O continuum setorial regional dos municípios da mesorregião Oeste paranaense Jandir Ferrera de Lima Ph.D. em Desenvolvimento Regional pela Université du Québec à Chicoutimi (UQAC)Canadá. Professor adjunto do Colegiado de Economia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de Toledo. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). Pesquisador Associado do GRIRUQAC. E-mail: [email protected] Lucir Reinaldo Alves Acadêmico do Curso de Ciências Econômicas na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de Toledo. Bolsista de projetos de pesquisa e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). E-mail: [email protected] Moacir Piffer Doutorando em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Professor assistente do Colegiado de Economia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de Toledo. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). E-mail: [email protected] Carlos Alberto Piacenti Doutorando em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professor assistente do Colegiado de Economia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de Toledo. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). E-mail: [email protected] Área Temática: 10 - Desenvolvimento Territorial e Ruralidade Forma de Apresentação: Apresentação com presidente da sessão e sem a presença de debatedor O continuum setorial regional dos municípios da Mesorregião Oeste Paranaense Resumo: O objetivo desse artigo foi analisar a localização dos setores econômicos nos municípios do Oeste paranaense no período de 1970 a 2000. Também foram analisadas as modificações que esta localização impôs no continuum regional desses municípios. Para alcançar esses objetivos utilizou-se o método de análise regional através dos indicadores de localização (Quociente Locacional) e de especialização (Coeficiente de Especialização), pois estes indicadores mostram o padrão de localização e o grau de especialização das atividades entre os municípios. Os resultados mostraram que os pólos regionais (Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu) mantiveram e reforçaram sua posição como centros urbanos significativos na localização dos setores secundário e terciário. No entanto, no ano de 2000, notou-se a emergência de novos municípios que apresentam uma transição de uma estrutura urbana/rural para urbana/industrial. Esses municípios foram: Terra Roxa, Marechal Cândido Rondon, Medianeira, Capitão Leônidas Marques e Matelândia. Nos demais municípios em transição percebeu-se a formação de uma estrutura de transformação agroalimentar indiferente a base produtiva dos pólos. Os outros municípios mantiveram sua posição de alta dependência do setor primário. Palavras-chave: Análise Regional, Economia Regional, Paraná, Localização, Setor Primário. 1 O continuum setorial regional dos municípios da Mesorregião Oeste Paranaense 1 INTRODUÇÃO A partir da década de 70 a região Sul do Brasil, passou por uma profunda reestruturação em sua base produtiva. Alguns autores como MARTINE & DINIZ (1991), acreditam que essa reestruturação foi causada pelas tendências de desconcentração da indústria paulista. Em todo caso, no Paraná, a mudanças no padrão de localização da indústria ocorreu em quase todos os setores, principalmente na transformação agroalimentar. Isso se deve à modernização da base técnica de produção e expansão agropecuária o que permitiu a entrada na comercialização de commodities e na agroindustrialização. Na produção agropecuária, destaca-se a suinocultura