O USO DA MÚSICA NO ENSINO DE HISTÓRIA SOBRE A ÓTICA DAS EXPERIENCIAS VIVENCIADAS NO PIBID NA ESCOLA MARILDA GOUVEIA VIANA Giselha Amim dos Santos (Graduanda em história licenciatura pela Universidade Federal do Acre) Maria José da Silva Araújo (Graduanda em história licenciatura pela Universidade Federal do Acre) RESUMO No presente artigo, temos como objetivo mostrar que a música pode ser utilizada em diferentes contextos, dando ênfase no ensino de história na escola Marilda Gouveia Viana, pois seus elementos som, ritmo, melodia podem contribuir e até mesmo facilitar o processo de ensino aprendizagem, seja na comunicação, interação entre aluno e professor de acordo com os interesses desse educador. Abordando que no ensino de história de acordo com as experiências por nós vivenciadas no PIBID e fundamentadas nos trabalhos da autora Circe Bittencourt de que a música pode ser problematizada em sala de aula, conhecendo o contexto em que a mesma foi produzida e o efeito que ela possa ter ocasionado na sociedade, possibilitando ao aluno conhecer a realidade em que ele vive e um pouco de sua alteridade e dessa forma transformando a musica em um material didático aliado a sua prática de aprendizagem. Proporcionando ao aluno pensar ter um censo critico promovendo ao aluno experiência em seus vários contextos culturais históricos e que possam sentir- se envolvidos na construção de uma identidade perceba se como sujeito histórico, ampliando seu interesse pelo ensino-aprendizagem de história. Assim transformando a musica em material didático e fonte para a construção do conhecimento histórico e uma forma de ensinar história que seja mais motivadora, interessante e significativa para aluno. Já que segundo Circe Bittencourt, uma das funções do professor, como orientador, seria a de ajudar o aluno a adquirir as ferramentas de trabalho necessárias para aprender. Palavras chaves: ensino de história, música, experiência, PIBID. Introdução O presente trabalho é resultado das experiências alcançadas na escola Marilda Gouveia Viana, localizada no bairro João Eduardo, na cidade de Rio brancoAcre, onde atuamos como bolsistas do Programa Institucional de Iniciação a Docência (PIBID). O uso da música no ensino de história sobre a ótica das experiências vivenciadas no PIBID, se mostrou interessante e nos chamou a atenção, enquanto bolsistas PIBID. Tivemos oficinas preparatórias para sabermos quais seriam as nossas atividades ou o que iríamos fazer na escola, estudamos também sobre a importância de se utilizar as novas tecnologias, que possibilite variar, não ficando refém apenas do livro didático, buscando novos recursos didáticos que auxilie o professor na sua prática de ensino. A partir daí fomos para a escola para podermos colocar em prática o que aprendemos. Como estudamos nas oficinas realizadas que a música pode ser um importante recurso didático para o professor, buscamos colocar em pratica para poder compreendermos com seria utilizar uma música em uma sala de aula e qual seria o resultado a ser alcançado. Seria ele positivo ou negativo? Será que a utilizaríamos corretamente? Essas foram as perguntas que nortearam nossa atividade com o uso da música no ensino de história na escola Marilda Gouveia Viana. Podemos comentar ainda que o trabalho na escola possibilitou- nos maior conhecimento de como utilizar a música na sala de aula no ensino fundamental. Sabemos que na teoria, enquanto acadêmicos aprendemos com base em alguns autores que é possível utilizar a música na sala de aula. Entretanto, é na prática como no PIBID que podemos entender melhor como se dá o processo da utilização da música na sala de aula, de forma mais detalhada, pois acompanhamos desde o processo da escolha da música até a análise da música na sala de aula e com qual conteúdo curricular podemos relacioná-la. Com isso, nesse artigo objetivamos mostrar que a música de acordo com os objetivos do professor pode ser utilizada em diferentes contextos, dando ênfase no ensino de história