Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Brandia Central I II Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Brandia Central III Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Brandia Central IX Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 01 1 Introdução O Plano Estratégico Nacional do Turismo (P.E.N.T.) tem como motivação central desenvolver o turismo português e posicionar Portugal como um dos mais competitivos e atractivos destinos do mapa turístico europeu, afirmando o sector como um dos mais dinâmicos e propulsores da economia nacional. Neste âmbito, apresenta uma abordagem integrada de acção, definindo cinco eixos de implementação que cobrem os aspectos da valorização da cadeia de valor e da experiência de consumo turístico, da diversificação de mercados emissores e da consolidação e desenvolvimento de destinos turísticos1 (marcas-região) competitivos. Importa assim, e face ao imperativo de dinamização dos destinos turísticos definidos, avaliar a percepção dos consumidores relativamente a cada um deles e aferir a sua atractividade. O resultado deste trabalho permitir-nos-á posicionar mais correctamente o perfil e a comunicação da oferta turística, assegurando uma maior consistência entre, por um lado, o que os destinos turísticos têm para oferecer e a forma como desejam ser percepcionados e, por outro, a percepção e imagem que os consumidores têm sobre cada um deles. O presente documento está dividido em duas partes. A primeira parte do documento contextualiza o problema, explica a abordagem teórica e metodológica e traça os objectivos do projecto de investigação. Esta primeira parte do estudo constrói as definições teóricas necessárias para explicar o funcionamento e mecânica das variáveis que impactam a imagem dos destinos turísticos incluindo, igualmente, uma explicação em relação às ferramentas utilizadas para medir a atractividade dos destinos turísticos. 1 No presente documentos os Destinos Turísticos serão comummente denominados de marcas-região Brandia Central 2 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno A segunda parte do documento explica detalhadamente os resultados obtidos. Os resultados são baseados unicamente na imagem e percepções dos consumidores. Os resultados obtidos assentam sobre a visão estereotipada do mercado, podendo esta corresponder, ou não, à realidade factual de cada destino turístico. Assim, a segunda parte do documento está dividida em 13 capítulos, sendo que cada capítulo representa e descreve a imagem percepcionada de cada uma das marcas-região. Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 02 3 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 2.1. Objectivo O objectivo central deste estudo foi o de avaliar a Atractividade Turística dos 11 Destinos Turísticos de Portugal Continental, representados pelas 11 Entidades Regionais de Turismo, junto do mercado nacional, mercado prioritário e estratégico para o desenvolvimento do sector do turismo. A par de uma medição de valor da Atractividade de cada Destino Turístico2 (marcaregião), e no propósito de consolidar a análise absoluta e comparativa da mesma, foram identificadas e clarificadas as variáveis de cada região que contribuem (e de que forma) para a sua Atractividade. Assim, foi também objectivo do estudo identificar as variáveis que os consumidores utilizam para avaliar cada marca-região. Apesar do estudo incidir sobre as 11 regiões de turismo, o presente relatório foca-se apenas na marca Porto e Norte de Portugal. O resultado desta avaliação permitir-nos-á conhecer o universo de variáveis que os consumidores utilizam para definir a marca-região e entender quais são os drivers de consumo, isto é, as razões ou motivações de consumo. Conhecendo os drivers de consumo poderemos, então, proceder a uma gestão eficiente das variáveis no sentido de definir qual o posicionamento e a experiência de marca desejados. 2 No presente documento os Destinos Turísticos serão comumente denominados de marcas-região. Brandia Central 4 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 2.2. Caracterização dos Consumidores e Definição dos Pressupostos de Investigação A avaliação das marcas-região está dependente das motivações de consumo. Assim, a avaliação e construção da imagem de marca está dependente da ligação do consumidor à marca, do contexto de consumo e do potencial de satisfação de necessidades. Partindo destes pressupostos base, torna-se imperativo definir o consumidor e as suas motivações de consumo. Neste estudo os consumidores das marcas-região são turistas. Excluem-se da análise investidores e empresários, trabalhadores e estudantes. Assim, a análise recai sobre as variáveis que os turistas ou potenciais turistas utilizam para construir a imagem da marcaregião. Turismo, neste projecto, é definido como sendo um fenómeno social e económico que envolve o movimento de pessoas, das suas residências permanentes para residências provisórias de forma a usufruírem de actividades lúdicas. Excluí-se da análise os consumidores que se deslocam por razões profissionais. Na base do consumo de um produto de turismo estão dois eixos motivacionais. a) Procura de novas experiências; b) Quebra da rotina. Basicamente, o turista procura deixar para trás a rotina do dia-a-dia para poder fazer algo num ambiente diferente. Assim, estes dois eixos são mutuamente inclusivos e não exclusivos. Estes eixos básicos implicam, também, que o turista avalie cada marca-região pelo tipo de actividades aí disponíveis. O turismo poderá ser também visto como um ritual de passagem. Nas sociedades modernas os cidadãos (partindo do pressuposto que têm os rendimentos necessários para irem de férias) vivem as suas vidas como uma consequência de dois ciclos de actividade: trabalho e férias. As pessoas trabalham durante um período de tempo para que durante um outro espaço de tempo, mais curto, possam mudar-se do seu local de residência para uma residência alternativa. Assim, a sensação da passagem de tempo é feita em ciclos, entre o profano (o trabalho) e o sagrado (as férias). De facto, seria algo estranho para o consumidor se durante o ano o ciclo não acontecesse. Os ciclos de férias são óbvios durante os meses de Julho ou Agosto, período das chamadas “férias grandes” ou “férias de Verão”. As “férias grandes” são definidas como aquelas que têm pelo menos uma duração de quatro ou mais dias3. Todavia, tem-se assistido a alterações nos padrões de consumo de férias, assim como a uma tendência para a diminuição da duração das “férias grandes”. Contudo, a diminuição da duração das “férias grandes” tem estado a ser compensada pelas chamadas férias de “short‑breaks”, tal como foi registado e reconhecido pelo World Tourism Organization. Os “short‑breaks” são definidos como férias com uma duração de um a três dias e envolvem 3 Mintel International Group Ltd Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 5 a estadia de pelo menos uma noite fora da residência habitual. Este tipo de férias está geralmente ligado a fins-de-semana prolongados. Assim, assumindo que a avaliação da marca-região está dependente do contexto do consumo, estabelecemos a hipótese de que cada região possa estar associada a um perfil de consumo particular. É, assim, possível que algumas marcas-região sejam vistas num contexto de consumo de “short-break” e outras sejam mais vistas num contexto de “férias grandes”. É tambem possível que as marcas-região estejam mais associadas a certas épocas do ano, Verão, Inverno, Primavera ou Outono afectando, assim, a sua avaliação. Se a tipologia de consumo afecta a construção da imagem da região, quer isso dizer que as variáveis utilizadas pelos consumidores para construir a imagem da marca irão, também, alterar-se. Torna-se, assim, necessário ter em conta os contextos de consumo quando se faz a análise de cada marca-região. Estas suposições levam-nos a definir a Proposição 1: O tipo de consumo (duração e finalidade) afecta a avaliação da atractividade da região Da mesma forma que o contexto de consumo afecta a avaliação das marcas-região, assumiu-se, também, que a familiaridade do consumidor com a marca-região afectará, igualmente, a sua avaliação. Assim, é de esperar que a residência do consumidor, bem como a sua proximidade a certas marcas-região, afecte as suas percepções e a imagem que constrói relativamente àquelas. Estas suposições levam-nos a definir a Proposição 2: O local de residência do consumidor afecta a avaliação da atractividade da marca - região Paralelamente às proposições de estudo definidas, assumiu-se que as marcas-região são compostas não só pelos seus componentes geográficos ou funcionais mas, também, por outros elementos representacionais. Nas sociedades modernas a relevância das férias atingiu uma importância tão preponderante que, hoje, o sentido de uma cidadania plena passa pela possibilidade de usufruir férias. As férias são hoje vistas como um importante direito de cidadania. Os cidadãos que não podem usufruir de férias são tidos e vistos como socialmente desfavorecidos. O sentido das férias modernas nascem com a revolução industrial no Reino Unido, sendo Thomas Cook o primeiro a operador turístico a organizar viagens de turismo. Até então, as férias no estrangeiro eram unicamente gozadas pela aristocracia e pela burguesia endinheirada, junto da qual fazer o “Great Tour” era parte integrante da educação dos jovens Brandia Central 6 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno adultos. Viajar era um símbolo de riqueza e de prosperidade. Com o desenvolvimento dos transportes e a redução dos custos associados ao consumo de produtos turísticos, viajar de férias deixou de ser um privilégio de alguns para estar disponível para todos. Hoje, o local escolhido para férias é utilizado pelo turista como uma forma de comunicação de valores à sociedade. Quer isso dizer que as marcas-região terão uma parte representacional importante que é necessário equacionar ao gerir a atractividade e imagem das marcasregião. 2.3 Metodologia de Trabalho Para responder aos objectivos do estudo foi necessário definir uma metodologia de trabalho. A metodologia desenvolvida para este projecto envolveu a utilização de diferentes ferramentas de recolha e de análise de dados. A recolha de informação efectuada assumiu um carácter secundário e primário, quantitativo e qualitativo. Numa primeira fase foi iniciada a recolha de dados secundária, que incluiu a análise de fontes documentais do Turismo de Portugal, tais como o Plano Estratégico Nacional do Turismo. Num segundo momento, foi realizada a recolha primária de dados, focada numa metodologia qualitativa, tendo sido efectuadas entrevistas em profundidade e sessões de focus group (grupos de discussão) junto de residentes e turistas com o objectivo de se obter um melhor entendimento das motivações de consumo e da percepção dos consumidores. Num terceiro momento foi utilizada uma ferramenta quantitativa para avaliar a atractividade de cada marca-região. A recolha de dados ocorreu durante os meses de Junho, Julho e Agosto. Assim, e face aos objectivos definidos, optou-se por uma triangulação metodológica, isto é, pela utilização de diferentes ferramentas de investigação, no sentido de se obter uma melhor compreensão do problema do estudo – avaliar a atractividade de 11 Destinos Turísticos em Portugal Continental. Os métodos de recolha de dados são variados de forma a maximizar a compreensão do problema, que é exploratório por natureza. As entrevistas em profundidade e os grupos de discussão são ferramentas mais flexíveis que permitem compreender a realidade. Permitem obter resposta às questões que são, por natureza, exploratórias. O inquérito online que é uma ferramenta quantitativa, foi igualmente fundamental para obter uma melhor compreensão em relação ao problema em análise. Permitiu, por exemplo, testar e avaliar o impacto da residência dos entrevistados na avaliação das marcas-região. Os participantes deste estudo são portugueses e potenciais consumidores de produtos turísticos em Portugal. Apesar dos participantes serem todos portugueses, procurou-se obter uma amostra variada. Esta decisão implicou que a recolha de dados tenha sido feita em diversas áreas geográficas do país, procurando uma amostra diversificada. A decisão de recolha de dados em vários pontos geográficos diferentes prendeu-se com o facto de se ter partido do princípio de que a residência dos participantes afecta a avaliação das diferentes marcas-região (Proposição 2). De igual forma, é também assumido que o ciclo de família poderá afectar o consumo das diferentes marcas-região. Assim, procurou-se saber junto de individuos com diferentes Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 7 perfis e residentes em diversos pontos do país qual a sua avaliação das diferentes marcasregião. Por fim, considerámos que a abordagem a consumidores em diferentes contextos de consumo iria, igualmente, ajudar a desenvolver um melhor entendimento em relação ao problema em estudo e obter as respostas à investigação. Assim, foram recolhidos dados junto a turistas em situação de consumo. a) Recolha de dados junto de residentes, nos locais de residência – Entrevistas em Profundidade e Focus Group Nos locais de residência dos consumidores foram realizadas entrevistas em profundidade e focus group. Para o trabalho de campo foram selecionados nove importantes centros populacionais. Estas nove cidades representam uma extensa cobertura geográfica do território continental português e constituem, simultaneamente, importantes mercados emissores de turistas. Consequentemente, decidiu-se recolher dados utilizando entrevistas em profundidade em Braga, Porto, Viseu, Coimbra, Leiria, Lisboa, Oeiras, Évora e Faro. À partida, foi definida uma “amostra de conveniência” de residentes nos concelhos dos locais de entrevista. Em cada uma das 9 cidades visitadas, onde reside 80% da população portuguesa, foram executadas as seguintes tarefas: Ferramenta: Entrevistas individuais exploratórias, em profundidade, a passantes convidados a entrar no estúdio móvel, seleccionados no local por quotas de perfil; Objectivo: Obter os Quadros de Referência - opiniões próprias dos residentes Ferramenta: Mini focus-group previamente recrutados por quotas de perfil, através de painel de selecção, reunidos no estúdio móvel. Objectivo: Obter os consensos e opiniões partilhadas dos Residentes No final, recolheu-se informação efectiva junto de 220 indivíduos: 111 entrevistados individualmente e 109 em entrevistas grupais. A amostra recolhida foi considerada válida no seu todo, representativa do grupo “de conveniência” que se planeou