e a avicultura, que é praticada principalmente no Oeste do Paraná. (PIFFER, 1999). Essa mudança tecnológica propiciou a ocupação de novas áreas e reestruturação das tradicionais, ocasionando uma forte migração rural para os grandes centros urbanos e, principalmente, para outros estados (ROLIM, 1995; DINIZ & LEMOS, 1990). Mesmo nos anos 80, com a recessão brasileira, a economia paranaense obteve grandes transformações em sua base produtiva, ocorrendo à inserção de importantes indústrias, como por exemplo a de material elétrico, comunicação, papel, químico e material de transporte, bem como a diversificação agroindustrial (VASCONCELOS, GREMAUD, & TONETO, 1999). Já nos anos 90, ocorre a afirmação da agroindústria de carne e derivados, além da implantação do pólo automotivo na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Destacou-se e consolidou-se, também, neste período, as atividades agro-industriais relacionadas ao complexo soja e a produção, abate e industrialização de suínos, aves e bovinos (FUNDETEC, 1996). No entanto, conforme PIFFER (1999), as mudanças ocorridas no Estado do Paraná e a compreensão do crescimento da região Oeste relacionam-se diretamente com a dinâmica do estado, pois essa influi na formação da estrutura produtiva regional. Nesse sentido, para compreender uma região é preciso compreender sua dinâmica econômica e como essa dinâmica afeta a sua organização espacial. Nesse sentido, esse artigo analisa a localização dos setores econômicos nos municípios do Oeste paranaense e as mudanças que essa localização impôs no continuum regional. 2 O CONTINUUM SETORIAL REGIONAL: DEFINIÇÃO E MÉTODO DE ANÁLISE A economia regional tenta explicar o porquê das atividades econômicas se conglomerarem em poucos centros em vez de formarem uma dispersão homogênea. Nesta mesma linha tenta-se explicar o porquê de a população e a produção também se aglomerarem em certas regiões da economia. Neste contexto, pode-se dizer que uma concentração de atividades diversas, embora inter-relacionadas, ocorre a partir da dinâmica econômica. (RICHARDSON, 1973). Assim, o continuum faz referência ao que não é interrupto, ou seja, ao sucessivo. Dessa forma, o continuum representa um conjunto conexo. Esse conjunto é composto por um espaço (região Oeste Paranaense), por atividades produtivas (primário, secundário, terciário) e o tempo (período de análise). Nesse conjunto, a localização das atividades produtiva muda ao longo do tempo dado as transformações locais e o efeito das 2 forças centrípetas e centrífugas da dinâmica econômica espacial sobre os municípios da região. As forças centrífugas estimulam a dispersão das atividades econômicas e as forças centrípetas as aproximam do centro (DE LIMA, 2004). 2.1 O Modelo da Análise Regional Os primeiros pesquisadores a aplicar e sistematizar os indicadores de análise regional no Brasil foram Lodder (1974) e Haddad (1989). Ambos são referências importantes da aplicação empírica desse instrumental ao caso brasileiro. Atualmente, quando se trata da aplicação dessa análise no Paraná e na Mesorregião Oeste Paranaense, quem se destacam são Piacenti et al. (2002) e Lima et al. (2004). Através da análise regional é possível identificar as mudanças no padrão de localização, especialização, associação geográfica e a reestruturação econômica das regiões. Assim, a análise regional permite generalizações na interpretação dos seus indicadores. Essas generalizações dependem do problema analisado, da variável de análise e da delimitação espacial. No