C.D.U. 37 (8Í2.1) (091)
o ENSINO DE HISTÓRIA DO MARANHÃO NO 19 GRAU (3a. e 4a. StRIES)
Maria
do Socorro
Coelho
Cabra1(1)
RESUMO
A Pesquisa consta de um estudo realizado em 40 Escolas de
19 grau da rede oficial e particular
do Maranh~o sobre o Ensino
de
História do Maranhão. A respeito desse ensino foi feita uma
ref1e
x~o sobre os Programas
adotados nessas Escol s, livros didaticosutT
1izados pelos professores,
bem como sobre a participaç~o
dos alunos
e a vis~o de História demonstrada
pelos professores
entrevistados.O
exame crítico sobre essas questões visa a contribuir
para a discus
são em torno do Ensino de História do Maranh~o nas Escolas de
19
Grau (3a. e 4a. séries).
1
INTRODUÇÃO
Nossa proposta inicial
era escrever um livro
didático
sobre História do Maranhão
que
às Coordenações de Ensino de 19
Grau das Secretarias de
Educa
ção do Estado e do Município,v~
viesse servir de fonte de consul
sando a um conhecimento
ta para os professores de
da realidade escolar em estudo,
grau (3a. e 4a. séries) que
19
tra
maior
bem como colher sugestões ares
balham com História do Maranhão,
peito dos temas históricos
na disciplina Estudos
bre o Maranhão que deveriam ser
sob a designação de
Sociais,
Integração
so
por nós desenvolvidos.
Social.
Paralelamente a
esse
de
trabalho de campo, fazíamos le~
senvolver a primeira etapa
do
turas teórico - metodológicas
,
projeto, que constou de uma
pe~
dentro da área de história,
a
Passamos, então,a
quisa de campo realizada em
aI
gumas escolas de 19 grau e junto
n~estre
em Educaç~o. Professora
ria e Geociências-UFMA.
Cursando
Doutorado
em História
fim de podermos, por um
acompanhar os avanços
Assistente
Social
- Departamento
lado,
alcanç~
de Histó
na USP.
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
05
dos no processo
conhecimento
tro lado,
postas
as novas
e experiências
no ensino
a nível
sentimos
o nosso
que vêm
de
de campo
Histó
realizada
a necessidade
projeto
de
inicial.
coletado
to maior
que passamos
realidade
pesquisada
momento,
terial
da
levou
a
pri:
desse
tencentes
a
125
de 40 escolas,
pe~
esta
levantamento
livros
pelos
como os programas
adotados
culares
federal,
e particular.Faz
desse
las visitadas
de
didáticos
professores,bem
de Estudos
em algumas
elaborados
pelas
So
esco
e os Guias
de Educação
,
Curri
Secreta
do Estado
nas aulas,
pelos
"documentação,
do exame
sobretudo
do dos questionários
tam questões
do
que
que vão desde
Cad.
Pesq.
dessa
estu
levan
o pr~
didáti
profess~
dos
alunos
até perguntas
sobre
os temas
que os professores
geririam
para
senvolvidos
deveriam
serem
su
por nos
e como
de
esses
temas
ser trabalhados,
f~c~
mos
conhecendo,
de alguma
for
ma,
o que pensa
uma parte
dos
professores
questões
ensino
de 19 grau
relevantes,
de História
sobre
ligadas
3a. e 4a. séries.
As
manifesta
idéias
professores,entr~
pareceram-nos
discutíveis,
bastante
daí o nosso
inte
resse
em realizar
uma
maior
sobre
Achamos,
te de todo
elas.
qualquer
fizéssemos
sobre
História
que não
taria
fosse
que
de
essa
no 199rau,
reflexão,
ou
para
con
a melho
ensino.
Com o estudo
2 - uma reflexão
adotados
sobre
que
os
nas escolas
e sobre
os livros
dáticos
utilizados
pelos
(2): 5 - 33,
ora
de,noitem
quisadas
3
e~
seja,
contribuindo,
gostaríamos,
gramas
que ,de
estudo
fora do lugar,
ria desse
dia~
o ensino
do Maranhão
não estaria
forme
reflexão
esse material
imediato,
são Luis,
ao
do Maranhão,
realizamos, que consta
Através
adota
livros
res, participação
e do
Município.
08
30ciais
escolas,
cos utilizados
tanto,
levantado
aplicados
municipal
utilizados
dos nas
ma
especialmente,
os principais
de Estudos
das por esses
ãs redes
ainda
grama
nas
realizarmos
coletado.
professores
rias
rico
num
de análise
questionários,
ciais
O
nos
seria
se constitui,
parte
rever
a ter
O material
dual,
,
e o conhecimen
ver que,o mais pertinente,
um trabalho
se
entretanto,
material
meiro
pr~
de 19 grau.
A partir,
da pesquisa
do
e, por ou
histórico
conhecer
realizando
ria,
de produção
jul./dez.
pr~
pe~
di
pr~
1987
fessores
consultados e, no
,
3 .;..uma análise dos
item
question-ª.
rios aplicados, objetivamos
tribuir para a discussão
con
yar O aluno a alcançar um con j un
to de "compreensões básicas"s~
ore assuntos ligados aos
temas
em tor
Família, Comunidade, Escola, M~
no do ensino de História do Mara
nicipío e Estado. Nas 3a. e 4a.
n~ãonas
qr au,
séries, o aluno, após o
2
3a. e 4a. séries do
19
estudo
dos temas Município e Estado,d~
- OS PROGRAMAS ADOTADOS E
OS
verá conhecer
alguns
aspectos
dessas duas realidades
LIVROS DIDÁTICOS
tais co
mo: localização, população, cos
A matéria Estudos
ciais,que, conforme o
So
Conselho
Federal de Educação, tem por
jetivo o "ajustamento
do educando ao meio,
ob
crescente
cada
vez
mais amplo e complexo, em que d~
ve não apenas viver,
mas
ver", é dada nas quatro
convi
prime~
ras séries do 19 grau, sob a
de
signação de Integração Social.
Currículo
do Ensino de 19 grau,1 a
disci
plina Integração Social deve
le
e
econômic~, fatos passados, etc.
As Diretrizes Gerais do Currícu
um
10 de Ensino sugerem ainda
rol de contéudos que p:rlerãocons
elaborados
tar nos currículos
pelas escolas e que deverão con
duzir a essas "compreensões
sicas".
o rol
correspondentes
séries e
temas
do.
que
Município
bá
transcrever
Convém
mos aqui
No Maranhão,segundo as
Diretrizes Gerais do
tumes, organização política
de
as
se
assuntos
3a. e 4a.
refere aos
e
Esta
Município
1 - O Município como uma reunião de comunidades
tipos de comunidades do Município
2 -
Grupos existentes no Município
grupos de pessoas residentes na sede
grupos de pessoas residentes na zona rural
. grupos de escolas, igrejas, casas comerciais, agéncias
bancá
rias, fábricas, hospitais, repartições públicas, outros.
3 - Noção de Município
1
Documento elaborado e publicado
pela Secretaria
de Educaç~o ~o E~
tado do Maranh~o para servir de base para as escolas elaborarem
seus currículos.
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
07
· o que é distrito
finalidade
sede
dos outros
4 - O Município
onde
localização
distritos
o aluno
vive
em relação
a zona rural,
asp~ctos
físico-naturais
aspectos
físico-culturais
tradas,
5 - Grupos
construções,
que
integram
a população
nômicos,
(igarapés,
(ruas, avenidas,
com
praças,
fatores
religiosos,
sociais,
migratório.
buição
no Município,
movimento
órgãos
e associações
que
atividades
econômicas
profissões
predominantes
6 - História
rios,
Pais.
clima)
bairros,e~
o Município
- sua interdependência
festas
relevo,
Estado,
outros).
culturais,
costumes,
urbana,
servem
políticos,
outros,
sua
eco
distri
a população
dos grupos
no Município
tradicionais
e comemoraçoes
dos grupos
do Município
origem
do nome
fundação
fatos
e vultos
7 - Administração
importantes
do 11unicípio
autoridades
e suas
principais
órgãos
serviços
públicos
direitos
e deveres
8 - Interdependência
os meios
atribuições
que auxiliam
dos cidadãos
do ~bnicípio
a administração
do Município
com outros
Municípios
de transporte
as comunicações
as vias
comerciais
os meios
de divulgação
cultural
Estado
1 - O Estado
08
como
unidade
centros
comerciais
centros
agrícolas
centros
pastoris
Cad.
