CURSO DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL A
DISTÂNCIA
SOLOS DA REGIÃO DOS CERRADOS: RECONHECIMENTO NA
PAISAGEM, POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES PARA USO
AGRÍCOLA
Geraldo César de Oliveira
Universidade Federal de Lavras - UFLA
Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão - FAEPE
Lavras – MG
2009
Parceria
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS - UFLA
Reitor
Antônio Nazareno Guimarães Mendes
Vice-Reitor
Elias Tadeu Fialho
Pró-Reitor de Extensão
Rubens José Guimarães
Coordenação do Curso
Geraldo César de Oliveira
Coordenação Geral
Ilza Aparecida Gualberto Loureiro
FUNDAÇÃO DE APOIO AO ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Presidente do Conselho Deliberativo da FAEPE
Nadiel Massahud
DIRETORIA
Edson Ampélio Pozza
Afonso de Oliveira Andrade
Coordenação Geral
Débora Cristina Guerra
Editoração
Centro de Editoração/FAEPE
Impressão
Gráfica Universitária/UFLA
NENHUMA PARTE DESTA PUBLICAÇÃO PODE SER REPRODUZIDA, POR
QUALQUER MEIO OU FORMA, SEM A PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DA FAEPE.
2
3
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO.................................................................................
2 CONCEITUAÇÃO DE SOLO...........................................................
3 GÊNESE DO SOLO.........................................................................
4 PERFIL DO SOLO............................................................................
5 LITOLOGIA E SOLOS.....................................................................
6 RELAÇÃO RELEVO, PEDOFORMA E SOLOS .............................
7 VEGETAÇÃO DE CERRADOS E SUA RELAÇÃO COM SOLO E
RELEVO............................................................................................
8 SOLOS DOS CERRADOS...............................................................
8.1 ABRANGÊNCIA DOS SOLOS DOS CERRADOS.....................
9 EROSÃO DO SOLO.........................................................................
9.1 TIPOS DE EROSÃO...................................................................
9.1.1 EROSÃO GEOLÓGICA........................................................
9.1.2 EROSÃO ACELERADA........................................................
9.2 FORMAS DE EROSÃO ACELERADA.......................................
9.2.1 EROSÃO HÍDRICA...............................................................
9.3 MECANISMOS E FASES DA EROSÃO HÍDRICA.....................
9.4 FATORES QUE AFETAM A EROSÃO HÍDRICA.......................
10 CAPACIDADE DE USO DA TERRA..............................................
11 CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................
12 LITERATURA RECOMENDADA...................................................
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PÁGINA
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18
20
27
49
50
50
50
51
52
52
56
58
63
79
80
1
INTRODUÇÃO
A região dos Cerrados, no Brasil, ocupa uma área que corresponde a 25%
do território nacional (Figura 1). Apesar da baixa fertilidade e da acidez dos solos,
em função do clima favorável ao desenvolvimento das culturas, do relevo
suavizado em grande parte da região e do elevado percentual de solos profundos e
friáveis, a região tem aptidão inequívoca para a agricultura tecnificada.
Figura 1. Área de Cerrados no Brasil. Fonte: www.soscerrado.com
5
Devido a estas características favoráveis, atualmente, a região dos
Cerrados ocupa lugar de destaque no cenário agropecuário nacional. É de se
destacar que poucos setores da economia brasileira têm se desenvolvido tanto
como a agricultura.
Salienta-se que, na maioria das vezes, dentro de uma visão econômica
simplista e imediatista, extensas áreas com pouca vocação agropecuária foram
incorporadas ao processo produtivo de forma desordenada e acelerada, com
elevado prejuízo ambiental.
A vegetação tem sofrido profunda e, talvez, irreversível alteração pelo
homem, a ponto de, em algumas áreas de atividade agrícola mais intensa, já ser
difícil observar locais com cerrado nativo.
Da mesma forma, os recursos hídricos vêm sofrendo mudanças profundas e
irreversíveis em curto prazo, haja vista que o uso inadequado do solo tem levado à
diminuição da infiltração da água das chuvas e do assoreamento nas partes baixas
da paisagem. Os prejuízos são para toda a população, em particular no que se
refere à escassez de água, quando se sabe que se avolumam os problemas
relacionados à perenização dos cursos de água, sendo alguns formadores dos
principais rios brasileiros. A principal causa disso é a baixa cobertura vegetal,
associada à destruição da estrutura de alguns solos.
Salienta-se a importância das áreas aptas para a agropecuária, no que se
refere à economia do País, entretanto, a preservação dos ecossistemas naturais,
com ênfase na manutenção dos cursos de água, tem valor inestimável para toda a
sociedade. O fato de as paisagens dessa região possuir um alto valor ecológico,
além do econômico, origina, muitas vezes, conflitos de interesses de difícil solução.
O reconhecimento de solos e sua adequabilidade para os mais diferentes
usos revestem-se de grande importância, pelo fato de ser muito comum o uso dos
mesmos em desarmonia, com perdas de produtividade das culturas, do potencial
curativo de plantas, do potencial de domesticação de inúmeras fruteiras nativas,
além de comprometimento dos demais recursos naturais, particularmente a água.
Com o objetivo de se estabelecer critérios básicos para o reconhecimento
dos solos na paisagem e o balizamento para a avaliação das terras da região
objetivando o melhor uso, é apresentada, neste material didático, uma síntese,
com adaptações, dos conhecimentos existentes sobre os solos da região dos
cerrados.
6
2
CONCEITUAÇÃO DE SOLO
Solo é uma mistura de materiais de origem mineral e orgânica, geralmente
organizados em agregados, entre e dentro dos quais se encontram poros
destinados ao armazenamento e fluxo de ar e água, além de organismos vivos.
As proporções desses componentes determinam diferentes características e
propriedades responsáveis pelo comportamento dos mesmos quando sob manejo,
salientando que uma das principais funções do solo é ser fonte de água e
nutrientes, além de suporte físico para o desenvolvimento das plantas.
Os solos diferem na paisagem pela resistência à erosão, além da fertilidade;
profundidade, trabalhabilidade, etc. Dessa forma, os produtores rurais deveriam
ter uma preocupação especial com os solos, tendo em vista que é a natureza dos
mesmos que determina a adequabilidade de uso desse importante recurso natural
para os mais diferentes tipos de culturas e manejos empregados.
7
3
GÊNESE DO SOLO
Os conhecimentos de gênese dos solos favorecem muito o reconhecimento
dos mesmos na paisagem, na análise de suas propriedades e, conseqüentemente,
de suas potencialidades para uso.
Uma combinação de eventos físicos, químicos e biológicos está envolvida na
formação do solo. A formação do solo inicia-se com a fragmentação física do
material de origem, geralmente, algum tipo de rocha ou outros depósitos
geológicos mais recentes.
O tipo de material de origem, o relevo e o clima determinam o tipo de solo
formado. Fragmentação física e alterações químicas do material de origem são
conhecidas como intemperismo. Oscilações de temperatura, que promovem
dilatação e contração de rochas e minerais, e abrasão, causada por vento e água,
são agentes do intemperismo físico.
Observa-se, na Figura 2a, que o aquecimento ou o resfriamento de um bloco
rochoso podem causar fraturas, pois a expansão, ou a dilatação e a contração
térmica, não se dá de maneira uniforme. Pedaços da rocha podem se desprender
ou, mesmo, sofrer algum outro tipo de alteração, tendo seu tamanho reduzido. As
raízes das plantas crescendo nas fissuras das rochas podem também exercer
pressão suficiente para promover a quebra do bloco rochoso.
Figura 2a. Fissuras em rocha devido
à dilatação e à contração. Coqueiral,
MG. (Foto: Geraldo Oliveira).
Figura
2b.
Liquens
formando
comunidades pioneiras sobre granito.
Coqueiral, MG. (Foto: Geraldo Oliveira).
8
Vento e água podem causar a colisão de pequenas partículas, aumentando o
intemperismo. O formato arredondado de cascalhos e de blocos rochosos às
margens de cursos d’água é prova desse desgaste pelas águas. Além disso, vento
e água removem partículas pequenas para outros locais, onde servirão de material
de origem para a formação de outros solos.
As reações químicas também alteram o tamanho e a composição do material
de origem e participam do processo de “construção do solo”. Reações químicas de
hidratação, dissolução, hidrólise, oxidação e redução promovem o intemperismo
químico de rochas e minerais. Pequenos fragmentos de rochas expostos a
condições atmosféricas podem ter elementos de alguns de seus constituintes
oxidados;
isto
é,
podem,
sob
ação
do
oxigênio
do
ar,
transformar-se
quimicamente, propiciando a formação de outros compostos. Um exemplo desse
tipo de alteração é o surgimento de crosta amarelada ou avermelhada na superfície
daquelas rochas de cor escura. Neste caso, trata-se, principalmente, da oxidação
de ferro do estado de oxidação 2 (Fe2+) para 3 (Fe3+). Podem ser citados como
exemplos de minerais constituintes de rochas de coloração escura e que contêm
Fe2+,
os
piroxênios
((Ca,Mg,Fe,Ti,Al)(Si,Al)O3),
os
anfibólios
((Ca,Na,K)2,3(Mg,Fe,Al)5(OH)2[Si,Al)4O11]2) e as olivinas ((Mg,Fe)2SiO4).
Outros constituintes de rochas podem combinar com moléculas de água,
resultando em hidratação, dissolução e hidrólise. Frequentemente, as moléculas
oxidadas ou hidrolisadas são mais prontamente solúveis em água e, portanto,
podem ser removidas pela água que se movimenta em meio aos fragmentos. A
água das chuvas é ligeiramente ácida, o que pode facilitar a dissolução dos
minerais constituintes das rochas.
Organismos são também importantes agentes de alterações físicas e químicas
das rochas. A pequena camada de material transformado à superfície da rocha,
contendo
compostos
químicos
mais
solúveis,
propicia
a
instalação
e
o
desenvolvimento de diferentes organismos (Figura 2b).
Os primeiros organismos a se instalarem neste material de origem modificado
também contribuem para o processo de fragmentação. Liquens, frequentemente,
formam comunidades pioneiras que alteram quimicamente a rocha subjacente.
Outros tipos
de organismos,
como plantas
e pequenos animais, também
contribuem para o processo, aumentando a quantidade de matéria orgânica que,
incorporada aos pequenos fragmentos de rochas, forma a primeira camada de solo
(figura 2b).
No processo de decomposição e de mineralização, a matéria orgânica pode
suprir, em parte, as necessidades da planta em nutrientes e também aumentar a
agregação
do
material
fragmentado,
promovendo
a
estruturação
do
solo,
responsável, dentre outros, por maior resistência à erosão.
Na Figura 3 é ilustrada a formação do solo, iniciando-se pela instalação de
liquens à superfície da rocha. Esses organismos buscam nutrientes, a exemplo do
9
potássio, indispensável à sobrevivência, dando, em troca, o hidrogênio, por meio de
substâncias orgânicas. Neste caso, uma pequena camada alterada e solta surge na
superfície da rocha. Essa camada representa um ambiente propício à germinação de
sementes e do desenvolvimento de plantas. Em continuidade ao processo, a alteração
atinge camadas cada vez mais profundas e as plantas se desenvolvem em maior
número. A camada recém-transformada apresenta poros e é capaz de armazenar
água que intensifica a dissolução de minerais. Isso faz com que uma camada cada vez
mais espessa de material transformado se forme sobre a rocha.
As
diferenças
em
profundidade,
cor,
estrutura,
textura,
etc.
são
aproximadamente paralelas à superfície e são chamadas horizontes do solo. Todo
esse processo de formação do solo é extremamente lento e exige séculos ou
milênios de trabalho da natureza, enquanto a perda de solo pela erosão acelerada
pode ocorrer em poucos anos, meses ou mesmo dias e horas.
H
+
K
+
Figura 3. Sequência da formação do solo a partir da rocha (Fonte: Silva et al.,
2007)
O solo formado apresenta as fases sólida, líquida e gasosa. Parte da fração
sólida apresenta matéria orgânica, cuja quantidade diminui em profundidade. A
parte mineral é constituída de partículas de areia, silte e argila e a parte orgânica é
composta por material proveniente de restos de plantas e organismos em
diferentes graus de decomposição. Juntos, estes constituintes formam unidades
separadas por planos de fraqueza, chamadas de agregados, constituintes da
estrutura do solo.
Os poros formados entre e dentro dos agregados são
responsáveis pelo armazenamento e fluxo da água e do ar.
As proporções das fases do solo estão representadas na Figura 4. A figura da
direita representa um solo com maior teor de matéria orgânica (25%-30%), em
função de condições ambientais (geralmente drenagem deficiente) que condiciona
a diminuição da taxa de mineralização, causando este maior acúmulo de matéria
orgânica. A figura à esquerda representa um solo bem drenado, cujos teores de
10
matéria orgânica estão em torno de 2%-3% na camada mais superficial.
ÁGUA
MINERAL
ÁGUA
MATÉRIA
ORGÂNICA
M. RGÂNICA
AR
MINERAL
AR
Figura 4. Relação aproximada de volumes das fases sólida, líquida e gasosa do
solo (Fonte: Silva et al., 2007).
11
4
PERFIL DO SOLO
O perfil do solo é formado por camadas de diferentes composições químicas,
tamanho de partículas, teor de matéria orgânica, cor ou outros atributos genéticos
do solo. A essa camada geneticamente formada é dado o nome de horizonte
(Figura 5).
A
B
C
R
Figura 5. Perfil de solo.
A camada mineral mais superficial contém, normalmente, mais matéria
orgânica do que as demais. Esta camada é conhecida como horizonte A (Figura 5).
A espessura do horizonte A pode variar de menos de um centímetro, nas condições
íngremes de montanhas, a mais de um metro, em situações de baixadas e
pradarias. A maior parte dos organismos e nutrientes é encontrada na parte
superior do horizonte A. A parte inferior deste horizonte contém, frequentemente,
menos nutrientes, devido ao fluxo de água que promove a dissolução e o
transporte para camadas mais profundas e/ou a sua remoção do perfil. Este
processo é chamado lixiviação.
O horizonte B contém menos matéria orgânica e organismos do que o
horizonte A. Em alguns solos, nos quais os nutrientes lixiviados do horizonte A se
12
acumulam no horizonte B, este serve de reserva para as plantas que possuem
sistema radicular mais desenvolvido. Situações de topografia mais acidentada
também apresentam solos com horizonte B pouco desenvolvidos (horizonte B
incipiente, Bi), devido à maior quantidade de remoção do material transformado
pela erosão. Nestes casos, os solos são relativamente mais jovens do que aqueles
com horizonte B mais desenvolvido (horizonte Bw).