caso do problema estudado neste artigo, parte-se da constatação que a dinâmica econômica das regiões muda a participação dos setores econômicos e sua importância na economia regional. Por exemplo, uma região que tinha sua economia baseada exclusivamente nas atividades primarias muda sua estrutura produtiva ao longo do processo de desenvolvimento econômico. De uma economia primária, ela passa a absorver atividades de transformação e serviços. Essas mudanças impactam na ocupação da mão-de-obra. Por isso, a evolução da ocupação da mão-de-obra é um indicador de localização e especialização das atividades produtivas. Sem contar que uma variável exige menos ajustes, como seriam necessários se a variável estudada fosse o Produto Interno Bruto (PIB). Outro elemento importante na análise regional e espacial é a delimitação da área de análise. Os indicadores de análise regional, ao utilizar o peso relativo dos setores econômicos, anula o efeito “tamanho” das regiões. Por isso, eles permitem o cálculo de indicadores confiáveis. Para o cálculo das medidas de especialização e localização organizou-se as informações em uma matriz que relaciona a distribuição setorial-espacial de uma variávelbase. No presente estudo utiliza-se a mão-de-obra (MO) distribuída por setores econômicos (primário, secundário, terciário). As colunas mostram a distribuição da mão-de-obra entre os municípios, e as linhas mostram a distribuição da mão-de-obra por setor de cada um dos municípios, conforme Figura 1. Definiram-se as seguintes variáveis: MOij = Mão-de-obra no setor i do município j; ∑ MO ij = Mão-de-obra no setor i do Estado; ∑ MO ij = Mão-de-obra em todos os setores do município j; j i ∑∑ MO ij i j = Mão-de-obra total do Estado. 3 FIGURA 1 - MATRIZ DE INFORMAÇÕES Setores i ∑ MO MOij Município j ∑ MO ij j ij i ∑∑ MO ij i j FONTE: Haddad, 1989, Lodder (1974), Piacenti et. al. (2002), e Lima et. al. (2004). A partir da matriz de informações descrevem-se as medidas de localização e de especialização. As medidas de localização são de natureza setorial e se preocupam com a localização das atividades entre os municípios, ou seja, procuram identificar padrões de concentração ou dispersão da mão-de-obra setorial, num determinado período. No presente artigo utilizar-se-á o quociente locacional como medida de localização. 2.1.1 Quociente Locacional - QL É utilizado para comparar a participação percentual da mão-de-obra de um município com a participação percentual do Estado. O quociente locacional pode ser analisado a partir de setores específicos ou no seu conjunto. É expresso pela equação (1). MO ij ∑ MO ij j (1) QL = ∑ MO ij ∑ ∑ MO ij i i j A importância do município no contexto estadual, em relação ao setor estudado, é demonstrada quando QL assume valores acima de 1. Nesse caso (quando o QL for maior que 1) indica a representatividade do setor em um município específico. Além disso, pode-se verificar os setores que possuem possibilidades para atividades de exportação, e que o município é relativamente mais importante, no contexto estadual, em termos do setor, do que em termos gerais de todos os setores. O contrário ocorre quando o QL for menor que 1. A partir da análise do QL poder-se-á visualizar a concentração de cada setor em cada um dos municípios. Diferente do QL, que é uma medida de localização, as medidas de especialização se concentram na análise da estrutura produtiva de cada município, fixando as colunas nas matrizes de informações, objetivando analisar o grau de especialização das economias regionais num determinado período. Dentre estas medidas, utilizar-se-á, no presente artigo, o coeficiente de especialização. 