INSTITUTO A VEZ DO MESTRE LA LE I DE DI R EI TO PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Emília de Oliveira Faria DO CU M EN TO PR OT EG ID O PE PRÁTICAS DE ACCOUNTABILITY: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE A TRANSPARÊNCIA NO MUNICÍPIO DE CAETANÓPOLIS Orientador: Mário Luiz Trindade Rocha Co-orientador: Marcelo Oliveira Brasília 2013 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU PRÁTICAS DE ACCOUNTABILITY: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE A TRANSPARÊNCIA NO MUNICÍPIO DE CAETANÓPOLIS Emília de Oliveira Faria Monografia apresentada ao Instituto A Vez do Mestre como requisito parcial para obtenção do título de especialista em Gestão Pública Orientador: Mário Luiz Trindade Rocha Co-orientador: Marcelo Oliveira Brasília 2013 RESUMO A presente monografia tem como objetivo central, fornecer um panorama sobre a questão da transparência no município de Caetanópolis. Inicialmente, foi apresentado um histórico da Administração Pública brasileira. Em um segundo momento, buscou-se contextualizar a reforma gerencial pelo qual a gestão pública do país vem passando. O trabalho visa também, esclarecer o conceito de Accountability e seus mecanismos, bem como entender como os dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal vêm sendo utilizados pelo governo local. Para tanto, dados foram analisados a partir de questionários aplicados junto aos munícipes, Câmara de Vereadores e Prefeitura. Por meio desses dados, conclui-se que com o avanço da internet houve o favorecimento da transparência na gestão dos recursos públicos, no entanto, há muito para evoluir. E essa evolução só se dará quando a sociedade enxergar a importância da participação social ativa na elaboração das políticas públicas e no controle social. METODOLOGIA De acordo com Gil, pesquisa é “um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo, proporcionar respostas aos problemas que são propostos” (GIL, 1987, p.19). O presente estudo é baseado em uma pesquisa exploratória, de caráter qualitativo, que se restringiu a apenas um município de pequeno porte do estado de Minas Gerais que poderá servir de base para futuros estudos em outras cidades com as mesmas características, com uma amostra ampliada. Como instrumento para coleta de dados, será utilizado o questionário semi-estruturado com questões de múltiplas escolhas. Segundo Marconi & Lakatos (2008) o questionário é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. A amostra da pesquisa será constituída por representantes do Legislativo e Executivo, bem como representantes de bairros e alguns munícipes escolhidos aleatoriamente. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...............................................................................06 CAPÍTULO I - Histórico da Administração Pública Brasileira..08 1.1 Reforma na Administração Pública........................................................13 1.2 Transparência e governança na Administração Pública.......................15 CAPÍTULO II - Accountability no Brasil.......................................16 2.1 Mecanismos de Accountability................................................................17 2.2 Lei de Responsabilidade Fiscal...........................................................19 CAPÍTULO III – Metodologia.........................................................21 3.1 Tipo de pesquisa.......................................................................................21 3.2 População e Amostra................................................................................21 3.2.1 Município de Caetanópolis/MG..............................................................22 3.3 Procedimento para coleta de dados........................................................23 3.4 Método e técnica de análise de dados.....................................................25 CAPÍTULO IV - Análise e discussão dos resultados..................26 Conclusão......................................................................................36 BIBLIOGRAFIA...............................................................................38 WEBGRAFIA...................................................................................40 ANEXOS..........................................................................................41 6 INTRODUÇÃO Nos últimos anos, várias iniciativas de modernização da gestão pública avançaram no país. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), oficialmente Lei Complementar nº 101, é uma lei brasileira que foi criada com o objetivo de controlar os gastos de estados e municípios, condicionada à capacidade de arrecadação de tributos desses entes políticos. No entanto, a política municipal ainda está repleta de espectros do passado, baseada muitas vezes em políticas de coronelismo, clientelismo e corrupção. Considerando que o município constitui-se na unidade federada mais próxima do cidadão e, portanto, mais sujeita ao controle público do que a federal e a estadual, este se constituiu no lócus objeto de nosso estudo. Além disso, os municípios brasileiros, especialmente após a Constituição de 1998, possuem uma margem relativa de liberdade para determinar a alocação de seus recursos próprios e para financiar e administrar esses recursos, refletindo assim uma autonomia tributária. Independentemente da abordagem ou o objeto da análise, a maioria dos estudos sobre essa temática quase sempre tem como foco a esfera nacional ou os governos estaduais. A questão central que irá focar esse estudo são as práticas de accountability e como elas se processam em um município de pequeno porte. Levando em consideração o processo de modernização pelo qual o país está passando e tendo como base os conceitos de accountability e transparência, esse estudo torna-se justificável, uma vez que a sociedade brasileira está exigindo cada vez mais ética e profissionalismo na gestão de recursos públicos, além de mais responsabilidade e transparência nos atos dos gestores públicos. Esse estudo também se mostra relevante, pois irá tratar da accountability em uma cidade de pequeno porte, com menos de 20.000 habitantes, o que não é algo recorrente nas pesquisas sobre essa temática. O objetivo central da pesquisa é fornecer um panorama geral sobre a questão da transparência no município de Caetanópolis. Além desse propósito, pretende-se também: conhecer a percepção do Executivo e do Legislativo quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal; identificar os canais e mecanismos 7 de controle e transparência que propiciam maior participação dos cidadãos na gestão do município; verificar como se dá o processo de prestação de contas no município, na visão da população. 