UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA REGIONAL DE CHAPECÓ CENTRO TECNOLÓGICO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO AVALIAÇÃO DOS PROGRAMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO DE UMA EMPRESA PRIVADA DE COLETA DE LIXO DOMICILIAR LUCIANO RAVADELLI Chapecó – SC Dezembro, 2006 ii Luciano Ravadelli AVALIAÇÃO DOS PROGRAMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO DE UMA EMPRESA PRIVADA DE COLETA DE LIXO DOMICILIAR Monografia apresentada no curso de Pós – Graduação “Latu Sensu” em Engenharia de Segurança do Trabalho da Universidade Comunitária Regional de Chapecó. Chapecó, dezembro de 2006 _____________________________ Prof. Dr. Mauro Leandro Menegotto Coordenador do Curso BANCA EXAMINADORA _____________________________ Prof. Msc. Marcelo Fabiano Costella Orientador _____________________________ Prof. Dr. Cláudio Alcides Jacoski _____________________________ Prof. Mauro Thompsen Passos iii Agradecimentos A Maria, Mãe de Jesus, meus pais e minha esposa. Ao Prof. Msc. Marcelo Fabiano Costella, pela orientação em todas as etapas do trabalho. Aos proprietários da CRI – Ltda, pela oportunidade. A todas as pessoas que responderam o questionário da pesquisa de campo e contribuíram com comentários e sugestões. SUMÁRIO Lista de Figuras.................................................................................................. 2 Lista de Tabelas e Quadros............................................................................... 3 Lista de Siglas.................................................................................................... 4 Resumo.............................................................................................................. 5 Abstract.............................................................................................................. 6 1 - Introdução..................................................................................................... 7 2 - Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho............................ 9 3 - Aspectos Conceituais e Legislação sobre o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional (PCMSO)....................................................................................... 21 4 - Segurança do Trabalho na Limpeza Pública................................................ 25 5 - Metodologia da Pesquisa.............................................................................. 33 6 - Avaliação dos Sistemas de Gestão.............................................................. 50 7 - Considerações e Propostas de Melhorias.................................................... 54 8 - Alcance dos Objetivos, Conclusões e Recomendações para Futuros Trabalhos........................................................................................................... 60 9 - Referências................................................................................................... 63 10 - Anexos........................................................................................................ 66 2 L I S T A D E F I G U R AS 1 - Pirâmide de Heinrich..................................................................................... 15 2 - Pirâmide de Fletcher..................................................................................... 15 3 - Pirâmide de Bird e Germain.......................................................................... 16 4 – Passos para o controle dos perigos............................................................ 19 5 - Organograma da empresa............................................................................ 36 3 L I S T A D E T AB E L AS E Q U AD R O S T AB E L AS 1 - Incidência de acidentes entre os trabalhadores........................................... 28 2 - Acidentes por tipo de atividade..................................................................... 29 3 - Acidentes por dia da semana....................................................................... 30 4 - Acidentes por distribuição anatômica........................................................... 30 5 - Acidentes por tipo de objeto......................................................................... 31 6 - Causa dos acidentes.................................................................................... 31 7 - População urbana atendida pelo serviço...................................................... 34 8 - Quilometragem percorrida pelos coletores................................................... 40 9 - Causas e números de acidentes.................................................................. 47 Q U AD R O S 1 - Análise preliminar de risco............................................................................ 59 4 L I S T A D E S I G L AS APR - Análise Preliminar de Risco. BSI - British Standard Institution. BS - British Standard. CBI - Confederation of British Industry. CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. HSE - Health Safety Executive. MTE - Ministério do Trabalho e Emprego. NR - Normas Regulamentadoras. NSC - National Safety Council. OHSAS - Occupational Health and Safety Assessment Series. OIT - Organização Internacional do Trabalho. OMS - Organização Mundial da Saúde. PCMAT - Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. PCMSO - Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional. PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. SGSST - Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho. SST - Segurança e Saúde no Trabalho. 5 RESUMO O presente estudo foi realizado em uma empresa privada de coleta de resíduos sólidos domiciliares com objetivo de analisar os Programas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho, em específico, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO). Os dados para a avaliação dos programas foram obtidos mediante a aplicação de um questionário e através do acompanhamento da atividade dos trabalhadores que realizam a coleta de lixo domiciliar, em específico, os coletores. A avaliação do PPRA foi baseada na identificação e reconhecimento dos riscos existentes nos locais de trabalho e no cumprimento das etapas, das ações e metas previstas em seu documento. Já o PCMSO foi avaliado fundamentando-se nos riscos identificados no PPRA e no cumprimento das ações e metas previstas em seu planejamento. O resultado do presente estudo mostra que a empresa tem seus programas voltados para o atendimento dos requisitos mínimos legais deixando seus trabalhadores expostos a inúmeros riscos de acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e a situações que podem ocasionar sofrimento físico, mental e emocional. Entre os riscos identificados, destacam-se os de acidentes (cortes e perfurações), o ergonômico (levantamento excessivo de peso), o biológico (contato com agentes patogênicos) e o químico (substâncias químicas presentes nos resíduos). Assim sendo, os Sistemas de Gestão ganham importância pois são ferramentas gerenciais que auxiliam a empresa na formação de uma nova cultura, a de prevenção de acidentes, garantindo assim, um ambiente de trabalho saudável a seus trabalhadores, aumentando a produtividade e melhorando os processos. Palavras-chave: coletor de lixo; gestão da segurança; riscos. 6 ABSTRACT The present study was accomplished in a deprived company of collection of solid domicile residues with objective to analyze the Programs of Administration of the Safety and Health of the Work, in specific the Program of Prevention of Environmental Risks (PPRA) and the Program of Medical Control and Occupational Health (PCMSO). The basis for the evaluation of the programs were obtained by means of the application of a questionnaire and through the accompaniment of the workers' activity that they accomplish the collection of garbage domicile, in specific the collectors. The evaluation of PPRA was based on the identification and recognition of the existent risks in the work places and in the execution of the stages, of the actions and aims foreseen in its document. PCMSO was already evaluated based it in the identified risks in PPRA and in the execution of the actions and aims foreseen in its planning. The result of the present study shows that the company has its programs looked for the attendance of the legal minimum requirements leaving its workers exposed to countless risks of work accidents and occupational diseases and to situations that can cause physical, mental and emotional suffering. Among the identified risks, they stand out the one of accidents (courts and perforations), the ergonomic (excessive rising of weight), the biological (contact with patogênicos agents) and the chemist (present chemical substances in the residues). Like this being, the Systems of Administration win importance, because they are managerial tools that they aid the company in the formation of a new culture, the one of prevention of accidents, guaranteeing like this, an atmosphere of healthy work to its workers, increasing the productivity and improving the processes. Word-key: garbage collector; administration of the safety; risks. 7 1. INTRODUÇÃO 1.1 JUSTIFICATIVA Os coletores de lixo, também chamados de garis, realizam um trabalho de extrema importância para a comunidade, pois eles são responsáveis pela coleta de todos os resíduos sólidos produzidos pela população residente no perímetro urbano das cidades. Trabalho este realizado diariamente no centro e alternadamente nos bairros. Pendurados na “traseira” do veículo de coleta, não importando as condições do tempo, passam o seu turno de trabalho saltando do caminhão, percorrendo as ruas e logradouros recolhendo o lixo que está acondicionado em sacos plásticos, latões, recipientes, caixas, etc. Esta atividade é realizada em condições precárias de segurança com as mais variadas situações de risco, tanto físicas quanto psicológicas. Sobre as condições de saúde e trabalho dos coletores de lixo da cidade de São Paulo, Santos (1994), afirma que, no sistema de coleta existem condições inadequadas e insalubres e exposições a acidentes de trabalho. No entanto, existem pontos positivos, como a questão da liberdade e do companheirismo. O interesse pelo tema da presente pesquisa originou-se através da vivência diária da rotina de trabalho destes profissionais na empresa de limpeza pública em que trabalho, ou seja, percebi a existência de uma distância entre os programas de gestão existentes, principalmente o PPRA e o PCMSO, e o dia a dia de trabalho destes profissionais. Assim sendo, reavaliar estes programas procurando identificar os riscos a que os garis estão expostos em seus locais de trabalho poderá esclarecer algumas dúvidas e alguns problemas que surgem diariamente com estes trabalhadores quando desenvolvem suas atividades. 8 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 OBJETIVO GERAL Avaliar os Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho, especificamente o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e o PCMSO (Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional), em uma empresa privada de limpeza urbana que realiza a atividade de coleta de lixo domiciliar. 