza heurística e tem por fundamento o conceito
de <i>dado-achado<i>, formulado por Coudry (1996). Assumem-se
também neste estudo os pressupostos teóricos formulados pela
<i>Neurolinguística Discursiva<i> (ND), que se fundamenta na
variação funcional do cérebro determinada pela contextualização
histórica dos processos linguístico-cognitivos (VYGOTSKY, 1987;
1997; 1998; LURIA, 1981), se diferenciam radicalmente de uma
visão de funcionamento cerebral médio e padrão para todos os
falantes de uma língua natural. Na ND, são especialmente
articulados a hipótese da historicidade e indeterminação da
linguagem e os conceitos de trabalho e força criadora, formulados
por Franchi (1992). Benveniste (1972) e Jakobson (1972; 1975) são
autores-âncora em relação aos conceitos de (inter)subjetividade e
dos níveis de funcionamento da linguagem. Luria (1981) e Freud
(1891) são incorporados por sua aproximação no que diz respeito ao
funcionamento dinâmico e integrado de cérebro/mente, em que a
linguagem está representada em todo o cérebro e não localizada
em suas partes/centros. Também destacam-se os conceitos de
<i>dispositivo<i> de Foucault (1994) e <i>contradispositivos<i> de
Agamben (2009). Partindo desses pressupostos, busca-se identificar
as dificuldades linguísticas desses sujeitos de forma a apontar aquilo
que pode ser patológico, o que faz parte do processo normal de
aquisição e uso da fala/leitura/escrita e o que pode estar
relacionado a outros fatores. Algumas análises são apresentadas de
forma a contrapor os dados observados com o discurso
determinístico da área médica. Ressalta-se a importância de olhar o
sujeito para além da patologia, focalizando sua relação com a
linguagem em sua história de vida e sua relação com o mundo e o
tempo em que vive; uma forma de enfrentar os dispositivos que
determinam o que é e o que não é doença. Uma forma de enxergar
possibilidades para além dos déficits e transtornos estabelecidos de
antemão, para que as condutas terapêuticas e escolares não
mantenham esses sujeitos no lugar do não sentido, no lugar da
impossibilidade de aprender.
235
Palavras-chaves: fala/leitura/escrita, Síndrome do X-Frágil,
Neurolinguística Discursiva, dispositivos, contradispositivos
A LEITURA COMO OBJETO DE APRENDIZAGEM NAS SÉRIES INICIAIS
Autores Osvaldo Pereira de Souza Souza 1
Instituição 1 CEF 405 - Centro de Ensino Fundamental 405 (Área
especial Qd. 405 - recanto das Emas - DF)
Resumo
Este artigo tem como objetivo de apresentar uma estratégia
didático-pedagógica como proposta de ensino e aprendizagem de
leitura para as séries iniciais. Em particular, para professores que
atuam com alunos do 3º ano do ensino fundamental. Conquanto,
levaremos em conta algumas questões relevantes que acreditamos
poder contribuir para um entendimento do significado do que vem
a ser o ato de leitura no contexto escolar. E ainda, caracterizar a
leitura como um ato ativo-reflexivo para a formação leitora de
alunos nas séries iniciais, não apenas como um objeto de ensino,
mas como um instrumento de mediação para a busca de sentidos
com fins significativos para a formação de leitores críticos,
possibilitando aos alunos construir novos conhecimentos. Nesse
sentido, procuraremos desenvolver uma prática de ensino e
aprendizagem da leitura como momentos de ação e reflexão
durante as ações pedagógicas, em sala de aula, de professores que
estejam atuando com alunos em processo de iniciação da leitura.
Para tanto, sugerimos uma proposta de trabalho que contemple a
aprendizagem da leitura num processo didático-pedagógico que
priorize a mediação tutorial do professor como agente facilitador
durante suas práticas pedagógicas com o uso dos textos para a
formação de alunos leitores no contexto escolar das escolas
públicas do Distrito Federal. Para elaboração da proposta, como
prática de ensino e aprendizagem da leitura para a construção de
sentidos e a formação de leitores críticos, recorreremos a algumas
concepções de formação leitoras que considerem as concepções de
ensino dos seguintes autores: Bortoni-Ricardo (2010); Ferreiro
236
(1987); Koch (2001); PCNs-LP (1997); Pérez (2001); Vigotski (2005),
dentre outros. E assim, acreditamos que este material possa
contribuir para o processo de formação continuada de professores
que concebam o texto como objeto de ensino e aprendizagem nos
primórdios de suas práticas de ensino para a formação de alunos
capazes de interagirem com o texto para a formação de conceitos.
Visando assim, uma mudança de comportamento dos alunos no seu
contexto social e entre seus interactantes no processo de
comunicação.
Palavras-chaves: Formação Continuada, Leitura, Mediação Tutorial
A MEDICALIZAÇÃO DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA ESCRITA:
análise de dados de sujeitos diagnosticados de Dislexia
Autores Laura Maria Mingotti Muller 1
Instituição 1 Unicamp - Universidade Estadual de Campinas (Campus
Universitario Zeferino Vaz SN - Cidade Universitaria,
Campinas)
Resumo
Patologias relacionadas ao processo de aquisição da escrita têm
cada vez mais tido repercussão social, o que pode ser visto pelo
aumento expressivo de crianças e jovens diagnosticados e pela
crescente circulação de informações sobre essas patologias. A
pesquisa de Mestrado em andamento “Crianças e jovens
diagnosticados de Dislexia: o que seus dados de escrita revelam?”
apoiada pela Fapesp, propõe o enfrentamento desse excesso de
patologização, principalmente pelo diagnóstico de Dislexia
Específica de Desenvolvimento. Para isso são discutidos os casos de
cinco sujeitos diagnosticados que estão ou estiveram em
acompanhamento longitudinal comigo sob a supervisão da Profa
Dra Maria Irma Hadler Coudry, no Centro de Convivência de
Linguagens (CCazinho) situado no Instituto de Estudos da
Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. A discussão
desses casos e a análise de seus dados buscam: (i) investigar e
237
explicar linguisticamente as marcas apresentadas nos dados de
escrita que haviam sido interpretadas como sintomas de uma
(suposta) patologia, como a literatura sobre Dislexia descreve – tais
como as substituições, inversões, omissões e junções de letras, a
segmentação não convencional, a escrita em espelho, a adição de
letras ou sílabas e a confusão de letras foneticamente semelhantes
– as reinterpretando como hipóteses naturais do processo de
aquisição da escrita; (ii) investigar as razões que levaram esses
diagnósticos a serem valorizados pela sociedade, pela escola e pela
família, bem como o modo como eles têm dificultado o processo de
aquisição da escrita desses sujeitos. Esta discussão se insere no
quadro teórico e metodológico da Neurolinguística Discursiva
desenvolvida no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da
Universidade Estadual de Campinas, que, desde a década de 80
(COUDRY, 1988), vem integrando – para estudar patologias e
supostas patologias - um conjunto de autores que comungam uma
concepção de linguagem, de sujeito e de cérebro/mente
sóciocultural. Fundamenta-se em quatro pilares: uma concepção de
linguagem abrangente e uma concepção de sujeito histórico,
constituído na e pela linguagem; uma concepção histórica e
funcional de cérebro e, por fim, uma metodologia heurística
ancorada no conceito de dado-achado, proposta por Coudry (1996).
A utilização desse aporte teórico tem possibilitado à pesquisa um
olhar técnico diferente relativo ao processo de aquisição e uso da
escrita daquele comumente utilizado por áreas como a Psicologia, a
Psicopedagogia, a Fonoaudiologia e principalmente a Medicina. Tais
áreas tendem a desconsiderar fatores históricos, sociais e
intersubjetivos e privilegiam a linguagem como consequência do
processo de maturação orgânica. Essa possibilidade tem permitido
que se discuta o que é da ordem do normal e do patológico em
relação às dificuldades enfrentadas pelo sujeitos em sua entrada no
mundo das letras; e dá visibilidade a dispositivos que transformam
problemas sociais, enfrentados principalmente pela escola e pela
família em problemas individuais inerentes ao sujeito. Referências:
COUDRY, Maria Irma. Diário de Narciso: discurso e afasia. São Paulo:
Martins Fontes, 1988. ________, Maria Irma O que é dado em
Neurolingüística? In: CASTRO, Maria Fausta (org.) O método e o
dado no estudo da linguagem. Campinas: Unicamp, 1996.
238
Palavras-chaves: neurolinguística discursiva, processo de aquisição
da escrita, dislexia, segmento longitudinal.
ALGUMAS REFLEXÕES ESTÉTICAS BAKHTINIANAS NA OBRA
ARTÍSTICA EL POZO
Autores Leni Dias de Sousa Erdei 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa da Costa, 2367 - Bairro Boa Esperança,
Cuiabá - MT)
Resumo
Nossa proposta no presente trabalho consiste em analisar a
arquitetônica da visão estética, por meio do gênero discursivo
poema <i>El Pozo<i>, da obra literária <i>Los Versos del Capitán<i>,
escrito pelo poeta chileno Pablo Neruda. Nesta análise nos
distanciamos dos conhecimentos da teoria literária, pois tais
conhecimentos mesmo sendo importantes, aqui, ocupam um
espaço secundário, já que não encerram em si os significados da
totalidade de um texto, se não estiverem em correlação com a
forma conteudística. Assim, refletiremos a partir do pensamento
teórico de Mikhail Bakhtin e seu Círculo, em busca de uma efetiva
construção dos sentidos em <i>El Pozo<i>. Nessa perspectiva, nossa
observação, inicialmente, recai sobre a afirmação bakhtiniana de
que a arte surge no interior da vida humana e se encontra
entrelaçada a ela. Dessa forma, conforme o pensador russo,
devemos apenas lhe atribuir um valor que tanto pode ser negativo,
como positivo. Nosso objetivo foi emprestar categorias bakhtinianas
e aplicá-las ao texto de Neruda, para compreendermos, por meio da
linguagem conquistada pelo autor-criador o que, seguramente,
conforme o pensamento de Bakhtin e seu Círculo, não poderia ser
visto através das formas gramaticais unicamente. Neste contexto, a
partir dos conceitos de Bakhtin, como por exemplo, <i>estética
material, estética geral filosófica, arquitetônica, autor-criador,
239
autor-artista, centro de valor, exotopia, dialogismo<i>, entre outros,
desenvolvemos nossa análise. Para isso, realizamos pesquisa
bibliográfica a partir dos seguintes textos do filósofo russo: <i>Para
uma filosofia do ato responsável, O autor e o personagem na
atividade estética, O problema do Conteúdo, do Material e da
Forma na Criação Literária<i> e outros. Este estudo faz parte do
Projeto de Pesquisa “A didatização do Gênero discursivo poema a
partir da teoria enunciativo-discursiva de Bakhtin”, orientado pela
Profª. Drª. Simone de Jesus Padilha, inscrito na linha de pesquisa
Práticas textuais e discursivas: múltiplas abordagens, do Programa
de Pós-graduação em Estudos de Linguagem – MeeL, da
Universidade Federal de Mato Grosso.
Palavras-chaves: poema, Estética Geral Filosófica, Bakhtin.
MODOS DE ARGUMENTAÇÃO DO DISCURSO EM CARTAS DE
LEITORES DO SÉCULO XIX
Autores Maria Joyce Paiva Medeiros 1,1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Resumo
Este trabalho tem como objetivo verificar como acontece o
movimento argumentativo em cartas de leitores do século XIX,
publicadas em jornais do Estado do Rio Grande do Norte,
integrantes do corpus compartilhado do Projeto Nacional PHPB
(Para uma História do Português Brasileiro), um projeto de âmbito
nacional que conta com um grupo de onze Estados, o qual o RN
integra através da equipe da UFRN. As cartas, foram escolhidas a
partir de análises de periódicos norteriograndenses: O Brado
Conservador e A República e compunham-se principalmente de
reclamações particulares ou coletivas, pedidos de ajuda para
resolução de problemas ou relatos de episódios particulares em
busca de soluções. Esse gênero discursivo é um tipo de
correspondência de caráter público que aborda os mais variados
assuntos e revelaram no século anteriormente citado, as práticas
240
sociais, usos linguísticos e estágios de desenvolvimento social em
relação à língua escrita. As cartas do leitor analisadas possuíam
propósitos comunicativos variados. Em seu conteúdo constavam
protestos coletivos, solicitação de ajuda para sanar questões
corriqueiras ou relatos de episódios particulares em busca de
soluções. No corpus aqui em destaque, observamos como aparecem
as estratégias, técnicas e recursos argumentativos. Mapeamos
também se o autor utilizou das condições de argumentação
semelhantes às apresentadas por Savioli; Fiorin (2006); Abreu
(2000), para convencer seus interlocutores. Em nosso estudo,
pretendemos mostrar que, nesse processo, o produtor da carta
organizou a lógica argumentativa e empregou aspectos similares
aos da teoria de Charaudeau (2009), cujos pressupostos consideram
três elementos básicos: a asserção de partida, passagem e de
chegada. Ao finalizar o estudo, concluímos que a carta do leitor
analisada, além do propósito de transmitir o resultado de uma
eleição, possui forte poder argumentativo e se converte em
instrumento de vigilância para que o eleitor não incorra em erros
nos futuros pleitos.