8 CAPÍTULO I HISTÓRICO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA Conforme definição de Matias-Pereira (2009), a Administração Pública, num sentido amplo, é um sistema complexo, composto de instituições e órgãos do Estado, normas, recursos humanos, infraestrutura, tecnologia, cultura, entre outras, encarregado de exercer de forma adequada a autoridade política e as suas demais funções constitucionais, visando o bem comum. Ainda segundo o mesmo autor, o Estado deve preocupar-se em gerar estímulos para facilitar a incorporação de novas tecnologias e inovações no setor público que proporcionem as condições exigidas para atendar as demandas da sociedade contemporânea. Em seu artigo: Brasil: 200 anos de Estado; 200 anos de administração pública; 200 anos de reformas, o autor Frederico Lustosa da Costa (2008), oferece um rápido panorama da história das transformações por que tem passado a administração pública brasileira, destacando os esforços de reforma do aparelho de Estado. Três grandes momentos são evidenciados: 1937, 1967 e 1995 (ou 1998, ano da promulgação da Emenda Constitucional nº 19). Segundo o autor, todo o percurso percorrido desde 1808 configura hoje uma tríplice efeméride — 200 anos de Estado nacional, 200 anos de administração pública e 200 anos de reformas institucionais e administrativas. A organização da administração pública no Brasil passou por transformações importantes desde o período colonial. A administração colonial conheceu diferentes fases e teve um impulso modernizador com o consulado pombalino. O Império também tem sua organização governamental marcada por etapas bem distintas, destacando-se a adoção do regime parlamentarista e o fortalecimento progressivo dos governos provinciais. A própria República Velha também se caracterizou por avanços e recuos na questão da descentralização e viu nascerem algumas empresas e autarquias e surgirem diferenciações na estrutura ministerial. (COSTA, 2008) 9 Marine (2004) afirma que as primeiras notícias de organização governamental no Brasil remontam ao período da transferência da corte de Lisboa para o Rio de Janeiro, quando D. João constituiu os Ministérios de Negócios do Reino, de Negócios Estrangeiros e da Guerra e de Negócios da Marinha e Ultramar. O contexto era caracterizado pelo patrimonialismo modelo caracterizado pela impossibilidade de distinção entre os interesses público e privado; no qual, o aparelho do Estado funciona como uma extensão do poder do soberano, produzindo, como consequência, a corrupção, o clientelismo e o nepotismo. Em se tratando do primeiro momento, também destacado por Castro e Carvalho (2002) o ano de 1930 foi realmente um marco, pois a partir daí se iniciou o processo de evolução da política oligárquica para as políticas populistas centralizadoras, bem como a construção do modelo desenvolvimentista de formulação e implementação de políticas. As políticas populistas desde os anos 30 basearam-se na legitimação plebiscitária do poder centralizador do Presidente da República, complementada pela supressão da vida partidária (de 1930 a 1946), e pela hegemonia da coalização PSD-PTB (1946-1964). Embora, nesse período, tenham sido obtidos importantes avanços, tais como adoção de orçamentos e planos, o instituto do concurso público e do treinamento sistemático, a cultura patrimonialista seguia vigente (MARINI, 2004). Supuseram a distribuição clientelística de subsídios, rendas e benefícios a grupos econômicos e sociais por meio da estrutura corporativista, de maneira orquestrada pelo poder Executivo federal. Martins (1997) em seu artigo “Reforma da Administração Pública e cultura política no Brasil: uma visão geral” enfatiza que a modernização das estruturas do governo federal e a profissionalização dos quadros da administração pública tornaram-se questões importantes somente nos meados dos anos 30, na onda de centralização e tendências reformistas trazidas pela Revolução de 1930. Ainda segundo o mesmo autor, foi durante a ditadura Vargas (19371945), que a reforma do Estado foi realmente iniciada e implementada. Em 1933, Vargas encarregou um importante diplomata, o embaixador Maurício Nabuco, da tarefa de estudar a reforma da administração pública. 10 Três diretrizes principais foram propostas e apoiadas por Vargas, inspiradas no serviço público britânico. São elas: • Critérios profissionais para o ingresso no serviço público; • Desenvolvimento de carreiras e regras de promoção baseadas no mérito; • Criação de um novo órgão, o Departamento de Administração do Serviço Público (Dasp) encarregado de implementar essas diretrizes, de supervisionar a administração pública, e de formar os recursos humanos para os altos escalões do serviço público, de definir escalas de salários para o setor público, e até de fixar o orçamento nacional. Entretanto, pressões populistas-clientelistas limitariam o escopo dessa ambiciosa reforma. Os altos escalões da administração pública seguiram essas normas e tornaram-se a melhor burocracia estatal da América Latina; os escalões inferiores (incluindo os órgãos encarregados dos serviços de saúde e de assistência social então criados) foram deixados ao critério clientelista de recrutamento de pessoal por indicação e à manipulação populista dos recursos públicos. É importante lembrar que esse duplo padrão permanece até hoje. Durante o regime militar autoritário, apesar de terem um discurso antiestatizante, os dois primeiros governos aumentaram consideravelmente as receitas do Estado (um crescimento, em termos reais, de 80% entre 1965 e 1971, correspondente a 1% de um PIB em crescimento). Ao mesmo tempo, os gastos com o pessoal civil da administração direta, no mesmo período, reduziram-se em 6,5% em termos reais (entretanto, os gastos com o pessoal militar aumentaram em 81,5% em termos reais no mesmo período). Martins (1997) define como outro marco para a Administração Pública Brasileira, a reforma administrativa de 1967, na qual o regime autoritário executou uma ambiciosa reforma das estruturas do Estado, padronizando procedimentos e introduzindo os modernos instrumentos de intervenção. Costa (2008) corrobora a opinião de Martins (1997) e cita o Decreto-Lei nº 200, de 1967 que tinha em seu estatuto básico cinco princípios fundamentais: 1. O planejamento (princípio dominante); 11 2. A expansão das empresas estatais (sociedades de economia mista e empresas públicas), bem como de órgãos independentes (fundações públicas) e semi-independentes (autarquias); 3. A necessidade de fortalecimento e expansão do sistema do mérito, sobre o qual se estabeleciam diversas regras; 4. Diretrizes gerais para um novo plano de classificação de cargos; 5. O reagrupamento de departamentos, divisões e serviços em 16 ministérios: Justiça, Interior, Relações Exteriores, Agricultura, Indústria e Comércio, Fazenda, Planejamento, Transportes, Minas e Energia, Educação e Cultura, Trabalho, Previdência e Assistência Social, Saúde, Comunicações, Exército, Marinha e Aeronáutica. Marini (2004), em sua análise, acredita que a reforma baseada no DL 200, cometeu o equívoco de não repensar os mecanismos de controle, enfraquecendo desta forma, o núcleo central do aparelho estatal responsável pela formulação das políticas públicas. De certa forma prevaleceu a máxima da flexibilização pela flexibilização. Isto permitiu tanto a realização de experiências exitosas no campo da gestão pública, quanto usos indevidos das flexibilidades e autonomias, desvirtuando o objetivo proposto. Como consequência, o conceito foi gradativamente abandonado, voltando a prevalecer o espírito centralizador na administração pública brasileira, em meio a outras ondas descentralizadoras. De acordo com Martins (1997) com a restauração do regime democrático, no período que se inicia em 1985, três acontecimentos marcaram a organização do aparelho do Estado e influenciaram o desempenho da administração pública. O primeiro diz respeito às decisões tomadas pelos governos civis de redesenhar, à discrição de cada um, os altos escalões da administração pública; o segundo acontecimento foi à aprovação da Constituição de 1988 e suas disposições inconsequentes quanto às estruturas do Estado e ao seu pessoal; e em terceiro lugar, a nova natureza e metas das práticas clientelistas e os níveis sem precedentes atingidos pela corrupção. Deste modo, a história da administração pública brasileira continuou seguindo sua trajetória cíclica de idas e vindas, de centralização, descentralização e re-centralização. Marini (2004) aponta a promulgação da nova Constituição Federal, em 1998, que, se por um lado, representou um 12 avanço significativo no campo da participação popular e incorporação do valor da cidadania, por outro, representou, um importante