19/2/2008 Fenômenos de Transporte INTRODUÇÃO Manuel Filgueira Barral - Engo. Químico - EPUSP-1976; MSc- UFRJ- 1991 Professor e Pesquisador e-mail: [email protected] 1 Fenômenos de Transporte • Estudam a transferência de quantidade de movimento, calor e massa devido a diferenças de velocidade, temperatura e concentração a sistemas de interesse. Três disciplinas Mecânica dos fluidos; Transferência de calor; Transferência de massa; 2 1 19/2/2008 Fenômenos de Transporte O conhecimento dos mecanismos de transferência, sua correta interpretação e aplicação a situações especificas, através de equações de transferência, constitui a base científica da engenharia para projeto e operação de equipamentos e processos. Esses fundamentos possibilitam o uso racional dos recursos (insumos, energia); garantem a viabilidade técnico-econômica de processos, evitam desperdícios e reduzem impactos ambientais. 3 Fenômenos de transporte/Mecânica dos Fluidos Conteúdo programático U1 - Conceituação de um fluido e meio contínuo; U1 - Propriedades características dos fluidos (massa específica, densidade, viscosidade,compressibilidade,etc). U2- Estática de fluidos; medidas de pressão; empuxo) U3 – Introdução à Dinâmica dos fluidos: tipos de escoamento, velocidade de partícula e campo de velocidades, aceleração de partícula e campo de aceleração ; equação de Bernoulli; U4 - Balanços Integrais num volume de controle equação da continuidade; equação da conservação da energia mecânica; 4 2 19/2/2008 Fenômenos de transporte/Mecânica dos Fluidos Metodologia utilizada: As aulas serão compostas de aulas expositivas, exemplos de aplicações e resolução de exercícios pelos alunos. Avaliações As avaliações serão baseadas em provas (2) e atividades( 3, 2 obrigatórias). As atividades propostas serão indicas com uma semana de antecedência e no início da aula será sorteado um aluno para apresentar a atividade proposta. Se o aluno errar ou não souber obterá a nota mínima e será chamado outro para resolve-la , e assim sucessivamente, até algum aluno acertar o exercício. Listas de exercícios (4) e monitoria Nota final : 0,8 P + 0,2A 5 Fenômenos de Transporte/Mecânica dos Fluidos Bibliografia ROMA, W. N. L. Fenômenos de Transporte para Engenharia. São Carlos. Editora Rima. 2003. pp. 276 . POTTER, M.C. e WIGGERT, D. C. Mecânica dos fluidos. Thomson Pioneira. 2004 .pp 700. WHITE, F. M. Mecânica dos Fluidos. 4a. edição. Rio de Janeiro: McGraw-Hill Interamericana do Brasil, Ltda. 2002. pp 570. BRUNETTI, F. Mecânica dos Fluídos.São Paulo. Pearson. Prentice Hall. 2005. pp. 410. ÇENGEL, YUNOS A. ; CIMBALA, JOHN M. Mecânica dos Fluídos. São Paulo. McGraw-Hill Interamericana do Brasil . 2007 6 3 19/2/2008 Fenômenos de Transporte/Mecânica dos Fluidos Comentários preliminares Mecânica dos fluidos é o estudo dos fluidos em repouso (estática dos fluidos) ou em movimento (dinâmica dos fluidos). As aplicações em engenharia são imensas, quase tudo neste planeta é fluido ou um fluido se move nas suas proximidades. Exemplos de aplicações: Coleta e distribuição de água e esgotos; 7 Produção de energia : hidráulica , eólica; 8 4 19/2/2008 Aerodinâmica de automóveis, navios e aviões, etc. Flutuação e estabilidade. 9 Meteorologia 10 5 19/2/2008 Aplicações industriais : separações de componentes de um sistema. agitação e mistura movimentação de fluidos filtração decantação flotação separações de componentes de um sistema. elutriação 11 Esses assuntos envolvem um compromisso entre teoria e aplicação, entre modelagem matemática e obtenção de dados em experimento. As equações que governam os fenômenos são muitas vezes difíceis para permitir a modelagem de problemas a configurações geométricas quaisquer, por este motivo estuda-se neste curso introdutório, basicamente, escoamentos em geometrias simples e outras simplificações. 