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Compreender o trabalho dos coletores de lixo; • Identificar os riscos da coleta de lixo em uma empresa privada de limpeza pública; • Propor medidas que possam melhorar a segurança dos trabalhadores quando desenvolvem sua atividade. 9 2. SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO 2.1 CONCEITOS BÁSICOS Neste item são apresentados alguns conceitos básicos sobre os Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho que são de fundamental importância para uma melhor compreensão do trabalho. Estes conceitos devem ser levados em consideração sempre que um sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho for implementado. 2.1.1 Custos da segurança e custos da não-segurança O pesquisador norte-americano Heinrich procurou demonstrar as primeiras relações entre custos indiretos e diretos dos acidentes que ocorriam com trabalhadores. Ele chegou na proporção de 4:1, ou seja, os custos indiretos eram muito mais altos do que os custos diretos associados aos acidentes. Desta maneira ficou evidente a necessidade dos investimentos em prevenção (Benite, 2004). Surgiu então um novo enfoque da segurança e saúde do trabalho, onde a empresa deve se preocupar com todos os acidentes, ou seja, os que resultam danos aos trabalhadores, instalações, equipamentos e bens em geral. Este novo enfoque, associado aos custos indiretos, ampliou os custos dos acidentes direcionando as empresas a utilizarem uma visão prevencionista. Assim sendo, quando ocorre um acidente, resultando ou não em lesão, um prejuízo foi gerado, ficando este custo creditado na produção, ocasionando, desta maneira, um prejuízo para a empresa. 10 Segundo Benite (2004), um sistema ineficaz de segurança e saúde do trabalho é o causador dos custos dos acidentes de trabalho existindo uma relação de causa e efeito direto que permite nomear o acidente como um custo da não-segurança. Os custos da não-segurança requerem um volume significativo de recursos sempre que um acidente ocorre. Assim sendo, os empresários devem ter pleno conhecimento da não-segurança e estimular os investimentos na prevenção de acidentes. Sempre que ocorre um acidente de trabalho, despesas diretas e indiretas são geradas. Estas, por sua vez, não são claramente percebidas e avaliadas pela maioria das empresas. Segundo Salgado (1999), o custo direto de um acidente se constitui nos custos de indenização mais os de atendimento médico. Já em relação aos custos indiretos, o autor destaca os seguintes itens: • Tempo perdido pelo trabalhador acidentado e pelos outros trabalhadores que suspendem seu trabalho devido à curiosidade, ajuda, etc.; • Tempo perdido pelo encarregado e pelos executivos na investigação do acidente, na ajuda ao trabalhador, no treinamento e na substituição do trabalhador acidentado; • Tempo, materiais e medicamentos empregados nos primeiros socorros; • Reparação ou reposição de máquinas, ferramentas e ou equipamentos; • Danos causados aos materiais; • Custo acidental devido às interferências na atividade: falta de cumprimento de prazos, elevação nos custos e indenizações por danos a terceiros; • Continuar o pagamento do funcionário acidentado; • Custo social, da imagem, da empresa e judicial. 11 Os custos da não-segurança estão ligados ao tratamento das conseqüências dos acidentes e as subseqüentes ações corretivas. Já os custos da segurança estão relacionados com todos os recursos utilizados durante o planejamento da prevenção de acidentes e nos controles implementados nos locais de trabalho. O custo da doença relacionada ao trabalho não se resume ao salário base e aos 30% de encargos pagos ao funcionário. Devem ser incluídos, além destes, os custos indiretos relativos a: consultas, exames médicos e horas extras. Os custos não mensuráveis como a sobrecarga dos demais funcionários, treinamento de um novo funcionário, prejuízos no atendimento ao paciente, entre outros, também devem ser considerados (Cunha et al. 2000). Os custos da não-segurança são extremamente significativos não só para as empresas, mas também para todas as partes interessadas. No entanto, o custo total da não-segurança para as empresas, trabalhadores, famílias, sociedade e governo é de difícil mensuração. Segundo Tavares (2005) é difícil levantar com exatidão os custos dos acidentes de trabalho e, portanto, definir em que porcentagem eles incidem sobre o custo do produto. Para realizar este levantamento é necessário calcular o custo direto, ou segurado e o custo indireto, ou não-segurado. O Health Safety Executive (HSE), órgão do governo britânico responsável pela SST (Segurança e Saúde no Trabalho) no país, indicou que o custo total global de acidentes de trabalho é estimado entre 5 e 10% do lucro bruto sobre as vendas de todas as empresas britânicas, desconsiderando os acidentes que resultam apenas em danos materiais (North, 19921 apud Benite, 2004). Segundo a National Safety Council (NCS), organização norte-americana não governamental, existem nos EUA cerca de 13 mil mortes de acidentes de trabalho por ano e mais de 2 milhões de feridos com afastamento envolvendo um ou mais 1 NORTH, K. Environmental business management: an introduction. Geneva: International Labour Office, 1992. 12 dias. Os prejuízos chegam a 30 bilhões de dólares por ano (NSC, 20032 apud Benite, 2004). Segundo a Confederation of British Industry (CBI), as faltas ao trabalho por doenças do trabalho representam, na indústria do Reino Unido, um prejuízo anual de 20 bilhões de Euros (CBI, 20033 apud Benite, 2004). Segundo Costa (2001), no Brasil, ocorrem a cada ano, segundo estatísticas, cerca de 500 mil acidentes de trabalho. Destes, 5.000 são fatais, milhares resultam em mutilações e incapacidade para o trabalho parcial ou permanente. Considerando estes números, os custos financeiros destes acidentes alcançam alguns bilhões de dólares por ano. Além dos custos financeiros, deve-se dar importância às conseqüências que os problemas dessa natureza trazem às famílias dos trabalhadores, gerando enorme sofrimento e prejuízo em sua qualidade de vida (Benite, 2004). Quantificar os custos da segurança e da não-segurança não é tarefa simples, uma vez que as variáveis envolvidas são muitas e todas de difícil dimensionamento. Segundo Pinheiro (2001), os custos da segurança e da não-segurança afetam negativamente a competitividade das empresas, pois aumenta a mão-de-obra, o que reflete nos preços dos produtos. Por outro lado existe um aumento das despesas públicas com a previdência, induzindo um aumento da carga tributária. Oliveira (2001), pesquisando a vida de algumas empresas em relação a quanto custa fazer ou não fazer segurança, concluiu que as organizações têm gastos elevados com questões relacionadas à insegurança de seus ambientes de trabalho. Assim sendo, estes custos são transferidos para os clientes ou transformados em redutores das margens de lucro. 2 NATIONAL SAFETY COUNCIL (NSC). Apresenta estatísticas norte-americanas sobre acidentes. Disponível em: <http://www.nsc.org>. Acesso em 20 out. 2003. 3 CONFEDERATION OF BRITISH INDUSTRY (CBI) In: Don, P. worplace ill-health, safety management. London, British Safety Council, 1997. 13 2.1.2 Acidentes e quase-acidentes As empresas devem compreender bem estes termos para implementar um SGSST (Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho), pois o principal objetivo de um sistema de gestão é reduzir a freqüência de acidentes e quase-acidentes. Falar em acidente é imaginar um evento repentino, que ocorre ao acaso e que resulta em danos pessoais. Segundo Benite (2004), esta visão é inadequada e gera dificuldades quando o objetivo é a prevenção de acidentes. Os acidentes eram considerados fatos inesperados, de causas fortuitas e ou desconhecidas. Segundo Correia (2004), esta definição errônea coloca grande parte dos acidentes como ocorrências inevitáveis e incontroláveis, levando as pessoas e organizações a um estado de inércia diante do ocorrido. Sanders e McCormick (1993)4 apud Pozzobon e Heineck (2006) consideram que a variedade de definições de acidentes decorre do número elevado de fatores que contribuem para a sua ocorrência. Estes autores afirmam que nenhuma definição satisfaz todas as pessoas interessadas nas causas e medidas preventivas. O acidente de trabalho está intimamente relacionado ao trabalho, ao ambiente em que o mesmo é desenvolvido e às exigências psíquicas envolvidas. O acidente acontece em decorrência da execução de uma tarefa determinada em ambiente determinado, envolvendo fatores emocionais, individuais e as condições de trabalho encontradas. Os aspectos sociais também devem ser relacionados, estatísticas evidenciam que no Brasil os trabalhadores mais atingidos são os da mão-de-obra não qualificada (More, 19975 apud Ragasson, 2002). O dicionário define acidente como acontecimento infeliz, causal ou não, e que resulta em: ferimento, dano, estrago, prejuízo, ruína, etc (Ferreira, 1998). Esta definição torna evidente que um acidente pode não ocorrer necessariamente por acaso, assim sendo, ele pode ter causas bem conhecidas. 4 th SANDERS, M. S.;McCORMICK, E. J. Human factors in engineering and design. 7 ed. New York: McGraw-Hill, 1993. 5 MORE, L. F.: A CIPA analisada sob a ótica da ergonomia e da organização do trabalho. Dissertação de mestrado em Engenharia de Produção. UFSC, 1997. 14 A definição legal de acidente de trabalho é dada pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991: “o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, ou ainda pelo exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da capacidade para o trabalho permanente ou temporária”. Esta definição procura proteger o trabalhador acidentado, por meio de uma compensação financeira, garantindo-lhe o sustento enquanto estiver impossibilitado de trabalhar, ou a indenização, se tiver sofrido uma incapacitação permanente. Segundo Ragasson (2002), o conceito legal não contempla todas as situações que caracterizam um acidente, se restringindo apenas às hipóteses de lesões ou perturbações de ordem funcional ou mental. As normas BSI (British Standard Institution), OHSAS (Occupational Health and Safety Assessment Series) 18001 e BS (British Standard) 8800, definem o acidente como “evento indesejável que resulta em morte, problemas de saúde, ferimentos, danos e outros prejuízos”. Esta definição é interessante e deve ser utilizada pelas empresas, uma vez que se baseia na visão prevencionista, apresentando uma abrangência maior, deixando de lado a idéia de que os acidentes são obras do acaso (Benite, 2004). Já o termo quase–acidente merece também grande importância e, segundo as normas BSI OHSAS 18001 e BS 8800, pode ser definido como “um evento não previsto que tinha potencial de gerar acidentes”. Esta definição agrega todas as ocorrências que não resultam em morte, problemas de saúde, ferimentos, danos e outros prejuízos. Os quase–acidentes podem ser entendidos como ocorrências inesperadas, é um aviso que, ser for ignorado, o acidente poderá ocorrer. Segundo Souto (1999), acidentes e quase-acidentes que não causam ferimentos ou outros tipos de lesão, também devem ser investigados. Eles são avisos daquilo que pode ou provavelmente vai acontecer. Heinrich, tomando como base 1.500 empresas, analisou um grande número de ocorrências e desenvolveu a proporção apresentada na figura 1, na qual, para cada grupo de 330 ocorrências, 300 não resultam em danos (quase–acidentes), 29 15 resultam em lesões menores e apenas uma resulta em morte ou lesões incapacitantes (Heinrich, 19506 apud Aquino, 1996). Figura 1: Pirâmide de Heinrich. Acidentes graves, mortes e lesões incapacitantes 1 Acidentes leves e lesões menores 29 300 Quase-acidentes Fonte: Heinrich (1950) apud Aquino (1996). Uma proporção similar a de Heinrich foi desenvolvida por Fletcher em pesquisas sobre controle total de perdas apresentada na figura 2 (Benite, 2004). Figura 2: Pirâmide de Fletcher. 