retrocesso no capítulo da administração pública. Contrário ao que diz Martins (1997), Costa (2008) vê os anos 1990 como o terceiro marco na história administrativa mais recente. Ele afirma que a reforma de 1990 é precedida de uma crise que desmantelou e sucateou a máquina administrativa brasileira, criando ensejo para a crítica neoliberal. No entanto, o que se pode concluir desta análise é que, não obstante os equívocos políticos, conceituais e operacionais e a desastrada estratégia que adotou, a reforma gerencial começou no governo Collor, quando se tentou introduzir, ainda que de forma intuitiva e vacilante, os princípios da new public management. De acordo com Marini (2004) foi somente na segunda metade dos anos 90 a Nova Gestão Pública (New Public Management) ou reforma gerencial chega à América Latina e ao Brasil, em particular, ainda no inicio do primeiro governo FHC, em um contexto semelhante ao de outros países da região, caracterizado pelo aprofundamento da crise financeira do Estado e pela emergência de reformas estruturais prometidas durante a campanha presidencial e iniciadas alguns meses antes da posse com o plano de estabilização econômica. Vale destacar que esta seria a primeira tentativa de reforma num contexto democrático. Feito esse balanço, percebe-se que à medida que o país se transformava econômica, social e politicamente, a administração pública se ampliava, se diferenciava e se aparelhava, sempre aumentando a oferta de bens e serviços. Assim, como salienta Costa (2008), não obstante os avanços persistentes e os eventuais recuos, a administração pública se modernizou, ganhando em eficiência, especialização técnica, moralidade, publicidade e transparência. Entretanto, esse processo de transformação da máquina pública ainda não se findou. Muito deve ser feito, para que se atinja o grau de excelência almejado. 13 1.1 Reforma na Administração Pública A organização da administração pública no Brasil passou por transformações importantes desde o período colonial. A reforma do Estado deve ser entendida dentro do contexto da redefinição do papel do Estado, que deixa de ser o responsável direto pelo desenvolvimento econômico e social, para se tornar seu promotor e regulador. Com essa nova definição, o Estado assume um papel menos executor ou prestador direto de serviços mantendo-se, entretanto, no papel de regulador e provedor destes. A elaboração do “Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado”, que define objetivos e estabelece diretrizes para a reforma da administração pública brasileira, proposta pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, teve como fim criar condições para a reconstrução da administração pública em bases modernas e racionais. Nesta nova perspectiva, busca-se o fortalecimento das suas funções de regulação e de coordenação, particularmente no nível federal, e a progressiva descentralização vertical, para os níveis estadual e municipal, das funções executivas no campo da prestação de serviços sociais e de infra-estrutura. Considerando essa tendência, pretende-se reforçar a governança — a capacidade de governo do Estado — por meio da transição programada de um tipo de administração pública burocrática, rígida e ineficiente, voltada para si própria e para o controle interno, para uma administração pública gerencial, flexível e eficiente, voltada para o atendimento da cidadania. Para isso, será necessária uma mudança em três planos: no plano institucional-legal, através da reforma da Constituição e das leis do país; no plano cultural, através da internalização de uma nova visão do que seja a administração pública; e no plano da gestão, onde afinal se concretiza a reforma (Mare, 1995). Sobre a reforma da Constituição, Costa (2008) interpreta as cinco diretrizes principais, tal como preconizada no Plano Diretor, da seguinte forma: institucionalização, considera que a reforma só pode ser concretizada com a alteração da base legal, a partir da reforma da própria Constituição; racionalização, que busca aumentar a eficiência, por meio de cortes de gastos, sem perda de “produção”, fazendo a mesma quantidade de bens ou serviços 14 (ou até mesmo mais) com o mesmo volume de recursos; flexibilização, que pretende oferecer maior autonomia aos gestores públicos na administração dos recursos humanos, materiais e financeiros colocados à sua disposição, estabelecendo o controle e cobrança a posteriori dos resultados; publicização, que constitui uma variedade de flexibilização baseada na transferência para organizações públicas não-estatais de atividades não exclusivas do Estado (devolution), sobretudo nas áreas de saúde, educação, cultura, ciência e tecnologia e meio ambiente; desestatização, que compreende a privatização, a terceirização e a desregulamentação. Deste modo, conclui-se que o esforço para criar uma cultura empreendedora na administração pública se apresenta fundamental para as mudanças na gestão pública brasileira. como ponto 15 1.2 Transparência e governança na Administração Pública Segundo Matias-Pereira (2010), a gestão no setor público brasileiro tem suas bases apoiadas nos princípios da legalidade. Essas regras estão fortemente presentes na administração pública brasileira, e de uma forma especial, na Lei de responsabilidade Fiscal (LRF), que veio reforçar os principais eixos da administração pública, orientados para o planejamento, a transparência, o controle e a responsabilidade na gestão fiscal dos recursos públicos e prestação de contas. A transparência da gestão fiscal no Brasil, a partir da LRF passou a ser uma exigência legal, que pode ser periodicamente acompanhada e fiscalizada pelos órgãos competentes, assim como pela população. Porém, como afirmam Cruz et. al (2012), uma gestão pública transparente vai além da divulgação dos instrumentos de transparência fiscal, mas estende-se à concretização do conceito de accountability, quando possibilita que os cidadãos acompanhem e participem efetivamente dos atos da administração pública que causam impactos em toda a sociedade. Em relação às práticas de governança no setor público, Timmers (2000) diz que essas têm origem nas crises de legitimidade por que passaram alguns desses países e também na cobrança por parte da sociedade por uma maior responsabilidade dos gestores públicos em relação ao uso dos recursos públicos. Esses fatos contribuíram para que diversos países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, reavaliassem o papel do governo na sociedade. 16 CAPÍTULO II ACCOUNTABILITY NO BRASIL O termo accountability pode ser aceito como o conjunto de mecanismos e procedimentos que induzem os dirigentes governamentais a prestar contas dos resultados das suas ações à sociedade, garantindo-se dessa forma maior nível de transparência e a exposição pública das políticas públicas. Quanto maior a possibilidade de os cidadãos poderem discernir se os governantes estão agindo em função do interesse da coletividade e sanciona-lo apropriadamente, mais accountable é um governo. É um termo relacionado ao universo politico anglo-saxão. Campos (1990) aponta algumas questões relacionadas ao tema, tais como, quem - fora do detentor da função pública - deveria ser reconhecido como capaz de compelir ao exercício da accountability? Quem teria o poder de declarar alguém responsável: um cliente, um eleitor, um burocrata de nível mais elevado, um legislador, um tribunal? De quem emana o poder delegado ao Estado? Que valores guiam o governo democrático? Tendo como base esses questionamentos, ela fez a seguinte afirmação: Daí decorreu que a accountability começou a ser entendida como questão de democracia. Quanto mais avançado o estágio democrático, maior o interesse pela accountability. E a accountability