Pesq.
formada
por vários
são Luís,
3
Municípios
(2): 5 - 33, iul./dez.
1987
· centros. culturais
· outros
2 - O Estado
localização em relação a outros Estados, à reglao e ao País.
organização política
(a capital, os Municípios, as
microrre
giões) .
aspectos físico-naturais
(relevo, hidrografia, clima,
veget~
çáo ) .
Aspectos fíSico-culturais
(cidades, estradas, construções
e
outros) •
3 - Administração no Estado
· autoridades constituídas e suas atribuições
os três poderes
a lei e os direitos e deveres do cidadão para com o
Estado e
o País.
· o governo e sua política de integração do Estado com
outros
Estados e com o País.
4 - Grupos que Integram o Estado
a população - sua interdependência com fatores políticos, ecg
nômicos, culturais, sociais, religiosos e outros, sua
distri
buição no Estado, movimento migratório.
as principais profissões no Estado
· as atividades humanas e suas mudanças em relação ao local
e
epoca.
as tradições e os costumes de diferentes areas do Estado.
5 - O Estado e sua interdependência com outros Estados
o intercâmbio de produtos
a exploração e aproveitamento dos recursos naturais
comércio interno e externo
os meios de transporte
· as comunidades
os meios de divulgação cultural
6 - História do Estado
· o Estado do Maranhão e as navegaçoes
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
09
• o povoamento
· as invasões
inicial
estrangeiras
os fundadores
gião,
do Estado
e sua influência
nos- costumes,
os fatos
7 - O Estado
nativista
e os vultos
como
unidade
históricos
de integração
o Estado
como
parte
de uma região
· o Estado
como
parte
do Brasil
o Estado
comparado
roteiro
já destacamos,são
o documento
Gerais
a outros
acima,
a esse
que
do Ensino
rol de conteúdo
por esse
"Diretrizes
do Currículo
do País
Estados
como
sugestões
oficial,
se pode
de
livros
documento
ver,e
apresenta
para
que
as
para
escolas,
de acordo
com suas
ne
considerados
elaborem
culos
e programas.
fica,
entretanto,
e que
a maior
não elabora
seus
na
parte
seus programas
Integração
limitando-se
o professor,
a seguir
no livro
mais
teúdo
sugerido
oficial
a que
presente
adotado
ou menos
e
que
pelo
depois
A invasão
Francesa
Colonização
implícito,
nos
pois,
considera
a Passado,
de
Histó
como
fosse
a narrativa
Passado
humano.
A fim de
trarmos
o que estamos
se
do
ilus
afirman
adota
pesquisadas.
outro
da terra
do Brasil
Maranhão:
Estado
Foi assim
que o Brasil
Invasão
aos
uma concepção
do nas Escolas
consulta
donos
que
chega
tidos no índice do livro mais
já nos referimos.
Primeiros
cronológi
o título "Revivendo um Passado". con
documento
Um descobrimento,
os temas
do, abaixo transcrevemos os temas sob
o rol do con
Uma simples
10
História
g~
que
seqüência
Está
ria - igual
dos
é suficiente
a História
roteiro,
história
Social,
o roteiro
didático
segue
nesse
para
em
uma
sos dias.
Escolas
índices
ligados
ca que raramente
realidade,
das
aos
verificarmos
seguem
O que se ver~
a disciplina
ral,
currí
sugerido
oficial,como
didáticos,
19 Grau"
cessidades,
reli
o1,Jtros.
o sentimento
o
tradições,
Colonial
cresceu
Holandesa
Cad.
Pesq.
são Luis,
3
(2): 5 - 33,
jul./dez.
1987
A Revolta de Beckman
D. João VI no Brasil
Independência do Brasil e a Adesão do Maranhão
A Balaiada2
No segundolivromais ad~
tado nessasEscolasconsultadas,lê-se
sob o título-"AsnossasRaizes His
tóricas" :~os t.ema sua seguir:
Como surgiu o Brasil
As duas Capitanias do Maranhão
Os Franceses no Maranhão
O Maranhão separa-se do Brasil
Os Holandeses no Maranhão
A Revolta de Manoel Beckman
O Povoamento do Interior
D. João VI veio para o Brasil
O Agitado período da Regência
O segundo Império e o Maranhão
A Libertação dos Escravos
Maranhão e a República
A Revolução de 19303
Seguindo, como
vimos,
o relacionamento existente
en
o
tre eles, suas propostas,
etc.
rol de conteúdo sugerido no doeu
Todo o processo histórico
fica
mento oficial, os livros
simplificado, pois, a um conjug
a periodização tradicional e
didáti
cos começam registrando os fatos
to de fatos políticos,
históricos referentes ao
res e precisos , onde se
nhão Colônia. Esses
Mara
acontecimen
singul~
desta
ca a ação do grupo vencedor.Re~
tos, entretanto, são narrados se
saltam-se, pois, nessa
gundo uma ótica que não mostra a
va, os feitos dos
complexidade da trama histórica,
res, primeiramente os
ou seja, não contempla a
part~
ses, depois os portugueses, de~
cipação dos vários segmentos que
crevendo como estes conquistad~
compoem a sociedade
res, desbravando matas, catequ~
maranhense,
colonizado
2
NASCIMENTO,
l'1.N.&CARNEIRO, D.M. Terras das Palmeiras:19grau
série - 2.ed. são Paulo, Ed. FTD, 1984.
3
SAl'1PAIO,Francisco Coelho. Estudos
Paulo, Ed. do Brasil, 1980.
Sociais:
Maranhão,19grau.
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jUl./dez. -1987
narrati
france
- 4a.
são
11
zando índios, plantaram,
em nossa terra, as
sementes
da
civilização européia. Nessa
nar
as nossa terras,
as.s í.m como todo o
continente
americano, nao eram
habita
rativa histórica são salientadas
das por povos civilizados,mas
inúmeras figuras como as de Jerô
por selvagens.
nimo de Albuguergue, pedro
Des
saes, Daniel de La Touche, Begu~
mao e muitos outros,
Esses selvagens
he
róis. A participação do índio
eram
os índios ...
algumas de
Ias consideradas verdadeiros
Apesar de
primitivos
e selvagens, os índios,de
mo
e
do geral, aceitaram
pacific~
do negro é ocultada.Paz-se, gua~
mente a chegada dos
europeus
do muito, referências
a
estes
grupos, segundo os critérios
civilização européia,
se respeita suas
onde
nao
pois,
nesse discurso histórico,
como
objetos e não como sujeitos
4
ao Brasil."
da
culturas e pr~
jetos de vida. Aparecem,
da
Alguns poucos
livros
adotados já fazem referência ao
índio com respeito e sem
menos
prezo, embora continue
sendo
tratado de forma
ocultando-se, por
generalizada,
conseguinte,
história. Em função disso, encon
suas particularidades e a
tra-se, em alguns
naçao que sofreu, ao longo
vros, adjetivos
desses
li
"selva
como
gens", "atrasados",
para
qual~
ficarem o índio, visto como
inferior e do passado.
ser
Dentro
dessa ótica, a "catequese" do í~
dio feita pelo branco
coloniza
dor, considerado como aquele que
detém o saber e a verdade, não é
as poucas tribos
Maranhão.
A história do
Mara
nhão Colonial, segundo esses li
vros, restringe-se, pois, ao re
gistro de feitos singulares,pl~
nos de nomes, datas e locais de
terminados. Os trechos
tos abaixo exemplificam o
vemos trechos sobre o índio reti
vimos afirmando. A respeito
cos, utilizado por
entrevistados.
4
professores
da
existentes no
tulo de exemplo, abaixo transcre
didáti
domi
história, e sofrem, ainda hoje,
questionada, mas legitimada.A ti
rados de um dos livros
12
11
enfim,
transcri
que
da
invasão francesa no Maranhão, o
livro adotado na maioria das es
colas visitantes comenta:
MURAD, Maria Ceres Rodrigues.
Pedra da Memória: Estudos
Sociais
do Maranh~o.
S~o Lurs, SIOGE, 1979. p. 81 (grifo nosso).