1 Acidentes graves, mortes e lesões incapacitantes 19 175 Acidentes leves e lesões menores Quase-acidentes Fonte: Benite (2004). 6 HEINRICH, H. W. Industrial accident prevention. New York: McGraw-Hill Book Company, 1959. 16 Bird e Germain em 1969 analisaram mais de 1,7 milhão de acidentes reportados por 297 companhias as quais possuíam mais de 1,7 milhão de empregados. Como resultado, surgiu a pirâmide representada pela figura 3 (Bird e Germain7, 1987 apud Silva, 2006). Figura 3: Pirâmide de Bird Germain. Grande acidente 1 10 Pequenos ferimentos 30 600 Danos à propriedade Desvios Fonte: Bird e Germain (1987) apud Silva (2006). As condições e comportamentos inseguros, representados pelos desvios, estão na base da pirâmide. O estudo feito por Bird e Germain mostra que, para cada 600 desvios podem ocorrer 30 acidentes com danos a propriedade, 10 acidentes com pequenos danos e um grande acidente (Silva, 2006). As três proporções deixam claro que os quase–acidentes ocorrem em quantidade significativamente maior que os acidentes. Logo, as placas que indicam o número de dias em que uma determinada empresa não teve acidente não é motivo para retratar um bom desempenho da SST (Segurança e Saúde no Trabalho). Benite (2004), conclui que as empresas devem ter como foco a eliminação e redução de acidentes e quase–acidentes, procurando mecanismos que façam a detecção, análise e implementação de medidas de controle. 7 BIRD, F. E. Jr e GERMAIN, George L. Practical loss control leadership, 1ª ed. Loganville, Institute Publishing, 1987. 17 O acidente de trabalho é causado por uma ação nociva, que poderá influir na integridade física e psíquica do trabalhador, podendo causar incapacidade temporária, permanente ou morte, representando, dessa forma, um problema importante na medida em que resulta perdas significativas, tanto de vidas humanas como econômicas (Ragasson, 2002). 2.1.3 Perigo e risco Perigo, segundo as normas BSI OHSAS 180001 e BS 8800, pode ser definido como sendo: “fonte ou situação com potencial de provocar lesões pessoais, problemas de saúde, danos à propriedade, ao ambiente de trabalho, ou uma combinação desses fatores”. Segundo a norma BSI OHSAS 180001 e BS 8800 o termo “risco” é definido como: “combinação da probabilidade e das conseqüências de ocorrer um evento perigoso”. Segundo Kolluru (1996)8 apud Fischer e Guimarães (2002), os termos risco e perigo podem ser interpretados em diferentes dimensões: científica, política, social, e econômica, de modo que existem diferentes definições na literatura. Segundo Sanders e McCormick (1993)9 apud Fischer e Guimarães (2002), risco é a probabilidade ou chance de lesão ou morte. Perigo é uma condição ou um conjunto de circunstâncias que causam ou contribuem para uma lesão. Segundo Shinar, Gurion e Flascher (1991)10 apud Fischer e Guimarães (2002), risco é um resultado medido do efeito potencial do perigo. Perigo é a situação que contém uma fonte de energia ou fatores fisiológicos que, quando não controlados, conduzem a eventos prejudiciais. Os termos perigo e risco devem ser bem conhecidos pelas empresas, estas devem divulgar a todos os colaboradores e todos devem procurar uniformizar estes termos 8 KOLLURU, R. Risk assessment and management: a unified approach. Boston, Massachusetts: McGrawHill, 1996. 9 th SANDERS, M. S.;McCORMICK, E. J. Human factors in engineering and design. 7 ed. New York: McGrawHill, 1993. 10 th SHINAR, D., GURION, B.; FLASCHER, O. M. Proceedings of the human factors society. 35 San Francisco, California, 1991. 18 para que a comunicação seja a mais clara possível entre os trabalhadores (Benite, 2004). Segundo Cardoso (2006), a partir do momento que os riscos de acidentes são identificados, as empresas devem procurar miminizá-los, implantando medidas preventivas. O procedimento inicial, no sentido de prevenir acidentes, é a elaboração de um diagnóstico. Para isso, é necessário reunir estatísticas, conhecer a política da empresa, conhecer os riscos e conversar com os trabalhadores. As tendências atuais das agências de fiscalização em diversos países obrigam as empresas a implantar sistemas de gestão que procuram lidar de maneira sistemática como os perigos e riscos de suas atividades deixando que as empresas não se preocupem em direcionar esforços para controlar os riscos (Benite, 2004). Segundo Oliveira (2001), a definição de metas e ferramentas adequadas para o reconhecimento e controle de riscos no ambiente de trabalho é fundamental para a implementação de um programa efetivo de SST. No Brasil, percebe-se esta tendência nas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) onde são exigidos programas, como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT). Estes programas contemplam um processo de identificação prévia de perigos e riscos existentes no ambiente de trabalho para, em seguida, estabelecer medidas de controle. Segundo Costa (2001), as pequenas e grandes empresas no Brasil encontram dificuldades em gerir e efetivamente controlar os riscos nos ambientes de trabalho. Para muitos empregadores, os Programas de Controle Médico e Saúde Ocupacional e de Prevenção de Riscos Ambientais ainda são vistos como imposição do governo que aumenta os custos, ou seja, tais programas não são vistos como instrumentos capazes de garantir um ambiente de trabalho saudável e seguro. Conhecer previamente os riscos ocupacionais no ambiente de trabalho e como estes são percebidos pelos trabalhadores é fundamental para o sucesso de ações que visem a prevenção e controle de acidentes (Fischer e Guimarães, 2002). 19 Brauer (1994)11 apud Benite (2004) evidencia a necessidade de um gerenciamento de riscos sistemático que garanta a identificação de todos os perigos existentes no ambiente de trabalho. Assim, a forma de conviver com os perigos existentes no ambiente de trabalho é gerenciar os riscos de maneira que os perigos sejam minimizados, ou até mesmo eliminados. A figura 4 apresenta os passos a serem seguidos para controlar os perigos num ambiente de trabalho. Figura 4. Passos para o controle de perigos. Origens Identificar os perigos Avaliar o risco O risco é tolerável ? Não Definir as medidas de controle Planejar Sim Aplicar as medidas de controle Executar Monitorar as medidas de controle Checar As medidas foram eficazes ? Atuar Não Sim Fim Fonte: Benite (2004). 11 BRAUER, R.L. Safety and health for engineers. New York: Van Nonstrand Reinhold, 1994. 20 Identificar os riscos num ambiente de trabalho é o primeiro passo para a implantação de um plano de gerenciamento de riscos e um efetivo controle dos perigos. Para controlar o perigo é imprescindível que se aplique o ciclo PDCA, Planejar (P), Executar (D), Checar (C) e Atuar (A) (Campos, 2003). Segundo Tavares (2005), o ciclo PDCA atua dentro de quatro fases: • Primeira fase: é a do planejamento (P) e inicia com a fixação dos objetivos e das metas a serem alcançadas. Consiste em definir metas sobre os itens de controle e os métodos para atingir as metas propostas, sendo essa a fase em que se estabelecem as diretrizes de controle; • Segunda fase: é a do desenvolvimento do plano (D). Esta é a fase de treinamento das pessoas que irão implantar e executar o método. Consiste em executar as tarefas exatamente como previstas no plano e coletar dados para a verificação do processo, o treinamento dos trabalhadores é essencial; • Terceira fase: é a de checagem (C), de busca de fatos, de ter certeza de que o método está funcionando de acordo com o planejado. A partir dos dados coletados na execução, compara-se o resultado alcançado com a meta planejada; • Quarta fase: é a de ação corretiva (A), por depender da ação das pessoas, é considerada a fase mais difícil. É a etapa em que o usuário detecta um desvio e atua para fazer as correções definitivas. Segundo Valcárcel (2003), o “Ciclo PDCA” é a base da abordagem de um sistema para a gestão e melhoria contínua. Para que o planejamento e implantação do sistema de gestão sejam efetivos é essencial a participação de todos os trabalhadores. 21 3. ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGISLAÇÃO SOBRE O PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) E O PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO) A legislação brasileira que trata da segurança e da saúde no trabalho passou a adotar um novo enfoque ao estabelecer a obrigatoriedade das empresas elaborarem e implementarem dois programas: um ambiental, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), e outro médico, o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Adotando como paradigma a Convenção 161/85 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a legislação brasileira específica passou a considerar as questões incidentes não somente sobre o indivíduo mas também sobre a coletividade de trabalhadores, promovendo, assim, uma ampliação do conceito restrito de "medicina do trabalho". Até 1994 as Normas Regulamentadoras (NR) caracterizavam-se ainda por um enfoque essencialmente "individualista". As NR-7 e 9 intitulavam-se, respectivamente, Exames Médicos e Riscos Ambientais, ou seja, a ênfase era, isoladamente, ora para o corpo do trabalhador, ora para a avaliação quantitativa de um certo risco ambiental. As novas normas, preocupadas agora com a saúde do conjunto dos trabalhadores, privilegiaram o instrumental clínico-epidemiológico na abordagem da relação saúde/trabalho e introduziram a questão da valorização da participação dos trabalhadores e do controle social. Neste sentido, a exigência legal dos novos programas PCMSO e PPRA representou, na prática, a superação de um "viés biologista/ambiental" e a introdução de um "olhar coletivo" nas questões relacionadas com a segurança e a saúde dos trabalhadores (Miranda, 2004). 