UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ENFERMAGEM
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
MESTRADO EM ENFERMAGEM
ANGELICA PEREIRA BORGES
O USO DE TECNOLOGIAS DO CUIDADO EM VISTA A
HUMANIZAÇÃO DO PARTO
Cuiabá-MT
2014
ANGELICA PEREIRA BORGES
O USO DE TECNOLOGIAS DO CUIDADO EM VISTA A HUMANIZAÇÃO DO
PARTO
Dissertação apresentada à banca avaliadora
do Programa de Pós-Graduação em
Enfermagem, da UFMT, como requisito
para obtenção do título de mestre em
Enfermagem.
Área de Concentração: Enfermagem e o
Cuidado à Saúde Regional
Linha de Pesquisa: Estudos do cuidado à
saúde
Orientadora: Profa Dra Janete Tamami
Tomiyoshi Nakagawa
Cuiabá-MT
2014
ANGELICA PEREIRA BORGES
O USO DE TECNOLOGIAS DO CUIDADO EM VISTA A HUMANIZAÇÃO DO
PARTO
Esta dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela Banca Examinadora para
obtenção do título de:
Mestre em Enfermagem.
E aprovada na sua versão final em 13 de fevereiro de 2014, atendendo às normas da
legislação vigente da UFMT, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, área de
concentração Enfermagem e o Cuidado à Saúde Regional.
___________________________________________
Profa.Drª. Rosemeiry Capriata de Souza Azevedo
Coordenadora do Programa
BANCA EXAMINADORA:
____________________________________________
Profa.Drª. Janete Tamami Tomiyoshi Nakagawa
Orientadora - Presidente da Banca
____________________________________________
Profa.Drª. Marcia Barbieri
Membro Efetivo Externo
____________________________________________
Profa.Drª. Áurea Christina de Paula Corrêa
Membro Efetivo Interno
_____________________________________
Prof. Dr. Ageo Mário Candido da Silva
Membro Suplente Interno
____________________________________________
Profa.Drª. Janine Schirmer
Membro Suplente Externo
Cuiabá-MT
2014
Dedico este trabalho à minha avó
(Gracélia Borges) que faleceu durante
meu processo do mestrado, deixando
saudades. A ti, minha querida vó.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Agradeço imensamente aos meus pais, Nete e Edenir, que são os meus maiores
incentivadores. Por tudo que fizeram e fazem por mim, por sempre me ensinarem que o
estudo e a produção do conhecimento é o que temos de mais valioso na vida. A eles
agradeço por todo o cuidado, amor, dedicação e paciência que tiveram comigo.
À minha irmã Gisele que é a minha melhor amiga, companheira, confidente. A
minha vida não teria a mesma graça se não fosse pela presença da minha irmã, sua
companhia e suas palavras de conforto fazem a diferença na minha vida. A melhor
amiga que Deus me deu foi a minha irmã.
Aos demais membros da minha querida família, por quem tenho um apreço
enorme. Por sempre me apoiarem e por sempre estarem ao meu lado com palavras
amigas e amorosas.
Agradeço também as minhas “irmãs-postiças” Adriany, Genilza e Majô que
Deus colocou na minha vida há dez anos e que desde então se tornaram as minhas
grandes amigas. Pessoas que me apoiam, me divertem, me dão conselhos, que brigam
comigo, mas que querem somente o meu bem. Muito obrigada por serem as minhas
“super amigas”. Amo muito vocês.
À minha “família do mestrado” Eliziani, Jackeline, Grasiele, Heidy, Hellen,
Ingrid, Débora, Glaucia, Nayara e Luciana, pois foi na presença delas que consegui
vencer os diversos obstáculos desses dois anos de estudo e dedicação. Vocês fizeram a
diferença nos diversos momentos de diversão e risadas, tristeza e desespero, portanto
agradeço pela presença na minha vida e pela amizade firmada.
À minha orientadora, Janete. Por toda a paciência que teve comigo, por todos os
ensinamentos, dedicação e companheirismo. A quem tenho uma admiração enorme.
Muito obrigada por facilitar o meu processo de ensino-aprendizagem e assim, poder
crescer como profissional e pesquisadora.
As demais colegas de faculdade e do mestrado, ao meu grupo de pesquisa, pois
sempre estivemos juntas, vencendo os obstáculos da vida. Por toda a dedicação,
companheirismo e amizade, obrigada!
Às minhas grandes incentivadoras e culpadas por eu me inserir neste programa
de mestrado, Áurea e Eveline. Agradeço imensamente a vocês duas por todas as
palavras de conforto, conselhos, e apoio incondicional. Agradeço pela amizade
construída ao longo da graduação e que se fortalece a cada dia.
RESUMO
BORGES, A. P. O uso de tecnologias do cuidado em vista a humanização do parto.
2014. 111 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Curso de Pós-Graduação em
Enfermagem, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2014.
Orientadora: Drª. Janete Tamami Tomiyoshi Nakagawa
O movimento da humanização da assistência ao parto tem se apresentado como uma
proposta de mudança para as práticas assistenciais vigentes, pois o parto realizado sob o
prisma da humanização reconhece a ideia da promoção de ações que visem uma atenção
obstétrica mais efetiva e de qualidade através da redução do uso inadequado de
tecnologias e da medicalização excessiva. Para tanto, acredita-se que a prática de
atividade física durante a gestação possa se constituir como estratégia desta mudança,
caracterizando-se em um tipo de tecnologia do cuidado obstétrico, pois a prática
sistemática de atividade física durante o período gestacional tem apresentado efeitos
positivos sobre a gestação, parto e nascimento. Este estudo teve como objetivo analisar
as condições de parto e nascimento de um grupo de gestantes que participaram de um
programa de atividade física, a fim de integrá-lo como uma tecnologia do cuidado
obstétrico. As participantes do estudo foram 160 gestantes inscritas no pré-natal de
Unidades de Estratégia Saúde da Família do município de Cuiabá- MT. O grupo de
exposição foi composto por 40 gestantes que praticaram exercícios físicos em 16
seções, e o grupo de não expostos compreendeu 120 gestantes que não participaram das
atividades propostas. O período do estudo ocorreu entre os meses de dezembro de 2012
a maio de 2013 e a coleta de dados referente ao parto e nascimento ocorreu nos
prontuários clínicos de três maternidades conveniadas ao SUS. Os resultados são
apresentados na forma de dois manuscritos. O primeiro analisou as práticas obstétricas e
os resultados maternos e fetais da assistência prestada no contexto do SUS no município
e constatou que as taxas de parto cesáreo e de práticas obstétricas são elevadas,
contatando o predomínio do modelo tecnicista de atenção ao parto. O segundo
manuscrito analisou o impacto da atividade física realizada durante a gestação sobre as
condições de parto e nascimento e demonstrou que houve associação da prática de
atividade física com o tipo de parto e com a prática de amniotomia, ocitocina e
episiotomia, revelando ainda que o risco para a ocorrência dessas práticas é maior nas
gestantes que não participaram do programa de exercícios físicos com RR > 1. Quanto
às condições de nascimento, a atividade física mostrou associação apenas com o peso de
nascimento. Conclui-se que a prática de atividade física durante o período gestacional
apresentou resultados satisfatórios sobre as condiçoes materno-fetais destacando-se
como uma tecnologia de cuidado obstétrico.
Palavras-chave: Atividade física; Humanização; Parto; Enfermagem Obstétrica.
ABSTRACT
BORGES, A. P. O uso de tecnologias do cuidado em vista a humanização do parto.
2014. 111 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Curso de Pós-Graduação em
Enfermagem, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2014.
Orientadora: Drª. Janete Tamami Tomiyoshi Nakagawa
The movement for humanization in childbirth has been anoption to change the current
healthcare practices,when the delivery is done from the humanization perspective
itacknowledge the idea of promoting actions that aims more effective and qualified
obstetric care through reducing the inappropriate use of technology and the excessive
medicalization. It is believed that the practice of physical exercises during pregnancy
may be considered a strategy to this change in procedures, due to its positive effects
during the pregnancy period, labor and birth it is characterized as a type of obstetric care
technology. This study aimed to analyze the labor and birth conditions of a group of
women who participated in a program of physical exercises in order to integrate it as a
technology obstetric care. There were 160 pregnant women enrolled in prenatal of the
Family Strategy Health Units in Cuiabá - MT. The exposed group consisted of 40
women who participated of16 sectionsof physical exercises, and 120 pregnant women
were part of the non-exposed group who did not participate in the proposed activities.
The study period occurred from December 2012 to May 2013 and the data related to
labor and birth were collectedfrom the clinical records of three public hospitals part of
the SUS system. The results are presented in two manuscripts. The first examined the
obstetric practice and the maternal and fetal outcomes of care provided by SUS and it
was found high rates of caesarean sections and obstetric practices and the predominance
of the technical model of childbirth care. The second manuscript examined the impact
of physical exercises during pregnancy on the conditions of labor and birth and showed
that there was an association of physical activity with the type of delivery and the
practice of amniotomy, oxytocin and episiotomy, revealing further that the risk for the
occurrence of these practices is higher among those who did not participate in the
exercise with RR > 1 program. Regarding the conditions of birth, physical
exerciseswere associated only with the birth weight. As a conclusion physical exercises
during pregnancy has produced satisfactory results on maternal and fetal conditions
standing out as an obstetric caretechnology.
Keywords: physical activity; Humanization; Childbirth; ObstetricalNursing.
RESUMEN
BORGES, A. P. O uso de tecnologias do cuidado em vista a humanização do parto.
2014. 111 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Curso de Pós-Graduação em
Enfermagem, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2014.
Orientadora: Drª. Janete Tamami Tomiyoshi Nakagawa
El movimiento de lahumanizacióndel parto se ha presentado una propuesta para cambiar
lasprácticas de saludactuales, puesto que eltrabajo de parto hecho desde la perspectiva
de lahumanizaciónreconocelaidea de facilitar acciones dirigidas para una atención
obstétrica más eficaz y de calidad por medio de lareduccióndel uso inadecuado de
latecnología y lamedicalizaciónexcesiva. Para ello se cree que lapráctica de laactividad
física mientraselembarazopuedeconvertirseenestrategia para este cambio y
caracterizarse como una tecnología para laatención obstétrica, una vez que lapráctica
sistematizada de actividad física mientraselembarazopresentóefectos positivos para
elembarazoeltrabajo de parto y elnacimiento. Este trabajo académico tuvo como
objetivo analizarlas condiciones de trabajo de parto y nacimiento de un grupo de
mujeresembarazadas que participaronenun programa de actividad física conlafinalidad
de integrarlo como una tecnología para laatención obstétrica. Las participantes de este
trabajofueron 160 mujeresembarazadas participantes de laatenciónprenatal de Unidades
de Estrategia de da Salud Familiar de Cuiabá -MT. El grupo de exposiciónconsistióen
40 mujeres que realizanejercicios físicos en 16 secciones y el grupo de no expuestas
consta de 120 mujeres que no participaronenlasactividadespropuestas. El período de
estudio se produjo entre los meses de diciembre de 2012 y mayo de 2013 y larecogida
de datosdeltrabajo de parto fue por medio de loshistoriales médicos de treshospitales
para lamaternidadsuscritos al Sistema Único de Salud (SUS). Los resultados se
dividenen dos. El primeroexaminólapráctica obstétrica y los resultados maternos y
fetales de laatención prestada y relativas al SUS enelmunicipio y se encontró que
lastasas de parto por cesárea y lasprácticas obstétricas son altos, donde se
veelpredominiodel modelo técnico de laatencióndel parto. El segundo examinóel
impacto de laactividad física practicadamientrasel período delembarazoenlas
condiciones del parto y elnacimiento y demostró que huboasociación de laactividad
física conel tipo de trabajo de parto y conlapráctica de laamniotomía, ocitocina y
laepisiotomía, que ademásreveló que elriesgo para laocurrencia de estas prácticas es
mayor entre aquellas que no participarondel programa de ejercicios físicos, con RR > 1.
Encuanto a las condiciones de nacimientolaactividad física mostróasociaciónsóloconel
peso al nacer. Se concluye que lapráctica de actividad física mientrasel período de
embarazo se produjo resultados satisfactoriosenlas condiciones maternas y fetales y que
se destacan como una tecnología de laatención obstétrica.
Palabras clave: Actividad física; Humanización; El Parto; Enfermería Obstétrica.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 -
Exercícios físicos em solo para fortalecimento muscular................
100
Figura 2 -
Exercícios aquáticos para trabalho cardiorrespiratório....................
100
Figura 3 -
Exercícicios aquáticos recreativos..................................................
101
Figura 4 -
Exercícicios aquáticos para fortalecimento muscular......................
101
Figura 5 -
Técnica de massagem Shantalla...........................................................
102
Figura 6 -
Customização do enxoval.....................................................................
102
Figura 7 -
Atividade educativa prática sobre o parto............................................
103
Figura 8 -
Atividade educativa sobre parto e cuidados com o RN...................
103
Figura 9 -
Avaliação física da flexibilidade articular........................................
104
Figura 10 -
Avaliação física da composição corporal.........................................
104
Figura 11 -
Interação com as gestantes...............................................................
105
LISTA DE TABELAS
MANUSCRITO 1
Tabela 1 -
Aspectos sócio-demográficos e obstétricos das parturientes segundo o tipo
de parto, Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160......................................................
Tabela 2 -
Intervenções obstétricas realizadas na assistência ao parto normal. Cuiabá,
MT, 2012/2013, n=99....................................................................................
Tabela 3 -
45
Frequência das indicações de cesarianas em primigestas*. Cuiabá, MT,
2012/2013, n=61............................................................................................
Tabela 4 -
43
46
Complicações/intercorrências obstétricas e fetais segundo o tipo de parto.
Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160.....................................................................
46
MANUSCRITO 2
Tabela 1 -
Características sócio-demográficas das parturientes, Cuiabá, MT,
2012/2013, n=160..........................................................................................
Tabela 2 -
Prática de exercícios físicos durante a gestação associado ao tipo de parto,
Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160.....................................................................
Tabela 3 -
65
Prática de exercícios físicos durante a gestação associada à realização de
intervenções durante o trabalho de parto, Cuiabá, MT, 2012/2013, n=99.....
Tabela 4 -
65
66
Prática de exercícios físicos durante a gestação associada às condições de
nascimento, Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160.................................................
68
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLA
ACS
Agente Comunitário de Saúde
CC
Composição Corporal
DCP
Despreporção cefálo-pélvica
EST
Estatura
ESF
Estatégia Saúde da Familia
FA
Flexibilidade Articular
FC
Frequencia Cardíaca
IMC
Indice de Massa Corporal
PA
Pressão Arterial
RN
Recém- Nascido
OMS
Organização Mundial da Saúde
UFMT
Universidade Federal de Mato Grosso
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 16
2. OBJETIVOS ............................................................................................................... 25
2.1 GERAL ................................................................................................................. 25
2.2 ESPECÍFICOS ...................................................................................................... 25
3. REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................. 26
3.1 O cuidado e as tecnologias em saúde para a sua concretização ............................ 26
3.2 Os benefícios da atividade física no período gestacional ..................................... 29
3.3 A atividade física no período gestacional: uma nova tecnologia de cuidado ....... 32
4. METODOLOGIA....................................................................................................... 35
4.1 Desenho do estudo ................................................................................................ 35
4.2 Local do estudo ..................................................................................................... 35
4.3 Amostra populacional ........................................................................................... 36
4.4 Passos metodológicos para a coleta de dados ....................................................... 37
4.4.1 Momento 1 – Procedimento de coleta de dados na busca pelos participantes
da pesquisa .............................................................................................................. 38
4.4.2 Momento 2 – Projeto de pesquisa: Oficina do corpo ..................................... 38
4.4.3 Momento 3 – Procedimento de coleta de dados do parto e nascimento ........ 42
4.5 Variáveis do estudo ............................................................................................... 42
4.6 Tratamento e análise dos dados ............................................................................ 42
4.7 Fonte financiadora ................................................................................................ 43
4.8 Teste piloto ........................................................................................................... 43
4.9Aspectos Éticos ...................................................................................................... 43
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................... 44
5.1 CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE PARTO E NASCIMENTO DE
GESTANTES PRIMIGESTAS NO MUNICIPIO DE CUIABÁ-MT ....................... 45
5.2 A ATIVIDADE FÍSICA COMO TECNOLOGIA DE CUIDADO NA
QUALIFICAÇÃO DA ATENÇÃO OBSTÉTRICA .................................................. 65
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 82
7. REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 85
APÊNDICES .................................................................................................................. 94
APÊNDICE A – Instrumento de coleta de dados ....................................................... 95
APÊNDICE B – Ficha de dados físicos .................................................................... 102
APÊNDICE C – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .............................. 104
APÊNDICE D – Registro fotográfico das atividades da oficina do corpo ............... 105
ANEXOS ...................................................................................................................... 111
ANEXO 1 – Termo de Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa ....................... 112
16
1. INTRODUÇÃO
Durante a gravidez, a mulher necessita de cuidados e de acompanhamento prénatal, cuja finalidade é acolhê-la desde o princípio da gestação, certificando o
nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem-estar de ambas (BRASIL,
2006). A assistência pré-natal possibilita a identificação precoce de sinais e sintomas