na escola Marilda Gouveia Viana, pois os elementos da música como o som, ritmo, melodia, podem contribuir e até mesmo facilitar o processo de ensino aprendizagem, como por exemplo, na comunicação, interação entre alunos e professor. A música e os sons estão impregnados no nosso dia-a-dia como algo que as pessoas gostam de escutar, por esse motivo buscamos trabalhar a música no ensino de história na escola Marilda Gouveia Viana, como uma forma de ensinar história que seja mais interessante e significativa para os alunos, inovando sempre que possível no modo de ensinar e aprender história. Justificamos a importância que tem esse trabalho por estudarmos, acreditarmos e vivenciarmos experiências com o uso da música no ensino de história na escola Marilda Gouveia, nas salas de aulas nos 6º e 7º ano do ensino fundamental. Por considerarmos os resultados alcançados positivamente significativos não somente na aprendizagem dos alunos, como para nós bolsistas do PIBID, e também para professor titular da sala de aula, nosso supervisor. Além disso, compreendemos que a música pode possibilitar ao aluno com as orientações do educador, conhecer certos períodos históricos onde o aluno possa sentir-se sujeito histórico, bem como promover experiência em seus vários contextos culturais históricos possibilitando ao estudante conhecer a realidade em que ele vive e um pouco de sua alteridade. A música acompanha a vida do aluno possibilitando-o conhecer diferentes experiências. Neste artigo nos fundamentamos nos trabalhos da autora Circe Maria Fernandes Bittencourt em seu livro Ensino de História: Fundamentos e Métodos, onde a mesma discorre sobre música e ensino de história, ressaltando que “nas aulas de história a música tem sido utilizada como recurso didático importante e significativo, pois o uso da mesma proporciona experiências variadas e criativas na aulas de histórias”. Os resultados alcançados nas experiências com o uso da música no ensino de história na escola Marilda Gouveia, foi significativamente positivo, sabemos que para as crianças estar na escola quatro horas seguida torna-se cansativo e muitas vezes causa certo desinteresse nesses alunos. Então, como forma de tornar a aula mais dinâmica e interessante, quando o professor preparava-se para concluir o conteúdo sobre os indígenas no Brasil, juntamente com o mesmo começou a pesquisar uma música que pudéssemos utilizar nas aulas de história sem perder o foco do conteúdo, mas que ao mesmo tempo fosse atrativa e interessante para os alunos e que contribuísse para um melhor aprendizado desses estudantes. Encontramos uma música de Roberto Carlos intitulada Águia Dourada, do ano de 1987 e utilizamos nas aulas dos sextos e sétimos anos do Ensino Fundamental. Compreendemos como foi importante o uso da música e observamos que a maioria dos alunos participaram com entusiasmo, fazendo sempre perguntas. Mas o que mais nos chamou a atenção foi o silêncio total no instante em que colocamos a música para reflexão, para tentar entender o que diz a música e que mensagem ela quer transmitir. “A música tem se tornado objeto de pesquisa de historiadores muito recentemente e sido utilizada como material didático com certa freqüência nas aulas de história. Entre os tipos que mais atraem tanto pesquisadores brasileiros como professores a “música popular” sobressai.” Bittencourt, Circe (ensino de história fundamentos e métodos), 2004. Compreendemos que a música além de auxiliar no desenvolvimento de diversas habilidades, auxilia na aprendizagem dos alunos. Por este motivo lembramos e queremos aqui destacar que como outra atividade, o uso da música deve ser planejado antecipadamente. Trabalhar com música não é simplesmente ligar o som e dizer que a escola oferece um ensino de história com o uso da música, é preciso ter consciência dos objetivos que se deseja alcançar através da música. Temos que ter todo cuidado, começando por saber que canção selecionar, acompanhar, saber o contexto em que a mesma foi