BIOMETRIA DE CACHOS, FRUTOS E SEMENTES DA PALMEIRA JARINA
(Phytlephas mcrocarpa ruiz & pavon) ORIUNDOS DE FRAGMENTOS
FLORESTAIS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS DO LESTE DO ACRE
Victor Carlos Domingos Neto¹, Evandro José Linhares Ferreira ²
1. Graduando em Engenharia Florestal, Universidade Federal do Acre – UFAC e
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, Rio Branco, Acre
([email protected])
2. Engenheiro Agrônomo, Doutor em Botânica, Pesquisador do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia – INPA, Rio Branco, Acre.
Recebido em: 30/09/2014 – Aprovado em: 15/11/2014 – Publicado em: 01/12/2014
RESUMO
Este estudo consistiu na avaliação biométrica dos cachos, frutos e sementes de
jarina (Phytelephas macrocarpa) oriundos de fragmentos de florestas primárias e
secundárias da região leste do Acre. Foram avaliados oito cachos, quatro oriundos
do fragmento florestal primário e quatro do secundário, 100 frutos e 300 sementes,
tomados aleatoriamente de uma amostra recém-coletada em cada um dos
fragmentos florestais. Os cachos foram pesados e medidos (comprimento e
diâmetro) com o auxílio de balança comum e trena. A pesagem dos frutos, sementes
e endocarpos foi feita em balança com precisão de 0,01 g e as medidas de
comprimento, largura e espessura (mm), com paquímetro de precisão. A avaliação
estatística foi realizada no programa BioStat 5.0. Para todas as variáveis avaliadas
foram calculados os valores máximo e mínimo, média, desvio padrão (DP),
coeficiente de variação (CV) e o coeficiente de correlação de Pearson. Concluiu-se
que: (i) frutos e sementes oriundos de florestas secundárias são mais pesados, de
maior tamanho e mais homogêneos que os oriundos de florestas primárias, (ii)
sementes secas diminuíram o peso em cerca de 20%, sugerindo que as mesmas
são ortodoxas, suportando longos períodos de armazenamento sem que haja danos
fisiológicos com as mesmas e (iii) o coeficiente de Correlação de Pearson (r) de
ambas as áreas foi forte entre as variáveis peso x diâmetro dos cachos (r= 0.98 e r=
0.98) e diâmetro dos cachos x quantidade de frutos (r=0,74 e r=0,79) e fraco entre
comprimento dos cachos x quantidade de frutos (r= 0,18).
PALAVRAS CHAVES: Amazônia, Morfometria, Palmeiras.
CLUSTERS OF BIOMETRICS, FRUITS AND SEEDS Phytelephas macrocarpa
RUIZ & PAVÓN (ARECACEAE) ARISING OUT OF FOREST FRAGMENTS OF
PRIMARY AND SECONDARY EAST OF ACRE.
ABSTRACT
This study consisted of the biometric evaluation of bunches, fruits and seeds of jarina
(Phytelephas macrocarpa) found in primary and secondary forest fragments of
eastern Acre. Eight fruit bunches were evaluated, four collected in a primary forest
fragment and four in a secondary forest fragment. One hundred fruits and three
hundred seeds randomly taken from the fruit bunches were also evaluated. The fruit
bunches were weighed and measured (length and diameter) with the help of a scale
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and measuring tape. The weighing of fruits, seeds and endocarp was carried out in a
balance accurate to 0.01 g and measures of length, width and thickness (mm) using
a precision caliper. Statistical evaluation was performed BioStat 5.0 software. For all
variables the minimum and maximum values, mean, standard deviation (SD),
coefficient of variation (CV) and Pearson correlation coefficient were calculated. The
conclusions are: (i) fruits and seeds originating from secondary forests are heavier,
larger and more homogeneous than those from primary forests, (ii) seed dry weight
decreased by about 20 %, suggesting that they are of orthodox type, supporting long
periods of storage without physiological damage, and (iii) the Pearson correlation
coefficient (r) results from samples collected in the primary and secondary forest
fragments was strong between the fruit bunches weight x diameter (r= 0.98 and r=
0.98) and diameter of fruit bunches x amount of fruit (r= 0.74 and r= 0.79), and weak
between fruit bunches length x amount of fruits (r = 0.18).
KEYWORDS: Amazon, morphometry, Palms.
INTRODUÇÃO
As palmeiras são uma das famílias botânicas mais importantes da Amazônia
em razão de sua ampla distribuição, abundância nos diversos ecossistemas e,
principalmente, da diversidade de usos e importância sociocultural e econômica de
um grande número de espécies nativas (FERREIRA, 2005).