Palavras-chaves: escrita, gênero carta, lógica argumentativa,
política.
241
ANÁLISE DE UMA PROPOSTA DE ATIVIDADE EM MATERIAIS DE
FORMAÇÃO CONTINUADA NA PERSPECTIVA DOS GÊNEROS DO
DISCURSO
Autores Ely Alves Miguel 1, Maria Rosa Petroni 2
Instituição 1 Cefapro - Centro de Formação e Atualização dos
Profissionais da EB (Rua Ronaldo Gomes, s/n - Jardim
Boa Vista - Juara/MT), 2 UFMT/MeEL - Universidade
Federal de MT-Mestrado em Estudos de Linguagem (Av.
Fernando Corrêa, nº 2367 - Bairro Boa Esperança Cuiabá - MT )
Resumo
O ensino de Língua Portuguesa, no Brasil, modificou-se
consideravelmente ao longo dos anos, acompanhando as
transformações econômicas, políticas e culturais do país. No século
XVIII, vamos encontrar uma educação destinada à elite, com o
ensino centrado na leitura de textos literários e no estudo das
normas da língua, neste último caso, privilegiando as regras de
funcionamento da norma culta, dominada por aqueles que
frequentavam a escola. Esta prática focava o (re)conhecimento das
estruturas gramaticais, pois se acreditava que, para falar e escrever
corretamente, bastava dominar as estruturas linguísticas da língua
portuguesa. Nos anos de 1980 e início de 1990, pesquisas de
diversas áreas, como Linguística, Sociolinguística, Psicolinguística,
Neurolinguística, derrubam dogmas de que alunos de camadas
populares não aprendiam porque não tinham capacidade cognitiva
para tal. As descobertas científicas trazem para a Academia (e para
a educação linguística) o perfil do alunado que ocupa os assentos
escolares nesse momento histórico: pessoas oriundas das camadas
populares, detentoras de variedades linguísticas diversas da norma
culta, objeto de estudo da Língua Portuguesa até então. Com isso,
novas necessidades são colocadas para a escola, tais como respeitar
a linguagem e as condições socioeconômicas dos alunos,
relacionando-as às práticas pedagógicas. Essa situação impôs a
necessidade de tomar o texto, considerado como espaço de
242
interlocução no qual os interlocutores têm ações coordenadas e
agem com finalidades específicas, como objeto de ensino, excluindo
as relações estanques, próprias de orações dissociadas de uma
situação comunicativa. A concepção sociointeracionista começa a
fazer parte da esfera acadêmica e escolar, influenciando
consideravelmente o teor dos documentos oficiais da década de
1990, dentre eles, os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua
Portuguesa (BRASIL, 1997, 1998), conforme mencionado. No
conjunto dessas mudanças, foi preciso dotar o professor de
conhecimentos específicos sobre o processo de ensinoaprendizagem desse novo objeto, o texto. Vários cursos de
formação continuada foram ofertados aos docentes, assim como
foram produzidos diversos materiais para auxiliá-los nesse processo.
Neste artigo, analisamos uma atividade do item “Avançando na
Prática (AP), contido no Caderno de Teoria e Prática – TP3 – do
Programa Gestão da Aprendizagem Escolar – GESTAR II – de Língua
Portuguesa, destinado a professores em atuação nos anos finais do
Ensino Fundamental. Para isso, utilizamos Bakhtin (1979 [1929];
2003 [1952-53]), pelo viés enunciativo-discursivo da linguagem,
como teórico de base das reflexões delineadas. Os resultados da
análise evidenciam que, embora haja esforço do material em
abordar os gêneros, resguardando sua discursividade, ainda
predomina um tratamento estrutural. No caso da atividade
analisada, faltam subsídios teóricos e metodológicos para que o
professor tenha referenciais suficientes para tratar o gênero canção,
inclusive a partir das diferentes condições de produção. Neste caso,
para assegurar a autonomia desse profissional no processo de
ensino dos pressupostos em questão – gêneros discursivos; é
preciso garantir embasamento teórico-conceitual integrado às
estratégias, com reflexões sobre os aspectos elencados.
Palavras-chaves: Gêneros Discursivos, GESTAR II de Língua
Portuguesa, TP3
243
RESUMOS DOS PÔSTERES
ÁREA TEMÁTICA 3- SINTAXE
A REALIZAÇÃO DO SUJEITO PRONOMINAL EM CARTAS DE
LEITORES E ANÚNCIOS DOS SÉCULOS XIX E XX
Autores Aryonne da Silva Morais 1 , Marco Antonio Martins
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Natal, RN)
Resumo
Neste trabalho, versaremos sobre a (não) realização do sujeito
pronominal no Português Brasileiro (PB), tendo em vista cartas de
leitores e anúncios publicados em jornais do Rio Grande do Norte
nos séculos XIX e XX. As cartas de leitores e os anúncios compõem
parte do córpus mínimo impresso do Projeto História do Português
Brasileiro no Rio Grande do Norte (PHPB-RN), que integra o Projeto
nacional para a História do Português Brasileiro (PHPB). Mais
especificamente, teremos por objetivo: (i) apresentar uma descrição
da variação entre sujeito nulo e sujeito pronominal preenchido nas
cartas e nos anúncios e (ii) diagnosticar quais os contextos que
favorecem o preenchimento (e o não preenchimento) do sujeito
pronominal. Para realizarmos este trabalho, adotamos como
referencial teórico os pressupostos da teoria da variação e mudança
linguística (Weinreich, Labov e Herzog (2006[1968], Tarallo (2007)),
assim como os estudos realizados por Duarte (1993, 1995).
Analisando peças de teatro dos séculos XIX e XX, Duarte (1993)
aponta como principal causa para o processo de variação e
mudança envolvendo o preenchimento do sujeito na gramática do
PB, o fato de o paradigma verbal dessa língua ter reduzido o seu
número de flexões. A autora afirma que o paradigma verbal do PB
evoluiu de um sistema com seis formas distintivas para um sistema
com apenas três, em que temos a coocorrência dos pronomes TU e
VOCÊ para designar a segunda pessoa do singular, a coocorrência
244
dos pronomes NÓS e A GENTE para designar a primeira pessoa do
plural e a substituição do pronome VÓS pelo VOCÊS, para designar a
segunda pessoa do plural. Os resultados dos estudos realizados por
Duarte apontam que o PB perdeu a propriedade pro-drop, ou seja,
perdeu a propriedade de língua que permite o sujeito nulo.
Considerando uma análise preliminar de dados coletados da escrita
norte-rio-grandense, buscaremos observar se houve uma redução
no número de ocorrências de sujeitos nulos no PB, e se essa
alteração passa a ser mais significativa a partir de meados do século
XX.
Palavras-chave: Realização do sujeito pronominal; anúncios; cartas
de leitores; variação/mudança.
EXPRESSÃO DE POSSE DOS NOMES EM PARKATÊJÊ
Autores Rafaela Viana Maciel 1
Instituição 1 UFPA - Universidade Federal do Pará (Rua Augusto
Corrêa, nº 01 - Guamá)
Resumo
As línguas indígenas brasileiras constituem um patrimônio imaterial
importantíssimo dentro do nosso país. Elas são, assim como as
demais línguas do mundo, ricas fonética, fonológica, semântica,
morfológica e sintaticamente, e, do mesmo modo, apresentam
especificidades que as tornam únicas dentro do cenário linguístico.
Umas dessas especificidades é a relação de posse expressa pela
classe de nomes, a qual se constitui como uma das principais
características desta classe em línguas Jê. Pertencente a esta família
linguística está a língua Parkatêjê, junto com as línguas Canela –
Ramkokamekrá e apãniekrá -, Krahô e Pykobjê (Gavião do
Maranhão), Krikati e Krenjê, as quais formam o grupo Timbira.
Segundo Miranda (2010) “ainda que essas línguas sejam
mutuamente inteligíveis os seus respectivos falantes as consideram
como línguas distintas”. A língua Parkatêjê, falada pelo povo
conhecido pelo mesmo nome, e pertence à família linguística Jê
(Rodrigues, 1999) é que será focalizada neste trabalho. Os indígenas
Parkatêjê vivem em aldeias localizadas no município de Bom Jesus
245
do Tocantins, próximo a Marabá, no sudeste do Estado do Pará. Em
línguas como o Parkatêjê a categoria de posse dos nomes é muito
recorrente, pois a grande maioria dos nomes nesta língua exprime
conceitos relacionados a elementos e fenômenos naturais, animais
e plantas, nomes de pessoas (nomes não-possuíveis), objetos da
cultura material (nomes alienavelmente possuídos), e relações
pessoais (nomes inalienavelmente possuíveis), estes conceitos são
estáveis no tempo. Em Parkatêjê os nomes apresentam marcas
morfossintáticas e semânticas por meio das quais é possível
distinguir os não-possuíveis, os alienavelmente possuídos e os
inalienavelmente possuídos entre si. O objetivo deste trabalho é
apresentar, com base na tese de Ferreira (2003), a descrição da
categoria de posse dos nomes em Parkatêjê, ressaltar as marcas
morfossintáticas presentes em cada sub-classe: (a) nomes não
possuíveis, (b) nomes alienavelmente possuídos e (c) nomes
inalienavelmente possuídos, e, assim, contribuir para os estudos
linguístico-descritivo na área indígena.
Palavras-chaves: Expressão de posse, Morfossintaxe, Nome,
Parkatêjê
ÁREA TEMÁTICA 4- SEMÂNTICA
ADOTADO E ADOTANTE: nomes que fazem história
Autores Elisandra Benedita Szubris 1
Instituição 1 UNEMAT - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO
GROSSO (AVENIDA TANCREDO NEVES, N. 1095,
CAVALHADA, CÁCERES-MT)
Resumo
Segundo Guimarães (1992), não há como falar da história de um
nome, sem que se fale da História em que o nome se dá como
nome. Se tomarmos o processo de (re)nomeação de crianças
adotadas no Brasil, veremos que esse processo movimenta o
presente, acionando uma memória, ou seja, o nome é determinado
pelos lugares de significação na história desse nome. Isso supõe que
a nomeação é produzida pelo cruzamento de discursos vindos de
diferentes lugares: da família, da religião, da natureza, da paixão por
alguma personalidade famosa, onde o adotado deverá se instalar e
246
fundar uma história. Nesta reflexão, propomos analisar o processo
de nomeação de uma criança adotada, observando como, ao
(re)nomear o adotado, se haverá uma mudança nas posições
enunciativas, construindo novas relações do sujeito que nomeia e é
nomeado. Se o processo de nomeação, na relação pais/filhos, tem
uma determinação que não é evidente, mas que funciona
produzindo sentidos para o nome ‘escolhido’, estudar como esse
processo se dá na adoção de uma criança é uma forma de
compreender como ocorre a substituição legalmente constituída de
um nome pelo novo nome dado pelo adotante. Nesse processo de
substituição do primeiro nome percebe-se o ‘apagamento’ da
origem do nome e muitas vezes da própria nacionalidade da
criança, processo que decorre de dupla separação: a primeira,
quando os pais biológicos registram o nome do filho no cartório,
que a partir desse ato assume uma identidade social e uma
personalidade jurídica; a segunda, quando o primeiro nome é
substituído pelo adotante, a criança reassume uma nova identidade
social e jurídica. Juridicamente, a adoção é tratada pela primeira vez
no Brasil, em 1916, no Código Civil Brasileiro, com o objetivo de
facilitar a adoção. Para a análise, vamos utilizar como <i>corpus</i>
os seguintes documentos: Lei n° 12.010, de 03 de agosto de 2009,
Lei 8.0 69, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente-ECA), o Código Civil Brasileiro, que constituem a base
da legislação vigente. Existem muitos casos de pessoas que acolhem
crianças abandonadas, mas apesar da boa intenção, mal sabem que,
ao adotar essa postura, cometem um crime, previsto no artigo 242
do Código Penal Brasileiro, que designa esse ato como um processo
de adoção ilegal. Portanto, dar um novo nome a um adotado é dar
invisibilidade ao seu passado, é como se através do novo registro
nascesse um novo sujeito e apagasse toda sua relação com o já
vivido. A nomeação é concebida por Guimarães (2002) como
funcionamento semântico pelo qual algo recebe um nome. Ou seja,
o processo enunciativo da nomeação envolve lugares de dizer
diferentes, isto é, uma enunciação que nomeia pode estar
relacionada com enunciações diversas, diz ainda que a análise da
enunciação envolve um fora da situação, a memória do dizer e a
língua. Desse modo, a análise da enunciação não é ver como uma
situação modifica sentidos da língua, mas como o exterior da
247
enunciação constitui sentidos no acontecimento, ou melhor, como a
memória interdiscursiva e a língua significam no presente do
processo incessante da história dos sentidos.