preveníveis e de fatores de risco para morbidade e mortalidade materna e neonatal
(PEIXOTO et al., 2011).
As políticas de atenção à saúde reprodutiva vêm se consolidado nas últimas
décadas, cujo início se deu no ano de 2000, com o lançamento do Programa de
Humanização do Parto e Nascimento (PHPN) como importante estratégia para assegurar
a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da
assistência ao parto e puerpério às gestantes e ao recém-nascido, na perspectiva dos
direitos de cidadania (BRASIL, 2002).
O lançamento de políticas nos anos posteriores, como o Pacto Nacional pela
Redução da Mortalidade Materna e Neonatal em 2004, a Política Nacional de Atenção
Obstétrica e Neonatal (PNAON) em 2005, e a Rede Cegonha em 2011 trouxe novos
elementos fundamentais para a consolidação dos direitos no campo da saúde
reprodutiva e na qualificação da atenção obstétrica no país.
No Brasil, durante os primeiros anos de implantação do PHPN, foi possível
verificar o aumento da cobertura da assistência pré-natal e dos exames básicos
recomendados pelo programa. No ano de 2006, elevou-se para 88% o percentual de
gestantes com filhos nascidos vivos que realizaram 4 consultas. No município de
Cuiabá, seguindo a tendência nacional, houve um aumento significativo da cobertura do
pré-natal. Em 2009, o percentual de gestantes com filhos nascidos vivos que fizeram de
4 a 6 consultas pré-natal foi de 30,7% e com 7 ou mais consultas foi de 64,2%,
totalizando 94,9% das mesmas com 4 ou mais consultas (BRASIL, 2012).
Apesar do considerável aumento do número de consultas durante a assistência
pré-natal, observa-se que a gestante necessita de cuidados que vão além das ações
preconizadas pelo Ministério da Saúde, que poderiam ser incorporadas e desenvolvidas
durante a gestação. Desse modo, vislumbra-se o preparo corporal para o aumento do
condicionamento físico da mulher durante o período gestacional, a fim de encorajá-la
para o parto normal e promover um nascimento saudável.
17
O momento do parto é um acontecimento de grande importância na vida da
mulher, apresentando-se como um evento único e caracterizado por um misto de
sentimentos, denotando uma etapa bastante significativa para a parturiente e seus
familiares.
Gravidez e nascimento representam mais do que simples eventos biológicos.
Embora a fisiologia do parto seja a mesma universalmente, a parturição é realizada de
modos extremamente diferentes pelos grupos de pessoas. O parto nunca é tratado de
forma apenas fisiológica, pois é um evento biossocial, ou seja, uma função biológica
universal inserida numa matriz social específica de cada cultura (JORDAN, 1993).
Por um longo período, as atividades relacionadas ao parto e nascimento foram
desvalorizadas, cuja responsabilidade se limitou às mulheres parteiras ou curandeiras.
No entanto, a partir da valorização da obstetrícia instaurou-se a ideia de que o
nascimento era um momento perigoso e necessitava da presença de um médico, fazendo
com que o discurso preponderante elevasse este profissional à figura principal dentro do
processo do parto (NAGAHAMA; SANTIAGO, 2005). Segundo as mesmas autoras, o
movimento que caracteriza a figura do homem dentro do processo parturitivo,
representada pelo médico, simboliza a transformação do parto em um momento
racionalizado e público, culminando com a defesa da hospitalização e criação de
maternidades para assisti-lo.
O processo de hospitalização do parto tornou-se realidade em diversos países do
mundo, a partir da metade do século XX, tomando grandes proporções e dominando a
assistência ao parto sem que houvesse concretas evidências científicas quanto a sua
seguridade em relação ao parto domiciliar ou aqueles realizados em casas de parto
(DINIZ, 2005).
A hospitalização passa a dominar o cenário parturitivo e, consequentemente, a
hegemonia médica assume uma posição concreta sobre o corpo feminino, culminando
na medicalização e institucionalização do parto e caracterizando a mulher como um ser
manipulável e objeto deste processo. A partir disso, a atenção obstétrica passou por
muitas transformações, recebendo de forma consubstancial diversas ações de caráter
intervencionista sobre a evolução fisiológica do parto, caracterizando-o como
patológico e consequentemente caminhando para a sua medicalização (SEIBRT et al.,
2005). Nesse ínterim, o cuidado de enfermagem também recebeu forte influência do
processo intervencionista culminando no desenvolvimento de práticas obstétricas
consideradas, atualmente, desnecessárias.
18
Os elevados índices de partos cirúrgicos, episiotomias, amniotomias e uso
rotineiro de ocitocinas são alguns exemplos dessas práticas utilizadas de forma
indiscriminada pelos profissionais de saúde, podendo gerar riscos e desconfortos físicos
à mulher, suscitando um aumento significativo de partos prematuros devido a
interrupção eletiva e falta de indicação clínica precisa no caso do uso abusivo de
cesarianas como via de parto (SILVEIRA et al., 2008).
As taxas de cesarianas estão se elevando em grande parte dos países do mundo.
No Brasil, foram registrados elevados níveis de partos cirúrgicos, alcançando uma
média de 53,7 % entre os serviços públicos e privados no ano de 2011. Em Mato
Grosso, esse procedimento alcançou a taxa de 57,5% (BRASIL, 2013). Tais dados
superam a recomendação da OMS (1985), que preconiza, no máximo, 15% do total de
partos.
O uso indiscriminado da tecnologia no parto que por um lado surgiu com a
intenção de qualificar a assistência suscitou a desvalorização das relações humanas
empobrecendo e desqualificando o sofrimento físico e emocional. Nesse contexto, há
cerca de 30 anos, surgiu um movimento internacional com vistas a qualificar a interação
entre profissional e parturiente através do uso racional de tecnologia apropriada,
conhecido no Brasil como humanização do parto (DINIZ, 2005).
A humanização da assistência surge a partir de diversas reflexões acerca das
práticas clínicas de atendimento e como uma crítica ao modelo médico dominante
(DESLANDES, 2005). Na assistência ao parto, o corpo feminino ganha destaque ao ser
redescrito como apto para o processo de nascimento, na maioria das vezes, sem
intervenções e sequelas previsíveis. O parto deixa de ser um evento perigoso e ganha
uma nova face onde são permitidos elementos antes considerados indesejáveis como
dores, gemidos, contato corporal (DINIZ, 2005).
A discussão em torno da humanização é uma versão brasileira para o movimento
denominado “gentlebirth” nos países de língua inglesa, caracterizando o sentido de
cuidado nas relações pessoais (DINIZ, 2001). Para a autora, os primeiros movimentos
por um parto humanizado traduzia, de certa forma, uma reflexão acerca das práticas
vigentes de assistência ao parto seguida de uma proposta de mudança que valorizasse a
mulher e sua autonomia no processo de nascimento.
Neste aspecto, o parto foi adquirindo novas abordagens e, a partir de 1950,
surgia na Europa os primeiros movimentos pelo parto sem dor, através do método DickRead (parto sem medo); Lemaze e Leboyer (parto sem violência) seguindo
19
posteriormente para a vertente do parto natural defendido pelo movimento hippie. Nas
décadas seguintes, com o advento do feminismo, outros modelos de parto foram
redesenhados a partir dos direitos reprodutivos e sexuais femininos propondo uma
abordagem psicossexual do parto defendido por ScheilaKitzinger, em 1985, e a
redescrição da fisiologia do parto de Michel Odent, em 2000 (DINIZ, 2005).
A proposta de parto ativo de Janet Balaskas, em 1996, propunha um foco ativo
sob os aspectos físicos e emocionais da mulher, reintegrando-a ao processo parturitivo
através de ações educativas que a fizessem assumir seu papel protagonista durante o
parto e nascimento (DINIZ, 2001).
Todas essas abordagens denotam um novo sentido para a organização da
assistência ao parto convergindo em uma crítica ao acentuado uso de tecnologias que
sinalizam a desvalorização e passividade da mulher no processo de parto e nascimento.
O modelo de humanização propõe analisar criticamente a racionalidade do
modelo atual que se apresenta para a assistência à saúde, destacando as ações
relacionais, a centralidade do diálogo e a valorização dos sujeitos inseridos no processo
de cuidados à saúde (AYRES; DESLANDES, 2005). Este novo modelo permite que os
profissionais de saúde possam atuar de forma integrada e de acordo com as reais
necessidades da mulher, superando a fragmentação da assistência tão presente no
modelo atual de atenção ao parto, a fim de que as ações dos profissionais médicos e não
médicos possam contribuir para um cuidado mais efetivo (DIAS; DOMINGUES, 2005).
O conceito de humanização do parto valoriza a intersubjetividade e prima pelo
estabelecimento de relações democráticas entre os sujeitos inseridos neste processo,
convidando-os a refletir sobre a melhoria da comunicação e respeito às diferenças.
Nesta perspectiva, a humanização da assistência se efetiva a partir de uma atuação
concreta dos profissionais de saúde em estimular uma participação mais ativa da
mulher, priorizando o uso de tecnologias de cuidado apropriadas na assistência
obstétrica (DIAS; DOMINGUES, 2005).
Vários estudos que se propuseram a estudar as tecnologias de cuidado utilizadas
pela enfermagem evidenciaram que seu uso caracteriza-se pelas práticas que a
enfermagem vem realizando para assistir ao trabalho de parto e parto, configurando-se
em estratégias alternativas ao modelo vigente que favorece o uso da técnica em
detrimento das relações humanas (KOERICH et al., 2006).
O uso de tecnologias de cuidado para atender a parturiente abrange práticas
específicas para o momento de trabalho de parto e parto e envolve ações não
20
farmacológicas para alívio da dor, práticas de conforto, movimentos que facilitem a
passagem do feto pelos trajetos duro e mole, melhor dilatação do colo uterino e
diminuição do tempo de trabalho de parto com boa evolução dos períodos de descida e
expulsão (GOMES, 2010).
Concordando com Progianti, Lopes e Gomes (2003) que o uso de tecnologias de
cuidado na atenção obstétrica possibilita a experiência do parto como um momento mais
íntimo para a mãe e filho, além de reconhecer a individualidade e suas necessidades
específicas, acredita-se que essas práticas poderiam ser criadas como recursos do
cuidado em enfermagem obstétrica.
O uso de tecnologias do cuidado voltadas para a humanização do parto é
consenso na literatura e, conforme as recomendações da OMS (1985), o suporte durante
o parto é tido como uma prática de fortes evidências científicas sobre seus benefícios
constituindo-se de: suporte emocional tais como encorajamento e motivação, medidas
de conforto físico como toque, massagens e banhos, informações sobre a progressão do
trabalho de parto, comunicação com a equipe e apoio familiar expresso pela presença de
acompanhante no momento do parto (BRASIL, 2008).
No contexto desta discussão, considera-se que o cuidado corporal seja uma
forma de oferecer um suporte para o momento do parto, partindo da ideia de que a
atividade física durante a gestação conforma-se como uma tecnologia de cuidado
obstétrico.
Entendemos que o preparo corporal deve acontecer durante todo o período
gestacional a fim de promover um cuidado mais amplo à gestante, pois a prática regular
de exercícios físicos, nesta fase, tem a finalidade de promover melhores condições
cardiorrespiratórias, prevenção e redução de lombalgias, relaxamento, fortalecimento da
musculatura pélvica, maior flexibilidade e tolerância à dor do parto (BATISTA et al.,
2003).
Partindo-se desta perspectiva surgiu o interesse em pesquisar sobre tecnologias
inovadoras de cuidado que favoreçam a humanização do parto. Assim, buscou-se
experimentar um programa de atividades físicas voltado para o fortalecimento dos
tecidos abdominais e perineais envolvidos no parto com o objetivo de que o nascimento
transcorra de forma saudável.
A atividade física tem sido uma prática bastante divulgada como um elemento
responsável por estimular a inserção e o fortalecimento de ações que visem respostas
satisfatórias ao movimento de melhorias das condições de vida refletindo na adoção de
21
um estilo de vida saudável. O estilo de vida pode ser entendido como uma “forma de
vida que se baseia em padrões de comportamentos identificáveis, determinados pela
interação entre as características pessoais individuais, interações sociais e as condições
socioeconômicas e ambientais” (OMS, 1998).
Ainda de acordo com a OMS, a prática de atividade física é observada como um
comportamento identificável no sentido de potencializar a qualidade de vida da
população mediante práticas rotineiras de cuidado com o corpo, presumindo um estilo
de vida ativo. Dessa representação deriva a formulação de que a atividade física se
comporta como um meio de fortalecer a autoestima, de desenvolver mecanismos de
autoajuda e de cuidados com o corpo.
Diversos estudos epidemiológicos apontam para a ideia de adoção de um estilo
de vida ativo como forma de compor melhor qualidade de vida à população
(AMERICAN
ASSOCIATION,
COLLEGE
2007;
OF
SPORTS
ANDREWS,
MEDICINE/AMERICAN
1990;
CASPERSEN,
HEART
POWELL,
CHRISTENSON, 1985; CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION,
1997). Uma forma de vida mais ativa é fator de proteção e prevenção do surgimento de
algumas doenças como diabetes, hipertensão, estresse, obesidade e doenças
cardiovasculares.
Desde a antiguidade, escritos gregos, romanos e orientais já traduziam uma
associação positiva entre a prática de exercícios e a saúde procurando associá-la com os
movimentos de recuperação, manutenção e promoção da saúde (MATSUDO et al.,
2002). Embora, somente com pesquisas mais recentes tenha sido possível estabelecer tal
relação.
De forma consensual, a literatura aponta que a prática regular de atividade física
influi diretamente sobre o desempenho pessoal do indivíduo causando, de maneira
geral, uma melhoria substancial das condições de saúde física e mental.
Caspersen, Powell e Christenson (1985) definem a atividade física como
qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte em
gasto de energia, agrupando movimentos amplos como andar, subir escadas, atividades
de lazer, esportivas e laborais. Já o exercício é definido como uma atividade física a ser
realizada de forma planejada e sistematizada, ou seja, há uma regularidade quanto à
frequência, duração e intensidade da atividade, objetivando aumento ou manutenção da
aptidão física.
22
Relacionando a atividade física com o campo obstétrico, estudos apontam que a
sua prática regular é altamente recomendada às gestantes por afetar, de forma positiva,
diversos segmentos corporais. Todas as gestantes que não apresentam contraindicações
devem ser estimuladas a realizar exercícios durante a gravidez a fim de contemplar o
desenvolvimento cardiorrespiratório, de resistência muscular e alongamento (ARTAL;
O’TOOLE, 2003).
As evidências atuais mais fortes vêm demonstrando que a prática de atividade
física realizada de forma sistemática durante o período gravídico resulta em efeitos
seguros e benéficos para mãe e filho (MATIJASEVICH, DOMINGUES, 2010;
TAKITO, BENICIO, 2010; TAKITO, BENICIO, NERI, 2009; CLAPP et al., 2002;
BATISTA et al., 2003; SCHLÜSSEL et al., 2008; HAAKSTAD, BØ, 2011,
NASCIMENTO et al., 2011).
Estudo realizado no município de Rio Grande – RS, em 2007, sobre a
prevalência de atividade física na população gestante constatou que 32,8% da amostra
investigada relatou praticar alguma atividade física durante a gestação e ao associar esta
prática com os desfechos maternos- infantis, verificou-se menor prevalência de cesárias
e natimortos entre as mulheres que faziam exercícios na gestação (DUMITH, et al.,
2012).
Em todas as mudanças que ocorrem no corpo durante a gestação, os exercícios
têm a função de auxiliar no alívio de dores comuns a esse período e no preparo dos
músculos do assoalho pélvico para o nascimento, pois exercitando esses músculos com
antecedência tem-se melhor controle sobre eles durante o trabalho de parto a fim de
garantir boas condições durante o período expulsivo (KATZ, 1999).
As novas diretrizes de atividade física, divulgadas em 2008, dedicam uma seção
às gestantes e puérperas, garantindo que a prática regular de atividade física aumenta a
aptidão cardiorrespiratória e metabólica sem aumentar os riscos para baixo peso ao
nascer, prematuridade ou perda de gravidez precoce (DEPARTMENT OF HEALTH
AND HUMAN SERVICES, 2008).
Alguns estudos têm apontado que a prática sistemática de atividade física
apresenta-se como fator de proteção para peso inadequado ao nascer (CLAPP et al.,
2002; TAKITO, BENICIO, NERI, 2009; TAKITO, BENICIO, LATORRE, 2005), e
prematuridade (DOMINGUES; BARROS; MATIJASEVICH, 2008), além da redução
de dores lombares com aumento da flexibilidade (GARSHASBI; ZADEH, 2004),
ampliando assim o consenso de que a prática regular de atividade física em diversos
23
momentos do período gestacional contribui positivamente para a saúde materna e
desfechos ao recém-nascido.
Observa-se assim que a prática de atividade física durante a gestação se mostra
como um fator benéfico para mãe e filho e se integra como uma tecnologia do cuidado
obstétrico, pois estabelece uma relação terapêutica entre os sujeitos, possibilitando um
olhar diferenciado e especializado para a atenção à gestante.
Nesta perspectiva, entende-se que as práticas em saúde mais atuais se alicerçam
nos princípios do movimento humanístico que consiste em uma corrente de pensamento
que faz uso de condutas não convencionais para caracterizar a assistência obstétrica,
refutando o modelo médico-intervencionista (SEIBERT et al., 2005).
Acredita-se que a prática de atividade física durante a gestação possa se
caracterizar como uma ação de mudança das práticas no âmbito da humanização do
parto, baseando-se em efeitos esperados sobre o parto e nascimento a fim de atender às
necessidades individuais das parturientes. A utilização desses efeitos pretende garantir,
portanto, uma assistência individualizada, segura e eficaz, significando a atividade física
uma forma de cuidado prestado à mulher durante o ciclo gravídico-puerperal.
Considera-se que a grande importância deste estudo reside no fato de que os seus
resultados possam contribuir com a redução do número de partos operatórios e no
encorajamento da mulher para o parto normal, uma vez que a divulgação de seus
resultados pode estimular os sujeitos do processo – mulher e profissional – a atuarem de
forma ativa na busca por mudanças na assistência obstétrica.
Ressalta-se que a promoção da atividade física como uma proposta de inserção
no campo de domínio das práticas obstétricas como oferta de cuidado integral à
gestante/parturiente, configurando-se como um tipo de tecnologia de cuidado é uma
ideia nova e que ainda não foi difundida através dos meios científicos. Sendo assim,
esta pesquisa pretende ser um instrumento de apoio aos profissionais do cuidado
obstétrico, capaz de aprimorar os cuidados ofertados incentivando a prática do parto
normal com o mínimo de intervenção no processo.
As perguntas que nortearam este estudo foram: a prática de exercícios físicos
durante a gestação favorece o parto normal e repercute sobre as condições de parto e
nascimento? O preparo corporal, através da prática de exercícios físicos, pode se
constituir como uma tecnologia do cuidado na assistência à gestante?
24
Nesse sentido, este estudo se propõe a estudar os efeitos do exercício físico
realizado durante a gestação sobre o parto e nascimento, a fim de contribuir para a
qualificação da assistência obstétrica e humanização do parto e nascimento.
25
2. OBJETIVOS
2.1 GERAL
Analisar as condições de parto e nascimento de um grupo de gestantes que
participou de um programa de atividade física, a fim de integrá-lo como uma tecnologia
do cuidado obstétrico.
2.2 ESPECÍFICOS