A maioria das palmeiras nativas da Amazônia possui algum tipo de utilidade
para os habitantes da região (SOSNOWSKA & BALSLEV, 2009) e isso se deve ao
fato da maioria delas possuir frutos comestíveis, estipes, raízes, folhas e outras
partes passíveis de algum tipo de aproveitamento. Além disso, elas estão
amplamente distribuídas e são geralmente muito abundantes, algumas vezes
formando extensas florestas oligárquicas (PETERS et al., 1989; EMILIO et al.,
2014). São também muito eficientes na colonização e sobrevivência em novos
habitats, especialmente naqueles alterados pelo homem (CARVALHO et al., 2010).
As palmeiras são ainda importante componente das florestas da Amazônia, podendo
apresentar uma grande variedade de formas de crescimento e ser encontradas em
todos os estratos florestais, tipos de solos e níveis topográficos (KAHN & CASTRO,
1985; EISERHARDT et al., 2011).
Phytelephas macrocarpa, conhecida popularmente como jarina, é uma
palmeira dioica de pequeno a médio porte que alcança até cinco metros de altura,
acaulescente ou quando o caule está presente, é curto e subterrâneo exibindo em
sua parte aérea numerosas raízes adventícias. Possui 12-20 folhas pinadas
contemporâneas, com 3-7 m de comprimento. A bainha e o pedúnculo possuem um
metro de comprimento, com a bainha transformada em fibras no ápice. As pinas, em
números de 45-90 de cada lado da raque foliar, estão dispostas a intervalos
regulares e em um mesmo plano. As inflorescências intrafoliares apresentam formas
diferentes para cada sexo, as masculinas espigadas de 30-50 cm de comprimento,
com pedúnculo de cerca de 60 cm e bráctea peduncular de 25 cm de comprimento.
As inflorescências femininas são ramificadas, densas e quase escondidas entres as
folhas (LORENZI et al., 2010).
É uma espécie com ampla distribuição no oeste da região amazônica
(VEDEL-SORENSEN et al., 2013). No Brasil esta espécie é encontrada no Acre,
Amazonas e Rondônia, geralmente no sub-bosque da floresta úmida densa de terra
firme, em encostas ou nos barrancos inundáveis dos rios, onde forma grandes
populações naturais conhecidas pelos habitantes destas regiões como ‘jarinais’
(LORENZI et al., 2010). As folhas são utilizadas na cobertura de casas rústicas, a
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polpa não amadurecida dos frutos é utilizada para alimentação humana e de animais
e as fibras para a confecção de cordas. Contudo, a parte mais usada da planta é a
semente, que tem sido intensamente colhida e comercializada para a confecção de
artesanatos e biojóias, e industrializada para confecção de botões. Os coletores de
sementes dão preferência para aquelas de maior tamanho. A exploração em larga
escala das sementes de jarina deve ser acompanhada de manejo cuidadoso para
evitar danos incalculáveis à reprodução e continuidade dos jarinais (COSTA et al.,
2006).
Muitas espécies tropicais nativas apresentam diferenças marcantes quanto ao
tamanho dos frutos, número e tamanho das sementes (CRUZ et al., 2001). Essa
grande variabilidade em relação ao tamanho dos frutos e número de sementes nos
frutos torna a biometria uma ferramenta importante para selecionar matrizes com
maior produtividade. Entretanto, ainda são poucos os estudos referentes à biometria
de frutos e sementes das espécies pouco utilizadas comercialmente
(RYCHARDSON, 2009). Para HOWARD (1981), o estudo do tamanho e forma dos
frutos gera informações sobre caracteres morfológicos muito utilizados nas
descrições das espécies brasileiras, entretanto, ainda são escassos os estudos de
campo que descrevam os padrões morfométricos encontrados ao longo da área de
distribuição geográfica destas espécies.
Em se tratando de palmeiras, tais estudos são importantes para explorar o
potencial paisagístico dessas espécies, sobretudo para respaldar pesquisas voltadas
para a propagação sexuada das espécies, para viabilizar a produção de frutos com a
finalidade de extração de óleo e o uso no artesanato (ARAÚJO et al., 2000).