A translocação de material do horizonte A para o horizonte B pela água, em
alguns solos, também é responsável pela diferenciação dos horizontes. Argila é um
tipo de material que pode ser translocado, dando origem aos solos com horizonte B
argílico (Bt). Neste caso, trata-se de uma camada na qual a permeabilidade é mais
reduzida, podendo, inclusive, limitar o desenvolvimento do sistema radicular de
plantas.
Abaixo do horizonte B se encontra o horizonte C, constituído de fragmentos
de rochas e material pouco intemperizado, considerado o material de origem do
solum (horizonte A e B, acima). Este material de origem não contém matéria
orgânica, mas contribui para algumas propriedades dos solos. A composição
química do horizonte C contribui, por exemplo, para o pH do solo. O horizonte C
pode também influenciar na capacidade de retenção e permeabilidade de água no
solo como um todo. Abaixo do horizonte C se encontra uma camada de rocha mole
e fragmentada chamada de CR; abaixo desta se situa a rocha dura (R).
Solos de regiões desérticas têm pequeno desenvolvimento dos horizontes
devido à pequena quantidade de chuva. Além disso, a menor cobertura vegetal
contribui para que estes solos apresentem baixos teores de matéria orgânica. Em
regiões frias e úmidas, como no caso do norte da Europa, no Canadá, e no sul da
Argentina, pode haver considerável acumulação de matéria orgânica no solo, uma
vez que o processo de decomposição é relativamente mais lento. Além disso, a
acidez desses solos também limita a decomposição da matéria orgânica.
Em regiões de clima quente e úmido, a exemplo da região dos Cerrados, para
a mesma condição de relevo, material de origem e tempo de formação, o
desenvolvimento do perfil do solo é maior, originando solos mais profundos e com
horizontes mais espessos. Nestes solos, a acumulação de matéria orgânica é
menor devido à elevada taxa de decomposição microbiana e os solos são mais
empobrecidos pela remoção de nutrientes por lixiviação.
Uma vez que os fatores que contribuem para o desenvolvimento do solo são
variados, os perfis dos solos são também variados. Na região temperada, os
principais solos estão originalmente sob pastagens e florestas, enquanto que, nas
regiões tropicais, estes se encontram, também, sob os diferentes tipos de
Cerrados.
Além das diferenças causadas por vegetação e clima, a topografia, como já
13
salientado, também influencia o perfil do solo. Em áreas relativamente planas, a
camada formada permanecerá no local, aumentando a profundidade do solo. Em
situações de topografia mais íngreme, o material de solo formado pode ser
transportado por erosão para áreas mais baixas, na mesma taxa em que este é
formado. Nesta situação, a acumulação de material na camada superficial do solo
pode não ser suficiente para suportar o uso agrícola. O material de solo removido
destas encostas é eventualmente depositado nas partes mais baixas.
14
5
LITOLOGIA E SOLOS
As rochas imprimem características marcantes nos solos que originam. É
assim com os arenitos (que originam solos arenosos) e os basaltos (que originam
solos argilosos) que se estendem do sul do país até ao sul do planalto central
brasileiro; com as ardósias, filitos e micaxistos (como na área de Brasília e na
Serra da Canastra); com os quartzitos (como em Diamantina e em outros trechos
do Espinhaço e na Chapada Diamantina); com os calcários de Arcos e Pains, MG,
etc.
Segundo Resende (1990) a associação entre classe de solo e a rocha de
origem pode servir de elemento valioso para se predizer, no campo, ainda que de
forma apenas geral, nos teores (ou níveis gerais) dos elementos que tendem a se
concentrar residualmente. Um exemplo disso é o do Latossolo Vermelho Férrico
(antigo Latossolo Roxo), originado de rochas máficas1, mesmo sob Cerrado, e com
baixíssimos teores de elementos disponíveis, respondem muito bem à adubação
relativamente simples. Tal não é o caso, por exemplo, dos solos desenvolvidos de
rochas pelíticas, a exemplo dos filitos e siltitos, comuns na Serra da Canastra.
Estas rochas pelíticas, dos macroelementos de maior interesse são ricas apenas em
K, sendo pobres em Ca, Mg e P.
Estas rochas possuem muito alumínio na estrutura de alguns minerais que
as compõem. Assim, particularmente nos solos jovens originados destas rochas, há
altos teores de Al trocável; nos solos mais velhos, os teores de Al na solução
tendem a ser menores, pois há a formação de um mineral, denominado gibbsita,
que é pouco solúvel. As formas de vegetação tendem a refletir essas diferenças. Na
região de Brasília, os solos dos topos das chapadas são ricos em gibbsita e, apesar
da vegetação ser cerrado, ela é melhor do que os campos cerrados e os campos
sujos que recobrem os solos mais jovens localizados nas áreas mais acidentadas.
1
São rochas escuras como basalto, diabásio, gabro, etc., ricas em minerais como olivinas, piroxênios,
biotita, anfibólios, etc., minerais que possuem altos teores de Fe, Mg e elementos traços.
15
6
RELAÇÃO RELEVO, PEDOFORMA E SOLOS
O relevo (topografia do terreno) está ligado ao fator tempo na gênese dos
solos, sendo, portanto, de se esperar que na paisagem dos Cerrados onde os
processos de formação são bastante ativos haja um papel crítico muito acentuado
do fator relevo, o grande condicionador da formação dos solos.
Na região dos Cerrados as partes mais velhas (expostas ao intemperismo a
mais tempo) são justamente as grandes e altas chapadas, tão comuns no Centro
Oeste Brasileiro. Nestas áreas ocorrem os solos mais velhos e pobres da paisagem,
quase sempre sustentando a vegetação de Cerrados. Nestes solos as propriedades
físicas também são melhores a exemplo de porosidade; permeabilidade; facilidade
de penetração de raízes, etc.
As partes rejuvenescidas, mais baixas, e na maioria das vezes mais
declivosas, já apresentam solos mais jovens.
Quanto à Pedoforma (topografia do solo), salienta-se que o solo é um corpo
tridimensional possuindo, portanto, forma externa. Ao lado da cor, a pedoforma é a
característica mais visível do solo, e é aquela que mais facilita sua identificação na
paisagem.
Nas grandes chapadas, de pedoforma suave, ocorre solos mais velhos. Os
solos mais jovens situam-se nas partes mais rejuvenescidas da paisagem que
apresenta pedoforma mais dobrada.
Os solos mais velhos têm pedoforma normalmente convexo-convexo,
significando que a curva de nível (curvatura) é convexa e que o perfil (inclinação) é
também convexa. A título de exemplo, uma laranja cortada ao meio apresenta do
lado de fora uma forma convexo-convexo; do lado de dentro (laranja sem o
bagaço) a pedoforma é côncavo-côncavo.
Os solos mais novos tendem a apresentar maior incidência de ravinas. A
pedoforma é mais rupturada (mais descontínua) o que tem implicações na
penetração de água e na mecanização. Salienta-se que uma superfície ravinada
concentra a água em canaletas, em alguns locais, drenando rapidamente outros, o
que diminui a infiltração, aumentando a erosão.
16
Figura 6. Paisagem com pedoforma convexo-convexo no topo, típica de solo velho
(acima da estrada) associado à pedoforma rupturada (ravinada) típica de solo
jovem (abaixo da estrada). Na área de ravinas observa-se a coloração mais clara,
de horizonte C que foi revolvido, demonstrado ser o solo desta área bem raso.
Município de Vargem Bonita – MG. Foto: Geraldo Oliveira
Quando o material de origem já foi muito intemperizado, antes do ciclo atual
de pedogênese, podem-se ter solos muito velhos mesmo num relevo acidentado e
pedoforma mais ou menos ravinada, o que expressa a fase de rejuvenescimento
atual. Neste caso o solo tende a ser mais raso comparado àqueles das chapadas.
7. VEGETAÇÃO DE CERRADOS E SUA RELAÇÃO COM SOLO E RELEVO.
O aparecimento da vegetação de cerrados está condicionado principalmente
à acidez, fertilidade, capacidade de retenção de água e profundidade do solo, além
das queimadas que na região ocorrem de forma espontânea ou provocada. Assim, o
reconhecimento da vegetação auxilia no reconhecimento dos solos na paisagem.
O Bioma Cerrado não apresenta uma cobertura vegetal uniforme, pois no
sentido geral a vegetação de cerrados é um complemento vegetacional onde
podemos encontrar desde campos até florestas, passando gradualmente ou mesmo
bruscamente de uma formação cerrado, cerrado propriamente dito e o cerradão,
além das inclusões de mata ciliar, mata seca, veredas e campos rupestres (campos
pedregosos de altitude).
1. Campo Limpo
17
Formação vegetal caracterizada por campos revestidos maciçamente por
gramíneas, apresentando às vezes arvoretas muito afastadas entre si. Ocorre em
solos rasos e coesos, nos quais há real deficiência de água durante os meses secos.
2. Campo Sujo
Forma degradada de cerrado onde este se mostra composto principalmente
por um campo graminoso, no qual aparecem algumas arvoretas e arbustos muito
afastados entre si, porém com maior freqüência se comparado ao campo limpo.
3. Campo Cerrado
Constitui-se também de uma forma degradada de cerrado, ocorrendo em
solos rasos, às vezes cascalhentos, quase sempre em relevo ondulado ou, mais
raramente, em relevo plano ou suave-ondulado de chapadas. A composição
florística é quase a mesma do cerrado propriamente dito, sendo que a cobertura
vegetal torna-se bem mais baixa reduzindo-se a arbustos sem grande significação.
Ocorrem na Zona do Alto e Médio São Francisco, Alto Paranaíba, Paracatu e
Triângulo Mineiro.
Figura 7.1. Vegetação de Campo Limpo
mesclado com Campo Sujo sobre solo
raso e cascalhento em área próxima às
nascentes do Rio São Francisco. Foto:
Geraldo Oliveira.
Figura 7.2. Vegetação de Campo Cerrado
sobre solo arenoso nas imediações de
Mambaí - GO. Foto: Geraldo Oliveira.
4. Cerrado Stritu Sensu.
O cerrado propriamente dito apresenta geralmente paisagem monótona com
árvores tortuosas, de cascas grossas e gretadas, interrompidas de longe em longe
por uma ou outra árvore de porte mais ereto, emergente.
Freqüentemente o cerrado é composto por três estratos: o arbóreo, que é
aberto e mais ou menos contínuo; o arbustivo e subarbustivo, que se mostra denso
e de composição florística muito variável; e o estrato herbáceo constituído
principalmente por gramíneas. Áreas do cerrado podem ser encontradas nas Zonas
18
de Alto e Médio Jequitinhonha (partes), Montes Claros (sul), Alto e Médio São
Francisco (quase totalidade), Campos das Vertentes (parte), Metalúrgica (parte),
Paracatu (em quase totalidade), Triângulo e Alto Paranaíba (áreas esparsas),
ocupando relevo de plano a suave ondulado. Fazendo parte de sua composição
florística, que de maneira geral mostra-se bastante constante e pouco variável,
vamos encontrar no estrato mais desenvolvido, típico desta formação, arvoretas
com 5-6m de altura, relativamente espaçadas entre si, às vezes tocando-se de
leve.
O estrato arbustivo pode ser muito diversificado, rico e denso em algumas
áreas do Triângulo Mineiro, Paracatu, Alto e Médio São Francisco, geralmente em
área de Latossolos (solos profundos e pobres quimicamente). Pode também
apresentar-se
ralo
e
pouco
representativo
sobre
solos
pobres
ou
que
empobreceram através de práticas condenáveis como o manejo incorreto ou
pastoreio intensivo.
5. Cerradão (floresta mesófila esclerofila)
Cobertura vegetal peculiar que difere do cerrado pelo aspecto silvestre. Além
de possuir uma densidade maior, as árvores não são tão ramificadas quanto neste.
Sua estratificação é composta por três estratos: o estrato arbóreo (denso); o
estrato arbustivo (nítido e não raro denso); e o herbáceo, constituído por algumas
poucas gramíneas. A altura média de suas árvores varia de 3 a 12m, geralmente de
porte bem menos desenvolvido que o de uma mata seca.
Apresenta dois estratos arbóreos distintos, as copas das árvores tocando-se,
mesmo assim havendo bastante espaço entre os troncos para penetração irregular
de luz. Esta vegetação é mais comum em solos velhos e profundos dotados de
alguma fertilidade e/ou com maior capacidade de retenção de água.
19
Figura 8.1. Vegetação de Cerrado Stritu
Sensu.
Figura 8.2. Vegetação de Cerradão.
Conforme salientado a tendência é que Cerradão e Cerrado ocorram nos
solos mais profundos que por sua vez recobrem as partes mais suavizadas da
paisagem. É de se esperar que campo cerrado, campo sujo e campo limpo
recubram os solos pobres, rasos e/ou cascalhentos que na região dos Cerrados
estão relacionados a relevos mais movimentados. Resende (1990) salienta a
tendência de diminuição de fertilidade e aumento de alumínio, alternadamente, na
direção de Cerradão, passando por Cerrado stritu sensu, Campo Cerrado, Campo
Sujo até Campo Limpo.
20
OUTRAS FORMAÇÕES VEGETAIS PRESENTES NOS DOMÍNIOS DO CERRADO
Nas regiões conhecidas como “Domínio do Cerrado”, acham-se presentes
alguns ecossistemas que se constituem como ‘inclusões’ em meio ao cerrado.
Em muitas áreas do Triangulo Mineiro e parte do planalto central brasileiro
se observa uma transição marcante entre a paisagem ao longo dos rios principais,
onde ocorre floresta, principalmente, sobre solos profundos de textura argilosa e
com alguma fertilidade, circundado de Cerrado sobre solo também profundo com
textura variando de média a argilosa e baixa fertilidade. Esta descontinuidade da
vegetação está correlacionada, portanto, com o tipo de solo (Resende, 1990).
Dentre as mais comuns inclusões destacam-se as abaixo descritas.
1. MATA PERENIÓFILA DE GALERIA OU MATA CILIAR
Situada ao longo dos rios e demais cursos d’água menores, além de áreas
abaciadas onde há uma maior retenção e armazenamento de água. Esta vegetação
hoje está reduzida a capões esparsos, representando estações avançadas da mata
atlântica.
2. MATA SECA (floresta mesófila estacional)
Formação florestal sujeita a um ritmo estacional que se traduz pela queda
de suas folhas durante a seca. Acha-se muito associada ao cerradão, diferindo
deste principalmente pelo seu solo ser bem mais rico, pela camada de folhas
mortas que é mais espessa e por se localizar geralmente em depressões onde haja
certa abundância de água.