12 6 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução Quantificação e Sistema de medida Os engenheiros e pesquisadores buscam unificar suas medidas e relatórios/publicações no SI. Isso significa comparar os resultados obtidos por qualquer pesquisador sem necessidade de conversão ou erros. É fundamental para o engenheiro utilizar corretamente os sistemas de unidades. Neste curso será utilizado o SI - Sistema Internacional de Unidades. ( Referência : IEEE/ASTM SI 101997 - Standard for Use of the International System of Units (SI): The Modern Metric System ). ASTM - American Society for Testing & Materials; IEEE Institute of Electrical & Electronics Engineers apoiaram e estabeleceram essa norma oficial - an American National Standard. Será exigido no curso o correto uso de unidades. 13 http://www.inmetro.gov.br/consumidor/unidlegaismed.asp#principaisSI Mecânica dos Fluidos - Introdução Sistema de medida Unidades fundamentais aplicáveis Massa (M): Comprimento (L): Ângulo : Tempo (T): Temperatura (θ): Quantidade de matéria [M, L,T ] quilograma metro radiano segundo Kelvin/Celsius mol (kg) (m) (rad) (s) (K/ oC) (mol) Principais unidades derivadas Força [ F]: Newton, N Concentração [M/L3] mol por metro cúbico Energia [F.L] Joule, J Potência [ J/T;F.L/T] Watt, W Freqüência [1/T] Hertz,Hz Pressão [F/L2] Pascal, Pa Volume [L3] m3 [L,T, F] (kg*m/s2; F) (mol/m3) (N*m;kg*m2/s2;) (J/s;N*m/s;kg*m2/s3) (1/s) (N/m2; kg/ms2) 14 7 19/2/2008 15 16 8 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução Sistema de medida Unidades que se escrevem erradamente com freqüência: m - metro; min - minuto s - segundo; h - hora; K - kelvin ºC - graus Celsius 10 m e não 10 mts. 10 min e não 10 mins. 10 s e não 10 sgs; 10 seg; 10 segs. 10 h e não 10 hs. 100 K e não 100 ºK 50 ºC e não 50º Recomendação para grafia: Separar com um espaço a unidade da grandeza numérica. É tolerável eliminar este espaço em casos nos quais há necessidade de se evitar fraudes e no caso de indicação de temperatura: 50ºC. 17 Mecânica dos Fluidos - Introdução Outras unidades utilizadas no SI minuto hora dia litro tonelada min h d l t 60 s 60 min 24 h 10-3 m3 103 kg Prefixos Giga Mega kilo (G)= 109 (M)= 106 = 103 mili m = 10-3 micro µ = 10-6 nano n = 10-9 Uso dos prefixos: Prefixos ≥ 106 grafar com maiúscula Prefixos ≤ 106 grafar com minúscula 18 9 19/2/2008 Homogeneidade Dimensional É possível somar as quantidades, 3 bananas e 4 laranjas ? Não! Apenas se encontrarmos um fator comum, por exemplo, frutas para realizar essa operação. Assim, 3 frutas + 4 frutas = 7 frutas. Veja esta conta. Energia total = 25 kJ + 7 kJ/kg. Ela está correta? Não . Ela indica um erro de cálculo ( por exemplo, se multiplicarmos por uma massa em kg a última parcela o cálculo indicado fornecerá a mesma unidade o erro será corrigido. Isso nos indica um princípio fundamental da engenharia, todos os termos de uma equação devem ter o mesma unidade. Isso se chama princípio da homogeneidade dimensional e significa que todos os termos devem ter a mesma dimensão ou mesma unidade. Exemplo (Carga hidráulica) Qual a unidade de e de Previsão de unidades de constantes. da constante k sendo que s [m] e t[s]. Resposta: metro. Dada e equação determinar as unidades 19 Operações com unidades Adição algébrica : Subtração : Multiplicação : Divisão : Potenciação : ab + cb = (a+c)b; ab-cb = (a - c)b; ab * cb = acb2; ab/cb = a/c; (ab)c = ac.bc; (ab)c/d = ac/d.bc/d Exemplos: 