entrevistar. b) Recolha de dados junto de consumidores em locais de consumo – Entrevistas Etnográficas Para maximizar a compreensão do problema, a recolha de dados utilizou entrevistas em profundidade a consumidores no acto de consumo. Ferramenta: Entrevistas em profundidade a consumidores em momento de consumo de produtos turísticos. Objectivo: Compreender os comportamentos de consumo e clarificar as decisões de escolha. Assim, foram realizadas 70 entrevistas “etnográficas” em 22 localidades diferentes, incluindo cidades, vilas, aldeias e praias, cobrindo uma vasta área do território nacional. Brandia Central 8 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno c) Recolha de dados quantitativos - Inquérito Online Na segunda fase da recolha de dados foi realizado um inquérito online junto a uma amostra considerada estatisticamente grande. Obtiveram-se 1030 respostas válidas. Os resultados do inquérito online possibilitaram testar estatisticamente as proposições do estudo e construir um modelo de avaliação da atractividade das marcas-região. PLANO DE INVESTIGAÇÃO Grupos de Discussão Método Qualitativo Residentes Residentes Entrevistas Auscultação e Avaliação de Percepções em Profundidade Turistas Método Quantitativo Ferramenta: Inquérito nacional online Objectivo: Medir e avaliar as variáveis identificadas na fase qualitativa do projecto. 2.4 Universo de Análise O Decreto-Lei nº 67/2008 de 10 de Abril criou cinco áreas regionais de turismo, as quais reflectem as áreas abrangidas pelas unidades territoriais utilizadas para fins estatísticos NUT II – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve. Foram ainda criados os pólos de desenvolvimento turístico, integrados nas áreas regionais – Douro, Serra da Estrela, Leiria-Fátima, Oeste, Alentejo Litoral e Turismo das Terras do Grande Lago Alqueva - Alentejo. Este novo quadro de interlocutores para o desenvolvimento do turismo regional no território continental concretiza-se, assim, pela criação de onze entidades regionais de turismo, dinamizadoras e interlocutoras das áreas regionais de turismo e dos pólos de desenvolvimento turístico junto do órgão central de turismo e, simultaneamente, responsáveis pela valorização turística e pelo aproveitamento sustentado dos recursos turísticos das respectivas áreas. Brandia Central Inquérito Nacional Online 9 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Universo de Análise Áreas Regionais de Turismo Pólos de Desenvolvimento Turístico Porto e Norte de Portugal Douro Centro de Portugal Serra da Estrela Lisboa e Vale do Tejo Oeste Alentejo Alentejo Litoral Algarve Leiria-Fátima Turismo dasTerras do Grande Lago Alqueva- Alentejo Brandia Central 10 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno O universo de análise de partida era composto por 11 marcas-região. Contudo, e face ao resultado da fase qualitativa, os pesquisadores decidiram alterar a definição desse universo. Num primeiro caso, relativo à marca Porto e Norte de Portugal, concluiu-se que, na realidade, a marca Porto e Norte de Portugal é um compósito de duas marcas, a marca “Porto” e a marca “Norte de Portugal”. Assim, faz sentido que no inquérito online se avalie, separadamente, as duas marcas. Só assim de saberá o que se está a avaliar. A marca Lisboa e Vale do Tejo coloca, igualmente, alguns problemas na análise quantitativa. A marca “Lisboa” é demasiadamente forte, ofuscando “Vale do Tejo”. Assim, se interrogássemos os consumidores acerca de Lisboa e Vale do Tejo, sem fazer o contraponto com a marca Lisboa, cairíamos no risco dos inquiridos estarem a avaliar apenas a marca Lisboa. Decidiu-se, assim, dividir a marca Lisboa e Vale do Tejo em marca “Lisboa” e marca “Lisboa e Vale do Tejo”. Não considerámos ter uma marca “Vale do Tejo” porque esta não tem qualquer significado junto aos consumidores portugueses. O universo de análise considerado passou, assim, a ser composto por 13 marcas –região, a saber: Porto, Norte de Portugal, Centro de Portugal, Lisboa, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Douro, Serra da Estrela, Oeste, Alentejo Litoral, Leiria - Fáima, Turismo das Terras do Grande Lago Alqueva – Alentejo. Como já foi anteriormente referido, o presente relatório apresenta as conclusões do Estudo de Avaliação da Atractividade da marca Porto e Norte de Portugal junto do mercado interno. Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 03 11 O Estudo: Variáveis e Índice de Atractividade 3.1 As Variáveis Identificadas na Avaliação das Marcas - Região A presente investigação parte sempre do pressuposto de que cada marca-região é composta por variáveis, variáveis essas que têm um funcionamento específico e que têm um impacto na forma como a marca é percepcionada. Contudo, e apesar das marcas-região serem diferentes, elas são avaliadas a partir do mesmo compósito de variáveis. O que distingue cada marca-região é a relevância das variáveis para satisfazer as necessidades do consumidor num determinado contexto de consumo. O presente relatório identifica as variáveis das marcas-região e o seu diferente funcionamento, bem como o seu impacto na atractividade da marca. Foram identificadas 8 variáveis que influenciam a avaliação da marca-região. Clima: O Clima Atmosférico é uma variável relevante porque influencia, em parte, o tipo de actividades disponibilizadas pela marca-região. O impacto da variável na marca é positivo, negativo ou neutro, dependendo do contexto de consumo e das expectativas do consumidor. Paisagem Natural: As regiões estão associadas a um tipo de paisagem natural. “Praias”, “montanhas” ou “florestas” são alguns dos elementos que compõem a variável Paisagem Natural. Estes elementos da Paisagem Natural serão utilizados para avaliar o tipo de actividades que a região oferece: ir à praia, caminhadas pela floresta, contemplação da Brandia Central 12 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno paisagem. A sua avaliação positiva, negativa ou neutra depende do contexto de consumo e das expectativas do consumidor. Paisagem Urbana: A imagem dos destinos turísticos está também ligada ao tipo de infraestruturas desenvolvidas na marca-região. O tipo e a densidade da construção aí existente, bem como as particularidades das suas cidades e localidades, terão também um impacto positivo, negativo ou neutro na avaliação da marca-região. Gastronomia: É definida como uma variável que satisfaz não só os aspectos fisiológicos do consumidor mas que constitui, ela própria, uma importante fonte de actividades. O “comer” é uma actividade que permite ao consumidor experimentar novas “coisas” e quebrar a rotina. É uma actividade social, o que quer dizer que a variável Gastronomia terá de ser composta não só pelos pratos típicos de cada região, mas também pelos restaurantes. A qualidade dos restaurantes e do seu serviço serão aspectos relevantes para a satisfação das necessidades do consumidor e para a avaliação da marca-região. População Local: É uma variável importante na avaliação de cada marca-região. A avaliação da variável e do seu impacto na imagem de cada marca-região faz-se, em parte, pelo tipo de interacção com a população. Contudo, num contexto de consumo de produtos turísticos, a interacção entre o turista e a População Local dá-se, principalmente, num contexto de troca comercial. Ou seja, o turista interage