De forma geral, as formações florestais como o cerradão, a mata perenifólia
e outras formas apresentam-se sempre degradadas pela extração constante de
espécies de maior valor madeireiro.
21
Figura 9.1. Vegetação
Galeria
de
Mata
de
Figura 9.2. Vegetação de Mata Seca.
A vegetação de mata seca muitas das vezes está associada a solos rasos
originados de calcário.
3. VEREDAS
Em depressões e em alguns vales dos rios São Francisco, Pardo, Cocha,
Preto, Claro, Abaeté entre outros, ocorre esta comunidade que possui fisionomia
sempre verde, sendo constituída por um estrato arbóreo arbustivo envolvido por
área graminosa. O estrato arbóreo é quase que exclusivamente representado por
agrupamentos de buritis. São considerados como bacias coletoras de águas
absorvidas pelos platôs adjacentes, funcionando como vias de drenagem. Pelo seu
aterro gradual, aliado ao tipo de solo e à umidade existente, transformaram-se
gradativamente em uma forma típica de floresta, com espécies características, de
porte não muito desenvolvido, conhecidas como ‘matas de alagado.
As áreas de veredas estão associadas aos solos hidromórficos a exemplo dos
Gleissolos e Organossolos.
4. CAMPO RUPESTRE
Ocorrências escassas e geralmente pouco extensas marcam os altos de
serras apresentando-se como campos pedregosos e castigados pelos ventos,
constantes.
Seus
estratos
herbáceos
e
arbustivos
mostram-se
os
mais
desenvolvidos, contando com exemplares das famílias Velosiácea, Eucariaceae e
Melastomatácea, entre outras.
22
Figura 10.1. Vegetação de Campo
Rupestre em área de Neossolo Litólico.
Figura 10.2. Vegetação de Vereda com
presença de Buritis.
Segundo Resende e Rezende (1983) a vegetação campestre está muito
relacionada com os extremos de pedoclima (clima do solo): ou muita falta de
oxigênio (campos hidrófilos, higrófilos e até mesmo pampas), o que diz respeito
aos solos hidromórficos a exemplo do Gleissolo; falta de água (xerófilo); ou
carência mais acentuada de nutrientes, ligada a altos teores de alumínio trocável.
8. SOLOS DOS CERRADOS
Somente a partir de 1981, com a publicação do Mapa de Solos do Brasil na
escala 1:5.000.000, pelo Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de
Solos da EMBRAPA, tornaram-se disponíveis informações generalizadas sobre os
solos da região dos Cerrados. Devido à escala cartográfica empregada na época e à
carência de informações precisas referentes à distribuição dos solos, as unidades
mapeadas foram constituídas por associação de solos em que apenas os
componentes principais são indicados; Entretanto, são muitas as pesquisas
existentes sobre o comportamento das principais Classes de Solos dos Cerrados o que
permite uma descrição dos mesmos.
a) Latossolos
Estes são os solos que formam os grandes chapadões da região dos
cerrados, se apresentando na forma de “terra solta”, em relevo suave, e no geral
23
com grandes problemas de fertilidade.
São solos bem drenados, muito profundos (normalmente a profundidade
ultrapassa os 2 metros), com seqüência de horizonte A, Bw, C pouco diferenciados.
No horizonte B latossólico, os teores de argila permanecem constantes ao
longo do perfil ou aumentam levemente sem, contudo chegar a configurar um B
textural. As cores variam de vermelho muito escuro a amarelado; estas cores são
geralmente escuras no A, vivas no B e mais claras no C. São solos minerais, não
hidromórficos, em avançado estágio de intemperização, virtualmente destituídos de
minerais primários (facilmente intemperizáveis), formados por uma mistura, em
que predominam óxidos hidratados de ferro e/ou alumínio, ou argilo-minerais 1: 1,
de capacidade de troca de cátions (CTC)2 muito baixa.
Características físicas e morfológicas
Os componentes granulométricos principais são argila3 e areia4. A argila varia
de 15 a mais de 80%5. O silte6 apresenta-se relativamente constante quaisquer que
sejam as combinações entre argila e areia, situando-se normalmente entre 10 e
20%. As estruturas dominantes são maciças porosas formadas de agregados
ultrapequenos com formato granular ou em forma de blocos subangulares
(fracamente desenvolvidos).
Estudos sobre a disponibilidade de água indicam que cerca de 2/3 da água
disponível para as plantas, nesses solos, são removidos entre as tensões de 0,06 a
1 kPa, independentemente da textura. Tal fato pode ser explicado pela presença de
estrutura ultra pequena granular nos solos argilosos e muito argilosos, que lhes
confere comportamento semelhante ao dos solos de textura média ou mesmo
arenosa.
Características químicas
Devido à importância dos Latossolos nas atividades agropecuárias da região
dos Cerrados, é de grande interesse a discussão do parâmetro CTC e alguns outros
parâmetros químicos comuns nestes solos.
Existem 3 tipos de CTC:
1- CTC efetiva ou a pH natural do solo
2
Capacidade de Troca de Cátions. Quantidade de cátions (Al, H, Ca, Mg e K) que o solo é capaz de reter.
Argila: partícula com diâmetro menor que 2 micras (0,002 milímetros);
4
Areia: partícula com diâmetro entre 2 mm e 0,05 mm;
5
Os Latossolos podem apresentar textura média (15 a 35% de argila); argilosa (35 a 60% de argila) e
muita argilosa (> 60% de argila).
6
Silte: partícula com diâmetro entre 0,05 e 0,002 mm.
3
24
Corresponde à soma de cálcio, magnésio, potássio e sódio (soma de bases,
SB); mais o alumínio, ou seja, CTC efetiva = SB + Al
Essa CTC efetiva é utilizada no cálculo da retenção de cátions (RC 7) como
um dos critérios de classificação dos Latossolos ácricos (solos muito velhos que
apresentam baixa CTC efetiva).
2-CTC potencial ou a pH 7
Corresponde a SB + Al + H
A CTC a pH 7 é utilizada por exemplo, para calcular a dose de calcário, fundamental
para a correção da acidez, neutralização do Al+++ tóxico e fornecimento de Ca++ e
Mg++ na maioria dos Latossolos.
Na literatura adota-se os seguintes valores de CTC e suas interpretações
para a camada arável do solo (Tabela 1).
Tabela 1. Classificação da capacidade de troca de cátions em solos
CTC potencial ou a pH 7
cmolc kg-1
<4
4-8
>8
Interpretação
Baixa
Média
Alta
Na adubação potássica, recomenda-se parcelamento do potássio quando a
CTC é baixa porque nem todo elemento K é retido pela baixa quantidade de cargas
negativas, e o que não é retido pode ser lixiviado.
A perda da matéria orgânica na camada arável pela queima do forte calor ou
erosão reflete diretamente na redução da CTC da camada arável e o solo fica
menos produtivo ao longo do tempo. Assim, uma grande ênfase deve ser dada à
manutenção da matéria orgânica nestes solos mais intemperizados.
3- CTC pedológica: refere-se à CTC da argila, sem a contribuição da matéria
orgânica, utilizada para se saber qual é a atividade da argila no horizonte B dos
solos.
CTC da argila= CTC a pH 7x100/argila%
Mais de 95% dos Latossolos são distróficos ácidos e com baixos valores de
capacidade de troca de cátions. A importância da CTC nestes solos refere-se não só
a retenção de cátions, mas também de água, além de ter direta relação com a
estruturação e consistência dos solos. Quanto mais intemperizado o solo, menor
sua CTC, por isso os Latossolos tem um dos mais baixos valores de CTC no
horizonte B.
7
RC= SB+ Al / %argila x 100
25
Os valores predominantes de pH nos Latossolos situam-se entre 4,0 e 5,5, o
que caracteriza solos fortes a medianamente ácidos. Estudos comparativos das
camadas superficiais destes solos na região dos cerrados revelaram variações
predominantes entre 0,6 a 1,0 unidades de pH, indicando cargas negativas líquidas
e, conseqüentemente uma predominância de capacidade de troca de cátions sobre
a troca de anions. Isso é, provavelmente, devido ao fato de as cargas negativas do
complexo orgânico ser suficientemente altas para contrabalançar possíveis cargas
positivas, resultantes da fração mineral desses solos.
Nas camadas inferiores com o decréscimo de matéria orgânica, esses valores
são próximos de zero. Os valores de matéria orgânica em Latossolos argilosos
variam de 1,0 a 5,0% (médio a alto) nas camadas superficiais decrescendo até o
valor de 0,3% nas camadas inferiores. Em solos de textura média estes valores são
inferiores.
A matéria orgânica é fonte de nutrientes; aumenta a capacidade de troca de
cátions; aumenta a agregação dos solos, e conseqüentemente sua permeabilidade
à água e enraizamento de plantas, e aumenta a retenção de água que é muito
baixa nestes solos. Ainda assim os valores de CTC nestes solos são muito baixos o
que se deve, possivelmente, aos elevados teores de óxidos de ferro e alumínio e à
elevada acidez desses solos, o que determina a baixa atividade da matéria
orgânica.
Os valores de soma de bases na maioria dos Latossolos são bastante baixos
variando de 0,2 a 3,8 cmolc dm-3.
Os teores de fósforo disponíveis são extremamente baixos, situando-se em
torno de 2 mg kg-1, quando comparados com o nível crítico de 12 mg kg-1 para
solos argilosos. Diversos trabalhos têm demonstrado que a capacidade de adsorção
de fósforo adicionado a esses solos é muito grande.
uma característica marcante do clima dos Cerrados é a interrupção do período
de chuvas estivais, conhecida como veranico. Como os Latossolos possuem baixa
capacidade de retenção de água; são muito ácidos, e são dotados de alta saturação
em alumínio, o efeito da estiagem neste caso é mais acentuado do que nas áreas
onde o volume de solo explorado pelas raízes é maior.
Problemas relativos à baixa capacidade de retenção de água destes solos
podem ser minimizados na medida em que se adotem sistemas em que o solo
esteja sempre coberto por palha, o que contribui para a diminuição da evaporação
e da temperatura do solo e, ao mesmo tempo, ocorre aumento na matéria orgânica
favorecendo o armazenamento de água no solo.
Considerando-se que a quantidade de água disponível para as plantas é tanto
maior quanto mais profunda a camada considerada e que os Latossolos são muito
profundos e porosos, o que condiciona um grande armazenamento de água, uma
26
forma de aumentar a quantidade de água para as plantas é procurar conduzir o
sistema radicular para as camadas mais profundas do solo.
O manejo adequado de adubos, corretivos e gesso como condicionador do
solo, associados ao uso do capim Brachiaria nas entre linhas de café (Figura 11),
tem sido apontado por alguns produtores da região Alto São Francisco como uma
importante decisão para redução dos efeitos negativos da falta de água em
cafezais, particularmente nos anos mais secos.
A
B
Figura 11. Enraizamento abundante de café em profundidade superior a 2,0
metros em perfil de Latossolo corrigido quimicamente (A); e, uso do capim
Brachiaria nas entre linhas de café (B), ambos no município de Bambuí – MG. Foto
Geraldo Oliveira.
Os Latossolos são subdivididos com base na cor. Na classificação brasileira de
solos são reconhecidas quatro categorias de Latossolos: Latossolos Brunos;
Latossolos amarelos; Latossolos Vermelhos e Latossolos Vermelho-Amarelos.
Na região do Alto são Francisco são comuns os Latossolos Amarelos, os
Latossolos Vermelho-amarelos e os Latossolos Vermelhos. Os Latossolos amarelos
apresentam matiz mais amarela que 5YR na maior Parte dos primeiros 100 cm do
horizonte B (inclusive BA); nos Latossolos Vermelho-amarelos a matiz é mais
amarela que 2,5YR e mais vermelha que 5,0 YR na maior Parte dos primeiros 100
cm do horizonte B (inclusive BA). Os Latossolos Vermelhos apresentam matiz igual
ou mais vermelho que 2,5 YR na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B
(inclusive BA).
Para se ter uma noção da importância dos Latossolos Amarelos, Latossolos
Vermelho-amarelos e dos Latossolos Vermelhos no Brasil, na região dos Cerrados,
27
e, particularmente na região do Alto São Francisco na figura 12 é mostrado a
distribuição das principais áreas de ocorrência dos mesmos.
A
B
Figura 12. Distribuição no território Brasileiro dos Latossolos Amarelos e Vermelho
Amarelos (A), e Latossolos Vermelhos (B). Fonte: http://www.dcs.ufla.br/Cerrados
Para exemplificar é apresentada no círculo a região do Alto São Francisco em Minas
Gerais.
O Latossolo Amarelo (LA), Vermelho-Amarelo (LVA) e Vermelho (LV) estão
amplamente distribuído por todo o território brasileiro.
O teor de óxidos de ferro dos LA e LVA extraídos pelo ataque sulfúrico é
geralmente, mas nem sempre, menor que em outros Latossolos. Isso acontece ou
porque o material de origem era pobre em ferro ou porque o ferro foi removido do
solo pela água de percolação. Os LA e LVA podem apresentar todo o tipo de
textura, desde média até muito argilosa. Graças à cor amarela, é relativamente
fácil separar os horizontes. Embora os LA e LVA geralmente tenham vários metros
de profundidade, eles não são tão profundos quantos os Latossolos Vermelhos.
Outra característica interessante é a presença, em alguns Latossolos Amarelos, de
nódulos e concreções avermelhadas. Alguns pedólogos dizem que isso indica que os
LA já foram mais vermelhos, ou seja, no passado eles tinham características
semelhantes aos Latossolos Vermelhos. LA e LVA ocupam 22% da área do Cerrado.
Os Latossolos Vermelhos podem ser divididos em Latossolos Vermelhos férricos
e não férricos. Nos Latossolos Vermelhos não-férricos (LV), o teor de óxidos de
ferro extraídos pelo ataque sulfúrico é menor que 18%. Estes solos ocupam 19%
da área dos Cerrados.
Como se vê (Figura 12), os Latossolos Vermelhos estão concentrados no
sudoeste do Brasil. Os Latossolos Vermelhos não-férricos eram anteriormente
classificados como Latossolos Vermelho-Escuros. A cor vermelha é devida ao
mineral hematita (um óxido de ferro). Existem LV com todo o tipo de textura desde
28
muito argilosa à média. A forte coloração faz com que seja relativamente difícil
separar os horizontes somente com base na cor. O material de origem desses solos
é bem variado desde arenitos até rochas pelíticas, desde que tenham teores
razoáveis de ferro.
b) Neossolo Quartzarênico
A figura 13 mostra a distribuição das principais áreas de ocorrência de
Neossolos Quartzarênicos (RQ) no Brasil. Como se vê eles estão concentrados na
região do Cerrado onde ocupam cerca de 15% da área.