2.1.2 Coeficiente de Especialização - CE O coeficiente de especialização é uma medida regional. As medidas regionais concentram-se na estrutura produtiva de cada município, fornecendo informações sobre o nível de especialização da economia num determinado período. 4 ⎞ ⎞ ⎛ ⎟ − ⎜⎜ ∑ MOij ∑ ∑ MOij ⎟⎟ i i i j ⎠ ⎝ j ⎠ CE = (2) 2 Através do coeficiente de especialização, compara-se a economia de um município com a economia do Estado. Para resultados iguais a 0 (zero), o município tem composição idêntica à do Estado. Em contrapartida, coeficientes iguais ou próximos a 1 demonstram um elevado grau de especialização ligado a um determinado setor de atividade, ou uma estrutura de MO totalmente diversa da estrutura de MO estadual. A especialização não é apenas uma medida de progresso econômico, pois alguns municípios podem estar fortemente especializados em atividades em declínio ou pouco rentáveis. Portanto, essa medida define e apresenta a posição relativa das unidades espaciais, ou seja, dos municípios em relação ao Estado. ⎛ ∑ ⎜⎝ MO ∑ MO ij 3 ij O PERFIL DA LOCALIZAÇÃO E DA ESPECIALIZAÇÃO SETORIAL REGIONAL Nessa seção serão apresentados os resultados da aplicação do modelo de análise regional descrito na metodologia. Assim, a Figura 2 mostra a evolução do Quociente Locacional (QL) do setor primário da economia para todos os municípios da Mesorregião Oeste Paranaense. Pela Figura 2, nota-se que em 1970 a base produtiva da região Oeste do Paraná era exclusivamente agrária. As exceções ficam por conta dos municípios de Foz do Iguaçu e Cascavel. No entanto, entre 1980 a 1991 ocorre a emergência de três municípios: Guaíra, Toledo e Santa Terezinha de Itaipu. De uma economia fortemente baseada no setor primário, esses municípios avançam na transformação estrutural que caracteriza o desenvolvimento econômico. Porém, em 2000, ocorre a regressão de Guaíra e a emergência de Medianeira. Essa figura demonstra que a mesorregião ainda possui, na quase totalidade dos municípios, uma economia com o setor primário bem significativo. Dessa forma, constata-se a grande dependência dos municípios da mesorregião nesse setor. Outro fato que deve ser notado é que os principais municípios da mesorregião estão apresentando reduções nos seus respectivos quocientes do setor primário, conforme mostram as Figuras 3 e 4. 5 FIGURA 2 – EVOLUÇÃO DO QUOCIENTE LOCACIONAL DO SETOR PRIMÁRIO DOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE – 1970/2000 1980 1970 1 1 2 3 2 3 5 4 8 12 14 4 10 14 19 22 26 39 25 44 40 39 42 25 44 48 40 1991 3 4 6 15 14 3 16 19 20 21 27 35 26 22 24 45 39 25 46 44 40 41 48 10 4 9 12 13 29 34 42 11 8 12 36 2 5 10 30 2000 1 2 22 26 45 48 33 19 33 45 1 8 12 33 42 5 49 50 31 32 30 33 34 36 37 38 39 42 40 41 43 15 14 5 67 16 29 28 35 27 8 19 17 18 20 21 26 22 45 46 47 49 48 44 25 50 0 Notas: QL ≥ 1 / Forte 0,50 ≤ QL ≤ 0,99 / Médio QL ≤ 0,49 / Fraco Municípios: 1 – Guaíra 2 – Terra Roxa 3 – Palotina 4 – Assis Chateaubriand 5 – Formosa do Oeste 6 – Jesuítas 7 – Iracema do Oeste 8 – Nova Aurora 9 – Maripá 10 – Nova Santa Rosa 11 – Mercedes 12 – Marechal C. Rondon 13 – Quatro Pontes 14 – Toledo 15 – Tupãssi 16 – Cafelândia 17 – Anahy 18 – Iguatu 19 – Corbélia 20 – Braganey 21 – Campo Bonito 22 – Guaraniaçu 23 – Diamante do Sul 24 – Ibema 25 – Catanduvas 26 – Cascavel Fonte: Resultados da Pesquisa 27 – Santa Ter. do Oeste 28 – São Pedro do Iguaçu 29 – Ouro