maioritariamente com a População Local quando está num contexto de consumo como por exemplo, num restaurante, hotel, bar ou museu. Património Histórico: As diferentes regiões são avaliadas relativamente à sua riqueza em Património Histórico. Esta variável é relevante porque é uma fonte de actividades para o consumidor, para ver algo novo e diferente. O seu impacto na imagem da marca depende, uma vez mais, do contexto de consumo. Oferta Hoteleira: O género e qualidade percepcionada da Oferta Hoteleira têm um impacto bastante relevante na imagem da marca. A elevada relevância da variável é natural visto que a Oferta Hoteleira constitui um aspecto preponderante no consumo de um destino turistico. A sua avaliação está, uma vez mais, dependente do contexto do consumo e das expectativas do consumidor. Oferta Cultural e Social: É uma variável ligada ao tipo de actividades sociais disponíveis na marca-região. Esta variável está ligada ao tipo de infra-estruturas associadas à região, isto é, à presença de museus, eventos, espectáculos ou bares. As variáveis têm um impacto directo na atractividade das marcas podendo ter, igualmente, um impacto indirecto. Ou seja, as variáveis influenciam-se umas às outras. Assim, é relevante entender qual o funcionamento de cada variável e quais os impactos directos e indirectos que exerce sobre a imagem da marca. A compreensão dos mecanismos de cada variável e dos seus impactos torna-se fundamental para se poder desenvolver uma política de gestão de marca. O entendimento sobre o funcionamento das variáveis permitirá desenhar estratégias que permitem gerir a marca ao Brandia Central 13 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno nível do produto e da comunicação e, desta forma, atingir os objectivos de posicionamento traçados para cada marca-região. universo de variáveis das marcas-região Clima Paisagem Natural Paisagem Urbana Gastronomia Marca Região População Local Património Histórico Oferta Cultural e Social Oferta Hoteleira 3.2 O Índice de Atractividade da Marca-Região Face ao âmbito e propósito do presente estudo foi criado o Índice de Atractividade da Marca – Região que nos permite medir, neste caso, o nível de atractividade de cada destino turístico enquanto marca. A Atractividade é um conceito, um constructo mental, definido por investigação científica anterior e relativo à capacidade de uma região (i.e. marca-região) em conseguir gerar nos indivíduos o desejo de a visitar, por esta lhes permitir desenvolver actividades, por permitir a identificação com um determinado estilo de vida, por inspirar confiança enquanto local de qualidade e, finalmente, por conferir prestígio a quem a visita. Assim, o Índice da Atractividade é o resultado de um modelo aditivo onde se agregam as quatro dimensões identificadas: Brandia Central 14 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Índice de Atractividade da Marca - Região = Oferta de Actividades + Identificação com a Marca + Qualidade da Marca + Prestígio Conferido A avaliação da Atractividade da marca-região é feita num contexto de antecipação do tipo de necessidades que a marca-região, com o menor risco, poderá satisfazer. O resultado da aplicação do modelo a cada marca-região permitiu obter um melhor entendimento e compreensão acerca dos diferentes destinos turísticos. Depois de calcular o Índice de Atractividade para cada marca-região, foi feita uma análise à relevância de cada variável na Atractividade de cada uma das 13 marcas-região. Assim, foram efectuadas regressões lineares de forma a avaliar quais as variáveis que mais causam variabilidade ao Índice de Atractividade. O conhecimento da relevância das diferentes variáveis para explicar a variabilidade da Atractividade de cada marca-região permite desenvolver as estratégias mais apropriadas. Clima Paisagem Natural Oferta de Actividades Paisagem Urbana Património Histórico Identificação com a Marca Oferta Hoteleira Gastronomia Qualidade da Marca ATRACTIVIDADE DA MARCA-REGIÃO Brandia Central Oferta Cultural e Social População Local Prestígio Conferido Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 04 15 Estrutura do Documento O presente documento encontra-se dividido em duas partes. A primeira parte do documento contextualiza o problema, explica a abordagem teórica e metodológica e traça os objectivos do estudo. A segunda parte do documento expõe e explica detalhadamente os resultados obtidos. Os resultados do estudo são o produto da combinação da aplicação de métodos quantitativos e qualitativos de recolha de dados. Assim, a exposição e explicação do funcionamento das variáveis no documento inclui dados qualitativos e quantitativos. Recorreu-se a tabelas onde se quantifica a avaliação de cada variável de forma absoluta e em comparação às outras marcas-região. Recorreu-se, igualmente, a citações dos participantes do estudo para obter uma melhor compreensão sobre o funcionamento das variáveis e o seu impacto nas marcas-região. Assim, a segunda parte do relatório representa a marca-região e encontra-se dividida em cinco secções. A primeira secção debruça-se sobre o significado e definição da marca-região. As marcas-região do universo em análise têm diferentes níveis de maturidade. Existem regiões, tais como o Algarve ou o Alentejo, que estão claramente estabelecidas e cujo significado é claro para o mercado nacional. Porém, existem outras marcas-região que, por serem criações mais recentes, ainda não se estabeleceram no mercado. Assim, a fase qualitativa foi relevante para interpretar o significado das diferentes marcas-região junto dos consumidores. Contudo, e para que a avaliação quantitativa das variáveis de cada marcaBrandia Central 16 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno região reflectissem o seu correcto espaço geográfico, incluiu-se um mapa no inquérito online, onde claramente se indicava a localização de cada uma das marcas-região. A segunda secção do capítulo refere-se ao Índice de Atractividade da marca-região, indicando qual a relevância das variáveis na explicação da variabilidade do Índice de Atractividade e apresentando a avaliação de cada variável em valor absoluto e em valor relativo (em relação à média nacional). Assim, são introduzidos dois gráficos. O primeiro refere-se à relevância da variável para explicar a variação do Índice, o segundo gráfico apresenta os valores absolutos das variáveis da marca-região em conjunto com a média nacional. A terceira secção encontra-se subdividida em oito subsecções. Cada subsecção avalia e descreve o funcionamento e impacto de cada uma das oito4 variáveis na imagem de cada marca-região. De forma a simplificar a interpretação dos resultados, a avaliação de cada variável é feita em função das outras marcas-região. Igualmente para permitir uma leitura mais facilitada dos resultados, a escala original de likert 1-5 foi convertida numa escala percentual. Assim, as variáveis estão representadas numa escala percentual. Ao longo do estudo procurou-se, igualmente, verificar se a residência dos inquiridos influenciava, ou não, a avaliação das variáveis e a Atractividade de cada marca-região. Assim, num primeiro momento da análise dos dados quantitativos, a amostra foi dividida em quatro grupos diferentes e em função da residência dos participantes do estudo: os residentes do Norte (distritos