produzida, que mensagem a música tem a intenção de transmitir, quem é o compositor, o que motivou o mesmo a compor essa canção, o efeito que ela possa ter ocasionado na sociedade e o contexto em que está inserida aquela comunidade. A partir daí transformamos a música em material didático, tornando-a uma importante aliada na prática de ensino como forma de ensinar história significante, inovadora e interessante para o aluno, já que segundo Circe Bittencourt uma das funções do professor como orientador, seria a de ajudar o aluno a adquirir as ferramentas de trabalho necessárias para aprender. Optamos por utilizar a música popular, pois acreditamos que ela de certa forma nos mostra as tensões sociais, as utopias, as lutas e conflitos da sociedade. Pois ela tem as características de tornar-se fonte de informações de certos períodos históricos. E nos proporciona a entender um pouco dessas transformações que ocorrem diariamente na nossa sociedade. Podemos perceber que em todas as culturas a música esteve e está presente, como arte e também como forma de passar de geração para geração as histórias das sociedades. Vejamos o que diz sobre música popular o historiador Marcos Napolitano “A música, sobretudo a chamada “música popular” ocupa no Brasil um lugar privilegiado na história sociocultural, lugar de mediações, fusões, encontros de diversas etnias, classes e regiões que formam o nosso grande mosaico nacional. Além disso, a música tem sido, ao menos em boa parte do século XX, tradutora dos nossos dilemas nacionais veículos de nossas utopias sociais.” (Napolitano, Marcos: história e música 2002 p 05) Utilizamos como citei acima uma música de Roberto Carlos de 1987, pois é uma música que de certa forma traduz a luta do indígena pela preservação de suas terras. Como sabemos, desde que os europeus chegaram ao Brasil os indígenas logo de início foram considerados como selvagens que precisavam ser civilizados. Sofreram com invasões de suas terras e ainda muitas tribos foram dizimadas. Segundo Egon Heck e Benedito Prezia, os indígenas que sobreviveram até a fase bandeirante (1573 à 1576), período de caça ao índio, foram levados para trabalhar. Muitos desses indígenas eram usados nas lavouras de planalto Paulista, outra parte era vendida para outras regiões, como São Vicente e Rio de Janeiro, quando se proclamou a Republica, 1889, pouca coisa restava dos antigos aldeamentos. Os indígenas passaram a ser confundidos com a população pobre, tornando-se o caipira, o sertanejo ou caiçara. Somente a partir da Constituição Federal de 1988 que os indígenas tiveram algumas conquistas. Essa música do cantor e compositor Roberto Carlos traduz de certa forma os dilemas dos indígenas, as lutas dos mesmos em busca de respeito pela preservação das terras onde eles acreditam que a terra é algo que não se vende, caracterizando algo coletivo. Para os indígenas, a terra sempre foi à fonte de vida. Dela tiram alimento, remédios e madeira para suas casas e embarcações. A interligação é tal que ela faz parte de seu universo religioso. A relação entre terra e vida é algo muito estreito e profundo, é uma relação social e religiosa. Como dizia o Cacique Seatle que para o homem branco a terra tem o mesmo significado que qualquer outra, que o homem branco trata a terra como mercadoria que pode ser vendida e comprada como camisa, um carro, uma carabina, ou seja, é um negocio como outro qualquer. Já para o índio, a terra tem seu valor sendo única riqueza que o índio tem na vida. Então utilizamos a música nas aulas de história para juntamente com os alunos refletirmos essa visão que se tem sobre os indígenas, desmitificar essa idéia muitas vezes erronia, equivocada de que o índio é selvagem e tem que estar na aldeia, que é preguiçoso, que tem é que trabalhar. Mas sim proporcionar aos alunos melhor compreensão, pois acreditamos que os indígenas podem viver na cidade, engravatado de paletó e os mesmos não deixarão de ser indígenas, mas que temos que respeitar seu modo de