Verde do Oeste 30 – São José das Pal. 31 – Pato Bragado 32 – Entre Rios do Oeste 33 – Santa Helena 34 – Diamante do Oeste 35 – Vera Cruz do Oeste 36 – Missal 37 – Ramilândia 38 – Itaipulândia 39 – Medianeira 23 24 40 – Foz do Iguaçu 41 – Santa Ter. de Itaipu 42 – São Miguel do Iguaçu 43 – Serranópolis do Ig. 44 – Matelândia 45 – Céu Azul 46 – Lindoeste 47 – Santa Lúcia 48 – Capitão L. Marques 49 – Boa Vista da Apª 50 – Três Barras do PR 100 km 6 FIGURA 3 – EVOLUÇÃO DO QUOCIENTE LOCACIONAL DO SETOR INDUSTRIAL DOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE – 1970/2000 1970 1 1980 2 3 1 5 4 2 3 8 12 14 4 10 5 8 12 19 14 33 22 26 19 33 45 42 25 44 45 48 40 39 42 25 44 48 40 1991 1 2 2000 3 5 4 10 15 14 30 16 29 34 20 26 22 24 39 25 46 44 40 41 48 49 3 10 4 9 12 13 19 45 42 2 11 21 27 35 36 1 6 8 12 33 22 26 39 50 5 67 8 31 15 17 14 16 18 32 19 29 20 30 33 28 34 21 27 23 26 22 36 37 35 24 38 45 25 39 46 44 42 47 49 50 40 41 43 48 0 Notas: QL ≥ 1 / Forte 0,50 ≤ QL ≤ 0,99 / Médio QL ≤ 0,49 / Fraco Municípios: 1 – Guaíra 2 – Terra Roxa 3 – Palotina 4 – Assis Chateaubriand 5 – Formosa do Oeste 6 – Jesuítas 7 – Iracema do Oeste 8 – Nova Aurora 9 – Maripá 10 – Nova Santa Rosa 11 – Mercedes 12 – Marechal C. Rondon 13 – Quatro Pontes 14 – Toledo 15 – Tupãssi 16 – Cafelândia 17 – Anahy 18 – Iguatu 19 – Corbélia 20 – Braganey 21 – Campo Bonito 22 – Guaraniaçu 23 – Diamante do Sul 24 – Ibema 25 – Catanduvas 26 – Cascavel Fonte: Resultados da Pesquisa 27 – Santa Ter. do Oeste 28 – São Pedro do Iguaçu 29 – Ouro Verde do Oeste 30 – São José das Pal. 31 – Pato Bragado 32 – Entre Rios do Oeste 33 – Santa Helena 34 – Diamante do Oeste 35 – Vera Cruz do Oeste 36 – Missal 37 – Ramilândia 38 – Itaipulândia 39 – Medianeira 40 – Foz do Iguaçu 41 – Santa Ter. de Itaipu 42 – São Miguel do Iguaçu 43 – Serranópolis do Ig. 44 – Matelândia 45 – Céu Azul 46 – Lindoeste 47 – Santa Lúcia 48 – Capitão L. Marques 49 – Boa Vista da Apª 50 – Três Barras do PR 100 km 7 A Figura 3 apresenta a evolução do Quociente Locacional para o setor industrial dos municípios em análise, e nota-se que no ano de 1970 os municípios de Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo apresentavam QL forte. No ano de 1980 esses mesmos municípios se mantiveram como os únicos a apresentarem quocientes significativos. Já, no ano de 1991, outros municípios apresentam valores fortes, sendo eles: Santa Terezinha de Itaipu e Ibema. No ano de 2000 o município de Cascavel mostra decréscimo no QL desse setor, e os municípios de Terra Roxa, Santa Tereza do Oeste, Capitão Leônidas Marques, Matelândia, Medianeira, Itaipulândia, e Entre Rios do Oeste apresentaram QL forte. O setor industrial não é tão homogêneo regionalmente. Em 1970, Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu tinham a localização mais significativa desse setor. Essa confirmação foi praticamente a mesma em 1980. No entanto, Guaíra e Medianeira apareciam como municípios emergentes. A partir de 1991, o setor industrial começou a se dispersar na região. Forças centrípetas fizeram com que outros municípios se destacassem nesse setor. Destes, Terra Roxa apresenta uma configuração diferente da estrutura industrial tradicional do Oeste do Paranaense, ou seja, sua base produtiva é voltada para o setor têxtil, enquanto os outros municípios se destacam na transformação agroalimentar. Vale destacar, que pelos mapas apresentados na Figura 3, as forças centrípetas agem no sentido Leste → Oeste. Tanto que os municípios mais próximos ao centro do Paraná (leste da região Oeste) passam a localização menos significativa do Quociente Locacional. Outro fato que deve ser destacado é que os demais municípios estão apresentando crescimento do QL do setor industrial com o passar dos anos. Isto pode ser visualizado pela Figura 3 ao notar-se o número de municípios com coeficientes fracos em 1970 se comparado com ano de 2000. Com relação a evolução do Quociente Locacional para o setor terciário, este pode ser visualizado através da Figura 4. Verifica-se que no ano de 1970 somente os municípios de Foz do Iguaçu e de Cascavel possuíam QL significativo para este setor. Nos demais municípios apenas Guaíra, Toledo e Terra Roxa possuíam QL superior a 0,50. No entanto, no ano de 1980 esta situação muda significativamente, pois quase a totalidade dos municípios apresentaram uma evolução do quociente. Esta característica continua no ano de 1991, e no ano de 2000 os municípios de Cascavel, Foz do Iguaçu, Guaíra, Medianeira e Santa Terezinha de Itaipu foram os únicos que apresentaram quocientes significativos. O município de Foz do Iguaçu manteve seu quociente significativo dada suas características peculiares na região: turismo ecológico, comércio, produção de energia e fluxo de transporte. Quanto ao município de Santa Terezinha de Itaipu, este também é influenciado pela proximidade em relação a Foz do Iguaçu. Já o município de Medianeira, este é influenciado pelo setor de transportes e principalmente por fazer parte do corredor viário da BR-277. Vale salientar que os demais municípios que fazem parte da BR-277 também estão evoluindo os quocientes deste setor (PERIS & LUGNANI, 2003). Já o município de Cascavel é privilegiado pela localização central regional estratégica, e por estar no entroncamento das principais rodovias da região – principalmente pela BR-277 – além, da rede ferroviária que também passa pelo município (PERIS & LUGNANI, 2003). Todas estas características fizeram com que Cascavel apresentasse um Quociente Locacional do setor terciário significativo em todo o período analisado. 8 FIGURA 4 - EVOLUÇÃO DO QUOCIENTE LOCACIONAL DO SETOR TERCIÁRIO DOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE – 1970/2000 1970 1 1980 2 3 1 5 4 2 3 8 12 14 4 10 5 8 12 19 14 33 22 26 19 33 45 42 25 44 45 48 40 39 42 25 44 48 40 1991 1 2 5 4 15 14 16 29 34 20 26 22 24 39 25 46 44 40 41 48 49 3 10 4 9 12 13 19 45 42 2 11 21 27 35 36 1 6 8 12 30 2000 3 10 33 22 26 39 50 5 67 8 31 15 17 14 16 18 32 19 29 30 20 33 28 34 21 27 23 26 22 36 37 35 24 38 45 25 39 46 44 42 47 49 50 40 41 43 48 0 Notas: QL ≥ 1 / Forte 0,50 ≤ QL ≤ 0,99 / Médio QL ≤ 0,49 / Fraco Municípios: 1 – Guaíra 2 – Terra Roxa 3 – Palotina 4 – Assis Chateaubriand 5 – Formosa do Oeste 6 – Jesuítas 7 – Iracema do Oeste 8 – Nova Aurora 9 – Maripá 10 – Nova Santa Rosa 11 – Mercedes 12 – Marechal C. Rondon 13 – Quatro Pontes 14 – Toledo 15 – Tupãssi 16 – Cafelândia 17 – Anahy 18 – Iguatu 19 – Corbélia 20 – Braganey 21 – Campo Bonito 22 – Guaraniaçu 23 – Diamante do Sul 24 – Ibema 25 – Catanduvas 26 – Cascavel Fonte: Resultados da Pesquisa 27 – Santa Ter. do Oeste 28 – São Pedro do Iguaçu 29 – Ouro Verde do Oeste 30 – São José das Pal. 31 – Pato Bragado 32 – Entre Rios do Oeste 33 – Santa Helena 34 – Diamante do Oeste 35 – Vera Cruz do Oeste 36 – Missal 37 – Ramilândia 38 – Itaipulândia 39 – Medianeira 40 – Foz do Iguaçu 41 – Santa Ter. de Itaipu 42 – São Miguel do Iguaçu 43 – Serranópolis do Ig. 44 – Matelândia 45 – Céu Azul 46 – Lindoeste 47 – Santa Lúcia 48 – Capitão L. Marques 