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul.jdez. 1987
"Em maio de 1954, fra!!
ceses comandados
por
Jacques
Riffault, confraternizaram
nossas terras com
em
"Japiaçú" ,
chefe dos indios e aqui
se es
tabeleceram.
taram, na praiti de
Araçagi,
18 naus com doi~ mil
holande
ses comandados p~lo almirante
Lichtard. Desembarcaram
de
fronte da Igreja de Nossa
Se
nhora do Desterro,
Foi o primeiro
passo para
a fundação de uma colônia,Fr~
do-a e provocando pânico
cons
na
população ..."
ça Equinocial, em 1612.
Jacques Riffault
saquea!!
Outro episódio
narra
do sobre esse mesmo fato
histó
truiu uma feitoria e regressou
rico é o que o
ao seu pais, deixando comosub~
de "heroismo de um bravo", onde
tituto Charles Des Vaux.
Após
dois anos, este retorna à Fran
ça para conseguir apoio do rei
livro
intitula
salienta "a figura heróica
de
Pedro Dessaes", que não prestou
juramento à bandeira holandesa.
Henrique IV. Regressou em1610,
pulsão dos holandeses, em
Em 12 de
trecho desse mesmo livro lê-se:
agosto de
1612
realizada a Ia. missa
foi
do Mara
nhão.
"Chefiou o
Fi
setembro
lho, seguido do sargento - mar
solenemente
Antonio Teixeira de MeIo e do
de
1612, foi fundada
um
movimento
Antonio Muniz Barreiros
No dia 08
por Daniel de La Touche,Senhor
capitão Paulo Soares de
de La Ravardiére, a
lar.
cidade de
Ave
Saint Louis(São Luís), em home
Planejaram e
nagem a LUIS XIII, Rei Menino,
ram cinco engenhos do Itapec~
de França".
ru na noite de 30 de setembro
A respeito da
invasão
holandesa no Maranhão,esse mesmo
"Em 1614,governa o
tado Colonial do Maranhão
rumaram
para a cid.ade e acamparam
Es
Ben
to Maciel Parente, quando apo~
NASCIMENTO,
de 1642. Vitoriosos,
assalta
no
Outeiro da Cruz"s
livro destaca:
5
No que se refere a ex
na Companhia de Daniel de La
Touche, Senhor de Ia Ravardiére.
M. Nadir
Um outro livro didáti
co também adotado em muitas
colas narra sobre o Maranhão Co
& outros.op.cit.p.36,42
Cad. Pesq , são Luis, 3 (2}:5
es
e 43(grifo
- 33, jul./dez. 1987
nosso)
13
veram ã fr~te
lônia:
da terra
mara
nhense até 1774, quando
"0 primeiro governador
do Estado do Maranhão foi Fran
Marquês de Pombal, que
cisco Coelho de Carvalho,
primeiro-ministro
que
do
o.
era
Rei D.
tomou posse em l626,ficando em
João I, de Portugal, integrou
Pernambuco, enquanto os
novamente o Maranhão ao
solda
Bra
6
dos que com ele se
sil."
destinavam
ao Maranhão foram para
Salva
Como se pode
obser
dor em socorro aos baianos, in
var, a partir mesmo destes pequ~
vadidos pelos holandeses,
nos trechos transcritos, a histó
em
1624.
ria presente nesses livros
o segundo
governador
foi Jácome Raimundo de
Noro
e
mais do que a narrativa dos
fei
tos políticos do grupo vencedor,
nha, que muito contribuiu para
na medida em que ela é i.ndiVrluali_
a expansão territorial
zada nas figuras dos ~hefes
brasi
leira, mandando o Capitão
Pe
dro Teixeira conquistar o
rio
Amazonas.
ou
governantes.
Tem-se, pois, a histó
ria dos governantes, segundo uma
Em 1638, Bento
Maciel
Parente torna-se o terceiro g~
vernador, tendo a
desventura
de, no seu governo, os
holan
visão que, conforme já frisamos,
simplifica o processo
histórico
a uma sucessao linear de
causas
e efeitos.
deses invadirem o Maranhão, em
1641 e prendê-lo e enviã-lo p~
ra Pernambuco,~m
cuja
viagem
ele morreu.
14
Mara
nhão Imperial, os livros
didáti
cos fazem poucas referências. A!
Em 1644, os holandeses
guns descrevem apenas o fato his
foram expulsos e Francisco Coe
tórico - A Balaiada, onde se des
lho de Carvalho, sobrinho
tacam muito mais episódios, como
do
primeiro governador, assume
6
A respeito do
o
lutas, combates, do que o
sign~
governo, sendo substituído, em
ficado mesmo desse movimento
p~
1645, por André Vitor de
Ne
pular de reação a uma ordem
es
greiros e por muitos que
esti
SAMPAIO,
Francisco
Coelho,
op.
cravocrata que favorecia
cito
p.
21
(grifo
apenas
nosso)
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
a minoria de brancos
privilegi~
dos. Alguns outros livros
regi~
desses livros, mçstraro como
ses dados são sil~n~iados:
tram ainda a riqueza econômica e
o desenvolvimento cultural
Con
quistado pela Província do
Mara
"Durante os
são Luis e Alcântara
ep~
tiveram
sidências eram decoradas
casa
com
azulejos importados daEuropa,
roes que ornamentam cidades como
são Luis e Alcântara,
de
um comércio movimentado e as me
lhoresconstruçõesdo Brasil.As r~
rando os vultos mais ilustres da
ca e ressaltando os belos
séculos
XVIII e XIX, as cidades
nhão no começo do Império, enume
literatura maranhense dessa
tinham grande varanda e
testemu
esti
10 e1 gante. são Luis
ficou
conhecida como "Atenas
Brasi
leira" e "Cidade dos
Azule
jos". As residências
perte~
0
nhos, até hoje, dessa prosperid~
de econômica. Esses livros,entr~
tanto, não explicam a origem des
sa riqueza, quem a produzia,
a
quem beneficiou, etc. Não
ciam aos plantadores de
mos
aos grandes criadores de
do,!7
pelos negros, produtores diretos
concentr04
em grande parte, nas mãos de
pequeno número de senhores
deram construir ricas
tade do século passado a base
mara
econômica do Maranhão era
.p~
cultivo do algodão,
residên
cias e enviar seus filhos
tada e ilustrada que
seguido
car, que muito prosperaram na
quela epoca.
requi~
conquistou
para são Luis titulos como o
"Atenas Brasileira". Os
o
das plantações de cana-de-aç~
para
estudar na Europa, vindo a torna
rem-se parte dessa elite
g~
"Durante a segunda m~
um
nhenses, que por isso mesmo
algQ
dão e cana-de-açúcar e também
tram o grande papel desempenhado
dessa riquez~ que se
es
Foram anos de
de
grande
prosperidade econômica e
grupos
cul
tural de nosso Estado, quando
sociais restantes, entre eles os
são Luis era chamada de
"Ate
negros, nao melhoraram em
nas Brasileira", devido
ao
suas condições de vida. Os
chos abaixo, retirados de
nada
grande interesse pela
tre
cultu
" 8
ra, lembrado por seus:filhos.
dois
7
MDRAES,
Lídia Maia de; ARDEIM, Maria Luisa C. & CALDEIRA, Maria Jose.Gen
te, Terra Verde, Ceu Azul: Estudos Sociais, Maranhão,l9 grau.São Paulo, Ed~
Ãtica,
p , 76.
8
SAMPAIO,
Francisco
Coelho,
op.
cito
p. 30.
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
15
Os dados sobre aMara
nhão atual contidos nesses
vros também não levantam
os professores, os
li
nenhum
questionamenfo, destacando
motoris
tas, os funcionários públicos
e outros.
sem
Na execuçao de
qual
pre a ação dos governantes e ocul
quer uma dessas
tando os conflitos e as contradi
uns colaboram com os
çoes. Segundo esses livros, est~
promovem o progresso da
mos todos, em comum
ção, do Estado e do
cooperaçao,
construindo o progresso do
Mara
tijolos
O homem é um ser
feli
Esses livros
mostram
ainda como as indústrias
ra que está se
que
agricult~
desenvolvendo
e as inúmeras realizações dos
zardo.