governamental tende a acompanhar o avanço de valores democráticos, tais como igualdade, dignidade humana, participação, representatividade. Mota (2006) afirma que o exercício da accountability é determinado pela qualidade das relações entre governo e cidadão, entre burocracia e clientelas. Deste modo, para que os agentes públicos prestem contas de suas atividades aos cidadãos, é necessário que representantes e representados sejam idealmente considerados como possuidores de um patamar mínimo de igualdade no nível do conhecimento e da informação. O comportamento dos servidores públicos é consequência das atitudes e comportamento das próprias clientelas. Somente a partir da organização de cidadãos vigilantes e conscientes de seus direitos haverá condição para a accountability. À medida que a democracia vai amadurecendo, o cidadão, individualmente, passa do papel de 17 consumidor de serviços públicos e objeto de decisões públicas a um papel ativo de sujeito. A mudança do papel passivo para o de ativo guardião de seus direitos individuais constitui um dramático avanço pessoal, mas, para alcançar resultados, há outro pré-requisito: o sentimento de comunidade. Em outras palavras, é a emergência e o desenvolvimento de instituições na sociedade que favorecem a recuperação da cidadania e, portanto, a verdadeira vida democrática. A cidadania organizada pode influenciar não apenas o processo de identificação de necessidades e canalização de demandas, como também cobrar melhor desempenho do serviço público. Este parece ser o caminho para a accountability. 2.1 Mecanismos de Accountability Considerando que a accountability é um mecanismo típico de soberania popular, é possível identificar alguns mecanismos institucionais no ordenamento jurídico brasileiro que permite esse controle. Nesse sentido, o que importa são os mecanismos de controle da administração pública disponíveis para o exercício do controle. Segundo Mota (2006) para que esse controle seja exercido em sua plenitude há que se observar o cumprimento de vários outros direitos e garantias denominados facilitadores ou viabilizadores para esse fim. Os elementos que possibilitam o exercício da accountability são: o direito de liberdade de expressão que possibilita aos cidadãos manifestar sua opinião nos vários canais de exposição pública; o direito de liberdade de imprensa que possibilita a publicação de atos irregulares; o direito de investigar e colher provas dos atos considerados suspeitos; o direito à investigação; dentre outros. Ainda de acordo com a autora há na Constituição brasileira vários artigos que possibilitam o controle da accountability. Alguns possibilitam a publicidade, a transparência dos atos públicos. Outros viabilizam o questionamento em si dos atos e trazem a potencialidade da sanção. Há ainda aquelas disposições que permitem a livre circulação de ideias, possibilitando o debate e a contraposição de ideias em público. Há também uma gama de 18 direitos que conferem ao cidadão a possibilidade de exigir uma conduta ativa do Estado. Deste modo, esses artigos da Constituição viabilizam a accountability. Entretanto, o instrumento por excelência de accountability é a ação popular que viabiliza a defesa dos interesses públicos e coloca em evidência a possibilidade do cidadão comum atuar em prol do bem coletivo. No artigo 5º, inciso LXXIII da Constituição Federal de 1988, a ação popular está descrita da seguinte forma: LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; Depreende-se da análise do inciso que o cidadão controla os atos praticados na gestão pública que entenda lesivos ao interesse público. Sendo assim, a ação popular faz parte de um conjunto de dispositivos de proteção que autorizam e ressaltam a necessidade de atuação dos cidadãos no controle dos atos administrativos. 2.2 Lei de Responsabilidade Fiscal No Brasil, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) de maio de 2000 é a norma orçamentária mais recente adotada pelo país. Giuberti (2005) apresenta em seu artigo o contexto de promulgação da lei que ocorreu seguida ao episódio da crise de endividamento dos Estados brasileiros, que resultou, em 1997, no refinanciamento das dívidas de dos 27 Estados brasileiros pelo Governo Federal. Nesta ocasião, além dos recorrentes déficits, os Estados apresentavam um histórico de gastos com pessoal bastante elevado, equivalendo em média a 79,1% da receita corrente líquida, em 1995, 65,4%, em 1996, e 59,8%, em 1997, e superando 100% no caso do Rio de Janeiro entre 1995 e 19966. A LRF traz desse modo dois limites para controlar os gastos públicos: limite de endividamento e limite de gasto com pessoal. Além disso, busca controlar todos os demais aspectos do orçamento desde a formulação até a 19 execução, e privilegia a questão da transparência ao exigir a publicação de relatórios de execução. Segundo Giuberti (2005) a LRF foi introduzida como um instrumento para conter os déficits públicos e endividamento crescente das unidades da federação. Entretanto, ela não se restringe apenas a impor limites ao gasto e ao endividamento, mas também contempla o orçamento como um todo ao estabelecer diretrizes para sua elaboração, execução e avaliação, o que a torna o instrumento de controle fiscal mais abrangente já instituído no país. As informações pormenorizadas exigidas pela Lei nº 101/2000 deverão contemplar os seguintes detalhes quanto à despesa e receita, conforme estipulam os incisos I e II do art. 48-A (BRASIL, 2000): I – quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e, quando for o caso, ao procedimento licitatório realizado; II – quanto à receita: o lançamento e o recebimento de toda a receita das unidades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinários. No que diz respeito à transparência tem-se a obrigatoriedade da publicação, ao fim de cada semestre, do Relatório Resumido de Execução Orçamentária por todos os Poderes, bem como a entrega ao final de cada quadrimestre do Relatório de Gestão Fiscal, contendo os demonstrativos do período do exercício, a comparação entre os limites estabelecidos pela lei e o alcançado pelo ente, e a indicação das medidas corretivas adotadas caso algum limite tenha sido ultrapassado. Já a Lei Complementar nº 131 de 2009 garantiu ao cidadão brasileiro o acesso por meio eletrônico às contas públicas, fortalecendo a construção de práticas de accountability. A ampliação da LRF pela Lei Complementar nº 131/2009 trouxe novas formas de controle e fiscalização do Estado, fortalecendo um binômio de obrigações e responsabilidade, onde órgãos institucionalizados devem acompanhar e fiscalizar as contas públicas e a Administração Pública deve prestar contas sobre a utilização dos recursos públicos. Essa Lei obriga os 20 municípios a divulgarem informações pormenorizadas e em tempo real sobre suas execuções orçamentárias e financeiras em meio eletrônico. Para a União e Estados a obrigação existe desde maio de 2010. Quanto aos municípios (prefeituras e câmaras), o prazo para cumprimento das obrigações impostas pela Lei Complementar nº 131/2009 iniciou em maio de 2009 e foi estabelecido de acordo com o número de habitantes. Analisando a situação dos gastos municipais pela ótica da LRF, Giuberti (2005) afirma que conjunto de variáveis políticas-institucionais vigentes no país permite concluir que os municípios brasileiros possuem uma forte tendência à geração de déficits fiscais, pois são dependentes das transferências intergovernamentais, as transferências de recursos da União para os municípios representaram em média 55% de sua receita corrente, enquanto as transferências dos Estados representaram em média 30%. Sendo assim, as regras orçamentárias seriam um contrapeso a essa tendência ao promoverem a disciplina fiscal nas suas normas de conduta. Em particular, a promulgação da LRF é tida como o grande fator disciplinador das finanças públicas brasileiras, tanto municipais quanto estaduais e da União. 