da região Norte), os residentes do Centro (distritos da região Centro), os residentes de Lisboa (distrito de Lisboa) e os residentes do Sul, que inclui os distritos da região Alentejo e Algarve e alguns distritos da região de Lisboa e Vale do Tejo, tais como os distritos de Setúbal e de Santarém. Num segundo momento, procedeu-se à realização de uma série de testes estatísticos, tais como a A-NOVA (à qual se aplicou os testes Post Hoc de Hochberg e Bonferroni), que permitiram aferir, com um grau de confiança de 95%, se a residência influencia ou não a avaliação das variáveis e da Atractividade de cada marca-região. De facto, no presente estudo concluiuse que a residência pode influenciar a avaliação de algumas variáveis de algumas marcas-região. Contudo, a influência da residência não é genérica para todas as variáveis e para todas as marcas-região pelo que essa avaliação só é exposta quando existem diferenças. Assim, para algumas variáveis de algumas marcas-região, irão surgir avaliações detalhadas de cada grupo de residentes. Na quarta secção, expôem-se as conclusões e implicações do funcionamento das variáveis sobre a Atractividade da marca-região. Na quinta e última secção, apresenta-se uma sinopse das percepções dos residentes dos nove centros urbanos5 onde os dados foram recolhidos. 4 As oito variáveis são: Clima, Paisagem Natural, Paisagem Urbana, Património Histórico, Oferta Hoteleira, Oferta Cultural e Social, Gastronomia e População Local 5 Braga, Porto, Viseu, Coimbra, Leiria, Lisboa - Parque das Nações, Lisboa – Alvalade, Oeiras, Évora e Faro Brandia Central Brandia Central 05 20 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno A Marca Lisboa 07.1 A Marca Lisboa: o seu Significado A região de Lisboa tem como centralidade a cidade de Lisboa. De facto, muitos dos participantes quando questionados sobre a região de Lisboa referiram-se a Lisboa cidade e seus arredores, mas não ao Vale do Tejo. Tendo-se aferido, na fase qualitativa do estudo, um conhecimento diminuto em relação ao que é o Vale do Tejo, decidiu-se elaborar uma análise em separado para a marca Lisboa e Lisboa e Vale do Tejo. Assim esta secção foca‑se em Lisboa. Mulher - Lisboa e Vale do Tejo? Vale do Tejo não diz nada, é só um nome Mulher - A cidade de Lisboa visitamos esporadicamente, ver um espectáculo. Porque é isso o que eu acho o que Lisboa tem de especial… a parte dos espectáculos. De resto, o Vale do Tejo, a Zona de Santarém, não me diz muito. Apesar do Ribatejo ser bonito, em termos de história. Também gostamos dessa vertente. Porém, para alguns participantes Sintra, Cascais e outras localidades são consideradas como fazendo parte de Lisboa. Alguns dos entrevistados associam essas cidades a Lisboa porque consideram que são locais próximos, com fácil acessibilidade e com algum interesse turístico. Brandia Central Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 21 Homem - Vila Franca actualmente pertence a Lisboa…a região de Lisboa a nova concepção de Lisboa chega até…não digo que chegue até Santarém, porque acho que não chega porque ainda falta algumas coisas para chegar a Santarém mas chega perfeitamente até Vila Franca. As pessoas vêm a Lisboa e podem conhecer Vila Franca. Põem-se no comboio e visitam Vila Franca Mulher - Lisboa iria até Cascais, Sintra, Caparica. Fica já um bocado fora de mão, mas pode-se considerar Palmela também como sendo Lisboa…é um sítio interessante e passível de ser visitado. Em termos de Sul acho que Lisboa termina na Expo. Ninguém teria paciência em ir a Loures, não há nada para visitar. Enrtrevistador - A região Lisboa é só Lisboa? Homem - Diria que Lisboa, Cascais e Sintra. Também associo a peculiaridades de Vila Franca, a parte da cultura de rio. Enrtrevistador - Para si a marca “Lisboa” vai até…. Homem - Quem visita Lisboa tem de ir pelo menos visitar Sintra, Estoril, Arrábida… Homem - O problema de Lisboa é que Lisboa não acaba em Lisboa…O que faz o encanto de Lisboa é a linha … Lisboa vai até Cascais. Mulher - Lisboa, por causa dos meios de transporte, a pessoa se está de fim‑de‑semana aproveita para ir a Sintra, Cascais…por isso sim, Sintra pertence a Lisboa. 07.2 O Índice de Atractividade da Marca Lisboa Um das riquezas de Lisboa é a sua associação a locais tais como Cascais e Sintra. Essa associação dá uma maior profundidade à marca. Lisboa foi considerada o quarto destino mais Atractivo no universo em análise. Brandia Central 22 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Índice de Atractividade Alent. Lit. 63,4 Média Nacional 59,1 0 10 20 30 40 50 60 Seis variáveis explicam a variabilidade da atractividade da marca. A variável mais relevante é a Oferta Hoteleira seguida pela Gastronomia, Paisagem Natural, Paisagem Urbana, Oferta Cultural e Social e o Clima Atmosférico. Atractividade de Lisboa explicada Clima Atmosférico 10% Oferta Cultural Social 13% Paisagem Urbana 17% Paisagem Natural 18% Gastronomia 19% Oferta Hoteleira 20% 0% 5% 10% 16% Algumas das variáveis, tais como a População Local, Paisagem Natural, e Gastronomia foram avaliadas abaixo da média. Todas as outras foram avaliadas acima da média. Brandia Central 21% 70 23 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Percepção de Lisboa Património Histórico 74% 91% Oferta Cultural Social 61% 89% Oferta Hoteleira 70% 89% Clima Atmosférico 74% 76% Paisagem Urbana 66% 74% Gastronomia 76% 69% Paisagem Natural 79% 68% Pop. Local(simpatia) 69% 59% 0% 20% 40% Lisboa 60% 80% 100% Média Nacional 07.3 As Variáveis da Marca Lisboa Clima O Clima é uma variável relevante na avaliação da marca Lisboa, explicando 10% da variabilidade da Atractividade da marca. A variável foi avaliada acima da média, obtendo a sexta melhor avaliação no conjunto total dos destinos considerados. O Clima de Lisboa teve uma avaliação claramente acima do Porto e de Lisboa e Vale do Tejo. Brandia Central 24 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 15% 5% 6% 3% 4% 1% -5% LVT 4% -2% -10% -20% Alqueva 11% 0% -15% Porto 18% 20% 10% Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal Norte Portugal Leiria-Fátima Lisboa Algarve Alentejo Clima -2% -9% -12% -8% -15% A “luz” e um clima de cariz mediterrânico foram características utilizadas para definir a marca Lisboa e diferenciá-la dos outros destinos. Entrevistador - O que é que diferencia Lisboa do Porto? Mulher - É a luz. Lisboa é uma cidade mais aberta, tem mais luz e o Porto é uma cidade mais fechada, é mais sombria e o facto de ter muitas casas devolutas… acaba por acentuar mais essa escuridão… Homem - A Baixa lisboeta é única em termos de luz…acho a baixa fantástica. Homem - Lisboa em três palavras? É a luz… Mulher - Gosto de Lisboa no Verão, gosto do Sol, sem Sol Lisboa não tem interesse nenhum. A luz de Verão de Lisboa é muito especial, diferente das outras cidades de Portugal. A residência influencia a avaliação da variável Clima sendo que os residentes de Lisboa foram os que deram uma melhor avaliação à variável. Um melhor Clima é relevante porque abre a possibilidade, por exemplo, para usufruir da actividade “praia”. Brandia Central 25 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno CLIMA Sol Norte 72% Centro 72% Sul 78% Lisboa 79% Cidade para passear Clima Contemplação Luz Praia Paisagem Natural A Paisagem Natural é uma variável relevante para explicar a