Palavras-chaves: Nomeação, Adoção, Enunciação
ÁREA TEMÁTICA 6- SOCIOLINGUÍSTICA E DIALETOLOGIA
A CONCORDÂNCIA NOMINAL NA NORMA CULTA EM CUIABÁ
Autores Joelson Penha Silva 1
Instituição 1 UNIC - Universidade de Cuiabá (Av. Manoel José de
Arruda n° 3.100 - Bairro: Jardim Europa), 2 IFMT Instituto Federal de Mato Grosso - Campus Bela Vista
(Av. Juliano Costa Marques, s/n, esquina com Avenida
Oatomo Canavarros)
Resumo
Segundo as gramáticas tradicionais, a concordância nominal é
aquela que se verifica em gênero e número entre o adjetivo, o
pronome (adjetivo), o artigo, o numeral ou o particípio (palavras
determinantes) e o substantivo ou pronome (substantivo) a que os
determinantes se referem. Nesse sentido, a concordância de
número no português apresenta uma variação sistemática, exibindo
variantes explícitas e variante zero de plural em elementos verbais e
nominais. Já os estudos descritivos na área de sociolinguística
quantitativa procuram correlacionar variáveis linguísticas (saliência
fônica e posição) e sociais (anos de escolarização, sexo e faixa
etária) para determinar os fatores condicionantes da concordância
nominal. A esse respeito, uma das variantes linguísticas encontradas
no português brasileiro refere-se à alternância entre a presença de
marcas de concordância nominal de número, como em “os estudos
sociolingüísticos”, e a ausência dessas marcas, como em “os estudo
sociolinguístico”. Com base nessas considerações, a presente
pesquisa investiga a concordância nominal de número no discurso
de falantes da norma culta residentes em Cuiabá, capital do estado
de Mato Grosso. Neste estudo, foram analisados os dados
referentes à posição no sintagma nominal do elemento sem marca
248
de concordância, contemplando as categorias de núcleo
(substantivo), adjetivo e determinante. Para tanto, realizaram-se
entrevistas semiestruturadas com trinta falantes, havendo gravação
de suas falas, as quais foram posteriormente transcritas e
analisadas. Os resultados da pesquisa apontam para uma massiva
realização da concordância nominal na fala dos sujeitos
escolarizados, o que ressalta o papel da educação formal diante da
realização da concordância de número em sintagmas nominais.
Além disso, identificou-se uma premência, nos casos de não
concordância, do apagamento do morfema designativo de número
apenas no núcleo do sintagma, e não nos demais elementos. Em
ordem decrescente, pode-se ainda destacar um apagamento
mediano de marcas de plural nos adjetivos e uma não realização do
morfema –s baixa no que tange aos determinantes. Tais resultados
confirmam na fala do cuiabano de nível superior padrões de
realização/não realização de concordância análogos aos verificados
no Rio de Janeiro e em Brasília em pesquisas semelhantes.
Palavras-chaves: concordância nominal, desinência de número,
sociolinguística quantitativa.
UM ESTUDO ACERCA DOS TABUS LINGUÍSTICOS COM DADOS DO
PROJETO ALIB: área semântica do corpo humano
Autores Juliany Fraide Nunes 1
Instituição 1 UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(Cidade Universitária s/n. Caixa Postal 549, CEP. 79070900)
Resumo
A língua é responsável pela interação e comunicação entre os
membros da sociedade. Assim, como patrimônio social e cultural a
língua serve de instrumento para veiculação de ideias, de crenças e
de tradições, por isso evidencia a identidade de grupo, em especial
por meio do nível lexical, à medida que o léxico registra o
conhecimento gerado na sociedade e o falante vale-se dele para
249
nomear os seres e os objetos que estão ao seu redor. Dessa forma,
por meio das escolhas lexicais feitas pelos membros de uma
sociedade, podem-se depreender aspectos relevantes acerca da
história, da cultura e de hábitos de uma determinada região
linguística. O léxico, dado o seu caráter dinâmico, reflete as
transformações ocorridas na sociedade, por isso, se a língua não
dispuser de itens léxicos apropriados para designar um novo
conceito, o falante pode criar novas palavras, com base nas
possibilidades oferecidas pelo sistema. Todavia, para que esses
novos designativos sejam incorporados ao repertório lexical da
língua, é necessário que haja aceitação coletiva, visto que em toda
sociedade há padrões linguísticos estabelecidos que condicionam as
escolhas lexicais possíveis no uso da língua. Este painel analisa
variantes lexicais fornecidas pelos informantes do Projeto ALiB –
Atlas Linguístico do Brasil, de 29 localidades da rede de pontos do
ALiB: 24 pontos da região Centro-Oeste – 03 capitais e 21
localidades do interior – e 05 localidades da região Norte – 03
capitais e 02 localidades do interior, como resposta para a pergunta
102, do QSL – Questionário Semântico-Lexical, área semântica do
corpo humano, que busca apurar designações para o conceito “a
sujeirinha que se tira do nariz com o dedo”. Os dados foram
coletados in loco pela equipe do Projeto ALiB junto a 140
informantes com o seguinte perfil: faixa etária: 18 a 30 anos e 50 a
65 anos; sexo: masculino e feminino; naturalidade: ser oriundo da
localidade pesquisada com pais da mesma região linguística;
escolaridade: até o último ano do Ensino Fundamental e Curso
Superior, nas capitais e Ensino Fundamental nas localidades do
interior. A análise das variantes documentadas está focada na
questão dos tabus linguísticos, itens léxicos que, segundo o
imaginário popular, são evitados por atraírem fluidos maléficos e,
por essa razão, são substituídos por outras unidades lexicais com
carga semântica mais neutra. O trabalho também analisa as
variantes documentadas em termos diatópico e léxico-semântico,
orientando-se, para tanto, por fundamentos teóricos da
Geolinguística e da Lexicologia e pelas definições de tabus
linguísticos apresentadas por Ullmann (1964), Guérios (1979) e
Coseriu (1982).
250
Palavras-chaves: Corpo humano, Léxico, Tabus Linguísticos
DESIGNAÇÕES PARA “EMPANTURRADO” NAS REGIÕES CENTROOESTE E NORTE DO BRASIL: contribuições do Projeto ALIB
Autores Suellen de Souza Becker1
Instituição 1 UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(Cidade universitaria, s/n, 79070-900, caixa postal 549)
Resumo
A língua é um veículo de comunicação entre os homens, pois é por
meio dela que todo indivíduo expressa seus pensamentos, suas
ideologias e crenças. Dentre os níveis da língua, o léxico é o que
melhor evidencia os aspectos culturais de uma comunidade de
falantes, pois o indivíduo dele se apropria para registrar suas
vivências e nomear tudo que o cerca. Os itens lexicais que são
utilizados com regularidade por um grupo de falantes configuram a
norma lexical, conjunto de variantes lexicais que marcam o falar de
determinada comunidade. Nesse sentido, no Brasil, devido à grande
extensão territorial, não há uma norma lexical única atualizada
pelos habitantes de todo o Brasil, pois as diversas regiões brasileiras
possuem características típicas, que motivam o surgimento de
normas lexicais regionais, ou seja, um conjunto de traços que
evidenciam as peculiaridades vocabulares de cada região. Assim, o
uso de determinados itens lexicais por uma comunidade linguística
implica diversas formas de dizer a mesma coisa, no mesmo contexto
e com a mesma carga de veracidade, desencadeando, assim, o
fenômeno da variação linguística, que pode ocorrer em qualquer
nível da língua (fonético, morfossintático, semântico e léxico), sendo
motivado por diferentes fatores extralinguísticos (escolaridade,
espaço geográfico, faixa etária e sexo). O fenômeno da variação é
estudado por diferentes ramos da Linguística, dentre outras, a
Dialetologia que documenta e estuda a variação linguística em
termos de distribuição espacial. Os dados apurados pela
Dialetologia são mapeados pela Geolinguística, por meio de cartas
linguísticas. Este painel discute resultados parciais de estudo de
251
Iniciação Científica em andamento e, para tanto, analisa as variantes
lexicais obtidas como resposta para a pergunta 183 – “quando uma
pessoa acha que comeu demais, ela diz: comi tanto que estou ____”
–, relacionada à área semântica da alimentação e cozinha do QSL Questionário Semântico-Lexical do Projeto ALiB – Atlas Linguístico
do Brasil – documentadas nas regiões Centro-Oeste e Norte. O
estudo
orienta-se
por
princípios
teóricos
da
Dialetologia/Geolinguística, da Lexicologia e da Sociolinguística,
focalizando as dimensões diatópica e léxico-semântica das unidades
lexicais apuradas pelos pesquisadores do Projeto ALiB como
nomeação do conceito expresso pela pergunta 183 do QSL/ALiB e
verificando em que proporção o recorte vocabular em estudo
evidencia características do grupo de falantes e especificidades
histórico-culturais das duas regiões selecionadas para a pesquisa.
Palavras-chave: 1) alimentação; 2) léxico; 3) variação.
Palavras-chaves: alimentação, léxico, variação
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA: Um olhar nas falas dos professores do
Departamento de Letras da UFMT/CUR
Autores Fernanda de Mello Cardoso 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(RODOVIA MT 270 KM 06 ROO GUIRATINGA CEP:
78735910)
Resumo
O tema variação linguística, se não é novo para nós, alunos de
graduação em Letras no primeiro ano de curso, afigura-se
completamente inusitado quando se passa a observar e investigar
as variantes realizadas por nossos professores. É nesse contexto que
surge, durante as aulas de Língua Portuguesa I, ocasião em que era
leitura obrigatória da disciplina o livro “A Língua de Eulália”, de
Marcos Bagno, o objeto do presente trabalho. Partimos do princípio
de que a variação linguística, a qual existe não apenas em função do
falante, mas também em função do ouvinte, como ensina Rodrigues
252
(2002), poderia ser flagrada em uma breve pesquisa com os
professores que ministravam aulas para a turma de 1º ano, da qual
éramos alunas. Assim, nosso objetivo é, tal como roteiro fornecido
com a leitura da obra, investigar quais os fenômenos de variação
linguística realizados por professores do Departamento de Letras da
Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Campus Universitário
de Rondonópolis (CUR), visto que estes são oriundos de diferentes
regiões de nosso país, incluindo um estrangeiro. Tomando como
pressupostos os estudos da Sociolinguística Variacionista,
especialmente com Bagno (1997, 1999, 2002); Bortoni-Ricardo
(2001, 2004) e Labov (1974), realizamos entrevista semiestruturada
de duração aproximada de 10 minutos com os 6 professores que
ministravam aulas no Curso de Letras-Inglês. Os professores,
sujeitos de nossa pesquisa, pertencem à faixa etária compreendida
entre os 30 e os 50, nascidos em Ceará, Bahia, Minas Gerais, São
Paulo e Chile. As entrevistas, realizadas no mês de novembro de
2010, foram transcritas e nos forneceram o objeto de nossa análise.
Apesar da diversidade de regiões de origem dos sujeitos
entrevistados, verificou-se a ausência de R final dos verbos no
infinitivo, a troca das vogais E e O nos monossílabos e a redução de
E e O pretônicos como predominantes nas falas dos professores.
Palavras-chaves: sociolinguística, variação linguística, análise da
conversação
ÁREA TEMÁTICA 7- ANÁLISE DO DISCURSO
MAFALDA: muito mais do que uma garotinha de seis anos
Autores Fernanda Patricio Mariano 1,1,1,1
Instituição 1 UFBA - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (Av. Ademar
Barros, 59 - Ondina Salvador - BA, 40170-110)
Resumo
O presente pôster apresenta considerações sobre a relação que é
estabelecida entre discurso, ideologia e sujeito. Para Brandão
253
(1998), o discurso "é o espaço em que saber e poder se unem, se
articulam, pois quem fala, fala de algum lugar, a partir de um direito
que lhe é reconhecido socialmente". O discurso permite que a
ideologia se manifeste, isto é, faz com que a língua se concretize.Na
perspectiva da Análise do Discurso de Linha Francesa, o sujeito é
ideológico e assujeitado interpelado pela ideologia e marcado por
ela. Para esta corrente, a língua estabelece relação com as
condições de produção na qual está inserida. A Análise do discurso
emerge na França, devido à tradição escolar no estudo de diversos
textos literários influenciados por autores brasileiros e também
fatores sociais, políticos e econômicos repercutiram no surgimento
dessa ciência como o movimento estudantil de 68 em que diversos
universitários sairam às ruas, protestando e pedindo melhores
condições nas universidades.Ela aparece da construção teórica
iniciada na década de 1960, na França com influência do tripé:
marxismo, psicanálise e linguística.Ao eleger o discurso como
objeto, procura-se compreender a língua e como ocorre o sentido
ou não.Tal ciência tem como unidade o texto e ADLF tem como
principal objetivo em depreender o texto em sua discursividade e de
que maneira se constitui o discurso e como este pode ser
compreendido em função dessa formações discursivas que se
constituem em função da formação ideológica que as
determina.(ORLANDI,p.16).O Discurso é conceituado como a
materialização da língua.Daí foram estudadas e analisadas 10
tirinhas da obra <i> Toda Mafalda do autor Quino</i> Quino. A
personagem Mafalda, das histórias em quadrinhos dos anos 60, é
uma garotinha pequena que se comporta de modo bastante
peculiar. Apesar de ter apenas seis anos, questiona o mundo ao seu
redor, a sociedade que vivencia e, principalmente, o capitalismo.