Figura 13. Distribuição dos Neossolos Quartzarênicos no território Brasileiro.
Fonte: http://www.dcs.ufla.br/Cerrados
Estes solos eram anteriormente chamados de Areias Quartzosas. Ao
contrário dos Neossolos Litólicos, os Neossolos Quartzarênicos são muito profundos.
As características principais destes solos, no entanto, é serem completamente
dominados por areia. Como o nome já diz, o mineral da fração areia destes solos é
o quartzo, um mineral extremamente resistente ao intemperismo e desprovido de
nutrientes.
Os poucos nutrientes que existem nos RQ estão concentrados na matéria
orgânica. A cor avermelhada dos RQ é dada por um pouco de hematita, presente
na fração argila. RQ são solos muito homogêneos. A única diferença entre os
horizontes destes solos é devida à presença de matéria orgânica nos primeiros 10
ou 15 cm. O horizonte A é seguido diretamente pelo horizonte C, já que o alto teor
de areia não permite formação de horizonte B.
Na região sudoeste de Goiás (particularmente Jataí, Rio Verde, Mineiros e
Montevidiu) o elevado grau de degradação de algumas paisagens está relacionado
29
em grande parte ao uso desordenado (Figura 14), (CONSÓRCIO IMAGEM – WWF
BRASIL, 2004).
A
C
Figura 14: Perfil de Neossolo Quartzarênico e paisagem com sulcos
profundos em pastagem degradada na região de Jataí – GO
Foto: Geraldo Oliveira
Nestes solos, segundo Motta (1983), o plantio de lavouras anuais, em
condições de sequeiro com exploração contínua não é recomendável. Apesar disso
verifica-se que estes solos arenosos têm sido cultivados intensivamente com soja,
assim como em outras partes da região dos Cerrados (Resck, 1991), o que se
justifica pela facilidade de mecanização e ao fato desses solos possuírem reduzida
capacidade de adsorção de fósforo (Resende et al., 2002) o que diminui o custo de
produção, tornando-os atrativos para a produção agrícola.
É importante destacar que problemas de degradação em áreas ocupadas por
estes solos tem surgido após poucos anos de uso (Cunha et ai., 1996 citado por
spera et al., 1999) o que se deve a vulnerabilidade dos mesmos e a falta de
cuidados especiais visando o controle de erosão hídrica e eólica desde o início da
exploração. É comum o depauperamento total das lavouras nos anos mais secos
tendo em vista a muito baixa retenção de água destes solos.
De acordo com revisão realizada por Spera et al. (1999) estudos realizados
na região de Barreiras, no oeste baiano, onde a ocorrência dos Neossolos
Quartzarênicos
é
muito
expressiva,
mostram
que
as
atividades
agrícolas
atualmente desenvolvidas nesses solos são prejudiciais ao meio ambiente, por
causarem perda de matéria orgânica e argila e lixiviação de fertilizantes para as
30
camadas mais profundas, provocando arenização da cobertura pedológica, além de
destruir a estrutura pouco desenvolvida do solo.
Associados a esses problemas, o desmatamento da vegetação ciliar, o
assoreamento das veredas e a redução acentuada do estoque de matéria orgânica
dos solos comprometeram a estabilidade ambiental da região.
Uma sugestão de uso mais racional em áreas de Neossolos Quartzarênicos é
com sistemas agroflorestais. Estes sistemas associam árvores com pastagens e um
componente animal que pode ser geralmente bovino, ovino ou caprino.
As espécies florestais para consorciação com pastagens devem ser:
perenifólias, crescimento rápido, resistentes ao vento, de sistema radicular
profundo e não oferecer efeitos negativos sobre a pastagem e os animais. Devem
também permitir a produção de forragem de boa qualidade, rebrotar e ter um
manejo florestal conhecido (Baggio, 1983, citado por Spera et al., 1999).
Segundo Spera et al. (1999) em Mato Grosso do Sul a seringueira tem sido
considerada apta para ser cultivada com sucesso em sistemas agroflorestais em
Neossolos Quartzarênicos pois além de minimizar o processo de degradação dos
mesmos, oferece a possibilidade de combinar esta espécie florestal com a produção
agropecuária. Salientam-se os riscos por ocasião da implantação do seringal tendo
em vista a baixa retenção de água destes solos, sendo sugerido que seja previsto a
adoção de irrigação complementar.
Alternativa
que
precisa
ser
mais
bem
estudada
para
os
Neossolos
Quartzarênicos diz respeito ao seu potencial de uso com espécies frutíferas nativas
dos Cerrados.
Naves (1999) estudando a ocorrência de Pequi, Caju, Araticum, Cagaita e
Mangaba em cinqüenta áreas espalhadas por todo o Estado de Goiás, todas
frutíferas nativas com grande aceitação popular e, portanto com grande potencial
para a domesticação, verificou que destas cinqüenta áreas, nove estavam
recobertas por Neossolos Quartzarênicos. Das plantas citadas o Araticum, o Pequi e
a Mangaba ocorreram de forma exuberante em áreas de Neossolo Quartzarênico.
Da Rosa (2004) estudando ambientes de ocorrência e produção do
Pequizeiro no Estado de Goiás destaca a grande produção desta fruteira em uma
área de Neossolo Quartzarênico sob pastagem nativa localizada no município de
Mambaí. Salienta-se, entretanto que o solo desta área apresentou incremento de
argila e de areia fina na profundidade de 180 a 200 cm em relação à camada
superficial, o que levou a autora a considerar a importância da presença de uma
camada de maior armazenamento de água nestes solos na produção da fruteira. De
qualquer forma salienta-se a possibilidade de cultivo de Pequizeiros associados a
áreas de pastagens manejadas de forma racional, podendo ser esta uma boa
alternativa de sistema agro florestal para uso dos Neossolos Quartzarênicos na
31
região dos Cerrados.
As áreas de Neossolos Quartzarênicos que ocorrem junto aos mananciais
devem ser obrigatoriamente preservadas, isoladas e mantidas sem nenhum uso por
força de lei segundo a Resolução do CONAMA 04/85.
c) Argissolos
Os Argissolos ocupam 15% da área do Cerrado. A figura 15 mostra a ampla
distribuição desta classe no Brasil. Estes solos eram anteriormente chamados de
Solos Podzólicos.
Figura 15: Distribuição de Argissolos no Brasil.
Fonte: http://www.dcs.ufla.br/Cerrados
Estes solos (Figura 16) têm como característica principal a presença de um
horizonte B textural (Bt). Esse horizonte B textural é formado pela movimentação
de argila dos horizontes superiores para os inferiores. Como conseqüência, os
horizontes acima do Bt ficam com teores menores de argila e maiores de areia.
Embora existam Argissolos de todas as colorações, a maioria deles tem
cores amareladas. Eles não são tão profundos quanto os Latossolos, mas são mais
profundos que os Cambissolos.
Os Argissolos tendem a ser mais férteis que os outros solos da região dos
Cerrados e a vegetação que os recobre tende a ser mais exuberante (Figura 16),
sendo predominantemente formada por Floresta Tropical Subcaducifólia e Cerradão.
Cerca de 30% dos Argissolos são eutróficos.
32
A
AB
Bt
BC
C
Figura 16.1. Perfil de Argissolo
Vermelho Eutrófico em Coqueiral
– MG. Foto Geraldo Oliveira
Figura 16.2. Paisagem de ocorrência de Argissolo
Vermelho Eutrófico em Coqueiral – MG. Foto Geraldo
Oliveira
Algumas sugestões de uso para os Argissolos devem ser destacadas:
a) Por estarem localizados normalmente em relevo movimentado, mesmo os
Argissolos mais férteis quimicamente, quando sob uso intensivo, tendem a
degradar-se rapidamente, sendo, portanto, necessário a adoção de medidas
conservacionistas eficientes. A degradação ocorrerá mais rápida se o uso for
incoerente com sua capacidade de uso;
b) Em função particularmente da fertilidade química destes solos o uso
racional dessas terras por pequenos produtores rurais talvez seja a alternativa mais
promissora. Salienta-se a necessidade de planejamento e acompanhamento por
instituições públicas de pesquisa e extensão ou mesmo empresas privadas de
colonização
que
indiquem
as
atividades
agropecuárias
e
florestais
do
empreendimento de acordo com a capacidade de uso destas terras.
Nessas terras é possível inclusive a implantação de lavouras anuais em
glebas dotadas de pequeno comprimento de rampa, como sugerido por Resende et
al. (2005), o que é possível pela adoção de medidas de conservação relativamente
simples, a exemplo dos cordões em contorno, pequenos terraços utilizando o
amontoamento de pedras, etc. Um cuidado especial deve ser dado com a
preservação das nascentes e margens de cursos d'água, assim como em qualquer
33
tipo de solo, por razões legais, ambientais e ecológicas;
c) Os sistemas agrossilvipastoris provavelmente são as melhores opções de
uso sustentável desses solos e devem ser priorizados no planejamento do uso dos
mesmos, apesar da pouca tecnologia desenvolvida para esses sistemas.
No Sul de Minas Gerais estes solos são muito utilizados com Cafeicultura;
pastagens e pequenas lavouras de milho e feijão.
d) Cambissolos e Neossolos Litólicos.
Uma das principais características dos Cambissolos e Neossolos Litólicos é
serem pouco profundos e, na região dos Cerrados, muitas vezes cascalhentos.
Estes são solos "jovens" que possuem minerais primários e altos teores de silte
até mesmo nos horizontes superficiais (os Latossolos, por exemplo, podem ter
muita areia ou argila, mas nunca têm teores altos de silte). O alto teor de silte e a
pouca profundidade fazem com que estes solos tenham permeabilidade muito
baixa.
Cambissolos diferenciam-se dos Neossolos Litólicos por apresentarem um
horizonte B incipiente que tem pelo menos 10 cm de espessura. Os Cambissolos
tendem apresentar profundidade de solum maior que os Neossolos Litólicos.
As principais características dos Cambissolos são: teor de argila superior a 15% e
mais de 20% da fração silte na composição granulométrica; na estrutura dos solos não
se observa cerosidade; presença de minerais primários menos resistentes ao
intemperismo.
Características físicas e morfológicas
A textura normalmente varia de franco a franco-argilosa, com ligeiro
predomínio da fração silte. A composição granulométrica é bastante semelhante
nos horizontes A e B, podendo haver um pequeno incremento de argila no B. A
estrutura é bastante variável, predominando blocos subangulares. Ocorrem perfis
desde os sem estrutura até aos com estrutura prismática. Alguns perfis são
cascalhentos ou concrecionários.
Características químicas
Na região dos Cerrados ocorrem tanto os Cambissolos eutróficos, com boa
disponibilidade de nutrientes, quanto os distróficos (Figura 17), de carência
generalizada dos elementos essenciais para as plantas. Nesta região, no geral,
34
estes são solos ácidos, com valores médios de matéria orgânica e teores muito
baixos de fósforo. Os elevados valores de saturação de alumínio (m)
caracterizam esses solos como distróficos ou mesmo álicos; neste caso a
vegetação natural sobre estes solos tende a ser Campo Cerrado; Campo Sujo e
mesmo Campo Limpo. Quando eutróficos a vegetação sobre estes solos é a
mata.
Os Cambissolos distróficos representam mais de 90% da área total da classe.
Esses solos ocorrem predominantemente nas regiões centro-sul de Minas Gerais,
leste e oeste de Goiás, leste de Mato Grosso e no Distrito Federal, normalmente
associado a superfícies dobradas, com presença de ravinamentos (Figura 17.1).
A
Bi
C
CR
Figura 17.1. Vegetação de Campo Limpo
sobre Cambissolo Distrófico no município
de Vargem Bonita – MG, próximo às
nascentes do Rio São Francisco.
Figura 17.2. Perfil de Cambissolo
Distrófico originado de Siltito no
município de Vargem Bonita – MG. Foto
Geraldo Oliveira.
A capacidade de troca de cátions potencial (CTC a pH 7,0) destes solos sob
Cerrado é relativamente alta. Devido aos baixos valores da soma de bases da
maioria desses solos, conclui-se que esta CTC é formada essencialmente pelo
aporte de alumínio e do hidrogênio.
Por serem solos pouco desenvolvidos, os Cambissolos possuem na fração areia,
além de quartzo, minerais primários menos resistentes ao intemperismo, como
Calcita, Olivina, Hornblenda, Biotita e Sericita, dentre outros.
A figura 18 mostra a distribuição das principais áreas de ocorrência de
Cambissolos (azul) associados aos Neossolos Litólicos (vermelho) no Brasil. Como
se vê, eles estão amplamente distribuídos por todo o território brasileiro. Os
35
Cambissolos e Neossolos Litólicos ocupam 10% da área dos Cerrados.
Figura 18. Distribuição de Cambissolos e Neossolos Litólicos no território
Brasileiro.
Fonte: http://www.dcs.ufla.br/Cerrados
Para exemplificar é apresentada no círculo a região do Alto São Francisco em
Minas Gerais.
Os
Neossolos
Litólicos
caracterizam-se
por
apresentarem
perfis
pouco
desenvolvidos, rasos, com horizonte A assentado diretamente sobre a rocha (A, R),
ou sobre um horizonte C de pequena espessura (A, C, R). Comumente teores
elevados de minerais primários menos resistentes ao intemperismo e blocos de
rochas semi-intemperizadas de diversos tamanhos na massa do solo.
Os Solos Litólicos estão relacionados com áreas de relevo movimentado,
situadas nas cristas de montanhas ou escarpas de chapadas. Predominam no
centro-sul do Piauí, sul do Maranhão, nordeste e centro-leste de Goiás, norte de
Minas Gerais, sudoeste da Bahia e oeste de Mato Grosso do Sul.
e) Plintossolos.
Na paisagem esses solos ocorrem em superfícies planas, suavemente
onduladas, especialmente na posição de terço inferior da encosta, ou nas áreas
deprimidas das várzeas (Figura 19). No Brasil grandes áreas de Plintossolos
localizam-se nos estados do Amazonas, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, e nas ilhas
de Marajó e do Bananal. No Cerrado correspondem a cerca de 9%
A característica mais marcante dos Plintossolos é a presença de manchas ou
mosqueados avermelhados, ricos em ferro e de consistência macia, que podem ser
facilmente individualizados da matriz do solo (Figura 19) ou, ainda, de nódulos ou
36
concreções ferruginosos, extremamente duros, que formam, algumas vezes,
espessas camadas contínuas e endurecidas de material ferruginoso (Figura 20). Os
materiais ferruginosos macios, denominados Plintita, formam geralmente um
emaranhado de cores bem contrastante com a matriz do solo.