3.1 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) O PPRA, cuja obrigatoriedade foi estabelecida pela NR-9 da Portaria 3.214/78, apesar de seu caráter multidisciplinar, é considerado essencialmente um programa 22 de higiene ocupacional que deve ser implementado nas empresas de forma articulada com um programa médico o PCMSO. Todas as empresas, independente do número de empregados ou do grau de risco de suas atividades, estão obrigadas a elaborar e implementar o PPRA, que tem como objetivo a prevenção e o controle da exposição ocupacional aos riscos ambientais, isto é, a prevenção e o controle dos riscos químicos, físicos e biológicos presentes nos locais de trabalho. A NR-9 detalha as etapas a serem cumpridas no desenvolvimento do programa, os itens que compõem a etapa do reconhecimento dos riscos, os limites de tolerância adotados na etapa de avaliação e os conceitos que envolvem as medidas de controle. A norma estabelece, ainda, a obrigatoriedade da existência de um cronograma que indique claramente os prazos para o desenvolvimento das diversas etapas e para o cumprimento das metas estabelecidas. Um aspecto importante deste programa é que ele deve ser elaborado dentro dos conceitos mais modernos de gerenciamento e gestão, no qual o empregador tem autonomia suficiente para, com responsabilidade, adotar um conjunto de medidas e ações que considere necessárias para garantir a saúde e a integridade física dos seus trabalhadores. A elaboração, implementação e avaliação do PPRA podem ser feitas por qualquer pessoa, ou equipe de pessoas que, a critério do empregador, sejam capazes de desenvolver o disposto na norma. Além disso, cabe à própria empresa estabelecer as estratégias e as metodologias que serão utilizadas para o desenvolvimento das ações, bem como a forma de registro, manutenção e divulgação dos dados gerados no desenvolvimento do programa. As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de cada estabelecimento da empresa, sua abrangência e profundidade dependem das características dos riscos existentes no local de trabalho e das respectivas necessidades de controle. A NR-9 estabelece as diretrizes gerais e os parâmetros mínimos a serem observados na execução do programa; porém, os mesmos podem ser ampliados mediante negociação coletiva de trabalho. Procurando garantir a efetiva implementação do PPRA, a norma estabelece que a empresa deve adotar mecanismos de avaliação que permitam verificar o cumprimento das etapas, das 23 ações e das metas previstas. Além disso, a NR-9 prevê algum tipo de controle social, garantindo aos trabalhadores o direito à informação e à participação no planejamento e no acompanhamento da execução do programa (Dias, 2004). 3.2 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO) O PCMSO, cuja obrigatoriedade foi estabelecida pela NR-7 da Portaria 3.214/78, é um programa médico que deve ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho. Entende-se aqui por diagnóstico precoce, segundo o conceito adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a detecção de distúrbios dos mecanismos compensatórios e homeostáticos, enquanto ainda permanecem reversíveis alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais. Todas as empresas, independente do número de empregados ou do grau de risco de sua atividade, estão obrigadas a elaborar e implementar o PCMSO, que deve ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente os riscos identificados nas avaliações previstas no PPRA. Entre suas diretrizes, uma das mais importantes é aquela que estabelece que o PCMSO deve considerar as questões incidentes tanto sobre o indivíduo como sobre a coletividade de trabalhadores, privilegiando o instrumental clínico-epidemiológico. A norma estabelece, ainda, o prazo e a periodicidade para a realização das avaliações clínicas, assim como define os critérios para a execução e interpretação dos exames médicos complementares (os indicadores biológicos). Em síntese, na elaboração do PCMSO, o mínimo requerido é um estudo prévio para reconhecimento dos riscos ocupacionais existentes na empresa, por intermédio de visitas aos locais de trabalho, baseando-se nas informações contidas no PPRA. Com base neste reconhecimento de riscos, deve ser estabelecido um conjunto de exames clínicos e complementares específicos para cada grupo de trabalhadores da empresa, utilizando-se de conhecimentos científicos atualizados e em conformidade com a boa prática médica. Logo, o nível de complexidade do PCMSO depende basicamente dos riscos existentes em cada empresa, das exigências físicas e 24 psíquicas das atividades desenvolvidas e das características biopsicofisiológicas de cada população trabalhadora. A norma estabelece as diretrizes gerais e os parâmetros mínimos a serem observados na execução do programa, podendo os mesmos, entretanto, ser ampliados pela negociação coletiva de trabalho. O PCMSO deve ser coordenado por um médico, com especialização em medicina do trabalho, que será o responsável pela execução do programa. Ao empregador, por sua vez, compete garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, tanto quanto zelar pela sua eficácia. Procurando garantir a efetiva implementação do PCMSO, a NR-7 determina que o programa deve obedecer a um planejamento em que estejam previstas as ações de saúde a serem executadas durante o ano, devendo estas serem objeto de relatório anual. O relatório anual deverá discriminar, por setores da empresa, o número e a natureza dos exames médicos, incluindo avaliações clínicas e exames complementares, estatísticas de considerados anormais, assim como o planejamento para o ano seguinte. resultados 25 4. SEGURANÇA DO TRABALHO NA LIMPEZA PÚBLICA Estudos mostram que os acidentes de trabalho no Brasil, além de apresentarem prejuízos econômicos, constituem um mal social inaceitável que deve ser minimizado através de medidas adotadas por todas as atividades. A exemplo do que acontece em outras atividades, a exposição ao risco de acidentes do trabalho é freqüente nos serviços de limpeza pública, uma vez que esta atividade se desenvolve, na maioria dos casos, em vias e logradouros públicos, estando sujeito a agentes externos e toda a espécie de causas externas de acidentes. Os acidentes de trabalho na limpeza pública são extremamente diversificados e para isso é necessário observá-los e compreendê-los melhor, pois a observação e a compreensão podem nortear qualquer plano de ação visando à imunização da ocorrência de acidentes. 4.1 EFEITOS NA SAÚDE HUMANA E NO MEIO AMBIENTE Segundo Ferreira (1997), os mais freqüentes agentes físicos, químicos e biológicos presentes nos resíduos sólidos domiciliares e nos processos dos sistemas de seu gerenciamento, capazes de interferir na saúde humana e no meio ambiente são: Agentes físicos O odor emanado dos resíduos pode causar mal estar, cefaléias e náuseas em trabalhadores e pessoas que se encontrem próximas a equipamentos de coleta ou sistemas de manuseio, transporte e destinação final. Ruídos em excesso, durante as operações de gerenciamento dos resíduos, podem promover a perda parcial ou permanente da audição, cefaléia, tensão nervosa, estresse, hipertensão arterial. 26 Um agente comum nas atividades com resíduos é a poeira, que pode ser responsável por desconforto e perda momentânea da visão, e por problemas respiratórios e pulmonares. Responsáveis por ferimentos e cortes nos trabalhadores da limpeza urbana, os objetos perfurantes e cortantes são sempre apontados entre os principais agentes de riscos nos resíduos sólidos. Agentes químicos Nos resíduos sólidos municipais pode ser encontrada uma variedade muito grande de resíduos químicos, dentre os quais merecem destaque: pilhas e baterias; óleos e graxas; pesticidas/herbicidas; solventes; tintas; produtos de limpeza; cosméticos; remédios; e aerossóis. Uma significativa parcela destes resíduos é classificada como perigosa e pode ter efeitos deletérios à saúde humana e ao meio ambiente. Metais pesados como chumbo, cádmio e mercúrio, incorporam-se à cadeia biológica, têm efeito acumulativo e podem provocar diversas doenças como saturnismo e distúrbios no sistema nervoso, entre outras (Ferreira, 1997). Agentes biológicos Os agentes biológicos presentes nos resíduos sólidos podem ser responsáveis pela transmissão direta e indireta de doenças. Microorganismos patogênicos ocorrem nos resíduos sólidos municipais mediante a presença de lenços de papel, curativos, fraldas descartáveis, papel higiênico, absorventes, agulhas e seringas descartáveis e preservativos, originados da população; dos resíduos de pequenas clínicas, farmácias e laboratórios e, na maioria dos casos, dos resíduos hospitalares, misturados aos resíduos domiciliares. Alguns agentes que podem ser ressaltados são: os agentes responsáveis por doenças do trato intestinal (Ascaris lumbricoides; Entamoeba coli; Schistosoma mansoni); o vírus causador da hepatite (principalmente do tipo B), pela sua 27 capacidade de resistir em meio adverso; e o vírus causador da AIDS, mais pela comoção social que desperta do que pelo risco associado aos resíduos, já que apresenta baixíssima resistência em condições adversas. Além desses, devem também ser referidos os microorganismos responsáveis por dermatites. A transmissão indireta se dá pelos vetores que encontram nos resíduos condições adequadas de sobrevivência e proliferação. Entre os resíduos com presença de microorganismos, podem ser mencionados os infecciosos dos serviços de saúde que, pela falta de uma melhor compreensão dos modos de transmissão dos agentes associados a doenças infecciosas, têm sido alvo de receios exagerados da população em geral. Contudo, isto não deve servir de justificativa para que as instituições de saúde não estabeleçam procedimentos gerenciais que reduzam os riscos associados a tais resíduos (principalmente dos perfurocortantes) com a sua desinfecção ou esterilização. 4.2 ACIDENTES DE TRABALHO NOS SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA Segundo Lima (1994), os trabalhadores que realizam atividades de limpeza urbana estão expostos, com maior freqüência, a acidentes de trabalho pelo fato desta atividade ser desenvolvida nas vias e logradouros públicos, estando sujeitos a causas e agentes externos. Lima (1994) apresentou estudos realizados em empresas públicas e privadas de limpeza urbana do Nordeste Brasileiro e de São Paulo. Este procura identificar as causas mais comuns dos acidentes levando em consideração, entre os trabalhadores, os acidentes ocorridos em relação à faixa etária, sua distribuição anatômica, os principais acidentes e sua distribuição pelos diversos tipos de atividades. A tabela 1 mostra a incidência dos acidentes entre os trabalhadores de uma empresa de limpeza urbana. No universo de trabalhadores, foram considerados 28 indistintamente os coletores de lixo, varredores, motoristas, manutenção/mecânica e demais serviços. Tabela 1: Incidência de acidentes. Tipo de acidente Corte Contusão/entorse Escoriações Atropelamentos Ferimento no olho Esmagamento de dedos Queimaduras Mordedura por animais (cachorros) % 48,5 34,6 7,10 2,90 2,60 1,90 1,60 0,80 Fonte: Lima (1994). Nos acidentes do trabalho existe uma predominância nos cortes e contusões em relação aos acidentes registrados. A existência de escoriações é mais freqüente nas atividades de varrição e nas atividades de manutenção e mecânica. A grande incidência de cortes ocorre na coleta domiciliar e na coleta hospitalar, observações feitas comprovam que estes acidentes acontecem devido a: • Uso de sacos plásticos contendo em seu interior objetos cortantes sem acondicionamento especial; • Uso de recipientes metálicos, com bordas cortantes, para o acondicionamento de lixo e a não utilização de luvas protetoras pelos coletores. As contusões/entorses ocorreram na coleta