Desse modo, pretende-se depreender que tais tirinhas são
transmissoras de diversas ideologias e ao mesmo tempo refletir
sobre as diversas possibilidades de compreensão das condições de
produção dos discursos que foram analisadas.
Palavras-chaves: Mafalda, discurso, Ideologia , ideologia, condições
de produção
254
ENUNCIADOS DE CURTA EXTENSÃO: aforização, mídia e política
Autores Tamires Cristina Bonani Conti 1, Roberto Leiser Baronas 1
Instituição 1 UFSCar - Universidade Federal de São Carlos (Rodovia
Washington Luís, km 235 - SP-310 São Carlos - São Paulo)
Resumo
Nosso objetivo central neste trabalho é compreender o papel da
máquina midiática nos processos de produção, circulação e de
fabricação das informações políticas sobre as eleições presidenciais
brasileiras 2010. Inicialmente, procuramos definir as características
do “enunciado de curta extensão”, diferenciando-o de outros como
slogans e provérbios; num segundo momento, evidenciamos, por
um lado, as características enunciativas dessas pequenas frases que
visam favorecer ao seu destaque e, por outro, os determinantes
genéricos, linguísticos e semióticos utilizados pelos locutores
midiáticos no destaque desses enunciados e, por último,
descrevemos como esses enunciados são destextualizados de seus
contextos e cotextos originais, procurando compreender como são
submetidos ao regime discursivo da aforização. Neste trabalho de
Iniciação Científica, tomamos como objeto de análise discursiva
pequenos enunciados que, em forma de título de artigos, circularam
na mídia eletrônica brasileira, durante os meses de março a outubro
de 2010, período que compreendeu a campanha eleitoral desse
ano, e que foram atribuídos aos candidatos a presidente do Brasil:
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Tais enunciados foram
dados a circular em pequenos textos quase que diariamente no site
do Universo On Line – UOL, ora na seção Eleições 2010 – Últimas
Notícias ou no Folha On Line. Esses textos possuíam geralmente
uma página e também vários links para outros artigos. Alguns ao
lado das frases traziam fotografias dos candidatos. Eram assinados
ou por diferentes jornalistas ou creditados a uma equipe da editoria
de política do site e todos, rigorosamente traziam o horário em que
foram publicados. De março a setembro construímos um arquivo
documental com 45 textos cuja temática era basicamente ora a
agenda de compromissos de campanha dos candidatos José Serra e
255
Dilma Rousseff ou os fatos políticos brasileiros que à época geraram
maior polêmica. Durante os meses de pesquisa para este trabalho,
analisamos algumas dessas pequenas frases detendo-nos mais
especificamente no processo de destextualização da fala dos
candidatos, realizado pelos jornalistas, e a sua consequente
colocação em relevo, transformando-a em título de manchete.
Procuramos analisar o nosso objeto no “entremisturar” descrição e
interpretação, isto é, até agora fizemos todo um trabalho de
descrição minuciosa da materialidade lingüística e da imagética, que
acompanha as pequenas frases selecionadas e, no mesmo processo,
evidenciamos como essas materialidades trabalham os
acontecimentos políticos dados a circular pela mídia e como esses
acontecimentos discursivos orientam para determinadas
interpretações. Tal procedimento metodológico como assevera
Pêcheux (1983, p. 55): “não se constitui em duas fases sucessivas,
mas de uma alternância, de um batimento, não implicando que a
descrição e a interpretação sejam condenadas a se “entremisturar”
no indiscernível”. Nossos primeiros resultados indicam que a
destextualização das falas dos locutores Dilma e Serra ao serem
submetidas ao regime discursivo da aforização recebem um sentido
completamente diferente daquele que tinham em seu contexto
original de produção. Além disso, tais destaques passam a pautar os
debates políticos em diferentes veículos midiáticos. Esperamos que
o nosso trabalho, por um lado, possa contribuir para uma
compreensão mais refinada do papel da mídia no processo de
fabricação e de interpretação de notícias que dizem a política
brasileira e, por outro, que contribua com o avanço dos estudos
discursivos, sobretudo, no tocante, a possibilidade de se pensar na
constituição de outra ordem enunciativa, que se diferencia tanto da
ordem textual quanto da ordem discursiva. FAPESP
Palavras-chaves: aforização, discurso político, enunciado de curta
extensão, mídia
256
VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO:O que fazer?
Autores Patricia aparecida da silva Silva 1, Ana Luiza Artiaga 1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade Estadual do Estado de Mato
Grosso (av. Tancredo Neves n 1095)
Resumo
Este estudo sobre Violência e educação:O que fazer? Nasce a partir
da vivência no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a
Docência/PIBID/Capes/UNEMAT, em Cáceres-MT. Assim, o objetivo
desta reflexão incide em tomar o discurso sobre a violência, no
ambiente escolar. O corpus constitui-se a partir de recortes de
textos publicizados pela mídia, em que discutiremos a formação
imaginária da sala de aula, a relação professor, aluno e a própria
instituição de ensino. Sabe-se que, temos grandes índices de
violência em âmbito nacional e em âmbito mundial, acontecendo
com grande freqüência no ambiente escolar. De outro lado, como as
políticas de Estado, de segurança se significam, tomam
corporeidade no âmbito escolar? Para tanto, inscrevemo-nos na
linha teórica materialista de Michel Pêcheux, na França,Eni Orlandi
no Brasil e seus seguidores, com intuito de compreender o
funcionamento da língua diante desse acontecimento de linguagem,
na escola na relação dos sujeitos professor x aluno.Com isso os
professores se tornaram alvo de muitas barbáries cometidas por
seus próprios alunos . Nessa relação, podemos tomar com a
linguagem como não transparente, em uma relação significativa
fundamental entre o homem, a natureza e a sociedade na história.
A teoria do discurso visa, pois a compreender o lugar da
interpretação na relação do homem com sua realidade. Em relação
à Posição-Sujeito, em A.D. a posição-sujeito está sempre interpelada
por uma ideologia, assim interessa-nos compreender a posição que
o sujeito professor irá tomar diante dessa problemática que o aflige
e o assusta tanto.Assim a interpretação é um gesto necessário que
liga a língua e a história na produção dos sentidos, situando estes
gestos tanto na dimensão do sujeito como na sociedade com suas
instituições, precisando os diferentes mecanismos interpretativos
257
na relação com as diversas linguagens, nas distintas posições dos
sujeitos. Ao mesmo tempo,em uma proposta inovadora , a ideologia
passa a ser vista não mais como parte do funcionamento da
interpretação.Sendo assim, o gesto de interpretação se dá porque o
espaço simbólico é marcado pela incompletude, pela relação como
silêncio.A interpretação é o vestígio do possível.
Palavras-chaves: sujeito, discurso, violencia, educação, linguagem
O DISCURSO SOBRE A PIRACEMA E A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Autores Maria Martins da Silva Magio 1,1,1,1
Instituição 1 UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso
(Cáceres)
Resumo
Neste trabalho apresentamos uma reflexão sobre os discursos que
envolvem a polêmica que ocorreu no município de Cáceres-MT, no
ano de 2009, sobre a “Prorrogação da Pesca”. Portanto, trata-se de
um estudo cujo objetivo é analisar a posição sujeito e os efeitos de
sentidos do discurso ambiental materializados nas produções
textuais de alunos da Educação de Jovens e Adultos do Ensino
Médio, e dos discursos dos representantes de instituições públicas
ambientais provenientes de textos em circulação na mídia a
respeito da prorrogação da piracema em Cáceres-MT, no ano de
2009. Para tanto, este estudo utiliza como fundamentação teórica a
Análise de Discurso de linha francesa de Michel Pêcheux (1997), e
no Brasil, Eni Orlandi(2000). Nessa perspectiva teórica serão
consideradas as condições de produção do discurso ecológico nas
produções textuais dos alunos e das reportagens que circularam na
mídia sobre a prorrogação da piracema em 2009. Assim, conforme
ORLANDI, que teoriza “... a língua fazendo sentido, enquanto
trabalho simbólico, parte do trabalho social geral, constitutivo do
homem e da sua história” (2000, p. 15). O trabalho de análise será
feito com base em entrevistas de alunos/pescadores e de textos de
258
alunos do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos sobre
recortes de textos jornalísticos que diz sobre a “polêmica” da
prorrogação da piracema. Diante dos recortes, produção textual dos
alunos/ pescadores e reportagens que circularam na mídia no ano
de 2009 que envolvem a questão ambiental, a pesquisa incide sobre
a posição sujeito do aluno/pescador, do discurso jornalístico e do
discurso jurídico e as diferenças ideológicas que cada discurso traz
em sua materialidade linguística acerca da prorrogação da
piracema. Nesse sentido, a presente pesquisa percorrerá pelo viés
da teoria da Análise de Discurso que nos proporcionará analisar,
com vistas a entender a posição sujeito inscrita no discurso do
aluno/pescador, no discurso da mídia e no Poder Judiciário em
defesa ao Meio Ambiente.
Palavras-chaves: Aluno/Pescador, Meio Ambiente, Sujeito
UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS CARTAS DO LEITOR SOB A
PERSPECTIVA DA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA E COMUNICACIONAL
DO DISCURSO (ASDC)
Rafael Souza da Cruz Cruz 1, Cleide Emília Faye Pedrosa
Autores
Pedrosa 1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Av. Sen. Salgado Filho 3000 - Campus Universitário.
Caixa Postal 1666 NATAL - RN)
Resumo
Este trabalho baseia-se no projeto de pesquisa “Carta do leitor e os
erros do editor/jornalista: confronto e minimização de faces” em
andamento na UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do
Norte – (Edital Nº 05/2011 – PROPESQ e REUNI. Código: PIC41432012). Na mídia impressa, a carta do leitor constitui um espaço
importante para a difusão de opiniões, sugestões, reclamações,
entre outras práticas. Pode-se dizer que sua publicação é uma
maneira de aproximar o público leitor do editor, no sentido de
oferecer uma espécie de diálogo entre ambos. Diante deste
contexto, buscaremos observar o fenômeno da linguagem nas
259
cartas do leitor por meio de uma análise pautada entre o social e o
discursivo. Para isso, nosso ponto de apoio teórico será a
Abordagem Sociológica e Comunicacional do Discurso - ASCD
(PEDROSA, 2011, 2012). Esta nova abordagem procura realizar a
Análise Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH [2001] 2008), levando em
conta três disciplinas-chave, a saber: a Comunicação para a
Mudança Social (GUMUCIO, 2004; NAVARRO DÍAZ, 2010; TUFTE,
2011) os Estudos Culturais (ORTIZ, 2004) e a Sociologia (para a
mudança social), que podemos vislumbrar em estudos de Bajoit
(2008). Nosso recorte terá o corpus constituído de duas cartas do
leitor retiradas da revista Veja (2011) e a análise dará prioridade à
Sociologia para a mudança social. Complementando nosso aparato
de investigação, temos a Teoria da Pragmática (LEVINSON, 2007),
que é apoiada na filosofia da linguagem e ancorada no empirismo,
ou seja, na ideia de que a linguagem deve ser investigada em seu
contexto de uso, em situações reais de comunicação. Assim,
realizaremos a interface com a Pragmática para atender os
seguintes objetivos: a) identificar os erros de publicação que foram
apontados pelos leitores em suas cartas à redação; b) observar
como o confronto e minimização de ‘faces’ foram tratados no
evento social; c) apontar os eufemismos utilizados para proteger a
face da instituição ou do jornalista. Desta forma, poderemos
confirmar a busca pela utilização de estratégias discursivas e sociais,
tanto por parte do leitor quanto da própria revista para proteger,
minimizar e/ou o confrontar as respectivas ‘faces’ no contexto da
comunicação.