Felizardo porque
rece
be como presente da terra imen
sas riquezas, solos férteis,m~
nerais, rios e mares,
flores
tas ... e porque dispõe de inte
ligência para transformar
sas riquezas em recursos
es
Como explorar ou trans
formar tudo isso?
Num esforço
governantes estão
conjunto,
promovendo
o progresso do Maranhão.
nenhum momento estes
são questionados,
Em
dados
passando a
idéia de uma história pronta,
correta, inquestionável.
Na narrativa
desses
livros didáticos, as
classes
que
melhoram seu modo de viver.
nao
sociais, seus conflitos,
aparecem. A sociedade
mara
nhense parece ser uma
total i
agricultura,
dade harmônica, onde não
há
à pecuária, ou à exploração de
dominação, expropriação,
po~
recursos naturais.
que "todos t~m
uns dedicam-se a
Outros trabalham
nas
Há ainda aqueles
que
se dedicam à prestação de
Nadir
acesso às riquezas da terra",
mesmo
& CARNEIRO,
nhão
Deuris
isso
"seres felizardos".
A história do
ser
viços, como os comerciantes
~ NASCIMENTO,
Maria
(grifo
nosso)
igualmente
devendo se sentir por
fábricas: são os operários
16
Na
Municí
estão surgindo, a
na construção do progresso~
outros,
pio."~
nhão. Vejamos o trecho a seguir:
"Somos todos
atividades,
Mara
tal como é contada
Moreno.
op.
cito
nes
p.
72
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
ses livros
constitui-se,
pois,
numa representação mística
da
realidade maranhense. Nessa
his
tória, a ação, o movimento,
o
quotidiano do homem
maranhense
nao tem lugar, está à margem.
~
uma versão segundo a ótica de um
determinado grupo, que passa
a
se constituir, depois de veicula
da nas escolas, na visão de
his
tória do senso comum.Transmitida
assim dessa forma,sem
nenhuma
crítica, ela não oportuniza
a
criança a se aperceber corno
um
ser que pensa, reflete e faz
a
história. Essa história
aparece
ao aluno como uma coisa
monóto
na, com a qual ele não se identi
fica, distante dele. Ele não
a
entende, por isso é levado a
de
corá-Ia e, muitas vezes, lhe
e
cobrado isso, o que e
lamentá
vel, pois, corno sabemos,
histó
ria nao é matéria decorativa.Hi~
tória e vida. História é movimeg
to. A história tem que ser enteg
dida corno "história da vida
dos
homens, das relações sociais, c~
mo algo vivo e dinámico,que
tem
uma dimensão temporal e espacial
finica".10 História é
compreeg
são, reflexão, entendimento, pa~
to, levar o alut'to
a refletir,r~
ciocinar, problematizar e
nao
a decorar.
A história do
Mara
nhão, ensinada nas escolas, não
deve se constituir, pois,num re
lato sem vida, que deve ser
me
morizado pelo aluno, provocando
por isso, muitas vezes, por pa~
te deste, descaso e
desintere~
se. Para isso o professor
tem
que questionar o livro didático
e os guias curriculares, a
de se tornarem
fim
instrumentos
fiteis na aprendizagem. O
con
tefidodos livros didáticos
não
deve ser visto corno a única fon
te de saber, aquela que
contém
a história verdadeira. O
livro
didático é apenas uma,entre ta~
tas outras fontes de
consulta,
como: informações da
família,
tradição oral, jornais, filmes,
literatura, cantos,
documentos
históricos, etc, que devem
ser
utilizados pelo professor e
105
p~
alunos, também de forma crí
tica e criativa. Essas
fontes
não são um
ating!
fim
a ser
dD , mas um meio para se
apre~
der a estudar e a refletir
so
bre a história.
ticipação. História é atuação. O
ensino de história deve,
10
portag
Estudar história para
ZAMBONI,
Ernesta.
Sociedade
e trabalho
e os primeiros
an~s
colaridade'introdução
das noções
básicas
para a formaçao
,
h o .. R
B raso H'st
são Paulo,
n9 11, p.
conceito;
Trabal
L
.,
set. fev.
1986.
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
de
de
117
es
um
,
17
por co~
desde o programa e os livros di
seguinte, aprender o que está no
dáticos adotados nas escolas, a
livro - mas aprender a pensar
participação dos alunos nas
a cria?ça nao deve ser,
e
au
a refletir sobre a vida,aprender
Ias, até os temas sobre
liase situar no mundo, a
ria do Maranhão que os profess~
perc~
ber as relações existentes
en
res gostariam que fossem
tre ela e as pessoas e entre
os
volvidos em textos e a
diferentes objetos que a cercam"11
Aprender história
desen
maneira
de abordá-los. As respostas
e,
pois, se aperceber como um
Histó
ser
das pelos professores a
essas
perguntas sao objeto de
estudo
deste tópico, começando-se,
que participa e faz a história.
da
rém, por tecer um rápido
p~
comen
tário sobre a caligrafia e cap~
3
ANÁLISE DOS
QUESTIONÁRIOS
cidade de expressão dos
sores, tendo em vista que
3.1 .. Universo da Pesquisa
O trabalho
de
que devem exercitar os
crita, devendo, portanto,
4a. séries, em 40 escolas perte~
3.2.
Estado,
questionários ter sido entregue
aos professores pela própria a~
entrevis
tara do projeto, que
tados da 3a. série (71) e da 4a.
série (54) trabalham com
Histó
ria do Maranhão na disciplina E~
tudos Sociais, sob a
18
con
op ,
p .
profe~
observar a
pergu~
tas, de maneira resumida, o que
dificultou, 'de certo modo,a ana
vao
cito
levantadas
a seguir,responderam as
questões
sobre essa disoiplina que
Ernesta,
objetivos da pesquisa e o
no questionário, alguns
Dessa forma, o questi~
ZAMBONI,
os
sores, como podemos
nário aplicado levanta
aproveit~
va a ocasião para explicar
teúdo das questões
designação
de Integração Social.
11
Redação e Caligrafia
Apesar de a maioria dos
loca
lizadas numa cidade do interior,
Balsas. Os professores
ter
reta.
ticular (15). Dessas escolas, 34
são Luís, enquanto 6 estão
es
caligraf.ia legível e redação coE.
Es
(6) e Par
situam-se na capital do
alunos
na prática da leitura e da
tionários a professores de 3a. e
centes às redes Federal (1),
sao
os professores do 19 grau menor
campo
constou da aplicação de 125 que~
tadual (18), Municipal
profe~
117.
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
lis~ dos questionários,
que nao se pode
mais
dados
colar
com isso
sobre
suas
professores
por
título
aI
dos
li
difícil
livro
muitobc:m".
da 4a. s~rie
está
ao nível
temas
"Eu gosto".
ra
"6timo".
à
Sociais
n5s nos
atrav~s
do livro
mais
ser
5ti
particip~
ativa".
foram
"Regular" .
como:
eles
dos
confusa
às pergu~
ta s, cometendo
alguns
erros ,oque
vem demonstrar
que estes
Cad.
Pesq.
dificuldades
são Luis,
estão
de todos
respon
deu de maneira
pria
nos
- Qual
sua
dos
em
não está
ex
33,
jul./dez.
,
respostas
realmente
cai
que
dentro
para
a
pr~
que o seguimos".
são eficiente
teúdo
Sociais?
acredito
"O que n5s
nao
livros
tem muitas
assuntos
s~rie
profe~
3 (2): 5 -
na
algumas
sas importantes
"Boa"-.
sentem
adequado
de Estudos
dadas
"Eles
"Pouca".
consultados
didático,po~
a respeito
didáticos
"Ativa".
ainda
orie~tamos
 pergunta
opinião
ou menos
de Estudos
sa realidade".
"Desmotivados".
sares
globalizada".
dos
ção".
professores
manei
realmente
que não está
"Boa, poderia
Boa parte
de uma
"O programa
aulas?
"Mais
porqUe
dos
pergun
a participação
ma se houvesse
5timo:
integrada
abordados
a desejar".
Respostas
nessas
de Es
(grifo nosso)
"Tem muito
alunos
pergun
Soe iais?
ela dar visão
do 19 grau".
a
do Programa
"Eu acho
"O livro
de
compreensao:
"Bons".
- Qual
e, portanto,
ta - Que acha
tudos
des
consideramos
Respostas
~ boa a sua utilização ".
gunta
algumas
que
mal elaboradas
didáticos?