FIGURA 19: Paisagem de ocorrência e Perfil de Plintossolo sob vegetação de
Cerrado. Fonte: Resende et al.(1988).
As Plintitas são constituídas de uma mistura de argila, pobre em carbono
orgânico, e rica em ferro ou ferro e alumínio, com quartzo e outros materiais. Os
materiais endurecidos são formados a partir das Plintitas de consistência macia,
que endurecem quando submetidas a ciclos sucessivos de umedecimento e
secagem. Ao longo do tempo esse material passa a ser denominado de Petroplintita
somente quando endurece
irreversivelmente. Portanto, a Plintita é um material
precursor da Petroplintita.
FIGURA 20. Perfil típico de Plintossolo Pétrico e paisagem de sua ocorrência na
região de São Miguel do Araguaia - GO. Foto: Geraldo Oliveira.
37
A profundidade de ocorrência, a quantidade e intensidade de cimentação do
material ferruginoso são fatores que condicionam a capacidade de uso destas
áreas. A presença de Petroplintita a pouca profundidade ou em superfície, formando
camadas contínuas e espessas, mais comuns nas terras altas e bem drenadas,
constitui forte limitação ao uso agrícola. Isto porque a permeabilidade do solo, a
restrição por enraizamento das plantas e o entrave ao uso de equipamentos
agrícolas podem se tornar críticos.
Além disto, a baixa fertilidade natural, a elevada acidez e toxicidade por
alumínio, muito comum na classe dos Plintossolos em geral, tornam-nos, neste
caso, inaptos ou com aptidão restrita ao cultivo.
Os Plintossolos situados nas planícies de alguns rios da região dos cerrados,
a exemplo do Rio Araguaia nos Estados de Goiás e Tocantins, apresentam
predominância de Plintita no perfil, sem ou com pouca Petroplintita, que geralmente
permanecem saturados com água ou submersos a maior parte do ano.
Assim, a presença de plintita em profundidade pode constituir um forte
impedimento à drenagem e, com isto, favorecer a manutenção adequada da lâmina
de água ou proporcionar melhores condições de umidade no perfil do solo na época
da estiagem. Esses fatores concorrem para o melhor desenvolvimento do arroz
irrigado por inundação contínua.
Nesses solos, há que se ter cuidado com o dimensionamento dos drenos por
ocasião da drenagem, para que não haja ressecamento excessivo e conseqüente
endurecimento da plintita e formação de Petroplintita, criando, desta forma, um
impedimento mecânico ao escoamento natural de água e ao desenvolvimento de
raízes das plantas cultivadas.
Enquanto que a Plintita e a Petroplintita definem o horizonte plíntico, o termo
concrecionário é usado quando há grande quantidade de Petroplintita nos solos.
Para que o horizonte plíntico
seja considerado como diagnóstico dos
Plintossolos (com limitação física de enraizamento), há a necessidade de ocorrer
nos primeiros 40 cm de profundidade e serem atendidas duas exigências:
quantidade de plintita (maior ou igual a 15% em volume), e espessura (maior ou
igual a 15 cm).
Esse horizonte é diagnostico dos Plintossolos no primeiro nível da hierarquia da
classificação da EMBRAPA (ordem), mas quando não é diagnóstico (ocorre abaixo
de 150 cm de profundidade) adjetiva de plíntico os solos intermediários entre si no
quarto nível categórico (sub ordem). Exemplos de solos intermediários: Argissolo
Amarelo distrófico plíntico, Latossolo Vermelho-Amarelo Eutrófico plíntico.
38
Comparativamente, a água permanece mais tempo no perfil quando o solo é
adjetivado de plíntico porque o horizonte plíntico ocorre numa maior profundidade
agindo como uma barreira física a percolação da água em direção ao lençol freático.
Os Plintossolos (Pétricos e Háplicos), ao contrário, a grande concentração de
plintita nos primeiros centímetros da camada arável são responsáveis pelo rápido
ressecamento.
No extremo noroeste do Estado, nas proximidades da Ilha do Bananal, uma
região é merecedora de total atenção devido a sua vulnerabilidade ambiental. Esta
região está inserida nas unidades geomorfológicas planície do Bananal (67%) e
Superfície do Araguaia (33%), onde os modelados da paisagem basicamente são
formados de Pediplanos e acúmulos do Terraço Fluvial e apresentam relevo
predominantemente plano.
Nesta região são comuns os Plintossolos formados a partir de sedimentos
argilo-arenosos da formação Araguaia, datados do quaternário (CONSÓRCIO
IMAGEM – WWF BRASIL, 2004).
Apesar de a cobertura vegetal na região ainda ser bastante razoável (42%
formada de Cerrados e 22% de florestas), sendo menos de 1% da área utilizada
com culturas anuais de sequeiro, uma atenção deve ser dada para um grande
projeto que vem sendo implantado na região a partir de 1996 em áreas com
problemas de drenagem (CONSÓRCIO IMAGEM – WWF BRASIL, 2004).
O projeto, denominado Luiz Alves do Araguaia, criado sob a lei estadual nº
13.119,
de
16
de
julho
de
1997
(http://www.gabinetecivil.goias.gov.br/leis_ordinarias") previa a implantação de
cerca 15.000 (quinze mil) hectares irrigados por inundação. Embora o cultivo de
arroz fosse o objeto do projeto, por ser esta a máxima aptidão desses solos em
condição de baixa drenagem, e Apesar do Art. 4º da referida lei salientar que a
implantação
do
perímetro
irrigado
seria
precedida
de
projetos
específicos
objetivando, dentre outros o estudos de impactos ambientais voltados para a
preservação do meio-ambiente, há uma tendência dos agricultores do local
drenarem estes solos na tentativa de adaptá-los para o cultivo de culturas de maior
compensação
financeira
(Figura
21).
O
inadequado destas áreas são previsíveis.
39
impacto
ambiental
devido
ao
uso
Figura 21. Uso da grade pesada em área de plintossolo no Projeto de
Irrigação Luiz Alves em São Miguel do Araguaia - GO.
A pastagem é o principal uso agrícola para os Plintossolos com problema de
profundidade efetiva física. O cultivo de arroz de várzea é o maior uso agrícola que
pode ser dado para os Plintossolos que apresentam problemas de drenagem.
Diferir Plintita de Petroplintita no campo é fácil porque só a plintita pode ser
cortada com a faca, pois sua consistência úmida é firme a muito firme, ao contrário
da Petroplintita que é muito firme a extremamente firme quando úmida.
No preparo do solo há excessivo desgaste dos implementos agrícolas,
especialmente nos Plintossolos (Pétricos e Háplicos). A erosão constitui outra
limitação dos Plintossolos quando ocorrem em locais declivosos. Quimicamente
estes solos são distróficos ou álicos.
40
8.1. ABRANGÊNCIA DOS SOLOS DOS CERRADOS
Na tabela 2 são representadas de forma aproximada as principais classes de
solos e o percentual de ocorrência na região dos cerrados brasileiros.
Tabela 2. Principais classes de solos e percentual de ocorrência na região
dos cerrados brasileiros. (Fonte: Goedert, 1987).
Classes
Superfície na região ha
%
Latossolos
93.587.000
46,0
Neossolos Quartzarênicos
30.971.500
15,2
Argissolos
30.767.700
15,1
Neossolos Litólicos
14.813.400
7,3
Cambissolos
6.194.300
3,0
Plintossolos
5.746.000
2,8
Gleissolos
4.075.200
2,0
Nitossolos
3.423.100
1,7
14.181.800
6,9
Outros
Total
203.760.000
41
100
9. EROSÃO DO SOLO
Do ponto de vista agrícola, a erosão do solo pode ser definida como sendo a
remoção física e/ou degradação do potencial produtivo do solo pela água, pelo
vento e outros agentes naturais, resultando na perda deste recurso.
Esta é uma conceituação ampla, pois inclui também a degradação da
estrutura do solo que pode ser causada por vários fatores: impacto direto da gota
de chuva sobre a superfície do solo; encrostamento provocado por super pastoreio;
escorrimento da água sobre o terreno; e, pela compactação provocada por
máquinas e animais, particularmente em condições inadequadas de umidade no
solo.
Outro aspecto, é que em seu processo erosivo a água da chuva, e o vento,
carregam, juntamente com as partículas do solo, os nutrientes adicionados pela
adubação e calagem, além do próprio calcário que leva certo tempo para reagir. Da
mesma forma são carreadas sementes e agroquímicos. Todo o material carreado irá
causar a poluição ambiental, a sedimentação de córregos, rios e represas, além das
estradas, gerando inúmeros problemas econômicos e sociais.
9.1. TIPOS DE EROSÃO
Basicamente existem dois tipos de erosão: erosão geológica e erosão
acelerada.
9.1.1. Erosão geológica
Na superfície terrestre, mesmo sob uma vegetação exuberante, há erosão e
pedogenese8. Nos lugares mais acidentados, a erosão, mesmo natural, é muito
acentuada,
mas
a
pedogenese
também
o
é,
pois
há
minerais
facilmente
intemperizáveis bem próximos à superfície, onde há uma intensa atividade biológica.
Já que a erosão natural é muito acelerada nestes ambientes, apenas uma
pedogenese igualmente acelerada é que poderia manter alguma cobertura terrosa
nestas áreas mais íngremes.
As
enxurradas
causadas
pelas
chuvas,
os
rios
e
os
ventos
vêm
continuamente desgastando a superfície da terra, transportando lentamente as
partículas do solo. A este fenômeno se dá o nome de erosão geológica, ou erosão
lenta. Pela ação da erosão lenta é que foram esculpidos os morros, escavados os
vales, formadas as várzeas e os deltas dos rios.
8
Pedon=solo; gênese=formação.
42
9.1.2. Erosão acelerada
Este tipo de erosão surge quando o homem se põe a cultivar a terra para o
seu sustento, quebrando o equilíbrio até então existente.
Esta é uma das principais causas de depauperamento dos solos. Ela pode
ser tecnicamente definida como a remoção das partículas do solo das partes mais
altas, pela ação da chuva ou dos ventos, e o transporte e deposição destas
partículas para as partes mais baixas do relevo, ou para o fundo dos lagos, rios e
oceanos, de forma intensificada.
Na maior parte do Brasil é, sem dúvida, a erosão hídrica acelerada a grande
responsável pela perda da maior quantidade de terras férteis. Salienta-se,
entretanto, que o vento em algumas áreas descampadas, é muito forte em
determinadas épocas do ano; nestas condições quando o solo é preparado
excessivamente, com conseqüente pulverização, este tipo de erosão é significativo,
principalmente por ter efeito, principalmente, nas partículas mais finas do solo, que
são as mais ativas.
Fig. 22 — As transformações pedogenéticas e a erosão, responsáveis pela modelagem
da paisagem, são maiores nas áreas mais acidentadas. Nas áreas mais planas da região
Centro Oeste do Brasil, onde ocorrem os solos mais envelhecidos, em condições naturais
tanto a pedogenese quanto a erosão são pouco intensas. Fonte: Resende et al. (1985).
9.2. FORMAS DE EROSÃO ACELERADA
Basicamente existem dois tipos de erosão acelerada: a hídrica e a
eólica.
9.2.1. Erosão hídrica
As principais formas de erosão causadas pela água são descritas a seguir:
43
a) Erosão pelo impacto da gota de chuva
As gotas de chuvas atingem a superfície do solo com uma velocidade entre 5
e 15 km h-1, enquanto as águas das enxurradas têm velocidade usualmente não
maior que 1 km h-1. Desta forma, o impacto direto das gotas de chuva num solo
desprovido de vegetação provoca a desagregação das partículas, sendo o primeiro
passo para a erosão. As gotas podem ser consideradas como bombas em miniatura
que golpeiam a superfície do solo, rompendo os agregados e torrões, reduzindo-os
a partículas menores; como conseqüência, a água se torna barrenta, e há uma
diminuição da infiltração no solo, sendo que o excedente de água passa a correr
por cima, provocando outras formas de erosão.
Salienta-se que, estando a superfície do solo recoberta, a maior parte da
energia cinética das gotas das chuvas é amortecida, além de dar uma maior
oportunidade para a infiltração da água, diminuindo assim o processo erosivo.
Figura 23. Esquema mostrando o impacto das gotas de chuva sobre o solo.

b) Erosão laminar
Consiste na remoção gradual de uma fina camada superficial de espessura
relativamente uniforme, cobrindo praticamente todo o declive de um terreno. Isto
ocorre porque, quando a água se movimenta sobre a superfície do terreno, forças
horizontais atuam sobre as partículas na direção do fluxo; essas forças desprendem
as partículas da massa do solo, rolando-as ou arrastando-as fora de sua posição.
É a mais importante forma de erosão hídrica existente, já que as perdas de solo
neste caso superam em muitas vezes as outras. Por outro lado, esta forma de
44
erosão chama menos atenção, em relação às demais, carecendo, portanto, de um
maior cuidado dos técnicos e usuários da terra.
Esta forma de erosão normalmente é notada pela queda de produtividade das
culturas; pelo ajuntamento de material de solo nas partes mais baixas do terreno;
nas plantas, pelo afloramento das raízes, indicando, no caso de plantas perenes, a
profundidade da camada de solo que foi arrastada. Também no próprio perfil do
solo ela pode ser notada, o que se dá pela mudança de coloração na superfície do
solo, devido a perda de matéria orgânica responsável pela cor mais escura.
A erosão laminar arrasta primeiro as partículas minerais mais finas e, a matéria
orgânica, por serem mais leves. Considerando que estas são as partes mais ativas
do solo, podem-se imaginar os seus efeitos sobre a fertilidade do solo.
45
c) Erosão em sulcos
Como as superfícies dos terrenos raramente são lisas e uniformemente
inclinadas, a água dificilmente se move morro abaixo em uma lâmina uniforme. O
que normalmente acontece é que a água além de “lavar” a superfície do terreno,
ela toma o caminho de menor resistência, concentrando em pequenas depressões e
ganhando velocidade à medida que a sua lâmina e a declividade do terreno
aumentam.
Assim, esta forma de erosão, consiste no desgaste do solo em faixas estreitas
dirigidas ao longo dos maiores declives do terreno quando a água acumulada
(enxurrada) concentra-se em alguns pontos do terreno, e atinge velocidade
suficiente para formar riscos mais ou menos profundos.
Na sua fase inicial, os sulcos podem ser desfeitos com as operações normais de
preparo do solo; em um estágio mais avançado, entretanto, eles atingem tal
proporção e profundidade que interrompem o trabalho de máquinas agrícolas.