Palavras-chaves: Análise Crítica do Discurso, ASCD, Cartas do leitor,
Mídia Impressa
260
UMA (RE)VISÃO DO CURRICULO VITAE LATTES (CVL) COM BASE NO
CAPITALISMO COGNICISTA : um estudo sobre o sujeito no texto
introdutório no CVL do pesquisador de letras da UFRN
Autores
Danielle Brito da Cunha 1, Cleide Emília Faye Pedrosa 1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Campus Universitário, s/n - Lagoa Nova Natal/RN)
Resumo
O curriculum vitae lattes, desenvolvido pelo Centro Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão
subordinado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), criado a
fim de facilitar o armazenamento de dados, se configurou na última
década como a principal ferramenta de consulta acadêmica para
alunos, professores e gestores. Através de seus padrões e
funcionalidade eficientes, tem extrapolado essa esfera acadêmica e
se lançado no mercado capitalista cognicista como fonte
publicitária, forçando a identidade desses atores a serem
reinventadas e adaptadas as cobranças mercadológicas. Esse gênero
tão importante socialmente e de multiformes funções trouxe a
pauta alguns questionamentos pertinentes acerca do
posicionamento dos sujeitos nos seus textos introdutórios e a
reflexão acerca da imagem do pesquisador brasileiro no contexto
mais amplo da cultura mercadológica. Para estabelecer uma análise
qualitativa de cunho introspectivo, passaremos a utilizar como base
teórica a Análise Crítica do Discurso oriundas de Pedrosa (20112012); noções de estudos socio-culturais em Hall (2005) e Mancebo
(2002) e noções da teoria publicitária de Muniz (2005). Essa
comunicação é um recorte do projeto – “Pesquisadores da grande
área de Linguística, Letras e Artes: construção da imagem de si no
currículo Lattes segundo a cultura autopromocional”-, proposto
com base no edital no 0012011, PIBIC, PIBITI e PIBIC-AAUFRN 20112012, de 02 de fevereiro de 2011, que objetiva identificar os ethé de
professores da área de Letras da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN). Extraímos, para tanto, um corpus de cinco
textos introdutórios do curriculum vitae lattes retirados do macroacervo da pesquisa. Na análise a Abordagem Sociológica e
Comunicacional do Discurso (Pedrosa, 2011, 2012, a, b, c), nos
261
permitirá classificar o sujeito nesses discursos. Os primeiros
resultados indicam que há, mesmo diante de um modelo de gênero
acadêmico, uma variedade de sujeito a depender da escolha do ator
em construir seu texto. Assim, identificam-se o sujeito conformista,
ou adaptador, ou estrategista,ou pragmático, se movendo de
acordo com as situações as quais é impelido, isso se dá pela própria
criação do texto introdutório do currículo lattes como um gênero
repleto de valores autopromocionais importados do mundo
empresarial, naturalizados pelas e nas praticas sociais, se ancorando
em estereótipos forjados por uma sociedade capitalista.
Palavras-chaves: ator, capitalismo, publicidade, social, sujeito
Condições de produção do discurso no gênero Carta do Leitor:
reforçando a importância do contexto social e histórico
Autores Debora Quezia Brito da Cunha 1, Rafael Souza da Cruz 1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Campus Universitário Lagoa Nova CEP 59078-970 |
Natal/RN - Brasil )
Resumo
Este trabalho tem como objetivo discutir e ilustrar a importância do
papel sócio-histórico na Análise do Discurso (AD). Tendo em vista as
relações que se dão no âmbito social, espaço no qual seus diversos
agentes podem atuar a partir de lugares econômicos, sociais,
políticos e ideológicos, não há como realizar uma análise refinada
sem passar pela consideração desses aspectos imbuídos em
determinado discurso. Esta afirmação sustenta-se pelo fato de que
o discurso constitui a historia e, da mesma forma, esta contribui
para a investigação do discurso (ORLANDI, 2002). Sendo assim, essa
relação demonstra a possibilidade e, sobretudo, a necessidade de
vislumbrar o fenômeno da linguagem tomando discurso e história,
imbuídos no social, sob uma perspectiva interdisciplinar. Para
amparar nossa investigação, nosso aporte teórico retoma propostas
encontradas nas contribuições de três teóricos essenciais para o
262
surgimento e desenvolvimento da Análise do Discurso de linha
francesa: inicialmente, o filósofo francês Althusser, em sua obra
Aparelhos Ideológicos do Estado, se debruçou sobre a questão da
leitura, para depreender a ideologia social. Pêcheux, outro
estudioso da filosofia e autor da obra Semântica e Discurso – uma
crítica à afirmação do óbvio, foi mais além, ao propor uma
semântica do discurso, e assim, instaurar a proposta da AD. Michel
Foucault também contribuiu com sua publicação Arqueologia do
Saber. A partir da década de 60 os estudos destes autores surgiram
em publicações, e foram fundamentais para o estabelecimento de
uma formação discursiva, ou seja, levaram em conta a relação entre
quatro fontes que não deveriam ser indissociáveis para o analista do
discurso: o sujeito, o discurso, o poder e a história. Com a finalidade
de delinear as concepções ditas anteriormente, concernente ao
papel da história e do social na AD, nosso corpus será constituído
por duas cartas do leitor retiradas da revista Veja em edições de
2011. A primeira carta tem como título Marta, em que o leitor fala
da jogadora da seleção brasileira de futebol; e a segunda,
denominada Gilberto Kassab e o novo partido, põe em cena a
prefeitura de São Paulo. Baseados nessas cartas, buscaremos: a)
estabelecer as relações sócio-históricas responsáveis pela
elaboração das cartas do leitor; b) detectar as funções sociais
exercidas por elas; c) compará-las entre si para visualizar os pontos
em comum relacionados aos seus respectivos momentos históricos.
Como resultado, esperamos confirmar a importância de se levar em
conta os aspectos sociais e históricos, principalmente em discursos
divulgados na mídia, para assim depreender, ou pelo menos esboçar
o real contexto que oferece condições para que determinado
discurso seja forjado.
Palavras-chaves: Análise do Discurso, cartas do leitor, contexto
sócio-histórico
263
RELAÇÕES RACIAIS E IDENTIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Autores Rosana Fátima de Arruda 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(AVENIDA FERNANDO CORRÊA DA COSTA, Nº 2367)
Resumo
RESUMO: O objetivo é apresentar o trabalho pedagógico
desenvolvido em escola pública em turma de educação infantil – 4
anos que propos um projeto de intervenção sobre identidade e
relações raciais, durante o ano de 2011. A finalidade da proposta foi
compreender quais concepções subjazem o comportamento e
discursos das crianças em relações raciais e a partir aferir algumas
práticas sociais que provoquem a reflexão e mudança de
comportamento e de linguagem a partir das experiências vividas
pela turma em questão. Nesse processo fez-se necessário ouvir e
observar os discursos dos alunos e dos pais que imbuídos de
ideologias e hegemonia implicam diretamente na identidade. Nesse
sentido, também a professora e a auxiliar do desenvolvimento
infantil (ADI) tiveram que autoavaliar e cuidar das suas ações, de
forma a não formar opiniões ou visões individuais a cerca de
determinados valores e ditos populares. A metodologia de pesquisa
foi de caráter qualitativo, voltado para a perspectiva da Análise
Crítica do Discurso (FAIRCLOUGH, 2001) com enfoque na história de
vida. As etapas de desenvolvimento (etapa1: plano de aula; etapa 2entrevista com a família; etapa 3- momento da reflexão e registro;
etapa 4- oficinas; 5- culminância do projeto e; etapa 6- produção do
trabalho em artigo) foram definidas com o propósito de conduzir
organizadamente o processo do trabalho pedagógico, porém a
flexibilidade de adequação se fez presente sempre que necessário.
Na análise buscou-se compreender a relação da ideologia com a
materialização das escolhas de palavras e comportamento feito
pelos alunos e pais. As considerações finais apontam para a
presença de estereótipos, preconceitos e discriminação racial
presente ideologicamente em nossa sociedade, porém estas
práticas sociais às vezes são evidente e outras camufladas. Contudo,
264
o contexto de trabalho se mostrou receptivo a proposta praticada,
permitindo a construção de novos conceitos, valores e referência
identitária.
Palavras-chaves: Identidade, Práticas sociais, Linguagem,
Relações raciais
ÁREA TEMÁTICA 9- LINGUÍSTICA APLICADA EM PRIMEIRA E
SEGUNDA LÍNGUA
A PRÁTICA REFLEXIVA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE
LINGUA INGLESA
Autores Isadora Maria Falbot dos Santos 1, Ana Cláudia Milani 1
Instituição 1 UFMT - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
(Av. Fernando Correa da Costa s/n, Bairro Coxipó Cuiabá MT)
Resumo
A carreira docente é marcada por um constante processo de
reflexão e mudanças, na qual os professores precisam tomar
decisões, sempre repensando acerca de qual será a melhor forma
de construir o conhecimento com seus alunos. Este processo de
escolhas e transformações deve ser feito por um professor
autônomo e investigativo, consciente de suas opções e posturas e
comprometido em melhorar o processo de aprendizagem de seus
alunos. Seguindo estes princípios de um professor crítico e reflexivo,
os bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à
Docência (PIBID) de Língua Inglesa da UFMT têm desenvolvido sua
aprendizagem como professores iniciantes com o suporte de
instrumentos de auto-avaliação tais como diários reflexivos,
portfólios, relatórios e participado de sessões reflexivas de partilha,
em que relatam suas práticas pedagógicas, sucessos, dificuldades
vivenciados diariamente, buscando suporte teórico para
fundamentar suas práticas e decisões. Este trabalho de cunho
265
qualitativo tem como objetivo mostrar como o processo de prática
reflexiva tem ajudado no desenvolvimento e na construção da
identidade profissional dos bolsistas do PIBID de Língua Inglesa. Em
suas práticas na escola, os professores em formação se deparam
com situações conflituosas que fazem parte da vida de um
professor. Vivenciam conflitos externos, como o impacto da sua
entrada na comunidade escolar e a indisciplina dos alunos em suas
aulas. Tais situações os levam a olhar para dentro de si mesmos,
para compreender seus conflitos interiores e a formação de suas
identidades profissionais. A análise dos dados coletados dos
instrumentos de auto-avaliação utilizados pelos professores em
formação indica que a prática reflexiva os tem auxiliado a buscar
diferentes caminhos para solucionar problemas que encontram na
sala de aula, a enfrentar suas dificuldades e partilhar suas alegrias, e
a construir uma trajetória que os ajudem a serem profissionais
comprometidos com sua profissão e bem sucedidos em suas
escolhas futuras.
Palavras-chaves: Formação de professores, Professor reflexivo,
Diário Reflexivo
ENSINO DE LÍNGUAS E TEORIAS ENSINO APRENDIZAGEM: um
estudo de caso
Autores Rosangela Vargas Cassola 1
Instituição 1 PUCSP - PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA (SÃO
PAULO)
Resumo
INTRODUÇÃO: Este estudo de caso analisa uma experiência de
ensino-aprendizagem de um aluno surdo inserido no segundo ano
em uma escola pública, visando, identificar a teoria de ensino
utilizada pela professora regente. OBJETIVO: Verificar a teoria de
ensino-aprendizagem adotada pela professora em sala de aula para
ensinar a Língua de Sinais Brasileira para um aluno surdo.
METODOLOGIA: Filmagem e Diário de Campo. LÓCUS: Escola
266
municipal do ensino fundamental localizada na área central do
perímetro urbano em uma pequena cidade do estado do Mato
Grosso do Sul; atende aproximadamente setecentos alunos nos
turnos matutino e vespertino; faixa etária de cinco a dezessete
anos. PARTICIPANTES: Turma de segundo ano com vinte alunos e
em meio a estes um aluno surdo; a professora e a intérprete de
Língua Brasileira de Sinais. DESENVOLVIMENTO DA AULA: A
professora a iniciou a aula perguntando aos alunos o que fizeram no
final de semana e em seguida contou a historinha da ‘’Formiga
amiga’’ de Bartolomeu Campos de Queiroz a qual foi sinalizada pela
intérprete para o aluno surdo. Após a leitura da historinha a
professora deu o livro para o aluno surdo olhar as figuras e
perguntou para os demais alunos qual o dia da semana, mês e ano,
virou-se para o quadro verde e escreveu a data. Em seguida fez a
chamada e entregou uma folha xerocopiada para o aluno surdo,
constando duas atividades, com os seguintes enunciados: pinte os
animais que começam com a vogal A e pinte os animais que
terminam com a vogal A. Durante o tempo que o aluno surdo fez
suas atividades referente a vogal A, a professora regente trabalhou
com os demais alunos da turma, uma atividade de leitura do texto
Travessuras de Crianças, trabalhou também atividades de ortografia
com SS, cruzadinha e separação de sílabas. CONSIDERAÇÕES: Para
realização das atividades, o aluno surdo, foi acompanhado pela
intérprete, que sinalizava o que era para ele fazer; em alguns
momentos o estudante surdo ficou agitado e demonstrou pouco
interesse em realizar a atividade ao empurrar a atividade por duas
vezes. A intérprete orientava-o a fazer a atividade, sinalizando que
se não a fizesse não iria para a informática. As atividades com os
demais alunos eram descontextualizadas da historinha inicialmente
contada. Poucas vezes durante a aula professora reportou-se ao
aluno surdo. Além de atividades isoladas, verificamos o uso de
estímulos visando obter respostas, por exemplo: no momento em
que usou a informática para convencer o aluno a fazer a atividade.
Quando fomos a sala de aula objetivávamos verificar a teoria de
ensino utilizada pela professora regente e percebemos que seu
objetivo é fazer com que o aluno surdo inicialmente apenas lhe
forneça as respostas corretas, não levando em consideração o que
ocorre dentro de sua mente durante o processo de aprendizagem.