domiciliar sendo observadas as seguintes causas: • Forma indevida de levantamento de peso (problemas na coluna vertebral); • Falta de atenção no desenvolvimento das tarefas e falta de calçado adequado (problemas de queda); • Postura inadequada dos coletores e varredores no desenvolvimento de suas atividades. Em relação aos atropelamentos considera-se: 29 • Falta de atenção do trabalhador e falta de atenção e irresponsabilidade dos motoristas; • Inexistência de sinalização adequada, não utilização de coletes reflexivos nas tarefas noturnas. A tabela 2 mostra a incidência dos diversos tipos de acidentes por tipo de atividade. Tabela 2: Acidentes por tipo de atividade. Tipo de atividade Coletor de lixo Varredor de rua Capinação de rua Mecânica/Manutenção Acidentes de trajeto Motoristas Operador de máquina % 58,50 13,00 10,20 11,60 2,10 2,80 1,80 Fonte: Lima (1994). Segundo Lima (1994), a maioria dos acidentes ocorre com os trabalhadores que desenvolvem a atividade de coletor. As razões para a explicação deste fenômeno estão na própria natureza da atividade, ou seja, os trabalhadores estão mais expostos aos riscos de acidentes que os demais. As principais causas dos acidentes são: • Desgaste físico dos trabalhadores (jornadas diárias de trabalho agravadas pelo clima, condições topográficas e de pavimentação das ruas); • Uso de bebidas alcoólicas e drogas durante o trabalho (hábito constatado com freqüência entre os trabalhadores em razão das próprias condições do trabalho); • Não utilização dos equipamentos de proteção individual (o trabalhador se queixa que os equipamentos tiram a liberdade dos movimentos); • Velocidade excessiva de coleta (terminar o roteiro de coleta cedo). Nas demais atividades, como a de varrição e manutenção, são registradas as seguintes causas: 30 • Não cumprimento das recomendações gerais e a não utilização do EPI. A tabela 3 mostra a incidência dos diversos tipos de acidentes distribuídos por dias da semana entre os trabalhadores. Tabela 3: Acidentes por dia da semana. Dia da semana Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo % 28,9 19,50 14,60 12,90 13,50 9,90 0,70 Fonte: Lima (1994). Os dados mostram que o maior número de acidentes ocorre na segunda e terça feira. Este fato pode ser explicado em função do acúmulo de lixo a ser coletado nestes dias, dada a inexistência de coleta nos sábados e domingos, logo a jornada de trabalho nestes dias, segunda e terça-feira, é mais longa e cansativa, sendo a fadiga, uma das principais causas dos acidentes de trabalho na atividade de coleta de lixo. Um menor índice é observado na sexta-feira, ou seja, no fim da semana onde finda a atividade semanal de trabalho e causas como a fadiga e desgaste levam a ocorrência de acidentes do trabalho (Lima, 1994) A tabela 4 mostra a incidência de acidentes do trabalho por distribuição anatômica. Tabela 4. Acidentes por distribuição anatômica. Tipo de acidente por distribuição anatômica Pernas Pés Mãos Braços Olhos Cabeça Escoriações Fonte: Lima (1994). % 19,50 21,80 25,30 17,80 8,90 2,80 3,90 31 O maior número de acidentes com os trabalhadores da limpeza urbana ocorre nas mãos, pés e braços. O acondicionamento inadequado do lixo e a não utilização do EPI são as principais causas destes acidentes. A tabela 5 relata a incidência dos diversos tipos de acidentes por tipo de objeto. Tabela 5. Acidentes por tipo de objeto. Tipo de objeto Vidro Perfuro-cortante Estribo do veículo Tambores de lata Pregos % 36,40 15,50 12,50 8,90 26,70 Fonte: Lima (1994). O maior número de acidente ocorre com vidros, mas é bom salientar que a ocorrência de acidentes com outros objetos é considerável. Velloso et al. (1997), em pesquisa realizada com 24 coletores de resíduos sólidos do Rio de Janeiro, identificou as causas dos acidentes relacionadas com estes profissionais. Tabela 6. Causa dos acidentes. Causas dos acidentes 1 – Objeto cortante 2 – Esforço excessivo 3 – Objeto perfurante 4 – Queda do estribo do veículo 5 – Batida de corpo contra o veículo 6 – Gancho de suspensão da caçamba do veículo 7 – Prensagem na porta do veículo 8 – Prensagem no compactador de lixo 9 – Trânsito ou via pública 10 – Corpo estranho nos olhos 11 – Ataque de seres vivos 12 – Contato com eletricidade Total Fonte: Velloso et al (1997). N 21 19 9 3 2 1 1 1 4 3 2 1 67 % 31,3 28,3 13,4 4,5 3,0 1,5 1,5 1,5 6,0 4,5 3,0 1,5 100,0 32 As causa dos itens 1, 2 e 3 estão relacionadas ao acondicionamento inadequado do lixo pelos munícipes, as 4, 5, 6, 7 e 8 ao veículo de coleta e as 9, 10, 11 e 12, são causas relacionadas ao trânsito ou via pública. A tabela 6 mostra que, o maior índice percentual de acidentes está relacionado ao acondicionamento inadequado dos resíduos (73%), seguido das causas relacionadas ao veículo de coleta (12%). Dos 67 acidentes informados, 35,8% ocorreram em membros superiores e 26,8% na coluna vertebral. Destes, 50,7% tiveram como diagnóstico clínico cortes, ferimentos e 34,3% mau jeito, torção, hérnia de disco, dor muscular, contusão lombar e entorse. As extremidades corporais e a coluna vertebral parecem constituir as partes mais vulneráveis do corpo destes trabalhadores (Velloso et al. 1997). O equipamento de coleta, compactador de lixo, foi responsável por 37,5% dos acidentes, nestes, os coletores sofreram fraturas. Foi relatado um acidente grave, onde o trabalhador teve metade da mão esmagada pelo compactador, tendo que sofrer amputação dos membros (Velloso et al. 1997). Segundo informações dos trabalhadores pesquisados, os problemas mais freqüentes de acidentes estão relacionados ao manuseio de objetos perfurocortantes e à sobrecarga da função ósteo-muscular e da coluna vertebral (Velloso et al. 1997). Em relação aos afastamentos do trabalho, 39 acidentes implicaram em afastamento. Naqueles com afastamento de até 15 dias, a causa está relacionada ao acondicionamento inadequado dos resíduos. Entre os acidentes graves, aqueles com afastamento maior que 15 dias, as causas estão relacionadas ao acondicionamento dos resíduos e problemas no equipamento de coleta. Os acidentes atribuídos ao equipamento de coleta implicaram afastamento maior que 15 dias, assim, apesar da menor freqüência, estes acidentes são os de maior gravidade (Velloso et al. 1997). 33 5. METODOLOGIA DA PESQUISA A presente pesquisa usou os seguintes procedimentos: • Levantamento bibliográfico em: livros, teses, na empresa dissertações, Internet, bibliotecas, empresas, etc.; • Acompanhamento das atividades de limpeza pública, especificamente, duas equipes de coleta de resíduos sólidos domiciliares; • Entrevistas informais com os trabalhadores, coletores de lixo; • Levantamento de dados mediante a aplicação de um questionário, onde foram obtidas informações como, o tempo que trabalha coletando lixo, se usa equipamentos de proteção individual, se a roupa é adequada para a atividade, se sofreu acidente de trabalho e se recebeu treinamento. Este questionário foi aplicado em duas equipes de coleta, ou seja, em 6 (seis) coletores que realizam a atividade em 5 (cinco) cidades. Uma equipe, 3 (três) coletores, em 2 (duas) cidades, coleta de lixo no período matutino e outra equipe, 3 (três) coletores em 3 (três) cidades, coleta de lixo no período vespertino e noturno; • Avaliação dos programas PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e PCMSO (Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional), principalmente em relação aos riscos da atividade de coletor de lixo. De acordo com Gil (1991), a pesquisa pode ser classificada como exploratória, descritiva e qualitativa. É exploratória pois envolve levantamento bibliográfico e entrevistas com trabalhadores que vivenciam as tarefas abordadas, permitindo que o pesquisador se familiarize com a realidade estudada. É descritiva porque descreve características inerentes à atividade desenvolvida pela população estudada. E por fim é qualitativa, uma vez que o objetivo do trabalho está na compreensão dos fatos, 34 ou seja, os dados serão avaliados analiticamente, sem a aplicação de métodos estatísticos. 5.1 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO A pesquisa foi realizada em uma empresa que desenvolve a atividade de coleta e destinação final de lixo domiciliar, comercial, industrial e hospitalar e varrição de vias e praças públicas. Está atuando desde o ano de 1998 onde iniciou suas atividades no município de Ipumirim, estado de Santa Catarina. No início trabalhava com os seguintes municípios: Arabutã, Ipumirim e Lindóia do Sul. Com o passar do tempo, as parcerias com as Prefeituras aumentaram e no ano de 2000 a empresa destinava o lixo domiciliar produzido nos municípios de Arabutã, Catanduvas, Faxinal dos Guedes, Ipumirim, Itá, Irani, Lindóia do Sul, Ponte Serrada, Vargeão e Vargem Bonita. A tabela 7 mostra a população urbana atendida pelo serviço em 2000 e a quantidade de lixo produzida por município por mês. Tabela 7: População urbana atendida pelo serviço. Município População (hab) Arabutã Faxinal dos Guedes Ipumirim Ita Irani Lindóia do Sul Ponte Serrada Vargeão Vargem Bonita 967 7.049 2.482 3.418 5.052 1.315 7.233 1.380 2.197 Quantidade de lixo produzida (kg/mês) 14.520 105.720 37.230 51.270 75.780 19.740 108.510 20.700 32.970 Fonte: Pesquisa de campo. No ano de 2001, novos municípios firmaram parceria e a mesma iniciou a atividade de limpeza de vias, praças e logradouros públicos nos municípios de Ipumirim e Lindóia do Sul. Neste mesmo ano os municípios de Arvoredo, Passos Maia, Peritiba e Xaxim começaram a trabalhar com a empresa. 35 O lixo domiciliar coletado nos municípios de Arabutã, Faxinal dos Guedes, Ipumirim, Irani, Itá, Lindóia do Sul, Ponte Serrada, Vargem Bonita, Vargeão e Xaxim, são coletados por veículos equipados com coletor compactador. O lixo, depois de coletado, é transportado para Ipumirim ou Xaxim onde recebe um tratamento diferenciado passando, primeiramente, em uma unidade de triagem. Nesta unidade, todo o material que pode ser reciclado é selecionado, prensado e destinado para empresas recicladoras. O lixo que não pode ser reaproveitado é destinado para um aterro sanitário. Os municípios de Arvoredo, Passos Maia e Peritiba transportam o lixo domiciliar até a unidade de triagem. Esta unidade está localizada em Ipumirim e possui todas as licenças ambientais, sendo que o mesmo acontece com os aterros sanitários de Ipumirim e Xaxim. No município de Concórdia, a empresa realiza a coleta hospitalar, coleta seletiva, operação, controle e manutenção do aterro sanitário e da vala séptica. Estes serviços foram iniciados no ano de 2003. A empresa iniciou suas atividades com 12 funcionários em 1998, e hoje, em 2006, conta com 60. Estes realizam atividades administrativas e operacionais. Possui uma frota composta por 06 veículos equipados com coletor compactador para a coleta de lixo domiciliar e industrial, 02 veículos tipo baú para realizar a coleta seletiva de lixo reciclável, 01 veículo diferenciado para efetuar a coleta de lixo hospitalar, 03 caçambas, 03 retroescavadeiras, 03 tratores de esteira. Estes veículos e máquinas são utilizados na operação, controle e manutenção dos aterros sanitários de Concórdia, Ipumirim e Xaxim. Atualmente está estruturada conforme o organograma (figura 5). Neste, observa-se em qual setor a coleta de resíduos está subordinada. 