2m +3m = 5 m; 3m -2m = 1 m; 3m*2m = 6 m2; 3m/2m = 1,5; (3m*2m)2 =(6m2)2 = 36m4; 3m * 2m = 6m 2 = 6 m 20 10 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução Sistema de medida Unidades fundamentais aplicáveis Massa (M): quilograma Comprimento (L): metro Ângulo : radiano Tempo (T): segundo Temperatura (θ): Kelvin/Celsius Quantidade de matéria mol [M, L,T ] Principais unidades derivadas Força [ F]: Newton, N Concentração [M/L3] mol por metro cúbico Energia [F.L] Joule, J Potência [ J/T;F.L/T] Watt, W Freqüência [1/T] Hertz,Hz Pressão [F/L2] Pascal, Pa Volume [L3] m3 [L,T, F] (kg) (m) (rad) (s) (K/ oC) (mol) (kg*m/s2; F) (mol/m3 ) (N*m;kg*m2/s2;) (J/s;N*m/s;kg*m2/s3) (1/s) (N/m2; kg/ms2;) 21 22 11 19/2/2008 23 Mecânica dos Fluidos - Introdução 1. Conceituação de um fluido Do ponto de vista da mecânica dos fluidos, a matéria somente pode estar em dois estados: sólido ou fluido. Um sólido pode resistir a uma tensão de cisalhamento por uma deformação estática. Um fluido não pode. Qualquer tensão cisalhante aplicada a um fluido provocará uma deformação, movimento. 24 12 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos Introdução 1.Conceituação de um fluido Fluido é uma substância que se deforma continuamente, isto é, escoa, sob a ação de uma força tangencial, por menor que ela seja. O que é o mesmo que definir fluidos como substâncias que escoam quando submetidos a uma tensão de cisalhamento. 25 Mecânica dos Fluidos - Introdução 1. Conceituação de um fluido Sólidos? Líquidos? Gases?Sólidos fundidos?Líquidos solidificados? Gases liquefeitos? Tensão de cisalhamento τ= ∆Ft ∆A Dimensões? ( no SI) Força= massa*aceleração=N=kg* m/s2 Área = lado*lado= m*m = m2 τ = N m 1 kg = kg * 2 * 2 = 2 m s m m * s2 26 13 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução Conceituação de um fluido (Tensão de cisalhamento) τ = kg * τ = [kg ]* m 1 kg * 2 = 2 s m m * s2 [m] * 1 [s ]2 [m]2 τ = [kg ]* [m] * 1 [s]2 [m]2 L 1 M * = = Pa T 2 L2 L * T 2 Sistema M L T θ [N ] = Pa 1 F = ⇒ L2 L2 [m]2 Sistema F L T θ =M* = F* [ ] m ∆V m 1 1 1 = s = • = = Hertz ⇒ ∆y [m] s m s [T ] Fluido Gases, vapores e líquidos são classificados como fluidos. 27 Mecânica dos Fluidos - Introdução 2. O fluido como um meio contínuo Fluidos são agregados de moléculas amplamente espaçadas, no caso de gases ou vapores, ou pouco espaçadas, no caso dos líquidos. A distância entre moléculas é muito grande quando comparada com o “diâmetro” molecular. Em um fluido as moléculas não estão fixas, mas se movimentam umas em relação às outras. Fluidos são divididos em duas classes: líquidos e gases ou vapores Duas fases de fluidos podem coexistir, dando origem a escoamentos bifásicos. 28 14 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 2. O fluido como um meio contínuo Na Mecânica dos Fluidos trata-se o meio como um continuo, o que permite definir para qualquer ponto de um fluido suas propriedades. Considere-se a definição de massa específica: ρ = limδσ →δσ * δm δσ O limite δυ* é aproximadamente igual a 10-9 mm3 para líquidos e gases na pressão atmosférica. 29 Mecânica dos Fluidos - Introdução 2. O fluido como um meio contínuo O limite δυ* é aproximadamente igual a 10-9 mm3 para líquidos e gases na pressão atmosférica.