267
O behaviorismo fundamenta-se no fato de que a aprendizagem é
basicamente uma mudança de comportamento que ocorre através
de reforços imediatos e pelo que observamos a professora é
behaviorista, pois aparentemente para ela parece que ensinar
significa apenas “instalar comportamentos”, sem considerar o
contexto sócio histórico cultural do estudante. Referência
Bibliográficas WILLIAMS,M. and BURDEN, R.L. Na Introduction to
educational psychology:behoviourism and cognitive psychologogy.
In.: Psychology for Language Teachers: a Social Constructivist
Approach. Cambridge: University Press, s/d, p. 5-29. MIZUKAMI,
Maria da Graça Nicoletti. Ensino: As abordagens do processo. São
Paulo, EPU, 1986.
Palavras-chaves: LÍNGUAS, ENSINO, APRENDIZAGEM, SURDEZ,
BEHAVIORISMO
COLOCAÇÕES ESPECIALIZADAS EXTRAÍDAS DO CORPUS DE ESTUDO
“GREY’S ANATOMY”
Autores Roberta Pereira Fiel 1, Adriane Orenha-Ottaiano 1
Instituição 1 UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (Rua
Cristóvão Colombo, 2265 CEP 15054-000 )
Resumo
Este trabalho, fundamentado na Linguística de Corpus (Berber
Sardinha, 2004, 2007; Hunston, 2002; Meyer, 2004), a qual se ocupa
da coleta e exploração de corpora, e na Fraseologia (Sinclair, 1996;
Hill, 2000; Orenha, 2004, 2009; Nesselhauf, 2005), área de pesquisa
voltada para a investigação de combinações lexicais recorrentes,
visa realizar a extração e a análise das colocações e das colocações
especializadas na área médica, presentes em um corpus formado
pelas transcrições do seriado de TV Grey’s Anatomy. O corpus
compilado, seguindo os critérios de extensão de Berber Sardinha
(2004), pode ser considerado de médio-grande porte, uma vez que
possui mais de um milhão de palavras. Para o levantamento das
colocações, contamos com o auxílio do programa Wordsmith Tools
268
(SCOTT, 2007), por meio do qual, nos foi possível obter, com mais
exatidão, as palavras mais relevantes do corpus pesquisado e, a
partir daí, extrair as colocações. Ao pesquisador, coube fazer a
seleção e a análise qualitativa das referidas colocações. Os dados
levantados a partir desta investigação, ou seja, as colocações da
língua geral, assim como as colocações da língua de especialidade
levantadas do referido corpus, poderão ser aplicados em aulas de
língua inglesa, mostrando a relevância da Linguística de Corpus e da
Fraseologia para o ensino e aprendizagem de uma língua
estrangeira, já que aponta casos reais de uso, e aproxima o aprendiz
cada vez mais da língua estrangeira estudada. Além disso, estamos
compilando um glossário bilíngue (inglês-português/portuguêsinglês) das colocações selecionadas, que também poderá ser
utilizado em sala de aula. A título de ilustração, podemos mencionar
algumas colocações especializadas extraídas: heart surgery, heart
disease, trauma room, blood pressure, blood test, blood vessels,
chest tube, valve replacement, spinal fluid, entre outras. Conforme
mencionamos, dado o tamanho expressivo do corpus de estudo,
será possível extrair um número significativo de colocações
especializadas, as quais poderão ser incluídas no glossário
pretendido.
Palavras-chaves: colocações, colocações especializadas, corpus,
glossário
TUTORIA EM PEQUENOS GRUPOS: despertando o interesse dos
alunos pela língua inglesa em sala de aula
Autores Rochelle Serafim de Andrade 1
Instituição 1 UFMT - Universidade federal de mato grosso (Av.
Fernando Corrêa da Costa Cuiabá - MT, 78060-900)
Resumo
Estudos na área de ensino e aprendizagem de inglês têm mostrado
que as condições pouco favoráveis para a aprendizagem da língua
estrangeira em escolas públicas (número reduzido de horas de
269
ensino da língua em sala de aula, falta de prática oral e de material
didático, condições estruturais precárias, etc.) desmotivam os
alunos e acarretam crenças de rejeição e da impossibilidade de
aprender língua inglesa nesse contexto. Com o intuito de encontrar
novas formas de abordar essa questão e despertar o interesse dos
alunos pela aprendizagem do idioma, o subprojeto Pibid de Língua
Inglesa da UFMT desenvolve um trabalho de tutoria a pequenos
grupos de alunos em sala de aula, com ênfase na habilidade oral,
nas aulas regulares de turmas do primeiro ano do ensino médio de
uma escola pública. Seguindo uma perspectiva sociointeracionista
de aprendizagem de língua, os bolsistas/professores em formação
trabalham com os alunos em sua zona de desenvolvimento
proximal, fornecendo andaimes para que eles possam realizar
tarefas que, sozinhos, não teriam condições de realizar. Sob
orientação da professora supervisora e da orientadora, eles
planejam, elaboram e realizam c/os alunos tarefas de prática escrita
(leitura, escritura de pequenos textos, resolução de exercícios de
revisão gramatical e vocabulário) e oral (uso de inglês de sala de
aula, diálogos, atividades orais em pares e pequenos grupos,
canções, atuação em pequenas peças de teatro). O trabalho
desenvolvido proporciona aos professores em formação a
oportunidade de aprender e participar ativamente das diversas
etapas de uma aula, e também os aproxima dos alunos, permite
ouvir o que eles têm a dizer, suas inseguranças e temores em
relação ao inglês, uma vez que estes se sentem mais confiantes em
um pequeno grupo e cada vez mais confortáveis em falar em inglês
com o tutor e o grupo. Dessa forma, os professores em formação
vão aperfeiçoando sua prática docente e se tornando cada vez mais
seguros e autônomos em sala de aula e os alunos vão, aos poucos,
adquirindo mais familiaridade e autoconfiança no uso do inglês e,
em consequência, passam a apreciar e ver mais sentido em sua
aprendizagem.
Palavras-chaves: tutoria, formação de professor de inglês, escola
pública
270
ÁREA TEMÁTICA 10- LINGUÍSTICA TEXTUAL
A IRONIA COMO ESTRATÉGIA DISCURSIVA: Uma análise de textos
jornalísticos norterriograndenses no início do século XX
Reika Gabrielle Dantas da Silva 1, Lucrécio Araújo de Sá
Júnior 1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Campus- Lagoa Nova)
Autores
Resumo
Quase sempre a ironia é consequência de uma afirmativa, quando,
na verdade, se quer dizer o oposto De acordo com Grice (1975), em
alguns casos uma afirmativa é utilizada com a intensão de significar
não necessariamente o sentido literal que as palavras carregam, é
comum no uso da linguagem afirmativas que embutem um sentido
não literal ao que é dito (implicaturas), ou seja, a compreensão só
se realiza quando se recupera o que o dito traz como implícito.
Assim a ironia não constitui sentido se desvinculada de um contexto
situacional. Por esse motivo, a ironia, que antes era estudada como
figura de linguagem, passou a ser objeto de estudo da Pragmática.
Visto isso, constatamos a presença da ironia em exemplares de um
jornal de bairro veiculado na cidade do Natal na segunda década do
século XX. É possível observar, em alguns exemplares desses jornais,
que a ironia e o humor estão relacionados, na maioria das vezes, ao
efeito da interação entre autores e leitores, numa época em que o
contato social entre estes e aqueles era mais próximo, posto que
havia uma redução no espaço geográfico e no número de
habitantes da cidade Além disso, o número reduzido de espaços
destinados ao entretenimento da sociedade natalense, nas
primeiras décadas do século XX, permitia que a troca de
informações, inclusive as da vida pessoal da população, fosse
facilitada. Este trabalho tem como objetivo observar o modo como
a ironia se configura enquanto estratégia discursiva, a fim de
analisarmos como a partir desta a crítica aos costumes e aos
acontecimentos locais se efetiva na cidade de Natal nesse período.
271
Para isso, tomamos como corpus os três primeiros exemplares do
jornal “O prego”, veiculados no ano de 1918. Este trabalho, faz
parte do nosso projeto de pesquisa que busca estudar este tipo de
jornalismo de bairro no início do século XX como campo de
produção e circulação de sentidos, estruturado na relação entre os
sujeitos da comunidade discursiva natalense. Assim, visamos ilustrar
os modos de expressão da ironia encontrados em tais jornais,
especialmente o sarcasmo, a antífrase e o eufemismo, debatendo
como a nesta época se forma a opinião pelo julgamento de práticas
sociais e culturais.
Palavras-chaves: Ironia, Pragmática, Contexto, Significado, Jornal
ÁREA TEMÁTICA 11- SEMIÓTICA
SEMIÓTICA E A TEORIA BAKHTINIANA: reflexões sobre o conceito
de polifonia na obra Dostoievskiana "Crime e Castigo"
Autores Marcos Rogério Martins Costa 1
Instituição 1 USP - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (Av. Luciano
Gualberto, 403. Cidade Universitária - São Paulo/SP CEP:
05508-900)
Resumo
Desde a divulgação da teoria fundante de Mikhail Bakhtin sobre o
gênero romance polifônico tem-se gerado muitas discussões sobre
quais seriam os elementos constitutivos desse novo gênero e em
quais obras ele se aplicaria. Este estudo prevê ressaltar os
elementos constitutivos do conceito bakhtiniano de polifonia no
romance “Crime e Castigo”, de Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski. A
partir dessa obra dostoievskiana, pretendemos investigar o conceito
de polifonia como um efeito de sentido que não escapa à
tensividade sensível de um campo de presença. Para tanto,
utilizaremos como arcabouço teórico a semiótica de linha francesa,
em especial os postulados de Greimas e Courtés e os
272
desdobramentos tensivos desenvolvidos por Fontanille e Zilberberg.
A partir dessa égide teórica, busca-se compreender a polifonia
manifestada no texto literário da imanência formal à transcendência
social. Isso porque enquanto asseveramos, de um lado, o caráter
social do signo, segundo os parâmetros bakhtinianos, proposta
teórica que confirma a porosidade sígnica, presente nas correlações
complexas do texto dostoievskiano e da constituição do gênero
romance polifônico; de outro, voltamo-nos para a concepção
substancialista do signo, ao biparti-lo em significante e significado,
partes intimamente unidas numa relação em que um reclama o
outro, por meio da noção de valor, como propõe a perspectiva
saussuriana. Assim sendo, neste estudo, o efeito de sentido de
polifonia será apreendido no aquém (imanência) da substância e no
entorno ou além (transcendência) do próprio signo. Como método
para desvelar a imanência, utilizamos o percurso gerativo de
sentido, através do qual deduzimos as estruturas tensivas,
narrativas e discursivas que geram esse efeito de sentido; já para
compreender a transcendência, observamos os arredores
discursivos que interagem com esse efeito de sentido, investigando
o dialogismo exacerbado, a incompletude do narrado e a
maximização da heterogeneidade. Observando essa metodologia,
os resultados obtidos, até o presente momento da pesquisa,
demonstram que é possível a análise e descrição da polifonia a
partir do quadro teórico e metodológico da semiótica, no corpus do
romance dostoievskiano. Além disso, ficou patente em nossos
estudos que o conceito de polifonia pode ser analisado como um
efeito de sentido que não foge a um campo de presença e que,
portanto, pode ser perscrutado tanto nas tramas discursivas, nas
quais se encontra manifesto, como nas estruturas tensivas e
narrativas, as quais pressupomos sustentar sua manifestação.
Palavras-chaves: Polifonia, Semiótica,
Gerativo de Sentido, Eixo do Limiar.
273
Dialogismo,
Percurso
DISCURSO MÍTICO: a inscrição do sujeito pantaneiro na linguagem.
Autores Maria Luceli Faria Batistote , Ana Lívia Tavares da Silva 1
Instituição 1 UFMS - Universidade Federal do Mato Grosso do Sul
(Cidade Universitária. Universitário - CEP: 79070-900)
Resumo
O Pantanal, região bastante antiga no estado do Mato Grosso do
Sul, situado em Corumbá, município que ocupa um território de
64.968,84 km2, limita-se à oeste com a Bolívia e ao norte com o
estado de Mato Grosso. É nesse lugar que possui como presença
constante os pantaneiros, que surgiram episódios, contos, causos e
personagens, em diferentes momentos da história, embalados pelo
movimento do rio Paraguai e pelas sombras desse bioma que
povoaram e povoam, ainda hoje, o imaginário popular. Esse
imaginário transformou essa região em cenário de grandes fatos
míticos. Como o Pantanal possui várias sub-regiões, optamos
somente por uma delas, Nhecolândia. Isso se deve ao fato dessa
localidade haver se tornado espaço para um campo fértil de
crenças, superstições, fatos sobrenaturais no imaginário popular. Os
animais, nesse espaço, também adquirem importante papel nas
narrativas orais e, figuras míticas povoam o imaginário popular de
vários grupos e indivíduos. Nesse contexto, é possível afirmar que as
narrativas míticas, ainda, estão bastante presentes na cultura e na
criação da identidade do sujeito pantaneiro. Assim, nossa pesquisa
pretende investigar o suporte ideológico que dá sustentação às
práticas discursivas inscritas historicamente no discurso mítico.