36 Figura 5: Organograma da Empresa. Sócios proprietários Compras Engenharia Financeiro Rec. humanos Aterro sanitário Unidade de triagem Coleta de resíduos Seg. do trabalho (terceirizado) Fonte: Pesquisa de campo. Nota-se claramente que a área de segurança e medicina do trabalho não é prioridade na empresa, ou seja, é terceirizada e subordinada à área de recursos humanos ficando distante da área operacional. 37 5.2 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA A amostra pesquisada foi de seis coletores que compreendem duas equipes que realizam a coleta de resíduos sólidos domiciliares. Uma equipe, a que realiza o trabalho no período da manhã, inicia sua atividade às cinco horas da manhã e termina por volta das onze horas. A outra equipe inicia a atividade às treze horas e termina às vinte horas e trinta minutos. O horário de início é fixo, no entanto o horário de término é variável, dependendo do dia da semana. Assim, nas segundas e terças–feiras, o trabalho sempre passa do horário e nos demais dias da semana são raros os que a jornada de trabalho é ultrapassada. 5.2.1 A coleta de lixo no período da manhã Esta equipe realiza a coleta de resíduos sólidos domiciliares nos municípios de Vargem Bonita e Irani. O motorista do veículo da coleta inicia a sua jornada às quatro horas da manhã, no pátio da empresa, em Ipumirim. Os coletores o aguardam no município de Lindóia do Sul, distante oito quilômetros. Por volta de quatro horas e trinta minutos embarcam no veículo de coleta e viajam na cabine do caminhão, junto com o motorista. A viagem até o município de Vargem Bonita dura uma hora e percorre sessenta quilômetros. Assim, por volta de cinco horas e trinta minutos, é iniciada a coleta de resíduos. No início da coleta, um dos coletores começa o processo de recolhimento e amontoa as sacolas de lixo nas ruas e calçadas (foto 1). 38 Foto 1: Coletor recolhendo o lixo para amontoar. Fonte: Pesquisa de campo. Os dois garis restantes realizam o recolhimento destes resíduos depositando os mesmos no cocho do equipamento de coleta (foto 2). Nesta localidade os coletores percorrem aproximadamente dez quilômetros. Foto 2: Coletores depositando o lixo no “cocho”. Fonte: Pesquisa de campo. 39 Por volta de sete horas, a coleta no município de Vargem Bonita termina e os coletores, vão até o município de Irani, percorrendo vinte quilômetros, permanecendo sentados junto com o motorista, na cabine do caminhão, por vinte minutos. Em Irani, o processo de recolhimento é o mesmo, um coletor amontoa o lixo e os outros fazem o carregamento no veículo de coleta e correm aproximadamente vinte e três quilômetros. A coleta no município de Irani termina por volta de dez horas e trinta minutos. Terminada a coleta, a equipe retorna para Lindóia do Sul onde, descem do caminhão de coleta em torno de onze horas e trinta minutos, terminando o seu trabalho. No total do turno eles permaneceram no veículo de coleta, juntos com o motorista sentados, aproximadamente duas horas e tinta minutos e percorreram, em média, correndo e andando nas ruas, aproximadamente trinta e três quilômetros. 5.2.2 A coleta de lixo no período da tarde A equipe que trabalha no período da tarde realiza a coleta diariamente no município de Ipumirim e Ita; nas segundas, quartas e sextas-feiras no município de Arabutã e, nas terças, quintas e sábados no município de Lindóia do Sul. Toda a equipe parte da garagem da empresa as treze horas junto com o motorista na cabine do veículo de coleta. Percorrem vinte e oito quilômetros até Itá, onde a coleta inicia por volta de treze horas e quarenta e cinco minutos. O procedimento de trabalho é o mesmo da equipe da manhã. Um dos coletores começa o processo de recolhimento e amontoa as sacolas de lixo nas ruas e calçadas. Os dois garis restantes realizam o recolhimento destes resíduos depositando os mesmos no cocho do equipamento de coleta. 40 Em Itá percorrem, andando e correndo, aproximadamente, dezessete quilômetros e a coleta termina as dezesseis horas. Terminada a coleta, junto com o motorista na cabine do veículo, vão até a cidade de Arabutã, onde a coleta inicia por volta de dezesseis horas e trinta e cinco minutos. Este é o menor município e, percorrendo em média oito quilômetros, realizam a coleta dos resíduos, que termina às dezessete horas e quarenta e cinco minutos. A viagem até o município de Ipumirim inicia e, as dezoito horas, começa a coleta. Em Ipumirim, andam e correm aproximadamente treze quilômetros, terminando sua jornada de trabalho em torno de vinte horas e quarenta e cinco minutos. A equipe do período da tarde percorre em média, trinta e oito quilômetros coletando resíduos. A tabela 8 mostra a quilometragem aproximada percorrida pelos coletores no seu turno. Tabela 8: Quilometragem percorrida pelos coletores. Município Vargem Bonita Irani Total Município Ita Arabutã Ipumirim Total Quilometragem percorrida pelos coletores no período da manhã 10 23 33 Quilometragem percorrida pelos coletores no período da tarde 17 08 13 38 Fonte: Pesquisa de campo. 5.2.3 Descrição da tarefa do coletor de lixo Na maior parte do período de trabalho, o coletor de lixo fica em pé, se agachando, correndo, caminhando, subindo e descendo do veículo de coleta, recolhendo os resíduos depositados e acondicionados em sacos plásticos e recipientes de diversos tipos, ficando sempre na parte traseira do equipamento coletor compactador. Na realização da tarefa enfrentam barreiras como: buracos, pedras e o peso excessivo dos recipientes. Esta tarefa é repetitiva e a postura na realização da mesma é inadequada. 41 Os coletores que ficam na parte traseira do caminhão em movimento têm a visão limitada (foto 3). Como descem e sobem várias vezes, sofrem o impacto do seu peso ao pular sobre o terreno. Foto 3: Coletores no estribo do veículo de coleta. Fonte: Pesquisa de campo. 5.2.4 O equipamento de trabalho O equipamento utilizado pelos coletores como instrumento de trabalho é o de compactação de resíduos. Os trabalhadores manuseiam alavancas localizadas no comando de controle. Estas alavancas são manuseadas quando é realizada a compactação dos resíduos (foto 4). O veículo possui três travas, a superior, que aciona o elevador, e serve para levantamento do container. A do meio é para acelerar a prensa, fazendo com que o lixo seja prensado, facilitando a compactação do mesmo e acondicionando maior quantidade de lixo. A da parte inferior funciona para erguer a prensa, facilitando a entrada do lixo dentro do caminhão. Estes três dispositivos (alavancas) são determinados por um comando hidráulico situado na lateral direita dos caminhões e são manuseadas pelos garis durante os trajetos percorridos. 42 Foto 4: Alavancas manuseadas pelos coletores. Fonte: Pesquisa de campo. Para que estas três alavancas entrem em funcionamento é necessário que a tomada de força esteja ligada. Ela está localizada no interior da cabine do caminhão e é acionada pelo motorista, sempre que os garis precisam prensar o lixo, levantar o container pelo elevador e ou levantar a prensa. Estes se comunicam com o motorista através de assobios, gritos e ou gestos. Na lateral esquerda existe outro dispositivo (comando do escudo), que serve para descarregar o caminhão, este dispositivo também é acionado por um gari no momento de descarga dos resíduos (foto 5). Foto 5: Alavancas utilizadas para descarga. Fonte: Pesquisa de campo. 43 Mais a frente existe uma trava para que o caminhão se mantenha fechado enquanto estiver carregado, sendo aberto somente no aterro sanitário ou na unidade de triagem, minutos antes de vazar o lixo ou quando este vai ser lavado para tirar o chorume (líquido acumulado do lixo). No mesmo lado, mais abaixo do caminhão, existe uma mangueira dobrada que, quando desenrolada, serve para retirada do chorume. Este líquido é retirado em bocas de lobo, bem afastado de qualquer residência, ou no aterro, onde existe um local próprio para despejo destes dejetos. 5.3 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE DE COLETOR DE LIXO A avaliação foi feita mediante a observação dos locais de trabalho e entrevistas, aplicação de um questionário para seis coletores, duas equipes. Os dados foram organizados e são apresentados a seguir por meio de gráficos. 5.3.1 Aspectos sociais 5.3.1.1 Aspectos em relação à idade dos coletores No gráfico 1 está relacionada a faixa etária dos coletores. Gráfico 1: Faixa etária dos coletores de lixo. 17% 18 - 21 anos = 1 coletor 22 - 25 anos = 2 coletores 26 - 28 anos = 0 50% mais de 28 anos = 3 coletores 33% 0% Fonte: Pesquisa de campo. 44 A amostra analisada é jovem, com no máximo 35 anos, o que não significa que deixem de existir coletores com mais idade na empresa. 5.3.1.2 Tempo na atividade O gráfico 2 mostra o tempo de serviço na atividade de coleta de lixo. Gráfico 2: Tempo de serviço na atividade. 17% 33% menos que 1 ano = 1 coletor entre 1 e 3 anos = 3 coletores mais que 3 anos = 2 coletores 50% Fonte: Pesquisa de campo. Segundo Pavelski (2004), trabalhadores que desenvolvem a atividade de coletor entre um período de 6 a 10 anos apresentaram microtraumatismos nos joelhos. 5.3.2 Condições físicas O gráfico 3 mostra que 67 % dos coletores praticam atividade física, que consiste em jogar futebol, pelo menos uma vez por semana. Gráfico 3: Coletores que praticam atividade física. 33% pratica atividade física = 4 coletor não pratica atividade = 2 coletores 67% Fonte: Pesquisa de campo. 45 Estes trabalhadores têm um preparo físico elevado, andam, aproximadamente, trinta quilômetros por dia durante a realização do seu trabalho. Em indivíduos que praticam atividades físicas intensas e freqüentes é bem provável que, com o passar dos anos, apareçam problemas nas articulações de seus joelhos (Cooper, 197212 apud Pavelski, 2004). 5.3.3 Equipamentos de segurança 5.3.3.1 Recebeu instrução sobre o uso O gráfico 4 mostra que 67% dos coletores recebeu instruções, em relação a utilização dos equipamentos de segurança na execução dos serviços. Gráfico 4: Instruções sobre o uso do EPI. 33% recebeu instrução sobre o uso = 4 coletores aprendeu olhando os outros = 2 coletores 67% Fonte: Pesquisa de campo. Segundo Pavelski (2004), não basta fornecer equipamentos sem submeter os trabalhadores a um treinamento. 12 COOPER, Kemeth H. Aptidão física em qualquer idade. 5. ed. Rio de Janeiro: Fórum, 1972. 46 5.3.3.2 O equipamento atrapalha o serviço O gráfico 5 mostra que 50% dos coletores acham que o equipamento, luva e calçado, atrapalham a realização da atividade e 50% não. Gráfico 5: O uso do EPI atrapalha a realização da tarefa. atrapalha = 3 coletores 50% 50% não atrapalha = 3 coletores Fonte: Pesquisa de campo. 5.3.4 Segurança no veículo de coleta 5.3.4.1 É seguro ou não andar na traseira do veículo de coleta Os caminhões possuem em sua parte traseira uma plataforma (estribo) onde os coletores ficam em pé durante o trajeto de recolhimento de resíduos. O gráfico 6 mostra que 67% dos coletores acham que não é seguro andar na traseira do veículo de coleta. Estes trabalhadores afirmam que podem cair a qualquer momento. Gráfico 6: Segurança no veículo de coleta. 