21 CAPÍTULO III METODOLOGIA 3.1 Tipo de pesquisa O presente estudo é baseado em uma pesquisa exploratória, de caráter qualitativo, que se restringiu apenas a um município de pequeno porte do Estado de Minas Gerais, que é Caetanópolis/MG e que pode servir de base para futuros estudos em outras instituições públicas ou nas mesmas em questão, com uma amostra ampliada. De acordo com Gil, pesquisa é “um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo, proporcionar respostas aos problemas que são propostos” (GIL, 1987: 19). Frequentemente, a pesquisa origina-se a partir de uma dúvida ou problema. A partir disso, buscam-se soluções através da utilização do método científico. Este trabalho baseou-se na pesquisa bibliográfica, realizando-se o levantamento bibliográfico necessário à fundamentação teórica do estudo, como é habitual em investigações científicas. A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico, etc. até meios de comunicação orais: radio, gravações, em fita magnética e audiovisuais: filmes e televisão. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas, quer gravadas (MARCONI; LAKATOS, 2008: 57). 3.2 População e Amostra A população da pesquisa é constituída por munícipes de Caetanópolis/MG. A amostra da pesquisa foi constituída por representantes do 22 Legislativo e Executivo, bem como representantes de bairros e alguns munícipes escolhidos aleatoriamente, somando um quantitativo de 51 pessoas, as quais se dividem em três grupos: servidores da prefeitura de Caetanópolis, componentes do Legislativo e cidadãos comuns. 3.2.1 Município de Caetanópolis/MG O nome Caetanópolis, dado ao município, é uma homenagem prestada ao Coronel Caetano Mascarenhas, idealizador da 1ª fábrica de tecidos localizada em Minas Gerais. Anteriormente, tivera a localidade os nomes de, respectivamente, Fazenda da Ponte e Cedro. A fazenda adquirida pelos irmãos Mascarenhas em 1864 tinha a denominação de ″Fazenda da Ponte″, por se encontrar nas proximidades de uma ponte sobre o ribeiro local. Supõe-se que o nome, de Cedro originou-se de espécimes vegetais desse nome, ali existentes. Os primitivos habitantes da região foram os proprietários da fazenda da Ponte e seus agregados, estes últimos quase em sua totalidade constituídos por escravos de origem africana. Em 1864, os irmãos Bernardo Caetano, filhos do Major Antônio Gonçalves da Silva Mascarenhas, procuravam seu irmão mais velho Antônio Cândido, residente nas proximidades de Taboleiro Grande, hoje Paraopeba, e o convidaram para sócio de uma fábrica de tecidos que seria montada na fazenda das Pontes, hoje Caetanópolis. Organizada a sociedade, deliberam que Bernardo seguisse para os Estados Unidos a fim de adquirir os necessários teares. E assim, em princípios de 1868, já se inaugurava no município a primeira fábrica de tecidos e a 3ª do Brasil, contando 18 teares. Em 1901, foram instaladas a primeira estamparia de tecidos de Minas e a segunda usina elétrica para iluminação pública do Estado (termelétrica). Em 1906 foi construída a primeira linha telefônica de longa extensão do Estado de Minas, com 24 quilômetros, ligando a antiga localidade de Cedro à estação de Tabocas, da Estrada de Ferro Central do Brasil. 23 Por força do Decreto-lei nº 6, de 25-VII-1940, que delimitou os perímetros urbanos e suburbanos da sede do município de Paraopeba, a localidade de Cedro, até então considerada rural, passou a fazer parte integrante da zona suburbana da cidade de Paraopeba. Finalmente, em 1953, que fixou os quadros da divisão administrativa a vigorar no quinquênio 1954-1958, foi criado o município de Cedro, que pertence ao termo judiciário de Paraopeba, da Comarca do mesmo nome. O topônimo Caetanópolis é um pleito de gratidão àquele que foi o idealizador da 1º fábrica de tecidos em Minas Gerais: o Coronel Caetano Mascarenhas. No que diz respeito à formação administrativa, a cidade foi elevada à categoria de município e distrito com a denominação de Caetanópolis, pela lei estadual nº 1039, de 12-12-1953, desmembrando o distrito de Paraopeba. O município está localizado na mesorregião metropolitana de Belo Horizonte e microrregião de Sete Lagoas. Conta com uma população estimada em 10.218 habitantes. 3.3 Procedimento para coleta de dados No intuito de atingir os objetivos da pesquisa, o instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário semi-fechado e de múltiplas escolhas. De acordo com Marconi & Lakatos (2008) o questionário é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Young e Lundberg (apud SILVA, 2001) fazem algumas recomendações úteis para a construção de um questionário: O questionário deverá ser construído em blocos temáticos obedecendo a uma ordem lógica na elaboração das perguntas; a redação das perguntas deverá ser feita em linguagem compreensível ao informante. A linguagem deverá ser acessível ao entendimento da média da população estudada. A formulação das perguntas deverá evitar a possibilidade de interpretação dúbia, sugerir ou induzir a resposta; cada pergunta deverá focar apenas uma questão para ser analisada pelo informante; o questionário deverá conter apenas as perguntas relacionadas aos objetivos da pesquisa. Devem ser 24 evitadas perguntas que, de antemão, já se sabe que não serão respondidas com honestidade (SILVA, 2001: 34). A escolha por um modelo de questionário com questões fechadas foi devido a algumas desvantagens encontradas na literatura sobre questões abertas, tais como: ü Quando aplicadas em forma de entrevistas, podem levar potencialmente a grandes viéses dos entrevistadores; ü Quando feitas através de questionários autopreenchidos, esbarram com as dificuldades de redação da maioria das pessoas, e mesmo com a "preguiça" de escrever; ü São menos objetivas, já que o respondente pode divagar e até mesmo fugir do assunto; ü São mais onerosas e mais demoradas para serem analisadas que os outros tipos de questões. Enquanto que as questões de múltipla escolha têm como vantagens: ü Facilidade de aplicação, processo e análise; ü Facilidade e rapidez no ato de responder; ü Apresentam pouca possibilidade de erros; ü Diferentemente das dicotômicas, trabalham com diversas alternativas. Optou-se também por questões dicotômicas, São as que apresentam apenas duas opções de respostas, de caráter bipolar, do tipo: sim/não; concordo/não concordo; gosto/não gosto. Por vezes, uma terceira alternativa é oferecida, indicando desconhecimento ou falta de opinião sobre o assunto. Normalmente, é assim expressa: ( ) não sei ou ( ) não tenho opinião formada. De acordo com Mattar (1994) as vantagens e desvantagens do seu uso são as seguintes: Vantagens: ü Rapidez e facilidade de aplicação, processo e análise; ü Facilidade e rapidez no ato de responder; ü Menor risco de parcialidade do entrevistador; ü Apresentam pouca possibilidade de erros; Desvantagens: 25 ü Polarização de respostas e/ou possibilidade de forçar respostas em relação a um leque de opiniões; ü Podem levar a erros de medição, se o tema foi tratado de forma dicotômica, quando na verdade apresenta várias alternativas, por exemplo, entre a concordância total e discordância total; Para que a pesquisa pudesse ser realizada na Prefeitura e na Câmara Municipal, o primeiro passo foi produzir uma Carta de Apresentação (APÊNDICE 03) ao senhor prefeito e ao presidente da Câmara solicitando autorização para realizar a pesquisa e citar a Instituição do presente trabalho. Com a permissão dada, o questionário elaborado (apêndice 02) foi aplicado presencialmente nos meses de junho e julho de 2013. 