Atractividade da marca Lisboa. Esta variável explica 18% da variabilidade da Atractividade. Contudo, a sua avaliação está abaixo da média. Brandia Central 26 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Paisagem Natural 25% 15% 10% 21% 20% 20% 16% 11% 11% 3% 5% 0% -5% -10% -7% -15% -13% -20% -8% -10% -13% -11% LVT Alqueva Porto Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal Norte Portugal Lisboa Algarve Alentejo Leiria-Fátima -18% -25% Lisboa está fortemente associada ao rio Tejo. O Tejo, como elemento da Paisagem Natural, é um activo importante da marca Lisboa. Entrevistador - Lisboa é rio? Mulher - Sim, claro. Tem uma capacidade fantástica ao nível da bacia do Tejo. Lisboa é única nesse aspecto, mesmo do outro lado, a zona de Alcochete. Mulher1 - Lisboa tem uma característica óptima que é ter o Tejo que não tem par em mais nenhum sitio da Europa. Mulher2 - O Tejo ser tão largo tem a vantagens e desvantagens mas dá uma respiração á cidade. Lisboa é leveza. É uma cidade fácil. Há coisas abertas a todas a hora, acolhedora nesse sentido. Brandia Central 27 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno O Tejo e as colinas de Lisboa são importantes porque permitem a actividade de contemplação. Mulher - A frente do rio é muito interessante… há a Expo, a Torre de Belém, há muitas esplanadas… é muito interessante. Mulher - Se pensarmos na cidade de Lisboa como sendo do Saldanha para baixo, em direcção ao rio, a Lisboa antiga é muito bonita, a luz, as vistas a partir das colinas… e depois tem outras particularidades, Lisboa é a cidade mais cosmopolita em Portugal… De facto, a variável Paisagem Natural é relevante para a Atractividade da marca mas não tem uma boa avaliação. Os residentes do Norte são os que dão a pior avaliação. PAISAGEM NATURAL Norte 63% Centro 65% Sul 69% Lisboa 72% Assim, poderá ser relevante comunicar aos residentes do Norte e Centro a variável Paisagem Natural. De facto, a Paisagem Natural traduzida nas praias poderá ser um ponto forte para aumentar a Atractividade de Lisboa junto dos residentes do Norte. Homem - Lisboa é muito atractiva em relação a museus, a divertimentos, à noite… a diversão e às praias. Acho que as praias são óptimas, principalmente para quem vem do Norte. As praias são geladas no Norte. Homem - Lisboa… as praias são boas, os hotéis são razoáveis … De facto, Lisboa tem activos importantes, tais como as cidades de Cascais e Sintra, que poderão ser utilizados para reforçar a percepção e melhorar a avaliação da variável Paisagem Natural. Brandia Central 28 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Rio Tejo Lisboa Colinas Paisagem Sintra Floresta Cascais Praia Natural Paisagem Urbana Lisboa tem uma paisagem urbana muito diversificada o que enriquece a oferta da marca. De facto, a variável Paisagem Urbana foi avaliada bastante acima da média. Este é um ponto forte da marca Lisboa já que 17% da variabilidade da Atractividade de Lisboa é explicada por esta variável. Paisagem Urbana 25% 20% 15% 10% 5% 13% 12% 7% 14% 10% 3% 3% 3% 0% -5% -2% -10% -10% -15% Brandia Central LVT Porto Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal -17% Norte Portugal Lisboa Algarve Alentejo Leiria-Fátima -16% -20% -25% Alqueva -20% Actividades 29 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Mulher - A zona de bairros antigos, Alfama, Mouraria e Bairro Alto são muito interessantes porque misturam o antigo com o avant-gard, à parte dos graffitis, conseguem viver bem e conviver. Mulher - Lisboa tem uma identidade mediterrânica que é relativamente única com excepção a cidadezinhas do Algarve…. Não posso dizer que Aveiro ou Coimbra sejam mediterrânicos. Para mim há esse aspecto, quase ligação ao norte de África, não é apenas na arquitectura, há qualquer coisa de ambiente das cidades do norte de África. Apesar dos participantes apreciarem alguns aspectos da Paisagem Urbana, na realidade esta variável terá um duplo impacto na imagem de Lisboa. A densidade da construção e a “confusão”, nomeadamente no que concerne ao trânsito automóvel e à rede viária que serve Lisboa cidade e toda a sua Área Metropolitana, são pontos negativos para alguns consumidores. A avaliação negativa da variável é mais aparente junto aos residentes do Norte e Centro. De facto, a residência dos participantes influencia a avaliação da variável. PAISAGEM URBANA Centro 68% Norte 70% Lisboa 76% Sul 78% Mulher - Aquela zona da Expo está insuportável… já está saturada…. Fomos lá no Natal ficámos num hotel naquela zona e aquelas ruinhas tornaram-se estreitas… já deviam ter parado o crescimento naquela zona… eu achei aquilo insuportável… Homem - Para quem está cá em cima [no Porto], Lisboa é a confusão, a barafunda… Brandia Central 30 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Edificação antiga Autenticidade Estética Agradável Paisagem Urbana Trânsito Concentração Mais pessoas de infra-estruturas a competir pelo mesmo espaço Património Histórico A marca Lisboa tem uma riqueza histórica associada e valorizada pelos participantes, tendo obtido uma avaliação bastante acima da média. A variável teve a melhor avaliação no universo de análise. Património Histórico 30% 25% 23% 21% 20% 15% 12% 10% 10% 5% 20% 3% 2% 0% 0% -5% -10% -15% -12% -20% -16% Brandia Central LVT Porto Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal Norte Portugal Leiria-Fátima -26% Lisboa Alentejo Algarve -23% -30% Alqueva -25% -15% 31 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Mulher - Lisboa é giro para ir de vez em quando… compras… é giro ir lá, não faltam lá coisas para ver. Baixa, aquela baixa pombalina… tem imensa coisa para ver… Mulher - Lisboa tem muita diversidade cultural em termos de oferta de teatro, de cinemas mas também oferta paisagística, oferta arquitectónica e isso torna a cidade de Lisboa muito peculiar…temos a Baixa que é muito alinhadinha, temos a Costa do Castelo que já é ruazinhas e vielas…tem muitos traços antigos. É interessante andar por essas ruazinhas e vielas. Mas a variável Património Histórico da marca Lisboa também beneficia do facto de ser associada a Sintra. Tal como foi referido anteriormente, para muitos dos participantes Sintra faz parte da marca Lisboa. Mulher - Sintra é perto e faz parte, vale a pena ver, para mostrar ao turista. O turista que vai a Lisboa tem de ir a Sintra. Assim, a marca Lisboa poderá melhorar a sua Atractividade se aumentar a relevância da variável Património Histórico. Lisboa Património Diversidade, Histórico Riqueza Sintra Brandia Central 32 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Oferta Hoteleira A Oferta Hoteleira é relevante porque explica 20% da variabilidade da Atractividade da marca Lisboa. A sua avaliação encontra-se 26% acima da média. A variável Oferta Hoteleira da marca Lisboa obteve a melhor avaliação no conjunto de todos os destinos. Oferta Hoteleira 30% 25% 25% 26% 21% 20% 15% 12% 10% 5% 0% -5% -10% 5% 1% 2% -4% -5% -10% -15% -20% -16% -19% -25% -30% -38% -35% -40% -45% LVT Alqueva Porto Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal Norte Portugal Leiria-Fátima Lisboa Algarve Alentejo -50% A Oferta Hoteleira poderá estar a ser influenciada pela percepção do volume e variedade da oferta. Lisboa tem uma série de hotéis de referência tais como o Pestana Palace Hotel, o Ritz-Four Seasons, Tivoli ou hotéis boutique