Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - vamos pensar em uma reação elementar bimolecular - só há reação, isto é, formação de produtos se a colisão envolver energia suficiente, caso contrário, as moléculas que colidem se separam sem reagir; - em solução, as moléculas se difundem e adquirem energia das vizinhanças durante o tempo em que estão em contato. Pontos fundamentais da Teoria da Colisão A velocidade é proporcional á: - frequência de colisão; - fração de colisões que ocorrem com, pelos menos, a energia cinética, Ea, ao longo da linha que une seus centros; - fator estérico (colidir numa orientação relativa apropriada); Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 1 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - seja a seguinte reação elementar bimolecular em fase gasosa: v = kr [A] [B] A + B → Produto - analisando as exigências físicas podemos esperar que a velocidade seja proporcional à: ● taxa de colisões, portanto, á velocidade média das moléculas; c̄ α (T / M )1/ 2 ● seção eficaz de colisão, σ; ● densidades numérica, ϰA, ϰB, portanto, às concentrações em quantidades de substâncias; v α σ(T / M )1/2ϰ Aϰ B α σ(T / M )1/ 2[ A ][ B] Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 2 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão v α σ(T / M )1/ 2ϰ Aϰ B α σ(T / M )1/ 2[ A ][B] - porém, a colisão só será bem sucedida se a energia cinética for maior que um certo valor mínimo, a energia de ativação (Ea) da reação; - esta exigência sugere que a constante de velocidade seja também proporcional a um fator de Boltzmann, − E a /( RT ) e - assim: − εa /(kT ) e ou 1/ 2 − Ea /(RT ) k r α σ(T / M ) e constante de velocidade Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 3 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - porém, nem toda colisão provocará a reação, mesmo que as exigências de energia sejam satisfeitas. - os reagentes devem colidir num orientação adequada; - a “ exigência estérica” - então: Fator estérico (P) 1/2 − Ea /( RT ) k r α Pσ(T / M ) e k r = Ae − E a /( RT ) parece a expressão de Arrhenius - esta expressão reflete os três aspectos de uma colisão bem sucedida; kr α fator estérico x velocidade de colisão x exigência de energia mínima Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 4 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão kr α fator estérico x velocidade de colisão x exigência de energia mínima - frequência de colisões nos gases - Densidade de colisões (ZAB ) ou densidade de frequência de colisões: é o número de colisões entre moléculas A e B em uma região da amostra, num certo intervalo de tempo, dividido pelo volume da região e pela duração do intervalo de tempo (frequência por unidade de volume). - temos que a frequência de colisões, Z, de uma molécula A de massa mA num gás, com outras moléculas A, é: Z=σc¯relϰ A seção eficaz de colisão densidade numérica velocidade média relativa Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 5 Cinética Química – Moléculas em movimento - frequência de colisões nos gases - assim a densidade de frequência de colisões de uma molécula A com outras moléculas A será: 1 Z AA = Zϰ A 2 Z=σc¯relϰ A 1 2 Z AA = σc¯relϰ A 2 Para evitar a contagem dupla de uma colisão A-A - se são moléculas de A com moléculas de B; Z AB=σc¯relϰ Aϰ B - mas temos que: - assim: ϰ J =N A[J ] 1/2 ( ) 1 4 kT Z AA = σ 2 π mA c¯rel 2 2 N A [ A ] 1 /2 ( ) e Z =σ 8 kT AB πμ 2 N A [ A ][B ] c¯rel Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 6 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão kr α fator estérico x velocidade de colisão x exigência de energia mínima - Velocidade de colisão e Exigência de energia A + B → Produtos - de acordo com a teoria da colisão a velocidade de consumo de A (d[A]/dt) é igual ao produto a densidade de colisões (ZAB) pela probabilidade de a colisão ocorrer com energia suficiente; - a probabilidade de colisão com energia suficiente pode ser levada em conta se