33% é seguro = 2 coletores não é seguro = 4 coletor 67% Fonte: Pesquisa de campo. 47 Velloso (1995) relata sobre acidentes (queda do estribo, batida contra o coletor, prensagem no equipamento de compactação, etc) ocorridos com trabalhadores nos veículos de coleta de lixo. Ao analisar seis acidentes, cinco implicaram afastamento com mais de 15 dias e resultaram principalmente em fraturas. 5.3.5 Acidentes de trabalho O gráfico 7 mostra que somente um trabalhador não sofreu acidente de trabalho. Gráfico 7: Acidentes de trabalho. 17% não sofreu acidente = 1 sofreu acidente = 5 83% Fonte: Pesquisa de campo. As causas dos acidentes relacionadas ao trabalho referidas pelos 5 coletores são apresentadas na tabela 9. Os mesmos relataram 13 acidentes ocorridos nos últimos 6 meses. Tabela 9: Causas e número de acidentes. Causas dos acidentes 1- Objetos cortantes 2- Objeto perfurante 3 - Esforço excessivo 4- Batida do corpo contra o veículo coletor 6- Prensagem no compactador de lixo Total Número de acidentes 6 3 2 1 1 13 Fonte: Pesquisa de campo. % 46,15 23,07 15,38 7,70 7,70 100,00 48 Causa dos itens 1, 2 e 3: Relacionadas ao acondicionamento inadequado do lixo pelos munícipes; Causa dos itens 4 e 6: Relacionadas ao veículo de coleta. A tabela 9 evidencia, como maior índice percentual, as causas relacionadas ao acondicionamento inadequado do lixo pelos munícipes (84,60 %), ou seja, acidentes causados por objetos cortantes e perfurantes e esforço excessivo. Segundo Duarte (1998), os locais do corpo que aparecem lesões freqüentes são as pernas e os pés. O número de acidentes nesta atividade é elevado devido ao risco e uma deficiência no treinamento dos garis ao serem contratados. Existe uma freqüência elevada nos acidentes causados por objetos cortantes. Segundo Velloso (1995), os recipientes em que a população deposita os resíduos servem como criadouros para vetores de doenças infecto-contagiosas. Esta atividade requer do trabalhador esforços físicos e posições inadequadas e repetitivas. Em relação aos acidentes de trabalho, afirma que as causas mais importantes são as referentes ao acondicionamento dos resíduos, ou seja, a população não faz um acondicionamento correto dos materiais que causam cortes e perfurações, causando acidentes com os trabalhadores. O acondicionamento inadequado do lixo devido à presença de objetos perfurocortantes é, na maioria das vezes, o responsável por acidentes resultando em cortes e ferimentos. Ainda em relação ao acondicionamento dos resíduos, o excesso de peso causa problemas na coluna vertebral (Velloso, 1995). Segundo Pavelski (2004), a ação de se agachar para pegar sacos e latões com lixo e subir e descer do estribo do equipamento de coleta ocasiona movimentos repetitivos de flexão e extensão dos joelhos. Assim sendo, podem originar: lesão, instabilidade articular e outros tipos de traumas. 49 5.3.6 Recebeu instruções sobre os riscos no ambiente de trabalho O gráfico 8 mostra que 67% dos coletores receberam instruções em relação aos riscos no ambiente de trabalho. Gráfico 8: Instruções sobre os riscos no ambiente de trabalho. 33% Recebeu instrução = 4 coletores Não recebeu instrução = 2 coletores 67% Fonte: Pesquisa de campo. 50 6. AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO 6.1 PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PPRA) O PPRA tem como base a identificação e reconhecimento dos riscos ambientais existentes nos locais de trabalho, o cumprimento das etapas, das ações e das metas previstas em seu documento. Assim, podem-se destacar os seguintes fatores positivos do programa elaborado: • O documento base é bem estruturado; • Deixa clara a obrigatoriedade da empresa em relação à elaboração e implementação do programa; • Apresenta corretamente o grau de risco, o CNAE (Código Nacional de Atividade Econômica) e o referido grupo para o dimensionamento da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes); • A elaboração foi feita por um Técnico de Segurança do Trabalho; • O planejamento anual das ações estipulando medidas como: a de levar ao conhecimento dos funcionários os riscos existentes no ambiente de trabalho, os procedimentos e normas de segurança, a implantação das ordens de serviço sobre segurança do trabalho, a implantação das fichas de controle e entrega de EPI’s, a realização das eleições dos membros da CIPA e promover treinamento e por fim, a avaliação do programa. O programa apresenta os seguintes fatores negativos: • A não realização das medidas estipuladas no planejamento anual; • Problemas em relação à identificação dos riscos no ambiente de trabalho; 51 • O Técnico de Segurança que elaborou o programa não buscou informações nos ambientes de trabalho junto aos trabalhadores; • Os EPI’s indicados no programa atrapalham o desenvolvimento da atividade pelos trabalhadores. 6.2 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO E SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO) O PCMSO é fundamentado nos riscos da atividade. Assim, podem-se destacar os seguintes fatores positivos do programa elaborado: • O documento base é bem estruturado; • Deixa clara a obrigatoriedade da empresa em relação à elaboração e implementação do programa; • Apresenta corretamente o grau de risco, o CNAE (Código Nacional de Atividade Econômica) e o referido grupo para o dimensionamento da CIPA; • Deixa claro o objetivo do programa que é, a indicação de medidas e ações para proteger a saúde do trabalhador, diante dos riscos ambientais a que estão submetidos; • As diretrizes em relação à responsabilidade da empresa na sua elaboração e implementação. O programa apresenta os seguintes fatores negativos: • O médico do trabalho, responsável pela coordenação do programa, apareceu somente uma vez na empresa; • Segundo o documento, os coletores somente estão expostos aos riscos biológicos e químicos, não contemplando em seu documento a exposição aos riscos ergonômicos e de acidentes; 52 • Na contratação, não são realizados testes de corrida e de esforço para os coletores de lixo. 6.3 CONSIDERAÇÕES EM RELAÇÃO À EXECUÇÃO DOS PROGRAMAS O PPRA possui, no seu planejamento anual de ações, as seguintes metas que seriam realizadas no mês de setembro de 2005: • Levar ao conhecimento dos funcionários os riscos existentes no ambiente de trabalho, bem como os procedimentos e normas de segurança; • Implantar ordens de serviço sobre segurança do trabalho; • Implantar fichas de controle de entrega de EPI’s; No entanto, a única executada foi à implantação de fichas de controle e entrega de EPI’s. A meta proposta para o mês de junho e julho de 2005 estava relacionada com a exigência do uso permanente dos EPI’s necessários para cada atividade. Tarefa não realizada. No mês de novembro de 2005 ocorreu a eleição dos membros da CIPA, de acordo com o planejamento anual das ações. As duas últimas metas constantes no planejamento, ou seja, a de promover o treinamento e formação para os membros da CIPA e a de avaliação do programa, previstas para os meses de dezembro de 2005 e junho de 2006, não foram executadas. Em relação ao PCMSO, os trabalhadores estiveram submetidos aos seguintes exames, no ato da admissão, em caso de mudança de função, de caráter periódico e demissional: • Audiometria; 53 • Hemograma; • Parcial de urina; • Parasitológico de fezes; e • Glicemia. Para cada exame médico realizado, foi emitido o atestado de saúde ocupacional (ASO), em duas vias, sendo uma para o funcionário e outra arquivada. Tanto o PPRA quanto o PCMSO são programas distintos e dependentes entre si. O PPRA atua diretamente sobre os riscos presentes no ambiente de trabalho e o PCMSO age sobre os possíveis efeitos que esses riscos possam causar a saúde do trabalhador exposto. A partir do estudo realizado nos programas, verificaram-se inconsistências, principalmente em relação à identificação dos riscos da atividade. Assim sendo, estes procuram atender os requisitos mínimos legais, são programas “padrões” que não garantem a preservação da saúde e integridade dos trabalhadores frente aos riscos existentes no ambiente de trabalho. 54 7. CONSIDERAÇÕES E PROPOSTAS DE MELHORIAS Diante das observações na população estudada, constatou-se a necessidade de uma melhor identificação dos riscos da atividade de coletor de lixo. Esta dificuldade também foi encontrada pelo Técnico de Segurança do Trabalho e pelo Engenheiro de Segurança do Trabalho da empresa que elaboraram os programas. Na atividade de coleta de lixo, como pesquisado na literatura e após o acompanhamento do trabalho dos coletores, existe o risco ergonômico e o risco de acidentes, além de outros. Em relação a estes dois riscos, o ergonômico e o de acidente, é proposta deste estudo as seguintes melhorias: 7.1 UTILIZAÇÃO DE UM NOVO CALÇADO E LUVA PARA O COLETOR A equipe de coleta reclama do calçado e da luva utilizada. O calçado é um sapato de couro que, quando chove fica encharcado, escorregadio e pesado. Dificulta a corrida destes profissionais atrás do equipamento de coleta e aumenta significativamente o risco de queda. A luva utilizada é de malha nitrilon azul e os coletores afirmam que dificulta o serviço devido à perda de tato. Foi procurado no mercado empresas que poderiam oferecer estes tipos de equipamentos. Foi encontrada uma luva nitrílica com as seguintes características: • Descrição: Luva Nitrílica Acrinit Exterminium 30 NLRX confeccionada em suedine com revestimento nitrílico na palma e no dorso, em helanca e tratamento anti-microbial; 55 • Características: Não deixa cheiro na mão e não irrita a pele (dispensável o uso de cremes bactericidas). Boa resistência à abrasão, derivados de petróleo, cortes, rasgos e perfurações. Confeccionada em formas anatômicas, laváveis a mão ou em máquinas, não encolhem, endurecem e nem perdem o tato; • Aplicações: Coleta de lixo, manuseio de peças, chapas e metais com óleo, montadoras de veículos e transporte e manuseio de caixas. Em relação ao calçado, foi encontrado um tênis de segurança com as seguintes características: • Especificação: Tênis de segurança, referência 90HTT400, em couro, de amarrar, com solado poliuretano bidensidade; • Descrição técnica: Tênis confeccionado em couro hidrofugado, com palmilha de couro anti-fungo e solado bidensidade. Este tipo de solado consiste em duas camadas, a primeira, chamada de entressola, é mais macia e leve, proporcionando maior conforto. A segunda é a mais resistente a objetos cortantes e perfurantes e possui sistema antiderrapante. Possui ainda um sistema exclusivo de absorção de impacto na região do calcanhar. 7.2 FORMA DE RECRUTAMENTO O recrutamento dos trabalhadores da coleta de lixo é feito mediante uma entrevista e exame médico. A empresa não se preocupa com o preparo físico dos coletores. No recrutamento, estes trabalhadores deveriam ser submetidos a testes de corrida, de esforço em esteiras rolantes, eletrocardiograma, além dos exames médicos tradicionais, já feitos no ato da admissão. A realização de um teste demonstrativo da coleta de lixo é interessante, uma vez que o trabalhador pode vivenciar as condições de trabalho desta atividade, ou seja, o odor emanado pelos resíduos é motivo de desistência, muitos trabalhadores não conseguem se acostumar com o odor emanado pelos resíduos. 