Analisar a condução do trabalho de parto e do parto, as intercorrências e os
cuidados obstétricos dispensados às parturientes a partir da internação hospitalar
e após o nascimento;

Analisar as condições de nascimento, peso ao nascer, idade gestacional ao
nascer, escores de Apgar e principais complicações no nascimento;

Analisar a associação entre a prática de atividade física e as vias de parto,
condições maternas e de nascimento.
26
3. REVISÃO DE LITERATURA
Apresentaremos a seguir os conceitos que embasam o corpo teórico deste estudo
a fim de instigar uma reflexão acerca da relação entre a prática de atividade física
realizada durante a gestação e as tecnologias do cuidado em enfermagem obstétrica.
3.1 O cuidado e as tecnologias em saúde para a sua concretização
A palavra cuidado deriva do latim cura que, em sua forma mais antiga,
expressava a atitude de cuidar da pessoa amada usualmente utilizada num contexto
relacional de amor e amizade (BOFF,1999). Para este autor, o cuidar engloba o
desenvolvimento de atitudes, que por sua vez geram muitos atos expressos através de
comportamentos e exteriorização de um propósito.
Segundo Ferreira (2004), cuidado significa responsabilidade, desvelo, cautela.
Entretanto, o cuidado representa algo maior que um ato ou uma responsabilização pelo
outro, pois faz parte da existência humana como afirma o filósofo alemão Martin
Heidegger (1899-1976) conhecido como o filósofo do cuidado. A partir de Heidegger,
Boff (1999) considera, de acordo com a argumentação do filósofo, que o cuidado deve
ser observado do “ponto de vista existencial”, pois a priori em qualquer atitude o
homem detém o cuidado, uma vez que faz parte do seu existir. Nessa perspectiva, o
cuidado revela-se como uma atitude fundamental da natureza humana, significando um
modo de ser, isto é, exprime a maneira pela qual o homem se estrutura com os outros e
com todas as coisas existentes no mundo. O cuidado é inerente ao ser humano e,
portanto, todas as suas ações estão imbuídas de cuidado.
Waldow (2007) também compartilha da concepção de que o homem se expressa
através do cuidado. A capacidade de cuidar encontra-se enraizada na natureza do
humano e implica colocar-se no lugar do outro de maneira responsiva, capaz de
desenvolver habilidades para exercitar e expressar o interesse por momentos específicos
da vida do outro.
O cuidado visto e entendido a partir de um modo de ser representa uma atividade
de ajuda, em prol de algo ou alguém em situação de desfavorecimento, promovendo
autorrealização e crescimento pessoal para aquele que exerce o cuidado (WALDOW,
27
2007). Nesse sentido, quando remetemos ao cuidado em saúde, essas características são
expressas através do campo relacional estabelecido entre o profissional e o indivíduo.
Segundo Koerichet al. (2006), para que o cuidado se estabeleça de forma efetiva,
é preciso nos responsabilizar pela qualidade dos serviços prestados, usufruindo de toda
a tecnologia possível em termos de estruturação de saberes e conhecimento em prol do
usuário.
A introdução do termo tecnologia no campo da saúde designou uma ampliação
de seu significado sendo classificadas por Merhy (2000) em: tecnologias leves que
compreendem as inter-relações humanas, tais como o acolhimento, a responsabilização
e o vínculo; tecnologias leve-duras que englobam a estruturação do conhecimento e que
permeiam os processos de trabalho em saúde, como a clínica médica e epidemiológica;
e tecnologias duras constituídas por máquinas, equipamentos, exames que se expressam
através de um trabalho sistematizado.
O termo tecnologia tem sido relacionado, ultimamente, com a organização e
sistematização de atividades, como é observado no processo de trabalho de enfermagem
não sendo indicado somente para o desígnio de máquinas e equipamentos, pois
conforme Meier (2004), a tecnologia de enfermagem reúne os conhecimentos
científicos e empíricos na concretização do cuidado humano, pois é nesse momento que
o enfermeiro expressa em seu processo de trabalho a reflexão analítica e ética de suas
ações efetivadas no ato de cuidar.
Para Koerichet al. (2006), produzir tecnologia é produzir objetos que podem ser
tanto materiais quanto de ordem simbólica, a fim de satisfazer necessidades diversas.
Considerando o trabalho de enfermagem, os materiais e equipamentos utilizados
demandam um conjunto de conhecimentos para sua utilização, sendo considerados
então tecnologias de enfermagem (MEIER, 2004).
Assim, entende-se que o emprego da tecnologia no campo da saúde,
especialmente na enfermagem é saber utilizar de forma coesa os saberes próprios
desenvolvidos pela profissão a fim de ofertar um cuidado adequado às reais
necessidades humanas, pois a tecnologia do cuidado em enfermagem se refere à
produção e organização das ações humanas a fim de aprimorar o modelo de assistência
vigente.
Para tanto, as práticas em saúde não devem se respaldar somente em
equipamentos e saberes estruturados, mas também na utilização das tecnologias de
relação e subjetividade que se fundamentam e delimitam os modos de cuidar em saúde .
28
Sendo assim, a tecnologia pode ser entendida como uma mediadora entre a
racionalidade e a subjetividade, configurando-se como uma estratégia intrinsicamente
valiosa na operacionalização qualificada do cuidado.
As tecnologias de cuidado são usadas para expressar a dimensão tecnológica do
cuidado (SEIBERT, 2010) atravessando as práticas em saúde e colaborando com a
construção e estruturação do conhecimento.
A expressão tecnologias de cuidado é apresentada por Neves e Vargens (2003)
apud Seibert (2010) como sendo “todas as técnicas, procedimentos e conhecimentos
utilizados pelo enfermeiro durante o processo de cuidado do paciente”. Nessa
compreensão, entende-se que o profissional deve usufruir de todos os meios para
proporcionar ao usuário a melhor assistência disponível.
Em se tratando da assistência de enfermagem, Rocha et al. (2008) discorrem
que sua interligação com a tecnologia acontece pois a enfermagem está intimamente
relacionada com princípios, leis, teorias e produzindo conhecimento científico que por
sua vez é expresso através da tecnologia.
Os conhecimentos de enfermagem são úteis na elaboração e aplicação de um
modelo de cuidado que tal como a tecnologia segue um modo de fazer. Assim, podemos
classificar o modelo de cuidado como tecnologia leve-dura, pois aglomera o saber
estruturado com as normas que permeiam a realização do cuidado (ROCHA et al.,
2008). Segundo as mesmas autoras, os modelos de cuidado são norteados por ações que
garantem as necessidades do cuidador e do ser cuidado conferindo-lhe maior
especificidade e qualificação, e desta forma, pode ser visto também como uma
tecnologia leve. Portanto, entende-se que um modelo de cuidado é permeado por vários
tipos de tecnologias cujo fim específico é garantir a excelência da exequibilidade do
cuidado.
No campo obstétrico, o cuidado revela-se de forma plural, pois se expressa
através de uma variedade de ações não se limitando às questões de ordem puramente
fisiológica relacionadas ao período gravídico-puerperal (TORRES; SANTOS;
VARGENS, 2008). As tecnologias de cuidado operam de forma a incorporar ações
através de práticas produzidas pelo conhecimento da enfermagem, com isso, a
tecnologia permite a construção de um cuidado obstétrico menos reducionista e
centrado na mulher como sujeito do processo de parturição.
O uso de tecnologias de cuidado na atenção obstétrica presume estimular a
criticidade da mulher para revelar-se como protagonista na vivência do seu parto e
29
nascimento. Tais condutas resgatam sua autonomia e afloram sua parturição como um
momento mágico realizado através de práticas humanistas que respeitam a configuração
fisiológica do parto e do universo feminino (PROGIANTI; LOPES; GOMES, 2003).
Ao refletir sobre o uso de tecnologias no cotidiano das práticas de enfermagem,
pode-se observar que o cuidado associa-se aos vários tipos de tecnologias existentes,
com ênfase sobretudo nas tecnologias leves que permitem o desencadeamento de
atitudes relacionais entre o cuidador e o ser cuidado, possibilitando maior vínculo,
acolhimento, responsabilização e comprometimento para com o outro. Tais
características conferem ao cuidado de enfermagem uma dimensão virtuosa, pois agrega
nos planos pessoal e social os valores identificadores da profissão (SOUZA et al.,
2005).
Ao relacionar tecnologia com cuidado é importante considerar que à tecnologia
é atribuído um significado para que possa operar no contexto de vida das pessoas de
modo que não seja rotulada como algo que despersonaliza o cuidado de enfermagem,
mas que intervenha de modo a potencializar seus objetivos (MARTINS; DAL SASSO,
2008). Desta forma, entende-se que as tecnologias de cuidado estão disponíveis para a
qualificação do cuidado em saúde, considerando que depende dos conhecimentos
científicos dos profissionais e atitudes intencionais de mudança possibilitando repensar
nas intervenções realizadas no campo da saúde.
3.2 Os benefícios da atividade física no período gestacional
A prática de exercícios físicos como ação benéfica sobre as condições de vida da
população é descrita na literatura através de diversas evidências científicas, acentuandose a partir da década de 1990, quando esta relação começou a ser evidenciada também
durante o período gestacional.
Os estudos que têm contemplado os resultados sobre as condições de saúde
maternas e fetais associados à prática de atividade física durante a gestação
apresentaram um leve aumento nas publicações nos últimos anos, com uma
concentração de estudos advindos de países desenvolvidos, especialmente dos Estados
Unidos da América (SCHLÜSSEL ET AL, 2008).
Em janeiro de 2002, o American College ofObstetriciansandGynecologists
(ACOG) publicou as novas recomendações e diretrizes para a prática regular de
30
atividade física durante a gestação e puerpério, sendo reconhecidas como momentos
propícios para a mudança de comportamentos e não vistos mais como períodos de
confinamento (ACOG, 2002).
As recomendações sugerem a realização do exercício físico como componente
importante na prevenção e tratamento do diabetes gestacional e promove o estímulo
para o desenvolvimento de atividades que incluam mulheres sedentárias e com algumas
complicações clínico-obstétricas, com a ressalva de uma avaliação médica anterior à
prática física.
De acordo com o ACOG (2002), a realização de exercício regular durante o
período gravídico é contra-indicado em mulheres com algumas complicações tais como:
doença miocárdica, doença pulmonar restritiva, trabalho de parto prematuro,
sangramento persistente no segundo ou terceiro trimestre, hipertensão induzida pela
gravidez, arritmia cardíaca materna, diabetes mellitus descompensado, hipertensão
essencial e histórico de sedentarismo extremo.
Assim, todas as mulheres que não apresentam contraindicações devem ser
estimuladas
a
realizar
exercícios
que
contemplem
o
desenvolvimento
cardiorrespiratório, de resistência muscular e alongamento (ACOG, 2002).
A prática regular de atividades físicas é altamente recomendada às gestantes por
afetar de forma positiva diversos segmentos corporais. Durante a gestação, o útero vai
se
modificando
e
aumentando
seu
tamanho
e
sua
forma,
provocando,
consequentemente, um desvio do centro de gravidade e promovendo a hiperlordose da
coluna favorecendo, assim, o aparecimento de dores lombares. A prática de exercícios
físicos aliada à orientação correta da postura materna promoverá a adoção de uma nova
postura, reduzindo e melhorando as lombalgias, além de aumentar a flexibilidade da
coluna (GARSHASBI; ZADEH, 2004).
A atividade física pode atuar de forma positiva também sobre as gestantes que
apresentam diabetes gestacional, contribuindo para a estabilização da glicemia a níveis
sanguíneos normais (BATISTA, et al., 2003). Em um estudo de revisão sistemática,
estes autores encontraram dados que comprovam a eficácia da atividade física na
prevenção do diabetes gestacional, quando controlado o efeito do Índice de Massa
Corporal (IMC) nas mulheres estudadas.
As vantagens da atividade física se ampliam ainda para o campo psicológico,
pois através da prática corporal a gestante pode desenvolver sua autoestima,
31
autoimagem e aperfeiçoar a convivência social de maneira cooperativa e satisfatória
(HARTMANN; BUNG, 1999).
Em outros tempos, predominava o pensamento de que a atividade física durante
a gestação pudesse estimular as contrações uterinas acelerando o processo do parto, no
entanto, atualmente, parece ser consenso na literatura o efeito protetor da atividade
física sobre a prematuridade (MATIJASEVICH; DOMINGUES, 2010, OMS, 1998).
Matijasevich e Domingues (2010) argumentam que o exercício físico tem se
comportado como um fator benéfico para evitar a prematuridade e, quando realizado no
terceiro trimestre de gestação, sua proteção é aumentada, apesar dos níveis de atividade
física decaírem com o passar dos trimestres, justificados por limitações biomecânicas e
falta de informação para a reorientação das práticas.
Os benefícios sobre o parto e sua facilitação que ocorrem pela prática de
atividade física durante a gestação são explicados por Gallup (1999) ao dizer que a
liberação de estrogênio na corrente sanguínea promove o relaxamento muscular e o
afrouxamento de tendões e ligamentos que, em concomitância com exercícios físicos,
promovem melhor flexibilidade articular facilitando a passagem do feto pelos trajetos
duro e mole. Quanto à redução das dores durante o parto, deve-se considerar que as
mulheres que se exercitam regularmente no período gestacional obtêm maior tolerância
à dor quando comparadas àquelas que não possuem um volume de atividade física
recomendado (HARTMANN; BUNG,1999).
Todos esses resultados que apontam para uma interferência positiva da atividade
física sobre o desenvolvimento da gestação e parto permitem uma reflexão sobre o
estímulo e manutenção de estilos de vida ativos para as mulheres, durante o período
gravídico, uma vez que as evidências apontam para benefícios maternos e fetais.
De forma geral, a atividade física na gestação amplia seus benefícios para além
do corpo materno e resultados intraparto sugerindo benefícios que se estendam também
para o feto.
Estudos não relatam associação prejudicial entre a realização de atividade física
no período gestacional com ganho inadequado de peso fetal ou prematuridade,
salientando, porém, que as atividades de sobrecarga ou trabalho prolongado em posição
ortostática podem comprometer as condições de nascimento.
Takito, Benicio e Neri (2009) descrevem os resultados fetais para mulheres que
realizavam atividades laborais durante a gestação, atestando que para as variáveis baixo
peso ao nascer e prematuridade havia associação positiva quando esta mulher
32
permanecia mais de 6 horas ininterruptas na posição ortostática e/ou realizava tarefas de
maior sobrecarga física.
Diversas evidências também sugerem que a participação de mulheres em
atividades físicas de intensidade moderada, durante a gravidez pode aumentar o peso do
recém-nascido, enquanto que exercícios de intensidade vigorosa podem resultar em
bebês com peso menor que o adequado para a idade gestacional (SPORT MEDICINE
AUSTRALIA, 2002).
Tambem há evidências de associações positivas entre realização de atividade
física pela gestante com bons escores de Apgar. Estudo realizado por Clapp (1990)
analisou a continuação de um programa aeróbico, durante a segunda metade da
gravidez, com 131 mulheres que se exercitaram antes e durante a gestação, e concluiu
que o grupo de gestantes que manteve o regime de treino indicado obteve nascimentos
com índice de Apgar > 7 (50%) em comparação ao grupo que não manteve o mesmo
ritmo de exercícios (26%).
De forma geral percebe-se que os estudos empenhados em tratar das associações
entre a prática de atividade física, durante o período gestacional, e as condições
materno-fetais apresentam, em sua maioria, resultados satisfatórios atestando que
manter um estilo de vida ativo é importante para qualquer pessoa, em qualquer faixa
etária e em qualquer fase da vida, inclusive durante a gestação.
3.3 A atividade física no período gestacional: uma nova tecnologia de cuidado
A produção tecnológica e sua relação com a enfermagem tem possibilitado um
avanço nas práticas em saúde, pois estimula o profissional a utilizar todos os meios
possíveis para suprir as necessidades dos indivíduos e superar as dificuldades peculiares
da profissão.
O cuidado de enfermagem, apesar de seu caráter humanista, sofreu grandes
transformações com o advento da tecnologia que moldou suas práticas e, sobretudo
aperfeiçoou suas técnicas caracterizando-se em um elemento capaz de contemplar as
demandas sociais. O uso da tecnologia para o cuidado tornou-se uma alternativa criativa
a fim de suplantar as circunstâncias atreladas às precariedades das condições de trabalho
ou a situações de exigência de uso de técnicas convencionais para solução de problemas
e possibilitar a ampliação e qualificação do cuidado prestado (KOERICH et al., 2006).
33
Na atenção ao parto, dentre as práticas realizadas pela enfermagem para assistir
a mulher e seu bebê destacam-se: orientações, estímulo à deambulação, mudança de
posição durante os estágios clínicos do parto, massagens, relaxamento, banho de
aspersão, imersão em banheira, suporte psicológico e nutricional, uso de compressas
geladas ou mornas, etc (GOMES, 2010).
Tais práticas têm sido estimuladas na atenção obstétrica por proporcionar
satisfação à mulher e seu acompanhante e caracterizam-se como estratégias alternativas
ao modelo tecnocrático vigente, e possibilitam a experiência do parto como um
momento íntimo, podendo ser vivenciado pela mulher e sua família como parte de um
processo que marca o início de uma nova etapa da vida, sendo importante proporcionar
um ambiente calmo, seguro e confortável onde os cuidados realizados possam
harmonizar as relações estabelecidas entre a parturiente e o profissional (BRASIL,
2008).
As tecnologias inovadoras para atender a parturiente geralmente são utilizadas
somente no momento do trabalho de parto e parto. Acreditamos que o cuidado corporal
deve ser exercido durante todo o período gestacional e não apenas em uma parte dele,
pois ao retomar a ideia de que os exercícios físicos praticados durante a gestação
possibilitam um preparo mais adequado para o parto conclui-se que as condições de
parto e nascimento serão mais favoráveis a resultados benéficos. Então, sugere-se a
inclusão desta prática durante a atenção pré-natal com a intenção de qualificar a
assistência e ofertar um cuidado integral à gestante.
Acredita-se que a atividade física realizada durante o período gestacional possa
configurar-se como uma tecnologia envolvida no trabalho em saúde, pois através de
suas ações podem ser expressos a utilização de equipamentos próprios (tecnologia dura)
e saberes tecnológicos estruturados (tecnologia leve-dura) que operam através de
tecnologias de relação, encontros e subjetividades (tecnologia leve) a fim de
proporcionar um cuidado integral à mulher durante o período gravídico-puerperal.
Segundo Koerichet al. (2006), no processo de trabalho em saúde o encontro
entre profissional e usuário apresenta um objetivo, uma intencionalidade, ou seja,
projeta-se no outro as expectativas, conhecimentos e representações como um modo de
elaborar as necessidades em saúde, desta forma, entende-se que a atividade física
voltada para o cuidado obstétrico pode ser utilizada como uma tecnologia capaz de
proporcionar tais elementos ao processo de cuidado.
34
Acredita-se que a prática de atividade física pelas gestantes configure-se como
uma nova abordagem do cuidado obstétrico ao utilizar seus conhecimentos para
estimular uma participação mais ativa da mulher e sua família onde a presença do
profissional seja constante a fim de preconizar um suporte físico e emocional adequado.
Esta abordagem contempla a integralidade da assistência e garante à mulher maior
seguridade no momento do parto corroborando os princípios do parto humanizado e
proporcionando um cuidado de forma integral.
35
4. METODOLOGIA
4.1 Desenho do estudo
Para melhor atingir os objetivos propostos, optou-se por um estudo longitudinal,
do tipo intervenção quase- experimental, que acompanhou um grupo de gestantes desde
o pré-natal até o parto, sendo que parte delas participou de um programa de exercícios
físicos durante o período gravídico.
O termo “estudo de intervenção” é utilizado quando o pesquisador modifica
intencionalmente o fator de exposição que intervém sobre o estado de saúde do
indivíduo, utilizando-se de algum esquema profilático ou terapêutico. Estes estudos
podem ter ou não grupo controle e serem caracterizados como quase-experimentais que
se referem a uma condição em que o pesquisador não tem controle total sobre a
alocação dos indivíduos e/ou a utilização da intervenção, porém conduz o estudo como
um experimento verdadeiro (ESCOSTEGUY, 2002).
Deste modo, o objetivo deste estudo foi analisar a relação causal entre uma
variável exposição, representada pela prática de exercícios físicos, com as variáveis
desfecho que envolvem as condições de parto e nascimento através da realização de um
programa de exercícios físicos.
4.2 Local do estudo
Foram delimitadas Unidades de Saúde circunvizinhas ao local onde seria
realizada a prática corporal, considerando a limitação de recursos humanos,
materiais/equipamentos e financeiros para a execução da mesma. Sendo assim, foram
selecionados quatro cenários diferentes para o desenvolvimento do estudo que envolveu
unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF), uma instituição social do município de
Cuiabá, um parque aquático e por último, hospitais conveniados com o Sistema Único
de Saúde (SUS) que realizam partos no município.
Conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, existem 65
unidades de ESF no município, destas, 62 são urbanas e 3 são rurais. Essas unidades são
localizadas em 4 regiões: região norte, sul, leste e oeste (SECRETARIA MUNICIPAL
DE SAÚDE DE CUIABÁ, 2013). Foram escolhidas 18 unidades de saúde de acordo
36
com a localização geográfica dos locais de aplicação do projeto de intervenção e que
compreendem as regiões leste e sul.
A instituição social, com qual foi firmada parceria, foi criada no ano de 2012
pela Prefeitura de Cuiabá (gestão 2010-2012) com a finalidade de implementar vários
projetos a fim de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população mais
vulnerável. Oferecia a realização de diversas atividades dentre elas: capoeira,
grafitagem, corte e costura, panificação, atividade física, dentre outras. Sua escolha
deveu-se ao fato de realizar projetos sociais com as parcelas mais carentes da
comunidade, pelo interesse em realizar atividades educativas com o público desejado e
por deter de um espaço físico adequado para a realização das atividades propostas pela
pesquisa.
Para a realização dos exercícios físicos na água foi disponibilizado o parque
aquático da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) cedido pela Faculdade de
Educação Física (FEF) pertencente a esta instituição. A estrutura existe há 35 anos
dispondo de 3.052.340 m3 de litros d’água e oferece diariamente atividades aquáticas
como natação e hidroginástica. Seu acesso é restrito a alunos, funcionários e
comunidade mediante apresentação de documento que comprove a participação nas
atividades. No ano de 2012, seu espaço físico passou por adequações estruturais para
melhor atender a população.
Para finalizar o seguimento desta pesquisa e compor mais um local de obtenção
de dados, foram selecionadas 3 instituições hospitalares classificadas como Serviços de
Referência da rede SUS que disponibilizam os leitos obstétricos no momento do parto
para todas as gestantes que necessitam. Assim, fizeram parte desta pesquisa 1 hospital
público e 2 particulares conveniados à rede SUS sendo que 2 são hospitais
universitários.
4.3 Amostra populacional
A população amostral desta pesquisa foi composta de 173 gestantes em
acompanhamento pré-natal nas unidades de ESF do município, durante o período de
julho de 2012 a maio de 2013.
Para a determinação do valor numérico da amostra, optou-se por utilizar a
amostragem não-probabilística, quando não se conhece a probabilidade de cada unidade
37
amostral pertencer à amostra, sendo neste caso escolhido o tipo por conveniência. A
amostragem por conveniência é quando o pesquisador seleciona membros da população
mais acessíveis por alguma conveniência (CALLEGARI-JACQUES, 2003) que no caso
do presente estudo foi a determinação das unidades de ESF.
Quanto à formação dos grupos de comparação (grupo expostos e não expostos),
a seleção das participantes foi pareada uma a uma, segundo as características sócio
demográficas, gestacionais e clínicas. Assim, foi realizada primeiramente a
identificação dos membros do grupo exposto e, posteriormente, a seleção das gestantes
não expostas ao fator para servir de grupo controle. As interessadas em participar do
programa de exercícios físicos compuseram o grupo dos expostos totalizando 50
gestantes e aquelas que não demostraram interesse em participar formaram o grupo dos
não expostos registrando 123 mulheres.
As gestantes selecionadas atenderam aos seguintes critérios de inclusão: ser
adolescente, primigesta, nulípara, realizar pré-natal, não apresentar risco gestacional,
manifestar desejo em participar de todas as atividades propostas e assinar o termo de
consentimento livre e esclarecido subscrito por um responsável com maioridade civil
(Apêndice C).
O fato da nuliparidade e da primeira gestação serem critérios de inclusão do
estudo justificam-se para diminuir os elementos que pudessem se comportar como
fatores de confundimento no momento da análise dos dados, uma vez que a evolução do
parto em multigestas e multíparas ocorre de forma mais breve (GOMES, 2010). A
escolha por gestantes adolescentes ocorreu para homogeneizar as características
anátomo-fisiológicas e psicológicas do grupo de primigestas.
Foram consideradas perdas as gestantes que tiveram seus partos em hospitais
particulares ou em outro município.
4.4 Passos metodológicos para a coleta de dados
A coleta de dados foi realizada em várias etapas: 1º momento – busca pelos
participantes da pesquisa; 2º momento – realização do projeto de intervenção; 3º
momento – informações do parto e nascimento. Todas as fases que nortearam a coleta
de dados desta pesquisa estão descritas a seguir.
38
4.4.1 Momento 1 – Procedimento de coleta de dados na busca pelos participantes
da pesquisa
Os trabalhos em campo iniciaram-se no mês de julho de 2012 e o ponto de
partida para a seleção das gestantes foi estas estarem inscritas no programa de pré-natal
na rede SUS. Para isso, foram realizadas visitas diárias às unidades de ESF escolhidas a
fim de identificar, contatar e conhecer as gestantes que se enquadravam na proposta do
estudo.
Primeiramente, houve uma visita às unidades de ESF a fim de buscar apoio na
procura pelas gestantes. Inicialmente, foi realizado um contato com a enfermeira da
unidade e após identificação e explanação dos objetivos da pesquisa, foi solicitada ajuda
para obtenção dos registros das gestantes adolescentes pertencentes àquela área, por
meio do livro de acompanhamento do pré-natal. A seguir foi requerido também que as
Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) entrassem em contato com as gestantes
selecionadas e marcassem um encontro posterior para explicação do projeto.
Em um segundo momento, foi realizado em cada unidade de ESF um encontro
com estas gestantes e a proposta do estudo foi apresentada. Neste momento, foi aplicado
parte de um questionário (Apêndice A) contendo perguntas abertas e fechadas. Quanto à
estrutura do mesmo, as perguntas foram divididas em 3 sessões denominadas dados
pessoais, dados de acompanhamento individual de consultas de pré-natal e dados do
parto e nascimento, respectivamente.
Os dados de identificação das participantes foram preenchidos neste questionário
pela pesquisadora e por duas alunas de iniciação científica que colaboraram com a
pesquisa.
4.4.2 Momento 2 – Projeto de pesquisa: Oficina do corpo
Para a realização desta pesquisa foi proposto inicialmente um projeto de
intervenção a realizar-se com gestantes em acompanhamento de pré-natal no município
de Cuiabá. O projeto abrangeu a criação de um grupo de gestantes que pudesse
participar integralmente de atividades relacionadas ao preparo físico para o momento do
parto, além de contemplar ações educativas com instruções acerca de cuidados durante
o parto e puerpério intitulada de Oficina do Corpo. Durante a realização das atividades
propostas, as gestantes também realizaram atividades manuais tais como a confecção de
39
algumas peças para seus próprios enxovais e a técnica de massagem Shantala como um
recurso de cuidado ao recém-nascido. Todas as atividades realizadas pelas gestantes
durante a operacionalização da oficina do corpo foram fotografadas (Apêndice D).
Este projeto foi registrado como uma atividade de extensão na coordenação de
extensão (CODEX) da UFMT intitulado: “Gestante movi-mente-se” que obteve a
colaboração de 8 alunos voluntários do curso de graduação em enfermagem da UFMT,
2 alunas de enfermagem bolsistas de iniciação científica, 1 nutricionista, 3 enfermeiras e
2 educadoras física.
As atividades propostas pela oficina do corpo foram realizadas no salão de uma
instituição social do município, no parque aquático e no laboratório de práticas
interativas da Faculdade de Ciências Médicas da UFMT.
Foram disponibilizadas 50 vagas para o desenvolvimento da oficina. A
delimitação do número de vagas ocorreu conforme a disponibilidade do recurso
financeiro e humano e a execução das atividades foi conduzida por profissionais da
educação física e da enfermagem. As atividades referentes à oficina iniciaram-se em
julho de 2012 e finalizaram em dezembro de 2013.
Quanto ao preparo físico para o momento do parto, foi elaborado um programa
de exercícios físicos que objetivava ganho de flexibilidade e fortalecimento dos
músculos do assoalho pélvico, com consequente melhora da coordenação motora, do
equilíbrio e da função cardiorrespiratória através de exercícios em solo e em imersão até
o apêndice xifoide. O programa de treinamento físico teve 16 sessões que foram
aplicadas durante 8 semanas consecutivas.
As atividades referentes às ações educativas contemplaram instruções sobre os
sinais de trabalho de parto e parto, posições para o parto, importância da atividade física
durante a gravidez e no parto, cuidados com o recém-nascido, aleitamento materno e
cuidados no puerpério.
O grupo que participou da oficina do corpo foi composto inicialmente por 50
gestantes. Os exercícios eram intercalados, ou seja, em uma semana eram realizados em
solo e em outra eram realizados em meio líquido com profundidade que variava de 90
cm a 1.10 m, de acordo com a altura dos indivíduos.
As sessões foram realizadas individualmente e em duplas e tinham duração de
60 minutos, sendo os primeiros 15 minutos destinados a exercícios de alongamento e
aquecimento, 30 minutos para o treinamento de atividades motoras e os 15 minutos
finais de volta à calma e alongamento da musculatura sendo realizados com frequência
40
de 2 vezes por semana e totalizando 120 minutos semanais, com intensidade leve a
moderada. Essas recomendações seguem as normas do ACOG para exercícios durante a
gravidez e puerpério publicadas em 2002. Os exercícios físicos foram elaborados e
aplicados pela própria pesquisadora.
Para o controle do ritmo dos exercícios realizados em solo optou-se pela
regulação através do número de repetições. Já na água, como a velocidade variava de
acordo com a inserção de flutuadores como mecanismos de resistência e aumento do
grau de dificuldade, optou-se por realizar a contagem por períodos de tempo e não por
repetições.
Durante a fase de desenvolvimento da oficina do corpo foi realizada uma
avaliação física com todas as gestantes antes da sessão inicial e após a última sessão de
exercícios. Os dados que compõem as mensurações antropométricas, grau de
flexibilidade articular e composição corporal foram anotados na ficha de dados físicos
(Apêndice B).
O procedimento de avaliação física dos indivíduos está descrito a seguir.
4.4.2.1 Procedimento para avaliação física:
A avaliação física foi realizada em dois momentos: antes da primeira sessão de
exercícios e após a última sessão, com a finalidade de avaliar a evolução do peso, do
Índice de Massa Corporal (IMC), do grau de flexibilidade articular e da composição
corporal dos sujeitos. Para compor a avaliação física foram realizadas as seguintes
medições:

Peso
(P):
medido
através
de
balança
digital
da
marca
Ironman
InnerScanBodyComposition Monitor (Model: BC-558);

Estatura (Est): realizada com fita métrica;

Índice de Massa Corporal (IMC): relação do peso/estatura2

Frequência Cardíaca (FC): mensurada na artéria radial em um minuto

Pressão Arterial (PA): através de esfigmomanômetroaneróide e um
estetoscópio.

Composição Corporal (CC): foi utilizado um analisador de composição
corporal da marca Maltron-BodyCompositionAnalyser BF-907 Operating
Manual e eletrodos adesivos descartáveis ME 4000.
41

Flexibilidade Articular (FA): medida através do flexímetro (sistema para
mensuração da amplitude do movimento articular) da marca Sanny.
As participantes foram orientadas a comparecerem no local portando
vestimentas leves e confortáveis. Para o início da coleta, cada gestante permanecia
sentada em situação de repouso por dois minutos, com o braço estendido e apoiado na
altura do coração. Neste momento era realizada aferição da FC e da PA sistólica e
diastólica. Logo após, a gestante era conduzida até a balança para aferição de seu peso e
posteriormente a sua estatura.
Em seguida, era posicionada em decúbito dorsal em um colchonete e quatro
eletrodos eram dispostos em um lado do seu corpo, determinou-se nesta pesquisa o lado
direito. Dois eletrodos eram colocados no dorso do pé e os outros dois eram colocados
próximos à articulação do punho, e a eles eram conectados quatro fios, respectivamente,
e assim uma corrente elétrica imperceptível passava sob o corpo da gestante com a
leitura da quantidade de gordura corporal, massa livre de gordura e água corporal.
Por último, era avaliado o grau de flexibilidade angular das articulações do
ombro e do quadril. Para a avaliação da articulação do ombro, a gestante acomodava-se
em uma cadeira, com o tronco ereto e com a postura estabilizada, o flexímetro era então
posicionado no braço, acima do cotovelo (posição meso-umeral) com o mostrador
voltado para o avaliador e ajustado no ponto zero. O movimento inicia-se na posição
anatômica com o braço ao longo do corpo e com a realização da amplitude máxima.
Para a mensuração da flexibilidade da articulação do quadril, as gestantes eram
orientadas na posição inicial em pé com os membros inferiores unidos e estendidos e
apoiadas sobre a cadeira para auxiliar na estabilização da postura. Quanto à avaliação do
movimento de abdução, o flexímetro foi colocado na face posterior da coxa da avaliada
com o mostrador voltado para o avaliador e ajustado no ponto zero. Então era solicitado
que a gestante fosse deslizando os membros lateralmente para abrir um espacate. Os
joelhos deveriam estar estendidos e os pés paralelos, o alinhamento do tronco deveria
ser mantido para evitar a projeção do quadril para trás. Para a avaliação do movimento
de adução, a gestante continuava na posição inicial com o flexímetro posicionado na
face anterior da coxa e com o mostrador voltado para o avaliador no ponto zero. O
tronco e o quadril eram estabilizados para a execução do movimento que consistia no
deslocamento de um dos membros inferiores em direção à linha média do corpo. Ambos
os movimentos deveriam ser realizados com amplitude máxima e eram demonstrados
42
previamente pelo avaliador. Todos estes dados foram anotados na ficha de dados físicos
(Apêndice B).
4.4.3 Momento 3 – Procedimento de coleta de dados do parto e nascimento
A coleta de dados referentes aos partos dos sujeitos do estudo foi realizada nos
prontuários dos hospitais selecionados através de análise documental.
De acordo com a identificação dos sujeitos, foi solicitada aos hospitais a
disponibilidade dos registros. Todos os dados foram anotados na seção 3 do
questionário (Apêndice A) que contém dados referentes ao parto e nascimento. Esta
coleta se deu no período de dezembro de 2012 a maio de 2013.
4.5 Variáveis do estudo
As variáveis estudadas foram divididas em variáveis de exposição e desfecho.
De acordo com os objetivos do estudo, a variável de exposição foi a atividade física
realizada durante o período gestacional e as variáveis de desfecho englobaram as
características clínico-obstétricas e de nascimento.
As características sóciodemográficas foram coletadas e apresentadas de forma
descritiva e compreenderam: idade, raça/cor, situação conjugal, escolaridade e
ocupação. Em relação às clínico-obstétricas, referem-se ao tipo de parto, duração do
trabalho de parto e do período expulsivo, uso de episiotomias, ocitocina, indicações de
cesarianas, tipo de ruptura de membrana amniótica e momento que a ruptura ocorreu,
presença de comorbidades, intercorrências durante o trabalho de parto, parto e
puerpério. As características do nascimento englobam os dados do boletim de Apgar,
peso ao nascimento, idade gestacional e intercorrências no nascimento.
4.6 Tratamento e análise dos dados
Os dados foram processados pelo programa Epiinfo versão 3.5.2 e para a análise
dos dados foram utilizadas técnicas estatísticas descritivas e inferenciais.
Na parte descritiva foram utilizadas medidas de posição (média, mediana, moda)
e de dispersão (variância, desvio padrão). A distribuição dos dados foi apresentada
43
segundo a frequência absoluta e relativa de cada dado, representados por meio de
tabelas.
Para a inferência estatística sobre os dados, as variáveis de exposição e desfecho
foram analisadas individualmente e conjuntamente. A fim de estimar o risco de cada
variável sobre o desfecho a ser estudado foi utilizada medida de risco através do risco
relativo (RR). Foi considerado um Intervalo de Confiança (IC) de 95%, erro de
amostragem de 5,00% e a proporção a ser estimada de 0,5 (p < 0,5), por ser a de maior
variabilidade e a que leva à obtenção de tamanhos de amostras conservadores.
4.7 Fonte financiadora
A pesquisa foi subsidiada com recursos provenientes de bolsa de mestrado da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.
4.8 Teste piloto
Antes do início da coleta dos dados nos prontuários, foi realizado um teste piloto
a fim de testar o instrumento. Os prontuários que fizeram parte do teste piloto foram
descartados da pesquisa. Depois disso, os instrumentos foram reformulados de acordo
com o que se detectou como necessidade de mudança no momento das coletas.
4.9 Aspectos Éticos
Para
atender
aos
aspectos
éticos,
os
pesquisadores
se
propuseram
assegurarassistência integral àsgestantesdurante o desenvolvimento da pesquisa,
atendendodúvidas e esclarecimentosdurante a gestação e diagnósticosobre o parto.
O projeto de pesquisa foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em
Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller, atendendo à Resolução nº 466 de 12 de
dezembro de 2012 do Ministério da Saúde para pesquisa envolvendo seres humanos,
obtendo aprovação para o seu desenvolvimento através do Parecer nº 112.146.
44
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo serão apresentados a seguir sob a forma de dois
manuscritos científicos buscando responder aos objetivos propostos. O primeiro deles
utiliza os dados levantados através de análise documental nos prontuários clínicos e visa
analisar as práticas obstétricas e os resultados maternos e fetais da assistência prestada
no contexto do SUS no município de Cuiabá- MT.
O segundo manuscrito, baseado na intervenção através da prática de um
programa de exercícios físicos com um grupo de gestantes, tem como objetivo analisar
o impacto da atividade física realizada durante a gestação sobre as condições de parto e
nascimento, a fim de integrá-la como uma tecnologia do cuidado obstétrico.
45
5.1 CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE PARTO E NASCIMENTO DE
GESTANTES PRIMIGESTAS NO MUNICIPIO DE CUIABÁ-MT
Labor and delivery conditions characterization of the first time pregnant women in
Cuiabá - MT
Caracterización de las condiciones del parto y nacimiento para mujeresembarazadas
primigestas enelmunicipio de Cuiabá- MT
RESUMO
O objetivo foi analisar as práticas obstétricas e os resultados maternos e fetais da
assistência prestada no contexto do SUS no município de Cuiabá- MT. Estudo
descritivo, de abordagem quantitativa com coleta de dados realizada através da análise
documental dos prontuários de 160 gestantes selecionadas por amostragem nãoprobabiliística. As variáveis estudadas foram: dados sóciodemográficos, as práticas
obstétricas e as intercorrências maternas e fetais. Os resultados indicaram que o parto
cesáreo apresentou taxa de 38,1%, a amniotomia foi adotada em 62,6%, a ocitocina em
59,6% e a episiotomia em 81,8%. Adesproporção céfalo-pélvica representou 27,9% das
indicações de cesariana e dentre as complicações maternas, a hemorragia destacou-se
em ambos os tipos de parto. Conclui-se que um bom nascimento não depende de um
número abusivo de intervenções durante o parto e que ações educativas e de reflexão
sobre o processo de trabalho possam contribuir para as transformações necessárias da
prática profissional.
Palavras chave: Parto humanizado; Enfermagem; Saúde da mulher.
ABSTRACT
The purpose of this is to analyze the obstetric practice and maternal and fetal results of
the assistance provided by the brazillian public health care service provided by SUS
(Sistema Único de Saúde) in Cuiabá - MT . Descriptive study and its quantitative
approach, the data collection was accomplished through the analysis of the medical
records of 160 women selected by sampling. The variables approached were:
sociodemographicdata , obstetric practice and maternal and fetal outcome . The results
showed that the Cesarean section rate is 38.1 % , the amniotomy was used in 62.6 % ,
oxytocin in 59.6 % and episiotomy in 81.8 % . The cephalo - pelvic disproportion is
responsible for 27.9% of the indications for cesarean section, hemorrhage stood out in
both types of delivery . The final result is: a good birth is not dependent on an abusive
number of interventions during labor and education and reflection on the work process
actions can contribute to the necessary transformation of professional practice.
Key words: Humanizingdelivery; Nursing; Woman’shealth.
RESUMEN
El objetivo fueanalizarlasprácticas obstétricas y los resultados maternos-fetales de
laasistencia dada relacionada al SUS en Cuiabá-MT. Estudiodescriptivo, con enfoque
cuantitativo y conrecogida de datos por análisis documental de los expedientes médicos
de
160
embarazadas
por
selecciónal
azar
no
probabilística.
Lasvariablesestudiadasfueron: datossocio demográficos, lasprácticas obstétricas y
lascomplicaciones materno fetales. Los resultados indicaron que los partos por cesáreas
46
presentarontasa de 38,1%, laamniotomíafue adoptada en 62,6%, la oxitocina en 59,6% y
laepisiotomíaen 81,8%. La desproporcióncéfalo pélvica representóel 27,9% de
lasindicaciones para la cesárea y entre lascomplicaciones maternas la hemorragia se
destacóen ambos tipos de partos. Se concluye que unbuennacimiento no depende de un
número abusivo de intervenciones durante el parto y que lasacciones educativas y de
lareflexión acerca delproceso de trabajopuedan aportar a lastransformacionesnecesarias
de laprácticaprofesional.
Palabras clave: Parto humanizado; Enfermería; Salud de lamujer
INTRODUÇÃO
O modelo vigente de atenção ao parto no Brasil tem caracterizado a assistência
obstétrica como altamente tecnicista, cujo emprego demasiado de intervenções no
processo do trabalho de parto tem proporcionado efeitos danosos para a saúde materna e
fetal (DINIZ, 2009). Neste modelo, os elevados índices de partos cirúrgicos e uso
rotineiro de ocitocina, episiotomia e amniotomia durante o trabalho de parto associamse ao aumento de riscos e desconfortos físicos à mulher, além de contribuir com o
aumento significativo de partos prematuros devido à interrupção eletiva e sem indicação
clínica precisa para sua resolução (SILVEIRA et al., 2008).
Dados do Ministério da Saúde demonstram que a taxa de cesarianas, considerada
um importante indicador relativo ao modelo assistencial, alcançou 53,7% dos partos
realizados nos serviços públicos e privados brasileiros (BRASIL, 2013).
Ainda em relação às tecnologias usadas no trabalho de parto e parto, estudo
realizado em um Hospital geral de Itapecerica da Serra, em 2001, demonstra que, o uso
de ocitocina, outro indicador importante do modelo de parto vigente, registrou uma taxa
de 58,8% enquanto que a amniotomia representou 36,5% das práticas intervencionistas
realizadas com mulheres submetidas à cesariana sem indicação prévia (FOGAÇA,
SCHNECK, RIESCO, 2007).
Diante disso, o Ministério da Saúde lançou em 2000 o Programa de
Humanização do Parto e Nascimento (PHPN) com ações que promovem a integralidade,
a promoção da saúde e a humanização da assistência ao parto, priorizando a mudança de
conduta e de procedimentos que reduzem a ocorrência de intervenções desnecessárias e
valorizem o parto vaginal (BRASIL, 2002). Apesar do aumento da cobertura de prénatal e parto, no país, observa-se que na condução da assistência obstétrica, as mulheres
e os recém-nascidos morrem, tanto pela falta como pelo excesso de tecnologia
inapropriada no parto (DINIZ, 2009).
47
Com a introdução do modelo humanizado do parto, baseado na readequação das
práticas vigentes, as ações em saúde passaram a reconhecer critérios para qualificar as
consultas e promover o vínculo entre a assistência ambulatorial e o momento do parto, a
realizar-se de forma integrada e com intervenções que tivessem fortes evidências de que
são efetivas (SERRUYA; LAGO; CECATTI, 2004). No entanto, existem fortes indícios
de que o modelo tecnicista ainda é predominante sob as práticas obstétricas realizadas
nas instituições de saúde do país.
Assim, buscou-se realizar um estudo que possibilite refletir sobre a prática
obstétrica realizada à mulher e ao recém-nascido durante o parto, considerando as
especificidades da primiparidade, uma vez que, nesta condição, a mulher apresenta
particularidades fisiológicas e emocionais que influenciam o transcurso do parto. Nessa
perspectiva, justifica-se a relevância do presente estudo, pois o direcionamento das
práticas obstétricas de acordo com a perspectiva da humanização do parto compreende
um atendimento centrado na mulher de forma individualizada e respeitando a fisiologia
natural do parto, resultando em condições maternas e fetais satisfatórias e culminando
na qualificação da atenção obstétrica.
Em face disso, desenvolveu-se um estudo que teve como objetivo analisar as
práticas obstétricas e os resultados maternos e fetais da assistência prestada no contexto
do SUS no município de Cuiabá- MT.
METODOLOGIA
Estudo transversal, descritivo com abordagem quantitativa. É um recorte da
pesquisa maior intitulada “O uso de tecnologias inovadoras de cuidado na humanização
do parto”. Os dados foram coletados a partir da análise documental dos prontuários de
160 gestantes. Foram incluídas as gestantes em acompanhamento pré-natal nas unidades
de ESF previamente selecionadas para o estudo por pertencerem a área de atuação da
Universidade Federal de Mato Grosso através de amostragem não probabilística do tipo
por conveniência. O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário
estruturado contendo dados da gestante a dados sobre o parto e nascimento. A coleta foi
realizada em 3 instituições hospitalares conveniadas ao SUS do município de CuiabáMT, no período de dezembro de 2012 a maio de 2013. As variáveis estudadas foram:
dados sóciodemográficos, as práticas obstétricas e as intercorrências maternas e fetais.
48
Adotaram-se como critérios de inclusão os partos ocorridos em mulheres
adolescentes, primigestas e que realizaram pré-natal nas unidades selecionadas. Foram
excluídos aqueles realizados em hospitais não conveniados ao SUS ou em outro
município, bem como prontuários incompletos e com letras ilegíveis. O fato da
nuliparidade e da primeira gestação serem critérios de inclusão do estudo justificam-se
por diminuir os elementos que pudessem se comportar como fatores de confundimento
no momento da análise dos dados, uma vez que a evolução do parto em multigestas e
multíparas ocorre de forma mais breve (GOMES, 2010). A escolha por gestantes
adolescentes ocorreu para homogeneizar as características anátomo-fisiológicas do
grupo de primigestas.
Os dados foram processados pelo programa Epiinfo versão 3.5.2 e para a sua
análise foi utilizada estatística descritiva. A distribuição dos dados foi apresentada
utilizando-se frequência absoluta, relativa e medidas de tendência central.
A pesquisa matricial foi submetida à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa
do Hospital Universitário Júlio Müller, atendendo à Resolução CNS 196/96 e obtendo
aprovação para o seu desenvolvimento através do Parecer nº 112.146.
RESULTADOS
Os dados foram agrupados em características sóciodemográficas e obstétricas,
condução do trabalho de parto, vias de nascimento, indicações de cesariana,
complicações/intercorrências mais frequentes e condições de nascimento do recémnascido, sendo apresentados através de tabelas.
A Tabela 1 mostra os dados sóciodemográficos e os aspectos obstétricos da
amostra de acordo com as vias de nascimento. Identificou-se que a idade das
parturientes correspondeu entre 13 e 19 anos (média de 16,8 anos) e prevalência da
raça/cor parda (80%). Quanto à escolaridade, 67,5% tinham 8 ou mais anos de estudo
sendo que a maioria era casada ou com união estável (71,9%) e não exercia atividade
remunerada (95,%).
Tabela 1 - Aspectos sócio-demográficos e obstétricos das parturientes segundo o tipo
de parto, Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160
Variáveis
Normal
n (%)
Cesárea
n (%)
Total
n (%)
49
Faixa etária
10 a 15 anos
16 a 19 anos
Raça/ Cor
Branca
Negra
Parda
Escolaridade
Menos que 08 anos
Mais que 08 anos
Estado civil
Casada/União Estável
Solteira
Ocupação
Com remuneração
Sem remuneração
Dilatação cervical no momento da
admissão hospitalar
<3 cm
≥3 cm
Não informado
Membranas
amnióticas
no
momento da admissão hospitalar
Rotas
Íntegras
Não informado
22 (62,9)
77 (61,6)
13 (37,1)
48 (38,4)
35 (21,9)
125 (78,1)
14 (77,8)
5 (35,7)
80 (62,5)
4 (22,2)
9 (64,3)
48 (37,5)
18 (11,2)
14 (8,8)
128 (80,0)
26 (50,0)
73 (67,6)
26 (50,0)
35 (32,4)
52 (32,5)
108 (67,5)
72 (62,6)
27 (60,0)
43 (37,4)
18 (40,0)
115 (71,9)
45 (28,1)
4 (50,0)
95 (62,5)
4 (50,0)
57 (37,5)
8 (5,0)
152 (95,0)
14 (32,6)
85 (75,2)
0
29 (67,4)
28 (24,8)
4 (100,0)
43 (26,9)
113 (70,6)
4 (2,5)
31 (73,8)
68 (61,8)
0
11 (26,2)
42 (32,8)
8 (100,0)
42 (26,3)
110 (68,7)
8 (5,0)
Considerando as variáveis obstétricas estudadas, a Tabela 1 identificou ainda que
dentre as 43 mulheres admitidas na fase latente do trabalho de parto, 14 (32,6%)
evoluíram para parto vaginal e 29 (67,4%) para parto cesáreo. Dentre aquelas admitidas
durante a fase ativa do trabalho de parto, 85 (75,2%) tiveram parto normal e 28 (24,8%)
parto cesáreo.
Quanto à integridade das membranas no momento da admissão hospitalar, 110
parturientes apresentavam membranas amnióticas íntegras, sendo que 68 (61,8%)
evoluíram para parto normal e 42 (32,8%) para parto cesáreo. Dentre aquelas com
membranas rotas, 31 (73,8%) tiveram seus partos via vaginal e 11 (26,2%) via
cirúrgica.Observou-se ainda que 4 prontuários não constaram registros quanto à
dilatação cervical no momento da internação e em 8 não houve informações quanto a
integridade das membranas amnióticas.
Quanto ao tipo de parto, 99 (61,9%) foram vaginais e 61(38,1%) foram
cesarianas. Vale ressaltar que dentre as 43 parturientes que foram hospitalizadas
precocemente, a taxa de parto normal foi de 32,6% (14) e a de cesárea foi de 67,4%
50
(29). A taxa de infusão de ocitocina nas primigestas admitidas na fase latente do
trabalho de parto registrou 60,5% enquanto que a amniotomia registrou 62,8%.
De acordo com as práticas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde é
possível observar que aquelas frequentemente utilizadas de forma inadequada na
assistência ao parto normal como a infusão venosa de ocitócitos e utilização de
amniotomia se fizeram presentes neste estudo.
Dentre os 99 partos normais realizados, o uso de ocitocina ocorreu em 59,6%
deles. A amniotomia ocorreu em 62,6%, sendo que 61,6% foram realizadas em
momento oportuno pelos profissionais que prestaram assistência. Somente em um dos
partos a amniotomia ocorreu de forma prematura, ressaltando que essa conduta não é
recomendada pelo risco de infecção.
Dentre as práticas que podem prejudicar as parturientes, a utilização de
episiotomia apresentou incidência de 81,8%, evidenciando que são altas as intervenções
durante o período do trabalho de parto e parto (Tabela 2).
Tabela 2- Intervenções obstétricas realizadas na assistência ao parto normal. Cuiabá,
MT, 2012/2013, n=99
Intervenções
Amniotomia
Não
Sim
Ocitocina
Não
Sim
Episiotomia
Não
Sim
n
%
37
62
37,4
62,6
40
59
40,4
59,6
18
81
18,2
81,8
A Tabela 3 aponta as indicações de cesariana ocorridas nas mulheres estudadas.
Observou-se que algumas são devido às complicações gestacionais e de trabalho de
parto e outras correspondem à situação clínica da mulher e do feto. Os casos de
desproporção céfalo-pélvica representaram 27,9% das indicações de cesariana, seguidos
pela parada de progressão (23,0%) e sofrimento fetal (13,1%). Ressalta-se que duas
cesarianas ocorreram sem indicação ou sem justificativa, pois não havia registros nos
prontuários que demonstrassem a necessidade real deste procedimento.
51
Dentre as situações obstétricas identificadas no estudo, constatou-se que as
mulheres com indicação de desproporção céfalo-pélvica foram submetidas em maior
proporção à infusão de ocitocina (62,5%) quando comparadas com outras indicações.
Tabela 3- Frequência das indicações de cesarianas em primigestas*. Cuiabá, MT,
2012/2013, n=61
Indicações
n
%
Desproporção céfalo-pélvica
17
Parada de progressão
14
Sofrimento fetal agudo
8
DHEG grave
5
Falha na indução por ocitocina
3
Apresentação pélvica
3
Oligoâmnio
3
Doença inflamatória pélvica
2
Trabalho de parto prematuro
1
Amniorrexe prematura