3.4 Método e técnica de análise de dados Os dados coletados por meio dos questionários foram tabulados, sendo o questionário (vide apêndice) composto de dez questões. Segundo Parasuraman (1991), um questionário é tão somente um conjunto de questões, feito para gerar os dados necessários para se atingir os objetivos do projeto. Embora o mesmo autor afirme que nem todos os projetos de pesquisa utilizam essa forma de instrumento de coleta de dados, o questionário é muito importante na pesquisa científica, especialmente nas ciências sociais. Ele afirma também que construir questionários não é uma tarefa fácil e que aplicar tempo e esforço adequados para a construção do questionário é uma necessidade, um fator de diferenciação favorável. Tais questões buscaram obter informações quanto à percepção dos munícipes sobre os mecanismos de prestação de contas da administração e sobre a aplicação da LRF no município. A ferramenta utilizada foi a distribuição simples que possibilitou identificar as opções com maior incidência de resposta, bem como estabelecer tendências e relações entre respostas. Os dados obtidos foram representados em forma de gráficos que permitem uma descrição imediata do fenômeno, além de possibilitar uma visualização geral. 26 CAPÍTULO IV ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Nesta seção, serão apresentados os resultados obtidos a partir da aplicação dos questionários, junto aos 51 munícipes de Caetanópolis/MG. Os dados foram coletados, tabulados e serão exibidos em formas de gráfico de barras para facilitar a visualização. Sendo assim, os pontos resultantes da pesquisa são expostos a seguir. A partir dos questionários respondidos, foram elaborados quadros com o resumo dos resultados de cada questão, que mostraram o numero de indivíduos que assinalaram cada um dos itens. Em algumas questões, foi solicitada a marcação de mais de uma opção. Na primeira questão pretendeu-se verificar se era do conhecimento dos munícipes o termo Accountability. Segue abaixo o quadro referente às respostas dos três grupos estudados. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 1. Você conhece o termo “Accountability”? Sim Não Respondentes Porcentagem 9 50 9 50 Respondentes Porcentagem 9 75,0 3 25,0 Câmara Municipal de Caetanópolis 1. Você conhece o termo “Accountability”? Sim Não População em geral 1. Você conhece o termo “Accountability”? Sim Não Respondentes Porcentagem 4 19,0 17 81,0 Ao compararmos os três quadros percebeu-se uma discrepância entre os resultados. Na Câmara, temos um índice de 75% dos respondentes que 27 conhecem o termo. Na prefeitura, 50% dos servidores afirmaram conhece-lo. Enquanto que a maioria da população em geral (81%) desconhece o termo. Esses dados mostram que as pessoas envolvidas diretamente com a Administração Pública tem um maior conhecimento sobre o tema. Contudo, vimos que a população ainda não está familiarizada com o tema. Na questão dois, apresentou-se a seguinte definição de accountability: “Accountability pode ser traduzida também para o português, deficientemente, por "prestar contas". Accountability significa que quem desempenha funções de importância na sociedade deve regularmente explicar o que anda a fazer, como faz, por que faz, quanto gasta e o que vai fazer a seguir.” E em seguida fizemos o seguinte questionamento: “Levando em consideração esse conceito, você acredita que a administração municipal tem prestado contas de sua atuação a população de Caetanópolis?” Servidores da prefeitura de Caetanópolis 2. Levando em consideração esse conceito, você acredita que a administração municipal tem prestado contas de sua atuação a população de Caetanópolis? Sim Não Respondentes Porcentagem 15 83,33 3 16,67 Câmara Municipal de Caetanópolis 2. Levando em consideração esse conceito, você acredita que a administração municipal tem prestado contas de sua atuação a população de Caetanópolis? Sim Não Respondentes Porcentagem 11 91,7 1 8,3 População em geral 2. Levando em consideração esse conceito, você acredita que a administração municipal tem prestado contas de sua atuação a população de Caetanópolis? Sim Não Respondentes Porcentagem 12 57,1 9 42,9 28 Nessa questão também se detectou uma divergência entre os resultados quando comparados os três grupos. Pouco mais da metade da população em geral (57%) acredita que a administração municipal tem prestado contas de sua atuação a população de Caetanópolis. No entanto, quando se trata da Câmara e da prefeitura esse percentual cresce consideravelmente. No questionamento três procuramos identificar quais são os mecanismos que a administração municipal vem utilizando para prestação de contas a sociedade. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 3. Caso a administração municipal preste contas a sociedade, quais são os mecanismos utilizados? Internet Publicação de demonstrações contábeis Reuniões periódicas com representantes da sociedade Não há prestação de contas Outros Respondentes Porcentagem 9 50,00 4 22,22 10 2 55,56 11,11 é feita de forma informatizada e enviada ao TCU todos os dados de cada mês Câmara Municipal de Caetanópolis 3. Caso a administração municipal preste contas a sociedade, quais são os mecanismos utilizados? Internet Publicação de demonstrações contábeis Reuniões periódicas com representantes da sociedade Não há prestação de contas Outros População em geral 3. Caso a administração municipal preste contas a sociedade, quais são os mecanismos utilizados? Respondentes Porcentagem 10 83,3 6 50,0 11 0 0 91,7 0,0 0,0 Respondentes Porcentagem 29 Internet Publicação de demonstrações contábeis Reuniões periódicas com representantes da sociedade Não há prestação de contas Outros 4 6 19,0 28,6 9 1 42,9 4,8 0,0 De acordo com a visão da população em geral, o mecanismo mais utilizado são as reuniões periódicas com representantes da sociedade com 42,9%. Os servidores da prefeitura e os membros da Câmara citaram dois mecanismos como mais utilizados: a Internet e as reuniões periódicas com representantes da sociedade. Depreende-se dessa análise que a população ainda não vê a internet como mecanismo utilizado pela gestão municipal. Em relação ao item quatro do questionário, que indaga sobre o nível de transparência na gestão municipal, temos os quadros a seguir. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 4. Como está o nível de transparência da gestão municipal da prefeitura? Respondentes Porcentagem Ruim 1 5,56 Regular 1 5,56 Bom 14 77,78 Ótimo 2 11,11 Câmara Municipal de Caetanópolis 4. Como está o nível de transparência da gestão municipal da prefeitura? Respondentes Porcentagem Ruim 0,0 Regular 2 16,7 Bom 7 58,3 Ótimo 3 25,0 População em geral 4. Como está o nível de transparência da gestão municipal da prefeitura? Respondentes Porcentagem Ruim 3 14,3 Regular 5 23,8 Bom 13 61,9 Ótimo 0 0,0 30 A partir da análise dos dados, pode-se concluir que a gestão municipal foi bem avaliada nos três grupos estudados no que diz respeito ao nível de transparência. Na questão cinco houve uma preocupação em identificar como ocorre a participação popular na elaboração do orçamento municipal. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 5. De que forma ocorre a participação popular na elaboração do orçamento municipal? De forma direta, coma participação da população em reuniões da Câmara, em consultas públicas, etc. De forma indireta, por meio de representantes de bairro, de conselhos, etc. Não há participação popular Outros. Quais? Respondentes Porcentagem 2 11,11 11 5 0 61,11 27,78 0,00 Câmara Municipal de Caetanópolis 5. De que forma ocorre a participação popular na elaboração do orçamento municipal? De forma direta, coma participação da população em reuniões da Câmara, em consultas públicas, etc. De forma indireta, por meio de representantes de bairro, de conselhos, etc. Não há participação popular Outros. Quais? Respondentes Porcentagem 4 33,3 1 7 0 8,3 58,3 0,0 População em geral 5. De que forma ocorre a participação popular na elaboração do orçamento municipal? De forma direta, coma participação da população em reuniões da Câmara, em consultas públicas, etc. De forma indireta, por meio de representantes de bairro, de conselhos, etc. Não há participação popular Outros. Quais? Respondentes Porcentagem 5 23,8 12 57,1 0,0 0,0 31 Um objetivo muito importante da LRF é a Responsabilidade Social, e a partir desse objetivo está previsto que deve haver a participação popular na discussão e elaboração dos planos e orçamentos. Sendo assim, com esse questionamento concluímos que a população no geral acredita que a participação se dá de forma indireta, por meio de representantes de bairro, de conselhos, etc. Já 58% dos membros da Câmara Municipal acredita que não há participação popular na elaboração do orçamento municipal. Os dados referentes aos servidores da prefeitura corroboram a opinião da população em geral. Na questão seis, buscamos avaliar a opinião dos entrevistados quanto à forma a ser utilizada para que se melhorem os mecanismos de prestação de contas da administração pública junto à sociedade. 76.2% dos entrevistados dos munícipes em geral veem a internet como meio de aprimorar a transparência. Julga-se, portanto, oportuno que a administração utilize os meios eletrônicos para tornar públicas as informações que dizem respeito à prestação de contas. A percepção dos entrevistados da Câmara Municipal diferiu da população em geral. 75% dos membros da Câmara acreditam que reuniões periódicas com a população é uma medida que aprimoraria a prestação de contas no município. Quanto aos servidores da prefeitura, 55% acreditam na divulgação dos dados pela internet como uma forma de aprimorar a prestação de contas, enquanto os 50% restantes veem as reuniões periódicas como uma alternativa de disseminação das contas do município. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 6. Em sua opinião, como você acredita que a prestação de contas pode ser aprimorada no município? Respondentes Porcentagem Divulgação pela internet (redes sociais, sites, etc) 10 55,56 Reuniões periódicas com a população 9 50,00 Outros. Quais? Câmara Municipal de Caetanópolis 32 6. Em sua opinião, como você acredita que a prestação de contas pode ser aprimorada no município? Respondentes Porcentagem Divulgação pela internet (redes sociais, sites, etc) 6 50,0 Reuniões periódicas com a população 9 75,0 Outros. Quais? 0,0 População em geral 6. Em sua opinião, como você acredita que a prestação de contas pode ser aprimorada no município? Respondentes Porcentagem Divulgação pela internet (redes sociais, sites, etc) 16 76,2 Reuniões periódicas com a população 9 42,9 Outros. Quais? Informativos mensais 0,0 A próxima pergunta busca extrair o conhecimento das pessoas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal. Percebe-se uma diferença entre os percentuais dos três grupos estudados. Dos servidores municipais entrevistados, 88% disseram conhecer a LRF, 100% dos entrevistados da Câmara assinalaram sim como resposta, em contrapartida 71,4% da população em geral afirmar deter esse conhecimento. Essa discrepância deixa evidente que as pessoas que estão diretamente envolvidas com a gestão municipal, de certo modo, estão mais familiarizadas com a Lei. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 7. É do seu conhecimento a Lei de responsabilidade Fiscal? Sim Não Respondentes Porcentagem 16 88,89 2 11,11 Câmara Municipal de Caetanópolis 7. É do seu conhecimento a Lei de responsabilidade Fiscal? Sim Não População em geral Respondentes Porcentagem 12 100,0 0 0,0 33 7. É do seu conhecimento a Lei de responsabilidade Fiscal? Sim Não Respondentes Porcentagem 15 71,4 6 28,6 Na questão oito foi apresentado o conceito de Responsabilidade Fiscal com o objetivo de apresentar essa definição aos entrevistados que ainda não tinha esse conhecimento ou aprimorar o conhecimento dos que já haviam informado na questão anterior que conheciam o termo. O conceito utilizado foi o seguinte - A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – Lei Complementar nº 101 – entrou em vigor em 4 de maio de 2000. Esta lei prevê um mecanismo de maior controle nas contas públicas: passa a haver maior rigor para que o governo não contraia empréstimos ou dívidas. É um mecanismo de fiscalização e transparência. A partir desse conceito foi feito o seguinte questionamento. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 8. Tendo como base esse conceito, você acredita que a gestão do município está agindo de acordo com tal legislação? Sim Não Respondentes Porcentagem 16 88,89 2 11,11 Câmara Municipal de Caetanópolis 8. Tendo como base esse conceito, você acredita que a gestão do município está agindo de acordo com tal legislação? Sim Não Respondentes Porcentagem 12 100,0 0 0,0 População em geral 8. Tendo como base esse conceito, você acredita que a gestão do município está agindo de acordo com tal legislação? Sim Não Respondentes Porcentagem 15 71,4 6 28,6 34 A partir dos dados expostos, observa-se que a gestão municipal atual tem sido bem avaliada no geral. Cabe salientar que, a grande maioria das pessoas diretamente envolvidas na administração publica municipal, sejam elas do executivo (88,89%) quanto do legislativo (100%), alem de conhecer o conceito de LRF também acredita na aplicação da mesma na gestão atual. Na questão nove, o enfoque foi temporal, pois houve uma preocupação em extrair a percepção dos entrevistados quanto a administração municipal dos últimos anos. Nesse sentido, vimos uma inversão da avaliação positiva percebida ate então. Ao serem questionados quanto à aplicação da LRF nos últimos anos, os próprios servidores da prefeitura (66%) e da Câmara (75%) demonstraram insatisfação quanto às gestões anteriores. Comparando os dados obtidos pelas respostas da população em geral, também se percebeu uma avaliação negativa das gestões passadas. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 9. Em sua opinião, isso vem ocorrendo no município nos últimos nos anos? Respondentes Porcentagem Sim 6 33,33 não 12 66,67 Câmara Municipal de Caetanópolis 9. Em sua opinião, isso vem ocorrendo no município nos últimos nos anos? Respondentes Porcentagem Sim 3 25,0 não 9 75,0 População em geral 9. Em sua opinião, isso vem ocorrendo no município nos últimos nos anos? Sim não Respondente s Porcentagem 7 33,3 14 66,7 A última questão apresentada tinha por objetivo entender qual a visão das pessoas sobre a participação ativa da população na gestão do município e se elas percebem a importância de serem cidadãos ativos nesse processo. O 35 que obtivemos com dados analisados, nos mostra praticamente unanimidade nas respostas, ou seja, as pessoas sabem da importância em serem participativos. No entanto, quando cruzamos os dados dessa questão com outros obtidos anteriormente, percebemos que a própria população não participa diretamente da elaboração do orçamento, deixando a cabo de representantes de bairro, associações, etc, esse tipo de papel. Servidores da prefeitura de Caetanópolis 10. Como cidadão do município de Caetanópolis, você entende a importância dessa participação de forma ativa? Respondentes Porcentagem Sim 18 100,00 Não 0 Câmara Municipal de Caetanópolis 10. Como cidadão do município de Caetanópolis, você entende a importância dessa participação de forma ativa? Respondentes Porcentagem Sim 11 91,7 Não 1 8,3 População em geral 10. Como cidadão do município de Caetanópolis, você entende a importância dessa