"~um
dos
transcrevemos,a
de exemplo,
sas respostas
à pergunta- ÇUal
a respeito
tam
questionários.
transcreveremos
dadas
Isso
a análise
Abaixo
respostas
sua opinião
idéias.
b~m obstaculizou
es
em questão.
algumas
vros
pressar
colher
a realidade
Abaixo
guns
uma vez
que os mesmo
condizente
1987
orientamos
com o
con
apresentam
com a nos
19
sa realidade principalmente
o
fazem várias perguntas,
o l~
livro "O Mundo Mágico". ( grifo
vro está muito batidos já tem
nosso)
dois anos que e
"Esses livros sao
bem
(grifo nosso)
elaborados, as vezes faltamais
conteúdo, inclusive o
trabalhado".
"Os alunos
assunto
recebem
bem os assuntos de acordo com
relacionado com ciência, esses
os mesmo. Em se tratando
livros devem vir mais assuntos
Geografia apesar de
de acordo com o programa". (gr.:!:.
mais assunto. Tem
fo nosso)
que se tornam difícil da crian
"S~o orientaç6es
con
tidas que sirvam de fundarnent~
çaopara
que o prof9 possa
Sobre a pergunta- Que
ternas
fissional aos Estudos Sociais" .
nh~o
(grifo nosso)
rem
mais precisam melhorar
porque
os conteúdo que deveriam
mais explorados e os
ser
exercí
cios mais detalhados".
grifo
nosso)
Respostas à
pergu~
ta - Qual a participaç~o
dos
assuntos
complexo" .(grifo nosso)
as
bons
conter
ça assimilar, pois é um tanto
sumi de fato sua função de pr~
"Em partes sao
de
vimos
sobre ~istória do
Mara
você sugeriria para
se
desenvolvidos em textos?,
respostas tais como:
".Eusugeria ser feito
todos os temas histórico
que eu na minha opinião
pOE
acre
dito que é importante por mui
ta criança até agora não
sa
ber o que existe em nosso
Ma
ranhão". (grifo nosso)
alunos nas aulas de Estudos So
ciais?
A última pergunta
"A medida que a
apr~
sentaç~o do assunto for
minis
trado e dependendo da
aceita
ç~o pode-se observar uma part~
cipação não muito ativa
por
parte destes".
"Há boa
questionário
(veja anexo I) era
solicitando ao professor
que
desse alguma informação,ou
con
tasse qualquer experiência,
a
respeito do assunto pesquisado.
Respondendo a
participaç~o
do
essa questão, ai
guns proflessores escreveram:
na parte dos alunos na maneira
ativa mostrando interesse".
"Eles estudam só
para
conseguir a nota da prova, não
20
"A história do
Mara
nhão e muito conhecida para o
município deveria ser comenta.
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
da e mais
popularizada
para
município
a fundo". (grifo
o
nos
vros
sol
geridas
foram
e elaboradas
dos assun.tos de Estudo
assim
nhão
como
História
é muito
tém ~uitos
rizadas
nos".
pelo
aulas
co~
ape~as
professor
So
de consulta
sas,
vaIo
e
riais
alu
A título
número
suas
respo~
vai
ou quase
nada
históricos
nicipio
fala
sobre
(3a.1,
não teno3
mente,
A maio
os
maranhenses.Na
série
por
nenhum
escola)
fome.
Por
fatos
rença" ,
ries
que 'cr<,z subsídios
cimento
cu~tural«.
Cad .. 2esq.
são Luis,
(2)
5 -
te maturidade
tórieos;
juL/dez.
caso
vêm
com
faz
a
faz a menor
p~
dife
à pergunta - O
estudar
mais
nas
se
na 4a.
se
posteriores?
não
tem
para
então,
teriores,
33,
e
não dar,
compara r , concluir
enriqu·::.
~
alguns
I
hs
(no
do Maranhão,
rie o aluno
P~_r-3.
(Resposta!
:3
hs
"Sim, pois
sobz-s
nc ssa h.í.acô rí.a , como
às 11:30
como
deveria
de são Luís;entretanto
de tra
desanima
dar a aula de Estu
nao
história
que
promiscuidade.
Resposta
aluno
renda
isso tanto
Sociais
ra eles
atual
Y Juca
de baixa
até às 15:00
pouco
exemplo,
oportunidade
são filhos
desta
dos
que aoo rde o conteÚdo +mu
já tivemos
mate
geralmente
num horário
nos
livro,
beLha r com o livro
de
da rede mu
professora
didáticos
a desejar.
~ivros
nao sao
enr.!L.que<i:imento
dor que começa
bem elabora
"Os livros
ria desses
falta
em total
Estudam
tran~
dessas
tas que consideramos
vivem
e correta.
de exemplo,abaixo
muito
pesqu!
"Os alunos
de pessoas
de
das:
deixam
por
falta
suas
dadas
a.ra o
nicipal
observar
clara
algumas
para
da
das mesmas".
desenvolveu
creveremos
as
interesse,
muito
e as aulas
atraentes
pergu~
Sociais?
reclamam
das respostas
un certo
de forma
de Estudos
pois
progr~
a serem
podemos
professores
2.
li
recebem
"Sem muito
(grifo nosso)
dadas,
os alunos
Mara
o
a
Resposta
Sociais 1
importa~
para
A partir
idéias
su
ta - Como
pois
assuntos
ma de 4a. série,
rie,
dos
~e Estudos
didáticos
através
do
prático,
tes e abordados
S8
- Que acha
ciais,?).
"As perguntas
que
pergunta
analisar
fatos
em séries
poderia
1987
suficien
retomar
,
his
po.::!.
os
21
conhecimentos
e ter
de compreender
seu Estado.
condiç6es
a história
do
Só se ama e valori
se expressaram
te, grande
repensada
estimulando
vívio
xão,
bastante
situarem
o
a prática
,
co~
a
se
se pode
à caligrafia,
notar
é que a
ria dos professores
tem boa
letra,
de maneira
3.3
o
maio
consultados
escrevendo,
bem
item
e Livros
Didáti
com
ou três
(Documento
teúdo
que,
pelo
Guia
Oficial),
do livro
na maior
gue o esquema
Guia
pelo
"de grande
programa,
didático
parte
alguns
ram-no
tretanto,
não
etc, para
ni6es
mas,
alguns
como:
apenas
3
que
e in
e
considera
muito
"bom",
"incompleto",
expressarem
en
além
"muito
"fraco"
suas
op!
dos
progr~
assim,
por cons~
um tanto
Desse
são Luis,
que es
professores,
foram
deixando,
pelo
Pesq.
ao
outros,que
a respeito
postas.
forma,mu!
A
"válido", "completo" ,"res~
I
dos casos,s~
Cad.
como: "bom" ,
ainda
Esses
guinte,
Dessa
idéias
desatualizado.
rotei
co~
esco
faz restrições
e outros
adotado,
fornecido
Curricular.
nas
suas
achando
mido",
ou pelo
84),
aprova
importância",etc.
metade
orien
Curricular
dos pr~
"mui to bom", "válido" ,'b::mpleto",
bom"
ro sugerido
pergunta
que
de palavras
de palavras
o professor
a
utilizado
seus programas
(3a. e 4a. Séries),
questão),
(aproximadamente
Estudos
tando-se
essa
demonstrou
las, não elaboram
So
pois,
a metade
o programa
li
professores
apenas
para
a disciplina
dos
Dos restantes
,
de
Qual
à la. pergunta,
em branco
completo,
no
pesquisadas
exceçao de duas
ciais
22
já frisamos
-
fessores
fraco
2, as éscolas
seguinte
te é resumido,outros,
cos
Como
signific~
a respeito
respondendo
outra
pois,
legível.
- Programas
50
(cerca de 1/3 dos
através
que
de Estudos
las, manifestando
historicamente.
Quanto
Que
didáticos?,deixando,
seguinte.
da refl~
auxiliando-os
vros
-
o mesmo
do da pergunta
deixou
curio
o questionamento,
enfim,
de
rica
a
tinha
de responderem
Estudos
nos alunos
social,
vez
de ensino,
do questionário
sua opinião
de histó
a disciplina
de forma
sidade,
uma
sua concepção
trabalhar
que
têm,certame~
facilidade,
ria e sua prática
Sociais
ciais?
professores
bem
pergunta
acha do programa
za o que se conhece".