1
Pós-datismo
1
Ascite volumosa
1
Falso trabalho de parto
1
Nada consta
1
Total
61
*Dados anotados conforme o registro no prontuário.
27,9
23,0
13,1
8,2
4,9
4,9
4,9
3,3
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
1,6
100
A Tabela 4 mostra as complicações/intercorrências obstétricas e fetais
registradas
neste
estudo.
Durante
a
evolução
do
parto
normal,
a
complicação/intercorrência identificada foi uma rotura de 4º grau. Vale ressaltar que a
prática de episiotomia foi empregada durante este parto, não evitando, contudo, a
extensa lesão da região perineal. Dentre as lacerações de primeiro e segundo graus
ocorridas em 9 parturientes, em apenas uma registou a realização de episiotomia.
Tabela 4- Complicações/intercorrências obstétricas e fetais segundo o tipo de parto.
Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160
Normal
n
%
Cesárea
n
%
Complicação/ intercorrência no parto
Rotura de 4º grau do canal de parto
1
1,0
_*
_*
Complicação/ intercorrência no pós-parto
Hemorragia
1
1,0
1
1,6
Complicação/ intercorrência no nascimento
Desconforto respiratório
1
1,0
3
4,8
Variáveis
52
Líquido meconial presente
2
2,0
*Complicação/intercorrência não pertinente ao tipo de parto
2
3,2
Em relação às complicações do pós- parto, merecem destaque as hemorragias
ocorridas em decorrência de hipotonia uterina. Durante o puerpério, as complicações
hemorrágicas ocorreram nos dois tipos de parto, no entanto a complicação maior foi no
parto cesárea que necessitou de histerectomia para conter a hemorragia. As
complicações/intercorrências registradas com o recém-nascido foram evidenciadas pelo
desconforto respiratório e pela presença de líquido meconial nos dois tipos de parto.
A Tabela 5 mostra os valores de Apgar de primeiro e quinto minuto,
prematuridade e peso inferior a 2500g de acordo com o tipo de parto. Quanto à
vitalidade ao nascer 7 (4,4%) recém-nascidos tiveram índice de Apgar abaixo de sete no
primeiro minuto de vida e, portanto, sofreram algum grau de anóxia intraparto. Dentre o
total, 1 (14,2%) permaneceu com índice inferior no quinto minuto. Observou-se ainda
que todos os recém-nascidos que evoluíram para a cesariana com valores baixos de
Apgar no primeiro minuto apresentaram indicações relacionadas ao mecanismo do
parto, condições de saúde materna e fetal. Dentre o total de recém-nascidos com anóxia,
3 necessitaram de cuidados especiais na UTI neonatal.
A prematuridade foi identificada em 1,9% dos nascimentos com proporção
maior no parto normal. O caso de prematuridade registrada no parto cesáreo teve como
indicação o trabalho de parto prematuro resultando em um recém-nascido com baixo
peso, porém como escores de Apgar acima de 7 nos primeiros minutos de vida.
Dentre os resultados perinatais, o peso de nascimento é um importante
determinante do risco de morrer no período neonatal. Neste estudo identificou-se que
3,7% dos recém-nascidos registraram pesos inferiores a 2500g com proporção
homogênea em relação aos tipos de parto. No entanto, aqueles com nascimento por via
cirúrgica tiveram indicações devido à identificação de oligodramnia, desproporção
céfalo-pélvica e trabalho de parto prematuro.
Tabela 5- Condições de nascimento dos recém-nascidos segundo o tipo de parto.
Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160
Variáveis
Apgar de 1º min
<7
≥7
Normal
n
3
98
%
Cesárea
n
%
Total
n
%
3,0
97,0
4
57
7
153
4,4
95,6
6,6
93,4
53
Apgar de 5º min
<7
≥7
Prematuridade
Sim
Não
Peso < 2500 g
Sim
Não
0
99
0,0
100,0
1
60
1,6
98,4
1
159
0,6
99,4
2
97
2,0
98,0
1
60
1,6
98,4
3
157
1,9
98,1
3
96
3,0
97,0
3
58
4,9
95,1
6
154
3,7
96,3
DISCUSSÃO
Neste estudo observou-se a ocorrência de internação precoce entre as
primigestas, deixando-as vulneráveis à prática de intervenções desnecessárias sobre a
evolução do trabalho de parto. A avaliação sobre a dilatação cervical e o estado das
membranas ovulares englobam alguns dos fatores que interferem na decisão pela
internação hospitalar da mulher, refletindo diretamente sobre as condutas adotadas
durante o trabalho de parto e se mostrando preponderantes à realização de intervenções
desnecessárias e parto cirúrgico (SAKAE; FREITAS; D’ORSI, 2009).
De acordo com a abordagem do parto humanizado, durante a fase latente, o
acompanhamento deve ocorrer em domicílio ou em ambulatório a partir de uma conduta
expectante, desde que a vitalidade do feto esteja assegurada (BRASIL, 2001). No
entanto, no modelo tecnocrático de assistência obstétrica, a mulher, quando
hospitalizada precocemente, é mais suscetível à realização de procedimentos
rotinizados, causando uma interferência sistemática na evolução do parto e
caracterizando-o como intervencionista.
Identificou-se na análise da condução do trabalho de parto deste estudo que mais
da metade (60,5%) das hospitalizações precoces foram submetidas à infusão
endovenosa de ocitocina. A admissão precoce também foi identificada no estudo de
Vogt et al. (2011) que analisaram a condução do trabalho de parto em três modelos
assistenciais na cidade de Uberlândia- MG, e constataram que dentre as parturientes
admitidas na fase latente do trabalho de parto, houve uma frequência maior do uso de
ocitocina em todos os serviços de saúde investigados, fato que demonstra a importância
de uma rigorosa avaliação obstétrica no momento da internação a fim de evitar
intervenções desnecessárias na assistência ao trabalho de parto. A partir deste estudo,
entende-se que informações durante o pré-natal referentes à identificação dos sinais de
trabalho de parto e referenciamento de serviços próximos ao domicílio significam um
54
direcionamento para a redução da demanda precoce em busca de vaga e,
consequentemente das intervenções para acelerar o trabalho de parto.
O uso da ocitocina tem apresentado índices consideravelmente elevados em
diversos serviços de atenção obstétrica do país. Osavaet al. (2011), ao analisarem os
fatores associados à realização de cesarianas em um centro de parto normal no
município de São Paulo, identificaram um índice de 41,4% de utilização deste fármaco
na população estudada, concordando com as elevadas taxas observadas no presente
estudo.
A ocitocina isolada ou associada com amniotomia é um método de indução ao
trabalho de parto frequentemente utilizado no modelo vigente de assistência obstétrica,
embora algumas revisões apontem para a necessidade de outros estudos que comprovem
a efetividade e segurança de sua indicação clínica. Revisão sistemática realizada por
Howarth e Botha (2001) identificou que a utilização de ocitocina em associação com
amniotomia resultou na diminuição de partos vaginais e grande quantidade de
hemorragia pós-parto em comparação ao uso de prostaglandinas vaginais (RR=5,5)
concluindo que essas práticas são dois métodos de indução ao parto realizados na
prática clínica sem acurácia suficiente para a sua adoção.
Outra prática rotineira nos serviços investigados é a amniotomia que, no modelo
tecnicista, é caracterizada pela ruptura artificial da bolsa amniótica e deve ocorrer em
momento oportuno, ou seja, a técnica deve ser empregada de maneira segura e com
vistas à correção da dinâmica uterina ou mediante a suspeita de líquido meconial
(CUNNINGHAN et al., 2001).
Uma meta-análise que visou analisar os efeitos da amniotomia precoce de rotina
na taxa de cesárea identificou que essa prática associa-se com a redução da duração do
trabalho de parto e por outro lado apresenta risco aumentado de cesarianas. No entanto,
concluiu que não há evidências suficientes que apoiem a hipótese de que a amniotomia
precoce de rotina reduza os índices de parto cesáreo, salientando que esta prática deve
ocorrer prioritariamente em mulheres com trabalho de parto distócico (FRASER et al.,
2000).
Em relação à episiotomia, observou-se, no presente estudo, que a alta incidência
aponta para o uso rotineiro desta prática. Vale ressaltar que conforme as recomendações
da OMS (1996) sua realização constante e sem indicações precisas não apresenta
benefícios devendo ocorrer de forma seletiva em cerca de 10 a 15% dos casos. Uma
revisão sistemática, publicada pela biblioteca Cochrane em 2009, concluiu que quando
55
comparada com o uso rotineiro, a episiotomia seletiva apresenta um índice menor de
trauma de períneo posterior, menor realização de sutura e complicações durante o
processo de cicatrização (CARROLI; MIGNINI, 2009).
No contexto da humanização do parto, a adoção de práticas alternativas como a
posição lateral durante o período expulsivo, puxo espontâneo e massagem perineal no
final da gestação poderiam evitar o predomínio de utilização de episiotomias durante o
trabalho de parto (OLIVEIRA; MIQUILINI, 2005) e corroborar os benefícios de uma
prática seletiva.
Segundo Osava e Tanaka (1995), a episiotomia tem sido realizada de forma
rotineira em primíparas sob a alegação de prevenção de laceração perineal, relaxamento
do assoalho pélvico e redução de trauma contra a cabeça fetal. Revisão sistemática
realizada por Hueston (1996) nos Estados Unidos, com 8.647 pacientes revelou uma
frequência de episiotomias em 50% das primíparas.
Os principais fatores que se relacionam com a realização de episiotomias em
primíparas são os mesmos para as adolescentes, os quais se relacionam com a
imaturidade biológica e com o fato de a musculatura perineal ser mais tensa que de
mulheres adultas, o que pode levar ao aumento do período de delivramento do polo
cefálico (CARVALHO; SOUZA; FILHO, 2010). A questão da elasticidade do períneo e
a antiga recomendação de episiotomia rotineira em primíparas, realizada por obstetras,
constituem-se nos principais fatores que desencadeiam a prática excessiva deste
procedimento (FEBRASGO, 2002).
Muitos estudos têm afirmado sobre o grande número de intervenções durante o
parto e suas consequências para a saúde materna e fetal. Diante disso, pressupõe-se que
o desconhecimento das mulheres e sua exclusão pertinente às decisões obstétricas
imprimem algumas das características do modelo atual de assistência ao parto e tornam
as parturientes vulneráveis a uma imposição autoritária por parte dos profissionais
reiterando seu poder sobre o corpo feminino. Nesse sentido, é importante ressaltar que
de acordo com o modelo de humanização da assistência ao parto, as intervenções
obstétricas são consideradas, muitas vezes, desnecessárias e prejudiciais à mulher
(BRASIL, 2001), logo, os profissionais devem conscientizar-se de que tais práticas não
devem ser realizadas de forma costumeira e mecanizada, procurando alternativas que
resguardem a individualidade da mulher e a coloque no centro do processo parturitivo, a
fim de estabelecer uma assistência democrática e efetiva na direção do cuidado
humanizado.
56
O predomínio de um modelo de atenção ao parto voltado exclusivamente para o
excesso de intervenções tem contribuído para o aumento das taxas de cesarianas e de
morbimortalidade materna e fetal em todo o mundo. Dentre os países da América
Latina, o Brasil apresenta níveis elevados de parto cesáreo, apresentando-se como o
segundo colocado em realização de cesarianas do mundo (ZORZETO, 2006).
No município de Cuiabá, A análise dos tipos de parto revelou um aumento das
taxas de cesarianas, atingindo níveis em torno de 63,0%, em 2012 (SECRETARIA
ESTADUAL DE SAÚDE, 2013). Esses dados são muito superiores ao índice de 15%
aceito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a realização deste tipo de parto.
A cesariana, como qualquer procedimento cirúrgico, pressupõe riscos e está
frequentemente associada com maiores taxas de morbimortalidade materna e seus
benefícios conferidos ao feto são pequenos (BARBOSA et al., 2003). As taxas de
cesárea superiores a 20% aumentam as complicações maternas significando maior
probabilidade de morte durante o parto, complicações hemorrágicas graves e risco de
infecção. Para o bebê, os riscos de nascer prematuro por erro de cálculo da idade
gestacional e morrer durante o nascimento ou na primeira semana de vida também são
altos (ZORZETO, 2006).
Além das repercussões sobre a saúde materna-fetal, a cesariana também acarreta
custos aos serviços de saúde por demandar mais cuidados durante e após o parto, tempo
de internação aumentado e possíveis complicações anestésicas e infecciosas
(PRISZKULNIK; MAIA, 2009). O aumento dos gastos públicos decorrentes de uma
cesariana repercute de forma inexorável sobre as contas do setor saúde e, de acordo com
Zorzeto (2006), o aumento de 1% sobre as taxas de cesarianas, gera um custo extra no
valor de 9,5 milhões de dólares, nos países desenvolvidos.
Dessa forma, é importante ressaltar que a realização de um parto cesáreo deve
ocorrer somente após a prova de trabalho de parto, com indicação precisa e
racionalizada. Uma revisão de literatura realizada por Amorim, Souza e Porto (2010)
identificou que as principais indicações de cesariana devem-se à distócia ou falha na
progressão no parto, desproporção cefalopélvica (DCP), máposição fetal, apresentação
pélvica, de face e córmica, cesárea anterior, frequência cardíaca fetal nãotranquilizadora, presença de mecônio e centralização fetal.
Dentre as indicações de parto cesáreo em primigestas, a desproporção
céfalopélvica, como complicação do trabalho de parto está associada ao maior risco de
operação cesariana. Com o objetivo de analisar as principais indicações em primigestas,
57
Oliveira e Cruz (2010) realizaram um estudo que identificou a DCP como a mais
frequente, com índice de 33,6%, seguida pela Doença Hipertensiva Específica da
Gravidez (DHEG) que correspondeu a 22,2% da amostra.
Quanto às demais indicações de cesariana, como amniorrexe prematura, trabalho
de parto prematuro, oligoâmnio e DHEG, a justificativa para a realização de parto
cesáreo seria plausível se outros fatores estivessem contribuindo para o risco de vida
materna ou fetal, pois tais indicações correspondem a situações que per se não
necessitam de parto cirúrgico, podendo ser corrigido e realizado via vaginal (SOUZA;
AMORIM; PORTO, 2010).
A cesárea demonstra sua importância e utilidade como uma tecnologia
apropriada em diversas situações obstétricas que necessitam da interrupção para
resguardar a vida da mãe ou do feto. Neste estudo, o número elevado de cesarianas não
se relacionou com algumas indicações apresentadas como justificativa para a realização
deste procedimento, por não significar uma indicação absoluta ou por não apresentar
uma necessidade de resolução por via alta, o que pode caracterizar uma interferência
médica no processo do parto, induzindo a parturiente a concordar com ações que visam
aos interesses da classe profissional em detrimento das reais necessidades da mulher.
A análise crítica sobre o modelo hegemônico de atenção à saúde evidencia o real
significado da humanização, que visa ampliar e potencializar as novas propostas de
cuidado que segundo Ayres e Deslandes (2005) compreendem o respeito à diferença, a
valorização do sujeito e a centralidade do diálogo. Realidade esta, não contemplada na
atenção obstétrica vigente que exprime um aspecto diferente do proposto pela
humanização, pois se pauta na utilização de tecnologias para garantir a sua qualidade,
promovendo um alto índice de intervenções, durante o trabalho de parto, e
caracterizando a assistência obstétrica como altamente tecnicista e pouco relacional.
De acordo com problemas pré-existentes, o desenvolvimento da gestação e/ou da
evolução do trabalho de parto podem apresentar complicações que interferem na
qualidade
de
vida
materna
e
fetal.
Os
achados
relacionados
às
complicações/intercorrências demonstraram que a sua distribuição foi uniforme entre as
vias de parto, no entanto, o parto cesáreo resultou em um caso de hemorragia mais
grave por haver necessidade de realização de histerectomia em decorrência de um
choque hipovolêmico. Dentre as complicações hemorrágicas, a histerectomia
compromete a reprodução da mulher definitivamente e caracteriza-se por apresentar
elevado risco de mortalidade materna (NOMURA, ALVES; ZUGAIB, 2004).
58
Quanto às complicações que podem afetar a vitalidade do recém-nascido,
destaca-se o desconforto respiratório e a presença de líquido meconial como fatores
preponderantes para desencadear resultados negativos ao feto, podendo ocasionar um
sofrimento fetal por hipóxia intraútero. Neste estudo, a limitação no bem-estar do feto
foi detectada em 11% dos nascimentos de parto normal e de cesárea. Diante disso, a
prática clínica sugere uma avaliação criteriosa do aspecto do líquido amniótico, grau de
dilatação, altura da apresentação e variedade de posição, a fim de poder diagnosticar
possíveis situações de comprometimento fetal intraútero e realizar conduta pertinente a
cada caso (AMORIM; SOUZA; PORTO, 2010).
A vitalidade do recém-nascido prediz sobre a atenção recebida pela mulher
durante o período pré-natal e durante o parto, refletindo em condições adequadas de
nascimento. No presente estudo, a prematuridade e o baixo peso apresentaram baixa
incidência em ambos os tipos de parto. O peso ao nascer e a ocorrência de
prematuridade representam indicadores de qualidade de vida da criança, sendo que o
baixo peso revela-se como um fator que contribui para as taxas de mortalidade infantil
(MARIOTONI; BARROS FILHO, 2000).
Em relação ao índice de Apgar registrado, foram evidenciados baixos escores
nos dois tipos de parto, condição esta que determina a sobrevida dos recém-nascidos. A
asfixia perinatal tem relação próxima com índices de Apgar que variam até 3 por mais
de cinco minutos ocasionando sequelas neurológicas, algumas vezes, irreversíveis
(CUNNINGHAN et al., 2001). Nesse sentido, o prognóstico do feto depende de uma
boa avaliação médica e uma intervenção através da cesariana que apresenta indicação
absoluta em casos de sofrimento fetal, apresentando-se como um fator de proteção para
a asfixia perinatal (CUNHA et al., 2004).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo identificou os principais resultados maternos e neonatais da
assistência obstétrica prestada às primigestas adolescentesindicando uma forte
influência do modelo tecnicista. Embora o estudo tenha sido realizado em instituições
de saúde que estão se adequando à humanização da assistência ao parto, os dados
revelam uma interferência de ações pautadas na supremacia médico-intervencionista
que se distanciam das propostas de humanização.
59
O predomínio do parto cesáreo e da utilização de práticas obstétricas
desnecessárias está relacionado a vários determinantes, como a dificuldade de
participação ativa da mulher no processo decisório sobre a via de nascimento, pois no
modelo vigente de atenção ao parto, o médico figura como o protagonista do processo
parturitivo imprimindo um caráter autoritário e intervencionista. Dessa forma, os altos
índices de intervenções no parto revelam uma contrariedade em relação aos preceitos do
parto humanizado, que reitera a importância e os benefícios do parto normal e
proporciona à mulher o restabelecimento da sua confiança, permitindo-lhe tornar-se
mais segura e pró-ativa durante o parto e no cuidado com seu filho.
De acordo com os critérios preconizados pela humanização do parto, vale
reiterar sobre a importância de incentivar a adoção de procedimentos que tenham fortes
evidências científicas a fim de comprovar sua efetividade e segurança, bem como
regatar e valorizar os aspectos subjetivos do sujeito.
Cabe ressaltar que um limite do estudo seja o fato de a coleta de dados ter sido
de fonte secundária (prontuários) com possibilidade de influência de alguns fatores
como a ausência de um protocolo para indicação de cesariana, a falta de registros
precisos no partograma e letras ilegíveis, ocasionando interferência na interpretação do
pesquisador. No entanto, estes resultados podem servir como subsídios na fomentação
de práticas assistenciais humanizadas.
Diante do exposto, pressupõe-se que um bom nascimento não depende de um
número maior de intervenções e que, de acordo com os princípios da humanização do
parto se configura nas relações entre os sujeitos envolvidos no processo parturitivo,
permitindo a compreensão da realidade através de um olhar multidimensional que ajuda
a intervir e propor soluções para os problemas encontrados no cotidiano da assistência
obstétrica. Acredita-se que o estudo tem muito a contribuir como um instrumento
mediador de transformações das práticas profissionais do cuidado obstétrico,
especialmente para o enfermeiro que, diante da intensa incorporação de novos
conhecimentos, o aprofundamento sobre a temática poderá fornecer subsídios
importantes na atuação profissional.
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ZORZETO, R. Escolha errada. Pesquisa FAPESP 124, p. 40-44, 2006.
64
65
5.2 A ATIVIDADE FÍSICA COMO TECNOLOGIA DE CUIDADO NA
QUALIFICAÇÃO DA ATENÇÃO OBSTÉTRICA
Physical activity as technology of care in the qualification of obstetrical attention
La actividad física como tecnología de atenciónenlacualificacióndelatedimiento
obstétrico
RESUMO
O objetivo foi analisar o impacto da atividade física realizada durante a gestação sobre
as condições de parto e nascimento. Estudo de intervenção quase experimental realizado
com 160 gestantes em acompanhamento pré-natal. A coleta de dados ocorreu nos
prontuários de três maternidades conveniadas ao SUS. Os resultados indicaram
associação da prática de atividade física com o tipo de parto e com a prática de
amniotomia, ocitocina e episiotomia, o estudo revelou que o risco para a ocorrência
dessas práticas é maior nas gestantes que não participaram do programa de exercícios
físicos com RR > 1. Quanto às condições de nascimento, a atividade física mostrou
associação apenas com o peso de nascimento. Conclui-se que a prática de atividade
física durante o período gestacional apresentou resultados satisfatórios sobre as
condiçoes materno-fetais, destacando-se como uma tecnologia de cuidado obstétrico.
Palavras-chave: Atividade física; Humanização; Parto.
ABSTRACT