a seção eficaz de colisão por expressa em termos da energia cinética de aproximação das duas espécies colidentes (σ(ε)); Z AB=σc¯relϰ Aϰ B d ϰA − =σ (ε)v relϰ Aϰ B dt d [ A] − =N Aσ (ε)v rel[ A ][B] dt velocidade relativa de aproximação para uma colisão Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 7 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - Velocidade de colisão e Exigência de energia seção eficaz de colisão em função da energia cinética de aproximação d [ A] − =N Aσ (ε)v rel[ A ][B] dt - para a reação ocorrer a colisão deve ser na seção eficaz de colisão e com uma energia maior que um valor crítico, εa; - assim temos que quando: ε < εa → σ(ε) = 0 εa ε > εa →σ (ε)= 1− ε ( ) Mas porque é assim? Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 8 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - Velocidade de colisão e Exigência de energia - assim temos que quando: ε < εa → σ(ε) = 0 ( ε > εa →σ (ε)= εa 1− ε σ ) x - se vrel é a velocidade relativa de colisão de A e B; vrel, A-B d - ε = (1/2)μvrel2 é a energia cinética relativa; B a θ A vrel b - vrel, A-B é a magnitude da componente da velocidade relativa paralela a um eixo que contém o vetor que conecta os centros de A e B, deve ser grande; - da trigonometria ……... y Vejamos isto no quadro…. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 9 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - Velocidade de colisão e Exigência de energia d [ A] − =N Aσ (ε)v rel[ A][B] dt ε < εa → σ(ε) = 0 ( ε > εa →σ (ε)= εa 1− ε σ ) - as energias de aproximação variam amplamente na amostra, então é preciso promediar a expressão obtida, tomando por base a distribuição de energias; ∞ d [ A] − = ∫0 σ (ε)v relf (ε)d ε N A[ A ][B] dt [ - assim temos que: k r =N A∫0 σ (ε)v relf (ε)d ε ∞ ] 3/ 2 ( ) 1 f (ε)d ε=2 π πkT 1 2 ε= μ v rel 2 Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 1/2 −ε/(kT ) ε e dε 1/ 2 ( ) 2ε v rel = μ 10 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - Velocidade de colisão e Exigência de energia k r =N A∫0 σ (ε)v relf (ε)d ε ∞ 3/2 ( ) [∫ 1 I =2 π π kT [ 1/ 2 ( ) ∞ 0 − Ea /(RT ) e ] ( ) 1/2 −ε/(kT ) ε e dε 1/ 2 ( ) 2ε v rel = μ 1 2 ε= μ v rel 2 I d [ A] 8 kT − = N Aσ πμ dt 3/ 2 ( ) 1 f (ε)d ε=2 π πkT ] 2 ε 1/ 2 − ε/(kT ) σ (ε) μ ε e dε [ A ][B ] − Ea /( RT ) k r =N Aσc¯rele c¯rel Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 11 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - Velocidade de colisão e Exigência de energia d [ A] − E /( RT ) − =[ N Aσc¯rele ][ A ][B ] dt a − Ea /( RT ) k r =N Aσc¯rele Fator pré-exponencial − E a /( RT ) k r = Ae equação Arrhenius Constante de velocidade para uma reação elementar bimolecular em fase gasosa (excluindo as exigências estéricas). A é uma medida da velocidade das colisões que ocorrem na fase gasosa Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 12 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - Velocidade de colisão - Exigência de energia – Fator estérico (P) molécula que não reage (molécula de reagente desviada) produtos σ* (seção eficaz de colisão reativa) σ (seção eficaz de colisão) σ* = P · σ -assim o fator estérico, P, é definido pela equação: 1/ 2 ( ) 8 kT k r =Pσ π μ − E a /(RT ) N Ae c¯rel Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano Normalmente P se torna cada vez menor quanto mais complicado é a molécula. 13 Cinética Química – Moléculas em movimento Teoria da Colisão - Velocidade de colisão - Exigência de energia – Fator estérico (P) Exercício: Atkins, exer. Proposto 22.1) O fator pré-exponencial, determinado experimentalmente, da reação NO + Cl2 → NOCl + Cl, a 298 K, é 4,0x109 dm3 mol-1 s-1. Com σ(NO) = 0,42 nm2 e σ(Cl2) = 0,94 nm2, estime o fator estérico P da reação. Atkins, 22.4(a)) Com a teoria da colisão, calcule o valor teórico da constante de velocidade da reação de segunda ordem H2(g) + I2(g) 2HI(g), a 650 K, admitido que seja elementar bimolecular. A seção eficaz de colisão é 0,36 nm2, a massa reduzida é 3,32x10-27 kg e a energia de ativação é 171 kJ·mol-1. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 14 Cinética Química – Moléculas em movimento Reações Elementares em soluções líquidas Em solução: - as moléculas de reagentes têm que abrir caminho entre as do solvente; - a frequência de colisões é bem menor do que em fase gasosa; - porém, como uma molécula migra lentamente de uma posição para outra, duas moléculas de reagentes que se encontram ficam juntas durante intervalo de tempo muito maior do que num gás. Efeito Gaiola: é a permanência de uma molécula junto a outra, em virtude da ação das moléculas do solvente. - é possível que o par de moléculas possa acumular energia suficiente para reagir, embora não tivesse esta energia quando as moléculas se encontraram; - a energia de ativação de uma reação em solução é uma grandeza muito mais complicada do que em uma reação em fase gasosa; - quando se forma um par de moléculas colidindo, envolvido por moléculas do solvente, é necessário levar em conta a energia de toda a estrutura localizada nas vizinhanças do par para calcular a energia de ativação. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 15 Cinética Química – Moléculas em movimento Reações Elementares em soluções líquidas - Dividindo o processo em etapas mais simples; - vamos pensar em um processo ocorrendo em três etapas da seguinte forma: 1) A + B → AB v1 = kd[A][B] 2) AB → A + B v2 = kd' [AB] 3) AB → P v3 = ka [AB] kd é determinada pelas características de A e de B na difusão - a concentração de AB pode ser calculada usando a aproximação do estado estacionário: - onde temos que: d [P ] =k r [ A ][ B] dt ka kd kr= k a +k d ' - é possível identificar dois limites significativos; Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 16 Cinética Química – Moléculas em movimento Reações Elementares em soluções líquidas ka kd kr= k a +k d ' d [P ] =k r [ A ][ B] dt - é possível identificar dois limites significativos; ka kd kr≈ =k d ka 1) se kd' << ka 1) A + B → AB v1 = kd[A][B] 2) AB → A + B v2 = kd' [AB] 3) AB → P v3 = ka [AB] Constante de velocidade para uma reação controlada por difusão - no controle por difusão, a velocidade da reação é governada pela velocidade com que as moléculas se difundem através do solvente; por exemplo, combinação entre radicais e entre átomos envolve energia de ativação muito pequena, muitas vezes, são controlados por difusão. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 17 Cinética Química – Moléculas em movimento Reações Elementares em soluções líquidas 2) se ka << kd' e.d.v. é: AB → P 1) A + B → AB v1 = kd[A][B] 2) AB → A + B v2 = kd' [AB] 3) AB → P v3 = ka [AB] d [P ] =k r [ A ][ B] dt ( ) ka kd kd kr≈ = k ka kd' a ka kd kr= k a +k d ' Constante de velocidade para uma reação controlada por ativação - neste limite, a reação avança com uma velocidade que depende do acúmulo de energia do solvente no par de moléculas que se encontram. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 18 Cinética Química – Moléculas em movimento Reações Elementares em soluções líquidas Difusão e Reação - velocidade de reação controlada pela difusão é calculada pela velocidade com que os reagentes se difundem e se misturam; - veremos que: k d =4 π R * D N A coeficiente de difusão distância entre as duas moléculas - Difusão é ………... Vamos entender melhor este fenômeno ………... Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 19 Cinética Química – Moléculas em movimento Propriedade de Transporte – Fenômenos de Transporte Ponto Fundamental - o fluxo é a quantidade de uma propriedade que passa através de uma dada área em um determinado intervalo de tempo dividida pela área e pela duração do tempo; - as propriedades de transporte são em geral expressas em termos das chamadas equações “fenomenológicas”; - são equações que representam empiricamente as observações experimentais. Equações Fenomenológicas - a velocidade de transporte de uma grandeza é medida pelo seu fluxo, J; - Fluxo (J ): é a quantidade da grandeza (ΔGra) correspondente que passa através de uma certa área (A), durante um certo intervalo de tempo (Δt). - vazão (Q): é a quantidade da grandeza transportada por unidade de tempo. J= Δ Gra AΔ t J= Q A Δ Gra=JAΔ t quantidade transportada através da área A Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 20 Cinética Química – Moléculas em movimento Propriedade de Transporte – Fenômenos de Transporte Exemplos: - transporte de energia está associado a condutividade térmica – Lei de Fourier; - transporte de momento ou quantidade de momento está associado ao fenômeno de viscosidade – Lei de Newton; - transporte de massa corresponde ao fenômeno de difusão – Lei de Fick; - em qualquer dos três casos, o fluxo é proporcional ao gradiente de uma propriedade física responsável pelo transporte; - assim pode-se escrever uma equação geral para os fenômenos de transporte: J =− B∇ Y O transporte acontece em sentido contrário ao gradiente depende do sistemas de coordenadas gradiente da grandeza Y em coordenadas cartesianas ortogonais ∇ =i⃗ ∂ + ⃗j ∂ + ⃗k ∂ ∂x ∂y ∂z Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 21 Cinética Química – Moléculas em movimento Propriedade de Transporte – Fenômenos de Transporte - se considerarmos o transporte unidimensional, e supondo que o eixo de transporte seja o eixo x, teremos que: ∂Y J x =− B ∂x - considerando os três exemplos anteriores teremos: - fluxo de calor: J x =− κ T ∂T ∂x temperatura (Lei de Fourier) velocidade Coeficiente de condutividade térmica ∂vx J z =− η ∂z - fluxo de momento: (Lei de Newton) Coeficiente de viscosidade - fluxo de massa: densidade numérica J x =− D ∂ϰ ∂x (Lei de Fick) Coeficiente de difusão Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 22 Cinética Química – Moléculas em movimento Propriedade de Transporte – Fenômenos de Transporte Fluxo de momento - Viscosidade é o transporte de movimento linear ao longo de um gradiente de velocidade z fluxo num escoamento newtoniano x v ∂vx J z =− η ∂z - as camadas ou lâminas de fluidos deslizam umas sobre as outras; - no fluido newtoniano a velocidade das camada sucessivas varia linearmente com a distância z da parede; - todos os gases e os líquidos mais simples são fluidos newtonianos. Já pastas, suspensões e polímeros são exemplos de fluidos não-newtonianos. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 23 Cinética Química – Moléculas em movimento Propriedade de Transporte – Fenômenos de Transporte Movimento de moléculas em líquidos Difusão – Interpretação termodinâmica Pontos Fundamentais - a força termodinâmica representa a tendência espontânea de as moléculas se dispersarem como uma consequência da 2ª lei da termodinâmica; - a 1ª lei de Fick da difusão por ser deduzida considerando-se a força termodinâmica e a força viscosa retardadora de uma solução. - a equação de Stokes-Einstein relaciona o coeficiente de difusão à força de atrito; - o coeficiente de difusão e a mobilidade iônica são relacionadas através da relação de Einstein; Vejamos isto …...….. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 24 Cinética Química – Moléculas em movimento Movimento de moléculas em líquidos Reações Elementares em soluções líquidas Velocidade de reação controlada pela difusão Exemplos Atkins, 22.6a) Um valor típico do coeficiente de difusão de moléculas pequenas em soluções aquosas, a 25,0 °C, é de 5,00x10-9 m2·s-1. Se a distância crítica for de 0,400 nm, que valor estimado da constante de velocidade da reação de 2ª ordem controlada por difusão? Atkins, 22.10a) Duas espécies neutras, A e B, com diâmetros de 588 pm e 1650 pm, respectivamente, regem segundo A + B → P, num processo controlado pela difusão, num solvente com a viscosidade de 2,37x10-3 kg m-1·s-1, a 40,0 °C. Calcule a velocidade inicial d[P]0/dt se a concentração inicial de A for de 0,150 mol·dm-3 e a de B 0,330 mol·dm-3. Físico-química B1/DAQBI/UTFPR - João Batista Floriano 25