( 10-9 mm3 = 10-3 mm x 10-3 mm x 10-3 mm ) 30 15 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura Pressão. É a relação entre entre uma força compressiva aplicada perpendicularmente a uma superfície e a área da superfície(grandeza escalar). r p = limδA→δA* δ Fn δA r Fn = ∫ pn.dA A Obs. Pascal é uma unidade pequena, usa-se kPa; MPa Pressão atmosférica =101,3 kPa 31 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura Temperatura. Indica o grau de aquecimento de um material. Pode ser medida observando-se como varia uma propriedade física que, dependente da temperatura, varia com o aquecimento. É uma propriedade intensiva, ou seja, não depende do tamanho do sistema considerado. São usadas duas escalas relativas: Celsius (SI) e Fahrenheit oC oF 100 212 C F 0 32 Conversão C −0 F − 32 = 100 − 0 212 − 32 C F − 32 = 100 180 32 16 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura Além das escalas relativas (empíricas) existem escalas absolutas. Nestas escalas o zero corresponde a ausência de movimento microscópio. Escalas absolutas: Kelvin (K), SI, e Rankine (oR) K = oC + 273,16 oR = oF + 459.69 33 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura Tanto a pressão como a temperatura podem ser medidas em escalas diferentes. Pressão absoluta. Pressão zero, vácuo absoluto; não há nenhuma molécula em um determinado espaço. A pA manométrica Atmosfera padrão pA absoluta pB manométrica B Atmosfera local pB absoluta 34 17 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura Pressão manométrica. É pressão medida quando se adota a pressão atmosférica como referência. pabsoluta = patmosférica + pmanométrica Pressão manométrica. Pode ser positiva ou negativa (vácuo) . Pressão vacuométrica. Medida do vácuo existente (positiva) pvacuométrica = patmosférica − pabsoluta Em determinadas situações como as existentes nas relações termodinâmicas deve-se usar as escalas absolutas. 35 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura Exemplo 1.1. Um medidor de pressão , colocado em um tanque rígido, mede um vácuo de 42 kPa dentro do tanque mostrado na Figura e que está situado num local a 790 m de altitude. Determinar a pressão absoluta no tanque. Obs: h= 0 → Patm= 101,3 kPa; h = 500 Patm = 95,43 kPa; h = 1000 Patm = 89,85 kPa. 36 18 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura Exemplo 1.2. Qual é a pressão atmosférica em Pa? Dados: g = 9,806 m/s2; ρ = 13,6 g/cm3; 1 atm= 760 mmHg 37 Mecânica dos Fluidos - Introdução 3. Propriedades de estado: Pressão e Temperatura TTTTgggg RRRR z g Exemplo 1.3 . Para uma atmosfera a temperatura constante, a − eeee0000 pppp zzzz pppp ( )= pressão, como função da altitude, é dada por , em que g é a gravidade , Rg = 287 J/kg.K e T, a temperatura absoluta. Estime a pressão a 4000m admitindo po = 101 kP e T = 15 oC. 38 19 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4. Outras propriedades de um fluido 4.1 Massa específica ρ (kg/m3); 4.2 Densidade d (Adm.) 4.3 Peso específico γ (N/m3) 4.4 Viscosidade µ (Pa.s) 4.5 Compressibilidade B (Pa) 39 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4. Outras propriedades de um fluido 4.1. Massa específica ρ (kg/m3); Propriedade intrínseca , designada pela letra grega ρ (kg/m3) e indica a relação entre massa e volume de uma determinada substância. Líquidos: praticamente constante, a da água em torno de 1000 kg/m3 e varia 1% se a pressão for aumentada de um fator de 220. Líquido comum mais pesado: mercúrio - ρ = 13580 kg/m3 Gás comum mais leve : hidrogênio - ρ = 0,0838 kg/m3 40 20 19/2/2008 4. Outras propriedades de um fluido 4.2. Densidade d (Adm.) Designada por d, é a relação entre a massa específica de um fluido e a de um fluido padrão de referência, água para líquidos e ar para gases. Também é denominada Densidade Relativa (DR) É um adimensional. Exemplo. 1.5. Calcular a densidade do mercúrio a 20 oC sabendo-se que a massa especifica do mercúrio e da água a essa temperatura são, respectivamente:13580 kg/m3 e 998 kg/m3. 