Essa forma de erosão é a que o usuário da terra presta mais atenção. É
ocasionada por chuvas de grande intensidade em terrenos de elevada declividade,
em grandes lançantes, e em áreas preparadas para o plantio de forma a facilitar o
caminhamento das águas no sentido do declive do terreno.
d) Erosão em Voçorocas
É a forma mais espetacular da erosão, ocasionada por grandes concentrações
de enxurrada que passam, ano após ano, no mesmo sulco. O sulco vai ampliando,
pelo deslocamento de grandes massas de solo, e formando grandes cavidades em
extensão e profundidade.
Salienta-se que quando os diferentes horizontes do solo são de material de
consistência uniforme a voçoroca se desenvolve em paredes mais ou menos
verticais,
e
se
o
material
é
muito
friável,
está
sujeito
a
freqüentes
desmoronamentos. Quando o material do subsolo ou de horizontes mais profundos
é mais resistente que o horizonte superficial, as voçorocas apresentam as paredes
em forma de V.
No estado de Goiás os problemas mais graves relacionados a este tipo de
erosão são registrados na Região Sudoeste, mais especificamente na região das
nascentes do Rio Araguaia, onde já foram catalogadas 17 voçorocas, ao que tudo
indica com suas gêneses no uso inadequado de solos de textura arenosa ou mesmo
de textura média leve. Muitas dessas voçorocas já atingiram o lençol freático, e há
46
relatos de algumas que chegam medir 1,5 km de extensão, por 100 m de largura e
30 m de profundidade.
Fig. 24 — As voçorocas progridem rapidamente, encosta acima, depois que a erosão
atinge o horizonte C profundo, pela falta de coesão entre as partículas neste
horizonte. Fonte: Resende et al. (1985).
e) Deslocamentos e escorregamentos de massa de solo
Esses deslocamentos e escorregamentos de grandes massas de solo são
ocasionados, algumas vezes, pelos cortes feitos nas bases dos morros bastante
inclinados, associados á chuvas concentradas e de alta intensidade.
Este evento também pode acontecer quando o lençol freático aflora na
encosta de um morro, sendo o solo de textura arenosa. Neste caso, quando à
jusante da surgência, as águas de infiltração encontram a camada de solo menos
permeável, elas se movimentam até á nascente, e nela o solo arenoso começa a
desbarrancar por efeito dos solapamentos que a água provocou.
f) Erosão da fertilidade do solo
Este tipo de erosão diz respeito à redução da capacidade produtiva do solo em
função de perdas dos nutrientes destinados às plantas. Salienta-se que este tipo de
erosão pode ocorrer mesmo na ausência da remoção física do solo.
Esta erosão pode ser comparada em magnitude à remoção dos nutrientes
pelas colheitas das culturas, variando com os diferentes elementos: o fósforo é
principalmente perdido com as partículas coloidais, nas quais é adsorvido; mas o
nitrogênio, nas formas de nitritos e nitratos, é muito solúvel, podendo ser perdido
juntamente com a água, superficialmente ou pelo corpo do solo (lixiviação), mesmo
nos casos em que não há remoção física dos solos.
47
Salienta-se que os Latossolos, por serem formados por argilas de baixa
atividade, e os Neossolos Quartzarênicos, devido a textura arenosa, estão mais
sujeitos às perdas de bases devido a baixa capacidade de retenção de cátions,
carecendo de cuidados especiais. Com o intuito de se minimizar as perdas por
lixiviação
nos
Neossolos
Quartzarênicos,
assim
como
nos
Latossolos,
particularmente dos ácricos, o fornecimento do potássio ao solo, além do
nitrogênio, deve ser parcelado.
Por outro lado, em função de diferenças no sistema radicular e eficiência no
aproveitamento de nutrientes por diferentes plantas, a rotação de culturas é prática
recomendável na redução de perdas de nutrientes. Desta forma; o manejo
adequado de plantas é exigência básica no desenvolvimento de um plano de
conservação da fertilidade dos solos.
9.3. MECANISMOS E FASES DA EROSÃO HÍDRICA
Com exceção da erosão eólica, toda remoção de solo exige a presença de
água sobre o terreno, cuja principal fonte é a chuva. Assim, a erosão hídrica tem
seu início com o impacto da gota de chuva sobre o solo, prossegue com a
enxurrada ou deflúvio e termina com a deposição do material arrastado nas partes
mais baixas da paisagem (Figura 11).
FIGURA 25. Esquema dos mecanismos e fases da erosão hídrica.
A desagregação das partículas da massa de solo ocorre devido à energia
cinética das gotas de chuva e da enxurrada. Pelo impacto da gota de chuva, os
agregados se desintegram e partículas de solo são lançadas até 1,5 metros de
distância, podendo atingir até 80 cm de altura.
A energia dissipada pelo impacto da gota de chuva é tão maior quanto maior
for o seu diâmetro e a intensidade da chuva. Devido a esse impacto, há o
desprendimento das partículas dos agregados do solo (minerais e orgânicas). Com
esse desprendimento as partículas ficam mais facilmente transportáveis.
48
Além do desprendimento, o impacto das gotas causa uma compactação
superficial do solo (encrostamento) e a dispersão das partículas coloidais. Em
conseqüência da compactação e da deposição das partículas dispersas nos poros,
há uma diminuição na capacidade de infiltração de água no solo.
Quando a intensidade da chuva for maior do que a infiltração de água no
solo inicia-se a enxurrada. Esse fluxo superficial de água possui certa capacidade ou
competência de transporte e desprendimento de partículas que aumenta com o
aumento do volume, da velocidade e do turbilhonamento da água.
O volume da enxurrada depende da razão infiltração: precipitação, do tempo
de duração da chuva e da posição do solo na paisagem. A velocidade do deflúvio
relaciona-se principalmente com a declividade, o comprimento da rampa e a
rugosidade da superfície.
A deposição do material transportado é muito seletiva. As partículas
menores normalmente são levadas até o sistema de drenagem superficial da bacia
hidrográfica. As maiores partículas, geralmente são depositadas nos vales ou
depressões do terreno.
9.4. FATORES QUE AFETAM A EROSÃO HÍDRICA
A erosão depende da erosividade das chuvas (poder erosivo) e da
erodibilidade do solo. A erodibilidade do solo, por sua vez, depende de vários
atributos do solo como textura, teor de matéria orgânica, estrutura, permeabilidade,
declive, comprimento e forma da encosta.
Assim, a maior ou menor susceptibilidade de um solo à erosão hídrica
(erodibilidade) depende de uma série de fatores dos quais se destaca: chuva;
cobertura vegetal, topografia do terreno; e as características e propriedades deste
solo.
a)
CHUVA
A chuva é um dos fatores climáticos de maior importância na erosão dos solos.
A
capacidade
de
este
fator
provocar
o
desgaste
do
solo
é denominada
erosividade.
Dos parâmetros pluviométricos destaca-se a intensidade, duração, a freqüência
da chuva, e a distribuição sazonal. A intensidade é o fator pluviométrico mais
importante na erosão, entretanto, o tamanho a forma e a velocidade das gotas de
chuvas, influencia diretamente a intensidade, o que acaba por determinar o volume
e a velocidade da enxurrada em um determinado terreno.
49
TABELA 3. Relação entre o diâmetro médio de gotas e a intensidade da chuva.
DIÂMETRO MÉDIO DAS GOTAS (mm)
INTENSIDADE DA CHUVA (mm h-1)
0,75 – 1,00
0,25
1,00– 1,25
1,27
1,25– 1,50
2,54
1,75– 2,001
12,70
2,00– 2,25
25,40
2,25– 2,50
50,80
2,75– 3,00
101,60
3,00– 3,25
152,40
FONTE: Kohnke & Bertrand (1959), citados por Brum et al. (1998)
Embora exista, muitas das vezes, uma correlação positiva entre a quantidade de
chuva e a quantidade de solo erodido, uma mesma quantidade de chuva pode, em
diferentes ocasiões, resultar em diferente quantidade de perda de solo. Por outro
lado, em duas regiões pode cair em um ano a mesma quantidade de chuva, não
significando com isso que a situação seja semelhante, pois em um dos locais pode
ter caído um grande número de chuvas leves e no outro pode ter ocorrido duas ou
três chuvas pesadas que contribuíram com um elevado percentual do total. Neste
caso, é possível que no último local, ocorra erosão mais severa, desde que se
considerem as outras condições semelhantes.
Salienta-se ainda, que a apresentação dos dados diários de chuvas totais,
limitados pelas observações feitas em cada 24 horas, também não tem grande
significado em relação à erosão, pois nunca a chuva se distribui uniformemente no
período de um dia.
A intensidade é a quantidade de chuva que cai (mm) em uma unidade de tempo
(hora).
I = V/T, onde I = intensidade; Q = quantidade e T = tempo.
Quanto maior for I, mais intensa será a chuva, maior a massa de água, maior a
velocidade, maior a energia cinética, e, portanto maior a desagregação e maior a
erosão.
50
TABELA 4. Efeito da intensidade da chuva sobre a erosão do solo.
Chuva
Duração
Intensidade
Perda de solo
Perda de
água
................min..........
........mm h-1....... ........T ha-1............. % da chuva.
30
60
6,0
54
15
120
15,3
64
Fonte: Suarez de Castro, 1956, citado por Brum et al., 1998.
A associação da intensidade com a duração da chuva é que determina a
precipitação total. Para chuvas de mesma intensidade, a chuva de maior duração
irá causar maior quantidade total de chuva e, portanto maior erosão.
Como cada solo tem o seu limite de capacidade de absorção de água, e
ultrapassado este limite o excesso escorrerá sobre a sua superfície, causando
erosão, o conhecimento da quantidade total de chuva (volume total de chuva que
caí em um período de tempo) passa a ser importante.
A freqüência, que é o intervalo de tempo entre duas chuvas consecutivas,
também é muito importante. Se o intervalo for curto, o conteúdo de umidade será
alto e o escorrimento será maior. Se o intervalo for mais longo, o conteúdo de
umidade será mais baixo, e a infiltração será maior, diminuindo assim a enxurrada.
A distribuição sazonal da chuva diz respeito à concentração da chuva em uma
determinada estação, (entre outubro e abril) como ocorre na Região Centro Oeste.
Com isto, a freqüência de chuvas aumenta em uma época do ano, aumentando os
riscos de erosão.
b) COBERTURA VEGETAL E MANEJO DO SOLO
A cobertura vegetal é a defesa natural de um terreno contra a erosão. O efeito
da vegetação pode ser assim enumerado:
a)
Proteção direta contra o impacto direto das gotas de chuva;
b)
Dispersão da água, que é interceptada e evaporada antes que atinja o solo;
c)
Decomposição das raízes das plantas, que formando canalículos no solo,
aumentam a infiltração da água;
d)
Melhoramento
da
estrutura
do
solo
pela
adição
de
matéria
orgânica,
aumentando assim sua porosidade e capacidade de retenção de água;
e)
Diminuição da velocidade de escoamento da enxurrada pelo aumento do atrito
na superfície.
A forma como o solo é usado tem grande influência no processo erosivo, por
deixar o solo mais ou menos recoberto. Quando a chuva cai em um terreno coberto
com densa vegetação, a gota de chuva se divide em inúmeras partículas,
51
diminuindo assim sua força de impacto. Em terreno descoberto, a gota de chuva
provoca o desprendimento e o salpicamento das partículas de solo, que são
facilmente transportadas pela água.
Como exemplos na tabela 5 são apresentados dados de perdas de solo e água,
obtidos na estação experimental do Instituto Agronômico de Campinas, em um solo
sob diferentes usos.
TABELA 5. Efeito do tipo de cobertura do solo nas perdas por erosão.
Tipo de Uso
Perdas
Água
Solo
.......t ha
-
Tempo necessário para desgastar
uma camada de 15 cm de solo
% da chuva .....................anos......................
....
...
0,004
0,7
440.000
0,4
0,7
4.000
0,9
1,1
2.000
26,6
7,2
70
Fonte: Bertoni & Lombardi Neto, 1990
1
Mata
Pastagem
Cafezal
Algodoal
Figura 26.1. Proteção do solo nas entre
linhas de culturas perenes. Foto: Milson
Serafin. Fazendas AP- Pihuin-MG.
Figura 26.2. Controle da braquiária com
rolo faca movido a tração animal.
Foto: Milson Serafin. Fazendas APPihuin-MG.
Por outro lado, a forma como o solo é manejado também tem grande influência
no processo erosivo. Quando se aplicam preparos e cultivos, além do pastejo,
intensivos, pode ocorrer mudanças drásticas na estrutura do solo, ocasionando a
desagregação das camadas superficiais e compactação superficial e/ou sub
superficial, o que facilita sobremaneira a ação erosiva das águas de chuva pelo fato
da água infiltrar e permear pelo corpo do solo com dificuldade, além de encontrar
as partículas de solo soltas.
52
TABELA 6. Efeito do uso e do manejo nas perdas de solo e água em um Argissolo
Vermelho do sul do Brasil.
Tipo de manejo
Perdas
Solo
Água
...t ha-1.....
% da
Sucessão aveia/ tremoço – milho em cultivo
159,11
convencional
Sucessão aveia/ tremoço – milho em semeadura direta
48,79
Sucessão cevada/ aveia – soja em cultivo convencional
127,88
Sucessão cevada/ aveia - soja em semeadura direta
59,29
Fonte: Eltz et al. (1984), citado por Brum et al. (1998)
53
chuva...
18,5
12,9
17,2
14,7
10. CAPACIDADE DE USO DA TERRA
A classificação da capacidade de uso da terra utilizada no Brasil (Lepsch et al.
(1991) visa estabelecer bases para o seu melhor aproveitamento e envolve a
avaliação das necessidades para os vários usos que possam ser dados a
determinada gleba. As classes de capacidade de uso da terra deverão ser utilizadas
como base sobre a qual os fatores econômicos e sociais de determinada área
possam ser considerados ao se planejar modificações no uso do solo.
Para se determinar a capacidade de uso de cada gleba de terra de uma micro
bacia hidrográfica ou propriedade agrícola inicialmente faz-se necessário um
levantamento do meio físico, mesmo que de forma simplificada, analisando aqueles
de maior relevância para o uso racional da terra, sendo os principais a textura, a
permeabilidade e a profundidade efetiva do solo, além de alguns fatores limitantes
particularmente aqueles relacionados com a fertilidade; a declividade do terreno, a
erosão existente e o uso atual. Estes fatores deverão ser devidamente interpretados
e analisados em conjunto objetivando o conhecimento das potencialidades e
limitações da terra.