56 7.3 PROGRAMAS DE PREPARO FÍSICO Conforme observado, estes trabalhadores após o recrutamento, ou seja, a entrevista e o exame médico, são encaminhados para o trecho de coleta. Estes mudam sua rotina de uma hora para outra e a maioria, nos primeiros dias de coleta, apresentam problemas em relação à falta de preparo físico para a atividade. Elaborar um programa de acondicionamento físico, fazendo com que os coletores freqüentem academias é importante para melhorar a situação física. Este programa deve ser desenvolvido principalmente na musculatura das pernas deixando-as mais resistentes e prevenindo, assim, possíveis lesões. 7.4 TREINAMENTO AOS COLETORES Aspectos relacionados com a segurança destes trabalhadores são assimilados mediante reciclagem e treinamento. É interessante a realização de um programa de treinamento, a cada seis meses, com estes trabalhadores, tendo como foco a prevenção de doenças do trabalho, como utilizar os equipamentos de proteção de maneira correta, além de outros assuntos que possam surgir no decorrer deste período. 7.5 PROGRAMAS DIRECIONADOS À POPULAÇÃO GERADORA DE RESÍDUOS A população geradora de resíduos deveria ser foco de programas relacionados com a forma correta de acondicionamento dos resíduos gerados. Foram verificados, além de outros problemas, vidros e materiais cortantes sem embrulho nas lixeiras e lixo acondicionado em latões com excesso de peso. Implantar um programa que sensibilize a população em relação aos riscos da atividade de coleta de lixo é fundamental. O programa poderia ter como foco: 57 • O acondicionamento do lixo, feito em sacos plásticos e depositados numa plataforma elevada em relação ao nível da calçada. Esta elevação deve ter no máximo um metro; • Os materiais cortantes, serem embrulhados em jornais. 7.6 ELABORAÇÃO DE UM MAPA DE RISCOS A elaboração do mapa de risco requer o conhecimento de todo o processo de trabalho e a identificação dos riscos da atividade. Este mapa possibilitará uma troca de informações entre os trabalhadores e principalmente estimulará a sua participação nas atividades de prevenção de acidentes. Assim sendo, o mapa é um instrumento que deveria ser considerado no planejamento e execução do PPRA. 7.7 REESTRUTURAÇÃO DA CIPA A elaboração do mapa de riscos deveria ser feita pelos integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), com a participação do maior número possível de trabalhadores. A CIPA existente não recebeu instrução sobre sua verdadeira função na Empresa, ou seja, foi montada para o cumprimento da legislação. Reestruturar esta Comissão é levar até seus integrantes, através de treinamento, as suas verdadeiras atribuições. Assim, a elaboração do PPRA e do PCMSO deveria ter a participação dos trabalhadores e serem apresentados e discutidos na CIPA. 7.8 UTILIZAÇÃO DA ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS NA IDENTIFICAÇÃO DOS PERIGOS Esta técnica de identificação de perigos e avaliação de riscos é simples e de fácil aprendizado, rápida e não necessita de especialistas para sua aplicação. A 58 avaliação dos riscos da atividade é baseada em uma escala que permite uma identificação dos perigos que são toleráveis e quais necessitam ser controlados. Na seqüência será utilizada a seguinte escala para a avaliação dos riscos: a) ESCALA DE PROBABILIDADE (1) baixa – improvável ocorrer; (2) média – provável ocorrer; (3) alta – esperando que ocorra. b) ESCALA DE GRAVIDADE (1) baixa – danos materiais e prejuízo ao processo; (2) média – doenças ocupacionais e lesões menores; (3) alta – morte e lesões incapacitantes. c) ESCALA DE RISCO 1 e 2 – Tolerável: Esta categoria requer a identificação dos riscos e a verificação da possibilidade de ocorrência do acidente. 3 e 4 – Moderada: Nesta categoria, são necessárias ações de melhoria contínua e um programa específico de controle de riscos. 5 até 9 – Crítica: Nesta categoria, são necessárias ações que vão desde programas de controle de riscos até a cessação da atividade. A APR (Análise Preliminar de Risco) foi elaborada mediante a observação da atividade dos coletores de lixo. 59 Quadro 1: Análise preliminar de risco. APR – ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS SETOR: COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS – COLETOR DE LIXO Identificação dos perigos Avaliação do risco Perigos Situação Danos P G RISCO Ruído Compactação dos Problema auditivo 1 2 2 resíduos Vibração Andando no estribo Fadiga e dores no 1 1 1 do equipamento de corpo coleta Produtos químicos Apanhando as Saúde e meio 2 1 2 sacolas com lixo ambiente Odor Apanhando as Mal estar, náuseas 2 1 2 sacolas de lixo e cefaléias. Poeira Ruas sem Problemas 2 1 2 pavimento respiratórios, perda momentânea da visão Objetos cortantes e Apanhando as Cortes e ferimentos 3 2 6 perfuro cortantes sacolas com lixo Agentes biológicos Contato com o lixo Transmissão direta 2 2 4 e indireta de doenças Queda do veículo Veículo em Fratura de 1 3 3 movimento nas ruas membros, torções, morte Prensar os dedos ou Compactação dos Esmagamento dos 1 2 2 a mão resíduos dedos e das mãos Atropelamento Correndo e Fratura de 1 3 3 apanhando as membros, torções, sacolas com lixo morte Animais (cachorros) Apanhando as Mordedura 1 2 2 sacolas com lixo Posturas Apanhando as Coluna 2 2 4 inadequadas sacolas e recipientes com lixo Levantamento Apanhando Coluna 2 2 4 excessivo de peso recipientes com lixo P – PROBABILIDADE G – GRAVIDADE RISCO (P x G) Fonte: Pesquisa de campo. O objetivo desta APR é de mostrar os riscos que aparecem neste ambiente de trabalho. 60 8. ALCANCE DOS OBJETIVOS, CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS TRABALHOS 8.1 ALCANCE DOS OBJETIVOS O objetivo geral e os objetivos específicos propostos no presente trabalho foram atingidos. O objetivo geral proposto foi: • Avaliar os Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho, especificamente o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e o PCMSO (Programa de Controle Médico em Saúde Ocupacional), em uma empresa privada de limpeza urbana que realiza a atividade de coleta de lixo domiciliar. O objetivo geral foi atingido, porque através das informações obtidas na revisão da literatura e nos programas de Gestão, PPRA e PCMSO, existentes na empresa, fatores negativos e positivos dos programas puderam ser destacados. Os objetivos específicos propostos: • Compreender o trabalho dos coletores de lixo; O objetivo específico foi alcançado, porque a melhor maneira de compreender a atividade de um determinado trabalho é realizar o seu acompanhamento no local onde o mesmo é realizado. A aplicação do questionário e a conversa com os trabalhadores facilitaram a análise, compreensão e interpretação de dados. • Identificar os riscos da coleta de lixo em uma empresa privada de limpeza pública. O objetivo específico foi alcançado, porque através da revisão da literatura, do acompanhamento do trabalho e da aplicação de uma ferramenta, a APR, os riscos e 61 perigos no ambiente de trabalho foram identificados e verificados quais necessitam ser controlados e quais são toleráveis. • Propor medidas que possam melhorar a segurança dos trabalhadores quando desenvolvem sua atividade. O objetivo específico foi alcançado, porque a revisão da literatura e as observações na população estudada mostraram a necessidade de uma melhor identificação dos riscos da atividade desenvolvida pelos coletores de lixo. A partir desta necessidade, propostas foram sugeridas e, se utilizadas, podem melhorar à segurança e saúde, destes trabalhadores. 8.2 CONCLUSÕES Este estudo teve como objetivo avaliar os programas de gestão, PPRA e PCMSO, de uma empresa privada de coleta de lixo domiciliar. Foram analisadas as condições de trabalho dos coletores de lixo, principalmente em relação à identificação dos riscos no seu ambiente de trabalho. Em relação aos programas de gestão, a partir dos resultados analisados, fatores positivos e negativos dos programas foram identificados. Através da análise, ficou evidente a inconsistência dos programas em relação à identificação dos riscos da atividade de coleta de resíduos. Como contribuição deste estudo, para melhorar as condições de trabalho dos coletores de lixo, em relação aos aspectos ergonômicos e de acidentes, estão sendo apresentadas propostas de melhorias abrangendo aspectos em relação à EPI´s (utilização de um novo calçado e uma nova luva), formas de recrutamento, treinamento, e, principalmente, programas direcionados a população geradora de resíduos sendo que 84,60% dos acidentes que ocorrem com estes trabalhadores estão relacionados ao acondicionamento inadequado do lixo pelos munícipes. Foi possível, através da Análise Preliminar de Riscos, identificar os riscos existentes no ambiente de trabalho destes profissionais. 62 Baseado nos resultados do estudo efetuado cabe a empresa estabelecer uma cultura de segurança e saúde do trabalho. Esta deve ser implementada com a participação e o comprometimento de todos os trabalhadores. Com base no exposto, uma nova postura dentro da empresa é necessária, a mesma não pode ter seus programas voltados para o atendimento dos requisitos mínimos legais, ou seja, seu desempenho em segurança e saúde do trabalho é fundamental na busca de melhores processos produtivos. 8.3 RECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS TRABALHOS Para futuros trabalhos recomenda-se: • Uma coleta de dados em outras empresas que realizam a atividade de coleta de resíduos sólidos domiciliares para possibilitar uma comparação entre grupos de coletores; • Uma observação em relação ao acondicionamento dos resíduos por parte da população urbana geradora que é responsável por um grande número de acidentes que ocorrem com estes trabalhadores; • A realização de estudos mais aprofundados em relação a possíveis doenças ocupacionais que possam envolver os coletores; • Desenvolver um estudo de avaliação e controle de perigo e riscos ocupacionais na empresa de coleta de resíduos sólidos domiciliares em questão, com embasamento nos sistema de gestão da segurança e saúde ocupacional. 63 9. 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ANEXOS 67 10.1 ANEXO 1 – CÓPIA DO PLANEJAMENTO ANUAL DAS AÇÕES DO PPRA 68 69 10.2 ANEXO 2 – CÓPIA DA IDENTIFICAÇÃO DOS RISCOS EXISTENTES NO PPRA (COLETOR DE LIXO) 70 71 10.3 ANEXO 3 – CÓPIA DO RELATÓRIO ANUAL DO PROGRAMA MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (COLETA DOMICILIAR) 72 73 10.4 ANEXO 4 – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS COLETORES 74 Questionário aplicado aos trabalhadores da coleta de lixo “garis”. 1. Aspectos sociais – Nome - Idade - Tempo na atividade 2. Condições físicas 2.1 Não pratica atividade física 2.2 Pratica atividade física 3. Equipamentos de segurança 3.1 Não recebeu instrução sobre o uso 3.2 Recebeu instrução sobre o uso 4. Segurança no veículo de coleta 4.1 É seguro andar na traseira do veículo 4.2 Não é seguro 5. Uniforme e calçado de segurança 5.1 O uniforme não atrapalha o trabalho 5.2 O uniforme atrapalha 6. Acidentes 6.1 Já sofreu acidente 6.2 Não sofreu acidente