A caracterização biométrica de frutos é um importante instrumento para
detectar variabilidade genética dentro de populações de uma mesma espécie e suas
relações com fatores ambientais, bem como são úteis em programas de
melhoramento genético (MACEDO et al., 2009; GONÇALVES et al., 2013). Pode
fornecer informações que ajudam na diferenciação das espécies do mesmo gênero
no campo, como ocorre com Dimorphandra e Hymenaea (CRUZ et al., 2001;
FREITAS et al., 2009). A biometria da semente está relacionada às características
da dispersão e do estabelecimento de plântulas (FENNER, 1993), sendo também
utilizada para diferenciar espécies pioneiras e não pioneiras em florestas tropicais
(BASKIN & BASKIN, 1998). Durante a maturação, as sementes crescem em
tamanho até atingir o valor característico para a espécie (CARVALHO &
NAKAGAWA, 2000). Dentro da mesma espécie existe, porém, variações individuais
devido às influências durante o desenvolvimento das sementes e da variabilidade
genética (TURNBULL, 1975).
A sucessão de comunidades vegetais, a fragmentação florestal, os efeitos de
borda, cobertura vegetal e intensidade de luminosidade que atinge o subosque da
floresta afetam o crescimento e a sobrevivência de plântulas e adultos nas
comunidades de palmeiras (CINTRA et al. 2005). Indiretamente isto pode afetar toda
a floresta, pois as palmeiras, presentes por toda a região, funcionam como recursoschave para a fauna, especialmente no período de escassez de frutos (SCARIOT,
1998). Segundo este mesmo autor, a fragmentação de habitats afeta diretamente a
quantidade de plântulas de palmeiras já que este é o estágio de vida da planta em
que ela é mais susceptível aos efeitos da fragmentação.
Considerando que a exploração de sementes de jarina tende a se intensificar
em razão do seu valor comercial, existe a perspectiva de graves alterações na
dinâmica das comunidades dessa espécie de palmeira nos fragmentos florestais
mais próximos de zonas urbanas no leste do Acre, onde a coleta das sementes é
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facilitada. Portanto, o objetivo deste trabalho é fazer a caracterização biométrica dos
cachos, frutos e sementes de jarina, oriundos de fragmentos florestais primários e
secundários existentes nas cercanias de Rio Branco, Acre, e posteriormente
determinar eventuais diferenças biométricas nos frutos e sementes provenientes dos
diferentes fragmentos florestais para se conhecer melhor os aspectos básicos
ligados à sua forma de dispersão e reprodução.
MATERIAL E MÉTODOS
A avaliação biométrica dos cachos, frutos e sementes foi realizada no
Laboratório de Sementes Florestais do Parque Zoobotânico (PZ) da Universidade
Federal do Acre, localizado na cidade de Rio Branco (10º02'11"S; 67º47'43"W; 152
m). Os frutos foram colhidos de plantas existentes em um fragmento florestal
primário da Reserva Florestal Humaitá e um fragmento florestal secundário da
Fazenda Experimental Catuaba.
A Reserva Florestal Humaitá, uma unidade de pesquisa pertencente à
Universidade Federal do Acre localizada a 33 km de Rio Branco, no município de
Porto Acre (9º45’19”S; 67º40’18’’W) (Figura 1). A reserva possui uma área
aproximada de 2.000 ha quase completamente coberta por Floresta Tropical Aberta
e em menor escala Floresta Tropical Densa e Floresta de Várzea na área que
margeia o rio Acre (ACRE, 2006).
FIGURA 1 – Fragmento florestal da Reserva Florestal Humaitá, município de Porto
Acre, Acre.
Fonte: Imagem de satélite Google Earth. Edição da imagem: E. Ferreira.
A Fazenda Experimental Catuaba (Figura 2) localiza-se a 23 km da cidade de
Rio Branco (10º04'S; 67º37'W; altitude média: 214 m) e possui uma área de 850
hectares (SILVA et al., 2009). Sua vegetação é constituída por floresta primária de
terra firme, floresta secundária e uma pequena área de pastagem cultivada
(MEDEIROS et al., 2013). Os solos predominantes no local são do tipo Latossolo em
relevo ondulado e Argissolo em relevo suave a ondulado (BARDALES et al., 2010).
O clima caracterizado por duas estações bem definidas: a chuvosa, entre meados
de outubro e meados de abril, correspondendo a 75,05% das chuvas, e a seca,
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entre meados de abril e meados de outubro, com 24,95% das chuvas. A temperatura
média varia entre 22 e 24ºC e a média de precipitação anual é de 1.973 mm
(DUARTE, 2006).
FIGURA 2 – Fragmento florestal da Fazenda Experimental Catuaba, no município de
Senador Guiomard, Acre.
Fonte: NASCIMENTO (2009).