41 4. Outras propriedades de um fluido 4.3. Peso específico γ (N/m3) Designada por γ indica o produto da massa específica com g , aceleração da gravidade. γ = ρ. g. Como g = m/s2 e ρ = kg/m3 kg m N o produto indica o peso de uma substância então * = m3 s 2 m3 por unidade de volume. Essa propriedade é muito utilizada em medidas de pressão. Exemplo. 1.6. Calcular o peso específico da água e do mercúrio a 20 oC sabendo-se que a massa especifica do mercúrio e da água a essa temperatura são, respectivamente:13580 kg/m3 e 998 kg/m3 e g = 9,8m/s2 42 21 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução Exemplo 1.4. Massa específica Exemplo 1.4. Um recipiente que aproximado por um cone circular reto e 229 mm de altura . Quando cheio 1,98 kg e quando vazio pesa 0,4 especifica do líquido , a densidade e o pode ser pode ser de 178 mm de diâmetro de um líquido ele pesa kg. Calcular a massa peso específico. 43 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4. Outras propriedades de um fluido 4.4. Viscosidade (dinâmica) µ (Pa.s) Viscosidade é uma medida do atrito interno de um fluido, ou, em outras palavras, da uma medida da força de interação entre as moléculas do fluido. O atrito torna-se evidente quando uma camada do fluido move-se em relação a outra .Quanto maior for o atrito maior será a força necessária para movimento o fluido. Essa força, distribuída pela área de atrito, necessária ao movimento é chamada de tensão de cisalhamento. Essa tensão aparece quando um líquido é movimentado. 44 22 19/2/2008 4. Outras propriedades de um fluido 4.4.1 Viscosidade: Escoamento entre placas No século XVIII Newton definiu a viscosidade a partir do escoamento de um fluido entre placas, ilustrado abaixo. Ele constatou que a força necessária para manter a diferença de velocidade nesse experimento era proporcional ao gradiente da velocidade. 45 4.4.1 Viscosidade: Escoamento entre placas F ∆u V − 0 == µ = µ A ∆y h Fx ∆vx = −µ ⇒ τ ∆y A Lei de Newton τ yx = −µ ∂vx → τ ∂ dy yx yx = −µ = −µ ∂vx ∂ dy dv x dy 46 23 19/2/2008 4.4.1 Viscosidade: Escoamento entre placas 47 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.4.2 Unidades de viscosidade dinâmica Lei de Newton τ yx = −µ Viscosidade = ∂vx dv x = −µ dy ∂ dy { (F / A) = M * L * T −2 / L2 Tensão = ∇v (∆v / ∆y ) L * T −1 / L { (F / A) = {M * T * L } (∆v / ∆y ) {T } (F / A) = {M * L * T } (∆v / ∆y ) −2 } } −1 −1 −1 −1 [Viscosidade] = [kg/(m.s)] Exemplo 1.6. Provar que é possível utilizar Pa.s como unidade de viscosidade. 48 24 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.4.6 Viscosidade:Tensão de cisalhamento e gradiente u ( y ) = ay + b du ∆u = = a → cons tan te , para uma reta dy ∆y ( u (r ) = a b − r 2 ) du (r ) = −2ar dr 49 4.4.3 Tensão de cisalhamento e fluxo de quantidade de movimento Fluxo de quantidade de movimento : 1 dL A dt τ = du dt ⇒ cons tan te (m * u ) = d L L = m * u dt dt 1 dL du = = −µ A dt dy Ft = m * a = m * Se Ft = τ = τ m d F A yx = Ft dv x = −µ A dy Fluxo de quantidade de movimento* Área = taxa de quantidade de movimento= Ft q y = −k dT dy J A = −D τ * A = AB d (m . v dt dC dy )= A Ft 50 25 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.4.4 Unidades de Viscosidade Por tradição tem-se usado denominada Poise 1 poise = 1 g.cm-1.s-1. 1p a unidade de viscosidade Obs : 100 centipoise = 1 poise = 1 g.cm-1.s-1 ou 100 cp = 1 p Exemplo 1.7. A viscosidade da água a 25 oC é cerca de 1 cp. Calcular a viscosidade em Pa.s. 51 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.4.5 Viscosidade cinemática, dimensões e unidades Viscosidade cinemática, ν = µ/ρ Unidades: N m s kg s kg 2 2 Pa.s m 2 kg m 3 m 2 s m s = = = = .m = = kg kg kg kg kg s.m s m3 m3 m3 m3 Exemplo 1.8. Calculara a viscosidade cinemática da água a 20 oC, no SI, sabendo-se é cerca de 1 cp e que a massa especifica da água a essa temperatura é 998,2 kg/m3. 