49 – Boa Vista da Apª 50 – Três Barras do PR 100 km 9 FIGURA 5 - EVOLUÇÃO DO COEFICIENTE DE ESPECIALIZAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE – 1970/2000 1970 1 1980 1 2 3 2 3 5 4 8 12 14 4 10 5 8 12 14 19 19 33 33 22 26 39 42 25 44 39 42 48 40 25 44 48 40 1991 1 3 4 15 14 16 29 34 40 41 3 19 20 22 24 39 25 46 44 48 49 10 4 9 12 13 26 45 42 11 21 27 35 36 6 8 12 30 2 5 10 33 2000 1 2 22 26 45 45 50 5 67 8 31 15 17 14 16 18 32 19 29 30 20 33 28 34 21 27 23 26 22 36 37 35 24 38 45 25 39 46 44 42 47 49 50 40 41 43 48 0 Graus de Especialização: 0,43 ≤ CE ≤ 0,57 / Especialização Significativa 0,16 ≤ CE ≤ 0,42 / Especialização Média 0,01 ≤ CE ≤ 0,15 / Diversificação Significativa Municípios: 1 – Guaíra 2 – Terra Roxa 3 – Palotina 4 – Assis Chateaubriand 5 – Formosa do Oeste 6 – Jesuítas 7 – Iracema do Oeste 8 – Nova Aurora 9 – Maripá 10 – Nova Santa Rosa 11 – Mercedes 12 – Marechal C. Rondon 13 – Quatro Pontes 14 – Toledo 15 – Tupãssi 16 – Cafelândia 17 – Anahy 18 – Iguatu 19 – Corbélia 20 – Braganey 21 – Campo Bonito 22 – Guaraniaçu 23 – Diamante do Sul 24 – Ibema 25 – Catanduvas 26 – Cascavel Fonte: Resultados da Pesquisa 27 – Santa Ter. do Oeste 28 – São Pedro do Iguaçu 29 – Ouro Verde do Oeste 30 – São José das Pal. 31 – Pato Bragado 32 – Entre Rios do Oeste 33 – Santa Helena 34 – Diamante do Oeste 35 – Vera Cruz do Oeste 36 – Missal 37 – Ramilândia 38 – Itaipulândia 39 – Medianeira 40 – Foz do Iguaçu 41 – Santa Ter. de Itaipu 42 – São Miguel do Iguaçu 43 – Serranópolis do Ig. 44 – Matelândia 45 – Céu Azul 46 – Lindoeste 47 – Santa Lúcia 48 – Capitão L. Marques 49 – Boa Vista da Apª 50 – Três Barras do PR 100 km 10 A Figura 5 referente a evolução do Coeficiente de Especialização mostrou que, no geral, os municípios da Mesorregião Oeste Paranaense ficam entre “forte diversificação” e “fraca diversificação”. No entanto, no ano de 1991 o município de Diamante do Oeste, apresentou uma “fraca especialização”, e no ano de 2000 esta característica ficou para o município de Diamante do Sul. Analisando os QLs destes dois municípios, percebe-se que a afinidade dos mesmos é somente para com o setor agrícola e isto fez com o Coeficiente de Especialização ficasse mais elevado. Os demais municípios da mesorregião estão apresentando aumentos nos QLs dos setores industrial e terciário e por isso apresentaram coeficiente de especialização como sendo “diversificado”. Em 1970, os municípios de Toledo, Cascavel e Guaíra tinham uma diversificação significativa. Esses municípios mantêm a posição em 2000. No caso de Cascavel, o município se especializou entre 1980 e 1991, mas terminou o século XX mais diversificado. No contexto geral, a região passou de uma estrutura mais especializada para mais diversificada. O contraste fica por conta dos municípios mais periféricos, ou seja, que tiveram o setor primário com uma localização significativa. Em 2000, esses municípios são os mais especializados, demonstrando uma forte dependência do setor primário. 4 AS CARACTERÍSTICAS DO CONTINUUM SETORIAL REGIONAL A partir dos dados do quociente locacional e do coeficiente de especialização podese traçar o continuum setorial regional. O resultado do continuum encontra-se no Quadro 1. QUADRO 1 – CARACTERÍSTICAS DO CONTINUUM DOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE DE 1970-2000 Município Cascavel Foz do Iguaçu Medianeira Toledo Capitão Leônidas Marques Guaíra Marechal Cândido Rondon Matelândia Terra Roxa Palotina Assis Chateaubriand Catanduvas Céu Azul Corbélia Formosa do