Além de descrever e explicar a relação entre mitologia e a realidade
desse povo. Com base nos pressupostos teóricos da semiótica
greimasiana e em seus seguidores, tais como Fiorin (1991) e Barros
(1988), recorremos aos conceitos de tematização e figurativização,
pertencentes à semântica do nível discursiva, para analisar os
relatos (orais ou escritos) que compõem nosso corpus. Tematização
e figurativização são dois níveis de concretização do sentido, em
que o primeiro, possui uma “função descritiva ou representativa”,
portanto, mais abstrata, e o segundo, “função predicativa ou
274
representativa,” logo, mais concreta. Nas narrativas, observamos a
criação de um universo mítico, onde o real e o imaginário
entrelaçam-se e formam uma rede de relatos característicos do
espaço em que vivem.
Palavras-chaves: Discurso, Subjetividade, Leitura.
A ESCRITA DOS JOVENS E ADULTOS DO IFMA - SANTA INÊS: a
possibilidade de organização do texto pela noção de gênero
textual
Autores Elinaldo Quaresma 1
Instituição 1 IFMA - Instituto Federal do Maranhão (BR 316 S/N
BAIRRO CANAÃ, SANTA INÊS, MARANHÃO)
Resumo
Esta pesquisa tem por objetivo analisar práticas de escritas
efetivadas a partir do uso dos gêneros textuais diversos, pelos
alunos da Educação de Jovens e Adultos, do IFMA, em Santa Inês,
Maranhão. Assumindo que as concepções de produção escrita
desses alunos são construções que se dão no processo histórico
cultural da comunidade, mediadas pela linguagem, esse trabalho
buscou na produção escrita dos alunos desta modalidade de ensino
os sentidos atribuídos ao texto e a sua construção. Para isso, este
estudo fundamenta-se teoricamente na concepção de que por meio
do texto que o usuário da língua desenvolve a sua capacidade de
organizar o pensamento/conhecimento e de transmitir ideias,
informações, opiniões em situações comunicativas diversas, tendo
como contribuições o pensamento de Bagno, Marcuschi , Bakhtin,
Dionísio, dentre outros. Além desses, constituem-se como
interlocutores autores que abordam especificamente sobre o
processo histórico da EJA como política educacional: Freire, Paiva,
Galvão e Soares e outros. A pesquisa, de natureza qualitativa,
orientou os procedimentos de trabalho e as análises desenvolvidas
sobre o material empírico produzido nas entrevistas e nas práticas
de sala de aula, cujos sujeitos foram o professor responsável pela
275
sala de aula pesquisada e trinta alunos da Educação de Jovens e
Adultos, que cursam o Ensino Médio, no IFMA. Para isso, adotamos
como procedimento para a coleta de material o uso de
questionários, entrevistas e práticas de produção escrita na sala de
aula a fim de que pudéssemos ter o máximo de informações sobre o
objeto da pesquisa, que envolve a produção escrita dos alunos. A
partir da análise foi possível constatar o grande número de
dificuldades dos alunos na hora de produzir um texto escrito ou
reconhecer determinado gênero textual. Embora haja a tentativa de
um trabalho pedagógico inovador por meio dos gêneros textuais, o
que prevalece é o desenvolvimento de um trabalho como
reconhecimento de que o texto é um produto histórico-cultural e
assim deve ser trabalhado.
Palavras-chaves: Educação de Jovens e Adultos, Escrita, Texto,
Pesquisa, Ensino
RESSIGNIFICAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM POR MEIO DO
GÊNERO CORDEL
Bruna Rafaelle de Jesus Lopes 1, Maria Fabiana Medeiros
de Holanda 1,1, Maria da Penha Casado Alves 1,1,1
Instituição 1 UFRN - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO
NORTE (CP 1524 Campus Universitário Lagoa Nova CEP
59078-970 Natal/RN - BRASIL)
Autores
Resumo
Este trabalho tem por objetivo relatar uma experiência de leitura e
de escrita do gênero cordel, desenvolvido com alunos do segundo
ano do ensino médio pelos professores em formação inicial do
curso de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN), que integram o Subprojeto de Língua Portuguesa do
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). A
referida atividade de escrita do gênero cordel foi desenvolvida no
ano de 2011, com alunos do turno noturno da Escola Estadual
Professor José Fernandes Machado, situado no bairro de Ponta
276
Negra, na cidade do Natal/RN e escolhida como campo de atuação
do PIBID. Para embasar nossa prática, fundamentamo-nos nas
concepções bakhtinianas de gêneros discursivos de linguagem,
como construção sócio-histórica de sujeitos em interação (2003;
2009) e nos postulados acerca do gênero cordel encontrados em
Antologia da Literatura de Cordel, obra do autor Sebastião Nunes
Batista. Esse trabalho buscou por meio da leitura, escrita e reescrita
de cordéis, promover o contato desses alunos com elementos da
cultura popular, trazendo para perto da realidade deles um gênero
que é bastante difundido na região do nordeste brasileiro. Para que
os alunos produzissem de forma espontânea e com encanto –
sabendo que as suas produções não ficariam apenas na gaveta do
professor, mas chegaria a todos da comunidade escolar – as
produções textuais foram publicadas em formato de literatura de
cordel para serem exibidas e distribuídas na III Mostra de
Linguagem da escola. Essa aproximação do aluno com o gênero
cordel foi de extrema relevância para aguçar a capacidade de
produção textual por parte deles, e assim incentivá-los a
produzirem os seus cordéis. Além de estimular o ensino da
oralidade e da escrita, construiu-se com os alunos a auto avaliação,
fazendo com que eles se tornem não só autores do texto, mas
também críticos das próprias produções textuais.
Palavras-chaves:
portuguesa
Cordel,
Escrita,
Gêneros,
Leitura,
Língua
O POEMA O NAVIO NEGREIRO DE CASTRO ALVES PELO VIES DO
FILME AMISTADE DE STEVEN SPILBERG
Autores Joelson Penha Silva 1, Eloide Pereira da Silva Santos 1
Instituição 1 UNIC - Universidade de Cuiabá (Avenida Beira Rio,
bairro Jardim Europa, nº 3.100 - Cep: 78065-900)
Resumo
Neste trabalho em pôster apresentamos uma análise literária
comparativa de um dos mais conhecidos poemas da literatura
277
brasileira, “O navio Negreiro”, de Antônio Frederico de Casto Alves.
O poeta baiano escreveu o poema em 1865, na cidade do Recife,
vindo a declamá-lo apenas no ano de 1868. Castro Alves está
inserido no cânone literário brasileiro, no período denominado
terceira fase do romantismo. Abolicionista por excelência, fez da
pena seu objeto para denunciar o tráfico negreiro, as mazelas e
atrocidades às quais os negros eram submetidos, desde a captura
no continente africano, o transporte em naus com condições
subumanas. Sendo objeto de toda crueldade praticada durante a
viagem pelos traficantes no percurso pelo atlântico até a chegada
em terras brasileiras, onde seriam comercializados a ricos
fazendeiros e levados para desenvolverem trabalhos exaustivos
sobre o toque da chibata ao lombo e ferros atados pelo corpo.
Assim, também está retratada no filme “Amistad” de Steven
Spilberg, em 1997. O tráfico dos negros e o cotidiano da vida a
abordo do navio “La Amistade”, todo sofrimento e torturas que os
negros sofriam. Muitas vezes servia apenas para a diversão dos
traficantes, o massacre era contínuo, independente do sexo e da
idade. Crianças e adultos, todos eram humilhados e sofriam todos
os tipos de torturas que se pudessem ser aplicadas. Além da dor
física, os maus tratos também eram praticados contra a dignidade
humana. Presos por correntes no porão do navio, amontoados
como se fossem sacas de mantimentos e, suas vestimentas eram as
mínimas possíveis, a violência sexual era uma constante contra as
mulheres. A realidade encenada no filme aparece como denuncia
no poema de Castro Alves. Observamos o verso em que ressalta o
martírio ao qual se encontravam os negros, sem nem uma
esperança de vida ou que sua dor fosse amenizada, “...Em sangue a
se banhar./Tinir de ferros...estalar de açoite...”, verso esse que se
apresenta
em
muitas
cenas
do
filme.
(http://www.culturabrasil.pro.br/navionegreiro.htm)
Palavraschaves: Literatura, Poesia, Filme
278
PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS NAS GRAMÁTICAS EM LÍNGUA
PORTUGUESA - O CASO ERNESTO CARNEIRO RIBEIRO:
circunstancial ou paradigmático?
Autores Ednei de Souza Leal 1
Instituição 1 UFPR - Universidade Federal do Paraná (Rua General
Carneiro,460)
Resumo
O trabalho concentra-se principalmente na área da História dos
Estudos da Linguagem em Língua Portuguesa, em especial no Brasil.
O objeto estrito são as duas gramáticas do baiano Ernesto Carneiro
Ribeiro - <i> Gramática Filosófica Portuguesa de 1881, e <i> Serões
Gramaticais <i> de 1890 - intelectual que viveu entre o final do
século XIX e começo do século XX, época em que os estudos sobre a
linguagem ganharam maior importância por conta de uma série de
fatores contextuais: políticos, como por exemplo a Independência
do Brasil; científicos, com a ascensão da chamada linguística
histórico-comparativa; social, com a expansão do ensino formal no
Brasil. Por conta da Independência, os intelectuais brasileiros
estavam preocupados em estabelecer critérios que defendiam uma
"língua nacional" evidentemente diferente do Português Europeu.
Ora, para além dessa preocupação inicial, sem dúvida bastante
relevante, nosso trabalho se concentrará em levantar as bases
epistemológicas como fatores cruciais de base científica ou não que
sustentaram a metodologia empregada nas primeiras gramáticas da
Língua Portuguesa no Brasil. O que investigamos é como essas bases
epistemológicas chegaram até nossos gramáticos, em que
condições e de que maneira. Por outro lado, procuraremos
demonstrar que aquela que ficou conhecida como primeira
gramática científica produzida no Brasil, a saber a <i> Gramática
Portugueza <i> do campinense Júlio Ribeiro, publicada em 1881,
não foi a primeira que trazia em seu bojo os novos preceitos da
então nascente Linguística Histórico-comparatista. Procuraremos
demonstrar, através de uma pesquisa que segue desde 2009, que o
a <i> Gramática Filosófica Portuguesa <i> de Carneiro Ribeiro é
279
então precursora desse modelo. Juntamente com as investigações
de cunho metodológicos e epistemológicos, o que estamos
procurando discutir é a validade desses modelos de gramática,
dentro de um contexto do séculos XIX, século este que, como já o
dissemos, é de suma importância para a história da intelectualidade
brasileira. Ademais, procuraremos demonstrar que as chamadas
gramáticas tradicionais, tão veementemente combatidas com a
ascensão da moderna Linguística, são peças fundamentais tanto
para o entendimento quanto para a formação dos estudos sobre a
linguagem no Brasil e mesmo em língua portuguesa.
Palavras-chaves: gramática tradicional, história da linguística,
filosofia da linguística, historiografia linguística
ÁREA TEMÁTICA 13 – ENSINO DA LEITURA E DA ESCRITA
ARGUMENTANDO NO MUNDO DA VIDA: o pibid e as práticas de
ensino com gêneros argumentativos
Autores
Samira Gomes de Aguiar 1, Maria da Penha Casado Alves
1
Instituição 1 UFRN - UNIVERSIDADE FEDRAL DO RIO GRANDE DO
NORTE (Caixa Postal: 1524 CEP: 59072-970 - Campus
Universitário, s/n - Lagoa Nova)
Resumo
O presente trabalho tem como objetivos discutir a importância das
práticas de leitura, escrita e reescrita trabalhados a partir de
gêneros argumentativos em sala de aula, bem enfatizar a relevância
destes para a (trans)formação do aluno em sujeito com
posicionamentos críticos para os fatos do mundo. Tais objetivos se
coadunam com as atuais preocupações que envolvem as práticas de
leitura e de escrita em ambiente escolar e a forma com que esses
textos têm sido apresentados e trabalhados em sala de aula. O
PIBID, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência
(MEC/CAPES, UFRN-REUNI) no subprojeto de Língua Portuguesa da
280
Universidade Federal do Rio Grande Norte – campus Natal, que atua
na Escola Estadual Professor José Fernandes Machado, com alunos
do ensino médio, se coloca como uma ação que pode contribuir
para responder as demandas de leitura e de produção escrita destes
alunos, na tentativa de preencher as lacunas de uma vida escolar
em que os textos são apresentados fora do seu contexto social. Para
compreender as práticas de leitura com os textos em sala de aula,
este trabalho fundamenta-se nas concepções de leitura advindas de
Lajolo (1993); de Zilberman (1993); e de Geraldi (2008).