52 26 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.4 Viscosidade:Tensão de cisalhamento e gradiente Movimento circular Tipos de fluidos 53 Tipos de fluidos A Lei de Newton para um fluido viscoso informa que a força tangencial aplicada por unidade de área e a deformação produzida são proporcionais, ou seja, quanto maior a força maior é a deformação Como vimos, a deformação implica na existência de velocidades diferentes entre camadas de fluidos , ou seja, uma velocidade relativa de uma camada em relação a outra. A constante de proporcionalidade é a viscosidade do fluido. Os fluidos cujo comportamento mecânico é descrito adequadamente por esta relação são chamados de fluidos newtonianos. A água e o ar, os dois fluidos mais abundantes da Terra, comportam-se como newtonianos. 54 27 19/2/2008 Tipos de fluidos A lei de Newton descreve o comportamento dos fluidos de baixa massa molar, ou seja, massas molares de no máximos 1000 unidades, aproximadamente. Quando as moléculas de um fluido são maiores, por exemplo, com massas moleculares maiores de 100 000, a lei de Newton já não descreve adequadamente o escoamento desses fluidos. Esta classe de fluidos que não obedecem a lei de Newton para viscosidade são denominados de fluidos não- newtonianos. Fluido non-newtoniano http://br.youtube.com/watch?v=vCHPo3EA7oE Efeito Weissenberg http://br.youtube.com/watch?v=npZzlgKjs0I Kane effect http://br.youtube.com/watch?v=wmUx-1o3Lzs Barus Effect http://br.youtube.com/watch?v=KcNWLIpv8gc Mistura de cores http://br.youtube.com/watch?v=3epFddZCxco Piscina http://br.youtube.com/watch?v=f2XQ97XHjVw Kane effect http://br.youtube.com/watch?v=wmUx-1o3Lzs Fano flow http://br.youtube.com/watch?v=aY7xiGQ-7iw Padrões sob varias freqüências http://br.youtube.com/watch?v=7izy-Ro6N3A 55 Tipos de fluidos Os plásticos ideais ou de Bingham somente diferem dos fluidos Newtonianos na relação entre esforço e taxa de cisalhamento. Essa relação não passa pela origem; para começar a fluir requerem um esforço cisalhante inicial diferente de zero. Como exemplos deste comportamento citam-se alimentos que contém margarinas, misturas de chocolate, os xaropes de recobrimento para sobremesas, as suspensões de grãos em água. Os fluidos dilatantes são muito menos comuns que os pseudoplásticos, e, ao contrário deles, aumentam sua viscosidade ao serem submetidos a uma maior tensão de cisalhamento. Algumas soluções dilatantes são a farinha de milho, o açúcar, o amido em água (todas em concentrações elevadas), e muitos pós em água em elevadas concentrações, soluções de amido cozidas, e alguns méis especiais. 56 28 19/2/2008 Os fluidos dilatantes são muito menos comuns que os pseudoplásticos, e, ao contrário deles, aumentam sua viscosidade ao serem submetidos a uma maior tensão de cisalhamento. Algumas soluções dilatantes são a farinha de milho, o açúcar, o amido em água (todas em concentrações elevadas), e muitos pós em água em elevadas concentrações, soluções de amido cozidas, e alguns méis especiais. 57 Tipos de fluidos Os pseudoplásticos tornam-se menos viscosos a medida que se aumenta a tensão de cisalhamento. A grande maioria dos fluidos não –newtonianos (FNN, incluídos os fluidos processados na industria alimentícia, encontram-se dentro desta classe. Os sucos de frutas passam geralmente de um comportamento newtoniano a um pseudoplástico quando se concentram . Os fluidos dependentes do tempo são os reopécticos que exibem um aumento reversível na tensão de cisalhamento com o tempo, quando a velocidade de cisalhamento é constante; são muito raros, como exemplos estão as suspensões de argila bentonítica e as suspensões de gesso. No se registraram alimentos com este comportamento. 