Oeste Guaraniaçu Nova Aurora Santa Helena São Miguel do Iguaçu 1970 1980/1991 2000 Urbano - Industrial Fortalecimento significativo Urbano - Industrial Urbano - Industrial Transição significativa Urbano - Industrial Urbano - Rural Em transição Urbano - Industrial Urbano - Rural Fortalecimento significativo Urbano - Rural Fonte: Resultados da Pesquisa 11 Deve-se ressaltar que foram considerados para o continuum apenas os municípios existentes em 1970. Pelo Quadro 1, nota-se que os municípios mais diversificados da região (Toledo e Cascavel) mantiveram uma posição favorável na localização dos setores terciário e secundário e reforçaram sua posição com um continuum urbano/industrial. Nessas cidades, as mudanças setoriais que ocorreram entre 1970-2000 aprofundaram uma estrutura produtiva de transformação que se destaca na região. Da mesma forma, Medianeira e Foz do Iguaçu, mantêm sua posição apesar das oscilações. No caso de Medianeira, é a presença significativa do setor primário, que fornece insumos ao seu parque agroindustrial. No caso de Foz do Iguaçu, é o setor terciário altamente representativo na sua economia. Quanto a Foz do Iguaçu, vale destacar que a emancipação de Santa Terezinha de Itaipu açambarcou uma parcela do seu distrito industrial. Nesse sentido, Santa Terezinha de Itaipu surge nos anos 1990 com um continuum urbano-industrial. Os municípios em transição são Marechal Cândido Rondon, Terra Roxa, Guaíra, Capitão Leônidas Marques e Matelândia. Nesses municípios, o final dos anos 1990 marcou o fortalecimento de uma estrutura agroindustrial até então inexistente. No caso de Terra Roxa, o setor de confecções despontou e marca a base industrial desse município. Enquanto os outros municípios são estruturados na transformação agroalimentar. Nos outros municípios existentes em 1970, a presença significativa da localização do setor primário e na incapacidade de localizar de forma significativa o setor secundário, aprofundou seu continuum urbano/rural. Essas cidades são fornecedoras em potencial de insumos para o parque industrial das cidades com um continuum urbano/industrial. Informação esta que foi confirmada nos estudos de Piffer (1999), Lima et.al. (2004) e Piacenti et. al. (2002). 5 CONCLUSÃO O objetivo desse artigo foi a análise da localização dos setores econômicos nos municípios do Oeste paranaense. Além disso, foram analisadas as modificações que esta localização impôs no continuum regional desses municípios. No geral, notou-se que os pólos regionais (Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu) mantiveram e reforçaram sua posição como centros urbanos significativos na localização dos setores secundário e terciário. No entanto, no ano de 2000, notou-se a emergência de novos municípios que apresentam uma transição de uma estrutura urbana/rural para urbana/industrial. Esses municípios foram: Terra Roxa, Marechal Cândido Rondon, Medianeira, Capitão Leônidas Marques e Matelândia. Essa transição não significou uma diminuição na base produtiva dos pólos, mas a emergência de uma nova estrutura no caso de Terra Roxa, ou seja, na base industrial têxtil. Nos outros municípios em transição percebeu-se a formação de uma estrutura de transformação agroalimentar indiferente a base produtiva dos pólos. Os outros municípios mantiveram sua posição de altamente dependentes do setor primário. Vale notar que esses municípios são os mais especializados da região e mantiveram essa posição em todo o período. 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