Para o estudo das características morfométricas foram utilizados oito cachos,
sendo quatro oriundos do fragmento primário e quatro do secundário, além de 100
frutos e 300 sementes, tomados aleatoriamente de uma amostra recém-coletada em
cada um dos fragmentos florestais. Os cachos foram pesados e medidos
(comprimento e diâmetro) com o auxílio de balança comum e trena. A pesagem dos
frutos, sementes e endocarpos foi feita em balança com precisão de 0,01 g e as
medidas de comprimento, largura e espessura em milímetro, com paquímetro de
precisão (SILVA et al., 2010).
A caracterização dos cachos incluiu: avaliação de peso, comprimento,
diâmetro e quantidade de frutos. Em seguida os frutos foram separados
individualmente dos cachos, e foram feitas avaliações das seguintes variáveis: peso
total, comprimento, largura e espessura do ápice e da base, número de sementes,
peso dos frutos sem as sementes e a determinação do peso seco dos frutos, onde
os mesmos foram levados a estufa por um período de 24 horas a 80°C. Depois de
medidos os frutos foram despolpados com auxilio de uma faca. Das sementes,
foram avaliados: o peso total, comprimento, largura, espessura e peso seco em
estufa no período de 24 horas a 80 °C. A avaliação estatística foi realizada no
programa BioStat 5.0 (AYRES et al., 2007). Para todas as variáveis avaliadas foram
calculados os valores máximo e mínimo, média, desvio padrão (DP), coeficiente de
variação (CV) e o coeficiente de correlação de Pearson.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados da caracterização morfométrica dos cachos coletados no
fragmento florestal primário apresentados na Tabela 1 indicam que os mesmos são
de menor tamanho quando comparados com os cachos oriundos da área de floresta
secundária. Além disso, o coeficiente de variação das medidas e peso dos cachos
oriundos da floresta secundária são inferiores. Houve variação principalmente no
peso dos cachos das duas áreas e no comprimento dos cachos do fragmento
primário. O coeficiente de Correlação de Pearson (r) de ambas as áreas foi forte
entre as variáveis peso x diâmetro dos cachos (r= 0.98 e r= 0.98) e diâmetro dos
cachos x quantidade de frutos (r=0,74 e r=0,79) e fraco entre comprimento dos
cachos x quantidade de frutos (r= 0,18).
TABELA 1 – Caracterização morfométrica de cachos de Phytelephas macrocarpa
Ruiz & Pavón oriundos de fragmento florestal primário (Reserva
Florestal Humaitá) e secundário (Fazenda Experimental Catuaba).
Desvio
Coeficiente
VARIÁVEL
Área
Mínimo Máximo Média
Padrão de Variação
1,305
2,607
2,074
0,57
27,46
Peso
dos Humaitá
Cachos (Kg)
Catuaba
2,215
4,080
3,371
0,80
23,98
Humaitá
10,00
17,00
13,88
3,42
24,68
Comprimento
(cm)
Catuaba
20.00
25.00
22,75
2,22
9,75
Humaitá
44,50
58,50
53,4
6,13
11,47
Diâmetro (cm)
Catuaba
58,00
68,00
64,25
4,50
7,00
10,00
15,00
12,75
2,63
20,63
Quantidade de Humaitá
Frutos (unid.)
Catuaba
13,00
16,00
14,00
1,41
10,10
Fonte: Dados deste estudo, 2014.
A quantidade de frutos por cachos obtidos tanto no fragmento primário como
no secundário são superiores aos encontrados por COSTA et al. (2006), que
afirmaram que os cachos de jarina tipo Acre são formados por até nove frutos ou
ouriços. Em relação a quantidade de sementes, os resultados encontrados (5 a 7
sementes por fruto) também são superiores aos citado pelo mesmo autor (3 a 4
sementes por fruto). A variação no número de sementes por frutos pode estar
relacionada com características do solo e do clima (LYNDON, 1992). Não diferindo
da caracterização dos cachos, os coeficientes de variação de todas as variáveis
analisadas para os frutos coletados em floresta primária foram superiores aos da
secundária (Tabela 2). No geral, a polpa e a casca do fruto representam 51% da
massa úmida e a semente 49%.
Os frutos oriundos de floresta secundária apresentam-se mais homogêneos e
com características superiores, o que sugere que as matrizes de onde foram
extraídos devem ser mais velhas do que as do fragmento primário. O coeficiente de
variação da caracterização morfométrica das sementes foram os que se
apresentaram mais homogêneos para as duas áreas de estudo (Tabela 3). Os pesos
das sementes tanto úmidas quanto secas da área de floresta primária foram as
variáveis que apresentaram maior coeficiente de variação, com 14,59% e 14,63%,
respectivamente. NASCIMENTO et al. (2007) também observaram que o maior
coeficiente de variação em sua avaliação biométrica dos cachos, frutos e sementes
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da palmeira murmuru (Astrocaryum ulei) foi observado nas sementes úmidas, com
índice que alcançou 72,7%.