De acordo com Bertoni & Lombardi Neto (1991) para se proceder a essa
classificação do potencial de uso da terra, os critérios adotados são principalmente,
os seguintes:
a) Conhecimento da vulnerabilidade do solo, em função especialmente de sua
declividade e erodibilidade;
b) da produtividade do solo em função de sua fertilidade, da sua falta ou
excesso de umidade, acidez, alcalinidade etc.;
c) das obstruções ao emprego de máquinas, em função de sua pedregosidade e
profundidade efetiva; dos sulcos de erosão existentes, do encharcamento, etc.;
d) do ambiente ecológico, em função especialmente das condições climáticas,
notadamente o regime pluviométrico.
Segundo os autores, além de tais
considerados
os
dados
e
informações
critérios, é necessário que sejam
obtidos
mediante
a
experimentação
agronômica. Associando-se devidamente todos os fatores levantados, organizando
uma classificação das glebas de cada propriedade, ou bacia hidrográfica, ou
determinada região, em função de sua capacidade de uso.
Meio Físico
1.
Profundidade Efetiva do Solo: é a profundidade máxima do solo favorável
ao desenvolvimento do sistema radicular, armazenamento de água e absorção de
54
nutrientes pelas plantas.
Tabela 7. Classificação da profundidade efetiva do solo
Profundidade – m
>2
1–2
0,5 – 1
0,25 – 0,5
< 0,25
Classificação
Muito profundo
Profundo
Moderadamente profundo
Raso
Muito raso
Em função do tipo de sistema radicular as plantas cultivadas apresentam
diferentes exigências no que se refere à profundidade efetiva do solo. Como
exemplo, a profundidade efetiva do solo para o cafeeiro está em torno de 1,20m,
isto para regiões cujo clima apresenta boa distribuição de chuvas durante o ano
como ocorre em anos normais no centro sul do Brasil; maiores períodos de seca
exigem maior profundidade do solo (Guimarães e Lopes, 1986). As pastagens
podem ser bem manejadas mesmo em solos rasos a moderadamente profundos,
desde que não haja limitação de água e nutrientes.
2.
Fertilidade do solo: refere-se a capacidade do solo em suprir as plantas
em nutrientes, representando a capacidade do solo em sustentar a produção
agrícola.
Lepsch et al. (1991) classificam o solo quanto a fertilidade em muito alta;
alta; média; baixa e muito baixa levando em consideração a capacidade do solo em
manter a produtividade durante algum tempo; esta classificação é utilizada em
países de clima frio onde é comum a ocorrência de solos férteis em condições
naturais. Para as condições brasileiras os autores alertam para a necessidade de
análise de resultados analíticos de amostras de solos, mas que estes são difíceis de
interpretar se não estiverem correlacionados com dados de produção de culturas
em condições de campo.
Salienta-se que os solos podem apresentar grandes diferenças em seus
atributos
morfológicos,
químicos,
físicos
e
mineralógicos
tornando
difícil
o
julgamento seguro sobre os dados isolados de análises químicas como indicadoras
da capacidade do solo suprir as plantas com nutrientes.
Particularmente na região dos cerrados, na maioria dos solos só se observa
produtividades elevadas de plantas quando a fertilidade dos mesmos é construída
pelo uso de corretivos e fertilizantes. Nesta região o caráter eutrófico e distrófico
a princípio poderiam ser utilizados no julgamento da fertilidade do solo,
entretanto existem limitações da aplicação do conceito de eutrofia em
conotação com a fertilidade principalmente dos Neossolos Quartzarênicos e
55
Latossolos altamente intemperizados. Nestes solos devido aos baixos valores
de CTC, pequenos valores de soma de bases podem resultar em V > 50% e
indicar solos eutróficos de baixa fertilidade natural. O conceito de eutrofia
também não permite inferências a respeito de disponibilidade de nutrientes
essenciais como o nitrogênio, fósforo, enxofre e alguns micronutrientes.
Ramalho Filho e Beek (1995) apresentam uma classificação que leva em
consideração a soma de bases e a saturação por bases ao longo do perfil, e o teor
de alumínio trocável, a condutividade elétrica do estrato de saturação e a saturação
de sódio na camada arável. Segundo Oliveira (1992) o potencial nutricional do solo
pode ser determinado com base no relacionamento entre saturação em bases (V%)
e a capacidade de troca de cátions (CTC). O solo para ser considerado fértil deve
apresentar saturação por bases acima de 50% (solo eutrófico); capacidade de troca
de cátions acima de 8 cmolc dm-3 (CTC elevada); o teor de fósforo disponível
considerado adequado no solo depende da textura sendo: > 8 mg.dm3- para os
solos muito argilosos; > 12 mg.dm3- para os solos argilosos; > 20 mg.dm 3- para os
solos de textura média e > 30 mg.dm3- para os solos arenosos. Naturalmente é
fundamental um perfeito balanço entre os nutrientes no solo, o que varia de cultura
para cultura.
Como neste material a ênfase vem sendo dada aos solos dos Cerrados onde
a condutividade elétrica e a saturação por sódio normalmente é muito baixa, como
sugestão na Tabela 7 é apresentada uma classificação simplificada da fertilidade
dos solos dos Cerrados tendo por base a saturação por bases; a saturação por
alumínio, e a CTC efetiva e potencial dos solos.
Tabela 8. Classificação dos Solos dos Cerrados quanto a limitação da
Fertilidade9.
Saturação por
alumínio - %
> 75
50 – 75
30 – 50
15 – 30
< 15
CTC efetiva
mmolc dm-3
<1
1–2
2–4
4–8
>8
CTC potencial
mmolc dm-3
<2
2–4
4–8
8 – 15
> 15
Saturação por
bases - %
< 20
20 – 40
40 – 60
60 – 80
> 80
Limitação
da
fertilidade
Muito Forte
Forte
Moderada
Ligeira
Nula
3. Pedregosidade: Diz respeito ao percentual de cascalhos, calhaus,
matacões ou rochosidade que interfere no uso do solo, particularmente na
9
Os parâmetros CTC efetiva e CTC potencial serão considerados críticos nesta classificação
tendo em vista a dificuldade de correção.
56
mecanização.
Tabela 9. Classificação dos Solos quanto a pedregosidade10.
Percentual de partículas grosseiras
na massa de solo
< 15% ou 0,01% da superfície
15–30%
(limitando
infiltração
e
mecanização)
>50%
0,01–1% da superfície com matacões
1-10% da superfície com matacões
10-90% da superfície com matacões
2-15% da superfície com rochas
15-50% da superfície com rochas
50-90% da superfície com rochas
Classificação
Sem pedras
Cascalhentos
Extremamente cascalhentos
Com matacões
Abundância de matacões
Excessivamente com matacões
Solo rochoso
Solo muito rochoso
Solo extremamente rochoso
4. Permeabilidade e drenagem interna: é a propriedade que representa
uma maior ou menor dificuldade com que a percolação da água ocorre
através dos poros do solo. Nos materiais granulares não coesivos como as
areias, por exemplo, há uma grande porosidade o que facilita o fluxo de
água através dos solos, enquanto que nos materiais finos e coesivos como
as argilas11, ocorre o inverso.
10
Cascalhos: partículas com ǿ entre 2 e 20mm; matacões:
200mm; rochas: partículas com ǿ > 200 mm
11
partículas com ǿ entre 20 e
Como já comentado, os Latossolos mais intemperizados, mesmo os mais argilosos
apresentam permeabilidade próxima à de Neossolos Quartzarênicos devido ao tipo de argila
presente e a estrutura granular, típica destes solos.
57
Tabela 10. Limites aproximados de permeabilidade para definição das classes de
permeabilidade e drenagem interna dos solos (Adaptado de USDA,
1951).
Valor permeabilidade mm h-1
Classificação.
Permeabilidade
Drenagem
<1,25
1,25-5
5-75
75-250
>250
5.
interna
Deficiente
Pobre
Moderada
Adequada
Excessiva
Muito Lenta
Lenta
Moderada
Rápida
Muito rápida
Declividade do terreno: O relevo influencia o escoamento das águas de
chuva em diferentes trajetórias sobre o terreno, desta forma a declividade se
destaca como um dos principais responsáveis pelas perdas de solo.
Com base na declividade do terreno classifica-se o relevo (tabela 10). As
distinções são empregadas para prover informações sobre praticabilidade de
emprego
de
equipamentos
agrícolas,
susceptibilidade dos solos à erosão.
58
e
facilidade
de
inferências
sobre
Tabela 11. Classificação do relevo de acordo com Embrapa (1999).
Declividade
%
Classificação
Comentários
0-3
do relevo
Plano
Terreno
3-8
Suave
desnivelamentos são muito pequenos;
Terrenos pouco movimentados constituído
ondulado
conjunto de colinas ou outeiros
Ondulado
suave;
Terrenos
8-20
com
topografia
pouco
horizontal,
movimentados
12
onde
os
por
com declive
constituída
por
conjunto de colinas ou outeiros com declives
20-45
45-75
Forte
moderados;
Terrenos movimentados constituído por conjunto
ondulado
de outeiros ou morros13, e raramente colinas, com
Montanhoso
declives fortes;
Terrenos muito movimentados com predomínio de
formas acidentadas, usualmente constituídos por
morros,
montanhas,
alinhamentos
maciços
montanhosos
montanhosos
e
apresentando
desnivelamentos relativamente grandes e declives
>75
Escarpado
fortes ou muito fortes;
Terrenos com predomínio de formas abruptas
compreendendo superfícies muito íngremes.
6. Erosão: desgaste provocado pelas águas da chuva. Considera-se nesta
classificação a erosão laminar; a erosão em sulcos e as voçorocas.
6.1. Área com Erosão Laminar Ligeira: quando menos de 25% do horizonte
A já foi removido, ou quando o solo ainda apresentar mais de 15 cm de
horizonte A;
6.2.
Área com Erosão Laminar moderada: quando entre 25-75% do
horizonte A já foi removido, ou quando o horizonte A apresentar entre 5-15 cm
de profundidade;
6.3. Área com Erosão Laminar severa: quando mais de 75% do horizonte A
já foi removido, ou quando o horizonte A apresentar menos de 5 cm de
profundidade;
6.4. Área com Erosão Laminar muito severa: quando todo o horizonte A já
foi removido e o horizonte B já foi afetado;
12
13
São elevações com altitudes relativas até 50 m e de 50 a 100 m, respectivamente.
São elevações com altitudes relativas de 100 a 200 m
59
6.5. Área com Erosão Laminar extremamente severa: quando a maior
parte do horizonte B já foi removido e o horizonte C já foi afetado;
6.6. Área com Erosão em Sulcos Ocasionais: quando a área apresenta
sulcos distanciados em mais de 30 metros;
6.7. Área com Erosão em Sulcos freqüentes: quando a área apresenta
sulcos distanciados em menos de 30 metros, porém afetando menos de 75% da
área;
6.8. Área com Erosão em Sulcos muito freqüentes: quando a área
apresenta sulcos distanciados em menos de 30 metros, e mais de 75% da área
já foi afetada;
6.9. Área com Erosão em Sulcos superficiais: quando os sulcos podem ser
desfeitos com o preparo do solo;
6.10. Área com Erosão em Sulcos rasos: quando os sulcos não podem ser
desfeitos com o preparo do solo, mas ainda podem ser cruzados por máquinas;
6.11. Área com Erosão em Sulcos profundos: quando os sulcos não podem
ser cruzados por máquinas, mas ainda não atingiu o horizonte C;
6.12. Área com Voçorocamentos: As voçorocas são sulcos muito profundos e
normalmente muito largos, já atingindo o horizonte C.
Os principais atributos ligados a solo, relevo, erosão e cobertura vegetal são
condicionadores da capacidade de uso do solo, uma vez que a utilização racional
terá que levar em conta a potencialidade de exploração de cada gleba.
Sem dúvida, quanto mais bem estudado for o solo e quanto maior o número
de detalhes e indicações recolhidas no seu levantamento, tanto mais corretas serão
as bases para um planejamento de seu uso racional.
Todas as terras produtivas podem ser divididas em duas categorias: (a) as que
garantem uma colheita satisfatória por determinado período de cultivo sem danos
ambientais, e, (b) as que precisam estar cobertas com vegetação permanente para
produzir lucro satisfatório sem degradação ambiental. Deve-se, portanto, em uma
classificação de terras determinar em qual categoria uma gleba se enquadra. A
essas duas, pode-se acrescentar uma terceira categoria: a das terras que são tão
pobres ou tão limitantes, o que exclui qualquer possibilidade de uma exploração
racional.
Basicamente as terras podem ser agrupadas nas seguintes categorias: (a)
cultiváveis; (b) cultiváveis apenas em casos especiais de algumas culturas
permanentes e adaptadas em geral para pastagens ou florestas: e, (c) terras que
não se prestam para vegetação produtiva. As classes de capacidade de uso são
baseadas nessas três categorias.
60
A classificação convencional, aceita universalmente, abrange oito classes de
capacidades de uso do solo, sendo quatro de terras de cultura (Grupo a), três de
terras de pastagens e reflorestamento (Grupo b) e uma de terras impróprias para
uso produtivo.
As classes de capacidade de uso são caracterizadas, em termos gerais, apenas
do ponto de vista das condições físicas da terra, ou seja, das condições inerentes
do solo e ecológicas locais. Não são consideradas as condições econômicas e sociais
do proprietário para o condicionamento da potencialidade de exploração do solo,
embora o sejam na elaboração dos planejamentos especiais de áreas ou de
propriedades agrícolas.
As características das oito classes de capacidade de uso do solo são as
seguintes:
Classe I. Terras cultiváveis permanente e seguramente, com produção de colheitas
entre médias e elevadas, das culturas anuais, sem práticas ou medidas especiais. O
solo é profundo e fácil de trabalhar, conserva bem a água, é medianamente suprido
de elementos nutritivos, o terreno tem declividade suave, e podem ser cultivadas
sem práticas especiais de controle da erosão.
Classe II. Terras cultiváveis que requerem uma ou mais práticas especiais para
serem cultivadas segura e permanentemente, com a produção de colheitas entre
médias e elevadas das culturas anuais: A declividade pode ser suficiente para
correr enxurrada e provocar erosão. O solo pode ter alguma deficiência que possa
limitar a sua capacidade de uso: algumas naturalmente encharcadas podem
requerer drenagem; podem não ter boa capacidade de retenção de umidade;
algumas práticas conservacionistas são necessárias, tais como plantio em contorno,
plantas de cobertura, culturas em faixa, ate mesmo terraços. Em alguns casos,
pode necessitar a remoção de pedras e utilização de adubos e corretivos.
Classe III. Terras cultiváveis que requerem medidas intensivas ou complexas, a fim
de poder ser cultivadas, segura e permanentemente, com a produção de colheitas
entre médias e elevadas das culturas anuais. A topografia moderadamente inclinada
exige cuidados intensivos para controle de erosão; a drenagem deficiente exige
controle da água; a baixa produtividade requer práticas especiais de melhoramento
do solo. São enquadradas nessa classe as melhores terras, não irrigadas, de
algumas regiões semi-áridas.