Fundamenta-se, também, na concepção dialógica de linguagem de
Volochinov (1988) que compreende a linguagem como interação
intersubjetiva e o texto/escrita como uma prática discursiva que é
construída nas relações intersubjetivas. Fundamentamo-nos,
também, também na concepção de “Gêneros do Discurso” presente
na obra de Bakhtin e do círculo (2003). Os resultados parciais desta
pesquisa mostram que a escola, muitas vezes, no que diz respeito
ao ensino de língua portuguesa, não tem se colocado como
viabilizadora da formação de um indivíduo crítico e político. É
preciso, portanto, (re)pensar as práticas de leitura e de escrita em
sala de aula, a fim de, proporcionar atividades significativas para
estes alunos que considerem seus desejos, mantendo sua
identidade como cidadão crítico, cujo letramento lhe permita atuar
no mundo da vida de forma responsável e ética. O trabalho se
insere na área da Lingüística Aplicada e tem como orientação
teórico-metodológica os pressupostos da pesquisa qualitativa e
interpretativista de base sócio-histórica.
Palavras-chaves: leitura, escrita, gêneros discursivos, PIBID, ensino
médio
281
PIBID, LEITURA E POESIA: um resgate da imaginação e da criação
em sala de aula
Elizabeth Olegário 1, Samira Gomes de Aguiar 1, Maria
da Penha Casado 1,1,1,1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(AV. Salgado Filho,3000 - Candelária -Natal /RN ,59066800)
Autores
Resumo
O presente trabalho tem como objetivos discutir a importância da
leitura do texto poético como meio de possibilitar um resgate da
imaginação e da criação em sala de aula . Tais objetivos se
coadunam com as atuais preocupações que envolvem as práticas
leitoras em ambiente escolar, uma vez que é de conhecimento de
todos os atuais índices de competência leitora que os instrumentos
de avaliação (PISA, SAEB, ENEM), dentre outros, têm tornado
públicos. O PIBID, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à
Docência (MEC/CAPES, UFRN-REUNI), se coloca como uma ação que
pode contribuir para responder as demandas de leitura dos alunos,
preencher as lacunas de uma vida escolar em que a leitura, quase
sempre, não ocupa a centralidade dos projetos de ensino e
redimensionar o lugar dos gênero poéticos. Gênero esse que
encontrasse praticamente apagado e quando existe é usado apenas
para destacar nomenclaturas gramáticas. Para tanto, este trabalho
fundamenta-se nas concepções de leitura advindas de Lajolo (1993);
de Zilberman (1991); de Magnani (1989), Antunes (2003) e de
Geraldi (2001). Para compreender as práticas de leitura,
fundamenta-se, também, na concepção dialógica de linguagem de
Voloshinov (1988) que a compreende como prática social construída
nas relações intersubjetivas e de compreensão responsiva ativa
presente na obra de Bakhtin e do círculo (2003). Os resultados
parciais desta pesquisa mostram que a leitura está em crise bem
como a escola e, nesse sentido, a poesia aparece como um dos
gêneros mais afetados por tal crise.Tais dados também revelam que
é preciso (re) pensar as práticas de leituras em sala de aula e propor
282
atividades significativas para o aluno que considerem seus desejos,
seu conhecimento de mundo e que ampliem sua visão de mundo.
Além disso, esse trabalho está comprometido com a formação do
cidadão crítico cujo letramento lhe permita atuar no mundo da vida
de forma responsável e ética. O trabalho se insere na área da
Lingüística Aplicada e tem como orientação teórico-metodológica os
pressupostos da pesquisa qualitativa e interpretativista de base
sócio-histórica.
Palavras-chaves: leitura , gênero discursivo , poesia, PIBID
REVISTA ACADÊMICA DE LINGUAGENS BOCA DA TRIBO: espaço de
divulgação e interação
Autores
Fabiana Perez Garcia 1, Carlos Eduardo dos Santos Barros
1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Avenida
Fernando Correa da Costa Nº 2.367, CEP:78060-900.
Bairro: Boa Esperança)
Resumo
A Revista Acadêmica de Linguagens BOCA DA TRIBO foi proposta a
partir da observação e análise da vivência do Curso de Graduação
em Letras da UFMT, tendo em vista a ausência de uma publicação
que divulgasse o trabalho científico e as criações
linguístico/literárias dos alunos dessa graduação e demais
profissionais da área. Por essa razão, um grupo de graduandos do
Curso, no ano de 2008, reuniu-se com o intuito de produzir uma
revista de cunho científico e cultural, destinada à publicação de
trabalhos inéditos, envolvendo atividades realizadas na instituição,
bem como relatos de projetos desenvolvidos com a participação
discente. É um periódico de divulgação de artigos, entrevistas,
pesquisas, ensaios e produção literária, organizado e diagramado
por graduandos desse Curso e publicado <i>online</i> desde 2009.
Tem periodicidade semestral e é confeccionado no formato de site
dinâmico, com <i>links</i>, contendo todas as informações
283
necessárias aos autores e leitores. Apresenta, também, a versão na
íntegra
de
cada
volume,
disponibilizada
no
site
(www.ufmt.br/bocadatribo), para <i>download</i>. A Revista está
registrada no Centro Brasileiro do ISSN (Internacional Standard
Serial Number), sob nº 2175-7364, e atende a todas as Normas
Técnicas exigidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas), sendo observadas as Normas de Editoração, Publicação
de Artigos, Referências Bibliográficas, Citações e demais itens
necessários à organização de uma revista científica. No ano de 2012,
completará sua décima edição, tornando públicos não apenas
trabalhos produzidos por graduandos, como também textos de
profissionais da Área de Linguagens, oriundos de diferentes
instituições de ensino superior do país. Entre os seus objetivos,
podemos citar: difundir a produção acadêmica, promover o
intercâmbio de idéias, enriquecer e fortalecer essa área do
conhecimento. É constituída por uma Comissão Editorial, composta
pelo corpo discente e pelo coordenador docente; Conselho
Editorial, formado pelo Coordenador e por docentes pareceristas da
UFMT; Conselho Consultivo, representado por docentes
pareceristas <i>Ad hoc</i> de universidades nacionais. Ao dar
visibilidade à produção científica e literária, a Revista tornou-se um
espaço de interação entre alunos, professores e os internautas que
acessam seus artigos e podem ampliar seus conhecimentos sobre
assuntos variados.
Palavras-chaves: revista
graduação em Letras
acadêmica,
284
linguagens,
publicação,
QUESTÕES DE LEITURA E PROPOSTAS
APRESENTADAS PELO "NOVO ENEM"
DE
REDAÇÃO
Autores Bruna Vittorazzi Duarte Leal 1
Instituição 1 UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (Av.
Fernando Corrêa da Costa, nº 2367 - Bairro Boa
Esperança. Cuiabá - MT - 7806), 2 UFMT - Universidade
Federal de Mato Grosso (Av. Fernando Corrêa da Costa,
nº 2367 - Bairro Boa Esperança. Cuiabá - MT - 7806)
Resumo
No ano de 2009, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) sofre
uma grande mudança, deixando sua antiga função de teste
complementar, para assumir a forma de seleção unificada de
ingresso em algumas universidades públicas federais. O formato
desse exame, bem como o conteúdo cobrado e os resultados
obtidos, inicialmente negativos, pela falta de preparo dos alunos,
em especial da escola pública, despertaram nosso interesse pelo
modo como as questões são propostas. Assim, decidimos, a partir
desse novo molde imposto pelo Ministério da Educação (MEC) ao
ENEM, verificar quais e como eram em questões de leitura e de
redação cobradas na área de Linguagens, Códigos e suas
Tecnologias. Para isso, estamos desenvolvendo dois subprojetos
intitulados, respectivamente, <i>As questões de leitura
apresentadas nas provas do ENEM: Implicações para e sobre a
formação inicial e continuada do professor de Língua
Portuguesa</i> e <i>Propostas de produção escrita apresentadas
nas provas do ENEM: Contribuições para formação do professor de
Língua Portuguesa</i>. Ambos integram o projeto <i>Práticas de
linguagem no Ensino Básico: a formação inicial e continuada do
professor de Língua Portuguesa</i>. Nossa metodologia baseia-se
em pesquisas bibliográficas, análise das provas e informações
disponibilizadas no PORTAL DO MEC. Analisamos cinco edições
aplicadas nos três últimos anos - de 2009 a 2011- num processo de
leitura interpretativa, assim descobrindo e coletando informações
acerca dos gêneros de discurso mais frequentes nas questões de
285
leitura e na Proposta de Redação. No primeiro momento de leitura
e discussão das questões de múltipla escolha, observamos o quanto
são extensas e cansativas, por muitas vezes desnecessários os seus
enunciados longos. Em todas as provas, são basicamente cobradas
interpretações, análises gramaticais, conhecimentos literários,
históricos, artísticos e culturais. Identificamos os elementos que
organizam e estruturam os enunciados nas provas, os textos de
diferentes gêneros, e fizemos um levantamento no qual
observamos a predominância do gênero argumentativo, artigo de
opinião, campanhas publicitárias, poemas, trecho de canções e
notícias, tiras ou charge. Curioso relatar que a edição de 2011 há
ausência dos traços fortes das questões literárias. Ou seja, as
relações entre a produção literária e o social não foram vinculadas e
cobradas nesse exame, levando-nos a refletir não apenas sobre a
importância das aulas de literatura, como também sobre o
conhecimento do patrimônio literário nacional. Nas propostas de
redação, tem sido marcante a inovação nos temas, enquanto que a
característica predominante fica a cargo dos textos de apoio,
apresentados num padrão simples de artigos jornalístico e
campanhas publicitárias ou charges. No entanto, o padrão de
exigência estrutural permaneceu inalterado em todas essas edições.
Com o objetivo de democratizar o acesso às vagas do ensino
superior federal, facilitando e possibilitando a mobilidade
acadêmica e induzindo à reestruturação dos currículos do ensino
médio, o exame vem tentando provocar uma mudança positiva no
ensino brasileiro. Mas o ENEM requer de seus participantes
habilidades intelectuais de observação e raciocínio, que não estão
sendo, efetivamente, desenvolvidas nas diversas etapas de
formação do aluno. Os dados parciais até aqui levantados permitem
concluir que é necessário o investimento maciço no ensino da
leitura e da escrita.
Palavras-chaves: ENEM, Escrita, Gêneros do Discurso, Leitura,
Projeto
286
RODAS DE LEITURA: Uma experiência no PIBID de Língua
Portuguesa.
Autores Eide Justino Costa, Maria da Penha Casado 1
Instituição 1 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(Campus- Lagoa Nova)
Resumo
Este trabalho pauta-se em um relato de experiência com rodas de
leituras, desenvolvido no âmbito do PIBID (Programa Institucional
de Bolsas de Iniciação à Docência), no subprojeto de Língua
Portuguesa, da Universidade Federal do Rio Grande Norte – campus
Natal, com alunos da Escola Estadual José Fernandes Machado,
matriculados no 1º ano do ensino médio (1º ano B), do turno
vespertino, no exercício letivo de 2011. Pensar a leitura em sala de
aula, implica, antes de qualquer coisa, um reconhecimento do
repertório de leituras do corpo discente, bem como os gostos e
afinidades deles com determinados gêneros. Pensando assim, é
possível iniciar um trabalho que facilite o envolvimento destes
sujeitos em práticas de leituras mais corriqueiras. A partir do
pressuposto da importância do ato de ler na formação do sujeito
formador de consciência crítica e política, e interpretando a escola
como viabilizadora dessa formação, desenvolvemos um exercício
semanal com rodas de leituras, inicialmente, com o gênero
discursivo crônica. Nesse aspecto, além de estimular nos discentes o
gosto pela leitura, tendo em vista que esse gênero tem um tom,
quase sempre, humorístico, foi possível evidenciar alguns aspectos
sociais envolvidos nelas, uma vez que a leitura desse gênero
dialoga, esporadicamente, com situações peculiares e próximas das
realidades de vida dos alunos. Assim, foi possível dar um passo
inicial para a formação de leitores mais proficientes e capazes de
interpretar o mundo por meio do prisma da leitura. Para tanto, este
trabalho ancora-se, essencialmente, nos pressupostos teóricos de
Bakhtin/Volochinov (2010) ao interpretar a linguagem como prática
de interação social e constituinte dos sujeitos, Bakhtin (2003) sobre
gêneros discursivos, como também em Freire (2006), Lajolo (1993),
287
Geraldi (2008) e Antunes (2011) cujas obras vêm ressaltando a
importância do incentivo à leitura nas escolas, como forma de
construir com/nesses alunos uma compreensão mais crítica do
mundo e das questões do cotidiano pelo qual são norteados
diariamente.
Palavras-chaves: Rodas de leituras, PIBID, Crônica, Gêneros
Discursivos
288
Download

Programa - Abralin