The purpose is to analyze the impact of physical activity during pregnancy on the labor
and delivery conditions. Semi experimental intervention study of 160 pregnant women
in prenatal care. The data collection took place in three charts of hospital associated to
SUS (Sistema Único de Saúde). The results indicated the association of physical
activities, delivery type and the practice of amniotomy, oxytocin and episiotomy, the
study showed that the risk for the occurrence of these practices is higher among those
who did not participate in the exercise program with RR > 1. Regarding the conditions
of birth, physical activity was associated only with the birth weight. It is concluded that
physical activity during pregnancy presents satisfactory results on the maternal-fetal
conditions despite its correlation with the term technology obstetric care becomes a
challenge to the care service qualification.
Key words: Physical activity; Humanization; Parturition.
RESUMEN
El objetivo fueanalizarel impacto de laactividad física enlas condiciones del parto y
nacimientomientraselembarazo. Estudio de intervencióncasi experimental realizado con
160 mujeresembarazadasenelcontrolprenatal. La recogida de losdatosocurrióenlos
expedientes médicos de treshospitales maternidades amparados por el SUS. Los
resultados apuntaronlaasociación de laactividad física conel tipo de parto y
conlasprácticas de laamniotomía, oxitocina y episiotomía. El estudioreveló que elriesgo
para laocurrencia de estas prácticas es mayor entre lasembarazadas que no
participaronenel programa de ejercicio físico con RR > 1. Encuanto a las condiciones
delnacimiento, laactividad física presentóasociaciónsóloconel peso al nacer. Se
concluye que lapráctica de laactividad física mientraselembarazopresentó resultados
66
satisfactoriosenlas condiciones materno-fetales a pesar de sucorrelaciónconel término
tecnología de atención obstétrica mostrarse como undesafío a lacalificación de
laatención.
Palabras clave: Actividad física; Humanización; Parto.
INTRODUÇÃO
O parto sempre foi percebido socialmente como um evento natural e fisiológico
do corpo feminino. No entanto, a partir da valorização da obstetrícia como
especialização médica, o parto foi reiterado como um momento perigoso necessitando
da presença de um profissional capacitado e um local apropriado para garantir a saúde
materna e fetal. Este movimento caracterizou o modelo de atenção ao parto centrado na
figura do médico como detentor do poder sobre o corpo da mulher, simbolizando a
racionalização do parto e incentivando um excesso de medicalização desse processo
(NAGAHAMA; SANTIAGO, 2005).
Com o advento da tecnologia, a assistência obstétrica incorporou de forma
consubstancial diversos elementos que contribuíram para a sua transformação e
aperfeiçoamento, com a influência de um modelo assistencial orientado por um
paradigma humanístico, que cede espaço à realização de um cuidado desmedicalizado
(NUNES; VARGENS, 2007) e que permite a reorganização das práticas em torno do
resgate da valorização da mulher como sujeito do seu processo parturitivo, utilizando-se
de novas tecnologias a fim de qualificar o cuidado obstétrico.
Conforme Torres, Santos e Vargens (2008), essas tecnologias são utilizadas pela
enfermagem obstétrica como técnicas consideradas propulsoras da evolução fisiológica
do parto, a fim de proporcionar maior conforto e segurança para a mulher, sendo
denominadas de tecnologias de cuidado de enfermagem obstétrica.
O uso destas tecnologias no cuidado ao parto é incentivado por favorecer o
reconhecimento das necessidades individuais da mulher possibilitando a vivência do
parto como um momento íntimo para a mãe e o filho, sobretudo por acreditar que essas
práticas interferem no processo parturitivo e possibilita a criação de novos recursos para
a sua utilização e o incremento do cuidado em enfermagem obstétrica (PROGIANTI;
LOPES; GOMES, 2003).
Partindo-se desta perspectiva surgiu o interesse em pesquisar sobre tecnologias
inovadoras no cuidado obstétrico a partir do preparo corporal realizado durante a
gestação, experimentando um programa de exercícios físicos voltados para o
67
fortalecimento da musculatura envolvida no processo do parto com o objetivo de que o
nascimento transcorra de forma saudável.
A prática de atividade física realizada de forma regular e sistemática é altamente
recomendada para as gestantes, afetando de forma positiva diversos segmentos
corporais e garantindo efeitos seguros e benéficos para mãe e filho. Estudo prospectivo
realizado com 66 gestantes primíparas da cidade de São Sebastião, SP, a fim de verificar
se o exercício físico realizado durante a gestação influenciou na via de parto, concluiu
que o grupo que participou do programa de exercícios mostrou predominância de parto
normal, enquanto que no grupo que não participou das atividades predominou o parto
cesáreo (SILVEIRA; SEGRE, 2012).
Sabe-se que a realização de atividade física de forma sistemática e regular
proporciona melhor condicionamento cardio-respiratório ao indivíduo e estimula o
fortalecimento dos músculos trabalhados, proporcionam um preparo físico capaz de
tornar as contrações mais eficientes para exercer a força motora necessária para a
expulsão do feto, reduzindo, assim as taxas de intervenções no parto. Diante do exposto,
acredita-se que os efeitos desejáveis da prática de atividade física durante a gestação,
possam caracterizar a transformação das práticas no âmbito da humanização,
significando a atividade física uma forma de cuidado prestado à mulher durante o ciclo
gravídico-puerperal e constituindo-se em tecnologia inovadora do cuidado obstétrico.
Todavia, a promoção da atividade física como uma proposta do campo de
domínio das práticas obstétricas, como oferta de cuidado integral à gestante/parturiente,
potencialmente pode configurar-se como um tipo de tecnologia de cuidado, pois é uma
ideia nova e que ainda não foi difundida através dos meios científicos. Sendo assim,
esta pesquisa pretende ser um instrumento de apoio aos profissionais do cuidado
obstétrico, capaz de aprimorar os cuidados ofertados incentivando a prática do parto
normal com o mínimo de intervenção no processo.
Tendo em vista a ausência de trabalhos que abordam essa temática, a relevância
do presente estudo reside no fato de que os seus resultados possam contribuir para o
redirecionamento das práticas de cuidado, incentivando ações que respondam às
expectativas de uma atenção pautada no modelo de humanização da assistência
obstétrica.
Mediante isso, desenvolveu-se um estudo que teve como objetivo analisar o
impacto da atividade física realizada durante a gestação sobre as condições de parto e
nascimento a fim de integrá-la como uma tecnologia do cuidado obstétrico.
68
METODOLOGIA
Para a realização desta pesquisa propôs-se inicialmente um projeto de
intervenção intitulado “Gestante Movi-mente-se” que abrangeu a criação de um grupo
de gestantes para participar ativamente de atividades relacionadas ao preparo físico para
o momento do parto, além de contemplar ações educativas com instruções acerca de
cuidados durante o parto e puerpério. O estudo foi do tipo longitudinal, de intervenção
quase experimental que incluiu 173 gestantes selecionadas por meio de amostragem não
probabilística do tipo por conveniência. As participantes foram divididas em dois
grupos de comparação (grupo expostos e não expostos) e a seleção foi pareada uma a
uma, segundo as características sócio demográficas, gestacionais e clínicas. As
interessadas em participar do programa de exercícios físicos compuseram o grupo dos
expostos, totalizando 50 gestantes. Aquelas que não demostraram interesse em
participar formaram o grupo dos não expostos registrando 123 mulheres.
Adotou-se como critérios de inclusão: ser primigesta, realizar pré-natal em
unidades de ESF, não apresentar risco gestacional e manifestar desejo em participar de
todas as atividades propostas. Foram consideradas perdas as gestantes com abortamento
e que tiveram seus partos em hospitais particulares ou em outro município.
A coleta de dados foi realizada em 3 momentos: busca pelas participantes da
pesquisa; realização do projeto de intervenção e registro de informações do parto e
nascimento. A busca pelas gestantes iniciou-se pelos livros de acompanhamento do prénatal das ESF selecionadas e, posteriormente, ocorreu um encontro com todas aquelas
que se enquadravam nos critérios do estudo para apresentação da proposta da pesquisa.
Neste momento foi aplicado um questionário que abordava características
sóciodemográficas, obstétricas e clínicas.
O programa de exercícios físicos, conduzido por profissional de Educação
Física, foi oferecido em duas sessões semanais com duração de 60 min./sessão
totalizando 120 minutos semanais com intensidade leve a moderada e com duração total
de8 semanas. As 4 primeiras sessões foram utilizadas como meio de adaptação aos
exercícios e 12 sessões foram usadas objetivando ganho de flexibilidadee fortalecimento
dos músculos do assoalho pélvico. As gestantes realizaram as atividades seguindo o
protocolo A – realizado com alongamento e aquecimento articular (15 minutos),
resistência muscular localizada (30 minutos de treinamento com halteres e
69
tornozeleiras) e volta à calma com alongamento da musculatura (15 minutos) e
Protocolo B – realizado com alongamento e aquecimento articular (10 minutos),
hidroginástica (40 minutos de treinamento com flutuadores) e relaxamento (10
minutos).
A coleta de dados referentes aos partos foi realizada nos prontuários dos
hospitais selecionados. De acordo com a identificação das parturientes, foi solicitado
aos hospitais a disponibilidade dos registros que contemplavam informações sobre a
evolução do trabalho de parto, vias de parto e condições de nascimento dos recémnascidos. O período do estudo compreendeu os meses de dezembro de 2012 a maio de
2013. A variável de exposição foi a prática de atividade física e como variáveis de
desfecho foram estabelecidas as práticas obstétricas como uso de ocitocina, amniotomia
e episiotomia por desempenharem importante papel da “cascata de intervenções”
durante a assistência ao parto. Os tipos de parto e os resultados neonatais como peso ao
nascer, escores de Apgar de 5º minuto e idade gestacional também se comportaram
como variáveis de desfecho.
Os dados foram processados pelo programa estatístico Epiinfo versão 3.5.2 e
para sua análise foram utilizadas técnicas estatísticas descritivas e inferenciais,
admitindo-se um nível de significância de 5%. Para a inferência estatística sobre os
dados, as variáveis de exposição e desfecho foram analisadas individualmente e
conjuntamente. Para estimar o risco de cada variável sobre o desfecho a ser estudado
foi utilizada medida de risco através do risco relativo (RR).
Esta pesquisa foi submetida à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa do
Hospital Universitário Júlio Müller, atendendo à Resolução nº 466/12 e obtendo
aprovação para o seu desenvolvimento através do Parecer nº 112.146. Todas as
participantes desta pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
RESULTADOS
Do total de 173 gestantes que participaram da pesquisa, houve 13 perdas durante
o seguimento do estudo sendo duas devido a abortamento e onze por hospitalização em
instituição privada não conveniada ao SUS.
As características sóciodemográficas estão relacionadas na Tabela 1. A
população do estudo foi composta por gestantes com idade entre 13 e 19 anos (média de
16,8), com prevalência da raça/cor parda (80%), com formação escolar de 8 anos ou
70
mais de estudo (67,5%) sendo a maioria casada ou com união estável (71,9%) e que
atua em profissões sem remuneração (95,%).
Tabela 1 - Características sócio-demográficas das parturientes, Cuiabá, MT, 2012/2013,
n=160
Variáveis
Faixa etária
10 a 15 anos
16 a 19 anos
Raça/ Cor
Branca
Negra
Parda
Escolaridade
Menos que 08 anos
Mais que 08 anos
Estado civil
Casada/União Estável
Solteira
Ocupação
Com remuneração
Sem remuneração
n
Total
%
35
125
21,8
78,2
18
14
128
11,3
8,7
80,0
52
108
32,5
67,5
115
45
71,9
28,1
8
152
5,0
95,0
160
100,0
Em relação aos tipos de parto, a distribuição está apresentada na Tabela 2, na
qual foi observada grande incidência de parto cesárea em ambos os grupos, com
proporção de 40% no grupo que se manteve sedentário e 32,5% dentre aquelas que
participaram do programa de exercícios físicos. Observou-se ainda que os grupos
apresentaram riscos diferentes (RR=1,23). Esse resultado indica que as gestantes que se
mantiveram sedentárias durante a gestação apresentaram um risco maior para a
ocorrência de parto cesáreo em relação ao grupo que participou do programa de
exercícios físicos.
Tabela 2 - Prática de exercícios físicos durante a gestação associado ao tipo de parto,
Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160
Cesárea
Normal
Exercícios
físicos
Total
n
%
n
%
RR (IC 95%)
71
Não
48
40,0
72
60,0
120
Sim
13
32,5
27
67,5
40
Total
61
38,1
99
61,9
160
1,23 (0,7-2,0)
Com relação às práticas obstétricas comumente realizadas durante a assistência
ao parto nas instituições hospitalares, as análises foram realizadas a fim de constatar se
o grupo que praticou exercícios físicos sofreu um número menor de intervenções
durante o parto.
A infusão endovenosa de ocitocina associada ou não à prática de amniotomia são
métodos utilizados para estimular o trabalho de parto, em condição favorável da cérvice,
podendo retardar o processo em casos de insucesso. Os resultados apresentados na
Tabela 3 indicam uma taxa de 59,6% do uso de ocitocina na maioria das parturientes do
estudo, sendo que o uso deste fármaco se deu em 68% das que não praticaram
exercícios físicos durante a gestação e 37,3% nas que praticaram exercício, ou seja, o
uso foi de quase 2 vezes mais no grupo que se manteve sedentário. Dentre o total de
partos, a prática de amniotomia apresentou incidência alta nos dois grupos de gestantes,
sendo que a análise do risco indicou que as sedentárias tiveram um risco de 1,17 vezes
maior de serem submetidas a esse procedimento.
Tabela 3 - Prática de exercícios físicos durante a gestação associada à realização de
intervenções durante o trabalho de parto, Cuiabá, MT, 2012/2013, n=99
Ocitocina
Exercícios
físicos
Sim
Total
Não
n
%
n
%
Não
49
68,0
23
32,0
72
Sim
10
37,3
17
62,7
27
Total
59
59,6
40
40,4
99
RR (IC 95%)
1,84 (1,1-3,0)
Amniotomia
Exercícios
físicos
Não
Sim
Total
Não
n
%
n
%
47
65,2
25
34,8
72
RR (IC 95%)
72
Sim
15
55,5
12
44,5
27
Total
62
62,5
37
37,4
99
1,17 (0,8-1,7)
Episiotomia
Exercícios
físicos
Sim
Total
Não
n
%
n
%
Não
60
83,3
12
16,7
72
Sim
21
77,7
6
22,3
27
Total
81
81,8
18
18,2
99
RR (IC 95%)
1,07 (0,8-1,3)
A episiotomia, caracterizada como uma lesão cirúrgica na região perineal, é um
procedimento que causa maiores desconfortos para a mulher durante o pós-parto. No
presente estudo foi identificada a ocorrência de 83,3% de casos no grupo não
participante do programa de exercícios físicos e 77,7% no grupo que participou do
programa. A incidência acumulada revelou que a prática de episiotomia atingiu 81
(81,8%) primigestas. A análise do risco revelou que não houve diferença
estatisticamente significativa entre as gestantes sedentárias durante o período do estudo
e aquelas participantes dos exercícios físicos.
A vitalidade do recém-nascido prediz sobre a atenção recebida pela mulher
durante o período pré-natal e durante o parto, refletindo em condições adequadas de
nascimento. Os dados do estudo mostraram que a prática de exercícios físicos não teve
relação com nascimentos prematuros e com escores baixos de Apgar de 5º minuto.
Dentre os 3 nascimentos prematuros, 2 ocorreram provenientes de gestantes que
não realizaram exercícios físicos e 1 de gestante que participou dos exercícios. Já em
relação ao índice de Apgar de 5º minuto, os dados revelaram que 1 recém-nascido teve
o escore abaixo de 7 no grupo amostral, indicando boas condições de nascimento.
Quanto a tais variáveis, este estudo revelou uma incidência acumulada de 1,9% de
nascimentos prematuros e de 0,6% de recém-nascidos com escores de Apgar de 5º
minuto abaixo de 7. O risco relativo para estas variáveis não se mostrou significativo
(resultados não apresentados).
Dentre os resultados perinatais, o peso de nascimento é um importante
determinante do risco de morrer no período neonatal. Neste estudo, evidenciou-se que
dentre os 6 recém-nascidos com peso inferior a 2500g, 5 foram de gestantes que não
73
realizaram os exercícios físicos e 1 foi de gestante que participou dos exercícios. A
Tabela 4 descreve o peso ao nascer estratificado pela atividade física e revela que o
risco de nascer com peso inferior a 2500 g é de 1,67 vezes maior no grupo que não
praticou exercícios físicos durante o período gravídico.
Tabela 4 - Prática de exercícios físicos durante a gestação associada às condições de
nascimento, Cuiabá, MT, 2012/2013, n=160
Peso <2500 g
Exercícios
Sim
físicos
Total
Não
n
%
n
%
Não
5
4,1
115
95,9
120
Sim
1
2,5
39
97,5
40
Total
6
3,7
154
96,3
160
RR (IC 95%)
1,67 (0,2- 13,8)
DISCUSSÃO
A gravidez é uma condição natural do corpo feminino e, na ausência de
complicações, a realização de atividade física é altamente recomendada ao longo da
gestação (SPORT MEDICINE AUSTRALIA, 2002). Além da sua influência sobre o
ganho ponderal materno e resultados satisfatórios quanto à evolução gestacional, os
benefícios da atividade física também se estendem aos desfechos do parto e nascimento.
Estudo conduzido em Rio Grande/RS sobre a prevalência de atividade física na
população gestante constatou que 32,8% da amostra investigada relatou praticar alguma
atividade física durante a gestação e, ao associar esta prática com os desfechos
maternos- infantis, verificou-se uma menor prevalência de cesárias e natimortos entre as
mulheres que faziam exercícios na gestação (DUMITH, et al., 2012).
Os resultados do presente estudo apontam para a existência de associação entre o
exercício físico durante a gestação e a via de parto normal. Sabe-se que durante o
trabalho de parto, há liberação de estrogênio na corrente sanguínea que promove o
relaxamento muscular e o afrouxamento de tendões e ligamentos, promovendo melhor
flexibilidade articular (GALLUP, 1999). Este benefício associado à prática de
exercícios físicos pode contribuir para uma melhor preparação dos músculos
abdominais, tornando-os mais fortes e eficientes para o trabalho de parto, facilitando a
74
passagem do feto pelos trajetos duro e mole e, consequentemente reduzindo a incidência
dedistócias e partos prolongados.
Revisão de literatura realizada com o objetivo de verificar os efeitos da prática
de atividade física regular durante a gestação com enfoque na saúde da gestante e no
crescimento fetal destaca como resultados principais a diminuição de riscos de parto
prematuro, facilidade do trabalho de parto e redução do número de cesáreas (BATISTA,
et al., 2003). A menor ocorrência de partos cirúrgicos entre mulheres praticantes de
atividade física durante a gestação também foi um dos achados do presente estudo,
ampliando os efeitos dessa prática para além dos resultados gestacionais como controle
ponderal materno e contribuindo para a redução das altas taxas de intervenções durante
a evolução do parto. O predomínio de um modelo de atenção ao parto voltado
exclusivamente para o excesso de intervenções tem contribuído para o aumento das
taxas de cesarianas e de morbimortalidade materna e fetal em todo o mundo. Dentre os
países da América Latina, o Brasil apresenta níveis elevados de parto cesáreo,
apresentando-se como o segundo colocado em realização de cesarianas do mundo
(ZORZETO, 2006).
A análise do estudo destacou ainda que as prevalências das intervenções
obstétricas são altas, tanto no grupo que praticou exercícios físicos quanto no grupo que
não praticou. Este fato suscita a reflexão de que as condutas médicas imprimem um
caráter monopolizante sobre a assistência prestada e que, convergem para um
monitoramento contínuo do corpo da mulher ao possibilitar a utilização de intervenções
desnecessárias.
Para a OMS (1985) o parto vaginal é um processo normal e natural do corpo da
mulher, devendo acontecer com o mínimo de intervenções. No entanto, na obstetrícia
tradicional, os procedimentos rotinizados e repetitivos criam homogeneidade reduzindo
as incertezas sobre os resultados do parto e os profissionais tendem a ter uma visão
positiva da tecnologia. Para eles o sucesso do resultado final só ocorre através de
procedimentos médicos, deflagrando uma cultura altamente tecnicista e dificultando o
abandono de práticas padronizadas (BRASIL, 2008).
De acordo com os resultados desta pesquisa, pode-se observar que a atividade
física apresentou-se como um fator benéfico na diminuição dos índices de intervenções
sobre o trabalho de parto e parto. Nesta perspectiva, a prática de atividade física
durante a gestação demonstra uma nova dimensão para a assistência obstétrica que pode
utilizar-se desta prática para consolidar um cuidado integral à mulher no período
75
gravídico-puerperal. Esta faceta, que a atividade física assume caracteriza-se como uma
nova tecnologia de cuidado obstétrico, pois além de estabelecer uma relação terapêutica
entre os sujeitos, possibilita um olhar diferenciado e especializado na atenção à gestante.
O termo tecnologias de cuidado é usado para expressar a dimensão tecnológica
do cuidado (SEIBERT, 2010) e reúne habilidades inerentes ao profissional enfermeiro
capaz de atravessar as práticas em saúde e colaborar com a construção e estruturação do
conhecimento. Desta forma, o profissional deve dispor de recursos e usufruir de todos
os meios para proporcionar ao usuário a melhor assistência disponível.
A tecnologia de enfermagem reúne diversos conhecimentos científicos e
empíricos na concretização do cuidado humano, pois é neste momento que o enfermeiro
expressa em seu processo de trabalho, a reflexão crítica-analítica de suas ações
efetivadas no ato de cuidar (MEIER, 2004).