Esses
acharam que a La ,
tos professores
concluir,
(2): 5 - 33,
vagas,suas
modo,
res
podemos
com base
jul./dez.
nas
1987
respostas a essa Ia.pergunta
nas que dizem respeito ao
e
livro
didãticoC2a. pergunta), que
ca de um terço dos
cer
professores
estã satisfeito com o
programa
adotado nas escolas, enquanto os
restantes desaprovam-no, achando
que ele deve ser modificado,emb~
ra nao adiantem mais
esclareci
mentos sobre a questão.
s~rie, de Bals.s, que
traba
lha, pois, com ~ ~ssunto-mun~
cípio de Balsas).
(grifo
nos
sol
As objeções que
a
maioria dos professores faz aos
livros didáticos ~aria muito/i~
do desde respostas como '·'f::l.ltam
recursos didãticos~'"at~
"exis
tem conteúdos distorcidos " nos
Quanto à pergunta- Qual
sua opinião a respeito dos
livros d~1áticos. Pode-se obser
li
var, ent ~tanto, que,desses pr~
vros didãticos?, podemos afirmar
fessores, uma boa parte faz cri
que, embora muitos
tica ao conteúdo dos livros
professores
não tenham se expressado de
neira clara e correta,
di
ma
dãticos, embora essa critica se
foi-nos
ja feita, na maioria dos casos,
maior
de forma vaga e superficial. O!
possível verificar que a
parte destes faz críticas ao
li
zem, por exemplo, alguns profe~
vro didático,embora,muitas
ve
sores,que o conteúdo do
livro
zes, essas criticas sejam feitas
~ "resumido", outros
depois de elogios ao livro, como
que o conteúdo ~ "desinteressa~
podemos verificar nas
te","desatualizado", outros ain
respostas
abaixos transcritas:
da acrescentam que o
"Em parte sao bons,mas
existem conteúdos que deveriam
ser mais explorados". (
afirmam
grifo
conteúdo
"não atende às necessidades
aluno". Alguns poucos
afirmam
que o conteúdo ~ "distorcido ".
Muitos professores tamb~m
nosso)
"são bons, mas
deve
riam ser mais enriquecidos
parte de atividades". (
na
grifo
"Bons,mas falta um po~
co mais de atualidade,
por
res
ponderam que o conteúdo do
li
vro "não ~ claro e não traz mui
tas ativid::l.des".
o
nosso)
qC(-
se pode
tar com clarez. e as
consta
respostas
das outras perguntas do questi~
exemplo, relatar mais sobre as
nãrio vêm reforçar mais
regiões, principalmente a
re
essas nossas conclusões) e
gião de Balsas". (Resposta
da
a maior parte dos
da por uma professora, de
3a.
do
que
professores
sente, no dia-a-dia, que o
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jul.jdez. 1987
ainda
con
23
teúdo do livro didático
Feito esse
adotado
comentá
não motiva o aluno, emhora es.ses
rio, pode-se adiantar que
professores não consigam ver com
respostas dadas se
transparência as razões desse de
igualmente, em dois grupos.
sinteresse.
grupo, composto, pois, de
50%
das respostas, demonstra
que
As razoes do
desinte
resse dos alunos pelos livros di
dáticos, segundo nossa
opinião,
e que somente alguns professores
começam a descobrir, foi um
dos
assuntos tratados no tópico ante
rior, referente aos programas
e
as
dividem,
os alunos, de um modo geral,go~
tam das aulas. O outro grupo p~
de ser dividido, ainda, de
ma igualitária, em dois
for
subgr~
poso Um subgrupo mostra que
alunos em geral não gostam
os
das
aulas, demonstrando descaso
livros didáticos.
Um
e
desinteresse pelas mesmas. O ou
3.4 - Aulas de Estudos
Sociais
e Participação dos Alunos
As perguntas - Como os
alunos recebem as aulas de
Estu
dos Sociais? e - Qual a
partici
paçao dos alunos nessas
aulas?
foram aquelas que os professores
tro subgrupo esclarece que
guns alunos apreciam,
possibilitando assim uma
compr~
ensão maior desse aspecto da rea
lidade estudada.
Vislumbrou-se,
entretanto, por parte de
muitos
professores, um certo
receio em
afirmar o que de fato
acontece
na sala de aula, preferindo
Os professores do
19
grupo, ou seja, aqueles que res
ponderam que os alunos se
ressam pelas aulas
dão
inte
poucas
explicações para esse fato,
quanto que os outros
en
profess~
res que salientam que os
alu
nos, ou muitos alunos, não
go~
tam das aulas, procuram
expl~
car com mais detalhes as
ra
zões dessa ocorrência. Entre es
sas razões, as que mais se
so
ses professores só afirmarem que
bressaem, na opinião desses pr~
a aula transcorre
fessores, são: "porque os
as
suntos, ou muitos assuntos
nao
normalmente,
de forma agradável e
particip~
tiva. Talvez temam alguma repre~
provocam interesse no aluno" ,
sao, da parte de seus
"porque história ê matêria
superi~
res, caso estes venham a
saber
que os alunos não gostam
de
suas aulas.
24
es
outros
nao.
J
responderam de forma mais clara,
aI
que
exige muita memorização, haven
do, pois, necessidade de deco
rar"; "devido às aulas serem de
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
sinteressantes
livros,
por falta,ou
ou de outros
de
recursos
didãticos".,etc.
o
tretanto,
dadas,
ainda
que se verifica,
felizmente
para
vol
1n
professores
ain
os horizontes
ser descortinados
através
de aulas
ria, dinâmicase
ram esses
criativas. Não v~
professores,
que a motivação,
o senso
de
são
de forma
reflexiva
contéudos
ligados
o
ra
responsab~
são estimulados
onde
a partir
os cercam,
nao
a
partir
ministrados,
e criativa
à realidade
aluno.
livros
mitindo
esse
de História
e
Méto
dadas
as perguntas
sobre
História
para
sirvam
de subsídio
serem
sor de 19 grau?
possível
Cad.
voce
para
que
o profe~
e - Como
esses
ser abordados?,foi -nos
com mais
que os professores
sultados,
idéia
temas
escritos,
verificar,
dência,
geral,
- Que
do Naranhão
sugere
devem
das respostas
estão
de História
Pesq.
presos
conteúdo
conteú
trans
aos
alu
critica,tolhe!!
sua capacidade
de seus alunos
de aprenderem
e
a
de descobrirem
e
conhecimentos
no
vos.
Ao responderem
tão
sobre
ra serem
que temas
escritos,
respostas
que,
àquelas
tudo
sobre
res,
quase
idéia
concepçao
nantes
evasivas
referindo
que nao
mas
do
ou
Estado
sugerem
em geral,
sempre
indi
solicitam
políticos
pois,
professores
uma
por
cronológica,
dos a fatos
Nota-se,
opina
história
ligados,
seqüência
paE
nos
respostas
p~
a maior
ou são
(estamos
a que~
sugeriam
te dos professores
a uma
vincula
ou milita
do
passado.
que a maioria dos
ainda
estã
de história
de história
ou História
quase
a
que não os
são Luis,
liber
presa
a
ligada
à
dos
goveE
política.
con
de uma maneira
ainda
evi
se
e dos
sem nenhuma
temas,
A partir
de prod~
didãticos,
e dos municípios),
dos de Abordagem
que
professores
ainda
cam tema nenhum,
3.5 - Temas
temas
Esses
dos dos
do, assim,
age!!
pessoas
são capazes
conseguiram
demais
do
como
tar dos esquemas
nos,
como
da realidade
zir história.
lamenta
ciocínio,
de aulas,
ao
de histQ
velmente,
lidade
maté
o passado.
da não descobriram
aluno,
como
como matéria
esses
que podem
professores
a história
apenas
en
das respostas
é que alguns
ria decorativa,
tada
tes da história,
que,
a partir
vêem
va a se aperceberem
uma
le
Alguns
estão
transcritos
nas para
3 (2): 5 - 33, jul./dez.