tais como o Hotel Bairro Alto. Os hotéis de Cascais poderão contribuir igualmente para a percepção de uma boa Oferta Hoteleira. Brandia Central 33 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Oferta Cultural e Social Um dos pontos mais fortes da marca Lisboa é a sua Oferta Cultural e Social. A sua diversidade e quantidade são consideradas únicas a nível nacional. A variável Oferta Cultural e Social explica 13% da variabilidade da Atractividade da marca Lisboa. A variável obteve uma classificação acima da média, tendo sido a variável melhor qualificada no conjunto de todos os destinos. Oferta Cultural e Social 50% 46% 40% 36% 30% 20% 13% 9% 8% 10% 0% 0% -2% -9% -13% -17% -17% -18% -30% -40% Porto Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal Norte Portugal Leiria-Fátima Lisboa Algarve Alentejo -36% LVT -20% Alqueva -10% Entrevistador - Qual é o apelo da região de Lisboa? Homem - Em termos culturais Lisboa é completamente diferente do Algarve, do Porto, há muito mais oferta de cultura, temos mais acesso a cinemas alternativos. Entrevistador - Como caracterizaria Lisboa? Mulher - Lisboa beneficiou por ser a capital…. Há muito investimento… começámos a ter mais investimento para o Norte há poucos anos….mas culturalmente o CCB é um centro muito dinâmico, apesar de no Porto tentarmos com a casa da Cultura, também já começa a haver mas uma pessoa que goste de teatro… Lisboa culturalmente tem muito mais oferta… Brandia Central 34 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Mulher - Toda a zona de Lisboa antiga, a zona de Santos, Alcântara, são todas especialíssimas. Há coisas modernas que gosto de ir, há uns shoppings bons, há museus, talvez mais variedade e quantidade. Há casas de espectáculos, espectáculos interessantes. O CCB é muito interessante, embora o Porto tenha a Casa da Música mas é outra escala. Acho que Lisboa passou a ter uma convivência com o rio que é atraente. Mulher - O Porto tem muita coisa, tem o teatro São João, a Ópera, a Casa da Música, mas acho que há uma escala em Lisboa que não há no Porto. Em termos de diversidade e quantidade. Os edifícios são maiores, os museus são maiores… há menos aperto. Mulher - O Chiado é muito especial. Gosto dos shoppings, Saldanha Residence, Amoreiras. Mulher - Lisboa é cosmopolita, é cidade em todas as vertentes. Dá para viver bem onde é uma cidade com um boa oferta a nível da cultura e meios de lazer, se queres fazer alguma coisa com as crianças tens coisas para fazer. Mas Lisboa é também a linha de Cascais. Ericeira já não considero tanto. Costa da Caparica também não considero. Mas também não gosto muito da Costa da Caparica. Lisboa é lazer, é cultura, é movimento. Mulher - Fico com uma melhor noção da oferta turística de Lisboa quando leio aquela revista Time Out. Conseguimos perceber que há em Lisboa oferta cultural além de diversidade, diversos tipos de coisas, há diversos tipos de coisas para diversos estratos e situações sociais. Quem quiser vai ao teatro, vai à ópera, tem uns teatros mais conservadores ou menos conservadores. Mais normais…mas depois também consegue encontrar algum experimentalismo e isso só se consegue encontrar…algum experimentalismo em capitais já com algum desenvolvimento, alguma maturação social. O interessante é que Lisboa com os seus bairros consegue também ter os eventos mais locais, pequenas feiras gastronómicas, feiras de artesanato, feiras de antiguidades. Museus Bares Oferta Cultural e Social Diversa e rica Shoppings Teatros Brandia Central 35 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Gastronomia Um dos atractivos de Lisboa é o de ter uma oferta Cultural e Social diversificada. De facto, Lisboa foi a Marca com a melhor avaliação nesta variável. Contudo o mesmo não se passa com a sua Gastronomia. A variável Gastronomia da marca Lisboa foi avaliada abaixo da média. Gastronomia 25% 20% 23% 18% 13% 15% 10% 5% 5% 7% 4% 8% 0% -5% -10% -9% -15% -15% -20% -8% -11% -13% -25% LVT Alqueva Porto Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal Norte Portugal Leiria-Fátima Lisboa Algarve Alentejo -22% Contudo, a Gastronomia é uma variável relevante para explicar a variabilidade da Atractividade da marca Lisboa. De facto, a Gastronomia é a segunda variável mais relevante para explicar a variabilidade da Atractividade, detendo um peso de 19%. Assim, Lisboa poderá utilizar a diversidade da sua oferta gastronómica para aumentar a Atractividade da marca. Mulher - Vim de fim-de-semana para Lisboa porque Lisboa é a capital e tem imenso que se ver, tem uma oferta cultural muito variada e diversificada e isso permite a uma pessoa que está mais ou menos em Santarém, isolada, um pouco de vida social. Uma pessoa pode encontrar em Lisboa uma diversidade de oferta cultural. Desde logo, não só pelos museus mas também porque a cidade tem, além da luz, tem uma coisa óptima que é ser uma cidade portuária e por isso é uma cidade muito aberta e que dá para caminhar no centro histórico, dá para relaxar e fazer um passeio na zona da Expo ou na outra zona perto de Belém e portanto dá para… dá para passar um fim-de-semana cosmopolita porque a cidade de Lisboa parece mais diversificada em termos culturais. Brandia Central 36 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Relativamente à influência da residência na avaliação da variável Gastronomia, os residentes do Norte e Centro são os que pior avaliam a variável Gastronomia. Os residentes de Lisboa e do Sul são os que avaliam melhor. Uma das razões para uma avaliação mais baixa passa pela falta de conhecimento em relação ao que é a variável. Será importante e necessário comunicar eficientemente este tipo de oferta aos residentes do Norte e Centro, nomeadamente a sua diversidade, um dos pontos mais relevantes da Gastronomia de Lisboa. GASTRONOMIA Norte 58% Centro 64% Sul 74% Lisboa 75% População Local A População Local enquanto variável não explica a variabilidade da Atractividade da marca Lisboa. Este poderá ser, numa primeira análise, um aspecto positivo para Lisboa já que, quando se comparada com todos os outros destinos, a avaliação da variável está abaixo da média. População Local 40% 30% 20% 28% 23% 6% 10% 16% 10% 8% 6% 0% -5% -10% -15% -14% -20% -15% -18% -20% -16% Brandia Central LVT Alqueva Porto Alentejo Litoral Douro Oeste Serra da Estrela Centro de Portugal Norte Portugal Leiria-Fátima Lisboa Algarve Alentejo -30% Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno 37 Contudo, a População Local poderá ser um activo para a marca Lisboa e pode passar a ser utilizada como elemento explicativo para a variabilidade da Atractividade da marca. A variável População Local poderá ser utilizada para veicular uma imagem de cosmopolitismo e de juventude à marca Lisboa, melhorando a experiência de consumo da marca. Para alguns consumidores nacionais essa imagem é relevante e contribui positivamente para a Atractividade da marca. Entrevistador - O Porto é alternativa a Lisboa? Homem - Não, são completamente diferentes. O Porto tem uma identidade muito forte, tem muitos portuenses, pessoas da região Norte, tem um carácter muito bairrista. Lisboa não. É cosmopolita, é a única que temos em Portugal. Uma oferta cultural diversificada, a frente de rio podia ser muito mais bem explorada do que é e depois tem zonas, tem muitas zonas pitorescas. Homem - O que