Classe IV. Terras que não se prestam para cultivos contínuos ou regulares, com
produção de colheitas médias ou elevadas das culturas anuais, mas que se tornam
apropriadas, em períodos curtos, quando adequadamente protegidas. São de
declive íngreme, erosão severa, drenagem muito deficiente, baixa produtividade, ou
qualquer outra condição que a torna imprópria para o cultivo regular. Em algumas
regiões, onde há escassez de chuva, as culturas sem irrigação não são seguras.
61
Classe V. Terras que não são cultiváveis com culturas anuais, sendo especialmente
adaptadas para algumas culturas perenes, para pastagens ou para reflorestamento.
São terras praticamente planas com problemas de encharcamento, ou alguma
obstrução permanente como afloramento de rochas. O solo é profundo e as terras
têm poucas limitações para uso em pastagens ou silvicultura, podendo ser usadas
permanentemente sem práticas especiais de controle de erosão ou de proteção do
solo.
VI. Terras que não são cultiváveis com culturas anuais, sendo especialmente
adaptadas para algumas culturas perenes, para pastagens ou reflorestamento. São
terras que apresentam problemas de pequena profundidade do solo ou declividade
excessiva. Em regiões áridas e semi-áridas, a escassez de umidade é a principal
causa para o enquadramento na classe.
Classe Vll. Terras que, além de não serem cultiváveis com culturas anuais,
apresentam severas limitações, mesmo para pastagens ou para reflorestamento,
exigindo grandes restrições de uso, com ou sem práticas especiais. Requerem
cuidados extremos para controle da erosão.
Classe VIII. Terras não cultiváveis com qualquer tipo de cultura e não se prestando
para o uso com floresta ou para produção de qualquer outra forma de vegetação
permanente de valor econômico. Prestam-se apenas para proteção e abrigo da
fauna silvestre, para fins de recreação ou de armazenamento de água em açudes.
São áreas extremamente áridas, declivosas, pedregosas, arenosas, encharcadas ou
severamente erodidas. São, por exemplo, encostas rochosas, terrenos íngremes
montanhosos ou de afloramento rochoso, dunas arenosas da costa, terrenos de
mangue e de pântano.
Para facilitar na determinação de capacidade de uso de cada gleba, deve-se,
em cada levantamento, organizar uma tabela indicadora das combinações de
fatores condicionadores da capacidade de uso do solo que podem ser encontrados
em cada classe. Para orientação dos técnicos planejadores, é de ajuda a
organização
de
listas
de
recomendações
para
as
principais
práticas
conservacionistas a adotar em cada classe de capacidade de uso do solo e em cada
modalidade de exploração.
Com
base
na
análise
dos
cinco
parâmetros
(profundidade
efetiva;
pedregosidade; fertilidade; drenagem interna do perfil do solo, declividade do
terreno e erosão) na tabela 11 é apresentada uma simplificação de classificação das
terras no sistema de capacidade de uso.
62
Tabela 12. Simplificação da classificação das terras no sistema de capacidade de
uso utilizada no Brasil segundo Lepsch et al., (1991).
Parâmetro
Limitação
da
Fertilidade
do solo
Profundida
de
Efetiva
Classe
de
declive
Grau
Classe
Parâmetro
Nulo
I
Ligeira
I
Moderada
II
interna
Forte
III
perfil
Muito forte
Grau
Classe
Excessiva
II
Adequada
I
Moderada
II
Pobre
III
VI
Deficiente
V
>1m
I
Ausência
I
0,5-0,99m
II
<1%
II
0,25-0,49m
IV
1-10%
III
<0,25m
VI
11-30%
IV
31-50%
VI
>50%
VII
Drenagem
do
Pedregosidade
0-2%
I
Não aparente
I
2,1-5%
II
Ligeira
II
5,1-10%
III
Moderada
III
10,1-15%
IV
Severa
VI
15,1-45%
VI
Muito severa
VII
>45%
VII
Extremament
VIII
Erosão Laminar
e severa
Ocasionais
II
Ocasionais
III
Sulcos
Freqüentes
III
Freqüentes
IV
superficiais
Muito
IV
Muito
VI
Sulcos rasos
freqüentes
freqüentes
Ocasionais
IV
Sulcos
Freqüentes
VI
profundos
Muito
VII
Voçorocas
VIII
freqüentes
As classes de capacidade de uso das terras podem não ter um caráter
permanente, pois as modificações naturais sofridas pelo solo ou a introdução de
novas práticas de manejo podem deslocar uma gleba de uma para outra classe de
capacidade de uso, porém a avaliação da capacidade de uso se baseará nas
condições existentes por ocasião do levantamento.
Como referência considera-se como solo ideal aquele que apresenta
profundidade efetiva suficiente para expansão do sistema radicular das plantas, ou
seja, apresenta profundidade sem limitações químicas e físicas de mais ou menos
63
150 cm; assim, este solo deve apresentar fertilidade química relativamente alta,
com atributos que facilitem a correção de eventuais deficiências.
O solo ideal deve apresentar ainda boa capacidade de retenção e
armazenamento de água em forma disponível às plantas, sem problemas de
excesso. Desta forma este solo deve apresentar boa drenagem interna, não
apresentando,
portanto
deficiência
de
oxigênio,
além
de
outras
condições
ambientais a exemplo de condições térmicas adequadas para o crescimento e
desenvolvimento das culturas. Deve apresentar baixa erodibilidade; deve estar
situado em relevo favorável à mecanização e localizado em relevo que não o
predisponha à erosão. Este solo deve apresentar ausência de outros impedimentos
a exemplo de pedregosidade.
A maioria das estradas deverá ser protegida com bacias de contenção. As
propriedades deverão ser planejadas globalmente de modo a ficar protegidas desde
as cabeceiras dos morros até o leito dos córregos.
Juntamente com os tipos de exploração, serão recomendadas as práticas
conservacionistas. Assim, pomar e cafezal, com o plantio em contorno ou com os
terraços de base estreita: a cultura anual, cultivada em contorno e protegida com
os cordões de vegetação permanente ou terraceamento; a pastagem, com sulcos
de retenção de umidade e etc.
A definição de classes de capacidade de uso das terras por si só reflete o
quadro de fatores do meio físico, constituindo-se em importante documento para o
planejamento da atividade rural. Sua confrontação com a ocupação atual das terras
define as áreas de uso em conflito.
O Sistema de Classificação de Capacidade de Uso das Terras estabelece classes
homogêneas de terrenos com base no grau de limitação de uso, e subclasses que
representam
caracterização
as
classes
das
qualificadas
classes,
leva-se
quanto
em
a
natureza
consideração
a
da
limitação.
maior
ou
Na
menor
complexidade das práticas conservacionistas, no caso, as de controle de erosão e
as de melhoramento do solo.
64
Sub Classes de Capacidade de Uso
Dentro de cada classe de Capacidade de Uso, as terras que apresentam
limitações de natureza diferentes são enquadrados em subclasses diferentes.
As subclasses explicitam mais detalhadamente as práticas de conservação e/
ou de melhoramentos. A natureza da limitação é indicada por letras minúsculas
após o algarismo romano das classes. Quando existem duas limitações com
intensidades semelhantes, ambas são indicadas separadas por vírgula, com a
primeira delas designando a limitação predominante. São quatro as naturezas de
limitações expressas pelas subclasses: e, quando existe erosão ou há risco de que
ocorra; a, quando há problemas de encharcamento; s, quando há limitação do solo
e c quando a limitação diz respeito ao clima (Lepsch, 1991).
Como provável causa da degradação dos solos, propensão destes solos ao
processo erosivo, ou tipos de processos erosivos existentes, cita-se:
1. Declive acentuado do terreno;
2. Rampa longa;
3. Mudança textural abrupta no perfil do solo;
4. Presença de erosão laminar;
5. Presença de erosão em sulcos;
6. Presença de voçorocas;
7. Permeabilidade do solo baixa;
8. Horizonte A arenoso
No que diz respeito a limitações diretamente relacionadas aos solos
de cerrados, cita-se como os mais críticos:
1.
Pequena profundidade efetiva;
2.
Textura arenosa ao longo do perfil;
3.
Baixa saturação por bases;
4.
Toxidade de alumínio;
5.
Baixa capacidade de troca de cátions;
6. Alta saturação por alumínio.
As limitações relacionadas com excesso de água e/ou deficiência de
oxigênio são comuns em solos de várzeas; em solos localizados ao longo dos
cursos de água, ou solos com problemas estruturais, o que está relacionado
com compactação e/ou adensamento, sendo elas:
1.
Lençol freático elevado;
2.
Risco de inundação;
65
3. Porosidade de aeração muito baixa, ou pequeno percentual de
macroporos;
O clima predominante no domínio do Cerrado é o Tropical sazonal, de
inverno seco, com temperatura média anual em torno de 22-23ºC; máximas
absolutas mensais que podem chegar a mais de 40ºC e mínimas absolutas mensais
que podem atingir valores próximos ou até abaixo de zero, nos meses de maio,
junho e julho em algumas regiões; com potencialidade, portanto, de ocorrência de
geadas. Como salientado a precipitação se concentra de outubro a março com
média anual de 1200 a 1800 mm, com curtos períodos de seca, chamados de
veranicos, que podem ocorrer em meio a esta estação; os problemas criados para a
agricultura ocorrrem particularmente nos solos dotados de baixa retenção de água
e com restrições ao
aprofundamento do sistema radicular devido a limitações
químicas e/ou físicas. No período de maio a setembro os índices pluviométricos
mensais reduzem-se bastante, podendo chegar a zero (http://www.portalbrasil.net/
cerrado_climaerelevo.htm). Desta forma citam-se como principais limitações
relacionadas ao clima:
1.
Seca prolongada;
2.
Geada;
3.
Ventos frios
Sendo assim, uma área de LATOSSOLO Eutrófico com declive de 9%, por
exemplo, que recebeu a classificação IIIe-1, tem capacidade para ser explorada
com culturas anuais com práticas complexas de conservação porque o principal
problema desta terra diz respeito à susceptibilidade a erosão devido à declividade
acentuada do terreno. Sendo este LATOSSOLO Distrófico e receber a classificação
IIIe-1,s-3 significa que o manejo da área deve envolver controle da erosão e
correção das deficiências de fertilidade do solo.
Sendo a área recoberta por CAMBISSOLO álico, raso e cascalhento localizado
em declive de 25%, com sintomas de erosão laminar severa, apesar das limitações
relativas a solo (fertilidade; profundidade efetiva e cascalho) serem consideráveis,
o que mais restringe o uso desta terra é o declive acentuado do terreno e a erosão
do solo já existente; com isto a classificação desta terra é VIe-1,e-4.
66
11. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base no que foi discutido e com a consciência de que ainda não
detemos modelos de desenvolvimento ideal tendo em vista a atual situação social,
econômica, cultural e ambiental do País, observa-se que há muito que se avançar
em termos comportamentais do ser humano e de cumprimento e/ou formulação de
leis ambientais.
Para a concretização do que se chama desenvolvimento sustentável, no
campo da ciência falta divulgação dos conhecimentos gerados nas academias,
salientando, por outro lado, que a maior parte da humanidade não possui
consciência dos impactos gerados pelas ações antrópicas sobre o meio ambiente,
particularmente na agricultura.
No entanto o desenvolvimento sustentável trilha o caminho para se
consolidar, à medida que a ciência evolui e que os modelos econômicos tendem a
se ajustar às aspirações sociais e culturais.
Fecha-se, então, a discussão acreditando hoje estarmos sendo treinados
para atuar de forma a não ultrapassar os níveis de degradação estabelecidos por
normas técnicas e exigências legais. Destaca-se que é admitido intervir em um
ambiente natural ou não, desde que as degradações sejam de baixo grau e
compensadas, ou seja, suportáveis, o que só é possível com um planejamento de
uso.
67
12. LITERATURA RECOMENDADA
BERTONI, J.; LOMBARDI NETO, F. Conservação do Solo. São Paulo: Ícone, 1990.
355 p. il.
BRUM, A.C.R.; ELTZ, F.L.F & AMADO, T.J.C. Uso, Manejo e Conservação do solo.
Santa Maria, UFSM. 1998. 95 p. (Apostila da disciplina SOL 205).
CONSÓRCIO IMAGEM – WWF BRASIL. Diagnóstico Geopedológico, Uso da Terra e
Vulnerabilidade Ambiental do Estado de Goiás. Goiânia: CONSÓRCIO IMAGEM
– WWF BRASIL, 2004. 47p. (Relatório Técnico).
DA ROSA, M.E. Ambientes de ocorrência e produção de Pequizeiro (Caryocar
brasiliensis Camb.) no Estado de Goiás. Goiânia: Universidade Federal de Goiás,
113p. (Tese de Doutorado).
EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação
de Solos. Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de janeiro: Embrapa
Solos, 1999. 412p.
GIAROLA, N.F.B.; CURI, N.; SIQUEIRA, J.O.; CHAGAS, C.S.; FERREIRA, M.M. Solos
da região sob influência do reservatório da Hidrelétrica de Itutinga/Camargos (MG):
perspectiva ambiental. Lavras: FAEPE, 1997. 101p. il.
GOEDERT, W.J. (ed.) Solos dos Cerrados: tecnologias e estratégias de manejo.
Planaltina, EMBRAPA, CPAC, 1987. 442p.
GUIMARÃES, P.T.G.; LOPES, A.S. Solos para o cafeeiro: características,
propriedades e manejo. In: Cultura do cafeeiro: fatores que afetam a
produtividade. Piracicaba: Potafós, 1986. p. 115-156.
LEPSCH, I. (ED.). Manual para Levantamento utilitário do meio físico e classificação
de terras no sistema de capacidade de uso. Campinas: Sociedade Brasileira de
Ciência do Solo, 1991. 175 p. il.
NAVES, R.V. Espécies Frutíferas Nativas dos Cerrados de Goiás: caracterização e
influência do clima e dos solos. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 206p.
(Tese de Doutorado).
OLIVEIRA, G.C. Adequabilidade dos padrões de uso da terra no estado de Goiás. In:
I Workshop de Planejamento e uso sustentável dos recursos naturais do Estado de
Goiás. Goiânia, Agência Ambiental. 2004 (Palestra Proferida).
OLIVEIRA, G.C. Planejamento do uso da terra e Preservação Ambiental no Estado
de Goiás. Lavras: UFLA/FAEPE, 2008. 31 p. il.
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Solos da região dos cerrados: reconhecimento na paisagem