participação de forma ativa? Respondentes Porcentagem Sim 21 100,0 Não 0 0,0 36 CONCLUSÃO O presente estudo explorou as percepções da população de Caetanópolis sobre transparência, accountability, prestação de contas e participação popular. Dentro disso, especificamente objetivou-se: conhecer a percepção do Executivo e do Legislativo quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal; identificar os canais e mecanismos de controle e transparência que propiciam maior participação dos cidadãos na gestão do município; verificar como se dá o processo de prestação de contas no município, na visão da população. Ao analisar os dados coletados no presente estudo, notou-se que os resultados desta pesquisa evidenciam o fato de que as pessoas no geral ainda não estão familiarizadas com a legislação vigente que trata sobre a gestão responsável do dinheiro publico. Ficando o exercício da democracia limitado à participação em eleições esporádicas, mostrando uma atitude passiva da população local. Campos (1990) já afirmava que a falta de base popular faz da democracia brasileira uma democracia formal, cujo traço distintivo é a aceitação passiva do domínio do Estado. Outro ponto a ser considerado diz respeito ao surgimento e fortalecimento da web como forma de compartilhamento da informação. A utilização da internet como instrumento de disseminação das informações e prestações de contas foi vista pelos entrevistados como uma boa alternativa, no entanto, eles não descartam a necessidade de reuniões presenciais com a população. Quanto à percepção do Executivo e do Legislativo no que diz respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal foi possível perceber que a maioria conhece sobre a Lei. Porém, algumas limitações importantes do estudo merecem atenção. Em primeiro lugar, conforme discutido na exposição dos procedimentos metodológicos, a população e amostra utilizadas seguiram critérios de conveniência, em decorrência do arcabouço da pesquisa. Deste modo, envolveu um restrito grupo de respondentes, necessitando que próximas pesquisas envolvam grupos diferentes, a fim de analisar como os resultados se comportam. 37 Constatou-se que o nível de accountability na gestão do município ainda não está satisfatório, segundo os dados coletados. Comparando a resposta dos servidores municipais com a resposta de população em geral, percebemos que por um lado, a administração municipal tem conhecimento de que as informações são divulgadas no internet, por outro lado, a população não detém esse conhecimento. Apesar de todos esses entraves, percebeu-se uma visão positiva em relação à gestão atual. Cabe salientar que essas conclusões fazem referência a gestão atual de Caetanópolis, a qual teve início em janeiro de 2013, portanto, sugere-se para próximos estudos, uma avaliação ao final da gestão, no intuito de verificar se as percepções permanecem as mesmas. A partir do estudo realizado, foi possível concluir que apesar das características e delimitações do próprio estudo, principalmente em relação à escolha da amostra a ser trabalhada, que inviabilizou a possibilidade de afirmações acerca da população de uma maneira geral, esta pesquisa permitiu suscitar desafios para o próprio crescimento econômico e social do município. Percebeu-se a necessidade de desenvolver formas de controle social sobre os recursos públicos a fim de que haja transparência e maior participação popular na gestão municipal, hoje ainda incipiente ou quase inexistente. 38 BIBILIGRAFIA CAMPOS, Anna Maria. Accountability: quando poderemos traduzi-la para o português? Rio de janeiro: Revista de Administração Pública, v. 24, p. 30-50, 1990. COSTA, Frederico Lustosa da. Brasil: 200 anos de Estado; 200 anos de administração pública; 200 anos de reformas. Revista de Administração Pública. Rio de Janeiro, v. 42, n. 5, Oct. 2008. 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Acesso em 3 de agosto de 2013. 41 ANEXOS PESQUISA PARA ELABORAÇÃO DE MONOGRAFIA PARA CONCLUSÃO DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA Ref.: Pesquisa Acadêmica para elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso de especialização em Gestão Pública Prezados e prezadas, Eu, Emília de Oliveira Faria, como aluna do curso de especialização em Gestão Pública, estou enviando esta correspondência a Prefeitura de Caetanópolis, visando à realização de um Trabalho de Conclusão de Curso que tem como objeto de estudo o município de Caetanópolis. O tema do meu trabalho é: Práticas de accountability: um estudo sobre a transparência no município de Caetanópolis Para que este objetivo possa concretizar-se, venho-lhe apresentar um questionário que embasará a minha pesquisa científica. Contando com sua fundamental colaboração, aguardo resposta. Não há respostas corretas ou incorretas, somente suas importantes opiniões. Todas as respostas serão tratadas confidencialmente. Não sendo necessária a identificação. Certo de sua valiosa contribuição para o desenvolvimento desta pesquisa, desde já agradeço. Atenciosamente, 42 1 – Marque na quadrícula correspondente a esquerda das opções, na qualificação pessoal: Faixa Etária Gênero Formação Acadêmica Até 30 anos Masculino Graduação De 31 a 35 anos Feminino Especialização – em curso De 36 a 40 anos Especialização – concluída De 41 a 50 anos Mestrado Acima de 50 anos Doutorado 2 – Questões específicas: 1. Você conhece o termo “Accountability”? ( ) Sim ( ) Não 2. Accountability pode ser traduzida também para o português, deficientemente, por "prestar contas". Accountability significa que quem desempenha funções de importância na sociedade deve regularmente explicar o que anda a fazer, como faz, por que faz, quanto gasta e o que vai fazer a seguir. Levando em consideração esse conceito, você acredita que a administração municipal tem prestado contas de sua atuação a população de Caetanópolis? ( ) Sim ( ) Não 3. Caso a administração municipal preste contas a sociedade, quais são os mecanismos utilizados? ( ) Internet ( ) Publicação de demonstrações contábeis ( ) Reuniões periódicas com representantes da sociedade ( ) Não há prestação de contas ( ) outros. Quais? ___________________ 43 4. Como está o nível de transparência da gestão municipal da prefeitura? ( ) Ruim ( ) Regular ( ) Bom ( ) Ótimo 5. De que forma ocorre a participação popular na elaboração do orçamento municipal? ( ) De forma direta, com a participação da população em reuniões da Câmara, em consultas públicas, etc. ( ) De forma indireta, por meio de representantes de bairro, de conselhos, etc ( ) Não há participação popular ( ) Outros. Quais? 6. Em sua opinião, como você acredita que a prestação de contas pode ser aprimorada no município? ( ) Divulgação pela internet (redes sociais, sites, etc) ( ) Reuniões periódicas com a população ( ) Outros. Quais? 7. É do seu conhecimento a Lei de responsabilidade Fiscal? ( ) Sim ( ) Não 8. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – Lei Complementar nº 101 – entrou em vigor em 4 de maio de 2000. Esta lei prevê um mecanismo de maior controle nas contas públicas: passa a haver maior rigor para que o governo não contraia empréstimos ou dívidas. É um mecanismo de fiscalização e transparência. Tendo como base esse conceito, você acredita que a gestão do município está agindo de acordo com tal legislação? ( ) Sim ( ) Não 44 9. Um objetivo muito importante desta lei é a Responsabilidade Social, e a partir desse objetivo está previsto que deve haver a participação popular na discussão e elaboração dos planos e orçamentos. Em sua opinião, isso vem ocorrendo no município nos últimos nos anos? ( ) Sim ( ) Não 10. Como cidadão do município de Caetanópolis, você entende a importância dessa participação de forma ativa? ( ) Sim ( ) Não