ilustrar
1987
desses
abaixo,
temas
ap~
o que estamos
25
rao ser abordados?, que
afirmando. são eles:
compl~
roenta a pergunta anteri.or
"Fundação da cidade"
a
respeito dos temas,contribuíram
"Vultos hist6ricos"
para nos dar maior esclarecimen
"Revoltas do Passado"
"Governadores,passados
to sobre a visão de
hist6ria
dos professores consultados
e atuais"
"Monumentos Hist6ricos"
sobre suas perspectivas, ares
peito de um livro sobre
"Datas cívicas", etc.
e
Hist6
ria do Maranhão que possa
Pode-se verificar
apenas um pequeno grupo de
fessores demonstrou
a ser escrito, para lhes servir
pr~
de subsídio.
interesse
por temas, como os abaixo
critos, que fogem à
vir
que
trans
cronologia
tradicional e que exploram assun
tos ligados às atividades
econó
micas ou culturais praticadas p~
10 povo maranhense,sobretudo
dias atuais. Esses temas
à mostra uma visão de
nos
deixam
história
mais aberta, onde o povo, o col~
tivo humano, tem o seu lugar,pa~
ticipa do processo histórico. Ve
Podemos afirmar
de
início que um bom nGmero de pr~
fessores deixou em branco
questão. Dos restantes,
essa
apenas
uma minoria insignificante
opJ:.
nou para que os temas sugeridos
fossem escritos a partir de uma
abordagem mais critica e renova
dora da história. Os demais pr~
fessores demonstraram maior
in
teresse por ~spectos formais co
mo, por exemplo, clareza e
jamos alguns desses temas:
sim
plicidade de linguagem, ilustr~
"Folclore, MGsica, Tea
tro, Artesanato do Estado
e
dos Municípios".
racial
e história do índio".
critos de forma c~ara,
p~
es
sendo
acompanhados de inGmeras
localização
e atividades desenvolvidas
ilus
traç6es e atividades como: ques
tionários, palavras cruzadas
10 povo do Município".
nAs indGstrias multina
exercícios de pesquisa, etc,ev!
cionais do Maranhão".
com a forma do que com o
As respostas dadas
26
exercícios variados, etc. Segu~
do eles, os temas devem ser
"Discriminação
"Limites,
ç6es, atividades, curiosidades,
p~
denciando uma preocupaçao maior
teGdo. Os temas que
con
sugerem,
Ia maior parte dos professores à
pois, para serem
desenvolvidos
pergunta - Como esses temas deve
devem ser escritos de forma
a
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
apresentarem
ligada
uma
renovaçao,
a seus aspectos
do que propriamente
podendo
este
a versão
ria,
.
que demonstram
,
que o conteúdo
essas
das, apresentem-se
mais
dos temas
verdades
ilustrada
te, a fim de melhor
atenção
de história,
constitui
mais
sejam
fessores,
cionarem
precisamente,
deveria
estudar
do Maranhão
Todos
com
éxr~ção
se
exer
se
como
pelos
o conteúdo
e possam
em
também
conteúdo
de forma
prQ'
sele
his
Cad ..Pesq.
pergunta
são Luis.
3
séries
p~steri~
dar mais
nas
História
séries
desses
os professores,
do
sua resposta,
deve
ou duas
Muitos
justificaram
afirmando
receber
que
mais
seu Estado
nas
se
o
em apenas
uma
(3a. e 4a.)
nao
é suficiente
para
possibilitar
ao estudante
um
conhecimento
mais
amplo
Estado.
da realidade
Vejamos
de
algumas
seu
dessas
respostas:
porque
ria do Maranhão
a
Histó
só é estudada
na 3a. e 4a. série
do 199rau.
Os alunos
da 5a.,6a,.,7a.,
traba
(19 grau)
também
mais
em
do
o
informa
uma vez que
ministrado
séries
estu
Maranh~Q
posteriores.
professores
ensino
de 6 deles,
sala
Questão
A última
aluno
que o a I uno deve
ber um pouco
encontramos
do Maranhão
se
História
"Sim.
e criativa.
3.6 - História
que o
apenas
seguintes,
Necessário
a
mais
nas
ries
que questões
melhor
acha
maior
num momento
refletidas
- Vocé
sobre
com os alunos,
lha r esse
dinâmica
ta é, mais
çoes
entrevis
a ser utilizado
de aula
A pergu~
a fim de que possam
juntamente
tórico
do 19 grau.
concepçao
do que num
de reflexão.
faz, portanto,
essas
a
de história
muito
de memorização
cicio
dessa
que é a da
o ensino
adiantadas
aluno
dos professores
tados,
e atrae~
dos alunos.
Dentro
parte
nova
captar
História
mais
conco rde,n
acaba
sob uma
nas
de
res?
ser questionadas
Dai o interesse
roupagem
tra
acabadas ,absolutas,
que não podem
ou seja,
para
parecem
o ensin~
que:3.
séxi~s
guinte
didáti
didáticos,
professores,
zer verdades
para
Histó
nos livros
coso Os livros
esses
segundo
de
leV\lI'l.ta
uma
do Maranhão
ao conteúdo,
tradicional
questionário
tão sobre
formais
permanecer
contida
mais
deveriam
alunos
das
séries
que
os limites
do seu Estado".
(2): 5 - 33. jul./dez.
sa
do Maranhão,pois
adiantadas
rie, não
8a.
nao sabem
nem
"Sim, pois numa só sé
sabemos a nossa
his
1987
27
tória" •
va, onde um grupo de
"Lógico, pois pouco se
res, do qual fazia parte,
ernp~
sabe sobre a História do
Mara
nhou-se na reformulação dos pr~
nhão e sabemos que é de
suma
gramas de História, da 5a. aSa.
importância saber a
História
de sua própria Terra".
série. Diz esse professor
que
"foi um trabalho longo e
"Devem continuar
com
cansa
tivo, mas que dinamizou e
história do Maranhão, porque é
seguiu motivar um pouco
importante conhecer o nosso Es
ensino de História".
tado" .
con
mais o
Dois professores
"Perfeitamente
pois é
notório a desinformação do nos
so aluno sobre a história
do
seu Estado".
que
trabalham na única escola da re
de federal pesquisada
descre
vem, de forma bastante
resumi
da, a metodologia que seguem no
No ~inal do
questionª
rio, apos a última pergunta, de~
xamos espaço, onde
solicitamos
aos professores que o
preenches
sem com alguma informação
solicitada nas questões
(
nao
anterio
res) ou com qualquer experiência
que fossem pertinentes com o
as
sunto pesquisado.
à
ensino de História. Devido
maneira sintética como narraram
essa experiência, ela não
nos
ficou muito clara. O essencial,
contudo, desse trabalho, parece
ser o fato de que são os
nos, ajudados pelo
alu
professor,
que, de um certo modo,solicitam
o que desejam estudar sobre His
Infelizmente, na
ria dos questionários
maio
tória do Maranhão.
Os outros 5
respond~
dos, esse espaço permaneceu
va
res restantes(todos
profess~
trabalham
zio, sendo preenchido apenas por
numa mesma escola da rede part~
um pequeno grupo de professores.
cular) narram que realizam, com
Desse grupo apenas
to professores aproveitaram
espaço para narrar alguma
ai
o
exp~
riência vivenciada no campo
da
história. Um deles (que trabalha
numa escola da cidade de Balsas)
narrou um trabalho realizado, em
1983, na escola em que
28
professo
leciona
seus alunos, pesquisas de
po para estudarem alguns
históricos no próprio
cam
fatos
local on
de ocorreu o evento. Fazem
tam
bém "dramatizações de fatos, en
volvendo personagens, épocas
lugares".
Os outros professores
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, ju1./dez. 1987
desse pequeno grupo apenas
foca
"Experiências eu
nao
lizam algumas questões que julg~
as tenho, mas t~nho uma
mos pertinentes e que devem
de curiosidade de ver a nossa
aqui registradas. Alguns
ser
deles
levantam a questão da falta
cursos de História, tão
de
necessa
rios para o enriquecimento
dos
professores que desejam adquirir
mais conhecimentos. Vejamos
o
que diz sobre esse assunto
um
desses professores.
sobre
História para a preparaçao
professor
história em ação".
"Estamos
do
sem
assunto. Esperamos adquiri-Ia
através de vocªs".