No campo obstétrico, o cuidado se
expressa através de uma variedade de ações não se limitando às questões de ordem
puramente fisiológica relacionadas ao período gravídico-puerperal (TORRES;
SANTOS; VARGENS, 2008).
As tecnologias de cuidado operam de forma a
incorporar ações através de práticas produzidas pelo conhecimento da enfermagem, com
isso, a tecnologia permite a construção de um cuidado obstétrico menos reducionista e
centrado na mulher como sujeito do processo de parturição.
Diante do exposto entende-se que, produzir tecnologia significa produzir objetos
que podem ser tanto materiais quanto de ordem simbólica, a fim de satisfazer
necessidades diversas (KOERICH et al., 2006). Considerando o trabalho de
enfermagem, o emprego da tecnologia no campo da saúde requera utilização de forma
coesa dos saberes próprios desenvolvidos pela profissão a fim de ofertar um cuidado
adequado às reais necessidades humanas, pois a tecnologia do cuidado em enfermagem
se refere à produção e organização das ações humanas, a fim de aprimorar o modelo de
assistência vigente.
Assim, ao refletir sobre o uso de tecnologias no cotidiano das práticas
profissionais, observa-se que a atividade física apresenta-se como uma dimensão do
universo tecnológico do cuidado pertinente à assistência prestada às gestantes, pois
engloba um conjunto de saberes estruturados capaz de respaldar as práticas assistenciais
durante a evolução gestacional e parto, estendendo-se ainda para resultados fetais
satisfatórios.
Embora no presente estudo a prática de atividade física durante a gestação não
tenha mostrado associação com parto prematuro, o menor risco de prematuridade
76
decorrente desta prática é apontando por Matijasevich e Domingues (2010) ao
argumentarem sobre o efeito protetor do exercício físico sobre a prematuridade e
destacando o aumento do seu efeito positivo, quando realizado no terceiro trimestre de
gestação, apesar dos níveis de atividade física decaírem com o passar dos trimestres,
justificados por limitações biomecânicas e falta de informação para a reorientação das
práticas.
Com relação às taxas de anóxia fetal expressas por escores baixos de Apgar, as
evidências sugerem associações positivas entre realização de atividade física pela
gestante com maiores escores de Apgar no nascimento. Embora neste estudo nao tenha
sido observada tal associação, a vitalidade do recém-nascido foi analisada por Clapp
(1990) através de um estudo de intervenção realizado por meio de um programa
aeróbico, durante a segunda metade da gravidez, com 131 mulheres que se exercitaram
antes e durante a gestação e concluiu que o grupo de gestantes que manteve o regime de
treino indicado obteve em torno de 50% de nascimentos com índice de Apgar maior que
7 quando comparado ao grupo que não manteve o mesmo ritmo de exercícios,
apresentando nascimentos com escores superiores a 7 em torno de 26%.
Os resultados da prática de atividade física sobre o peso ao nascer também foram
registrados neste estudo.Diversas evidências sugerem que a participação de mulheres
em atividades físicas de intensidade moderada durante a gravidez pode contribuir para o
aumento do peso ao nascer, enquanto que exercícios de intensidade vigorosa podem
resultar em bebês com peso menor que o adequado para a idade gestacional (SMA,
2002).
Estudo realizado porTakito, Benicio e Neri (2009) detectou o aumento de peso
fetal da ordem de 97 g para mulheres que se exercitavam com intensidade baixa, 124 g
para exercícios de intensidade moderada e 276 g para aquelas que se exercitavam com
intensidade vigorosa. Dessa forma, é imprescindível que a prática de atividade física
seja realizada de forma orientada e sistematizada, a fim de evitar efeitos negativos sobre
desfechos maternos e fetais.
Os estudos citados são unânimes em afirmar a existência deresultados
satisfatórios da prática da atividade física durante a gestação para mãe e filho, atestando
que manter um estilo de vida ativo é importante para qualquer pessoa, em qualquer
faixa etária e em qualquer fase da vida, inclusive durante a gestação. Diante disso, a
prática de atividade física integra-se como um cuidado inerente ao processo gestacional
a fim de qualificar a assistência e ofertar um cuidado integral à gestante.
77
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Mediante uma abordagem quantitativa, o presente estudo identificou o efeito
protetor da prática de atividade física sobre alguns resultados maternos e fetais, como
via de parto, intervenções obstétricas durante o trabalho de parto e peso do recémnascido, demonstrando a necessidade de incentivar ainda mais a adoção de um estilo de
vida saudável com a inclusão de exercícios físicos orientados e regulares. É importante
ressaltar que para algumas variáveis estudadas, o tamanho amostral pode ter contribuído
para a falta de significância estatística.
A análise das práticas desenvolvidas na atenção ao parto de primigestas
constatou um modelo assistencial que prioriza ações intervencionistas sobre a evolução
do parto, desconsiderando seu caráter holístico e agregando aspectos pouco valorativos
ao processo parturitivo. Evidenciou-se ainda que a propagação do poder médico sobre o
corpo feminino, além do desconhecimento das mulheres e sua exclusão acerca das
decisões obstétricas são fatores que contribuem para a perpetuação do modelo atual de
assistência ao parto e apresentam-se como um entrave para a transformação das práticas
profissionais na direção do parto humanizado.
Nesse sentido, é importante ressaltar que, de acordo com o modelo de
humanização da assistência ao parto, as intervenções obstétricas são consideradas,
muitas vezes, desnecessárias e prejudiciais à mulher, logo, os profissionais devem
conscientizar-se de que tais práticas não devem ser realizadas de forma costumeira e
mecanizada, procurando alternativas que resguardem a individualidade da mulher e a
coloque no centro do processo parturitivo, a fim de estabelecer uma assistência
democrática e efetiva na direção do cuidado humanizado.
Frente a este contexto, entende-se que realizar atividade física durante a
gestação é uma forma de promover um cuidado desmedicalizado e que atenda ao
propósito da humanização do parto, centrado nas necessidades individuais da mulher,
garantindo sua segurança, conforto e considerando suas peculiaridades.
Como limitação enfrentada para a realização deste estudo, destacam-se os
registros deficientes nos prontuários clínicos referentes ao parto e nascimento. Muitas
vezes, os mesmos não apresentavam dados relativos à avaliação obstétrica da
parturiente no momento da hospitalização e/ ou não especificavam as indicações de
cesarianas. Outra limitação do estudo foi o próprio modelo de parto vigente, que não
78
reconhece a potencialidade da gestante em conduzir o parto, limitando-a ao poder de
decisões arbitrárias dos profissionais.
A indicação da prática de atividade física durante a gestação já é considerada
uma prática segura, devendo ser de conhecimento de toda a equipe profissional. No
entanto, ao estabelecer correlação com o termo tecnologia de cuidado obstétrico,
evidenciou-se que a implementação desta proposta é um desafio, sobretudo pela
ausência de trabalhos que abordem esta temática no contexto do cuidado ao parto.
Vale ressaltar que o período da gestação é oportuno para a introdução de
mudanças comportamentais, especialmente porque os efeitos da atividade física
repercutem de forma positiva sobre a saúde materna e fetal. Assim, o presente estudo
destaca-se no campo obstétrico por contribuir para a reflexão da práxis, subsidiando a
transformação das práticas assistenciais e valorizando o preparo corporal para o parto
como um tipo de tecnologia de cuidado que busca reunir e incorporar conhecimentos
necessários para garantir a excelência do cuidado.
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81
82
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos resultados encontrados neste estudo possibilitou a constatação de
que a assistência obstétrica prestada às primigestas no município de Cuiabá apresenta
alguns aspectos que vêm interferindo na adequação de práticas humanizadas de atenção
ao parto. Através da revisão realizada nos prontuários clínicos, comprovou-se que
algumas práticas consideradas prejudiciais ao parto são desenvolvidas de forma
constante no atendimento às parturientes, contribuindo para o aumento do número de
intervenções na fisiologia do parto e, justificadas pela perpetuação de um ambiente
altamente tecnicista e de caráter pouco humanístico.
A humanização do parto se configura nas relações entre os sujeitos do processo
parturitivo e vem de maneira muito particular promovendo a reforma do pensamento
tradicional na obstetrícia, pois permite compreender a realidade através de um olhar
multidimensional que ajuda a intervir e propor soluções para os problemas encontrados
no cotidiano da assistência obstétrica.
Esses apontamentos são coerentes com os resultados da análise da prática de
atividade física realizada durante a gestação sobre as condições de parto e nascimento,
em que foi constatado que, apesar da atividade física se mostrar como um fator de
proteção para alguns elementos do desenvolvimento do parto e nascimento, as taxas das
práticas obstétricas apresentaram-se elevadas, o que nos permite afirmar que as ações
pautadas no modelo tecnicista ainda se fazem presentes na assistência dispensada às
parturientes do município.
Nessa perspectiva, faz-se necessário analisar as práticas que estão sendo
desenvolvidas na atenção ao parto de primigestas, a fim de propor soluções que
estabeleçam uma relação direta com as propostas da política de humanização do parto,
pois é um fator primordial para o estabelecimento de mudanças no processo de trabalho
dos profissionais inseridos neste processo. Este componente transformador da
humanização do parto permite o reconhecimento de novas possibilidades para o cuidado
obstétrico, especialmente, no que se refere a prática de atividade física pela gestante que
caracteriza-se em um elemento da integralidade de ações em prol da qualificação da
atenção obstétrica.
A pesquisa revelou ainda que os efeitos da prática de atividade física
sistematizada, durante o período gestacional, são capazes de proporcionar mudanças das
83
práticas no âmbito da humanização do parto, pois revelaram-se como uma dimensão do
cuidado obstétrico altamente eficaz na redução de intervenções desnecessárias. Esta
característica conferida à atividade física permite estabelecer correlação com as
tecnologias de cuidado, assegurando uma assistência digna, segura e individualizada à
mulher durante o período gravídico-puerperal.
Como limitação enfrentada para a realização deste estudo, destacam-se os
registros deficientes nos prontuários clínicos referentes ao parto e nascimento. Muitas
vezes, os mesmos não apresentavam dados relativos à avaliação obstétrica da
parturiente no momento da hospitalização, letras ilegíveis e/ ou não especificavam as
indicações de cesarianas. No entanto, isto não comprometeu a fidedignidade dos
resultados, apontando para problemas que poderão suscitar novas pesquisas.
A proposta de realização de atividade física com um grupo de gestantes
apresentou-se como um dos grandes desafios para o desenvolvimento desta pesquisa,
pois os benefícios da prática de uma vida ativa e saudável ainda não são totalmente
difundidos entre a população, especialmente entre as gestantes que se encontram
imbuídas de mitos e preconceitos em relação à prática de atividade física durante o
período gravídico-puerperal. No caso específico desta pesquisa, o grupo de gestantes era
composto por adolescentes advindas de áreas periféricas da cidade, configurando-se em
uma constituição especial e cada vez mais frequente em nosso país: crianças gerando
crianças.
Como pesquisadora, vivenciei e compartilhei vários momentos com estas
meninas que, aos poucos, tornavam-se mulheres, mães, esposas e donas de casa. Ao
longo dos nossos encontros, fiz novas amizades e aprendi com a realidade cotidiana de
cada uma delas. As reflexões advindas do desenvolvimento desta pesquisa me
proporcionaram uma maior sensibilidade enquanto enfermeira, pois percebi que o
estabelecimento de vínculos entre profissional e paciente/cliente possibilita a realização
de um cuidado mais efetivo e centrado nas reais necessidades do indivíduo.
Diante do exposto, acredita-se que o estudo tem muito a contribuir como um
instrumento mediador de transformações das práticas profissionais do cuidado
obstétrico, especialmente para o enfermeiro que, diante da intensa incorporação de
novos conhecimentos, o aprofundamento sobre a temática poderá fornecer subsídios
importantes na atuação profissional. Especificamente sobre o comportamento da
atividade física como uma tecnologia de cuidado obstétrico, percebe-se que essa relação
pode contribuir, significativamente, com a melhoria do atendimento direcionado às
84
gestantes e puérperas na garantia de uma atenção mais qualificada prestada no
município.
85
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TAKITO, M. Y.; BENÍCIO, M. H. D. A.; NERI, L. C. L. Atividade física de gestantes
e desfechos ao recém-nascido: revisão sistemática. Rev. Saúde Pública, v. 43, n. 6, p.
1059-69, 2009.
TORRES, J. A.; SANTOS, I.; VARGENS, O. M. C. construindo uma concepção de
tecnologia de cuidado de enfermagem obstétrica: estudo sociopoético. Texto Contexto
Enferm, v. 17, n.4, p. 656-64, 2008.
VOGT, S. E. et al. Características da assistência ao trabalho de parto e parto em três
modelos de atenção no SUS, no Município de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
Cad. Saúde Pública, v. 27, n.9, p.1789-1800, 2011.
ZORZETO, R. Escolha errada. Pesquisa FAPESP 124, p. 40-44, 2006.
94
APÊNDICES
95
APÊNDICE A – Instrumento de coleta de dados
QUESTIONÁRIO
NOME: _______________________________________________________
PRONTUÁRIO:_________________________________________________
NOME DO ENTREVISTADOR:______________________________________
DATA DA COLETA DE DADOS: ____________________________________
Seção 1. Dados pessoais
I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
1. UBS de pertencimento:_____________________________
2. Idade: _ _ _ _ _ anos
3. Raça/cor:
( ) Branca
( ) Parda
( ) Negra
( ) Amarela
( ) Indígena
4. Procedência (cidade e estado):_________________________________
5. Estado conjugal:
( ) União Estável
( ) Solteira
( ) Viúva
( )Casada
6. Escolaridade
( ) Analfabeto
( ) Sabe ler e escrever
( ) Ensino Fundamental Incompleto
( ) Ensino Fundamental Completo
( )Ensino Médio Incompleto
( )Ensino Médio Completo
( )Ensino Superior
7. Ocupação: ________________________________________
8. Renda Familiar: _________________________
9. Renda per capita (quantas pessoas vivem com essa renda): _________________
96
Seção 2. Dados de acompanhamento individual das consultas de pré-natal
II – GESTAÇÃO ATUAL/EM ESTUDO
1. Início das consultas:______sem.
2. Data das consultas:
1ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
2ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
3ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
4ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
5ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
6ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
7ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
8ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
9ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
10ª. Consulta: _ _ / _ _ / _ _ _ _
Consulta puerperal: _ _ / _ _ / _ _ _ _
Outras consultas: _ _ / _ _ / _ _ _ _
12. Exames realizados no início do PN – data de realização, acesso aos resultados e
resultados marcados no cartão:
( ) ABO-Rh _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _ Resultado: _____________
( ) VDRL _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) glicemia de jejum _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _ Resultado: _____________
( ) Hb/Ht _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) anti-HIV _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) urina tipo I _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) sorologia para toxoplasmose _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: ____
( ) EPF _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) outros, quais_____________________ _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _
4. Exames repetidos na 30ª semana – data de realização, acesso aos resultados e
resultados marcados no cartão:
( ) VDRL _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) glicemia de jejum _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) anti-HIV _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
( ) urina tipo I _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _Resultado: _____________
5. Exames Complementares – data de realização, acesso aos resultados e resultados
marcados no cartão:
( ) USG _ _ / _ _ / _ _ _ _ _ _ / _ _ / _ _ _ _ Resultado: _____________
6. Registro de vacina antitetânica no pré-natal
97
( ) 1ª dose
( ) 2ª dose
( ) 3ª dose
( ) Imunizada
( ) Não
7. Intercorrências durante o pré-natal (DHEG, Diabetes e outros agravos):
( ) Sim ( ) Não Quais? ___________________________
8. Procedimentos realizados por consulta
Peso –
1ª. Consulta ( ) sim ( ) não
2ª. Consulta ( ) sim ( ) não
3ª. Consulta ( ) sim ( ) não
4ª. Consulta ( ) sim ( ) não
5ª. Consulta ( ) sim ( ) não
6ª. Consulta ( ) sim ( ) não
Altura1ª. Consulta ( ) sim ( ) não
Cálculo IMC –
1ª. Consulta ( ) sim ( ) não
2ª. Consulta ( ) sim ( ) não
3ª. Consulta ( ) sim ( ) não
4ª. Consulta ( ) sim ( ) não
5ª. Consulta ( ) sim ( ) não
6ª. Consulta ( ) sim ( ) não
Cálculo da IG –
1ª. Consulta ( ) sim ( ) não
2ª. Consulta ( ) sim ( ) não
3ª. Consulta ( ) sim ( ) não
4ª. Consulta ( ) sim ( ) não
5ª. Consulta ( ) sim ( ) não
6ª. Consulta ( ) sim ( ) não
Aferição PA –
1ª. Consulta ( ) sim ( ) não
2ª. Consulta ( ) sim ( ) não
3ª. Consulta ( ) sim ( ) não
4ª. Consulta ( ) sim ( ) não
5ª. Consulta ( ) sim ( ) não
6ª. Consulta ( ) sim ( ) não
Ausculta fetal (BCF)
1ª. Consulta ( ) sim ( ) não
2ª. Consulta ( ) sim ( ) não
3ª. Consulta ( ) sim ( ) não
4ª. Consulta ( ) sim ( ) não
5ª. Consulta ( ) sim ( ) não
6ª. Consulta ( ) sim ( ) não
98
Movimento fetal
1ª. Consulta ( ) sim ( ) não
2ª. Consulta ( ) sim ( ) não
3ª. Consulta ( ) sim ( ) não
4ª. Consulta ( ) sim ( ) não
5ª. Consulta ( ) sim ( ) não
6ª. Consulta ( ) sim ( ) não
9. Foi encaminhada para a maternidade de referência? ( ) sim ( ) não
Qual ? _____________________
10. Recebeu sulfato ferroso e acido fólico na gravidez? ( ) sim ( ) não
11. Apresentou intercorrências? ( ) sim ( ) Quais? ________________________
12. Recebeu tratamento para as intercorrências?( ) sim ( ) não Onde? ________
13. Fuma ( ) sim ( ) não Há quanto tempo? _____ Quantos cigarros/dia? ____
14. Ex tabagista ( ) sim ( ) não Quantos cigarros/dia? ______
15. Etilista( ) sim ( ) não Quantas doses? ________
16. Consome droga ilícita ( ) sim ( ) não Qual? __________________________
17. Possui alguma doença? ( ) sim ( ) não Qual? ___________________
18. Faz uso de alguma medicação ( ) sim ( ) não Qual? ___________________
Seção 3. Dados do parto e nascimento
1. Maternidade:_______________________________________________
2. Data e horário da internação: _________________________
3. Dilatação do colo uterino no momento da internação:_________
4. Ruptura de membranas:
( ) prematura (antes do início das contrações)
( ) precoce (início das contrações até 5 cm)
( ) oportuna (6 cm até 10 cm/dilatação total)
( ) tardia (após expulsão do feto)
5. Tipo de ruptura de membranas: ( ) espontânea ( ) aminiotomia ( ) amniorrexe
6. Início da fase ativa do parto (data/hora):__________________________________
7. Início período de dilatação (data/hora): ...../...../...... hora_________________
99
8. Final do período de dilatação (data/hora): ...../...../...... hora_________________
9. Início período expulsivo (data/hora): ...../...../...... hora_________________
10. Final do período expulsivo (data/hora): ...../...../...... hora_________________
11.Duração do período expulsivo (minutos):___________________________________
12.Hora do nascimento (data/hora):__________________________________
13.Duração do trabalho de parto(total de horas/período de dilatação e expulsivo):_____
14.Uso de medicação: ( ) Sim ( ) Não ( ) Quais:_________________________
15. Intercorrências durante o trabalho de parto: ( ) sim ( ) não Quais: ___________
16. Data do parto:_______________________________________________
17. Tipo de parto:________________________________________________
Se cesárea qual indicação? _____________________________________
Se parto fórceps qual indicação? ________________________________
Se parto via vaginal teve episiotomia( ) sim ( ) não
18. Complicações no parto: ( ) Sim ( ) Não Quais: _______________________
19. Complicações pós-parto: ( ) Sim ( ) Não Quais: _______________________
20. Condições da mãe na primeira hora de nascimento: _________________________
100
DATA/HORA
PLANOS
DE LEE
DILATAÇÃO CERVICAL
DINÂMICA
10
-5
9
-4
8
-3
7
-2
6
-1
5
0
4
1
3
2
2
3
1
4
0
5
VARIEDADEPOSIÇÃO
BOLSA/ LA
EXAMINADOR
OBS
DADOS DO RECÉM-NASCIDO:
1. Sexo: ( ) feminino ( ) masculino
2. Idade gestacional ao nascer:_________________
3. Idade gestacional ao nascer (método Capurro):_________________
4. Peso ao nascer __________________
5. Comprimento _________
6. Apgar no 1º minuto:______________
7. Apgar no 5º minuto:______________
8. Apgar no 10° minuto:______________
9. Complicações no nascimento: ( ) Sim ( ) Não Quais: _______________________
101
10. Anomalia congênita: ( ) Sim ( ) Não Quais: ___________________________
11. Encaminhado para: ( ) Enfermaria ( ) UTI Neonatal
12. Condições do RN na primeira hora de nascimento: _________________________
102
APÊNDICE B – Ficha de dados físicos
Data (início práticas corporais)
Nome:
Peso:
Altura:
IMC:
Composição corporal:

% Gordura

% Massa livre de gordura

% Água corporal
FC:
PA:
FLEXIBILIDADE ESPECÍFICA
Data (início práticas corporais)
Ombro Flexão
Ombro Extensão
Lado direito:
Lado direito:
Lado esquerdo:
Lado esquerdo:
Quadril Abdução
Quadril Adução
Coluna lombar Flexão
Coluna lombar Extensão
103
Data (término práticas corporais)
Nome:
Peso:
Altura:
IMC:
Composição corporal:

% Gordura

% Massa livre de gordura

% Água corporal
FC:
PA:
FLEXIBILIDADE ESPECÍFICA
Data (término práticas corporais)
Ombro Flexão
Ombro Extensão
Lado direito:
Lado direito:
Lado esquerdo:
Lado esquerdo:
Quadril Abdução
Quadril Adução
Coluna lombar Flexão
Coluna lombar Extensão
104
APÊNDICE C – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Eu, Janete T. TomiyoshiNakagawa, portadora do RG RG1105431-0 SJ/MT,
junto com a Angélica Pereira Borges, portadora do RG 1519860-0, solicito a sua
participação na pesquisa “ESTUDO SOBRE AS CONDIÇOES DE PARTO E
NASCIMENTO A PARTIR DO USO DE TECNOLOGIAS ASSISTENCIAIS
INOVADORAS NO MUNICÍPIO DE CUIABÁ- MT”, no subprojeto “INFLUÊNCIA
DE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS SOBRE AS CONDIÇÕES DE
PARTO E NASCIMENTO NO MUNICÍPIO DE CUIABÁ- MT”, cujo objetivo é
avaliar os resultados das práticas de saúde complementares sobre a evolução da
gravidez, e condições de parto e nascimento de gestantes inscritas no programa prénatal das Unidades Básicas de Saúde no município de Cuiabá. Solicito que ao final
participe da entrevista para fins de avaliação do cuidado prestado.
A pesquisa lhe trará benefícios diretos, como informações e cuidados acerca do
processo de gravidez, parto e pós-parto e aumento da capacidade e resistência física
para melhor enfrentar o trabalho de parto e o período expulsivo. Não lhe oferecerá
nenhum risco ou prejuízo pessoal, e quando na presença de risco a saúde ou do bebê,
poderá requere o seu desligamento imediatamente. A sua participação é livre e sua
suspensão poderá ser solicitada a qualquer momento.
Comprometo-me a não revelar os nomes de qualquer participante na pesquisa. As
informações serão apresentadas no trabalho sem qualquer possibilidade de sua
identificação. Ao assinar este documento você autoriza a sua participação, julgando-se
adequadamente informada (o) e concordando em participar da mesma.
Cuiabá, ____________de _______________ de 2012.
Participante:________________________________________
Responsável: ________________________________________
Pesquisadora: _______________________________________
Qualquer dúvida entrar em contato com a pesquisadora através do endereço: Av
Fernando Corrêa da Costa, s/n. Coxipó. Universidade Federal de Mato Grosso. Fone:
3615-8805 E-mail: [email protected]
Maiores informações sobre as questões éticas entrar em contato com o Comitê de Ética
e Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller, fone: 3615-7254.
Cuiabá,
_______________________ (data)
105
APÊNDICE D – Registro fotográfico das atividades da oficina do corpo
Figura 1 – Exercícios físicos em solo para fortalecimento muscular
Figura 2 – Exercícios aquáticos para trabalho cardiorrespiratório
106
Figura 3 – Exercícicios aquáticos recreativos
Figura 4 – Exercícios aquáticos para fortalecimento muscular
107
Figura 5 – Técnica de massagem Shantalla
Figura 6 – Customização do enxoval
108
Figura 7 - Atividade educativa prática sobre o parto
Figura 8 – Atividade educativa sobre parto e cuidados com o RN
109
Figura 9 – Avaliação física da flexibilidade articular
Figura 10 – Avaliação física da composição corporal
110
Figura 11 – Interação com as gestantes
111
ANEXOS
112
ANEXO 1 – Termo de Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa
Download

O uso de tecnologias do cuidado em vista à humanização