58 29 19/2/2008 Os fluidos tixotrópicos têm um comportamento contrário dos anteriores, ou seja, ao serem agitados a velocidade constante, diminuem sua tensão de cisalhamento com o tempo. Alimentos que têm esse comportamento são a leito condensado, a maionese e a clara de ovo. Disponível em http://www.virtual.unal.edu.co/cursos/sedes/manizales/4070035/index.html 59 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.4 Viscosidade. Exemplo 1.9 Um viscosímetro é construído com dois cilindros concêntricos de 5 cm de comprimento, um com 20,1 cm de diâmetro e outro de 20, 05 cm. Um torque de 0,13 N.m é necessário para girar o cilindro interno a 400 rpm (rotações por minuto). Calcule a viscosidade so fluido colocado entre os cilindros . 60 30 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.5 Compressibilidade B (Pa) Ao falarmos de viscosidade estamos determinando quanto um fluido se deforma em função da tensão de cisalhamento. Um fluido também pode se deformar em função do aumento de pressão, aumentando ou diminuindo a sua massa específica. Ao se deformar com o decorrência do aumento da pressão, diz-se que o fluido é compressível e a forma de descrever essa compressibilidade é através da definição do módulo de elasticidade volumétrica. ∆p ∆p ∂p = lim B = lim − = −V ∆V →0 ∆ρ →0 ∆ρ ∆V ∂V V T =cte ρ B=− ∆p ∆V V =− T 1 ∆p m ∆V m V =− T = −ρ T 1 ∆p ∆p =− ∆V m 1 ρ m V T ∆ρ ∂p ∂ρ T = −∆p ∆ρ ∆p = − ρ ∆ρ ρ *B T 61 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.5 Compressibilidade B (Pa) Exemplo 1.10. Qual o aumento de pressão para que a massa especifica aumente 1 %? B (kPa) Água Ar Água 2, 10*106 Ar 101,3 ∆p = − ∆ρ ρ * 1 B ∆p = 0,01* 2,1*106 = 2,1*10 4 kPa (~ 210 atm ) ∆p = 0,01*101,3 = 1,013 kPa (~ 0,1 atm ) 62 31 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução 4.5 Compressibilidade B (Pa) Velocidade de propagação de ondas de pequenas amplitude. c= B ρ Exemplo 1.11. Calcular a velocidade de propagação de ondas de pequena amplitude no mar (ρ = 999,7 kg/m3 e B = 2100MPa). c= 2100 *106 = 1449,3 999,7 Unidades ? m/s [M ]* L2 T [L ] 2 = [M ] [L ] [M ] [L3 ] 1 = [L2 ] [M ] [L] [T 2 ] [T 2 ] 3 63 Mecânica dos Fluidos - Introdução PV = nRT Equação de estado para gases Cálculo de massa específica pV = nRT ⇔ pV = m RT ⇔ MM p= m R RT = ρ T = ρ * Rg * T V *MM MM ρ= p*MM p = R *T Rg T R = 8,314 J/( K.mol); 8314 J/( K*kmol); Mw = Massa molar (g/ gmol) = Massa Molar (kg/kmol) A temperatura e a pressão devem ser expressas em escala absolutas. Rg = constante particular= R/Mw= m kg R [ J] 1 [ J] [ N ∗ m] s 2 Rg = = * = = = = M M [K * kmol ] kg [K * kg ] [K ∗ kg ] [K * kg ] kmol m s 2 m = [K ] K * s 2 64 32 19/2/2008 Exemplo 1.13. Calcular ρ de vapor água a 7 atm. (abs) e 204 oC P = 7* 101,3 kPa= 709,1 kPa T= 204 + 273,15= 477.15 K Rg= 8 314/18 = 461,9 [J/(K.kmol)]*(kmol/kg)=J/(K.kg) ρ= 709100 Pa = 3,22 J 461,9 *477,15K kg.K kg / m3 65 Exemplo Calcular ρ para o ar a 2 atm. (abs) e 50 oC 66 33 19/2/2008 Mecânica dos Fluidos - Introdução Provar que pela equação de estado p = ρ * Rg T ou ρ = p Rg T ρ será dada em kg/m3 ρ= p J ⇒ R = 8,314 J / mol . K = 8314 J / kmol . K ⇒ R = RgT kmol * K Rg = [J ] * 1 [kmol ][K ] M M Rg = [J ] [K * kg ] = [J ] * [kmol ][K ] [J ] * 1 = 1 = g [kmol ][K ] kg mol kmol N m 2 N = = = ρ= J J N * m N K * kg * [K ] kg kg [Pa ] [Pa ] kg kg * m 3 ⇒ m 3 67 Bibliografia adicional figuras Tipos de fluidos 68 34