caracteriza Lisboa… o casario, o facto de ser uma cidade bonita e ter muito Sol… tem o mar ali ao lado, o rio, tem monumentos bonitos obviamente, e é uma cidade que tem muitos jovens e isso obviamente rejuvenesce a cidade,,, Mas para que se possa utilizar positivamente a variável, a definição da População Local poderá e deverá ser alargada e incluir, também, a população turística. Essa população, apesar de não ser local, é uma constante e faz parte da definição e do cenário humano que define a marca Lisboa. De facto, é essa população que contribui, em parte, para a imagem de um certo cosmopolitismo que a marca Lisboa já conquistou. Mulher - Eu adoro Lisboa, ir lá, é uma cidade lindíssima, lindíssima e em termos turísticos, as diferenças em relação ao Porto são incríveis porque eu vou a Lisboa em qualquer altura do ano e há sempre milhares de turistas e no Porto não é bem assim, acho que o Porto desde há alguns anos para cá não está a trabalhar bem o turismo. Mulher - Acho que Lisboa está a passar por um período muito interessante que é uma aposta cultural no design. Lisboa está a começar a ter muitas lojas, muitos spots, muitas zonas recatadas…simpáticas. É portanto pelas visitas dos estrangeiros que nós estamos a apostar por um lado em tudo aquilo que é tradicional, nas mercearias, conseguimos transformar as lojas antigas em algo diferente. Numa ideia muito europeia, muito aberta da cultura. Vêm-se umas lojas de t-shirts com umas estampas que não se fazem em mais algum lugar. Portanto, Lisboa consegue ser, por um lado, um bocadinho provinciana, tal como Roma, mas, por outro lado, começa a ter algum glamour como tem Paris, como tem Madrid, como tem Londres…é uma cidade aberta e cheia de povos e culturas e isso é muito interessante. Brandia Central 38 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Um outro ponto relevante na potencialização da variável População Local está ligado às expectativas de consumo. Para quem vem de fora de Lisboa, a possibilidade de se encontrar num ambiente anónimo e diferente do da residência habitual constitui um aspecto relevante. Assim, não só a questão de ter pessoas diferentes contribui positivamente para a marca Lisboa como, também, a possibilidade de se poder “ser anónimo” é igualmente relevante, podendo contribuir positivamente para a Atractividade da marca. Mulher - Lisboa é um espaço com coisas diferentes, com vida, com pessoas diferentes. As cidades de província são mais monótonas na diversidade de pessoas e o que eu acho fascinante nas cidades maiores e cidades com algum trânsito, como é Lisboa… gosto muito se sítios com variedade de pessoas…gosto muito de diversidade, sítios em que se cruzam pessoas no anonimato. Gosto do anonimato que Lisboa oferece…. Relativamente à avaliação da variável, verificamos que os residentes das diferentes regiões a avaliam de forma diferenciada: os residentes do Norte são os que avaliam de forma mais negativa a variável População Local. POPULAÇÃO LOCAL Norte 52% Centro 57% Lisboa 63% Sul 63% Mulher - Nós somos nortenhos…já há diferenças … a nível do povo…as pessoas são diferentes…nota-se perfeitamente. Em termos de comunicação são muito diferentes de nós…são mais fechadas. Mulher - …as pessoas (Porto e Norte) são muito mais acolhedoras, mais simpáticas, comparando com Lisboa. Prefiro ir ao Porto. É o único sitio onde entro numa loja e a vendedora pergunta “Ó menina precisas de ajuda?” As pessoas do Norte são mais francas. Assim, deverá dar-se um novo foco à definição da População Local, reforçando as características do cosmopolitismo, da diversidade e do anonimato. Brandia Central 39 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Heterógenea Cosmopolita Anonimato População Local Mais fria e menos comunicativa 07.4 Conclusões e Implicações A marca Lisboa é definida de uma forma abrangente. Os consumidores incluem na definição da marca Lisboa outros núcleos urbanos tais como Sintra e Cascais. Estes são activos importantes já que conferem à marca um valor de diversidade aumentando, assim, a profundidade e abrangência da marca. De facto, o reforço da associação da marca Lisboa a outros núcleos de interesse, a outras sub-marcas, não só aumentará a Atractividade da marca como, também, a sua capacidade de retenção de consumidores no destino (traduzida no número de noites de estadia). Há, assim, uma possibilidade muito concreta de aumentar o interesse dos consumidores para permanecerem mais noites em Lisboa. O número ideal de noites para permanecer em Lisboa é muito baixo quando comparado, por exemplo, com o Algarve. Em relação ao Algarve 50% dos participantes afirmaram que o ideal seria pernoitar mais de 6 noites no destino. Em Lisboa esse número cai para 5%, tal como o Porto. Número Ideal de Noites 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Zero Noites 1 a 2 Noites Lisboa 3 a 4 Noites Porto Brandia Central Algarve 5 a 6 Noites Mais de 6 Noites 40 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Sabe-se, contudo, que a proposta de valor dos destinos é diferente, sendo que a marca Algarve está associada às férias de Verão e a períodos de férias mais longos. A marca Algarve está associada às férias de Verão (23% do total de associações ao Verão recaiem sobre o Algarve) e a períodos de férias mais longos. Lisboa não tem fortes associações ao Verão, apenas 4% da amostra associa a marca Lisboa ao Verão. Associações ao Verão 18% 4% 2% Alqueva 5% 10% Serra da Estrela Douro Centro de Portugal Algarve Alentejo Alentejo Litoral 0% 4% 7% Porto 2% 7% Oeste 4% 5% 7% Norte Portugal 9% 10% LVT 15% Lisboa 21% 20% Leiria-Fátima 25% Porém, a marca Lisboa tem a oferta e o potencial para ser mais associada a férias de Verão e atrair consumidores para estadias mais longas e que extravasam o período de 1-2 noites (aquele que acolheu a votação da maioria dos participantes: 34%). Assim, cidades tais como Sintra ou Cascais contribuem positivamente para a Atractividade da marca Lisboa. Neste contexto, Cascais será útil para aumentar o valor da variável Paisagem Natural, com as praias do Estoril, por exemplo. Sintra poderá igualmente contribuir para a Paisagem Natural e, também, para a variável Património Histórico, por exemplo. Homem - Lisboa tem ambiente de praia e mar por causa da zona de Cascais. Depois tem um ambiente histórico, seria a velha Lisboa e também acho uma cidade moderna com o Parque das Nações. Uma cidade diferente do centro histórico. Tem vários ambientes diferentes num local só. Consegue ver várias coisas num lugarzinho. Sintra é Lisboa e é outra diversidade, é montanha, clima de montanha. Brandia Central 41 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Oferta Cultural e Social Gastronomia Lisboa Património Histórico Paisagem Urbana Oferta Hoteleira Paisagem Natural Lisboa Património Histórico Oferta Hoteleira Sintra Paisagem Natural Paisagem Natural Cascais Oferta Hotleira O facto de os residentes do Norte serem os que menor atracção expressam pela marca Lisboa (ao contrário dos residentes de Lisboa, os mais atraídos) remete para a necessidade de promover a marca Lisboa junto dos residentes do Norte e Centro. Atractividade da marca Lisboa Brandia Central Norte 62% Centro 65% Sul 67% Lisboa 70% 54 Estudo de Avaliação da Atractividade dos Destinos Turísticos de Portugal Continental para o Mercado Interno Brandia Central