vida, sua cultura, seus costumes e que tudo o que eles necessitam é ser respeitado com sua cultura e ter acesso à terra e a sua preservação. A música destaca o indígena como colaborador da preservação das florestas e nos ajuda a repensar o conceito do que é ser civilizado, já que muitas são os ditos brancos que agem como selvagem. Usamos a música Águia Dourada não apenas para ouvir, mas também incentivarmos a pensar a música, que é uma questão que exige bastante compromisso, cuidado e atenção de como analisar essa canção. Vejamos o diz que Circe Bittencourt, “se existe certa facilidade em usar a música para despertar interesse, o problema que se apresenta é transformá-la em objeto de investigação. Ouvir música é um prazer, um momento de diversão, de lazer, o qual ao entrar na sala de aula, se transforma em uma ação intelectual. Existe enorme diferença entre ouvir e pensar musica” (Bittencourt, Circe fundamentos e métodos 2014) Acreditamos ter conseguido ajudar os alunos entender o conteúdo, pois nos esforçamos para alcançar nossos objetivos em transformar a aula mais produtiva. Com a participação dos alunos na sala. Proporcionando aos alunos conhecer um pouco do passado, as singularidades, as permanências e as transformações de uma maneira mais dinâmica. Conclusão O resultado alcançado com o uso da música no ensino de história na escola Marilda Gouveia Viana, foi marcante. Até porque utilizamos um recurso didático que está próximo da vivência dos alunos, onde pudemos identificar que foi positivo, e percebemos o quanto foi motivador para esses alunos sair da rotina dos conteúdos do livro didático, fizemos perguntas eles responderam, de inicio, alguns estavam um pouco retraído mas no decorrer da atividade participam mais do o esperado . Foi bastante dinâmico no nosso entendimento. Fizemos a impressão da letra da música e entregamos para cada um deles uma folha com as letras. Além disso, colocamos a música para escutar três vezes e explicamos o nosso objetivo em passar aquela música solicitamos sua atenção. Notou-se ver totalmente o resultado finalizando as atividades, os alunos produziram cartazes com textos sobre o que eles aprenderam sobre os indígenas no Brasil, descobertas feitas por eles e ainda escutamos seus comentários sobre o que eles entenderam sobre o assunto. Enfim concluímos dizendo que, participar de um Programa Institucional de Bolsa Iniciação à Docência (PIBID), é gratificante por nos possibilitar experiências como essas de usar música na sala de aula e saber que estamos tendo retorno positivo no aprendizado dessas crianças. É um conhecimento enriquecedor que levamos para toda vida. Referencias bibliográficas Bittencourt, Circe Maria Fernandes ensino de história : história fundamentos e métodos Cortez 2004 Napolitano, Marcos música e história autentica belo horizonte 2002 Anexos Musica de Roberto Carlos AGUIA DOURADA Águia bonita que voa no espaço Rápido como um raio Aqui da Terra vejo passar Repentino como um trovão Riscando o azul, dourado traço Veloz como a águia dourada Linha ascendente no ar Na imensidão Eu sou um Índio e aqui do asfalto Olho no alto caminhos seus Meus pensamentos sempre te encontram Voando perto de Deus Que o vento sopra e a chuva cai Rápido como um raio Repentino como um trovão Veloz como a águia dourada Na imensidão As nuvens passam e você vai Rápido como um raio Asas abertas, força e coragem Repentino como um trovão Vão nesse rumo de paz Veloz como a águia dourada Rápido como um raio Na imensidão Repentino como um trovão Veloz como a águia dourada Na imensidão Rápido como um raio Repentino como um trovão Natureza que reclama Veloz como a águia dourada Flores, folhas, verde vida Na imensidão Rios, mares se derramam pela terra tão ferida Mostra a esse povo civilizado Ventos pedem, choram e chamam Que todo índio sabe viver Com a natureza sempre a seu lado Águia, me mostra no meu caminho Como se pousa longe do espinho Como se luta por esse mundo Como se salva esse ninho E olhando o céu pode ver