Como se pode
obser
var, as últimas respostas dadas
consultados
reforçam ainda mais o que vimos
concluindo a respeito do
verdade, há uma grande
alegam
que as escolas carecem de
recur
sos didáticos e os alunos
nao
possuem livros. Um deles
refe
re-se sobre essa questão da
se
guinte forma:
"Preciso que o
orgao
competente se preocupe com
distribuição completa dos
duais e municipais de
a
li
vros didáticos nas redes
esta
Es
colas Municipais de ensino
de
19 grau receberam os livros in
completos, faltando para
toda
Integr~
manifes
tam o desejo de aprender e
ver a história, cada vez
ensinada nas escolas. Assim
expressam dois deles:
necessi
dade de dinamização desse
ensi
no. Os professores, muito deles
despreparados, carecem,
dentre
outros elementos, como eles mes
mos focalizaram, de cursos,
de
recursos didáticos,
de
adequados, de serem
dignamente
remunerados, etc, para
ministrar suas aulas
livros
poderem
de
forma
eficiente e enriquecedora.
Estamos, pois,
vez mais certos da
cada
necessidade
do debate em torno do ensino de
História do Maranhão nas 3a.
4a. séries, visando à
e
renova
çao e à melhoria desse ensino.
çao Social."
Outros ainda
Na
ensino
de 19 grau. A maioria das
3a. série o livro de
ensi
no de História do Maranhão.
na Sala de Aula".
Outros ainda
exp~
riªncia ~ sem conhecimento no
pelos F~ofessores
"Faltam cursos
graE.
de
4 - CONCLUSÕES
Queremos
aproveitar
mais,
esse espaço para ressaltar alg~
se
mas questões que vimos levantan
do ao longo dos itens 2 e 3.
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
29
Uma delas diz respeito
aos programas adotados nas
esco
las de 19 grau (3a. e 4a.
se
das aulas, os alunos devem
es
crever pequenos textos, a
paE.
ries) e aos livros didãticos uti
tir do exame dos lementos levan
lizados pelos professores. A nos
tados, com o auxilio dos profe~
so ver, há uma necessidade
sores, sobre a realjdade em
pr~
mente de se reformular esses pr~
tudo. Esse exercício de
gramas. Essa reformulação, entr~
xao e de criação de
tanto, não deve ser um
to produzirá, com certeza,
trabalho
es
refle
conhecimen
um
realizado apenas por um grupo de
maior questionamento e
técnicos
utilização do livro didático
das Secretarias de Edu
cação com a participação
mínima
dos professores, elementos
mais
envolvidos na questão. Esse
melhor
por parte dos alunos e dos
pr~
fessores.
Quanto ao
re
conteúdo a
pensar dos programas deve
ser
ser ministrado em sala de aula,
apoiado pelas Secretarias,
mas
achamos que o professor,
tem que ser, antes de tudo,
uma
mente com os alunos devem,a pa~
devem
tir de suas experiências dentro
tarefa que os professores
assumir amplamente, de forma
re
junta
da realidade em que Vlvem, sel~
flexiva e sistemãtica, se querem
cionar os assuntos que
realmente melhorar o ensino
de
pertinentes e que têm interesse
Estudos Sociais no 19 grau ( 3a.
em conhecer. O estudo desse con
e 4a. séries). O trabalho de ela
teGdo deve ser feito a
boração dos programas, por parte
de um levantamento e de um
das escolas, elevará, sem
me crítico das vá~ias fontes de
dGvi
da, o nível das aulas, pois
professores muito se
os
enriquec~
Quanto aos livros didá
ticos, destacamos aqui o
que Ja
enfatizamos anteriormente.
De
acordo com nossa concepção, o li
vro didático é apenas um, dentre
os inGmeros instrumentos de
con
julgam
partir
exa
consulta disponíveis e que
p~
dem ser, comojá salientamos
no
início
rao com essa experiência.
desse trabalho,além dos
livros didáticos,
informações
da família, tradição oral,
j0E.
nais, revistas, livros de
lite
ratura, filmes, documentos
his
tóricos, etc.
Gostaríamos de ressal
tar ainda que um trabalho
de
pelo professor e pelos alunos,de
elevação do nível de
de
maneira critica e criativa. Somos
História do Maranhão
sulta que devem ser
30
de opinião também que, ao longo
utilizados
ensino
nas 3a. e
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
4a. séries (19 grau)
é uma tare
fa árdua, lenta, que exige o
forço e a participação,
es
sooretu
participation a{the
and
the historkal
students
vision ShOVi~'1
oy the interviewen~eachers. Th8
do,dos professores e dos alunos,
critical examination of
elementos mais envolvidos
questions aims at a
nesse
processo. Métodos prontos,
cap~
zes de realizar tal façanha, não
existem, uma vez que o
caminho
para se atingir tais
criado,
sobretudo, por professores e
about the teaching of Maranhão
History in the 1st grade schools
(3rd and 4td levels) .
Acreditamos, porem, que a
dis
cussão ampla sobre esse ensino ,
pelos
professores,constitui-se
BIBLIOGRÁFICAS
em
um
importantes passos que
con
tribuem para a descoberta e
MORAES,
.Ldí.a Maia de; AROEIRA,
Maria Luísa C. & CALDEIRA, M~
rodeia e de suas experiências
sustentada especialmente
5 - REFE~NCIAS
alu
nos a partir da realidade que os
uti
lização de meios que levem a uma
maior dinamização o ensino
História do Maranhão
discussion
objetivos
tem que ser descoberto,
d~5
these
de
nas 3a.
e
ria Jos~. Gente, Terra Verde,
C~u Anil: Estudos Sociais, ~
ranhão, 19 grau. 1. ed.
são
Paulo, Ed. Âtica, s.d. p.76.
MURAD, Maria Ceres Rodrigues.P~
dra da Memória: Estudos
ciais do Maranhão. são
So
Luís,
SIOGE, 1979. p. 81. (grifo nos
sol
4a. s~ries do 19 grdu.
NASCIMENTO, M.N. & CARNEIRO, D.
SUMMARY
M. Terras das Palmeiras:
The Teaching of Maranhão History
in the 1st grade (3rdand 4th years)
This research is
a
study done in forty(40) schools
of 1st grade in the oficial and
private nets of Maranhão
about the teaching of
History. Regarding
19
grau - 4a. série. 2.ed.
são
Paulo, Ed. FTD, 1984.
SAMPAIO, Francisco Coelho. Estu
dos Sociais: Maranhão,19grau.
são Paulo, Ed. do Brasil,1980.
state
Maranhão
ZAMBONI, Ernesta. Sociedade
to
that
Trabalho e os Primeiros
teaching a reflexion was
dane
de Escolaridade;
about the contents adopted
in
e
Anos
Introdução
das Noções Básicas para a For
those schools,text-books used by
mação de um Conceito:
the teachers, as wellas
lho. R. Bras.Mist. são Paulo,
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2):5
the
- 33, jul./dez. 1987
Traba
31
v.6, n. 11, p. 117-118,
1985/fev.
set.
1986.
ENDEREÇO
MARIA
DO
DO AUTOR
S:XXlROO COEUD CABRAL
Departarrento de História
e
Geo
ciências.
Centro de Estudos Básicos/UFMA
Campus UniversitáricrBacanga
Tel.: (098) 221-5433
SÃO
32
urts -
MA..
Cad. Pesq. são Luis, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
ANEXO
QUE
I
S T I O N ~ R I O
1.
Nome do Professor:
2.
Nome da Escola:
4.
Pertence à Rede
5.
Que acha do Programa de Estudos Sociais?
6.
Qual sua opinião sobre os livros didáticos de Estudos Sociais?
7.
Como os alunos recebem as aulas de Estudos Sociais?
8.
Qual a participação dos alunos nessas aulas?
9.
Que temas sobre História do Maranhão voce sugere para serem
3. Série •..
O
Particular
oEstadualO Federal
O MUnicipal
es
critos que sirvam de subsidio para o Professor de 19 grau?
10. Como esses temas devem ser abordados?
11. Você acha que o aluno deveria estudar mais História do Maranhão
nas séries posteriores?
12. Este espaço é para você usar, dando alguma informação, ou
tando alguma experiência que se relacione com o assunto
con
inves
tigado.
Cad. Pesq. são Luís, 3 (2): 5 - 33, jul./dez. 1987
33
Download

o ENSINO DE HISTÓRIA DO MARANHÃO NO 19 GRAU (3a