As sementes secas de Phytelephas macrocarpa diminuíram o peso em cerca
de 20%, sugerindo que as mesmas são ortodoxas, suportando longos períodos de
armazenamento sem que haja danos fisiológicos às mesmas. Nesse aspecto, as
mesmas são similares às da palmeira bocaiuva (Acrocomia aculeata), que além de
ortodoxas, também necessitam de um longo período para germinar (COSTA et al.,
2014).
Nem todas as variáveis dos frutos e sementes apresentaram correlação alta,
linear e positiva entre si. Os valores mais significativos estão entre o peso do fruto
úmido e o número de sementes por fruto e peso da semente, e o peso do fruto
úmido e peso do fruto sem as sementes.
TABELA 2 – Caracterização morfométrica de frutos de Phytelephas macrocarpa
Ruiz & Pavón oriundos de fragmento florestal primário (Reserva Florestal
Humaitá) e secundário (Fazenda Experimental Catuaba).
Desvio Coeficiente
VARIÁVEL
Área
Mínimo Máximo Média
Padrão de Variação
Humaitá 33,989
Catuaba 48,687
Humaitá
37,7
Comprimento (mm)
Catuaba
53,2
Humaitá
33,4
Largura Base (mm)
Catuaba 26,00
Humaitá
30,6
Largura ápice (mm)
Catuaba 36,10
15,30
Espessura
Base Humaitá
(mm)
Catuaba 19,80
26,20
Espessura
ápice Humaitá
(mm)
Catuaba 24,10
Nº de sementes Humaitá
1,00
(unid.)
Catuaba
1,00
Peso
sem Humaitá 15,693
Sementes (g)
Catuaba 28,720
9,690
Peso Seco dos Humaitá
Frutos (g)
Catuaba 12,046
Fonte: Dados deste estudo, 2014.
Peso (g)
220,318 118,604
368,387 227,638
79,9
59,49
82,1
68,43
79,9
59,49
51,70
39,84
86,00
61,95
93,00
78,64
58,80
31,29
35,90
28,48
72,90
46,78
84,20
62,39
5,00
2,66
7,00
4,11
116,920 56,786
197,165 119,490
55,873
27,548
87,015
49,657
52,99
78,21
9,77
6,65
9,77
5,73
13,87
11,72
9,14
3,82
12,52
13,59
1,20
1,37
26,80
39,58
12,08
18,43
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44,68
34,36
16,43
9,72
16,43
14,39
22,39
14,91
29,21
13,40
26,77
21,78
45,12
33,38
47,19
33,12
43,87
37,11
2014
TABELA 3 – Caracterização morfométrica de sementes de Phytelephas
macrocarpa Ruiz & Pavón oriundos de fragmento florestal
primário (Humaitá) e secundário (Catuaba).
Desvio Coeficiente
VARIÁVEL
Área
Mínimo Máximo Média
Padrão de Variação
Humaitá
15,247 31,244 23,643 3,45
14,59
Peso (g)
Catuaba
20,001 33,380 26,038 2,50
9,62
32,20
44,1
38,73
2,43
6,27
Comprimento Humaitá
(mm)
Catuaba
29,50
46,70
41,93
2,25
5,38
Humaitá
22,70
39,70
33,93
2,81
8,27
Largura (mm)
Catuaba
28,80
43,20
34,26
2,53
7,39
Humaitá
19,60
35,20
27,40
3,28
11,96
Espessura
(mm)
Catuaba
23,50
34,60
27,96
2,02
7,24
14,63
Humaitá
12,203 27,350 18,447 2,70
Peso seco (g)
Catuaba
16,102 26,993 21,056 2,06
9,76
Fonte: Dados deste estudo, 2014.
CONCLUSÕES
• Frutos e sementes oriundos de florestas secundárias são mais pesados, de
maior tamanho e mais homogêneos que os oriundos de florestas primárias;
• As sementes secas diminuíram o peso em cerca de 20%, sugerindo que as
mesmas são ortodoxas, suportando longos períodos de armazenamento sem
que haja danos fisiológicos com as mesmas;
• O coeficiente de Correlação de Pearson (r) de ambas as áreas foi forte entre
as variáveis peso x diâmetro dos cachos (r= 0.98 e r= 0.98) e diâmetro dos
cachos x quantidade de frutos (r=0,74 e r=0,79) e fraco entre comprimento
dos cachos x quantidade de frutos (r= 0,18) .
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